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ANO 9 - Nº 53 - MAIO / JUNHO 2014
Indexação Qualis
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e dosagem de cortisol
de cavalos Quarto de
Milha - utilizados em
provas de Três Tambores:
interferência do
treinamento na saúde
animal
Avaliação
...................................
Avaliação artroscópica
e radiográfica de
peças anatômicas com
vista à articulação do
carpo de cavalos
atletas
Encarceramento de
intestino delgado em
anel inguinal após
Orquiectomia em
equino: relato de caso
...................................
Neurectomia digital
palmar em equinos
Estudo retrospectivo
das lacerações
perineais de terceiro
grau em éguas
...................................
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Capa e Segunda Capa.pmd 5/8/2014, 15:522
 • 1
S U M Á R I O MAIO / JUNHO 2014ANO 9 - Nº 53
www.passoapasso.org.br
FOTO PRINCIPAL CAPA:
ARQUIVO PESSOAL DA AUTORA (2014)
AVALIAÇÃO LEUCOCITÁRIA
E DOSAGEM DE CORTISOL
DE CAVALOS QUARTO DE
MILHA - UTILIZADOS EM
PROVAS DE TRÊS
TAMBORES:
INTERFERÊNCIA DO
TREINAMENTO NA SAÚDE
ANIMAL
Cavalos que realizam atividades
esportivas, frequentemente so-
frem um alto nível de estresse
durante competições e treina-
mentos intensivos, podendo
acarretar diversos tipos de pro-
blemas, atingindo assim seu sis-
tema imunológico. Neste proje-
to foi realizado o estudo da ava-
liação leucocitária e dosagem de
cortisol, com o intuito de avaliar
a interferência do treinamento na
saúde animal e bem-estar de
cavalos atletas praticantes do
esporte equestre Três Tambores.
(Pagina 18)
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AVALIAÇÃO ARTROSCÓPICA E RADIOGRÁFICA DE PEÇAS ANATÔMICAS COM VISTA
À ARTICULAÇÃO DO CARPO DE CAVALOS ATLETAS
As ocorrências de lesões articulares em cavalos atletas aconte-
cem devido traumas que os animais possam sofrer no treina-
mento ou durante alguma prova. Diante desse quadro, os con-
ceitos atuais de etiologia, patogênese, diagnóstico e tratamen-
to de cada uma das diferentes doenças articulares dos equi-
nos, vêm sendo cada vez mais investigados por profissionais
da área. O estudo baseou-se na analise radiográfica, graduan-
do-se o grau de lesão articular/óssea, seguido pelo estudo ar-
troscópico, com classificação, em graus, de lesão da cartilagem articular e sinóvia. (Pág. 4)
ENCARCERAMENTO DE INTESTINO DELGADO EM ANEL INGUINAL APÓS
ORQUIECTOMIA EM EQUINO: RELATO DE CASO
O encarceramento de intestino delgado em anel inguinal tam-
bém descrito como hérnia inguinal pode ocorrer mais comu-
mente de forma congênita nos potros e de forma adquirida nos
garanhões. O relato em questão descreve o caso de um equi-
no que após a realização de uma orquiectomia eletiva passou
a apresentar dor abdominal, com evolução aguda. À palpação
foi possível identificar intestino delgado no foco da orquiecto-
mia, e o mesmo foi encaminhado rapidamente ao centro cirúr-
gico para a realização de uma celiotomia. A recuperação pós-operatória foi satisfatória e o
animal conseguiu recuperar a sua forma física. (Página 12)
ESTUDO RETROSPECTIVO DAS LACERAÇÕES PERINEAIS DE TERCEIRO GRAU EM
ÉGUAS (1995-2011)
Os traumas reto-vestibulares são descritos com maior frequência em éguas, sendo as lace-
rações perineais de terceiro grau os mais graves, relacionadas com distocia, esforços vio-
lentos de expulsão do feto durante o parto e nascimento de potros grandes. O objetivo do
presente trabalho é realizar um estudo retrospectivo dos casos de laceração perineal de
terceiro grau atendidos no Hospital Veterinário da Universidade Estadual Paulista - Botucatu
no período de 1995 a 2011 visando identificar possíveis fatores de risco para a ocorrência da
lesão. (Página 26)
NEURECTOMIA DIGITAL PALMAR EM EQUINOS
A neurectomia digital palmar é utilizada em animais que apre-
sentam dor devido às doenças degenerativas podais que não
respondem ao tratamento conservativo. Diversas técnicas de
neurectomia foram desenvolvidas com objetivo de obter menor
trauma cirúrgico, evitando o desenvolvimento de neuroma do-
loroso, considerado uma das principais complicações da sec-
ção nervosa. A presente revisão bibliográfica abrange estudos
das diferentes técnicas de neurectomia, avaliando suas indicações, vantagens e desvanta-
gens. (Página 30)
COLUNA (VOCÊ SABIA?): CONHEÇA A RELAÇÃO ENTRE A BIOMECÂNICA DE
RECEPÇÃO DO MEMBRO TORÁCICO E/OU PÉLVICO COM
A DEGENERAÇÃO ARTICULAR
Você sabia que a hiperextensão do boleto por falha no apare-
lho de suspensão pode terminar em microfraturas que podem
degenerar a articulação do boleto? (Página 38)
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E D I T O R I A L
FUNDADOR
Synesio Ascencio (1929 - 2002)
DIRETORES
José Figuerola,
Maria Dolores Pons Figuerola
EDITOR RESPONSÁVEL
Fernando Figuerola
JORNALISTA RESPONSÁVEL
Russo Jornalismo Empresarial
Andrea Russo (MTB 25541)
Tel.: (11) 3875-1682
andrearusso@uol.com.br
PROJETO GRÁFICO
Studio Figuerola
EDITOR DE ARTE
Roberto J. Nakayama
EDITORAÇÃO ELETRÔNICA
Miguel Figuerola
MARKETING
Master Consultoria e Serviços
de Marketing Ltda.
Milson da Silva Pereira
milson.master@ig.com.br
PUBLICIDADE / EVENTOS
Diretor Comercial:
Fernando Figuerola
Fones: (11) 3721-0207
3722-0640 / 9184-7056
fernandofiguerola@terra.com.br
ADMINISTRAÇÃO
Fernando Figuerola Pons,
Juliane Pereira Silva
ASSINATURAS:
Tel.: (11) 3845-5325
editoratrofeu@terra.com.br
REVISTA BRASILEIRA DE
MEDICINA EQUINA
é uma publicação bimestral
da EditoraTroféu Ltda.
Administração, Redação e
Publicidade:
Rua Braço do Sul, 43
Morumbi - CEP: 05617-090
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a) As opiniões de articulistas e en-
trevistados não representam ne-
cessariamente, o pensamento da
REVISTA BRASILEIRA DE MEDI-
CINA EQUINA.
b) Os anúncios comerciais e infor-
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2 • 
Alexandre Augusto O. Gobesso
Nutrição e Fisiologia do Exercício
cateto@usp.br
André Luis do Valle De Zoppa
Cirurgia
alzoppa@usp.br
Cláudia Acosta Duarte
Clínica Cirúrgica de Equídeos
claudiaduarte@unipampa.edu.br
Daniel Lessa
Clínica
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Fernando Queiroz de Almeida
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Fisiologia Esportiva
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silva_vet@hotmail.com
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neimar@anhembi.br
Roberto Pimenta P. Foz Filho
Cirurgia
robertofoz@gmail.com
Renata de Pino A. Maranhão
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Silvio Batista Piotto Junior
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abraveq@abraveq.com.br
Tobyas Maia de A. Mariz
Equinocultura e Fisiologia Equina
tobyasmariz@hotmail.com
Pierre Barnabé EscodroCirurgia Veterinária e Clínica
Médica de Equideos
(Univ. Federal de Alagoas)
pierre.vet@gmail.com
CONSULTORES CIENTÍFICOS:
Código de Ética sempre presente
Mário Sérgio Cortella define com muita clareza o que é éti-
ca: "é o conjunto de valores e princípios que usamos para res-
ponder a três grandes questões da vida: (1) quero?; (2) devo?;
(3) posso? Nem tudo que eu quero eu posso; nem tudo que eu
posso eu devo; e nem tudo que eu devo eu quero. Você tem paz
de espírito quando aquilo que você quer é ao mesmo tempo o
que você pode e o que você deve".
O médico-veterinário com frequência acima do desejável
costuma ser solicitado para consultas e tratamentos gratuitos.
Às vezes sem solicitação: a gratuidade é, absurdamente, exijida.
A remuneração do médico-veterinário, prevista desde o código
de Hamurabi, é obrigatória e está explicita no Código de Ética de
sua profissão (Resolução nº 722, de 16 de agosto de 2002), que
em seu Artigo 21 é categórico ao não permitir a prestação de
serviços gratuitos ou por preços abaixo dos usualmente pratica-
dos (com algumas exceções, como no caso de pesquisas).
O Código de Ética deveria ser menos um documento guar-
dado nas prateleiras, físicas ou digitais, e mais um exercício in-
corporado em todas atividades. A recente repercussão do episó-
dio envolvendo Monty Roberts na Gameleira é um exemplo do
quanto é necessário estar com o Código decorado. Logo no
Capítulo I, Princípios Fundamentais, é dito no Artigo 2º "Denunci-
ar às autoridades competentes qualquer forma de agressão aos
animais e ao seu ambiente". Lembrem-se sempre de responder
às três questões: quero, devo e posso.
Roberto Arruda de Souza Lima
Professor da ESALQ/USP
raslima@usp.br
www.arruda.pro.br
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4 • 
Avaliação
de peças anatômicas
com vista à articulação
do carpo de cavalos
atletas
“Arthroscopic and radiographic
evaluation of anatomical parts with a
view to carpus joint of athletes horses”
“ Evaluacion artroscopica y radiografica
de piezas anatomicas con vista al carpo
de caballos deportivos”
Rodrigo Tavares Nieman*
(rodrigo_nieman@hotmail.com)
M.V. Residente do Depto. de
Assistência Veterinária (D.A.V.)
do Jockey Club de São Paulo
Henrique Dias Jorge
M.V. Responsável pelo Depto. de
Anatomia e Anatomia Patológica
Veterinária do Jockey Club de
São Paulo
Anderson Coutinho da Silva
M.V. Prof. Msc. das Disciplinas
de Anatomia e Cirurgia
Veterinária. Prof. Responsável
pelo Setor de Cirurgia do Hosp.
Vet. da Univ. Metodista de São
Paulo (HOVET-UMESP/SP)
Raphael Roseti Lavado
 M.V. Responsável pelo Setor de
Grandes Animais do Hosp. Vet.
da Univ. Metodista de São Paulo
Milton Kolber
M.V. Prof. Dr. das Disciplinas de
Lab. Clínico, Radiologia e
Zoonoses. Prof. Responsável
pelo Setor de Imagem do Hosp.
Vet. da Univ. Metodista de São
Paulo (HOVET-UMESP/SP)
Silvia Regina Kleeb
M.V. Profa. Dra. das Disciplinas
de Morfologia, Fisiologia e
Patologia. Profa. Responsável
pelo Setor de Patologia do Hosp.
Vet. da Univ. Metodista de São
Paulo (HOVET-UMESP/SP)
José Guilherme Xavier
M.V. Prof. Dr. da Disciplina de
Patologia. Prof. Responsável
pelo Setor de Patologia do Hosp.
Vet. da Univ. Metodista de São
Paulo (HOVET-UMESP/SP)
* Autor para correspondência
RESUMO: As ocorrências de lesões articulares em cavalos atletas acontecem devido a traumas que os animais
possam sofrer no treinamento ou durante alguma prova. Diante desse quadro, os conceitos atuais de etiologia,
patogênese, diagnóstico e tratamento de cada uma das diferentes doenças articulares dos equinos, vêm sendo cada
vez mais investigados por profissionais da área. Diferentes métodos por imagem são aplicáveis para diagnóstico das
doenças articulares. As radiografias denotam uma forma direta de diagnóstico, mas a artroscopia além do diagnóstico,
é também aplicada para tratamento das doenças articulares do tipo: fraturas intra-articulares, osteoartrite e
condromalácias. Foram utilizados para este estudo 15 membros pertencentes a 8 equinos PSI que vieram a óbito por
qualquer motivo e que estavam em constante treinamento no Jockey Club de São Paulo-Cidade Jardim. O estudo
baseou-se na análise radiográfica, graduando-se o grau de lesão articular/óssea, seguido pelo estudo artroscópico,
com classificação, em graus, de lesão da cartilagem articular e sinóvia. Dessa forma concluiu-se uma maior eficiência
no exame artroscópico em comparação com o exame radiográfico no diagnóstico das lesões que envolvem a articulação
do carpo, além de um destaque para um maior número de lesões em região média e medial da articulação do carpo
destes animais.
Unitermos: Cavalos atletas, doenças articulares, carpo, radiografia, artroscopia
ABSTRACT: The occurrence of joint injuries in athletic horses happens because of traumas that animals may
suffer in training or during any turf. Given this situation, the current concepts of etiology, pathogenesis, diagnosis
and treatment of each of the different joint desease in horses have been increasingly studied by professionals.
Different imaging methods are applicable for diagnosis of joint desease. Radiographs show a direct way of
diagnosis, but artrhoscopy in addition to the diagnosis, may also be applied for the treatment of joint deseases
like intra-articular fracture, osteoarthritis and condromalacias. In this study, 15 limbs from 8 PSI horses that died
for no specificic reason and were in constant training at Jockey Club of São Paulo-Garden City, were used. The
study was based on radiographic analysis, graduating the degree of injurie of joint/bone damage, followed by
arthroscopic study, that rated in degrees the injury of articular cartilage and synovium. Thus, it was concluded
that there is greater efficiency in arthroscopic examination compared with the radiographic in diagnosis of lesions
that involve the carpus joint, beyond a highlight for a greater number of lesions on the middle and medial regions
of the carpal joint of these animals.
Keywords: Athletes horses, joint deseases, carpus, radiograph, arthroscopy
RESUMEN: Las ocurrencias de lesiones en las articulaciones de los caballos deportivos ocurren debido traumas que
los animales pueden sufrir en el entrenamiento o durante alguna prueba. Ante esta situación, los conceptos actuales
de la etiología, patogenia, diagnóstico y tratamiento de cada una de las diferentes enfermedades de las articulaciones
de los caballos se han estudiado cada vez más por los profesionales. Diferentes métodos de imagen son aplicables
para el diagnóstico das enfermedades de las articulaciones. Las radiografías muestran una forma directa de diagnóstico,
pero la artroscopia, más allá de diagnóstico, sino que también se aplica para el tratamiento de enfermedades de las
articulaciones, como fracturas interarticulares, las osteoartritis y condromalácias. Se utilizaron para este estudio 15
miembros pertenecientes a 8 caballos PSI que vieron la muerte por cualquier causa y estaban en constante capacitación
en el Jockey Club de São Paulo- Ciudad Jardín. El estudio se basó en el análisis radiográfico graduando el grado de
daño articular/óseo, seguido por el estudio artroscópico con clasificación en grados de lesión en el cartílago articular
y la sinovia. Por lo tanto se calificaron los daños articulares en los multicompartimentos de articulación sinovial y una
mejor comprensión de las lesiones principales en los animales atletas, concluyendo una mayor eficiencia en el examen
artroscópico en comparación con el examen radiográfico en el diagnóstico de lesiones que afectan a la articulación
del carpo y destacando un mayor número de lesiones en la región media y medial de la articulación del carpo de estos
animales.
Palabras Clave: Caballos esportivos, enfermedades articulares, carpo, radiografía, artroscopia
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 • 5
trar alterações radiográficas do tipo lise,
sendo que o grau de alteração patológicana membrana sinovial é de difícil avalia-
ção17.
Por definição, artroscopia é a aplicação
de técnicas de endoscopia no estudo das ca-
vidades articulares21, permitindo a visuali-
zação direta das articulações mediante o uso
de um artroscópio que, em geral, possui fi-
nalidade diagnóstica4. As estruturas de prin-
cipal interesse no exame artroscópico das
articulações dos equinos são as membra-
nas sinoviais e as cartilagens articulares,
sendo as áreas das articulações difíceis de
serem avaliadas pelos métodos clínicos
normais. A capacidade de monitorar alte-
rações na membrana sinovial sequencial-
mente tem sido usada pra estudar o desen-
volvimento da sinovite na articulação in-
tercárpica (mediocárpica) dos equinos, sen-
do a quantificação da sinovite a principal
indicação para a avaliação dos tecidos mo-
les com o artroscópio. Com relação à carti-
lagem articular, o uso do artroscópio per-
mite o reconhecimento de fibrilação e ero-
são da mesma, onde a primeira pode ser
mais facilmente reconhecida por esta téc-
nica do que pela visualização macroscópi-
ca, devido a uma combinação de fatores que
incluem transiluminação das fibras cola-
genosas, sua suspensão na solução fisioló-
gica e também os efeitos de hiperplasias18.
 As diferenças principais entre os artroscó-
pios estão no diâmetro e no ângulo das len-
tes17. Um bom artroscópio deve possuir uma
fonte luminosa de fibra-óptica para possi-
bilitar a visualização das estruturas intra-
articulares. O artroscópio de 4mm com
angulações de 25º ou 30º cumpre com a
maioria das necessidades do cirurgião equi-
no, onde a lente pode ser girada sem movi-
mentar o membro em análise. O importan-
te é fazer a escolha de um aparelho que
promova menos danos articulares e que te-
nha boa mobilidade. O equipamento com-
plementar consiste em: sistema de irriga-
ção que tem por objetivo a irrigação e a
expansão da cápsula articular; cânula de
saída que tem por função liberar fluídos da
articulação limpando a área cirúrgica me-
lhorando a visualização; elevadores de pe-
riósteo, ruginas e osteótomos utilizados
para separação de fragmentos aderidos e
curetas utilizadas para fazer a raspagem da
região óssea11.
A artroscopia consegue revelar lesões
articulares discretas e precoces que não são
evidenciadas pelo exame radiográfico1. São
variadas as situações onde a cirurgia artros-
cópica é indicada no equino, tais como:
fragmentos osteocondrais da fileira proxi-
mal e distal do carpo, fragmentos osteocon-
drais dorsal e proximal de primeira falan-
ge, fragmentos osteocondrais do tarso, frag-
mentos osteocondrais associados à face
palmar proximal da primeira falange, frag-
mento apical do osso sesamoide, osteocon-
drite dissecante, entre outras14. Esta técni-
ca também possibilita a execução de bióp-
sias intra-articulares8, trazendo grandes
vantagens na abordagem diagnóstica e ci-
rúrgica dos problemas articulares dos ca-
valos, uma vez que permite diminuição do
tempo de convalescença com regresso mais
rápido ao trabalho e com melhor desempe-
nho, havendo redução dos tratamentos pa-
liativos efetuados bem como do número de
articulações permanentemente comprome-
tidas13.
