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COMPARAÇÃO DE MÉTODOS DE ETo PARA O MUNICIPIO DE PETROLINA-PE João Guilherme Araújo Lima1 Paula Carneiro Viana2 Givanildo Xavier Soares Siqueira Junior3 Iury Alysson Nunes Gouveia 4 Carla Vanessa Marinho5 RESUMO: A região de Petrolina-PE destaca-se por sua agricultura irrigada, a irrigação é uma prática comum na região, em contrapartida, a irrigação sem qualquer manejo, resulta em muito das vezes em colheitas abaixo do esperado e custos de energia elevada, por esse motivo, foram analisados para a estimativa da evapotranspiração os métodos Asce Penman-Monteith, Kimberly Penman, Penman, Fao 24 Radiation, Blaney-Criddle, Priestley-Taylor, Makkink, Turc e Benevides-Lopez com o método padrão da FAO Penman-Monteith. Foram utilizados dados da estação meteorológica do INMET de Barreiras/BA, referente ao ano de 2008 a 2013. Verificou-se que evapotranspiração de referência pelo método Asce Penman-Monteith obteve os melhores ajustes, podendo ser adotado para o manejo de irrigação. O objetivo deste trabalho foi avaliar o desempenho de nove métodos de determinar a evapotranspiração de referência para as condições climáticas de Petrolina-PE. Palavras-chave: manejo de irrigação, recursos hídricos, hidrologia. INTRODUÇÃO Evapotranspiração (ET) é um processo simultâneo de transferência da água para a atmosfera por transpiração e evaporação no sistema solo-planta. Evapotranspiração é um importante parâmetro estudo climatológico e hidrológico (SENTELHAS et al. 2010). O método de Penman-Monteith-FAO para a estimativa da evapotranspiração de referência é considerado o método padrão de referência (ALLEN et al., 2006), o método baseia- se em aspectos físicos dos processos de evaporação e transpiração e incorpora explicitamente parâmetros fisiológicos e aerodinâmicos da cultura de referência (ALLEN et. al., 2006). No entanto para a sua utilização são empregadas inúmeras variáveis climáticas, contudo nem sempre os produtores rurais dispõem desses dados, sendo necessária a utilização de métodos 1 Prof. Dr., UNINASSAU, Caruru-PE, E-mail: joaopibe@gmail.com. 2 Prof. Dr. UNINASSAU, Caruru-PE, E-mail: pcvengenharia@gmail.com 3 Acadêmico em Engenharia Civil, UNINASSAU, Caruaru-PE. E-mail: gxjunior98@hotmail.com 4 Acadêmico em Engenharia Civil, UNINASSAU, Caruaru-PE. E-mail:yuri_alysson@hotmail.com 5 Acadêmica em Engenharia Civil, UNINASSAU, Caruaru-PE. E-mail: carlavanessamarinho@yahoo.com.br mais simples para o cálculo de ETo A região de Petrolina-PE destaca-se por sua agricultura irrigada, sendo reconhecida por ter o terceiro maior PIB agropecuário, o segundo maior centro vinícola e o maior exportador de frutas do país e numerosos agricultores familiares, a irrigação é uma prática comum na região, em contrapartida, a irrigação sem qualquer manejo, resulta em muito das vezes em colheitas abaixo do esperado e custos de energia elevado. O método mais simples e mais eficientes para a estimativa da ETo podem contribuir para implantação das práticas para um manejo de irrigação na região. Objetivou-se com este trabalho avaliar o desempenho de nove métodos para estimativa de evapotranspiração de referência, em relação ao método padrão universal proposto pela FAO Penman-Monteith-FAO 56 nas condições climáticas de Petrolina-PE. MATERIAL E MÉTODOS O objetivo deste trabalho foi selecionar os modelos de estimativa de ETo que melhores se ajustaram às condições de cada região. A ETo foi estimada a partir do programa REF-ET 3.1.15 para a cidade de Petrolina / PE (Figura 