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Universidade Lúrio 
Faculdade de Engenharia 
Licenciatura em Engenharia Geológica 
Hidrogeologia 
 
 
Hidrogeologia de Moçambique 
 
 
 
Discentes: Docente: 
-Euclyds António Sixpene - Casimiro Carlos Buraimo , Msc 
-Lequelda da Vilma Andrasse Gouveia 
-Marcelo Francisco Maló 
-Sérgio Ernesto Napulo 
-Yuni Maria Valentim Inxala 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Pemba, Outubro de 2019 
UNIVERSIDADE LÚRIO 
FACULDADE DE ENGENHARIA 
LICENCIATURA EM ENGENHARIA GEOLÓGICA 
 
 
 
 
 
Hidrogeologia de Moçambique 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Pemba, Outubro de 2019 
 
Trabalho de carácter avaliativo proposto pelo docente da 
cadeira de Hidrogeologia, Casimiro Carlos Buraimo, 
Msc. E realizado pelos estudantes da Universidade 
Lúrio, do curso de Licenciatura em Engenharia 
Geológica do 3⁰ ano, Euclyds Sixpene, Lequelda 
Gouveia, Marcelo Maló, Sérgio Napulo e Yuni Inxala. 
Índice 
Introdução ..................................................................................................................................................... 1 
Objectivos ..................................................................................................................................................... 2 
Geral: ........................................................................................................................................................ 2 
Específicos: ............................................................................................................................................... 2 
Metodologia .................................................................................................................................................. 2 
Resumo ......................................................................................................................................................... 3 
Abstract ......................................................................................................................................................... 3 
Hidrogeologia de Moçambique ..................................................................................................................... 4 
Províncias Hidrogeológicas .......................................................................................................................... 4 
Complexo de Base ........................................................................................................................................ 5 
Fisiografia ................................................................................................................................................. 5 
Água Subterrânea ...................................................................................................................................... 8 
Terrenos Vulcânicos ................................................................................................................................... 11 
Fisiografia e geologia .............................................................................................................................. 11 
Águas subterrâneas ................................................................................................................................. 11 
Qualidade da Água .................................................................................................................................. 12 
Bacias Sedimentares de Karroo .................................................................................................................. 12 
Fisiografia e Geologia ............................................................................................................................. 12 
Água Subterrânea .................................................................................................................................... 13 
Qualidade de Água .................................................................................................................................. 13 
Breve Caracterização Geotectónica e Geológica de Moçambique ............................................................. 13 
Bacia sedimentar do Rovuma ..................................................................................................................... 14 
Fisiografia ............................................................................................................................................... 14 
Precipitação ............................................................................................................................................. 14 
Estratigrafia e Litologia .......................................................................................................................... 14 
Caracterização do Sistema Hidrogeológico e Potencial de Ocorrência de Águas Subterrâneas ............. 15 
Avaliação da Qualidade da Água ............................................................................................................ 16 
Bacia Sedimentar de Moçambique ............................................................................................................. 16 
Bacia sedimentar de Moçambique, a Norte do Save............................................................................... 17 
Fisiografia ............................................................................................................................................... 17 
Precipitação ......................................................................................................................................... 17 
Características hidrológicas superficiais ............................................................................................. 17 
Estratigrafia e litologia ........................................................................................................................ 17 
Caracterização do Sistema hidrogeológico, Potencial de Ocorrência de Águas Subterrâneas e Avaliação 
da Qualidade da Água ................................................................................................................................. 19 
Bacias sedimentares de Moçambique no sul do rio Save ....................................................................... 21 
Formas de Relevo ................................................................................................................................... 21 
Geografia Física do Sul do rio Save............................................................................................................ 22 
Aspectos litológicos e estruturas geológicos .......................................................................................... 22 
Águas Subterrâneas ................................................................................................................................. 25 
Drenagem de Água Superficial ............................................................................................................... 26 
Conclusão .................................................................................................................................................... 27 
Bibliografia ................................................................................................................................................. 28 
Anexos ........................................................................................................................................................ 29 
 
 
Figura 1.Provincias Hidrogeológicas de Moçambique(D.N.A, 1987)............................................ 5 
Figura 2.Perfil de Meteorização no Complexo Cristalino(D.N.A, 1987). ...................................... 6 
Figura 3. Corte geológico da bacia sedimentar de Moçambiqueao sul do rio Save.(D.N.A, 1987)
....................................................................................................................................................... 23 
 
 
file:///C:/Users/Lequelda%20Gouveia/Desktop/Universidade%20Lúrio.docx%23_Toc21586346
file:///C:/Users/Lequelda%20Gouveia/Desktop/Universidade%20Lúrio.docx%23_Toc21586347
 
1 
 
Introdução 
A terra tem passado por vários fenómenos geológicos, físicos e climáticos que à tornam diferente 
de região em região. Um dos fenómenos pode estar relacionado com a tectónica de placas, que 
deu origem a diferentes formações geológicas de acordo com sua cronologia, litologia, 
morfologia, mineralogia, hidrologia, entre outros aspectos. No que diz respeito a África, pode-se 
relacionar tais aspectos com o surgimento do rift este africano. 
Dada enorme extensão de Moçambique, as diferenças geológicas são muito grandes entre o 
Norte, o Centro e o Sul do País. Assim, o Norte é fundamentalmente proterozóico e o Sul 
inteiramente fanerozóico, com a região Centro albergando terrenos arcaicos, proterozóicos e 
fanerozóicos. Com essa diversidade geológica, também encontramos em Moçambique uma 
diversidade hidrogeológica. 
Moçambique é caracterizado por possuir sete províncias hidrogeológicas que governam a 
ocorrência de águas subterrâneas no país. São elas: bacias sedimentares do Médio Zambeze, de 
Maniamba, do Rovuma e de Moçambique (a sul e a norte). Apesar dessas províncias 
hidrogeológicas serem semelhantes elas distinguem-se uma das outras pelos seus aspectos 
geológicos, fisiográficos e climatológicos, bem como pela sua idade geológica e localização 
geográfica o que lhes confere características hidrogeológicas diferentes. 
 A ocorrência das águas subterrâneas com qualidade aceitável, de acordo com a carta geológica 
de Moçambique, divide-se em três regiões: Complexo de Base, Terrenos Vulcânicos (associado à 
infiltração das aguas fracturas, no caso das rochas cristalinas) e Bacias Sedimentares (ao longo 
das secções porosas das rochas), sendo este último mais produtivo, embora contendo água 
salobra e diferindo com o caudal doutras regiões. 
 
