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Estudo da Cavidade Pulpar Generalidades É o único tecido mole do órgão dentário Vasos (Artérias, Veias e Linfáticos) Nervos Sensitivos Tecido Conjuntivo Generalidades Está confinado pelas Dentinas: Coronária e Radicular (em alguns dentes, limites pouco precisos, noutros, limites bem precisos). A única abertura da Cavidade Pulpar é o Buraco ou Orifício Pulpar, que quando é: Único = Forâmen Múltiplo = Foramina O Orifício Apical é a porta de entrada dos Vasos e Nervos. Métodos de Estudo da Polpa Endodôncia é a parte da ciência Odontológica que se ocupa do estudo do interior do dente, ou seja, da Polpa Dentária. Histologicamente, só a partir de 1842 é se prestou maior atenção sistematizada ao estudo do interior dentário. Métodos de Estudo da Polpa Vários métodos de estudo foram idealizados: Mésio-distais Longitudinais I. Os cortes Línguo- vestibulares Transversais A nível do Colo; ⅓ Apical, etc. II. O Método de Desgaste em Pedra Pomes; III. O Rx: como método de estudo revolucionário, que ajudou muito a começar a acreditar na Endodôncia porque até então .... Dente Despulpado = Dente Morto e, por isso, para Extrair! A vantagem ainda da possibilidade de estudo “in vivo”; Rx Métodos de Estudo da Polpa IV. O Estudo por Moldes: com o intento de configurar as relações, as variações e a capacidade (volume) das cavidades dentárias (Moldes de Vulcanite). V. O Método de Injecção de Substâncias Coradas e posterior Diafanização; Substâncias Coradas: Tinta da China, corantes, cetrifugação que reduz o tempo de preparo dos dentes e permite que a tinta vá aos mais ínfimos canais e canalículos. VI. O Estudo do Endodonto por Radioisótopos. Câmara Coronária Constituída por Tecto (com cornos pulpares) Soalho Paredes (V, L, M e D). O Tecto corresponde às faces oclusais/incisais. Os Cornos Pulpares, correspondem às elevações cuspídeas com > ou < aguçamento, conforme a cúspide. Um desgaste de uma cúspide corresponde a uma diminuição do corno pulpar, pela deposição de dentina secundária. Câmara Coronária Os cornos pulpares são tantos quantas forem as cúspides. O Soalho da Câmara está ao nível do plano que secciona o colo, seguindo a linha sinuosa deste. Do soalho, originam-se os prolongamentos radiculares. Nos dentes Monorradiculares do soalho para a entrada nos canais é fácil por comunicação ampla. Nos dentes Plurirradiculados, a comunicação é por vezes difícil pela presença de Ilhas de Dentina por atresia. Canal Radicular É a cavidade contida no interior da raíz dentária e que prolonga a câmara coronária em direcção à extremidade apical. Nos dentes Unirradiculados: Nos dentes Plurirradiculados: Inicia-se no soalho coronário; Normalmente 1 canal para cada raíz; Orifício amplo; Possibilidade de duplicidade canalar Forma: arredondada, ovalar, etc. (parcial; total). A redução do calibre do canal está em dependência da neoformação de dentina, da mesma maneira que acontece poe exemplo, com os cornos pulpares. Esta modificação do calibre leva à modificação da forma do canal. Tipos de Canais mais Frequentes Simples: Rectilíneo (⅓ Apical), Curvilíneo (⅓ Médio), Recurvado (⅓ Basal). Canal Bifurcado: Completo (com 2 aberturas apicais: ⅓ Apical; ⅓ Médio; ⅓ Basal). Incompleto com abertura final única (⅓ Apical; ⅓ Médio; ⅓ Basal). Fusionado: Total; Parcial; Apical esta é a situação em 2 canais, habitual mente independentes, se unem, formando 1 Casos de fusões de raízes. Colateral ou Paralelo: calibre menor que o principal; paralelo ao canal principal; no ápice, forâmen pode ser: único ou duplo. Plexiforme: canal