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ANO 9 - Nº 53 - MAIO / JUNHO 2014 Indexação Qualis A R ev is ta d o M éd ic o V et er in ár io • w w w .r ev is ta ve te q ui na .c o m .b r e dosagem de cortisol de cavalos Quarto de Milha - utilizados em provas de Três Tambores: interferência do treinamento na saúde animal Avaliação ................................... Avaliação artroscópica e radiográfica de peças anatômicas com vista à articulação do carpo de cavalos atletas Encarceramento de intestino delgado em anel inguinal após Orquiectomia em equino: relato de caso ................................... Neurectomia digital palmar em equinos Estudo retrospectivo das lacerações perineais de terceiro grau em éguas ................................... Capa e Segunda Capa.pmd 5/8/2014, 15:521 Capa e Segunda Capa.pmd 5/8/2014, 15:522 • 1 S U M Á R I O MAIO / JUNHO 2014ANO 9 - Nº 53 www.passoapasso.org.br FOTO PRINCIPAL CAPA: ARQUIVO PESSOAL DA AUTORA (2014) AVALIAÇÃO LEUCOCITÁRIA E DOSAGEM DE CORTISOL DE CAVALOS QUARTO DE MILHA - UTILIZADOS EM PROVAS DE TRÊS TAMBORES: INTERFERÊNCIA DO TREINAMENTO NA SAÚDE ANIMAL Cavalos que realizam atividades esportivas, frequentemente so- frem um alto nível de estresse durante competições e treina- mentos intensivos, podendo acarretar diversos tipos de pro- blemas, atingindo assim seu sis- tema imunológico. Neste proje- to foi realizado o estudo da ava- liação leucocitária e dosagem de cortisol, com o intuito de avaliar a interferência do treinamento na saúde animal e bem-estar de cavalos atletas praticantes do esporte equestre Três Tambores. (Pagina 18) A R Q U IV O P E S S O A L (2 01 3) AVALIAÇÃO ARTROSCÓPICA E RADIOGRÁFICA DE PEÇAS ANATÔMICAS COM VISTA À ARTICULAÇÃO DO CARPO DE CAVALOS ATLETAS As ocorrências de lesões articulares em cavalos atletas aconte- cem devido traumas que os animais possam sofrer no treina- mento ou durante alguma prova. Diante desse quadro, os con- ceitos atuais de etiologia, patogênese, diagnóstico e tratamen- to de cada uma das diferentes doenças articulares dos equi- nos, vêm sendo cada vez mais investigados por profissionais da área. O estudo baseou-se na analise radiográfica, graduan- do-se o grau de lesão articular/óssea, seguido pelo estudo ar- troscópico, com classificação, em graus, de lesão da cartilagem articular e sinóvia. (Pág. 4) ENCARCERAMENTO DE INTESTINO DELGADO EM ANEL INGUINAL APÓS ORQUIECTOMIA EM EQUINO: RELATO DE CASO O encarceramento de intestino delgado em anel inguinal tam- bém descrito como hérnia inguinal pode ocorrer mais comu- mente de forma congênita nos potros e de forma adquirida nos garanhões. O relato em questão descreve o caso de um equi- no que após a realização de uma orquiectomia eletiva passou a apresentar dor abdominal, com evolução aguda. À palpação foi possível identificar intestino delgado no foco da orquiecto- mia, e o mesmo foi encaminhado rapidamente ao centro cirúr- gico para a realização de uma celiotomia. A recuperação pós-operatória foi satisfatória e o animal conseguiu recuperar a sua forma física. (Página 12) ESTUDO RETROSPECTIVO DAS LACERAÇÕES PERINEAIS DE TERCEIRO GRAU EM ÉGUAS (1995-2011) Os traumas reto-vestibulares são descritos com maior frequência em éguas, sendo as lace- rações perineais de terceiro grau os mais graves, relacionadas com distocia, esforços vio- lentos de expulsão do feto durante o parto e nascimento de potros grandes. O objetivo do presente trabalho é realizar um estudo retrospectivo dos casos de laceração perineal de terceiro grau atendidos no Hospital Veterinário da Universidade Estadual Paulista - Botucatu no período de 1995 a 2011 visando identificar possíveis fatores de risco para a ocorrência da lesão. (Página 26) NEURECTOMIA DIGITAL PALMAR EM EQUINOS A neurectomia digital palmar é utilizada em animais que apre- sentam dor devido às doenças degenerativas podais que não respondem ao tratamento conservativo. Diversas técnicas de neurectomia foram desenvolvidas com objetivo de obter menor trauma cirúrgico, evitando o desenvolvimento de neuroma do- loroso, considerado uma das principais complicações da sec- ção nervosa. A presente revisão bibliográfica abrange estudos das diferentes técnicas de neurectomia, avaliando suas indicações, vantagens e desvanta- gens. (Página 30) COLUNA (VOCÊ SABIA?): CONHEÇA A RELAÇÃO ENTRE A BIOMECÂNICA DE RECEPÇÃO DO MEMBRO TORÁCICO E/OU PÉLVICO COM A DEGENERAÇÃO ARTICULAR Você sabia que a hiperextensão do boleto por falha no apare- lho de suspensão pode terminar em microfraturas que podem degenerar a articulação do boleto? (Página 38) A R Q U IV O P E S S O A L (2 01 3) H O S P IT A L V E T. U N IV . A N H E M B I M O R U M B I A R Q U IV O P E S S O A L D O A U TO R Paginas 1 a 22.pmd 31/7/2014, 15:051 2 • E D I T O R I A L FUNDADOR Synesio Ascencio (1929 - 2002) DIRETORES José Figuerola, Maria Dolores Pons Figuerola EDITOR RESPONSÁVEL Fernando Figuerola JORNALISTA RESPONSÁVEL Russo Jornalismo Empresarial Andrea Russo (MTB 25541) Tel.: (11) 3875-1682 andrearusso@uol.com.br PROJETO GRÁFICO Studio Figuerola EDITOR DE ARTE Roberto J. Nakayama EDITORAÇÃO ELETRÔNICA Miguel Figuerola MARKETING Master Consultoria e Serviços de Marketing Ltda. Milson da Silva Pereira milson.master@ig.com.br PUBLICIDADE / EVENTOS Diretor Comercial: Fernando Figuerola Fones: (11) 3721-0207 3722-0640 / 9184-7056 fernandofiguerola@terra.com.br ADMINISTRAÇÃO Fernando Figuerola Pons, Juliane Pereira Silva ASSINATURAS: Tel.: (11) 3845-5325 editoratrofeu@terra.com.br REVISTA BRASILEIRA DE MEDICINA EQUINA é uma publicação bimestral da EditoraTroféu Ltda. Administração, Redação e Publicidade: Rua Braço do Sul, 43 Morumbi - CEP: 05617-090 São Paulo, SP - Fones: (11) 3721-0207 / 3845-5325 3849-4981 / 99184-7056 editoratrofeu@terra.com.br nossoclinico@nossoclinico.com.br NOTAS: a) As opiniões de articulistas e en- trevistados não representam ne- cessariamente, o pensamento da REVISTA BRASILEIRA DE MEDI- CINA EQUINA. b) Os anúncios comerciais e infor- mes publicitários são de inteira responsabilidade dos anuncian- tes. DIRETOR CIENTÍFICO: NOSSO ENDEREÇO ELETRÔNICO Home Page: www.revistavetequina.com.br Redação: andrearusso@uol.com.br Assinatura/Administração: editoratrofeu@terra.com.br Publicidade/Eventos: fernandofiguerola@terra.com.br Editora: revistavetequina@revistavetequina.com.br 2 • Alexandre Augusto O. Gobesso Nutrição e Fisiologia do Exercício cateto@usp.br André Luis do Valle De Zoppa Cirurgia alzoppa@usp.br Cláudia Acosta Duarte Clínica Cirúrgica de Equídeos claudiaduarte@unipampa.edu.br Daniel Lessa Clínica lessadab@vm.uff.br Fernando Queiroz de Almeida Gastroenterologia, Nutrição e Fisiologia Esportiva almeidafq@yahoo.com.br Flávio Desessards De La Côrte Cirurgia delacorte2005@yahoo.com.br Geraldo Eleno Silveira Clínica Cirúrgica de Equinos geraldo@vet.ufmg.br Guilherme Ferraz Fisiologia do Exercício guilherme.de.ferraz@terra.com.br Henrique Resende Anatomia e Equinocultura resende@dmv.ufla.br Jairo Jaramillo Cardenas Cirurgia e Anestesiologia Equina dr.jairocardenas@yahoo.com.br Jorge Uriel Carmona Ramíres Clínica e Cirurgia carmona@ucaldas.edu.co José Mário Girão Abreu Clínica zemariovet@gmail.com.br Juliana Regina Peiró Cirurgia juliana.peiro@gmail.com Luiz Carlos Vulcano Diagnótico de Imagem vulcano@fmvz.unesp.br Marco Antônio Alvarenga Clínica e Reprodução Equina malvarenga@fmvz.unesp.br Marco Augusto G. da Silva Clínica Médica de Equídeos silva_vet@hotmail.com Maria Verônica de Souza Clínica msouza@ufv.br Max Gimenez Ribeiro Clinica Cirúrgica e Odontologia mgrvet@bol.com.br Neimar V. Roncati Clinica, Cirurgia e Neonatologia neimar@anhembi.br Roberto Pimenta P. Foz Filho Cirurgia robertofoz@gmail.com Renata de Pino A. Maranhão Clínica renatamaranhao@yahoo.com Silvio Batista Piotto Junior Diagnóstico e Cirurgia Equina abraveq@abraveq.com.br Tobyas Maia de A. Mariz Equinocultura e Fisiologia Equina tobyasmariz@hotmail.com Pierre Barnabé EscodroCirurgia Veterinária e Clínica Médica de Equideos (Univ. Federal de Alagoas) pierre.vet@gmail.com CONSULTORES CIENTÍFICOS: Código de Ética sempre presente Mário Sérgio Cortella define com muita clareza o que é éti- ca: "é o conjunto de valores e princípios que usamos para res- ponder a três grandes questões da vida: (1) quero?; (2) devo?; (3) posso? Nem tudo que eu quero eu posso; nem tudo que eu posso eu devo; e nem tudo que eu devo eu quero. Você tem paz de espírito quando aquilo que você quer é ao mesmo tempo o que você pode e o que você deve". O médico-veterinário com frequência acima do desejável costuma ser solicitado para consultas e tratamentos gratuitos. Às vezes sem solicitação: a gratuidade é, absurdamente, exijida. A remuneração do médico-veterinário, prevista desde o código de Hamurabi, é obrigatória e está explicita no Código de Ética de sua profissão (Resolução nº 722, de 16 de agosto de 2002), que em seu Artigo 21 é categórico ao não permitir a prestação de serviços gratuitos ou por preços abaixo dos usualmente pratica- dos (com algumas exceções, como no caso de pesquisas). O Código de Ética deveria ser menos um documento guar- dado nas prateleiras, físicas ou digitais, e mais um exercício in- corporado em todas atividades. A recente repercussão do episó- dio envolvendo Monty Roberts na Gameleira é um exemplo do quanto é necessário estar com o Código decorado. Logo no Capítulo I, Princípios Fundamentais, é dito no Artigo 2º "Denunci- ar às autoridades competentes qualquer forma de agressão aos animais e ao seu ambiente". Lembrem-se sempre de responder às três questões: quero, devo e posso. Roberto Arruda de Souza Lima Professor da ESALQ/USP raslima@usp.br www.arruda.pro.br Paginas 1 a 22.pmd 31/7/2014, 15:062 • 3 Paginas 1 a 22.pmd 31/7/2014, 15:063 4 • Avaliação de peças anatômicas com vista à articulação do carpo de cavalos atletas “Arthroscopic and radiographic evaluation of anatomical parts with a view to carpus joint of athletes horses” “ Evaluacion artroscopica y radiografica de piezas anatomicas con vista al carpo de caballos deportivos” Rodrigo Tavares Nieman* (rodrigo_nieman@hotmail.com) M.V. Residente do Depto. de Assistência Veterinária (D.A.V.) do Jockey Club de São Paulo Henrique Dias Jorge M.V. Responsável pelo Depto. de Anatomia e Anatomia Patológica Veterinária do Jockey Club de São Paulo Anderson Coutinho da Silva M.V. Prof. Msc. das Disciplinas de Anatomia e Cirurgia Veterinária. Prof. Responsável pelo Setor de Cirurgia do Hosp. Vet. da Univ. Metodista de São Paulo (HOVET-UMESP/SP) Raphael Roseti Lavado M.V. Responsável pelo Setor de Grandes Animais do Hosp. Vet. da Univ. Metodista de São Paulo Milton Kolber M.V. Prof. Dr. das Disciplinas de Lab. Clínico, Radiologia e Zoonoses. Prof. Responsável pelo Setor de Imagem do Hosp. Vet. da Univ. Metodista de São Paulo (HOVET-UMESP/SP) Silvia Regina Kleeb M.V. Profa. Dra. das Disciplinas de Morfologia, Fisiologia e Patologia. Profa. Responsável pelo Setor de Patologia do Hosp. Vet. da Univ. Metodista de São Paulo (HOVET-UMESP/SP) José Guilherme Xavier M.V. Prof. Dr. da Disciplina de Patologia. Prof. Responsável pelo Setor de Patologia do Hosp. Vet. da Univ. Metodista de São Paulo (HOVET-UMESP/SP) * Autor para correspondência RESUMO: As ocorrências de lesões articulares em cavalos atletas acontecem devido a traumas que os animais possam sofrer no treinamento ou durante alguma prova. Diante desse quadro, os conceitos atuais de etiologia, patogênese, diagnóstico e tratamento de cada uma das diferentes doenças articulares dos equinos, vêm sendo cada vez mais investigados por profissionais da área. Diferentes métodos por imagem são aplicáveis para diagnóstico das doenças articulares. As radiografias denotam uma forma direta de diagnóstico, mas a artroscopia além do diagnóstico, é também aplicada para tratamento das doenças articulares do tipo: fraturas intra-articulares, osteoartrite e condromalácias. Foram utilizados para este estudo 15 membros pertencentes a 8 equinos PSI que vieram a óbito por qualquer motivo e que estavam em constante treinamento no Jockey Club de São Paulo-Cidade Jardim. O estudo baseou-se na análise radiográfica, graduando-se o grau de lesão articular/óssea, seguido pelo estudo artroscópico, com classificação, em graus, de lesão da cartilagem articular e sinóvia. Dessa forma concluiu-se uma maior eficiência no exame artroscópico em comparação com o exame radiográfico no diagnóstico das lesões que envolvem a articulação do carpo, além de um destaque para um maior número de lesões em região média e medial da articulação do carpo destes animais. Unitermos: Cavalos atletas, doenças articulares, carpo, radiografia, artroscopia ABSTRACT: The occurrence of joint injuries in athletic horses happens because of traumas that animals may suffer in training or during any turf. Given this situation, the current concepts of etiology, pathogenesis, diagnosis and treatment of each of the different joint desease in horses have been increasingly studied by professionals. Different imaging methods are applicable for diagnosis of joint desease. Radiographs show a direct way of diagnosis, but artrhoscopy in addition to the diagnosis, may also be applied for the treatment of joint deseases like intra-articular fracture, osteoarthritis and condromalacias. In this study, 15 limbs from 8 PSI horses that died for no specificic reason and were in constant training at Jockey Club of São Paulo-Garden City, were used. The study was based on radiographic analysis, graduating the degree of injurie of joint/bone damage, followed by arthroscopic study, that rated in degrees the injury of articular cartilage and synovium. Thus, it was concluded that there is greater efficiency in arthroscopic examination compared with the radiographic in diagnosis of lesions that involve the carpus joint, beyond a highlight for a greater number of lesions on the middle and medial regions of the carpal joint of these animals. Keywords: Athletes horses, joint deseases, carpus, radiograph, arthroscopy RESUMEN: Las ocurrencias de lesiones en las articulaciones de los caballos deportivos ocurren debido traumas que los animales pueden sufrir en el entrenamiento o durante alguna prueba. Ante esta situación, los conceptos actuales de la etiología, patogenia, diagnóstico y tratamiento de cada una de las diferentes enfermedades de las articulaciones de los caballos se han estudiado cada vez más por los profesionales. Diferentes métodos de imagen son aplicables para el diagnóstico das enfermedades de las articulaciones. Las radiografías muestran una forma directa de diagnóstico, pero la artroscopia, más allá de diagnóstico, sino que también se aplica para el tratamiento de enfermedades de las articulaciones, como fracturas interarticulares, las osteoartritis y condromalácias. Se utilizaron para este estudio 15 miembros pertenecientes a 8 caballos PSI que vieron la muerte por cualquier causa y estaban en constante capacitación en el Jockey Club de São Paulo- Ciudad Jardín. El estudio se basó en el análisis radiográfico graduando el grado de daño articular/óseo, seguido por el estudio artroscópico con clasificación en grados de lesión en el cartílago articular y la sinovia. Por lo tanto se calificaron los daños articulares en los multicompartimentos de articulación sinovial y una mejor comprensión de las lesiones principales en los animales atletas, concluyendo una mayor eficiencia en el examen artroscópico en comparación con el examen radiográfico en el diagnóstico de lesiones que afectan a la articulación del carpo y destacando un mayor número de lesiones en la región media y medial de la articulación del carpo de estos animales. Palabras Clave: Caballos esportivos, enfermedades articulares, carpo, radiografía, artroscopia FO N TE : A R Q U IV O P E S S O A L, 2 01 3 Paginas 1 a 22.pmd 31/7/2014, 15:064 • 5 trar alterações radiográficas do tipo lise, sendo que o grau de alteração patológicana membrana sinovial é de difícil avalia- ção17. Por definição, artroscopia é a aplicação de técnicas de endoscopia no estudo das ca- vidades articulares21, permitindo a visuali- zação direta das articulações mediante o uso de um artroscópio que, em geral, possui fi- nalidade diagnóstica4. As estruturas de prin- cipal interesse no exame artroscópico das articulações dos equinos são as membra- nas sinoviais e as cartilagens articulares, sendo as áreas das articulações difíceis de serem avaliadas pelos métodos clínicos normais. A capacidade de monitorar alte- rações na membrana sinovial sequencial- mente tem sido usada pra estudar o desen- volvimento da sinovite na articulação in- tercárpica (mediocárpica) dos equinos, sen- do a quantificação da sinovite a principal indicação para a avaliação dos tecidos mo- les com o artroscópio. Com relação à carti- lagem articular, o uso do artroscópio per- mite o reconhecimento de fibrilação e ero- são da mesma, onde a primeira pode ser mais facilmente reconhecida por esta téc- nica do que pela visualização macroscópi- ca, devido a uma combinação de fatores que incluem transiluminação das fibras cola- genosas, sua suspensão na solução fisioló- gica e também os efeitos de hiperplasias18. As diferenças principais entre os artroscó- pios estão no diâmetro e no ângulo das len- tes17. Um bom artroscópio deve possuir uma fonte luminosa de fibra-óptica para possi- bilitar a visualização das estruturas intra- articulares. O artroscópio de 4mm com angulações de 25º ou 30º cumpre com a maioria das necessidades do cirurgião equi- no, onde a lente pode ser girada sem movi- mentar o membro em análise. O importan- te é fazer a escolha de um aparelho que promova menos danos articulares e que te- nha boa mobilidade. O equipamento com- plementar consiste em: sistema de irriga- ção que tem por objetivo a irrigação e a expansão da cápsula articular; cânula de saída que tem por função liberar fluídos da articulação limpando a área cirúrgica me- lhorando a visualização; elevadores de pe- riósteo, ruginas e osteótomos utilizados para separação de fragmentos aderidos e curetas utilizadas para fazer a raspagem da região óssea11. A artroscopia consegue revelar lesões articulares discretas e precoces que não são evidenciadas pelo exame radiográfico1. São variadas as situações onde a cirurgia artros- cópica é indicada no equino, tais como: fragmentos osteocondrais da fileira proxi- mal e distal do carpo, fragmentos osteocon- drais dorsal e proximal de primeira falan- ge, fragmentos osteocondrais do tarso, frag- mentos osteocondrais associados à face palmar proximal da primeira falange, frag- mento apical do osso sesamoide, osteocon- drite dissecante, entre outras14. Esta técni- ca também possibilita a execução de bióp- sias intra-articulares8, trazendo grandes vantagens na abordagem diagnóstica e ci- rúrgica dos problemas articulares dos ca- valos, uma vez que permite diminuição do tempo de convalescença com regresso