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UNIVERSIDADE PARANAENSE
MANTENEDORA
Associação Paranaense de Ensino e Cultura – APEC
REITOR
Carlos Eduardo Garcia
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Neiva Pavan Machado Garcia
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Administrativa
Diretorias Executivas de Gestão Acadêmica
Diretor Executivo de Gestão dos Assuntos Comunitários
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Diretora Executiva de Gestão da Cultura e da Divulgação
Institucional
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Permanentes e de Consumo
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Rui de Souza Martins
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Sônia Regina da Costa Oliveira
Diretor Executivo de Gestão das Relações Trabalhistas
Jânio Tramontin Paganini
Diretor Executivo de Gestão dos Assuntos Jurídicos
Lino Massayuki Ito
Diretora Executiva de Gestão do Ensino Superior
Maria Regina Celi de Oliveira
Diretor Executivo de Gestão da Pesquisa e da Pós-Graduação
Régio Marcio Toesca Gimenes
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Adriano Augusto Martins
Diretor Executivo de Gestão da Dinâmica Universitária
José de Oliveira Filho
Diretorias dos Institutos Superiores das
Ciências
Diretora do Instituto Superior de Ciências Agrárias,
Tecnológicas e Geociências
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Diretora do Núcleo dos Institutos Superiores de Ciências
Humanas, Linguística, Letras e Artes, Ciências Sociais
Aplicadas e Educação
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Médicas e da Saúde
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Diretor da Unidade de Umuarama – Sede
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Edwirge Vieira Franco
Diretor da Unidade de Cianorte
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Diretor da Unidade de Cascavel
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Diretor da Unidade de Francisco Beltrão
Claudemir José de Souza
SEMEAD – SECRETARIA ESPECIAL MULTICAMPI DE EDUCAÇÃO
A DISTÂNCIA
Secretário Executivo
Carlos Eduardo Garcia
Coordenação Geral de EAD
Ana Cristina de Oliveira Cirino Codato
Coordenador do Núcleo de Cursos Superiores nas Áreas de
Educação, Linguística, Letras e Artes e Ciências Humanas
Heiji Tanaka
Coordenador do Núcleo de Cursos Superiores da Área de
Ciências Sociais Aplicadas
Evandro Mendes Aguiar
Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca da UNIPAR
Revisão de Normas Bibliográficas
Inês Gemelli
Diagramação e Capa
Sandro Luciano Pavan
* Material de uso exclusivo da Universidade Paranaense – UNIPAR com todos os direitos da edição a ela
reservados.
U58c UNIPAR - Universidade Paranaense.
Comunicação empresarial / Altair de Souza Carneiro (Org.).
– Umuarama: Unipar, 2013.
93 f.
ISBN
1. Linguagem e comunicação. 2. Ensino a distância - EAD. I.
Universidade Paranaense. II. Título.
(21 ed.) CDD: 401.4
SUMÁRIO
COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
Apresentação ............................................................................................................................ 5
Introdução ................................................................................................................................. 9
UNIDADE I: Elementos Básicos da Comunicação ...................................... 11
Objetivos ................................................................................................................................... 11
O que é comunicação? ......................................................................................................... 11
Canais, recepção, mensagem fluxo ................................................................................. 14
Estilo de linguagem: formal, informal, técnica, pronomes de tratamento .... 16
Atividades ................................................................................................................................. 23
Referências ............................................................................................................................... 31
UNIDADE II: A Linguagem Como Ferramenta Empresarial ............... 33
Objetivos ................................................................................................................................... 33
Vícios e erros de linguagem .............................................................................................. 33
Concordância verbal ............................................................................................................ 35
Concordância nominal ........................................................................................................ 38
Quanto a acentuação ............................................................................................................ 40
Emprego da crase .................................................................................................................. 41
Ortografia .................................................................................................................................. 42
Quanto ao hífen ...................................................................................................................... 44
Uso dos porquês ..................................................................................................................... 46
Atividades ................................................................................................................................. 47
Referências ............................................................................................................................... 52
UNIDADE III: Técnicas Para a Linguagem Escrita ..................................... 53
Objetivos e finalidades ........................................................................................................ 53
Eficiência da comunicação ................................................................................................. 54
Contratos administrativos ................................................................................................. 56
Memorando .............................................................................................................................. 59
Ofício ........................................................................................................................................... 61
E-mail ......................................................................................................................................... 63
Códigos de conduta empresarial .................................................................................... 64
Atividades ................................................................................................................................. 66
Referências ............................................................................................................................... 66
UNIDADE IV: Técnicas Para a Linguagem Oral ........................................... 68
Objetivos ................................................................................................................................... 69
Reuniões eficientes, dispersão da comunicação ...................................................... 70
Preparação de slides para apresentação ..................................................................... 72
Dicção e técnicas de oratória: pronunciacorreta .................................................... 75
O que é aceitável ou não na contração das palavras .............................................. 80
Vícios na linguagem oral .................................................................................................... 83
Comunicação corporal – vícios e virtudes .................................................................. 87
Postura e aparência .............................................................................................................. 88
Desenvolvimento da fala .................................................................................................... 89
Conclusão e encerramento ................................................................................................ 89
Atividades ................................................................................................................................. 92
Referências ............................................................................................................................... 93
Apresentação
Diante dos novos desafios trazidos pelo mundo contemporâneo e o surgimento de
um novo paradigma educacional frente às Tecnologias de Informação e
Comunicação disponíveis que favorecem a construção do conhecimento, a
revolução educacional está entre os mais pungentes, levando as universidades a
assumirem a sua missão como instituição formadora, com competência e
comprometimento, optando por uma gestão mais aberta e flexível, democratizando o
conhecimento científico e tecnológico, através da Educação a Distância.
Sendo assim, a Universidade Paranaense - UNIPAR - atenta a este novo cenário e
buscando formar profissionais cada vez mais preparados, autônomos, criativos,
responsáveis, críticos e comprometidos com a formação de uma sociedade mais
democrática, vem oferecer-lhe o Ensino a Distância, como uma opção dinâmica e
acessível estimulando o processo de autoaprendizagem.
Como parte deste processo e dos recursos didático-pedagógicos do programa da
Educação a Distância oferecida por esta universidade, este Guia Didático tem como
objetivo oferecer a você, acadêmico(a), meios para que, através do autoestudo,
possa construir o conhecimento e, ao mesmo tempo, refletir sobre a importância
dele em sua formação profissional.
Seja bem-vindo(a) ao Programa de Educação a Distância da UNIPAR.
Carlos Eduardo Garcia
Reitor
Seja bem-vindo caro(a) acadêmico(a),
Os cursos e/ou programas da UNIPAR, ofertados na modalidade de educação a
distância, são compostos de atividades de autoestudo, atividades de tutoria e
atividades presenciais obrigatórias, os quais individualmente e no conjunto são
planejados e organizados de forma a garantir a interatividade e o alcance dos
objetivos pedagógicos estabelecidos em seus respectivos projetos.
As atividades de autoestudo, de caráter individual, compreendem o cumprimento
das atividades propostas pelo professor e pelo tutor mediador, a partir de métodos e
práticas de ensino-aprendizagem que incorporem a mediação de recursos didáticos
organizados em diferentes suportes de informação e comunicação.
As atividades de tutoria, também de caráter individual, compreendem atividades de
comunicação pessoal entre você e o tutor mediador, que está apto a: esclarecer as
dúvidas que, no decorrer deste estudo, venham a surgir; trocar informações sobre
assuntos concernentes à disciplina; auxiliá-lo na execução das atividades propostas
no material didático, conforme calendário estabelecido, enfim, acompanhá-lo e
orientá-lo no que for necessário.
As atividades presenciais, de âmbito coletivo para toda a turma, destinam-se
obrigatoriamente à realização das avaliações oficiais e outras atividades, conforme
dispuser o plano de ensino da disciplina.
Neste contexto, este Guia Didático foi produzido a partir do esforço coletivo de uma
equipe de profissionais multidisciplinares totalmente integrados que se preocupa
com a construção do seu conhecimento, independente da distância geográfica que
você se encontra.
O Programa de Educação a Distância adotado pela UNIPAR prioriza a
interatividade, e respeita a sua autonomia, assegurando que o conhecimento ora
disponibilizado seja construído e apropriado de forma que, progressivamente, novos
comportamentos, novas atitudes e novos valores sejam desenvolvidos por você.
A interatividade será vivenciada principalmente no ambiente virtual de aprendizagem
– AVA, nele serão disponibilizados os materiais de autoestudo e as atividades de
tutoria que possibilitarão o desenvolvimento de competências necessárias para que
você se aproprie do conhecimento.
Recomendo que durante a realização de seu curso, você explore os textos
sugeridos e as indicações de leituras, resolva às atividades propostas e participe dos
fóruns de discussão, considerando que estas atividades são fundamentais para o
sucesso da sua aprendizagem.
Bons estudos!
e-@braços.
Ana Cristina de Oliveira Cirino Codato
Coordenadora Geral da EAD
Caro(a) acadêmico(a),
Este Guia Didático é composto de informações e exercícios de análise,
interpretação e compreensão dos conteúdos programáticos da disciplina de
Comunicação Empresarial do Curso de Graduação em que você se encontra
matriculado.
O Guia Didático foi elaborado por um Professor Conteudista, embasado no plano
de ensino da disciplina, conforme os critérios estabelecidos no Projeto Pedagógico
do Curso. Abaixo, apresentamos, resumidamente, o currículo do Professor
Conteudista responsável pela elaboração deste material:
Disciplina: Comunicação Empresarial
Autor: Altair de Souza Carneiro
Graduado em Língua Portuguesa, pela Universidade Paranaense - UNIPAR 2003, e
Graduado em Filosofia, pela Faculdade Bagozzi de Curitiba em 2008; Especialista
em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, pela UNIPAR (2004) e Especialista em
Metodologia do Ensino de Filosofia e Sociologia pela FTC - Bahia - EaD (2010);
Mestre em Filosofia em 2013, pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná -
UNIOESTE - Toledo - PR; atualmente exerce função de Professor, na Universidade
Paranaense - UNIPAR e a função de Coordenador Pedagógico de Filosofia e
Sociologia do Núcleo Regional da Educação de Umuarama - PR.
Além do professor conteudista, existe uma equipe de professores e tutores
mediadores devidamente preparados para acompanhá-lo e auxiliá-lo, de forma
colaborativa, na construção de seu conhecimento.
Bons momentos de estudos!
e-@braços.
Evandro Mendes Aguiar
Coordenador do Núcleo de Cursos Superiores da Área de
Ciências Sociais Aplicadas
INTRODUÇÃO
Como disse o grande filósofo e pensador Sêneca:
“Muitas coisas não ousamos empreender por parecerem difíceis; entretanto,
são difíceis porque não ousamos empreendê-las”.
Sejam bem vindos a esta disciplina de Comunicação Empresarial da EaD UNIPAR.
Ousamos com esta disciplina tratar de conceitos e regras basilares pertinentes ao
âmbito empresarial, aproximando a linguagem padrão/formal do dia a dia na
empresa. Pois, na contemporaneidade se exige cada vez mais de um funcionário
com múltiplas habilidades, sejam elas na produção, no interrelacionamento, seja
pelo uso correto da linguagem na comunicabilidade. Neste intuito, ousamos
apresentar quatro unidades que possibilitará auxiliar-nos na ação profissional.
Na Unidade I, abordaremos sobre os Elementos Básicos da Comunicação porque
acreditamos que independentemente da área de atuação profissional, escrever e
falar corretamente constitui-se em um requisito imprescindível a qualquer pessoa
que deseja alcançar o sucesso profissional. Nesta unidade, trataremos dos itens
necessários ao desenvolvimento pessoal e profissional do indivíduo apresentando-
lhes técnicas de comunicação eficiente, bem como osprincipais elementos desta
comunicação; e os níveis de linguagem estabelecidos como formal, informal, e
técnico; e por fim, os pronomes de tratamento e sua correta forma de uso.
Na Unidade II, A Linguagem como Ferramenta Empresarial versaremos sobre os
elementos necessários para uma comunicação eficiente, no qual possa levar o
profissional ao sucesso no mercado de trabalho. Neste prisma, problematizaremos e
apresentaremos os principais vícios e erros na linguagem; bem como os usos
corretamente das concordâncias verbal e nominal; e por fim, os processos de
acentuação, ortografia, hifenização, as novas regras da ortografia, e uso dos
porquês; pois entendemos que tais elementos tornam-se ferramentas fundamentais
para uma linguagem escrita e oral de qualidade.
Na Unidade III, Técnicas para a Linguagem Escrita abordaremos sobre as
principais técnicas para uma escrita empresarial de qualidade. Porque
compreendemos quão importante são a clareza e a concisão no processo de
comunicação empresarial. Neste sentido, trataremos dos objetivos e finalidade da
escrita formal visando à eficiência na comunicação; dos documentos administrativos,
tais como: contratos, memorando, ofício e-mail e códigos de condutas das
empresas, enfatizando qual tipo de linguagem regem as redações empresariais.
Na Unidade IV, Técnicas para a Linguagem Oral observaremos que a oralidade
correta torna-se um dos principais elementos da eficiência na comunicação,
portanto, discutir as técnicas para a linguagem oral pressupõe pensar a oralidade
como processo de uma prática social interativa. Assim a fala torna-se o objeto
necessário de um processo de produção discursivo seja no ambiente empresarial ou
não. Nesta perspectiva, em nossa última unidade debateremos e problematizaremos
o uso de uma linguagem prática propriamente dita. Tais práticas como: reuniões
eficientes, dispersão da comunicação; preparação de slides para apresentação;
dicção e técnicas de oratória, pronúncia correta, vícios na linguagem oral, e as
principais regras da comunicação corporal.
Portanto, acadêmicos este Guia Didático foi produzido pensando em você, na suas
relações diárias, sejam elas na empresa, na universidade, e no seu dia a dia. Pois
acreditamos que uma formação profissional se faz constantemente, e que não há
obras plenas, acabadas, totalmente concluídas. Somos sujeitos por fazer-se. E que
você possa ousar em empreendê-los nos projetos profissionais que almeja. Ouse
sempre.
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 11
UNIDADE I: ELEMENTOS BA SICOS DA
COMUNICAÇA O
OBJETIVOS
Perceber a necessidade de uma comunicação eficiente na sociedade
contemporânea.
Compreender os elementos básicos do processo de comunicação.
Entender o processo de comunicação nas suas diversas formas, isto é,
formal, informal, técnico e consequentemente o uso dos pronomes de
tratamento para cada momento da comunicação.
Caros Acadêmicos!
Sabemos que independentemente da área de atuação, escrever e falar
corretamente constitui-se num requisito imprescindível a qualquer pessoa que
deseja alcançar o sucesso profissional. Nesta unidade, abordaremos itens
necessários ao desenvolvimento pessoal e profissional do indivíduo apresentando-
lhes técnicas de comunicação eficiente no âmbito empresarial, bem como os
principais elementos desta comunicação; e os níveis de linguagem estabelecidos
como Formal, informal, e técnico; e por fim, os pronomes de tratamento e sua
correta forma de uso.
O QUE É COMUNICAÇÃO?
Comunicação é um processo de interação entre as pessoas que teve sua origem na
civilização do homem e permanece até a contemporaneidade como um dos
principais elementos de sobrevivência do indivíduo. Podemos dizer que a
comunicação é a troca compreensiva e significativa de ideias, palavras, ações e
sentimentos entre duas ou mais pessoas, com a intenção de informar, educar,
formar opiniões e interagir com o meio que nos cerca. Deste modo, a comunicação é
de vital importância, pois se constituiu como a principal ferramenta de integração, de
instrução e de convivência social. Segundo Maigret (2010, p. 17):
12 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
Comunicar consiste em convocar objetos, relações sociais e ordens
políticas. Toda comunicação propõe um composto de elementos
momentaneamente indivisíveis: um modelo de troca funcional entre os
homens, um ponto de vista sobre suas relações de poder e de cultura, uma
visão de ordem política que os une.
Em uma definição, podemos dizer que a palavra comunicação “origina-se do latim
communicare, que significa partilhar, dividir, tornar comum, associar, trocar
opiniões”1. Sendo assim, quando comunico algo a alguém esta mensagem torna-se
comum aos dois. E esta comunicação torna-se pública, e sendo pública passa a
pertencer a uma comunidade, nesse sentido, quando comunico algo a alguém,
passo a trocar informações, experiências, ideias e sentimentos, e etc. É neste
sentido que vemos a comunicação como processo, vital e necessário em todas as
dimensões da vida do indivíduo.
A comunicação enquanto processo versa na transmissão de conhecimento e
informação de um emissor a um receptor que recebe, decodifica, isto é, interpreta
uma mensagem. E assim, pela e/na comunicação os seres humanos partilham
informações entre seus pares. Constituindo em ato a necessidade de comunicar,
podemos afirmar que o ato de comunicar torna-se uma atividade basilar para se
viver em sociedade.
Na sociedade moderna este processo de comunicação passou por algumas
mudanças significativas, principalmente com a variedade de profissões existente. A
comunicação passou de um ato de sobrevivência entre os primórdios a uma
comunicação espontânea e informal entre as pessoas, através da fala, do gesto, do
telefonema, da carta e etc.
Quando pensamos a comunicação em sentido profissional e empresarial, esta se
diferencia pela finalidade e pelos objetivos em que a empresa almeja. Neste prisma,
a comunicação de uma empresa passa ser a principal área estratégica de
planejamento no ramo de desenvolvimento empresarial. Porque o sucesso de uma
empresa pauta-se em uma boa estratégia de comunicação, sejam, entre
funcionários, patrões, fornecedores e o marketing:
1
XIMENES, S. Dicionário da língua portuguesa. São Paulo: Ediouro, 2001.
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 13
Nas abordagens que tradicionalmente dominam no âmbito da comunicação
empresarial, o objetivo primordial da empresa é buscar a melhor mensagem
e o melhor meio para estabelecer contatos com os públicos-alvo, visando
mudar modos de pensar, influenciar decisões, modificar os subordinados
para o alcance dos objetivos organizacionais, anunciar eventos, vender
alguma coisa e eliminar conflitos. (CARDOSO, 2006, p. 5).
Podemos pensar no contexto contemporâneo, a comunicação e a informação como
principais elementos das estratégias de gestão empresarial e estas passam a ser
um desafio que precisa ultrapassar ideias e formulas ultrapassadas, em que o
monopólio da verdade se estabelece e se cristaliza como pronta e acabada.
Quando o processo de comunicação e informação na empresa pautar-se no ser
humano, onde se valoriza a capacidade criadora do sujeito, sem desprezar sua
singularidade e sua afetividade, este diferencial valorativo será o elemento fundamental
de sucesso em uma empresa. “(...) a empresa precisa, da melhor forma possível,
comunicar-se com a comunidade, com o cliente, com os agentes governamentais, com
os fornecedores, enfim, com outras organizações e/ou agentes que também atuam
nesse universo ou rede. A comunicação assume, assim, um papel fundamental na
absorção e divulgação dos novos paradigmas empresariais, podendo agir como
poderosa ferramenta estratégica de gestão”(Idem, p. 6).
O processo de comunicação humana pode ser:
Intrapessoal: quando um indivíduo se comunica consigo mesmo (agenda,
diário, lembrete de reunião, e outros);
Interpessoal: quando um indivíduo se comunica com outra pessoa
(conversa entre dois colegas, entre patrão e funcionário, entre funcionário e
fornecedor, e etc.);
Intergrupal: quando as mensagens circulam entre grupos (funcionários de
uma empresa, turmas de alunos, bancadas de partidos, nações, e etc.) e;
Intragrupal: quando as mensagens circulam dentro de um grupo
(funcionários unidos para cumprir uma meta, funcionários que se reúnem
para reinvidicar melhores condições de trabalho, e etc.).
