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Educação a Distância
GRUPO
Caderno de Estudos
PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
 Prof. Fabrício André Tavares
UNIASSELVI
2011
NEAD
CENTRO UNIVERSITÁRIO
LEONARDO DA VINCI
Rodovia BR 470, Km 71, nº 1.040, Bairro Benedito
89130-000 - INDAIAL/SC
www.uniasselvi.com.br
Copyright  UNIASSELVI 2011
Elaboração:
Prof. Fabrício André Tavares
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo Da Vinci - UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri
UNIASSELVI – Indaial.
 
363
T231p Tavares, Fabrício André
 Pesquisa em serviço social / Fabrício André Tavares
 Indaial : Grupo UNIASSELVI, 2011.
 
 256 p. il. 
 Inclui bibliografia.
 ISBN 978-85-7830-367-9
 1. Serviço Social 2. Pesquisa
 I. Centro Universitário Leonardo da Vinci
 II. Núcleo de Ensino a Distância III. Título
 
APRESENTAÇÃO
Prezado(a) Acadêmico(a)!
 Apresentamos a você a disciplina de Pesquisa em Serviço Social. Você, a partir de 
agora, estará em contato com todos os elementos que envolvem a questão da pesquisa. 
Iniciaremos discutindo os principais fundamentos desta, ampliando os conhecimentos em 
relação à pesquisa no âmbito social.
Daremos toda a atenção à relação da pesquisa com o Serviço Social, assim como da 
sua importância para a legitimação da profissão no mundo acadêmico.
Trataremos também da pesquisa como instrumento fundamental da prática profissional 
do Assistente Social, assim como os resultados que têm sido obtidos dela na contemporaneidade.
Por fim, possibilitaremos que você possa experienciar a elaboração de um projeto de 
pesquisa, o primeiro de muitos, que certamente farão parte de sua trajetória profissional.
Certamente, os conteúdos aqui apreendidos servirão de exímio significado para sua 
trajetória acadêmica, e posteriormente, profissional.
Bons estudos!
Prof. Fabrício André Tavares
PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL iii
PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL iv
UNI
Oi!! Eu sou o UNI, você já me conhece das outras disciplinas. 
Estarei com você ao longo deste caderno. Acompanharei os seus 
estudos e, sempre que precisar, farei algumas observações. 
Desejo a você excelentes estudos! 
 UNI
PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL v
SUMÁRIO
UNIDADE 1: A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES ........................................... 1
TÓPICO 1: CIÊNCIA E A DESCOBERTA DA REALIDADE ............................................ 3
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 3
2 O QUE É CIÊNCIA? ....................................................................................................... 3
3 A IMPORTÂNCIA DA CIÊNCIA E DO SABER .............................................................. 5
4 A CLASSIFICAÇÃO DAS CIÊNCIAS ............................................................................ 7
5 A CIÊNCIA COMO BASE PARA A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO ................ 8
LEITURA COMPLEMENTAR .......................................................................................... 15
RESUMO DO TÓPICO 1 ................................................................................................. 17
AUTOATIVIDADE ........................................................................................................... 18
TÓPICO 2: CONCEITO E FINALIDADES DA PESQUISA ............................................ 19
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 19
2 CONCEITOS DE PESQUISA ....................................................................................... 19
3 FINALIDADES DA PESQUISA .................................................................................... 22
4 CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA .............................................................................. 23
LEITURA COMPLEMENTAR .......................................................................................... 29
RESUMO DO TÓPICO 2 ................................................................................................. 33
AUTOATIVIDADE ........................................................................................................... 34
TÓPICO 3: MÉTODOS NAS CIÊNCIAS SOCIAIS ......................................................... 35
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 35
2 COMPREENDENDO AS CIÊNCIAS SOCIAIS ............................................................ 35
3 O MÉTODO CIENTÍFICO NAS CIÊNCIAS SOCIAIS .................................................. 36
4 MÉTODO DIALÉTICO HISTÓRICO PARA MARX ...................................................... 39
LEITURA COMPLEMENTAR .......................................................................................... 42
RESUMO DO TÓPICO 3 ................................................................................................. 45
AUTOATIVIDADE ........................................................................................................... 46
TÓPICO 4: A PESQUISA SOCIAL ................................................................................. 47
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 47
2 DEFINIÇÃO E FINALIDADE DA PESQUISA SOCIAL ............................................... 47
3 NÍVEIS DE PESQUISA SOCIAL .................................................................................. 49
4 O PAPEL DO PESQUISADOR NA PESQUISA SOCIAL ............................................ 53
5 ETAPAS METODOLÓGICAS DA PESQUISA SOCIAL .............................................. 55
LEITURA COMPLEMENTAR .......................................................................................... 58
RESUMO DO TÓPICO 4 ................................................................................................. 61
AUTOATIVIDADE ........................................................................................................... 62
AVALIAÇÃO .................................................................................................................... 63
UNIDADE 2: ELEMENTOS DA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL ............................. 65
TÓPICO 1: PESQUISA E PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIAL 67
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 67
2 RESGATE HISTÓRICO DO SERVIÇO SOCIAL E A RELAÇÃO COM A PESQUISA 67
2.1 DÉCADA DE 1980 ..................................................................................................... 69
2.2 DÉCADA DE 1990 ..................................................................................................... 70
3 IMPORTÂNCIA DA PESQUISA NO SERVIÇO SOCIAL ............................................. 73
4 PARTICULARIDADE DA PESQUISA PARA O SERVIÇO SOCIAL ........................... 75
5 RETORNO E ALCANCE SOCIAL DAS PESQUISAS NO SERVIÇO SOCIAL ........... 76
LEITURA COMPLEMENTAR .......................................................................................... 79
RESUMO DO TÓPICO 1 ................................................................................................. 83
AUTOATIVIDADE ........................................................................................................... 85
TÓPICO 2: ÉTICA E PESQUISA NO SERVIÇO SOCIAL .............................................. 87
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 87
2 CONCEITUANDO A ÉTICA .........................................................................................87
3 A ÉTICA E O SABER – ELEMENTOS DA BIOÉTICA ................................................ 88
4 SERVIÇO SOCIAL E A ÉTICA NA PESQUISA ........................................................... 90
5 CENTRALIDADE DOS SUJEITOS NAS PESQUISAS DO SERVIÇO SOCIAL ......... 92
LEITURA COMPLEMENTAR .......................................................................................... 96
RESUMO DO TÓPICO 2 ............................................................................................... 102
AUTOATIVIDADE ......................................................................................................... 104
TÓPICO 3: ÁREAS DE ABRANGÊNCIA DA PESQUISA NO SERVIÇO SOCIAL ...... 105
1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 105
2 A ABEPSS .................................................................................................................. 105
3 A PESQUISA QUALIFICANDO A PRÁTICA PROFISSIONAL ................................. 107
4 A PESQUISA EM CURSOS DE GRADUAÇÃO EM SERVIÇO SOCIAL .................. 109
5 A PESQUISA NA PÓS-GRADUAÇÃO EM SERVIÇO SOCIAL ................................. 115
LEITURA COMPLEMENTAR ......................................................................................... 117
RESUMO DO TÓPICO 3 ............................................................................................... 123
AUTOATIVIDADE ......................................................................................................... 125
TÓPICO 4: ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS DO ASSISTENTE SOCIAL
 PESQUISADOR ......................................................................................... 127
1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 127
2 CONSIDERAÇÕES INTRODUTÓRIAS SOBRE O ATO DE PESQUISAR ............... 127
3 TORNANDO-SE UM PESQUISADOR ....................................................................... 128
4 COMPETÊNCIAS ESSENCIAIS NO ATO DE PESQUISAR ..................................... 129
5 PARTICIPAÇÃO EM NÚCLEOS DE ESTUDO E GRUPOS DE PESQUISA ............ 132
LEITURA COMPLEMENTAR ........................................................................................ 135
RESUMO DO TÓPICO 4 ............................................................................................... 140
AUTOATIVIDADE ......................................................................................................... 141
PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL vi
PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL vii
TÓPICO 5: ELEMENTOS DE UM PROJETO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL 143
1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 143
2 O PROJETO DE PESQUISA NO SERVIÇO SOCIAL ............................................... 143
3 ELEMENTOS DO PROJETO DE PESQUISA NO SERVIÇO SOCIAL ..................... 146
4 A COLETA DE DADOS DA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL .............................. 149
5 MENSURANDO OS RESULTADOS DA PESQUISA NO SERVIÇO SOCIAL .......... 154
5.1 ANALISANDO OS DADOS ...................................................................................... 154
5.2 ELABORANDO O RELATÓRIO DA PESQUISA NO SERVIÇO SOCIAL ................ 155
LEITURA COMPLEMENTAR ........................................................................................ 157
RESUMO DO TÓPICO 5 ............................................................................................... 162
AUTOATIVIDADE ......................................................................................................... 163
AVALIAÇÃO .................................................................................................................. 164
UNIDADE 3: PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL: PLANEJAMENTO, EXECUÇÃO E
 RESULTADOS ........................................................................................ 165
TÓPICO 1: RETOMANDO OS ELEMENTOS DO PROJETO DE PESQUISA ............ 167
1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 167
2 PASSOS PARA A ELABORAÇÃO DE UM PROJETO ............................................. 167
3 O QUE É O PROBLEMA DE PESQUISA? ............................................................... 170
4 JUSTIFICATIVA DA PESQUISA ................................................................................ 173
5 O QUE SE PRETENDE DESENVOLVER? OS OBJETIVOS .................................... 177
6 O QUE JÁ SEI SOBRE O TEMA? REVISÃO DE LITERATURA .............................. 180
7 COMO SE FARÁ O TRABALHO? METODOLOGIA ................................................. 186
8 QUANDO SERÁ DESENVOLVIDA CADA ETAPA DA PESQUISA? 
O CRONOGRAMA ........................................................................................................ 189
9 QUANTO E COM O QUE SE IRÁ GASTAR? O ORÇAMENTO E OS RECURSOS 190
10 ONDE FOI PESQUISADO? AS REFERÊNCIAS .................................................... 192
LEITURA COMPLEMENTAR ........................................................................................ 195
RESUMO DO TÓPICO 1 ............................................................................................... 198
AUTOATIVIDADE ......................................................................................................... 199
TÓPICO 2: CONSTRUINDO AS HIPÓTESES E DEFININDO O DELINEAMENTO
 DA PESQUISA ........................................................................................... 201
1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 201
2 O QUE SÃO HIPÓTESES DE PESQUISA? .............................................................. 201
3 TIPOS DE HIPÓTESES ............................................................................................. 202
4 FORMULAÇÃO E CARACTERÍSTICAS DAS HIPÓTESES DE PESQUISA ........... 204
LEITURA COMPLEMENTAR ........................................................................................ 208
RESUMO DO TÓPICO 2 ............................................................................................... 210
AUTOATIVIDADE .......................................................................................................... 211
TÓPICO 3: VARIÁVEIS E AMOSTRAGEM NA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL .. 213
1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 213
2 MENSURAÇÃO E ELABORAÇÃO DAS VARIÁVEIS NA PESQUISA SOCIAL ...... 213
3 PRINCÍPIOS E FUNDAMENTOS DA AMOSTRAGEM ............................................. 214
3.1 AMOSTRA ............................................................................................................... 215
4 TIPOS DE AMOSTRAGEM E TAMANHO DA AMOSTRA ........................................ 215
4.1 AMOSTRA PROBABILÍSTICA ................................................................................. 216
4.2 AMOSTRAS NÃO PROBABILÍSTICAS ................................................................... 217
LEITURA COMPLEMENTAR ........................................................................................ 221
RESUMO DO TÓPICO 3 ............................................................................................... 224
AUTOATIVIDADE ......................................................................................................... 225
TÓPICO 4: INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS E O TRABALHO 
DE CAMPO ................................................................................................................... 227
1 INTRODUÇÃO ...........................................................................................................227
2 DEFININDO OS INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS .................................. 227
3 QUESTIONÁRIO, ENTREVISTA E OBSERVAÇÃO COMO INSTRUMENTOS
 DE COLETA DE DADOS ........................................................................................... 228
4 A COLETA DE DADOS .............................................................................................. 230
LEITURA COMPLEMENTAR ........................................................................................ 232
RESUMO DO TÓPICO 4 ............................................................................................... 234
AUTOATIVIDADE ......................................................................................................... 235
TÓPICO 5: ANÁLISE DOS DADOS E A ELABORAÇÃO DO RELATÓRIO 
DA PESQUISA .............................................................................................................. 237
1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 237
2 DEFININDO A ANÁLISE DE DADOS ........................................................................ 237
3 INTERPRETAÇÃO DOS DADOS COLETADOS ....................................................... 238
4 ANÁLISE ESTATÍSTICA DE DADOS ........................................................................ 238
5 ANÁLISE QUALITATIVA ............................................................................................ 240
6 REDIGINDO O RELATÓRIO DE PESQUISA ............................................................ 242
LEITURA COMPLEMENTAR ........................................................................................ 243
RESUMO DO TÓPICO 5 ............................................................................................... 249
AUTOATIVIDADE ......................................................................................................... 250
AVALIAÇÃO .................................................................................................................. 251
REFERÊNCIAS ............................................................................................................. 253
PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL viii
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UNIDADE 1
A PESQUISA E SUAS 
PARTICULARIDADES
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir desta unidade você será capaz de:
	compreender o conceito de ciência;
	estabelecer uma relação entre ciência, conhecimento e saber;
	compreender o que é uma pesquisa e qual sua finalidade no meio 
acadêmico;
	analisar os diferentes métodos utilizados nas ciências sociais;
	conhecer os elementos que fazem parte de uma pesquisa na área 
social.
TÓPICO 1 – CIÊNCIA E A DESCOBERTA DA 
REALIDADE
TÓPICO 2 – CONCEITO E FINALIDADES DA 
PESQUISA
TÓPICO 3 – MÉTODOS NAS CIÊNCIAS SOCIAIS
TÓPICO 4 – A PESQUISA SOCIAL
PLANO DE ESTUDOS
A Unidade 1 está dividida em quatro tópicos e, ao final de cada 
um deles, você terá a oportunidade de fixar seus conhecimentos 
realizando as atividades propostas.
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CIÊNCIA E A DESCOBERTA 
DA REALIDADE
1 INTRODUÇÃO
2 O QUE É CIÊNCIA?
TÓPICO 1
UNIDADE 1
Neste tópico estudaremos a Ciência, assim como a contribuição desta para a descoberta 
da realidade. Iniciaremos conceituando ciência, relacionando-a com o saber e a aquisição do 
conhecimento.
A busca pela compreensão do que é Ciência se dá por diversos autores, o que 
desencadeou o surgimento de ideias muito diversificadas para a mesma. Isso quer dizer que 
não é o aspecto definitivo que caracteriza a definição de Ciência e, sim, o fato de ser algo que 
se encontra em contínuo aprimoramento.
Conforme o Dicionário Aurélio (2010, p. 41), é possível descrever quatro maneiras 
distintas à Ciência, sendo elas:
1. Como representação do conhecimento, advinda do termo latino “scientia”.
2. Enquanto um conjunto organizado de conhecimentos referentes a um ob-
jeto específico, mais precisamente quando obtidos através de observação, 
experiência dos fatos e um método próprio.
3. Como a soma de conhecimentos práticos, destinados a um fim determinado, 
ou o somatório dos conhecimentos humanos, sendo considerados enquanto 
conjunto.
4. Enquanto o saber adquirido por meio de leitura e meditação, erudição, 
instrução e sabedoria.
Com base nestas considerações, tem-se que a ciência inicia pela tentativa mais 
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elementar do dia a dia de experienciar, dominar e entender a natureza física e humana.
FONTE: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://
www.baupirata.com/arquivos/omapa/ciencia.
jpg&imgrefurl=http://www.baupirata.com/2009/08/17>. Acesso 
em: 8 out. 2010.
Quando se questiona sobre o surgimento da Ciência, considera-se que esta se deu no 
final do século XIX, desenvolvendo-se intensamente a partir do século XX. Tal desenvolvimento 
foi baseado no modelo das ciências naturais e do espírito do positivismo, que imperavam na 
referida época histórica. No transcorrer deste caderno aprofundaremos os conhecimentos 
referentes às ciências naturais e ao espírito positivista. 
Pode-se compreender, também, que a ciência consiste numa tomada de consciência de 
um mundo vivido pelo homem e que demanda uma ação crítico-prática, envolvendo o mundo 
sensível, perceptível e intelectivo do ser pensante. É a partir desta compreensão que emergem 
os conhecimentos que irão direcionar a busca de novos saberes.
Segundo Gil (1999), a concepção de Ciência se dá como sendo um conjunto de teorias, 
leis, descrições, padrões e interpretações, que buscam alcançar o conhecimento de uma 
parcela específica da realidade. 
Dessa forma, a ciência está em constante renovação, no sentido de dar respostas 
a inúmeros questionamentos que vão emergindo no cotidiano. Ela emerge através de um 
conjunto de constante ampliação e renovação, culminando no surgimento e aplicação de uma 
metodologia especializada, reconhecida como a Metodologia Científica.
FIGURA 1 – CIÊNCIA
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Defina, com suas palavras, o que é Ciência.
3 A IMPORTÂNCIA DA CIÊNCIA E DO SABER
São vários os motivos que justificam a importância da ciência e do saber. Ambas as 
dimensões teriam uma ligação muito próxima com a produção de conhecimentos. Define-se 
que, enquanto práxis, o conhecimento constitui-se como sendo uma atividade “teórico-prática” 
e/ou “prático-teórica”, pois a teoria orienta a ação e a prática estrutura e/ou realimenta a teoria. 
Dessa forma, 
[...] o conhecimento não consiste, somente, numa mera expressão de imagens 
cognitivas, mas é, antes, uma coexistência do sujeito com o objeto numa reali-
dade determinada; é o sujeito cognoscente envolvido com o mundo cognoscível 
(BARROS; LEHFELD, 2003, p. 24).
Seguindo a lógica dos autores citados, pode-se observar que desde o nascimento, o 
homem, em contato com a natureza e os objetos ao seu redor, aprende, através dos princípios 
de inclusão e exclusão, a distingui-los. E mais, o sujeito interpreta o seu universo através da 
tradição social e cultural que faz parte de seu contexto. Dessa forma, sabe, por exemplo, o 
que é casa, e qual a utilidade de uma porta, o que é uma mesa, dentre outros. 
O sujeito vivencia, então, suas crenças e experiências. É na medida em que a 
insegurança de suas experiências sugere erros e conflitos, que passam a surgir as dúvidas. 
Como resultado, tem-se a reflexão, como forma de respostas a problematizações feitas e que 
exigem decisões. Assim o homem necessita, então, pensar e meditar; necessita, efetivamente, 
saber a que se ater, e, dessa forma, o conhecimento passa a ser trajetória para a consequência 
do ato de conhecer, no qual se busca o saber teórico e prático de situações objetivas e subjetivas.
Assim sendo, de acordo comBarros e Lehfeld (2003), o valor do conhecimento reside 
nos seguintes fatores:
● Busca e aquisição de informações para solução de problemas experienciais e vivenciais.
● Aplicação dos conhecimentos obtidos para promover o progresso material e espiritual do 
homem e da sociedade.
● Fonte de invenções e criações técnico-científicas, capazes de beneficiar a vida humana. 
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Observa-se então que o conhecimento tem significativa importância na solução de 
problemas, na busca de conhecimentos que promovam o progresso da ciência, da mesma 
forma que o desenvolvimento constante do ser humano.
Na contemporaneidade, destaca-se o fato de que não existe qualquer limitação ou 
controle para o ser humano conhecer algo. Pelo contrário, o que se apresenta é a imensa 
liberdade e o direito de obter o conhecimento. Conforme Demo (2000), há duas faces 
apresentadas pelo conhecimento, que são ambíguas. São elas:
● Com o conhecimento o ser humano está, cada vez mais, à mercê de sua própria história, 
porém,
● O conhecimento traz consigo a possibilidade de acabar com a história, enfatizando o fato 
de que ele tem servido persistentemente aos poderosos.
Assim, o conhecimento tem a possibilidade de envolver tanto elementos de 
emancipação do ser humano, como de destruição. Tudo depende do direcionamento ético 
e filosófico direcionado ao conhecer e, ao mesmo tempo, ao que é conhecido.
FONTE: Disponível em: <http://www.visionvox.com.br/biblioteca/p/projeto-de-pesquisa.txt>. Acesso 
em: 8 fev. 2011.
FONTE: Disponível em: <http://www.folhademinasgerais.com/wp-content/
uploads/2010/10/ciencia.jpg>. Acesso em: 8 out. 2010.
FIGURA 2 – CIÊNCIA E SABER
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4 A CLASSIFICAÇÃO DAS CIÊNCIAS
Em nível metodológico, as ciências podem ser classificadas de diferentes formas. 
Salienta-se que não existiria um consenso nesta classificação. O que é ciência para alguns 
autores ainda permanece como ramo de estudo para outros, e vice-versa. 
Nesta disciplina se estará adotando a classificação apresentada por Marconi & Lakatos 
(2000), que definem a ciência como sendo Formal ou Factual. As mesmas podem ser assim 
descritas:
a) AS CIÊNCIAS FORMAIS
Encarregam-se do estudo das ideias, dividindo-se em lógica e matemática. Ressalta-
se que por não terem relação com algo encontrado na realidade, não podem valer-se dos 
contatos com essa realidade para validar suas fórmulas, utilizando a lógica para demonstrar 
rigorosamente seus teoremas. Os resultados obtidos pelas ciências formais demonstram 
ou provam hipóteses.
b) AS CIÊNCIAS FACTUAIS 
Encarregam-se do estudo dos fatos, dividindo-se em naturais e sociais. Referem-se a 
fatos que supostamente ocorrem no mundo e, em consequência, recorrem às observações 
e às experimentações para comprovar ou refutar suas hipóteses. Os resultados alcançados 
pelas ciências factuais verificam, comprovam ou refutam hipóteses que, em sua maioria, 
são provisórias.
FONTE: Disponível em: <http://jararaca.ufsm.br/websites/deaer/download/SUBPASTA01/Froehlich/
Cienconheccient.pdf>. Acesso em: 8 fev. 2011.
No Serviço Social observa-se uma relação próxima com as ciências sociais. A obtenção 
de novos saberes se dá, então, através da aproximação com diferentes fenômenos sociais, 
os quais podem ser comprovados, refutados e, comumente, superados com a realização de 
novas pesquisas. No transcorrer deste caderno se estará aprofundando os conhecimentos 
referentes ao Serviço Social e à construção de novos saberes.
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5 A CIÊNCIA COMO BASE PARA A 
CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO
O homem, por sua capacidade de ação e reflexão, relaciona-se com o mundo e com as 
pessoas em um contexto social e histórico determinado. Na medida em que essas relações vão 
se estabelecendo, o sujeito passa a construir um sistema de representações que lhe possibilita 
viver e compreender a sua própria existência. Ressalta-se que, dependendo da maneira como 
o homem irá estabelecer suas relações com a realidade, ele poderá apreendê-la de formas 
diferenciadas, construindo diversos sistemas de representação.
Por isso, é possível se reconhecer diversas formas do ser humano representar e explicar 
o seu mundo, como, por exemplo, a científica e a do senso comum. Esses diferentes saberes 
são modos específicos de conhecer, expressar e intervir na própria realidade. Dessa forma, o 
sujeito, inserido em seu contexto social, interpreta a si e ao mundo criando significações várias 
e, conforme o modo como estas são criadas, ele criará um tipo determinado de conhecimento.
Como já estudado até aqui, percebe-se que várias são as teorias, os pensadores e 
as definições acerca da ciência. Como forma de se aprofundar os elementos que emergem 
na produção do conhecimento, pode-se definir dois tipos distintos de teorias existentes que 
buscam explicar o conhecimento. São elas:
● Conhecimento Ordinário ou Vulgar (Senso Comum).
● Conhecimento Científico.
Cada um deles será explicado a seguir.
a) Senso Comum
O Senso Comum é também denominado “Empírico” e refere-se ao saber adquirido 
no decorrer da vida cotidiana, abrangente a toda população. Ocorre ao acaso, tendo por 
base a experiência vivida ou repassada entre gerações, como maneira de transmitir as 
tradições. Geralmente o conhecimento empírico é resultado de vivências de erro e acerto, sem 
comprometer uma metodologia de observação ou verificações permanentes. E, exatamente 
em função dessas condições, não apresenta caráter científico. 
A forma ordinária de o homem criar suas representações é através do senso comum, 
que surge da necessidade de resolver problemas imediatos da vida cotidiana. É, portanto, 
uma forma espontânea e assistemática de representar a realidade, sem aprofundar os 
fundamentos da mesma através de um método adequado. As motivações dessa forma de 
conhecer têm como fundamento o interesse prático e as vivências e crenças pessoais.
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FONTE: Disponível em: <http://www6.ufrgs.br/laviecs/edu02022/portifolios_educacionais/t_20061_m/
Fernando_Martins/FERNANDO_MARTINS/planejamento_geral.html>. Acesso em: 8 fev. 
2011.
O senso comum se situa num âmbito cognitivo muito próximo dos elementos concretos 
da realidade, o que certamente implica determinado grau de abstração. Contudo, ele permanece 
ainda muito preso às representações sensíveis, não conseguindo ultrapassá-las, a fim de atingir 
um nível maior de elaboração com a criação ou a assimilação de conceitos cujos significados 
aprofundem a compreensão da realidade. Esta é a dificuldade cognitiva dos indivíduos que 
se mantêm ligados à apreensão sensível dos fenômenos, pois isso faz com que conheçam 
apenas os fatos a partir de sua aparência. 
Desse modo, conforme Schaefer e Jantsch (2005, p.16), tendo como base qualquer esfera 
da realidade, o senso comum se movimenta como “um círculo fechado, pela impossibilidade 
de transpor a simples concretude do mundo sensível”.
Dentre outras, destacamos as seguintes características dessa forma de conhecimento: 
Heterogeneidade; Ausência de crítica; Imediatismo; Dogmatismo. Cada uma destas 
características será destacada a seguir.
 Heterogeneidade 
O senso comum é um conhecimento formado mediante um aglomerado indiscriminado 
de elementos de naturezas diversas, que são acoplados e justapostos, formando um conjunto 
sem unidade e coerência internas. O grau de organização ou reelaboração desses elementos 
não possibilita chegar a uma síntese com uma compreensão mais aprofundada. Essa forma 
de conhecer reorganiza os elementos, compondo algo diverso do originalmente oferecido, mas 
continua circunscrita à realidade imediata.
Assim, o senso comum procede de uma simples junção de ideias, noções ou conceitos, 
sem uma compreensão mais aprofundada da realidade. Por exemplo, ele consegue percebera falta de moradia e de alimentos, o desemprego, as doenças, os baixos salários. Contudo, 
não percebe a lógica de produção e inter-relação entre esses elementos.
FONTE: Disponível em: <http://www6.ufrgs.br/laviecs/edu02022/portifolios_educacionais/t_20061_m/
Fernando_Martins/FERNANDO_MARTINS/planejamento_geral.html>. Acesso em: 8 fev. 
2011.
 Ausência de crítica 
O senso comum é constituído por uma multiplicidade de noções provenientes da vida 
cotidiana. O mundo vivido, como o trabalho, o emprego e o desemprego, o consumo, as relações 
sociais, as práticas religiosas, os programas de televisão, é assimilado de forma fragmentada. 
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Desse modo, não atinge um nível de crítica necessário para compreender a realidade além do 
imediatamente vivido. A consciência do homem que se movimenta no âmbito do senso comum é 
uma consciência dual e contraditória. Tendo em vista seu comportamento, sua visão de mundo 
e sua ética, pode-se dizer que são seres fatalistas face à situação concreta onde vivem. 
Na maioria das vezes, o fatalismo se refere ao destino ou a uma concepção de Deus, 
que se constituem nas entidades responsáveis pelos acontecimentos da vida.
FONTE: Disponível em: <http://www6.ufrgs.br/laviecs/edu02022/portifolios_educacionais/t_20061_m/
Fernando_Martins/FERNANDO_MARTINS/planejamento_geral.html>. Acesso em: 8 fev. 
2011.
 Imediatismo
A realidade é apreendida tal como aparece num primeiro momento, sem maiores 
preocupações de ultrapassar as aparências. Nessa forma de conhecer há forte tendência de o 
indivíduo ficar preso à realidade, sem tomar distância dela, e superar sua opacidade mediante 
um conhecimento mais elaborado. O senso comum não permite que o sujeito se distancie dos 
fatos e que os veja sob ângulos diferentes daqueles fornecidos pela própria vivência.
Essa tomada dos fatos, no seu imediatismo, leva os indivíduos a fazerem da realidade 
vivida um mundo fragmentado, constituído de elementos dissociados entre si. E, na medida 
em que ele fica adstrito ao mundo vivido, percebendo-o de forma fragmentada, não alcança 
uma compreensão mais aprofundada do real e, menos ainda, o consequente alargamento das 
possibilidades de sua ação.
 Dogmatismo
O dogmatismo se apresenta como uma espécie de “porto seguro”, no qual o sujeito se 
ancora e permanece com medo de se aventurar. No “porto seguro”, o indivíduo se abriga em 
suas próprias ideias, noções e valores. Sua concepção de mundo resiste a modificações. Em 
lugar de possibilitar uma crítica e um alcance de níveis mais aprofundados de compreensão 
da realidade, o dogmatismo cristaliza tanto o entendimento como a prática dos indivíduos. 
Isso não significa, porém, que o senso comum seja imutável, uma vez que é social e histórico 
e, portanto, um conhecimento sujeito a transformações, embora insuficientes para superar as 
primeiras impressões da realidade.
Apesar dessas características que, de certo modo, definem o senso comum a partir de 
seus limites internos, faz-se relevante considerar a outra face dessa forma de conhecer, que 
aponta para suas possibilidades. 
O senso comum é uma forma de conhecer que faz parte do universo mental e da prática 
cotidiana da maioria das pessoas. Para Gramsci (2006), existe uma dimensão crítica presente 
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no senso comum, denominada de bom senso, sendo o conjunto de elementos de negatividade 
e criticidade que mostra a possibilidade de sua superação. Assim, o bom senso encontra-se 
no mínimo de reflexão presente nas práticas cotidianas, fazendo com que o indivíduo possa 
sobreviver em um meio social que o coloca em posição de subalterno.
Além disso, é preciso assinalar a criação de uma cultura ou um saber popular forjado 
pelas próprias camadas populares, capaz de explicitar parcialmente suas condições de 
existência. Embora não seja um saber que se estruture e se expresse com categorias do 
universo acadêmico, é um conhecimento que possibilita a esses grupos compreender muitos 
aspectos da realidade e orientar suas práticas cotidianas.
b) Conhecimento Científico 
O Conhecimento Científico é uma conquista intencional, sistemática e consciente. Nesse 
aspecto, ressalta-se que a grande contribuição para o conhecimento científico foi a descoberta 
do método científico. E, segundo Demo (2000), o conhecimento científico é consequência de 
uma investigação metódica e sistemática de algum fenômeno. Isso quer dizer que ela perpassa 
o fenômeno em si, vai além dos fatos, analisando e buscando encontrar suas causas para 
descobrir as normas que os guiam.
A partir dessa compreensão é possível alegar que o conhecimento deve se configurar 
como:
● Objetivo: sendo independente, ou seja, descreve a realidade sem influências do pesquisador.
● Racional: a razão deve ser sua guia, enquanto a emoção ou as impressões não são 
consideradas para se formular o resultado.
● Sistemático: o foco é o desenvolvimento de ideias organizadas de maneira racional, ao 
mesmo tempo em que se busca inserir conhecimentos parciais em uma totalidade cada 
vez mais abrangente.
● Geral: o seu comprometimento é com a elaboração de normas e leis gerais, que sejam 
relacionadas a um determinado fenômeno específico.
● Verificável: torna possível a verificação da veracidade das informações.
● Falível: tem consciência de sua capacidade de errar.
Conhecimento Científico, então, é um processo desencadeado progressivamente, em 
função do devir a ser, e que emerge da coexistência ou da relação entre teoria e prática; sendo 
que a prática é o fundamento da teoria. A partir desta relação, tem-se o processo e a maturação 
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do conhecimento (BARROS & LEHFELD, 2003).
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Na sua opinião, qual a diferença entre senso comum e o 
conhecimento científico?
O conhecimento científico consiste no aperfeiçoamento do conhecimento comum e 
ordinário, sendo obtido através de um procedimento metódico, o qual mobiliza explicações 
rigorosas e/ou plausíveis sobre o que se afirma a respeito de um objeto ou realidade. 
Para o conhecimento científico, a realidade a ser conhecida é apresentada como um 
objeto à mostra, claro e transparente. Há uma distinção entre as coisas tal como aparecem 
num primeiro momento à nossa percepção e como são na realidade, isto é, entre a forma 
de manifestação das coisas e sua real constituição.
Esse pressuposto, segundo o qual não há coincidência entre aparência e essência, 
coloca uma exigência ao conhecimento humano: conhecer os fenômenos na sua dinâmica 
interna, desvelando os elementos específicos que o constituem. E conhecer os fenômenos na 
sua essência, naquilo que apresentam de mais original e particular, é tarefa do conhecimento 
científico. 
FONTE: Disponível em: <http://www6.ufrgs.br/laviecs/edu02022/portifolios_educacionais/t_20061_m/
Fernando_Martins/FERNANDO_MARTINS/planejamento_geral.html>. Acesso em: 8 fev. 
2011.
Assim:
o conhecimento não se produz a partir de um simples reflexo do fenômeno, 
tal como este aparece para o homem; o conhecimento tem que desvendar no 
fenômeno aquilo que lhe é constitutivo e que é, em princípio, obscuro; o método 
para a produção desse conhecimento assume, assim, um caráter fundamental: 
deve permitir tal desvendamento, deve permitir que se descubra, por trás da 
aparência, o fenômeno tal como é realmente, o que determina, inclusive, que 
ele apareça da forma como o faz. (ANDRY, 1998, p. 29)
O desvelamento dos fenômenos, contudo, não ocorre de maneira espontânea na vida 
das pessoas. Antes, é tarefa que implica um longo trabalho de investigação que consiga analisar 
os elementos particulares, estabelecendo relações entre os mesmos e, a partir daí, recompor o 
fenômeno, formando uma nova totalidade. Assim, o conhecimento científico não é um simples 
reflexo ou uma representação do fenômeno, mas um produto do esforço intelectualdo indivíduo.
Na construção do conhecimento, o sujeito age prática e intelectualmente sobre seu 
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objeto de investigação e o reconstrói no seu pensamento através das três etapas, sendo elas: 
a percepção da realidade; da percepção da realidade ao pensamento abstrato; do pensamento 
abstrato à prática. Cada uma delas será descrita a seguir.
 A percepção da realidade
A realidade é percebida através de nossos sentidos. Essa aproximação com o real é a 
fase inicial do processo de produção do conhecimento científico, que nos permite apreender a 
aparência, a exterioridade dos fenômenos sociais, culturais, econômicos, psíquicos etc. Esta 
primeira percepção, contudo, não é um ato através do qual a realidade imprime suas marcas na 
mente do sujeito. Ao contrário, trata-se de um ato ativo do sujeito, no qual intervêm elementos 
já presentes no seu pensamento, na sua memória, no seu modo de agir. A percepção da 
realidade se dá, portanto, como produto das relações que o indivíduo estabelece através de 
sua prática social no contexto onde vive.
 Da percepção da realidade ao pensamento abstrato
Após esse primeiro nível de percepção dos fatos, há que se fazer o esforço necessário 
para romper a aparência dos fenômenos, descobrir seus elementos internos, bem como as 
conexões entre eles e com a realidade global onde estão inseridos. Tais conexões são invisíveis 
à percepção dos sentidos.
Para passar da aparência à essência dos fenômenos, é preciso seguir um processo 
de abstração do pensamento que consiste na análise das percepções obtidas e na síntese 
de seus elementos constitutivos, mediante conceitos que reconstituem aquele mesmo fato 
com nova configuração. O processo de abstração pode ir se aprofundando, ao ponto de 
formular leis e teorias da natureza e da sociedade com validade universal.
FONTE: Disponível em: <http://www6.ufrgs.br/laviecs/edu02022/portifolios_educacionais/t_20061_m/
Fernando_Martins/FERNANDO_MARTINS/planejamento_geral.html>. Acesso em: 8 fev. 
2011.
Entretanto, a abstração exige do sujeito o exercício e a aplicação de determinadas 
habilidades intelectuais:
a) Associação: relacionar o fenômeno em estudo com outros, buscando semelhanças e 
diferenças, implicações mútuas e contradições.
b) Análise: desmembrar o objeto em estudo para que cada elemento particular que o compõe 
ganhe maior visibilidade.
c) Estabelecer relações: relacionar os elementos internos do fenômeno buscando nexos e 
oposições, contradições, complementaridade, superações, bem como relacioná-los com os 
elementos da realidade global.
d) Síntese: elaboração de conclusões que recriem, em nível conceitual, o fenômeno estudado.
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Portanto, o conhecimento científico se caracteriza pelo trabalho do pensamento que, 
explicando os nexos entre seus elementos constituintes, permite a construção de novos 
conceitos e teorias que alargam nossa compreensão do real.
 Do pensamento abstrato à prática
O conhecimento obtido mediante a passagem da percepção da realidade à abstração 
retorna a essa mesma realidade. Porém, não na sua antiga forma, como percepção sensível, 
mas agora enriquecido com maior capacidade explicativa, possibilitando uma compreensão 
mais abrangente e aprofundada. Desse modo, é possível agir de modo a transformar a 
realidade a partir de uma nova teoria que forneça maior suporte à ação humana. Nesse ato 
surgirão situações que exigirão novas teorizações, de modo que cada uma dessas práticas 
desencadeará outro processo de conhecimento sobre elementos ainda inexplorados. Nesse 
sentido, a teoria é sempre uma compreensão da realidade e uma fundamentação da ação, e 
não um conjunto de especulações vazias.
Com base nestas considerações, tem-se que o conhecimento científico é explicativo, 
constrói e aplica teorias e depende de investigações metódicas. É através dele que o ser 
humano compreende a realidade social que o cerca. Este surge não apenas da necessidade 
de encontrar soluções para os problemas do cotidiano, mas do seu desejo de resposta às 
dúvidas e questionamentos que emergem dos seres humanos.
Destaca-se que o conhecimento científico pode ser gerado através de investigações 
realizadas com base em um procedimento sistemático, que busca informações acerca 
de objetos e/ou fenômenos já pesquisados e demonstrados e/ou comunicados. Trata-se, 
portanto, de uma postura bastante metódica, reflexiva e, acima de tudo, crítica sobre as 
descobertas já realizadas. Entende-se que, qualquer resposta fornecida em razão de um 
determinado questionamento tem probabilidade de gerar outras dúvidas, que tendem a se 
tornar novas proposições para a pesquisa científica. Desse modo, o avanço da ciência está 
vinculado a renovações, ampliações de teorias, bem como à prática e à crítica insistente do 
pesquisador.
Assim sendo, na medida em que a pesquisa científica caminha, de fases de domínio 
e de procura, do mais simples para o mais complexo, pode-se chegar, com criatividade, à 
descoberta e obtenção de resultados significativos. 
FONTE: Adaptado de: <http://www.visionvox.com.br/biblioteca/p/projeto-de-pesquisa.txt>. Acesso em: 
8 fev. 2011.
Tal compreensão se aplica ao Serviço Social. A busca incessante por compreender 
novas situações sociais, ampliar o conhecimento sobre diferentes expressões da questão 
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social, assim como avaliar programas e projetos sociais, consistem em elementos primordiais 
no uso da pesquisa na prática profissional.
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O senso comum não se caracteriza pela investigação, pelo 
questionamento, ao contrário da ciência. Fica no imediato 
das coisas, caracteriza-se pela subjetividade. É ditado pelas 
circunstâncias. É subjetivo, isto é, permeado pelas opiniões, 
emoções e valores de quem o produz.
FONTE: Disponível em: <http://www.cefetsp.br/edu/eso/
filosofia/sensociencia1.html>. Acesso em: 20 out. 2010.
FONTE: Disponível em: <http://www.penielro.com.br/rjp/wp-content/
uploads/2010/09/ciencia.jpg>. Acesso em: 20 out. 2010.
LEITURA COMPLEMENTAR
O SENSO COMUM: CONHECIMENTO DA REALIDADE
Hilton Japiassu
 Durante nossa vida cotidiana vamos adquirindo várias aprendizagens, pela via do hábito 
e da tradição, que passam de geração para geração. Assim, aprendemos com nossos pais a 
FIGURA 3 – CIÊNCIA E CONHECIMENTO
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atravessar a rua, a fazer a televisão funcionar, a plantar alimentos na época e de maneira correta. 
Com nossos amigos e colegas aprendemos a paquerar, a ”ficar” ou a pedir para namorar a 
pessoa que desejamos, a nos comportarmos em sala de aula, no trabalho, e assim por diante. 
Na vida cotidiana, as teorias científicas são simplificadas, quer seja para viabilizar seu 
uso no dia a dia, quer seja pela interpretação sempre singular dos fatos vividos, que muitas 
vezes parecem contradizer as considerações feitas pela ciência. É justamente o conhecimento 
que vamos acumulando no nosso dia a dia que é chamado de senso comum. O senso comum 
mistura e recicla saberes muito mais especializados e os reduz a um tipo de teoria simplificada, 
produzindo uma determinada “visão de mundo”. 
O senso comum vai integrando, ainda que de um modo precário, todo o conhecimento 
humano, produzindo para cada pessoa, ou grupo social, um modo particular de interpretar 
os fatos e o mundo que o cerca. Sem esse conhecimento intuitivo, espontâneo, construído 
muitas vezes de tentativas e erros, a nossa vida no dia a dia seria muito complicada. E é na 
tentativa de facilitar o dia a dia que o senso comum produz suas próprias “teorias” médicas, 
físicas, psicológicas etc. 
O que é ciência? 
A ciência é uma atividade reflexiva, que procura compreender, elucidar e alterar o cotidiano 
a partir de um estudo sistemático e não simplesmente da adaptação à realidade. Quando 
fazemos ciência,afastamo-nos da realidade para compreendê-la melhor, transformando-a em 
objeto de investigação - o que permite a construção do conhecimento científico sobre o real. 
A ciência é composta de um conjunto de conhecimentos sobre fatos ou aspectos da 
realidade (objeto de estudo), expresso por meio de uma linguagem precisa e rigorosa. Esses 
conhecimentos devem ser obtidos de maneira programada, sistemática e controlada, para 
que se permita a verificação de sua validade. 
A ciência tem ainda uma característica fundamental: ela aspira à objetividade. Suas 
conclusões devem ser passíveis de verificação e isentas de emoção (isto é, busca-se atingir a 
neutralidade), para, assim, tornarem-se válidas para todos, ou seja, poderem ser generalizadas 
em todas as situações.
Objeto específico, linguagem rigorosa, métodos e técnicas específicos, processo 
cumulativo do conhecimento e objetividade fazem da ciência uma forma de conhecimento que 
supera em muito o conhecimento espontâneo do senso comum. Esse conjunto de características 
é o que permite denominarmos um conjunto de conhecimentos de científico.
FONTE: Disponível em: <http://www.melory.com.br/filemanager/upload/1._CIENCIA_E_SENSO_
COMUM_Ana_Bock.pdf>. Acesso em: 20 out. 2010.
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RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico pôde-se observar uma discussão acerca dos conceitos de ciência, 
sua classificação, assim como a importância do conhecimento. Pode-se então destacar 
os principais itens, que seriam:
● O conceito de ciência encontra-se em permanente ampliação, como algo que se mantém 
em contínuo aprimoramento.
● O que é ciência para alguns autores ainda permanece como ramo de estudo para outros e 
vice-versa.
● As ciências podem apresentar a seguinte classificação: Ciências Formais e Ciências Factuais.
● Salientam-se dois tipos distintos de teorias existentes que buscam explicar o conhecimento: 
Conhecimento Ordinário ou Vulgar (Senso Comum) e Conhecimento Científico.
● O Senso Comum pode ser caracterizado como: superficial, sensitivo, subjetivo, assistemático, 
acrítico.
● O conhecimento científico, além de se ater aos fatos, consiste em: ser analítico, comunicável, 
verificável, organizado e sistemático. 
● A grande contribuição para o conhecimento científico foi a descoberta do método científico.
● Todo conhecimento ou toda postura científica só acontece mediante o processo de 
investigação.
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1 Conceitue Ciência.
2 Qual a relação existente entre ciência e conhecimento?
3 Descreva as principais características do Senso Comum e da Ciência.
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CONCEITO E FINALIDADES 
DA PESQUISA
1 INTRODUÇÃO
2 CONCEITOS DE PESQUISA
TÓPICO 2
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Neste tópico apresentaremos o conceito e as finalidades da pesquisa. Explora-se sua 
importância no contexto acadêmico, da mesma forma que a sua contribuição para a descoberta 
de novos conhecimentos.
Compreende-se que o conhecimento e a busca por novos saberes não se realizam 
no vazio intelectual, teórico ou prático. A busca pelo novo saber existe para sanar qualquer 
curiosidade ou problema cotidiano que o ser humano, tendo como base o bom senso, busque 
solucionar. Essa procura de respostas caracteriza-se por envolver um processo investigatório, 
ainda que ele seja imediato, assistemático e definido por aspectos puramente relacionados 
ao senso comum.
Considera-se que a investigação, sendo aqui compreendida enquanto procura de novos 
conhecimentos, não só é própria da natureza humana, como também é a única forma capaz 
de viabilizar que o homem componha seu entorno, entenda seu contexto, mesmo que seja 
com base na reflexão. Dessa forma, o ato de pesquisar representa um esforço voltado para a 
aquisição de um determinado conhecimento, que proporciona a solução de problemas teóricos, 
práticos e/ou operativos; ainda que estejam situados no cotidiano vivenciado pelo homem.
Vale ressaltar, de acordo com Demo (2000), que o guia normal do homem, para sanar 
suas dificuldades, é compreendido como sendo o “Bom Senso” (DEMO, 2000, p. 15). São 
as informações geradas por este que serão a base sobre a qual a análise realizar-se-á. As 
informações são reconhecidas enquanto dados pré-analíticos, em sentido duplo, já que ao 
mesmo tempo encontram-se antes da análise e para a mesma.
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Na passagem desse tipo de investigação para a pesquisa científica torna-se necessário 
que, além de especificar os dados do fenômeno capazes de serem analisados, o objeto da 
pesquisa se transforme em uma versão direcionada pela própria base teórico-conceitual, 
escolhida pelo pesquisador. Dessa forma, o fenômeno, assim transformado, é submetido a 
considerações quanto à viabilidade metodológica e à disponibilidade ou desenvolvimento de 
técnicas adequadas ao seu estudo.
Desse modo a pesquisa científica é compreendida enquanto exploração, inquisição 
e procedimento sistemático e intensivo, almejando descobrir, explicar e compreender os 
fenômenos presentes em um determinado contexto.
Segundo Barros & Lehfeld (2003, p. 46), é possível definir a pesquisa também enquanto 
“uma maneira de se estudar um determinado objeto, sendo ela sistemática e realizada visando 
a incorporação dos resultados alcançados aos níveis de conhecimento obtidos. Considera-se 
que nada se faz sem o auxílio da pesquisa.”
Segundo esta compreensão, a pesquisa é responsável pela racionalização dos esforços 
e dedicação na produção de bens, na implantação e implementação de serviços, assim como 
na descoberta de elementos que possam contribuir de forma significativa na melhoria das 
condições de vida da população.
Para Gil (2000, p. 41), pesquisa consiste num procedimento racional e sistemático que 
visa “encontrar respostas aos problemas que são propostos”. Percebe-se, na compreensão 
deste autor, que a pesquisa é requerida a partir do momento em que não se dispõe de 
informações suficientes para que se solucione o problema, ou quando a informação disponível 
se apresenta em tal estado de desordem que não seja possível relacioná-la ao problema.
