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Climatologia / Aula 1 - A atmosfera da Terra · Introdução É fundamental compreender os fenômenos climatológicos para a análise geográfica-ambiental do espaço em que a sociedade está inserida. Nesta aula, identificaremos as características da atmosfera em que os fenômenos meteorológicos ocorrem. Neste contexto, discriminaremos os conceitos de clima e tempo, e compreenderemos a composição e a estrutura vertical da atmosfera. Por fim, explicaremos a formação da camada de Ozônio, sua importância para a humanidade e sua histórica degradação, identificando as formas de redução dos impactos ambientais das atividades antrópicas nesse elemento natural. · Objetivos Esclarecer os conceitos de tempo e clima. Identificar os principais componentes presentes na atmosfera. Discutir as características das camadas atmosféricas. Analisar a ocorrência da degradação da Camada de Ozônio. · Créditos Mônica Veiga Redator Carolina Burgos Designer Instrucional Eduardo Trindade Web Designer Rostan Luiz Desenvolvedor · INTRO · OBJETIVOS · CRÉDITOS · IMPRIMIR Tempo e clima Há muito tempo o homem tem consciência da presença da camada de ar que envolve o planeta Terra. Essa camada é chamada de atmosfera e é associada à força da gravidade terrestre. A atmosfera é formada por um conjunto de gases que tem grande movimentação espacial e temporal. Ela pode ser fria, quente, densa, leve, poluída, límpida. Quando fazemos uma descrição da atmosfera, precisamos analisar itens como temperatura, pressão e umidade. Você já reparou que, às vezes, chove no bairro em que você mora e não cai uma gota de água no local onde você trabalha? E a temperatura? Você sai com uma roupa leve e, ao longo do dia, a atmosfera sofre resfriamento e você volta para casa com frio. O que são essas alterações da atmosfera? Uma condição meteorológica ou climática? Como diferenciar o tempo do clima? De acordo com Almeida (2016), o tempo meteorológico é, na realidade, algo que varia muito sobre a face da Terra. O tempo é a soma total das condições atmosféricas de um local e do tempo cronológico. Vamos escutar a previsão do tempo para um dia, na Região Sudeste do Brasil? O áudio foi produzido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, e uma de suas atribuições é fazer a previsão do tempo. Almeida (2016) afirma que, com a descrição do clima, pode-se prognosticar as condições predominantes do tempo, ou seja, as mais prováveis de ocorrerem e, consequentemente, quais atividades relacionadas às atividades agrícolas, pecuárias, de turismo e outras têm maior possibilidade de êxito. Na Figura 1, observe os gráficos A e B. Qual deles pode ser considerado indicativo de tempo e qual é indicativo de clima? Gráficos de Temperatura e Média mensal de chuva no Rio de Janeiro. Fonte dos dados: Instituto Nacional de Meteorologia. Elaborado pela autora Repare que o gráfico A indica a temperatura média de uma série de trinta anos, por isso, é chamada de normal climatológica . É indicativo de clima. Vamos ler o gráfico? A temperatura média, em julho, no Rio de Janeiro, é de, aproximadamente, 21ºC. Houve necessidade de se avaliar trinta anos para se chegar até esse resultado médio climático. O gráfico B apresenta um dado meteorológico. A média de chuva, no Rio de Janeiro, apenas no ano de 1999. Composição da atmosfera Você sabia que a atmosfera é constituída por gases? É uma fina camada de gases, sem cheiro, sem cor e sem gosto. Vamos entender a sua composição, no gráfico da Figura 2. Figura 2 Distribuição dos principais gases na atmosfera terrestre. Elaborado pela autora. A maior parte da massa atmosférica é constituída por dois gases majoritários (N2 e O2), embora existam muitos constituintes ocupando um diminuto volume. Entre os componentes do ar atmosférico, Nitrogênio, Oxigênio, Hélio e os Gases raros Argônio (Ar), Criptônio (KR), Neônio (Ne) e Xenônio (Xe) são elementos que não variam. O vapor-d’água (H2O), Dióxido de Carbono (CO2), Ozônio (O3), Dióxido de Enxofre (SO2), Metano (CH4) e Cloreto de Sódio podem variar de acordo com vários fatores, inclusive temperatura, pressão e fontes de emissão. Você sabe diferençar um átomo de uma molécula? Observe a Figura 3. Figura 3 Diferença entre átomo e molécula. Elaborado pela autora. O Nitrogênio