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REAÇÕES ADVERSAS A COSMÉTICOS E O PROFISSIONAL DA ESTÉTICA 
 
 
Ana Angélica Candiotto1 - Acadêmica do Curso de Cosmetologia e Estética da 
Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI, Balneário Camboriú, Santa Catarina. 
 
Ana Flávia Freire Wayhs2 - Acadêmica do Curso de Cosmetologia e Estética da 
Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI, Balneário Camboriú, Santa Catarina. 
 
Ana Júlia Von Borell Du Vernay França3 – Orientadora Professora do Curso de 
Cosmetologia e Estética da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI, Balneário 
Camboriú, Santa Catarina. 
 
 
Contatos 
1ana_candiotto@hotmail.com 
2anaflaviafw@hotmail.com 
3anajulia@univali.br 
 
 
 
Resumo: Segundo a Legislação Brasileira, cosméticos são definidos como produtos 
de uso externo, destinados a proteção ou embelezamento das diferentes partes do 
corpo. Apesar de serem considerados seguros, se usados de forma inadequada ou 
sem a orientação profissional, podem vir a causar possíveis reações adversas, aos 
seus usuários, sendo fundamental à saúde pública a vigilância desses produtos. Por 
estes motivos, a ANVISA, em Dezembro de 2005, publica uma resolução a qual 
define a implantação de um sistema de Cosmetovigilância por parte das indústrias 
produtoras de produtos cosméticos. Esta RDC visa melhorar a comunicação entre 
usuário e fabricante para relatar problemas ocorridos devido ao uso desses 
produtos. Em 2009, foi elaborado um artigo por Cipriani e Thibes, onde sugere que o 
profissional da estética seja incluído nesta corrente de informações, servindo de elo 
entre a indústria e o consumidor. A partir deste contexto este artigo tem como 
objetivo através de uma revisão bibliográfica demonstrar ao profissinal da área 
estética, relatando e diferenciando, as principais reações adversas a produtos 
cosméticos, demonstrando assim a importância de relatá-las nas fichas de 
anamenese usadas durante os procedimentos realizados com o uso dos mesmos. 
 
Palavras chaves: Cosméticos. Reações Adversas. Cosmetovigilância 
2 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
 
Para Barata (1995) são considerados cosméticos produtos aplicados no corpo 
contendo ingredientes de origem animal, vegetal ou mineral e substâncias químicas 
de origem sintética ou semi-sintética, com o intuito de limpar, proteger, embelezar, 
ou tratar da pele e seus anexos. 
Segundo ABIHPEC1 (2009) nos últimos anos ocorreu um crescimento 
significativo na indústria de higiene pessoal, perfumaria e cosmético. Em 
comparação ao mercado mundial, o Brasil ocupa a terceira posição quanto ao uso 
de cosméticos. Pode-se considerar como fatores que contribuem para este 
crescimento a utilização da tecnologia de ponta e novos lançamentos no mercado. 
Devido à grande procura e a alta comercialização, a indústria cosmética lança 
constantemente novas formulações no mercado. O alto perfil de segurança faz com 
que o profissional da estética sinta-se apto a utilizar novos produtos sem ter 
conhecimento das substâncias contidas nestas composições e das possíveis 
reações adversas que podem vir a causar (SANTOS, 2008). 
Com o objetivo de facilitar as descobertas das reações indesejáveis causadas 
por produtos cosméticos e na tentativa de impedir novos casos, a ANVISA (Agência 
Nacional da Vigilância Sanitária) determina a implantação de um sistema de 
cosmetovigilância por fabricantes e/ou importadoras de Produtos de Higiene Pessoal 
Cosméticos e Perfumes, que visa melhorar a comunicação entre fabricante e 
usuário, sobre problemas decorrentes do uso, defeitos de qualidade e efeitos 
indesejáveis (ANVISA, 2005). 
Quando se discute segurança de produtos cosméticos deve-se saber que 
nenhuma substância química é 100% segura, pois até a água em quantidades 
inadequadas ou usada incorretamente pode causar perigo a pele (CHORILLI; et al, 
2007). 
Em decorrência do grande número de relatos na literatura sobre reações 
adversas a cosméticos surge à necessidade de relatar e diferenciar as principais 
reações adversas a produtos cosméticos, demonstrando assim ao profissional da 
 
1
 Associação Brasileira da Industria Higiene Pessoal Perfumaria e Cosmético 
 
3 
 
 
área estética, a importância de relatá-las nas fichas de anamenese usadas durante 
os procedimentos realizados com o uso dos mesmos. 
 
