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Prévia do material em texto

Montes Claros/MG - Setembro/2016
Mary Aparecida de Alencar Durães
Matheus Felipe Barbosa e Alves
2ª edição atualizada por
Matheus Felipe Barbosa e Alves
História das 
Sociedades 
Americanas II
2ª EDIÇÃO
2015
Proibida a reprodução total ou parcial. Os infratores serão processados na forma da lei.
EDITORA UNIMONTES
Campus Universitário Professor Darcy Ribeiro, s/n - Vila Mauricéia - Montes Claros (MG) - Caixa Postal: 126 - CEP: 39.401-089
Correio eletrônico: editora@unimontes.br - Telefone: (38) 3229-8214
Catalogação: Biblioteca Central Professor Antônio Jorge - Unimontes
Ficha Catalográfica:
Copyright ©: Universidade Estadual de Montes Claros
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MONTES CLAROS - UNIMONTES
REITOR
João dos Reis Canela
VICE-REITORA
Antônio Alvimar Souza 
DIRETOR DE DOCUMENTAÇÃO E INFORMAÇÕES
Jânio Marques Dias
EDITORA UNIMONTES
Conselho Consultivo
Adelica Aparecida Xavier
Alfredo Maurício Batista de Paula
Antônio Dimas Cardoso
Carlos Renato Theóphilo,
Casimiro Marques Balsa
Elton Dias Xavier
José Geraldo de Freitas Drumond
Laurindo Mékie Pereira
Otávio Soares Dulci
Marcos Esdras Leite
Marcos Flávio Silveira Vasconcelos Dângelo
Regina de Cássia Ferreira Ribeiro
CONSELHO EDITORIAL
Ângela Cristina Borges
Arlete Ribeiro Nepomuceno
Betânia Maria Araújo Passos
Carmen Alberta Katayama de Gasperazzo
César Henrique de Queiroz Porto
Cláudia Regina Santos de Almeida
Fernando Guilherme Veloso Queiroz
Luciana Mendes Oliveira
Maria Ângela Lopes Dumont Macedo
Maria Aparecida Pereira Queiroz
Maria Nadurce da Silva
Mariléia de Souza
Priscila Caires Santana Afonso
Zilmar Santos Cardoso
REVISÃO DE LÍNGUA PORTUGUESA
Carla Roselma Athayde Moraes
Waneuza Soares Eulálio
REVISÃO TÉCNICA
Gisléia de Cássia Oliveira
Káthia Silva Gomes
Viviane Margareth Chaves Pereira Reis
DESENVOLVIMENTO DE TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS
Andréia Santos Dias
Camilla Maria Silva Rodrigues
Sanzio Mendonça Henriques
Wendell Brito Mineiro
CONTROLE DE PRODUÇÃO DE CONTEÚDO
Camila Pereira Guimarães
Joeli Teixeira Antunes
Magda Lima de Oliveira
Zilmar Santos Cardoso
Diretora do Centro de Ciências Biológicas da Saúde - CCBS/
Unimontes
Maria das Mercês Borem Correa Machado
Diretora do Centro de Ciências Humanas - CCH/Unimontes
Mariléia de Souza
Diretor do Centro de Ciências Sociais Aplicadas - CCSA/Unimontes
Paulo Cesar Mendes Barbosa
Chefe do Departamento de Comunicação e Letras/Unimontes
Maria Generosa Ferreira Souto
Chefe do Departamento de Educação/Unimontes
Maria Cristina Freire Barbosa
Chefe do Departamento de Educação Física/Unimontes
Rogério Othon Teixeira Alves
Chefe do Departamento de Filosofi a/Unimontes
Alex Fabiano Correia Jardim
Chefe do Departamento de Geociências/Unimontes
Anete Marília Pereira
Chefe do Departamento de História/Unimontes
Claudia de Jesus Maia
Chefe do Departamento de Estágios e Práticas Escolares
Cléa Márcia Pereira Câmara
Chefe do Departamento de Métodos e Técnicas Educacionais
Káthia Silva Gomes
Chefe do Departamento de Política e Ciências Sociais/Unimontes
Carlos Caixeta de Queiroz
Ministro da Educação
Renato Janine Ribeiro
Presidente Geral da CAPES
Jorge Almeida Guimarães
Diretor de Educação a Distância da CAPES
Jean Marc Georges Mutzig
Governador do Estado de Minas Gerais
Fernando Damata Pimentel 
Secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior
Vicente Gamarano
Reitor da Universidade Estadual de Montes Claros - Unimontes
João dos Reis Canela
Vice-Reitor da Universidade Estadual de Montes Claros - 
Unimontes
Antônio Alvimar Souza 
Pró-Reitor de Ensino/Unimontes
João Felício Rodrigues Neto
Diretor do Centro de Educação a Distância/Unimontes
Fernando Guilherme Veloso Queiroz
Coordenadora da UAB/Unimontes
Maria Ângela Lopes Dumont Macedo
Coordenadora Adjunta da UAB/Unimontes
Betânia Maria Araújo Passos
Autores
Mary Aparecida de Alencar Durães
Graduada em História e Pedagogia pela Universidade Estadual de Montes Claros - 
Unimontes. Mestre em história Social pela Universidade Federal de Uberlândia - UFU. 
Professora do Departamento de História da Unimontes.
Matheus Felipe Barbosa e Alves
Graduado em História pela Universidade Estadual de Montes Claros - Unimontes). 
Mestre em História Social pela Universidade Estadual de Montes Claros - Unimontes).
Sumário
Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9
Unidade 1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .11
As Independências dos Estados Americanos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .11
1.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .11
1.2 A Expansão Territorial Americana . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .11
1.3 A marcha para o oeste. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .15
1.4 A Guerra de Secessão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .19
1.5 Contexto pré-independência da América Latina . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
1.6 A independência da América Espanhola . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .24
Referências. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30
Unidade 2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .33
A Consolidação dos Estados Hispano-Americanos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .33
2.1 Introdução. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .33
2.2 O Caudilhismo e a formação dos Estados Nacionais do Rio da Prata. . . . . . . . . . . . . . .33
2.3 América Central. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .39
Referências. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .51
Resumo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .53
Referências Básicas e Complementares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .55
Atividades de Aprendizagem - AA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .57
9
História - História das Sociedades Americanas II
Apresentação 
Caro (a) acadêmico (a),
Este caderno propõe discutir os movimentos de independência no continente americano e 
a formação das nações americanas. Para isso, abordaremos mais detidamente os casos de alguns 
países e regiões.
Trata-se de um momento crucial na história da América. Trazemos aqui pontos importantes 
de reflexão sobre lutas políticas que fizeram o continente se transformar no “labirinto” político e 
no mosaico cultural que é hoje.
Embarque nessa viagem conosco... Vamos estudar e discutir juntos sobre a história da Amé-
rica e alguns processos de independência.
A disciplina “História das Sociedades Americanas II” tem como objetivos:
• Identificar o cenário político da metrópole espanhola no século XIX.
• Discutir os principais aspectos da crise econômica e política espanhola e as tentativas de es-
truturação do pacto colonial através das chamadas Reformas Ilustradas.
• Analisar os processos de independência de alguns países, comparando suas peculiaridades, 
semelhanças e dinâmicas.
• Analisar o contextode formação das nações latino-americanas, seu desenvolvimento políti-
co, econômico e cultural.
• Entender quais foram as dificuldades no ordenamento político dos novos países.
Para o presente estudo, o conteúdo está organizado em duas unidades: Na Unidade I, “As 
independências dos Estados Americanos”, abordamos o processo de independência dos Estados 
Unidos e sua expansão para o Oeste, bem como a independência da América Espanhola.
Na Unidade II, “A consolidação dos Estados Hispano-Americanos”, discutimos a emergência 
e a consolidação dos Estados Nacionais da América do Sul e da América Central.
O propósito deste material didático é possibilitar ao acadêmico a compreensão das múlti-
plas facetas da América independente e da formação dos Estados Nacionais latino-americanos. 
Utilizamos, para isso, diversos recursos, como mapas, gravuras, indicações de filmes e sites para a 
pesquisa. Bom trabalho!
Os autores.
11
História - História das Sociedades Americanas II
UNIDADE 1
As Independências dos Estados 
Americanos 
Mary Aparecida de Alencar Durães
Matheus Felipe Barbosa e Alves
1.1 Introdução
O tema desta unidade é o processo de independência dos Estados Unidos e da América 
Espanhola. São discutidos os motivos que desencadearam os movimentos de insurgência que 
resultaram na emancipação dos estados americanos e as lutas pela independência, focando os 
aspectos políticos, culturais e econômicos.
No caso dos Estados Unidos, abordamos desde sua independência até sua consolidação en-
quanto Estado Nacional; uma vez que o período pós-independência estadunidense interfere no 
processo de consolidação de outro Estado, o do México.
Analisar a independência da América Espanhola em sua totalidade resultaria numa aborda-
gem excessivamente superficial. Por isso, o foco é dirigido para os casos da América do Sul, devi-
do ao alto grau de inter-relação entre as regiões dessa parte do continente.
1.2 A Expansão 
Territorial 
Americana 
Você já parou para se perguntar por 
que os Estados Unidos são tão superiores 
aos demais países? E como isso foi cons-
truído?
Por que existe esse pensamento de 
que nasceram para vencer? Estavam pre-
destinados sempre à vitória? Através das 
reflexões propostas nos próximos tópicos, 
iremos entender como se deu a formação 
dos Estados Unidos, como eles chegaram a 
ser o que são hoje.
A expansão do território atual dos Es-
tados Unidos da América permite a com-
preensão de um rápido processo de 70 
anos. O território das Treze Colônias ingle-
sas era:
◄ Figura 1: Localização 
das 13 colônias 
à época da 
Independência dos 
Estados Unidos da 
América
Fonte: Disponível 
em <http://vidaati-
va8a04101319.blogspot.
com.br/2012/05/as-tre-
ze-colonias-inglesas.
html>. Acesso em 20 
maio 2015.
12
UAB/Unimontes - 5º Período
Veja no mapa como se deu o processo de expansão para o Oeste do território estadunidense:
Assim, temos hoje os Estados Unidos da América com 50 estados e a seguinte distribuição 
geográfica:
Para a historiadora Mary Junqueira (2001), em sete décadas os EUA alcançaram um cresci-
mento espantoso. Durante este período (1778 – 1848), o território norte-americano multiplicou-se 
11 vezes, numa expansão rápida e violenta, na qual a grande maioria dos indígenas foi dizimada e 
a natureza com seu bioma natural devastada. 
Em 1776, as 13 colônias ganharam o estatuto de 13 estados. Em 1850, outros 19 estados fo-
ram incluídos à união. Na segunda metade do século XIX, mais 18 foram incorporados. Hoje os 
EUA são formados por 50 estados.
Vejamos como foi essa história:
1.2.1 A Independência dos Estados Unidos
A maioria da sociedade colonial estadunidense passou a defender o ideal de emancipação. 
As colônias do norte eram mais fortes, onde já existia uma burguesia que acumulava capital e 
DICA
Os Estados Unidos 
foram o primeiro país 
a se formar e tornar-se 
independente na Amé-
rica. A independência se 
enquadra no rol das “RE-
VOLUÇÕES burguesas 
do século XVIII”. Neste 
mesmo século, outras 
revoluções aconteceram 
e foram influenciadas 
pelos ideais do Iluminis-
mo como a Revolução 
Francesa, Revolução In-
glesa e independências 
Latino-Americanas.
Figura 2: Processo de 
Expansão territorial 
dos Estados Unidos
Fonte: Disponível em 
<http://pt.slideshare.
net/edgardhistoria/
nova-ordem-mun-
dial-1850-5062347>. 
Acesso em 20 de maio 
2015.
►
Figura 3: Mapa dos 
Estados Unidos da 
América nos dias de 
hoje.
Fonte: Disponível em 
<http://pt.wikipedia.org/
wiki/Estados_Unidos>. 
Acesso em 20 maio 2015.
►
13
História - História das Sociedades Americanas II
que defendia a implantação de um sistema de pequenas propriedades. Diferentes das colônias 
do sul, que almejavam a implantação de grandes latifúndios monocultores voltados para a ex-
portação.
Essa burguesia sobrevivia do comércio triangular e acabou comandando o movimento de 
independência. As demais camadas sociais e proprietários do sul estavam também em prol do 
mesmo objetivo.
É importante ressaltar que o processo de independência americana teve grande influência 
das ideias iluministas.
1.2.2 Motivos Gerais que Possibilitaram o Desenrolar da Revolução 
Americana
Antes de tudo, é preciso lembrar, como vimos nos estudos das Sociedades Americanas I, 
que as Treze Colônias Britânicas surgiram em decorrência de dois fatores: disputas religiosas, que 
levaram os denominados Puritanos a fugirem da Inglaterra para o Novo Mundo e o boom demo-
gráfico. Sendo a Inglaterra uma ilha, com o crescimento populacional exponencial gerado pós-
-renascimento urbano e Revolução Industrial, começou a faltar espaço para a população. Assim, 
as colônias se apresentaram como alternativa para a população excedente e sem perspectivas na 
Inglaterra.
O processo de independência das treze colônias deflagra-se, entre outros fatores, devido a:
1. Diferenças entre as colônias e a Inglaterra (geografia, população mais diversa nas colônias).
2. Natureza da colonização por empresas particulares e não a Coroa em si resultou em mais 
autonomia local com a criação, bem cedo, de governos coloniais. 
3. Mudanças no projeto imperial da Inglaterra: descentralização da administração do império 
sob Rei Jorge I (1714-27) e II (1727-60) e crescente autonomia dos mercantes e negócios.
4. Crescentes dívidas do império britânico devido às guerras e à tentativa de transferi-las às 
colônias.
5. Circulação transatlântica de novas ideias sobre o governo, povos e poder, representação de-
mocrática e autonomia política. Influências do Iluminismo, principalmente pelas ideias do 
filósofo inglês John Locke. O filósofo desenvolveu a ideia de um Estado de base contratual. 
Esse contrato imaginário entre o Estado e os seus cidadãos teria por objetivo garantir os “di-
reitos naturais do homem”, que Locke identifica como a liberdade, a felicidade e a prospe-
ridade. Para o filósofo, a maioria tem o direito de fazer valer seu ponto de vista e, quando o 
Estado não cumpre seus objetivos e não assegura aos cidadãos a possibilidade de defender 
seus direitos naturais, os cidadãos podem e devem fazer uma revolução para depô-lo. Ou 
seja, Locke é também favorável ao direito à rebelião (KARNAL, 2008, p.81). Como sabemos 
essas ideias liberais atravessavam o oceano e frutificavam nas colônias, onde encontravam 
terreno fértil, passando a fazer parte da tradição política, também no novo mundo.
ATIVIDADE
Pesquise sobre a 
declaração dos direitos 
humanos e sua relação 
com a independência 
dos EUA. Falar ainda so-
bre as influências dessa 
declaração no restante 
do mundo. Poste seus 
achados no fórum de 
discussão.
ATIVIDADE 
Pesquise sobre o ilu-
minismo, fazendo um 
paralelo com a Indepen-
dência dos EUA. Vamos 
debater sobre o assunto 
no fórum.
◄ Figura 4: Comércio 
Triangulardas 13 
colônias americanas
Fonte: Disponível em 
<http://historiabosj.
blogspot.com/2008/04/
post-1-hegemonia-e-
conmica-britnica.html>. 
Acesso em 29 nov. 2010. 
14
UAB/Unimontes - 5º Período
1.2.3 Motivos mais Imediatos da Independência das Treze Colônias
A Inglaterra adotou para com as suas colônias na América uma postura denominada poste-
riormente de negligência salutar. No entanto, após a Guerra dos Sete anos, onde lutou contra a 
França pelo domínio do Canadá, mesmo saindo vitoriosa, a Inglaterra encontrava-se devastada 
economicamente. Buscando reestruturar sua economia e manter seu prestígio global de grande 
potência, a política de negligência salutar é rompida, e na década de 1760 ocorrem vários au-
mentos em impostos com uma resistência passiva por parte dos colonos.
Essa resistência passiva consistia em boicotes de produtos ingleses, abaixo-assinados, pro-
testos e as tavernas e botecos se tornaram lugares de discussão e debate. As tensões se acirra-
vam cada vez mais e, em 1770, cinco manifestantes foram mortos em Boston, fato que levou ao 
fim da fase de resistência passiva. Um dos principais impostos cobrados era sobre o chá. Assim, 
em 1773, colonos fantasiados de nativo-americanos, invadiram embarcações britânicas aporta-
das em Boston e destruíram todo o carregamento de chá, lançando-o ao mar. Esse episódio é 
conhecido como Festa do chá de Boston.
A destruição do carregamento de chá levou à promulgação dos Atos de Coerção em 1774, 
o que restringia ainda mais o comércio colonial. Estes Atos de Coerção tiveram como resposta o 
Primeiro Congresso de Filadélfia, reunião em que os líderes coloniais elaboraram uma série de 
pedidos à metrópole para aceitarem a taxação de impostos e demais imposições às colônias. 
O parlamento inglês hesitou frente às reivindicações dos colonos e os atos da Inglaterra pre-
judicaram todas as classes sociais das colônias, o que une os colonos que, no Segundo Congres-
so de Filadélfia, declararam a independência dos Estados Unidos da América que já se encon-
trava lutando contra a Inglaterra. Os franceses, amargurados com a derrota na Guerra dos Sete 
anos, auxiliam os colonos em sua luta, esse auxílio catalisou o processo de Revolução que eclo-
diu na França em 1789.
Guerra entre estadunidenses e ingleses perdurou até que muitos erros militares praticados 
pelos ingleses por determinação dos Patriotas, a guerra terminou em 1883 com a vitória dos ex-
colonos, agora membros de uma nova nação.
1.2.4 Como os Movimentos de Independência Ocorreram
• Vinte anos de debates políticos e muitas tensões entre classes (até revoltas das classes ditas 
baixas) sobre o que a revolução significava (1776-1795).
DICA
Para aprofundar os estu-
dos, assista ao filme “O 
Patriota” (2004). A obra 
protagonizada por Mel 
Gibson, narra a história 
de um homem que vê 
sua família ameaçada 
quando os ingleses 
buscam suprimir a ten-
tativa de Independência 
dos Estados Unidos. 
Ele, então, entende 
que a única forma de 
defender a sua família é 
lutar contra os britâni-
cos. Essa obra cinema-
tográfica traz muito 
do contexto da guerra 
pela independência 
americana.
Figura 5: Capa do DVD 
do filme “O Patriota”
Fonte: Disponível em 
<http://accapasfil-
mes.blogspot.com.
br/2008/02/o-patriota.
html>. Acesso em 16 jun. 
2015.
►
15
História - História das Sociedades Americanas II
• Ampla participação de praticamente todas as camadas da sociedade nos debates sobre o 
novo governo, a Constituição, o futuro do país, e a eventual consolidação do poder de uma 
burguesia mercantil.
• Cem mil pessoas fugiram para a Inglaterra e Canadá. 
• Sentimentos revolucionários abriram espaços políticos para críticas sobre a escravidão; es-
cravos fugiram e muitos questionaram a escravidão; estados nortistas aboliram a escravi-
dão; clarearam as contradições entre os ideais de liberdade e a realidade de cativo.
• A Revolução foi ruim para os povos indígenas: facilitou a expansão para o oeste e as terras 
indígenas foram tomadas.
• Abertura propensa a críticas com relação ao papel restrito da mulher, que desempenhou 
funções importantes na guerra; as restrições legais continuaram, mas reforçou-se o papel da 
mulher como mãe.
• A Revolução Americana influenciou a Revolução Francesa, a Revolução no Haiti, e as Inde-
pendências latino-americanas.
1.2.5 Historiografia da Independência dos EUA ou Revolução 
Americana
Interpretações principais: 
1. A Revolução como evento intelectual e político, enfatizando elites e líderes políticos (Ed-
mund Morgan e Bernard Bailyn). 
2. Nova historiografia: interpretações econômicas, as tensões socioeconômicas das massas, 
mercantes, etc. (Ray Raphael, Howard Zinn).
3. Existe muito mais interesse hoje no papel de artesãos, mulheres, povos indígenas, escravos 
(Woody Holton, Linda Kerber, Pauline Maier).
4. Gordon Wood: revolução não causada pelo conflito de classes, mas que resultou na quebra 
de ideias de deferência e ideais patriarcais.
5. Gary Nash: combinação de evento político/intelectual e socioeconômico. 
1.3 A Marcha para o Oeste
A expansão em números
• As treze colônias à época da Revolução Ameri-
cana possuíam 835.202 km quadrados de ex-
tensão. Em 1848 aumentaram para 9.363.292 
km quadrados em extensão.
• O território multiplicou-se 11 vezes. Eram 13 
estados em 1876; 32 estados em 1850; 50 es-
tados em 2007.
• Em 1820, cerca de 120.000 índios moravam na 
região leste do rio Mississippi; No ano de 1844, 
restavam menos de 30.000 índios. 
• Nos anos 1880, as últimas nações indígenas 
foram conquistadas.
Por que era preciso expandir?
Como já vimos, a expansão para o oeste era 
algo que já habitava os pensamentos dos estadunidenses. O fato de acreditarem que eram pre-
destinados à vitória, à ascensão e ao progresso era algo que carregavam, e que carregam até os 
dias atuais. O nacionalismo americano, juntamente com a missão civilizadora, sem dúvida, são 
motivos fortíssimos para a expansão. Fora essas questões, vários outros fatores envolviam a ex-
pansão, entre eles: a necessidade de aquisição de novas terras devido à pressão demográfica na 
costa leste dos EUA, pois já era do conhecimento dos norte-americanos a existência das terras 
agrícolas ricas no oeste. Além disso, a mineração, a corrida do ouro na Califórnia, em 1848 e nos 
Figura 6: “American 
Progress”.
