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TOXICOLOGIA – Lidiely Mello
DEFINIÇÃO DE INTOXICAÇÃO CRÔNICA E AGUDA
• INTOXICAÇÃO AGUDA:
Decorre de um único contato (dose única- potência da droga)
ou múltiplos contatos (efeitos cumulativos) com o agente
tóxico, num período de tempo aproximado de 24 horas. Os
efeitos surgem de imediato ou no decorrer de alguns dias, no
máximo 2 semanas. Estuda a relação dose/resposta que
conduz ao cálculo da DL50.
• INTOXICAÇÃO SUB-AGUDA OU SUB-CRÔNICA:
Exposições repetidas a substâncias químicas – caracteriza
estudos de dose/resposta após administrações repetidas.
• INTOXICAÇÃO CRÔNICA:
Resulta efeito tóxico após exposição prolongada a doses
cumulativas do toxicante ou agente tóxico, num período
prolongado, geralmente maior de 3 meses a anos.
INTOXICAÇÃO POR ORGANOFOSFORADOS E
ORGANOCLORADOS
ORGANOFOSFORADOS
TOXICOCINÉTICA
• ABSORÇÃO E DISTRIBUIÇÃO
Os organofosforados, dependendo de sua solubilidade
nos tecidos, vão desenvolver mais prontamente ou
tardiamente os sinais clínicos da intoxicação;
Por inalação de vapores do produto no ambiente os
primeiros sintomas aparecem em poucos minutos,
enquanto que pela ingestão oral ou exposição dérmica
pode haver um aparecimento tardio dos sintomas.
Se ocorrer uma exposição cutânea localizada, o efeito
tende a se restringir a área exposta, sendo a reação
exacerbada se houver lesão cutânea ou dermatite.
Exemplo: sudorese intensa e miofasciculações localizadas
no membro afetado; visão borrada e miose do olho
exposto; ou sibilância e tosse no caso de exposição
pulmonar de pequenas quantidades.
A absorção prolongada e insidiosa destas substâncias
pode determinar a agudização da resposta à doses baixas
do produto.
• BIOTRANSFORMAÇÃO
Após absorvidos, os organofosforados e seus produtos de
biotransformação são rapidamente distribuídos por todos
os tecidos. Os compostos mais lipofílicos podem alcançar
concentrações significativas no tecido nervoso, e/ou
outros tecidos ricos em lipídios.
Dependendo da persistência da forma bioativada no
organismo, pode-se inferir que a mesma poderá interagir
com seus sítios de ação vários dias após a última
exposição.
A toxicidade destes produtos está intimamente ligada à sua
biotransformação, dependente da relação entre ativação e
inativação. As principais reações de biotransformação dos
organofosforados compreendem:
→ Oxidações Bioquímicas
− Dessulfuração: a transformação da ligação P=S em
P=O, com a formação da forma “OXON” do inseticida,
que resulta sempre num aumento acentuado da
toxicidade do inseticida;
→ Clivagem Hidrolítica;
→ Redução.
• ELIMINAÇÃO
Ocorre principalmente pela urina e fezes. No caso da
eliminação pela via biliar, ocorre circulação enterro-
hepática, prolongando a sintomatologia.
OBS: DL 50 (Dose Letal 50%) ou dose letal média
de uma substância expressa o grau de toxicidade
aguda de substâncias químicas. Correspondem às
doses que provavelmente matam 50% dos animais
de um lote utilizados para experiência. São valores
calculados estatisticamente a partir de dados
obtidos experimentalmente.
Os agrotóxicos são divididos em dois grupos: inseticidas
e herbicidas.
O primeiro subdivide-se em três amplos grupos, que são os
organoclorados, os organofosforados e carbamatos e as
piretrinas. Já os grupos mais importantes dos herbicidas são
Paraquat, clorofenoxois e dinitrofenóis.
Os organoclorados são os agrotóxicos que persistem por
mais tempo no ambiente, chegando a permanecer por um
período de 30 anos. A absorção desse agente se dá pela
mucosa oral, respiratória e pele, alcançando o sistema
nervoso central e periférico. Estes são responsáveis por
causar câncer e, por esse motivo, seu uso foi eliminado em
diversos países.
Os organofosforados e carbamatos são inseticidas
amplamente utilizados na atualidade e também apresenta
absorção pela via oral, respiratória e dérmica. Estes
agrotóxicos são responsáveis por levar a problemas
funcionais da musculatura do corpo, cérebro e glândulas.
https://www.infoescola.com/produtos-quimicos/herbicidas/
https://www.infoescola.com/compostos-quimicos/organofosforados/
https://www.infoescola.com/compostos-quimicos/carbamatos/
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MECANISMO DE AÇÃO
Os compostos organofosforados e carbamatos são inibidores
da colinesterase, impedindo a inativação da acetilcolina,
permitindo assim, a ação mais intensa e prolongada do
mediador químico nas sinapses colinérgicas, a nível de
membrana pós-sináptica.
• A acetilcolina é sintetizada no neurônio a partir da
acetilcoenzima A e da colina. É inativada por hidrólise sob
ação da acetilcolinesterase, com formação de colina e
ácido acético que, por sua vez, são reutilizados para
formação da acetilcolina.
• A acetilcolina é o mediador químico necessário para
transmissão do impulso nervoso em todas as fibras pré
ganglionares do SNA, todas as fibras parassimpáticas pós-
ganglionares e algumas fibras simpáticas pós-
ganglionares. Ainda é o transmissor neuro-humoral do
nervo motor do músculo estriado (placa mioneural) e
algumas sinapses interneurais do SNC.
• Para que haja a transmissão sináptica é necessário que a
acetilcolina seja liberada na fenda sináptica e se ligue a
um receptor pós-sináptico. Em seguida, a Ach disponível
é hidrolizada pela acetilcolinesterase. Quando há a
inibição da acetilcolinesterase, ocorre um acúmulo de
acetilcolina na fenda, levando a uma hiperestimulação
colinérgica.
→ Na superfície da colinesterase existe um centro ativo para
inativação da acetilcolina que contém um sítio aniônico e
um esterásico. A inibição da colinesterase se dá através da
ligação do composto com o centro esterásico da enzima
diferindo apenas o tipo de ligação (fosforilação em
organofosforado ou carbamilação em carbamatos). Tais
substâncias são posteriormente hidrolisadas e a enzima
regenerada. A taxa de regeneração varia de acordo com o
composto. Se isso não ocorrer, supõe-se que uma forma
fosforilada muito estável tenha sido produzida pela perda
de um grupo alquil. Tal fenômeno denomina-se
“envelhecimento” da enzima e quando ocorre, esta não
mais se regenera. Esse fato é importante na terapêutica,
pois dele depende a utilização ou não de oximas
(reativação da enzima). A efetividade das oximas é, então,
diretamente proporcional à precocidade de sua
administração e inversamente proporcional à taxa de
“envelhecimento”. Tal fenômeno ocorre com alguns
organofosforados.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DA INTOXICAÇÃO
AGUDA
A intoxicação por inibidores da colinesterase tem um quadro
clínico característico de hiperestimulação colinérgica;
hiperglicemia transitória até 05 vezes superior aos
valores normais, sendo, contudo, contra-indicado o uso
de Insulina;
Pode ainda ocorrer arritmias cardíacas (fibrilação atrial e
ventricular) até 72 horas após a intoxicação.
ORGANOCLORADOS
Apresentam, frequentemente, alta resistência à degradação
química e biológica e alta solubilidade em lipídios. A
combinação entre a baixa solubilidade em água e a alta
capacidade de adsorção na matéria orgânica leva ao acúmulo
desses compostos ao longo da cadeia alimentar,
especialmente nos tecidos ricos em gorduras dos organismos
vivos;
• ABSORÇÃO E DISTRIBUIÇÃO
Os pesticidas clorados podem ser introduzidos no
organismo através das vias cutânea, digestiva e
respiratória. A eficiência da absorção dermal é variável.
Os hexaclorocicloexanos são eficientemente absorvidos
quando em contato com a pele.
No entanto, a maior introdução no organismo de
produtos, como o DDT e Dicofol, ocorre através dos
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alimentos, principalmente com os que contêm elevada
quantidade de gordura.
Além dos alimentos, a absorção dos pesticidas pode
ocorrer através da via respiratória, que absorve as
partículasde pó de pesticidas que estejam no ar.
Quando armazenados no tecido adiposo, os
organoclorados geralmente não apresentam atividade e
quando há emagrecimento, os depósitos de gordura são
mobilizados permitindo a liberação dos agrotóxicos para
a corrente sanguínea, podendo ocorrer intoxicação
aguda, caso a concentração seja suficientemente elevada.
• BIOTRANSFORMAÇÃO
Sua biotransformação procede a uma velocidade
excepcionalmente lenta, em parte, devido à
complexidade da estrutura química e à extensão da
cloração, sendo que esses substituintes são
extremamente difíceis de serem removidos pelo processo
enzimático disponível no tecido corpóreo;
▪ Os agrotóxicos organoclorados atravessam a placenta
e atingem um valor médio no sangue do feto de um
terço do valor encontrado no sangue materno. Valores
mais elevados são encontrados no leite materno,
mostrando ser esta uma importante via de excreção
destes compostos;
• ELIMINAÇÃO
A principal rota de excreção é biliar. Muitos dos
organoclorados não metabolizados, são eficientemente
reabsorvidos pelo intestino (circulação enterohepática),
retardando substancialmente a excreção fecal. A
eliminação dos organoclorados do corpo segue a cinética
de primeira ordem;
• MECANISMO DE AÇÃO
Desconhecido, atua principalmente estimulando o SNC,
causando hiperexitabilidade. Parece atuar nos canais de
cálcio, alterando o fluxo de sódio (sensibilização do
miocárdio). Em altas doses são indutores das enzimas
microssômicas hepáticas (possíveis lesões hepáticas);
Os jovens em fase de desenvolvimento são
particularmente sensíveis à exposição aos
organoclorados. A exposição pré-natal a organoclorados
persistentes, além de poder prejudicar o sistema
reprodutivo, durante a fase de desenvolvimento, pode
causar uma série de outros efeitos adversos à saúde,
como: óbito fetal e aborto espontâneo, diminuição de
peso e tamanho do recém-nascido, depressão do
sistema imunológico e redução da resistência óssea.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS AGUDAS
Náuseas, vômitos, diarreia;
Fraqueza, entorpecimento de extremidades;
Apreensão, excitabilidade, desorientação;
Contrações palpebrais, tremores musculares, convulsões
generalizadas, podendo evoluir para coma e depressão
respiratória, acidose metabólica, arritmias.
Pneumonite química se produtos com solventes
derivados do petróleo.
DADOS EPIDEMIOLÓGICOS
• Registros do Datasus, do Ministério da Saúde, apontam
que no Brasil, morrem em média 790 pessoas por ano por
causa da intoxicação por agrotóxicos. E mais de 5.500
pessoas são intoxicadas pelo produto.
• O estado brasileiro com a maior quantidade absoluta de
exposições e intoxicações por agrotóxicos desde 2007 é o
Paraná, com 4.648 registros. O estado é o segundo do
Brasil com maior área plantada do país e também o
segundo com a maior quantidade de estabelecimentos
que utilizam agrotóxicos, segundo dados do Censo Agro
2017, do IBGE.
A Rede Nacional de Centros de Informação e Assistência
Toxicológica (Renaciat), sistema que fornece informações,
diagnostica e trata envenenamentos por agrotóxicos e outras
substâncias em todo o país, relata que os números reais de
intoxicação são muito maiores que os apontados pelo sistema
de notificações: a estimativa é que, para cada caso reportado,
50 não sejam informados. Assim, desde 2007, o número real
de pessoas intoxicadas no Brasil poderia chegar a 1,3 milhão,
isto é, mais de 300 pessoas intoxicadas por dia.
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CONDUTA DE ATENDIMENTO AO PACIENTE
INTOXICADO
• Suspeita-se de intoxicação por organofosforado quando o
paciente é oriundo de área rural, tem exposição
ocupacional, ou quando apresenta sintomatologia
importante de acometimento do SNC (convulsões;
• O primeiro atendimento é de primordial importância na
sobrevida e prevenção de complicações ou sequelas. O
Centro de Informações e Assistência Toxicológicas do
Distrito Federal (CIAT-DF), atende através de uma central
telefônica, em regime de plantão permanente, sendo
guiado por bancos de dados nacionais e internacionais.
Serve como fonte de informações aos profissionais de
saúde, objetivando prestar o melhor atendimento como
órgão de assessoria e consultoria na área de urgência e
emergência, a fim de agilizar o tratamento e evitar
iatrogenias.
• O paciente intoxicado frequentemente representa uma
emergência de início agudo, com comprometimento de
múltiplos órgãos, se assemelhando frequentemente a
pacientes politraumatizados. Além do tradicional ABC de
reanimação, no paciente intoxicado são necessárias
outras medidas gerais de desintoxicação, como a
descontaminação e administração de antídotos. O médico
deve sempre tentar identificar o agente tóxico, mas sua
busca não deve nunca retardar o início das medidas
terapêuticas vitais para o paciente.
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• Os sinais e sintomas observados nas intoxicações por
agrotóxicos dependem do agente, do tipo e da magnitude
da exposição. De uma forma geral, irritações dérmicas e
oculares, irritações do trato respiratório superior e
inferior, respostas alérgicas, sintomas gastrintestinais e
manifestações neurológicas;
• Realize um breve exame físico, no contexto do suporte
vital, para identificar as medidas imediatas necessárias
para estabilizar o paciente. O exame deve incluir a
verificação dos sinais vitais, do nível de consciência,
avaliação do diâmetro e reatividade das pupilas (diâmetro
e reatividade à luz), temperatura e umidade da pele,
instalação da oximetria de pulso e medida da glicemia
capilar, se disponíveis;
• Quando identificado que o paciente está com alguma
intoxicação, a meta primária ao obter seu histórico é
determinar qual substância foi ingerida, para iniciar o
tratamento.
• Exames laboratoriais:
Ao hemograma completo pode-se observar leucocitose
ou leucopenia reversíveis. São descritas alterações na
coagulação sanguínea (consumo de fator VII e aumento
na agregação plaquetária). Em intoxicações por
organoclorados e organofosforados pode haver
hiperglicemia transitória. Os níveis de amilase e lipase
podem estar 3 ou mais vezes acima do normal,
representando, em alguns casos, pancreatite;
Há uma boa correlação entre a inibição da colinesterase
e a intoxicação aguda. A acetilcolinesterase eritocitária
geralmente é um recurso mais específico e sensível do
que a colinesterase plásmatica, pois apresenta na
maioria dos casos, correlação com a gravidade do
quadro clínico. Isto se explica pela similaridade funcional
que apresenta com a acetilcolinesterase que se
encontra nas fendas sinápticas das placas mioneuráis.
• TRATAMENTO:
Medidas Gerais
Manter a permeabilidade das vias aéreas;
Oxigenoterapia, se necessário;
Hidratação venosa;
Lavagem corporal exaustiva, em casos de contaminação
dérmica;
Esvaziamento gástrico:
− RN: 500 ml de soro fisiológico (SF) a 0,9 %.
− Lactentes: 2 a 3 litros de SF a 0,9 %.
− Pré-escolares: 4 a 5 litros de SF a 0,9 %.
− Escolares: 5 a 6 litros de SF a 0,9 %.
− Adultos: 6 a 10 litros de SF a 0,9 %.
Carvão ativado:
− Ministrar doses, diluídos em SF a 0,9 %. de 4/4:00 h ou
6/6:00 h, via sonda naso-gástrica (SNG), mantendo a
SNG aberta em sifonagem. Contra indicado em casos
de ausência de peristalse. (Ministrar até 4 doses).
Uso de catártico (medicamento que aumenta o
peristaltismo e a evacuação:
− Deve-se utilizá-lo 1:00 h após o carvão ativado (CA).
