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TÍTULOS DE CRÉDITO
Bibliografia Recomendada e Utilizada para a elaboração das aulas:
TOMAZETTE, Marlon. Curso de direito empresarial : Títulos de crédito, v.
2 – 8. ed. rev. e atual. – São Paulo: Atlas, 2017.
COELHO, Fábio Ulhoa. Manual de Direito Comercial – Direito de
Empresa. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016.
NEGRÃO, Ricardo. Curso de direito comercial e de empresa, v. 2 - títulos
de crédito e contratos empresariais. São Paulo: Saraiva Educação, 2018.
Prova Parcial = Valor 0,0 à 9,0 - Trabalho (opcional): 1,0 ponto.
Exame Final = Valor 0,0 à 9,0 – Trabalho (opcional): 1,0 ponto.
unaerp
#direito2019#
www.direitodainformatica.com.br/unaerp
unaerp
#direito2019#
Blog
CÓPIA DAS AULAS
TÍTULOS DE CRÉDITO
A atividade empresarial e, consequentemente, o próprio direito
empresarial exigem três pilares fundamentais:
1. Rapidez
2. Segurança
3. Crédito
Obviamente a atividade empresarial exige um reforço ao crédito, uma
disciplina mais célere dos negócios, a tutela da boa-fé e a simplificação
da movimentação de valores, tendo em vista a realização de negócios
em massa.
Os títulos de crédito são instrumentos extremamente eficazes para
circulação de riquezas. Para poder estudar esses títulos, é fundamental
analisar o crédito, um dos pilares da própria atividade empresarial.
TÍTULOS DE CRÉDITO
O crédito representa, em uma ideia geral, a confiança no cumprimento
das obrigações, o que facilita extremamente as transações comerciais,
que nem sempre representam trocas imediatas de valores.
Sem o crédito, a atividade empresarial não teria chegado ao nível atual
de desenvolvimento. Foi ele que permitiu a expansão e o
desenvolvimento das principais atividades econômicas existentes no
mundo moderno.
Sem o crédito, o número de mercadorias produzidas seria bem menor e
a produção ocorreria de modo mais lento, na medida em que o produtor
só teria acesso às matérias primas se já possuísse, em mãos, o dinheiro
necessário para sua aquisição. Do mesmo modo, os consumidores não
conseguiriam adquirir tantos bens sem que houvesse a concessão de
certo crédito por parte dos vendedores. A mesma ideia se aplica na
prestação de serviços e nas demais atividades econômicas.
TÍTULOS DE CRÉDITO
A palavra crédito deriva do latim creditum, que por sua vez advém de
credere, que significa confiar, ter fé, crer, confiar, emprestar.
O crédito representa a confiança que alguém faz nascer em outrem.
Daí, dizer-se que determinada pessoa tem crédito, no sentido de que
esta pessoa desperta a confiança.
Crédito em sentido moral: é um ato de fé e de confiança do credor.
Crédito em sentido econômico: Troca de valores no tempo. Troca de
um bem atual por um bem futuro. A entrega de coisa sua para que, no
futuro, receba coisa equivalente. É a permissão de usar capital alheio
(Stuart Mill). Crédito confere poder de compra a quem não dispõe de
recursos para realizá-lo (Werner Sombart). Crédito é a troca de uma
prestação atual por prestação futura.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Não podemos negar também a ideia jurídica do crédito, na qual ele
representa o direito a uma prestação do devedor.
Nas relações obrigacionais em geral, pelo menos um dos envolvidos tem
direito a uma prestação e esse seu direito é entendido como um direito
de crédito.
Assim, no contrato de compra e venda, o vendedor que entregou a
mercadoria tem um crédito, consistente no direito de receber o preço
estipulado. Portanto, juridicamente, quando se fala do crédito, se fala de
um direito do credor de uma relação obrigacional.
TÍTULOS DE CRÉDITO
O crédito, portanto, é a transação entre duas partes, na qual uma delas
(o credor) entrega a outra (o devedor) determinada quantidade de
dinheiro, bens ou serviços, em troca de uma promessa de pagamento.
OPERAÇÃO CREDITÓRIA: Troca de um valor presente por um valor
futuro. (Confiança + Tempo). O tempo é o prazo, intervalo, período entre
a prestação presente e atual e a prestação futura.
Assim, por exemplo, nas chamadas vendas a prazo há uma relação
de crédito, uma operação creditória, quando uma pessoa entrega
uma mercadoria a outra (prestação atual) e espera receber o valor
de tal mercadoria em um tempo determinado (prestação futura).
TÍTULOS DE CRÉDITO
A partir do que já estudamos, então encontramos dois elementos
primordiais no crédito: a confiança e o tempo.
Na relação jurídica de crédito, haverá sempre uma troca no tempo, isto
é, uma pessoa entrega um bem atual em troca de um bem futuro (uma
prestação futura). Essa troca no tempo só se realizará se houver uma
relação de confiança.
Quanto maior o volume de crédito, maior o crescimento da economia.
Esse indicador é fundamental para demonstrar o desenvolvimento da
economia de um país.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Certeza, segurança e facilidade
Sem esses atributos, o crédito não seria capaz de provocar as
transformações que gerou na economia. Se não fosse certo, não haveria
a concessão de tanto crédito. Do mesmo modo, se não houvesse
segurança para o recebimento, também não haveria tantas operações
de crédito. Por fim, a facilidade de circulação se impõe para agilizar as
negociações e permitir a fruição mais pronta e célere dos recursos.
TÍTULOS DE CRÉDITO
CLASSIFICAÇÃO DO CRÉDITO
Para fins didáticos, podemos reunir o crédito em grupos, classificando-o
de acordo com vários critérios. Tendo em vista a necessidade de
segurança no exercício dos direitos de crédito, é comum que se reforce
o crédito com alguma garantia, isto é, há um reforço que facilita o
recebimento do crédito, tornando-o menos arriscado.
A garantia é apenas um reforço, não substituindo a obrigação original
que, normalmente, continua a existir.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Classificação em função da garantia assegurada ao credor, temos:
Crédito real: a garantia assenta em determinado bem móvel (ex. penhor)
ou imóvel (ex. hipoteca) do devedor ou de terceiro, que fica vinculado ao
cumprimento da obrigação. Não havendo o cumprimento da obrigação, o
credor poderá receber o produto da venda do bem dado em garantia.
Crédito pessoal: a garantia estabelece-se em todo o patrimônio da
pessoa e não em um bem determinado; é a chamada garantia
fidejussória (ex. aval e fiança). Nesses casos, além do devedor original,
soma-se um garantidor, que amplia as chances de recebimento do
crédito.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Classificação em função da utilização do crédito, temos:
Créditos de consumo: os valores recebidos são aplicados na satisfação
das necessidades pessoais do beneficiário do crédito, como, por
exemplo, para aquisição de bens de consumo (carros, eletrodomésticos,
etc.)
Crédito de produção: os valores recebidos são utilizados na produção
de certos bens ou no desenvolvimento de certa atividade econômica,
isto é, são utilizados na geração de novas riquezas, como, por exemplo,
o crédito rural ou o crédito industrial.
TÍTULOS DE CRÉDITO
O crédito envolve necessariamente um prazo entre as prestações. Em
razão disso, é possível classificar o crédito quanto ao prazo, para o
cumprimento das obrigações, em crédito de curto prazo (inferior a um
ano), de médio prazo (entre um e três anos) e de longo prazo (acima de
três anos).
Esses transcursos de tempo não são claramente definidos; parte-se de
uma noção prática mais geral para essa definição.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Além da variabilidade do prazo, também se mostra como critério de
classificação o sujeito que recebe o crédito, isto é, o devedor. Assim,
fala-se em crédito público quando o Poder Público é o beneficiário do
crédito e se torna devedor. Este crédito tem um tipo de risco próprio, por
vezes chamado de risco governo.
De outro lado, temos os créditos privados, quando particulares
assumem a condição de devedores, nas mais variadas situações. Os
últimos podem se subdividir em créditos individuais, comerciais,
industriais, agrícolas ou marítimos, de acordo com a sua destinação.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Qualquer que seja o devedor, ele pode obter o crédito dentro do
territórionacional ou fora do território nacional, podendo-se falar em
crédito interno para o primeiro e crédito externo para o segundo.
Tal distinção pode ser importante para a definição de regras e
condições de obtenção do crédito.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Por fim, podemos classificar o crédito quanto ao seu instrumento, isto é,
quanto à sua forma de representação. Em geral, o crédito é
representado juridicamente por um instrumento que pode ser um
contrato e/ou um título de crédito, sendo que este último é mais utilizado
nas operações em que se pretende fazer o crédito circular.
Numa compra e venda a prazo, o crédito do vendedor normalmente é
representado em um contrato escrito, nada impedindo que seja inclusive
um contrato verbal. Esse contrato é que instrumentaliza o crédito.
Todavia, na mesma situação, além do contrato, pode-se representar o
crédito em um título de crédito, como uma nota promissória ou um
cheque. Neste caso, o título de crédito também instrumentaliza o
crédito.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Modernamente, o direito empresarial encontra sua justificação não na
tutela do comerciante, mas na tutela do crédito e da circulação de bens
ou serviços, vale dizer, o fim último do direito empresarial é permitir o
bom desenvolvimento das relações de crédito e das atividades
econômicas.