Fonte: Disponível em 
<http://picturinghistory.
gc.cuny.edu/item.php?i-
tem_id=180>. Acesso em 
out. 2010.

16
UAB/Unimontes - 5º Período
estados da Dakota do Norte e Sul, nos anos 1870. A necessidade de construção de ferrovias, a 
crescente industrialização e pressão para novos mercados e matérias-primas, as ideias agrárias 
surgidas depois da Revolução Americana (os EUA surgem como um país de pequenos proprie-
tários). O crescente racismo: “o ônus do homem branco”, os povos indígenas eram vistos como 
“selvagens” ou “crianças inocentes”. E, por fim, o poderio e rivalidade militar dos EUA contra a In-
glaterra, França e Espanha. Os EUA precisavam expandir e aparecer perante o cenário mundial, 
nem que, para isso, fosse preciso fazer limpeza étnica, provocar guerras, matar índios e destruir a 
natureza.
BOX 1
Destino Manifesto
A doutrina do "Destino Manifesto" é uma filosofia que expressa a crença de que o povo 
dos Estados Unidos foi eleito por Deus para comandar o mundo, sendo o expansionismo geo-
político norte-americano apenas uma expressão desta vontade divina.
Em meio a esta ideia de predomínio mundial norte-americano estava também a ideia do 
destino norte-americano de predominar sobre os povos da América Latina, pois estes esta-
vam localizados no mesmo continente e não tinham desenvolvido a capacidade de exercer 
domínio sobre outros povos, o que era sintetizado em "Be strong while having slaves", frase 
de propaganda políticado século XIX que tinha como principal objetivo demonstrar o quanto 
a cultura dos EUA era atraente e digna de apreço, fazendo uma imagem de que o país seria 
o melhor do mundo, com os melhores e mais preparados indivíduos, e, em última instância, 
fazer com que os cidadãos de outros países passassem a desprezar suas próprias pátrias, ado-
rando o ideal americano de progresso e superioridade.
A frase é creditada ao jornalista nova iorquino John L. O'Sullivan na sua publicação de ju-
lho/agosto de 1845, United States Magazine and Democratic Review, em um ensaio intitulado 
"Annexation", tratando da questão do Texas, e sua iminente adesão à União.
O termo seria perpetuado através do tempo, justamente pelas ações político-militares 
norte-americanas, que pareciam seguir à risca tal orientação, tornando-se bastante apropria-
do para descrever a expansão territorial deste país, que se deu, primeiramente, na segunda 
metade do século XIX, em meio à anexação do norte do México aos EUA, e, depois, no fim do 
mesmo século, com a guerra contra a Espanha. A própria imprensa do país iria se utilizar far-
tamente deste conceito, utilizando-o para defender as atitudes muitas vezes arbitrárias de seu 
governo.
O uso desta doutrina seria oficialmente abandonado em 1850, apenas para ser revivi-
da em 1880, passando então a ser amplamente utilizada pelos políticos da época, em meio 
à corrida colonial promovida pelas potências europeias. Após a realização de suas ambições, 
tanto o meio político como a mídia norte-americana, em geral, irá mais uma vez "enterrar" a 
doutrina, embora muitos especialistas acreditem que certas ideias do Destino Manifesto fa-
çam parte do ideário político-militar estadunidense até hoje, estando presente em muitas das 
ações unilaterais controversas realizadas pelo seu governo através das décadas. Como prova 
de tal persistência dos ideais do Destino Manifesto dentro da esfera de poder máxima do país, 
é flagrante observar os conceitos postos em discursos de líderes norte-americanos através do 
tempo, com destaque para as palavras de James Buchanan, em seu discurso de posse como 
presidente norte-americano, em 1857, e as de Colin Powell, secretário de estado do governo 
George W. Bush, em 2004:
A expansão dos Estados Unidos sobre o continente americano, desde o Ártico até a Amé-
rica do Sul, é o destino de nossa raça (...) e nada pode detê-la". - Buchanan.
"O nosso objetivo com a Alca é garantir para as empresas norte-americanas o controle de 
um território que vai do Pólo Ártico até a Antártida". - Powell.
Fonte: Disponível em <http://www.infoescola.com/filosofia/destino-manifesto/>. Acesso em 22 maio 2015.
1.3.1 Mecanismos de Expansão
A historiadora Mary Junqueira (2001) traçou bem os caminhos que fizeram com que os EUA 
se formassem tão rapidamente. 
17
História - História das Sociedades Americanas II
Em 1750 ocorre a primeira penetração antes da independência: foram estabelecidos povoa-
mentos no noroeste, na região das cabeceiras do rio Ohio. Mais tarde, a região foi demarcada 
como o território de Ohio, o décimo sexto estado anexado em 1803. A segunda penetração para 
o interior ocorreu após a vitória inglesa na Guerra Franco-Índia, em 1767. Daniel Boone partiu 
da Virgínia, atravessou os Apalaches e penetrou os imensos territórios que viriam a ser o estado 
do Kentucky, o 15º estado que seria depois anexado aos demais. Logo mais, em 1770, os Green 
Mountain Boys (Rapazes da Montanha Verde) cruzaram o rio Connecticut e se estabeleceram nas 
Colinas mais ao norte do estado, em Vermont (demarcado entre os estados de Nova York e nova 
Hampshire). Este foi o 14º estado que, posteriormente, foi anexado aos demais. Em 1787 o Con-
gresso Continental arrastou a linha mais para o oeste. A partir daí, os limites do novo país chega-
vam até o rio Mississippi. Vale lembrar que o primeiro esforço governamental em mapear uma 
grande porção de terra partiu de Thomas Jefferson, Presidente em 1801. Em 1803, num acordo 
com os franceses, Jefferson comprou o imenso território da Louisiana (região que pertenceu ao 
império espanhol).
Até o início do século XIX, a Flórida era território dos espanhóis, o que despertou inquie-
tação dos norte-americanos do sul. A Flórida, região estratégica, funcionava como porta de en-
trada do Atlântico e do Caribe e era considerada por eles uma “continuidade natural do estado 
da Geórgia” e, por vários outros motivos, a penetração estadunidense na Flórida era vista como 
inevitável. (JUNQUEIRA, 2001). Além da Flórida, o grupo que liderava a colonização do Ohio cla-
mou também pela anexação do Canadá. Assim, tanto o Canadá, ao norte, quanto a Flórida, ao 
sul, tornaram-se territórios reivindicados pelos norte-americanos. Em 1817, incursões de índios 
vindos da Flórida, em direção ao território norte-americano, fizeram com que Andrew Jackson 
entrasse na região de domínio espanhol com o objetivo de “conter os intrusos”. Por um tratado 
assinado em 1819, mas só ratificado em 1822, a Flórida passava definitivamente para as mãos es-
tadunidenses em troca de cinco milhões de dólares pagos à Espanha. A anexação do Canadá não 
se realizou. Andrew Jackson (1829-1837) foi escolhido por voto popular em dois mandatos presi-
denciais consecutivos. Sua política igualitarista era voltada para o expansionismo. O Presidente 
estabeleceu, em 1830, o Indian Removal Act (Ato de Remoção Indígena). Foi ele o responsável 
pela conhecida Trial of Tears (Trilha de lágrimas), nome dado pelos Cherokees à jornada forçada 
de seu povo da Geórgia em direção à reserva a eles destinada para além do rio Mississipi, em 
Oklahoma (JUNQUEIRA, 2001).
Em 1839, várias nações indígenas, entre elas os Creek, os Choctaw e os Chickasaw, haviam 
sido removidas para reservas além Mississipi. Jackson, responsável pela remoção indígena, de-
fendia as reivindicações dos pequenos fazendeiros às quais o índio era o principal entrave. Foi 
também responsável pela maior desestruturação da vida comunal indígena, na primeira metade 
◄ Figura 7: Trilha de 
Lágrimas
Fonte: Disponível em 
<http://mapoftheuni-
tedstates.wordpress.
com/2008/04/08/trail-of-
tears-map/>. Acesso em 
29 nov. 2010. 
18
UAB/Unimontes - 5º Período
do século XIX. Em 1820, aproximadamente 125 mil índios vi-
viam a leste do Mississippi, 75% deste total acabaram remo-
vidos do seu local de origem e , em 1844, menos de 30 mil 
indígenas viviam naquela região. Os que ali permaneceram 
encontravam-se em um local ermo e com invernos rigorosos, 
próximo ao Lago Superior (FERNANDES; MORAIS, 2008). Com 
a remoção dos índios, cerca de 40 milhões de hectares fica-
ram livres para os estadunidenses “brancos”. Hoje é consenso 
entre os historiadores que a remoção dos índios, “a limpeza 
do território” foi realizada pelas tropas federais – a famosa 
Cavalaria - e por fazendeiros e grandes especuladores que ti-
nham interesses nos imensos territórios ainda não ocupados 
pelo “homem branco” (FERNANDES; MORAIS, 2008).
1.3.2 Destino Manifesto
Os norte-americanos, de certa forma, se achavam um povo eleito, com uma missão a cum-
prir. Esse sentimento advinha de uma concepção nacionalista que se apoiava na ideia de Direito 
Natural, concedido pela divina providência àquele país, de tomar para si toda a parte continental 
do território atual América do Norte. “Era como se houvesse uma ‘predestinação geográfica’. Gru-
pos norte-americanos se viam com direito de se apropriarem (por compra ou simples anexação) 
de territórios que não pertenciam aos Estados Unidos até então”. Afinal, consideravam-se um 
povo eleito, com direito à terra prometida (JUNQUEIRA, 2001).
Baseados nessas ideias, os norte-americanos se viam como detentores de uma cultura com 
valores superiores em relação aos outros povos (FERNANDES; MORAIS, 2008). Em diversos mo-
mentos, foram aclamados os “Direitos dos Estados Unidos”, e negados os de outros povose paí-
ses. Os norte-americanos, afirmando-se como possuidores de um preeminente valor social, uma 
missão excelsa, acreditavam estar predestinados a civilizar qualquer território classificado (por 
eles mesmos!) como bárbaro e inculto (JUNQUEIRA, 2001).
1.3.3 Anexação do Texas
O Texas era território mexicano em 1830, mas havia colonos estadunidenses presentes na 
região. Conquistou sua independência entre 1836-1846: tornou-se a República da Estrela Solitá-
ria e adotou uma Constituição muito semelhante à norte-americana. O governo mexicano não 
reconheceu a independência do Texas, considerando-a como um ato de agressão pelos EUA, 
rompendo as relações diplomáticas com o vizinho do norte. De 1846 a 1848, mexicanos e norte-
-americanos pegaram em armas pela posse do Texas. Com o conflito, houve a vitória decisiva dos 
Estados Unidos, na qual o México perdeu metade do seu território – O que hoje é a Califórnia, 
Novo México, Arizona e partes de Oklahoma, do Colorado, de Utah e Idaho, eram territórios per-
tencentes ao México e ganhos à força pelos Estados Unidos. Após o Texas, foi a vez dos imensos 
territórios do Oregon e Alasca, no Pacífico. Em 1848, após alguns acordos, o Oregon foi incorpo-
rado ao território norte-americano. O Alasca foi comprado da Rússia em 1847.
 Os anglo-saxões viam os mexicanos como a antítese dos estadunidenses. “Reforçava-se a 
identidade protestante norte-americana em oposição aos católicos mexicanos” (JUNQUEIRA, 
2001). Ainda, para esta historiadora, foi criada uma lenda sobre o Oeste, construía-se uma visão 
romanceada e mítica do acontecimento. O pioneiro do self made man era tratado como um he-
rói rústico, que havia desenvolvido força física no duro trabalho no campo. Com isso, garantia 
tenacidade de caráter e ação determinados – atributos que formavam o “homem de ação” que 
construía a nação norte-americana. Com essa versão mítica do homem do oeste, justificava-se 
a tomada de territórios e se escamoteava a extrema violência com que foi realizada a anexação 
e, por outro lado, impulsionava para que pessoas originais do Leste se estabelecessem nas ter-
ras conquistadas. Durante a “Conquista do Oeste”, territórios mexicanos foram tomados, índios 
massacrados, milhões de bisões exterminados e a natureza devastada sem piedade (JUNQUEIRA, 
2001). Assim, o estadunidense transformou-se em um agente de transformação da paisagem do 
oeste.

Figura 8: Trilha de 
Lágrimas, The Granger 
Collection, New 
York, reproduzida 
por National Public 
Broadcasting System
Fonte: Disponível em 
<http://www.pbs.org/
wgbh/aia/part4/4h1567.
html> Acesso em out. 
2010. 
DICA 
A invenção da Calça 
Jeans: narra-se que, du-
rante a corrida do ouro, 
um europeu chamado 
Levi Strauss chegou à 
Califórnia com peças de 
panos grosseiros, resis-
tentes e que desbota-
vam pelo seu tingimen-
to artesanal. O objetivo 
de Strauss era vender o 
tecido para confecção 
de barracas para os 
mineiros. Alguém então 
informou ao vendedor 
que, na verdade, os 
homens precisariam 
de calças mais resis-
tentes, uma vez que as 
que usavam rasgavam 
constantemente na lida 
da mineração. Strauss 
inventou, com aquele 
tecido, uma calça com 
costuras reforçadas e 
com rebites nos bolsos 
e em outras partes em 
que mais se rasgava 
a antiga roupa dos 
mineiros: a calça jeans 
(JUNQUEIRA, 2001).
19
História - História das Sociedades Americanas II
1.4 A Guerra de Secessão
Como vimos, durante a expansão para o oeste, os EUA obtiveram um rápido crescimento 
populacional decorrente também da anexação de territórios adquiridos. Os contrastes desenvol-
vimentistas entre o norte e o sul, como veremos a seguir, agravaram-se, desembocando numa 
guerra civil que certamente você, cursista, já ouviu falar: a Guerra de Secessão, considerada a 
guerra mais letal e mais custosa da história dos Estados Unidos. Morreram mais de 600 mil nor-
te-americanos. Se formos olhar a Guerra do Vietnã, o número de baixas oficiais foi de 58 mil mor-
tos. Secessão, neste caso, significa divisão. 
A casa estava dividida por causa dos conflitos entre o norte e o sul. Dentre outras conquistas 
e transformações, o conflito serviu para forjar certo sentimento de identidade nacional baseada 
na superioridade do “Mundo do Norte”.
1.4.1 Vamos Refletir Sobre este Episódio da História dos EUA
Ainda que unidos em nome de causas comuns como as guerras contra o México, as invasões 
a oeste e também o sentimento de imperialismo e a vontade de expandir seus estilos de vida 
para áreas maiores, o Sul queria aumentar seu império do algodão e da escravidão, e o Norte, a 
expansão das chamadas terras livres (FERNANDES; MORAIS, 2008).
DICA
Daniel Boone foi o 
primeiro “homem co-
mum” a desobedecer às 
ordens da coroa inglesa 
antes da independên-
cia, em 1767, e atra-
vessar os Apalaches, 
iniciando o bolsão 
de povoamento que 
originou o estado de 
Kentucky. Vale lembrar 
que o herói era um exí-
mio caçador de animais 
e de índios (JUNQUEIRA, 
2001).
◄ Figura 10: Guerra e 
secessão ou Guerra 
Civil Americana.
Fonte: Disponível em 
<http://www.passeiweb.
com/na_ponta_lingua/
sala_de_aula/historia/
historia_da_america/es-
tados_unidos/eua_guer-
ra_secessao>. Acesso em 
29 nov. 2010. 
◄ Figura 9: Bisão – alvo 
do extermínio no oeste 
americano.
Fonte: Disponível em 
<http://vidaanimal.
hdfree.com.br/america-
donorte.html>. Acesso 
em 29 nov. 2010. 
20
UAB/Unimontes - 5º Período
QUADRO 1 - Diferenças entre o Sul e o Norte
Estados do Sul Estados do Norte
Sistema de plantation Trabalhadores livres assalariados
Escravista senhorial Pequenos proprietários
Escravo como mercadoria Classe média nascente
Inseridas no sistema capitalista Mais avançadas na indústria
 Ideia de superioridade do homem branco Ideia de superioridade do homem branco
Negros fora das decisões políticas e vítimas 
de preconceito
Negros fora das decisões políticas e vítimas 
de preconceito
Fonte: Elaboração própria.
Durante a Secessão, os escravos utilizaram a Guerra Civil do melhor jeito que podiam para 
tornarem-se livres: cada vez que uma tropa do Norte invadia uma região confederada, um enor-
me contingente de negros fugia das fazendas e, dessa maneira, colaborava para o desmorona-
mento do sistema escravista (FERNANDES; MORAIS, 2008).
Em 1850, observava-se que o Norte era bem mais populoso e o Sul possuía mais força polí-
tica no governo federal. Os sulistas queriam estender a escravidão aos novos territórios conquis-
tados pelos Estados Unidos. O território do Kansas tornou-se um verdadeiro palco de disputas 
políticas em torno do controle político da região, além de ficar amplamente aberto aos imigran-
tes que acabavam apresentando posturas pró e contra o regime da escravidão (FERNANDES; MO-
RAIS, 2008). 
1.4.2 A Guerra
A Guerra Civil foi um conflito de grandes proporções na história dos Estados Unidos. Envol-
veu as colônias do Norte e do Sul e tornou-se ainda mais grave pelas anexações do Oeste. Os 
novos estados incorporados, que adotaram o regime escravista, faziam a balança pender pelo 
lado do Sul. Foram 625 mil mortes. Para se ter uma ideia da proporção dessa guerra, os norte-a-
mericanos mortos superam o número de baixas somadas de todas as guerras do século XX que 
tiveram a participação dos Estados Unidos (JUNQUEIRA, 2001).
DICA 
Assista ao filme “E 
o vento levou” que, 
segundo a historiadora 
Mary Junqueira, o mun-
do da honra dos nobres 
e cavaleiros do Sul havia 
sido varrido pelo vento, 
no curto espaço de cin-
co anos. Mundo distinto 
e elegante, construído 
por homens galantes e 
mulheres voluntariosas. 
Assim era retratado 
o célebre Old South 
(Velho Sul).
A aura romântica e 
nostálgica relaciona-
se em grande parte à 
ideia de que o conflito 
já estava irremediavel-
menteperdido para o 
Sul, antes mesmo de a 
guerra começar. Tem-se 
a impressão de que a 
vitória do Norte sobre o 
Sul era absolutamente 
inevitável, como se esti-
vesse determinado pela 
História que um mundo 
“industrial e moderno” 
venceria inexoravel-
mente o mundo “agrário 
je atrasado”, o qual não 
tinha mais lugar num 
tempo de mudanças em 
ritmo vertiginoso.
Figura 11: Anúncio 
do filme “E o vento 
levou”.
Fonte: Disponível em 
<http://www.adoro-
cinema.com/filmes/
filme-27782/curiosida-
des/>. Acesso em 16 jun. 
2015.
►
21
História - História das Sociedades Americanas II
As elites do Norte não queriam “perder” o Sul, fornecedor de matéria-prima e devedor dos 
bancos nortistas desde o comércio triangular. O objetivo do Norte com o enfrentamento não era 
pôr fim à escravidão, mas evitar, de qualquer maneira a secessão, a divisão dos Estados Unidos da 
América em dois países. Os interesses políticos de alguns poucos brancos, senhores proprietários 
de escravos, porém poderosos, conduziram o país a uma guerra devastadora.
Os principais combates se concentraram nas capitais – Washington, da união, e Richmond, 
dos confederados – o objetivo, como sempre, observado em outras guerras, era atacar o lugar 
onde estavam estabelecidas as instituições governamentais que se queria destruir ou então do-
minar. O Sul queria autonomia com relação ao Norte para defender os seus interesses e o regime 
escravista. O Norte estava mais bem equipado que o Sul e defendia o projeto “industrial”. Foi uma 
guerra desigual.
Então, por que o Sul foi tão obstinado para a guerra? Por que os fazendeiros sulistas acredi-
taram estar defendendo a própria terra, seu estilo de vida e suas tradições? Como esses fatores 
dependiam da manutenção da escravidão, não admitiam que essa instituição fosse ameaçada e 
buscaram garantir sua independência política.
Em 1862, Abraham Lincoln acabou cedendo, declarando a escravidão abolida, em virtude 
do prolongamento da guerra, da pressão dos abolicionistas, das dificuldades advindas da ine-
xistência de regras para lidar com escravos que se refugiavam no Norte e do fato de os negros 
lutarem nas forças da União.
Depois de várias batalhas, derrotas e baixas dos dois lados, e após o bloqueio naval que o 
Norte impôs ao Sul – impedindo o acesso aos bens manufaturados e outros produtos – o conflito 
chegou ao seu momento decisivo em uma pequena cidade da Pensilvânia chamada Gettysburg, 
quando o equilíbrio de forças pendeu definitivamente para o lado da União.
Na batalha de Gettysburg (julho de 1863), considerada a mais dramática da Guerra civil, 90 
mil soldados do Norte encontraram-se com 70 mil soldados do Sul. Durante três dias, os confe-
derados lançaram-se contra as trincheiras da União, sendo massacrados aos milhares. Na invasão 
do Cemetery Ridge, o poder da União pelo exército Sulista resultou numa perda de 28 mil ho-
mens, entre mortos e feridos. As baixas nortistas não foram menores – 22 mil homens.
Quatro meses após os combates de Gettysburg, esse campo de batalha foi consagrado ce-
mitério nacional.