é o constituinte mais abundante da atmosfera, mas, desempenha um papel pouco relevante, em termos químico ou energético, perto da superfície da Terra, onde o gás atua mais como reservatório de calor e serve para compor as propriedades físicas do ar. Na alta atmosfera, o Nitrogênio pode contribuir para reter os raios ultravioletas, absorvendo a sua energia radiante. Você conhece a importância dos outros gases? O Oxigênio é essencial para a respiração dos seres vivos e para a criação do Ozônio, gás que contribui para a proteção contra os raios ultravioletas originários do sol. Durante a respiração, os átomos de Oxigênio se combinam com átomos de hidrogênio, formando moléculas de água. Na alta atmosfera, a molécula de Oxigênio, ao absorver grande quantidade de energia ultravioleta, dissolve-se e, após a sua reorganização, pode gerar o gás Ozônio (O3), muito importante para reter os raios UV e proteger os seres vivos no Planeta. Nas proximidades dos 30km de altitude o gás Ozônio alcança grande concentração, mas tem baixa concentração perto da superfície terrestre (Troposfera). A concentração de Ozônio pode aumentar perto de aglomerados industriais ou perto de locais com grande quantidade de queima de combustíveis fósseis, o que significa que a área que essa área de ocorrência pode ser considerada poluída. O vapor-d’água é a denominação para o estado gasoso da água e é encontrado em grande quantidade na baixa atmosfera. Ele atua na atmosfera como agente termorregulador, ou seja, o gás participa dos processos de absorção e emissão de calor. É como se fosse um veículo de energia ao transferir calor latente de evaporação, de um local para outro. Figura 4 Demonstração de Calor latente. Elaborado pela autora. De acordo com Almeida (2016), o vapor-d’água é o único constituinte da atmosfera que muda de estado em condições naturais. Ou seja, passa de gás para água líquida ou água sólida (gelo). Por isso, é o responsável pela origem das nuvens e por uma extensa série de fenômenos atmosféricos importantes (chuva, neve, orvalho etc.). A concentração de vapor-d’água na atmosfera é bem pequena (máximo de 4%), em comparação com o Oxigênio e o Nitrogênio, mas varia no espaço e no tempo com muita velocidade. Por isso, pode chover apenas em algumas localidades na cidade. De forma geral, ele sofre redução em sua quantidade com a altitude, ou seja, quanto mais alto, menos vapor-d’água tem a atmosfera. O dióxido de carbono (CO2) está presente em pequenas proporções na atmosfera, e é essencial como termorregulador, tal como o vapor-d’água. O gás absorve um tipo específico de ondas radiantes na atmosfera e retém o calor no planeta, contribuição para o equilíbrio térmico da Terra. Desde a Primeira Revolução Industrial, a emissão desse gás na atmosfera tem crescido, contribuindo para a potencialização de sua ação e intensificando o efeito estufa. Vapor-d’água, Dióxido de carbono, gás Metano e Clorofluorcarboneto são importantes gases que têm efeito termorregulador e têm contribuído para a intensificação do efeito estufa que resulta no aquecimento global. Estrutura vertical A atmosfera não é um corpo único, sem variação ao longo de sua altura. Muitos especialistas gostam de nomear cada uma das camadas da atmosfera, para melhor compreender a composição, as características e sua importância para a ciência e o homem moderno. Cada uma dessas camadas tem a sua própria temperatura. Vamos entender como funciona? Quanto mais próximo da superfície terrestre, maior é temperatura da camada de ar, uma vez que essa recebe o calor após os raios solares refletirem-se na superfície da Terra. Portanto, quanto mais longe da maior superfície terrestre, menor é a temperatura. Por isso, lugares com grandes altitudes são mais frios que aqueles localizados nasplanícies. Visualize o que estudamos no Gráfico 1: De acordo com Varejão-Silva (2016), em termos médios para todo o planeta, a temperatura do ar diminui, com a altitude, cerca de 6,5°C km-1 na Troposfera. Mas, então, por que a temperatura pode aumentar, com a altitude, em alguns lugares da atmosfera? A Troposfera é a camada mais próxima da superfície terrestre e se estende até a aproximadamente 12km. Nessa camada acontecem os fenômenos atmosféricos mais importante para nós, como chuva, furacões, ventanias, arcos-íris, raios, entre