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TOXICOLOGIA – Lidiely Mello 
DEFINIÇÃO DE INTOXICAÇÃO CRÔNICA E AGUDA 
• INTOXICAÇÃO AGUDA: 
Decorre de um único contato (dose única- potência da droga) 
ou múltiplos contatos (efeitos cumulativos) com o agente 
tóxico, num período de tempo aproximado de 24 horas. Os 
efeitos surgem de imediato ou no decorrer de alguns dias, no 
máximo 2 semanas. Estuda a relação dose/resposta que 
conduz ao cálculo da DL50. 
 
 
 
 
 
• INTOXICAÇÃO SUB-AGUDA OU SUB-CRÔNICA: 
Exposições repetidas a substâncias químicas – caracteriza 
estudos de dose/resposta após administrações repetidas. 
• INTOXICAÇÃO CRÔNICA: 
Resulta efeito tóxico após exposição prolongada a doses 
cumulativas do toxicante ou agente tóxico, num período 
prolongado, geralmente maior de 3 meses a anos. 
 
 
 
INTOXICAÇÃO POR ORGANOFOSFORADOS E 
ORGANOCLORADOS 
ORGANOFOSFORADOS 
TOXICOCINÉTICA 
• ABSORÇÃO E DISTRIBUIÇÃO 
 Os organofosforados, dependendo de sua solubilidade 
nos tecidos, vão desenvolver mais prontamente ou 
tardiamente os sinais clínicos da intoxicação; 
 Por inalação de vapores do produto no ambiente os 
primeiros sintomas aparecem em poucos minutos, 
enquanto que pela ingestão oral ou exposição dérmica 
pode haver um aparecimento tardio dos sintomas. 
 Se ocorrer uma exposição cutânea localizada, o efeito 
tende a se restringir a área exposta, sendo a reação 
exacerbada se houver lesão cutânea ou dermatite. 
Exemplo: sudorese intensa e miofasciculações localizadas 
no membro afetado; visão borrada e miose do olho 
exposto; ou sibilância e tosse no caso de exposição 
pulmonar de pequenas quantidades. 
 A absorção prolongada e insidiosa destas substâncias 
pode determinar a agudização da resposta à doses baixas 
do produto. 
 
• BIOTRANSFORMAÇÃO 
 Após absorvidos, os organofosforados e seus produtos de 
biotransformação são rapidamente distribuídos por todos 
os tecidos. Os compostos mais lipofílicos podem alcançar 
concentrações significativas no tecido nervoso, e/ou 
outros tecidos ricos em lipídios. 
 Dependendo da persistência da forma bioativada no 
organismo, pode-se inferir que a mesma poderá interagir 
com seus sítios de ação vários dias após a última 
exposição. 
A toxicidade destes produtos está intimamente ligada à sua 
biotransformação, dependente da relação entre ativação e 
inativação. As principais reações de biotransformação dos 
organofosforados compreendem: 
→ Oxidações Bioquímicas 
− Dessulfuração: a transformação da ligação P=S em 
P=O, com a formação da forma “OXON” do inseticida, 
que resulta sempre num aumento acentuado da 
toxicidade do inseticida; 
→ Clivagem Hidrolítica; 
→ Redução. 
 
• ELIMINAÇÃO 
Ocorre principalmente pela urina e fezes. No caso da 
eliminação pela via biliar, ocorre circulação enterro-
hepática, prolongando a sintomatologia. 
OBS: DL 50 (Dose Letal 50%) ou dose letal média 
de uma substância expressa o grau de toxicidade 
aguda de substâncias químicas. Correspondem às 
doses que provavelmente matam 50% dos animais 
de um lote utilizados para experiência. São valores 
calculados estatisticamente a partir de dados 
obtidos experimentalmente. 
Os agrotóxicos são divididos em dois grupos: inseticidas 
e herbicidas. 
O primeiro subdivide-se em três amplos grupos, que são os 
organoclorados, os organofosforados e carbamatos e as 
piretrinas. Já os grupos mais importantes dos herbicidas são 
Paraquat, clorofenoxois e dinitrofenóis. 
Os organoclorados são os agrotóxicos que persistem por 
mais tempo no ambiente, chegando a permanecer por um 
período de 30 anos. A absorção desse agente se dá pela 
mucosa oral, respiratória e pele, alcançando o sistema 
nervoso central e periférico. Estes são responsáveis por 
causar câncer e, por esse motivo, seu uso foi eliminado em 
diversos países. 
Os organofosforados e carbamatos são inseticidas 
amplamente utilizados na atualidade e também apresenta 
absorção pela via oral, respiratória e dérmica. Estes 
agrotóxicos são responsáveis por levar a problemas 
funcionais da musculatura do corpo, cérebro e glândulas. 
 
https://www.infoescola.com/produtos-quimicos/herbicidas/
https://www.infoescola.com/compostos-quimicos/organofosforados/
https://www.infoescola.com/compostos-quimicos/carbamatos/
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello 
MECANISMO DE AÇÃO 
Os compostos organofosforados e carbamatos são inibidores 
da colinesterase, impedindo a inativação da acetilcolina, 
permitindo assim, a ação mais intensa e prolongada do 
mediador químico nas sinapses colinérgicas, a nível de 
membrana pós-sináptica. 
• A acetilcolina é sintetizada no neurônio a partir da 
acetilcoenzima A e da colina. É inativada por hidrólise sob 
ação da acetilcolinesterase, com formação de colina e 
ácido acético que, por sua vez, são reutilizados para 
formação da acetilcolina. 
 
 
• A acetilcolina é o mediador químico necessário para 
transmissão do impulso nervoso em todas as fibras pré 
ganglionares do SNA, todas as fibras parassimpáticas pós-
ganglionares e algumas fibras simpáticas pós-
ganglionares. Ainda é o transmissor neuro-humoral do 
nervo motor do músculo estriado (placa mioneural) e 
algumas sinapses interneurais do SNC. 
• Para que haja a transmissão sináptica é necessário que a 
acetilcolina seja liberada na fenda sináptica e se ligue a 
um receptor pós-sináptico. Em seguida, a Ach disponível 
é hidrolizada pela acetilcolinesterase. Quando há a 
inibição da acetilcolinesterase, ocorre um acúmulo de 
acetilcolina na fenda, levando a uma hiperestimulação 
colinérgica. 
 
→ Na superfície da colinesterase existe um centro ativo para 
inativação da acetilcolina que contém um sítio aniônico e 
um esterásico. A inibição da colinesterase se dá através da 
ligação do composto com o centro esterásico da enzima 
diferindo apenas o tipo de ligação (fosforilação em 
organofosforado ou carbamilação em carbamatos). Tais 
substâncias são posteriormente hidrolisadas e a enzima 
regenerada. A taxa de regeneração varia de acordo com o 
composto. Se isso não ocorrer, supõe-se que uma forma 
fosforilada muito estável tenha sido produzida pela perda 
de um grupo alquil. Tal fenômeno denomina-se 
“envelhecimento” da enzima e quando ocorre, esta não 
mais se regenera. Esse fato é importante na terapêutica, 
pois dele depende a utilização ou não de oximas 
(reativação da enzima). A efetividade das oximas é, então, 
diretamente proporcional à precocidade de sua 
administração e inversamente proporcional à taxa de 
“envelhecimento”. Tal fenômeno ocorre com alguns 
organofosforados. 
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DA INTOXICAÇÃO 
AGUDA 
A intoxicação por inibidores da colinesterase tem um quadro 
clínico característico de hiperestimulação colinérgica; 
 
 hiperglicemia transitória até 05 vezes superior aos 
valores normais, sendo, contudo, contra-indicado o uso 
de Insulina; 
 Pode ainda ocorrer arritmias cardíacas (fibrilação atrial e 
ventricular) até 72 horas após a intoxicação. 
ORGANOCLORADOS 
Apresentam, frequentemente, alta resistência à degradação 
química e biológica e alta solubilidade em lipídios. A 
combinação entre a baixa solubilidade em água e a alta 
capacidade de adsorção na matéria orgânica leva ao acúmulo 
desses compostos ao longo da cadeia alimentar, 
especialmente nos tecidos ricos em gorduras dos organismos 
vivos; 
• ABSORÇÃO E DISTRIBUIÇÃO 
 Os pesticidas clorados podem ser introduzidos no 
organismo através das vias cutânea, digestiva e 
respiratória. A eficiência da absorção dermal é variável. 
 Os hexaclorocicloexanos são eficientemente absorvidos 
quando em contato com a pele. 
 No entanto, a maior introdução no organismo de 
produtos, como o DDT e Dicofol, ocorre através dos 
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello 
alimentos, principalmente com os que contêm elevada 
quantidade de gordura. 
 Além dos alimentos, a absorção dos pesticidas pode 
ocorrer através da via respiratória, que absorve as 
partículasde pó de pesticidas que estejam no ar. 
 Quando armazenados no tecido adiposo, os 
organoclorados geralmente não apresentam atividade e 
quando há emagrecimento, os depósitos de gordura são 
mobilizados permitindo a liberação dos agrotóxicos para 
a corrente sanguínea, podendo ocorrer intoxicação 
aguda, caso a concentração seja suficientemente elevada. 
 
• BIOTRANSFORMAÇÃO 
 Sua biotransformação procede a uma velocidade 
excepcionalmente lenta, em parte, devido à 
complexidade da estrutura química e à extensão da 
cloração, sendo que esses substituintes são 
extremamente difíceis de serem removidos pelo processo 
enzimático disponível no tecido corpóreo; 
▪ Os agrotóxicos organoclorados atravessam a placenta 
e atingem um valor médio no sangue do feto de um 
terço do valor encontrado no sangue materno. Valores 
mais elevados são encontrados no leite materno, 
mostrando ser esta uma importante via de excreção 
destes compostos; 
 
• ELIMINAÇÃO 
 A principal rota de excreção é biliar. Muitos dos 
organoclorados não metabolizados, são eficientemente 
reabsorvidos pelo intestino (circulação enterohepática), 
retardando substancialmente a excreção fecal. A 
eliminação dos organoclorados do corpo segue a cinética 
de primeira ordem; 
 
• MECANISMO DE AÇÃO 
 Desconhecido, atua principalmente estimulando o SNC, 
causando hiperexitabilidade. Parece atuar nos canais de 
cálcio, alterando o fluxo de sódio (sensibilização do 
miocárdio). Em altas doses são indutores das enzimas 
microssômicas hepáticas (possíveis lesões hepáticas); 
 Os jovens em fase de desenvolvimento são 
particularmente sensíveis à exposição aos 
organoclorados. A exposição pré-natal a organoclorados 
persistentes, além de poder prejudicar o sistema 
reprodutivo, durante a fase de desenvolvimento, pode 
causar uma série de outros efeitos adversos à saúde, 
como: óbito fetal e aborto espontâneo, diminuição de 
peso e tamanho do recém-nascido, depressão do 
sistema imunológico e redução da resistência óssea. 
 
 
 
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS AGUDAS 
 Náuseas, vômitos, diarreia; 
 Fraqueza, entorpecimento de extremidades; 
 Apreensão, excitabilidade, desorientação; 
 Contrações palpebrais, tremores musculares, convulsões 
generalizadas, podendo evoluir para coma e depressão 
respiratória, acidose metabólica, arritmias. 
 Pneumonite química se produtos com solventes 
derivados do petróleo. 
 
DADOS EPIDEMIOLÓGICOS 
• Registros do Datasus, do Ministério da Saúde, apontam 
que no Brasil, morrem em média 790 pessoas por ano por 
causa da intoxicação por agrotóxicos. E mais de 5.500 
pessoas são intoxicadas pelo produto. 
• O estado brasileiro com a maior quantidade absoluta de 
exposições e intoxicações por agrotóxicos desde 2007 é o 
Paraná, com 4.648 registros. O estado é o segundo do 
Brasil com maior área plantada do país e também o 
segundo com a maior quantidade de estabelecimentos 
que utilizam agrotóxicos, segundo dados do Censo Agro 
2017, do IBGE. 
 
A Rede Nacional de Centros de Informação e Assistência 
Toxicológica (Renaciat), sistema que fornece informações, 
diagnostica e trata envenenamentos por agrotóxicos e outras 
substâncias em todo o país, relata que os números reais de 
intoxicação são muito maiores que os apontados pelo sistema 
de notificações: a estimativa é que, para cada caso reportado, 
50 não sejam informados. Assim, desde 2007, o número real 
de pessoas intoxicadas no Brasil poderia chegar a 1,3 milhão, 
isto é, mais de 300 pessoas intoxicadas por dia. 
 
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello 
 
 
 
CONDUTA DE ATENDIMENTO AO PACIENTE 
INTOXICADO 
• Suspeita-se de intoxicação por organofosforado quando o 
paciente é oriundo de área rural, tem exposição 
ocupacional, ou quando apresenta sintomatologia 
importante de acometimento do SNC (convulsões; 
• O primeiro atendimento é de primordial importância na 
sobrevida e prevenção de complicações ou sequelas. O 
Centro de Informações e Assistência Toxicológicas do 
Distrito Federal (CIAT-DF), atende através de uma central 
telefônica, em regime de plantão permanente, sendo 
guiado por bancos de dados nacionais e internacionais. 
Serve como fonte de informações aos profissionais de 
saúde, objetivando prestar o melhor atendimento como 
órgão de assessoria e consultoria na área de urgência e 
emergência, a fim de agilizar o tratamento e evitar 
iatrogenias. 
 
 
• O paciente intoxicado frequentemente representa uma 
emergência de início agudo, com comprometimento de 
múltiplos órgãos, se assemelhando frequentemente a 
pacientes politraumatizados. Além do tradicional ABC de 
reanimação, no paciente intoxicado são necessárias 
outras medidas gerais de desintoxicação, como a 
descontaminação e administração de antídotos. O médico 
deve sempre tentar identificar o agente tóxico, mas sua 
busca não deve nunca retardar o início das medidas 
terapêuticas vitais para o paciente. 
 
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello 
 
• Os sinais e sintomas observados nas intoxicações por 
agrotóxicos dependem do agente, do tipo e da magnitude 
da exposição. De uma forma geral, irritações dérmicas e 
oculares, irritações do trato respiratório superior e 
inferior, respostas alérgicas, sintomas gastrintestinais e 
manifestações neurológicas; 
• Realize um breve exame físico, no contexto do suporte 
vital, para identificar as medidas imediatas necessárias 
para estabilizar o paciente. O exame deve incluir a 
verificação dos sinais vitais, do nível de consciência, 
avaliação do diâmetro e reatividade das pupilas (diâmetro 
e reatividade à luz), temperatura e umidade da pele, 
instalação da oximetria de pulso e medida da glicemia 
capilar, se disponíveis; 
• Quando identificado que o paciente está com alguma 
intoxicação, a meta primária ao obter seu histórico é 
determinar qual substância foi ingerida, para iniciar o 
tratamento. 
• Exames laboratoriais: 
 Ao hemograma completo pode-se observar leucocitose 
ou leucopenia reversíveis. São descritas alterações na 
coagulação sanguínea (consumo de fator VII e aumento 
na agregação plaquetária). Em intoxicações por 
organoclorados e organofosforados pode haver 
hiperglicemia transitória. Os níveis de amilase e lipase 
podem estar 3 ou mais vezes acima do normal, 
representando, em alguns casos, pancreatite; 
 Há uma boa correlação entre a inibição da colinesterase 
e a intoxicação aguda. A acetilcolinesterase eritocitária 
geralmente é um recurso mais específico e sensível do 
que a colinesterase plásmatica, pois apresenta na 
maioria dos casos, correlação com a gravidade do 
quadro clínico. Isto se explica pela similaridade funcional 
que apresenta com a acetilcolinesterase que se 
encontra nas fendas sinápticas das placas mioneuráis. 
• TRATAMENTO: 
Medidas Gerais 
 Manter a permeabilidade das vias aéreas; 
 Oxigenoterapia, se necessário; 
 Hidratação venosa; 
 Lavagem corporal exaustiva, em casos de contaminação 
dérmica; 
 Esvaziamento gástrico: 
− RN: 500 ml de soro fisiológico (SF) a 0,9 %. 
− Lactentes: 2 a 3 litros de SF a 0,9 %. 
− Pré-escolares: 4 a 5 litros de SF a 0,9 %. 
− Escolares: 5 a 6 litros de SF a 0,9 %. 
− Adultos: 6 a 10 litros de SF a 0,9 %. 
 Carvão ativado: 
− Ministrar doses, diluídos em SF a 0,9 %. de 4/4:00 h ou 
6/6:00 h, via sonda naso-gástrica (SNG), mantendo a 
SNG aberta em sifonagem. Contra indicado em casos 
de ausência de peristalse. (Ministrar até 4 doses). 
 Uso de catártico (medicamento que aumenta o 
peristaltismo e a evacuação: 
− Deve-se utilizá-lo 1:00 h após o carvão ativado (CA). 
ÓRGÃOS NACIONAIS DE ASSISTÊNCIA EM CASO 
DE INTOXICAÇÃO 
• O Disque-Intoxicação, criado pela Anvisa, atende pelo 
número 0800-722-6001. A ligação é gratuita e o usuário é 
atendido por uma das 36 unidades da Rede Nacional de 
Centros de Informação e Assistência Toxicológica 
(Renaciat). 
• A Renaciat é uma rede coordenada pela Anvisa, criadaem 
2005 pela resolução RDC nº 19. É composta por 36 
Centros de Informação e Assistência Toxicológica (Ciats), 
espalhados em 19 estados brasileiros. 
• Em 2004, a Portaria nº 7777 estabeleceu que as 
intoxicações exógenas (por substâncias químicas, 
incluindo agrotóxicos, gases tóxicos e metais pesados), a 
partir daquele momento, deveriam ser tratadas como um 
agravo à saúde do trabalhador de notificação 
compulsória, sendo registrados no SINAN NET. 
• Este componente da vigilância das intoxicações exógenas 
fornece as informações tanto para acompanhamento dos 
casos individualmente, como para a identificação do perfil 
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello 
epidemiológico desses trabalhadores. As unidades de 
notificação seriam as redes de serviços sentinelas 
especificamente ligadas à Rede Nacional de Atenção 
Integral à Saúde do Trabalhador (Renast) e vinculadas à 
Coordenação Geral de Saúde do Trabalhador. 
FLUXO DE ATENÇÃO 
• Para fins da vigilância, a detecção de casos de intoxicação 
poderá seguir abordagem reativa ou proativa: 
▪ A abordagem será reativa quando a detecção de 
indivíduos intoxicados for realizada a partir da 
demanda espontânea da população aos serviços de 
saúde, bem como denúncia de exposição humana, que 
dará início ao processo por meio da notificação 
compulsória no Sistema de Informação de Agravos de 
Notificação (SINAN), busca ativa, análises de sistemas 
de informação do setor saúde e de outros setores; 
▪ A abordagem será proativa quando os serviços de 
saúde, por meio de ações integradas de assistência e 
vigilância em saúde, realizarem a identificação, 
triagem e monitoramento de indivíduos expostos, 
incluindo trabalhadores, numa população de 
determinado território. 
 