Eis aqui um importante documento da história norte-americana:
O discurso de Lincoln pós-batalha de Gettysburg:
Há 87 anos nossos pais criaram neste continente uma nova nação, concebida em liberdade e de-
dicada à afirmação de que todos os homens foram criados iguais (...). Estamos agora empenhados 
numa grande guerra civil, verificando se aquela ou qualquer outra nação assim concebida e consa-
grada pode subsistir por muito tempo. Encontramo-nos num grande campo de batalha da mesma 
guerra. Viemos inaugurar parte desse campo como sítio de repouso dos que aqui deram suas vidas 
para que a nação pudesse viver (...) – que aqui resolvamos que esses mortos não morreram em vão 
– que esta nação, sob as vistas de Deus, tenha um renascimento de liberdade – e que o governo do 
povo, pelo povo, para o povo não seja eliminado da terra.
1.4.3 Resultados da Guerra
• Morte de 600 mil norte-americanos.
• O Conflito serviu para criar o mito de 
Lincoln como grande estadista defen-
sor da liberdade.
• Emancipação dos escravos.
• Milhares de pessoas morreram, milha-
res ganharam a liberdade, milhões de 
pessoas lutaram nas mais indignas con-
dições.
• Após a Independência de 1776, a na-
ção estava incompleta e só foi decidi-
damente formada com o fim da Guerra 
Civil.
• Em 9 de abril de 1865, o Sul rendia-se 
diante da vitória militar da União.
◄ Figura 12: Ku Klux Klan 
Fonte: Disponível em 
<http://www.historiado-
mundo.com.br/curiosida-
des/ku- klux-klan.htm>. 
Acesso em 29 nov. 2010. 
22
UAB/Unimontes - 5º Período
• Abraham Lincoln é assassinado, por um simpatizante dos confederados, aos gritos de “O Sul 
está vingado”. Deu-se assim a construção de Lincoln como herói nacional e fundador da na-
ção.
Hoje se pode perguntar: como um país como os Estados Unidos, apologista da liberdade 
individual, mantinha milhões de negros em regime de escravidão? Como falar de igualdade e 
democracia com tantos homens e mulheres escravizados? Para a grande maioria dos homens 
brancos daquela época, igualdade, democracia e liberdade eram princípios que orientavam os 
“homens civilizados e educados” – naturalmente, apenas os homens brancos (JUNQUEIRA, 2001).
Com o fim da Guerra Civil, surgiram no país organizações ilegais, secretas, constituídas por 
homens brancos. Eram os cavaleiros da Camélia Branca, a Irmandade Branca, a Associação 76 e 
a bem estruturada Ku Klux Klan. Essas associações procuravam intimidar os negros por meio de 
assassinatos, linchamentos e espancamentos.
A organização de princípios da Ku Klux Klan data de 1868 e afirmava que pretendia ”garantir 
socorro aos sulistas derrotados”, opondo-se à igualdade do negro, tanto social quanto política, 
defendendo o governo de um homem branco no país e a manutenção dos direitos constitucio-
nais do Sul (JUNQUEIRA, 2001).
Com relação à Ku Klux Klan, diz Junqueira (2001):
(...) uma instituição de Cavalheirismo, Humanidade, Misericórdia e Patriotismo; 
(...) cujos objetivos peculiares são (...) proteger os fracos, inocentes e indefesos 
contra as indignidades, injustiças e ultrajes dos sem-lei - violentos e brutais -, 
acudir os injuriados e oprimidos, socorrer os sofredores e infelizes e, sobretudo, 
as viúvas e órfãos de soldados confederados (JUNQUEIRA, 2001, p. 53).
1.5 Contexto Pré-Independência 
da América Latina 
A Espanha, durante o século XVIII, passava por uma crise econômica e política. A crise eco-
nômica resultou da forma de exploração colonial que a Metrópole havia desenvolvido denomi-
nada “metalismo” ou “bulhonismo”. Esta foi uma época de esgotamento das minas do Peru e do 
México. A prata desestimulou o crescimento da incipiente manufatura espanhola, provocando 
inflação, dependência do abastecimento externo e fuga dos capitais.
A crise política foi desencadeada pela morte do Rei Carlos II, decretando o fim da dinastia 
dos Habsburgos, que resultou em um longo período de guerras na Europa (WASSERMAN, 2003, 
p.120).
O sistema colonial em crise
O Tratado de Utrech, de 1713, possibilitou à Inglaterra, enclaves espanhóis, como Nápoles e 
o estratégico rochedo de Gibraltar, que guardava a entrada do Mediterrâneo; mais importantes 
foram ainda os favorecimentos coloniais aos ingleses, que adquiriram o direito aos asientos (for-
necimento de escravos) e permisos (colocação de produtos manufaturados) nas colônias ameri-
canas da Espanha (WASSERMAN, 2003, p.120).
A Espanha ficou subordinada às principais potências europeias ao iniciar-se o século XIX: 
uma subordinação de natureza política em relação à França, que até acontecer a Revolução Fran-
cesa se constituiria no principal aliado dos espanhóis contra as pretensões dos ingleses. Outra de 
natureza econômica, justamente em relação à Inglaterra, que cada vez mais iria interferirnaquilo 
que, até então, fora o “exclusivismo comercial” da Espanha. Sendo assim, um conjunto de refor-
mas seria feito nas colônias e na Espanha, em busca de uma possível recuperação de poderio 
econômico e político.
Outros acontecimentos gerais contribuíram fortemente para a crise, tais como:
A Revolução Americana (1770-1780) foi um exemplo de rebelião colonial, juntamente com 
ideais revolucionários iluministas de liberdade. As revoluções, até então, eram rejeitadas pelas 
elites criollas na América, por acharem o projeto bastante radical. A revolução dos escravos na 
ilha francesa de São Domingo, na década de 1790, liderada por Toussaint L’overture, resultou, em 
1804, na República Independente do Haiti, fato único na história da América, por se constituir 
ATIVIDADE
Pesquise mais sobre a 
KU KLUX KLAN. E sobre 
demais organizações 
intolerantes que exis-
tiram e ainda existem 
nos EUA. Aproveite este 
momento de reflexão 
para fazer comparações 
entre o passado e o 
presente. Iremos discu-
tir sobre o assunto no 
fórum de discussão.
ATIVIDADE
A Revolução Haitiana é 
considerada a primeira 
revolução negra da 
história.
Pesquise mais sobre 
este episódio marcante 
da história da América 
Central e Caribe e ela-
bore um texto especí-
fico sobre o assunto, 
problematizando as 
fases, e a importância 
desse movimento de 
resistência negra no 
contexto das lutas pela 
independência na Amé-
rica, uma vez que essa 
revolução, juntamente 
com a Americana e a 
de Tupác Amaru, abre 
os demais movimen-
tos pela conquista da 
liberdade e abolição da 
escravidão nas colônias.
23
História - História das Sociedades Americanas II
um exemplo de independência realizado por escravos, diferente de todos os outros projetos que 
foram implantados pelas elites ou membros livres das sociedades americanas. O sucesso dos es-
cravos assustou as elites coloniais e fez com que ficassem cautelosos sobre mudanças políticas. 
A situação confusa na península Ibérica, causada pelo projeto expansionista Napoleônico (1807-
1815), veio produzir uma crise de legitimidade política e econômica. A autoridade vinha do rei e 
de repente não havia rei. Essa crise colocou em questão a estrutura do poder e sua distribuição 
entre funcionários reais e a classe governante local (criollos). Na Espanha, os franceses forçaram 
o Rei a abdicar, mas tiveram que disputar uma guerra civil. Os criollos latino-americanos declara-
ram lealdade ao rei espanhol, mas tinham que governar as colônias longe do poder central. Os 
franceses tiveram de decidir sobre o melhor jeito de manter-se no controle, através da coerção, 
dominação e manutenção dos privilégios.
Entenda as reformas:
Filipe V, em 1714, criou quatro ministérios, entre os quais o das índias. O novo ministério 
tornou-se uma agência real para a emissão de ordens sobre as finanças, o comércio, a guerra ou 
qualquer outro assunto de estado que fosse importante (WASSERMAN, 2003, p.93).
Novas unidades administrativas foram criadas. Além dos Vice-Reinos já existentes, o do 
Peru e o da Nova Espanha, outros dois se for-
maram após as reformas administrativas. Nova 
Granada, estabelecido definitivamente em 
1739, compreendia, originalmente, o território 
das atuais repúblicas da Venezuela, Colômbia 
e Equador. O Vice-Reino do Prata, criado em 
1776, e do qual fazia parte o Alto Peru, abarca-
va os territórios que hoje formam as repúblicas 
da Argentina, Uruguai, Paraguai e parte da Bo-
lívia. Ambos reduziram a imensa extensão do 
Vice-Reino do Peru. Para outorgar maior poder 
de decisão às autoridades regionais dentro dos 
Vice-Reinos, foram criadas as capitanias gerais: 
a da Guatemala, que compreendia toda a Amé-
rica central, menos o Panamá, que permanecia 
ligado ao Vice-Reino de Nova Granada; a da Ve-
nezuela, a do Chile e a de Cuba.
Até meados do século XVIII, líderes da Es-
panha se preocuparam com o crescimento da 
Inglaterra e França. A Espanha possuía uma 
economia agrícola ineficiente com pouca indústria, e o comércio marítimo era somente um es-
coadouro para a produção agrícola. Os reis Bourbon, posteriores a Filipe V, dão continuidade às 
reformas. Carlos III (1759-1788) e Carlos IV (1788-1808) implementaram reformas na Espanha e 
nas colônias para melhorar a situação. Remodelaram o governo imperial, centralizaram o meca-
nismo de controle e modernizaram a burocracia. Reorganizaram os governos coloniais: substituí-
ram os cargos de alcaldes mayores e corregidores (corruptos, ineficientes e dominados por criol-
los) com intendentes (peninsulares e diretamente ligados com a Coroa e assalariados).
O controle econômico era um dos propósitos das reformas. Os principais objetivos eram:
• Aumentar lucros para a metrópole.
• Expandir os monopólios reais, a administração e aumento de impostos.
• Aumentar taxas e impostos sobre mineração, agricultura e criação de gado.
• Possibilitar a expansão estratégica do comércio, em função de aumentar a importação de 
produtos espanhóis para as Américas (frequentemente reimportações) e restringir exporta-
ções das Américas. A Industrialização foi proibida nas colônias.
Ressentimentos
Os criollos se sentiram prejudicados, pois perderam poderes, privilégios e dinheiro, enquan-
to os povos indígenas perderam espaço para negociar com comerciantes e governos locais e fo-
ram pressionados a produzir e consumir mais. Houve muito ressentimento entre esses povos, ao 
pagarem altos preços para importações enquanto suas exportações eram restritas. Sendo assim, 
a Espanha obteve alguns avanços, mas os contrastes entre ingleses e espanhóis (desenvolvimen-
to e estagnação, força e fraqueza) causaram um poderoso impacto nas mentes dos hispano-ame-
ricanos.
DICA 
Criollos eram os des-
centes de espanhóis 
nascidos em solo ameri-
cano. Possuíam grandes 
propriedades rurais e 
atuavam no comércio. 
Muitos estudavam na 
Europa e, ao retornar, 
exerciam carreiras como 
médico, advogado ou 
cargos públicos de 
segundo escalão, já que 
os principais cargos 
só eram exercidos por 
espanhóis. 
◄ Figura 13: Divisão 
administrativa da 
América Espanhola
Fonte: Disponível em 
<http://www.profes-
sorsergioaugusto.com/
news/a%20independ%-
C3%AAncia%20da%20
america%20espanhola/>. 
Acesso em 23 maio 2015.
24
UAB/Unimontes - 5º Período
Interdependências
A historiografia clássica enfatizava o conflito entre criollos e a metrópole, como o conflito 
central da independência, porém os dois grupos (criollos e peninsulares) eram interdependen-
tes, controlavam a economia (peninsulares como altos burocratas e grandes mercantes e criollos, 
como donos de mineração e fazendas). Havia altos índices de casamento entre si. No Peru, os 
dois se juntaram como uma classe dominante branca contra a população indígena. Durante as 
guerras da independência, criollos lutaram nos dois lados.
Racismo
Os criollos não gostavam de peninsulares, mas ficavam entre eles e as camadas populares 
(mestiços, negros, índios). Havia uma obsessão com “brancura” na América Espanhola. Esse con-
flito era mais agudo em Brasil, Caribe, Venezuela, Colômbia, Peru. Os criollos resistiram às tentati-
vas de abolição da escravidão vindas da metrópole. Temos que procurar as origens da indepen-
dência não só no conflito entre criollos e a metrópole, mas também em eventos internacionais e 
outros conflitos domésticos. 
Os atores da independência foram os espanhóis e os americanos (da América Espanhola). 
Quem eram eles? 
Os espanhóis:
• Autoridades coloniais
• Comerciantes
• Representantes do clero secular e de distintas ordens religiosas
• Comandantes militares
• Peninsulares empobrecidos
Os americanos (nascidos na América Espanhola):
• Criollos de descendência europeia pura, que controlavam as atividades de produção mer-
cantil.
• Indígenas subjugados às mais variadas formas de trabalhocompulsório.
• Negros cativos escravizados.
• Indios e negros marginalizados dos processos produtivos (forasteros e cimarrones).
• Homens e mulheres libertos, mestiços e mulatos.
Após discutirmos sobre o contexto das independências na América Espanhola, no próximo 
tópico iremos analisar o contexto propício à independência dos Estados Unidos. Vamos aprovei-
tar para fazermos comparações, sempre com o objetivo de procurar entender as independências 
como processos não lineares. É importante observarmos os avanços, retrocessos, rupturas e per-
manências, que fazem parte dos movimentos de independência. Retomaremos os processos na 
América do Sul na unidade seguinte.
1.6 A Independência da América 
Espanhola 
O projeto expansionista de Napoleão Bonaparte pela Europa suscitou uma crise de autori-
dade no sistema colonial espanhol. Afinal de contas, o rei Fernando VII fora contido pelas forças 
napoleônicas. Com a prisão do rei, a quem obedecer? Essa foi uma questão central para todas as 
colônias espanholas. 
Para resolver o problema, várias províncias optaram por criar governos provisórios, coman-
dados por representantes locais ou provindos de outros lugares e indicados pela Coroa espanho-
la. Mas a criação dessas Juntas Provisórias não foi nada tranquila. Para começar, a Coroa, frente ao 
manifesto e conhecido descontentamento dos criollos em relação a ela, tentou evitar a criação 
das Juntas, temendo tentativas de golpes.
Várias Juntas foram criadas, mas rapidamente suprimidas pelo poder espanhol, que não 
as admitia. Com exceção das Juntas das províncias do Rio da Prata que não foram desfeitas, os 
realistas foram implacáveis com as que surgiram em outras regiões dominadas pelo império es-
GLOSSÁRIO
Criollos: Brancos de 
descendência europeia.
25
História - História das Sociedades Americanas II
panhol. Alguns casos permitem perceber bem como funcionou essa dinâmica de surgimento e 
combate às Juntas.
De qualquer maneira,as Juntas foram uma manifestação que, associada a outros fatores, 
contribuiu diretamente ou indiretamente para o desencadeamento da independência da Amé-
rica Espanhola.
1.6.1 As Juntas Governativas na América do Sul
Em Quito, com a Espanha subjugada por Napoleão, é criada, em agosto de 1809, uma Jun-
ta Soberana para governar em nome de Fernando VII, encabeçada por um marquês e um bispo. 
A “boa” intenção em prol de Fernando VII não convence a burocracia colonial, que envia tropas 
para combater a tentativa de tomada do poder. A Junta sai derrotada, desfazendo-se em outubro 
de 1809. As autoridades coloniais combateram-na, temendo ser a atitude uma manobra da aris-
tocracia local para tornar-se independente e ela mesma assumir o poder e exercê-lo como bem 
entendesse.
No Alto Peru (atual Bolívia) surgiram duas Juntas. Em maio de 1809 foi criada uma Junta em 
Chuquisaca (atual Sucre), e pouco depois, em julho de 1810, surge outra Junta em La Paz; essa 
com feições mais autonomistas, ainda que, como a outra, não rompesse com Fernando VII. Pelo 
grau de contestação do poder estabelecido, a Junta de La Paz incomodava e preocupava a buro-
cracia colonial.
Demorou pouco para que o Presidente de Cuzco, José Manuel de Goyeneche e José Fer-
nando de Abascal y Sousa, vice-rei do Peru, decidissem dar fim às Juntas. Enviaram à La Paz um 
contingente militar que, em outubro de 1810, com pouca resistência, desfez o governo dos insur-
gentes. Em Chuquisaca passaram a se submeter ao Presidente de Charcas, indicado pelo Vice-Rei 
de Buenos Aires. 
No Chile, foi criada a Junta de governo em 1810. A convocação de eleições no congresso e 
a abertura de portos ao mercado internacional foram as primeiras e principais medidas tomadas. 
Inicialmente liderada por Juan Martínez de Rozas que, logo em seguida, ao não se entender com 
o congresso, retirou-se e foi substituído por José Miguel Carrera, antigo oficial do exército espa-
nhol, que havia acabado de voltar da Espanha e possuía grande prestígio, especialmente entre 
os militares. Antes mesmo do fim de 1811, dissolveu o congresso, reformulando-o com regras e 
integrantes mais favoráveis à sua política (BUSHNELL, 2001).
Algumas decisões tomadas por Carrera eram de cunho mais liberal, tais como a criação da 
imprensa e proibição da importação de escravos e o estabelecimento de liberdade para os filhos 
de mães escravas que viessem a nascer, ainda que, no Chile, não houvesse muitos escravos – a 
maioria deles eram escravos domésticos e viviam nas cidades.
Em julho de 1812, Carrera, buscando ampliar seu poder, derrotou Juan Martínez de Rozas, 
que havia formado uma Junta dissidente na província de Concepción, após deixar a Junta de 
Santiago. Rozas foi obrigado a se exilar. 
Os dias de relativa tranquilidade de Carrera estavam contados. As tropas do Peru – reduto 
das forças contra-revolucionárias espanholas – avançaram sobre o Sul do Chile no início de 1813. 
O vice-rei peruano, Abascal, pretendia dominar tanto o Chile como o movimento insurgente da 
Argentina. Enquanto Carrera foi para a batalha tentar conter a invasão, foi destituído, entrando 
em seu lugar Bernardo O’Higgins. Mas, mesmo O’Higgins, não conseguiu expulsar as tropas do 
Peru (BUSHNELL, 2001). 
Para piorar a situação, Carrera tenta retomar o poder, se enfrentando com O’Higgins – o que 
debilitou ainda mais o poder de reação do Chile face à invasão realista. Episódio que, segundo 
David Bushnell (2001, p. 157), contribuiu para a esmagadora derrota que os realistas impuseram 
aos patriotas na batalha de Rancagua, cerca de 80 km ao Sul de Santiago, nos dois primeiros dias 
de outubro de 1814.
Alguns meses antes, em maio, o Chile já havia assinado um acordo aceitando a autoridade 
do rei Fernando VII, permanecendo apenas com uma autonomia de governo restrita. O vice-rei 
do Peru, Abascal, resolveu dominar o Chile de vez, adentrando militarmente Santiago, em 5 de 
outubro e estabelecendo duras regras de governo, punindo e cassando os considerados inimi-
gos. O’ Higgins, Carreras e outros tantos fugiram, refugiando-se na Argentina. Enfim, o império 
espanhol restabelece novamente o poder no Chile.
O Vice-Reino do Peru tornou-se a principal base do poder espanhol na América do Sul. 
Para as províncias já independentes, extirpar a ameaça dos espanhóis era fundamental, só 
assim poderiam se consolidar como independentes. Para tanto, seria necessário invadir e domi-
GLOSSÁRIO
Realistas: eram os 
partidários do rei da 
Espanha.
GLOSSÁRIO
Patriotas: são os 
partidários da indepen-
dência.
DICA
A historiografia há um 
bom tempo questiona 
a redução dos fatos his-
tóricos a determinados 
personagens – entre 
eles os heróis. Mas figu-
ras como Simón Bolívar 
e San Martín foram 
capazes de arregimen-
tar em torno de si um 
grande contingente de 
patriotas, além de se-
rem excelentes estrate-
gistas militares, capazes 
de impor avassaladoras 
derrotas a exércitos 
bem maiores do que 
os que comandavam, 
muitas vezes participan-
do pessoalmente das 
batalhas.
26
UAB/Unimontes - 5º Período
nar o principal reduto dos realistas, o vice-reinado do Peru, de onde os 
espanhóis planejavam e estruturavam as ações de retomada do poder 
nas províncias que se emanciparam. Era de lá que partiam poderosos 
contingentes militares com o intuito de reconquistar os territórios que a 
Coroa espanhola havia perdido.
Várias outras Juntas foram criadas como em Caracas, Bogotá e até 
uma segunda Junta em Quito. A independência chegou a ser declarada, 
entre 1811 e 1814, por algumas províncias e regiões, sendo a Venezuela 
o primeiro país a anunciar sua emancipação do jugo espanhol em julho 
de 1811. Na sequência, foram Cartagena (Nova Granada) ainda em 1811, 
Caracas (na Venezuela) em 1813, e Bogotá em 1814. 
Mas a contrarrevolução estava a caminho. Em 1813, o exército de 
Napoleão é derrotado na Espanha e a restauração de FernandoVII acon-
tece nos primeiros meses do ano seguinte. No início de 1815, a Espanha 
envia forças expedicionárias para reconquistar os lugares da Colônia 
que havia perdido. O plano foi bem-sucedido. Ao final de 1816, o poder 
espanhol havia retomado a maior parte desses territórios, incluindo as 
principais províncias.
Nessa primeira onda de independência, entrou em cena aquele 
que se tornaria o maior líder dos projetos de independência e que teve 
envolvido diretamente e indiretamente na maioria das independências 
conquistadas na América Espanhola, o venezuelano Simón Bolívar. Filho 
de ricos aristocratas coloniais, adepto de princípios republicanos, que também conheceu na Eu-
ropa e Estados Unidos (primeiro exemplo de independência em solo Americano), era um exímio 
estrategista militar, a ponto de, em muitos casos, impor avassaladoras derrotas aos espanhóis, 
comandando tropas bem menores que a dos inimigos.
