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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS 
 
 
 
PEDRO AUGUSTO OLIVEIRA MELO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A SÚMULA NO 382 DO STF: 
A MORADIA EM COMUM COMO REQUISITO PARA A UNIÃO ESTÁVEL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
BELO HORIZONTE 
2017 
 
PEDRO AUGUSTO OLIVEIRA MELO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A SÚMULA Nº. 382 DO STF: 
A MORADIA EM COMUM COMO REQUISITO PARA A UNIÃO ESTÁVEL 
 
 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à 
Universidade Federal de Minas Gerais como 
exigência parcial para obtenção do título de 
bacharel em Direito. 
Orientadora: Laura Souza Lima e Brito. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
BELO HORIZONTE 
2017 
RESUMO 
 
A edição da súmula 382 pelo STF provocou uma série de questionamentos quando à sua aplicação, 
se a coabitação seria ou não um requisito para o reconhecimento da união estável. Assim, este artigo 
tem como objetivo identificar, no tempo, a mudança do entendimento jurisprudencial a respeito da 
súmula, explanando os precedentes que influenciaram sua edição. Metodologicamente este trabalho 
adotou, inicialmente, a pesquisa bibliográfica, e, em um segundo momento, a pesquisa jurisprudencial, 
baseada na análise dos julgados do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça e do 
Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Os resultados levantados apontaram para uma ampla utilização 
da súmula no sentido de afastar o requisito da coabitação, more uxorio, para a configuração da união 
estável. Ainda, a crítica final levantada procura questionar as diferenças entre o mero namoro 
prolongado e a união estável. 
 
Palavras-chave: Coabitação. União Estável. Súmula 382 do STF. Jurisprudência. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ABSTRACT 
 
The release of the precedent n. 382 by the STF court provoked a lot of questionings about its application, 
if the cohabitation would be or not a requirement to recognize the stable union. Therefore, this article 
has the goal to identify, in time, the change of understanding in case law regarding the precedent, and 
clarifying the previous cases that influenced its release. Methodologically, this essay adopted, in the first 
place, the bibliographic research, and, second, the jurisprudential research, based in the analysis of 
cases from the courts: Supremo Tribunal Federal, Superior Tribunal de Justiça and Tribunal de Justiça 
de Minas Gerais. The outcomes of the research indicated to a wide use of the precedent in order to take 
away the cohabitation`s requirement, more uxorious, to configure the stable union. Furthermore, the 
final critic seeks to question the differences between the mere dating and the stable union. 
 
Keywords: Cohabitation. Stable Union. Precedent n. 382 STF. Jurisprudence. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
1. Introdução..............................................................................................................06 
2. A coabitação como requisito para a união estável.................................................07 
3. A súmula 382 do STF: seus precedentes e a aplicação pelo STF........................13 
3.1. Precedentes........................................................................................................13 
3.2. Aplicação da súmula pelo STF............................................................................16 
4. Aplicação da súmula pelo STJ...............................................................................18 
5. Aplicação da súmula pelo TJMG.............................................................................21 
6. Conclusão...............................................................................................................24 
7. Referências............................................................................................................27 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 6 
1. INTRODUÇÃO 
 
 
O surgimento do instituto da união estável no Brasil levantou uma série de 
indagações a respeito dos requisitos necessários para a sua configuração. O art. 
1.723 do Código Civil, que trata deste instituto, a define como a união mantida por 
meio da “convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de 
constituição de família”. Muito se questionou se a coabitação seria necessária, tendo 
teses favoráveis e desfavoráveis, tanto na doutrina quanto na jurisprudência. 
 
A súmula 382 do STF foi editada em 1964 para dirimir a necessidade ou 
não da coabitação para a configuração do concubinato/união estável. Do seu texto 
se depreende: “A vida em comum sob o mesmo teto, more uxorio, não é indispensável 
à caracterização do concubinato”. Atualmente, a súmula tem sido usada como núcleo 
fundamentador de uma série de processos que almejam na sua causa de pedir o 
reconhecimento da união estável. 
 
Tendo em vista tal conjectura, o tema do presente trabalho procura analisar 
a diferença de entendimento dado a súmula na época de sua edição e o dado na sua 
aplicação ao longo dos anos. 
 
Nesse sentido, entende-se que a súmula n. 382 do STF foi editada 
exclusivamente para suprir uma divergência jurisprudencial no tocante ao requisito da 
moradia em comum para a caracterização do concubinato. Por meio desta, era 
possível pleitear o reconhecimento da paternidade nos termos do art. 363, inciso I, do 
Código Civil do 1916. Contudo, atualmente, o reconhecimento da paternidade se dá 
por meios outros do que a mera constatação da união entre o pai e mãe. Desta forma, 
espera-se encontrar julgados nos quais a súmula foi usada para reconhecer uniões 
estáveis. 
 
O objetivo geral do trabalho é identificar, no tempo, a mudança do 
entendimento jurisprudencial no que concerne à moradia comum como requisito para 
a configuração da união estável. Por sua vez, os objetivos específicos incluem expor 
os precedentes que motivaram a edição da súmula 382 do STF, apresentar o 
 7 
posicionamento da doutrina quanto ao status da coabitação como requisito para a 
união estável e analisar os julgados do STF, STJ e TJMG a respeito do tema tratado. 
 
A relevância do trabalho pode ser considerada de irrefutável 
indispensabilidade, pois a súmula em questão, ao dispensar a coabitação como 
requisito para a união estável, influi em uma série de uniões que até então não 
possuíam consequências patrimoniais de grande relevância, como é o caso de 
namoro. Além disso, a mutação do direito nesse sentido implica em uma mudança de 
paradigma da sociedade, atinente ao que é ou não é união estável. 
 
Metodologicamente, este trabalho adotou, em um primeiro momento, a 
pesquisa bibliográfica, em um segundo momento, adotou a análise de julgados a 
respeito do tema, consistindo na coleta de dados a partir de determinados critérios 
nos sites do STF, STJ e TJMG, havendo posteriormente a respectiva exposição dos 
resultados encontrados. 
 
O trabalho se divide em seis capítulos que tratam da coabitação como 
requisito para a união estável, os precedentes da súmula 382 do STF, sua aplicação 
pela referida corte, sua aplicação pelo STJ, sua aplicação pelo TJMG e, por fim, a 
conclusão do resultado encontrado. 
 
 
2. A COABITAÇÃO COMO REQUISITO PARA A UNIÃO ESTÁVEL 
 
 
O instituto da união estável no Brasil tem previsão legal na Constituição 
Federal em seu art. 226, §3o, bem como é regulado pelo Código Civil em seu art. 1.723 
a 1.727 e pelas leis nº 8.971 de 1994 e nº 9.278 de 1996. Os requisitos para sua 
configuração, nos ditames da lei, são: convivência duradoura, pública e contínua, de 
um homem e uma mulher, estabelecida com o objetivo de constituição de família. 
 
