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É possível considerar a teoria do continente de Bion como uma espécie de sonhar interpessoal: inconscientemente o paciente projeta o que Bion chamou de elementos beta (que, por definição, são incapazes de ter significado por si mesmo pensados) para dentro da mente inconsciente do analista (utilizando a identificação projetiva realista, conforme Bion a chamou), depois que o analista utilizando a função alfa, converte elementos beta projetados em elementos alfa, ensina Bion, são semelhantes a pensamentos oníricos latentes – o material dos sonhos. Os elementos alfa, que recentemente se formaram na mente do analista como resultado do processamento das projeções do paciente por meio da sua função alfa, agem como algo semelhante ao conteúdo latente de um sonho. Então, o analista pode “ter” o sonho que o paciente não pôde. Ao ter esse sonho, o analista esta na posição de, vicariamente, tomar conhecimento dos conteúdos do inconsciente do paciente – conteúdos dos quais o paciente não consegue ter consciência, nem inconsciência uma vez que, enquanto no paciente, esses conteúdos ainda estavam sob a forma de elementos beta que, segundo Bion, não poderiam ter qualquer significado consciente ou inconscientes. Quase literalmente são impensáveis. (É importante ter em mente que Bion tentava compreender fenômenos essencialmente psicóticos. As experiências clinicas que estimularam essa teorização deram-se com pacientes psicóticos, e os elementos beta são expelidos pelo aspecto psicótico da personalidade). Portanto neste sentido, o analista deriva sua interpretação do “sonho” que tem sob impacto das projeções do paciente – um sonho conjunto. Neste processo o papel do paciente é contribuir com os elementos beta – conteúdos mentais que ele não consegue sonhar ou pensar. O papel do analista é converter esses elementos beta em elementos alfa, segundo Bion, não são pensamentos ou sonho, mas algo com potencial para se tornar pensamento ou sonho, com todas ramificações emocionais. Quando essa conversão estiver completa, o analista devolve ao paciente o elemento alfa. O resultado final desse processo é tornar o paciente capaz de ter uma experiência emocional - um sonho um pensamento – que anteriormente era impossível . Note que a interpretação do analista per se não da uma experiência emocional, só torna o paciente capaz de vivenciar algo que antes ele era literalmente incapaz de vivenciar. A função do analista é receber os elementos beta do paciente – conteúdos mentais que são impensáveis e impossíveis de vivenciar – converte-los de maneira que sejam pensáveis e passiveis de serem vivenciados. ( se o paciente, de fato, pensar, vivenciar ou sonhar os elementos beta , ultrapassa a possibilidade do analista. Ele confia na tendência do paciente a faze-lo). Qual a natureza da transformação que o analista realiza? Há duas diferenças importantes entre elementos alfa e elementos beta. A primeira é que os elementos alfa são capazes de conduzir e de transmitir significado, enquanto, os elementos beta, não. A segunda é que, enquanto os elementos alfa podem ser coesos ou se ligar uns aos outros, os elementos beta não podem ligar- se uns aos outros, nem a qualquer outra coisa. Bion deixa a natureza especifica dos elementos beta, dos elementos alfa e da função alfa deliberadamente pouco clara: não estava tentando chegar a uma teoria especifica da psicanalise dos fenômenos psicóticos. Estava procurando delinear ou prefigurar uma teoria que servisse como uma espécie de prolegômeno de uma teoria ou de teorias especificas. No esquema de Bion , a função alfa é simplesmente algo que deve converter elementos beta – conteúdos mentais impensáveis que não podem ser conectados entre si – elementos alfa – conteúdos mentais que podem ser conectados uns aos outros. Mas poderíamos algo sobre a natureza exata da função alfa se considerarmos o que podemos estar querendo dizer com pensável (uma propriedade dos elementos alfa) é impensável ( uma propriedade dos elementos beta), qual a diferença entre eles e como algo impensável poderia ser convertido em algo pensável.