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PUC MINAS – WILLIAN MOREIRA Estomatologia II Doenças potencialmente malignas Tecido morfologicamente alterado, mas com características benignas, que apresenta risco aumentado de transformação maligna, quando comparado à contraparte normal. OBS: o que diferencia uma neoplasia benigna de uma neoplasia maligna, é que na maligna se observa invasão do tecido e metástase. ➢ Nem todas as lesões precursoras vão sofrer transformação maligna. ➢ Algumas sofrem regressão caso o fator etiológico seja removido. o Lesões malignas não tem regressão. ➢ Lesões mais comuns: o Leucoplasia (placa branca) o Eritroplasia o Queilite actínica (toda alteração no lábio causada pelos raios solares. ▪ Lesão fundamental: • Placa • Erosão Definição da OMS: “mancha ou placa branca que não pode ser caracterizada clinicamente ou patologicamente como qualquer outra doença”. • É um termo utilizado para definir as lesões que se apresentam como uma placa predominantemente branca, com risco de transformação maligna. • Representam 85% das lesões cancerizáveis. • Diagnóstico clínico: exclusão de outras alterações patológicas. o Líquen plano, morsicatio buccarum, estomatite nicotínica, nevo branco esponjoso, leucoedema, etc. • É um termo estritamente clínico e não implica uma alteração histológica específica. • Fazer biópsia para excluir a possibilidade de CCE. Leucoplasia: lesão extensa nas superfícies lateral e ventral da língua, contendo múltiplas áreas que representam as várias fases ou aparências clínicas possíveis. Diagnóstico diferencial: - líquen plano O aumento gradual das alterações histológicas leva ao rompimento da membrana basal com subsequente invasão pelas células epiteliais do tecido conjuntivo. LEUCOPLASIA Quando se faz a biópsia da lesão, podemos classificá-la como: • Hiperceratose • Hiperceratose com displasia epitelial leve • Hiperceratose com displasia epitelial moderada • Hiperceratose com displasia epitelial acentuada - queratose por tabaco (hábito de mascar fumo) - estomatite nistínica - leucoedema - nevo branco esponjoso - mastigação crônica da boca – “marsicatio buccarum” - hiperqueratose friccional: está associada à trauma. Não tem risco de transformação maligna. Se a placa estiver associada à um trauma, primeiramente, retirar o trauma, pois a lesão irá regredir. ❖ Trauma linha de mordida ou língua ❖ Uso de próteses mal adaptadas ❖ Ausência de alterações displásicas Incidência e prevalência: forte predileção por homens (70%) Etiologia: desconhecida ➢ Tabaco – 80% são fumantes; relação dose/ dependente. ➢ Álcool: sinergismo ➢ Microorganismos (leucoplasia por Cândida – leucoplasia hiperplásica , HPV 16/18 – não tem um associação direta, porém está relacionada a alguns cânceres.) ➢ Radiação ultravioleta: leucoplasias do vermelhão do lábio (queilite actínica) ➢ Trauma: lesões em resposta a trauma não são consideradas potencialmente malignas. (hiperceratose friccional – não tem risco de transformação maligna). o Não é um fator etiológico da leucoplasia, porém pode se associar com o hábito de fumar causando leucoplasia. ➢ Idiopáticas. o Não tem fator conhecido. ▪ Possíveis causas: • Fator genético (mutação) • Fator nutricional • Síndrome OBS: As leucoplasias idiopáticas tem risco maior de transformação maligna, segundo estudos. Localização: ➢ Vermelhão do lábio ➢ Mucosa julgal 90% ➢ Língua e soalho ➢ Gengiva Classificação: HOMOGÊNIA ➢ Leucoplasia leve ou delgada: placas branca ou acinzentada, plana ou ligeiramente elevada. ➢ Leucoplasia homegênea ou espessa/grossa: placas brancas, espessas bem delimitadas com fissuras profundas. HETEROGÊNIA Leucoplasia granular ou nodular: desenvolvem aumento de irregularidades na superfície. Leucoplasia verrucosa ou verruciforme: com projeções afiadas, rombas ou verruciformes. Leucoplasia verrucosa proliferativa: - Caracterizada pelo desenvolvimento de diversas placas ceratóticas com projeções na superfície. - Geralmente envolve gengiva - Podem evoluir e serem indistinguíveis do carcinoma verrucoso - Raramente