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2 ANÁLISE PSICANALÍTICA Segundo Freud, os conflitos derivam das coisas que vão acontecendo em nossas vidas e causam prejuízo a comportamentos futuros. Freud entende que existe um mecanismo psíquico (inconsciente) que faz com o sujeito seja capaz de suportar tais conflitos. Esse mecanismo foi denominado “Mecanismo da repressão”, que mantém no inconsciente ideias e lembranças que são inconcebíveis para aquele sujeito. A resistência impede que o esquecido retorne à consciência. No entanto, a teoria da Psicanálise, traz algumas maneiras de identificar tais questões para poder solucioná-las, duas delas são: a interpretação dos sonhos e a cura pela fala. (FREUD, 1912) No filme, Conor tem o mesmo pesadelo durante muitas noites, nesse pesadelo sua casa e tudo em volta começam a desmoronar, ele vê sua mãe, tenta agarrá-la, seguram as mãos por uns instantes com ela quase caindo, mas ele não consegue e a solta, então ele acorda. Após algumas noites, ele tem um sonho diferente: sonha que uma árvore (a mesma que ele consegue ver da janela de seu quarto) se transforma em monstro e vai conversar com ele. O monstro deixa claro que irá contar três histórias para ele e a quarta história o menino que irá contar, então o monstro diz que Conor irá contar seu pesadelo e que isso será a verdade dele. Embora o menino não compreenda direito o que o monstro quer dizer, é possível notar que os sonhos com esse monstro representam o cerne do conflito inconsciente, como Freud discorre sobre em seu livro “Cinco lições da Psicanálise” (1912): os sonhos representam a realização do desejo. Então, no primeiro sonho, a moral da história é que não existem pessoas totalmente más e pessoas totalmente boas, posteriormente isso faz sentido para que ele perceba que sua vó, embora pareça interferir na relação dele com a mãe, também tem qualidades e que nem sempre existem heróis e vilãos nas histórias, sendo assim, é inserida a ideia de que ele não precisa sentir culpa pelos seus sentimentos. Os outros dois sonhos fazem com que ele manifeste comportamentos agressivos. No segundo ele quebra todos os móveis da sala da vó e no terceiro ele espanca o menino que fazia bullying com ele na escola. É muito interessante ressaltar que, nesses momentos, é possível ver que ele e o monstro fazem o mesmo movimento corporal, ou seja, demonstra a ideia defendida por Freud que toda a nossa maneira de ser e de pensar é consciente e inconsciente, e que nós manifestamos isso através da maneira que falamos, nos sonhos, em nossas escolhas cotidianas. Quando chega no último sonho, em que ele tem que contar seu pesadelo, nos é revelado o que foi recalcado (o que foi mandado para o inconsciente pois era insuportável para ele): No sonho, ele solta a mão de sua mãe porque não aguenta mais, porque no íntimo ele deseja que essa situação acabe. Isso é inconcebível para ele porque o faz sentir culpa, o faz pensar que ele deseja a morte da mãe, e que por isso ele merece ser punido. É nesse momento que conseguimos perceber o porquê ele tem os comportamentos agressivos, ele espera ser punido, uma vez que, “no fundo” acredita que merece por conta desse desejo. No entanto ele não é, e também, é por isso que nas histórias que o monstro contara para ele nos dois últimos sonhos, ficava evidente que a punição não era o que os sujeitos precisavam e que muitas vezes, nem era o que eles mereciam. Quando ele consegue assumir esse sentimento, ou seja, quando ele é capaz de falar o motivo latente (ideia inconsciente/reprimida), o monstro consegue mostrar que ele apenas deseja que a dor acabe e não que a mãe dele morra, e que desejar acabar com o sofrimento, é completamente normal dentro daquela situação, que isso não faz com ele seja uma pessoa ruim que mereça ser punida. Então, no dia da morte de sua mãe, o monstro o incentiva: “Monstro: Aqui está o fim da história. Conor: Eu estou com medo. Monstro: É claro que você está com medo. Será difícil, depois será mais do que difícil, mas você vai conseguir passar por isso, Conor O’Malley. Conor: Você vai ficar? Monstro: Eu estarei bem aqui. Conor: O que eu faço? Monstro: Agora só lhe resta dizer a verdade mais simples de todas. Conor (para sua mãe): Não quero que você vá.”. (NESS, P. Sete minutos depois da meia noite.) Então ocorre o que é explicado pela teoria psicanalítica: o sintoma não faz mais sentido porque, na realidade, é muito pior do que o motivo latente. No caso dele, os sonhos, os comportamentos, só estavam revelando a incapacidade dele de lidar com frustação e a dor de saber que iria perder sua mãe. E ele é “curado” pela fala, pela tomada de consciência que revelou a real proporção de seu sentimento.