Conhecedor das ideias liberais e iluministas,lançou mão delas na elaboração de seu proje-
to político. Algumas amplamente incorporadas à Constituição dos países que libertava; às vezes, 
seguindo tendências mais centralistas e autoritárias que, em parte, era uma opção baseada na 
experiência com a dificuldade de implantar o republicanismo nas regiões que se emancipavam.
Bolívar foi o principal líder do movimento de independência da América Espanhola. Ele tam-
bém participou ativamente na conquista definitiva da independência de Nova Granada, Vene-
zuela, Equador e Peru.
Homens como Simón Bolívar e San Martín (outro importante líder da luta contra a coloniza-
ção), muitas vezes, atuaram movidos mais por convicções ideológicas pessoais do que propria-
mente apoiados por determinados governos. O nível de participação de cada um deles é possí-
vel ser percebido ao se observar algumas das principais nuanças que marcam a independência 
de cada país.
As independências obtidas foram gradativas. Praticamente em nenhum lugar da América 
Espanhola a emancipação foi obtida de uma só vez. É comum, na historiografia, afirmações ta-
xativas dizendo exatamente quando a região se tornou independente; no entanto, em diversas 
situações as declarações de independência foram feitas apenas quando os patriotas tinham o 
controle parcial da região. 
1.6.2 A Independência Definitiva das Regiões e Futuros Países
Chile – Alguns exilados do Chile, que estiveram envolvidos na instalação da Junta em 1810, 
entre eles dois que a comandaram, José Miguel Carrera e Bernardo O’Higgins, se exilaram na Ar-
gentina, onde o argentino San Martín preparava uma expedição para tentar dominar o principal 
reduto dos realistas na América do Sul, o Peru. A convergência de interesses os levou a se unirem, 
pois, para Martín, o Chile era estratégico para a tentativa de tomar o Peru dos espanhóis.
Em 1817, quase três anos depois que a Junta do Chile havia sido eliminada pelo poder espa-
nhol, com um exército de cerca de 3500 homens, San Martín e outros patriotas entram e domi-
nam parte do país, incluindo Santiago. Por meio de uma assembleia, o poder é oferecido a Mar-
tín que, imediatamente, o repassa a O’Higgins, um de seus homens de confiança e comandante 
de uma das divisões da expedição militar.
O’Higgins declara a independência do Chile em 1818, atitude que poderia tranquilamente 
ter sido tomada no ano anterior, já que o panorama pouco se havia alterado. Alguns outros pon-
DICA
Assista ao filme “Liberta-
dor” que narra que, em 
mais de cem batalhas, 
lutou Simón Bolivar 
contra o imperialismo 
espanhol que estava 
instaurado na 
América do Sul. O 
venezuelano promoveu 
campanhas militares em 
um território duas vezes 
maiores do que Alexan-
dre, O Grande, fez.

Figura 14: Simón 
Bolívar, contemporary 
English stipple 
engraving. The Granger 
Collection, New York
Fonte: Disponível em 
<http://www.britan-
nica.com/EBchecked/
topic-art/72067/85095/
Simón-Bolivar-contempo-
rary-English-stipple-en-
graving>. Acesso em 14 
out. 2010.
27
História - História das Sociedades Americanas II
tos do Chile continuavam nas mãos dos realistas, que controlavam parte da região Sul e a ilha de 
Chiloé. Tais pontos de dissidência seriam dissipados apenas em 1820.
Venezuela – De forma semelhante ao Chile, a Venezuela tornou-se uma importante base 
para o combate às forças realistas na América do Sul, ainda que estivesse longe da emancipação 
completa. A tomada em 1817 da província de Angostura pelos patriotas fez da província a capital 
da renascente república venezuelana – é a partir dela, com sua privilegiada posição geográfica, 
que se tem fácil acesso, por meio de navegação, a outros redutos (existentes e futuros) patriotas 
na Venezuela ou em Nova Granada. Bolívar planejou e viabilizou muitas de suas ações a partir de 
Angostura.
No primeiro Congresso de Angostura, realizado em 15 de fevereiro de 1817, é redigida uma 
Constituição, a qual contava com algumas ideias políticas de Simón Bolívar. Ele, nesse momento, 
adotava uma postura mais conservadora, que tendia ao centralismo e, entre outras coisas, prega-
va a restrição do sufrágio. Focos de insurgência sempre existiram desde que a Venezuela havia se 
tornado república pela primeira vez, porém não eram fortes o suficiente para ameaçar o regime 
espanhol.
A declaração da independência da Venezuela ocorre alguns anos depois, em 1821. Foi re-
sultado da última campanha de Bolívar para dominá-la de vez, que teve seu ponto culminante 
na batalha de Carabobo, ao Sul de Valência, travada em junho desse mesmo ano, que destruiu o 
exército do general realista Miguel de la Torre. Alguns dias depois, Caracas é dominada.
Nova Granada (atual Colômbia) – As guerrilhas insur-
gentes também existiam em Nova Granada, e uma das mais 
importantes era a de Casanare, que conseguiu derrotar os 
espanhóis e assumir o poder em 1819. Enxergando-a como 
ponto estratégico, Bolívar enviou um dos seus homens de 
confiança, o general Francisco de Paula Santander para ex-
tinguir a possibilidade de contragolpe e instalar uma base 
de operações avançadas. Com a missão de Santander cum-
prida com sucesso, Bolívar pôde se desprender para o Oeste.
Três dias após a batalha de Boyacá, ocorrida em 07 de 
agosto de 1819, Bolívar e seus homens conquistam Bogotá, 
sem encontrar resistência. Os patriotas obtiveram o domínio 
sobre o centro de Nova Granada, e essa situação foi impor-
tante para o provimento de recursos materiais e humanos 
implementados na liberação do restante de Nova Granada 
e na ofensiva que seguiu rumo aos Andes venezuelanos 
e para o enfrentamento com as forças realistas de Quito e 
Peru (BUSHNELL, 2001).
A presença dos espanhóis, entretanto, não foi total-
mente extinguida de Nova Granada. Algumas regiões continuaram sob o jugo dos peninsulares 
e demorariam ainda vários anos para serem conquistadas. A província de Pasto, por exemplo, até 
1822 não havia sido pacificada.
As relações entre Nova Granada e Venezuela, muito em função da liderança militar e influên-
cia política costurada por Simón Bolívar, que transitava o tempo todo nos dois territórios, susci-
tava o interesse em juntar as duas regiões em uma só unidade federativa. O que foi concretizado 
durante o Congresso de Angostura, em 17 de dezembro de 1819, ocasião em que foi proclamado 
o nascimento da República da Grande Colômbia, unindo Venezuela e Nova Granada. Nos dois 
anos seguintes, se integraram a ela o Panamá e o Equador.
O congresso constituinte da Grande Colômbia aconteceu dois anos depois, em maio de 
1821, na província de Cúcuta, formalizando dispositivos constitucionais discutidos em 1819 no 
congresso de Angostura. Até então, tal como aconteceu anteriormente, nenhum representante 
do Equador compareceu. 
Ficou definido que Simón Bolívar era o Presidente da Grande Colômbia e Francisco de Paula 
Santander o Vice-Presidente, e a capital sendoBogotá. A Constituição adotada, fortemente cen-
tralista, rejeitava muitos dos princípios liberais – embora vários deles tenham sido mantidos por 
serem considerados por Bolívar como responsáveis pela degeneração de várias das repúblicas 
hispano-americanas.
A República da Grande Colômbia, porém, se desfez em 1829, dando origem aos atuais Es-
tados da Venezuela, Equador e Colômbia, com o Panamá permanecendo anexado a este último. 

Figura 15: A divisão 
da Grande Colômbia 
(1830)
Fonte: Disponível em 
<http://www.britannica.
com/EBchecked/topic-
-art/555844/1057/The-di-
vision-of-Gran-Colombia>. 
Acesso em 14 out. 2010.
28
UAB/Unimontes - 5º Período
Os muitos interesses divergentes internos, de ordem política, econômica e cultural contribuíram 
decisivamente para sua dissolução. 
Equador – Como em outros casos, a independência do Equador não se dá por completo 
imediatamente. Há um considerável espaço de tempo entre a conquista da emancipação de suas 
duas principais províncias. Guayaquil não precisou de ajuda militar dos patriotas, ela se autoli-
bertou dos espanhóis por meio de uma revolução interna. 
De qualquer forma, Bolívar achou prudente enviar seu principal tenente, Antônio José de 
Sucre, para salvaguardar a província de possíveis tentativas de contragolpe movidas pelos realis-
tas. Além disso, poderia empreender dali ações para a conquista de outros territórios. E foi exa-
tamente de Guayaquil que Sucre, no início de 1822, abriu uma das duas frentes planejadas para 
tomar Quito, enquanto Bolívar seguiu por outra rota, avançando pelo Sul de Nova Granada.
Enquanto os espanhóis enfrentavam as tropas comandadas por Bolívar, Sucre e seus ho-
mens avançavam rapidamente e, com o apoio de um contingente do exército de San Martín, 
venceram a batalha de Pichincha em 24 de maio de 1822, já bem próximo de Quito, o que levou 
os realistas a entregarem o poder sem a necessidade de um conflito armado na província (BUSH-
NELL, 2001). Com a vitória dos patriotas, Quito passou a integrar a Grande Colômbia, assim como 
aconteceu anos antes com Guayaquil, quando emancipada.
Panamá – No plano estratégico de Bolívar para tentar livrar o Equador dos espanhóis, es-
tava incluído abrir caminho pelo Panamá, região de forte presença dos realistas. Essa seria a 
primeira etapa, todavia não foi necessário. Numa convulsão interna, em novembro de 1821, os 
próprios panamenhos destituíram os espanhóis do poder. E assim que fica livre dos espanhóis, 
o Panamá se integra à Nova Granada (atual Colômbia). O Estado do Panamá apenas surgirá em 
1903, quando se torna independente da Colômbia, com o apoio dos Estados Unidos da América.
Peru – O obstinado José de San Martín, depois de ter liderado a ação armada que varreu o 
poder espanhol de quase todo o Chile em 1817, preparou-se para seguir em diante e concretizar 
aquele que era o seu grande objetivo: pôr fim ao principal reduto dos espanhóis na América do 
Sul, o Peru. Era de lá que os realistas organizavam seu exército para garantir o domínio da Coroa 
espanhola e suprimir os movimentos republicanos insurgentes.
Em 1820, San Martín havia começado a adentrar o território do Peru, quando eclode a Re-
volução Liberal na Espanha. Ele achou prudente esperar as definições do novo governo, assim 
podendo evitar um conflito armado de maiores proporções. Sabendo dos acontecimentos na Es-
panha, acreditava que os liberais almejavam um novo tipo de relação com a América Espanhola, 
uma política anticonflito. 
Enquanto mantinha certa trégua, Martín imaginou que, nesse ínterim, os peruanos pudes-
sem ficar entusiasmados com a possibilidade de alcançar a independência. De fato, sua presença 
contribuiu para isso. A situação do Peru contribuiu para tal desenlace, visto que havia um cres-
cente descontentamento emergido nos últimos anos em relação à Coroa espanhola. No final de 
1820, várias cidades costeiras do norte aderiram à causa dos patriotas (BUSHNELL, 2001). 
Na capital, Lima, embora uma possível resistência tenha sido esboçada inicialmente, antes 
mesmo de San Martín chegar com sua tropa, os realistas abandonaram a cidade e se refugiaram 
na região da serra peruana, deixando assim o caminho livre para que Martín entrasse em Lima 
sem encontrar resistência e proclamar a independência do Peru, em 28 de julho de 1821. Ele con-
cordou em assumir interinamente a posição de chefe do Peru.
Quase um ano depois, num encontro com Bolívar na con-
ferência de Guayaquil, em julho de 1822, Martín decidiu aban-
donar a posição de chefe do Peru, partindo para o autoexílio 
na Europa. Este é um episódio que, até hoje na historiografia, 
pouco se sabe sobre as motivações que levaram à sua retirada.
As reformas implementadas no Peru afetaram a popula-
ridade de San Martín, o qual já se posicionava a favor de um 
regime político baseado numa monarquia independente. Sem 
Martín, o único líder com carisma e força para dar conta da di-
fícil situação do Peru, era Simón Bolívar. Quando estava no co-
mando do Peru, Martín não enfrentou o forte foco realista ins-
talado na serra peruana, tarefa que Bolívar cumpriu.
Ao ser convocado pelo congresso, Bolívar desembarca 
no Peru em 1823. Depois de uma breve tentativa dos realis-
ATIVIDADE 
As fronteiras políticas e 
territoriais não são es-
tanques, são suscetíveis 
a mudanças, e várias 
delas ocorrem ao longo 
do tempo.
Procurem comparar, 
sempre que possível, 
os mapas de diferentes 
períodos históricos. 
Eles nos dizem muito 
sobre as configurações 
e disputas políticas no 
mundo.
DICA
José Francisco de San 
Martín y Matorras 
(Yapeyú, 25 de fevereiro 
de 1778 - Boulogne-
sur-Mer, 17 de agosto 
de 1850) foi um general 
sul-americano cujas 
campanhas foram de-
cisivas para as declara-
ções de independência 
da Argentina, do Chile e 
do Peru.
O ano de seu nascimen-
to é discutido, e não 
existem documentos 
de batismo, sendo 
que outros (tais como 
passaportes, arquivos 
militares, casamento, 
etc.) são inconsistentes 
quanto à sua idade. A 
maioria desses docu-
mentos aponta para o 
ano de seu nascimento 
como 1777 ou 1778.
Figura 16: José de 
San Martín, detalhes 
de um retrato por F. 
Bouchot; no Museu de 
West Point, Nova York
Fonte: Disponível em 
<http://www.britannica.
com/EBchecked/topi-
c-art/521474/14050/Jose-
de-San-Martin-detail-o-
f-a-portrait-by-F>. Acesso 
em 14 out. 2010.
►
29
História - História das Sociedades Americanas II
tas em voltar ao poder, chegando a dominar Lima indiretamente, Bolívar assume a liderança e 
rapidamente retoma o controle. E não para por aí: parte para dominar de vez as partes do Peru 
que os realistam insistiam em dar as cartas, inclusive a serra. Ele permaneceu em Lima para 
varrer definitivamente os realistas da cidade, enquanto Sucre seguiu com a campanha que cul-
minou com a famosa batalha de Ayacucho, que resultou na emancipação da província em 09 
de dezembro de 1824. Foi um confronto de grandes proporções, o vice-rei José de la Serna 
conduzia nada menos que cerca de 7 mil homens armados (BUSHNELL, 2001, p. 173-174).
Ficou faltando apenas libertar o Peru e El Callao, o que ocorreu respectivamente em 1825 e 
1826.
Alto Peru (atual Bolívia) – Entre 1809 e 1810, duas Juntas governativas surgiram no Alto 
Peru. Os realistas, todavia, as destituíram. Mas, logo na sequência, os argentinos chegaram e ten-
taram extirpar os espanhóis do poder.
Especialmente por motivações econômicas, os patriotas do Rio da Prata logo se empenha-
ram em assegurar o domínio sobre o Alto Peru, que tinha regiões como a de Potosí, produtora de 
prata. Nos meses finais de 1810, além de Potosí, foram dominadas também Chuquisaca e La Paz. 
Contudo, demorou pouco para que os realistas tentassem reconquistar essas regiões. Em junho 
de 1811, foram retomadas pelas forças realistas comandadaspelo experiente José Manuel de Go-
yeneche, que rapidamente derrotou o contingente expedicionário argentino.
Os argentinos insistem em conquistar definitivamente o Alto Peru. Entre 1813 e 1815, con-
quistam várias partes do Vice-Reino, inclusive a importante província de Potosí. Mais uma vez, 
porém, os realistas botam seu poderoso e experiente exército para retomar os lugares domina-
dos pelos patriotas que, novamente derrotados, deixam a ação de resistência por conta das guer-
rilhas locais formadas por índios, mestiços e criollos.
A independência é obtida apenas em 1825, com o auxílio do exército de patriotas organiza-
do por Simón Bolívar. Ao ficar livre do jugo dos espanhóis em 1825, a emancipação completa do 
Alto Peru em relação ao Peru foi decretada numa assembleia interna em agosto de 1825. Segun-
do Bushnell (2001), Bolívar não queria que a assembleia tomasse essa decisão, mas os deputados 
votaram a favor dela e, em homenagem a Bolívar, deram o nome de República Bolívar, imediata-
mente substituído apenas pela denominação “Bolívia”. Coube ao próprio Bolívar a honra de redi-
gir a Constituição para a nova República.
Argentina – Nas províncias do vice-reinado do Rio da Prata (Argentina, Uruguai e Paraguai), 
o poder espanhol sucumbiu com relativa facilidade. Sem guerras com os espanhóis e, num pri-
meiro momento, ao estabelecerem as Juntas governativas, reconhecendo o rei Fernando VII. Mas 
tal atitude demonstrou ser mais uma estratégia para a formação dos governos independentes, 
sem provocar maiores reações por parte da Coroa espanhola. 
Em maio de 1810, é criada a Junta de Buenos Aires que, posteriormente, foi substituída por 
um sistema de Triunvirato, mas sem perder a autonomia. Os muitos problemas e conflitos que 
surgiram com as províncias do Paraguai e Uruguai (a Banda Oriental) ocorreram porque a Junta 
de Buenos Aires queria que elas se submetessem a ela.
Uruguai – Sem maiores problemas, o Uruguai se liberta dos espanhóis através de um golpe 
promovido no início de 1811, por José Gervasio Artigas, um aristocrata muito ligado às proprie-
dades fundiárias. Daí por diante, o conflito que houvesse estaria relacionado ao fato de ele não 
aceitar a subordinação à Junta de Buenos Aires e pleitear a autonomia do Uruguai em relação a 
ela; portanto, já não era mais uma questão de se livrar ou não do domínio espanhol.
Desde 1811, os colonizadores que ameaçavam não eram mais os espanhóis e, sim, os portu-
gueses que, através da fronteira com o Brasil, tentaram diversas vezes invadir o Uruguai, até que, 
em 1821, a Banda Oriental é incorporada ao território brasileiro e recebe o nome de Província 
Cisplatina. Em 1828, é reintegrada às Províncias Unidas do Rio da Prata (POMER, 1990; PRADO, 
2001).
Paraguai – Quando formada a Junta de Buenos Aires, o Paraguai não a reconheceu. Através 
de um congresso realizado em 24 de julho de 1810, o Paraguai decide ficar ligado ao Conselho 
de Regência da Espanha, assim reconhecendo o rei Fernando VII como representante legítimo. 
Entretanto, não convenceu o governo de Buenos Aires que temia que o Paraguai cedesse a ten-
tações autonomistas. Dado o impasse, tentou dominar o Paraguai à força, através de uma ação 
militar armada comandada pelo general Manuel Belgrano, que foi derrotada em 1811. O Para-
guai formou sua própria Junta em maio desse mesmo ano (POMER, 1990; PRADO, 1994).
ATIVIDADE 
Assim como Bolívar, o 
nome de San Martín 
é um dos mais cultua-
dos como símbolo da 
independência. Há 
diversos sites e páginas 
pessoais na internet em 
homenagem a homens 
como ele.
Busquem na rede mun-
dial de computadores 
espaços que prestem 
esse tipo de tributo a 
personagens históricos 
e reflitam criticamente.
Comecem pelo site do 
próprio Ministério da 
Educação argentino, 
que presta uma home-
nagem a San Martín: 
<http://www.me.gov.ar/
efeme/17deagosto/>. 
30
UAB/Unimontes - 5º Período
Imersa em problemas internos, a Argentina abandonou a tentativa de conter a insurgência 
do Paraguai que, aliás, não tinha mais relação nenhuma com o domínio espanhol. O Paraguai se-
guiu independente do poder espanhol e de Buenos Aires.
As lutas pela independência resultaram em uma nova conformação política que colocou 
muitos desafios aos Estados que começavam a nascer. As diversidades étnicas, sociais e culturais 
apresentavam uma multiplicidade de interesses difíceis de serem correspondidos. Esses aspectos 
constituíram entraves para a construção de uma unidade política, pois essas sociedades não es-
tavam acostumadas a um sistema federativo. 
Durante o processo revolucionário muito se prometeu: mudanças como a distribuição de 
terras, a incorporação dos índios na nova ordem social e a abolição da escravidão. Alguns Esta-
dos conseguiram cumprir algumas das promessas, uns mais ou menos, e outros praticamente 
nada. É claro que havia uma urgência para que tais mudanças ocorressem, as quais eram motivos 
de divergência entre os muitos setores sociais existentes. A turbulência política e social demons-
trou ser inevitável e, para controlá-la, as novas repúblicas passaram a adotar medidas cada vez 
mais autoritárias.
Referências
AQUINO, Rubim SL; LEMOS, Nivaldo JF de & LOPES, Oscar GP C. História das sociedades ameri-
canas. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1990.
BUSHNELL, David. A independência da América do Sul Espanhola. In: BETHELL, Leslie. (org). His-
tória da América Latina: da independência a 1870. São Paulo: Editora da Universidade de São 
Paulo, 2001, v. 3.
Figura 17: A América 
do Sul após as 
Independências
Fonte: ARRUDA, 1993 
apud MORAES, 2003, p. 
208.
►
31
História - História das Sociedades Americanas II
FERNANDES, Luiz Estevam; MORAIS, Marcos Vinícius de. Os EUA no Século XIX. In: KARNAL, Lean-
dro et. al. História dos Estados Unidos: das origens ao século XXI. 2. ed. São Paulo: Contexto, 
2008.
JUNQUEIRA, Mary. Estados Unidos. A consolidação da Nação. São Paulo: Contexto, 2001.