Dentro dessa concepção, a disciplina dos títulos de crédito ganha
importância, na medida em que eles são os principais instrumentos de
circulação de riquezas no mundo moderno. Assim, os títulos de crédito
talvez representem a principal contribuição do direito comercial para a
economia moderna.
TÍTULOS DE CRÉDITO
CONCEITO DE TÍTULO DE CRÉDITO
O conceito mais clássico é o de Cesare Vivante, pelo qual o “título de
crédito é o documento necessário para o exercício do direito, literal e
autônomo, nele mencionado”.
Tal conceito é praticamente reproduzido pelo artigo 887 do Código Civil,
nos seguintes termos:
Art. 887. O título de crédito, documento necessário ao exercício
do direito literal e autônomo nele contido, somente produz efeito
quando preencha os requisitos da lei.
TÍTULOS DE CRÉDITO
CONCEITO DE TÍTULO DE CRÉDITO
Neste conceito de Cesare Vivante, pelo qual o “título de crédito é o
documento necessário para o exercício do direito, literal e autônomo,
nele mencionado” - estão presentes os três elementos essenciais de um
título de crédito (a autonomia das obrigações, a literalidade e a
cartularidade ou incorporação), que devem ser preenchidos para que
um documento seja considerado um título de crédito.
Vamos estudar adiante cada um desses elementos:
1. Literalidade
2. Cartularidade (documento)
3. Autonomia
TÍTULOS DE CRÉDITO
CARTULARIDADE: No conceito de Vivante, diz-se que “título de crédito é
o documento necessário para o exercício do direito, literal e autônomo,
nele mencionado”.
Diz-se que o documento é necessário, porque enquanto existe o
documento, o credor deve exibi-lo para exercitar todo direito, seja
principal, seja acessório, que o título porta consigo e não se pode fazer
qualquer mudança na posse do título, sem anotá-la (mudança) nele.
Assim sendo, fica claro que o documento é imprescindível para o
exercício do direito, o que traduz a ideia essencial do princípio da
cartularidade ou incorporação.
TÍTULOS DE CRÉDITO
A expressão cartularidade advém do latim chartula (papel pequeno,
pedaço de papel, escrito de pouca extensão), que remonta à ideia de
papel, no sentido de que a apresentação do documento seria essencial
para o exercício do direito.
Assim, a cartularidade significa que o título é o sinal imprescindível do
direito, isto é, a posse do título é a condição mínima para o exercício do
direito nele mencionado, só quem possui o documento pode exigir o
cumprimento do direito documentado. O documento é, pois,
fundamental (necessário) para o exercício dos direitos nele
mencionados.
TÍTULOS DE CRÉDITO
A necessidade do documento deve entender-se no sentido de que uma
vez unido o direito ao título, não é possível exercer o direito sem estar de
posse do título.
O credor do direito precisa provar que está na posse legítima do título
para exercer o direito, com base no próprio documento. Sem o
documento, o titular não pode exigir o direito constante do mesmo.
Do mesmo modo, para se ter a prova do pagamento do título, é
necessária a entrega do próprio título, afastando a regra do artigo 309
do Código Civil, que admite a validade do pagamento feito ao credor
putativo (suposto, ilegítimo, que acreditava ser o credor).
Art. 309. O pagamento feito de boa-fé ao credor putativo é válido,
ainda provado depois que não era credor.
TÍTULOS DE CRÉDITO
A ligação entre título e documento é extremamente forte, de modo que
quem é proprietário ou possuidor legítimo do título do documento
também é titular do direito cartular nele incorporado.
Tal princípio encontra inúmeras aplicações, dentre elas, a exigência de
apresentação do original para instruir ação executiva. A apresentação
de cópia autenticada não garante que o apresentante seja o efetivo
possuidor do título, ou seja, não garante que o mesmo tenha o direito de
exigir o crédito consubstanciado no mesmo.
A juntada do original do documento representativo de crédito líquido,
certo e exigível, consubstanciado em título de crédito com força
executiva, é a regra, sendo requisito indispensável não só para a
execução propriamente dita, mas também para todas as demandas nas
quais a pretensão esteja amparada na referida cártula.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Atenção: Todavia, tal aplicação da cartularidade vem sendo mitigada,
admitindo-se, em determinadas hipóteses, a não apresentação do título
original. Por questões de segurança (valor elevado ou risco de perda),
ou mesmo por questões de impossibilidade fática de juntada do original
(quando este está em outro processo), se admite a apresentação apenas
de cópia autenticada do título, com a assunção da obrigação de
apresentar o original quando for pedido, ou com a certidão de que o
original está em outro processo.
Também vem se admitindo o prosseguimento do processo se o original
se perdeu no curso do processo e não houve impugnação sobre a
legitimidade do documento.
TÍTULOS DE CRÉDITO
A DESMATERIALIZAÇÃO DOS TÍTULOS DE CRÉDITO
Quando se fala na cartularidade ou incorporação, normalmente se
ilustra com a ideia da necessidade da apresentação do papel (da
cártula) para o exercício do direito.
Assim, deve-se apresentar a folha de cheque para que o banco o pague,
ou deve-se apresentar a nota promissória ao cartório para realizar o
protesto. Todavia, modernamente já não se usa mais tanto o papel. A
evolução tecnológica vem aos poucos diminuindo o uso do papel.
Essa evolução também chega aos títulos de crédito, sendo
extremamente comum falar em títulos de crédito eletrônicos, isto é,
títulos não materializados no papel.
TÍTULOS DE CRÉDITO
O próprio Código Civil (art. 889, § 3º) admite a criação do chamado título
eletrônico criado a partir de caracteres gerados em computador, desde
que contenha a data da emissão, a indicação precisa dos direitos que
confere e a assinatura do emitente.
Art. 889. Deve o título de crédito conter a data da emissão, a indicação precisa dos direitos
que confere, e a assinatura do emitente.
§ 1o É à vista o título de crédito que não contenha indicação de vencimento.
§ 2o Considera-se lugar de emissão e de pagamento, quando não indicado no título, o
domicílio do emitente.
§ 3o O título poderá ser emitido a partir dos caracteres criados em computador ou
meio técnico equivalente e que constem da escrituração do emitente, observados os
requisitos mínimos previstos neste artigo.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Negar a existência dos títulos eletrônicos é negar a própria evolução do
Direito. Em nosso direito já temos títulos eletrônicos, como por exemplo
os títulos do agronegócio disciplinados pela Lei nº 11.076/2004.
Diante dessa realidade, restam duas opções: ou o princípio da
cartularidade nãomais se aplica aos títulos de crédito, ou continua
valendo, adequando-se à realidade econômica moderna.
Para a melhor doutrina, como Marlon Tomazete (livro adotado nesta
disciplina) o princípio continua valendo também para os títulos
eletrônicos.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Os títulos eletrônicos podem ser entendidos como “toda e qualquer
manifestação de vontade, traduzida por um determinado programa de
computador, representativo de um fato, necessário para o exercício do
direito literal e autônomo nele mencionado”.
Diante desse conceito, ainda se vê “algo” necessário para o exercício do
direito. Contudo, esse “algo” não é mais um papel, mas uma
manifestação de vontade traduzida por um programa de computador. A
nosso ver, esta manifestação ainda é um documento e ainda será um
título de crédito obediente ao princípio da cartularidade ou
incorporação.
TÍTULOS DE CRÉDITO
O documento é meio real de representação de um fato ou toda
representação material destinada a reproduzir determinada
manifestação do pensamento, ou ainda a coisa representativa de um fato
e destinada a fixá-lo de modo permanente e idôneo. Em suma, o
documento é uma coisa que representa um fato.
Diante dessas noções, fica claro que não existem maiores diferenças
entre os documentos tradicionais e os documentos eletrônicos.
Além disso, a MP 2.200-2/2001 (24/08/2001), que continua válida em
virtude da EMC 32, de 11/09/2001 (Art. 2º: As medidas provisórias
editadas em data anterior à da publicação desta emenda continuam em
vigor até que medida provisória ulterior as revogue explicitamente ou até
deliberação definitiva do Congresso Nacional) – eliminou as dúvidas
sobre a validade de documentos eletrônicos.
TÍTULOS DE CRÉDITO
MP 2.200-2/2001
Art. 10. Consideram-se documentos públicos ou particulares, para todos
os fins legais, os documentos eletrônicos de que trata esta Medida
Provisória.
§ 1º As declarações constantes dos documentos em forma eletrônica
produzidos com a utilização de processo de certificação disponibilizado
pela ICP-Brasil presumem-se verdadeiros em relação aos signatários, na
forma do art. 131 da Lei no 3.071, de 1o de janeiro de 1916 - Código Civil.