mais rápido ao trabalho e com melhor desempe- nho, havendo redução dos tratamentos pa- liativos efetuados bem como do número de articulações permanentemente comprome- tidas13. As complicações na artroscopia não são frequentes, onde as incidências graves equi- valem a menos de 1%, o que contribui para uma elevada taxa de sucesso14. Os proble- mas e as complicações trans-cirúrgicas po- dem ser de vários tipos, como: Hemartrose que provoca perda na capacidade de visua- lização das estruturas articulares7,1, obstru- ção da visão por vilosidades sinoviais, ex- travasamento extrassinovial de fluído, le- sões iatrogênicas da cartilagem articular e outros tecidos, quebra intrasinovial de ins- trumentos e a presença de material estra- nho na cavidade sinovial13. As principais complicações pós-cirúrgicas são infecções, distensão ou sinovite, não remoção de frag- mentos, capsulite, osso neoformado ou mi- neralização de tecido mole, além de pro- blemas associados ao posicionamento e dor13. Visando a melhor compreensão das le- sões articulares em cavalos atletas que vie- ram a óbito por qualquer motivo, o estudo busca detectar lesões superficiais e possí- veis fraturas pelo método radiográfico, gra- duando-se o grau de lesão articular, princi- palmente a osteoartrite (OA) e por meio do exame artroscópico, analisar a cápsula ar- ticular, cartilagem articular, membrana si- novial e quistos ósseos, com classificação em diferentes graus de lesão de cartilagem articular e sinovite. Materiais e Métodos Foram utilizados 8 membros torácicos de cavalos atletas Puro-Sangue-Inglês (PSI) que estavam em contínuo e semelhante trei- namento e que vieram a óbito por qualquer causa, cuja idade variou entre 3-8 anos, de ambos os sexos. Os membros vieram da Fazenda do Jockey Club de São Paulo - Cidade Jardim. Após o óbito, os membros Introdução Os animais que participam de competi- ções das mais diversas formas que exigem esforços contínuos e intensos estão sujeitos a acidentes que podem acarretar em lesões no sistema locomotor. Um dos principais fatores para a ocorrência de lesões nos equi- nos é o início precoce do treinamento, de- vido ainda não terem atingido a maturida- de óssea5 e assim podendo acarretar fissu- ras na cartilagem ou mesmo flaps, que tar- diamente podem evoluir para uma osteoar- trite (OA) e consequente diminuição do desempenho nos esportes. É durante o pro- cesso de ossificação endocondral que po- dem ocorrer atrasos ou erros que darão ori- gem às lesões na cartilagem de crescimen- to da metáfise e na cartilagem do comple- xo articular-epifisário dos animais jovens. Embora heterogêneas estas lesões focais ou multifocais provocam diversas manifesta- ções clínicas consideradas no seu conjunto como uma importante Doença Ortopédica do Desenvolvimento (DOD) chamada Os- teocondrose (OC) e que podem ser identi- ficadas em equinos atletas12,22. Quando as lesões resultantes de OC penetram a super- fície articular provocando inflamação, der- rame sinovial e desprendimento de flap os- teocartilagíneo, tomam o nome de osteo- condrite dissecante (OCD)12. A OC tem uma grande incidência (em média 25%) em Warmbloods e em raças de corrida19. Dentre as artropatias dos equinos, as mais frequentes são aquelas que acometem os ossos do carpo, principalmente nos ca- valos de corrida (turfe e trote) das raças Puro-Sangue Inglês (PSI), Quarto de Mi- lha (QM) e American Troter. Devido à dis- tribuição de forças referentes à absorção dos impactos provocados pelo exercício inten- so, o ângulo diedro dorso-distal do osso carpo radial é a principal sede destas afec- ções6, além das fraturas do osso carpo aces- sório. O estudo radiológico das articulações é um método de diagnóstico complementar, servindo para confirmar e/ou auxiliar a sus- peita clínica. Ele também é utilizado no direcionamento do ponto de lesão para a cirurgia artroscópica. Os aspectos radiográ- ficos das OA incluem diminuição ou perda do espaço articular, esclerose do osso sub- condral, formação de osteófitos marginais, proliferação óssea periostal e eventualmente o desenvolvimento de anquilose10,16,3. O exa- me radiográfico vai demonstrar a erosão da cartilagem articular somente quando a mesma estiver suficientemente adiantada de modo que o espaço articular esteja di- minuído ou quando o osso subcondral mos- Paginas 1 a 22.pmd 31/7/2014, 15:065 6 • anteriores eram retirados de acordo com as técnicas de necropsia e colocados sob re- frigeração à 5ºC até que fossem transpor- tados para o Laboratório de Anatomia Ve- terinária da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). Ao chegarem à Universi- dade, os procedimentos do estudo inicia- vam-se com a avaliação radiográfica, se- guida da artroscopia de ambos os membros. Ao longo do estudo, os membros dos ani- mais foram identificados com numerações de 1 à 8, divididos em esquerdo e direito. Neles foram analisadas as articulações do carpo e rádio cárpica, totalizando 15 arti- culações, devido um dos animais ter apre- sentado uma fratura cominutiva do mem- bro esquerdo na região daarticulação do carpo, sendo descartado. Estudo Radiográfico O estudo procedeu da analise radiográ- fica em quatro projeções: latero-medial (LM); crânio-caudal (CrCd); dorso lateral palmaro medial oblíqua (DLPMO) e dorso medial palmaro lateral oblíqua (DMPLO). A revelação das radiografias foi realizada por processamento automático. O aparelho de Raio-X Médico Veterinário utilizado foi o da marca TOSHIBA/RAYTEC, Modelo E7239-X, Fixo, nº da série 8B-517, Potên- cia 125kVp/600mA e os filmes radiográfi- cos utilizados foram de tamanho 24X30 cm. O parecer para o grau de lesão era avaliado por três profissionais do HOVET-METO- DISTA, seguindo a metodologia semi- quantitativa descrita por Kirker-Head et al. (2000)9. Estudo Artroscópico Para esse estudo foi utilizado um artros- copio de 4 mm com ângulo de visão 30º com lente giratória DYONICS® DE11584, fonte de irrigação com solução Ringer Lac- tato sob infusão contínua, fonte luminosa FERRARI® FH 250 R2, fibra óptica TEK- NO®, câmera SONY 200® TopWay SSD inside (CTCC 4120), processador de ima- gem CCD Color NTSC e sistema de captu- ra Kworld® USB Hybrid Tuner Stick (UB 430 - AF), associados à televisão e note- book, ainda elevadores de periósteo, rugi- nas, osteossomos e curetas. O procedimento da artroscopia inicia- va-se com a artrocentese, com retirada do líquido sinovial por meio de uma agulha 40x12 e seringa de 20 ml. Logo após, era realizada a incisão da pele com lâmina de bisturi n.15 de aproximadamente 1 cm de extensão, seguido da injeção de aproxima- damente 35ml de solução eletrolítica ba- lanceada e estéril, para expansão inicial da cápsula articular para facilitar a inserção do artroscópio na porção mais proximal ex- pandida da cápsula. A introdução da bai- nha do artroscópio neste local iniciava-se exatamente com um trocarte pontiagudo no interior da bainha, completava-se a pene- tração após ultrapassar a membrana sino- vial. Dessa forma, substituía-se o trocarte pontiagudo pelo artroscópio acoplando-o na bainha e dava-se início ao exame da cáp- sula articular. A solução eletrolítica era bombeada através da válvula de entrada de fluídos da bainha do artroscópio continua- mente para a cavidade articular, removen- do qualquer material e mantendo-a expan- dida, facilitando a visualização do opera- dor. A área de entrada do artroscópio na porção da cápsula articular da articulação do carpo iniciava-se entre o tendão do mús- culo extensor carpo-radial e o tendão do músculo extensor digital comum, podendo o membro estar em leve flexão6. O exame desta articulação começava medialmente, ao tendão extensor carpo radial, entre o carpo-radial e o III carpiano. Diante disso já era possível a visualização da superfície inferior do carpo radial e da superfície su- perior do III e II carpianos. Ainda pode-se observar, flexionando um pouco mais a ar- ticulação, o ligamento intercarpico palmar medial (anexo entre o III carpiano e o car- po radial). O aspecto dorsal do III carpiano é facilitado estendendo-se a articulação. Seguia-se com o exame da proeminência do bordo axial do osso carpo radial, inter- médio, a face intermédia do III carpiano e da parte axial do IV osso do carpo. Ao mover o artroscópico lateralmente, já era possível inspecionar o carpo ulnar e o IV carpiano. Rotacionando-se o artroscópio, o ligamento intercárpico palmar era visto dei- tado entre o IV carpiano e o carpo ulnar. Atinge-se assim a articulação rádio cár- pica inserindo-se o artroscópio pelo mes- mo portal, ou seja, em relação ao tendão extensor carpo radial e o tendão extensor comum dos dedos, no centro da depressão entre a linha do meio dos ossos do carpo e do rádio. A inspeção começava medialmen- te à articulação cárpica média. Primeira- mente realizava-se o exame da região me- dial do rádio distal e proximal do osso car- po radial. Neste ponto as vilosidades po- dem inibir a visibilidade do bordo dorsal do rádio, podendo isso ser corrigido com a distensão e extensão da articulação. Após a visualização da junção entre o carpo in- termédio e o carpo radial, o artroscópio era retirado deste ponto tendo-se uma visuali- zação da crista sagital do rádio. Lateral- mente o espaço articular fica mais estreito e em cavalos jovens o sulco da junção en- tre o processo estiloide e o rádio é visto na superfície articular do rádio. Para fim de procedimento, olhando-se distalmente e la- teralmente, inspecionava-se a parte axial do carpo ulnar. Seguiu-se a metodologia descrita por Velosa et al. (1999)20, o qual se preconiza que durante o procedimento cirúrgico ar- troscópico das articulações dos animais, a cápsula e superfície articular sejam avalia- das e classificadas, de acordo com a pre- sença de lesões, em normal, quando a su- perfície da cartilagem encontra-se ilesa; fi- brilada, se houver irregularidades na su- perfície da cartilagem articular, e fibrila- da, com exposição do osso quando as le- sões se aprofundam até o osso subcondral. No tocante à sinóvia, a classificação utili- zada foi em normal, vilos livres e com pe- quena vascularização; inflamada, vilos hi- perêmicos e com vasos congestos; degene- rados, vilos aderidos e com pouco movi- mento. Análise Estatística As amostragens obtidas foram analisa- das sob forma qualitativa das imagens ra- diográficas e artroscópicas. No primeiro analisava-se a superfície articular e óssea. Já no segundo método de análise, foi veri- ficado o tecido cartilaginoso e também da sinóvia. Todos esses métodos avaliaram as áreas da articulação carpeana, para quan- tificar as alterações degenerativas. Dessa forma, pelo exame radiográfico avaliou-se 10 parâmetros seguindo a metodologia des- crita por Kirker-Head et al. (2000)9, e na artroscopia avaliou-se 2 parâmetros (carti- lagem articular e sinóvia), envolvendo duas articulações (articulação rádio-carpica – ARC; e articulação intercárpica - AI), jus- tamente por conta dos acessos possíveis de entrada do artroscópio. Para medir a acu- rácia dos exames, mostrando o quão ele é confiável para diagnosticar a lesão, sem falso positivo e falso negativo, foi utilizada a tabela de contingência2 que leva em con- ta a presença ou ausência da doença/lesão. Resultados Foram analisados membros torácicos de oito cavalos de corrida, todos da raça PSI, provenientes do Jockey Club de São Paulo em Cidade Jardim. De todos os animais, um deles apresentou uma fratura cominuti- va e exposta na articulação do carpo, sendo descartado, totalizando dessa forma, 15 ar- ticulações analisadas pelos métodos radio- gráfico e artroscópico. Paginas 1 a 22.pmd 31/7/2014, 15:066 • 7 Paginas 1 a 22.pmd 31/7/2014, 15:067 8 • Figura 1: Projeção crânio cau- dal de imagem radiográfica de carpo de equino PSI, eviden- ciando diminuição do espaço articular em região medial, entre ossos do carpo (fileira distal) e metacarpo (Seta) FO N TE : A R Q U IV O P E S S O A L, 2 01 3 Figura 2: Projeção crânio cau- dal de imagem radiográfica de carpo de equino PSI, eviden- ciando erosão irregular/lise cística do osso subcondral em carpo radial (Seta) Figura 3: Projeção crânio cau- dal de imagem radiográfica de carpo de equino PSI, eviden- ciando erosão irregular/lise cística do osso subcondral em carpo radial (Seta) Figura 4: Projeção latero me- dial de imagem radiográfica de carpo de equino PSI, eviden- ciando osteófito (mineraliza- ção da margem articular) em região de III metacarpiano (Seta) Figura 5: Projeção latero me- dial de imagem radiográfica de carpo de equino PSI, eviden- ciando osteófito (mineraliza- ção da margem articular) em região de III metacarpiano (Seta) Figura 6: Projeção latero me- dial de imagem radiográfica de carpo de equino PSI, eviden- ciando fragmento osteocon- dral pequeno e bem definido (Seta) Figura 7: Imagem artroscópica de articulação intercárpica de equino PSI, evidenciando ebulização óssea em superfície de carpo radial Figura 8: Imagem artroscópica de articulação rádio cárpica de equino PSI, evidenciando cartilagem articular de rádio fibrilada e irre- gular. .....................................................................................................................alterações em rádio (6,6%) na articulação rádio cárpica (Figura 8). A sinóvia mos- trou-se alterada na região medial interna da cápsula articular na maioria dos casos (66,6%) (Figuras 9 e 10) e em alguns de- les, na região lateral interna da cápsula ar- ticular (20%) (Figuras 11 e 12). Raros foram os casos ande a mesma apresentou-se inalterada (13,3%) (Figura 13). Ainda em alguns animais, foram O exame radiográfico avaliou 10 parâ- metros seguindo a metodologia descrita por Kirker-Head et al. (2000)9 e a artroscopia avaliou 2 parâmetros (cartilagem articular e sinóvia) envolvendo duas articulações (ARC e AI). Como todos os parâmetros vi- sam determinar a presença ou ausência de lesão, assumiu-se que qualquer escore fora do normal (Artroscopia) foi considerado como positivo para a lesão, independente do grau desse escore. Ao observar os dados obtidos, ficou evi- dente que a artroscopia mostrou uma quan- tidade maior de lesões do compartimento articular em relação ao exame radiográfi- co (13/15 contra 7/15, respectivamente), sendo um exame mais eficiente para detec- tar lesões. Isso é mostrado na tabela 1. Tabela 1: Tabela de contingência mostrando a eficácia dos testes com valor qualitativo de presença ou não de lesão Artroscopia (Padrão/Ouro) Positivo Negativo Positivo 6a 1b 7@ Negativo 7c 1d 8^ 13* 2# 15 *Positivo na Artroscopia; #Negativo na Artroscopia; @Positivo no Raio-X; ^Negativo no Raio-X; a: Verdadeiro positivo; b: Falso positivo; c: Falso negativo; d: Verdadeiro negativo A artroscopia diagnosticou lesão em 86,6% dos casos enquanto que o exame ra- diográfico em 46%, mostrando que há um incremento de 40% na capacidade de de- tectar a lesão pelo método artroscópico. Quando a doença está presente, o exame radiográfico mostrou em 46% dos casos presença de lesão (Sensibilidade de 46%). Quando a lesão está ausente, o raio-X mos- trou em 50% dos casos a ausência de alte- ração demonstrado com especificidade de 50%. Nos 46% dos casos diagnosticados com lesão radiográfica, as mesmas concentra- ram-se em região medial da articulação (26%) (Figura 1), margeando o osso carpo radial (Figuras 2 e 3), II e III metacarpia- no, onde nesse último a presença de osteó- fitos (Figuras 4 e 5) foi considerada alta (20%). Poucos foram os animais que apre- sentaram lesões em região lateral da arti- culação (6,6%) (Figura 6). No exame ar- troscópico as lesões concentravam-se em articulação intercárpica envolvendo em sua grande maioria o osso carpo radial (26,6%) em sua articulação com os ossos III carpia- no (Figura 7) e carpo intermédio, além de FO N TE : A R Q U IV O P E S S O A L, 2 01 3 FO N TE : A R Q U IV O P E S S O A L, 2 01 3 FO N TE : A R Q U IV O P E S S O A L, 2 01 3 FO N TE : A R Q U IV O P E S S O A L, 2 01 3 FO N TE : A R Q U IV O P E S S O A L, 2 01 3 FO N TE : A R Q U IV O P E S S O A L, 2 01 3 FO N TE : A R Q U IV O P E S S O A L, 2 01 3 Total Raio-X Paginas 1 a 22.pmd 31/7/2014, 15:068 • 9 observadas alterações na articulação entre os ossos da fileira distal do carpo (33,3%) (Figuras 14 e 15) e raras alterações ósseas em região lateral da articulação (20%) (Fi- gura 16). Discussão Segundo Garcez (2010)5, um dos prin- cipais fatores para a ocorrência de lesões nos equinos é o início precoce do treina- mento, graças a imaturidade óssea, levan- Figura 9: Imagem artroscópica de articulação rádio cárpica de equino PSI, evidenciando si- nóvia inflamada, com vilos hiperêmicos e va- sos congestos Figura 10: Imagem artroscópica de articula- ção rádio cárpica de equino PSI, evidencian- do sinóvia inflamada, com vilos hiperêmicos e vasos congestos Figura 11: Imagem artroscópica de articulação intercárpica de equino PSI, evidenciando es- pessamento de cápsula articular e irregulari- dade em superfície de osso carpo intermédio .................................................................................... Figura 12: Imagem artroscópica de articula- ção intercárpica de equino PSI, evidenciando sinóvia degenerada, com vilos aderidos, com pouco movimento Figura 13: Imagem artroscópica de articulação rádio cárpica de equino PSI, evidenciando sinóvia de aspecto normal Figura 14: Imagem artroscópica de articula- ção intercárpica de equino PSI, evidenciando cartilagem articular entre III e IV carpianos fibrilada e irregular ................................................................................... Figura 15: Imagem artroscópica de articula- ção intercárpica de equino PSI, evidenciando cartilagem articular entre II e III carpianos fibrilada e irregular Figura 16: Imagem artroscópica de articula- ção intercárpica de equino PSI, evidenciando espessamento e irregularidade de cápsula ar- ticular e erosões ósseas em superfície de IV carpiano ................................................................................ do à possibilidade de ocorrer microfratu- ras podendo acarretar em fissuras na carti- lagem ou mesmo flaps, que tardiamente podem evoluir para uma osteoartrite (OA). Este fato pode ser relacionado no estudo apresentado, onde os membros analisados tanto radiograficamente, como pela técni- ca da artroscopia mais precisamente, per- tenciam a equinos atletas em constante trei- namento, na faixa etária entre 2 e 8 anos, onde os mesmos já apresentavam lesões ca- racterísticas do esporte em cartilagem arti- cular, cápsula articular e sinóvia, além de alguns exibirem fraturas em ossos do car- po. No estudo, as radiografias evidenciaram a maioria das lesões em região medial da articulação intercárpica e carpo metacár- pica, margeando o osso carpo radial, II e III metacarpiano, onde nesse último a pre- sença de osteófitos foi considerada. O exa- me artroscópico mostrou maiores casos de lesões em articulação intercárpica envol- vendo em sua grande maioria o osso carpo radial em sua articulação com os ossos III carpiano e carpo intermédio, corroboran- do com os achados de Gomes (1998)6, que justifica o nível de lesão estar diretamente relacionado com a dificuldade de distribui- ção igualitária de forças referentes à absor- ção dos impactos, provocados pelo exercí- cio intenso é o ângulo diedro dorso-distal do osso carpo radial e/ou fraturas do osso carpo acessório. O exame radiográfico em casos de OA incluem diminuição ou perda do espaço ar- ticular, esclerose do osso subcondral, FO N TE : A R Q U IV O P E S S O A L, 2 01 3 FO N TE : A R Q U IV O P E S S O A L, 2 01 3 FO N TE : A R Q U IV O P E S S O A L, 2 01 3 FO N TE : A R Q U IV O P E S S O A L, 2 01 3 FO N TE : A R Q U IV O P E S S O A L, 2 01 3 FO N TE : A R Q U IV O P E S S O A L, 2 01 3 FO N TE : A R Q U IV O P E S S O A L, 2 01 3 FO N TE : A R Q U IV O P E S S O A L, 2 01 3 Paginas 1 a 22.pmd 31/7/2014, 15:069 10 • formação de osteófitos marginais, prolife- ração óssea periostal e eventualmente o de- senvolvimento de anquilose, demonstran- do uma erosão da cartilagem articular so- mente quando a mesma estiver suficiente- mente adiantada10,16,2, onde segundo Stashak (1994)17, o grau de alteração na membrana sinovial acaba sendo de difícil avaliação. É um exame utilizado no direci- onamento do ponto de lesão para a cirur- gia artroscópica, sendo que esta última bus- ca o estudo e diagnóstico muitas vezes pre- coce de estruturas da articulação como membranas sinoviais e cartilagens articu- lares, além do seu importante papel no tra- tamento articular, como remoção de flaps e fragmentos osteocondrais. O direciona- mento para a avaliação artroscópica do ponto de afecção articular no estudo em questão, em sua grande maioria, foi guia- do pela técnica radiográfica anteriormente realizada. Porém, em alguns casos, a ar- troscopia pôde revelar alterações não en- contradas no raio-X, e não só em sinóvia e cartilagem articular, mas em superfície ós- sea, cápsula articular e articulação entre os ossos do carpo. Tais alteraçõesincluem fragmentos osteocondrais aderidos em os- sos do carpo, ebunização óssea, fissuras e mesmo fragmentação em ossos do carpo. Segundo Bardet (2006)1, a artroscopia con- segue revelar lesões articulares discretas e precoces que não são evidenciadas pelo exame radiográfico, o que foi realmente observado no trabalho apresentado. A ocorrência de falsos positivos no exa- me artroscópico não está livre de aconte- cer, sendo uma opção de direcionamento e análises com maior exatidão, a compara- ção destes com o exame histopatológico, considerado um exame padrão para eviden- ciar o grau de OA em uma articulação si- novial. Conclusão Mediante os resultados obtidos e com- parados com as recentes publicações da área, conclui-se que embora a radiografia e artroscopia sejam exames com princípios e análises bem diferentes, ambos se com- pletam no diagnóstico e direcionamento do tratamento de lesões articulares de equinos, com atenção à articulação do carpo em ca- valos de corrida, que através do estudo pode-se perceber que a maioria das altera- ções e lesões encontram-se em ossos e com- partimentos articulares intermediários e mediais da articulação estudada. Além dis- so, um cavalo que sofra de um problema articular, implicando a cartilagem articu- lar, sinóvia, cápsula articular e líquido si- novial, elementos estes que não produzem alterações radiográficas demonstráveis, deva requerer técnicas mais avançadas para diagnóstico precoce e tratamento adequa- do do compartimento articular, como a ar- troscopia, que poderá ser associada ao exa- me histológico dos tecidos, contribuindo desta forma para menores chances de re- sultados falsos positivos. Referências 1 - BARDET, J.F. (2006). Diagnostic and surgi- cal arthroscopy in dogs. In Iams Clinical Nutri- tion Symposium 2006: Switzerland, February 11, 2006, (14-18). Disponível em: <http:// www.ivis.org/proceedings/iams/2006_montreux/ bardet.pdf. Acesso em: 20 nov. 2012. 2 - BERQUÓ, E.S.; SOUZA, J.M.P.; GOTLIEB, S.L.D. Bioestatística, 2.ed., São Paulo: E.P.U., 2001, 350p. 3 - BJORNSDÓTTIR, S.; AXELSSON, M.; EK- SELL, P.; SIGURDSSON, H; CARLSTEN, J. 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Raphael Roseti Lavado (raphaelroseti@yahoo.com.br) M.V. responsável pelo setor de grandes animais do Hospital Veterinário da Universidade Metodista de São Paulo. Anderson Coutinho da Silva (anderson.silva@metodista.br) Prof. Ms. de Medicina Veterinária da Universidade Metodista de São Paulo. Jordana Casemiro Pinto Monteiro (jojamonteiro@hotmail.com) M.V. responsável pelo setor de anestesiologia do Hospital Veterinário da Universidade Metodista de São Paulo. Thiago de Azevedo Noronha (noronhavet@hotmail.com) Prof. Ms. de Medicina Veterinária da Universidade Metodista de São Paulo. * Autora para correspondência RESUMO: O encarceramento de alças intestinais em anel inguinal após uma orquiectomia não é uma complica- ção usual na casuística hospitalar, caracterizado pelo deslocamento da porção final do jejuno ou do íleo através do canal inguinal, é observado com maior frequência em garanhões após monta natural ou congenitamente em potros. Nas hérnias irredutíveis, a terapêutica é cirúrgicae emergencial e o prognóstico reservado devido às lesões estrangulantes nas alças intestinais. Um equino, macho, 10 anos da raça Puro Sangue Lusitano foi enca- minhado ao hospital veterinário da Universidade Metodista de São Paulo para realização de orquiectomia eletiva, e cerca de 2 horas após o procedimento o animal apresentou sintomas de síndrome cólica com evolução aguda, mucosas congestas, sudorese, secreção sero-sanguinolenta na região da incisão cirúrgica e através da palpa- ção escrotal constatou-se a presença de intestino delgado com reflexo doloroso à palpação. O animal foi imedi- atamente encaminhado para a cirurgia, onde foi realizada a redução da alça intestinal encarcerada, enterectomia de aproximadamente 1,8 metros da porção do jejuno e herniorrafia completa do anel inguinal. A recuperação pós-operatória foi satisfatória, sendo que o animal retornou à atividade atlética e recuperou o seu peso corporal inicial. Unitermos: encarceramento, hérnia inguinal, orquiectomia, enterectomia, equinos, cólica ABSTRACT: The bowel incarceration in the inguinal ring after an orchiectomy is an unusual complication in the case series, characterized by the displacement of the end portion of the jejunum or ileum through the inguinal canal, is more frequently observed in stallions after natural mating or congenitally in foals. In the irresolvable hernias, surgical treatment is urgrently required and still the prognosis is poor due to estrangulation of the intestinal wall. One male pure blood horse, 10 years old and Lusitano breed was taken to the Methodist University of São Paulo’s Veterinary Hospital, for elective orchiectomy - about 2 hours after the procedure the animal presented symptoms of acute colic syndrome with acute, congested mucous, sweating, sero-bloody discharge at the incision area and through scrotal palpation was possible to observe the presence of small bowel in the scrotum with painful reflex on touch. The animal was immediately taken to surgery, in which a reduction of the incarcerated bowel loop took place - enterectomy of approximately 1.8 meters from the jejunum part and complete hernia repair of the inguinal ring were performed. Postoperative recovery was satisfactory, since the animal returned to its athletic activity and regained its initial body weight. Keywords: incarceration, inguinal hernia, orchiectomy, enterectomy, equine, colic RESUMEN: El encarcelamiento de los intestinos en el anillo inguinal después de una orquiectomía es una complicación inusual que se caracteriza por el desplazamiento de la parte final del yeyuno o el íleon a través del canal inguinal. Este se observa con mayor frecuencia en los sementales después del apareamiento natural o congenitamente en los potros. La hernia irreductible se trata quirúrgicamente y de emergencia y debido a lesiones estrangulantes en la pared intestinal el pronóstico es reservado. Un caballo macho de 10 años de raza Lusitano fue remitido al hospital veterinário de la Universidad Metodista de São Paulo para una orquiectomía electiva, alrededor de 2 horas después del procedimiento el animal mostró síntomas de síndrome cólico agudo, mucosa congestionada , sudoración, secreción sero-sanguinolenta en el área de la incisión y mediante la palpación del escroto se pudo observar la presencia de intestino delgado en el mismo. Al animal se le practico una enterectomia de emergencia, seccionando aproximadamente 1,8 metros del yeyuno y cerrando el anillo inguinal. La recuperación postoperatoria fue satisfactoria y el animal regresó a la actividad deportiva recuperando su peso corporal inicial. Palabras clave: Encarcelamiento, hérnia inguinal, orquiectomía, enterectomía, caballo, cólico FO N TE : A R Q U IV O P E S S O A L (2 01 3) Paginas 1 a 22.pmd 31/7/2014, 15:0612 • 13 Introdução O termo encarceramento de intestino delgado em anel inguinal refere-se à pas- sagem do conteúdo abdominal através do canal inguinal podendo ocorrer direta ou indiretamente. Indiretamente, a víscera en- tra no anel vaginal, passa pelos anéis pro- fundos e superficiais, localizando-se na cavidade vaginal ao lado e em contato com o testículo. Quando ocorre de maneira di- reta, o conteúdo passa por uma falha do peritônio, atravessa o anel inguinal profun- do e superficial, e ficará contido na região inguino-escrotal por fora da túnica vagi- nal. O encarceramento de intestino delgado em anel inguinal também descrito como hérnia inguinal pode ocorrer mais comu- mente de forma congênita nos potros e de forma adquirida nos garanhões. O relato em questão descreve o caso de um equino que após a realização de uma orquiectomia eletiva passou a apresentar dor abdominal, com evolução aguda. À palpação foi possível identificar intestino delgado no foco da orquiectomia, e o mes- mo foi encaminhado rapidamente ao cen- tro cirúrgico para a realização de uma celi- otomia. Pode-se notar comprometimento de aproximadamente 1,8 metros de intestino delgado, sendo necessária a realização de enterectomia, enteroanastomose e fecha- mento do anel inguinal. A recuperação pós- operatória foi satisfatória e o animal con- seguiu recuperar a sua forma física. As hérnias inguino-escrotais são carac- terizadas pelo deslocamento da porção fi- nal do jejuno ou íleo através do canal in- guinal, por vezes se estendendo até o es- croto. Ocorrem mais comumente ao nasci- mento ou até alguns meses após, podendo se resolver espontaneamente durante os primeiros meses de vida9. A maior incidência de hérnias inguinais em equinos é a hérnia congênita dos po- tros e a adquirida dos garanhões1. Em uma revisão de 14 casos de hérnias diretas em potros com menos de 48 horas de vida, sub- metidos à cirurgia de urgência, o intestino delgado estava presente em todos os casos e a sobrevivência após seis meses foi de 50%15. A ocorrência de encarceramento de alças intestinais após a castração é mais comum em casos de criptorquidismo, quan- do é feita uma incisão peritoneal de gran- des dimensões3. As hérnias inguinais são mais comuns em equinos das raças American Trotter e Tenesse Walking Horse, os quais tendem a apresentar o canal inguinal congenitamente grande. As hérnias inguinais também po- dem ocorrer em potros neonatos, mas dife- rem das hérnias em equinos adultos, pois tipicamente são não estrangulantes11. Os achados típicos da anamnese carac- terizam-se por início de cólica aguda em garanhões que recentemente foram utiliza- dos para a reprodução, exercícios ou trau- mas e mais raramente após a realização de uma orquiectomia e nestes casos quase to- das são irredutíveis. Os sinais clínicos da enfermidade incluem início súbito, dor agu- da e intensa, rápida alteração dos parâme- tros fisiológicos e aumento de volume em um ou ambos os lados do escroto, com di- minuição da temperatura local9. O diagnós- tico pode ser confirmado pela palpação di- reta, palpação transretal e ultrassonografia do escroto. Por ser uma obstrução estran- gulante, o tratamento cirúrgico imediato é essencial, por meio de celiotomia2. A natureza da hérnia, direta ou indire- ta, é determinada com base na integridade da túnica vaginal parietal. Nos equinos em que as alças permanecem dentro da túnica vaginal parietal, a hérnia é classificada como indireta (figura 1), pois as alças per- manecem dentro da cavidade peritoneal. As hérnias diretas (figura 2) são aquelas em que o segmento intestinal estrangulado rompe a túnica vaginal parietal, localizan- do-se no subcutâneo. Embora a maioria das Figura 2: Hérnia inguinal direta. Rompimento da túnica vaginal parietal e localização do intestino delgado no espaço subcutâneo Figura 1: Hérnia inguinal indireta. Nota-se a preservação da túnica vaginal parietal e as alças intestinais em contato com o testículo FO N TE : A R Q U IV O P E S S O A L (2 01 4) FO N TE : A R Q U IV O P E S S O A L (2 01 4) Paginas 1 a 22.pmd 31/7/2014, 15:0613 14 • hérnias inguinais indiretas apresente re- solução com a redução manual através da manipulaçãoda alça herniada pelo reto, esse procedimento não é recomendado devido ao risco de se provocar lacerações retais, sendo indicada a resolução cirúrgi- ca em ambos os casos11. Caso seja constatada a presença de al- ças inviáveis (figura 3 e 4), uma enterec- tomia da porção estrangulada deve ser rea- lizada, necessitando geralmente praticar incisão abdominal além do acesso pelo es- croto. Várias técnicas cirúrgicas são reco- mendadas para o tratamento das hérnias in- guinais e consistem basicamente na herni- orrafia realizada após o acesso à cavidade da túnica vaginal e redução dos órgãos her- niados. Nesse caso realiza-se a remoção, ligadura e a ablação do cordão espermáti- co, túnica vaginal parietal e do músculo cre- máster, podendo ou não realizar o fecha- mento total do anel inguinal externo8. Relato de caso Foi atendido no hospital veterinário da Universidade Metodista de São Paulo, um equino, macho, 10 anos da raça Puro San- gue Lusitano, que cerca de duas horas após a realização de orquiectomia eletiva apre- sentou sintomas de síndrome cólica, onde foi possível observar dor intensa, sudore- se, estrangúria e secreção sero-sanguino- lenta na região de incisão da orquiectomia (figura 5). Ao exame clínico pode-se observar ta- quicardia considerável, com frequência cardíaca acima de 80 batimentos por mi- nuto, taquipneia, dor, mucosas congestas, TPC acima de quatro segundos e aumento de volume em região escrotal com presen- ça de secreção sero-sanguinolenta em quan- tidade considerável. À palpação escrotal pode-se notar presença de intestino delga- do na região escrotal, com reflexo doloro- so à palpação. Antes da cirurgia foi realizada fluido- terapia com a solução cristaloide Ringer com lactatoa para restabelecer a volemia e hidratação do animal, também foi adminis- trado flunixin meglumineb na dose de 1,1 mg/kg por seu efeito analgésico e anti-in- flamatório. Após a medicação pré-anestésica com cloridrato de detomidinac (0,02 mg/kg IV) utilizou-se cloridrato de cetaminad (2 mg/ kg IV) e midazolame (0,05 mg/kg IV) para indução anestésica, o animal foi colocado em decúbito dorsal e para manutenção anes- tésica utilizou-se isofluranof (3% de vapo- rização) e oxigênio em circuito semi-fecha- do. Durante o transcirúrgico o animal apre- sentou queda da pressão arterial média (que ficou em torno de 50 mmHg), para seu tra- tamento foi utilizada a efedrinag como dose efeito (uma ampola de 1 ml na dose de 50 mg/ml diluídos em 500 ml de Solução Fi- siológica 0,9%) que demonstrou-se efetiva permitindo o restabelecimento da pressão arterial que manteve-se ao redor de 80 mmHg durante o período restante do pro- cedimento. Foi realizada uma incisão na área do escroto para permitir a visualização e ma- nipulação do seguimento intestinal herni- ado, dessa forma realizou-se a tração do jejuno e enterectomia de aproximadamen- te 30 centímetros com enteroanastomose término-terminal. A ausência da túnica vaginal envolvendo o conteúdo herniário demonstrou que o caso tratava-se de uma hérnia direta. Após essa primeira enterectomia e en- teroanastomose realizou-se o acesso abdo- minal tradicional através da celiotomia, para tração e exposição das alças pela linha média ventral, dessa forma exploraram-se adequadamente as vísceras abdominais e Figura 4: Imagem mostrando a presença de alças intestinais hernia- das através do canal inguinal e realização de punção para drenagem do conteúdo gasoso buscando uma diminuição do seu volume para facilitar a redução. Figura 3: Imagem mostrando a inviabilidade parcial de alças intesti- nais FO N TE : A R Q U IV O P E S S O A L (2 01 3) Figura 5: Imagem mostrando presença de se- creção sero-sanguinolenta drenando a região da orquiectomia horas após a realização do procedimento a Ringer com lactato - Equiplex Ind. Farmacêutica b Flunixin Injetável - Chemitec c Dormium V - Agener União d Cetamin - Syntec e Midazolam - Hipolabor f Isoflurano - Biochimico g Unifedrini - União Química ................................................................................................................................................................................ FO N TE : A R Q U IV O P E S S O A L (2 01 3) FO N TE : A R Q U IV O P E S S O A L (2 01 3) Paginas 1 a 22.pmd 31/7/2014, 15:0614 • 15 verificou-se uma área de aproximadamen- te 1,5 metros de inviabilidade intestinal da porção do jejuno e assim foi realizada ou- tra enterectomia, seguida de enteroanasto- mose do tipo latero-lateral, totalizando uma retirada de 1,8 metros de jejuno. Um últi- mo acesso foi realizado no anel inguinal, seguido de herniorrafia completa com fio Poliglactina 910 tamanho 2 (dois) e sutura de pele com fio Nylon tamanho 0 (zero). Para finalização reposicionou-se as alças intestinais, executou-se lavagem da cavi- dade abdominal com Solução Fisiológica 0,9% seguida por aspiração e iniciou-se a sutura da camada muscular com fio Poli- glactina 910 tamanho 2 (dois), a aproxi- mação do tecido subcutâneo com fio Poli- glactina 910 tamanho 0-0 (dois zero) e su- tura de pele com fio Nylon tamanho 0 (zero). A duração da cirurgia foi de três horas e meia e para terapia pós-operatória reali- zou-se antibioticoterapia com Gentamici- nah na dose de 6,6 mg/kg a cada 24 horas e Penicilinai na dose de 20000 UI/kg a cada 12 horas por 10 dias, como terapia anti- inflamatória foi utilizado Flunixin Meglu- mineb na dose de 1,1 mg/kg por cinco dias, limpeza do foco cirúrgico com solução de iodo 2%, rifamicinaj e pomada a base de gentamicinak. Durante sete dias foi reali- zada a fluidoterapia de suporte com com- plexo vitamínico e ranitidinal na dose de 0,9 mg/kg duas vezes ao dia. O animal teve uma