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DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO E GESTÃO – CONCEITOS E APLICAÇÕES AULA 1 Prof.ª Mariana Monfort 2 INTRODUÇÃO Oi. Seja bem-vindo(a)! Esta é a Aula 1 da disciplina Administração e Gestão do curso de Administração de Empresas. Aqui, vamos abordar as várias definições acerca da administração. Confira! Definição de administração: visão geral do PODC Organização formal Racionalidade administrativa “A Administração é uma questão de habilidades, e não depende da técnica ou experiência. Mas é preciso, antes de tudo, saber o que se quer”. Sócrates O que será que o grande filósofo grego quis dizer? Ele quis dizer que, antes de mais nada, a Administração exige de nós o saber! Mas, para saber o que queremos precisamos conhecer o assunto, concordam? E para conhecer precisamos estudar! Neste mundo incrível do conhecimento administrativo você irá entender a gênese da ciência que você escolheu como futura profissão. Então, você vai entender o funcionamento das organizações no seu cotidiano, seja aquela onde você trabalha ou aquelas com as quais você se relaciona: padaria, mercado, Igreja, a sua própria família, dentre outras. Vamos conhecer a evolução do pensamento administrativo e seus principais conceitos e definições, para que você compreenda o mundo organizacional a sua volta, podendo unir a teoria com a sua prática profissional, ou seja, com as técnicas e experiências já obtidas e as que você irá obter no decorrer do curso de Administração. Ficamos, aqui, então, com uma reflexão: você concorda ou discorda com Sócrates? Afinal, a administração é uma questão de habilidades, sim, mas depende ou não de técnica e/ou experiência? 3 CONTEXTUALIZANDO Problematização Acesse o artigo abaixo. Depois, reflita: quais foram as ações tomadas pela direção do Hotel para reestruturar o negócio? Anote suas considerações! TEMA 1 - DEFINIÇÃO DE ADMINISTRAÇÃO: VISÃO GERAL DO PODC Intuitivamente ou empiricamente, as práticas relacionadas à administração sempre estiveram presentes na história da humanidade. Pense no modelo mais primitivo de sociedade, aqueles denominados pelos cientistas sociais como sociedades tribais. Neste tipo de agrupamento humano, predominam as atividades voltadas para a autoprodução, que visam à subsistência, ou seja, produziam, caçavam, pescavam e criavam para consumo próprio. Na sociedade tribal, destacava-se o papel do chefe militar, que geralmente era o guerreiro com mais habilidades. Conforme apontam Vizeu e Gonçalves (2010), além do comando militar, a este líder cabia exercer as funções de organizar sua tribo, planejar as ações de caça, pesca, criação, entre outras, e ainda dirigir e controlar os membros da tribo em suas atividades cotidianas. Assim sendo, ainda que de modo intuitivo, estes líderes eram responsáveis por funções básicas para a sobrevivência de suas tribos: planejamento, organização, direção e controle. Para conhecer melhor o funcionamento de uma sociedade tribal, acesse o site a seguir: http://sociologia-ifma.blogspot.com.br/2012/04/o-trabalho-na-sociedade- tribal.html À medida que as sociedades tribais se tornaram maiores, sua necessidade por mais administração também cresceu. E com tal complexidade, o corpo militar destas civilizações careceram de ordem e estrutura mais 4 elaboradas. E é justamente na constituição das estratégias da Antiguidade, nos grandes exércitos, que os conceitos de gestão passaram a ser cada vez mais necessários. Imagine a dificuldade em organizar um exército com milhares de soldados, alimentando-os e deslocando-os por centenas e milhares de quilômetros. É possível empreender tal feito sem adequadas maneiras de planejamento, organização, comando, coordenação e controle? A ordem e a estrutura requeridas fizeram surgir a necessidade de um comando sólido, e o general passou então a ser peça-chave para a eficaz organização do corpo militar. Neste sentido, como sugerem Vizeu e Gonçalves (2010), o general nada mais era do que o administrador do exército: “o estrategista na Antiguidade cumpre as funções clássicas da Administração: planeja as ações e os objetivos, organiza o exército e o país, dirige os esforços das pessoas para os objetivos e controla o processo” Você sabe quem foi considerado o maior estrategista da história? Ele mesmo, Napoleão Bonaparte. Ele foi responsável por dirigir um exército gigantesco por toda a Europa. Formando, então, a primeira força militar multinacional. Conheça o grande estrategista de guerra francês, clicando a seguir: http://meuartigo.brasilescola.com/historia/napoleao-bonaparte- estrategias-guerras.htm Assim, seja em sociedades tribais, nas civilizações da Antiguidade, nas sociedades atuais e mesmo em atividades comuns de nosso dia a dia, o planejamento, a organização, a direção e o controle se fazem presentes. Na Administração, tais conceitos foram apresentados pela primeira vez de forma sistemática por Henri Fayol, um teórico francês considerado o pioneiro da Teoria Clássica da Administração. 5 Para ele, a Administração era um processo dinâmico que compreenderia cinco funções interligadas: Planejar, Organizar, Comandar, Coordenar e Controlar (POCCC). Mais tarde, as funções Comandar e Coordenar foram consideradas partes de um mesmo processo: a Direção (PODC). Para os administradores alcançarem os objetivos definidos pela organização, é preciso executar cada uma destas funções, que são inter-relacionadas (SOBRAL; PECI, 2013). Com as constantes mudanças no cenário econômico mundial e nacional, surgem alguns fatores negativos que interferem direta ou indiretamente no ambiente organizacional, tais como reduzido crescimento econômico, globalização, regulamentação governamental, inflação, escassez de alguns recursos e protecionismo internacional. Os administradores devem ficar atentos para esses elementos, pois são indicadores organizacionais para a utilização e o aperfeiçoamento da função primeira, o Planejamento, e, em decorrência, será exigida uma postura mais enérgica das demais funções: Organização, Direção e Controle. Nos dias atuais, planejar, organizar, dirigir e controlar permite obter a economia de recursos e o adequado cumprimento dos objetivos organizacionais, que são a eficiência e eficácia dos processos-termos que estudaremos mais para frente. PODC enquanto definição da Administração Considerando a importância dos quatro processos do PODC, a Administração pode ser definida como o conjunto das atividades integradas que realiza estes quatro processos. Para Chiavenato (2014), na busca de alcançar os objetivos globais de maneira eficiente e eficaz, a Administração realiza todo o processo de planejamento, organização, direção e controle das ações organizacionais. Os autores das teorias administrativas, e em especial Fayol, empregaram o termo ‘função’ para definir os fundamentos essenciais do trabalho administrativo, isto é, as atividades associadas aos processos de planejamento, 6 organização, direção e controle. Dito de outra forma, as funções administrativas são adotadas para relacionar “a atuação do administrador ao seu contexto de trabalho, ou seja, mostra o resultado do seu trabalho administrativo para a sua unidade organizacional” (TEIXEIRA, 1981, p. 27). Para melhor entendimento das funções administrativas e de suas especificidades, os conceitos PODC serão definidos isoladamente a seguir. Planejamento Para atingir objetivos organizacionais, é importante, em primeiro lugar, que se faça um bom planejamento. Afinal, como já dizia Lewis Carroll, autor do célebre romance infantil Alice no País das Maravilhas, “Qualquer caminho serve para quem não sabe para onde vai”. O planejamento corresponde a uma função administrativa que vem antes das outras(organização, direção e controle). Na realidade, é difícil separar e sequenciar as funções administrativas, mas pode-se considerar que, de maneira geral, o planejamento aparece na ponta inicial, descrevendo como será o processo (visão de futuro). Planejar faz parte de qualquer processo, e seu objetivo é estabelecer um caminho que será seguido durante a execução de um projeto (presente). Vamos tomar como exemplo o planejamento familiar que visa ter filhos. Acompanhe! 1. O primeiro ponto é quantificar o objetivo, definindo com clareza quantos filhos, quando e como. 2. Em seguida há de se considerar as etapas: gravidez, acompanhamento da gestação, nascimento, cuidar e educar a criança. 3. Ainda, há que se considerar a situação econômica e emocional do casal para adequadamente atingir esses objetivos. 7 Se planejamento, então, tem a ver com a ideia de futuro, envolve a capacidade de estimar tendências e acontecimentos prováveis, prescrevendo situações futuras desejadas, e o que deve ser feito para concretizá-las, de modo a antecipar os efeitos e consequências para a organização, uma organização, pode-se dizer, precisa de um planejamento que direcione e impulsione o desenvolvimento, a competitividade, e garanta a prosperidade da organização de forma sustentável e contínua. “O planejamento consiste na especificação dos objetivos a serem atingidos, na definição das estratégias e ações que permitem alcança- los, e no desenvolvimento de planos que integrem e coordenem as atividades da organização. O planejamento permite que os administradores e trabalhadores tenham sua ação orientada para determinados objetivos, permitindo-lhes concentrar sua atenção no que é mais importante para a organização” (SOBRAL; PECI, 2013, p. 9). Ou seja, é a definição dos objetivos e metas, e as ações pretendidas para sua realização, antecipando tendências e acontecimentos prováveis, de forma que se estime consequências e efeitos para a organização, e que seja possível um controle do futuro. Segundo Fayol, a função da administração nesse momento é prever, traçar um programa de suas ações ao visualizar o futuro (CHIAVENATO, 2014). Quanto à abrangência do planejamento, pode ocorrer em três níveis diferentes, segundo Caravantes, Panno e Kloeckner (2005): Estratégico Aquele que impacta na organização como um todo de forma significativa, aloca maiores recursos e é feito a longo prazo. Os outros níveis objetivam implementar o planejamento estratégico com maior eficiência e eficácia. Se dá com a definição da visão, missão, políticas e objetivos da organização. 8 Tático Aquele que detalha os meios para implementação das metas a médio prazo determinado, sendo vinculado a operacionalização dessas metas, com recursos inferiores aos estratégicos. Como exemplo, têm-se um plano de aprimoramento de um produto objetivando mantê-lo competitivo no mercado e também a reestruturação física de lojas. Operacional São operações comuns às rotinas da organização, sempre inferiores a um ano. O orçamento é um bom exemplo de planejamento operacional. Analise a imagem a seguir: Fonte: COSTA, 2016 9 Comentário Para o sucesso do planejamento empresarial, o administrador precisa saber aonde a empresa quer chegar, e traçar os objetivos a serem alcançados, pois cabe a ele escolher o caminho a ser seguido pelos colaboradores e partes envolvidas Uma forma de compreender a importância do planejamento para as organizações é verificar como a própria sobrevivência das empresas depende desta função administrativa. Podemos considerar os próprios dados da realidade brasileira, por exemplo. Importante Inúmeras são as razões que levam as empresas a fechar antes de dois anos, tais como ausência de recursos financeiros, baixa qualificação dos gestores e funcionários, falta de conhecimento do ramo de atuação – mas, acima de tudo, a falta de planejamento. Veja, por exemplo, o caso mais amargo em nossa memória, a Copa do Mundo que ocorreu no Brasil em 2014, quando estádios, aeroportos, estradas, hotéis, ainda estavam em fase de construção nas vésperas da Copa, quase inviabilizando a sua realização. Saiba mais sobre a falta de planejamento nas obras da Copa: http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/ESPORTES/465681- FALTA-DE-PLANEJAMENTO-ATRASOU-OBRAS-DA-COPA,-DIZ- PRESIDENTE-DO-TCU.html Outro exemplo recente é a falta de água em São Paulo. Como se explica que um país como o Brasil, o segundo maior detentor de água doce do mundo, passe por racionamento de água, em um dos maiores sistemas de captação e tratamento de água, que é o sistema Cantareira, da cidade de São Paulo? 10 A ausência de planejamento, somado à falta de uma política de novos investimentos para aumentar a captação e, ainda, uma diminuição das chuvas levaram ao racionamento de água (MENTOR, 2014). Saiba mais sobre a crise hídrica em São Paulo: http://oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2014/04/25/crise-da- agua-em-sao-paulo-expoe-falta-de-planejamento-533785.asp A falta de planejamento, como vimos, pode levar a custos altíssimos e graves consequências, inviabilizando, muitas vezes, o funcionamento da organização. O planejamento adequado permite maximizar os resultados e minimizar as deficiências, proporcionando uma situação de eficiência e eficácia. Organização Diferentemente do planejamento, o conceito de organização pode confundir acerca da sua especificidade. Primeiro, porque é muito comum confundir organização e planejamento. Existe muita proximidade entre ambos os conceitos, afinal, fazem parte de um mesmo sistema; entretanto, organização se difere do planejamento em certos pontos fundamentais. Para Sobral e Peci (2013, p. 07), organização tem a ver com estrutura: “Organização é a função da administração que faz a distribuição das tarefas e dos recursos entre os membros da organização, define quem tem autoridade sobre quem e quando e onde devem tomar decisões. A organização procura distribuir o trabalho, a autoridade e os recursos entre os membros da organização para que estes alcancem os objetivos estabelecidos eficientemente. O resultado do processo de organização é a estrutura organizacional.” É pela organização que a estrutura da empresa é definida, distribuindo-se as tarefas e os recursos e definindo-se a autoridade dos membros, de forma a alcançar os objetivos. As estruturas também permitem que os resultados e as metas organizacionais sejam atingidos com eficiência. 11 Por estrutura organizacional podemos entender “a distribuição, em várias linhas, de pessoas entre posições sociais que influenciam os relacionamentos entre os papéis dessas pessoas” (BLAU, 1974, p. 12 apud HALL, 2004, p. 47). Para Chiavenato (2014), a estrutura organizacional estabelece uma cadeia de comando, que são as posições da organização interligadas por uma linha de autoridade e que define a subordinação. É dentro desta função que se estabelece o organograma de uma empresa, uma representação gráfica utilizada para representar a sua estrutura e deixar claros seus níveis hierárquicos. Exemplo de organograma Fonte: CINEL, 2016. Outro importante esclarecimento sobre o processo de organização é o fato de representar tanto o processo administrativo – a ação – quanto aquilo que se administra – o objeto (Empresa, repartição pública, Igreja, fábrica, loja, padaria, ou seja, o sistema social e produtivo que se pretende organizar.). Aqui, você sabe, estamos discutindo o processo de organização (ação), e não o objeto físico. 12 Para Orlickas (2012), organizar envolve a ação de gerir todos os recursos da organização (humanos, financeiros e materiais), alocando-os da melhor forma possível, de acordo com o planejamento elaborado previamente. A falta de organização nos processosde uma empresa gera impactos significativos. A máquina pública brasileira, por exemplo, sofre com desorganização. Saiba mais sobre a Máfia das Próteses que revela a falta de organização com a coisa pública. http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2015/01/mafia-das-proteses- coloca-vidas-em-risco-com-cirurgias-desnecessarias.html Direção Já tendo feito um planejamento de metas e estabelecida a organização dos processos, agora é preciso que as ações estipuladas aconteçam da forma esperada. Para tanto, é preciso mobilizar os esforços das pessoas, e esta é a essência da direção. “Dirigir significa liderar, motivar e coordenar os trabalhadores no desenvolvimento de suas tarefas e atividades. Dirigir também significa selecionar o canal de comunicação mais adequado e resolver conflitos entre os subordinados. É uma função que exige mais ação que o planejamento ou a organização. O responsável por uma equipe ou grupo, o líder, tem a responsabilidade de proporcionar um ambiente propício à execução de um trabalho de qualidade e no qual os trabalhadores se sintam satisfeitos” (SOBRAL; PECI, 2013, p. 10). Dos três conceitos de PODC até agora apresentados, o mais prático, baseado na ação, é a Direção, que é a função relacionada com a tomada de decisões e responsável por fazer com que as ações realizadas fiquem alinhadas com o planejamento. Por esse motivo são tão importantes a comunicação e as outras habilidades interpessoais que melhoram as relações entre o líder e o subordinado. Direção é a função administrativa de gerir a organização na execução dos planos, motivando e a fim de que se converta planos em resultados (JUCIUS; SCHLENDER, 1972; apud TEXEIRA, p. 27). É a direção que dará o Norte de ação para a organização. Sua essência é a liderança. A grande habilidade de 13 bons líderes é justamente motivar as pessoas em relação aos objetivos esperados. Seja em uma organização formal ou mesmo em uma situação comum do dia a dia, os verdadeiros líderes dão o rumo para seus liderados. Acesse e conheça os maiores líderes que já existiram: http://www.sbcoaching.com.br/blog/executive-coaching/lideranca-e- coaching/maiores-lideres-que-ja-existiram/ E não deixe de ler a coluna de Bernt Entschev sobre a falta de liderança: http://www.gazetadopovo.com.br/blogs/talento-em-pauta/falta-de- lideranca-como-agir/ Princípios da direção (CHIAVENATO, 2014): Unidade de comando (cada subordinado tem seu superior) Delegação (tarefas e responsabilidades designadas) Amplitude de controle (limita a quantidade de membros supervisionados por cada líder) Coordenação ou Relações Humanas (trata dos esforços individuais para alcançar um objetivo) Agora, reflita: qual é a sua sensação quando seu chefe não está presente? Liberdade, leveza? Acredito que liberdade passou pela sua cabeça, tendo em vista que quando não temos alguém para nos observar e orientar, tendemos a nos sentir mais livres e soltos, o que pode, muitas vezes, levar a se perder em nossas atividades rotineiras. Afinal, se não há cobrança, não há resultados imediatos, concordam? Controle Muito bem. Depois de planejar, organizar e dirigir a organização rumo ao alcance das metas, é preciso, agora, fazer o controle das atividades, uma verificação para mensurar o alcance das metas e dos objetivos estipulados. 14 “O controle é a função da administração que assegura que os objetivos estão sendo alcançados. Consiste na monitoração e na avaliação do desempenho da organização, na comparação deste com os objetivos planejados e na correção dos desvios que se verifiquem. A função de controle envolve: a definição de medidas de desempenho, a verificação sistemática do desempenho efetivo, a comparação entre os padrões e objetivos planejados e o desempenho efetivamente observado, e, finalmente, o estabelecimento de medidas corretivas, no caso de verificarem desvios significativos. É por meio da função de controle que a organização se mantém no rumo pretendido ou planeja mudanças” (SOBRAL; PECI, 2013, p. 10). Trata-se de uma checagem das ações tomadas para comparar com os objetivos e conferir se as metas estipuladas serão atingidas, de forma que estas ações possam ser corrigidas ou melhoradas. Até porque no planejamento não se consegue considerar todas as variáveis, por isso o controle existe, para corrigir ações e melhorar a execução das etapas anteriores, no sentido de voltá- las ao alcance das metas de forma mais eficiente e eficaz. (MOCKLER, 1984). O responsável pelo controle, então, precisa verificar se as atividades planejadas e organizadas estão sendo executadas de maneira a atingir o sucesso delas esperada. Ou seja, no controle é preciso administrar, tomando medidas preventivas e corretivas no curso das atividades, para ajustar o passo das atividades no alcance das metas. Vamos para um exemplo cotidiano de controle, nas organizações: a verificação diária da quantidade de itens produzidos, por funcionário, em uma linha produtiva. Toda semana o supervisor precisa verificar os níveis de produção, e com estes dados decidir por manter o ritmo de trabalho, se as metas forem cumpridas, ou realizar ações corretivas, no caso de a produção estar aquém do necessário. Leitura obrigatória Leia os capítulos 1 e 2 da obra: COLTRE, S. M. Fundamentos da Administração: um olhar transversal. Curitiba: Intersaberes, 2014. 15 Para ver a aplicação das funções administrativas no cotidiano das empresas, assista ao filme “Chocolate” e veja de que forma Vienne (a personagem principal) faz uso das funções administrativas em seu novo negócio. TEMA 2 - ORGANIZAÇÃO FORMAL A pergunta que não quer calar: o que é uma organização? Queremos saber sua opinião! Comentário Uma organização poderia ser a empresa que você trabalha; o modo de distribuição de tarefas em sua rotina doméstica; a associação de moradores do bairro; uma Igreja; ou, como acabamos de ver no Ciclo PODC, uma função administrativa. Assim, percebe-se que a palavra organização passa a ter alguns significados e, enquanto futuros administradores, o entendimento destes significados é fundamental para o dia a dia da profissão, pois, segundo Chiavenato (2003), “Administração é um todo do qual a organização é uma das partes”. De certo modo, podemos dizer que, a organização é o objeto da administração. Também podemos dizer que a administração é um dos aspectos fundamentais que diferenciam as organizações de outras formas de sistemas sociais. Ou seja, enquanto no passado a sociedade era constituída de pequenos sistemas sociais desorganizados, nos dias atuais, conforme afirmam os autores Prestes Motta e Bresser Pereira (1980), quem domina o panorama social contemporâneo são as organizações, sendo elas cada vez maiores e com estruturas melhores. Dificilmente o seu cotidiano estará isento de organizações, pois são elas que coordenam o seu trabalho, o seu estudo, seus interesses e suas reivindicações (PRESTES MOTTA; BRESSER PEREIRA, 1980). Sem dúvida, estamos cercados por organizações. Do nascimento, em hospitais, à nossa morte, em cemitérios, estamos “absorvidos pelas organizações”, tornamo-nos, então, uma “sociedade de organizações” (PERROW, 1991). 16 Todavia, não seria mais fácil dizer que vivemos em um mundo de empresas? Aliás, não são as empresas o objeto de atuação da administração? Na verdade, o termo ‘empresa’ é limitado, pois caracteriza um tipo específico de organização, a de natureza econômica. Existem organizações com outras finalidades, tais como repartições públicas, Igrejas, clubes, Organizações Não Governamentais (ONGs), sindicatos, etc. Todos estes exemplos se referem a organizações, e todas elas precisam de administração e de seus processos de planejamento, organização, direção e controle. Qual é a razão da existência de uma organização? A organizaçãoexiste para realizar, de forma eficaz e eficiente, tarefas que uma pessoa não pode realizar sozinha (HALL, 2004). Vamos fazer um exercício! 