 
 
 
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello 
POLUIÇÃO QUÍMICA 
Os poluentes ou contaminantes podem ser propagados por 
diferentes vias, como o ar, o próprio solo, as águas 
subterrâneas e superficiais, alterando suas características 
naturais de qualidade e determinando impactos negativos 
e/ou riscos sobre os bens a proteger, localizados na própria 
área ou em seus arredores. 
A maior parte dos poluentes atmosféricos reage com o vapor 
de água na atmosfera e volta à superfície sob a forma de 
chuvas, contaminando, pela absorção do solo, os lençóis 
subterrâneos. 
 Os principais contaminantes, em uma visão geral, são os 
agrotóxicos, derivados do petróleo, resíduos industriais e 
metais. Destes últimos, os principais são chumbo, 
mercúrio, cádmio, cromo e arsênio. 
 
→ Em maio de 2002, a CETESB divulgou pela primeira vez a 
lista de áreas contaminadas, registrando a existência de 
255 áreas contaminadas apenas no estado de São Paulo. 
Este registro vem sendo constantemente atualizado e, em 
dezembro de 2010, chegou a 3.675 áreas contaminadas, 
sendo 1.674 comprovadamente contaminas, 1.096 sob 
investigação, 742 em processo de monitoramento para 
reabilitação e 163 reabilitadas, sendo a maioria dos 
cadastros de áreas de postos de combustível. 
CONTAMINAÇÃO POR METAIS PESADOS 
Atualmente, ocorre contaminação do solo em áreas de 
mineração e processamento de metais onde a concentração 
desses elementos atinge valores tóxicos às plantas e aos 
organismos do solo. 
• Em sua forma solúvel, o metal está em sua forma iônica 
ou de complexos orgânicos e é facilmente absorvido 
pelas plantas ou é lixiviado, podendo atingir os corpos de 
água subterrâneos. 
De modo geral, o tempo de resistência de alguns metais 
pesados em solos está entre: 
− 75 e 380 anos para o Cd (Cádmio); 
− 500 a 1000 anos para o Hg (Mercúrio); 
− 1000 a 3000 anos para o As (Arsênio), Cu (Cobre), Pb 
(Chumbo), Se (Selênio) e Zn (Zinco). 
Esses elementos ainda podem ser bioacumulados, ou seja, 
podem passar de espécie a espécie ao longo da cadeia 
alimentar, sendo os maiores teores encontrados nos níveis 
tróficos mais altos. 
• Atividades industriais como para fornecimento de baterias 
automotivas, canos de metal, aditivos em gasolina, reciclagem 
de sucata de baterias automotivas são grandes fontes de 
chumbo; 
• Enquanto o cádmio provém de atividades como processos de 
galvanoplastia, solda, reatores nucleares, fundição e 
refinamento de metais como zinco, cobre e chumbo. 
• Mercúrio é principalmente derivado de mineração; 
• Cromo e Zinco são provenientes da curtição de couros, 
galvanoplastias e metalurgia respectivamente. 
 
 O Sistema de Informação de Vigilância em Saúde de 
Populações Expostas a Solo Contaminado – SISSOLO é 
uma ferramenta importante que cadastra áreas 
contaminadas com população potencialmente exposta, 
com informações atualizadas e precisas. Esta ferramenta 
auxilia ao VIGISOLO – Vigilância em Saúde de Populações 
Expostas a Solo Contaminado, a recomendar e adotar 
medidas de promoção de saúde ambiental, prevenção dos 
fatores de risco relacionados às doenças e outros agravos 
à saúde decorrentes da contaminação por substâncias 
químicas no solo. 
 O SISSOLO está implantado em todos os Estados 
brasileiros e atualmente possui 5.995 áreas, 
contaminadas ou suspeitas de contaminação, cadastradas 
com um número estimado de mais de 12 milhões de 
pessoas expostas ou potencialmente expostas a 
contaminantes químicos. 
O caso de Bauru-SP é um dos exemplos dessa contaminação. Em 
janeiro de 2002, notificação da Companhia de Tecnologia de 
Saneamento Ambiental (Cetesb) à Secretaria Municipal de Saúde de 
Bauru informava sobre teores de chumbo oriundo de resíduos 
industriais como fonte de contaminação e consequentes agravos à 
saúde de parte de sua população. 
Mediante a existência de 314 crianças com taxas de plumbemia 
superiores àquelas aceitáveis pela Organização Mundial de Saúde 
(10µg Pb/dl sangue), foram desencadeadas ações emergenciais, 
visando reduzir riscos de recontaminação, que incluíram a raspagem de 
camada superficial das vias públicas, resultando em 1.392 m3 de terra 
com material tóxico, que permanece depositada nas dependências da 
fábrica. Foi promovida a aspiração de poeira do interior de 164 
residências, utilizando equipamento industrial, bem como a lavagem e 
vedamento das caixas d'água. 
 
Mais recente, a companhia Ingá, indústria de zinco, situada a 
85 km do Rio de Janeiro, na ilha da Madeira, que atualmente 
está desativada, transformou-se na maior área de 
contaminação de lixo tóxico no Brasil. Metais pesados como 
zinco, cádmio, mercúrio e chumbo poluem o solo, a água e 
atingem o mangue, afetando a vida da população. Isso ocorreu 
porque os diques construídos para conter a água contaminada 
não têm recebido manutenção há 5 anos, e dessa forma os 
terrenos próximos foram inundados, contaminando a 
vegetação do mangue. 
 
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello 
 O gerenciamento de áreas contaminadas visa minimizar 
os riscos a que estão sujeitos a população e o meio 
ambiente, em virtude da existência das mesmas, por meio 
de um conjunto de medidas que assegurem o 
conhecimento das características dessas áreas e dos 
impactos por elas causados, proporcionando os 
instrumentos necessários à tomada de decisão quanto às 
formas de intervenção mais adequadas. 
 
 
CONTAMINAÇÃO DA ÁGUA 
Os metais podem ser introduzidos nos ecossistemas aquáticos 
de maneira natural ou artificial. Naturalmente, por meio do 
aporte atmosférico e chuvas, pela liberação e transporte a 
partir da rocha matriz ou outros compartimentos do solo onde 
estão naturalmente. 
De modo artificial, por fontes antropogênicas de diversos 
ramos: esgoto in natura de zonas urbanas, efluentes de 
indústrias, atividades agrícolas, e rejeitos de áreas de 
mineração e garimpos. 
A agricultura, por exemplo, constitui uma das mais 
importantes fontes não pontuais de poluição por metais em 
corpos d’água. As principais fontes liberadoras são os 
fertilizantes (Cd, Cr, Pb, Zn), os pesticidas (Cu, Pb, Mn, Zn), os 
preservativos de madeira (Cu, Cr) e dejetos de produção 
intensiva de bovinos,suínos e aves (Cu, As e Zn). 
Além disso, os metais lançados no solo, a partir desta atividade 
são carreados para os rios pelo escoamento de águas 
superficiais provenientes das chuvas, persistindo no meio 
aquático por apresentar forma livre, ou iônica, o que facilita 
sua acumulação nos tecidos principalmente dos peixes. 
❖ A atividade garimpeira, em destaque a de ouro, é um 
ramo que gera a liberação de vários metais para o meio 
aquático. Nos processos de lavra em que a polpa 
(água+terra) é trabalhada, metais pesados presentes no 
solo (Al, Cd, Cr, Cu, Fe, Mn, Pb, Zn) são desprendidos, 
concentrados e liberados junto aos rejeitos nos rios. 
− Entretanto, o principal metal pesado liberado pelos 
garimpos é o mercúrio, pois seu uso no beneficiamento 
do ouro é imprescindível para captura e retenção deste 
elemento, formando a amálgama. 
− Verifica-se que para cada 1 kg de ouro produzido são 
utilizados 1,5 kg de Hg, do qual 70 % são recuperados e 
são 30% são perdidos para o ambiente. Deste valor 
perdido, 20% vão para atmosfera, durante a queima da 
amálgama, e retornam para os rios pela chuva; os outros 
10% são despejados diretamente nos corpos d’água. 
− Durante a queima da amálgama o vapor de mercúrio é 
liberado para atmosfera, onde é oxidado formando o 
mercúrio ionizado (Hg²+ ), que se condensa nas nuvens e 
por meio da chuva volta para o solo ou para água, onde é 
transformado em mercúrio orgânico (CH³Hg+), uma 
constituição já tóxica. 
− Na forma orgânica o Hg é absorvido pelo organismo dos 
seres vivos e convertido em metilmercúrio, sua forma 
mais tóxica. 
− Ao cair no sistema aquático, o mercúrio liberado pelo 
beneficiamento do ouro ou pela chuva, passa pela 
mesma transformação (Hg0 - CH³Hg+). O transporte do 
mercúrio na sua forma metálica no sistema fluvial 
depende das características hidrográficas do rio, como 
correnteza, relevo, mudanças no nível de água e outros. 
Assim, por estar no ápice da cadeia trófica, a mais importante 
via de exposição dos seres humanos aos metais pesados é a 
ingestão de peixes contaminados, visto que, reterá todo o 
percentual de contaminantes acumulados ao longo da cadeia 
pelos peixes. 
A ingestão direta de metais pesados dissolvidos na água ou 
indiretamente acumulados nos músculos de peixes, acima do 
limite, é uma das principais fontes danosas para o ser humano, 
e que provoca distúrbios no metabolismo. 
• Diversos metais têm demonstrado possuir atividade 
carcinogênica mediante sua ingestão em quantidades 
excedentes ao permitido, neste caso o cromo, chumbo e 
mercúrio são os principais. 
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello 
 
CONTAMINAÇÃO PELOS ESGOTOS 
• Os efluentes domésticos – provenientes das residências, 
hotéis, casas de diversões (bares, etc.), clubes, comércios 
e centros comerciais, de serviços (salões de cabeleireiros, 
consultórios, clínicas, etc.). São caracterizados por águas 
residuárias contaminadas, basicamente, por fezes 
humanas e animais, restos de alimentos e sabões e 
detergentes. Os esgotos domésticos provocam dois tipos 
de contaminação das águas: 
− Contaminação por bactérias: principalmente por 
coliformes presentes nas fezes humanas, responsáveis 
pela grande incidência de diarréias e infecções. 
− Contaminação por substâncias orgânicas recalcitrantes, 
ou de difícil degradação. Como exemplo podemos citar os 
detergentes sulfônicos, cuja ação tóxica não é muito 
acentuada, mas os efeitos secundários são graves. 
Destroem as células dos microrganismos aquáticos, 
impedindo a oxidação microbiológica dos materiais 
biodegradáveis contidos nos esgotos. Reduzem também a 
taxa de absorção de oxigênio, diminuindo a velocidade de 
autodepuração dos rios. 
 
• Os Efluentes Industriais – Oriundos dos mais 
diversificados processos de industrialização; tem sido, 
historicamente, um importante fator de degradação 
ambiental. O despejo de efluentes industriais, tanto nos 
corpos d’água quanto na rede de esgoto a ser tratada, 
sem o devido tratamento prévio, provoca sérios 
problemas sanitários e ambientais. Os principais 
poluentes de origem industrial são os compostos 
orgânicos e inorgânicos, especialmente os metais 
pesados: 
− Contaminação por compostos orgânicos: os compostos 
fenólicos representam um dos principais poluentes das 
águas residuárias de origem industrial. São provenientes 
de indústrias químicas e farmacêuticas e dos esgotos 
hospitalares que, mesmo em baixas concentrações, 
alteram a potabilidade da água e o sabor dos peixes 
contaminados. Outro importante resíduo contaminante 
são os detergentes para limpeza de equipamentos, 
utilizados por várias indústrias. Esses compostos afetam 
principalmente a fauna dos corpos receptores. Os 
vazamentos de oleodutos e tanques contendo produtos 
petrolíferos, ou seus derivados, são igualmente 
desastrosos ao Meio Ambiente. 
− Contaminação por compostos inorgânicos: Os principais 
compostos inorgânicos que ameaçam a integridade dos 
recursos hídricos são basicamente os metais pesados, 
provenientes de indústrias químicas e farmacêuticas, de 
usinas siderúrgicas, indústrias de fertilizantes, além das 
atividades de mineração. 
RECUPERAÇÃO DE EFLUENTES E SOLOS 
As formas em que os metais se encontram em solução, 
determinam o tratamento específico a ser escolhido ou a 
adaptação de um tratamento convencional. 
A remoção dos metais pesados presentes em efluentes 
industriais pode ser feita por meio de diversos processos, tais 
como precipitação por via química, osmose reversa, adsorção 
em carvão ativado ou alumina e oxirredução. 
• A aplicação de aluminossilicatos na remoção de metais 
pesados vem sendo muito estudada devido ao baixo 
custo, fácil obtenção e possibilidade de reutilização destes 
materiais. 
❖ Um novo composto para recuperação de solos 
degradados por metais pesados, especialmente o 
chumbo, promete ser uma alternativa mais viável 
economicamente, frente às outras técnicas já existentes, 
além de minimizar o impacto ambiental. Desenvolvido 
recentemente pelo grupo de pesquisa Vidros e 
Cerâmicas do Departamento de Física e Química da 
Faculdade de Engenharia da Unesp de Ilha Solteira, o 
Agente Recuperador de Solos (ARS), nome dado ao 
material, sob condições especiais e em contato com o 
metal pesado ativo promove uma reação que o imobiliza 
em uma estrutura cristalina estável e mantém o metal 
inerte no solo. A tecnologia do ARS está baseada na 
imobilização do metal pesado em minerais fostatados 
como a piromorfita, um dos minerais mais estáveis 
quimicamente, apresentando baixa solubilidade em 
diferentes meios. O processo de recuperação em estudo 
neutraliza os efeitos nocivos do metal pesado, devolvendo 
à natureza o que lhe foi tirado por processos químicos e 
industriais. 
❖ Bactérias dos gêneros Bacillus, Pseudomonas, 
Rhodobacter e Achromobacter são exemplos de 
microrganismos capazes de degradar petróleo e seus 
derivados por um processo conhecido como 
biorremediação. Além das bactérias, fungos e plantas 
também são utilizados para remover ou degradar 
contaminantes ambientais. 
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello 
A contaminação por petróleo, metais pesados, agrotóxicos, 
esgoto e outros resíduos também pode ser revertida com a 
aplicação dessa técnica versátil e, muitas vezes, mais barata e 
ecologicamente sustentável do que as técnicas tradicionais. 
ÓRGÃOS DE NOTIFICAÇÃO 
• Os Principais órgãos de Fiscalização do Meio Ambiente no 
Brasil integram o Sistema Nacional do Meio Ambiente 
– SISNAMA. 
• CONAMA: O Conselho Nacional do Meio Ambiente - 
CONAMA 
Órgão Central: 
• MMA: O Ministério do Meio Ambiente - MMA 
Órgão Executor: 
• IBAMA O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos 
Recursos Naturais Renováveis – 
• ICMBIO, Instituto Chico Mendes de Conservação da 
Biodiversidade (ICMBIO) 
• SP: Companhia de Tecnologia de Saneamento 
Ambiental (Cetesb) 
http://www.mma.gov.br/governanca-ambiental/sistema-nacional-do-meio-ambientehttp://www.mma.gov.br/conama
http://www.mma.gov.br/conama
http://www.mma.gov.br/
http://www.ibama.gov.br/
http://www.ibama.gov.br/
http://www.icmbio.gov.br/portal/quem-somos/quem-e-quem.html
http://www.icmbio.gov.br/portal/quem-somos/quem-e-quem.html
METAIS DIAGNÓSTICO MECANISMO DE TOXICIDADE MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS TRATAMENTO 
MERCÚRIO • Histórico de exposição ocupacional; 
• Apresentar dois ou mais dos seguintes 
sintomas: falta de ar, dor no peito, 
gengivite, náusea, vômitos, dor 
abdominal, diarreia, cefaleia, gosto 
metálico na boca [...]; 
• Mensuração do mercúrio presente na 
urina no período ne 24h: A maioria dos 
indivíduos não expostos terá níveis de 
mercúrio na urina de 24 horas <10; 
Concentrações séricas de mercúrio 
superiores a 10mcg/L já podem ser 
anormais e concentrações superiores 
a 35mcg/L necessitam de intervenção. 
• Dano ou morte celular causada pela 
ligação da alta afinidade do mercúrio 
aos grupos sulfidrilas de proteínas 
celulares. 
− Interrupção da formação de 
microtúbulos; estresse oxidativo; 
respostas autoimunes; inibição de 
enzimas. 
❖ O Hg orgânico é o mais tóxico por ser 
lipossolúvel. Dessa maneira, pode ser 
distribuído a todos os tecidos e 
facilmente cruzar as barreiras 
hematoencefálica e placentária, 
induzindo a déficits de desenvolvimento 
neurológico em recém-nascidos e 
crianças. 
• Vapor de Mercúrio: 
− Bronquite aguda corrosiva; 
− Pneumonia intersticial; 
− SNC: tremores e irritabilidade. 
• Mercúrio inorgânico: 
− Principal órgão alvo: rim; 
− Proteinúria. 
• Metilmercúrio: 
− Neurotoxicidade: parestesia; ataxia; 
distúrbios de marcha; perda de visão e 
audição. 
• Remoção do paciente 
da exposição ao 
mercúrio; 
• A exposição inalatória 
pode necessitar de 
suporte ventilatório 
com pressão positiva. 
• Terapia com Quelante: 
sequestra íons 
− Indicada para pacientes 
com intoxicações 
clinicamente 
significativas; 
− Dimercaprol e o 
succímero são os 
quelantes mais 
utilizados. 
FERRO • Histórico; sintomatologia (acidose); 
• Após 4-6h de contaminação pode ser 
feita a dosagem sérica do Fe: 
− Normal: < 350 mcg/dl 
− Leve a moderado: 350-500 
− Acometimento do SNC: >500; 
• Contagem de leucócitos no sangue 
periférico: 
> 15.000/mm³ 
 