KARNAL, Leandro. A formação da nação. In: KARNAL, Leandro et al. História dos Estados Uni-
dos: das origens ao século XXI. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2008.
33
História - História das Sociedades Americanas II
UNIDADE 2
A Consolidação dos Estados 
Hispano-Americanos 
Mary Aparecida de Alencar Durães
Matheus Felipe Barbosa e Alves
2.1 Introdução
A conquista da independência não provocou automaticamente a formação dos Estados Na-
cionais. Os Vice-Reinos e capitanias sequer mantiveram a frágil unidade política que a Coroa Es-
panhola conseguia assegurar: em pouco tempo se desintegraram dando origem a várias regiões 
autônomas.
As diferenças sociais, políticas e econômicas acirraram-se, praticamente inviabilizando a im-
plantação dos princípios republicanos e, consequentemente, a emergência e consolidação dos 
novos Estados Nacionais. As regiões imergiram numa violenta disputa interna pelo poder; não 
bastasse isso, tornaram-se comuns as invasões de territórios vizinhos, seja por motivações eco-
nômicas ou hegemonia política.
Nesta unidade, focaremos a discussão nos casos específicos dos Estados do Rio da Prata e 
aqueles da América Central, sob intensa influência norte-americana (Cuba, Nicarágua e Panamá), 
mostrando tanto o papel do caudilhismo como das relações entre as novas repúblicas.
2.2 O Caudilhismo e a Formação 
dos Estados Nacionais do Rio da 
Prata
Uma vez livre dos espanhóis, as novas repúblicas precisavam se consolidar enquanto Esta-
dos Nacionais. Mas as ex-capitanias e os Vice-Reinos, que estiveram sob o domínio da Coroa es-
panhola, estavam longe de terem uma unidade político-administrativa e econômica.
Mesmo sob o domínio da metrópole espanhola, a união política e administrativa que havia 
na América Espanhola era frágil. Após a independência, nem mesmo essa frágil unidade perma-
neceu; toda a região se desintegrou formando várias regiões independentes comgrande poder 
local. Processo que acentuou a divergência de interesses, impedindo a formação de uma estrutu-
ra política e econômica em que houvesse um núcleo comum em torno do qual se pudesse reali-
zar o processo de integração necessário para a formação e consolidação de um Estado Nacional.
Os interesses de determinadas regiões e províncias nem sempre eram convergentes; em 
muitos casos, chegando a ser antagônicos. Esse aspecto mostrou que a questão da independên-
cia não se encerrava simplesmente com o fim da dominação espanhola.
Em muitos casos, o interesse de uma região pela outra era tanto que o uso da força bélica 
como forma de dominação foi largamente utilizado. As regiões e províncias dominadas a partir 
daí passaram a almejar a independência, agora não mais dos espanhóis, dos quais estavam livres, 
mas da própria região vizinha que, em geral, queriam a anexação dos territórios, quase sempre 
por motivos econômicos.
34
UAB/Unimontes - 5º Período
As frágeis repúblicas emergentes, muitas vezes, ficaram apenas na intenção, porque o poder 
central nem sempre conseguia legislar sobre todo o seu território; poderosos locais ignoravam 
com frequência as instituições republicanas, vários deles a ponto de criarem suas próprias regras 
(“leis”) e aplicá-las em sua zona de influência local, recorrendo, inclusive, às armas para satisfaze-
rem suas vontades. 
Manter o mínimo de ordem e de respeito às instituições republicanas tornou-se prioridade. 
Mas não era uma tarefa fácil. Boa parte dos exércitos era duramente afetada durante as guerras, 
com elevado número de baixas. Além disso, muitas das expedições não eram formadas por mili-
tares profissionais.
A guerra praticamente arrasou a economia de quase toda a América Espanhola. Naquelas 
regiões de menor pujança econômica, como era de se esperar, as consequências foram maiores 
ainda. Nessas condições, constituir e manter uma força militar capaz de auxiliar na garantia da or-
dem e das leis era muito difícil; os novos Estados hispano-americanos careciam de recursos eco-
nômicos para isso. E, para piorar a situação, os ataques de províncias vizinhas exigiam (ou mes-
mo provindos de outras regiões) um contingente militar maior do que o necessário para cuidar 
apenas de questões internas.
Apesar de todos esses problemas, iniciou-se um processo de militarização na América Espa-
nhola. Porém, nem sempre coordenado por um poder central. Muitos dos contingentes militares 
eram empreendimentos pessoais ligados direta ou indiretamente a poderosos locais – em geral 
proprietários de terras e/ou comerciantes – que exerciam o poder em determinada região, sobre 
os quais os governos das nascentes repúblicas nem sempre tinham controle; em certos casos, de 
nenhum tipo. 
É importante lembrar que havia regiões bastante distantes, o que dificultava o acesso e a ve-
locidade da troca de informações. Fazer valer a ordem nessas condições era algo bem complica-
do, o sistema de transporte e o de comunicação nem de perto tinham a rapidez de hoje. Por isso, 
o controle dos governos se restringia a alguns bolsões. 
Esse processo de militarização deu origem a um modelo político conhecido como caudilhis-
mo. Marca de um período em que há uma militarização da política. Nele há a emergência da fi-
gura do caudilho, aquele que, através do uso de influência (para isso também se dispondo do 
uso de armas) para atender interesses locais, muitas vezes seu próprio interesse, já que era co-
mum serem proprietários de terras, podia tanto defender uma região da outra, como confrontar 
o poder central – posicionamento que varia de um caso para outro.
Segundo Frank Safford, o vocábulo caudilho 
designa de modo geral aquele que usa a violência ou de ameaça de violência 
para fins políticos – seja um oficial da milícia ou ainda um civil a cavalo que co-
mande a milícia ou forças irregulares na luta política, ou (mais amplamente) um 
líder essencialmente civil que usa da repressão violenta (como nos casos do Dr. 
Francia, no Paraguai, ou de Diego Portales, no Chile). Antes de 1840, a maioria 
dos homens que atualmente chamamos caudilhos eram indivíduos que haviam 
realizado algum feito militar antes de iniciarem suas carreiras políticas – sol-
dados das lutas pela independência ou comandantes das milícias provinciais, 
como Juan Manuel de Rosas, que ganhou ama no combate aos índios (SAF-
FORD, 2001, p. 354).
Frank Safford (2001) ainda ressalta que, após a década de 1840, parte da liderança militar 
também passa a ser cumprida por civis, como comerciantes, proprietários de terras, jornalistas e 
advogados.
O caudilhismo é um acontecimento social com muitas nuances, adquirindo características 
que podem variar consideravelmente entre regiões. As suas particularidades são mais bem per-
cebidas na análise de casos específicos. A influência que exerceu na configuração geopolítica e 
na consolidação dos Estados Nacionais das Províncias Unidas do Rio da Prata é uma das mais 
emblemáticas.
2.2.1 Argentina, Uruguai e Paraguai: Sob o Poder dos Caudilhos
Assim que as Províncias Unidas do Rio da Prata ficaram livres dos espanhóis, a região se frag-
mentou e, em pouco tempo, começou uma violenta disputa entre os caudilhos locais que pas-
saram a disputar caminhos políticos e as delimitações territoriais (nesse caso especialmente por 
motivações econômicas). 
ATIVIDADE
As particularidades do 
caudilhismo mudam de 
uma região para outra. 
A opção por abordar 
os casos específicos 
das províncias do Rio 
da Prata é devido ao 
forte entrecruzamento 
dos interesses políti-
cos e econômicos que 
permearam toda a 
região e que motivaram 
inúmeros conflitos entre 
os novos Estados que 
emergiam.
Como atividade, pesqui-
sem os casos de outros 
Estados hispano-ameri-
canos, como Chile, Co-
lômbia, Equador, Peru e 
México. As referências 
bibliográficas citadas 
ao final deste material 
didático dão suporte 
para a investigação.
35
História - História das Sociedades Americanas II
As regiões que haviam garantido suas respectivas autonomias, além de enfrentarem fortes 
conflitos internos, passaram a sofrer invasões de seus vizinhos ou também adotaram uma políti-
ca externa de agressão às regiões vizinhas, seja por questão de defesa ou por anseios expansio-
nistas. O poder central, em diversas situações, ficava vendido, com pouco controle sobre certas 
atitudes dos poderosos locais – isso, quando ele próprio não estava ameaçado.
As dificuldades em manter a unidade política apareceram assim que foram formadas as Jun-
tas governativas no Vice-Reino do Prata, que, irremediavelmente, levam as províncias a conquis-
tarem a independência em relação ao poder espanhol.
A Junta de Buenos Aires, assim que foi criada, em 25 de maio de 1810, quis que as províncias 
do Paraguai e da Banda Oriental (atual Uruguai) ficassem submetidas a ela. Entretanto, o Para-
guai simplesmente não a reconheceu, já o Uruguai sim – mas não incondicionalmente, porque 
almejava que fosse estabelecida uma confederação de províncias autônomas do Rio da Prata.
O governo dos portenhos não aceitou a recusa do Paraguai em se submeter à Junta de Bue-
nos Aires. No início de 1811, empreende uma ação militar contra o Paraguai, com o propósito de 
dominá-lo, e que acabou sendo derrotada pelas milícias paraguaias. Mas os muitos problemas in-
ternos enfrentados pela Argentina a levou a deixar de lado a tentativa – pelo menos por enquan-
to – de conquista à força o Paraguai. Enquanto isso, o Paraguai seguiu independente de Buenos 
Aires e dos espanhóis, sob a ditadura pessoal de José Gaspar Rodrigues de Francia.
A Banda Oriental, de maneira alguma, havia sido esquecida pelo governo de Buenos Aires, 
que invadiu Montevidéu no final de 1814. Domínio da província que durou pouco tempo. O ho-
mem à frente de Montevidéu, José de Gervasio Artigas, o mesmo que a tinha livradodos espa-
nhóis em 1811, retoma Montevidéu. Sem conseguir vencê-lo, o governo de Buenos Aires cede 
Montevidéu a Artigas.
Vivendo turbulências frequentes, as Províncias do Rio da Prata tinham outra grande preocu-
pação: o Brasil – que desde cedo mostrou interesse pela Banda Oriental. 
Já em 1811, quando Buenos Aires tenta tomar Montevidéu à força, a Coroa portuguesa, com 
o objetivo de firmar sua presença na região, envia um exército para, supostamente, ajudar na pa-
cificação da mesma. Os ingleses, no entanto, pressionaram para que o Brasil se retirasse do con-
flito – o que acaba acontecendo.
Em 1816, Artigas já havia unificado todo o Lado Oriental e um ousado projeto de política 
agrária que atemorizava os grandes latifundiários do Rio da Prata e inclusive do Sul do Brasil. Ele 
pretendia fazer uma ampla redistribuição de terras e torná-las produtivas. A prioridade era entre-
gá-las aos criollos pobres, negros e índios. O Brasil e Buenos Aires, descontentes com as medidas 
de Artigas e sempre interessados nessa região, invadem a Banda Oriental e promovem o cerco 
a Montevidéu – dessa vez contando também com o apoio de fazendeiros e comerciantes con-
trariados com as ações de Artigas. Não foi uma operação rápida. Artigas somente é derrotado 
definitivamente em 1820. 
GLOSSÁRIO
Portenho: Aquele que 
é natural ou vive em 
Buenos Aires.
◄ Figura 18: Rio da Prata. 
Imagem via satélite do 
observatório da NASA.
Fonte: Disponível em 
<http://earthobservatory.
nasa.gov/IOTD/view.
php?id=4028>. Acesso 
em 14 out. 2010.
36
UAB/Unimontes - 5º Período
A Banda Oriental ficou sob o domínio da Coroa portuguesa, que, no ano seguinte (1821), 
incorpora-a ao seu território nomeando-a de Província Cisplatina.
Embora tenha recebido apoio de parte das oligarquias rurais e de comerciantes orientais e 
portenhos, quando tomou a Banda Oriental do poder de Artigas, a forma como o Brasil adminis-
trava a região ao longo dos anos provocou um descontentamento crescente, além disso, o inte-
resse de Buenos Aires por aquela parte do Prata nunca deixou de existir. 
Em 1825, começam as primeiras insurgências contra o domínio brasileiro da Banda Oriental. 
Num primeiro momento, as próprias forças locais incitam a rebelião dos descontentes – entre 
eles alguns pequenos caudilhos -, mas depois solicitam o apoio de Buenos Aires e outras provín-
cias do Rio da Prata. Tanto o Brasil como Buenos Aires, para justificarem o porquê da anexação da 
Banda Oriental, alegavam existir um suposto “direito natural” sobre ela (PRADO).
O impasse estava posto e a alternativa escolhida para resolvê-lo foi a guerra. O conflito ter-
minou sem, necessariamente, uma vitória do confronto armado entre as duas partes – nesse mo-
mento, com a polarização Brasil versus Orientais. Assim, aconteceu por causa da intervenção da 
Inglaterra que, interessada nos ganhos econômicos em negociações com a região, tinha interes-
se que a guerra cessasse logo. Exercendo seu forte poder de influência sobre os dois principais 
envolvidos na guerra, os ingleses conseguiram que um Tratado de Paz fosse assinado em 1828 e 
concedida a independência do Uruguai. 
Nasce, então, o Estado do Uruguai. Desenlace que nem havia sido pleiteado pela Banda 
Oriental, que tinha como objetivo a emancipação e uma possível anexação às Províncias Unidas 
do Rio da Prata, e não a constituição de um Estado independente.
A consolidação do novo Estado viria a enfrentar muitos percalços. Afora o interesse dos vizi-
nhos que, por um bom tempo, não se esvaiu totalmente, validar uma Constituição de amplitude 
e aceitação em todo o território foi uma tarefa atingida várias décadas depois. O caudilhismo ex-
plodiu no Estado recém-surgido e a intensa disputa pelo poder levou o Uruguai à guerra civil. 
Os dois maiores caudilhos, Manuel Oribe e Fructuoso Rivera, que lideravam as duas prin-
cipais facções políticas, respectivamente o Partido Blanco e o Partido Colorado, se enfrentaram 
violentamente, levando vários países estrangeiros a intervir na disputa – apoiando um dos lados, 
até porque os dois caudilhos representavam projetos diferentes - como a Inglaterra, o Paraguai, a 
Argentina e o Brasil. 
Algum tipo de tranquilidade somente foi possível em meados da década de 1850, momento 
em que o Uruguai, devastado pela guerra, tem várias de suas propriedades de terras compradas 
Figura 19: Mapa do 
atual Uruguai; a Banda 
Oriental
Fonte: Disponível em 
<http://www.britannica.
com/EBchecked/topi-
c-art/620116/61903/>. 
Acesso em 14 out. 2010.
►
37
História - História das Sociedades Americanas II
por estrangeiros; grande parte pelos brasileiros. O Estado uruguaio, até 1864, era bastante frágil, 
sendo o poder ainda disputado pelos caudilhos. Nesse mesmo ano, o Brasil intervém novamente, 
apoiando um dos caudilhos, Venâncio Flores, um dos líderes do Partido Colorado, que vence a 
disputa.
A Argentina foi onde o caudilhismo se manifestou com toda a força. Tanto que, fragmentado 
e imerso em acirradas disputas caudilhistas, o Estado argentino somente passou por um momen-
to de ampla consolidação a partir de meados da década de 1860. Antes disso, apenas entre 1826 
e 1827, quando Bernardinho Rivadavia era Presidente, em que houve uma tentativa de unificar e 
centralizar o Estado.
A corrente política que se sobressaiu na década de 1830 foi a federalista. O poder era di-
vidido entre três caudilhos federalistas: Juan Manoel de Rosas, Facundo Quiroga, e Lopez. Com 
a morte dos dois últimos, Rosa que era o Presidente da província de Buenos Aires desde 1829, 
passou a exercer o poder em todo o país. E por um longo tempo. Entre 1829 e 1832 e de 1835 a 
1852, realiza um governo duríssimo, de forma autoritária e de forte perseguição aos inimigos po-
líticos (BUSHNELL, 2001; PRADO, 1994).
Como é possível perceber, a postura de Rosas não tem quase nada de princípios federalistas 
– que têm suas premissas principais fundamentadas em ideias liberais. Ele submetia os caudilhos 
menores ao seu poder e, apesar de responder pelas Províncias Unidas, atendia, sobretudo, a pro-
víncia de Buenos Aires, a mais rica, e a qual presidia. 
Como grande proprietário de terras, Rosas defendia ardorosamente os interesses em prol 
dos latifúndios agrários. Mais do que um Estado organizado em unidades federativas, na Argen-
tina vigorava o modelo das grandes propriedades rurais. Poderosos estancieiros arregimentavam 
em torno de si todo um sistema econômico e social, ao mesmo tempo oferecendo proteção no 
caso de conflitos e também recrutando os peões para a guerra, quando necessário.
Rosas procurava exercer um amplo controle: a ele estavam submetidas a burocracia admi-
nistrativa, a justiça e a imprensa, nas quais interferia diretamente sempre que julgasse necessá-
rio. Ele era a lei.
A política de Rosas incomodava os Estados vizinhos, seja pelo enorme exército que manti-
nha, fazendo com que se sentissem ameaçados, seja por prejudicar os interesses econômicos, 
entre outras posições, ao tomar atitudes como não permitir o livre acesso aos canais fluviais de 
navegação sob seu controle.
◄ Figura 20: Abordagem 
da Corveta de Maceió, 
de Eduardo de Martino 
(1873)
Fonte: SCHMIDT, Mario 
Furley, 2005, p. 379.
DICA
A experiência com 
governos autoritários 
é uma das marcas de 
quase toda a América 
Espanhola. Traços de 
autoritarismo se esten-
dem inclusive à história 
recente dos Estados 
hispano-americanos. 
38
UAB/Unimontes - 5º Período
O descontentamento em relação a Rosas teve como desfecho uma ação contra ele promovi-
da pela união do governador da província argentina de Entre Ríos, Justo José de Urquiza, e o go-
verno de Montevidéu e do Brasil. Em 1852, Rosas é derrotado. Mas tirá-lo do poder não foi fácil; a 
luta armada para derrubá-lo havia começado em 1839.
A unificação da Argentina apenas ocorre em 1861, quando Bartolomé Mitrederrota Urquiza 
através de um confronto armado. Mitre é eleito Presidente no ano seguinte. Buenos Aires final-
mente se integra à Confederação Argentina, da qual ficou fora por decisão própria em 1852, um 
pouco antes da unificação de outras partes e uma Constituição elaborada em 1853, que tornava 
a Argentina um Estado liberal e republicano (PRADO, 1994).
O caudilhismo também estava presente no Paraguai, mas de maneira peculiar em relação aos 
países vizinhos. Após a independência, o Paraguai não se fragmentou como a Argentina e Uru-
guai, onde vigorou um forte caudilhismo regional. Os caudilhos que vieram a assumir o poder 
no Paraguai atingiram poderes e força suficientes para estabelecerem uma ditadura de alcance 
em todo o território paraguaio. O primeiro deles foi o advogado criollo José Gaspar Rodríguez de 
Francia, que governou com amplos poderes de 1813 até a sua morte, em 1840. Praticamente não 
havia nada que pudesse cercear o poder que exercia, o que resultou numa ditadura implacável.
O poder do ditador era tanto que interferia diretamente nas propriedades privadas e no co-
mércio; e isso contribuiu, por exemplo, para que não existissem no Paraguai poderosos latifun-
diários como nos países vizinhos, muito menos para insurgências regionais. A mão pesada do 
ditador era o elemento unificador, dispondo de violência sempre que julgasse necessário. Para 
se manter no posto e administrar, Francia dispunha de enorme contingente militar, responsável 
pela maior parte dos gastos do governo.
O sucessor de Francia, Carlos Antonio López governou – com poderes ditatoriais – até 1862, 
ano de sua morte. Assumindo o seu lugar o próprio filho, Francisco Solano López.
O Paraguai ainda interessava a alguns caudilhos argentinos que viam nele uma forma de 
fazer frente ao liberalismo e centralismo que ganhara força no Rio da Prata. Desde o governo do 
pai de López, o Paraguai estava fazendo um esforço para atingir algum grau de modernização, 
investindo em tecnologias de produção e também no aparato militar. O aumento da frota naval 
militar e o exército mais bem provido de recursos de guerra contribuíram para que o ditador pa-
raguaio adotasse uma postura cada vez mais pedante em relação à convivência com os Estados 
vizinhos.
Francisco Solano López não via com bons olhos a expansão da influência brasileira no Sul 
e mesmo no Rio da Prata; também não morria de amores pelos argentinos. Aumentou o clima 
de tensão ao não permitir a livre navegação nos canais fluviais fronteiriços com o Paraguai. Ao 
impedir as embarcações dos vizinhos em alguns rios, provocou o descontentamento dos brasi-
leiros e argentinos. O Brasil via como essencial para o Império a livre navegação nos rios Paraná e 
Paraguai. O interesse no Paraguai, porém, não se 
resumia apenas à questão da navegação – tanto 
Brasil como Argentina também tinham interesses 
em certos territórios do Paraguai.
O envolvimento do Brasil em 1864 na guer-
ra interna do Uruguai, em que os dois principais 
partidos se enfrentavam, apoiando os colorados, 
desagradou López, que não queria a intervenção 
do Brasil no conflito. Ele então decide invadir o 
Mato Grosso e tenta conseguir uma autorização 
para cruzar o território da Argentina para comba-
ter o Brasil, mas não obtém a autorização e acaba 
declarando guerra à Argentina e invadindo Cor-
rientes.
Então, Brasil, Argentina e Uruguai decidem se 
unir para lutar contra López, formando a chamada 
Tríplice Aliança, afiançados pela Inglaterra. Con-
cordaram que era preciso não só extirpar as tro-
pas paraguaias das regiões que invadiram, como 
também derrotar López e destituí-lo do poder. O 
conflito armado que havia começado em 1864 
durou vários anos, terminando apenas em março 
de 1870, quando López morre na batalha de Cerro 
Corá.