 
 
 
 
 
2 
 
Objectivos 
Geral: 
Avaliar a hidrogeologia de Moçambique 
Específicos: 
Identificar as províncias hidrogeológicas de Moçambique. 
Mencionar a geologia e fisiografia das províncias hidrogeológicas. 
Sintetizar o potencial de ocorrência das águas subterrâneas nas províncias hidrogeológicas 
 
Metodologia 
Segundo GIL (1991), as pesquisas podem ser classificadas de acordo com os procedimentos 
técnicos utilizados. A partir do delineamento da pesquisa, é traçado um modelo conceitual e 
operativo adotado para a colecta de dados. 
Como forma de alcançar o objectivo traçado pelo grupo, com base nos instrumentos e meios de 
colecta de dados, a metodologia científica usada para a realização do trabalho foi: pesquisa 
bibliográfica e documental, que consistiu numa ampla revisão bibliográfica e documental de 
livros, artigos científicos, páginas na internet, revista informativas e Web jornais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
Resumo 
As Províncias Hidrogeológicas correspondem a extensas áreas que possuem características 
geológicas, climáticas e hidrogeológicas similares e localização geográfica separada. Portanto, 
tem-se como fundamental objectivo a compreensão da hidrogeologia de Moçambique, 
caracterizando-se a mesma de forma minuciosa, sendo que é este, um importante aspecto a se 
levar em consideração para obtenção de bases credíveis, tendo em conta a caracterização 
fisiográfica, que da ênfase a localização e as características físicas presentes da área, água 
subterrânea, os aspectos geológicos bem como a qualidade de água que evidenciam se em 
diferentes províncias hidrogeológicas do Pais. A metodologia empregada, baseia se nas revisões 
bibliográficas bem como documental. Conclui-se que a análise dos elementos dos ambientes, são 
necessários pois permitem o conhecimento de sua génese, constituição física, bem como a 
evolução temporal, sendo que estas variáveis devem ser integradas, obtendo se desta forma, uma 
imagem fidedigna do comportamento de cada província hidrogeológica garantindo desta forma 
boa gestão. 
PALAVRAS-CHAVE: Hidrogeologia; Geologia; Qualidade da água. 
Abstract 
Hydrogeological Provinces correspond to large areas that have similar geological, climatic and 
hydrogeological characteristics and separate geographical location. Therefore, the fundamental 
objective is to understand the hydrogeology of Mozambique, and characterize it in detail, and 
this is an important aspect to be taken into account to obtain credible bases, taking into account 
the physiographic characterization, emphasizing the location and present physical characteristics 
of the area, groundwater, geological aspects as well as the water quality that are evident in 
different hydrogeological provinces of the country. The methodology employed is based on 
bibliographic as well as documentary reviews. It is concluded that the analysis of the elements of 
the environments are necessary because they allow the knowledge of their genesis, physical 
constitution, as well as the temporal evolution, and these variables must be integrated, thus 
obtaining a reliable image of the behavior of each environment. hydrogeological province thus 
ensuring good management. 
KEYWORDS: Hydrogeology; Geology; Water quality. 
 
4 
 
Hidrogeologia de Moçambique 
Dos estudos realizados em Moçambique, tem destaque o estudo realizado pela Direcção 
Nacional das Águas (DNA), que, indicou que a ocorrência das águas subterrâneas com qualidade 
aceitável, acordo com a carta geológica de Moçambique, divide-se em três regiões: Complexo de 
Base, Terrenos Vulcânicos (associado à infiltração das aguas fracturas, no caso das rochas 
cristalinas) e Bacias Sedimentares (ao longo das secções porosas das rochas), sendo este último 
mais produtivo, embora contendo água salobra e diferindo com o caudal doutras regiões. 
Para que este recurso natural seja utilizado para fins urbanos, actividades domesticas e 
económicas é necessário que: os poços atinjam caudais superiores a 10m3/s, ter bons condões de 
recarga e mineralizações não atinjam 1000 ou 500 mg/l embora em Moçambique sejam raras 
com 2% da área total. Na área rural necessitam de 0,8m3/h no mínimo do seu caudal e 
mineralizações inferiores a 3000g/l, aceitável ao consumo doméstico em climas tropicais semi-
áridos (D.N.A, 1987). 
Províncias Hidrogeológicas 
A combinação das estruturas geológicas com factores geomorfológicos e climáticos, deram 
origem as 7 províncias hidrogeológicas ilustradas baixo, que são regiões de sistemas de aquíferos 
com condições semelhantes de armazenamento, circulação e qualidade de água. São 
consideradas as seguintes: 
 Complexo de base 
 Terrenos vulcânicos 
 Bacia sedimentar de Médio Zambeze 
 Bacia sedimentar de Maniamba 
 Bacia sedimentar de Rovuma 
 Bacia sedimentar de Moçambique a norte do rio Save 
 Bacia sedimentar de Moçambique a sul do rio Save 
Tais províncias hidrogeológicas se assemelham com algumas e diferem uma das outras na sua 
fisiografia e geologia, geografia, localização e a mineralização. A qualidade que a agua presente 
nos aquíferos é indicada pela sua dureza (ppm de CACO3), mineralização, pH e iões principais. 
 
5 
 
 
Complexo de Base 
Fisiografia 
O complexo de base localiza-se na parte ocidental da região central do país e em quase toda a 
região a norte do rio Zambeze, ocupando 57% da área total do território nacional. O complexo de 
base compreende áreas montanhosas, antiplanaltos e planaltos médios e uma faixa de terras 
baixas, na parte oriental do país, a norte do Zambeze. Esta última corresponde a formas de relevo 
de acumulação, enquanto as outras são caracterizadas por formas de relevo de erosão - 
desnudação. A maior parte dos planaltos apresentam característicosrelevos residuais, os “ 
inselberges”(D.N.A, 1987). 
 
Figura 1.Provincias Hidrogeológicas de Moçambique(D.N.A, 1987) 
 
6 
 
Nos planaltos, as rochas podem estar profundamente meteorizadas, desenvolvendo-se então 
espessos mantos de alteração se o material solto não foi removido por processos de erosão. 
Coberturas excepcionais, com mais de 50m de possança, podem encontrar-se a leste de Chimoio 
(Gondola) e entre 50 a 80 km a oriente de Montepuez (Nivaco, Megama, Nangimbue). 
Um perfil de meteorização típico de rochas ácidas de tipo granítico ou gnaissico é apresentado na 
Figura abaixo. O grau de meteorização diminui da superfície do solo para a base do perfil onde 
se encontra a rocha-mãe não alterada. Em rochas básicas contendo minerais ferromagnesianos o 
perfil de meteorização é, em geral, bastante argiloso. Solos lateríticos são comuns em algumas 
partes das províncias da Manica, Zambézia e Cabo Delgado. 
Figura 2.Perfil de Meteorização no Complexo Cristalino(D.N.A, 1987). 
 
7 
 
A precipitação é alta nas áreas montanhosas (1200-2000mm/ano) e média nos planaltos (800-
1200mm/ano). A recarga dos aquíferos é por isso razoável apesar das condições do solo e do 
terreno não serem muito favoráveis. O regime dos rios é permanente, em especial nas zonas 
chuvosas, e sazonais ou temporário, nas zonas mais secas(D.N.A, 1987). 
O complexo de base compreende formações do Pré-câmbrico inferior ou do cratão do Zimbabwe 
e formações do Pré-Câmbrico superior ou do “Mozambique Belt” ou faixa de Moçambique. 
As formações mais antigas são constituídas principalmente por xistos verdes com 
interstratificações de quartzitos, calcários, grauvaques e conglomerados. O Cratão do 
Zimbabwe S.S. tem uma extensão muito limitada em Moçambique, encontrando se na área 
fronteiriça de Manica, nas zonas de Munhinga-Bonde e Mavita e a oeste de Nhamatanda. 
 A maior parte do complexo de base está incluído na Faixa de Moçambique que em vários 
períodos foi atingida por vários fenómenos de metamorfismo. A Faixa de Moçambique é 
formada, predominantemente, por rochas granito-graisso-migmatíticas, alternando-se com 
metassedimentos e charnoquitos. Na parte montanhosa ocidental da província de Manica e a 
Norte da província de Tete, restos metassedimentos menos metamorfisados, recobrindo 
complexos mais antigos, são reunidos sob a designação de grupo de Umkondo. Este grupo pode 
dividir se em formações de Umkondo de baixo grau de metamorfismo e formações de Fingoé, 
respectivamente nas províncias de Manica e Tete, compreendendo xistos quartzitos e algumas 
rochas carbonatadas e na formação de fronteira, na província de Manica, possuindo médio grau 
de metamorfismo e constituída por quartzitos e micaxisto(D.N.A, 1987). 
Na parte central da província de Tete, assinala-se o Complexo Gabro Anortisito de Tete, 
formado por inúmeras intrusões, de dimensões variadas, de rochas básicas, intermédias e 
ultrabásicas de Pré-câmbrico superior. Os pegmatitos das províncias de Nampula e da Zambézia 
parecem fazer parte da mesma fase orogénica que deu origem ao complexo antes referido. 
A orientação estrutural predominante das rochas da Faixa de Moçambique é Norte-Sul embora 
se possa distinguir varias orientações secundárias em diferentes partes do país: NE-SW no 
Nordeste, ENE-WSWe NE-SW no Nordeste NW-SE no Centro. 
 
