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1 ETEC Philadelpho Gouvêa Netto Maria Helena da Silva Diferenças entre Cozimento Convencional e em Microondas nas Próteses Totais São José do Rio Preto 2009 2 ETEC Philadelpho Gouvêa Netto Maria Helena da Silva Diferenças entre Cozimento Convencional e em Microondas nas Próteses Totais Monografia elaborada para ETEC Philadelpho Gouvêa Neto como requisito para conclusão do Curso Técnico em Prótese Dentária São José do Rio Preto 2009 3 Dedico este trabalho a todos aqueles que me proporcionaram esta vitória, em especial à minha família, amigos e professores. 4 Agradecimentos A Deus: “Supremo doador de todas as coisas, o meu voto de Louvor.” Aos Familiares: “Que compartilham de meu ideal, incentivando-me a prosseguir na jornada, dando- me Forças para não desanimar, dividam comigo os méritos desta conquista, pois ela também lhes pertence.” A Direção da Escola: “Que muito nos ajudou que Deus lhe pague.” Aos Mestres: “Nosso reconhecimento aqueles que, acima de tudo souberam ser mestres e grandes amigos.” Aos Funcionários: “A vocês que nos dedicaram o seu trabalho e contribuíram para nossa conquista, deixo um abraço.” Aos Colegas: “Nossa separação não será um adeus, mas sim um até breve, porque o pouco tempo que passamos juntos se unirá a amizade.” 5 Valor de um sorriso Não custa nada e rende muito Enriquece quem recebe sem empobrecer quem o dá Dura somente um instante, mas seus efeitos penduram para sempre Ninguém é tão rico que dele não precise Ninguém é tão pobre que não possa dar a todos Leva a felicidade a toda parte É o símbolo da amizade da boa vontade É alento para os desanimados; repouso para os cansados Raio de sol para os tristes; ressurreição para os desamparados Não se compra nem se empresta Nenhuma moeda do mundo pode pagar o seu valor Não há ninguém que precise tanto de um sorriso como aquele que Não sabe mais sorrir (autor desconhecido) 6 Resumo Diferenças entre processos de polimerização são frequentemente encontrados na confecção de Prótese Total, as quais reabilita pacientes totalmente desdentados. O objetivo deste trabalho foi avaliar a influência da diferença do ciclo de polimerização convencional e o de microondas, nos tipos de polimerização avaliando as mudanças que ocorreram em cada uma destas, e quais alterações são necessárias para executar ambas. A principal diferença que existe entre as duas técnicas é o tempo. Quando realizada pelo microondas é mais rápido e mais limpa do que a do modo convencional, mas o resultado final é o mesmo, com a mesma qualidade. 7 Abstract Differences between polymerization process are aften have jorend out on complete denture confection, which one rehabilitable edentutous patient. The god of this paper was to evaluate the influence of the difference of the cycle of the microwave and conventional polymerization, in the polymerization cicle. The changes that occurred in each one and what changes are necessary to execute both techiniques were performed. The main difference is the polymerization time. When performed by microwave is faster and cleaner than the conventional mode, but the final result is the same, with the same quality. 8 Sumário Introdução 09 Capítulo I – Resina Acrílica 12 Capitulo II – Materiais 15 Capitulo III – Tempo e Temperatura 17 Capitulo IV – Problemas ocorridos por polimerizações realizadas de maneira inadequada 23 Capitulo V – A importância de conhecer o microondas e o fogão 28 Capitulo VI – Estatísticas 30 Bibliografia 32 Lista de Figuras 34 9 Introdução O uso de próteses totais vem crescendo gradualmente com o passar dos anos, pois a estética é essencial para a população atual, necessitando de pessoas ainda mais capacitadas e de métodos muito mais fáceis e rápidos. Visualizando esta necessidade futura, Nish em 19681, foi o primeiro estudioso desta área a relatar a utilização da energia de microondas para a polimerização da resina acrílica da prótese total. Ele concluiu que as propriedades da resina acrílica polimerizada nesta técnica foram tão satisfatórias como