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Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 1 de 90 OBSERVAÇÃO IMPORTANTE Este curso é protegido por direitos autorais (copyright), nos termos da Lei 9.610/98, que altera, atualiza e consolida a legislação sobre direitos autorais e dá outras providências. Grupos de rateio e pirataria são clandestinos, violam a lei e prejudicam os professores que elaboram os cursos. Valorize o trabalho de nossa equipe adquirindo os cursos honestamente através do site Estratégia Concursos ;-) Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 2 de 90 AULA 07 Olá pessoal! Na aula de hoje estudaremos o assunto “responsabilidade civil do Estado”. Seguiremos o seguinte sumário: SUMÁRIO Responsabilidade civil do Estado .......................................................................................................................... 3 Evolução ............................................................................................................................................................................... 5 Irresponsabilidade do Estado .................................................................................................................................. 5 Teoria da responsabilidade com culpa comum ................................................................................................ 5 Teoria da culpa administrativa ............................................................................................................................... 6 Teoria do risco administrativo ................................................................................................................................ 7 Teoria do risco integral .............................................................................................................................................. 9 Responsabilidade objetiva: art. 37, §6º da CF .............................................................................................. 13 Responsabilidade civil das empresas estatais ............................................................................................... 20 Responsabilidade civil das prestadoras de serviços públicos ................................................................. 20 Responsabilidade civil por omissão da Administração .......................................................................... 23 Excludentes de responsabilidade ....................................................................................................................... 27 Ação de reparação do dano: particular x Administração ...................................................................... 33 Ação regressiva: Administração x agente público ..................................................................................... 37 Denunciação à lide ..................................................................................................................................................... 42 Responsabilidade por atos legislativos e judiciais .................................................................................... 44 Atos legislativos .......................................................................................................................................................... 45 Atos judiciais ................................................................................................................................................................ 47 Casos especiais .............................................................................................................................................................. 49 Responsabilidade por danos de obras públicas ............................................................................................ 49 Responsabilidade civil dos notários ................................................................................................................... 51 Responsabilidade por atentados terroristas .................................................................................................. 53 Mais questões de prova ............................................................................................................................................ 54 Jurisprudência ............................................................................................................................................................... 72 RESUMÃO DA AULA ..................................................................................................................................................... 79 Questões comentadas na aula ............................................................................................................................... 81 Gabarito ............................................................................................................................................................................. 90 Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 3 de 90 RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO O vocábulo “responsabilidade” é utilizado para qualquer situação em que alguém deva responder pelas consequências dos seus atos. Esse “alguém”, no nosso tema de estudo, é o próprio Estado que, por possuir personalidade jurídica, também é titular de direitos e obrigações na ordem civil. No campo do Direito, verifica-se a existência de uma tríplice responsabilidade: a administrativa, a penal e a civil, inconfundíveis, independentes entre si e, eventualmente, cumuláveis. Em apertada síntese, a responsabilidade administrativa resulta de infração a normas administrativas; a responsabilidade penal decorre da prática de crimes e contravenções tipificados na lei penal; já a responsabilidade civil decorre de infrações a normas de direito civil, gerando para o infrator a obrigação de reparar o dano ou de ressarcir o prejuízo causado a outrem. A reponsabilidade do Estado, como pessoa jurídica, é sempre civil1. A responsabilidade civil tem como pressuposto a ocorrência de um dano (prejuízo). Significa que o sujeito só é civilmente responsável se sua conduta ou omissão provocar dano ao terceiro, dano que pode ser de ordem material (patrimonial) ou moral. A sanção aplicável no caso de responsabilidade civil é a indenização, que é o montante pecuniário necessário para reparar os prejuízos causados pelo responsável. Na maioria das relações entre particulares, o direito civil reconhece a chamada responsabilidade contratual. A responsabilidade contratual, como o próprio nome sugere, se funda no descumprimento de cláusulas estabelecidas em contratos prévios firmados entre as partes. Diversamente, a responsabilidade civil do Estado constitui modalidade extracontratual, por inexistir um contrato que sustente o dever de reparar. Para caracterizar a responsabilidade civil ou extracontratual do Estado, basta que haja um dano (patrimonial e/ou moral) causado a terceiro por comportamento omissivo ou comissivo de agente público. A responsabilidade civil impõe ao Estado a obrigação de reparar (indenizar) esse dano. 1 Não confunda com a responsabilidade dos agentes públicos (pessoas físicas), que pode ser administrativa, penal e civil, como vimos na aula sobre o regime jurídico dos servidores públicos. Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 6 de 90 forma coercitiva e unilateral. Distinguia-se, dessa forma, a pessoa do Rei (insuscetível de errar), que praticaria os atos de império, da pessoa do Estado, que praticaria atos de gestão atravésde seus agentes. Portanto, pela teoria civilista, o Estado respondia pelos danos causados por seus agentes ao praticarem atos de gestão, porém só no caso de culpa destes. Ademais, cabia ao particular prejudicado o ônus de identificar o agente estatal causador do dano, além de demonstrar que ele teria agido com culpa. O problema dessa teoria (que vigorou no Brasil desde o Império até a Constituição de 1946) é que, na prática, nem sempre era fácil distinguir se o ato era de império ou de gestão, o que causava uma série de dúvidas e confusões. TEORIA DA CULPA ADMINISTRATIVA Evoluindo mais um pouco, chegamos à teoria da culpa administrativa. O principal acréscimo na construção teórica foi quanto à desnecessidade de se fazer diferença entre os atos de império e os atos de gestão. Ademais, a teoria da culpa administrativa procurava desvincular a responsabilidade do Estado da ideia de culpa do agente estatal. Passou-se a falar em culpa do serviço público, em que o terceiro lesado não precisava identificar o agente estatal causador do dano. Para caracterizar a responsabilidade do Estado, bastava-lhe comprovar que o serviço público não funcionou ou funcionou de forma insatisfatória, mesmo que fosse impossível apontar o agente responsável pela falha. Perceba que a teoria também exige uma espécie de culpa, mas não a culpa subjetiva do agente, e sim uma culpa atribuída ao Estado (pela má prestação do serviço), denominada pela doutrina de culpa administrativa ou culpa anônima (haja vista a desnecessidade de individualizar a conduta do agente). A culpa administrativa ocorre quando: O serviço não existe (inexistência do serviço); Mau funcionamento do serviço (o serviço existe, porém não funcionou bem); ou Retardamento do serviço (o serviço existe, funciona bem, porém atrasou- se). Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 9 de 90 concomitantemente – sua obrigação de indenizar será proporcionalmente atenuada. Mais que isso, se a Administração conseguir provar que a culpa tenha sido exclusivamente do motorista particular, restaria excluída a obrigação de indenizar por parte da Administração. Essa é a fundamental diferença com relação ao risco integral, como veremos a seguir. TEORIA DO RISCO INTEGRAL Vimos que, na teoria do risco administrativo, o Estado é responsável pelas condutas danosas de seus agentes públicos, independentemente de prova de culpa, mas há situações que afastam o dever de o Estado reparar o eventual prejuízo (são as excludentes de responsabilidade, como a culpa da vítima). Por sua vez, pela teoria do risco integral, o Estado funciona como “segurador universal”, sendo obrigado a indenizar os prejuízos suportados por terceiros, ainda que resultantes da culpa exclusiva da vítima ou de caso fortuito ou força maior. Segundo essa teoria, basta a existência do evento danoso e do nexo de causalidade para que surja a obrigação de indenizar para o Estado, sem a possibilidade de que este alegue excludentes de sua responsabilidade. Por ser o risco integral modalidade de risco administrativo extremamente exagerada, a doutrina majoritária sustenta não ser aplicável em nosso ordenamento jurídico. A regra geral, portanto, é a não aplicabilidade da teoria do risco integral. Porém, há na doutrina quem defenda serem os danos causados por acidentes nucleares uma aplicação da teoria do risco integral (CF, art.21, XXIII, “d” 4 ), uma vez que, nessa hipótese, ficaria afastada qualquer possibilidade de alegações de excludentes pelo Estado5. Outra hipótese de aplicação da teoria do risco integral aceita pela doutrina e pela jurisprudência é a responsabilidade por 4 Art. 21. Compete à União: (...) XXIII - explorar os serviços e instalações nucleares de qualquer natureza e exercer monopólio estatal sobre a pesquisa, a lavra, o enriquecimento e reprocessamento, a industrialização e o comércio de minérios nucleares e seus derivados, atendidos os seguintes princípios e condições: (...) d) a responsabilidade civil por danos nucleares independe da existência de culpa; 5 O tema, porém, não é pacífico. Existem autores que pensam não existir distinção entre a responsabilidade por dano nuclear e as demais hipóteses de responsabilidade civil do Estado, ou seja, o dano nuclear também ensejaria a responsabilidade civil objetiva na modalidade risco administrativo. Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 12 de 90 2. (Cespe – Ministério da Justiça 2013) A teoria que impera atualmente no direito administrativo para a responsabilidade civil do Estado é a do risco integral, segundo a qual a comprovação do ato, do dano e do nexo causal é suficiente para determinar a condenação do Estado Entretanto, tal teoria reconhece a existência de excludentes ao dever de indenizar. Comentário: A teoria que impera atualmente no direito administrativo para a responsabilidade civil do Estado é a do risco administrativo, segundo a qual a comprovação do ato, do dano e do nexo causal é suficiente para determinar a condenação do Estado. A teoria do risco administrativo reconhece a existência de excludentes ao dever de indenizar (ex: culpa exclusiva da vítima e ocorrência de caso fortuito e força maior). A teoria do risco integral, por sua vez, obriga o Estado a reparar todo e qualquer dano, não admitindo excludentes de responsabilidade. No nosso ordenamento jurídico, a teoria do risco integral só é aplicada em hipóteses restritas, como exceção, quais sejam: danos nucleares, danos ambientais e ataques terroristas a aeronaves brasileiras. Gabarito: Errado 3. (Cespe – Bacen 2013) De acordo com a teoria da culpa administrativa, existindo o fato do serviço e o nexo de causalidade entre esse fato e o dano sofrido pelo administrado, presume-se a culpa da administração. Comentário: De acordo com a teoria objetiva (risco administrativo e risco integral, e não da culpa administrativa), existindo o fato do serviço e o nexo de causalidade entre esse fato e o dano sofrido pelo administrado, presume-se a culpa da Administração, afinal, a pessoa que sofreu o dano não precisa prova- la (a responsabilidade é objetiva). Na teoria da culpa administrativa, ao contrário, a culpa da Administração não é presumida, e sim precisa ser demonstrada pela parte lesada (é o que ocorre nos casos de omissão do Poder Público). Gabarito: Errado Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 13 de 90 RESPONSABILIDADE OBJETIVA: ART. 37, §6º DA CF O art. 37, §6º da Constituição Federal assim dispõe: § 6º - As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. A doutrina ensina que esse dispositivo constitucional consagra no Brasil a responsabilidade extracontratual objetiva da Administração Pública, na modalidade risco administrativo. Sendo assim, a Administração Pública tem a obrigação de indenizar o dano causado a terceiros por seus agentes, independentemente da prova de culpa no cometimento da lesão (e independentemente da existência de contrato entre ela e o terceiro prejudicado). A responsabilidade objetiva prevista no art. 37, §6º da CF alcança: Todas as pessoas jurídicas de direito público (administração direta, autarquias e fundações de direito público), independentemente das atividades que exerçam; As pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviços públicos (empresas públicas, sociedades de economia mista e fundações públicas de direito privado que prestem serviçospúblicos); As pessoas privadas, não integrantes da Administração Pública, que prestem serviços públicos mediante delegação (concessionárias, permissionárias e detentoras de autorização de serviços públicos). 4. (Cespe – DP/DF 2013) Segundo o ordenamento jurídico brasileiro, todas as pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado que integrem a administração pública responderão objetivamente pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros. Comentário: A responsabilidade civil objetiva abrange (i) todas as pessoas jurídicas de direito público e (ii) as pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviço público, mas não as pessoas jurídicas de direito privado exploradoras de atividade econômica. Portanto, a palavra “todas” macula o quesito. Gabarito: Errado Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 15 de 90 exercendo. Não importa se a atuação do agente foi lícita ou ilícita7; o que interessa é exclusivamente ele agir na qualidade de agente público, e não como pessoa comum. Dessa forma, se um policial fardado, agindo em nome do Estado (o que, no caso, presume-se pelo só fato de o agente estar fardado e integrar efetivamente os quadros da corporação policial), ainda que em dia de folga, causar dano ao particular, a obrigação de indenizar compete ao Poder Público, independentemente da existência de irregularidade na conduta do agente. 5. (FGV – OAB 2011) Um policial militar, de nome Norberto, no dia de folga, quando estava na frente da sua casa, de bermuda e sem camisa, discute com um transeunte e acaba desferindo tiros de uma arma antiga, que seu avô lhe dera. Com base no relatado acima, é correto afirmar que o Estado (A) será responsabilizado, pois Norberto é agente público pertencente a seus quadros. (B) será responsabilizado, com base na teoria do risco integral. (C) somente será responsabilizado de forma subsidiária, ou seja, caso Norberto não tenha condições financeiras. (D) não será responsabilizado, pois Norberto, apesar de ser agente público, não atuou nessa qualidade; sua conduta não pode, pois, ser imputada ao Ente Público. Comentários: Não haverá responsabilidade do Estado nos casos em que o agente causador do dano seja realmente um agente público, mas não esteja atuando na sua condição de agente público (nem parecendo estar). Assim, na situação narrada no comando da questão, o Estado não será responsabilizado, pois o policial, apesar de ser agente público, não atuou nessa qualidade; seu comportamento derivou de interesse privado, motivado por sentimento pessoal. Dessa forma, sua conduta não poderá ser imputada ao Estado, daí o gabarito (alternativa “d”). Sobre esse assunto, cabe ressaltar que existe uma polêmica na jurisprudência. Caso, na mesma situação, o disparo tivesse sido efetuado com uma arma da corporação, não há consenso sobre se haveria ou não 7 Conforme ensina Hely Lopes Meirelles, a atuação ilícita do servidor não exclui a responsabilidade objetiva da Administração. Antes, a agrava, porque tal atuação traz ínsita a presunção de má escolha do agente público para a missão que lhe fora atribuída. Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 16 de 90 responsabilidade civil do Estado. Existem várias decisões dos Tribunais Superiores no sentido de que caberia sim a responsabilidade civil do Estado, pois o policial somente detinha a posse da referida arma por causa da sua situação funcional, ou seja, o simples uso da arma, ainda que em dia de folga (o que é vedado), configura atuação na condição de agente público, atraindo a responsabilidade do Estado8. Mas também existem várias decisões em sentido contrário, ou seja, de que não haveria responsabilidade civil do Estado mesmo que o disparo tenha sido efetuado com arma da corporação, pois, no dia de folga, o policial não atua na qualidade de agente público9. Aliás, pela impossibilidade de se fazer um julgamento objetivo a respeito do tema envolvendo disparo com arma da corporação, o Cespe, recentemente, anulou uma questão que cobrava o assunto na prova do STJ/2015. Não obstante, na situação em análise, a arma utilizada não era da corporação (era do avô), de modo que não há dúvida acerca da irresponsabilidade do Estado. Gabarito: alternativa “d” É oportuno conhecermos também o alcance do conceito de “terceiros”, constante do art. 37, §6º da CF. A expressão tem abrangência ampla, incluindo todas as pessoas físicas e jurídicas, públicas ou privadas. Em outras palavras, o Estado deve responder pelos danos causados por seus agentes a qualquer que seja a vítima10. Continuando no art. 37, §6º, percebe-se que, na sua parte final, é feita referência à possibilidade de a pessoa jurídica cobrar do agente público o valor da indenização que foi obrigada a pagar. Assim, a pessoa jurídica deverá ajuizar ação regressiva contra o seu agente a fim de obter o ressarcimento da indenização que foi obrigada a pagar. Todavia, o agente somente será responsabilizado se for comprovado que ele atuou com dolo ou culpa, ou seja, a responsabilidade do agente é subjetiva, na modalidade culpa comum. O ônus da prova da culpa do agente é da pessoa jurídica em nome da qual ele atuou e que já foi condenada a indenizar o terceiro lesado. 8 STF Ȃ RE 291.035/SP 9 STF Ȃ RE 363.423. 10 STF Ȃ AI 473.381/AP Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 19 de 90 público e das pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviço público, responsabilidade objetiva, com base no risco administrativo, ocorre diante dos seguintes requisitos: a) Dano a terceiro; b) Ação administrativa; c) Nexo causal entre o dano e a ação administrativa. Essa responsabilidade objetiva, com base no risco administrativo, admite pesquisa em torno da culpa da vítima, para o fim de abrandar ou mesmo excluir a responsabilidade da pessoa jurídica de direito público ou da pessoa jurídica de direito privado prestadora de serviço público. Gabarito: Certo 8. (Cespe – Ministério da Justiça 2013) Para a configuração da responsabilidade civil do Estado, é irrelevante licitude ou a ilicitude do ato lesivo. Embora a regra seja a de que os danos indenizáveis derivam de condutas contrárias ao ordenamento jurídico, há situações em que a administração pública atua em conformidade com o direito e, ainda assim, produz o dever de indenizar. Comentário: Para configurar a responsabilidade civil do Estado, o agente causador do prejuízo a terceiros deve ter agido na qualidade de agente público, sendo irrelevante o fato de ele atuar dentro, fora ou além de sua competência legal, nem mesmo se o ato foi culposo ou doloso. Não importa, portanto, perquirir se a atuação do agente foi lícita ou ilícita, uma vez que essa atuação – legal ou ilegal – é imputada ao órgão ou entidade cujos quadros ele integra. Por exemplo, o agente da Administração, ao realizar a manutenção dos bueiros da cidade, pode esquecer a tampa de um deles aberta e, com isso, provocar estragos num veículo particular que transitar sobre o local. Nessa hipótese, mesmo que o fato de deixar a tampa do bueiro aberta não caracterize um ato ilícito do agente público, ainda assim a Administração deverá indenizar o particular. Gabarito: Certo Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 22 de 90 9. (Cespe – CADE 2014) No direito pátrio, as empresas privadas delegatárias de serviço público não se submetem à regra da responsabilidade civil objetiva do Estado. Comentário: Conforme expressamente previsto no art. 37, §6º da CF, aspessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviço público, entre as quais se incluem as empresas privadas delegatárias de serviço público, se submetem sim à regra da responsabilidade civil objetiva do Estado. Gabarito: Errado 10. (Cespe – TCE/ES 2012) De acordo com o entendimento do STF, empresa concessionária de serviço público de transporte responde objetivamente pelos danos causados aos usuários de transporte coletivo. Comentário: Na verdade, de acordo com o entendimento do STF, empresa concessionária de serviço público de transporte responde objetivamente pelos danos causados aos usuários e aos não-usuários de transporte coletivo. Não obstante, embora incompleto, o quesito pode ser considerado correto. Gabarito: Certo 11. (Cespe – PC/BA 2013) O corte de energia elétrica por parte da concessionária de serviço público presume a existência de dano moral, sendo desnecessária a comprovação dos prejuízos sofridos à honra objetiva de empresa ou usuário afetado pela interrupção do serviço. Comentário: Para restar configurada a responsabilidade civil objetiva da concessionária de serviço público, é necessário que se demonstre a existência do dano, do ato da empresa e do nexo causal entre um e outro. Portanto, ao contrário do que afirma o quesito, é necessária a comprovação dos prejuízos sofridos. Gabarito: Errado Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 23 de 90 RESPONSABILIDADE CIVIL POR OMISSÃO DA ADMINISTRAÇÃO Como já foi afirmado, o Estado pode causar dano a particulares por ação ou omissão. Quando há ação, os danos podem ser gerados por conduta culposa ou não do agente público. Em ambos os casos incide a responsabilidade civil objetiva, desde que presentes os seus pressupostos – o fato do serviço, o dano e o nexo causal. Todavia, quando há omissão, em regra existe a necessidade da presença do elemento culpa para a responsabilização do Estado. Em outras palavras, nas hipóteses de danos provocados por omissão do Poder Público, a sua responsabilidade civil passa ser de natureza subjetiva, na modalidade culpa administrativa. Nesses casos, a pessoa que sofreu o dano, para ter direito à indenização do Estado, tem que provar (o ônus da prova é dela) a culpa da Administração Pública. A culpa administrativa, no caso, origina-se do descumprimento do dever legal, atribuído ao Poder Público, de impedir a consumação do dano. Ou seja, decorre de falta no serviço que o Estado deveria ter prestado (abrangendo a inexistência, a deficiência ou o atraso do serviço) e que, se tivesse sido prestado de forma adequada, o dano não teria ocorrido. Tal “culpa administrativa”, no entanto, não precisa ser individualizada, isto é, não precisa ser provada negligência, imprudência ou imperícia de um agente público determinado. Basta ao lesado provar o nexo causal entre o dano e a omissão estatal. A responsabilidade subjetiva do Estado usualmente se aplica a situações em que há dano a um particular em decorrência de atos de terceiros, não agentes públicos (ex: delinquentes ou multidões) ou de fenômenos da natureza (ex: enchente ou vendaval). Por exemplo, na hipótese de ocorrência de uma enchente que provoque estragos na residência de um particular, este terá direito à indenização do Estado caso consiga provar que os bueiros e as galerias pluviais, cuja manutenção é dever do Poder Público, estavam entupidos. Nesse exemplo, como o dano foi causado por um evento da natureza, e não por um ato de um agente público atuando nessa qualidade, para se atribuir ao Estado a responsabilidade civil pelo prejuízo, há necessidade de se provar a culpa administrativa (a responsabilidade é subjetiva, portanto). A culpa, na situação, está caracterizada pela ausência ou deficiência no serviço de manutenção, que contribuiu para o dano causado Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 24 de 90 ao patrimônio do particular; não há, contudo, necessidade de provar qual foi o agente público responsável pela omissão13. Por outro lado, caso se verifique que o dano decorreu exclusivamente de atos de terceiros ou fenômenos da natureza, sem qualquer omissão culposa da Administração, esta não terá a obrigação de indenizar. No mesmo exemplo anterior, caso todo o sistema de escoamento estivesse em perfeitas condições e, mesmo assim, por conta de uma chuva de intensidade excepcional e imprevisível, não tenha sido suficiente para evitar a enchente, a responsabilidade do Estado será afastada, porque o dano terá ocorrido exclusiva e diretamente de situação de força maior, sem qualquer culpa da Administração. A responsabilidade pela falta do serviço só existe quando o dano era evitável. Assim, podemos concluir que a regra da responsabilidade objetiva da Administração Pública não vale para os casos de omissão estatal. A responsabilidade passa a ser subjetiva. Este é o entendimento tanto doutrinário como jurisprudencial dominante14, e que deve ser tomado como regra geral. Disse que deve ser tomado como regra geral porque há situações em que os atos omissivos acarretarão a responsabilidade objetiva do Estado, nos termos do §6º do art. 37 da CF. Segundo a jurisprudência do STF15, quando o Estado tem o dever legal de garantir a integridade de pessoas ou coisas que estejam sob sua proteção direta (ex: presidiários e internados em hospitais públicos) ou a ele ligadas por alguma condição específica (ex: estudantes de escolas públicas) o Poder Público responderá civilmente, por danos ocasionados a essas pessoas ou coisas, com base na responsabilidade objetiva prevista no art. 37, §6º, mesmo que os danos não tenham sido diretamente causados por atuação de seus agentes. Nesse caso, de forma excepcional, o Estado responderá objetivamente pela sua omissão no dever de custódia dessas pessoas ou coisas. Como exemplo, pode-se citar um presidiário que seja assassinado por outro condenado dentro da penitenciária ou um aluno de escola pública 13 Não obstante, a detecção do agente causador da omissão é importante para o Estado, para que possa apurar as devidas responsabilidades, e, assim, acionar o agente público em sede de ação regressiva, mas essa é outra história, que veremos daqui a pouco. 14 STF Ȃ RE 695.887/PB; STJ Ȃ RE 602.102 15 RE 633.138/DF Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 28 de 90 Por exemplo: um motorista, servidor público, vem dirigindo em serviço de forma cautelosa quando, de repente, um particular avança o sinal vermelho e colide com o veículo oficial. Nesse caso, o Estado não teria o dever de indenizar o proprietário do automóvel particular, pois o dano foi causado exclusivamente por ato do próprio particular. Em outras palavras, não houve nexo de causalidade entre alguma ação do agente público e o dano, daí o fundamento para a exclusão da responsabilidade civil do Estado. Detalhe é que a responsabilidade do Poder Público, em razão de culpa atribuível à própria vítima, pode ser totalmente excluída como também pode ser reduzida proporcionalmente. No exemplo dado, a responsabilidade foi totalmente excluída, pois a culpa pelo acidente foi exclusiva do particular. Por outro lado, se alguma ação do servidor público, de alguma forma, tivesse contribuído para o acidente, haveria aquilo que a doutrina chama de culpa concorrente (do agente público e da vítima). Nesse caso, a responsabilidade civil da Administração seria afastada apenas parcialmente, ou seja, o Estado teria o dever de indenizar o particular, só que o valor da indenização seria reduzido proporcionalmente. Outra excludente de responsabilidade se verifica na hipótese de caso fortuito ou força maior.Não há consenso na doutrina acerca do que vem a ser caso fortuito e do que vem a ser força maior. Alguns autores dizem que caso fortuito decorre de eventos da natureza e força maior da conduta humana; outros autores afirmam exatamente o contrário. Entretanto, não nos interessa aqui fazer distinção entre os conceitos. Para o nosso objetivo, vamos adotar a posição majoritária da doutrina e da jurisprudência que considera “caso fortuito” e “força maior” como se fossem a mesma coisa. Nesse sentido, tanto o caso fortuito como a força maior constituem fatos imprevisíveis, não imputáveis à Administração e que podem romper a necessária causalidade entre a ação do Estado e o dano causado. Os eventos de caso fortuito e força maior só podem ser considerados excludentes de responsabilidade nas situações em que o dano decorrer exclusivamente dos efeitos do evento imprevisível. Isso é necessário para caracterizar a necessária quebra do nexo de causalidade entre o dano e alguma ação ou omissão estatal. Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 31 de 90 14. (Cespe – TJDFT 2013) Se um particular sofrer dano quando da prestação de serviço público, e restar demonstrada a culpa exclusiva desse particular, ficará afastada a responsabilidade da administração. Nesse tipo de situação, o ônus da prova, contudo, caberá à administração. Comentário: A responsabilidade civil objetiva na modalidade risco administrativo admite excludente de responsabilidade para afastar o dever de indenizar do Estado. Entre os excludentes de responsabilidade, está a culpa exclusiva da vítima, o caso fortuito e a força maior. Detalhe é que o ônus da prova em relação à presença do excludente de responsabilidade é da própria Administração (afinal, ela é que será beneficiada com a exclusão). Gabarito: Certo 15. (Cespe – MIN 2013) Considere que um particular, ao avançar o sinal vermelho do semáforo, tenha colidido seu veículo contra veículo oficial pertencente a uma autarquia que trafegava na contramão. Nessa situação, o Estado deverá ser integralmente responsabilizado pelo dano causado ao particular, dado que, no Brasil, se adota a teoria da responsabilidade objetiva e, de acordo com ela, a culpa concorrente não elide nem atenua a responsabilidade do Estado de indenizar. Comentário: De acordo com a teoria da responsabilidade objetiva, na hipótese de culpa concorrente, a responsabilidade do Estado será atenuada, ou seja, o valor da indenização que terá de pagar será reduzido proporcionalmente, na medida de sua culpa. Como o particular também teve culpa, parte do prejuízo será suportado por ele. Gabarito: Errado 16. (Cespe – DP/AC 2012) Um paciente internado em hospital público de determinado estado da Federação cometeu suicídio, atirando-se de uma janela próxima a seu leito, localizado no quinto andar do hospital. Com base nessa situação hipotética, fica excluída a responsabilidade do Estado, por ter sido a culpa exclusiva da vítima, sem possibilidade de interferência do referido ente público. Comentário: O entendimento acerca da responsabilidade civil pelo suicídio de pessoas sob a guarda do Estado não é uniforme na jurisprudência. As decisões variam a depender do caso concreto. Afinal, o suicídio é ou não é um caso de culpa exclusiva da vítima?? No caso de suicídio envolvendo paciente internado em hospital público, o STF já se manifestou que a responsabilidade extracontratual do Estado fica excluída pela culpa exclusiva da vítima. Veja, por exemplo, a decisão do Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 32 de 90 Supremo no RE 318.725/RJ: DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. RESPONSABILIDADE EXTRACONTRATUAL DO ESTADO. SUICÍDIO DE PACIENTE EM HOSPITAL PÚBLICO. INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO CAUSAL ENTRE O EVENTO E A ATUAÇÃO DO ENTE PÚBLICO. 1. A discussão relativa à responsabilidade extracontratual do Estado, referente ao suicídio de paciente internado em hospital público, no c o, foi excluíd pel culpa exclusiva da vítima, sem possibilidade de interferência do ente público. 2. Agravo regimental improvido. Daí, portanto, o gabarito da questão. Diversa, a meu ver, seria a situação em que a tendência suicida do paciente pudesse ser diagnosticada a priori, caso em que caberia ao Estado se acautelar das providências necessárias, para impedir que o internado lograsse tirar a própria vida. Mas esse não foi o caso. Quanto ao suicídio de detento em estabelecimento prisional, o STF possui outra posição, reconhecendo a responsabilidade civil objetiva do Estado. Foi a decisão adotada, por exemplo, no ARE 700.927/GO: Agravo regimental no recurso extraordinário com agravo. 2. Direito Administrativo. 3. Responsabilidade civil do Estado. Indenização por danos morais. Morte de preso em estabelecimento prisional. Suicídio. 4. Acórdão recorrido em consonância com a jurisprudência desta Corte. Incidência da Súmula 279. Precedentes. 5. Ausência de argumentos capazes de infirmar a decisão agravada. 