8 
 
Água Subterrânea 
Em geral, as formações aquíferas do Complexo de Base são pouco produtivas, descontinuas e de 
extensão limitada. As suas produtividades dependem, principalmente, da espessura e da textura 
do material que constitui o manto de alteração meteórica. A ocorrência da água subterrânea está 
associada com zonas da fraqueza crustal. A sua compartimentação e desintegração em blocos 
limitados por juntas, fracturas e diáclases está na origem da formação dos aquíferos. Estas zonas 
de fraqueza estão relacionadas com estruturas geológicas particulares tais como dobras, falhas e 
fracturas, cuja permeabilidade é relativamente alta. Além disso, a ocorrência de rochas 
heterogenias de grão grosseiro e de rochas calcárias, bem como a existência de contactos entre 
rochas de natureza e composição distintas, facilitam os fenómenos de meteorização. Os aquíferos 
resultantes são predominantemente lineares e mais ou menos limitados. As dimensões médias 
destes aquíferos são as seguintes: 1 a 2 km de comprimento, 40 a 100 m de largura e 25 a 40 m 
de espessura(D.N.A, 1987). 
O perfil de meteorização ilustrativo na figura acima mostra as características hidrogeológicas dos 
seus diferentes horizontes. A toalha freática localiza-se habitualmente, próximo da camada 
areno-argilosa ou argilo-arenosa. O horizonte saturado seguinte é muito argilosa e portanto 
poroso, mais impermeável. O horizonte mais permeável situa-se na zona de transição entre a 
rocha alterada e a rocha-mãe não alterada; a sua espessura média está, em geral, compreendida 
entre 3 e 5 m. É constituído por material de textura grosseira e blocos, desprovidos de 
componentes argilosos significativos. As sondagens são normalmente feitas de modo a atingir a 
rocha dura para interceptar a zona mais permeável que funciona como dreno e é reabastecido a 
partir dos horizontes superiores que se comportam como zonas de armazenamento. Os poços 
escavados não atingem geralmente este horizonte mais permeável. Ocasionalmente limitam-se a 
tirar partido de aquíferos suspensos existentes na camada lateritica, ou acima dela, que torna-se 
muito produtiva ou mesmo estéril na época seca(D.N.A, 1987). 
As áreas mais bem estudadas do complexo base localizam-se na parte oriental das províncias de 
Nampula e Cabo Delgado e à volta das cidades de Tete e Chimoio. 
A relação, entre a espessura média do manto de alteração meteórica saturado e os caudais 
específicos de determinadas áreas. Esta relação confirma a hipótese, anteriormente posta, de que, 
no complexo de base, os caudais esperados aumentam com a espessura do manto de 
 
9 
 
meteorização. A afirmação não é válida para furos individuais uma vez que o caudal depende de 
muitos factores relacionados com a geologia e também com a qualidade do trabalho 
desenvolvido na construção dos furos. 
O grau de desintegração e a consequente formação do manto de alteração meteórica dependem 
grandemente dos tipos de rochas que intervêm no processo, como se ilustra no quadro 10. Os 
aquíferos mais produtivos estão relacionados com a existência de mármores e de anortositos; 
devido ao tipo de porosidade que apresentam e as suas produtividades, foram consideradas como 
pertencentes ao grupo que intervêm na alteração. Todos os outros tipos de rochas do Complexo 
Base, dão origem a aquíferos de produtividade fraca ou nula. 
Os mármores ocorrem, em vários pontos do país segundo bandas que chagam a atingir 30km de 
comprimento e 200 a 300 de largura. As características hidrogeológicas de tais bandas são 
desconhecidas, excepto numa delas, localizadas entre Montepuez e Balama. Nesta, que se 
prolonga por cerca de 30km de comprimento, os mármores têm textura média, apresentam 
fenómenos de carsificação e estão fracturados ate cerca de 60m de profundidade. Reconhecida 
numa extensão de 6km, aproximadamente, verificou-se que os caudais dos furos ali efectuados 
estão compreendidos entre 40 a 70m3/h e ensaios prolongados do aquífero demonstram que 
possui grande capacidade de armazenamento. Outros afloramentos de mármores apresentam 
texturas muito mais grosseiras, mas a localização de maior parte deles, em pontos altos, pode 
impedir que se comportem como bons aquíferos(D.N.A, 1987). 
Os furos efectuados no Complexo Gabro Anortosítico de Tete são moderadamente produtivos. 
Isto pode ser devido ao facto de os anortositos serem formados por elementos grosseiros e serem 
bastante friáveis, ou ainda ao intenso falhamento e fracturarão que afectou esta parte do 
falhamento intracratónica do Médio Zambeze. Rochas intensamente fracturadas, denominadasmilonitos, ocorrem na mesma zona e dão origem a aquíferos que podem produzir caudais de 
36m3/h. Existe uma outra zona de milonitos ao longo do limite entre as províncias de Cabo 
Delgado e Niassa, cujas características hidrogeológicas são desconhecidas. 
Outras rochas do Complexo de Base Possuem fracas perspectivas quanto a produtividade. 
Constituem excepções aquíferas que se podem desenvolver ao longo de filões, na zona de 
contacto destes com as rochas encaixantes, geralmente bastante fracturadas. A parte principal do 
 