Apesar da coabitação não constar expressamente entre os requisitos, 
muito se discute se a mesma estaria se certa forma subentendida no próprio conceito 
de convivência, sendo, portanto, necessária à configuração. Neste ponto, a 
 8 
coabitação aindaassume uma nova importância na diferenciação da união estável e 
o namoro duradouro, situação de importantes consequências patrimoniais. 
 
Álvaro Villaça de Azevedo explica que a palavra coabitação, antigamente 
mencionada como cohabitação, deriva-se do substantivo latino, feminino, cohabitatio, 
onis, que significa o estado de duas pessoas que habitam juntas, vida em comum. O 
vocábulo é formando de co, abreviatura do prefixo com, de preposição latina cum, que 
indica força, união, e da palavra habitação.1 Nesse sentido, completa: 
 
Coabitação, assim, segundo os léxicos, é a convivência de duas pessoas, 
casadas ou não, é a vida íntima de casais, significando mesmo o ato da 
realização sexual. (...)aí a ideia de que a coabitação consiste nas íntimas 
relações entre homem e mulher, que vivem conjuntamente, ou casados ou 
em concubinato. O sentido é o de viverem juntos, de conviverem 
sexualmente.2 
 
Nesse aspecto, defende o autor que a coabitação seria um dever recíproco 
e pessoal de ambos os cônjuges (ou companheiros), juntamente com os deveres de 
fidelidade e assistência imaterial. Ainda afirma com proficiência que o dever 
coabitacional representa a “imposição legal, de ordem pública, aos cônjuges de seu 
relacionamento fisiológico, sexual, recíproco, enquanto durar a convivência no lar 
conjugal”.3 
 
A conceituação de coabitação dada por Álvaro Vilaça, sob o prisma jurídico, 
representa a tendência de boa parte da doutrina em considerar a união estável como 
um quase-matrimônio, dada as suas características semelhantes com o casamento, 
surgindo daí a necessidade do débito conjugal, traduzido na manutenção frequente e 
periódica de relações sexuais, que se convergem na necessidade de coabitação. Nas 
palavras de Regina Beatriz Tavares: 
 
 [...] se amplo conteúdo do dever de coabitação decorre da necessidade de 
integração e desenvolvimento da sociedade conjugal, havendo no matrimônio 
o jus ad copulam, ou direito à prestação sexual, que, no entanto, não se 
 
1 Azevedo, Álvaro Villaça. Dever de coabitação. Inadimplemento, São Paulo, José Bushatsky Editor, 
1976, p. 14. 
2 Ibid., p. 15-16. 
3 Ibid., p. 197. 
 9 
confunde com o jus in corpus, pois este implicaria o direito sobre o corpo de 
outro cônjuge, que inexiste.4 
 
A Revista IOB de Direito de Família, em sua edição de n. 53 de 2009, ao 
analisar os requisitos para a configuração da união estável, compartilha do 
entendimento que a vida entre os companheiros deve ser assemelhada ao 
casamento, uma vez que exteriorizaria a união em sua plenitude, apresentando os 
conviventes à sociedade como marido e mulher. Desta forma, assim é o 
entendimento: 
 
Embora não catalogada na Lei nº 9.278/1996, art. 2º, como um dos deveres 
dos conviventes, nem tão pouco disciplinada no art. 1.723, caput, do Código 
Civil, entende a doutrina que a coabitação, por meio da interpretação histórica 
e sistemática da lei, é da essência da união estável. Aliás, quando no art. 
1.723 alude a “convivência duradoura [...]”, nada mais quis o legislador do 
que consagrar a coabitação.5 
 
Na mesma linha, a revista AJURIS, em sua edição de n. 70 de julho de 1997: 
 
Afasta-se, pois, o efeito dirimente que a súmula impunha ao regime de 
coabitação em sede de concubinato quando o tema é união estável, pois a 
vida em comum, sob o mesmo teto, é o mais visível dos elementos 
constitutivos da união estável, obrigação legal aos casados, nos termos do 
CC, art. 231, II, que deve sempre inspirar o intérprete na averiguação de 
existência da união estável, espécime jurídica que não surgiu com força 
própria, mas tomando de empréstimo seu sucedâneo formal - o matrimônio -
, no qual deve espelhar-se, a bem configurar-se e de produzir efeitos.6 
 
Nesse sentido, é importante salientar que tal concepção entra em conflito 
com a compreensão mais atual de união livre que Constituição e realidade social 
formulam. Precisamente a concepção de que a união estável tem se portado muito 
mais como uma alternativa da sociedade conjugal do que um estágio para a sua 
efetivação. Assim é o entendimento de Rainer Czajkowski: 
 
Os conviventes, hoje, optam por tal estado não mais são compelidos a ele 
por restrições legais ou injunções religiosas. Optam precisamente porque não 
querem casas, porque não acham necessário casar, afastam-se. Assim, de 
pelo menos um dos deveres conjugais que o matrimônio lhes iria impor, a 
 
4 SANTOS, Regina Beatriz Tavares da Silva Papa dos. Direito de Família – aspectos constitucionais, 
civis e processuais, p. 236. 
5 CORDOIL, Verônica Ribeiro da Silva. Pontos Críticos da Sucessão dos Companheiros no Novo 
Código Civil frente às Leis 8.971/1994 e 9.278/1996. In: Revista IOB de Direito de Família, v. 11, n. 53, 
abril-maio de 2009, p. 15-43. 
6 MALHEIROS, Fernando. A União Estável e a Súmula n. 382 do Supremo Tribunal Federal. Revista 
da AJURIS, n. 70, julho de 1997, p. 282-289. 
 10 
coabitação sob o mesmo teto. Em face desta voluntariedade, é contraditório 
que a jurisprudência, a doutrina ou, o que seria pior, a lei, tragam um dever 
próprio do matrimônio para a união livre estável, erigindo-o à condição para 
que se configure uma entidade familiar.7 
 
A crítica a este posicionamento, em contrapartida, também é oportuna e 
merece destaque. Muito embora a união estável e o matrimônio não sejam 
equivalentes, um aspecto semelhante a ambos seria a noção da congregação familiar, 
na qual impera os deveres de coabitação e fidelidade. Nesse sentido, é elucidativo a 
explicação dada pelo advogado Fernando Malheiros: 
 
É claro que ao eliminar uma solução absoluta - de que a união estável não 
depende de coabitação - não se há de recair no absoluto contrário, ou seja, 
erigir a coabitação como condição sine qua non e impostergável, em todos 
os casos, à união estável. Se é verdadeiro que, na imensa maioria das 
situações não se haverá de divisar união estável onde não está presente a 
coabitação, há exceções que justificam e dão plenitude à regra. Não se trata 
de abraçar o entendimento liberal, segundo o qual os padrões modernos de 
comportamento humano dispensam a coabitação como elemento constitutivo 
da família, pois nisso não há qualquer modernidade, considerando que os 
casais atuais que se negam à coabitação procuram justamente é evitar os 
efeitos que dela resultariam e, principalmente, manter a liberdade individual, 
a opção pela variedade sexual e de humores, absolutamente incompatível 
com a noção de congraçamento familiar, onde todos cedem em nome da 
convivência e dos conhecidos benefícios que dela resultam.8 
 