1. Pense em todas as atividades de que participa durante o dia. 1. Pensou? Ok! Agora, quais, dentre elas, se é que existe alguma, não são influenciadas de uma maneira ou de outra por uma organização? 2. Este material que você está lendo foi preparado por uma organização (Centro Universitário UNINTER), e você, provavelmente, está lendo por causa de algum tipo de exigência organizacional da professora ou da Instituição, para que você possa se preparar para o mercado de trabalho (exigência do mercado de trabalho). 3. O meio de transporte que você utilizou para chegar ao trabalho, à faculdade ou a sua casa foi fabricado em um ambiente organizacional. Veja o que alguns estudiosos da administração pensam sobre organização: Laumann e Knoke (1978) A sociedade vive em um “estado organizacional”. 17 Motta e Pereira (1980) 1. Declaram a importância do estudo das organizações ao afirmar que são elas que caracterizam a sociedade moderna, pois uma das características da época é o grande número de organizações em relação aos demais tipos de sistema social; 2. A relevância do entendimento e estudo das organizações reside não apenas na existência de um grande número de organizações, ou seja, da sociedade das organizações em que vivemos, como também no fato de que são estas organizações as responsáveis pela formação do homem moderno e o desenvolvimento econômico, político e social dos países; 3. É sobretudo dentro das organizações que se exerce a administração, não sendo possível a existência da organização sem a administração e a recíproca é quase a mesma. Mas antes de entendermos o conceito de Organização, do ponto de vista da Administração, é importante diferenciarmos os principais conceitos de organização. Hall (2004) É necessário que sejam estudadas as organizações de forma que seja possível entender a sociedade e o que acontece nela. Conforme já foi mencionado, na ciência da Administração há duas formas básicas de entender o termo organização. Sobre isso, Chiavenato (2003) afirma que a organização pode ser vista enquanto entidade social e enquanto função administrativa, ou seja, parte do ciclo PODC. Organização enquanto entidade social É sinônimo do empreendimento criado para atingir objetivos pré- estabelecidos. Ex.: empresas que constituem um empreendimento criado para dar lucro, nos moldes do capital, ou o hospital público, criado para atender a população em seus problemas de saúde. 18 Organização enquanto função administrativa É o ato de alocar recursos e estruturar as responsabilidades por tal gestão. Agora, cabe lembrar que já tratamos de organização enquanto processo administrativo no tema “Definição de administração: visão geral do PODC”. Assim, agora nosso foco está em entender a organização enquanto entidade social. Etzioni (1964) define organização como entidade social ou agrupamento humano criada objetivando metas específicas. Já para Daft (2008, p. 10) “organizações são entidades sociais orientadas por metas, projetadas como sistemas de atividade deliberadamente estruturados e coordenados e ligadas ao ambiente externo”. Ou seja, a organização é conceituada como uma entidade social que está direcionada para o cumprimento de objetivos pré-determinados. O objetivo de uma instituição de ensino, por exemplo, é formar seus alunos para o mercado e para a vida; o objetivo de um hotel é atender hóspedes, oferecendo bons serviços; o objetivo de uma prisão é manter pessoas condenados pela justiça, salvaguardando seus direitos civis e garantindo segurança para o resto da população, fora dela. Na sua opinião, grupos como família, amigos, povos, tribos, entre outras, seriam organizações? Para responder este questionamento é preciso diferenciar o uso dado à expressão “organizações sociais”. Quando se fala em organizações sociais, geralmente, se refere às maneiras nas quais a conduta humana se organiza socialmente, em que dois aspectos básicos estão presentes (BLAU; SCOTT, 1970): a) estrutura das relações sociais em um grupo ou coletividade; b) crenças e orientações compartilhadas que unem os membros da coletividade e guiam sua conduta. 19 Ex.: você e a sua turma de colegas da faculdade, numa van do Centro Universitário UNINTER indo fazer uma visita técnica aos estúdios da Instituição. Vocês são um grupo, pois há toda uma relação social que os une em uma estrutura social (As relações de estudo, a instituição de ensino, a amizade ou mesmo o coleguismo.), mas vocês são diferentes de passageiros de um ônibus qualquer, que não possuem nenhuma estrutura de relação social estabelecida. Toda sociedade tem uma estrutura social e uma cultura complexa, temas que serão tratados na disciplina de Sociologia. O que importa, aqui, é que vocês saibam que a estrutura social serve para organizar a conduta humana dentro da coletividade. Contrastando com a organização social que aparece sempre que seres humanos vivem juntos, existem organizações estabelecidas, deliberadamente, para um certo fim. Se a conquista de um objetivo requer um esforço coletivo, funda-se uma organização destinada a coordenar as atividades de muita gente e a fornecer incentivo para que outros se juntem a eles para esse mesmo fim. Ex.: fábricas são estabelecidas para que se produzam mercadorias que possam ser vendidas com lucro, e os operários organizam sindicatos para aumentarem seu poder de barganhar com os patrões. Nesses casos, as finalidades a serem atingidas, as regras a que os membros da organização devem obedecer e a estrutura da posição que define as relações entre eles (esquema organizacional), não surgiram espontaneamente durante o curso da interação social, mas foram designadas conscientemente, a priori, para antecipar e guiar a interação e as atividades (BLAU; SCOTT, 1970, p. 17). Ou seja, existem organizações criadas para atingir objetivos específicos, de modo que “como a característica distinta dessas organizações é que elas foram formalmente estabelecidas com o propósito explícito de conseguir certas finalidades, usa-se a expressão ‘organizações formais’ para designá-las” (BLAU; SCOTT, 1970, p.17) – critério esse que a distingue da organização social em geral. 20 Evolução do conceito de organização formal no pensamento administrativo Do ponto de vista da evolução das teorias administrativas, é importante saber que desde o começo do estudo cientifico da administração, os aspectos formais da organização estiveram presentes. Na Teoria Científica da Administração, o foco estava sob as tarefas a serem desenvolvidas, sendo organizadas em linhas de produção, com foco na eficiência produtiva – sendo o homem visto como uma peça da engrenagem produtiva – dessa maneira, os processos de trabalho foram formalizados (NASCIMENTO, 2009). Como exemplo, veja esta cena memorável do clássico Tempos Modernos, de Charlie Chaplin: https://www.youtube.com/watch?v=XFXg7nEa7vQ Apesar de os aspectos formais sempre terem estado presentes no estudo cientifico da administração, eles foram destacados por Max Weber, sociólogo Alemão e pioneiro da teoria burocrática. Segundo Hall (2004), para Weber, a natureza formal das organizações vem da divisão de trabalho e da hierarquia de autoridade, que define estritamente os indivíduos designados para a função. Além disso, para Weber, a definição de organização reside em “realizar um tipo específico e contínuo de atividades direcionadas a um propósito [...] As organizações são criadas para fazer algo” (WEBER, 1947, p.151-152 apud HALL, 2004, p.27). Sobre a natureza formal, Motta e Pereira (1980) consideram o seguinte: “O formalismo (...) expressa-se no fato de quea autoridade deriva de um sistema de normas sociais, escritas e exaustivas, que definem com precisão as relações de mando e subordinação, distribuindo as atividades a serem executadas de forma sistemática, tendo em vista os fins visados. Sua administração é formalmente planejada, organizada, e sua execução se realiza através de documentos escritos.” 21 Saiba mais Para se divertir, veja no vídeo a seguir um retrato das disfunções da burocracia, a representação máxima da formalidade nas organizações: https://www.youtube.com/watch?v=4Gdw5oem_NU Em seguida, para ampliar essa discussão, reflita sobre a organização em que você trabalha. Ela apresenta características que se assemelham à organização formal? Se sim, quais são essas características? Se não, quais são as características que as diferenciam da organização formal? Leitura obrigatória Leia os capítulos 3 e 5 da obra: COLTRE, S. M. Fundamentos da Administração: um olhar transversal. Curitiba: Intersaberes, 2014. TEMA 3 - O CONCEITO DE RACIONALIDADE ADMINISTRATIVA Racionalidade diz respeito a uma faculdade humana – para alguns, a mais importante, aquela que nos difere dos outros animais. Todavia, as organizações formais se caracterizam pela forte orientação racional dada pela administração. Assim, na busca por racionalizar as organizações, ao tempo que as práticas capitalistas se expandiam, proliferando o número de organizações existentes e desenvolvendo as indústrias que solicitavam técnicas e procedimentos que facilitavam o trabalho em organizações maiores e cada vez mais complexas, as empresas se depararam com o planejamento racional de ações e tomadas de decisões lógicas como uma necessidade (SILVEIRA, 2008). Essa busca de compreender a racionalidade nas organizações, esta foi objeto de estudo de diversos pesquisadores e, para facilitar o aprendizado, será apresentado o conceito desse fundamento desde a Antiguidade até os dias atuais. Veja a seguir! 22 Antiguidade Na Antiguidade, com a filosofia grega, a racionalidade era tratada pela lógica, e esta era a definição de razão e expressão da perfeição, da essência do “ser”. Para os gregos, especialmente para o filósofo Aristóteles, a razão era a entidade pela qual se podia compreender o mundo (LUCE, 1994). Leia “A passagem do mito à razão: o surgimento da filosofia e a ciência no seu prelúdio”. http://www.dm.com.br/cidades/centro-oeste/2014/09/a-passagem-do- mito-a-razao-o-surgimento-da-filosofia-e-a-ciencia-no-seu-preludio.html Século 18 Já no século XVII, a razão toma um novo papel, tornando-se a essência da filosofia moderna. Neste ponto, importante foi o papel do filósofo francês Rene Descartes, quem proferiu a famosa frase, “penso, logo existo”. Assista este resumo sobre o Racionalismo de Descartes. https://www.youtube.com/watch?v=QUJORwWXE5U Século 20 No século XX, o matemático e filósofo alemão Leibniz baseou a lógica moderna ao criar uma linguagem racional simbólica e calculista parecida com a matemática e baseada em um alfabeto do pensamento ou cálculo para o raciocínio. Durante esse período, a Teoria das Organizações recebeu novas contribuições teóricas (Noções psicológicas, contextuais, culturais e relacionais) que auxiliaram na compreensão da racionalidade, que podem influenciar os indivíduos e, consequentemente, as organizações. 23 Reflita sobre a frase a seguir! Entendo por razão, não a faculdade de raciocinar, que pode ser bem ou mal utilizada, mas o encadeamento das verdades que só pode produzir verdades, e uma verdade não pode ser contrária a outra. Wilhelm Leibniz Século 21 Em pleno século XXI, torna-se necessária uma revisão do seu significado, diante das questões passadas pelas organizações, como obtenção de vantagens competitivas, comprometimento dos indivíduos e busca da eficiência (SILVEIRA, 2008). Acompanhe esta revisão sobre o conceito! 1. A essência do capitalismo moderno, segundo Weber, é a sua racionalidade, pois as trocas no mercado, a base da ordem econômica capitalista, é a representação de toda a ação social racional, porque as transações que fazemos no mercado são determinadas exclusivamente pela perseguição intencional de interesses (BRUBACKER, 1984). Assim, nossas ações, no contexto capitalista em que vivemos, seguem uma lógica “meio-fim”. Glossário Meio: modos de se atingir a esses fins Fim: para um gestor, no contexto prático, é o lucro a ser obtido 2. A racionalidade é o elemento que diferencia as organizacionais racionais e burocráticas das demais estruturas sociais (GERTH; MILLS, 2002), sendo, então, entendida como a qualificação da orientação que a ação social assume, pois, independentemente de outros fatores, a racionalização toma seu lugar social e pode adquirir diferentes formas e enfoques (WEBER, 1994). 3. Os sistemas racionais ou burocráticos se baseiam na previsibilidade da conduta dos indivíduos, e somente assim é possível planejar e estabelecer metas organizacionais. O ser humano se angustia com o fato de o destino ser 24 responsável pelo resultado de suas ações e, por isso, procura racionalizar seus métodos. (SILVEIRA, 2008). Porém, a limitação do ser humano em agir racionalmente se choca com a pretensão de tornar o comportamento nas organizações plenamente racional. Por conta disto, Simon (1965) sugere que as organizações não erradiquem a irracionalidade do indivíduo, mas aprendam a lidar com essa limitação (esta ideia é tratada pelo conceito de racionalidade limitada, e será tratada mais para frente, na aula 4). 4. Finalizando a revisão do conceito, tem-se que, para Caravantes, Panno e Kloeckner (2005, p. 44), “a racionalidade é o estabelecimento de uma estrutura e de cargos com descrições específicas – quem faz o quê – e tem por objetivo criar uma certa ordenação que permita que a organização faça aquilo que ela se propõe a fazer, a cumprir seus objetivos, em última análise”. Desse modo, a racionalidade seria o pensar de modo lógico e coerente, com vistas a se atingir os fins visados pela organização e, para tal, seria necessário o estabelecimento de uma estrutura formal (organização formal) para que a ordem e a eficiência sejam mantidas. Leitura obrigatória Leia as páginas 153-170 do livro: SANTOS, L. F. B. A Evolução do Pensamento Administrativo. Curitiba: Intersaberes, 2013. Saiba Mais Leia o artigo “O Mito da Racionalidade Administrativa e o Engenheiro Administrador”. http://www.abenge.org.br/CobengeAnteriores/2005/artigos/PR-11- 08026838866-1117654878548.pdf 25 NA PRÁTICA Muito bem! Vamos ver na prática como esses conceitos que estudamos podem ser aplicados? Acesse o artigo indicado! Depois, reflita sobre as questões abaixo. Anote suas respostas! http://computerworld.com.br/tecnologia/2014/08/14/racional-engenharia- leva-solucoes-em-nuvem-aos-canteiros-de-obras/ Quais motivos levaram a empresa a investir em sistemas de cloud computing? As funções administrativas estão presentes no caso estudado? Se sim, cite e explique-as. De que modo a organização formal e a racionalidade estão presentes neste caso? SÍNTESE O que achou dos conceitos apreendidos nesta rota? Aposto que ficou surpreso em saber como tais teorias são aplicadas ao seu dia a dia, tanto na vida pessoal quanto profissional, certo? Como visto, intuitivamente ou empiricamente, as práticas relacionadas à administração sempre estiveram presentes na história da humanidade e, na prática administrativa, é importante saber que planejamento significa previsão das ações futuras. A organização é a estruturação da rotina organizacional, a direção é sinônimo de mobilização de pessoas (Liderando, motivando ou coordenando-as.), e o controle é o contínuo acompanhamento do processo com vistas a mantê-lo sempre no rumo organizacional. Vimos tambémque chamamos de organização: empresa, repartição pública, Igreja, fábrica, loja, padaria, ou seja, o todo elemento do sistema social e produtivo que se pretende organizar. Podemos dizer, então, que existem organizações criadas para atingir objetivos específicos, e para tanto, foram 26 formalmente organizadas relacionando órgãos e cargos, definidos por meio de diretrizes, normas e regulamentos. Por fim, vimos que racionalidade na organização significa estabelecer uma estrutura e cargos com descrições especificas, que se baseiam na previsibilidade da conduta dos indivíduos. Somente assim é possível planejar e estabelecer metas organizacionais para atingir objetivos específicos, no caso a eficiência e a eficácia organizacional. REFERÊNCIAS BLAU, P.; SCOTT, W. R. Organizações Formais: Uma abordagem comparativa. São Paulo: Atlas, 1970. BRUBACKER, R. The Limits of Rationality: An Essay on the Social and Moral Thought of Max Weber. Routledge Library Editions: 1984. CARAVANTES, G. R., PANNO, C. C., KLOECKNER, M. C. Administração: teorias e processos. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. CHIAVENATO, I. Introdução à teoria geral da administração: uma visão abrangente da moderna administração das organizações. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003. CHIAVENATO, I. Teoria geral da administração: abordagens prescritivas e normativas. 7. ed. Barueri, SP: Manole, 2014. CINEL, Fernanda. Estrutura organizacional. Disponível em: <http://fernandacinel.blogspot.com.br/2009/11/exemplo-de-organograma.html>. Acesso em 10 jun. 2015. COSTA, Robson Soares. Planejamento Estratégico, Tático e Operacional. Disponível em <https://robsonscosta.wordpress.com/2014/09/29/planejamento-estrategico- tatico-e-operacional/>. Acesso em 04 nov. 2016. 27 DAFT, R. L. Organizações: Teorias e Projetos. São Paulo: Cengage Learning, 2008. ETZIONI, A. Modern Organizations. Englewood Cliffs, NJ, Prentice Hall, 1964. GERTH, H. H.; MILLS, C. W. Ensaios de sociologia. 5. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2002. HALL, R. H. Organizações: Estruturas, Processos e Resultados. 8. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2004. LAUMANN, E. 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Economia e sociedade. Brasília: UNB, 1994. DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO E GESTÃO – CONCEITOS E APLICAÇÕES AULA 02 Prof.ª Mariana Monfort 2 INTRODUÇÃO Olá, seja bem-vindo(a)! Nesta aula, falaremos sobre organização e eficiência, e dentro deste assunto veremos mais profundamente: Conceito de Eficiência Integração Vertical Tipos de Padronização CONTEXTUALIZANDO Certamente você conhece empresas como McDonald's, Burger King e Correios, não é mesmo? Pensando dentro do contexto de gestão, o que estas três empresas apresentam de características que as tornam diferentes em seus segmentos de atuação? Reflita e anote suas conclusões. TEMA 1 - O CONCEITO DE EFICIÊNCIA Eficiência não é uma necessidade atual, ela existe desde a Antiguidade. No Egito faraônico, para as grandes construções das pirâmides, Tyldesley (2005) relata que a necessidade de eficiência nas pedreiras já era um fator de atenção. O autor cita, como exemplo, a Pirâmide de Degraus de Djoser. O faraó Djoser (2636–2611 a.C.) reinou no período em que o Egito não enfrentava carência de mão de obra e poderia solicitar, caso quisesse, ajuda de todo camponês sadio no reino para a construção das pirâmides de Degraus de Djoser. A única limitante, na época, para a construção das pirâmides, seria o fornecimento de blocos de pedras. Apesar disso, a construção se tornou uma grande prova de uma administração eficiente, tendo em vista que o Faraó conseguiu deter total controle sobre os recursos de sua edificação e, mesmo frente às limitações, construiu o que ficou conhecido como o primeiro edifício monumental em pedra do mundo. Quer saber um pouco mais sobre a construção dessa pirâmide? Confira! https://www.youtube.com/watch?v=_6GJMwMAtDk https://www.youtube.com/watch?v=_6GJMwMAtDk 3 Na Administração, o conceito de eficiência pode ser observado a partir da Teoria Científica da Administração. A Ford Motor Company foi um exemplo, no início do século XX, daquilo que chamamos hoje de Benchmarking1, pois na época os gerentes de outras indústrias tinham na Ford um modelo a ser seguido, porque a empresa colhia bons resultados em termos de eficiência e eficácia, ao aplicar os princípios da administração de Ford, afirma Jones e George (2011). O modelo produtivo do início do século XX, denominado de Fordismo, se sustentava no princípio da eficiência produtiva por meio do carro Ford modelo T e a célebre frase de Ford: “O cliente pode ter o carro da cor que quiser, desde que seja preto”. O modelo T é bem ilustrativo, pois traz à tona questões importantes do início do processo produtivo: a economia de escala, a linha de produção, a padronização, a venda de um bem de massa, etc. Deste modo, quanto mais eficiente fosse a produção, mais se produziria, e com uma maior produção haveriam economias de escala, o que impactaria em preços reduzidos, possibilitando a compra do bem pela grande massa. Quanto maior a venda, maiores os lucros, e por consequência, mais postos de trabalhos, reforçando o ciclo econômico (VIZEU; GONÇALVES, 2010). Neste contexto, “dois foram os mecanismos fundamentais para garantir esta eficiência produtiva, a gestão centrada na obtenção da eficiência e a massificação de bens de consumo (bens padronizados).” (VIZEU; GONÇALVES, 2010, p. 20). Para a gestão centrada na obtenção da eficiência, Ford acreditava que era imprescindível o bom desempenho de seus trabalhadores. Era esperado um alto nível de eficiência, e para que fosse alcançado era preciso incentivá-los a revelar a técnica mais adequada de realização de suas atividades (JONES; GEORGE, 2011).1 https://pt.wikipedia.org/wiki/Benchmarking https://pt.wikipedia.org/wiki/Benchmarking 4 Técnicas que foram estudadas por Frederick Taylor, engenheiro e pioneiro da Teoria Científica da Administração e do estudo dos Tempos e Movimentos. Taylor conceituou a eficiência como o resultado do relacionamento entre o padrão do processo estabelecido e o real desempenho do operário. Taylor ainda destacou sete princípios secundários para aumento da eficiência, conforme relata Chiavenato (2004): Princípios Secundários para o Alimento da Eficiência (Taylor). 1. Estudo dos tempos e movimentos Estudo para identificar a melhor maneira de executar uma atividade, de forma que elimine movimentos inúteis e racionalize o trabalho. 2. Preocupação com a fadiga Necessidade de determinar como a fadiga acontece e como evitá-la, pois, é a responsável pela redução da eficiência do operário, normalmente gerada por movimentos mal planejados. 3. Seleção científica do trabalhador Seleção para adequação do operário à tarefa especializada necessária. 4. Padrão de produção O alcance da eficiência completa, devendo ser o padrão de produção do operário médio. 5. Supervisão funcional Oposto do comando único da Teoria Clássica da Administração. Esse princípio determinava que cada operário era subordinado à vários supervisores, pois para Taylor até mesmo a supervisão era especializada. Assim, o operário tinha vários supervisores, cada um especializado em uma atividade e área especifica. 6. Plano de incentivo salarial 5 Forma de remuneração do operário de acordo com a peça produzida. Quem superasse os padrões da produção receberia prêmios adicionais. 