As complicações na artroscopia não são
frequentes, onde as incidências graves equi-
valem a menos de 1%, o que contribui para
uma elevada taxa de sucesso14. Os proble-
mas e as complicações trans-cirúrgicas po-
dem ser de vários tipos, como: Hemartrose
que provoca perda na capacidade de visua-
lização das estruturas articulares7,1, obstru-
ção da visão por vilosidades sinoviais, ex-
travasamento extrassinovial de fluído, le-
sões iatrogênicas da cartilagem articular e
outros tecidos, quebra intrasinovial de ins-
trumentos e a presença de material estra-
nho na cavidade sinovial13. As principais
complicações pós-cirúrgicas são infecções,
distensão ou sinovite, não remoção de frag-
mentos, capsulite, osso neoformado ou mi-
neralização de tecido mole, além de pro-
blemas associados ao posicionamento e
dor13.
Visando a melhor compreensão das le-
sões articulares em cavalos atletas que vie-
ram a óbito por qualquer motivo, o estudo
busca detectar lesões superficiais e possí-
veis fraturas pelo método radiográfico, gra-
duando-se o grau de lesão articular, princi-
palmente a osteoartrite (OA) e por meio do
exame artroscópico, analisar a cápsula ar-
ticular, cartilagem articular, membrana si-
novial e quistos ósseos, com classificação
em diferentes graus de lesão de cartilagem
articular e sinovite.
Materiais e Métodos
Foram utilizados 8 membros torácicos
de cavalos atletas Puro-Sangue-Inglês (PSI)
que estavam em contínuo e semelhante trei-
namento e que vieram a óbito por qualquer
causa, cuja idade variou entre 3-8 anos, de
ambos os sexos. Os membros vieram da
Fazenda do Jockey Club de São Paulo -
Cidade Jardim. Após o óbito, os membros
Introdução
Os animais que participam de competi-
ções das mais diversas formas que exigem
esforços contínuos e intensos estão sujeitos
a acidentes que podem acarretar em lesões
no sistema locomotor. Um dos principais
fatores para a ocorrência de lesões nos equi-
nos é o início precoce do treinamento, de-
vido ainda não terem atingido a maturida-
de óssea5 e assim podendo acarretar fissu-
ras na cartilagem ou mesmo flaps, que tar-
diamente podem evoluir para uma osteoar-
trite (OA) e consequente diminuição do
desempenho nos esportes. É durante o pro-
cesso de ossificação endocondral que po-
dem ocorrer atrasos ou erros que darão ori-
gem às lesões na cartilagem de crescimen-
to da metáfise e na cartilagem do comple-
xo articular-epifisário dos animais jovens.
Embora heterogêneas estas lesões focais ou
multifocais provocam diversas manifesta-
ções clínicas consideradas no seu conjunto
como uma importante Doença Ortopédica
do Desenvolvimento (DOD) chamada Os-
teocondrose (OC) e que podem ser identi-
ficadas em equinos atletas12,22. Quando as
lesões resultantes de OC penetram a super-
fície articular provocando inflamação, der-
rame sinovial e desprendimento de flap os-
teocartilagíneo, tomam o nome de osteo-
condrite dissecante (OCD)12. A OC tem uma
grande incidência (em média 25%) em
Warmbloods e em raças de corrida19.
Dentre as artropatias dos equinos, as
mais frequentes são aquelas que acometem
os ossos do carpo, principalmente nos ca-
valos de corrida (turfe e trote) das raças
Puro-Sangue Inglês (PSI), Quarto de Mi-
lha (QM) e American Troter. Devido à dis-
tribuição de forças referentes à absorção dos
impactos provocados pelo exercício inten-
so, o ângulo diedro dorso-distal do osso
carpo radial é a principal sede destas afec-
ções6, além das fraturas do osso carpo aces-
sório.
O estudo radiológico das articulações é
um método de diagnóstico complementar,
servindo para confirmar e/ou auxiliar a sus-
peita clínica. Ele também é utilizado no
direcionamento do ponto de lesão para a
cirurgia artroscópica. Os aspectos radiográ-
ficos das OA incluem diminuição ou perda
do espaço articular, esclerose do osso sub-
condral, formação de osteófitos marginais,
proliferação óssea periostal e eventualmente
o desenvolvimento de anquilose10,16,3. O exa-
me radiográfico vai demonstrar a erosão da
cartilagem articular somente quando a
mesma estiver suficientemente adiantada
de modo que o espaço articular esteja di-
minuído ou quando o osso subcondral mos-
Paginas 1 a 22.pmd 31/7/2014, 15:065
6 • 
anteriores eram retirados de acordo com as
técnicas de necropsia e colocados sob re-
frigeração à 5ºC até que fossem transpor-
tados para o Laboratório de Anatomia Ve-
terinária da Universidade Metodista de São
Paulo (UMESP). Ao chegarem à Universi-
dade, os procedimentos do estudo inicia-
vam-se com a avaliação radiográfica, se-
guida da artroscopia de ambos os membros.
Ao longo do estudo, os membros dos ani-
mais foram identificados com numerações
de 1 à 8, divididos em esquerdo e direito.
Neles foram analisadas as articulações do
carpo e rádio cárpica, totalizando 15 arti-
culações, devido um dos animais ter apre-
sentado uma fratura cominutiva do mem-
bro esquerdo na região daarticulação do
carpo, sendo descartado.
Estudo Radiográfico
O estudo procedeu da analise radiográ-
fica em quatro projeções: latero-medial
(LM); crânio-caudal (CrCd); dorso lateral
palmaro medial oblíqua (DLPMO) e dorso
medial palmaro lateral oblíqua (DMPLO).
A revelação das radiografias foi realizada
por processamento automático. O aparelho
de Raio-X Médico Veterinário utilizado foi
o da marca TOSHIBA/RAYTEC, Modelo
E7239-X, Fixo, nº da série 8B-517, Potên-
cia 125kVp/600mA e os filmes radiográfi-
cos utilizados foram de tamanho 24X30 cm.
O parecer para o grau de lesão era avaliado
por três profissionais do HOVET-METO-
DISTA, seguindo a metodologia semi-
quantitativa descrita por Kirker-Head et al.
(2000)9.
Estudo Artroscópico
Para esse estudo foi utilizado um artros-
copio de 4 mm com ângulo de visão 30º
com lente giratória DYONICS® DE11584,
fonte de irrigação com solução Ringer Lac-
tato sob infusão contínua, fonte luminosa
FERRARI® FH 250 R2, fibra óptica TEK-
NO®, câmera SONY 200® TopWay SSD
inside (CTCC 4120), processador de ima-
gem CCD Color NTSC e sistema de captu-
ra Kworld® USB Hybrid Tuner Stick (UB
430 - AF), associados à televisão e note-
book, ainda elevadores de periósteo, rugi-
nas, osteossomos e curetas.
O procedimento da artroscopia inicia-
va-se com a artrocentese, com retirada do
líquido sinovial por meio de uma agulha
40x12 e seringa de 20 ml. Logo após, era
realizada a incisão da pele com lâmina de
bisturi n.15 de aproximadamente 1 cm de
extensão, seguido da injeção de aproxima-
damente 35ml de solução eletrolítica ba-
lanceada e estéril, para expansão inicial da
cápsula articular para facilitar a inserção
do artroscópio na porção mais proximal ex-
pandida da cápsula. A introdução da bai-
nha do artroscópio neste local iniciava-se
exatamente com um trocarte pontiagudo no
interior da bainha, completava-se a pene-
tração após ultrapassar a membrana sino-
vial. Dessa forma, substituía-se o trocarte
pontiagudo pelo artroscópio acoplando-o na
bainha e dava-se início ao exame da cáp-
sula articular. A solução eletrolítica era
bombeada através da válvula de entrada de
fluídos da bainha do artroscópio continua-
mente para a cavidade articular, removen-
do qualquer material e mantendo-a expan-
dida, facilitando a visualização do opera-
dor.
A área de entrada do artroscópio na
porção da cápsula articular da articulação
do carpo iniciava-se entre o tendão do mús-
culo extensor carpo-radial e o tendão do
músculo extensor digital comum, podendo
o membro estar em leve flexão6. O exame
desta articulação começava medialmente,
ao tendão extensor carpo radial, entre o
carpo-radial e o III carpiano. Diante disso
já era possível a visualização da superfície
inferior do carpo radial e da superfície su-
perior do III e II carpianos. Ainda pode-se
observar, flexionando um pouco mais a ar-
ticulação, o ligamento intercarpico palmar
medial (anexo entre o III carpiano e o car-
po radial). O aspecto dorsal do III carpiano
é facilitado estendendo-se a articulação.
Seguia-se com o exame da proeminência
do bordo axial do osso carpo radial, inter-
médio, a face intermédia do III carpiano e
da parte axial do IV osso do carpo. Ao
mover o artroscópico lateralmente, já era
possível inspecionar o carpo ulnar e o IV
carpiano. Rotacionando-se o artroscópio, o
ligamento intercárpico palmar era visto dei-
tado entre o IV carpiano e o carpo ulnar.
Atinge-se assim a articulação rádio cár-
pica inserindo-se o artroscópio pelo mes-
mo portal, ou seja, em relação ao tendão
extensor carpo radial e o tendão extensor
comum dos dedos, no centro da depressão
entre a linha do meio dos ossos do carpo e
do rádio. A inspeção começava medialmen-
te à articulação cárpica média. Primeira-
mente realizava-se o exame da região me-
dial do rádio distal e proximal do osso car-
po radial. Neste ponto as vilosidades po-
dem inibir a visibilidade do bordo dorsal
do rádio, podendo isso ser corrigido com a
distensão e extensão da articulação. Após
a visualização da junção entre o carpo in-
termédio e o carpo radial, o artroscópio era
retirado deste ponto tendo-se uma visuali-
zação da crista sagital do rádio. Lateral-
mente o espaço articular fica mais estreito
e em cavalos jovens o sulco da junção en-
tre o processo estiloide e o rádio é visto na
superfície articular do rádio. Para fim de
procedimento, olhando-se distalmente e la-
teralmente, inspecionava-se a parte axial
do carpo ulnar.
Seguiu-se a metodologia descrita por
Velosa et al. (1999)20, o qual se preconiza
que durante o procedimento cirúrgico ar-
troscópico das articulações dos animais, a
cápsula e superfície articular sejam avalia-
das e classificadas, de acordo com a pre-
sença de lesões, em normal, quando a su-
perfície da cartilagem encontra-se ilesa; fi-
brilada, se houver irregularidades na su-
perfície da cartilagem articular, e fibrila-
da, com exposição do osso quando as le-
sões se aprofundam até o osso subcondral.
No tocante à sinóvia, a classificação utili-
zada foi em normal, vilos livres e com pe-
quena vascularização; inflamada, vilos hi-
perêmicos e com vasos congestos; degene-
rados, vilos aderidos e com pouco movi-
mento.
Análise Estatística
As amostragens obtidas foram analisa-
das sob forma qualitativa das imagens ra-
diográficas e artroscópicas. No primeiro
analisava-se a superfície articular e óssea.
Já no segundo método de análise, foi veri-
ficado o tecido cartilaginoso e também da
sinóvia. Todos esses métodos avaliaram as
áreas da articulação carpeana, para quan-
tificar as alterações degenerativas. Dessa
forma, pelo exame radiográfico avaliou-se
10 parâmetros seguindo a metodologia des-
crita por Kirker-Head et al. (2000)9, e na
artroscopia avaliou-se 2 parâmetros (carti-
lagem articular e sinóvia), envolvendo duas
articulações (articulação rádio-carpica –
ARC; e articulação intercárpica - AI), jus-
tamente por conta dos acessos possíveis de
entrada do artroscópio. Para medir a acu-
rácia dos exames, mostrando o quão ele é
confiável para diagnosticar a lesão, sem
falso positivo e falso negativo, foi utilizada
a tabela de contingência2 que leva em con-
ta a presença ou ausência da doença/lesão.
Resultados
Foram analisados membros torácicos de
oito cavalos de corrida, todos da raça PSI,
provenientes do Jockey Club de São Paulo
em Cidade Jardim. De todos os animais,
um deles apresentou uma fratura cominuti-
va e exposta na articulação do carpo, sendo
descartado, totalizando dessa forma, 15 ar-
ticulações analisadas pelos métodos radio-
gráfico e artroscópico.
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 • 7
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8 • 
Figura 1: Projeção crânio cau-
dal de imagem radiográfica de
carpo de equino PSI, eviden-
ciando diminuição do espaço
articular em região medial,
entre ossos do carpo (fileira
distal) e metacarpo (Seta)
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Figura 2: Projeção crânio cau-
dal de imagem radiográfica de
carpo de equino PSI, eviden-
ciando erosão irregular/lise
cística do osso subcondral
em carpo radial (Seta)
Figura 3: Projeção crânio cau-
dal de imagem radiográfica de
carpo de equino PSI, eviden-
ciando erosão irregular/lise
cística do osso subcondral em
carpo radial (Seta)
Figura 4: Projeção latero me-
dial de imagem radiográfica de
carpo de equino PSI, eviden-
ciando osteófito (mineraliza-
ção da margem articular) em
região de III metacarpiano
(Seta)
Figura 5: Projeção latero me-
dial de imagem radiográfica de
carpo de equino PSI, eviden-
ciando osteófito (mineraliza-
ção da margem articular) em
região de III metacarpiano
(Seta)
Figura 6: Projeção latero me-
dial de imagem radiográfica de
carpo de equino PSI, eviden-
ciando fragmento osteocon-
dral pequeno e bem definido
(Seta)
Figura 7: Imagem artroscópica de articulação
intercárpica de equino PSI, evidenciando
ebulização óssea em superfície de carpo radial
Figura 8: Imagem artroscópica de articulação
rádio cárpica de equino PSI, evidenciando
cartilagem articular de rádio fibrilada e irre-
gular.
.....................................................................................................................alterações em rádio (6,6%) na articulação
rádio cárpica (Figura 8). A sinóvia mos-
trou-se alterada na região medial interna
da cápsula articular na maioria dos casos
(66,6%) (Figuras 9 e 10) e em alguns de-
les, na região lateral interna da cápsula ar-
ticular (20%) (Figuras 11 e 12).
Raros foram os casos ande a mesma
apresentou-se inalterada (13,3%) (Figura
13). Ainda em alguns animais, foram
O exame radiográfico avaliou 10 parâ-
metros seguindo a metodologia descrita por
Kirker-Head et al. (2000)9 e a artroscopia
avaliou 2 parâmetros (cartilagem articular
e sinóvia) envolvendo duas articulações
(ARC e AI). Como todos os parâmetros vi-
sam determinar a presença ou ausência de
lesão, assumiu-se que qualquer escore fora
do normal (Artroscopia) foi considerado
como positivo para a lesão, independente
do grau desse escore.
Ao observar os dados obtidos, ficou evi-
dente que a artroscopia mostrou uma quan-
tidade maior de lesões do compartimento
articular em relação ao exame radiográfi-
co (13/15 contra 7/15, respectivamente),
sendo um exame mais eficiente para detec-
tar lesões. Isso é mostrado na tabela 1.
Tabela 1: Tabela de contingência mostrando
a eficácia dos testes com valor qualitativo de
presença ou não de lesão
Artroscopia (Padrão/Ouro)
Positivo Negativo
Positivo 6a 1b 7@
Negativo 7c 1d 8^
13* 2# 15
*Positivo na Artroscopia; #Negativo na Artroscopia;
@Positivo no Raio-X; ^Negativo no Raio-X;
a: Verdadeiro positivo; b: Falso positivo;
c: Falso negativo; d: Verdadeiro negativo
A artroscopia diagnosticou lesão em
86,6% dos casos enquanto que o exame ra-
diográfico em 46%, mostrando que há um
incremento de 40% na capacidade de de-
tectar a lesão pelo método artroscópico.
Quando a doença está presente, o exame
radiográfico mostrou em 46% dos casos
presença de lesão (Sensibilidade de 46%).
Quando a lesão está ausente, o raio-X mos-
trou em 50% dos casos a ausência de alte-
ração demonstrado com especificidade de
50%.
Nos 46% dos casos diagnosticados com
lesão radiográfica, as mesmas concentra-
ram-se em região medial da articulação
(26%) (Figura 1), margeando o osso carpo
radial (Figuras 2 e 3), II e III metacarpia-
no, onde nesse último a presença de osteó-
fitos (Figuras 4 e 5) foi considerada alta
(20%). Poucos foram os animais que apre-
sentaram lesões em região lateral da arti-
culação (6,6%) (Figura 6). No exame ar-
troscópico as lesões concentravam-se em
articulação intercárpica envolvendo em sua
grande maioria o osso carpo radial (26,6%)
em sua articulação com os ossos III carpia-
no (Figura 7) e carpo intermédio, além de
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Raio-X
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observadas alterações na articulação entre
os ossos da fileira distal do carpo (33,3%)
(Figuras 14 e 15) e raras alterações ósseas
em região lateral da articulação (20%) (Fi-
gura 16).
Discussão
Segundo Garcez (2010)5, um dos prin-
cipais fatores para a ocorrência de lesões
nos equinos é o início precoce do treina-
mento, graças a imaturidade óssea, levan-
Figura 9: Imagem artroscópica de articulação
rádio cárpica de equino PSI, evidenciando si-
nóvia inflamada, com vilos hiperêmicos e va-
sos congestos
Figura 10: Imagem artroscópica de articula-
ção rádio cárpica de equino PSI, evidencian-
do sinóvia inflamada, com vilos hiperêmicos
e vasos congestos
Figura 11: Imagem artroscópica de articulação
intercárpica de equino PSI, evidenciando es-
pessamento de cápsula articular e irregulari-
dade em superfície de osso carpo intermédio
....................................................................................
Figura 12: Imagem artroscópica de articula-
ção intercárpica de equino PSI, evidenciando
sinóvia degenerada, com vilos aderidos, com
pouco movimento
Figura 13: Imagem artroscópica de articulação
rádio cárpica de equino PSI, evidenciando
sinóvia de aspecto normal
Figura 14: Imagem artroscópica de articula-
ção intercárpica de equino PSI, evidenciando
cartilagem articular entre III e IV carpianos
fibrilada e irregular
...................................................................................