Quando falamos de processo de comunicação temos ainda os elementos produzidos
pela indústria cultural a qual nos acostumamos a chamar de comunicação de massa,
isto é, são aqueles meios de comunicação dirigidos ao grande público por meio do
14 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
rádio, TV, cinema, jornal, revista etc. que por hora deixaremos em suspense, por
não ser objeto de nosso estudo.
CANAIS, RECEPÇÃO, MENSAGEM FLUXO
O processo de comunicar-se apresenta outras formas de comunicação que recorrem
a sistemas de sinais não linguísticos. Esses sistemas são denominados de
comunicação não-verbal. Temos como exemplos:
Figura 1: Comunicação não-verbal
Fonte: Vânia Maria do Nascimento Duarte. Elementos da Comunicação. Disponível em:
http://www.portugues.com.br/redacao/linguagemlinguafala.html. Acesso em: 29 out. 2013.
E para que o processo de comunicação aconteça de forma que a mensagem possa
ser decodificada pelo seu receptor é necessário observar as funções de cada
elemento da comunicação disposta neste gráfico:
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 15
Para que a mensagem possa tornar-se uma comunicação eficiente, ela deve passar
por estes elementos: Emissor – emite, codifica a mensagem; Receptor – recebe,
decodifica a mensagem; Mensagem - conteúdo transmitido pelo emissor; Código –
conjunto de signos usado na transmissão e recepção da mensagem, isto é, a língua
em que a mensagem está escrita; Referente – contexto relacionado a emissor e
receptor; Canal – meio pelo qual circula a mensagem, isto é, jornal, carta, e-mail,
rádio, televisão, fax, e etc.
A mensagem é codificada num sistema de sinais definidos que podem ser gestos,
sons, uma língua natural, português, inglês, espanhol, etc., ou outros códigos que
possuem um significado, por exemplo, as cores do semáforo, as placas de
sinalização do trânsito. A mensagem é transportada até o destinatário através de um
canal de comunicação, o meio por onde circula a mensagem, seja por carta,
telefone, comunicado na televisão ou no rádio, etc. Nesse processo podem ser
identificados os seguintes elementos: emissor, receptor, código (sistema de sinais) e
o canal de comunicação.
Outro elemento presente no processo comunicativo é o ruído, caracterizado por tudo
aquilo que afeta o canal, perturbando a perfeita captação da mensagem, por
exemplo, falta de rede no celular, uma comunicação que chega distorcida ao seu
destino na empresa.
Entende-se por ruído tudo aquilo que afeta, em diferentes graus, a transmissão da
mensagem: pouca atenção do receptor, erros de codificação, voz muito baixa ou
encoberta por uma música etc. O termo ruído não se refere somente a perturbação
sonora, aplica-se, também, à comunicação visual (erros de digitação e uma mancha
numa tela são ruídos) e a outros tipos de comunicação.
Quando a comunicação se realiza por meio de uma linguagem falada, ou, escrita,
denomina-se comunicação verbal. É uma forma de comunicação exclusiva dos
seres humanos e é a mais importante na sociedade humana.
16 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
ESTILO DE LINGUAGEM: FORMAL, INFORMAL, TÉCNICA, PRONOMES
DE TRATAMENTO
A linguagem tem normas, princípios que precisam ser obedecidos. Geralmente,
pensamos que essas regras dizem respeito apenas à gramática normativa. Para a
grande maioria das pessoas, expressar-se corretamente em língua portuguesa
significa não cometer erros de ortografia, concordância verbal, acentuação etc. Há,
no entanto, outro erro, mais comprometedor do que o gramatical, que é o de
inadequação de linguagem ao contexto.
Em casa ou com amigos, nós empregamos uma linguagem mais informal do que
nas provas da escola ou em uma entrevista para emprego. Ao conversar com
pessoas desconhecidas, de outras gerações vitais, não convém utilizar algumas
gírias, pois eles poderiam ter dificuldades em nos compreender. Numa dissertação
solicitada num vestibular ou um concurso público já precisamos empregar um
vocabulário mais formal. Esses fatos nos levam a concluir que existem níveis de
linguagem. Vejamos alguns níveis de linguagem:
NÍVEL FORMAL-CULTO OU PADRÃO: trata-se de uma linguagem mais formal, que
segue os princípios da gramática normativa. É empregada na escola, no trabalho, nos
jornais e nos livros em geral. Observe este trecho de jornal:
“Na semana passada, milhares de americanos saíram às ruas para
protestar contra os novos programas de espionagem dos Estados Unidos
que exploram as imensas pegadas digitais da vida privada no século 21. As
pesquisas de opinião apontam que a população americana está dividida
sobre o tema. Surpreendentemente, ou não, grande parte apóia o uso
desses expedientes invasivos dentro do pressuposto de que a intrusão
aumenta a segurança pessoal e nacional. Essa é uma discussão antiga,
sobre os limites do público e do privado, mas que ganhou muito mais
urgência e abrangência na era da comunicação total, que é também a era
da exposição total. E não só na área política ou policial, mas também na
esfera econômica. Nossos comportamentos estão cada vez mais
intermediados por softwares, aplicativos, transações eletrônicas. O cidadão
digital está nu. O Google sabe muito mais das pessoas do que muito dos
seus amigos e parentes mais próximos”. (...) (Folha de São Paulo – on line,
29 de outubro de 2013, Editorial). Somos o que buscamos, Nizan Guanaes.
Disponível em:
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/nizanguanaes/2013/10/1363591-
somos-o-que-buscamos.shtml. Acesso em 29 out. 2013.
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 17
Percebemos aqui uma linguagem ‘limpa’ sem ruídos, em que a mensagem foi
passada de forma clara e objetiva, e que as regras gramaticais foram respeitadas
corretamente.
NÍVEL COLOQUIAL-POPULAR-INFORMAL: é a linguagem empregada no cotidiano.
Geralmente é informal, incorpora gírias e expressões populares e não obedece às
regras da gramática normativa. Veja estes exemplos:
“Sei lá! Acho que tudo vai ficar legal. Pra que então ficar esquentando muito?
Me parece que as coisas no fim sempre dão certo”.
Estou preocupado. (norma culta).
Tô preocupado. (língua informal).
Tô grilado. (gíria, limite da língua popular).
PROFISSIONAL OU TÉCNICO: é a linguagem que alguns profissionais, como
advogados, economistas, médicos, dentistas etc. utilizam no exercício de suas
atividades.
Exemplo: na profissão de médico, podemos observar uma linguagem própria desta
profissão, vejamos: "O paciente, enquanto tuberculoso, apresentou sintomas
depressivos". Assim observamos que a exemplo do médico as demais profissões
têm uma linguagem própria restrito a um grupo que realmente codifica e interpreta a
mensagem.
Dominar uma língua, portanto, não significa apenas conhecer normas gramaticais,
mas, sobretudo empregar adequadamente essa língua em várias situações do dia a
dia: na escola, no trabalho, com os amigos, num exame de seleção, no trabalho e na
empresa.
PRONOMES DE TRATAMENTO
O Manual de redação da Presidência da República (2002) apresenta algumas regras
fundamentaispara o uso correto das formas de tratamento. Vejamos:
18 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
Concordância: Os pronomes de tratamento apresentam certas peculiaridades
quanto à concordância verbal, nominal e pronominal. O verbo e os pronomes devem
estar na terceira pessoa.
Exemplo: “Vossa Excelência e sua comitiva serão nossos convidados”.
O verbo concorda com o substantivo que integra a locução como seu núcleo
sintático: “Vossa Senhoria nomeará (verbo na 3ª pessoa) o substituto”; “Vossa
Excelência conhece (verbo na 3ª pessoa) o assunto”.
Da mesma forma, os pronomes possessivos referidos a pronomes de tratamento são
sempre da terceira pessoa: “Vossa Senhoria nomeará seu substituto” (não se
usa Sua).
Quanto aos adjetivos que se referem a esses pronomes, o gênero gramatical deve
coincidir com o sexo da pessoa a que se refere, e não com o substantivo que
compõe a locução. Assim, se nosso interlocutor for homem, o correto é Vossa
Excelência está atarefado, se for mulher, Vossa Excelência está atarefada.
A forma por extenso demonstra maior respeito, sendo recomendável em
correspondência mais formal ou cerimoniosa. Na correspondência interna e na
externa mais informal, nada impede que se abrevie a forma de tratamento.
Na correspondência interna informal, isto é, aquela trocada sobre assuntos de rotina
entre chefes de seções, chega-se a omitir as formas de tratamento, substituindo-as
pelos pronomes pessoais oblíquos da terceira pessoa. Ex.: “Comunico-lhe que...”.
Na comunicação oficial, quando quem a subscreve representa o órgão em que
exerce suas funções, será preferível o emprego da primeira pessoa do plural. Ex.:
“Comunicamos a Vossa Senhoria...”; “Temos a honra de convidar Vossa
Excelência para....”; “Encaminhamos a Vossa Senhoria, anexo,...”.
Quando a comunicação contiver assunto de responsabilidade exclusiva e pessoal de
quem o assina, aí, então, caberá o emprego da primeira pessoa do singular: Ex.:
“Atesto, para fins de...”; “Vossa” é empregado para a pessoa com quem se fala, a
quem se dirige a correspondência. Ex.: “Comunicamos a Vossa Senhoria que...”.
“Sua” é empregado para a pessoa de quem se fala. Ex.: “A placa comemorativa
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 19
foi descerrada por Sua Excelência o Senhor Governador do Estado”; “Em
audiência concedida a um grupo de turistas gaúchos, Sua Santidade o Papa
manifestou o desejo de visitar o Brasil.”
Crase – não se usa crase antes de pronomes de tratamento. Ex.: Comunicamos a
Vossa Senhoria (não há crase). Vossa Excelência é empregada para autoridades
hierarquicamente superiores.
O vocativo a ser empregado em comunicações dirigidas aos Chefes de Poder é
Excelentíssimo Senhor, seguido do cargo respectivo:
Excelentíssimo Senhor Presidente da República,
Excelentíssimo Senhor Presidente do Congresso Nacional,
Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal.
As demais autoridades serão tratadas com o vocativo Senhor, seguido do cargo
respectivo:
Senhor Senador,
Senhor Juiz,
Senhor Ministro,
Senhor Governador,
20 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
Abaixo um quadro demonstrativo das formas de tratamento
Figura 2 - Autoridades judiciárias
Cargo ou Função Por Extenso
Abreviatura
Singular
Abreviatura
Plural
Vocativo Endereçamento
Auditores
Defensores Públicos
Desembargadores
Membros de Tribunais
Presidentes de Tribunais
Procuradores
Promotores
Vossa
Excelência
V.Ex.ª
ou
V. Exa.
V.Ex.
as
ou
V. Exas.
Excelentíssimo
Senhor + cargo
Ao Excelentíssimo Senhor
Nome
Cargo
Endereço
Juízes de Direito
Meritíssimo
Juiz
ou
Vossa
Excelência
M.Juiz
ou
V.Ex.ª, V. Exas.
V.Ex.
as
Meritíssimo
Senhor Juiz
ou
Excelentíssimo
Senhor Juiz
Ao Meritíssimo Senhor Juiz
ou
Ao Excelentíssimo Senhor Juiz
Nome
Cargo
Endereço
Fonte: PUCRS. Formas de tratamento e endereçamento
Figura 3 - Autoridades Militares
Cargo ou Função Por Extenso
Abreviatura
Singular
Abreviatura
Plural
Vocativo Endereçamento
Oficiais Generais
(até Coronéis)
Vossa
Excelência
V.Ex.ª
ou
V. Exa.
V.Ex.
as
ou
V. Exas.
Excelentíssimo
Senhor
Ao Excelentíssimo Senhor
Nome
Cargo
Endereço
Outras Patentes
Vossa
Senhoria
V.S.ª
ou
V. Sa.
V.S.
as
ou
V. Sas.
Senhor + patente
Ao Senhor
Nome
Cargo
Endereço
Fonte: PUCRS. Formas de tratamento e endereçamento
Figura 4 - Autoridades Universitárias
Cargo ou Função Por Extenso
Abreviatura
Singular
Abreviatura
Plural
Vocativo Endereçamento
Reitores
Vossa
Magnificência
ou
Vossa Excelência
V. Mag.ª
ou
V. Maga,
V. Exa.
ou
V. Ex.ª
V. Mag.
as
ou
V. Magas.
ou
V.Ex.
as
ou
V.Exas.
Magnífico Reitor
ou
Excelentíssimo
Senhor Reitor
Ao Magnífico Reitor
ou
Ao Excelentíssimo
Senhor Reitor
Nome
Cargo
Endereço
Vice-Reitores Vossa Excelência
V.Ex.ª,
ou
V.Exa.
V.Ex.
as
ou
V. Exas.
Excelentíssimo
Senhor Vice-Reitor
Ao Excelentíssimo
Senhor Vice-Reitor
Nome
Cargo
Endereço
Assessores
Pró-Reitores
Diretores
Coord. De Departamento
Vossa Senhoria
V.S.ª
ou
V.Sa.
V.S.
as
ou
V.Sas.
Senhor + cargo
Ao Senhor
Nome
Cargo
Endereço
Fonte: PUCRS. Formas de tratamento e endereçamento
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 21
Figura 5 - Autoridades Eclesiásticas
Cargo ou Função Por Extenso
Abreviatura
Singular
Abreviatura
Plural
Vocativo Endereçamento
Arcebispos
Vossa
Excelência
Reverendíssima
V.Ex.ª Rev.
ma
ou
V. Exa. Revma.
V.Ex.
as,
Rev.
mas
ou
V. Exas. Revmas.
Excelentíssimo
Reverendíssimo
A Sua Excelência
Reverendíssima
Nome
Cargo
Endereço
Bispos
Vossa
Excelência
Reverendíssima
V.Ex.ª Rev.
ma
ou
V. Exa. Revma.
V.Ex.
as
Rev.
mas
ou
V. Exas. Revmas.
Excelentíssimo
Reverendíssimo
A Sua Excelência
Reverendíssima
Nome
Cargo
Endereço
Cardeais
Vossa
Eminência ou
Vossa
Eminência
Reverendíssima
V.Em.ª, V. Ema.
ou
V.Em.ª Rev.
ma
,
V. Ema. Revma.
V.Em.
as
, V. Emas.
ou
V.Em
as,
Rev.
mas
ou
V. Emas. Revmas.
Eminentíssimo
Reverendíssimo
ou Eminentíssimo
Senhor Cardeal
A Sua Eminência
Reverendíssima
Nome
Cargo
Endereço
Cônegos
Vossa
Reverendíssima
V. Rev.
ma
ou
V. Revma.
V. Rev.
mas
V. Revmas.
Reverendíssimo
Cônego
Ao Reverendíssimo
Cônego
Nome
Cargo
Endereço
Frades
Vossa
Reverendíssima
V. Rev.
ma
ou
V. Revma.
V. Rev.
mas
ou
V. Revmas.
Reverendíssimo
Frade
Ao Reverendíssimo
Frade
Nome
Cargo
Endereço
Freiras
Vossa
Reverendíssima
V. Rev.
ma
ou
V. Revma.
V. Rev.
mas
ou
V. Revmas.
Reverendíssimo
Irmã
A Reverendíssima
Irmã
Nome
Cargo
Endereço
Monsenhores
Vossa
Reverendíssima
V. Rev.
ma
ou
V. Revma.
V. Rev.
mas
ou
V. Revmas.
Reverendíssimo
Monsenhor
Ao Reverendíssimo
Monsenhor
Nome
Cargo
Endereço
Papa
Vossa
Santidade
V.S. - Santíssimo Padre
A Sua Santidade
o Papa
Sacerdotes em geral
e pastores
Vossa
Reverendíssima
V. Rev.
ma
ou
V. Revma.
V. Rev.
mas
ou
V. Revmas.
Reverendo
Padre / Pastor
Ao Reverendíssimo
Padre / Pastor
ou
Ao Reverendo Padre /
Pastor
Nome
Cargo
Endereço
Fonte: PUCRS. Formas de tratamento e endereçamento
22 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
Figura 6 - Autoridades Monárquicas
Cargo ou Função Por Extenso
Abreviatura
Singular
Abreviatura
Plural
Vocativo Endereçamento
Arquiduques Vossa Alteza V.A. VV. AA.
Sereníssimo
+
Título
A Sua Alteza Real
Nome
Cargo
Endereço
Duques Vossa Alteza V.A. VV. AA.
Sereníssimo
+
Título
A Sua Alteza Real
Nome
Cargo
Endereço
Imperadores Vossa Majestade V.M. VV. MM. MajestadeA Sua Majestade
Nome
Cargo
Endereço
Príncipes Vossa Alteza V.A. VV. AA.
Sereníssimo
+
Título
A Sua Alteza Real
Nome
Cargo
Endereço
Reis Vossa Majestade V.M. VV. MM. Majestade
A Sua Majestade
Nome
Cargo
Endereço
Fonte: PUCRS. Formas de tratamento e endereçamento
Figura 7 - Autoridades Civis
Cargo ou Função Por Extenso
Abreviatura
Singular
Abreviatura
Plural
Vocativo Endereçamento
Chefe da Casa Civil
e da Casa Militar
Cônsules
Deputados
Embaixadores
Governadores
Ministros de Estado
Prefeitos
Presidentes da República
Secretários de Estado
Senadores
Vice-Presidentes
de Repúblicas
Vossa
Excelência
V.Ex.ª
ou
V. Exa.
V.Ex.
as
ou
V. Exas.
Excelentíssimo
Senhor + Cargo
Ao Excelentíssimo Senhor
Nome
Cargo
Endereço
Demais autoridades não
contempladas com
tratamento específico
Vossa
Senhoria
V.S.ª
ou
V. Sa.
V.S.
as
ou
V. Sas.
Senhor + Cargo
Ao Senhor
Nome
Cargo
Endereço
Fonte: PUCRS. Formas de tratamento e endereçamento
Obs: O plural das expressões de tratamento
Se a expressão de tratamento tem o “a” como em V. S.ª, V. Ex.ª, etc., acrescenta-se um
“s” ao “a”.
Exemplos: Vossas Excelências = V. Ex.as
Vossas Senhorias = V. S.as
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 23
Se a expressão de tratamento não tem o “a”, dobram-se as letras maiúsculas,
colocando-se um ponto após a segunda letra dobrada.
Exemplos: V. A. = VV. AA.
A concordância das expressões de tratamento se faz com:
o verbo na 3ª pessoa;
o pronome possessivo na 3ª pessoa – seu(s), sua (s);
o pronome pessoal oblíquo na 3ª pessoa – o(s), a(s), se, si, consigo, lhe(s).
Exemplo: Dirijo-me a V. Ex.ª para elogiar o seu discurso.
Quando nos dirigimos às pessoas, usamos o pronome VOSSA.
Exemplo: Peço que Vossa Senhoria me conceda uma explicação.
Quando falamos das pessoas, usamos o pronome SUA.
Exemplo: Sua Excelência tranquilizou os repórteres, dizendo que não faltaria carne
à população.
Os adjetivos concordam com os pronomes de tratamento em relação à pessoa real
que representam (homem ou mulher):
Exemplos: V. S.ª está mais magra. (mulher).
V. Ex.ª está equivocado. (homem).
ATIVIDADES
1) Leia com atenção o fragmento de uma crônica de Rubens Braga antes de
responder as questões.
A palavra
Tanto que tenho falado, tanto que tenho escrito – como não imaginar que, sem
querer, feri alguém? Às vezes sinto, numa pessoa que acabo de conhecer, uma
hostilidade surda, ou uma reticência de mágoas. Imprudente ofício é este, de viver
em voz alta.