7. Condições ambientais do trabalho Preocupação com os aspectos físicos como baixo nível de ruído, temperatura e iluminação adequada para reduzir a fadiga. Assim, a eficiência, segundo Taylor, preocupa-se com os meios, e não com os fins de um processo. Para Castro (2006), a eficiência está inserida nas operações e atende os fatores internos da organização. Torres (2004) completa que a eficiência não busca alcançar simplesmente os objetivos predeterminados, mas explicitar como eles foram alcançados. Chiavenato (1994) explica que, quando um administrador se preocupa com a forma correta de fazer as coisas, ele se volta para a melhor utilização de seus recursos, ou seja, para sua eficiência. Logo, a eficiência seria o meio, o método correto de fazer um trabalho bem feito. Modesto (2000) afirma que explorar a eficiência é útil, por exemplo, para evidenciar abusos administrativos tão comuns na vida brasileira, representados pela ausência de gestão adequada de recursos, como compras superfaturadas, construções públicas luxuosas ou iniciadas ao lado de obras inacabadas com mesma finalidade, entre tantos outros exemplos. Antes de prosseguir com esta aula, assista um breve vídeo no Youtube para ter em mente os pensamentos de Ford e Taylor: https://www.youtube.com/watch?v=kWiJswkV0pw O princípio da eficiência Já que vamos falar sobre eficiência agora, como definir este termo? https://www.youtube.com/watch?v=kWiJswkV0pw 6 Bio (1996) define eficiência como o modo correto de fazer as tarefas. Para o autor, uma organização só é eficiente quando alcança a meta de volume de produção com a menor quantidade de recursos gastos possíveis, ou seja, ao menor custo por unidade produzida. Megginson, Mosley e Pietri Júnior (1998) seguem o mesmo raciocínio, pois, para os autores, a eficiência é um conceito matemático, é a relação entre o insumo e o produto (input e output). Ainda para estes autores, um administrador eficiente faz produtos com melhores resultados de produtividade e desempenho em relação aos insumos utilizados para sua produção. Para Daft (1999, p. 39), a eficiência é limitada na medida em que trata das características internas da organização. “Eficiência organizacional é o volume de recursos utilizados para produzir uma unidade de produto. Ela pode ser medida como a razão entre as entradas e as saídas”. Para o autor, a organização pode ser considerada mais eficiente apenas quando é capaz de alcançar determinado nível de produção e menor utilização de recursos que a concorrente. A eficiência é um dos princípios que regem a Administração Pública Brasileira e estão descritos no artigo 37 da Constituição Federal. Martins (2012) explica que toda a atividade administrativa é baseada nesses princípios reguladores das ações dos servidores e administradores dos órgãos públicos. Originalmente, os princípios no texto constitucional eram: Legalidade, Moralidade, Publicidade e Impessoalidade. Apenas em 1998 o novo princípio da Eficiência foi incluído devido à nova ordem econômica mundial instalada. Como estamos tratando de Eficiência, veja o que o professor Marcus Bittencourt sobre isto: https://www.youtube.com/watch?v=pVcYWIOHmNA Este princípio assume duas vertentes, conforme relata Martins (2012): Organização e estruturação da máquina estatal para deixá-la mais racional, de forma que os anseios da sociedade sejam supridos de forma mais satisfatória. https://www.youtube.com/watch?v=pVcYWIOHmNA 7 Regulação da atuação dos agentes públicos para que tenham o melhor desempenho e atinjam os máximos resultados. Assim como no exemplo das organizações públicas, de modo geral nas organizações a eficiência é tão importante quanto a eficácia. Acompanhe este vídeo para entender um pouco mais sobre a diferença de eficiência e eficácia! Ainda sobre eficiência e eficácia, Daft (1999) declara que, por vezes, a eficácia pode ser conduzida pela eficiência, mas que em algumas organizações os dois conceitos não têm relação, podendo a empresa não alcançar suas metas (lucro), por exemplo, por produzir produtos de baixa demanda, mas ser altamente eficiente, pois teve uma produção com custos reduzidos, ou então, em sua ineficiência, alcançar bons lucros. Um julgamento do desempenho do administrador a partir dos critérios de eficácia e eficiência foi proposto por Peter Drucker. Para Drucker, entre esses dois fatores, a eficácia seria mais importante, pois por maior que seja o nível de eficiência, nada compensará os objetivos errados (VIZEU; GONÇALVES, 2010). Para saber mais sobre a visão de Peter Drucker sobre eficiência, veja o vídeo indicado a seguir: https://www.youtube.com/watch?v=u00oVLRsvqo O importante até aqui é que o conceito de eficiência fique bem claro: eficiência é o método, os meios para se atingir determinados fins, trata-se de todo o esforço e dedicação que temos para que atinjamos um resultado desejado. Leitura obrigatória Leia as páginas 128-133 da obra: COLTRE, S. M. Fundamentos de Administração: um olhar transversal. Curitiba: Intersaberes, 2014. https://www.youtube.com/watch?v=u00oVLRsvqo 8 TEMA 2 - INTEGRAÇÃO VERTICAL Por integração se entende a mobilização e a implicação das entidades para uma ação coletiva que dá lugar a um saber feito conjuntamente e aplicável (AVENIER, 2004 apud CHEBBI; CRUZ; DELGADO, 2007). Assim, integrar-se seria sinônimo de união para algum fim maior. Nesse sentido, surge na teoria científica da Administração, através de Ford e sua busca por maior eficiência produtiva, o conceito de integração vertical do processo produtivo como uma possível solução na busca pela eficiência. Que tal conhecer um exemplo de uma empresa nacional que utiliza o processo de integração vertical? https://www.youtube.com/watch?v=UUtqH5C1bzE Em qualquer empresa, o processo de produção é iniciado pelos inputs (aquisição de matérias-primas) e termina com os outputs (distribuição e venda de bens e serviços acabados), completando a cadeia produtiva. A decisão acerca da gestão desta cadeia, se os insumos serão comprados (terceirizados) ou produzidos internamente pela própria empresa, é uma decisão da estratégiado negócio que influenciará na organização da cadeia produtiva. Assim, no cotidiano organizacional, é função do gestor o melhor trade-off, ou seja, a busca pela melhor decisão. Será a aquisição de bens e serviços de terceiros ou a produção interna deles? As vantagens e desvantagens da opção de compra em detrimento da produção interna (e vice-versa) de bens e serviços serão objetos de estudo em outras disciplinas, tais como Administração de Materiais e Administração Financeira e Orçamentária. Assim, vamos aos principais conceitos e definições de integração vertical. Um dos conceitos centrais de integração vertical é o de Porter, o pioneiro da Administração Estratégica, que afirma: Integração vertical é a combinação de processos de produção, distribuição, vendas e/ou outros processos econômicos https://www.youtube.com/watch?v=UUtqH5C1bzE 9 tecnologicamente distintos dentro das fronteiras de uma mesma empresa, ou seja, todos os processos estão sob sua responsabilidade e controle, não dependendo de outras empresas para produzir ou comercializar seus produtos (PORTER, 1996, p. 278). Silva (1997) ainda complementa que uma empresa opta pelo seu crescimento verticalmente ao agregar fases de seu processo produtivo como forma para aumentar a quantidade de produtos ou processos intermediários para seu próprio uso, fazendo algo que antes era fornecido por terceiros. Portanto, a organização passa a administrar processos que podem iniciar na produção da matéria-prima até a entrega ao consumidor final, como você já pode conferir no vídeo sobre a plataforma de petróleo da Petrobras. Veja, agora, o caso do Grupo Martins que, atuando no ramo atacadista, constituiu empresas integradas, como uma transportadora com mais de dois mil veículos, um banco para atender seus clientes e até lojas de varejo: http://portal.martins.com.br/portal/home E, em seguida, conheça a Saraiva, editora de livros que abriu um agressivo número de livrarias, acarretando no aumento da capacidade de produção da sua gráfica (SILVA, 1997): https://www.youtube.com/watch?v=bR1HLssaoOg A integração vertical é conhecida ainda como: “Para frente” (à jusante), quando a organização segue em direção ao consumidor final e exemplifica com um atacadista que abre uma rede varejista ou uma tecelagem que entra para o ramo de confecções. “Para trás” (à montante) quando a organização segue o inverso, indo da direção do mercado fornecedor no sentido da produção, como uma empresa de sucos que cultiva seus pomares ou um varejista que passa a confeccionar seus produtos (SILVA, 1997). Assim, as alternativas de integração vertical de que a empresa dispõe seriam: optar por fazer tudo internamente, ou seja, integrar-se verticalmente por meio de desenvolvimento interno ou das atividades e/ou operações, ou por meio http://portal.martins.com.br/portal/home https://www.youtube.com/watch?v=bR1HLssaoOg 10 de aquisição de seus fornecedores e/ou distribuidores, podendo obter maior controle sobre suas operações, seus fornecedores e seu mercado, mas possivelmente perdendo em flexibilidade. A empresa também pode optar por comprar no mercado tudo que necessita para a sua manufatura e com isso obter grande flexibilidade, desde que os custos de substituição dos fornecedores sejam plausíveis. Uma outra opção é fazer internamente o que a distingue dos seus principais competidores, e comprar todo o restante que se faça necessário para o seu processo produtivo no mercado (QUEIROZ; QUEIROZ, 2006). Queiroz e Queiroz acrescentam à possibilidade de aquisição dos fornecedores e/ou distribuidores como formas de promover a integração vertical do processo produtivo. Somando-se isto ao fato de que a empresa poderia também optar por comprar toda a matéria-prima que precisa no mercado ou comprar aquilo que não lhe é sua core competence, ou seja, sua competência central. Voltando ao conceito de integração vertical, podemos somar os conceitos apresentados a definição de Wright, Kroll e Parnell (2000), de que integração vertical é também a aquisição de empresas que possuem competências essenciais e complementares que podem ser compartilhadas ou transferidas (WRIGHT; KROLL; PARNELL, 2000). Assim, nosso conceito de Integração Vertical vai ao encontro da proposta de Queiroz e Queiroz (2006), de que ela pode acontecer não somente quando a empresa combina os processos de produção, distribuição, vendas e outros dentro da própria fronteira da empresa, mas também quando adquire novas empresas que já possuem competências essenciais e complementares que possam vir a colaborar com os processos de produção internos da empresa. Vantagens e Desvantagens da Integração Vertical no cotidiano das organizações E quais seriam as principais vantagens e desvantagens da integração vertical nas empresas? A integração vertical pode ser vantajosa quando resulta em economia e eliminação de intermediários, tendo em vista que ela não mais 11 precisará recorrer à um terceiro para lhe fornecer insumos, como antes necessitava, reduzindo assim as etapas do ciclo produtivo e seus custos indiretos, adotando o melhor desenvolvimento tecnológico do processo produtivo - existindo controle do início ao fim da produção, há a probabilidade de aperfeiçoamento do processo produtivo -, as economias de escala decorrentes disto, e por consequência, à redução dos preços do produto final, podendo vir à diminuir, também, o prazo de entrega, tornando, de modo geral, os processos de produção mais eficientes e inovadores (WRISHT; KROLL; PARNELL, 2000). Essa integração também elimina trocas contratuais ou de mercado e gera total controle sobre as etapas vizinhas da produção, dando flexibilidade completa para as organizações decidirem seus investimentos, produção, distribuição e emprego em todos os seus estágios (MAC DOWELL; CAVALCANTI, 1998). Para Mac Dowell e Cavalcanti (1998), essa integração vertical tem três determinantes para o processo ocorrer: Tecnológico Ocorre quando uma quantidade menor de insumos intermediários é necessária. Ocorre também para acelerar ou simplificar o desenvolvimento tecnológico. Imperfeição nos mercados A integração ocorre como uma consequência de assimetria de informações do mercado, incertezas ou competição imperfeita, como o monopólio. Economia nos custos de transação As transações entre empresas geram custos, como de compra, armazenagem e levantamento de fornecedor, que podem ser evitados na integração vertical. Silva (1997) ainda acrescenta algumas motivações para as já descritas por Mac Dowell e Cavalcanti (1998) sobre a integração vertical das empresas. 12 Porém, como todas as decisões, uma organização deve mensurar se a integração vertical será vantajosa, pois às vezes podem apresentar futuras desvantagens e tem alguns fatores restritivos que podem impedir o processo, como declara Silva (1997). Perda de flexibilidade e dificuldade de saída Pois a organização se aprofunda mais no seu campo de atuação e se prende mais ao mercado ou processo produtivo em que atua, sendo um risco principalmente para momentos de crise do setor. Aumento de custos e investimentos maiores Quando ocorrem períodos de queda da demanda e o preço da matéria- prima cai mais do que a proporção dos produtos acabados, a organização não tem vantagem em comprar os insumos de fornecedores com preços menores que seus preços de produção. Por esse motivo, algumas empresas integradas verticalmente ainda mantêm a compra de insumos de alguns fornecedores externos que podem reduzir seus custos em momentos de preços em queda. Também pode ter aumento de custos quando não se utiliza a plena capacidade de produção instalada. Buraco negro Falta de um conhecimento detalhado da sua estrutura de custos, de qual etapa do processo gera mais valor e vantagem competitiva. Vinculaçãoa um tipo de matéria-prima A empresa integrada tem dificuldades em se adaptar rapidamente aos novos insumos e produtos que aparecem no mercado. Novo padrão competitivo A integração vertical pode colocar as organizações em mercados diferentes de seus padrões de competitividade original. 13 Wright, Kroll e Parnell (2000) resumem as vantagens como a adoção de melhorias e inovações de uma empresa para outra e as desvantagens como maiores custos de burocracia e de coordenação. Grandes exemplos de integração vertical foram a CCE que, produzindo alguns componentes, conseguiu a redução dos insumos que comprava e pode produzir a quantidade de televisores que quisesse e agora faz com que concorrentes paguem mais pelos componentes e ainda tenham sua produção limitada; showrooms de diversas empresas como Nestlé, Perdigão e Brastemp que levaram as empresas para mais perto de seus consumidores finais; o plano de saúde Unimed que faz a complementaridade com sua rede de hospitais próprios; e as diversas organizações que criaram suas “universidades corporativas” para treinamento de seus próprios colaboradores, como o McDonald´s e a Walt Disney (SILVA, 1997). Assim, percebemos a importância de tal integração vertical em nosso mundo corporativo. O objetivo foi o despertar de sua importância dentro do contexto organizacional, como uma forma de estruturação das organizações que conhecemos. Para um exemplo concreto, leia o artigo Integração e Coordenação Vertical na Cadeia de Papel e Celulose: O Caso Votorantim clicando a seguir: http://www.ead.fea.usp.br/semead/9semead/resultado_semead/trabalhos PDF/143.pdf Leitura obrigatória Leia o capítulo 9 da obra: COUGHLAN, A. T. et al. Canais de Marketing. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2012. http://www.ead.fea.usp.br/semead/9semead/resultado_semead/trabalhosPDF/143.pdf http://www.ead.fea.usp.br/semead/9semead/resultado_semead/trabalhosPDF/143.pdf 14 TEMA 3 - TIPOS DE PADRONIZAÇÃO Em uma época na qual os consumidores estão cada vez mais exigentes quanto à qualidade dos produtos e serviços, as organizações precisam buscar novos meios de se manter competitivas. Hoje ocorre uma preocupação das empresas no atendimento das necessidades e exigências dos consumidores, flexibilizando suas ofertas e eliminando tarefas que não agregam valor aos produtos e serviços fornecidos (SILVA; DUARTE; OLIVEIRA, 2004). Ou seja, as empresas precisam padronizar seus processos para ganhar eficiência (MINTZBERG; LAMPEL; QUINN; GHOSHAL, 2007). Para Vieira (2004, apud SILVA; DUARTE; OLIVEIRA, 2004), a sobrevivência não só de empresas, mas também da humanidade, depende da padronização há milhares de anos, porém, originalmente, não havia a necessidade de os processos padronizados serem registrados, pois o que as pessoas aprendiam ficava gravado apenas em suas memórias. Na Administração Científica, a padronização foi essencial na busca da eficiência, pois simplificava a cadeia produtiva à medida que a homogeneização reduzia a variabilidade e também os excessos em seus processos, assim foram criadas várias técnicas para desenvolver bons padrões. Taylor, na sua organização racional do trabalho, não visava apenas a análise do trabalho, a fadiga do operário, o estudo dos tempos e movimentos, a divisão do trabalho e a especialização do operário com planos de incentivos salariais. Se preocupou também com a padronização de processos, métodos de trabalho, ferramentas, instrumentos, máquinas, equipamentos, matérias-primas e componentes, pretendendo reduzir as variações e diferenças dentro do processo de produção para, assim, aumentar a eficiência e eliminar o desperdício (CHIAVENATO, 2014). Hoje, para Silva, Duarte e Oliveira (2004), o gerenciamento é baseado na padronização. O mercado está se tornando, cada vez mais, uma grande commoditie, na qual a busca pela padronização é um marco da sociedade em 15 que vivemos. Pensando em padronização, você sabe dizer qual marca tem o símbolo de padronização de lanches no mundo? Confira a seguir, se acertou a resposta! https://www.youtube.com/watch?v=iKNP3SEDt00 Não importa em que lugar do mundo você esteja, este sanduíche sempre será o mesmo, pois é um lanche produzido por um processo produtivo padronizado. Os processos serão os mesmos, assim o resultado também deverá ser. Veja agora os conceitos e as definições de padronização conforme alguns autores: Para avaliação de desempenho, os padrões são fatores-chave, divididos em tangíveis ou intangíveis, específicos ou vagos, mas sempre de acordo com o resultado esperado (CHIAVENATO, 1987). Campos (1992) descreve padrão como uma ferramenta básica para gerenciamento da rotina de trabalho diária, que pode indicar a meta e seus procedimentos para alcançá-la e o planejamento da atividade a ser realizada. Para Myrrha (2004, apud SILVA; DUARTE; OLIVEIRA, 2004), padrão é um acordo documentado que será utilizado várias vezes por pessoas que realizam determinada função. Wolgien Junior (2009) relata que, para o Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDG), a padronização pode ser descrita como um conjunto de tarefas sistemáticas estabelecidas, utilizadas e avaliadas de acordo com seu cumprimento, adequação e efeitos sobre seus resultados de acordo com os padrões. Já Chiavenato (2014) define padrão como uma unidade de medida aceita por todos como critério e padronização como a aplicação desses padrões, objetivando redução de custos e uniformidade. Ou seja, para o autor, padronização gera aumento de eficiência à medida em que normas fixas são aplicadas, homogeneizando seus ciclos de produção. E os padrões são as formas de se compreender melhor o que deve ser realizado. https://www.youtube.com/watch?v=iKNP3SEDt00 16 Padrões são expressões técnicas do que é esperado em um serviço, processo ou produto. Os funcionários da organização devem ser treinados para conhecimento e execução destes padrões, cabendo ao gerenciamento verificar se os resultados estão transcorrendo conforme esperado. Aliás, segundo Silva, Duarte e Oliveira (2004), existe uma diferença entre padrão e norma, você sabia? Padrão É um compromisso entre as pessoas. Deve-se ser elaborada após uma discussão democrática entre as pessoas que entendem do trabalho que está sendo tratado. Norma Definida por quem tem o direito, e não está sujeita à discussão. Deve-se obedecê-la, pois ela não está em discussão. A regra básica da padronização de um processo é que ele deve ser feito participativamente, sempre. Legal, não é? Resumidamente, quem entende do trabalho é quem deve redigir o padrão. Claro que ele deverá ser, posteriormente, aprovado pelo chefe, mas deve sempre ser criado com a participação de quem executa o trabalho (SILVA; DUARTE; OLIVEIRA, 2004). Assim, podemos descrever padrão como um acordo entre o supervisor e o funcionário a respeito da melhor forma de se realizar determinada tarefa para atingir a meta estipulada. Padronização, então, é o conjunto desses padrões a serviço da eficiência de toda a cadeia produtiva da organização. Os padrões, conforme Silva, Duarte e Oliveira (2004) e Chiavenato (2014) podem ser anunciados, entre outros fatores, em dinheiro, tempo, qualidade, unidades físicas, custos ou índices. Confira os padrões propostos pelos autores: Qualidade 17 Como controle de qualidade do produto e da matéria-prima, assistência técnica e especificações do produto. Quantidade Representado como níveis de estoque e rotatividade, volume de vendas, volume de produção, número de empregados, quantidade de acidentes e número de horas trabalhadas. Tempo São padrões de rendimento, tempo padrão de produção, tempo médio de estocagem e de processamento do pedido. Custo Relacionado com os custos indiretos e diretos, sendo custo padrão, custo de estocagem,custo-benefício, e custo de produção. A Escola de Administração Científica desenvolveu o estudo de tempos e movimentos para determinar o tempo padrão, ou tempo médio, que um funcionário comum levaria para executar sua tarefa, gerando o conceito de custo padrão. Cleland e King (apud CHIAVENATO, 1987) ainda utilizam outra tipologia para classificar os padrões de controle. Padrões éticos Forma desejada de comportamento pessoal. Padrões de programação Prazos e datas para términos de tarefas. Padrões de desempenho técnico Relacionado aos níveis esperados de desempenho. Custos padrões Custos das operações e funções. 