ÓRGÃOS NACIONAIS DE ASSISTÊNCIA EM CASO
DE INTOXICAÇÃO
• O Disque-Intoxicação, criado pela Anvisa, atende pelo
número 0800-722-6001. A ligação é gratuita e o usuário é
atendido por uma das 36 unidades da Rede Nacional de
Centros de Informação e Assistência Toxicológica
(Renaciat).
• A Renaciat é uma rede coordenada pela Anvisa, criadaem
2005 pela resolução RDC nº 19. É composta por 36
Centros de Informação e Assistência Toxicológica (Ciats),
espalhados em 19 estados brasileiros.
• Em 2004, a Portaria nº 7777 estabeleceu que as
intoxicações exógenas (por substâncias químicas,
incluindo agrotóxicos, gases tóxicos e metais pesados), a
partir daquele momento, deveriam ser tratadas como um
agravo à saúde do trabalhador de notificação
compulsória, sendo registrados no SINAN NET.
• Este componente da vigilância das intoxicações exógenas
fornece as informações tanto para acompanhamento dos
casos individualmente, como para a identificação do perfil
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epidemiológico desses trabalhadores. As unidades de
notificação seriam as redes de serviços sentinelas
especificamente ligadas à Rede Nacional de Atenção
Integral à Saúde do Trabalhador (Renast) e vinculadas à
Coordenação Geral de Saúde do Trabalhador.
FLUXO DE ATENÇÃO
• Para fins da vigilância, a detecção de casos de intoxicação
poderá seguir abordagem reativa ou proativa:
▪ A abordagem será reativa quando a detecção de
indivíduos intoxicados for realizada a partir da
demanda espontânea da população aos serviços de
saúde, bem como denúncia de exposição humana, que
dará início ao processo por meio da notificação
compulsória no Sistema de Informação de Agravos de
Notificação (SINAN), busca ativa, análises de sistemas
de informação do setor saúde e de outros setores;
▪ A abordagem será proativa quando os serviços de
saúde, por meio de ações integradas de assistência e
vigilância em saúde, realizarem a identificação,
triagem e monitoramento de indivíduos expostos,
incluindo trabalhadores, numa população de
determinado território.
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POLUIÇÃO QUÍMICA
Os poluentes ou contaminantes podem ser propagados por
diferentes vias, como o ar, o próprio solo, as águas
subterrâneas e superficiais, alterando suas características
naturais de qualidade e determinando impactos negativos
e/ou riscos sobre os bens a proteger, localizados na própria
área ou em seus arredores.
A maior parte dos poluentes atmosféricos reage com o vapor
de água na atmosfera e volta à superfície sob a forma de
chuvas, contaminando, pela absorção do solo, os lençóis
subterrâneos.
Os principais contaminantes, em uma visão geral, são os
agrotóxicos, derivados do petróleo, resíduos industriais e
metais. Destes últimos, os principais são chumbo,
mercúrio, cádmio, cromo e arsênio.
→ Em maio de 2002, a CETESB divulgou pela primeira vez a
lista de áreas contaminadas, registrando a existência de
255 áreas contaminadas apenas no estado de São Paulo.
Este registro vem sendo constantemente atualizado e, em
dezembro de 2010, chegou a 3.675 áreas contaminadas,
sendo 1.674 comprovadamente contaminas, 1.096 sob
investigação, 742 em processo de monitoramento para
reabilitação e 163 reabilitadas, sendo a maioria dos
cadastros de áreas de postos de combustível.
CONTAMINAÇÃO POR METAIS PESADOS
Atualmente, ocorre contaminação do solo em áreas de
mineração e processamento de metais onde a concentração
desses elementos atinge valores tóxicos às plantas e aos
organismos do solo.
• Em sua forma solúvel, o metal está em sua forma iônica
ou de complexos orgânicos e é facilmente absorvido
pelas plantas ou é lixiviado, podendo atingir os corpos de
água subterrâneos.
De modo geral, o tempo de resistência de alguns metais
pesados em solos está entre:
− 75 e 380 anos para o Cd (Cádmio);
− 500 a 1000 anos para o Hg (Mercúrio);
− 1000 a 3000 anos para o As (Arsênio), Cu (Cobre), Pb
(Chumbo), Se (Selênio) e Zn (Zinco).
Esses elementos ainda podem ser bioacumulados, ou seja,
podem passar de espécie a espécie ao longo da cadeia
alimentar, sendo os maiores teores encontrados nos níveis
tróficos mais altos.
• Atividades industriais como para fornecimento de baterias
automotivas, canos de metal, aditivos em gasolina, reciclagem
de sucata de baterias automotivas são grandes fontes de
chumbo;
• Enquanto o cádmio provém de atividades como processos de
galvanoplastia, solda, reatores nucleares, fundição e
refinamento de metais como zinco, cobre e chumbo.
• Mercúrio é principalmente derivado de mineração;
• Cromo e Zinco são provenientes da curtição de couros,
galvanoplastias e metalurgia respectivamente.
O Sistema de Informação de Vigilância em Saúde de
Populações Expostas a Solo Contaminado – SISSOLO é
uma ferramenta importante que cadastra áreas
contaminadas com população potencialmente exposta,
com informações atualizadas e precisas. Esta ferramenta
auxilia ao VIGISOLO – Vigilância em Saúde de Populações
Expostas a Solo Contaminado, a recomendar e adotar
medidas de promoção de saúde ambiental, prevenção dos
fatores de risco relacionados às doenças e outros agravos
à saúde decorrentes da contaminação por substâncias
químicas no solo.
O SISSOLO está implantado em todos os Estados
brasileiros e atualmente possui 5.995 áreas,
contaminadas ou suspeitas de contaminação, cadastradas
com um número estimado de mais de 12 milhões de
pessoas expostas ou potencialmente expostas a
contaminantes químicos.
O caso de Bauru-SP é um dos exemplos dessa contaminação. Em
janeiro de 2002, notificação da Companhia de Tecnologia de
Saneamento Ambiental (Cetesb) à Secretaria Municipal de Saúde de
Bauru informava sobre teores de chumbo oriundo de resíduos
industriais como fonte de contaminação e consequentes agravos à
saúde de parte de sua população.
Mediante a existência de 314 crianças com taxas de plumbemia
superiores àquelas aceitáveis pela Organização Mundial de Saúde
(10µg Pb/dl sangue), foram desencadeadas ações emergenciais,
visando reduzir riscos de recontaminação, que incluíram a raspagem de
camada superficial das vias públicas, resultando em 1.392 m3 de terra
com material tóxico, que permanece depositada nas dependências da
fábrica. Foi promovida a aspiração de poeira do interior de 164
residências, utilizando equipamento industrial, bem como a lavagem e
vedamento das caixas d'água.
Mais recente, a companhia Ingá, indústria de zinco, situada a
85 km do Rio de Janeiro, na ilha da Madeira, que atualmente
está desativada, transformou-se na maior área de
contaminação de lixo tóxico no Brasil. Metais pesados como
zinco, cádmio, mercúrio e chumbo poluem o solo, a água e
atingem o mangue, afetando a vida da população. Isso ocorreu
porque os diques construídos para conter a água contaminada
não têm recebido manutenção há 5 anos, e dessa forma os
terrenos próximos foram inundados, contaminando a
vegetação do mangue.
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O gerenciamento de áreas contaminadas visa minimizar
os riscos a que estão sujeitos a população e o meio
ambiente, em virtude da existência das mesmas, por meio
de um conjunto de medidas que assegurem o
conhecimento das características dessas áreas e dos
impactos por elas causados, proporcionando os
instrumentos necessários à tomada de decisão quanto às
formas de intervenção mais adequadas.
CONTAMINAÇÃO DA ÁGUA
Os metais podem ser introduzidos nos ecossistemas aquáticos
de maneira natural ou artificial. Naturalmente, por meio do
aporte atmosférico e chuvas, pela liberação e transporte a
partir da rocha matriz ou outros compartimentos do solo onde
estão naturalmente.
De modo artificial, por fontes antropogênicas de diversos
ramos: esgoto in natura de zonas urbanas, efluentes de
indústrias, atividades agrícolas, e rejeitos de áreas de
mineração e garimpos.
A agricultura, por exemplo, constitui uma das mais
importantes fontes não pontuais de poluição por metais em
corpos d’água. As principais fontes liberadoras são os
fertilizantes (Cd, Cr, Pb, Zn), os pesticidas (Cu, Pb, Mn, Zn), os
preservativos de madeira (Cu, Cr) e dejetos de produção
intensiva de bovinos,suínos e aves (Cu, As e Zn).
Além disso, os metais lançados no solo, a partir desta atividade
são carreados para os rios pelo escoamento de águas
superficiais provenientes das chuvas, persistindo no meio
aquático por apresentar forma livre, ou iônica, o que facilita
sua acumulação nos tecidos principalmente dos peixes.
❖ A atividade garimpeira, em destaque a de ouro, é um
ramo que gera a liberação de vários metais para o meio
aquático. Nos processos de lavra em que a polpa
(água+terra) é trabalhada, metais pesados presentes no
solo (Al, Cd, Cr, Cu, Fe, Mn, Pb, Zn) são desprendidos,
concentrados e liberados junto aos rejeitos nos rios.
− Entretanto, o principal metal pesado liberado pelos
garimpos é o mercúrio, pois seu uso no beneficiamento
do ouro é imprescindível para captura e retenção deste
elemento, formando a amálgama.
− Verifica-se que para cada 1 kg de ouro produzido são
utilizados 1,5 kg de Hg, do qual 70 % são recuperados e
são 30% são perdidos para o ambiente. Deste valor
perdido, 20% vão para atmosfera, durante a queima da
amálgama, e retornam para os rios pela chuva; os outros
10% são despejados diretamente nos corpos d’água.
− Durante a queima da amálgama o vapor de mercúrio é
liberado para atmosfera, onde é oxidado formando o
mercúrio ionizado (Hg²+ ), que se condensa nas nuvens e
por meio da chuva volta para o solo ou para água, onde é
transformado em mercúrio orgânico (CH³Hg+), uma
constituição já tóxica.
− Na forma orgânica o Hg é absorvido pelo organismo dos
seres vivos e convertido em metilmercúrio, sua forma
mais tóxica.
− Ao cair no sistema aquático, o mercúrio liberado pelo
beneficiamento do ouro ou pela chuva, passa pela
mesma transformação (Hg0 - CH³Hg+). O transporte do
mercúrio na sua forma metálica no sistema fluvial
depende das características hidrográficas do rio, como
correnteza, relevo, mudanças no nível de água e outros.
Assim, por estar no ápice da cadeia trófica, a mais importante
via de exposição dos seres humanos aos metais pesados é a
ingestão de peixes contaminados, visto que, reterá todo o
percentual de contaminantes acumulados ao longo da cadeia
pelos peixes.
A ingestão direta de metais pesados dissolvidos na água ou
indiretamente acumulados nos músculos de peixes, acima do
limite, é uma das principais fontes danosas para o ser humano,
e que provoca distúrbios no metabolismo.
• Diversos metais têm demonstrado possuir atividade
carcinogênica mediante sua ingestão em quantidades
excedentes ao permitido, neste caso o cromo, chumbo e
mercúrio são os principais.
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CONTAMINAÇÃO PELOS ESGOTOS
• Os efluentes domésticos – provenientes das residências,
hotéis, casas de diversões (bares, etc.), clubes, comércios
e centros comerciais, de serviços (salões de cabeleireiros,
consultórios, clínicas, etc.). São caracterizados por águas
residuárias contaminadas, basicamente, por fezes
humanas e animais, restos de alimentos e sabões e
detergentes. Os esgotos domésticos provocam dois tipos
de contaminação das águas:
− Contaminação por bactérias: principalmente por
coliformes presentes nas fezes humanas, responsáveis
pela grande incidência de diarréias e infecções.
− Contaminação por substâncias orgânicas recalcitrantes,
ou de difícil degradação. Como exemplo podemos citar os
detergentes sulfônicos, cuja ação tóxica não é muito
acentuada, mas os efeitos secundários são graves.
Destroem as células dos microrganismos aquáticos,
impedindo a oxidação microbiológica dos materiais
biodegradáveis contidos nos esgotos. Reduzem também a
taxa de absorção de oxigênio, diminuindo a velocidade de
autodepuração dos rios.
• Os Efluentes Industriais – Oriundos dos mais
diversificados processos de industrialização; tem sido,
historicamente, um importante fator de degradação
ambiental. O despejo de efluentes industriais, tanto nos
corpos d’água quanto na rede de esgoto a ser tratada,
sem o devido tratamento prévio, provoca sérios
problemas sanitários e ambientais. Os principais
poluentes de origem industrial são os compostos
orgânicos e inorgânicos, especialmente os metais
pesados:
− Contaminação por compostos orgânicos: os compostos
fenólicos representam um dos principais poluentes das
águas residuárias de origem industrial. São provenientes
de indústrias químicas e farmacêuticas e dos esgotos
hospitalares que, mesmo em baixas concentrações,
alteram a potabilidade da água e o sabor dos peixes
contaminados. Outro importante resíduo contaminante
são os detergentes para limpeza de equipamentos,
utilizados por várias indústrias. Esses compostos afetam
principalmente a fauna dos corpos receptores. Os
vazamentos de oleodutos e tanques contendo produtos
petrolíferos, ou seus derivados, são igualmente
desastrosos ao Meio Ambiente.
− Contaminação por compostos inorgânicos: Os principais
compostos inorgânicos que ameaçam a integridade dos
recursos hídricos são basicamente os metais pesados,
provenientes de indústrias químicas e farmacêuticas, de
usinas siderúrgicas, indústrias de fertilizantes, além das
atividades de mineração.
RECUPERAÇÃO DE EFLUENTES E SOLOS
As formas em que os metais se encontram em solução,
determinam o tratamento específico a ser escolhido ou a
adaptação de um tratamento convencional.
A remoção dos metais pesados presentes em efluentes
industriais pode ser feita por meio de diversos processos, tais
como precipitação por via química, osmose reversa, adsorção
em carvão ativado ou alumina e oxirredução.
• A aplicação de aluminossilicatos na remoção de metais
pesados vem sendo muito estudada devido ao baixo
custo, fácil obtenção e possibilidade de reutilização destes
materiais.
❖ Um novo composto para recuperação de solos
degradados por metais pesados, especialmente o
chumbo, promete ser uma alternativa mais viável
economicamente, frente às outras técnicas já existentes,
além de minimizar o impacto ambiental. Desenvolvido
recentemente pelo grupo de pesquisa Vidros e
Cerâmicas do Departamento de Física e Química da
Faculdade de Engenharia da Unesp de Ilha Solteira, o
Agente Recuperador de Solos (ARS), nome dado ao
material, sob condições especiais e em contato com o
metal pesado ativo promove uma reação que o imobiliza
em uma estrutura cristalina estável e mantém o metal
inerte no solo. A tecnologia do ARS está baseada na
imobilização do metal pesado em minerais fostatados
como a piromorfita, um dos minerais mais estáveis
quimicamente, apresentando baixa solubilidade em
diferentes meios. O processo de recuperação em estudo
neutraliza os efeitos nocivos do metal pesado, devolvendo
à natureza o que lhe foi tirado por processos químicos e
industriais.
❖ Bactérias dos gêneros Bacillus, Pseudomonas,
Rhodobacter e Achromobacter são exemplos de
microrganismos capazes de degradar petróleo e seus
derivados por um processo conhecido como
biorremediação. Além das bactérias, fungos e plantas
também são utilizados para remover ou degradar
contaminantes ambientais.
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello
A contaminação por petróleo, metais pesados, agrotóxicos,
esgoto e outros resíduos também pode ser revertida com a
aplicação dessa técnica versátil e, muitas vezes, mais barata e
ecologicamente sustentável do que as técnicas tradicionais.
ÓRGÃOS DE NOTIFICAÇÃO
• Os Principais órgãos de Fiscalização do Meio Ambiente no
Brasil integram o Sistema Nacional do Meio Ambiente
– SISNAMA.