§ 2º O disposto nesta Medida Provisória não obsta a utilização de outro
meio de comprovação da autoria e integridade de documentos em forma
eletrônica, inclusive os que utilizem certificados não emitidos pela ICP-
Brasil, desde que admitido pelas partes como válido ou aceito pela
pessoa a quem for oposto o documento.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Logo, também não há maiores diferenças entre os títulos de crédito
cartulares e os títulos de crédito eletrônicos, devendo ser mantido o
princípio da cartularidade, cuja aplicação mudará apenas na matéria
representativa do direito, que poderá ser o papel ou o meio eletrônico.
Em função de tal mudança na matéria, também mudará a forma da
assinatura que passará a ser eletrônica, por meio dos sistemas de
criptografia. Como descrito na MP 2.200-2/2001, amplamente utilizado
no processo judicial eletrônico, etc.
Logo, títulos de crédito eletrônicos, são válidos, desde que obedeçam as
regras de segurança e validade dos documentos eletrônicos descritos
pela legislação de regência, conforme mencionado.
TÍTULOS DE CRÉDITO
LITERALIDADE: O conceito de Vivante diz que o direito mencionado no
título de crédito é literal, no sentido de que ele tem seu conteúdo e seus
limites determinados nos precisos termos do título, vale dizer, “ele existe
segundo o teor do documento.”
O teor literal do título é relevante para definir a existência, o conteúdo e
a modalidade do direito. Na face do papel estão inscritos, nos limites
disciplinados pela lei, todos os elementos indispensáveis à
compreensão jurídica do problema. Em síntese, a literalidade dá a
certeza quanto à natureza, ao conteúdo e a modalidade da prestação
prometida ou ordenada.
O que não se encontra expressamente consignado no teor do título de
crédito não produz efeitos nas relações jurídico-cambiais. Cambial: Câmbio,
troca, qualquer título de crédito que representa uma promessa ou ordem de pagamento em
dinheiro, como letra de câmbio, cheque, duplicata, nota promissória, etc.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Ex: Um aval (assinatura lançada em título de crédito, pela qual o
assinante se compromete a garantir as obrigações de outra pessoa que
figure no documento) concedido em instrumento apartado da nota
promissória, por exemplo, não produzirá os efeitos de aval, podendo, no
máximo, gerar efeitos na órbita do direito civil, como fiança. A quitação
pelo pagamento de obrigação representada por título de crédito deve
constar do próprio título, sob pena de não liberar o devedor da
obrigação.
Assim, pela literalidade, o título de crédito obedece rigorosamente o que
nele está escrito.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Dada a ampla possibilidade de circulação, meros ajustes verbais não
podem influir no exercício do direito ali mencionado, pois quem recebe o
título deve saber pelo teor do próprio que direito está recebendo. É o
teor literal do documento que irá definir os limites para o exercício dos
direitos nele mencionados.
Em termos mais simples, vale o que está escrito no título. O
terceiro tem que “depositar confiança naquilo que o título diz”.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Não se pode exigir mais do que está escrito no título. Se o título prevê
expressamente um valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais), mas foi
combinado verbalmente um valor de R$ 15.000,00 (quinze mil reais), só
poderá ser exigido o valor literal.
Do mesmo modo, se o título tem um vencimento certo, mas foi
combinado verbalmente que ele só seria cobrado após o término de
determinado serviço, tal ajuste verbal não impede a exigência do título a
partir do vencimento.
Em qualquer caso, contudo, poderá ser exigida a correção
monetária a partir do vencimento, uma vez que ela representa
apenas a recomposição do valor da moeda corroída pela inflação.
Ela não representa um valor novo, mas apenas um ajuste no valor
que já é devido. Inadmitir a correção seria permitir o
enriquecimento sem causa do devedor. Juros? São devidos por lei.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Também não se pode exigir de alguém o cumprimento de uma obrigação
que não tenha sido assumida no próprio título. O avalista em documento
apartado, como vimos há pouco, não é devedor do título. Do mesmo
modo, o devedor que verbalmente assumiu a obrigação, mas não a
firmou no título, não poderá ser demandado.
De outro lado, não se pode imputar ao credor as consequências de um
ato que não esteja escrito no próprio título. Assim, atos documentados
em instrumentos apartados, ainda que válidos, não podem ser opostos
ao portador de boa-fé do título. Exemplificativamente, a quitação dada
em documento apartado não pode ser oposta ao possuidor de boa-fé
que tenha adquirido o título por meio de circulação. A prova testemunhal
não é apta a afastar a exigência de que a quitação conste do próprio
título.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Vê-se, portanto, que a literalidade opera tanto contra como a favor do
subscritor, na medida em que esse não pode opor exceções constantes
de documentos extracartulares, a não ser que o portador tenha sido
parte na relação. E, de outro lado, o portador não pode exigir mais do
que consta literalmente do título.
Atenção: A literalidade não se aplica integralmente à duplicata. Vamos
estudar em aulas futuras. Na duplicata, são admitidas a quitação em
separado (Lei nº 5.474/68 – art. 9º), a compensação de valores não
previstos no título (Lei nº 5.474/68 – art. 10) e a assunção de obrigação
fora do título, como o chamado aceite presumido.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Literalidade indireta
A interpretação extremada do princípio da literalidade geraria algumas
iniquidades, como, por exemplo, o não pagamento de juros de mora, em
caso de atraso. Todavia, obviamente isso não ocorre. Os juros de mora
são exigíveis mesmo que não previstos no título, uma vez que decorrem
da lei. Além disso, outros encargos não expressamente previstosno
título também são exigíveis, se o devedor tinha como conhecê-los, dada
a boa-fé que deve reger essas relações.
Assim, é possível falar-se também no que convencionou-se chamar-se
de “literalidade indireta”, sem perder a segurança, podendo tal
literalidade decorrer de uma remissão do título ou do próprio regime
jurídico a que ele se sujeita.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Literalidade indireta
Quando determinados valores decorrem da lei (juros de mora), poderão
ser exigidos, mesmo que não expressamente previstos no título. Da
mesma forma, encargos decorrentes de uma remissão que o título faz a
outro documento também poderão ser exigidos. Em ambos os casos, o
devedor tem como conhecer os exatos limites do que pode ser exigido,
seja em razão da lei, seja em razão da referência a outro documento.
Quando previstos na lei, tendo em vista que a ninguém é dado
alegar o desconhecimento da lei, o devedor não pode se
escusar de cumprir a obrigação legal. Assim, os juros de mora
podem ser exigidos, uma vez que a legislação de regência
expressamente garante o direito à cobrança desses juros.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Do mesmo modo, quando o título fizer menção a outro documento, como
um contrato, por exemplo. Nessa situação, o devedor tem ciência de que
aquela obrigação também tem seus limites definidos em outro
documento, não podendo invocar o desconhecimento desse outro
documento. Conforme diz Ascarelli, “as cláusulas destinadas a regular o
direito vêm também sempre mencionadas no título, seja também através
de uma referência”.
A jurisprudência do STJ inicialmente não admitia a cobrança de
encargos não expressamente previstos no título, ainda que decorrentes
do contrato subjacente. Todavia, tal orientação foi superada, uma vez
que não haveria sentido em não impor ao devedor uma obrigação que
ele conhece e já assumiu nos termos do contrato.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Por isso, o STJ já decidiu que:
Estando a “nota promissória vinculada a contrato de empréstimo
pessoal e fazendo-se acompanhar deste último, a taxa de juros é aquela
estabelecida na avença”.
TÍTULOS DE CRÉDITO
AUTONOMIA: Do título de crédito podem decorrer vários direitos, podem
surgir várias relações jurídicas, vale dizer, podemos ter vários
devedores e também vários credores sucessivos. Cada um desses
credores ou devedores do título possui uma obrigação autônoma, no
sentido de que seu crédito ou seu débito não é afetado por questões que
digam respeito a outras pessoas. Cada obrigação resultante do título é
autônoma em relação as demais.
Qualquer pessoa de boa-fé, que adquira a condição de credora do título
de crédito, adquire um direito novo como se fosse um credor originário,
não ocupando a posição do antigo credor. Tal princípio é uma garantia
de negociabilidade do título, na medida em que a pessoa que o adquire
não precisa saber se o credor anterior teria ou não direito de receber o
valor do título.
TÍTULOS DE CRÉDITO
O possuidor de boa-fé exercita um direito próprio que não pode ser
restringido ou destruído pelas relações ocorridas entre os possuidores
precedentes e o devedor.
Cód. Civil - Art. 915. O devedor, além das exceções fundadas nas
relações pessoais que tiver com o portador, só poderá opor a este as
exceções relativas à forma do título e ao seu conteúdo literal, à
falsidade da própria assinatura, a defeito de capacidade ou de
representação no momento da subscrição, e à falta de requisito
necessário ao exercício da ação.
Art. 916. As exceções, fundadas em relação do devedor com os
portadores precedentes, somente poderão ser por ele opostas ao
portador, se este, ao adquirir o título, tiver agido de má-fé.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Ex: Assim, em uma nota promissória, seu credor não poderia receber o
crédito, por questões pessoais (compensação com o devedor,
transação, etc.). Todavia, este mesmo credor transferiu seu crédito a
terceiro, o qual, por sua vez, recebe um direito autônomo, ou seja, não
influenciado por questões que digam respeito ao credor anterior.