Entretanto, como bem salienta Beatriz Tavares da Silva, em notícia 
publicada no site da ADFAS (Associação de Direito de Família e Sucessões), por se 
tratar de institutos distintos, casamento e união estável devem ser tratados de forma 
diferenciada. Um dos problemas é que frequentemente se confunde namoro com a 
união estável, pois não é exigida a moradia sob o mesmo teto. Por isso, a especialista 
Regina Beatriz pondera que fornecer os mesmos efeitos sucessórios ao casamento e 
à união significaria atribuir a pessoas que nunca desejaram casar-se efeitos típicos de 
casados.9 
 
Por sua vez, Zeno Veloso10 também reconhece a coabitação como uma 
importante característica da união estável, como bem acentua que “essa entidade 
 
7 CZAJKOWSKI, Rainer. União livre: à luz das Leis 8.971/94 e 9.278/96. Curitiba: Juruá, 1996. p. 77. 
8 MALHEIROS, Fernando. A União Estável e a Súmula n. 382 do Supremo Tribunal Federal. Revista 
da AJURIS, n. 70, julho de 1997, p. 284. 
9Disponívelem:<http://www.adfas.org.br/noticias/conteudo.aspx?ti=Dicas%20sobre%20uni%C3%A3o
%20est%C3%A1vel%20e%20tradicional%20casamento&id=6255>. Acesso em: 27/12/2016. 
10 VELOSO, Zeno. Código Civil Comentado, v. 17, 1a Ed., p. 114. São Paulo.Atlas, 2003. P. 114. 
 11 
familiar decorre desse fato, da aparência de casamento, e essa aparência é o 
elemento objetivo da relação, a mostra, o sinal exterior, a fachada, o fator de 
demonstração inequívoca da constituição de uma família”. Entretanto, o doutrinador 
pontua que, se demonstrado o ânimo firme de constituir família, se estão na posse do 
estado de casados, e se o círculo social daquele par, pelo comportamento e atitudes 
que os dois adotam, reconhece ali uma situação com aparência de casamento, a 
união estável resta configurada.11 
 
Carlos Roberto Gonçalves, em Direito Civil Brasileiro, pondera que existem 
situações nas quais a separação física do casal se faz necessária, seja por 
necessidade profissional ou contingência pessoal ou familiar. Entretanto aduz que tais 
situações são de caráter excepcional, que devem ser analisadas caso a caso com os 
demais requisitos da união estável. O jurista justifica seu posicionamento da seguinte 
forma: 
 
Efetivamente, acarreta insegurança ao meio social atribuir a uma relação 
entre duas pessoas que vivam sob tetos diferentes, sem justificativa plausível 
para esse procedimento, a natureza de união estável, com todos os direitos 
que esta proporciona. Mas, por outro lado, não se pode ignorar o 
comportamento de muitos casais, que assumem ostensivamente a posição 
de cônjuges, de companheiro e companheira, mas em casas separadas. Nem 
por isso se pode afirmar que não estão casados ou não vivem em união 
estável.12 
 
Por sua vez, a professora Maria Helena Diniz entende que a convivência 
citada na lei nada mais é do que a coabitação, viver sob o mesmo teto, não se 
configurando união estável se os encontros forem furtivos ou secretos, embora haja 
prática reiterada de relações sexuais. 13 
 
Apesar das divergências doutrinárias, o conceito da coabitação demanda 
a análise dos requisitos subjetivos da união estável, quais sejam convivência more 
uxorio (de costume do matrimônio) e o affectio maritalis (afeição conjugal). O primeiro 
consiste na “comunhão de vidas, no sentido material e imaterial, em situação similar 
 
 
12 Gonçalves, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro, Vol. 6: Direito de família, 9a Ed. São Paulo. 
Saraiva, 2012. p.528. 
13 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro, Vol. 5. Direito de Família, 18ª Ed. São Paulo. 
Saraiva, 2002. p. 120. 
 12 
à de pessoas casadas”14. Este requisito envolve a mútua assistência moral, material 
e espiritual, caracterizada pelos interesses e atos comuns, inerentes à entidade 
familiar. Por sua vez, o affectio maritalis envolve a vontade dos companheiros em 
constituir família. 
 
No âmbito da convivência more uxorio, parte da doutrina entende que um 
costume do matrimônio seria a coabitação, sendo obrigatório para a configuração da 
união estável que os companheiros residam no mesmo logradouro. Porém, para 
melhor definir tal requisito é necessário destrinchar o conceito jurídico de coabitação. 
Em uma visão clássica, a expressão significa o relacionamento sexual continuo sob o 
mesmo teto, englobando o débito conjugal. Por sua vez, o termo assumiu 
contemporaneamente conotação distinta, por meio da superação de um lar em 
comum. A partir desta visão, a coabitação estaria mais relacionada ao afeto, o amor 
que une os cônjuges, elemento essencial da comunhão plena de vida prevista no art. 
1.511 do atual Código Civil.15 
 
Logo, a vontade dos cônjuges de viver segundo os costumes do matrimônio 
não está relacionada, obrigatoriamente, à constituição de um lar em comum. O afeto 
por si só não configura a união estável, uma vez que este elemento também está 
presente no namoro. Por isso, a relação entre os companheiros deve estar 
acompanhada de notoriedade, continuidade, apoio mútuo, convivência duradoura, e 
o instituto de constituir família. Tendo como base tal premissa, é comum namorados 
que vivem sob o mesmo teto mas não pretendem formar um novo núcleo familiar, ou 
o fazem tendo em vista o corte de gastos, por praticidade, por proximidade, entre 
outros motivos. 
 
Assim, para que a união estável seja reconhecida é necessário a análise 
caso a caso com a devida observância dos requisitos constantes no art. 1.723 do 
Código Civil de 2002. Superada a dispensabilidade da convivência sob o mesmo teto 
para a configuração da união estável, o presente artigo procura analisar a fonte de 
 
14 GONÇALVES, C. R. Direito Civil brasileiro: Direito de Família. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2008. v. 6. 
p. 548. 
15 MONTEIRO, Washington de Barros. Curso de Direito Civil: Direito de Família. 36. ed. São Paulo: 
Saraiva, 2001. p. 121. 
 
 13 
fundamentação de grande parte das decisões judiciais atuais que envolvem este 
instituto que é a súmula n. 382 do STF. Assim é o texto da súmula: “a vida em comum 
sob o mesmo teto more uxorio, não é indispensável a caraterização do concubinato”. 
Por meio da pesquisa jurisprudencial dos julgados do STF, do STJ e do TJMG, 
pretende-se investigar os argumentos utilizados na época da edição da súmula e os 
utilizados atualmente para afastar a necessidade da convivência sob o mesmo para a 
configuração da união estável, anteriormente tratada como concubinato. 
 