 
2 METODOLOGIA 
Com o propósito de atingir o objetivo do trabalho que propõe relatar as 
principais reações adversas causadas por produtos cosméticos, a metodologia 
empregada foi a de uma revisão bibliográfica com análise qualitativa exploratória. 
Esta pesquisa cientifica teve como base, artigos científicos, livros, periódicos 
científicos, entre outros meios. 
Segundo Marconi e Lakatos, 1999, destacam que a pesquisa bibliográfica se 
trata de dados e informações encontradas naqueles materiais construídos apartir 
das fontes primarias em pesquisas realizadas anteriormente, De Pádua, (2004) 
complementa que a finalidade principal deste método é colocar o pesquisador com 
tudo aquilo que já foi produzido em relação ao problema de pesquisa. 
 
3 REFERENCIAL TEÓRICO 
 
 
3.1 Cosméticos 
 
 
Segundo Ribeiro (2010) a palavra cosmético vem do grego kosméticos, 
relativo a adorno, pratica ou habilidade em adornar (tornar-se atraente, agradável). 
 Para ANVISA produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes são 
definidos como preparações constituídas de substâncias naturais ou sintéticas, 
usados em diversas partes do corpo com objetivo de limpar, perfumar e alterar 
aparência, protegendo e mantendo em bom estado. 
Tais produtos aplicados na pele podem alterar seu ecossistema, modificar sua 
bioquímica e fisiologia em menor ou maior grau, causando danos a qualquer pessoa 
em determinadas circunstâncias. Essa interação entre produto e pele pode ser 
4 
 
 
benéfica ou nociva, dependendo do tipo de manifestação e períodos de utilização 
(NUNES, 2000). 
“Na prática, os produtos cosméticos são raramente associados com sérios 
danos à saúde. Entretanto, isto não significa que produtos cosméticos sejam sempre 
seguros, especialmente considerando os efeitos a longo prazo” (CHORILLI; et al, 
2009, p 10). 
Outra preocupação é com a segurança no uso da nanotecnologia em 
produtos cosméticos, por possuir partículas muito pequenas e ter a capacidade de 
liberarem gradativamente as substâncias que carregam conseguem penetrar em 
camadas mais profundas da pele (SANTOS, 2008). 
 
 
3.2 Reações Adversas 
 
 
Com a variedade de produtos cosméticos disponíveis no mercado, esta 
diversidade faz com que o consumidor procure por novidades e marcas 
diferenciadas, sem ter conhecimento sobre formulações, o consumidor ao utilizar um 
produto pode estar sujeito a possíveis reações, essas muitas vezes causadas por 
substâncias contidas nos cosméticos (DRAELOS, 1999). 
Hoje cerca de 20% da população apresentam algum tipo de dermatite, as 
mulheres são as principais vítimas dessas reações, a principal área atingida é o 
rosto, e os principais agentes causadores são os cosméticos utilizados para os 
cuidados da pele e os produtos capilares (HARRIS, 2005). 
Alterações mais freqüentes no organismo são as alergias, essas são 
classificadas como reações imunológicas de sensibilização perante a uma 
determinada substância. Toda substância em maior ou menor grau tem a 
capacidade de provocar reações alérgicas (SANTOS, 2008). 
A principal forma de manifestação é o eczema, esse é uma afecção 
inflamatória não infecciosa da pele, aparece em forma de erupção aguda com 
formação de vesícula. Ele é sinônimo de dermatite, a diferença esta na forma de 
contagio, sendo a dermatite causada por contato a produtos industriais e o eczema 
representa reação a váriosestímulos (GAWKRODGER, 2002). 
5 
 