Assim sendo, a compensação com o credor originário ou
mesmo a transação firmada não têm o condão de diminuir ou
afastar o direito do novo credor.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Além disso, se determinada pessoa adquiriu a posse de título de maneira
ilegítima, por exemplo, furtando o documento, ela não poderia receber o
valor do título.
Todavia, se ela transfere o título a um terceiro de boa-fé, este terceiro
terá direito de receber o valor, uma vez que recebe um direito
autônomo, como se credor originário fosse. Trata-se da
inoponibilidade (não oposição) das exceções pessoais aos terceiros
de boa-fé.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Exemplo: “Casa Grande” assina um título comprometendo-se a pagar a
“Galvão Bueno” determinada quantia em uma data marcada.
“Casa Grande” é o devedor e “Galvão Bueno” o credor.
“Galvão Bueno” efetua uma compra a prazo e dá à “Arnaldo César
Coelho” o título como pagamento. Por sua vez, “Arnaldo César Coelho”
faz o mesmo, isto é, repassa o título a outra pessoa.
A situação fica assim configurada: “Casa Grande” - passa a ser o
devedor principal, “Galvão Bueno” e “Arnaldo César Coelho” –
coobrigados.
COOBRIGADOS: Cada qual é responsável pela obrigação que assumiu.
Pelo princípio da solidariedade, qualquer coobrigado pode ser solicitado
a saldar a dívida.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Vejam como a AUTONOMIA é importante.
Imagine agora a seguinte situação: GALVÃO BUENO emitiu uma nota
promissória (que recebeu o aval de ARNALDO CÉSAR COELHO) para
CASA GRANDE que a endossou para RONALDO. Considerando que
houve três assinaturas (emissão, endosso e aval), sem qualquer menção
em contrário, temos três devedores solidários desse título.
Aval: assinatura lançada em título de crédito, pela qual o assinante se
compromete a garantir as obrigações de outra pessoa que figure no
documento.
Endosso: declaração, em regra escrita no dorso de um título de crédito
ou papel comercial, que transmite a outrem a sua propriedade.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Se GALVÃO BUENO for absolutamente incapaz e não for representado,
sua obrigação é nula (CC – art. 166, I). Embora seja sua assinatura que
crie o título, isto não invalida o título em si, nem invalida as demais
obrigações.
ARNALDO e CASA GRANDE continuarão sendo devedores do título de
crédito.
Do mesmo modo, se a assinatura de GALVÃO for falsa, todas as outras
obrigações se mantêm, dado o princípio da autonomia das obrigações.
GALVÃO BUENO
(emite NP)
CASA GRANDE
(credor)
RONALDO
(Credor, que 
recebeu a NP 
por endosso de 
CASA GRANDE)
ARNALDO 
CÉSAR COELHO
(aval)
TÍTULOS DE CRÉDITO
Naquele exemplo, aplicamos a LUG (Lei Uniforme de Genebra) – art. 7º -
O Brasil é signatário desta convenção internacional para letras de
câmbio e notas promissórias (Decreto nº 57.663/1966)
Art. 7º - Se a letra contém assinaturas de pessoas incapazes de se
obrigarem por letras, assinaturas falsas, assinaturas de pessoas
fictícias, ou assinaturas que por qualquer outra razão não
poderiam obrigar as pessoas que assinaram a letra, ou em nome
das quais ela foi assinada, as obrigações dos outros signatários
nem por isso deixam de ser válidas.
TÍTULOS DE CRÉDITO
No estudo dos princípios fundamentais dos Títulos de Crédito, com base
no conceito de Cesare Vivante, portanto, estudamos até aqui:
1. Cartularidade
2. Literalidade
3. Autonomia
Mas há também mais 2 princípios importantes que precisamos estudar,
são eles:
4. Abstração
5. Independência
TÍTULOS DE CRÉDITO
ABSTRAÇÃO: Pelo princípio da abstração, o título de crédito se
desvincula do negócio jurídico que lhe deu origem, isto é, questões
relativas a esse negócio jurídico subjacente não têm o condão de afetar
o cumprimento da obrigação do título de crédito. Não importa a origem
do título, ele existe abstratamente, completamente desvinculado da
relação inicial.
Não se leva em conta a não ser o título, sendo irrelevante o que impôs
sua emissão. A abstração ocorre quando o título de crédito circula (é
transmitidode uma pessoa à outra), pois nesse caso ele se desvincula
do negócio jurídico que lhe deu origem (dito negócio subjacente). Por
isso, como regra, deverá ser pago mesmo que haja problemas entre as
partes originárias do negócio.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Em última análise, trata-se de uma garantia da circulação do título, na
medida em que o adquirente do título não precisa conferir o que ocorreu
nesse negócio jurídico. Quem recebe o título de crédito, recebe um
direito abstrato, isto é, um direito não dependente do negócio que deu
origem ao título.
Tomando aquele nosso exemplo para explicar: GALVÃO BUENO possui
uma dívida de jogo com CASA GRANDE, a qual foi representada em uma
nota promissória. CASA GRANDE endossou esta nota promissória para
RONALDO. Este recebeu um direito abstrato, no sentido de que a
inexigibilidade do negócio jurídico subjacente (implícito) não atinge a
nota promissória. RONALDO terá direito de receber o valor do título,
independentemente do negócio que lhe deu origem.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Do Jogo e da Aposta
Art. 814. As dívidas de jogo ou de aposta não obrigam a pagamento; mas não se pode recobrar a
quantia, que voluntariamente se pagou, salvo se foi ganha por dolo, ou se o perdente é menor ou
interdito.
§ 1o Estende-se esta disposição a qualquer contrato que encubra ou envolva reconhecimento, novação
ou fiança de dívida de jogo; mas a nulidade resultante não pode ser oposta ao terceiro de boa-fé.
§ 2o O preceito contido neste artigo tem aplicação, ainda que se trate de jogo não proibido, só se
excetuando os jogos e apostas legalmente permitidos.
§ 3o Excetuam-se, igualmente, os prêmios oferecidos ou prometidos para o vencedor em competição de
natureza esportiva, intelectual ou artística, desde que os interessados se submetam às prescrições
legais e regulamentares.
Art. 815. Não se pode exigir reembolso do que se emprestou para jogo ou aposta, no ato de apostar ou
jogar.
TÍTULOS DE CRÉDITO
A dívida de jogo contraída em casa de bingo é inexigível, ainda que seu funcionamento tenha sido
autorizado pelo Poder Judiciário. De acordo com o art. 814, §2º, do CC, não basta que o jogo seja lícito
(não proibido), para que as obrigações dele decorrentes venham a ser exigíveis, é necessário, também,
que seja legalmente permitido. Nesse contexto, é importante enfatizar que existe posicionamento
doutrinário, no sentido de que os jogos classificam-se em autorizados, proibidos ou tolerados. Os
primeiros, como as loterias (Decreto-Lei 204/1967) ou o turfe (Lei 7.294/1984), são lícitos e geram
efeitos jurídicos normais, erigindo-se em obrigações perfeitas (art. 814, § 2º, do CC). Os jogos ou
apostas proibidos são, por exemplo, as loterias não autorizadas, como o jogo do bicho, ou os jogos de
azar referidos pelo art. 50 da Lei das Contravenções Penais. Os jogos tolerados, por sua vez, são aqueles
de menor reprovabilidade, em que o evento não depende exclusivamente do azar, mas igualmente da
habilidade do participante, como alguns jogos de cartas. Inclusive, como uma diversão sem maior
proveito, a legislação não os proíbe, mas também não lhes empresta a natureza de obrigação perfeita.
No caso, por causa da existência de liminares concedidas pelo Poder Judiciário, sustenta-se a licitude de
jogo praticado em caso de bingo. Porém, mais do que uma aparência de licitude, o legislador exige
autorização legal para que a dívida de jogo obrigue o pagamento, até porque, como se sabe, decisões
liminares têm caráter precário. Assim, não se tratando de jogo expressamente autorizado por lei, as
obrigações dele decorrentes carecem de exigibilidade, sendo meras obrigações naturais. REsp
1.406.487-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 4/8/2015, DJe 13/8/2015.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Contudo, deve haver uma compatibilização entre o princípio da
abstração e o princípio da boa-fé.
O princípio da abstração não pode permitir iniquidades, protegendo
credores de má-fé. Se o credor está de boa-fé, ele não deve realmente
ser afetado por defesas causais, isto é, por defesas ligadas ao negócio
jurídico.
De outro lado, se o credor está de má-fé, não há motivo para protegê-lo
e, por isso, ele poderá ser afetado pelo negócio jurídico que deu origem
ao título.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Assim sendo, a abstração não poderá ser invocada pelo credor sempre,
isto é, o credor ainda ficará sujeito às exceções causais, baseadas no
negócio subjacente, quando ele não estiver de boa-fé.
Essa ausência de boa-fé se apresenta em três situações:
a) quando o credor participou do negócio;
b) quando o credor tem conhecimento dos vícios do negócio;
c) quando o credor deveria ter conhecimento dos vícios do negócio.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Concluímos, portanto, que o portador do título não pode ser atingido por
defesas relativas a negócio do qual ele não participou. O título chega a
ele completamente livre dos vícios que eventualmente adquiriu em
relações pretéritas.
