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UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO – UFOP ESCOLA DE MINAS DEPARTAMENTO DE GEOLOGIA – DEGEO DISCIPLINA: PEDOLOGIA PROFESSOR: RAMON MESSIAS MARTINS ATRIBUTOS E HORIZONTES DIAGNÓSTICOS E CLASSIFICAÇÃO DOS SOLOS Ana Paula Felix da Costa Ouro Preto – MG 2018 Sumário 1- Atributos diagnósticos 1 1.1- Mudança textural abrupta 1 1.2- Caráter salino 1 1.3- Caráter flúvico 1 1.4- Caráter espódico 2 2- Horizontes diagnósticos superficiais (A) 2 2.1 - Horizonte A fraco 2 2.2 - Horizonte A moderado 2 3- Horizontes diagnósticos superficiais (B) 3 3.1 - Horizonte B plânico 3 3.2 - Horizonte B latossólico 3 3.3 - Horizonte B nítico 4 3.4 - Horizonte B incipiente 4 4 – Classes de solo 5 4.1 - Gleissolo 5 4.2 - Planossolo 5 4.3 - Vertissolo 6 4.4 - Espodossolo 6 5 - Bibliografia 7 13 1- Atributos diagnósticos 1.1- Mudança textural abrupta Contraste de teor de argila muito acentuado entre horizontes (≤ 7,5 cm). Consiste em um considerável aumento no teor de argila em pequena distância na zona de transição entre o horizonte A ou E e o horizonte subjacente B. Quando o horizonte A ou E tiver conteúdo de argila menor que 200 g kg-1 de solo, o teor de argila do horizonte subjacente B, determinado em uma distância vertical ≤ 7,5 cm, deve ser de pelo menos o dobro do conteúdo do horizonte A ou E. Quando o horizonte A ou E tiver conteúdo de argila igual ou maior que 200 g kg-1 de solo, o incremento de argila no horizonte subjacente B, determinado em uma distância vertical ≤ 7,5 cm, deve ser igual ou maior que 200 g kg-1 em valor absoluto na fração terra fina (p. ex.: de 300 g kg-1 para no mínimo 500 g kg-1, ou de 220 g kg-1 para no mínimo 420 g kg-1). Figura 1: Exemplo de mudança textural abrupta. 1.2- Caráter salino Refere-se à presença de sais solúveis em água fria que o sulfato de cálcio, em quantidades que interferem no desenvolvimento da maioria das culturas. É indicada por condutividade elétrica do extrato de saturação igual ou maior que 4 dS m-1 e menor que 7 dS m-1 (a 25 °C), em alguma época do ano. 1.3- Caráter flúvico Utilizado para identificar solos formados sob forte influência de sedimentos de natureza aluvionar ou colúvio-aluvionar, que apresentam pelo menos um dos seguintes requisitos: a. Camadas estratificadas, identificadas por variações irregulares (erráticas) de granulometria ou de outros atributos do solo em profundidade; e/ou b. Distribuição irregular (errática) do conteúdo de carbono orgânico em profundidade, não relacionada a processos pedogenéticos. 1.4- Caráter espódico É utilizado para caracterizar solos que apresentam acúmulo iluvial de complexos organometálicos em subsuperfície e que não satisfazem os critérios para horizonte B espódico e espodossolo. 2- Horizontes diagnósticos superficiais (A) Figura 2: Horizontes diagnósticos de superfície (A). 2.1 - Horizonte A fraco Horizonte superficial fracamente desenvolvido, seja pelo reduzido teor de coloides minerais ou orgânicos, seja por condições externas de clima e vegetação, como as que ocorrem na zona semiárida com vegetação de caatinga hiperxerófila. O horizonte A fraco é identificado pelas características seguintes: a. Cor do material de solo com valor ≥ 4,0 (úmido), e ≥ 6,0 (seco); b. Estrutura em grãos simples, maciça, ou com grau fraco de desenvolvimento; c. Teor de carbono inferior a 0,6%; d. espessura < que 5cm, quando não satisfizer ao estabelecido anteriormente (todo horizonte superficial com menos de 5 cm de espessura é fraco). 2.2 - Horizonte A moderado É o horizonte mais comum nos solos brasileiros. São incluídos nesta categoria os horizontes que não se enquadram no conjunto das definições dos demais horizontes diagnósticos superficiais. Em geral, o horizonte A moderado difere dos horizontes A chernozêmico, proeminente e húmico pela espessura e/ou cor e do A fraco pelo conteúdo de carbono orgânico e pela estrutura, não apresentando ainda os requisitos para que seja caracterizado como horizonte hístico ou A antrópico. 3- Horizontes diagnósticos superficiais (B) Situados abaixo do Horizonte A. Em alguns casos pode estar com o Hz A, ou estar exposto na superfície devido a erosão. 