a resina acrílica polimerizada pelo método convencional. Apesar das facilidades adquiridas com a polimerização em microondas, a maioria dos protéticos ainda utiliza o método convencional, onde a reação de polimerização é exotérmica e a quantidade de calor desprendida pode representar um fator importante na polimerização adequada da resina acrílica. Entretanto, para a obtenção de um método de polimerização efetivo vários fatores devem ser considerados, entre eles o volume da resina acrílica, a temperatura ambiente e a velocidade do aumento da temperatura durante a polimerização. Em função disso, a polimerização em banho de água quente pode se dar através de ciclos longos ou curtos, executados em aparelho próprio que proporcione controle de tempo e temperatura. No entanto, na maioria das vezes, isso não acontece, ocorrendo à polimerização da resina acrílica de forma empírica, sem qualquer controle de tempo e/ou temperatura. O que ficaria mais fácil de controlar com o microondas. Um ciclo de polimerização incorreto pode causar danificações e distorções à peça quando concluída, daí a precisão de um método que faça todo o ciclo de polimerização com a menor lesão possível da prótese. A possibilidade de acelerar a conclusão de uma prótese é uma vantagem para os dentistas, protéticos e principalmente para o paciente, que voltará a ter suas funções reassumidas novamente e sua estética facial alcançada; além de alargar a produção do consultório e do laboratório, com a redução do tempo de polimerização, como pode ser observado nos quadros abaixo. 10 Microondas Quadro 1- Ciclo de polimerização I Potência máxima em Watts (W) 1ª Fase 2ª Fase 3ª Fase 3 minutos 4 minutos 3 minutos 800 – 900 W Potência 40% Desligado Potência 90% 1000 – 1100 W Potência 40% Desligado Potência 80% 1200 – 1400 W Potência 30% Desligado Potência 60% Quando colocadas duas muflas, aumente mais um minuto no tempo da 3ª fase, com as muflas em posição nas bordas do prato giratório. Quadro 2 - Ciclo de polimerização II Potência máxima em Watts (W) 1ª Fase 2ª Fase 3ª Fase 20 minutos 5 minutos 5 minutos 800 – 1100 W Potência 20% Desligado Potência 60% 1200 – 1400 W Potência 10% Desligado Potência 40% Para polimerizar duas muflas ao mesmo tempo, colocá-las em posição nas bordas do prato giratório, aumentar a potencia da 1ª fase em 10% e no segundo ciclo aumentar o tempo de cinco para dez minutos. 11 Convencional Quadro 3 – Ciclo de polimerização I Água 1ª Fase Em ebulição 5 minutos Quadro 4 – Ciclo de polimerização II Fogo (fogão) Minutos Baixo 30 Desligado 30 Baixo 30 Alto 60 A placa geton e a mufla tem que serem e permanecerem em todo o processo recobertas por água. Como observamos, se realizada a polimerização pelo microondas, todo o processo levaria cinquenta minutos; já quando realizado pelo método convencional, o processo demora duas horas e trinta e cinco minutos; e portanto a diferença de tempo é muito grande entre uma polimerização e outra. Por isso estudiosos estão investindo nestenovo processo de polimerização que é muito mais rápido que o convencional. 12 Capitulo I Resina acrílica A resina acrílica ativada termicamente foi incorporada aos materiais odontológicos em meados dos anos 30, tornando-se a partir da década de 40, o material de eleição para a confecção de bases de dentadura. Este material apresenta algumas características favoráveis, como nível apropriado de biocompatibilidade, estabilidade dimensional, boa capacidade de polimento e translucidez, o que lhe confere capacidade de imitar a aparência natural da gengiva; vantagem sobre o material antecessor: a borracha vulcanizada, descoberta em 1939 por Charles Goodyear2, utilizada por mais de 80 anos, que, apesar de sua opacidade, apresentava propriedades físicas e mecânicas adequadas. Apesar da evolução dos materias, a resina acrílica ainda é mais usada do que qualquer outro material que existe no mercado atualmente, mesmo com suas desvantagens de distorção e contração, entre outros, durante a polimerização; porém também apresenta propriedades significantes, como