• CONAMA: O Conselho Nacional do Meio Ambiente -
CONAMA
Órgão Central:
• MMA: O Ministério do Meio Ambiente - MMA
Órgão Executor:
• IBAMA O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis –
• ICMBIO, Instituto Chico Mendes de Conservação da
Biodiversidade (ICMBIO)
• SP: Companhia de Tecnologia de Saneamento
Ambiental (Cetesb)
http://www.mma.gov.br/governanca-ambiental/sistema-nacional-do-meio-ambientehttp://www.mma.gov.br/conama
http://www.mma.gov.br/conama
http://www.mma.gov.br/
http://www.ibama.gov.br/
http://www.ibama.gov.br/
http://www.icmbio.gov.br/portal/quem-somos/quem-e-quem.html
http://www.icmbio.gov.br/portal/quem-somos/quem-e-quem.html
METAIS DIAGNÓSTICO MECANISMO DE TOXICIDADE MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS TRATAMENTO
MERCÚRIO • Histórico de exposição ocupacional;
• Apresentar dois ou mais dos seguintes
sintomas: falta de ar, dor no peito,
gengivite, náusea, vômitos, dor
abdominal, diarreia, cefaleia, gosto
metálico na boca [...];
• Mensuração do mercúrio presente na
urina no período ne 24h: A maioria dos
indivíduos não expostos terá níveis de
mercúrio na urina de 24 horas <10;
Concentrações séricas de mercúrio
superiores a 10mcg/L já podem ser
anormais e concentrações superiores
a 35mcg/L necessitam de intervenção.
• Dano ou morte celular causada pela
ligação da alta afinidade do mercúrio
aos grupos sulfidrilas de proteínas
celulares.
− Interrupção da formação de
microtúbulos; estresse oxidativo;
respostas autoimunes; inibição de
enzimas.
❖ O Hg orgânico é o mais tóxico por ser
lipossolúvel. Dessa maneira, pode ser
distribuído a todos os tecidos e
facilmente cruzar as barreiras
hematoencefálica e placentária,
induzindo a déficits de desenvolvimento
neurológico em recém-nascidos e
crianças.
• Vapor de Mercúrio:
− Bronquite aguda corrosiva;
− Pneumonia intersticial;
− SNC: tremores e irritabilidade.
• Mercúrio inorgânico:
− Principal órgão alvo: rim;
− Proteinúria.
• Metilmercúrio:
− Neurotoxicidade: parestesia; ataxia;
distúrbios de marcha; perda de visão e
audição.
• Remoção do paciente
da exposição ao
mercúrio;
• A exposição inalatória
pode necessitar de
suporte ventilatório
com pressão positiva.
• Terapia com Quelante:
sequestra íons
− Indicada para pacientes
com intoxicações
clinicamente
significativas;
− Dimercaprol e o
succímero são os
quelantes mais
utilizados.
FERRO • Histórico; sintomatologia (acidose);
• Após 4-6h de contaminação pode ser
feita a dosagem sérica do Fe:
− Normal: < 350 mcg/dl
− Leve a moderado: 350-500
− Acometimento do SNC: >500;
• Contagem de leucócitos no sangue
periférico:
> 15.000/mm³
• O ferro atua como um catalisador para
produzir danos de radicais livres,
resultando em arteriosclerose e
doenças cardíacas isquêmicas.
• Fase gastrointestinal (30 minutos - 6 horas):
Dor abdominal, náuseas, vómitos, diarreia,
hemorragia digestiva (por efeito direito a
nível da mucosa gastrointestinal - efeito
corrosivo precoce). Início de letargia, choque
a acidose metabólica e coagulopatia;
• Toxicidade crônica:
− Hemocromatose;
• Irrigação intestinal com
polietilenoglicol por
sonda;
• Terapia com quelante:
− Deferoxamina (forma
sais solúveis do metal,
permitindo sua
excreção pelos rins).
CHUMBO • Histórico; sintomatologia;
• Dosagem de Pb no sangue ou na urina:
− Crianças: entre 20 e 44 mcg –
alterações comportamentais;
> 44 – lesões no SNC;
− Adultos: >100 – encefalopatia e
neuropatia.
• Aumento de ALA-U e diminuição
(inibição) de ALAD.
• Inibe ou imita a ação do cálcio e interage
com proteínas;
• interferência no funcionamento das
membranas celulares e enzimas;
• Inibição do grupo Heme;
• Diminui a velocidade de condução
nervosa;
•
• Cólicas, gengiva azulada;
• Efeitos neurológicos em crianças:
− Letargia, vômito, irritabilidade, tonturas,
ataxia e redução do nível de consciência.
• Efeitos neurológicos em adultos:
− Neuropatia periférica – desmielinização
segmentar e degeneração axonal;
− Dificuldade na marcha;
• Nefropatia;
• Anemia;
• Atravessa a barreira placentária;
• Descontaminação
(ingestão aguda):
irrigação intestinal,
remoção de corpos
estranhos contendo
chumbo;
• Terapia com Quelante:
− Succímero;
ARSÊNIO
• Dosagem laboratorial de arsênio na
urina:
50µg/L em dosagem de urina pontual, ou
um total de 100µg em urina de 24h.
• Produz oxidantes e danos oxidativos ao
DNA;
• Alterações no estado de metilação do
DNA e instabilidade genômica;
• Comprometimento do reparo do dano
do DNA e aumento da proliferação
celular.
• Intoxicação aguda: 70 a 180 mg
− Febre, anorexia, hepatomegalia, arritmia,
falência cardíaca.
− Danificação da mucosa gástrica: vômitos
incessantes e cólicas intensas.
− Perda sensorial aparece 1 a 2 semanas após a
intoxicação e consiste em degeneração dos
axônios.
− Anemia e leucopenia.
• Intoxicação crônica:
− A pele é o principal órgão acometido.
• Exposição a baixas doses:
− Neuropatia periférica: dormência das mãos e
pés; tanto nervos sensoriais, quanto motores
podem ser afetados.
• Reposição de volume e
uso de drogas
vasoativas;
• A lavagem gástrica está
indicada nesses casos;
• O carvão ativado é
contraindicado quando
há suspeitas de
corrosão da mucosa do
trato gastrintestinal, ou
se o paciente apresenta
sangramento digestivo;
• Terapia com Quelante:
− Dimercaprol (BAL)
Scanned with CamScanner
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello
INTOXICAÇÃO MEDICAMENTOSA
Intoxicação refere-se ao desenvolvimento de efeitos adversos
associados à exposição a determinadas doses de substâncias
químicas, fármacos ou outros xenobióticos.
A intoxicação é um efeito medicamentoso dose-
dependente, variável com a predisposição individual do
usuário e com as várias interações enzimáticas de
indução ou inibição do metabolismo da droga.
A intoxicação pode ser local (por exemplo, em pele e
mucosas) ou pode ser sistêmica, dependendo das
propriedades físico-químicas do tóxico, do seu
mecanismo de ação e da via de exposição.
Diagnóstico Sindrômico: Com base na anamnese e no
exame físico podemos caracterizar as síndromes de
intoxicação exógena (toxíndromes), o que vai nortear o
diagnóstico etiológico específico e a abordagem
terapêutica. De maneira didática podemos dividir as
intoxicações em 4 grupos de acordo com o estado
fisiológico:
→ Excitação;
→ Depressão;
→ Mista;
→ Normal.
INTERAÇÃO MEDICAMENTOSA
Interações medicamentosas são tipos especiais de
respostas farmacológicas, em que os efeitos de um ou
mais medicamentos são alterados pela administração
simultânea ou anterior de outros, ou através da
administração concorrente com alimentos;
As respostas decorrentes da interação podem acarretar
potencialização do efeito terapêutico, redução da
eficácia, aparecimento de reações adversas com
distintos graus de gravidade ou ainda, não causar
nenhuma modificação no efeito desejado do
medicamento.
→ Portanto, a interação entre medicamentos pode ser útil
(benéfica), causar respostas desfavoráveis não
previstas no regime terapêutico (adversa), ou
apresentar pequeno significado clinico.
As interações benéficas são abordagens terapêuticas
fundamentais em diversas patologias. No tratamento da
hipertensão arterial severa a combinação de
medicamentos com mecanismos de ação diferentes
promove a redução mais eficiente da pressão sanguínea;
na quimioterapia antineoplásica a associação de
antagonistas serotoninérgicos e dopaminérgicos está
recomendada para minimizar o quadro de náusea e
vômito, na sedação a associação de hipnóticos,
analgésicos e bloqueadores neuromusculares é
necessária para manutenção do estado anestésico
completo.
Em contrapartida as interações adversas podem acentuar
os efeitos indesejados dos medicamentos, acarretar
ineficácia terapêutica e colocar em risco a vida do
paciente. A associação de aminoglicosídeos e
bloqueadores neuromusculares pode desencadear
paralisia respiratória; a coadministração de álcool e
barbitúricos pode conduzir o paciente ao estado de coma.
Estas interações que ocorrem, normalmente, de modo
ocasional ou fortuito tendem a aumentar o tempo de
hospitalização, elevar o custo do tratamento e causar
maior morbidade ao indivíduo.
A interação medicamentosaé, desta forma, uma das
variáveis que afeta o resultado terapêutico e quanto
maior o número de medicamentos que o paciente recebe,
maior a possibilidade de ocorrência. A frequência das
interações clinicamente importantes (benéficas ou
adversas) é desconhecida. Estima-se que para usuários de
2 a 3 medicamentos o percentual seja de 3 a 5%, nos que
utilizam de 10 a 20 agentes eleve-se para 20%.
Na prática a questão das interações medicamentosas é
complexa, pois além das inúmeras possibilidades teóricas de
interferência entre os medicamentos, fatores relacionados ao
indivíduo (idade, constituição genética, estado fisiopatológico,
tipo de alimentação) e a administração do medicamento
(dose, via, intervalo e sequência da administração) influenciam
na resposta do tratamento.
INTOXICAÇÕES MEDICAMENTOSAS MAIS
PREVALENTES EM NÍVEL NACIONAL
Entre as várias causas de intoxicação por medicamentos, as
mais comuns foram tentativa de suicídio (40,5%), acidente
individual (33,9%), uso terapêutico (8,3%) e erro de
administração (6,1%). Quanto ao gênero, ocorrências
envolvendo mulheres (60%) foram mais comuns que
envolvendo homens (39,3%).
No que se refere à faixa etária, crianças acima de um ano e
abaixo de cinco anos representaram o grupo mais afetado,
com mais de um quarto dos casos (27,8%). Outra constatação
preocupante é a de que pacientes abaixo de 10 anos
totalizaram 37,8% de todos os casos de intoxicação por
medicamentos.
Segundo Hoefler e Galvão (2010), apesar de aproximadamente
metade dos casos de intoxicação ocorrerem em crianças, os
casos mais graves e os óbitos são mais frequentes em
adolescentes e adultos. Entre os idosos, os medicamentos
também são os agentes intoxicantes mais prevalentes e os
casos geralmente estão ligados ao uso terapêutico.
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello
Entre os medicamentos que mais aparecem nos relatórios de
centros especializados no atendimento a intoxicações
destacam-se os fármacos analgésicos, sedativos,
antidepressivos, antimicrobianos, anti-histamínicos e
cardiovasculares, além das vitaminas e dos minerais.
→ O maior problema não é a automedicação e sim a
consulta em vários especialistas que prescrevem
isoladamente;
1º. lugar = analgésicos/ antitérmicos/ Anti-inflamatórios;
2º. lugar = antidepressivos e estimulantes;
3º. Lugar = cardiovasculares.
MECANISMO DE AÇÃO DOS AINES
Sabemos que as PGs são produtos originados do ácido
aracdônico, o qual é obtido da dieta ou do ácido linoléico,
encontrando-se presentes em todos os tecidos animais
exercendo várias funções. Quimicamente são parte de um
grupo chamado eicosanóides, derivados do ácido aracdônico
e liberado de fosfolipídeos de membrana de células lesadas,
por ação catalítica da fosfolipase A2. As cicloxigenases (COX-1
e COX-2) e a hidroperoxidase catalisam as etapas sequenciais
de síntese dos prostanóides (prostaglandinas clássicas e
tromboxanos) e as lipoxigenases transformam o ácido
aracdônico em leucotrienos e outros compostos.
O principal mecanismo de ação dos AINEs ocorre através da
inibição específica da COX e consequente redução da
conversão do ácido aracdônico ou araquidônico (AA) em
prostaglandinas. Reações mediadas pelas COXs, a partir do AA
produzem PGG2, que sob ação da peroxidase forma PGH2,
sendo então convertidas às prostaglandinas, prostaciclinas e
tromboxanos (TXs).
As prostaglandinas têm ação vasodilatadora. A PGD2 é
liberada de mastócitos ativados por estímulos alérgicos ou
outros. A PGE2 inibe a ação de linfócitos e outras células
que participam das respostas alérgicas ou inflamatórias.
Além de promoverem vasodilatação, sensibilizam os
nociceptores (hiperalgesia) e estimulam os centros
hipotalâmicos de termorregulação. A prostaglandina I2
(prostaciclina) predomina no endotélio vascular e atua
causando vasodilatação e inibição da adesividade
plaquetária. O TX, predominante nas plaquetas, causa
efeitos contrários como vasoconstrição e agregação
plaquetária.
Os leucotrienos aumentam a permeabilidade vascular e
atraem os leucócitos para o sítio da lesão. A histamina e a
bradicinina aumentam a permeabilidade capilar e ativam
os receptores nocigênicos.
Existem pelo menos duas isoformas de COX que
apresentam diferenças na sua regulação e expressão.A
atividade de ambas as isoformas são inibidas por todos os
AINEs em graus variáveis. A COX-1 e COX-2 possuem60%
de homologia na sua sequência de aminoácidos expressa
em muitos tecidos. As COX-1, ditas como constitutivas,
auxiliam na manutenção da integridade da mucosa
gastroduodenal, homeostase vascular, agregação
plaquetária e modulação do fluxo plasmático renal.
A COX-2 é uma enzima indutível, geralmente indetectável
na maioria dos tecidos, sua expressão é aumentada em
processos inflamatórios. Ela é expressa constitutivamente
no cérebro, rim, ossos e provavelmente no sistema
reprodutor feminino. Sua atividade é importante na
modulação do fluxo sanguíneo glomerular e balanço
hidroeletrolítico. Sua expressão é inibida pelos
glicocorticoides, o que explicaria os seus efeitos anti-
inflamatórios.
Recentemente foi descoberta uma variante do gene da
COX-1, descrito como COX-3. Essa parece ser expressa em
altos níveis no sistema nervoso central e pode ser
encontrada também no coração e na aorta. Essa enzima é
seletivamente inibida por drogas analgésicas e
antipiréticas, como paracetamol e dipirona, e é
pontencialmente inibida por alguns AINEs. Essa inibição
pode representar um mecanismo primário central pelo
qual essas drogas diminuem a dor e possivelmente a
febre. A relevância dessa isoforma ainda não está clara.
A inibição de PG é responsável por seus principais efeitos
colaterais: gastrite, disfunção plaquetária,
comprometimento renal e broncoespasmo. O efeito
antitrombótico ocorre pelo bloqueio da COX-1, inibindo a
produção do TX e ocasionando o predomínio da atividade
de prostaciclina endotelial.
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello
MECANISMO DE AÇÃO DOS ANAGÉSICOS E
ANTIPIRÉTICOS
FARMACODINÂMICA
O paracetamol é uma droga analgésica e antipirética,
apresentando pouca ou nenhuma ação anti-inflamatória e seu
mecanismo de ação não está completamente elucidado, mas
parece produzir analgesia por elevação do limiar da dor sendo
capaz de bloquear a cicloxigenase (COX) em locais com baixos
teores de peroxidases, como o hipotálamo, o que
possivelmente explica a fraca atividade anti-inflamatória do
paracetamol, uma vez que a região da inflamação geralmente
contém 4 concentrações elevadas de peróxidos gerados pelos
leucócitos. Estes resultados não excluem o PAR como um
membro da classe dos AINEs e explicam a sua fraca inibição
pela COX, particularmente a cicloxigenase-2 (COX-2) , uma
isoenzima que produz menor efeito colateral, com um
percentual de 30% de inibição máxima por AINEs, pois sua
atividade inibitória sobre a cicloxigenase pode estar
relacionada a sua capacidade de inibir o radical tirosil presente
na PGES.