Figura 15: Imagem artroscópica de articula-
ção intercárpica de equino PSI, evidenciando
cartilagem articular entre II e III carpianos
fibrilada e irregular
Figura 16: Imagem artroscópica de articula-
ção intercárpica de equino PSI, evidenciando
espessamento e irregularidade de cápsula ar-
ticular e erosões ósseas em superfície de IV
carpiano
................................................................................
do à possibilidade de ocorrer microfratu-
ras podendo acarretar em fissuras na carti-
lagem ou mesmo flaps, que tardiamente
podem evoluir para uma osteoartrite (OA).
Este fato pode ser relacionado no estudo
apresentado, onde os membros analisados
tanto radiograficamente, como pela técni-
ca da artroscopia mais precisamente, per-
tenciam a equinos atletas em constante trei-
namento, na faixa etária entre 2 e 8 anos,
onde os mesmos já apresentavam lesões ca-
racterísticas do esporte em cartilagem arti-
cular, cápsula articular e sinóvia, além de
alguns exibirem fraturas em ossos do car-
po.
No estudo, as radiografias evidenciaram
a maioria das lesões em região medial da
articulação intercárpica e carpo metacár-
pica, margeando o osso carpo radial, II e
III metacarpiano, onde nesse último a pre-
sença de osteófitos foi considerada. O exa-
me artroscópico mostrou maiores casos de
lesões em articulação intercárpica envol-
vendo em sua grande maioria o osso carpo
radial em sua articulação com os ossos III
carpiano e carpo intermédio, corroboran-
do com os achados de Gomes (1998)6, que
justifica o nível de lesão estar diretamente
relacionado com a dificuldade de distribui-
ção igualitária de forças referentes à absor-
ção dos impactos, provocados pelo exercí-
cio intenso é o ângulo diedro dorso-distal
do osso carpo radial e/ou fraturas do osso
carpo acessório.
O exame radiográfico em casos de OA
incluem diminuição ou perda do espaço ar-
ticular, esclerose do osso subcondral,
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10 • 
formação de osteófitos marginais, prolife-
ração óssea periostal e eventualmente o de-
senvolvimento de anquilose, demonstran-
do uma erosão da cartilagem articular so-
mente quando a mesma estiver suficiente-
mente adiantada10,16,2, onde segundo
Stashak (1994)17, o grau de alteração na
membrana sinovial acaba sendo de difícil
avaliação. É um exame utilizado no direci-
onamento do ponto de lesão para a cirur-
gia artroscópica, sendo que esta última bus-
ca o estudo e diagnóstico muitas vezes pre-
coce de estruturas da articulação como
membranas sinoviais e cartilagens articu-
lares, além do seu importante papel no tra-
tamento articular, como remoção de flaps
e fragmentos osteocondrais. O direciona-
mento para a avaliação artroscópica do
ponto de afecção articular no estudo em
questão, em sua grande maioria, foi guia-
do pela técnica radiográfica anteriormente
realizada. Porém, em alguns casos, a ar-
troscopia pôde revelar alterações não en-
contradas no raio-X, e não só em sinóvia e
cartilagem articular, mas em superfície ós-
sea, cápsula articular e articulação entre os
ossos do carpo. Tais alteraçõesincluem
fragmentos osteocondrais aderidos em os-
sos do carpo, ebunização óssea, fissuras e
mesmo fragmentação em ossos do carpo.
Segundo Bardet (2006)1, a artroscopia con-
segue revelar lesões articulares discretas e
precoces que não são evidenciadas pelo
exame radiográfico, o que foi realmente
observado no trabalho apresentado.
A ocorrência de falsos positivos no exa-
me artroscópico não está livre de aconte-
cer, sendo uma opção de direcionamento e
análises com maior exatidão, a compara-
ção destes com o exame histopatológico,
considerado um exame padrão para eviden-
ciar o grau de OA em uma articulação si-
novial.
Conclusão
Mediante os resultados obtidos e com-
parados com as recentes publicações da
área, conclui-se que embora a radiografia
e artroscopia sejam exames com princípios
e análises bem diferentes, ambos se com-
pletam no diagnóstico e direcionamento do
tratamento de lesões articulares de equinos,
com atenção à articulação do carpo em ca-
valos de corrida, que através do estudo
pode-se perceber que a maioria das altera-
ções e lesões encontram-se em ossos e com-
partimentos articulares intermediários e
mediais da articulação estudada. Além dis-
so, um cavalo que sofra de um problema
articular, implicando a cartilagem articu-
lar, sinóvia, cápsula articular e líquido si-
novial, elementos estes que não produzem
alterações radiográficas demonstráveis,
deva requerer técnicas mais avançadas para
diagnóstico precoce e tratamento adequa-
do do compartimento articular, como a ar-
troscopia, que poderá ser associada ao exa-
me histológico dos tecidos, contribuindo
desta forma para menores chances de re-
sultados falsos positivos. 
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“Equine inguinal ring incarceration of
small intestine after orchiectomy: a case
report”
“Encarcelamiento de intestino delgado
en anillo inguinal después orquiectomia
en caballos: report de un caso”
Encarceramento
de intestino
delgado em anel
inguinal após
em equinos:
relato de caso
Bianca Marfil Dias*
(biancamarfildias@gmail.com)
Graduanda do curso de Medicina
Veterinária pela Universidade
Metodista de São Paulo.
Gabriela Marchioni
(gabriela.marchioni@metodista.br)
Profa. Ms. de Medicina Veterinária
da Universidade Metodista de São
Paulo.
Raphael Roseti Lavado
(raphaelroseti@yahoo.com.br)
M.V. responsável pelo setor de
grandes animais do Hospital
Veterinário da Universidade
Metodista de São Paulo.
Anderson Coutinho da Silva
(anderson.silva@metodista.br)
Prof. Ms. de Medicina Veterinária
da Universidade Metodista de São
Paulo.
Jordana Casemiro Pinto Monteiro
(jojamonteiro@hotmail.com)
M.V. responsável pelo setor de
anestesiologia do Hospital
Veterinário da Universidade
Metodista de São Paulo.
Thiago de Azevedo Noronha
(noronhavet@hotmail.com)
Prof. Ms. de Medicina Veterinária
da Universidade Metodista de São
Paulo.
* Autora para correspondência
RESUMO: O encarceramento de alças intestinais em anel inguinal após uma orquiectomia não é uma complica-
ção usual na casuística hospitalar, caracterizado pelo deslocamento da porção final do jejuno ou do íleo através
do canal inguinal, é observado com maior frequência em garanhões após monta natural ou congenitamente em
potros. Nas hérnias irredutíveis, a terapêutica é cirúrgicae emergencial e o prognóstico reservado devido às
lesões estrangulantes nas alças intestinais. Um equino, macho, 10 anos da raça Puro Sangue Lusitano foi enca-
minhado ao hospital veterinário da Universidade Metodista de São Paulo para realização de orquiectomia eletiva,
e cerca de 2 horas após o procedimento o animal apresentou sintomas de síndrome cólica com evolução aguda,
mucosas congestas, sudorese, secreção sero-sanguinolenta na região da incisão cirúrgica e através da palpa-
ção escrotal constatou-se a presença de intestino delgado com reflexo doloroso à palpação. O animal foi imedi-
atamente encaminhado para a cirurgia, onde foi realizada a redução da alça intestinal encarcerada, enterectomia
de aproximadamente 1,8 metros da porção do jejuno e herniorrafia completa do anel inguinal. A recuperação
pós-operatória foi satisfatória, sendo que o animal retornou à atividade atlética e recuperou o seu peso corporal
inicial.
Unitermos: encarceramento, hérnia inguinal, orquiectomia, enterectomia, equinos, cólica
ABSTRACT: The bowel incarceration in the inguinal ring after an orchiectomy is an unusual complication in the
case series, characterized by the displacement of the end portion of the jejunum or ileum through the inguinal
canal, is more frequently observed in stallions after natural mating or congenitally in foals. In the irresolvable
hernias, surgical treatment is urgrently required and still the prognosis is poor due to estrangulation of the intestinal
wall. One male pure blood horse, 10 years old and Lusitano breed was taken to the Methodist University of São
Paulo’s Veterinary Hospital, for elective orchiectomy - about 2 hours after the procedure the animal presented
symptoms of acute colic syndrome with acute, congested mucous, sweating, sero-bloody discharge at the incision
area and through scrotal palpation was possible to observe the presence of small bowel in the scrotum with
painful reflex on touch. The animal was immediately taken to surgery, in which a reduction of the incarcerated
bowel loop took place - enterectomy of approximately 1.8 meters from the jejunum part and complete hernia
repair of the inguinal ring were performed. Postoperative recovery was satisfactory, since the animal returned to
its athletic activity and regained its initial body weight.
Keywords: incarceration, inguinal hernia, orchiectomy, enterectomy, equine, colic
RESUMEN: El encarcelamiento de los intestinos en el anillo inguinal después de una orquiectomía es una
complicación inusual que se caracteriza por el desplazamiento de la parte final del yeyuno o el íleon a través del
canal inguinal. Este se observa con mayor frecuencia en los sementales después del apareamiento natural o
congenitamente en los potros. La hernia irreductible se trata quirúrgicamente y de emergencia y debido a lesiones
estrangulantes en la pared intestinal el pronóstico es reservado. Un caballo macho de 10 años de raza Lusitano
fue remitido al hospital veterinário de la Universidad Metodista de São Paulo para una orquiectomía electiva,
alrededor de 2 horas después del procedimiento el animal mostró síntomas de síndrome cólico agudo, mucosa
congestionada , sudoración, secreción sero-sanguinolenta en el área de la incisión y mediante la palpación del
escroto se pudo observar la presencia de intestino delgado en el mismo. Al animal se le practico una enterectomia
de emergencia, seccionando aproximadamente 1,8 metros del yeyuno y cerrando el anillo inguinal. La recuperación
postoperatoria fue satisfactoria y el animal regresó a la actividad deportiva recuperando su peso corporal inicial.
Palabras clave: Encarcelamiento, hérnia inguinal, orquiectomía, enterectomía, caballo, cólico
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Introdução
O termo encarceramento de intestino
delgado em anel inguinal refere-se à pas-
sagem do conteúdo abdominal através do
canal inguinal podendo ocorrer direta ou
indiretamente. Indiretamente, a víscera en-
tra no anel vaginal, passa pelos anéis pro-
fundos e superficiais, localizando-se na
cavidade vaginal ao lado e em contato com
o testículo. Quando ocorre de maneira di-
reta, o conteúdo passa por uma falha do
peritônio, atravessa o anel inguinal profun-
do e superficial, e ficará contido na região
inguino-escrotal por fora da túnica vagi-
nal.
O encarceramento de intestino delgado
em anel inguinal também descrito como
hérnia inguinal pode ocorrer mais comu-
mente de forma congênita nos potros e de
forma adquirida nos garanhões.
O relato em questão descreve o caso de
um equino que após a realização de uma
orquiectomia eletiva passou a apresentar
dor abdominal, com evolução aguda. À
palpação foi possível identificar intestino
delgado no foco da orquiectomia, e o mes-
mo foi encaminhado rapidamente ao cen-
tro cirúrgico para a realização de uma celi-
otomia. Pode-se notar comprometimento de
aproximadamente 1,8 metros de intestino
delgado, sendo necessária a realização de
enterectomia, enteroanastomose e fecha-
mento do anel inguinal. A recuperação pós-
operatória foi satisfatória e o animal con-
seguiu recuperar a sua forma física.
As hérnias inguino-escrotais são carac-
terizadas pelo deslocamento da porção fi-
nal do jejuno ou íleo através do canal in-
guinal, por vezes se estendendo até o es-
croto. Ocorrem mais comumente ao nasci-
mento ou até alguns meses após, podendo
se resolver espontaneamente durante os
primeiros meses de vida9.
A maior incidência de hérnias inguinais
em equinos é a hérnia congênita dos po-
tros e a adquirida dos garanhões1. Em uma
revisão de 14 casos de hérnias diretas em
potros com menos de 48 horas de vida, sub-
metidos à cirurgia de urgência, o intestino
delgado estava presente em todos os casos
e a sobrevivência após seis meses foi de
50%15. A ocorrência de encarceramento de
alças intestinais após a castração é mais
comum em casos de criptorquidismo, quan-
do é feita uma incisão peritoneal de gran-
des dimensões3.
As hérnias inguinais são mais comuns
em equinos das raças American Trotter e
Tenesse Walking Horse, os quais tendem a
apresentar o canal inguinal congenitamente
grande. As hérnias inguinais também po-
dem ocorrer em potros neonatos, mas dife-
rem das hérnias em equinos adultos, pois
tipicamente são não estrangulantes11.
Os achados típicos da anamnese carac-
terizam-se por início de cólica aguda em
garanhões que recentemente foram utiliza-
dos para a reprodução, exercícios ou trau-
mas e mais raramente após a realização de
uma orquiectomia e nestes casos quase to-
das são irredutíveis. Os sinais clínicos da
enfermidade incluem início súbito, dor agu-
da e intensa, rápida alteração dos parâme-
tros fisiológicos e aumento de volume em
um ou ambos os lados do escroto, com di-
minuição da temperatura local9. O diagnós-
tico pode ser confirmado pela palpação di-
reta, palpação transretal e ultrassonografia
do escroto. Por ser uma obstrução estran-
gulante, o tratamento cirúrgico imediato é
essencial, por meio de celiotomia2.
A natureza da hérnia, direta ou indire-
ta, é determinada com base na integridade
da túnica vaginal parietal. Nos equinos em
que as alças permanecem dentro da túnica
vaginal parietal, a hérnia é classificada
como indireta (figura 1), pois as alças per-
manecem dentro da cavidade peritoneal. As
hérnias diretas (figura 2) são aquelas em
que o segmento intestinal estrangulado
rompe a túnica vaginal parietal, localizan-
do-se no subcutâneo. Embora a maioria das
Figura 2:
Hérnia
inguinal
direta.
Rompimento
da túnica
vaginal
parietal e
localização
do intestino
delgado no
espaço
subcutâneo
Figura 1:
Hérnia
inguinal
indireta.
Nota-se a
preservação
da túnica
vaginal
parietal e as
alças
intestinais em
contato com
o testículo
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hérnias inguinais indiretas apresente re-
solução com a redução manual através da
manipulaçãoda alça herniada pelo reto,
esse procedimento não é recomendado
devido ao risco de se provocar lacerações
retais, sendo indicada a resolução cirúrgi-
ca em ambos os casos11.
Caso seja constatada a presença de al-
ças inviáveis (figura 3 e 4), uma enterec-
tomia da porção estrangulada deve ser rea-
lizada, necessitando geralmente praticar
incisão abdominal além do acesso pelo es-
croto. Várias técnicas cirúrgicas são reco-
mendadas para o tratamento das hérnias in-
guinais e consistem basicamente na herni-
orrafia realizada após o acesso à cavidade
da túnica vaginal e redução dos órgãos her-
niados. Nesse caso realiza-se a remoção,
ligadura e a ablação do cordão espermáti-
co, túnica vaginal parietal e do músculo cre-
máster, podendo ou não realizar o fecha-
mento total do anel inguinal externo8.
Relato de caso
Foi atendido no hospital veterinário da
Universidade Metodista de São Paulo, um
equino, macho, 10 anos da raça Puro San-
gue Lusitano, que cerca de duas horas após
a realização de orquiectomia eletiva apre-
sentou sintomas de síndrome cólica, onde
foi possível observar dor intensa, sudore-
se, estrangúria e secreção sero-sanguino-
lenta na região de incisão da orquiectomia
(figura 5).
Ao exame clínico pode-se observar ta-
quicardia considerável, com frequência
cardíaca acima de 80 batimentos por mi-
nuto, taquipneia, dor, mucosas congestas,
TPC acima de quatro segundos e aumento
de volume em região escrotal com presen-
ça de secreção sero-sanguinolenta em quan-
tidade considerável. À palpação escrotal
pode-se notar presença de intestino delga-
do na região escrotal, com reflexo doloro-
so à palpação.
Antes da cirurgia foi realizada fluido-
terapia com a solução cristaloide Ringer
com lactatoa para restabelecer a volemia e
hidratação do animal, também foi adminis-
trado flunixin meglumineb na dose de 1,1
mg/kg por seu efeito analgésico e anti-in-
flamatório.
Após a medicação pré-anestésica com
cloridrato de detomidinac (0,02 mg/kg IV)
utilizou-se cloridrato de cetaminad (2 mg/
kg IV) e midazolame (0,05 mg/kg IV) para
indução anestésica, o animal foi colocado
em decúbito dorsal e para manutenção anes-
tésica utilizou-se isofluranof (3% de vapo-
rização) e oxigênio em circuito semi-fecha-
do. Durante o transcirúrgico o animal apre-
sentou queda da pressão arterial média (que
ficou em torno de 50 mmHg), para seu tra-
tamento foi utilizada a efedrinag como dose
efeito (uma ampola de 1 ml na dose de 50
mg/ml diluídos em 500 ml de Solução Fi-
siológica 0,9%) que demonstrou-se efetiva
permitindo o restabelecimento da pressão
arterial que manteve-se ao redor de 80
mmHg durante o período restante do pro-
cedimento.
Foi realizada uma incisão na área do
escroto para permitir a visualização e ma-
nipulação do seguimento intestinal herni-
ado, dessa forma realizou-se a tração do
jejuno e enterectomia de aproximadamen-
te 30 centímetros com enteroanastomose
término-terminal. A ausência da túnica
vaginal envolvendo o conteúdo herniário
demonstrou que o caso tratava-se de uma
hérnia direta.
Após essa primeira enterectomia e en-
teroanastomose realizou-se o acesso abdo-
minal tradicional através da celiotomia,
para tração e exposição das alças pela linha
média ventral, dessa forma exploraram-se
adequadamente as vísceras abdominais e
Figura 4: Imagem mostrando a presença de alças intestinais hernia-
das através do canal inguinal e realização de punção para drenagem
do conteúdo gasoso buscando uma diminuição do seu volume para
facilitar a redução.