DICA
Há um interessante 
documentário sobre 
a Guerra do Paraguai. 
Dirigido por Sylvio Back 
e lançado em 1987, “A 
Guerra do Brasil” que 
aborda o conflito ocor-
rido entre 1864 e 1870, 
misturando ficção e 
“realidade”, conta inclu-
sive com depoimentos 
de historiadores sobre o 
episódio. Confira e am-
plie o conhecimento. 
Figura 21: A Guerra do 
Paraguai (1864-1870)
Fonte: ARRUDA, José Job-
son de A.; PILETTI, Nelson, 
2005, p. 287.

39
História - História das Sociedades Americanas II
A longa resistência e os custos sociais da guerra arrasaram o Paraguai. Alguns dos números 
sobre o conflito, apresentados por Maria Ligia Prado, mostram a dimensão do conflito:
De uma população que era de, aproximadamente, 400 mil habitantes, em 
1864, perdeu metade, durante a guerra, ficando reduzida em 1872 a 231 mil 
pessoas, sendo a grande maioria composta por mulheres, crianças e velhos 
(PRADO, 1994, p. 56).
O Paraguai entrou numa grave crise. Os países da Tríplice Aliança também acabaram sofren-
do as consequências econômicas do custo que despenderam durante a guerra, ficando endivi-
dados com a Inglaterra.
Os caudilhos, em alguns poucos casos, conseguiram contribuir para que a ordem fosse man-
tida, como aconteceu no Chile do caudilho Diego Portales, que depois acabou conseguindo se 
organizar como um Estado republicano livre dos caudilhos que haviam surgido no período inicial 
pós-independência. 
2.3 América Central
Após a independência da América Central, na sua maior parte obtida sem guerra direta com 
os espanhóis, surgiram características semelhantes às observadas em diversos Estados da Améri-
ca do Sul que também estiveram sob colonização espanhola, como a militarização, movimentos 
regionalistas e a devastação da economia. Houve uma proliferação de caudilhos na região.
A libertação do jugo espanhol não implicou automaticamente no início da formação dos Es-
tados Nacionais. O percurso para que isso acontecesse foi longo, sendo que vários dos Estados 
que nasceram surgiram exatamente da dissidência entre as regiões que antes tinham, pelo me-
nos, algum tipo de unidade assegurada pela monarquia espanhola; os ex-vice-reinos e capitanias 
não conseguiram assegurar uma unidade política e econômica. 
◄ Figura 22: A esquadra 
brasileira no canal de 
Paso de la Patria, de C. 
Lopes.
Fonte: SCHMIDT, 2005, 
p. 380.
DICA
A alta debilidade eco-
nômica é um problema 
que atinge até os dias 
de hoje o Paraguai. O 
país é a maior rota de 
comercialização e envio 
de produtos contraban-
deados para o Brasil e 
outros países da Amé-
rica do Sul. A pirataria 
atingiu no Paraguai 
proporções impressio-
nantes.
◄ Figura 23: 
Independência no 
México e na América 
Central
Fonte: ALBUQUERQUE et 
al., 1983 apud DREGUER; 
TOLEDO, 2006, p. 67
40
UAB/Unimontes - 5º Período
A baixa densidade demográfica e a pouca pujança econômica contribuíram para que, no 
período colonial, essa região fosse menos importante para os espanhóis. Fator que contribuiu 
para a pouca resistência dos espanhóis às tentativas de independência, e que se tornou, poste-
riormente, um obstáculo para a formação dos novos estados centro-americanos, por dificultar a 
unidade política e econômica. As principais dificuldades para a consolidação e integração dos 
Estados da América Central após a independência são:
• Baixo povoamento.
• Economia fraca e pouco voltada para o mercado de exportação.
• Sistema de comunicação precário.
• Forte regionalismo; prevalecendo interesses localistas.
• Preponderância dos latifúndios como condutores da economia.
O baixo desenvolvimento econômico, social e a instabilidade política tornaram-se uma mar-
ca dos países centro-americanos do pós-independência aos dias atuais. A própria soberania de 
muitos desses Estados Nacionais é colocada em cheque pela forte interferência norte-americana 
na região, sendo que, em alguns países, a intervenção é direta, especialmente nos casos do Pana-
má, Nicarágua e Cuba – fundamentais na política geoestratégica dos Estados Unidos.
Além de tomarparte do território do México independente no século XIX, a política externa 
estadunidense pautou muito dos rumos que a América Central tomou no século XX. Os norte-
-americanos impuseram um rigoroso controle das configurações políticas dos países da região, 
com o propósito de barrar qualquer governo antiamericano ou que não endossasse seus interes-
ses, como ressalta Alain Rouquié:
De uma maneira geral, a crispação neocolonial americana conduziu os Estados 
Unidos a apoiarem na região não importa qual regime, contanto que fosse cla-
ramente pró-americano, e a derrubarem, ou pelo menos desestabilizarem, todo 
governo que tentasse sacudir a tutela do grande irmão, ferisse seus interesses pri-
vados e, genericamente, o modo de produção capitalista (ROUQUIÉ, 1991, p. 32).
Alain Rouquié não suaviza nas palavras e define a atitude dos Estados Unidos como “hege-
monia mesquinha”, pelo fato de o país apoiar forças políticas centro-americanas nem sempre 
alinhadas com princípios democráticos como forma de tentar obstruir movimentos vistos como 
possíveis obstáculos para os anseios norte-americanos, tais como a ajuda às guerrilhas contra-re-
volucionárias da Nicarágua contrárias ao poder sandinista e a intervenção militar na República 
Dominicana em 1965 “para evitar uma nova Cuba” (ROUQUIÉ, 1991).
A postura dos Estados Unidos em relação à América Central faz parte da estratégia de ma-
nutenção de sua hegemonia militar e econômica. No que diz respeito à economia, o comporta-
mento nem tanto passa pela eminente necessidade de exploração comercial da América Central, 
mas pela imperativa importância geográfica da região – que permite o deslocamento interoceâ-
nico de embarcações marítimas militares e comerciais (por meio do Canal do Panamá) e a opera-
ção de um sistema de vigilância, visando coibir possíveis tentativas de ataque ao território ameri-
cano, visto que vários países estão localizados consideravelmente próximos.
As constantes intervenções dos norte-americanos – seja por cooptação das forças políticas 
locais ou através de operações militares – afetam a soberania de muitos países centro-america-
nos de tal forma que suscita o questionamento sobre a independência que alcançaram, pois fi-
caram livres da colonização espanhola, mas sob domínio dos Estados Unidos. Nesse contexto, os 
casos de Cuba, Nicarágua e Panamá são os mais emblemáticos.
2.3.1 Cuba
A independência de Cuba foi alcançada tardiamente. Enquanto a maioria das regiões sob 
domínio dos espanhóis se livrava de seus colonizadores entre 1811 e 1838, Cuba vivia nesse pe-
ríodo e nas décadas seguintes, um momento de forte aumento do trabalho escravo. Em 1820, 
pressionada pela Inglaterra, a Coroa espanhola aceitou abolir legalmente o tráfico de escravos. 
Mas, com o açúcar tornando-se cada vez mais importante para a economia, o comércio clandes-
tino de escravos continuou sendo realizado em larga escala.
A importância de Cuba para os espanhóis cresceu progressivamente, à medida que eles per-
diam suas outras colônias. A ordem do governo espanhol era preservar Cuba e Porto Rico. Para 
tanto, a partir da década de 1820, botou 40 mil soldados na ilha visando assegurar a colonização. 
41
História - História das Sociedades Americanas II
Surgiram várias tentativas de anexação de Cuba aos Estados Unidos, intenção provinda dos dois 
lados – ainda que não compartilhada por todos. Em pleno momento de instabilidade da monar-
quia espanhola, provocada pelas guerras napoleônicas e as lutas de emancipação de várias colô-
nias do continente americano, Thomas Jefferson fez a proposta de comprar a ilha, a qual não foi 
aceita.
O interesse dos norte-americanos pela anexação de Cuba não parou por aí. Nas décadas 
subsequentes outras tentativas de comprar a ilha foram feitas; nenhuma bem-sucedida. Uma ex-
pedição para tomar a ilha chegou a ser criada em Nova Orleans em 1849, tendo à frente o ge-
neral rebelde espanhol Narciso López. No ano seguinte, ele desembarcou na ilha com a missão 
de proclamar a independência de Cuba e, na sequência, anexá-la ao território norte-americano; 
porém, o plano foi descoberto e López preso. 
Os políticos do Sul dos Estados Unidos tinham todo o interesse na anexação de Cuba. A for-
te produção açucareira da ilha, movida a trabalho escravo, de alguma forma também contribuiria 
para a manutenção do escravismo em vigor na região Sul estadunidense. A integração de Cuba 
foi um sonho cultivado nos anos 1850 pela Jovem América. Outras tentativas de compra foram 
realizadas, sem sucesso. Projetos de invasão e tomada de poder foram esboçados; nenhum leva-
do a cabo. Várias correntes internas de Cuba foram, em diversos momentos, favoráveis à anexa-
ção – especialmente quando os liberais assumem o poder na Espanha – levando os latifundiários 
cubanos a temerem a supressão do trabalho escravo.
A influência dos movimentos de independência que ocorreram fartamente no século XIX 
não passou ilesa por Cuba. Partidários da emancipação, já no reinado de Fernando VII, se mo-
bilizaram para tentar conquistar a independência junto à monarquia espanhola. Três deputados 
cubanos recorreram às Cortes espanholas reivindicando a autonomia da ilha, chegando a obter 
um voto favorável. Fernando VII não simpatizou nem um pouco com a ideia e, por causa disso, os 
três homens tiveram que fugir para os Estados Unidos (POMER, 1990). 
Os grandes latifundiários – sempre preocupados com a manutenção do monopólio e dos 
privilégios – não pensavam em outro modelo político para Cuba; quando muito, na anexação 
aos Estados Unidos. Preocupados com problemas nas colheitas recentes, falta de acesso a finan-
ciamentos e dificuldades no transporte da produção, sentiam-se desprivilegiados. Alguns tinham 
dinheiro suficiente para bancar os estudos dos filhos na Europa ou Estados Unidos – que, ao re-
tornarem, deparando-se com a situação dos pais, lançavam mão de ideias liberais (que conhece-
ram lá fora) para a mobilização política. Surge daí a primeira guerra pela independência de Cuba, 
que durou dez anos (1868-1878), tendo como desfecho a derrota dos rebeldes (BETHELL, 2001).
O principal eixo econômico de Cuba era a indústria açucareira. A produção de café e tabaco 
também era significativa, embora em proporção inferior. A mão de obra escrava continuou sen-
do explorada intensamente, até ser abolida gradativamente entre 1880 e 1886, fato que os pro-
prietários de terras tentaram evitar de toda maneira. Os norte-americanos tornaram-se cada vez 
mais importantes para o comércio de açúcar cubano, comprando praticamente toda a produção 
da ilha.
Em pouco mais de uma década e meia, a luta pela independência de Cuba veio à tona com 
toda força. Em 1895, visando assegurar uma de suas últimas e mais importantes colônias, a Espa-
nha enviou a Cuba 400 mil soldados, contingente militar que corresponde, como afirma James 
Scobie (1991, p. 181), a um soldado espanhol para cada três habitantes da ilha. E a diferença em 
relação ao conflito que marcou a primeira luta pela independência (1868-1878), destaca o autor, 
é que a guerra, dessa vez, mobilizou toda a ilha.
O novo movimento pela independência é impulsionado pela participação dos exilados. En-
tre os quais estava José Martí, a principal liderança dos atos de contestação. Formado em Direi-
to e em Filosofia e Letras – cursos concluídos durante o exílio na Espanha –, Martí dedicou-se 
entusiasticamente à emancipação cubana. Além de organizar grupos de exilados, realizou con-
ferências e publicou textos visando conscientizar a população para a causa da independência. 
Em 1892, fundou o Partido Revolucionário Cubano e, através dele, preparou as ações estratégicas 
para livrar de vez a ilha da colonização espanhola. 
O clima de sublevação pairava sobre Cuba, deixando os espanhóis em alerta. Ao decidir pela 
ação armada, Martí e companheiros do Partido Revolucionário Cubano iniciaram o confronto;juntos, também estavam ex-líderes da Guerra dos Dez Anos, como os generais Antonio Maceo e 
Máximo Gomez. Mas logo no início Martí morre num dos combates. Mesmo sem o grande líder, a 
luta armada continuou.
Desigual, o confronto não oferecia grandes chances dos rebeldes vencerem o poderio mili-
tar espanhol. Embora o embate tenha provocado a instabilidade da ilha, a intervenção norte-a-
mericana foi crucial para o desenlace do processo que resultaria na independência de Cuba. 
42
UAB/Unimontes - 5º Período
Motivados pelos seus fortes interesses geopolíticos, militares e econômicos, os norte-ame-
ricanos não assistiriam à tentativa de independência cubana de braços cruzados. Favorável à 
emancipação, por ver como ameaça a presença espanhola e de outros países europeus na re-
gião, o governo estadunidense declarou guerra à Espanha em 1898, depois de ter seu navio de 
guerra, o Maine, afundado pelos espanhóis no porto de Havana.
Sem possibilidades de resistir à guerra por mais um longo tempo, a Espanha, através do Tra-
tado de Paris – que concebe o fim da guerra com os Estados Unidos – aceita a independência de 
Cuba e ainda concede aos norte-americanos a ilha de Porto Rico e as Filipinas.
A segunda guerra pela independência de Cuba (1895-1898), portanto, culmina com a eman-
cipação da ilha. A tão almejada independência de Cuba foi finalmente alcançada. Estaria, assim, 
Cuba, realmente independente? 
Livre dos espanhóis, mas submetida aos Estados Unidos. Esse é o destino de Cuba, que do 
pós-independência aos dias de hoje sempre esteve sob constante intervenção (direta ou indire-
ta) norte-americana. A partir da Revolução Cubana, em 1959, com a instauração de um governo 
comunista, comandado por Fidel Castro, as relações entre norte-americanos e cubanos são rom-
pidas; acaba a influência americana dentro da ilha. Tornam-se inimigos. E, lançando uso de toda a 
sua influência de potência mundial, os Estados Unidos aplicam um severo embargo econômico a 
Cuba, proibindo outras nações de manterem relações comerciais com o país.
No início, os Estados Unidos não queriam a guerra com os espanhóis. Mas com o intuito de 
assegurar a hegemonia americana na região do Caribe, o Presidente em exercício, William McKin-
ley, pediu para que o Congresso autorizasse a intervenção e a pacificação de Cuba. Solicitação que 
foi atendida sob certas condições. Alguns congressistas queriam que Cuba tivesse um governo 
próprio, mas McKinley se recusou a aceitar a proposta. O impasse chegou ao fim com a chamada 
emenda Teller, uma solução que versava sobre o descarte da necessidade de anexação de Cuba 
aos Estados Unidos e a concessão de autonomia de governo aos próprios cubanos (SMITH, 1991).
O objetivo dos norte-americanos era instaurar um governo republicano em Cuba. Proviso-
riamente, a ilha passou a ser comandada por generais estadunidenses, até que, em 1902, assume 
o primeiro Presidente cubano, Estrada Palma. A boa intenção dos norte-americanos, porém, não 
vai tão longe assim. Antes, trataram de garantir dispositivos legais que permitissem a interven-
ção na ilha em certos casos. Por meio da emenda Platt, inseriram artigos na Constituição cubana, 
colocados como condição para a retirada norte-americana e aprovados em 1901. 
Segue abaixo alguns dos pontos mais importantes assegurados pela emenda Platt:
• Restringia acordos militares com potências estrangeiras;
• Limitava a contração de dívida pública;
• Autorizava a intervenção militar no caso de qualquer desordem e instabilidade que colocas-
se em risco a nova República;
• Estipulava o arrendamento de terras para a instalação de bases navais militares;
• Criava tarifas preferenciais ao comércio de açúcar entre os dois países.
O dólar tornou-se a moeda corrente em Cuba. Apenas em 1915 é emitida a moeda nacional. 
O ensino da História dos Estados Unidos e da língua inglesa, após a independência, tornou-se 
obrigatório na ilha. As intervenções militares na Cuba pós-independente foram frequentes, com 
o governo estadunidense desembarcando na ilha, os marines para conter as insurreições do Par-
tido Liberal, o que ocorreu entre 1906 e 1909, e 1917 (PRADO, 1994).
Apesar do nível de interferência dos Estados Unidos em Cuba, impressiona a capacidade de 
reação e de contestação dos cubanos diante de tamanha força hegemônica. Como destaca Maria 
Ligia Prado, a “ilha caracterizou-se pela existência de uma oposição atuante e destemida aos go-
vernos instituídos, assim como movimentos sociais que desempenharam um importante papel 
histórico, a despeito da tutela norte-americana” (PRADO, 1994).
O caso de Cuba é o mais emblemático da política internacional dos Estados Unidos para a 
América Central e Caribe – desenvolvida de maneira consideravelmente mais agressiva e inter-
ventora do que na América do Sul. Cuba transformou-se num dos maiores símbolos de contesta-
ção à supremacia planetária estadunidense no século XX. 
2.3.2 Nicarágua
A América Central ficou livre dos espanhóis em 1921. Formada, neste momento, por Gua-
temala, El Salvador, Honduras, Nicarágua e Costa Rica, a antiga Capitania e Reino da Guatemala 
sofreu pressões do General Iturbide para que se anexasse ao México. O comandante do Reino da 
GLOSSÁRIO
Marines: são os fuzilei-
ros navais norte-ameri-
canos.
DICA
Apesar de ter sofrido 
uma forte interferência 
direta norte-americana 
por várias décadas, 
a hostilidade entre 
Cuba e Estados Unidos 
chegou a um patamar 
impressionante. Um dos 
marcos dessa situação 
é instalação de uma 
base de mísseis na ilha 
pela União Soviética no 
período da Guerra Fria, 
que mirava o território 
estadunidense. 
O episódio provocou 
a imposição de um 
implacável embargo 
econômico a Cuba que 
perdura até os dias de 
hoje.
Vejam a matéria da 
revista Veja, publicada 
em 1962, que está 
disponível no site da 
publicação:<http://veja.
abril.com.br/historia/cri-
se-dos-misseis/especial-
capa-eua-urss.shtml>. 
43
História - História das Sociedades Americanas II
Guatemala, Gabino Gaínza, colocou a questão para que fosse discutida e votada nos cabildos das 
cidades. A maioria dos votos foi favorável à anexação. Tendo o parecer – e buscando evitar o con-
flito com o México –, Gaínza anuncia a junção em 1822. 
A anexação dura pouco mais de um ano. Em 1823 os desmandos de poder de Augustín de 
Iturbide – já na condição de Imperador, obtida no ano anterior –, provoca uma forte reação con-
tra ele. Em março deste mesmo ano, abdica. O general Filísola, que se encontrava na Guatemala 
a pedido de Gabino Gaínza, decide restabelecer a independência da América Central em relação 
ao México, declarada em 24 de junho de 1823, num congresso com representantes das 24 pro-
víncias centro-americanas, com apenas a província de Chiapas permanecendo ligada ao México. 
Nasce, então, a República Federal da América Central.
Os interesses fortemente localistas e os conflitos decorrentes deles contribuíram significati-
vamente para a desintegração da nova República em 1838. As províncias de El Salvador, Guate-
mala, Honduras, Nicarágua e Costa Rica tornam-se autônomas, convertendo-se em Estados.
A Nicarágua surge, portanto, como Estado independente em 1838, assim como as outras 
províncias que integravam a República Federal da América Central. A consolidação do Estado ni-
caraguense foi conturbada. Sofreu invasões das tropas de El Salvador e Honduras e passou por 
uma violenta guerra civil entre liberais e conservadores. A economia do país – já pouco desenvol-
vida – foi devastada pelas turbulências políticas dos decênios seguintes.
No poder, os conservadores declaram, em 1854, a República da Nicarágua, e substituem a 
Carta liberal de 1838 por uma Constituição conservadora. Os liberais não aceitam e retomam o 
comando da cidade de León – que haviam perdido em 1851 – no ano seguinte e conseguem 
o controle daparte ocidental. A chegada da expedição do norte-americano William Walker tor-
na-se decisiva no embate entre liberais e conservadores (WOODWARD, 1991, p. 163). Convidado 
pelos liberais, conquistou o poder e manteve-se alinhado aos interesses dos Estados Unidos. To-
davia, numa manobra de contrapoder, o Presidente da Costa Rica, Mora, apoiado pela Inglaterra, 
arranca Walker do posto.
A participação da Inglaterra no episódio não foi gratuita. Os ingleses demonstravam, ante-
riormente à década de 1850, interesse bem maior pelo istmo centroamericano do que os Estados 
Unidos. Os ingleses aprofundaram as relações econômicas com a região e muito influenciaram 
para o estabelecimento de governos conservadores na América Central – pelos quais tinham 
simpatia. A política anticolonialista dos norte-americanos, porém, fazia com que estes acompa-
nhassem a movimentação de países europeus na região e que houvesse um esforço para a pro-
pagação da ideologia liberal nessa parte da América Continental.
A posição geográfica da Nicarágua selou seu destino diante das pretensões expansionistas 
dos Estados Unidos e de alguns países europeus. As características geográficas do país foram 
avaliadas, ainda na primeira metade do século XIX, como propícias para a construção de um ca-
nal marítimo que ligasse o oceano pacífico ao atlântico. 