A inoponibilidade das exceções pessoais ao terceiro de boa-fé está
assegurada pelo art. 17 da LUG (Lei Uniforme de Genebra/Decreto nº
57.663/1966). No mesmo sentido, dispõe o art. 916 do Código Civil:
Art. 916. As exceções, fundadas em relação do devedor com os
portadores precedentes, somente poderão ser por ele opostas ao
portador, se este, ao adquirir o título, tiver agido de má-fé.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Então, muito cuidado, pois, se GALVÃO comprou cadeiras de ARNALDO
e as pagou com cheques. E o ARNALDO não entregou as cadeiras, mas
endossou os cheques para CASA GRANDE. Este, CASA GRANDE,
estando de boa-fé, por sua vez, terá direito de exigir de GALVÃO o
pagamento do cheque.
A eventual alegação de que o contrato não foi cumprido não é motivo
para impedir o credor de receber esse valor, uma vez que o título
circulou e se desvinculou da sua causa.
Por isso, GALVÃO deveria fazer constar nos títulos, por exemplo, no caso
do cheque, no verso, a vinculação a um contrato de compra das cadeiras
para que não seja aplicado o princípio da abstração contra ele, em
virtude do surgimento posterior de credor de boa-fé, de posse do título
que circulou. Ou então, menção expressa no contrato e NF dos números
de cheques emitidos para o pagamento das cadeiras.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Nesse sentido:
O cheque é título literal e abstrato. Exceções pessoais, ligadas ao
negócio subjacente, somente podem ser opostas a quem tenha
participado do negócio. Endossado o cheque a terceiro de boa-fé,
questões ligadas à causa debendi originária não podem ser
manifestadas contra o terceiro legítimo portador do título. Lei 7357/85
(Lei do Cheque), artigos 13 e 25. Recurso especial conhecido e provido
para o restabelecimento da sentença de improcedência dos embargos.”
(STJ, Resp 2814-MT, JBCC 182/80; RSTJ 13/379 e RT 661/188).
v. TJSP Apelação nº 1004177-24.2017.8.26.0477
TÍTULOS DE CRÉDITO
Na verdade, ao emitir cheque para fazer pagamento, é
cediço e de prática rotineira que o emitente submete-se,
por força de lei, ao regime cambial, pelo qual manifesta a
vontade de se obrigar por título, cuja circulação e
cobrança obedecem a regras próprias do direito
cambiário.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Além das hipóteses estudadas de inaplicabilidade do princípio da
abstração, é oportuno ressaltar que ele não é um princípio essencial,
isto é, ele não se aplica a todos os títulos de crédito.
A princípio, a abstração não se aplica aos chamados títulos causais, nos
quais há referência na declaração cartular à relação fundamental, que
pode ser oposta inclusive a terceiros que não são partes da relação
fundamental, em razão da possibilidade de ciência dos vícios atinentes
ao negócio.
* Vamos ver exemplos logo adiante, como as cédulas de crédito rural.
TÍTULOS DE CRÉDITO
INDEPENDÊNCIA: Por fim, tem-se como princípio dos títulos de crédito a
independência, que significa que o título vale por si só, não precisando
ser completado por outros documentos. O título de crédito basta a si
mesmo. Há uma ligação direta deste princípio com a literalidade,uma
vez que o conteúdo do direito é definido pelo título, este deve bastar a si
mesmo.
Assim, num eventual processo de execução de um cheque, o título é
suficiente, não precisando, em regra, ser acompanhado de outros
documentos, como contratos, notas fiscais etc.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Mais uma vez, tal princípio (INDEPENDÊNCIA) serve para facilitar e
simplificar a circulação do título de crédito. Ao transferir um crédito, não
é necessária a transferência de qualquer outro documento, uma vez que
o título basta por si só. Assim, simplifica-se e agiliza-se a circulação dos
títulos de crédito.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Não se trata de princípio admitido por toda a doutrina, por estar ausente
de uma série de títulos. Alguns títulos fazem referência a contratos ou a
outros documentos.
De outro lado, a própria lei afasta a independência de alguns títulos,
como nas cédulas de crédito rural que devem ser acompanhadas do
orçamento (Decreto-lei nº 167/67 – art. 3º), ou nas cédulas de crédito
bancário que devem ser acompanhadas pelos extratos bancários (Lei nº
10.931/04 – art. 28, § 2º, II).
Portanto, a independência pode deixar de ser aplicada pela
vontade das partes (remissão a contrato) ou pela lei
(vinculação legal a algum documento).
TÍTULOS DE CRÉDITO
Muita atenção:
Por fim, vale a pena ressaltar que este princípio não é o mesmo princípio
da autonomia. Conforme já ressaltado, a independência diz respeito à
ideia de completude do título, vale dizer, do título valer por si só.
Já a autonomia é a não influência de uma obrigação sobre as outras
obrigações do título, sendo, portanto, distintos os princípios. Para o
princípio da autonomia, cada obrigação resultante do título é autônoma
em relação as demais.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Seguimos agora, com:
- Funções do Título de Crédito
- Títulos de crédito típicos e atípicos
- Característica dos Títulos de Crédito
- Formação do Crédito Cambiário
- Exigibilidade do Crédito Cambiário
TÍTULOS DE CRÉDITO
Com vimos, há uma necessária ligação entre o título e o direito que
ele representa. Além disso, são assegurados certos atributos ao
direito ali representado que dão o caráter peculiar aos títulos de
crédito e os tornam a grande contribuição do direito comercial para
a economia moderna.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Representando o próprio direito, os títulos de crédito permitem que a
simples transferência do documento transfira o direito ali representado,
assegurando à circulação dos direitos de crédito o máximo de
simplicidade e segurança.
Mesmo que não venham a circular, é certo que é constante em todos os
títulos de crédito a vontade de criar um título circulatório. Assim, a
função primordial dos títulos de crédito é a de facilitar e agilizar a
circulação de riquezas, permitindo o melhor desempenho das atividades
econômicas.
Os títulos de crédito se destinam “a tornar mais simples, rápida e segura
a movimentação de bens e direitos”.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Há três exigências para essa circulação de riquezas na economia
moderna:
1. A simplificação das formalidades
2. A certeza do direito que se adquire
3. A segurança na circulação
Sem isso, a circulação dificilmente ocorreria, ou não ocorreria de forma
tão eficaz.
Pode-se transmitir os títulos de crédito a diversos adquirentes
sucessivos com o mínimo de insegurança para cada adquirente.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Os títulos de crédito possuem duas funções fundamentais, a saber:
1. Constituir um meio técnico para o exercício de direitos de crédito
2. Facilitar e agilizar a circulação de riquezas.
Quem tem um título de crédito pode rapidamente transformá-lo em
dinheiro. Igualmente, o credor que possui esse documento pode ter o
reforço de uma garantia pessoal de forma bem simples e segura (o aval).
TÍTULOS DE CRÉDITO
Tais funções tornam os títulos de crédito fundamentais na vida moderna,
nas mais diversas relações jurídicas (contratos de compra e venda entre
empresários, prestação de serviços a consumidores, financiamentos
bancários etc.).
Em razão dessa diversidade de uso, não era suficiente um único tipo de
documento e, por isso, desenvolveram-se vários tipos de títulos de
crédito, como: a letra de câmbio, a nota promissória, o cheque, a
duplicata, as cédulas de crédito, os conhecimentos de depósito, os
warrants e outros.
Portanto, pelas próprias necessidades jurídicas, há um grande número
de títulos de crédito, criados e disciplinados por leis especiais.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Apesar do grande número de títulos de crédito já existentes, é certo que
o número de relações jurídicas que necessitam de títulos de crédito é
crescente.
Pode ser que nenhum dos títulos de crédito, conhecidos e regidos por lei
específica, seja adequado a um determinado negócio jurídico. Diante
dessas situações, surgiu a seguinte questão: os particulares podem
criar novos tipos de títulos de crédito não previstos em lei?
TÍTULOS DE CRÉDITO
Títulos de crédito típicos e atípicos
Waldirio Bulgarelli reconhece, como um dos atributos dos títulos de
crédito, a chamada legalidade ou tipicidade, a qual consistiria “na
impossibilidade estabelecida pela Lei, de se emitirem títulos de crédito
que não estejam previamente definidos e disciplinados por lei (numerus
clausus)”.
Dentro dessa ideia, não seria dada aos particulares a criação de títulos
de crédito, uma vez que haveria a necessidade de lei específica sobre
cada título de crédito.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Similar é a opinião de Fernando Netto Boiteux, que afirma que a
literalidade só pode decorrer da lei e, por isso, não seria possível criar
um título de crédito sem previsão legal específica. Assim, os particulares
poderiam criar documentos de crédito, mas não títulos de crédito; logo,
tais documentos não seriam passíveis dos institutos típicos dos títulos
de crédito, como o endosso e o aval.
No mesmo sentido, Gladston Mamede sustenta que a tipicidade dos
títulos de crédito ainda existe, tendo em vista a necessidade de
segurança de todos os envolvidos. Para ele, a emissão de um documento
não previsto em lei, como título de crédito, deverá ser submetida ao
regime geral dos contratos.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Esse é o entendimento doutrinário tradicional. Ou seja, vigora o princípio
da tipicidade, segundo o qual somente lei específica reveste-se de
aptidão para criar e permitir a emissão de um título de crédito.