Figura 3: Imagem mostrando a inviabilidade parcial de alças intesti-
nais
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Figura 5: Imagem mostrando presença de se-
creção sero-sanguinolenta drenando a região
da orquiectomia horas após a realização do
procedimento
a Ringer com lactato - Equiplex Ind. Farmacêutica
b Flunixin Injetável - Chemitec
c Dormium V - Agener União
d Cetamin - Syntec
e Midazolam - Hipolabor
f Isoflurano - Biochimico
g Unifedrini - União Química
................................................................................................................................................................................
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verificou-se uma área de aproximadamen-
te 1,5 metros de inviabilidade intestinal da
porção do jejuno e assim foi realizada ou-
tra enterectomia, seguida de enteroanasto-
mose do tipo latero-lateral, totalizando uma
retirada de 1,8 metros de jejuno. Um últi-
mo acesso foi realizado no anel inguinal,
seguido de herniorrafia completa com fio
Poliglactina 910 tamanho 2 (dois) e sutura
de pele com fio Nylon tamanho 0 (zero).
Para finalização reposicionou-se as alças
intestinais, executou-se lavagem da cavi-
dade abdominal com Solução Fisiológica
0,9% seguida por aspiração e iniciou-se a
sutura da camada muscular com fio Poli-
glactina 910 tamanho 2 (dois), a aproxi-
mação do tecido subcutâneo com fio Poli-
glactina 910 tamanho 0-0 (dois zero) e su-
tura de pele com fio Nylon tamanho 0
(zero).
A duração da cirurgia foi de três horas
e meia e para terapia pós-operatória reali-
zou-se antibioticoterapia com Gentamici-
nah na dose de 6,6 mg/kg a cada 24 horas e
Penicilinai na dose de 20000 UI/kg a cada
12 horas por 10 dias, como terapia anti-
inflamatória foi utilizado Flunixin Meglu-
mineb na dose de 1,1 mg/kg por cinco dias,
limpeza do foco cirúrgico com solução de
iodo 2%, rifamicinaj e pomada a base de
gentamicinak. Durante sete dias foi reali-
zada a fluidoterapia de suporte com com-
plexo vitamínico e ranitidinal na dose de
0,9 mg/kg duas vezes ao dia.
O animal teve uma ótima recuperação
pós-operatória e houve uma boa manuten-
ção do quadro clínico, sem intercorrênci-
as posteriores e após 14 dias retirou-se os
pontos.
Discussão
Alguns fatores podem predispor parti-
cularmente um cavalo à ocorrência de um
encarceramento das alças intestinais atra-
vés do anel inguinal após uma orquiecto-
mia, dos quais se destacam a presença de
vísceras muito próximas do anel inguinal
ou uma pressão abdominal demasiado ele-
vada após a cirurgia4. No caso relatado não
se sabe o que predispôs ao encarceramen-
to, pode ter ocorrido um aumento de pres-
são abdominal no momento do animal se
levantar, mas nada que possa ser certifica-
do.
O tratamento cirúrgico para hérnias in-
guinais deve ser instituído quando houver
sinais evidentes de cólica, encarceramento
de alça intestinal, estrangúria, edema es-
crotal, sinais esses que foram observados
no presente caso. Os animais com hérnias
irredutíveis que apresentem os sinais aci-
ma descritos devem ser imediatamente ope-
rados, sob o risco de complicações que os
leve rapidamente ao óbito1.
A indução anestésica pode ser variável,
mas agentes que causem o mínimo de de-
pressão cardiorrespiratória são recomenda-
dos e a manutenção da anestesia com ga-
ses anestésicos é o procedimento de esco-
lha12. Teixeira e Schossler (1997) relatam
que empregaram esta conduta para a indu-
ção e manutenção anestésica e o animal
apresentou depressão cardiorrespiratória
durante a cirurgia, chegando a permanecer
em apneia durante alguns minutos. Embo-
ra no presente caso tenha-se usado fárma-
cos com as características citadas acima e
a manutenção com gases anestésicos, o
animal não apresentou depressão cardior-
respiratória e nem sequer apneia.
Durante a cirurgia, mesmo realizando
todos os procedimentos clínicos, anestési-
cos e cirúrgicos recomendados para os ca-
sos de encarceramento de alça intestinal em
anel inguinal, o animal apresentou hipo-
tensão, situação considerada comum em
equinos durante cirurgias deste tipo, devi-
do aos efeitos de endotoxinas e do seques-
tro de líquidos no intestino5. Para essas si-
tuações recomenda-se o uso de catecolami-
nas sintéticas que proporcionam melhora
no rendimento cardiocirculatório, o trata-
mento realizado com Efedrina em nosso
caso mostrou-se efetivo e manteve a pres-
são arterialdo animal dentro dos valores
esperados.
A miosite pós-anestésica é uma com-
plicação que compromete significativamen-
te o prognóstico do animal. Estudos têm
demonstrado que a hipotensão durante a
anestesia é um fator determinante para o
desencadeamento desse processo7. Uma for-
ma de se prevenir a miosite pós-anestésica
e que foi realizado no nosso caso foi a ma-
nutenção da pressão arterial média acima
de 70 mmHg, bem como o posicionamento
e o acolchoamento das partes do corpo do
animal expostas à compressão evitando
assim a ocorrência dessa síndrome.
Devido à dificuldade em reposicionar e
delimitar a inviabilidade das alças intesti-
nais através da incisão escrotal foi neces-
sária outra incisão na região abdominal
para a melhor avaliação das alças intesti-
nais e reposicionamento, conduta também
sugerida por Thomassian, 1997.
A laparoscopia pode substituir a celio-
tomia no exame das alças intestinais, evi-
tando complicações cirúrgicas como ade-
rências e infecções iatrogênicas. Se a alça
intestinal não for viável a ressecção e anas-
tomose será feita pelo acesso inguinal ou
abdominal6. Neste caso não foi realizada a
laparoscopia para a análise da viabilidade
das alças intestinais e a celiotomia foi a téc-
nica escolhida para a resolução da afecção.
A morte irreversível de um segmento
intestinal ocorre após duas horas de isque-
mia no intestino delgado e após três horas
no cólon maior, mas isto pode variar de
acordo com a quantidade de fluxo sanguí-
neo residual para o tecido afetado. Para o
cirurgião, a oclusão venosa causa o tipo
mais difícil de lesão, porque o espessamento
ou a quantidade de hemorragia não podem
ser correlacionados com a viabilidade10.
A biópsia seria o método mais confiá-
vel para decidir sobre a viabilidade tecidu-
al, entretanto o processamento e a análise
do material coletado demandam tempo, tor-
nando inviável sua utilização em situações
cirúrgicas como a do caso relatado. A ci-
rurgia foi realizada após quatro horas do
encarceramento do intestino delgado, fato
esse que explica a enterectomia de 1,8 me-
tros pela morte irreversível desse segmen-
to intestinal, que apresentava alterações sig-
nificativas quanto à coloração, motilidade
e teste de beliscamento.
Conclusão
Os processos estrangulativos intestinais
em equinos apresentam o caráter emergen-
cial como característica comum, quanto
mais rápido é realizado o diagnóstico e o
encaminhamento do animal para o proce-
dimento cirúrgico maiores as chances de
sucesso visto que o processo de isquemia
intestinal causa alterações rápidas e seve-
ras tanto na porção intestinal afetada quanto
no equilíbrio hemodinâmico do paciente.
No caso relatado podemos apontar a ra-
pidez no diagnóstico como um fator deter-
minante para seu sucesso. O fato do ani-
mal já estar internado no momento em que
iniciaram os sintomas permitiu que os mes-
mos fossem rapidamente constatados e a
decisão pela intervenção cirúrgica foi pron-
tamente tomada. Dessa forma, minimizou-
se os efeitos deletérios da isquemia e as al-
terações hemodinâmicas puderam ser con-
troladas permitindo tanto a realização da
correção cirúrgica quanto uma recuperação
anestésica favorável, fatores que foram de-
terminantes para o sucesso da recuperação
pós-operatória. 
i Agrosil - Vansil
j Rifamicina - EMS
k Vetaglos - Vetnil
l Cloridrato de Ranitidina - Hypofarma
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 • 17
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18 • 
Avaliação
“Leukocyte evaluation and cortisol dosage in
Quarter Horses used in proofs of three barrels:
interference of training in animal health”
“Evaluación de leucocitos y dosificacion de
cortisol en caballos Cuarto de Milla
empleados en pruebas de tres barriles:
interferencia de formación en salud animal”
Natalia Serra Bueno*
(naty_serra@hotmail.com)
Graduanda da Universidade
Metodista de São Paulo (UMESP)
Patrícia Moura da Cunha Souza
(patricia.cunhasouza@gmail.com)
M.V. contratado do Hospital
Veterinário Metodista de São
Paulo
Raphael Roseti Lavado
(raphaelroseti@yahoo.com.br)
M.V. contratado do Hospital
Veterinário Metodista de São
Paulo
Thiago de Azevedo Noronha
(noronhavet@hotmail.com)
Prof. adjunto das Fac. de
Medicina Veterinária das Univ.
Metodista de São Paulo (UMESP)
e Univ. Paulista (UNIP)
* Autora para correspondência
RESUMO: Cavalos que realizam atividades esportivas, frequentemente sofrem um alto nível de estresse duran-
te competições e treinamentos intensivos, podendo acarretar diversos tipos de problemas, atingindo assim seu
sistema imunológico. Neste projeto foi realizado o estudo da avaliação leucocitária e dosagem de cortisol, com
o intuito de avaliar a interferência do treinamento na saúde animal e bem-estar de cavalos atletas praticantes do
esporte equestre Três Tambores. Foram analisadas amostras sanguíneas de 8 equinos da raça Quarto de Milha
em treinamento intenso sendo 4 machos e 4 fêmeas, todos em perfeito estado de saúde. As coletas foram
realizadas em três momentos, uma antes do treino com o animal em repouso, outra logo após o treino animal
em pista, e uma terceira 24 horas após o treino, com animal dentro da baia, todas sendo realizadas no período
diurno e analisadas no laboratório em seguida. O presente estudo obteve em alguns animais, aumento discreto
de leucócitos totais, basófilos e cortisol plasmático porém, não significativo estatisticamente. Assim com base
no presente estudo pode ser observado que cada vez mais os animais estão sendotreinados e tratados ade-
quadamente, assim apresentando menos alterações em relação a seu estado imunológico e se adaptando ao
estresse que são submetidos, livres de qualquer intolerância ao exercício físico.
Unitermos: Avaliação leucocitária, dosagem de cortisol, Quarto de Milha, sistema imunológico
ABSTRACT: Horses that perform sports activities, often suffer high levels of stress during intensive training and
competitions, which may cause various problems, thus affecting your immune system. In this project, the study
of leukocyte evaluation and cortisol, in order to evaluate the effect of training on animal health and welfare
practitioners horses equestrian sport athletes that perform barrel racing. Blood samples of 8 horses of Quarter
Horse were analyzed in intense training with 4 males and 4 females, all in perfect health. The sampling was
conducted in three steps, the first one was done before training with the animal at rest, the second one was just
after the training on the field and the third one was done 24 hours after training with the animals inside the stables,
all being made during daytime and analyzed in the laboratory afterwards. The result of this study showed a slight
increase in leukocytes, basophils and plasma cortisol but not statistically significant. So, based on this study, the
results showed that the animals are being well treated and having the appropriate training, presenting less
change in their immune status and adapting to the stress they undergone and free of intolerance to exercise.
Keywords: Evaluation leukocyte, cortisol, Quarter Horses, immune system
RESUMEN: Los caballos realizan actividades deportivas, a menudo sufren altos niveles de estrés durante el
entrenamiento y las competiciones de obra, lo que puede causar varios problemas, llegando así a su sistema
inmunológico. En este proyecto, el estudio de evaluación de leucocitos y el cortisol, con el fin de evaluar el
efecto de la formación del médico de familia y el bienestar de los animales caballos atletas de deportes ecues-
tres se realizó tres barriles. Se analizaron muestras de sangre de 8 caballos de Cuarto de Milla en el entrenami-
ento intenso, con 4 hombres y 4 mujeres, todos en perfecto estado de salud. El muestreo se llevó a cabo en tres
fases, una antes de entrenar con el animal en reposo, el animal era otro entrenamiento de pista, y la tercera 24
horas después de la formación, con el animal en el interior de la bahía, todo se hizo durante el día y se analiza en
el laboratorio después. Este estudio fue en algunos animales, un ligero aumento en el total pero no estadística-
mente significativas leucocitos, basófilos y cortisol en plasma. Así que en base a este estudio se puede ver que
cada vez más animales están siendo entrenados y tratados adecuadamente, presentando así un menor cambio
en relación con su estado inmunológico y la adaptación al estrés que sufren, libre de la intolerancia al ejercicio.
Palabras clave: Evaluación de leucocitos, cortisol, caballos Cuarto de Milla, el sistema inmunológico
e dosagem de
cortisol de cavalos
Quarto de Milha -
utilizados em provas
de Três Tambores:
interferência do
treinamento na
saúde animal
Figura 1: Coleta com o
animal em repouso antes
do treino
................................................
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Figura 2: Coleta logo após o exercício físico
...................................................................................
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Introdução
O esporte equestre está em ascensão,
contendo atualmente diversas modalidades,
alguns de importância apenas regionais e
outros internacionais, entre eles estão os
três tambores. Por ser uma das modalida-
des mais praticadas na atualidade, vem au-
mentando o número de animais e os pro-
blemas envolvidos com a prática deste es-
porte, sendo realizado pelo equino consi-
derado o mais versátil do mundo, o Quarto
de Milha.
A raça Quarto de Milha é conhecida
pelo seu temperamento dócil e grande ap-
tidão esportiva, devido suas características
morfológicas, principalmente a de possuir
exuberante musculatura, o que o torna um
cavalo capaz de atingir grandes velocida-
des em curtas distâncias, tendo tudo que é
necessário para realizar com grande suces-
so as provas de hoje, a qual exige uma sin-
cronia entre o cavaleiro e o animal.
O esporte três tambores exige princi-
palmente uma atividade anaeróbica de curta
duração e alta intensidade, onde são extre-
mamente exigidos, regulamentada por ri-
gorosas normas, a fim de preservar a inte-
gridade física do animal, onde um Juiz res-
ponsável inspeciona o animal ao término
do percurso.
A profissionalização do esporte, aliada
ao aumento do numero de eventos e com-
petidores, tem acarretado uma maior exi-
gência física dos cavalos que são submeti-
dos a provas extenuantes durante dias, onde
alguns animais chegam a disputar várias
categorias em uma mesma competição.
Esses equinos frequentemente sofrem
um alto nível de estresse durante competi-
ções, por terem contato direto com outros
animais, condições de clima, a pista onde
competem, sons os quais não estão acostu-
mados e treinamentos intensivo, visando
um melhor condicionamento físico, assim
tendo uma grande variedade de parâmetros
fisiológicos alterados durante treinamentos
e competições, como traumas em diversos
sistemas, podendo atingir até mesmo seu
sistema imunológico, agravando alguns
casos.
O objetivo deste estudo foi avaliar a in-
terferência do treinamento na saúde e bem-
estar de cavalos atletas (Figura 1) que rea-
lizam o esporte equestre de Três Tambores
(Figura 2).
Foram analisados 8 equinos, com ida-
de entre 4 a 6 anos em treinamento inten-
so, sendo 4 fêmeas e 4 machos, todos da
raça Quarto de Milha. A partir destas amos-
tras, foi realizada uma avaliação leucocitá-
ria quantitativa e dosagem de cortisol san-
guíneo para tentar estimar o estresse em
que estes são submetidos.
Revisão de literatura
Uma grande variedade de parâmetros
fisiológicos como índice de recuperação car-
díaca, grau de desidratação e hipertermia é
alterada durante treinamentos e competi-
ções19.
A utilização de exames para a avalia-
ção do desempenho atlético, juntamente
com as respostas fisiológicas obtidas pela
ação do exercício e do treinamento, pode
ser uma valiosa ferramenta para maximi-
zação dos resultados obtidos nas competi-
ções. Além disso, os exames são importan-
tes para detectar patologias (doenças, afec-
ções, enfermidades) cardíacas, respiratóri-
as e músculo-esqueléticas, entre outras, que
são fatores limitantes à realização de exer-
cícios2.
As alterações leucocitárias que ocorrem
durante provas de longa duração diferem
daquela observada sob condições de exer-
cício de máxima intensidade, como nas pro-
vas dos Três Tambores23.
Assim, Snow e Rose (1981)25 associa-
ram as provas de enduro com leucocitose
devida à neutrofilia, sendo esta última, pos-
sivelmente, decorrente do estresse associa-
do com o incremento dos níveis plasmáti-
cos de cortisol, além de existir provável cor-
relação com as concentrações de noradre-
nalina, com a velocidade do fluxo sanguí-
neo e com a frequência cardíaca22.
Segundo Dukes (1996)5, o sangue é a
via pela qual são supridos oxigênio e subs-
tratos para a musculatura e pela qual são
removidos produtos catabólicos, incluindo
calor. Quando um animal faz exercício, as
alterações observadas no sangue circulan-
te são notavelmente rápidas. A mais im-
pressionante é um aumento pronunciado no
volume unitário de eritrócitos, leucócitos e
plaquetas.
O conhecimento da produção, distribui-
ção e fisiopatologia leucocitária são essen-
ciais para a interpretação do significado do
leucograma12.
A avaliação leucocitária fornece dados
laboratoriais extremamente úteis, elas são
células de defesa do organismo. Os leucó-
citos incluem neutrófilos, linfócitos, mo-
nócitos, eosinófilos e basófilos11.
Os leucócitos, estão divididos em duas
categoriasprincipais que são polimorfonu-
cleados e mononucleares, os polimorfonu-
cleados abrangem neutrófilos, eosinófilos
e basófilos, que são produzidos na medula
óssea. Os mononucleares são constituídos
por linfócitos e monócitos, os linfócitos são
produzidos na medula óssea, nos órgãos
linfoides e tecidos linfoides associados ao
sistema digestivo (placas de Peyer, tonsi-
las), os monócitos, a maior das células do
sangue, originam-se da medula óssea24.
A resposta dos leucócitos é classicamen-
te caracterizada pela neutrofilia, linfopenia,
monocitose e eosinopenia18.
Um parâmetro fisiológico que pode au-
xiliar na avaliação do estado geral do ca-
valo é a concentração de cortisol plasmáti-
co7,9,13,17, uma vez que o cortisol, ou hidro-
cortisona, é o principal glicocorticoide do
córtex supra renal em equinos6,16.