O paracetamol demonstrou inibir a ação de pirógeno
endógeno no centro termorregulador por bloqueio da
produção e liberação de prostaglandina no sistema nervoso
central. A febre ocorre quando a PGE elevada atua na área pré-
óptica do hipotálamo anterior, resultando em diminuição da
perda de calor e aumento do ganho de calor.
TOXICIDADE
A toxidade induzida pelo paracetamol ocorre pelo uso de
sobre-dose, deficiências enzimáticas, doenças hepáticas ou
renais e interações medicamentosas, sendo mais grave
quando por múltiplos fatores.
A intoxicação hepática grave pode levar à morte de três a
cinco dias após a ingestão de dose alta de paracetamol,
pois a via de conjugação é saturada, aumentando a
quantidade do produto oxidado N-acetil benzoquinona
imina (NAPQI).
Após esgotar as reservas de glutationa reduzida (GSH), a
NAPQI passaa reagir com moléculas de proteínas
hepáticas séricas ou tissulares contendo grupamentos
ricos em elétrons, com a capacidade de reagir nas
posições 3 e 5 por adição ao sistema Michael, acarretando
com isso danos às células hepáticas e sanguíneas,
problemas alérgicos e o metabólito oxidado pode formar
adutos com bases nitrogenadas, apresentando alterações
a nível de DNA e RNA.
A superdosagem do paracetamol, quando devidamente
diagnosticada, é tratada com a administração de N-
acetilcisteína, que atua como substituto da glutationa,
neutralizando os derivados oxidados reativos. Há, porém,
casos e comportamentos de riscos mais difíceis de serem
tratados, a auto-medicação, interações medicamentosas,
utilização em pediatria ou geriatria, insuficiências
hepáticas ou renais não diagnosticadas e deficiências
enzimáticas, o que para os países de terceiro mundo, onde
a produção industrial de medicamentos é descarregada e
disponibilizada à consumidores de medicamentos
desprovidos de um sistema de farmacovigilância eficaz,
acaba expondo uma parcela de sua população, que além
do baixo controle de consumo de medicamentos, também
não há notificações médica em caso de intoxicações
aliado a isso a escassez de conhecimento sobre
mecanismo de ação e farmacodinâmica por parte dos
profissionais de saúde contribui para tal risco. Estes fatos
justificam a busca de novos derivados do paracetamol
mais seguros.
MECANISMO DE AÇÃO DOS
BENZODIAZEPÍNICOS
O efeito ansiolítico dos benzodiazepínicos está
relacionado com o sistema gabaérgico do sistema
límbico;
O ácido gama-aminobútirico (GABA) é um
neurotransmisso com função inibitória capaz de atenuar
as reações serotoninérgicas responsáveis pela
ansiedade;
Os benzodiazeínicos seriam, assim, agonistas deste
sistema, agindo sobre os receptores gabaérgicos,
potencializando a ação do GABA;
→ Eles se ligam em sítio de ação e facilitam a ligação do
GABA no receptor, promovendo um efeito sinérgico;
→ Aumenta a ação gabaérgica;
→ Promove mais abertura de canais de cloro;
→ Íons de cloro entram na célula;
→ Resultam em hiperpolarização do neurônio pós-
sináptico.
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello
A ligação dos BZDs aos receptores GABA-a BZD aumenta
o transporte do cloro nos neurônios devido ao aumento
da taxa de abertura dos canais de cloro resultando na
hiperpolarização e aumento geral da transmissão
gabaérgica.
Existem evidências de que o efeito hipnótico dos BZDs
permanece mesmo na presença de bloqueio do
ionóforo clorídrico. Estudos adicionais apontam para a
relevância de um mecanismo cálcio-dependente para o
efeito hipnótico.
TRATAMENTO PARA INTOXICAÇÃO
MEDICAMENTOSA
Acetilcisteína (NAC) [injetável] - Paracetamol;
Bicarbonato de sódio [injetável] - Antidepressivos
tricíclicos; salicilatos e fenobarbital (alcalinização
urinária);
Cloreto de cálcio [injetável] - Betabloqueadores,
bloqueadores de canal de cálcio;
Flumazenil [injetável] – Benzodiazepínicos;
Glucagon [injetável] - Betabloqueadores;
bloqueadores de canal de cálcio; antidepressivos
tricíclicos;
Naloxona [injetável] – Opioides;
TRATAMENTO PARA INTOXICAÇÃO POR
PARACETAMOL
Normalmente as intoxicações por paracetamol são tratadas
com a N-acetilcisteína (NAC), administrada por via
intravenosa. A via oral não é utilizada frequentemente porque
o doente intoxicado sofre, na maior parte das vezes, de
perturbações gastrointestinais, o que vai dificultar a eficácia
terapêutica da NAC.
Este antídoto é um percursor da GSH e quando administrado
promove a síntese de GSH, levando ao restabelecimento das
suas reservas, que numa situação de intoxicação por
Paracetamol estão muito diminuídas. Com as reservas de GSH
reestabelecidas, há captação dos radicais livres e ligação da
GSH ao NAPQI, transformando em metabolitos não tóxicos
como o ácido mercaptúrico, facilmente eliminados por via
renal. Por outro lado, os aminoácidos em excesso
(provenientes da NAC e que não foram necessários para a
síntese de GSH) são utilizados como substratos para a
produção de ATP, através do Ciclo de Krebs, restabelecendo os
níveis de ATP nos hepatócitos.
Foi estabelecido um protocolo, o chamado “Protocolo
de Prescott” , em que a dose de NAC administrada é
dependente do peso corporal do doente. A dose inicial
corresponde a 150 mg/kg de peso corporal em perfusão
lenta durante 15 minutos ou 1 hora, a segunda dose são
50 mg/kg de peso corporal em perfusão lenta durante 4
horas e por fim a dose final corresponde a 100 mg/kg de
peso corporal durante 16 horas.
Antes do tratamento com a NAC e também durante o
mesmo, é importante determinar a concentração sérica
do paracetamol. Quando este valor está abaixo dos 100
mg/L, o paciente não deve realizar a terapêutica com
NAC, pois não se encontra em risco. Este valor tem
gerado alguma controvérsia, diferindo em alguns países;
no entanto este é o mais aceite.
FISIOPATOLOGIA DA INTOXICAÇÃO POR PARACETAMOL
O principal metabólito tóxico do paracetamol, imina de n -
acetil- p -benzoquinona (NAPQI), é produzido no sistema
enzimático do citocromo hepático P450; a glutationa
depositada no fígado desintoxica este metabólito. Uma
superdosagem esgota o depósito hepático de glutationa.
Como resultado, NAPQI se acumula, causando necrose
hepatocelular e, possivelmente, dano a outros órgãos (p. ex.,
rins e pâncreas). Teoricamente, doenças hepáticas
decorrentes de álcool ou desnutrição aumentam o risco de
toxicidade, pois as enzimas hepáticas pré-requisitadas
aumentam a formação de NAPQI e a desnutrição (também
comum em alcoólatras) reduz o depósito de glutationa
hepática. Contudo, se o risco é de fato aumentado, isso não é
evidente. A ingestão aguda de álcool pode ser protetora, pois
as enzimas hepáticas P450 metabolizam preferencialmente o
etanol e, portanto, não produzem NAPQI tóxico.
INTOXICAÇÃO AGUDA POR PARACETAMOL
Para causar toxicidade, a superdosagem aguda precisa
ser em um total de ≥ 150 mg/kg (cerca de 7,5 g em
adultos) em 24 h.
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello
BIOTRANSFORMAÇÃO HEPÁTICA
As reações na fase I englobam a formação de um novo
grupo funcional ou modificado ou clivagem (oxidação,
redução, hidrólise); essas reações são não sintéticas.
As reações na fase II englobam a conjugação com alguma
substância endógena (p. ex., ácido glucurônico, sulfato,
glicina); essas reações são sintéticas.
Os metabólitos formados nas reações sintéticas são mais
polares e, portanto, mais prontamente excretados pelos
rins (na urina) e pelo fígado (na bile) que aqueles
formados por reações não sintéticas.
Alguns fármacos só são submetidos às reações das fases
I ou II; assim, os números de fase refletem a classificação
funcional, em vez de sequencial.
→ O sistema enzimático mais importante da fase I da
biotransformação é o citocromo P-450 (CYP450), uma
superfamília microssômica de isoenzimas que catalisam a
oxidação de muitos fármacos. Os elétrons são supridos
pela NADPH-CYP450 redutase, uma flavoproteína que
transfere elétrons da NADPH (forma reduzida do fosfato
de nicotinamida-adenina dinucleotídio) para o citocromo
P-450.
→ As enzimas do citocromo P-450 podem ser induzidas ou
inibidas por muitos fármacos e substâncias, resultando
em muitas interações entre fármacos, em que um
exacerba a toxicidade ou reduz o efeito terapêutico do
outro fármaco.
→ Com o envelhecimento, a capacidade do fígado para a
biotransformação por meio do sistema enzimático do
citocromo P-450 reduz-se em ≥ 30%, em virtude da
redução de volume e fluxo hepático. Dessa maneira,
fármacos biotransformados por esse sistema alcançam
níveis mais elevados e possuem meias-vidas prolongadas
no idoso ( Comparação da resposta farmacocinética para
diazepam em um homem jovem (A) e homem idoso (B).).Como os neonatos têm sistemas enzimáticos
microssômicos hepáticos parcialmente desenvolvidos,
eles também têm dificuldade para biotransformar muitos
fármacos.
→ A glucuronidação, a reação mais comum da fase II, é a
única que ocorre no sistema enzimático microssômico
hepático. Os glucuronídeos são secretados na bile e
eliminados na urina. Assim, a conjugação torna a maioria
dos fármacos mais solúvel e facilmente excretada pelos
rins. A conjugação com aminoácidos, como glutamina ou
glicina, produz conjugados que são prontamente
excretados na urina, mas não extensivamente secretados
na bile. O envelhecimento não afeta a glucuronidação.
Contudo, em recém-nascidos, a conversão em
glucoronídeos é lenta, resultando potencialmente em
efeitos graves (p. ex., como com o cloranfenicol).
A conjugação também pode ocorrer pela acetilação ou
sulfoconjugação. Os ésteres de sulfato são polares e
prontamente excretados na urina. O envelhecimento não
afeta esses processos.
HEPATOTOXICIDADE
Hepatopatia relacionada ao uso de drogas hipolipemiantes
tem sido definida como um dano celular (aumento das
enzimas AST e ALT) sem alterações colestáticas (aumento de
bilirrubinas e/ou fosfatase alcalina). Seis mecanismos são
propostos para a hepatopatia:
1. Reações de alta energia no citocromo P450 comprometendo
a homeostase do cálcio com a ruptura de fibrilas intracelulares
e lise de hepatócitos.
2. Disfunção de proteínas transportadoras relacionadas com o
fluxo de ácidos biliares (mecanismo proposto para a toxicidade
hepática dos fibratos).
3. Reações imunes geradas pela formação de metabólitos das
drogas hipolipemiantes formados no fígado.
4. Hepatoxicidade promovida por células T com inflamação
adicional mediada por neutrófilos.
5. Apoptose mediada por TNF e Fas (imune-mediada).
6. Estresse oxidativo gerado por dano a organelas
intracelulares.
Ainda, idade avançada, consumo excessivo de álcool, altas
doses de drogas hipolipemiantes, interação com outros
fármacos, e doença hepática ativa prévia podem aumentar a
hepatotoxidade.
Existem, basicamente seis tipos de alterações hepáticas
que podem ser induzidas pelos medicamentos e o modo
com que várias organelas intracelulares são afetadas
define o padrão da doença:
→ Reações de alta energia envolvendo as enzimas do
citocromo P-450 podem levar a alteração da homeostase
do cálcio intracelular, produzindo ruptura das fibrilas de
actina na superfície do hepatócito, culminando com a lise
celular;
→ Medicamentos que afetam proteínas de transporte na
membrana canalicular podem interromper o fluxo biliar,
por exemplo, ligando-se à proteína exportadora de sais
biliares ou inativando-a. A ruptura dos filamentos de
actina ocorre junto aos canalículos (porção especializada
da célula responsável pela excreção biliar). Esse processo
causa colestase, entretanto produz pouca agressão
celular. Este mecanismo é o mais provável na toxicidade
hepática decorrente do uso de fibratos.
https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/farmacologia-cl%C3%ADnica/farmacocin%C3%A9tica/vis%C3%A3o-geral-da-farmacocin%C3%A9tica#v1108927_pt
https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/farmacologia-cl%C3%ADnica/farmacocin%C3%A9tica/vis%C3%A3o-geral-da-farmacocin%C3%A9tica#v1108927_pt
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello
→ Os medicamentos são moléculas relativamente pequenas
e, portanto, é improvável que evoquem resposta
imunológica. Entretanto, a biotransformação que envolve
reações de alta energia, pode resultar na formação de
produtos inativos, ou seja, medicamentos
covalentemente ligados a enzimas. Estas moléculas, que
são grandes o suficiente para servir como alvos
imunológicos podem migrar para a superfície do
hepatócito aonde podem induzir a formação de
anticorpos (citotoxicidade mediada por anticorpos).
→ Induzir respostas citolíticas diretas por células T. A
resposta secundária das citocinas a esses processos pode
causar inflamação e hepatoxicidade adicional mediada
por neutrófilos;
→ A morte celular programada (apoptose) pode ocorrer pela
agressão imuno-mediada, com a destruição de
hepatócitos pelas vias do TNF e da Fas. Estas funcionam
como gatilho para a cascata de caspases, que levam à
contração das células e fragmentação da cromatina
nuclear;
→ Quando os medicamentos agridem as mitocôndrias, seja
por inativação ou ligação a enzimas respiratórias ou ao
DNA mitocondrial, desregulam a oxidação dos ácidos
graxos e a produção de energia celular. Isto resulta em
estresse oxidativo com aparecimento de metabolismo
anaeróbico, acidose lática e acúmulo de triglicérides nas
células (esteatohepatite).
→ Quanto aos hipolipemiantes, pouco ainda é conhecido
sobre quais os mecanismos que podem estar envolvidos
quando eles determinam hepatotoxicidade. Acredita-se
que, na maioria das vezes em que a agressão hepática
ocorre, existe a participação de mais de um mecanismo.
ANVISA E O CONTROLE SOBRE OS
MEDICAMENTOS
Algumas das competências da Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa) na área de medicamentos são:
▪ Registro de medicamentos;
▪ Autorização de funcionamento e inspeção dos
laboratórios farmacêuticos e demais empresas da cadeia
farmacêutica;
▪ Análise de pedidos de patentes relacionados a produtos e
processos farmacêuticos;
▪ Regulação de preços, por meio da Câmara de Regulação
do Mercado de Medicamentos (CMED).
Outras ações são compartilhadas com estados e municípios,
como a inspeção de fabricantes, o controle de qualidade dos
medicamentos e a vigilância pós-comercialização, destacando-
se a farmacovigilância e a regulação da propaganda de
medicamentos.
FARMACOVIGILÂNCIA
A Farmacovigilância é o sistema utilizado para monitorar a
segurança dos medicamentos registrados, por meio do
acompanhamento e avaliação continuada destes produtos em
uso pela população. Isto se faz necessário, pois apesar dos
medicamentos serem testados para concessão do registro em
ensaio clínicos, a segurança e efetividade deles precisam ser
avaliadas quando usados em vida real. Uma vez no mercado,
os medicamentos são utilizados por um número maior de
pessoas em diferentes condições – com outros
medicamentos, alimentos, etc; por indivíduos com idades
diversas, com comorbidades, etc – ou seja, uma realidade mais
complexa que não é possível mimetizar, nem mesmos esgotar
em pesquisas.