10 
 
aquífero desenvolver-se-á na parte mais susceptível de se alterar, por meteorização. Muitas vezes 
os filões funcionam apenas como barreiras impermeáveis. Exemplos de furos produtivos, 
relacionados com existência de filões, encontram se em Cambulatsitsi e Necungas, a sudoeste da 
província de Tete. 
A água subterrânea das formações do Complexo de Base é, em geral de boa qualidade possuindo 
mineralização total inferior a 600mg/l. Em áreas em que se verifiquem evaporações elevadas 
podem encontrar-se águas com mineralizações mais altas, como acontece nas faixas costeiras das 
províncias do norte (500-1000mg/l) e no vale do Zambeze. Águas com mineralizações 
excessivas, da ordem dos 2500 a 4000 mg/l, estão, por vezes, relacionados com tipos particulares 
de rochas, como anfibolitos, piroxenitos e gnaisses anfiboliticos, ricos em minerais 
ferromagnesianos (por exemplo na área de Montepuez). Nas rochas básicas, tais como gabro e os 
anortositos, as plagioclases cálcicas são dominantes, pelo que contém, geralmente águas duras, 
de mineralizações compreendidas entre 400 e 1600 mg/l (D.N.A, 1987). 
A dureza total da água é muito variável mas é normalmente média a alta. De 84 amostras 
analisadas, 36% correspondiam a águas brandas (150 ppm de CaCO3), 45% a aguas 
moderadamente duras (150 a 300 ppm de CaCO3), 6% a águas duras (300 a 450 ppm de CaCO3) 
e 13% a agauas muito duras (maior que 450 ppm CaCO3). A agaua presente nos mármores é 
muito dura (maior que 600 ppm de CaCO3). 
As águas predominantes nas formações do Complexo de Base são do tipo bicarbornatado, mas 
na zona costeira de Cabo Delgado metade delas são do tipo cloretado. 
O PH das aguas subterrâneas provenientes das formações aquíferas do Complexo de Base varia, 
em geral, entre 7 a 8,3. No norte da província de Tete, no entanto, as três amostras de água ali 
colhidas têm PH compreendido entre 5,4 e 6,3 e baixa dureza (80 a 130 ppmCaCO3), o que 
indica tratar-se de águas bastante agressivas. 
 
 
 
 
11 
 
Terrenos Vulcânicos 
São áreas que sofreram derrames vulcânicos, originando rochas como basalto e diabásio e estas 
quando decompostas originam solos (Francisco, 2019). 
Fisiografia e geologia 
Os terrenos vulcânicos são estruturas que ocorrem em zonas de transição entre o complexo de 
base e as formações sedimentares, com destaque ao longo do limite oriental do cratão do 
Zimbabwe e do Cratão de Kaapvaal, na cadeia dos Libombos. As litologias associadas são os 
basaltos, os riólitos e as lavas alcalinas que na sua maioria formam cristais(D.N.A, 1987). 
Os basaltos estão geralmente relacionados com o vulcanismo de fracturas, sendo mais comuns e 
facilmente meteorizadosdando origem os solos argilosos escuros. 
 
Águas subterrâneas 
A hidrogeologia dos terrenos vulcânicos é similar ao do complexo de base. Os aquíferos se 
devem a existência de fracturas primárias e secundárias, por estas serem menos desenvolvidas 
que no complexo de base, geralmente com 10m de espessura. Em terrenos básicos há mais 
desenvolvimento, mas, por se tratar de material argilosoe pouco permeável funciona como 
aquífugo. 
Pode haver uma sequência estratigráfica do tipo argilas, cinzas vulcânicas e rochas fracturadas 
resultado de diferentes períodos de meteorização e erosão. Pela acção do metamorfismo de 
contacto as rochas sedimentares, tornaram-se impermeáveis, como o grés de Lupata. 
Os basaltos, do ponto de vista hidrológico são mais produtivos apesar de terem caudais fracos, 
excepto os basaltos de Angoche, pois, os furos afectados nesta região ao longo de uma zona de 
falha de grandes dimensões de acordo com métodos sísmico, são mediamente produtivos. 
Em riólitos há pouca ocorrência de água subterrânea, mas em zonas fracturadas por falhas de 
grandes dimensões e amplitude podem ser pais produtivos do que os basaltos pois os produtos de 
alteração nas zonas de falha são menos argilosos. Informações são escassas acerca de furos em 
rochas alcalinas. 
 
 
 
 
12 
 
Qualidade da Água 
A água vinda dos riólitos é de boa qualidade e possui mineralização menor que 500mg/l de 
clorecto de sódio a bicarbonato de sódio de baixa dureza (<10 ppm de CACO3), sendo por isso 
utilizada próximo a Namaacha para fazer água mineral. 
A água vinda dos basaltos é mais mineralizada e mais dura com destaque aos limites das bacias 
sedimentares pode atingir ate 8500mg/l como sucede na margem do Libombos. 
 
Bacias Sedimentares de Karroo 
Fisiografia e Geologia 
Os segmentos de karroo são caracterizados pela origem continental e estão depositados nas 
falhas sobretudo nas províncias de Manica e Tete. Em Moçambique, o karroo esta dividido em 
três: indiferenciado, inferior (sedimentar) e superior (sedimentar e ígneo) variando Carbonífero 
Superior ao Jurássico Inferior e está representado em depressões tectónicas intracratónicas 
profundas resultantes de rifts abortados numa fase de desmembramento do Gondwana (Gimo, da 
Paz, Guilengue, & Francisco, 2016). 
São duas principais bacias do karroo: a Bacia de Médio Zambeze (Tete) e a bacia de Moniamba 
(noroeste de Niassa). A Bacia de Médio Zambeze divide-se em duas bacias: oriental e ocidental, 
separadas pelo Complexo Gabro Anortosítico de Tete e outros afloramentos de pequena 
importância estão a sul da Espugabera, a volta de Canxixe e na Bacia de rio Lugenda, em Niassa. 
As principais bacias estão a volta do Complexo de base formando por depressões planas com 
raros montes e terraços individuais preservando antigos ciclos de erosão. 
Esta bacia é bordejada por falhas e segue uma sequência sedimentar de vários blocos inclinados 
que podem atingir mais 3000m de espessura. Nesta bacia, o karroo inferior tem início com 
conglomerados de base e tilitos numa sequência de pelitos, argilitos e siltitos. No karroo superior 
a sua sequência é formada por grés de textura fina, grés grosseiros, grés fossilíferos e margas. 
A bacia de Maniamba é anualmente chuvosa fazendo com que a recarga seja alta, enquanto que a 
bacia do Médio Zambeze é semi-árida com recarga baixa. Esta estrutura mergulha cerca de 
2000m, da base ao topo segue a sequência: grés conglomeráticos, pelitos, xistos carbonosos e 
siltitos, xistos silicificados, xistos calcários e grés argilosos. 
 
13 
 
Água Subterrânea 
A hidrogeologia do Karroo varia em algumas áreas do Zumbo, Chitima, Boroma e Changara. As 
zonas de contacto com as rochas vulcânicas e as zonas com muitos afloramentos têm fracos 
caudas, sendo Changara com 50% dos furos sem sucesso com caudais inferiores a 3m3/h. Nas 
proximidades do Zumbo e Boroma, são comuns aquíferos(D.N.A, 1987). 
Qualidade de Água 
A qualidade das águas varia. Boa parte dos furos possuem água mineralizada com 400 e 
800mg/l, em Changara e Moatize há maiores concentrações na ordem dos 1400 a 2500 mg/l. no 
karroo inferior, a água possui mineralização superior a 7000mg/l como em Chitima. 
Os melhores aquíferos localizam-se nos vales aluvionares, ao longo dos rios Aruanga, Panhame 
e Mucumbura, a jusante de Boroma, e os melhores furos são do vale de Nhamatanda e no campo 
de furos, apresentando caudais com 200m3/h, praticamente sem rebaixamento. A qualidade de 
água nestes campos é boa, mas, tem tendência a tornar-se pior que nos furos a jusante dos vales 
referidos. 
 