Portanto, considera-se a pesquisa científica enquanto produto de uma investigação que 
visa solucionar problemas e esclarecer dúvidas, tendo por base a utilização de procedimentos 
científicos. A investigação é a composição do ato de delimitar, observar e experimentar os 
fenômenos, colocando como secundária a sua compreensão a partir de dimensões superficiais, 
subjetivas e imediatas.
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A ciência nos revela que o homem pode entender e usar 
racionalmente (isto é, sem destruir) a natureza que o rodeia com 
o objetivo de maior liberdade humana e maior justiça social. A 
ciência revela o homem como criador. 
FONTE: Disponível em: <http://www.cefetsp.br/edu/eso/
filosofia/sensociencia1.html>. Acesso em: 20 out. 2010.
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A pesquisa pode também ser entendida enquanto uma atividade cotidiana, 
compreendendo-a como uma atitude, um questionamento sistemático, crítico e criativo. A 
partir dessa perspectiva, a pesquisa torna-se uma maneira permanentemente aprimorada de 
se conhecer o progresso técnico-científico e o desenvolvimento social dos países.
FONTE: Disponível em: <http://www.clickpb.com.br/artigos/arquivos/
pesquisa22.jpg>. Acesso em: 8 out. 2010.
Vale ressaltar também que a pesquisa não se limita exclusivamente a um instrumento 
único dos meios acadêmicos. Ao contrário, ela se amplia, contemporaneamente, abrangendo 
áreas diferenciadas, contribuindo assim para elevar o nível de significância do estudo dos 
métodos e técnicas de pesquisa científica.
Na sociedade, o homem moderno, com o uso de sua inteligência, é levado a desenvolver 
uma vida de qualidade, que seja agradável, satisfatória ou útil do ponto de vista individual e 
social.Sendo consequência de barreiras exteriores ou interiores, a experiência sugere que, 
para a maior parte dos seres humanos, essas expectativas de acerto não são concretizadas 
com frequência, acarretando erros e enganos. Esses resultados tendem a ser apresentados 
como questionamentos ou problemas que, quando sanados, ocasionam o surgimento de um 
novo conhecimento, que será incorporado pelo sujeito, pela comunidade e pela sociedade em 
geral. (BARROS; LEHFELD, 2003).
 Portanto, qualquer solicitação de explicação, em nível de pesquisa científica, pressupõe 
a existência e exigência de uma resposta, que será compreendida enquanto possível solução 
do questionamento levantado.
A pesquisa também possui inúmeras finalidades, as quais passarão a ser destacadas 
no próximo item.
FIGURA 4 – PESQUISA
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1. Para você, o que é pesquisa?
2. Como a pesquisa se apresenta no seu dia a dia?
3 FINALIDADES DA PESQUISA
As razões pela qual se pesquisa são as mais variadas, existindo uma infinidade de 
justificativas. Na concepção de Gil (2000, p. 45), duas seriam as grandes dimensões que 
contextualizam o porquê se pesquisa:
● “O desejo de conhecer pela própria satisfação de conhecer”.
● “O desejo de conhecer com vistas a fazer algo de maneira mais eficiente e eficaz”. 
Conforme se observa, segundo o autor destacado, a busca por soluções de problemas, 
assim como a aquisição de novos saberes, são as principais finalidades para a pesquisa.
Salienta-se também que as áreas que adotam a pesquisa são reconhecidamente 
muito diversificadas. Em relação às ciências naturais, o pesquisador busca a cientificidade 
por meio do desenvolvimento de formulações que apresentem uma margem de fidedignidade 
e objetividade significativamente elevada, visando sua aproximação com as verdades 
científicas.
Já as ciências sociais não podem aderir ao mesmo modelo de investigação, já que 
o seu objeto de estudo configura-se como sendo histórico, possuindo uma consciência 
histórico-social. Isto significa que o pesquisador, juntamente com os sujeitos que fazem parte 
dos grupos sociais e da sociedade, definirão os significados e intencionalidade às ações e 
às suas construções, ou seja, aquele que pesquisa e aquele que é pesquisado apresentam 
a mesma natureza, estabelecendo uma forte vinculação social entre si.
FONTE: Adaptado de: <http://www.visionvox.com.br/biblioteca/p/projeto-de-pesquisa.txt>. Acesso em: 
8 fev. 2011.
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Na sua opinião, qual a principal finalidade da pesquisa?
4 CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA
Há diferentes formas de classificação de pesquisas. Autores diversos as classificam 
de inúmeras maneiras. Nesta unidade apresentaremos as classificações definidas por Barros 
& Lehfeld (2003) e Gil (2000).
Barros & Lehfeld (2003) procuram classificar a pesquisa tendo como base a finalidade 
para a qual ela se destina, ao mesmo tempo em que se passam a seguir os procedimentos 
utilizados para o estudo. 
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Projeto, do latim pro-jicere: literalmente, é colocar adiante. 
A elaboração de qualquer projeto depende de dois fatores 
fundamentais:
- A capacidade de construir uma imagem mental de uma situação 
futura;
- A capacidade de conceber um plano de ação a ser executado 
em um tempo determinado que vai permitir sua realização.
FONTE: Disponível em: <http://www.professormanueljunior.
com/geral/arquivos/MANUAL%20DE%20METODOLOGIA.pdf>. 
Acesso em: 20 out. 2010.
FONTE: Disponível em: <http://www.fac.unb.br/site/images/stories/Noticias/Pesquisa_
cientifica.jpg>. Acesso em: 8 out. 2010.
FIGURA 5 – PESQUISA
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Em relação à finalidade, tem-se:
● Pesquisa teórica: quando o objetivo é desvendar conceitos, discussões 
polêmicas e teóricas.
● Pesquisa metodológica: aquela voltada ao estudo de métodos ou de ques-
tões metodológicas.
● Pesquisa empírica: relacionada a levantamento de dados empíricos para 
comprovação ou não de uma hipótese. (BARROS; LEHFELD, 2003, p. 51-53)
Nesta classificação observam-se três formas importantes de se buscar o novo saber. 
Enquanto que a primeira se limita à análise teórica, a segunda se aprofunda nos métodos, e 
a terceira dá atenção especial aos fenômenos empíricos da realidade social.
Outra distinção apresentada por Barros & Lehfeld (2003), também referenciada na 
finalidade da pesquisa, se dá através da pesquisa básica e da pesquisa prática. Ambas são 
assim definidas:
● Pesquisa pura ou pesquisa básica: sua finalidade é o conhecimento. Não há a preocupação 
imediata quanto a seus resultados. Seria a pesquisa denominada como teórica acima. Para 
Gil (1999), a pesquisa básica tem por objetivo o desenvolvimento de novos conhecimentos, 
que sejam úteis para o avanço da ciência, ainda que não se tenha uma aplicação prática 
prevista. Abrange verdades e interesses considerados universais.
● Pesquisa aplicada ou pesquisa prática: refere-se ao estudo no qual o pesquisador é movido 
pela necessidade de conhecer, visando a aplicação imediata de seus resultados. Ressalta-
se, então, que a pesquisa aplicada contribui diretamente para a aplicação prática dos dados 
obtidos. Segundo Gil (1999), ela almeja aprimorar a práxis, voltando os resultados para a 
solução de problemas específicos. Abrange, assim, verdades e interesses locais.
Conforme se observa, segundo esta distinção, enquanto que na primeira se busca o 
conhecimento, novo saber, tão somente, na segunda a atenção está centrada nos resultados 
obtidos com esta busca.
Outra maneira de se denominar as pesquisas, segundo Barros & Lehfeld (2003), 
está relacionada aos procedimentos adotados para o estudo do objeto. Estes são definidos 
enquanto Pesquisa Descritiva, Pesquisa de Campo, Pesquisa Experimental e Pesquisa-Ação. 
Cada uma delas será descrita a seguir:
a) Pesquisa descritiva
Esta consiste na descrição do fenômeno analisado através da observação e do 
levantamento de dados, ou pela pesquisa bibliográfica e documental.
Por meio das pesquisas descritivas é viabilizada a construção de perfis, cenários, 
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dentre outros. É possível que a ênfase metodológica seja mais quantitativa do que qualitativa. 
Ela almeja encontrar percentuais, médias, indicadores, curvas de normalidade, dentre outros.
Tratando-se das pesquisas bibliográficas e documentais, busca-se a aquisição de 
conhecimento acerca de um fenômeno, a partir da busca de informações contidas em materiais 
gráficos, sonoros e/ou informatizados. Considera-se que a pesquisa bibliográfica é de grande 
relevância e eficácia ao pesquisador, porque ela permite o acesso aos conhecimentos já 
catalogados em bibliotecas, editoras, internet, dentre outros. Este tipo de pesquisa é realizado, 
frequentemente, em três fases distintas, sendo elas: identificação, localização e reunião 
sistemática dos materiais ou fatos.
b) Pesquisa de campo
Esta forma de pesquisa caracteriza-se pelo fato do investigador assumir o papel 
de observador e explorador, coletando diretamente os dados no local (campo) em que os 
fenômenos estão ou foram mencionados. Destaca-se que esta forma é muito utilizada no 
Serviço Social, no sentido de se aproximar da população usuária, assim como, das diferentes 
expressões da questão social que esta vivencia em seu cotidiano.
c) Pesquisa experimental
Considera-se que esse tipo de estudo indica a existência de manipulação de uma 
ou mais variáveis independentes (causas) sob controle, tendo por intuito a observação e a 
viabilidade de interpretação das reações e mudanças que irão ocorrer com o objeto pesquisado 
(compreendido como variável dependente). Pressupõe-se a necessidade de haver a definição 
do plano experimental, isto é, estabelecimento dos rumos para a realização do experimento.
d) Pesquisa-Ação
Este estudo retrata umadas formas de pesquisa social, com base empírica, que é 
compreendida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um 
problema coletivo e no qual os pesquisadores e os integrantes das situações, ou do problema, 
estão vinculados de maneira participativa e cooperativa.
Com base nesta classificação, percebe-se que a pesquisa assume diferentes formas, 
e a utilização destas se dará de acordo com a finalidade que se tem com o estudo.
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Como as pesquisas são classificadas em relação aos seus fins?
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Outro autor, que apresenta uma classificação em relação à pesquisa, é Gil (2000). Para 
este autor, a pesquisa pode ser classificada quanto à abordagem do problema, apresentando-
se como pesquisa quantitativa e pesquisa qualitativa. A seguir explica-se cada uma delas.
a) Pesquisa quantitativa
Esta forma de pesquisa compreende que tudo pode ser quantificável, o que significa 
buscar a classificação e análise por meio da tradução das opiniões ou informações em números. 
Esse exercício exige a utilização de técnicas e recursos estatísticos, tais como: média, mediana, 
desvio padrão, percentagem, análise de regressão, dentre outros.
No Serviço Social, a quantificação, classificação e aplicação de recursos estatísticos 
surgem como alternativas complementares a uma compreensão que transcende a análise 
numérica, e muito podem ser úteis na busca por novos saberes.
b) Pesquisa qualitativa
Esta forma de pesquisa considera a existência de uma vinculação dinâmica entre o 
mundo real e o sujeito, isto é, uma relação indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade 
do indivíduo que não pode ser traduzida em números. A interpretação dos fenômenos e a 
atribuição de significados são base do processo de pesquisa qualitativa. 
Não exige a utilização de recursos estatísticos e a fonte principal da coleta de dados 
é o ambiente natural. Consiste na fonte direta para a coleta de dados e o pesquisador é o 
instrumento-chave. Esta forma de pesquisa é descritiva. Os pesquisadores tendem a analisar 
seus dados indutivamente. O processo e seu significado são os focos principais de abordagem.
Em contraposição aos estudos quantitativos, que embasam suas ações seguindo um 
planejamento estrategicamente organizado previamente e com foco em hipóteses, variáveis 
e outros detalhes específicos, a pesquisa qualitativa não apresenta como meta principal a 
medição dos fenômenos. Sendo assim, não aplica os recursos estatísticos para compreender 
os dados obtidos. A pesquisa qualitativa apresenta foco abrangente e se desenvolve a partir 
de perspectivas diferenciadas da pesquisa quantitativa. Como exemplo, relata-se o fato da 
constante busca apresentada pela pesquisa qualitativa pela compreensão dos fenômenos com 
base na concepção dos sujeitos que participam da ação estudada, interpretando os referidos 
fenômenos (GIL, 2000).
Vale ressaltar que a pesquisa qualitativa representa uma gama de técnicas interpretativas 
diversificadas que visam a descrição e decodificação de elementos de um sistema que abrange 
uma variedade de significados complexos. A verdadeira razão da pesquisa social qualitativa é 
a redução da distância entre pesquisador e entrevistado, entre teoria e informações coletadas, 
no intuito de expressar o significado dos fenômenos analisados. 
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Complementando a compreensão sobre a pesquisa qualitativa, Godoy (1995) apresenta 
três possibilidades metodológicas muito utilizadas neste tipo de estudo, que seriam: a pesquisa 
documental, o estudo de caso e a etnografia. Cada uma delas será explicada a seguir.
● A Pesquisa Documental: Esta se configura na análise de materiais almejando uma 
interpretação nova ou complementar. Frequentemente se apresenta enquanto base para 
outros tipos de estudos, tanto qualitativos como quantitativos, ampliando as oportunidades 
de estudo do investigador. 
● O Estudo de Caso: Este representa uma análise complexa e aprofundada de uma unidade 
de estudo. Busca o desenvolvimento de um exame minucioso de um ambiente, um sujeito 
ou um determinado evento particular.
● A Etnografia: Esta forma de estudo é reconhecida pelo fato de exigir um período extenso 
de estudos por parte do pesquisador, que passa a residir em uma comunidade, dirigindo a 
esta técnicas de observação, de contato direto e/ou de participação nas rotinas e tarefas da 
mesma. Ressalta-se que o mais relevante não é a maneira como os fatos ocorrem e, sim, 
o sentido que os mesmos possuem. 
Constata-se então que a pesquisa qualitativa apresenta diferentes modelos metodológicos 
a serem seguidos. Adotar um ou outro dependerá, novamente, da finalidade que se tem com a 
pesquisa. No Serviço Social, a pesquisa documental e o Estudo de caso têm sido metodologias 
muito utilizadas em pesquisas contemporâneas. 
Demo (2000) explica que as Ciências Sociais, entre as quais se insere o Serviço Social, 
enquanto ciência social aplicada, apresentam como especificidade o fato de seu objeto de estudo 
ser essencialmente qualitativo, ainda que não negue a relevância das análises estatísticas 
ou quantitativas realizadas com determinados fenômenos. Porém, enfatiza o entendimento 
da realidade social dinâmica, repleta de significados, sentimentos, valores, crenças e práticas 
sociais, impossíveis de serem expressos unicamente através de números.
Entende-se que a pesquisa qualitativa torna-se valiosa para identificar conceitos e 
variáveis relevantes de situações que podem ser analisadas quantitativamente. Nos dizeres 
de Minayo (1993, p. 63): 
[...] é inegável a riqueza que se pode explorar diante de situações conside-
radas desviantes da “média” que se encontram escondidas nos relatórios 
estatísticos. Também é evidente o valor da pesquisa qualitativa para estudar 
questões difíceis de quantificar, como sentimentos, motivações, crenças e 
atitudes individuais. 
Assim sendo, a análise qualitativa, e aqui destacando a sua importância ao Serviço 
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Social, é fundamental e constitui-se, enquanto princípio, necessária para que se obtenham os 
resultados que se almejam com os diferentes estudos.
Por meio da abordagem qualitativa é possível efetivar uma aproximação com a 
complexidade da vida humana. Para isso, são abordados “o conjunto de expressões humanas 
constantes nas estruturas, nos processos, nos sujeitos, nos significados e nas representações” 
(MINAYO, 1993, p. 15). Dessa forma, a abordagem qualitativa visa “incorporar a questão do 
significado e da intencionalidade como inerentes aos atos, às relações e às estruturas sociais, 
sendo estas últimas tomadas tanto no seu advento quanto na sua transformação, como 
construções humanas significativas” (MINAYO, 1993, p. 10).
Partindo-se dessa concepção, entende-se o ser humano enquanto ator privilegiado 
no processo de construção da realidade social e, portanto, os fenômenos integrantes desta 
realidade apenas podem ser compreendidos a partir do significado atribuído pelo sujeito que 
a vivencia. A pesquisa qualitativa tem como um de seus pressupostos o reconhecimento da 
singularidade de cada indivíduo, pois “a significação de um conteúdo reside largamente na 
especificidade que escapa amiúde ao domínio do mensurável” (LAVILLE; DIONNE, 1999, p. 27). 
Desse modo, o contato direto entre pesquisador e integrantes do estudo torna-se aspecto 
fundamental, visto que é através deste contato que se torna possível o aprofundamento de 
reflexões e questionamentos dos eventos, priorizando os acontecimentos que repercutem de 
forma específica na vida dos sujeitos. Além disso, preservando as informações colhidas de 
maneira literal, a abordagem qualitativa viabiliza a análise profunda do conteúdo das falas, das 
inter-relações presentes, dos elos estabelecidos e das interpretações realizadas pelos sujeitos 
sobre a situaçãovivenciada.
Minayo (1993) considera que os métodos qualitativos e quantitativos não são excludentes 
entre si. Pelo contrário, segundo a autora, é possível dizer que os métodos qualitativos 
contribuem significativamente, enquanto aprimoramento do trabalho de pesquisa, viabilizando 
diferentes e mais aprimoradas compreensões do fenômeno estudado. Os dois métodos se 
complementam e podem contribuir profundamente em um mesmo estudo.
Considera-se, portanto que os tipos de pesquisa aqui apresentados, nas diversas 
classificações, não são estanques. Uma mesma pesquisa, principalmente no Serviço Social, 
pode configurar-se, ao mesmo tempo, em várias classificações, desde que obedeça aos 
requisitos inerentes a cada tipo.
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FONTE: Disponível em: <http://www.avantis.edu.br/img/imagem-alunos-manual-
academico.jpg>. Acesso em: 8 out. 2010.
LEITURA COMPLEMENTAR
ABORDAGEM QUANTITATIVA, QUALITATIVA E A UTILIZAÇÃO DA PESQUISA-AÇÃO 
NOS ESTUDOS ORGANIZACIONAIS
Ana Cláudia Fernandes Terence
Edmundo Escrivão Fil
Abordagem quantitativa versus qualitativa
As pesquisas, conforme as abordagens metodológicas que englobam, são classificadas 
em dois grupos distintos – o quantitativo e o qualitativo. O primeiro obedece ao paradigma 
clássico (positivismo), enquanto o outro segue o paradigma chamado alternativo.
Nas ciências sociais, os estudos orientados pela doutrina positivista são influenciados 
inicialmente pela abordagem das ciências naturais, que postulam a existência de uma realidade 
externa que pode ser examinada com objetividade, pelo estabelecimento de relações causa-
efeito, a partir da aplicação de métodos quantitativos de investigação, que permitem chegar a 
verdades universais. Sob esta ótica os resultados da pesquisa são reprodutíveis e generalizáveis 
(HAYATI; KARAMI; SLEE, 2006).
Compreende-se o positivismo como uma combinação das ideias empiristas com a lógica 
moderna (que alia trabalhos de matemática e lógica), influenciado pelas descobertas da física, 
em especial pelas teorias da relatividade e quântica (ALVES-MAZZOTTI; GEWANDSZNAJDER, 
2004; COBRA, 1999). Segundo o positivismo, a lógica e a matemática seriam válidas por 
estabelecerem as regras da linguagem, constituindo-se um conhecimento a priori, independente 
da experiência. Em contraste, o conhecimento empírico deve ser obtido a partir da observação e 
por meio do raciocínio indutivo. Os positivistas entendem que cada conceito de uma teoria deve 
ter como referência algo observável e defendem a verificabilidade dos enunciados científicos 
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e o estabelecimento de relações lógicas entre os mesmos, impondo um critério “ideal” de agir 
e pensar (caráter normativo).
As críticas da Escola de Frankfurt (grupo de intelectuais de inspiração marxista) à visão 
da “ciência tradicional” e o debate iniciado pelo filósofo Thomas Kuhn (1922-1996), ao publicar 
a “Estrutura das revoluções científicas”, no início da década de 60, afetam a maneira de ver a 
ciência e seu método, contribuindo para o esgotamento do “paradigma positivista”. Esta nova 
visão da ciência possibilita o surgimento de abordagens de pesquisa diferentes da positivista.
Define-se o paradigma alternativo pela constatação de que as abordagens unicamente 
quantitativas não são satisfatórias. Desta forma, abre-se espaço para o uso de técnicas 
qualitativas na geração de conhecimento. No entanto, convém ressaltar que a pesquisa 
qualitativa não se restringe à adoção de uma teoria, de um paradigma ou método, mas permite, 
ao contrário, adotar uma multiplicidade de procedimentos, técnicas e pressupostos.
Convencionou-se chamar as investigações que recaem sobre a compreensão das 
intenções e do significado dos atos humanos de pesquisa qualitativa (ALVES-MAZZOTTI; 
GEWANDSZNAJDER, 2004; DENZIN; LINCOLN, 2005; PATTON, 2002).
A pesquisa qualitativa, inicialmente usada em Antropologia e Sociologia, a partir dos 
anos 60 incorpora-se a outras áreas. Nos últimos 30 anos vem ganhando espaço no âmbito 
da Psicologia, da Educação e da Administração (NEVES, 1996). Nos estudos organizacionais, 
a abordagem qualitativa começa a delinear-se a partir dos anos 70. Ressalta-se que, desde 
então, o debate entre defensores das abordagens quantitativa ou qualitativa começa a diminuir, 
registrando-se uma valorização da pesquisa em ciências sociais (GODOY, 1995).
Os pesquisadores que adotam a abordagem qualitativa se opõem ao pressuposto que 
defende um modelo único de pesquisa para todas as ciências, já que as ciências sociais têm 
sua especificidade. Mormente no campo dos estudos organizacionais, esta diferenciação deve-
se à natureza do fenômeno estudado – as organizações - compostas por pessoas que agem 
de acordo com seus valores, sentimentos e experiências, que estabelecem relações internas 
próprias, estão inseridas em um ambiente mutável, onde os aspectos culturais, econômicos, 
sociais e históricos não são passíveis de controle e sim de difícil interpretação, generalização 
e reprodução (CHIZZOTTI, 1995; GAY; DIEHL, 1992; GOLDENBERG, 1999; GUTIERREZ, 
1986). Portanto, nos estudos organizacionais, o pesquisador e seu objeto de estudo interagem 
e esta interação é considerada um elemento do processo de formulação teórica.
Na abordagem qualitativa, o pesquisador procura aprofundar-se na compreensão dos 
fenômenos que estuda – ações dos indivíduos, grupos ou organizações em seu ambiente 
e contexto social –, interpretando-os segundo a perspectiva dos participantes da situação 
enfocada, sem se preocupar com representatividade numérica, generalizações estatísticas e 
relações lineares de causa e efeito. Assim sendo, a interpretação, a consideração do pesquisador 
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como principal instrumento de investigação e a necessidade do pesquisador de estar em contato 
direto e prolongado com o campo, para captar os significados dos comportamentos observados, 
revelam-se como características da pesquisa qualitativa (ALVES, 1991; GOLDENBERG, 1999; 
NEVES, 1996; PATTON, 2002).
As divergências entre as abordagens qualitativa e quantitativa refletem diferentes 
epistemologias, estilos de pesquisa e formas de construção teórica. Convém reiterar, no entanto, 
que os métodos quantitativos e qualitativos, apesar de suas especificidades, não se excluem. 
Para melhor compreendê-los, apresentam-se, a seguir, as suas principais características.
Nos estudos organizacionais, a pesquisa quantitativa permite a mensuração de opiniões, 
reações, hábitos e atitudes em um universo, por meio de uma amostra que o represente 
estatisticamente. Suas características principais são (DENZIN; LINCOLN, 2005; NEVES, 1996; 
HAYATI; KARAMI; SLEE, 2006):
- obedece a um plano preestabelecido, com o intuito de enumerar ou medir eventos;
- utiliza a teoria para desenvolver as hipóteses e as variáveis da pesquisa;
- examina as relações entre as variáveis por métodos experimentais ou semiexperimentais, 
controlados com rigor;
- emprega, geralmente, para a análise dos dados, instrumental estatístico;
- confirma as hipóteses da pesquisa ou descobertas por dedução, ou seja, realiza predições 
específicas de princípios, observações ou experiências;
- utiliza dados que representam uma população específica (amostra), a partir da qual os 
resultados são generalizados, e usa, como instrumento para coleta de dados, questionários 
estruturados, elaborados com questões fechadas, testes e checklists, aplicados a partir de 
entrevistas individuais, apoiadas por um questionário convencional (impresso) ou eletrônico.
A pesquisa qualitativa, utilizada para interpretar fenômenos, ocorre por meio da 
interação constante entre a observação e a formulação conceitual, entre a pesquisa empírica 
e o desenvolvimento teórico, entre a percepção e a explicação (BULMER, 1977) se apresenta 
comouma dentre as diversas possibilidades de investigação. Constitui uma alternativa 
apropriada nos estágios iniciais da investigação, quando se busca explorar o objeto de estudo 
e delimitar as fronteiras do trabalho, quando existe especial interesse na interpretação do 
respondente em relação aos seus comportamentos, motivos e emoções, quando o tema da 
pesquisa envolve tópicos abstratos, sensíveis ou situações de forte impacto emocional para o 
respondente e/ou quando o universo da pesquisa é pequeno e a quantificação não faz sentido 
(HEYINK; TYMSTRA, 1993). São características da pesquisa qualitativa (ALVESMAZZOTTI; 
GEWANDSZNAJDER, 2004; BODGAN; BIKLEN, 1982; DENZIN; LINCOLN, 2005; GODOY, 
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1995; HAYATI; KARAMI; SLEE, 2006):
- investigação cujo design (concepção, planejamento e estratégia) evolui durante o seu 
desenvolvimento, uma vez que as estratégias que utiliza permitem descobrir relações entre 
fenômenos, indutivamente, fazendo emergir novos pressupostos;
- apresentação da descrição e análise dos dados em uma síntese narrativa;
- busca de significados em contextos social e culturalmente específicos, porém com a 
possibilidade de generalização teórica;
- ambiente natural como fonte de coleta de dados e pesquisador como instrumento principal 
desta atividade;
- tendência a ser descritiva;
- maior interesse pelo processo do que pelos resultados ou produtos; - coleta de dados por 
meio de entrevista, observação, investigação participativa, entre outros;
- busca da compreensão dos fenômenos, pelo investigador, a partir da perspectiva dos 
participantes; e, finalmente,
- utilização do enfoque indutivo na análise dos dados, ou seja, realização de generalizações 
de observações limitadas e específicas pelo pesquisador.
O método qualitativo é útil e necessário para identificar e explorar os significados dos 
fenômenos estudados e as interações que estabelecem, assim possibilitando estimular o 
desenvolvimento de novas compreensões sobre a variedade e a profundidade dos fenômenos 
sociais (BARTUNEK; SEO, 2002).
FONTE: Disponível em: <http://www.abepro.org.br/biblioteca/ENEGEP2006_TR540368_8017.pdf>. 
Acesso em: 20 out. 2010.
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RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico apresentou-se o conceito de pesquisa, assim como sua finalidade 
e classificação. Dentre os principais conteúdos aqui trabalhados, destacam-se os 
seguintes:
● A pesquisa consiste num esforço dirigido para a aquisição de um determinado conhecimento.
● A pesquisa científica consiste na exploração, na inquisição e no procedimento sistemático e 
intensivo, que visa descobrir, explicar e compreender os fatos de uma determinada realidade.
● A pesquisa é atividade básica das ciências na sua indagação e descoberta da realidade. 
● A pesquisa não se limita somente a um instrumento exclusivo dos meios acadêmicos.
● Nas ciências sociais o objeto é histórico e possui uma consciência histórico-social.
● Ao se pensar em cientificidade, deve-se concebê-la como ideia reguladora de todo processo 
metodológico estabelecido na investigação.
● A vigilância epistemológica deve ser buscada através do controle dos procedimentos 
metodológicos e instrumentais técnicos utilizados no estudo.
● A classificação da pesquisa se dá conforme os fins a que se destina e seguindo os 
procedimentos utilizados para o estudo. 
● A pesquisa pode ser classificada quanto à abordagem do problema, podendo ser pesquisa 
quantitativa e pesquisa qualitativa.
● As Ciências Sociais apresentam como especificidade o fato de seu objeto de estudo ser 
essencialmente qualitativo.
● A pesquisa qualitativa tem como um de seus pressupostos o reconhecimento da singularidade 
de cada indivíduo.
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1 O que é pesquisa e qual a importância dela na contemporaneidade?
2 Quais as principais características da pesquisa quantitativa?
3 Quais as principais características da pesquisa qualitativa?
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MÉTODOS NAS CIÊNCIAS 
SOCIAIS
1 INTRODUÇÃO
2 COMPREENDENDO AS CIÊNCIAS SOCIAIS
TÓPICO 3
UNIDADE 1
Compreende-se que a investigação científica depende de um conjunto de procedimentos 
intelectuais e técnicos para que seus objetivos sejam atingidos. Estes procedimentos são 
conhecidos como sendo os métodos científicos. Neste tópico exploraremos os diferentes 
métodos nas Ciências Sociais.
A ciência, historicamente, desenvolveu-se, em parte, pela necessidade de um método 
de conhecimento e compreensão mais seguro e digno de confiança, do mundo que rodeia o 
ser humano. Dessa maneira, tornou-se necessário elaborar uma abordagem de conhecimento, 
apta para permitir uma informação válida e fidedigna sobre fenômenos completos, incluindo 
o complexo fenômeno do próprio homem e seus comportamentos (SILVA; MENEZES, 2001).
É nesta perspectiva que surgem as ciências sociais. As ciências sociais só podem ser 
compreendidas numa concepção fragmentária, englobando um conjunto de ciências díspares 
e desconexas. Algumas destas ciências seriam a Sociologia, a Economia, a Psicologia Social, 
a Antropologia. Também seria adequado adicionar a estas o conhecimento produzido pelo 
Serviço Social.
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FONTE: Disponível em: <http://imgs.obviousmag.org/archives/
uploads/2007/070714_blog.uncovering.org_pesquisa.jpg>. Acesso 
em: 29 nov. 2010.
Para lidar com a complexidade que envolve as relações humanas, considera-se 
que o cientista social deve ter uma postura profissional que abarque horizontes amplos e 
conhecimentos que lhe permitam analisar um mesmo problema sob vários aspectos.
Outro elemento importante a ser destacado na pesquisa em ciências sociais se refere 
à questão de que os fatos dificilmente podem ser considerados como coisas, dado que os 
objetivos de estudo pensam, agem e reagem, que são atores podendo orientar a situação de 
diferentes maneiras. Da mesma forma, o pesquisador é ator agindo e exercendo sua influência.
Essa percepção se apresenta, também, no Assistente Social pesquisador. Cotidianamente, 
estará em contato com os usuários, assim como as diferentes expressões da questão social, 
a qual fundamenta sua prática profissional. Estará em contato com os inúmeros fenômenos 
sociais, assim como diferentes políticas elaboradas para sanar tais questões. Dessa forma, 
apresenta-se enquanto pesquisador fundamental para a construção dos conhecimentos nas 
ciências sociais.
3 O MÉTODO CIENTÍFICO NAS CIÊNCIAS SOCIAIS
Método científico consiste num conjunto de processos ou operações mentais que se 
deve empregar na investigação. Segundo Silva e Menezes (2001, p. 25), faz referência à “linha 
de raciocínio adotada no processo de pesquisa”. 
Assim sendo, os métodos fornecem as bases lógicas à investigação. Pode-se classificá-
los de diferentes formas. Neste Caderno de Estudos contextualizaremos os seguintes: dedutivo, 
indutivo, hipotético-dedutivo, dialético e fenomenológico.
FIGURA 7 – PESQUISA SOCIAL
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Cada um deles será explicado a seguir.
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O método científico é um conjunto de regras básicas 
para desenvolver uma experiência a fim de produzir novo 
conhecimento, bem como corrigir e integrar conhecimentos 
preexistentes. Na maioria das disciplinas científicas, consiste 
em juntar evidências observáveis, empíricas (ou seja, baseadas 
apenas na experiência) e mensuráveis e as analisar com o uso 
da lógica. Para muitos autores, o método científico nada mais é 
do que a lógica aplicada à ciência.
FONTE: Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/
M%C3%A9todo_cient%C3%ADfico>. Acesso em: 20 out. 2010.
a) Método Dedutivo
Este método foi proposto por racionalistas como Descartes, Spinoza e Leibniz. Pressupõe 
que só a razãoé capaz de levar ao conhecimento verdadeiro. O raciocínio dedutivo tem o 
objetivo de explicar o conteúdo das premissas. Por intermédio de uma cadeia de raciocínio em 
ordem descendente, de análise do geral para o particular, se chega a uma conclusão (SILVA 
& MENEZES, 2001).
Tal método faz uso do silogismo, construção lógica, para, a partir de duas premissas, 
retirar uma terceira logicamente decorrente das duas primeiras, denominada então de conclusão. 
Um exemplo clássico de raciocínio dedutivo é o seguinte:
Todo homem é mortal (premissa maior)
Pedro é homem (premissa menor)
Logo, Pedro é mortal (conclusão)
b) Método Indutivo
Método proposto pelos empiristas Bacon, Hobbes, Locke e Hume. Tal método considera 
que o conhecimento é fundamentado na experiência, não levando em conta princípios 
preestabelecidos. (SILVA; MENEZES, 2001).
No raciocínio indutivo a generalização deriva de observações de casos da realidade 
concreta. As constatações particulares levam à elaboração de generalizações. Tem-se como 
exemplo clássico de raciocínio indutivo:
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Luiz é mortal.
José é Mortal
Mario é Mortal.
...
Lucas é mortal.
Ora, Luiz, José, Mario... e Lucas são homens.
Logo, (todos) os homens são mortais.
c) Método Hipotético-Dedutivo
Este método foi proposto por Popper e consiste na adoção da seguinte linha de raciocínio: 
quando os conhecimentos disponíveis sobre determinado assunto são insuficientes para a 
explicação de um fenômeno, surge o problema. 
Para tentar explicar as dificuldades expressas no problema, são formuladas conjecturas 
ou hipóteses. Das hipóteses formuladas, deduzem-se consequências que deverão ser testadas 
ou falseadas. Falsear significa tornar falsas as consequências deduzidas das hipóteses. 
Enquanto no método dedutivo se procura a todo custo confirmar a hipótese, no método 
hipotético-dedutivo, ao contrário, procuram-se evidências empíricas para derrubá-la. (SILVA; 
MENEZES, 2001)
c) Método Dialético
Este método fundamenta-se na dialética proposta por Hegel, na qual as contradições 
se transcendem, dando origem a novas contradições que passam a requerer solução. (SILVA 
& MENEZES, 2001)
Na concepção de Silva & Menezes (2001, p. 8), este consiste num “método de 
interpretação dinâmica e totalizante da realidade. Considera que os fatos não podem ser 
considerados fora de um contexto social, político, econômico, dentre outros”. 
É um método muito aplicado em pesquisa qualitativa e, frequentemente, utilizado no 
Serviço Social, conforme se discutirá nas unidades seguintes.
d) Método Fenomenológico
Este método foi preconizado por Husserl, não sendo dedutivo nem indutivo. Preocupa-
se, sim, com a descrição direta da experiência tal como ela é.
A realidade é então construída socialmente e entendida como o compreendido, o 
interpretado, o comunicado. Dessa forma, a realidade não é única: existem tantas quantas 
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forem as suas interpretações e comunicações. O sujeito/ator, então, “é reconhecidamente 
importante no processo de construção do conhecimento. É outro método comumente aplicado 
nas pesquisas qualitativas”. (SILVA; MENEZES, 2001, p. 27, grifos nossos)
Entende-se, portanto, que existem no interior das Ciências Sociais inúmeras correntes 
de pensamento que levam a múltiplas possibilidades de abordagem metodológica, com seus 
variados pressupostos. Nas pesquisas realizadas na área do Serviço Social observa-se um 
direcionamento, por parte dos pesquisadores, ao método dialético, o qual será discutido a seguir.
FONTE: Disponível em:<http://www.insoonia.com/wp-content/
uploads/2009/08/ciencia.jpg>. Acesso em: 29 set. 2010.
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1 Na sua opinião, qual a diferença entre os Métodos Indutivo e 
Dedutivo?
2 Destaque as principais características do Método Dialético.
4 MÉTODO DIALÉTICO HISTÓRICO PARA MARX
Retomando historicamente, tem-se que foi Hegel quem sintetizou o que de melhor o 
racionalismo ocidental conseguiu produzir. Seu pensamento foi erguido em bases de uma 
frutífera interlocução com a melhor tradição racionalista do seu tempo, dentre eles: Kant, Fichte, 
Shelling. E foi neste diálogo com a tradição, aprendendo com ela e dela nascendo, que este 
pensador foi diferenciando seu pensamento e construindo, dentro do idealismo alemão, as 
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bases de uma nova razão dialética. E esta constituiu-se na base a partir da qual Marx operou 
sua crítica, aproveitando-lhe o núcleo racional. Este último, seguramente, constituiu-se na 
principal base filosófica do pensamento crítico dialético que foi a grande marca filosófico-política 
do século XX. (PONTES, 1995).
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Karl Marx foi um pensador e revolucionário alemão considerado 
um dos iniciantes da Sociologia no mundo. Ele tinha ideias 
radicais, como juntar a classe trabalhadora para derrubar os 
capitalistas.
FONTE: Disponível em: <http://www.acessonews.com/
blog/3321/quem-foi-karl-marx/>. Acesso em: 20 out. 2010.
Num processo de continuidade e descontinuidade, Marx ultrapassou, então, os 
elementos, denominados por ele como sendo “mistificadores-logicistas”, apropriando-se do 
núcleo racional. O caminho metodológico passa a ser decorrência necessária da natureza da 
sociedade capitalista. (PONTES, 1995).
FONTE: Disponível em: <http://laryff.com.br/wp-content/uploads/2008/11/
karl_marx.jpg>. Acesso em: 29 set. 2010.
Uma primeira aproximação do Serviço Social com o referido método ocorreu quando 
a profissão rompeu com uma identidade atribuída e buscou construir uma nova, não mais 
endógena, forjada por elites ou grupos detentores de poder hegemônico, mas conformada 
pelo contexto histórico e social no qual se insere e pelos compromissos ético-políticos que lhe 
são exigidos pela sociedade. A nova identidade construída reconhece sua própria historicidade 
e a historicidade de sujeitos, grupos, instituições, como unidades dialéticas em permanente 
processo de autoconstrução.
FIGURA 9 – KARL MARX
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A dialética, no entender aqui descrito, é o pensamento crítico que se propõe a superar, 
o que já dizia Pontes (1995), a pseudoconcreticidade para se atingir a concreticidade. Trata-
se de um processo no curso do qual, sob o mundo da aparência se desvenda o mundo real; 
por trás da aparência externa, a lei do fenômeno; por trás do movimento visível, o movimento 
real, interno; por trás do fenômeno, a essência. Lefebvre (1983, p. 22) complementa dizendo 
que “só existe a dialética se existir movimento; e que só há movimento se existir processo 
histórico: história”.
Entende-se a dialética como sendo um pensamento criativo, que visa compreender 
a dinâmica do real enquanto processo histórico em constante transformação. Considera 
ainda que o fenômeno, ou processo social, tem que ser entendido nas suas determinações e 
transformações dadas pelos sujeitos. Assim sendo, considera todas as coisas em movimento 
e relacionadas umas com as outras, apresentando como questão fundamental a explicação 
do movimento e da transformação das coisas. (PONTES, 2005).
Kosik (1976 p. 25) explica que a dialética trata da “coisa em si”, mas que não é manifesta 
imediatamente ao homem, ou seja, os fenômenos, diferentemente de sua essência, se 
manifestam imediatamente, primeiro e com maior frequência. Todas as coisas com as quais os 
sujeitos interagem, emergem de um determinado todo que o circunda, todo este não perceptível 
a uma primeira vista, percebido apenas como um pano de fundo indeterminado. Desta forma, 
a dialética visa atingir a essência dos fenômenos atrás do questionamento de como “a coisa 
em si” se manifesta, buscando incessantemente a relação essência/aparência.
Para a dialética, o ser humano é um ser histórico, estando em um panorama social onde 
os sujeitos interagem entre si.Várias influências compõem este panorama, como o contexto 
político, cultural, social, econômico, os afetos na vida relacional e outras vinculações vivenciadas 
no cotidiano da vida, colocando este homem como criador e transformador da sua realidade 
social. A dialética é, portanto, um processo complexo que pressupõe movimento de “reflexão-
análise-ação” sobre os fenômenos do real, tendo por finalidade a transformação.
Pontes (1995) considera o método dialético como sendo superior às outras formas 
metodológicas de conhecimento do ser social na sua complexidade intrínseca, não por um 
princípio escatológico de fé, mas “[...] em primeiro lugar, devido à consideração concreta 
daquilo que está vivo na obra marxiana, ou seja, na captação correta das tendências históricas 
principais da sociedade burguesa”. (PONTES, 1995, p. 36).
Pontes (1995) destaca ainda, como sendo uma das características principais deste 
método, sua apreensão histórica sistemática, na qual o método necessariamente dirige-se à 
gênese de qualquer fenômeno em estudo, buscando desvendar de forma empírica do fenômeno 
a raiz histórica de sua constituição, os processos que o constituíram e este enquanto partícipe 
dos processos. Segundo o autor, a concepção dialética determina a intenção e a ação de 
compreender as condições que engendraram “os processos históricos e os sujeitos destes 
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processos nas suas particularidades e potencialidades”. (PONTES, 1995, p. 66) 
O método dialético exprime o caminho metodológico através de aproximações 
sucessivas, representando uma sempre tendencial busca da totalidade, sem, todavia, alcançá-
la, como no saber absoluto hegeliano.
No Serviço Social é possível perceber inúmeras pesquisas contemporâneas que 
abordam tal método. Faz-se uso das suas principais categorias, no sentido de desvelar o 
cotidiano e compreender as relações que se estabelecem dentre os sujeitos sociais.
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Para ampliar seus conhecimentos referentes 
aos métodos nas ciências sociais, indicamos 
que se assista ao seguinte filme:
O Óleo de Lorenzo (Lorenzo’s Oil). Direção: 
George Miller. EUA, 1992.
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Na sua opinião, qual a contribuição de Marx para a pesquisa nas 
ciências humanas e sociais?
LEITURA COMPLEMENTAR
O MATERIALISMO HISTÓRICO-DIALÉTICO E A EDUCAÇÃO
Marília Freitas Campos Pires
Karl Marx, alemão, filósofo, economista, jornalista e militante político, viveu em vários 
países da Europa no século XIX de 1818 a 1883. Na busca de um caminho epistemológico, 
ou de um caminho que fundamentasse o conhecimento para a interpretação da realidade 
histórica e social que o desafiava, superou (no sentido de incorporar e ir além) as posições 
de Hegel no que dizia respeito à dialética e conferiu-lhe um caráter materialista e histórico. 
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Para o pensamento marxista, importa descobrir as leis dos fenômenos de cuja investigação 
se ocupa; o que importa é captar, detalhadamente, as articulações dos problemas em estudo, 
analisar as evoluções, rastrear as conexões sobre os fenômenos que os envolvem. Isto, para 
este pensador, só foi possível a partir da reinterpretação do pensamento dialético de Hegel. 
A separação sujeito-objeto, promovida pela lógica formal, não satisfazia a estes pensadores 
que, na busca da superação desta separação, partiram de observações acerca do movimento 
e da contraditoriedade do mundo, dos homens e de suas relações.
A lógica formal não consegue explicar as contradições e amarra o pensamento, 
impedindo-lhe o movimento necessário para a compreensão das coisas. Se o mundo é dialético 
(se movimenta e é contraditório) é preciso um método, uma teoria de interpretação, que consiga 
servir de instrumento para a sua compreensão, e este instrumento lógico pode ser o método 
dialético tal qual pensou Marx.
O método dialético que desenvolveu Marx, o método materialista histórico dialético, é 
método de interpretação da realidade, visão de mundo e práxis.1 A reinterpretação da dialética 
de Hegel (colocada por Marx de cabeça para baixo), diz respeito, principalmente, à materialidade 
e à concreticidade. Para Marx, Hegel trata a dialética idealmente, no plano do espírito, das 
ideias, enquanto o mundo dos homens exige sua materialização.
É com esta preocupação que Marx deu o caráter material (os homens se organizam na 
sociedade para a produção e a reprodução da vida) e o caráter histórico (como eles vêm se 
organizando através de sua história). A partir destas preocupações, Marx desenvolve o método 
que, no entanto, não foi sistematicamente organizado para publicação. Podemos encontrar 
elementos para a compreensão do método nos primeiros escritos de Marx, como na Ideologia 
Alemã e nos Manuscritos Econômicos Filosóficos, por exemplo, mas é em O Capital, sua 
mais importante obra, que encontraremos, não uma exposição do método, mas sua aplicação 
nas análises econômicas ali empreendidas. A Contribuição à Crítica da Economia Política, 
texto introdutório de O Capital, talvez seja o texto de Marx que mais se aproxima de uma 
sistematização do método. Além disso, muitos estudos têm sido empreendidos neste século 
para a identificação e análise da metodologia do pensamento marxista, como Gramsci (1991); 
Kosik (1976); Kopnin (1978); Ianni (1985); Konder (1981, 1991); Frigotto (1989); Limoeiro 
(1991), entre outros.
O método materialista histórico-dialético caracteriza-se pelo movimento do pensamento 
através da materialidade histórica da vida dos homens em sociedade, isto é, trata-se de descobrir 
(pelo movimento do pensamento) as leis fundamentais que definem a forma organizativa dos 
homens durante a história da humanidade.
O princípio da contradição, presente nesta lógica, indica que para pensar a realidade 
é possível aceitar a contradição, caminhar por ela e apreender o que dela é essencial. Neste 
caminho lógico, movimentar o pensamento significa refletir sobre a realidade partindo do 
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empírico (a realidade dada, o real aparente, o objeto assim como ele se apresenta à primeira 
vista) e, por meio de abstrações (elaborações do pensamento, reflexões, teoria), chegar ao 
concreto: compreensão mais elaborada do que há de essencial no objeto, objeto síntese de 
múltiplas determinações, concreto pensado. Assim, a diferença entre o empírico (real aparente) 
e o concreto (real pensado) são as abstrações (reflexões) do pensamento que tornam mais 
completa a realidade observada. Aqui, percebe-se que a lógica dialética do método não 
descarta a lógica formal, mas lança mão dela como instrumento de construção e reflexão para 
a elaboração do pensamento pleno, concreto. Desta forma, a lógica formal é um momento da 
lógica dialética; o importante é usá-la sem esgotar nela e por ela a interpretação da realidade.
FONTE: Disponível em: <http://www.formacao.org.br/docs/artigo_materialismo.pdf>. Acesso em: 20 
out. 2010.
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Neste tópico vimos que:
● O conjunto de procedimentos intelectuais e técnicos usados pela investigação científica para 
atingir seus objetivos denomina-se: Método Científico.
● O método científico é uma abordagem de conhecimento apta para permitir uma informação 
válida e fidedigna sobre fenômenos completos.
● Os métodos que fornecem as bases lógicas à investigação são: dedutivo, indutivo, hipotético-
dedutivo, dialético e fenomenológico.
● O Método Dedutivo pressupõe que só a razão é capaz de levar ao conhecimento verdadeiro.