O governo britânico demonstrou interesse por construir o canal pouco depois da indepen-
dência da Nicarágua. Já em 1838, um engenheiro inglês supervisionou uma rota para o canal a 
pedido do governo nicaraguense que, de imediato, provocou grande interesse a europeus e in-
clusive aos norte-americanos (WOODWARD, 1991). 
Com a descoberta de ouro na Califórnia, em 1838, o interesse dos Estados Unidos pela aber-
tura do canal cresceu muito, a ponto de, alguns anos depois, a disputa pela possível construção 
e exploração de um canal na Nicarágua resultar no tratado de Clayton-Bulwer, um acordo entre 
Estados Unidos e Inglaterra, visando evitar uma guerra entre os dois pela América Central e o 
comprometimento de ambos participarem da abertura e exploração de qualquer canal no istmo 
centro-americano. 
A abertura do almejado canal interoceânico é concretizada apenas em 1914, mas no Pana-
má. Mesmo assim, a possibilidade de construção de um canal na Nicarágua continuou sendo 
considerada. Um acordo, inclusive, chegou a ser firmado, garantindo o direito eterno de os norte-
-americanos construírem um canal que perpassasse o território do país.
As intervenções norte-americanas foram várias. Em 1909, o governo estadunidense apoiou 
o golpe conservador que derrubou Santos Zelaya; e entre 1912 e 1933, durante quase todo esse 
período, ocupou militarmente a Nicarágua. Lembrando que, um pouco antes, os ingleses tam-
bém chegaram a ocupar a Mosquitia, região da costa atlântica da Nicarágua, onde permanece-
ram de 1843 a 1894.
Apesar da opressão constante, houve na Nicarágua vários movimentos de contestação e re-
sistência às ingerências estrangeiras no país. José Santos Zelaya, que exerceu a presidência entre 
1893 e 1909, tomou várias atitudes contra a interferência estrangeira. Expulsou os ingleses da 
Mosquitia em 1894 e não correspondeu aos ‘direitos’ de construção do canal interoceânico rei-
44
UAB/Unimontes - 5º Período
vindicados pelos norte-americanos – e, ainda por cima, procurou despertar o interesse de outros 
países para o cumprimento de tal posicionamento. Resultado de sua atitude: provocou a ira dos 
norte-americanos, que deram apoio diplomático ao golpe conservador que o derrubou em 1909 
(PRADO, 1994).
O líder revolucionário Augusto César Sandino é outro importante nome que combateu a in-
terferência estadunidense na Nicarágua. Ele comandou a forte rebelião contra a presença militar 
dos Estados Unidos entre 1827 e 1933. Adotando táticas de guerrilha, Sandino comprometeu-se 
a cessar a luta com a retirada das tropas do exército ianque. Os americanos até saíram do país, 
mas Sandino acabou executado numa emboscada preparada por Anastazio Somoza, chefe da 
Guarda Nacional Nicaraguense.
A formação e a atuação da Frente Sandinista, a partir da década de 1960, mostram que a 
interferência norte-americana – direta ou indiretamente – não cessou; e os protestos e as reações 
também não.
Os posicionamentos na Nicarágua em relação à invasiva política internacional norte-ame-
ricana continuam, ainda hoje, marcados pela forte disputa de poder que há no país. Os liberais, 
apesar de, em determinados momentos, terem contado com as massas populares, inclusive na 
luta contra os norte-americanos, no poder, estão mais interessados em interesses próprios do 
que nos anseios populares.
2.3.3 Panamá
A materialização do canal interoceânico tão sonhado pelos Estados Unidos ocorreu no Pa-
namá. 
Situado entre Colômbia e Costa Rica, o Estado do Panamá nasce em 1903. É fruto de uma 
ação direta dos norte-americanos que, desejosos pela construção do canal que ligasse os dois 
oceanos – pacífico e atlântico –, incitaram a independência da região que se constituiu no Estado 
do Panamá.
Figura 24: Panfleto 
de divulgação da 
Junta do Governo 
de Reconstrução 
Nacional, 1981
Fonte: Disponível em 
<http://polarch.sas.
ac.uk/pages/latin_pam-
ph.htm>. Acesso em 22 
set. 2010.
►
GLOSSÁRIO
Canal de Suez: canal 
que liga o Mar Vermelho 
ao Mar Mediterrâneo, 
com mais de 160 km 
de extensão, e que foi 
inaugurado em 1869. 
Foi construído com o 
objetivo de ligar a na-
vegação marítima entre 
Europa e Ásia, assim 
encurtando distância, 
já que sem ele era ne-
cessário, dependendo 
do destino, contornar o 
continente africano.
45
História - História das Sociedades Americanas II
O início da escavação havia começado antes pela Companhia Universal do Canal Interoceâ-
nico na década de 1880, com projeto comandado pelo francês Fernando de Leseps, responsável 
pela construção do Canal de Suez, com a autorização do governo colombiano. A obra não trans-
correu no curso de tempo esperado e contou com várias adversidades, desde dificuldades téc-
nicas a problemas como a alta mortalidade de trabalhadores envolvidos, provocadas tanto por 
acidentes de trabalho como por doenças tropicais. Depois de quatro anos a Companhia faliu.
Os norte-americanos, então, se ofereceram para comprar a Companhia e prosseguir com a 
obra. Em 1902, o congresso dos Estados Unidos autorizou a compra da construtora, o que foi 
acordado no Tratado Hay Herrán, assinado com a Colômbia, em janeiro de 1903. Mas, para sua 
validade, era necessário também obter a aprovação no congresso colombiano. Porém foi rejeita-
do por ser considerado desfavorável aos interesses do país e comprometer a soberania sobre o 
istmo do Panamá.
Como era de se esperar, a atitude dos congressistas colombianos contrariou os norte-ame-
ricanos. Mas não apenas eles. Poderosos da região do Panamá apoiavam a continuidade da obra 
por estarem lucrando com a permanência de milhares de trabalhadores e técnicos, além da valo-
rização de suas terras (POMER, 1990).
Os norte-americanos souberam usar muito bem esse descontentamento dos proprietários 
de terras e de outros poderosos da região. O Presidente Theodore Roosevelt sugeriu que apoiaria 
um movimento pela independência do Panamá – que foi levado adiante pelas forças locais com 
a justificativa de que a atitude do congresso colombiano prejudicava a região panamenha. 
Pois bem. Os insurgentes declaram a independência do Panamá em 03 de novembro de 
1903, contando com o apoio da marinha estadunidense, posicionada na costa panamenha pron-
ta para frear qualquer tentativa colombiana de retomar o território. E a urgência dos Estados Uni-
dos para resolver a questão do canal fez com que, passados apenas cinco dias após a indepen-
dência, fosse selado o Tratado de Hay-Bunau Varilla, através do qual era garantido o direito dos 
Estados Unidos construíremo canal. Em contrapartida, o governo ianque se comprometia a asse-
gurar a independência do Panamá e garantir a ordem pública.
◄ Figura 25: Canal do 
Panamá
Fonte: ALBUQUERQUE, 
1983 apud COTRIM, 2002, 
p. 343.
46
UAB/Unimontes - 5º Período
O historiador argentino, Leon Pomer (1990, p. 43), sem sutilezas, denomina o Panamá de “ar-
remedo de Estado”, pela tamanha submissão do novo Estado aos Estados Unidos. A Constituição 
de 15 de fevereiro de 1904, destaca Pomer, consentia a intervenção norte-americana em qual-
quer parte do território panamenho no caso de perturbação da ordem pública, e incluía o direito 
dos nativos poderosos locais de arrecadarem impostos através da taxação dos produtos que en-
trassem pelos portos da zona do canal.
Os panamenhos, todavia, com o passar dos anos, começaram a reivindicar o controle do Ca-
nal. Em 1977, firmaram um acordo, por meio dos tratados conhecidos como Torrijos-Carter, em 
que foi garantida a devolução gradual da administração do canal pelo Panamá. Em 1999, final-
mente o Panamá passa a exercer o controle total do canal.
O Panamá teve uma independência – se é que podemos chamar isso de independência – 
atípica em relação à maioria dos casos das regiões que são ex-colônias espanholas. Sua emanci-
pação foi sem conflitos e não emergiu um forte movimento de resistência, como na Nicarágua e 
em Cuba. O ponto em comum entre estes Estados é que ocupam uma posição geográfica consi-
derada fulcral para o projeto de política externa norte-americana e que lhe garante a situação de 
maior potência econômica e militar em âmbito mundial. 
Nas últimas décadas, os Estados Unidos têm evitado ingerir diretamente nestes países, ado-
tando mecanismos mais sofisticados de exercer sua influência, como através de acordos econô-
micos e apoio diplomático aos setores políticos locais que não comungam do forte sentimento 
antiamericano bastante comum na América Central.
2.3.4 Conservadores e Liberais
Muitos dos que lutaram pela independência da América Espanhola possuíam sólido conhe-
cimento das ideias liberais e eram influenciados por elas. Baseavam-se nelas para elaborarem 
e explicar seus projetos de emancipação – ou seja, acreditavam na razão para a condução das 
ações humanas, na igualdade jurídica e na propriedade privada. Entretanto, tais preceitos não 
necessariamente eram concebidos da mesma forma pelos líderes da independência.
Com a independência conquistada, os letrados liberais acreditavam que o progresso, a jus-
tiça, a liberdade, iriam florescer na América Espanhola. No entanto, a cruel e longa guerra provo-
cou uma devastação geral. A economia ficou em ruínas e o poder sendo disputado acirradamen-
te por várias facções políticas.
Dado o caos instalado, não demorou muito para perceberem que a independência, por si 
só, não seria suficiente para a implantação dos princípios liberais, além disso, as sociedades ame-
ricanas eram bem mais complexas do que imaginavam.
Figura 26: Panamá
Fonte: Disponível em 
<http://www.britannica.
com/EBchecked/topi-
c-art/440784/93889/
In-a-referendum-held-
-on-October-22-Panama-
nian-voters-approved>. 
Acesso em 14 out. 2010.
►
47
História - História das Sociedades Americanas II
Até mesmo Simón Bolívar, o maior líder da revolução, já desiludido com os caminhos que 
tomavam as sociedades americanas teceu considerações pouco otimistas para o futuro do conti-
nente. Maria Ligia Prado sintetiza bem a postura de Bolívar diante dos acontecimentos:
Bolívar, durante os anos de luta pela independência, deixara escritos cantos de 
louvor à liberdade e prognosticara um porvir que faria da América um exemplo 
para o mundo. Quinze anos depois, morria doente, pobre, desiludido e só. Pou-
cos dias antes de sua morte, escreveu ao general Flores uma carta terrível, em 
que afirmava ser a América ingovernável; acrescentava que “aquele que serve a 
uma revolução ara no mar”, e que nem mesmo os espanhóis desejariam recon-
quistar a América, tal o caos instalado. Nosso destino, dizia ele, “era ser governa-
do por pequenos tiranos imperceptíveis”. Enfim, o “único remédio era emigrar” 
(PRADO, 2004, p. 70).
Outros líderes rebeldes como Carlos Maria de Bustamante e José de Irrisari, que também ha-
viam lutado pela independência, passaram a adotar posições mais conservadoras.
Bolívar adotou o princípio da onipotência, não levando em conta ou não percebendo a he-
terogeneidade de interesses que ainda existiam nas sociedades latino-americanas. Já a socieda-
de em geral, principalmente a parte pobre da população, ansiosa por melhoras, não levou em 
conta que, em tempos de transformação, frustrações são inevitáveis. E mesmo a esperança de 
possíveis melhoras é abalada, devido ao lento processo de avanço e retrocesso no qual está inse-
rida.
A independência não criou o Estado; ela fez com que a América Espanhola se tornasse inde-
pendente em relação à metrópole. O Estado ainda havia de ser consolidado, porém as divergên-
cias entre as várias facções políticas se tornaram o seu principal entrave.
A independência não rompeu totalmente com a estrutura política da época colonial. Embo-
ra o grupo criollo seja o maior beneficiado dela, podendo ocupar cargos políticos privilegiados 
– o que antes lhes era praticamente vedado – instituições como o exército e a igreja continuaram 
influentes, com poder inclusive para influenciar nos rumos políticos. 
Por outro lado, diminuir a força dessas instituições era importante para a afirmação das no-
vas repúblicas (inspiradas em ideias liberais), mas, como atendiam ao projeto político dos conser-
vadores, eram defendidas. O conflito foi inevitável.
No México e no Peru, por exemplo, onde o exército não se desintegrou como em várias par-
tes da América Espanhola, oficiais militares passaram a pleitear o poder. Também no México, a 
Igreja, como grande proprietária de terras, continuou tendo influência não apenas nas coisas do 
espírito, mas econômica. Igreja Católica que, é bom ressaltar, durante a luta de independência se 
manteve, enquanto instituição, o tempo todo do lado dos realistas. Na Colômbia, ainda que não 
tanto como no México, a Igreja tinha muita força.
BOX 2
Independência Mexicana
A Independência do México foi conquistada através de um processo de contestação à 
colonização que envolveu guerra.
O México foi colonizado pela Espanha com o advento das Grandes Navegações a partir 
do século XV. Durante quase três séculos, o território que hoje conhecemos como México es-
teve sob o domínio dos espanhóis. Foi somente no início do século XIX que um movimento 
de emancipação ganhou força e pressionou a metrópole colonizadora por sua liberdade, pois 
as divergências políticas e religiosas haviam se tornado agudas.
A luta pela Independência do México veio à tona na madrugada do dia 16 de setembro 
de 1810 quando o padre Miguel Hidalgo y Costilla passou a liderar um movimento em defe-
sa do México. Seria apenas o início de um movimento que duraria oito longos anos e passaria 
por diversas fases e dificuldades até resultar na emancipação mexicana. Inicialmente, os fa-
tores religiosos eram proeminentes no conflito, porém, com o tempo, a questão republicana 
ganhou força.
48
UAB/Unimontes - 5º Período
O processo de Independência do México não foi algo homogêneo, pelo contrário, uniu 
grupos improváveis. Foi formada uma aliança com defensores da democracia do México, que 
eram os liberais, e com defensores da implantação de uma monarquia, que eram os conserva-
dores. Esses dois grupos de perspectivas bem diversas uniram-se sob o propósito de tornar o 
México independente e, depois disso, deixar que ele escolha por si mesmo o próprio destino. 
O processo passou por várias fases, contando, inclusive, com movimentos de guerrilha.
José Maria Morelos y Pavón foi quem assumiu o movimento insurgente após a mor-
te de Miguel Hidalgo. Ele foi responsávelpor organizar uma estratégia que isolaria a Cidade 
do México, para que fosse promulgada a Independência no dia 6 de novembro de 1813. Po-
rém, em 1815, Morelos seria assassinado e a independência seria invalidada. Foi então que o 
rumo da Independência do México assumiu características de guerra de guerrilha. Entre 1815 
e 1821 destacaram-se Guadalupe Victoria e Vicente Guerrero. Em 1821, Augustín de Itur-
bide, um espanhol, passaria a defender a causa da independência. O exército da libertação 
entraria na Cidade do México forçando a renúncia do Vice-rei espanhol e a assinatura do Tra-
tado de Córdoba, no dia 24 de agosto de 1821, que reconhecia o México como nação inde-
pendente. No entanto, Iturbide se autoproclamou imperador, o que levou a uma rebelião dos 
mexicanos. O movimento contra Augustín Iturbide levou à criação dos Estados Unidos Mexi-
canos, em 1823, consagrando Guadalupe Victoria como primeiro presidente do país no ano 
seguinte.
Fonte: Disponível em <http://www.infoescola.com/historia/independencia-do-mexico/>. Acesso em 28 out. 2010.
As posições políticas e as premissas de conservadores e liberais podiam variar de um lugar 
para o outro, mas, através de uma distinção genérica, é possível perceber as principais diferenças 
do projeto político de ambas as correntes.
QUADRO 2 - Diferenças entre conservadores e liberais
Conservadores Liberais
Monarquia como sistema político ideal. 
Apoio a governos autoritários e de caudilhos.
República como sistema político.
Utilização da Igreja e do exército como apoio 
político.
Separação entre Igreja e Estado. 
Menos poder ao exército.
Maior restrição aos direitos sociais. Na teoria, defesa de igualdade de direitos a 
todos; na prática, usufruídos principalmente 
pelas elites.
Fechados à participação das massas na 
política.
Maior representação política das massas no 
poder; sistema de voto direto ou indireto.
Educação permeada por princípios religiosos. Educação laica.
Fonte: Elaboração própria.
Os liberais, apesar de todo o discurso de direitos iguais no poder, restringiam os privilégios 
às elites. E as muitas promessas feitas a brancos pobres, negros e índios, praticamente não foram 
cumpridas – a condição de desfavorecimento desses grupos sociais pouco se alterou. Até mesmo 
a abolição da escravidão, uma das principais promessas da campanha de independência, demo-
rou, na maioria dos casos, várias décadas para acontecer – e mesmo, muitas vezes, por pressão 
internacional.
Para se manterem no poder, os liberais, em diversos casos, adotaram medidas típicas dos 
conservadores, como governar de forma autoritária e centralista. Mas como nem sempre forma-
vam um grupo homogêneo, havia críticas a tais atitudes dentro do próprio grupo, as quais po-
diam surtir algum tipo de efeito ou não.
Houve lugares que, por circunstâncias históricas, como no México e na Colômbia, enfrenta-
ram uma dura luta contra o poder econômico e ideológico da Igreja Católica; nesses países, os 
projetos políticos de conservadores e liberais foram mais antagônicos do que em outros países 
da América Espanhola. No Rio da Prata, por exemplo, a Igreja não era uma instituição tão forte e 
a consciência corporativista do exército era menor.
DICA
Nos últimos anos, uma 
das principais críticas 
feitas ao sistema políti-
co brasileiro é de que os 
partidos políticos, tanto 
de esquerda como 
de direita, na prática, 
comportam-se de modo 
semelhante no poder, 
pouco validando as 
diferenças de projeto de 
sociedade apresentadas 
no plano do discurso. 
49
História - História das Sociedades Americanas II
Portanto, as posições dessas duas correntes políticas devem ser sempre analisadas, consi-
derando o lugar e o tempo histórico. As variações são muitas, ainda que, na maioria dos casos, 
pouco radicais. Até porque, ao longo do tempo, algumas das premissas liberais também foram 
incorporadas pelos conservadores.
2.3.5 O Brasil e a “América Latina”
Quando ouvimos a expressão “América Latina”, quase sempre, é de maneira bastante difusa. 
Tanto nos meios de comunicação como em boa parte dos textos acadêmicos, o seu significado 
carece de clareza. O Brasil, ora é apresentado como integrante da “América Latina”, ora não. Fica 
tudo meio confuso, podendo gerar consideráveis dúvidas sobre a questão. Afinal de contas, o 
que é a dita “América Latina”?
O uso da expressão pelos brasileiros é comum, mas tornou-se recorrente especialmente 
a partir das últimas décadas. É claro que, para o universo não acadêmico de cidadãos, a mídia 
eletrônica e impressa cumprem papel fundamental para a disseminação da ideia de “América 
Latina” – embora a utilizem sem explicar com maior precisão do que se trata. Como esse procedi-
mento não é feito, muitas vezes o entendimento fica condicionado à capacidade de o indivíduo 
associar a expressão às diversas situações em que ela é mencionada.
A indefinição da noção de “América Latina”, todavia, tem profundas implicações no campo 
intelectual e político, nos quais é objeto de discussão de longa data. O termo está relacionado a 
discussões que se iniciaram especialmente no século XIX – engendradas com o advento da inde-
pendência dos países de colonização espanhola e portuguesa – e que versam sobre a configura-
ção política e cultural dos estados recém-independentes, seja na consolidação da formação dos 
novos Estados Nacionais ou nas relações entre as regiões que antes estavam sob o domínio de 
Espanha, Portugal e França.
A ideia de “América Latina” pressupõe certa unidade política, geográfica e cultural entre os 
países das regiões hoje conhecidas como América Central e América do Sul. Suposta unidade 
que, na prática, pouco – e em determinados casos – não existe. Por isso, vários pesquisadores 
têm apontado para os limites do que é designado pelo termo, pouco pertinente para a realidade 
e o nível de integração entre as nações latino-americanas. Os antecedentes históricos dessa si-
tuação permitem perceber as dificuldades inerentes a esse processo.
Uma série de fatores e circunstâncias históricas contribuiu para que o Brasil se mantivesse 
distanciado dos Estados hispano-americanos, como sua situação política, econômica, cultural, a 
língua e características geográficas. Especificamente no século XIX, o regime monárquico também 
era um dos principais motivos para a pouca aproximação com as repúblicas hispano-americanas.
O governo monárquico do Brasil possuía características opostas aos valores republicanos 
dos Estados hispano-americanos recém-independentes, como a manutenção da escravidão e as 
pretensões imperialistas dos portugueses em avançar sobre territórios vizinhos. O Brasil, um gi-
gante, portador de um território de tamanho próximo à metade do subcontinente sul-america-
no, assustava por sua força econômica, militar, e principalmente por ter um regime político que 
representava tudo o que a luta pela independência das ex-colônias espanholas buscou derrubar.
Entretanto, o Brasil rejeitava a configuração política das repúblicas hispano-americanas. Via-
se superior pela sua unidade política e territorial, atribuída ao regime monárquico e, portanto, di-
ferente do caos em vigor nas novas repúblicas, marcadas pela fragmentação e por violentas dis-
putas internas pelo poder; problemas apontados como oriundos da adesão às “nefastas” ideias 
liberais. Mais adiante, mesmo após o Brasil tornar-se republicano em 1889, fica cada vez mais 
explícito que as convicções ideológicas que o distanciam dos outros países não se restringem 
meramente ao campo político.