• O ferro atua como um catalisador para 
produzir danos de radicais livres, 
resultando em arteriosclerose e 
doenças cardíacas isquêmicas. 
• Fase gastrointestinal (30 minutos - 6 horas): 
Dor abdominal, náuseas, vómitos, diarreia, 
hemorragia digestiva (por efeito direito a 
nível da mucosa gastrointestinal - efeito 
corrosivo precoce). Início de letargia, choque 
a acidose metabólica e coagulopatia; 
• Toxicidade crônica: 
− Hemocromatose; 
 
• Irrigação intestinal com 
polietilenoglicol por 
sonda; 
• Terapia com quelante: 
− Deferoxamina (forma 
sais solúveis do metal, 
permitindo sua 
excreção pelos rins). 
CHUMBO • Histórico; sintomatologia; 
• Dosagem de Pb no sangue ou na urina: 
− Crianças: entre 20 e 44 mcg – 
alterações comportamentais; 
> 44 – lesões no SNC; 
− Adultos: >100 – encefalopatia e 
neuropatia. 
• Aumento de ALA-U e diminuição 
(inibição) de ALAD. 
• Inibe ou imita a ação do cálcio e interage 
com proteínas; 
• interferência no funcionamento das 
membranas celulares e enzimas; 
• Inibição do grupo Heme; 
• Diminui a velocidade de condução 
nervosa; 
• 
• Cólicas, gengiva azulada; 
• Efeitos neurológicos em crianças: 
− Letargia, vômito, irritabilidade, tonturas, 
ataxia e redução do nível de consciência. 
• Efeitos neurológicos em adultos: 
− Neuropatia periférica – desmielinização 
segmentar e degeneração axonal; 
− Dificuldade na marcha; 
• Nefropatia; 
• Anemia; 
• Atravessa a barreira placentária; 
 
 
• Descontaminação 
(ingestão aguda): 
irrigação intestinal, 
remoção de corpos 
estranhos contendo 
chumbo; 
• Terapia com Quelante: 
− Succímero; 
ARSÊNIO 
 
• Dosagem laboratorial de arsênio na 
urina: 
50µg/L em dosagem de urina pontual, ou 
um total de 100µg em urina de 24h. 
• Produz oxidantes e danos oxidativos ao 
DNA; 
• Alterações no estado de metilação do 
DNA e instabilidade genômica; 
• Comprometimento do reparo do dano 
do DNA e aumento da proliferação 
celular. 
• Intoxicação aguda: 70 a 180 mg 
− Febre, anorexia, hepatomegalia, arritmia, 
falência cardíaca. 
− Danificação da mucosa gástrica: vômitos 
incessantes e cólicas intensas. 
− Perda sensorial aparece 1 a 2 semanas após a 
intoxicação e consiste em degeneração dos 
axônios. 
− Anemia e leucopenia. 
• Intoxicação crônica: 
− A pele é o principal órgão acometido. 
• Exposição a baixas doses: 
− Neuropatia periférica: dormência das mãos e 
pés; tanto nervos sensoriais, quanto motores 
podem ser afetados. 
 
• Reposição de volume e 
uso de drogas 
vasoativas; 
• A lavagem gástrica está 
indicada nesses casos; 
• O carvão ativado é 
contraindicado quando 
há suspeitas de 
corrosão da mucosa do 
trato gastrintestinal, ou 
se o paciente apresenta 
sangramento digestivo; 
• Terapia com Quelante: 
− Dimercaprol (BAL) 
 
Scanned with CamScanner
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello 
INTOXICAÇÃO MEDICAMENTOSA 
 Intoxicação refere-se ao desenvolvimento de efeitos adversos 
associados à exposição a determinadas doses de substâncias 
químicas, fármacos ou outros xenobióticos. 
 A intoxicação é um efeito medicamentoso dose-
dependente, variável com a predisposição individual do 
usuário e com as várias interações enzimáticas de 
indução ou inibição do metabolismo da droga. 
 A intoxicação pode ser local (por exemplo, em pele e 
mucosas) ou pode ser sistêmica, dependendo das 
propriedades físico-químicas do tóxico, do seu 
mecanismo de ação e da via de exposição. 
 Diagnóstico Sindrômico: Com base na anamnese e no 
exame físico podemos caracterizar as síndromes de 
intoxicação exógena (toxíndromes), o que vai nortear o 
diagnóstico etiológico específico e a abordagem 
terapêutica. De maneira didática podemos dividir as 
intoxicações em 4 grupos de acordo com o estado 
fisiológico: 
→ Excitação; 
→ Depressão; 
→ Mista; 
→ Normal. 
INTERAÇÃO MEDICAMENTOSA 
 Interações medicamentosas são tipos especiais de 
respostas farmacológicas, em que os efeitos de um ou 
mais medicamentos são alterados pela administração 
simultânea ou anterior de outros, ou através da 
administração concorrente com alimentos; 
 As respostas decorrentes da interação podem acarretar 
potencialização do efeito terapêutico, redução da 
eficácia, aparecimento de reações adversas com 
distintos graus de gravidade ou ainda, não causar 
nenhuma modificação no efeito desejado do 
medicamento. 
→ Portanto, a interação entre medicamentos pode ser útil 
(benéfica), causar respostas desfavoráveis não 
previstas no regime terapêutico (adversa), ou 
apresentar pequeno significado clinico. 
 As interações benéficas são abordagens terapêuticas 
fundamentais em diversas patologias. No tratamento da 
hipertensão arterial severa a combinação de 
medicamentos com mecanismos de ação diferentes 
promove a redução mais eficiente da pressão sanguínea; 
na quimioterapia antineoplásica a associação de 
antagonistas serotoninérgicos e dopaminérgicos está 
recomendada para minimizar o quadro de náusea e 
vômito, na sedação a associação de hipnóticos, 
analgésicos e bloqueadores neuromusculares é 
necessária para manutenção do estado anestésico 
completo. 
 Em contrapartida as interações adversas podem acentuar 
os efeitos indesejados dos medicamentos, acarretar 
ineficácia terapêutica e colocar em risco a vida do 
paciente. A associação de aminoglicosídeos e 
bloqueadores neuromusculares pode desencadear 
paralisia respiratória; a coadministração de álcool e 
barbitúricos pode conduzir o paciente ao estado de coma. 
Estas interações que ocorrem, normalmente, de modo 
ocasional ou fortuito tendem a aumentar o tempo de 
hospitalização, elevar o custo do tratamento e causar 
maior morbidade ao indivíduo. 
 A interação medicamentosaé, desta forma, uma das 
variáveis que afeta o resultado terapêutico e quanto 
maior o número de medicamentos que o paciente recebe, 
maior a possibilidade de ocorrência. A frequência das 
interações clinicamente importantes (benéficas ou 
adversas) é desconhecida. Estima-se que para usuários de 
2 a 3 medicamentos o percentual seja de 3 a 5%, nos que 
utilizam de 10 a 20 agentes eleve-se para 20%. 
Na prática a questão das interações medicamentosas é 
complexa, pois além das inúmeras possibilidades teóricas de 
interferência entre os medicamentos, fatores relacionados ao 
indivíduo (idade, constituição genética, estado fisiopatológico, 
tipo de alimentação) e a administração do medicamento 
(dose, via, intervalo e sequência da administração) influenciam 
na resposta do tratamento. 
INTOXICAÇÕES MEDICAMENTOSAS MAIS 
PREVALENTES EM NÍVEL NACIONAL 
Entre as várias causas de intoxicação por medicamentos, as 
mais comuns foram tentativa de suicídio (40,5%), acidente 
individual (33,9%), uso terapêutico (8,3%) e erro de 
administração (6,1%). Quanto ao gênero, ocorrências 
envolvendo mulheres (60%) foram mais comuns que 
envolvendo homens (39,3%). 
No que se refere à faixa etária, crianças acima de um ano e 
abaixo de cinco anos representaram o grupo mais afetado, 
com mais de um quarto dos casos (27,8%). Outra constatação 
preocupante é a de que pacientes abaixo de 10 anos 
totalizaram 37,8% de todos os casos de intoxicação por 
medicamentos. 
Segundo Hoefler e Galvão (2010), apesar de aproximadamente 
metade dos casos de intoxicação ocorrerem em crianças, os 
casos mais graves e os óbitos são mais frequentes em 
adolescentes e adultos. Entre os idosos, os medicamentos 
também são os agentes intoxicantes mais prevalentes e os 
casos geralmente estão ligados ao uso terapêutico. 
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello 
Entre os medicamentos que mais aparecem nos relatórios de 
centros especializados no atendimento a intoxicações 
destacam-se os fármacos analgésicos, sedativos, 
antidepressivos, antimicrobianos, anti-histamínicos e 
cardiovasculares, além das vitaminas e dos minerais. 
→ O maior problema não é a automedicação e sim a 
consulta em vários especialistas que prescrevem 
isoladamente; 
 
 1º. lugar = analgésicos/ antitérmicos/ Anti-inflamatórios; 
 2º. lugar = antidepressivos e estimulantes; 
 3º. Lugar = cardiovasculares. 
 
MECANISMO DE AÇÃO DOS AINES 
Sabemos que as PGs são produtos originados do ácido 
aracdônico, o qual é obtido da dieta ou do ácido linoléico, 
encontrando-se presentes em todos os tecidos animais 
exercendo várias funções. Quimicamente são parte de um 
grupo chamado eicosanóides, derivados do ácido aracdônico 
e liberado de fosfolipídeos de membrana de células lesadas, 
por ação catalítica da fosfolipase A2. As cicloxigenases (COX-1 
e COX-2) e a hidroperoxidase catalisam as etapas sequenciais 
de síntese dos prostanóides (prostaglandinas clássicas e 
tromboxanos) e as lipoxigenases transformam o ácido 
aracdônico em leucotrienos e outros compostos. 
O principal mecanismo de ação dos AINEs ocorre através da 
inibição específica da COX e consequente redução da 
conversão do ácido aracdônico ou araquidônico (AA) em 
prostaglandinas. Reações mediadas pelas COXs, a partir do AA 
produzem PGG2, que sob ação da peroxidase forma PGH2, 
sendo então convertidas às prostaglandinas, prostaciclinas e 
tromboxanos (TXs). 
 As prostaglandinas têm ação vasodilatadora. A PGD2 é 
liberada de mastócitos ativados por estímulos alérgicos ou 
outros. A PGE2 inibe a ação de linfócitos e outras células 
que participam das respostas alérgicas ou inflamatórias. 
Além de promoverem vasodilatação, sensibilizam os 
nociceptores (hiperalgesia) e estimulam os centros 
hipotalâmicos de termorregulação. A prostaglandina I2 
(prostaciclina) predomina no endotélio vascular e atua 
causando vasodilatação e inibição da adesividade 
plaquetária. O TX, predominante nas plaquetas, causa 
efeitos contrários como vasoconstrição e agregação 
plaquetária. 
 Os leucotrienos aumentam a permeabilidade vascular e 
atraem os leucócitos para o sítio da lesão. A histamina e a 
bradicinina aumentam a permeabilidade capilar e ativam 
os receptores nocigênicos. 
 Existem pelo menos duas isoformas de COX que 
apresentam diferenças na sua regulação e expressão.A 
atividade de ambas as isoformas são inibidas por todos os 
AINEs em graus variáveis. A COX-1 e COX-2 possuem60% 
de homologia na sua sequência de aminoácidos expressa 
em muitos tecidos. As COX-1, ditas como constitutivas, 
auxiliam na manutenção da integridade da mucosa 
gastroduodenal, homeostase vascular, agregação 
plaquetária e modulação do fluxo plasmático renal. 
 A COX-2 é uma enzima indutível, geralmente indetectável 
na maioria dos tecidos, sua expressão é aumentada em 
processos inflamatórios. Ela é expressa constitutivamente 
no cérebro, rim, ossos e provavelmente no sistema 
reprodutor feminino. Sua atividade é importante na 
modulação do fluxo sanguíneo glomerular e balanço 
hidroeletrolítico. Sua expressão é inibida pelos 
glicocorticoides, o que explicaria os seus efeitos anti-
inflamatórios. 
 Recentemente foi descoberta uma variante do gene da 
COX-1, descrito como COX-3. Essa parece ser expressa em 
altos níveis no sistema nervoso central e pode ser 
encontrada também no coração e na aorta. Essa enzima é 
seletivamente inibida por drogas analgésicas e 
antipiréticas, como paracetamol e dipirona, e é 
pontencialmente inibida por alguns AINEs. Essa inibição 
pode representar um mecanismo primário central pelo 
qual essas drogas diminuem a dor e possivelmente a 
febre. A relevância dessa isoforma ainda não está clara. 
 A inibição de PG é responsável por seus principais efeitos 
colaterais: gastrite, disfunção plaquetária, 
comprometimento renal e broncoespasmo. O efeito 
antitrombótico ocorre pelo bloqueio da COX-1, inibindo a 
produção do TX e ocasionando o predomínio da atividade 
de prostaciclina endotelial. 
 
 
 
 
 
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello 
MECANISMO DE AÇÃO DOS ANAGÉSICOS E 
ANTIPIRÉTICOS 
FARMACODINÂMICA 
 O paracetamol é uma droga analgésica e antipirética, 
apresentando pouca ou nenhuma ação anti-inflamatória e seu 
mecanismo de ação não está completamente elucidado, mas 
parece produzir analgesia por elevação do limiar da dor sendo 
capaz de bloquear a cicloxigenase (COX) em locais com baixos 
teores de peroxidases, como o hipotálamo, o que 
possivelmente explica a fraca atividade anti-inflamatória do 
paracetamol, uma vez que a região da inflamação geralmente 
contém 4 concentrações elevadas de peróxidos gerados pelos 
leucócitos. Estes resultados não excluem o PAR como um 
membro da classe dos AINEs e explicam a sua fraca inibição 
pela COX, particularmente a cicloxigenase-2 (COX-2) , uma 
isoenzima que produz menor efeito colateral, com um 
percentual de 30% de inibição máxima por AINEs, pois sua 
atividade inibitória sobre a cicloxigenase pode estar 
relacionada a sua capacidade de inibir o radical tirosil presente 
na PGES. 
 O paracetamol demonstrou inibir a ação de pirógeno 
endógeno no centro termorregulador por bloqueio da 
produção e liberação de prostaglandina no sistema nervoso 
central. A febre ocorre quando a PGE elevada atua na área pré-
óptica do hipotálamo anterior, resultando em diminuição da 
perda de calor e aumento do ganho de calor. 
 