Ao conceituar título de crédito, o art. 887, do Código Civil, assim o fez:
Art. 887. O título de crédito, documento necessário ao exercício do
direito literal e autônomo nele contido, somente produz efeito quando
preencha os requisitos da lei.
Ao determinar que o título de crédito "somente produz efeito quando
preencha os requisitos da lei", o legislador impôs um duplo requisito
para a eficácia do referido documento:
TÍTULOS DE CRÉDITO
Reserva legal
Já que o título de crédito deve conter os requisitos formais que a lei lhe
impõe, é conclusão lógica a necessidade de que ele tenha sido criado
por lei. Assim, podemos afirmar que não há título de crédito sem lei
anterior que o defina, de modo que não é possível atribuir a um
documento qualquer, mesmo que utilize todos os requisitos básicos dos
cambiários, a categorização de título de crédito.
Os títulos de crédito são, então, aqueles que forem assim considerados
por lei.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Documento formal
O título de crédito deve conter requisitos formais mínimos, aqueles
exigidos por lei. Todo título de crédito, ao ser criado por lei, deverá
estabelecer suas características. Aquelas que forem indispensáveis
serão tidas como requisitos essenciais. As dispensáveis ou supríveis
serão consideradas requisitos não essenciais.
A lei que criar o título de crédito deverá, então, estabelecer quais são
suas características básicas (requisitos), definindo as essenciais e as
não essenciais. A lei não poderá criar título de crédito sem forma ou de
forma livre.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Assim, um documento só configura título de crédito se obedeceraos
requisitos legais previstos. Apesar disso, dispõe o art. 888, do Código
Civil:
Art. 888. A omissão de qualquer requisito legal, que tire ao escrito
a sua validade como título de crédito, não implica a invalidade do
negócio jurídico que lhe deu origem.
Desse modo, a ausência dos requisitos legais apenas subtrai do
documento sua característica de título de crédito, sem prejuízo ao
negócio jurídico que lhe deu origem.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Há uma corrente doutrinária que admite títulos de crédito atípicos.
Vamos estudá-la por importância acadêmica, mas a regra geral da
doutrina tradicional e que você deve obrigatoriamente sempre lembrar é
a da tipicidade, da reserva legal.
Aquela regra prevista no Art. 887: O título de crédito, documento
necessário ao exercício do direito literal e autônomo nele contido,
somente produz efeito quando preencha os requisitos da lei.
Ou seja:
Não há título de crédito sem lei anterior que o defina, de modo
que não é possível atribuir a um documento qualquer, mesmo
que utilize todos os requisitos básicos dos cambiários, a
categorização de título de crédito. Os títulos de crédito são,
então, aqueles que forem assim considerados por lei.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Portanto, opinião diversa e moderna (atual) é defendida por outros
autores, entre eles, Marlon Tomazette, para quem a criação dos títulos
atípicos é perfeitamente válida, admitindo-se assim que os particulares
criem documentos passíveis de endosso ou aval e, consequentemente,
capazes de cumprir as principais funções dos títulos de crédito. A
mesma opinião é praticamente pacífica no direito italiano.
Para Tomazette, os títulos atípicos são perfeitamente admissíveis
atualmente. Tais documentos surgem para atender à criatividade do
meio empresarial, não se destinando a negócios em massa, mas a
negócios peculiares, nos quais os títulos típicos não sejam capazes de
atender às necessidades privadas. Portanto, da autonomia privada,
defende o autor, podem surgir novos títulos de crédito.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Tal possibilidade de criação de títulos atípicos é fruto da existência de
uma disciplina geral sobre os títulos de crédito no Código Civil italiano
ou do Código Civil brasileiro de 2002.
Tomazette, ressalta, no entanto, que apenas a lei pode garantir a
aplicação da cartularidade ou incorporação, da literalidade, da
autonomia e da abstração, mas não precisa ser uma lei específica, pode
ser uma lei geral, como o Código Civil.
Assim, apesar da opinião contrária de Fábio Ulhoa Coelho, para essa
corrente doutrinária, os títulos de crédito atípicos são regidos pelo
Código Civil de 2002.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Tal interpretação se sustenta no disposto no artigo 903 do Código, que
determina sua aplicação apenas na ausência de regra especial. Assim, o
Código Civil se aplicaria nas lacunas dos títulos típicos e integralmente
aos títulos atípicos.
Do mesmo modo, o artigo 907 diz que é nulo o título ao portador emitido
sem autorização de lei especial, logo, os títulos nominativos ou à ordem
poderiam ser emitidos independentemente dessa autorização legal
específica, para essa corrente doutrinária.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Art. 903. Salvo disposição diversa em lei especial, regem-se os títulos de
crédito pelo disposto neste Código.
Art. 907. É nulo o título ao portador emitido sem autorização de lei
especial.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Diante disso, embora baseados na autonomia privada, é certo que os
títulos atípicos possuem certos limites impostos pelo Código Civil. Desse
modo, um documento criado pelos particulares só valerá como título de
crédito se contiver a data da emissão, a indicação precisa dos direitos
que confere e a assinatura do emitente (CC – art. 889). De outro lado,
como já dito, nenhum título atípico poderá ser ao portador.
Art. 889. Deve o título de crédito conter a data da emissão, a indicação precisa dos direitos
que confere, e a assinatura do emitente.
§ 1o É à vista o título de crédito que não contenha indicação de vencimento.
§ 2o Considera-se lugar de emissão e de pagamento, quando não indicado no título, o
domicílio do emitente.
§ 3o O título poderá ser emitido a partir dos caracteres criados em computador ou meio técnico
equivalente e que constem da escrituração do emitente, observados os requisitos mínimos
previstos neste artigo.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Além disso, há uma série de regras no Código Civil que se distanciam
das regras constantes das leis especiais sobre os títulos de crédito
típicos.
Apenas a título exemplificativo, o aval parcial é vedado no Código Civil
(art. 897, parágrafo único), mas é permitido na letra de câmbio e na nota
promissória (LUG – art. 30).
Desse modo, o Código Civil instaurou uma disciplina dúplice no nosso
direito, havendo regras comuns aos títulos típicos e atípicos e outras
regras peculiares aos títulos atípicos.
TÍTULOS DE CRÉDITO
É certo que os títulos atípicos, embora sejam títulos de crédito, não são
títulos executivos, na medida em que a executividade pressupõe um
reconhecimento legal específico.
Para a corrente doutrinária moderna, a tipicidade não atinge mais os
títulos de crédito, mas atinge ainda os títulos executivos.
TÍTULOS DE CRÉDITO
CARACTERÍSTICA DOS TÍTULOS DE CRÉDITO
Como vimos, os títulos de crédito nasceram de necessidades dos
comerciantes para o exercício de sua atividade. Em razão disso, eles
foram moldados para satisfazer essas necessidades, isto é, as regras
que permeiam a disciplina dos títulos de crédito foram criadas para
melhor atender aos direitos e interesses dos comerciantes.
Historicamente, a matriz dos títulos de crédito sempre adveio do direito
comercial e, por isso, até hoje eles são disciplinados por esse ramo do
direito, não importando a qualidade da pessoa que emita o título.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Tal característica tem uma importância fundamental, na medida em que
os princípios que regem o direito comercial são diferentes dos princípios
do direito civil, devendo-se recorrer àqueles (princípios de direito
comercial/empresarial) para a interpretação das regras sobre os títulos
de crédito.
Registre-se que, na órbita do direito comercial, a tutela do crédito é um
dos princípios fundamentais. Em função disso, é certo que nos títulos de
crédito haverá essencialmente, mas não exclusivamente, uma proteção
ao credor.
Em regra, quando houver um conflito entre o interesse de um credor de
boa-fé e um devedor de boa-fé, a solução será dada a favor do credor.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Bem móvel
O título de crédito é um bem móvel e como tal está sujeito aos princípios
gerais que regem os bens móveis. Assim é que a posse de boa-fé dos
títulos de crédito equivale à propriedade (LUG – art. 16, II; Lei nº 7.357/85
– art. 24).
Essa natureza móvel simplifica a circulação dos títulos de crédito,
agilizando a transmissão das riquezas, o que é essencial para os títulos
de crédito.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Natureza “pro solvendo”
Em regra, o título de crédito tem origem em determinado negócio
jurídico, por exemplo, um contrato de compra e venda. De tal contrato
decorrem obrigações para as partes, no exemplo citado, a obrigação de
entregar a coisa e de pagar o preço.
Para representar a obrigação de pagar o preço, o comprador pode emitir
um título de crédito (um cheque ou uma nota promissória, por exemplo).
Neste caso, surge a questão sobre os efeitos da emissão do título de
crédito sobre a obrigação anterior, contratualmente assumida.
TÍTULOS DE CRÉDITO
A simples emissão do título de crédito é capaz de extinguir a obrigação
do comprador, ou apenas o pagamento do título irá extinguir essa
obrigação?