● O Método Indutivo considera que o conhecimento é fundamentado na experiência, não 
levando em conta princípios preestabelecidos.
● No Método Hipotético-Dedutivo procuram-se evidências empíricas para derrubar as hipóteses 
formuladas.
● O Método Dialético defende que as contradições se transcendem, dando origem a novas 
contradições que passama requerer solução.
● O Método Fenomenológico preocupa-se com a descrição direta da experiência, tal como 
ela é.
● O caminho metodológico, para Marx, passa a ser decorrência necessária da natureza da 
sociedade capitalista.
● Só existe a dialética se existir movimento; e só há movimento se existir processo histórico: 
história.
● A dialética é, portanto, um processo complexo que pressupõe movimento de “reflexão-
análise-ação” sobre os fenômenos do real, tendo por finalidade a transformação.
● A concepção dialética determina a intenção e a ação de compreender as condições que 
engendraram os processos históricos e os sujeitos destes processos nas suas particularidades 
e potencialidades.
RESUMO DO TÓPICO 3
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1 Defina o que são Ciências Sociais.
2 Destaque as principais características do método fenomenológico.
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A PESQUISA SOCIAL
1 INTRODUÇÃO
2 DEFINIÇÃO E FINALIDADE DA PESQUISA SOCIAL
TÓPICO 4
UNIDADE 1
Com o intuito de ampliar a compreensão referente à pesquisa social, este tópico 
apresentará a definição, assim como a finalidade desta, no atual contexto societário. São 
também abordados os níveis de pesquisa social, o papel do pesquisador e, por fim, os aspectos 
metodológicos que envolvem a pesquisa neste âmbito.
Dentre as diferentes formas de pesquisa social, a partir de agora daremos atenção 
especial à pesquisa social. Destacaremos, neste item, a definição e a finalidade da pesquisa 
social. 
Conforme já dito, a pesquisa tem importância fundamental no campo das ciências 
sociais, principalmente na obtenção de soluções para problemas coletivos. Silva & Menezes 
(2001, p. 6) definem que a pesquisa social configura-se enquanto “o tipo de pesquisa que 
busca respostas de fenômenos que são apresentados por grupos sociais”. No Serviço Social 
ela contribui para a aproximação junto às diferentes expressões da questão social, as quais 
fundamentam a prática profissional.
Considera-se então que a pesquisa social está totalmente voltada para o ser humano, 
tendo este como principal objeto de investigação, independentemente do objetivo almejado. 
Em função dessa característica, Silva & Menezes (2001, p. 6) destacam que a pesquisa social 
encontra-se “permeada de subjetividades que são geradas pelo contexto, isso quer dizer que 
ela focaliza os fenômenos emergentes das relações sociais e suas principais representações”.
Tais elementos são evidentes na pesquisa realizada no Serviço Social. O pesquisador se 
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aproxima tanto dos fenômenos como das relações sociais que emergem no cotidiano da prática.
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Pesquisa social é toda pesquisa que busca respostas de um grupo 
social.
FONTE: Disponível em: <http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/
met04.htm>. Acesso em: 20 out. 2010.
Torna-se importante salientar que a definição de um conceito para a pesquisa social deve 
estar historicamente embasada, tendo total compreensão de todas as contradições e conflitos 
que possam estar presentes nessa trajetória Dessa forma, torna-se impossível determinar um 
significado conceitual estático, imutável ou determinado. 
Silva & Menezes (2001, p. 6) relevam o caráter extremamente complexo da pesquisa, que 
se compromete em investigar “os fenômenos sociais próprios de uma determinada realidade, 
em um contexto, abrangendo questões históricas, políticas e culturais”. Na pesquisa realizada 
no Serviço Social, categorias como a historicidade, a qual aborda o resgate histórico permeado 
pelas culturas de diferentes sociedades, são fundamentais para a compreensão da realidade 
aparente. Daí a importância da imersão junto deste contexto social que se apresenta, o qual 
a pesquisa social prioriza.
FONTE: Disponível em: <http://www.diaadia.pr.gov.br/multimeios/arquivos/
Image/multimeios_na_escola/pesquisa/dica_pesquisa_a.jpg>. Acesso 
em: 29 set. 2010.
FIGURA 10 – O PESQUISADOR
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Segundo Goldemberg (1999, p. 44), torna-se necessário que a pesquisa social preencha 
os seguintes requisitos: “existência de uma pergunta que se deseja responder; a elaboração de 
um conjunto de passos que permitam chegar à resposta; a indicação do grau de confiabilidade 
na resposta obtida.”
Tais princípios são também elementos fundamentais nas pesquisas realizadas no 
Serviço Social. Tudo se inicia por um problema, uma questão a ser resolvida. A busca pelas 
respostas se dará através de um caminho metodológico, para então se chegar à possibilidade 
de respostas confiáveis.
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1 Na sua opinião, o que é pesquisa social?
2 Qual o objeto de investigação da pesquisa social?
3 NÍVEIS DE PESQUISA SOCIAL
A pesquisa social apresenta diferentes níveis, os quais variam conforme a finalidade 
proposta pelo estudo. Eles podem ser classificados da seguinte forma:
● Pesquisa Exploratória.
● Pesquisa Descritiva. 
● Pesquisa Explicativa.
Cada uma delas será descrita a seguir, com base em Silva & Menezes (2001).
FONTE: Disponível em: <http://4.bp.blogspot.com/_5w7Fz_h2xQg/
TQsfxTzdZnI/AAAAAAAAHeU/dd5Y_-9tTIE/s1600/CN
Pq+Programa+Pesquisador+na+Empresa+%2528Rh
ae%2529+2010.jpeg>. Acesso em: 29 set. 2010.
FIGURA 11 – O PESQUISADOR
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a) Pesquisa Exploratória
A pesquisa exploratória consiste no desenvolvimento de estudos que dão uma visão 
global do fato ou fenômeno estudado. Pode também ser definida como o “primeiro passo” de 
todo o trabalho científico. 
Este tipo de pesquisa tem por finalidade, especialmente quando se trata de pesquisa 
bibliográfica:
● Proporcionar maiores informações sobre determinado assunto.
● Facilitar a delimitação de uma temática de estudo.
● Definir os objetivos ou formular as hipóteses de uma pesquisa.
● Descobrir um novo enfoque para o estudo que se pretende realizar.
Silva & Menezes (2001, p. 7) dizem que, na maioria dos casos, a pesquisa exploratória 
envolve: “levantamento bibliográfico; entrevistas com pessoas que tiveram experiências 
práticas com o problema pesquisado; análise de exemplos que estimulem a compreensão do 
fato estudado.”
É através da pesquisa exploratória que se avalia a possibilidade de se desenvolver 
um estudo inédito e interessante sobre uma determinada temática. Dessa forma, este tipo de 
pesquisa tem como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a 
torná-lo mais explícito. 
Gil (1999) complementa dizendo que a pesquisa exploratória constitui um estudo 
preliminar ou preparatório para um outro tipo de pesquisa. Para o autor, embora o planejamento 
da pesquisa exploratória seja bastante flexível, quase sempre ela assume a forma “de pesquisa 
bibliográfica ou estudo de caso” (GIL, 1999, p. 54). Cada uma delas se explica a seguir:
● Pesquisa bibliográfica: procura explicar um problema a partir de referências teóricas, 
publicadas em documentos. Abrange sempre toda a bibliografia já tornada pública em relação 
ao tema de estudo, desde publicações avulsas, boletins, jornais, revistas, livros, pesquisas, 
monografias, teses, material cartográfico, como também, meios de comunicação. (GIL, 1999)
● Estudo de Caso: é caracterizado pelo estudo profundo e exaustivo de um, ou de poucos 
objetos, de maneira que permita a investigação de seu amplo e detalhado conhecimento. 
Embora este tipo de estudo se processe de forma relativamente simples, pode exigir do 
pesquisador um nível de capacitação mais elevado que o requerido para outros tipos 
de delineamento, devido à dificuldade de generalização dos resultados obtidos, quando 
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a unidade escolhida para a investigação for bastante anormal em relação às muitas de 
sua espécie. Gil (1999) destaca, também, que este estudo se caracteriza por grande 
flexibilidade,sendo impossível estabelecer um roteiro rígido que determine com precisão 
como deverá ser desenvolvida a pesquisa. Porém, na maioria dos estudos de caso, é 
possível distinguir as seguintes fases: delimitação da unidade-caso; coleta de dados; 
análise e interpretação dos dados; e redação do relatório. 
FONTE: Disponível em: <http://www.unilestemg.br/fapemig/formularios_fapemig/demaisformularios/
formestruturaprojetopesqu.doc>. Acesso em: 20 out. 2010.
Com base nestas considerações, tem-se que a pesquisa exploratória emerge como 
um ponto inicial de todas as pesquisas realizadas no Serviço Social. Quando o pesquisador 
se propõe a delimitar seu estudo em algum fenômeno social (a violência, por exemplo), esta 
carece de todo um estudo inicial, com base em materiais bibliográficos ou estudos de caso 
sobre a temática, para uma maior aproximação com o mesmo.
b) Pesquisa Descritiva
Segundo Amaral (2008), a pesquisa descritiva é abrangente, permitindo uma análise 
aprofundada do problema de pesquisa em relação aos aspectos sociais, econômicos, políticos, 
percepções de diferentes grupos, comunidades, entre outros aspectos. Tem por objetivo 
“observar, registrar, analisar, classificar e interpretar os fatos, ou fenômenos (variáveis), sem 
que o pesquisador interfira neles, ou os manipule” (AMARAL, 2008, s/p).
No Serviço Social, a pesquisa descritiva apresenta-se como estratégia fundamental para 
desvelar as particularidades sobre determinado fenômeno. É através da pesquisa descritiva 
que se pode perceber as particularidades sobre o cotidiano social que se apresenta.
Amaral (2008) explica que a pesquisa descritiva procura, fundamentalmente, a descrição 
das características de determinada população ou fenômeno. E, ainda, “o estabelecimento de 
relações entre variáveis, isto é, aquelas que visam estudar as características de um grupo: 
sua distribuição por idade, sexo, procedência, nível de escolaridade, estado de saúde física e 
mental, e outros” (AMARAL, 2008, s/p).
No Serviço Social, compreender a realidade vivenciada por uma determinada população 
usuária, assim como as particularidades deste fenômeno, torna-se princípio fundamental, que 
dará embasamento para a continuidade do estudo em questão. É através da pesquisa descritiva 
que se pode descobrir, com a precisão possível, a frequência com que um fenômeno ocorre, 
sua relação e conexão com os outros, sua natureza e características. 
Conforme destaca Gil (1999), são inúmeros os estudos que podem ser classificados 
como pesquisa descritiva, e uma de suas características mais significativas é a “utilização de 
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técnicas padronizadas de coletas de dados, tais como o questionário e a observação sistemática, 
e instrumentos como a observação e o formulário” (GIL, 1999, p. 56). 
No Serviço Social tais técnicas são corriqueiramente utilizadas, as quais facilitam a 
aquisição de informações sobre a população usuária ou o fenômeno em estudo. 
No cotidiano prático, a pesquisa descritiva pode assumir diversas formas e, de um modo 
geral, assume a forma de um levantamento, sendo mais realizada por pesquisadores das áreas 
de ciências humanas e sociais, preocupados com a atuação prática. É também utilizada por 
instituições educacionais, partidos políticos, empresas e outras organizações. (AMARAL, 2008)
Por fim, destaca-se que algumas pesquisas descritivas vão além da simples identificação 
da existência de relações entre variáveis, objetivando determinar a natureza dessa relação, 
aproximando-se, assim, da pesquisa explicativa. Esta será explicada a seguir.
c) Pesquisa Explicativa
Compreende-se que a pesquisa explicativa é ainda mais aprofundada, tendo como 
principal objetivo a identificação dos fenômenos, buscando explicações para os fatores que 
contribuem para a ocorrência desses fenômenos (AMARAL, 2008).
Segundo Amaral (2008, s/p), tem por objetivo principal, além de registrar, analisar e 
interpretar os fenômenos estudados, “identificar os fatores que determinam, ou que contribuem, 
para a ocorrência dos fenômenos, isto é, suas causas”. Na concepção do autor, este é o tipo 
de pesquisa que mais aprofunda o conhecimento da realidade, porque explica a razão e o 
porquê das coisas.
Esta pesquisa é muito utilizada no Serviço Social, a partir do momento que se tem 
por princípio aprofundar o porquê, assim como a relação de determinados fenômenos que se 
apresentam no cotidiano social.
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1 O que são níveis de pesquisa?
2 Na sua opinião, qual o nível de pesquisa mais apropriado para a 
pesquisa social? Por quê?
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4 O PAPEL DO PESQUISADOR NA PESQUISA SOCIAL
Quando se trata do papel do pesquisador nas pesquisas sociais, inicialmente 
contextualizam-se alguns atributos pessoais, considerados essenciais para a prática deste 
junto do campo investigativo.
Para Gil (1999), um bom pesquisador necessita, além do conhecimento do assunto, ter 
curiosidade, criatividade, integridade intelectual e sensibilidade social.
Tais atributos apresentam-se como essenciais para o Assistente Social pesquisador. 
Dentre os apresentados, a aproximação com a temática seria um princípio inicial e principal 
para contribuir na constante busca de respostas para o problema identificado.
Para Amaral (2008, p. 4), são igualmente importantes “a humildade, para ter atitude 
autocorretiva, a imaginação disciplinada, a perseverança, a paciência e a confiança na 
experiência”.
Destes, destaca-se a perseverança como princípio fundamental para o Assistente 
Social pesquisador. Inúmeros são os “obstáculos epistemológicos” que emergem no cotidiano 
da pesquisa, e busca incessante pelo novo saber apresenta-se como requisito primordial para 
o pesquisador.
Silva & Menezes (2001) advertem que, atualmente, o sucesso como pesquisador está 
vinculado, cada vez mais, à sua capacidade de captar recursos, enredar pessoas para trabalhar 
em sua equipe e fazer alianças que proporcionem a tecnologia e equipamentos necessários 
para o desenvolvimento da pesquisa. “Quanto maior for o prestígio e reconhecimento obtidos 
pelas publicações, maior será o poder de persuasão e sedução no processo de fazer aliados” 
(SILVA; MENEZES, 2001, p. 16).
Tais questões também emergem na prática da pesquisa no Serviço Social. A capacidade 
do profissional em interagir com diferentes áreas de estudo, assim como desenvolver o constante 
saber, através da socialização de suas descobertas, contribuem para a posição de destaque 
do profissional no âmbito da prática na pesquisa. 
Ressalta-se, em relação ao pesquisador, a profunda necessidade de estar avaliando os 
efeitos e as consequências de sua pesquisa sobre os envolvidos, independente de qual seja 
a especificidade de seu estudo. O trabalho deve sempre estar voltado para a preservação da 
dignidade do sujeito ou dos grupos sociais.
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FONTE: Disponível em: <http://ead.mackenzie.br/mackenzievirtual/file.php/1/
imagens/research.jpg>. Acesso em: 20 out. 2010.
É imprescindível que o pesquisador social consiga ter uma aproximação direta com 
os aspectos que representam a ampla rede de atitudes investigativas. Uma das principais 
aproximações necessárias é com o universo teórico que embasa a compreensão do fenômeno 
estudado, visando contemplar espaços que exigem novos olhares para que seu significado 
seja conhecido, já que se configuram enquanto fenômenos pouco estudados.
É possível destacar como fundamental no pesquisador a habilidade de se vincular e 
interagir com a população e o contexto estudado, o que representa maturidade nas relações, 
manutenção do foco de ação e prevenção de qualquer risco voltado para a segurança do sujeito.
Para Bunge (1976, p. 9), torna-se fundamental que o pesquisador “elabore um código 
de ética próprio, capaz de conscientizá-lo a respeito de seu compromisso com os participantes 
e demaisenvolvidos no processo investigatório”. Nesse sentido, ele teria maior preparo para 
o desenvolvimento de manejo adequado diante de situações inesperadas, gerando equilíbrio, 
através de maior reconhecimento das necessidades que serão apresentadas, evitando assim 
o comprometimento do resultado da sua pesquisa.
No Serviço Social a ética na pesquisa é primordial, já que o profissional estará interagindo 
com usuários, situações complexas da realidade cotidiana. Na Unidade 2 deste Caderno 
aprofundaremos o estudo referente à ética e à pesquisa no Serviço Social.
FIGURA 12 – O PESQUISADOR
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5 ETAPAS METODOLÓGICAS DA PESQUISA SOCIAL
A pesquisa social apresenta, assim como outras áreas, etapas metodológicas que 
otimizam a realização do estudo e aquisição de respostas ao problema identificado. Realizar 
uma pesquisa com rigor científico pressupõe que o pesquisador escolha um tema e defina 
um problema para ser investigado, que se elabore um plano de trabalho e, após a execução 
operacional desse plano, escreva um relatório final e este seja apresentado de forma planejada, 
ordenada, lógica e conclusiva.
Silva & Menezes (2001, p. 22) dizem que o planejamento de uma pesquisa dependerá 
basicamente de três fases, que seriam:
a) Fase decisória: referente à escolha do tema, à definição e à delimitação do 
problema de pesquisa.
b) Fase construtiva: referente à construção de um plano de pesquisa e à exe-
cução da pesquisa propriamente dita.
c) Fase racional: referente à análise dos dados e informações obtidas na fase 
construtiva. Consiste na organização das ideias, de forma sistematizada, 
visando à elaboração do relatório final. 
Tais fases apresentam-se como primordiais para a condução de um estudo, inclusive no 
Serviço Social. Desde a escolha do tema até a elaboração de um relatório final, o pesquisador 
vivencia etapas metodológicas que direcionarão o estudo e contribuirão para a aquisição de 
novos saberes.
FONTE: Disponível em: <http://unisinos.br/blog/cidadania/files/2009/08/
Pesquisa-Ilustracao.jpg>. Acesso em: 20 out. 2010.
Seguindo a mesma linha, Marconi & Lakatos (2000) definem que a pesquisa ocorre 
através de quatro etapas: Preparação da Pesquisa; Fases da Pesquisa; Execução da Pesquisa, 
e, por fim, o Relatório da Pesquisa.
FIGURA 13 – O PESQUISADOR
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Tais etapas, seguidas pelas subetapas, são descritas no quadro a seguir:
Etapas da 
Pesquisa Subfases Descrição
1. Preparação 
da Pesquisa
1.1 Decisão Momento de tomar a decisão de realizar a 
pesquisa.
1.2 Especificação dos objetivos Define o que se vai procurar e o que se 
pretende alcançar.
1.3 Elaboração de um esquema Auxilia o pesquisador a conseguir uma 
abordagem mais objetiva, imprimindo uma 
ordem lógica ao trabalho.
1.4 Constituição da equipe de 
trabalho
Recrutamento e treinamento de pessoas que 
serão necessárias para a pesquisa.
1.5 Levantamento de recursos e 
cronograma
Previsão de gastos a serem feitos durante a 
sua ocorrência.
2. Fases da 
Pesquisa
2.1 Escolha do tema É o assunto que deseja se estudar e pesquisar.
2.2 Levantamento de dados Fase da obtenção dos dados.
2.3 Formulação do problema Especificar um problema em dados previstos 
e exatos.
2.4 Definição dos termos Tornar os termos claros, compreensivos, 
objetivos e adequados.
2.5 Construção de hipóteses Função de propor explicações para certos 
fatos. Orienta a busca de outras informações.
2.6 Indicação de variáveis Definem-se as variáveis que irão conduzir a 
análise da pesquisa.
2.7 Delimitação da pesquisa Estabelecem-se limites para a investigação.
2.8 Amostragem Cons i s t e em e lenca r uma pa rce la 
convenientemente selecionada do universo.
2.9 Seleção de métodos e técnicas Devem ser selecionados desde a proposição 
do problema.
2.10 Organização do instrumental 
de observação
Elaboração fundamental para a etapa de coleta 
de dados.
2.11 Teste dos instrumentos/ 
procedimentos
Serve para averiguar a val idade dos 
instrumentos.
3. Execução da 
Pesquisa
3.1 Coleta de dados Etapa na qual inicia a apl icação dos 
instrumentos elaborados e das técnicas 
selecionadas.
3.2 Elaboração dos dados Elaboram-se e classificam-se os dados 
coletados.
3.3 Análise e interpretação dos 
dados
Núcleo central da pesquisa.
3.4 Representação dos dados Método estatístico sistemático de apresentar 
os dados em colunas verticais ou fileiras 
horizontais.
3.5 Conclusões Explicita os resultados finais considerados 
relevantes.
4. Relatório da 
Pesquisa
Relatório da Pesquisa Exposição geral da pesquisa.
FONTE: Adaptado de: Marconi; Lakatos (2000)
QUADRO 1 – ETAPAS DA PESQUISA
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Considera-se o seguinte quadro como sendo um modelo a ser seguido, e compreendido 
metodologicamente na elaboração de pesquisa na área social. Destaca-se que as etapas não 
são separadas ou distintas. Foram aqui apresentadas neste formato com o intuito de clarear 
metodologicamente cada uma das fases e subfases da realização de uma pesquisa. Cada 
uma delas pode se interpor, já que se considera que o processo da pesquisa é dinâmico e, 
principalmente, capaz de sofrer constantes alterações, já que o objeto de estudo se fundamenta 
no contexto social.
Destaca-se, sim, que o processo é contínuo. A partir da realização da finalização 
de um estudo, este pode servir para a elaboração de novas pesquisas, já que a ciência e o 
conhecimento estão em constante reformulação, e assim se consolida, também, no Serviço 
Social. 
Na próxima unidade aprofundaremos a relação da pesquisa e o Serviço Social. Bons 
estudos e até lá.
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Caro(a) Acadêmico(a), as etapas envolvidas no planejamento de 
uma pesquisa, enfocando o Serviço Social, estarão detalhadas 
na Unidade 3 deste Caderno de Estudos.
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Como forma de ampliar os conhecimentos 
referentes à questão da pesquisa, sugere-
se o seguinte filme: 
Blade Runner, o caçador de androides. 
EUA, 1982.
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Na sua opinião, qual a etapa metodológica mais importante para 
a pesquisa social?
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LEITURA COMPLEMENTAR
A FORMAÇÃO DO ALUNO PESQUISADOR
Eliana Ulhôa
Mayra Miranda Araújo
Vanessa Nagem Araújo
Dácio Guimarães Moura
Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais - CEFET-MG
[...]
A educação contemporânea não deve se limitar a formar alunos para dominar 
determinados conteúdos, mas sim que saibam pensar, refletir, propor soluções sobre problemas 
e questões atuais, trabalhar e cooperar uns com os outros. A escola deve favorecer a formação 
de seres críticos e participativos, conscientes de seu papel nas mudanças sociais.
O mundo atual, com tantas mudanças e novas demandas, exige, dos indivíduos, 
habilidades e atitudes diferentes das observadas em épocas anteriores. 
Uma experiência que visa cumprir com esse objetivo da formação do pesquisador são 
as feiras de ciências.
Bochinski (1996) relata as experiências vividas com feiras de ciências, nas quais se 
procura aplicar o método científico. Os alunos são estimulados a realizar projetos científicos e 
a expor os mesmos nas feiras. Segundo a autora, as feiras permitem que o aluno tenha uma 
experiência concreta, hands-on, e conhecimento em um campo, independente de estudo. Além 
disso, o aluno faz uso de suas próprias ideias ou de um tópico preparado pelo instrutor para 
investigar problemas científicos que lhe interessem.
Moura (1995) relata que o CEFET–MG vem, também, desenvolvendo, desde 1977, a 
Mostra Específica de Trabalhos e Aplicações (META), com apresentação de projetos e trabalhos 
práticos desenvolvidos por alunos de seus cursos técnicos de 2º grau e cursos de Engenharia. 
Segundo o autor, os trabalhos a serem apresentados podem ser classificados nas seguintes 
categorias: trabalhos explicativos (oudidáticos), voltados para o objetivo de ilustrar, aplicar, 
mostrar os princípios científicos de funcionamento de certos objetos, máquinas, mecanismos e 
sistemas; trabalhos construtivos, que estão relacionados à construção de algo com o objetivo 
de introduzir uma inovação e, por último, os trabalhos investigativos, que se referem à pesquisa 
em torno de problemas e situações do mundo, buscando soluções para os mesmos.
Porém, segundo relato do mesmo autor, os projetos mais procurados pelos alunos do 
LACTEA têm sido os dois primeiros tipos. O trabalho investigativo, que é, justamente, o que 
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estimula a pesquisa científica, tem sido muito pouco realizado pelos alunos.
A que se deve tal fato? O que tem impedido os alunos do Ensino Médio a procurarem 
a pesquisa? Seria o fato de que não têm sido estimulados a fazê-la? Ou por não saberem 
realizá-la? As feiras de ciências, na atualidade, têm cumprido com esse papel, de estimular o 
aluno a ser um pesquisador?
Ao se retomar o histórico das feiras de ciências, é possível observar uma distorção nos 
objetivos das mesmas, descrita por alguns autores. Moura (1995) destaca que, nos anos 60, 
início das feiras de ciências no Brasil, no CECIMIG prevalecia a concepção de um ensino de 
ciências com ênfase no processo de investigação científica: “...possibilitar ao aluno a vivência 
do processo de investigação científica e a compreensão da sua importância ... buscando-se 
contribuir para a formação do espírito científico do aluno”.
Acabou-se, dessa forma, estereotipando os chamados “passos” ou “etapas” do propalado 
“método científico”, como: a observação do fenômeno, a formulação e o teste de hipóteses, a 
coleta, classificação e análise de dados e a conclusão da experiência. Porém, não se observava, 
por parte dos alunos, uma postura real de pesquisadores. Nas feiras, os alunos pareciam, 
muitas vezes, treinados em “recitar” esses “passos” durante a exposição de seus trabalhos.
Após esse período, as feiras perderam o ímpeto e muitas foram desativadas. Isso 
ocorreu decorrente de dúvidas sobre o ensino da Ciência com ênfase no processo e, também, 
reflexões sobre o “método científico” e o próprio saber científico. 
Hoje, as feiras de ciências voltaram com novos apelos e novas demandas e pode-se 
identificar uma relação direta entre essa retomada com um movimento, de âmbito internacional, 
de incentivo a exposições, mostras, feiras e museus interativos de Ciência e Tecnologia.
O mundo atual, caracterizado pelas mudanças e conquistas científicas e tecnológicas 
em um ritmo vertiginoso, não pode atribuir unicamente à escola a função de informar e educar 
o cidadão, pois essa apresenta uma habitual inércia e características específicas em seu 
ritmo educacional. As feiras de ciências apresentam-se como uma forma de contribuir para a 
formação desse cidadão.
Além disso, as feiras de ciências permitem, como prática pedagógica, a integração de 
dois ou mais componentes curriculares na construção do conhecimento. Como devem ser, nos 
dias de hoje, as feiras de ciências?
Wanderley (1999), em sua dissertação de mestrado, procurou mostrar os problemas 
decorrentes da tradicional ênfase na “formação do pequeno cientista” e discutiu sobre as 
origens e limitações dessa proposta. Procurou em seu trabalho estabelecer novas diretrizes 
pedagógicas e metodológicas que pudessem sustentar a realização de feira de ciências no 
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contexto dos dias atuais, mais adequados às demandas educacionais de uma sociedade em 
permanente transformação.
Buscou fundamentar as bases para uma nova proposta de realização de feiras de 
ciências enquanto espaço pedagógico favorável a aprendizagens múltiplas, tanto de seus 
participantes quanto de seus visitantes.
Hoje, já não se observa esse enfoque exagerado na formação do cientista mirim. Porém, 
observa-se, também, uma crescente diminuição do interesse na formação do pesquisador, do 
cientista. Essa formação, como enfatizam diversos autores, é muito importante para o indivíduo 
do novo milênio. Ao mesmo tempo, surge a reflexão proposta por Weber (1963) quando fala 
sobre a vocação que o indivíduo tem ou não para a Ciência. Essa vocação deve ser respeitada 
ao se objetivar formar verdadeiros pesquisadores.
Daí a relevância que adquire o tema da formação do aluno pesquisador, buscando-
se compreender os motivos que têm levado os alunos a optarem por outros caminhos que 
não o da pesquisa, verificando em que medida torna-se possível a realização de um projeto 
interdisciplinar para a formação do aluno pesquisador desde o Ensino Médio, favorecendo a 
formação do futuro cientista, do futuro pesquisador. 
FONTE: Disponível em: <http://www.senept.cefetmg.br/galerias/Arquivos_senept/anais/terca_tema1/
TerxaTema1Artigo12.pdf>. Acesso em: 20 out. 2010.
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Neste tópico estudamos que:
● A pesquisa social está totalmente voltada para o ser humano, tendo este como principal 
objeto de investigação, independentemente do objetivo almejado.
● Pesquisa social é toda pesquisa que busca respostas de um grupo social.
● Com o intuito de que seu estudo seja considerado científico, deve-se obedecer aos critérios 
de coerência, consistência, originalidade e objetivação.
● Os níveis de pesquisa variam conforme a finalidade proposta pelo estudo e são classificados 
como: Pesquisa Exploratória, Pesquisa Descritiva, Pesquisa Explicativa.
● A pesquisa exploratória consiste em desenvolver estudos que dão uma visão global do fato 
ou fenômeno estudado.
● A pesquisa bibliográfica procura explicar um problema a partir de referências teóricas, 
publicadas em documentos.
● O estudo de caso é caracterizado pelo estudo profundo e exaustivo de um ou de poucos 
objetos, de maneira que permita a investigação de seu amplo e detalhado conhecimento.
● A pesquisa descritiva tem por objetivo observar, registrar, analisar, classificar e interpretar 
os fatos ou fenômenos (variáveis), sem que o pesquisador interfira neles ou os manipule. 
● A pesquisa explicativa é ainda mais aprofundada, busca explicações para os fatores que 
contribuem para a ocorrência dos fenômenos.
● Um bom pesquisador necessita, além do conhecimento do assunto, ter curiosidade, 
criatividade, integridade intelectual e sensibilidade social.
● Quanto maior for o prestígio e o reconhecimento obtidos pelas publicações, maior será o 
poder de persuasão e sedução no processo de fazer aliados.
● O planejamento de uma pesquisa dependerá basicamente de três fases, que seriam: 
Decisória, Construtiva e Racional.
● Pesquisa ocorre através de quatro etapas: Preparação da Pesquisa; Fases da Pesquisa; 
Execução da Pesquisa e Relatório da Pesquisa.
RESUMO DO TÓPICO 4
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1 Qual a finalidade da pesquisa social?
2 Quais as principais características da pesquisa exploratória?
3 Descreva quais são as etapas da pesquisa e aponte os procedimentos de cada uma 
delas.
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Prezado(a) acadêmico(a), agora que chegamos ao final da 
Unidade 1, você deverá fazer a Avaliação referente a esta unidade.
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UNIDADE 2
ELEMENTOS DA PESQUISA EM SERVIÇO 
SOCIAL
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
Nessa unidade vamos:
		conhecer a importância da pesquisa e da produção do conhecimento 
para a área do Serviço Social;
		identificar a importância da ética para a pesquisa no Serviço Social;
		clarificar sobre as atribuições e competências do Assistente Social 
pesquisador;
		conhecer os elementos que fazem parte de um projeto de pesquisa 
no Serviço Social.
TÓPICO 1 – PESQUISA E PRODUÇÃODO 
CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIAL
TÓPICO 2 – ÉTICA E PESQUISA NO SERVIÇO 
SOCIAL
TÓPICO 3 – ÁREAS DE ABRANGÊNCIA DA 
PESQUISA NO SERVIÇO SOCIAL
TÓPICO 4 – ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS DO 
ASSISTENTE SOCIAL PESQUISADOR
TÓPICO 5 – ELEMENTOS DE UM PROJETO DE 
PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
PLANO DE ESTUDOS
A Unidade 2 está dividida em cinco tópicos e, ao final de cada 
um deles, você terá a oportunidade de fixar seus conhecimentos 
realizando as atividades propostas. O conteúdo está assim dividido:
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PESQUISA E PRODUÇÃO DO 
CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIAL
1 INTRODUÇÃO
2 RESGATE HISTÓRICO DO SERVIÇO 
SOCIAL E A RELAÇÃO COM A PESQUISA
TÓPICO 1
UNIDADE 2
Iniciaremos este tópico resgatando a história do Serviço Social e sua relação com 
a pesquisa. Após, fundamentaremos a importância da pesquisa para o Serviço Social. 
Discutiremos também as particularidades da pesquisa nesta área. E, por fim, destacaremos o 
retorno e o alcance social das pesquisas no Serviço Social.
Observa-se que a pesquisa, em diferentes instâncias, tem se apresentado como 
instrumento fundamental para o Serviço Social. A pesquisa, segundo Silva (2008, [s./p.]), tem 
contribuído, então, para:
● avanços significativos em diferentes âmbitos da ação profissional, 
● na compreensão das políticas públicas, 
● na evolução da questão social em diferentes períodos históricos, 
● na construção da proposta curricular e definição dos seus fundamentos teóricos e 
metodológicos, 
● na consolidação do projeto ético-político profissional, dentre outros aspectos. 
A realização desta prática se dá respaldada no projeto ético e político profissional, o 
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qual é comprometido com os interesses coletivos dos cidadãos e com a construção de uma 
sociedade mais justa e igualitária. (BOURGUIGNON, 2008)
FONTE: Disponível em: <http://www.feevale.br/files/imagens/jpg/15283.
jpg>. Acesso em: 8 out. 2010.
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A pesquisa pode ser considerada um procedimento formal com 
método de pensamento reflexivo que requer um tratamento 
científico e se constitui no caminho para se conhecer a realidade 
ou para se descobrir verdades parciais. Significa muito mais do 
que apenas procurar a verdade: é encontrar respostas para as 
questões propostas, utilizando métodos científicos. (LAKATOS). 
FONTE: Disponível em: <http://falsidade.blogspot.com/2006/03/
conceito-de-pesquisa.html>. Acesso em: 9 fev. 2011.
Resgatar a pesquisa no âmbito da profissão carece que se delimitem dois períodos 
históricos de suma importância para o Serviço Social, que seriam as décadas de 1980 e de 1990. 
Na década de 1980 observa-se um período de amadurecimento da produção teórica 
profissional, no qual a Universidade passa a ser a principal protagonista deste processo.
Já a década de 1990 representa avanços quanto à consolidação do projeto ético-
político da categoria, o que resultou nas proposições destinadas à formação profissional 
e no direcionamento social da mesma. Aspectos estes que viriam a se consolidar para o 
desenvolvimento crítico e a definição da identidade profissional.
Compreende-se que é justamente nas décadas de 1980 e 1990 que se tem, para o 
Serviço Social, os maiores avanços e conquistas nos seus diferentes campos de ação. É 
neste período histórico, também, que a profissão se consolida como um espaço primordial de 
produção de conhecimento, em seu próprio âmbito e frente às demais áreas de conhecimento. 
FIGURA 14 – PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
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(BOURGUIGNON, 2007)
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Na sua opinião, qual a importância da pesquisa para o Serviço 
Social?
A seguir, destacam-se os principais eventos que propiciaram o avanço da pesquisa no 
Serviço Social nestes períodos históricos.
2.1 DÉCADA DE 1980
Bourguignon (2007, p. 8) destaca a década de 1980 como sendo aquela na qual se pode 
observar, de maneira mais sistemática, o debate acadêmico do Serviço Social, marcando um 
“processo de ruptura com o conservadorismo presente na constituição da profissão”. 
Para a autora, é durante esta década que se passa a reconhecer, no interior da profissão, 
uma pluralidade teórico metodológica, embora se tenha uma orientação marxista como 
direcionamento hegemônico para o projeto ético-político profissional. Esta orientação coloca 
como valor central os princípios de democracia, liberdade, justiça social e dignidade humana, 
os quais são definidos e explicitados do Código de Ética de 1993, constituindo-se num marco 
significativo para a profissão na década de 90. (BOURGUIGNON, 2007)
Os avanços obtidos na década de 1980 refletem o reencontro do Serviço Social consigo 
mesmo, no que se refere 
à busca de estabelecimento de novas bases para a compreensão do seu 
passado histórico, das particularidades de sua prática na sociedade mar-
cada por relações de classe, da sua relação com o Estado e com as forças 
da sociedade civil e de sua posição quanto às demandas sociais, cada vez 
mais complexas, situando-se no âmbito da divisão sociotécnica do trabalho. 
(BOURGUIGNON, 2007, p. 8)
Constata-se ainda que é neste período que o Serviço Social passa a enfrentar questões 
sobre as políticas sociais, em especial quanto à consolidação de políticas públicas nas áreas 
da seguridade social e do trabalho. Estas passam a ser pauta do debate da profissão, 
gerando produções acadêmicas que passam a dar visibilidade às temáticas, bem como à ação 
profissional desencadeada nestas áreas.
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Iamamoto (2005) concorda que a pesquisa no Serviço Social teve um longo impulso 
nos anos 1980. São diferentes os registros sobre encontros nacionais de pesquisa e/ou 
pesquisadores em Serviço Social, realizados no período de 1983 a 1990. Dentre os principais 
temas abordados destacam-se:
● Formação profissional.
● Movimentos sociais urbanos.
● Políticas sociais do Estado (principalmente a saúde e a assistência).
● História, teoria e metodologia do Serviço Social.
A partir destes avanços o Serviço Social passa a enfrentar, junto da sociedade civil 
organizada, os impasses, desafios e dilemas que a democracia, a cidadania e os direitos 
sociais colocam para a prática profissional, e, neste âmbito, em especial para a prática do 
Serviço Social.
Percebe-se que a maior parte dos temas de pesquisa dos anos 80, e que prosseguem 
abordadas nos anos 90, referem-se às políticas públicas e sua interface com o Estado. Tais 
avanços vão prosseguir na década seguinte, a qual será destacada a seguir.
FONTE: Disponível em: <http://1.bp.blogspot.com/_aHSn0InYAdo/
S0Jl0tQKfHI/AAAAAAAABIU/V9LacoQF7ZA/s400/mestrado.
jpg>. Acesso em: 8 out. 2010.
2.2 DÉCADA DE 1990
A partir da década de 1990 é possível observar que o campo de estudo avançou 
sobre a sociedade civil, os processos de gestão e controle das políticas públicas e o papel 
dos Conselhos de Direitos. É possível constatar, também, que ganhou ênfase o campo de 
FIGURA 15 – PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL 
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preocupação relativo aos usuários do Serviço Social e sua relação com as políticas públicas 
(BOURGUIGNON, 2007).
Compreende-se que um marco significativo na trajetória recente do Serviço Social 
consiste na regulamentação da LOAS, em 1993, a qual garante maioridade jurídica à assistência 
social, trazendo-a para o campo do Direito com responsabilização do Estado, e expressa a 
recusa da tradição clientelista, assistencialista e tutelar presente, ainda, em suas ações.
É a partir deste marco que a assistência social passa a adquirir estatuto de política 
pública e a enfrentar diferentes desafios, os quais Bourguignon (2007, p. 66) assim destaca:
● Superar a cultura marcada pelo assistencialismo.
● Avançar em relação ao processo de avaliação dagestão da política em suas 
diferentes instâncias.
● Consolidar um processo de controle social, com efetiva participação da 
sociedade civil.
● Assegurar o financiamento adequado à complexidade das ações de enfren-
tamento à pobreza, da garantia dos mínimos sociais, do desenvolvimento de 
ações de prevenção, de proteção e inclusão social.
● Repensar as ações destinadas às famílias de baixa renda, as quais preco-
nizam o caráter intersetorial e o rompimento com a segmentação da família 
em suas unidades. 
Conforme se observa, são inúmeros os desafios aos quais se apresentam para o Serviço 
Social no âmbito da pesquisa. Embora estes tenham emergido na década de 90, seguem 
contemporaneamente a se consolidar enquanto obstáculos a serem superados.
Também é no período de 1990 que se consolida o esforço na construção do Sistema 
Único de Assistência Social (SUAS), viabilizado pela Secretaria Nacional de Assistência Social 
e pelo Conselho Nacional de Assistência Social, em 2004. Tal implementação passa então a 
exigir um constante processo de acompanhamento e investigação por parte dos núcleos de 
estudos, dos profissionais e dos pesquisadores da área, relevando ainda mais a importância 
da pesquisa no Serviço Social.
Bourguignon (2007) destaca ainda que é na década de 1990 que passam a ter 
maior visibilidade as diversas formas de expressão da questão social, havendo um grande 
esforço teórico-crítico no sentido de apreendê-las no movimento contraditório da sociedade, 
possibilitando, dessa forma, uma maior consistência à prática profissional no enfrentamento 
destas expressões. 
E é em meio a este movimento das transformações societárias, assim como na forma 
inerente no movimento de repensar a profissão, que ocorre um processo de construção e 
afirmação de um projeto ético-político do Serviço Social comprometido com a cidadania e 
renovador na formação profissional. 
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A partir deste momento, a formação profissional passa a se direcionar para:
 
[...] o desenvolvimento de uma competência teórico-metodológica de natu-
reza pluralista, orientada pela tradição marxista. Nesta ênfase, a formação 
profissional funda-se então na interlocução com o conjunto de conhecimento 
científico acumulado pelas diversas áreas das ciências humanas e sociais, 
fazendo uso, em diferentes momentos, do diálogo com as vertentes clássicas. 
(BOURGUIGNON, 2007, p. 22)
São estes os avanços que irão contribuir para uma maior relevância da pesquisa no 
Serviço Social. Está sempre embasada em princípios éticos que procuram desvelar o contexto 
social que se apresenta enquanto contraditório e carente de respostas condizentes às mazelas 
que se apresentam no cotidiano.
Observa-se que em sua constituição histórica, o Serviço Social estabelece um diálogo 
crítico com outras áreas do conhecimento, sendo importante interlocutora no campo das reflexões 
sobre a questão social e enfrentamento através das políticas públicas (BOURGUIGNON, 2007).
E em meio a esta trajetória de avanços e conquistas, a pesquisa tem sido privilegiada, 
estimulando a atitude investigativa na postura e no exercício profissional. Mais recentemente, 
destacam-se então as ações, os eventos acadêmicos, as discussões e produções dos 
profissionais em diferentes campos da atuação profissional, o que tem consolidado a prática 
do Assistente Social.
Iamamoto (2005) ressalta que é na década de 1990 que se assiste a uma diversificação 
temática no campo da pesquisa em Serviço Social, o qual pode ser refletido pelas comunicações 
apresentadas em diferentes congressos que envolviam a categoria profissional, tendo como 
principais temas:
● A seguridade social pública e privada.
● Assistência social.
● Saúde nas relações de trabalho.
● Formação profissional do assistente social.
● Serviço Social ante as relações de gênero e etnia.
● Dimensão ética da prática do assistente social.
● Serviço Social ante a política de habitação e saneamento.
● Movimentos sociais rurais e urbanos na atualidade.
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● Prática do Serviço Social junto à população idosa.
● Desafios teórico-políticos do Serviço Social ante o neoliberalismo.
Tais temáticas também podem ser refletidas nas teses de doutorado, dissertações 
de mestrado e outras produções no Serviço Social. Muito se tem avançado, e a pesquisa 
constitui-se o principal fundamento para a consolidação da prática profissional fundamentada 
em elementos que procuram contribuir com o amadurecimento da profissão. 
No próximo item daremos o devido destaque para a importância da pesquisa no Serviço 
Social.
FONTE: Disponível em: <http://4.bp.blogspot.com/_k0IVHs07nGc/
ScFCRlL27hI/AAAAAAAAAiE/Jxf3ejxDGyc/s320/Como+es
crever+uma+reda%C3%A7%C3%A3o.jpg>. Acesso em: 8 
out. 2010.
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Em sua opinião, qual a importância da pesquisa para a prática do 
Assistente Social?
3 IMPORTÂNCIA DA PESQUISA NO SERVIÇO SOCIAL
Bourguignon (2007, p. 14) define que o ato de pesquisar consiste num “exercício 
sistemático de indagação da realidade observada, onde se busca conhecimento que 
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supere o entendimento imediato”. A pesquisa passa a ter um fim determinado e fundamenta 
e instrumentaliza o profissional a desenvolver práticas comprometidas com mudanças 
significativas, no contexto em que se insere e em relação à qualidade de vida dos sujeitos 
(BOURGUIGNON, 2007).
Percebe-se que o Serviço Social como profissão sócio-histórica tem em sua natureza 
a pesquisa como meio de construção de um conhecimento comprometido com as demandas 
específicas da profissão e com as possibilidades de seu enfrentamento. 
É possível perceber ainda que, ao mesmo tempo em que se apresenta como uma 
possibilidade de objetivação da prática profissional, a pesquisa representa um desafio 
permanente para os profissionais que pretendem ser críticos e prepositivos no cenário 
contemporâneo em relação ao processo de formação profissional (BOURGUIGNON, 2007).
FONTE: Disponível em: <http://1.bp.blogspot.com/_quoG3o3JFHw/
TFAoRV7hHBI/AAAAAAAAA3A/a6vAjmmvJ4E/s1600/1reuniao.jpg>. 
Acesso em: 8 out. 2010.
Dessa forma, tomando como base a prática profissional do Assistente Social, torna-se 
necessário compreender o processo de produção de conhecimento como um elemento de 
transformação da realidade social pela mediação do trabalho, reconhecendo o 
conhecimento como uma das expressões da práxis, como uma das objetivações 
possíveis do trabalho humano frente aos desafios colocados pela relação entre 
o homem, a natureza e a sociedade (BOURGUIGNON, 2007, p. 9).
 E é exatamente nesta interação complexa que a pesquisa passa a ter um significado 
ontológico, ou seja, existencial elaborativo, pois faz parte da natureza humana perguntar 
pelo desconhecido para, através das possibilidades de respostas, atender às necessidades 
do homem em suas dimensões individual e coletiva, produzindo e reproduzindo sua própria 
existência, não de forma automática, mas de maneira complexa, processual, contraditória e 
histórica. 
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Para Bourguignon (2007), a pesquisa é:
constitutiva e constituinte da prática profissional do Serviço Social, sendo de-
terminada pela sua natureza interventiva e pela inserção histórica na divisão 
sociotécnica do trabalho. Torna-se constitutiva e constituinte porque faz parte 
da natureza da profissão e aparece e se desenvolve socialmente, ao desven-
dar a complexidade do real e nele buscar as possibilidades de intervenção 
(BOURGUIGNON, 2007, p. 11).
Conforme destacado, a pesquisa passa a ser elemento constituinte essencial da prática 
profissional do Assistente Social. Ela fundamenta o seu agir, dá respostas às inquietações 
existentes e possibilita a busca de respostas ao complexosistema social que apresenta na 
contemporaneidade.
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A pesquisa envolve a interrogação direta das pessoas cujo 
comportamento se deseja conhecer. 
FONTE: Disponível em: <http://www.webartigos.com/
articles/10409/1/Conceitos-Em-Pesquisa-Cientifica/pagina1.
html>. Acesso em: 8 fev. 2011.
4 PARTICULARIDADE DA PESQUISA 
PARA O SERVIÇO SOCIAL
Percebe-se que a prática da pesquisa no Serviço Social se apresenta enquanto 
construção histórica, a qual se processa na medida em que a profissão enfrenta as demandas 
sociais decorrentes do agravamento da questão social, em suas múltiplas manifestações, 
tendo como referência a perspectiva teórico-metodológica crítica que sustenta a produção do 
conhecimento e a intervenção na profissão (DUARTE, 2008). 
A pesquisa, então, consolida-se como um processo constante de construção e 
afirmação do projeto ético-político profissional, comprometido com a democracia e justiça 
social, materializado no Código de Ética de 1993. Está presente também no processo de 
Revisão Curricular, o qual fundamenta a formação profissional. A pesquisa também se constitui 
na medida em que o Serviço Social alcança a maturidade intelectual, evidenciada pela sua 
produção teórica e capacidade de diálogo crítico com diferentes áreas de conhecimento das 
ciências sociais e humanas.