A Agência avalia as notificações e os documentos recebidos
para checar a balança benefício-risco dos medicamentos e,
diante dos riscos, decidir se há necessidade de medidas
sanitárias adicionais para a proteção da saúde da população.
• Quando um medicamento inovador é registrado no País,
chamamos esse medicamento de “referência”. A
eficácia, segurança e qualidade desses medicamentos são
comprovados cientificamente, no momento do registro
junto à Anvisa. Como os laboratórios farmacêuticos
investem anos em pesquisas para desenvolvê-los, têm
exclusividade sobre a comercialização da fórmula durante
o período de patente. “A patente pode durar entre 10 e
20 anos”, segundo o diretor-presidente da Anvisa, Dirceu
Barbano.
Após a expiração da patente, abre-se a porta para a produção
de medicamentos genéricos. O medicamento genérico é
Interação medicamentosa do paracetamol com
medicamentos estimuladores do sono
Tanto benzodiazepínicos como barbitúricos são
medicamentos que estimulam o sono, e a utilização do
paracetamol concomitantemente com qualquer uma
das duas classes medicamentosas irá agir de modo a
potencializar o efeito do paracetamol, ou seja, torna ele
mais forte e juntamente com isso mais tóxico ao
organismo.
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello
aquele que contém o mesmo fármaco (princípio ativo), na
mesma dose e forma farmacêutica, é administrado pela
mesma via e com a mesma indicação terapêutica do
medicamento de referência no país.
Na embalagemdos genéricos deve estar escrito
"Medicamento Genérico" dentro de uma tarja amarela. Como
os genéricos não têm marca, o que você lê na embalagem é o
princípio ativo do medicamento. O preço do medicamento
genérico é 35% menor, pois os fabricantes de medicamentos
genéricos não necessitam fazer investimentos em todas as
fases de pesquisas não clínicas e clínicas para o seu
desenvolvimento, visto que a maior parte dos estudos de
segurança e eficácia foram realizados pelos medicamentos de
referência. Outro motivo para os preços reduzidos dos
genéricos diz respeito ao marketing. Os seus fabricantes não
necessitam fazer propaganda, pois não há marca a ser
divulgada.
Similares – Além dos medicamentos de referência e os
genéricos, há a categoria dos medicamentos similares. De
acordo com a definição legal, medicamento similar é aquele
que contém o mesmo ou os mesmos princípios ativos,
apresenta mesma concentração, forma farmacêutica, via de
administração, posologia e indicação terapêutica, mas pode
diferir em características relativas ao tamanho e forma do
produto, prazo de validade, embalagem, rotulagem,
excipientes e veículo, devendo sempre ser identificado por
nome comercial ou marca.
Scanned with CamScanner
COBRAS VENENO SINTOMAS TRATAMENTO
JARARACA
(87% dos acidentes no Brasil)
Botrópico
Possui 4 grupos de atividades fisiopatológicas:
Proteolítica/Necrótica/ Inflamatória aguda: causada por
histamina, peptídeos ou proteínas, como fosfolipase A2,
esterases, proteases, enzimas liberadoras de cininas,
lectinas, etc.
Há liberação de óxido nítrico e de citocinas (IL-1, IL6, IL-8,
IFN-γ, TNF-α) e ativação do sistema complemento.
No local da picada, há necrose tecidual pela ação de
enzimas proteolíticas, principalmente as fosfolipases A2
(causa dor, edema, eritema e hemorragias). musculares.
Coagulante: se dá pela ativação de fatores da coagulação
sanguínea (fibrinogênio, protrombina e fator X),
convertendo fibrinogênio em fibrina.
A fibrina formada é instável e rapidamente degradada,
além do veneno inativar o fator XIII, resultando no
aumento do tempo de coagulação ou tornando-o
incoagulável.
• Vasculotóxica: é promovida pelas hemorraginas,
grupo de enzimas que contêm zinco em sua estrutura.
Elas rompem a integridade vascular por degradação
de vários componentes da matriz extracelular, como
o colágeno tipo 4, a fibronectina e a laminina, além de
inibirem a agregação plaquetária.
• Nefrotóxica: ação direta do veneno sobre os túbulos
renais e o endotélio vascular.
• Dor intensa, edema e hemorragia;
• Após 6 a 12 horas da picada, são
evidenciadas equimoses, bolhas e
necrose;
• Sinais sistêmicos: hemorragias em
mucosas ou subcutâneas, prostração,
inapetência, apatia, taquicardia,
taquipneia, hipertermia e melena. Em
casos graves, pode ocorrer hipotensão,
hipotermia, choque hipovolêmico,
oligúria ou anúria, sudorese, êmese;
• A recuperação poderá ser lenta;
• A morte pode ocorrer por choque
hipovolêmico, hemorragias extensas
ou insuficiência renal;
• Como sequela, pode haver extensa
necrose da pele e musculatura na
região da picada;
• É comum a contaminação bacteriana
no local da picada, com formação de
abscessos.
• Soro anti-botrópico (Cada ampola
contém 10 ml e neutraliza no mínimo 50
mg de veneno);
• Na falta deste soro, administrar
associações antibotrópicocrotálico ou
antibotrópicolaquético.
• A administração do soro heterólogo
deve ser feita o mais cedo possível, por
via EV, em solução diluída em SF ou
glicosado;
• Se o tempo de coagulação permanecer
alterado 24h após a soroterapia, está
indicada dose adicional de antiveneno;
• O local de inoculação do veneno deve
ser limpo com água e sabão;
• A elevação do membro acometido
pouco acima do resto do corpo pode
facilitar a diminuição do edema.
• Tecidos necrosados devem ser
cuidadosamente debridados e os
abscessos drenados;
• Adequada hidratação e profilaxia
contra o tétano são medidas
complementares importantes;
• O paciente deve permanecer, pelo
menos por 72h após a picada, internado
em hospital.
CASCAVEL (9%)
Crotálico
(mais fatal)
É uma mistura complexa de proteínas e polipeptídeos.
• Ação coagulante: ocorre por ação de compostos com
atividade similar à trombina, com transformação do
fibrinogênio sérico em fibrina, prolongando o tempo
de coagulação ou mesmo tornando o sangue
incoagulável.
• Além disto, foi verificado que a convulxina aumenta a
agregação plaquetária.
• Ação neurotóxica: promovida principalmente por
uma substância denominada crotoxina, uma
neurotoxina pré-sináptica. A crotoxina atua nas
terminações nervosas motoras, inibindo a liberação
de acetilcolina pelos impulsos nervosos,
provavelmente por interferência em canais iônicos.
• Dor, eritema, edema, e parestesia
local ou regional.
• Manifestações sistêmicas: mal-estar,
prostração, sudorese, náuseas,
vômitos, sonolência ou inquietação e
sensação de boca seca, que podem
aparecer precocemente.
O veneno crotálico quase não produz lesão
local, possuindo principalmente 3
atividades com importância clínica
conhecida:
• Atividade neurotóxica: com ação
periférica, causando paralisia flácida
da musculatura esquelética,
principalmente ocular (visão turva,
• Infusão do soro anticrotálico ou o soro
antibotrópico-crotálico por via EV, com
a dose variando com a gravidade do
caso, devendo-se ressaltar que a
quantidade a ser administrada na
criança é a mesma da do adulto;
É recomendado lavar a região afetada com
água e sabão, analgesia e profilaxia do
tétano, se necessário;
Os pacientes devem ser bem hidratados
para prevenir a insuficiência renal;
A alcalinização da urina e a diurese
osmótica estão indicadas nos casos que
evoluam com mioglobinúria, no intuito de
diminuir a toxicidade renal;
Assim, há bloqueio neuromuscular, resultando em
paralisias motoras e respiratórias.
• Ação miotóxica: deve ser produzida pelas toxinas
crotoxina e crotamina, produzindo ruptura de
organelas.
• Sistemicamente, são observados focos de fibras
necróticas esparsas misturadas a fibras
aparentemente normais, podendo evoluir para
miosite necrótica focal.
midríase), facial e às vezes, da
respiração, com consequente
insuficiência respiratória;
• Atividade coagulante: provocando a
ocorrência de sangramento e
distúrbios da coagulação por consumo
de fibrinogênio;
• Atividade miotóxica: causando
rabdomiólise generalizada (destruição
do músculo esquelético com
vazamento do conteúdo muscular que
é frequentemente acompanhada por
mioglobinúria), podendo evoluir para
insuficiência renal aguda, com necrose
tubular, geralmente de instalação nas
primeiras 48 horas.
SURUCUCU (3%)
Laquético
O veneno laquético apresenta atividades fisiopatológicas
semelhantes às do veneno botrópico.
• Possui atividades coagulante (do tipo trombina),
hemorrágica (metaloproteinases), inflamatória e
necrosante (proteolítica);
• É relatada uma atividade cininogenase no veneno,
que em parte poderia explicar as alterações
neurotóxicas;
• Foi isolada também uma fosfolipase A2 com atividade
miotóxica e com atividade inibidora de ativação
plaquetária;
• Possui maior atividade coagulante e menor ação
hemorrágica.
• Dor e edema, que podem progredir
para todo o membro acometido;
• Podem surgir equimose, necrose
cutânea, vesículas e bolhas de
conteúdo seroso ou sero-hemorrágico
nas primeiras horas do acidente;
• As manifestações hemorrágicas
limitam-se ao local da picada na
maioria dos casos;
• Manifestações sistêmicas: hipotensão
arterial, tonturas, escurecimento da
visão, bradicardia, cólicas abdominais e
diarréia ("síndrome vagal");
• As complicações locais descritas no
acidente botrópico, como síndrome
compartimental (acúmulo de pressão
devido a hemorragia interna ou
inchaço dos tecidos), necrose,infecção
secundária, abscesso e déficit
funcional, também podem estar
presentes nesse tipo de acidente.
• Soro antilaquético ou antibotrópico-
laquético;
Na falta dos soros específicos, o tratamento
deve ser realizado com soro antibotrópico,
apesar deste não neutralizar de maneira
eficaz a ação coagulante do veneno
laquético. As medidas gerais são as mesmas
indicadas para o acidente botrópico.
CORAIS (1%)
Elapídico
• A principal ação do veneno é neurotóxica;
• Há 2 grupos de neurotoxinas:
− Pré-sinápticas: possuem atividade fosfolipásica que
atuam nas terminações axonais impedindo a
liberação da acetilcolina na fenda sináptica da
junção neuromuscular de nervos motores.
• Os sintomas surgem precocemente,
em menos de uma hora após a picada;
• Há discreta dor local, geralmente
acompanhada de parestesia com
tendência a progressão proximal.
• Soro antielapídico;
• O tratamento geral baseia-se numa
adequada assistência ventilatória, boa
hidratação, analgesia, cuidados locais
e antibioticoterapia, se necessário;
− Pós-sinápticas: desprovidas de ação enzimática, que
se fixam competitivamente aos receptores
colinérgicos na junção neuromuscular. Assim, é
bloqueada a deflagração do potencial de ação.
• A morte ocorre por falência respiratória por paralisia
muscular. Como o veneno possui neurotoxinas de
baixo peso molecular, os sinais iniciam
precocemente;
• Outra ação do veneno é a mionecrose, provocada por
influxo de Ca++, causando hipercontração dos
microfilamentos, danos mitocondriais e ativação de
fosfolipases dependentes de Ca++.
• Manifestações sistêmicas: vômitos,
fraqueza muscular progressiva, ptose
palpebral, oftalmoplegia e a presença
de fácies miastênica ou "neurotóxica";
• Também podem surgir mialgia
localizada ou generalizada, dificuldade
para se manter na posição ereta,
dificuldade para deglutir, devido à
paralisia do véu palatino;
• A paralisia flácida da musculatura
respiratória compromete a ventilação,
podendo evoluir para insuficiência
respiratória aguda e apnéia,
semelhante ao que ocorre no acidente
crotálico.
• O acidente elapídico é considerado
muito grave, podendo causar a morte
da vítima em curto intervalo de tempo.
• Os anticolinérgicos (neostigmina), por
atuarem como antagonistas da ação
pós-sináptica, podem ser benéficos a
pacientes picados por espécies que
possuem neurotoxinas póssinápticas no
veneno.
• Cada administração de neostigmina
deve ser precedida de uma injeção
endovenosa de 0,6mg de sulfato de
atropina para se obter o aumento da
frequência cardíaca e evitar a
hipersecreção.
ARANHA VENENO SINTOMAS TRATAMENTO
MARROM
Loxosceles
• A enzima esfingomielinase-D atua
sobre os constituintes das membranas
das células, (principalmente do
endotélio vascular e hemácias),
ativando as cascatas do sistema
complemento, da coagulação e das
plaquetas, desencadeando intenso
processo inflamatório no local da
picada, acompanhado de obstrução de
pequenos vasos, edema, hemorragia e
necrose focal.
• Nas formas mais graves, acredita-se
que a ativação desses sistemas leva a
hemólise intravascular.
O quadro clínico se apresenta sob duas formas:
• Forma Cutânea: 87 a 98% dos casos. Instalação lenta e
progressiva.
− Dor inicialmente de pequena intensidade;
− Nas primeiras horas pós-picada (2-8 horas): a lesão é
geralmente incaracterística (edema leva e eritema no
local da picada);
− Posteriormente, dentro das primeiras 12-24 horas, o
local acometido pode evoluir com palidez mesclada com
áreas equimóticas (“placa marmórea”), instalada sobre
uma região endurada (empastamento doloroso,
percebido a palpação), cercado por eritema de tamanho
variável;
− vesículas e/ou bolhas sobre a área endurada;
• Forma Cutâneo-Visceral (hemolítica):1 a 13% dos casos.
− Além do comprometimento cutâneo, observam-se
anemia, icterícia e hemoglobinúria, que se instalam
geralmente nas primeiras 24 horas. Petéquias e
equimoses, relacionadas à coagulação intravascular
disseminada.
− Casos graves podem evoluir para insuficiência renal
aguda, que é a principal causa de óbito no loxoscelismo.
• Soro antiloxoscélico ou Soro
Antiaracnídico;
• A eficácia da soroterapia é reduzida
após 36 horas da inoculação do veneno.
• Tratamento Geral:
− Corticoterapia: prednisona por via oral
na dose de 40mg/dia para adultos e
1mg/Kg/ dia para crianças, por pelo
menos cinco dias.
− Para as manifestações locais:
Analgésicos (dipirona), compressas
frias, antisséptico local e limpeza da
ferida;
− Para as manifestações sistêmicas:
Transfusão de sangue ou concentrado
de hemácias quando anemia intensa,
manejo da insuficiência renal aguda.
ARMADEIRA
Phoneutria
• Peçonha de P.nigriventer causa
ativação e retardo da inativação dos
canais neuronais de sódio, que pode
provocar despolarização das fibras
musculares e terminações nervosas
sensitivas, motoras e do sistema
nervoso autônomo, favorecendo a
liberação de neurotransmissores,
principalmente acetilcolina e
catecolaminas.
• Também isolados peptídeos que
podem induzir a contração da
musculatura lisa vascular e aumentar a
permeabilidade vascular,
independentemente da ação dos
canais de sódio.
• A manifestação inicial local é de dor, com
eventualmente a presença de marcas, edema e
vermelhidão no local da picada;
• A evolução da picada é classificada em 3 tipos:
− Leve (95% dos casos): dor local, além de sudorese,
aumento do batimento cardíaco e agitação.
− Moderada: ocorre taquicardia, sudorese, vômitos,
diarreia, agitação, e aumento da PA além dos sintomas
locais.
− Grave (mais rara): ocorre principalmente nos grupos de
risco (crianças e adultos com mais de 70 anos) onde
além das manifestações locais, ocorrem vômitos,
priapismo, diarreia, diminuição da frequência cardíaca,
tremores, náuseas e edema pulmonar podendo então
levar a vítima a óbito.