Em outros termos, o título de crédito é emitido pro soluto, isto é,
extinguindo a obrigação que lhe deu origem ou pro solvendo, ou seja, a
obrigação que lhe deu origem só será extinta com o efetivo pagamento
do título?
TÍTULOS DE CRÉDITO
Salvo intenção diversa das partes, a emissão do título de crédito é pro
solvendo, isto é, a simples entrega dotítulo ao credor não significa a
efetivação do pagamento.
Em outras palavras, a emissão do título não extingue a obrigação que lhe
deu origem, de modo que as duas, a obrigação cambial e a originária,
coexistem.
Nesse sentido, o STJ já afirmou que: “O cheque, ordem de pagamento à
vista, tem por função extinguir a obrigação causal que ensejou sua
emissão; sendo, em regra, pro solvendo, de modo que, salvo pactuação
em contrário, só extingue a dívida, isto é, a obrigação que a cártula visa
satisfazer consubstanciada em pagamento de importância em dinheiro,
com o efetivo pagamento.”
TÍTULOS DE CRÉDITO
Com a emissão do título, estamos diante da mesma obrigação, dotada de
outra roupagem, a cambial; prova disso é que a perda ou destruição do
título não impede que o credor ajuíze uma ação baseada no contrato.
Assim, se o cheque emitido pelo comprador, no contrato de compra e
venda, for destruído, resta ao vendedor exigir o pagamento do preço
com base no contrato.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Circulação
A principal função dos títulos de crédito é permitir a circulação mais ágil
das riquezas, antecipando o acesso a recursos que só seriam recebidos
no futuro. A circulação dos títulos de crédito é simplificada e protegida
pelo nosso ordenamento jurídico.
Não se quer dizer, contudo, que os títulos de crédito sempre irão
circular. O que se quer deixar registrado é que os títulos nascem para
circular, e essa é uma possibilidade que, em regra, se põe à disposição
do credor. Outros documentos também podem circular, mas nos títulos
essa característica é mais importante.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Títulos de Apresentação
Os títulos de crédito são títulos de apresentação, desse modo, sem a
posse do título não é possível exercer-se o direito cambiário. Para o
exercício do direito representado no título, seu titular deve demonstrar
esta condição, apresentando o título ao devedor.
A necessidade de apresentação do título decorre, dentre outros
motivos, da possibilidade de circulação simplificada do título. Ora,
como o título de crédito pode circular, o devedor só saberá quem é o
atual credor com a apresentação do próprio documento. O devedor
deve ter a cautela de só efetuar o pagamento a quem seja o portador
legítimo do título, evitando o mau pagamento, que geraria o dever de
pagar de novo a mesma obrigação (quem paga mal paga duas vezes).
TÍTULOS DE CRÉDITO
Obrigação quesível
Como o devedor não tem certeza de quem é o atual credor do título,
nada mais lógico do que exigir que o credor o apresente, para poder
exigir o seu pagamento. Daí a palavra “quesível” (reclamar, exigir, algo
requerível, reclamável, que se pode reclamar).
Diante da necessidade de apresentação do documento ao devedor, é
óbvio que o título de crédito contém uma obrigação quesível, no sentido
também de que cabe ao credor dirigir-se ao devedor para exigir o
cumprimento da obrigação.
No caso dos títulos de crédito, essa iniciativa compete ao credor, logo, é
ele que deve se dirigir ao devedor para exigir o pagamento e não o
contrário.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Título de Resgate
Uma vez apresentado o título ao devedor, deve haver, a princípio, o
pagamento. Ao realizar esse pagamento, o devedor deve ter o cuidado
de exigir a entrega do título (LUG – art. 39; CC – art. 901, parágrafo
único), para evitar que o título volte a circular e, chegando às mãos de
um terceiro de boa-fé, a obrigação lhe seja novamente exigida.
Em razão disso, diz-se que o título de crédito é um título de resgate.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Executividade
Não havendo o pagamento voluntário de uma determinada obrigação,
compete ao credor recorrer ao Poder Judiciário para buscar o
pagamento desse crédito. Em determinadas situações, o credor terá que
obter primeiramente o reconhecimento judicial desse crédito com a
consequente condenação do devedor ao pagamento, para só então
lançar mão das medidas satisfativas do seu crédito.
Todavia, em outras situações, as obrigações são representadas em
certos documentos aos quais a lei atribui tamanho grau de certeza que
permite ao credor, desde logo, pleitear medidas satisfativas.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Executividade
Há uma opção do legislador para uma solução mais pronta e rápida de
certos direitos. Essa é a hipótese dos títulos de crédito, daí falar-se em
eficácia processual abstrata dos títulos, na medida em que eles
permitem a realização da execução, sem a necessidade de qualquer
nova demonstração da existência do crédito.
Os títulos de crédito são títulos executivos extrajudiciais (Exemplo: CPC
– art. 784) e, por isso, eles não precisam de confirmação judicial. Quem
tem um título de crédito pode requerer de imediato a adoção das
medidas satisfativas do seu crédito, isto é, pode ajuizar diretamente um
processo de execução. *Tal característica não se aplica aos chamados
títulos atípicos.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Presunção de liquidez e certeza
O artigo 783 do CPC exige que a execução seja fundada em título líquido,
certo e exigível. Assim, qualquer título só poderá ser executado se
atender a esses três pressupostos.
A exigibilidade irá decorrer do vencimento da obrigação, não
representando exatamente um elemento intrínseco do título de
executivo. Uma nota promissória ainda não vencida não é exigível, mas
não deixa de ser um título executivo. A exigibilidade irá representar, em
última análise, a adequação ao procedimento da execução, a
necessidade dessa atuação jurisdicional.
TÍTULOS DE CRÉDITO
A certeza diz respeito à existência da obrigação, que não deve ser
entendida como uma certeza absoluta, o que não significa que o direito
necessariamente exista (afinal, pode haver o reconhecimento posterior
de que o direito não existe, por meio de embargos à execução, por
exemplo). O que se exige na certeza é o alto grau de probabilidade da
existência do crédito.
Por fim, a liquidez diz respeito à determinação do objeto da obrigação,
isto é, o montante da obrigação já está definido, ainda que mediante
simples cálculos aritméticos. É líquida a dívida quando a importância se
acha determinada em todos os seus elementos de quantidade (dinheiro)
e qualidade (coisas diversas do dinheiro), natureza e espécie (prestação
de fato).
TÍTULOS DE CRÉDITO
Os títulos de crédito possuem, a princípio, liquidez e certeza, uma vez
que o documento é suficiente para atestar a existência do crédito e, em
regra, seu valor ou os critérios para se chegar a seu valor estão
definidos no título. Isso não impede, todavia, provas em sentido
contrário que podem afastar a liquidez ou a certeza do título de crédito.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Formalismo
Um documento só vale como título de crédito se obedecer aos requisitos
legais previstos para tanto. A não observância dos requisitos não gera a
nulidade do documento, mas apenas não se reconhece ao documento os
efeitos de um título de crédito (art. 888, CC).
Assim, se uma nota promissória não contiver o nome do seu
beneficiário, por exemplo, ela não pode ser tratada como uma nota
promissória. Em razão disso, tal documento não pode gozar do
tratamento peculiar dado aos títulos de crédito, não sendo, por exemplo,
passível de execução.
TÍTULOS DE CRÉDITO
A irregularidade da forma afeta os efeitos do documento como título de
crédito. Eventual correção desses vícios de nada adianta, pois uma vez
promovidas as medidas para o exercício do direito de crédito com um
título incompleto, fica afastada a condição de título de crédito que não
poderá ser adquirida posteriormente.
Nesse sentido, o STJ já afirmou que: “A execução anteriormente
proposta com base em promissória contendo omissões nos campos
relativos à data da emissão, nome da emitente e do beneficiário, além da
cidade onde foi sacada, foi extinta por desistência. Descabe agora ao
credor, após o preenchimento dos claros, ajuizar novo processo
executório, remanescendo-lhe apenas a via ordinária.”
TÍTULOS DE CRÉDITO
Solidariedade Cambiária
Havendo vários obrigados e obedecidos todos os requisitosexigidos, o
credor poderá exigir de um, de alguns ou de todos os obrigados o
pagamento integral do título.
Há nos títulos de crédito uma solidariedade entre os vários obrigados
(LUG – art. 47), de modo que o credor pode exigir de um, alguns ou de
todos eles a obrigação constante do documento.
Atenção: Na solidariedade civil, qualquer codevedor que paga a dívida
terá direito de regresso contra os outros codevedores. Na solidariedade
cambiária, nem todos os devedores terão direito de regresso, vale dizer,
alguns devedores, ao pagarem o título, nada podem exigir dos outros
coobrigados.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Essa é a situação, por exemplo, do aceitante na letra de câmbio e na
duplicata; do emitente do cheque e da nota promissória. Portanto, nos
títulos de crédito nem sempre nasce o direito de regresso em razão do
pagamento da obrigação por um dos codevedores solidários.
Além disso, na solidariedade civil o direito de regresso poderá ser
exercido contra todos os codevedores.