Para Bourguignon (2007), contemporaneamente é possível observar o protagonismo dos 
assistentes sociais no âmbito da pesquisa, onde, através de suas organizações representativas 
- Conselho Federal de Serviço Social (CEFESS), Conselho Regional de Serviço Social (CRESS) 
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e Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (ABEPSS) – e dos espaços 
de socialização de conhecimentos (congressos, conferências, encontros, seminários, cursos, 
publicações, dentre outros), tem-se mobilizado e se feito presente como sujeito político diante 
das questões que afetam o exercício profissional e a garantia dos direitos sociais no campo das 
políticas públicas, bem como tem mantido importante interlocução com os movimentos sociais 
da sociedade civil, ampliando seu potencial de enfrentamento das crises e transformações do 
mundo contemporâneo (BOURGUIGNON, 2007).
Assim sendo, são inúmeros os espaços que servem de consolidação do conhecimento 
produzido pelo Serviço Social. Este se materializa na constante busca pela solução das 
inquietações que se apresentam no cotidiano da prática profissional.
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Como se percebe o protagonismo do Assistente Social na prática 
da pesquisa?
 FONTE: Disponível em: <http://www.google.com.br/images?hl=pt-br&sou
rce=imghp&biw=1020&bih=510&q=pesquisa+e+servi%C3%A7o+
social&btnG=Pesquisar+imagens&gbv=2&aq=f&aqi=&aql=&oq=&
gs_rfai>. Acesso em: 8 out. 2010.
5 RETORNO E ALCANCE SOCIAL DAS 
PESQUISAS NO SERVIÇO SOCIAL
Um pressuposto fundamental na pesquisa em Serviço Social consiste na preocupação 
com o sujeito. É possível perceber que a preocupação com o reconhecimento do sujeito cidadão 
está presente no projeto ético-político do Serviço Social e carece destacar maior relevância, 
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tanto no âmbito da prática profissional em organizações sociais, como no desenvolvimento de 
pesquisas científicas.
Torna-se fundamental que a pesquisa não só compreenda as questões estruturais, 
como, também, a perspectiva da totalidade do processo de reprodução material e espiritual da 
existência do ser social. Por esta razão, as diferentes formas de como o sujeito se relaciona 
com a realidade social não podem passar despercebidas nas pesquisas realizadas nesta área 
(BOURGUIGNON, 2007).
Bourguignon (2007, p. 19) destaca de forma significativa:
O grande desafio para o pesquisador assistente social, que se preocupa com 
a centralidade do sujeito, é possibilitar, através da pesquisa, uma maior visi-
bilidade ao sujeito, à sua experiência e ao seu conhecimento, cuja natureza, 
se desvendada, poderá vir a permitir desenvolver práticas cada vez mais 
comprometidas ética e politicamente com a realidade, buscando no coletivo 
e na troca de saberes alternativas de superação das condições de privação 
e exclusão social.
Com base nestes dizeres, percebe-se que, ao se aproximar das diferentes expressões 
da questão social vivenciada pelos sujeitos, o assistente social passa a ter contato com a 
experiência e o conhecimento destes, os quais necessitam ser compartilhados, compreendidos e 
traduzidos à luz de um diálogo crítico com o corpo de conhecimentos já acumulados no Serviço 
Social. Daí emerge o novo conhecimento da profissão, assim como possíveis estratégias de 
intervenção profissional.
Na compreensão de Bourguignon (2007, p. 19), a preocupação com a centralidade que 
o sujeito ocupa nas pesquisas do Serviço Social não é ocasional. Revela, sim, que a profissão 
tem: 
suas ações e preocupações pautadas nas demandas dos usuários, que se 
expressam através das histórias de vida que trazem às organizações sociais, 
nas relações que movimentam no seio da família, do trabalho e da sociedade, 
nas raízes e expressões culturais que demonstram, nas carências socioeco-
nômicas e políticas que exigem posicionamento do assistente social. 
Com isso, tem-se que o exercício da pesquisa no Serviço Social se materializa junto 
de diferentes espaços, onde estão inseridos os usuários, assim como naqueles onde se 
estabelecem as relações entre os mesmos.
Torna-se necessário, então, que a pesquisa para o Serviço Social gere um conhecimento 
que reconheça os usuários dos serviços públicos como sujeitos políticos que são capazes 
também de conhecer e intervir em sua própria realidade com autonomia, desvencilhando-se 
das estratégias de assistencialismo, clientelismo e subalternidade, tão presentes nas ações 
governamentais e políticas públicas (BOURGUIGNON, 2007).
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Dessa forma, no Serviço Social as pesquisas têm como possibilidade relevante:
● O reconhecimento da valorização do povo. 
● O reconhecimento da riqueza de suas histórias. 
● O reconhecimento das suas experiências coletivas, mobilizadoras de novas formas de 
sociabilidade.
Reconhecer e apreender estes elementos contribui para o desenvolvimento de uma 
prática profissional capaz de possibilitar aos usuários e destinatários das políticas públicas e 
dos serviços sociais a experiência de:
assumir-se como “ser social e histórico”, ou seja, “como ser pensante, comuni-
cante, transformador, criador, realizador de sonhos, capaz de ter raiva porque 
é capaz de amar. Assumir-se como sujeito porque é capaz de reconhecer-se 
como objeto. (FREIRE, 1981, p. 41)
Compreender este sujeito, assim como sua realidade histórica, reconhecendo-se como 
elemento primordial para a consolidação dos fenômenos sociais, também se consolida como 
princípio fundamental que o pesquisador atribui em seus estudos. O processo histórico, assim 
como contraditório que se apresenta nas trajetórias dos usuários, consolida-se enquanto 
elementos fundamentais a serem considerados no âmbito da pesquisa social.
São diferentes as formas em que se dá a aproximação do pesquisador junto do sujeito 
que participa das pesquisas. Destaca-se que esta se faz através da busca da compreensão 
da sua experiência, do conhecimento gerado a partir desta experiência e da sua vivência 
cotidiana que, tomados em relação ao objeto de estudo, compõem um dos elementos a serem 
apreendidos na sua relação com as múltiplas determinações de natureza econômica, social, 
política e cultural (BOURGUIGNON, 2007).
Ressalta-se ainda que a relação com o sujeito escolhido para participar das pesquisas 
no Serviço Social não é ocasional, ingênua, mas sim, definida pelo que se pretende elaborar 
cientificamente. Vai de encontro ao propósito que se tem com a pesquisa, assim como o 
fenômeno definido para estudo.
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De acordocom a Resolução no 196/96, sujeito de pesquisa é o 
participante pesquisado, individual ou coletivamente, de caráter 
voluntário, vedada qualquer forma de remuneração.
FONTE: Disponível em: <http://www.hcnet.usp.br/adm/dc/
napesq/tcle.php>. Acesso em: 9 fev. 2011.
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FONTE: Disponível em: <http://lapublicidade.com/wp-content/
uploads/2010/04/redes-sociais2.jpg>. Acesso em: 8 out. 2010.
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Na sua opinião, qual a importância da pesquisa para os sujeitos 
que dela fazem parte? 
Através da pesquisa evidencia-se que a experiência e o conhecimento, elementos 
presentes na constituição do Serviço Social enquanto profissão, estão embasados em dinâmicas 
concretas da realidade, as quais necessitam ser transformadas através de ações políticas – 
“ações que sejam, também, capazes de resgatar a condição de sujeito de direitos e capazes 
de romper com as tramas que determinam a condição de subalternidade”. (BOURGUIGNON, 
2007, p. 12)
A pesquisa apresenta-se como estratégia primordial na prática profissional, no intuito 
de contribuir para o aprimoramento das políticas públicas e demais elementos que têm 
como propósito principal a erradicação das mazelas produzidas pelo sistema capitalista 
contemporâneo.
LEITURA COMPLEMENTAR
PESQUISA E PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NO CAMPO DO SERVIÇO SOCIAL
Aldaíza Sposati
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP)
[...]
Serviço Social e pesquisa
A pesquisa torna-se disciplina obrigatória na formação profissional dos assistentes 
FIGURA 19 – PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL 
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sociais somente em 1982. Embora este fato, algumas escolas, departamentos ou faculdades já 
inseriam em seus currículos a metodologia da pesquisa. Pelo menos esta foi minha experiência 
ainda na Escola de Serviço Social da PUC-SP na década de 60 do século 20. É após o processo 
de reconceituação e, com ele, da construção da identidade social latino-americana do Serviço 
Social que, ao questionar sua ‘base científica’ europeia-americana, a preocupação com o 
conhecimento no e para o Serviço Social se fortalece.
Esse processo tem na implantação de cursos de pós-graduação na década de 1970 
uma força ímpar. Primeiro é preciso lembrar que implantar pós-graduação em Serviço Social 
significou, por si só, a convalidação nos órgãos oficiais do campo do Serviço Social como área 
de estudo e pesquisa. Aliás, valeria a pena o exame desses documentos inaugurais a fim de 
resgatar o enunciado desse reconhecimento.
É no âmbito de um curso privado de Serviço Social, na PUC-SP, que tem início a pós-
graduação em Serviço Social que vai titular como mestres e doutores um número considerável 
de docentes das universidades públicas brasileiras no campo do Serviço Social. 
A produção de teses e dissertações exigia o componente da pesquisa inovadora e, por 
consequência, exigia dos pós-graduados o aprofundamento teórico na metodologia científica, 
na estatística, que passaram a ser disciplinas dos primeiros cursos de mestrado, ainda na 
década de 70, já que o nível de doutorado só é alcançado na metade da seguinte década.
O reconhecimento institucional pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de 
Nível Superior (CAPES) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico 
(CNPq) da área do Serviço Social como campo específico de pesquisa é, certamente, 
conquista que abriu possibilidade de financiamento da pesquisa em Serviço Social e inclusão 
de pesquisadores do Serviço Social no quadro geral de pesquisadores do CNPq.
Sem dúvida, esta jovem experiência de três décadas apenas sofre, como as demais 
áreas das humanidades, certa arrogância das ciências puras face às ciências aplicadas, 
mas coloca, ao mesmo tempo, questões para os próprios pesquisadores do Serviço Social: 
teria o Serviço Social efetiva base científica para a produção de conhecimentos com estatuto 
reconhecido pela academia?
Por certo, ocorreu grande esforço nas décadas de 80 e 90 em fortalecer a base científico-
profissional difundida, principalmente, através do processo de desconstrução e reconstrução 
crítica da profissão e de seu exercício, fundando-se no aporte sócio-histórico da análise do 
real, que foi disseminado pelo então ‘novo’ currículo de formação da década de 80. 
Esse processo permeou a categoria pela academia, centros de formação, coletivos 
profissionais, encontros, debates, publicações, congressos. Foi efetivamente a construção da 
nova cultura crítica no âmbito da profissão e da formação profissional que tem o mérito desse 
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fortalecimento da pesquisa para os assistentes sociais.
O vínculo entre a produção de conhecimento em Serviço Social e o processo sócio-
histórico gerou, por sua vez, a capacidade de interlocução entre pesquisadores provindos do 
Serviço Social com aqueles ligados a outros saberes. Ampliou-se a inserção e a interlocução 
interdisciplinar e, com elas, a construção do reconhecimento científico dessa ‘nova’ perspectiva 
de análise do real.
Um outro tom de qualidade na produção do conhecimento em Serviço Social procedeu 
da direção social da prática profissional orientada por um projeto ético-coletivo. Falo da relação 
de compromisso entre a prática profissional e os interesses das classes populares, subalternas, 
exploradas. Nessa perspectiva, Carmelita Yazbek (2004) soma com as teses de Boaventura de 
Sousa Santos (2003) ao afirmar a relação entre conhecimento e hegemonia e situar o campo 
da produção do conhecimento em Serviço Social sob a orientação de conhecimento contra-
hegemônico, porque voltado para as classes subalternas.
No caso, ele não se guia pelas normalidades ou homogeneidades, e sim pelas 
heterogeneidades, discrepâncias, desigualdades. Adquire o caráter de conhecimento-
movimento, já que não é um conhecimento conforme, e sim dirigido a um novo lugar/formato de 
relações e poderes. Nesse sentido é um conhecimento ao mesmo tempo movimento – utopia. 
Dedica-se a desvendar os invisíveis, os sem-voz, sem-teto, sem-cidadania.
Constitui-se, por tudo isso, em um conhecimento contra-hegemônico. O enraizamento 
científico da produção do conhecimento em Serviço Social, orientado pela direção social 
contra-hegemônica, confere um locus de legitimidade à pesquisa em Serviço Social, embora o 
processo de legitimidade-legitimação seja contínuo em suas relações externas, interdisciplinares 
e institucionais.
O reconhecimento da pesquisa no Serviço Social na institucionalidade científica no 
CNPq como área de conhecimento e na CAPES como área de produção de conhecimentos 
foi e ainda, de certa forma, o é (quanto ao estatuto e a recursos para pesquisa), resultante de 
inúmeras lutas. Agências de fomento como a paulista Fundação de Amparo à Pesquisa do 
Estado de São Paulo (FAPESP), a internacional Fundação Ford, entre outras, já incorporam 
o financiamento de pesquisa no campo do Serviço Social.
Dispõe-se de um coletivo de pesquisa em Serviço Social dentro da ABEPSS (Associação 
Brasileira de Pesquisa e Ensino em Serviço Social) – cuja sigla ABESS (Associação Brasileira 
de Escolas de Serviço Social) foi alterada para incluir nesse coletivo a pesquisa, pois antes 
a ABESS o abrigava sob a nominação de Centro de Documentação e Pesquisa em Políticas 
Sociais e Serviço Social (CEDEPSS) – com reconhecimento pleno, tendo já em seu currículo a 
realização de 12 Encontros Anuais de Pesquisa e Pesquisadores em Serviço Social, ocorrendo 
o último em dezembro de 2006, em Recife. 
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A pós-graduação já conta com duas dezenas de cursos instalados em universidades 
públicas, filantrópicas e privadas. Esses cursos possuem ativos núcleos de pesquisa com 
relações internacionais, interdisciplinares, mas que ainda têm frágil inter-relação nacional, na 
medida em que a comunidadecientífica do Serviço Social não está constituída em rede, o que 
seria desejável. Vejo aqui um bom novo desafio para a pesquisa no Serviço Social. 
É de se relembrar as experiências de intercâmbio internacional que geram pesquisas 
e estudos comparados entre o Brasil e outras realidades, ressalta-se o exemplo da PUC-SP 
com programas de mestrado e doutorado em Portugal (KARSCH, 2005).
Não se trabalha em rede entre os núcleos de pesquisa das diversas universidades 
constituindo comunidades de interesse, intercâmbio, acumulação de conhecimentos no âmbito 
da pesquisa em Serviço Social. Sofremos ainda do isolamento das investigações, quer pela 
predominância de sua produção vinculada às monografias, dissertações e teses – enquanto 
trabalhos de caráter individual –, quer pela ausência de partilha de objeto e objetivos entre 
grupos de pesquisadores.
É urgente uma política de pesquisa em Serviço Social aprovada em coletivos que 
provoque o elo aglutinador dessa comunidade científica. É de se assinalar a importância 
de produções interinstitucionais, como algumas iniciativas em desenvolvimento através 
do Programa de Integração Acadêmica da CAPES (PROCAD), com exemplo inaugural da 
Universidade Federal do Maranhão (UFMA), PUCSP e Universidade Estadual de Campinas 
(UNICAMP).
Outra frente é o processo de iniciação científica com alunos da graduação em programas 
institucionais, como o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) do 
CNPq, que fortalecem o preparo para a pesquisa no processo de formação do profissional. 
Pesquisadores em Serviço Social são líderes de grupos de pesquisa com certificação 
institucional junto ao CNPq.
A área do Serviço Social apresenta em seu conjunto na CAPES 55 linhas de pesquisa 
ativas, numa relação média aproximada de 10 projetos em andamento para cada uma delas. 
(RELATÓRIO CAPES, 2004)
FONTE: Disponível em: <http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/katalysis/article/view/1025/3909>. 
Acesso em: 9 fev. 2011.
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Neste tópico você estudou que:
● Ao resgatar a trajetória do Serviço Social como profissão, é possível identificar avanços e 
conquistas, no sentido de consolidação de uma produção de conhecimento que lhe garanta 
sustentação teórica.
● A pesquisa tem se apresentado como instrumento fundamental para o Serviço Social.
● A década de 1980 é caracterizada como uma etapa de amadurecimento da produção teórica 
profissional, sendo a Universidade a grande protagonista deste processo.
● A década de 1990 representa avanços quanto à consolidação do projeto ético-político da 
categoria, o que resultou nas proposições destinadas à formação profissional e no seu 
direcionamento social.
● Em sua constituição histórica, o Serviço Social estabelece um diálogo crítico com outras 
áreas do conhecimento, sendo importante interlocutora no campo das reflexões sobre a 
questão social e seu enfrentamento através das políticas públicas.
● Pesquisar consiste em um exercício sistemático de indagação da realidade observada, em 
que se busca conhecimento que supere o entendimento imediato.
● Torna-se necessário compreender o processo de produção de conhecimento como um 
elemento de transformação da realidade social pela mediação do trabalho.
● A prática da pesquisa no Serviço Social se põe como construção histórica que se processa 
na medida em que a profissão enfrenta as demandas sociais decorrentes do agravamento 
da questão social.
● Contemporaneamente, é possível observar o protagonismo dos assistentes sociais no âmbito 
da pesquisa, através de suas organizações representativas - Conselho Federal de Serviço 
Social (CEFESS), Conselho Regional de Serviço Social (CRESS) e Associação Brasileira 
de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (ABEPSS).
● Um pressuposto fundamental na pesquisa em Serviço Social consiste na preocupação com 
o sujeito. A preocupação com o reconhecimento do sujeito cidadão está presente no projeto 
RESUMO DO TÓPICO 1
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ético-político do Serviço Social.
● O grande desafio para o pesquisador assistente social, que se preocupa com a centralidade 
do sujeito, é possibilitar, através da pesquisa, uma maior visibilidade ao sujeito.
● A preocupação com a centralidade que o sujeito ocupa nas pesquisas do Serviço Social não 
é ocasional, revela que a profissão tem suas ações e preocupações pautadas nas demandas 
dos usuários.
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1 Elenque quais os principais acontecimentos que deram destaque à prática da 
pesquisa, no Serviço Social, entre as décadas de 1980 e 1990.
2 Comente a afirmação: “pesquisa é constitutiva e constituinte da prática profissional 
do Serviço Social”. 
3 Qual o grande desafio para o pesquisador assistente social que se preocupa com a 
centralidade do sujeito em seus estudos?
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ÉTICA E PESQUISA NO 
SERVIÇO SOCIAL
1 INTRODUÇÃO
2 CONCEITUANDO A ÉTICA
TÓPICO 2
UNIDADE 2
Neste tópico resgataremos elementos referentes à ética e sua importância para a 
pesquisa no Serviço Social. Iniciaremos retomando o seu conceito, relacionando-o com 
questões voltadas à pesquisa junto do ser humano, mais especificamente à Bioética. Após, 
relacioná-la-emos com o Serviço Social e a sua importância na condução dos estudos. Por 
fim, ressaltaremos o significado e a importância da centralidade dos sujeitos nas pesquisas 
realizadas no Serviço Social.
Barroco (2005) destaca que a gênese da ação ética é dada pela liberdade, compreendida 
ontologicamente como uma capacidade humana inerente ao trabalho, tomado como práxis. 
A liberdade é, então, ao mesmo tempo, “capacidade de escolha consciente dirigida a uma 
finalidade, e capacidade prática de criar condições para a realização objetiva das escolhas, 
para que novas escolhas sejam criadas” (BARROCO, 2005, p. 26).
FONTE: Disponível em: <http://williamdaniel.com.br/wp-content/
uploads/2010/12/%C3%A9tica.jpg>. Acesso em: 8 out. 2010.
FIGURA 20 – ÉTICA E MORAL
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Diniz (2002) conceitua a ética como sendo a ciência do comportamento moral dos 
homens em sociedade. Já Bonetti (1996) complementa afirmando que a ética é o conjunto 
de normas de comportamento e formas de vida através do qual o homem tende a realizar o 
valor do bem.
Tais conceitos são fundamentais na condução da pesquisa no Serviço Social. Preconiza-
se que todo o processo de pesquisa desenvolvido no Serviço Social deva ser embasado nestes 
conceitos, os quais direcionarão a busca pelo novo saber.
Para se ampliar a compreensão sobre a ética, e posteriormente se estabelecer uma 
relação com a pesquisa no Serviço Social, considera-se importante destacar a Bioética, o que 
será feito no item a seguir.
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Defina, com suas palavras, o que é ética.
3 A ÉTICA E O SABER – ELEMENTOS DA BIOÉTICA
Para Barroco (2006), a conquista da ética na pesquisa pode ser descrita por inúmeras 
situações de desrespeito e violação dos direitos dos sujeitos envolvidos na pesquisa. Para a 
autora, seu debate emerge historicamente no âmbito da Bioética, inicialmente no campo da 
saúde, como resposta ao uso da ciência em experimentos com seres humanos.
Compreende-se que o desenvolvimento da ética na pesquisa evidenciou que os dilemas 
ético-morais presentes nas diferentes práticas profissionais e científicas extrapolam as áreas 
médicas, exigindo a presença das demais áreas do conhecimento e a definição de critérios e 
princípios éticos normatizadores da pesquisa, em geral. 
Para Barroco (2006, p. 6): 
É no contexto das declarações e tratados internacionais de direitos humanos, 
acordados no pós-guerra, e tendo em vista as denúncias sobre os experimentos 
dos campos deconcentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, que 
são criadas as bases históricas que legitimam a necessidade de criação de 
parâmetros éticos universais relativos ao uso da pesquisa e das experiências 
científicas.
Dentre os tratados destacados pela autora, enfatiza-se o Código de Nüremberg, 
como documento que introduz importantes recomendações éticas para a pesquisa com seres 
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humanos, dentre elas a importância de se garantir o consentimento voluntário do sujeito da 
pesquisa e seu esclarecimento sobre o processo a que será submetido. 
No âmbito da discussão da ética na pesquisa, Barroco (2006, p. 10) salienta que 
foi a década de 1960, mundialmente conhecida por impulsionar a crítica social e política, a 
responsável pelo “desenvolvimento tecnológico e pelas mudanças socioculturais que atingiram 
a família, os valores e os costumes tradicionais, em geral, desencadeadores de lutas por direitos 
civis e políticos dos sujeitos.” 
É neste período que emergem questionamentos quanto às implicações das pesquisas 
clínicas terapêuticas e não terapêuticas para os sujeitos que dela eram participantes. Em 1964, 
a Declaração de Helsinque, produzida pela Associação Médica Mundial, busca enfrentar tais 
dilemas, passando por diversas revisões desde a sua criação (BARROCO, 2006).
Data de 1962, em Seatle, o primeiro Comitê de Bioética, ao mesmo tempo em que 
ocorre um conjunto de denúncias sobre experimentos médicos antiéticos (BARROCO, 2006). 
Este Comitê foi instituído a partir de um avanço tecnológico da medicina – a criação 
da hemodiálise – e do conflito ético gerado a partir da existência de uma demanda maior do 
que a capacidade de atendimento, o que poderia resultar na morte dos usuários. Tal iniciativa, 
conforme Barroco (2006), é considerada pioneira, pois ampliou o poder decisório para um 
Comitê composto por pessoas em sua maioria leigas em medicina.
É também na década de 1960 que surgem diferentes denúncias envolvendo práticas 
antiéticas em pesquisas científicas com seres humanos. Barroco (2006) destaca o artigo 
publicado por Henry Beecher, em 1966, intitulado “Ética e investigação clínica”, o qual 
demonstrou que “a cada cem trabalhos publicados, 12 apresentavam maus tratos ou violações 
éticas, evidenciando a discriminação e o desrespeito ao ser humano, clarificando a relação das 
práticas com pacientes em condições sociais subalternas” (BARROCO, 2006, p. 23).
Embasado em todas estas situações, tem-se o desenvolvimento da Bioética, como 
resposta a demandas históricas resultantes de situações de discriminação e de desrespeito 
aos direitos humanos. É ela que conduz e dita os elementos primordiais a serem seguidos na 
pesquisa realizada junto de seres humanos.
FONTE: Disponível em: <http://1.bp.blogspot.com/__1La6Ma_hp8/
TK9RLuXWAcI/AAAAAAAAAKI/cPlLp5Bvv2o/s1600/etica.jpg>. 
Acesso em: 8 out. 2010.
FIGURA 21 – ÉTICA 
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Termo de Consentimento Livre e Esclarecido: O 
consentimento voluntário do ser humano passou a ser obrigatório 
em 1947, com o surgimento do Código de Nüremberg. Mais 
tarde, no Brasil, surge a Resolução no 196/96, que, baseada no 
Código de Nüremberg, na Declaração dos Direitos do Homem, 
na Declaração de Helsinque, entre outros, destaca no Artigo 
IV o Consentimento Livre e Esclarecido, estabelecendo que 
toda pesquisa se processe somente após consentimento livre e 
esclarecido dos sujeitos que, por si ou por seus representantes 
legais, manifestem a sua anuência em participar de uma 
pesquisa.
FONTE: Disponível em: <http://www.hcnet.usp.br/adm/dc/
napesq/tcle.php>. Acesso em: 9 fev. 2011.
4 SERVIÇO SOCIAL E A ÉTICA NA PESQUISA
Explica Barroco (2006, p. 4) que, em sua dimensão teórica, a ética se distingue “do saber 
científico pela sua natureza filosófica, que lhe fornece um caráter crítico, dotado de juízos de 
valor”. A reflexão ética convida então todos a se indagarem sobre o que é bom, justo, legítimo 
em relação às ações humanas. 
Percebe-se também que, no campo da pesquisa, a ética afirma a necessidade de 
explicitação dos valores e princípios que orientam as normas e deliberações sobre a pesquisa 
nos diferentes campos da ciência.
Observa-se que numa perspectiva de análise histórica, os valores e princípios adquirem 
significados diferentes, que variam de acordo com a direção social, ética e política objetivada 
através da ação prática dos homens, em cada contexto histórico. Barroco (2006) explica que 
um mesmo valor pode ter diferentes significados e direções políticas, dependendo da forma 
como é apreendido teoricamente e de acordo com sua função na vida social. Ao mesmo tempo 
em que pode objetivar uma conquista humana, pode também ser a sua própria negação. 
Para Barroco (2006), a ética se objetiva, então, como reflexão teórica e ação prática. 
E assim explica estas dimensões:
● Reflexão teórica: convoca os sujeitos a indagar filosoficamente sobre o valor das ações; 
reflete criticamente sobre o significado histórico do agir humano e sobre os fundamentos 
objetivos dos valores e princípios que orientam a prática social dos homens. Constitui-se 
enquanto um saber interessado e, portanto, de um conhecimento que nega a neutralidade 
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da ciência, exigindo, constantemente, um posicionamento ético do pesquisador, por se 
conhecer objetivando um produto que seja valoroso para determinado projeto que se deseja 
que realize com a ação aplicada sobre ele.
● Ação prática: a ética consiste na objetivação concreta dos valores, princípios, escolhas, 
deliberações e posicionamentos produzidos pela ação consciente dos homens diante de 
situações de afirmação/negação da vida, dos direitos e valores.
Conforme preconiza Barroco (2002), refletir eticamente sobre a ética na pesquisa em 
Serviço Social supõe indagar se ela pode ser considerada uma ação capaz de estabelecer 
mediações práticas para a objetivação de escolher valores éticos, lembrando que as opções 
são relativas a condições históricas determinadas socialmente, que os parâmetros éticos são 
dados, especialmente, pelo que preconiza o Código de Ética do Assistente Social.
Barroco (2006) também esclarece que, no Brasil, data da década de 90 a instituição das 
diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos, conhecida 
então como a Resolução no 196/1996. Também nesta década:
● é criada a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP); 
● amplia-se o âmbito das áreas de conhecimento envolvidas na ética em pesquisa, surgindo 
uma nova demanda para os centros de pesquisa do país, incluindo hospitais universitários, 
universidades, centros de pesquisa, ONGs, no sentido de instituírem Comitês de Ética em 
Pesquisa (CEPs) para acompanhar todas as pesquisas que envolvessem seres humanos. 
(BARROCO, 2006)
Compreende-se que a experiência investigativa ou a vivência em Comitês de Ética 
apresentam-se como espaços em que a ética se objetiva através de mediações que exigem 
então “posicionamentos e respostas profissionais, podendo se constituir em espaços de 
afirmação ou negação da ética e dos direitos humanos.” (BARROCO, 2006, p. 25).
No Serviço Social, os Comitês de Ética apresentam-se enquanto Instituições essenciais 
para a viabilidade de propostas de pesquisas, e contribuem para que a busca de novos 
conhecimentos, de fato, venha a garantir o respeito junto de usuários e da população envolvida 
com diferentes pesquisas na área.
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FONTE: Disponível em: <http://unipar.edu.br/home/arquivos/img/
n2612_20090210092351.jpg>. Acesso em: 8 out. 2010.
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Na sua opinião, a ética é necessária na pesquisa social? Por quê?
5 CENTRALIDADE DOS SUJEITOS NAS 
PESQUISAS DO SERVIÇO SOCIAL
Tratar da centralidade dos sujeitos na pesquisa envolve resgatar resoluçõesque 
garantam o respeito e a centralidade destes em diferentes estudos realizados.
Diniz & Guillem (2005) destacam que, a partir da Resolução no 196/96, tem-se aspectos 
significativos quanto à defesa dos direitos humanos dos sujeitos envolvidos na pesquisa. Dentre 
estas conquistas podemos destacar:
● A elaboração do termo de consentimento livre e esclarecido.
● No caso de crianças e adolescentes, opta-se pelo termo de assentimento.
● O cuidado em relação aos riscos da pesquisa.
● As formas de recrutamento dos sujeitos.
● O ressarcimento dos gastos pessoais e indenização de danos decorrentes 
de participação dos sujeitos.
● O estabelecimento de critérios éticos para a quebra de sigilo.
● A avaliação da relevância social da pesquisa e da confiabilidade sobre a 
origem das informações. (DINIZ; GUILLEM, 2005, s/p)
Constata-se que os parâmetros éticos orientadores das decisões do Serviço Social em 
relação à pesquisa são sinalizados no Código de Ética Profissional (1993), os quais indicam 
como valores e princípios fundamentais:
FIGURA 22 – ÉTICA NA PESQUISA
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a liberdade, valor ético central, as demandas políticas a ela inerentes – autono-
mia, emancipação e plena expansão dos indivíduos sociais; a defesa intransi-
gente dos direitos humanos e a recusa do arbítrio e do autoritarismo; a defesa 
e aprofundamento da democracia; o posicionamento em favor da equidade e 
da justiça social (CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL; 1993, p. 14).
Com base nestas considerações, destaca-se a importância de partir da identificação 
dos sujeitos das pesquisas realizadas no Serviço Social, o que, segundo Barroco (2006, p. 38), 
“já remete à sua consideração como sujeitos pertencentes a um universo de vulnerabilidade 
e/ou exclusão social”. Na sua grande maioria, são sujeitos “oriundos de uma condição social 
determinada por sua inserção econômica, política e cultural, o que os torna vulneráveis a 
determinados riscos que devem ser levados em conta em qualquer pesquisa” (BARROCO, 
2006, p. 41).
Comumente, o Assistente Social estará em contato, em seus estudos, com populações 
excluídas de um contexto de direitos e garantias sociais. Cabe a ele clarificar estes quanto à 
importância da pesquisa, assim como, do retorno destas para a população usuária. 
Em relação à aproximação com os sujeitos da pesquisa, Netto (1996, p. 81) destaca 
ser fundamental: 
consolidar uma relação de respeito efetivo pelas pessoas e pelas manifesta-
ções no interior da comunidade pesquisada, isto é, o sujeito da pesquisa deve 
ser considerado protagonista da sua própria história e não apenas o dado ou 
a fonte da informação. 
Com base nestas considerações, e fazendo uso do Código de Ética Profissional, na 
prática da pesquisa o Assistente Social deve se empenhar na “eliminação de todas as formas 
de preconceito, incentivando o respeito à diversidade, à participação de grupos socialmente 
discriminados e à discussão das diferenças” (CFESS, 1993, p. 2). 
É então vedado ao Assistente Social: “exercer sua autoridade de modo a limitar ou a 
cercear o direito do usuário de participar e decidir livremente sobre os seus interesses” (CFESS, 
1993, p. 3).
Constata-se que um comportamento concreto de respeito consiste na apresentação da 
proposta de estudos aos grupos envolvidos. Para Barroco (2006, p. 35, grifos nossos), trata-se, 
portanto, de uma relação de troca, ou seja, os grupos devem ser esclarecidos sobre “aquilo 
que se pretende investigar e as possíveis repercussões favoráveis advindas do processo 
investigativo”.
No âmbito da pesquisa, segundo Barroco (2006), deve-se:
● privilegiar a garantia do acesso do sujeito às informações necessárias, à sua participação 
na pesquisa, especialmente quanto ao uso de seus resultados, ao sigilo profissional relativo 
às várias etapas da pesquisa; 
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● posicionamento e respeito aos seus valores, hábitos e costumes;
● estabelecimento de relações democráticas, não discriminatórias, não autoritárias, dentre 
outros.
Tais elementos apresentados pela autora constituem-se primordiais para o devido 
reconhecimento da centralidade dos sujeitos na pesquisa realizada no Serviço Social.
Seguindo esta, o Código de Ética do Serviço Social (CFESS, 1993, p. 11) ainda garante:
● A plena informação e discussão sobre as possibilidades e consequências 
das situações apresentadas, respeitando democraticamente as decisões dos 
usuários, mesmo que sejam contrárias aos valores e às crenças individuais 
dos profissionais.
● Devolver as informações colhidas nos estudos e pesquisas aos usuários, no 
sentido de que estes possam usá-los para o fortalecimento de seus interesses.
● Informar a população usuária sobre a utilização de materiais de registro 
audiovisual e pesquisas a elas referentes e a forma de sistematização dos 
dados obtidos.
Dessa forma, ressalta-se que a alteridade ou o respeito ao outro exige uma atenção 
especial aos resultados da pesquisa.
FONTE: Disponível em: <http://www.cpqrr.fiocruz.br/files/irr/images/corpo_texto.
jpg>. Acesso em: 8 out. 2010.
Outra questão fundamental a ser discutida, na percepção de Barroco (2006), é em relação 
às interpretações feitas com os dados das entrevistas, muitas vezes “sem a preocupação com 
FIGURA 23 – ÉTICA NA PESQUISA
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a necessidade do informante, com imposições que podem estar violando valores e costumes, 
com distorções na interpretação dos dados, ou sem assegurar a proteção da população no 
sentido do seu anonimato.” (BARROCO, 2006, p. 13).
A postura profissional de respeito ao outro, fazendo uso de técnicas e habilidades, como 
a escuta sensível e a empatia, são essenciais para que se construa um canal comunicativo de 
acordo com os interesses do estudo. 
Segundo Barroco (2006, p. 41), torna-se possível identificar, muitas vezes, uma postura 
incorreta, do ponto de vista ético, “de alunos ou mesmo de profissionais quando se dirigem 
aos sujeitos da pesquisa sem o devido respeito à sua privacidade, à sua disponibilidade e às 
suas necessidades”. Desde a graduação, a ética na pesquisa demanda cuidados em todo o 
processo de formação profissional. 
Desde a participação em trabalhos de iniciação científica, assim como no Tra-
balho de Conclusão de Curso, perpassando por Dissertações de Mestrado e 
Teses de Doutorado, a ética tem de ser respeitada. Muitas vezes encontram-se 
problemas de plágio, de utilização não responsável de citações, de citações 
de modo tendencioso, retirando-as de um contexto e colocando-as em outro, 
dando um resultado que adultera as citações originais, dentre outras (BAR-
ROCO, 2006, p. 54).
A atenção de respeito e centralidade dos sujeitos da pesquisa deverá ser sempre 
um requisito a ser seguido no desenvolvimento de pesquisas na caminhada profissional do 
Assistente Social.
Na relação do pesquisador com os sujeitos da pesquisa, nas questões postas pela própria 
pesquisa, vão se desvelando dilemas, cujo enfrentamento leva a novas relações materiais ou 
ideais. A realização da pesquisa pode ter como resultado a objetivação de um valor, de uma 
prática, de um direito, enfim, de algo valoroso do ponto de vista ético e político; da mesma 
forma que também pode produzir uma resposta que oculte as contradições reveladas e não 
objetive valores éticos considerados positivos, constituindo-se em uma prática viabilizadora de 
um desvalor ou da negação de um valor ou de um direito (BARROCO, 2006).
São estas as respostas que contribuirão para a eficácia da prática profissional. São elas 
que contribuirão para que se desvele o cotidiano que se apresenta no existir de cada sujeito. 
A postura ética, então, conduz essa busca de respostas profissionais.
Por fim, esclarece Barroco (2006), a ética na pesquisa, envolvendo relações humanas 
valorizadas de reciprocidade, do respeito, da autonomia e do acesso à informação,por parte 
dos seus sujeitos, expressa “uma ética que se opõe à mercantilização das relações humanas. 
Pertence então a uma concepção de mundo que tem como suporte um projeto societário 
emancipador.” (BARROCO, 2006, p. 61).
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A ética na pesquisa apresenta-se como elemento primordial para o alcance dos 
objetivos que o pesquisador se propõe. Constrói, neste processo, uma aproximação ainda mais 
significativa com a população usuária, fundamentando sua prática profissional.
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Dentre os princípios do Código de Ética do Assistente Social, 
destaque um deles que faz referência à importância da centralidade 
dos sujeitos nas pesquisas de que fazem parte.
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Participar de um estudo não significa que a pessoa seja obrigada 
a participar até seu término. O sujeito de pesquisa pode e tem o 
direito de se retirar de um estudo no momento em que ele quiser, 
sem nenhum constrangimento, ou pagamento de qualquer taxa. 
FONTE:Disponível em: <http://www.isaia.com.br/secs/
sp.htm>. Acesso em: 9 fev. 2011.
LEITURA COMPLEMENTAR
PESQUISA E SERVIÇO SOCIAL: DA CONCEPÇÃO BURGUESA DE CIÊNCIAS 
SOCIAIS À PERSPECTIVA ONTOLÓGICA
Ricardo Lara
Curso de Serviço Social da Universidade de Uberaba (UNIUBE)
Centro Universitário da Fundação Educacional Guaxupé (UNIFEG)
[...]
Prolegômenos à crítica da concepção burguesa de ciências sociais
A pesquisa científica e suas ‘metodologias’ estão submetidas à concepção burguesa de 
ciência, a qual potencializa o desenvolvimento do conhecimento segundo a ótica do capital. O 
conhecimento, ou melhor, a sistematização da realidade social, está voltada para interesses 
‘produtivos’, o que torna limitada a relação do saber com o ‘mundo dos homens’. Em favor desta 
concepção adota-se, frequentemente, o argumento de que a extensão da ciência moderna é 
sinônimo de especializações em todas as áreas do saber.
O conhecimento está fragmentado e é acentuado pela falta de diálogo entre as áreas, 
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o que, consequentemente, colabora para a compreensão do homem e da sociedade como 
partes isoladas da dinâmica social e da tecedura histórica.
Nosso intuito, neste momento, é abrir o debate sobre a fragmentação a que as ciências 
sociais foram submetidas, diante da concepção burguesa de ciência.
Segundo Lukács (1981, p. 122), o fato de que as ciências sociais burguesas não 
consigam superar uma mesquinha especialização é uma verdade, mas as razões não são as 
apontadas. Não residem na vastidão da amplitude do saber humano, mas no modo e na direção 
de desenvolvimentos das ciências sociais modernas. A decadência da ideologia burguesa 
operou nelas uma intensa modificação, que não podem mais relacionar-se entre si, e o estudo 
de uma não serve mais para promover a compreensão de outra. A especialização mesquinha 
tornou-se o método das ciências sociais.
As ciências sociais têm dificuldades de se afirmarem diante da ciência moderna, pela sua 
ineficiência em apresentar respostas práticas. O seu modo específico de produzir conhecimento 
é questionado pelo pragmatismo dos filisteus capitalistas, os quais só objetivam as ciências 
que buscam os resultados para o avanço das forças produtivas.
Tal questão justifica o ceticismo da ciência burguesa em relação às ciências sociais, 
pois a ciência positivista se contentou, em sua maioria, em conhecer o universo singular de um 
determinado fenômeno empírico, sem preocupações de questionar as contradições históricas 
que o engendram.
Quando Lukács afirma que “a especialização mesquinha tornou-se o método das 
ciências sociais”, na verdade ele está preocupado com os caminhos das ciências sociais, mais 
especificamente com a influência do pensamento conservador que pretende separar e criar 
inúmeras áreas do saber, tais como: a sociologia, a economia, a história. 
Essas áreas correm o risco de não conseguirem comunicar-se, tornando-se estranhas 
entre si, apesar de terem o mesmo ponto de partida nas suas construções teóricas, ou seja, a 
produção e a reprodução da vida social.
A fragmentação foi criada e permaneceu no círculo acadêmico ao longo do século 20, 
contribuindo para o desenvolvimento da universidade enquanto instituição que tem como um 
de seus principais objetivos formar especialistas. 
Mészáros (2004, p. 291) destaca três aspectos relevantes sobre a constituição das 
ciências burguesas e a produção do conhecimento “no âmbito da organização e da divisão 
capitalista de trabalho”: 
– a parcialidade e a fragmentação da produção intelectual;
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– as diferenças de talento e motivação, assim como uma tendência à competição a elas 
associadas;
– um antagonismo social historicamente específico, articulado em uma rede de complexos 
sociais hierárquicos que integram, em seu quadro, as tendências – em si e por si ainda 
indefinidas dos dois primeiros, dando-lhes um sentido de acordo com suas determinações 
e imperativos estruturais.
O conhecimento está fragmentado pelas condições de existência das instituições 
de pesquisa, com destaque à universidade, que é responsável, dentro da divisão social do 
trabalho, pela sistematização do saber. O conhecimento moderno, fragmentado, resume-
se numa dimensão de amparo às justificativas ideológicas conservadoras. Isso é explicado 
pelo crescimento das ciências naturais, que, necessariamente, são voltadas para interesses 
práticos, ou seja, suas pesquisas potencializam o desenvolvimento industrial, tecnológico e as 
ramificações do desenvolvimento do capital e, por conseguinte, negam radicalmente a condição 
do trabalho em favor da lógica do capital. 
Nesse processo, as ciências sociais têm dificuldades de objetivar pragmaticamente 
os seus estudos e são deixadas em segundo plano no âmbito científico. Todavia, a principal 
questão em jogo é a seguinte: em ciências sociais, ao se realizar pesquisas e produzir 
conhecimentos, não se deve deixar fora da pauta as bases objetivas da sociedade, que, 
infelizmente, tem propósitos voltados somente para a produção e reprodução da riqueza. 
Isto tem a ver com o “sistema de o capital ser orgânico”, dotado de lógica própria e de um 
conjunto objetivo de imperativos, que subordina a si – para o melhor e para o pior, conforme 
as alterações das circunstâncias históricas – todas as áreas da atividade humana, desde os 
processos econômicos mais básicos até os domínios intelectuais e culturais mais mediados e 
sofisticados (MÉSZÁROS, 2004).
No entanto, uma das características das ciências sociais é edificar uma proposta que 
tem suas premissas no pensamento crítico, o qual põe em cheque o ‘metabolismo social’. Dessa 
forma, o modo de sistematizar a realidade social tem que passar, necessariamente, pelo crivo 
da crítica, tendo por base um diagnóstico da sociedade burguesa, a qual, felizmente, não se 
sustenta, principalmente pelas suas ‘bases objetivas de produção e distribuição da riqueza’.
Pesquisa e Serviço Social – é necessário um posicionamento?
Encontramos na universidade um avolumado de pesquisas, que em sua maioria são 
exigências para a obtenção da titulação de um determinado estágio da formação profissional, 
mas, em alguns casos, deixam a desejar com suas construções teóricas. A pesquisa, para 
muitos ‘acadêmicos’, é o caminho mais viável para conseguirem os títulos de mestres, doutores 
etc. Ao negarmos a pesquisa que visa somente os títulos, perguntamos: qual é o ‘verdadeiro 
sentido’ da pesquisa na ‘universidade moderna’? Cremos que, em princípio, ela deveria advir 
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da ‘realidade social’ com a qual os pesquisadores se deparam no cotidiano e, num momento 
de indagação, começam a observá-la como movimento cognoscível.
A observação sobre a realidade social não é simplesmente um incômodo subjetivo, 
que apenas satisfaz a curiosidade dopesquisador; ao contrário, o ser que indaga procura 
inquirir sobre ‘algo’ que advém da objetividade social, a qual carece do conhecimento para ser 
desvendada. Nas pesquisas, devemos saber fazer a pergunta, pois são as respostas que se 
transformam em artigos, dissertações, teses ou livros; e, se a pergunta’ for mal formulada, o 
trabalho de pesquisa perderá, consequentemente, resplandecência.
A ‘humanidade social’ carece de respostas ao conjunto dos ‘problemas econômicos, 
políticos, sociais e culturais’ que a assolam, pois são inúmeros, alguns de séculos, como a 
pobreza, e outros contemporâneos, como a sexualidade, a ética e tantas outras expressões 
da ‘questão social’, que o Serviço Social, auxiliado pelas ciências sociais, objetiva investigar. 
Na investigação, os pesquisadores estudam as questões por eles enfocadas e, a partir dos 
‘recortes de estudo’, criam as teorias para explicar determinadas realidades sociais. Na maioria 
dos casos há um demasiado ‘devaneio’ nas teorias, nas leis, nos modelos, que se descolam 
do objetivo inicial da investigação e fazem da pesquisa uma abstração sem retorno ao real 
e, consequentemente, desembocam num ‘estranhamento’ ou misticismo do real por parte do 
pesquisador.
Nesse momento de total ‘estranhamento’ entre pesquisador e objeto de estudo é que 
encontramos a falta de rigor na pesquisa, pois muitos que se propõem a investigar talvez não 
estejam preparados o suficiente, ou não consigam visualizar a necessidade objetiva cobrada 
da pesquisa, que no seu caminho mais seguro objetiva desnudar o cotidiano contrastante 
das relações sociais da sociedade burguesa, bem como seu modo de produção e reprodução 
social, desencadeador das mais diversas expressões da ‘questão social’, que a cada nova 
manifestação ‘dilacera’ milhares de vidas.
Sugerimos, no entanto, aos assistentes sociais que, ao indagarem sobre o real, indaguem 
com o objetivo de tratar ‘a questão social’ – entendida como ‘deformidades’ desenvolvidas no 
interior das relações sociais, as quais são protoformadas pela sociabilidade capitalista – na sua 
integridade, ou seja, estudem as expressões da ‘questão social’ e, posteriormente, façam o 
esforço de retornar o conhecimento produzido aos sujeitos envolvidos. Acreditamos, pois, que a 
função da ciência é desvendar o ‘não aparente’, ou melhor, nas palavras de Marx: “Toda ciência 
seria supérflua se a essência das coisas e sua forma fenomênica coincidissem diretamente” 
(MARX apud LUKÁCS, 1979, p. 26).
O assistente social pesquisador, que objetiva o rigor teórico exigido pela ciência 
autêntica, deve perquirir ‘as intrincadas conexões do real’. Investigar e, em consequência, tornar 
cientificamente aceito o trabalho, no âmbito acadêmico, é o princípio fundamental no caminho 
da probidade teórica do pesquisador. Ele deve levar consigo, no percurso da pesquisa, as 
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seguintes características: honestidade, paciência, criatividade, criticidade, audácia, humildade, 
diligência e, principalmente, a ética na pesquisa, para tornar-se um sujeito que indaga sobre o 
real, tendo por finalidade contribuir à ‘humanidade social’ com suas inquietações e construções 
teóricas, e não apenas saciar a fome voraz de títulos exigidos pela ‘Universidade Moderna’.