3. A SÚMULA 382 DO STF: SEUS PRECEDENTES E A APLICAÇÃO 
PELO STF. 
 
3.1. PRECEDENTES. 
 
 
Atualmente, algumas decisões que reconhecem a união estável são 
fundamentadas por meio da súmula 382 do STF, que assim determina: “a vida em 
comum sob o mesmo teto, more uxorio, não é indispensável à caracterização do 
concubinato”. Como citado no capítulo anterior, na época em que a súmula foi 
aprovada em plenário no ano de 1964 pela Suprema Corte, a lei do divórcio ainda não 
estava em voga no país, o que só iria ocorrer na próxima década em 1977, muito 
menos as uniões estáveis eram reconhecidas juridicamente, à margem do casamento, 
elas eram chamadas de “concubinato”. 
 
Nesse sentido, para entender o papel da súmula em fundamentar decisões 
jurídicas é preciso analisar as motivações que levaram o STF a adotá-la, constatação 
que se dará por meio da leitura de processos de 1932 e 1962 que serviram como 
precedentes para a edição da súmula. 
 
Os primeiros processos a suscitar a questão da necessidade da vida em 
comum sob o mesmo teto para a caracterização do concubinato foi o Recurso 
Especial n. 2004 de 06 de setembro de 1932 do estado do Rio Grande do Sul e o 
 14 
Recurso Especial n. 49.212 de 14 de junho de 1962 do estado de Goiás.16 Os dois 
processos versam sobre a pretensão da investigação de paternidade, que tinham 
como referência o art. 363 do Código Civil de 1916, que assim legislava: 
 
Os filhos ilegítimos de pessoas que não caibam no Art. 183, I a VI, têm ação 
contra os pais, ou seus herdeiros, para demandar o reconhecimento da 
filiação: 
I - se ao tempo da concepção a mãe estava concubinada com o pretendido 
pai; 
II - se a concepção do filho reclamante coincidiu com o rapto da mãe pelo 
suposto pai, ou suas relações sexuais com ela; 
III - se existir escrito daquele a quem se atribui a paternidade, reconhecendo-
a expressamente. 
 
O referido artigo estabelecia os requisitos para que os filhos considerados 
“ilegítimos” pudessem ter a paternidade reconhecida, uma vez que naquela época não 
havia exames aptos a comprovar a descendência. O primeiro inciso tratava da 
situação na qual a mãe estava concubinada com o pretendido pai, em outras palavras, 
mantinha uma união diversa do casamento. Nesse sentido, torna-se evidente que a 
configuração do concubinato significava a presunção de relações sexuais, 
dispensando provas diretas de sua ocorrência. Portanto, o filho nascido na constância 
do concubinato poderia demandar o reconhecimento da filiação. Mas a dúvida que se 
instaurou foi a seguinte: em quais circunstâncias estaria o concubinato configurado?Nesse sentido, era possível que houvesse uma multiplicidade de parceiros 
e, portanto, questionou-se se era necessário que os pares tivessem uma vida em 
comum sob o mesmo teto com o estado de casados, “more uxório”, ou até mesmo um 
lapso temporal de curto período, no qual ambos habitassem no mesmo logradouro. 
Desta forma, para dirimir o impasse, o STF decidiu da seguinte forma no Recurso 
Especial n. 2004 de 06 de setembro de 1932 do estado do Rio Grande do Sul: 
 
A autora, porém, não funda a sua acção na posse do estado, mas no facto 
de haver sido concebida e nascida durante o concubinato de seus paes 
Manoel Alves do valle Quaresma Junior e Catharina Carolina Amelia 
Lambert, e sendo ambos solteiros, por occasião de sua concepção, não 
incidindo no art. 183, os 1 a 6, do Código Civil. (...) 
“É verdade que alguns civilistas, dando ao concubinato uma significação 
profundamente restricta, sustentam que só há concubinato quando duas 
pessoas de sexo differente vivem e habitam juntas ou sob o mesmo tecto 
 
16 BRANT. Cássio Augusto Barros. A União Estável e a inaplicabilidade da súmula 382 do STF. Fonte 
Universitária, v. 1, n. 1, ago/dez de 2010. 
 15 
materialmente, sem que a sua união haja sido legalisada com as formalidades 
do casamento, vivendo maritamente, ou more uxorio, apparecento ao publico 
com as signaes exteriores do casamento. 
Esta, porém, não é a signiicação que se deve dar á expressão “concubinato”, 
nem o Código Civil a suffraga, tanto que é o próprio Codigo que, no art. 
1.1173, proibe o homem casado de fazer doação á concubina. 
Donde se conclue que o homem casado pode ter concubina, se estabelecer 
o lar conjugal; e, portanto, concubinarios não são só os que vivem more 
uxorio. E até muito commum ver-se amantes solterios em concubinato, tendo 
domicílios differentes.”17 
 
O julgado em questão tratou de uma ação de investigação de paternidade 
post mortem em face do irmão do suposto pai, pretendendo herdar todo o patrimônio 
deixado na herança. O tio do autor, em sua defesa, alegou que o irmão morava só, 
razão pela qual não poderia ser tido como pai da autora da ação, ausente a more 
uxorio com a mãe desta à época da concepção. 
 
Da leitura da decisão da Suprema Corte depreende-se que as uniões fora 
do casamento (concubinárias) para serem reconhecidas para efeitos de comprovação 
de paternidade, o elemento central de caracterização não consiste na semelhança 
com a “vida de casado”, no caso a moradia em comum, mas na comprovação de que 
os concubinos mantinham relações íntimas frequentementes. Nesse sentido, também 
foi a decisão proferida pelo Recurso Especial n. 49.212 de 14 de junho de 1962 do 
estado de Goiás: 
 
Em torno de conceituação do concubinato, não existe um tratado de paz entre 
quantos hão versado o assunto, já no campo da doutrina, como no do direito 
aplicado. 
Para uns, ele se caracteriza em decorrência da vida comum sob o mesmo 
teto, num verdadeiro estado de casados, é dizer, more uxorio; enquanto, para 
outros, basta que haja relações carnais seguidas e constantes.(...) 
A jurisprudência dos pretórios pátrios, inclusive o S. Trib. Fed. (Ver. De 
Direito, vol. 109, pág. 166), porém, há dado uma significação mais ampla ao 
concubinato, adotando, por bem dizer, o entendimento de que, para sua 
existência, não é necessária vida em comum, sob as mesmas telhas, como 
marido e mulher, senão se reclamam, apenas, as relações íntimas e 
frequentes. 
 
Portanto, os precedentes da súmula 382 do STF mostram que a aplicação 
da mesma está em descompasso com a sua atual aplicação, uma vez que a edição 
da súmula tinha como objetivo primordial afastar a convivência sob o mesmo teto 
 
17 BRASIL, STF. Disponível em ‹http://www.stf.jus.br/porta 
l/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=382.NUME.%20NAO%20S.FLSV.&base=baseSumulas›. 
Acesso em: 03/01/2017. 
 16 
como requisito para a configuração do concubinato, por meio do qual poderia se dar 
o reconhecimento da paternidade dos filhos “ilegítimos”. Entretanto, atualmente, as 
ações de investigação de paternidade são iniciadas pela mera indicação pela mãe ou 
pelo filho maior de 18 anos do suposto pai. No decorrer do procedimento, o acionado 
pode reconhecer a paternidade de forma espontânea em um prazo determinado ou, 
em caso de recusa, é chamado em juízo a fazer o exame de DNA.18 Logo, como a 
súmula perdeu sua função no tempo, resta analisar a mudança no entendimento 
jurisprudencial no sentido da moradia sob o mesmo teto como requisito para a união 
estável. 
 