• É indicado a aplicação de infiltração
local de anestésicos;
• Compressas quentes ou imersão de
água morna no local da picada auxiliam
a diminuir a dor do paciente;
• A utilização de soro antiaracnídico em
picadas de aranha armadeira é usada
apenas em pacientes com quadros
clínicos do tipo moderado e grave;
• Os primeiros socorros são padrões para
picadas de animais peçonhentos onde a
vítima deve ser hidratada com água, e o
local da picada deve permanecer
elevado;
• Não se devem realizar torniquetes,
cortes ou furos no local da lesão ou
picada.
ESCORPIÃO VENENO SINTOMAS TRATAMENTO
AMARELO
T. Serrulatus
• As toxinas escorpiônicas agem estimulando a liberação
de neurotransmissores do sistema nervoso
autônomo, observa-se alterações sobrepostas tanto
da divisão simpática como parassimpática;
• Efeitos complexos nos canais de sódio, (diminuindo
sua inativação ou impedindo sua ativação),
produzindo despolarização das terminações nervosas
pós-ganglionares, causando liberação principalmente
de acetilcolina, adrenalina e noradrenalina;
• Estes mediadores determinam o aparecimento de
manifestações clínicas em praticamente todos os
sistemas do organismo, que dependerão do
predomínio dos efeitos simpáticos ou parassimpáticos.
• Aumento de catecolaminas: midríase ↑ FC, ↑ PA
arritmias cardíacas vasoconstricção sudorese ↑ FR ↑
Glicemia ↓ Potássio;
• Liberação de acetilcolina: miose ↓ FC arritmias
cardíacas vasodilatação ↑ secreções
broncoconstricção ↑Amilase
• A intensidade dos sinais e sintomas do
escorpionismo depende da dose de veneno;
• Os sintomas aparecem geralmente após 2 ou
3 horas da picada;
• A peçonha de todos os escorpiões tem efeito
neurotóxico. Nos mais severos casos de
envenenamento humano por Tityus
Serrulatus, o edema pulmonar é um achado
freqüente e pode ser a causa de morte do
indivíduo picado;
ManifestaçõesSistêmicas:
• Gerais: hipo ou hipertermia e sudorese
profusa;
• Digestivas: náuseas, vômitos, sialorréia e,
mais raramente, dor abdominal e diarreia;
• Cardiovasculares: arritmias cardíacas, hiper
ou hipotensão arterial, insuficiência cardíaca
congestiva e choque.
• Respiratórias: taquipnéia, dispnéia e edema
pulmonar agudo;
• Neurológicas: agitação, sonolência, confusão
mental, hipertonia e tremores.
• Alívio da dor através da infiltração
de lidocaína a 2% sem
vasoconstritor;
• Aplicação de soro anti-escorpiônico
(SAEsc) ou na falta deste, soro anti-
aracnídico (SAAr).
MARROM
T. bahiensis
• Mecanismo de ação semelhante ao veneno do
escorpião amarelo, porém tem baixa toxicidade.
• Pode ocorrer dor local e manifestações de
hipersensibilidade, podendo o paciente
apresentar-se assintomático.
• Aplicação de anestésicos locais;
• Em casos mais graves deve ser
usado o soro antiescorpiônico
ou antiaracnídico.
PRETO
T. obscurus
A peçonha do T. obscurus tem demonstrado a existência de
pelo menos 102 componentes peptídicos, destes somente
18 estruturas primárias completas são conhecidas;
• Três deles são toxinas específicas para canais de K+ e
15 atuam em canais para Na+;
• Essas neurotoxinas modulam a permeabilidade de
vários canais iônicos de células excitáveis e não
excitáveis responsáveis pelos sintomas dos
envenenados, sendo que a gravidade do
envenenamento depende da quantidade de peçonha
inoculada e dos mediadores químicos liberados.
• Leves: dor e parestesia local;
• Moderados: náuseas, vômitos, sudorese e
sialorreia discreta, agitação, taquicardia e
taquipneia;
• Graves: além dos sintomas anteriores,
apresenta uma ou mais manifestações
podendo ser vômitos profusos e incoercíveis,
sudorese profusa, sialorreia intensa,
prostração, convulsão, coma, bradicardia,
insuficiência cardíaca, edema pulmonar
agudo e choque cardiogênico.
• Tratamento soroterápico e
suporte clínico o mais precoce
possível.
ARBOVIROSES AGENTE SINTOMAS DIAGNÓSTICO CONDUTA/PREVENÇÃO
DENGUE • Vírus RNA;
• Arbovírus do gênero Flavivirus,
pertencente à família
Flaviviridae;
• São conhecidos quatro
sorotipos: 1, 2, 3 e 4;
• Principal Vetor da Dengue é a
fêmea do Aedes aegypti.
• Febre: Alta de início imediato,
sempre presente;
• Dores de Cabeça: Sempre
presente;
• Dores nas articulações:
Dores moderadas e quase sempre
presentes;
• Manchas vermelhas na pele:
Pode estar presente;
• Náuseas: Sempre presente;
• Outros sintomas: Dor atrás dos
olhos, falta de paladar, moleza
e cansaço.
Deve-se suspeitar de dengue em
todo paciente que apresenta febre
com até 7 dias de duração,
acompanhada de dois ou mais dos
seguintes achados: cefaleia, dor
retro-orbitária, mialgia, artralgia,
prostração e exantema;
• O achado laboratorial mais
comum da dengue clássica é a
leucopenia (leve a moderada)
com linfocitose relativa;
• MAC-ELISA, detecta IgM
antiviral.
• Indica-se hidratação oral com
aumento da ingestão de água,
sucos, chás, soros caseiros etc.
ZYCA • Arbovírus do gênero Flavivirus,
pertencente à família
Flaviviridae;
• Principal Vetor é o Aedes
aegypti.
• Febre: É baixa e pode estar
presente;
• Dores de Cabeça: Sempre
presente;
• Dores nas articulações: Dores
leves que podem estar
presentes;
• Manchas vermelhas na pele:
Quase sempre presentes;
• Náuseas: Ausente;
• Outros sintomas: Coceira e
vermelhidão nos olhos
A sorologia é feita pela técnica MAC
ELISA, por PCR e teste rápido;
• O tratamento é feito de acordo
com os sintomas, com o uso de
analgésicos e antitérmicos;
CHIKUNGUNYA • Causada pelo vírus
Chicungunha (CHIKV);
• Transmitido por picadas do
Aedes albopictus
(principalmente em ambientes
rurais) e Aedes aegypti;
• O período de incubação do
vírus é de 2 a 7 dias, sendo que
os sintomas surgem entre 4 e 7
dias depois da picada do
mosquito.
• Febre: Alta de início imediato,
quase sempre presente;
• Dores de Cabeça: Sempre
presente;
• Dores nas articulações: Dores
intensas, sempre presentes;
• Manchas vermelhas na pele:
Quase sempre se manifesta;
• Náuseas: Sempre presente;
• Outros sintomas: Inchaço nas
articulações dos pés, mãos,
tornozelos e pulsos.
• O diagnóstico da chikungunya
inclui a confirmação
laboratorial da infecção,
baseado na sorologia, PCR em
tempo real (RTPCR) ou
isolamento viral;
• 30% dos indivíduos infectados
são assintomáticos.
• Após 7 a 10 dias a maioria das
pessoas desenvolvem
imunidade contra o vírus e os
sintomas desaparecem.
FEBRE AMARELA • Nas cidades é transmitida
principalmente por mosquitos
da espécie Aedes aegypti;
• Febre: Febre alta, sempre
presente;
• PCR, inoculação de soro
sanguíneo em culturas
celulares; ou pela sorologia.
• Analgésico é usado para a dor
e antitérmico para a febre.
• É um vírus de RNA do género
Flavivirus.
• Dores de Cabeça: Sempre
presente;
• Dores nas articulações:
Dores principalmente nas costas
• Manchas vermelhas na pele:
Ausente
• Náuseas: Pode estar presente;
• Outros sintomas: Falta de
apetite, pele e olhos amarelos
AGENTE VETOR SINTOMAS DIAGNÓSTICO TRATAMENTO
LEISHMANIOSE Protozoário
parasita Leishmania
Picada de
mosquitos-
palha
• Leishmaniose visceral: Febre prolongada; Úlceras escuras na
pele; esplenomegalia; hepatomegalia leucopenia; anemia;
hipergamaglobulinemia; tosse; dor abdominal; diarreia;
perda de peso; caquexia;
• Leishmaniose cutânea: feridas indolores no local da picada
do vetor.
• Leishmaniose mucocutânea: lesões destrutivas das mucosas
e cartilagens, desfigurando a face. Desenvolvem-se meses a
anos depois do aparecimento da lesão cutânea.
• Visualização direta do parasito
em microscópio óptico;
•
• Antimoniais:
administrados
como
tratamento de
30 dias de
injeções
intramusculares.
MALÁRIA Parasitas do gênero
Plasmodium dos
quais há quatro
espécies principais:
Plasmodium
falciparum,
Plasmodium
malariae,
Plasmodium vivax e
Plasmodium ovale.
Picada da
fêmea do
mosquito
Anopheles
Dores de cabeça, febre, calafrios, dores nas articulações,
vômitos, anemia hemolítica, hemoglobina na urina, lesões na
retina e convulsões. Calafrios, febre e sudação.
• Estes sintomas ocorrem a cada 2 dias em infecções por P.
vivax e P. ovale e a cada 3 dias em infecções por P. malariae.
• Os casos mais graves de malária são geralmente provocados
por P. falciparum.
Geralmente confirmada através de
exame microscópico de esfregaços
ou através de testes de diagnóstico
rápido (DRT) baseados na deteção de
antígenos. A microscopia é o método
mais comum na deteção do parasita.
Terapia combinada à
base de
artemisinina.
CHAGAS Protozoário
Trypanosoma cruzi
Contato
com as
fezes dos
barbeiros
(Triatoma
infestans)
• Fase aguda (que começa logo nos primeiros três meses após a
infecção) a maioria dos casos não apresenta sintomas;
• Fase crônica podem se manifestar complicações depois de
muitos anos, afetando o coração, causando arritmias e outros
transtornos, além de afetar o sistema digestivo, causando
dilatação do esôfago (que se manifesta com dificuldades para
deglutir os alimentos) e do cólon (que se manifesta por
constipação). Outros sintomas na fase crônica podem incluir:
desmaios, palpitações, dores no peito, inchaço dos membros
inferiores e dores abdominais.
• Fase aguda está caracterizado pela
visualização do parasita no exame
direto de sangue ao microscópio
(provas parasitológicas diretas);
• Fase crônica é feito usando
sorologia para detectar a
presença de anticorpos (IgG
anti-T.cruzi) como resposta do
sistema imune contra a
infecção.
O tratamento
específico pode ser
realizado
com benznidazol, e
tem uma duração
média de 60 dias.
LEPTOSPIROSE Bactéria chamada
Leptospira
Urina de
roedores
(bois,
porcos,
cavalos,
cabras,
ovelhas e
cães)
-Febre;
- Dor de cabeça;
- Dores pelo corpo, principalmente naspanturrilhas.
- Vômitos, diarreia e tosse
- Formas graves: geralmente aparece icterícia (pele e olhos
amarelados), sangramento e alterações urinárias.
- Período de incubação: pode variar de 1 a 30 dias e
normalmente ocorre entre 7 a 14 dias após a exposição a
situações de risco.
- PCR
-ELISA IgM e microaglutinação (MAT)
- Hemograma e bioquímica (ureia,
creatinina, bilirrubina total e frações,
TGO, TGP, gama-GT, fosfatase
alcalina e CPK, Na+ e K+).
Amoxicilina,
Doxiciclina ou
Ampicilina, por
exemplo, durante 5 a
7 dias;
-Analgésicos e
antitérmicos;
-Antieméticos;
AGENTE SINTOMAS DIAGNÓSTICO TRATAMENTO
FEBRE MACULOSA Causada pela bactéria do gênero
Rickettsia (Rickettsia rickettsii),
transmitida pela picada de carrapatos
do gênero Amblyomm (carrapato
estrela).
• Os equídeos, roedores, como a
capivara, e marsupiais, como o
gambá, têm importante
participação no ciclo de
transmissão da febre maculosa.
• A transmissão, geralmente, ocorre
quando o artrópode permanece
aderido ao hospedeiro por um
período de 4 a 6 horas.
• As manifestações clínicas surgem após um
período de incubação que leva em média 7
dias, podendo variar de 2 a 15 dias;
• O início dos sintomas costuma ser abruptos
inespecíficos (febre, em geral alta; cefaleia;
mialgia intensa; mal-estar generalizado;
náuseas; vômitos).
• Em geral, entre o segundo e o sexto dia
sintomático da doença surge o exantema
máculo-papular, de evolução centrípeta e
predomínio nos membros inferiores,
podendo acometer região palmar e plantar
em 50 a 80% dos pacientes com esta
manifestação.
• Reação de
imunofluorescência indireta:
Método sorológico mais
utilizado para o diagnóstico
das riquetsioses;
• Hemograma: A anemia e a
plaquetopenia são achados
comuns e auxiliam na
suspeita diagnóstica. Os
leucócitos podem apresentar
desvio à esquerda;
• PCR.
• Antibiótico doxiciclina;
• Na impossibilidade de
utilização da doxiciclina, oral
ou injetável, preconiza-se o
cloranfenicol como droga
alternativa;
• Não é recomendada a
antibioticoterapia profilática
para indivíduos assintomáticos
que tenham sido
recentemente picados por
carrapatos, uma vez que pode
prolongar o período de
incubação da doença.
LYME Causada pela bactéria espiroqueta
Borrelia burgdoferi, transmitida pela
saliva de carrapatos do gênero Ixodes
e Amblyomma (carrapato estrela);
• A principal e primeira manifestação é o
eritema migratório, que aparece no local
da picada - A lesão se inicia, em média, 3 a
30 dias após a picada; este estágio 1 vem
acompanhado de sintomas semelhantes ao
da gripe, como cefaleia, febre, mialgia,
fadiga e artralgia;
• Os sistemas mais acometidos são:
neurológico, cardíaco e, ocasionalmente,
ocular;
• As principais manifestações de SNC são
acometimento de condução nervosa, perda
de reflexo, parestesia, neuropatia craniana,
radiculopatia, meningite, cefaleia, fadiga e
mudanças comportamentais.
• O diagnóstico é feito por
meio da associação dos
sintomas clínicos, dados
epidemiológicos (áreas de
maior endemicidade) e
testes laboratoriais.
• Os exames laboratoriais mais
utilizados são ELISA, e
Pesquisa de Anticorpos por
Imunofluorescência Indireta.
• O medicamento de primeira
escolha é doxiciclina, seguido
por cefuroxima, amoxicilina
com probenecida e
macrolídeos.
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello
TIPOS DE POLUIÇÃO AMBIENTAL
A OMS estima que, anualmente, mais de 2 milhões de pessoas
em todo mundo corram o risco de morte devido a problemas
respiratórios causados pela poluição. No Brasil, as principais
fontes de poluição estão divididas em três setores:
• FIXAS: indústrias de transformação, de mineração e de
produção de energia através de usinas termoelétricas;
• MÓVEIS: veículos automotores - Estão ligados às
emissões resultantes da combustão;
• AGROSSILVIPASTORIS: são relacionados às queimadas,
incêndios florestais, pulverização de fertilizantes e
agrotóxicos.