Outro fator importante para a pesquisa diz respeito aos ‘milhões de teorias’ existentes 
sobre um determinado assunto. Quando isso acontece, surge a necessidade do confronto de 
idéias, que, no caso, torna-se inadiável, pois pensamentos que analisam uma mesma questão 
com conclusões totalmente diferentes devem ser submetidos ao diálogo para percorrerem a 
verdadeira explicação do assunto investigado.
Não estamos aqui defendendo o pensamento único, que tanto emburrece, mas cobrando 
o debate que enriquece o conhecimento científico. O confronto de diferentes concepções 
enriquece a ciência e o que é plausível, faz cair por terra explicações equivocadas da realidade 
social, ou seja, falsas interpretações do ‘mundo dos homens’. 
A crítica, portanto, surge como uma arma certeira para desmascarar o cientificismo 
vulgar que paira atualmente sobre a ‘Universidade Moderna’. O conhecimento crítico é a única 
arma que os estudiosos possuem para exigir o rigor teórico e, assim, negar definitivamente a 
‘pseudociência’. No entanto, é nesse contexto de produção de conhecimentos na ‘Universidade 
Moderna’ que o Serviço Social se insere com seus programas de pós-graduação, seus núcleos 
de pesquisa e, por conseguinte, começa a responder por uma determinada produção científica 
nas mais diversas áreas do conhecimento.
De acordo com Iamamoto e Carvalho (1998, p. 88), “o Serviço Social, em sua trajetória, 
não adquire o status de ciência, o que não exclui a possibilidade de o profissional produzir 
conhecimentos científicos, contribuindo para o acervo das ciências humanas e sociais, numa 
linha de articulação dinâmica entre teoria e prática”.
A produção de conhecimentos na área do Serviço Social acelerou a partir de 1970, 
momento em que iniciaram os primeiros cursos de pós-graduação na área de ciências sociais 
e, especificamente, em Serviço Social.
Desde então, a produção bibliográfica teve um aumento considerável, sendo alimentada 
pelas dissertações de mestrado e teses de doutorado. Mas foi somente a partir de 1986 que o 
Serviço Social obteve reconhecimento pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e 
Tecnológico (CNPq) como uma área específica de pesquisa, sendo-lhe atribuídas as seguintes 
linhas de investigação: Fundamentos do Serviço Social, Serviço Social Aplicado, Serviço Social 
do Trabalho, Serviço Social da Educação, Serviço Social do Menor, Serviço Social da Saúde, 
Serviço Social da Habitação. Atualmente, o Serviço Social integra, juntamente com as áreas 
de Direito, Comunicação, Economia, Administração, Arquitetura, Demografia e Economia 
Doméstica, a grande área de Ciências Sociais Aplicadas (KAMEYAMA, 1998). 
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Segundo Ammann (1984, p. 147), “a incorporação da pesquisa na prática profissional 
da área é um fenômeno relativamente recente, posto que houve esforços orientados para 
consolidar uma política geral de capacitação e investigação, no campo do Serviço Social, por 
parte dos organismos profissionais”.
Entretanto, a partir dos anos de 1980, a categoria profissional começou a contribuir e a 
responder pela produção de conhecimentos que dão sustentação segura à prática profissional. 
Hoje, podemos afirmar que contribuímos com significativos trabalhos de pesquisa nas mais 
diversas subáreas das ciências sociais. Isso se deu, principalmente, após a “renovação do 
Serviço Social”, ou seja, ao “movimento de reconceituação”, que constituiu “[...] segmentos de 
vanguarda, sobretudo, mas não exclusivamente inseridos na vida acadêmica, voltados para a 
investigação e a pesquisa” (PAULO NETTO, 2001b, p. 136).
Contudo, tanto na intervenção quanto na formação profissional, a pesquisa é um 
elemento fundamental para o Serviço Social, e cabe lembrar que, para realizá-la, há exigência 
do aprofundamento teórico-metodológico como recurso para a investigação da vida social.
A busca por referências teóricas apresenta o grande paradigma para os graduandos, 
mestrandos e doutorandos em Serviço Social, preocupados com as suas monografias, 
dissertações e teses.
[...]
FONTE: Disponível em: <http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/katalysis/article/view/1142/3915>. 
Acesso em: 9 fev. 2011.
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Neste tópico você pôde acompanhar que:
● A ética pode ser compreendida como sendo a ciência do comportamento moral dos homens 
em sociedade.
● A conquista da ética na pesquisa pode ser descrita por inúmeras situações de desrespeito 
e violação dos direitos dos sujeitos envolvidos na pesquisa.
● Os principais debates referentes à questão ética na pesquisa emergiram da Bioética.● Foi no contexto das declarações e tratados internacionais de direitos humanos, acordados 
no pós-guerra, e tendo em vista as denúncias sobre os experimentos dos campos de 
concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, que foram criadas as bases 
históricas que legitimam a necessidade de criação de parâmetros éticos universais relativos 
ao uso da pesquisa.
● O Código de Nüremberg foi o documento que introduziu importantes recomendações 
éticas para a pesquisa com seres humanos, dentre elas a importância de se garantir o 
consentimento voluntário do sujeito da pesquisa e seu esclarecimento sobre o processo a 
que será submetido.
● A ética se distingue do saber científico pela sua natureza filosófica, que lhe fornece um 
caráter crítico, dotado de juízos de valor.
● A ética se objetiva como reflexão teórica e ação prática.
● Refletir eticamente sobre a ética na pesquisa em Serviço Social supõe indagar se ela pode 
ser considerada uma ação capaz de estabelecer mediações práticas para a objetivação de 
escolhas e valores éticos, lembrando que as opções são relativas a condições históricas 
determinadas socialmente, que os parâmetros éticos são dados, especialmente, pelo que 
preconiza o Código de Ética do Assistente Social.
● Os parâmetros éticos orientadores das decisões do Serviço Social em relação à pesquisa 
são sinalizados no Código de Ética Profissional (1993).
● Na prática da pesquisa, o Assistente Social deve se empenhar na “eliminação de todas 
RESUMO DO TÓPICO 2
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as formas de preconceito, incentivando o respeito à diversidade, à participação de grupos 
socialmente discriminados e à discussão das diferenças”.
● A realização da pesquisa pode ter como resultado a objetivação de um valor, de uma prática, 
de um direito, enfim, de algo valoroso do ponto de vista ético e político; da mesma forma que 
também pode produzir uma resposta que oculte as contradições reveladas e não objetive 
valores éticos considerados positivos, constituindo-se em uma prática viabilizadora de um 
desvalor ou da negação de um valor ou de um direito.
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1 O que é Bioética? Qual a sua contribuição para a pesquisa na área social?
2 Destaque as principais contribuições para a ética na pesquisa no Serviço Social.
3 Qual a importância da ética na formação do aluno pesquisador?
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ÁREAS DE ABRANGÊNCIA DA 
PESQUISA NO SERVIÇO SOCIAL
1 INTRODUÇÃO
2 A ABEPSS
TÓPICO 3
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Neste tópico apresentaremos elementos fundamentais na compreensão da abrangência 
da pesquisa no Serviço Social. Iniciaremos apresentando a ABEPSS, significativa instituição, 
em nível nacional, que congrega o acompanhamento junto do ensino e da pesquisa no Serviço 
Social. Após, destacaremos de que forma a pesquisa tem qualificado e contribuído para a 
prática do Assistente Social. Seguiremos apresentando o significado da pesquisa, tanto em 
nível de graduação como de pós-graduação no Serviço Social.
A ABEPSS consiste na Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social. 
FONTE: Disponível em: <http://ufpbcass.blogspot.com>. Acesso em: 8 
out. 2010.
FIGURA 24 – ABEPSS
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Segundo informações coletadas no próprio site da Instituição (<http://www.abepss.org.
br/>.), esta foi criada em 1946, uma década após a constituição do primeiro curso de Serviço 
Social no Brasil. Inicialmente, possuía a sigla de “ABESS”, então denominada de Associação 
Brasileira de Escolas de Serviço Social (ABEPSS, 2010).
A partir de 1979, com a Convenção realizada, a instituição passa a assumir a tarefa de 
coordenar e articular o projeto de formação profissional, transformando-se então em Associação 
Brasileira de Ensino de Serviço Social (ABEPSS, 2010).
A criação do Centro de Documentação e Pesquisa em Políticas Sociais e Serviço Social 
(CEDEPSS), na década de 1980, veio atender às novas demandas potencializadas com o 
surgimento dos programas de pós-graduação, a partir de 1972 (ABEPSS, 2010).
Outro momento significativo da entidade acadêmico-científica ocorreu na segunda 
metade da década de 1990, com a mudança do seu nome para Associação Brasileira de Ensino 
e Pesquisa em Serviço Social (ABEPSS), a qual se justifica em função da defesa dos princípios 
da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão e da articulação entre graduação e 
pós- graduação, aliada à necessidade de explicitação da natureza científica da entidade, bem 
como à urgência da organização da pesquisa no seu interior, atualmente, por meio dos Grupos 
Temáticos de Pesquisa e da Revista Temporalis (ABEPSS, 2010).
Conforme o site institucional (<http://www.abepss.org.br/>.), uma marca na trajetória 
da ABESS/ABEPSS tem sido o processo democrático, que é expresso na participação intensa 
dos sujeitos que constroem a formação profissional, através dos debates instituídos nas 
unidades de formação acadêmica, nas regionais e no nível nacional. Foi através do currículo 
mínimo de 1982 que se teve a afirmação de uma nova direção social hegemônica no âmbito 
acadêmico profissional, o que consolidou com a elaboração das diretrizes curriculares para o 
curso de Serviço Social, aprovadas pela categoria em 1996 e aprimoradas pela Comissão de 
Especialistas em documento de 1999 (ABEPSS, 2010).
Compreende-se que um dos desafios permanentes da ABEPSS consiste em acompanhar 
a implantação das diretrizes curriculares, o que envolve “pensar num processo de formação 
continuada que venha a atingir os docentes de todas as universidades e/ou faculdades que 
tenham em seu quadro o curso de graduação em Serviço Social” (ABEPSS, 2010, p. 1).
Esse acompanhamento, segundo informações da instituição, vem ocorrendo 
sistematicamente pelas várias diretorias da ABEPSS, por meio da realização de oficinas, de 
visitas às unidades de formação acadêmica, que vêm sendo realizadas desde a aprovação 
das diretrizes, as quais subsidiam a elaboração e implantação dos projetos pedagógicos das 
diversas unidades de formação acadêmica filiadas (ABEPSS, 2010).
Destaca-se que, em relação aos eventos promovidos pela ABEPSS, a partir da década 
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de 1990 tem-se a consolidação dos Encontros Nacionais de Pesquisadores de Serviço 
Social - ENPESS e as Convenções Nacionais, hoje Assembleias Gerais da ABEPSS, que são 
realizadas de dois em dois anos. Tornaram-se fundamentais espaços de articulação também as 
Oficinas Regionais e Nacional de Graduação e Seminários de Pós-Graduação, como espaços 
intermediários de capacitação e realização do debate político-acadêmico (ABEPSS, 2010).
E mais, segundo o site institucional, a articulação acadêmico-política internacional, 
especialmente com a América Latina, é também um grande desafio para a ABEPSS, sendo 
esta pré-filiada à recém-criada ALAEITS. A entidade brasileira tem procurado contribuir nesse 
processo na perspectiva de defender os princípios do projeto fundador da ALAETS/CELATS, 
calcado nos ideários do Movimento de Reconceituação, na perspectiva de avançar no 
reconhecimento da situação da formação profissional na região, traçando parâmetros comuns 
num futuro próximo (ABEPSS, 2010).
3 A PESQUISA QUALIFICANDO A
 PRÁTICA PROFISSIONAL
Considera-se que a pesquisa ocupa um papel primordial no processo de formação 
profissional do assistente social, cuja atividade é privilegiada para a consolidação dos laços 
entre o ensino universitário e a realidade social. 
É através da pesquisa, no Serviço Social, que se visa romper com as concepções 
tecnicista e politicista da ação profissional. Concepções estas que, segundo Iamamoto (2005, 
p. 251), diluem a “particularidade social do trabalho profissional, seja numa rede de regras 
sobre seus procedimentos operativos, seja na militânciapolítica”.
Sugere-se que a formação profissional seja embasada por um repleto arsenal de 
informações históricas sobre a sociedade brasileira, em suas faces rural e urbana, tendo 
como foco a produção e reprodução da questão social em suas expressões nacionais, 
regionais e municipais, construindo-se uma indissolúvel aliança entre a teoria e a realidade, 
necessariamente alimentada pela pesquisa.
A pesquisa, então, tanto no âmbito docente como discente, na graduação e na pós-
graduação, apresenta-se como recurso indispensável para a compreensão das inúmeras 
formas de desigualdades sociais e dos processos de exclusão delas decorrentes, sejam eles 
econômicos, políticos e culturais, assim como sua vivência e enfrentamento pelos sujeitos 
sociais na diversidade de sua condição de classe, gênero, raça e etnia (IAMAMOTO, 2005).
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FONTE: Disponível em: <http://3.bp.blogspot.com/_WmIyaZPESuQ/
SZ66RGtm_iI/AAAAAAAAESE/rgXg2LBvZkc/s400/foto+6.bmp>. 
Acesso em: 8 out. 2010.
Na classificação dos órgãos de fomento, o Serviço Social está como uma área 
das Ciências Sociais Aplicadas, junto com Direito, Administração, Economia, Arquitetura e 
Urbanismo, Planejamento Urbano e Regional, Demografia, Ciência da Informação, Museologia, 
Comunicação, Economia Doméstica, Desenho Industrial e Turismo. Classificadas como 
Ciências Humanas estão: Filosofia, Sociologia, Antropologia, Arqueologia, História, Geografia, 
Psicologia, Educação, Ciência Política, Teologia.
Pode-se observar que tanto as Ciências Sociais Aplicadas como as Ciências Humanas 
estão sub-representadas no parque da pesquisa nacional. Observa-se também que as Aplicadas 
se encontram em desvantagem. Dominam o ranking as Ciências Exatas e da Terra, as Ciências 
Biológicas, Engenharias e Ciências da Saúde. Estatisticamente, as Ciências Sociais Aplicadas 
pesquisam menos. Hierárquica e historicamente, o investimento dos recursos nas humanidades 
é menor do que nas tecnológicas. 
Cabe ao Serviço Social seguir legitimando seus estudos e consolidando-se enquanto 
área de estudo que muito tem contribuído para os novos saberes, os quais são de extrema 
importância para a consolidação da profissão no campo acadêmico e social.
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Ao cursar as disciplinas relacionadas à pesquisa em Serviço 
Social é preciso que o graduando perceba seu crescimento 
intelectual, o refinamento da redação, a compreensão das 
expressões da questão social, bem como a identificação e a 
reflexão sobre o objeto da atuação profissional.
FIGURA 25 – PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
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4 A PESQUISA EM CURSOS DE 
GRADUAÇÃO EM SERVIÇO SOCIAL
Bourguignon (2007, p. 7 ressalta que a relação do Serviço Social com a pesquisa 
surge em função de um “processo histórico de amadurecimento intelectual e de ampliação das 
demandas sociais”. Este vai então desvelando uma profissão capaz de gestar conhecimentos 
que lhe acrescentam subsídios teórico-metodológicos coerentes com sua natureza e exigências 
societárias. Porém, segundo a autora, é no contexto acadêmico que a pesquisa se revela 
como “potencialidade para o Serviço Social, e é neste contexto que se enfrenta o desafio de 
construir articulações orgânicas entre a produção do conhecimento e a prática profissional” 
(BOURGUIGNON, 2006, p. 14).
Na concepção de Bourguignon (2007, p. 16):
embasado pelo compromisso ético-político, o conhecimento construído pelos 
profissionais necessita ganhar força social e romper com o âmbito acadêmico 
e do próprio serviço social, para ser capaz de, através de uma prática crítica 
e propositiva, interferir nas condições de vida do cidadão.
A preocupação se dá então no sentido de proporcionar um “caminho de volta”, 
isto é, retornar à realidade que sustentou a produção de conhecimento e mobilizar ações 
que transformem esta realidade, seus sujeitos e profissão, ampliando seus horizontes e 
potencializando seus objetivos, suas competências e habilidades profissionais.
Através do conhecimento produzido, é necessário refletir sobre os impactos gerados 
na realidade social, em que o Serviço Social intervém. E o impacto, no contexto da pesquisa, 
refere-se às dimensões das transformações e mudanças operadas na profissão, nas condições 
materiais de existência dos sujeitos/usuários, nas ações dos profissionais de Serviço Social, nas 
organizações em que o profissional atua, tendo como mediação o acúmulo de conhecimentos 
produzidos pela profissão (BOURGUIGNON, 2007).
O conhecimento produzido, então, deve ter uma direção estratégica para uma 
intervenção profissional, comprometida com processos concretos que garantam materialidade 
ao seu projeto ético-político. 
Observa-se que o Serviço Social, em sua trajetória histórica, tem avançado quanto ao 
acúmulo de conhecimentos sobre o seu objeto de intervenção e sobre a natureza da própria 
profissão. Para Bourguignon (2007, p. 16), deixou de ser consumidor do saber produzido por 
outras áreas de conhecimento das ciências sociais e humanas e passou a ser “protagonista de 
um processo que exige o acompanhamento sistemático e crítico das transformações societárias, 
que concretamente rebatem no exercício profissional cotidiano”.
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A disciplina de Pesquisa em Serviço Social, na graduação, é fundamental à qualificação 
da atuação profissional quando considerada a realidade dos estudantes de graduação no 
Serviço Social, a maioria deles trabalhadores, sem tempo para se dedicar exclusivamente aos 
programas de iniciação científica (BOURGUIGNON, 2007).
FONTE: Disponível em: <http://i.s8.com.br/images/books/cover/
img2/79462.jpg>. Acesso em: 9 fev. 2011.
Segundo Iamamoto (2005), a pesquisa ocupa um papel fundamental no processo de 
formação profissional do Assistente Social, atividade privilegiada para a solidificação dos laços 
entre ensino universitário e a realidade social e para a vinculação das dimensões teórico- 
metodológicas e práticas operativas do Serviço Social, indissociáveis de seus componentes 
ético-políticos. Desta forma, destaca a autora:
Sendo o Serviço Social uma profissão - e, como tal, dotado de uma dimensão 
prático-interventiva -, supõe uma bagagem teórico-metodológica como recurso 
para a explicação da vida social, que permita vislumbrar possibilidades de 
interferência nos processos sociais. Para isso a apropriação do acervo teórico-
-metodológico legado pelas ciências sociais e humanas e pelas teorias sociais 
críticas, como pressuposto para iluminar a leitura da realidade, afigura-se como 
requisito indispensável, mas suficiente. A dinamicidade dos processos históricos 
requer a permanente pesquisa de suas expressões concretas, informando a 
elaboração de propostas de trabalho que sejam factíveis, isto é, capazes de im-
pulsionar a realização das mudanças pretendidas. (IAMAMOTO, 2005, p. 273)
Para a autora, a pesquisa docente e discente, na graduação e pós-graduação, constitui-
se como recurso indispensável à compreensão das múltiplas formas de desigualdades sociais 
e dos processos de exclusão decorrentes – econômicos, políticos e culturais –, sua vivência e 
enfrentamento pelos sujeitos sociais na diversidade de sua condição de classe, gênero, raça 
e etnia.
Conforme já destacado anteriormente, a curiosidade apresenta-se como um elemento 
fundamental no mundo da pesquisa, seja em sala de aula, seja nos grupos de estudo. Porém, 
conforme destaca Bourguignon (2007), para o desenvolvimento da curiosidade através do 
FIGURA 26 – PESQUISA SOCIAL
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processo de pesquisa torna-se fundamental o tempo a ela dedicado. A partir desta constatação, 
percebe-se um “breve desânimo em sala de aula, frente à dificuldade do aluno graduando em 
conciliar as atividades acadêmicas com as diferentes responsabilidades no contexto atual, tais 
como trabalho,casa, família, dentre outras” (BOURGUIGNON, 2007, p. 17).
Dessa forma, torna-se então fundamental despertar nos graduandos a certeza de que 
um dos elementos para garantir a ação profissional consiste na utilização da pesquisa, isto é, 
“um processo investigativo na atividade de trabalho” (BOURGUIGNON, 2007, p. 17).
Num mundo caracterizado pela informatização, pela alta tecnologia, assim como pela 
valorização da velocidade, torna-se um desafio justificar ao graduando que pesquisar consiste 
num necessário tempo para a leitura, para a observação, para a escrita, para o diálogo, para 
o erro, o acerto, descobrindo-se que o ciclo da produção do conhecimento está sempre se 
renovando. Ciclo este que Minayo (2008, p. 26) define como sendo “um processo de trabalho 
em espiral que começa com um problema ou uma pergunta e termina com um produto provisório 
capaz de dar origem às novas interrogações”. 
Para Silva (2008), a vivência de uma disciplina voltada para a pesquisa, na graduação, 
tem por objetivo principal o crescimento intelectual do graduando, o exercício da reflexão sobre a 
vida prática, incentivando os estudos de temas que atravessam o cotidiano profissional, ou seja, 
a investigação feita com o objetivo expresso de obter conhecimento específico e estruturado 
sobre um assunto preciso, delimitado.
Logo da escolha do tema numa pesquisa, Silva (2008, p. 16) sugere uma autorreflexão 
sobre “a implicação do pesquisador com o objeto de investigação”. Algumas questões devem 
ser tomadas em conta, tais como:
● Qual a justificativa profissional para a escolha do tema?
● Qual a importância social para a realização de um estudo sobre o tema proposto? (SILVA, 
2008)
Tais questionamentos contribuem para minimizar implicações pessoais que possam 
influenciar no resultado da pesquisa. 
Silva (2008) ressalta que o exercício junto da graduação sobre a reflexão destes 
elementos é primordial na formação profissional. Conforme destaca a autora, o objeto das 
Ciências Sociais é essencialmente qualitativo. Escuta atenta, olhos atentos, leitura permanente, 
delimitação do tema, desenvolvimento da produção textual, e metodologias apropriadas ao 
tema proposto constituem-se em aspectos necessários ao desenvolvimento de uma pesquisa. 
Dessa forma, a fase exploratória da pesquisa é de fundamental importância na construção do 
projeto de investigação.
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É preciso despertar nos graduandos a certeza de que um 
dos elementos para garantir a ação profissional qualitativa é 
a utilização da pesquisa, isto é, o processo investigativo na 
atividade de trabalho.
Outro ponto fundamental a ser vivenciado pelo aluno graduando, segundo Silva 
(2008), consiste na aproximação com as diferentes abordagens teórico-metodológicas. Tendo 
esse discernimento referente às diferenças e similaridades entre as diferentes correntes 
de pensamento, conhecendo referências bibliográficas fundamentais, “o aluno amplia seus 
conhecimentos no fazer da pesquisa” (SILVA, 2008, p. 17).
Cabe, então, à universidade apresentar aos graduandos o caminho para abordar 
a realidade, sem, no entanto, “tornar o discente um aprisionado de alguns pensadores em 
detrimento a outros, não oportunizando ao graduando a escolha da abordagem teórica através 
da reflexão crítica, resultado inevitável no exercício da pesquisa” (SILVA, 2008, p. 18).
Além da disciplina de Pesquisa em Serviço Social, outro espaço de exercício da pesquisa 
no período da graduação consiste na experiência vivenciada pelo aluno em Estágio Curricular. 
Para Buriolla (2006), a matéria-prima da supervisão de estágio em Serviço Social consiste no 
exercício profissional. É neste momento que o graduando:
faz uso e percebe o conhecimento sobre pesquisa trabalhado nas disciplinas 
anteriores, ao iniciar um processo de observação e investigação sobre a 
atuação profissional. É através de registros como Relatórios de Atividades de 
Estágio, assim como os Diários de Campo, que se inicia o processo de refle-
xão da prática de estágio, onde se exercita a pesquisa. Ocorre o exercício da 
escrita, do registro da reflexão, do diálogo com os autores da área de atuação 
e com as disciplinas cursadas durante o processo de ensino-aprendizagem 
no decorrer do curso. (BURIOLLA, 2006, p. 10)
Retoma-se então que a pesquisa consiste em elemento fundamental na qualificação do 
profissional e na formação de profissionais propositivos, desde o período de estágio curricular. 
Para Silva (2008), torna-se fundamental conhecer o objeto de intervenção e, para tanto, deve-
se incentivar o acadêmico para:
● a leitura da realidade institucional; 
● o conhecimento da estrutura organizacional; 
● o conhecimento das diretrizes políticas; 
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● o conhecimento dos objetivos;
● o conhecimento dos programas e dos recursos; 
● o conhecimento das normas institucionais; 
● o estudo sobre a correlação de forças, o poder institucional;
● o conhecimento e a caracterização da população usuária. (SILVA, 2008)
Do ponto de vista acadêmico, torna-se fundamental incentivar o comportamento 
investigativo do aluno. Deve-se aprender a valorizar a pesquisa na atuação profissional. Dessa 
forma, todos os documentos de registro, no período de estágio curricular, possuem esse caráter 
investigativo. 
Silva (2008) orienta que durante o estágio curricular é possível ainda incentivar a 
utilização de instrumentos de coleta de dados para análise da atuação profissional. Esta 
preocupação, segundo a autora, se estende “à prática da entrevista, do estudo de caso, dentre 
outros, onde os alunos necessitam de um investimento para planejar, executar, registrar e 
avaliar” (SILVA, 2008, p. 19).
FONTE: Disponível em: <http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://1.
bp.blogspot.com/_4DQB1Is9pDY/SpJ0V0YRl0I/AAAAAAAACD8/
UfJCh7WirEk/s200/Estagio.JPG&imgrefurl=http://canalpsirevista.
blogspot.com/2009_08_01_archive.html&usg=__m2nmf_x_KT5viyD
eS6sDwHE6dpM=&h=76&w=200&sz=5&hl=pt-br&start=239&zoom
=0&tbnid=xdQ2g1DY5-FFbM:&tbnh=40&tbnw=104&prev=/images%
3Fq%3Dpesquisa%2Be%2Bservi%25C3%25A7o%2Bsocial%26hl%
3Dpt-br%26sa%3DG%26biw%3D1020%26bih%3D510%26gbv%3
D2%26tbs%3Disch:1&itbs=1&iact=rc&dur=265&ei=RhHlTLKXKoK8
lQebnoScDA&oei=cg7lTKfBDMX6lwfohe21Cw&esq=14&page=14&
ndsp=18&ved=1t:429,r:10,s:239&tx=36&ty=17>. Acesso em: 8 out. 
2010.
Ao final do período de estágio curricular, torna-se fundamental incentivar o graduando 
a um momento de autoavaliação, para que possa perceber que o tempo dedicado a diversas 
leituras, a atenção dedicada às documentações, o cuidado para assegurar o registro dos dados 
FIGURA 27 – PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
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e informações, bem como o registro das observações no diário de campo, foram fundamentais 
para dar base ao relatório final das atividades realizadas. 
Segundo Silva (2008), todo o estudo da atuação profissional deve, então, ser orientado 
e planejado, como qualquer pesquisa. Para a autora, são várias as experiências de estágio na 
qual o graduando desenvolve:
uma rica vivência acerca das possibilidades de inserção e atuação profissional, 
culminando com a elaboração de um projeto de intervenção, futuro da realiza-
ção de uma análise da prática de estágio, considerando as orientações para 
desenvolvimento de uma pesquisa científica. (SILVA, 2008, p. 19)
Dessa forma, o período condizente ao estágio curricular propicia ao acadêmico que 
esteja em contato com as diferentes expressões da questão social, assim como o espaço 
institucional no qual está inserido. Pesquisar é conhecer. É reconhecer-se enquanto sujeito 
inserido neste contexto em constante mudança e interação.
Iamamoto (2005) sugere que o graduando em Serviço Social desenvolva um trabalho 
de conclusão de curso sobre o tema relacionado ao campo de estágio que traz em seu bojo 
o incentivo ao estudo da atuação profissional.É nesta etapa que é preciso resgatar com o 
graduando o conteúdo apreendido nas disciplinas de pesquisa em Serviço Social e a de Estágio 
Curricular Obrigatório. Inicia-se então a elaboração de um projeto de pesquisa em suas diversas 
etapas, conforme destaca Silva (2008):
● Delimitação e reflexão sobre o objeto de estudo proposto.
● Levantamento bibliográfico.
● Leituras preliminares.
● Elaboração do resumo e resenhas críticas para o desenvolvimento da redação.
● Seleção do material bibliográfico, a fim de garantir a qualidade.
● Leitura da bibliografia selecionada.
● Elaboração da estrutura do trabalho (sumário).
● Definição do objetivo da pesquisa.
● Desenvolvimento da metodologia (linha de pensamento e técnicas).
● Cronograma. 
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Após, dá-se o trabalho de campo, isto é, a possibilidade de se conseguir a aproximação 
não só com aquilo que se deseja conhecer e estudar, mas também de criar conhecimentos, 
partindo da realidade presente no campo.
É na graduação que se trabalha a formação de profissionais dotados de competência 
crítica e compromisso público com os impasses do desenvolvimento da sociedade nacional e 
suas implicações para a maioria dos trabalhadores brasileiros.
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Na sua opinião, qual a importância da pesquisa no período da 
graduação em Serviço Social?
5 A PESQUISA NA PÓS-GRADUAÇÃO
 EM SERVIÇO SOCIAL
Toda a pesquisa evidencia como pressuposto principal a investigação, tendo como 
principal elemento uma pergunta que corresponda a um problema que interessa ser 
“desvendado, descoberto, discutido para algum fim específico, implicando então numa ação 
imediata sobre a realidade ou não” (SILVA, 2008, p. 21).
A pesquisa exige que o pesquisador se dedique sobre um ponto que seja relevante 
e invista esforços para uma explicação de diferentes fenômenos. Este processo o leva ao 
amadurecimento intelectual e à maior capacidade de “interpretação do problema que supere 
o senso comum, implicando, então, uma reflexão que o motive a buscar algo novo” (SILVA, 
2008, [s./p.]).
Todo o pesquisador procura por uma resposta sua, autêntica, ao mesmo tempo que 
consistente, para o tema que se propôs a estudar. E é nesse sentido que o pesquisador é mais 
convocado, exigido. Dele é exigido que elabore uma hipótese e que busque respostas inéditas. 
Sabe-se que este processo não é fácil.
Existe uma exigência maior na configuração científica desta reflexão. Ela deve ser 
fundamentada e para isso necessita fazer uso de instrumentos que garantam, com um certo 
rigor ou sistematicidade, a sustentação das argumentações. Para isso, de acordo com Silva 
(2008), torna-se fundamental:
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● um tempo de estudo;
● leitura correspondente ao objeto escolhido para a investigação;
● idas e vindas ao campo;
● pré-testes;
● questionários;
● uma postura permanentemente autocrítica quanto às hipóteses iniciais;
● alteração de hipóteses, ou mudanças de rumo na pesquisa que implicam a incorporação de 
procedimentos não previstos. 
A pesquisa na pós-graduação consiste em fator fundamental no processo do 
conhecimento que instrumentaliza a intervenção. Ao se colocar o imperativo de uma contribuição 
inovadora, a partir da interpretação de um problema, buscando uma explicação para o 
fenômeno, o sujeito que busca conhecê-lo tende a avançar na direção de um aprofundamento 
do conhecimento sobre seus diferentes matizes. Poderá colaborar de forma mais qualificada, 
caso seja demandada uma aplicabilidade desse conhecimento.
Dessa forma, o incentivo à pesquisa no âmbito universitário é fundamental. Torna-se 
um espaço por excelência para sua execução.
O mundo acadêmico tem o papel de formar profissionais pesquisadores, assegurando 
uma formação que viabilize a capacidade autônoma de reflexão sobre os problemas que serão 
alvo da intervenção desses profissionais. 
O pesquisador tem o papel de retornar com o material coletado e, num momento 
individual, analisar os dados, orientado por uma hipótese que tem que estar fundamentada 
numa gama de material bibliográfico consistente, e compartilha suas deduções com a equipe, 
com interlocutores associados ao campo temático. Através deste processo a reflexão avança, 
viabiliza o amadurecimento de uma discussão e formas de interpretação do problema sobre o 
qual serão pensadas linhas de ação, em diferentes instituições.
Conforme destaca Borges (2010), faz-se necessário um momento de distanciamento 
da intervenção para se refletir sobre ela. Dessa forma, o afastamento da prática imediata é 
imprescindível em alguns momentos, para interagir com mais profundidade num momento 
posterior, continuando este processo num movimento espiral. 
No âmbito acadêmico existem duas possibilidades do profissional que está no campo 
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da prática ter acesso à capacitação continuada:
● Através de cursos stricto sensu e lato sensu;
● Através de cursos de extensão de curta duração.
No âmbito universitário, ambas devem ter como parâmetro, para serem oferecidas, 
as experiências de pesquisa. O oferecimento de cursos é uma garantia da intermediação 
necessária entre a formação e o mercado de trabalho.
FONTE: Disponível em: <http://www.algartecnologiaemnoticia.com.br/
adminem/media/noticias/f41b90fb3a9dbbcdd1bd40d88051551b.
jpg>. Acesso em: 9 fev. 2011.
LEITURA COMPLEMENTAR
DESAFIOS À PESQUISA NO SERVIÇO SOCIAL: 
DA FORMAÇÃO ACADÊMICA À PRÁTICA PROFISSIONAL
Aglair Alencar Setubal
Curso de Serviço Social do Instituto Camillo Filho (ICF-Piauí)
Para se penetrar no mundo das coisas, para se entender, analisar e interpretar a 
realidade na sua riqueza complexa e na sua totalidade concreta, tem que se desenvolver um 
esforço intelectivo capaz de apreender a essência delas na sua mediaticidade.
Diferente do fenômeno que se pode observar na imediaticidade, a essência de uma 
realidade só se revela após o ato investigativo que procura, no mesmo processo, identificar a 
estrutura da realidade concreta, não na sua manifestação fenomênica, mas pela identificação 
das múltiplas determinações que lhe são peculiares e que lhe dão sentido e força para existir 
em determinado tempo e sociedade.
Todavia, apesar de se reconhecer essa conduta como imprescindível por parte do 
sujeito cognoscente, considera-se redutora da realidade a atitude investigativa que, como 
FIGURA 28 – PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
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diz Kosik (1976, p. 57) no trecho utilizado como epígrafe deste trabalho, deixa “[...] para trás 
tudo aquilo que é inessencial, como lastro supérfluo [...]”. Explica-se, numa ordem inversa a 
esse pensamento, mas sem uma configuração linear – como a realidade não apresenta a sua 
concreticidade de forma direta, ou seja, não se revela tal como ela é –, o homem no seu estado 
natural só é capaz de se aproximar da realidade superficialmente; apenas a percebe naquilo que 
ela manifesta e que é possível captar pelos sentidos. Essa captação, por sua vez, é resultante 
das forças circundantes da sua existência, e não revela, como se pode imaginar a priori, uma 
conduta passiva desse sujeito, mas sim a concepção que esse homem historicamente construiu 
sobre a realidade. Para que o homem ultrapasse o estágio do sensível e caminhe em direção 
à ‘coisa em si’, a essência da realidade, ele tem que sair da conduta contemplativa/reflexiva 
para se pôr em ação pela práxis transformadora. 
Transformadora por não considerar o fenômeno como algo independente e absoluto, 
já que esse se transforma em relação com a essência e só é compreendido quando se atinge 
a estrutura da ‘coisa em si’. Apesar de o Serviço Social, a partir, principalmente, das duas 
últimas décadas do século 20, ter se aproximado da vertente marxista e, em decorrência dessa 
‘filiação’, empreendido esforços no sentido de desenvolverpesquisas utilizando o método 
dialético-histórico, percebe-se certa dificuldade por parte de alguns profissionais de vivenciarem 
a práxis como resultante da atividade do homem no seu fazer-se histórico. Em decorrência 
disso, existem no Serviço Social estudos que, aparentemente orientados pela vertente teórica 
marxista, tangenciam a prática profissional de alguns assistentes sociais que, na contramão da 
história, insistem em desenvolver atos desarticulados e justapostos, em espaços institucionais 
alheios até mesmo às orientações do positivismo.
A coexistência de correntes teóricas de interesses e métodos tão diferentes tem dificultado 
o rompimento com a conduta norteada pela pseudoconcreticidade e o desvencilhamento da 
compreensão que se tem da práxis como sinônimo de trabalho. Aparentemente, as dificuldades 
são de fácil solução, mesmo se reconhecendo a força de fatores externos que mumificam 
conceitos, impedem que o assistente social – esteja ele no desempenho da prática acadêmica, 
investigativa ou de intervenção direta na realidade – desvende, por intermédio da análise dos 
conceitos, os significados e significâncias neles presentes, a riqueza e complexidade da coisa 
por ele representada; penetre enquanto agente social e profissional no pensamento do homem 
em ação/atividade e não no ato.
Acredita-se ser essa uma das condições indispensáveis ao Serviço Social, o qual se 
propõe crítico e não permite a sacralização da ‘prática profissional’, que intervém de forma 
imediatista dando respostas aos problemas de identificação apenas sensível. São problemas 
que, muitas vezes, justificam a criação de políticas sociais reafirmadoras das facetas pelas 
quais a questão social se explicita, em determinado contexto e tempo, funcionando como 
elementos basilares do discurso instituído. Discurso propagado como verdade absoluta 
por alguns assistentes sociais, que são impedidos por motivos adversos à sua vontade de 
transformar a prática profissional em práxis social, o que, segundo Vázquez (1968, p. 200), 
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constitui uma atividade política. 
Como a práxis social é uma atividade política que, conforme o mesmo autor, pode mudar 
as relações econômicas, sociais e políticas, ela exige o desenvolvimento de ações integradas dos 
diferentes setores da sociedade e não ações pontuais, já que a solução dos problemas sociais 
não se constitui responsabilidade de uma área de saber, de determinada categoria profissional.
Percebe-se que esta postura tem dificultado a prática da pesquisa, principalmente dentro 
da dimensão da dialética histórica, pelo Serviço Social. Entretanto, apesar das dificuldades 
apresentadas contribuírem para um pensar-agir dicotômico, acredita-se que a produção do 
conhecimento pela via da pesquisa é o caminho que possibilita o rompimento do Serviço Social 
com a pseudoconcreticidade, por provocar no profissional o desejo de se movimentar – enquanto 
pesquisador e/ou profissional responsável por ações institucionais que, aparentemente, não 
têm responsabilidade direta de produzir conhecimento – no sentido de fazer com que o pensar 
e o agir possam interagir dialeticamente. Com esse processo espera-se provocar a eliminação 
da concepção fetichizada que se satisfaz com a aparência da coisa, desenvolvendo uma práxis 
utilitária, manipuladora, construída na dimensão da “consciência comum”, “consciência ingênua” 
ou “falsa consciência”, como diz Kosik.
Além disso, é fundamental considerar a práxis como esfera do ser humano que evidencia 
a criação, a existência e a experiência como humano-sociais. A criação, nesse contexto, é uma 
realidade ontológica decorrente do processo ‘ontocriativo’ unificador das compreensões de 
mundo e da realidade humana sem primado entre essas concepções. Consequentemente, não 
atribui importância maior à teoria ou à prática, ao visível (fenômeno) e à essência, evitando-se 
com isso a construção de percepções unilateralizantes, ou duais, que preconizam o poder do 
saber desconsiderando o verdadeiro significado da teoria.
Teoria que só atinge a sua significância quando expressa a realidade humano-social, 
o momento existencial dos autores e atores, razão do seu existir. Quando as reflexões são 
transportadas para o interior do Serviço Social, não se deve apenas explicitar dificuldade em 
assimilar e colocar em prática as exigências da dialética histórica, em vivenciar, como um 
todo, no seu cotidiano profissional, a concretização da práxis social, mas iniciar a reflexão pela 
dimensão política presente no contexto das relações sociais e pela forma de inserção dessa 
profissão no mercado de trabalho.
Por isso, a influência da forma de inserção pela via da divisão social do trabalho 
não pode ser ignorada quando se estuda e se analisa a construção das peculiaridades que 
levaram o Serviço Social, ao longo dos tempos, a trabalhar com uma identidade atribuída, em 
que o saber está a serviço do capitalismo. Para as pessoas mais apressadas na leitura da 
‘realidade’, essas reflexões nada têm a ver com a temática deste trabalho, não passando de 
mera elucubração teórica. Respeita-se a leitura, embora se discorde do entendimento, uma 
vez que só pela identificação, compreensão e pelo conhecimento das condições históricas do 
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Serviço Social pode-se identificar os desafios em relação à pesquisa e à consolidação da área 
como produtora e disseminadora de conhecimento, apesar de ser detentora de profissionais 
capacitados para a prática investigativa.
O número crescente de publicações é revelador da preocupação, do interesse e/
ou da necessidade do Serviço Social em desenvolver pesquisa, daí ser possível, hoje, no 
Brasil, encontrar vasta produção de conhecimentos na área. Entretanto, quando se procura 
identificar os autores, logo se percebe que o esforço investigativo resulta, na sua grande 
maioria, de elaborações de assistentes sociais ligados à docência stricto sensu (mestrado e 
principalmente doutorado), ou de professores que procuram, por exigência das Instituições de 
Ensino Superior (IES), a titulação de mestres e doutores em Serviço Social, Ciências Sociais, 
Educação, Ciências Políticas, entre outros programas de pós-graduação. Com raras exceções 
se identificam trabalhos não vinculados ao mundo acadêmico ou, por exigência desse universo 
em seus diferentes níveis, para obtenção de títulos.
Essa constatação conduz a algumas indagações, que envolvem não apenas os 
profissionais que realizam atividades desvinculadas do ensino, mas também os assistentes 
sociais responsáveis pela formação acadêmica dos que procuram o Serviço Social como 
profissão. Daí se perguntar: como se explica a produção do conhecimento, embora tendo como 
objeto de pesquisa aspectos das expressões das questões sociais que justificam a existência 
do Serviço Social, não ser constante no fazer-se histórico da profissão? O que justifica a 
prática profissional descomprometida com o conhecimento da essência dos problemas sociais, 
da estrutura da questão social? Quais são as forças presentes no Serviço Social para que a 
sazonalidade da pesquisa detectada por Setubal (1995) ainda seja tão presente no Serviço 
Social, apesar da crescente produção científica hoje existente e da identificação por esta autora 
dos “elementos influenciadores e limites que se colocam na prática da pesquisa”?
São muitas as questões possíveis de serem levantadas pelas mentes inquietas 
existentes no Serviço Social. Por isso é que se vê como necessário o desenvolvimento da 
prática investigativa, não apenas para cumprir exigências institucionais de ordem acadêmica, 
mas também para cumprir exigências do Serviço Social como profissão historicamente situada.
A pesquisa no Serviço Social deve ir além das necessidades citadas neste trabalho, pois 
se defende a compreensão que, conscientemente, atribui importância e que, consequentemente, 
gera necessidades fomentadaspelo compromisso político-profissional do assistente social 
de realizar essa atividade; das necessidades sentidas pelos autores e atores profissionais 
envolvidos de vivenciarem a práxis social em Detrimento da práxis repetitiva, em que os gestos 
e os atos são efetivados em círculos determinados, e da “práxis mimétrica” que, de acordo 
com Lefebvre (1979, p. 39), está em um nível que apenas segue modelos que, sem saber o 
porquê e o para quê da ação, não atingem a criação.
Somente a práxis transformadora viabiliza a criação que “[...] compreende a decisão 
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teórica como a decisão de ação. Supõe tática e estratégia. Não existe atividade sem projeto; ato 
sem programa, práxis política sem exploração do possível e do futuro” (LEFEBVRE, 1979, p. 41).
Apesar dos avanços do Serviço Social, principalmente iniciados com o movimento de 
reconceituação, que acicataram os assistentes sociais a buscar novas alternativas de prática, 
dessa feita articulada com as práticas concretas das classes sociais, constata-se ainda, na 
primeira década do século 21, vivências profissionais anacrônicas, que nada lembram as 
conquistas históricas da profissão, sobretudo no plano teórico-metodológico. São atos que 
jamais serão atividades.
A submersão em condutas letárgicas impede de desvelar a riqueza complexa da 
realidade concreta, por isso são prejudiciais ao movimento de transformação.
Diante desse quadro contraditório vivenciado pelo Serviço Social, recorremos a Martinelli 
(1990, p. 17), quando diz: “Pensar o Serviço Social: eis a tarefa”. Tarefa que parece inviável sem a 
adoção da consciência crítica pautada na história e estruturada em consonância com a situação do 
homem, no processo de construção da sua vida e da vida dos outros homens e até da natureza. 
“Pensar o Serviço Social [...]”, do ponto de vista da pesquisa requer que exista na profissão a 
clareza da amplitude do projeto ético-político construído, desde a legalização da profissão no 
Brasil, e reconstruído a partir das bases apontadas. O conhecimento constituído possibilitará criar 
e/ou descobrir as conexões necessárias entre esse projeto e o mercado de trabalho.
Entrar no campo desse conhecimento requer que as IES, por intermédio dos cursos 
de Serviço Social, tenham claramente definidos os seus projetos pedagógicos, tomando por 
base suas diretrizes curriculares. Conteúdos que viabilizem não só a inserção dos egressos 
do curso ao mercado de trabalho, mas também uma fundamentação teórico-metodológica que 
assegure um agir-refletir crítico e uma intervenção que possa contribuir para a transformação 
social, cuja responsabilidade é de toda a sociedade e não somente do Serviço Social.
Consideram-se incontestes as necessidades do Serviço Social (na busca de aproximação 
do seu objeto histórico) de procurar entender, explicar, conhecer e apreender a realidade naquilo 
que lhe é essencial, com o apoio de procedimentos metodológicos cuidadosamente planejados 
e de uma sólida fundamentação teórica; realizar análise de situações concretas iniciando 
com a pesquisa da prática profissional na sua contextualidade e temporalidade histórica, ou 
seja, apreender a prática profissional no interior das múltiplas determinações do capitalismo 
contemporâneo. 
Ao se atribuir importância à ação investigativa, longe de se negar a importância da 
dimensão interventiva, pretende-se mostrar a íntima relação existente entre teoria e prática 
e a condição de centralidade que esses processos devem ocupar na formação e na vida 
profissional. Devido a essa relação, o Serviço Social inscreveu a pesquisa como matéria já no 
primeiro currículo mínimo determinado pela Lei no 1.889, de 13 de junho de 1953, que “dispõe 
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sobre os objetivos do ensino do Serviço Social, sua estruturação e ainda as prerrogativas dos 
portadores de diplomas de Assistentes Sociais e Agentes Sociais” (BRASIL, 1996). E reafirmou 
a sua importância no segundo currículo mínimo por intermédio do Parecer n. 286, que foi 
aprovado em 19 de outubro de 1962 (BRASIL, 1962). Apenas no terceiro currículo recomendado 
no Parecer no 242, aprovado em 13 de março de 1970 (BRASIL, 1970), a pesquisa não consta 
no elenco das matérias obrigatórias, por estar implícita no espírito integrador ensino-pesquisa 
da Reforma Universitária.
Com início em 1977, as unidades de ensino e a maestria da Associação Brasileira de 
Ensino de Serviço Social (ABESS, hoje ABEPSS) iniciam discussões sobre a reformulação 
do terceiro currículo mínimo, voltando a identificar a pesquisa como instrumento fundamental 
para uma sólida formação científica dos docentes e dos assistentes sociais na sua prática 
profissional. Dessas reflexões sobre a formação profissional resultou o quarto currículo, que foi 
aprovado por meio do Parecer no 412/82, do Conselho Federal de Educação (BRASIL, 1982). 