TOXICIDADE 
A toxidade induzida pelo paracetamol ocorre pelo uso de 
sobre-dose, deficiências enzimáticas, doenças hepáticas ou 
renais e interações medicamentosas, sendo mais grave 
quando por múltiplos fatores. 
 A intoxicação hepática grave pode levar à morte de três a 
cinco dias após a ingestão de dose alta de paracetamol, 
pois a via de conjugação é saturada, aumentando a 
quantidade do produto oxidado N-acetil benzoquinona 
imina (NAPQI). 
 Após esgotar as reservas de glutationa reduzida (GSH), a 
NAPQI passaa reagir com moléculas de proteínas 
hepáticas séricas ou tissulares contendo grupamentos 
ricos em elétrons, com a capacidade de reagir nas 
posições 3 e 5 por adição ao sistema Michael, acarretando 
com isso danos às células hepáticas e sanguíneas, 
problemas alérgicos e o metabólito oxidado pode formar 
adutos com bases nitrogenadas, apresentando alterações 
a nível de DNA e RNA. 
 A superdosagem do paracetamol, quando devidamente 
diagnosticada, é tratada com a administração de N-
acetilcisteína, que atua como substituto da glutationa, 
neutralizando os derivados oxidados reativos. Há, porém, 
casos e comportamentos de riscos mais difíceis de serem 
tratados, a auto-medicação, interações medicamentosas, 
utilização em pediatria ou geriatria, insuficiências 
hepáticas ou renais não diagnosticadas e deficiências 
enzimáticas, o que para os países de terceiro mundo, onde 
a produção industrial de medicamentos é descarregada e 
disponibilizada à consumidores de medicamentos 
desprovidos de um sistema de farmacovigilância eficaz, 
acaba expondo uma parcela de sua população, que além 
do baixo controle de consumo de medicamentos, também 
não há notificações médica em caso de intoxicações 
aliado a isso a escassez de conhecimento sobre 
mecanismo de ação e farmacodinâmica por parte dos 
profissionais de saúde contribui para tal risco. Estes fatos 
justificam a busca de novos derivados do paracetamol 
mais seguros. 
 
MECANISMO DE AÇÃO DOS 
BENZODIAZEPÍNICOS 
 O efeito ansiolítico dos benzodiazepínicos está 
relacionado com o sistema gabaérgico do sistema 
límbico; 
 O ácido gama-aminobútirico (GABA) é um 
neurotransmisso com função inibitória capaz de atenuar 
as reações serotoninérgicas responsáveis pela 
ansiedade; 
 Os benzodiazeínicos seriam, assim, agonistas deste 
sistema, agindo sobre os receptores gabaérgicos, 
potencializando a ação do GABA; 
→ Eles se ligam em sítio de ação e facilitam a ligação do 
GABA no receptor, promovendo um efeito sinérgico; 
→ Aumenta a ação gabaérgica; 
→ Promove mais abertura de canais de cloro; 
→ Íons de cloro entram na célula; 
→ Resultam em hiperpolarização do neurônio pós-
sináptico. 
 
 
 
 
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello 
 A ligação dos BZDs aos receptores GABA-a BZD aumenta 
o transporte do cloro nos neurônios devido ao aumento 
da taxa de abertura dos canais de cloro resultando na 
hiperpolarização e aumento geral da transmissão 
gabaérgica. 
 Existem evidências de que o efeito hipnótico dos BZDs 
permanece mesmo na presença de bloqueio do 
ionóforo clorídrico. Estudos adicionais apontam para a 
relevância de um mecanismo cálcio-dependente para o 
efeito hipnótico. 
TRATAMENTO PARA INTOXICAÇÃO 
MEDICAMENTOSA 
 Acetilcisteína (NAC) [injetável] - Paracetamol; 
 
 Bicarbonato de sódio [injetável] - Antidepressivos 
tricíclicos; salicilatos e fenobarbital (alcalinização 
urinária); 
 
 Cloreto de cálcio [injetável] - Betabloqueadores, 
bloqueadores de canal de cálcio; 
 
 Flumazenil [injetável] – Benzodiazepínicos; 
 
 Glucagon [injetável] - Betabloqueadores; 
bloqueadores de canal de cálcio; antidepressivos 
tricíclicos; 
 
 Naloxona [injetável] – Opioides; 
TRATAMENTO PARA INTOXICAÇÃO POR 
PARACETAMOL 
Normalmente as intoxicações por paracetamol são tratadas 
com a N-acetilcisteína (NAC), administrada por via 
intravenosa. A via oral não é utilizada frequentemente porque 
o doente intoxicado sofre, na maior parte das vezes, de 
perturbações gastrointestinais, o que vai dificultar a eficácia 
terapêutica da NAC. 
Este antídoto é um percursor da GSH e quando administrado 
promove a síntese de GSH, levando ao restabelecimento das 
suas reservas, que numa situação de intoxicação por 
Paracetamol estão muito diminuídas. Com as reservas de GSH 
reestabelecidas, há captação dos radicais livres e ligação da 
GSH ao NAPQI, transformando em metabolitos não tóxicos 
como o ácido mercaptúrico, facilmente eliminados por via 
renal. Por outro lado, os aminoácidos em excesso 
(provenientes da NAC e que não foram necessários para a 
síntese de GSH) são utilizados como substratos para a 
produção de ATP, através do Ciclo de Krebs, restabelecendo os 
níveis de ATP nos hepatócitos. 
 Foi estabelecido um protocolo, o chamado “Protocolo 
de Prescott” , em que a dose de NAC administrada é 
dependente do peso corporal do doente. A dose inicial 
corresponde a 150 mg/kg de peso corporal em perfusão 
lenta durante 15 minutos ou 1 hora, a segunda dose são 
50 mg/kg de peso corporal em perfusão lenta durante 4 
horas e por fim a dose final corresponde a 100 mg/kg de 
peso corporal durante 16 horas. 
 Antes do tratamento com a NAC e também durante o 
mesmo, é importante determinar a concentração sérica 
do paracetamol. Quando este valor está abaixo dos 100 
mg/L, o paciente não deve realizar a terapêutica com 
NAC, pois não se encontra em risco. Este valor tem 
gerado alguma controvérsia, diferindo em alguns países; 
no entanto este é o mais aceite. 
 
 
 
 
 
FISIOPATOLOGIA DA INTOXICAÇÃO POR PARACETAMOL 
O principal metabólito tóxico do paracetamol, imina de n -
acetil- p -benzoquinona (NAPQI), é produzido no sistema 
enzimático do citocromo hepático P450; a glutationa 
depositada no fígado desintoxica este metabólito. Uma 
superdosagem esgota o depósito hepático de glutationa. 
Como resultado, NAPQI se acumula, causando necrose 
hepatocelular e, possivelmente, dano a outros órgãos (p. ex., 
rins e pâncreas). Teoricamente, doenças hepáticas 
decorrentes de álcool ou desnutrição aumentam o risco de 
toxicidade, pois as enzimas hepáticas pré-requisitadas 
aumentam a formação de NAPQI e a desnutrição (também 
comum em alcoólatras) reduz o depósito de glutationa 
hepática. Contudo, se o risco é de fato aumentado, isso não é 
evidente. A ingestão aguda de álcool pode ser protetora, pois 
as enzimas hepáticas P450 metabolizam preferencialmente o 
etanol e, portanto, não produzem NAPQI tóxico. 
INTOXICAÇÃO AGUDA POR PARACETAMOL 
Para causar toxicidade, a superdosagem aguda precisa 
ser em um total de ≥ 150 mg/kg (cerca de 7,5 g em 
adultos) em 24 h. 
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello 
BIOTRANSFORMAÇÃO HEPÁTICA 
 As reações na fase I englobam a formação de um novo 
grupo funcional ou modificado ou clivagem (oxidação, 
redução, hidrólise); essas reações são não sintéticas. 
 As reações na fase II englobam a conjugação com alguma 
substância endógena (p. ex., ácido glucurônico, sulfato, 
glicina); essas reações são sintéticas. 
 Os metabólitos formados nas reações sintéticas são mais 
polares e, portanto, mais prontamente excretados pelos 
rins (na urina) e pelo fígado (na bile) que aqueles 
formados por reações não sintéticas. 
 Alguns fármacos só são submetidos às reações das fases 
I ou II; assim, os números de fase refletem a classificação 
funcional, em vez de sequencial. 
→ O sistema enzimático mais importante da fase I da 
biotransformação é o citocromo P-450 (CYP450), uma 
superfamília microssômica de isoenzimas que catalisam a 
oxidação de muitos fármacos. Os elétrons são supridos 
pela NADPH-CYP450 redutase, uma flavoproteína que 
transfere elétrons da NADPH (forma reduzida do fosfato 
de nicotinamida-adenina dinucleotídio) para o citocromo 
P-450. 
→ As enzimas do citocromo P-450 podem ser induzidas ou 
inibidas por muitos fármacos e substâncias, resultando 
em muitas interações entre fármacos, em que um 
exacerba a toxicidade ou reduz o efeito terapêutico do 
outro fármaco. 
→ Com o envelhecimento, a capacidade do fígado para a 
biotransformação por meio do sistema enzimático do 
citocromo P-450 reduz-se em ≥ 30%, em virtude da 
redução de volume e fluxo hepático. Dessa maneira, 
fármacos biotransformados por esse sistema alcançam 
níveis mais elevados e possuem meias-vidas prolongadas 
no idoso ( Comparação da resposta farmacocinética para 
diazepam em um homem jovem (A) e homem idoso (B).).Como os neonatos têm sistemas enzimáticos 
microssômicos hepáticos parcialmente desenvolvidos, 
eles também têm dificuldade para biotransformar muitos 
fármacos. 
→ A glucuronidação, a reação mais comum da fase II, é a 
única que ocorre no sistema enzimático microssômico 
hepático. Os glucuronídeos são secretados na bile e 
eliminados na urina. Assim, a conjugação torna a maioria 
dos fármacos mais solúvel e facilmente excretada pelos 
rins. A conjugação com aminoácidos, como glutamina ou 
glicina, produz conjugados que são prontamente 
excretados na urina, mas não extensivamente secretados 
na bile. O envelhecimento não afeta a glucuronidação. 
Contudo, em recém-nascidos, a conversão em 
glucoronídeos é lenta, resultando potencialmente em 
efeitos graves (p. ex., como com o cloranfenicol). 
A conjugação também pode ocorrer pela acetilação ou 
sulfoconjugação. Os ésteres de sulfato são polares e 
prontamente excretados na urina. O envelhecimento não 
afeta esses processos. 
HEPATOTOXICIDADE 
Hepatopatia relacionada ao uso de drogas hipolipemiantes 
tem sido definida como um dano celular (aumento das 
enzimas AST e ALT) sem alterações colestáticas (aumento de 
bilirrubinas e/ou fosfatase alcalina). Seis mecanismos são 
propostos para a hepatopatia: 
1. Reações de alta energia no citocromo P450 comprometendo 
a homeostase do cálcio com a ruptura de fibrilas intracelulares 
e lise de hepatócitos. 
2. Disfunção de proteínas transportadoras relacionadas com o 
fluxo de ácidos biliares (mecanismo proposto para a toxicidade 
hepática dos fibratos). 
3. Reações imunes geradas pela formação de metabólitos das 
drogas hipolipemiantes formados no fígado. 
4. Hepatoxicidade promovida por células T com inflamação 
adicional mediada por neutrófilos. 
5. Apoptose mediada por TNF e Fas (imune-mediada). 
6. Estresse oxidativo gerado por dano a organelas 
intracelulares. 
Ainda, idade avançada, consumo excessivo de álcool, altas 
doses de drogas hipolipemiantes, interação com outros 
fármacos, e doença hepática ativa prévia podem aumentar a 
hepatotoxidade. 
 Existem, basicamente seis tipos de alterações hepáticas 
que podem ser induzidas pelos medicamentos e o modo 
com que várias organelas intracelulares são afetadas 
define o padrão da doença: 
→ Reações de alta energia envolvendo as enzimas do 
citocromo P-450 podem levar a alteração da homeostase 
do cálcio intracelular, produzindo ruptura das fibrilas de 
actina na superfície do hepatócito, culminando com a lise 
celular; 
→ Medicamentos que afetam proteínas de transporte na 
membrana canalicular podem interromper o fluxo biliar, 
por exemplo, ligando-se à proteína exportadora de sais 
biliares ou inativando-a. A ruptura dos filamentos de 
actina ocorre junto aos canalículos (porção especializada 
da célula responsável pela excreção biliar). Esse processo 
causa colestase, entretanto produz pouca agressão 
celular. Este mecanismo é o mais provável na toxicidade 
hepática decorrente do uso de fibratos. 
https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/farmacologia-cl%C3%ADnica/farmacocin%C3%A9tica/vis%C3%A3o-geral-da-farmacocin%C3%A9tica#v1108927_pt
https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/farmacologia-cl%C3%ADnica/farmacocin%C3%A9tica/vis%C3%A3o-geral-da-farmacocin%C3%A9tica#v1108927_pt
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello 
→ Os medicamentos são moléculas relativamente pequenas 
e, portanto, é improvável que evoquem resposta 
imunológica. Entretanto, a biotransformação que envolve 
reações de alta energia, pode resultar na formação de 
produtos inativos, ou seja, medicamentos 
covalentemente ligados a enzimas. Estas moléculas, que 
são grandes o suficiente para servir como alvos 
imunológicos podem migrar para a superfície do 
hepatócito aonde podem induzir a formação de 
anticorpos (citotoxicidade mediada por anticorpos). 
→ Induzir respostas citolíticas diretas por células T. A 
resposta secundária das citocinas a esses processos pode 
causar inflamação e hepatoxicidade adicional mediada 
por neutrófilos; 
→ A morte celular programada (apoptose) pode ocorrer pela 
agressão imuno-mediada, com a destruição de 
hepatócitos pelas vias do TNF e da Fas. Estas funcionam 
como gatilho para a cascata de caspases, que levam à 
contração das células e fragmentação da cromatina 
nuclear; 
→ Quando os medicamentos agridem as mitocôndrias, seja 
por inativação ou ligação a enzimas respiratórias ou ao 
DNA mitocondrial, desregulam a oxidação dos ácidos 
graxos e a produção de energia celular. Isto resulta em 
estresse oxidativo com aparecimento de metabolismo 
anaeróbico, acidose lática e acúmulo de triglicérides nas 
células (esteatohepatite). 
→ Quanto aos hipolipemiantes, pouco ainda é conhecido 
sobre quais os mecanismos que podem estar envolvidos 
quando eles determinam hepatotoxicidade. Acredita-se 
que, na maioria das vezes em que a agressão hepática 
ocorre, existe a participação de mais de um mecanismo. 
 