Principais geradores de poluição -> queima de combustíveis
fósseis derivados de petróleo e carvão mineral -> CO e CO2
PRINCIPAIS POLUENTES E CONSEQUÊNCIAS
PARA SAÚDE HUMANA
MONÓXIDO DE CARBONO (CO)
• O monóxido de carbono é liberado no ambiente por
fontes naturais (atividade vulcânica, descargas elétricas e
emissão de gás natural) e como produto da combustão
incompleta de combustíveis fósseis, sistemas de
aquecimento, usinas termelétricas a carvão, queima de
biomassa e tabaco;
• Outras fontes incluem a oxidação fotoquímica de
compostos orgânicos voláteis na atmosfera ou na
superfície de corpos de água;
• A atmosfera é o compartimento principal de dispersão
enquanto que as águas superficiais encontram-se
saturadas do gás. Na atmosfera o composto pode sofrer
oxidação por radicais livres formando dióxido de
carbono. Na água e no solo existem microrganismos
capazes de utilizar o composto como fonte de energia.
Consequências para a saúde
• Uma vez inalado o gás é rapidamente absorvido nos
pulmões e em circulação liga-se de maneira estável com
a hemoglobina, impedindo o transporte do oxigênio e
causando hipóxia tecidual.
• O CO rapidamente atravessa as membranas alveolar,
capilar e placentária. Entre 80-90% do CO absorvido liga-
se a hemoglobina formando carboxiemoglobina (COHb);
A afinidade da hemoglobina para o monóxido de carbono
é de 200-250 vezes maior que o oxigênio;
Este gás tóxico é incolor, inodoro, insípido e de início não
irritante, sendo por isso muito difícil às pessoas
detectarem a sua presença.
Não têm sido observados efeitos na saúde humana para níveis
de COHb inferiores a 2%. Níveis superiores 40% podem ser
fatais por asfixia. Em níveis de COHb de 2,5% resultantes de
exposições de aproximadamente 9 minutos a cerca de 50 ppm
de CO, há alteração no intervalo de discriminação;
aproximadamente 5% de COHb, há alteração de outras
capacidades psicomotoras. Alterações cardiovasculares
também podem ser observadas em exposições suficientes
para gerar COHb em níveis excedentes a 5%.
DIÓXIDO DE ENXOFRE (SO2)
• O dióxido de enxofre (SO2) é um gás incolor com forte
odor pungente;
• É muito irritante quando em contato com superfícies
úmidas, pois se transforma em trióxido de enxofre (SO3)
e passa rapidamente a ácido sulfúrico (H2 SO4).
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello
• É usado como agente redutor na metalurgia,
desinfetante e branqueador, na conservação de
alimentos e vinhos, em fumigação, entre outros usos.
• É liberado para a atmosfera principalmente em atividades
industriais que processam materiais contendo enxofre,
como termelétricas, fabricação de fertilizantes, fundição
de alumínio e aço, produção de ácido sulfúrico e papel;
• O SO2 está também presente na emissão veicular como
resultado da queima de combustíveis fósseis;
• O SO2 presente na atmosfera pode levar a formação de
chuva ácida e é precursor dos sulfatos, um dos principais
componentes das partículas inaláveis.
Consequências para a saúde
• A principal via de exposição da população geral ao
dióxido de enxofre é a inalatória;
• Dificuldade respiratória, alteração na defesa dos
pulmões, agravamento de doenças respiratórias e
cardiovasculares;
• O composto irrita o nariz, garganta e pulmões causando
tosse, falta de ar, chiado no peito, catarro e crises de
asma;
• Os óxidos de enxofre (SOx) podem reagir com outros
compostos presentes na atmosfera, formando
pequenas partículas que penetram profundamente em
partes sensíveis dos pulmões, e causar ou agravar
doenças respiratórias, como enfisema e bronquite, e
podem agravar doença do coração preexistente,
levando a internação e morte prematura;
MATERIAL PARTICULADO
• Material particulado é conhecido como uma mistura
complexa de partículas sólidas e líquidas em suspensão
no ar, emitidas por processos naturais ou antropogênicos
ou mesma aquelas formadas na atmosfera, formando
assim, os aerossóisatmosféricos.
• O material particulado em suspensão apresenta em sua
composição inúmeros compostos ou espécies químicas
diferentes, tais como íons SO4-, HSO4-, NO3-, NH4+ e H+,
fuligem, compostos orgânicos, cinzas, partículas do solo,
pólen e uma variedade de metais sob a forma de metais
traço como, por exemplo, Pb, Hg, V, Cd, Cr, etc, e
elementos da crosta tais como Fe, Ca, Si e Al.
• As partículas atmosféricas são discriminadas entre si,
principalmente, pelo seu diâmetro aerodinâmico. Assim,
diferenciam-se as em quatros classes, a saber: partículas
grossas (< 2,5 - 10μm), partículas finas (0,1-2,5μm),
partículas ultrafinas (0,01 - 0,1μm) e nanopartículas (<
0,01μm).
Consequências para a saúde
• O potencial em provocar efeitos adversos à saúde humana
está diretamente relacionado ao tamanho da partícula.
Assim quanto menor o tamanho da partícula, mais
profundamente ocorrerá à deposição no sistema
respiratório e consequentemente maior o impacto sobre
a saúde;
• Os sistemas principalmente afetados são os sistemas
cardiovascular e respiratório;
• A fração inalável é constituída por partículas com Da < 10
μm, que se depositam principalmente no trato
respiratório superior. A fração torácica inclui partículas
com Da < 2,5 μm, que penetram além da laringe.
Finalmente, a fração respirável, com Da < 1 μm, é capaz
de alcançar os alvéolos pulmonares.
ÁCIDO SULFÍDRICO (H2S)
• O sulfeto de hidrogênio (H2S) é um gás incolor com de
cheiro desagradável;
• Na natureza é proveniente dos campos de petróleo e gás
natural, das águas subterrâneas, das zonas pantanosas,
das jazidas de sal, de carvão, de minérios sulfetados e na
emissão de vulcões, ou seja, é originário de processos
geológicos baseados em diversos mecanismos físico-
químicos ou microbiológicos.
• Nos segmentos industriais a procedência do H2S é
conhecida, geralmente, é oriunda de processos de
remoção química e/ou de lavagens de gases ácidos, de
sistemas de tratamento de efluentes, de fermentações,
de decapagens ácidas, etc.
Consequências para a saúde
• O sulfeto de hidrogênio devido a sua toxidez é capaz de
irritar os olhos e/ou atuar no sistema nervoso e
respiratório dos seres humanos;
• Ao respirar, o H2S penetra os pulmões e alcança a
corrente sanguínea; rapidamente o sistema de proteção
oxida o H2S, transformando-o em um produto
praticamente inócuo na corrente sanguínea. Porém, pode
reagir com enzimas essenciais que contêm elementos
metálicos, como o cobre, zinco e o ferro formando
sulfetos metálicos, e, consequentemente, acarretando a
perda de sensibilidade vital. À medida que a concentração
de H2S aumenta rapidamente, o organismo não consegue
oxidá-lo totalmente, e então, o excesso de H2S age no
centro nervoso do cérebro que comanda a respiração,
resultando na paralisação do sistema respiratório. Os
pulmões param de trabalhar e a pessoa se asfixia e acaba
morrendo.
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello
LEGISLAÇÕES DE CONTROLE
VIGIAGUA
Instrumento de implementação das ações de vigilância da
qualidade da água para consumo humano. O Programa
Nacional de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo
Humano - Vigiagua, consiste no conjunto de ações adotadas
continuamente pelas autoridades de saúde pública para
garantir à população o acesso à água em quantidade suficiente
e qualidade compatível com o padrão de potabilidade,
estabelecido na legislação vigente, como parte integrante das
ações de promoção da saúde e prevenção dos agravos
transmitidos pela água.
VIGIPEQ
A Vigilância em saúde de populações expostas a
contaminantes químicos – VIGIPEQ tem como objetivo o
desenvolvimento de ações de vigilância em saúde de forma a
adotar medidas de promoção, prevenção contra doenças e
agravos e atenção integral à saúde das populações expostas a
contaminantes químicos. Esta área trabalha com os
contaminantes químicos que interferem na saúde humana e
nas inter-relações entre o homem e o ambiente, buscando
articular ações de saúde integradas – prevenção, promoção,
vigilância e assistência à saúde de populações expostas a
contaminantes químicos.
VIGIAR
A poluição atmosférica deixou de ser uma característica
associada exclusivamente às grandes metrópoles ou pólos
industriais. Seus impactos também podem ser identificados
em situações de queima de biomassa, de atividades de
mineração e de uso de técnicas de pulverização de
agrotóxicos, dentre outras. Diante disso, o Ministério da Saúde
estruturou a partir de 2001 a Vigilância em Saúde de
Populações Expostas à Poluição Atmosférica – Vigiar. Seu
objetivo é desenvolver ações de vigilância para populações
expostas a poluentes atmosféricos, de forma a recomendar e
instituir medidas de prevenção, de promoção da saúde e de
atenção integral, conforme preconizado pelo Sistema Único de
Saúde (SUS). Seu campo de atuação prioriza as regiões onde
existam diferentes atividades de natureza econômica ou social
que gerem poluição atmosférica de modo a caracterizar um
fator de risco para as populações expostas.
• O Brasil tem seguindo as determinações da Environmental
Protection Agency (EPA/ USA) e da Organização Mundial
de Saúde (OMS), na busca do controle da poluição do ar,
desde 1976 - O controle das emissões e da concentração
de poluentes no ar foram ambos regulamentados pelo
Conselho Nacional do Meio Ambiente, sob a forma das
Resoluções CONAMA - A Resolução CONAMA n° 005/ 89,
datada de 15/ 06/ 1989, instituiu o Programa Nacional de
Controle da Qualidade do Ar PRONAR, como um dos
instrumentos básicos de gestão ambiental para a
proteção da saúde e bem estar das populações melhoria
da qualidade de vida.
MEDIDAS DE RECUPERAÇÃO DO MEIO
AMBIENTE
Planos que levem em conta quais são as fontes primárias e
secundárias que levam ao estado de poluição e degradação do
meio ambiente. A partir dessa análise se torna possível
começar a pensar no surgimento de nova vegetação e vida na
região afetada.
Os planos devem considerar a necessidade de diminuir
consideravelmente a poluição emitida pelas fontes de
emissoras primárias, mas também pensar em como resolver
num futuro próximo os problemas e impactos causados pelas
fontes secundárias de poluição.
Para tentar recuperar em parte a qualidade do ar e também
da região como um todo é muito importante que haja um
plano de reflorestamento para essa região.
Em alguns casos não há como fazer uma Restauração
Ambiental (reflorestar com a vegetação original) porque as
condições do solo já não são as mesmas e pode não dar muito
certo. Porém, ainda assim é de extrema importância que haja
o plantio de novas árvores mesmo que de outros gêneros e
espécies.
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello
PRINCIPAIS TIPOS DE RESÍDUOS HOSPITALARES
RESÍDUO BIOLÓGICO
Os resíduos com risco biológico são resultantes da assistência
e da pesquisa, normalmente associados a resíduos que
tiveram contato com sangue, secreções (em sua forma livre),
fluidos corporais (cefalorraquidiano, pericárdio, pleural,
articular, ascítico e aminiótico) e com possível presença de
agentes biológicos que, por suas características, podem
apresentar risco de infecção.
Atualmente, as seguintes categorias de resíduos são
consideradas resíduos biológicos:
• Resíduo medicinal: envolve todo o resíduo
continuamente gerado em diagnóstico, em tratamento ou
na imunização de seres humanos ou de animais, em
pesquisa e na produção de testes dos biológicos;
• Resíduos de laboratórios biológicos ou que trabalhem
com substâncias controladas: aqueles cujas pesquisas
envolvem moléculas de DNA recombinante ou outras
atividades reguladas pela Comissão Técnica Nacional de
Biossegurança;
• Resíduo patológico (por exemplo, carcaças animais): Os
resíduos desse grupo são classificados pela Anvisa como
pertencentes ao Grupo A.1
Dentre os resíduos biológicos, incluem-setambém
resíduos de outras correntes (químicos e radioativos) que
possam conter contaminantes que apresentem riscos de
infecção.
SEGREGAÇÃO
Tipo A1
• Culturas e estoques de micro-organismos; resíduos de
fabricação de produtos biológicos, exceto os
hemoderivados; descarte de vacinas de micro-organismos
vivos ou atenuados; meios de cultura e instrumentais
utilizados para transferência, inoculação ou mistura de
culturas; resíduos de laboratórios de manipulação
genética.
• Bolsas transfusionais contendo sangue ou
hemocomponentes rejeitadas por contaminação ou por
má conservação, ou com prazo de validade vencido, e
aquelas oriundas de coleta incompleta.
• Sobras de amostras de laboratório contendo sangue ou
líquidos corpóreos, recipientes e materiais resultantes do
processo de assistência à saúde, contendo sangue ou
líquidos corpóreos na forma livre.
Tipo A2
• Carcaças, peças anatômicas, vísceras e outros resíduos
provenientes de animais submetidos a processos de
experimentação com inoculação de micro-organismos,
bem como suas forrações, e os cadáveres de animais
suspeitos de serem portadores de microrganismos de
relevância epidemiológica e com risco de disseminação,
que foram submetidos ou não a estudo
anatomopatológico ou confirmação diagnóstica.
Tipo A3
• Peças anatômicas humanas; produto de fecundação sem
sinais vitais, com peso menor que 500 gramas ou estatura
menor que 25 centímetros ou idade gestacional menor
que 20 semanas, que não tenham valor científico ou legal
e não tenha havido requisição por pacientes ou familiares.
Tipo A4
• Kits de linhas arteriais, endovenosas e dialisadores,
quando descartados.
• Filtros de ar e gases aspirados de área contaminada;
membrana filtrante de equipamento médico-hospitalar e
de pesquisa, entre outros similares.
• Sobras de amostras de laboratório e seus recipientes
contendo fezes, urina e secreções, provenientes de
pacientes que não contenham e nem sejam suspeitos de
conter agentes Classe de Risco 4, e nem apresentem
relevância epidemiológica e risco de disseminação.
• Resíduos de tecido adiposo proveniente de lipoaspiração,
lipoescultura ou outro procedimento de cirurgia plástica
que gere esse tipo de resíduo.
• Recipientes e materiais resultantes do processo de
assistência à saúde, que não contenham sangue ou
líquidos corpóreos na forma livre.
• Peças anatômicas (órgãos e tecidos) e outros resíduos
provenientes de procedimentos cirúrgicos ou de estudos
anatomopatológicos ou de confirmação diagnóstica.
• Bolsas transfusionais vazias ou com residual pós-
transfusão.
Tipo A5
• Órgãos, tecidos, fluidos orgânicos, materiais
perfurocortantes e demais materiais resultantes da
atenção à saúde de indivíduos.
MANEJO:
Todos os resíduos devem ser acondicionados visando prevenir
e proteger sua liberação nas etapas subsequentes.
Os resíduos que serão destinados à incineração (A.1, A.2,
A.3 e A.5) deverão ser acondicionados em sacos brancos
leitosos, contendo em uma de suas faces o símbolo
internacional de “SUBSTÂNCIA INFECTANTE”; Deverão ser
descartados em recipiente adequado ao funcionamento
do equipamento incinerador utilizado, confeccionadas de
acordo com as normas vigentes.
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello
Os resíduos perfurocortantes (A4) deverão ser
descartados em recipientes que atendam aos padrões
estabelecidos pela NBR 13.853 da ABNT e IPT-NEA-55.
• O manuseio desses materiais deve ser efetuado por
pessoal treinado e devidamente paramentado com
equipamentos de proteção individual indicados:
→ Gorro (de cor branca, para proteger os cabelos).
→ Óculos (lente panorâmica, incolor e de plástico resistente,
com armação em plástico flexível, proteção lateral e
válvulas para ventilação).
→ Máscara (para impedir a inalação de partículas e
aerossóis, do tipo semifacial).
→ Uniforme (calça comprida e camisa manga três quartos,
de material resistente e cor clara).
→ Luvas (de material impermeável, resistente, tipo PVC,
antiderrapante e de cano longo).
→ Botas (de material impermeável, resistente, tipo PVC, de
solado antiderrapante, cor clara, e de cano três quartos).
→ Avental (PVC, impermeável e de comprimento médio, na
altura dos joelhos).