regridem - Forte predileção por mulheres (1:4) - Não associada ao tabaco OBS: menos agressivo que o CCE. Leucoeritroplasia ou leucoplasia mosqueada: - Lesões que apresentam áreas brancas e vermelhas. - Geralmente exibem displasia epitelial. OBS¹: lesão mais agressiva. OBS²: as lesões heterogêneas são mais agressivas do que as homogêneas. Alterações morfológicas observadas nas leucoplasias: ➢ Hiperqueratose: o Hiperparaqueratina o Hiperortoqueratina ➢ Acantose (aumento do número de células da camada espinhosa) ➢ Displasia epitelial (leve: camada basal, moderado: até metade do epitélio, acentuado: quase todo o epitélio) ➢ Variável infiltrado inflamatório crônico. (tecido conjuntivo) Hiperqueratose sem displasia: as células estão semelhantes, mas há um alargamento da crista epitelial. Hiperqueratose com displasia: ➢ Graus de displasia: o Leve (pleomorfismo e hipercromatismo – camada basal). o Moderada (até metade da camada espinhosa). o Acentuada o Carcinoma in situ (já é câncer, porém não rompeu a membrana basal, com isso, não invadiu o tecido conjuntivo). o CCE (invasivo) Atipia: refere-se a características celulares anormais. ➢ Núcleos e células pleomórficos (de forma anormal). ➢ Núcleos e células aumentados. ➢ Nucléolos grandes e proeminentes. ➢ Nucleos hipercromáticos (bem corados). ➢ Aumento da razão núcleo/ citoplasma. ➢ Disceratose (ceratinização pré matura de células individuais). ➢ Mitoses anormais e aumentadas (n° excessivo de mitoses). Displasias: conjunto de atipias celulares. Epitélio anormal com crescimento desordenado. ➢ Cristas epiteliais em forma de gota: epitélio está muito alterado. ➢ Perda estratificação celular ➢ Redução da relação intercelular Hiperceratose sem displasia Displasia epitelial leve Displasia epitelial moderada Displasia epitelial acentuada Carcinoma in situ OBS: podem haver formação de pérolas de queratina dentro do epitélio (raro). É definido como células epiteliais displásicas que se estendem da camada basal à superfície da mucosa bucal (alteração de “cima para baixo”). Pode estar sempre ou não uma fina camada de ceratina na superfície, o epitlélio pode ser hiperplásico ou atrófico. Não ocorre invasão do tecido conjuntivo. Encontra-se evidência de displasia epitelial ou carcinoma em apenas 5 a 25% dos casos de leucoplasias. Quando presentes, tais mudanças displásicas comumente começam na região basal e parabasal do epitélio. Quanto mais displásico o epitélio se torna, mais as mudanças epiteliais atípicas se estendem para envolver toda a espessura do epitélio. Exames complementares: Biópsia, a área de escolha para realizar a biópsia deve ser aquela que apresenta maior chances de encontrar atipias celulares. Muitas biópsias de lesões grandes ou numerosas podem ser necessárias. Tratamento: Depende das características clínicas e histopatológicas. Tipos de remoção completa da lesão (efetividade igual): • Excisão cirúrgica • Eletrocauterização • Criocirurgia • Ablação a laser Remoçao dos fatores de risco como: • Hábito de fumar • Consumo de bebida alcoólicas OBSERVAÇÕES: • Taxas de recorrência variam de 10 a 35%. • A remoção cirúrgica parece não reduzir o risco de recidiva ou transformação maligna. • Acompanhamento de longa duração. • Leucoplasias em displasias devem ser acompanhadas de 6 em 6 meses por causa da possibilidadede progressão para a displasia epitelial. • De forma geral 4% das leucoplasias se tornam CCE após o diagnóstico, de acordo com os exames de acompanhamento. • A taxa de transformação maligna varia de 1 a 47%. Geralmente ocorre de 2 a 4 anos, mas pode acontecer depois de meses ou décadas. Transformação maligna depende da fase clinica da lesão: quanto maior a gravidade clínica, maior a chance de displasia significativa e transformção maligna. • Leucoplasias delgadas (raramente) • Leucoplasias espessas (1 a 7%) • Leucoplasias granulares (4 a 15%) • Eritroleucoplasia (18 a 47%) Fatores que aumentam o risco de transformção: • Gênero feminino • Não fumar • Lesão por vários anos • Tamanho da lesão • Localização (língua e soalho bucal) Tratamento