 
 
 
 
ANVISA E O CONTROLE SOBRE OS 
MEDICAMENTOS 
Algumas das competências da Agência Nacional de Vigilância 
Sanitária (Anvisa) na área de medicamentos são: 
▪ Registro de medicamentos; 
▪ Autorização de funcionamento e inspeção dos 
laboratórios farmacêuticos e demais empresas da cadeia 
farmacêutica; 
▪ Análise de pedidos de patentes relacionados a produtos e 
processos farmacêuticos; 
▪ Regulação de preços, por meio da Câmara de Regulação 
do Mercado de Medicamentos (CMED). 
Outras ações são compartilhadas com estados e municípios, 
como a inspeção de fabricantes, o controle de qualidade dos 
medicamentos e a vigilância pós-comercialização, destacando-
se a farmacovigilância e a regulação da propaganda de 
medicamentos. 
FARMACOVIGILÂNCIA 
A Farmacovigilância é o sistema utilizado para monitorar a 
segurança dos medicamentos registrados, por meio do 
acompanhamento e avaliação continuada destes produtos em 
uso pela população. Isto se faz necessário, pois apesar dos 
medicamentos serem testados para concessão do registro em 
ensaio clínicos, a segurança e efetividade deles precisam ser 
avaliadas quando usados em vida real. Uma vez no mercado, 
os medicamentos são utilizados por um número maior de 
pessoas em diferentes condições – com outros 
medicamentos, alimentos, etc; por indivíduos com idades 
diversas, com comorbidades, etc – ou seja, uma realidade mais 
complexa que não é possível mimetizar, nem mesmos esgotar 
em pesquisas. 
A Agência avalia as notificações e os documentos recebidos 
para checar a balança benefício-risco dos medicamentos e, 
diante dos riscos, decidir se há necessidade de medidas 
sanitárias adicionais para a proteção da saúde da população. 
• Quando um medicamento inovador é registrado no País, 
chamamos esse medicamento de “referência”. A 
eficácia, segurança e qualidade desses medicamentos são 
comprovados cientificamente, no momento do registro 
junto à Anvisa. Como os laboratórios farmacêuticos 
investem anos em pesquisas para desenvolvê-los, têm 
exclusividade sobre a comercialização da fórmula durante 
o período de patente. “A patente pode durar entre 10 e 
20 anos”, segundo o diretor-presidente da Anvisa, Dirceu 
Barbano. 
Após a expiração da patente, abre-se a porta para a produção 
de medicamentos genéricos. O medicamento genérico é 
Interação medicamentosa do paracetamol com 
medicamentos estimuladores do sono 
Tanto benzodiazepínicos como barbitúricos são 
medicamentos que estimulam o sono, e a utilização do 
paracetamol concomitantemente com qualquer uma 
das duas classes medicamentosas irá agir de modo a 
potencializar o efeito do paracetamol, ou seja, torna ele 
mais forte e juntamente com isso mais tóxico ao 
organismo. 
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello 
aquele que contém o mesmo fármaco (princípio ativo), na 
mesma dose e forma farmacêutica, é administrado pela 
mesma via e com a mesma indicação terapêutica do 
medicamento de referência no país. 
Na embalagemdos genéricos deve estar escrito 
"Medicamento Genérico" dentro de uma tarja amarela. Como 
os genéricos não têm marca, o que você lê na embalagem é o 
princípio ativo do medicamento. O preço do medicamento 
genérico é 35% menor, pois os fabricantes de medicamentos 
genéricos não necessitam fazer investimentos em todas as 
fases de pesquisas não clínicas e clínicas para o seu 
desenvolvimento, visto que a maior parte dos estudos de 
segurança e eficácia foram realizados pelos medicamentos de 
referência. Outro motivo para os preços reduzidos dos 
genéricos diz respeito ao marketing. Os seus fabricantes não 
necessitam fazer propaganda, pois não há marca a ser 
divulgada. 
Similares – Além dos medicamentos de referência e os 
genéricos, há a categoria dos medicamentos similares. De 
acordo com a definição legal, medicamento similar é aquele 
que contém o mesmo ou os mesmos princípios ativos, 
apresenta mesma concentração, forma farmacêutica, via de 
administração, posologia e indicação terapêutica, mas pode 
diferir em características relativas ao tamanho e forma do 
produto, prazo de validade, embalagem, rotulagem, 
excipientes e veículo, devendo sempre ser identificado por 
nome comercial ou marca. 
Scanned with CamScanner
COBRAS VENENO SINTOMAS TRATAMENTO 
 
 
 
 
 
 
 
 
JARARACA 
(87% dos acidentes no Brasil) 
 Botrópico 
 
 
Possui 4 grupos de atividades fisiopatológicas: 
Proteolítica/Necrótica/ Inflamatória aguda: causada por 
histamina, peptídeos ou proteínas, como fosfolipase A2, 
esterases, proteases, enzimas liberadoras de cininas, 
lectinas, etc. 
Há liberação de óxido nítrico e de citocinas (IL-1, IL6, IL-8, 
IFN-γ, TNF-α) e ativação do sistema complemento. 
No local da picada, há necrose tecidual pela ação de 
enzimas proteolíticas, principalmente as fosfolipases A2 
(causa dor, edema, eritema e hemorragias). musculares. 
Coagulante: se dá pela ativação de fatores da coagulação 
sanguínea (fibrinogênio, protrombina e fator X), 
convertendo fibrinogênio em fibrina. 
A fibrina formada é instável e rapidamente degradada, 
além do veneno inativar o fator XIII, resultando no 
aumento do tempo de coagulação ou tornando-o 
incoagulável. 
• Vasculotóxica: é promovida pelas hemorraginas, 
grupo de enzimas que contêm zinco em sua estrutura. 
Elas rompem a integridade vascular por degradação 
de vários componentes da matriz extracelular, como 
o colágeno tipo 4, a fibronectina e a laminina, além de 
inibirem a agregação plaquetária. 
• Nefrotóxica: ação direta do veneno sobre os túbulos 
renais e o endotélio vascular. 
• Dor intensa, edema e hemorragia; 
• Após 6 a 12 horas da picada, são 
evidenciadas equimoses, bolhas e 
necrose; 
• Sinais sistêmicos: hemorragias em 
mucosas ou subcutâneas, prostração, 
inapetência, apatia, taquicardia, 
taquipneia, hipertermia e melena. Em 
casos graves, pode ocorrer hipotensão, 
hipotermia, choque hipovolêmico, 
oligúria ou anúria, sudorese, êmese; 
• A recuperação poderá ser lenta; 
• A morte pode ocorrer por choque 
hipovolêmico, hemorragias extensas 
ou insuficiência renal; 
• Como sequela, pode haver extensa 
necrose da pele e musculatura na 
região da picada; 
• É comum a contaminação bacteriana 
no local da picada, com formação de 
abscessos. 
• Soro anti-botrópico (Cada ampola 
contém 10 ml e neutraliza no mínimo 50 
mg de veneno); 
• Na falta deste soro, administrar 
associações antibotrópicocrotálico ou 
antibotrópicolaquético. 
• A administração do soro heterólogo 
deve ser feita o mais cedo possível, por 
via EV, em solução diluída em SF ou 
glicosado; 
• Se o tempo de coagulação permanecer 
alterado 24h após a soroterapia, está 
indicada dose adicional de antiveneno; 
• O local de inoculação do veneno deve 
ser limpo com água e sabão; 
• A elevação do membro acometido 
pouco acima do resto do corpo pode 
facilitar a diminuição do edema. 
• Tecidos necrosados devem ser 
cuidadosamente debridados e os 
abscessos drenados; 
• Adequada hidratação e profilaxia 
contra o tétano são medidas 
complementares importantes; 
• O paciente deve permanecer, pelo 
menos por 72h após a picada, internado 
em hospital. 
 
 
 
 
 
CASCAVEL (9%) 
 Crotálico 
(mais fatal) 
 
 
 
 
 
 
 
É uma mistura complexa de proteínas e polipeptídeos. 
• Ação coagulante: ocorre por ação de compostos com 
atividade similar à trombina, com transformação do 
fibrinogênio sérico em fibrina, prolongando o tempo 
de coagulação ou mesmo tornando o sangue 
incoagulável. 
• Além disto, foi verificado que a convulxina aumenta a 
agregação plaquetária. 
• Ação neurotóxica: promovida principalmente por 
uma substância denominada crotoxina, uma 
neurotoxina pré-sináptica. A crotoxina atua nas 
terminações nervosas motoras, inibindo a liberação 
de acetilcolina pelos impulsos nervosos, 
provavelmente por interferência em canais iônicos. 
• Dor, eritema, edema, e parestesia 
local ou regional. 
• Manifestações sistêmicas: mal-estar, 
prostração, sudorese, náuseas, 
vômitos, sonolência ou inquietação e 
sensação de boca seca, que podem 
aparecer precocemente. 
 O veneno crotálico quase não produz lesão 
local, possuindo principalmente 3 
atividades com importância clínica 
conhecida: 
• Atividade neurotóxica: com ação 
periférica, causando paralisia flácida 
da musculatura esquelética, 
principalmente ocular (visão turva, 
• Infusão do soro anticrotálico ou o soro 
antibotrópico-crotálico por via EV, com 
a dose variando com a gravidade do 
caso, devendo-se ressaltar que a 
quantidade a ser administrada na 
criança é a mesma da do adulto; 
É recomendado lavar a região afetada com 
água e sabão, analgesia e profilaxia do 
tétano, se necessário; 
Os pacientes devem ser bem hidratados 
para prevenir a insuficiência renal; 
 A alcalinização da urina e a diurese 
osmótica estão indicadas nos casos que 
evoluam com mioglobinúria, no intuito de 
diminuir a toxicidade renal; 
 
Assim, há bloqueio neuromuscular, resultando em 
paralisias motoras e respiratórias. 
• Ação miotóxica: deve ser produzida pelas toxinas 
crotoxina e crotamina, produzindo ruptura de 
organelas. 
• Sistemicamente, são observados focos de fibras 
necróticas esparsas misturadas a fibras 
aparentemente normais, podendo evoluir para 
miosite necrótica focal. 
midríase), facial e às vezes, da 
respiração, com consequente 
insuficiência respiratória; 
• Atividade coagulante: provocando a 
ocorrência de sangramento e 
distúrbios da coagulação por consumo 
de fibrinogênio; 
• Atividade miotóxica: causando 
rabdomiólise generalizada (destruição 
do músculo esquelético com 
vazamento do conteúdo muscular que 
é frequentemente acompanhada por 
mioglobinúria), podendo evoluir para 
insuficiência renal aguda, com necrose 
tubular, geralmente de instalação nas 
primeiras 48 horas. 
 
 
 
 
 
 
SURUCUCU (3%) 
 Laquético 
 
 
O veneno laquético apresenta atividades fisiopatológicas 
semelhantes às do veneno botrópico. 
• Possui atividades coagulante (do tipo trombina), 
hemorrágica (metaloproteinases), inflamatória e 
necrosante (proteolítica); 
• É relatada uma atividade cininogenase no veneno, 
que em parte poderia explicar as alterações 
neurotóxicas; 
• Foi isolada também uma fosfolipase A2 com atividade 
miotóxica e com atividade inibidora de ativação 
plaquetária; 
• Possui maior atividade coagulante e menor ação 
hemorrágica. 
• Dor e edema, que podem progredir 
para todo o membro acometido; 
• Podem surgir equimose, necrose 
cutânea, vesículas e bolhas de 
conteúdo seroso ou sero-hemorrágico 
nas primeiras horas do acidente; 
• As manifestações hemorrágicas 
limitam-se ao local da picada na 
maioria dos casos; 
• Manifestações sistêmicas: hipotensão 
arterial, tonturas, escurecimento da 
visão, bradicardia, cólicas abdominais e 
diarréia ("síndrome vagal"); 
• As complicações locais descritas no 
acidente botrópico, como síndrome 
compartimental (acúmulo de pressão 
devido a hemorragia interna ou 
inchaço dos tecidos), necrose,infecção 
secundária, abscesso e déficit 
funcional, também podem estar 
presentes nesse tipo de acidente. 
• Soro antilaquético ou antibotrópico-
laquético; 
Na falta dos soros específicos, o tratamento 
deve ser realizado com soro antibotrópico, 
apesar deste não neutralizar de maneira 
eficaz a ação coagulante do veneno 
laquético. As medidas gerais são as mesmas 
indicadas para o acidente botrópico. 
 
CORAIS (1%) 
Elapídico 
 
 
 
• A principal ação do veneno é neurotóxica; 
• Há 2 grupos de neurotoxinas: 
− Pré-sinápticas: possuem atividade fosfolipásica que 
atuam nas terminações axonais impedindo a 
liberação da acetilcolina na fenda sináptica da 
junção neuromuscular de nervos motores. 
• Os sintomas surgem precocemente, 
em menos de uma hora após a picada; 
• Há discreta dor local, geralmente 
acompanhada de parestesia com 
tendência a progressão proximal. 
• Soro antielapídico; 
• O tratamento geral baseia-se numa 
adequada assistência ventilatória, boa 
hidratação, analgesia, cuidados locais 
e antibioticoterapia, se necessário; 
 
 
 
 
− Pós-sinápticas: desprovidas de ação enzimática, que 
se fixam competitivamente aos receptores 
colinérgicos na junção neuromuscular. Assim, é 
bloqueada a deflagração do potencial de ação. 
• A morte ocorre por falência respiratória por paralisia 
muscular. Como o veneno possui neurotoxinas de 
baixo peso molecular, os sinais iniciam 
precocemente; 
• Outra ação do veneno é a mionecrose, provocada por 
influxo de Ca++, causando hipercontração dos 
microfilamentos, danos mitocondriais e ativação de 
fosfolipases dependentes de Ca++. 
• Manifestações sistêmicas: vômitos, 
fraqueza muscular progressiva, ptose 
palpebral, oftalmoplegia e a presença 
de fácies miastênica ou "neurotóxica"; 
• Também podem surgir mialgia 
localizada ou generalizada, dificuldade 
para se manter na posição ereta, 
dificuldade para deglutir, devido à 
paralisia do véu palatino; 
• A paralisia flácida da musculatura 
respiratória compromete a ventilação, 
podendo evoluir para insuficiência 
respiratória aguda e apnéia, 
semelhante ao que ocorre no acidente 
crotálico. 
• O acidente elapídico é considerado 
muito grave, podendo causar a morte 
da vítima em curto intervalo de tempo. 
• Os anticolinérgicos (neostigmina), por 
atuarem como antagonistas da ação 
pós-sináptica, podem ser benéficos a 
pacientes picados por espécies que 
possuem neurotoxinas póssinápticas no 
veneno. 
• Cada administração de neostigmina 
deve ser precedida de uma injeção 
endovenosa de 0,6mg de sulfato de 
atropina para se obter o aumento da 
frequência cardíaca e evitar a 
hipersecreção. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ARANHA VENENO SINTOMAS TRATAMENTO 
 
 
 
 
MARROM 
 Loxosceles 
 
 
 
• A enzima esfingomielinase-D atua 
sobre os constituintes das membranas 
das células, (principalmente do 
endotélio vascular e hemácias), 
ativando as cascatas do sistema 
complemento, da coagulação e das 
plaquetas, desencadeando intenso 
processo inflamatório no local da 
picada, acompanhado de obstrução de 
pequenos vasos, edema, hemorragia e 
necrose focal. 
• Nas formas mais graves, acredita-se 
que a ativação desses sistemas leva a 
hemólise intravascular. 
O quadro clínico se apresenta sob duas formas: 
• Forma Cutânea: 87 a 98% dos casos. Instalação lenta e 
progressiva. 
− Dor inicialmente de pequena intensidade; 
− Nas primeiras horas pós-picada (2-8 horas): a lesão é 
geralmente incaracterística (edema leva e eritema no 
local da picada); 
− Posteriormente, dentro das primeiras 12-24 horas, o 
local acometido pode evoluir com palidez mesclada com 
áreas equimóticas (“placa marmórea”), instalada sobre 
uma região endurada (empastamento doloroso, 
percebido a palpação), cercado por eritema de tamanho 
variável; 
− vesículas e/ou bolhas sobre a área endurada; 
• Forma Cutâneo-Visceral (hemolítica):1 a 13% dos casos. 
− Além do comprometimento cutâneo, observam-se 
anemia, icterícia e hemoglobinúria, que se instalam 
geralmente nas primeiras 24 horas. Petéquias e 
equimoses, relacionadas à coagulação intravascular 
disseminada. 
− Casos graves podem evoluir para insuficiência renal 
aguda, que é a principal causa de óbito no loxoscelismo. 
• Soro antiloxoscélico ou Soro 
Antiaracnídico; 
• A eficácia da soroterapia é reduzida 
após 36 horas da inoculação do veneno. 
• Tratamento Geral: 
− Corticoterapia: prednisona por via oral 
na dose de 40mg/dia para adultos e 
1mg/Kg/ dia para crianças, por pelo 
menos cinco dias. 
− Para as manifestações locais: 
Analgésicos (dipirona), compressas 
frias, antisséptico local e limpeza da 
ferida; 
− Para as manifestações sistêmicas: 
Transfusão de sangue ou concentrado 
de hemácias quando anemia intensa, 
manejo da insuficiência renal aguda. 
 