 
Para se diferenciar dermatite alérgica de dermatite por irritação, deve-se 
entender que, embora os sintomas sejam similares, no processo irritante há uma 
resposta inflamatória local não imunológica que pode aparecer após uma única 
exposição à substância causadora, dependendo exclusivamente da sua intensidade 
e potencial irritante (HARRIS, 2005). 
Já a dermatite alérgica é uma resposta imunológica que induz a produção de 
anticorpos devido contato prévio com o agente alergênico, ocorre em indivíduos com 
pré disposição às substâncias irritantes (HARRIS, 2005). 
Segundo Harris (2005) esteticistas, profissionais da beleza, médicos, 
profissionais de enfermagem, dentistas, podólogos e cabeleireiros, estão mais 
propensos à reações adversas pelo seu contato diário com produtos potencialmente 
alergênicos, tornando–os extremamente sensíveis. 
Essas doenças de pele na atividade profissional são comuns, embora a 
maioria desses indivíduos continuem nas suas atividades, cerca de metade dos 
profissionais são forçados a abandonar, pois mesmo após tratamento há casos de 
persistência dos sintomas (HARRIS, 2005). 
Sabe-se que em casos de reações adversas deve-se evitar o uso de produtos 
cosméticos ou itens de tratamento pessoal até que essa reação seja diagnosticada e 
tratada (CHORILLI; SCARPA; CORRÊIA, 2007). 
As reações adversas podem ser classificadas como dermatites de contato 
que para melhor entende-las foram subdivididas em: irritação subjetiva ou pele 
sensível; dermatite por irritação aguda e crônica; dermatite alérgica; dermatite 
fototóxica e fotoalérgica e dermatite atópica (HARRIS, 2005). 
 
 
3.2.1 Irritação subjetiva ou pele sensível 
 
 
A pele sensível acomete grande parte da população, também é conhecida 
como a síndrome da intolerância a cosméticos, pela quantidade de produtos 
cosméticos que esses indivíduos são sensíveis (HARRIS, 2005). 
A irritação pode ser causada por diversos fatores, um desses fatores é o 
poder irritante das substâncias, algumas substâncias químicas são irritantes mesmo 
em concentrações muito fracas, já outras em concentrações mais elevadas são 
6 
 
 
menos irritantes. Também há outros fatores como, duração e repetição da sua 
aplicação, que varia de pessoa para pessoa dependendo da resistência e da 
sensibilidade da pele (PRUNIERAS, 1994). 
Essas irritações podem ocorrer minutos após o contato, com sintomas de 
ardência e formigamento, podendo aparecer com ou sem alterações visuais. A pele 
sensível tem uma baixa tolerância ao uso freqüente ou prolongado de produtos 
cosméticos, podendo apresentar sintomas como edema, descamação, ardência, 
queimação, prurido e repuxamento (HARRIS, 2005). 
Ainda segundo Harris (2005) os cosméticos que mais causam este tipo de 
reação são os filtros solares, pelo poder irritativo do ativo filtro. 
 
 
3.2.2 Dermatite de contato por irritação aguda ou crônica. 
 
 
Segundo Harris (2005) a dermatite por irritação é a causa mais freqüente de 
dermatoses, é uma resposta inflamatória não imunológica. Em sua fase aguda 
ocorre uma exposição direta a agentes fortes em alta concentração, caracteriza-se 
por eritema, vesiculação e leve coceira. 
E Chorilli; et al, (2007) discutem que a irritação pode ser definida como uma 
intolerância local, dependendo de sua intensidade pode chegar até a corrosão e 
destruição do tecido. Todas estas reações se restringem à área em contato direto 
com o produto. 
Já em sua fase crônica a pele é exposta a produtos de baixa concentração 
repetidamente, apresenta-se pelo ressecamento, fissura e enrijecimento da pele 
(DERMATOLOGIA, 2010). 
Segundo Brasil (2010) sua manifestação também pode ser definida como 
uma intolerância local que se restringe a área de contato direto com o produto. 
Caracterizando-se por ardor, coceira e pinicação, podendo ocorrer à corrosão e 
destruição do tecido, estas reações surgem principalmente devido aos agentes 
irritantes que extraem os lipídios do extrato córneo, e danificando e até matando 
alguns queratinócitos. 
 