principal + canal ou canais paralelos + canais intercomunicantes formando aspecto de Muralha ou Rede. Atrésico: atrofia radicular; deposição de dentina, maior do que o normal; atresia correspondente da raíz; a terminação pode ser em Buraco Cego. Canais Suplementares São canais de calibre muito pequeno; Podem complicar o tratamento endodôntico ao serem eliminados: foco de infecção; dor; por acessos difíceis. Quando reconhecidos devem merecer atenção no preparo endodôntico. A nomenclatura destes canais é por vezes muito variada mas, esta ao ser representada serve: a) Canal Adventício: abre-se geralmente para a parede lateral. b) Canal Cego: quando o canal adventício não se abre. c) Canal Secundário: origina-se do principal, na região do ⅓ apical e abre-se próximo do forâmen principal. d) Canal Acessório: canal que se origina do canal secundário. e) Canal recorrente: abandona o canal principal e depois de um trajecto > ou <, volta ao mesmo. f) Intercanal: une o canal principal e o colateral ou une os colaterais entre si.. g) Delta Apical: terminação canalicular em muitos ramos, em forma de delta de rio. Evolução das Cavidades Pulpares As dimensões da Câmara e c do Canal, sofrem influências: Idade do dente, Actividade Funcional; História Clínica (doenças...) Tipos de Dentina Primária é depositada até o dente atingir o crescimento máximo; Secundária Esclerosada Novas camadas sobrepostas à primária Dentina reposta em resposta à atricção e em resposta a situações patológicas: dentina secundária, fisiológica e dentina secundária reparadora. a) Dentina Secundária Fisiológica: deposição com o objectivo de manter a integridade da polpa dentária, mantendo as distâncias da polpa às superfícies. Vista ao microscópio, nota-se que os canalículos da secundária, têm direcção diversa da primária, apesar da continuidade. b) Dentina Secundária Reparadora: depositada secundáriamente a processos patológicos como: cárie, bruxismo, erosão. Ao microscópio, os tubos dentinários ou canalículos dispõesm-se ao acaso. A dentina secundária determina diminuição da cavidade pilpar até desaparecimento. Neste caso, a vitalidade permanece graças ao periodonto. Dentina Secundária Esclerosada ou Transparente Aparece em qualquer tipo de dentina anteriormente descrita e em qualquer região do dente. Características: Áreas esbranquiçadas e translúcidas; > teor de cálcio; Semelhante ao esmalte; Mais comum em velhos. Distâncias das Superfícies das várias faces à Câmara Coronária Importância: Para o Protético nas preparações de micropróteses. Para o Endodontista ao intentar penetrar nas cavidades. Nos dentes sem atricção e sem desgaste patológico, foram tomadas as medidas; As tabelas das medições de - Dieulafé-Herpin por um lado - Aprile- Figún por outro. São medições um pouco diferentes mas, isto é o Sinal da Dificuldade das Medições. Deduções Gerais Das faces dos dentes permanentes, a que tem mior distância da superfície à câmara coronária é a face oclusal e suas dimensões vão de um mínimo de 2mm a um máximo de 5,3mm. Das faces vestibulares e linguais, as vestibulares possuem maior distância que as linguais em todos os dentes e vão de 1,5mm a 3mm. As faces proximais são as que apresentam menor distância entre as superfícies e a câmara coronária; E, ambas se equivalem de maneira quase absoluta, variando de 1mm a 3mm. Para um mesmo dente, a face oclusal é a mais espessa; A vestibular é mais que a lingual e as proximais são as mais delgadas de todas. Por ordem decrescente: 1º Oclusal 2º Vestibulares 3º Linguais 4º Proximais. Estudo Individual das Cavidades Pulpares Foi dito