satisfatória estabilidade dimensional e resistência a fratura quando polimerizada por ciclo efetivo de cura, fácil manipulação e reparo, melhor condutibilidade térmica, menor permeabilidade aos fluidos bucais e considerável estabilidade de cor. O aparecimento da resina acrílica, como todo material novo, levou algum tempo para ser dominado. Assim, porosidades, excesso de monômero residual, desconforto, pouca intimidade com o material, oclusão incorreta advindas das alterações dimensionais, foram fatores importantes nesta fase de adaptação, que não impediram o seu uso. Alguns pesquisadores preocupados em encontrar a temperatura ideal da água na polimerização da resina, para evitar problemas acima citados, criaram um ciclo que até hoje ainda se aplica nas escolas de odontologia Porém, com evolução e habilidade em polimerização, Nishi em 19681, inovou o método de polimerização em banho de água quente, utilizou um microondas, que para a surpresa de muitos teve um resultado final igual uma acrilização convencional. Depois da descoberta deste novo método iniciaram-se várias pesquisas para que se aperfeiçoasse este processo. A resina acrílica foi o principal alvo destes pesquisadores, pois a polimerização ocorre mais rapidamente, o processo de reação também se realiza 13 mais ligeiramente; alguns destes expõem que não tem necessidade de modificação, porém se não utilizada de maneira correta danifica a peça. Analisando isto grandes estudiosos como De Clerck 19873, Reitz 19854, Levin 19915, entre outros, comprovaram cientificamente que quando se usa resina acrílica utilizada para polimerizações convencionais em polimerizações em microondas, há um grande aumento de porosidade na peça quando concluída, sendo criadas então resinas próprias para esse método como: Onda Cryl e Acron MC, deixando a Resina Clássico e Vipi para métodos convencionais. A resina acrílica específica para polimerização por microondas surgiu no final da década de 80 com o objetivo de reduzir as características indesejáveis que a resina acrílica termopolimerizável convencional apresentava ao ser polimerizada através desse método. Apesar de Truong & Thomasz (1989)6 terem encontrado semelhança entre os componentes desse último tipo de resina com a resina acrílica termopolimerizável convencional, Bafile et al.(1991)7 acredita que o monômero da resina para a polimerização por microondas contem dimetacrilatos que permitem o processamento da resina acrílica em temperaturas mais elevadas, reduzindo, dessa forma, a porosidade interna e melhorando a resistência desse material. A resina acrílica utilizada nos laboratórios protéticos é constituída de um pó (polímero) e um líquido (monômero), e sua substância base de ambos é o metilmetacrilato ( ), sendo inserida na mufla em sua fase plástica, que é quando a massa perde a pegajosidade não aderindo mais na parede do pote e adquirindo uma consistência lisa e pastosa (isso acontece por que as partículas vão se unindo). Como as bases de próteses totais são feitas de resina termo polimerizavel é necessário calor para que se ative o catalisador nela presente e assim finalize o processo que se iniciou quando se misturou o pó e o líquido. Neste momento é que aparece uma grande diferença na polimerização no forno microondas da polimerização convencional; as superfícies internas e externas da espécie irradiada se aquecem de maneira uniforme e a temperatura aumenta muito mais rapidamente do que quando realizado pelo método comum. Isso requer muita atenção no momento em que a peça será polimerizada, cada resina e cada método necessitam de um tempo de polimerização adequado 14 que deve ser respeitado para que todo o ciclo de polimerização da resina seja totalmente finalizado, tendo assim uma peça com menos distorções, menor porosidade, adquirindo uma conclusão melhor da peça. 15 Capitulo II Materiais Material e instrumental necessário para polimerização em água. • Gesso comum e pedra ou zetalabor • Cera rosa • Isolante para gesso • 1 broca Nº56 ou esférica Nº2 • Papel celofane (sem cera) tamanho 12x12 • Isolante para gesso • Duas porções de resina acrílica incolor • Pincéis Nº 4 e 14 • Prensa hidráulica e placa geton com parafusos • Chave de rosca para parafuso • Pinça para mufla e/ou contra mufla • Concha para verter água em ebulição • Espátula Nº 36 e 5 “Le cron” • Chave de fenda para abrir a mufla • Gral de vidro com tampa (para manipular a resina acrílica) Material e instrumental necessário para polimerização em microondas • Gesso comum e pedra ou zetalabor • Cera rosa • Isolante para gesso • 1 broca Nº56 ou esférica Nº2 • Papel celofane (sem cera) tamanho 12x12 • Isolante para gesso • Duas porções de resina acrílica incolor • Pincéis Nº 4 e 14 16 • Prensa Promeco • Catraca para parafuso • Removedor inodoro • Chumaço de algodão • Espátula Nº 36 e 5 “Le cron” • Gral de vidro com tampa (para manipulação de resina acrílica) • 1 vidro de Palabond • Pirex para microondas • Umidificador para muflas • Forno de microondas Em ambas as técnicas são necessárias a utilização da mufla para a polimerização. A principal diferença é que a mufla utilizada para uma polimerização convencional é construída de base, contra mufla e tampa confeccionadas de bronze, ferro ou outras ligas metálicas. A mufla usada no método de microondas é constituída apenas de base e contra mufla ou tampa e é feita de um material para microondas como: resina, cerâmica resistente, vidro inquebrável, plástico de engenharia (o mais utilizado, que é constituído de polissulfeto de fenileno). A inclusão em mufla plástica segue as mesmas regras da inclusão em mufla metálica. A diferença é apenas de alguns materiais como citados acima e o ciclo de polimerização. Fig.1. Muflas para microondas Fig.2. Mufla convencional Capitulo III 17 Tempo e temperatura Apesar dos cuidados que procuramos ter na polimerização de prótese total, as variáveis são muitas, como movimentação dental durante a prensagem, movimentação dental por contração da base em resina, alteração dimensional desigual em todas as direções, ciclo incorreto de polimerização, ganho e perda de água, liberação de tensões, etc. Sendo assim, o controle dos problemas citados vem nos auxiliar para minimizar estas variáveis. O tempo do ciclo de polimerização interfere muito nos problemas acima citados, por isso quando realizamos uma polimerização convencional ou por microondas é necessária muita atenção no tempo utilizado. Vejamos nas tabelas a seguir qual o tempo correto para cada tipo de polimerização, porém só devem ser utilizados tais métodosquando o fabricante não demonstra o procedimento que deverá ser executado. Segundo Skinner(1993)8 “Ciclo de polimerização é o nome técnico dado ao processo de aquecimento empregado na polimerização do monômero dentro do molde” Ciclo de polimerização convencional Tabela 1– Ciclo de polimerização I Água 1ª Fase Em ebulição 5 minutos Fonte: Mauricio Sergio Ribeiro-Manual de Prótese Total e Removível Tabela 2 – Ciclo de polimerização II Fogo Minutos Baixo 30 Desligado 30 Baixo 30 Alto 60 Fonte: Mauricio Sergio Ribeiro-Manual de Prótese Total e Removível 18 A temperatura da água para este processo é aproximadamente de 60 -65°C quando citada em fogo baixo, sendo de 100°C quando utilizada em fogo alto. Já no primeiro ciclo que é da retirada da cera, a água deve estar em ebulição para que seja iniciada a contagem dos 5 minutos, lembrando que esta temperatura pode variar dependendo do fogão a ser utilizado pelo técnico em prótese total. A polimerização da resina acrílica deve ser orientada no sentido de evitar porosidades e distorções. Seu comportamento durante a polimerização difere das porções mais espessas para as porções mais finas. Assim, as porções espessas polimerizam antes das porções menos espessas, no centro da porção espessa, o calor não pode ser liberado com suficiente rapidez e assim a temperatura nessa parte pode elevar-se consideravelmente acima do ponto de ebulição do monômero, resultando porosidades. Uma prótese deve ter uma polimerização iniciada em temperatura ambiente, para ser aumentada gradativamente, fazendo uma parada quando