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OSMORREGULAÇÃO REGULAÇÃO OSMÓTICA E IÔNICA BALANÇO HÍDRICO E SALINO EQUILÍBRIO HIDROELETROLÍTICO LEGENDA ● Problemas de osmorregulação ● Soluções desenvolvidas para a osmorregulação NOMENCLATURA/ TERMINOLOGIAS: ● Capacidade de sobrevivência: ○ Animais eurihalinos: suportam ampla faixa de variação da salinidade ○ Animais estenohalinos: suportam estreita faixa de variação da salinidade ● Estratégia que animais usam para o controle da osmolaridade: ○ Animais osmorreguladores: regulam a osmolaridade dos fluidos corporais que não acompanha a variação da osmolaridade do ambiente (mantêm a osmolaridade dos fluidos corporais) ■ Mantém a osmolalidade interna constante ■ Os tecidos internos não suportam mais do que pequenas variações de osmolalidade ○ Animais osmoconformadores: a osmolaridade dos fluidos corporais varia, acompanhando osmolaridade do ambiente (toleram a variação) ■ Quando a osmolalidade do meio varia, a do animal osmoconformista varia na mesma intensidade ○ * Os animais frequentemente têm respostas mistas ou intermediárias entre a regulação ideal e conformação ideal. VIVENDO EM AMBIENTE MARINHO - ANIMAIS ISOSMÓTICOS: ● Líquidos corporais estão próximos a água do mar (isosmóticos), não sendo necessário gastar energia para regulação osmótica. ● Problemas de equilíbrio iônico ○ Mesmo que animal seja isosmótico, as concentrações dos íons diferem das concentrações encontradas na água do mar - não é isoiônico! ○ A membrana celular mantém a diferença iônica, mas não osmótica entre os líquidos intra e extracelular ○ Metabólitos internos osmoticamente ativos são gerados (o que acarreta influxo osmótico de água)! ● Para regulação do conteúdo iônico corporal, mecanismos de transporte se desenvolveram, sendo de fundamental importância: Transporte ativo - bombas iônicas - mecanismo ubiquitário! ○ As bombas iônicas podem ter sido às primeiras responsáveis pela eliminação da água em excesso em virtude de metabólitos osmoticamente ativos! ■ O transporte ativo é o nome dado ao tráfego de moléculas através da membrana plasmática, contra o gradiente de concentração, mediado por proteínas específicas transportadores e com a mobilização de energia celular geralmente resultante da hidrólise de ATP. ● O tegumento e o sistema respiratório agem como barreiras para a troca obrigatória entre um organismo e seu meio. Isso ocorre devido ao gradiente de concentração entre o animal e seu meio, razão superfície de contato e volume do animal e permeabilidade da epiderme (relacionada com a quantidade de aquaporinas na membrana). ● Vertebrados isosmóticos ○ Os peixe-bruxas: ■ São os únicos vertebrados marinhos isosmóticos e isoiônicos à água do mar; os problemas osmóticos são mínimos ou ausentes! Como muitos invertebrados marinhos isosmóticos, os peixes bruxa são estenohalinos marinhos. ■ Regulam a concentração de íons individuais: Ca++ Mg++ e SO-- são mais baixos que na água salgada. Na+ e Cl- são mais altos que na água salgada. ■ Néfrons com glomérulos que desembocam quase que diretamente nos ductos coletores (néfrons com pequeno componente tubular) ○ Tubarões: ■ Também são isosmóticos e regulam a concentração de íons individuais VIVENDO EM ÁGUA SALOBRA E DOCE - ANIMAIS HIPEROSMÓTICOS ● Os líquidos corporais são geralmente hiperosmóticos em relação ao meio aquático ● Problemas ○ Água: influxo osmótico (principalmente nas brânquias) ○ Íons: perda de íons por difusão ○ Tendência à diluição dos fluidos corporais! ● Soluções ○ Não bebem água para reduzir a necessidade de eliminar o excesso de água e com isso perder sais ○ Produção de urina diluída (para evitar perda de sais) ○ Os sais perdidos são repostos em parte por alimentação ○ Captação ativa de Na+ e de Cl- em células especializadas das brânquias (foram denominadas de glândulas de sal) ○ Impermeabilização das superfícies e/ou redução da extensão das superfícies permeáveis à água e sais: solução relativa, pois em determinados territórios sempre ocorrem trocas com o ambiente para respiração, alimentação e excreção ○ Bombeamento de água extra para o ambiente: vacúolos contráteis e produção copiosa de urina (urina hiposmótica em relação aos fluidos corporais) ○ Absorção