• A coleta deve ser efetuada diariamente e em intervalos
regulares, de forma a atender à demanda e evitar
acúmulo de resíduos nos locais de produção. A
transferência dos resíduos das salas de armazenamento
interno para os abrigos externos também deverá ser
diária.
• O transporte interno dos resíduos de serviços de saúde
deverá ser realizado em rota específica e planejada, de tal
forma que evite a circulação em meio a cozinhas, UTI,
berçários, centros cirúrgicos, lavanderias etc., evitando-se
coincidência com fluxos de roupa limpa, medicamentos,
alimentos e outros materiais e locais onde ocorra grandes
concentrações de pessoas, especialmente em elevadores,
salas de espera e outros ambientes fechados. Não
deverão ser transportados manualmente recipientes de
capacidade superior a 20 litros. Os recipientes de maior
capacidade deverão ser transportados em carrinhos
especiais que atendam às especificações da ABNT – NBR.
Periodicamente, esses carrinhos de transporte deverão
passar por lavação e higienização completa, em local
apropriado, de preferência onde estiver localizado o
ponto de água para limpeza do abrigo externo. O efluente
deve ser canalizado para o sistema de tratamento de
esgotos do estabelecimento de saúde.
DESCARTE:
• Os métodos mais comuns de pré-tratamento são
autoclavação e a desinfecção química; já para destinação
final, a incineração é largamente empregada.
• Na autoclavação, a descontaminação se dá quando o
resíduo é exposto a altas temperaturas mediante contato
com vapor de água, durante um período de tempo
suficiente para destruir todos os agentes patogênicos.
• Já incineração é um processo indicado para os resíduos
que não podem ser reciclados, reutilizados ou dispostos
em aterros sanitários. Nesse processo de oxidação a
elevadas temperaturas, é possível reduzir
significativamente, em volume e em peso, a matéria
orgânica submetida a esse tratamento.
RESÍDUOS QUÍMICOS
• Substâncias e produtos químicos rejeitados (vencidos ou
em desuso);
• Resíduos provenientes de aulas práticas ou projetos de
pesquisa.
Algumas substâncias químicas e misturas de produtos
químicos são considerados resíduos perigosos pela Agência de
Proteção Ambiental norte-americana (Environmental Protect
Agency – EPA). Mesmo que um resíduo químico não se
encontre entre os citados pela EPA, mas possua uma ou mais
das seguintes características: ignitividade, corrosividade,
reatividade ou toxicidade, deve ser considerado resíduo
perigoso. Esse grupo de resíduos deve ser separado de acordo
com as categorias a que pertençam:
• Resíduos inorgânicos;
• Resíduos orgânicos.
Resíduos inorgânicos:
• Soluções aquosas de metais pesados;
• Ácidos e/ou soluções ácidas;
• Bases e/ou soluções básicas;
• Sulfetos;
• Cianetos;
• Mercúrio metálico (recuperação);
• Sais de prata (recuperação);
• Metais pesados.
Acondicionamento
− Cada tipo de resíduo deve ser acondicionado em um
frasco devidamente rotulado;
− Podem ser usados frascos de vidro ou polietileno, desde
que não haja incompatibilidade com o resíduo a ser
armazenado;
− Não se deve colocar produtos químicos corrosivos ou
reativos em recipientes metálicos.
Manejo e descarte
− Resíduos inorgânicos ácidos e suas soluções aquosas:
diluir com água, neutralizar com bases diluídas (para pH
entre 6 - 8) e descartar na rede coletora de esgoto em
água corrente;
− Resíduos inorgânicos básicos e suas soluções aquosas:
diluir com água, neutralizar com ácidos diluídos (para pH
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello
entre 6 - 8)e descartar na rede coletora de esgoto em
água corrente;
− Resíduos inorgânicos neutros e suas soluções aquosas:
diluir com água e descartar na rede coletora de esgoto em
água corrente. Concentração máxima permitida até 0,1g
ou 0,1mL/3 mL de água e com baixa toxicidade, não deve
exceder 100 g ou 100 mL/dia/ponto;
− Resíduos inorgânicos insolúveis em água: • com risco de
contaminação ambiental – armazenar em frascos
etiquetados para posterior recolhimento. • Sem risco de
contaminação ambiental – coletar em saco plástico e
descartar como lixo comum;
− Soluções contendo metal pesado. Devem ser
armazenados em bombonas após terem sido precipitados
na forma de hidróxido por solução de cal ou hidróxido de
sódio comercial. Observando a faixa de pH indicada para
precipitação de cada cátion.
Resíduos orgânicos
• Solventes orgânicos não-halogenados;
• Solventes orgânicos com mais que 5% de água;
• Solventes orgânicos com menos que 5% de água;
• Soluções de material orgânico biodegradável;
• Soluções aquosas contendo substâncias orgânicas;
• Soluções de corantes;
• Soluções de substâncias carcinogênicas, mutagênicas,
teratogênicas ou que apresente toxicidade conhecida;
• Pesticidas (descrever a classe a que pertencem:
organoclorados, organofosforados, etc);
Acondicionamento
− Devem ser seguidas as mesmas orientações descritas no
acondicionamento de resíduos inorgânicos.
Manejo e descarte
− Resíduos orgânicos ácidos e suas soluções aquosas que
não apresente toxicidade: diluir com água, neutralizar
com ácidos diluídos e descartar na rede coletora de
esgoto em água corrente.
− Resíduos orgânicos básicos e suas soluções aquosas que
não apresente toxicidade: diluir com água, neutralizar
com ácidos diluídos e descartar na rede coletora de
esgoto em água corrente.
− Resíduos orgânicos neutros e suas soluções aquosas que
não apresentem toxicidade: diluir com água e descartar
na rede coletora de esgoto em água corrente.
− Resíduos orgânicos sólidos insolúveis em água • Com risco
de contaminação ao meio ambiente – armazenar em
frascos etiquetados e para posterior recolhimento. • Sem
risco de contaminação ao meio ambiente – filtrar e
descartar em lixo comum.
RESÍDUOS RADIOATIVOS
Esse grupo é classificado como resíduo de baixo ou de alto
nível de radioatividade. O resíduo de baixo nível é típico
daquele encontrado em instituições médicas e de pesquisa
(tais como a Unesp) enquanto o resíduo de alto nível típico é
aquele gerado em reatores nucleares.
Resíduos radioativos líquidos:
• Solvente aquoso;
• Solvente orgânico;
Resíduos radioativos sólidos:
• Rejeito radioativo em geral: frascos, ponteiras para
pipeta, microplacas, luvas, papel toalha, membranas de
nitrocelulose, géis radioativos;
• Frasco original do radionuclídeo;
• Rejeito radioativo biológico: animais, sangue etc.
• Resíduos radioativos gasosos. Os rejeitos gasosos
constituem-se de radionuclídeos gasosos ou subprodutos
de outros rejeitos.
A separação dos rejeitos deve ser feita no mesmo local em que
esses forem produzidos, levando-se em conta as seguintes
características:
− Estado físico;
− Tipo de radionuclídeo – seu tempo de meia vida;
− Compactáveis ou não-compactáveis;
− Orgânicos ou inorgânicos;
− Putrescíveis ou patogênicos, se for o caso;
− Outras características perigosas (explosividade,
combustibilidade, inflamabilidade, piroforicidade,
corrosividade e toxicidade química).
Acondicionamento
No ambiente produtor do rejeito radioativo a sequência de
armazenagem é a seguinte (CNEN, 2014):
• Seleção dos recipientes ou embalagens apropriados para
cada tipo de rejeito;
• Identificação, conforme o radioisótopo, colocando o
símbolo internacional da radiação;
• Fechamento, selagem e etiquetamento das embalagens
quando estiverem com dois terços de sua capacidade;
• Transferência para o local de armazenagem, que deve ser
blindado;
• Medição da taxa de contaminação que pode chegar às
proximidades;
• Cálculo do tempo de decaimento dos radioisótopos
presentes no material, considerando-se a meia vida de
cada elemento radioativo;
• Decorrido esse tempo, nova medição da radioatividade do
rejeito e, se estiver apto para eliminação, remoção dos
sinais de indicação de atividade radioativa e dando-lhe o
destino comum do lixo gerado pelo hospital.
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello
Descarte
• Os rejeitos sólidos até 106 Bq/kg 1 podem ser eliminados
no lixo urbano, seguidas as medidas gerais de limites
máximos de contaminação em áreas livres, estabelecidas
pela CNEN;
• Para eliminação na rede de esgotos, os rejeitos líquidos
devem estar solúveis ou serem de fácil dispersão em água,
considerando-se o valor máximo conforme o radioisótopo
contido no material e não excedendo 9,3 Bq/m3
anualmente. Os rejeitos gasosos não podem exceder
5,6x103 Bq/m3.
PRINCIPAIS RISCOS PARA OS PROFISSIONAIS DA
SAÚDE
O Ministério do Trabalho (MT) classifica os riscos ocupacionais
de acordo com sua natureza: física, química, biológica,
ergonômica ou acidental. Assim, eles podem ser operacionais
(riscos para acidente), comportamentais ou ambientais
(físicos, químicos ou biológicos, ergonômicos).
NORMAS REGULAMENTADORAS
As Normas Regulamentadoras - NR, relativas à segurança e
medicina do trabalho, são de observância obrigatória pelas
empresas privadas e públicas e pelos órgãos públicos da
administração direta e indireta, bem como pelos órgãos dos
Poderes Legislativo e Judiciário, que possuam empregados
regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho - CLT.
• NR 32 - Segurança e Saúde no Trabalho em
Estabelecimentos de Saúde.
− Ela recomenda para cada situação de risco a adoção de
medidas preventivas e a capacitação dos trabalhadores
para o trabalho seguro.
• A NR-32 dispõe que a responsabilidade é solidária (ou
seja, compartilhada) entre contratantes e contratados
quanto ao cumprimento desta NR, o que significa que ela
deve ser observada também para os trabalhadores das
empresas contratadas inclusive cooperados. Importante
para a sua efetiva aplicação, é a consciência e participação
dos trabalhadores, através das Comissões Institucionais
de caráter legal e técnico, entre as quais, a CIPA -
Comissão Interna de Prevenção de Acidentes
(instituições privadas); COMSAT’S (instituições públicas),
SESMT (Serviço Especializado em Engenharia e Segurança
do Trabalho) e a CCIH (Comissão de Controle e Infecção
Hospitalar), além dos eventos específicos, como as
Semanas Internas de Prevenção de Acidentes de Trabalho
– SIPAT’s; Programa de Controle Médico de Saúde
Ocupacional (PCMSO): responsável pelo monitoramento
de exames médicos admissionais, demissionais,
periódicos, de retorno ao trabalho e de mudança de
função. Dessa forma, o PCMSO detecta riscos
profissionais e estabelece diagnósticos precoces evitando
danos que poderiam ser irreversíveis à saúde do
trabalhador.
− A NR-32 abrange as situações de exposição à riscos
para a saúde do profissional, à saber: dos riscos biológicos;
dos riscos químicos; da radiação ionizante.
− A NR-32 abrange ainda a questão da obrigatoriedade
da vacinação do profissional de enfermagem (tétano,
hepatite e o que mais estiver contido no PCMSO, com
reforços pertinentes, conforme recomendação do
Ministério da Saúde, devidamente registrada em
prontuário funcional com comprovante ao trabalhador;
− A NR-32 determina (em seus artigos normatizadores),
que: 3.2.4.4 Os trabalhadores com feridas ou lesões nos
membros superiores só podem iniciar suas atividades
após avaliação médica obrigatória com emissão de
documento de liberação para o trabalho. 32.2.4.5;
− O empregador deve vedar: a utilização de pias de
trabalho para fins diversos dos previstos; o ato de fumar,
o uso de adornos e o manuseio de lentes de contato nos
postosde trabalho; o consumo de alimentos e bebidas nos
postos de trabalho; a guarda de alimentos em locais não
destinados para este fim; o uso de calçados abertos.
32.2.4.6
− Todos os trabalhadores com possibilidade de exposição a
agentes biológicos devem utilizar vestimenta de trabalho
adequada e em condições de conforto. 32.2.4.6.1
− A vestimenta deve ser fornecida sem ônus para o
empregado. 32.2.4.6.2 Os trabalhadores não devem
deixar o local de trabalho com os equipamentos de
proteção individual e as vestimentas utilizadas em suas
atividades laborais. 32.2.4.6.3 O empregador deve
providenciar locais apropriados para fornecimento de
vestimentas limpas e para deposição das usadas.
32.2.4.6.4 A higienização das vestimentas utilizadas nos
http://www.guiatrabalhista.com.br/clt.htm
TOXICOLOGIA – Lidiely Mello
centros cirúrgicos e obstétricos, serviços de tratamento
intensivo, unidades de pacientes com doenças infecto-
contagiosas e quando houver contato direto da
vestimenta com material orgânico, deve ser de
responsabilidade do empregador. 32.2.4.7 Os
Equipamentos de Proteção Individual – EPI, descartáveis
ou não, deverão estar à disposição em número suficiente
nos postos de trabalho, de forma que seja garantido o
imediato fornecimento ou reposição.
− Com relação aos quimioterápicos antineoplásicos é
vedado: iniciar qualquer atividade na falta de EPI; dar
continuidade às atividades de manipulação quando
ocorrer qualquer interrupção do funcionamento da
cabine de segurança biológica.
• Nas áreas de preparação, armazenamento e
administração e para o transporte, deve ser mantido um
“kit” de derramamento identificado e disponível, que
deve conter no mínimo: luvas de procedimento, avental
impermeável, compressas absorventes, proteção
respiratória, proteção ocular, sabão, recipiente
identificado para recolhimento de resíduos e descrição do
procedimento.
− A sala de raios X deve dispor de: sinalização visível na face
exterior das portas de acesso, contendo o símbolo
internacional de radiação ionizante, acompanhado das
inscrições: “raios X, entrada restrita” ou “raios X, entrada
proibida a pessoas não autorizadas”.
❖ A diminuição ou eliminação dos agravos a saúde do
trabalhador está relacionada a sua capacidade de
entender a importância dos cuidados e medidas de
proteção que devem tomar no trabalho;
❖ O empregador deve assegurar capacitação aos
trabalhadores, antes do início das atividades e de forma
continuada, devendo ser ministrada: sempre que ocorra
uma mudança das condições de exposição dos
trabalhadores aos agentes biológicos; durante a jornada
de trabalho; por profissionais de saúde familiarizados
com os riscos inerentes aos agentes biológicos.
32.2.4.9.1 A capacitação deve ser adaptada à evolução
do conhecimento e à identificação de novos riscos
biológicos e deve incluir: os dados disponíveis sobre
riscos potenciais para a saúde; medidas de controle que
minimizem a exposição aos agentes; normas e
procedimentos de higiene; utilização de equipamentos
de proteção coletiva, individual e vestimentas de
trabalho; medidas para a prevenção de acidentes e
incidentes; medidas a serem adotadas pelos
trabalhadores no caso de ocorrência de incidentes e
acidentes.
❖ O empregador deve comprovar para a inspeção do
trabalho a realização da capacitação por meio de
documentos que informem a data, o horário, a carga
horária, o conteúdo ministrado, o nome e a formação ou
capacitação profissional do instrutor e dos
trabalhadores envolvidos. 32.2.4.10 Em todo local onde
exista a possibilidade de exposição a agentes biológicos,
devem ser fornecidas aos trabalhadores instruções
escritas, em linguagem acessível, das rotinas realizadas
no local de trabalho e medidas de prevenção de
acidentes e de doenças relacionadas ao trabalho.
32.2.4.10.1 As instruções devem ser entregues ao
trabalhador, mediante recibo, devendo este ficar à
disposição da inspeção do trabalho.
• Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA): O
PPRA também está relacionado à saúde e à integridade do
trabalhador. O programa reconhece e avalia a existência
de riscos ambientais no ambiente de trabalho, devendo
considerar, igualmente, a proteção do meio ambiente e
dos recursos naturais.
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