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Projeções cartográficas – são as formas ou técnicas pelas quais
uma superfície esférica (no caso a Terra) é representada no plano
(o mapa).
Uma projeção cartográfica
consiste num conjunto de linhas
(paralelos e meridianos), que
formam uma rede sobre a qual são
representados os elementos do
mapa: terras, mares, rios, cidades
etc.
VESENTINI, José William. Geografia: O Mundo em
Transição. São Paulo: Ática, 2010.
A maior parte das projeções existentes
atualmente deriva dos três tipos ou métodos originais, a
saber: cilíndricas, cônicas e planas ou azimutais.
Cônica
A projeção cilíndrica possibilita a representação total da
Terra, sendo muito utilizada na elaboração de planisférios e na
navegação. Nesse tipo de projeção:
os paralelos e os meridianos são retos e perpendiculares;
como o cilindro é tangente à linha do Equador, ele toca somente
essa linha, indicando os únicos lugares que conservam suas
dimensões originais; as demais áreas projetadas não guardam as
medidas originais;
quanto mais perto dos pólos (altas latitudes), maior a deformação;
os países parecem grandes ou esticados.
A projeção plana ou azimutal é empregada na confecção
de mapas especiais , principalmente náuticos e aeronáuticos.
Como mostra metade do mundo, é muito utilizada para
representar as regiões polares. Esse tipo de projeção:
contém paralelos projetados em círculos concêntricos e
meridianos projetados em linhas retas;
as linhas e proporções deformam-se à medida que se afastam do
ponto de tangência.
Obs: - O símbolo da ONU (Organização das Nações Unidas) é uma
projeção plana ou polar ou azimutal.
A projeção cônica é usada principalmente na
representação de países e regiões de latitudes intermediárias,
embora possa ser empregada para outras latitudes. Esse tipo de
projeção:
apresentas paralelos circulares e meridianos radiais , isto é, retas
que se original de um único ponto;
contém, como única linha que apresenta grandezas reais, o
paralelo de tangência.
Projeções equivalentes e conformais
Um dos grandes problemas das projeções é que não é
possível ao mesmo tempo ter uma boa exatidão no tamanho
(proporção) e na forma das áreas mapeadas. Tem que se priorizar
um desses dois elementos em detrimento do outro.
• Projeções Conformais – priorizam o
formato e sacrificam as proporções.
• Projeções Equivalentes – valorizam
o tamanho e acabam prejudicando o
formato das áreas.
Projeções de Mercator e Gall Peters
Projeção de Mercator – foi a primeira projeção cartográfica
considerada moderna. Confeccionada pelo geógrafo e cartógrafo
Gerhard Mercator (1512-1594) ainda é muito utilizada nos dias
de hoje.
Principais características da projeção de Mercator
Visão Eurocêntrica - 1569
 É uma projeção conformal, que se preocupa basicamente com as
formas e nem tanto com o tamanho relativo de cada área.
 A projeção de Mercator mantém a forma dos continente e dos
países, mas distorce suas áreas.
 Apresenta distorções que aumentam à medida que aumenta a
latitude.
Obs: A projeção de Mercator reproduz mais ou menos corretamente o tamanho e o formato das
áreas situadas na zona intertropical, mas exagera na projeção das áreas temperadas e polares.
Observe que a Groenlândia, com
área de 2,1 milhões de quilômetros
quadrados, nessa projeção é
proporcionalmente do tamanho da
América do Sul, que possui uma área
total de 17,8 milhões de quilômetros
quadrados.
Projeção de Gall-Peters – também é cilíndrica e foi concebida
em 1885 pelo abade e cartógrafo escocês James Gall (1808-1895) e
retomada em 1952 pelo historiador alemão Arno Peters (1916-
2002) Mapa para ummundo solidário - Terceiro-mundista.
Principais características da projeção de Peters
 É uma projeção equivalente, que tem preocupação maior não
com as formas, mas com a proporção, com o tamanho relativo de
cada área mapeada.
 A projeção de Peters procura fazer um retrato mais ou menos fiel
do tamanho das áreas, embora acabe, muitas vezes distorcendo os
formatos.
 Apresenta um alongamento das áreas no sentido norte-sul ou no
sentido leste-oeste.
Obs: Peters imaginou que sua projeção fosse mais propícia aos países subdesenvolvidos, pois
corrige a distorção que existe na projeção de Mercator.
Na projeção de Peters as
proporções são equivalentes, isto é,
se aproximam do tamanho real .
Observe que nessa projeção a
Groenlândia já aparece
proporcionalmente bem menor que
a América do Sul.
Outras importantes projeções
Projeção de Robinson – essa projeção foi criada em 1963 pelo
geógrafo e cartógrafo estadunidense Artur Robinson (1915-2004).
É do tipo intermediário – nem equivalente nem conformal.
Obs: A projeção de Robinson é muito usada na representação de planisférios, é a mais comum
para uso didático.
Projeção Descontínua ou Interrompida de Goode – nessa
projeção os mapas apresentam em geral exatidão e riqueza de
detalhes, mais fica difícil calcular as distâncias por causa dos
cortes ou interrupções.
Obs: Esse tipo de projeção é muito boa para mostrar, por exemplo, a distribuição das indústrias
no mundo ou as concentrações de população ou cidades.
Projeção Mollweide - representação cartográfica elaborada em
1805 pelo cartógrafo alemão Karl Mollweide, com o objetivo de
corrigir as diversas distorções da projeção de Mercator. Nesta
projeção os paralelos são linhas retas e os meridianos, linhas
curvas.
Obs: A área é proporcional à da esfera terrestre, tendo forma elíptica e achatamento dos polos
norte e sul.
Anamorfose - essa técnica é usada para representar
cartograficamente temas e visualizá-los de forma direta, pois
produz alterações propositais nos tamanhos dos territórios, porém
mantendo seus contornos. A superfície de cada território
cartografado vai variar proporcionalmente segundo a variável que
se deseja mostrar.
Obs: A projeção anamorfose acima representa a polulação absoluta dos países. Observe que os
países mais populosos ficaram proporcionamente bemmaiores.
Existem ainda inúmeros outros tipos de projeção, mas
nenhum deles é perfeito ou indiscutivelmente superior aos
demais. Todos, de uma forma ou de outra, apresentam
distorções, pois, como vimos, é impossível representar com
exatidão uma realidade esférica numa superfície plana.
VESENTINI, José William. Geografia: O Mundo em Transição.
São Paulo: Ática, 2010.
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