a água atingir 60- 65°C (fogo baixo). Quando atinge 70°C, as moléculas do peróxido de benzoila já terão sido ativadas para produzir uma reação em cadeia e determinar que a temperatura do interior da resina se eleve consideravelmente acima daquela em que a água entra em ebulição. Por isso, deve-se evitar que a resina acrílica entre abruptamente em ebulição, forçando as paredes de gesso e silicone no interior da mufla, provocando distorções e porosidades. Ciclo de polimerização por microondas Tabela 1- Ciclo de polimerização I Potência máxima em Watts (W) 1ª Fase 2ª Fase 3ª Fase 3 minutos 4 minutos 3 minutos 800 – 900 W Potência 40% Desligado Potência 90% 1000 – 1100 W Potência 40% Desligado Potência 80% 1200 – 1400 W Potência 30% Desligado Potência 60% Fonte: Mauricio Sergio Ribeiro-Manual de Prótese Total e Removível 19 Fig.3. Forno Microondas Tabela 2 - Ciclo de polimerização II Potência máxima em Watts (W) 1ª Fase 2ª Fase 3ª Fase 20 minutos 5 minutos 5 minutos 800 – 1100 W Potência 20% Desligado Potência 60% 1200 – 1400 W Potência 10% Desligado Potência 40% Fonte: Mauricio Sergio Ribeiro-Manual de Prótese Total e Removível O ciclo de polimerização I em ambos os processos é realizado para a retirada da cera da mufla, e o ciclo II é realizado para a acrilização da peça, que depois deste processo será feito o acabamento e o polimento e assim a conclusão da prótese total. Existem atualmente vários livros que demonstram como dever ser realizado a polimerização de uma prótese total. Como podemos observar todas estas tiveram origem dos ciclos citados abaixo: 20 01) Ciclo Australiano ou Tuckfield, Worner e Guerin-(1943)9 Colocar a mufla em água fria, numa polimerizadora com termostato regulável e proceder da seguinte maneira: - 30 minutos para o aquecimento até 65 °C; - Manter a mufla em 65 °C por 1 hora; - Deixar mais 30 minutos, e elevar a temperatura de 65°C para 100°C; - Permanecer com a mufla a 100 °C durante mais 1 hora; -Desligar e deixar esfriar. 02) Adaptação do Ciclo Australiano Colocar sobre o fogão convencional um recipiente com água fria e proceder da seguinte maneira: -Fogo aceso com chama fraca, durante 30 minutos; - Apagar a chama e deixar descansar por 30 minutos; - Acender novamente a chama fraca e deixar por mais 30 minutos; - Elevar para a chama forte e, quando a água ferver, deixar por 1 hora; - Desligar o fogo e deixar esfriar dentro do próprio recipiente 21 A espessura da peça também interfere no tempo de polimerização, pois quanto maior sua espessura, mais tempo leva para que seja realizada a acrilização, ou seja, a penetração do calor na peça onde ocorre o processo químico da polimerização concretizando a resina, como pode ver a seguir o tempo se modifica: Espessura da Prótese Até 3 mm De 3 mm a 5 mm De 5 mm a 10 mm Tempo/ Potência 4 minutos a 50% de potência 6 minutos a 40% de potência 10 minutos a 30% de potência Tempo/ Potência Desligar por 5 minutos Desligar por 5 minutos Desligar por 5 minutos Tempo/ Potência 3 minutos a 100% de potência 3 Minutos a 80% de potência 10 minutos a 40% de potência Tempo total do ciclo 12 minutos 14 minutos 25 minutos Fonte: Livro Prótese Total: manual de fases clínicas e laboratoriais – Ademir Galati Quando tratamos de uma polimerização convencional é muito importante que seja feito todo o processo seguindo corretamente o tempo prescrito, mesmo que leve um pouco mais de tempo, porque a resina acrílica necessita de uma determinada temperatura e tempo para que suas moléculas possam se unir e concretizar-se, porém muitas vezes isto não acontece, ocasionando problemas que às vezes não são detectados no momento, aparecendo depois de algum tempo. 03) Ciclo de Polimerização por Energia de Microondas a) Para forno de 900 w com Regulagem Completa de Potência (com 0% a 100%): -10 minutos a 30% de potência; -mais 5 minutos a 0% de potência; - e mais 10 minutos a 40% de potência. OBS: para polimerizar 2 muflas, colocá-las em posição nas bordas do prato giratório e acrescentar mais 10 minutos a 40% de potência. 