24 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
Às vezes, também a gente tem o consolo de saber que alguma coisa que se disse
por acaso ajudou alguém a se reconciliar consigo mesmo ou com a sua vida de cada
dia; a sonhar um pouco, a sentir uma vontade de fazer alguma coisa boa.
Agora sei que outro dia eu disse uma palavra que fez bem a alguém. Nunca saberei
que palavra foi; deve ter sido alguma frase espontânea e distraída que eu disse com
naturalidade porque senti no momento – e depois esqueci.
Alguma coisa que eu disse distraído – talvez palavras de algum poeta antigo – foi
despertar melodias: esquecidas dentro da alma de alguém. Foi como se a gente
soubesse que de repente, num reino muito distante, uma princesa muito triste
tivesse sorrido. E isso fizesse bem ao coração do povo; iluminasse um povo as suas
pobres choupanas e suas remotas esperanças.
QUESTÕES
a) No primeiro parágrafo, diz o autor, “imprudente ofício é este, de viver em voz
alta”. Dê o significado da expressão “viver em voz alta”.
b) Na frase “(...) deve ter sido alguma frase espontânea e distraída que eu disse
com naturalidade porque senti no momento”, que características do ato da
fala foram ressaltadas? Explique.
c) A linguagem tem um papel de importância indiscutível como forma de “levar”
informações do emissor ao destinatário. No entanto, o texto fala de outro
“poder” da palavra. Explique qual seria ele.
d) Dê ao menos um exemplo (uma frase, uma expressão) que justifique a
afirmação de que no texto de Rubens Braga se fez uso da Linguagem
Literária, ou seja, técnica. (MESQUITA, 1995, p. 23-24).
2) Responda, de forma dissertativa e coerente, a seguinte questão.
A partir dos textos estudados em sala apresente a sua concepção do que é
linguagem, língua e fala.
Assinale as alternativas incorretas e depois justifique. Sobre comunicação, linguagem,
língua e fala, é incorreto afirmar que:
( ) Comunicação é o ato ou efeito de emitir, transmitir e receber mensagens por meio
de métodos e/ou processos convencionados, quer através da linguagem falada ou
escrita, quer de outros sinais, signos ou símbolos, quer de aparelhamento técnico
especializado, sonoro e/ou visual.
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 25
( ) O mundo da comunicação é vastíssimo, embora ainda seja predominante idéia da
comunicação não-verbal.
( ) A comunicação nem sempre é uma necessidade básica da pessoa humana, do
homem social.
( ) Linguagem é o resultado da capacidade comunicativa dos seres.
( ) A língua é a linguagem que utiliza a palavra com sinal de comunicação.
( ) A linguagem é um instrumento que o receptor utiliza para transmitir mensagens.
( ) Cada indivíduo pode fazer uso da língua conforme a sua vontade, criando, assim, a
fala.
( ) A linguagem é um fato universal, pois abrange todos os seres; a fala é um fato
coletivo, porque abrange seres de um determinado grupo; a língua é um fato individual,
pois se realiza através de cada indivíduo de um grupo.
3) Coloque V para verdadeiro e F para o que for falso.
( ) Dificilmente variamos nosso modo de falar conforme a situação em que estamos
(formal ou informal).
( ) Norma culta é a gramática oficial, que determina o que é certo ou errado, como
se deve falar e como não se deve agir linguisticamente.
( ) A norma coloquial é a que assegura a unidade da língua nacional. E justamente
em nome dessa unidade, tão importante do ponto de vista político-cultural, que é
ensinada nas escolas e difundida nas gramáticas.
Copie a(s) letras da(s) alternativa(s) que você assinalou como falsa(s) e justifique
porque é (são) falsa(s).
26 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
4) Leia o texto abaixo e responda as questões a seguir:
Os meios de comunicação
Dos meios de comunicação, sem dúvida, o rádio e a televisão manifestam mais do
que todos os outros traços da indústria cultural. Começam introduzindo duas
divisões: a dos públicos (as chamadas “classes” A, B, C e D) e a dos horários (a
programação se organiza em horários específicos que combinam a “classe”, a
ocupação – donas-de-casa, trabalhadores manuais, profissionais liberais, executivos
–, a idade – crianças, adolescentes, adultos – e o sexo). Essa divisão é feita para
atender às exigências dos patrocinadores, que financiam os programas em vista dos
consumidores potenciais de seus produtos e, portanto, criam à especificação do
conteúdo e do horário de cada programa. Em outras palavras, o conteúdo, a forma e
o horário do programa já trazem em seu próprio interior a marca do patrocinador.
Muitas vezes, o patrocinador financia um programa que nada tem a ver, diretamente,
com o conteúdo e a forma veiculados. Ele o faz porque, nesse caso, não está
vendendo um produto, mas a imagem de sua empresa. É assim, por exemplo, que
uma empresa de cosméticos pode, em lugar de patrocinar um programa feminino,
patrocinar concertos de música clássica; uma revendedora de motocicletas, em
lugar de patrocinar um programa para adolescentes, pode patrocinar um programa
sobre ecologia.
A figura do patrocinador determina o conteúdo e a forma de outros programas, ainda
que não patrocinados por ele.Por exemplo, um banco de um governo estadual pode
patrocinar um programa de auditório, pois isto é conveniente para atrair clientes, mas
pode, indiretamente, influenciar o conteúdo veiculado pelos noticiários. Por quê?
Porque a quantidade de dinheiro paga pelo banco à rádio ou à televisão para o
programa de auditório é muito elevada e interessa aos proprietários daquela rádio ou
televisão. Se o noticiário apresentar notícias desfavoráveis ao governo do Estado ao
qual pertence o banco, este pode suspender o patrocínio do programa de auditório.
Para não perder o cliente, a emissora de rádio ou de televisão não veicula notícias
desfavoráveis àquele governo e, pior, veiculada apenas as que lhe são favoráveis.
Dessa maneira, o direito à informação desaparece e os ouvintes ou telespectadores
são desinformados ou ficam mal informados.
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 27
A desinformação, aliás, é o principal resultado da maioria dos noticiários de rádio e
televisão. Com efeito, como são apresentadas as notícias? De modo geral, são
apresentadas de maneira a impedir que o ouvinte e o espectador possam localizá-la
no espaço e no tempo.
Falta de localização espacial: o espaço real é o aparelho de rádio e a tela da
televisão, que tem a peculiaridade de retirar as diferenças e distâncias geográficas,
de tal modo que algo acontecido na China, na Índia, nos Estados Unidos ou em
Campina Grande pareça igualmente próximo e igualmente distante.
Falta de localização temporal: os acontecimentos são relatados como se não
tivessem causas passadas nem efeitos futuros; surgem como pontos puramente
atuais ou presentes, sem continuidade no tempo, sem origem e sem conseqüências;
existem enquanto forem objetos de transmissão e deixam de existir se não forem
transmitidos.
Paradoxalmente, rádio e televisão podem oferecer-nos o mundo inteiro num
instante, mas o fazem de tal maneiro que o mundo real desaparece, restando
apenas retalhos fragmentados de uma realidade desprovida de raiz no espaço e no
tempo. Nada sabemos, depois de termos tido a ilusão de que fomos informados
sobre tudo.
Também é interessante a inversão entre realidade e ficção produzida pela mídia.
Acabamos de mencionar o modo como o noticiário nos apresenta um mundo irreal,
sem História, sem causas nem consequências, descontínuo e fragmentado. Em
contrapartida, as novelas criam o sentimento de realidade. Elas o fazem usando três
procedimentos principais:
o tempo dos acontecimentos novelísticos é lento para dar a ilusão de que, a
cada capítulo, passou-se apenas um dia de nossa vida, ou passaram-se
algumas horas, tais como realmente passariam se fossemos nós a viver os
acontecimentos narrados;
as personagens, seus hábitos, sua linguagem, suas casas, suas roupas,
seus objetos são apresentados com o máximo de realismo possível, de
modo a impedir que tenhamos distância diante deles (ao contrário do cinema
e do teatro, que suscitam em nós o sentimento de proximidade justamente
porque nos fazem experimentar o da distância);
28 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
como conseqüência, a novela nos aparece como relato do real, enquanto o
noticiário nos aparece como irreal. Basta ver, por exemplo, a reação de
cidades inteiras quando uma personagem da novela morre (as pessoas
choram, querem ir ao enterro, ficam de luto) e a falta de reação das pessoas
diante de chacinas reais, apresentadas nos noticiários.
Vale a pena, também, mencionar dois outros efeitos que a mídia produz em nossas
mentes: a dispersão da atenção e a infantilização.
Para atender aos interesses econômicos dos patrocinadores, a mídia divide a
programação em blocos que duram de sete a dez minutos, cada bloco sendo
interrompido pelos comerciais. Essa divisão do tempo nos leva a concentrar a
atenção durante os sete ou dez minutos de programa e a desconcentrá-la durante
as pausas para a publicidade.
Pouco a pouco, isso se torna um hábito. Artistas de teatro afirmam que, durante um
espetáculo, sentem o público ficar desatento a cada sete minutos. Professores
observam que seus alunos perdem a atenção a cada dez minutos e só voltam a se
concentrar após uma pausa que dão a si mesmos, como se dividissem a aula em
“programa” e “comercial”.
Ora, um dos resultados dessa mudança mental transparece quando criança e jovem
tentam ler um livro: não conseguem ler mais do que sete a dez minutos de cada vez,
não conseguem suportar a ausência de imagens e ilustrações no texto, não
suportam a idéia de precisa ler “um livro inteiro”. A atenção e a concentração, a
capacidade de abstração intelectual e de exercício do pensamento foram destruídas.
Como esperar que possam desejar e interessar-se pelas obras de arte e de
pensamento?
Por ser um ramo da indústria cultural e, portanto, por ser fundamentalmente uma
vendedora de Cultura que precisa agradar o consumidor, a mídia infantiliza. Como
isso acontece? Uma pessoa (criança ou não) é infantil quando não consegue
suportar a distância temporal entre seu desejo e a satisfação dele. A criança é
infantil justamente porque para ela o intervalo entre o desejo e a satisfação é
intolerável (por isso a criança pequenina chora tanto).
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 29
Ora, o que faz a mídia? Promete e oferece gratificação instantânea. Como o
consegue? Cirando em nós os desejos e oferecendo produtos (publicidade e
programação) para satisfazê-los. O ouvinte que gira o dial do aparelho de rádio
continuamente e o telespectador que muda continuamente de canal o fazem porque
sabem que, em algum lugar, seu desejo será imediatamente satisfeito.
Além disso, como a programação se dirige ao que já sabemos e já gostamos, e como
toma a cultura sob a forma de lazer e entretenimento, a mídia satisfaz imediatamente
nossos desejos porque não exige de nós atenção, pensamento, reflexão, crítica,
perturbação de nossa sensibilidade e de nossa fantasia. Em suma, não nos pede o que
as obras de arte e de pensamento nos pedem: trabalho sensorial e metal para
compreendê-las, amá-las, criticá-las, superá-las. A cultura nos satisfaz, se tivermos
paciência para compreendê-la e decifrá-la. Exige maturidade. A mídia nos satisfaz
porque nada nos pede, senão que permaneçamos para sempre infantis.
Um último traço da indústria cultural que merece nossa atenção é seu autoritarismo,
sob a aparência de democracia. Um dos melhores exemplos encontra-se nos
programas de aconselhamento. Um especialista – é sempre um especialista – nos
ensina a viver, um outro nos ensina a criar os filhos, outro nos ensina a fazer sexo, e
assim vão se sucedendo especialistas que nos ensinam a ter um corpo juvenil e
saudável, boas maneiras, jardinagem, meditação espiritual, enfim, não há um único
aspecto de nossa existência que deixe de ser ensinado por um especialista
competente.
Em princípio, seria absurdo e injusto considerar tais ensinamentos como autoritários.
Pelo contrário, deveríamos considerá-los uma forma de democratizar e socializar
conhecimentos. Onde se encontra o lado autoritário desse tipo de programação (no
caso de revistas, jornais e livros)? No fato de que funcionam como intimidação
social.
De fato, como a mídia nos infantiliza, diminui nossa atenção e capacidade de
pensamento, inverte realidade e ficção e promete, por meio da publicidade, colocar a
felicidade imediatamente ao alcance de nossas mãos, transforma-nos num público
dócil e passivo. Uma vez que nos tornamos dóceis e passivos, os programas de
aconselhamento, longe de divulgar informações (como parece ser a intenção
30 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
generosa dos especialistas) tornam-se um processo de inculcação de valores,
hábitos, comportamentos e idéias, pois não estamos preparadospara pensar,
avaliar e julgar o que vemos, ouvimos e lemos. Por isso, ficamos intimidados, isto é,
passamos a considerar que nada sabemos, que somos incompetentes para viver e
agira se não seguirmos a autoridade competente do especialista.
Dessa maneira, um conjunto de programas e publicações que poderiam ter
verdadeiro significado cultural torna-se o contrário da Cultura e de sua
democratização, pois se dirigem a um público transformando em massa inculta,
infantil desinformada e passiva. (CHAUÍ, 1995, p. 330-333).
INTERPRETAÇÃO TEXTUAL
1) De acordo com o texto, qual é a finalidade da arte?
2) De acordo com o texto, como a indústria cultural interfere nas três principais
características das artes?
3) Por que a ideia de que “todos têm acesso aos mesmos bens culturais” é uma
ilusão?
4) Como a indústria cultural vende cultura?
5) A indústria cultural “define a cultura como lazer e entretenimento, diversão e
distração”. Que consequências isso acarreta?
6) Que relação o texto estabelece entre informação e patrocínio?
7) Por que a autora do texto considera que o principal resultado da maioria dos
noticiários é a desinformação?
8) Que relação o texto estabelece entre noticiário e novela?
9) Você diria que os noticiários têm empregado artifícios novelísticos ao
apresentarem as notícias? Explique.
10) Por que a mídia infantiliza as pessoas?
11) Que relação o texto estabelece entre mídia e obras de arte e de pensamento?
12) Por que a autora diz que a indústria cultural tem aparência de democracia, mas
é, na verdade, autoritária?
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 31
REFERÊNCIAS
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Paulo: Atlas, 2006.
CARDOSO, Onésimo de Oliveira. Comunicação empresarial versus
comunicação organizacional: novos desafios teóricos. Rio de Janeiro: [s.n.], 2006.
CEGALLA, D. P. Novíssima gramática da língua portuguesa. 48. ed. São Paulo:
Nacional, 2008.
CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 1995.
FIORIN, José Luiz; SAVIOLI, Francisco Platão. Lições de textos: leitura e redação.
3. ed. São Paulo: Ática, 1998.
MENDES, Gilmar Ferreira; FORSTER JÚNIOR, Nestor José. Manual de redação da
Presidência da República. 2. ed. Brasília: Presidência da República, 2002.
MANUAL de Comunicação Escrita Oficial do Estado do Paraná. Curitiba, 2005.
Disponível em:
<www.arquivopublico.pr.gov.br/arquivos/File/pdf/manual_comunicacao.pdf>. Acesso
em: 01 out. 2013.
MESQUITA. Roberto Melo. Gramática da língua portuguesa. 3. ed. São Paulo:
Saraiva, 1995. PUCRS. Formas de tratamento. Disponível em:
<http://www.pucrs.br/manualred/tratamento.php. Acesso em: 28 set. 2013.
PUCRS. Formas de tratamento e endereçamento. Disponível em:
<http://www.pucrs.br/manualred/tratamento.php. Acesso em: 28 set. 2013.
SACCONI, Luiz Antonio. Novíssima gramática ilustrada Sacconi. São Paulo: Nova
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TUFANO, DOUGLAS. Guia prático da nova ortografia. 2.ed. São Paulo:
Melhoramentos, 2009. Disponível em:
<www.http://alzheimernafamilia.blogspot.com.br.>. Acesso em: 29 de set. 2013.
Nizan Guanaes. Somos o que buscamos. Folha de São Paulo, São Paulo, 29 out.
2013. Disponível em:
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/nizanguanaes/2013/10/1363591-somos-o-que-
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Vânia Maria do Nascimento Duarte. Elementos da Comunicação. Disponível em:
http://www.portugues.com.br/redacao/linguagemlinguafala.html. Acesso em: 29 out.
2013
http://www.pucrs.br/manualred/tratamento.php
http://www.pucrs.br/manualred/tratamento.php
http://alzheimernafamilia.blogspot.com.br/
32 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 33
UNIDADE II: A LINGUAGEM COMO
FERRAMENTA EMPRESARIAL
OBJETIVOS
Compreender a linguagem como um dos elementos fundamentais para o
sucesso profissional.
Perceber a importância das concordâncias verbal e nominal em vista de uma
comunicação oral e escrita de qualidade.
Entender como os processos de acentuação, ortografia, hifenização, as
novas regras da ortografia, e uso dos porquês de forma correta, faz
diferença ao profissional do terneiro milênio.
Caros Acadêmicos!
Nesta unidade, trataremos dos itens favoráveis a uma linguagem eficiente, no qual
possa levar o profissional ao sucesso no mercado de trabalho. Iniciamos
apresentando os vícios e erros da linguagem; bem como os usos corretamente das
concordâncias verbal e nominal; e por fim, os processos de acentuação, ortografia,
hifenização, as novas regras da ortografia, e uso dos porquês de forma correta, pois
são ferramentas fundamentais para uma linguagem escrita e oral de qualidade.
VÍCIOS E ERROS DE LINGUAGEM
Tratar dos vícios de linguagem torna-se um elemento preponderante no processo de
comunicação, pois uma comunicação é fragilizada quando estes vícios não são
observados. Assim, os vícios de linguagem englobam alguns dos erros mais
comuns que os usuários da língua podem cometer ao utilizá-la para exprimir seus
pensamentos.
De acordo com a Novíssima Gramática Ilustrada Sacconi (2008, p. 324-325), os
vícios de linguagem ocorrem toda vez que desviamos das normas gramaticais que
premeditam uma forma correta de pronunciar a língua, seja oral ou escrita. Os
principais vícios de linguagem são: barbarismo, solecismo, cacófato,
ambiguidade e redundância.
34 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
Barbarismo: todo desvio na grafia, na reflexão ou na pronúncia de uma
palavra constitui um barbarismo. Existem quatro tipos de barbarismo.
a) Cacoépia: é a má pronúncia de uma palavra. Por exemplo: “compania” (em
vez de companhia), “gor” (em vez de gol), “cadalço”(em vez de cadarço).
b) Silabada: é a troca de acentuação prosódica de uma palavra. Por exemplo:
“récorde” (em vez de recorde), “rúbrica” (em vez de rubrica), “íbero” (em vez
de ibero).
c) Cacografia: é a má grafia ou má flexão de uma palavra. Por exemplo:
“maizena” (em vez de maisena), “cidadões”(em vez de cidadãos),
“interviu”(em vez de interveio).
d) Deslize: é o emprego de uma palavra. Por exemplo: peixe com “espinho”
(por peixe com espinha), “vultuosa” quantia ( por vultosa quantia).
Comete barbarismo ainda quem abusa do emprego de palavras estrangeiras,
grafando-as como na língua de origem. Por princípio, todo estrangeirismo que não
possuir equivalente adequado em nossa língua deverá ser aportuguesado. Portanto,
convém grafar: abajur, boate, garagem, coquetel, checape, xampu, e não abat-
jour, boîte, garage, cockitail, check-up, shampoo.
Solecismo: todo desvio sintático. E existem três tipos, vejamos.
a) De concordância. Por exemplo: “houveram” eleições (por houve eleições),
o pessoal “chegaram” (por o pessoal chegou).
b) De regência. Por exemplo: “assiti” esse filme (por assisti a esse filme), ter
ódio “de” alguém (por ter ódio à alguém), não “lhe” conheço (por não o
conheço).
c) De colocação. Por exemplo: “darei-lhe” um abraço (por dar-lhe-ei um
abraço), tenho “queixado”-me bastante (por tenho me queixado bastante).