3.1 - Horizonte B plânico É um tipo especial de horizonte B textural. Apresenta mudança textural abrupta, estrutura prismática, colunar, ou em blocos angulares e subangulares. A permeabilidade é muito baixa, devido ao seu adensamento. Cores neste horizonte são cinzentas ou cinzento escuras, podendo ou não possuir cores neutras resultantes de processos de redução. São horizontes geralmente constatados em solos hidromórficos, podendo ocorrer em áreas de relevo plano ou B plânico suavemente ondulado. Identifica os planossolos. Figura 3: Horizonte B plânico. 3.2 - Horizonte B latossólico Horizonte em avançado estágio de intemperização, intensa dessilicificação e lixiviação de bases e concentração residual de óxidos de Fe e Al e argilominerais do tipo 1:1 resistentes ao intemperismo. Apresenta: a. Baixa relação textural; b. Pouca diferenciação de cor entre os horizontes; c. Menos de 5% do volume com fragmentos de rochas; d. Grau de floculação (GF) da argila igual ou próximo de 100%; e. Menos do que 4% de minerais primários alteráveis; f. CTCpH7 < 17 cmolc/kg de argila; g. Cerosidade, é no máximo pouca e fraca. Figura 4: Horizonte B latossólico. 3.3 - Horizonte B nítico Horizonte de textura argilosa ou muito argilosa, sem ou com pequeno incremento no conteúdo de argila do A para o B. Pode ter argila de atividade alta ou baixa, estrutura em blocos angulares, subangulares ou prismática em grau moderado ou forte. Cerosidade em grau moderado ou forte, na forma de superfícies reluzentes (shiny peds). B nítico → Nitossolos (1° NC) Figura 5: Horizonte B nítico. 3.4 - Horizonte B incipiente Horizonte subsuperficial que apresenta pouca alteração física e química, porém suficiente para desenvolvimento de cor e estrutura. Apresenta: a. 4% ou mais de minerais alteráveis na fração areia; b. 5% ou mais do volume do B tem estrutura da rocha original; c. Relação molecular SiO2/Al2O3 (Ki) na fração argila maior do que 2,2; d. CTC argila de 17 cmolc/kg de argila. Figura 6: Horizonte B incipiente. 4 – Classes de solo 4.1 - Gleissolo São solos pouco profundos a profundos que apresentam o processo de gleização (redução do ferro em ambientes alagados) resultando em coloração acinzentada ou preta com manchas vermelhas e laranjas (mosqueados). Apresentam sequência de horizontes A-Bg-Cg ou A-Cg ou H-Cg. Geralmente ocupam as planícies baixas (várzeas) e podem apresentam um perfil arenoso ou argiloso. As principais limitações estão relacionadas a má drenagem (hidromorfismo), a mecanização e ao elevado potência de contaminação do lençol freático ou aquífero . Figura 7: Gleissolo. 4.2 - Planossolo São solos mal drenados que apresentam elevado gradiente textural entre os horizontes A e B. Apresentam sequência de horizontes A-Btg-C ou A-E-Btg-C. Ocorrem geralmente em áres planas (várzeas) associados aos Gleissolos e Neossolos Flúvicos. São solos com elevado potencial para o cultivo do arroz irrigado no sul do Brasil. Geralmente apresentam baixa fertilidade natural no horizonte A, que se caracteriza como arenoso. Figura 8: Planossolo. 4.3 - Vertissolo São solos pouco profundos a profundos e de coloração escura devido à presença homogênea de matéria orgânica e argilas expansivas do tipo 2:1. São solos que apresentam elevada fertilidade natural, com exceção do fósforo, mas que fisicamente apresentam limitações ao manejo. As argilas expansivas tornam o solo muito duro quando seco e muito plástico e pegajoso quando molhado. São solos utilizados para pecuária extensiva sobre campo nativo ou cultivo de arroz irrigado. Figura 8: Vertissolo. 4.4 - Espodossolo São os únicos solos que apresentam acúmulo de matéria orgânica no horizonte B, chamado de B espódico. Apresentam sequência de horizontes A-Bh-C ou A-E-Bh-C. São solos que ocorrem em áreas arenosas e com elevada precipitação pluvial, geralmente associadosa restingas litorâneas. São solos muito frágeis devido a textura arenosa do horizonte A. Apresentam sérias limitações ao uso agrícola e urbano/industrial. Figura 9: Espodossolo. 5 - Bibliografia Site da Embrapa: https://www.embrapa.br/solos/sibcs/solos-do-brasil - acessado em 27 de novembro de 2018. Site do Museu de Solos do Rio Grande do Sul: http://w3.ufsm.br/msrs/index.php/explore/solos-brasileiros - acessado em 27 de novembro de 2018.