 
7 
 
 
3.2.3 Dermatite alérgica 
 
 
É muito parecida com a dermatite de contato por irritação, porém essa possui 
um efeito imunológico, após o contato com o cosmético que possui substâncias 
alergênicas o sistema imune ira manifestar uma resposta contra o agressor, então 
haverá à produção de anticorpos. Quando houver novo contato, ocorrerá uma 
resposta inflamatória, manifestando-se assim a dermatite alérgica de contato 
(HARRIS, 2005). 
Pode ser uma reação de efeito imediato (urticária) ou tardio 
(hipersensibilidade), como envolve mecanismos imunológicos pode aparecer em 
áreas diferentes da aplicação do produto (CHORILLI; et al, 2007) 
 
 
3.2.4 Dermatite fototóxica e fotoalérgica 
 
 
 As dermatites fototóxica e fotoalérgica necessitam de um terceiro fator para 
se tornarem ativas, esse fator é a luz. As combinações de aplicação tópica de 
substâncias com a exposição solar são também caracterizadas de reações adversas 
(HARRIS, 2005). 
A resposta no paciente aparece após uma alteração bioquímica que ocorre no 
tecido subseqüente a uma radiação (HARRIS, 2005). 
Além dos cosméticos outras substâncias são capazes de iniciar o processo 
fotoquímico, conhecidos como substâncias fototóxica que podem ser encontrados 
em alguns componentes do alcatrão como o antraceno e os psoralenos, presentes 
em plantas (HARRIS, 2005). 
Essas reações apresentam-se de forma parecida a uma queimadura por 
exposição solar (HARRIS, 2005). 
Por outro lado a dermatite fotoalérgica, tem reação imunológica e requer um 
contato prévio com o agente causador. Essa dermatite apresenta uma resposta de 
hipersensibilidade adquirida, com formação de anticorpos específicos. Pode se 
apresentar tanto de forma imediata como de forma tardia (HARRIS, 2005). 
 
8 
 
 
 
 3.2.5 Dermatite atópica 
 
 
Segundo Harris (2005) é uma enfermidade cutânea crônica, que ocorre em 
indivíduos que já possuem distúrbios dermatológicos. É adquirida por herança 
genética, apresentando como principal manifestação, coceira e prurido. 
 
 
3.3 Principais agentes causadores 
 
 
Pesquisas revelam que produtos para tratamento de pele, foram os maiores 
responsáveis pelos casos de dermatites alérgicas, seguido por produto de cabelo, 
cosméticos faciais, cosméticos para unha e produtos de fragrância (CHORILLI; 
SCARPA; CORRÊIA, 2007). 
Com o passar dos anos os cosméticos tornaram-se grandes aliados nas 
áreas estéticas e da saúde, podendo ser excelentes meios de crescimento e 
propagação de microorganismos, que alteram as propriedades do produto podendo 
tornar esses prejudiciais ao consumidor (HARRIS, 2005). 
 Para minimizar as ações desses microorganismos são aplicadas nas 
formulações dos cosméticos substâncias com propriedades antimicrobianas, 
chamados de conservantes (HARRIS, 2005). 
Estes são os principais causadores de reações alérgicas, podem ser 
encontrados principalmente em laquês e em loções infantis para o corpo (CHORILLI; 
et al, 2007). 
 Ainda não existe o conservante ideal que iniba o crescimento microbiano de 
forma eficiente, sem causar danos ao nosso organismo. As qualidades de um 
conservante cosmético incluem: ausência de irritação e sensibilização, estabilidade 
em uma ampla variedade de temperaturas e pH, estabilidade por períodos de tempo 
prolongados, compatibilidade com numerosos ingredientes e materiais de 
embalagem, eficácia contra numerosos microorganismos e ausência de odor ou 
cheiro (DRAELOS, 1999). 
9 
 