ótima recuperação pós-operatória e houve uma boa manuten- ção do quadro clínico, sem intercorrênci- as posteriores e após 14 dias retirou-se os pontos. Discussão Alguns fatores podem predispor parti- cularmente um cavalo à ocorrência de um encarceramento das alças intestinais atra- vés do anel inguinal após uma orquiecto- mia, dos quais se destacam a presença de vísceras muito próximas do anel inguinal ou uma pressão abdominal demasiado ele- vada após a cirurgia4. No caso relatado não se sabe o que predispôs ao encarceramen- to, pode ter ocorrido um aumento de pres- são abdominal no momento do animal se levantar, mas nada que possa ser certifica- do. O tratamento cirúrgico para hérnias in- guinais deve ser instituído quando houver sinais evidentes de cólica, encarceramento de alça intestinal, estrangúria, edema es- crotal, sinais esses que foram observados no presente caso. Os animais com hérnias irredutíveis que apresentem os sinais aci- ma descritos devem ser imediatamente ope- rados, sob o risco de complicações que os leve rapidamente ao óbito1. A indução anestésica pode ser variável, mas agentes que causem o mínimo de de- pressão cardiorrespiratória são recomenda- dos e a manutenção da anestesia com ga- ses anestésicos é o procedimento de esco- lha12. Teixeira e Schossler (1997) relatam que empregaram esta conduta para a indu- ção e manutenção anestésica e o animal apresentou depressão cardiorrespiratória durante a cirurgia, chegando a permanecer em apneia durante alguns minutos. Embo- ra no presente caso tenha-se usado fárma- cos com as características citadas acima e a manutenção com gases anestésicos, o animal não apresentou depressão cardior- respiratória e nem sequer apneia. Durante a cirurgia, mesmo realizando todos os procedimentos clínicos, anestési- cos e cirúrgicos recomendados para os ca- sos de encarceramento de alça intestinal em anel inguinal, o animal apresentou hipo- tensão, situação considerada comum em equinos durante cirurgias deste tipo, devi- do aos efeitos de endotoxinas e do seques- tro de líquidos no intestino5. Para essas si- tuações recomenda-se o uso de catecolami- nas sintéticas que proporcionam melhora no rendimento cardiocirculatório, o trata- mento realizado com Efedrina em nosso caso mostrou-se efetivo e manteve a pres- são arterialdo animal dentro dos valores esperados. A miosite pós-anestésica é uma com- plicação que compromete significativamen- te o prognóstico do animal. Estudos têm demonstrado que a hipotensão durante a anestesia é um fator determinante para o desencadeamento desse processo7. Uma for- ma de se prevenir a miosite pós-anestésica e que foi realizado no nosso caso foi a ma- nutenção da pressão arterial média acima de 70 mmHg, bem como o posicionamento e o acolchoamento das partes do corpo do animal expostas à compressão evitando assim a ocorrência dessa síndrome. Devido à dificuldade em reposicionar e delimitar a inviabilidade das alças intesti- nais através da incisão escrotal foi neces- sária outra incisão na região abdominal para a melhor avaliação das alças intesti- nais e reposicionamento, conduta também sugerida por Thomassian, 1997. A laparoscopia pode substituir a celio- tomia no exame das alças intestinais, evi- tando complicações cirúrgicas como ade- rências e infecções iatrogênicas. Se a alça intestinal não for viável a ressecção e anas- tomose será feita pelo acesso inguinal ou abdominal6. Neste caso não foi realizada a laparoscopia para a análise da viabilidade das alças intestinais e a celiotomia foi a téc- nica escolhida para a resolução da afecção. A morte irreversível de um segmento intestinal ocorre após duas horas de isque- mia no intestino delgado e após três horas no cólon maior, mas isto pode variar de acordo com a quantidade de fluxo sanguí- neo residual para o tecido afetado. Para o cirurgião, a oclusão venosa causa o tipo mais difícil de lesão, porque o espessamento ou a quantidade de hemorragia não podem ser correlacionados com a viabilidade10. A biópsia seria o método mais confiá- vel para decidir sobre a viabilidade tecidu- al, entretanto o processamento e a análise do material coletado demandam tempo, tor- nando inviável sua utilização em situações cirúrgicas como a do caso relatado. A ci- rurgia foi realizada após quatro horas do encarceramento do intestino delgado, fato esse que explica a enterectomia de 1,8 me- tros pela morte irreversível desse segmen- to intestinal, que apresentava alterações sig- nificativas quanto à coloração, motilidade e teste de beliscamento. Conclusão Os processos estrangulativos intestinais em equinos apresentam o caráter emergen- cial como característica comum, quanto mais rápido é realizado o diagnóstico e o encaminhamento do animal para o proce- dimento cirúrgico maiores as chances de sucesso visto que o processo de isquemia intestinal causa alterações rápidas e seve- ras tanto na porção intestinal afetada quanto no equilíbrio hemodinâmico do paciente. No caso relatado podemos apontar a ra- pidez no diagnóstico como um fator deter- minante para seu sucesso. O fato do ani- mal já estar internado no momento em que iniciaram os sintomas permitiu que os mes- mos fossem rapidamente constatados e a decisão pela intervenção cirúrgica foi pron- tamente tomada. Dessa forma, minimizou- se os efeitos deletérios da isquemia e as al- terações hemodinâmicas puderam ser con- troladas permitindo tanto a realização da correção cirúrgica quanto uma recuperação anestésica favorável, fatores que foram de- terminantes para o sucesso da recuperação pós-operatória. i Agrosil - Vansil j Rifamicina - EMS k Vetaglos - Vetnil l Cloridrato de Ranitidina - Hypofarma Paginas 1 a 22.pmd 31/7/2014, 15:0615 16 • Referências 1 - ADAMS, R. The genital sistem. In: KO- TERBA, A. Equine clinical neonatology, Philadelphia: Lea & Febiger, 1990, p.490- 495. 2 - BLIKSLAGER, A.T. Strangulating Obs- truction of the Small Intestine. In: ROBIN- SON, N.E, Current therapy in Equine Medicine, 5.ed., St. Louís: Saunders, 2003, cap.3.7, p.104-108. 3 - FREEMAN, D.E. 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Paginas 1 a 22.pmd 31/7/2014, 15:0616 • 17 Paginas 1 a 22.pmd 31/7/2014, 15:0617 18 • Avaliação “Leukocyte evaluation and cortisol dosage in Quarter Horses used in proofs of three barrels: interference of training in animal health” “Evaluación de leucocitos y dosificacion de cortisol en caballos Cuarto de Milla empleados en pruebas de tres barriles: interferencia de formación en salud animal” Natalia Serra Bueno* (naty_serra@hotmail.com) Graduanda da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) Patrícia Moura da Cunha Souza (patricia.cunhasouza@gmail.com) M.V. contratado do Hospital Veterinário Metodista de São Paulo Raphael Roseti Lavado (raphaelroseti@yahoo.com.br) M.V. contratado do Hospital Veterinário Metodista de São Paulo Thiago de Azevedo Noronha (noronhavet@hotmail.com) Prof. adjunto das Fac. de Medicina Veterinária das Univ. Metodista de São Paulo (UMESP) e Univ. Paulista (UNIP) * Autora para correspondência RESUMO: Cavalos que realizam atividades esportivas, frequentemente sofrem um alto nível de estresse duran- te competições e treinamentos intensivos, podendo acarretar diversos tipos de problemas, atingindo assim seu sistema imunológico. Neste projeto foi realizado o estudo da avaliação leucocitária e dosagem de cortisol, com o intuito de avaliar a interferência do treinamento na saúde animal e bem-estar de cavalos atletas praticantes do esporte equestre Três Tambores. Foram analisadas amostras sanguíneas de 8 equinos da raça Quarto de Milha em treinamento intenso sendo 4 machos e 4 fêmeas, todos em perfeito estado de saúde. As coletas foram realizadas em três momentos, uma antes do treino com o animal em repouso, outra logo após o treino animal em pista, e uma terceira 24 horas após o treino, com animal dentro da baia, todas sendo realizadas no período diurno e analisadas no laboratório em seguida. O presente estudo obteve em alguns animais, aumento discreto de leucócitos totais, basófilos e cortisol plasmático porém, não significativo estatisticamente. Assim com base no presente estudo pode ser observado que cada vez mais os animais estão sendotreinados e tratados ade- quadamente, assim apresentando menos alterações em relação a seu estado imunológico e se adaptando ao estresse que são submetidos, livres de qualquer intolerância ao exercício físico. Unitermos: Avaliação leucocitária, dosagem de cortisol, Quarto de Milha, sistema imunológico ABSTRACT: Horses that perform sports activities, often suffer high levels of stress during intensive training and competitions, which may cause various problems, thus affecting your immune system. In this project, the study of leukocyte evaluation and cortisol, in order to evaluate the effect of training on animal health and welfare practitioners horses equestrian sport athletes that perform barrel racing. Blood samples of 8 horses of Quarter Horse were analyzed in intense training with 4 males and 4 females, all in perfect health. The sampling was conducted in three steps, the first one was done before training with the animal at rest, the second one was just after the training on the field and the third one was done 24 hours after training with the animals inside the stables, all being made during daytime and analyzed in the laboratory afterwards. The result of this study showed a slight increase in leukocytes, basophils and plasma cortisol but not statistically significant. So, based on this study, the results showed that the animals are being well treated and having the appropriate training, presenting less change in their immune status and adapting to the stress they undergone and free of intolerance to exercise. Keywords: Evaluation leukocyte, cortisol, Quarter Horses, immune system RESUMEN: Los caballos realizan actividades deportivas, a menudo sufren altos niveles de estrés durante el entrenamiento y las competiciones de obra, lo que puede causar varios problemas, llegando así a su sistema inmunológico. En este proyecto, el estudio de evaluación de leucocitos y el cortisol, con el fin de evaluar el efecto de la formación del médico de familia y el bienestar de los animales caballos atletas de deportes ecues- tres se realizó tres barriles. Se analizaron muestras de sangre de 8 caballos de Cuarto de Milla en el entrenami- ento intenso, con 4 hombres y 4 mujeres, todos en perfecto estado de salud. El muestreo se llevó a cabo en tres fases, una antes de entrenar con el animal en reposo, el animal era otro entrenamiento de pista, y la tercera 24 horas después de la formación, con el animal en el interior de la bahía, todo se hizo durante el día y se analiza en el laboratorio después. Este estudio fue en algunos animales, un ligero aumento en el total pero no estadística- mente significativas leucocitos, basófilos y cortisol en plasma. Así que en base a este estudio se puede ver que cada vez más animales están siendo entrenados y tratados adecuadamente, presentando así un menor cambio en relación con su estado inmunológico y la adaptación al estrés que sufren, libre de la intolerancia al ejercicio. Palabras clave: Evaluación de leucocitos, cortisol, caballos Cuarto de Milla, el sistema inmunológico e dosagem de cortisol de cavalos Quarto de Milha - utilizados em provas de Três Tambores: interferência do treinamento na saúde animal Figura 1: Coleta com o animal em repouso antes do treino ................................................ FO N TE : A R Q U IV O P E S S O A L (2 01 4) Paginas 1 a 22.pmd 31/7/2014, 15:0618 • 19 Figura 2: Coleta logo após o exercício físico ................................................................................... FO N TE : A R Q U IV O P E S S O A L (2 01 4) Introdução O esporte equestre está em ascensão, contendo atualmente diversas modalidades, alguns de importância apenas regionais e outros internacionais, entre eles estão os três tambores. Por ser uma das modalida- des mais praticadas na atualidade, vem au- mentando o número de animais e os pro- blemas envolvidos com a prática deste es- porte, sendo realizado pelo equino consi- derado o mais versátil do mundo, o Quarto de Milha. A raça Quarto de Milha é conhecida pelo seu temperamento dócil e grande ap- tidão esportiva, devido suas características morfológicas, principalmente a de possuir exuberante musculatura, o que o torna um cavalo capaz de atingir grandes velocida- des em curtas distâncias, tendo tudo que é necessário para realizar com grande suces- so as provas de hoje, a qual exige uma sin- cronia entre o cavaleiro e o animal. O esporte três tambores exige princi- palmente uma atividade anaeróbica de curta duração e alta intensidade, onde são extre- mamente exigidos, regulamentada por ri- gorosas normas, a fim de preservar a inte- gridade física do animal, onde um Juiz res- ponsável inspeciona o animal ao término do percurso. A profissionalização do esporte, aliada ao aumento do numero de eventos e com- petidores, tem acarretado uma maior exi- gência física dos cavalos que são submeti- dos a provas extenuantes durante dias, onde alguns animais chegam a disputar várias categorias em uma mesma competição. Esses equinos frequentemente sofrem um alto nível de estresse durante competi- ções, por terem contato direto com outros animais, condições de clima, a pista onde competem, sons os quais não estão acostu- mados e treinamentos intensivo, visando um melhor condicionamento físico, assim tendo uma grande variedade de parâmetros fisiológicos alterados durante treinamentos e competições, como traumas em diversos sistemas, podendo atingir até mesmo seu sistema imunológico, agravando alguns casos. O objetivo deste estudo foi avaliar a in- terferência do treinamento na saúde e bem- estar de cavalos atletas (Figura 1) que rea- lizam o esporte equestre de Três Tambores (Figura 2). Foram analisados 8 equinos, com ida- de entre 4 a 6 anos em treinamento inten- so, sendo 4 fêmeas e 4 machos, todos da raça Quarto de Milha. A partir destas amos- tras, foi realizada uma avaliação leucocitá- ria quantitativa e dosagem de cortisol san- guíneo para tentar estimar o estresse em que estes são submetidos. Revisão de literatura Uma grande variedade de parâmetros fisiológicos como índice de recuperação car- díaca, grau de desidratação e hipertermia é alterada durante treinamentos e competi- ções19. A utilização de exames para a avalia- ção do desempenho atlético, juntamente com as respostas fisiológicas obtidas pela ação do exercício e do treinamento, pode ser uma valiosa ferramenta para maximi- zação dos resultados obtidos nas competi- ções. Além disso, os exames são importan- tes para detectar patologias (doenças, afec- ções, enfermidades) cardíacas, respiratóri- as e músculo-esqueléticas, entre outras, que são fatores limitantes à realização de exer- cícios2. As alterações leucocitárias que ocorrem durante provas de longa duração diferem daquela observada sob condições de exer- cício de máxima intensidade, como nas pro- vas dos Três Tambores23. Assim, Snow e Rose (1981)25 associa- ram as provas de enduro com leucocitose devida à neutrofilia, sendo esta última, pos- sivelmente, decorrente do estresse associa- do com o incremento dos níveis plasmáti- cos de cortisol, além de existir provável cor- relação com as concentrações de noradre- nalina, com a velocidade do fluxo sanguí- neo e com a frequência cardíaca22. Segundo Dukes (1996)5, o sangue é a via pela qual são supridos oxigênio e subs- tratos para a musculatura e pela qual são removidos produtos catabólicos, incluindo calor. Quando um animal faz exercício, as alterações observadas no sangue circulan- te são notavelmente rápidas. A mais im- pressionante é um aumento pronunciado no volume unitário de eritrócitos, leucócitos e plaquetas. O conhecimento da produção, distribui- ção e fisiopatologia leucocitária são essen- ciais para a interpretação do significado do leucograma12. A avaliação leucocitária fornece dados laboratoriais extremamente úteis, elas são células de defesa do organismo. Os leucó- citos incluem neutrófilos, linfócitos, mo- nócitos, eosinófilos e basófilos11. Os leucócitos, estão divididos em duas categoriasprincipais que são polimorfonu- cleados e mononucleares, os polimorfonu- cleados abrangem neutrófilos, eosinófilos e basófilos, que são produzidos na medula óssea. Os mononucleares são constituídos por linfócitos e monócitos, os linfócitos são produzidos na medula óssea, nos órgãos linfoides e tecidos linfoides associados ao sistema digestivo (placas de Peyer, tonsi- las), os monócitos, a maior das células do sangue, originam-se da medula óssea24. A resposta dos leucócitos é classicamen- te caracterizada pela neutrofilia, linfopenia, monocitose e eosinopenia18. Um parâmetro fisiológico que pode au- xiliar na avaliação do estado geral do ca- valo é a concentração de cortisol plasmáti- co7,9,13,17, uma vez que o cortisol, ou hidro- cortisona, é o principal glicocorticoide do córtex supra renal em equinos6,16. A elevação dos níveis de cortisol no san- gue é um bom indicador que formatado pode ser usado para avaliar se um equino sofre de estresse1. Desmecht et al. (1996)4 afirmaram que aumento de cortisol estava diretamente relacionado com a intensida- de e a duração do esforço físico. O exercí- cio físico aumentou significativamente os níveis séricos de cortisol em cavalos sub- metidos às provas de enduro equestre19,25. O cortisol é um hormônio secretado pelas glândulas adrenais na região do cór- tex adrenal. Os hormônios do córtex da adrenal são esteroides, formados a partir do colesterol, denominados de glicocorti- coides21. O cortisol é o principal e mais potente glicocorticoide envolvido na regulação do metabolismo de carboidratos, proteínas e gorduras. Possui um padrão rítmico de li- beração, com níveis elevados pela manhã, decrescendo até o final do dia15, com isso o cortisol frequentemente é utilizado em ex- perimentos para avaliar o estresse geral imposto a um animal por qualquer tipo de estímulo físico ou emocional8. A resposta do organismo ao estresse é imediata, elevando as concentrações de cor- tisol rapidamente, atingindo níveis elevados Paginas 1 a 22.pmd 31/7/2014, 15:0619 20 • Figura 3: Coleta 24 horas depois com animal dentro da baia ............................................................................... FO N TE : A R Q U IV O P E S S O A L (2 01 4) dentro de poucos minutos3. Todos os ani- mais respondem a estímulos como mani- pulação física e traumas, com diferentes componentes de ordem neural, humoral ou metabólica. As alterações impostas por es- ses estímulos são genericamente chamadas de respostas ao estresse27 . O cortisol, por um lado, aumenta a re- sistência do organismo ao estresse, porém quando em doses elevadas, exerce ações anti-inflamatórias e supressoras da imuni- dade mediada por células, ou seja, age no sentido