22 O mesmo raciocínio pode ser estendido para a polimerização em microondas, no qual o aparecimento de bolhas e a distorção da resina são mais frequentes. Para polimerização em microondas não existe até o momento um consenso quanto ao ciclo mais apropriado, o que se sabe é que a espessura da prótese total é diretamente proporcional ao tempo e inversamente proporcional a potência. 23 Capitulo IV Problemas mais frequentes Um dos problemas mais comuns encontrados em métodos não executados de maneira correta é a porosidade na polimerização convencional quanto na polimerização em microondas. A porosidade, que tem seu início na manipulação da resina, e quando não feita de maneira correta acontece na peça quando concluída, porém a polimerização também tem uma grande influencia para que isto aconteça, como podemos observar nas imagens abaixo, quanto mais incorreta a polimerização é feita, mais porosidade se encontra na peça. Diferentes tipos e graus de porosidade [modificado de Anusavice (2)]: 0 = nenhuma porosidade; 1 e 2 = graus de intensidade mediana; 3 = porosidade máxima.10 0 1 2 3 0 - ausência de bolhas 1 – mínima quantidade de bolhas 2 – bolhas em maior quantidade 3 – bolhas ocupando de grande parte do Volume total do CP Como foi citado acima que a porosidade pode ter seu início quando manipulada a resina e prensada de maneira inadequada, sem seguir os procedimentos do fabricante, analisemos a tabela abaixo: 24 Média aritmética dos escores relativos às fases de prensagem. Corpos de Prova Fase Pegajosa Fase Plástica Fase Borrachóide Ciclo Convencional Polimerização Imediata 2,16 1,25 2,08 Ciclo Convencional Polimerização 24 horas 0,5 1,33 0,5 Ciclo Microondas Polimerização Imediata3 3 2,66 Ciclo Microondas Polimerização 24 horas 2 2,08 2,83 Fonte: Estudo in vitro da porosidade da resina acrílica ativada termicamente através de ciclo longo e por energia de microondas.11 O processo de polimerização das resinas acrílicas ativadas termicamente teve como ocorrência de porosidade em corpos de prova de volumes e espessuras maiores do que aquelas usualmente utilizadas na acrilização de próteses totais. Contudo uma avaliação das características dessa resina quando polimerizada por energia de microondas, a partir das especificações ditadas pelo fabricante da resina deve ser checada. Como se pode comprovar pela análise dos resultados numéricos obtidos, a ativação da resina por energia de microondas propiciou a ocorrência de porosidades em grandes quantidades para todos os corpos de prova, independentemente da fase de prensagem do material ou do tempo em que este permaneceu em repouso antes do ciclo de polimerização. Estes valores, apesar do número reduzido de corpos de prova do experimento, vem de encontro aos resultados de Reitz et al.9 (1985)12, e sugerem a utilização do ciclo proposto pelo fabricante da resina. As instruções do fabricante devem ser seguidas rigorosamente, pois ele como ninguém sabe o que será mais bem aceito pela resina acrílica. Outro grande problema é a alteração da dimensão vertical de oclusão, que pode ocasionar sérios danos ao paciente portador desta prótese total, uma delas é um problema de ATM (articulação temporo-mandibular) que pode acontecer porque a peça se apresenta com uma oclusão incorreta, ocasionada de uma polimerização errada. Por isso a resina a ser utilizada na acrilização deve ser de acordo com a polimerização que será feita, novamente é demonstrado, como é importante seguir às instruções do fabricante que como ninguém sabe o que será mais bem aceito pela resina acrílica. Como pode ser observado nos gráficos abaixo as diferenças de 25 dimensão vertical encontradas em polimerizações realizadas pelo método de microondas quando não se utiliza a resina correta é muito grande. GRÁFICO 1- Representação das diferenças médias encontradas pelo ponteiro calibrador entre as amostras para os três materiais. (1985) 13 GRÁFICO 2- Representação das diferenças médias encontradas pelo micrômetro digital entre as amostras para os três materiais. (1985)13 A utilização de um só método de polimerização, por