atrás, quando se falou dos métodos de estudo do endodonto, que o método dos cortes longitudinais e transversais foi sendo progressivamente substituido pelo método de desgaste. Embora antigos, estes dois métodos a só ou combinados, permitem-nos obter uma ideia aproximada da morfologia das cavidades pulpares. Tipos de cortes I. Longitudinais M-D: a vários níveis. V-L: a vários níveis. II. Transversais a vários níveis. No estudo das cavidades pulpares, deve-se preferir dentes jovens pois, nos dentes muitodesgastados, a câmara coronária e os canais radiculares estão diminuídos de dimensões por efeito da Deposição contínua de Dentina Neoformada. Incisivos Superiores Têm cavidades pulpares muito semelhantes pelo que são estudadas de uma só vez (características comuns; características diferenciais). 2 componentes da cavidade pulpar: CâmaraCoronária e Canal ou Conducto Radicular. A análise das paredes quanto à forma e às curvaturas deve ser tomada com base em ponto imaginário no interior da cavidade (V.g. nós na nossa sala de aulas). Denominações das paredes Aproximadamente iguais às denominações das faces coronárias. - Tecto (por aproximação ao bordo Incisal/Oclusal) Vestibular; - Lingual; Mesial; - Distal; - Soalho Virtual (por aproximação ao Plano Cervical Virtual). Forma das curvas das paredes - Mesial e Distal (ligeiramente convexas cervico-incisalmente e vest.-lingualmente); - Tecto (ligeiramente convexo); - V e L (ligeiramente côncavas cervico-incisalmente e mésio-distalmente); Relações dos diâmetros Coronários: Mésio-Distal > Vestíbulo-Lingual; Evolução da câmara Coronária com o tempo: - Redução do volume; - Desaparecimento dos Cornos; - Perda de limites entre as Paredes. I. Estudo do corte vestíbulo-lingual: - Câmara coronária afilada na extremidade incisal; - Próximo do colo, a câmara é alargada, correspondendo ao Cíngulo; - A partir da zona do Cíngulo diminui ligeiramente e faz-se uniforme até ao ápice, onde se estreita grandemente. II. Estudo do corte mésio-distal: - Câmara alargada; - Nos dentes jovens pequenos, corpos pulpares em correspondência com os dentículos; - Se já há algum desgaste dentário, o tecto é liso com 2 prolongamentos laterais que desaparecerão com deposição de dentina secundária; - Neste corte a câmara destingue-se melhor do canal que no corte vestíbulo-lingual; - O canal radicular é mais largo que no corte vestíbulo-lingual e vai-se afilando com a aproximação do ápice dentário. Particularidades comparativas Incisivos: Central /Lateral Relações dos Diâmetros Coronários: Mésio-Distal → aproximadamente menores vestíbulo-lingualmente no lateral; Câmara Coronária: volumetricamente < no lateral. Raízes: Canais: Incisivo Central Superior: 100% Unicanalar; Incisivo Lateral Superior: 99,9% Unicanalar; Incisivos inferiores Câmara coronária semelhante à dos superiores em: no, forma e posição das paredes; Indubitavelmente, relações dimensionais com predomínio do V/L sobre M/D: - Ilustração clara em corte transversal ao nível do colo; - Um corte a nível de várias alturas da raíz evidencia o achatamento com o pronunciamento dos sulcos (M e D) que progressivamente pode passar de : Assim, a explicação para a possibilidade de 2 canais, possibilidade esta, maior no central inferior por ser menor que o lateral inferior. Raiz / Canais: 58% Unicanalar e 42% Birradicular, sendo 40% Forâmen e 2% Forâmina. I. Estudo do corte mésio-distal: - Câmara coronária estreita não apresentam o alargamento típico dos superiores; - Distinção câmara/canal difícil; - Pela distãncia entre o canal e as superfícies faciais serem tão pequenas, pode