Cacófato: todo som obsceno resultante da união de sílabas de palavras
diferentes provoca um cacófato. Por exemplo: preciso ir-me já, vaca
gaúcha, etc. O Cacófato só existe quando a união das sílabas exprime
obscenidade, vejamos: ela tinha, boca dela, alma minha e outras uniões
semelhantes não constituem cacófato, mas simples cacofonia, de menor
importância.
Ambiguidade: todo duplo sentido, causado pela má construção da frase, é
uma ambigüidade. Por exemplo: Beatriz comeu um doce e sua amiga
também. (por Beatriz comeu um doce, e sua amiga também). Mataram o
porco do meu tio. (por mataram o porco que era de meu tio).
Redundância: toda repetição de uma ideia mediante palavrasou
expressões diferentes prova um redundância ou pleonasmo vicioso. Como
por exemplos:
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 35
Subir lá em cima.
Descer lá embaixo.
Entrar pra dentro.
Sair pra fora.
Novidade inédita.
Hemorragia de sangue.
Pomar de frutas.
Hepatite do fígado.
Adiar para depois.
CONCORDÂNCIA VERBAL E NOMINAL
A concordância verbal é de primordial importância na comunicação oral ou escrita
dos indivíduos.
Concordância verbal
A concordância verbal com sujeito simples exige muita atenção. O verbo de uma
oração deve concordar em número e pessoa com o sujeito, para que a linguagem
seja clara e a escrita esteja de acordo com as normas vigentes da gramática.
Vejamos alguns exemplos:
a) Eles está muito bem. (incorreta)
b) Eles estão muito bem. (correta)
c) O pai apareceu na festa. (correta)
d) Os pais apareceram na festa. (correta)
Se, depois do sujeito no singular, aparecer um adjunto no plural, o verbo continuará
no singular, porque concorda com o núcleo do sujeito, e não com seu adjunto.
Exemplo: A alta dos preços dos combustíveis irrita o povo. (correta).
Sujeito coletivo no singular deixa sempre o verbo no singular, mesmo que venha
seguido de adjunto no plural.
Exemplo: Um bando de cafajestes depredou as casas da minha rua.
Qualquer nome acompanhado de artigo no plural exige o verbo no plural. E no
singular o verbo ficará no singular. Exemplos:
36 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
Os Estados Unidos são a única superpotência no mundo.
Os Andes ficam na América do Sul.
As minhas costas estão doendo.
O Amazonas é um grande rio.
Campinas é uma grande cidade.
As expressões “a maioria de, a maior parte de, grande número de, grande parte de,
e metade de”, seguidos de nomes no plural, podem deixar o verbo no singular ou
levá-los ao plural. Exemplos:
A maioria dos brasileiros gosta (ou gostam) de futebol.
Metade das laranjas estava podre (ou estavam) podres.
Quando um pronome no singular estiver seguido das expressões “de nós, de vós, de
vocês, deles ou delas”, ou de qualquer outra no plural, o verbo ficará no singular.
Porém se estiver no plural, o verbo concordará com a expressão que vier depois do
pronome. Exemplos:
Nenhum de nós votará mais em gente corrupta.
Algum de vocês gosta de políticos demagogos?
Alguns de nós ainda votaremos em gente corrupta?
Quais de vós ainda votareis em gente corrupta?
O pronome quem exige o verbo na terceira pessoa do singular. Exemplos:
Hoje sou eu quem paga a conta.
Hoje somos nós quem paga a conta.
Hoje são eles quem paga a conta.
De outro modo, se no lugar do pronome quem, aparecer que, a concordância se fará
com o pronome reto anterior. Exemplos:
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 37
Hoje sou eu que pago a conta.
Hoje somos nós que pagamos a conta.
Hoje são eles que pagam a conta.
Todos os pronomes de tratamento são da terceira pessoa. Exemplos:
Vossa excelência está certo.
Vossas excelências estão certos.
Verbo transitivo direto + pronome se: o verbo concorda com o sujeito, normalmente
posposto. Exemplos:
Vende-se casa.
Vendem-se casas.
Neste caso, como o sujeito recebe a ação verbal, a voz se diz passiva. Só os verbos
transitivos diretos têm voz passiva. Por isso, qualquer outro tipo de verbo, junto do
pronome se, fica sempre no singular (porque, neste caso, não existe o sujeito).
Exemplos:
Precisa-se de empregados.
Morre-se de amores por ela.
Quando se está com dores, nada está bom.
Nas expressões “um dos que” exige o verbo no plural. Exemplos:
Sou um dos que estudam nesta escola.
Fui um dos que não votaram nele.
Nas expressões “um + substantivo + que” o verbo fica na terceira pessoa do
singular. Exemplos:
Sempre fui um aluno que estudou muito.
Sou uma pessoa que crê em Deus.
38 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
Quando referimos ao verbo fazer, em orações que dão ideia de tempo, não varia.
Exemplos:
Faz dois anos que não viajo.
Ontem fez trinta dias que assisti a esse filme.
Amanhã fará vinte dias que não vou a estádios.
Quando referimos ao verbo haver, não varia quando significa existir, acontecer,
realizar-se ou fazer (em orações temporais). Exemplos:
Havia muitas pessoas na fila. (= existiam)
Houve protestos da população. (= aconteceram)
Haverá eleições este ano. (= realizar-se-ão)
Há tempos não vou a estádios. (= faz)
Concordância nominal
A Concordância Nominal é o acordo entre o nome (substantivo) e seus
modificadores (artigo, pronome, numeral, adjetivo) quanto ao gênero (masculino ou
feminino) e o número (plural ou singular).
A concordância com substantivos são de gêneros e número diferentes. Exemplos:
Comprei abacate e maçãs maduras (ou maduros). – O adjetivo “maduras” pode
concordar com o mais próximo = maçãs – ou podem concordar com os dois
substantivos “abacate e maçãs” concordando com “maduros”.
Ou,
Comprei abacates e maçã madura (ou maduros). O adjetivo “madura” pode
concordar com o mais próximo = maçã – ou podem concordar com os dois
substantivos “abacates e maçã” concordando com “maduros”.
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 39
Obs: quando o adjetivo aparece antes dos substantivos, faz-se a concordância com
o mais próximo, sempre. Exemplo:
Comprei maduro abacate e melão. (maduro é uma qualidade (adjetivo) do
abacate e do melão).
Casos mais comuns
Mesmo e próprio:
Ele mesmo (ou próprio) lava suas roupas.
Eles mesmos (ou próprios) lavam suas roupas.
Junto
Nunca vi esses rapazes juntos.
Minhas filhas chegaram juntas da escola.
Obrigado
Ele saiu dizendo muito obrigado.
Ela saiu dizendo muito obrigada.
Eles saíram dizendo muito obrigados.
Elas saíram dizendo muito obrigadas.
Anexo
Segue anexo o documento.
Seguem anexos os documentos.
Segue anexa a foto.
Seguem anexas as fotografias.
Bastante
Comam bastantes frutas, crianças.
Vi bastantes novidades na feira.
Quando o advérbio não varia:
As crianças comem bastante.
As crianças riram bastante no circo.
40 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
Meio
Cheguei ao meio-dia e meia (hora).
Comprei duas meias melancias na feira.
Quando o advérbio não varia:
Ela ficou meio nervosa.
As crianças estão meio medrosas.
Obs: Outras regras podem verificar na gramática que consta na referência.
ACENTUAÇÃO, ORTOGRAFIA, HIFENIZAÇÃO, AS NOVAS REGRAS DA
ORTOGRAFIA, USO DOS PORQUÊS.
Quanto à acentuação:
Não se acentua mais ditongos abertos: ói e éi das palavras paroxítonas. Exemplos:
ideia, jiboia. Obs.: óxitonas éis, éu, éus, ói, óis continuam a ser acentuados como
papéis.
Não se acentua mais nas palavras paroxítonas o i e no u tônicos, quando vierem
depois de ditongo decrescente. Exemplo: Feiura.
Obs.: Nas palavras oxítonas (quando o i ou o u estiverem na posição final ou
seguidos de s o acento permanece, tais como: Piauí e Tuiuiú.
Não se acentua mais as palavras terminadas com êem e ôo, como enjoo, perdoo.
Não se utiliza mais o acento que diferenciava os pares, tais como: Pára/para e
Pêlos/pelos. Entretanto, permanece o acento diferencial em pôr (verbo) e por
(preposição).
Permanecem os acentos que diferenciam o singular do plural dos verbos ter e vir (e
seus derivados: manter, deter, reter etc). Ele tem dois carros./ Eles têm dois carros.
Não se usa mais acento agudo no u tônico das formas (tu) arguis, (ele) argui, (eles)
arguem do presente do indicativo dos verbos arguir e redarguir.
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 41
Em relação ao trema (¨), não se usa mais esse sinal, que era empregado nos
grupos: gue, gui, que e qui. Ficando apenas nas palavrasestrangeiras e suas
derivadas tais como: Müller e mülleriano. Outros Exemplos: lingüiça - linguiça;
conseqüência consequência; freqüência frequência; freqüentar frequentar.
Outras regras podem ser observadas no Guia Ortográfico com endereço
disponibilizado nas referências desta unidade.
Emprego da crase:
Normalmente percebemos vários problemas na utilização da crase. A crase (`) é
uma fusão de dois sons vocálicos iguais. Assim, ela (a crase) será utilizada quando
ocorrer à fusão da preposição a com:
Artigo feminino a(s). Exemplo: Entreguei a rosa à garota.
Com o a de aquele(s), aquela(s), aquilo. Exemplo. Refiro-me àqueles (a+aqueles)
que chegaram.
Além disso, a crase também pode ocorrer:
Antes de substantivo feminino;
Antes de nomes de localidades que aceitem artigo feminino;
Antes de numeral seguido da palavra hora;
Antes de substantivo, quando subentender as palavras moda, maneira;
Quando o artigo feminino estiver desacompanhado do respectivo
substantivo.
Não se usa crase:
Antes de substantivo masculino;
Antes de artigo indefinido;
Antes de verbos;
Com pronomes de tratamento. Exceção senhora, senhorita e dona;
42 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
Antes de pronomes pessoais, demonstrativos e indefinidos que não admitem
artigo feminino;
Diante da palavra casa, no sentido de lar, domicílio, quando não
acompanhada de adjetivos ou locução adjetiva;
Diante do substantivo terra, em oposição a bordo e mar;
Quando houver apenas a preposição, sem artigos;
Nas locuções de palavras repetidas;
Diante de numerais cardinais referentes a substantivos não determinados
pelo artigo.
Crase – facultativa
Antes de nomes próprios, indicando intimidade;
Antes de possessivos;
Depois da preposição até.
Ou seja, as regras da crase não são muito simples. Assim, sugerimos a leitura do
capítulo referente a crase, da obra de:
CEGALLA, D. P. Novíssima gramática da língua portuguesa. 48. ed. São Paulo:
Companhia Editora Nacional, 2008. p. 275-283.
Ortografia:
Vamos apresentar nessa parte da Unidade as principais alterações ocorridas em
detrimento da assinatura do Acordo Ortográfico.
A ortografia é fundamental para a efetivação da leitura dos símbolos gráficos e
também para a reprodução correta dos sons que compõem as palavras. Segundo
Câmara Jr. (2001), até 1931 a ortografia no Brasil era elástica em virtude da
liberdade na grafia de várias palavras.
Hoje, nos encontramos num período de transição, devido ao acordo ortográfico
assinado por Portugal, Brasil, Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 43
Bissau, Moçambique e posteriormente Timor Leste, que visa contribuir para a
unificação da língua escrita, dos países que têm a língua portuguesa como idioma
oficial. Nesse contexto, cabe salientar que esse acordo, refere-se exclusivamente, a
língua escrita. Portanto, não altera a forma de pronúncia que varia entre os países.
Sua aplicação foi oficialmente exigida a partir de 2012. Desse modo, pretendemos
apresentar algumas regras importantes da ortografia, bem como as principais
alterações constantes nesse acordo.
Podemos dizer que a partir do Acordo Ortográfico houve a reintegração das letras,
K, W e Y ao alfabeto, ficando, portanto, com 26 letras. Já usávamos essas letras
como abreviaturas de termos científicos de uso internacional como: km (quilometro),
kg (quilograma) dentre outros. Também é frequente o uso na transcrição de palavras
estrangeiras tais como watt, playground, hobby e em nomes próprios estrangeiros
como: Franklin, Wagner, Newton, dentre muitos outros.
O nosso alfabeto não é fonético, ou seja, um único fonema pode ser representado
por diferentes letras e, fonemas diferentes podem ser escritos com a mesma letra,
assim, frequentemente apresentamos algumas dúvidas tais como: Usa-se X ou CH?
S ou Z? G ou J? E ou I? Descreveremos algumas regras abaixo para sua
compreensão, entretanto, recomendamos a consulta frequente ao dicionário ou
mesmo às gramáticas descritas na bibliografia dessa Unidade.
X ou CH: emprega-se x geralmente após ditongos: caixa, peixe. Exceções: caucho,
recauchutar, recauchutagem. Também o empregamos após me (inicial) como: mexer,
mexilhão, (exceção: mecha e seus derivados). Depois de en (inicial) como:
enxurrada, enxaqueca (exceção: encher, encharcar, enchumaçar e seus derivados).
S ou Z: emprega-se s nos sufixos -ês, -esa, e -isa, utilizados nas palavras que
designam nacionalidade, profissão, estado social, títulos honoríficos, tais como:
japonês, chinesa, burguês, burguesa, poetisa. Além disso, também é empregado
nos sufixos -oso e -osa (que significam ‘cheiro de’), usados na formação de
adjetivos, como delicioso. E nas formas verbais (por e querer e seus compostos):
puser, repusesse, quis. Enquanto a letra z emprega-se nos sufixos –ez e –eza,
usados para formar substantivos abstratos derivados de adjetivos como: rigidez
(rígido) e riqueza (rico).
44 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
G ou J: essas letras antes de e ou i possuem o mesmo som. Entretanto, o j é
empregado nas palavras de origem africana e indígena: pajé, jiboia e também
naquelas derivadas de outras palavras, que já possuem o j como: laranjeira
(laranja) e gorjeta (gorja). Já a letra g, emprega-se nas terminações –ágio, -égio, -
ógio, -úgio: como prestígio, refúgio e normalmente também são empregadas nas
terminações: -agem, igem, -ugem, presentes em garagem, ferrugem. Entretanto,
apresentam algumas exceções como, pajem e lambujem.
E ou I: Emprega-se e em algumas formas de verbos terminados em: -oar, uar, como
perdoem, continue. Já nas formas de verbos terminados em –air, -oer e –uir
emprega-se o i: atrai, dói, possui.
Outros aspectos ortográficos pedimos que consultem a gramática em caso de
eventuais dúvidas.
Quanto ao hífen:
Usa-se hífen
Palavras compostas que não apresentam elementos de ligação. Guarda-chuva,
bate-boca, mesa-redonda. Exceções: girassol, paraquedas, pontapé, mandachuva
(perderam a noção de composição).
Palavras compostas que têm palavras iguais ou quase iguais. Zigue-zague, reco-reco.
Compostos entre cujos elementos há emprego do apóstrofo. Gota-d´água, pé-d´água.
Palavras compostas derivadas de topônimos (nomes próprios de lugares) com ou
sem elemento de ligação. Belo-horizontino sul-africano.
Compostos que designam espécies animais e botânicas, com ou sem elemento de
ligação. Bem-te-vi e cravo-da-índia. Atenção: Se os compostos designarem
espécies botânicas ou zoológicas empregadas fora do sentido original, não se usa
hífen. Bico de papagaio (deformação) e Bico-de-papagaio (planta).
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 45
Além disso, não se usa hífen em palavras compostas que apresentam elementos
de ligação. Pé de moleque, cara de pau. Exceções: água-de-colônia, arco-da-
velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao deus-dará, à queima-roupa.
Hífen com prefixos (anti, super, ultra, sub, auto, geo, mini, multi e etc.).
Usa-se hífen diante de palavra iniciada com h: anti-higiênico; Exceção: subumano.
Prefixo terminado com a mesma letra que inicia a outra palavra: micro-ondas e
inter-regional.
Prefixos: ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré e pró usa-se sempre hífen. Pré-
vestibular, ex-prefeito.
Não se usa hífen quando o prefixo terminar com letra diferente daquela que inicia a
outra palavra: autoescola, coautor, intermunicipal.
Dobram-se as letras quando o prefixo terminar com vogal e a outra palavra começar
com r ou s: Minissaia e semirreta.
Outros casos:
Com prefixo sub e sob usa-se hífen diante de palavra iniciada com r: sub-região,
sub-reitor.
Com prefixos circum e pan usa-se hífen diantede palavra iniciada com m, n e
vogal. Circum-navegação, pan-americano.
O prefixo co se junta ao segundo elemento mesmo quando esse elemento se inicia
por o ou h. Coobrigação e coabitação.
Com o prefixo pre e re não se usa hífen, mesmo diante de palavras começadas com
e. Preexistente, reescrever.
Com mal usa-se hífen se a palavra seguinte começar com vogal, h ou l. Mal-
entendido, mal-estar, mal-limpo.
Se mal (doença) usa-se hífen se não houver elemento de ligação. Mal-francês e
Mal de lázaro.
46 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
Usa-se hífen com sufixos de origem tupi-guarani que representem formas adjetivas.
Capim-açu e Anajá-mirim.
Usa-se hífen em encadeamentos vocabulares (ligação ocasional de palavras).
Ponte Rio-Niterói e eixo Rio-São Paulo.
USO DOS PORQUÊS
Saibamos que existem quatro tipos de porquês:
porque (junto e sem acento)
porquê (junto e com acento)
por que (separado e sem acento)
por quê (separado e com acento)
Por que
Em frases interrogativas. Exemplo.: Por que você me deixou esperando todo esse
tempo? Por que você não se habitua a ler jornais?
Em frases afirmativas, desde que no seu emprego esteja subtendida a ideia de
motivo, causa, razão, pelo qual, para que. Exemplos: Não sei por que esse aluno é
tão rebelde; O deputado explicou por que precisa de mais tempo para apresentar
seu relatório; Era o apelido por que (pelo qual) era conhecido; O assessor estava
ansioso por que começasse a votação.
Porque
Quando a pergunta é acompanhada de uma hipótese de resposta. Exemplos: Você
não veio votar porque é contrário ao projeto? Essa medida provisória merece
prosseguimento na tramitação porque é urgente?
Quando introduz uma explicação. Exemplo: O deputado disse que votou contra o
projeto porque o considerou lesivo aos interesses do país. (conjunção).
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 47
Por quê
Quando colocado no final da frase, ou, antes de pausa, tiver o sentido de motivo,
razão pela qual. Exemplos: O cantor estava inquieto, sem saber por quê; Advertido
pelo presidente da Mesa, o deputado quis saber por quê; Ninguém lhe dava
atenção. Por quê?
Porquê
Quando não apenas o sentido, mas é usado em lugar de um desses substantivos
(ou seja, é substantivada): motivo, causa, pergunta, e forma, com a preposição por,
uma só palavra. Exemplos: Não entendo o porquê da sua revolta; A mãe deixou de
fazer o almoço e não explicou o porquê; Há muitos porquês para a queda do edifício.
ATIVIDADES
1) Complete as lacunas com a palavra adequada:
Guardando sigilo, você agirá com _____________(descrição/discrição).
Iremos amanha à primeira _______________do filme premiado.
(seção/sessão/cessão).
O fato me passou _________________(despercebido/desapercebido).
Os bancos transacionam somas ______________(vultuosas/vultosas).