18 Índices financeiros Indicadores dos itens utilizados para determinada atividade e os recursos financeiros que foram aplicados. Orçamentos Padrões utilizados como meios de controle financeiro, do caixa e das despesas. Retorno sobre o investimento Forma de controlar e avaliar o desenvolvimento das aplicações financeiras. Critérios mistos Padrões de controle do desempenho da empresa a longo prazo, como posição da empresa no mercado e sua imagem, relações com consumidores e sociedade, treinamento do pessoal, conservação do patrimônio, entre outros. Apesar de todo o esforço ao redor do padrão criado, Wolgien Junior (2009) lembra que sua criação não é garantia de uma boa padronização. Conforme aponta Silva, Duarte e Oliveira (2004), a padronização só estará clara quando estiver registrado, na memória de todos que a executam, os procedimentos e regras a serem seguidas. Antes de prosseguir com o assunto da padronização, veja a seguir e veja o que um especialista da Exame tem a dizer sobre o que vimos até agora: https://www.youtube.com/watch?v=2UzdtOp1AP0 Vantagens e Desvantagens da Padronização no cotidiano das organizações Sem padronização, cada pessoa executa a atividade à sua maneira e, para Meegen (2002), a padronização é uma rota segura para atingir a https://www.youtube.com/watch?v=2UzdtOp1AP0 19 competitividade e produtividade. Algumas vantagens da padronização (SILVA, DUARTE; OLIVEIRA, 2004): Segurança de uma performance da cadeia produtiva, com suas operações e processos com maior qualidade e produtividade; Contribuição para o progresso e aperfeiçoamento do sistema; Maior motivação do funcionário pela sua participação em um procedimento da empresa; Maior segurança no ambiente de trabalho e, para o cliente; E a certeza da previsibilidade do produto ou serviço que receberá. Os autores ainda afirmam que, para a organização, padronização representa uma segurança de seu domínio tecnológico ao documentar o modo correto de fazer o que estava apenas na mente do funcionário, e agora pode auxiliar os demais funcionários a fazer da mesma forma e alcançar os mesmos resultados, facilitando o treinamento e o planejamento diário das atividades, eliminando esforços desnecessários. No seu trabalho, como você realiza as suas atividades? E o seu colega, faz exatamente igual? Vocês apresentam o mesmo resultado? Quando chega um colaborador novo no setor, como acontece o treinamento, ele recebe um manual com todos os procedimentos de trabalho ou as coisas vão sendo passadas sem rigor e ele acaba realizando as atividades à sua maneira? Está na hora de padronizar os processos! Silva, Duarte e Oliveira (2004) ainda explicam que, mesmo com inúmeras vantagens da padronização, ainda existem muitas resistências dentro das organizações, pois, algumas vezes as pessoas reagem sem seguir os padrões estabelecidos, principalmente por conta da perda de motivação e de liberdade do funcionário para exercer sua criatividade na realização da atividade. É bom lembrar que da mesma forma que a padronização impacta na competitividade, a falta dela também pode ter seu impacto (DAN JUNIOR; BORGES; WOLGIEN JUNIOR; BOTELHO, 2009). 20 Leitura obrigatória Leia o capítulo 9 da obra: SELEME, R.; STADLER, H. Controle da Qualidade: as ferramentas essenciais. Curitiba: Intersaberes, 2012. Saiba Mais Leia agora o artigo Padronização: um fator importante para a engenharia de métodos, disponível na Revista Qualit@s, vol. 3, 2004: http://revista.uepb.edu.br/index.php/qualitas/article/viewFile/35/27 NA PRÁTICA Após falarmos de Mc Donald’s, Burguer King, Grupo Martins e Correios, pesquise o histórico de mais três empresas brasileiras que apresentam características de integração vertical, padronização e eficiência nos processos produtivos. Faça uma descrição das empresas, trazendo um breve posicionamento dela no mercado (atividades que desempenha, ramo em que atua, etc.) e relatando as características dos conceitos apreendidos nesta aula que se fazem presentes nas empresas pesquisadas. http://revista.uepb.edu.br/index.php/qualitas/article/viewFile/35/27 21 SÍNTESE Ao final desta rota, mais uma vez, imagino que você claramente conseguiu visualizar a aplicação dos conteúdos apreendidos em seu cotidiano, pois são partes inerentes das organizações em que vivemos. Empresas como Mc Donald’s e Burguer King, por exemplo, nos remetem facilmente à conceitos de eficiência e padronização. Assim como os Correios, empresa que possui, além de monopólio nos serviços postais, tem serviços de encomendas e logística, correspondente bancário, universidade corporativa e, mais recentemente, uma incorporadora de novas empresas, a Correios Par. Outras organizações também ilustram exemplos de integração vertical nas empresas brasileiras, como o Grupo Martins que, atuando no ramo atacadista, constituiu empresas integradas: uma transportadora com mais de dois mil veículos, um banco para atender seus clientes e até lojas de varejo. Em termos conceituais, podemos entender eficiência como o modo correto de fazer as tarefas e alcançar os objetivos, gastando a menor quantidade de recursos possíveis. Integração vertical pode ser entendida como a combinação de processos de produção, distribuição, vendas e outros dentro da própria fronteira da empresa, e também quando esta adquire novas empresas que já possuem competências essenciais e complementares que possam colaborar com os processos de produção internos da empresa. E, por fim, a padronização pode ser entendida como a aplicação de padrões, sendo unidades de medidas aceitas por todos como critérios de regulamentação da atividade a ser desenvolvida, objetivando a redução de custos e a uniformidade. REFERÊNCIAS BIO, S. R. Sistemas de informação: um enfoque gerencial. São Paulo: Atlas, 1996. p. 20-23. CAMPOS, V. F. Qualidade total: padronização de empresas. 3. ed. Belo Horizonte: Fundação Christiano Ottoni, 1992. 22 CASTRO, R. B. de. Eficácia, Eficiência e Efetividade na Administração Pública. In: Encontro da associação nacional de pós-graduação e pesquisa em administração, 30, Salvador, 2006. Anais Salvador: 30º EnANPAD, 2006. CHIAVENATO, I. Administração nos novos tempos. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. CHIAVENATO, I. Introdução à teoria geral da administração: uma visão abrangente da moderna administração das organizações. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003. CHIAVENATO, I. Recursos humanos na empresa: pessoas, organizações e sistemas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1994. CHIAVENATO, I. Teoria geral da administração. 3. ed. São Paulo: McGraw-Hill, 1987. DALF, R. L. Teoria e projetos das organizações. 6. ed. Rio de janeiro: LTC, 1999. p. 39-45. JONES, G. R.; GEORGE, J. M. Administração contemporânea. 4. ed. Porto Alegre: AMGH, 2011. MAC DOWELL, M. C.; CAVALCANTI, J. C. Integração vertical: um painel de literatura. Revista Nova Economia, v. 8, n. 1, 1998. MARTINS, C. F. N. O princípio da eficiência na administração pública. Faculdade das Atividades empresariais de Teresina. 23 abr. 2012. Disponível em: <http://www.faete.edu.br/revista/artigocristiane.pdf>. Acesso em: 30 jun.2015. MEEGEN, R. A. V. Análise crítica da utilização da padronização no sistema de melhoria dos centros de distribuição domiciliária dos correios. Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção, Escola de Engenharia, UFRGS. Porto Alegre, 2002. MEGGINSON, L. C.; Mosley, D. C; Pietri Júnior, P. H. Administração: conceitos e aplicações. 4. ed. São Paulo: Harbra, 1998, p. 11-12. 23 MINTZBERG, H.; LAMPEL, J.; QUINN, J. B.; GHOSHAL, S. O processo da estratégia: conceitos, contextos e casos selecionados. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2007. MODESTO, P. Notas para um debate sobre o princípio da eficiência. Revista do Serviço Público, 2000. PORTER, Michael E. Estratégia Competitiva: técnicas para análise de indústrias e da concorrência. 15. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1996, p. 362. QUEIROZ, R.V.; QUEIROZ, A.E.F.S. Integração Vertical versus Terceirização: análise da viabilidade em um estudo de caso na indústria moveleira. XXVI ENEGEP, Fortaleza, CE, 2006. SILVA, W. L. 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DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO E GESTÃO – CONCEITOS E APLICAÇÕES AULA 3 Prof.ª Mariana Monfort 2 CONVERSA INICIAL Olá, seja bem-vindo! Nesta aula, falaremos sobre a organização enquanto entidade social, abordando os seguintes tópicos: Cultura Organizacional O papel da Comunicação nas Empresas Liderança Motivação Satisfação no Trabalho INTRODUÇÃO Chegamos a nossa aula 03! Após definirmos nas aulas 01 e 02 conceitos ligados às escolas científica e clássica da Administração, chegou a hora de expandirmos nossas visões. De uma visão de homem máquina ou homem economicus, atuando como parte da engrenagem organizacional, evoluímos para o conceito de homem social, este dotado de necessidades básicas a serem atendidas e preenchidas para sua plena realização no trabalho. Parafraseando Dale Carnegie: “Ao lidar com pessoas, lembre-se de você não está lidando com seres lógicos, e sim com seres emocionais”. Convido você a fazer um exercício. Imagine as áreas de uma empresa: financeiro, produção, comercial (marketing/vendas), as áreas de gestão estratégia do negócio e recursos humanos. Qual destas áreas se relaciona fortemente com todas as outras? É a área de Recursos Humanos, concordam? Pois é nela que estão ligados todos os funcionários da empresa! Ou seja, é justamente na área de recursos humanos que os diferenciais competitivos da empresa são criados. É nessa área que se pode fazer a 3 diferença no mercado tratando os empregados não mais como funcionários, mas como capitais intelectuais da empresa, fontes de geração de recursos para a empresa (MONFORT, 2015). Mas por que o RH é tão importante?! É fato que no passado (não tão distante assim para algumas empresas, e para outras ainda presente) os funcionários eram vistos como uma máquina, ou seja, geradores de custos para as empresas. Com o tempo, essa visão passou a se tornar arcaica. Atualmente se vive a era da informação e do acesso (novas tecnologias, ou informações em tempo real), e nesta era não se vendem mais produtos e serviços, mas uma experiência de consumo para o cliente. E para que se possa entregar valor (conjunto de benefícios) para o usuário final da empresa, é preciso entregar o melhor que se puder em nossas tarefas, naquilo que nos é delegado (MONFORT, 2015). Contudo, o nosso desempenho, na condição de empregados, depende de uma série de fatores, tais como: se há treinamento adequado, se há uma preocupação - por parte da gerência - de desenvolver-nos como membros do “time da empresa”, se existe uma relação de segurança em nossas atividades – seja a segurança na manutenção do emprego ou nas condições físicas e emocionais da atividade –, a estrutura organizacional que nos é ofertada, a nossa avaliação de desempenho (se o feedback é negativo, neutro ou positivo), mas, principalmente, o desempenho no trabalho está associado a alguns fatores comportamentais. Esses fatores são altamente influentes no desempenho dos empregados (MUOGBO, 2013). E são estes aspectos comportamentais da Administração que discutiremos nesta aula. 4 CONTEXTUALIZANDO Você já ouviu falar da gestão inovadora da empresa Google? Assista à reportagem e leia o artigo a seguir. Você gostaria de trabalhar em um ambiente como esse? https://www.youtube.com/watch?v=0YRprjIEpsU#t=18 http://vejasp.abril.com.br/materia/escritorio-google Após a leitura, reflita sobre os conceitos de gestão de pessoas da empresa. O que o Google faz de diferente da grande maioria das empresas tradicionais do mercado? “O que realmente faz diferença é a pessoa sentir que contribuiu efetivamente. Essa é a chave da nossa relação com os funcionários”. O que podemos aprender com este caso? O caso Google nos mostra a aplicação de conceitos de cultura e clima organizacional, motivação e satisfação no trabalho, pois flexibiliza suas atividades e adota uma cultura orientada para o empoderamento dos funcionários, ou seja, lhes dá autonomia para desenvolver suas atividades. Como colocar esta gestão em prática? A frase em destaque é uma clara amostra de um fator que promove o bem-estar dos funcionários: o reconhecimento de suas atividades. Outro fator importante é a presença de um líder democrático e acessível, que promova uma gestão participativa e dinâmica. CULTURA ORGANIZACIONAL Conforme você pôde observar até agora, o pensamento administrativo evolui e se altera dependendo da escola de gestão vigente. Vamos recapitular alguns conceitos? https://www.youtube.com/watch?v=0YRprjIEpsU#t=18 http://vejasp.abril.com.br/materia/escritorio-google 5 Na Administração Científica, com os precursores Taylor e Ford, a ênfase era na tarefa e no estudo dos tempos e movimentos. Na Administração Clássica, sob a representação de Fayol, a ênfase estava na estrutura organizacional (funções administrativas, divisão do trabalho, etc). A escola Humanística da Administração, cujo representante era Elton Mayo, surge em oposição à teorias anteriores, propondo que a ênfase deveria passar para as pessoas que trabalham ou participam nas organizações. Podemos dizer que hoje em dia temos a busca pela humanização e democratização da Administração, pois os indivíduos não podem ser tratados com características reducionistas (a visão de homem economicus, que busca apenas o salário), pois são seres dotados de necessidades que precisam ser consideradas. É sobre isso que estudaremos neste tema. Vamos começar entendendo o conceito de cultura organizacional, pois esta representa o “DNA” das organizações. Para começarmos, reflita sobre uma questão simples: No seu entendimento, o que é cultura? Vamos agora conversar um pouco sobre o que é cultura! Você com certeza, em algum momento da vida, já se deparou com alguma situação onde tenha dito ou escutado alguém dizer: “Eleé uma pessoa culta”. Normalmente está colocação está associada à uma pessoa que tem cultura, bom gosto, boa educação e conhece várias culturas diferentes (SOUZA, 2014). Contudo, estamos enganados com tais colocações, pois você sabia que uma pessoa que nunca frequentou a escola tem cultura? Pois a cultura pode ser entendida, conforme Tylor, citado por Horton e Hunt (1980, p.40), como “o todo complexo que inclui conhecimento, crença, arte, moral, direito, costumes e outras capacidades e hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade” (SOUZA, 2014, p. 19). 6 E nas organizações, por estarmos tratando de um aglomerado de pessoas reunidas para um determinado fim, o elemento cultural tem um papel preponderante. Morgan (1996) chama a atenção para o fato de que as organizações são mini-sociedades que têm os seus próprios padrões distintos de cultura e subcultura. Ela pode ver-se como um grupo bem integrado que acredita no trabalho conjunto ou pode ser fragmentada em grupos que pensam sobre a realidade de maneira bem diferente. Mesmo com as grandes diferenças entre as organizações, todas possuem sua cultura organizacional e, entre sua característica mais comum encontra-se a posição subjetiva, seus valores, regras e crenças que podem ser visualizadas através da linguagem, dos heróis, das histórias, dos rituais, na comunicação, nos símbolos e nas interações entre seus membros (CASTIGLIA; MALSCHITZKY, 2009). Para Souza (2014) a cultura organizacional poderia ser comparada com a argamassa, num processo de construção de uma casa. Imagine que os tijolos por si só nada mais são do que tijolos, eles não são sinônimos de paredes se não houver argamassa no processo, concordam? Assim como na empresa, os tijolos são as pessoas, para que essas atuem de modo unido frente os objetivos organizacionais é preciso que haja argamassa para uni-las. Ou seja, que valores, crenças e regras ajam em conjunto para a construção dos objetivos organizacionais. Para Schein (2009, p.03): a cultura organizacional é o conjunto de pressupostos básicos que um grupo inventou, descobriu ou desenvolveu, para lidar com os problemas de adaptação externa e integração interna que funcionam bem o suficiente para serem considerados válidos e ensinados a novos membros como a forma correta de perceber, pensar e sentir. Assim é importante que captemos quais são os elementos pertencentes à realidade da empresa em que trabalhamos. Por exemplo: Será que essa é mais ligada à um sistema racional de trabalho? Será que os sistemas são mais formais ou informais? 7 Quais são os valores e crenças da empresa que trabalho? Ela valoriza seus funcionários ou num momento de contratação de mão de obra nova ela sempre costuma trazer profissionais do mercado, fazendo um recrutamento externo? Esses foram apenas alguns exemplos de rotinas em que a cultura organizacional pode ter um elemento preponderante. Robbins (2005, p.376) ainda acrescenta um elemento importante para a definição de cultura organizacional. Para ele: “A cultura organizacional se refere à maneira pelo qual os funcionários percebem as características da cultura da empresa, e não ao fato de eles gostarem ou não delas”. Ou seja, independentemente de você concordar ou não, a cultura organizacional é quase como um DNA da sua organização, pois irá carregar todo o “código genético do modo de operação” da sua empresa, que você deverá seguir, caso deseja ser bem-sucedido no dia a dia. Sendo assim, percebemos então que as organizações são sistemas socialmente instituídos, construídos, compartilhados e apoiados pelos seus membros, resultando então, no padrão de integração que revela a estabilidade (SOUZA, 2014). Para Fleury e Fischer (1996), grande parte do comportamento intraorganizacional (dentro das organizações) pode ser determinada por fatores da cultura organizacional, como: Comunicação Processo produtivo Qualidade Relações interpessoais E essa cultura é responsável por engrandecer a empresa! 8 Castiglia e Malschitzky (2009) afirmam que a cultura organizacional pode apresentar características diferentes em cada ambiente, gerando subculturas dentro da organização, com líderes com certo nível de poder e moldadas com valores, crenças, objetivos e ideias distintas. Para o autor, essas subculturas são permeadas pela cultura da organização, mas criam características específicas e sua comunicação, autonomia dos colaboradores (o empoderamento) e o clima organizacional, que funcionam de maneiras diferentes dependendo do modelo de gestão do líder, são disseminados então entre os demais participantes do grupo. Outro conceito que é relevante ser apresentado a vocês, neste primeiro momento, é o de clima organizacional. O clima pode ser entendido como “a percepção dos funcionários sobre a organização em que trabalham” (SOUZA, 2014, p.101). Ouvimos o termo clima nas mais diversas situações do dia a dia (SOUZA, 2014, p.101): “A ação do gerente ao dizer ‘bom dia’ para a equipe torna o clima mais leve.” “Após a derrota, o técnico estava sem clima para continuar a dirigir o time. ” “Sem clima com aliados do governo, ministro é garantido no cargo por força da presidente. ” Assim, o clima seria toda a sensação que temos ao “ler o ambiente” em que trabalhamos, quando está tudo bem, normalmente, tendemos a sentir um clima organizacional favorável; agora em momentos de correria, como, por exemplo, no final de cada mês, quando o objetivo tende ser o cumprimento das metas e a pressão para essas aumentam, o clima organizacional tende a ficar mais pesado, pois as tensões tendem a se acumular, certo? Desse modo Maximiano (1995, p.107) conceitua o tema, de modo breve e claro: 9 “O clima é representado pelos conceitos e sentimentos que as pessoas partilham a respeito da organização e que afetam de maneira positiva ou negativa sua satisfação e motivação no trabalho”. Assim, tanto a variável clima tanto quanto a cultura organizacional são elementos importantes das rotinas organizacionais, na busca pela satisfação e motivação para com a atividade a ser realizada. Leitura obrigatória SOUZA, C. Cultura e Clima Organizacional: compreendendo a essência das organizações. Curitiba: Intersaberes, 2014. Capítulos 1 e 4. Para saber mais, leia o artigo a seguir e conheça as melhores empresas do mundo para se trabalhar atualmente: http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/confira-as-melhores-empresas- para-trabalhar-em-2015/ E também acesso ao site Great Place to Work para mais informações na área! Pesquise sem moderação. http://www.greatplacetowork.com.br/ O PAPEL DA COMUNICAÇÃO NAS EMPRESAS Encontrar uma tarefa nas organizações que não seja ligada a comunicação é muito difícil, pois ordens são transmitidas, palestras assistidas, memorandos escritos, metas estipuladas, avaliações realizadas e objetivos desenvolvidos baseados nesse processo (CASTIGLIA; MALSCHITZKY, 2009). A comunicação organizacional melhora o entendimento, aumenta a eficiência, a satisfação e a qualidade das relações interpessoais. http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/confira-as-melhores-empresas-para-trabalhar-em-2015/ http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/confira-as-melhores-empresas-para-trabalhar-em-2015/ http://www.greatplacetowork.com.br/ 10 No decorrer de sua profissão, esta será uma das habilidades mais necessárias. Trata-se de um aspecto comportamental que você deverá treinar para que os objetivos organizacionais sejam atingidos. Todas as atividades gerenciais são executadas utilizando a comunicação em algum momento, por isso esta é uma habilidade fundamental para os gerentes. Não somente a verbalização, mas qualquer transmissão de informação, como música, arte, gestos, posturas e até mesmo o silêncio podem ser considerados comunicação!Para Certo (2003) atingir os objetivos do sistema gerencial envolve quatro atividades gerenciais básicas: liderar, motivar, valorizar grupos e comunicar. Para o autor, a comunicação é o ato de compartilhar informações, qualquer ideia ou pensamento, com outra pessoa, emitindo uma mensagem para outra e se fazendo ser entendido. Para Robbins (2005, p.232): “A comunicação tem quatro funções básicas dentro de um grupo ou de uma organização: controle, motivação, expressão emocional e informação”. Vamos conhecer melhor cada uma destas funções a seguir! 1 - Controle A comunicação age no controle do comportamento das pessoas de diversas maneiras, sendo através da hierarquia a ser seguida, quando você é orientado a relatar primeiro ao seu superior direto algum problema que porventura venha a ter, ou quando lhe é dito para seguir o que consta nos manuais de procedimentos da empresa, a comunicação está exercendo papel de controle de comportamento. 11 2 - Motivação Com relação à função de motivação, a comunicação a facilita na medida em que torna claro os processos a serem seguidos, o que é esperado do funcionário e o que esse pode fazer para tornar o processo ainda melhor. Seja através de estabelecimento de metas especificas, feedback do progresso ou reforço do comportamento desejado, todos esses elementos requerem comunicação. 3 – Expressão emocional Para muitos funcionários, seu grupo de trabalho é sua fonte primária de interação social. A comunicação que ocorre dentro do grupo é um mecanismo fundamental para que seus membros expressem suas frustações ou sentimentos de satisfação. A comunicação, portanto, fornece o meio para a expressão emocional de sentimentos e para a satisfação das necessidades sociais (ROBBINS, 2005, p.233). 