de inibir respostas necessárias para o combate a diversos tipos de lesões celu- lares e infecções11 . Exposições repetitivas a fatores estressantes frequentemente resul- tam em adaptação ou habituação. Essa res- posta é crucial para o bem-estar do orga- nismo, pois permite que o mesmo lide me- lhor com o estresse. A rapidez com que a adaptação ocorre depende da severidade, duração e tipo de estresse26. Materiais e Métodos Para a elaboração do presente experi- mento foram utilizadas amostras de san- gue de 8 equinos da raça Quarto de Milha, submetidos ao treinamento de Três Tam- bores de intensidade moderada a severa, residentes na região de Suzano - SP, no Haras Jardim. Os equinos avaliados possuíam idade entre 3 a 5 anos, entre eles 4 machos e 4 fêmeas, residentes do mesmo centro de trei- namento, alimentados de forma similar, com ração laminada e volumoso, vacina- dos, vermifugados, livres de ectoparasitas e hemoparasitoses, sem nenhuma outra afecção aparente em qualquer sistema do organismo. O treinamento dos animais foi realiza- do na parte da manhã trabalhando durante 50 minutos, em pista de areia, seguindo a sequência de passo, trote, galope para seu aquecimento e exercícios específicos da modalidade, como flexão de cervical, mo- vimentos rotatórios, esbarros, entre outros. As exigências físicas severas como simu- lação de prova duravam em torno de 20 minutos. As amostras sanguíneas foram por ve- nopunção jugular externa, utilizando o sis- tema de coleta a BD Vacutainer1 em tubos com EDTA e tubo seco, para avaliação leu- cocitária e dosagem de cortisol. As veno- punções foram precedidas pela devida an- tissepsia da região a ser introduzida a agu- lha com álcool iodado e algodão. Foi analisada 24 amostras de sangue de 8 equinos coletadas em três tempos dife- rentes, todos no período da manhã; (T 1): com o animal em repouso antes do treino (Figura 1), (T 2): logo após o exercício (Fi- gura 2), (T 3): 24 horas depois com ani- mal dentro da baia (Figura 3), sendo que em todas essas coletas foram realizados os respectivos esfregaço sanguíneo para con- tagem diferencial de leucócitos. Estas amostras foram encaminhadas para o Laboratório de Análises Clínicas do Hospital Veterinário da Universidade Me- todista de São Paulo, sob refrigeração, para devida análise da avaliação leucocitária no mesmo dia da coleta no período da tarde. Já para a dosagem de cortisol, a amos- tra sanguínea do tubo seco foi centrifuga- do por 5 minutos à 3.000 rpm com o intui- to de separar o soro para armazenar em tubo seco, sendo congelado para posterior análise em Laboratório externo TECSA pelo método de eletroquimioluminescência. A contagem diferencial foi feita atra- vés de um esfregaço sanguíneo, corado com coloração de panótico rápido e observado em microscópio (Nikon) com objetiva de imersão a óleo (100x). A leitura foi reali- zada mais próxima a cauda, sempre seguin- do um padrão. Foi utilizado um contador diferencial (Kacil) para diferenciação até somar 100 células. No final da contagem foi estabelecida a fórmula leucocitária para determinar os números absolutos de cada tipo celular. A determinação da contagem de leucó- citos foi realizada no contador automático de células (BE - 1001). Para a realização do cortisol o sangue foi centrifugado na centrífuga de rotor móvel (Quimis, separado e congelado para posterior avaliação no soro, através do mé- todo de eletroquimioluminescência. Tabela 1: Valores para a contagem total de leucócitos totais, antes, depois e 24 horas após o exercício de equinos da raça Quarto de Milha submetidos ao treinamento para prova dos Três Tambores (x102 / mm3) Equino Antes do exercício Depois do exercício 24 horas após o exercício 1 8,1 8,9 8,3 2 8,6 8,5 8,0 3 10,8 12,6 10,0 4 9,2 9,8 9,0 5 9,0 9,1 9,3 6 9,5 8,9 8,7 7 12,5 10,1 8,8 8 9,1 15,0 10,2 Tabela 2: Valores absolutos e relativos para a contagem total de neutrófilos segmentados, antes, depois e 24 horas após o exercício de equinos da raça Quarto de Milha submetidos ao treinamento para prova dos Três Tambores (mm3, %) Equino Antes do exercício Depois do exercício 24 horas após o exercício Absoluto Relativo Absoluto Relativo Absoluto Relativo 1 4374 54 3026 34 4150 50 2 2752 32 3145 37 3040 38 3 5076 47 7182 57 6900 69 4 5520 60 5488 56 5490 61 5 3780 42 5187 57 5022 54 6 4275 45 3204 36 3132 36 7 6125 49 5555 55 5280 60 8 5460 60 8400 56 5712 56 Paginas 1 a 22.pmd 31/7/2014, 15:0620 • 21 Paginas 1 a 22.pmd 31/7/2014, 15:0621 22 • Os resultados obtidos não evidenciaram grandes alterações em cavalos da raça Quar- to de Milha que realizam Três Tambores, alguns animais apresentaram valores dis- cretamente aumentados para contagens de leucócitos totais, basófilos, todos esses pa- râmetros logo após o exercício. O cortisol foi a única análise que obteve alteração se- gundo a análise estatística, sendo que os valores após o exercício mostraram aumen- to estatisticamente significante, mas mes- mo assim continuam dentro do considera- do normal para a espécie. Os animais du- rante a pesquisa não apresentaram nenhum sinal clínico alterado. Discussão A utilização de exames para a avalia- ção do desempenho atlético, juntamente com as respostas fisiológicas obtidaspela ação do exercício e do treinamento, pode ser uma valiosa ferramenta para maximi- zação dos resultados obtidos nas competi- ções2,19,23. A realização desse estudo foi feita no intuito de identificar a presença do estres- se em cavalos da raça Quarto de Milha, sub- metidos a treinamento de alta intensidade para a modalidade de Três Tambores como realizado pelos autores Alexander, Irvine (1998)1; Desmecht et al. (1996)4. Poucos animais apresentaram valores discretamente aumentados para as conta- gens de leucócitos totais, sendo três ani- mais no total. Os aumentos encontrados foram sutis e devem ser devido à discreta hemoconcentração que ocorre com fre- quência em cavalos atletas. Estes resulta- dos foram os mesmos relatados por Rose, Hodgson (1982)23; Snow, Rose (1981)25. No entanto alguns autores relatam que os ani- mais envolvidos em uma situação de es- tresse apresentam uma pseudo-neutrofilia, eosinopenia, neutrofilia, linfopenia e mo- nocitose sendo eles Kerr (2003)11; Meyer et al. (1995)18. Um dos animais que apresentou discre- to aumento de basófilos logo após o exercí- cio, ficando um pouco acima dos valores de referência para a espécie em questão, no entanto este aumento é inconclusivo por ser um aumento sutil em que o animal não apresentou nenhum sinal clínico alterado. O cortisol foi a única análise que obteve alteração segundo a análise estatística, sen- do que os valores após o exercício mostra- ram aumento estatisticamente significan- te. No entanto os resultados continuaram dentro do considerado normal para a espé- cie estudada, portanto não podemos concluir Tabela 6: Valores absolutos e relativos para a contagem total de basófilo, antes, depois e 24 horas após o exercício de equinos da raça Quarto de Milha submetidos ao treinamento para prova dos Três Tambores (mm3, %) Equino Antes do exercício Depois do exercício 24 horas após o exercício Absoluto Relativo Absoluto Relativo Absoluto Relativo 1 – – – – 83 1 2 – – – – 80 1 3 216 2 – – 100 1 4 92 1 294 3 – – 5 – – 91 1 186 2 6 95 1 445 5 87 1 7 – – 101 1 176 2 8 91 1 150 1 204 2 Tabela 5: Valores absolutos e relativos para a contagem total de eosinófilo, antes, depois e 24 horas após o exercício de equinos da raça Quarto de Milha submetidos ao treinamento para prova dos Três Tambores (mm3, %) Equino Antes do exercício Depois do exercício 24 horas após o exercício Absoluto Relativo Absoluto Relativo Absoluto Relativo 1 – – 267 3 83 1 2 258 3 425 5 – – 3 756 7 630 5 200 2 4 92 1 98 1 – – 5 810 9 182 2 93 1 6 570 6 356 4 435 5 7 250 2 303 3 – – 8 91 1 300 2 102 1 Tabela 4: Valores absolutos e relativos para a contagem total de monócito antes, depois e 24 horas após o exercício de equinos da raça Quarto de Milha submetidos ao treinamento para prova dos Três Tambores (mm3, %) Equino Antes do exercício Depois do exercício 24 horas após o exercício Absoluto Relativo Absoluto Relativo Absoluto Relativo 1 162 2 89 1 83 1 2 430 5 170 2 240 3 3 216 2 378 3 100 1 4 92 1 98 1 90 1 5 270 3 182 2 186 2 6 190 2 534 6 174 2 7 375 3 505 5 352 4 8 182 2 600 4 612 6 Tabela 3: Valores absolutos e relativos para a contagem total de linfócito, antes, depois e 24 horas após o exercício de equinos da raça Quarto de Milha submetidos ao treinamento para prova dos Três Tambores (mm3, %) Equino Antes do exercício Depois do exercício 24 horas após o exercício Absoluto Relativo Absoluto Relativo Absoluto Relativo 1 3564 44 5518 62 3901 47 2 5160 60 4675 55 4640 58 3 4536 42 4410 35 2700 27 4 3404 37 3822 39 3420 38 5 4140 46 3458 38 3813 41 6 4370 46 4361 49 4785 55 7 5625 45 3636 36 2992 34 8 5460 36 5550 37 3570 35 Paginas 1 a 22.pmd 31/7/2014, 15:0622 • 23 Paginas 23 a 44.pmd 31/7/2014, 15:3723 24 • Tabela 7: Valores absolutos e relativos para a contagem total de bastonete, antes, depois e 24 horas após o exercício de equinos da raça Quarto de Milha submetidos ao treinamento para prova dos Três Tambores (mm3, %) Equino Antes do exercício Depois do exercício 24 horas após o exercício Absoluto Relativo Absoluto Relativo Absoluto Relativo 1 – – – – – – 2 – – – – – – 3 – – – – – – 4 – – – – – – 5 – – – – – – 6 – – – – 87 1 7 125 1 – – – – 8 – – – – – – Tabela 8: Valores para a dosagem total de cortisol, antes, depois e 24 horas após o exercí- cio de equinos da raça Quarto de Milha submetidos ao treinamento para prova dos Três Tambores (mcg/dl) Equino Antes do exercício Depois do exercício 24 horas após o exercício 1 4,61 8,20 4,62 2 4,10 9,55 3,21 3 3,82 5,64 3,81 4 3,58 6,71 2,03 5 3,64 6,49 2.22 6 3,55 7,42 2,97 7 6,78 6,06 4,77 8 6,48 4,30 3,13 Tabela 9: Médias e desvios padrões para as análises de leucograma e cortisol de equinos em treinamento, antes, depois e 24 horas após o exercício da raça Quarto de Milha subme- tidos ao treinamento para prova dos Três Tambores Análise N Antes do exercício Após o exercício 24 horas do exercício Média DP Média DP Média DP Leucócitos 8 9.600,0 a 1,400,0 10.362,5 a 2.200,0 9.037,5 a 700,0 Eosinófilos 8 4.142,8 a 3.100,0 3.125,0 a 1.450,0 2.000,0a 1.700,0 Segmentados 8 48.625,0 a 9.440,0 48.500,0 a 10.677,0 53.000,0 a 11.351,0 Bastonetes 8 1.000,0 a 0,0 0,0 a 0,0 1.000,0 a 0,0 Linfócitos 8 44.500,0 a 7.367,0 43.875 a 10.176,0 41.875 a 10.722 Monócitos 8 2.500,0 a 1.195,2 3.000,0 a 1.851,6 2.500,0 a 1.772,0 Basófilos 8 1.250,0 a 500,0 2.200,0 a 1.788,8 1.428,5 a 534,5 Cortisol 8 4.570,0 b 1.320,0 6.796,2 a 1.610,0 3.345,0 b 1.005,0 Letras diferentes significam que houve diferenças estatisticamente significantes (P<0,05) que as alterações do cortisol encontradas neste estudo identificaram o estresse nes- ses animais conforme relatado por Cunnin- gham (1999)3; Desmecht et al. (1996)4; Frandson, Wilke, Fails (2005)8; Miyashiro et al. (2012)19 ; Rose et al. (1983)22; Snow, Rose (1981)25. De acordo com a literatura nacional e internacional consultada, a maioria dos re- sultados encontrados no presente estudo fo- ram concordantes; a maioria dos cavalos aqui analisados mostraram resultados con- siderados normais segundo a literatura es- pecializada no assunto. Os animais estudados não apresentaram nenhuma doença relacionada ao estresse durante ou logo após este estudo. Conclusão Através do presente estudo foi possível observar que de acordo com os resultados pode-se demonstrar que os equinos treina- dos regularmente, com manejo nutricional e assessoria veterinária frequente estão cada vez mais se adaptando a situações de es- tresse, o que é comum em animais adultos, podendo ser observado até mesmo em ani- mais jovens como relatado no presente es- tudo. Referências 1 - ALEXANDER, S.; IRVINE, C.H.G. Stress in the racing horse: coping vs not coping. 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Tabela 10: Valores de referencia para leucócitos totais, neutrófilos segmentados, linfócito, monócito, eosinófilo, basófilo e bastonete ( x102 mm3). Parâmetro Valores Absoluto Relativo LeucócitosTotais 1,927 - 9,673 6 - 10 Neutrófilos Segmentandos 1,053 - 5,121 22 - 72 Linfócito 972 - 3,855 17 - 68 Monócito 162 - 386 0 - 7 Eosinófilo 197 - 408 0 - 10 Basófilo 44 - 89 0 - 4 Bastonete Raros Raros FO N TE : M O D IF IC A D O D E J A IN , C .N . (1 99 3 - P .2 1) Tabela 11: Valores de referência para cortisol plasmático (mcg/dl) Parâmetro Valores Cortisol 3,0 - 10,0* * Valores de referência utilizado no Laboratório TECSA, localizado em Belo Horizonte, MG / Brasil Paginas 23 a 44.pmd 31/7/2014, 15:3724 • 25 6 - FARREL, P.A.; GARTHWAITE, T.L.; GUSTAFSON, A.B. Plasma adrenocorti- cotropin and cortisol responses to submaximal and exhaustive exercise. 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Paginas 23 a 44.pmd 31/7/2014, 15:3725 26 • Estudo retrospectivo das RESUMO: Os traumas reto-vestibulares são des- critos com maior frequência em éguas, sendo as lacerações perineais de terceiro grau os mais graves, relacionadas com distocia, esforços vio- lentos de expulsão do feto durante o parto e nas- cimento de potros grandes. São também as le- sões com maior possibilidade de consequênci- as para a vida e desempenho reprodutiva da égua. O objetivo do presente trabalho é realizar um estudo retrospectivo dos casos de laceração perineal de terceiro grau atendidos no Hospital Veterinário da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – Botucatu no período de 1995 a 2011 visando identificar possíveis fatores de risco para a ocorrência da lesão. Unitermos: Lacerações perineais; terceiro grau; éguas ABSTRACT: The rectovestibular lacerations are reported with larger frequency in mares, being the third-degree perineal lacerations the most severes, related to dystocia, violent efforts of expulsion of the fetus during the parturition and delivery of a large foal. They are also the lesions with greater possibilities of consequences to the life and reproductive performance of the mare. The purpose of the present article is to carry out a retrospective study of the cases of third-degree perineal lacerations treated at the veterinary hospital of the Paulista State University (Unesp), Botucatu in the period from 1995 to 2011, aiming to identify possible risk factors for the occurrence of the injury. Keywords: Perineal lacerations; third-degree; mare RESUMEN: Los traumas recto-vestibulares se describen con mayor frecuencia en yeguas, que es el tercer grado de desgarro perineal los más graves, relacionados con distocia, expulsión vio- lenta del feto durante el trabajo de parto y el na- cimiento de los potros. También están las lesio- nes con mayor posibilidad de consecuencias para la vida y el desempeño reproductivo del caballo. El objetivo de este trabajo es llevar a cabo un estudio retrospectivo de los casos de lacera- ción perineal de tercer grado se reunieron en el Hospital Veterinario de la Universidad Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho - Botucatu en el período comprendido entre 1995 y 2011, para identificar los posibles factores de riesgo para la ocurrencia de la lesión. Unitermos: Desgarro perineal; tercer grado; ye- guas Gabriel Bento Ferreira* (gabento90@yahoo.com.br) Graduando de Medicina Veterinária pela Univ. Est. Paulista Júlio de Mesquita Filho, Bolsista de Iniciação Científica Pibic/Reitoria Nereu Carlos Prestes Prof. Adjunto da Univ. Est. Paulista Júlio de Mesquita Filho * Autor para correspondência ................................................................................................. de terceiro grau em éguas (1995 - 2011) ....................................................... “Retrospective study of third-degree perineal laceration (1995 - 2011)” “Estudio retrospectivo de las laceración perineal de tercer grado (1995 - 2011)” Introdução Os traumas reto-vestibulares ocorrem em diversas espécies, mas são descritos com maior frequência em éguas1. São mais comuns em primíparas, mas podem ocorrer em qualquer idade, incidindo normalmente na segunda fase do parto (expulsão do feto) devido à distocia fe- tal, feto exageradamente grande, esfor- ços violentos de expulsão do potro du- rante o parto ou assistência forçada ou incorreta2,3,4,5. Dentre os traumas reto-vestibulares (que envolvem as fístulas reto-vestibula- res, rupturas vaginais, lacerações cervi- cais) as lacerações perineais de terceiro grau (que apresentam ruptura do corpoperineal, esfíncter anal, assoalho do reto e teto do vestíbulo da vagina) são as mais graves, podendo acarretar desde pneumo- vagina até a morte do animal ou sua in- capacidade reprodutiva6,7. As lacerações perineais ocorrem mais frequentemente ao longo da porção su- perior e dos lados da parede vaginal pos- terior e da abertura vulvar e são classifi- cadas de acordo com sua extensão, pro- fundidade e destruição tecidual em pri- meiro, segundo e terceiro grau. Lacerações de primeiro grau são su- perficiais e envolvem a mucosa vaginal e/ou vulvar. As de segundo grau impli- cam lesão da mucosa e submucosa vesti- bular, continuando-se com os músculos do corpo perineal incluindo o músculo constritor da vulva, bem como a mucosa e a pele do órgão. Já as de terceiro grau envolvem ruptura do corpo perineal, es- fíncter anal, assoalho do reto e teto do vestíbulo vaginal. Heinze8 (1966) ainda divide as de terceiro grau em tipo A (que se prestam para uma reconstituição ci- rúrgica e têm bom prognóstico para a reprodução) e tipo B (animais que defe- cam normalmente, mas devido ao peque- no tamanho do canal do parto, são incor- rigíveis para a procriação)2,3,9. Na égua, geralmente a lesão inicial é uma perfuração do teto vaginal pelo membro anterior do feto, ocorrendo per- furação do reto. Se o membro for retraí- do, permanece uma fístula, se não, pode ser forçado pelo orifício anal aumentan- do a lesão e originando a laceração de terceiro grau. Quando a ruptura do perí- neo é completa os sinais clínicos são bas- tante evidentes: hemorragia, presença de fezes na vulva e vagina, incluindo o fun- do vaginal, e em lesões mais antigas ocor- rem infecções com edema e supuração acompanhada de necrose tecidual. A identificação precoce pode permitir o posicionamento correto dos membros, possibilitando um parto normal10,11. Lacerações de terceiro grau ocorrem mais comumente em éguas primíparas ou de temperamento nervoso, éguas que so- freram cirurgia perineal anteriormente ou devido a partos extenuantes e rápidos. Seus efeitos clínicos são a contínua aspi- ração de ar para a vagina e a contamina- ção do lúmen vaginal por material fecal. A pneumovagina, por sua vez, pode le- var ao acúmulo de urina caudalmente ao orifício uretral (urovagina), resultando em uma grande contaminação bacteria- na e infecção do trato genital, podendo acarretar infertilidade10. A correção é possível, mas deve ser realizada apenas se executada poucas horas