A massa está ________________(cosida/cozida).
O político foi ______________de subversivo (tachado/taxado).
A minha _____________na serra foi rápida (estada/estadia).
O preso foi encaminhado à sua _________ (cela/sela).
O calor _____________os corpos (delata/dilata).
Os culpados devem ____________suas falhas (espiar/expiar).
48 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
2) Assinale a alternativa correta
( ) Levantei-me com mal jeito no pescoço. ( ) Levantei-me com mau jeito no pescoço.
( ) Fazem 12 anos que não viajo ao
exterior.
( ) Faz 12 anos que não viajo ao exterior.
( ) Havia muitas pessoas na festa. ( ) Haviam muitas pessoas na festa
( ) Existem esperanças nos olhos das
pessoas.
( ) Existe esperanças nos olhos das
pessoas.
( ) Este livro é para eu ler. ( ) Este livro é para mim ler.
( ) Tudo acabou entre eu e você. ( ) Tudo acabou entre mim e você.
( ) A viúva do falecido passeava pelo
cemitério.
( ) A viúva passeava pelo cemitério.
( ) O garçom serviu frango à passarinho. ( ) O garçom serviu frango a passarinho.
( ) Porque você não foi à escola? ( ) Por que você não foi à escola?
( ) Os brasileiros assistem as novelas. ( ) Os brasileiros assistem às novelas.
( ) Prefiro leite a café. ( ) Prefiro mais café do que leite.
( ) O prefeito prometeu novas denúncias. ( ) O prefeito prometeu, novas denúncias.
( ) Bem-vindos a Guararapes! ( ) Bem vindos a Guararapes!
( ) A professora esqueceu o óculos na sala. ( ) A professora esqueceu os óculos na sala.
( ) Comprei-o para você. ( ) Comprei ele para você.
( ) Amo-lhe muito. ( ) Amo-a muito.
( ) Vendem-se tijolos. ( ) Vende-se tijolos.
( ) Precisam-se de empregadas domésticas. ( ) Precisa-se de empregadas domésticas.
( ) As crianças foram ao cinema. ( ) As crianças foram no cinema.
( ) O seu atraso implicará em punição. ( ) O seu atraso implicará punição.
( ) Os vestibulandos vivem à custa do pai. ( ) Os vestibulandos vivem às custas do pai.
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 49
3) Redija um texto dissertativo (introdução, desenvolvimento, conclusão)
obedecendo às regras ortográficas e as seguintes instruções:
Assunto: Crime.
Delimitação do assunto: Ações criminosas.
Objetivo: Citar as ações criminosas mais frequentes entre os homens.
Forma de ordenação do desenvolvimento: por parágrafos.
Elementos a enumerar: assalto a mão armada, assassinato, desrespeito às normas
de trânsito, roubo de objetos, agressão física.
Ordem de enumeração: critério de gravidade (do crime mais sério ao menos sério,
ou vice-versa).
4) Leia o texto abaixo e responda as questões a seguir obedecendo as regras da
gramática normativa.
Ela Tem Alma de Pomba
Que a televisão prejudica o movimento da pracinha Jerônimo Monteiro, em todos os
Cachoeiros de Itapemirim, não há dúvida.
Sete horas da noite era hora de uma pessoa acabar de jantar, dar uma volta pela
praça para depois pegar a sessão das 8 no cinema.
Agora todo mundo fica em casa vendo uma novela, depois outra novela.
O futebol também pode ser prejudicado. Quem vai ver um jogo do Cachoeiro F. C.
com o Estrela F. C. se pode ficar tomando cervejinha e assistindo a um Fla-Flu, ou a
um Internacional x Cruzeiro, ou qualquer coisa assim?
Que a televisão prejudica a leitura de livros, também não há dúvida. Eu mesmo
confesso que lia mais quando não tinha televisão.
Rádio, a gente pode ouvir baixinho, enquanto está lendo um livro. Televisão é
incompatível com livro – e com tudo mais nesta vida, inclusive a boa conversa, até o
making love.
50 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
Também acho que a televisão paralisa a criança numa cadeira mais que o
desejável. O menino fica ali parado, vendo e ouvindo, em vez de sair por aí, chutar
uma bola, brincar de bandido, inventar uma besteira qualquer para fazer. Por
exemplo: quebrar o braço.
Só não acredito que televisão seja “máquina de amansar doido”.
Até acho que é o contrário: ou quase o contrário: é máquina de amansar doido,
distrair doido, acalmar doido, fazer doido dormir.
Quando você cita um inconveniente da televisão, uma boa observação que se pode
fazer é que não existe nenhum aparelho de TV, a cores ou em preto e branco, sem
um botão para desligar. Mas quando um pai de família o utiliza isso pode produzir o
ódio e o rancor no peito das crianças e até de outros adultos.
Quando o apartamento é pequeno, a família é grande, e a TV é só uma – então sua
tendência é para ser um fator de rixas intestinais.
Agora você se agarra nessa porcaria de futebol...
Mas você não tem vergonha de acompanhar essa besteira de novela?
Não sou eu não, são as crianças!
Crianças, para a cama!
Mas muito lhe será perdoado, à TV, pela sua ajuda aos doentes, aos velhos,aos
solidários. Na grande cidade – num apartamentinho de quarto e sala, num casebre
de subúrbio, numa orgulhosa mansão – a criatura solidária tem nela a grande
distração, o grande consolo, a grande companhia. Ela instala dentro de sua toca
humilde o tumulto e o frêmito de mil vidas, a emoção, o “suspense”, a fascinação
dos dramas do mundo.
A corujinha da madrugada não é apenas a companheira de gente importante, é a
grande amiga da pessoa desimportante e só, da mulher velha, do homem doente...
É a amiga dos entrevados, dos abandonados, dos que a vida esqueceu para um
canto... ou dos que estão parados, paralisados, no estupor de alguma desgraça...ou
que no meio da noite sofrem o assalto das dúvidas e melancolias... mãe que espera
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 51
filho, mulher que espera marido...homem arrasado que espera que a noite passe,
que a noite passe...
(Rubem Braga, 200 crônicas escolhidas. Rio de Janeiro: Record, 2001)
Cachoeiro de Itapemirim: pequena cidade do interior do Espírito Santo, onde
nasceu o autor do texto.
making love: fazer amor, sexo.
Intestinal: profundo, entranhado.
Frêmito: vibração, rumor.
Entrevado : Paralítico.
Estupor: susto, assombro.
Assalto: ataque inesperado.
QUESTÕES
1) Embora, atualmente, a TV esteja presente em quase todos os lares do país, há
socialmente uma tendência a criticá-la, sob alegação de que ela prejudica o
relacionamento familiar, os estudos dos jovens, etc. De que ponto de vista
Rubem Braga discute o tema? Ele ataca ou defende a TV?
2) Qual o prejuízo causado pela tevê apontado no segundo parágrafo?
3) No terceiro parágrafo o autor assevera que a televisão prejudica a leitura de
livros, pois televisão é incompatível com livro. Quais os outros prejuízos
causados pela tevê o autor menciona no terceiro parágrafo?
4) A expressão: “quando não tinha televisão” é ambígua, ou seja, tem mais de um
sentido. Quais os sentidos que você pode ler nessa expressão?
5) “Só não acredito que televisão seja “máquina de fazer doido”. Até acho que é
contrário, ou quase o contrário: é máquina de amansar doido, distrair doido,
acalmar, fazer doido dormir.” Nesse segmento começam os argumentos
favoráveis à televisão. Que expressão mostra a mudança dos aspectos negativos
para positivos?
6) Quando o cronista diz: “não existe nenhum aparelho de tevê sem botão para
desligar”, o que, na verdade, ele está querendo dizer?
7) No último parágrafo, o autor se refere à TV por meio de uma metáfora: “a
corujinha da madrugada”. Lembrando que toda metáfora traz implícita uma
comparação entre dois elementos, que semelhanças existem entre TV e coruja?
52 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
REFERÊNCIAS
CAMARA JUNIOR, J. M. Dicionário de linguística e gramática. 16. ed. Petrópolis:
Vozes, 2001.
CARNEIRO, A.D. Redação em construção. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2000.
CEGALLA, D. P. Novíssima gramática da língua portuguesa. São Paulo: Nacional,
2000.
MESQUITA. Roberto Melo. Gramática da língua portuguesa. São Paulo. Saraiva,
1999.
SACCONI, Luiz Antonio. Novíssima gramática ilustrada Sacconi. São Paulo: Nova
Geração, 2008.
BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas. Rio de Janeiro: Record, 2001.
TUFANO, DOUGLAS. Guia prático da nova ortografia. 2. ed. São Paulo:
Melhoramentos: São Paulo, 2009.
INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO DO POTENCIAL HUMANO. Disponível em:
<www.mapasmentais.com.br>. Acesso em: 02 out. 2013.
MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA. Guia instrucional sobre as novas regras
ortográficas. Disponível
em:<www.bparah.azores.gov.pt/PDFs/acordo+orto/guia+ortografico-
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http://www.mapasmentais.com.br/
http://www.bparah.azores.gov.pt/PDFs/acordo+orto/guia+ortografico-museu+da+lingua+ptg.pdf
http://www.bparah.azores.gov.pt/PDFs/acordo+orto/guia+ortografico-museu+da+lingua+ptg.pdf
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 53
UNIDADE III: TE CNICAS PARA A
LINGUAGEM ESCRITA
OBJETIVOS
Observar as técnicas oficiais para uma linguagem escrita empresarial e
aprimorar os conhecimentos do código padrão da língua portuguesa.
Compreender as formas de uma comunicação eficiente na empresa e as
estratégias para uma comunicação eficaz.
Aperfeiçoar a capacidade do ato de comunicar na modalidade escrita e
redigir Contratos administrativos, memorando, Ofício, e e-mail, e os Códigos
de conduta no âmbito empresarial.
Caros Acadêmicos!
Nesta unidade, trataremos das técnicas para uma escrita empresarial de qualidade.
Dos objetivos e finalidade da escrita; bem como eficiência da comunicação; e por
fim, dos documentos administrativos, tais como, contratos, memorando, ofício e-mail
e observando a linguagem que regem as redações dos Códigos de Condutas das
Empresas.
OBJETIVOS E FINALIDADES
Tratar dos objetivos e das finalidades do processo de comunicação escrita é dizer algo
que se julga importante a um interlocutor, seja ele pessoa ou empresa. Nesta
perspectiva, para maior objetividade e clareza nas comunicações escritas faz-se
necessário três verbos: pensar, planejar e transmitir, e, embasado nestes pressupostos
verbais o processo de linguagem escrita pautar-se-á na observação de:
Por que – delimitar os objetivos do que se quer escrever;
O que – o que comunicar qual o tema ou assunto;
A quem – a que público almejo alcançar nesta comunicação;
Como – que técnica utilizar para esta comunicação;
Quando – qual data;
Onde – em qual local.
54 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
Com estes elementos bem definidos no texto, se tem uma comunicação escrita com
objetividade e sua finalidade definida. Neste sentido, a comunicação passa a atrair
atenção, despertar interesse, provocar desejo e gerar ação do receptor.
O processo comunicativo através da escrita no âmbito empresarial torna-se um dos
principais elementos do sucesso na gestão.
EFICIÊNCIA DA COMUNICAÇÃO
Tratar de uma comunicação eficiente pressupõe pensar na comunicação que, além
de atrair a atenção, incita interesse na mensagem e provoca vontade de adquirir o
objeto anunciado, ou mesmo pela leitura. Neste sentido apresentamos quatro
expressões que exprimem o que uma boa comunicação deve ter. Vejamos:
atrair a Atenção do público-alvo;
despertar o Interesse do público-alvo;
provocar o Desejo do público-alvo;
gerar a Ação do público-alvo.
E quando falamos de comunicação empresarial, por exemplo, percebemos que
todos devem entender as regras de uma eficiente comunicação oficial. Ela devem
sempre permitir uma única interpretação e ser estritamente impessoal e uniforme. O
redator deve se colocar no lugar do receptor para verificar se esta ficou clara. Deve
ainda, observar o nível de linguagem formal da escrita.
A comunicação oficial deve caracterizar-se:
Pela impessoalidade;
Uso do padrão culto de linguagem;
Clareza;
Concisão;
Formalidade;
Uniformidade.
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 55
Fundamentalmente esses atributos decorrem da Constituição, que dispõe, no artigo
37: "A administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes
da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos
princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência
(...)". Sendo a publicidade e a impessoalidade princípios fundamentais de toda
administração pública e privada, desta forma, estes princípios devem igualmente
nortear a elaboração de todas as comunicações empresariais e oficiais.
O tratamento impessoal que deve ser dado aos assuntos que constam das
comunicações oficiais decorre:
da ausência de impressões individuais de quem comunica;
da impessoalidade de quem recebe a comunicação;
do caráterimpessoal do próprio assunto tratado: o universo temático das
comunicações se restringe a questões que dizem respeito ao interesse público.
Os textos das comunicações: por seu caráter impessoal, por sua finalidade de
informar com o máximo de clareza e concisão, requerem o uso do padrão culto da
língua, isto é, as regras da gramática formal. Não existe propriamente um "padrão
oficial de linguagem"; o que há é o uso do padrão culto nas comunicações. A clareza
deve ser a qualidade básica de todo texto oficial. Pode-se definir como claro aquele
texto que possibilita imediata compreensão pelo leitor. É indispensável releitura de
todo texto redigido. Na revisão de um documento e ou comunicação, deve-se
avaliar, ainda, se ele será de fácil compreensão por seu destinatário. O que nos
parece óbvio pode ser desconhecido por terceiros.
Desta maneira, segue algumas dicas para revisão do texto escrito:
A composição é lida com facilidade? Está bem equilibrada?
Os pontos principais foram devidamente enfatizados? Faltou alguma coisa
essencial?
Existem erros de coerência lógica ou erros de ortografia?
O significado de cada sentença está claro e correto?
As sentenças longas estão bem organizadas?
Deixe de lado a composição por algum tempo e torne a revê-la mais tarde.
56 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
A revisão atenta exige, necessariamente, tempo. A pressa com que são elaboradas
certas comunicações quase sempre compromete sua clareza. Não se deve proceder
à redação de um texto que não seja seguida por sua revisão. A clareza datilográfica,
o uso de papéis uniformes para o texto definitivo e a correta diagramação do texto
são indispensáveis para a padronização.
Algumas regras básicas da comunicação empresarial:
Escrever parágrafos curtos e sem muitos pormenores.
Para ser bem claro, usar orações coordenadas.
Escrever somente sobre aquilo que se conhece bem.
Ajustar as mensagens ao receptor.
O conteúdo deve ser significativo (mensagem clara).
CONTRATOS ADMINISTRATIVOS - MEMORANDO - OFÍCIO - E-MAIL, E CÓDIGOS
DE CONDUTAS
Contratos administrativos
Conforme Martins (2010, p. 189), “O contrato é um acordo entre duas ou mais
pessoas (físicas ou jurídicas) para estabelecer, modificar ou anular uma relação de
direito. O assunto pode ser o mais variado possível: compra, venda e prestação de
serviço etc”. Muitos aspectos são analisados num contrato para que ele tenha
validade absoluta, e são de várias formas. Apenas para ilustrar, podemos dizer que
há contrato de compra e venda, há distratos2, troca (ou permuta), barganha, doação,
locação, empréstimo, deposito, fiança, e etc.
2
O distrato tem por finalidade extinguir as obrigações estabelecidas em um contrato celebrado
anteriormente. É importante que o contrato a ser extinto ainda não tenha sido executado em sua
totalidade. O distrato deve ser feito seguindo as mesmas regras que se fizeram próprias à formação
do contrato. Por exemplo: para aqueles contratos nos quais a lei exige o instrumento público, o
distrato também deverá ser feito por esta forma. A extinção do contrato pelo distrato depende do
consentimento de ambas as partes. Porém, também pode ocorrer por vontade de apenas uma delas,
mediante notificação à outra parte de sua intenção, desde que haja previsão legal para tal. (BRASIL,
2002. art. 472-473).
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 57
Podemos dizer que o os termos acordados entre as partes passam a ter valor de lei
particular; ela vale para ambas as partes, desde que lavrado por meio da lógica do
bom senso. Naturalmente, não terá força de lei um item de um contrato qualquer que
se acorda. Pois esse tipo de acordo ou convenção é feito no sentido de registrar-se
o que foi acordado num papel. “Um contrato de maior seriedade e com implicações
jurídicas deve ser feito por um advogado para” (Ibidem).
Exemplo:
CONTRATO SOCIAL
CARNEIRO S/A LTDA
Fulano de Tal, (nome completo), nacionalidade, naturalidade, estado civil,
data de nascimento (se solteiro), profissão, nº do CPF, documento de identidade,
seu número, órgão expedidor e UF onde foi emitida , domicílio e residência (tipo e
nome do logradouro, número, bairro/distrito, município, Unidade Federativa e CEP) –
se for representado por Procurador qualificação completa deste. Constitui uma
Empresa Individual de Responsabilidade Limitada, sob as seguintes cláusulas:
1ª A empresa girará sob o nome empresarial. (FIRMA OU DENOMINAÇÃO
DEVENDO SER ACRESCIDA AO FINAL A EXPRESSÃO CARNEIRO S/A LTDA)
............................ e terá sede e domicilio na (endereço completo: tipo, e nome do
logradouro, número, complemento, bairro/distrito, município, Unidade Federativa e
CEP).
2ª O capital será de R$ .......................... (............................... reais),totalmente
integralizado neste ato em moeda corrente do País. (podendo ser em bens)-(valor
mínimo de 100 vezes o salário mínimo vigente no país)
Parágrafo único – a responsabilidade do titular é limitada ao capital
integralizado. (redação não obrigatória)
3ª O objeto será ............................(descrição precisa e detalhada com CNAE)
4ª A empresa iniciará suas atividades em ...................... e seu prazo de
duração é indeterminado. (pode ser determinado)
5ª A administração da empresa será exercida por ................................
(qualificação completa se não for o titular)............................................ com os
poderes e atribuições de........................................... autorizado o uso do nome
empresarial, vedado, no entanto, em atividades estranhas ao interesse social ou
58 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
assumir obrigações seja em favor de qualquer dos quotistas ou de terceiros, bem
como onerar ou alienar bens imóveis da sociedade, ....(pode ser administrador
titular ou terceiro indicado, desde que pessoa natural)
6ª O exercício social coincidirá com o ano civil, sendo em 31 de dezembro de
cada ano será elaborado inventário, balanço patrimonial e balanço de resultado
econômico, cabendo ao titular os lucros ou perdas apurados.
7ª Declaro que não possuo nenhuma outra empresa dessa modalidade
registrada.
8ª (Os) Administrador(es) declara(m), sob as penas da lei, de que não est(ão)
impedidos de exercer a administração da sociedade, por lei especial, ou em virtude
de condenação criminal, ou por se encontrar(em) sob os efeitos dela, a pena que
vede, ainda que temporariamente, o acesso a cargos públicos; ou por crime
falimentar, de prevaricação, peita ou suborno, concussão, peculato, ou contra a
economia popular, contra o sistema financeiro nacional, contra normas de defesa da
concorrência, contra as relações de consumo, fé pública,ou a propriedade. (art.
1.011, § 1º, CC/2002)
Inserir cláusulas facultativas desejadas.
Umuarama, ____ de _________________de ________.
FULANO
BELTRANO
SICRANO
Visto do Advogado
TESTEMUNHAS:
Nome e C. I.
Nome e C. I.
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 59
MEMORANDO
É uma forma de correspondência muito comum em empresas e repartições públicas.
Na qual é tratado como correspondência oficial; mas poderíamos claramente pela
objetividade usual enquadrá-lo no âmbito comercial. Podendo circular internamente
ou externamente, mas o mais comum é a circulação interna, entre departamento ou
entre seções de uma mesma empresa.