microondas, numa programação igual para todos os corpos de prova, utilizados a Cryl e a clássico, apresentando ambas maior alteração dimensional (expansão). A resina Acron MC sofreu menor alteração em todas as amostras, porém todas as resinas sofreram alterações de dimensão vertical de oclusão. O mesmo ocorreria se utilizássemos a resina Acron MC(própria para polimerização em microondas) para um procedimento 26 de polimerização convencional, a distorção vertical seria bem grande como podemos observar nos gráficos acima. Para que sejam diminuídas as distorções e porosidades, entre outros problemas encontrados em uma prótese total, são necessários alguns cuidados quando realizamos uma polimerização por microondas, como: • As muflas devem estar hidratadas em umidificadores, pelo menos por um período de quatro horas, antes da polimerização; • Deve-se colocar uma vasilha com água (1,5 cm) e a mufla em seu centro (uma de cada vez) para aproveitar de maneira uniforme o calor que se faz de dentro para fora no processo de polimerização; Fig.4. Forno microondas Fig.5. Vasilha com água • Após a polimerização, esperar uma hora no mínimo para retirar a mufla; a água do fundo da vasilha ainda quente deve ser despejada no umidificador e a mufla deve ser deixada em repouso por pelo menos doze horas, evitando-se assim a formação de tensões. Quando se polimeriza uma prótese total pelo método convencional também temos que tomar certos cuidados, entre eles: • Nunca deixar a mufla e a placa geton sem água (sempre deve estar coberta de água), uma dica é estar fervendo água em outra panela, pois não se pode completar com água fria a panela que está ocorrendo à polimerização; • Não deixar a placa geton encostada no fundo da panela, coloque um tijolo no fundo; Mesmo tomando todos esses cuidados, ainda ocorrem distorções. 27 Fig.6.Cozimento de prótese total 28 Capitulo V A importância de conhecer o seu microondas e fogão. Microondas são ondas eletromagnéticas com comprimento de onda entre 1 minuto e 300 mm. No interior do forno de microondas uma onda eletromagnética com freqüência de 2450 MHz é gerada por um magnétron e irradiada por uma antena metálica (ventilador) para o interior do compartimento onde está a mufla. Mediante o processo de ressonância, essa onda é absorvida pelas partículas de monômero existentes na resina a serem aquecidas. A energia absorvida aumenta a vibração das partículas, produzindo o aquecimento da resina acrílica. Como podemos observar na imagem abaixo: Fig.7.Conhecendo o microondas O forno de microondas não fornece calor, ele atua exclusivamente sobre as moléculas. As microondas têm alta capacidade de penetração na resina, o que possibilita o cozimento por dentro e não a partir da superfície, como ocorre nos fornos convencionais. Além disso, não fazem vibrar as moléculas de vidro ou plástico, que não se aquecem no interior do forno. Como as moléculas de monômero têm uma carga elétrica diferente em seus pólos, giram com a polaridade variável (direção) do campo elétrico. A fricção entre as moléculas giratórias produz calor e assim cozinha à resina. Como já vimos anteriormente, não se usa uma mufla metálica em procedimentos de microondas. O 29 motivo é que recipientes metálicos refletem as ondas, impedindo que cheguem até a resina. É importante lembrar que o nosso organismo tem alta porcentagem de água e pode ser seriamente prejudicado pelas radiações dos fornos de microondas. No 0entanto esses aparelhos são blindados, isto é, as radiações, produzidas internamente, não atravessam suas paredes. É colocada uma grade de metal junto ao vidro da porta: os espaços entre as malhas dessa grade são menores que as microondas. Além disso, as portas possuem um mecanismo de segurança que impede a sua abertura durante o funcionamento. Para ter certeza que não está havendo vazamento coloque uma laranja na parte de cima do forno de microondas quando for utilizá-lo, faça isso colocando a fruta próxima à porta também e deixe- a por um tempo. Se a fruta apresentar alterações (como por exemplo, partes com aspecto