Breve Caracterização Geotectónica e Geológica de Moçambique 
Dada a sua enorme extensão do território Moçambicano,são muito grandes as diferenças 
geológicas entre o Norte, o centro e o sul do País. Assim, o norte é fundamentalmente 
proterozóico e o sul inteiramente fanerozóico, com a região centro albergando terrenos arcaicos, 
proterozóicos e fanerozóicos. 
A abertura do Oceano Índico como resultado da deriva continental e da dispersão do Gondwana, 
em simultâneo com o desenvolvimento do SREA, que teve o seu início no Jurássico e se 
continua até hoje, resultando no desenvolvimento de duas enormes bacias sedimentares, a Bacia 
de Moçambique e a Bacia do Rovuma (Vasconcelos & Jamal, 2010). 
As duas bacias sedimentares Marginais de Moçambique formaram-se como resultado da 
facturação de Gondwana e da abertura do Oceano Índico no final do Mesozóico, sendo 
denominadas Bacia de Moçambique (a Sul) e Bacia do Rovuma (a Norte). A base dessas bacias é 
 
14 
 
constituída por rochas cristalinas e metamórficas do Precâmbrico (Salman &Abdula, 1995, 
Lopes, 2008). 
A Bacia de Moçambique abrange as regiões centro e sul de Moçambique. Contendo sedimentos 
do Jurássico, Cretácico e Cenozoico ocupa o litoral da planície do sul e centro de Moçambique e 
estende-se sobre a plataforma continental. Esta Bacia, juntamente com a Bacia do Rovuma, são 
as principais bacias sedimentares do país volume de sedimentos. 
 
Bacia sedimentar do Rovuma 
Fisiografia 
A Bacia Sedimentar do Rovuma localiza-se na parte nordeste do País, e tem uma área de 25.000 
km2. A largura máxima da parte continental é de 120km e observa-se ao longo do rio Rovuma. A 
largura diminui para o sul até as proximidades da ilha de Moçambique. 
A Bacia compreende essencialmente planícies ligeiramente onduladas e planaltos de altitudes 
moderadas. As planícies costeiras, no extremo Norte do País são dissecadas por alguns rios e 
sobem da costa para o interior. O limite ocidental da Bacia é marcado pelo planalto de Moeda, 
que se eleva da planície circundante ate cerca de mil metros de altitude. 
Precipitação 
A precipitação varia entre 800 mm/ano, na região costeira de Pemba e mais de 1200 mm/ano, no 
planalto de Moeda (D.N.A, 1987). 
 
Estratigrafia e Litologia 
A geologia varia de ortogênese a granítica, a anfibolítica e paragnaisse variando de quartzito, 
mata-arkose, mármore, quartzo-feldspatoe gnaisse. A mineralogia na área é uma verdadeira 
indicação de que a área sofreu metamorfismo de grau anfibólico. A presença de água em 
qualquer formação acelera o processo de meteorização se a água poder penetrar mais 
profundamente na rocha. 
 
15 
 
Na região predominam formações margosas do cretácio. Os planaltos são formados pelo grés dos 
Macondes, aos grés dos Maconde ssucedem-se, para a costa, grés marinhos de textura fina e grés 
fluviais das camadas de Mikindani. Ao longo da costa encontram-se calcarenitos, calcários 
recipais cobertos por areias eólicas marinhas. 
Caracterização do Sistema Hidrogeológico e Potencial de Ocorrência de Águas 
Subterrâneas 
A capacidade de recarga é medida a alta, no Norte, e baixa na parte Sul, onde os solos são mais 
argilosos. Os rios são sazonais a intermitentes. 
Os materiais de saprolite encontrados nas camadas pouco profundas estão geralmente associados 
ao material meteorizado do substrato de rocha mais consistente. O contacto entre a saprolite e a 
rocha mãe mais dura pode provocar infiltração de água e, em alguns casos, quantidades 
sustentáveis de água subterrânea, dependendo da área de recarga e da extensão do fornecimento. 
Isso foi observado na maioria dos furos que foram abertos. Água foi encontrada nos primeiros 
30metros, mas uma vez intersectada a rocha fresca, apenas fracturas profundas de rocha dura 
renderam água adicional. 
As formações consolidadas mais produtivas encontram-se na zona litoral (calcários; calcários 
coralígenos). Para o Norte de Messalo, a maior parte das planícies possuem uma cobertura 
aluvionar, outras coberturas arenosas encontram-se em alguns planaltos no litoral (em Pemba e 
Moma) com formações de textura grosseira na base, onde a produtividade não é muito alta. Os 
aluviões que se encontram ao longo dos vales dos rios principais, atravessam os terrenos 
sedimentares com aquíferos produtivos da região. 
Os planaltos de Moeda e de Macomia são constituídos por grés de origem continental, os grés 
dos Macondes, compreendendo, na base grés quartzo-feldspaticos, caulinizados e conglomerados 
interestratificado. Admite-se que a parte superior destes seja bastante produtiva dada a sua 
permeabilidade. A profundidade da toalha freática constitui a principal limitante do aquífero que 
ocorre nesta formação pois é em geral, superior a 100m. A profundidade do lençol freático 
constitui a principal limitante do aquífero que ocorre nos planaltos de Moeda e de Macomia. 
Nestes planaltos, os Grés de Macondes têm uma cobertura arenosa de 20 a 40 m de espessura, 
desprovida de água, pois o nível freático regional é muito profundo. Existem alguns aquíferos 
 
16 
 
locais suspensos, devido aos níveis impermeáveis daquela formação. A água das nascentes é 
pouco mineralizada com teores de cloretos compreendidos entre 15 e 40 ppm. A água é ácida 
(pH=5,2 a 5,7) (D.N.A, 1987). 
A sul do Messalo as margens do Cretácico constituem as formações predominantes. Os poucos 
furos existentes proporcionam águas salobras e produtividades muito baixas. As formações 
consolidadas mais produtivas encontram-se na zona litoral. Compreendem calcarenitos 
miocénicos a pliocénicos e calcários coralígenos. Os caudais específicos são geralmente 
moderados a altos. 
Para norte de Messalo, a maior parte das planícies estão recobertas por uma coberta eluvionar 
com 10 a 30 m de espessura, na qual foram efectuados muitos poços. Outras coberturas arenosas 
encontram-se em alguns planaltos do litoral, localizados entre Pemba e Moma, os quais, 
possuem, geralmente, formações de textura grosseira, na base. A produtividade não é muito alta, 
os caudais específicos, em geral, inferiores a 0,4 m3/h. 
 
Avaliação da Qualidade da Água 
A norte do rio Messalo: água de boa qualidade, mineralização entre 100 a 300 mg/l; A sul do 
Messalo: água salobra e produtividade muito baixa. 
Nos calcários: a água pode ser muito dura; risco intrusão da água do mar nos furos das 
peninsulas de Pemba e Nacala. 
Nos aluviões: a água subterrânea dos aluviões é em geral boa, mas se a água tiver origem nas 
planícies que contém água mineralizada, essa pode ser salobra. 
Bacia Sedimentar de Moçambique 
A Bacia de Moçambique abrange o centro e sul de Moçambique. Contendo sedimentos do 
Jurássico, Cretácico e Cenozóico, ocupa a planície costeira do centro e sul de Moçambique e 
estende-se sobre a plataforma continental (Reichert, et al., 2008). 
 
17 
 
Cinco sequências de posicionais maiores pós-Karoo, separadas umas das outras por 
inconformidades, períodos de não-deposição ou erosão, foram reconhecidas e incorporadas na 
estrutura estratigráfica de toda a Bacia de Moçambique (Consortium, Map Explanation, 2006a). 
 