6. Agravo regimental a que se nega provimento. Em geral, quando se trata do suicídio de detentos, a jurisprudência tem reconhecido a responsabilidade objetiva do Estado, não admitindo a exclusão da responsabilidade por culpa exclusiva da vítima. Enfim, percebe-se que existem na jurisprudência posições diversas e exatamente opostas em relação à responsabilidade civil do Estado na hipótese de suicídio de pessoas sujeitas à sua guarda. Por isso, considero que é possível afirmar que o suicídio, por si só, não caracteriza culpa exclusiva da vítima; deve-se analisar as demais circunstâncias que envolvem o caso, especialmente a previsibilidade da conduta do suicida, para concluir se há ou não responsabilidade do Estado. A não ser no caso dos detentos, em que a orientação jurisprudencial tende a ser pela responsabilidade objetiva do Estado, não existe uma regra única a ser seguida na prova. Cabe ao candidato analisar todas as informações presentes na questão – especialmente os elementos subjacentes, e não apenas o suicídio em si – para decidir qual a melhor resposta. Gabarito: Certo Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 33 de 90 17. (Cespe – Ministério da Justiça 2013) Caso ocorra o suicídio de um detento dentro de estabelecimento prisional mantido pelo Estado, a administração pública, segundo entendimento recente do STJ, estará, em regra, obrigada ao pagamento de indenização por danos morais Comentário: A questão aborda a responsabilidade civil do Estado na hipótese de suicídio de detentos. Nesse caso específico, a jurisprudência vem se consolidando no sentido de que a responsabilidade do Estado é objetiva, e que o suicídio em ambiente prisional não é culpa exclusiva vítima. Segundo a jurisprudência do STJ (Resp 1.305.259/SC), “a responsabilidade civil estatal pela integridade dos presidiários é objetiva em face dos riscos inerentes ao meio em que eles estão inseridos por uma conduta do próprio Estado”. Gabarito: Certo ***** Vamos agora aprender como ocorre a reparação do dano causado pelo agente público ao particular, e como a pessoa jurídica poderá exercer o seu direito de regresso contra o agente. Em frente! AÇÃO DE REPARAÇÃO DO DANO: PARTICULAR X ADMINISTRAÇÃO Caso a Administração e o terceiro lesado não consigam entrar em acordo para reaver o prejuízo de forma amigável, na via administrativa, o particular que sofreu o dano praticado por agente público deverá intentar a ação judicial de reparação em face da Administração Pública, pleiteando indenização pelo prejuízo. A ação de reparação deve ser movida contra a Administração (pessoa jurídica), e não contra o agente que causou o dano. Issoporque, conforme o art. 37, §6º da CF, é a própria pessoa jurídica (de direito público ou de direito privado prestadora de serviço público) que responderá objetivamente pela reparação dos danos causados a terceiros por seus agentes. Portanto, quem deve figurar no polo passivo (respondendo, sendo processado) da ação de indenização movida pelo particular é a pessoa jurídica, e não o agente público; este tampouco poderá figurar em conjunto com a pessoa jurídica, na posição de litisconsorte. Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 41 de 90 20. (Cespe – GDF 2013) Aplica-se a prescrição quinquenal no caso de ação regressiva ajuizada por autarquia estadual contra servidor público cuja conduta comissiva tenha resultado no dever do Estado de indenizar as perdas e danos materiais e morais sofridos por terceiro. Comentário: As ações de ressarcimento ao erário, como é o caso das ações regressivas, são imprescritíveis. Sobre o tema, o doutrinador Carvalho Filho ensina que a imprescritibilidade alcança apenas as pessoas jurídicas de direito público, ou seja, as pessoas federativas, as autarquias e fundações autárquicas, não atingindo as empresas estatais, pessoas de direito privado. Também não atinge as delegatárias de serviço público, pois o dispositivo constitucional trata das ações de ressarcimento ao erário. Para essas entidades, aplica-se o prazo prescricional de três anos do Código Civil. Gabarito: Errado 21. (Cespe – MDIC 2014) Considere que o motorista de um veículo oficial de determinado ministério, ao trafegar em velocidade acima do limite legal, tenha colidido contra um veículo de particular que estava devidamente estacionado. Nessa situação, embora o Estado seja obrigado a indenizar o dano, somente haverá o direito de regresso do Estado caso se comprove o dolo específico na conduta do servidor. Comentário: Nos termos do art. 37, §6º da CF, direito de regresso do Estado existe em caso de dolo ou culpa (e não apenas em caso de dolo). Gabarito: Errado 22. (Cespe – TCDF 2014) De acordo com o sistema da responsabilidade civil objetiva adotado no Brasil, a administração pública pode, a seu juízo discricionário, decidir se intenta ou não ação regressiva contra o agente causador do dano, ainda que este tenha agido com culpa ou dolo. Comentário: A doutrina majoritária é no sentido de que a ação regressiva é obrigatória. Afinal, é a integridade do erário que está jogo, não podendo o agente público abrir mão, a seu critério, de um patrimônio que é de todos. Tanto é assim que a Lei 4.619/1965 estipula o prazo de 60 dias para ajuizamento da ação regressiva, a contar da data em que transitar em julgado a condenação imposta ao Estado. O não cumprimento desse prazo pelos procuradores responsáveis por impetrar a ação constitui falta no exercício do dever. Lembrando que a ação de regresso é imprescritível. Gabarito: Errado Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 42 de 90 23. (Cespe – MTE 2014) O servidor que, por descumprimento de seus deveres funcionais, causar dano ao erário, ficará obrigado ao ressarcimento, em ação regressiva. Comentário O servidor responde civil, penal e administrativamente pelo exercício irregular de suas atribuições. Nos termos do art. 122 da Lei 8.112/1990, “a responsabilidade civil decorre de ato omissivo ou comissivo, doloso ou culposo, que resulte em prejuízo ao erário ou a terceiros”. Assim, na hipótese de um ato do servidor causar dano ao erário, ele responderá na esfera civil diretamente, ficando obrigado ao ressarcimento. A ação regressiva ocorre para os casos de danos a terceiros, daí o erro. Gabarito: Errado DENUNCIAÇÃO À LIDE Antes de encerrar esse tópico, cabe abordar a (in)aplicabilidade da “denunciação à lide” aos processos judiciais fundados na responsabilidade civil objetiva do Estado. Primeiro, vamos ver o que significa essa expressão. Lide quer dizer litígio, uma questão a ser resolvida, normalmente, em processo de natureza judicial. Assim, “denunciar à lide” significa, de maneira simples, trazer para um processo judicial alguém que pode (ou deve, em algumas situações) ser trazido. O art. 125, II, do Código de Processo Civil prevê que “é admissível a denunciação da lide, promovida por qualquer das partes àquele que estiver obrigado, por lei ou pelo contrato, a indenizar, em ação regressiva, o prejuízo de quem for vencido no processo”. Isso significa que, na esfera do direito privado, se uma empresa é alvo de ação civil por prejuízo causado por um de seus empregados, poderá ser feita a “denunciação da lide” ao funcionário, ou seja, aquele funcionário poderá ser chamado a responder na mesma ação judicial. Existem divergências doutrinárias e jurisprudenciais a respeito da aplicação ou não do instituto da denunciação à lide às ações civis contra o Estado. Não obstante, a posição majoritária da doutrina e da jurisprudência é no sentido da inaplicabilidade da denunciação à lide pela Administração a seus agentes. Em outras palavras, a Administração não pode, já na primeira ação (isto é, na ação de indenização movida pela pessoa que sofreu o dano), Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 43 de 90 trazer para o processo (denunciar à lide) seu agente cuja atuação ocasionou o dano. O argumento é: a responsabilidade do agente é subjetiva; a do Poder Público, objetiva. Admitir a denunciação pelo Poder Público ao agente importaria trazer, já para a ação de indenização, a discussão acerca da existência de dolo ou culpa na conduta do agente público, o que certamente traria prejuízos ao particular interessado; primeiro porque atrasaria o recebimento da indenização (afinal, enquanto a responsabilidade da Administração é objetiva, não demandando análise de culpa, denunciar o agente à lide tornaria a ação dependente da demonstração da sua culpa, ou seja, seria gasto mais tempo com análise de provas, atrasando a solução final do litígio), e segundo porque, se ficasse comprovada a culpa do agente já na ação de reparação, este é que seria o responsável por indenizar o particular, e não a Administração, gerando o risco de o agente não dispor de recursos financeiros suficientes para arcar com a despesa. Assim, se fosse cabível a denunciação da lide, ocorreria, dentro do processo do particular contra a Administração, uma discussão relativa à existência ou não de culpa do agente, e essa discussão, a princípio, em nada interessa o particular (presume-se que o único interesse do particular é ver o seu dano ressarcido, objetivamente). Na esfera federal, o art. 122, §2º da Lei 8.112/1990 estabelece que “tratando-se de dano causado a terceiros, responderá o servidor perante a Fazenda Pública, em ação regressiva”. O significado desse dispositivo é que o exercício do direito de regresso previsto no art. 37, §6º da CF deverá ser exercido pela Administração mediante ação própria, a ação regressiva, e não chamando o agente público para a ação de indenização movida pelo particular lesado contra o Estado. Portanto, na esfera federal, pode-se dizer que o instituto da denunciação à lide, por expressa disposição legal, não é aplicável nos processos em que se discute a responsabilidade civil objetiva do Estado por danos causados a terceiros. Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 46 de 90 (por possuírem destinatários certos e determinados), proporcionando, portanto, os mesmos efeitos de atos desta natureza (administrativos). São exemplos as leis que aprovam planos de urbanização, as leis que concedemisenções fiscais a determinado setor ou pessoa, etc. Em relação à edição de leis inconstitucionais, parte-se da premissa de que o Poder Legislativo, embora possua soberania para editar leis, deve elaborá-las em conformidade com a Constituição. Assim, caso o Legislativo não observe essa condição e venha a elaborar leis inconstitucionais, poderá surgir a responsabilidade extracontratual do Estado. Ressalte-se que a responsabilização do Estado, nessa hipótese, depende da declaração de inconstitucionalidade da lei pelo Supremo Tribunal Federal (STF), tanto no controle concentrado como no difuso. Sem a declaração da Suprema Corte, não há que se cogitar a responsabilidade estatal. Ademais, é necessário que a lei tenha efetivamente causado dano ao particular. Dessa forma, havendo a declaração de inconstitucionalidade da lei, a pessoa que tenha sofrido danos oriundos da sua incidência terá que ajuizar uma ação específica pleiteando a indenização, a fim de demonstrar o dano sofrido. Para a autora Maria Sylvia Zanella Di Pietro, o entendimento quanto às leis inconstitucionais pode ser estendido aos regulamentos do Poder Executivo e às normas das agências reguladoras, com a peculiaridade de que a indenização poderá ser pleiteada com fundamento na simples ilegalidade do ato, dispensando-se a prévia apreciação judicial. 24. (Cespe – MPTCDF 2013) O Estado só responderá pela indenização ao indivíduo prejudicado por ato legislativo quando este for declarado inconstitucional pelo STF. Comentário: O Estado responderá pela indenização ao indivíduo prejudicado por ato legislativo quando este for declarado inconstitucional pelo STF e também quando este for um ato legislativo de efeitos concretos. Portanto, a palavra “só” restringe indevidamente o item. Sobre o tema, ressalte-se que alguns autores também apontam que a omissão legislativa pode gerar a responsabilidade civil do Estado, especialmente quando a mora do legislador é reconhecida por meio de decisão judicial (ex: mandado de injunção). Gabarito: Errado Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 48 de 90 Por fim, é importante mencionar que, por força do que dispõe o art. 143 do novo Código de Processo Civil, o magistrado responderá “civil e regressivamente” por perdas e danos quando, no exercício de suas atribuições, proceder dolosamente, inclusive com fraude, assim como quando recusar, omitir ou retardar, sem motivo justo, providência que deva ordenar de ofício, ou a requerimento da parte. Nessas situações, em que o juiz pratica atos jurisdicionais com o intuito deliberado de causar prejuízo à parte ou a terceiro (conduta dolosa), também incide a responsabilidade civil objetiva do Estado, assegurado o direito de regresso contra o juiz. 25. (Cespe – DP/DF 2013) Considere que o Poder Judiciário tenha determinado prisão cautelar no curso de regular processo criminal e que, posteriormente, o cidadão aprisionado tenha sido absolvido pelo júri popular. Nessa situação hipotética, segundo entendimento do STF, não se pode alegar responsabilidade civil do Estado, com relação ao aprisionado, apenas pelo fato de ter ocorrido prisão cautelar, visto que a posterior absolvição do réu pelo júri popular não caracteriza, por si só, erro judiciário. Comentário: A questão apresenta corretamente o entendimento do STF acerca do assunto, no sentido de que a prisão preventiva, por si só, não é suficiente para atrair a responsabilidade civil objetiva do Estado nos casos em que o réu, ao final da ação penal, venha a ser absolvido ou tenha sua sentença condenatória reformada na instância superior. Gabarito: Certo 26. (Cespe – TCDF 2014) Incidirá a responsabilidade civil objetiva do Estado quando, em processo judicial, o juiz, dolosamente, retardar providência requerida pela parte. Comentário: À época da prova, vigorava o CPC antigo, o qual estabelecia que, quando o juiz, dolosamente, retardasse providência requerida pela parte, incidiria a responsabilidade pessoal subjetiva do magistrado, ou seja, não seria o Estado quem deveria pagar a indenização ao prejudicado, e sim o próprio juiz. Porém, o novo CPC modificou essa regra: a partir de agora, na hipótese de conduta dolosa do magistrado que venha a causar prejuízo à parte ou a terceiro, incide a responsabilidade civil objetiva do Estado, assegurado o direito de regresso contra o juiz. Assim, vamos atualizar o gabarito original da questão. Gabarito: Certo Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 49 de 90 27. (Cespe – TJDFT 2013) Suponha que o TJDFT, por intermédio de um oficial de justiça, no exercício de sua função pública, pratique ato administrativo que cause dano a terceiros. Nessa situação, não se aplicam as regras relativas à responsabilidade civil do Estado, já que os atos praticados pelos juízes e pelos auxiliares do Poder Judiciário não geram responsabilidade do Estado. Comentário: No que concerne aos atos administrativos praticados pelos agentes do Poder Judiciário, incide normalmente a responsabilidade civil objetiva do Estado, desde que, é lógico, presentes os pressupostos de sua configuração. Portanto, não se deve confundir os atos jurisdicionais típicos (que, em regra, não geram responsabilidade civil para o Estado) com os atos administrativos praticados pelos agentes do Poder Judiciário (que, como visto, não se diferenciam dos atos administrativos praticados pelo Executivo e demais Poderes). Gabarito: Errado CASOS ESPECIAIS Em seguida, vamos abordar alguns tópicos especiais relativos ao tema responsabilidade civil do Estado. RESPONSABILIDADE POR DANOS DE OBRAS PÚBLICAS Na aferição da responsabilidade civil por danos decorrentes de obras públicas interessa indagar, a priori, se o dano foi causado: Pela própria natureza da obra, ou seja, pelo só fato da obra; Pela má execução da obra. Quando o dano decorre da própria natureza da obra ou, em outras palavras, pelo só fato da obra, sem que tenha havido culpa de alguém, a responsabilidade da Administração é do tipo objetiva, na modalidade risco administrativo. Nesta situação, o dano resulta da obra em si mesma, por sua localização, extensão ou duração prejudicial ao particular, sem relação direta com alguma falha na execução propriamente dita. A ideia subjacente é que, como o resultado da obra pública, em tese, irá beneficiar a todos, é justo que os danos decorrentes da própria natureza da obra também sejam repartidos, através da indenização arcada pelo erário. Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 50 de 90 Nessa hipótese (dano causado pelo só fato da obra), a responsabilidade da Administração independe de quem estava executando a obra (se a própria Administração ou algum particular contratado). Como exemplo de dano provocado pelo só fato da obra, Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo trazem as rachaduras nas paredes das casas próximas a uma obra para ampliação do metrô, provocadas pelas explosões necessárias à perfuração e abertura de galerias, apesar de todas as precauções e cuidados técnicos tomados. Nesse caso, o dano a essas casas é ocasionado pelo só fato da obra, sem que haja culpa de alguém, e quem responde pelo dano é a Administração Pública (responsabilidade civil objetiva), mesmo que a obra esteja sendo executada por um particular por ela contratado. De outra parte, danos também podem ser causados pela má execução da obra, ou seja, pela falha na adoção das técnicas construtivas ou pela não observância dos procedimentos corretos por parte do executor da obra. Nessa hipótese, já interessa saber quem está executando a obra. Se a obra estiver sendo executada pela própria Administração,diretamente, ela responderá pelo dano objetivamente, com base no art. 37, §6º da CF. Vale dizer, a reparação do dano causado a terceiros pela má execução de obra pública, quando o executor é a própria Administração, constitui hipótese de incidência da responsabilidade civil objetiva do Estado. Diversamente, se o executor da obra for um particular contratado pela Administração (uma empreiteira, por exemplo), quem responderá civilmente pelo dano é esse particular; porém, sua responsabilidade será do tipo subjetiva, ou seja, o executor contratado só responderá se tiver atuado com dolo ou culpa. É o que prevê o art. 70 da Lei 8.666/1993: Art. 70. O contratado é responsável pelos danos causados diretamente à Administração ou a terceiros, decorrentes de sua culpa ou dolo na execução do contrato, não excluindo ou reduzindo essa responsabilidade a fiscalização ou o acompanhamento pelo órgão interessado. Nessa hipótese, se for o caso, o Estado responderá de forma subsidiária. É dizer, sua responsabilidade só estará configurada se o executor não for capaz de promover a reparação dos danos que causou ao Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 52 de 90 Uma das diferenças é que a delegação dos serviços notariais e registrais não é feita mediante licitação e sim por meio de concurso público de provas e títulos. Ademais, essa delegação é feita pelo Poder Judiciário, cabendo-lhe, ainda, competência exclusiva para a fiscalização; esta, vista como poder de polícia, permite a cobrança de taxa. O delegatário, também chamado de notário ou tabelião, é uma pessoa física. É considerado um agente público em sentido amplo (mas não é um servidor público detentor de cargo efetivo, é só agente público). A serventia (cartório) não é uma pessoa jurídica, sendo o próprio particular, para o qual foi conferida a outorga da delegação, o responsável pela prestação do serviço. Como dito, ele exerce a atividade em caráter privado, e é responsável por todos os atos praticados na serventia. O tabelião pode causar dano a terceiros quando, por exemplo, reconhecer uma firma falsa ou registrar erroneamente um protesto, causando restrições cadastrais indevidas. Sendo assim, qual seria a responsabilidade civil do tabelião nesses casos? A responsabilidade civil dos tabeliães é de natureza subjetiva, conforme expressamente previsto no art. 22 da Lei 13.286/2016: Art. 22. Os notários e oficiais de registro são civilmente responsáveis por todos os prejuízos que causarem a terceiros, por culpa ou dolo, pessoalmente, pelos substitutos que designarem ou escreventes que autorizarem, assegurado o direito de regresso. Parágrafo único. Prescreve em três anos a pretensão de reparação civil, contado o prazo da data de lavratura do ato registral ou notarial. Assim, o terceiro lesado terá que provar dolo ou culpa do tabelião para que este venha a responder civilmente pelo dano causado. Ressalte-se que a responsabilidade é pessoal do tabelião (em caso de dolo ou culpa), e não do Estado. E a ação prescreve em três anos, diferente, portanto, da prescrição em cinco anos das ações de reparação propostas contra o Estado. Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 53 de 90 RESPONSABILIDADE POR ATENTADOS TERRORISTAS A Lei 10.744/2003 autorizou a União, na forma e critérios estabelecidos pelo Poder Executivo, a assumir despesas de responsabilidades civis perante terceiros na hipótese da ocorrência de danos a bens e pessoas, passageiros ou não, provocados por atentados terroristas, atos de guerra ou eventos correlatos25, ocorridos no Brasil ou no exterior, contra aeronaves de matrícula brasileira operadas por empresas brasileiras de transporte aéreo público, excluídas as empresas de táxi aéreo. Perceba que, nesse caso, o Estado responderá civilmente pelos danos provocados por terceiros, ou seja, será responsabilizado por evento alheio ao organismo estatal. E, na referida lei, não houve qualquer previsão de excludente de responsabilidade. Por isso, a doutrina sustenta tratar-se de hipótese de risco integral. 28. (ESAF – PGFN 2007) Caberá ao Ministro de Estado da Fazenda definir as normas para a operacionalização da assunção, pela União, de responsabilidades civis perante terceiros no caso de atentados terroristas, atos de guerra ou eventos correlatos. Comentário: O quesito está correto, de acordo com o art. 2º da Lei 10.744/2003: Art. 2o Caberá ao Ministro de Estado da Fazenda definir as normas para a operacionalização da assunção de que trata esta Lei, segundo disposições a serem estabelecidas pelo Poder Executivo. Gabarito: Certo **** É isso pessoal. Terminamos aqui a parte teórica. Como já é de praxe, vamos resolver mais algumas questões de prova 25 Os eventos correlatos incluem greves, tumultos, comoções civis, distúrbios trabalhistas, ato malicioso, ato de sabotagem, confisco, nacionalização, apreensão, sujeição, detenção, apropriação, seqüestro ou qualquer apreensão ilegal ou exercício indevido de controle da aeronave ou da tripulação em vôo por parte de qualquer pessoa ou pessoas a bordo da aeronave sem consentimento do explorador. Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 54 de 90 MAIS QUESTÕES DE PROVA 29. (Cespe – DPU 2015) A responsabilidade civil do servidor público pela prática, no exercício de suas funções, de ato que acarrete prejuízo ao erário ou a terceiros pode decorrer tanto de ato omissivo quanto de ato comissivo, doloso ou culposo. Comentário: Para caracterizar a responsabilidade civil ou extracontratual do Estado, basta que haja um dano (patrimonial e/ou moral) causado a terceiro por comportamento omissivo ou comissivo, doloso ou culposo de agente público. A responsabilidade civil impõe ao Estado a obrigação de reparar (indenizar) esse dano. Nos termos do art. 122 da Lei 8.112/1990, “a responsabilidade civil decorre de ato omissivo ou comissivo, doloso ou culposo, que resulte em prejuízo ao erário ou a terceiros”. Gabarito: Certo 30. (Cespe – DPU ) Situação hipotética: Considere que uma pessoa jurídica de direito público tenha sido responsabilizada pelo dano causado a terceiros por um dos seus servidores. Assertiva: nessa situação, o direito de regresso poderá ser exercido contra esse servidor ainda que não seja comprovada a ocorrência de dolo ou culpa. Comentário: o art. 37, § 6º, da Constituição Federal, dispõe o seguinte: 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. Como se nota, o direito de regresso do Estado só poderá ser assegurado quando seus agentes tiverem causado danos a terceiros por dolo ou culpa. Em outras palavras, se não houver dolo ou culpa do agente, não será assegurado o direito de regresso, o que torna a questão incorreta. Gabarito: Errado 31. (Cespe – CGE/PI 2015) De acordo com a teoria do risco integral, é suficiente a existência de um evento danoso e do nexo de causalidade entre a conduta administrativa e o dano para que seja obrigatória a indenização por parte do Estado, afastada a possibilidade de ser invocada alguma excludente da responsabilidade. Comentário: Na teoria do risco integral, o Estado funciona como um segurador universal, que deverá suportar os danos sofridos por terceiros em qualquer hipótese. A característica do risco integral é que não são admitidas as hipóteses de exclusão da responsabilidade civil do Estado. De fato, para se aduzir a responsabilidade do Estado, seria suficiente demonstrar odano e o Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 55 de 90 nexo de causalidade entre a conduta administrativa e o dano. Sendo assim, a questão está correta. Gabarito: Certo 32. (Cespe – CGE/PI 2015) As pessoas jurídicas de direito público responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável apenas nos casos de dolo. Comentário: Vamos dar uma olhada no art. 37, §6º, da CF: § 6º – As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. Como se nota, o direito de regresso contra o agente público ocorre tanto no caso de dolo como de culpa. Logo, a questão está errada. Gabarito: Errado (Cespe – TRE/GO 2015) Rafael, agente público, chocou o veículo que dirigia, de propriedade do ente ao qual é vinculado, com veículo particular dirigido por Paulo, causando-lhe danos materiais. Acerca dessa situação hipotética, julgue os seguintes itens. 33. Rafael pode ser responsabilizado, regressivamente, se for comprovado que agiu com dolo ou culpa, mesmo sendo ocupante de cargo em comissão, e deve ressarcir a administração dos valores gastos com a indenização que venha a ser paga a Paulo. Comentário: segundo o art. 37, §6º, da CF, a responsabilidade civil do Estado é objetiva, com base na teoria do risco administrativo. Dessa forma, as pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos devem responder pelos danos que seus agentes, atuando nessa qualidade, causarem a terceiros. Nesse caso, assegura-se o direito de regresso contra o responsável (o agente público que causou o dano), desde que ele tenha agido com dolo ou culpa. No caso concreto, o Estado indeniza Paulo (terceiro lesado), mas poderá mover uma ação de regresso contra Rafael (agente público que deu causa ao dano), desde que esse agente tenha atuado com dolo ou culpa. Logo, o item está correto. Gabarito: Certo 34. (Cespe – TRE/GO 2015) A responsabilidade da administração pelos danos causados a terceiro é objetiva, ou seja, independe da comprovação do dolo ou culpa de Rafael. Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 56 de 90 Comentário: A responsabilidade objetiva independe de dolo ou culpa para ensejar o dever de indenizar. Portanto, o Estado pode ser chamado a indenizar o terceiro lesado, independentemente de o agente público causador do dano ter atuado com dolo ou culpa. Logo, o item está correto. Lembrando que o elemento subjetivo (dolo ou culpa) é exigido para mover a ação regressiva, mas não é necessário para indenizar o terceiro lesado. Gabarito: Certo 35. (Cespe – TRE/GO 2015) Caso Rafael seja empregado de empresa terceirizada, contratada pela administração para a prestação de serviços de transporte de materiais, a responsabilidade do ente público será objetiva, porém subsidiária. Comentário: Nesse caso, a responsabilidade é da empresa terceirizada, de forma subjetiva, nos termos do art. 70 da Lei 8.666/1993 – “O contratado é responsável pelos danos causados diretamente à Administração ou a terceiros, decorrentes de sua culpa ou dolo na execução do contrato, não excluindo ou reduzindo essa responsabilidade a fiscalização ou o acompanhamento pelo órgão interessado”. A administração, nesse caso, somente poderá responder subjetivamente, quando se comprovar que ocorreu omissão no seu dever de fiscalização. Gabarito: Errado 36. (Cespe – TRE/GO 2015) A responsabilidade da administração pode ser afastada caso fique comprovada a culpa exclusiva de Paulo e pode ser atenuada em caso de culpa concorrente. Comentário: As excludentes da responsabilidade civil do Estado são: (a) caso fortuito ou força maior; (b) culpa exclusiva da vítima; e (c) ato exclusivo de terceiro. Dessa forma, se a culpa for exclusiva de Paulo (vítima), a responsabilidade da Administração poderá ser afastada. Por outro lado, sendo que a culpa concorrente, ocorrerá a atenuação dessa responsabilidade. Portanto, o item está perfeito. Gabarito: Certo 37. (Cespe – TRT10 2013) A teoria do risco integral obriga o Estado a reparar todo e qualquer dano, independentemente de a vítima ter concorrido para o seu aperfeiçoamento. Comentário: A teoria do risco integral responsabiliza o Estado pelos danos que seus agentes causarem a terceiros sem admitir qualquer excludente Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 57 de 90 de responsabilidade em defesa do Estado. Tal teoria é empregada de forma restrita em nosso ordenamento jurídico, como nos danos nucleares, ambientais e atentados terroristas a aeronaves brasileiras. Gabarito: Certo 38. (Cespe – TCE/ES 2012) Para efeito de responsabilidade do Estado, no caso de lesão a terceiro, é fundamental estabelecer se o agente público, no exercício de suas funções, atuou de forma dolosa ou culposa, bem como se os poderes de que se tenha valido correspondiam ou não às suas atribuições específicas. Comentário: A Administração Pública tem a obrigação de indenizar o dano causado a terceiros por seus agentes, independentemente da prova de dolo ou culpa no cometimento da lesão. Ademais, é irrelevante se o agente atuou dentro ou fora das suas competências, ou seja, se o ato praticado foi lícito ou não. O quesito, portanto, está errado. Por outro lado, lembre-se de que é imprescindível para a caracterização da responsabilidade do Estado que o agente público esteja atuando nessa qualidade, ou seja, no desempenho das atribuições próprias da sua função ou simplesmente agindo como se a estivesse exercendo. Gabarito: Errado 39. (Cespe – Anatel 2012) De acordo com a teoria do risco administrativo, o ônus da prova de culpa do particular por eventual dano que tenha sofrido, caso exista, cabe sempre à administração pública. Comentário: A teoria do risco administrativo admite a exclusão (total ou parcial) da responsabilidade da Administração caso fique comprovada a culpa da vítima. No caso, o ônus da prova cabe à Administração. Lembrando que, diversamente, nos casos de omissão administrativa, em que a responsabilidade do Estado é subjetiva, cabe ao particular provar que essa omissão lhe causou algum dano. Gabarito: Certo 40. (Cespe – TRE/MS 2013) Acerca da responsabilidade civil do Estado, assinale a opção correta. a) Para configurar a responsabilidade civil do Estado, o agente público causador do dano deve ser servidor público estatutário e possuir vínculo direto com a administração. b) Para configurar a responsabilidade civil do Estado, o agente público causador do prejuízo a terceiros deve ter agido na qualidade de agente público, sendo irrelevante o fato de ele atuar dentro, fora ou além de sua competência legal. Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 58 de 90 c) Considerando que os atos judiciais são invioláveis, não se admite a responsabilização ao Estado pelos danos que deles emergirem. d) A responsabilidade civil do Estado é objetiva, sendo obrigatória configuração da culpa para a eclosão do evento danoso. e) É inconstitucional o dispositivo da Lei de Licitações e Contratos que prevê que a administração pública não se responsabilizará pelo pagamento dos encargos trabalhistas inadimplidos dos empregados de empresa terceirizada contratada. Comentário: a) ERRADA. Para configurar a responsabilidade civil do Estado, o agente público causador do danonão necessariamente deve ser servidor público estatutário, podendo ser também empregado público. Aliás, o agente nem precisa possuir vínculo direto com a administração, bastando ser alguma pessoa incumbida da realização de algum serviço público, temporário ou permanente. b) CERTA. É condição imprescindível para a caracterização da responsabilidade do Estado o fato de o agente, ao praticar o ato danoso, estar atuando na condição de agente público (ou de agente de delegatária de serviço público), vale dizer, no desempenho das atribuições próprias da sua função ou simplesmente agindo como se a estivesse exercendo. Não importa se a atuação do agente foi lícita ou ilícita; o que interessa é exclusivamente ele agir na qualidade de agente público, e não como pessoa comum. c) ERRADA. O Estado pode sim ser responsabilizado em decorrência da prática de atos judiciais, em duas hipóteses: erro judiciário cometido na esfera penal e conduta dolosa ou fraudulenta do juiz. d) ERRADA. A responsabilidade civil objetiva independe da configuração de dolo ou culpa. e) ERRADA. O art. 71 da Lei de Licitações prevê que o contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato e que a inadimplência do contratado não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento. O STF fixou o entendimento de que esse dispositivo da Lei de Licitações não afronta a Constituição. No caso da inadimplência do contratado, o Estado responde apenas subsidiariamente. Gabarito: alternativa “b” 41. (Cespe – MPU 2013) Considere que veículo oficial conduzido por servidor público, motorista de determinada autoridade pública, tenha colidido contra o veículo de um particular. Nesse caso, tendo o servidor atuado de forma culposa e provados a conduta comissiva, o nexo de causalidade e o resultado, deverá o Estado, de Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 59 de 90 acordo com a teoria do risco administrativo, responder civil e objetivamente pelo dano causado ao particular. Comentário: Para configurar a responsabilidade civil objetiva do Estado, na modalidade risco administrativo, exige-se a presença dos seguintes requisitos: dano, conduta administrativa e nexo causal. O quesito está correto, portanto. Perceba que, embora a questão afirme que o servidor atuou de forma culposa, essa informação é irrelevante para a configuração da responsabilidade civil do Estado, que é objetiva e, por isso, estará presente tendo ou não o agente atuado de forma culposa ou dolosa. Gabarito: Certo 42. (Cespe – MIN 2013) Na hipótese de a explosão em uma pedreira, cujo funcionamento fora irregularmente licenciado, causar danos a terceiros, deverão ser responsabilizados civilmente por esses danos não só os responsáveis pelo empreendimento, mas também o município que concedeu a licença. Comentário: No caso, considerou-se que tanto os responsáveis pelo empreendimento quanto o Poder Público contribuíram para os danos. O empreiteiro pela má execução da obra e o Município pelo licenciamento irregular. Nessa hipótese, ambos (empreiteiro e Município) têm responsabilidade pelo dano ocorrido, devendo arcar, de modo proporcional, com a eventual indenização devida, na medida da culpa de cada um. Gabarito: Certo 43. (Cespe – MIN 2013) Considere que determinado prefeito municipal, abusando de seu poder ao exercer suas atribuições, execute ato que cause prejuízo patrimonial a terceiros. Nessa situação, caberá ao município restaurar o patrimônio diminuído. Comentário: A responsabilidade para ressarcir os danos causados a terceiros por agentes públicos é do Estado. Trata-se da aplicação da teoria da responsabilidade civil objetiva, na modalidade risco administrativo, prevista no art. 37, §6º da CF. Assim, na situação descrita no item, é correto afirmar que caberá ao Município restaurar o dano causado pelo prefeito. O prefeito, por sua vez, só será alcançado mediante ação regressiva, após a condenação do Município. Gabarito: Certo 44. (Cespe – Suframa 2014) Um veículo da SUFRAMA, conduzido por um servidor do órgão, derrapou, invadiu a pista contrária e colidiu com o veículo de um particular. O acidente resultou em danos a ambos os veículos e lesões graves no motorista do veículo particular. Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 60 de 90 Com referência a essa situação hipotética, julgue os itens que se seguem. Provado que o motorista da SUFRAMA não agiu com dolo ou culpa, a superintendência não estará obrigada a indenizar todos os danos sofridos pelo condutor do veículo particular. Comentário: Uma vez que o acidente envolveu um agente público atuando nessa qualidade (conduzindo um veículo oficial), a superintendência será sim obrigada a ressarcir os danos sofridos pelo condutor do veículo particular, independentemente de o servidor ter agido com ou dolo ou culpa ou de ter desrespeitado ou não as leis de trânsito. A responsabilidade da superintendência surge, tão somente, pela existência de um dano a terceiro provocado pela atuação de um agente público agindo nessa qualidade, daí o erro. Vale ressaltar que a culpa ou dolo servidor só importará na ação de regresso. Nesta ação, se ficar comprovado que o agente agiu com dolo ou culpa terá que ressarcir ao erário o valor dispendido com a indenização paga ao condutor do veículo particular. Ademais, é importante anotar que a responsabilidade da superintendência poderá ser afastada (total ou parcialmente) caso ela demonstre (o ônus da prova é dela) a presença de algum excludente de responsabilidade, como a culpa exclusiva ou concorrente da vítima ou a ocorrência de caso fortuito e força maior. Gabarito: Errado 45. O motorista da SUFRAMA poderá ser responsabilizado administrativamente pelo acidente, ainda que tenha sido absolvido por falta de provas em eventual ação penal instaurada para apurar a responsabilidade pelas lesões causadas ao motorista particular. Comentário: Em regra, as instâncias penal e administrativa são independentes, exceto se houver absolvição na esfera criminal por negativa de fato ou de autoria, caso em que o servidor não poderá, pelos mesmos fatos, ser responsabilizado na instância administrativa. Na situação narrada no quesito, o motorista da SUFRAMA foi absolvido na esfera penal por falta de provas (e não por negativa do fato ou da autoria). Dessa forma, a absolvição judicial não irá interferir no processo administrativo, de modo que o servidor poderá sim ser responsabilizado administrativamente (poderá sofrer uma sanção disciplinar, por exemplo). Gabarito: Certo 46. (Cespe – PM/CE 2014) A responsabilidade civil do servidor público por dano causado a terceiros, no exercício de suas funções, ou à própria administração, é Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 61 de 90 subjetiva, razão pela qual se faz necessário, em ambos os casos, comprovar que ele agiu de forma dolosa ou culposa para que seja diretamente responsabilizado. Comentário: A responsabilidade civil do servidor público, quando atua nessa qualidade, pode decorrer de duas situações: (i) por dano causado a terceiros; ou (ii) por dano causado à própria Administração, ou seja, ao erário. Em ambas as hipóteses, a responsabilidade civil do servidor é subjetiva, ou seja, ele só responde se tiver agido com dolo ou culpa. A peculiaridade é que, no caso de dano causado a terceiros, o servidor responde mediante ação regressiva. É isso que prevê a Lei 8.112/1990: Art. 122. A responsabilidade civil decorre de ato omissivo ou comissivo, doloso ou culposo, que resulte em prejuízo ao erário ou a terceiros.§ 1o A indenização de prejuízo dolosamente causado ao erário somente será liquidada na forma prevista no art. 46, na falta de outros bens que assegurem a execução do débito pela via judicial. § 2o Tratando-se de dano causado a terceiros, responderá o servidor perante a Fazenda Pública, em ação regressiva. § 3o A obrigação de reparar o dano estende-se aos sucessores e contra eles será executada, até o limite do valor da herança recebida. Gabarito: Certo 47. (Cespe – Bacen 2013) Os efeitos da ação regressiva movida pelo Estado contra o agente que causou o dano transmitem-se aos herdeiros e sucessores, até o limite da herança, em caso de morte do agente. Comentário: Por ser uma ação de natureza cível (indenizatória), a ação regressiva transmite-se aos sucessores (herdeiros) do agente causador do dano, os quais ficarão responsáveis por promover a reparação mesmo após a morte do agente. O limite até o qual os sucessores responderão é o valor do patrimônio transferido, como herança, pelo agente público falecido. Nesse sentido, vale conhecer o teor do art. 122 da Lei 8.112/1990: Art. 122. A responsabilidade civil decorre de ato omissivo ou comissivo, doloso ou culposo, que resulte em prejuízo ao erário ou a terceiros. § 1o A indenização de prejuízo dolosamente causado ao erário somente será liquidada na forma prevista no art. 46, na falta de outros bens que assegurem a execução do débito pela via judicial. § 2o Tratando-se de dano causado a terceiros, responderá o servidor perante a Fazenda Pública, em ação regressiva. § 3o A obrigação de reparar o dano estende-se aos sucessores e contra eles será executada, até o limite do valor da herança recebida. Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 62 de 90 Lembrando que a obrigação do servidor surgirá apenas na ação de regresso, pois na ação de reparação movida pelo particular, quem responde é o Estado. Assim, se o servidor, na ação de regresso, for condenado a ressarcir o erário e, posteriormente, vier a falecer, sua obrigação para com o Estado passará para os sucessores, até o limite do valor da herança. Gabarito: Certo 48. (Cespe – PRF 2013) Um PRF, ao desviar de um cachorro que surgiu inesperadamente na pista em que ele trafegava com a viatura de polícia, colidiu com veículo que trafegava em sentido contrário, o que ocasionou a morte do condutor desse veículo. Com base nessa situação hipotética, julgue o item a seguir. Em razão da responsabilidade civil objetiva da administração, o PRF será obrigado a ressarcir os danos causados à administração e a terceiros, independentemente de ter agido com dolo ou culpa. Comentário: Quem será obrigado a ressarcir os danos causados a terceiros pela atuação de agentes públicos é o Estado, no caso em apreço, a União. O PRF, por sua vez, só responderá em ação regressiva, e somente será condenado nessa ação se tiver agido com dolo ou culpa. Gabarito: Errado 49. (Cespe – Ministério da Justiça 2013) Para configurar a responsabilidade civil do Estado, é irrelevante que o agente público causador do dano atue no exercício da função pública. Estando o agente, no momento em que tenha realizado a ação ensejadora do prejuízo, dentro ou fora do exercício da função pública, seu comportamento acarretará responsabilidade ao Estado. Comentário: Ao contrário do que afirma o quesito, para configurar a responsabilidade civil do Estado é essencial que o agente público causador do dano atue no exercício da função pública, ou seja, no momento em que tenha realizado a ação ensejadora do prejuízo, o agente deverá estar dentro do exercício da função pública. Gabarito: Errado 50. (Cespe – Bacen 2013) Se uma professora concursada, ao ministrar aula em uma escola pública, for ferida por um tiro disparado por um aluno, a responsabilidade do Estado pelo dano causado à professora será objetiva. Comentário: Segundo a jurisprudência do STF, quando o Estado tem o dever legal de garantir a integridade de pessoas ou coisas que estejam sob sua proteção direta (ex: presidiários e internados em hospitais públicos) ou a ele ligadas por alguma condição específica (ex: estudantes de escolas Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 63 de 90 públicas) o Poder Público responderá civilmente, por danos ocasionados a essas pessoas ou coisas, com base na responsabilidade objetiva prevista no art. 37, §6º, mesmo que os danos não tenham sido diretamente causados por atuação de seus agentes. Nesse caso, de forma excepcional, o Estado responderá objetivamente pela sua omissão no dever de custódia dessas pessoas ou coisas. Foi dito “de forma excepcional” porque, de regra, a responsabilidade do Estado por danos que não tenham sido causados por uma atuação direta dos agentes públicos é de natureza subjetiva. Na situação descrita no item, a professora e o aluno são pessoas ligadas ao Estado por uma condição específica, gerando para o Estado a obrigação de indenizar a professora pelo dano (responsabilidade civil objetiva), ainda que o tiro não tenha sido disparado diretamente por um agente público. Gabarito: Certo 51. (Cespe – TCE/RO 2013) É objetiva a responsabilidade da administração pública pelos danos causados por fenômenos da natureza. Comentário: A responsabilidade da administração pública pelos danos causados por fenômenos da natureza é subjetiva, eis que os danos não foram provocados por uma atuação direta de agente público e sim por uma provável omissão do Estado, a qual deverá ser provada pela pessoa que sofreu o dano para que esta tenha direito a indenização (teoria da culpa administrativa). Ressalte-se que, mesmo na responsabilidade subjetiva, é necessário haver o nexo de causalidade entre a omissão do Poder Público e o dano causado ao particular. Gabarito: Errado 52. (Cespe – PC/CE 2012) As empresas públicas e as sociedades de economia mista que exploram atividade econômica respondem pelos danos que seus agentes causarem a terceiros conforme as mesmas regras aplicadas à demais pessoas jurídicas de direito privado. Comentário: As empresas públicas e as sociedades de economia mista exploradoras de atividade econômica (ex: Banco do Brasil e Petrobras) não estão abrangidas pelo art. 37, §6º da CF, ou seja, não estão sujeitas à responsabilização civil objetiva na modalidade risco administrativo. Tais entidades respondem pelos danos que seus agentes causarem a terceiros da mesma forma que qualquer empresa privada, nos termos do direito civil e comercial; ou seja, a responsabilidade das empresas estatais exploradoras de atividade econômica é de natureza subjetiva (teoria civilista ou culpa comum – depende da demonstração de culpa do agente). Gabarito: Certo Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 64 de 90 53. (Cespe – Câmara dos Deputados 2012) As entidades de direito privado prestadoras de serviço público respondem objetivamente pelos prejuízos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros. Comentário: A regra da responsabilidade civil objetiva, prevista no art. 37, §6º da CF, se estende às pessoas jurídicas prestadoras de serviços públicos, independentemente de a prestadora integrar ou não a Administração Pública, neste último caso, sendo uma concessionária, permissionária ou autorizada. Gabarito: Certo 54. (Cespe – Ministério da Justiça 2013) Por ostentarem natureza pública, apenas as pessoas jurídicas de direito público responderão objetivamente pelos danos que seus agentes causarem a terceiros. Comentário: Além das pessoas jurídicas de direito público, as entidades de direito privado prestadoras de serviço público e as empresas privadas delegatárias de serviço público tambémresponderão objetivamente pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros. Gabarito: Errado 55. (Cespe – GDF 2013) Segundo a atual posição do STF, é subjetiva a responsabilidade de empresa pública prestadora de serviço público em relação aos danos causados a terceiros não usuários do serviço. Comentário: Segundo a atual posição do STF, a responsabilidade civil das pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviço público é objetiva (e não subjetiva) em relação aos usuários, bem como em relação a terceiros não usuários do serviço público (lembre-se do caso do motorista de transporte coletivo que atropela um pedestre. O pedestre, por não estar no ônibus, seria um exemplo de não usuário). Gabarito: Errado 56. (Cespe – Bacen 2013) A responsabilidade civil objetiva do Estado não abrange as empresas públicas e sociedades de economia mista exploradoras de atividade econômica. Comentário: De fato, a responsabilidade civil objetiva do Estado, prevista no art. 37, §6º da CF, não abrange as empresas públicas e sociedades de economia mista exploradoras de atividade econômica. A responsabilidade dessas entidades pelos danos causados a terceiros por seus agentes é de natureza subjetiva (teoria civilista ou culpa comum – depende da demonstração de culpa do agente). Gabarito: Certo Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 65 de 90 57. (Cespe – Ministério da Justiça 2013) O caso fortuito e a força maior não possibilitam a exclusão da responsabilidade do poder público, visto ser objetiva a responsabilidade do Estado. Comentário: A responsabilidade civil objetiva na modalidade risco administrativo admite a arguição de excludente de responsabilidade para afastar o dever de indenizar do Estado. Como excludentes de responsabilidade, a doutrina geralmente cita a culpa exclusiva da vítima, o caso fortuito e força maior e o fato exclusivo de terceiros. Detalhe é que o ônus da prova em relação à presença do excludente de responsabilidade é da própria Administração (afinal, ela é que será beneficiada com a exclusão). Gabarito: Errado 58. (Cespe – Suframa 2014) O direito pátrio adotou a responsabilidade objetiva do Estado, sob a modalidade “risco administrativo”. Assim, a culpa exclusiva da vítima é capaz de excluir a responsabilidade do Estado, e a culpa concorrente atenua o valor da indenização devida. Comentário: A responsabilidade do Poder Público em razão de culpa atribuível à própria vítima pode ser totalmente excluída como também pode ser reduzida proporcionalmente. O primeiro caso ocorre quando ficar comprovado que a própria vítima foi a única responsável pelo dano a ela causado (não houve participação do agente público). Já o segundo ocorre nas situações em que, além da ação da própria vítima, alguma ação do servidor público também contribuiu para o dano; no caso, haveria aquilo que a doutrina chama de culpa concorrente (do agente público e da vítima). Nessa hipótese, a responsabilidade civil da Administração seria atenuada, ou seja, o Estado teria o dever de indenizar o particular, só que o valor da indenização seria reduzido proporcionalmente. Gabarito: Certo 59. (Cespe – PGE/BA 2014) Suponha que viatura da polícia civil colida com veículo particular que tenha ultrapassado cruzamento no sinal vermelho e o fato ocasione sérios danos à saúde do condutor do veículo particular. Considerando essa situação hipotética e a responsabilidade civil da administração pública, julgue o item subsequente. Sendo a culpa exclusiva da vítima, não se configura a responsabilidade civil do Estado, que é objetiva e embasada na teoria do risco administrativo. Comentário: A culpa exclusiva da vítima é uma excludente de responsabilidade admitida na teoria do risco administrativo que afasta totalmente a responsabilidade civil do Estado. Na situação descrita no item, a culpa exclusiva da vítima seria caracterizada se a Administração conseguisse Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 66 de 90 provar que o acidente foi causado única e exclusivamente pelo fato de o particular ter ultrapassado o sinal vermelho, não havendo nenhuma ação da viatura da polícia civil que tivesse contribuído para o ocorrido. Ressalte-se que o ônus da prova, no caso, é da Administração. Gabarito: Certo 60. (ESAF – GDF 2013) A respeito da Responsabilidade Civil do Estado, analise os itens a seguir: I. O Distrito Federal responde pelos danos que seus servidores, nessa qualidade, causarem a terceiro por culpa exclusiva da vítima; II. A responsabilidade civil do agente público, em face de ação regressiva perante a Administração Pública, é objetiva; III. De acordo com recente decisão do Superior Tribunal de Justiça, reconheceu-se culpa exclusiva da vítima, que foi atropelada em linha férrea, utilizando passagem clandestina aberta no muro sem conservação e sem fiscalização da empresa ferroviária; IV. Haverá responsabilidade civil objetiva do Estado, de acordo com posicionamento do Superior Tribunal de Justiça, no caso de presidiário que se suicidou no estabelecimento prisional, tendo em vista que é dever do Estado proteger seus detentos, inclusive contra si mesmo; V. Com referência à Responsabilidade do Estado por atos jurisdicionais, na jurisprudência brasileira, como regra, prevalece a admissibilidade da responsabilidade civil, devendo a ação ser proposta contra a Fazenda Estadual, a qual tem o direito de regresso contra o magistrado responsável, nos casos de dolo ou culpa. A quantidade de itens corretos é igual a: a) 4 b) 2 c) 3 d) 1 e) 5 Comentários: Vamos analisar cada alternativa: I) ERRADA. O Distrito Federal não responde pelos danos que seus servidores, nessa qualidade, causarem a terceiro por culpa exclusiva da vítima. A culpa exclusiva da vítima é um excludente de responsabilidade. Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 67 de 90 II) ERRADA. A responsabilidade civil do agente público, em face de ação regressiva perante a Administração Pública, é subjetiva, ou seja, ele só será condenado se ficar comprovado que agiu com dolo ou culpa. III) ERRADA. O STJ, no REsp 700.121/SP, reconheceu culpa concorrente (e não culpa exclusiva) entre empresa ferroviária e a vítima, esta atropelada na linha férrea depois de utilizar passagem clandestina aberta no muro. Houve, na espécie, erro recíproco: a vítima porque ciente do ato ilícito cometido; a empresa porque não conservou o muro e sequer fiscalizou o trânsito de pedestres em área proibida. Dessa forma, a responsabilidade civil objetiva do Estado (dever de indenizar a vítima) não foi afastada, mas apenas atenuada. Responsabilidade civil. Atropelamento em via férrea. Culpa concorrente. Precedentes da Corte. 1. Na linha de precedentes da Corte, o dever de cuidar e manter a linha férrea para impedir a travessia impõe o reconhecimento da responsabilidade da empresa, havendo culpa concorrente diante da imprudência do pedestre que utilizou passagem clandestina aberta no muro sem conservação. 2. Recurso especial conhecido e provido, em parte. IV) CORRETA. Em se tratando de suicídio de detentos, a jurisprudência entende que incide a responsabilidade civil objetiva do Estado, não caracterizando excludente de responsabilidade por culpa exclusiva da vítima. No STJ, pode-se tomar como precedente a confirmar essa tese o Resp 847.687/GO: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO. DETENTO MORTO APÓS SER RECOLHIDO AO ESTABELECIMENTO PRISIONAL. RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO ESTADO. SOBREVIDA PROVÁVEL (65 ANOS). PRECEDENTES. (...) 2. No que se refere à morte de preso sob custódia doEstado, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que a responsabilidade civil do ente público é objetiva. 3. A orientação desta Corte fixa em sessenta e cinco anos o limite temporal para pagamento da pensão mensal estabelecida. 4. Precedentes jurisprudenciais do STF, do STJ e de Tribunais Estaduais prestigiando a fixação da responsabilidade civil quando presente o panorama fático e jurídico acima descrito. 5. Doutrina de Rui Stoco, Yussef Cahali, Cretela Júnior e Celso Antônio Bandeira de Melo no mesmo sentido do acima exposto (ver "Tratado de Responsabilidade Civil", de Rui Stoco, 6ª Ed. RT, 2004, pp. 1.124/1.125) 6. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido, para fixar em sessenta e cinco anos o limite temporal para pagamento da pensão mensal estabelecida. Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 68 de 90 Não obstante, lembre-se de que, no caso de suicídio de paciente internado em hospital público, a jurisprudência entende que a responsabilidade extracontratual do Estado é excluída por culpa exclusiva da vítima, a menos, é claro, que o paciente tivesse demonstrado anteriormente alguma tendência suicida. V) ERRADA. Com referência à responsabilidade do Estado por atos jurisdicionais, na jurisprudência brasileira, como regra, prevalece a inadmissibilidade da responsabilidade civil. A responsabilidade do Estado por atos jurisdicionais só estará presente, como exceção, nas hipóteses de erro judiciário na esfera penal (CF, art. 5º, LXXV) ou de conduta dolosa com o intuito deliberado de causar prejuízo à parte ou a terceiro (CPC, art. 143). Gabarito: alternativa “d” 61. (Cespe – MPTCE/PB 2014) A respeito da responsabilidade do Estado por atos da administração pública, assinale a opção correta. a) As teorias subjetivas e objetivas da responsabilidade patrimonial do Estado sempre caminharam paralelamente e, no Brasil, a partir da Constituição de 1937, prevalecem as teorias objetivas. b) A Constituição Imperial do Brasil de 1824 trouxe expressamente hipóteses de responsabilidade da administração pública por atos praticados na esfera do Poder Moderador. c) A CF rompeu completamente com a Constituição anterior quanto à forma de tratar a responsabilidade patrimonial do Estado por atos da administração pública no direito brasileiro. d) A CF inovou em relação às constituições anteriores ao prever a possibilidade de responsabilização de forma objetiva das pessoas jurídicas de direito privado que prestem serviço público. e) As teorias acerca da responsabilidade patrimonial do Estado sempre estiveram pautadas na necessidade de a administração pública rever seus atos e se responsabilizar por eles. Comentários: a) ERRADA. Foi a Constituição Federal de 1946 que inaugurou a responsabilidade objetiva do Estado brasileiro, na modalidade risco administrativo. Antes disso, vigorava no Brasil a teoria civilista, em que o Estado só responderia de houvesse a comprovação de culpa do funcionário. b) ERRADA. Na Constituição de 1824, ainda na época do Império, já vigorava a teoria civilista. Portanto, a responsabilidade, à época, era subjetiva, e recaía sobre os atos de gestão, praticados pelos funcionários. O Poder Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 69 de 90 Moderador, por sua vez, era dado ao Imperador, e este, segundo a Constituição, não estava sujeito a responsabilidade alguma. c) ERRADA. Após a CF/1946, que inaugurou a responsabilidade objetiva do Estado, as Constituições posteriores sempre adotaram o mesmo tratamento, ou seja, não houve rompimento algum. Ao contrário, as Cartas seguintes foram acrescentando dispositivos a fim de reforçar a responsabilidade objetiva. Por exemplo, a CF/1967 acrescentou a possibilidade de ação regressiva em caso de dolo ou culpa (na Carta de 1946, era só em caso de culpa); e a CF de 1988 acrescentou a responsabilidade das pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviço público. d) CERTA. De fato, como dito acima, a CF/1988 inovou ao fazer referência à responsabilidade civil objetiva das prestadoras de serviços públicos. e) ERRADA. Nos Estados absolutistas, assim como nos EUA (até 1946) e na Inglaterra (até 1947), vigorava a teoria da irresponsabilidade, segundo a qual o Estado não tinha qualquer responsabilidade pelos atos praticados por seus agentes. Ressalte-se que, no Brasil, nunca vigorou a teoria da irresponsabilidade. Durante o Império, vigorava a teoria civilista, pela qual os atos de gestão, praticados pelos funcionários, podiam gerar responsabilidade para o Estado. Os atos do Imperador (atos de império), contudo, não geravam responsabilidade. Gabarito: alternativa “d” 62. (Cespe – TRE/MS 2013) Determinada professora da rede pública de ensino recebeu ameaças de agressão por parte de um aluno e, mais de uma vez, alertou à direção da escola, que se manteve omissa. Nessa situação hipotética, caso se consumem as agressões, a indenização será devida a) pelo Estado, objetivamente. b) pelos pais do aluno e pelo Estado em decorrência do sistema de compensação de culpas. c) pelo Estado, desde que presentes os elementos que caracterizem a culpa. d) pelos pais do aluno e, subsidiariamente, pelo Estado. e) pelos pais do aluno, em virtude do poder familiar. Comentário: Segundo a jurisprudência do STF e também do STJ, a responsabilidade civil do Estado pelo dano decorrente de sua omissão em relação a pessoas ou coisas sob sua custódia é objetiva. Portanto, o gabarito da questão teria que ser a alternativa “a”. Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 70 de 90 Porém, a meu ver, a banca pisou na bola, pois considerou correta a alternativa “c”. Ao que parece, ela se baseou no seguinte trecho do RE 633.138/DF, julgado pelo STF: "O Tribunal a quo, ao proferir o acórdão recorrido, consignou, verbis: 'Tratando-se de ato omissivo do Poder Publico, a responsabilidade civil por esse ato e subjetiva. Imprescindível, portanto, a demonstração de dolo ou culpa, esta numa de suas três modalidades - negligência, imperícia ou imprudência'. (...) Agressão a professores em sala de aula e caso de policia, e não de diretor de estabelecimento e seu assistente. A responsabilidade e objetiva do Distrito Federal, a quem incumbe garantir a segurança da direção e do corpo docente, por inteiro, de qualquer estabelecimento". O problema é que esse trecho (que parece ter inspirado a banca) é do acórdão do Tribunal originário que estava sendo agravado na ação no Supremo. Esse trecho foi transcrito na ementa da decisão do STF, mas só a título de referência. No final, o Supremo não ratificou o entendimento do Tribunal "a quo" (original) e decidiu que a responsabilidade do Estado é objetiva no caso. Na própria ementa do julgado há o seguinte: "(...) Agressão a professores em sala de aula é caso de polícia, e não de diretor de estabelecimento e seu assistente. A responsabilidade é objetiva do Distrito Federal, a quem incumbe garantir a segurança da direção e do corpo docente, por inteiro, de qualquer estabelecimento (...)" Repare que, na questão seguinte, sobre o mesmo assunto, a banca adotou posição diversa, desta feita em consonância com a jurisprudência, o que demonstra o equívoco do gabarito ora em comento. Gabarito: alternativa “c” 63. (Cespe – DP/AC 2012) Em uma escola pública localizada no interior de determinado estado da Federação, um aluno efetuou disparo de arma de fogo, dentro da sala de aula, contra a professora, ferindo-a em um dos ombros. A partir dessa situação hipotética, assinale a opção correta no que se refere aos danos causados à professora. a) Não há responsabilidade civildo Estado, por terem sido os referidos danos causados por terceiro. b) Não há responsabilidade civil do Estado, dada a não configuração de dano direto. c) Há responsabilidade civil objetiva do Estado. d) Há responsabilidade civil subjetiva do Estado. e) Há responsabilidade civil indireta do Estado. Comentário: Na hipótese de danos sofridos por pessoas sujeitas à guarda do Estado, como os alunos de escola pública, os detentos e os pacientes de hospital público, a jurisprudência reconhece que a responsabilidade do Estado Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 71 de 90 é objetiva, ainda que o dano não tenha sido provocado por uma atuação direta de um agente público. Portanto, correta a alternativa “c”. Gabarito: alternativa “c” 64. (Cespe – Bacen 2013) Para que se configure a responsabilidade objetiva do Estado, é necessário que o ato praticado seja ilícito. Comentário: Para que se configure a responsabilidade objetiva do Estado, não importa se o ato praticado pelo agente público seja ilícito ou ilícito; o que interessa é exclusivamente ele agir na qualidade de agente público, e não como pessoa comum. Gabarito: Errado ***** Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 72 de 90 JURISPRUDÊNCIA STF – RE 591.874/MS (26/8/2009) 1 EMENTA: CONSTITUCIONAL. RESPONSABILIDADE DO ESTADO. ART. 37, § 6º, DA CONSTITUIÇÃO. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PRIVADO PRESTADORAS DE SERVIÇO PÚBLICO. CONCESSIONÁRIO OU PERMISSIONÁRIO DO SERVIÇO DE TRANSPORTE COLETIVO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA EM RELAÇÃO A TERCEIROS NÃO-USUÁRIOS DO SERVIÇO. RECURSO DESPROVIDO. I - A responsabilidade civil das pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviço público é objetiva relativamente a terceiros usuários e não-usuários do serviço, segundo decorre do art. 37, § 6º, da Constituição Federal. II - A inequívoca presença do nexo de causalidade entre o ato administrativo e o dano causado ao terceiro não-usuário do serviço público, é condição suficiente para estabelecer a responsabilidade objetiva da pessoa jurídica de direito privado. III - Recurso extraordinário desprovido. STF – RE 291.035/SP (28/3/2006) Responsabilidade civil objetiva do Estado (CF, art. 37, § 6º). Policial militar, que, em seu período de folga e em trajes civis, efetua disparo com arma de fogo pertencente à sua corporação, causando a morte de pessoa inocente. Reconhecimento, na espécie, de que o uso e o porte de arma de fogo pertencente à Polícia Militar eram vedados aos seus integrantes nos períodos de folga. Configuração, mesmo assim, da responsabilidade civil objetiva do Poder Público. Precedente (RTJ 170/631). Pretensão do Estado de que se acha ausente, na espécie, o nexo de causalidade material, não obstante reconhecido pelo Tribunal "a quo", com apoio na apreciação soberana do conjunto probatório. Inadmissibilidade de reexame de provas e fatos em sede recursal extraordinária. Precedentes específicos em tema de responsabilidade civil objetiva do Estado. Acórdão recorrido que se ajusta à jurisprudência do supremo tribunal federal. RE conhecido e improvido. STF – AI 473.381/AP (20/9/2005) EMENTA: - CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. ACIDENTE DE TRÂNSITO. AGENTE E VÍTIMA: SERVIDORES PÚBLICOS. RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO ESTADO: CF, art. 37, § 6º. I. - O entendimento do Supremo Tribunal Federal é no sentido de que descabe ao intérprete fazer distinções quanto ao vocábulo "terceiro" contido no § 6º do art. 37 da Constituição Federal, devendo o Estado responder pelos danos causados por seus agentes qualquer que seja a vítima, servidor público ou não. Precedente. II. - Agravo não provido. STF – RE 633.138/DF (4/9/2012) Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. DANOS MORAIS. PROFESSOR. SALA DE Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 73 de 90 AULA. ALUNOS. ADVERTÊNCIA. AMEAÇAS VERBAIS. AGRESSÃO MORAL E FÍSICA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO ESTADO. ARTIGO 37, § 6º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULA N. 279 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. INVIABILIDADE DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. (...) 2. In casu, a recorrida moveu ação de conhecimento com o fim de promover a responsabilização civil do Distrito Federal e dos Diretores do Colégio nº 06 em Taguatinga, por terem agido com culpa, por negligência, em agressão sofrida pela professora, provocada por parte de um aluno daquela escola. 3. O Tribunal a quo, ao proferir o acórdão originariamente recorrido, consignou, verbis: “CÍVEL E PROCESSO CIVIL. DANOS MORAIS. DISTRITO FEDERAL. PROFESSOR. SALA DE AULA. ALUNOS. ADVERTÊNCIA. AMEAÇAS VERBAIS. AGRESSÃO MORAL E FÍSICA. OMISSÃO E NEGLIGÊNCIA DOS AGENTES PÚBLICOS. SENTENÇA. PROCEDÊNCIA DO PEDIDO. RECURSOS DE APELAÇÃO. PRELIMINAR. REJEIÇÃO. MÉRITO. DESPROVIMENTO. MAIORIA. Os réus não apresentaram elementos suficientes que justificassem a declaração de não-conhecimento da apelação da autora. Tratando-se de ato omissivo do Poder Público, a responsabilidade civil por esse ato é subjetiva. Imprescindível, portanto, a demonstração de dolo ou culpa, esta numa de suas três modalidades – negligência, imperícia ou imprudência. O dano sofrido pela autora ficou demonstrado pelos relatórios médicos, laudo de exame de corpo de delito, relatório psicológico e relatório do procedimento sindicante, bem como por meio dos depoimentos acostados. Se a autora foi agredida dentro do estabelecimento educacional, houve inequívoco descumprimento do dever legal do Estado na prestação efetiva do serviço de segurança, uma vez que a atuação diligente impediria a ocorrência da agressão física perpetrada pelo aluno. A falta do serviço decorre do não-funcionamento, ou então, do funcionamento insuficiente, inadequado ou tardio do serviço público que o Estado deve prestar. O fato de haver no estabelecimento um policial militar não tem o condão de afastar a responsabilidade do Estado, pois evidenciou-se a má- atuação, consubstanciada na prestação insuficiente e tardia, o que resultou na agressão à professora. Agressão a professores em sala de aula é caso de polícia, e não de diretor de estabelecimento e seu assistente. A responsabilidade é objetiva do Distrito Federal, a quem incumbe garantir a segurança da direção e do corpo docente, por inteiro, de qualquer estabelecimento. A valoração da compensação moral deve ser apurada mediante prudente arbítrio do Juiz, motivado pelo princípio da razoabilidade, e observadas a gravidade e a repercussão do dano, bem como a intensidade, os efeitos do sofrimento e o grau de culpa ou dolo. A finalidade compensatória, por sua vez, deve ter caráter didático-pedagógico, evitado o valor excessivo ou ínfimo, objetivando, sempre, o desestímulo à conduta lesiva. Não se aplica o disposto no art. 1º-F, da Lei 9.494/97, uma vez que se trata de juros de mora incidentes sobre verba indenizatória, devendo incidir os juros de mora legais, nos termos do art. 406, com observância ao percentual de 1% ao mês, fixado pelo Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 74 de 90 art. 161, § 1º, do Código Tributário Nacional (e-STJ fls. 363).” 4. Agravo Regimental a que se nega provimento. STF – RE 179.147/SP (12/12/1997) I. A responsabilidade civil das pessoas jurídicas de direito público e das pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviço público, responsabilidade objetiva, com base no risco administrativo, ocorre diante dos seguintes requisitos: a) do dano; b) da ação administrativa; c) e desde que haja nexo causal entre o dano e a ação administrativa.II. - Essa responsabilidade objetiva, com base no risco administrativo, admite pesquisa em torno da culpa da vítima, para o fim de abrandar ou mesmo excluir a responsabilidade da pessoa jurídica de direito público ou da pessoa jurídica de direito privado prestadora de serviço público. III. - Tratando-se de ato omissivo do poder público, a responsabilidade civil por tal ato é subjetiva, pelo que exige dolo ou culpa, numa de suas três vertentes, negligência, imperícia ou imprudência, não sendo, entretanto, necessário individualizá-la, dado que pode ser atribuída ao serviço público, de forma genérica, a faute de service dos franceses. STF – RE 695.887/PB (11/9/2012) Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ADMINISTRATIVO. ROMPIMENTO DE BARRAGEM. INUNDAÇÃO. OMISSÃO DO PODER PÚBLICO. RESPONSABILIDADE CIVIL SUBJETIVA. ANÁLISE DA COMPROVAÇÃO, OU NÃO, DA CULPA DO ENTE PÚBLICO. IMPOSSIBILIDADE. REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULA N. 279 DO STF. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO (...) Na espécie, a responsabilidade civil do Estado encontra-se comprovada, uma vez que tem este, por obrigação, manter em condição regular e fiscalizar as obras públicas, onde sua omissão, caracterizada na falha da prestação desses serviços, acarretará a sua culpabilidade. Precedentes do TJPB. Havendo indícios de que houve perdas de natureza material, em virtude de sérios danos na casa da parte autora, deve ser julgado procedente o pedido de indenização. 5. Agravo regimental a que se nega provimento. STJ – REsp 602.102 (6/4/2004) ADMINISTRATIVO – RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO – ATO OMISSIVO – MORTE DE PORTADOR DE DEFICIÊNCIA MENTAL INTERNADO EM HOSPITAL PSIQUIÁTRICO DO ESTADO. 1. A responsabilidade civil que se imputa ao Estado por ato danoso de seus prepostos é objetiva (art. 37, § 6º, CF), impondo-lhe o dever de indenizar se se verificar dano ao patrimônio de outrem e nexo causal entre o dano e o comportamento do preposto. 2. Somente se afasta a responsabilidade se o evento danoso resultar de caso fortuito ou força maior ou decorrer de culpa da vítima. Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 75 de 90 3. Em se tratando de ato omissivo, embora esteja a doutrina dividida entre as correntes dos adeptos da responsabilidade objetiva e aqueles que adotam a responsabilidade subjetiva, prevalece na jurisprudência a teoria subjetiva do ato omissivo, de modo a só ser possível indenização quando houver culpa do preposto. 4. Falta no dever de vigilância em hospital psiquiátrico, com fuga e suicídio posterior do paciente. 5. Incidência de indenização por danos morais. 7. Recurso especial provido. STF – RE 422.941 (6/12/2005) EMENTA: CONSTITUCIONAL. ECONÔMICO. INTERVENÇÃO ESTATAL NA ECONOMIA: REGULAMENTAÇÃO E REGULAÇÃO DE SETORES ECONÔMICOS: NORMAS DE INTERVENÇÃO. LIBERDADE DE INICIATIVA. CF, art. 1º, IV; art. 170. CF, art. 37, § 6º. I. - A intervenção estatal na economia, mediante regulamentação e regulação de setores econômicos, faz-se com respeito aos princípios e fundamentos da Ordem Econômica. CF, art. 170. O princípio da livre iniciativa é fundamento da República e da Ordem econômica: CF, art. 1º, IV; art. 170. II. - Fixação de preços em valores abaixo da realidade e em desconformidade com a legislação aplicável ao setor: empecilho ao livre exercício da atividade econômica, com desrespeito ao princípio da livre iniciativa. III. - Contrato celebrado com instituição privada para o estabelecimento de levantamentos que serviriam de embasamento para a fixação dos preços, nos termos da lei. Todavia, a fixação dos preços acabou realizada em valores inferiores. Essa conduta gerou danos patrimoniais ao agente econômico, vale dizer, à recorrente: obrigação de indenizar por parte do poder público. CF, art. 37, § 6º. IV. - Prejuízos apurados na instância ordinária, inclusive mediante perícia técnica. V. - RE conhecido e provido. STF – RE 429.518/SC (17/8/2004) EMENTA: CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. CIVIL. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO: ATOS DOS JUÍZES. C.F., ART. 37, § 6º. I. - A responsabilidade objetiva do Estado não se aplica aos atos dos juízes, a não ser nos casos expressamente declarados em lei. Precedentes do Supremo Tribunal Federal. II. - Decreto judicial de prisão preventiva não se confunde com o erro judiciário - C.F., art. 5º, LXXV - mesmo que o réu, ao final da ação penal, venha a ser absolvido. III. - Negativa de trânsito ao RE. Agravo não provido. STF – RE 385.943 (15/12/2009) E m e n t a: responsabilidade civil objetiva do estado (CF, art. 37, § 6º) - configuração - "Bar Bodega" - decretação de prisão cautelar, que se reconheceu indevida, contra pessoa que foi submetida a investigação penal pelo poder público - adoção dessa medida de privação da liberdade contra Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 76 de 90 quem não teve qualquer participação ou envolvimento com o fato criminoso - inadmissibilidade desse comportamento imputável ao aparelho de Estado - perda do emprego como direta conseqüência da indevida prisão preventiva - reconhecimento, pelo Tribunal de Justiça local, de que se acham presentes todos os elementos identificadores do dever estatal de reparar o dano - não-comprovação, pelo Estado de São Paulo, da alegada inexistência do nexo causal - caráter soberano da decisão local, que, proferida em sede recursal ordinária, reconheceu, com apoio no exame dos fatos e provas, a inexistência de causa excludente da responsabilidade civil do poder público - inadmissibilidade de reexame de provas e fatos em sede recursal extraordinária (Súmula 279/STF) - doutrina e precedentes em tema de responsabilidade civil objetiva do estado - acórdão recorrido que se ajusta à jurisprudência do Supremo Tribunal Federal - recurso de agravo improvido. STJ – REsp 816.209 (24/4/2014) PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRADO. FUNDAMENTO NÃO IMPUGNADO. SÚMULA 182/STJ. AÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS. PERSEGUIÇÃO POLÍTICA E TORTURA DURANTE O REGIME MILITAR. IMPRESCRITIBILIDADE DE PRETENSÃO INDENIZATÓRIA DECORRENTE DE VIOLAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS FUNDAMENTAIS DURANTE O PERÍODO DE EXCEÇÃO. INAPLICABILIDADE DO ART. 1.º DO DECRETO N. 20.910/32. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. (...) 2. Conforme jurisprudência do STJ, são imprescritíveis as ações de reparação por danos morais ajuizadas em decorrência de perseguição, tortura e prisão, por motivos políticos, durante o Regime Militar. Inúmeros precedentes (...) STJ – Resp 435.266/SP (17/6/2004) PROCESSO CIVIL E CIVIL - ATO ILÍCITO - RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO - INDENIZAÇÃO - HOMICÍDIO CULPOSO CAUSADO POR POLICIAL MILITAR EM PERÍODO DE FOLGA - CONDENAÇÃO CRIMINAL TRANSITADA EM JULGADO - VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC - INEXISTÊNCIA - DANO MATERIAL - PRESCRIÇÃO - QUANTITATIVO - JUROS MORATÓRIOS - SÚMULA 54/STJ - DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADO. (...) 3. O termo inicial da prescrição, em ação de indenização decorrente de ilícito penal praticado por agente do Estado, somente tem início a partir do trânsito em julgado da ação penal condenatória. Precedentes desta Corte (...) STJ – REsp 1089955/RJ (24/11/2009) RECURSO ESPECIAL. ADMINISTRATIVO. RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA DO ESTADO. MORTE DECORRENTE DE ERRO MÉDICO. DENUNCIAÇÃO À LIDE. NÃO OBRIGATORIEDADE. RECURSO DESPROVIDO. Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 77 de 90 1. Nas ações de indenização fundadas na responsabilidade civil objetiva do Estado (CF/88, art. 37, § 6º), não é obrigatória a denunciação à lide do agente supostamente responsável pelo ato lesivo (CPC, art. 70, III). 2. A denunciação à lide do servidor público nos casos de indenização fundadana responsabilidade objetiva do Estado não deve ser considerada como obrigatória, pois impõe ao autor manifesto prejuízo à celeridade na prestação jurisdicional. Haveria em um mesmo processo, além da discussão sobre a responsabilidade objetiva referente à lide originária, a necessidade da verificação da responsabilidade subjetiva entre o ente público e o agente causador do dano, a qual é desnecessária e irrelevante para o eventual ressarcimento do particular. Ademais, o direito de regresso do ente público em relação ao servidor, nos casos de dolo ou culpa, é assegurado no art. 37, § 6º, da Constituição Federal, o qual permanece inalterado ainda que inadmitida a denunciação da lide. 3. Recurso especial desprovido. STF - RE 518894 AgR / SP (2/8/2011) EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO. DANOS CAUSADOS A TERCEIROS EM DECORRÊNCIA DE ATIVIDADE NOTARIAL. PRECEDENTES. 1. Nos termos da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, “o Estado responde, objetivamente, pelos atos dos notários que causem dano a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável, nos casos de dolo ou culpa (C.F., art. 37, § 6º)” (RE 209.354-AgR, da relatoria do ministro Carlos Velloso). 2. Agravo regimental desprovido. STJ - REsp 1087862 / AM (2/2/2010) ADMINISTRATIVO. DANOS MATERIAIS CAUSADOS POR TITULAR DE SERVENTIA EXTRAJUDICIAL. ATIVIDADE DELEGADA. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DO ESTADO. 1. Hipótese em que o Tribunal de origem julgou procedente o pedido deduzido em Ação Ordinária movida contra o Estado do Amazonas, condenando-o a pagar indenização por danos imputados ao titular de serventia. 2. No caso de delegação da atividade estatal (art. 236, § 1º, da Constituição), seu desenvolvimento deve se dar por conta e risco do delegatário, nos moldes do regime das concessões e permissões de serviço público. 3. O art. 22 da Lei 8.935/1994 é claro ao estabelecer a responsabilidade dos notários e oficiais de registro por danos causados a terceiros, não permitindo a interpretação de que deve responder solidariamente o ente estatal. 4. Tanto por se tratar de serviço delegado, como pela norma legal em comento, não há como imputar eventual responsabilidade pelos serviços notariais e registrais diretamente ao Estado. Ainda que objetiva a responsabilidade da Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 78 de 90 Administração, esta somente responde de forma subsidiária ao delegatário, sendo evidente a carência de ação por ilegitimidade passiva ad causam. 5. Em caso de atividade notarial e de registro exercida por delegação, tal como na hipótese, a responsabilidade objetiva por danos é do notário, diferentemente do que ocorre quando se tratar de cartório ainda oficializado. Precedente do STF. 6. Recurso Especial provido. STJ - REsp 624.975/SC (11/11/2010) AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. TABELIONATO. AUSÊNCIA DE PERSONALIDADE JURÍDICA. RESPONSABILIDADE DO TITULAR DO CARTÓRIO À ÉPOCA DOS FATOS. 1. O tabelionato não detém personalidade jurídica, respondendo pelos danos decorrentes dos serviços notariais o titular do cartório na época dos fatos. Responsabilidade que não se transfere ao tabelião posterior. Precedentes. 2. Agravo regimental a que se nega provimento. ***** Por hoje é só pessoal! Bons estudos! Erick Alves Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 79 de 90 RESUMÃO DA AULA TEORIAS SOBRE A RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO Teoria da irresponsabilidade: o Estado não pode ser responsabilizado (Estados absolutistas; jamais existiu no Brasil). Responsabilidade subjetiva: a responsabilidade do Estado depende da comprovação de culpa. Teoria da culpa comum ou civilista: o Estado poderá ser responsabilizado se comprovada a culpa do seu agente. Apenas atos de gestão, mas não atos de império. Teoria da culpa administrativa: o Estado poderá ser responsabilizado se comprovada a culpa da Administração (falta do serviço). Aplicável nos casos de omissão na prestação de serviço público. Responsabilidade objetiva: a responsabilidade do Estado independe da comprovação de culpa. Basta existir o dano, o fato do serviço e o nexo causal entre eles: Teoria do risco administrativo: admite excludentes -> aplicada como regra Teoria do risco integral: não admite excludentes -> apenas casos excepcionais: danos nucleares, ambientais e ataques terroristas a aeronaves brasileiras. RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA DO ESTADO: ART. 37, §6º DA CF Consiste na obrigação de o Estado reparar danos (morais e materiais) causados a terceiros. É sempre de natureza civil e extracontratual. Resulta de condutas dos agentes públicos comissivas ou omissivas, lícitas ou ilícitas. Agentes devem atuar na condição de agentes públicos. A responsabilidade do Estado é objetiva: o Estado responde pelos danos causados por seus agentes independentemente de culpa. A responsabilidade do agente é subjetiva: agente responde ao Estado, em ação regressiva, só se agir com dolo ou culpa. Elementos da responsabilidade objetiva Ato lesivo causado pelo agente público, nessa qualidade; Ocorrência de um dano patrimonial ou moral; Nexo de causalidade entre o dano e a atuação do agente. Alcança as pessoas jurídicas De direito público: todas (adm. direta, autarquias e fundações) De direito privado prestadoras de serviço público: EP, SEM, fundações e delegatárias. Estatais exploradoras de atividade econômica não! Responsabilidade civil do Estado por ação ou omissão Ação -> responsabilidade objetiva -> teoria do risco administrativo Omissão -> responsabilidade subjetiva -> teoria da culpa administrativa Prescrição Ação de indenização: 5 anos Ação regressiva: imprescritível A ação regressiva depende da condenação da pessoa jurídica a indenizar a vítima (trânsito em julgado); A ação regressiva transmite-se aos sucessores, até o limite da herança. Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 80 de 90 EXCLUDENTES DE RESPONSABILIDADE Culpa exclusiva da vítima (em caso de culpa concorrente, a responsabilidade é atenuada, proporcionalmente); Caso fortuito e força maior (eventos externos); Evento exclusivo de terceiros, inclusive multidões; O ônus da prova é da Administração! ATOS LEGISLATIVOS E JUDICIAIS Responsabilidade do Estado por atos legislativos típicos Regra: NÃO HÁ Exceção: pode haver em caso de: Leis com efeitos concretos; Leis declaradas inconstitucionais pelo STF. Responsabilidade do Estado por atos jurisdicionais típicos Regra: NÃO HÁ Exceção: pode haver em caso de erro judiciário, unicamente na esfera penal; conduta dolosa ou fraudulenta com intuito deliberado de causar prejuízo às partes ou a terceiros. RESPONSABILIDADE POR DANOS DE OBRAS PÚBLICAS Só fato da obra -> não importa o executor -> responsabilidade civil objetiva do Estado Má execução da obra Execução a cargo da própria Administração -> responsabilidade civil objetiva do Estado Execução a cargo de particular contratado -> responsabilidade civil subjetiva do contratado POSICIONAMENTOS IMPORTANTES DA DOUTRINA E DA JURISPRUDÊNCIA As concessionárias de serviço público respondem objetivamente pelos danos causados por seus agentes a terceiros, sejam usuários ou não-usuários do serviço prestado. Nos danos causados a pessoas sob a guarda do Estado (alunos de escolas públicas, detentos e pacientes internados), a responsabilidade civil do Estado é objetiva, na modalidade risco administrativo, mesmo que os danos não tenham sido diretamente causados por atuação de seus agentes. Suicídio de detento acarreta a responsabilidadeobjetiva do Estado, não sendo admitida exclusão da responsabilidade por culpa exclusiva da vítima. Agente público como parte no polo passivo da ação de indenização: STF: os agentes não podem responder diretamente perante o lesado, nem mesmo em litisconsórcio, só podendo vir a responder em ação regressiva, perante o Estado. Doutrina: o agente pode responder diretamente, inclusive em litisconsórcio passivo. Não é cabível a denunciação à lide do agente público (posição majoritária). Em regra, não há responsabilidade civil do Estado unicamente pela prisão preventiva de acusado que, depois, venha a ser absolvido na sentença final (a menos que haja alguma ilegalidade na prisão). Responsabilidade civil dos notários (tabeliães): Subjetiva, ou seja, os notários só respondem em caso de dolo ou culpa. Ação de reparação prescreve em três anos. Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 81 de 90 QUESTÕES COMENTADAS NA AULA 1. (Cespe – TRT10 2013) Pela teoria da faute du service, ou da culpa do serviço, eventual falha é imputada pessoalmente ao funcionário culpado, isentando a administração da responsabilidade pelo dano causado. 2. (Cespe – Ministério da Justiça 2013) A teoria que impera atualmente no direito administrativo para a responsabilidade civil do Estado é a do risco integral, segundo a qual a comprovação do ato, do dano e do nexo causal é suficiente para determinar a condenação do Estado. Entretanto, tal teoria reconhece a existência de excludentes ao dever de indenizar. 3. (Cespe – Bacen 2013) De acordo com a teoria da culpa administrativa, existindo o fato do serviço e o nexo de causalidade entre esse fato e o dano sofrido pelo administrado, presume-se a culpa da administração. 4. (Cespe – DP/DF 2013) Segundo o ordenamento jurídico brasileiro, todas as pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado que integrem a administração pública responderão objetivamente pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros. 5. (FGV – OAB 2011) Um policial militar, de nome Norberto, no dia de folga, quando estava na frente da sua casa, de bermuda e sem camisa, discute com um transeunte e acaba desferindo tiros de uma arma antiga, que seu avô lhe dera. Com base no relatado acima, é correto afirmar que o Estado (A) será responsabilizado, pois Norberto é agente público pertencente a seus quadros. (B) será responsabilizado, com base na teoria do risco integral. (C) somente será responsabilizado de forma subsidiária, ou seja, caso Norberto não tenha condições financeiras. (D) não será responsabilizado, pois Norberto, apesar de ser agente público, não atuou nessa qualidade; sua conduta não pode, pois, ser imputada ao Ente Público. 6. (Cespe – CNJ 2013) No ordenamento jurídico brasileiro, a responsabilidade do poder público é objetiva, adotando-se a teoria do risco administrativo, fundada na ideia de solidariedade social, na justa repartição dos ônus decorrentes da prestação dos serviços públicos, exigindo-se a presença dos seguintes requisitos: dano, conduta administrativa e nexo causal. Admite-se abrandamento ou mesmo exclusão da responsabilidade objetiva, se coexistirem atenuantes ou excludentes que atuem sobre o nexo de causalidade. 7. (Cespe – PC/CE 2012) A responsabilidade civil do Estado exige três requisitos para a sua configuração: ação atribuível ao Estado, dano causado a terceiros e nexo de causalidade. 8. (Cespe – Ministério da Justiça 2013) Para a configuração da responsabilidade civil do Estado, é irrelevante licitude ou a ilicitude do ato lesivo. Embora a regra seja a de que os Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 82 de 90 danos indenizáveis derivam de condutas contrárias ao ordenamento jurídico, há situações em que a administração pública atua em conformidade com o direito e, ainda assim, produz o dever de indenizar. 9. (Cespe – CADE 2014) No direito pátrio, as empresas privadas delegatárias de serviço público não se submetem à regra da responsabilidade civil objetiva do Estado. 10. (Cespe – TCE/ES 2012) De acordo com o entendimento do STF, empresa concessionária de serviço público de transporte responde objetivamente pelos danos causados aos usuários de transporte coletivo. 11. (Cespe – PC/BA 2013) O corte de energia elétrica por parte da concessionária de serviço público presume a existência de dano moral, sendo desnecessária a comprovação dos prejuízos sofridos à honra objetiva de empresa ou usuário afetado pela interrupção do serviço. 12. (Cespe – TCDF 2012) A responsabilidade do Estado por danos causados por fenômenos da natureza é do tipo subjetiva. 13. (Cespe – Câmara dos Deputados 2012) O fato de um detento morrer em estabelecimento prisional devido a negligência de agentes penitenciários configurará hipótese de responsabilização objetiva do Estado. 14. (Cespe – TJDFT 2013) Se um particular sofrer dano quando da prestação de serviço público, e restar demonstrada a culpa exclusiva desse particular, ficará afastada a responsabilidade da administração. Nesse tipo de situação, o ônus da prova, contudo, caberá à administração. 15. (Cespe – MIN 2013) Considere que um particular, ao avançar o sinal vermelho do semáforo, tenha colidido seu veículo contra veículo oficial pertencente a uma autarquia que trafegava na contramão. Nessa situação, o Estado deverá ser integralmente responsabilizado pelo dano causado ao particular, dado que, no Brasil, se adota a teoria da responsabilidade objetiva e, de acordo com ela, a culpa concorrente não elide nem atenua a responsabilidade do Estado de indenizar. 16. (Cespe – DP/AC 2012) Um paciente internado em hospital público de determinado estado da Federação cometeu suicídio, atirando-se de uma janela próxima a seu leito, localizado no quinto andar do hospital. Com base nessa situação hipotética, fica excluída a responsabilidade do Estado, por ter sido a culpa exclusiva da vítima, sem possibilidade de interferência do referido ente público. 17. (Cespe – Ministério da Justiça 2013) Caso ocorra o suicídio de um detento dentro de estabelecimento prisional mantido pelo Estado, a administração pública, segundo entendimento recente do STJ, estará, em regra, obrigada ao pagamento de indenização por danos morais. 