Já em 1996, as Diretrizes Curriculares, que viriam a ser estabelecidas pela Resolução 
no 15, de março de 2002 (BRASIL, 2002), reiteravam a matéria pesquisa como parte dos 
princípios básicos da formação profissional.
Ao trazer para o centro a preocupação com a pesquisa, o Serviço Social reconhece a sua 
complexidade como profissão histórica, inserida e construída no movimento real da formação 
social capitalista. Procura não se contentar com a aparência da coisa, descobre caminhos que 
conduzem à apreensão da essência da realidade e, com isso, justifica a razão do existir da 
teoria e da ciência. Como diz Marx (1980, p. 939), “[...] toda ciência seria supérflua se houvesse 
coincidência imediata entre a aparência e a essência das coisas”. Essência que só pode ser 
conhecida dentro da movimentação histórica. A importância da história, no contexto desta 
reflexão, longe de ser uma preocupação somente com o passado do objeto de intervenção e 
do próprio Serviço Social, tem no seu cerne as questões unificadoras do ser e do vir a ser do 
Serviço Social, apreensão possível, apenas, dentro da dimensão da práxis transformadora, 
resultante das objetivações humanas, explicitadas paulatinamente ao longo da história. 
Segundo Markus (1974), as objetivações são compreendidas tanto pelas forças 
produtivas materiais presentes na sociedade, quanto pela arte e pela filosofia. Aparentemente, 
esses três aspectos são insuficientes para dar conta da complexidade presente no cotidiano do 
indivíduo, enquanto ser particular. Contudo, constituem o tripé que sustenta as condições da 
vida humana; dão o design das experiências vivenciadas pelo homem, ser vivente e constituinte 
da sociedade, onde as leis do capital regem, de acordo com a sua lógica interna, o destino 
dos seus membros.
[...]
FONTE: Disponível em: <http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/katalysis/article/view/1140/3914>. 
Acesso em: 9 fev. 2011.
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Neste tópico você estudou que:
● A ABEPSS consiste na Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social.
● A pesquisa ocupa um papel primordial no processo de formação profissional do assistente 
social.
● Sugere-se que a formação profissional seja embasada por um repleto arsenal de informações 
históricas sobre a sociedade brasileira.
● A pesquisa, então, tanto no âmbito docente como discente, na graduação e na pós-graduação, 
apresenta-se como recurso indispensável para a compreensão das inúmeras formas de 
desigualdades sociais e dos processos de exclusão delas decorrentes.
● A relação do Serviço Social com a pesquisa surge em função de um processo histórico de 
amadurecimento intelectual e de ampliação das demandas sociais.
● O Serviço Social, em sua trajetória histórica, tem avançado quanto ao acúmulo de 
conhecimentos sobre o seu objeto de intervenção e sobre a natureza da própria profissão.
● A disciplina de Pesquisa em Serviço Social, na graduação, é fundamental à qualificação 
da atuação profissionalquando considerada a realidade dos estudantes de graduação no 
Serviço Social, a maioria deles trabalhadores, sem tempo para se dedicar exclusivamente 
aos programas de iniciação científica.
● O Serviço Social não deve direcionar o seu olhar apenas para a prática interventiva, mas 
sim buscar no desenvolvimento dos procedimentos da pesquisa o apoio para uma ação 
profissional mais dinâmica, questionadora e que trilhe com os diferentes movimentos 
emergentes da sociedade contemporânea, apontando o valor da ação investigativa para o 
procedimento técnico mais qualificado.
● A vivência de uma disciplina voltada para a pesquisa, na graduação, tem por objetivo 
principal o crescimento intelectual do graduando, o exercício da reflexão sobre a vida prática, 
incentivando os estudos de temas que atravessam o cotidiano profissional.
● Além da disciplina de Pesquisa em Serviço Social, outro espaço de exercício da pesquisa no 
RESUMO DO TÓPICO 3
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período da graduação consiste na experiência vivenciada pelo aluno em Estágio Curricular, 
através dos registros elaborados neste período.
● Torna-se fundamental conhecer o objeto de intervenção e, para tanto, incentivar a leitura da 
realidade institucional.
● É na graduação que se trabalha a formação de profissionais dotados de competência crítica 
e compromisso público com os impasses do desenvolvimento da sociedade nacional e suas 
implicações para a maioria dos trabalhadores brasileiros.
● O mundo acadêmico tem o papel de formar profissionais pesquisadores, assegurando uma 
formação que viabilize a capacidade autônoma de reflexão sobre os problemas que serão 
alvo da intervenção desses profissionais.
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1 Qual a importância da ABEPSS para a pesquisa no Serviço Social?
2 Em que medida a pesquisa pode qualificar a prática do Assistente Social?
3 No período da graduação, quais as áreas do curso de Serviço Social que estariam 
diretamente relacionadas à pesquisa? 
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ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIAS 
DO ASSISTENTE SOCIAL 
PESQUISADOR
1 INTRODUÇÃO
2 CONSIDERAÇÕES INTRODUTÓRIAS 
SOBRE O ATO DE PESQUISAR
TÓPICO 4
UNIDADE 2
Iniciaremos este tópico fazendo referência às considerações introdutórias do ato 
de pesquisar. Após, destacaremos os movimentos iniciais daquele que visa se tornar um 
pesquisador. Destacaremos também as competências essenciais no ato de pesquisar e, por 
fim, a importância da participação do pesquisador em Núcleos de Estudo e Grupos de Pesquisa.
São diferentes as atribuições que envolvem o ato de pesquisar. No Serviço Social estas 
emergem como significativas, para que o processo se desenvolva da forma devida.
Tem-se que a educação contemporânea não deve se limitar a formar alunos para dominar 
determinados conteúdos, mas sim que saibam “pensar, refletir, propor soluções sobre problemas 
e questões atuais, trabalhar e cooperar em conjunto na formulação de novos conhecimentos”.
(THOMAZ, 2008, [s./p.]).
O mundo acadêmico deve, sim, favorecer a formação de seres críticos e participativos, 
conscientes de seu papel nas mudanças sociais. Thomaz (2008, s/p) destaca que o mundo 
atual, permeado de mudanças e novas demandas, exige dos indivíduos “habilidades e atitudes 
diferenciadas das observadas em épocas anteriores”.
 
Dessa forma, a facilidade e a rapidez com que hoje é possível ter acesso à informação 
exigem “a necessidade de se trabalhar na formação de um sujeito crítico e consciente de seu 
papel na sociedade em constante transformação” (THOMAZ, 2008, [s./p.]).
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O profissional do século XXI, então, não pode ter o mesmo perfil de habilidades do século 
anterior. Não pode mais ignorar o que se passa no mundo. Necessita se inserir de maneira 
adequada no meio social e desenvolver competências de leitura de realidade condizentes.
Este profissional necessita, antes de tudo, ser crítico, ativo, com a capacidade de pensar 
e agir. Necessita saber pensar sobre tudo o que chega até ele através das novas tecnologias 
que se apresentam. 
Atualmente, tornou-se uma necessidade importante, no atual cenário, saber pesquisar 
e selecionar as informações para, a partir delas e da experiência, construir o conhecimento. 
Principalmente no Serviço Social, o ato da pesquisa é que virá contribuir para a eficácia da 
prática profissional.
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Na sua opinião, qual a importância da pesquisa na contemporaneidade?
3 TORNANDO-SE UM PESQUISADOR
São diferentes as experiências que visam implementar o espírito científico nos sujeitos, 
desde a formação em etapas iniciais na educação. 
Ulhôa et al. (2008) destacam as feiras de ciência como uma destas experiências, com 
o intuito de formar pesquisadores. Este seria o primeiro contato do indivíduo com o mundo da 
pesquisa e da busca pela descoberta da realidade que se apresenta.
Na compreensão de Ulhôa et al. (2008), é nestes espaços que os alunos fazem uso 
de suas próprias ideias ou de um tópico preparado pelo instrutor para investigar problemas 
científicos que lhes interessem. Ainda na compreensão dos autores:
Atualmente, estas feiras de ciências têm tido novos apelos e novas demandas e 
pode-se identificar uma relação direta entre esta retomada com um movimento 
de âmbito internacional, de incentivo a exposições, mostras, feiras e museus 
interativos de ciência e tecnologia (ULHÔA et al. 2008, p. 1).
O mundo atual, caracterizado pelas mudanças e conquistas científicas e tecnológicas 
em um ritmo acelerado, não pode atribuir unicamente à escola a função de informar e educar 
o cidadão. Essa postura apresenta uma habitual inércia e características específicas em seu 
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4 COMPETÊNCIAS ESSENCIAIS
 NO ATO DE PESQUISAR
Assim como em outras áreas, no Serviço Social existem competências essenciais para 
o pesquisador, no exercício da prática cotidiana. 
Conforme define Demo (2000), a pesquisa corresponde a um estudo cuidadoso, 
sistemático e paciente, em um determinado campo do conhecimento, visando à formulação 
ou estabelecimento de fatos ou princípios a respeito do problema ou assunto em questão. 
Dessa forma, não se deve confundir a pesquisa com a simples coleta de dados ou 
enquete de opiniões. 
Na concepção de Ludke e André (1986, p. 21), o ato de pesquisar subentende “promover 
ritmo educacional. As feiras de ciências, então, apresentam-se como uma forma de contribuir 
para a formação desse cidadão. Além disso, as feiras permitem, como prática pedagógica, a 
integração de dois ou mais componentes curriculares na construção do conhecimento. (ULHÔA 
et al. 2008)
Ulhôa et al (2008) também destacam que, logo na formação básica do estudante, 
os projetos de pesquisa propiciam o desenvolvimento de habilidades para a resolução de 
problemas, articulando conhecimentos adquiridos, instigando o desenvolvimento da criatividade, 
da autonomia e da colaboração.
FONTE: Disponível em: <http://www.abril.com.br/imagem/adolescentes-escola-
mesa.jpg>. Acesso em: 8 out. 2010.
FIGURA 29 – TORNANDO-SE UM PESQUISADOR
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o confronto entre os dados, as evidências, as informações coletadas sobre determinado assunto 
e o conhecimento teórico acumulado a respeito dele”.
Neto (2001) ressalta que toda pesquisa deva circunscrever um problema central e a 
ele dar tratamento ao longo do trabalho. A necessidade de realização da pesquisa, segundo o 
autor, deve então nascer da “insatisfação do pesquisador frente a um determinado problema, 
que o questiona, instiga e desafia. Na tentativa, então, de solucioná-lo, ou então dar-lhe um 
tratamento merecido, o pesquisador passa a daratenção por completo na investigação” (NETO, 
2001, p. 6).
Dessa forma, na descrição do problema envolvido pela pesquisa, espera-se encontrar, 
de forma explícita, a questão fundamental da investigação. E também, a apresentação e 
discussão dos polos de contradição de onde emerge a problemática de estudo.
Neto (2001) explica que antes de se partir para a pesquisa propriamente dita, torna-
se fundamental ter-se uma ideia bem clara do problema a se resolver. Trata-se de: “definir 
claramente os vários aspectos da dificuldade, de mostrar o seu caráter de aparente contradição, 
esclarecendo devidamente os limites dentro dos quais se desenvolverão a pesquisa e o 
raciocínio demonstrativo”. (NETO, 2001, [s./p.]).
Tais elementos destacados pelo autor constituem-se enquanto princípios fundamentais, 
os quais, esclarecidos, tendem a favorecer os processos seguintes da pesquisa, na busca pela 
resolução do problema de pesquisa identificado.
Neto (2001, p. 6) ressalta também que “solucionar” ou “resolver” um problema por 
intermédio de uma pesquisa científica talvez consista em muita pretensão, ou mesmo 
“impossível, quando se trata de um problema no campo social”. Isso se deve ao fato de que:
Primeiramente, somente a prática educacional pode fornecer indicadores de 
que determinado problema está ou não sofrendo processo de solução. Em 
segundo, porque as raízes e as causas desses problemas podem ser tão di-
versas e múltiplas que sua solução por vezes não se encontra ao alcance de 
apenas um trabalho acadêmico, exigindo quase sempre transformações do 
próprio sistema social ou sistema sociopolítico econômico (NETO, 2001, [s./p.]).
Principalmente no Serviço Social, as respostas são meros resultados obtidos em 
determinada realidade. Estes estarão em constante mudança, carecendo do contínuo processo 
de acompanhamento destes fenômenos, assim como processos sociais que se apresentam 
na realidade.
Em suma, para Neto (2001), a pesquisa científica, no Serviço Social, deve:
a) Produzir conhecimentos sobre determinados assuntos na área.
b) Solucionar problemas reais (imediatos ou não) concebidos por um indivíduo ou grupo.
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c) Compreender o funcionamento da natureza/sociedade do contexto social.
d) Intervir nos processos sociais, visando à melhoria dos mesmos.
FONTE: Disponível em: <http://www.jornallivre.com.br/images_
enviadas/a-profissao-servico-social-pre.jpg>. Acesso em: 8 
out. 2010.
Historicamente, explica Neto (2001, p. 7), a pesquisa era vista tão somente numa 
perspectiva empírico-indutiva, em que o papel do sujeito (pesquisador) era de “mero observador 
`neutro´ da realidade, sendo impregnado exclusivamente pelas emanações do objeto em 
estudo”. A atividade do pesquisador resumia-se, então, a “extrair, de maneira sensorial e indutiva, 
o conhecimento que era posto no objeto (não sujeito)” (NETO, 2001, p. 8).
Contrapondo-se a essa prevalência do objeto, Neto (2001) compreende que, 
contemporaneamente, o conhecimento é elaborado pela mente humana a partir de uma relação 
dialética entre sujeito e objeto. E mais: “O conhecimento resultante da atividade científica não 
está previamente situado no objeto, nem tampouco é formulado pelo sujeito a partir de reflexão 
exclusivamente teórica (racionalismo)” (NETO, 2001, [s./p.]).
Com base nesta compreensão, o pesquisador, então, ao se debruçar sobre determinada 
porção da realidade para estudo e investigação (objeto), já observa essa realidade de maneira 
não neutra, “em face de toda sua experiência de vida antecedente e a todo o cabedal de 
conhecimento que acumula.” (NETO, 2001, [s./p.]).
Da mesma forma, segundo Neto (2001), a realidade observada interfere nessa 
percepção, modificando o sujeito incessantemente. Nesta relação articulada e concomitante 
FIGURA 30 – COMPETÊNCIAS NO ATO DE PESQUISAR
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sujeito-objeto, o conhecimento se assenta no entrelaçamento interativo e constitutivo de ambos, 
sem haver concentração ou privilégio de um ou outro. (NETO, 2001)
Assim sendo, o Assistente Social deve ser capaz de realizar uma leitura da realidade, 
compreendendo os processos contraditórios que se apresentam, tendo a capacidade de 
construir estratégias que venham a contribuir para a solução das problemáticas que se 
apresentam no cotidiano.
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Por que “solucionar” ou “resolver” um problema por intermédio 
de uma pesquisa científica talvez consista em muita pretensão?
5 PARTICIPAÇÃO EM NÚCLEOS DE 
ESTUDO E GRUPOS DE PESQUISA
Os Núcleos Temáticos constituem-se instâncias pedagógicas que integram ensino, 
pesquisa e extensão. São estes os responsáveis academicamente pela organização e efetivação 
de pesquisas sobre situações concretas no âmbito da questão social – objeto de trabalho 
do assistente social: sistematização e produção de conhecimentos teórico-metodológicos 
e instrumentais no âmbito de suas respectivas áreas temáticas, que vêm a impulsionar a 
formulação de respostas profissionais criativas e condizentes com os objetivos profissionais.
Compreende-se que a formação teórico-metodológica e operativa garantida nos 
Núcleos está voltada para o atendimento das demandas postas no mercado de trabalho e à 
identificação de novas necessidades sociais, que possibilitem a ampliação e diversificação do 
espaço ocupacional do Serviço Social.
Constituem-se, enquanto objetivo dos Núcleos Temáticos de Pesquisa e Prática, a 
apreensão e antecipação da compreensão de demandas no campo do conhecimento, assim 
como da ação profissional. Além de constatarem e compreenderem esta realidade, é necessária 
a exigência de competência profissional teórico-operativa para articular respostas, adiantando-
se às demandas sociais. 
Exercem também importância como impulsionadores da renovação de conteúdos 
programáticos das disciplinas do curso, sugerindo alterações em função das descobertas 
efetuadas a partir do acompanhamento da dinâmica da realidade na área temática que lhe é 
concernente. 
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Existem alguns critérios de prioridades para os núcleos de pesquisa e prática, os quais 
dão norte para as políticas de pesquisa, de estágio, assim como de extensão. Diferentes 
universidades têm feito uso destes critérios, e aqui citamos, sumariamente, alguns deles, com 
base na experiência da UFRJ, descritos por Iamamoto (2005):
● Estreitamento de laços da universidade com a sociedade política e a sociedade civil, 
respondendo à demanda de órgãos públicos, entidades e associações representativas da 
sociedade civil e, concomitantemente, ampliando canais de participação da sociedade na 
universidade.
● Possibilidade de integração de estágio, projetos de pesquisa e de extensão.
● Possibilidade de um trabalho interdisciplinar no interior da comunidade universitária e fora 
dela.
● Potencial para o desenvolvimento de pesquisas sobre os processos sociais constitutivos na 
sociedade brasileira atual, em suas determinações gerais e em suas expressões particulares 
e singulares.
● Realização de pesquisas que versem sobre situações concretas que são objeto de trabalho 
do assistente social, visando explicá-las e, a partir delas, formular propostas de trabalho 
profissional conciliadas com a realidade, que permitam acionar tendências de mundos nela 
presentes.
● Possibilidade de obtenção de bolsas de pesquisa, extensão e treinamento profissional e/
ou outras fontes de apoio financeiro aos estagiários e pesquisadores, para dar suporte, em 
nível de recursos humanos, materiais e financeiros, às atividades de pesquisa e/ou extensão, 
viabilizando a dedicação dos acadêmicos e docentes às mesmas.
Iamamoto (2005) apresenta a possível composição sugerida a estes núcleos, que seriam:
● Professores da faculdade reunidos em função de suas pesquisas, especialização teórica, 
atividades de extensão ou experiência profissional.
● Alunosdo curso de Serviço Social, em função de sua inserção nos estágios, projetos de 
pesquisa e extensão e dos temas de TCC.
● Supervisores de campo.
● Supervisores acadêmicos.
● Professores pesquisadores de outras unidades de ensino ou de fora da universidade.
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● Representantes de organizações e movimentos sociais, quando for o caso. 
Iamamoto (2005) também destaca que novos núcleos poderão ser criados, assim 
como podem ser dissolvidos os já existentes, de acordo com as necessidades conjunturais, 
acompanhando a dinamicidade do projeto acadêmico da Faculdade de Serviço Social e o 
movimento da realidade conjuntural, evitando-se a cristalização burocrático-administrativa 
dos núcleos.
Em relação à pesquisa, os núcleos congregam as seguintes atividades:
● Projetos de pesquisa curriculares, realizados sob a orientação da disciplina de Pesquisa em 
Serviço Social.
● Projetos de pesquisas docentes.
● Iniciação científica.
Torna-se possível, também, a articulação do conteúdo da disciplina de pesquisa com 
as demandas e a produção acadêmica dos núcleos temáticos, de modo que os projetos de 
investigação a serem elaborados e executados pelos alunos permitam fomentar os programas 
de trabalho dos núcleos.
FONTE: Disponível em: <http://www.fan.com.br/portal/wp-content/uploads/
assistente_social_gg.jpg>. Acesso em: 20 out. 2010.
FIGURA 31 – GRUPOS DE PESQUISA
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Em relação à produção do conhecimento na área do Serviço Social, tem-se a emergência 
e a consolidação de um amplo leque de temas oriundo das pesquisas realizadas na área, 
sinalizando num significativo avanço da produção do conhecimento, tanto em termos de rigor 
teórico, histórico e metodológico da realidade social, como da ampliação de conhecimento sobre 
os processos sociais contemporâneos, os quais implicam na constituição e no desenvolvimento 
do capitalismo, do Estado, da sociedade civil, do trabalho, da pobreza, da exclusão, da 
democracia, da cidadania, das políticas sociais e do Serviço Social.
Torna-se necessário que o pesquisador apresente uma postura investigativa à luz 
dos procedimentos da pesquisa acadêmica. Todas as disciplinas devem solicitar exercícios 
que desenvolvam o interesse pela leitura, o incentivo ao levantamento bibliográfico através 
de visitas a bibliotecas, a busca de material na internet; o ensaio para o desenvolvimento de 
entrevistas e questionários, a elaboração de resenhas e resumos para refinar a redação, visitas 
a instituições para apurar a sensibilidade quanto à observação e a escuta, oficinas de filmes 
e documentários.
No campo da produção do conhecimento, o Serviço Social como profissão apresenta uma 
história de avanços e conquistas na busca de sua consolidação, oferecendo sustentação teórica 
e metodológica à atuação profissional. Neste sentido, a prática problematizada materializa-se 
em fonte de reflexão e construção de conhecimentos sobre seu objeto de intervenção. 
A postura investigativa, desenvolvendo uma pesquisa sistemática e crítica da realidade 
social, propicia, então, a elaboração de um projeto de intervenção embasado nas reais 
demandas do público atendido pelo Serviço Social, respaldado em um projeto ético-político.
FONTE: Adaptado de: <http://www.maxwell.lambda.ele.puc-rio.br/13785/13785.PDFXXvmi=Z2tsZ-
V9S0gffU0tH096xXGgicJL9D8dCbH5aDf3EwjTrko9kxfSvWaP9TBjxKwaWeg7Svbw3vrvQ
QFcoU5VSgL2anlI9TT69bd2IpzMV1iNSZ0iU6eNm1Pxpchz7bFgnTj7jSTgUd4Oc477alUxn-
L6OXnn5A4mZXG6iA1zveEkqJrxTOtsdfz2eXqkxuHwtnEMZFmuT2PlLhUG7o9kEImTGNefi-
VNNkrAk7XP10GnLZis6HCqmlOg3CujVr7JNzk>. Acesso em: 9 fev. 2011.
LEITURA COMPLEMENTAR
TESSITURA INVESTIGATIVA: A PESQUISA CIENTÍFICA 
NO CAMPO HUMANO-SOCIAL
Latif Antonia Cassab
Curso de Serviço Social, Faculdade Estadual de Ciências Econômicas de Apucarana 
(FECEA-Paraná)
1. A pesquisa científica
Pesquisar é desenvolver uma atividade – como um processo, onde a preocupação 
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maior é com o produto – que recebe a marca dos condicionantes sociais vigentes, com fins 
propostos e objetivos a alcançar.
Caracteriza-se por um estudo de questões ou focos de interesses muito amplos; 
manifesto em procedimentos, interações cotidianas, que no decorrer do processo, à medida 
que o estudo se desenvolve, torna-se mais direto e específico. Ou seja, trata-se de um estudo 
determinado por um problema. 
Várias são as razões para determinar uma pesquisa, podendo dividi-las em dois grandes 
grupos: os de razões intelectuais e os de razões práticas. A pesquisa é um inquérito ou exame 
cuidadoso para descobrir novas informações ou relações, possibilitando ampliar e verificar 
o conhecimento existente. É requerida quando não se dispõe de informação suficiente para 
responder ao problema ou quando a informação disponível está em estado de desordem, que 
não pode ser adequadamente relacionada ao problema. A pesquisa é importante pelo fato 
de proporcionar respostas significativas à solução dos problemas de ordem prática que são 
propostos.
É usual falar em pesquisa mencionando-a como simples coleta de dados. No entanto, a 
pesquisa científica pode ser entendida como forma de observar, verificar e explanar fatos para 
os quais o homem necessita ampliar a compreensão que já possui a respeito dos mesmos. A 
pesquisa supõe curiosidade, criatividade, interrogação, superação da aparência, opção teórica, 
entre outras coisas.
A ação de se propor um projeto de conhecimento e empreender as atividades que 
conduzam a esse conhecimento é que recebe, comumente, o nome de pesquisa, termo que 
é empregado para designar, também, o resultado final do processo, isto é, a investigação 
pronta e verbalmente comunicada. Fazer pesquisa é, portanto, fazer ciência, ou, em outras 
palavras, dispor-se a conhecer cientificamente, com investigações mais profundas, alguma 
coisa e efetivar tal intenção.
Possui dois princípios gerais, válidos na investigação científica, que podem ser assim 
sintetizados: a relação entre subjetividade e objetividade e sistematização de informações 
fragmentadas. Indica, ainda, princípios particulares, aqueles que são válidos para a pesquisa, 
em determinado campo do conhecimento, e os que dependem da natureza especial do objeto 
da ciência em pauta.
Assim, a pesquisa é um procedimento formal, com método de pensamento reflexivo, 
que requer um tratamento científico, e se constitui no caminho para se conhecer a realidade 
ou para se descobrir verdades. 
Para Gatti (1998), o grande objetivo da pesquisa tem sido responder aos problemas 
emergentes ao conhecimento humano, compreendendo-os e situando-os e, preferencialmente, 
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identificando e formulando possíveis soluções aos problemas que ainda estão por vir, 
antecipando desta forma respostas para solucioná-los ou minimizá-los. O que pressupõe política 
de fomento dos órgãos que estimulam e apoiam pesquisas, constância e continuidade no 
trabalho, e pesquisadores dedicados a temas preferenciais por períodos longos, caracterizando 
uma certa especificidade em sua contribuição ao conhecimento científico.
O problema abordado pela pesquisa qualitativa apresenta-se como um obstáculo, 
percebido parcialmente e de forma fragmentada pelos sujeitos envolvidos – pesquisador e 
pesquisado, através de uma análise assistemática. A partir de uma imersão do pesquisador 
na vida e no contexto e circunstância em que o problema surge e se desdobra, este vai se 
definindo e sendo delimitado, o que requer, do pesquisador “[...] contatos duradouros com os 
informantes que conhecem esse objeto e emitem juízos sobre ele” (CHIZZOTTI, 1991, p. 81).
Enunciar problemas requer experiência e maturação perante uma temática. 
O problema se configura como uma questão que não tem uma resposta 
plausível imediata ou evidente, assim sendo, necessita-sede esforços es-
pecíficos, metódicos, na obtenção de respostas. Desta forma, o início de um 
procedimento investigativo parte de um problema adequadamente formulado, 
cientificamente exequível, pela via dos procedimentos eleitos, coerente com a 
natureza da abordagem pretendida e disposto em uma perspectiva de análise 
(GATTI, 2002, p. 57).
Os dados coletados, obtidos nessas pesquisas, são colhidos em situações onde os 
sujeitos da pesquisa transitam e constroem sua vida – onde os modos de vida, as culturas, as 
experiências eclodem. Neste processo, os registros dos dados são analisados, geralmente, por 
um processo indutivo (raciocínio em que de fatos particulares se tira uma conclusão genérica), 
rico em descrições de pessoas, situações, acontecimentos, incluindo transcrições de entrevistas 
e de depoimentos, fotografias, desenhos e extratos de vários tipos de documentos. 
Os dados qualitativos expressam descrições minuciosas de situações, acontecimentos, 
sujeitos, experiências, atitudes, crenças e pensamentos; e podem contar com fragmentos ou 
passagens completas de documentos, correspondência, registros.
O pesquisador mantém um contato estreito e direto com a situação onde os fenômenos 
ocorrem. Ao considerar os diferentes pontos de vista dos indivíduos, os estudos qualitativos 
possibilitam iluminar o dinamismo interno das situações, geralmente inacessível ao observador 
externo. Os significados impressos pelas pessoas às coisas e à sua vida devem ser focos 
de atenção do pesquisador, o qual precisa de acuidade com suas percepções, ao revelar os 
pontos de vista dos indivíduos, suas experiências e cultura, compreendendo-os não apenas 
no campo do pensamento, mas enquanto um sentimento materializado no âmbito prático do 
cotidiano. Deve, por isso, encontrar meios de checá-los, discutindo-os abertamente com os 
partícipes do processo de pesquisa ou confrontando-os com outros pesquisadores para que 
possam ser ou não confirmados. 
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Assim, busca-se romper com padrões predeterminados de pesquisa e propõe-se 
a investigação da condição de vida dos indivíduos, os desafios que lhes são impostos 
cotidianamente, considerando os aspectos políticos que perpassam por esta construção 
humana e social – incluindo não apenas as relações econômicas de seus sujeitos, mas as 
experiências, hábitos, tradições, maneira de viver ou resistir às transformações em suas lutas 
diárias, permitindo que se avalie a maneira como essas experiências são elaboradas em termos 
culturais. Assim, [...] a história é objeto de uma construção cujo lugar não é o tempo homogêneo 
e vazio, mas um tempo saturado de ‘agoras’” (BENJAMIN, 1994, p. 229).
Neste fazer, privilegia-se a concepção de que os homens fazem sua própria história – e, 
consequentemente, a sabem contar muito bem! – enfatizando a transmissão pela oralidade, seja 
através das canções, cantos populares, poesias, como também pinturas, fotografias, festas e 
outros acontecimentos comemorativos, denotando, nos meandros das escolhas e significados, 
o caráter político da vida (FENELON, 1995).
Como toda ação humana, o fazer pesquisa qualitativa não exclui dos sujeitos da 
pesquisa – pesquisador e pesquisado – o caráter político de suas atividades, pois não 
existe neutralidade política. Ao contrário, o fazer pesquisa qualitativa é um exercício político, 
encharcado de intencionalidades. Segundo Martinelli (1994), ao produzirmos o desenho da 
pesquisa e ao elegermos os prováveis sujeitos que dela participarão, temos como referência 
um projeto político singular, que se conecta a projetos mais amplos, e que pode estar referido 
ao projeto de sociedade que defendemos. 
Neste sentido, o contato direto com o sujeito da pesquisa é condição sine qua non para 
captar a percepção que ele detém sobre sua vida e os aspectos sociais que a engendram; 
bem como para não desconectá-lo de sua estrutura, “[...] buscando entender os fatos, a partir 
da interpretação que faz dos mesmos em sua vivência cotidiana” (MARTINELLI, 1994, p. 14). 
O resultado das ‘falas’ e observações feitas pelo pesquisador não pode ser produto de um 
sujeito postado fora das significações que os indivíduos atribuem aos seus atos; mas deve 
expressar o desvelamento do sentido social que os indivíduos constroem em suas interações 
cotidianas (CHIZZOTTI, 1991).
O exercício de pesquisa pela via qualitativa, para Martinelli (1994), subentende alguns 
pressupostos. Primeiramente, o reconhecimento da singularidade do sujeito que se expressa 
e, como consequência, o segundo pressuposto trata da importância em conhecer a experiência 
social do sujeito e não apenas a sua circunstância de vida – a qual se expressa, por exemplo, 
pelas condições materiais, diferentemente do que é dado pelo modo de vida, que expressa a 
forma como é ela engendrada a partir, principalmente, da inserção em uma dimensão cultural. 
O que conduz ao terceiro pressuposto: o conhecimento da experiência social do sujeito, a qual 
deve ser apreendida pelo pesquisador, valendo-se das metodologias compreensivas, para 
conhecer os significados atribuídos pelo sujeito à sua trajetória de vida.
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A pesquisa qualitativa surge contrapondo-se à forma positivista de conhecer e produzir 
conhecimentos – reconhecidos como objetivos e científicos e que buscam, nos fenômenos 
em estudo, as leis de causa e efeito ou relações funcionais deterministas – para o âmbito das 
ciências humano-sociais. 
Advoga a pesquisa compreensiva, que o cenário humano-social é constituído pela 
complexidade, por contradições existentes nos fenômenos e permeado pela imprevisibilidade 
e originalidade das relações interpessoais e sociais, necessitando de uma especificidade 
epistemológica e, consequentemente, metodológica ao fazer ciência. No entanto, ao contrapor-
se ao modelo de estudos pautado pelas ciências físicas e naturais, apropriado pelo campo das 
ciências humano-sociais, é necessário conhecer, minimamente, sua origem e desdobramentos. 
Para rematar, recorre-se às palavras de Gatti (2002, p. 47): “Tudo isso corresponde a uma 
construção histórica, que se mostrou possível e talvez até necessária em certo contexto da 
civilização ocidental”.
[...]
FONTE: Disponível em: <http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/katalysis/article/view/1133/3913>. 
Acesso em: 9 fev. 2011.
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Neste tópico você pôde observar que:
● O mundo acadêmico deve, sim, favorecer a formação de seres críticos e participativos, 
conscientes de seu papel nas mudanças sociais.
● Saber pesquisar e selecionar as informações para, a partir delas e da experiência, construir 
o conhecimento, tornou-se uma real necessidade da atual sociedade.
● São diferentes as experiências que visam implementar o espírito científico com os sujeitos, 
desde a formação em etapas iniciais na educação. Uma destas experiências, com o intuito 
de formar pesquisadores, têm sido as feiras de ciências.
● Os projetos de pesquisa visam diretamente o planejamento, desenvolvimento, avaliação e 
divulgação de pesquisas de natureza científica no âmbito acadêmico.
● Não se deve confundir a pesquisa com a simples coleta de dados ou enquete de opiniões.
● Toda pesquisa deve circunscrever um problema central e a ele dar tratamento ao longo do 
trabalho.
● Os Núcleos Temáticos constituem-se instâncias pedagógicas que integram ensino, pesquisa 
e extensão.
● Constituem-se objetivo dos Núcleos Temáticos de Pesquisa e Prática a apreensão e 
antecipação da compreensão de demandas no campo do conhecimento, assim como da 
ação profissional.
● A pesquisa curricular discente deve neles se integrar como subprojetos de pesquisas em 
andamento e/ou responder a demandas do trabalho profissional nele circunscrito.
RESUMO DO TÓPICO 4
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1Destaque as principais experiências que têm contribuído para a formação do 
pesquisador no mundo acadêmico.
2 Demo (2000) afirma que não se deve confundir a pesquisa com a simples coleta de 
dados ou enquete de opiniões. Explique esta afirmação.
3 Qual a importância dos Núcleos de Pesquisa e Extensão para a pesquisa no Serviço 
Social?
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ELEMENTOS DE UM PROJETO DE 
PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
1 INTRODUÇÃO
2 O PROJETO DE PESQUISA NO SERVIÇO SOCIAL
TÓPICO 5
UNIDADE 2
Neste tópico apresentaremos, inicialmente, a importância e o significado do projeto de 
pesquisa no Serviço Social. Destacaremos, sumariamente, os elementos que fazem parte do 
projeto de pesquisa. Apresentaremos também como se dá a coleta de dados, destacando alguns 
dos principais instrumentos para esta prática. Por fim, teceremos sumárias considerações sobre 
as formas de se mensurar e apresentar os resultados da pesquisa advinda da prática realizada.
São diferentes as áreas do conhecimento que fazem uso da pesquisa. Para a 
sistematização do estudo, propõe-se a elaboração de um Projeto de Pesquisa. 
Compreende-se que o projeto de pesquisa é o meio básico para a elaboração teórica, 
metodológica, instrumental e da proposição de agentes humanos para o desenvolvimento e 
avaliação da pesquisa. Constitui-se ainda na forma fundamental para explicitar os materiais 
e os métodos a serem empregados durante o processo de investigação e os resultados a 
serem alcançados ao final de um período de trabalho.
FONTE: Adaptado de: <http://www.unemat.br/prppg/docs/Roteiro_pp.pdf>. Acesso em: 9 fev. 2011.
Segundo Neto (2001), a elaboração do projeto de pesquisa consiste num passo 
importante na vida do pesquisador, pois “este se esforça para elencar um problema da realidade 
a ser estudado. Este momento é desafiante, já que a produção acadêmica é algo que exige 
tempo, curiosidade epistemológica, organização pessoal e método” (NETO, 2001, [s./p.]).
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O trabalho científico exige tanto uma concepção de mundo e de ciência como um recorte 
da realidade concreta e particular. Dessa forma, é necessário ter uma previsão de como será 
realizada a pesquisa, indicando “o que pesquisar, a sua relevância, as formas de execução e 
os custos materiais, financeiros e as exigências temporais” (NETO, 2001, p. 8).
No Serviço Social, o Projeto de Pesquisa consiste num caminho que vai orientar o 
pesquisador ou grupos de pesquisa durante a investigação. Consiste no “planejamento de 
uma pesquisa, ou seja, é ele que vai esclarecer os rumos da pesquisa, evitando assim muitos 
imprevistos que poderiam até mesmo impedir a sua realização.” (NETO, 2001, p. 9).
Com base nestas considerações, tem-se que um Projeto de Pesquisa sempre deve 
esclarecer sobre os elementos que irão compor a investigação; precisa ser bem planejado, 
para que possa orientar sobre os caminhos a percorrer.
FONTE: Disponível em: <http://www.iapar.br/arquivos/Image/ciencia_e_
tecnlogia.jpg>. Acesso em: 9 fev. 2011.
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O que é um projeto de pesquisa?
São vários os motivos que levam à elaboração de um projeto de pesquisa, os quais 
incidem em importância significativa para o Serviço Social. Dentre eles, reporta-se a Neto 
(2001), para sumários esclarecimentos:
● O projeto organiza as ideias e formas de estruturação do trabalho segundo 
as percepções, interesses, anseios e competências dos membros envolvidos. 
● Ele constitui um dos elementos de ligação interna do grupo e de relaciona-
FIGURA 32 – PROJETO DE PESQUISA
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mento do grupo com a comunidade (divulgação). 
● Ele fornece elementos para nortear a execução e avaliação do trabalho dentro 
de critérios estabelecidos pelo grupo, autonomamente ou não. 
● É, sobretudo, um guia de todo o trabalho, embora não necessariamente as 
etapas previstas tenham de ser cumpridas de modo rígido, linear e sequen-
cialmente; ou seja, é um guia de trabalho individual ou coletivo e não somente 
um indicativo para o grupo (NETO, 2001, [s./p.]).
No Serviço Social, assim como em outras áreas do conhecimento, pode-se definir o 
projeto de pesquisa como respeitando elementos que fazem referência a:
● Ter ou conceber um problema.
● Refletir sobre ele.
● Formular possíveis soluções.
● Estabelecer as mais plausíveis.
● Delinear um projeto e implementá-lo.
● Avaliar seus resultados e
● Divulgar os novos conhecimentos alcançados.
Ressalta-se que antes de se iniciar a elaboração de um Projeto de Pesquisa, no Serviço 
Social, deve-se ter claro o tema ou o assunto de estudo, assim como a problemática geradora 
da necessidade de se realizar o trabalho. Deve-se ter ciência também, segundo Neto (2001), 
sobre o estágio atual dos estudos referentes a ele. Assim sendo, no Projeto de Pesquisa devem 
aparecer três polos relacionados ao processo de construção do conhecimento: o epistemológico, 
o teórico e o metodológico. Com base em Neto (2001), explica-se cada um deles, a seguir:
● Epistemológico: se caracteriza pela atitude problematizadora, ou seja, realiza a crítica e 
discute o caminho percorrido pela ciência no que tange àquilo que o pesquisador deseja 
aprofundar em termos de conhecimentos e que fundamenta a pesquisa para que possa 
avançar na explicitação do objeto de estudo e da relação deste com os sujeitos que estão 
envolvidos na investigação.
● Teórico: referente aos estudos já desenvolvidos por diferentes autores sobre o tema, bem 
como o estágio atual das pesquisas.
● Metodológico: se refere aos caminhos e às técnicas que o pesquisador deve percorrer para 
realizar a pesquisa. 
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Ressalta-se que estes polos estão imbricados, ou seja, não se pode separá-los. Ao 
contrário, no projeto de pesquisa e nos resultados alcançados, estes polos se aproximam, o 
que faz com que o conhecimento seja produzido e avance cada vez mais.
O Projeto de Pesquisa, no Serviço Social, deve oferecer respostas do tipo: 
● O que pesquisar? (Definição do problema) 
● Por que pesquisar? (Justificativa)
● Para que pesquisar? (Objetivos) 
● Como pesquisar? (Metodologia) 
● Quando pesquisar? (Cronograma) 
● Com que recursos? (Orçamento) 
● Pesquisado por quem? (Pesquisadores)
Seguindo estes princípios básicos se terá base para o início da elaboração do projeto 
de pesquisa, o qual servirá de base de estudos para a busca de soluções das diferentes 
problemáticas identificadas.
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Vale relembrar que um projeto de pesquisa não necessita ter um 
grande volume de páginas. A concisão na apresentação das ideias 
já é uma boa evidência de um planejamento adequado. O projeto 
não precisa ter uma capa ou folha de rosto, pode ser escrito como 
um texto único e sequencial, obviamente destacando os títulos 
e subtítulos dos diferentes itens apresentados. O importante é 
que seja uma proposta clara e coerente.
FONTE: Disponível em: <http://www.ufrgs.br/bioetica/projeto.
htm>. Acesso em: 9 fev. 2011.
3 ELEMENTOS DO PROJETO DE 
PESQUISA NO SERVIÇO SOCIAL
Um projeto de pesquisa, no Serviço Social, deve apresentar características fundamentais. 
Algumas delas são citadas por Neto (2001), e seriam:
● apresentar um tema bem delimitado e claramente definido, articulando a 
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fundamentação teórica com a pesquisa empírica;
● oferecer argumentos sólidos, livres de vieses; neste sentido, sugere-se que 
se eliminem todas as explicações ou afirmações que não sejam consequências 
de uma argumentação objetiva e clara;
● ter coerência lógica interna;
● apresentar um referencial teórico adequado e atualizado, com base em 
revisão bibliográfica, considerando o estado de arte em que se encontram as 
pesquisas e as críticase avaliações existentes sobre o tema proposto;
● apresentar elementos para justificar a relevância científica, social, episte-
mológica e tecnológica do projeto e a necessidade de apoio solicitado (se for 
o caso) (NETO, 2001, [s./p.]).
Para atender a estas características elencadas, ao se definir um projeto de pesquisa 
torna-se fundamental:
● determinar com precisão o que será estudado, ou seja, delimitar e configurar o problema 
de estudo;
● demonstrar com clareza os objetivos a serem alcançados, isto é, onde o projeto pretende 
chegar;
● delimitar o campo de observação, contextualizando o problema a ser investigado;
● eliminar critérios arbitrários ou viesados, apresentando os argumentos com grande lucidez;
● converter os problemas em operações práticas, para possibilitar uma análise consistente, 
bem como, facilitar a verificação das hipóteses e/ou da problemática investigada;
● realizar uma profunda revisão bibliográfica e selecionar o material que se utilizará como 
referência;
● explicitar as atividades a serem desenvolvidas pelos/as pesquisadores/as, associando-as 
a um cronograma de execução. 
FONTE: Disponível em: <http://www.unemat.br/prppg/docs/Roteiro_pp.pdf >. Acesso em: 9 fev. 2011.
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FONTE: Disponível em: <http://api.ning.com/files/BJz7BvuQ5yt-
TUkOkY1TvMWCM1DTbRBBB2Poz5CC8AG0_/li8vro2.
jpg>. Acesso em: 9 fev. 2011.
Quanto ao roteiro de um projeto de pesquisa, compreende-se que as etapas ou a 
estrutura do texto do projeto podem ser variadas. Estes variam conforme:
● a área de pesquisa;
● com os autores no campo da metodologia científica;
● com as agências ou instituições acadêmicas; 
● com as convicções e características peculiares de pesquisadores ou grupos 
de pesquisa. (NETO, 2001, p. 10).
Na Unidade 3 deste Caderno de Estudos apresentaremos o roteiro de Projeto de 
Pesquisa, com base em diferentes modelos socializados por autores no Serviço Social.
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A adequada citação do material bibliográfico utilizado é um 
dos pressupostos éticos da produção científica. As Referências 
permitem ao leitor do projeto verificar as fontes de informações 
usadas na elaboração do projeto, permitindo recuperar e 
confrontar dados. Independentemente do padrão de referência 
utilizado, o importante é que elas sejam apresentadas de forma 
completa e uniforme. O padrão Vancouver é o mais utilizado 
atualmente. As Referências devem ser lidas criticamente, devem 
ter confiabilidade e devem ser adequadamente documentadas. 
Um cuidado especial deve ser tomado com relação a fontes 
eletrônicas, especialmente as provenientes da Internet. Todas 
elas devem ser referidas com a data da consulta e impressas 
para documentação, pois são feitas muitas modificações neste 
tipo de meio.
FONTE: Disponível em: <http://www.ufrgs.br/bioetica/projeto.
htm>. Acesso em: 9 fev. 2011.
FIGURA 33 – PROJETO DE PESQUISA
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4 A COLETA DE DADOS DA
 PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
A coleta de dados das pesquisas, no Serviço Social, consiste na necessidade de 
selecionar os instrumentos adequados a serem utilizados para tal. Deve-se definir uma série 
de normas sobre os instrumentais a serem utilizados no registro de mensuração de dados, 
para que estes tenham validez e confiabilidade.
Uma pergunta pertinente na coleta de dados seria: Quais seriam os meios mais eficazes 
para registrar e mensurar os fenômenos?
Considera-se que um meio é eficaz quando tenha um alto grau de confiabilidade e 
assegura que os dados sejam os mais próximos da realidade estudada. A confiabilidade é 
uma condição necessária, porém, não suficiente. Os resultados só serão possíveis se os 
instrumentos de coleta de dados forem confiáveis.
Para melhor operacionalizar a pesquisa no Serviço Social, o acadêmico deve ter a 
clareza de que:
a) Deve ter a clareza sobre os objetivos e propósitos da pesquisa.
b) Deve trabalhar as hipóteses relacionando as variáveis e categorias de análise a serem 
estudadas.
c) Com base nas variáveis, deve-se definir o que se pretende mensurar, através de seus 
componentes (BARROS; LEHFELD, 2003).
Por fim, para selecionar um instrumento de medição, deve-se relacionar o instrumental 
técnico que o pesquisador conheça, e sabe operacionalizar, com o que se pretende medir. 
Ressalta-se que no caso da pesquisa de abordagem metodológica qualitativa, 
cotidianamente utilizada no Serviço Social, existe um processo contínuo de construção dos 
instrumentais para a realização da coleta de dados. Passa-se a destacar alguns deles, que 
consistem em importantes elementos para as técnicas de coleta de dados.
a) Questionário e formulário
O questionário e o formulário são instrumentos muito utilizados para o levantamento de 
informações. Diferenciam-se apenas no que se refere à forma de aplicação. O questionário é 
preenchido pelo próprio entrevistado, e o formulário é preenchido indiretamente, isto é, pelo 
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entrevistador.
Ao se elaborar o questionário se deve ter a preocupação de determinar o tamanho, 
o conteúdo, a organização e a clareza da apresentação das questões, a fim de estimular o 
informante a responder.
Barros & Lehfeld (2003, p. 55) ressaltam também que o pesquisador deve ter uma 
preocupação constante quanto à maneira pela qual as questões do questionário serão redigidas. 
“Da redação e da formatação das perguntas, segundo os autores, depende em grande parte 
o sucesso da pesquisa”.
O questionário apresenta, como todo instrumento de pesquisa, suas vantagens e 
limitações. Estas seriam:
● Vantagem: a vantagem maior diz respeito à possibilidade de se abranger um grande 
número de pessoas. É um instrumento muito útil para certas pesquisas em que se 
procuram informações sobre pessoas que estão geograficamente dispersas. Outro fator 
que pode colaborar para a escolha pela aplicação de questionários diz respeito ao custo. 
O questionário custa menos para o pesquisador do que as entrevistas.
● Limitações: destaca-se que nem todos os grupos respondem bem aos questionários. 
Também não pode ser aplicado indiscriminadamente a muitas pessoas de classes sociais 
e categorias diferenciadas, porque não conseguirá, provavelmente, abranger questões 
que sejam bem compreendidas por todos. 
