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MATERIAL DIDÁTICO DIDÁTICA E TECNOLOGIA EDUCACIONAL CREDENCIADA JUNTO AO MEC PELA PORTARIA Nº 2.861 DO DIA 13/09/2004 0800 283 8380 www.portalprominas.com.br Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 2 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 3 UNIDADE 1 – DIDÁTICA ................................................................................................................... 5 1.1 DEFINIÇÕES E CONCEITOS ............................................................................................................. 6 1.2 OS PILARES NECESSÁRIOS À FORMAÇÃO PEDAGÓGICA ................................................................. 9 1.3 DIFERENÇAS ENTRE DIDÁTICA E METODOLOGIA ....................................................................... 11 UNIDADE 2 – A TRAJETÓRIA DA DIDÁTICA ........................................................................... 12 2.1 A DIDÁTICA DE COMENIUS .......................................................................................................... 13 2.2 ROUSSEAU, PESTALOZZI E A CRIANÇA ........................................................................................ 15 2.3 HERBART E A EDUCAÇÃO PELA INSTRUÇÃO ............................................................................... 17 2.4 A DIDÁTICA NA E PÓS PRIMEIRA REPÚBLICA .............................................................................. 20 2.4.1 A Pedagogia Tradicional..................................................................................................... 20 2.4.2 A Pedagogia Libertária ....................................................................................................... 22 2.4.3 A Pedagogia Nova ............................................................................................................... 24 UNIDADE 3 – A DIDÁTICA E AS TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS ......................................... 27 3.1 TENDÊNCIAS LIBERAIS ................................................................................................................ 29 3.2 TENDÊNCIAS PROGRESSISTAS ..................................................................................................... 35 3.3 TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS PÓS-LDB ........................................................................................ 38 UNIDADE 4 – REQUISITOS BÁSICOS DO PROFESSOR PARA A TAREFA DOCENTE .... 40 4.1 OBJETIVOS PRIMORDIAIS PARA O TRABALHO DOCENTE ............................................................. 40 4.2 PLANEJAMENTO DO TRABALHO DOCENTE .................................................................................. 41 UNIDADE 5 – CONTEÚDOS CENTRAIS DA DIDÁTICA .......................................................... 45 5.1 OBJETIVOS DO TRABALHO DOCENTE E DE ENSINO ...................................................................... 45 5.2 CONTEÚDOS ESCOLARES ............................................................................................................. 47 5.3 METODOLOGIA DE ENSINO .......................................................................................................... 49 INTRODUÇÃO – TECNOLOGIA EDUCACIONAL .................................................................... 53 UNIDADE 6 – HISTÓRICO DO COMPUTADOR NA EDUCAÇÃO .......................................... 54 UNIDADE 7 – INTRODUÇÃO À INFORMÁTICA EDUCATIVA .............................................. 60 UNIDADE 8 – DIFERENTES USOS DO COMPUTADOR NA EDUCAÇÃO ............................ 64 8.1 COMPUTADOR TUTOR ................................................................................................................. 65 8.2 COMPUTADOR FERRAMENTA ................................................................................................... 65 8.3 COMPUTADOR TUTELADO ........................................................................................................ 65 UNIDADE 9 – DIFERENTES TIPOS DE SOFTWARES USADOS NA EDUCAÇÃO .............. 66 UNIDADE 10 – PROJETOS EDUCACIONAIS INTERDISCIPLINARES ................................. 76 UNIDADE 11 – PROCESSO DE AVALIAÇÃO DOS AMBIENTES EDUCACIONAIS INFORMATIZADOS ......................................................................................................................... 84 REFERÊNCIAS ................................................................................................................................ 108 Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 3 INTRODUÇÃO Era uma vez uma tribo pré-histórica que se alimentava de carne de tigres de dentes de sabre. A educação nesta tribo baseava-se em ensinar a caçar tigres de dentes de sabre, porque disto dependia a sobrevivência de todos. Os mais velhos eram os responsáveis pela tarefa educativa. Passado algum tempo, os tigres de dentes de sabre extinguiram-se. Criou-se um impasse: o apego à tradição dos mais velhos exigia que se continuasse a ensinar a caçar tigres de dentes de sabre; os mais jovens clamavam por uma reforma no ensino. O impasse perdurou por muito tempo. Mais precisamente até um dia que, por falta de alimento, a tribo extinguiu-se também (BELLO, 1993). Vamos começar nosso módulo de Didática com o seguinte pensamento em mente: se o aluno não está aprendendo, é necessário repensar os modos como se está ensinando, pois, grosso modo, a meta de toda ação do ensino deve ser o aprendizado do aluno. Segundo Dalben e Eiterer na apresentação da Coleção “Didática e Práticas de Ensino: convergências e tensões no campo da formação e do trabalho docente” (2010), a busca pela qualidade do ensino, tão propagada pelas políticas públicas, pelos educadores em seus discursos e pela sociedade em geral, é o compromisso da Didática desde sua criação. Parte/Ramo da Pedagogia, ciência que estuda a educação como prática social, a Didática estuda o ensino, como parte constitutiva dessa prática social. Essa perspectiva justifica a fala de Candau (1986, p.14) quando diz que o processo de ensino é multidimensional, situado num contexto político-social que acontece numa cultura específica, trata com pessoas concretas que têm posição de classe definida na organização social em que vivem. Pois bem, veremos ao longo do módulo: conceitos, definições, a evolução da Didática desde a primeira vez que Comenius usou a palavra e seu sentido. Didática, História da Educação e Prática Pedagógica parecem se confundir e se entrelaçam é verdade, mas temos sim diferenças e perspectivas sutis como irão perceber ao longo dos estudos. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 4 Iremos abordar a didática como disciplina pedagógica, campo de investigação e de exercício profissional, dentre outros motivos, porque ela é disciplina presente na maioria dos cursos, seja pedagogia, sejam as demais licenciaturas.Enquanto Didática significa ensinar, instruir, “arte de transmitir conhecimentos”, a palavra Pedagogia significa “direção ou educação de crianças”. Ambas trazem o sentido de transmissão, orientação, condução, correto? Sim! Então podemos inferir que ambas buscam soluções para os problemas de aprendizagem e educacionais. Enveredar por esse caminho nos leva a analisar também as principais diferenças entre a Escola Tradicional, a Escola Nova e a Escola Tecnicista. Sabemos que ensinar é uma tarefa prazerosa e árdua ao mesmo tempo, que a conjuntura social não coopera em muitos momentos, que a estrutura da escola e dos cursos de formação vem procurando se adequar às necessidades que o mundo globalizado nos impinge, tanto por isso, a intenção é levá-los a refletirem sobre o trinômio: sociedade/pedagogia/prática educativa numa perspectiva crítica, portanto a didática e a formação profissional do educador permeiam todas as falas, mas deixamos claro que não há intenção de levantar questões políticas que envolvem a qualidade da educação, seja ela básica ou do ensino superior. Ao final do módulo encontram-se dois quadros a título de enriquecimento e que sintetizam de maneira clara e objetiva as tendências pedagógicas e o papel da didática ao longo de sua evolução. Mais duas observações se fazem necessárias antes de iniciarmos nosso caminhar: Em primeiro lugar, sabemos que a escrita acadêmica tem como premissa ser científica, ou seja, baseada em normas e padrões da academia. Pedimos licença para fugir um pouco às regras com o objetivo de nos aproximarmos de vocês e para que os temas abordados cheguem de maneira clara e objetiva, mas não menos científicos. Em segundo lugar, deixamos claro que este módulo é uma compilação das ideias de vários autores, incluindo aqueles que consideramos clássicos, não se tratando, portanto, de uma redação original. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 5 Ao final do módulo, além da lista de referências básicas, encontram-se muitas outras que foram ora utilizadas, ora somente consultadas e que podem servir para sanar lacunas que por ventura surgirem ao longo dos estudos. UNIDADE 1 – DIDÁTICA O ato de ensinar é fundamental para que nós seres humanos vivamos em sociedade, portanto, temos como objetivo compreender a Didática como um dos ramos de estudo da Pedagogia, justificar a subordinação do processo didático a finalidades educacionais e indicar os conhecimentos teóricos e práticos necessários para orientar a ação pedagógico-didática na escola. Perrenoud et al. (2008), ao refletirem sobre questões que envolvem a formação de professores profissionais pontuam que estes devem ser capazes de: analisar situações complexas, tomando como referência diversas formas de leitura; optar de maneira rápida e refletida por estratégias adaptadas aos objetivos e às exigências éticas; escolher, entre uma gama de conhecimentos, técnicas e instrumentos, os meios mais adequados, estruturando-os na forma de um dispositivo; adaptar rapidamente seus projetos em função da experiência; analisar de maneira crítica suas ações e seus resultados; aprender, por meio dessa avaliação contínua, ao longo de toda sua carreira. Esperamos que ao final do módulo tenham o suporte teórico básico para que sejam capazes de organizar situações de aprendizagem, contribuindo com o processo ensino- aprendizagem sob o qual centram-se as instituições de ensino. E concordando com Piletti Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 6 (1995), ao inferir que antes de estudar os aspectos didáticos propriamente ditos, o professor deve se fazer duas perguntas básicas: - Para quê o ensino? - Para quê serve o que estou fazendo? Respostas estas que também esperamos obtê-las ao final do módulo. 1.1 Definições e conceitos O vocábulo didática deriva da expressão grega Τεχνή διδακτική (techné didaktiké), que se traduz por arte ou técnica de ensinar. Enquanto adjetivo derivado de um verbo, o vocábulo referido origina-se do termo διδάςκω (didásko) cuja formação linguística indica a característica de realização lenta através do tempo, própria do processo de instruir (MAZINI FILHO et al., 2009). Antolí (1998) explica a necessidade de voltar às raízes, à origem da didática, porque a etimologia sempre tem uma considerável dose de sentido. E nesse caso, justifica ele que apesar de a evolução do significado tem sido grande, é positivo não perder de vista suas origens. O “didático” era, primeiramente, um subgênero da epopeia grega junto com o heroico e o histórico. Os poemas didáticos “Os trabalhos e os dias” de Hesíodo, e sua Teogonia, são exemplos típicos da epopeia didática grega. O termo didactika é o nominativo e acusativo plural, neutro, do adjetivo didaktikós. Derivado do verbo didasko (ensinar, ensino), que significa literalmente o relativo ao ensino, a atividade instrutiva. Portanto, de acordo com essa acepção, poder-se-ia definir a didática como a ciência ou a arte do ensino. Esse termo é introduzido na Espanha no final do século XVIII e aparece pela primeira vez no Diccionario castellano con las voces de ciências y artes y sus correspondientes en tres lenguas: Francesa, latim e italiana, de Esteban Terreros, publicado entre 1788 e 1792. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 7 Entretanto, outros estudos apontam que foi instituído por Comenius 1 (Jan Amos Komensky) em sua obra Didática Magna (1657), originalmente significa “arte de ensinar”, tanto que durante séculos, a didática foi entendida como técnicas e métodos de ensino, sendo a parte da pedagogia que respondia somente por “como” ensinar. Os manuais de didática traziam detalhes sobre como os professores deveriam se portar em sala de aula. Tradicionalmente, os elementos da ação didática são: professor, aluno, conteúdo, contexto e estratégias metodológicas (PACIEVITCH, 2010). Com o estudo dos paradigmas educacionais nos cursos de pedagogia e de formação de professores, amplia-se o conhecimento em relação à didática. Em cada tendência pedagógica diferem visão de homem e de mundo e modifica-se a finalidade da educação, mudam o papel do professor, do aluno, a metodologia, a avaliação, e, consequentemente, muda-se a forma de ensinar. Atualmente, a didática é uma área da Pedagogia, uma das matérias fundamentais na formação dos professores, denominada por Libâneo (1994) como “teoria do ensino” por investigar os fundamentos, as condições e as formas de realização do ensino. Segundo este autor, cabe à Didática converter objetivos sócio-políticos e pedagógicos em objetivos de ensino, selecionar conteúdos e métodos em função desses objetivos, estabelecer os vínculos entre ensino e aprendizagem, tendo em vista o desenvolvimento das capacidades mentais dos alunos. Segundo Piletti (1995), enquanto a didática geral estuda os princípios, as normas e as técnicas que devem regular qualquer tipo deensino, para qualquer tipo de aluno, dando uma visão geral da atividade docente, a didática especial estuda aspectos científicos de uma determinada disciplina ou faixa de escolaridade. Ela analisa os problemas e as dificuldades que o ensino de cada disciplina apresenta e organiza os meios e as sugestões para resolvê-los. Por isso temos a didática especial das línguas, das ciências, entre outras. 1 Bispo protestante na Moravia (República Tcheca), nascido em 1592, criador da Didática Moderna e um dos maiores educadores do século XVII, para ele, a didática seria a arte de ensinar tudo a todos. Comenius defendia a ideia de que a aprendizagem se iniciava pelos sentidos, pois as impressões sensoriais obtidas através da experiência com objetos seriam internalizadas e, mais tarde, interpretadas pela razão. Seu método didático constituiu-se basicamente de três elementos: compreensão, retenção e práticas. Através delas, pode-se chegar a três qualidades fundamentais: erudição, virtude e religião, as quais correspondem três faculdades que é preciso adquirir: intelecto, vontade e memória. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 8 A disciplina de didática deve desenvolver a capacidade crítica dos professores em formação para que os mesmos analisem de forma clara a realidade do ensino. Articular os conhecimentos adquiridos sobre o “como” ensinar e refletir sobre “para quem” ensinar, “o que” ensinar e o “por que” ensinar é um dos desafios da didática. A didática é uma das disciplinas da Pedagogia que estuda o processo de ensino através de seus componentes – os conteúdos escolares, o ensino e aprendizagem – para, com o embasamento numa teoria da educação, formular diretrizes orientadoras da atividade profissional dos professores (LIBÂNEO, 1994). Esse mesmo autor indica que a didática investiga as condições e formas que vigoram no ensino e, ao mesmo tempo, os fatores reais (sociais, políticos, culturais, psicossociais) condicionantes das relações entre docência e aprendizagem. A didática, fundamentada na dialética, é um campo em constante construção/reconstrução, de uma práxis que não tem como objetivo ficar pronta e acabada. Numa vertente mais prática, a didática é uma disciplina que estuda o processo de ensino no seu conjunto, no qual os objetivos, conteúdos, métodos e formas organizativas da aula se relacionam entre si de modo a criar as condições e os modos de garantir aos alunos uma aprendizagem significativa. Ela ajuda o professor na direção e orientação das tarefas do ensino e da aprendizagem, fornecendo-lhe segurança profissional. De certo modo, podemos dizer que a Didática é uma ciência cujo objetivo fundamental é ocupar-se das estratégias de ensino, das questões práticas relativas à metodologia e das estratégias de aprendizagem e, nos dizeres de Vasconcellos (2011), é um dos campos teóricos (ou teórico-metodológicos) mais específicos da função docente, pois dominar bem uma área de conhecimento não nos faz professores, mas especialistas naquela área; se adicionarmos saberes éticos e de cultura geral, passamos a ser pessoas interessantes especialistas em determinada área de conhecimento. Guarde... A didática é uma disciplina técnica e que tem como objeto específico a técnica de ensino. Essa disciplina estuda, portanto, a técnica de ensino em todos os seus aspectos Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 9 práticos e operacionais, podendo ser definida como a técnica de estimular, dirigir e encaminhar, no decurso da aprendizagem, a formação do homem. Em resumo, a didática veio se construindo com os seguintes qualificativos: a) A didática é: ciência, teoria, tecnologia, técnica, arte. b) O conteúdo semântico da didática é: ensino, aprendizagem, instrução, comunicação de conhecimentos; sistema de comunicação; processo de ensino-aprendizagem. c) A finalidade da didática é: formação, instrução, instrução formativa – desenvolvimento das faculdades, criação de cultura. 1.2 Os pilares necessários à formação pedagógica Piletti (1995) citando Mialaret (1978) discorre sobre quatro pilares principais que sustentam a formação pedagógica dos professores. São eles: a) Uma reflexão de ordem histórico-filosófico-sociológica a respeito da instituição escolar, seu papel na sociedade e as finalidades atuais da educação. b) Um conjunto de conhecimentos científicos acerca da estrutura, e do funcionamento psicológico dos alunos, seja como indivíduos, seja como pequenos grupos. c) A iniciação na prática dos diferentes métodos e técnicas pedagógicas que permitam estabelecer a comunicação educativa eficaz. d) Estudo psicológico e pedagógico da didática das disciplinas escolares. As interações desses pilares que estão intimamente relacionados são indicados no esquema a seguir, sobre os quais discorreremos ao longo do módulo. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 10 O quê? Conteúdos e programas A quem? Problemas psicológicos Por quê? Objetivos Como? Métodos e técnicas Que resultados? Avaliação Esse quadro também vai de encontra à definição simples proposta por Nérici (1989) para didática: estudo dos procedimentos destinados a orientar a aprendizagem do educando de maneira mais eficiente possível, em direção a objetivos predeterminados. Quando falamos em objetivos, estamos nos reportando de antemão a resultados e processos esperados do trabalho conjunto do professor e dos alunos, expressando conhecimentos, habilidades e conteúdos a serem assimilados de acordo com as exigências metodológicas. Exigências estas que se reportam ao nível de preparo prévio dos alunos, peculiaridades das matérias de ensino e características do processo de ensino e aprendizagem. Os conteúdos formam a base objetiva da instrução, referidos aos objetivos e viabilizados pelos métodos de transmissão e assimilação. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 11 O currículo expressa os conteúdos da instrução, nas matérias de cada grau do processo de ensino. Em torno das matérias se desenvolve o processo de assimilação dos conhecimentos e habilidades. Os métodos, por sua vez, são determinados pela relação objetivo-conteúdo e dão a forma pela qual se concretiza esta relação em condições didáticas específicas, ao mesmo tempo, pelo fato de caber aos métodos a dinamização das condições e modos de realização do esino, eles influem na reformulação ou modificação dos objetivos e conteúdos (LIBÂNEO, 1994). 1.3 Diferenças entre Didática e Metodologia Existe algumaconfusão entre a didática e a metodologia que precisamos desfazer antes de prosseguirmos nossos estudos. Vamos lá? Ambas estudam os métodos de ensino, é verdade, mas cada uma com um ponto de vista diferente, ou seja: enquanto a Metodologia estuda os métodos de ensino, classificando- os e descrevendo-os sem fazer juízo de valor, a Didática, por sua vez, faz um julgamento crítico. Ela critica o valor dos métodos de ensino. Como diz Piletti (1995), a Metodologia nos dá juízos de realidade que são juízos descritivos e constatativos e a Didática nos dá juízo de valor, isto é, estabelecem valores ou normas. Ele cita como exemplos: Juízo de realidade Juízo de valor Dois mais dois são quatro. Acham-se presentes na sala, 50 alunos. A democracia é a melhor forma de governo. Os velhos merecem nosso respeito. Daí, pode-se inferir que a Metodologia é importante porque ela nos leva a escolher o método mais adequado de ensino, entre os métodos existentes. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 12 UNIDADE 2 – A TRAJETÓRIA DA DIDÁTICA Muitos autores colocam como embrião ou nascimento da didática atual, as concepções de Comenius, que aconteceram na transição do século XVII, época em que a burguesia atuava como classe emergente, apesar de já termos visto que na Grécia antiga o termo teve seu lugar de destaque. Pois bem, desde os primeiros tempos existem indícios de formas elementares de instrução e aprendizagem. Sabe-se, por exemplo, que nas comunidades primitivas os jovens passam por um ritual de iniciação para ingressarem nas atividades do mundo adulto. Pode-se considerar esta uma forma de ação pedagógica, embora aí não esteja presente o “didático” como forma estruturada de ensino (LIBÂNEO, 1994). Como diz Castro (2001, p. 15), a situação didática foi vivida e pensada antes de ser objeto de sistematização e de constituir referencial do discurso ordenado de uma das disciplinas do campo pedagógico, a Didática. Na longa fase que se poderia chamar de didática difusa, ensinava-se intuitivamente e/ou seguindo-se a prática vigente. De alguns professores, conhecemos os procedimentos, podendo-se dizer que havia uma didática implícita em Sócrates quando perguntava aos discípulos: “pode-se ensinar a virtude?” ou na lectio e na disputatio medievais. Mas o traçado de uma linha imaginária em torno de eventos que caracterizam o ensino é fato do início dos tempos modernos, e revela uma tentativa de distinguir um campo de estudos autônomos. Até esse período, Libâneo (1994) pondera que não podemos falar de didática como teoria do ensino, que sistematize o pensamento didático e o estudo científico das formas de ensinar. Mas voltemos ao século XVII, passada a idade das trevas, a nova classe dos burgueses comerciantes, apesar de controlar o mundo da produção e impulsionar o avanço das forças produtivas, não detinha, de forma completa, o poder político. A monarquia sobreviveu através do apoio dos burgueses e tornaram-se concretas as possibilidades de criação dos Estados Nacionais. Mas isso não significava que a burguesia tivesse conseguido participação decisiva no aparelho do Estado a ponto de assumir o poder na política econômica. As Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 13 monarquias absolutistas que outrora proporcionaram grandes lucros à burguesia comercial, haviam-se tornado um entrave ao progresso (ALBUQUERQUE, 2002). 