queimado ou ferido) significa que seu forno microondas está vazando. Fig.8. Vazamento do microondas 30 Capitulo VI Estatísticas Estatisticamente a maioria dos protéticos do estado de São Paulo dá preferência ao método convencional, muitos ainda não têm conhecimento de como utilizar este método para seu beneficio. Fonte: Site de protéticos de São Paulo Como podemos observar o gráfico acima, apesar da polimerização pelo microondas ser mais rápida e mais limpa do que a polimerização convencional, sendo que ambas promovem o mesmo resultado, os técnicos em prótese dentária ainda preferem o método convencional, por terem mais habilidade com esta técnica. A prótese dentária tem sua maior porcentagem em pessoas idosas como podemos observar em uma pesquisa realizada na cidade de Araçatuba-SP pelos alunos de Odontologia da Universidade Estadual de São Paulo (UNESP). Foram avaliados, através de questionário com perguntas de múltipla escolha e questões abertas aplicadas por um indivíduo calibrado, 537 indivíduos com faixa etária de 60 anos ou mais, escolhidos por sorteio em bairros da cidadede Araçatuba, usando como parâmetro (universo considerado) aproximadamente 10% de indivíduos com faixa etária de 60 anos ou mais em cada bairro estudado. A questão fechada a pergunta “É portador de prótese dentária?”. O questionário teve por objetivo avaliar na cidade de Araçatuba quanto às condições 31 bucais, as variáveis investigadas foram o uso ou não de próteses dentárias.Nas questões que refletem as condições bucais sobre uso de próteses dentárias, o resultado esta contido no gráfico abaixo: Gráfico 1 – Percentual de idosos que responderam à pergunta: “É portador de prótese dentária?” (UNESP-Araçatuba-2005) Como podemos analisar muitas pessoas são portadoras de prótese dentária, e para que seja possível atender todas estas pessoas, são necessárias técnicas eficazes, porém elaboradas com mais rapidez; onde fica a critério do protético que vai elaborar a prótese o uso do microondas para sua polimerização ou o método convencional. 32 Bibliografia 1. NISHII M. Curing of denture base resins with microwave irradiation: with particular reference to heat-curing resins. J Osaka Dent Univ 1968. 2. p.23-40. 2. PAIVA, Monica Cardoso. Seqüência da Confecção de Uma Prótese Total Monografia. 42 p. Rio de Janeiro. 2008. disponível em: www.clivo.com.br/monografias/18_sequencia.pdf 3. De CLERCK, J.P. Microwave polymerization of acrylic resins used in dental prosthesis. J Prosthet Dent. v.57. n.5. p.650-658, 1987. 4. REITZ, V.P., SANDERS, J.L., LEVIN, B. The curing of denture acrylic resins by microwave energy. Physical properties. Quintessence Int. v.8, n.4, p.547- 551, 1985. 5. SANDERS, J.L., LEVIN, B., REITZ, P.V. Comparison of the adaptation of acrylic resin cured by microwave energy and conventional water bath. Quintessence Int., v.22, n.3, p.181-186, 1991. 6. TRUONG, V.T.; THOMASZ, F.G.V.. Comparison of denture acrylic resins cured by boiling water and microwave energy. Aust Dent J. 1988, May/June, n.33, v.3, p.201-204. 7. BAFILE, M; GRASER, G.N.; MYERS, M.L.; LI, E.K. Porosity of denture resin cured by microwave energy. J Prosthet Dent, 1991; v.66, p.269-274. 8. PHILLIPS, R.W. Materiais dentários de Skinner. 9.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1993. p.103-123. 9. 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Dent, v.1, n.1/2, p.161-167, jan/mar. 1951. 34 Lista de figuras Fig.1. www.classico.com.br/pt/outrosprodutos/muflas.html Fig.2. krousrepresentacoes. tripod.com/materiais.htm Fig.3. www.jacotei.com.br/forno-de-microondas-lg-mc Fig.4. SKINNER, E. W. Materiais acrílicos de base da dentadura. Suas propriedades e manipulação. J. Prosth. Dent, v.1, n.1/2, p.161-167, jan/mar. 1951. Fig.5. SKINNER, E. W. Materiais acrílicos de base da dentadura. Suas propriedades e manipulação. J. Prosth. Dent, v.1, n.1/2, p.161-167, jan/mar. 1951. Fig.7. REITZ, V.P.; SANDERS, J.L.; LEVIN, B. A dentadura de resina acrílica por energia de microondas. Propriedades físicas. Químicas Int., v.8, n.4, p.547-551, 1985.