ativa/captação ativa de íons dissolvidos na água em determinados territórios: brânquias de crustáceos, brânquias de teleósteos, papilas anais de larvas de dípteros e pele de anfíbios (células epiteliais especializadas - transportadoras de íons - ionócitos) ○ Tolerância à diluição dos fluidos corporais: habilidade das células funcionarem com diferentes quantidades relativas de água e eletrólitos ○ Bombeamento da água extra para o meio ○ Rins grandes com néfrons com glomérulos grandes: elevada taxa de filtração ■ Produzem uma urina copiosa = diluída = hiposmótica em relação ao plasma ■ As células epiteliais que constituem o componente tubular nefrônico reabsorvem sais ■ Túbulos renais realizam ultrafiltração ○ Bombeamento de água extra para o ambiente: Vacúolos contráteis ○ Mecanismo proposto para o funcionamento dos vacúolos contráteis 1. Bombas iônicas na membrana do vacúolo transportam H+ e HCO3- para o interior do vacúolo 2. Água influi para o vacúolo, para equilibrar o gradiente osmótico com o citoplasma 3. O vacúolo se torna túrgido - “cheio” de água 4. A membrana vacuolar se funde à membrana plasmática, expelindo o conteúdo do vacúolo 5. metabolismo da célula gera mais gás carbônico que, sob ação de enzima anidrase carbônica, dá origem a mais íons hidrogênio e íons bicarbonato presente no interior da célula ● Captação ativa de íons: ○ A absorção ativa de íons presentes em ambiente de águas diluídas não é exclusividade das brânquias de teleósteos: ocorre também nas brânquias de crustáceos, em papilas anais de larvas de dípteros e através do tegumento de anfíbios* células epiteliais especializadas - transportadoras de íons Além da captação ativa de íons, nestes territórios especializados ocorre também regulação ácido-base ■ Ocorre absorção pois o animal tem tendência de perder íons para o meio diluído, pois seus líquidos corporais são mais concentrados (hiperosmóticos). ○ Na+ captação por transporte ativo secundário (transcelular) ○ Cl- captação paracelular ○ *o tegumento exerce o principal papel nas trocas de íons e água dos anfíbios ○ ATPases: ■ ATPase Na+/K+ (transporte ativo primário) – geração do gradiente de Na+ ■ ATPase H+ (transporte ativo primário) - excreção de H+ ○ Dois tipos celulares envolvidos ■ Células de Cloreto têm elevada densidade de mitocôndrias, por isso são também denominadas de Células Ricas em Mitocôndrias ■ dois subtipos: Alfa (na base das lamelas branquiais) e Beta (na região interlamelar) ■ Células de Cloreto em teleósteos dulcícolas: Mecanismos de transporte de íons nas brânquias dos teleósteos dulcícolas As brânquias dos peixes teleósteos de água doce possuem dois tipos de células que bombeiam íons. As células secretoras de ácido (alfa) captam Na+ da água e secretam H+. As células secretoras de base (beta) captam Cl- e Ca2+ e secreta HCO3 - ● Glândula verde de crustáceos ○ Glândula verde - um par situado na região ventrolateral do cefalotórax - se abre na base da segunda antena. As paredes dobradas do labirinto dão cor verde à estrutura. É um órgão excretor (um túbulo excretor): filtração, reabsorção e secreção ■ Túbulo ou canal nefridial (reabsorção e secreção – modificação da urina primária) ■ Ducto (abertura é o poro excretor ou nefridióporo na base da antena) ■ Saco celomático ou saco/ bolsa terminal (ultrafiltração da hemolinfa – formação da urina primária) suas células são podócitos típicos, com pedicelos e fendas de filtração Astacus Carcinus estenohalino dulcícola marinho, mas pode viver em estuários - eurihalino Canal/túbulo interposto entre labirinto e bexiga - resultado: urina da bexiga é hiposmóticaaos fluidos corporais Saco celomático - labirinto - bexiga - urina isosmótica (mas não isoiônica) aos fluidos corporais VIVENDO EM AMBIENTE MARINHO ANIMAIS HIPOSMÓTICOS ● São animais secundariamente marinhos: de água doce ou terrestres que colonizaram o ambiente marinho ● Osmolalidade dos fluidos corpóreos é hiposmótico em relação a água do mar ● PROBLEMAS: ○ Tendência de perder água para o meio ○ Íons: ganho de íons por difusão ● SOLUÇÕES: ○ Impermeabilização das superfícies e/ou redução da área das superfícies permeáveis à água ○ Ingestão de grande quantidade de água do mar ○ Órgãos como intestinos, esôfago, trato