FONTE: Barros; Lehfeld (2003, p. 19)
A apresentação do questionário deve ser a melhor possível. Deve-se preocupar com o 
tipo de letra, disposição das questões e o papel. Ressalta-se que o questionário se apresenta 
sozinho, não exigindo a habilidade presente dos entrevistadores.
FONTE: Disponível em: <http://cgoncalves.com/wp-content/
uploads/2010/10/questionario.jpg>. Acesso em: 9 fev. 2011.
FIGURA 34 – QUESTIONÁRIO OU FORMULÁRIO
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b) Observação
A observação consiste numa das técnicas de coleta de dados imprescindível em toda a 
pesquisa científica. Observar significa aplicar atentamente os sentidos a um objeto para dele 
adquirir um conhecimento claro e preciso (BARROS; LEHFELD, 2003).
É da observação do cotidiano que se formulam os problemas que merecem estudo. A 
observação, então, constitui-se na base das investigações científicas. 
Na medida em que a observação sofre uma sistematização, planejamento e for 
submetida a controles de objetividade, ela pode ser considerada uma técnica científica.
Considera-se que a observação é uma técnica que sempre auxilia o pesquisador em 
suas pesquisas. O pesquisador iniciante pode ir aos poucos observando e registrando os 
fenômenos que aparecem na realidade. Posteriormente, recomenda-se que o observador se 
prepare adequadamente, com cuidados especiais para cada estudo realizado.
A maior vantagem do uso da observação em pesquisa, segundo Barros E Lehfeld, (2003, 
p. 41), está relacionada “à possibilidade de se obter a informação na ocorrência espontânea 
do fato”.Para alguns pesquisadores, com destaque nas pesquisas desenvolvidas no Serviço 
Social, a observação é considerada como um recurso fundamental para a realização das suas 
pesquisas.
c) Entrevista
A entrevista consiste em uma técnica que permite o relacionamento entre entrevistado 
e entrevistador.
Elas podem ser classificadas em estruturadas e não estruturadas. 
● Entrevistas Estruturadas: são aquelas que trazem as questões previamente formuladas. 
Nesta, o entrevistador estabelece um roteiro prévio de perguntas; não há liberdade de 
alteração dos tópicos e nem se faz a inclusão de questões frente às situações.
● Entrevistas não estruturadas: o pesquisador, através do estabelecimento de uma conversa 
amigável com o entrevistado, busca levantar dados que possam ser utilizados em análise 
quantitativa e qualitativa, selecionando-se os aspectos mais relevantes de um problema 
de pesquisa.
FONTE: Disponível em: <http://www.eadcon.com.br/Eadcon/download/Apostilas2010_01/FL.PEDA_
Pesq_Prat_Pedag_II.pdf>. Acesso em: 9 fev. 2011.
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Observa-se que ambas as entrevistas são muito utilizadas nas pesquisas no Serviço 
Social. A escolha se dará de acordo com a finalidade que se tem com a pesquisa.
FONTE: Disponível em: <http://4.bp.blogspot.com/_ApSS4_1adcQ/S_
VSiPLEiAI/AAAAAAAAAM0/Nx7H3ah7Gtc/s1600/entrevista_
de_trabajo1.jpg>. Acesso em: 9 fev. 2011.
d) História de vida
No Serviço Social, quando se tem a preocupação de obter dados relativos à linha 
histórica de vida de pessoas envolvidas em situações e fenômenos pesquisados, faz-se uso, 
na maioria das vezes, da técnica de história de vida.
Segundo Barros e Lehfeld (2003, p. 64), por meio desta técnica, acadêmicos do Serviço 
Social “procuram levantar as opiniões e reações dos entrevistados acerca da história das suas 
vidas”. Nas entrevistas, o pesquisador procura deixar que o pesquisado, livremente, reconstrua 
a sua vida até os dias atuais. Neste relato, busca ressaltar os atos e/ou aspectos que mais 
interessam para a pesquisa.
A técnica da história de vida tem se mostrado de suma importância para a pesquisa 
no Serviço Social.
e) Estudo de caso
No Serviço Social, o estudo de caso caracteriza-se como uma metodologia de estudo 
que se volta à coleta de informações sobre um ou vários casos particularizados. É também 
considerada como uma metodologia qualitativa de estudo, pois não está direcionada a se obter 
generalizações de estudo e nem há preocupação fundamental com o tratamento estatístico 
e de quantificações dos dados em termos de representação e/ou de índices.
FONTE: Adaptado de: <www.valentim.pro.br/Slides/Metodologia/Estudo_de_Caso.ppt >. Acesso em: 
9 fev. 2011.
FIGURA 35 – ENTREVISTA
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E mais... segundo Barros e Lehfeld (2003, p. 54), pode-se realizar um estudo de 
caso tipificando “um indivíduo, uma comunidade, uma organização, uma empresa, um bairro 
comercial, uma cultura, dentre outros”.
f) Grupo Focal
O Grupo Focal, ou também chamado grupo de foco, é considerado um instrumento 
muito útil para a obtenção de opinião e atitudes a respeito de políticas, serviços, instituições, 
produtos, dentre outros. São, basicamente, grupos de natureza qualitativa e intencionalmente 
formados.
A montagem dos grupos focais exige um processo de planejamento que levante as 
principais características dos participantes com potencial, o número apropriado dos grupos 
e de elementos para compô-lo. Deve-se também escolher o melhor local, horários e dias 
para a realização das sessões.
A decisão do pesquisador quanto ao número de grupos focais a serem realizados 
dependerá da natureza da pesquisa. Existe uma noção aceita de que são necessários pelo 
menos dois grupos para que o pesquisador possa comparar as observações feitas e os 
dados obtidos.
FONTE: Adaptado de: <http://www.visionvox.com.br/biblioteca/p/projeto-de-pesquisa.txt>. Acesso em: 
9 fev. 2011.
Por fim, é papel do pesquisador agir como moderador do grupo, conduzindo as reuniões, 
não deixando que o grupo perca o foco de análise e de discussões. Introduz a temática para a 
discussão e vai estimulando a reflexão e explanação. Ao final, a pesquisa resume as opiniões 
expressas e busca o consenso sobre a síntese apresentada (BARROS; LEHFELD, 2003).
FIGURA 36 – GRUPO FOCAL
FONTE: Disponível em: <http://www.stickel.com.br/atc/uploads/focal.jpg>. Acesso 
em: 9 fev. 2011.
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Um elemento importante a se considerar, segundo Barros e Lehfeld (2003, p. 65), é 
que, “muitas vezes, as ações não transcorrem como se planeja”. Conforme for implementado o 
projeto, há necessidade frequente de avaliações e replanejamento. É preciso constantemente 
refletir sobre cada passo dado, sobre cada resultado obtido. Refletir sobre a prática, replanejar, 
retomar o trabalho e assim sucessivamente.
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Destaque um dos instrumentos de coleta de dados e elenque suas 
principais características.
5 MENSURANDO OS RESULTADOS DA 
PESQUISA NO SERVIÇO SOCIAL
5.1 ANALISANDO OS DADOS
Tendo em mãos os dados coletados, o pesquisador sabe que deverá colocar toda a 
sua atenção para a organização, leitura e análise dos dados.
Analisar significa buscar sentido mais explicativo dos resultados da pesquisa. Significa 
ler através dos índices, dos percentuais, da falas dos pesquisados, a leitura e decomposição 
de depoimentos obtidos em pesquisas, com ênfase nas pesquisas.
FONTE: Adaptado de: <comp.unicruz.edu.br/~mcadori/Metodologia%20Cientifica/.../Aula%2014.doc>. 
Acesso em: 9 fev. 2011.
A interpretação está ligada à análise. Esta pode ser qualitativa, quantitativa e quanti-
qualitativa. A interpretação seria a capacidade de se voltar à síntese sobre os dados, entendendo-
os em relação a um todo maior, e em relação a outros estudos já realizados na mesma área. 
São processos que se complementam e acontecem como síntese, numa totalidade (BARROS; 
LEHFELD, 2003).
O objetivo desta fase consiste em sumariar, classificar e codificar as observações 
feitas e os dados obtidos. O pesquisador deve, em seu planejamento, explicar as principais 
operações a serem desenvolvidas para confrontar seus dados com os objetivos e questões 
propostas para o estudo.
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5.2 ELABORANDO O RELATÓRIO DA 
PESQUISA NO SERVIÇO SOCIAL
Ao iniciar a redação do relatório de um projeto de pesquisa, o pesquisador social deve 
sentir-se gratificado por ter conseguido chegar ao término de um processo que na maioria das 
vezes foi trabalhoso, permeado por dificuldades. Significa o ápice de um trabalho científico 
realizado, como pode também representar o surgimento de novos projetos de pesquisa, 
a partir de questionamentos não concluídos ou da descoberta de aspectos relevantes no 
estudo da problemática.
A preocupação desta fase será a de poder deixar registrado todo o caminho percorrido 
durante a pesquisa, especificando os elementos que possam ser importantes para a análise 
posterior do estudo realizado. Tal preocupação deve estar presente, quer se trate de relatório 
científico original; um trabalho-síntese sobre determinado assunto; uma dissertação ou tese 
de pós-graduação. 
Cada um destes itens se explica a seguir, com base em Barros e Lehfeld, (2003):
a) Relatório científico original: consiste de pesquisas, experiências de demonstrações 
realizadas pela primeira vez. Trata-se de trabalhos inéditos e que contribuem para o 
progresso do conhecimento científico.
b) Síntese e resumo de assunto: este tipo de pesquisa é efetuado em grande escala em nível 
acadêmico, onde o estudante não tem o objetivo ou as condições técnicas e intelectuais 
Por sua vez, para poder chegar à analise é necessário que os dados passem por um 
processo de organização baseado numa leitura prévia.
A fase da análise dos dados consiste num momento muitoimportante de todas as 
pesquisas, pois é nela que se buscarão as respostas pretendidas, através da utilização de 
raciocínios indutivos, dedutivos, comparativos, dentre outros. Esse processo de interpretação 
dos dados subentende ainda a construção anterior das categorias analíticas dos estudos e o 
desenho do quadro referencial. 
Em muitas pesquisas no Serviço Social, a forma da condução na análise dos dados é 
delineada antes da fase da coleta de dados, orientando a sua execução.
O êxito da análise de dados dependerá, indiscutivelmente, do próprio pesquisador, do 
nível de seu conhecimento, da sua imaginação, de seu bom-senso e de sua bagagem teórico-
prática, capacidade de argumentação e de elaboração propriamente ditas.
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adequadamente prontas para a realização de um empreendimento original.
c) Dissertação ou tese de pós-graduação: ela é elaborada com base numa pesquisa 
bibliográfica e/ou campo destinado a promover a aquisição de novos conhecimentos. Toda 
dissertação e tese são ainda consideradas como atividades de elaboração acadêmico 
científica necessárias à obtenção de título de mestrado e doutorado em programas de 
pós-graduação.
Ressalta-se que alguns aspectos devem ser observados na elaboração de um 
relatório, tais como:
- uso adequado da linguagem e da gramática;
- assimilação e uso correto de vocabulário técnico-científico e estilo.
Por fim, os relatórios de pesquisa devem demonstrar o desempenho do pesquisador 
durante o processo investigatório, seus avanços e recuos. Não devem ser confundidos 
com o memorial, que são relatórios ou documentos que apresentam análise e reflexões 
do pesquisador sobre a sua própria trajetória pessoal e de formação acadêmico-científica.
Os relatórios técnicos de pesquisa, sejam eles parciais ou finais, não necessitam ser 
defendidos, mas sim socializados, no sentido de tornar públicos os resultados alcançados 
com o estudo.
FONTE: Adaptado de: <http://www.visionvox.com.br/biblioteca/p/projeto-de-pesquisa.txt>. Acesso em: 
9 fev. 2011.
Encerra-se este tópico com considerações pertinentes citadas por Lorenzato & Fiorentini 
(1999), as quais fazem referência à prática da pesquisa no Serviço Social, que seriam: 
● o conhecimento está sempre comprometido com sua realidade histórica; 
● a pesquisa traz consigo, inevitavelmente, uma carga de valores; 
● é impossível separar-se o sujeito da pesquisa, o pesquisador e o objeto de estudo; 
● todo ato de pesquisa é um ato político; 
● fatos e dados não se revelam gratuita e diretamente aos olhos do pesquisador; 
● todo pesquisador possui seus princípios e pressuposições que o colocam longe da neutralidade 
científica. 
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Tais princípios direcionam e contribuem para que os resultados dos estudos, conforme 
planejados, sejam, então, devidamente alcançados. 
Na próxima Unidade chegou o momento de você, acadêmico(a), exercitar a elaboração 
de um projeto de pesquisa. Todo o conteúdo trabalhado até aqui será fundamental. Dessa 
forma, retome-o atentamente.
Bons estudos e até lá.
FONTE: Disponível em: <http://2.bp.blogspot.com/_s2g6SrLlfMM/
SXJq16pScPI/AAAAAAAAAIA/vsegH-hvdwg/s400/relatorio.
jpg>. Acesso em: 9 fev. 2011.
LEITURA COMPLEMENTAR
SOBRE O MÉTODO DA HISTÓRIA ORAL EM SUA 
MODALIDADE TRAJETÓRIAS DE VIDA
Rita de Cássia Gonçalves
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
Teresa Kleba Lisboa
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
[...]
Acerca dos pressupostos da pesquisa qualitativa
A pesquisa qualitativa tem sido resgatada nas ciências sociais por se considerar que 
ela abarca uma relação inseparável entre o pensamento e a base material, entre a ação de 
homens e mulheres enquanto sujeitos históricos e as determinações que os condicionam, entre 
o mundo objetivo e a subjetividade dos sujeitos pesquisados. Esta forma de abordagem tem 
FIGURA 37 – RELATÓRIO FINAL
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sido valorizada, uma vez que trabalha com o universo de significados, representações, crenças, 
valores, atitudes, aprofundando um lado não perceptível das relações sociais e permitindo a 
compreensão da realidade humana vivida socialmente.
A tradição de pesquisa na sociologia a partir do Iluminismo foi fortemente centrada 
na neutralidade e objetividade científica, no distanciamento do pesquisador e numa relação 
impessoal. A partir da filosofia kantiana, a relação entre sujeito e objeto começa a ser enfatizada 
nas ciências sociais, e a pesquisa em si, apesar de ter como fim básico a produção de 
conhecimento, passa a ser enfocada, acima de tudo, como uma relação entre sujeitos.
Por isso, as metodologias qualitativas trazem uma contribuição significativa tanto para 
o Serviço Social como para as ciências sociais, pois se revelam particularmente eficazes em 
áreas exploratórias, especialmente em campos temáticos, onde inexistem fontes de informações 
acessíveis e organizadas. Também são indispensáveis para compreender fenômenos que se 
manifestam em longos intervalos de tempo – como o caso de trajetórias de mobilidade social 
ou mudanças geracionais – ou ainda manifestações sociais que, por sua abrangência, exigem 
a coleta exaustiva de dados padronizados. Além disso, desempenham importante papel na 
elaboração de hipóteses e construção de novas teorias (CAMARGO, 1987).
Contudo, não pretendemos nos contrapor à pesquisa quantitativa, uma vez que sempre 
existirão abordagens em que a apreensão do objeto na sua totalidade levará o pesquisador a 
assumir a sobreposição dos dois enfoques, como bem ressaltado por Minayo (1996, p. 22): “o 
conjunto de dados quantitativos e qualitativos não se opõem. 
Ao contrário, se complementam, pois a realidade abrangida por eles interage 
dinamicamente, excluindo qualquer dicotomia”. A contribuição da pesquisa qualitativa, que 
é o enfoque deste artigo, estende-se desde as fronteiras da antropologia e da etnografia, 
passando pela etnometodologia, a hermenêutica e diversas modalidades de estruturalismo, 
até as análises históricas comparadas, relatos orais, método biográfico e outras técnicas da 
história oral. As metodologias qualitativas vêm abrindo novas perspectivas para se pensar novas 
abordagens teórico-metodológicas que contemplem as duas figuras da modernidade: razão e 
sujeito (TOURAINE, 1994), bem como para estabelecer uma relação entre os dois pilares da 
sociedade: ação e estrutura (GIDDENS, 1989).
Martinelli (1999) ressalta três pontos que conferem importância à pesquisa qualitativa: 
o seu caráter inovador, como pesquisa que se insere na busca de significados atribuídos pelos 
sujeitos às suas experiências sociais; a sua dimensão política que, como construção coletiva, 
parte da realidade dos sujeitos e a eles retorna de forma crítica e criativa; e, por ser um exercício 
político, uma construção coletiva, a sua realização pela via da complementaridade, não da 
exclusão. Além disso, ao contemplar a abordagem qualitativa para o objeto de investigação 
social, o pesquisador deve considerar que as pessoas envolvidas no processo de pesquisa 
são “[...] sujeitos de estudo, pessoas em determinadas condições sociais, pertencentes a 
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determinado grupo social ou classe, com suas crenças, valores e significados” (MINAYO, 1993, 
p. 22), e que esse objeto apresenta-se em permanente estado de transformação.
2 A história oral como uma proposta de produção de conhecimento em Serviço 
Social
A fonte oral se constitui como base primária para a obtenção de toda a forma de 
conhecimento, seja ele científico ou não. Para Queiroz (1987), o relato oral tem sido, através 
dos séculos, a maior fonte humana de conservação e difusão do saber, ou seja, a maior fonte 
de dados para a ciência em geral; a palavra antecedeu o desenho e a escrita. Esta, quando 
inventada, não foi mais doque uma cristalização do relato oral. Thompson (1992) também 
afirma que a história oral é tão antiga quanto a própria História, pois ela foi a primeira espécie 
de história. Os relatos orais passam a ser valorizados pouco a pouco pelas ciências sociais, na 
medida em que se percebe que comportamentos, valores, emoções permanecem escondidos 
nos dados estatísticos. Com o tempo e com o avanço de outras disciplinas, como a linguística, a 
semiótica e a antropologia, foi reconhecido que o discurso do ator social tem uma lógica própria 
e estrutura-se como ‘linguagem’, podendo permitir a compreensão de fenômenos sociais que 
escapam à observação fria e distante do pesquisador (CAMARGO, 1987).
Desta forma, optamos em trazer para estudo investigativo o método da história oral, 
que se apresenta como uma valiosa contribuição para as ciências sociais e para o Serviço 
Social, fundamentalmente porque as pesquisas com os usuários ou sujeitos que recorrem às 
instituições sociais têm exigido esse ‘novo olhar’.
Em pesquisas desenvolvidas com mulheres trabalhadoras (LISBOA, 2004), com 
aposentados e aposentadas (GONÇALVES, 2006), com mulheres em situação de violência 
(LISBOA; PINHEIRO, 2005), moradoras de comunidades de periferia que migraram de áreas 
rurais para as grandes cidades (LISBOA, 2003), a história oral tem desvendado questões outrora 
obscuras a partir da investigação da realidade desses sujeitos, das suas ações e relações que 
se ocultam nas estruturas sociais.
Nas áreas urbanas, por exemplo, as trajetórias das famílias de migrantes podem ser 
tomadas como trilhas de vida no tempo e no espaço, começando com rotinas cotidianas 
estendendo-se a movimentos migratórios. Da mesma forma, as trajetórias sócio-ocupacionais 
irão mostrar as rupturas e descontinuidades na carreira profissional de homens e mulheres 
decorrentes da perda do emprego, de contraírem doenças e das dificuldades de ascensão na 
escala da mobilidade social; ao mesmo tempo, apontam a multiplicidade de funções assumidas 
por esses sujeitos múltiplos, que exercem sucessivamente diferentes tipos de ocupações no 
espaço social.
A história oral, enquanto método investigativo, também tem sido utilizada para ressaltar 
a crescente participação de mulheres na economia informal, valorizando as experiências de 
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socioeconomia solidária, os processos de criação de cooperativas e associações – uma área 
ainda pouco conhecida e um tema pouco pesquisado.
Alberti (1990, apud SILVA, 1998, p.118) define história oral como [...] um método de 
pesquisa (histórica, antropológica, sociológica etc.) que privilegia a realização de entrevistas 
com pessoas que participam de, ou testemunharam acontecimentos, conjunturas, visões de 
mundo como forma de se aproximar do objeto de estudo [...] Trata-se de estudar acontecimentos 
históricos, instituições, grupos sociais, categorias profissionais, movimentos etc., à luz de 
depoimentos de pessoas que deles participaram ou os testemunharam. Em sua perspectiva, 
Aspásia Camargo (1994) afirma que a história oral é um instrumento pós-moderno para se 
entender a realidade contemporânea. Pós-moderno por sua elasticidade, imprevisibilidade 
e flexibilidade. Para a autora, a história oral é, ao mesmo tempo, uma fonte e uma técnica, 
mas a grande preocupação é convertê-la em metodologia, aqui entendida como um conjunto 
de procedimentos articulados entre si, cuja finalidade é obter resultados confiáveis que nos 
permitam produzir conhecimento. 
Por outro lado, o método da história oral é claramente multidisciplinar, uma vez que tem 
permitido a inter-relação entre as disciplinas de Serviço Social, História, Sociologia, Antropologia, 
Psicologia, Ciências Políticas, Educação, e outras. Esse caráter multidisciplinar tem contribuído 
para a análise da complexidade socioeconômica e cultural com a qual o trabalhador social se 
defronta na atualidade.
[...]
4 Trajetórias de vida como construtos histórico-sociais
O método da história oral utiliza diferentes técnicas de entrevista para dar voz a sujeitos 
invisíveis e, por meio da singularidade de seus depoimentos, constrói e preserva a memória 
coletiva. Pesquisadores que trabalham com história oral (Life-Course- Forschung) na Europa, 
e mais especificamente na Alemanha, utilizam as terminologias “biografia” e “trajetória de vida” 
como procedimentos metodológicos dessa abordagem.
Born, Krüger e Lorenz-Meyer (1996) afirmam que a pesquisa relacionada com trajetórias 
de vida é uma área relativamente nova na sociologia, tendo como ponto de partida a mobilidade 
social, bem como a trajetória das mulheres que iniciam uma carreira profissional e a mudança 
de status e de rotina que isso acarreta em suas vidas: interrompem sua carreira profissional 
porque decidem ter um filho, constituir família, ou optam em sair do emprego.
Para as pesquisadoras alemãs, trajetórias de vida (Lebenslauf) é considerado um 
“construto científico”, definido em primeira mão pela perspectiva metodológica adotada, podendo 
utilizar dados quantitativamente analisáveis que possuam relação direta com a sequência 
cronológica da vida dos indivíduos (DAUSIEN, 1996). No entender dessa autora, a trajetória de 
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vida é denominada cientificamente de “transcurso”, pois analisa mudanças sociais, passagens de 
status, de situação econômica, de atividades profissionais, utiliza datas significativas, períodos, 
números, enfim, aspectos quantitativos e qualitativos relacionados na mesma abordagem. 
Nesta perspectiva, a trajetória de vida é considerada uma instituição social, um sistema de 
regras que rege/conduz as relações do indivíduo na modernidade.
Luz Arango (1998), pesquisadora colombiana, também utiliza o termo “trajetória”, 
mas com ênfase na trajetória social como um ciclo da vida, como uma etapa da vida. Para 
a autora, “trajetória social” é o encadeamento temporal das posições que os indivíduos 
ocupam sucessivamente nos diferentes campos do espaço social. Em cada momento de sua 
existência, os indivíduos ocupam simultaneamente várias posições, que resultam obviamente do 
entrelaçamento entre os campos profissionais e familiares. A noção de trajetória, para Bourdieu 
(1989), é uma série de posições sucessivamente ocupadas por um mesmo agente – ou mesmo 
grupo – em um espaço, ele próprio em devir e submetido a transformações incessantes.
[...]
FONTE: Disponível em: <http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/katalysis/article/view/1145/5743>. 
Acesso em: 9 fev. 2011.
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Neste tópico você estudou que:
● O projeto de pesquisa é o meio básico para a elaboração teórica, metodológica, instrumental 
e da proposição de agentes humanos para o desenvolvimento e a avaliação da pesquisa.
● No Serviço Social, o Projeto de Pesquisa consiste em um caminho que vai orientar o 
pesquisador ou grupos de pesquisa durante a investigação.
● O Projeto de Pesquisa consiste no planejamento de uma pesquisa, ou seja, é ele que vai 
esclarecer os rumos da pesquisa, evitando assim muitos imprevistos que poderiam até 
mesmo impedir a sua realização.
● Um Projeto de Pesquisa sempre deve esclarecer sobre os elementos que irão compor a 
investigação.
● Antes de se iniciar a elaboração de um Projeto de Pesquisa, no Serviço Social, deve-se ter 
claro o tema ou o assunto de estudo, assim como a problemática geradora da necessidade 
de se realizar o trabalho.
● Quanto ao roteiro de um projeto de pesquisa, compreende-se que as etapas ou a estrutura do 
texto do projeto podem ser variadas. Variam conforme: a área de pesquisa; com os autores 
no campo da metodologia científica; com as agências ou instituições acadêmicas; com as 
convicções e características peculiares de pesquisadores ou grupos de pesquisa.
● Todo projeto de pesquisa apresenta três partes principais, que seriam: parte inicial (tema,justificativa, revisão bibliográfica); parte intermediária (problema, objetivos e processos 
metodológicos) e parte final (resultados e as contribuições esperadas; cronograma e 
bibliografia).
● A coleta de dados das pesquisas, no Serviço Social, consiste na necessidade de selecionar 
os instrumentos adequados a serem utilizados para tal.
● Tendo em mãos os dados coletados, o pesquisador sabe que deverá colocar toda a sua 
atenção para a organização, leitura e análise dos dados.
RESUMO DO TÓPICO 5
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1 Quais as respostas que um Projeto de Pesquisa, no Serviço Social, deve oferecer?
2 Quais as principais características que são exigidas na elaboração de um Projeto de 
Pesquisa?
3 Dentre os diferentes instrumentos de coleta de dados apresentados neste tópico, 
destaque um que julgue o mais apropriado para a pesquisa em Serviço Social. 
Justifique o porquê.
4 Quais as principais características exigidas em um Relatório de Pesquisa?
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Prezado(a) acadêmico(a), agora que chegamos ao final da 
Unidade 2, você deverá fazer a Avaliação referente a esta unidade.
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UNIDADE 3
PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL: 
PLANEJAMENTO, EXECUÇÃO E 
RESULTADOS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir desta unidade você será capaz de:
•	 exercitar os elementos do projeto de pesquisa;
•	 elaborar hipóteses e definir o delineamento de um projeto de 
pesquisa;
•	 compreender as variáveis e a amostragem na pesquisa em Serviço 
Social;
•	 elaborar os instrumentos de coleta de dados na pesquisa em 
Serviço Social;
•	 definir a análise dos dados e compreender os elementos que 
envolvem um relatório de pesquisa em Serviço Social.
PLANO DE ESTUDOS
A Unidade 3 está dividida em cinco tópicos e, ao final de cada 
um deles, você terá a oportunidade de fixar seus conhecimentos 
realizando as atividades propostas. O conteúdo está assim dividido:
TÓPICO 1 – RETOMANDO OS ELEMENTOS DO PROJETO 
DE PESQUISA
TÓPICO 2 – CONSTRUINDO AS HIPÓTESES E 
DEFININDO O DELINEAMENTO DA 
PESQUISA
TÓPICO 3 – VARIÁVEIS E AMOSTRAGEM NA PESQUISA 
EM SERVIÇO SOCIAL
TÓPICO 4 – INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS E O 
TRABALHO DE CAMPO
TÓPICO 5 – ANÁLISE DOS DADOS E A ELABORAÇÃO 
DO RELATÓRIO DA PESQUISA
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Neste tópico retomaremos os elementos de um projeto de pesquisa, exemplificando com 
um projeto de pesquisa na área do Serviço Social. O(a) acadêmico(a) também será instigado 
a elaborar o seu projeto de pesquisa, como forma de aprendizagem e exercício acadêmico. 
O contexto acadêmico apresenta um caminho já consagrado para a elaboração de um 
projeto de pesquisa. Este abrange não somente a mobilização de uma ideia, como também 
a sua apresentação final. É preciso destacar alguns aspectos que são relevantes para o 
desenvolvimento de um bom projeto de pesquisa. 
Inicialmente deve-se escolher o tema. Para tanto, o pesquisador deverá observar:
1 Afetividade em relação ao tema.
2 Tempo disponível para a realização do trabalho de pesquisa e entrega do relatório.
3 Disponibilidade de orientador para acompanhar o projeto.
4 Limite das capacidades do pesquisador em relação ao tema.
5 A importância do tema escolhido.
6 Material de consulta e dados necessários ao pesquisador.
É através da definição do assunto que o pesquisador começa a encaminhar a sua 
proposta de pesquisa. O assunto deve ser escolhido de acordo com o interesse do acadêmico 
e suas inclinações, pois a pesquisa depende da motivação e do interesse do acadêmico para 
ter êxito. De acordo com Eco (2003), a escolha do assunto exige que o tema responda aos 
RETOMANDO OS ELEMENTOS DO 
PROJETO DE PESQUISA
1 INTRODUÇÃO
2 PASSOS PARA A ELABORAÇÃO DE UM PROJETO
TÓPICO 1
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interesses do pesquisador, que as fontes de consulta sejam acessíveis e manejáveis e que o 
quadro metodológico da pesquisa esteja ao alcance da expectativa do pesquisador.
Isso quer dizer que se o pesquisador optar por um assunto de interesse de terceiros, 
certamente não terá a motivação suficiente para concluí-la. O pesquisador não pode, ou não 
deveria, realizar uma pesquisa onde suas condições não lhe ofereçam a possibilidade de 
realizá-la com eficiência. É fundamental que o pesquisador tenha noção sobre o que pode e 
o que deseja pesquisar.
Outro aspecto de suma importância são as fontes de pesquisa. Não se faz uma pesquisa 
sem uma boa fundamentação técnica e bibliográfica. Por isso, é importante a diversificação de 
obras e textos que possam oferecer elementos diversos na confecção do relatório de pesquisa.
A delimitação do assunto sempre representa um momento complexo, pois o pesquisador 
terá que, dentro da imensidão do tema, definir um aspecto para desenvolver a sua pesquisa. 
Se o assunto for de grande alcance, isso significa que a compreensão será pequena, porque 
quanto maior for o domínio e a especificação do assunto, melhor será a delimitação e o alcance 
da pesquisa.
A delimitação requer um conhecimento prévio. Isso implica dizer que o pesquisador 
já realizou alguma leitura exploratória, apresentando um bom conhecimento sobre o tema 
proposto. A delimitação deve ser feita com a noção do que se quer buscar. Além disso, dentro 
da pesquisa, auxilia no seu aprofundamento e na sua objetividade
Ressalta-se que o planejamento, o detalhamento e a análise de todas as possibilidades, 
dos prós e contras são prerrequisitos essenciais para o desenvolvimento de uma pesquisa. 
Isso porque existe grande perigo da pesquisa ser iniciada e o pesquisador perder o rumo da 
mesma, acarretando a descaracterização de seu estudo.
Almejando evitar esse risco, é preciso que o pesquisador tenha definido com extrema 
clareza a sua área de maior afinidade e preferência. Torna-se importante que o pesquisador 
avalie com pessoas especialistas no assunto, por meio de discussões de qual seria a delimitação 
do seu problema e quais os objetivos que sua pesquisa deseja alcançar.
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Caro(a) acadêmico(a), chegou a hora de você iniciar a elaboração 
do seu projeto de pesquisa. Para esta elaboração, sugere-se que 
você elenque três temas que mais lhe chamam a atenção em 
relação às questões sociais apresentadas na contemporaneidade. 
Para isso, preencha o quadro a seguir.
Tema 1
Tema 2
Tema 3
Definidos os três temas de maior interesse, chegou a hora de você 
optar por aquele no qual tem mais implicação, que emerge como 
o mais relevante para você. Escolha-o e com base neste, elabore 
o seu trabalho.
Tema Escolhido
FONTE: Disponível em: <http://3.bp.blogspot.com/_gZuciGPHBvQ/
S-64K_on9YI/AAAAAAAAAR8/Kx0UYO2Ugro/s1600/
conhecimento.jpg>. Acesso em: 10 fev. 2011.
FIGURA 38 – CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO
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O problema sempre deve ser objeto de grande importância. É em função do problema 
que se faz a investigação, pois no transcorrer do estudo o pesquisador precisa apresentar 
uma resposta. Não é possível a realização de uma pesquisa acadêmica sem a presença de 
um problema. A pesquisa visa, exatamente, resolver esta dúvida, e é o problema que motiva 
as diversas hipóteses. No final do processo de busca, o pesquisador deverá apresentar uma 
resposta de maneira clara e precisa.
Importa ressaltar que o problema de pesquisa deverá ser formulado como uma pergunta 
delimitada a uma dimensão variável. O pesquisador terá que desenvolver uma pergunta que 
possa merecer admiração e exija esforço para ser resolvida. Quanto mais claro e preciso for 
o problema, mais rica também será a pesquisa.
Sabe-se que a pesquisa, no Serviço Social, determina umgrupo de atitudes que são 
propostas visando resolver uma determinada questão social. Essas atitudes são baseadas 
em procedimentos sistemáticos e racionais. Dessa forma, frequentemente a pesquisa irá 
ser desenvolvida a partir de um problema para o qual não se tem uma solução, ou mesmo, 
informações para resolvê-lo.
No Serviço Social, as etapas de um projeto de pesquisa podem ser:
● Elaboração do projeto de pesquisa (escolha do tema; revisão de literatura; justificativa; 
formulação do problema; determinação dos objetivos; metodologia; organização de um 
cronograma; definição de recursos).
● Execução (coleta de dados, organização dos dados, análise e discussão dos resultados; 
conclusão).
● Apresentação dos resultados (artigo, monografia, tese, trabalho escolar etc.).
O projeto de pesquisa consiste na planificação da pesquisa, sendo representado 
por uma bússola, que aponta o norte do pesquisador. Não há pesquisa sem planejamento 
e organização, por isso o projeto de pesquisa torna-se indispensável.
O projeto de pesquisa, depois de aprovado, viabiliza o desenvolvimento da pesquisa 
propriamente dita. Ou seja, a criação de um projeto de pesquisa significa uma profunda 
preparação para executar ações que almejam buscar respostas a um questionamento inicial.
Assim, entende-se que o documento chamado projeto consiste no resultado obtido 
3 O QUE É O PROBLEMA DE PESQUISA?
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ao se projetar no papel tudo o que é necessário para o desenvolvimento de um conjunto de 
ações a serem executadas.
Deve-se lembrar: A pesquisa parte do tema geral para o problema específico e, 
quanto maior a especificidade, melhores as condições de trabalho a serem desenvolvidas.
Após a elaboração do projeto e aprovação dos orientadores, os pesquisadores 
ou a equipe de pesquisa irão executá-lo, ou seja, efetivar todas as pesquisas previstas e 
organizar um novo documento contendo os resultados alcançados. Este relato final poderá 
ser apresentado em formato de resumo, artigo ou trabalho científico.
A capacidade de ler a realidade do cotidiano e fazer questionamentos a ela é 
fundamental para o sucesso de um projeto. Os melhores projetos surgem quando o 
pesquisador é capaz de visualizar um problema no cotidiano e buscar uma solução ou uma 
resposta. Esse questionamento criado pelo pesquisador irá definir o que a pesquisa se propõe 
a responder, esclarecer. Pode ser expresso em forma de pergunta.
FONTE: Adaptado de: <http://www.biblioteca.ifc-camboriu.edu.br/criacitec/tiki-index.
php?page=Projetos+de+pesquisa>. Acesso em: 10 fev. 2011.
A origem de toda a pesquisa se dá focada em uma dificuldade, que pode ser tanto teórica 
como prática, numa expectativa que não foi realizada ou, mesmo, em um problema que fora 
sentido. Dessa forma, ressalta-se que o surgimento dos problemas sempre está direcionado 
para as pessoas que demonstram capacidade de apresentar liberdade, estando totalmente 
afastadas de qualquer tipo de preconceito e, acima de tudo, caracterizam-se pela abertura e 
receptividade voltadas para a compreensão da realidade, que se dá por meio da análise de 
seus fenômenos.
A apresentação dos problemas de pesquisa é influenciada diretamente pelos fatores 
internos, que dizem respeito ao pesquisador, e pelos fatores externos, que correspondem às 
pressões sofridas em decorrência da realidade do contexto vivenciado. 
O foco principal desse tópico, na estrutura do projeto de pesquisa, é apresentar 
claramente o que o pesquisador deseja saber e o que se propõe a estudar.
Na intenção de produzir conhecimento, é possível que o pesquisador formule seus 
problemas de pesquisa tendo como base suas experiências cognitivas, em investigações de 
caráter exploratório ou em função das consecutivas aproximações com a realidade. Outra 
fonte dos problemas pode ser descrita como sendo a ampla necessidade de se incrementar o 
conhecimento sobre um fenômeno específico.
A formulação do problema pode, também, estar relacionada com técnicas de observação 
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participante ou com pesquisa-participante. Nesses dois casos, o problema surge com a conexão 
do pesquisador, com o ambiente e com a população-alvo.
Alguns aspectos podem ser relevantes para a formulação dos problemas de pesquisa, 
dentre eles destacam-se:
● Criatividade.
● Uso de técnicas de levantamento bibliográfico: banco de dados. 
● Formulação de questionamentos diante do contexto social atual.
● Análise e fragmentação da realidade.
● Interpretação e síntese do fenômeno pesquisado.
Nesta disciplina, exemplificaremos os elementos constituintes do projeto de pesquisa 
tomando como base o projeto intitulado: ”O SERVIÇO SOCIAL E A IMPLEMENTAÇÃO DAS 
POLÍTICAS DE ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NO ESTADO DO RIO 
GRANDE DO SUL” (TAVARES, 2009). O mesmo foi elaborado pelo Professor Fabrício Tavares, 
como elemento para a seleção no Programa de Pós-Graduação do curso de Doutorado em 
Serviço Social, na PUC/RS. Através deste é possível identificar os elementos que se fazem 
necessários num projeto de pesquisa, relacionando-os com a área do Serviço Social. Durante 
toda esta Unidade, retomaremos os elementos deste. 
A seguir, exemplifica-se a formulação do problema de pesquisa:
Problema de Pesquisa
Quais as atribuições do Assistente Social na implementação das políticas de enfrentamento 
à violência doméstica contra a mulher no Estado do Rio Grande do Sul, no período entre 
2009 e 2011?
FONTE: Tavares (2009)
QUADRO 2 – PROBLEMA DE PESQUISA
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Caro(a) acadêmico(a), chegou a hora de você elaborar o seu 
problema de pesquisa. Agora que você já tem o tema definido e 
sabe da importância deste item, elabore a questão que irá conduzir 
toda a sua pesquisa. 
Lembre-se de retomar os principais elementos do problema de 
pesquisa, permitindo que ele seja claro e lhe direcione na condução 
de seu trabalho.
FONTE: Disponível em: <http://1.bp.blogspot.com/_kZNXH284lxA/
TMISmVtrErI/AAAAAAAAAE0/ySfDMM_gLsQ/s1600/
conhecimento3+(1).jpg>. Acesso em: 10 fev. 2011.
Na justificativa é preciso que seja apresentado o motivo que levou o pesquisador a 
escolher determinado aspecto dentro do trabalho acadêmico. Além disso, há a necessidade de 
demonstrar a atualidade e a importância do assunto para a vida acadêmica e social em geral. 
O pesquisador deve oferecer as razões pelas quais o assunto é atual e colocar os elementos 
desta realidade. Justificar a pesquisa é dar razões da importância da mesma.
Assim, o pesquisador estará argumentando porque seu estudo tem relevância, visando 
convencer acerca da importância e do valor do trabalho que será realizado. Ressalta-se que, 
na busca por incentivos financeiros para a realização de pesquisas, tais como bolsas de estudo 
ou financiamentos, esse tópico representa um dos aspectos principais.
Desse modo, a justificativa deverá contemplar alguns tópicos essenciais, tais como:
4 JUSTIFICATIVA DA PESQUISA
FIGURA 39 – CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO
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● A sua relevância (social e acadêmica).
● Apontar com objetividade qual o problema que o projeto visa solucionar.
● Apresentar a relação do seu projeto com outros já realizados sobre a mesma temática.
● Descrever os possíveis benefícios que poderão ser conquistados com a realização da 
pesquisa.
Exemplifica-se uma justificativa com base no projeto de pesquisa, anteriormente 
apresentado, intitulado: “O SERVIÇO SOCIAL E A IMPLEMENTAÇÃO DAS POLÍTICAS DE 
ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NO ESTADO DO RIO GRANDE DO 
SUL.” 
Torna-se fundamental analisar o texto e verificar os itens ali distintos, os quais esclarecem 
a relevância deste item num projeto de pesquisa.
Justificativa 
Compreende-se que a violência doméstica contra a mulher1 é fruto de uma construçãosocial que demarca espaços de poder, privilegiando os homens e oprimindo as mulheres. 
Constitui-se, conforme Saffioti (1997, p.08), “numa violação aos direitos humanos e um 
obstáculo para a cidadania de milhares de mulheres”. A violência marca profundamente o 
corpo e os espaços psíquicos da mulher, tendo graves consequências para a saúde física 
(lesões corporais leves e graves, transtornos gastrointestinais); psicológica (depressão, 
ansiedade, tentativa de suicídio), sociais (isolamento, fragilização das redes de pertencimento) 
e sexuais (doenças sexualmente transmissíveis, medo) (SAFIOTTI, 1997). 
Contemporaneamente, entende-se que enfrentar a violência contra as mulheres 
requer não só uma percepção multidimensional do fenômeno, como também a convicção 
de que para superá-la é preciso investir no desenvolvimento de políticas que acelerem a 
redução das desigualdades entre homens e mulheres. Em nível mundial são inegáveis os 
avanços que asseguram cada vez mais direitos às mulheres, através de uma perspectiva 
de transversalidade de gênero2.
Observa-se que, no Brasil, o processo de incorporação da questão de gênero nas 
políticas públicas é relativamente recente e está relacionado às demandas apresentadas 
pelos movimentos organizados de mulheres e pelos organismos internacionais. A partir da 
implantação de Delegacias para as Mulheres, das primeiras Coordenadorias (anos 80), da 
criação da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (2003), a erradicação da violência 
tem ganhado destaque através de diferentes instrumentos em nível nacional, estadual e 
municipal. Dentre estes, destacam-se o I e II Plano de Políticas para as Mulheres, a Lei 
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Maria da Penha e, mais recentemente, o Pacto de Enfrentamento à violência contra a mulher.
No Rio Grande do Sul, os crimes com maior registro são: lesão corporal; ameaça; 
crimes contra a honra (injúria, calúnia e difamação); abandono material; assédio sexual; 
estupro e atentado violento ao pudor. Os municípios com maior quantidade de ocorrências 
são: Porto Alegre, Caxias do Sul, Santa Maria e Pelotas3. Destaca-se no Estado, o Plano 
Estadual de Políticas para as Mulheres (RS Mulher), tendo como um dos eixos centrais, o 
enfrentamento à violência doméstica contra a mulher. O principal objetivo deste é elevar o 
Estado do Rio Grande do Sul ao padrão internacional estabelecido pela Organização das 
Nações Unidas, qual seja, o de promover, até o ano de 2015, a igualdade dos sexos e a 
autonomia das mulheres, proporcionando oportunidades iguais para homens e mulheres.
Em pré-contatos realizados com os municípios do Estado do Rio Grande do Sul que 
estão em processo de implementação de diferentes ações voltadas para questões de gênero, 
foi possível observar a presença constante de Assistentes Sociais na operacionalização 
das políticas voltadas para as mulheres. Durante a realização do estudo de Mestrado do 
pesquisador4, também foi possível constatar a presença deste profissional, intervindo e 
propondo ações que objetivam a erradicação da violência contra a mulher. Essa presença 
também se evidencia em conferências municipais, estaduais e nacionais, em que Assistentes 
Sociais têm assumido diferentes responsabilidades no sentido de gestão, organização e 
sistematização de propostas de intervenção.
Com base nestas observações iniciais, apresenta-se este projeto de pesquisa, que 
tem como problema central: “Quais as atribuições do Assistente Social na implementação 
das políticas de enfrentamento à violência doméstica contra a mulher no Estado do Rio 
Grande do Sul, no período entre 2009 e 2011?” Para a efetivação deste estudo pretende-se, 
num primeiro momento, diagnosticar, assim como avaliar, como vem se operacionalizando a 
implementação das ações de enfrentamento à violência contra a mulher, e posteriormente, 
relacionar com a atuação do Assistente Social neste contexto. 
Pretende-se apresentar os principais avanços apresentados pelos municípios no 
enfrentamento desta demanda, contribuindo também com o aprimoramento destas ações, 
subsidiando propostas ainda mais efetivas para a implementação destas políticas. Busca-se 
também instrumentalizar os profissionais envolvidos na utilização de novos instrumentos/
estratégias no enfrentamento a estas demandas, conseguindo o seu objetivo com maior 
efetividade.
Através do conhecimento referente às atribuições do Assistente Social neste cenário, 
se estará também contribuindo para que se tenha uma compreensão mais aprofundada do 
exercício do profissional junto desta demanda, assim como da operacionalização destes 
diferentes planos de enfrentamento à violência doméstica contra a mulher.
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NOTAS:
1 Em razão da variedade de nomeações relacionadas à violência contra a mulher, neste estudo 
será adotada a expressão “violência doméstica contra a mulher”, tomando como elementos 
que a caracterizem as dimensões: física, psicológica e sexual, perpetradas pelo parceiro 
íntimo, na forma de cônjuge e ex-cônjuge, independente se ocorreu no espaço público ou 
ambiente doméstico. Heise (1995) considera que os resultados de estimativas de violência 
são, muitas vezes, de difícil comparação, em função, principalmente, da variedade de 
nomeações atribuídas à violência contra a mulher. 
2 A noção de transversalidade de gênero ou “gender mainstreaming” surgiu dos movimentos 
feministas internacionais, os quais constataram que as mudanças em relação à situação das 
mulheres no mundo têm sido pouco expressivas. Esta proposta prevê políticas transversais 
a todas as áreas e níveis de governo, atuando como estímulo para reformar e modernizar 
o aparelho estatal, além de incorporar aportes da sociedade civil na definição, execução e 
avaliação das ações com as mulheres. Segundo Gonzáles, não há possibilidades de ruptura 
da visão tradicional com políticas apenas focadas na mulher. A transversalidade de gênero 
é um dos elementos-chave para a efetivação da igualdade de gênero (Fonte: Plano RS 
Mulher).
3 Segundo Plano Estadual de Políticas para as Mulheres (Mulher RS).
4 Pesquisa realizada no curso de Mestrado em Serviço Social (2005 e 2006) nos Municípios 
de São Leopoldo e Novo Hamburgo/RS, intitulada: “Das lágrimas à Esperança: o processo 
de fortalecimento da mulher em situação de violência doméstica”, que tinha por objetivo 
analisar o processo de trabalho do Assistente Social com as mulheres em situação de 
violência doméstica.
FONTE: Tavares (2009)
Vale destacar que o pesquisador, ao desenvolver a justificativa para seu projeto, deverá 
atentar para:
a) No cenário social atual, apresentar os aspectos que explicam a razão pela qual o estudo será 
realizado. Novamente o foco é a descrição da importância da pesquisa, não somente para 
a vida acadêmica, mas para a sociedade como um todo. Assim, a justificativa representa o 
momento em que o pesquisador estará defendendo a realização de sua pesquisa.
b) Apontar com clareza a viabilidade de realização de sua pesquisa, detalhando em diversas 
áreas, tais como: técnica, temporal, financeira e, até mesmo, política.
c) Apresentar garantias de que seu trabalho é exclusivo e tem originalidade, através do destaque 
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para o caráter inovador da pesquisa, vinculado com o apontamento do referencial teórico 
que serviu de base para o estudo.