 
 Os conservantes mais irritativos encontrados em formulações cosméticassão 
os parabenos, ácido benzóico e seus derivados, formaldeído, 
clorometilisotiazolona/metilisotiazolona, clorexedina, cloreto de benzalcônio, 
propilenoglicol, e tioglicolato de gliceril (HARRIS, 2005). 
 Juntamente com os conservantes, as fragrâncias e seus componentes, são 
também responsáveis por manifestações de dermatites, alérgica ou por irritação, 
estudos comprovam que produtos de tratamento de pele (skin care) são 
responsáveis por mais da metade das reações adversas (HARRIS, 2005). 
Outras substâncias com propriedades irritativas são os tensoativos, o aniônico 
lauril sulfato de sódio, os catiônicos que também podem causar danos a pele, e os 
não iônicos que possui menor grau de irritação (CHORILLI; et al, 2007). 
 Os metais também merecem destaque por serem poderosos alérgenos, 
dentre eles encontram-se o alumínio, bário, bismuto, boro, cobalto, ferro, bromo, 
manganês, prata, titânio e zinco (CHORILLI; et al, 2007). 
Alguns desses agentes sensibilizantes encontrados em fragrâncias são os 
aldeído sinâmico, álcool alfa-amil-sinâmico, hidroxicitronelal, eugenol, isoeugenol e 
geraniol. Já nos conservantes encontram-se o formaldeído e formalina, os 
parabenos e poliquartenos; em protetor solar, o acido p-aminobenzoico. As 
substâncias sensibilizantes mais encontradas são resina de paratoluenosufonamida 
e acrilatos (HARRIS, 2005). 
Além dos conservantes e das fragrâncias, mais de 13.000 (treze mil) matérias 
primas são utilizadas hoje, sob mais de 30.000(trinta mil) diferentes denominações 
comerciais (SANTOS, 2008). 
 
 
3.4 Cosmetovigilância 
 
 
Considerando a grande procura por cosmético e devido algumas reações 
adversas que esses podem causar, a ANVISA que tem como objetivo regulamentar 
a produção, a comercialização e a fiscalização de cosméticos no Brasil, implantou 
no final do ano de 2005 um sistema para as empresas fabricantes de produtos de 
Higiene Pessoal Cosméticos e Perfume: a Cosmetovigilância (BEHRENS; 
CHOCIAL, 2007). 
10 
 
 
Esse sistema tem intenção de facilitar a comunicação entre fabricantes e 
usuários, de forma que os usuários possam relatar sobre problemas decorrentes ao 
uso de cosméticos, efeitos indesejáveis ou defeitos de qualidade dos produtos 
(ANVISA, 2005). 
 A resolução RDC nº. 332, de 1º de dezembro de 2005 determina: Art. 1º As 
empresas fabricantes e/ou importadoras de Produtos de Higiene Pessoal 
Cosméticos e Perfumes, instaladas no território nacional deverão implementar um 
Sistema de Cosmetovigilância, a partir de 31 de dezembro de 2005 (ANVISA, 2005). 
Problemas decorrentes ao uso de cosméticos sempre são constatadas, desde 
defeitos na embalagem até irritações, como dermatites, esses dificilmente são 
notificados a ANVISA, sendo assim esses problemas nunca são devidamente 
resolvidos, a implantação da Cosmetovigilância pretende melhorar este aspecto, 
facilitando a comunicação entre usuário e fabricante (BEHRENS; CHOCIAL, 2007). 
Para complementar o sistema de Cosmetovigilância a ANVISA implantou 
também o NOTIVISA, através dele podem cadastrar-se profissionais da saúde ou 
instituições/entidades onde poderão notificar eventos adversos ou queixas técnicas 
através de formulários de notificações. Havendo casos confirmados de reações 
adversas ou queixas técnicas sobre produtos, serão avaliados pela ANVISA de 
acordo com a gravidade e risco do problema ocorrido. Estes dados ajudarão 
identificar reações adversas ou defeitos do produto, aperfeiçoando o conhecimento 
desses efeitos e quando indicado, alterar recomendações sobre seu uso e cuidados, 
desta forma, promover ações de proteção à Saúde Pública (ANVISA, 2010). 
 