haver perfurações na instrumentação. II. Estudo do corte vestíbulo-lingual: - Fino no vértice incisal, alarga-se paulatinamente até ao fim da câmara e então adelgaça-se paulatinamente até ao foramen; - Pelas raízes serem achatadas mesio-distalmente, acontece haver ilhas de dentina que provocam bifurcações/obstruções/orifícios apicais múltiplos ( já vistos em cortes transversais). III. Estudo do corte em secção transversal: O canal radicular é em forma de 8 ou simplesmente achatado lateralmente. Comprimentos relativos Inciso/ Apicais dos Incisivos Maxila 21 mm 20 mm Mandíbula 19 mm 19,5 mm Canino Superior 100% um canal; A cavidade pulpar do canino superior é ampla, principalmente no sentido V/L; É única e acompanha a direcção geral da raíz que é volumosa e longa. I. Estudo do corte mésio-distal: - O tecto da Câmara é pontiagudo à diferença do que acontece com os incisivos; - Câmara estreita, sem limites precisos entre ela e o canal radicular. II. Estudo do corte vestíbulo-lingual: - Câmara começa em ponta mas, alarga-se imediatamente; - No lado lingual pode-se apreciar a dilatação correspondente ao cíngulo/tubérculo; - Sendo os terços cervical e médio da raíz largos, o terço apical afina-se rapidamente até aspecto filiforme característico; - Sendo frequentes os desvios e acotovelamentos da raíz, o canal acompanha tais acidentes; - Orifício apical muito estreito. III. Estudo do corte em secção transversal: Canal radicular ovalar, em geral e arredondada no ⅓ apical; Canino Inferior 94% um canal; 6% dois canais; Cavidade pulpar semelhante à do Canino Sup. I. Estudo do corte mésio-distal: Pode-se dizer que a semelhança ao canino superior é absoluta. II. Estudo do corte vestíbulo-lingual: - Canal radicular menos amplo que o do canino superior; - Presença frequente de ilhotas de dentina no canal; - É frequente que este canal seja duplo, dado o achatamento grande da raíz. III. Estudo do corte em secção transversal: - Forma ovóide: ou quando muito, achatado em clara forma de: Premolares Superiores Os Premolares Superiores diferem muito entre si, pela constante duplicidade radicular do 1o e unicidade radicular do 2o no respeitante ao (s) canal (ais) radicular (ais); O 1º Premolar é duplo em 80% dos casos e quando não há duplicidade da raíz, a raíz única exibe bifidez canalicular total ou parcial. 1º Premolar Superior Câmara Ovalada com achatamento marcado no sentido M-D; 2 cornos pulpares (V e P). Canais Pode ter 1, 2, 3, canais; Quando tem 1 canal, é ovalado, de maior eixo V-P; Quando tem 2 canais, são circulares. Percentagens 1 Canal: 9%; 2 Canais: 85%; 3 Canais: 6%. 2º Premolar Superior Câmara Ovalada ou Elíptica com achatamento M-D; 2 cornos pulpares (V e P). Canais Pode ter 1, 2, 3, canais; Quando tem 1 canal, é ovalado, de maior eixo V-P; Quando tem 2 canais, são circulares de pequeno eixo. Percentagens 1 Canal: 75%; 2 Canais: 24%; 3 Canais: 1%. Premolares Inferiores Os Premolares Inferiores pulparmente são mais iguais entre si que os superiores; Os 2 são unirradiculados, os 2 com raízes achatadas Mésio-Distalmente; O canal radicular fino distingue-se facilmente da câmara. 1º Premolar Inferior Câmara Ovalada e ampla no sentido V-L; 2 cornos pulpares (V e L). Canais Pode ter 1, 2, 3, canais; Quando tem 1 canal, é ovalado, de maior eixo V-L; Percentagens 1 Canal: 73,5%; 2 Canais: 26%; 3 Canais: 0,5%. 2º Premolar Inferior Câmara Elíptica e ampla no sentido V-L; 2 cornos pulpares (V e L). Canais Pode ter 1, 2, 3, canais; Quando tem 1 canal, é ovalado, de maior eixo V-L; Percentagens 1 Canal: 86,5%; 2 Canais: 13%; 3 Canais: 0,5%.