 
3.2. APLICAÇÃO DA SÚMULA PELO STF. 
 
 
Antes da Constituição de 1988, o STF era responsável por solucionar tanto 
questões federais quanto questões constitucionais, por meio do Recurso 
Extraordinário. Com a chamada “crise do Supremo”, caracterizada pelo enorme 
volume de processos que chegavam na Suprema Corte, a nova constituição criou o 
STJ (Superior Tribunal de Justiça), responsável por julgar recursos contra decisões 
recorridas que contrariem ou neguem vigência a tratado/lei federal, o chamado 
Recurso Especial. 
 
Diante desta mudança de competência, fica claro que a aplicação da 
súmula nº 382 do STF nos Recursos elencados a essa mesma corte se deu entre o 
período de sua edição, em 1964, e a promulgação da Constituição Federal de 1988. 
Ainda, a aplicação pelo STF da súmula pode se dar mediante o julgamento, por 
competência ordinária, de ação rescisória que estiver sido proposta contra decisão 
desta corte. 
 
Quanto à aplicação da referida súmula no STF, em pesquisa jurisprudencial 
no site desta corte, pode-se selecionar nove julgados que tratam da súmula nº. 382 
 
18 CNJ. Registro tardio de paternidade: entenda como funciona. 2015. Disponível em: 
<http://www.cnj.jus.br/noticias/cnj/80105-registro-tardio-de-paternidade-entenda-como-funciona>. Acesso 
em: 27 de out. de 2016. 
 17 
do STF, sendo dois agravos regimentais, seis recursos extraordinários e uma ação 
rescisória. Em sete dos nove acórdãos, as ações foram extintas sem resolução do 
mérito, seja pela ausência de prequestionamento, seja por presença de óbice 
regimental ou pela não apresentação de dissídio de súmulas. 
 
A decisão que mais se dedicou à análise da súmula nº. 382 do STF e a 
necessidade ou não da moradia em comum para a caracterização do 
concubinato/união estável foi o acórdão do Recurso Extraordinário 93.886/MG19, 
julgado em 09/08/1983, tendo como relator o Ministro Oscar Correa. 
 
Primeiramente, a ação tratava-se de uma investigação de paternidade na 
qual o investigado mantinha relações com a mãe do investigante, sendo a mesma 
casada com o homem que registrou o investigante como filho, um caso de concubinato 
impuro a luz do antigo Código Civil de 1916. Entretanto, como já mencionado, o art. 
363, inciso I, do mesmo texto legal, determinava que a situação de concubina da mãe 
no tempo de concepção da criança possibilita a propositura de ação de 
reconhecimento de paternidade. Portanto, a demanda do autor procurou o 
reconhecimento da união concubinária entre a mãe e o suposto pai. 
 
Os ministros entenderam que o concubinato não se configurou, por 
entenderem que a coabitação é elemento essencial para a sua caracterização. Nesse 
sentido, é elucidativo o voto do Ministro Rafael Mayer: 
 
Ora, na espécie, o acórdão recorrido considerou suficientemente 
demonstrado que não só durante a concepção, como antes e depois, a 
genitora do investigante coabitava com seu marido, não constando, por outro 
lado, fosse ele impossibilitado de procriar, ou houvesse, em qualquer 
momento e de qualquer modo, repudiado a paternidade. Nessas 
circunstâncias, não se poderia admitir o reconhecimento da adulterinidade a 
mater, em detrimento da presunção da legitimidade. 
 
Inconformado com a decisão transitada emjulgado que indeferiu o 
reconhecimento da paternidade, o autor propôs a Ação Rescisória nº. 1244/MG20, 
julgada improcedente, uma vez que alegado erro de fato insusceptível de influir 
 
19 STF. RE 93.886/MG. 1a T., Rel. Min. Oscar Corrêa, j. 09/08/1983. DJ 19/10/1984. 
20 STF. AR 1244/MG. 1a T., Rel. Min. Octavio Gallotti, j. 09/06/1999. DJ 30/06/2000. 
 18 
decisivamente na conclusão do acordão rescindendo. Entretanto, apesar do 
indeferimento do pleito, destaca-se o voto do ministro Marco Aurélio, que foi 
categórico em considerar que houve desrespeito à súmula 382 do STF, uma vez que 
a moradia em comum, “more uxório”, não era necessária para a caracterização do 
concubinato. Assim são suas palavras: 
 
Repito: no acordão rescindendo, ao exigir-se, relativamente ao concubinato 
e considerada a concepção e considerada a concepção que pode decorrer 
de uma simples relação sexual, a convivência sob o mesmo teto, more uxória, 
abandonou-se a diretriz traçada pelo Código Civil e que restou conhecida no 
Verbete 382 da Súmula desta corte, segundo o qual “a vida em comum, sob 
o mesmo teto, more uxória, não é indispensável à caracterização do 
concubinato. 
 
Portanto, o voto vencido do ministro Marco Aurélio demonstra uma 
divergência de entendimento da súmula 382 do STF no curso do processo, por meio 
do reconhecimento do concubinato mesmo com a falta do requisito da moradia em 
comum. Mesmo assim, a análise dos julgados nos mostra o posicionamento 
majoritário da Suprema Corte, àquela época, em exigir a moradia em comum para a 
configuração do concubinato ou união estável. 
 
4. A APLICAÇÃO DA SÚMULA PELO STJ 
 
 
A pesquisa jurisprudencial a respeito da aplicação da súmula 382 do 
Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), bem como 
o posicionamento desta corte a respeito da necessidade ou não da moradia em 
comum para a configuração da união estável, mostrou-se necessária uma vez que, 
com a criação do STJ por meio da Constituição de 1988, os recursos que versavam 
sobre contrariedade a tratado ou lei federal passaram a ser julgados pelo mesmo. 
 
Por meio da metodologia adotada de “Case Brief”, na qual a amostra de 
casos foi montada no modelo de fichas de leitura, pode-se selecionar dezoito julgados 
que tratam diretamente da súmula 382 do STF. Desta amostra, treze julgados não 
puderam ser apreciados no mérito, não sendo conhecidos pelas turmas julgadoras. 
Portanto, apenas cinco julgados tiveram a questão de direito reanalisada no âmbito 
recursal. 
 19 
 
Primeiramente, é mister salientar que todos os cinco recursos especiais 
que foram conhecidos pelo STJ trataram da aplicação da súmula 382 do STF em 
relação a união estável, se a moradia em comum, “more uxório”, era necessária ou 
não para a configuração desta união. Nesse sentido, é possível perceber que as ações 
atinentes à Investigação de Paternidade, matéria que serviu de precedente para a 
edição da respectiva súmula por meio da pretensão prevista pelo art. 363, inciso I, do 
Código Civil de 1916 (de que os filhos considerados “ilegítimos” poderiam demandar 
o reconhecimento da filiação caso a mãe tivesse uma relação concubinária com o pai 
à época da concepção), nunca foram objeto de recurso perante o STJ. 
 