outros. A camada contém cerca de três-quartos do vapor-d’água de toda a atmosfera e é onde respiramos a poluição. No topo da Troposfera, fica a Tropopausa, onde as temperaturas são mais baixas, seguindo o curso normal de redução de temperatura ao longo da altitude. É na Tropopausa que acontece uma inflexão importante na tendência térmica. A partir dela, há um gradual aumento da temperatura da atmosfera, que acontece na camada seguinte, a Estratosfera. Qual seria o motivo? Nessa camada, concentra-se o Ozônio (O3), o gás fundamental que absorve os raios solares ultravioletas, o que provoca o seu gradual aquecimento. Pode-se dizer que a estratosfera tem sua própria fonte de calor. A última camada da atmosfera terrestre é chamada de Termosfera e se localiza para além dos 90 km de altitude, onde a temperatura volta a aumentar. Como afirma Ayoade (2003), a temperatura sofre aquecimento por causa da absorção da radiação ultravioleta pelo Oxigênio atômico. A terceira camada é a Mesosfera. A situação térmica volta se inverter e retorna à condição de redução com a altitude. No seu topo (na Mesopausa), pode-se observar o limite mínimo de temperatura de toda a atmosfera, com quase noventa graus negativos. É uma camada com poucos gases e que "contém uma pequena parte de Ozônio e vapores de sódio, os quais desempenham um importante papel nos fenômenos luminosos da atmosfera” (DOMINGUEZ, 1979, p.87). Por fim, o que entendemos sobre as diferentes camadas da atmosfera? Que há três camadas mais ou menos quentes, separadas por duas camadas mais frias e a transição entre elas são representadas por camadas que chamamos de “pausas”. Degradação da camada de Ozônio Há muita discussão sobre a camada de Ozônio e sua destruição ao longo do tempo. Para entendê-la, é necessário responder a algumas perguntas: Como ela é constituída? Que elementos contribuem para a sua degradação? Espacialmente, ela tem estreitamento, no entorno do planeta? Qual a sua importância? Assista ao vídeo Buraco na Camada de Ozônio, do Ministério da Educação, que responde a todas essas perguntas. Animação original possui interação. Acesse este link para conferi-la na íntegra. Com o vídeo, compreendemos que os compostos de cloro e flúor, ao se combinarem com a molécula de Ozônio (O3) a decompõe, retirando sua função de proteção contra os raios ultravioleta. É fundamental a sua conservação. Algumas ações já foram realizadas nesse sentido. O estreitamento da camada de Ozônio foi identificado nos anos 1980 e na década seguinte; discussões de âmbito internacional resultaram, em 1987, no Protocolo de Montreal sobre Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio. É um documento internacional, um tratado assinado por grande parte dos países do globo, impondo um conjunto de ações que objetivaram reduzir a produção e o consumo das Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio (SDOs) até sua total eliminação. O Brasil aderiu ao Protocolo de Montreal por meio do Decreto nº 99.280, de 06 de Junho de 1990. De acordo com o Minsitério do Meio Ambiente (2017), em 2007, foi lançado o Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs (PBH), que contempla a estratégia de controle, redução e eliminação dos HCFCs e as atividades e metas foram divididas em três etapas (Tabela 1). Tabela 01: Cronograma de eliminação do consumo dos HCFCs no Brasil. *Linha de Base: média do consumo de HCFCs de 2009 e 2010 ** Projeção de parcela da linha de base a ser eliminada Fonte: Brasil (2017) Em 2015, havia uma meta de redução de 16,6% em comparação ao que foi consumido nos anos de 2009 e 2010. Muito mais do que a meta desenvolvida pelas Nações Unidas para os países em desenvolvimento, de 10%. O Brasil conseguiu ultrapassar a meta global porque, nos últimos anos, a estratégia nacional teve como foco a conversão do uso de 220,3 toneladas de gases HCFC por alternativas mais sustentáveis. Atividade O entendimento das diferenças entre clima e tempo é fundamental para a análise geográfica. Observe o gráfico a seguir, que apresenta a normal de precipitação do bairro de Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, entre os anos de 1961 e 1990. Neste caso, a figura apresenta o clima ou o tempo da localidade? Corrigir Exercícios Questão 1: Leia o texto a seguir. "A