Destaca-se pela clareza e concisão, isto é, transmitir o máximo de informações com
o mínimo de palavras. Pode ser escrito em papel ofício e de preferência com o
timbre da empresa.
Timbre ou cabeçalho: dizeres impressos na folha, símbolo (escudo, armas). Índicee número: número de ordem do documento, seguido da sigla do órgão que expede o
memorando. O número de ordem do ofício e a sigla são separados por barra.
Exemplo de um memorando
TIMBRE
№_____/_____ Data_____________
Para________________________________
Assunto______________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
_______________________
Nome
Cargo
Mem. Nº 123/2013 Umuarama, 2 de outubro de 2013.
60 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
Local e data: na mesma altura do índice e do número, com alinhamento à direita.
Coloca-se ponto após o ano. Ex.: Umuarama, 2 de outubro de 2013.
Assunto ou ementa: resumo do teor do documento só justificável quando o
documento é muito extenso.
Exemplo: Assunto: Remessa de publicações;
Vocativo ou destinatário: tratamento ou cargo do destinatário seguido,
preferencialmente, de dois-pontos.
Exemplo: Senhor Superintendente; Senhor Professor; Senhor Diretor.
Texto: exposição do assunto. Consta de uma ligeira introdução e da explanação, isto é,
do corpo propriamente dito do memorando. Se o texto for longo, os parágrafos podem
ser numerados a partir do segundo, que deverá receber o número 2. Se o texto ocupar
mais de uma folha, escrevem-se dez linhas na primeira e o restante nas demais. Nesse
caso, colocam-se endereço na primeira folha e repetem-se o índice e o número nas
demais, acrescentando-se o número da respectiva folha.
Nos casos em que não for de encaminhamento de documentos, o expediente deve
conter a seguinte estrutura:
Introdução, que se confunde com o parágrafo de abertura, na qual é
apresentado o assunto que motiva a comunicação. Evite o uso das formas:
Tenho a honra de, Tenho o prazer de, Cumpre-me informar que, empregue a
forma direta;
Desenvolvimento, no qual o assunto é detalhado; se o texto contiver mais de
uma ideia sobre o assunto, elas devem ser tratadas em parágrafos distintos,
o que confere maior clareza à exposição;
Conclusão, em que é reafirmada ou simplesmente reapresentada a posição
sobre o assunto.
Os parágrafos do texto podem ser numerados, exceto nos casos em que estes
estejam organizados em itens ou títulos e subtítulos.
Fecho: fórmula de cortesia. Usam-se fórmulas breves, tais como “Respeitosamente”
(para autoridades superiores), “Atenciosamente” (para autoridades da mesma
hierarquia ou de hierarquia inferior).
O fecho pode ser centralizado e posicionado acima da assinatura.
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 61
Assinatura: nome do signatário e cargo. O designativo do cargo ou função deve
estar abaixo do nome. Não se antepõe qualquer título profissional ao nome.
Exemplo: Professor Julio Moreira
Anexo: se o memorando estiver acompanhado de outros papéis, pode-se indicá-lo à
esquerda e a duas linhas da assinatura com o termo Anexo e a descrição de seu
conteúdo.
Exemplo: Anexo: comprovante de depósito. Anexa: Certidão negativa.
Obs.: A palavra “anexo” deve concordar em gênero e número com o substantivo a
que se refere.
OFÍCIO
A forma de correspondência externa a mais usada nas repartições públicas e
autarquias. Com ele, autoridades trocam informações diversas; é também usado
socialmente, e dele nos servimos para enviar felicitações, agradecimentos e
convites. Pode ainda ser usado no terreno desportivo, quando um time de futebol,
por exemplo, envia um ofício a outro time propondo um jogo, ou mesmo quando o
diretor do time envia um ofício consultando o valor de um atleta e se este está para
Vanda.
Neste sentido, o ofício tem por principal regra, a concisão e a clareza.
Vejamos:
Timbre ou cabeçalho: dizeres impressos na folha, símbolo (escudo, armas). Índice
e número: número de ordem do documento, seguido da sigla do órgão que expede
o ofício.
Exemplo:
Ofício Nº 060/2013
Umuarama, 2 de outubro de 2013.
62 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
Local e data: na mesma altura do índice e do número, com alinhamento à direita.
Coloca-se ponto após o ano.
Exemplo: Umuarama, 2 de outubro de 2013.
Vocativo ou destinatário: tratamento ou cargo do destinatário seguido,
preferencialmente, de dois-pontos.
Exemplo: Exmo Sr. Superintendente; Senhor Professor; Senhor Diretor.
Assunto ou ementa: resumo do teor do documento só justificável quando o
documento é muito extenso.
Exemplo: Assunto: Aquisição de novos computadores.
No oficio, não se deve usar no vocativo: Senhor (a), salvo quando se trata de
correspondência social da autoridade, emitida em razão de seu cargo ou função.
No caso de ofício circular, é recomendável utilizar tratamento que caracteriza
feminino (Senhora) e masculino (Senhor), para cada um dos destinatários.
Exemplo: Senhor Diretor, Senhora Diretora,
Texto: exposição do assunto. Consta de uma ligeira introdução e da explanação,
isto é, do corpo propriamente dito do ofício.
c) conclusão, em que é reafirmada ou simplesmente reapresentada a posição sobre
o assunto.
Fecho: fórmula de cortesia. Usam-se fórmulas breves, tais como “Respeitosamente”
(para autoridades superiores), “Atenciosamente” (para autoridades da mesma
hierarquia ou de hierarquia inferior).
O fecho pode ser centralizado e posicionado acima da assinatura;
Assinatura: nome do signatário e cargo. O designativo do cargo ou função deve ser
abaixo do nome. Não se antepõe qualquer título profissional ao nome.
Exemplo: Diretor Marcos Meira
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 63
Anexo: se o ofício estiver acompanhado de outros papéis, pode-se indicá-lo à
esquerda e a duas linhas da assinatura com o termo Anexo e a descrição de seu
conteúdo.
Exemplo:
UNIVERSIDADE PAISSANDAENSES REUNIDOS- UNIPARES
Ofício. Nº 0002/2013 Paissanda, 30 de outubro de 2013.
Exmo. Sr. Prefeito
De acordo com as conversações que mantivemos com esta Diretoria, cuja
decisão a respeito de uma série de conferências programadas e que nos foi
favorável, solicitamos que sejam suspensas as aulas nos dias 12 e 13 de outubro
de corrente, para os alunos que se interessarem por palestras que versam sobre
Ecologia e Meio Ambiente possam frequenta-las.
As palestras se realizarão no anfiteatro A da Universidade, com início previsto
para as 21 horas.
Agradecemos a atenção dispensada
Dr. Pleuroncio da Silva Neto
Reitor
Ao exmo sr.
João Paulo de Azevedo
Prefeito Municipal
Paraíso – PB
E-MAIL
O e-mail (correio eletrônico), quando emitido pelo Serviço Público ou no âmbito
empresarial segue as normas da Redação Oficial.
64 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
A finalidade do e-mail deve estar clara: o assunto da mensagem – o que deve ser
dito, que detalhes são imprescindíveis para o entendimento do pedido ou resposta.
Se a mensagem for muito longa, o melhor é uma conversa telefônica, que depois
pode ser ‘oficializada’ por e-mail. Se o texto for longo, é preciso evitar parágrafos
grandes, dividindo-os em tópicos de fácil leitura, melhor ainda é elaborar um texto e
anexar ao e-mail.
Não abreviar palavras. Não importa que tipo de comunicação esteja sendo feita, e,
sim, quem irá recebê-la.
Jamais se deve redigir a um e-mail escrevendo com letra maiúscula ou negritada,
pois isso denota falta de educação. Não há problema se negritos e letras maiúsculas
fizerem parte da formatação dos tópicos do e-mail.
Além da objetividade ao explicar o assunto, é preciso deixarclaro o prazo para uma
resposta, pois nesse tipo de comunicação espera-se que ela seja imediata.
No campo destinatário utilizar sempre o campo: CCO.
Nos e-mails devemos usar de diplomacia. Por isso, manter sempre uma atitude
positiva, tentar incluir na resposta trechos do e-mail do cliente, o que fará sentir-se
respeitado. Em vez de “Em resposta a seu pedido, informamos que...”, escrever:
“Em resposta a sua solicitação das cotações, informamos que...”.
Além disso, foco no receptor, clareza, concisão, precisão vocabular e expressividade
são outros ingredientes fundamentais para uma boa comunicação eletrônica. Nos casos
em que o e-mail substitui o envio de informações através da carta externa tradicional,
por ser um meio mais moderno e rápido de comunicação, a redação mantém a
formalidade exigida pela situação e a estética segue a padronização da empresa.
CÓDIGOS DE CONDUTA EMPRESARIAL
Tratar de Código de Conduta na Empresa pressupõe definir o modo como agir em
relação à sociedade e o que espera de cada um dos seus colaboradores,
independentemente de seu cargo ou função. A redação de um código de conduta
empresarial deve seguir as normas da gramática normativa, com uma linguagem
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 65
formal, e concisa onde cada empresa cria o seu código de conduta profissional em
vista de um bom andamento relacional.
Os manuais de código de ética estabelecem alguns tópicos de referências: conflitos
de interesse, conduta ilegal, segurança dos ativos da empresa, honestidade nas
comunicações dos negócios da empresa, denúncia, suborno, entretenimento e
viagem, propriedade de informação, contratos governamentais, responsabilidade de
cada público estratégico, assédio profissional, assédio sexual, uso de drogas e
álcool (ARRUDA, 2001).
Nesta perspectiva, um código de conduta empresarial é de fundamental importância
para o bom andamento empresarial, pois serve como referência individual e coletiva
para as atitudes e o comportamento dos colaboradores, para que todos sigam os
mesmos valores e padrões de conduta. O código de conduta deve orientar o
relacionamento na empresa com seus colaboradores, clientes, acionistas,
fornecedores, parceiros, mercado de capitais, concorrentes, poder público e
sociedade em geral.
Faz-se necessário que cada funcionário tenha conhecimento do Código de Conduta
que rege o estabelecimento em que colabora tem, pois saberá como agir legalmente no
âmbito empresarial, e cabe aos gestores da empresa fazer que este código esteja
escrito de forma clara, havendo a possibilidade de que todos os funcionários
compreendam seus direitos e deveres. Pois é a partir dele que se é possível aplicar
sanções no caso de não-cumprimento das determinações deste Código – que podem
variar de advertência à suspensão e demissão, dependendo da gravidade da violação.
O código de conduta estabelece algumas diretrizes norteadoras da empresa:
De modo geral, cada empresa de acordo com o ramo de atividade cria o seu código
de conduta e serve como guia de bom relacionamento interno e externo, dos quais
sinteticamente apresentamos alguns princípios fundamentais a ser observado:
Direitos e deveres
Proteção da empresa e patrimônio
Ética
Respeito às leis do país
66 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
Conflitos de interesse
Legalidade
Respeito ao ser humano
Transparência nas comunicações interna e externa
Repúdio a qualquer forma de discriminação
Estímulo ao desenvolvimento pessoal e profissional
Responsabilidade social, ambiental e cultural.
Assédio profissional e sexual.
Alcoolismo e drogadição (ARRUDA, 2002, p, 5).
ATIVIDADES
1) Como já visto nesta unidade, contrato é um acordo entre as partes em vista da
execução de alguma atividade. Redija um contrato de compra e venda de uma
Moto Honda CBX 200 cor prata. Obedecendo cada elemento necessário do
contrato, e consequentemente o uso de uma linguagem formal.
2) O Memorando é um tipo de comunicação propriamente interno entre as
unidades, ou mesmo, entre os setores de uma mesma empresa. Escreva um
memorando solicitando averiguação do equipamento de segurança da
empresa H&J. Obedecendo cada elemento necessário do memorando, inclusive
a concisão, e consequentemente o uso de uma linguagem formal objetiva.
3) O código de conduta em uma empresa tem por objetivo, criar normas com
princípios de legalidade e de bom funcionamento da empresa. Desta forma
redija um código de conduta para a empresa H&J, obedecendo aos princípios
norteadores indicado nesta unidade.
REFERÊNCIAS
ARRUDA, Maria Cecília Coutinho de. Fundamentos de ética empresarial e
econômica. São Paulo: Atlas, 2001.
______. Código de ética: um instrumento que adiciona valor. São Paulo: Negócio
Editora, 2002.
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 67
BRASIL. Novo código de processo civil. São Paulo: Atlas, 2002.
CAMARA JUNIOR, J. M. Dicionário de linguística e gramática. 16. ed. Petrópolis:
Vozes, 2001.
CARNEIRO, A. D. Redação em construção. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2000.
CEGALLA, D. P. Novíssima gramática da língua portuguesa. São Paulo: Nacional,
2008.
MENDES, Gilmar Ferreira; FOSTER JÚNIOR, Nestor José. Manual de redação da
Presidência da República. 2. ed. Brasília: Presidência da República, 2002.
SACCONI, Luiz Antonio. Novíssima gramática ilustrada Sacconi. São Paulo: Nova
Geração, 2008.
TUFANO, DOUGLAS. Guia prático da nova ortografia. 2. ed. São Paulo:
Melhoramentos: São Paulo, 2009.
MANUAL de Comunicação Escrita Oficial do Estado do Paraná. Curitiba, 2005.
Disponível em:
<www.arquivopublico.pr.gov.br/arquivos/File/pdf/manual_comunicacao.pdf>. Acesso
em: 01 out. 2013.
68 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 69
UNIDADE IV: TE CNICAS PARA A
LINGUAGEM ORAL
OBJETIVOS
Compreender a importância de preparar uma reunião com eficiência para o
sucesso da empresa.
Entender as técnicas de como preparar slides para apresentação, aulas,
palestras, seminários etc. visando a boa comunicação oral.
Compreender que o processo de comunicação oral nas suas diversas
formas exige para cada momento posturas, etiquetas e regras próprias que
devem ser observado sempre.
Caros Acadêmicos!
Tratar de técnicas para a linguagem oral pressupõe pensar a oralidade como uma
prática social interativa para fins comunicativos, que se apresenta sob variadas
formas ou gêneros textuais fundados na realidade sonora; a oralidade vai desde
uma realização mais informal a mais formal nos mais variados contextos de uso da
linguagem. Neste sentido a fala torna-se o objeto necessário de um processo de
produção discursivo. Assim, caracteriza-se pelo uso da língua na sua forma de sons
sistematicamente articulados e significativos que podem recorrer a gestos e
movimentos do corpo (MARCUSCHI, 2005).
Nesta Unidade trataremos de uma linguagem pratica propriamente dita. Tais como
reuniões eficientes, dispersão da comunicação; preparação de slides para
apresentação; dicção e técnicas de oratória: pronuncia correta, o que é aceitável ou
não na contração das palavras, vícios na linguagem oral; Comunicação corporal –
vícios e virtudes.
70 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
REUNIÕES EFICIENTES, DISPERSÃO DA COMUNICAÇÃO
As reuniões são de extrema importância no âmbito empresarial e consequentemente
em todo estabelecimento que necessita de mudança e reposicionamento. Segundo
Simões (1975, p.17) “Reunião é uma forma de comunicação. Através dela
atingiremos decisões, fixamos diretrizes, alteramos normas, geramos e/ou
eliminamos conceitos”.
Tratar de reuniõescom eficiências pressupõe uma estratégia que delimita quais
objetivos se pretende alcançar. Reunião para Faria, (1989, p. 13), “é uma técnica de
comunicação coletiva que, se planejada, pode proporcionar informação, participação
e cooperação de um grupo, fazendo seguir uma força capaz de conquistar metas
(...) tornando-se um ótimo veículo de esforço coletivo”. Atualmente, quando se fala
em reunião nas empresas, os rumores já aparecem entre os funcionários, pois às
vezes estas reuniões, mais servem para fazer algumas correções, ou chamada de
atenção que propriamente o que se propunha inicialmente. “a eficácia das reuniões
depende da técnica de preparar, participar, conduzir e avaliar; mal aplicada, a
técnica se deixa consumir, moendo os efeitos positivos” (ibidem).
Na realidade, há uma imensidão de técnicas de reuniões produtivas eficientes no
mundo do marketing empresarial, mas há muita coisa comum a estas técnicas, isto
é, alguns elementos fundamentais que deve ser considerados: são eles:
Toda reunião deve ter um objetivo: faça uma Pauta;
Os horários devem ser respeitados;
As pessoas certas devem estar na reunião;
O ambiente deve ser informal e agradável;
A ata deve ser um plano de ação.
Toda reunião quando é preparada objetivamente é constituída de uma pauta dos
assuntos que serão tratados. Esta pauta contribuirá na manutenção do foco da
reunião, porém todos os presentes devem ter esta pauta em mãos antecipadamente,
para que estes se preparem, estudem os temas tratados e também não fujam ao
tema em questão. Neste sentido, se por ventura a conversa tomar outro caminho,
reoriente o grupo: Importante, mas este tema não faz parte de nossa pauta de hoje.
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 71
Os convido a voltarmos para os objetivos principais. E, certifiquem se todos os
presentes entenderam qual é o objetivo desta reunião.
O respeito ao horário estabelecido para início e término da reunião deve ser
cumprido, pois refere respeito com os presentes, nunca deixe as reuniões fugirem
aos seus temas, para não extrapolar o tempo previsto, pois isso torna-se uma das
maiores queixas “reuniões chatas”, “nunca leva a nada” etc.
Uma reunião precisa estar às pessoas certas, isto é, pessoas que realmente precisa
estar nesta reunião, pessoas que precisam conhecer e decidir questões tratadas.
Não podemos convidar pessoas de setores que não tem relação direta com os
assuntos discutidos, por exemplo, em uma reunião na empresa X, convidar todos os
funcionários de todos os setores, da direção aos serviços gerais, e copa, para
discutirem sobre as vendas baixas da empresa e como criar estratégias para sua
melhoria. Neste sentido, podemos observar que neste exemplo o objetivo da
empresa em fazer uma grande reunião não trouxe resultados, visto que ali havia
pessoas que não precisam estar ali, faltou foco, objetividade, escolha das pessoas
que realmente poderiam fazer a diferença na reunião.
Quando estabelecemos que as reuniões precisam de um ambiente informal e
agradável, queremos dizer que o ambiente precisa deixar as pessoas a vontade e
permitir que todos participem ativamente das discussões, e que o ambiente escolhido
possa não inibir pela formalidade do espaço. É importante ouvir todos os participantes,
pois se foi convidado para estar nesta reunião faz-se importante sua presença.
E, para que a reunião possa ser produtiva, é necessário que seja registrado em ata,
pois esta se torna o norte do plano de ação a ser executado para solucionar as
questões discutidas e o que se planeja almejar.
No contexto geral de uma reunião, o líder da reunião precisa agir imparcialmente,
discretamente, no sentido de ser o orientador, e não o dono da verdade com
respostas prontas, pois a maior parte do insucesso das reuniões pode partir deste
princípio. Para Faria (1989, p. 30), “O líder de uma reunião deve ser capaz de criar
uma atmosfera de liberdade que, encorajando a participação de todos, possibilite a
formação de um grupo verdadeiramente cooperativo”. O líder deve ser o mediador,
condutor, o planejador deste momento de discussão em prol de um bem melhor. No
72 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
final da reunião, agradece a presença de todos e seja cordial, peça opinião sobre
como foi a reunião, e deixe livre para sugestão de como melhorar nas próximas.