1), com as coordenadas geográficas: Latitude: - 9º23’18”; Longitude: -40º31’14” e uma altitude de 370 metros. O clima da região segundo a classificação de Köppen é do tipo BSwh’, ou seja, semiárido. Os dados usados neste estudo foram obtidos através do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia). Figura 1. Localização geográfica da estação meteorológica de Petrolina-PE. Antes de selecionar os modelos pra estimativa de ETo os dados de radiação solar passaram por ajustes, no qual, estes ajustes passam por um teste específico, no qual, realiza-se medições da radiação solar, de acordo com Allen (1996). O método compara a radiação solar medida (Rs) contra calculado radiação de onda curta esperado sob o céu claro condições (Rso). Valores diários de Rso são calculados em função da elevação local e radiação extraterrestre (Ro). Em um dia completamente dia de céu claro, os valores de Rs deve acompanhar de perto a tendência Rso e, em seguida, os valores de radiação solar que são consistentemente acima ou abaixo Rso em dias de céu claro são marcados, como provável erro no equipamento. Os dados de radiação solar foram ajustados no programa QA/QC versão 2.0, no qual, ao final obtêm fatores de ajustes que funcionam como uma calibração do equipamento. Para selecionar os modelos de estimativa de ETo que melhores se ajustaram às condições de cada região, foi realizado comparando-se os resultados obtidos pelos modelos Asce Penman- Monteith, Kimberly Penman, Penman, Fao 24 Radiation, Blaney-Criddle, Priestley-Taylor, Makkink, Turc e Benevides-Lopez com o método padrão da FAO Penman-Monteith. A comparação dos valores de (ETo) entre o modelo tomado como padrão FAO Penman- Monteith e os demais modelos basearam em regressões lineares simples, coeficiente de determinação (r2) , erro padrão de estimativa (SEE) e com base em indicadores estatísticos, dada pelo coeficiente de correlação (r), indicando o grau de dispersão dos dados obtidos em relação à média, de exatidão (d), que está associada ao desvio entre valores estimados e medidos, dado pelo índice de Willmott et al. (1985) e o coeficiente de desempenho (c) que é o produto de r e d (c = r x d) proposto por Camargo e Sentelhas, 1997, foi interpretado de acordo com os referidos autores como: “ótimo” (c > 0,85); “muito bom” (c entre 0,76 e 0,85); “bom” (c entre 0,66 e 0,75); mediano” (c entre 0,61 e 0,65), “sofrível” (c entre 0,51 e 0,60), “mau” (c entre 0,41 e 0,50) e “péssimo” (c < 0,40). RESULTADOS E DISCUSSÃO Na Figura 2, observa os valores de Rs antes e após o ajuste, conforme a metodologia de Allen (2008) foi realizada ajustes na qualidade de dados de radiação através de um fator de ajuste. Para o ano de 2008, os valores ajustados foram: 1,05; 1,30; 1,14; 0,94; 0,93 e 0,93 para o DDA (dia do ano) 60; 120; 180; 240; 300; 366 respectivamente, o ano de 2009, os valores ajustados foram 0,88; 0,86; 0,85; 0,88; 0,88 e 0,90 para o DDA (dia do ano) 60; 120; 180; 240; 300; 365 respectivamente, o ano de 2010, os valores ajustados foram: 1,11; 1,08; 1,09; 1,10; 1,09 e 1,09 para o DDA (dia do ano) 60; 120; 180; 240; 300; 365 respectivamente, o ano de 2011, os valores ajustados foram: 1,11; 1,08; 1,09; 1,10; 1,09 e 1,09 para o DDA (dia do ano) 60; 120; 180; 240; 300; 365 respectivamente, o ano de 2012, os valores ajustados foram: 1,07; 1,11; 1,08; 1,09; 1,08 e 1,09 para o DDA (dia do ano) 60; 120; 180; 240; 300; 366 respectivamente, o ano de 2013, os valores ajustados foram: 1,10; 0,83; 0,73; 0,74; 0,73 e 0,74 para o DDA (dia do ano) 60; 120; 180; 240; 