O historiador Leslie Bethell (2009) destaca que, em nenhum dos escritos de autores hispa-
no-americanos, que “primeiro utilizaram a expressão ‘América Latina’, e nem seus equivalentes 
franceses e espanhóis, incluíam nela o Brasil”. Para políticos, intelectuais e escritores, a ‘‘ ‘América 
Latina’ era simplesmente outro nomepara América Española”’. Segundo Bethell, o mesmo ocor-
ria com escritores e intelectuais brasileiros; eles não consideravam o Brasil com parte da “América 
Latina”, e interpretavam que as ligações do país eram sobretudo com a Europa – principalmente 
França e Inglaterra –, e não com a América Espanhola, a qual, aliás, viam de maneira bastante 
pejorativa.
O regime monárquico também contribuía para o distanciamento entre Brasil e Estados Uni-
dos durante quase todo o século XIX – o que começa a mudar com a instalação da República bra-
50
UAB/Unimontes - 5º Período
sileira em 1889. A partir daí, e especialmente do início do século XX em diante, há um crescente 
processo de aproximação entre os dois países. Já em meados da década de 1920, o Brasil era o 
principal parceiro comercial dos Estados Unidos e não mais a Inglaterra, e, posteriormente, veio a 
se tornar o mais importante aliado dos norte-americanos na América do Sul durante a Segunda 
Guerra Mundial.
A proximidade entre Brasil e Estados Unidos era encarada com receio pelos Estados hispa-
no-americanos, uma vez que concebiam como ameaça à soberania nacional o despontamento 
no fim do século XIX e início do XX dos norte-americanos como potência econômica e militar, e 
o aumento de intervenções que promoviam nas repúblicas da América Central e Caribe. Apesar 
da pouca proximidade entre Brasil e seus vizinhos da América do Sul, suas pretensões expansio-
nistas (territoriais e políticas) o levaram a travar três guerras na Região do Rio da Prata: a primeira 
(1825-1828) contra as Províncias Unidas do Rio da Prata, que conseguem recuperar a parte de 
seu território, a Banda Oriental tomada novamente pelo Brasil em 1921 e nomeada de Provín-
cia Cisplatina; a segunda (1851-1852) em combate ao Juan Manuel de Rosas, para isso, somando 
forças com a província de Entre Rios e com o Uruguai; a terceira (1864-1870) foi a Guerra do Para-
guai (BETHELL, 2009).
As estratégias intervencionistas do Brasil durante o século XIX, as quais, como diz Maria Li-
gia Prado (2001, p. 137), foram muito bem-sucedidas dentro dos objetivos almejados, traçaram 
um retrospecto histórico que se tornou um precedente das posições políticas brasileiras para a 
região. A proximidade do Brasil com os Estados Unidos ampliava ainda mais o receio dos países 
vizinhos em relação a ele.
Mas, conforme argumentamos, a pouca proximidade do Brasil com as repúblicas hispano-a-
mericanas não está restrita apenas aos aspectos mais eminentemente políticos. A própria histó-
ria, a cultura e a língua são fatores que influenciam significativamente nesse distanciamento. O 
Brasil foi colonizado pelos portugueses e não pelos espanhóis, como os outros países latino-a-
mericanos – o que implica diferenças na conformação social e cultural, ainda que existam pontos 
em comum em maior ou menor grau como a herança indígena e a religião católica. As diferenças 
sociais e culturais são grandes até mesmo entre os próprios países hispano-americanos, dificul-
tando a proximidade entre eles. Aspecto que mostra que os problemas de integração não se li-
mitam ao Brasil e sua relação com os demais Estados.
Os intelectuais e políticos hispano-americanos eram pouco receptivos aos Estados Unidos e, 
especialmente, dos anos 1880 até a Segunda Guerra Mundial, mantiveram uma postura de hos-
tilidade aos norte-americanos e ao pan-americanismo, porém, afora algumas raras exceções, de-
monstraram pequeno interesse pelo Brasil até anos 1920 a 1930. Ao teorizarem sobre a “Nuestra 
América”, várias denominações foram criadas, mas “seja a expressão preferida Indoamérica, Amé-
rica Indoibérica ou América Latina, o Brasil permanecia na maioria das vezes excluído”. Quanto 
aos principais intelectuais brasileiros – tais como Joaquim Nabuco, Eduardo Prado, Euclides da 
Cunha, Manuel de Oliveira Lima e Manoel Bonfim –, durante a Primeira República, embora exis-
tisse divergência no que diz respeito à aceitação da relação do Brasil com os Estados Unidos, a 
maioria tinha uma visão fortemente negativa dos países hispano-americanos. As discussões so-
bre a integração entre as nações da América pouco repercutiram no Brasil (BETHELL, 2009).
Fazendo parte de seu planejamento político e militar, os Estados Unidos – que emergiram 
como potência militar e econômica durante e após a Segunda Guerra –, através do Ethnogeogra-
phic Board, um de seus institutos de pesquisa, classificaram o mundo em “regiões”. As Américas 
foram divididas em duas: acima do Rio Grande a “América do Norte”, e abaixo dele – ou seja, a 
partir do México – as 20 repúblicas existentes foram nomeadas de “América Latina” (incluindo o 
Brasil). Essa classificação do pós-guerra em diante tornou-se bastante influente e foi assimilada 
por governos, ONGs, institutos multilaterais, fundações e universidades na Europa e Estados Uni-
dos. Os estudos a respeito da “América Latina” (a maioria sobre a América Espanhola) cresceram 
bastante nos anos subsequentes (BETHELL, 2009).
Tal classificação esbarra em limitações semelhantes às supracitadas, com a diferença de que 
a ideia de “América Latina”, dessa vez, repercute fortemente e atinge ampla aceitação. Anterior-
mente, outras expressões foram usadas para designar o mesmo processo, como “Indoamérica”, 
“América Indoibérica”, e mesmo “América Latina”, ainda que ficassem mais no terreno das especu-
lações e das possibilidades e, na maioria das vezes, sem incluir o Brasil. A concepção norte-ame-
ricana de “América Latina” desconsidera as grandes diferenças entre os países “latino-americanos” 
ao pressupor certa homogeneidade de aspectos geográficos, políticos, sociais, e culturais.
Se, por um lado, há países com forte herança da cultura indígena como México, Guatemala, 
Peru e Bolívia, por outro, na Argentina, Uruguai e Chile, grande parte da população é de ascen-
ATIVIDADE 
Apesar de, no Brasil, a 
cultura africana e dos 
índios serem mais recor-
rentemente associadas 
à cultura nacional, a 
influencia europeia é 
significativa. Há no país 
um grande número de 
imigrantes europeus e 
de descendentes – es-
pecialmente na região 
Sul e no estado de São 
Paulo.
Há páginas eletrônicas 
com muita informação, 
desde árvores genealó-
gicas das famílias que 
emigraram para o Brasil, 
aos nomes das embar-
cações que aportaram 
trazendo os imigrantes.
Algumas dicas de site:
Projeto Imigração 
Alemã: <http://www.
rootsweb.ancestry.
com/~brawgw/alema-
nha/Projeto_imigra-
cao_alema.htm>
Imigrantes Italianos: 
<http://www.imigrante-
sitalianos.com.br/>. 
Questionem a ideia 
de identidade nacio-
nal num ambiente de 
tamanha diversidade 
cultural, não apenas no 
Brasil, mas em toda a 
América Latina.
Pesquisem as outras 
etnias (índios, negros, 
japoneses, etc.).
51
História - História das Sociedades Americanas II
dência europeia (alemães, ingleses, 
espanhóis, italianos...). A presença de 
imigrantes europeus (e mesmo asiáti-
cos) e de seus descendentes no Brasil 
é significativa, especialmente no esta-
do de São Paulo e estados da Região 
Sul. Além dos traços marcantes étni-
cos e arquitetônicos de povos como 
os italianos, alemães, espanhóis, japo-
neses, o Brasil tem a herança da cul-
tura indígena, e outras tantas – com 
destaque, é claro, para a cultura ne-
gra. São vários países dentro de um 
só – deste que é sozinho do tamanho 
de cerca da metade do território da 
América do Sul e o quinto mais exten-
so do globo, com a maior população 
do subcontinente sul-americano.
A despeito de toda essa enorme 
diversidade cultural e de povos – ra-
pidamente e parcialmente citadas 
como exemplo – e das fracas relações 
econômicas e culturais entre os paí-
ses “latino-americanos”, as enormes 
disparidades entre eles, como afirma 
Alain Rouquié (1991, p. 22), “tanto sob o ângulo do tamanho como do potencial econômico ou 
do papel regional –não favorecem uma real consciência unitária, a despeito das ondas de retóri-
ca obrigada que este tema provoca sem cessar”.
Nos últimos anos, especialmente a partir da década de 1990, há um esforço político para 
uma maior integração econômica e a formação de um bloco comercial para fazer frente a outros 
blocos econômicos e ganhar força nas relações comerciais internacionais de modo geral. No caso 
da América do Sul, os esforços têm sido direcionados para a expansão e consolidação do Merca-
do Comum do Sul (MERCOSUL).
Apesar dessas ações de aproximação, de cunho político-econômico e quase nada cultural, 
a expressão América Latina está tão disseminada que, às vezes, não usá-la é quase inevitável. 
Só devemos nos lembrar de que, geograficamente, a América é dividida em três: Norte (Cana-
dá, EUA, México), Central (Ilhas do Caribe, países ao sul do México e ao norte da Colômbia) e Sul 
(países ao sul do Panamá). Economicamente a América se divide em Saxônica (Canadá e EUA) e 
Latina (demais países) e por último, temos a divisão cultural que também se dá em quatro: Saxô-
nica (Canadá e EUA), Francesa (Guiana Francesa), Portuguesa (Brasil) e Espanhola (demais países).
Referências
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◄ Figura 27: América 
Latina
Fonte: Disponível em 
<http://www.britannica.
com/EBchecked/topi-
c-art/331694/89331/>. 
Acesso em 14 out. 2010.
DICA
O MERCOSUL (Mercado 
Comum do Sul) surgiu 
em 1991, com a assi-
natura do Tratado de 
Assunção pelos gover-
nos do Brasil, Argentina, 
Paraguai e Uruguai. 
O governo brasileiro 
tem uma página eletrô-
nica especificamente 
sobre o MERCOSUL. 
Nela, estão disponíveis 
os dispositivos jurídicos, 
os acordos firmados, 
além de outras infor-
mações: <http://www.
mercosul.gov.br/>. 
52
UAB/Unimontes - 5º Período
PRADO, M. Lígia C. América Latina no século XIX: tramas, telas e textos. São Paulo: EDUSP; Bau-
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53
História - História das Sociedades Americanas II
Resumo
Depois dessa incursão no universo da independência da América Espanhola e a formação 
dos Estados Nacionais hispano-americanos, retomamos agora alguns dos principais pontos dis-
cutidos nas unidades I e II.
Unidade I
• A intensificação da exploração econômica dos Estados Unidos pelos ingleses provocou forte 
reação, gerando protestos e boicotes à metrópole.
• A política norte-americana de expansão de territórios foi extremamente violenta. Para to-
mar os territórios do país vizinho, o México, uma dura guerra foi travada, tendo como con-
sequência a derrota dos mexicanos que perderam cerca da metade de seu território para os 
Estados Unidos: as regiões hoje conhecidas como Califórnia, Novo México, Arizona e partes 
de Oklahoma, do Colorado, de Utah e Idaho.
• O descontentamento dos criollos em relação à Coroa espanhola foi um dos motores que le-
varam à eclosão dos movimentos de independência. 
• A formação das Juntas governativas, ocorridas em decorrência da prisão do Rei espanhol 
Fernando VII, tirado do poder por Napoleão Bonaparte, propiciou oportunidades para que 
surgissem as tentativas de emancipação das regiões que estavam sob o domínio da Coroa 
espanhola.
• Com a restauração do trono espanhol em 1815, com Fernando VII reassumindo o posto, é 
iniciada uma forte ação para retomar as regiões e províncias que haviam conquistado a in-
dependência. Ao final de 1816, a Espanha conseguiu restabelecer seu domínio em quase 
todos os territórios, incluindo nas principais províncias.
• A principal base do poder espanhol era o Vice-Reino do Peru. Nela era planejada e estrutura-
da grande parte das ações que visavam suprimir os movimentos de insurgência e assegurar 
o domínio da Coroa. Invadir e dominá-la passou a ser uma das principais metas dos rebeldes 
partidários da emancipação, pois era necessário extirpar de vez os realistas para que não se 
rearticulassem.
• O processo de independência de várias regiões da América Espanhola foi marcado por 
avanços e retrocessos em relação ao fim definitivo do jugo espanhol. Muitas regiões con-
quistavam a emancipação, mas depois de certo tempo eram retomadas pelos realistas – di-
nâmica essa que perdurou por um bom tempo, até que conseguissem a liberdade de forma 
irrevogável.
• Em boa parte dos casos em que são apresentadas datas que demarcam a independência de 
países como Venezuela, Colômbia, e outros, são apenas marcos simbólicos parciais, porque 
foi comum a declaração de independência, tendo conquistado apenas parte do território e 
algumas províncias.
Unidade II
• A unidade política das regiões independentes já era frágil sob a administração da Coroa es-
panhola; a emancipação, porém, provocou a fragmentação dos antigos Vice-Reinos e capita-
nias em muitas regiões autônomas.
• A independência em relação ao domínio espanhol não significou o nascimento automático 
e imediato de novos Estados Nacionais. O conflito entre as regiões impediu que isso aconte-
cesse. Logo que emancipadas, explodiram disputas internas pelos poderes locais e começa-
ram inúmeras invasões a regiões vizinhas visando à expansão de territórios, quase sempre 
por motivações econômicas e políticas.
• A consolidação dos novos Estados esbarrou no forte regionalismo, com poderosos locais, 
em muitos casos, desprezando o poder central, e eles próprios impondo suas regras políti-
cas, econômicas e sociais em suas zonas de influência.
• A implantação de princípios liberais teve como enorme obstáculo as acentuadas diferenças 
sociais, étnicas, e políticas. Características que colaboraram para a pouca adesão às premis-
sas de igualdade social.
54
UAB/Unimontes - 5º Período
• Os criollos foram os maiores beneficiados com a independência. Brancos pobres, negros e 
índios continuaram numa situação bastante desfavorecida. A abolição da escravidão, um 
dos principais pontos da campanha de independência, demorou várias décadas para que 
ocorresse em toda a América Espanhola.
• A desordem política e devastação econômica provocadas pela guerra abriram caminho para 
o caudilhismo. Os caudilhos acentuaram o regionalismo, dificultando a integração econômi-
ca e política necessária para a formação e consolidação dos Estados Nacionais.O caudilhis-
mo surgiu em praticamente toda a América Espanhola.
• No Rio da Prata, assim que a Junta de Buenos Aires foi formada, começou uma acirrada dis-
puta entre os portenhos e as outras regiões que reivindicavam a emancipação. O Estado do 
Uruguai nasceu da dissidência entre os Estados vizinhos em relação à anexação da Banda 
Oriental (o atual Uruguai).
• A denominação de América Latina para os países da América Central, do Caribe, e do Sul, 
pressupõe uma suposta unidade cultural, política e econômica que não existe na prática. 
Historicamente, os próprios Estados hispano-americanos nunca fizeram lá muita questão de 
considerarem o Brasil como uma nação irmã.
55
História - História das Sociedades Americanas II
Referências
Básicas
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Complementares
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BETHELL, Leslie. (org). História de América Latina. Barcelona: Editorial Crítica, S. A, 1991, v. 5.
BETHELL, Leslie. História da América Latina: da independência a 1870. São Paulo: Editora da 
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BUSHNELL, David. A independência da América do Sul Espanhola. In: BETHELL, Leslie. (org). His-
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COTRIM, Gilberto. História Global: Brasil e geral. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2002.
CUEVA, Augustin. O desenvolvimento do capitalismo na América Latina. São Paulo: Global, 
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DREGUER, Ricardo; TOLEDO, Eliete. História: conceitos e procedimentos. São Paulo: Atual, 2006.
FERNANDES, Luiz Estevam; MORAIS, Marcos Vinicius de. Os EUA no Século XIX. In: KARNAL, Lean-
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KARNAL, Leandro. A formação da nação. In: KARNAL, Leandro et al. História dos Estados Uni-
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56
UAB/Unimontes - 5º Período
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57
História - História das Sociedades Americanas II
Atividades de 
Aprendizagem - AA
1) Apresente alguns dos principais motivos e ações que possibilitaram a independência dos Esta-
dos Unidos.
2) Assinale os fatores que provocaram a Guerra de Secessão nos Estados Unidos:
a. ( ) Uma ação puramente expansionista dos Estados Unidos, visando anexar territórios vizi-
nhos.
b. ( ) Enfrentamento com os ingleses que ainda dominavam o Sul do país.
c. ( ) Um conflito civil entre o Sul, que queria a emancipação, e o Norte,que não admitia a sepa-
ração, especialmente pela importância econômica do Sul.
d. ( ) Uma disputa interna para definir o modelo político-administrativo que os Estados Unidos 
deveriam seguir.
3) Com a prisão do rei espanhol Fernando VII, houve uma crise de autoridade na América Espa-
nhola. Em várias regiões surgiram Juntas com o propósito de exercerem um governo provisório 
enquanto o rei estivesse ausente.
Marque a alternativa CORRETA que assinala como a burocracia colonial espanhola se comportou 
em relação à formação das Juntas governativas locais:
a. ( ) Aceitou tranquilamente, visto que sem o rei essa era a única atitude possível de ser toma-
da.
b. ( ) Empreendeu uma dura repressão à formação das Juntas por temer possíveis tentativas de 
emancipação, já que grande parte dos criollos estava descontente com a Coroa espanhola.
c. ( ) Incentivou a formação de novas Juntas locais para que a administração colonial fosse mais 
efetiva.
d. ( ) Autorizou o estabelecimento de Juntas locais, desde que elas apenas existissem enquanto 
o rei estivesse impossibilitado de exercer o poder. Restaurado o trono, tudo deveria funcionar 
como antes.
4) Quais foram as regiões que integraram a Grande Colômbia?
a. ( ) Nova Granada, Venezuela, Chile, e Equador.
b. ( ) Venezuela, Equador, Chile, e Peru.
c. ( ) Peru, Nova Granada, México, e Chile.
d. ( ) Venezuela, Nova Granada, Equador, e Panamá.
5) Qual a importância do Peru para os patriotas que lutavam pela independência?
6) Baseado no que foi discutido no texto, marque a alternativa INCORRETA que indique o cená-
rio da América Espanhola após a conquista da independência:
a. ( ) A guerra pela independência devastou a economia das ex-colônias espanholas que, sem 
muitos recursos financeiros, tiveram grandes dificuldades em manter um exército capaz de as-
segurar o mínimo de ordem social e fazer valer os dispositivos constitucionais das novas repú-
blicas.
b. ( ) Ao ficar livre dos espanhóis, a América Espanhola pôde finalmente constituir sólidos Es-
tados republicanos. Logo que se libertou do jugo espanhol, começou um período de intenso 
desenvolvimento econômico e politicamente estável.
c. ( ) A falta de unidade política e econômica foi uma das marcas da América Espanhola pós-in-
dependente. Tais fatores foram importantes obstáculos para a emergência e consolidação dos 
Estados nacionais.
d. ( ) Houve uma fragmentação das regiões antes controladas e administradas pela Coroa espa-
nhola. Por questões econômicas e políticas, o conflito armado entre regiões vizinhas passou a 
ser frequente.
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UAB/Unimontes - 5º Período
7) O processo de militarização emergiu fortemente em quase todas as regiões hispano-america-
nas, sendo uma de suas principais expressões o caudilhismo que, de modo geral, tinha as seguin-
tes características:
a. ( ) O caudilhismo era um modelo político controlado apenas pormilitares profissionais que 
agiam em função de um poder central solidamente constituído e que visava à implementação 
dos princípios democráticos.
b. ( ) As ações caudilhistas eram promovidas basicamente por aventureiros,que não tinham 
maiores ligações com qualquer tipo de grupo social. Agiam por conta própria, procurando 
atender apenas a interesses individuais.
c. ( ) É um modelo político em que a organização social é mantida sob a força das armas pelos 
caudilhos, que eram proprietários de terras ou provindos de outros setores sociais. Arregimen-
tavam contingentes militares particulares para garantir os interesses dos poderosos locais – 
proprietários de terras e comerciantes – e, em certos casos, sendo eles próprios um deles.
d. ( ) Configurava-se como uma forma de organização social defendida contra as elites agrárias, 
tendo como propósito a plena implementação do republicanismo e das ideias liberais.
8) Explique a situação política do Rio da Prata nas décadas posteriores à independência.
9) A América Central, em sua maior parte, ficou livre do jugo espanhol sem guerras ou maiores 
conflitos; a constituição dos Estados Nacionais, porém, foi turbulenta. Marque a alternativa que 
condiz com a situação específica da Nicarágua no período pós-independência:
a. ( ) Viveu uma violenta guerra civil, oriunda da hostil disputa entre liberais e conservadores, e 
ainda sofreu forte intervenção norte-americana.
b. ( ) A estabilidade política foi alcançada graças à intervenção dos Estados Unidos, que agiram 
tecnicamente com o intuito de assegurar a total autonomia do governo da Nicarágua e conta-
ram com amplo apoio popular.
c. ( ) Com um sistema econômico precário e empobrecido, a Nicarágua pouco interessou às 
regiões vizinhas, ficando livre de invasões estrangeiras, o que contribuiu para sua ampla esta-
bilidade política.
d. ( ) Apesar de acometida por intensos conflitos internos, o interesse da Inglaterra em construir 
um canal interoceânico que perpassasse a Nicarágua assegurou um bom desenvolvimento 
econômico.
10) Como os liberais passaram a atuar no poder? Eles conseguiram pôr em prática o discurso de 
igualdade, liberdade e fraternidade que tanto apregoavam?

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