após a lesão e se mostrar efetiva após a avaliação clínica. Caso não seja feita, ela só deve ocorrer de 4 a 6 sema- nas após a lesão, pois os tecidos se en- contram edematosos, necrosados e con- taminados10. A técnica mais indicada para corre- ção é a plástica reconstrutiva do reto e vagina com posterior vulvoplastia. An- tes da cirurgia a égua deve ser mantida sobre uma dieta especial que deve ser Paginas 23 a 44.pmd 31/7/2014, 15:3726 • 27 Paginas 23 a 44.pmd 31/7/2014, 15:3727 28 • Gráfico 1: Casuística das éguas de raça Quarto de Milha dos grupos caso e controle Tabela 1: Número, Média, Mediana, e valores Máximos e Mínimos referentes às idades dos grupos com e sem Laceração Perineal Laceração Perineal N Média Mediana Mínimo Máximo Ausente 54 10,66 11,00 2,00 20,00 Presente 19 6,74 6,00 2,00 15,00 *Do grupo de éguas com lacerações uma das fichas não apresentava a idade, sendo excluída desse cálculo Tabela 2: Relação de éguas “Novas” e “Velhas” em relação à presença de Laceração Laceração Perineal Presente Ausente Jovens 42,1% 20,4% Idosas 57,9% 79,6% mantida de 3 a 4 semanas após a cirurgia, de modo que as fezes do animal fiquem amolecidas3,11. O pós-operatório deve ser feito com administração de antibióticos, anti-inflamatórios e analgésicos. Os pon- tos devem ser removidos 14 dias após a ope- ração e até sua retirada deve-se realizar con- trole da dieta e aplicação de laxantes para evitar fezes ressecadas (o que irritaria o sí- tio cirúrgico e causaria constipação)6. A égua deve passar por um exame físi- co completo do trato genital de três a qua- tro semanas após o parto e ficar em des- canso sexual por seis meses antes de serem cobertas novamente (ultrassonografia retal também pode ser utilizada, e se for revela- do fluído uterino esse deve ser coletado para se realizar cultura de bactérias e avaliar se há endometrite bacteriana, o que exigirá tratamento com drogas antimicrobianas selecionadas baseado nos testes de sensibi- lidade da cultura)7 e de acordo com a redu- ção da abertura vulvar, algumas necessi- tam de inseminação artificial permanente- mente4. O objetivo deste trabalho foi contabili- zar e revisar os casos de laceração perineal de terceiro grau atendidos no Hospital Ve- terinário da Unesp - campus Botucatu no período de 1995 a 2011 visando identificar possíveis fatores de risco para a ocorrência da lesão. Materiais e Métodos No estudo retrospectivo foram revisa- das no total 305 fichas de animais atendi- dos no Departamento de Reprodução Ani- mal do Hospital Veterinário de Botucatu no período em questão (1995 a 2011). Dessas, totalizaram 20 casos de lacerações perine- ais de terceiro grau, definindo o grupo “Caso”, sendo separadas de cada caso as informações referentes à Raça, Pelagem e Idade. Em seguida, foi realizada uma análise comparativa de 54 éguas com outras casu- ísticas atendidas em períodos próximos (até 2 meses) ao da laceração perineal de ter- ceiro grau, que definiu o grupo “Contro- le”, desse, as mesmas variáveis que o gru- po anterior foram analisadas. Para o estudo de caso-controle realizou- se o teste Qui-Quadrado para comparar a proporção de laceração entre os grupos de idade e raça nos casos e nos controles. O teste t-Student foi utilizado para comparar as idades médias das éguas entre os grupos de laceração e o teste de Mantel-Haenszel para testar a associação entre raça e lacera- ção, ajustados por idade. Resultados e Discussões Pela pesquisa dos casos de laceração pe- rineal de terceiro grau no período de 1995 a 2011, foram atendidos 20 éguas com a lesão no Setor de Reprodução Animal da Unesp, equivalendo a 6% da casuística to- tal do departamento (305 equinos atendi- dos no período), das éguas com laceração o grupo se dividiu em 16 animais da raça Quarto de Milha (80%) e 4 da raça Puro- Sangue Inglês (20%). O predomínio da raça Quarto de Milha foi bastante destacado no grupo “Caso” em relação ao grupo controle em que essa raça se resumia a apenas 37% (outras raças muito presentes foram a Mangalarga com 26% e animais Sem Raça Definida com 15%, não havendo animais Puro-Sangue Inglês). Foi realizado então o teste de Risco Re- lativo para a variável “raça” e a probabili- dade de uma égua Quarto de Milha apre- sentar laceração foi 6,8 vezes maior (P=0,001). Também foi observado durante o estu- do que as éguas atendidas com laceração perineal de terceiro grau tendem a ser mais jovens em relação às atendidas com outras casuísticas, conforme demonstra a tabela 1. Visando facilitar a classificação, os gru- pos foram divididos entre duas categorias: “Jovens” (com idade menor ou igual a 5 anos) e “Idosas” (com idade maior ou igual a 6 anos). À análise da relação entre idade e laceração, 20,4% das éguas no grupo con- trole pertenciam à categoria “Jovens” em contraponto ao grupo de éguas com lacera- ção, do qual 42,1% apresentaram idade inferior ou igual a 5 anos (Tabela 2). Realizada a Razão das Chances (Odds Ratio), a probabilidade de um caso apre- sentar-se em uma égua “Jovem” foi 2,7 vezes maior quando comparadas aos con- troles (P = 0,06). Paginas 23 a 44.pmd 31/7/2014, 15:3728 • 29 Conclusões Baseado nos resultados obtidos, o estudo de caso-controle demonstrou que idade e raça são variáveis bastante significati- vas quanto às chances de ocorrer laceração perineal de terceiro grau em uma égua, em relação à população atendida na área do Hospital Veterinário da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho de Botucatu. Quanto à idade, observa-se que animais mais jovens têm maiores chances de adquirira lesão (apesar de que ao Qui- Quadrado o valor-P foi próximo ao nível de significância), as- sim como éguas da raça Quarto de Milha, que também demons- traram uma ocorrência maior da lesão quando comparadas a outras raças (com um valor-P bastante significativo). Finalmente, observa-se que a ocorrência de lacerações peri- neais de terceiro grau não é algo rotineiro na casuística do Hos- pital Veterinário, uma vez que representam apenas 6% dos ca- sos atendidos, mas conforme descrito na literatura, seu trata- mento incorreto pode trazer sérios riscos tanto ao desempenho reprodutivo quanto à vida da égua, não podendo de forma algu- ma ser dado a esse menor importância. Posteriormente, um novo projeto buscando fatores de risco externos à égua, tal qual o tamanho do garanhão ou o número de partos da égua (informações indisponíveis no arquivo do Hospital Veterinário) poderia ser estimulado a partir dos resul- tados dessa pesquisa. Referências 1- STAINKI, D.R.; GHELLER, V.A. Laceração Perineal e Fístula Reto-Vestibu- lar na Égua: Uma Revisão; Disponível em: <http://revistaseletronicas. pucrs.br/ ojs/index.php/fzva/article/viewFile/2130/1639>. Acesso em: Dez. 2011 2 - AANES, W.A. Surgical repair of tiraddegree perineal laceration and rectovagi- nal fistula in the mare. Journal American Veterinary Medical Association, v.144, n.5, p.485-491, 1964. 3 - COLBERN, G.T.; AANES, W.A.; STASHAK, T.S. Surgical management of perineal lacerations and retovestibular fistulae in the mare: A retrospective study of 47 cases. Journal American Veterinary Medical Association, v.186, n.3, p.265-269, 1985. 4 - TROTTER, G.A. Surgical diseases of the caudal reproductive tract. In: AUER, J.A. Equine Surgery. Philadelphia: Saunders Company, c.69, p.730-749, 1992. 5 - HULL, B.L. (1995). Female Reproductive Surgery. The Veterinary Clinics of North America: Food Animal Practice, 11 (1): 37-47. 6 - PAPA, F.O.; ALVARENGA, M.A.; BICUDO, S.D.; MEIRA, C.; PRESTES, N.C. Modificações na técnica de correção cirúrgica de dilaceração perineal de 3º- grau em éguas. Brazilian Journal of Veterinary Research and Animal Scien- ce, v.29, n.2, p.239-250, 1992. 7 - HOOPER, N.; CARTER, K.; VARNER, D.D.; TAYLOR, S.; BLANCHARD, L.T. Postparturient Hemorrhage in the Mare: Managing Lacerations of the Birth Canal and Uterus. Veterinary Medicine, January/1994: p.57-63. 8 - HEINZE, C.D. Repair of Third-Degree Perineal Laceration in the Mare. Vet. Scope. Kalamazoo, 11 (1): 12-5, 1966. 9 - REZENDE, M.A.C. Seminário de Clínica: Perineorrafia em Vacas e Éguas; Belo Horizonte, 19 de Junho de 1980. 10 - ARTHUR, G.; NOAKES, D.E.; PEARSON, H.; PARKIMSON, T. (1996). Veterinary Reproduction & Obstetrics, Seventh Edition, W.B. Saunders Com- pany Ltd, London. 11 - BERTRAND, C. Pneumovagina e vulvoplastia na égua. A Hora Veteriná- ria, ano 5, n.86, jul./ago./1995. Tradução e adaptação: A.J. de Vargas Cheuiche. 12 - WILLIANS, W.L. Veterinary obstetrics. New York: Published by the au- thor, 1909, cap. Rupture of the perineum: p.857-862. Paginas 23 a 44.pmd 31/7/2014, 15:3729 30 • digital palmar em equinos “Digital palmar neurectomy in horses” “Neurectomia digital palmar en caballos” Bruno Braghetta Alibrando* (bruno_braghetta@hotmail.com) M.V. Residente do Hospital Veterinário da Univ. Anhembi Morumbi Isabela D’Andreta Ascolli, Bruna Karaoglan Donatelli: Discentes do curso de Medicina Veterinária da Univ. Anhembi Morumbi Dannielle Cristine Baccarelli, Nicole Fidalgo Paretsis: M.V. Residentes do Hospital Veterinário da Univ. Anhembi Morumbi Neimar Vanderlei Roncati, Angélica Trazzi Bento Moraes, Roberto Pimenta de Pádua Foz Filho, Rodrigo Romero Corrêa: Docentes do curso de Medicina Veterinária da Univ. Anhembi Morumbi * Autor para correspondência RESUMO: A neurectomia digital palmar é utilizada em animais que apresentam dor devido às doenças dege- nerativas podais que não respondem ao tratamento conservativo. Diversas técnicas de neurectomia foram desenvolvidas com objetivo de obter menor trauma cirúrgico, evitando o desenvolvimento de neuroma dolo- roso, considerado uma das principais complicações da secção nervosa. Para os animais atletas registrados em associações de criadores, a neurectomia é considerada doping por não tratar a doença de base da clau- dicação, impedindo-o de participar de eventos esportivos. A presente revisão bibliográfica abrange estudos das diferentes técnicas de neurectomia, avaliando suas indicações, vantagens e desvantagens. As técnicas relatadas apresentam diferentes resultados quando comparadas em relação ao tempo e taxa de formação do neuroma, podendo este ser doloroso ou não. Unitermos: neurectomia, equino, casco, claudicação ABSTRACT: Palmar digital neurectomy is utilized in horses suffering from degenerative and painful conditions localized in the foot, unresponsive to medical and conservative forms of therapy. Different techniques of pal- mar digital neurectomy were developed in order to minimize surgical trauma and avoid the most common complication associated with nerve transection, that is painful neuroma. Neurectomy is considered doping in animals registered in breeders’ associations, once it does not represent a treatment for the underlying condi- tion, and horses that have had surgery are not allowed to compete. This literature review describes different neurectomy techniques, evaluating their indications, advantages and complications. Presented techniques vary in results when rate and time to neuroma formation are considered, be it painful or not. Keywords: neurectomy, equine, hoof, lameness RESUMEN: La neurectomía digital palmar se utiliza en animales que presentam dolor decorriente de enfermi- dades degenerativas de los pies que no responden al tratamiento conservador. Varias técnicas de neurecto- mía han sido desarrolladas con el fin de obtener un menor trauma quirúrgico, evitando el desarrollo de neuro- ma doloroso, considerado una complicación importante de la sección del nervio. Para los animales atletas inscritos en asociaciones de creadores, la neurectomía se considera dopaje por no tratar la enfermedad subyacente de la claudicación, que le impide de participar de los eventos deportivos. Esta revisión de la literatura incluye estudios de diferentes técnicas de neurectomía, la evaluación de sus indicaciones, ventajas y desventajas. Las técnicas han reportado diferentes resultados cuando se compara con el tiempo y la veloci- dad de formación del neuroma, que puede ser doloroso o no. Palabras clave: neurectomía; caballos; casco; claudicacíon Figura 1: Bloqueio perineural do digital palmar. A administração de anestésico local perineural é rotineiramente utilizada como técnica diagnóstica no exame de claudicação. Além disso, serve para confirmar se a neurectomia será efetiva e pode ser usada como bloqueio pré-anestésico ............................................................ H O S P IT A L V E TE R IN Á R IO D A U N IV E R S ID A D E A N H E M B I M O R U M B I (2 01 3) Paginas 23 a 44.pmd 31/7/2014, 15:3830 • 31 Figura 2: Neurectomia com a TG do digital palmar. Identificação e isolamento do nervo após dissecar o plexo digital palmar H O S P IT A L V E TE R IN Á R IO D A U N IV E R S ID A D E A N H E M B I M O R U M B I (2 01 2) Introdução Proximal à articulação do carpo, o ner- vo mediano ramifica-se em nervo palmar medial e lateral, que associa-se ao ramo pal- mar do nervo ulnar, na região caudo distal do osso rádio. Na porção mais distal do osso metacarpo, na altura da articulação meta- carpofalangeana, ele passa a ser denomi- nado nervo digital palmar. Na região do terço médio da primeira falange, o nervo digital palmar possui dois segmentos, um lateral e um medial. Cada segmento emite um ramo que se encontra na região dorsal da primeira falange. A porção final do ner- vo digital palmar segue em dois ramos, jun- to à veia e à artéria digital, formando o ple- xo digital palmar11. O nervo digital palmar é responsável pelainervação da região distal do tendão flexor digital profundo, do osso navicular, da bolsa do osso navicular, do processo palmar da segunda e terceira falanges e das regiões de parede, coroa e sola do casco11. A neurectomia é um procedimento que consiste na interrupção definitiva de estí- mulos nervosos através da remoção cirúr- gica do nervo6. A neurectomia digital pal- mar é indicada para as doenças de caráter crônico, que não obtiveram melhora no tra- tamento conservativo, e apresentam respos- ta positiva ao bloqueio perineural digital8 (Figura 1). As principais doenças crônicas, com in- dicação para a neurectomia digital palmar, são a podotrocleose, as fraturas das cartila- gens alares e as fraturas da falange distal. Nos casos de laminite e afecções da articu- lação interfalangeana distal, a neurectomia digital palmar não é indicada7,9. Várias técnicas cirúrgicas são descritas, podendo ser realizadas em posição quadru- pedal, em decúbito dorsal ou lateral. Na posição quadrupedal, o procedimento pos- sui baixo custo, não é necessário o uso de anestesia geral, e o tempo cirúrgico é me- nor, o que diferencia quando realizada em decúbito dorsal ou lateral. Para realizar o procedimento, deve-se preparar a área da cirurgia com tricotomia ampla, antissepsia, e não é necessário o uso de torniquetes. Embora a neurectomia seja uma técni- ca rápida e simples, foi introduzida na me- dicina equina como tratamento paliativo, pois não trata a doença de base das claudi- cações. Algumas complicações devem ser consideradas, como a regeneração do ner- vo, a ruptura do tendão flexor digital pro- fundo, caso haja uma lesão em sua inser- ção na falange distal, e consequente luxa- ção interfalangeana distal7,6. Outras complicações da neurectomia podem incluir a dessensibilização incom- pleta, devido à presença de um ramo aces- sório do nervo, que durante o procedimen- to cirúrgico não é identificado e secciona- do. A perda do casco pode ocorrer secun- dária à falta de estímulos nervosos do ramo dorsal nas veias e nas artérias responsáveis pela circulação da região dorsal do casco, levando à isquemia. Isto geralmente ocor- re quando a secção do nervo for feita em uma porção mais proximal6. O neuroma doloroso é uma das principais complica- ções da neurectomia. Geralmente os neu- romas surgem no coto proximal do nervo e são resultados de regeneração desorgani- zada dos axônios, associados às células de Schwann em proliferação8,13. Segundo o Conselho Ético e pela Fede- ração Equestre Internacional, a neurecto- mia digital palmar é considerada doping, portanto, todos os cavalos submetidos à neurectomia devem ser afastados da práti- ca esportiva. É responsabilidade do propri- etário certificar à comissão da prova que o cavalo foi submetido à neurectomia digital palmar. Com a realização de esforço físi- co, a lesão poderá se tornar mais grave, e tardiamente afastar o animal das ativida- des esportivas2. Conselho Ético Pela Federação Equestre Internacional, a neurectomia digital palmar é considerada doping, portanto, todos os cavalos submeti- dos à neurectomia devem ser afastados da prática esportiva. Nos regulamentos de di- ferentes associações, como Comissão de Provas do Kentucky, Confederação Brasilei- ra de Hipismo e Jockey Club, consta que os animais que foram submetidos à neurecto- mia devem ser identificados e afastados de provas oficiais, sendo permitida somente a participação em provas não oficiais2,16,19. O tempo mínimo exi- gido para retorno aos treinos, e consecutiva- mente às provas, é de trinta dias após a cirurgia2,19. É responsabilidade do proprietário cer- tificar à comissão da prova que o cavalo foi submetido à neurectomia digital palmar. Essa informação deve constar no seu re- gistro, e este deve ser anexado aos regis- tros das modalidades no qual o animal com- pete. Nos Hipódromos de turfe, por exem- plo, no quadro de inscritos das corridas de todas as pistas, consta a informação que o animal foi dessensibilizado. A neurectomia é um procedimento rea- lizado para que o animal não tenha mais sensibilidade dolorosa na região posterior e sola do casco, e mesmo não apresentando sinais de claudicação, a doença inicial per- siste. Com a realização de esforço físico, a lesão poderá se tornar mais grave, e tardia- mente afastar o animal das atividades es- portivas. Técnicas de Neurectomia Digital Palmar • Neurectomia por guilhotina (TG): Rea- liza-se uma única incisão na pele de apro- ximadamente 2 a 3 cm sobre o plexo digi- tal, ao longo do bordo dorsal do tendão fle- xor digital profundo, na região da quarte- la. O ligamento ergot é identificado e divi- dido longitudinalmente para melhor aces- so ao nervo. O ligamento pode ser confun- dido e seccionado no lugar do nervo, po- rém, só se observa a falta de movimento da região do esporão do cavalo, sem nenhu- ma complicação. A divulsão do ligamento proporciona menor irritação sobre a sec- ção do nervo. O nervo é identificado e se- parado do plexo e da artéria digital palmar (Figura 2). A neurectomia deve ser feita em uma secção única e precisa (Figura 3), primeiro de um segmento mais distal e de- pois em um segmento mais proximal, re- movendo aproximadamente 2 centímetros do nervo (Figura 4)6,17. Paginas 23 a 44.pmd 31/7/2014, 15:3831 32 • Figura 5: Neuroma em coto proximal do nervo digital palmar. Nota-se aumento de volume na extremidade nervosa anteriormente