A elevação dos níveis de cortisol no san-
gue é um bom indicador que formatado
pode ser usado para avaliar se um equino
sofre de estresse1. Desmecht et al. (1996)4
afirmaram que aumento de cortisol estava
diretamente relacionado com a intensida-
de e a duração do esforço físico. O exercí-
cio físico aumentou significativamente os
níveis séricos de cortisol em cavalos sub-
metidos às provas de enduro equestre19,25.
O cortisol é um hormônio secretado
pelas glândulas adrenais na região do cór-
tex adrenal. Os hormônios do córtex da
adrenal são esteroides, formados a partir
do colesterol, denominados de glicocorti-
coides21.
O cortisol é o principal e mais potente
glicocorticoide envolvido na regulação do
metabolismo de carboidratos, proteínas e
gorduras. Possui um padrão rítmico de li-
beração, com níveis elevados pela manhã,
decrescendo até o final do dia15, com isso o
cortisol frequentemente é utilizado em ex-
perimentos para avaliar o estresse geral
imposto a um animal por qualquer tipo de
estímulo físico ou emocional8.
A resposta do organismo ao estresse é
imediata, elevando as concentrações de cor-
tisol rapidamente, atingindo níveis elevados
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Figura 3: Coleta 24 horas depois com animal
dentro da baia
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dentro de poucos minutos3. Todos os ani-
mais respondem a estímulos como mani-
pulação física e traumas, com diferentes
componentes de ordem neural, humoral ou
metabólica. As alterações impostas por es-
ses estímulos são genericamente chamadas
de respostas ao estresse27 .
O cortisol, por um lado, aumenta a re-
sistência do organismo ao estresse, porém
quando em doses elevadas, exerce ações
anti-inflamatórias e supressoras da imuni-
dade mediada por células, ou seja, age no
sentido de inibir respostas necessárias para
o combate a diversos tipos de lesões celu-
lares e infecções11 . Exposições repetitivas
a fatores estressantes frequentemente resul-
tam em adaptação ou habituação. Essa res-
posta é crucial para o bem-estar do orga-
nismo, pois permite que o mesmo lide me-
lhor com o estresse. A rapidez com que a
adaptação ocorre depende da severidade,
duração e tipo de estresse26.
Materiais e Métodos
Para a elaboração do presente experi-
mento foram utilizadas amostras de san-
gue de 8 equinos da raça Quarto de Milha,
submetidos ao treinamento de Três Tam-
bores de intensidade moderada a severa,
residentes na região de Suzano - SP, no
Haras Jardim.
Os equinos avaliados possuíam idade
entre 3 a 5 anos, entre eles 4 machos e 4
fêmeas, residentes do mesmo centro de trei-
namento, alimentados de forma similar,
com ração laminada e volumoso, vacina-
dos, vermifugados, livres de ectoparasitas
e hemoparasitoses, sem nenhuma outra
afecção aparente em qualquer sistema do
organismo.
O treinamento dos animais foi realiza-
do na parte da manhã trabalhando durante
50 minutos, em pista de areia, seguindo a
sequência de passo, trote, galope para seu
aquecimento e exercícios específicos da
modalidade, como flexão de cervical, mo-
vimentos rotatórios, esbarros, entre outros.
As exigências físicas severas como simu-
lação de prova duravam em torno de 20
minutos.
As amostras sanguíneas foram por ve-
nopunção jugular externa, utilizando o sis-
tema de coleta a BD Vacutainer1 em tubos
com EDTA e tubo seco, para avaliação leu-
cocitária e dosagem de cortisol. As veno-
punções foram precedidas pela devida an-
tissepsia da região a ser introduzida a agu-
lha com álcool iodado e algodão.
Foi analisada 24 amostras de sangue de
8 equinos coletadas em três tempos dife-
rentes, todos no período da manhã; (T 1):
com o animal em repouso antes do treino
(Figura 1), (T 2): logo após o exercício (Fi-
gura 2), (T 3): 24 horas depois com ani-
mal dentro da baia (Figura 3), sendo que
em todas essas coletas foram realizados os
respectivos esfregaço sanguíneo para con-
tagem diferencial de leucócitos.
Estas amostras foram encaminhadas
para o Laboratório de Análises Clínicas do
Hospital Veterinário da Universidade Me-
todista de São Paulo, sob refrigeração, para
devida análise da avaliação leucocitária no
mesmo dia da coleta no período da tarde.
Já para a dosagem de cortisol, a amos-
tra sanguínea do tubo seco foi centrifuga-
do por 5 minutos à 3.000 rpm com o intui-
to de separar o soro para armazenar em
tubo seco, sendo congelado para posterior
análise em Laboratório externo TECSA
pelo método de eletroquimioluminescência.
A contagem diferencial foi feita atra-
vés de um esfregaço sanguíneo, corado com
coloração de panótico rápido e observado
em microscópio (Nikon) com objetiva de
imersão a óleo (100x). A leitura foi reali-
zada mais próxima a cauda, sempre seguin-
do um padrão. Foi utilizado um contador
diferencial (Kacil) para diferenciação até
somar 100 células. No final da contagem
foi estabelecida a fórmula leucocitária para
determinar os números absolutos de cada
tipo celular.
A determinação da contagem de leucó-
citos foi realizada no contador automático
de células (BE - 1001).
Para a realização do cortisol o sangue
foi centrifugado na centrífuga de rotor
móvel (Quimis, separado e congelado para
posterior avaliação no soro, através do mé-
todo de eletroquimioluminescência.
Tabela 1: Valores para a contagem total de leucócitos totais, antes, depois e 24 horas após
o exercício de equinos da raça Quarto de Milha submetidos ao treinamento para prova dos
Três Tambores (x102 / mm3)
 Equino Antes do exercício Depois do exercício 24 horas após o exercício
1 8,1 8,9 8,3
2 8,6 8,5 8,0
3 10,8 12,6 10,0
4 9,2 9,8 9,0
5 9,0 9,1 9,3
6 9,5 8,9 8,7
7 12,5 10,1 8,8
8 9,1 15,0 10,2
Tabela 2: Valores absolutos e relativos para a contagem total de neutrófilos segmentados,
antes, depois e 24 horas após o exercício de equinos da raça Quarto de Milha submetidos
ao treinamento para prova dos Três Tambores (mm3, %)
 
Equino
 Antes do exercício Depois do exercício 24 horas após o exercício
Absoluto Relativo Absoluto Relativo Absoluto Relativo
1 4374 54 3026 34 4150 50
2 2752 32 3145 37 3040 38
3 5076 47 7182 57 6900 69
4 5520 60 5488 56 5490 61
5 3780 42 5187 57 5022 54
6 4275 45 3204 36 3132 36
7 6125 49 5555 55 5280 60
8 5460 60 8400 56 5712 56
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Os resultados obtidos não evidenciaram
grandes alterações em cavalos da raça Quar-
to de Milha que realizam Três Tambores,
alguns animais apresentaram valores dis-
cretamente aumentados para contagens de
leucócitos totais, basófilos, todos esses pa-
râmetros logo após o exercício. O cortisol
foi a única análise que obteve alteração se-
gundo a análise estatística, sendo que os
valores após o exercício mostraram aumen-
to estatisticamente significante, mas mes-
mo assim continuam dentro do considera-
do normal para a espécie. Os animais du-
rante a pesquisa não apresentaram nenhum
sinal clínico alterado.
Discussão
A utilização de exames para a avalia-
ção do desempenho atlético, juntamente
com as respostas fisiológicas obtidaspela
ação do exercício e do treinamento, pode
ser uma valiosa ferramenta para maximi-
zação dos resultados obtidos nas competi-
ções2,19,23.
A realização desse estudo foi feita no
intuito de identificar a presença do estres-
se em cavalos da raça Quarto de Milha, sub-
metidos a treinamento de alta intensidade
para a modalidade de Três Tambores como
realizado pelos autores Alexander, Irvine
(1998)1; Desmecht et al. (1996)4.
Poucos animais apresentaram valores
discretamente aumentados para as conta-
gens de leucócitos totais, sendo três ani-
mais no total. Os aumentos encontrados
foram sutis e devem ser devido à discreta
hemoconcentração que ocorre com fre-
quência em cavalos atletas. Estes resulta-
dos foram os mesmos relatados por Rose,
Hodgson (1982)23; Snow, Rose (1981)25. No
entanto alguns autores relatam que os ani-
mais envolvidos em uma situação de es-
tresse apresentam uma pseudo-neutrofilia,
eosinopenia, neutrofilia, linfopenia e mo-
nocitose sendo eles Kerr (2003)11; Meyer
et al. (1995)18.
Um dos animais que apresentou discre-
to aumento de basófilos logo após o exercí-
cio, ficando um pouco acima dos valores
de referência para a espécie em questão,
no entanto este aumento é inconclusivo por
ser um aumento sutil em que o animal não
apresentou nenhum sinal clínico alterado.
O cortisol foi a única análise que obteve
alteração segundo a análise estatística, sen-
do que os valores após o exercício mostra-
ram aumento estatisticamente significan-
te. No entanto os resultados continuaram
dentro do considerado normal para a espé-
cie estudada, portanto não podemos concluir
Tabela 6: Valores absolutos e relativos para a contagem total de basófilo, antes, depois e 24
horas após o exercício de equinos da raça Quarto de Milha submetidos ao treinamento
para prova dos Três Tambores (mm3, %)
 Equino Antes do exercício Depois do exercício 24 horas após o exercício
Absoluto Relativo Absoluto Relativo Absoluto Relativo
1 – – – – 83 1
2 – – – – 80 1
3 216 2 – – 100 1
4 92 1 294 3 – –
5 – – 91 1 186 2
6 95 1 445 5 87 1
7 – – 101 1 176 2
8 91 1 150 1 204 2
Tabela 5: Valores absolutos e relativos para a contagem total de eosinófilo, antes, depois e
24 horas após o exercício de equinos da raça Quarto de Milha submetidos ao treinamento
para prova dos Três Tambores (mm3, %)
 
Equino 
 Antes do exercício Depois do exercício 24 horas após o exercício
Absoluto Relativo Absoluto Relativo Absoluto Relativo
1 – – 267 3 83 1
2 258 3 425 5 – –
3 756 7 630 5 200 2
4 92 1 98 1 – –
5 810 9 182 2 93 1
6 570 6 356 4 435 5
7 250 2 303 3 – –
8 91 1 300 2 102 1
Tabela 4: Valores absolutos e relativos para a contagem total de monócito antes, depois e
24 horas após o exercício de equinos da raça Quarto de Milha submetidos ao treinamento
para prova dos Três Tambores (mm3, %)
 
Equino 
 Antes do exercício Depois do exercício 24 horas após o exercício
Absoluto Relativo Absoluto Relativo Absoluto Relativo
1 162 2 89 1 83 1
2 430 5 170 2 240 3
3 216 2 378 3 100 1
4 92 1 98 1 90 1
5 270 3 182 2 186 2
6 190 2 534 6 174 2
7 375 3 505 5 352 4
8 182 2 600 4 612 6
Tabela 3: Valores absolutos e relativos para a contagem total de linfócito, antes, depois e
24 horas após o exercício de equinos da raça Quarto de Milha submetidos ao treinamento
para prova dos Três Tambores (mm3, %)
Equino
 Antes do exercício Depois do exercício 24 horas após o exercício
Absoluto Relativo Absoluto Relativo Absoluto Relativo
1 3564 44 5518 62 3901 47
2 5160 60 4675 55 4640 58
3 4536 42 4410 35 2700 27
4 3404 37 3822 39 3420 38
5 4140 46 3458 38 3813 41
6 4370 46 4361 49 4785 55
7 5625 45 3636 36 2992 34
8 5460 36 5550 37 3570 35
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Tabela 7: Valores absolutos e relativos para a contagem total de bastonete, antes, depois e
24 horas após o exercício de equinos da raça Quarto de Milha submetidos ao treinamento
para prova dos Três Tambores (mm3, %)
 
Equino
 Antes do exercício Depois do exercício 24 horas após o exercício
Absoluto Relativo Absoluto Relativo Absoluto Relativo
1 – – – – – –
2 – – – – – –
3 – – – – – –
4 – – – – – –
5 – – – – – –
6 – – – – 87 1
7 125 1 – – – –
8 – – – – – –
Tabela 8: Valores para a dosagem total de cortisol, antes, depois e 24 horas após o exercí-
cio de equinos da raça Quarto de Milha submetidos ao treinamento para prova dos Três
Tambores (mcg/dl)
 Equino Antes do exercício Depois do exercício 24 horas após o exercício
1 4,61 8,20 4,62
2 4,10 9,55 3,21
3 3,82 5,64 3,81
4 3,58 6,71 2,03
5 3,64 6,49 2.22
6 3,55 7,42 2,97
7 6,78 6,06 4,77
8 6,48 4,30 3,13
Tabela 9: Médias e desvios padrões para as análises de leucograma e cortisol de equinos
em treinamento, antes, depois e 24 horas após o exercício da raça Quarto de Milha subme-
tidos ao treinamento para prova dos Três Tambores
 
Análise
 
N
 Antes do exercício Após o exercício 24 horas do exercício
Média DP Média DP Média DP
Leucócitos 8 9.600,0 a 1,400,0 10.362,5 a 2.200,0 9.037,5 a 700,0
Eosinófilos 8 4.142,8 a 3.100,0 3.125,0 a 1.450,0 2.000,0a 1.700,0
Segmentados 8 48.625,0 a 9.440,0 48.500,0 a 10.677,0 53.000,0 a 11.351,0
Bastonetes 8 1.000,0 a 0,0 0,0 a 0,0 1.000,0 a 0,0
Linfócitos 8 44.500,0 a 7.367,0 43.875 a 10.176,0 41.875 a 10.722
Monócitos 8 2.500,0 a 1.195,2 3.000,0 a 1.851,6 2.500,0 a 1.772,0
Basófilos 8 1.250,0 a 500,0 2.200,0 a 1.788,8 1.428,5 a 534,5
Cortisol 8 4.570,0 b 1.320,0 6.796,2 a 1.610,0 3.345,0 b 1.005,0
Letras diferentes significam que houve diferenças estatisticamente significantes (P<0,05)
que as alterações do cortisol encontradas
neste estudo identificaram o estresse nes-
ses animais conforme relatado por Cunnin-
gham (1999)3; Desmecht et al. (1996)4;
Frandson, Wilke, Fails (2005)8; Miyashiro
et al. (2012)19 ; Rose et al. (1983)22; Snow,
Rose (1981)25.
De acordo com a literatura nacional e
internacional consultada, a maioria dos re-
sultados encontrados no presente estudo fo-
ram concordantes; a maioria dos cavalos
aqui analisados mostraram resultados con-
siderados normais segundo a literatura es-
pecializada no assunto.
Os animais estudados não apresentaram
nenhuma doença relacionada ao estresse
durante ou logo após este estudo.
Conclusão
Através do presente estudo foi possível
observar que de acordo com os resultados
pode-se demonstrar que os equinos treina-
dos regularmente, com manejo nutricional
e assessoria veterinária frequente estão cada
vez mais se adaptando a situações de es-
tresse, o que é comum em animais adultos,
podendo ser observado até mesmo em ani-
mais jovens como relatado no presente es-
tudo. 
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Tabela 10: Valores de referencia para leucócitos totais, neutrófilos segmentados, linfócito,
monócito, eosinófilo, basófilo e bastonete ( x102 mm3).
Parâmetro
 Valores
 Absoluto Relativo
LeucócitosTotais 1,927 - 9,673 6 - 10
Neutrófilos Segmentandos 1,053 - 5,121 22 - 72
Linfócito 972 - 3,855 17 - 68
Monócito 162 - 386 0 - 7
Eosinófilo 197 - 408 0 - 10
Basófilo 44 - 89 0 - 4
Bastonete Raros Raros FO
N
TE
: 
M
O
D
IF
IC
A
D
O
 D
E
 J
A
IN
, 
C
.N
. 
(1
99
3 
- 
P
.2
1)
Tabela 11: Valores de referência para
cortisol plasmático (mcg/dl)
Parâmetro Valores
Cortisol 3,0 - 10,0*
* Valores de referência utilizado no Laboratório
TECSA, localizado em Belo Horizonte, MG / Brasil
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 • 25
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26 • 
Estudo retrospectivo das
RESUMO: Os traumas reto-vestibulares são des-
critos com maior frequência em éguas, sendo
as lacerações perineais de terceiro grau os mais
graves, relacionadas com distocia, esforços vio-
lentos de expulsão do feto durante o parto e nas-
cimento de potros grandes. São também as le-
sões com maior possibilidade de consequênci-
as para a vida e desempenho reprodutiva da
égua. O objetivo do presente trabalho é realizar
um estudo retrospectivo dos casos de laceração
perineal de terceiro grau atendidos no Hospital
Veterinário da Universidade Estadual Paulista
Júlio de Mesquita Filho – Botucatu no período de
1995 a 2011 visando identificar possíveis fatores
de risco para a ocorrência da lesão.
Unitermos: Lacerações perineais; terceiro grau;
éguas
ABSTRACT: The rectovestibular lacerations are
reported with larger frequency in mares, being
the third-degree perineal lacerations the most
severes, related to dystocia, violent efforts of
expulsion of the fetus during the parturition and
delivery of a large foal. They are also the lesions
with greater possibilities of consequences to the
life and reproductive performance of the mare.
The purpose of the present article is to carry out
a retrospective study of the cases of third-degree
perineal lacerations treated at the veterinary
hospital of the Paulista State University (Unesp),
Botucatu in the period from 1995 to 2011, aiming
to identify possible risk factors for the occurrence
of the injury.
Keywords: Perineal lacerations; third-degree;
mare
RESUMEN: Los traumas recto-vestibulares se
describen con mayor frecuencia en yeguas, que
es el tercer grado de desgarro perineal los más
graves, relacionados con distocia, expulsión vio-
lenta del feto durante el trabajo de parto y el na-
cimiento de los potros. También están las lesio-
nes con mayor posibilidad de consecuencias
para la vida y el desempeño reproductivo del
caballo. El objetivo de este trabajo es llevar a cabo
un estudio retrospectivo de los casos de lacera-
ción perineal de tercer grado se reunieron en el
Hospital Veterinario de la Universidad Estadual
Paulista Julio de Mesquita Filho - Botucatu en el
período comprendido entre 1995 y 2011, para
identificar los posibles factores de riesgo para la
ocurrencia de la lesión.
Unitermos: Desgarro perineal; tercer grado; ye-
guas
Gabriel Bento Ferreira*
(gabento90@yahoo.com.br)
Graduando de Medicina Veterinária pela Univ.