Bacia sedimentar de Moçambique, a Norte do Save 
Fisiografia 
A bacia sedimentar de Moçambique, a norte do rio Save, ocupa uma área de cerca de 80.000km2. 
Esta compreende, geomorfologicamente, as planícies interiores de Sena, o Planalto de 
Chiringoma, entre os vales do rio Zambeze e Púngoè, o planalto de Búzi, entre os vales do rio 
Búzi e Save, o vale e o Delta do Zambeze e a zona litoral. A parte norte da Bacia está cortada 
pelo afundimento do Chire-Urema, orientado segundo N-S que é a continuação, para sul, do 
sistema dos riftes da África oriental (D.N.A, 1987). 
 
 
Precipitação 
A precipitação varia entre 1400 mm/ano, ao longo da costa, 900 mm/ano, mais para o interior, e 
menos de 700 mm/ano nas planícies de Sena. As condições de recarga são boas, excepto na ultima das 
áreas mencionadas. 
Características hidrológicas superficiais 
Os rios são perenes no litoral e sazonais e intermitentes mais para o interior.Estratigrafia e litologia 
a) O Grupo da Lupata: Vulcano-sedimentar, contém carbonatítos e rochas ígneas da Província 
Alcalina de Chilwa, ocorrendo no Sul de Malawe as regiões adjacentes de Moçambique, um 
grupo de intrusões ígneas dominantemente alcalinas do Jurássico Superior a Cretácico Inferior. 
O Grupo da Lupata está representado pela Formação arenito conglomerático de Monte 
Mazambulo. Esta unidade é localmente conhecida como Formação do Rio M’Fidze, consistidade 
 
18 
 
arenito cor-de-rosa a esbranquiça do e arenito tufácio, com granulometria variável, mostrando 
similaridades com os arenitos de Sena (Consortium, Map Explanation, 2006a). 
b)Formação Sena: é caracterizada por arenito arcósico, de granulometria média a grosseira, 
seixos e conglomerados. Os seixos são compostos de granito, gnaisse, quartzito e, às vezes, 
riólitos e lavas alcalinas derivadas do embasamento cristalino, do Karroo vulcânico e do Grupo 
da Lupata. 
A parte inferior desta unidade compreende camadas de calcários impuros com restos de fósseis 
de fauna e pedras calcárias de barro com fragmentos de escamas de peixe, artrópodes e fósseis de 
flora. Cores acastanhadas dominam assim como tons vermelhos e amarelo e cinza. A deposição 
acredita-se ter ocorrido uma inundação na planície aluvial seguida por deposição num ambiente 
lacustre (Lucas & Afonso, 1965). 
A Formação Sena reflecte a fácies continentais da subsidência da bacia na margem interior da 
planície costeira e está presente ao longo de vastas áreas nas regiões centro oeste e norte da 
Bacia de Moçambique. Esta formação é caracterizada pela ocorrência de arenitos arcósicos de 
grão médio a grosseiro, localmente com calhaus e conglomerados arenosos maciços, alternando 
com intervalos de siltitos (Consortium, Map Explanation, 2006a). 
c)Formação Cheringoma: forma uma faixa contínua ao longo do limite nordeste da depressão 
Zângue-Urema, cobrindo áreas extensas a Norte do Rio Búzi. Esta unidade é composta por 
calcários glauconíticos e dolomíticos, com calcarenitos no topo. 
A Formação de Cheringoma compreende também calcários, enriquecidos em numulites, com uma 
parte basal glauconitica e pobre em fosseis. A idade Eoceno Médio a Superior é geralmente aceite 
para a Formação de Cheringoma. 
A Formação de Cheringoma compreende também calcários oolíticos e brancos, enriquecidos em 
Numulites, com uma parte basal glauconítica e pobre em fósseis. As fácies desta formação 
medem 50m de espessura e representam um ambiente aberto infralitoral, com águas claras, livres 
de finas partículas clásticas e de clima quente. Na parte leste da Bacia de Moçambique, a 
Formação de Cheringoma do Eoceno/Oligoceno foi depositada sem interrupção sobre o 
Paleoceno. 
 
19 
 
d) Complexo deltaico do Zambeze: é o maior complexo deltaico do Cenozóico ao longo da 
costa do Leste africano. Paleodeltas dos Rios Púngoè e Búzi também estão nesta região. Sendo 
do Oligoceno, este complexo apresenta sedimentos recentes com uma espessura total de 4000m. 
A secção compreende uma intercalação de conglomerados, arenitos e xistos, com as camadas e 
inúmeras interfácies de hiatos e antigos canhões de erosão. Durante o Oligoceno, Neogeno e 
Quarternário, grande parte da secção foi preenchida com sedimentos terrígenos e a taxa de 
deposição foi maior que a subsidência, como resultado do plano deltaico programado em 
direcção ao leste (Salman, Sheremetiev, & Koblents, 1995). 
e)Formação Grudja consiste de estratos marinhos, iniciando com uma camada basal que é 
usada como um horizonte marcante separando a Formação de Grudja da Formação de Sena. A 
Formação do Grudja é caracterizada pela ocorrência de calcarenitos ou calcarenitos 
glauconíticos, siltitosemargas, intercaladas com calcário sem menor proporção. Localmente, 
observam-se variedades conglomeráticas com macro fauna marinha, atingindo arenitos 
glauconíticos enriquecidos em fósseis. A Formação de Grudja é composta por arenito 
glauconítico, com lamito calcário e arenito-calcários subordinados e de cor amarelo-esverdeados, 
seguido por calcários maciços e fossilífero, com até 200m de espessura (Consortium, Map 
Explanation, 2006b). 
 
Caracterização do Sistema hidrogeológico, Potencial de Ocorrência de Águas Subterrâneas 
e Avaliação da Qualidade da Água 
No grés arcósicos de Sena: tem baixa permeabilidade e podem conter águas bastante salobras 
com mineralização superiora8500mg/l. Nas planícies de Sena, as melhores perspectivas, 
respeitantes a águas subterrâneas, encontram-se nos vales dos rios. É nos vales que os furos 
fornecem geralmente caudais mais altos e que a qualidade da água é melhor, isto deve-se ao 
facto da água dos aluviões ser em uma misturada água que circula no leito do rio e da água 
subterrânea do grés de Sena(D.N.A, 1987). 
Nas formações marinhas de grudja e de cheringoma: a produtividade varia de baixa a 
moderada, admite-se que os calcários da formação de Cheringoma sejam mais produtivos e 
contenham água menos mineralizada do que os grés e margas da formação do Grudja. A 
 