O motivo evidente da ausência desse tipo de recurso está ligado ao avanço 
de testes aptos a comprovar a filiação de forma inconteste (exames de DNA). Tal 
avanço médico e tecnológico foi acompanhado de uma série de modificações 
jurídicas, trazidas pelo art. 227 da Constituição de 1988, que assegurou uma série de 
direitos à criança e ao adolescente, seguido pela Lei 7.841/89, que revogou 
expressamente o art. 358 do Código Civil de 1916, que assim determinava: “Os filhos 
incestuosos e os adulterinos não podem ser reconhecidos.”21 
 
Ainda, o reconhecimento do estado de filiação como direito personalíssimo, 
garantido pelo art. 27 do Estatuto da Criança e Adolescente (Lei 8.069), possibilitou 
que o filho entre com ação de investigação de paternidade contra o suposto pai, 
mesmo que não fosse comprovada qualquer tipo de união entre este e a mãe do 
investigante. Logo, a súmula 382 do STF perdeu a sua utilidade primêva, no sentido 
de dispensar a necessidade da moradia em comum para o reconhecimento do 
concubinato e permitir a proposição de ações de Investigação de Paternidade. 
 
Por sua vez, a súmula assumiu nova conotação na dinâmica jurisprudencial 
e passou a ser utilizada na argumentação processual para o reconhecimento da união 
estável. Por este lado, dos cinco julgados do STJ, nos quais o mérito foi apreciado 
pelas respectivas turmas, observou-se que todos são pacíficos no sentido de não 
 
21 ALMEIDA, Maria Christina de. A prova do DNA: uma evidência absoluta. In: Âmbito Jurídico, Rio Grande, 
II, n. 6, ago 2001. Disponível em: <http://www.ambito-
juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=5534>. Acesso em nov. 2016. 
 20 
reconhecer a coabitação como requisito para a configuração da união estável e, desta 
forma, reconhecer a plena aplicação da súmula 382 do STF. 
 
No recurso especial n. 1.096.324/RS22, julgado em 03 de março de 2010, 
o recorrente alegava que a relação entre ele e a recorrida não passava tão-somente 
de um namoro prolongado entre duas pessoas maduras que dividiam viagens, 
presentes e eventuais pernoites sem, no entanto, possuírem o objetivo de constituir 
uma família. Alegando, desta forma, que estaria ausente a coabitação demanda pelo 
art. 1723 do Código Civil de 2002. O voto do ministro relator Honildo Amaral de Mello 
Castro foi incisivo ao destacar do conceito de “more uxório” a necessidade da moradia 
em comum: 
 
É sabido que more uxório significa uma convivência denotadora da aparência 
de casamento, sem implicar, contudo, necessidade de união sob o mesmo 
teto. 
Nesse sentido, tem sido dominante a doutrina, ao admitir a característica da 
continuidade desprovida do elemento "more uxório". 
Da mesma maneira, a jurisprudência pátria, há muito, reconhece a 
comunidade de vida independente da convivência sob o mesmo teto para a 
sua integração, ou seja, a coabitação, conquanto possa ser um dos indícios 
da existência da vida em comum, não é requisito essencial para a 
caracterização da união estável, nos termos do enunciado da Súmula no 382 
do STF. 
 
 Contrariamente, no mesmo processo, o ministro João Otávio de Noronha 
suscitou em seu voto a confusão que têm ocorrido na jurisprudência em torno da 
diferenciação entre namoro prolongado e união estável. O seu pilar argumentativo 
restringiu-se à insegurança patrimonial, a qual as pessoas estariam constantemente 
afetadas, quando intentassem qualquer relação amorosa mais duradoura com alguma 
pessoa. Nesse sentido, foram sábias suas palavras ao dizer que: “Creio que não 
podemos, com nosso entendimento, afetar a vida dessas pessoas de modo que 
tenham de se preocupar com a questão patrimonial, sendo que, em seus 
relacionamentos afetivos, não houve intenção de formar uma entidade familiar. “ 
 
22 STJ. REsp 1.096.324/RS, 4ª T., Rel. Min. Honildo Amaral de Mello Castro, j. 02/03/2010, DJ 
10/05/2010. 
 
 21 
 
Apesar da ressalva do ministro supracitado, o recurso especial foi 
reconhecido e provido, valendo-se da invocação da súmula 382 do STF. No entanto, 
cumpre destacar que o entendimento do STJ sofreu uma modificação importante no 
acórdão n. 1.157.908/MS23, julgado em 14 de abril de 2011, que, apesar de não ter 
sido conhecido, devido a impossibilidade de reexame de provas e fatos (súmula 7 do 
STJ), tratou da importância da moradia em comum para o reconhecimento da união 
estável. Assim foi o entendimento do ministro Raul Araújo em seu voto: 
 
A união estável tratada na Constituição Federal,bem como na legislação 
infraconstitucional, não é qualquer união com certa duração existente entre 
duas pessoas, mas somente aquela com a finalidade de constituir família. 
Trata-se de união qualificada por estabilidade e propósito familiar, decorrente 
de mútua vontade dos conviventes, demonstrada por atitudes e 
comportamentos que se exteriorizam, com projeção no meio social. 
Dessa forma, na hipótese, não me parece que a ausência de coabitação e de 
outras formas de convivência ou comportamento tipicamente familiar, 
reconhecida no v. acórdão recorrido, seja algo desimportante para a 
caracterização da união estável. Do contrário, todo relacionamento existente 
entre um homem e uma mulher, com certa duração, poderá, com essa 
facilitação, ser declarado união estável. 
 
O entendimento predominante no Recurso Especial citado foi de que a 
mera união duradoura de duas pessoas não caracteriza a união estável, sendo 
necessário ainda os requisitos subjetivos e objetivos constantes no art. 1.723 do 
Código Civil de 2002, destacando-se o objetivo comum em constituir família. Dentro 
deste requisito, entenderam os ministros que a coabitação seria uma manifestação 
dessa vontade e que a sua constatação seria requisito para o reconhecimento da 
união estável. 
 
5. APLICAÇÃO PELO TJMG 
 
 
A aplicação da súmula 382 do STF (Supremo Tribunal Federal) pelo TJMG 
(Tribunal de Justiça de Minas Gerais) nas décadas subsequentes à sua edição 
procurou uniformizar o entendimento dos desembargadores no tocante a necessidade 
da moradia em comum para a constituição da união estável. 
 
23 STJ. REsp 1.157.908/MS, 4ª T., Rel. Min. João Otávio de Noronha, j. 14/04/2011, DJ 01/09/2011. 
 
 22 
 
Em pesquisa jurisprudencial no site do tribunal supracitado, através da 
pesquisa dos termos “Súmula 382 E STF E união estável”, foram encontrados oito 
acórdãos de apelações cíveis que tratavam de forma direta da referida súmula. Desta 
amostra foi possível constatar que todos os recursos foram apreciados no mérito pelas 
respectivas turmas e, surpreendentemente, todas entenderam que a moradia em 
comum não representa requisito indispensável à união estável, pacificando o 
entendimento de que a súmula 382 do STF é plenamente aplicável em casos de 
reconhecimento deste tipo de união. 
 