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Caro(a) acadêmico(a), chegou a hora de você elaborar a justificativa 
do seu projeto. Lembre-se de que o texto deve responder o porquê 
da sua inquietação. Faça uso de dados, números, elementos que 
justifiquem a importância da sua pesquisa.
FONTE: Disponível em: <http://3.bp.blogspot.com/_HYxZgbEcUos/
Ss96svj_WVI/AAAAAAAAAUA/aHca6I8qS_c/s320/
conhecimento.jpg>. Acesso em: 10 fev. 2011.
Os objetivos representam a meta que o pesquisador deseja alcançar com a pesquisa. 
Salienta-seque a função do objetivo é enquadrar as propostas e os propósitos do pesquisador 
dentro do respectivo assunto.
Num projeto de pesquisa, elaborado no Serviço Social, os objetivos devem esclarecer 
o que se pretende atingir com a realização da pesquisa, com a implementação do projeto. 
Conforme já dito, podem ser apresentados em objetivos gerais e objetivos específicos.
● Objetivo geral: corresponde à finalidade maior que a pesquisa quer atingir. Deve expressar 
o que se quer alcançar ao final do projeto.
● Objetivos específicos: corresponde às ações que se propõe a executar dentro de 
5 O QUE SE PRETENDE DESENVOLVER? OS OBJETIVOS
FIGURA 40 – JUSTIFICATIVA
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um determinado período de tempo. Apresentam caráter mais concreto. Têm função 
intermediária e instrumental, indicando o caminho para se atingir o objetivo geral.
Os objetivos iniciam-se com o verbo no infinitivo. 
FONTE: Adaptado de: <http://www.biblioteca.ifc-camboriu.edu.br/criacitec/tiki-index.
php?page=Projetos+de+pesquisa>. Acesso em: 10 fev. 2011.
A seguir, exemplificam-se os objetivos elaborados para o projeto de pesquisa, em estudo:
Objetivo geral:
- Verificar quais as atribuições do Assistente Social na implementação das políticas 
de enfrentamento à violência doméstica contra a mulher no Estado do Rio Grande do Sul.
Objetivos específicos: 
- Verificar as ações adotadas pelos municípios na implementação da política de 
enfrentamento à violência doméstica contra as mulheres. 
- Analisar os resultados das ações implementadas pelos municípios do Rio Grande 
do Sul no enfrentamento à violência contra a mulher.
- Verificar como vem ocorrendo a participação do Assistente Social na implementação 
da política de enfrentamento à mulher em situação de violência doméstica no Estado do Rio 
Grande do Sul.
FONTE: Tavares (2009)
QUADRO 3 – OBJETIVOS
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Caro(a) acadêmico(a)! Chegou o momento de você elaborar os 
objetivos da sua pesquisa. Lembre-se de que eles são essenciais 
para a definição do seu estudo. São eles que dirão o que 
realmente quer alcançar ao final do seu estudo.
Faça uso do espaço a seguir para esta elaboração.
Objetivo Geral
● _________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
Objetivos Específicos
● _________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
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● _________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
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● _________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
FONTE: Disponível em: <http://autoconhecimento.blog.com/
files/2010/06/14661_000tpxtp.jpg>. Acesso em: 10 fev. 2011.
FIGURA 41 – OBJETIVOS
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Parte-se do pressuposto de que para se definir um tema e um problema o pesquisador 
deverá ter realizado uma ampla investigação bibliográfica sobre o assunto. Entende-se que 
o levantamento teórico servirá como recurso para o aprimoramento e a solução do problema. 
Desse modo, os dados bibliográficos passam a ser a ferramenta básica, adquirindo grande 
relevância no estudo.
Compreende-se que toda a pesquisa parte de alguns referenciais já conhecidos pela 
comunidade científica. É na revisão de literatura que se definem os conceitos utilizados e se 
esclarece quais os autores que fundamentam o trabalho.
FONTE: Adaptado de: <http://www.biblioteca.ifc-camboriu.edu.br/criacitec/tiki-index.
php?page=Projetos+de+pesquisa>. Acesso em: 10 fev. 2011.
Mesmo numa pesquisa de caráter exploratório, torna-se fundamental que se busque 
em fontes documentais ou bibliográficas (impressas ou digitais) outras pesquisas semelhantes 
ou complementares já desenvolvidas.
Ressalta-se também que qualquer fonte consultada deve ser anotada detalhadamente, 
para compor as referências ao final do projeto.
A seguir, exemplifica-se a Revisão de Literatura do projeto elencado:
1. Políticas de Enfrentamento à Violência contra a mulher
Considera-se a violência como sendo um termo polissêmico e tem sido exaustivamente 
repetido pela mídia e trabalhado por inúmeros pensadores de áreas diversas. De origem 
latina, a palavra violência deriva de violentus, cujo significado, conforme Moreira (2002), 
corresponde ao “caráter violento ou bravio, força, com ímpeto, furioso” (p. 38). Assim, a noção 
de violência surge, segundo o referido autor, como “a ideia de uma força, de uma potência 
natural, cujo exercício contra alguma coisa ou contra alguém torna o caráter violento” (p. 38).
Dentre os diferentes tipos de violência cometidos cotidianamente, tem-se a violência 
doméstica contra a mulher. A Declaração da Eliminação da Violência contra a Mulher, 
aprovada pela Conferência de Viena em 1993, definiu-a como “qualquer ato de violência 
baseado no gênero que resulte ou possa resultar em dano ou sofrimento físico, sexual ou 
psicológico da mulher”.
Constata-se que as expressões de violência mais graves cometidas contra as mulheres 
6 O QUE JÁ SEI SOBRE O TEMA? 
REVISÃO DE LITERATURA
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estão situadas no âmbito das relações interpessoais, da intimidade afetiva. Conforme destaca 
Strey (2004), pode-se afirmar que essa forma de violência se constitui um verdadeiro “foco 
de resistência às transformações sociais de gênero e um grave entrave ao desenvolvimento 
pessoal das mulheres” (p. 44).
Tratando das políticas públicas de atendimento à mulher em situação de violência 
doméstica, se constata que, historicamente, sempre houve um retrocesso, um descaso 
quanto a estas situações. Desde os anos 80, observa-se no Brasil que a ação do Estado 
restringiu-se basicamente “à proteção policial e ao encaminhamento jurídico dos casos, 
visando à punição do agressor e reparação à vítima” (CAMARGO; AQUINO, 2003, p. 12). 
Um primeiro avanço que pode se verificar neste período foi a implantação das 
Delegacias de Atendimento à Mulher. A primeira foi criada em São Paulo, em agosto de 1985, 
sob pressão do movimento de mulheres e do Conselho Estadual da Condição Feminina 
(SAFFIOTI, 1997). Após, outras 152 foram instaladas, sendo que mais da metade delas no 
Estado de São Paulo e as demais principalmente nas capitais. Brandão (2004) destaca que 
este avanço possibilitou uma maior visibilidade da violência contra a mulher, no aumento 
das denúncias, assim como seus limites.
Outro avanço significativo, a partir dos anos 80, se deu com a criação das 
Coordenadorias da Mulher em diversos governos municipais e estaduais; campanhas 
publicitárias nacionais discutindo a violência contra a mulher e a iniciativa de se propor a 
criação da Secretaria Especial de Políticas Públicas para a Mulher. (CAMARGO; AQUINO, 
2003).
A partir dos anos 90, tanto a área da saúde como a da assistência passaram a 
realizar novas ações e abordagens para o problema da violência doméstica contra a mulher. 
Foi somente a partir deste momento que os serviços de saúde passaram a adotar políticas 
visando diagnosticar o problema e oferecendo atenção à saúde nos casos de violência sexual, 
violência contra as crianças e outros agravos. Também surgiram, na década destacada, as 
primeiras casas-abrigo reivindicadas pelo movimento de mulheres e apoiadas pelas próprias 
delegacias, uma vez que as providências policiais e jurídicas eram burladas pelos agressores 
e, muitas vezes,as denunciantes sofriam violência maior como castigo por sua iniciativa. 
(CAMARGO e AQUINO, 2003)
Dentre os diferentes eventos realizados nos anos 90 destacam-se a IV Conferência 
Mundial Sobre a Mulher (1995) e a Convenção de Belém do Pará – Convenção Interamericana 
para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Contra a Mulher (1994), que trataram diretamente 
do tema da violência sexual, da violência de gênero e de todas as formas de discriminação 
contra a mulher, inclusive quanto à sua autonomia e direitos. (MOREIRA, 2002)
Em janeiro de 2003 foi constituída a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres 
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(SPM), da Presidência da República. Explicam Camargo e Aquino (2003) que a mesma teve 
status de Ministério, como referência governamental de elaboração e execução de políticas 
e articulações da igualdade de gênero no governo federal, destacando o compromisso com 
o Programa de Prevenção, Assistência e Combate à Violência contra a Mulher. Em 2004, 
a partir das diretrizes definidas na I Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres 
(CNPM), foi elaborado o Plano Nacional de Políticas para as Mulheres (PNPM), que propunha 
a promoção da igualdade de gênero, tendo como destaque a questão do enfrentamento à 
violência doméstica contra a mulher.
Outro avanço que se observa foi no campo legislativo, com a Lei no 11.340, de 07 de 
agosto de 2006, intitulada como a Lei Maria da Penha1, em vigor desde o dia 22 de setembro 
de 2006. Dias (2006) destaca que os avanços são muitos e significativos. Dentre eles, destaca 
a devolução à autoridade policial a prerrogativa investigatória, podendo ouvir a vítima e o 
agressor e instalar inquérito policial. A vítima estará sempre assistida por defensor e será 
ouvida sem a presença do agressor. Também será comunicada pessoalmente quando for 
ele preso ou liberado da prisão. Além disso, a lei proíbe induzir o acordo bem como aplicar 
como pena multa pecuniária ou a entrega de cesta básica. Serão criados Juizados Especiais 
contra a Violência Doméstica e Familiar, com competência cível e criminal. Assim, a queixa 
desencadeará tanto ação cível como penal, devendo o juiz adotar de ofício medidas que 
façam cessar a violência: o afastamento do agressor do lar; impedi-lo que se aproxime da 
casa; vedar que se comunique com a família, ou encaminhar a mulher e os filhos a abrigos 
seguros. 
Como resultado da 2ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres (CNPM), 
realizada em agosto de 2007, teve-se o II Plano de Políticas para as Mulheres, onde foram 
incluídos seis novos eixos estratégicos de intervenção2, com o intuito de beneficiar toda 
a sociedade brasileira e reverter o padrão de desigualdade entre homens e mulheres no 
país. Prevê ainda o fortalecimento da parceria entre União, governos estaduais e governos 
municipais. Em relação ao enfrentamento à violência, destaca-se o lançamento, no mesmo 
período, do Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, o qual destina 
recursos para o investimento em ações de enfrentamento à violência a serem executadas por 
diversos ministérios e secretarias especiais, sob a coordenação da Secretaria de Políticas 
para as Mulheres, até 2011.
No Estado do Rio Grande do Sul, ressalta-se também o Plano Estadual de Políticas 
Públicas para as Mulheres, denominado “RS Mulher”, lançado em outubro de 2008, como 
resultado da III Conferência Estadual de Políticas Públicas para as Mulheres. Dentre os 
eixos temáticos, que seguem o Plano Nacional, o Enfrentamento à Violência contra a Mulher 
ganha o devido destaque.
2. O Serviço Social no enfrentamento da violência doméstica contra a mulher
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Compreende-se que a experiência profissional do Assistente Social caracteriza-se 
pela sua competência técnica na construção e efetivação das políticas públicas preconizadas. 
Para que possa se legitimar enquanto profissão na sociedade, o Serviço Social vale-se 
de uma série de elementos que constituem o seu Projeto Ético-Político, que vão desde a 
criação e materialização de leis específicas da profissão, que lhe garantem atribuições e 
competências próprias, até as diversas formas de organização da categoria, seja através 
dos órgãos de orientação e fiscalização do exercício da profissão, como CFESS/CRESS, 
ABEPSS, ou sindicatos, associações, entre outros. 
No que se refere às leis, destaca-se a Lei de Regulamentação da Profissão, que 
dispõe de uma maneira geral sobre o exercício profissional, como as atribuições do Assistente 
Social e a função do CFESS e dos CRESS e o Código de Ética Profissional dos Assistentes 
Sociais, que pressupõe normatizações, tendo como princípios fundamentais o reconhecimento 
da liberdade das pessoas, a defesa dos direitos humanos, a ampliação e consolidação da 
cidadania, a defesa da democracia, a defesa da equidade e justiça social, a universalidade, 
a articulação com movimentos de outras categorias profissionais, o compromisso com 
a qualidade dos serviços prestados, o pluralismo, a eliminação de todas as formas de 
preconceito e o exercício do Serviço Social, sem ser discriminado e nem discriminar.
O Serviço Social, atualmente, é identificado e compreendido enquanto “um tipo 
de trabalho na sociedade”, configurando-se como uma “especialização do trabalho, uma 
profissão particular inscrita na divisão social e técnica do trabalho” (IAMAMOTO, 2005, p. 
22), em que o Assistente Social, juntamente com outros trabalhadores, participa de diferentes 
processos de trabalho. 
Apreender o Serviço Social como trabalho supõe apreender a prática profissional 
condicionada pelas relações entre Estado e a Sociedade Civil, ou seja, pelas relações entre 
as classes na sociedade. Entende-se, portanto, que o Serviço Social se caracteriza, de fato, 
como processos de trabalho, na medida em que supõe, conforme a perspectiva marxiana, 
os elementos que o compõem, quais sejam: a atividade adequada a um fim, isto é, o próprio 
trabalho; a matéria a que se aplica o trabalho, o objeto de trabalho; os meios de trabalho, o 
instrumental de trabalho”. (MARX, 1989)
A Lei n° 8662/93 de regulamentação da profissão, as diretrizes curriculares de 1996, 
assim como o Código de Ética de 1993 apontam a questão social em suas manifestações 
como a matéria sobre a qual incide a ação profissional. É ela, em suas múltiplas expressões, 
que provoca a necessidade da ação profissional, delimitando aqui o agir profissional com as 
mulheres em situação de violência doméstica. Tal expressão da questão social é matéria-
prima, ou o objeto do trabalho profissional.
Sugere Iamamoto (2005, p. 52) que o profissional deva pesquisar e conhecer a 
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realidade em que intervém. Torna-se imprescindível, segundo a autora, decifrar as múltiplas 
expressões da questão social, sua gênese e suas novas características que assumem na 
contemporaneidade, atribuindo transparência a iniciativas voltadas à sua reversão e/ou 
enfrentamento imediato. 
Torna-se importante destacar os meios utilizados para o profissional realizar a sua 
prática, que dizem respeito aos instrumentos do Serviço Social necessários para a realização 
de seu processo de trabalho. Iamamoto (2005) adverte que os instrumentos de trabalho devem 
ir muito mais além do que um mero arsenal de técnicas, mas que abranjam o conhecimento 
como meio de trabalho. 
Compreende-se que o Serviço Social interfere na reprodução da força de trabalho por 
meio dos serviços sociais previstos em programas a partir dos quais se trabalha nas áreas 
de saúde, educação, situações habitacionais, dentre outras. Dessa forma, o Serviço Social é 
socialmente necessário, porque ele atua sobre questões que dizem respeito à sobrevivência 
social e material dos setores majoritários da população trabalhadora. Viabiliza o acesso 
não só a recursos materiais, mas asações implementadas incidem sobre as condições de 
sobrevivência social dessa população. (IAMAMOTO, 2007)
Compreende-se que é no momento em que os sujeitos se fragilizam, perdem 
poder e patrimônio que buscam o Serviço Social. Segundo Faleiros, “tem-se aí justamente 
a especificidade da profissão, nessa relação de descapitalização e de fragilização/
fortalecimento”. (FALEIROS, 2001, p. 90). 
Relacionando com a questão da violência doméstica contra a mulher, os processos 
de trabalho do Assistente Social se darão na construção de estratégias nestas relações 
de poder, visando o fortalecimento, resistência à fragilização destas usuárias, buscando o 
resgate da cidadania, da autonomia, da autoestima, da participação destas na sociedade. O 
Assistente Social trabalhará na busca da implementação das diferentes políticas existentes, 
que têm como enfoque o fortalecimento destas mulheres, possibilitando que se desvinculem 
da situação de violência que vivenciam cotidianamente. 
Sendo o Assistente Social um profissional que tem uma formação ampla, capacitada 
para observar e analisar as relações sociais, econômicas e políticas; apto para compreender 
a estrutura e a conjuntura social; possuidor de conhecimentos para planejar, organizar, 
implantar e gerenciar serviços, programas e projetos sociais de prevenção da vulnerabilidade 
e exclusão social, compreende-se que este influenciará no desenvolvimento do processo 
de gestão destas políticas.
Ressalta-se que o Assistente Social conta com o Código de Ética (1993), que passa 
a ser uma das referências dos encaminhamentos práticos e do posicionamento político dos 
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Assistentes Sociais em face da política neoliberal e de seus desdobramentos para o conjunto 
dos trabalhadores. (BARROCO, 2003)
NOTAS
1 A denominação da lei surge em homenagem a Maria da Penha Maia Fernandes, 
mulher cearense que foi agredida pelo marido durante seis anos. Em 1983, seu marido tentou 
assassiná-la e das agressões resultaram lesões à sua saúde que a tornaram paraplégica. 
(FONSECA, 2006)
2 O II Plano de Políticas para as Mulheres ficou estruturado nos seguintes eixos: 
autonomia econômica e igualdade no mundo do trabalho, com inclusão social; educação 
inclusiva, não sexista, não racista, não homofóbica e não lesbofóbica; saúde das mulheres, 
direitos sexuais e direitos reprodutivos; enfrentamento de todas as formas de violência contra 
as mulheres; participação das mulheres nos espaços de poder e decisão; desenvolvimento 
sustentável no meio rural, na cidade e na floresta, com garantia de justiça ambiental, 
soberania e segurança alimentar; direito à terra, moradia digna e infraestrutura social nos 
meios rural e urbano, considerando as comunidades tradicionais; cultura, comunicação e 
mídia igualitárias, democráticas e não discriminatórias; enfrentamento do racismo, sexismo 
e lesbofobia; e enfrentamento das desigualdades geracionais que atingem as mulheres, 
com especial atenção às jovens e idosas. (II Plano de Políticas Públicas para as Mulheres).
FONTE: Tavares (2009)
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Caro(a) acadêmico(a), chegou o momento de você elaborar a 
Revisão de Literatura do seu Projeto de Pesquisa. Contextualize 
o seu tema e traga os principais aportes teóricos desenvolvidos 
sobre ele na contemporaneidade.
Procure também contextualizar as descobertas existentes no seu 
campo de estudo.
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FONTE: Disponível em: <http://blogs.universia.com.br/
andresantana/files/2009/04/knowledge.jpeg>. Acesso em: 
10 fev. 2011.
O pesquisador deverá mostrar as formas da pesquisa, as modalidades de atividades que 
serão utilizadas para a sua concretização, os diversos momentos que serão percorridos para 
realizá-la, o tipo de pesquisa que será desenvolvido e os documentos com seus respectivos 
usos. Ou seja, é na metodologia que se deve explicar detalhadamente como o trabalho será 
desenvolvido, etapa por etapa, e quem participará da pesquisa (definição do público-alvo).
Explica-se também o tipo de pesquisa, os procedimentos técnicos, as técnicas que 
serão utilizadas e como os dados serão tabulados e analisados. 
Deve-se informar também sobre possíveis materiais que serão utilizados pela equipe 
envolvida.
A seguir, descrevem-se os elementos da metodologia, do projeto que se tem por base:
1. Natureza da Pesquisa 
Pretende-se desenvolver uma pesquisa de caráter descritivo, de natureza quantitativa 
e qualitativa. Enquanto que a pesquisa quantitativa atua em níveis de realidade e tem como 
objetivo trazer à luz dados, indicadores e tendências observáveis, a investigação qualitativa, 
ao contrário, trabalha com valores, crenças, representações, hábitos, atitudes e opiniões. 
Minayo & Sanches (1993) sugerem que da combinação das duas abordagens (cada uma 
7 COMO SE FARÁ O TRABALHO? METODOLOGIA
FIGURA 42 – REVISÃO DA LITERATURA
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no seu uso apropriado) é possível obter ótimos resultados. 
2. Método 
Explica Gadotti (1983) que no interior das Ciências Sociais existem inúmeras correntes 
de pensamento que levam às múltiplas possibilidades de abordagem metodológica, com 
seus variados pressupostos. Será utilizado nesta pesquisa o método dialético-crítico, 
que se refere essencialmente a uma maneira de refletir sobre o homem e a sociedade, 
através de uma metodologia de investigação científica e de explicação do social. Para se 
compreender os fenômenos a partir de seus condicionantes políticos, econômicos e, mais 
amplamente, culturais, o referencial dialético-crítico faz uso de categorias teóricas que 
objetivam orientar a análise que se realizará. Explica Gadotti (1983) que estas categorias 
têm a função de interpretar a realidade social visando a sua compreensão e, portanto, 
correspondem a condições concretas de cada tempo e lugar, configurando-se através das 
relações essenciais, de caráter objetivo, cuja compreensão possibilitará o desvendamento 
do fenômeno na sua própria realidade. Nesta pesquisa se adotarão as seguintes categorias: 
cotidiano, historicidade, totalidade, contradição, mediação e trabalho.
FONTE: Tavares (2009)
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Caro(a) acadêmico(a), chegou o momento de definir os principais 
elementos da metodologia da sua pesquisa. 
Destaque a natureza e o método de que fará uso no seu estudo. 
Para isso, faça uso do espaço a seguir.
METODOLOGIA 
Natureza da Pesquisa
______________________________________________
______________________________________________
______________________________________________
______________________________________________
______________________________________________
______________________________________________
______________________________________________
______________________________________________
______________________________________________
______________________________________________
______________________________________________
______________________________________________
Método de Pesquisa
______________________________________________
______________________________________________
______________________________________________
______________________________________________
______________________________________________
______________________________________________
______________________________________________
______________________________________________
______________________________________________
______________________________________________
______________________________________________
______________________________________________
FONTE: Disponível em: <http://www.alvoconhecimento.com.br/wp-
content/uploads/2009/01/colaboracao_alvo_conhecimento.
jpg>. Acesso em: 10 fev. 2011.
FIGURA 43 – METODOLOGIA
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O projetodeverá apresentar a data-limite para os diversos momentos da pesquisa. 
Destaca-se que o cronograma serve como referência para os interessados se orientarem em 
relação ao término da pesquisa. 
No cronograma serão descritos detalhadamente os passos da pesquisa e o tempo que 
será destinado para a realização de cada um deles. Assim, será apresentada a data de início 
e de término de cada passo, assim como o momento em que o trabalho como um todo será 
finalizado, apresentando-se a conclusão e resultados do mesmo.
A seguir exemplifica-se o Cronograma, com base no projeto que se tem exemplificado 
nesta disciplina.
8 QUANDO SERÁ DESENVOLVIDA CADA 
ETAPA DA PESQUISA? O CRONOGRAMA
CRONOGRAMA 2009 2010 2011 2012
Atividade Mar- Jul
Ago-
Dez
Jan-
Mar
Abr - 
Mai
Jun-
Ago
Set - 
Dez
Jan-
Mar
Abr - 
Mai
Jun-
Ago
Set - 
Dez
Jan-
Mar
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Mai
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Set - 
Dez
1. Aprimoramento do 
projeto de pesquisa
X X
2. Pré-contato com 
as Coordenadorias 
d o s M u n i c í p i o s 
participantes do estudo
X X
3. Encaminhamento ao 
Comitê Científico
X
4. Encaminhamento ao 
Comitê de Ética
X
5. Visita aos municípios 
participantes do estudo: 
Contato com os sujeitos 
da Pesquisa
X X X
6. Aplicação do Pré-
Teste (Formulários e 
Questionários)
X
7. Coleta dos dados X X X X X
8. Análise dos Dados X X X
9. Elaboração do 
Relatório de Pesquisa
X X
10. Elaboração da 
Tese de Doutorado
X X X
11. Banca de 
Qualificação
X
12. Banca Final de 
Defesa de Tese
X X 
FONTE: Tavares (2009)
QUADRO 4 – CRONOGRAMA
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Prezado(a) acadêmico(a), chegou o momento de você definir o Cronograma de seu 
projeto de pesquisa. Destaque as principais ações pensadas para ele e descreva-o 
no período de tempo necessário para sua realização. 
Pode fazer uso do quadro a seguir para esta elaboração.
CRONOGRAMA
Atividade
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
10.
11.
12.
Os recursos constituem-se enquanto elemento essencial quando o projeto for 
apresentado para uma instituição financiadora de projetos de pesquisa ou se for necessário à 
aquisição de algum material ou equipamento, pelo pesquisador.
O quadro a seguir exemplifica este item:
9 QUANTO E COM O QUE SE IRÁ GASTAR? 
O ORÇAMENTO E OS RECURSOS
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ORÇAMENTO
1. MATERIAIS DIDÁTICOS
Descrição Quantidade Valor Uni. Valor Total
1.1 Caderno 2 R$ 15,00 R$ 30,00
1.2 Caneta 3 R$ 3,00 R$ 9,00
1.3 Lapiseira 2 R$ 3,00 R$ 6,00
1.4 Folha A4 500 R$ 12,00 R$ 12,00
1.5 Disquete 10 R$ 1,50 R$ 15,00
1.6 CD 10 R$ 2,00 R$ 20,00
1.7 Cartucho para Impressora 2 R$ 25,00 R$ 50,00
1.8 Pilhas Máquina/Gravador 4 R$ 10,00 R$ 40,00
t1 (Custos Material Didático Total) R$ 182,00
2. INFORMÁTICA/ELETRÔNICOS
Descrição Quantidade Valor Uni. Valor Total
2.1 Computador 1 R$ 1.200,00 R$ 1.200,00
2.2 Impressora Canon 1 R$ 600,00 R$ 600,00
2.3 Modem 1 R$ 150,00 R$ 150,00
2.4 Gravador Digital 1 R$ 150,00 R$ 150,00
2.5 Máquina Fotográfica Digital 1 R$ 250,00 R$ 250,00
t2 (Custos Informática Total) R$ 2.350,00
3. CUSTOS FIXOS
Descrição Quant/mês Valor/mês Valor Total (12 meses)
3.1 Livros/revistas/periódicos 5 R$ 150,00 R$ 1.500,00
3.2 Passagens/ Deslocamentos 20 R$ 200,00 R$ 200,00
3.3 Alimentação 20 R$ 200,00 R$ 200,00
3.4 Telefone 60 R$ 100,00 R$ 600,00
3.4 Internet Banda Larga 60 dias R$ 22,00 R$ 264,00
t3 (Custos FixosTotal) R$ 2.764,00
VALOR TOTAL R$ 5.296,00
FONTE: Dados fictícios
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Prezado(a) acadêmico(a), chegou o momento de você definir o 
Orçamento do seu Projeto de Pesquisa. Elenque todos os gastos 
que serão necessários para a realização do seu estudo. Para isso, 
pode fazer uso do quadro a seguir.
QUADRO 5 – ORÇAMENTO
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ORÇAMENTO
1. MATERIAIS DIDÁTICOS
Descrição Quantidade Valor Uni. Valor Total
2. INFORMÁTICA/ELETRÔNICOS
Descrição Quantidade Valor Uni. Valor Total
3. CUSTOS FIXOS
Descrição Quant/mês Valor/mês Valor Total (12 meses)
VALOR TOTAL 
As referências bibliográficas consistem num item obrigatório e é o que dará validade 
aos conceitos e teorias apresentados. Representa o momento no qual o pesquisador irá listar 
as obras que serão utilizadas no decorrer da pesquisa. Isso significa que as obras que não 
constarem no projeto não possam constar na pesquisa. Sempre que aparecerem elementos e 
10 ONDE FOI PESQUISADO? AS REFERÊNCIAS
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dados novos, estes não só podem como devem estar presentes na pesquisa.
Deve-se citar qualquer fonte utilizada no desenvolvimento do trabalho, tais como: livros, 
internet, CDs, filmes, apostilas, arquivos digitais, artigos de jornais ou revistas, entrevistas, 
dentre outros.
E ainda, as Referências Bibliográficas devem ser elaboradas de acordo com as normas 
da ABNT.
Apresenta-se, a seguir, o exemplo da elaboração das referências bibliográficas:
REFERÊNCIAS 
BARBOSA, E. F. A Técnica de Grupos Focais para Obtenção de Dados Qualitativos. 
Instituto de Pesquisa e Inovações Educacionais - Educativa. 1999. Disponível em: <http://
www.educativa.org.br>. Acesso em: 30 ago. 2008. 
BARDIN, L. Análise de Conteúdo. Edições Lisboa, 1977.
BARROCO, Maria Lúcia Silva. Ética e Serviço Social: fundamentos ontológicos. São 
Paulo: Cortez, 2003.
BARROS, Aidil de Jesus Paes; LEHFELD, Neide Aparecida de Souza. Projeto de 
Pesquisa: propostas metodológicas. Petrópolis: Vozes, 2003.
BRANDÃO, Elaine R. Nos corredores de uma Delegacia da Mulher: um estudo 
etnográfico sobre as mulheres e a violência conjugal. 1997. 202p. Dissertação (Mestrado 
em Saúde Coletiva). Instituto de Medicina Social, Universidade do Estado do Rio de 
Janeiro, Rio de Janeiro, 2004.
CAMARGO, M.; AQUINO, S. de. Redes de cidadania e parcerias – enfrentando a 
rota crítica. Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres. Programa de prevenção, 
assistência e combate à violência contra a mulher – plano nacional. Brasília, 2003.
CASTEL, Robert. Desigualdade e questão social. São Paulo: Educ, 1997.
CÓDIGO de Ética do Assistente Social. 1993. Disponível em: <http://www.cfess.org.br/pdf/
legislacao_etica_cfess.pdf.> Acesso em: 20 jan. 2007.
CONFERÊNCIA de Viena em 1993. Disponível em: <http://www.dhnet.org.br/direitos/
anthist/viena/index.html>. Acesso em: 30 out. 2008.
DECLARAÇÃO sobre a eliminação da Violência contra a Mulher (1993). Disponível em: 
<http://www.protectionline.org/A-Declaracao-sobre-a-eliminacao-da.html>. Acesso em: 20 
mar. 2009.
DIAS, Maria Berenice. Bem-vinda, Maria da Penha!. 2006. Disponível em: <http://jus2.uol.
com.br/Doutrina/texto.asp?id=8806>. Acesso em: 18 jul. 2007.
FALEIROS, Vicente de Paula. Estratégias em Serviço Social. São Paulo: Cortez, 2001.
FONSECA, Iglesias Fernanda de Azevedo. A Lei Maria da Penha e o reconhecimento 
QUADRO 6 – REFERÊNCIAS
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legal da evolução do conceito de família. 2006. Disponível em: <http://jus2.uol.com.br/
doutrina/texto.asp?id=8911>. Acesso em: 18 jul. 2007.
FUNDAÇÃO de Economia e Estatística. (FEE). Disponível em: <www.fee.tche.br>. Acesso 
em: 10 nov. 2008.
IAMAMOTO, Marilda Vilela. O serviço social na contemporaneidade: trabalho e 
formação profissional. 9. ed. São Paulo: Cortez, 2005.
______. Serviço Social em tempo de capital fetiche: capital financeiro, trabalho e 
questão social. São Paulo: Cortez, 2007.
LAVILLE, Christian; DIONNE, Jean. A construção do saber: manual de metodologia 
da pesquisa em ciências humanas. Porto Alegre: Editora Artes Médicas Sul Ltda; Belo 
Horizonte: Editora UFMG, 1999.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Técnicas de Pesquisa: 
planejamento e execução de pesquisas, amostragens e técnicas de pesquisas, elaboração, 
análise e interpretação dos dados. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1999.
MARX, Karl. O capital: crítica de economia política.São Paulo: Nova Cultural, 1989.
MINAYO, M.C.; SANCHES, O. Quantitativo-qualitativo: oposição ou complementaridade? 
Caderno de Saúde Pública, São Paulo, set. 1993.
MINAYO, Maria Cecília de Souza. O Desafio do Conhecimento: Pesquisa qualitativa em 
saúde. 5. ed. São Paulo, Rio de Janeiro: Hucitec-Abrasco, 1998.
MOREIRA, V. A. Experiência Vivida do Estigma: Um Estudo sobre Gênero no Nordeste 
do Brasil. Projeto de Pesquisa. Mestrado em Psicologia. Universidade de Fortaleza, 
Fortaleza, 2002.
PACTO de Enfrentamento à Violência contra a Mulher. Disponível em: <200.130.7.5/spmu/
docs/pacto_violencia.pdf>. Acesso em: 20 out. 2008.
PESQUISA Perseu Abramo. Disponível em: <http://www.patriciagalvao.org.br>. Acesso em: 
20 out. 2008.
PLANO Estadual de Políticas para as Mulheres (RS Mulher). Disponível em: <www.estado.
rs.gov.br/rsmulher/anexos/PLANO_RS_MULHER1.pdf>. Acesso em: 20 out. 2008.
PLANO Nacional de Políticas para as Mulheres. Disponível em: <www.presidencia.gov.br/
estrutura_presidencia/sepm>. Acesso em: 20 out. 2008.
PRATES, Jane Cruz. Disciplina: Teoria do Serviço Social II. A Produção do 
conhecimento em Marx. Textos Marxianos e de marxistas contemporâneos. 2003.
SECRETARIA Especial de Políticas para as Mulheres. Disponível em: <www.presidencia.
gov.br/estrutura_presidencia/sepm>. Acesso em: 20 out. 2008.
SAFFIOTI, H. I. B. Violência de gênero – lugar da práxis na construção da subjetividade. 
Lutas Sociais. São Paulo: PUC, 1997. 
STREY, Marlene N. ; AZAMBUJA, Mariana P. Ruwer; JAEGER, Fernanda Pires (Org.) 
Violência, Gênero e Políticas Sociais. Porto Alegre, EDUPUCRS, 2004.
FONTE: Tavares (2009)
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Prezado(a) acadêmico(a), chegou o momento de você elaborar as 
Referências Bibliográficas de seu trabalho. Elenque todos os autores 
que foram necessários para que seu estudo se desenvolvesse.
LEITURA COMPLEMENTAR
O PROCESSO DE PESQUISA CIENTÍFICA
Mauro Maia Laruccia
Este texto pretende auxiliar os estudantes na reflexão sobre os passos a serem 
percorridos no processo da pesquisa científica, valorizando alguns procedimentos que, ainda 
que anteriores à pesquisa, são fundamentais para o seu início, além do encaminhamento da 
pesquisa científica em seus diferentes momentos.
Na discussão do processo de pesquisa, o primeiro ponto a ser levantado refere-se à 
coleta de dados. Isto porque, ao contrário do que orientam alguns professores, a pesquisa 
científica não deve começar pela coleta de informações. Não basta definir um assunto e 
empreender uma busca de informações sobre ele. É necessário, antes de tudo, ter muito bem 
definido o objeto de estudo.
Este objeto, ao mesmo tempo em que deve ser particularizado, deve revestir-se de 
universalidade.
Com estas características, os resultados da pesquisa poderão ser avaliados pela 
comunidade científica, e também poderão ser generalizados através de analogias. Assim, a 
pesquisa não estará limitada a um estudo de caso e seus resultados serão aproveitados por 
outras pesquisas que contemplem temas correlacionados.
Ter um objeto de estudo bem definido ainda não é suficiente para se iniciar a coleta 
de dados por uma observação sistemática. É necessário que o pesquisador tenha delimitado 
claramente uma problemática acerca do objeto escolhido; uma questão motriz que lhe permitirá 
formular hipóteses, caso contrário, ele estará correndo o risco de observar o que não é necessário 
para a pesquisa, ou deixar de observar fatos relevantes a ela. Surge então um primeiro impasse: 
como identificar uma problemática em um objeto de pesquisa sem que se observe, uma vez 
que foi posto que a observação seria um passo posterior? De fato, não há como identificar uma 
problemática sem observar; mas esta é uma observação aleatória, isto é, não sistemática, intuitiva 
apenas. Veremos adiante que a observação sistemática é orientada por um método científico. 
A simples observação inicial de nosso objeto de estudo, a qual chamamos de aleatória, já nos 
permite levantar questões ou identificar uma problemática a seu respeito. 
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A partir de então, já possuímos elementos suficientes para que, diante de uma situação-
problema, formulem-se hipóteses, que podem ser chamadas também de conjecturas ou 
suposições. As hipóteses são generalizações empíricas baseadas em evidências obtidas por 
meio da observação aleatória. Elas direcionam a pesquisa para os fatos relevantes acerca 
da questão central, da problemática levantada. Sem hipóteses podem ser feitos estudos 
aprofundados, mas não pesquisa científica. As hipóteses antecipam um conhecimento que 
deverá ser comprovado ou não ao longo do processo de pesquisa. O valor científico de uma 
pesquisa não reside na comprovação das hipóteses, uma vez que não há obrigatoriedade de 
confirmação, mas o percurso que foi adotado para chegar a suas verificações.
Tudo o que foi mostrado até agora não faz parte ainda do que podemos chamar de 
pesquisa científica, apesar de constituir-se pré-requisito da mesma. Isto porque nenhum método 
científico foi utilizado até agora; não existe método científico que nos conduza à identificação de 
uma problemática, nem mesmo à formulação de hipóteses. Os processos que nos conduziram 
até aqui, desde a escolha da área ou objeto de estudo, à identificação de uma problemática e 
à formulação das hipóteses são empíricos, intuitivos e não sistemáticos. A próxima providência 
seria uma revisão bibliográfica sobre o objeto de estudo, tendo sempre em mente a problemática 
e as hipóteses, o que fará com que a escolha dos títulos a serem lidos seja mais precisa.
É somente a partir deste momento que podemos considerar que a pesquisa passa a 
assumir o caráter científico. Nesta etapa, a observação passa a ser sistemática e orientada 
por um método científico. Em outras palavras, através de um conjunto de procedimentos 
preestabelecidos, parte-se em busca de informações, dos fatos, das evidências que conduzam 
a uma explicação, ou a uma compreensão satisfatória daquilo que se propôs explicar.
O método científico é universal entre as ciências da natureza de forte caráter empírico. 
Dentro deste domínio, a análise, a síntese, as analogias, a dedução e a indução são processos 
contidos no método científico utilizado em qualquer pesquisa. Cada área do conhecimento, 
no entanto, particulariza o método científico atribuindo-lhe uma “roupagem” mais adequada a 
seu universo temático.
Um elemento da pesquisa que terá sempre um grau de variabilidade maior do que o 
método são as técnicas. Elas variam tanto quanto possa variar o objeto de estudo. Questionários, 
medições, correlações, modelos etc. serão utilizados de acordo com a necessidade imposta 
pelo objeto de estudo e pela problemática levantada. A natureza de cada objeto de estudo 
pode, assim, requerer técnicas diferenciadas.
Outro fator que pode diferenciar as técnicas adotadas nas pesquisas é o avanço 
tecnológico. Isto não quer dizer que as melhores técnicas sejam as mais modernas, o que 
pode até ocorrer, mas, sem dúvida, as melhores são aquelas que melhor se adaptam ao objeto 
de estudo e as que se mostram mais eficientes na obtenção dos resultados esperados. De 
qualquer forma, o avanço tecnológico e o contexto econômico no qual a pesquisa está sendo 
empreendida podem disponibilizar um maior número de técnicas.
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Encontramo-nos agora na etapa da observação sistemática. Isto não quer dizer que 
o pesquisador só agora comece a observar. Ele não deve desprezar em momento algum as 
informações que possam vir a ser importantes, mesmo que ainda não tenha certeza disso, 
apenas porque ainda não chegou na fase de observação. É preciso ressaltar que estas etapas 
não são de forma alguma estanques e servem apenas para nos orientar no decorrer do processo 
de pesquisa.
Ao contrário do que por muito tempose considerou, a observação não é anterior à 
interpretação. Ambas fazem parte do mesmo processo, uma vez que não há observador ideal. 
A escolha do que será observado primeiro, o relato da observação, a ordenação dos fatos, tudo 
isto já está impregnado no observador. A própria linguagem usada pelo observador é impregnada 
e reveladora de seus valores próprios. Neste sentido, a linguagem científica deve ser a mais 
clara possível, abrindo mão de adjetivações que poderão ocorrer apenas nas considerações 
finais, quando o trabalho já estiver concluído. A adjetivação resulta de uma avaliação subjetiva 
do pesquisador e deve ser evitada, embora cada observador tenha uma carga teórica, um 
aprendizado e experiências diferentes, portanto, diferentes percepções ao observar.
A objetividade de uma pesquisa científica reside então na forma como foi conduzida e 
na possibilidade que ela oferece de ter seus resultados testados pela comunidade científica que 
estaria representando o sujeito. Em outras palavras, a objetividade de um trabalho científico 
está na intersubjetividade. Não é o sujeito, o autor da pesquisa, que deverá ser posto à prova, 
mas a pesquisa em si, e isto só poderá ser feito pela comunidade científica, intersubjetivamente. 
Para tanto, é necessário que o cientista organize as informações e utilize técnicas que diminuam 
a fluidez das informações obtidas e das conclusões. Há uma grande diferença em dizer, por 
exemplo, que “há mais automóveis circulando nas ruas pela manhã e pela tarde”, do que 
dizer que em determinados bairros da cidade, entre 07:00h e 10:00h e 17:00h e 20:00h de 
segunda-feira, a circulação de automóveis aumenta em X%. A diferença está no fato de que, 
no primeiro caso, é apenas uma constatação à qual não se pode contestar. Já no segundo 
caso, as informações estão menos fluidas e podem ser contestadas. Assim, as conclusões 
também poderão ser mais precisas.
Se a pesquisa científica é bem conduzida, as conclusões aparecem como consequência 
da argumentação e não precisam ser criadas; constituem a comprovação ou não das hipóteses 
levantadas. A conclusão de um trabalho não deve constituir-se de um resumo do que foi feito.
Contudo, podem ser acrescentados nas conclusões os problemas enfrentados em 
qualquer momento do processo de pesquisa; nesse momento também é possível e aconselhável 
que se projetem caminhos vislumbrando a continuidade da pesquisa concluída.
FONTE: Disponível em: <http://www.maurolaruccia.adm.br/materiais/cadernomtp.pdf>. Acesso em: 10 
fev. 2011.
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Neste tópico você estudou que:
● Toda pesquisa segue um caminho metodológico.
● É comum os acadêmicos pesquisadores iniciantes se empolgarem com algum assunto geral, 
querendo trabalhá-lo como um todo.
● Qualquer pesquisa, antes de ser desenvolvida, para seu sucesso e conclusão significativa, 
deverá primeiro ser planejada, detalhada, analisando-se todas as possibilidades, os prós e 
os contras.
● A pesquisa consiste em um conjunto de ações propostas para encontrar a solução de um 
problema que tem por base procedimentos racionais e sistemáticos.
● No Serviço Social, as etapas de um projeto de pesquisa podem ser: elaboração do projeto 
de pesquisa (escolha do tema; revisão de literatura; justificativa; formulação do problema; 
determinação dos objetivos; metodologia; organização de um cronograma; definição de 
recursos); execução (coleta de dados, organização dos dados, análise e discussão dos 
resultados; conclusão); apresentação dos resultados.
● Justificativa significa argumentar, esclarecer, fundamentar porque o trabalho é importante, 
tanto para a comunidade acadêmica quanto para a sociedade.
● Os objetivos devem esclarecer o que se pretende atingir com a realização da pesquisa, com 
a implementação do projeto.
● Toda a pesquisa parte de alguns referenciais já conhecidos pela comunidade científica.
● É na metodologia que se deve explicar detalhadamente como o trabalho será desenvolvido, 
etapa por etapa, e quem participará da pesquisa (definição do público-alvo).
● O cronograma consiste no detalhamento do tempo a ser destinado a cada etapa da pesquisa.
● Os recursos constituem-se enquanto elemento essencial quando o projeto for apresentado 
para uma instituição financiadora de projetos de pesquisa ou se for necessário à aquisição 
de algum material ou equipamento pelo pesquisador.
● As referências bibliográficas consistem em um item obrigatório e é o que dará validade aos 
conceitos e teorias utilizados.
RESUMO DO TÓPICO 1
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Caro(a) acadêmico(a), apresentaremos a seguir o roteiro para o projeto de 
pesquisa. Você terá a maioria dos itens já elaborados, com base nas autoatividades 
anteriores. Solicitamos que você complete os que estão em negrito e os organize. 
Nos próximos tópicos trabalharemos os itens restantes do projeto de pesquisa.
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ROTEIRO DE PROJETO DE PESQUISA
Título do Projeto de Pesquisa
1. Delimitação do Tema
2. Justificativa
3. Problema de Pesquisa
4. Hipóteses
5. Objetivos
6. Revisão de Literatura
7. Metodologia
7.1 Natureza da Pesquisa
7.2 Campo e Sujeitos da Pesquisa
7.2.1 Definição do Campo de Pesquisa
7.2.2 Definição do Universo e Amostra de Pesquisa
7.3 Método
7.4 Instrumentos e Técnicas de coleta de dados
7.5 Análise dos Dados
8. Cronograma
Referências
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CONSTRUINDO AS HIPÓTESES 
E DEFININDO O DELINEAMENTO 
DA PESQUISA
1 INTRODUÇÃO
2 O QUE SÃO HIPÓTESES DE PESQUISA?
TÓPICO 2
UNIDADE 3
Neste tópico apresentaremos as particularidades das hipóteses de pesquisa. 
Capacitaremos o(a) acadêmico(a) a elaborá-las, dando continuidade ao seu Projeto de 
Pesquisa. Também discutiremos o delineamento da pesquisa, como forma de instrumentalizar 
o(a) acadêmico(a) sobre as principais correntes teóricas filosóficas existentes.
No projeto é preciso apresentar algumas hipóteses ou possibilidades para resolver o 
problema central de sua pesquisa, mostrando o conhecimento já adquirido e a possibilidade 
de resolvê-lo. 
A argumentação das hipóteses ou tese sempre está ligada à resposta que o pesquisador 
procura dar ao problema, ou seja, é a partir do problema que se elaboram algumas possibilidades 
que visam solucioná-lo.
Desse modo, as hipóteses são as explicações preconcebidas, para o fenômeno, 
que serão testadas por meio da verificação da evidência dos dados empíricos. Por isso, 
entende-se que a relação entre definir um problema e nomear as hipóteses é um processo de 
retroalimentação. 
A partir do momento em que se considera a existência de um problema, inicia-se a 
elaboração de possíveis causas para o mesmo, configurando-se nas hipóteses que irão nortear 
toda a pesquisa. Por consequência, é primordial que o pesquisador tenha uma significativa 
aproximação com a realidade, com o fenômeno estudado e com as teorias que o embasam.
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Alguns fatores são reconhecidos por desencadearem maior dificuldade para a elaboração 
das hipóteses de pesquisa, exigindo que essa construção seja permeada de grande criatividade. 
Dentre alguns fatores, destacam-se:
a) Inexistência de um consistente referencial teórico que embase a temática e o tema em 
questão, ou seja, escassez de leituras sobre estudos anteriores direcionados ao mesmo 
assunto.
b) Incapacidade técnica (e científica) para fazer uso, de maneira construtiva, do referencial 
teórico escolhido.
c) Falta de conhecimento a respeito da metodologia e técnicas de pesquisas já realizadas.
A sustentação teórica e prática da pesquisa viabiliza a definição das hipóteses. Conforme 
o grau de sustentação haverá maior, ou menor, viabilidade para a definição das hipóteses.
3 TIPOS DE HIPÓTESES
As hipóteses almejam apresentar a relação existente

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