20 
 
qualidade é variável, sendo afectada pela água altamente mineralizadados grés de Sena. Nos grés 
continentais de Mazamba: no planalto de Cheringoma os furos mais produtivos enterceptam um 
leito permeável, na zona de transição entre o grés superior argiloso e o grés-calcário e argiloso 
inferior. A mineralização da água tende a diminuir em direcção à costa, particularmente no 
planalto de Búzi, a formação de Mazamba contém água de boa qualidade. 
Nos vales do Chire-Urema: os aluviões argilosos e impermeáveis contêm água salobra e 
repousam sobre o grés da formação de Sena, caracterizadas pela sua baixa produtividade. Os 
aquíferos aluvionares produtivos são encontrados na margem Ocidental desses vales, os aluviões 
nestes locais podem ter textura grosseira e serem abastecidos por intermédio de águas 
superficiais. 
Os furos e poços escavados nos vales de Chire e Urema, mostram que mineralização tende a 
aumentar em direcção ao centro dos vales (D.N.A, 1987). 
No Delta do Zambeze: admite-se que no interior do Delta a águas e já de boa qualidade, excepto 
em áreas pantanosas. A mineralização da água nesta região, aumenta para a costa. 
Alguns poços pouco produtivos indicam que a qualidade da água ao longo da margem do vale 
pode piorar por influência da água subterrânea debitada pelos Grés de Sena adjacentes. Os furos 
localizados próximo de Marromeu e de Luabo, no centro do Delta do Zambeze, são 
moderadamente produtivos. 
Nas areias vermelhas: toalha das areias é a melhor, alimentada de todo Sul de Save, recebendo 
anualmente em certospontoscercade1100mm.Amorfologiadasdunasfavorece o acréscimo da 
infiltração e a vegetação é menos densa que no alto Limpopo. 
Esta toalha que circula no seio das areias de boa permeabilidade e de camada grosseira e 
possante; ela dá origem a numerosos cursos de água permanentes com grande caudal de 
estiagem. Os caudais que se podem esperar desta toalha são em função da permeabilidade do 
local das areias. 
Qualidade da água: a toalha das areias é a mais regularmente doce de todo o Sul do 
Save. Isto provém da pureza das areias nas quais circula e da boa alimentação de que beneficia. 
As águas são geralmente cloretadas sódicas, salvo num pequeno domínio situado ao norte de 
 
21 
 
Inharrime, onde as águas são mistas (cloro-carbonatadas) ou carbonatadas, em relação provável 
com a presença de areias mais calcárias nesta zona. Certos lagos sem saída 
superficial, alimentados pela toalha, tem aguam fortemente mineralizadas; este 
carácter provem simplesmente da concentração das águas por evaporação. 
 
Bacias sedimentares de Moçambique no sul do rio Save 
Formas de Relevo 
As características geomorfológicas de Moçambique, são de uma maneira geral, as do rebordo 
oriental do continente africano, onde se distingue uma faixa montanhosa que desce em degraus 
aplanados até a planície litoral. Assim,de acordo com a sua altitude e nível dos degraus em 
direcção a costa ocidental, identificam-se em Moçambique as seguintes formas de relevo: 
planícies, planaltos, montanhas e depressões. 
A depressão de maior significado geomorfológico é o Vale do rio Zambeze, não só por constituir 
um dos maiores do continente africano, como ainda por atravessar regiões de litologia e tectónica 
complicadas. As outras depressões territorialmente importantes em Moçambique são as 
depressões Chire-Urema e Espungabera (Muchangos & Panda, 1999). 
Estas formas negativas resultam de movimentos grabens tectónicos e representam as superfícies 
falhadas que caracterizam a África oriental. No prolongamento desta superfície para Norte 
regista -se a Depressão do Niassa, onde se instalaram os lagos Niassa, Chirua, Chiúta e 
Amaramba. As restantes depressões, sobretudo as que se localizam ao sul do rio Save e onde se 
instalaram as numerosas lagoas costeiras tem somente uma importância local. 
Através de erosão, são arrastados detritos vindo de rochas pré-existentes ou ainda outros matérias 
e são depositados nessas depressões, formando assim bacias sedimentares. 
 
 
 
22 
 
Geografia Física do Sul do rio Save 
 A bacia sedimentar de Moçambique a sul do rio Save, cobre uma área de 170.000 Km2. É 
caracterizada morfologicamente no seu interior, por extensas planícies de erosão inclinadas 
suavemente para a costa as quais são intersectadas pelos rios Save e Limpopo, e pelos vales de 
outros pequenos rios, que tem origem nos libombos. Ao Nordeste encontra-se planalto estrutural 
de Urrongas, constituído por calcários, ao Este este separado por planícies de graben de Mazunga 
e Funhaloro. A faixa costeira é caracterizada por uma zona dunar com uma largura média de 30 
Km, sendo os rios Incomate e Limpopo a formar uma área extensa de planície aluvionar inferior 
relativamente a faixa dunar. 
Nesta região, a precipitação varia de 700 a 1000 mm/ano ao longo da costa, até 350mm/ano na 
zona mais interior da planície do alto Limpopo. 
Os principais rios desta bacia são: Maputo, Umbeluzi, Incomate, Limpopo e o rio Save. Sendo 
todos eles de regime permanente, mas frequentemente rios Incomate, Limpopo e o rio Save, não 
tem corrente superficial no final da época seca, é caracterizado como uma zona com grande 
número de lagos encontradas nas planícies de erosão. A Burgeap 1961 citado por Fonte 
especificada inválida., Registou mais de 700 lagos e lagoas. Mas apenas 8 % destes tem carácter 
permanente ou semi permanente e muitos deles possuem água salobra(D.N.A, 1987). 
Aspectos litológicos e estruturas geológicos 
As formações geológicas presentes na região sul do rio Save apresentam-se em forma de estratos 
que inclinam suavemente para o Leste como mostra a figura, mas são interrompidas por blocos 
de falhas, ao longo dos sistemas graben orientados Norte a Sul. As rochas são progressivamente 
mais antigas da costa para o interior do continente que compreende grésarcósico de textura 
grossa. 
As sequências de formações litológicas são mostradas na figura abaixo: 
 
23 
 
 
Figura 3. Corte geológico da bacia sedimentar de Moçambique ao sul do rio Save.(D.N.A, 1987) 
 
Na fronteira com Zimbabwe encontra-se afloramentos da formação de Sena, de idade cretácica, a 
que se sucede a formação dos Elefantes, do terciário inferior e a formação de Mazamba, do 
Mioceno. Portanto, toda a área do sul do rio elefantes é denominada por formações marinhas e de 
transição. As formaçõescretácicos têm texturas finas e constituída predominantemente por 
argilito, margas e grés glauconiticos, desde as formações de Maputo (que aflora no extremo sul 
do país ao longo de cadeias de dos Libombos), formações de Domo de carácter xistosa, até a 
formação Grudja do cretácico superior e de fáceis marinhos (D.N.A, 1987). 
Formação Maputo: sequência de grés glauconíticos com camadas e nódulos calcários, 
indicando condições de deposição costeira á de mar aberto, ambiente que é condicionado pelo 
desenvolvimento de duas estruturas de rifte profundas, grosso modo paralelas e alinhadas N-S, 
ou seja, o Graben de Mazenga (a Este) e o Graben de Funhalouro (a Oeste). 
 