gastrointestinal absorvem a água que seria excretada ○ Produção escassa de urina em teleósteos: redução ou supressão glomerular (nefrons aglomerulares). Urina super concentrada ○ Células especializadas, brânquias de teleósteos, glândula retal de elasmobrânquios e glândulas cefálicas de sal de sauropsidas: secretam sais ativamente ■ Cl- é secretado ativamente (via transcelular) e Na+ segue passivamente (via paracelular) ○ Mecanismo de concentração urinária: reabsorção renal da água: urina hiperosmótica. ○ Redução do requerimento hídrico para excreção dos resíduos nitrogenados ● Glândulas cefálicas de sal ○ Aves e lagartos: glândulas de abertura/escoamento nasal - glândulas nasais: ■ Aves – glândula nasal supraorbitária; lagartos – glândula nasal ■ aves marinhas possuem glândula cefalica de sal que produze, secreção hiperosmotica que é excretada através das narinas ■ Fluxos contracorrente sangue-fluido tubular no mecanismo de excreção de sal das glândulas de sal – através de sistemas transportadores, o sal é ativamente secretado do sangue para o fluido tubular – os túbulos de glândula drenam o fluido para ductos centrais. ■ Na iguana marinha, as glândulas de sal estão localizadas próximo do olho, mas drenam em ductos que se esvaziam nas passagens nasais – o animal espirra para a excreção. O sal pode precipitar e se acumular na cabeça do animal. O sangue dos vasos sanguíneos justapostos aos túbulos secretores flui de forma contracorrente ao fluxo do fluido tubular – as células epiteliais dos túbulos retiram ativamente o sal do sangue e o secreta para o fluido tubular - espirro salgado ○ Tartarugas: glândulas orbitais - nos cantos dos olhos - secreção: lágrimas salgadas ○ Serpentes e crocodilos: glândulas que se abrem na boca: glândulas linguais ○ Serpentes - glândulas linguais modificadas: sublingual posterior ou pré-maxilar ○ Crocodilo (ex. Crocodylus porosus) - pequenas glands. se abrem na superfície da língua (função osmorregulatória) VIVENDO EM AMBIENTE MARINHO: VERTEBRADOS ISOSMÓTICOS OU SUAVEMENTE HIPEROSMÓTICOS ● Elasmobrânquios ○ Elevação da osmolaridade dos fluidos corporais ○ Retenção renal de ureia e óxido trimetilamina (OTMA - sigla em inglês - TMAO) ■ Os efeitos desnaturantes da ureia sobre as proteínas são antagonizados por soluto contrarregulador OTMA (óxido de trimetilamina) que o animal sintetiza e retém ■ 95% DA URÉIA É REABSORVIDA (5% excretados)! ○ Não há perda de uréia nas brânquias, urina e fezes ○ Glândula retal - excreção extra renal de sal ○ secreção é isosmótica em relação a plasma e se constitui de NaCl = cerca de duas vezes o conteúdo plasmático de Na+ e Cl- ○ A afinidade da enzima piruvato quinase por um de seus substratos (adenosina difosfato – ADP) extraída de arraia (Urolophis halleri) foi medida como indicativo da integridade proteica frente à adição de solutos osmoticamente ativos. Exposta a concentrações crescentes de ureia e TMAO de forma independente, a atividade enzimática foi afetada – desviou da média normal (sombreado do gráfico). Quando se misturou ureia e TMAO, a atividade enzimática foi aproximadamente normal. Obs.: foi usada a constante de Michaelis – inversamente proporcional à afinidade de uma enzima ao substrato ○ Glândula retal – proeminente apêndice do intestino pós-valvular. Se abre através de ducto curto no intestino distal (reto). ○ Tubarões, raias e quimeras marinhos retêm ureia, elevando a osmolaridade de seus fluidos corporais – que se torna um pouco superior a do mar (gerando gradiente osmótico). Há pequeno influxo osmótico e ganho difusional de sais nas brânquias e eliminação do excesso de sal nas fezes e na urina. A rota extra renal de excreção (glândula retal) é a principal via de eliminação do sal (observar as concentrações de sal). A glândula se abre no intestino e a excreção é eliminada com as fezes através da cloaca. ● Anfibios marinhos ○ Elevação da osmolaridade dos fluidos corporais (retenção renal de ureia e de cloreto de sódio): grande redução do problema da dessecação osmótica ○ Obs.: nenhum anfíbio é verdadeiramente marinho, mas 61 espécies de anuros e 13 de salamandras toleram, em algum grau, a exposição a ambientes hipersalinos – estuários, mangues e pântanos salobros. ■ Destas espécies, apenas três espécies de anuros e poucas espécies de salamandras Batrachoceps (Amphibia: Plethodontidae) vivem realmente em habitats com salinidade elevada – sendo definidos como marinhos ■ Os principais itens alimentares são caranguejos e outros crustáceos. VIVENDO EM AMBIENTE TERRESTRE ● Problemas ○ Produção de resíduos nitrogenados do metabolismo (precisa de água para a eliminação desses produtos) ○ Evaporação de água pela pele ○ Perda de água pelo sistema respiratório ● Soluções: preservar água através de vários mecanismos: ○ Impermeabilização das superfícies e/ou redução da área das superfícies permeáveis à água ○ Excreção extra renal de sal ○ Produção escassa de urina ○ Habilidade das células funcionarem com diferentes quantidades relativas de água e eletrólitos: tolerância à desidratação ● Inovações evolutivas ○ Capacidade de recuperar quantidades de água que seria eliminada na urina: ■ muitos anfíbios e tartarugas terrestres - reabsorção de água da bexiga urinária sob a ação de um hormônio neurohipofisário semelhante ao ADH mamífero; ■ cobras, alguns lagartos e todas as aves adultas (exceto avestruz) sem bexiga urinária reabsorção de água da cloaca sob a ação do hormônio similar ao ADH; ■ concentração urinária (urina hiperosmótica e em pequeno volume) em mamíferos mecanismo renal de concentração urinária - os ductos coletores agem na conservação de água, promovendo reabsorção de água na presença de ADH (ocorre em aves, em menor magnitude – rim misto (néfrons de réptil e néfrons de mamíferos) ○ Uricotelismo ■ excreção de ácido úrico como resíduo nitrogenado - ideal para a vida terrestre: ocorre tipicamente em insetos, répteis e aves ○ Capacidade de absorver quantidades significativas de água do ambiente, através das superfícies: ■ anfíbios anuros terrestres, insetos e aracnídeos adaptados a ambientes secos ○ Possibilidade de grande utilização ate total dependência da água metabólica ■ exemplo de dependência completa: roedores do deserto, tais como o rato canguru ○ Respostas comportamentais ■ seleção de microclimas adequados (maior umidade), hábitos noturnos… ● Balanço hídrico em animais terrestres ○ Ganho de água ■ água líquida ingerida ■ água contida nos alimentos ingeridos ■ água formada no processo de respiração celular ■ água absorvida do ar ○ Perda de água ■ perda evaporativa de água pelos pulmões/pele ■ perda de água - urina/ fezes ● Redução da permeabilidade do tegumento à água ○ Animais de pele úmida: perdem muita água através do tegumento ■ Invertebrados de vários grupos ■ Moluscos gastrópodes, lesmas ■ Anfíbios ■ Respostas comportamentais: ● viver próximo à água; ● microclimas úmidos; ● hábitos noturnos; ● atividade restrita aos períodos de chuvas ou imediatamente seguintes às chuvas ○ Animais de pele seca: redução da perda evaporativa de água: ■ artrópodes (exoesqueleto e cutícula) ● Insetos - extremamente bem sucedidos na conquista do ambiente terrestre - superfícieseca e encerada ● Exocutícula + Endocutícula = Procutícula ● Cutícula (exoesqueleto) dos artrópodes ● Exceto pelos espiráculos, a superfície do corpo é coberta por cera ● Os espiráculos podem ser fechados para minimizar a perda de água ■ vertebrados (todos exceto anfíbios): epiderme, pêlos, escamas, penas ○ Pererecas à prova d’água ■ Postura de conservação de água ■ Reduzida permeabilidade à água devido à deposição de secreções lipídicas de glândulas dérmicas espalhadas sobre corpo com as patas – série complexa de movimentos estereotipados ■ URICOTELISMO – economia de água na excreção ● ANUROS DO DESERTO PELE PERMEÁVEL à água do sapo do deserto NÃO permite só PERDA de ÁGUA, mas também possibilita GANHO ÁGUA!!! Cava tocas de 60 cm de profundidade: sapo pé de pá Enche abertura com lama e fica em pequena câmara no fundo. -Construção da toca – ao final época de chuva – no deserto do Arizona – em set. e permanece nela até julho em ESTIVAÇÃO ○ ABSORVE ÁGUA pela pele e excreta urina. Conforme a umidade do solo vai caindo o animal para de eliminar excretas e acumula ureia tolerando elevação da osmolaridade. A grande pressão osmótica garante a continuidade do ganho de água pelo animal – mesmo em solo bem seco! Permanece ESTIVANDO enterrado por 9 ou 10 