 
 
ARMADEIRA 
Phoneutria 
 
 
• Peçonha de P.nigriventer causa 
ativação e retardo da inativação dos 
canais neuronais de sódio, que pode 
provocar despolarização das fibras 
musculares e terminações nervosas 
sensitivas, motoras e do sistema 
nervoso autônomo, favorecendo a 
liberação de neurotransmissores, 
principalmente acetilcolina e 
catecolaminas. 
• Também isolados peptídeos que 
podem induzir a contração da 
musculatura lisa vascular e aumentar a 
permeabilidade vascular, 
independentemente da ação dos 
canais de sódio. 
• A manifestação inicial local é de dor, com 
eventualmente a presença de marcas, edema e 
vermelhidão no local da picada; 
• A evolução da picada é classificada em 3 tipos: 
− Leve (95% dos casos): dor local, além de sudorese, 
aumento do batimento cardíaco e agitação. 
− Moderada: ocorre taquicardia, sudorese, vômitos, 
diarreia, agitação, e aumento da PA além dos sintomas 
locais. 
− Grave (mais rara): ocorre principalmente nos grupos de 
risco (crianças e adultos com mais de 70 anos) onde 
além das manifestações locais, ocorrem vômitos, 
priapismo, diarreia, diminuição da frequência cardíaca, 
tremores, náuseas e edema pulmonar podendo então 
levar a vítima a óbito. 
• É indicado a aplicação de infiltração 
local de anestésicos; 
• Compressas quentes ou imersão de 
água morna no local da picada auxiliam 
a diminuir a dor do paciente; 
• A utilização de soro antiaracnídico em 
picadas de aranha armadeira é usada 
apenas em pacientes com quadros 
clínicos do tipo moderado e grave; 
• Os primeiros socorros são padrões para 
picadas de animais peçonhentos onde a 
vítima deve ser hidratada com água, e o 
local da picada deve permanecer 
elevado; 
• Não se devem realizar torniquetes, 
cortes ou furos no local da lesão ou 
picada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESCORPIÃO VENENO SINTOMAS TRATAMENTO 
AMARELO 
T. Serrulatus 
 
 
• As toxinas escorpiônicas agem estimulando a liberação 
de neurotransmissores do sistema nervoso 
autônomo, observa-se alterações sobrepostas tanto 
da divisão simpática como parassimpática; 
• Efeitos complexos nos canais de sódio, (diminuindo 
sua inativação ou impedindo sua ativação), 
produzindo despolarização das terminações nervosas 
pós-ganglionares, causando liberação principalmente 
de acetilcolina, adrenalina e noradrenalina; 
• Estes mediadores determinam o aparecimento de 
manifestações clínicas em praticamente todos os 
sistemas do organismo, que dependerão do 
predomínio dos efeitos simpáticos ou parassimpáticos. 
• Aumento de catecolaminas: midríase ↑ FC, ↑ PA 
arritmias cardíacas vasoconstricção sudorese ↑ FR ↑ 
Glicemia ↓ Potássio; 
• Liberação de acetilcolina: miose ↓ FC arritmias 
cardíacas vasodilatação ↑ secreções 
broncoconstricção ↑Amilase 
• A intensidade dos sinais e sintomas do 
escorpionismo depende da dose de veneno; 
• Os sintomas aparecem geralmente após 2 ou 
3 horas da picada; 
• A peçonha de todos os escorpiões tem efeito 
neurotóxico. Nos mais severos casos de 
envenenamento humano por Tityus 
Serrulatus, o edema pulmonar é um achado 
freqüente e pode ser a causa de morte do 
indivíduo picado; 
ManifestaçõesSistêmicas: 
• Gerais: hipo ou hipertermia e sudorese 
profusa; 
• Digestivas: náuseas, vômitos, sialorréia e, 
mais raramente, dor abdominal e diarreia; 
• Cardiovasculares: arritmias cardíacas, hiper 
ou hipotensão arterial, insuficiência cardíaca 
congestiva e choque. 
• Respiratórias: taquipnéia, dispnéia e edema 
pulmonar agudo; 
• Neurológicas: agitação, sonolência, confusão 
mental, hipertonia e tremores. 
 
• Alívio da dor através da infiltração 
de lidocaína a 2% sem 
vasoconstritor; 
• Aplicação de soro anti-escorpiônico 
(SAEsc) ou na falta deste, soro anti-
aracnídico (SAAr). 
MARROM 
T. bahiensis 
 
• Mecanismo de ação semelhante ao veneno do 
escorpião amarelo, porém tem baixa toxicidade. 
• Pode ocorrer dor local e manifestações de 
hipersensibilidade, podendo o paciente 
apresentar-se assintomático. 
• Aplicação de anestésicos locais; 
• Em casos mais graves deve ser 
usado o soro antiescorpiônico 
ou antiaracnídico. 
PRETO 
T. obscurus 
 
 
A peçonha do T. obscurus tem demonstrado a existência de 
pelo menos 102 componentes peptídicos, destes somente 
18 estruturas primárias completas são conhecidas; 
• Três deles são toxinas específicas para canais de K+ e 
15 atuam em canais para Na+; 
• Essas neurotoxinas modulam a permeabilidade de 
vários canais iônicos de células excitáveis e não 
excitáveis responsáveis pelos sintomas dos 
envenenados, sendo que a gravidade do 
envenenamento depende da quantidade de peçonha 
inoculada e dos mediadores químicos liberados. 
• Leves: dor e parestesia local; 
• Moderados: náuseas, vômitos, sudorese e 
sialorreia discreta, agitação, taquicardia e 
taquipneia; 
• Graves: além dos sintomas anteriores, 
apresenta uma ou mais manifestações 
podendo ser vômitos profusos e incoercíveis, 
sudorese profusa, sialorreia intensa, 
prostração, convulsão, coma, bradicardia, 
insuficiência cardíaca, edema pulmonar 
agudo e choque cardiogênico. 
• Tratamento soroterápico e 
suporte clínico o mais precoce 
possível. 
 
 
ARBOVIROSES AGENTE SINTOMAS DIAGNÓSTICO CONDUTA/PREVENÇÃO 
DENGUE • Vírus RNA; 
• Arbovírus do gênero Flavivirus, 
pertencente à família 
Flaviviridae; 
• São conhecidos quatro 
sorotipos: 1, 2, 3 e 4; 
• Principal Vetor da Dengue é a 
fêmea do Aedes aegypti. 
• Febre: Alta de início imediato, 
sempre presente; 
• Dores de Cabeça: Sempre 
presente; 
• Dores nas articulações: 
Dores moderadas e quase sempre 
presentes; 
• Manchas vermelhas na pele: 
Pode estar presente; 
• Náuseas: Sempre presente; 
• Outros sintomas: Dor atrás dos 
olhos, falta de paladar, moleza 
e cansaço. 
Deve-se suspeitar de dengue em 
todo paciente que apresenta febre 
com até 7 dias de duração, 
acompanhada de dois ou mais dos 
seguintes achados: cefaleia, dor 
retro-orbitária, mialgia, artralgia, 
prostração e exantema; 
• O achado laboratorial mais 
comum da dengue clássica é a 
leucopenia (leve a moderada) 
com linfocitose relativa; 
• MAC-ELISA, detecta IgM 
antiviral. 
• Indica-se hidratação oral com 
aumento da ingestão de água, 
sucos, chás, soros caseiros etc. 
ZYCA • Arbovírus do gênero Flavivirus, 
pertencente à família 
Flaviviridae; 
• Principal Vetor é o Aedes 
aegypti. 
• Febre: É baixa e pode estar 
presente; 
• Dores de Cabeça: Sempre 
presente; 
• Dores nas articulações: Dores 
leves que podem estar 
presentes; 
• Manchas vermelhas na pele: 
Quase sempre presentes; 
• Náuseas: Ausente; 
• Outros sintomas: Coceira e 
vermelhidão nos olhos 
A sorologia é feita pela técnica MAC 
ELISA, por PCR e teste rápido; 
• O tratamento é feito de acordo 
com os sintomas, com o uso de 
analgésicos e antitérmicos; 
CHIKUNGUNYA • Causada pelo vírus 
Chicungunha (CHIKV); 
• Transmitido por picadas do 
Aedes albopictus 
(principalmente em ambientes 
rurais) e Aedes aegypti; 
• O período de incubação do 
vírus é de 2 a 7 dias, sendo que 
os sintomas surgem entre 4 e 7 
dias depois da picada do 
mosquito. 
• Febre: Alta de início imediato, 
quase sempre presente; 
• Dores de Cabeça: Sempre 
presente; 
• Dores nas articulações: Dores 
intensas, sempre presentes; 
• Manchas vermelhas na pele: 
Quase sempre se manifesta; 
• Náuseas: Sempre presente; 
• Outros sintomas: Inchaço nas 
articulações dos pés, mãos, 
tornozelos e pulsos. 
• O diagnóstico da chikungunya 
inclui a confirmação 
laboratorial da infecção, 
baseado na sorologia, PCR em 
tempo real (RTPCR) ou 
isolamento viral; 
• 30% dos indivíduos infectados 
são assintomáticos. 
• Após 7 a 10 dias a maioria das 
pessoas desenvolvem 
imunidade contra o vírus e os 
sintomas desaparecem. 
FEBRE AMARELA • Nas cidades é transmitida 
principalmente por mosquitos 
da espécie Aedes aegypti; 
• Febre: Febre alta, sempre 
presente; 
• PCR, inoculação de soro 
sanguíneo em culturas 
celulares; ou pela sorologia. 
• Analgésico é usado para a dor 
e antitérmico para a febre. 
• É um vírus de RNA do género 
Flavivirus. 
• Dores de Cabeça: Sempre 
presente; 
• Dores nas articulações: 
Dores principalmente nas costas 
• Manchas vermelhas na pele: 
Ausente 
• Náuseas: Pode estar presente; 
• Outros sintomas: Falta de 
apetite, pele e olhos amarelos 
 
 
 AGENTE VETOR SINTOMAS DIAGNÓSTICO TRATAMENTO 
LEISHMANIOSE Protozoário 
parasita Leishmania 
Picada de 
mosquitos-
palha 
• Leishmaniose visceral: Febre prolongada; Úlceras escuras na 
pele; esplenomegalia; hepatomegalia leucopenia; anemia; 
hipergamaglobulinemia; tosse; dor abdominal; diarreia; 
perda de peso; caquexia; 
• Leishmaniose cutânea: feridas indolores no local da picada 
do vetor. 
• Leishmaniose mucocutânea: lesões destrutivas das mucosas 
e cartilagens, desfigurando a face. Desenvolvem-se meses a 
anos depois do aparecimento da lesão cutânea. 
• Visualização direta do parasito 
em microscópio óptico; 
• 
• Antimoniais: 
administrados 
como 
tratamento de 
30 dias de 
injeções 
intramusculares. 
 
MALÁRIA Parasitas do gênero 
Plasmodium dos 
quais há quatro 
espécies principais: 
Plasmodium 
falciparum, 
Plasmodium 
malariae, 
Plasmodium vivax e 
Plasmodium ovale. 
Picada da 
fêmea do 
mosquito 
Anopheles 
Dores de cabeça, febre, calafrios, dores nas articulações, 
vômitos, anemia hemolítica, hemoglobina na urina, lesões na 
retina e convulsões. Calafrios, febre e sudação. 
• Estes sintomas ocorrem a cada 2 dias em infecções por P. 
vivax e P. ovale e a cada 3 dias em infecções por P. malariae. 
• Os casos mais graves de malária são geralmente provocados 
por P. falciparum. 
Geralmente confirmada através de 
exame microscópico de esfregaços 
ou através de testes de diagnóstico 
rápido (DRT) baseados na deteção de 
antígenos. A microscopia é o método 
mais comum na deteção do parasita. 
Terapia combinada à 
base de 
artemisinina. 
CHAGAS Protozoário 
Trypanosoma cruzi 
Contato 
com as 
fezes dos 
barbeiros 
(Triatoma 
infestans) 
• Fase aguda (que começa logo nos primeiros três meses após a 
infecção) a maioria dos casos não apresenta sintomas; 
• Fase crônica podem se manifestar complicações depois de 
muitos anos, afetando o coração, causando arritmias e outros 
transtornos, além de afetar o sistema digestivo, causando 
dilatação do esôfago (que se manifesta com dificuldades para 
deglutir os alimentos) e do cólon (que se manifesta por 
constipação). Outros sintomas na fase crônica podem incluir: 
desmaios, palpitações, dores no peito, inchaço dos membros 
inferiores e dores abdominais. 
• Fase aguda está caracterizado pela 
visualização do parasita no exame 
direto de sangue ao microscópio 
(provas parasitológicas diretas); 
• Fase crônica é feito usando 
sorologia para detectar a 
presença de anticorpos (IgG 
anti-T.cruzi) como resposta do 
sistema imune contra a 
infecção. 
O tratamento 
específico pode ser 
realizado 
com benznidazol, e 
tem uma duração 
média de 60 dias. 
LEPTOSPIROSE Bactéria chamada 
Leptospira 
Urina de 
roedores 
(bois, 
porcos, 
cavalos, 
cabras, 
ovelhas e 
cães) 
-Febre; 
- Dor de cabeça; 
- Dores pelo corpo, principalmente naspanturrilhas. 
- Vômitos, diarreia e tosse 
- Formas graves: geralmente aparece icterícia (pele e olhos 
amarelados), sangramento e alterações urinárias. 
- Período de incubação: pode variar de 1 a 30 dias e 
normalmente ocorre entre 7 a 14 dias após a exposição a 
situações de risco. 
- PCR 
-ELISA IgM e microaglutinação (MAT) 
- Hemograma e bioquímica (ureia, 
creatinina, bilirrubina total e frações, 
TGO, TGP, gama-GT, fosfatase 
alcalina e CPK, Na+ e K+). 
Amoxicilina, 
Doxiciclina ou 
Ampicilina, por 
exemplo, durante 5 a 
7 dias; 
-Analgésicos e 
antitérmicos; 
-Antieméticos; 
 
 AGENTE SINTOMAS DIAGNÓSTICO TRATAMENTO 
FEBRE MACULOSA Causada pela bactéria do gênero 
Rickettsia (Rickettsia rickettsii), 
transmitida pela picada de carrapatos 
do gênero Amblyomm (carrapato 
estrela). 
• Os equídeos, roedores, como a 
capivara, e marsupiais, como o 
gambá, têm importante 
participação no ciclo de 
transmissão da febre maculosa. 
• A transmissão, geralmente, ocorre 
quando o artrópode permanece 
aderido ao hospedeiro por um 
período de 4 a 6 horas. 
• As manifestações clínicas surgem após um 
período de incubação que leva em média 7 
dias, podendo variar de 2 a 15 dias; 
• O início dos sintomas costuma ser abruptos 
inespecíficos (febre, em geral alta; cefaleia; 
mialgia intensa; mal-estar generalizado; 
náuseas; vômitos). 
• Em geral, entre o segundo e o sexto dia 
sintomático da doença surge o exantema 
máculo-papular, de evolução centrípeta e 
predomínio nos membros inferiores, 
podendo acometer região palmar e plantar 
em 50 a 80% dos pacientes com esta 
manifestação. 
• Reação de 
imunofluorescência indireta: 
Método sorológico mais 
utilizado para o diagnóstico 
das riquetsioses; 
• Hemograma: A anemia e a 
plaquetopenia são achados 
comuns e auxiliam na 
suspeita diagnóstica. Os 
leucócitos podem apresentar 
desvio à esquerda; 
• PCR. 
• Antibiótico doxiciclina; 
• Na impossibilidade de 
utilização da doxiciclina, oral 
ou injetável, preconiza-se o 
cloranfenicol como droga 
alternativa; 
• Não é recomendada a 
antibioticoterapia profilática 
para indivíduos assintomáticos 
que tenham sido 
recentemente picados por 
carrapatos, uma vez que pode 
prolongar o período de 
incubação da doença. 
LYME Causada pela bactéria espiroqueta 
Borrelia burgdoferi, transmitida pela 
saliva de carrapatos do gênero Ixodes 
e Amblyomma (carrapato estrela); 
• A principal e primeira manifestação é o 
eritema migratório, que aparece no local 
da picada - A lesão se inicia, em média, 3 a 
30 dias após a picada; este estágio 1 vem 
acompanhado de sintomas semelhantes ao 
da gripe, como cefaleia, febre, mialgia, 
fadiga e artralgia; 
• Os sistemas mais acometidos são: 
neurológico, cardíaco e, ocasionalmente, 
ocular; 
• As principais manifestações de SNC são 
acometimento de condução nervosa, perda 
de reflexo, parestesia, neuropatia craniana, 
radiculopatia, meningite, cefaleia, fadiga e 
mudanças comportamentais. 
 
• O diagnóstico é feito por 
meio da associação dos 
sintomas clínicos, dados 
epidemiológicos (áreas de 
maior endemicidade) e 
testes laboratoriais. 
• Os exames laboratoriais mais 
utilizados são ELISA, e 
Pesquisa de Anticorpos por 
Imunofluorescência Indireta. 
• O medicamento de primeira 
escolha é doxiciclina, seguido 
por cefuroxima, amoxicilina 
com probenecida e 
macrolídeos. 
 
