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Doze Lições Sobre A História Antoine Prost Capítulo VII A história como compreensão A história está empenhada perpetuamente em conciliar contradições, sem ser questionados os vestígios permanecem silenciosos, não são nem sequer Fontes, o historiador precisa conhecer a forma de abordar as fontes, o método histórico ajuda, mas o tempo não é uma moldura vazia a ser preenchida, deve ser considerado também um ator, recortamos o tempo, periodizamos, devemos desconfiar dos períodos pré-fabricados, para explicar utilizando os conceitos elaborados, a história é uma prática empírica mas então como compreendemos os fatos?. Autorretrato do historiador como artesão A história como ofício Febvre introduzido o termo, na obra póstuma de Marc Bloch, ele comparou o historiador ao artesão, evoca a oficina, elogia a erudição. Werner, aprendizado em vez de processo didático, a história se aprende como a marcenaria. Marc Bloch, a história é uma ciência ainda na infância, ao comparar com a marcenaria, o historiador reconhece que não existem regras fixas, tudo é uma questão de dosagem. Os homens objetos da história Os historiadores são unânimes, os homens e as sociedades, são o objeto da história, no sentido moderno a história se reduz ao estudo dos homens que vivem em sociedade. Três características do objeto da história. 1 ele é humano, inclusive os historiadores. 2 ele é coletivo, para ser estudado individualmente deve representar uma sociedade, ou ter chamado muita atenção. 3 ele é concreto, o historiador deseja, ver ouvir ir e sentir. Marc Bloch, chama de “dos homens no tempo”. A história e a vida O campo de trabalho é quase ilimitado,” não deixem que a história tenha aparência de uma necrópole e inerte” Febvre. Qual a relação do historiador e a história que ele escreve? A compreensão e o raciocínio por analogia. Explicação e compreensão Ao adotar os homens concretos, a história deve ser específica e inteligível, final do século XIX, tentou se explicar a diferença entre a ciência do espírito, humanas, ciências naturais. As ciências naturais explicam as coisas, as duas espírito explicam os homens e suas condutas. Na realidade é impossível explicar a ação humana, através do meio em função de um fim. Será a história uma ciência na sua infância? A ideia determinista de ciência do século XIX está ultrapassada, a explicação de ciência pela lei não é totalmente pertinente, nem mesmo a física moderna é tão rigorosa. A história não tem a pretensão de atingir o grau da química, ela visa o um modo de conhecimento, menos rigoroso mas nem por isso menos verdadeiro. Compreensão e ordem do sentido O historiador evita o abstrato, o historiador volta as costas ao sentido abstrato usado na física. A partida de xadrez como símbolo da história, uma série de encontros acidentais, que se encadeiam, exercem uma maior ou menor influência, os resultados são influenciados pelas jogadas anteriores. Para Cournot os encadeamentos, e não a sucessão são importantes para a história, os fatos exercem influência recíproca. A noção de compressão dá um status científico a história, o historiador não afirma o que bem entende, ele propõe o modelo de legitimidade. A compreensão acaba especificando de forma mais abrangente a inteligibilidade da história. Experiência vivida e raciocínio por analogia O caráter próprio da compreensão consiste em ingressar na vivência do sujeito, a compreensão penetra nas expressões da vida. Como o historiador procede para compreender um fenômeno histórico? se esforça para reduzir o fenômeno, para encontrar suas causas, exemplo, revolução francesa, crise financeira, movimento de ideias, safra ruim. O historiador não se limita a explicação simplista, existe um método crítico, que permite validar as hipóteses, contudo, a explicação histórica exatamente a mesma de qualquer pessoa comum. O historiador elabora sua argumentação por analogia com o presente, usando da experiência social comprovada, faz apelo a uma experiência prévia da ação e da vida dos homens em sociedade. A história como aventura pessoal História e práticas sociais Para quem não viveu em sociedade é impossível compreender a história. O historiador compreende as situações históricas a partir da experiência adquirida, qual vai ser o risco, espremido opiniões. As histórias vividas são mais compreensíveis. O historiador exercita a compreensão através de suas práticas sociais, mas o historiador tem apenas uma vida, ele precisa se basear nas experiências dos outros, experiência social indireta. O historiador tem necessidade de guias que o introduzam na compreensão dos universos que ele ignora. Quanto mais imbuído do seu ofício mas enriquecedora será a atualidade, as explicações do passado baseia-se nas analogias com presente mas por sua vez ele alimenta a explicação do presente e a justificação. A história como amizade Na história compreender é colocar-se no lugar do objeto da história que escreve, é preciso ter uma grande capacidade de escuta, o outro só é compreendido por semelhança com o nosso ego, a nossa experiência adquirida. A compreensão adequada face a partir de dentro, na zonas mais íntimas da personalidade a compreensão é também uma simpatia, sentimento, amizade, uma compreensão fraterna entre historiador e documento, entre sujeito e objeto. O historiador não pode manter-se indiferente sob pena de fazer uma história morta. Os três problemas, primeiro, os limites Morais da compreensão, muitas vezes compreender é ser indulgente, fazer a história do nazismo levaria o historiador a colocar-se no lugar de Hitler, identificar-se com ele. Segundo, a objetividade da imparcialidade, deve-se tomar uma distância dos fatos. Terceiro, da legitimidade da transposição, colocar-se no lugar de alguém é bom, mas como ter certeza de ter sido bem compreendido, já é difícil na vida cotidiana, imaginemos no âmbito da história pela distância do tempo, o historiador deve limitar-se a falar de si mesmo. A história como história de si mesmo Apesar de todo o esforço para se colocar no lugar dos outros, a história será sempre uma história de si mesmo, ele expõe seus próprios pensamentos, ele vê pensa o passado, ele não pode deixar de ser ele mesmo. Collingwood, a história é o conhecimento do passado no presente, só existe história de coisas passadas no presente, pelo historiador. A história é também autoconhecimento