24 
 
A Formação de Maputo é das mais antigas (aptino/ albino) a sua sequência aflora no extremo sul 
do país, ao longo da cadeia dos Libombos. 
A sequência marinha do terciário é dominada por formações calcárias e gressosas de grãos 
médios, iniciando-se com as formações Chiringoma e Salamanga que aflora no norte e sul de 
Maputo prolongando até ao norte do rio Limpopo, onde muitos furos interceptam formações 
calcárias entre os grés dos Elefantes e os grés de Mazamba. 
De acordo com Flores (1973) citado por D.N.A (1987), a Sul do rio Save é recoberto pelas 
formações de Temanede fácies Evaporíticas, constituída por argilas cinzentas escuras 
intercaladas com camadas de gesso e anidrite, ocupando uma superfície de 37500 Km2 e uma 
espessura máxima de 173 m. 
Formação Temane: consiste em anidrites intercaladas em rochas sedimentares com argilas e 
arenitos vermelhos que foram formados na parte central de uma lagoa salobra. As anidrites de 
Temane ocupam a parte central da bacia e são similares em idade às camadas de Inharrime. A 
espessura da formação é de 110m. São conhecidas formações calcárias ou grés calcáriosnovale 
do Tembe, perto de Mapulanguene, na vasta zona dos Urrongas. 
c) Formação Inharrime: compreende uma sequência de dolomitos vermelhos, argilas 
vermelhas, e arenitos com bandas individuais de anidrite. A espessura desta formação é de 100-
350m, cujos sedimentos foram depositados num ambiente lagunar restrito (Salman, Sheremetiev, 
& Koblents, 1995). 
A formação de Inharrime, de oligoceno, encontra-se por toda a província de Inhambane. Esta é 
recoberta directamente por dunas, ao longo da costa sul, entre Zandamela e Jangamo, no 
chamado alto estrutural de Zandamela (Flores, 1973). 
Na faixa costeira a formação de Inharime é recoberta pela formação de Jofane, do mioceno 
constituída por calcários e dolomitos contendo, frequentemente, o olitos e fragmentos de corais 
e) Formação Jofane: esta formação marca o fim das transgressões marinhas regionais. Ocorre 
principalmente como um carbonato de fácies de calcários marinhos, calcarenitos e calcários 
arenosos. Estes são distribuídos praticamente em todos os lugares dentro da planície costeira e 
atinge uma espessura até 400m (Salman, Sheremetiev, & Koblents, 1995). 
 
25 
 
De uma maneira geral a planície litoral ocupa a maior parte das regiões do país, distinguindo-se 
nelaLito - estratigraficamente formações sedimentares calcárias do Terciário e as formações 
sedimentares do Quaternário. A rocha do Quaternário encontra-se soba forma de sedimentos 
inconsistentes desenvolvidos em vastos fundos emersos de origem marinha ou lacustre, de 
aluviões fluviais de território de origem eólica e de formações orgânicas pantanosas. Sendo 
assim, D.N.A (1987) sustenta que quase 70 % da bacia de Moçambique, a sul do Save é coberta 
por sedimentos do quaternário, a maioria das planícies\ de cobertura eluvionar argilosa e arenosa 
com espessura variando entre 5 a 10 m apenas. 
A faixa dunar costeira compreende uma estreita orla de dunas recentes e uma extensa área de 
dunas antigas interiores, alcançando por vezes uma largura de 100 Km. Acredita-se que as dunas 
antigas, se formaram nos períodos interpluviais, durante as glaciações do pleistoceno, que são 
constituídas por areias argilosas de cor laranja acastanhados, de grãos finos a médios. 
Os depósitos aluvionares estão bem desenvolvidos ao longo dos cursos inferiores dos rios mais 
importantes e por baixo planície interfluvial do Limpopo emdirecção a o rio Incomate, 
frequentemente atinge uma espessura superior a 60 m. 
Águas Subterrâneas 
As bacias sedimentares do sul do rio Save constituem uma província hidrológica de Moçambique 
mais conhecida, mas as característicashidrológicas da área não são favoráveis para o 
aproveitamento das águas subterrâneas, excepto alguns vales aluvionares, faixas dunares e nas 
regiões de aquíferos profundos. É de destacar a faixa central compreendida entre-os-rios Save e 
Maputo como área de sérios problemas de água subterrâneas. 
Como foi referida anteriormente, nesta região é comum a ocorrência de água salobra e que essa 
concentração deve-se as condições semi áridas do clima ou inundações marinhas que teve lugar 
durante as transgressões do pleistoceno. No entanto a produtividade dos aquíferos existentes, em 
rochas consolidadas e a importância da cobertura solta, aumentam em direcção à costa(D.N.A, 
1987). 
Quase todas as formações geológicas conhecidas no Sul do Save estão representadas por grés 
marinho ou continental. Estes grés possuem uma permeabilidade que varia segundo o tamanho 
dos elementos e a solubilidade do cimento. 
 
26 
 
a)As formações calcárias ou greso-calcárias, e particularmente o calcário dos Urrongas, são 
muitas vezes cársticas, quer dizer que apresentam uma fragmentação acrescida de dissolução da 
rocha. 
b) Os aluviões fluviais, frequentemente grosseiros e pouco consolidados, possuem uma 
permeabilidade muito maior, os caudais nessas formações são os mais importantes que se 
apresentam no Sul do Save. 
c)As dunas e formações arenosas diversas de granulometria geralmente fina, têm uma 
permeabilidade média que é, sobretudo em função do seu teor em argila, e delas se podem 
esperar bons caudais. 
Drenagem de Água Superficial 
O Sul do Save é drenado por 3 principais bacias: 
a) O Limpopo drena mais da metade da região, o rio só é permanente a jusante da sua 
confluência como Rio dos Elefantes. O seu principal afluente da margem esquerda tem uma 
bacia extremamente plana e arenosa, que compreende numerosos charcos. 
b) O Incomáti tem um curso bastante inclinado, e uma bacia de recepção bem desenhada. É 
permanente a jusante da sua confluência como Sábiè, massecaa montante deumamaneira 
excepcional. 
c) A Baia de Maputo recebe águas dos rios Umbeluzi, Tembe e Maputo que drenam o extremo 
sul da província. 
 
 
 
 
 
 
 
27 
 
Conclusão 
As formações geológicas do território Moçambicano, admite-se que a geologia do terreno em 
uma determinada região é uma ferramenta importante para a produção de águas Subterrâneas e a 
qualidade das águas. 
 Neste contesto, as áreas de posicionais de sedimentos provenientes de rochas basálticas, 
riolíticas e diabásicas originam solos argilosos e escuros, sendo poucos produtivos devido a 
pouca permeabilidade e funcionam como aquífugos. Portanto, a presença de falhas de grandes 
dimensões nas rochas, as tornam mediamente produtivas como por exemplo, nos basaltos de 
Angoche. Contrariamente, nas formações riolíticas com grades dimensões das falhas e sua 
amplitude, podem ser mais produtivas do que os basaltos porque os produtos de alteração nas 
zonas de falha são menos argilosos. 
Por outro lado, os sedimentos de formação karroo em Moçambique, são caracterizados pela 
origem continental e estão depositados nas falhas sobretudo nas províncias de Manica e Tete, 
originando bacias de Médio Zambeze, caracterizada como sendo semiárida, com recarga baixa e 
bacia de Maniamba (noroeste de Niassa), caracterizada por ser anualmente chuvosa, fazendo 
com que a recarga seja alta. A quantidade de mineralizações nos aquíferos interfere na qualidade 
da água a produzir, sendo que a mais mineralizada resulta em água de menor qualidade e a 
menos mineralizada tem águas salobras. 
Os aluviões em geral são geradores de água subterrânea qualificada, mas se a água tiver origem 
nas planícies que contém água mineralizada, essa pode ser salobra. Os aquíferos profundos das 
bacias sedimentares de Moçambique a sul do rio Save, podem representar alternativas validas 
para resolver o problema de falta de água local, embora as qualidades desta e as fracas condições 
de recarga pode constituir embaraços inultrapassáveis. 
 
 
 
 
 
28 
 
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Anexos 
CARTA HIDROGEOLOGICA DE MOCAMBIQUE

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