Est. Paulista Júlio de Mesquita Filho, Bolsista
de Iniciação Científica Pibic/Reitoria
Nereu Carlos Prestes
Prof. Adjunto da Univ. Est. Paulista Júlio
de Mesquita Filho
* Autor para correspondência
.................................................................................................
de terceiro grau em éguas (1995 - 2011)
.......................................................
“Retrospective study of
third-degree perineal laceration
(1995 - 2011)”
“Estudio retrospectivo de las
laceración perineal de tercer grado
(1995 - 2011)”
Introdução
Os traumas reto-vestibulares ocorrem
em diversas espécies, mas são descritos
com maior frequência em éguas1. São
mais comuns em primíparas, mas podem
ocorrer em qualquer idade, incidindo
normalmente na segunda fase do parto
(expulsão do feto) devido à distocia fe-
tal, feto exageradamente grande, esfor-
ços violentos de expulsão do potro du-
rante o parto ou assistência forçada ou
incorreta2,3,4,5.
Dentre os traumas reto-vestibulares
(que envolvem as fístulas reto-vestibula-
res, rupturas vaginais, lacerações cervi-
cais) as lacerações perineais de terceiro
grau (que apresentam ruptura do corpoperineal, esfíncter anal, assoalho do reto
e teto do vestíbulo da vagina) são as mais
graves, podendo acarretar desde pneumo-
vagina até a morte do animal ou sua in-
capacidade reprodutiva6,7.
As lacerações perineais ocorrem mais
frequentemente ao longo da porção su-
perior e dos lados da parede vaginal pos-
terior e da abertura vulvar e são classifi-
cadas de acordo com sua extensão, pro-
fundidade e destruição tecidual em pri-
meiro, segundo e terceiro grau.
Lacerações de primeiro grau são su-
perficiais e envolvem a mucosa vaginal
e/ou vulvar. As de segundo grau impli-
cam lesão da mucosa e submucosa vesti-
bular, continuando-se com os músculos
do corpo perineal incluindo o músculo
constritor da vulva, bem como a mucosa
e a pele do órgão. Já as de terceiro grau
envolvem ruptura do corpo perineal, es-
fíncter anal, assoalho do reto e teto do
vestíbulo vaginal. Heinze8 (1966) ainda
divide as de terceiro grau em tipo A (que
se prestam para uma reconstituição ci-
rúrgica e têm bom prognóstico para a
reprodução) e tipo B (animais que defe-
cam normalmente, mas devido ao peque-
no tamanho do canal do parto, são incor-
rigíveis para a procriação)2,3,9.
Na égua, geralmente a lesão inicial é
uma perfuração do teto vaginal pelo
membro anterior do feto, ocorrendo per-
furação do reto. Se o membro for retraí-
do, permanece uma fístula, se não, pode
ser forçado pelo orifício anal aumentan-
do a lesão e originando a laceração de
terceiro grau. Quando a ruptura do perí-
neo é completa os sinais clínicos são bas-
tante evidentes: hemorragia, presença de
fezes na vulva e vagina, incluindo o fun-
do vaginal, e em lesões mais antigas ocor-
rem infecções com edema e supuração
acompanhada de necrose tecidual. A
identificação precoce pode permitir o
posicionamento correto dos membros,
possibilitando um parto normal10,11.
Lacerações de terceiro grau ocorrem
mais comumente em éguas primíparas ou
de temperamento nervoso, éguas que so-
freram cirurgia perineal anteriormente ou
devido a partos extenuantes e rápidos.
Seus efeitos clínicos são a contínua aspi-
ração de ar para a vagina e a contamina-
ção do lúmen vaginal por material fecal.
A pneumovagina, por sua vez, pode le-
var ao acúmulo de urina caudalmente ao
orifício uretral (urovagina), resultando
em uma grande contaminação bacteria-
na e infecção do trato genital, podendo
acarretar infertilidade10.
A correção é possível, mas deve ser
realizada apenas se executada poucas
horas após a lesão e se mostrar efetiva
após a avaliação clínica. Caso não seja
feita, ela só deve ocorrer de 4 a 6 sema-
nas após a lesão, pois os tecidos se en-
contram edematosos, necrosados e con-
taminados10.
A técnica mais indicada para corre-
ção é a plástica reconstrutiva do reto e
vagina com posterior vulvoplastia. An-
tes da cirurgia a égua deve ser mantida
sobre uma dieta especial que deve ser
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 • 27
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28 • 
Gráfico 1: Casuística das éguas de raça Quarto de Milha dos grupos caso e controle
Tabela 1: Número, Média, Mediana, e valores Máximos e Mínimos referentes às idades
dos grupos com e sem Laceração Perineal
Laceração Perineal N Média Mediana Mínimo Máximo
Ausente 54 10,66 11,00 2,00 20,00
Presente 19 6,74 6,00 2,00 15,00
 *Do grupo de éguas com lacerações uma das fichas não apresentava a idade, sendo excluída desse cálculo
Tabela 2: Relação de éguas “Novas” e “Velhas” em relação à presença de Laceração
Laceração Perineal Presente Ausente
Jovens 42,1% 20,4%
Idosas 57,9% 79,6%
mantida de 3 a 4 semanas após a cirurgia,
de modo que as fezes do animal fiquem
amolecidas3,11. O pós-operatório deve ser
feito com administração de antibióticos,
anti-inflamatórios e analgésicos. Os pon-
tos devem ser removidos 14 dias após a ope-
ração e até sua retirada deve-se realizar con-
trole da dieta e aplicação de laxantes para
evitar fezes ressecadas (o que irritaria o sí-
tio cirúrgico e causaria constipação)6.
A égua deve passar por um exame físi-
co completo do trato genital de três a qua-
tro semanas após o parto e ficar em des-
canso sexual por seis meses antes de serem
cobertas novamente (ultrassonografia retal
também pode ser utilizada, e se for revela-
do fluído uterino esse deve ser coletado para
se realizar cultura de bactérias e avaliar se
há endometrite bacteriana, o que exigirá
tratamento com drogas antimicrobianas
selecionadas baseado nos testes de sensibi-
lidade da cultura)7 e de acordo com a redu-
ção da abertura vulvar, algumas necessi-
tam de inseminação artificial permanente-
mente4.
O objetivo deste trabalho foi contabili-
zar e revisar os casos de laceração perineal
de terceiro grau atendidos no Hospital Ve-
terinário da Unesp - campus Botucatu no
período de 1995 a 2011 visando identificar
possíveis fatores de risco para a ocorrência
da lesão.
Materiais e Métodos
No estudo retrospectivo foram revisa-
das no total 305 fichas de animais atendi-
dos no Departamento de Reprodução Ani-
mal do Hospital Veterinário de Botucatu no
período em questão (1995 a 2011). Dessas,
totalizaram 20 casos de lacerações perine-
ais de terceiro grau, definindo o grupo
“Caso”, sendo separadas de cada caso as
informações referentes à Raça, Pelagem e
Idade.
Em seguida, foi realizada uma análise
comparativa de 54 éguas com outras casu-
ísticas atendidas em períodos próximos (até
2 meses) ao da laceração perineal de ter-
ceiro grau, que definiu o grupo “Contro-
le”, desse, as mesmas variáveis que o gru-
po anterior foram analisadas.
Para o estudo de caso-controle realizou-
se o teste Qui-Quadrado para comparar a
proporção de laceração entre os grupos de
idade e raça nos casos e nos controles. O
teste t-Student foi utilizado para comparar
as idades médias das éguas entre os grupos
de laceração e o teste de Mantel-Haenszel
para testar a associação entre raça e lacera-
ção, ajustados por idade.
Resultados e Discussões
Pela pesquisa dos casos de laceração pe-
rineal de terceiro grau no período de 1995
a 2011, foram atendidos 20 éguas com a
lesão no Setor de Reprodução Animal da
Unesp, equivalendo a 6% da casuística to-
tal do departamento (305 equinos atendi-
dos no período), das éguas com laceração
o grupo se dividiu em 16 animais da raça
Quarto de Milha (80%) e 4 da raça Puro-
Sangue Inglês (20%).
O predomínio da raça Quarto de Milha
foi bastante destacado no grupo “Caso” em
relação ao grupo controle em que essa raça
se resumia a apenas 37% (outras raças
muito presentes foram a Mangalarga com
26% e animais Sem Raça Definida com
15%, não havendo animais Puro-Sangue
Inglês).
Foi realizado então o teste de Risco Re-
lativo para a variável “raça” e a probabili-
dade de uma égua Quarto de Milha apre-
sentar laceração foi 6,8 vezes maior
(P=0,001).
Também foi observado durante o estu-
do que as éguas atendidas com laceração
perineal de terceiro grau tendem a ser mais
jovens em relação às atendidas com outras
casuísticas, conforme demonstra a tabela 1.
Visando facilitar a classificação, os gru-
pos foram divididos entre duas categorias:
“Jovens” (com idade menor ou igual a 5
anos) e “Idosas” (com idade maior ou igual
a 6 anos). À análise da relação entre idade
e laceração, 20,4% das éguas no grupo con-
trole pertenciam à categoria “Jovens” em
contraponto ao grupo de éguas com lacera-
ção, do qual 42,1% apresentaram idade
inferior ou igual a 5 anos (Tabela 2).
Realizada a Razão das Chances (Odds
Ratio), a probabilidade de um caso apre-
sentar-se em uma égua “Jovem” foi 2,7
vezes maior quando comparadas aos con-
troles (P = 0,06).
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 • 29
Conclusões
Baseado nos resultados obtidos, o estudo de caso-controle
demonstrou que idade e raça são variáveis bastante significati-
vas quanto às chances de ocorrer laceração perineal de terceiro
grau em uma égua, em relação à população atendida na área do
Hospital Veterinário da Universidade Estadual Paulista Júlio
de Mesquita Filho de Botucatu.
Quanto à idade, observa-se que animais mais jovens têm
maiores chances de adquirira lesão (apesar de que ao Qui-
Quadrado o valor-P foi próximo ao nível de significância), as-
sim como éguas da raça Quarto de Milha, que também demons-
traram uma ocorrência maior da lesão quando comparadas a
outras raças (com um valor-P bastante significativo).
Finalmente, observa-se que a ocorrência de lacerações peri-
neais de terceiro grau não é algo rotineiro na casuística do Hos-
pital Veterinário, uma vez que representam apenas 6% dos ca-
sos atendidos, mas conforme descrito na literatura, seu trata-
mento incorreto pode trazer sérios riscos tanto ao desempenho
reprodutivo quanto à vida da égua, não podendo de forma algu-
ma ser dado a esse menor importância.
Posteriormente, um novo projeto buscando fatores de risco
externos à égua, tal qual o tamanho do garanhão ou o número
de partos da égua (informações indisponíveis no arquivo do
Hospital Veterinário) poderia ser estimulado a partir dos resul-
tados dessa pesquisa. 
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digital palmar
em equinos
“Digital palmar neurectomy
in horses”
“Neurectomia digital palmar
en caballos”
Bruno Braghetta Alibrando*
(bruno_braghetta@hotmail.com)
M.V. Residente do Hospital Veterinário
da Univ. Anhembi Morumbi
Isabela D’Andreta Ascolli,
Bruna Karaoglan Donatelli:
Discentes do curso de Medicina
Veterinária da Univ. Anhembi Morumbi
Dannielle Cristine Baccarelli,
Nicole Fidalgo Paretsis:
M.V. Residentes do Hospital
Veterinário da Univ. Anhembi Morumbi
Neimar Vanderlei Roncati,
Angélica Trazzi Bento Moraes,
Roberto Pimenta de Pádua Foz Filho,
Rodrigo Romero Corrêa:
Docentes do curso de Medicina
Veterinária da Univ. Anhembi Morumbi
* Autor para correspondência
RESUMO: A neurectomia digital palmar é utilizada em animais que apresentam dor devido às doenças dege-
nerativas podais que não respondem ao tratamento conservativo. Diversas técnicas de neurectomia foram
desenvolvidas com objetivo de obter menor trauma cirúrgico, evitando o desenvolvimento de neuroma dolo-
roso, considerado uma das principais complicações da secção nervosa. Para os animais atletas registrados
em associações de criadores, a neurectomia é considerada doping por não tratar a doença de base da clau-
dicação, impedindo-o de participar de eventos esportivos. A presente revisão bibliográfica abrange estudos
das diferentes técnicas de neurectomia, avaliando suas indicações, vantagens e desvantagens. As técnicas
relatadas apresentam diferentes resultados quando comparadas em relação ao tempo e taxa de formação do
neuroma, podendo este ser doloroso ou não.
Unitermos: neurectomia, equino, casco, claudicação
ABSTRACT: Palmar digital neurectomy is utilized in horses suffering from degenerative and painful conditions
localized in the foot, unresponsive to medical and conservative forms of therapy. Different techniques of pal-
mar digital neurectomy were developed in order to minimize surgical trauma and avoid the most common
complication associated with nerve transection, that is painful neuroma. Neurectomy is considered doping in
animals registered in breeders’ associations, once it does not represent a treatment for the underlying condi-
tion, and horses that have had surgery are not allowed to compete. This literature review describes different
neurectomy techniques, evaluating their indications, advantages and complications. Presented techniques
vary in results when rate and time to neuroma formation are considered, be it painful or not.
Keywords: neurectomy, equine, hoof, lameness
RESUMEN: La neurectomía digital palmar se utiliza en animales que presentam dolor decorriente de enfermi-
dades degenerativas de los pies que no responden al tratamiento conservador. Varias técnicas de neurecto-
mía han sido desarrolladas con el fin de obtener un menor trauma quirúrgico, evitando el desarrollo de neuro-
ma doloroso, considerado una complicación importante de la sección del nervio. Para los animales atletas
inscritos en asociaciones de creadores, la neurectomía se considera dopaje por no tratar la enfermedad
subyacente de la claudicación, que le impide de participar de los eventos deportivos. Esta revisión de la
literatura incluye estudios de diferentes técnicas de neurectomía, la evaluación de sus indicaciones, ventajas
y desventajas. Las técnicas han reportado diferentes resultados cuando se compara con el tiempo y la veloci-
dad de formación del neuroma, que puede ser doloroso o no.
Palabras clave: neurectomía; caballos; casco; claudicacíon
Figura 1: Bloqueio perineural do
digital palmar. A administração de
anestésico local perineural é
rotineiramente utilizada como
técnica diagnóstica no exame de
claudicação. Além disso, serve para
confirmar se a neurectomia será
efetiva e pode ser usada como
bloqueio pré-anestésico
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Figura 2: Neurectomia
com a TG do digital
palmar. Identificação e
isolamento do nervo
após dissecar o plexo
digital palmar
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Introdução
Proximal à articulação do carpo, o ner-
vo mediano ramifica-se em nervo palmar
medial e lateral, que associa-se ao ramo pal-
mar do nervo ulnar, na região caudo distal
do osso rádio. Na porção mais distal do osso
metacarpo, na altura da articulação meta-
carpofalangeana, ele passa a ser denomi-
nado nervo digital palmar. Na região do
terço médio da primeira falange, o nervo
digital palmar possui dois segmentos, um
lateral e um medial. Cada segmento emite
um ramo que se encontra na região dorsal
da primeira falange. A porção final do ner-
vo digital palmar segue em dois ramos, jun-
to à veia e à artéria digital, formando o ple-
xo digital palmar11.
O nervo digital palmar é responsável
pelainervação da região distal do tendão
flexor digital profundo, do osso navicular,
da bolsa do osso navicular, do processo
palmar da segunda e terceira falanges e das
regiões de parede, coroa e sola do casco11.
A neurectomia é um procedimento que
consiste na interrupção definitiva de estí-
mulos nervosos através da remoção cirúr-
gica do nervo6. A neurectomia digital pal-
mar é indicada para as doenças de caráter
crônico, que não obtiveram melhora no tra-
tamento conservativo, e apresentam respos-
ta positiva ao bloqueio perineural digital8
(Figura 1).
As principais doenças crônicas, com in-
dicação para a neurectomia digital palmar,
são a podotrocleose, as fraturas das cartila-
gens alares e as fraturas da falange distal.
Nos casos de laminite e afecções da articu-
lação interfalangeana distal, a neurectomia
digital palmar não é indicada7,9.
Várias técnicas cirúrgicas são descritas,
podendo ser realizadas em posição quadru-
pedal, em decúbito dorsal ou lateral. Na
posição quadrupedal, o procedimento pos-
sui baixo custo, não é necessário o uso de
anestesia geral, e o tempo cirúrgico é me-
nor, o que diferencia quando realizada em
decúbito dorsal ou lateral. Para realizar o
procedimento, deve-se preparar a área da
cirurgia com tricotomia ampla, antissepsia,
e não é necessário o uso de torniquetes.
Embora a neurectomia seja uma técni-
ca rápida e simples, foi introduzida na me-
dicina equina como tratamento paliativo,
pois não trata a doença de base das claudi-
cações. Algumas complicações devem ser
consideradas, como a regeneração do ner-
vo, a ruptura do tendão flexor digital pro-
fundo, caso haja uma lesão em sua inser-
ção na falange distal, e consequente luxa-
ção interfalangeana distal7,6.
Outras complicações da neurectomia
podem incluir a dessensibilização incom-
pleta, devido à presença de um ramo aces-
sório do nervo, que durante o procedimen-
to cirúrgico não é identificado e secciona-
do. A perda do casco pode ocorrer secun-
dária à falta de estímulos nervosos do ramo
dorsal nas veias e nas artérias responsáveis
pela circulação da região dorsal do casco,
levando à isquemia. Isto geralmente ocor-
re quando a secção do nervo for feita em
uma porção mais proximal6. O neuroma
doloroso é uma das principais complica-
ções da neurectomia. Geralmente os neu-
romas surgem no coto proximal do nervo e
são resultados de regeneração desorgani-
zada dos axônios, associados às células de
Schwann em proliferação8,13.
Segundo o Conselho Ético e pela Fede-
ração Equestre Internacional, a neurecto-
mia digital palmar é considerada doping,
portanto, todos os cavalos submetidos à
neurectomia devem ser afastados da práti-
ca esportiva. É responsabilidade do propri-
etário certificar à comissão da prova que o
cavalo foi submetido à neurectomia digital
palmar. Com a realização de esforço físi-
co, a lesão poderá se tornar mais grave, e
tardiamente afastar o animal das ativida-
des esportivas2.