4 - Informação A última função está ligada ao trade-off, ou seja, a tomada de decisão. A comunicação é instrumento de informação para auxiliar a tomada de decisão, é ela quem transmitirá dados que apoiem pessoas e grupos na identificação e avaliação de alternativas para a melhor tomada de decisão. Nenhuma destas quatro funções deve ser vista como mais importante do que as demais. Para que os grupos tenham um bom desempenho, eles precisam ter algum tipo de controle sobre seus membros, estimulá-los ao esforço, oferecer os meios para sua expressão emocional e para a tomada de decisões. Podemos partir do princípio de que praticamente toda interação de comunicação que ocorre dentro de um grupo ou organização exerce uma ou mais destas quatro funções (ROBBINS, 2005, p.233). O conceito fundamental que é importante percebermos é que a comunicação é como a brincadeira do “elefante sem fio”. Lembra-se na infância quando você brincava disso? Um amigo dizia no seu ouvido uma frase e você 12 deveria repassa-la até o último da fila, e ao chegar ao último a mensagem sempre era divergente da proposta inicial. Pois bem, essas divergências, no contexto organizacional, são graves na medida em que falhas de comunicação levam a incertezas, seja com relação às metas estabelecidas, seja com relação aos feedbacks de um comportamento esperado ou outras mensagens dos dirigentes aos funcionários, impactando assim em uma boa tomada de decisão, que pode ocasionar grandes perdas organizacionais. Leitura obrigatória OBBINS, S. Comportamento Organizacional. 11 ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. Cap. 10. Para finalizar este tema, assista ao vídeo a seguir, que aborda os problemas de comunicação com bom humor. https://www.youtube.com/watch?v=b8bP08ryzZs LIDERANÇA A liderança sempre foi um assunto pesquisado e discutido por muitos estudiosos. Sun Tzu já tratava desse assunto há mais de 2500 anos em seu livro “A arte da guerra”. Clique no nome dos teóricos e conheça suas visões particulares sobre liderança: Fiedler Para Fiedler (apud BERGAMINI, 1994), a preocupação com a liderança vem desde que a história passou a ser escrita, pois Platão (427 a.C.-347 a.C.), como outros filósofos de sua época, já discutia sobre treinamento e educação de líderes. https://www.youtube.com/watch?v=b8bP08ryzZs 13 Castiglia e Malschitzky Castiglia e Malschitzky (2005) define liderança como manter a motivação dos funcionários de modo a alcançar os objetivos predefinidos pela organização. Hersey e Blanchhard Para Hersey e Blanchhard (1986), liderança é influenciar as ações de alguém ou de um grupo para atingir um objetivo. Tannenbaum, Weschler e Massarik Já para Tannenbaum, Weschler e Massarik (1970), é a influência interpessoal por meio de comunicação para que se atinja uma ou várias metas em dada situação. Motta (1991) completa ao afirmar que líder é aquela pessoa que tem consciência de seus pontos fortes e fracos e consegue tirar vantagem dos pontos positivos compensando seus pontos negativos; manifesta-se verdadeiramente e tem autenticidade. Para Goldsmith (1996) o líder realiza indagações objetivando novas ideias e feedback, solicitando aos subordinados novas opiniões e ideias. Likert (1975) classificou dois diferentes tipos de líderes: os democráticos e os autocráticos: Líderes autocráticos são aquelas pessoas que se ocupam com o planejamento, elaboração dos procedimentos e estabelecimento de padrões enquanto os democráticos buscam apoiar seus funcionários. Bergamini (1994) relata duas características comuns à liderança: é ligada a um fenômeno grupal, envolvendo duas ou mais pessoas, e é um procedimento de influência intencional. Goldsmith (1996) ainda relata que o líder é o responsável por acompanhar o trabalho dos liderados de forma eficiente e eficaz para produzir mudanças positivas. 14 Ireland e Hitt (1999) definem liderança estratégica como a habilidade de previsão, imaginação e flexibilidade para, de forma estratégica, fazer com que outras pessoas realizem mudanças que criarão um futuro para a empresa. Rowe (2002) classifica a liderança, além de estratégica, como gerencial e visionária: Para o autor, a liderança estratégica influencia os subordinados a tomar decisões favoráveis à organização, de forma voluntária e rotineira. A liderança visionária foca no futuro e corre riscos. Já a liderança gerencial envolve a estabilidade e a ordem, lidando com atividades rotineiras e em curto prazo. Para Chiavenato (1999), em todas as organizações a liderança é um processo-chave e o administrador deve ser um líder para seus subordinados e influenciá-los para que ajam de maneira intencional. Todos os conceitos elencados são para demonstrar a importância do papel do líder nos processos organizacionais. Este papel de liderança apareceu em destaque nos Experimentos de Hawthorne, realizados por Elton Mayo. É justamente o líder o responsável pela promoção das características psicológicas dos indivíduos, características estas que serão tratadas a seguir. Você conhece a experiência de Hawthorne? Não? Acompanhe a história completa no material on-line! Em todas as organizações, a liderança é um processo-chave e o administrador deve ser um líder para seus subordinados, influenciando-os de maneira positiva. Contudo há diferenças claras entre o papel do líder e do chefe. Você sabe dizer que diferenças são essas? 15 O chefe é aquele que se baseia na autoridade, inspira medo, diz “eu”, colhe os “louros” dos trabalhos dos outros, age como se as pessoas fossem sua propriedade e enxerga apenas o hoje. O líder é o que aconselha, inspira entusiasmo, diz “nós”, preocupa-se com as pessoas, “distribui os louros”, tem um time e contempla o amanhã. Leitura obrigatória CHIAVENATO, I. Teoria geral da Administração: abordagens prescritivas e normativas. 7. ed. Barueri: Manole, 2014. Cap. 6 (p.190-198). Leia também a matéria da Revista Exame e conheça 13 atitudes práticas que diferenciam bons líderes de chefes:http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/13-atitudes-que-diferenciam- bons-lideres-de-chefes MOTIVAÇÃO Muitas vezes, o comportamento humano pode parecer misterioso à primeira vista. Você se identifica com alguma situação a seguir? Por que acessamos as mídias sociais frequentemente? Por que há pessoas que passam a maior parte de suas vidas em atividades que não são bem remuneradas? O que leva pessoas a abandonarem uma carreira de sucesso? Por que ler um livro didático de 200 páginas é entediante, mas um livro de 200 páginas da “moda” é divertido? Os psicólogos acreditam que grande parte das razões de conduta de comportamento decorre de um processo chamado motivação. Esse é um assunto complexo e sofre influência de diversas variáveis, pois as pessoas têm diversas necessidades conflitantes e acompanhadas de expectativas com várias maneiras de satisfazê-las. http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/13-atitudes-que-diferenciam-bons-lideres-de-chefes http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/13-atitudes-que-diferenciam-bons-lideres-de-chefes 16 Para Minicucci, o termo vem do elemento MOV = MOVER Daí vem a ação de mover, isto é, motivação. A motivação é um fator essencial para o crescimento mental, social e profissional do indivíduo. Ela pode ser categorizada em intrínseca e extrínseca, como podemos ver a seguir: Motivação Intrínseca: gerada por necessidades e motivos pessoais. Refere-se à escolha e realização de determinada atividade para satisfação própria. Por exemplo: uma pessoa que começa a fazer regime porque quer se sentir mais bonita e decidiu por si só buscará reeducação alimentar e praticará exercícios físicos de forma entusiasmada e engajada. Motivação Extrínseca: gerada por processos de reforço e punição. Refere-se à realização de uma atividade para alcançar resultados externos, obter recompensas e reconhecimentos. Por exemplo: uma pessoa que começa a fazer regime apenas porque está sendo pressionada a perder peso por médicos, familiares ou cônjuge poderá ter mais dificuldade em manter a alimentação balanceada e rotina de exercícios, por estar fazendo isso majoritariamente por outras pessoas. É a motivação que leva as pessoas a agirem em direção aos objetivos e que as mantêm persistentes para alcançá-los. Por exemplo: Por que escolhemos esse curso? Por que optamos por determinada carreira profissional? Por que, no final do ano, decidimos ir à praia e não ao campo? O que nos mantêm focados nessas respostas é o que se pode chamar de motivação. 17 Motivação é um assunto complexo e sofre influência de diversas variáveis, pois as pessoas têm diversas necessidades que podem ser conflitantes e acompanhadas de expectativas com várias maneiras de satisfazê-las (SILVA, 2008). Mas as pessoas têm consciência de suas motivações? Para Freud, citado por Davidoff (2001, p. 330), “os seres humanos raramente têm consciência das forças que os motivam”, pois muitas de nossas atitudes são automáticas (MONFORT, 2015). É importante ressaltar que estar motivado não é o mesmo que experimentar momentos de alegria, entusiasmo, bem-estar ou euforia. Esses estados podem, até certo ponto, ser considerados efeitos posteriores do processo motivacional, mas nada explicam sobre sua origem nem sobre o caminho percorrido até que sejam alcançados (BERGAMINI, 2003, p. 64). Existem duas vertentes sobre a motivação humana: uma acredita que é possível motivar o ser humano, por meio de técnicas e ferramentas (extrínsecas), e outra que acredita que ninguém pode motivar ninguém, ou seja, as pessoas são auto motivadas ou não (intrínsecas) (MONFORT, 2015). Qual dessas teorias está correta? Vamos analisá-las juntos? Essas duas maneiras de pensar são a ilustração da crença de que existem diferentes maneiras de justificar as ações humanas. No primeiro caso, pressupõe-se que a força que conduz o comportamento motivado está fora da pessoa, quer dizer, nasce de fatores extrínsecos que são, de certa forma, soberanos e alheios à sua vontade. No segundo caso, subjaz a crença de que as ações humanas são espontâneas e gratuitas, uma vez que têm suas origens nas impulsões interiores; 18 assim sendo, o próprio ser humano traz em si seu potencial e a fonte de origem do seu comportamento motivacional. (BERGAMINI, 1990, p. 25) É polêmico dizer que “ninguém motiva ninguém”, não? Para Bergamini, (2003, p. 64) a motivação é “um tipo de ação que vem dos próprios indivíduos [...] de uma fonte autônoma de energia cuja origem se situa no mundo interior de cada um, e que não responde a qualquer tipo de controle do mundo exterior”. Para a autora, as pessoas são automotivadas, assim o papel do líder é apenas despertar a motivação latente do indivíduo (aquela que os indivíduos já trazem dentro de si) (MONFORT, 2015). Note-se que nem sempre as pessoas estão conscientes de suas necessidades e de seus desejos. Ainda, é interessante observar, por exemplo, que a mesma pessoa que está envolvida com a organização daquela festa de aniversário surpresa para o amigo é a mesma que está desinteressada por atividades referentes ao seu dia a dia profissional. Por isso, cabe ao líder estimular as pessoas à ação e a conquistar uma tarefa desejada (TELLA; AYENI; POPOOLA, 2007). Leitura obrigatória ROBBINS, S. Comportamento Organizacional. 11. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. Cap. 6. Recomendamos o filme "Comer, Rezar, Amar" estrelando Julia Roberts, no qual várias questões sobre motivação são abordadas através de uma história leve e tocante. Confira o trailer a seguir: https://www.youtube.com/watch?v=cji7pUWhBi8 SATISFAÇÃO NO TRABALHO Vamos refletir um pouco sobre o que é satisfação no trabalho? Sobre o trabalho, assim disse o filósofo chinês Confúcio: “Escolha um trabalho que você ame e não terás que trabalhar um único dia em sua vida”. https://www.youtube.com/watch?v=cji7pUWhBi8 19 “Estou realmente satisfeito com meu trabalho ou com a atividade que desempenho”? Considerando que gastamos mais de 1/3 do dia em nosso trabalho, podemos dizer que passamos mais tempo no ofício do que em nossos lares. Por isso, a satisfação no trabalho é fundamental para uma qualidade de vida completa. Situada à relevância da satisfação no trabalho, para a vida dos indivíduos, vamos às definições de satisfação. Para Locke (1969, p. 314-316): A satisfação no trabalho é o estado emocional agradável resultante da avaliação do próprio trabalho como realizador ou facilitador da realização dos seus valores de trabalho. Insatisfação no trabalho é o estado emocional desagradável resultante da avaliação do próprio trabalho como frustrante ou bloqueador da realização dos seus valores de trabalho ou como ocasionador de desvalores. Para Viapiana (2015): Em outras palavras, podemos entender que o estado emocional que compõe uma das definições de satisfação no trabalho é função da diferença entre o que se quer (necessidades, o que o indivíduo valoriza no trabalho) e o que se obtém (resultados, como o trabalho contribui para realizar aquilo que é valorizado). O resultado dessa diferença pode ser desprazeroso ou prazeroso. Ainda Viapiana (2015): “Se olharmos para os estudos e pesquisas existentes até então sobre satisfação no trabalho, parece existir algum consenso na definição de satisfação enquanto reação afetiva ao trabalho. No entanto, um olhar mais aprofundado na literatura sobre o assunto nos faz descobrir que também prevalece a definição de que satisfação no trabalho é parte de uma atitude que o sujeito mantém sobre seu trabalho. 20 Conceitos: Esta definição, de satisfação no trabalho como parte da atitude, considera as diferenças existentes entre três conceitos relacionados: avaliações (ou, mais precisamente, julgamentos avaliativos gerais) sobre o trabalho(dentre eles a satisfação ou insatisfação no trabalho), crenças sobre trabalho e experiências afetivas quanto ao trabalho”. Assim, nossa satisfação com nosso trabalho e/ou atividades desempenhadas seria uma ligação entre nossas experiências afetivas (amor pelo trabalho, raiva, estresse, etc.), as crenças de que o que fazemos é realmente relevante, por exemplo e o quão bem avaliamos nosso trabalho (de 0 a 10, por exemplo, o quanto realmente gostamos do que fazemos?). Confira os fatores que influem positivamente e negativamente na satisfação no trabalho: Fatores positivos: Autonomia e controle das atividades, ou seja, o empoderamento que lhe é dado. A capacidade de tomada de decisão sem necessitar consultar o chefe sempre. As oportunidades de promoção na empresa. O envolvimento com o trabalho (o quanto você gosta da atividade que desempenha). A possibilidade de participar nas atividades de planejamento da empresa. Contar com a ajuda e suporte dos colegas e do supervisor. Fatores negativos: Excesso de carga de trabalho. Desvio de função (que é quando você é pago para executar uma função e acaba tendo que desempenhar várias ao mesmo tempo). Centralização de poder nas mãos do gestor. 21 Excesso de rotina nas atividades. Mas você acredita que o trabalho afeta a saúde e o bem-estar do indivíduo? Os efeitos do trabalho no homem não são triviais, sendo que uma substancial complexidade no trabalho tem grande impacto no funcionamento psicológico do trabalhador. Isso, pois, existe uma ação contínua entre homem e trabalho, resultando numa relação entre condições ocupacionais e funcionamento psicológico (KOHN; SCHOOLER, 1973 apud VIAPIANA, 2015). Alto esforço, físico e psicológico e baixa recompensa podem afetar negativamente o bem-estar do trabalhador. Ironicamente, isso acontece em especial àqueles trabalhadores altamente comprometidos com a organização, pois se esforçam além da demanda de trabalho (JONGE et al, 2000 apud VIAPIANA, 2015). Veja então como a satisfação no trabalho impacta no bem-estar do trabalhador. E como estes conceitos vão ao encontro da teoria proposta pela Escola de Relações Humanas, que nos diz que a motivação econômica existe sim, porém é secundária. Os indivíduos precisam de mais, que está justamente nos aspectos emocionais e psicológicos do trabalho. Leitura obrigatória ROBBINS, S. Comportamento Organizacional. 11ª ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. Cap. 3 (p.66-72). No artigo a seguir, você conhecerá algumas estratégias de satisfação profissional adotadas por algumas empresas. http://epoca.globo.com/vida/vida-util/carreira/noticia/2013/10/bbeneficios- diferentesb-motivam-funcionarios.html http://epoca.globo.com/vida/vida-util/carreira/noticia/2013/10/bbeneficios-diferentesb-motivam-funcionarios.html http://epoca.globo.com/vida/vida-util/carreira/noticia/2013/10/bbeneficios-diferentesb-motivam-funcionarios.html 22 NA PRÁTICA Você conhece a SAS? Fundada em 1976 como SAS Institute, a SAS hoje é líder mundial no mercado de inteligência de negócios, fornecendo serviços e software de análise. Saiba mais sobre a organização: A SAS oferece soluções comprovadas que impulsionam a inovação e melhoram o desempenho. O SAS transforma a maneira como o mundo funciona, dando às pessoas O PODER DE SABER®. Os valores da SAS podem ser vistos em todas as relações da empresa, desde compromissos com clientes em longo prazo até a forte e focada comunidade empregada - Acessível; Dirigido ao Cliente, Rápido e Ágil, Inovador; Confiável. Além disso, é também uma das melhores empresas para se trabalhar no mundo, de acordo com a revista Fortune. A SAS fomenta quatro valores por toda sua organização ao redor do globo: valorizar pessoas acima de tudo; dar é receber; confiança acima de tudo; e, que os empregados possam entender o significado de seu trabalho (CROWLEY, 2013). Foram estes valores, já enraizados na cultura organizacional, que permitiram que a SAS pudesse firmar compromisso de não demitir nenhum de seus mais de 13.000 funcionários quando passou por crise em função da recessão econômica e financeira (MALHOTRA, 2010). SÍNTESE Ao finalizar esta aula, é importante que os conceitos de cultura e clima organizacional, comunicação, liderança, motivação e satisfação estejam claros, pois estes são os elementos chaves ligados aos aspectos comportamentais da administração. Cultura organizacional Cultura organizacional pode ser entendida como o todo complexo que inclui conhecimento, as crenças, arte, moral, direito, costumes e outras capacidades e hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade, e 23 que são levados para dentro das organizações, sendo expressas através dos valores, regras e crenças que podem ser visualizadas através da linguagem, dos heróis, das histórias, dos rituais, na comunicação, nos símbolos e nas interações entre os membros da empresa. Clima organizacional O clima organizacional pode ser entendido como “a percepção dos funcionários sobre a organização em que trabalham”, sendo representado pelos conceitos e sentimentos que as pessoas partilham a respeito da organização e que afetam de maneira positiva ou negativa sua satisfação e motivação no trabalho. Comunicação A comunicação é uma habilidade fundamental para qualquer gestor, tendo quatro funções básicas de um grupo ou de uma organização: controle, motivação, expressão emocional e informação. Liderança A Liderança é o papel responsável pela manutenção da motivação e da influência sobre os funcionários de modo a alcançar os objetivos predefinidos pela organização. Já motivação é o processo pelo qual um conjunto de motivos ou razões induz, explica, estimula ou provoca uma ação ou comportamento, e pode ser intrínseca (do indivíduo) ou extrínseca (provocada pelo ambiente ou estimulada pelo líder). Satisfação Por fim, a satisfação é o estado emocional agradável resultante da avaliação do próprio trabalho como realizador ou facilitador da realização dos seus valores de trabalho. 24 REFERÊNCIAS BRAGHIROLLI, E. M. et al. Psicologia geral. 15. ed. Porto Alegre: Editora Vozes, 1998. BERGAMINI, C. W. Liderança: A Administração do Sentido. Revista de Administração de Empresas, São Paulo, v. 34, n. 3, p. 102-114, mai. /jun. 1994. BERGAMINI, C.W. Motivação: uma viagem ao centro do conceito. RAE executivo, v. 1, n. 2, 2003. Disponível em: http://rae.fgv.br/sites/rae.fgv.br/files/artigos/1716.pdf. Acesso em: 12 jun. 2014. BROOKE, P.P.; RUSSELL, D.W.; PRICE, J.L. Discriminant validation of measures of job satisfaction, job involvement, and organizational commitment. Journal of Applied Psychology, v. 73, n. 2, p. 139-145, 1988. CASTIGLIA, F. Z.; MALSCHITZKY, N. Cultura organizacional, estilos de liderança e a comunicação interpessoal nas organizações. 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II Congresso de Pesquisa e Inovação da Rede Norte Nordeste de Educação Tecnológica, João Pessoa, 2007. VIAPIANA, L. Importância, definição, conceitos e causas da satisfação no trabalho. (Cap. 04). In: Motivação e Satisfação no Trabalho: em busca do bem-estar dos indivíduos e organizações. Curitiba: Editora Intersaberes, 2015 (no prelo). DISCIPLINA: ADMINISTRAÇÃO E GESTÃO – CONCEITOS E APLICAÇÕES AULA 04 Prof.ª Mariana Monfort 2 CONVERSA INICIAL Olá, aluno! Já estamos na quarta aula da disciplina Administração e Gestão. Vamos conhecer os assuntos de hoje? • O processo decisório e sua racionalidade limitada • Eficácia • Objetivos organizacionais PROBLEMATIZAÇÃO Assista ao vídeo da Cacau Show- Empreendedorismo: Cacau Show com Alexandre Tadeu: https://www.youtube.com/watch?v=zlciR0fGrPo Após assistir o vídeo com a história da fundação da Cacau Show, reflita e pesquise, se necessário, sobre três elementos visualizados: Com 17 anos de idade, Alexandre Tadeu se deparou com seu primeiro grande desafio, no ramo dos chocolates: a indústria fornecedora informou-lhe da impossibilidade de produzir ovos na gramatura desejada (ele havia vendido 2.000 ovos de 50 gramas, mas a indústria não fazia este tamanho). Quando do processo de venda dos ovos de 50 g, Alexandre detinha todas as informações necessárias? Houve plena racionalidade no processo? Alexandreu Tadeu foi eficaz no processo de vendas de chocolates, quando do caso acima mencionado? A Cacau Show possui objetivos organizacionais bem definidos? RACIONALIDADE LIMITADA Vimos na aula que as decisões empresariais ou administrativas são baseadas na racionalidade, e que esta racionalidade seria a busca por uma lógica meio-fim, voltada para a escolha dos meios adequados para se alcançar as finalidades preestabelecidas pelas organizações. https://www.youtube.com/watch?v=zlciR0fGrPo 3 Apenas para relembrar, o modelo de tomada de decisão racional pretende descrever como as decisões devem ser tomadas, sendo um modelo normativo ou prescritivo e auxilia os administradores a estruturar e modelar a tomada de decisão a fazendo mais racional (PECI; SOBRAL, 2013). Em suma, para Peci e Sobral (2013), o modelo racional de tomada de decisão é o processo utilizado pelos administradores para tomar decisões que maximizem os resultados da empresa, ou seja, um processo que leve a decisão ideal e suas premissas são: • A situação deve ser bem definida e formulada, seja ela problema ou oportunidade • Possui metas claras e objetivos claros • Tempo ou recurso irrestritos • Possuem informações precisas, mensuráveis e confiáveis e com resultados potenciais • Os critérios e preferências são identificados, estáveis e constantes • O decisor é racional e lógico ao avaliar as alternativas Contudo quando se reflete sobre o processo racional de tomada de decisão “é impossível acreditar ou demonstrar que existem decisões ótimas, perfeitas, mas apenas decisões satisfatórias, limitadas pelo próprio pensamento humano” (VIZEU; GONÇALVES, 2010, p.129). Bazerman (2001) também concordou que o processo de tomada de decisão racional oferece uma orientação com base em suposições, desconsiderando como a decisão é realmente tomada. Seria fantástico se no mundo real um administrador ao analisar o processo decisório pudesse encontrar o cenário elencado acima, onde situações bem definidas e formuladas fossem apresentadas, houvessem metas e objetivos claros, tempo e recursos irrestritos, informações precisas, mensuráveis e confiáveis, etc... O comportamento real não alcança a racionalidade plena por três motivos: a racionalidade plena exige um conhecimento completo e antecipado das consequências de cada opção, mas na prática esse conhecimento é fragmentado. 