Farias (1989) apresenta algumas causas do fracasso das reuniões, vejamos:
Incapacidade do dirigente ou coordenador (Diretor, Gerente, Chefe);
Erro na seleção dos participantes;
Falta ou preparação deficiente;
Não distribuir a convocação ou convite com antecedência;
Receber retardatários e interromper a reunião;
Fugir à agenda preestabelecida;
Fazer prevalecer as opiniões do coordenador ou dirigente;
Não obter a concordância do grupo para as soluções;
Permitir discussões paralelas e indisciplina, ou alheiamento dos
participantes;
Permitir interrupções, inclusive para atender telefones;
Não registrar as propostas e deliberações;
Ferir a sensibilidade ou humilhar os participantes;
Não saber orientar e motivar o grupo.
Uma reunião, de forma prática pode levar-nos a um reposicionamento, a outro olhar
sobre as novas estratégias necessárias para rumar ao sucesso na empresa. É
fundamental ao término da reunião que se faça um exame crítico de nossa posição
na empresa, e estar aberto a mudanças inovadoras no âmbito profissional e pessoal.
PREPARAÇÃO DE SLIDES PARA APRESENTAÇÃO
Uma exposição oral caracteriza-se por uma espécie de compromisso com a língua
falada e a escrita. Neste sentido, a exposição oral, pressupõe um conteúdo que se
quer transmitir seu preparo e cuidado com a linguagem. É fundamental preparar e
estudar bem o seu trabalho, conhecer os seus pontos importantes. E mesmo se uma
apresentação é oral, é importante escrever o seu trabalho da forma como vai ser
apresentado. Um roteiro escrito pode ser um grande auxiliar para conseguir manter uma
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 73
sequência pré-estabelecida para a apresentação e eliminar muito a ansiedade. Esta
atitude em nada diminui o ministrante, pelo contrário, pode contribuir para melhorar o
seu desempenho. Outro aspecto importante é preparar a apresentação dentro do tempo
destinado à mesma. Iniciar e terminar uma apresentação no tempo estipulado pelos
organizadores de um evento é uma prova de boa educação e de respeito.
E quando se pensa nesta exposição oral com a apresentação de slides, torna-se
necessário mais rigor e cuidado com o texto. Quando pensamos em preparar slides
para uma apresentação, quer seja, uma palestra, uma aula, uma apresentação dos
resultados na empresa, faz-se necessário primeiramente organizar uma estrutura da
apresentação, isto é:
Título, o que se quer apresentar;
Introdução, na qual se expõem e se justificam claramente os objetivos
pretendidos;
Objetivos, que se pretende alcançar nesta apresentação;
Desenvolvimento, a discussão, na qual se comparam os resultados
alcançados com os da literatura e se interpretam os resultados;
Conclusão, os resultados esperados.
Além desta estrutura do texto que se pretende apresentar, deve ter muito claro o
texto que irá apresentar, observando que o material visual deve expor realmente o
que deseja comunicar, pois os slides passam a ser uma ferramenta de auxílio nesta
exposição, capaz de despertar a atenção e interesse do público. Neste sentido que
esta ferramenta deve ser feita com muita atenção, observando cada elemento que o
constitui, iniciando pelo conteúdo de qualidade e tendo em mente: qual o público-
alvo, qual o propósito da exposição, isto é, o que quero com esta apresentação?
Deste modo segue algumas dicas de como preparar uma boa apresentação:
A maneira como apresentar as informaçõesque pretende transmitir é
essencial;
O melhor conselho para quem vai apresentar um trabalho é simples: ser
natural. Não precisa "representar um personagem" concentre sim os seus
esforços em fazer uma apresentação correta;
74 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
Não perca tempo com formalidades desnecessárias, seja educado, mas
conciso;
Durante a apresentação evite a monotonia da entoação, não fique com as
mãos no bolso, fale de modo audível, pronuncie claramente as palavras,
olhe para as pessoas como se estivesse a dialogar com elas, solte-se e
mexa o corpo naturalmente (mas não demais);
A comunicação visual (olhos nos olhos) é primordial;
Ao usar o microfone, procure mantê-lo à distância adequada da boca;
Procure estabelecer um encadeamento simples e linear nas suas frases.
Faça-as curtas, sem usar demasiado adjetivos e advérbios;
Utilize palavras cujo uso e sentido conhece e domina e use uma linguagem
clara, objetiva e correta.
Após estas dicas, voltamos para o cuidado com os slides, isto é, usar de modo
correto, e fazer desta ferramenta um auxílio à apresentação, mas que se torna
necessário observar algumas regras fundamentais da linguagem visual, vejamos:
Um slide não deve exceder um número máximo de 5 a 6 linhas para
permanecer claro e conciso.
As cores escolhidas para o fundo dos slides devem ser cuidadosamente
associadas de maneira a acentuar o contraste entre o fundo e os elementos
gráficos. Por norma, o fundo costuma ser escuro (azul marinho), o texto em
branco ou amarelo, e os traços em vermelho.
Não colocar demasiadas informações. Um slide demasiado cheio, assim
como um texto longo são convites à distração e devem ser evitados. Ao
contrário, uma mistura em boas proporções de texto e imagens garante uma
boa memorização. Use pouco texto, só informações fundamentais (tente
sintetizar as idéias em forma de esquemas ou tópicos); texto demais não
será lido, deixa a apresentação longa, aborrecida e às vezes mais confusa.
Evite usar fontes menores que 24 ou 28, um tamanho ideal seria 32.
É bom transmitir à plateia a impressão de que os slides foram elaborados
especialmente para aquela apresentação. Convém confeccionar todos os
seus textos, seja verbal ou não verbal, dentro de um mesmo padrão de
modo que obedeçam a um visual uniforme.
Quando apresentar documentação de casos cuide de limitar o número de
casos ao essencial. Um caso ilustrativo, bem selecionado e documentado,
costuma ser suficiente, na maioria das vezes.
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 75
Quando apresentar ou adaptar tabelas, gráficos ou figuras de trabalhos de
outros autores cite obrigatoriamente a fonte (referência bibliográfica
completa), para permitir que o ouvinte tenha acesso ao trabalho original.
Evite perder tempo com citações desnecessárias; evitar o jargão, que para
além de não significar muita coisa faz perder um tempo precioso; enquanto
se fala, deve-se olhe para o público, e não fixar o olhar apenas em algum
conhecido ou nos slides que ilustram a apresentação.
E, finalmente, não devemos esquecer que a linguagem padrão deve
prevalecer sempre.
Nesta forma de comunicação oral, deve-se evitar uma linguagem informal, não use
expressões como: “eu acho”; “parece”; “desculpa”; “não lembro”; e “não sei”.
DICÇÃO E TÉCNICAS DE ORATÓRIA: PRONUNCIA CORRETA, O QUE É
ACEITÁVEL OU NÃO NA CONTRAÇÃO DAS PALAVRAS, VÍCIOS NA LINGUAGEM
ORAL; COMUNICAÇÃO CORPORAL - VÍCIOS E VIRTUDES
Dicção e técnicas de oratória: pronuncia correta
Podemos dizer o processo de comunicação oral, exige alguns cuidados que
devemos levar a risca quando planejamos algumas apresentações ou mesmo uma
aula. Reinaldo Polito (1993) apresenta algumas regras para o sucesso de apresentar
com segurança e desembaraço. A voz é fundamental para o seu relacionamento
com a plateia. Ao falar, analise qual a emoção, volume e ritmo que a comunicação
pede. Dicção é a articulação correta dos sons de todas as sílabas das palavras que
pronunciamos. Sempre que necessário, faça uso do entusiasmo e do sorriso.
Seja natural, esta poderá ser a melhor regra para se comunicar bem.
DICAS:
Se cometer alguns erros técnicos durante uma apresentação em público,
mas comportar-se de maneira espontânea tenha certeza de que os ouvintes
ainda poderão acreditar nas palavras ditas e aceitar bem a mensagem;
76 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
Entretanto, se usar técnicas de comunicação, mas apresentar-se de forma
artificial, a platéia poderá duvidar das intenções;
A técnica será útil quando preservar suas características e respeitar o estilo
da comunicação;
Apresentando-se com naturalidade, irá se sentir seguro confiante e suas
apresentações será mais eficiente. (POLITO,1993).
Não confie na memória - leve um roteiro como apoio:
Algumas pessoas memorizam suas apresentações palavra por palavra
imaginando que assim se sentirão mais confiantes. A experiência demonstra
que, de maneira geral, o resultado acaba sendo muito diferente. Se houver o
esquecimento de uma palavra importante na ligação de duas ideias, talvez
ocorra uma desestabilização e insegurança para continuar. O pior é que ao
decorar uma apresentação poderá haver um não preparo psicológico para
falar de improviso e ao não encontrar a informação de que necessita, ficará
sem saber como contornar o problema.
Use um roteiro com as principais etapas da exposição, e frases que
contenham ideias completas. Assim, diante da plateia, leia a frase e a seguir
comente a informação, ampliando, criticando, comparando, discutindo, até
que essa parte da mensagem se esgote. Depois, leia a próxima frase e faça
outros comentários apropriados à nova informação, estabeleça outras
comparações, introduza observações diferentes até concluir essa etapa do
raciocínio.
Aja assim até encerrar a apresentação.
Uma grande vantagem desse recurso é que o apresentador se sentirá
seguro por ter um roteiro com toda a sequência da apresentação, ao mesmo
tempo em que terá a liberdade para desenvolver o raciocínio diante do
público.
Se a apresentação for mais simples poderá recorrer a um cartão de notas,
uma cartolina mais ou menos do tamanho da palma da mão, que deverá
conter as palavras-chave, números, datas, cifras, e todas as informações
que possam mostrar a seqüência das idéias.
Com esse recurso o apresentador bate os olhos nas palavras que estão no
cartão e vai se certificando que a sequência planejada está sendo seguida.
Use uma linguagem correta:
Uma escorregadinha na gramática aqui, outra ali, talvez não chegue a
prejudicar a apresentação. Afinal, quem nunca comete erros gramaticais que
atire a primeira pedra. Entretanto, alguns erros grosseiros poderão prejudicar
a imagem do ministrante e a da instituição que estiver representando.
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 77
Erros comuns - Os mais graves são: 'fazem tantos anos', 'menas', 'a nível
de', 'somos em seis', 'meia tola', entre outros.
Mesmo que tenhamos uma boa formação intelectual, sempre valerá a pena
fazer uma revisão gramatical, principalmente quanto à conjugação verbal e
às concordâncias.
Saiba quem são os ouvintes:
Se fizer a mesma apresentação diante de plateias diferentes talvez até
possa ter sucesso, mas por acaso, a previsão, entretanto, é que não atinja
os objetivos pretendidos.
Cada público possui características e expectativas próprias, e que precisam
ser consideradas em uma apresentação.
Procure saber qual é o nível intelectual das pessoas, até que ponto
conhecem o assunto e a faixa etária predominante dos ouvintes. Assim,
poderá se preparar de maneira mais conveniente e com maiores chances de
se apresentar bem.
Tenha começo meio e fim:
Guardeessa regrinha simples e muito útil para organizar uma apresentação:
Anuncie o que vai falar, fale e conte sobre o que falou.
Depois de cumprimentar os ouvintes e conquistá-los com elogios sinceros,
ou mostrando os benefícios da mensagem, conte qual o tema que irá
abordar.
Ao anunciar qual o assunto que irá desenvolver, a plateia acompanhará seu
raciocínio com mais facilidade, porque saberá aonde deseja chegar.
Em seguida, transmita a mensagem, sempre facilitando o entendimento dos
ouvintes. Se, por exemplo, deseja apresentar a solução para um problema,
diga antes qual é o problema. Se pretende falar de uma informação atual,
esclareça inicialmente como tudo ocorreu até que a informação nova
surgisse.
Use toda argumentação disponível: pesquisas, estatísticas, exemplos,
comparações, estudos técnicos e científicos, etc.
Se, eventualmente, perceber que os ouvintes apresentam algum tipo de
resistência, defenda os argumentos refutando essas objeções.
Finalmente, depois de expor os argumentos e defendê-los das resistências
dos ouvintes, diga qual foi o assunto abordado, para que a plateia possa
guardar melhor a mensagem principal.
78 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
Tenha uma postura correta:
Evite os excessos, inclusive das regras que orientam sobre postura.
Alguns, com o intuito de corrigir erros, partem para os extremos e condenam
até atitudes que, em determinadas circunstâncias, são naturais e corretas.
Assim, cuidado com o 'não faça', 'não pode', 'está errado' e outras
afirmações semelhantes. Prefira seguir sugestões que dizem 'evite',
'desaconselhável', 'não é recomendável', e outras que se pareçam com
essas.
Portanto, evite apoiar-se apenas sobre uma das pernas e procure não deixá-
las muito abertas ou fechadas. É importante que se movimente diante dos
ouvintes para que realimentem a atenção, mas esteja certo de que o
movimento tem algum objetivo, como por exemplo, destacar uma
informação, reconquistar parcela do auditório que está desatenta, caso
contrário é preferível que fique parado.
Cuidado com a falta de gestos, mas seja mais cauteloso ainda com o
excesso de gesticulação.
Procure falar olhando para todas as pessoas da plateia, girando o tronco e a
cabeça com calma, ora para a esquerda, ora para a direita, para valorizar e
prestigiar a presença dos ouvintes, saber como se comportam diante da
exposição e dar maleabilidade ao corpo, proporcionando, assim, uma
postura mais natural.
O semblante é um dos aspectos mais importantes da expressão corporal,
por isso dê atenção especial a ele. Verifique se ele está expressivo e
coerente com o sentimento transmitido pelas palavras. Por exemplo, não
demonstre tristeza quando falar em alegria.
Evite falar com as mãos nos bolsos, com os braços cruzados ou nas
costas. Também não é recomendável ficar esfregando as mãos,
principalmente no início, para não passar a ideia de que está inseguro ou
hesitante.
Seja bem-humorado:
Nenhum estudo comprovou que o bom-humor consegue convencer ou
persuadir os ouvintes. Se isso ocorresse os humoristas seriam sempre
irresistíveis. Entretanto, é óbvio que um orador bem-humorado consegue
manter a atenção dos ouvintes com mais facilidade.
Se o assunto permitir e o ambiente for favorável, use sua presença de
espírito para tornar a apresentação mais leve, descontraída e interessante.
Cuidado, entretanto, para não exagerar, pois o orador que fica o tempo todo
fazendo gracinhas pode perder a credibilidade.
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 79
Prepare-se para falar:
Assim como não vamos para a guerra municiado apenas com balas
suficientes para acertar o número exato de inimigos entrincheirados, também
para falar não devemos nos abastecer com conteúdo que atenda apenas ao
tempo determinado para a apresentação. Saiba o máximo que puder sobre a
matéria que irá expor, isto é, se tiver de falar 15 minutos saibam o suficiente
para discorrer pelo menos 30 minutos.
Não se contente apenas em se preparar sobre o conteúdo, treine também a
forma de exposição. Faça exercícios falando sozinho na frente do espelho,
ou se tiver condições, diante de uma câmera de vídeo. Atenção para essa
dica - embora esse treinamento sugerido de fluência e ritmo à apresentação,
de maneira geral, não dá naturalidade. Para que a fala atinja bom nível de
espontaneidade fale com pessoas. Reúna um grupo de amigos, familiares
ou colegas de trabalho, ou de classe, e converse bastante sobre o assunto
que irá expor.
Acredite, se conseguir falar de maneira semelhante na frente da plateia será
um sucesso.
Use recursos audiovisuais:
Esse estudo é impressionante - se apresentar a mensagem apenas
verbalmente, depois de três dias os ouvintes irão se lembrar de 10% do que
falou. Se, entretanto, expuser o assunto verbalmente, mas com auxílio de
um recurso visual, depois do mesmo período, as pessoas se lembrarão de
65% do que foi transmitido. Mais uma vez, tome cuidado com os excessos.
Nada de Power Point acompanhado de brecadinhas de carro,
barulhinhos de máquina de escrever, e outros ruídos que deixaram de
ser novidade há muito tempo e por isso podem vulgarizar a apresentação.
Um bom visual deverá atender a três grandes objetivos: destacar as
informações importantes, facilitar o acompanhamento do raciocínio e fazer
com que os ouvintes se lembrem das informações por tempo mais
prolongado. Portanto, não use o visual como 'colinha', só porque é bonito,
para impressionar, ou porque todo mundo usa. Observe sempre se o seu
uso é mesmo necessário.
Faça visuais com letras de um tamanho que todos possam ler.
Projete apenas a essência da mensagem em poucas palavras.
Apresente números em forma de gráficos.
Use cores contrastantes, mas sem excesso.
Posicione o aparelho de projeção e a tela em local que possibilite a
visualização da platéia e facilite sua movimentação.
80 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
Fale com emoção:
Fale sempre com energia, entusiasmo, emoção. Se não demonstrarmos
interesse e envolvimento pelo assunto que estamos abordando, como é que
poderemos pretender que os ouvintes se interessem pela mensagem?
A emoção do orador tem influência determinante no processo de conquista
dos ouvintes. (POLITO,1993).
O que é aceitável ou não na contração das palavras
Quando falamos de comunicação oral, dentre suas variadas formas de
aparecimento, corremos o risco de não articular corretamente as palavras, ou
mesmo utilizar de uma linguagem informal. Sendo assim, devemos compreender o
que é possível e o que não é recomendável quando falamos de contração das
palavras. As contrações se unem, sendo formadas por aglutinação. O processo de
AGLUTINAÇÃO consiste na junção de duas ou mais palavras, também com o
objetivo de formar uma terceira palavra, porém uma delas ou as duas sofrerão
alguma mudança na sua forma, ganhando ou perdendo letras, fonemas ou
morfemas. Exemplos: Fidalgo (filho de algo), aguardente (água ardente), pernalta
(perna alta).
Outro tipo especial de contração, a combinação, é formada por justaposição. As
palavras compostas por JUSTAPOSIÇÃO, como o próprio nome já diz, são apenas
justapostas, uma ao lado da outra, e estando juntas formarão uma terceira palavra.
Neste caso, as palavras ficam intactas, não perdendo nenhum item da sua forma.
Exemplos: malmequer, beija-flor, segunda-feira, passatempo, peixe-espada.
As contrações podem ser obrigatórias ou facultativas:
Contrações obrigatórias:
São as formadas por preposição + artigo definido (exceção a preposição de, que
pode ser obrigatória ou expressa, dependendo do caso) e por preposição + pronome
demonstrativo. Exemplo:
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 81
Pelos (por + os);Neste (em + este);
À (a + a).
À e flexões é um tipo especial de contração, denominado crase (fusão de vogais
idênticas).
Outros casos de contração permitidos no uso da língua portuguesa que as
gramáticas de língua portuguesa apresentam.
Vejamos:
Figura 9 - Uso correto da contração das palavras.