meses!! O animal demora cerca de quatro horas para sair da dormência, quando perturbado! ● SAPO DO DESERTO EM ESTIVAÇÃO ○ Um tipo de depressão metabólica, ou seja, é um dos tipos de dormência - animal permanece em jejum e inativo por período prolongado e com drástica redução da taxa metabólica. A depressão metabólica é a redução da taxa metabólica para níveis muito baixos - na maioria dos casos, a taxa metabólica é reduzida para 5–40% da taxa metabólica de repouso. Geralmente, a dormência é acompanhada de heterotermia. ● ESTIVAÇÃO - exemplo de outra situação de estresse ambiental - redução da umidade do ambiente e baixa disponibilidade de alimento ○ Molusco gastrópode pulmonado terrestre Otala lactea-caracol nativo de campos áridos ao redor do Mar Mediterrâneo. Se alimenta durante a noite. Quando está muito seco e a disponibilidade de alimento diminui, os caracóis entram em um estado de dormência denominado estivação. A abertura da concha é selada com uma membrana muco proteica denominada epifragma, o que reduz a perda de água corpórea. ● Tipos de dormência relacionados à temperatura: ○ Estivação - “sono de verão” - dormência associada ao período de seca – alta temperatura e escassez de água – comum em invertebrados e vertebrados ○ Dormência de inverno - hibernação - dormência associada ao frio invernal – baixa temperatura e escassez de alimentos. Dura semanas a meses. Ocorre em Rodentia, Insectivora e Chiroptera. Em ursos, ocorre sono de inverno – redução menor datemperatura corporal edataxametabólica do queocorre nahibernação. ○ Torpor diário – beija-flor é o exemplo clássico – temperatura corpórea e taxa metabólica caem durante algumas horas deinatividade ejejum. *DORMENCIA: é um termo amplamente usado para inatividade e letargia. Inclui uma variedade de estados comportamentais e fisiológicos que envolvem inatividade e depressão metabólica. Pode ser ditada por ritmo biológico anual ou uma resposta a uma variedade de fatores ambientais, incluindo temperatura, disponibilidade de alimento e de água. Pode ser um evento de curta duração (menos de 24 horas) ou durar dias, semanas, uma estação inteira ou mesmo anos. ● ANUROS ESTIVADORES DA CAATINGA - estivação ditada pela falta de água -regime das chuvas ○ Proceratophrys cristiceps: Rã endêmica da Caatinga ■ Cava, com as patas traseiras, a areia do leito de rios secos durante a estiagem ■ Pode ficar enterrada em uma coluna de até 1 metro de areia ■ Quando chove: emerge à superfície; comportamento reprodutivo oportunista e explosivo ○ Pleurodema diplolister: Padrão de estivação atípico ■ Ativos durante a noite e somente na estação chuvosa comportamento reprodutivo oportunista e explosivo ● ANUROS DO DESERTO: Estivação no interior de casulos ○ Casulos formados por deposição de camadas de tecido derivados do estrato córneo da pele ● CAPACIDADE DE ABSORVER ÁGUA DO AMBIENTE ATRAVÉS DA SUPERFÍCIE CORPORAL - Absorção de água atmosférica ○ Exemplo geral: ácaro da poeira: se a umidade relativa exceder 70%, ocorre absorção da água atmosférica animal quase duplica o volume de tamanho! ○ ex: carrapato; ácaro; pulga ● VIVENDO EM AMBIENTE TERRESTRE: Rato canguru como exemplo de vários mecanismos ○ Dependem da água formada no processo de respiração celular (água metabólica) ○ Dieta constituída principalmente de sementes secas ○ Urina altamente concentrada ○ Fezes extremamente secas ○ Reduzida sudorese: Em roedores, as glândulas sudoríparas são quase ausentes – presentes apenas na parte sem pêlo das patas ○ Redução da perda evaporativa de água na respiração ○ O número de néfrons justamedulares (túbulos intermediários longos), bem como o comprimento do TI determina a magnitude da concentração da urina ■ castor → concentração urinária: < 1000 mOsm/Kg ■ rato canguru → concentração urinária: > 6000 mOsm/Kg ○ Espessura medular relativa X tamanho do corpo ■ depende do habitat ○ Estratégias para reduzir a perda de água na respiração: ■ 1) SISTEMA TROCADOR DE CALOR: expiram ar mais frio que a Temperatura Corporal (Tc) – graças ao resfriamento do ar que deixa vias aéras nasais - redução da perda evaporativa de água na respiração ■ 2) HÁBITOS NOTURNOS: redução das atividades durante o dia. Se alimentam à noite (temperatura