seccionada, unida distalmente por tecido fibroso H O S P IT A L V E TE R IN Á R IO D A U N IV E R S ID A D E A N H E M B I M O R U M B I (2 00 7) • Técnica de stripping ou pull-trough (TS): Nesta técnica, duas incisões de pele devem ser feitas, sendo a primeira incisão de apro- ximadamente 1,5 a 2 centímetros. Esta in- cisão deve ser feita na região abaxial no tendão flexor digital profundo, em sua por- ção distal, e proximal à cartilagem colate- ral, onde é localizado o nervo digital. A segunda incisão é feita na região do plexo digital, imediatamente distal à base do se- samoide proximal. O nervo é dissecado, exposto e seccionado inicialmente no aces- so proximal. Já o coto distal deve ser traci- onado para total exposição do nervo, e este, seccionado distalmente, próximo à cartila- gem colateral, removendo até 10 centíme- tros do nervo6,1 . • Técnica de tubulização do nervo: Deve- se fazer uma incisão de pele e dissecar o plexo neurovascular, semelhante à TG. Após fazer a neurectomia na região média e distal do acesso cirúrgico, implanta-se um tubo de material sintético ao redor do coto nervoso proximal, impedindo a aproxima- ção do nervo e possível reinervação15. • Técnica de neurotomia seguida da co- bertura com epineuro: Nesta técnica, a in- cisão de pele deve ser de 2 a 3 cm, para identificar o nervo digital palmar, também em região de quartela. Depois de identifi- cado, o nervo digital palmar é exposto de 3 a 4 cm e é realizada a secção em sua por- ção distal. O coto nervoso deve ser erguido para melhor isolar o epineuro. As incisões do epineuro devem ser feitas cuidadosa- mente em sua porção mais distal, no terço médio, sendo uma lateral e outra medial, e este é afastado de 2 a 3 cm. O epineuro é posicionado sobre a extremidade secciona- da do nervo para se realizar a sutura, reco- brindo o coto nervoso proximal12. • Neurotomia seguida de neurorrafia ter- minolateral (NTL): A incisão de pele so- bre o plexo neurovascular, na região da quartela, deve ser de aproximadamente 4 centímetros. Após a incisão, o plexo digi- tal deve ser dissecado, isolando o nervo di- gital palmar. O nervo digital palmar deve ser incisado e o coto proximal é direciona- do para proximal, formando um ângulo de 180 graus, semelhante a uma alça. Em sua região proximal, o epineuro é incisado, com auxílio de um microscópio cirúrgico, onde a alça formada encontra o nervo, e este é suturado no epineuro13. • Técnica de neurotomia com reposição intraóssea (NRIO): Consiste em uma in- cisão de pele em formato de “L”, paralela ao bordo abaxial do tendão flexor digital profundo,da região da quartela até a re- gião do boleto. Após rebater a pele, disse- ca-se o plexo na face palmar do membro para identificar e seccionar o nervo digital palmar. Na primeira falange, deve-se fazer duas perfurações de 4 mm de largura e de 3 cm de profundidade, onde o segmento proximal do nervo, após ser seccionado, é direcionado dorsalmente e fixado nos ori- fícios ósseos através de suturas, junto ao periósteo18,10 . Há outras possibilidades para realizar a neurectomia do digital palmar, como a crioneurectomia e a destruição neural com laser de dióxido de carbono3. A crioneu- rectomia consiste no congelamento do ner- vo digital palmar em temperatura de 30 graus negativos, transcutaneamente14. O laser de CO2 pode ser utilizado para fazer a secção do nervo, ou associado a qualquer outra técnica cirúrgica de neurectomia. Com esta associação, pode-se evitar a for- mação do neuroma. Deve-se utilizá-lo com pulsação contínua de 10 watts no coto ner- voso proximal8. Estudos comparativos entre as técnicas cirúrgicas Nos diferentes trabalhos realizados, no qual se compararam diferentes técnicas de neurectomia, os animais tiveram um dos ramos do nervo digital palmar seccionado pela TG, e o ramo contralateral seccionado através da NTL13 ou da TS6. Há ainda estu- dos que citam a comparação da TG com a neurectomia seguida da cobertura com o epineuro3. Em 2008, foram comparadas as técnicas cirúrgicas de neurectomia digital palmar Figura 3: Neurectomia digital palmar por guilhotina. A secção do segmento nervoso deve ser realizada de forma única, gerando o menor trauma possível H O S P IT A L V E TE R IN Á R IO D A U N IV E R S ID A D E A N H E M B I M O R U M B I (2 01 2) Figura 4: Segmentos do nervo digital palmar. Cotos nervosos de aproximadamente dois centímetros seccionados pela TG .................................................................................. A R Q U IV O P E S S O A L (2 01 3) Paginas 23 a 44.pmd 31/7/2014, 15:3832 • 33 Paginas 23 a 44.pmd 31/7/2014, 15:3833 34 • através da TG e da TS, observando o tem- po cirúrgico, o tempo da formação do neu- roma (Figura 5) ou complicações pós-ope- ratórias. No pós-operatório imediato, foi observado edema de quartela e não se no- tou claudicação ou dificuldade na cicatri- zação da ferida cirúrgica. Ambas as técni- cas tiveram resultados satisfatórios quanto ao tempo cirúrgico e quanto à reinervação. Após 14 meses de observação, os membros operados pela TG apresentaram retorno de sensibilidade em 37% dos animais, enquan- to, os operados pela TS apresentaram 18,8%. Entretanto, quanto à palpação para identificação de neuromas dolorosos, hou- ve discreta sensibilidades nos animais ope- rados pela TG, sendo de 6,4% e de 53,6% pela TS6. Em outro estudo, realizado em 2009, também se comparou a TG e TS in vivo. Os membros operados pela TG obtiveram a sensibilidade aumentada na região da quartela e talão após 306 dias pós-operató- rios, em média. Já os que foram submeti- dos à TS, a sensibilidade em região de quar- tela e talão aumentaram, em média, após 912 dias3. Em um estudo retrospectivo, de 17 animais operados pela TS, 12 voltaram à prática esportiva e só apresentaram sinais de claudicação 4 anos após a cirurgia15. Em 2009, compararam-se os resultados in vivo da TG e da NTL13. Após 15 dias do procedimento cirúrgico, notou-se sensibi- lidade aumentada na região da incisão ci- rúrgica em 80 % dos casos, além de baixo grau de claudicação em todos os animais. Após 60 dias, os animais foram submeti- dos a um novo procedimento cirúrgico, onde se realizou a remoção de material do tecido cicatricial do nervo para avaliação histológica e mensuração por paquímetro dos cotos proximais. Na mensuração, os membros que foram submetidos à TG apresentaram média de dimensões dos cotos nervosos de 7,16 mi- límetros, e quando submetidos à TS, 5,96 milímetros13. Durante a remoção, observou- se que nos membros submetidos à TG, ha- via intensa aderência dos cotos nervosos às estruturas adjacentes ao plexo, o que faci- lita a formação do neuroma doloroso13,5. Por outro lado, os submetidos à NTL apresen- taram pouca aderência entre o coto nervo- so e o plexo vascular. Quanto às fibras nervosas, todos os membros submetidos à NTL apresentaram fibras organizadas e paralelas, entretanto, apenas 40% dos membros submetidos à TG apresentaram fibras nervosas organizadas13. Os animais apresentaram formação de neuroma em ambos os membros, sem evi- denciar nenhum tipo de sinal clínico. His- tologicamente, a utilização da NTL possui menor probabilidade da formação do neu- roma doloroso quando comparado à TG13. Considerações finais Das técnicas estudadas e comparadas no presente trabalho, todas se mostraram efi- cazes quanto ao tempo cirúrgico e ao re- sultado pós-operatório. A TG pode ser realizada com o animal em posição quadrupedal, utilizando apenas sedativos e anestésicos locais, podendo ser feita a campo. Desta forma, reduzem-se os gastos e o tempo de procedimento cirúrgi- co, o que torna o uso dessa técnica vantajo- sa e mais rotineira. Porém, como citado em literatura, o coto do nervo seccionado tem maior probabilidade de desenvolver o neu- roma quando comparado às outras técni- cas, independente se ela foi realizada em posição quadrupedal ou com o animal sob anestesia geral. A TS também é bastante utilizada, pois a porcentagem de reinervação é baixa e di- fere pouco da TG1. Porém, como o segmento do nervo retirado é maior, há probabilida- de de ocorrer a dessensibilização da região dorsal do casco, podendo causar isquemia e levar à perda do casco no período pós- cirúrgico6,7. O aumento da dimensão do coto proxi- mal é descrito como característica inicial da formação do neuroma, não apontando significado clínico para o paciente. Acre- dita-se que quanto maior a organização do crescimento das fibras nervosas, menor a chance de formar um neuroma doloroso13. É importante ressaltar que o animal neurectomizado não possui estímulos ner- vosos na região da sola. Caso o animal apre- sente alguma afecção podal, este não mos- trará sinal de dor até que haja acometimento de estruturas inervadas. Ainda, o proprietário deve estar ciente que a neurectomia não trata a doença de base, portanto, o tratamento conservativo para a causa inicial da claudicação deve ser mantido. Para os cavalos atletas, os regu- lamentos de suas modalidades devem ser seguidos, autorizando ou não sua partici- pação nos eventos equestres. Essa autori- zação vai contra o princípio ético, e pode agravar a doença degenerativa primária. Referências 1 - BLACK, J.B. Palmar digital neurectomy: an alternative sur- gical approach. Proceeding American Association Equine Practice, v.38, p.429-432, 1992. 2 - Confederação Brasileira de Hipismo: Regulamento Vete- rinário CBH, 2010. Disponível em: http://eseqex.ensino.eb.br/ w p - c o n t e n t / u p l o a d s / 2 0 1 3 / 0 4 / regulamento_veterinario_cbh_2010.pdf. Acesso em: 03/07/2013. 3 - DABAREINER, R.M.; WHITE, N.A.; SULLINS, K.E. 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Equine Surgery. St. Louis: Saunders, p.1.289-1.294, 2012. 8 - HAUGLAND, L.M.; COLLIER, M.A.; PANCIERA, R.J.; BELLAMY, J. The effect of CO2 laser neurectomy on neuroma formation and axonal regeneration. Veterinary Surgery, v.21, p.351-354,1992. 9 - HONNAS C. M.; DABAREINER, R.M. How to Perform Palmar Digital Neurectomy in the Standing Horse. American Veterinary Proceedings, Texas, n.47, p.285-286, 2001. 10 - LOSE, M.P., HOPKINS, E.J. Preliminary report of a modi- fied surgical approach to posterior digital neurectomy in the horse. Veterinary Medicine And Small Animal Clinician, v.71, p.317-320, 1976. 11 - RAINER, R.A. Membro Torácico. In. STASHAK, T.S. Claudicaníones en Equinos. Buenos Aires: Intermédica, p.1- 43, 2003. 12 - REZAIE, A.; MOUSAVI, G.; MOHAJERI, D. A Compara- tive Histopathological Evaluation Of Neuroma Formation Throu- gh the Guilhotine and Epineural capping Neurectomy: Techni- ques in horse. Global Veterinary, Iran, v.5, n.6, p.498-501, 2011. 13 - SANTANA, T.B. Neurotomia associada à neurorrafia ter- minolateral em alça associada à técnica de guilhotina em nervo digital palmar. 2009. 22 f. Tese (Mestrado) - Curso de Medicina Veterinária, Universidade Paranaense, Umuarana, 2009. 14 - SCHNEIDER, R.K.; MAYHEW I.G.; CLARKE G.L. Effects of cryotherapy on the palmar and plantar digital nerves in the horse. American Journal of Veterinary Research, v.46, p.7- 12, 1985. 15 - SILVA, L.C.L.C.; SPAGNOLO, J.D.; ZOPPA, A.L.V.; FAN- TONI, D.T.; AMBRÓSIO, A.M.; BACCARIN, R.Y.A.; FER- NANDES, W.R. Evaluation of modified technique for neurec- tomy in horses: 17 cases. International Veterinary Informati- on Service, v.11, p.25, 2009. 16 - The Jockey Club. The American Stud Book: Principal Rules and Requirements, 2013. Disponível em: http:// www.jockeyclub.com/pdfs/rule_book.pdf. Acesso em: 30/03/ 2013. 17 - TURNER, A.S.; McILWRAITH, C.W. Cirurgia ortopédica no equino. In: ______________. Técnicas cirúrgicas em animais de grande porte. 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Conhece-se o valor imobiliário do m2 – somente em Cidade Jar- dim, bairro de São Paulo em que o metro quadra- do está avaliado em mais de R$ 10 mil, o Jockey ocupa 620.000 m2, sendo 86.000 m2 de área cons- truída – e o movimento gerado pelas apostas. Mas a importância econômica dos hipódromos vai mui- ta além desses valores, conforme será discutido nesse artigo. Com relação ao movimento geral de apostas, os quatro principais Hipódromos (Gávea no Rio de Janeiro, Cidade Jardim em São Paulo, Cristal em Porto Alegre e Tarumã em Curitiba) to- talizou R$ 381.171.203,87 em 2013 (Figura 1). os que caracterizam São Paulo. A Figura 2 ilus- tra este papel dos hipódromos. Adicionalmente, tal como museus, os Jockeys guardam importe acervo artístico. O Jockey Club de São Paulo, por exemplo, abriga 843 peças ar- tísticas (Saldañ, 2011). São, entre outras, dez obras de Di Cavalcanti e 14 peças de Vitor Bre- cheret (Figura 3). E grande parte destas obras são visíveis mesmo de fora do Jockey, como os relevos em mármore travertino na fachada do Hi- pódromo de Cidade Jardim. Figura 1: Movimento geral de apostas em 2013, em milhões de reais As instalações dos hipódromos possuem gran- de valor histórico, arquitetônico, cultural e artísti- co. Entre a Floresta da Tijuca e a Lagoa Rodrigo de Freitas, o projeto do francês Couchet e do bra- sileiro Archimedes Memória é um importante mar- co arquitetônico da cidade do Rio Janeiro. Da mesma forma, a arquitetura do uruguaio Fresne- do Siri conferiu grande elegância e soluções cria- tivas no hipódromo de Cristal, Porto Alegre. A ar- quitetura é um destaque nos hipódromos, mes- mo ocorrendo com o projeto do francês Henri Sajous em Cidade Jardim. Deve-se destacar que os Jockeys desempenharam e desempenham importante papel urbanístico. O hipódromo da Gávea evitou que os prédios que cercam o res- tante da Lagoa Rodrigues de Freitas avançassem na Floresta da Tijuca, assim como o hipódromo de Cidade Jardim preservou importante trecho na marginal do rio Pinheiros da ocupação de edifíci- Figura 2: Localização dos Hipódromos de Cidade Jardim (SP) e da Gávea (RJ) ................................................................................................. Figura 3: Exemplo de obras de Vitor Brecheret no Hipódro- mo de Cidade Jardim, em São Paulo .................................................................................................... O valor arquitetônico e histórico-cultural dos hipódromos justifica iniciativas visando a conser- vação e restauração destas obras. No entanto, a ausência de uma valoração econômica impede a utilização de importantes ferramentas de toma- da de decisão, como as análises de custo-bene- fício, tornando a alocação de verbas e o direcio- namento de políticas públicas para os cuidados referentes a este patrimônio subjetivo, o que pode Paginas 23 a 44.pmd 31/7/2014, 15:3836 • 37 implicar em ineficiências. A semelhança que este patrimônio possui com alguns recursos naturais, nomeadamente quanto às característi- cas de não-rivalidade e não-exclusividade, sugere a possi- bilidade de adotar metodologias que vêm sendo utilizadas para valoração de recursos naturais para mensurar o valor econômico – incluindo os denominados valores de uso, de opção e de existência – dos Jockeys. Bens não-rivais são aqueles que, uma vez produzidos, ficam disponíveis a todos consumidores sem rivalidade. Ou seja, o consumo por um indivíduo não reduz a quantidade remanescente para outro consumidor (Randall, 1987). Por exemplo, o fato de um indivíduo assistir um páreo em nada afeta outro indivíduo que venha a observar o mesmo páreo. Bens não-exclusivos são aqueles que não se pode im- pedir que um indivíduo tenha acesso a ele (Randall, 1987). Pode ocorrer situação de total não-exclusividade (res nullius) – caso dos espaços públicos – assim como situações em que a sociedade estabelece regras que especificam quem pode ter acesso e sob quais condições (res communis) – caso de condomínios. O acesso ao Jockey é aberto ao pú- blico, com restrições a apenas algumas áreas, não impe- dindo que assistam aos páreos. As características acima citadas impedem a formação de um mercado tradicional, em que as forças de oferta e demanda definiriam o valor do bem. A ausência de um va- lor monetário para estas instalações e obras de arte – há diversas no interior dos hipódromos – tem diversas impli- cações empíricas: a) Não há um valor de referência para tomada de decisão quanto ao volume de recursos que deve ser alocado para conservação e restauração. A análise de custo-benefício é inviabilizada neste contexto; b) Não há parâmetro para a determinação do valor de mul- tas (ou outro tipo de compensação ou punição) por even- tuais danos às obras; c) Faltam parâmetros para justificar o aporte financeiro a projetos que visem a conservação e restauração junto a agências de crédito; d) A elaboração e execução de políticas públicas de conser- vação destas obras são feitas com bases subjetivas. Mesmo nos casos em que a decisão de políticas não seja realizada com base em avaliações monetárias, como muitas vezes ocorre, pode ser conveniente para os governantesfundamen- tarem suas decisões em estudos científicos (Belluzzo Jr, 1995). Ou seja, a valoração seria um instrumento de apoio na de- finição de prioridades no âmbito das decisões políticas. Adicionalmente, os recursos aplicados na conservação e restauração destas obras implicam em sacrifícios provo- cados pela realocação de recursos escassos e pela redu- ção do consumo aparente. Ou seja, mesmo que as razões para conservação sejam não-econômicas, as consequên- cias podem ser economicamente significativas (Nogueira e Medeiros, 1997). Observa-se, assim, a importância prática da valoração* dos jockey. E este valor deve corresponder ao somatório do seu valor de uso, do valor de opção e do valor de exis- tência (Randall, 1987). O valor de uso é aquele dado pelos indivíduos que real- mente usufruem, no presente, dos hipódromos, seja para acompanhar os páreos, seja para simples contemplação, seja para estudos acadêmicos ou qualquer outro uso. O valor de opção é aquele referente ao uso futuro. Já o valor de existência é resultado do simples conhecimento de que os hipódromos continuarão a existir, mesmo que o indiví- duo não esteja utilizando no presente nem pretenda fazer uso no futuro. Ou seja, o valor de existência independe do uso. O valor arquitetônico, histórico e cultural dos jockeys permite inferir que o valor de existência deve ser relevante na composição do valor econômico. Pode-se destacar, ain- da, o valor de prestígio (contribuição a um sentimento de iden- tidade regional), valor de herança (possibilidade de legar a cultura a gerações futuras) e valor de educação (Frey, 2000). Pelo exposto, é recomendado que ocorra uma valoração econômica dos Jockeys, inclusive para sustentar argumen- tos relativos a tributos (IPTU, por exemplo) e eventuais exe- cuções. * Não se trata de transformar os bens em produtos de mercado, mas sim mensurar as preferências dos indivíduos sobre as alterações em seu ambiente. Referências Bibliográficas: BELLUZZO JR., W. Valoração de bens públicos: o método de valora- ção contingente. São Paulo, 1995, 151p. Dissertação (Mestrado) – Fa- culdade de