de acordo com o caso: É uma placa vermelha que não pode ser diagnosticada clínica ou patologicamente como qualquer outra condição. Quase todas as eritroplasias verdadeiras mostram displasia epitelial significativa, carcinoma in situ ou carcinoma de células escamosas invasivo. OBS: maior potencial de transformação maligna. Causas São desconhecidas, mas presume-se que elas sejam as mesmas do CCE ou os mesmos fatores etiológicos da leucoplasia. A eritroplasia é uma doença que predomina em homens mais velhos, com um pico de prevalência aos 65-74 anos de idade. Placa branca Biópsia (incisional, excisional, única e múltipla) Hiperquerato se (pode fazer excisão) Displasia (excisão e acompanhamen to) Carcinoma in situ e CCE (encaminhar para médico cirurgião de cabeça e pescoço) ERITROPLASIA Características clínicas Locais mais afetados: assoalho da boca, língua e palato mole, por serem os locais mais comuns de envelhecimento. • A mucosa alterada apresenta-se como uma mácula ou placa eritematosa bem demarcada, com uma textura macia e aveludada. • Normalmente assintomática. • Pode estar associada à uma leucoplasia adjacente (eritroleucoplasia). Diagnóstico diferencial: - mucosite inespecífica - candidíase - psoríase - lesões vasculares Características histopatológicas: 90% das lesões que eritroplásicas apresentam-se histopatologicamente como displasia epitelial grave, carcinoma in situ ou CCE superficialmente invasivo. O epitélio mostra ausência de produção de ceratina, frequentemente é atrófico, mas pode ser hiperplásico. Tratamento - Fazer biópsia - As lesões que exibem displasia moderada ou significativa devem ser completamente removidas ou destruídas pelos métodos usados para a leucoplasia. - Deve-se preservar a maior parte da amostra para exame microscópico, por causa da possibilidade de que um carcinoma invasivo focal não tenha sido percebido no material de biópsia inicial. - Acompanhamento a longo prazo. É uma alteração pré-maligna do vermelhão do lábio inferior, que resulta da exposição excessiva ou por longo período de tempo ao componente ultravioleta da radiação solar. Semelhante à queratose actínica. Características clínicas • Forte predileção por sexo masculino • Razão H/M = 10:1, em alguns estados Mudanças clínicas iniciais incluem a atrofia da borda do vermelhão do lábio inferior, caracterizada por uma superfície lisa e áreas pálidas com erupção. O escurecimento da margem entre o vermelhão e a porção cutânea do lábio é tipicamente visto. A medida que a lesão progride, áreas ásperas e escamosas desenvolvem-se nas porções mais ressecadas do vermelhão. Estas áreas tornam-se espessadas e podem parecer lesões leucoplásicas, especialmente quando se estendem para a linha média do lábio. Com o avanço da progressão, pode desenvolver-se ulcerações focal crônica em um ou mais locais. Podem durar meses e sugerir progressão para carcinoma de células escamosas em fase inicial. QUEILITE ACTÍNICA Tabagismo e imunossupressão aumentam o risco de transformação maligna. Características histopatológicas Epitélio escamoso estratificado atrófico, frequentemente apresentando aumentada produção de ceratina. Graus variados de displasia epitelial podem ser encontrados. Um discreto infiltrado crônico de células inflamatórias está normalmente presente subjacente ao epitélio displásico. O tecido conjuntivo subjacente invariavelmente mostra uma faixa de alteração basofílica, acelular e amorfa, conhecida como elastose solar (actínica). Uma alteração do colágeno e das fibras elásticas induzida pela lux ultravioleta Diferentes graus de displasia Elastose solar Tratamento • Biópsia obrigatória (áreas endurecidas, espessas, com ulceração ou leucoplásicas) • Uso de pomadas, fotoprotetores e corticosteroides • Cirurgia (remover uma pequena fatia do lábio = vermelhonectomia) • Ablação a laser com CO2, eletrodissecação, crioterapia, terapia fotodinâmica, dentre outros. Transformação maligna: 6% a 10% dos casos. Aproximadamente 94% das neoplasias malignas são carcinomas de células escamosas. O risco de desenvolver