ambiental (Ta) menor) ■ 3) REFÚGIO TÉRMICO: se abrigam em galerias subterrâneas durante o dia - microclima mais fresco e úmido ○ Redução da perda evaporativa de água na respiração: ■ A temperatura ambiental influencia as transferências – e, portanto, a taxa de recuperação de água (o aumento reduz a água recuperada) O tamanho e a morfologia das passagens aéreas nasais também influencia - as conchas nasais são mais longas em muitos mamíferos e aves – são denominadas de cornetos ou turbinas nasais Obs.: são partes do processo denominado condicionamento do ar (além da purificação) o aquecimento e a umidificação do ar - ocorre transferência de calor e de água. O ar expirado (saturado de vapor d’àgua) é resfriado - assim, a água é condensada - resultando em economia de água ■ Redução da perda evaporativa na respiração de aves e mamíferos: As conchas (turbinas ou cornetos) nasais são estruturas associadas à conservação de água e de calor em endotermos, e, aparentemente, evoluíram independentemente em aves e mamíferos EXCREÇÃO: ÓRGÃOS DE EXCREÇÃO/ OSMORREGULAÇÃO EM INVERTEBRADOS ● Vacúolos contráteis (protozoários e esponjas dulcícolas) ● Glândula Verde e Glândula Coxal ( filtração/ reabsorção/ secreção) ● Túbulos de Malpighi (secreção/ reabsorção) ● Túbulos nefridiais: filtração/ reabsorção/ secreção ○ Protonefrídeos: Extremidade interna cega - filtração por sucção ○ Metanefrídeos: extremidade interna aberta - início de filtração por pressão positiva - pressão hidrostática - auxílio de cílios (sucção) ○ Nefrídeos - filtração EXCLUSIVAMENTE por pressão positiva - pressão hidrostática - associação íntima entre circulação e excreção ● Mecanismo proposto para o funcionamento dos vacúolos contráteis 1. Bombas iônicas na membrana do vacúolo transportam H e HCO3 para o interior do vacúolo 2. Água influi para o vacúolo, para equilibrar o gradiente osmótico com o citoplasma 3. O vacúolo se torna túrgido cheio de água 4. A membrana vacuolar se funde à membrana plasmática, expelindo o conteúdo do vacúolo 5. O metabolismo da célula gera mais gás carbônico que, sob ação da enzima anidrase carbônica, dá origem a mais íons hidrogênio e íons bicarbonato presente no interior da célula ● Funções renais básicas: filtração, reabsorção e secreção ○ Funções exercidas pelos néfrons, unidades morfofuncionais dosrins: 1 milhão de nefrons em cada rim humano. ○ filtração glomerular: gera ultrafiltrado do plasma ○ reabsorção tubular: passagem de substâncias do fluido tubular para a corrente sanguínea ○ secreção tubular: passagem de substâncias de corrente sanguínea para o fluido tubular ○ filtração, reabsorção e secreção não são funções renais ( dos nefrons dos rins de vertebrados); ao invés disso SÃO FUNÇÕES DOS TÚBULOS EXCRETORES ● Glândula verde ou antenal ○ Glândula verde é órgão excretor: opera através de filtração, reabsorção e secreção ○ túbulo ou canal nefridial (reabsorção e secreção - modificação de urina primária) ■ Estenohalino dulcícola: canal “longo” ● RESULTADO: urina da bexiga é hiposmótico aos fluidos corporais. ● Saco celomático → labirinto → canal → bexiga ■ Eurihalino - marinho, mas pode viver em estuários ● não possui canal ● saco celomático → labirinto → bexiga ● RESULTADO: urina isosmótica (mas não isoionica) aos fluidos corporais ○ saco celômico ou saco/bolsa terminal: ultrafiltração de hemolinfa - formação de urina primária ■ suas células são podócitos típicos, com pedicelos e fendas de filtração ○ Ducto (abertura é o poro excretor ou nefridióporo na base de antena) ● Túbulos de Malpighi ○ Excreção de resíduos nitrogenados e osmorregulação ○ Absorção de água e solutos no intestino posterior ○ Secreção/ Reabsorção ○ Além de Túbulos de Malpighi, em ARACNÍDEOS há glândulas coxais para remoção de resíduos nitrogenados e osmorregulação ■ Funcionamento semelhante ao das glândulas verdes dos crustáceos ■ Filtração, reabsorção e secreção ● Túbulos nefridiais ○ O fluido é inicialmente formado nas células terminais (solenócitos ou células-flama) e então passa para os túbulos nefridiais, cujas células o modificam ○ Os protonefrídios consistem em túbulos que terminam de forma cega (solenócitos ou células-flama). Às células tubulares modificam a composição do fluido (reabsorção e secreção). O excreta é eliminado através dos poros excretores. ○ Metanefrídeos em minhoca. Fluido se dirige para o interior do metanefrídeo através do nefróstoma (funil ciliado) em um somito; então passa através de várias alças complexas e de tamanho crescente do túbulo, sendo modificado neste percurso. O excreta é eliminado através do nefridióporo do próximo somito. Cada metanefrídeo ocupa parte de dois somitos adjacentes. * Túbulos nefridiais: (protonefrideos, metanefrideos e nefrideos) são tubos de origem ectodermica que se desenvolvem para o interior de um animal, a partir de superfície externa. Se destinam a osmorregulação e excreção. * Celomodutos: são tubos de origem mesodermica que se desenvovlem a partir do interior do animal para fora - estabelecendo uma abertura para o exterior. A origem funcional dos celomodutos está relacionada a eliminação dos gametas do celoma para o exterior, mais do que a eliminação de excretas. ○ Nefrídeos em moluscos ■ Os nefrídeos de moluscos são grandes e saculiformes, com paredes muito pregueadas. Vasos nefridiais aferentes e eferentes conduzem a hemolinfa para os rins e para fora deles, respectivamente. A filtração se dá exclusivamente por pressão positiva - estes túbulos nefridiais do tipo metanefrídeos são denominados nefrídeos. O nefróstoma se abre no celoma pericárdico através do canal renopericárdico. Geralmente, há bexiga curta imediatamente anterior ao nefridióporo. O nefridióporo se abre na cavidade do manto, próximo ao ânus ○ Rim dos cefalópodes ■ O fluido é dirigido para o interior de cavidade pericárdica por ultrafiltração através dos apêndices dos corações branquiais e flui para os sacos renais através dos canais renopericardicos. ■ apêndices renais: são numerosas evaginaçoes de parede delgada que se projetam de grossa veia que chega ao saco renal, penetrando-o. A modificação de urina primária ocorre nos canais renopericardicos e nos sacos renais. O saco renal descarrega na cavidade do manto; sua abertura é no nefridióporo. RINS DE VERTEBRADOS ● PROTONEFRO: Posição anterior e segmentada. É formado por vários tubos abertos por nefróstoma para cavidade celomica. O pronefro está presente nos embriões de todos os vertebrados (funcional apenas em embriões de peixes e anfíbios e, possivelmente, também em peixe-bruxa adulto) ● MESONEFRO: também designado segundo rim, tem posição torácica e é segmentado. o glomérulo perde a ligação ao celoma, tornando-se encapsulado numa porção do túbulo nefronico. Em alguns casos mesonefro ocorre em embriões de répteis, aves e mamíferos e em peixes e anfíbios adultos. ● METANEFRO: o terceiro rim ou rim definitivo, tem localização posterior, junto às vértebras lombares e perdeu a estrutura segmentar - torna-se compacto. Formado por muitos néfrons, nos quais desaparece o nefróstoma, dando-se a filtração pela passagem de fluido do glomérulo para o componente tubular nefronico, na membrana filtrante (corpúsculo renal). É o rim presente em amniotas adultos. A estrutura é drenada por um novo tubo, o ureter. O rim metanefro é funcional em répteis, aves e mamíferos. ● Principais variações na estrutura de néfrons de rins de vertebrados ○ Em geral, vertebrados não mamíferos apresentam sistema porta renal que leva sangue venoso diretamente para os capilares peritubulares dos néfrons ○ Observar: glomérulo (presença ou não, tamanho), porções tubulares, número de néfrons, tamanho, funcionamento geral e de cada porção tubular ○ Néfrons de teleósteos marinhos ■ Fluidos corporais hiposmóticos em relação à água do mar ■ Sofrem dessecação osmótica (efluxo osmótico) Bebem água do mar! ■ Rins com reduzido número de néfrons ■ Néfrons com glomérulos pequenos (pauciglomerulares) ou néfrons sem glomérulos (aglomerulares) ■ Pequeno volume de urina ■ Íons divalentes - processamento renal ■ Íons monovalentes - excretados nas células especializadas das brânquias ■ Excreção extra-renal de sais ■ Células especializadas das brânquias ■ Néfron pauciglomerular ● URINA ISOSMÓTICA em relação aos fluidos corporais ■ Néfron aglomerular ● Rins com néfrons sem glomérulos (aglomerulares) ● Pequeno volume de urina ● Alguns teleósteos marinhos ● Urina formada por secreção ● Íons divalentes - processamento renal ● Íons monovalentes - excretados nas células especializadas das brânquias ● Excreção extra-renal de sais ● Células especializadas das brânquias ○ Néfrons de elasmobrânquios marinhos ■ Reabsorção renal de uréia e OTMA Fluidos corporais isosmóticos ou suavemente hiperosmóticos em relação à água do mar ■ sem grandes problemas osmóticos! ■ Excreção extra-renal de sais Glândula retal ■ URINA levemente HIPOSMÓTICA em relação aos fluidos corporais ■ Arranjo complexo alças com fluxo de fluido tubular em direções opostas sistema renal contracorrente Estrutura para reabsorção renal 95% de uréia é reabsorvida! ○ Néfrons de teleósteos dulcícolas ■ Fluidos corporais hipersmóticos em ralação à água doce ■ Tendência ao inchamento osmótico (influxo osmótico) Rim livra o corpo do excesso de água ■ Rins com muitos néfrons ■ Néfrons com glomérulos bem desenvolvidos (grandes) ■ Filtração abundante ■ Grande volume urinário - urina hiposmótica e em grande volume ■ Reabsorção renal de sais ■ Captação ativa de sais ■ Células especializadas das brânquias ■ URINA HIPOSMÓTICA em relação aos fluidos corporais ■ Reabsorção de íons monovalentes e de água pode prosseguir na bexiga ○ Néfrons de anfíbios “dulcícolas” ■ Fluidos corporais hipersmóticos em relação à água doce ■ Tendência ao inchamento osmótico (influxo osmótico) ■ Rim livra o corpo do excesso de água ■ Captação ativa de sais através da pele ■ Rins com muitos néfrons ■ Néfrons com glomérulos bem desenvolvidos (grandes) ■ Filtração abundante ■ Grande volume urinário -urina hiposmótica e em grande volume ■ evaginação do assoalho da cloaca –estoque temporário de urina -ocorre mais reabsorção de NaCl■ Reabsorção renal de sais ○ Quanto maior o nível de independência da água (terrestrialidade), maior tendência à dessecação, então: ■ redução do ritmo de filtração glomerular; ■ reabsorção de água na bexiga; ■ redução da permeabilidade à água: postura; secreções lipídicas; ■ uricotelismo (excreção de resíduos nitrogenado como ácido úrico); ■ Anuros que estivam ○ Néfrons de répteis ■ Néfrons sem túbulo intermediário ■ Incapacidade de concentração RENAL da urina ■ Bexiga urinária ausente em crocodilianos, serpentes e alguns lagartos ■ Excreção de ácido úrico - pasta semi-sólida ■ água reabsorvida na cloaca ■ Répteis de ambiente dessecante têm glândulas de sal cefálicas para excreção de sal (rota extra renal), economizando água ○ Rins de aves ■ Pequeno volume urinário ■ Economia de água ■ Dois tipos de néfrons: de réptil e de mamífero ● Néfrons tipo reptiliano - CURTO (70-90%) ● Néfrons tipo mamífero -LONGO (10-30%) ● Capacidade limitada de concentração RENAL da urina (a concentração urinária máxima é de 2 a 2,5 vezes a concentração plasmática) ■ Apesar da enorme diferença no trato digestório das diversas aves (hábitos alimentares distintos), em geral, o epitélio do intestino grossos tem característica de epitélio transportador –permitindo reabsorção de íons e água –da urina e do quimo. Posterior/e, o envio final do material ao coprodeu encaminha o mesmo para a excreção. ■ Aves marinhas (ambiente dessecante) têm glândulas de sal cefálicas para excreção de sal (rota extra-renal), economizando água ○ Rins dos mamíferos ■ Néfron - unidade morfofuncional dos rins ■ Dois componentes: vascular e tubular ■ O número de néfrons justamedulares (túbulos intermediários longos), bem como o comprimento do TI determina a magnitude da concentração da urina ■ 2 Tipos de néfrons: ● néfrons justamedulares (com TI longo) ● néfrons corticais (superficiais – com TI curto) ● A fração dos néfrons justamedulares em relação aos néfrons corticais (superficiais) varia entre os animais - capacidades diferentes de concentração urinária máxima ■ Antidiurese: urina concentrada ● Na presença de ADH ■ Diurese: urina diluída ● Resíduos nitrogenados ○ Amônia ■ Solubilidade mais alta; ■ Toxicidade alta; 500 mL de água para excretar 1g de N nesta forma ■ Custo energético = 0 ○ Uréia ■ Solubilidade intermediária; ■ Toxicidade mais baixa; 50 mL de água para excretar 1g de N nesta forma ■ Custo energético ~1,5 ATP/N ○ Ácido úrico ■ Solubilidade baixa; ■ Toxicidade mais baixa; 10 mL de água para excretar 1g de N nesta forma ■ Custo energético ~5 ATP/N