2.1 A didática de Comenius Em meados do século XVII, Comenius escreve a “Didática Magna”, que expressa as duas principais características do seu pensamento. De um lado, forte preocupação com a reforma da fé cristã e, do outro, a influência do surgimento do tempo moderno se expressando pela aproximação à realidade concreta das coisas do mundo, principalmente à natureza e a nova abordagem a respeito dela, isto é, das Ciências Naturais modernas. A meta principal da “Didática Magna” de ensinar tudo a todos com economia de tempo e de fadiga, com agrado e com solidez, deve ser vista a partir do pensamento escatológico; o fim do mundo está próximo e, por isso, é necessária a conversão verdadeira de todos os homens, para a volta gloriosa de Jesus no Juízo Final (ALBUQUERQUE, 2002). A Didática que se baseava, para Comenius, numa piedade profunda, servia, por outro lado, para a consolidação do projeto de uma burguesia como classe em ascendência. Racionalidade, eficiência e procedimentos seguros para atingir metas propostas são princípios norteadores do modo de produção burguês. Assim, a burguesia abandonou a fundamentação teológica da “Didática Magna” e se apropriou dos seus procedimentos didático- metodológicos, para atingir suas próprias finalidades. Libâneo (1994) pontua os seguintes princípios que assentavam a Didática de Comenius: 1) A finalidade da educação é conduzir à felicidade eterna com Deus, pois é uma força poderosa de regeneração da vida humana. Todos os homens merecem a sabedoria, a moralidade e a religião, porque todos, ao realizarem sua própria natureza, realizam os desígnios de Deus. Portanto, a educação é um direito natural de todos. 2) Por ser parte da natureza, o homem deve ser educado de acordo com o seu desenvolvimento natural, isto é, de acordo com as características de idade e capacidade para o conhecimento. Consequentemente, a tarefa principal da Didática é estudar essas Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 14 características e os métodos de ensino correspondentes, de acordo com a ordem natural das coisas. 3) A assimilação dos conhecimentos não se dá instantaneamente, como se o aluno registrasse de forma mecânica na sua mente a informação do professor, como o reflexo num espelho. No ensino, ao invés disso, tem um papel decisivo a percepção sensorial das coisas. Os conhecimentos devem ser adquiridos a partir da observação das coisas e dos fenômenos, utilizando e desenvolvendo sistematicamente os órgãos dos sentidos. 4) O método intuitivo consiste, assim, da observação direta, pelos órgãos dos sentidos, das coisas, para o registro das impressões na mente do aluno. Primeiramente as coisas, depois as palavras. O planejamento de ensino deve obedecer o curso da natureza infantil; por isso as coisas devem ser ensinadas uma de cada vez. Não se deve ensinar nada que a criança não possa compreender. Portanto, deve-se partir do conhecido para o desconhecido. Apesar da grande novidade destas ideias, principalmente dando um impulso ao surgimento de uma teoria do ensino, Comenius não escapou de algumas crenças usuais na época sobre ensino. Embora partindo da observação e da experiência sensorial, mantinha-se o caráter transmissor do ensino; embora procurando adaptar o ensino às fases do desenvolvimento infantil, mantinha-se o método único e o ensino simultâneo a todos. Além disso, sua ideia de que a única via de acesso dos conhecimentos é a experiência sensorial com as coisas não é suficiente, primeiro porque nossas percepçõesfrequentemente nos enganam, segundo, porque já há uma experiência social acumulada de conhecimentos sistematizados que não necessitam ser descobertos novamente. Entretanto, Comenius desempenhou uma influência considerável, não somente porque empenhou-se em desenvolver métodos de instrução mais rápidos e eficientes, mas também porque desejava que todas as pessoas pudessem usufruir dos benefícios do conhecimento. Libâneo (1994) nos lembra que, na história, as ideias, principalmente quando são muito inovadoras para a época, costumam demorar para terem efeito prático. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 15 No século XVII, em que viveu Comenius, e nos séculos seguintes, ainda predominavam práticas escolares da Idade Média: ensino intelectualista, verbalista e dogmático, memorização e repetição mecânica dos ensinamentos do professor. Nessas escolas não havia espaço para ideias próprias dos alunos, o ensino era separado da vida, mesmo porque ainda era grande o poder da religião na vida social. Enquanto isso, porém, foram ocorrendo intensas mudanças nas formas de produção, havendo um grande desenvolvimento da ciência e da cultura. Foi diminuindo o poder da nobreza e do clero e aumentando o da burguesia. Na medida em que esta se fortalecia como classe social, disputando o poder econômico e político com a nobreza, ia crescendo também a necessidade de um ensino ligado às exigências do mundo da produção e dos negócios e, ao mesmo tempo, um ensino que contemplasse o livre desenvolvimento das capacidades e interesses individuais. 2.2 Rousseau, Pestalozzi e a criança No século XVIII, período em que a burguesia atuava como classe revolucionária, encontra-se em Rousseau uma crítica radical tanto à Didática que se estabeleceu a partir de Comenius, como à adaptação dessa Didática à ideologia burguesa. Podemos dizer que Rousseau foi o autor da segunda grande revolução didática, dando origem a um novo conceito de infância. Ele dá um grande passo quando atenta para a natureza da criança que deixa de ser um adulto em miniatura e transforma o método num procedimento natural, exercido sem pressa e sem livros. Rousseau (1712-1778) foi um pensador que procurou interpretar essas aspirações, propondo uma concepção nova de ensino, baseada nas necessidades e interesses imediatos da criança. As ideias mais importantes de Rousseau são as seguintes: 1) A preparação da criança para a vida futura deve basear-se no estudo das coisas que correspondem às suas necessidades e interesses atuais. Antes de ensinar as ciências, elas precisam ser levadas a despertar o gosto pelo seu estudo. Os verdadeiros professores são a natureza, a experiência e o sentimento. O contato da criança com o mundo que a rodeia é que Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 16 desperta o interesse e suas potencialidades naturais. Em resumo: são os interesses e necessidades imediatas do aluno que determinam a organização do estudo e seu desenvolvimento. 2) A educação é um processo natural, ela se fundamenta no desenvolvimento interno do aluno. As crianças são boas por natureza, elas têm uma tendência natural para se desenvolverem. Rousseau não colocou em prática suas ideias e nem elaborou uma teoria de ensino. Essa tarefa coube a Pestalozzi (1746-1827), que viveu e trabalhou até o fim da vida na educação de crianças pobres, em instituições dirigidas por ele próprio. Deu uma grande importância ao ensino como meio de educação e desenvolvimento das capacidades humanas, como cultivo do sentimento, da mente e do caráter (LIBÂNEO, 1994). Em seus escritos e atuação, Pestalozzi deixa transparecer as dimensões sociais dadas à problemática educacional. O aspecto metodológico da Didática encontra-se, sobretudo, em princípios, e não em regras, transportando-se o foco de atenção às condições para o desenvolvimento harmônico do aluno (CASTRO, 2001). A crítica falada no primeiro parágrafo faz parte de uma crítica real das relações sociais e culturais que termina num conceito de educação individual como plano de superação dessas relações corrompidas, recuperando a verdadeira natureza do homem que é boa. Para Rousseau, a educação nos deve dar tudo o que não temos ao nascer e de que necessitamos quando adultos, nunca ultrapassando ou antecipando o desenvolvimento natural do homem. Essa educação vem da natureza, dos homens e das coisas. A educação da natureza, que é o desenvolvimento interno de nossos órgãos e faculdades, independe de nós. A dos homens é o uso que nos ensinam a fazer desse desenvolvimento. E a nossa própria experiência sobre os objetos que nos afetam é a educação das coisas (CASTRO, 2001; ALBUQUERQUE, 2002). Daí os seguintes princípios didáticos: respeitar o desenvolvimento natural dos indivíduos; controlar as influências dos homens, interferindo o mínimo possível; não impor conteúdos, mas arranjar situações em que o aluno tenha possibilidade de descobrir por conta própria. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 17 Partindo para o século XIX, consolidou-se o modo de produção capitalista em sua forma avançada, consubstanciada em grandes empresas fabris. A burguesia se deparou com uma árdua tarefa: instalar-se nos aparelhos do Estado e governar uma sociedade industrial complexa. As pedagogias de Comenius e Rousseau não mais atendiam às necessidades do momento. A primeira pertencia a um mundo onde a produção manufatureira era dominante, período já superado. A segunda atendia a um período revolucionário, também superado. As ideias de Comenius, Rousseau e Pestalozzi influenciaram muitos outros pedagogos. O mais importante deles, porém, foi Johann Friedrich Herbart (1766-1841), pedagogo alemão que teve muitos discípulos e que exerceu influência relevante na Didática e na prática docente. Foi e continua sendo inspirador da pedagogia conservadora – conforme veremos – mas suas ideias precisam ser estudadas por causa da sua presença constante nas salas de aula brasileiras. Junto com uma formulação teórica dos fins da educação e da Pedagogia como ciência, desenvolveu uma análise do processo psicológico-didático de aquisição de conhecimentos, sob a direção do professor (LIBÂNEO, 1994). 2.3 Herbart e a educação pela instrução No entendimento de Castro (2001), Herbart (1776-1841) deseja ser o criador de uma Pedagogia Científica, fortemente influenciada por seus conhecimentos de Filosofia e da Psicologia da época. Situa-se no plano didático ao defender a ideia da “Educação pela Instrução”, bem como pela relevância do aspecto metodológico em sua obra. O método dos passos formais celebrizou o autor, que o considerava próprio a toda e qualquer situação de ensino. Partindo da concepção de “massas aperceptivas” constituídas por conhecimentos anteriores, graças aos quais se aglutinam os novos, seguia ordem e sequência invariáveis. Teve sucesso na Europa, onde suas ideias foram defendidas e adaptadaspor discípulos; e nos Estados Unidos, onde foi reconhecida sua influência sobre Thorndike, também associacionista. Libâneo (1994, p. 61) elenca os seguintes pensamentos de Herbart: Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 18 educar o homem significa instruí-lo para querer o bem, de modo que aprenda a comandar a si próprio; a principal tarefa da instrução é introduzir ideias corretas na mente dos alunos; o professor é um arquiteto da mente. Ele deve trazer à atenção dos alunos aquelas ideias que deseja que dominem suas mentes; controlando os interesses dos alunos, o professor vai construindo uma massa de ideias na mente, que por sua vez vão favorecer a assimilação de ideias novas; o método de ensino consiste em provocar a acumulação de ideias na mente da criança Herbart tem o mérito de tornar a Pedagogia o ponto central de um círculo de investigação próprio. No entanto, a Psicologia ainda não havia deixado o caminho do empirismo sensualista de origem filosófica e não ainda experimental. Seu propósito tinha futuro, mas os meios para realizá-lo eram ainda inadequados (CASTRO, 2001). Segundo Ghiraldelli Jr (1994), tanto Pestalozzi como Herbart incentivaram a tendência de psicologizar a educação. Para este último, a psicologização da educação aparecia como uma das condições para tornar a pedagogia uma ciência. De fato isso aconteceu, tanto que propunha uma aprendizagem consubstanciada nos cinco passos formais de instrução. Herbart escalonou o desenvolvimento do caráter em três estágios. No estágio inicial predominaria a sensação e a percepção, onde a emotividade seria forte e a impulsividade e o capricho da criança deveriam ser contidos. Posteriormente, o ser humano atingiria o estágio onde se privilegiaria a memória e a imaginação; e seria nessa época que a criança já poderia começar a responder a uma educação sistemática. Finalmente, no último estágio, o ser humano estaria apto a julgamentos e conceitos universais; nessa fase, a instrução formaria e conformaria a vontade. A estes estágios corresponderiam os passos formais do ensino. A pedagogia herbartiana, não sem razão, foi chamada de intelectualista pelos seus críticos. Na verdade, ela partia do princípio da indissolução dos termos educação e instrução. Para Herbart, o que existia era a instrução educativa, ou seja, a formação do caráter e da mente pela instrução, pelo contato com modelos literários, artísticos, científicos e filosóficos Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 19 que, uma vez no papel de conteúdos escolares, deveriam educar as novas gerações, colocando-as em contato com o patrimônio cultural das gerações passadas. O princípio da psicologia de Herbart dizia que “desejo” e “vontade” não são autônomos, mas que são resultados da atividade intelectual responsável pelas ideias e representações – “a volição tem suas raízes no pensamento” – enfatizou a psicologia herbartiana. Tais princípios, que priorizavam a apreensão de conteúdos científicos, literários e filosóficos na formação dos educandos, acabaram forjando um dos mais poderosos métodos de ensino: “os cinco passos formais”, facilmente transformados no “modo natural de ministrar aulas” – o “método expositivo”. Os “cinco passos”: 1) preparação; 2) apresentação; 3) associação; 4) generalização e 5) aplicação – indicavam um modo razoavelmente simples e fácil de conduzir o processo de aprendizagem, e esta foi uma das condições técnicas essenciais para o seu sucesso e disseminação entre os professores. Assim: a lição do dia deveria começar pela recordação dos tópicos anteriormente estudados (preparação); em seguida, o professor poderia apresentar o conteúdo da nova lição (apresentação); o terceiro passo do processo se daria pela comparação entre os conteúdos novos e velhos (associação) a partir das percepções, sensações e associações iniciais; o penúltimo passo consistiria na formação de conceitos abstratos e gerais (generalização); por fim, caberia ao professor propor alguns exercícios para verificação de aprendizagem e treinamento (aplicação). Acoplado ao culto do rigor, à disciplina e também à forma de organização curricular oriunda do positivismo, a pedagogia herbartiana forneceu o corpo principal da Pedagogia Tradicional no Brasil (GHIRALDELLI JR, 1994). Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 20 Enfim, as ideias pedagógicas de Comenius, Rousseau, Pestalozzi e Herbart, além de muitos outros formaram as bases do pensamento pedagógico europeu, difundindo-se depois por todo o mundo, demarcando as concepções pedagógicas que hoje são conhecidas como Pedagogia Tradicional e Pedagogia Renovada (LIBÂNEO, 1994). 2.4 A didática na e pós Primeira República Chegamos ao Brasil, mais precisamente Primeira República, momento em que o cenário de lutas político-pedagógicas passou a ser formado por três correntes: a Pedagogia Tradicional, a Pedagogia Nova e a Pedagogia Libertadora. Essas vertentes podem ser associadas, grosso modo, a três diferentes setores: a Pedagogia Tradicional associava-se às aspirações dos intelectuais ligados às oligarquias dirigentes e à Igreja; a Pedagogia Nova emergiu no interior de movimentos da burguesia e das classes médias que buscavam a modernização do Estado e da sociedade no Brasil; a Pedagogia Libertária, ao contrário das duas primeiras, não teve origem nas classes dominantes; vinculou-se aos intelectuais ligados aos projetos dos movimentos sociais populares, principalmente aos desejos de transformação social contidos nas propostas do movimento operário de linha anarquista e anarco-sindicalista (GHIRALDELLI JR, 1994). Todas as pedagogias que se organizaram na República tiveram de enfrentar ou assimilar os preceitos de uma herança pedagógica constituída pela Pedagogia Jesuítica. 2.4.1 A Pedagogia Tradicional A pedagogia de cunho religioso-católico reproduzia, ainda, em muitos aspectos, os preceitos educacionais dos jesuítas, que foram os responsáveis pelo ensino no Brasil por mais de duzentos anos. As diretrizes educacionais dos jesuítas foram dadas pelo Ratio Studiorum, promulgado em 1599, que continuou a influenciar os educadores do país mesmo após a Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 21 expulsão da Companhia de Jesus do Brasil, em 1759. Boa parte do professorado na Primeira República, religiosos ou leigos, tinha suas linhas pedagógicas dirigidas pelos princípios gerais do Ratio Studiorum. Um século depois da expulsão dos jesuítas do Brasil, ainda permanecia, incrustado nas cabeças dos professores, um regrário didático comorigem no Ratio, o que mostra, de certa forma, a incapacidade do pensamento laico em superar a organização da cultura forjada pelo catolicismo no Brasil (GHIRALDELLI JR, 1994). A pedagogia do Ratio Studiorum baseava-se na unidade de matéria, unidade de método e unidade de professor. Ou seja, a unidade de professor significava que cada turma deveria seguir seus estudos, do começo ao fim, com o mesmo mestre. Todos os professores deveriam se utilizar da mesma metodologia. E o assunto a ser estudado deveria contemplar poucos autores, principalmente aqueles ligados ao pensamento oficial da Igreja, como Tomás de Aquino. Além disso, o Ratio determinava uma disciplina rígida, o cultivo da atenção, da perseverança nos estudos – traços de caráter considerados essenciais para o cristão leigo e, mais ainda, para o futuro sacerdote. O princípio pedagógico fundamental era a emulação, tanto individual como coletiva, aliada a uma hierarquização do corpo discente baseada na obediência e na meritocracia. A Pedagogia Tradicional brasileira muito deve a esses princípios do jesuitismo, mas não é correto afirmar identidade entre Pedagogia Tradicional e Pedagogia Jesuítica. A Pedagogia Tradicional compôs-se, na verdade, das teorias pedagógicas modernas americanas e alemãs, com substrato comum no herbartismo (GHIRALDELLI JR, 1994). Vários educadores americanos que estiveram na Alemanha tomando contato com o herbartismo publicaram extensa literatura educacional que, em parte, chegou ao Brasil da Primeira República, ou por intermédio de intelectuais que as liam no original, ou então por traduções (Rui Barbosa conhecia os textos de Pestalozzi e Herbart; os textos de Francis Parker, educador herbartiano, foram traduzidos e publicados no Brasil antes dos anos 20) (GHIRALDELLI JR, 1994). Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 22 2.4.2 A Pedagogia Libertária A Pedagogia Libertária está associada às primeiras organizações do proletariado urbano no Brasil. Os primeiros congressos operários e as agitações em torno de greves, boicotes, entre outras, propiciaram todo um clima para a proliferação de uma imprensa operária, ligada aos recém-criados sindicatos. Tal imprensa foi a grande responsável pela divulgação de teorias pedagógicas vinculadas a pensadores europeus socialistas e anarquistas. Foram esses mesmos sindicatos responsáveis pela criação de “escolas operárias”, de “escolas modernas”, onde se tentavam experiências no sentido da Pedagogia Libertária. Entre as várias concepções de Pedagogia Libertária que aportaram no Brasil, sem dúvida o pensamento do educador Francisco Ferrer y Guardia (1859-1909) foi o que mais ganhou adeptos, escapando dos círculos operários e conquistando educadores das classes médias militantes do ensino oficial. Segundo Ghiraldelli Jr (1994), a Pedagogia Libertária não esteve, obviamente, comprometida com a sociedade existente. Pelo contrário, desenvolveu-se no sentido da transformação da ordem socioeconômica vigente, procurando moldar o ensino para a construção de um novo homem e de uma nova sociedade. Para o pensamento libertário, a tríade capitalismo, Estado e Igreja representava a velha sociedade que deveria sucumbir para dar lugar à sociedade anarquista-comunista, sem divisão de classes, sem hierarquia burocratizada, sem centralização do poder. O lema era a conquista do “homem livre sobre a terra livre”, que se refletia no ideal pedagógico de Ferrer: “a infância livre e feliz”. Segundo a Pedagogia Libertária, a educação oficial, fosse ela laica ou religiosa, baseava-se no dogmatismo, o que impedia as crianças de poderem pensar de maneira diferente às conveniências das instituições capitalistas. Combatendo tal sistema educativo, a Pedagogia Libertária propôs diretrizes firmadas em quatro pontos: a) educação “de base científica e racional” no sentido de “retirar da criança interpretações inísticas ou sobrenaturais”; Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 23 b) dicotomia entre instrução e educação, sendo que a educação deveria compreender, de um lado, a “formação da inteligência” e, de outro, a preparação de um ser “moral e fisicamente equilibrado”; c) a “educação moral, menos teórica do que prática, deveria resultar do exemplo e da lei natural da solidariedade”; d) “adaptação do ensino ao nível psicológico das crianças”. Tais princípios se uniam a outros que emergiram da organização das chamadas “escolas modernas”, que existiram em algumas cidades do país nos anos 10 do século XX, na busca de imitar a Escola Moderna de Barcelona, fundada pelo próprio Ferrer. A escola moderna não era gratuita, não recebia contribuição de instituições oficiais e adotou o princípio de receber o sustento diferenciado de cada família – cada família pagava em proporção aos seus meios. De acordo com Ghiraldelli Jr (1994, p. 24), a escola moderna: procurava desenvolver a coeducação em amplo sentido, ou seja, o convívio de meninos e meninas, garantindo a coeducação dos sexos, e também o convívio de elementos de distintas classes sociais, garantindo a coeducação social; era laica; mas não se contentava com o “laicismo neutro das escolas oficiais republicanas”, desejava sim um “laicismo combativo”, capaz de dirigir críticas contundentes aos princípios religiosos, principalmente católicos; primava por um ensino de “base racional e científica”, que deveria se desenvolver através do contato com a natureza, com ênfase na criatividade, na livre expressão, na produção de textos críticos, no contato com métodos experimentais. Enfim, a Pedagogia Libertária veio ao Brasil pelas mãos dos trabalhadores imigrantes – italianos, espanhóis, portugueses, franceses, entre outros – que chegaram ao país para dar continuidade ao trabalho na lavoura do café e que, posteriormente, deram origem ao proletariado urbano nas grandes cidades do início do século. Duas vertentes da Pedagogia Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 24 Libertária foram divulgadas no Brasil pela imprensa ligada ao Movimento Operário da Primeira República; a Educação Integral, ligada ao nome do anarquista Paul Robim (1837- 1912) e a Educação Racionalista, ligada às obras de Ferrer. A Educação Integral não chegou a se efetivar em experiências concretas, ao contrário da Educação Racionalista que deu origem às escolas modernas no Rio, São Paulo, Porto Alegre, Belém do Pará, entre outras. A Pedagogia Libertária sofreu um sério revés a partir do final dos anos 10, com a intensificação da repressão aos movimentos sindicalistas encetada pelo governo oligárquico da Primeira República. 