4 Levando em consideração que essas consequências pertencem ao futuro, a imaginação acaba por cobrir as falhas da falta de informação, conhecimento e capacidade de cálculo dos resultados; e, na racionalidade plena, a ideia é que se escolha a melhor de todas as opções, porém, na prática apenas uma fração das alternativas é levada em consideração (VIZEU, GONÇALVES, 2010, p.130). Hebert Simon, ao final da década de 1940, impulsionou os estudos sobre a tomada de decisão e a abordagem racional enfatizando as limitações cognitivas e levantou questões filosóficas e metodológicas buscando explicar comportamentos humanos observados (SBICCA, 2014). Assim, para Simon (1957), uma forma de simplificar o processo de tomada de decisão é aceitar que a racionalidade limitada existe e que só se pode levar em consideração aqueles fatores ligados temporal e casualmente a decisão. Assim nós, tomadoresde decisões, temos limitações na obtenção e tratamento das informações (LUPPE; ANGELO; FÁVERO, 2007). Para Sobral e Peci (2013), a teoria de Simon sugere que a tomada de decisão é baseada em informações inadequadas, limitações de tempo e recursos para análises mais completas, além de restrições de memória, inteligência e percepção da informação disponível: a isto damos o nome de racionalidade limitada. Para Sobral e Peci (2013), o tempo e o custo de coleta de informações podem não compensar a avaliação de todas as alternativas de modo que a escolha seja feita pela primeira alternativa que satisfaça os critérios de decisão. Ou seja, as decisões não são feitas de forma racional, mas de regras práticas que economizam esse tempo e custo (BAZERMAN, 2001). Vizeu e Gonçalves (2010, p.131) mencionam a presença de três elementos importantes na teoria do processo de decisão de Simon: a memória, a imaginação e o hábito. Para os autores, a tomada de decisão considera a memória na medida em que essa retém conhecimentos e informações “obtidos pela experiência e aqueles decorrentes do aprendizado pela leitura e estudos. Dessa forma, quando um indivíduo se encontra em uma situação semelhante, aciona a memória buscando uma solução similar”. 5 A imaginação se apresenta na medida em que “a totalidade de alternativas e suas consequências não são possíveis por pertencerem ao campo da racionalidade plena, inatingível na prática, a imaginação projeta futuros e impactos prováveis ou possíveis”. E por fim há o hábito, que “retém comportamentos úteis, sem esforço do pensamento consciente, e envolve os aspectos de uma situação que são, por sua natureza, repetitivos”. Tversky e Kahneman citados por Sobral e Peci (2013) sugerem fatores que desviam os tomadores de decisão da racionalidade, ou seja, as pessoas usam princípios heurísticos ou conjunto de regras empíricas para simplificar o processo e orientar a tomada de decisão. Ferreira (2010) relata que nem sempre as pessoas percebem quando as heurísticas desviam o julgamento, pois são comuns e intuitivas, usadas quase que involuntariamente. As heurísticas de julgamento são definidas como estratégias para base das tomadas de decisão e regras de direção do comportamento decisório, e as heurísticas do julgamento mais comuns são (SOBRAL; PECI, 2013; ANDRADE; ALYRIO; MACEDO, 2007; CIARELLI; AVILÁ, 2005; PRATES; SOBREIRA, 2004): Heurística da disponibilidade: tendência de basear o julgamento e reconhecer a possibilidade de acontecer comparando com informações disponíveis na memória, recordando mais facilmente acontecimentos marcantes, recentes ou frequentes. É útil para estimar as probabilidades ou frequências dos acontecimentos; Heurística da representatividade: tendência de basear o julgamento em estereótipos formados previamente, de comparar a probabilidade com categorias semelhantes; Heurística da ancoragem e ajustamento: quando uma pessoa utiliza uma referência (âncora) para estimar uma ação e chegar a uma decisão final (ajustamento). É uma elaboração de previsões relacionadas a um ajuste de valores estabelecidos em um ponto de partida, porém são decisões enviesadas, pois pontos de partida diferentes levam a decisões diferentes. 6 Para Ferreira (2010), se os administradores reconhecerem e controlarem esses vieses na tomada de decisão pode haver uma grande melhoria na qualidade desse processo. O CONCEITO DE EFICÁCIA Na aula 02 já aprendemos o conceito de eficiência, essa preocupa-se com os meios e não com os fins do processo. E é na eficácia que encontramos a medida normativa do alcance dos resultados organizacionais, é nessa que checaremos se os objetivos organizacionais foram alcançados. Eficácia para Frasson (2001) é a capacidade de atingir as metas e objetivos já estabelecidos e para Cohen e Franco (1998) é o grau de alcance dos objetivos no projeto em determinado período, independente dos custos. Para Wagner III e Hollenbeck (2006), eficácia organizacional é a meta do desempenho da organização, é o alcance de seus objetivos ou alvos, como rentabilidade, participação no mercado, crescimento, qualidade, estabilidade e eficiência. Eficácia diferencia-se de efetividade no momento que o último é a capacidade de promover os resultados desejados, através do método de execução, independentemente das falhas de orientação e especificação dos objetivos (MARINHO; FAÇANHA, 2001), ou seja, efetividade é a capacidade de produção de mudanças duradouras e significativas aos beneficiários (FRASSON, 2001). Para Albuquerque (2010), se uma organização não atinge suas metas, não cumpre seus propósitos e é ineficaz. Castro (2006) declara que a organização eficaz é aquela preocupada com os fins e em alcançar seus objetivos focada nos seus aspectos externos. Escolher a solução certa para uma necessidade ou problema, como colocar o volume pretendido do produto correto para a necessidade da população, é ser uma organização eficaz (BIO, 1996). Para Chiavenato (1994), a organização não deve ser analisada apenas no aspecto de eficácia como também de eficiência, como já estudado na Rota 02, pois eficácia é a normatização dos resultados alcançados e eficiência os custos e benefícios relacionados. Chiavenato (1994) ainda exemplifica os dois conceitos: eficácia é ganhar o jogo de futebol, enquanto eficiência é jogar com arte. 7 Ilustrando os conceitos: um funcionário que atinge todas as metas estipuladas pelo empregador é um empregado eficaz, pois atingiu seus objetivos; um funcionário que atrasa para entregar suas metas, porém não comete erros durante o processo e ainda economiza os insumos é eficiente, mas não eficaz. Assim eficiência e eficácia andam juntas, mas não são necessariamente requisitos uma para a outra. É possível ser eficiente, sem ser eficaz, e vice e versa. Mas como medir a eficácia organizacional? Para medir a eficácia das empresas há três modelos: o modelo de metas, o modelo de metas e eficácia e o modelo de satisfação dos participantes. Etzioni (1964) define eficácia como o grau que a organização atinge suas metas, porém Hall (2004) relata que as organizações possuem metas múltiplas e, por vezes, conflitantes e essas diferenças tornam o modelo de metas difícil de ser usado devido a sua multiplicidade e incompatibilidade. Albuquerque (2010) afirma que metas limitam a tomada de decisões ao envolver intenções e resultados dos indivíduos, sendo as metas organizacionais criações individuais ou coletivas. Assim, é importante que a meta de qualquer organização seja uma abstração dos desejos e pressões do ambiente e do sistema interno (HALL, 2004). Para Hall (2004), as alterações das metas resultam das interações diretas com outras organizações, enfatizam a importância das metas operacionais que levam em conta essas mudanças, sutis ou marcantes, e indica a importância de medir a eficácia organizacional, pois caso a análise seja feita antes de qualquer mudança significativa ocorrer, a mesma não terá significado. Hannan e Freeman (1977) apontaram alguns problemas no modelo de metas, apesar de que seria insatisfatório abandonar o conceito de meta devido as suas características definidoras das empresas. Para o autor, as dificuldades são a existência de múltiplas metas dentro de uma organização e a dimensão temporal. Ao enfatizar um retorno rápido dos investimentos, as metas de curto prazo devem receber o máximo de prioridade; já no caso de produções contínuas, o desempenho de médio e longo prazo deve 8 ser enfatizado devido a necessidade de relevância das flutuações de desempenho do período (HANNAN; FREEMAN, 1977). Há ainda os modelos de satisfação dos participantes, estabelecido por Barnard (1938), que analisa as organizações como ferramentas de cooperação e distribuição de incentivos. Para Giorgiou (1973), os indivíduoscontribuem em troca de incentivos e a contribuição individual para alcance das metas contribui para satisfazer as metas dos demais e, assim, a organização continua operando. Hall (2004) garante que o sucesso da organização é visto como sobrevivência ao obter contribuições dos membros oferecendo remuneração ou incentivos e não apenas como cumprimento de metas. A organização é eficaz quando a maior parte dos seus membros é livre para utilizar a organização e seus processos como ferramenta para suas finalidades ao ponto que, para mais eficácia na organização, maior tem que ser a instrumentalidade organizacional percebida por seus membros (CUMMINGS, 1977). Assim, a lucratividade, a eficiência e a produtividade não são fins e sim condições para a sobrevivência da organização (HALL, 2004). Assim Steers (1977) relata que as organizações cujas metas os indivíduos concordam e se empenham para atingi-las são consideradas as organizações mais eficazes. Porém, Hall (2004) lembra que a eficácia organizacional, como perspectiva dos membros e de seus ganhos, apresenta problemas, como o fato dos indivíduos terem formas diferentes de envolvimento com a organização e essas formas impedem a conformidade individual e das metas e, principalmente, ao ver que muitos membros de organizações desconhecem as metas operacionais e oficiais. Em suma, uma organização eficaz é aquela que faz as coisas certas, tendo seus objetivos alcançados. Uma organização eficiente é a que realiza os objetivos com a menor quantidade de recursos gastos possíveis, ou seja, eficiência é a relação entre custo e benefício e eficácia é o melhor alcance dos resultados. 9 Saiba mais Entenda a diferença entre eficiência e eficácia: http://www.administradores.com.br/artigos/cotidiano/entenda-a-diferenca-entre- eficiencia-e-eficacia-de-uma-vez-por-todas/81934/ DEFINIÇÃO DOS OBJETIVOS ORGANIZACIONAIS Objetivo organizacional é definido por Etzioni (1964) como a situação que a organização deseja alcançar. Para Richers (1994), são os alvos predefinidos para a empresa, ou seja, as posições que desejam ser conquistadas. Certo (2003) define objetivo organizacional como o alvo ao qual o sistema é direcionado, refletindo a finalidade da organização, ou seja, a razão da existência da empresa de acordo com as necessidades do cliente. Chiavenato (2008) declara que os objetivos devem atingir seis critérios, a saber: • Ser consistente, por estar vinculado a outros objetivos e metas da organização • Focalizado em resultado e não a uma atividade • Ser específico, limitado e bem definido • Ser mensurável e objetivo • Relacionado a determinado período, seja dia, semana, mês ou ano • Ser alcançável, ou seja, possível Certo (2003) relata que as organizações, por terem vários propósitos, possuem vários tipos de objetivos, porém a maioria concentra-se em assegurar o lucro. Para Chiavenato (2008), as funções dos objetivos organizacionais são: Apresentar uma situação futura; Ser uma fonte legitima da existência da organização e de suas atividades Servir como padrão de comparação do êxito da organização, sua eficiência e seu rendimento http://www.administradores.com.br/artigos/cotidiano/entenda-a-diferenca-entre-eficiencia-e-eficacia-de-uma-vez-por-todas/81934/ http://www.administradores.com.br/artigos/cotidiano/entenda-a-diferenca-entre-eficiencia-e-eficacia-de-uma-vez-por-todas/81934/ 10 Ser uma unidade de medida de produtividade dos membros ou da organização Chiavenato (2003) categoriza os objetivos organizacionais em: Objetivos da sociedade: sendo aqueles objetivos que satisfazem as necessidades da sociedade, como produção de bens e serviços, ordem pública ou valores culturais Objetivos de produção: relacionado com o contato do público com a organização, como educação, serviços, bens de consumo Objetivos de sistema: relacionado com o funcionamento da organização, do sistema em si, independente dos serviços ou produtos produzidos, como ênfase nos lucros ou crescimento da organização; Objetivos de produtos: relacionado com as características dos bens ou serviços produzidos, como disponibilidade, originalidade, qualidade ou quantidade dos produtos Objetivos derivados: relacionado com o uso do poder originado de outros objetivos, como metas políticas, eventos sociais ou comunitários, política de investimentos e localização Sendo assim, Certo (2003) afirma que a decisão dos objetivos organizacionais é uma ação importante dos administradores, pois esses objetivos devem estar dentro do alcance dos funcionários, porém não ser tão fácil de alcançar, pois não impulsionariam os membros ao máximo de seu potencial. Vamos à um exemplo prático, do Grupo Uninter. A empresa possui missão (a missão é a razão da existência da empresa, a finalidade ou motivo pelo qual a organização foi criada e para o que ela deve servir), visão (é a imagem que a organização tem a respeito de si mesma e do seu futuro) e valores (os princípios e crenças que servem de guia para a empresa) bem definidos e apresentados no site Institucional, porém os objetivos são definidos internamente pela 11 organização, pois fazem parte da estratégia da empresa, e dizem respeito ao fim que ela pretende atingir. Assim, a missão do Grupo Uninter é: “Promover a capacitação científica e profissional da população interessada, por meio da educação de qualidade, com a utilização de modelos, métodos e técnicas inovadoras, capazes de democratizar o acesso e de maximizar os resultados de forma sustentável - tanto de aprendizagem quanto de docência - visando a otimização das relações de investimentos e de benefícios sociais”. A visão: “Ser referência para o desenvolvimento socioeconômico das pessoas, com base na capacitação científico-tecnológica e profissional da população, por meio da formação universitária e técnica nos mais variados campos de atuação, como integradora de soluções educacionais, com vistas à prosperidade da sociedade. Os valores são: Satisfação dos clientes, colaboradores e fornecedores; Gerenciamento participativo; Padrões éticos; Iniciativa; Ambiente; Responsabilidade social. E um dos objetivos, a curto prazo, da Instituição é: “Até 2020 possuir três programas de Mestrado e um de Doutorado, como uma forma de se aproximar de sua meta que é se tornar Universidade até 2030”. Assim os objetivos organizacionais são a razão de uma organização no objetivo ao qual ela persegue, e normalmente são quantificáveis para tornar a ação menos abstrata e de mais fácil execução. Áreas para os Objetivos Organizacionais Drucker (apud CERTO, 2003) afirma que a sobrevivência da administração fica ameaçada quando seus responsáveis objetivam apenas o lucro, pois esse objetivo faz com que a empresa aja no curto prazo sem considerar o lucro de “amanhã”. Certo (2003) relata que os gerentes devem agir em todas as áreas críticas para atingir seus objetivos e sucesso de todo o sistema. Drucker (apud CERTO, 2003) aconselha as empresas a definir objetivos em oito áreas: 12 1. Posição de mercado: onde a empresa gostaria de estar em relação aos concorrentes 2. Inovação: compromisso com novos métodos de operação 3. Produtividade: os objetivos devem definir as metas dos níveis de produção 4. Recursos físicos e financeiros: devem ter objetivos de uso, aquisição e manutenção dos recursos financeiros ou físicos 5. Lucratividade: os objetivos devem estabelecer o lucro desejado 6. Desempenho e desenvolvimento gerencial: os objetivos devem determinar as taxas e níveis de crescimento gerencial e produtividade 7. Desempenho e atitude do trabalhador: os objetivos devem especificar os índices de produtividade do trabalhador e suas atitudes 8. Responsabilidade pública: trata da responsabilidade da empresa com seus clientes e sociedade Assim, acredita-se que os administradoresdevem abordar o desenvolvimento e modificação dos objetivos organizacionais com a máxima atenção, pois são fundamentais para o sucesso de qualquer organização e devem estabelecer três tipos de objetivos: a curto prazo, prazo intermediário e a longo prazo (CERTO, 2003). Segundo Certo (2003), o princípio do objetivo foi desenvolvido com a necessidade de predeterminar objetivos organizacionais adequados e esse princípio sustenta que, para iniciar qualquer ação, os gerentes devem determinar, entender e declarar claramente seus objetivos. Um objetivo organizacional geral deve ser dividido em objetivos específicos, denominados como hierarquia de objetivos, de modo que todos os membros da organização, em diferentes níveis e seções saibam o que fazer para atingimento de seus objetivos (CERTO, 2003). Para Certo (2003), a subotimização é uma condição da organização na qual os objetivos específicos encontram-se em conflito com o objetivo organizacional geral e faz parte da função dos gerentes controlá-lo ao desenvolver o entendimento completo das relações das áreas da organização e assegurando que os objetivos específicos reflitam essas relações. 13 Saiba mais Objetivos organizacionais bem definidos aumentam a motivação dos colaboradores: http://www.jornaldenegocios.pt/opiniao/colunistas/alexandre_real/detalhe /objetivos_organizacionais.html APLICAÇÃO PRÁTICA Escolha uma empresa, pode ser a empresa em que você trabalha, o Grupo Uninter ou qualquer outra empresa que você tenha facilidade de acesso, para pesquisar e responder os seguintes questionamentos: Descreva um momento de sua vida pessoal e profissional que você acreditou que detinha todas as informações necessárias para a melhor tomada de decisão, até que descobriu que havia algum elemento surpresa para o qual não estava preparado. Como você reagiu? Escolha um processo na empresa em que você trabalha e estude um modo de torna-lo mais eficiente e eficaz. A eficácia está relacionada com o modo mais correto de se atingir aos objetivos almejados, qual seria o modelo de processo ideal? Qual seria o resultado ideal? Identifique quais os objetivos organizacionais de sua empresa. Eles são de curto, médio ou longo prazo? SÍNTESE Durante sua atividade profissional, os administradores precisam tomar inúmeras decisões que envolvem riscos com impacto no desempenho de suas organizações. Fazem-no num contexto em que não dispõem de informações suficientes e têm restrições de recursos e de tempo para coletar mais informações para apoiar o seu processo decisório. Além disso, possuem limitações cognitivas que impedem de alcançar uma solução ótima para os problemas que enfrentam. http://www.jornaldenegocios.pt/opiniao/colunistas/alexandre_real/detalhe/objetivos_organizacionais.html http://www.jornaldenegocios.pt/opiniao/colunistas/alexandre_real/detalhe/objetivos_organizacionais.html 14 A situação é mais complicada quando se considera a interação estratégica, que significa que as outras empresas concorrentes- fornecedores, substitutas e compradores- também estão tomando decisões para melhorar suas posições. Dessa forma, mesmo que se possa considerá-las grosseiramente como decisões racionais, em sentido limitado, o mercado será o resultado irracional de decisões individuais racionais. Tendo em vista que é impossível acreditar ou demonstrar que existem decisões ótimas, perfeitas, existem sim decisões que serão mais satisfatórias, e estas são limitadas pelo próprio pensamento humano. Assim, esta rota nos apresenta o conceito de racionalidade ilimitada, a teoria de Herbet Simon, que sugere que a tomada de decisão é baseada em informações inadequadas, limitações de tempo e recursos para análises mais completas, além de restrições de memória, inteligência e percepção da informação disponível. Ainda, vimos outro importante conceito organizacional: o da eficácia. Se comparada à uma partida de futebol, a eficácia significaria ganhar o jogo de futebol, enquanto a eficiência seria o fato de “jogar com arte”. Assim, eficácia é a capacidade de atingir os objetivos organizacionais, a busca por fazer as coisas certas, cuja ênfase está nos resultados. E, por fim, foi apresentado o conceito de objetivo organizacional, que consiste no alvo ao qual o sistema é direcionado, refletindo a finalidade da organização, ou seja, a razão da existência da empresa de acordo com as necessidades do cliente. Assim, os objetivos organizacionais procuram responder a um conjunto de funções, nomeadamente servem como uma fonte de legitimação para o exterior do que a organização pretende, constituindo igualmente uma fonte de motivação e envolvimento para os colaboradores, na medida em que funcionam como guias para a ação, delimitando critérios de desempenho. 15 REFERÊNCIAS ALBUQUERQUE, L. S. L. de. O desempenho das estruturas organizacionais das empresas de real estate e a relação com seus valores de mercado. 2010. 185 p. Dissertação (Mestrado em engenharia) – Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, São Paulo – SP. BARNARD, C. The function of the executive. Cambridge: Harvard University Press, 1938. BAZERMAN, M. Judgment in Managerial Decision Making. New York: Wiley, 2001. BIO, S. R. Sistemas de Informação: um enfoque gerencial. São Paulo: Atlas, 1996. p. 20-23. CASTRO, R. B. de. Eficácia, Eficiência e Efetividade na Administração Pública. 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XXVIII ENANPAD. Curitiba/ PR: ANPAD, 2004. 1 CD. RICHERS, R. Objetivos como razão de ser da empresa. Revista de administração de empresas. São Paulo, v. 34, n. 1, fev. 1994 . Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034- 75901994000100007&script=sci_arttext>. Acesso em: 26 fev. 2015. SBICCA, A. Heurísticas no estudo das decisões econômicas: contribuições de Herbert Simon, Daniel Kahneman e Amos Tversky. Estudos econômicos, São Paulo, v. 44, n. 3, set. 2014. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101- 41612014000300006&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 13 fev. 2015. SIMON, H. A. Models of Man. New York: John Wiley and Sons, 1957. SOBRAL, F.; PECI, A. Administração - Teoria e Prática no Contexto Brasileiro. 2ª ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2013. STEERS, R. Organizational effectiveness: a behavioral view. Pacific Palisades, CA: Goodyear, 1977. VIZEU, F.; GONÇALVES, S.A. Pensamento Estratégico: origens, principios e perspectivas. 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Da teoria humanística e comportamental, a Administração continua evoluindo, para os conceitos da Administração Moderna, cujo expoente é Peter Drucker, e alguns questionamentos surgem então: O quão eficazes realmente somos? Será que temos plenos recursos na tomada de decisão ou nossa racionalidade é limitada? O que são objetivos organizacionais? Essas questões foram discutidas na aula 04. Em nossa aula 05, a discussão será sobre as abordagens neoclássicas da Administração, sobre a ruptura dos modelos tradicionais, clássicos e mecanicistas rumo à modelos de Administração mais orgânicos, flexíveis, descentralizados e com vistas à excelência, ao desenvolvimento organizacional. CONTEXTUALIZANDO Para contextualizar a situação-problema desta aula, leia atentamente o estudo de caso a seguir sobre a empresa IBM: https://casesdesucesso.files.wordpress.com/2008/04/ibm.pdf A partir do artigo e de seus conhecimentos prévios, reflita sobre as questões a seguir! https://casesdesucesso.files.wordpress.com/2008/04/ibm.pdf 3 “A Nova IBM, na realidade, é uma evolução do modelo de organização “mecanicista” para um orgânico”. Explique o porquê dessa afirmação. “Cada “ibmista”, ou empregado da IBM, deve sentir-se intimamente relacionado aos resultados da divisão onde trabalha e luta pelos objetivos em uma atitude competitiva. Descentraliza-se a empresa, devendo o empregado inserir-se totalmente na divisão onde trabalha”. Construa argumentos que justifiquem o porquê de o conceito de descentralização estar presente na IBM. O Brasil criou o Prêmio Nacional de Qualidade, baseado no modelo do prêmio americano, a fim de incentivar os investimentos na área nas empresas brasileiras. A IBM, em sua fábrica de Sumaré, Campinas, foi premiada em 1992, primeiro ano da premiação. Baseada nos critérios do “Prêmio Qualidade Malcolm Baldridge” e nos seus objetivos e nas normas ISO 9000, a IBM criou o Prêmio de Qualidade IBM-MDQ, a fim de promover sua avaliação interna em termos de qualidade. Identifique os elementos pertencentes ao Programa de Qualidade Total que a IBM apresenta. MUDANÇA ORGANIZACIONAL Vamos relembrar alguns pontos importantes sobre a passagem da estrutura mecanicista para a orgânica? Para as teorias clássicas da Administração, a base de uma organização é a hierarquia formal, porém Araújo (2006) elenca pontos desfavoráveis na utilização rígida de hierarquias. Na evolução do pensamento administrativo, percebe-se uma ruptura de modelos voltados ao atendimento puro e único das necessidades da organização. Partindo da produção em massa (Modelo Taylorista/Fordista) para o modelo de produção enxuta (Modelo de Produção Toyotista/Japonês), alcançamos ambientes dinâmicos e complexos, onde a inovação pode 4 determinar o desempenho da organização, exigindo que todos estejam envolvidos nos processos decisórios e estratégicos (RODRIGUES, 2001). Assim, percebemos o papel da mudança na evolução dos cenários organizacionais. Contudo, constantes mudanças exigem um dinamismo no preparo dos líderes e as empresas que veem a necessidade de se manter competitivas já notam a necessidade de delegar ou compartilhar o poder (ADAMI, 2014). Para a melhoria organizacional, diversos métodos de gestão podem ser utilizados. Vamos conhecer um pouco mais sobre o conceito de Flexibilização Organizacional com o professor Luiz Moretto! O atual desenho organizacional das empresas força os administradores a redistribuir os recursos humanos ao longo dos processos, formar parcerias e até mesmo redes de empresas, pois nem todos os recursos necessários encontram- se dentro de uma organização. As empresas agora funcionam com quadro de pessoal mais enxuto, menor número de níveis hierárquicos, terceirizações e uso de desenho organizacional baseado nos processos, redistribuição das tarefas e novas formas de estrutura organizacional. Ou seja, vivemos em uma era de Flexibilização Organizacional! Leitura obrigatória ROBBINS, S. Comportamento Organizacional. 11. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. (Cap. 07). Falamos sobre o empoderamento dos colaboradores, mas como lidar com a autonomia no cotidiano? Abílio Diniz nos dá algumas dicas! https://www.youtube.com/watch?v=QY9774uclnM https://www.youtube.com/watch?v=QY9774uclnM 5 DESCENTRALIZAÇÃO Para Jones (2010), a autoridade é: O direito de tomar decisões sobre a utilização dos recursos da organização e manter as pessoas responsáveis por seus atos. Quando essa autoridade é apenas dos gerentes do topo da hierarquia, a organização é considerada centralizada. Ao contrário, quando a autoridade é delegada a todos os níveis, é considerada descentralizada. Centralização A vantagem da centralização é a capacidade da alta administração coordenar as atividades e concentrar a organização em seus objetivos, porém pode sobrecarregar os gerentes com tomadas de decisões operacionais negligenciando as decisões estratégicas e planejamentos de longo prazo. Descentralização Já a descentralização promove flexibilidade para que os níveis operacionais tomem suas próprias decisões com mais agilidade, porém a administração pode perder o controle das atividades realizadas nos níveis mais baixos (JONES, 2010). De acordo com Jones (2010), a descentralização está sendo adotada pelas organizações devido seu foco no cliente e agilidade para atendimentode suas necessidades. A descentralização reduz o custo de comunicação e distribuição de informação, porém tem custos de incentivo substanciais (MOOKHERJEE, 2006). Para Bloom, Sadun e Van Reenen (2010), os principais benefícios da descentralização são: Chiavenato (2010) adiciona outras vantagens, como: 6 Redução de custos de informação e comunicação. Agilidade na resposta das organizações ao mercado dinâmico. Aumento da produtividade com o aumento da satisfação do trabalho, benefícios esses que aumentam a responsabilidade, o compromisso, a partilha de informações e a participação dos trabalhadores operacionais na tomada de decisão. Cortar atrasos nas decisões, pois as pessoas que vivem o problema são mais indicadas para resolvê-lo. Melhorar o tempo e competências dos colaboradores. Melhorar a qualidade das decisões, pois os administradores podem concentrar-se nas decisões mais importantes. Reduzir os gastos com papéis e de coordenação devido a autonomia nas decisões. Permitir a formação de coordenadores locais ou regionais mais conscientes e motivados de seus resultados. Para Chiavenato (2010), com a descentralização as decisões são compartilhadas com os níveis mais baixos da organização, objetivando dar iniciativa e liberdade aos funcionários fazendo com que a autoridade sobre uma tomada de decisão seja feita o mais próximo possível da cena e funciona melhor em ambientes incertos e sujeitos a mudanças. Entretanto, a descentralização pode gerar variedade e aumento da subjetividade das decisões e perda de uniformidade, falta de necessidade e pouco aproveitamento dos especialistas e assessores e necessidade de treinamento prévio dos funcionários (CHIAVENATO, 2010). Comparemos a seguir os organogramas de estruturas centralizadas e descentralizadas: 7 A descentralização pode, então, ser distinguida das seguintes formas: Conheça as principais características de cada estrutura divisional: 1 – Estrutura funcional É uma estrutura organizada de acordo com as áreas funcionais de uma empresa, em que para cada setor há uma chefia. Essa estrutura é normalmente utilizada em organizações de pequeno ou médio porte e tem como meta a eficiência nos setores internos. Vantagem: promove o aperfeiçoamento dos funcionários por meio da especialização e do trabalho em equipe. Desvantagem: há muitas chefias, o que gera confusão em relação aos objetivos traçados por cada setor. 2 – Estrutura divisional 8 É uma estrutura organizada por meio de unidades semiautônomas, que trabalham no desenvolvimento de diferentes produtos e serviços. Essa estrutura é normalmente utilizada em organizações de grande porte, pois cada divisão focaliza um mercado ou cliente independente. Vantagem: é descentralizada, proporcionando mais responsabilidade e adaptação na produção de cada tipo de produto ou serviço. Desvantagem: esse sistema exige alto grau de coordenação, pois há duplicação de setores entre as divisões. 3 – Estrutura matricial É uma estrutura multidimensional em que vários setores permanentes trabalham como prestadores de serviços na execução de projetos temporários. Essa organização proporciona mais versatilidade e otimização dos recursos humanos. Vantagem: o gerente de projeto possui uma visão total do objetivo a ser alcançado, que faz com que coordene melhor a produção dos setores. Desvantagem: o fato de cada equipe possuir dois chefes, o de setor e o de projetos, pode gerar conflitos. 4 – Estrutura em rede É uma macroestrutura formada por várias organizações que trabalham conectadas a um escritório principal. O controle desses processos é fundamentado nos modernos sistemas de informática e comunicação. Vantagem: sua estrutura enxuta proporciona mais competitividade global e flexibilidade na força de trabalho. Desvantagem: com a falta de um controle local, há mais risco de atraso e falta de qualidade na execução de serviços. Leitura obrigatória 9 JONES, G. Teoria das Organizações. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2010. (Cap. 4). Como lidar com a descentralização do poder de maneira eficaz? Confira algumas dicas no vídeo a seguir! https://www.youtube.com/watch?v=JWZ4dpPkThQ QUALIDADE TOTAL A Gestão da Qualidade Total é uma ferramenta muito eficaz para as organizações na atual economia, pois quando desenvolve habilidades gerenciais nos colaboradores e gera uma mentalidade focada em competitividade e produtividade, voltada a sobrevivência da organização e nos consumidores, possibilita-se a criação de vantagens competitivas (FUNDAÇÃO CHRISTIANO OTTONI, 1996). A qualidade envolve tanto bens quanto serviços, porém falta uma definição clara de seu conceito (SILVA, 2013). Ela é conhecida por todos, porém, de forma diferenciada pelos grupos e camadas da sociedade (LONGO, 1996). Confira a seguir algumas das principais definições de Qualidade! Peter Drucker Para Drucker (2002), qualidade é algo que o cliente paga e obtém, é aquilo que é útil e lhe traz valor. Campos (1998) afirma que qualidade nas organizações é um sistema de gerenciamento empresarial que objetiva satisfazer as pessoas por meio de técnicas e métodos que desenvolvam o funcionário e, consequentemente, a empresa. Monaco e Guimarães Para Monaco e Guimarães (2000) qualidade é um padrão que busca a máxima produtividade reduzindo custos para que a organização atenda as necessidades de seus clientes. https://www.youtube.com/watch?v=JWZ4dpPkThQ 10 Taguchi e Juran Taguchi (1986) afirma que qualidade é, quando imposta à sociedade, a menor perda econômica. Para Juran (1990) é adequação a forma de utilização, ou seja, os produtos não podem ter defeitos e suas características devem atender as necessidades dos clientes e para Crosby (1992, p. 31) é a “conformidade com os requisitos”. Stoner e Freeman Já para Stoner e Freeman (1995), gestão da qualidade total é combinar métodos de controle estatístico com um comprometimento cultural e a busca do aprimoramento que eleve a produtividade e diminua os custos. ISO Segundo a norma ISO 8402-94, qualidade é o conjunto de características que torna apta uma organização para satisfazer suas necessidades, sejam explícitas ou implícitas. Enquanto para a norma ISO 9000:2000, é a aptidão de características intrínsecas objetivando satisfação das exigências. Vimos os conceitos de qualidade com a professora. Eles podem ser classificados em quatro definições aplicáveis às organizações. Qualidade como conformidade e especificações: é uma maneira de definir qualidade se o produto ou serviço está de acordo com as especificações do projeto. Qualidade como excelência: é uma abordagem de competência, pois alguns produtos ou serviços trazem um sentido de prazer ou estima ao seu usuário. Qualidade como valor para o preço: conceituado por Feigenbaum como as características e aspectos de um serviço ou produto que satisfaça determinadas necessidades. Qualidade como adequação de uso: quando o projeto do produto ou serviço está de acordo com os propósitos e condições do usuário. 11 Perspectivas da qualidade O processo de inspeção Nos séculos XVIII e XIX, tudo era fabricado por artífices habilidosos e artesãos, trabalhadores experientes, mestres do ofício e seus ajudantes, não existindo o controle de qualidade utilizado atualmente e sim a fabricação manual de pequenas quantidades de produtos com a asseguração da alta qualidade realizada por meio da inspeção informal. Somente passou-se a ver a necessidade da inspeção formal a partir da produção em massa e do início da automatização de peças intercambiáveis ou que servisse a vários conjuntos da produção, para isso sendo criadas medidas, acessórios de precisão e gabaritos e formalizadas no controle de qualidade com a publicação da obra The control ofquality in manufacturing de George Stanley em 1922. O controle estatístico da qualidade Walter A. Shewhart, em 1931, publicou Economic control of quality of manufactured product, dando caráter científico aos aspectos da Qualidade, o que atribuiu muitos princípios do controle de qualidade moderno e deu uma definição mensurável do controle de fabricação, propondo maneiras de melhorar a qualidade, criando técnicas de acompanhamento e avaliação da produção diária. Silva formulou técnicas estatísticas simples determinando métodos gráficos e limites de representação de valores de produção, pois viu a necessidade de estabelecer limites e parâmetros para a variação de fabricação. A garantia da qualidade Como o controle de qualidade evoluiu ao longo do século XX? Prevenção Nesse período, o objetivo fundamental era a prevenção dos problemas da qualidade, expandindo os instrumentos estatísticos com quatro elementos: Conformidade 12 controle total da qualidade, quantificação dos custos da qualidade, zero defeito e a engenharia de confiabilidade. Custos Em 1951, Joseph Juran dividiu os custos relacionados a qualidade em custos evitáveis (reclamações, prejuízos, refugos, defeitos e falhas) e inevitáveis (inspeção, amostragem e classificação) e considerou que esses custos poderiam ser reduzidos com investimentos em melhorias de qualidade, além de que investimentos com projetos têm implicações nos níveis de custo da qualidade. Controle total Armand Feigenbaum propôs, em 1956, o controle total da qualidade, afirmando que a fabricação não trabalhava isoladamente e que todos os produtos poderiam ser enquadrados em: controle de novos projetos, controle de material recebido e controle de produtos/local de produção. Zero defeito Foi criada também a teoria da engenharia da confiabilidade, voltada para probabilidades e estatísticas, objetivando garantir um desempenho aceitável do produto ao longo do tempo. A última inovação da garantia da qualidade foi o zero defeito, concentrando-se na perfeição dos processos, gerenciamento e relações humanas. O gerenciamento estratégico da qualidade Hoje em dia, a qualidade é vista como ferramenta estratégica que pode afetar a todos os processos e participantes de uma organização gerando vantagem competitiva e mudando o foco das empresas de especificações de conformidade para atendimento as necessidades dos clientes. Criação de Produtos e Serviços de Qualidade Para a criação de produtos e serviços de qualidade, temos três requisitos principais: 13 Resistência: produtos que tenham um desempenho satisfatório em todos os tipos de condições, não apenas as ideais, considerando fatores como calor, frio, umidade, natureza do uso, entre outros. Produção: criação de produtos com menos erros, com menos peças, com montagens rápidas e fáceis. Confiabilidade: medir a confiabilidade do componente pelo seu índice de falhas e intervalo médio de tempo entre falhas, pois cada peça do produto tem seu nível de confiabilidade do componente, com probabilidade de não falhar em dado período. As dimensões da qualidade de serviço, são as seguintes, a saber: Tangibilidade Como as instalações físicas, pessoal, equipamentos e materiais de comunicação aparentam. Confiabilidade Quando o serviço prometido é capaz de ser oferecido de forma confiável e precisa. Responsividade Quando quem oferece o serviço está disposto a ajudar e a prestar o serviço imediatamente. Garantia Quando o serviço é capaz de prestar confiança, além do conhecimento e cortesia dos funcionários. Empatia Denominação da atenção e preocupação individualizada da empresa para seus clientes. Para os clientes, a dimensão mais importante é a confiabilidade e a de menor importância é a tangibilidade (SILVA, 2013). 14 Leitura obrigatória SILVA, R. O. Teorias da administração. 3. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2013. Cap. 18. Para conhecer mais sobre a trajetória da qualidade nas organizações, conheça os principais teóricos deste assunto ao longo do tempo! Os Mestres e Filosofias da Qualidade Alguns autores clássicos são conhecidos como mestres, gurus ou notáveis por seu papel no desenvolvimento da qualidade ao publicar trabalhos reconhecidos que contribuíram para experiências de sucesso. Entre os principais gurus da qualidade encontram-se Deming, Juran, Crosby, Feigenbaum, Ishikawa e Taguchi, conforme relatam Os Notáveis (s.d.) e Silva (2013). Vamos conhecer um pouco mais sobre eles a seguir. William Edwards Deming (1900-1993) Trabalhou com um enfoque da qualidade voltado para a Estatística, com problemas de variabilidade e suas causas. Enfatizou uma abordagem sistemática da qualidade para solução de problemas conhecida como PDCA (Plan, Do, Check, Action) ou Ciclo de Deming, que é a base da melhoria contínua. Deming afirma que a qualidade deve ser baseada no desejo de fazer um bom trabalho pelo operário e da capacidade de diretor de levar a tomada de decisão para a fábrica, fazendo com que os trabalhadores não só trabalhem, mas também ajudem a melhorar o sistema. Joseph M. Juran (1904-2005) Tem uma abordagem fortemente gerencial, focando no planejamento, fluxo organizacional, responsabilidade gerencial para qualidade e a necessidade de objetivos e metas de melhorias. Para Juran, a alta gerência tem o compromisso de melhorar a qualidade do produto, identificar discrepâncias e melhorar constantemente. Nas obras de 15 Juran encontram-se definições de qualidade como ausência de defeitos, desempenho de produto e seu conceito mais conhecido, adequação ao uso. Philip B. Crosby (1926-2001) O autor afirma que é tecnicamente possível e economicamente desejável a qualidade perfeita, porém acarreta discussões sobre qual é esse grau desejável de qualidade. Para ele qualidade não tem custo, qualquer nível de defeito é alto demais e as empresas deveriam buscar o zero defeito. Armand V. Feigenbaum (1922-1994) Defende o enfoque sistêmico ou total, envolvendo todas as funções no processo da qualidade e não apenas a fabricação, vendo a qualidade como a exigência dos clientes através de suas especificações e enfatizando também a necessidade de assistência econômica ao usuário. Criou o conceito de “controle de qualidade total”, visando a qualidade como tarefa de todos. É a qualidade na fonte, e os trabalhadores têm o direito de parar a produção na ocorrência de problemas de qualidade. Kaoru Ishikawa (1915-1989) Para esse autor, qualidade tem uma visão mais ampla e significa qualidade de trabalho, de serviço, de informação, de divisão, de pessoal, de processo, de sistema, de empresa, de objetivos, entre outros, ou seja, controla a qualidade em todas as suas manifestações possíveis. Tem foco no trabalhador, acreditando que a gerência deve capacitar e orientar seu funcionário e transferir os benefícios alcançados a eles. Defende também uma integração entre as atividades, criando um “controle de qualidade integrado” ou “com participação total”. A ele é atribuído o conceito de círculos de qualidade e o diagrama espinha de peixe, utilizados na análise de problemas. Genichi Taguchi (1924-2012) Foi Taguchi quem adotou o termo Engenharia da Qualidade, fundamentando-se na relação preço e qualidade e seu equilíbrio. 16 O que o autor chama de Engenharia de Qualidade é o “Método de Taguchi” ou a “Função Perda” e seus princípios são: As características mais importantes de um produto são os custos. Os custos não podem ser reduzidos sem influenciar a qualidade. A qualidade pode ser aumentada sem aumentar os custos. Os custos podem ser reduzidos através da melhoria da qualidade. Seu maior objetivo é reduzir os custos da produção e a redução da variabilidade para o consumidor, ou seja, maior qualidade com menor custo.Para entender o custo da má qualidade para as organizações, assista o vídeo a seguir: https://www.youtube.com/watch?v=JC-5T-i-ewc NA PRÁTICA Agora é sua vez! Primeiramente, leia o artigo de Gary Hamel para a Harvard Business Review: “Primeiro vamos demitir todos os gerentes”, disponível a seguir: http://www.hbrbr.com.br/materia/primeiro-vamos-demitir-todos-os- gerentes Agora, reflita e responda aos seguintes questionamentos! Avalie e explique o porquê da afirmativa: “A ineficiência decorre de um modelo de gestão centralizada que é a um só tempo inconveniente e oneroso”. Reflita e argumente sobre o seguinte posicionamento do autor: “Não seria espetacular se pudéssemos atingir níveis de coordenação sem uma superestrutura supervisora? Não seria fantástico se pudéssemos ter a https://www.youtube.com/watch?v=JC-5T-i-ewc http://www.hbrbr.com.br/materia/primeiro-vamos-demitir-todos-os-gerentes http://www.hbrbr.com.br/materia/primeiro-vamos-demitir-todos-os-gerentes 17 liberdade e a flexibilidade de um mercado aberto com o controle e a coordenação de uma hierarquia bem coesa? Se pudéssemos gerenciar, sem gerentes? ” No caso anterior nos foi apresentada a “Morning Star Company”, exemplo de flexibilidade, descentralização e qualidade nos processos em que é responsável. E no seu caso, quais elementos desta aula estão presentes em sua empresa? Faça uma pesquisa sobre isso e os relacione com o conteúdo aprendido! REFERÊNCIAS ADAMI, E. (Org.). Gestão de talentos. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014. ARAUJO L. C. G. Gestão de pessoas. São Paulo: Atlas, 2006. ARONQUE, D. Um bom ambiente de trabalho aumenta a produtividade. Empregos.com.br, 29 jun. 2001. Disponível em: http://carreiras.empregos.com.br/carreira/administracao/qualidade_de_vida/290 601-escritorios.shtm. Acesso em: 01 abr. 2015. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Sistemas de gestão da qualidade – fundamentos e vocabulário. NBR ISO 9000. Rio de Janeiro: 2000. BEZERRA, F. Ciclo PDCA – conceito e aplicação (guia geral). Portal Administração, 2014. 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MINTZBERG, H. Criando organizações eficazes: estruturas em cinco configurações. 2ª ed. São Paulo: Atlas, 2008. MINTZBERG, H.; LAMPEL, J.; QUINN, J. B.; GHOSHAL, S. O processo da estratégia: conceitos, contextos e casos selecionados. Porto Alegre: Artmed, 2007. 20 MONACO, F. de F.; GUIMARÃES, V. N. Gestão da qualidade total e qualidade de vida no trabalho: o caso da gerência de administração dos correios. RAC, v. 4, n. 3, p. 67-88. set/dez. 2000. MOOKHERJEE, D. Decentralization, Hierarchies, and Incentives: A Mechanism Design Perspective. Journal of Economic Literature, 44, 2006. MORGAN, G. Imagens da organização. São Paulo: Atlas, 1996. NBR ISO 8402/94. Gestão da Qualidade e Garantia da Qualidade – Terminologia, p. 115. NEWSTROM, J. W. Comportamento organizacional – o comportamento humano no trabalho. São Paulo: McGraw Hill, 2008. OS NOTÁVEIS da Qualidade (Gurus). Aurelio, s.d. Disponível em: http://www.aurelio.pro.br/qualidade/Gurus02.pdf. Acesso em: 06 abr. 2015. PHILIP B. Crosby. 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CONTEXTUALIZAÇÃO PROBLEMATIZAÇÃO Uma grande empresa, com desempenho negativo no Brasil, decide implantar uma mudança conceitual, que reflete diretamente na forma de atuação dos funcionários, a fim de reverter a situação. Resumidamente, esse é o case “DNA Danone”. A seguir você confere o link para leitura na íntegra: https://casesdesucesso.files.wordpress.com/2008/03/danone.pdf A partir desse case e de seus conhecimentos prévios, reflita sobre as questões a seguir e anote em seu caderno! 1. Quais forças internas e externas compõem o ambiente organizacional da empresa Danone? 2. Quem são os indivíduos ou grupos que afetam ou podem ser afetados pelos objetivos da Danone? Identifique-os. 3. As metas impulsionadoras de crescimento para a empresa têm algum objetivo específico? Explique. https://casesdesucesso.files.wordpress.com/2008/03/danone.pdf3 TEMA 1 - CONCEITO DE AMBIENTE Para começar, vamos ver a definição que três autores dão ao termo “ambiente”? Para Chiavenato (2003), tudo o que é humano, social, político e econômico que envolve externamente uma organização pode ser considerado ambiente, até mesmo as outras organizações, pois uma depende de outra para atingir seus objetivos e, por isso, considera-se a sociedade moderna como a sociedade de organizações. Já Hall (2004) define ambiente como todo fenômeno ou elemento externo que influencia a organização, seja rara ou potencialmente, exigindo dela novas estratégias, novos posicionamentos e novos padrões administrativos de acordo com as contingências. Jones (2010), por sua vez, define ambiente como o conjunto de pressões e forças que estão ao seu redor e podem afetar a sua forma de operar e adquirir recursos como matéria-prima, funcionários capacitados, informação e apoio dos stakeholders externos. Esse mesmo autor classifica o ambiente em geral e específico, como demonstra a Figura 1. Figura 1- O ambiente organizacional. Ambiente específico: atuam forças que afetam diretamente a habilidade de uma organização de obter recursos. Ambiente geral: atuam forças que modelam os ambientes específicos de todas as organizações. Fonte: Jones (2010). 4 A partir do que vimos, podemos entender o que é o ambiente organizacional, mais especificamente: Ambiente organizacional é definido como o conjunto de tendências, instituições e forças, externas e internas à organização, que podem influenciar seu desempenho (SOBRAL; PECI, 2013). Compreender o ajuste da estratégia das organizações com o seu ambiente é considerado uma ferramenta importante de sobrevivência organizacional (TEIXEIRA; ROSSETTO; CARVALHO, 2009). De acordo com a vulnerabilidade das organizações às pressões ambientais, a organização sofre variação (JACOBS, 1974). Para Hall (2004), dependendo de como esse ambiente é visualizado pelos gestores, os fenômenos ou elementos externos exercem uma influência maior ou menor sobre a organização. Nos últimos anos, as organizações têm transformado significativamente seu comportamento, sendo vistas como sistemas abertos pela teoria organizacional contemporânea (TEIXEIRA; ROSSETTO; CARVALHO, 2009). E são consideradas sistemas abertos na medida em que as trocas com o ambiente externo se fazem presentes. Que tipo de organização é mais vulnerável às variações do ambiente? Hall (2004) exemplifica que uma organização com poucos recursos financeiros é mais vulnerável às flutuações econômicas do ambiente do que uma organização com maiores reservas, apesar de todas as organizações dependerem, de certa forma, de seu ambiente. Porém, obviamente, quanto maior a vulnerabilidade ao ambiente, maiores os riscos de fracasso. Para Snow e Hrebriniak (1980), as organizações devem adaptar suas estratégias internas para lidar com as pressões ambientais e, segundo Hall (2004), uma das estratégias que a organização pode tomar é tentar moldar o ambiente. 5 Ou seja, em ambientes, organizações afetam organizações (HAUNSCHILD; MINER, 1997), pois nenhuma é autossuficiente ou autônoma (CHIAVENATO, 2003). Ambiente específico Jones (2010) afirma que ambiente específico é aquele onde as forças dos stakeholders externos, sejam eles sindicatos, concorrentes, fornecedores, clientes, distribuidores ou governo, podem afetar de forma direta a habilidade da organização de garantir recursos e agir de diferentes maneiras. Uma organização deve estabelecer diferentes estratégias para lidar com seu ambiente específico, como as mudanças no número, nos tipos e nos gostos dos clientes, que se diferenciam principalmente de país para país. Além disso, deve estar atenta aos sistemas de governo, às leis e às regulamentações a que está sujeita (JONES, 2010). Para Jones (2010), existem algumas forças que modelam o ambiente específico, afetando as organizações para obtenção de recursos: Forças econômicas: taxa de juros, de desemprego e conjuntura econômica, fatores esses que influenciam o nível de exigência por produtos e preços. Além do Produto Interno Bruto (PIB), das taxas de juros e de câmbio, dos níveis de salários e da renda per capita, que fazem com que organizações globais se instalem em países que apresentam menores custos de mão de obra ou matéria-prima. Forças tecnológicas: novas técnicas de produção ou novos equipamentos, que podem aumentar a produtividade, proporcionar menor custo, promover vantagem de diferenciação e influenciar a interação entre as organizações. Forças políticas, éticas e ambientais: leis que favorecem interesses, como a tarifa de importação de carros e a pressão de ambientalistas, que são fatores que podem afetar a concorrência, os custos de produção e as relações organizacionais com clientes, fornecedores e concorrentes. Forças demográficas, culturais e sociais: estilo de vida, normas, valores, educação, idade e costumes das pessoas que modelam os líderes, funcionários e clientes de uma organização, afetando os gostos, as necessidades dos clientes e as atitudes em relação a uma empresa e a um produto. 6 Em um ambiente, a habilidade de uma organização garantir recursos escassos pode ser interferida pela competição de rivais por clientes, pelas mudanças de tecnologia e pelo aumento no preço de insumos, elevando seus custos operacionais e diminuindo sua vantagem competitiva (JONES, 2010). As forças do ambiente causam incerteza para as organizações, dificultando o controle dos gerentes sobre o fluxo dos recursos e a ampliação de seus domínios organizacionais, afetando a complexidade, o dinamismo e a riqueza do ambiente. Vamos ter mais detalhes sobre cada um desses termos destacados? Confira na próxima página uma explicação a partir de Jones (2010). Complexidade do Ambiente: é a função do número, da pressão e da interconectividade das forças específicas e gerais que uma organização gerencia. Quanto maior o número dessas forças, maior a diferença entre elas, tornando difícil prever e controlar o ambiente, o qual se torna cada vez mais complexo e incerto. A complexidade também aumenta com o tempo e, quanto mais complexo o ambiente, maior a incerteza sobre ele. Dinamismo do Ambiente: é a função de quão rapidamente as forças em ambientes gerais e específicos mudam com o passar do tempo e aumentam a incerteza enfrentada. À medida em que empresas competem, seja em âmbito doméstico ou internacional, o ambiente se torna mais complexo e mais dinâmico A expansão global torna o ambiente mais difícil de controlar. Riqueza do Ambiente: é a função da quantidade de recursos disponíveis no ambiente da organização. Quanto mais rico o ambiente, menor a incerteza devido à abundância de recursos e a menor competição das organizações por eles. Ambientes podem ser pobres por estarem em um país ou região mais pobre e por terem alto nível de competição e luta pelos recursos disponíveis, o que dificulta a gerência de recursos. 7 Ambiente específico X Ambiente geral Para finalizar o estudo desse tema, confira a diferenciação feita por Sobral e Peci (2013) em relação ao ambiente específico e o geral: Acompanhe a seguir um exemplo real sobre a influência do ambiente externo e interno e com lidar com ambos, extraído de Sobral e Peci (2013, p. 125). A fusão da brasileira TAM com a chilena LAN, em 2011, é um claro exemplo de como as organizações lidam com o ambiente e de que maneira elas podem se adaptar a ele. Nesse caso, a estratégia adotada foi a fusão, reduzindo assim a incerteza ambiental. Ao unir-se com a LAN, a TAM conseguiu tirar de circulação um concorrente que forçava a competição por preços mais baixose aumentar a sua participação no mercado de aviação mundial. As sinergias poderão aumentar a receita operacional da Latam (nome da companhia a ser criada a partir da fusão) entre 600 e 700 milhões de dólares. Você já ouviu falar no reality show “O Aprendiz”? Ele apresenta de forma muito prática como lidar com as intempéries do mercado. Acessando o material on-line, você confere o vídeo da professora Mariana, no qual é apresentado um episódio que faz a relação com os conteúdos desse tema, confira! Leitura Obrigatória: SOBRAL, F.; PECI, A. Administração - Teoria e Prática no Contexto Brasileiro. 2. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2013, capítulo 3. Acesse-o na Biblioteca Virtual! http://uninter.bv3.digitalpages.com.br/users/publications http://uninter.bv3.digitalpages.com.br/users/publications 8 No link a seguir é possível assistir a um trecho da animação “Formigas”. Tente identificar os elementos do ambiente organizacional que se destacam nas atividades desempenhadas pelos personagens. https://www.youtube.com/watch?v=m-YkiPAYivY TEMA 2 - CONCEITO DE STAKEHOLDERS Que tal, como no tema anterior, começar verificando como alguns autores definem o termo stakeholder? Jones (2010): as organizações apenas existem devido a sua habilidade de produzir resultados aceitáveis e criar valor para vários grupos de pessoas que têm expectativas, participação ou interesse nelas e em quão eficazmente ela age, grupos estes conhecidos como stakeholders. Freeman (1984): qualquer grupo ou indivíduo que afete ou possa ser afetado pelos objetivos de uma organização e que tem direito legitimado sobre ela. Savage et al. (1991): são grupos, organizações ou indivíduos interessados nas ações de uma empresa e que podem influenciá-la. Sobral e Peci (2013): são grupos ou indivíduos externos ou internos da organização e afetados por ela, seja direta ou indiretamente, fazendo parte do ambiente operacional (como fornecedores e clientes) ou do ambiente interno (como empregados e acionistas). Ou seja, são aqueles que influenciam o sucesso da organização. O termo stakeholder foi empregado pela primeira vez na Administração no Stanford Research Institute (SRI), em um memorando interno designando os grupos sem os quais as organizações não existiriam e os quais elas deveriam compreender e desenvolver metas compatíveis (DONALDSON; PRESTON, 1995). Trata-se de um termo técnico, comumente utilizado na área de gerência de projetos, que de maneira ampla compreende todos os envolvidos em um processo, que pode ser de caráter temporário (como em um projeto) ou duradouro (como o negócio da empesa ou a missão de uma organização). https://www.youtube.com/watch?v=m-YkiPAYivY 9 Analisando os stakeholders, é possível identificar os principais interesses dos atores e o modo como afetam os riscos e as chances de sucesso da organização (SOBRAL; PECI, 2013). Freeman (1984) declara que para uma melhor análise desses indivíduos, a organização precisa: Analisar os stakeholders é avaliar o ambiente organizacional e a influência de seus atores nesse ambiente (ARAÚJO JUNIOR, 2008). Acompanhe, na Figura 2, alguns deles: Figura 2 - Stakeholders. Fonte: Sobral, Peci (2013). Stakeholders internos influenciam diretamente os recursos de uma organização e estão mais próximos dela (JONES, 2010). Interaja com a imagem para conhecê-los: 10 Para Jones (2010), os stakeholders externos não são proprietários da organização ou empregados dela, mas tem por ela alguma expectativa ou interesse. São eles: Acionistas: têm expectativa dos recursos e são frequentemente considerados superiores aos demais stakeholders internos, pois são os donos da organização. Contribuem na forma de investimento em dinheiro (como ações ou quotas de mercado) e são incentivados em contribuir com a organização, tendo o retorno em dinheiro por meio dos dividendos e da valorização das ações. Gerentes: contribuem com suas capacidades e habilidades para planejar e direcionar a organização e são incentivados com salários, status, poder e bônus. Além disso, são os responsáveis pela coordenação dos recursos da organização e garantia do alcance dos objetivos. Trabalhadores: todos os funcionários que não ocupam cargos de gerentes, também contribuem com habilidades e capacidades para desempenhar suas tarefas e obrigações de acordo com seu nível, sendo motivados a contribuir com a organização por bônus, ambiente estável, promoções e remunerações. Leitura Obrigatória: JONES, G. Teoria das Organizações. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2010, capítulo 2. http://uninter.bv3.digitalpages.com.br/users/publications A seguir você confere dois vídeos que explicam de forma didática o conceito de stakeholders. https://www.youtube.com/watch?v=Q1qYuhmypkU https://www.youtube.com/watch?v=4JT_evRBvs4 Para finalizar o estudo desse tema, que tal um exemplo prático extraído de Sobral e Peci (2013, p.128)? Confira a seguir! A Vale é um exemplo de como o bom relacionamento de uma empresa e seus stakeholders é importante. Em 2006 ela se viu sob os holofotes por não conseguir se entender com os índios que moravam próximos à reserva em Carajás, no Pará. Dias antes da aquisição do Inco, 200 índios armados com arco http://uninter.bv3.digitalpages.com.br/users/publications https://www.youtube.com/watch?v=Q1qYuhmypkU https://www.youtube.com/watch?v=4JT_evRBvs4 11 e flecha invadiram a empresa e fizeram 600 funcionários reféns. O impasse não afetou apenas o caixa da companhia, mas também arranhou sua imagem, sobretudo em um momento que ela ganhava ares de gigante mundial. TEMA 3 - CONCEITO DE SUSTENTABILIDADE A crescente industrialização, a proliferação e interligação dos diversos stakeholders da sociedade, as tecnologias emergentes e o aumento da população, da desigualdade e da pobreza são alguns dos principais motivadores globais da sustentabilidade (HART; MILSTEIN, 2004). A concepção do desenvolvimento sustentável surgiu no início da década de 1970, por meio do discurso dos movimentos ambientalistas e das discussões sobre um tipo de desenvolvimento menos agressivo ao meio ambiente, cuja preocupação central era o modo de produção, ou seja, quem produz, como produz, o que produz, porque produz e quais as consequências dessa produção (ALENCASTRO, 2012, p. 41-42). Há que se considerar que, apesar de muito discutido na teoria, o significado do termo “sustentabilidade” não está claro para a maioria dos executivos e colaboradores nas empresas. Contudo sua definição, mais frequentemente citada e amplamente utilizada, é a da Comissão Mundial sobre Ambiente e Desenvolvimento (World Commission on Environment and Development – WCED): que definiu desenvolvimento sustentável como: “É capaz de satisfazer as necessidades do presente, sem comprometer a capacidade das futuras gerações de satisfazer suas próprias necessidades” (WCED, 1987, p. 24). Essa definição de desenvolvimento sustentável dada pela WCED é criticada, por alguns autores, por ser vaga e antropocêntrica (KATES; PARRIS; LEISEROWITZ, 2005; ADAMS, 2006). Para Gladwin, Kennely e Krause (1995, p. 896), “o desenvolvimento sustentável é um processo para se alcançar o desenvolvimento humano (...) de uma maneira inclusiva, interligada, igualitária, prudente e segura". Em suma, de forma mais geral e abrangente, desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento que pode ser continuado (LÉLÉ, 1991). Desse modo, o desenvolvimento sustentável surge, enfim, como um conceito, um objetivo, um movimento e, agora, uma missão de muitas organizações. Assim, as práticas de sustentabilidade estão relacionadas à visão 12 dos executivos, que pode variar de perspectivas morais e legais até mesmo a visãode um mal necessário (HART; MILSTEIN, 2004). Muitas das práticas ou da ausência de práticas de sustentabilidade derivam de escolhas do tipo trade-off entre sustentabilidade e eficiência, principalmente em condições de incerteza (KRYSIAK, 2009). As empresas são consideradas as principais culpadas pelos problemas ambientais, mas também têm potencial para se tornar as principais protagonistas na solução desses problemas, pois detêm estrutura e conhecimento que outros stakeholders não possuem (CONKE, 2010). No entanto, poucas vêm a sustentabilidade como uma oportunidade estratégica de negócios, de redução de riscos e custos e até de aumento de participação de mercado e de rendimentos, por meio de inovação tecnológica e busca pela eficiência (HART; MILSTEIN, 2004; CONKE, 2010). Na prática, o desenvolvimento sustentável inclui os movimentos de desenvolvimento social, as instituições especializadas, as negociações de compromissos maiores entre partes relevantes, a profissionalização da ciência e da tecnologia da sustentabilidade, entre outros (KATES; PARRIS; LEISEROWITZ, 2005). Os projetos e as práticas de desenvolvimento sustentável variam na medida em que oferecem alternativas para os atuais padrões de consumo, desenvolvimento e produção. Assim, podem ser identificados três grupos principais de abordagens de desenvolvimento sustentável (HOPWOOD; MELLOR; O´BRIEN, 2005): 13 Figura 3 – Abordagens de desenvolvimento sustentável. Desse modo, o cerne do pensamento do desenvolvimento sustentável reside em três dimensões principais, que se inter-relacionam, conhecidas como tripple bottom line: ambiental, econômica e social (KATES; PARRIS; LEISEROWITZ, 2005; ADAMS, 2006; BARBIERI et al., 2010). Confira a seguir: Figura 4 - Tripple bottom line. Ainda há dois tipos de objetos do desenvolvimento sustentável, considerando que os pesos e as importâncias atribuídas a sustentar e a desenvolver variam conforme a literatura. Os que serão desenvolvidos (como a economia, as pessoas e a sociedade); Os que se deseja sustentar (como a comunidade, a natureza e o suporte à vida). 14 Além do objeto e da importância a ele atribuída, também há o tempo ou prazo para se manter ou sustentar (KATES, 1999) que pode ser: Desde um período de 25 anos (uma geração, no qual teoricamente tudo pode ser sustentado); Até para sempre (no qual nada pode ser sustentado). Com base nos horizontes temporais são classificados os objetivos do desenvolvimento sustentável. É importante considerar, também, o conjunto de valores que suportam ou representam o desenvolvimento sustentável, sendo alguns deles o respeito pela natureza, a responsabilidade compartilhada, a integridade ecológica, a justiça econômica e social, entre outros, restando a dúvida se haveria uma hierarquia entre estes conceitos. Leitura Obrigatória: ALENCASTRO, M. Empresas, Ambiente e Sociedade - Introdução à Gestão Socioambiental Corporativa. Curitiba: Intersaberes, 2012, Capítulo 2. http://uninter.bv3.digitalpages.com.br/users/publications No link a seguir você confere o artigo “Entendendo o conceito de sustentabilidade nas organizações”, que busca identificar a interpretação que o indivíduo atribui ao termo sustentabilidade e analisar fatores que influenciam tal interpretação. Confira! www.rausp.usp.br/download.asp?file=v4304289.pdf NA PRÁTICA Agora é sua vez! Depois de estudar todo conteúdo dessa aula, você está apto a realizar uma atividade prática. Leia o case “Protege o que é bom”, da Tetra Pak, que está no link a seguir: https://casesdesucesso.files.wordpress.com/2010/09/case_tetrapak.pdf Após a leitura, responda: a. Quais elementos compõem o ambiente organizacional da Empresa Tetra Pak, observados no texto? b. Quem são os stakeholders da empresa? Identifique-os. http://uninter.bv3.digitalpages.com.br/users/publications http://www.rausp.usp.br/download.asp?file=v4304289.pdf https://casesdesucesso.files.wordpress.com/2010/09/case_tetrapak.pdf 15 c. A empresa Tetra Pak apresenta uma constante preocupação: a sustentabilidade ambiental. Explique o porquê de tal preocupação. Acessando o material on-line você assiste ao vídeo da professora Mariana, no qual ela faz uma reflexão a respeito das questões lançadas. REFERÊNCIAS ADAMS, W. M. The future of sustainability: re-thinking environment and development in the twenty-first century, 2006. Report of the IUCN Renowned Thinkers Meeting. Retrieved July 01, 2011. Disponível em: <http://cmsdata.iucn.org/downloads/iucn_future_of_sustanability.pdf>. Acesso em: 10 set. 2015. ALENCASTRO, M. Empresas, Ambiente e Sociedade - Introdução à Gestão Socioambiental Corporativa. Curitiba: Editora Intersaberes, 2012. ARAUJO JUNIOR, J. P. Análise dos stakeholders: um estudo exploratório. Revista eletrônica, 2008. Disponível em: <http://revistaeletronica.sp.senai.br/index.php/seer/article/viewFile/30/41>. Acesso em: 10 set. 2015. BARBIERI, J. C. et al. Inovação e sustentabilidade: novos modelos e proposições. RAE, São Paulo, v. 50, n. 2, 2010. BOAVENTURA, J. M. G.; CARDOSO, F. R; SILVA, E. S.; SILVA, R. S. Teoria dos stakeholders e teoria da firma: estudo sobre a hierarquização da função- objetivo em empresas brasileiras. Revista Brasileira de Gestão de Negócios, v. 11, n. 32, p. 289-307, 2009. CHIAVENATO, I. Introdução à teoria geral da administração: uma visão abrangente da moderna administração das organizações. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003. 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