Já na solidariedade cambial, quando nascer o direito de regresso, ele só
poderá ser exercido em face dos devedores anteriores, isto é, o
pagamento feito por determinado devedor extingue a obrigação de todos
os devedores posteriores a ele, não havendo mais como se cogitar de
cobrança desses codevedores posteriores. Veja exemplo, a seguir...
TÍTULOS DE CRÉDITO
É aquele nosso exemplo já explicado. GALVÃO emitiu uma nota
promissória (que recebeu o aval de ARNALDO) para CASA GRANDE, que
a endossou para RONALDO.
Considerando que houve três assinaturas (emissão, endosso e aval),
sem qualquer menção em contrário, temos três devedores solidários
desse título.
GALVÃO BUENO
(emite NP)
CASA GRANDE
(credor)
RONALDO
(Credor, que 
recebeu a NP 
por endosso de 
CASA GRANDE)
ARNALDO 
CÉSAR COELHO
(aval)
TÍTULOS DE CRÉDITO
Caso o ARNALDO CÉSAR COELHO pague esse título, ele não poderá
exercer o direito de regresso contra CASA GRANDE, porquanto o direito
de regresso só pode ser exercido contra os devedores anteriores.
Ao pagar o título, ARNALDO só poderá exercer o direito de regresso
contra GALVÃO, uma vez que CASA GRANDE é um devedor posterior a
ele. Assim sendo, o pagamento feito por ARNALDO já extinguiu a
obrigação de CASA GRANDE, nada mais podendo ser exigido dele, nem
em ação de regresso.
GALVÃO BUENO
(emite NP)
CASA GRANDE
(credor)
RONALDO
(Credor, que 
recebeu a NP 
por endosso de 
CASA GRANDE)
ARNALDO 
CÉSAR COELHO
(aval)
TÍTULOS DE CRÉDITO
Além desses limites subjetivos, para o exercício do direito de regresso,
há outra diferença entre o regime civil e o regime cambiário, que diz
respeito ao montante que pode ser exigido.
Na solidariedade civil, aquele que paga pode exigir a quota-parte dos
demais (CC – art. 283).
Já nos títulos de crédito (solidariedade cambiária), todos são obrigados
pela dívida inteira, mas, caso um deles pague, o direito de regresso é
exercido por todo o valor do título e não pela quota-parte de cada um
(LUG – art. 49).
TÍTULOS DE CRÉDITO
Seguimos agora com:
- Formação do Crédito Cambiário
- Exigibilidade do Crédito Cambiário (será estudado em detalhes com a
Letra de Câmbio)
TÍTULOS DE CRÉDITO
Os títulos de crédito contêm obrigações, as quais, são objeto de uma
disciplina própria que em muito difere da disciplina geral das
obrigações, sobretudo em razão dos princípios dos títulos de crédito.
Apesar dessas diferenças, é certo que estamos diante de uma obrigação
de determinado subscritor do título de cumprir uma prestação a favor de
outro sujeito.
A dúvida que surge é: qual a natureza jurídica da fonte dessa obrigação?
Várias teorias foram formuladas a respeito do assunto, tentando
enquadrar o título de crédito nas categorias jurídicas conhecidas.
Dentre as várias teorias desenvolvidas, o trabalho solicitado aos alunos
deve analisar apenas as principais. Vejam, a seguir:
TÍTULOS DE CRÉDITO
- Teorias Contratualistas
- Teoria da Aparência
- Teoria do Duplo Sentido da Vontade
- Teoria da Declaração Unilateral de Vontade
Momento do surgimento da obrigação cambiária:
- Teoria da Criação
- Teoria da Emissão
- Teoria dos Três Momentos
TÍTULOS DE CRÉDITO
De todas as teorias, uma conclusão a que se pode chegar é a de que a
fonte da obrigação cambiária é uma declaração unilateral de vontade.
Apesar dessa conclusão, discute-se ainda o momento específico do
surgimento dessa obrigação, especialmente na divergência entre as
teorias da criação e da emissão.
A disputa entre as teorias da criação e da emissão é, na verdade, uma
disputa entre privilegiar o interesse da circulação do título ou a
liberdade individual do emitente do título. Nesses casos, acreditamos
que a circulação deve ser realmente privilegiada, de modo que
consideramos a melhor teoria a: teoria da criação.
Apesar disso, não é essa a análise que deve ser feita. O que se deve
discutir é qual foi a teoria adotada pelo ordenamento jurídico?
TÍTULOS DE CRÉDITO
No Brasil, devemos fazer uma separação da legislação cambiária. Em
primeiro lugar, temos a Lei Uniforme de Genebra (LUG), aplicável
diretamente às letras de câmbio e notas promissórias, cujas regras
acabam sendo um padrão para os títulos típicos.
Já em relação aos títulos atípicos, devemos analisar as regras do Código
Civil de 2002 que são diferentes das regras dos títulos típicos.
No âmbito da LUG, adota-se a teoria da criação. A teoria da criação
conclui que a obrigação cambiária se aperfeiçoa com a criação do título,
isto é, com a simples assinatura do devedor. A obrigação já existe com a
simples assinatura. A LUG protege o credor que recebe de boa-fé o título
de crédito, ou seja, ainda que haja um vício na emissão (na saída do
título das mãos do devedor), o credor estará protegido.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Entretanto, não há que se esquecer que essa proteção beneficia apenas
o credor de boa-fé, porquanto o credor que não age desse modo não é
digno de proteção pelo Direito.
No Código Civil de 2002, a situação já é um pouco diferente, uma vez que
temos regras que visam à proteção do credor de boa-fé, mas também
temos regras que visam a proteger quem é injustamente desapossado
do título de crédito, num evidente conflito. Vemos no Código Civil a
infrutífera tentativa de junção das teorias da criação (arts. 896, 901, 905
§ único) e da emissão (art. 909, CC).
Lembramos que na teoria da emissão, a obrigação cambiária só se
concretiza no momento da emissão, entendida como a entrega
voluntária do título. A simples assinatura do título não representaria a
vontade de se obrigar. Só a vontade concreta de entregar o título é que
aperfeiçoa a obrigação.
TÍTULOS DE CRÉDITO
O conflito é claro. Não se pode pretender uma junção das teorias
formando uma nova teoria. Como já disse, não há como conciliar a
proteção do portador de boa-fé com a proteção de quem foi
injustamente desapossado do título.
Tal conflito, segundo Marlon Tomazete, existe especialmente em relação
aos títulos ao portador, cuja criação depende de lei específica, uma vez
que os artigos 905 e 909 se referem a esses títulos.
Já em relação aos demais títulos, prevalece a teoria da criação, tendo
em vista o disposto nos artigos 896 e 901 do Código Civil, bem como a
legislação especial sobre o assunto.
TÍTULOS DE CRÉDITO
Todas as teorias anteriormente expostas destinavam-se a explicar o lado
passivo dos títulos de crédito, isto é, a assunção de obrigações pelos
diversos devedores dos títulos. Contudo, além dos devedores,
obviamente existem credores no título de crédito. Esse lado ativo da
obrigação cambiária pode ser preenchido por uma série de titulares
sucessivos, sendo que cada qual possui um direito autônomo, isto é, um
direito não influenciado por questões que digam respeito aos antigos
portadores do título.
A explicação dos direitos autônomos desses vários credores também é
objeto de estudo de algumas teorias.
TÍTULOS DE CRÉDITO
- Teoria dos créditos sucessivos
- Teoria da delegação
- Teoria da cessãode crédito
- Teoria da personificação do título
- Teoria do crédito alternativo
- Teoria da emissão abstrata
- Teoria da pendência
- Teoria da promessa à generalidade
- Teoria da propriedade
TÍTULOS DE CRÉDITO
Dessas teorias, conclui-se que a melhor é aquela que reconhece que a
titularidade do direito de crédito decorre da propriedade do título. Os
sucessivos titulares do crédito são os sucessivos proprietários do título.
A titularidade do direito depende, pois, de uma relação de natureza real
e não de natureza pessoal, não guardando vínculo com o direito dos
credores anteriores. É da propriedade do título que decorre o direito de
crédito.
Ressalte-se que essa propriedade do título pode ter origem em uma
posse de boa-fé. Nas coisas móveis em geral, a posse do título gera uma
presunção relativa da propriedade do documento. Já nos títulos de
crédito, a posse de boa-fé é causa de aquisição da propriedade do título
(LUG – art. 16).
TÍTULOS DE CRÉDITO
Desse modo, a aquisição do direito cartular não é excluída pela
aquisição a non domino, ou seja, o credor de boa-fé que recebe o título
de quem não seja o proprietário não pode ser afetado por esse fato.
Nessa situação, o direito do titular pode existir mesmo que não exista o
direito de quem lhe transferiu o título, porquanto o direito não decorre do
titular anterior, mas da relação de propriedade com o título. A aquisição
do direito se dá a título originário e não a título derivado.
TÍTULOS DE CRÉDITO
A titularidade não decorre da transferência do documento, mas sim
da propriedade do título. O direito surge autônoma e originariamente
nos sucessivos proprietários do título, sem qualquer vinculação ao
titular anterior. Em razão dessa fonte do direito é que existe a
autonomia das obrigações cambiárias para o credor.

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