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FORMAÇÃO DO VOCABULÁRIO DA LÍNGUA PORTUGUESA O dinamismo da língua e a formação do vocabulário A maior parte do vocabulário português é de origem latina. Os vocábulos portugueses são o resultado da evolução das palavras latinas. Segundo os estudiosos de filologia, o acervo vocabular constitui-se de três fontes de estudo: continuidade linguística, importação estrangeira e formação vernácula. A continuidade linguística consiste na transformação gradual dos vocábulos de uma língua no decorrer do tempo. No caso da língua portuguesa, esse processo de formação vocabular foi o responsável pela formação do vocabulário português até o século XII, fornecendo palavras oriundas do latim vulgar (em sua grande maioria), de outras línguas pré-latinas e da língua árabe. A importação estrangeira consiste na absorção de palavras de outras línguas e na adaptação dessas palavras às estruturas do idioma. A formação vernácula consiste na criação de novas palavras, com base nos próprios vocábulos do idioma. À medida que o tempo passa, o homem conhece novas coisas, e a tudo que ele vai descobrindo ou criando precisa dar um nome. Assim, todas as línguas estão preparadas para criar palavras novas. Isso ocorre porque uma cultura viva está em permanente transformação, e a língua, que é um bem cultural, não pode deixar de transformar-se. Para compreendermos os processos de formação de palavras, precisamos antes conhecer a estrutura das palavras. ESTRUTURA DA PALAVRA Na língua portuguesa, a palavra não é a menor forma que expressa significados. Ela se compõe de outros elementos carregados de significado: elementos mórficos. Os elementos mórficos da língua portuguesa são: radical, afixos, desinências, vogal temática, tema, consoante e vogal de ligação. Vamos estudá-los. Radical Analise os nomes a seguir. O que eles têm em comum? A esse elemento que se repete em todas as palavras da família de espaço e que expressa a ideia básica dessas palavras (área) chamamos radical. Radical é aquele elemento que funciona como base do significado de um grupo de palavras da língua. Do mesmo modo que nós fazemos parte de uma família, as palavras também se agrupam em famílias. No exemplo citado, as palavras - espaço, espacial, espaçoso etc. - pertencem a uma família etimológica, pois possuem um radical comum. Palavras da mesma família etimológica, ou seja, que têm a mesma origem, são palavras cognatas. Afixos Olhando a figura ao lado podemos dizer que a pessoa está confortável. Suponhamos que se queira dizer o contrário de confortável. Podemos usar duas palavras, isto é, duas formas soltas: não confortável. Ou então, podemos juntar ao radical uma forma presa, como: desconfortável. Assim: não confortável =>formas soltas desconfortável =>forma presa Da mesma maneira, suponhamos que se queira exprimir um conceito que signifique algo relacionado a espaço. Pode-se fazê-lo com palavras soltas, formando a locução. Assim: com muito espaço – formas soltas Ou com uma palavra: espaçoso – forma presa Esses segmentos (formas presas) que se juntam ao radical para derivar-lhe o sentido chamam-se afixos. Os afixos que se põem antes do radical chamam-se prefixos. E os que se põem depois do radical chamam-se sufixos. Afixos são formas que se prendem aos radicais para ampliar-lhes a significação. Recebem o nome de prefixos, se colocados antes do radical; e de sufixos, se colocados após o radical. Desinências Vogal temática Tema E tema o que é? É o radical da palavra (nome ou verbo) acrescido de vogal temática. Observe agora, o tema apresentado em verbos. Neste caso, a vogal temática faz a ligação entre o radical e a desinência de número, pessoa, tempo ou modo. Neste exemplo, a vogal temática está designando o tempo verbal. Tema é o radical acrescido da vogal temática, preparado para receber as desinências. Consoantes e vogais de ligação Denominam-se vogais e consoantes de ligação os elementos que, desprovidos de qualquer significação, ocorrem entre um elemento mórfico e outro, para facilitar a pronúncia das palavras. Processos de formação das palavras Diferenças entre derivação e composição Na língua portuguesa, existem dois processos básicos para a criação de novas palavras: derivação e composição. Processos de formação de palavras Observe, agora, como se formou a palavra disco-voador. Tipos de derivação Dependendo do tipo de afixo acrescentado, surgem os diversos tipos de derivação: derivação prefixal, derivação sufixal e derivação parassintética. Derivação prefixal consiste na formação de uma palavra nova pela adição de um prefixo ao radical. Exemplos: Derivação sufixal consiste na formação da palavra nova através da adição de um sufixo ao radical. Exemplo: Derivação parassintética ou parassíntese consiste na formação de palavras pela agregação simultânea de prefixo e sufixo. Exemplo: Por exemplo, a palavra desesperança não foi formada por parassíntese, mas passou por processos distintos, pois de: Entre os casos de derivação em língua portuguesa, existem dois casos que não consistem em acréscimo de afixos. Pode surgir alguma dúvida na identificação da palavra primitiva e da derivada. 2. Derivação imprópria consiste no processo pelo qual a palavra muda de classe gramatical, sem alterar a sua forma. Tipos de composição A composição consiste na junção de dois ou mais radicais. Há dois tipos de composição: justaposição e aglutinação. Justaposição A composição pode ter ou não a presença de hífen. Exemplos: claraboia, guarda-chuva. Há compostos por justaposição que não conservam a mesma grafia da forma separada. Isso não é problema, desde que a pronúncia das duas palavras seja mantida. Exemplo: a palavra girassol deve ser considerada justaposta. Aglutinação Observe os exemplos: A única diferença desse processo em relação ao anterior é que: Na aglutinação, os elementos que se juntam alteram a pronúncia que possuíam quando separados. O processo de composição por aglutinação é o tipo de composição em que os elementos que se juntam perdem a integridade fonética, ou seja, alteram a pronúncia que possuíam quando isolados. Além desses, existem outros processos. Hibridismo Ocorre quando uma palavra é formada de elementos provenientes de diferentes línguas ou idiomas. Abreviação vocabular ou redução e abreviatura Sigla As siglas são abreviaturas formadas pela letra ou letras iniciais do nome de uma instituição e usadas no lugar desse nome. Certas siglas se popularizam, de tal forma se identificam com o gosto popular, que se usam como palavras autônomas da língua. É interessante observar que algumas siglas dão origem a novas palavras. E o caso de AIDS, que derivou aidético, e PT, que originou petista. Onomatopeias Onomatopeias são palavras que buscam reproduzir, de modo aproximado, sons ou ruídos. Temos: vozes de animais: miar, mugir, latir ruídos de objetos familiares: tique-taque (do relógio), dlim-dlom (da campainha), trim-trim (do telefone, da campainha) interjeições: pá! catapimba! zás! Na onomatopeia, a coisa é sugerida pelo som característico ou pela reduplicação de sílabas. Como identificar a palavra primitiva e a derivada Como identificar a palavra primitiva e a derivada Como saber? Basta prestar atenção: -se o substantivo expressar uma ação, ele terá vindo de um verbo. Portanto será uma palavra derivada; e o verbo, a palavra primitiva. - se o substantivo tiver ideia de coisa estática, o verbo é que será derivado dele. EX.: Palavras de origem Tupi-Guarani Você sabia? O verbo pôr e seus derivados: dispor, compor, repor etc pertecem a 2ª conjugação por razões etimológicas: sua forma arcaica era per, portanto sua volgal temática é e. Ernani. Curso prático de gramática. São Paulo: spione, 1998 p. 144.