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello 
TIPOS DE POLUIÇÃO AMBIENTAL 
 
 A OMS estima que, anualmente, mais de 2 milhões de pessoas 
em todo mundo corram o risco de morte devido a problemas 
respiratórios causados pela poluição. No Brasil, as principais 
fontes de poluição estão divididas em três setores: 
• FIXAS: indústrias de transformação, de mineração e de 
produção de energia através de usinas termoelétricas; 
• MÓVEIS: veículos automotores - Estão ligados às 
emissões resultantes da combustão; 
• AGROSSILVIPASTORIS: são relacionados às queimadas, 
incêndios florestais, pulverização de fertilizantes e 
agrotóxicos. 
 Principais geradores de poluição -> queima de combustíveis 
fósseis derivados de petróleo e carvão mineral -> CO e CO2 
 
PRINCIPAIS POLUENTES E CONSEQUÊNCIAS 
PARA SAÚDE HUMANA 
MONÓXIDO DE CARBONO (CO) 
• O monóxido de carbono é liberado no ambiente por 
fontes naturais (atividade vulcânica, descargas elétricas e 
emissão de gás natural) e como produto da combustão 
incompleta de combustíveis fósseis, sistemas de 
aquecimento, usinas termelétricas a carvão, queima de 
biomassa e tabaco; 
• Outras fontes incluem a oxidação fotoquímica de 
compostos orgânicos voláteis na atmosfera ou na 
superfície de corpos de água; 
• A atmosfera é o compartimento principal de dispersão 
enquanto que as águas superficiais encontram-se 
saturadas do gás. Na atmosfera o composto pode sofrer 
oxidação por radicais livres formando dióxido de 
carbono. Na água e no solo existem microrganismos 
capazes de utilizar o composto como fonte de energia. 
Consequências para a saúde 
• Uma vez inalado o gás é rapidamente absorvido nos 
pulmões e em circulação liga-se de maneira estável com 
a hemoglobina, impedindo o transporte do oxigênio e 
causando hipóxia tecidual. 
• O CO rapidamente atravessa as membranas alveolar, 
capilar e placentária. Entre 80-90% do CO absorvido liga-
se a hemoglobina formando carboxiemoglobina (COHb); 
A afinidade da hemoglobina para o monóxido de carbono 
é de 200-250 vezes maior que o oxigênio; 
Este gás tóxico é incolor, inodoro, insípido e de início não 
irritante, sendo por isso muito difícil às pessoas 
detectarem a sua presença. 
Não têm sido observados efeitos na saúde humana para níveis 
de COHb inferiores a 2%. Níveis superiores 40% podem ser 
fatais por asfixia. Em níveis de COHb de 2,5% resultantes de 
exposições de aproximadamente 9 minutos a cerca de 50 ppm 
de CO, há alteração no intervalo de discriminação; 
aproximadamente 5% de COHb, há alteração de outras 
capacidades psicomotoras. Alterações cardiovasculares 
também podem ser observadas em exposições suficientes 
para gerar COHb em níveis excedentes a 5%. 
 
DIÓXIDO DE ENXOFRE (SO2) 
• O dióxido de enxofre (SO2) é um gás incolor com forte 
odor pungente; 
• É muito irritante quando em contato com superfícies 
úmidas, pois se transforma em trióxido de enxofre (SO3) 
e passa rapidamente a ácido sulfúrico (H2 SO4). 
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello 
• É usado como agente redutor na metalurgia, 
desinfetante e branqueador, na conservação de 
alimentos e vinhos, em fumigação, entre outros usos. 
• É liberado para a atmosfera principalmente em atividades 
industriais que processam materiais contendo enxofre, 
como termelétricas, fabricação de fertilizantes, fundição 
de alumínio e aço, produção de ácido sulfúrico e papel; 
• O SO2 está também presente na emissão veicular como 
resultado da queima de combustíveis fósseis; 
• O SO2 presente na atmosfera pode levar a formação de 
chuva ácida e é precursor dos sulfatos, um dos principais 
componentes das partículas inaláveis. 
Consequências para a saúde 
• A principal via de exposição da população geral ao 
dióxido de enxofre é a inalatória; 
• Dificuldade respiratória, alteração na defesa dos 
pulmões, agravamento de doenças respiratórias e 
cardiovasculares; 
• O composto irrita o nariz, garganta e pulmões causando 
tosse, falta de ar, chiado no peito, catarro e crises de 
asma; 
• Os óxidos de enxofre (SOx) podem reagir com outros 
compostos presentes na atmosfera, formando 
pequenas partículas que penetram profundamente em 
partes sensíveis dos pulmões, e causar ou agravar 
doenças respiratórias, como enfisema e bronquite, e 
podem agravar doença do coração preexistente, 
levando a internação e morte prematura; 
 
MATERIAL PARTICULADO 
• Material particulado é conhecido como uma mistura 
complexa de partículas sólidas e líquidas em suspensão 
no ar, emitidas por processos naturais ou antropogênicos 
ou mesma aquelas formadas na atmosfera, formando 
assim, os aerossóisatmosféricos. 
• O material particulado em suspensão apresenta em sua 
composição inúmeros compostos ou espécies químicas 
diferentes, tais como íons SO4-, HSO4-, NO3-, NH4+ e H+, 
fuligem, compostos orgânicos, cinzas, partículas do solo, 
pólen e uma variedade de metais sob a forma de metais 
traço como, por exemplo, Pb, Hg, V, Cd, Cr, etc, e 
elementos da crosta tais como Fe, Ca, Si e Al. 
• As partículas atmosféricas são discriminadas entre si, 
principalmente, pelo seu diâmetro aerodinâmico. Assim, 
diferenciam-se as em quatros classes, a saber: partículas 
grossas (< 2,5 - 10μm), partículas finas (0,1-2,5μm), 
partículas ultrafinas (0,01 - 0,1μm) e nanopartículas (< 
0,01μm). 
Consequências para a saúde 
• O potencial em provocar efeitos adversos à saúde humana 
está diretamente relacionado ao tamanho da partícula. 
Assim quanto menor o tamanho da partícula, mais 
profundamente ocorrerá à deposição no sistema 
respiratório e consequentemente maior o impacto sobre 
a saúde; 
• Os sistemas principalmente afetados são os sistemas 
cardiovascular e respiratório; 
• A fração inalável é constituída por partículas com Da < 10 
μm, que se depositam principalmente no trato 
respiratório superior. A fração torácica inclui partículas 
com Da < 2,5 μm, que penetram além da laringe. 
Finalmente, a fração respirável, com Da < 1 μm, é capaz 
de alcançar os alvéolos pulmonares. 
 
ÁCIDO SULFÍDRICO (H2S) 
• O sulfeto de hidrogênio (H2S) é um gás incolor com de 
cheiro desagradável; 
• Na natureza é proveniente dos campos de petróleo e gás 
natural, das águas subterrâneas, das zonas pantanosas, 
das jazidas de sal, de carvão, de minérios sulfetados e na 
emissão de vulcões, ou seja, é originário de processos 
geológicos baseados em diversos mecanismos físico-
químicos ou microbiológicos. 
• Nos segmentos industriais a procedência do H2S é 
conhecida, geralmente, é oriunda de processos de 
remoção química e/ou de lavagens de gases ácidos, de 
sistemas de tratamento de efluentes, de fermentações, 
de decapagens ácidas, etc. 
Consequências para a saúde 
• O sulfeto de hidrogênio devido a sua toxidez é capaz de 
irritar os olhos e/ou atuar no sistema nervoso e 
respiratório dos seres humanos; 
• Ao respirar, o H2S penetra os pulmões e alcança a 
corrente sanguínea; rapidamente o sistema de proteção 
oxida o H2S, transformando-o em um produto 
praticamente inócuo na corrente sanguínea. Porém, pode 
reagir com enzimas essenciais que contêm elementos 
metálicos, como o cobre, zinco e o ferro formando 
sulfetos metálicos, e, consequentemente, acarretando a 
perda de sensibilidade vital. À medida que a concentração 
de H2S aumenta rapidamente, o organismo não consegue 
oxidá-lo totalmente, e então, o excesso de H2S age no 
centro nervoso do cérebro que comanda a respiração, 
resultando na paralisação do sistema respiratório. Os 
pulmões param de trabalhar e a pessoa se asfixia e acaba 
morrendo. 
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello 
 
 
LEGISLAÇÕES DE CONTROLE 
VIGIAGUA 
Instrumento de implementação das ações de vigilância da 
qualidade da água para consumo humano. O Programa 
Nacional de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo 
Humano - Vigiagua, consiste no conjunto de ações adotadas 
continuamente pelas autoridades de saúde pública para 
garantir à população o acesso à água em quantidade suficiente 
e qualidade compatível com o padrão de potabilidade, 
estabelecido na legislação vigente, como parte integrante das 
ações de promoção da saúde e prevenção dos agravos 
transmitidos pela água. 
VIGIPEQ 
A Vigilância em saúde de populações expostas a 
contaminantes químicos – VIGIPEQ tem como objetivo o 
desenvolvimento de ações de vigilância em saúde de forma a 
adotar medidas de promoção, prevenção contra doenças e 
agravos e atenção integral à saúde das populações expostas a 
contaminantes químicos. Esta área trabalha com os 
contaminantes químicos que interferem na saúde humana e 
nas inter-relações entre o homem e o ambiente, buscando 
articular ações de saúde integradas – prevenção, promoção, 
vigilância e assistência à saúde de populações expostas a 
contaminantes químicos. 
VIGIAR 
A poluição atmosférica deixou de ser uma característica 
associada exclusivamente às grandes metrópoles ou pólos 
industriais. Seus impactos também podem ser identificados 
em situações de queima de biomassa, de atividades de 
mineração e de uso de técnicas de pulverização de 
agrotóxicos, dentre outras. Diante disso, o Ministério da Saúde 
estruturou a partir de 2001 a Vigilância em Saúde de 
Populações Expostas à Poluição Atmosférica – Vigiar. Seu 
objetivo é desenvolver ações de vigilância para populações 
expostas a poluentes atmosféricos, de forma a recomendar e 
instituir medidas de prevenção, de promoção da saúde e de 
atenção integral, conforme preconizado pelo Sistema Único de 
Saúde (SUS). Seu campo de atuação prioriza as regiões onde 
existam diferentes atividades de natureza econômica ou social 
que gerem poluição atmosférica de modo a caracterizar um 
fator de risco para as populações expostas. 
• O Brasil tem seguindo as determinações da Environmental 
Protection Agency (EPA/ USA) e da Organização Mundial 
de Saúde (OMS), na busca do controle da poluição do ar, 
desde 1976 - O controle das emissões e da concentração 
de poluentes no ar foram ambos regulamentados pelo 
Conselho Nacional do Meio Ambiente, sob a forma das 
Resoluções CONAMA - A Resolução CONAMA n° 005/ 89, 
datada de 15/ 06/ 1989, instituiu o Programa Nacional de 
Controle da Qualidade do Ar PRONAR, como um dos 
instrumentos básicos de gestão ambiental para a 
proteção da saúde e bem estar das populações melhoria 
da qualidade de vida. 
 
MEDIDAS DE RECUPERAÇÃO DO MEIO 
AMBIENTE 
Planos que levem em conta quais são as fontes primárias e 
secundárias que levam ao estado de poluição e degradação do 
meio ambiente. A partir dessa análise se torna possível 
começar a pensar no surgimento de nova vegetação e vida na 
região afetada. 
Os planos devem considerar a necessidade de diminuir 
consideravelmente a poluição emitida pelas fontes de 
emissoras primárias, mas também pensar em como resolver 
num futuro próximo os problemas e impactos causados pelas 
fontes secundárias de poluição. 
Para tentar recuperar em parte a qualidade do ar e também 
da região como um todo é muito importante que haja um 
plano de reflorestamento para essa região. 
Em alguns casos não há como fazer uma Restauração 
Ambiental (reflorestar com a vegetação original) porque as 
condições do solo já não são as mesmas e pode não dar muito 
certo. Porém, ainda assim é de extrema importância que haja 
o plantio de novas árvores mesmo que de outros gêneros e 
espécies. 
 
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello 
PRINCIPAIS TIPOS DE RESÍDUOS HOSPITALARES 
RESÍDUO BIOLÓGICO 
Os resíduos com risco biológico são resultantes da assistência 
e da pesquisa, normalmente associados a resíduos que 
tiveram contato com sangue, secreções (em sua forma livre), 
fluidos corporais (cefalorraquidiano, pericárdio, pleural, 
articular, ascítico e aminiótico) e com possível presença de 
agentes biológicos que, por suas características, podem 
apresentar risco de infecção. 
Atualmente, as seguintes categorias de resíduos são 
consideradas resíduos biológicos: 
• Resíduo medicinal: envolve todo o resíduo 
continuamente gerado em diagnóstico, em tratamento ou 
na imunização de seres humanos ou de animais, em 
pesquisa e na produção de testes dos biológicos; 
• Resíduos de laboratórios biológicos ou que trabalhem 
com substâncias controladas: aqueles cujas pesquisas 
envolvem moléculas de DNA recombinante ou outras 
atividades reguladas pela Comissão Técnica Nacional de 
Biossegurança; 
• Resíduo patológico (por exemplo, carcaças animais): Os 
resíduos desse grupo são classificados pela Anvisa como 
pertencentes ao Grupo A.1 
Dentre os resíduos biológicos, incluem-setambém 
resíduos de outras correntes (químicos e radioativos) que 
possam conter contaminantes que apresentem riscos de 
infecção. 
 
SEGREGAÇÃO 
 Tipo A1 
• Culturas e estoques de micro-organismos; resíduos de 
fabricação de produtos biológicos, exceto os 
hemoderivados; descarte de vacinas de micro-organismos 
vivos ou atenuados; meios de cultura e instrumentais 
utilizados para transferência, inoculação ou mistura de 
culturas; resíduos de laboratórios de manipulação 
genética. 
• Bolsas transfusionais contendo sangue ou 
hemocomponentes rejeitadas por contaminação ou por 
má conservação, ou com prazo de validade vencido, e 
aquelas oriundas de coleta incompleta. 
• Sobras de amostras de laboratório contendo sangue ou 
líquidos corpóreos, recipientes e materiais resultantes do 
processo de assistência à saúde, contendo sangue ou 
líquidos corpóreos na forma livre. 
 
 Tipo A2 
• Carcaças, peças anatômicas, vísceras e outros resíduos 
provenientes de animais submetidos a processos de 
experimentação com inoculação de micro-organismos, 
bem como suas forrações, e os cadáveres de animais 
suspeitos de serem portadores de microrganismos de 
relevância epidemiológica e com risco de disseminação, 
que foram submetidos ou não a estudo 
anatomopatológico ou confirmação diagnóstica. 
 
 Tipo A3 
• Peças anatômicas humanas; produto de fecundação sem 
sinais vitais, com peso menor que 500 gramas ou estatura 
menor que 25 centímetros ou idade gestacional menor 
que 20 semanas, que não tenham valor científico ou legal 
e não tenha havido requisição por pacientes ou familiares. 
 
 Tipo A4 
• Kits de linhas arteriais, endovenosas e dialisadores, 
quando descartados. 
• Filtros de ar e gases aspirados de área contaminada; 
membrana filtrante de equipamento médico-hospitalar e 
de pesquisa, entre outros similares. 
• Sobras de amostras de laboratório e seus recipientes 
contendo fezes, urina e secreções, provenientes de 
pacientes que não contenham e nem sejam suspeitos de 
conter agentes Classe de Risco 4, e nem apresentem 
relevância epidemiológica e risco de disseminação. 
• Resíduos de tecido adiposo proveniente de lipoaspiração, 
lipoescultura ou outro procedimento de cirurgia plástica 
que gere esse tipo de resíduo. 
• Recipientes e materiais resultantes do processo de 
assistência à saúde, que não contenham sangue ou 
líquidos corpóreos na forma livre. 
• Peças anatômicas (órgãos e tecidos) e outros resíduos 
provenientes de procedimentos cirúrgicos ou de estudos 
anatomopatológicos ou de confirmação diagnóstica. 
• Bolsas transfusionais vazias ou com residual pós-
transfusão. 
 
 Tipo A5 
• Órgãos, tecidos, fluidos orgânicos, materiais 
perfurocortantes e demais materiais resultantes da 
atenção à saúde de indivíduos. 
 
MANEJO: 
Todos os resíduos devem ser acondicionados visando prevenir 
e proteger sua liberação nas etapas subsequentes. 
 Os resíduos que serão destinados à incineração (A.1, A.2, 
A.3 e A.5) deverão ser acondicionados em sacos brancos 
leitosos, contendo em uma de suas faces o símbolo 
internacional de “SUBSTÂNCIA INFECTANTE”; Deverão ser 
descartados em recipiente adequado ao funcionamento 
do equipamento incinerador utilizado, confeccionadas de 
acordo com as normas vigentes. 
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello 
 Os resíduos perfurocortantes (A4) deverão ser 
descartados em recipientes que atendam aos padrões 
estabelecidos pela NBR 13.853 da ABNT e IPT-NEA-55. 
 
• O manuseio desses materiais deve ser efetuado por 
pessoal treinado e devidamente paramentado com 
equipamentos de proteção individual indicados: 
→ Gorro (de cor branca, para proteger os cabelos). 
→ Óculos (lente panorâmica, incolor e de plástico resistente, 
com armação em plástico flexível, proteção lateral e 
válvulas para ventilação). 
→ Máscara (para impedir a inalação de partículas e 
aerossóis, do tipo semifacial). 
→ Uniforme (calça comprida e camisa manga três quartos, 
de material resistente e cor clara). 
→ Luvas (de material impermeável, resistente, tipo PVC, 
antiderrapante e de cano longo). 
→ Botas (de material impermeável, resistente, tipo PVC, de 
solado antiderrapante, cor clara, e de cano três quartos). 
→ Avental (PVC, impermeável e de comprimento médio, na 
altura dos joelhos). 
 