Como a moradia em comum foi afastada como requisito para a união 
estável, por vezes os desembargadores se utilizaram dos mais variados fundamentos 
para que a mesma fosse reconhecida. Desta forma, as situações nas quais o namoro 
prolongado ou até mesmo relações sexuais esporádicas diferiram-se da união estável 
estão relacionadas com o objetivo ou não de constituir família. No processo de n. 
1.0428.03.900056-0/00124, julgado em 31/08/2004, de relatoria do Des. Brandão 
Teixeira, a apelante pleiteava o reconhecimento da união estável com o réu e a 
partilha de um imóvel no nome deste, que seria supostamente a moradia do casal. O 
decisório levou em conta o número de filhos que ambos conceberam ao longo da 
relação, bem como o auxilio financeiro do qual ela se beneficiava: 
 
Rogando vênia ao parecer do i. Procurador de Justiça, entende-se que restou 
comprovada, no caso em tela, a existência de uma relação estável e contínua 
entre o apelante e a apelada, porque os três filhos do casal foram concebidos 
e vieram à luz ao longo de mais de quatro anos de relações. 
Ressalte-se, ainda, que a intenção de constituir uma família resulta tanto dos 
nascimentos subseqüentes dos filhos do casal, quanto da ampla assistência 
material que era fornecida pelo apelante à apelada (do depoimento de f. 73 - 
TJMG: "quem mantinha a despesa da casa da autora, bem como a despesa 
dos três filhos da autora, era o requerido"). 
 
Também houve menção à finalidade da compra do imóvel, que se deu um 
mês antes do nascimento do primeiro filho do casal, fato que denotaria que a vontade 
do réu estava além da simples manutenção das relações sexuais com a requerente. 
Nesse sentido, o Desembargador Brandão Teixeira esclareceu seu posicionamento: 
 
24 TJMG. AC 1.0428.03.900056-0/001, 2ª Câmara Cível., Des. Brandão Teixeira, j. 31/08/2004, DJ 
17/09/2004. 
 
 23 
“O homem que engravida uma mulher, fornece-lhe uma casa para abrigá-la com o 
filho prestes a nascer e continua a frequentá-la, deu-lhe um lar e, consequentemente, 
constituiu uma família”. 
 
Nesse sentido, a assistência material mútua, também chamado de dever 
de socorro entre os companheiros, passou a ser um dos fatores determinantes para 
a percepção da união estável. Por esse viés, depreendesse que tal assistência denota 
a solidariedade e a comunhão de interesses dos companheiros em constituir uma 
família. Tanto é assim que as Leis 8.971/94 e 9.278/96 foram importantes em definir 
responsabilidades e, possivelmente, provocar efeitos patrimoniais durante ou após a 
dissolução da sociedade, esta sendo mais comum.25 Esclarecedor é Rainer 
Czajkowski a respeito da dependência econômica entre os companheiros: 
 
Ficando demonstrada a dependência econômica no curso da união, por 
exemplo, a mulher que só cuidou do lar sem nenhuma atividade remunerada, 
ou quando – auferindo renda – ela é irrisória; provada está a necessidade 
para fins de alimentos de acordo com o art. 7o da Lei 9.278. Fácil de ver que 
é a hipótese usual mas não é a situação necessária. Mesmo sem configurar 
como dependente, um dos parceiros – na ruptura da união – pode precisar 
de alimentos do outro. O parceiro, por exemplo, momentaneamente afastado 
da administração dos bens comuns. Pode haver necessidade superveniente 
ou temporária sem ter havido dependência econômica.26 
 
Ainda, quanto a presença de uma prole como indicativo da união estável, 
é de ressaltar que a concepção de muitos filhos aponta para a continuidade da relação 
ao longo dos anos, uma vez que o próprio conceito de more uxório abarca a prática 
reiterada de relações sexuais. Por sua vez, os deveres de guarda, sustento e 
educação dos filhos, nos dizeres de Guilherme Calmon Nogueira da Gama, denotam 
um compromisso mútuo dos companheiros: 
 
O descumprimento dos deveres paternos em relação aos filhos pode conduzir 
à perda do pátrio poder, em decorrência do abandono a que o menor foi 
relegado (art. 395, inc. II, do Código Civil), e, indiretamente, provocar o abalo 
nas relações pessoais entre companheiros, causando ruptura da união, 
diante do desaparecimento de um requisito, como a affectio maritalis.27 
 
 
 
25 GAMA, Guilherme Calmon Nogueira da. O companheirismo: uma espécie da família. 2. Ed. Rev, 
atual e ampl. São Paulo. Revista dos Tribunais, 2001. p. 245. 
26 CZAJKOWSKI, Rainer. União livre: à luz das Leis 8.971/94 e 9.278/96. Curitiba: Juruá, 1996. p. 83. 
27 Ibid., p.248. 
 24 
Contudo, cumpre salientar que, apesar da existência de filhos representar 
um dos pilares sobre o qual repousa o conceito de família continua, trazendo a ideia 
de procriação, de perpetuação da espécie pela descendência, quase instintiva no ser 
humano, ela não é necessária para a configuração da união estável. Tão-somente 
representa um meio de prova apto a perceber as nuances deste tipo de união, o 
mesmo se aplica para a assistência material dada pelos supostos companheiros ao 
longo da relação. 
 
Por sua vez, no processo de n. 1.0024.01.054344-5/00128, julgado em 
05/06/2008, de relatoria do Des. Dorival Guimarães Pereira, têm-se uma lide peculiar 
na qual o autor do recurso pleiteia a anulação de união estável, tão-somente em 
relação ao período em que os companheiros passaram a viver em logradouros 
diferentes, por entender que a moradia em comum é requisito para a configuração da 
união. Portanto, a polemica cinge-se na duração da mesma com base no “more 
uxório”. Polêmica esta que foi dirimida pelo Des. Relator daseguinte forma: 
 
É que, mesmo tendo os conviventes deixado de viver sob o mesmo teto a 
partir de 1990, tal fato, por si só, não é suficiente para desconstituir a união 
estável, já que eles continuaram a conviver afetivamente e amorosamente 
como se família fossem, em relação de marido e mulher. Tal fato é constatado 
tanto através da prova documental carreada aos autos, como também dos 
depoimentos das testemunhas arroladas, comprovando se que eles 
mantinham relacionamento sexual, participavam de festas e eventos juntos, 
como se casados fossem reunindo, portanto, os requisitos necessários para 
a configuração da união estável. Tal cenário perdurou até o ano de 1997, 
quando restou evidenciado o término do relacionamento estável, duradouro 
e contínuo. 
 