Conselho Ético
Pela Federação Equestre Internacional,
a neurectomia digital palmar é considerada
doping, portanto, todos os cavalos submeti-
dos à neurectomia devem ser afastados da
prática esportiva. Nos regulamentos de di-
ferentes associações, como Comissão de
Provas do Kentucky, Confederação Brasilei-
ra de Hipismo e Jockey Club, consta que os
animais que foram submetidos à neurecto-
mia devem ser identificados e afastados de
provas oficiais, sendo permitida somente a
participação em provas não oficiais2,16,19.
O tempo mínimo exi-
gido para retorno aos
treinos, e consecutiva-
mente às provas, é de
trinta dias após a cirurgia2,19.
É responsabilidade do proprietário cer-
tificar à comissão da prova que o cavalo foi
submetido à neurectomia digital palmar.
Essa informação deve constar no seu re-
gistro, e este deve ser anexado aos regis-
tros das modalidades no qual o animal com-
pete. Nos Hipódromos de turfe, por exem-
plo, no quadro de inscritos das corridas de
todas as pistas, consta a informação que o
animal foi dessensibilizado.
A neurectomia é um procedimento rea-
lizado para que o animal não tenha mais
sensibilidade dolorosa na região posterior
e sola do casco, e mesmo não apresentando
sinais de claudicação, a doença inicial per-
siste. Com a realização de esforço físico, a
lesão poderá se tornar mais grave, e tardia-
mente afastar o animal das atividades es-
portivas.
Técnicas de Neurectomia
Digital Palmar
• Neurectomia por guilhotina (TG): Rea-
liza-se uma única incisão na pele de apro-
ximadamente 2 a 3 cm sobre o plexo digi-
tal, ao longo do bordo dorsal do tendão fle-
xor digital profundo, na região da quarte-
la. O ligamento ergot é identificado e divi-
dido longitudinalmente para melhor aces-
so ao nervo. O ligamento pode ser confun-
dido e seccionado no lugar do nervo, po-
rém, só se observa a falta de movimento da
região do esporão do cavalo, sem nenhu-
ma complicação. A divulsão do ligamento
proporciona menor irritação sobre a sec-
ção do nervo. O nervo é identificado e se-
parado do plexo e da artéria digital palmar
(Figura 2). A neurectomia deve ser feita
em uma secção única e precisa (Figura 3),
primeiro de um segmento mais distal e de-
pois em um segmento mais proximal, re-
movendo aproximadamente 2 centímetros
do nervo (Figura 4)6,17.
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Figura 5: Neuroma
em coto proximal do
nervo digital palmar.
Nota-se aumento de
volume na
extremidade nervosa
anteriormente
seccionada, unida
distalmente por
tecido fibroso
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• Técnica de stripping ou pull-trough (TS):
Nesta técnica, duas incisões de pele devem
ser feitas, sendo a primeira incisão de apro-
ximadamente 1,5 a 2 centímetros. Esta in-
cisão deve ser feita na região abaxial no
tendão flexor digital profundo, em sua por-
ção distal, e proximal à cartilagem colate-
ral, onde é localizado o nervo digital. A
segunda incisão é feita na região do plexo
digital, imediatamente distal à base do se-
samoide proximal. O nervo é dissecado,
exposto e seccionado inicialmente no aces-
so proximal. Já o coto distal deve ser traci-
onado para total exposição do nervo, e este,
seccionado distalmente, próximo à cartila-
gem colateral, removendo até 10 centíme-
tros do nervo6,1 .
• Técnica de tubulização do nervo: Deve-
se fazer uma incisão de pele e dissecar o
plexo neurovascular, semelhante à TG.
Após fazer a neurectomia na região média
e distal do acesso cirúrgico, implanta-se um
tubo de material sintético ao redor do coto
nervoso proximal, impedindo a aproxima-
ção do nervo e possível reinervação15.
• Técnica de neurotomia seguida da co-
bertura com epineuro: Nesta técnica, a in-
cisão de pele deve ser de 2 a 3 cm, para
identificar o nervo digital palmar, também
em região de quartela. Depois de identifi-
cado, o nervo digital palmar é exposto de 3
a 4 cm e é realizada a secção em sua por-
ção distal. O coto nervoso deve ser erguido
para melhor isolar o epineuro. As incisões
do epineuro devem ser feitas cuidadosa-
mente em sua porção mais distal, no terço
médio, sendo uma lateral e outra medial, e
este é afastado de 2 a 3 cm. O epineuro é
posicionado sobre a extremidade secciona-
da do nervo para se realizar a sutura, reco-
brindo o coto nervoso proximal12.
• Neurotomia seguida de neurorrafia ter-
minolateral (NTL): A incisão de pele so-
bre o plexo neurovascular, na região da
quartela, deve ser de aproximadamente 4
centímetros. Após a incisão, o plexo digi-
tal deve ser dissecado, isolando o nervo di-
gital palmar. O nervo digital palmar deve
ser incisado e o coto proximal é direciona-
do para proximal, formando um ângulo de
180 graus, semelhante a uma alça. Em sua
região proximal, o epineuro é incisado, com
auxílio de um microscópio cirúrgico, onde
a alça formada encontra o nervo, e este é
suturado no epineuro13.
• Técnica de neurotomia com reposição
intraóssea (NRIO): Consiste em uma in-
cisão de pele em formato de “L”, paralela
ao bordo abaxial do tendão flexor digital
profundo,da região da quartela até a re-
gião do boleto. Após rebater a pele, disse-
ca-se o plexo na face palmar do membro
para identificar e seccionar o nervo digital
palmar. Na primeira falange, deve-se fazer
duas perfurações de 4 mm de largura e de
3 cm de profundidade, onde o segmento
proximal do nervo, após ser seccionado, é
direcionado dorsalmente e fixado nos ori-
fícios ósseos através de suturas, junto ao
periósteo18,10 .
Há outras possibilidades para realizar
a neurectomia do digital palmar, como a
crioneurectomia e a destruição neural com
laser de dióxido de carbono3. A crioneu-
rectomia consiste no congelamento do ner-
vo digital palmar em temperatura de 30
graus negativos, transcutaneamente14. O
laser de CO2 pode ser utilizado para fazer
a secção do nervo, ou associado a qualquer
outra técnica cirúrgica de neurectomia.
Com esta associação, pode-se evitar a for-
mação do neuroma. Deve-se utilizá-lo com
pulsação contínua de 10 watts no coto ner-
voso proximal8.
Estudos comparativos
entre as técnicas cirúrgicas
Nos diferentes trabalhos realizados, no
qual se compararam diferentes técnicas de
neurectomia, os animais tiveram um dos
ramos do nervo digital palmar seccionado
pela TG, e o ramo contralateral seccionado
através da NTL13 ou da TS6. Há ainda estu-
dos que citam a comparação da TG com a
neurectomia seguida da cobertura com o
epineuro3.
Em 2008, foram comparadas as técnicas
cirúrgicas de neurectomia digital palmar
Figura 3: Neurectomia
digital palmar por
guilhotina. A secção do
segmento nervoso deve
ser realizada de forma
única, gerando o menor
trauma possível
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Figura 4: Segmentos do nervo digital palmar.
Cotos nervosos de aproximadamente dois
centímetros seccionados pela TG
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através da TG e da TS, observando o tem-
po cirúrgico, o tempo da formação do neu-
roma (Figura 5) ou complicações pós-ope-
ratórias. No pós-operatório imediato, foi
observado edema de quartela e não se no-
tou claudicação ou dificuldade na cicatri-
zação da ferida cirúrgica. Ambas as técni-
cas tiveram resultados satisfatórios quanto
ao tempo cirúrgico e quanto à reinervação.
Após 14 meses de observação, os membros
operados pela TG apresentaram retorno de
sensibilidade em 37% dos animais, enquan-
to, os operados pela TS apresentaram
18,8%. Entretanto, quanto à palpação para
identificação de neuromas dolorosos, hou-
ve discreta sensibilidades nos animais ope-
rados pela TG, sendo de 6,4% e de 53,6%
pela TS6.
Em outro estudo, realizado em 2009,
também se comparou a TG e TS in vivo.
Os membros operados pela TG obtiveram
a sensibilidade aumentada na região da
quartela e talão após 306 dias pós-operató-
rios, em média. Já os que foram submeti-
dos à TS, a sensibilidade em região de quar-
tela e talão aumentaram, em média, após
912 dias3. Em um estudo retrospectivo, de
17 animais operados pela TS, 12 voltaram
à prática esportiva e só apresentaram sinais
de claudicação 4 anos após a cirurgia15.
Em 2009, compararam-se os resultados
in vivo da TG e da NTL13. Após 15 dias do
procedimento cirúrgico, notou-se sensibi-
lidade aumentada na região da incisão ci-
rúrgica em 80 % dos casos, além de baixo
grau de claudicação em todos os animais.
Após 60 dias, os animais foram submeti-
dos a um novo procedimento cirúrgico,
onde se realizou a remoção de material do
tecido cicatricial do nervo para avaliação
histológica e mensuração por paquímetro
dos cotos proximais.
Na mensuração, os membros que foram
submetidos à TG apresentaram média de
dimensões dos cotos nervosos de 7,16 mi-
límetros, e quando submetidos à TS, 5,96
milímetros13. Durante a remoção, observou-
se que nos membros submetidos à TG, ha-
via intensa aderência dos cotos nervosos às
estruturas adjacentes ao plexo, o que faci-
lita a formação do neuroma doloroso13,5. Por
outro lado, os submetidos à NTL apresen-
taram pouca aderência entre o coto nervo-
so e o plexo vascular.
Quanto às fibras nervosas, todos os
membros submetidos à NTL apresentaram
fibras organizadas e paralelas, entretanto,
apenas 40% dos membros submetidos à TG
apresentaram fibras nervosas organizadas13.
Os animais apresentaram formação de
neuroma em ambos os membros, sem evi-
denciar nenhum tipo de sinal clínico. His-
tologicamente, a utilização da NTL possui
menor probabilidade da formação do neu-
roma doloroso quando comparado à TG13.
Considerações finais
Das técnicas estudadas e comparadas no
presente trabalho, todas se mostraram efi-
cazes quanto ao tempo cirúrgico e ao re-
sultado pós-operatório.
A TG pode ser realizada com o animal
em posição quadrupedal, utilizando apenas
sedativos e anestésicos locais, podendo ser
feita a campo. Desta forma, reduzem-se os
gastos e o tempo de procedimento cirúrgi-
co, o que torna o uso dessa técnica vantajo-
sa e mais rotineira. Porém, como citado em
literatura, o coto do nervo seccionado tem
maior probabilidade de desenvolver o neu-
roma quando comparado às outras técni-
cas, independente se ela foi realizada em
posição quadrupedal ou com o animal sob
anestesia geral.
A TS também é bastante utilizada, pois
a porcentagem de reinervação é baixa e di-
fere pouco da TG1. Porém, como o segmento
do nervo retirado é maior, há probabilida-
de de ocorrer a dessensibilização da região
dorsal do casco, podendo causar isquemia
e levar à perda do casco no período pós-
cirúrgico6,7.
O aumento da dimensão do coto proxi-
mal é descrito como característica inicial
da formação do neuroma, não apontando
significado clínico para o paciente. Acre-
dita-se que quanto maior a organização do
crescimento das fibras nervosas, menor a
chance de formar um neuroma doloroso13.
É importante ressaltar que o animal
neurectomizado não possui estímulos ner-
vosos na região da sola. Caso o animal apre-
sente alguma afecção podal, este não mos-
trará sinal de dor até que haja acometimento
de estruturas inervadas.
Ainda, o proprietário deve estar ciente
que a neurectomia não trata a doença de
base, portanto, o tratamento conservativo
para a causa inicial da claudicação deve ser
mantido. Para os cavalos atletas, os regu-
lamentos de suas modalidades devem ser
seguidos, autorizando ou não sua partici-
pação nos eventos equestres. Essa autori-
zação vai contra o princípio ético, e pode
agravar a doença degenerativa primária. 
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Roberto Arruda de
Souza Lima
Engenheiro agrônomo,
Doutor em
Economia Aplicada,
Prof. da ESALQ/USP
Coordenador do
Equonomia
 raslima@usp.br
www.arruda.pro.br
AGRONEGÓCIO
Valor econômico dos Jockeys
O Brasil possui um importante patrimônio cons-
tituído por Hipódromos cujo valor econômico é,
até este momento, desconhecido. Conhece-se o
valor imobiliário do m2 – somente em Cidade Jar-
dim, bairro de São Paulo em que o metro quadra-
do está avaliado em mais de R$ 10 mil, o Jockey
ocupa 620.000 m2, sendo 86.000 m2 de área cons-
truída – e o movimento gerado pelas apostas. Mas
a importância econômica dos hipódromos vai mui-
ta além desses valores, conforme será discutido
nesse artigo. Com relação ao movimento geral de
apostas, os quatro principais Hipódromos (Gávea
no Rio de Janeiro, Cidade Jardim em São Paulo,
Cristal em Porto Alegre e Tarumã em Curitiba) to-
talizou R$ 381.171.203,87 em 2013 (Figura 1).
os que caracterizam São Paulo. A Figura 2 ilus-
tra este papel dos hipódromos.
Adicionalmente, tal como museus, os Jockeys
guardam importe acervo artístico. O Jockey Club
de São Paulo, por exemplo, abriga 843 peças ar-
tísticas (Saldañ, 2011). São, entre outras, dez
obras de Di Cavalcanti e 14 peças de Vitor Bre-
cheret (Figura 3). E grande parte destas obras
são visíveis mesmo de fora do Jockey, como os
relevos em mármore travertino na fachada do Hi-
pódromo de Cidade Jardim.
Figura 1: Movimento geral de apostas em 2013, em
milhões de reais
As instalações dos hipódromos possuem gran-
de valor histórico, arquitetônico, cultural e artísti-
co. Entre a Floresta da Tijuca e a Lagoa Rodrigo
de Freitas, o projeto do francês Couchet e do bra-
sileiro Archimedes Memória é um importante mar-
co arquitetônico da cidade do Rio Janeiro. Da
mesma forma, a arquitetura do uruguaio Fresne-
do Siri conferiu grande elegância e soluções cria-
tivas no hipódromo de Cristal, Porto Alegre. A ar-
quitetura é um destaque nos hipódromos, mes-
mo ocorrendo com o projeto do francês Henri
Sajous em Cidade Jardim. Deve-se destacar que
os Jockeys desempenharam e desempenham
importante papel urbanístico. O hipódromo da
Gávea evitou que os prédios que cercam o res-
tante da Lagoa Rodrigues de Freitas avançassem
na Floresta da Tijuca, assim como o hipódromo
de Cidade Jardim preservou importante trecho na
marginal do rio Pinheiros da ocupação de edifíci-
Figura 2: Localização dos Hipódromos de Cidade Jardim
(SP) e da Gávea (RJ)
.................................................................................................
Figura 3: Exemplo de obras de Vitor Brecheret no Hipódro-
mo de Cidade Jardim, em São Paulo
....................................................................................................
O valor arquitetônico e histórico-cultural dos
hipódromos justifica iniciativas visando a conser-
vação e restauração destas obras. No entanto, a
ausência de uma valoração econômica impede
a utilização de importantes ferramentas de toma-
da de decisão, como as análises de custo-bene-
fício, tornando a alocação de verbas e o direcio-
namento de políticas públicas para os cuidados
referentes a este patrimônio subjetivo, o que pode
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 • 37
implicar em ineficiências.
A semelhança que este patrimônio possui com alguns
recursos naturais, nomeadamente quanto às característi-
cas de não-rivalidade e não-exclusividade, sugere a possi-
bilidade de adotar metodologias que vêm sendo utilizadas
para valoração de recursos naturais para mensurar o valor
econômico – incluindo os denominados valores de uso, de
opção e de existência – dos Jockeys.
Bens não-rivais são aqueles que, uma vez produzidos,
ficam disponíveis a todos consumidores sem rivalidade. Ou
seja, o consumo por um indivíduo não reduz a quantidade
remanescente para outro consumidor (Randall, 1987). Por
exemplo, o fato de um indivíduo assistir um páreo em nada
afeta outro indivíduo que venha a observar o mesmo páreo.
Bens não-exclusivos são aqueles que não se pode im-
pedir que um indivíduo tenha acesso a ele (Randall, 1987).
Pode ocorrer situação de total não-exclusividade (res nullius)
– caso dos espaços públicos – assim como situações em
que a sociedade estabelece regras que especificam quem
pode ter acesso e sob quais condições (res communis) –
caso de condomínios. O acesso ao Jockey é aberto ao pú-
blico, com restrições a apenas algumas áreas, não impe-
dindo que assistam aos páreos.
As características acima citadas impedem a formação
de um mercado tradicional, em que as forças de oferta e
demanda definiriam o valor do bem. A ausência de um va-
lor monetário para estas instalações e obras de arte – há
diversas no interior dos hipódromos – tem diversas impli-
cações empíricas:
a) Não há um valor de referência para tomada de decisão
quanto ao volume de recursos que deve ser alocado para
conservação e restauração. A análise de custo-benefício é
inviabilizada neste contexto;
b) Não há parâmetro para a determinação do valor de mul-
tas (ou outro tipo de compensação ou punição) por even-
tuais danos às obras;
c) Faltam parâmetros para justificar o aporte financeiro a
projetos que visem a conservação e restauração junto a
agências de crédito;
d) A elaboração e execução de políticas públicas de conser-
vação destas obras são feitas com bases subjetivas. Mesmo
nos casos em que a decisão de políticas não seja realizada
com base em avaliações monetárias, como muitas vezes
ocorre, pode ser conveniente para os governantesfundamen-
tarem suas decisões em estudos científicos (Belluzzo Jr, 1995).
Ou seja, a valoração seria um instrumento de apoio na de-
finição de prioridades no âmbito das decisões políticas.
Adicionalmente, os recursos aplicados na conservação
e restauração destas obras implicam em sacrifícios provo-
cados pela realocação de recursos escassos e pela redu-
ção do consumo aparente. Ou seja, mesmo que as razões
para conservação sejam não-econômicas, as consequên-
cias podem ser economicamente significativas (Nogueira
e Medeiros, 1997).
Observa-se, assim, a importância prática da valoração*
dos jockey. E este valor deve corresponder ao somatório
do seu valor de uso, do valor de opção e do valor de exis-
tência (Randall, 1987).