• A coleta deve ser efetuada diariamente e em intervalos 
regulares, de forma a atender à demanda e evitar 
acúmulo de resíduos nos locais de produção. A 
transferência dos resíduos das salas de armazenamento 
interno para os abrigos externos também deverá ser 
diária. 
• O transporte interno dos resíduos de serviços de saúde 
deverá ser realizado em rota específica e planejada, de tal 
forma que evite a circulação em meio a cozinhas, UTI, 
berçários, centros cirúrgicos, lavanderias etc., evitando-se 
coincidência com fluxos de roupa limpa, medicamentos, 
alimentos e outros materiais e locais onde ocorra grandes 
concentrações de pessoas, especialmente em elevadores, 
salas de espera e outros ambientes fechados. Não 
deverão ser transportados manualmente recipientes de 
capacidade superior a 20 litros. Os recipientes de maior 
capacidade deverão ser transportados em carrinhos 
especiais que atendam às especificações da ABNT – NBR. 
Periodicamente, esses carrinhos de transporte deverão 
passar por lavação e higienização completa, em local 
apropriado, de preferência onde estiver localizado o 
ponto de água para limpeza do abrigo externo. O efluente 
deve ser canalizado para o sistema de tratamento de 
esgotos do estabelecimento de saúde. 
 
DESCARTE: 
• Os métodos mais comuns de pré-tratamento são 
autoclavação e a desinfecção química; já para destinação 
final, a incineração é largamente empregada. 
• Na autoclavação, a descontaminação se dá quando o 
resíduo é exposto a altas temperaturas mediante contato 
com vapor de água, durante um período de tempo 
suficiente para destruir todos os agentes patogênicos. 
• Já incineração é um processo indicado para os resíduos 
que não podem ser reciclados, reutilizados ou dispostos 
em aterros sanitários. Nesse processo de oxidação a 
elevadas temperaturas, é possível reduzir 
significativamente, em volume e em peso, a matéria 
orgânica submetida a esse tratamento. 
 
RESÍDUOS QUÍMICOS 
• Substâncias e produtos químicos rejeitados (vencidos ou 
em desuso); 
• Resíduos provenientes de aulas práticas ou projetos de 
pesquisa. 
 Algumas substâncias químicas e misturas de produtos 
químicos são considerados resíduos perigosos pela Agência de 
Proteção Ambiental norte-americana (Environmental Protect 
Agency – EPA). Mesmo que um resíduo químico não se 
encontre entre os citados pela EPA, mas possua uma ou mais 
das seguintes características: ignitividade, corrosividade, 
reatividade ou toxicidade, deve ser considerado resíduo 
perigoso. Esse grupo de resíduos deve ser separado de acordo 
com as categorias a que pertençam: 
• Resíduos inorgânicos; 
• Resíduos orgânicos. 
 
 Resíduos inorgânicos: 
• Soluções aquosas de metais pesados; 
• Ácidos e/ou soluções ácidas; 
• Bases e/ou soluções básicas; 
• Sulfetos; 
• Cianetos; 
• Mercúrio metálico (recuperação); 
• Sais de prata (recuperação); 
• Metais pesados. 
 
Acondicionamento 
− Cada tipo de resíduo deve ser acondicionado em um 
frasco devidamente rotulado; 
− Podem ser usados frascos de vidro ou polietileno, desde 
que não haja incompatibilidade com o resíduo a ser 
armazenado; 
− Não se deve colocar produtos químicos corrosivos ou 
reativos em recipientes metálicos. 
Manejo e descarte 
− Resíduos inorgânicos ácidos e suas soluções aquosas: 
diluir com água, neutralizar com bases diluídas (para pH 
entre 6 - 8) e descartar na rede coletora de esgoto em 
água corrente; 
− Resíduos inorgânicos básicos e suas soluções aquosas: 
diluir com água, neutralizar com ácidos diluídos (para pH 
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello 
entre 6 - 8)e descartar na rede coletora de esgoto em 
água corrente; 
− Resíduos inorgânicos neutros e suas soluções aquosas: 
diluir com água e descartar na rede coletora de esgoto em 
água corrente. Concentração máxima permitida até 0,1g 
ou 0,1mL/3 mL de água e com baixa toxicidade, não deve 
exceder 100 g ou 100 mL/dia/ponto; 
− Resíduos inorgânicos insolúveis em água: • com risco de 
contaminação ambiental – armazenar em frascos 
etiquetados para posterior recolhimento. • Sem risco de 
contaminação ambiental – coletar em saco plástico e 
descartar como lixo comum; 
− Soluções contendo metal pesado. Devem ser 
armazenados em bombonas após terem sido precipitados 
na forma de hidróxido por solução de cal ou hidróxido de 
sódio comercial. Observando a faixa de pH indicada para 
precipitação de cada cátion. 
 
 Resíduos orgânicos 
• Solventes orgânicos não-halogenados; 
• Solventes orgânicos com mais que 5% de água; 
• Solventes orgânicos com menos que 5% de água; 
• Soluções de material orgânico biodegradável; 
• Soluções aquosas contendo substâncias orgânicas; 
• Soluções de corantes; 
• Soluções de substâncias carcinogênicas, mutagênicas, 
teratogênicas ou que apresente toxicidade conhecida; 
• Pesticidas (descrever a classe a que pertencem: 
organoclorados, organofosforados, etc); 
 
Acondicionamento 
− Devem ser seguidas as mesmas orientações descritas no 
acondicionamento de resíduos inorgânicos. 
 
Manejo e descarte 
− Resíduos orgânicos ácidos e suas soluções aquosas que 
não apresente toxicidade: diluir com água, neutralizar 
com ácidos diluídos e descartar na rede coletora de 
esgoto em água corrente. 
− Resíduos orgânicos básicos e suas soluções aquosas que 
não apresente toxicidade: diluir com água, neutralizar 
com ácidos diluídos e descartar na rede coletora de 
esgoto em água corrente. 
− Resíduos orgânicos neutros e suas soluções aquosas que 
não apresentem toxicidade: diluir com água e descartar 
na rede coletora de esgoto em água corrente. 
− Resíduos orgânicos sólidos insolúveis em água • Com risco 
de contaminação ao meio ambiente – armazenar em 
frascos etiquetados e para posterior recolhimento. • Sem 
risco de contaminação ao meio ambiente – filtrar e 
descartar em lixo comum. 
 
 
RESÍDUOS RADIOATIVOS 
Esse grupo é classificado como resíduo de baixo ou de alto 
nível de radioatividade. O resíduo de baixo nível é típico 
daquele encontrado em instituições médicas e de pesquisa 
(tais como a Unesp) enquanto o resíduo de alto nível típico é 
aquele gerado em reatores nucleares. 
 Resíduos radioativos líquidos: 
• Solvente aquoso; 
• Solvente orgânico; 
 Resíduos radioativos sólidos: 
• Rejeito radioativo em geral: frascos, ponteiras para 
pipeta, microplacas, luvas, papel toalha, membranas de 
nitrocelulose, géis radioativos; 
• Frasco original do radionuclídeo; 
• Rejeito radioativo biológico: animais, sangue etc. 
• Resíduos radioativos gasosos. Os rejeitos gasosos 
constituem-se de radionuclídeos gasosos ou subprodutos 
de outros rejeitos. 
A separação dos rejeitos deve ser feita no mesmo local em que 
esses forem produzidos, levando-se em conta as seguintes 
características: 
− Estado físico; 
− Tipo de radionuclídeo – seu tempo de meia vida; 
− Compactáveis ou não-compactáveis; 
− Orgânicos ou inorgânicos; 
− Putrescíveis ou patogênicos, se for o caso; 
− Outras características perigosas (explosividade, 
combustibilidade, inflamabilidade, piroforicidade, 
corrosividade e toxicidade química). 
Acondicionamento 
No ambiente produtor do rejeito radioativo a sequência de 
armazenagem é a seguinte (CNEN, 2014): 
• Seleção dos recipientes ou embalagens apropriados para 
cada tipo de rejeito; 
• Identificação, conforme o radioisótopo, colocando o 
símbolo internacional da radiação; 
• Fechamento, selagem e etiquetamento das embalagens 
quando estiverem com dois terços de sua capacidade; 
• Transferência para o local de armazenagem, que deve ser 
blindado; 
• Medição da taxa de contaminação que pode chegar às 
proximidades; 
• Cálculo do tempo de decaimento dos radioisótopos 
presentes no material, considerando-se a meia vida de 
cada elemento radioativo; 
• Decorrido esse tempo, nova medição da radioatividade do 
rejeito e, se estiver apto para eliminação, remoção dos 
sinais de indicação de atividade radioativa e dando-lhe o 
destino comum do lixo gerado pelo hospital. 
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello 
Descarte 
• Os rejeitos sólidos até 106 Bq/kg 1 podem ser eliminados 
no lixo urbano, seguidas as medidas gerais de limites 
máximos de contaminação em áreas livres, estabelecidas 
pela CNEN; 
• Para eliminação na rede de esgotos, os rejeitos líquidos 
devem estar solúveis ou serem de fácil dispersão em água, 
considerando-se o valor máximo conforme o radioisótopo 
contido no material e não excedendo 9,3 Bq/m3 
anualmente. Os rejeitos gasosos não podem exceder 
5,6x103 Bq/m3. 
 
PRINCIPAIS RISCOS PARA OS PROFISSIONAIS DA 
SAÚDE 
O Ministério do Trabalho (MT) classifica os riscos ocupacionais 
de acordo com sua natureza: física, química, biológica, 
ergonômica ou acidental. Assim, eles podem ser operacionais 
(riscos para acidente), comportamentais ou ambientais 
(físicos, químicos ou biológicos, ergonômicos). 
 
NORMAS REGULAMENTADORAS 
As Normas Regulamentadoras - NR, relativas à segurança e 
medicina do trabalho, são de observância obrigatória pelas 
empresas privadas e públicas e pelos órgãos públicos da 
administração direta e indireta, bem como pelos órgãos dos 
Poderes Legislativo e Judiciário, que possuam empregados 
regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho - CLT. 
• NR 32 - Segurança e Saúde no Trabalho em 
Estabelecimentos de Saúde. 
− Ela recomenda para cada situação de risco a adoção de 
medidas preventivas e a capacitação dos trabalhadores 
para o trabalho seguro. 
• A NR-32 dispõe que a responsabilidade é solidária (ou 
seja, compartilhada) entre contratantes e contratados 
quanto ao cumprimento desta NR, o que significa que ela 
deve ser observada também para os trabalhadores das 
empresas contratadas inclusive cooperados. Importante 
para a sua efetiva aplicação, é a consciência e participação 
dos trabalhadores, através das Comissões Institucionais 
de caráter legal e técnico, entre as quais, a CIPA - 
Comissão Interna de Prevenção de Acidentes 
(instituições privadas); COMSAT’S (instituições públicas), 
SESMT (Serviço Especializado em Engenharia e Segurança 
do Trabalho) e a CCIH (Comissão de Controle e Infecção 
Hospitalar), além dos eventos específicos, como as 
Semanas Internas de Prevenção de Acidentes de Trabalho 
– SIPAT’s; Programa de Controle Médico de Saúde 
Ocupacional (PCMSO): responsável pelo monitoramento 
de exames médicos admissionais, demissionais, 
periódicos, de retorno ao trabalho e de mudança de 
função. Dessa forma, o PCMSO detecta riscos 
profissionais e estabelece diagnósticos precoces evitando 
danos que poderiam ser irreversíveis à saúde do 
trabalhador. 
− A NR-32 abrange as situações de exposição à riscos 
para a saúde do profissional, à saber: dos riscos biológicos; 
dos riscos químicos; da radiação ionizante. 
− A NR-32 abrange ainda a questão da obrigatoriedade 
da vacinação do profissional de enfermagem (tétano, 
hepatite e o que mais estiver contido no PCMSO, com 
reforços pertinentes, conforme recomendação do 
Ministério da Saúde, devidamente registrada em 
prontuário funcional com comprovante ao trabalhador; 
− A NR-32 determina (em seus artigos normatizadores), 
que: 3.2.4.4 Os trabalhadores com feridas ou lesões nos 
membros superiores só podem iniciar suas atividades 
após avaliação médica obrigatória com emissão de 
documento de liberação para o trabalho. 32.2.4.5; 
− O empregador deve vedar: a utilização de pias de 
trabalho para fins diversos dos previstos; o ato de fumar, 
o uso de adornos e o manuseio de lentes de contato nos 
postosde trabalho; o consumo de alimentos e bebidas nos 
postos de trabalho; a guarda de alimentos em locais não 
destinados para este fim; o uso de calçados abertos. 
32.2.4.6 
− Todos os trabalhadores com possibilidade de exposição a 
agentes biológicos devem utilizar vestimenta de trabalho 
adequada e em condições de conforto. 32.2.4.6.1 
− A vestimenta deve ser fornecida sem ônus para o 
empregado. 32.2.4.6.2 Os trabalhadores não devem 
deixar o local de trabalho com os equipamentos de 
proteção individual e as vestimentas utilizadas em suas 
atividades laborais. 32.2.4.6.3 O empregador deve 
providenciar locais apropriados para fornecimento de 
vestimentas limpas e para deposição das usadas. 
32.2.4.6.4 A higienização das vestimentas utilizadas nos 
http://www.guiatrabalhista.com.br/clt.htm
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello 
centros cirúrgicos e obstétricos, serviços de tratamento 
intensivo, unidades de pacientes com doenças infecto-
contagiosas e quando houver contato direto da 
vestimenta com material orgânico, deve ser de 
responsabilidade do empregador. 32.2.4.7 Os 
Equipamentos de Proteção Individual – EPI, descartáveis 
ou não, deverão estar à disposição em número suficiente 
nos postos de trabalho, de forma que seja garantido o 
imediato fornecimento ou reposição. 
− Com relação aos quimioterápicos antineoplásicos é 
vedado: iniciar qualquer atividade na falta de EPI; dar 
continuidade às atividades de manipulação quando 
ocorrer qualquer interrupção do funcionamento da 
cabine de segurança biológica. 
• Nas áreas de preparação, armazenamento e 
administração e para o transporte, deve ser mantido um 
“kit” de derramamento identificado e disponível, que 
deve conter no mínimo: luvas de procedimento, avental 
impermeável, compressas absorventes, proteção 
respiratória, proteção ocular, sabão, recipiente 
identificado para recolhimento de resíduos e descrição do 
procedimento. 
− A sala de raios X deve dispor de: sinalização visível na face 
exterior das portas de acesso, contendo o símbolo 
internacional de radiação ionizante, acompanhado das 
inscrições: “raios X, entrada restrita” ou “raios X, entrada 
proibida a pessoas não autorizadas”. 
❖ A diminuição ou eliminação dos agravos a saúde do 
trabalhador está relacionada a sua capacidade de 
entender a importância dos cuidados e medidas de 
proteção que devem tomar no trabalho; 
❖ O empregador deve assegurar capacitação aos 
trabalhadores, antes do início das atividades e de forma 
continuada, devendo ser ministrada: sempre que ocorra 
uma mudança das condições de exposição dos 
trabalhadores aos agentes biológicos; durante a jornada 
de trabalho; por profissionais de saúde familiarizados 
com os riscos inerentes aos agentes biológicos. 
32.2.4.9.1 A capacitação deve ser adaptada à evolução 
do conhecimento e à identificação de novos riscos 
biológicos e deve incluir: os dados disponíveis sobre 
riscos potenciais para a saúde; medidas de controle que 
minimizem a exposição aos agentes; normas e 
procedimentos de higiene; utilização de equipamentos 
de proteção coletiva, individual e vestimentas de 
trabalho; medidas para a prevenção de acidentes e 
incidentes; medidas a serem adotadas pelos 
trabalhadores no caso de ocorrência de incidentes e 
acidentes. 
❖ O empregador deve comprovar para a inspeção do 
trabalho a realização da capacitação por meio de 
documentos que informem a data, o horário, a carga 
horária, o conteúdo ministrado, o nome e a formação ou 
capacitação profissional do instrutor e dos 
trabalhadores envolvidos. 32.2.4.10 Em todo local onde 
exista a possibilidade de exposição a agentes biológicos, 
devem ser fornecidas aos trabalhadores instruções 
escritas, em linguagem acessível, das rotinas realizadas 
no local de trabalho e medidas de prevenção de 
acidentes e de doenças relacionadas ao trabalho. 
32.2.4.10.1 As instruções devem ser entregues ao 
trabalhador, mediante recibo, devendo este ficar à 
disposição da inspeção do trabalho. 
 
• Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA): O 
PPRA também está relacionado à saúde e à integridade do 
trabalhador. O programa reconhece e avalia a existência 
de riscos ambientais no ambiente de trabalho, devendo 
considerar, igualmente, a proteção do meio ambiente e 
dos recursos naturais. 
 
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