300; 365 respectivamente. A avaliação da qualidade e controle (correção) dos dados meteorológicos é essencial para cálculo das exatas e representativas evapotranspiração de referência e evitar erros nos dados. Alguns autores tem adotado essa metodologia como método de controle dos dados (GALIVAN et al., 2008; BORGES et al., 2010). Figura 2. Valores medidos de Rs antes e após o ajuste delimitados pela curva da radiação solar esperada em dia claro (Rso) e da Radiação extraterrestre (Ro), para seis anos do período de dados de 2008 a 2013). 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 0 45 90 135 180 225 270 315 360 M J x m ² x d ia DDA 2008 Rso Ro Rs Na Tabela 1, são apresentados os resultados dos indicadores estatísticos de análise do desempenhodos métodos de estimativa da ETo. Tabela 1. Classificação do desempenho dos métodos de estimativa da ETo em relação ao método FAO Penman-Monteith, em escala diária. Método r² EEP % r d c Desempenho* Kimberly Penman (1982) 0,818 0,678 97,49 0,904 0,996 0,901 Ótimo Kimberly Penman (1972) 0,970 0,356 104,26 0,985 0,988 0,973 Ótimo Penman 0,996 0,657 110,86 0,997 0,927 0,925 Ótimo Fao 24 Radiation 0,921 1,316 117,70 0,960 0,875 0,840 Ótimo Fao 24 Blaney-Criddle 0,939 0,512 93,68 0,969 0,974 0,944 Ótimo Priestley-Taylor 0,736 1,161 84,21 0,858 0,833 0,714 Bom Makkink 0,821 1,873 70,09 0,906 0,573 0,519 Sofrível Turc 0,844 0,898 87,88 0,919 0,907 0,833 Muito bom Benevides-Lopez 0,703 1,021 111,45 0,838 0,916 0,768 Bom * Camargo e Sentelhas (1997). Os resultados obtidos para a localidade de Petrolina mostraram que os métodos Asce Penman-Monteith (c = 0,999), Kimberly Penman (c = 0,901; 0,973), Penman (c = 0,925), Fao 24 Radiation (c = 0,840) e Fao 24 Blaney-Criddle (c = 0,944) apresentaram o melhor índice de desempenho classificado como ótimo. Em relação à EPP o maior valor foi de Hargreaves (4,419 mm dia-1), seguido por Makkink (1,873 mm dia-1), FAO 24 Radiation (1,316 mm dia-1), Pristley-Taylor (1,161 mm dia-1), Benevides-Lopez (1,021 mm dia-1), Turc (0,898 mm dia-1), Kimberly Penman 1982 (0,678 mm dia-1), Penman (0,657 mm dia-1), Fao 24 Blaney-Criddle (0,512 mm dia-1) e Kimberly Penman 1972 (0,356 mm dia-1). O método que obteve o melhor resultado foi ASCE Penman-Monteith que superestimou a ETo em 0,065 mm dia-1. CONCLUSÃO O método ASCE Penman-Monteith foi o que apresentou melhor resultado para o clima de Petrolina-PE, em comparação com os outros métodos, sendo recomendado para uso no manejo de irrigação da localidade . REFERÊNCIAS ALLEN, R. G. Assessing integrity of weather data for reference evapotranspiration estimation. Journal of Irrigation Drainage Engineering. v. 122,n.2, p. 97–106, 1996. ALLEN, R.G.; PEREIRA, L.S.; RAES, D.; SMITH, J. Evapotranspiration del cultivo: guias para la determinación de los requerimientos de agua de los cultivos. Roma: FAO, 2006. 298 p. (Estudio Riego e Drenaje Paper, 56). BORGES, V. P.; OLIVEIRA, A. S.; COELHO FILHO, M. A.; SILVA, T. S. M; Pamponet, B. M. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental v.14, n.1, p.74–80, 2010. GAVILÁN, P.; ESTÉVEZ, J. de; BERENGENA, J. Comparison of standardized reference evapotranspiration equations in southern Spain. Journal of Irrigation and Drainage Engineering,, v. 134, n. 1, p. 1-12, 2008. SENTELHAS, P.C., GILLESPIE, T.J., SANTOS, E.A. Evaluation of FAO Penman–Monteith and alternative methods for estimating reference evapotranspiration with missing data in Southern Ontario, Canadá. Agricultural Water Management, Amsterdam, v. 97, n. 5, p. 635- 644, 2010.