Economia, Administração e Contabilidade, Universidade de São Paulo. FREY, B.S. La valoración del patrimonio cultural desde una perspecti- va económica. In: FREY, B.S. La Economía del Arte. Barcelona: Servi- cio de Estudios La Caixa, 2000 (Colección Estudios Económicos, 18) p.173-191. NOGUEIRA, J.M.; MEDEIROS, M.A.A. Quanto vale aquilo que não tem valor? Valor de existência, economia e meio ambiente. Cadernos de Ciência & Tecnologia. Brasília, v.16, n.3, p.59-83, set/dez 1999. RANDALL, A. Resource economics: an economic approach to natu- ral resource and environmental policy. New York: John Wiley & Sons, 1987, 434p. SALDAÑA, P. Primeiro inventário em 136 anos identifica 843 peças. O Estado De São Paulo, 27 jun 2011. Disponível em http://sao- paulo.estadao.com.br/noticias/geral,1-inventario-em-136-anos-identifi- ca-843-pecas-imp-,750241 Paginas 23 a 44.pmd 31/7/2014, 15:3837 38 • VOCÊ SABIA? Prof. Dr. Jairo Jaramillo Cardenas (dr.jairocardenas@yahoo.com.br) Você sabia que a hiperextensão do boleto por falha no aparelho de suspensão pode terminar em microfraturas que podem degenerar a articulação do boleto? Introdução A biomecânica do membro distal (torácico ou pélvico) é um conjunto de forças que trabalham conjuntamente de uma forma maravilhosa. O foco deste mês é tentar entender que estruturas trabalham sinergicamente para reduzir o impacto na fase de recepção, e o que acontece na articulação do bo- leto quando elas falham. Na biomecânica de movimento, são conhecidas três principais fases: 1) recepção, 2) ponto de intersecção ou ponto neutro e 3) propulsão (Foto 1). Por ou- tro lado, tendões e ligamentos distribuídos desde a região do metacarpo possuem funções específicas e estas são prove- nientes da estrutura onde elas se originam e onde elas se inserem. Conheça a relação entre a biomecânica de recepção do membro torácico e/ou pélvico com a degeneração articular mos lateral (RL.LSB) e medial (RM.LSB). Ou seja, graças aos ossos sesamoideos distais em conjunto com o ligamento sus- pensório do boleto e os ligamentos oblíquos dos sesamoide- os, o boleto não teria mais uma hipe- rextensão maior da que já estaria tendo no momento do impacto em condições normais. Foto 1: Representação gráfica das três fases de Biomecânica; Fase 1 ou de re- cepção, fase 2 ou neutral e fase 3 ou de propulsão .............................................................................................................................................. Biomecânica do Dígito Na Biomecânica citada acima, vamos focalizar a fase de “recepção” (fase 1), onde se destacam anatômica e biomeca- nicamente o tendão flexor digital superficial, o ligamento sus- pensório do boleto (origem, corpo e ramos dorsais de exten- são e ramos de inserção lateral e medial) e os ligamentos oblí- quos dos sesamoideos proximais trabalhando de uma forma sinérgica. Estas estruturas citadas são os principais responsá- veis por sustentar o peso do cavalo no momento do impacto. As outras estruturas não citadas, atuam principalmente nas outras fases “intermediaria” e/ou na fase de “propulsão” no movimento. Na foto 2, se representa como na fase de recep- ção ou no momento em que o membro do cavalo chega no chão, existe uma hiperflexão da articulação interfalangiana distal e proximal, com uma extensão importante na articulação do boleto no mesmo momento. Se lembramos da anatomia asso- ciada à biomecânica, o tendão flexor digital superficial (não esta representado na figura da foto 2), tem uma tensão exage- rada no instante em que o boleto desce em sentido ao chão. Neste mesmo instante, os sesamoideos proximais se deslo- cam em sentido distal, quando são tracionados ventralmente pelos ligamentos sesamoideos oblíquos (LSO) em contra pres- são com o ligamento suspensório (LSB) do boleto e seus ra- Foto 2: Representação gráfica da fase de recepção após um salto. Observe uma hiperflexão da articulação interfalangiana distal e proximal (setas azuis) e uma hiperextensão da articulação do boleto (seta amarela). Os ligamentos oblíquos dos sesamoideos (LOS), ramo dorsal do ligamento suspensório do boleto (RD.LSB) e ramos lateral (RL.LSB) e medial do LSB são altamente estressados neste momento ................................................................................................................................................ Consequências da falha na suspensão na Articulação do Boleto No próprio exame clínico, podemos notar alterações na sus- pensão na inspeção estática como já teria sido comentado numa das publicações desta coluna. Queda do boleto (foto 3 A e B), ângulo positivo casco quartela (foto 3 A e B) e tensão dos ramos dorsais do ligamento suspensório do boleto (foto 3 A e C) se destacam como sinais clínicos de alteração na sus- pensão na inspeção estática. O problema grave destes cava- los será a redução da capacidade para amortecer o impacto e terão uma consequência extremamente importante na articu- lação do boleto. Na figura 3 D, também é visível como na re- cepção do membro no chão, normalmente existe uma migra- ção da primeira falange em sentido dorsal ao mesmo momen- to que o metacarpo se direciona distalmente, literalmente o boleto encostando no chão. Na foto 4, se representa o mo- mento do trauma direto entre a borda proximal da primeira falange contra a superfície dorsal do metacarpo. Este impacto, geralmente termina em remodelações e proliferações ósseas, engrossamento da cápsula ou até microfraturas de cartilagem da superfície dorsal da falange proximal ou do metacarpo; este é o resultado final quando se tem irregularidade no aparelho de suspensão. A R Q U IV O P E S S O A L D O A U TO R A R Q U IV O P E S S O A L D O A U TO R Paginas 23 a 44.pmd 31/7/2014, 15:3838 • 39 Foto 3: Representação gráfica dos pontos a con- siderar na inspeção está- tica de cavalos que po- dem chegar a ter altera- ções de suspensão (A,B, C); momento de recep- ção onde o cavalo en- costa o boleto no chão Interferência dos Talões Cavalos com talões maiores terão um estresse maior do que cavalos com talões menores. É por isso, que cada fase tem uma interpretação diferente. É interessante observar como cavalos achinelados, com pinça longa e talões baixos, tem maior estresse no tendão flexor digital superficial na fase de propulsão, em comparação de cavalos com talões altos na fase de recepção. Esta altura do talão aumentará mais a hiper- flexão da articulação interfalangiana distal e proximal, permi- tindo mais o relaxamento do tendão flexor profundo, o que permite mais ainda a queda do boleto no chão. Esta queda exagerada permitirá um impacto direto entre a primeira falan- ge e o metacarpo dorsalmente como citado acima. A conse- quência progressiva destes cavalos será sinovite, engrossa- mento da plica sinovial, capsulite, fragmentação ou fraturas e logicamente degeneração articular. Diagnóstico por Imagem Casos clínicos como este, podem ser analisados desde o momento da inspeção estática, levando em consideração o que acontece na inspeção dinâmica. Nestes cavalos, a avalia- ção detalhada por imagem radiográfica e ultrassonográfica nesta região, deve ser levada muito em consideração. Vistas radiográficas latero mediais e levemente oblíquas, podem mostrar áreas de redução de densidade na superfície dorso Figura 4: Representação gráfica do momento em que a falange proximal se desloca dorsalmente no momento da recepção, o que gera um impacto direto entre ela e o 3o metacarpiano (círculo vermelho) cranial da primeira falange (foto 5B e 5C) quando comparadas com radiografias normais (foto 5A), assim como fragmentações e fraturas claras no metacarpo e na primeira falange quando analisadas vistas longitudinais com uma boa máquina de ultra- som (foto 6B). Casos mais severos, podem aparecer com lise de osso subcondral mesmo mantendo a linha superficial da car- tilagem articular (foto 6C) ou áreas com fragmentos maiores que indicam indiscutivelmente a remoção cirúrgica (foto 5D). Foto 6: Representação gráfica da ultrassonografia (B e C) do mesmo cavalo que aparece na radiografia da foto 5C numa foto invertida. Note-se o grau de detalhe que a ultrassonografia determina na avaliação da superfície óssea e articular deste cavalo (B e C). Na avaliação dinâmica, e possível destacar o grau de lesão de osso subcondral, profundidade e integridade ou não da cartilagem. Cabe destacar que a ultrassonografia é o método por imagem mais sensível para ava- liar superfície articular ........................................................................................................................................... Foto 5: Representação gráfica comparativa entre um raio x normal de uma vista latero medial de um boleto (A), e outros raio x com fragmentação da falange pro- ximal (note-se a radiolucência da borda dorso-proximal da falange proximal na foto B), fragmentação do metacarpo (C) e fratura articular na mesma região (D), como consequência do impacto do membro com o chão na fase de recepção Finalmente devemos lembrar que cavalos com talões al- tos, sofrerão diretamente no aparelho de suspensão principal- mente na fase de recepção. E que cavalos já com alteração de suspensão, são compatíveis com lesões primárias no tendão flexor digital superficial, ligamentos oblíquos dos sesamoide- os ou todo o aparelho suspensório do boleto, levando tam- bém a ter uma biomecânica alterada que rapidamente pode terminar na degeneração da articulação do boleto. .......................................................................................................................... A R Q U IV O P E S S O A L D O A U TO R A R Q U IV O P E S S O A L D O A U TO R A R Q U IV O P E S S O A L D O A U TO R A R Q U IV O P E S S O A L D O A U TO R Paginas 23 a 44.pmd 31/7/2014, 15:3839 40 • Paginas 23 a 44.pmd 31/7/2014, 15:3840 • 41 Paginas 23 a 44.pmd 31/7/2014, 15:3841 42 • O Jockey Club Brasileiro passa a utilizar as vacinas do Laboratório Vencofarma em seu programa de controle e prevenção de enfermidades infectocontagiosas nos animais aloja- dos na Gávea e Centros de Treinamento. O programa de prevenção adotado pelo Departa- mento de Veterinária do JCB tem se mostrado ao longo dos anos como o mais eficiente dentre os principais centros hípicos brasileiros. Este sucesso é decorrente da atenção cons- tante e rigor na aplicação de estratégias de prevenção, tais como vacinação e controle do trânsito de animais. No surto de Influenza Equina de 2012, que afetou o Brasil do Sul ao Norte, os animais sob supervisão do JCB e os alojados no Jockey Club de Sorocaba (que já adotava as vaci- nas Vencofarma) foram os menos afetados, com consequências mínimas para as atividades hípicas. Durante este surto de 2012, o vírus foi isolado e teve seu genoma sequenciado pelo Animal Health Trust de Newmarket. Ficou constatado que o vírus pertencia a linhagem Flori- da (clade 1). E justamente esta descoberta foi determinante para que o Departamento de Veterinária do JCB optasse pelos produtos da Vencofarma. As vacinas do Laboratório Ven- cofarma são as únicas disponíveis no Brasil que apresentam um vírus desta linhagem em sua composição (South Africa/2003), o que as tornam mais efetivas na prevenção contra o vírus circulante no Brasil; inclusive, a Vencofarma, seguindo orientações da OIE, foi o primei- ro laboratório do mundo a incluir esta cepa em suas vacinas. Atualmente, a estrutura da Vencofarma permite o isolamento e identificação de agentes virais causadores de enfermidades respiratórias em equinos. Este monitoramento da ativi- dade viral é de suma importância para que se possa manter as vacinas sempre atualizadas, conferindo maior segurança para criadores e proprietários. Mais informações, ligue 0800 400 7997 ou acesse: www.vencofarma.com.br JOCKEY CLUB BRASILEIRO E LABORATÓRIOS VENCOFARMA ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ OTÍCIASN COMO O FRIO INFLUENCIA NO SISTEMA RESPIRATÓRIO DOS EQUINOS ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Com as baixas temperaturas, os equinos podem ser acometidos por doenças que irão dificultar a respiração e dependendo do caso a performance atlética e/ou reprodutiva. Os veterinários podem se deparar com os qua- dros de Gripe Equina, causada pelo Influen- za Vírus, a Adenite Equina (o popular garroti- lho) e a Doença Pulmonar Obstrutiva Crôni- ca (DPOC) – que consiste em um estado alér- gico crônico com crises respiratórias. Os produto sejam eles broncodilatadores ou mucolíticos, vão ser utilizados como co- adjuvantes no tratamento destas doenças, ou seja, estarão jun- ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ tamente com outras drogas, melhorando o quadro respiratório dos equinos. Os produ- tos que apresentam estas características são o Pulmonil, Pulmo Plus e o Mucomucil Xarope, que vão estar agindo nas patologi- as respiratórias caracterizadas por bronco- espasmo, presença de secreções e catar- ro, tais como broncopneumonia, bronquites (aguda, subaguda e crônica), crises alérgi- cas, atelectasia por obstrução mucosa, entre outras. Mais informações ligue SAC 0800 109 197 ou acesse www.vetnil.com.br Dando continuidade às comemora- ções dos 20 anos da Vetnil, a empresa realizou a VIII Convenção Técnica Vetnil e V Convenção de Distribuido- res Vetnil em Cancun. “É a primeira vez que levamos nos- sos colaboradores e distribuidores para uma Convenção fora do Brasil e isso é motivo de muito orgulho para todos nós. Preparamos esse evento com muito ca- rinho pois todas essas pessoas contribu- íram para nossas conquistas. Temos mui- tos motivos para comemorar juntos os 20 anos da Vetnil e nos preparamos para os próximos 20”, declarou Vera Ribeiro, pre- sidente da empresa. Cerca de 150 profissionais participa- ram das convenções, onde houve troca de experiências, debate de temas estra- tégicos, treinamentos e atividades turís- ticas para que pudessem vivenciar a cul- tura mexicana.Durante o evento, os pla- nos e estratégias de marketing e vendas para os próximos anos também foram apresentados, e os participantes assisti- ram palestras de grandes nomes como Marcos Pontes, astronauta brasileiro da NASA, Ozires Silva, fundador da EMBRA- ER e ex-Ministro da Infraestrutura, dentre outros. Distribuidores e integrantes da equipe ainda foram premiados pelos re- sultados obtidos em 2012 e 2013. VETNIL REUNIU COLABORADORES E DISTRIBUIDORES EM CANCUN PARA CONVENÇÃO 2014Para atender a demanda do mercado veterinário que, até então, utilizava tecnologias ultrapassadas em termos de biossegurança, a Ino- vet® propõe o uso de DuPontTM Virkon® S para o mercado de equi- nos. A solução deve ser aplicada em locais de alto risco (mesas de procedimento, baias, equipamentos cirúrgicos e sanitários) e áreas de baixo risco (corredores, banheiros, salas de espera e recepção) para prevenir a disseminação de doenças. Além de ser o desinfetante recomendado pela Organização das Na- ções Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) para o controle de pandemias, DuPontTM Virkon® S possui elevada eficácia contra mais de 600 patógenos. Esta lista de eficácia comprovada inclui o vírus da Anemia Infecciosa Equina, Encefalomielite, Herpesvírus, dentre diversos outros. Para mais informações sobre a Inovet® e Virkon® S acesse www.inovet.com.br ou solicite a visita de um dos nossos representantes. Tel.: 0800 2 INOVET. DUPONT E INOVET APRESENTAM VIRKON’S, MAIS UM PRODUTO DA LINHA EQUINOS Paginas 23 a 44.pmd 31/7/2014, 15:3842 • 43 Paginas 23 a 44.pmd 31/7/2014, 15:3843 44 • GENDA (CURSOS & EVENTOS)A • VIII SIMPÓSIO NORDESTE ABRAVEQ 24 a 26 outubro de 2014 (Maceió, AL) Tel.: (11) 3032-7868 abraveq@abraveq.com.br www.abraveq.com.br • REPRODUÇÃO, CLÍNICA MÉDICA E CIRÚRGICA DE EQUINOS E BOVINOS • CLÍNICA MÉDICA E CIRÚRGICA DE CAVALOS DE ESPORTE • ODONTOLOGIA EQUINA • OFTALMOLOGIA EM EQUINOS • PALPAÇÃO RETAL E ULTRASSONOGRAFIA EM ÉGUAS INSCRIÇÕES:INSCRIÇÕES:INSCRIÇÕES:INSCRIÇÕES:INSCRIÇÕES: 0800-7256300 www.qualittas.com.br • CURSO DE ODONTOLOGIA EQUINA 27 a 29 de setembro de 2014 • CURSOS DE INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL EM ÉGUAS E COLETA, AVALIAÇÃO E CRIOPRESERVAÇÃO DE SÊMEN EM GARANHÃO 29 de setembro a 2 de outubro de 2014 • CURSO DE PRIMEIROS SOCORROS EM EQUINOS 30 de setembro a 1 de outubro de 2014 • CURSO DE TRANSFERÊNCIA DE EMBRIÕES EM EQUINOS 3 a 6 de outubro de 2014 • CURSO DE ANESTESIA EM EQUINOS A CAMPO Data a confirmar • CURSO DE DIAGNÓSTICO DE CLAUDICAÇÃO EM EQUINOS Data a confirmar • CURSO DE INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL EM ÉGUAS Data a confirmar Tel.: (31) 3899-8300 - Viçosa, MG www.cptcursospresenciais.com.br cpt@cursospresenciais.com.br PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 2014 www.ibvet.com.br • CURSO DE CASQUEAMENTO E FERRAGEAMENTO DE EQUINOS Início: 15 de janeiro 2015 (Jaguariúna, SP) • PRIMEIROS SOCORROS EM EQUINOS (III TREINAMENTO) 22 a 24 de janeiro 2015 (Jaguariúna, SP) 17 a 23 de setembro de 2014 Bolonha - ITÁLIA office@ivas.org • www.ivas.org XX SEMEV - UNESP (FMVA) 25 a 28 de setembro de 2014 Local: Araçatuba, SP diretoriasemev@hotmail.com 2º CICLO DE ESTUDOS EM DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DO SISTEMA LOCOMOTOR 24 a 29 de setembro de 2014 Local: Itaipava - Petrópolis, RJ Tel.: (24) 98816-5055 inscricoeshorsecentar@gmail.com www.clinicahorsecentar.com 2014 ACVS VETERINARY SYMPOSIUM - THE SURGICAL SUMMIT 15 a 18 de outubro de 2014 San Diego - CALIFORNIA acvs@acvs.org www.acvs.org/symposium/info SEMEVEP 2014 - UNIP 20 a 22 de outubro de 2014 Local: São José dos Campos, SP Tel.:(12) 2136-9000 EQUITANA 14 a 22 de março de 2015 Essen - ALEMANHA kelly@unibens.com.br www.universidadedocavalo.com.br CURSO DE EXTENSÃO EM ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO EQUINA Início: agosto de 2014 Local: Jaguariúna, SP Tel.: (19) 99604-4086 cnbarbato@faj.brcnbarbato@faj.brcnbarbato@faj.brcnbarbato@faj.brcnbarbato@faj.br XII SEMANA DA MEDICINA VETERINÁRIA DA UNIVERSIDADE PAULISTA - UNIP 25 a 29 de agosto de 2014 Local: Campinas, SP Tel.: (19) 98182-6581 SEMEVEP 2014 27 a 30 de agosto de 2014 Local: São Paulo, SP contatosemevet@gmail.com FISIOTERAPIA E REABILITAÇÃO DE EQUINOS - CURSOS LIVRES EM SAÚDE ANIMAL E MANEJO ANIMAL 30 e 31 de agosto de 2014 Local: Itapecerica da Serra, SP Tel.: (11) 4872-3467 contato@villacampus.com.br VI CONGRESSO BRASILEIRO DE EQUOTERAPIA 17 a 19 de setembro de 2014 Local: Bento Gonçalves, RS www.congresso.equoterapia.org.br 39Th ANNUAL INTERNATIONAL CONGRESS - IVAS - INTERNATIONAL VETERINARY ACUPUNTURE SOCIETY • SEGEQUI - SEMINÁRIO DE GESTÃO EM EQUINOCULTURA 24 e 25 de setembro de 2014 • XII ENCONTRO INTERNACIONAL DE HORSEMANSHIP 26 a 28 de setembro de 2014 UNIVERSIDADE DO CAVALO Sorocaba, SP - (15) 3292-6633 uc@universidadedocavalo.com.br www.universidadedocavalo.com.br Paginas 23 a 44.pmd 31/7/2014, 15:3844 Terceira e Quarta Capa.pmd 5/8/2014, 15:573 Terceira e Quarta Capa.pmd 5/8/2014, 15:574