O valor de uso é aquele dado pelos indivíduos que real-
mente usufruem, no presente, dos hipódromos, seja para
acompanhar os páreos, seja para simples contemplação,
seja para estudos acadêmicos ou qualquer outro uso. O
valor de opção é aquele referente ao uso futuro. Já o valor
de existência é resultado do simples conhecimento de que
os hipódromos continuarão a existir, mesmo que o indiví-
duo não esteja utilizando no presente nem pretenda fazer
uso no futuro. Ou seja, o valor de existência independe do
uso. O valor arquitetônico, histórico e cultural dos jockeys
permite inferir que o valor de existência deve ser relevante
na composição do valor econômico. Pode-se destacar, ain-
da, o valor de prestígio (contribuição a um sentimento de iden-
tidade regional), valor de herança (possibilidade de legar a
cultura a gerações futuras) e valor de educação (Frey, 2000).
Pelo exposto, é recomendado que ocorra uma valoração
econômica dos Jockeys, inclusive para sustentar argumen-
tos relativos a tributos (IPTU, por exemplo) e eventuais exe-
cuções. 
* Não se trata de transformar os bens em produtos de mercado, mas
sim mensurar as preferências dos indivíduos sobre as alterações em
seu ambiente.
Referências Bibliográficas:
BELLUZZO JR., W. Valoração de bens públicos: o método de valora-
ção contingente. São Paulo, 1995, 151p. Dissertação (Mestrado) – Fa-
culdade de Economia, Administração e Contabilidade, Universidade
de São Paulo.
FREY, B.S. La valoración del patrimonio cultural desde una perspecti-
va económica. In: FREY, B.S. La Economía del Arte. Barcelona: Servi-
cio de Estudios La Caixa, 2000 (Colección Estudios Económicos, 18)
p.173-191.
NOGUEIRA, J.M.; MEDEIROS, M.A.A. Quanto vale aquilo que não tem
valor? Valor de existência, economia e meio ambiente. Cadernos de
Ciência & Tecnologia. Brasília, v.16, n.3, p.59-83, set/dez 1999.
RANDALL, A. Resource economics: an economic approach to natu-
ral resource and environmental policy. New York: John Wiley & Sons,
1987, 434p.
SALDAÑA, P. Primeiro inventário em 136 anos identifica 843 peças. O
Estado De São Paulo, 27 jun 2011. Disponível em http://sao-
paulo.estadao.com.br/noticias/geral,1-inventario-em-136-anos-identifi-
ca-843-pecas-imp-,750241
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38 • 
VOCÊ SABIA?
Prof. Dr. Jairo Jaramillo Cardenas (dr.jairocardenas@yahoo.com.br)
Você sabia que a hiperextensão do boleto por falha no aparelho de suspensão pode
terminar em microfraturas que podem degenerar a articulação do boleto?
Introdução
A biomecânica do membro distal (torácico ou pélvico) é
um conjunto de forças que trabalham conjuntamente de uma
forma maravilhosa. O foco deste mês é tentar entender que
estruturas trabalham sinergicamente para reduzir o impacto
na fase de recepção, e o que acontece na articulação do bo-
leto quando elas falham. Na biomecânica de movimento, são
conhecidas três principais fases: 1) recepção, 2) ponto de
intersecção ou ponto neutro e 3) propulsão (Foto 1). Por ou-
tro lado, tendões e ligamentos distribuídos desde a região do
metacarpo possuem funções específicas e estas são prove-
nientes da estrutura onde elas se originam e onde elas se
inserem.
Conheça a relação entre a biomecânica de recepção do
membro torácico e/ou pélvico com a degeneração articular
mos lateral (RL.LSB) e medial (RM.LSB). Ou seja, graças aos
ossos sesamoideos distais em conjunto com o ligamento sus-
pensório do boleto e os ligamentos oblíquos dos sesamoide-
os, o boleto não teria mais uma hipe-
rextensão maior da que já estaria tendo
no momento do impacto em condições
normais.
Foto 1: Representação gráfica das três fases de Biomecânica; Fase 1 ou de re-
cepção, fase 2 ou neutral e fase 3 ou de propulsão
..............................................................................................................................................
Biomecânica do Dígito
Na Biomecânica citada acima, vamos focalizar a fase de
“recepção” (fase 1), onde se destacam anatômica e biomeca-
nicamente o tendão flexor digital superficial, o ligamento sus-
pensório do boleto (origem, corpo e ramos dorsais de exten-
são e ramos de inserção lateral e medial) e os ligamentos oblí-
quos dos sesamoideos proximais trabalhando de uma forma
sinérgica. Estas estruturas citadas são os principais responsá-
veis por sustentar o peso do cavalo no momento do impacto.
As outras estruturas não citadas, atuam principalmente nas
outras fases “intermediaria” e/ou na fase de “propulsão” no
movimento. Na foto 2, se representa como na fase de recep-
ção ou no momento em que o membro do cavalo chega no
chão, existe uma hiperflexão da articulação interfalangiana distal
e proximal, com uma extensão importante na articulação do
boleto no mesmo momento. Se lembramos da anatomia asso-
ciada à biomecânica, o tendão flexor digital superficial (não
esta representado na figura da foto 2), tem uma tensão exage-
rada no instante em que o boleto desce em sentido ao chão.
Neste mesmo instante, os sesamoideos proximais se deslo-
cam em sentido distal, quando são tracionados ventralmente
pelos ligamentos sesamoideos oblíquos (LSO) em contra pres-
são com o ligamento suspensório (LSB) do boleto e seus ra-
Foto 2: Representação gráfica da fase de recepção após um salto. Observe uma
hiperflexão da articulação interfalangiana distal e proximal (setas azuis) e uma
hiperextensão da articulação do boleto (seta amarela). Os ligamentos oblíquos
dos sesamoideos (LOS), ramo dorsal do ligamento suspensório do boleto
(RD.LSB) e ramos lateral (RL.LSB) e medial do LSB são altamente estressados
neste momento
................................................................................................................................................
Consequências da falha na suspensão
na Articulação do Boleto
No próprio exame clínico, podemos notar alterações na sus-
pensão na inspeção estática como já teria sido comentado
numa das publicações desta coluna. Queda do boleto (foto 3
A e B), ângulo positivo casco quartela (foto 3 A e B) e tensão
dos ramos dorsais do ligamento suspensório do boleto (foto 3
A e C) se destacam como sinais clínicos de alteração na sus-
pensão na inspeção estática. O problema grave destes cava-
los será a redução da capacidade para amortecer o impacto e
terão uma consequência extremamente importante na articu-
lação do boleto. Na figura 3 D, também é visível como na re-
cepção do membro no chão, normalmente existe uma migra-
ção da primeira falange em sentido dorsal ao mesmo momen-
to que o metacarpo se direciona distalmente, literalmente o
boleto encostando no chão. Na foto 4, se representa o mo-
mento do trauma direto entre a borda proximal da primeira
falange contra a superfície dorsal do metacarpo. Este impacto,
geralmente termina em remodelações e proliferações ósseas,
engrossamento da cápsula ou até microfraturas de cartilagem
da superfície dorsal da falange proximal ou do metacarpo; este
é o resultado final quando se tem irregularidade no aparelho
de suspensão.
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 • 39
Foto 3: Representação
gráfica dos pontos a con-
siderar na inspeção está-
tica de cavalos que po-
dem chegar a ter altera-
ções de suspensão (A,B,
C); momento de recep-
ção onde o cavalo en-
costa o boleto no chão
Interferência dos Talões
Cavalos com talões maiores terão um estresse maior do
que cavalos com talões menores. É por isso, que cada fase
tem uma interpretação diferente. É interessante observar como
cavalos achinelados, com pinça longa e talões baixos, tem
maior estresse no tendão flexor digital superficial na fase de
propulsão, em comparação de cavalos com talões altos na
fase de recepção. Esta altura do talão aumentará mais a hiper-
flexão da articulação interfalangiana distal e proximal, permi-
tindo mais o relaxamento do tendão flexor profundo, o que
permite mais ainda a queda do boleto no chão. Esta queda
exagerada permitirá um impacto direto entre a primeira falan-
ge e o metacarpo dorsalmente como citado acima. A conse-
quência progressiva destes cavalos será sinovite, engrossa-
mento da plica sinovial, capsulite, fragmentação ou fraturas e
logicamente degeneração articular.
Diagnóstico por Imagem
Casos clínicos como este, podem ser analisados desde o
momento da inspeção estática, levando em consideração o
que acontece na inspeção dinâmica. Nestes cavalos, a avalia-
ção detalhada por imagem radiográfica e ultrassonográfica
nesta região, deve ser levada muito em consideração. Vistas
radiográficas latero mediais e levemente oblíquas, podem
mostrar áreas de redução de densidade na superfície dorso
Figura 4: Representação gráfica do
momento em que a falange proximal
se desloca dorsalmente no momento
da recepção, o que gera um impacto
direto entre ela e o 3o metacarpiano
(círculo vermelho)
cranial da primeira falange (foto 5B e 5C) quando comparadas
com radiografias normais (foto 5A), assim como fragmentações
e fraturas claras no metacarpo e na primeira falange quando
analisadas vistas longitudinais com uma boa máquina de ultra-
som (foto 6B). Casos mais severos, podem aparecer com lise
de osso subcondral mesmo mantendo a linha superficial da car-
tilagem articular (foto 6C) ou áreas com fragmentos maiores que
indicam indiscutivelmente a remoção cirúrgica (foto 5D).
Foto 6: Representação gráfica da ultrassonografia (B e C) do mesmo cavalo que
aparece na radiografia da foto 5C numa foto invertida. Note-se o grau de detalhe
que a ultrassonografia determina na avaliação da superfície óssea e articular
deste cavalo (B e C). Na avaliação dinâmica, e possível destacar o grau de lesão
de osso subcondral, profundidade e integridade ou não da cartilagem. Cabe
destacar que a ultrassonografia é o método por imagem mais sensível para ava-
liar superfície articular
...........................................................................................................................................
Foto 5: Representação gráfica comparativa entre um raio x normal de uma vista
latero medial de um boleto (A), e outros raio x com fragmentação da falange pro-
ximal (note-se a radiolucência da borda dorso-proximal da falange proximal na
foto B), fragmentação do metacarpo (C) e fratura articular na mesma região (D),
como consequência do impacto do membro com o chão na fase de recepção
Finalmente devemos lembrar que cavalos com talões al-
tos, sofrerão diretamente no aparelho de suspensão principal-
mente na fase de recepção. E que cavalos já com alteração de
suspensão, são compatíveis com lesões primárias no tendão
flexor digital superficial, ligamentos oblíquos dos sesamoide-
os ou todo o aparelho suspensório do boleto, levando tam-
bém a ter uma biomecânica alterada
que rapidamente pode terminar na
degeneração da articulação do boleto.
..........................................................................................................................
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42 • 
O Jockey Club Brasileiro passa a utilizar as vacinas do Laboratório Vencofarma em seu
programa de controle e prevenção de enfermidades infectocontagiosas nos animais aloja-
dos na Gávea e Centros de Treinamento. O programa de prevenção adotado pelo Departa-
mento de Veterinária do JCB tem se mostrado ao longo dos anos como o mais eficiente
dentre os principais centros hípicos brasileiros. Este sucesso é decorrente da atenção cons-
tante e rigor na aplicação de estratégias de prevenção, tais como vacinação e controle do
trânsito de animais.
No surto de Influenza Equina de 2012, que afetou o Brasil do Sul ao Norte, os animais
sob supervisão do JCB e os alojados no Jockey Club de Sorocaba (que já adotava as vaci-
nas Vencofarma) foram os menos afetados, com consequências mínimas para as atividades
hípicas. Durante este surto de 2012, o vírus foi isolado e teve seu genoma sequenciado pelo
Animal Health Trust de Newmarket. Ficou constatado que o vírus pertencia a linhagem Flori-
da (clade 1). E justamente esta descoberta foi determinante para que o Departamento de
Veterinária do JCB optasse pelos produtos da Vencofarma. As vacinas do Laboratório Ven-
cofarma são as únicas disponíveis no Brasil que apresentam um vírus desta linhagem em
sua composição (South Africa/2003), o que as tornam mais efetivas na prevenção contra o
vírus circulante no Brasil; inclusive, a Vencofarma, seguindo orientações da OIE, foi o primei-
ro laboratório do mundo a incluir esta cepa em suas vacinas.
Atualmente, a estrutura da Vencofarma permite o isolamento e identificação de agentes
virais causadores de enfermidades respiratórias em equinos. Este monitoramento da ativi-
dade viral é de suma importância para que se possa manter as vacinas sempre atualizadas,
conferindo maior segurança para criadores e proprietários.
Mais informações, ligue 0800 400 7997 ou acesse: www.vencofarma.com.br
JOCKEY CLUB BRASILEIRO E LABORATÓRIOS VENCOFARMA
○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○
OTÍCIASN
COMO O FRIO INFLUENCIA NO SISTEMA RESPIRATÓRIO DOS EQUINOS
○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○
Com as baixas temperaturas, os equinos
podem ser acometidos por doenças que irão
dificultar a respiração e dependendo do caso
a performance atlética e/ou reprodutiva. Os
veterinários podem se deparar com os qua-
dros de Gripe Equina, causada pelo Influen-
za Vírus, a Adenite Equina (o popular garroti-
lho) e a Doença Pulmonar Obstrutiva Crôni-
ca (DPOC) – que consiste em um estado alér-
gico crônico com crises respiratórias. Os produto sejam eles
broncodilatadores ou mucolíticos, vão ser utilizados como co-
adjuvantes no tratamento destas doenças, ou seja, estarão jun-
○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○
tamente com outras drogas, melhorando o
quadro respiratório dos equinos. Os produ-
tos que apresentam estas características são
o Pulmonil, Pulmo Plus e o Mucomucil
Xarope, que vão estar agindo nas patologi-
as respiratórias caracterizadas por bronco-
espasmo, presença de secreções e catar-
ro, tais como broncopneumonia, bronquites
(aguda, subaguda e crônica), crises alérgi-
cas, atelectasia por obstrução mucosa, entre outras.
Mais informações ligue SAC 0800 109 197 ou acesse
www.vetnil.com.br
Dando continuidade às comemora-
ções dos 20 anos da Vetnil, a empresa
realizou a VIII Convenção Técnica
Vetnil e V Convenção de Distribuido-
res Vetnil em Cancun. 
“É a primeira vez que levamos nos-
sos colaboradores e distribuidores para
uma Convenção fora do Brasil e isso é
motivo de muito orgulho para todos nós.
Preparamos esse evento com muito ca-
rinho pois todas essas pessoas contribu-
íram para nossas conquistas. Temos mui-
tos motivos para comemorar juntos os 20
anos da Vetnil e nos preparamos para os
próximos 20”, declarou Vera Ribeiro, pre-
sidente da empresa. 
Cerca de 150 profissionais participa-
ram das convenções, onde houve troca
de experiências, debate de temas estra-
tégicos, treinamentos e atividades turís-
ticas para que pudessem vivenciar a cul-
tura mexicana.Durante o evento, os pla-
nos e estratégias de marketing e vendas
para os próximos anos também foram
apresentados, e os participantes assisti-
ram palestras de grandes nomes como
Marcos Pontes, astronauta brasileiro da
NASA, Ozires Silva, fundador da EMBRA-
ER e ex-Ministro da Infraestrutura, dentre
outros. Distribuidores e integrantes da
equipe ainda foram premiados pelos re-
sultados obtidos em 2012 e 2013.
VETNIL REUNIU
COLABORADORES E
DISTRIBUIDORES EM CANCUN
PARA CONVENÇÃO 2014Para atender a demanda do mercado veterinário que, até então,
utilizava tecnologias ultrapassadas em termos de biossegurança, a Ino-
vet® propõe o uso de DuPontTM Virkon® S para o mercado de equi-
nos. A solução deve ser aplicada em locais de alto risco (mesas de
procedimento, baias, equipamentos cirúrgicos e sanitários) e áreas de
baixo risco (corredores, banheiros, salas de espera e recepção) para
prevenir a disseminação de doenças.
Além de ser o desinfetante recomendado pela Organização das Na-
ções Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) para o controle de
pandemias, DuPontTM Virkon® S possui elevada eficácia contra mais
de 600 patógenos. Esta lista de eficácia comprovada inclui o vírus da
Anemia Infecciosa Equina, Encefalomielite, Herpesvírus, dentre diversos outros. Para
mais informações sobre a Inovet® e Virkon® S acesse www.inovet.com.br ou solicite
a visita de um dos nossos representantes. Tel.: 0800 2 INOVET.
DUPONT E INOVET APRESENTAM VIRKON’S, MAIS UM PRODUTO
DA LINHA EQUINOS
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44 • 
GENDA (CURSOS & EVENTOS)A
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AVALIAÇÃO E CRIOPRESERVAÇÃO DE
SÊMEN EM GARANHÃO
29 de setembro a 2 de outubro de 2014
• CURSO DE PRIMEIROS SOCORROS
EM EQUINOS
30 de setembro a 1 de outubro de 2014
• CURSO DE TRANSFERÊNCIA DE
EMBRIÕES EM EQUINOS
3 a 6 de outubro de 2014
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A CAMPO
Data a confirmar
• CURSO DE DIAGNÓSTICO DE
CLAUDICAÇÃO EM EQUINOS
Data a confirmar
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ARTIFICIAL EM ÉGUAS
Data a confirmar
Tel.: (31) 3899-8300 - Viçosa, MG
www.cptcursospresenciais.com.br
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contatosemevet@gmail.com
FISIOTERAPIA E REABILITAÇÃO DE
EQUINOS - CURSOS LIVRES EM
SAÚDE ANIMAL E MANEJO ANIMAL
30 e 31 de agosto de 2014
Local: Itapecerica da Serra, SP
Tel.: (11) 4872-3467
contato@villacampus.com.br
VI CONGRESSO BRASILEIRO DE
EQUOTERAPIA
17 a 19 de setembro de 2014
Local: Bento Gonçalves, RS
www.congresso.equoterapia.org.br
39Th ANNUAL INTERNATIONAL
CONGRESS - IVAS - INTERNATIONAL
VETERINARY ACUPUNTURE SOCIETY
• SEGEQUI - SEMINÁRIO DE GESTÃO
EM EQUINOCULTURA
24 e 25 de setembro de 2014
• XII ENCONTRO INTERNACIONAL DE
HORSEMANSHIP
26 a 28 de setembro de 2014
UNIVERSIDADE DO CAVALO
Sorocaba, SP - (15) 3292-6633
uc@universidadedocavalo.com.br
www.universidadedocavalo.com.br
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