No caso, a questão da moradia comum passou a ser mais um incidente 
temporal na vida dos companheiros do que unicamente o requisito para a 
caracterização da união estável. Por meio de outros meios de prova foi possível 
constatar que a união não se findara, muito menos se desgastara, com a não 
coabitação. Portanto, a falta deste elemento não descaracteriza a união em si, 
conforme lição de Rodrigo da Cunha Pereira: 
 
O delineamento do conceito de união estável deve ser feito buscando os 
elementos caracterizadores de um núcleo familiar. Os ingredientes são 
aqueles já demarcados principalmente pela jurisprudência e doutrina 
 
28 TJMG. AC 1.0024.01.054344-5/001, 5ª Câmara Cível., Des. Dorival Guimarães Pereira, j. 
05/06/2008, DJ 29/07/2008. 
 25 
pósconstituição de 1988: durabilidade, estabilidade, convivência sob o 
mesmo teto, prole, relação de dependência econômica. Entretanto, se faltar 
um desses elementos, não significa que esteja descaracterizada a união 
estável. É o conjunto de determinados elementos que ajuda a objetivar e a 
formatar o conceito de família. O essencial é que se tenha formado com 
aquela relação afetiva e amorosa uma família, repita-se.29 
 
 
Portanto, todos os julgados entenderam que a união estável para restar 
configurada perpassa mais pelo âmbito comportamental dos companheiros, no 
sentido de se portarem como se família fossem por meio de uma relação pública, 
contínua e duradoura, do que meramente pela coabitação. Nesse sentido, o 
entendimento jurisprudencial do TJMG muitas vezes associou a presença de filhos, 
bem como a dependência financeira entre os companheiros, comprovada por meio de 
contas conjuntas ou faturas de cartões de crédito, como elementos aptos a comprovar 
tal relação, diferindo desta forma do namoro prolongado ou dos meros encontros 
íntimos. 
 
 
6. CONCLUSÃO 
 
 
Levando-se em consideração os resultados obtidos por meio da análise da 
jurisprudência retirada dos sites do STF (Supremo Tribunal Federal), STJ (Superior 
Tribunal de Justiça) E TJMG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais), foi possível 
constatar como a súmula 382 têm sido aplicada por estas cortes, bem como perceber 
as consequências da mesma para a sociedade em geral. 
 
Primeiramente, conclui-se que os motivos ensejadores da edição da 
súmula pelo STF, precedentes que tratavam da necessidade da moradia em comum 
para a configuração do concubinato e, consequentemente, da possibilidade de propor 
Ação Investigativa de Paternidade (nos termos do art. 363 do Código Civil de 1916), 
não mais são aplicáveis no direito brasileiro. Portanto, a aplicação da súmula para 
 
29 PEREIRA, Rodrigo da Cunha. Direito de Família e o Novo Código Civil, Ed. DeI Rey, Belo 
Horizonte, 2002, p. 209. 
 26 
estes casos cessou-se no tempo, principalmente após a promulgação da Constituição 
de 1988 e o advento dos exames de DNA. 
 
Ainda, com ênfase na aplicação da súmula pelo STJ e TJMG, apurou-se 
que a mesma vem sendo aplicada corriqueiramente para reconhecer a união estável. 
Nesse sentido, os julgados foram fundamentados majoritariamente pela constatação 
da vontade de constituir família dos companheiros, respaldada pelo amplo conjunto 
probatório que expunham convivências duradouras, públicas e continuas. 
 
Percebeu-se, também, a preocupação de alguns julgadores com a 
insegurança jurídica que a súmula poderia causar, tendo em vista que qualquer 
namoro mais duradouro teria a capacidade de ser reconhecido como união estável, 
fato que implicaria em sérias consequências patrimoniais para os envolvidos. 
 
A partir dos resultados obtidos, podemos levantar questões a respeito do 
que seria a união estável e no que ela diferiria de outras relações, bem como a 
conexão da coabitação nesse interim. Qual seria a diferença do namoro e da união 
estável? Como é possível perceber no tempo a transição entre estas duas uniões? A 
“vontade de constituir família” só é possível com a coabitação? 
 
Ora, o namoro pode ser revestido de uma união duradoura, contínua e 
pública, assim como a união estável, restando unicamente a “vontade de constituir 
família” como fator diferenciador de ambos. Esta pode ser entendida como o affectio 
maritalis, no qual percebe-se a comunhão de interesses e a estabilidade das 
relações.30Em muitos julgados, aplicou-se a teoria da aparência, que observa o 
tratamento que os companheiros davam entre si no cotidiano, “como se 
esposa/marido fossem”. Nesse sentido, é o entendimento do Des. Ronei Danielli, do 
TJSC, explicado em notícia do IBDFAM (Instituto Brasileiro de Direito e Família): 
 
O desembargador esclareceu, em seu voto, que não se pode confundir o 
instituto da união estável com relação afetiva passageira, sem maiores 
compromissos. Isto porque, na união estável, há a configuração de relação 
séria, exclusiva, com real objetivo de constituição de família, envolvendo mais 
do que a coabitação do casal, “agasalhando” a própria comunhão de vidas, 
 
30 TJRJ. AC 0007739-78.2012.8.19.0008. 18a Câmara Cível. Des. Eduardo de Azevedo Paiva, j. 
13/05/2015, DJ 15/05/2015. 
 27 
enquanto no namoro ou relação aberta, tem-se um relacionamento 
descompromissado e inconsequente.31 
 
Por um lado, apesar da coabitação denotar a vontade de constituir família, 
ela não indica por si só que a união estável resta configurada. Um paralelo válido que 
podemos fazer sobre esta questão é com o casamento, como bem salientou Cláudia 
Grieco Tabosa, em sua obra Efeitos Patrimoniais do Concubinato, que “era de se 
aceitar, com efeito, a tese de que em princípio possam os concubinos mesmo viver 
em habitações separadas mas manter união estável, como de resto o fazem algumas 
pessoas formalmente casadas”.32 
 
Neste diapasão, a coabitação passa muito mais a ser um elemento 
probatório a ser analisado pelo julgador, juntamente com os demais elementos, sejam 
eles de cunho financeiro, afetivo, parental, do que um requisito imprescindível para a 
caracterização da união estável. Portanto, tendo em vista o grande número de ações 
sendo propostas neste sentido, é de se esperar que a súmula 382 do STF venha a 
ser amplamente aplicada pelas cortes do país. 
 
Por fim, acredito que o presente trabalho tenha sua relevância na 
percepção da mutação do direito pátrio ao longo do tempo, situação que aponta cada 
vez mais para a facilitação do reconhecimento da união estável. Ainda, abriu-se a 
reflexão sobre a necessidade da regulamentação de situações que podem influir de 
forma contundente na dinâmica social, com suas respectivas consequências 
econômicas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
31 Disponível em: <http://www.ibdfam.org.br/noticias/5496/Namorar+com+ex-
companheiro+n%C3%A3o+caracteriza+nova+uni%C3%A3o+est%C3%A1vel+para+fins+previdenci%
C3%A1rios>. Acesso em: 03/01/2017. 
32 PESSOA, Cláudia Grieco Tabosa. Efeitos patrimoniais do concubinato. São Paulo: Saraiva, 1997. p. 
51. 
 28 
 
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