18. (Cespe – PGE/BA 2014) Suponha que viatura da polícia civil colida com veículo particular que tenha ultrapassado cruzamento no sinal vermelho e o fato ocasione sérios Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 83 de 90 danos à saúde do condutor do veículo particular. Considerando essa situação hipotética e a responsabilidade civil da administração pública, julgue o item subsequente. No caso, a ação de indenização por danos materiais contra o Estado prescreverá em vinte anos. 19. (Cespe – TRT10 2013) Todos os anos, na estação chuvosa, a região metropolitana de determinado município é acometida por inundações, o que causa graves prejuízos a seus moradores. Estudos no local demonstraram que os fatores preponderantes causadores das enchentes são o sistema deficiente de captação de águas pluviais e o acúmulo de lixo nas vias públicas. Considerando essa situação hipotética, julgue o item subsequente. Caso algum cidadão pretenda ser ressarcido de prejuízos sofridos, poderá propor ação contra o Estado ou, se preferir, diretamente contra o agente público responsável, visto que a responsabilidade civil na situação hipotética em apreço é solidária. 20. (Cespe – GDF 2013) Aplica-se a prescrição quinquenal no caso de ação regressiva ajuizada por autarquia estadual contra servidor público cuja conduta comissiva tenha resultado no dever do Estado de indenizar as perdas e danosmateriais e morais sofridos por terceiro. 21. (Cespe – MDIC 2014) Considere que o motorista de um veículo oficial de determinado ministério, ao trafegar em velocidade acima do limite legal, tenha colidido contra um veículo de particular que estava devidamente estacionado. Nessa situação, embora o Estado seja obrigado a indenizar o dano, somente haverá o direito de regresso do Estado caso se comprove o dolo específico na conduta do servidor. 22. (Cespe – TCDF 2014) De acordo com o sistema da responsabilidade civil objetiva adotado no Brasil, a administração pública pode, a seu juízo discricionário, decidir se intenta ou não ação regressiva contra o agente causador do dano, ainda que este tenha agido com culpa ou dolo. 23. (Cespe – MTE 2014) O servidor que, por descumprimento de seus deveres funcionais, causar dano ao erário, ficará obrigado ao ressarcimento, em ação regressiva. 24. (Cespe – MPTCDF 2013) O Estado só responderá pela indenização ao indivíduo prejudicado por ato legislativo quando este for declarado inconstitucional pelo STF. 25. (Cespe – DP/DF 2013) Considere que o Poder Judiciário tenha determinado prisão cautelar no curso de regular processo criminal e que, posteriormente, o cidadão aprisionado tenha sido absolvido pelo júri popular. Nessa situação hipotética, segundo entendimento do STF, não se pode alegar responsabilidade civil do Estado, com relação ao aprisionado, apenas pelo fato de ter ocorrido prisão cautelar, visto que a posterior absolvição do réu pelo júri popular não caracteriza, por si só, erro judiciário. 26. (Cespe – TCDF 2014) Incidirá a responsabilidade civil objetiva do Estado quando, em processo judicial, o juiz, dolosamente, retardar providência requerida pela parte. Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 84 de 90 27. (Cespe – TJDFT 2013) Suponha que o TJDFT, por intermédio de um oficial de justiça, no exercício de sua função pública, pratique ato administrativo que cause dano a terceiros. Nessa situação, não se aplicam as regras relativas à responsabilidade civil do Estado, já que os atos praticados pelos juízes e pelos auxiliares do Poder Judiciário não geram responsabilidade do Estado. 28. (ESAF – PGFN 2007) Caberá ao Ministro de Estado da Fazenda definir as normas para a operacionalização da assunção, pela União, de responsabilidades civis perante terceiros no caso de atentados terroristas, atos de guerra ou eventos correlatos. 29. (Cespe – DPU 2015) A responsabilidade civil do servidor público pela prática, no exercício de suas funções, de ato que acarrete prejuízo ao erário ou a terceiros pode decorrer tanto de ato omissivo quanto de ato comissivo, doloso ou culposo. 30. (Cespe – DPU ) Situação hipotética: Considere que uma pessoa jurídica de direito público tenha sido responsabilizada pelo dano causado a terceiros por um dos seus servidores. Assertiva: nessa situação, o direito de regresso poderá ser exercido contra esse servidor ainda que não seja comprovada a ocorrência de dolo ou culpa. 31. (Cespe – CGE/PI 2015) De acordo com a teoria do risco integral, é suficiente a existência de um evento danoso e do nexo de causalidade entre a conduta administrativa e o dano para que seja obrigatória a indenização por parte do Estado, afastada a possibilidade de ser invocada alguma excludente da responsabilidade. 32. (Cespe – CGE/PI 2015) As pessoas jurídicas de direito público responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável apenas nos casos de dolo. (Cespe – TRE/GO 2015) Rafael, agente público, chocou o veículo que dirigia, de propriedade do ente ao qual é vinculado, com veículo particular dirigido por Paulo, causando-lhe danos materiais. Acerca dessa situação hipotética, julgue os seguintes itens. 33. Rafael pode ser responsabilizado, regressivamente, se for comprovado que agiu com dolo ou culpa, mesmo sendo ocupante de cargo em comissão, e deve ressarcir a administração dos valores gastos com a indenização que venha a ser paga a Paulo. 34. (Cespe – TRE/GO 2015) A responsabilidade da administração pelos danos causados a terceiro é objetiva, ou seja, independe da comprovação do dolo ou culpa de Rafael. 35. (Cespe – TRE/GO 2015) Caso Rafael seja empregado de empresa terceirizada, contratada pela administração para a prestação de serviços de transporte de materiais, a responsabilidade do ente público será objetiva, porém subsidiária. 36. (Cespe – TRE/GO 2015) A responsabilidade da administração pode ser afastada caso fique comprovada a culpa exclusiva de Paulo e pode ser atenuada em caso de culpa concorrente. Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 85 de 90 37. (Cespe – TRT10 2013) A teoria do risco integral obriga o Estado a reparar todo e qualquer dano, independentemente de a vítima ter concorrido para o seu aperfeiçoamento. 38. (Cespe – TCE/ES 2012) Para efeito de responsabilidade do Estado, no caso de lesão a terceiro, é fundamental estabelecer se o agente público, no exercício de suas funções, atuou de forma dolosa ou culposa, bem como se os poderes de que se tenha valido correspondiam ou não às suas atribuições específicas. 39. (Cespe – Anatel 2012) De acordo com a teoria do risco administrativo, o ônus da prova de culpa do particular por eventual dano que tenha sofrido, caso exista, cabe sempre à administração pública. 40. (Cespe – TRE/MS 2013) Acerca da responsabilidade civil do Estado, assinale a opção correta. a) Para configurar a responsabilidade civil do Estado, o agente público causador do dano deve ser servidor público estatutário e possuir vínculo direto com a administração. b) Para configurar a responsabilidade civil do Estado, o agente público causador do prejuízo a terceiros deve ter agido na qualidade de agente público, sendo irrelevante o fato de ele atuar dentro, fora ou além de sua competência legal. c) Considerando que os atos judiciais são invioláveis, não se admite a responsabilização ao Estado pelos danos que deles emergirem. d) A responsabilidade civil do Estado é objetiva, sendo obrigatória configuração da culpa para a eclosão do evento danoso. e) É inconstitucional o dispositivo da Lei de Licitações e Contratos que prevê que a administração pública não se responsabilizará pelo pagamento dos encargos trabalhistas inadimplidos dos empregados de empresa terceirizada contratada. 41. (Cespe – MPU 2013) Considere que veículo oficial conduzido por servidor público, motorista de determinada autoridade pública, tenha colidido contra o veículo de um particular. Nesse caso, tendo o servidor atuado de forma culposa e provados a conduta comissiva, o nexo de causalidade e o resultado, deverá o Estado, de acordo com a teoria do risco administrativo, responder civil e objetivamente pelo dano causado ao particular. 42. (Cespe – MIN 2013) Na hipótese de a explosão em uma pedreira, cujo funcionamento fora irregularmente licenciado, causar danos a terceiros, deverão ser responsabilizados civilmente por esses danos não só os responsáveis pelo empreendimento, mas também o município que concedeu a licença. 43. (Cespe – MIN 2013) Considere que determinado prefeito municipal, abusando de seu poder ao exercer suas atribuições, execute ato que cause prejuízo patrimonial a terceiros. Nessa situação, caberá ao município restaurar o patrimônio diminuído. 44. (Cespe – Suframa 2014) Um veículo da SUFRAMA, conduzido por um servidor do órgão, derrapou, invadiu a pista contrária e colidiu com o veículo de um particular. O Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 86 de 90 acidente resultou em danos a ambos os veículos e lesões graves no motoristado veículo particular. Com referência a essa situação hipotética, julgue os itens que se seguem. Provado que o motorista da SUFRAMA não agiu com dolo ou culpa, a superintendência não estará obrigada a indenizar todos os danos sofridos pelo condutor do veículo particular. 45. O motorista da SUFRAMA poderá ser responsabilizado administrativamente pelo acidente, ainda que tenha sido absolvido por falta de provas em eventual ação penal instaurada para apurar a responsabilidade pelas lesões causadas ao motorista particular. 46. (Cespe – PM/CE 2014) A responsabilidade civil do servidor público por dano causado a terceiros, no exercício de suas funções, ou à própria administração, é subjetiva, razão pela qual se faz necessário, em ambos os casos, comprovar que ele agiu de forma dolosa ou culposa para que seja diretamente responsabilizado. 47. (Cespe – Bacen 2013) Os efeitos da ação regressiva movida pelo Estado contra o agente que causou o dano transmitem-se aos herdeiros e sucessores, até o limite da herança, em caso de morte do agente. 48. (Cespe – PRF 2013) Um PRF, ao desviar de um cachorro que surgiu inesperadamente na pista em que ele trafegava com a viatura de polícia, colidiu com veículo que trafegava em sentido contrário, o que ocasionou a morte do condutor desse veículo. Com base nessa situação hipotética, julgue o item a seguir. Em razão da responsabilidade civil objetiva da administração, o PRF será obrigado a ressarcir os danos causados à administração e a terceiros, independentemente de ter agido com dolo ou culpa. 49. (Cespe – Ministério da Justiça 2013) Para configurar a responsabilidade civil do Estado, é irrelevante que o agente público causador do dano atue no exercício da função pública. Estando o agente, no momento em que tenha realizado a ação ensejadora do prejuízo, dentro ou fora do exercício da função pública, seu comportamento acarretará responsabilidade ao Estado. 50. (Cespe – Bacen 2013) Se uma professora concursada, ao ministrar aula em uma escola pública, for ferida por um tiro disparado por um aluno, a responsabilidade do Estado pelo dano causado à professora será objetiva. 51. (Cespe – TCE/RO 2013) É objetiva a responsabilidade da administração pública pelos danos causados por fenômenos da natureza. 52. (Cespe – PC/CE 2012) As empresas públicas e as sociedades de economia mista que exploram atividade econômica respondem pelos danos que seus agentes causarem a terceiros conforme as mesmas regras aplicadas à demais pessoas jurídicas de direito privado. Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 87 de 90 53. (Cespe – Câmara dos Deputados 2012) As entidades de direito privado prestadoras de serviço público respondem objetivamente pelos prejuízos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros. 54. (Cespe – Ministério da Justiça 2013) Por ostentarem natureza pública, apenas as pessoas jurídicas de direito público responderão objetivamente pelos danos que seus agentes causarem a terceiros. 55. (Cespe – GDF 2013) Segundo a atual posição do STF, é subjetiva a responsabilidade de empresa pública prestadora de serviço público em relação aos danos causados a terceiros não usuários do serviço. 56. (Cespe – Bacen 2013) A responsabilidade civil objetiva do Estado não abrange as empresas públicas e sociedades de economia mista exploradoras de atividade econômica. 57. (Cespe – Ministério da Justiça 2013) O caso fortuito e a força maior não possibilitam a exclusão da responsabilidade do poder público, visto ser objetiva a responsabilidade do Estado. 58. (Cespe – Suframa 2014) O direito pátrio adotou a responsabilidade objetiva do Estado, sob a modalidade “risco administrativo”. Assim, a culpa exclusiva da vítima é capaz de excluir a responsabilidade do Estado, e a culpa concorrente atenua o valor da indenização devida. 59. (Cespe – PGE/BA 2014) Suponha que viatura da polícia civil colida com veículo particular que tenha ultrapassado cruzamento no sinal vermelho e o fato ocasione sérios danos à saúde do condutor do veículo particular. Considerando essa situação hipotética e a responsabilidade civil da administração pública, julgue o item subsequente. Sendo a culpa exclusiva da vítima, não se configura a responsabilidade civil do Estado, que é objetiva e embasada na teoria do risco administrativo. 60. (ESAF – GDF 2013) A respeito da Responsabilidade Civil do Estado, analise os itens a seguir: I. O Distrito Federal responde pelos danos que seus servidores, nessa qualidade, causarem a terceiro por culpa exclusiva da vítima; II. A responsabilidade civil do agente público, em face de ação regressiva perante a Administração Pública, é objetiva; III. De acordo com recente decisão do Superior Tribunal de Justiça, reconheceu-se culpa exclusiva da vítima, que foi atropelada em linha férrea, utilizando passagem clandestina aberta no muro sem conservação e sem fiscalização da empresa ferroviária; IV. Haverá responsabilidade civil objetiva do Estado, de acordo com posicionamento do Superior Tribunal de Justiça, no caso de presidiário que se suicidou no estabelecimento prisional, tendo em vista que é dever do Estado proteger seus detentos, inclusive contra si mesmo; Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 88 de 90 V. Com referência à Responsabilidade do Estado por atos jurisdicionais, na jurisprudência brasileira, como regra, prevalece a admissibilidade da responsabilidade civil, devendo a ação ser proposta contra a Fazenda Estadual, a qual tem o direito de regresso contra o magistrado responsável, nos casos de dolo ou culpa. A quantidade de itens corretos é igual a: a) 4 b) 2 c) 3 d) 1 e) 5 61. (Cespe – MPTCE/PB 2014) A respeito da responsabilidade do Estado por atos da administração pública, assinale a opção correta. a) As teorias subjetivas e objetivas da responsabilidade patrimonial do Estado sempre caminharam paralelamente e, no Brasil, a partir da Constituição de 1937, prevalecem as teorias objetivas. b) A Constituição Imperial do Brasil de 1824 trouxe expressamente hipóteses de responsabilidade da administração pública por atos praticados na esfera do Poder Moderador. c) A CF rompeu completamente com a Constituição anterior quanto à forma de tratar a responsabilidade patrimonial do Estado por atos da administração pública no direito brasileiro. d) A CF inovou em relação às constituições anteriores ao prever a possibilidade de responsabilização de forma objetiva das pessoas jurídicas de direito privado que prestem serviço público. e) As teorias acerca da responsabilidade patrimonial do Estado sempre estiveram pautadas na necessidade de a administração pública rever seus atos e se responsabilizar por eles. 62. (Cespe – TRE/MS 2013) Determinada professora da rede pública de ensino recebeu ameaças de agressão por parte de um aluno e, mais de uma vez, alertou à direção da escola, que se manteve omissa. Nessa situação hipotética, caso se consumem as agressões, a indenização será devida a) pelo Estado, objetivamente. b) pelos pais do aluno e pelo Estado em decorrência do sistema de compensação de culpas. c) pelo Estado, desde que presentes os elementos que caracterizem a culpa. d) pelos pais do aluno e, subsidiariamente, pelo Estado. e) pelos pais do aluno, em virtude do poder familiar. Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 89 de 90 63. (Cespe – DP/AC 2012) Em uma escola pública localizada no interior de determinado estado da Federação, um aluno efetuou disparo de arma de fogo, dentro da sala de aula, contra a professora, ferindo-a em um dos ombros. A partir dessa situação hipotética, assinale a opção correta no que se refereaos danos causados à professora. a) Não há responsabilidade civil do Estado, por terem sido os referidos danos causados por terceiro. b) Não há responsabilidade civil do Estado, dada a não configuração de dano direto. c) Há responsabilidade civil objetiva do Estado. d) Há responsabilidade civil subjetiva do Estado. e) Há responsabilidade civil indireta do Estado. 64. (Cespe – Bacen 2013) Para que se configure a responsabilidade objetiva do Estado, é necessário que o ato praticado seja ilícito. ***** Direito Administrativo para TRE/RJ ʹ TJAA Teoria e exercícios comentados Prof. Erick Alves ʹ Aula 07 Prof. Erick Alves www.estrategiaconcursos.com.br 90 de 90 GABARITO 1) E 2) E 3) E 4) E 5) d 6) C 7) C 8) C 9) E 10) C 11) E 12) C 13) C 14) C 15) E 16) C 17) C 18) E 19) E 20) E 21) E 22) E 23) E 24) E 25) C 26) E 27) E 28) C 29) C 30) E 31) C 32) E 33) C 34) C 35) E 36) C 37) C 38) E 39) C 40) b 41) C 42) C 43) C 44) E 45) C 46) C 47) C 48) E 49) E 50) C 51) E 52) C 53) C 54) E 55) E 56) C 57) E 58) C 59) C 60) d 61) d 62) c 63) c 64) E Referências: Alexandrino, M. Paulo, V. Direito Administrativo Descomplicado. 22ª ed. São Paulo: Método, 2014. Bandeira de Mello, C. A. Curso de Direito Administrativo. 32ª ed. São Paulo: Malheiros, 2015. Borges, C.; Sá, A. Direito Administrativo Facilitado. São Paulo: Método, 2015. Carvalho Filho, J. S. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. São Paulo: Atlas, 2014. Di Pietro, M. S. Z. Direito Administrativo. 28ª ed. São Paulo: Editora Atlas, 2014. Furtado, L. R. Curso de Direito Administrativo. 4ª ed. Belo Horizonte: Fórum, 2013. Knoplock, G. M. Manual de Direito Administrativo: teoria e questões. 7ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. Justen Filho, Marçal. Curso de direito administrativo. 10ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2014. Meirelles, H. L. Direito administrativo brasileiro. 41ª ed. São Paulo: Malheiros, 2015. Scatolino, G. Trindade, J. Manual de Direito Administrativo. 2ª ed. JusPODIVM, 2014.