atmosfera é o conjunto de gases, vapor-d'água e partículas, constituindo o que se chama ar, que envolve a superfície da Terra. Não existe um limite superior para a atmosfera, no sentido físico, verificando-se apenas uma progressiva rarefação do ar com a altitude" (VAREJÃO-SILVA, 2016). A atmosfera é uma fina camada de gases, sem cheiro, sem cor e sem gosto onde há presença de inúmeros gases. Entre esses elementos, não está presente na atmosfera naturalmente: a) Vapor da água. b) Dióxido de Carbono. c) Nitrogênio. d) Ozônio. e) Monóxido de Carbono. Corrigir Questão 2: A Atmosfera terrestre pode ser compreendida a partir da diferenciação de suas camadas. Aquela que é a mais próxima da superfície terrestre e onde acontece a maior parte dos fenômenos atmosféricos é denominada de: a) Troposfera. b) Estratosfera. c) Exosfera. d) Mesosfera. e) Ionosfera. Corrigir Questão 3: Leia o texto a seguir: “Graças às propriedades radiativas que o Ozônio possui, ele se torna um dos mais importantes gases da atmosfera terrestre. A importância se dá por absorver parte da radiação ultravioleta, impedindo assim que esta radiação letal chegue à superfície da Terra, o que provocaria a morte de organismos unicelulares (algas, bactérias, protozoários) e de células superficiais de plantas e animais” (ALMEIDA, 2016). Qual o principal gás que causa a destruição da camada de Ozônio? a) Clorofluorcarboneto (CFC). b) Dióxido de Carbono (CO2). c) Monóxido de Carbono (CO). d) Vapor da água (H2O). e) Dióxido de Nitrogênio (NO2). Corrigir Referências desta aula Próximos passos Explore + Referências desta aula · ALMEIDA, Hermes Alves de. Climatologia aplicada à Geografia. Campina Grande: EDUEPB, 2016. Livro Eletrônico. AYOADE, John. Introdução à climatologia para os trópicos. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003. BRASIL. Ministério da ciência e Tecnologia. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Disponível em http://www.cptec.inpe.br/. Acesso em 19 ago. 2017. BRASIL. Ministério da Ciência e Tecnologia. Instituto Nacional de Pesquisas Especiais. Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos. Interrelação do Relevo e Clima. Disponível em http://videoseducacionais.cptec.inpe.br/. Acesso em 19 ago. 2017. BRASIL. Ministério da Educação. Buraco na Camada de Ozônio. Disponível em http://objetoseducacionais2.mec.gov.br/bitstream/handle/mec/2058/open/file/10_buraco_na_camada_de_ozonio.html?sequence=9&eventSource=2. Acesso em 19 ago. 2017. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Brasil bate meta de redução de emissão de gases nocivos. Publicado: 17/09/2015. Disponível em http://www.mma.gov.br/clima/protecao-da-camada-de-ozonio/acoes-brasileiras-para-protecao-da-camada-de-ozonio/programa-brasileiro-de-eliminacao-dos-hcfcs-pbh. Acesso em 23 ago. 2017. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs PBH. Disponível em http://www.mma.gov.br/clima/protecao-da-camada-de-ozonio/acoes-brasileiras-para-protecao-da-camada-de-ozonio/programa-brasileiro-de-eliminacao-dos-hcfcs-pbh. Acesso em 23 ago. 2017. BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Decreto n° 99.280, de 06 de Junho de 1990. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1990-1994/D99280.htm. Acesso em 19 ago.2017. DOMINGUEZ, Antonio. A formação da Terra. Rio de Janeiro: Salvat, 1979. VAREJÃO-SILVA, Mario Adelmo. Meteorologia e Climatologia. Publicado em 2016. Disponível em http://www.posmet.ufv.br/wp-content/uploads/2015/08/LIVRO-382-Mario-Adelmo-Varejao-Silva-Meteorologia-e-Climatologia.pdf. Acesso em 19 ago. 2017. Próximos passos · Energia Radiante e sua distribuição no Planeta Terra. · Distribuição da Pressão Atmosférica horizontal e vertical. · Medição da Pressão Atmosférica e a movimentação do ar. Explore + · Visite a página do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), onde poderá encontrar dados meteorológicos e climáticos de diferentes capitais do Brasil. É interessante verificar o passo a passo para se fazer uma previsão meteorológica. http://www.inmet.gov.br/portal/ · Viste a página do CENTRO DE PREVISÃO DE TEMPO E ESTUDOS CLIMÁTICOS, órgão do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), onde poderá acessar imagens de satélite atualizadas, com a condição meteorológica atualizada. http://www.cptec.inpe.br/