 
3.4.1 Cosmetovigilância e o profissional da estética 
 
 
 A cosmetovigilância hoje é um importante instrumento, para a captação de 
relevantes informações sobre possíveis reações relacionadas aos produtos, ou 
reações ocasionáveis, onde o profissional da estética pode participar como 
intermediário, entre consumidor e empresa (CIPRIANI; THIBES, 2009). 
Sendo assim cabe ao profissional repassar à indústria cosmética se 
houveram reações adversas referente à formulação do produto utilizado, devendo 
assim entrar em contato com o SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) 
(CIPRIANI; THIBES, 2009). 
11 
 
 
Esse irá registrar e analisar de forma organizada os problemas relatados para 
que os fabricantes possam tomar devidas precauções quanto à indicação de uso ou 
formulação dos cosméticos (CIPRIANI; THIBES, 2009). 
Cipriani e Thibes (2009) discutem este tema e abordam a inclusão do 
profissional da estética no uso da cosmetovigilância através da utilização de um 
formulário (anexo G), que visa gerar um banco de dados com informações sobre as 
reações indesejáveis ocorridas, assim como possibilita padronizar o procedimento 
do profissional frente a estes casos. 
A partir do levantamento de dados obtidos dos produtos cosméticos utilizados 
nas clínicas de estética, é possível mensurar o tipo de reação ocorrida e qual a sua 
freqüência. Isso possibilitará a informação de forma precisa e segura aos 
fabricantes, assim como à autoridade sanitária do aparecimento de alguma situação 
indesejada frente ao uso do produto cosmético, a fim de contribuir de forma positiva 
para o desenvolvimento da indústria cosmética. 
 
 
4 ANÁLISE DOS DADOS 
 
 
 Segundo ANVISA (2005) a implantação da cosmetovigilância tem como 
objetivo aumentar a comunicação entre fabricante e consumidor, para facilitar 
estudos e descoberta das reações adversas causadas por produtos cosméticos . 
 Pois é necessário se relatar e diferenciar as principais reações adversas a 
produtos cosméticos, demonstrando assim ao profissional da área estética, a 
importância de relatá-las nas fichas de anamenese usadas durante os 
procedimentos realizados como o uso dos mesmos. 
 Através do estudo realizado, podemos concluir que apesar de não 
desejáveis, há relatos na literatura de reações adversas a cosméticos. Estas podem 
apresentar pouca ou grande intensidade e proporção. 
 Estas reações podem ser imediatas ou tardias, pode ocorrer de forma 
primária, na primeira exposição ao produto, ou secundaria após o organismo ser 
sensibilizado pela substância alergênica. Produtos cosméticos podem danificar a 
pele por efeito cumulativo extraindo lipídios do extrato córneo, e prejudicando a 
12 
 
 
função barreira, essas alterações podem gerar desidratação cutânea e diminuir sua 
resistência. 
Desta análise resulta a importância do controle de produtos cosméticos 
usados nos procedimento estéticos, visto que a reação pode ocorrer durante o 
procedimento, após a segunda aplicação do mesmo produto, depois de repetidas 
aplicações ou ainda no retorno do cliente ao seu domicílio. 
Com base nos estudos efetuados, evidencia-se a importância da implantação 
de um protocolo de conduta frente ao aparecimento de reações indesejadas durante 
um procedimento de estética, seja ele facial, corporal, capilar ou na área de anexos. 
Este protocolo visa primeiramente padronizar o procedimento do funcionário e a 
coleta de dados sobre a ocorrência. Este modelo já foi proposto por Cipriani e 
Thibes (2009) onde já se descreve as informações necessárias para a coleta de 
dados, baseadas na resolução de cosmetovigilância, proposto pela ANVISA. 
Sendo a UNIVALI uma instituição de educação deve-se estar sempre à frente 
em regularidade e estudos. Esta sugestão vem com o intuito de instruir e melhorar o 
ensino dos futuros profissionais da área de cosmetologia e estética, assim como 
aumentar a segurança nos procedimentos do laboratório de cosmetologia e estética. 
Visa também melhorar a conduta profissional no momentoda ocorrência de 
situações adversas agindo com as devidas precauções. 
 