2.4.3 A Pedagogia Nova Diferentemente da Pedagogia Tradicional, que se caracterizou por conter um corpo teórico relativamente homogêneo, a Pedagogia Nova, desde seus primórdios, pautou-se por refletir indicações teóricas provindas de experiências distintas. No final do século XIX e início do século XX, inúmerasexperiências educacionais, em solo europeu e americano, registraram o aparecimento do escolanovismo (GHIRALDELLI JR, 1994). Dentro desse movimento, desenvolveu-se nos Estados Unidos uma de suas mais destacadas correntes, a Pedagogia Pragmática ou Progressivista, cujo principal representante é John Dewey (1859-1952). As ideias desse brilhante educador exerceram uma significativa influência no movimento da Escola Nova na América Latina e, particularmente, no Brasil (LIBÂNEO, 1994). Em 1896, nos Estados Unidos, o professor universitário John Dewey (1859-1952) criou a University Elementary School, acoplada à Universidade de Chicago. Dewey foi, sem dúvida, o maior filósofo da educação dos EUA. Seus textos causaram grande impacto na sociedade americana; sua psicologia, distinta da psicologia tradicional, provocou um súbito estancamento na divulgação da pedagogia herbartiana. Dewey e seus seguidores reagem à concepção herbartiana da educação pela instrução, advogando a educação pela ação. Para eles: a escola não é uma preparação para a vida, é a própria vida; Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 25 a educação é o resultado da interação entre o organismo e o meio através da experiência e da reconstrução da experiência; a função mais genuína da educação é a de prover condições para promover e estimular a atividade própria do organismo para que alcance seu objetivo de crescimento e desenvolvimento. Por isso, a atividade escolar deve centrar-se em situações de experiência onde são ativadas as potencialidades, capacidades, necessidades e interesses naturais da criança; o currículo não se baseia nas matérias de estudo convencionais que expressam a lógica do adulto, mas nas atividades e ocupações da vida presente, de modo que a escola se transforme num lugar de vivência daquelas tarefas requeridas para a vida em sociedade; o aluno e o grupo passam a ser o centro de convergência do trabalho escolar (LIBÂNEO, 1994). Com a liderança de Anísio Teixeira e outros educadores, formou-se no início da década de 1930, o Movimento dos Pioneiros da Escola Nova, cuja atuação foi decisiva na formulação da política educacional, na legislação, na investigação acadêmica e na prática escolar. O Movimento da Escola Nova enfatizou os “métodos ativos” de ensino- aprendizagem, deu importância substancial à liberdade da criança e ao interesse do educando, adotou métodos de trabalho em grupo e incentivou a prática de trabalhos manuais nas escolas; além disso, valorizou os estudos de psicologia experimental e, finalmente, procurou colocar a criança (e não mais o professor) no centro do processo educacional (GHIRALDELLI JR, 1994). Guarde... A Pedagogia Tradicional, em suas várias correntes, caracteriza as concepções de educação onde prepondera a ação de agentes externos na formação do aluno, o primado do objeto de conhecimento, a transmissão do saber constituído na tradição e nas grandes Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 26 verdades acumuladas pela humanidade e uma concepção de ensino como impressão de imagens propiciadas ora pela palavra do professor ora pela observação sensorial. A Pedagogia Renovada agrupa correntes que advogam a renovação escolar, opondo- se à Pedagogia Tradicional. Entre as características desse movimento destacam-se: a valorização da criança, dotada de liberdade, iniciativa e de interesses próprios e, por isso mesmo, sujeito da sua aprendizagem e agente do seu próprio desenvolvimento; tratamento científico do processo educacional, considerando as etapas sucessivas do desenvolvimento biológico e psicológico; respeito às capacidades e aptidões individuais, individualização do ensino conforme os ritmos próprios de aprendizagem; rejeição de modelos adultos em favor da atividade e da liberdade de expressão da criança. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 27 UNIDADE 3 – A DIDÁTICA E AS TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS Inicialmente, a escola foi concebida para transmitir cultura e valores ao indivíduo, visando resgatá-lo da marginalidade social, pois vivia nessa condição por ser ignorante. Foi então instituída a escola e a pedagogia tradicional para desempenharem esta função, centrada no professor, como transmissor ativo do saber, enquanto o aluno comportava-se como receptor passivo dos ensinamentos do mestre. A memorização e reprodução de conceitos pelo aluno era o foco principal desta tendência pedagógica (SAVIANI, 2000). Por haver malogrado em sua função, pois não resgatou o indivíduo da marginalidade social, a escola tradicional foi substituída pela escola nova, na qual se desviou o foco do professor para o aluno, que por ser rejeitado vivia na condição de excluído, não sendo, portanto, a ignorância a causa dessa sua condição. A escola deveria então incluir socialmente o aluno por meio de sua valorização humana. Entretanto, a escola nova também não logrou promover a inclusão social do indivíduo, surgindo, então, outro modelo pedagógico e de escola, o tecnicismo, com o intuito de combater a marginalidade do educando. Neste aspecto, concluiu-se que a causa deste problema não era a ignorância e nem a rejeição do indivíduo, mas sim sua incompetência, sendo o tecnicismo, por conseguinte, capaz de resgatá-lo desta situação, tornando-o competente (SAVIANI, 2000). Luckesi (2003) e Saviani (2000) nomeiam estes modelos pedagógicos como pertencentes às tendências liberais de educação, que advoga a meritocracia como condição para ascensão social e econômica do indivíduo. Luckesi (2003, p. 54) ressalta que a educação brasileira, pelo menos nos últimos cinquenta anos, tem sido marcada pelas tendências liberais, nas suas formas ora conservadora, ora renovada. Evidentemente, tais tendências se manifestam, concretamente, nas práticas escolares e no ideário pedagógico de muitos professores, ainda que estes não se deem conta dessa influência. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 28 Luckesi (2003) divide a tendência pedagógica nova ou renovada em duas categorias: a renovada progressivista e a renovada não diretiva. Estudos de Silva (2012) e outros apontam que a prática escolar está sujeita a condicionantes de ordem sociopolítica que implicam diferentes concepções de homem e de sociedade e, consequentemente, diferentes pressupostos sobre o papel da escola e da aprendizagem. Devido ao modo como os professores realizam o seu trabalho na escola, geralmente baseando-se nesses pressupostos teóricos, seja de maneira explícita ou implicitamente, torna- se mister discorrer sobre eles, afinal de contas é a partir das tendênciaspedagógicas que começamos a compreender esse modus operanti e podemos optar por esta ou aquela tendência. Isto é, ao conhecer essas tendências pedagógicas e os seus pressupostos de aprendizagem, o professor terá condições de avaliar os fundamentos teóricos empregados na sua prática em sala de aula. Embora se reconheçam as dificuldades do estabelecimento de uma síntese dessas diferentes tendências pedagógicas, cujas influências se refletem no ecletismo do ensino atual, usaremos, como diversos outros estudos usaram, a teoria de José Carlos Libâneo (1990, 1994), que as classifica em dois grupos: “liberais” e “progressistas”. No primeiro grupo, estão incluídas a tendência “tradicional”, a “renovada progressivista”, a “renovada não-diretiva” e a “tecnicista”. No segundo grupo, o das tendências progressistas, falaremos sobre a tendência “libertadora”, a “libertária” e a “crítico-social dos conteúdos”. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 29 Vejamos a ilustração a seguir: Tradicional Renovada progressista Tendências liberais Renovada não diretiva – Escola Nova Tendências pedagógicas brasileiras Tecnicista Libertadora Tendências progressistas Libertária Crítico-social Silva (2012) nos lembra que devido aos avanços no campo da Psicologia da Aprendizagem, bem como a revalorização das ideias de psicólogos interacionistas, como Piaget, Vygotsky e Wallon, e a autonomia da escola na construção de sua Proposta Pedagógica (o que se deu a partir da LDB nº 9394/96), daremos algumas pinceladas nas tendências pós-LDB. 3.1 Tendências liberais Segundo Libâneo (1990), as correntes liberais sustentam a ideia de que a escola tem por função preparar os indivíduos para o desempenho de papéis sociais, de acordo com as aptidões individuais. Isso pressupõe que o indivíduo precisa adaptar-se aos valores e normas vigentes na sociedade de classe, através do desenvolvimento da cultura individual. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 30 Devido a essa ênfase no aspecto cultural, as diferenças entre as classes sociais não são consideradas, pois, embora a escola passe a difundir a ideia de igualdade de oportunidades, não leva em conta a desigualdade de condições. Sob esta ótica, o indivíduo é tido como único responsável pelo seu sucesso ou fracasso, independentemente das condições proporcionadas para sua inserção no âmbito cultural ou acadêmico. a) Pedagogia tradicional Na Pedagogia Tradicional, a Didática é uma disciplina normativa, um conjunto de princípios e regras que regulam o ensino. A atividade de ensinar é centrada no professor que expõe e interpreta a matéria. Às vezes são utilizados meios como a apresentação de objetos, ilustrações, exemplos, mas o meio principal é a palavra, a exposição oral. Supõe-se que ouvindo e fazendo exercícios repetitivos, os alunos “gravam” a matéria para depois reproduzi-la, seja através das interrogações do professor, seja através das provas. Para isso, é importante que o aluno “preste atenção”, porque ouvindo facilita-se o registro do que se transmite, na memória. O aluno é, assim, um recebedor da matéria e sua tarefa é decorá-la. Os objetivos, explícitos ou implícitos, referem-se à formação de um aluno ideal, desvinculado da sua realidade concreta. O professor tende a encaixar os alunos num modelo idealizado de homem que nada tem a ver com a vida presente e futura. A matéria de ensino é tratada isoladamente, isto é, desvinculada dos interesses dos alunos e dos problemas reais da sociedade e da vida. O método é dado pela lógica e sequência da matéria, é o meio utilizado pelo professor para comunicar a matéria e não dos alunos para aprendê-la. É ainda forte a presença dos métodos intuitivos, que foram incorporados ao ensino tradicional. Baseiam-se na apresentação de dados sensíveis, de modo que os alunos possam observá-los e formar imagens deles em sua mente. Muitos professores ainda acham que “partir do concreto” é a chave do ensino atualizado. Mas esta ideia já fazia parte da Pedagogia Tradicional porque o “concreto” (mostrar objetos, ilustrações, gravuras, entre outros) serve apenas para gravar na mente o que é captado pelos sentidos. O material concreto é mostrado, demonstrado, manipulado, mas o Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 31 aluno não lida mentalmente com ele, não o repensa, não o reelabora com o seu próprio pensamento. A aprendizagem, assim, continua receptiva, automática, não mobilizando a atividade mental do aluno e o desenvolvimento de suas capacidades intelectuais. A Didática tradicional tem resistido ao tempo e continua prevalecendo na prática escolar. É comum nas nossas escolas atribuir-se ao ensino a tarefa de mera transmissão de conhecimentos, sobrecarregar o aluno de conhecimentos que são decorados sem questionamento, dar somente exercícios repetitivos, impor externamente a disciplina e usar castigos. Trata-se de uma prática escolar que empobrece até as boas intenções da Pedagogia Tradicional que pretendia, com seus métodos, a transmissão da cultura geral, isto é, das grandes descobertas da humanidade, e a formação do raciocínio, o treino da mente e da vontade. Os conhecimentos ficaram estereotipados, insossos, sem valor educativo vital, desprovidos de significados sociais, inúteis para a formação das capacidades intelectuais e para a compreensão crítica da realidade. O intento de formação mental, de desenvolvimento do raciocínio, ficou reduzido a práticas de memorização. b) Pedagogia renovada A Pedagogia Renovada inclui várias correntes: a progressivista (que se baseia na teoria educacional de John Dewey), a não-diretiva (principalmente inspirada em Carl Rogers), a ativista-espiritualista (de orientação católica), a culturalista, a piagetiana, a montessoriana e outras. Todas, de alguma forma, estão ligadas ao movimento da pedagogia ativa que surge no final do século XIX como contraposição à Pedagogia Tradicional. Entretanto, segundo estudo feito por Castro (1984), os conhecimentos e a experiência da Didática brasileira pautam-se, em boa parte, no movimento da Escola Nova, inspirado principalmente na corrente progressivista. Vamos destacar seguindo o pensamento de Libâneo apenas a Didática ativa inspirada nessa corrente e a Didática Moderna de Luís Alves de Mattos, que será incluída na corrente culturalista. c) Escola Nova Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 32 A Didática da Escola Nova ou Didática ativa é entendida como “direção da aprendizagem”, considerando o aluno comosujeito da aprendizagem. O que o professor tem a fazer é colocar o aluno em condições propícias para que, partindo das suas necessidades e estimulando os seus interesses, possa buscar por si mesmo conhecimentos e experiências. A ideia é a de que o aluno aprende melhor o que faz por si próprio. Não se trata apenas de aprender fazendo, no sentido de trabalho manual, ações manipulação de objetos. Trata-se de colocar o aluno em situações em que seja mobilizada a sua atividade global e que se manifesta em atividade intelectual, atividade de criação, de expressão verbal, escrita, plástica ou outro tipo. O centro da atividade escolar não é o professor nem a matéria, é o aluno ativo e investigador. O professor incentiva, orienta, organiza as situações de aprendizagem, adequando-as às capacidades de características individuais dos alunos. Por isso, a Didática ativa dá grande importância aos métodos e técnicas como o trabalho de grupo, atividades cooperativas, estudo individual, pesquisas, projetos, experimentações, entre outros, bem como aos métodos de reflexão e método científico de descobrir conhecimentos. Tanto na organização das experiências de aprendizagem como na seleção de métodos, importa o processo de aprendizagem e não diretamente o ensino. O melhor método é aquele que atende as exigências psicológicas do aprender. Em síntese, a Didática ativa dá menos atenção aos conhecimentos sistematizados, valorizando mais o processo da aprendizagem e os meios que possibilitam o desenvolvimento das capacidades e habilidades intelectuais dos alunos. Por isso, os adeptos da Escola Nova costumam dizer que o professor não ensina; antes, ajuda o aluno a aprender. Ou seja, a Didática não é a direção do ensino, é a orientação da aprendizagem, uma vez que esta é uma experiência própria do aluno através da pesquisa, da investigação. Em paralelo à Didática da Escola Nova, surge a partir dos anos 50 a Didática Moderna proposta por Luís Alves de Mattos. Seu livro “Sumário de Didática Geral” foi largamente utilizado durante muitos anos nos cursos de formação de professores e exerceu considerável influência em muitos manuais de Didática publicados posteriormente. A Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 33 Didática Moderna é inspirada na pedagogia da cultura, corrente pedagógica de origem alemã. Mattos identifica sua Didática com as seguintes características: o aluno é o fator pessoal decisivo na situação escolar; em função dele giram as atividades escolares, para orientá-lo e incentivá-lo na sua educação e na sua aprendizagem, tendo em vista desenvolver-Ihe a inteligência e formar-lhe o caráter e a personalidade; o professor é o incentivador, orientador e controlador da aprendizagem, organizando o ensino em função das reais capacidades dos alunos e do desenvolvimento dos seus hábitos de estudo e reflexão; a matéria é o conteúdo cultural da aprendizagem, o objeto ao qual se aplica o ato de aprender, onde se encontram os valores lógicos e sociais a serem assimilados pelos alunos; está a serviço do aluno para formar as suas estruturas mentais e, por isso, sua seleção, dosagem e apresentação vinculam-se às necessidades e capacidades reais dos alunos; o método representa o conjunto dos procedimentos para assegurar a aprendizagem, isto é, existe em função da aprendizagem, razão pela qual, a par de estar condicionado pela natureza da matéria, relaciona-se com a psicologia do aluno. Mattos (1967) destaca como conceitos básicos da Didática, o ensino e a aprendizagem, em estreita relação entre si. O ensino é a atividade direcional sobre o processo de aprendizagem e a aprendizagem é a atividade mental intensiva e propositada do aluno em relação aos dados fornecidos pelos conteúdos culturais. Em suas palavras: A autêntica aprendizagem consiste exatamente nas experiências concretas do trabalho reflexivo sobre os fatos e valores da cultura e da vida, ampliando as possibilidades de compreensão e de interação do educando com seu ambiente e com a sociedade. (...) O autêntico ensino consistirá no planejamento, na orientação e no controle dessas experiências concretas de trabalho reflexivo dos alunos, sobre os dados da matéria ou da vida cultural da humanidade (1967, p. 72-73). Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 34 Definindo a Didática como disciplina normativa, técnica de dirigir e orientar eficazmente a aprendizagem das matérias, tendo em vista os seus objetivos educativos, Mattos propõe a teoria do Ciclo docente, que é o método didático em ação. O ciclo docente, abrangendo as fases de planejamento, orientação e controle da aprendizagem e suas subfases, é definido como o conjunto de atividades exercidas, em sucessão ou ciclicamente, pelo professor, para dirigir e orientar o processo de aprendizagem dos seus alunos, levando-o a bom termo. É o método em ação. d) Tecnicismo Libâneo (1994) explica que quanto ao tecnicismo educacional, embora seja considerada como uma tendência pedagógica, inclui-se, em certo sentido, na Pedagogia Renovada. Desenvolveu-se no Brasil na década de 1950 (PABAEE – Programa Brasileiro- Americano de Auxílio ao Ensino Elementar), à sombra do progressivismo, ganhando nos anos 1960 autonomia, quando constituiu-se especificamente como tendência, inspirada na teoria behaviorista da aprendizagem e na abordagem sistêmica do ensino. Esta orientação acabou sendo imposta às escolas pelos organismos oficiais ao longo de boa parte das décadas de 1970 e 1980, por ser compatível com a orientação econômica, política e ideológica do regime militar então vigente. Com isso, ainda hoje predomina nos cursos de formação de professores, o uso de manuais didáticos de cunho tecnicista, de caráter meramente instrumental. A Didática instrumental está interessada na racionalização do ensino, no uso de meios e técnicas mais eficazes. O sistema de instrução se compõe das seguintes etapas: a) Especificação de objetivos instrucionais operacionalizados. b) Avaliação prévia dos alunos para estabelecer pré-requisitos para alcançar os objetivos. c) Ensino ou organização das experiências de aprendizagem. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 35 d) Avaliação dos alunos relativa ao que se propôs nos objetivos iniciais. O arranjo mais simplificado dessa sequência resultou na fórmula: objetivos, conteúdos, estratégias, avaliação. O professor é um administrador e executor do planejamento, o meio de previsão das ações a serem executadas e dos meios necessários para se atingir os objetivos. Boa parte dos livros didáticos em uso nos anos 1990 nas escolas foram elaborados com base na tecnologia da instrução. 3.2 Tendências progressistas As tendências de cunho progressista interessadas em propostas pedagógicas voltadas para os interesses da maioria da população foram adquirindo maior solidez e sistematização por volta dos anos 80. São também denominadas teorias críticasda educação. Não é que não tenham existido antes esforços no sentido de formular propostas de educação popular. Já no começo do século, formaram-se movimentos de renovação educacional por iniciativa de militantes socialistas. Muitos dos integrantes do movimento dos pioneiros da Escola Nova tinham real interesse em superar a educação elitista e discriminadora da época. No início dos anos 60, surgiram os movimentos de educação de adultos que geraram ideias pedagógicas e práticas educacionais de educação popular, configurando a tendência que veio a ser denominada de Pedagogia Libertadora (LIBÂNEO, 1994). Na segunda metade da década de 70, com a incipiente modificação do quadro político repressivo em decorrência de lutas sociais por maior democratização da sociedade, tornou-se possível a discussão de questões educacionais e escolares numa perspectiva de crítica política das instituições sociais do capitalismo. Muitos estudiosos e militantes políticos se interessaram apenas pela crítica e pela denúncia do papel ideológico e discriminador da escola na sociedade capitalista. Outros, no entanto, levando em conta essa crítica, preocuparam-se em formular propostas e desenvolver estudos no sentido de tornar possível uma escola articulada com os interesses concretos do povo. Entre essas tentativas, destacam- se a Pedagogia Libertadora e a Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos. A primeira retomou as propostas de educação popular dos anos 60, refundindo seus princípios e práticas em função das possibilidades do seu emprego na educação formal em escolas públicas, já que Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 36 inicialmente tinham caráter extraescolar, não-oficial e voltadas para o atendimento de clientela adulta. A segunda, inspirando-se no materialismo histórico dialético, constituiu-se como movimento pedagógico interessado na educação popular, na valorização da escola pública e do trabalho do professor, no ensino de qualidade para o povo e, especificamente, na acentuação da importância do domínio sólido por parte de professores e alunos dos conteúdos científicos do ensino como condição para a participação efetiva do povo nas lutas sociais (na política, na profissão, no sindicato, nos movimentos sociais e culturais). Trata-se de duas tendências pedagógicas progressistas, propondo uma educação escolar crítica a serviço das transformações sociais e econômicas, ou seja, de superação das desigualdades sociais decorrentes das formas sociais capitalistas de organização da sociedade. No entanto, diferem quanto a objetivos imediatos, meios e estratégias de atingir essas metas gerais comuns. a) Pedagogia Libertadora A Pedagogia Libertadora não tem uma proposta explícita de Didática e muitos dos seus seguidores, entendendo que toda didática resumir-se-ia ao seu caráter tecnicista, instrumental, meramente prescritivo, até recusam admitir o papel dessa disciplina na formação dos professores. No entanto, há uma didática implícita na orientação do trabalho escolar, pois, de alguma forma, o professor se põe diante de uma classe com a tarefa de orientar a aprendizagem dos alunos. A atividade escolar é centrada na discussão de temas sociais e políticos; poder-se-ia falar de um ensino centrado na realidade social, em que professor e alunos analisam problemas e realidades do meio socioeconômico e cultural, da comunidade local, com seus recursos e necessidades, tendo em vista a ação coletiva frente a esses problemas e realidades. O trabalho escolar não se assenta, prioritariamente, nos conteúdos de ensino já sistematizados, mas no processo de participação ativa nas discussões e nas ações práticas sobre questões da realidade social imediata. Nesse processo em que se realiza a discussão, os relatos da experiência vivida, a assembleia, a pesquisa participante, o trabalho de grupo, entre outros, vão surgindo temas geradores que podem vir a ser sistematizados para efeito de consolidação de conhecimentos. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 37 É uma didática que busca desenvolver o processo educativo como tarefa que se dá no interior dos grupos sociais e, por isso, o professor é coordenador ou animador das atividades que se organizam sempre pela ação conjunta dele e dos alunos. A Pedagogia Libertadora tem sido empregada com muito êxito em vários setores dos movimentos sociais, como sindicatos, associações de bairro, comunidades religiosas. Parte desse êxito se deve ao fato de ser utilizada entre adultos que vivenciam uma prática política e onde o debate sobre a problemática econômica, social e política pode ser aprofundado com a orientação de intelectuais comprometidos com os interesses populares. Em relação à sua aplicação nas escolas públicas, especialmente no ensino de 1º grau, os representantes dessa tendência não chegaram a formular uma orientação pedagógico-didática especificamente escolar, compatível com a idade, o desenvolvimento mental e as características de aprendizagem das crianças e jovens. b) Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos Para a Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos, a escola pública cumpre a sua função social e política, assegurando a difusão dos conhecimentos sistematizados a todos, como condição para a efetiva participação do povo nas lutas sociais. Não considera suficiente colocar como conteúdo escolar a problemática social cotidiana, pois somente com o domínio dos conhecimentos, habilidades e capacidades mentais podem os alunos organizar, interpretar e reelaborar as suas experiências de vida em função dos interesses de classe. O que importa é que os conhecimentos sistematizados sejam confrontados com as experiências socioculturais e a vida concreta dos alunos, como meio de aprendizagem e melhor solidez na assimilação dos conteúdos. Do ponto de vista didático, o ensino consiste na mediação de objetivos-conteúdos- métodos que assegure o encontro formativo entre os alunos e as matérias escolares, que é o fator decisivo da aprendizagem. A Pedagogia Crítico-Social dos conteúdos atribui grande importância à Didática, cujo objeto de estudo é o processo de ensino nas suas relações e ligações com a aprendizagem. As ações de ensinar e aprender formam uma unidade, mas cada uma tem a sua especificidade. A Didática tem como objetivo, a direção do processo de ensinar, tendo em vista finalidades sócio-políticas e pedagógicas e as condições e meios formativos; tal direção, entretanto, converge para promover a autoatividade dos alunos, a aprendizagem. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 38 Com isso, a Pedagogia Crítico-Social busca uma síntese superadora de traços significativos da Pedagogia Tradicional e da Escola Nova. Postula para o ensino a tarefa de propiciar aos alunos o desenvolvimento de suas capacidades e habilidades intelectuais, mediante a transmissão e assimilação ativa dos conteúdos escolares, articulando, no mesmo processo, a aquisição de noçõessistematizadas e as qualidades individuais dos alunos que lhes possibilitam a autoatividade e a busca independente e criativa das noções. Mas trata-se de uma síntese superadora. Com efeito, se a Pedagogia define fins e meios da prática educativa a partir dos seus vínculos com a dinâmica da prática social, importa um posicionamento dela face a interesses sociais em jogo no quadro das relações sociais vigentes na sociedade. Os conhecimentos teóricos e práticos da Didática medeiam os vínculos entre o pedagógico e a docência; fazem a ligação entre o “para quê” (opções político-pedagógicas) e o “como” da ação educativa escolar (a prática docente). A Pedagogia Crítico-Social toma o partido dos interesses majoritários da sociedade, atribuindo à instrução e ao ensino, o papel de proporcionar aos alunos o domínio de conteúdos científicos, os métodos de estudo e habilidades e hábitos de raciocínio científico, de modo a irem formando a consciência crítica face às realidades sociais e capacitando-se a assumir no conjunto das lutas sociais a sua condição de agentes ativos de transformação da sociedade e de si próprios (LIBÂNEO, 1994). 3.3 Tendências pedagógicas pós-LDB Após a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) nº 9394/96, revalorizam-se as ideias de Piaget, Vygotsky e Wallon. Um dos pontos em comum entre esses psicólogos é o fato de serem interacionistas, porque concebem o conhecimento como resultado da ação que se passa entre o sujeito e um objeto. De acordo com Aranha (1998), o conhecimento não está, então, no sujeito, como queriam os inatistas, nem no objeto, como diziam os empiristas, mas resulta da interação entre ambos. Essa é a tendência atual. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 39 Na atualidade, a perspectiva fundamental da didática é assumir a multifuncionalidade do processo de ensino-aprendizagem e articular suas três dimensões: técnica, humana e político-social no centro configurador de sua temática. A teoria e a prática são duas faces que se complementam. Assim sendo, a Didática implica no desenvolvimento cognitivo intelectual, com progressos na afetividade, moralidade ou sociabilidade, por condições que são do desenvolvimento humano integral, pois com a Didática, como disciplina e campo de estudos, tende acelerar o progresso no sentido de uma autoconsciência de sua identidade, encontrada no seu núcleo central e de sua necessária interdisciplinaridade. Talvez o diferencial seja equacionar a oscilação entre uma tendência psicológica das relações escola-sociedade, familiarizando-se com teorias de origem epistemológicas e sociais, sem perder, no entanto, seu compromisso com a prática de ensino. Isso tudo, depende tanto de um esforço teórico e reflexivo, quanto de um avanço no campo experimental (TONIAZZO, 2009). Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 40 UNIDADE 4 – REQUISITOS BÁSICOS DO PROFESSOR PARA A TAREFA DOCENTE No decorrer da experiência social, o homem vai acumulando e fixando formas de realizar determinadas atividades, de entender a realidade, de se comunicar e expressar seus sentimentos, criando e fixando, pois, modos de agir, pensar, falar, escrever e sentir que se transformam com o desenvolvimento das relações sociais estabelecidas entre os homens para a produção de sua sobrevivência. No caso dos professores, o significado de seu trabalho é formado pela finalidade da ação de ensinar, isto é, pelo seu objetivo e pelo conteúdo concreto efetivado através das operações realizadas conscientemente pelo professor, considerando as condições reais e objetivas na condução do processo de apropriação do conhecimento pelo aluno (BASSO, 1998). Vejamos então alguns requisitos básicos para realização do trabalho docente que vai de encontro com os objetivos da Didática. 4.1 Objetivos primordiais para o trabalho docente São objetivos primordiais do trabalho docente, aqui entendido como atividade pedagógica do professor: assegurar aos alunos o domínio mais seguro e duradouro possível dos conhecimentos científicos; criar as condições e os meios para que os alunos desenvolvam capacidades e habilidades intelectuais de modo que dominem métodos de estudo e de trabalho intelectual visando a sua autonomia no processo de aprendizagem e independência de pensamento; Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 41 orientar as tarefas de ensino para objetivos educativos de formação da personalidade, isto é, ajudar os alunos a escolherem um caminho na vida, a terem atitudes e convicções que norteiem suas opções diante dos problemas e situações da vida real. Esses objetivos se ligam uns aos outros, pois o processo de ensino é ao mesmo tempo um processo de educação. A assimilação dos conhecimentos e o domínio de capacidades e habilidades somente ganham sentido se levam os alunos a determinadas atitudes e convicções que orientem a sua atividade na escola e na vida, que é o caráter educativo do ensino. A aquisição de conhecimentos e habilidades implica a educação de traços da personalidade (como caráter, vontade, sentimentos); estes, por sua vez, influenciam na disposição dos alunos para o estudo e para a aquisição dos conhecimentos e desenvolvimento de capacidades (LIBÂNEO, 1994). 4.2 Planejamento do trabalho docente Para que o professor possa atingir efetivamente os objetivos, é necessário que realize um conjunto de operações didáticas coordenadas entre si. São o planejamento, a direção do ensino e da aprendizagem e a avaliação, cada uma delas desdobrada em tarefas ou funções didáticas, mas que convergem para a realização do ensino propriamente dito, ou seja, a direção do ensino e da aprendizagem. Para o planejamento, requer-se do professor: compreensão segura das relações entre a educação escolar e os objetivos sócio- políticos e pedagógicos, ligando-os aos objetivos de ensino das matérias; domínio seguro do conteúdo das matérias que leciona e sua relação com a vida e a prática, bem como dos métodos de investigação próprios da matéria, a fim de poder fazer uma boa seleção e organização do seu conteúdo, partindo das situações concretas da escola e da classe; capacidade de desmembrar a matéria em tópicos ou unidades didáticas, a partir da sua estrutura conceitual básica; de selecionar os conteúdos de forma a destacar conceitos e habilidades que formam a espinha dorsal da matéria; Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 42 conhecimento das características sociais, culturais e individuais dos alunos, bem como o nível de preparo escolar em que se encontram; conhecimentoe domínio dos vários métodos de ensino e procedimentos didáticos, a fim de poder escolhê-los conforme temas a serem tratados, características dos alunos; conhecimento dos programas oficiais para adequá-los às necessidades reais da escola e da turma de alunos; consulta a outros livros didáticos da disciplina e manter-se bem informados sobre a evolução dos conhecimentos específicos da matéria e sobre os acontecimentos políticos, culturais, entre outros. Para a direção do ensino e da aprendizagem, requer-se: conhecimento das funções didáticas ou etapas do processo de ensino; conhecimento dos princípios gerais da aprendizagem e saber compatibilizá-los com conteúdos e métodos próprios da disciplina; domínio de métodos do ensino, procedimentos, técnicas e recursos auxiliares; habilidade de expressar ideias com clareza, falar de modo acessível à compreensão dos alunos partindo de sua linguagem corrente; habilidade de tornar os conteúdos de ensino significativos, reais, referindo-os aos conhecimentos e experiências que trazem para a aula; saber formular perguntas e problemas que exijam dos alunos pensarem por si mesmos, tirarem conclusões próprias; conhecimento das possibilidades intelectuais dos alunos, seu nível de desenvolvimento, suas condições prévias para o estudo de matéria nova, experiências da vida que trazem; provimento de métodos de estudo e hábitos de trabalho intelectual independente: ensinar o manejo de livro didático, o uso adequado de cadernos, lápis, régua, entre outros; ensinar procedimentos para aplicar conhecimentos em tarefas práticas; Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 43 adoção de uma linha de conduta no relacionamento com os alunos que expresse confiabilidade, coerência, segurança, traços que devem aliar-se à firmeza de atitudes dentro dos limites da prudência e respeito; manifestar interesse sincero pelos alunos nos seus progressos e na superação das suas dificuldades; estimular o interesse pelo estudo, mostrar a importância da escola para a melhoria das condições de vida, para a participação democrática na vida profissional, política e cultural. Para a avaliação, requer-se: verificação contínua do atingimento dos objetivos e do rendimento das atividades, seja em relação aos alunos, seja em relação ao trabalho do próprio professor; domínio de meios e instrumentos de avaliação diagnóstica, isto é, colher dados relevantes sobre o rendimento dos alunos, verificar dificuldades, para tomar decisões sobre o andamento do trabalho docente, reformulando-o quando os resultados não são satisfatórios; conhecimento das várias modalidades de elaboração de provas e de outros procedimentos de avaliação de tipo qualitativo. Para Libâneo (1994), estes são alguns dos requisitos de que necessita o professor para o desempenho de suas tarefas docentes e que formam o campo de estudo da Didática. Evidentemente, as mesmas expectativas que o professor tem em relação ao desenvolvimento intelectual dos alunos aplicam-se a ele próprio. Não pode exigir que os alunos adquiram um domínio sólido de conhecimentos se ele próprio não domina com segurança a disciplina que ensina; não pode exigir dos alunos o domínio de métodos de estudo, das formas científicas de raciocinar e de hábitos de pensamento independente e criativo, se ele próprio não os detém. Do mesmo modo, se o professor encaminha o processo de ensino para objetivos educativos de formação de traços de personalidade, de aquisição de princípios norteadores da conduta, de tomada de posição frente aos problemas da realidade, também ele precisa desenvolver suas próprias qualidades de personalidade, suas convicções. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 44 A dimensão educativa do ensino implica que os resultados da assimilação de conhecimentos e habilidades se transformem em princípios e modos de agir frente à realidade, isto é, em convicções, requerendo do professor uma compreensão clara do significado social e político do seu trabalho, do papel da escolarização no processo de democratização da sociedade, do caráter político-ideológico de toda educação, bem como das qualidades morais da personalidade para a tarefa de educar. Enfim, a Didática oferece uma contribuição indispensável à formação dos professores, sintetizando no seu conteúdo a contribuição de conhecimentos de outras disciplinas que convergem para o esclarecimento dos fatores condicionantes do processo de instrução e ensino, intimamente vinculado com a educação e, ao mesmo tempo, provendo os conhecimentos específicos necessários para o exercício das tarefas docentes (LIBÂNEO, 1994). Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 45 UNIDADE 5 – CONTEÚDOS CENTRAIS DA DIDÁTICA A didática nos leva a compreender que não se pode planejar e trabalhar sem uma convicção de que/qual ensino-aprendizagem queremos possibilitar aos alunos e como basicamente ela estuda o processo de ensino tomado em seu conjunto, veremos nesta unidade justamente os objetivos, os conteúdos e métodos, deixando para módulos específicos as relações professor-aluno, avaliação e o planejamento em si. Segundo Libâneo (1994), para isso a Didática investiga as leis e princípios gerais do ensino e da aprendizagem, conforme as condições concretas em que se desenvolvem. Os conhecimentos teóricos e metodológicos, assim como o domínio dos modos do fazer docente, propiciam uma orientação mais segura para o trabalho profissional do professor. 5.1 Objetivos do trabalho docente e de ensino Em linhas gerais, quando falamos em objetivo estamos nos reportando a algum lugar que queiramos chegar, é preciso de antemão saber onde queremos chegar. O professor precisa determinar de início o que o aluno será capaz de fazer ao final do aprendizado. A isso chama-se definir objetivos. Se o professor não define os objetivos, não pode avaliar de maneira objetiva o resultado de sua atividade de ensino e não tem condições de escolher os procedimentos de ensino mais adequados (PILETTI, 1995). Os objetivos educacionais expressam propósitos definidos explícitos quanto ao desenvolvimento das qualidades humanas que todos os indivíduos precisam adquirir para se capacitarem para as lutas sociais de transformação da sociedade. Os objetivos educacionais têm pelo menos três referências para sua formulação: 1) Os valores e ideais proclamados na legislação educacional e que expressam os propósitos das forças políticas dominantes no sistema social. 2) Os conteúdos básicos das ciências, produzidos e elaborados no decurso da prática social da humanidade. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – semo consentimento por escrito do Instituto Prominas. 46 3) As necessidades e expectativas de formação cultural exigidas pela população majoritária da sociedade, decorrentes das condições concretas de vida e de trabalho e das lutas pela democratização. Os objetivos educacionais são uma exigência indispensável para o trabalho docente, requerendo um posicionamento ativo do professor em sua explicitação, seja no planejamento escolar, seja no desenvolvimento das aulas. Podemos considerá-los em dois níveis: gerais e específicos. Segundo Piletti (1995), os objetivos educacionais ou gerais são proposições gerais sobre mudanças comportamentais desejadas, decorrendo de uma filosofia da educação e surgem do estudo da sociedade contemporânea e do estudo sobre o desenvolvimento do aluno sobre os processos de aprendizagem. Os objetivos instrucionais ou específicos consistem numa maior especificação dos objetivos educacionais e numa operacionalização dos mesmos. Os objetivos instrucionais, portanto, são proposições específicas sobre mudanças no comportamento dos alunos, que serão atingidos gradativamente no processo de ensino-aprendizagem. Os objetivos educacionais e instrucionais, por sua vez, podem referir-se aos domínios cognitivo, afetivo ou psicomotor. Alguns autores utilizam a palavra taxonomia para indicar essa classificação O domínio cognitivo refere-se a razão, à inteligência e à memória, compreendendo desde simples informações e conhecimentos intelectuais, até ideias, princípios, habilidades mentais de análise, síntese, entre outros. Segundo Libâneo (1994), os objetivos gerais são explicitados em três níveis de abrangência, do mais amplo ao mais específico: a) Pelo sistema escolar, que expressa as finalidades educativas de acordo com ideais e valores dominantes na sociedade. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 47 b) Pela escola, que estabelece princípios e diretrizes de orientação do trabalho escolar com base num plano pedagógico-didático que represente o consenso do corpo docente em relação à filosofia da educação e à prática escolar. c) Pelo professor, que concretiza no ensino da matéria a sua própria visão de educação e de sociedade. Os objetivos específicos particularizam a compreensão das relações entre escola e sociedade e especialmente do papel da matéria de ensino. Eles expressam, pois, as expectativas do professor sobre o que deseja obter dos alunos no decorrer do processo de ensino. Têm sempre um caráter pedagógico, porque explicitam o rumo a ser imprimido ao trabalho escolar, em torno de um programa de formação (LIBÂNEO, 1994). A cada matéria de ensino correspondem objetivos que expressam resultados a obter: conhecimentos, habilidades e hábitos, atitudes e convicções, através dos quais se busca o desenvolvimento das capacidades cognoscitivas dos alunos. Há, portanto, estreita relação entre os objetivos, os conteúdos e os métodos. Na verdade, os objetivos contêm a explicitação pedagógica dos conteúdos no sentido de que os conteúdos são preparados pedagogicamente para serem ensinados e assimilados. O professor deve vincular os objetivos específicos aos objetivos gerais, sem perder de vista a situação concreta seja da escola, da matéria, dos alunos em que serão aplicados. Resumo: não há prática educativa sem objetivos. 5.2 Conteúdos escolares Segundo nos conta Piletti (1995), na escola tradicional, o conteúdo do ensino era objeto de programas minuciosos. O planejamento de ensino consistia em adequar todo o conteúdo ao tempo disponível para seu desenvolvimento. O conteúdo era praticamente, um fim em si mesmo. Felizmente, as novas conquistas científicas no campo da educação vieram mostrar que o mais importante não é dar ao aluno um grande volume de informações. Muito mais Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 48 importante que isso é a escola promover o desenvolvimento integral e harmonioso do aluno, envolvendo as áreas cognitiva, afetiva e psicomotora. Isso não quer dizer que o conteúdo não seja importante. Ele continua sendo importante, pois a aprendizagem só se dá em cima de um determinado conteúdo: quem aprende, aprende alguma coisa. Os conteúdos de ensino são o conjunto de conhecimentos, habilidades, hábitos, modos valorativos e atitudinais de atuação social, organizados pedagógica e didaticamente, tendo em vista a assimilação ativa e aplicação pelos alunos na sua prática de vida. Segundo Lopes (2012), os conteúdos, dentro do processo ensino-aprendizagem, têm sido objeto de estudos por parte de vários autores e, às vezes, até se encontram posições antagônicas sobre o seu papel nesse processo. Nogueira (2001, p.19) chama os professores de “conteudistas” por se preocuparem com o cumprimento integral dos conteúdos selecionados para um determinado ano letivo em detrimento, até, do processo de aprendizagem. O conteúdo passa a ser o mais importante e a ele se submetem professor e alunos. Lopes (2012) cita alguns tipos de conteúdo: conteúdo conceitual é o conhecimento que o professor detém e transmite de forma teórica ao aluno. Não se discute este tipo de conteúdo, mas, sim, o fato de se ficar apenas nessa categoria tratando-o como fim e não como meio, não o relacionando com o dia-a-dia do aluno, não o tornando significativo; conteúdo procedimental é citado nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) como procedimentos que expressam um saber fazer, que envolvem tomar decisões e realizar uma série de ações, de forma ordenada e não aleatória, para atingir uma meta. Os conteúdos procedimentais sempre estão presentes nos projetos de ensino, pois realizar uma pesquisa, desenvolver um experimento, fazer um resumo, construir uma maquete são proposições de ações presentes nas salas de aula (PCN, 1997 apud NOGUEIRA, 2001, p. 20). Os procedimentos devem se constituir em um objeto no processo de ensino-aprendizagem e complementar a informação teórica, ou seja, o conteúdo conceitual; Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 49 conteúdo atitudinal é formado pelas normas e valores que, através da função socializadora e mediadora da escola, possibilitam ao aluno diferentes leituras e interpretações do mundo em que vive. Como diz Lopes (2012), um ensino que vise à formação integral do aluno deve trabalhar com conteúdos orientados para a profissão, conteúdos relativos à caracterização da condição humana e conteúdos que forneçam os fundamentos teóricos das questões axiológicas e éticas. Em todas as disciplinas, deve-se exercitar o pensamento crítico, analítico e valorativo através do diálogo e dos princípios éticos que sustentam a sociedade. O professor precisa planejar seu trabalho de modo que os conteúdos adquiram um sentido moral para inserir o exercício da profissão no âmbito da realização moral e pessoal. 5.3 Metodologia de ensino Procedimentos de ensino, estratégia, métodos e técnicas. Esses são alguns dostermos que podemos utilizar para designar aspectos relativos ao “como ensinar”. Enquanto método é o caminho, o meio que usamos para atingir um objetivo. Ele indica as grandes linhas de ação, sem se deter em como operacionalizá-las; técnica seria a operacionalização do método e procedimento, por sua vez, consiste em descrever as atividades desenvolvidas pelo professor e as atividades desenvolvidas pelos alunos (PILETTI, 1995). Do ponto de vista da concepção tradicional de ensino, os procedimentos referem-se à maneira pela qual os alunos podem assimilar a carga de informações adequadas. Isto porque a concepção tradicional, ou escola tradicional, considera o educando apenas como um repositório de informações que devem ser absorvidas sem contestação. Por isso, os métodos mais valorizados na escola tradicional são aqueles que proporcionam maior eficiência na assimilação de conteúdos e informações. Libâneo (1994) explica que o conceito mais simples de “método” é o de caminho para atingir um objetivo. Na vida cotidiana estamos sempre perseguindo objetivos. Mas estes não se realizam por si mesmos, sendo necessária a nossa atuação, ou seja, a organização de Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 50 uma sequência de ações para atingi-los. Os métodos são, assim, meios adequados para realizar objetivos. Um cientista busca um objetivo que é a obtenção de novos conhecimentos e, para isso, utiliza métodos de investigação científica. Já o estudante tem como objetivo a aquisição de conhecimentos e, para isso, utiliza métodos de assimilação de conhecimentos. Cada ramo do conhecimento, por sua vez, desenvolve métodos próprios. Temos, assim, métodos matemáticos, métodos sociológicos, métodos pedagógicos, entre outros. Podemos falar, também, em métodos de transformação da realidade, como métodos de luta política, métodos de difusão cultural, métodos de organização, entre outros. O professor, ao dirigir e estimular o processo de ensino em função da aprendizagem dos alunos, utiliza intencionalmente um conjunto de ações, passos, condições externas e procedimentos, a que chamamos métodos de ensino. Por exemplo, à atividade de explicar a matéria corresponde o método de exposição; à atividade de estabelecer uma conversação ou discussão com a classe corresponde o método de elaboração conjunta. Os alunos, por sua vez, sujeitos da própria aprendizagem, utilizam-se de métodos de assimilação de conhecimentos. Por exemplo, à atividade dos alunos de resolver tarefas corresponde o método de resolução de tarefas; à atividade que visa o domínio dos processos do conhecimento científico numa disciplina corresponde o método investigativo; à atividade de observação corresponde o método de observação e assim por diante. É preciso entendermos que os métodos de ensino, não se reduzem a quaisquer medidas, procedimentos e técnicas. Eles decorrem de uma concepção de sociedade, da natureza da atividade prática humana no mundo, do processo de conhecimento e, particularmente, da compreensão da prática educativa numa determinada sociedade. Nesse sentido, antes de se constituírem em passos, medidas e procedimentos, os métodos de ensino se fundamentam num método de reflexão e ação sobre a realidade educacional, sobre a lógica interna e as relações entre os objetos, fatos e problemas dos conteúdos de ensino, de modo a vincular a todo momento o processo de conhecimento e a atividade prática humana no mundo (LIBÂNEO, 1994). Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 51 O método de ensino expressa a relação conteúdo-método, no sentido de que tem como base um conteúdo determinado (um fato, um processo, uma teoria, entre outros). O método vai em busca das relações internas de um objeto, de um fenômeno, de um problema, uma vez que esse objeto de estudo fornece as pistas, o caminho para conhecê-lo. Mas, quando Libâneo fala que o método propicia a descoberta das relações entre as coisas que se estudam, ele está se referindo à ideia de que os fatos, os fenômenos, os processos estão em constante transformação, em constante desenvolvimento, em virtude de que é pela ação humana que as coisas mudam. Nesse sentido, apanhar os objetos de estudo nas suas relações internas significa verificar como a ação humana entra na definição de uma coisa, isto é, ver nas relações entre as coisas, os significados sociais que Ihes são dados e a que necessidades sociais e humanas está vinculado o objeto de conhecimento. O método de ensino implica ver o objeto de estudo nas suas propriedades e nas suas relações com outros objetos e fenômenos e sob vários ângulos, especialmente na sua implicação com a prática social, uma vez que a apropriação de conhecimentos tem a sua razão de ser na sua ligação com necessidades da vida humana e com a transformação da realidade social. Devido a esse entendimento, os métodos de ensino dependem dos objetivos que se formulam tendo em vista o conhecimento e a transformação da realidade. A prática educativa em nossa sociedade, através do processo de transmissão e assimilação ativa de conhecimentos e habilidades, deve ter em vista a preparação de crianças e jovens para uma compreensão mais ampla da realidade social, para que essas crianças e jovens se tornem agentes ativos de transformação dessa realidade. Intermediando esse processo, os métodos de ensino são ações, passos e procedimentos vinculados ao método de reflexão, compreensão e transformação da realidade, que, sob condições concretas de cada situação didática, asseguram o encontro formativo entre o aluno e as matérias de ensino. Assim, devemos compreender que método de ensino não se reduz a um conjunto de procedimentos. Este é um detalhe do método, formas específicas da ação docente utilizadas em distintos métodos de ensino. Por exemplo, se é utilizado o método de exposição, podem-se Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 52 utilizar procedimentos, tais como leitura e compreensão de um texto, demonstração de um experimento, perguntas aos alunos para verificar a compreensão do exposto, entre outros. Guarde... Os métodos de ensino são as ações do professor pelas quais se organizam as atividades de ensino e dos alunos para atingir objetivos do trabalho docente em relação a um conteúdo específico. Eles regulam as formas de interação entre ensino e aprendizagem, entre o professor e os alunos, cujo resultado é a assimilação consciente dos conhecimentos e o desenvolvimento das capacidades cognoscitivas e operativas dos alunos. A escolha e organização dos métodos de ensino devem corresponder à necessária unidade objetivos-conteúdos-métodos e formas de organização do ensino e às condições concretas das situações didáticas. Em primeiro lugar, os métodos de ensino dependem dos objetivos imediatos da aula: introdução de matéria nova, explicação de conceitos, desenvolvimento de habilidades, consolidação de conhecimentos, entre outros.Ao mesmo tempo, dependem de objetivos gerais da educação previstos nos planos de ensino pela escola ou pelos professores. Em segundo lugar, a escolha e organização dos métodos dependem dos conteúdos específicos e dos métodos peculiares de cada disciplina e dos métodos da sua assimilação. Há uma relação mútua entre os métodos gerais de ensino – comuns e fundamentais a todas as disciplinas – e os métodos específicos de cada uma. Não há método único de ensino, mas uma variedade de métodos cuja escolha depende dos conteúdos da disciplina, das situações didáticas específicas e das características socioculturais e de desenvolvimento mental dos alunos (LIBÂNEO, 1994). Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 53 INTRODUÇÃO – TECNOLOGIA EDUCACIONAL Tecnologia não substitui o educador, educar é humano. A tecnologia chega às salas de aula trazendo muitas mudanças na relação professor-aluno e no processo de ensino- aprendizagem. Mas há um fator de extrema importância neste processo de inovações: conhecer os recursos disponíveis e saber utilizá-los de forma adequada. Muitos se encantam pela novidade e se esquecem de refletir sobre o que na verdade estão utilizando, às vezes utilizam inadequadamente um determinado produto, não abstraindo tudo o que ele pode oferecer, outras vezes dão demasiada importância ao produto e se esquecem das outras ferramentas de trabalho que já utilizavam e que podem ser tanto ou até mais interessantes. E ainda existem aqueles que resistem ao novo, numa demonstração de comodismo ou até de medo. Por isso, é preciso estar atento, é preciso conhecer as novidades que a tecnologia oferece no campo educacional. Mas é preciso também avaliar criteriosamente até que ponto esta novidade irá realmente trazer benefícios. Procure sempre questionar as características, vantagens, desvantagens, exemplos de utilização, experiências vividas, enfim, avaliar a verdadeira aplicabilidade pedagógica. A evolução não está principalmente nas tecnologias – cada vez mais sedutoras – mas em nós mesmos, na capacidade em nos tornarmos pessoas autênticas e plenas, num mundo em grandes mudanças que nos seduzem a um consumismo devorador. É maravilhoso crescer, evoluir, comunicar-se plenamente com tantas tecnologias de apoio. É frustrante, por outro lado, constatar que muitos só utilizam essas tecnologias nas suas dimensões mais superficiais, alienantes ou autoritárias. A verdadeira evolução do ensino, em grande parte, vai depender de você, educador! A ementa desta disciplina tem como objetivo integrar a informática à educação através da análise e utilização do computador de forma interdisciplinar, discutindo pontos como: vantagens, limitações, softwares educacionais e uso de ferramentas. Componentes teóricos e metodológicos relacionados ao processo de avaliação dos ambientes educacionais informatizados incluindo: aspectos de cunho pedagógico; tipos de uso; critérios ergonômicos; tipos de recursos computacionais utilizados, metodologias de avaliação. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 54 Bom curso e bom êxito em suas produções e reflexões. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 55 UNIDADE 6 – HISTÓRICO DO COMPUTADOR NA EDUCAÇÃO A introdução do computador na educação tem provocado uma verdadeira revolução em nossa concepção de ensino e de aprendizagem. Primeiro, os computadores podem ser usados para ensinar. A quantidade de programas educacionais e as diferentes modalidades de uso do computador mostram que esta tecnologia pode ser bastante útil no processo de ensino- aprendizado. A análise desses programas mostra que, num primeiro momento, eles podem ser caracterizados como simplesmente uma versão computadorizada dos atuais métodos de ensino. A história do desenvolvimento do software educacional mostra que os primeiros programas nesta área são versões computadorizadas do que acontece na sala de aula. Entretanto, isto é um processo normal que acontece com a introdução de qualquer tecnologia na sociedade. Com a introdução do computador na educação, a história não tem sido diferente. Inicialmente, ele tenta imitar a atividade que acontece na sala de aula e, a medida que esse uso se dissemina, outras modalidades de uso do computador vão se desenvolvendo. O ensino através da informática tem suas raízes no ensino através das máquinas. Esta ideia foi usada por Dr. Sidney Pressey, em 1924, quando inventou uma máquina para corrigir Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 56 testes de múltipla escolha. Isso foi posteriormente elaborado por B.F. Skinner que, no início de 1950, como professor de Harvard, propôs uma máquina para ensinar usando o conceito de instrução programada. A instrução programada consiste em dividir o material a ser ensinado em pequenos segmentos logicamente encadeados e denominados módulos. Cada fato ou conceito é apresentado em módulos sequenciais. Cada módulo termina com uma questão que o aluno deve responder preenchendo espaços em branco ou escolhendo a resposta certa entre diversas alternativas apresentadas. O estudante deve ler o fato ou conceito e é imediatamente questionado. Se a resposta está correta, o aluno pode passar para o próximo módulo. Se a resposta está errada, a resposta certa pode ser fornecida pelo programa ou o aluno é convidado a rever módulos anteriores ou, ainda, a realizar outros módulos, cujo objetivo é remediar o processo de ensino. De acordo com a proposta de Skinner 2 , a instrução programada era apresentada na forma impressa e foi muito usada durante o final de 1950 e início dos anos 60. Entretanto, esta ideia nunca se tornou muito popular pelo fato de ser muito difícil a produção do material instrucional e os materiais existentes não possuírem nenhuma padronização, dificultando a sua disseminação. Com o advento do computador, notou-se que os módulos do material instrucional poderiam ser apresentados pelo computador com grande flexibilidade. Assim, durante o início dos anos 60, diversos programas de instrução programada foram implementados no computador. 2 Burrhus Frederic Skinner foi um autor e psicólogo que conduziu trabalhos pioneiros em psicologia experimental e era propositor do Behaviorismo Radical, abordagem que busca entender o comportamento inteiramente em função da história ambiental de reforçamento. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicosou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 57 Durante os anos 60, houve um investimento muito grande por parte do governo americano na produção de CAI. Diversas empresas de computadores como IBM, RCA e Digital investiram na produção de CAI para serem comercializados. A ideia era revolucionar a educação. Entretanto, os computadores ainda eram muito caros para serem adquiridos pelas escolas. Somente as universidades poderiam elaborar e disseminar este recurso educacional. Assim, em 1963, a Universidade de Stanford ,na Califórnia, através do Institute for Mathematical Studies in the Social Sciences, desenvolveu diversos cursos como Matemática e leitura para alunos do 1º grau. Posteriormente, diversos cursos da Universidade de Stanford foram ministrados através do computador. O professor Patrick Suppes, desta Universidade, se apresentava como o professor que ministrava mais cursos e que tinha o maior número de estudantes, mais do que qualquer outro professor universitário nos Estados Unidos da América. Todos os seus cursos eram do tipo CAI. A disseminação do CAI nas escolas somente aconteceu com os microcomputadores. Isto permitiu uma enorme produção de cursos e uma diversificação de tipos de CAI, como tutoriais, programas de demonstração, exercício-e-prática, avaliação do aprendizado, jogos educacionais e simulação. Além da diversidade de CAIs, a ideia de ensino pelo computador permitiu a elaboração de outras abordagens, nas quais o computador é usado como ferramenta no auxílio de resolução de problemas, na produção de textos, manipulação de banco de dados Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 58 e controle de processos em tempo real. De acordo com estudos feitos pelo The Educational Products Information Exchange (EPIE) Institute, uma organização do Teachers College, Columbia, E.U.A., foram identificados, em 1983, mais de 7.000 pacotes de softwares educacionais no mercado, sendo que 125 eram adicionados a cada mês. Eles cobriam principalmente as áreas de Matemática, Ciências, Leitura, Artes e Estudos Sociais. É bom lembrar que essa produção maciça de software aconteceu durante somente três anos após a comercialização dos microcomputadores. Hoje, é praticamente impossível identificar o número de softwares educacionais produzidos e comercializados. Entretanto, as novas modalidades de uso do computador na educação apontam para uma nova direção: o uso desta tecnologia não como “máquina de ensinar”, mas como uma nova mídia educacional: o computador passa a ser uma ferramenta educacional, uma ferramenta de complementação, de aperfeiçoamento e de possível mudança na qualidade do ensino. Isto tem acontecido pela própria mudança na nossa condição de vida e pelo fato de a natureza do conhecimento ter mudado. Hoje, nós vivemos num mundo dominado pela informação e por processos que ocorrem de maneira muito rápida e imperceptível. Os fatos e alguns processos específicos que a escola ensina rapidamente se tornam obsoletos e inúteis. Portanto, ao invés de memorizar informação, os estudantes devem ser ensinados a buscar e a usar a informação. Estas mudanças podem ser introduzidas com a presença do computador que deve propiciar as condições para os estudantes exercitarem a capacidade de procurar e selecionar informação, resolver problemas e aprender independentemente. A mudança da função do computador como meio educacional acontece juntamente com um questionamento da função da escola e do papel do professor. A verdadeira função do aparato educacional não deve ser a de ensinar, mas sim a de criar condições de aprendizagem. Isto significa que o professor deve deixar de ser o repassador do conhecimento — o computador pode fazer isto e o faz muito mais eficientemente do que o professor — e passar a ser o criador de ambientes de aprendizagem e o facilitador do processo de desenvolvimento intelectual do aluno. Entretanto, é importante lembrar que estas diferentes modalidades de uso do computador na educação vão continuar coexistindo. Não se trata de uma substituir a outra, como não aconteceu com a introdução de outras tantas tecnologias na nossa sociedade. O importante é compreender que cada uma dessas modalidades apresenta características Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 59 próprias, vantagens e desvantagens. Estas características devem ser explicitadas e discutidas de modo que as diferentes modalidades possam ser usadas nas situações de ensino- aprendizado que mais se adequam. Além disto, a diversidade de modalidades propiciará um maior número de opções e estas opções certamente atenderão a um maior número de usuários. Do outro lado, as novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) vêm causando um impacto significativo no processo de ensino-aprendizagem, abrindo-lhe perspectivas novas de acesso ao conhecimento universal e possibilitando uma interessante maneira de produzir conhecimentos em rede digital de comunicação. Essas tendências expandiram o espaço da sala de aula para muito além de suas paredes físicas, levando professores e alunos a mergulhar em novos conhecimentos bem mais diversificados e atualizados. Somente através das análises das experiências realizadas é que se torna claro que a promoção dessas mudanças pedagógicas não depende simplesmente da instalação dos computadores nas escolas. É necessário repensar a questão da dimensão do espaço e do tempo da escola. A sala de aula deve deixar de ser o lugar das carteiras enfileiradas para se tornar um local em que professor e alunos podem realizar um trabalho diversificado em relação a conhecimento e interesse. O papel do professor deixa de ser o de “entregador” de informação para ser o de facilitador do processo de aprendizagem. O aluno deixa de ser passivo, de ser o receptáculo das informações para ser ativo aprendiz, construtor do seu conhecimento. Portanto, a ênfase da educação deixa de ser a memorização da informação transmitida pelo professor e passa a ser a construção do conhecimento realizada pelo aluno de maneira significativa, sendo o professor o facilitador desse processo de construção. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 60 UNIDADE 7 – INTRODUÇÃO À INFORMÁTICA EDUCATIVA A informática tem sido considerada por toda a comunidade escolar como algo quase mágico que cai sobre a escola. No entanto, utilizá-la na área educacional é bem mais complexo do que a utilização de qualquer outro recurso didático, tendo em vista a diversidade de recursos disponíveis. Esta ciência oportuniza ao aluno: pesquisar, comunicar, criar desenhos, efetuar cálculos, simular fenômenos, dentre muitas outras ações. A escola preocupa-se em apresentar para os alunos um leque de oportunidades de utilização da informática, seja como instrumento de apoio e estímulo para o desenvolvimentocognitivo de seus alunos, seja como apoio e reforço do conteúdo visto em sala de aula ou, ainda na introdução dos conceitos básicos da tecnologia da informação. Segundo Borges (1999), há quatro formas de inicialização e utilização do computador em um ambiente escolar: Há casos em que a informática é utilizada para atender às necessidades de organização e controle administrativo da própria escola. Há casos em que o computador é utilizado – através de softwares desenvolvidos para dar suporte à educação, como os tutoriais, exercício e prática ou outros aplicativos – para os alunos poderem tirar dúvidas ou participarem de aulas como reforço; contribuindo assim para uma aprendizagem linear, mecanicista, reducionista. Há também a utilização da informática como ferramenta para a resolução de problemas. Essa forma faz alusão à educação, uma vez que, sua forma mais utilizada é feita através de projeto, no qual o aluno pode utilizar e explorar todos os recursos disponíveis. Por fim, a informática sendo utilizada como suporte ao professor, como um instrumento a mais na sala de aula. Nesse momento, o professor especialista utiliza os recursos existentes em sua potencialidade e capacidade. Dessa forma, a informática funciona como um meio didático, uma vez que o aluno interage com a máquina, com os colegas e com o professor, à medida em que este acompanha as produções dos discentes e nos momentos que escolhe para fazer as devidas intervenções. Neste contexto, a informática assume um papel de suma importância, pois funciona como agente de propagação do conhecimento, colocando-se a serviço da educação. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 61 Atualmente, percebe-se, no contexto da escola, que a Informática Educativa, no que diz respeito à natureza da proposta pedagógica, vem sendo utilizada de duas formas, que são: Por Disciplina Por Projetos Educacionais - Nesta modalidade, os professores utilizam os computadores como reforço, complementação ou sensibilização para os conteúdos abordados em sala de aula. É uma ação isolada, de interesse específico do professor, conforme a disciplina que ele ministra. - Nesta modalidade, a informática é envolvida num plano mais abrangente, uma vez que, em muitos casos, implica numa mudança de postura da escola no tocante às fontes de interesse dos alunos. A utilização da informática permeia as disciplinas integradas aos temas geradores das propostas de projetos. A partir dessas definições, podemos perceber que o eixo orientador dessas práticas são diferentes, portanto, faz-se necessário uma reflexão acerca do uso das TICs no ambiente escolar. De acordo com o Programa Brasileiro de Informática na Educação, o papel do computador é o de provocar mudanças pedagógicas profundas ao invés de “automatizar o ensino” ou preparar o aluno para ser capaz de trabalhar com essa tecnologia. Sendo assim, entra em questão a mudança da abordagem educacional, ou seja, transformar uma educação centrada no ensino, na transmissão de informações, para uma educação em que o aluno possa realizar suas atividades com autonomia e independência e assim construir seu próprio conhecimento. Entretanto, para que de fato a escola possa utilizar o computador para a realização de uma prática transformadora, remontando a percepção do construtivismo, terá que pensar em vários aspectos fundamentais desse processo; entre eles, o papel do professor. Este, por sua vez, terá que passar por um processo de formação que ofereça condições para que aprenda efetivamente a usar o computador, bem como articular suas potencialidades diante dos objetivos curriculares ou de projetos educacionais; uma vez que está claro que não basta instalar os computadores nas escolas. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 62 Nesse contexto, somente a partir de ações concretas nesse sentido, podemos dizer que o computador assume um papel fundamental de complementação, de aperfeiçoamento, de possíveis mudanças na qualidade do ensino oferecido pelas escolas e que possibilita a criação de ambientes favoráveis à produção de aprendizagens significativas por parte do aluno. O uso do computador só funciona efetivamente como instrumento no processo de ensino-aprendizagem, se for inserido num contexto de atividades que desafiem o grupo em seu crescimento. Espera-se que o aluno construa o conhecimento: na relação consigo próprio, com os outros (o professor e os colegas) e com a máquina (WEISS, 1999, p. 18). A Informática Educativa não representa um fim em si mesmo, mas um meio de estimular e desenvolver as funções perceptivas, cognitivas e sociais dos alunos. Portanto, é fundamental que a escola reflita sobre o papel do sujeito que aprende, oportunizando ao aluno ser um indivíduo crítico, ativo e responsável pela sua própria aprendizagem. Essa reflexão nos remete a Valente (1998), quando descreve diferentes formas de uso do computador na educação, principalmente no tocante à Informática Educativa; categorizando o computador como Máquina de Ensinar e como Ferramenta Educacional e a Papert (1994), quando enfatiza a questão do aprender fazer - fazendo e do interesse como envolvimento afetivo (motivação), como fatores característicos do construcionismo. Portanto, quando utilizamos o computador como ferramenta educacional, precisamos considerar o interesse do aluno, bem como a liberdade para que ele possa criar, escolher e fazer suas próprias produções. O uso do computador na perspectiva de ferramenta possibilita ao aluno e ao professor uma série de atividades. A Internet representa a poderosa função de intercomunicadora do computador e traz vários benefícios para a educação, tanto para o professor como para o aluno. Diante de tantos recursos, faz-se necessário que essas mídias sejam utilizadas no âmbito educacional de modo que venham contribuir para a construção de ambientes de aprendizagens que valorizam a criação, a opinião e o interesse dos alunos, o processo e não apenas o resultado. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 63 A informática representa uma ferramenta a mais que a escola dispõe para favorecer o prazer do aluno em construir seu próprio conhecimento. Além disso, pode promover a integração curricular, a quebra das barreiras entre as disciplinas e entre as diversas culturas, dependendo da forma como for utilizada. Atualmente, a educação tem passado por muitas mudanças, tanto no que diz respeito ao seu papel como na forma como vem desempenhando seu trabalho. A mudança de paradigma tem sido objeto de estudo de muitos educadores. Capra (1996, p. 33 apud BEHRENS, 1999, p. 58) alerta para a evolução do novo paradigma que enfatiza que “A tensão básica é a tensão entre as partes e o todo. A ênfase nas partes tem sido chamada de mecanicista, reducionista ou atomística, e a ênfase do todo, de holística, organísmica ou ecológica”. Somos chamados a trabalharcom educação a partir de uma abordagem holística ou sistêmica, que traga em suas características a rede, a teia, o sistema integrado, a interconexão, o inter-relacionamento. Por mais que apareçam novas denominações para o paradigma inovador, há um ponto de encontro entre os autores. “(...) é a visão de totalidade e o desafio de buscar a superação da reprodução para a produção do conhecimento” (BEHRENS, 1999, p. 58). A informática não poderá ficar à margem dessas transformações, ou seja, ser utilizada de forma mecanicista, reducionista, tendo em vista que, já representam em si, uma transformação, um avanço; além disso, propicia a interação, o desenvolvimento da autonomia e da criatividade. Portanto, é um chamado para o uso do computador como ferramenta educacional, uma vez que, podemos utilizar e articular os diversos recursos disponíveis por essa tecnologia de forma a favorecer o processo de construção do processo de aprendizagem de nossos alunos. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 64 UNIDADE 8 – DIFERENTES USOS DO COMPUTADOR NA EDUCAÇÃO Para a implantação do computador na educação, são necessários basicamente quatro ingredientes: o computador, o software educativo, o professor capacitado para usar o computador como meio educacional e o aluno. Todos eles têm igual importância, entretanto, vamos focar numa visão geral dos diferentes usos do computador e descrever os diferentes tipos de software educativo que é um ingrediente com tanta importância quanto os outros, pois, sem ele, o computador jamais poderá ser utilizado na educação. Na educação, o computador tem sido utilizado tanto para ensinar sobre computação como para ensinar praticamente qualquer assunto. No ensino de computação, o computador é usado como objeto de estudo, ou seja, o aluno usa o computador para adquirir conceitos computacionais como princípios de funcionamento do computador, noções de programação e implicações sociais do computador na sociedade. Entretanto, a maior parte dos cursos oferecidos nessa modalidade pode ser caracterizada como de “conscientização do estudante para a informática”, ao invés de ensiná- lo a programar. Assim, os propósitos são vagos e não determinam o grau de profundidade do conhecimento que o aluno deve ter – tem até contribuído para tornar esta modalidade de utilização do computador extremamente nebulosa e facilitado a sua utilização como chamarisco mercadológico. E como tal, as escolas oferecem cursos de computação nos quais os alunos trabalham em duplas e têm acesso ao computador somente uma hora por semana, quando muito. Certamente, esse não é o enfoque da informática educativa e, portanto, não é a maneira como o computador deve ser usado no ambiente de aprendizagem. O ensino pelo computador implica que o aluno, através da máquina, possa adquirir conceitos sobre praticamente qualquer assunto. Entretanto, a abordagem pedagógica de como isso acontece é bastante variada, oscilando entre grandes polos. Esses polos são caracterizados: computadores, o software e o aluno. Porém, o que estabelece a polaridade é a maneira como esses ingredientes são usados. De um lado, o computador, através do software, ensina o aluno. Enquanto do outro, o aluno, através do software, “ensina” o computador. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 65 No outro polo, para o aprendiz “ensinar” o computador, o software é uma linguagem computacional ou uma linguagem para criação de banco de dados ou mesmo um processador de textos que permite ao aprendiz representar suas ideias segundo o software. Nesse caso, o computador pode ser visto como uma ferramenta que permite ao aprendiz resolver problemas ou realizar tarefas como desenhar, escrever, comunicar-se, entre outras. Segundo a classificação de Stahl (1998), o computador pode auxiliar o processo pedagógico sob três formas: computador tutor, ferramenta e tutelado. 8.1 Computador tutor O computador tutor desempenha praticamente o papel do professor. Ele é capaz de dirigir o aluno ensinando um novo conteúdo e podendo até avaliar o que realmente foi, ou não, aprendido pelo aluno. 8.2 Computador ferramenta O Computador como ferramenta educacional consiste basicamente na sua utilização para auxiliar as tarefas escolares de alunos e professores, tais como digitar textos, montar tabelas e gráficos, guardar dados e informações, utilizar pequenas planilhas de cálculo. Tais tarefas são executadas com o auxilio de aplicativos, como o processador de texto (Word), o gerenciador de banco de dados (Access) e o editor de planilhas (Excel). 8.3 Computador tutelado O computador tutelado implica a prática de programar o computador para realizar determinada tarefa, simples ou complicada. Por meio dessa programação, o aluno indica o que o computador deve fazer, passo a passo e pôr aí, ele ensina o computador como ele deve fazer determinada tarefa. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 66 UNIDADE 9 – DIFERENTES TIPOS DE SOFTWARES USADOS NA EDUCAÇÃO Segundo Valente (1998): A aprendizagem pode ocorrer basicamente de duas maneiras: a informação é memorizada ou é processada pelos esquemas mentais e esse processamento acaba enriquecendo esses esquemas. Neste último caso, o conhecimento é construído. Essas diferenças em aprender são fundamentais, pois em um caso significa que a informação não foi processada e, portanto, não está passível de ser aplicada em situações de resolução de problemas e desafios. Essa informação, quando muito, pode ser repetida de maneira mais ou menos fiel, indicando a fidelidade da retenção. Por outro lado, o conhecimento construído está incorporado aos esquemas mentais que são colocados para funcionar diante de situações problema ou desafios. Neste caso, o aprendiz pode resolver o problema, se dispõe de conhecimento para tal ou deve buscar novas informações para serem processadas e agregadas ao conhecimento já existente. O computador pode ser um importante recurso para promover a passagem da informação ao usuário ou facilitar o processo de construção de conhecimento. No entanto, por intermédio da análise dos softwares, é possível entender que o aprender (memorização ou construção de conhecimento) não deve estar restrito ao software, mas à interação do aluno- software. Como foi mostrado por Piaget, o nível de compreensão está relacionado com o nível de interação que o aprendiz tem com o objeto e não com o objeto em si. Assim, a análise dos softwares educacionais, em termos da construção do conhecimento e do papel que o professor deve desempenhar para que esse processo ocorra, permite classificá-los em posições intermediárias entre os tutoriais e a programação. No entanto, cada um dos diferentes softwares usados na educação apresenta características que podem favorecer, de maneira mais ou menos explícita, o processo de construção do conhecimento. É isso que deve ser analisado,quando escolhemos um software para ser usado em situações educacionais. Para o MEC (1987 apud ABREU,1998), “software educacional é aquele elaborado para contribuir para o ensino e a aprendizagem”. Essa definição que identifica uma categoria Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 67 de sistemas aplicativos de computador propõe uma reflexão sobre a validade das características educacionais destes softwares. Alguns autores preferem chamar o software que se enquadra na descrição acima como educativo. No entanto, é necessário entender que qualquer tentativa para analisar os diferentes usos do computador na educação é problemática e pode resultar em uma visão muito simplista sobre o software e seu uso. Porém, pode tornar-se um exercício interessante e nos ajudar a entender o papel do computador e como ele pode ser efetivo no processo de construção do conhecimento. É importante considerarmos seriamente a questão porque, na verdade, alguns milhões de dólares entram em jogo na produção e comercialização de “softwares educacionais”. Por consequência, a produção massificada e acrítica de softwares e a pressão para vender estes produtos devem ser contrapostas com critérios de avaliação que passem muito mais pelo “educacional” do que pelo “software”. Identificando características relacionadas com fundamentos educacionais, poderemos determinar se um software é ou não adequado como ferramenta ou instrumento de uma proposta pedagógica. Valente (1998) afirma que a descrição dos tipos de softwares educacionais é bastante didática, sendo quase impossível encontrar um software puramente desenvolvido e utilizado com as características de uma única classificação. A classificação apresentada a seguir considera vários autores, principalmente Stahl (1998) que classifica os softwares educativos em Tutor, Ferramenta e Tutelado. O computador como máquina de ensinar Esta modalidade pode ser caracterizada como uma versão computadorizada dos métodos tradicionais de ensino. As categorias mais comuns desta modalidade são os tutoriais, exercício-e-prática (drill-and-practice), jogos e simulação. Programas tutoriais Os programas tutoriais constituem uma versão computacional da instrução programada. A vantagem dos tutoriais é o fato de o computador poder apresentar o material com outras características que não são permitidas no papel como: animação, som e a Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 68 manutenção do controle da performance do aprendiz, facilitando o processo de administração das lições e possíveis programas de remediação. Além destas vantagens, os programas tutoriais são bastante usados pelo fato de permitirem a introdução do computador na escola sem provocar muita mudança, é a versão computadorizada do que já acontece na sala de aula. O professor necessita de pouquíssimo treino para o seu uso, o aluno já sabe qual é o seu papel como aprendiz, e os programas são conhecidos pela sua paciência infinita. Por outro lado, o desenvolvimento de um bom tutorial é extremamente caro e difícil. As indústrias de software educativo preferem gastar no aspecto de entretenimento, com gráficos e som conquistadores, ao invés de gastar no aspecto pedagógico ou no teste e na qualidade do programa. A tendência dos bons programas tutoriais é utilizar técnicas de Inteligência Artificial para analisar padrões de erro, avaliar o estilo e a capacidade de aprendizagem do aluno e oferecer instrução especial sobre o conceito que o aluno está apresentando dificuldade (WENGER apud VALENTE, 1998, p.8). A falta de recursos computacionais e de equipes multidisciplinares que permitem a produção de bons tutoriais tem feito com que grande parte dos programas que se encontram no mercado sejam de má qualidade. A maioria dos programas disponíveis é desprovida de técnicas pedagógicas, não requer nenhuma ação por parte do aprendiz a não ser ler um texto e responder uma pergunta de múltipla escolha, perpetuando um método de ensino que já é péssimo, só que agora numa versão computacional (EPIE apud VALENTE, 1998). Programas de exercícios e prática Tipicamente, os programas de exercício e prática são utilizados para revisar material visto em classe, principalmente material que envolve memorização e repetição, como aritmética e vocabulário. Estes programas requerem a resposta frequente do aluno, propiciam feedback imediato, exploram as características gráficas e sonoras do computador e, geralmente, são apresentados na forma de jogos. A vantagem deste tipo de programa é o fato do professor dispor de uma infinidade de exercícios que o aprendiz pode resolver de acordo com seu grau de conhecimento e interesse. Se o software, além de apresentar o exercício, coletar as respostas de modo a verificar a Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 69 performance do aprendiz, então o professor terá à sua disposição um dado importante sobre como o material visto em classe está sendo absorvido (VALENTE, 1998, p.9). Entretanto, para alguns professores, este dado não é suficiente. Mesmo por que é muito difícil para o software detectar o porquê o aluno acertou ou errou. A avaliação de como o assunto está sendo assimilado exige um conhecimento muito mais amplo do que o número de acertos e erros dos aprendizes. Portanto, a ideia de que os programas de exercício-e-prática aliviam a tediosa tarefa dos professores corrigirem os testes ou avaliações não é totalmente verdadeira. Eles eliminam a parte mecânica da avaliação. Entretanto, ter uma visão clara do que está acontecendo com o processo de assimilação dos assuntos vistos em classe exige uma visão mais profunda da performance dos alunos. Jogos educacionais A pedagogia por trás dessa abordagem é a de exploração autodirigida ao invés da instrução explícita e direta. Os proponentes desta filosofia de ensino defendem a ideia de que a criança aprende melhor quando é livre para descobrir relações por ela mesma, ao invés de ser explicitamente ensinada. Os jogos, do ponto de vista da criança, constituem a maneira mais divertida de aprender. Existe uma grande variedade de jogos educacionais para ensinar conceitos que podem ser difíceis de serem assimilados pelo fato de não existirem aplicações práticas mais imediatas, como o conceito de trigonometria, de probabilidade, entre outros. Entretanto, o grande problema com os jogos é que a competição pode desviar a atenção da criança do conceito envolvido no jogo. Além disso, a maioria dos jogos explora conceitos extremamente triviais e não tem a capacidade de diagnóstico das falhas do jogador. A maneira de contornar estes problemas é fazendo com que o aprendiz, após uma jogada que não deu certo, reflita sobre a causa do erro e tome consciência do erro conceitual envolvido na jogada errada. É desejável e, até possível, que alguém use os jogos dessa maneira. Na prática, o objetivo passa a ser unicamente vencerno jogo e o lado pedagógico fica em segundo plano. Simulação Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 70 Simulação envolve a criação de modelos dinâmicos e simplificados do mundo real. Estes modelos permitem a exploração de situações fictícias; de situações com risco como manipulação de substância química ou objetos perigosos; de experimentos que são muito complicados, caros ou que levam muito tempo para se processarem e de situações impossíveis de serem obtidas. A simulação oferece a possibilidade de o aluno desenvolver hipóteses, testá-las, analisar resultados e refinados conceitos. Esta modalidade de uso do computador na educação é muito útil para trabalho em grupo. Os diferentes grupos podem testar diferentes hipóteses e, assim, ter um contato mais real com os conceitos envolvidos no problema em estudo. Portanto, os potenciais educacionais desta modalidade de uso do computador são muito mais ambiciosos do que os dos programas tutoriais. Nos casos em que o programa permite um maior grau de intervenção do aluno no processo sendo simulado (por exemplo, definindo as leis de movimento dos objetos da simulação), o computador passa a ser usado mais como ferramenta do que como máquina de ensinar (VALENTE, 1998, p. 11). Por outro lado, as boas simulações são bastante complicadas de serem desenvolvidas, requerem grande poder computacional, recursos gráficos e sonoros, de modo a tornar a situação problema o mais perto do real possível. Geralmente, estas características não são exploradas. O que se encontra no mercado em geral é extremamente trivial ou muito simples. Outra dificuldade com a simulação é o seu uso. Por si só ela não cria a melhor situação de aprendizado. A simulação deve ser vista como um complemento de apresentações formais, leituras e discussões em sala de aula. Se estas complementações não forem realizadas não existe garantia de que o aprendizado ocorra e de que o conhecimento possa ser aplicado à vida real. Além disso, pode levar o aprendiz a formar uma visão distorcida a respeito do mundo; por exemplo, ser levado a pensar que o mundo real pode ser simplificado e controlado da mesma maneira que nos programas de simulação. Portanto, é necessário criar condições para o aprendiz fazer a transição entre a simulação e o fenômeno no mundo real. Esta transição não ocorre automaticamente e, portanto, deve ser trabalhada (VALENTE, 1998, p. 12). É importante notar que a descrição dos programas que ensinam apresentada aqui é bastante didática. Na verdade, é impossível encontrar um programa puramente tutorial ou de exercício-e-prática. Além disso, com o desenvolvimento dos recursos computacionais, é Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 71 possível integrar texto, imagens de vídeo, som, animação e mesmo interligação da informação numa sequência não linear, implementando, assim, o conceito de multimídia ou de hipermídia. Os programas com essas características são extremamente bonitos, agradáveis e muito criativos. Porém, mesmos nesses casos, a abordagem pedagógica usada é o computador ensinando um determinado assunto ao aprendiz. Mesmo com todos esses recursos, ainda é computador que detém o controle do processo de ensino. Entretanto, o computador pode ser um recurso educacional muito mais afetivo do que a máquina de ensinar. Ele pode ser uma ferramenta para promover aprendizagem. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 72 O computador como ferramenta O computador pode ser usado também como ferramenta educacional. Segundo essa modalidade, ele não é mais o instrumento que ensina o aprendiz, mas a ferramenta com a qual o aluno desenvolve algo, e, portanto, o aprendizado ocorre pelo fato de executar uma tarefa por intermédio do computador. Estas tarefas podem ser a elaboração de textos, usando os processadores de textos, pesquisa de banco de dados já existentes ou criação de um novo banco de dados; resolução de problemas de diversos domínios do conhecimento e controle de processo em tempo real, como objetos que se removem no espaço ou experimentos de um laboratório de Física ou Química; produção de música; comunicações; uso de rede de computadores e controle administrativo da classe e dos alunos. Aplicativos para uso do aluno e do professor Programas de processamento de texto, planilhas, manipulação de banco de dados, construção e transformação de gráficos, sistemas de autoria, Internet, calculadores numéricos são aplicativos extremamente úteis tanto ao aluno quanto ao professor. Talvez estas ferramentas constituam uma das maiores fontes de mudança do ensino e do processo de manipular informação. As modalidades de softwares descritas acima podem ser caracterizadas como uma tentativa de computadorizar o ensino tradicional. Com a criação destes programas de manipulação da informação, estamos vendo nascer uma nova indústria de software educativo que pode causar um grande impacto na maneira como ensinamos e como nos relacionamos com os fatos e com o conhecimento. Computador como comunicador Uma outra função do computador como ferramenta é a de transmitir a informação e, portanto, servir como um comunicador. Assim, os computadores podem ser interligados entre si formando uma rede de computadores. Uma vez que os computadores estão interligados, é possível enviar mensagens de um para o outro através de softwares, ou ainda a consulta a banco de dados na qual um número de pessoas que compartilha de um mesmo interesse pode traçar informações sobre determinado assunto, criando uma base de dados. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 73 Outro uso do computador como comunicador é o de complementar certas funções do nosso sentido facilitando o processo de acesso ou de fornecimento de informação. Isto é especialmente interessante quando o computador é usado por indivíduos deficientes. Por exemplo, os portadores de deficiência física que não dispõem de coordenação motora suficiente para comandar o teclado do computador podem usá-lo, através de dispositivos especialmente projetados, para captar os movimentos que ainda podem ser reproduzidos, como movimento de cabeça, dos lábios, da pálpebra dos olhos, e com isto permitir que essas pessoas transmitam um sinal para o computador. Este sinal pode ser interpretado por um programa e assumir um significado, uma informação, que levará o computador a executar algo, como usar um processador de texto, um controlador de objetos, entre outros, até mesmo para “falar” (VALENTE apud VALENTE, 1998, p. 17). Resolução de problemas através do computador Oobjetivo desta modalidade de uso do computador é propiciar um ambiente de aprendizado baseado na resolução de problemas. O aprendizado baseado na resolução de problemas ou na elaboração de projetos não é novo e já tem sido amplamente explorado através dos meios tradicionais de ensino. O computador adiciona uma nova dimensão – o fato de o aprendiz ter que expressar a resolução do problema segundo uma linguagem de programação. Isto possibilita uma série de vantagens. Primeiro, as linguagens de computação são precisas e não ambíguas. Neste sentido, podem ser vistas como uma linguagem matemática. Portanto, quando o aluno representa a resolução do problema segundo um programa de computador ele tem uma descrição formal, precisa, desta resolução. Segundo, este programa pode ser verificado através da sua execução, com isto, o aluno pode verificar suas ideias e conceitos. Se existe algo errado, o aluno pode analisar o programa e identificar a origem do erro. Tanto a representação da solução do problema como a sua depuração são muito difíceis de serem conseguidas através dos meios tradicionais de ensino. As linguagens para representação da solução do problema podem, em princípio, ser qualquer linguagem de computação, como o BASIC, o Pascal, ou o LOGO. No entanto, deve ser notado que o objetivo não é ensinar programação de computadores e sim como representar a solução de um problema segundo uma linguagem computacional. O produto final pode ser o Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 74 mesmo – obtenção de um programa de computador – os meios são diferentes. Assim, como meio de representação, o processo de aquisição da linguagem de computação deve ser a mais transparente e menos problemática possível. Ela é um veículo para expressão de uma ideia e não o objeto de estudo. Com essas preocupações em mente é que algumas linguagens de programação foram desenvolvidas, sendo que o LOGO é a mais conhecida delas. O Logo, tanto a linguagem como a metodologia Logo de ensino-aprendizado, tem sido amplamente usado com alunos de ensino fundamental, ensino médio, graduação e educação especial. É importante mencionar que o Logo, geralmente, é apresentado através da Tartaruga (mecânica ou de tela) que se move no espaço ou na tela como resposta aos comandos que a criança fornece através do computador. Neste ambiente de aprendizagem, o aprendiz pode explorar conceitos de diferentes domínios, como matemática, física, resolução de problemas, planejamento e programação. A dificuldade com a utilização de Logo na escola é a preparação do professor e o fato de o Logo não poder ser utilizado em todas as áreas do conhecimento (VALENTE, 1998, p. 14). Entretanto, a representação da solução de um problema não precisa ser necessariamente feita por uma linguagem de programação. Hoje existem programas em que a linguagem para representação da solução é bastante específica e voltada para o tipo de problema que está sendo abordado. É o caso dos softwares de autoria Everest, Toolbook, VisualClass, exemplos de projetos com o uso de páginas multimídia, agregando as técnicas e recursos de edição de som, imagens, inserção de vídeo, textos, animação e banco de dados, testes e desafios para serem desenvolvidos pelos alunos, a partir dos conteúdos trabalhados em sala de aula. Diversas experiências realizadas mostraram que as linguagens de programação podem constituir-se em poderosas ferramentas de ensino-aprendizagem, no sentido em que ao “ensinar” o computador a realizar determinada tarefa, o aluno é obrigado a construir o seu próprio conhecimento e a organizar suas ideias. Este ambiente de programação pode levar o aluno ao desenvolvimento de novos conceitos, à exploração de novos métodos e à consolidação de seu aprendizado, através de correções em seus métodos de resolução de problemas, sendo o professor o integrador neste processo de aprendizagem do aluno/computador. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 75 Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 76 UNIDADE 10 – PROJETOS EDUCACIONAIS INTERDISCIPLINARES Todo ponto de vista é a vista de um ponto. Ler significa reler e compreender, interpretar. Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam. Leonardo Boff (1997, p. 9) Introdução O desenvolvimento de software educacional ganhou um grande impulso nos últimos anos, provocando uma avalanche de novas opções no mercado. A questão fundamental é como lidar com tanta diversidade. Há alguns anos, a escolha dos educadores restringia-se a duas opções: Programas de Instrução Programada e Linguagem de Programação LOGO. Hoje, a Informática na Educação conta com muitas novidades e o dilema do educador é: o que escolher? Embora não haja um consenso sobre como “categorizar” os softwares educacionais, há sempre um conjunto de características que definem diferentes tipos como, por exemplo, tutoriais, simulação, modelagem, linguagem de programação, jogos, entre outros. Com base nestas características, Rocha (1996) levanta alguns pontos que devem ser considerados ao se efetuar a análise de um software educacional. A autora observa que há entre estes pontos um inter-relacionamento, dada a natureza educacional do software que está sendo analisado: características de interface mudam muito de acordo com a categoria e/ou abordagem pedagógica de um software. (...) um software que tem como fundamentação teórico-pedagógica o construtivismo, um feedback do tipo certo e errado, gera uma inconsistência que compromete a sua qualidade. O fato de se escolher um software com características “construtivistas” não garante que o seu uso pedagógico seja construtivista. Mesmo nos casos em que o software tem uma Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 77 orientação teórica construtivista e que esta se revele nos recursos por ele oferecidos, a qualidade de ser “construtivista na prática pedagógica” é de responsabilidade do educador. É fundamental que um software seja apreciado em uma situação prática de uso. É a prática pedagógica do educador com seus alunos que deve orientar a escolha do programa. A dinâmica de trabalho pode conferir ao software um papel significativo no processo de ensino e aprendizagem, de acordo com suas metas e intenções. Em relação à escolha do software educacional, a relevância do Projeto Pedagógico é ainda maior. O estabelecimento de critérios que respaldem uma escolha apropriada funda-se no conjunto de intenções do educador materializado pelo Projeto que ele é capaz de estabelecer naquele dado momento de sua atuação profissional.A diversidade de software não deve ser vista como um problema a ser resolvido, mas como uma oportunidade de rever aspectos envolvidos no ato de ensinar e aprender. Veremos a importância do Projeto Pedagógico como pano de fundo do processo de seleção de software educacional e, consequentemente, de todo o encaminhamento da ação pedagógica do educador, tendo a aprendizagem do aluno como meta. Integrando o computador A integração do computador ao ambiente escolar é uma questão complexa. Implica compreender o papel que o computador pode assumir no processo de ensino e aprendizagem. Este papel não é homogêneo, depende, em grande parte, das intenções do educador e das características do programa computacional que se pretende utilizar. A análise de algumas experiências usando a Linguagem Logo mostrou a importância do Projeto Pedagógico para o desenvolvimento do trabalho em sala de aula e, principalmente, para a compreensão da sua função no processo educacional (FREIRE, 1996). A falta de um contexto significativo de uso, limita as potencialidades do Logo, esgotando-as. Em algumas situações, esta foi a causa do abandono desta linguagem de programação. As experiências com Logo, respaldadas por um Projeto Pedagógico bem delineado, permitiram a integração de outros aplicativos e programas computacionais ao trabalho de Informática na Educação e, ainda hoje, servem como referência. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 78 Um Projeto não nasce do nada. Ele se origina de uma situação circunstancial que precisa de soluções e que tem algumas restrições que devem ser consideradas. Projetar, portanto, implica lidar com alguns aspectos conhecidos e outros não. O Projeto Pedagógico é, necessariamente, uma organização aberta porque procura articular as informações já conhecidas e integrar outros aspectos que somente surgirão durante a execução daquilo que foi projetado. A elaboração, execução, avaliação e reformulação do Projeto Pedagógico é o que garante escolhas apropriadas no contexto da Informática na Educação. Segundo Freire e Prado (2002): O Projeto é uma das formas de organizar o trabalho pedagógico, compatibilizando sempre aquilo que já se conhece e guardando espaço para incorporar de forma ‘natural’ elementos imprevisíveis, decorrentes de sua execução. O projeto lida, concomitantemente, com dois eixos complementares: o da abrangência e o do aprofundamento. Nestes dois níveis, estabelecem-se relações que possibilitam diferentes interpretações de um objeto de estudo. A interdependência destes eixos é fundamental para a seleção de software, considerando suas contribuições para o seu papel no processo educativo a fim de criar situações significativas de aprendizagem. O eixo da abrangência garante a multiplicidade de contextos de uso de um conhecimento qualquer. Ackermann (1990) enfatiza a importância do contexto para a aprendizagem. Segundo a autora, os “conceitos” estão sempre na dependência da situação em que são utilizados. A mudança de contexto possibilita ao aprendiz retirar das diferentes situações aquilo que é constante de um dado conhecimento e, ao mesmo tempo, aquilo que é circunstancial. Isto afasta o perigo do estabelecimento de regras rígidas, soluções padronizadas e aplicação de técnicas repetitivas. O conhecimento é mutável em função do uso que dele se faz. A abrangência permite, pois, o estabelecimento de relações significativas entre conhecimentos. O eixo do aprofundamento, por sua vez, permite reconhecer e compreender as particularidades de um dado conhecimento. Neste caso, o educador sugere uma situação de aprendizagem que permite ao aluno observar, detalhadamente, o objeto de estudo em questão, dando espaço para a criação e elaboração de explicações pessoais passíveis de reformulação. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 79 Embora os temas interdisciplinares estejam em discussão na atualidade, não podemos assumir uma posição inflexível em relação a outros tipos de Projeto. Existem ainda muitos entraves para a realização de Projetos Pedagógicos com caráter interdisciplinar. Eles precisam de uma estrutura organizacional que favoreça o trabalho colaborativo em vários níveis entre os educadores: desde a concepção até a execução do Projeto propriamente dito. Resta, ainda, a questão da integração de um dado software ao Projeto Pedagógico. Se, por um lado, é importante que o educador trace metas viáveis, considerando as peculiaridades de seus alunos, seus objetivos e intenções, os conteúdos que pretende desenvolver e as condições de trabalho de que dispõe; por outro lado, é necessário que ele esteja preparado para analisar um software educacional. Somente o conhecimento das possibilidades e limites do programa computacional é que lhe permitirão reconhecer nele modos de uso condizentes com seu plano de ação. Pedagogia de Projetos Segundo Sousa (2003), Apesar de muito festejada, a Pedagogia de Projetos não é uma prática recente. Surgiu a partir do movimento da Escola Nova, com John Dewey e foi aperfeiçoada por seu discípulo Kilpatrick em fins do século passado. Segundo Lourenço Filho (1978), “a Pedagogia de Projetos surgiu com o título de home-projects”. Seu idealizador, o americano John Dewey, traçou os fundamentos desse trabalho a partir de sua Teoria da Experiência. Para ele, a experiência é: (...) agir sobre o outro corpo e sofrer de outro corpo uma reação (...) é uma forma de interação, pela qual os dois elementos que nela entram – situação e agente – são modificados (...) relação que se processa entre dois elementos do cosmos, alterando-lhes, até certo ponto a realidade. Qualquer experiência há de trazer esse resultado, inclusive as experiências humanas de reflexão e conhecimento. Com efeito, o fato de conhecer alguma coisa, importa em uma alteração simultânea no agente do conhecimento e na coisa conhecida (DEWEY, 1975, p. 13-14). Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 80 O referido autor combatia o ensino verbal difundido pela escola tradicional. O que desejava era traçar uma nova teoria da experiência, através da qual melhor se define o papel dos impulsos de ação ou na fórmula genérica então adotada, da função dos interesses. O interesse e o esforço, para Dewey, são duas faces da mesma realidade. O que chama de interesse é o aspecto interno da experiência, o que move o educando e assim é por ele sentido; o que chama de esforço é o aspecto externo pelo qual podemos observar a situação funcional resultante. Todas as vezes que a experiência for assim reflexiva, isto é, que atentarmos no antes e no depois do seu processo, a aquisição de novos conhecimentos, ou conhecimentos mais extensos do que antes, será um dos resultados (LOURENÇO FILHO, 1978, p. 116). O bom ensino só se dará quando os alunos, sob conveniente direção, possam mover- se por intenções que liguem suas impulsõese desejos a propósitos definidos, ideais e valores; este, em resumo, era o ponto de partida do sistema de projetos, como era denominado na época. O cerne da concepção educativa de Dewey era a de que “somos livres no grau em que agirmos sabendo o que pretendamos obter" e que a partir de atividades intencionais ou de propósitos definidos, a criança será levada do desejo à intenção consciente, e dessas intenções a propósitos mais amplos, na forma de aspirações e ideais. Os projetos implicam a globalização dos conhecimentos; são ativos por excelência; melhor se desenvolvem em comunidade, com exercício da ação autônoma em muitos casos. É, enfim, a vida transplantada para o seio das classes, com toda a riqueza de seus aspectos de ação, pensamento e sentimento (LOURENÇO FILHO, 1978, p. 207). Atualmente, há vários autores que defendem a temática do trabalho pedagógico a partir de projetos. Hernández (1998) associa o trabalho com projetos (Projetos de Trabalho), não como uma metodologia, mas com uma concepção de ensino, uma maneira diferente de suscitar a Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 81 compreensão dos alunos sobre os conhecimentos que circulam fora da escola e de ajudá-los a construir sua própria identidade. Uma vez que esta visa a uma ressignificação da estrutura da escola apontando possibilidades de transformação do seu espaço, tempo e organização do conhecimento; alterando principalmente o modelo de educação centrado no professor. Nilbo Nogueira afirma que: Os projetos, na realidade, são verdadeiras fontes de investigação e criação que passam, sem dúvida, por processo de pesquisa, aprofundamento, análise, depuração e criação de novas hipóteses, colocando em prova a todo momento as diferentes potencialidades dos elementos do grupo, assim como as suas limitações (NOGUEIRA, 2001, p. 94). O trabalho com projetos visa repensar o papel e a função da educação escolar, uma vez que a escola é considerada como um lugar em que se permite pensar, aprender e atuar para enfrentar alguns dos desafios que hoje se apresentam. Para tanto, faz-se necessária a presença de professores que estejam dispostos a acompanhar as mudanças que ocorrem dentro e fora dos muros da escola. Que mudanças são estas? Mudanças na sociedade, nos sistemas de representação dos valores e das identidades, nas tecnologias de informação e comunicação. Tais mudanças constituem hoje um desafio para se repensar a postura da escola. Para Almeida e Fonseca Júnior (2000, p.12), Os projetos permitem articular as disciplinas, buscam analisar os problemas sociais existenciais e contribuir para sua solução por meio da prática concreta dos alunos e da comunidade escolar. Almeida e Fonseca Júnior (2000) afirmam, ainda, que além da carência própria de cada área do saber, é preciso atribuir à escola perspectivas políticas, estéticas, afetivas e tecnológicas ao saber para que tenha significado de valores humanos. Portanto, não podemos mais conceber educação com ênfase nas partes, ou seja, mecanicista, reducionista ou atomística. Este resgate que vem sendo feito do trabalho com projetos, deve-se às possibilidades transformadoras que esta proposta comporta ao repensar o fazer pedagógico e a postura da escola. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 82 Quanto à sistematização do trabalho com projetos, Dewey reconhecia a importância de etapas necessárias dentro desse trabalho, tais como: (...) reconhecer os dados do problema, ou os fatos de uma situação; observar e examinar, em seguida, esses fatos para situar ou esclarecer a questão proposta; elaborar depois uma hipótese ou solução possível, ou várias, procedendo à escolha de uma delas; verificar, enfim, a confirmação da ideia elaborada por sua aplicação como chave e outras observações ou experiências novas (LOURENÇO FILHO, 1978, p. 208). Consideramos que tais etapas são necessárias, porém compreendemos ser também importante não impor a todo e qualquer projeto os mesmos passos ou uma ordem preestabelecida. O importante é que o percurso funcione como fio condutor entre as etapas e a aprendizagem que se vai construindo de acordo com o contexto vivenciado em cada projeto. “Um projeto na verdade é, a princípio, uma irrealidade que vai se tornando real, conforme começa ganhar corpo e a partir da realização de ações e, consequentemente, as articulações destas” (NILBO, 2001, p. 90). Na Pedagogia de Projetos existe uma construção coletiva no sentido de envolver os alunos nas etapas do projeto, desde a elaboração do tema de pesquisa, ao planejamento das atividades em busca de soluções para o problema e a avaliação. Essa construção coletiva perpassa o percurso descrito por Nilbo Ribeiro para a elaboração de um projeto. Quanto aos temas, estes poderão ser propostos por alunos e/ou professores. O mais importante é garantir o interesse e a participação de todos, uma vez que com os projetos teremos que reorganizar os conteúdos da escola a partir de metas preestabelecidas por alunos e professores. Feita a escolha do tema, passa-se à problematização deste e a formulações de hipóteses, levantando questões que irão nortear o percurso das pesquisas, que irão responder às curiosidades, aos desejos e às necessidades formuladas durante a problematização da temática. Quanto aos conteúdos, a natureza do projeto é quem vai definir as áreas do conhecimento que contemplarão as respostas das questões propostas. Portanto, os saberes das disciplinas serão integrados e valorizados para que possam de fato atender às expectativas dos alunos, bem como atingir os objetivos do projeto. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 83 (...) várias disciplinas poderão trabalhar com o mesmo tema, transformando a aprendizagem em algo não compartimentalizado, possibilitando, desta forma, que os alunos migrem de uma área à outra, navegando pela mesma temática (NILBO, 2001, p. 132). Todo esse contexto permite aos alunos compreenderem melhor os conteúdos curriculares, fazendo uma relação com seu ambiente real de vida e com as situações concretas vinculadas aos projetos, articulando melhor teoria e prática. Segundo Heloisa Luck (1994), o objetivo da interdisciplinaridade é, portanto, o de promover a superação da visão restrita de mundo e a compreensão da complexidade da realidade, ao mesmo tempo resgatando a centralidade do homem na realidade e na produção do conhecimento, de modo a permitir uma melhor compreensão da realidade e do homem como o ser determinante e determinado. Para alcançar os objetivos interdisciplinares de um projeto, faz-se necessário o compromisso e o envolvimento de todos os elementos elencados. “Sem a participação de toda a comunidade escolar, desde a sua concepção, um projeto dificilmente alcançará os objetivos da interdisciplinaridade” (NOGUEIRA, 2001. p. 136). Sendo assim, a Pedagogia de Projetos constitui uma alternativaque possibilita uma nova forma de trabalhar os conteúdos de maneira mais atraente e interessante, com o olhar voltado para o aluno e ainda permite perceber individualmente as diferentes formas de aprender, os diferentes níveis de interesse, assim como as dificuldades e potencialidades de cada um. Nesta concepção de ensino, todos os envolvidos assumem um papel a desempenhar, cabendo ao professor integrar o trabalho e facilitar o desenvolvimento de novas capacidades e superação das dificuldades apresentadas pelo grupo. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 84 UNIDADE 11 – PROCESSO DE AVALIAÇÃO DOS AMBIENTES EDUCACIONAIS INFORMATIZADOS Ambientes Educacionais Informatizados ou os chamados Ambientes Virtuais de Aprendizagem – AVAs, são, segundo Fernandes (2007), [...] programas WEB desenvolvidos para proporcionar a interatividade entre professor-aluno, aluno-aluno, mediado por computador, num processo colaborativo de aprendizagem mediada pelo professor, de forma a oferecer recursos (ferramentas) importantes para tal fim, conforme pode ser observado na Figura 1. Um AVA deve atender alguns aspectos importantes para que não comprometa a aprendizagem. Figura 1: Composição básica de um AVA. Peters (2001) descreve a terceira geração da Educação a Distância, na qual passa integrar o aprendizado com o auxílio do computador pessoal, oferecendo orientação ao autoestudo e também na comunicação mediada por computador (CMC). Dessa forma, a avaliação de AVA se faz necessária para não comprometer o processo de aprendizagem, tanto num aspecto técnico e pedagógico quanto na relação entre os dois (técnico-pedagógico). Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 85 Para tornar-se um especialista em educação a distância, é preciso digerir mentalmente muita informação. Mas, segundo Ferreira (2000), o custo pessoal não é apenas cognitivo. Ele transcende a dimensão cognitiva, [...], e seus efeitos negativos podem ser, com a ajuda da ergonomia, atenuados e, em certos casos, eliminados para instaurar um ambiente mais agradável de aprendizagem. Ainda de acordo com Ferreira (2000), é um cenário típico da aprendizagem mediada pela informática: Aqui, em um dos nós da rede, este texto é o fio condutor que materializa nossa interação. Ele me permite arriscar uma descrição muito provável do seu microambiente de aprendizagem on-line, caso você esteja entre os que preferem trabalhar diretamente na telinha. Você está sentado, lendo este texto no monitor e imerso em contexto físico-ambiental específico. No momento, sua atividade é a aprendizagem em ambiente on-line que consiste em dar conta dos objetivos explícitos e/ou implícitos da ‘tarefa prescrita’ pelo curso. Neste caso, especificamente, a leitura e compreensão deste texto. Logo, você se encontra em um cenário típico de trabalho que comporta exigências de múltiplas origens e influenciam a sua atividade. Concorda? Pare um momento. Agora, preste a atenção em alguns fatores que estão à sua volta. Primeiro, o espaço físico que você ocupa, o mobiliário e os objetos, como os avalia? Segundo, as informações que aparecem na tela são claramente perceptíveis, compreensíveis e significativas para você? Terceiro, você está satisfeito com o seu trabalho? Ora, o casamento da tarefa de aprendizagem com os elementos - físicos, ambientais, instrumentais do cenário acima demarca o território de sua atividade e expressa a sua carga real de trabalho. Do ponto de vista pessoal, três aspectos servem de indicadores do custo humano dessa atividade: biomecânico – o trabalho cobra uma postura específica, movimentos e gestos característicos para responder adequadamente à natureza da tarefa e às implicações do uso da informática. A sobrecarga imposta pela postura sentada, exigida pelo tipo de trabalho, tem efeitos sobre o seu corpo, sobretudo, nas estruturas Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 86 musculares do pescoço, das costas, pernas, ombros, cotovelos, punhos e mãos. Nesse caso, não dá para “plantar bananeiras” e, ao mesmo tempo, digitar; logo o trabalho tem um papel conformador de uma postura física; cognitivo – o trabalho exige, principalmente, esforço visual/auditivo e atenção concentrada para detectar, decodificar, estocar, conservar, evocar e tratar as informações que resultam da interface com a informática para planejar e tomar decisões sobre a sua conduta no processo ensino-aprendizagem. Nesse caso, o trabalho é produtor de um saber-fazer, voltado para responder às exigências que lhe são inerentes, portanto, ele tem um papel estruturador do funcionamento e do desenvolvimento cognitivo; psíquico – o trabalho impõe um custo afetivo ou psíquico que resulta do sentimento predominantemente agradável (prazer) ou desagradável (desprazer) ao executar a atividade. O cenário influencia, portanto, o seu bem-estar, a sua motivação e a sua própria felicidade. Um futuro especialista em educação a distância, o que ele tem a ver com isso? Tudo, principalmente, porque em cada ponto da rede há um adulto aprendiz ou usuário dos produtos de Educação a Distância – EAD – e os possíveis efeitos negativos, provenientes do cenário descrito acima, podem interferir na sua motivação e, em consequência, na eficiência e eficácia do seu desempenho no curso. No limite, tais aspectos atuam para tornar o processo ensino-aprendizagem mais sinônimo de sofrimento do que de prazer na aprendizagem e, dessa forma, contribuir para aumentar a taxa de evasão, colocando em risco o próprio projeto de EAD. Mas também, porque educar é pensar a globalidade do processo ensino-aprendizagem, forjando uma práxis que se afaste de uma abordagem pedagógica tecnicista e reducionista, que costuma achar “bonito o próprio umbigo”. Critérios ergonômicos Vamos iniciar pela definição de ergonomia, pois ela é a ferramenta téorico- metodológica utilizada para análise de ambientes virtuais de aprendizagem. Através dela, é possível indicar problemas existentes e propor medidas para solucioná-los com base nas necessidades dos usuários. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 87 A ergonomia é a disciplina científica relacionada ao entendimento das interações entre seres humanos e outros elementos de um sistema, e também é a profissão que aplica teoria, princípios, dados e métodos para projetar a fim de otimizar o bem-estar humano e o desempenho geral de um sistema. Em resumo, segundo o Novo Aurélio (2002) “Ergonomia é um conjunto de estudos que visam à organização metódica do trabalho em função do fim propostoe das relações entre o homem e a máquina”. Uma das maiores falhas no desenvolvimento de um AVA é ser resultado do trabalho isolado de um grupo de cientistas da computação. Azevedo (2003) afirma que: Talvez a raiz mais profunda para a insatisfação que alguns educadores como eu sentimos com relação às ferramentas de courseware atuais esteja num certo desencontro entre tecnologias e educação que se reflete num aspecto por vezes pouco considerado: a falta e educadores na composição de equipes de desenvolvimento de software. E, após o desenvolvimento, este desencontro prossegue na falta de um espaço para que desenvolvedores ouçam educadores usuários de seus produtos. [...] Talvez o primeiro passo na direção da superação deste desencontro possa ser dado por uma empresa ou organização que crie e ofereça este espaço e leve a sério o que educadores têm a dizer a respeito de seu produto. Hoje, seria o principal diferencial num mercado a cada dia mais competitivo. Desenvolvedores que assim procederem estarão em melhores condições de contribuir para o progresso da educação on-line, facilitando a poderosa combinação de tecnologia de ponta com pedagogia de ponta. A Associação Internacional de Ergonomia divide a ergonomia em três domínios de especialização. São eles: Ergonomia física, que lida com as respostas do corpo humano à carga física e psicológica. Tópicos relevantes incluem manuseio de materiais, arranjo físico de estações de trabalho, demandas do trabalho e fatores, tais como repetição, vibração, força e postura estática, relacionada com desordens músculo-esqueléticas. Ergonomia cognitiva, também conhecida engenharia psicológica, refere-se aos processos mentais, tais como percepção, atenção, cognição, controle motor e armazenamento e recuperação de memória, como eles afetam as interações entre seres humanos e outros Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 88 elementos de um sistema. Tópicos relevantes incluem carga mental de trabalho, vigilância, tomada de decisão, desempenho de habilidades, erro humano, interação ser humano- computador e treinamento. Ergonomia organizacional ou macroergonomia, relacionada com a otimização dos sistemas sociotécnicos, incluindo sua estrutura organizacional, políticas e processos. Tópicos relevantes incluem trabalho em turnos, programação de trabalho, satisfação no trabalho, teoria motivacional, supervisão, trabalho em equipe, trabalho a distância e ética. Pesquisas e intervenções em ergonomia de interfaces (SCAPIN, 1986; JEFFROY, 1993) mostram que a qualidade da interação aumenta significativamente se a concepção da interface é centrada na participação dos usuários (expectativas, necessidades e experiências) e nas exigências sociotécnicas das tarefas (natureza e propriedades). A utilizabilidade da interface é otimizada quando se respeitam as características e os limites cognitivos do sujeito (LINDSAY & NORMAN, 1980), facilitando o processo de construção de seu modelo mental da lógica de funcionamento do artefato. A lista atual de critérios foi proposta, em 1993, pelos pesquisadores Scapin e Christian Bastien, do INRIA (Institut National de Recherche en Informatique et en Automatique da França), visando à organização dos conhecimentos sobre ergonomia de interfaces homem-computador, de modo a torná-los facilmente disponíveis, tanto para especialistas como para não especialistas nessa disciplina. Ela apresenta um total de oito critérios principais, sendo que alguns deles se dividem em subcritérios, que por sua vez se dividem em critérios elementares. Critérios Sub-critérios Critérios Elementares 1. Condução a. Presteza --- b. Feedback Imediato --- c. Legibilidade --- Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 89 d. Agrupamento / Distinção de Itens i. Distinção de Localização ii. Distinção por Formato 2. Carga de Trabalho a. Brevidade i. Concisão ii. Ações Mínimas 3. Densidade Informacional a. Controle Explícito i. Ações Explícitas do Usuário ii. Controle do Usuário 4. Adaptabilidade a. Flexibilidade --- b. Consideração da Experiência do Usuário --- Critérios Sub-critérios Critérios Elementares 5. Gestão de Erros a. Proteção contra os Erros --- b. Qualidade das Mensagens de Erro --- c. Correção de Erros --- 6. Homogeneidade / Coerência --- --- 7. Significado dos Códigos e Denominações --- --- 8. Compatibilidade --- --- Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 90 Cybes (1998) coordenou o Projeto ErgoList, cujo “objetivo foi conceber, projetar, desenvolver e disponibilizar via Web/Internet uma ferramenta para a avaliação autônoma da facilidade de uso de dispositivos de software interativo”. Esse projeto resultou em módulos capazes de auxiliar na realização de uma inspeção sistemática da qualidade ergonômica da interface com o usuário de um sistema. Os Checklists propostos pelo projeto compõem uma técnica de avaliação rápida e destinam-se a apoiar a inspeção da interface e descobrir seus defeitos ergonômicos mais flagrantes. Presteza Esse critério engloba os meios utilizados para levar o usuário a realizar determinadas ações, como, por exemplo, entrada de dados. Esse critério engloba também todos os mecanismos ou meios que permitem ao usuário conhecer as alternativas, em termos de ações, conforme o estado ou contexto nos quais ele se encontra. A presteza diz respeito igualmente às informações que permitem ao usuário identificar o estado ou contexto no qual ele se encontra, bem como as ferramentas de ajuda e seu modo de acesso. Feedback imediato O feedback imediato diz respeito às respostas do sistema às ações do usuário. Tais entradas podem ir do simples pressionar de uma tecla até uma lista de comandos. Em todos os Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 91 casos, respostas do computador devem ser fornecidas, de forma rápida, com passo (timing) apropriado e consistente para cada tipo de transação. De todo modo, uma resposta rápida deve ser fornecida com informações sobre a transação solicitada e seu resultado. Legibilidade A legibilidade diz respeito às características lexicais das informações apresentadas na tela que possam dificultar ou facilitar a leitura dessa informação (brilho do caractere, contraste letra/fundo, tamanho da fonte, espaçamento entre palavras, espaçamento entre linhas, espaçamento de parágrafos, comprimento da linha, entre outros). Por definição, o critério legibilidade não abrange mensagens de erro ou de feedback. Agrupamento/Distinção de ItensO critério Agrupamento/distinção de Itens diz respeito à organização visual dos itens de informação relacionados uns com os outros de alguma maneira. Esse critério leva em conta a localização e algumas características gráficas (formato) para indicar as relações entre os vários itens mostrados, para indicar se eles pertencem ou não a uma dada classe, ou ainda para indicar diferenças entre classes. Esse critério também diz respeito à organização dos itens de uma classe. O critério agrupamento/distinção de itens está subdividido em dois critérios: agrupamento/distinção por localização e agrupamento/distinção por formato. Agrupamento/Distinção por localização O critério de Agrupamento/Distinção por localização diz respeito ao posicionamento relativo dos itens, estabelecido para indicar se eles pertencem ou não a uma dada classe, ou, ainda, para indicar diferenças entre classes. Esse critério também diz respeito ao posicionamento relativo dos itens dentro de uma classe. Agrupamento/Distinção por Formato O critério de Agrupamento/Distinção por Formato diz respeito, mais especificamente, às características gráficas (formato, cor, entre outras) que indicam se itens Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 92 pertencem ou não a uma dada classe, ou que indicam ainda distinções entre classes diferentes ou distinções entre itens de uma dada classe. Brevidade O critério de Brevidade diz respeito à carga de trabalho perceptiva e cognitiva, tanto para entradas e saídas individuais quanto para conjuntos de entradas (isto é, conjuntos de ações necessárias para se alcançar uma meta). A Brevidade corresponde ao objetivo de limitar a carga de trabalho de leitura e entradas, e o número de passos. O critério de Brevidade está subdividido em dois critérios: Concisão e Ações Mínimas. Concisão O critério Concisão diz respeito à carga perceptiva e cognitiva de saídas e entradas individuais. Por definição, a Concisão não diz respeito às mensagens de erro e de feedback. Ações Mínimas Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 93 O critério Ações Mínimas diz respeito à carga de trabalho em relação ao número de ações necessárias à realização de uma tarefa. O que temos aqui é uma questão de limitar tanto quanto possível o número de passos que o usuário deve empregar. Controle Explícito O critério Controle Explícito diz respeito tanto ao processamento explícito pelo sistema das ações do usuário, quanto ao controle que os usuários têm sobre o processamento de suas ações pelo sistema. O critério Controle Explícito se subdivide em dois critérios: Ações Explícitas do Usuário e Controle do Usuário. Ações Explícitas do Usuário O critério Ações Explícitas do Usuário se refere às relações entre o processamento pelo computador e às ações do usuário. Essa relação deve ser explícita, isto é, o computador deve processar somente aquelas ações solicitadas pelo usuário e apenas quando solicitado a fazê-lo. Controle do Usuário Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 94 O critério Controle do Usuário se refere ao fato de que os usuários deveriam estar sempre no controle do processamento do sistema (por exemplo, interromper, cancelar, suspender e continuar). Cada ação possível do usuário deve ser antecipada e opções apropriadas devem ser oferecidas. Flexibilidade A flexibilidade se refere aos meios colocados à disposição do usuário que lhe permitem personalizar a interface, a fim de levar em conta as exigências da tarefa, de suas estratégias ou seus hábitos de trabalho. Ela corresponde também ao número das diferentes maneiras à disposição do usuário para alcançar um certo objetivo. Trata-se, em outros termos, da capacidade da interface de se adaptar às variadas ações do usuário. Consideração da experiência do usuário A consideração da experiência do usuário diz respeito aos meios implementados que permitem que o sistema respeite o nível de experiência do usuário. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 95 Proteção contra os erros A proteção contra os erros diz respeito aos mecanismos empregados para detectar e prevenir os erros de entradas de dados, comandos, possíveis ações de consequências desastrosas e/ou não recuperáveis. Qualidade das mensagens de erro A qualidade das mensagens refere-se à pertinência, à legibilidade e à exatidão da informação dada ao usuário, sobre a natureza do erro cometido (sintaxe, formato, entre outros) e sobre as ações a executar para corrigi-lo. Correção dos erros O critério correção dos erros diz respeito aos meios colocados à disposição do usuário com o objetivo de permitir a correção de seus erros. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 96 Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 97 Metodologia de avaliação Os critérios de avaliação podem ser divididos em três grandes categorias que se relacionam, respectivamente, segundo Chaves (2000), com: indicadores relativamente objetivos que orientam o desenvolvimento de um software em geral (quanto à correção lógica, robustez, desempenho, segurança, elegância do design, interface com o usuário, tolerância a falhas, interoperabilidade, concisão, portabilidade, entre outros); indicadores relativamente objetivos – ou objetificáveis – sobre o que o autor do software pretende que ele faça e sobre o valor que isso representa; indicadores relativamente subjetivos e nem sempre muito claros sobre as diversas coisas que seus usuários pretendem fazer com ele e sobre o que estão dispostos a pagar por um sistema desse tipo (razão custo / benefício). No caso de software para EAD via Internet, a questão possui ainda algumas complicações adicionais, relacionadas ao fato de que o software vai possivelmente de dois a quatro tipos distintos de usuários: os desenvolvedores dos programas educacionais; Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo coma convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 98 os ministradores desses programas (professores); os destinatários desses programas (alunos); e, os administradores do sistema. I. Indicadores gerais relativos a qualquer software 1. Critérios de desempenho Para avaliar o desempenho de um software, é preciso determinar se, e em que medida, ele possui as seguintes características: a) Eficácia, ou a capacidade de produzir os resultados pretendidos e desejados por quem o desenvolveu. b) Confiabilidade, ou a capacidade de produzir os resultados pretendidos e desejados sem erros. c) Exatidão, ou a capacidade de lidar com o grau de precisão, em representação numérica, e correção, nos cálculos, que a tarefa em questão requerer. d) Consistência, ou a capacidade de sempre produzir os mesmos resultados quando os mesmos dados são processados. e) Eficiência, ou a capacidade de operar sem problemas, exigindo o mínimo de recursos para produzir os resultados pretendidos e desejados. f) Transparência, ou a capacidade de refletir, apropriadamente e sem distorções, o mundo real através do modelo conceitual adotado. g) Segurança, ou a capacidade de preservar a integridade dos dados na eventualidade de falha de hardware, erro e vandalismo humano ou eventos inesperados. h) Expansibilidade, ou a capacidade de absorver mais funções ou maior quantidade de dados, sem necessidade de alterações estruturais. 2. Critérios de interface com os usuários Para avaliar a interface com os usuários de um software, é preciso determinar se, e em que medida, ele exibe as características a seguir: a) Facilidade de instalação, customização e desinstalação. b) Facilidade de uso e operação, incluindo opções para interatividade, orientação para objetos, utilização de mouse, menus, janelas, ajuda on-line, entre outros. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 99 c) Capacidade de lidar com monitores de diferentes tipos de resolução e número de cores, quando essas características se fazem necessárias ou recomendáveis. d) Capacidade de aceitar caracteres internacionais, acentos, formas de escrever data, hora, e valores financeiros. e) Capacidade de ser facilmente traduzido para outras línguas. f) Documentação correta e de excelente qualidade, tanto em termos técnicos como de apresentação visual e comunicação, escrita em termos e com exemplos relacionados ao campo de aplicação. Fonte: Chaves (2000). II. Indicadores específicos de software de EAD via Internet Cuidado especial deve ser dado para determinar se, e em que medida, o software contém características que os seus usuários desejam, como, por exemplo, as seguintes: 1. Do ponto de vista do ministrador (professor), o software permite: a) A utilização de sistemas de correio eletrônico e listas EXTERNOS (não baseados na Web e, portanto, utilizáveis off-line) e a exibição das mensagens no site do curso (desde que enviadas sem formatação e sem attachments)? b) A utilização de sistemas de fórum e chat (internos [baseados na Web, isto é, disponíveis no site do próprio curso])? c) A utilização de quadros de aviso e de calendário, visíveis automaticamente pelos alunos quando de seu acesso ao site? d) A geração de lembretes automáticos, para os participantes, acerca de tarefas e prazos? e) A geração automática, para o ministrador, de estatísticas acerca do acesso dos alunos aos diferentes módulos do curso e aos quadros de aviso, de realização pelos alunos das diferentes tarefas e avaliações do curso, do nível de participação dos alunos nas trocas de mensagem por correio eletrônico, nas listas, nos fóruns e nos chats? f) O registro, em banco de dados, de observações em formato de texto livre sobre cada um dos alunos, inclusive de mensagens enviadas a eles em privado? Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 100 g) O acréscimo “on the fly” de materiais “ad hoc” no site (material complementar) para acesso pelos alunos desta turma específica ou de todas as turmas de responsabilidade desse ministrador específico? A existência, no site do curso, de uma “biblioteca de materiais complementares”, ordenados por ministrador, assunto, autor, entre outros, supre essa necessidade? h) A inserção desburocratizada (sem necessidade de acionamento do administrador do sistema) de convidados em seções específicas de chat? 2. Do ponto de vista do aluno, o software permite: a) Fácil visualização de quadros de aviso, de calendário e de lembretes ao entrar no site? b) Fácil acesso aos materiais obrigatórios do curso, respeitada a ordem e os pré- requisitos definidos pelo desenvolvedor e/ou ministrador? c) Fácil acesso aos materiais complementares destinados à sua turma ou mesmo a ele, em particular? d) Fácil acesso às mensagens das listas de discussão da turma e aos sistemas de fórum e chat? e) Forma fácil de envio ao ministrador de tarefas e avaliações? Fonte: Chaves (2000). Outros critérios de avaliação Outros critérios e itens devem ser levados em consideração no momento de avaliação dos ambientes informatizados. Entre eles, vamos destacar: interfaces, usabilidade, estabilidade, navegabilidade e design, interatividade, controle, manutenção, melhoria e continuidade. Interfaces de Ambientes de Ensino a Distância Segundo Gui Bonsiepe (1997, p. 144 apud ANDRADE, 2002): Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 101 [...] a interface permite que se revele o potencial instrumental tanto de artefatos materiais quanto de artefatos comunicativos e a importância de sua consistência e influência para o aprendizado. Se as possibilidades abertas pela informática serão ou não utilizadas, isso dependerá em grande parte da qualidade da interface. A interface é um meio que pode frustrar e irritar; que pode facilitar ou dificultar a aprendizagem; que pode ser divertida ou chata; que pode revelar relações entre informações ou deixá-las confusas; que pode abrir ou excluir possibilidades de ação efetivo-instrumental ou comunicativa. Conhecimentos científicos que mostram como funcionam a atenção, a percepção e a memória do sujeito devem ser incorporados na concepção da interface, agregando qualidade e facilitando o processo de interação aluno-sistema. Por exemplo, a memória a curto-prazo do sujeito é limitada, logo, o excesso de informações e etapas perturba a interação e reduz a utilizabilidade da interface (BASTIEN, 1993). Muitas das interfaces de ambientes existentes apresentam problemas na arquitetura da informação, de organização de elementos visuais, de interatividade e de funcionalidade. Estes problemas nas interfaces dificultamo aprendizado dos ambientes de EaD, prejudicam a memorização, retardam o desenvolvimento de uma tarefa, causam insatisfação subjetiva e aumentam a incidência de erros por parte dos usuários. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 102 Conforme Bevan (s.d. apud GONÇALVES, 2003), a usabilidade é o termo técnico usado para descrever a qualidade de uso de uma interface e está ligada à eficácia e eficiência da interface do usuário e ainda à reação diante dela. Simplesmente pode ser definida como a qualidade com que o usuário pode interagir com a tecnologia para realizar a atividade atribuída. Cybis (1998) afirma que um problema de usabilidade se revela durante a interação, atrapalhando o usuário e a realização de sua tarefa. Quando os elementos transmitem a informação de forma clara, os alunos saberão quase que instintivamente que tipo de atuação lhes é esperada. Assim, pode-se afirmar que uma interface tem uma boa usabilidade se o estudante está apto a concentrar-se no conteúdo educacional em vez de preocupar-se em como obtê-lo. De acordo com Fernandes (2006), talvez este seja o principal aspecto quanto à utilização de um AVA, a ponto de se tornar uma exigência. O bom funcionamento do sistema, chegando próximo de zero em número de erros, quedas, ajuda na motivação do aluno, no bom andamento do curso, na própria aprendizagem. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 103 Manter o fluxo de mensagens, garantir que as mesmas sejam entregues, num processo contínuo de comunicação, é vital para sobrevivência do curso e mesmo da instituição. Diversos são os recursos que constituem um AVA, dessa forma, qualquer problema em um destes, seja banco de dados, servidor ou rede, pode ocasionar em falha de todo o serviço. Conforme ilustrado na figura 2, vale observar que na balança entre tecnologia (AVA) e aprendizagem, quem deve pesar é a aprendizagem. O AVA, ganhando peso com seus problemas de instabilidade, poderá vencer aspectos motivacionais, de mediação, de colaboração e interatividade, ou seja, de aprendizagem. Figura 2: Balança Ilustrativa do AVA instável. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 104 Ainda na concepção de Fernandes (2006), o número de acessos em um ambiente pode ser alto, o que exige um hardware e estrutura de redes boas, entretanto, apenas isso não resolve o problema. O que não deixa de ser também ergonomia, a navegabilidade do AVA deve evitar ao máximo o uso do hardware e da rede (do servidor), ou seja, em seu desenvolvimento, é preciso preocupar-se com a menor utilização possível de acessos a banco de dados com consultas desnecessárias ou repetitivas, e apenas através de uma boa navegabilidade, levando o usuário exatamente no local que ele quer estar. A este respeito, Wingert (s.d. apud PERTERS (2001), falando sobre as características de hipertexto/hipermídia do AVA, afirma que a rápida localização de conteúdo e a imediata disponibilidade de informações desejadas colocam os estudantes na condição de, conforme seu interesse, necessidade e desejo, penetrar a fundo num contexto. Junto a isso, o AVA é um sistema largamente utilizado, respeitando o ritmo de cada usuário, assim, alguns permanecem muito tempo frente ao computador. O que faz necessário um design agradável e não-cansativo, ou seja, a utilização de fontes legíveis, cores suaves, sem recursos que desviem a atenção do aluno do fim proposto. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 105 Fernandes (2006) afirma que ao que nos parece, o motivo de ser de um Ambiente Virtual de Aprendizagem é a interatividade (a comunicação). Dos diversos ambientes que possuímos no mercado, todos possuem estas ferramentas, as mais conhecidas são os fóruns e os chats. O fórum é de longe um dos recursos mais utilizados, por isso não basta apenas o AVA oferecê-lo, o mesmo deve dar controle ao tutor/professor, organizar as mensagens enviadas de forma clara, proporcionar respostas entre os usuários – deixando claro o processo colaborativo. O Chat (bate-papo) é uma atividade em que, alunos, tutores e professores estabelecem uma comunicação por escrito, on-line, com dia e hora previamente determinados. Como funciona de forma síncrona, exige muito do servidor (computador) que possui o AVA. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 106 Em um AVA, além do módulo de interatividade e material didático, encontramos com o módulo de Controle e Manutenção, que deve garantir a criação de novos cursos, com possibilidade configurações particulares, definindo acessibilidade, estrutura da navegação que se adapte ao planejado pelo professor. Algumas universidades optam por desenvolver um AVA ao invés de utilizar um gratuito, já existente. Isso acontece porque às vezes nem todos os recursos desta ferramenta lhe atendem ou ainda não há possibilidades de integrar esse a outros sistemas. Ainda pode acontecer a descontinuidade do desenvolvimento desse AVA, uma vez que ele não lhe pertence. Essas situações colocam a instituição que o utiliza em constante dependência. Para finalizar, é pertinente destacar que a intenção de abordar esse assunto aqui não é fazer de você um especialista em avaliação de ambientes de aprendizagem voltados para a modalidade a distância. Longe disso. A ideia é despertar sua curiosidade e interesse pela abordagem ergonômica de forma que você consiga perceber a relação homem-trabalho e fornecer elementos para repensar e avaliar o seu ambiente de trabalho on-line e sua operacionalização, na perspectiva de, se necessário, adequá-lo; e, sobretudo, estabelecer diretrizes para incorporar a ergonomia a sua prática docente em EaD. Concluindo, segundo Andrade (2002), Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 107 os conhecimentos de design, ergonomia de interfaces e cognitiva e usabilidade estão intrinsecamente relacionados e apóiam-se entre si. Por exemplo, elementoscomo legibilidade, agrupamento de itens, feedback imediato, homogeneidade e coerência são princípios do design, são qualidades ergonômicas e também fazem parte das avaliações, através dos testes de usabilidade. [...] considera-se de suma importância a participação de equipes multidisciplinares e interdisciplinares durante o processo de concepção, desenvolvimento e implementação para garantir a eficiência da interface de ambientes EaD. A análise das interfaces é de grande importância, uma vez que a problemática de interfaces não condutivas, de difícil aprendizado e memorização, e com grande incidência de erros tendem a frustrar e dar a sensação de incompetência, principalmente aos usuários novatos, ao interagirem com ambientes interativos. Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 108 REFERÊNCIAS ALBUQUERQUE, Marluce Jacques de. Retrospectiva histórica da didática e o educador (2002). Disponível em: ANTOLÍ, Vicenç Benedito. A didática como espaço e área de conhecimento: fundamentação teórica e pesquisa didática. In: FAZENDA, Ivani (org.). Didática e interdisciplinaridade. Campinas: Papirus, 1998. 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