carcinoma aumenta com a idade, principalmente em homens. É uma neoplasia maligna originada do epitélio de revestimento da mucosa oral, especificamente, os queratinócitos. Etiologia A causa é multifatorial, não há um agente causador isolado, mas tanto fatores intrínsecos quanto extrínsecos podem estar em atividade. É provável que mais de um fator seja necessário para produzir malignidade. ➢ Fatores extrínsecos o Fumo de tabaco (tempo de dose dependente) o Álcool (tempo de dose dependente) o Raios solares (vermelhão do lábio) o HPV (subtipos 16 e 18) – principalmente borda posterior de língua ➢ Fatores intrínsecos o Estados sistêmicos ou generalizados, como a desnutrição geral ou anemia por deficiência de ferro. Localização Pode acometer qualquer região da boca, principalmente, língua e lábio inferior. Apresentação clínica • Exofítica (formação de massa que cresce para fora; fungiforme; papilar, verrucosa) • Endofítica (invasiva, crateriforme, ulcerada) • Leucoplásica (placa branca) • Eritroplásica (placa vermelha) Eritroleucoplásica (placa branco- vermelho) O carcinoma leucoplásico e eritroleucoplásico provavelmente está em estágio inicial, ainda sem produção de uma massa ou ulceração. Essas mudanças da superfície da mucosa são destruídas pelo desenvolvimento do carcinoma endofítico ou exofítico. CARCINOMA DE CÉLULAS ESCAMOSAS Dois terços dos carcinomas linguais apresentam-se como massas ou úlceras endurecidas e indolores na borda lateral superior, 20% ocorrem nas superfícies ventral ou lateral anterior, e apenas 4% ocorrem no dorso. De todos os carcinomas intraorais, as lesões do assolho da boca têm maior possibilidade de surgir de uma leucoplasia ou eritroplasia preexistentes. Diagnóstico diferencial • Lesões brancas o Ceratose friccional o Candidíase leucoplásica o Líquen plano • Lesões vermelhas o Lesão traumática o Queimadura o Candidíase o Líquen plano o Eritroplasia o Língua geográfica • Lesões com placas brancas e vermelhas o Leucoeritroplasia o Candidíase o Líquen plano • Lesões ulceradas o Paracococidioidomicose o Líquen plano o Pênfigo vulgar Metástases A disseminação metastática do carcinoma de células escamosas bucal ocorre largamente através dos vasos linfáticos para os linfonodos ipsilaterais cervicais. Um depósito metastático que contém um depósito de carcinoma é endurecido, firme e aumentado de tamanho. O carcinoma do lábio inferior e do assoalho da boca tente a migrar para os nodos submentonianos; os tumores dasregiões posteriores da boca migram para a jugular superior e nodos digástricos. A metástase não é um evento que ocorre no estágio inicial do carcinoma bucal. Já os tumores que se desenvolvem mais posteriormente na orofaringe tendem a sofrer metástase em seu estágio inicial. Características histopatológicas Invasão da lâmina própria e dos tecidos adjacentes por ninhos, cordões, lençóis de células epiteliais de revestimento neoplásicas. Tanto nos tumores superficiais quanto nos profundamente invasivos, as células tumorais geralmente apresentam citoplasma eosinofílico abundante com núcleos grandes, muitas vezes hipercromáticos e um aumento da relação núcleo-citoplasma. Graus variados de pleomorfismo celular são observados. O produto normal do epitélio escamoso é a ceratina e pérolas de ceratina podem ser produzidas dentro do epitélio lesional Conduta para diagnóstico - biópsia incisonal - exame anatomopatológico Tratamento • Cirurgia o Remoção do tumor primário o Esvaziamento cervical • Radioterapia • Quimioterapia Prognóstico Depende do estadiamento clínico pelo sistema tumor-nodo-metástase (TNM): ➢ T: tamanho do tumor (cm) ➢ N: envolvimento de linfonodos locais (metástase regional) ➢ M: metástases a distância Estágio I: T1, N0, M0 Estagio II: T2, N0, M0 Estágio III: qualquer T3 e qualquer N1 Estágio IV: qualquer T4 e qualquer M1 (abaixo da clavícula) Quanto maior a classificação do estágio, pior o prognóstico. Ex: uma lesão estágio IV é muito pior o prognóstico do que uma lesão em estágio I. OBS: estágios I e II são diagnosticados pelo cirurgião dentista.