 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
 
Após a analise das fichas de anamnese (ANEXO A, B, C, D, E, F) viu-se a 
importância de se relatar e diferenciar as reações adversas, pelo fato que há 
evidência e necessidade de controle no uso de produtos cosméticos; 
 Devido ao grande consumo; 
 Novas tecnologias na elaboração de produtos e matérias primas; 
 No mercado hoje são utilizadas 13.000 novas matérias primas; 
 A literatura relata possibilidades que a reação adversa a produtos 
cosméticos pode ser imediata, secundária ou ainda após o retorno ao 
domicílio do cliente; 
13 
 
 
 Estas reações podem ser brandas como uma desidratação ou causar 
reações graves com comprometimento do tecido cutâneo; 
 A ANVISA cria um sistema de implantação de cosmetovigilância pelas 
indústrias produtoras de cosméticos; 
 A importância da inclusão do profissional da estética através do formulário 
proposto por Cipriani e Thibes (2009). 
 
Sabemos que este novo modelo de formulário pode não possuir uma 
viabilidade no cotidiano de um estabelecimento estético, sendo assim sugere-se a 
proposta de um novo estudo para verificar se há a viabilidade de implantação deste 
modelo proposto e adequação na ficha de anamnese em uso, sendo usada apenas 
quando ocorrer tais reações. 
 
 
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PÁDUA, Elisabete. M. M. de. Metodologia da pesquisa: abordagem teórico-prática. 
10ª ed. rev. e atual. Campinas, SP: Papirus, 2004. 
 
 
PRUNIERAS, Michel. Manual de cosmetologia dermatologica. 2. ed. São Paulo: 
Andrei, 1994. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
16 
 
 
ANEXOS 
 
Anexo A - Ficha de Anamnese de estrias 
 
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18 
 
 
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Anexo B - Ficha de Anamnese corporal 
 
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25 
 
 
 
 
26 
 
 
Anexo C – Ficha de Anamnese de massagem 
 
 
 
 
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28 
 
 
ANEXO D - Ficha de Anamnese Capilar 
 
 
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32 
 
 
ANEXO E – Ficha de Anamnese Facial 
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35 
 
 
ANEXO F – Ficha de Anamnese manicure e pedicure
 
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37 
 
 
ANEXO G – Modelo de formulário para análise de reações adversas proposto por 
Cipriani eThibes (2009). 
 
I) Descrição do Produto que Gerou a Reclamação 
Produto: Forma apresentação: 
Lote: Data Fab: Val: Qtde adquirida: 
Local e Data da Compra: 
II) Qualidade/ Performance do Produto: 
Aspecto: 
Cor: 
Odor: 
Funcionalidade: 
III) Descrição da Ocorrência: 
 
IV) Questionário: 
Foram tomadas medidas preventivas? 
Seguiu corretamente as instruções de uso? 
Foi suspenso o uso do produto logo após a percepção do problema? 
Já teve alguma reação alérgica a algum produto correlato semelhante? 
Foi a primeira vez que usou esse produto? 
Após quanto tempo de uso percebeu o problema? 
Possui problemas alérgicos? 
Faz uso de algum medicamento? 
Fez uso de algum outro produto em conjunto? 
V) Providências Tomadas pela Profissional: 
 
Formulário I. Elaboração autoras Cipriani eThibes (2009) 
Fonte: Mariano (2008 apud CIPRIANI; THIBES, 2009, p.13).

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