Com a preposição de
+ Artigos definidos
de + o = do
de + a = da
de + os = dos
de + as = das
Com a preposição de
+ Artigos indefinidos
de + um = dum
de + uns = duns
de + uma = duma
de + umas = dumas
Com a preposição de
+ Pronomes pessoais
de + ele = dele
de + ela = dela
de + eles = deles
de + elas = delas
Com a preposição de
+ Pronome indefinido
de + outro = doutro
de + outra = doutra
de + outros = doutros
de + outras = doutra
Com a preposição de
+ Advérbios
de + aqui = daqui
de + aí = daí
de + ali = dali
de + além = dalém
Com a preposição em
+ Artigos definidos
em + o = no
em + a = na
em + os = nos
em + as = nas
Com a preposição em
+ Artigos indefinidos
em + um = num
em + uns = nuns
em + uma = numa
em + umas = numas
Com a preposição em
+ Pronomes pessoais
em + ele = nele
em + ela = nela
em + eles = neles
em + elas = nelas
Com a preposição a
+ Artigos definidos
a + a = à
a + as = às
a + o = ao
a + os = aos
82 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
Com a preposição
a + Pronomes
demonstrativos
a + aquele = àquele
a + aquela = àquela
a + aqueles = àqueles
a + aquelas = àquelas
a + aquilo = àquilo
Com a preposição
per + Artigos definidos
per + o = pelo
per + a = pela
per + os = pelos
per + as = pelas
Com a preposição
a + Advérbios
a + onde = aonde
Com a preposição
de + Pronomes
demonstrativos
de + este = deste
de + esta = desta
de + estes = destes
de + estas = destas
de + isto = disto
de + esse = desse
de + essa = dessa
de + esses = desses
de + essas = dessas
de + isso = disso
de + aquele = daquele
de + aquela = daquela
de + aqueles = daqueles
de + aquelas = daquelas
de + aquilo = daquilo
Com a preposição
em + Pronomes
demonstrativos
em + este = neste
em + esta = nesta
em + estes = nestes
em + estas = nestas
em + isto = nisto
em + esse = nesse
em + esta = nessa
em + esses = nesses
em + estas = nessas
em + isso = nisso
em + aquele = naquele
em + aquela = naquela
em + aqueles = naqueles
em + aquelas = naquelas
em + aquilo = naquilo
Fonte: Novíssima gramática ilustrada Sacconi
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 83
As Contrações facultativas são:
Figura 10 - Uso facultativo da contração das Palavras
Em um = Num
Em algum = Nalgum
De algum = Dalgum
Em outro = Noutro
De outro = Doutro
Em uns = Nuns
Em alguma = Nalguma
De alguma = Dalguma
Em outros = Noutros
De outros = Doutros
Em uma = Numa
Em alguns = Nalguns
De alguns = Dalguns
Em outra = Noutra
De outra = Doutra
Em umas = Numas
Em algumas = Nalgumas
De algumas = Dalgumas
Em outras = Noutras
De outras = Doutras
Fonte: Novíssima gramática ilustrada Sacconi
Outros casos da formação de palavras podem ser consultados na Gramática da
Língua Portuguesa, que constam em nosso referencial e está disponível na
biblioteca da Universidade.
CEGALLA, D. P. Novíssima gramática da língua portuguesa. 48. Ed. São Paulo:
Nacional, 2008.
Vícios na linguagem oral
A linguagem oral requer alguns cuidados principalmente quando se referimos aos
vícios de linguagem. Reinaldo Polito (1993) apresenta os principais pecados capital
da linguagem oral. Vejamos:
1) Exemplo: 'Haja visto o progresso da ciência...'
Explicação: a forma 'haja visto' não se aplica a este caso. O correto é 'haja vista', e
não varia. 'Rubens Barrichello poderá ser campeão, haja vista o progresso que tem
feito com o novo carro'.
2) Exemplo: 'Para mim não errar...'
Explicação: 'mim' não pode ser sujeito, apenas complemento verbal ('O correto é:
Ele trouxe a roupa para mim'). Também pode completar o sentido de adjetivos: 'Fica
difícil para mim...'
84 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
3) Exemplo: 'Vou estar enviando o fax...'
Explicação: embora não seja gramaticalmente incorreto, o gerúndio é uma praga. É
feio e desnecessário. Melhor dizer 'Vou enviar o fax'.
4) Exemplo: 'Ir ao encontro de...', 'ir de encontro a...'
Explicação: muita gente acha que as duas expressões significam a mesma coisa.
Errado. 'Ir ao encontro de...' é o mesmo que estar a favor. 'Ir de encontro a...'
significa estar contra, discordar.
5) Exemplo: 'Eu, enquanto diretor de marketing...'
Explicação: também é inadequado. Melhor dizer 'Eu, como diretor de marketing...'
6) Exemplo: 'Fazem muitos anos...'
Explicação: quando o verbo 'fazer' se refere a tempo, ou indica fenômenos da
natureza, não pode ser flexionado. Diz-se: 'Faz dois anos que trabalho na empresa',
'Faz seis meses que me casei'.
7) Exemplo: 'A nível de Brasil...'
Explicação: 'a nível de' é uma expressão inútil. Pode ser suprimida ou substituída por
outras. Exemplo. Em vez de 'A empresa está fazendo previsões a nível de mercado
latino-americano', use 'A empresa está fazendo previsões para o mercado latino-
americano'.
8) Exemplo: 'Não tive qualquer intenção de errar'
Explicação: não se deve usar 'qualquer' no lugar de 'nenhum' em frases negativas. O
certo é dizer 'Não tive nenhuma intenção de errar'.
9) Exemplo: 'Há dez anos atrás...'
Explicação: redundâncias enfeiam o discurso. Melhor dizer 'Há dez anos' ou 'Dez
anos atrás'. 'Há dez anos atrás' é o mesmo que 'um plus a mais'.
10) Exemplo: 'Éramos em oito na reunião'
Explicação: não se usa a preposição 'em' entre o verbo ser e o numeral. O correto é
dizer 'Éramos oito’.
Disponível em: POLITO, Reinaldo. Curso de expressão verbal.
<http://www.polito.com.br/portugues/dicas.php?id_nivel=15&id_nivel2=127>. Acesso
em: 07 out. 2013.
http://www.polito.com.br/portugues/dicas.php?id_nivel=15&id_nivel2=127
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 85
Outros vícios e erros de etiqueta que podem prejudicar o processo de comunicação
oral, e muito visível no cotidiano das pessoas. (Apresentado em notas de Aula da
professora Tatiane de Souza Machado 2013, sintetizado das obras de Reinaldo
Polito, 2005, 2008).
Respirar mal;
Falar muito baixo ou muito alto;
Pronunciar mal as palavras;
Falar muito depressa ou muito devagar;
Usar vícios de linguagem como “tá?”, “né?”, “ok”, “certo?”,
“entendeu?”, “percebe?”, “é isso aí!”, “tipo assim”, “a gente”, “acho
que” e outros;
Falar como robô, em tom monocórdio;
Cometer erros gramaticais;
Engolir esses e erres;
Falar com estridência;
Embolar as palavras;
Ser prolixo ou monossilábico;
Organizar mal as ideias e a apresentação;
Expressar-se sem objetividade e clareza;
Usar termos técnicos para público leigo;
Contar piadas e usar chavões;
Desculpar-se por estar despreparado;
Não levar em conta o momento, o local e o meio mais oportuno para
transmitir determinadas mensagens;
Usar argumentos inconsistentes;
Perder-se em detalhes;
Baixar a voz no final das frases;
Não destacar as ideias principais;
Usar citações em excesso e vocabulário inadequado;
Não aliar a técnica à naturalidade na comunicação.
86 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
Gestos que conotem nervosismo e inibição;
Ajeitar a gravata;
Manusear chaveiro, caneta;
Ajeitar o cabelo ou os óculos;
Coçar-se, pigarrear ou bocejar;
Apoiar-se ora numa perna ora em outra;
Fixar os olhos no chão, no teto ou numa só pessoa da plateia.
Olhar através das pessoas;
Ficar parado comoestátua ou com as pernas abertas;
Movimentar as mãos excessivamente;
Estufar o peito ou cruzar os braços;
Mascar ou roer unhas;
Pôr as mãos para trás;
Dar as costas para a plateia;
Esfregar as mãos ansiosamente;
Andar pelo palco sem razão;
Balançar o corpo;
Pôr as mãos nos bolsos;
Olhar para o vazio;
Pôr as mãos na cintura;
Apoiar-se nos móveis do cenário;
Consultar excessivamente o relógio;
Usar a comunicação como forma de poder;
Parecer egocêntrico, arrogante ou subserviente;
Manipular a plateia;
Esquecer o valor da empatia;
Ser irônico e sarcástico;
Não ouvir a plateia ou demonstrar preconceitos;
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 87
Apresentar-se sem estar preparado;
Ignorar a etiqueta empresarial;
Chegar atrasado;
Revelar preferências pessoais;
Ter gestos, atos e palavras incoerentes;
Ser inflexível;
Não saber administrar conflitos interpessoais;
Receber as perguntas da plateia como se fossem uma ofensa pessoal;
Dizer que vai “roubar o tempo” dos espectadores;
Não controlar o tempo da exposição;
Tentar enganar a plateia falando do que não conhece;
Ignorar a linguagem corporal dos espectadores;
Subestimar a importância do processo de sinergia.
Outros casos de vícios de linguagem oral podem ser consultados na Gramática da
Língua Portuguesa, que constam em nosso referencial e está disponível na
biblioteca da Universidade.
CEGALLA, D. P. Novíssima gramática da língua portuguesa. 48. Ed. São Paulo:
Nacional, 2008.
Comunicação corporal – vícios e virtudes
O processo de comunicação humana se faz pelo uso da linguagem verbal e pela
linguagem não verbal. Tratar propriamente de linguagem não verbal, pressupõe
pensar, em gestos, sinais, mímica, e outras formas de comunicação que não seja
por palavras e pela voz. Desta forma, sabemos que nossas expressões gestuais
correspondem mais da metade de nossa comunicação, e seu uso precisa ser correto
e adequado, mesmo diante de todas as limitações imanentes, tais como:
88 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
Sente medo de falar em público?
Tem com frequência, pensamentos negativos sobre si mesmo?
Acha difícil expressar suas ideias e seus sentimentos?
Costuma se esquivar de situações que considera potencialmente
embaraçosa?
Analisa as consequências de cada atitude sua ou reações dos outros diante
de tais atitudes?
POSTURA E APARÊNCIA
Sua aparência reflete sua imagem! Ao decidir que roupa usar, leve em conta:
Atividade profissional dos ouvintes;
Sua atividade profissional;
Época;
Formalidade (em dúvida, vista-se formalmente);
Seu estilo (sinta-se à vontade, mas cuidado).
Lembre-se: toda comunicação é 93% não verbal;
Não fale o tempo todo com as mãos nos bolsos ou braços cruzados;
Nunca use objetos fora do contexto.
Certos hábitos desviam a atenção da plateia:
Estralar os dedos, coçar a cabeça, olhar para cima ou passar a mão no
cabelo evite.
No início da apresentação, aula ou palestra, observe “o que não dizer”:
Pedir desculpas (nervosismo ou problemas físicos);
Contar piadas;
Tomar partido sobre assuntos polêmicos;
Dizer frases muito usadas;
Porque no início da apresentação, o corpo humano recebe a maior descarga de
adrenalina.
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 89
Desenvolvimento da fala
Objetivo;
Dados, fatos, exemplos, opiniões e vantagem;
Proposição: informa o assunto e seu objetivo;
Divisão: informação de segmentos do assunto;
Assunto central: parte que os segmentos se relacionam e se defende a
ideia central;
Refutação: defesa de possíveis objeções expressas pelos ouvintes
Conclusão e encerramento
Avise que vai encerrar – aumento da concentração;
Recapitulação: pontos mais importantes;
Conclusões;
Trabalhos futuros;
Referências;
Agradecimentos;
Encerramento.
Conclusão e encerramento: evitem estas afirmativas
Não diga “Era isso que eu tinha para dizer a vocês,
“obrigado.” ou “É isso.”;
Não encerre com perguntas.
Formas adequadas de encerrar
Levantar uma reflexão;
Fazer uma citação;
Elogiar os ouvintes;
Aproveitar um fato bem-humorado;
90 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
Maiores erros
Iniciar com insegurança e não se apresentar;
Preparar-se pouco e declarar que está nervoso;
Falar sem gosto ou conhecimento pelo assunto;
Fuga do olhar ou olhar para uma única pessoa;
Ficar parado ou andar demais ou ter tiques;
Falar muito alto ou muito baixo ou mascar chicletes;
Cometer erros grosseiros de concordância;
Ficar preso a anotações ou buscar fonte de consulta durante a apresentação;
Ficar de costas para a plateia;
Apresentar-se com trajes impróprios;
Não desligar o celular.
Dicas de ouro
Fale com volume adequado ao local;
Não fale rápido ou devagar demais;
Use a linguagem adequada;
Posicione-se de maneira elegante;
Evite cruzar os braços ou mão no bolso;
Evite vícios de linguagem;
Mantenha o semblante simpático;
Fale com naturalidade.
Elimine vícios como: né, tá?, humm, ããã;
Organize: início, meio e fim;
Seja bem humorado;
Fale com emoção;
Use recursos audiovisuais;
Conclua com uma reflexão sobre o tema;
Treine, treine, treine, treine... SEMPRE
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 91
Na comunicação oral, pressupõe um rigor com a pronúncia das palavras, desta
forma devemos observar as palavras de uso informal ou coloquial, como por
exemplos:
Levá=levar
Pegá= pegar
Tercero= terceiro
Crássico = clássico
Bassora = vassoura
Mortandela = mortadela
Fazê = fazer
Pobrema = problema
Beneficiente =Beneficente
Fosfro – Fósforo
Pespicácia= Perspicácia
Largato = Lagarto
Fragrante = Flagrante
Adevogado = Advogado
Estrupo = Estupro
Própio = Próprio
(Notas de Aula da professora Tatiane de Souza Machado 2013, sintetizado das
obras de Reinaldo Polito, 2005, 2008).
Outros casos de comunicação corporal e seus vícios podem ser consultados na
Gramática da Língua Portuguesa e manuais de etiqueta que constam em nosso
referencial e está disponível na biblioteca da UNIPAR.
CEGALLA, D. P. Novíssima gramática da língua portuguesa. 48. ed. São Paulo:
Nacional, 2008.
92 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
ATIVIDADES
1) As apresentações tornam-se algo que inibem muitas pessoas no universo do
trabalho, porém transitá-las entre estes acontecimentos de forma profissional, e
seguindo as principais regras de uma boa comunicação visual, faz o sucesso da
comunicação que se queria transmitir. Desta forma, produza uma
apresentação em power point, seguindo os critérios de: cor e tamanho da
letra, escolha do fundo dos slides, clareza de informação, slides com ideias
e não com o texto que preparou para a apresentação. E desenvolva uma
estratégia de apresentação.
2) Leia o texto abaixo e responda as questões.
A Novidade
A novidade veio dar à praia
Na qualidade rara de sereia
Metade, o busto de uma deusa maia
Metade, um grande rabo de sereia
A novidade era o máximo
Do paradoxo estendido na areia
Alguns a desejar seus beijos de deusa
Outros a desejar seu rabo pra ceia
Ó, mundo tão desigual
Tudo é tão desigual
Ó, de um lado este carnaval
Do outro a fome total
E a novidade que seria um sonho
O milagre risonho da sereia
Virava um pesadelo tão medonho
Ali naquela praia, ali na areia
A novidade era a guerra
Entre o feliz poeta e o esfomeado
Estraçalhando uma sereia bonita
Despedaçando o sonho pra cada lado
Ó, mundo tão desigualTudo é tão desigual
Ó, de um lado este carnaval
Do outro a fome total.
GIL, Gilberto; RIBEIRO, Bi; VIANNA, Herbert; BARONE, João. Resto do Mundo.
Local: estúdio, 2001. 1 CD.
QUESTÕES
Responda de forma dissertativa e coerente, as seguintes questões.
a) Qual é a “novidade”?
GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL 93
b) Literalmente, paradoxo é “o conceito que é ou parece contrário ao comum”.
Releia o texto e explique o verso “A novidade era o máximo /Do paradoxo
estendido na areia”.
c) Gilberto Gil afirma que o tema dessa canção sempre fez parte das preocupações
de sua geração; trata-se, portanto, de um tema recorrente em seu trabalho. Qual
é esse tema?
d) Antítese é uma figura pela qual se salienta a oposição entre duas palavras ou
ideias. Aponte um exemplo de antítese no texto.
e) Podemos afirmar que os dois personagens do texto também se caracterizam por
uma relação de oposição. Que palavra evidencia esta relação?
3) FÓRUM: A partir do vídeo, A VIDA como ela é. Disponível em:
<http://www.youtube.com/watch?v=rcsJ7QPgjJw>. Acesso em: 22 ago. 2013.
Discutir e problematizar as questões abaixo:
a) Esta reunião se enquadra dentro do padrão adequado de uma comunicação
oral? Por quê?
b) O uso da linguagem está adequado ao estilo de comunicação? Justifique sua
resposta.
c) O líder da reunião age corretamente? Como?
d) O uso de metáfora ao final do vídeo é recomendado para reunião? Justifique sua
resposta.
REFERÊNCIAS
CAMARA JUNIOR, J. M. Dicionário de linguística e gramática. 16. ed. Petrópolis:
Vozes, 2001.
CARNEIRO, A. D. Redação em construção. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2000.
CEGALLA, D. P. Novíssima gramática da língua portuguesa. São Paulo: Nacional,
2008.
GIL, Gilberto; RIBEIRO, Bi; VIANNA, Herbert; BARONE, João. Resto do Mundo.
Local: estúdio, 2001. 1 CD
INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO DO POTENCIAL HUMANO. Mapas mentais.
Disponível em:
<http://www.mapasmentais.idph.com.br/apresentacao.php#.UmkjFPkU91U>. Acesso
em: 02 out. 2013.
http://www.youtube.com/watch?v=rcsJ7QPgjJw
http://www.mapasmentais.idph.com.br/apresentacao.php#.UmkjFPkU91U
94 GUIA DIDÁTICO – COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
MARCUSCHI, Luiz Antonio. Da fala para a escrita: atividades de retextualizacão.
São Paulo: Cortez, 2001.
PELISSARI, Lucas Barbosa. Oficina de oratória XIII ENAPET. Campinas, 2008.
POLITO, Reinaldo. Oratória para advogados. OAB/SP. São Paulo: Saraiva, 2008.
______. Super dicas para falar bem. São Paulo: Saraiva, 2005, 135 p.
______. Curso e expressão oral. Disponível em:
<www.reinaldopolito.com.br/portugues/dicas.php?id_nivel=15&id_nivel2=131>.
Acesso em: 07 out. 2013.
______. Seja um ótimo orador. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2005. 223 p.
RODRIGUES, Nelson. A vida como ela é. Disponível em:
<http://www.youtube.com/watch?v=rcsJ7QPgjJw>. Acesso em: 06 out. 2013.
SACCONI, Luiz Antonio. Novíssima gramática ilustrada Sacconi. São Paulo: Nova
Geração, 2008.
TUFANO, DOUGLAS. Guia prático da nova ortografia. 2. ed. São Paulo:
Melhoramentos, 2009.
UFAC. Técnicas de apresentação oral. Disponível em:
<http://www.ufac.br/portal/programas-de-bolsas-estudantis/programa-de-educacao-
tutorial-pet/grupos-pet/pet-agronomia-1/apoio-didatico/seminarios/dicas-para-
preparacao-de-slides-para-apresentacao-oral>. Acesso em: 02 out. 2013.
A VIDA como ela é. Disponível em:
<http://www.youtube.com/watch?v=rcsJ7QPgjJw>. Acesso em: 22 ago. 2013.
http://www.reinaldopolito.com.br/portugues/dicas.php?id_nivel=15&id_nivel2=131
http://www.youtube.com/watch?v=rcsJ7QPgjJw
http://www.ufac.br/portal/programas-de-bolsas-estudantis/programa-de-educacao-tutorial-pet/grupos-pet/pet-agronomia-1/apoio-didatico/seminarios/dicas-para-preparacao-de-slides-para-apresentacao-oral
http://www.ufac.br/portal/programas-de-bolsas-estudantis/programa-de-educacao-tutorial-pet/grupos-pet/pet-agronomia-1/apoio-didatico/seminarios/dicas-para-preparacao-de-slides-para-apresentacao-oral
http://www.ufac.br/portal/programas-de-bolsas-estudantis/programa-de-educacao-tutorial-pet/grupos-pet/pet-agronomia-1/apoio-didatico/seminarios/dicas-para-preparacao-de-slides-para-apresentacao-oral
http://www.youtube.com/watch?v=rcsJ7QPgjJw