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CONTRACEPÇÃO NÃO HORMONAL CLASSIFICAÇÃO Temporários: · Hormonal: DIU com progesterona. · Não hormonal: Dispositivo intra-uterino (DIU) · De barreira: Femininos: Diafragma; Espermicida; Esponja; Capuz cervical; Camisinha feminina. Masculinos: Condon; · Comportamentais: Ogino-Knaus; Curva térmica; Billings; Sintotérmico; Coito extragenital; Definitivos: · Feminino: Laqueadura tubária (vias laparotômica e laparoscópica); · Masculino: vasectomia. DISPOSITIVO INTRAUTERINO – DIU O DIU consiste em um dispositivo que é colocado dentro do útero e é um método extremamente antigo sendo o mais antigo a alça de Lippes – que é um dispositivo plástico que fica enrolado dentro do útero no qual faz uma reação de corpo estranho e essa reação de corpo estranho, essa inflamação causada pela presença do DIU produz a contracepção. Existem outros tipos de DIU. Atualmente, tem o DIU medicado de cobre que é usado o 380, Multiload e o DIU de progesterona. O DIU medicado usado é o Multiload e o T de Cobre. No SUS tem o T de cobre 380 (o 380 é referente aos milímetros de cobre presentes no dispositivo). O DIU é o método contraceptivo não hormonal reversível mais usado mundialmente. TIPOS DE DIU · Inerte: alça de Lippes®; Saf T Coel®; Dalkon Shields® · Medicado: cobre 380 A (fixo, ‘7’, ‘T’, Multiload); Tcu 200; Progesterona MECANISMO DE AÇÃO DO DIU Produzir uma reação de corpo estranho que é hostil a implantação do ovo e é espermicida. O cobre aumenta a eficácia contraceptiva, pois também é espermicida, diminui a capacidade de fertilização do espermatozoide. E a progesterona espessa o muco cervical e induz à atrofia do endométrio, pois diminui os receptores de estrogênio. Então, mesmo que a mulher esteja ovulando normalmente, não tem proliferação endometrial visto que a progesterona está ali sendo liberada paulatinamente. Na prática, a diferença consiste em não haver nenhum hormônio no uso do DIU de cobre. A paciente está com trombose venosa e necessita realizar contracepção: o DIU de cobre é uma alternativa interessante nessa situação e continua a menstruação regular, não há como controlar nem programar o volume menstrual. Se acontece o uso do DIU de progesterona, acontece, aproximadamente, 40% da absorção dessa progesterona. E, além disso, não há menstruação, pois, a progesterona irá atrofiar o endométrio. DIU: INSERÇÃO Geralmente, o DIU é colocado com a paciente menstruada. Por que? Porque na gravidez é contraindicado o uso do DIU, ocasionaria em abortamento. A garantia de que não ocorrerá o abortamento é que a paciente venha menstruada para a inserção do DIU. Além de que, quando há a menstruação, há a diminuição da tonicidade do orifício interno do útero para o sangue cair, causando maior conforto para colocar o DIU. Para colocar o DIU, passa o espéculo, visualiza o colo do útero, lava/limpa a vagina. Depois pinça o colo do útero e é colocado o histerômetro que é uma haste de metal que tem uma ponta romba e é centimetrada. Então coloca isso no canal, bate no fundo do útero e se mede a distância do fundo do útero até o orifício externo e quando for colocar o DIU, insere o dispositivo e corta grande o fio para dobrar lá dentro (cuidado no corte porque como é um fio de nylon pode ficar espetando nas relações sexuais). O DIU ficará dentro do útero fazendo efeito. Se for o DIU de cobre 200, a durabilidade é de 04 anos. O DIU 380, 10 anos. E o DIU de progesterona, 05 anos. Para retirar o DIU, é só puxar o fio que tem no dispositivo que fica no lado de fora do útero. Caso a paciente queira tirar o DIU, é só puxar o fio que o dispositivo sai. · T Cobre 200: 4 anos. · T Cobre 380 A: 10 anos. (Não é justificado usar o T Cobre 200 uma vez que o de 380 tem durabilidade que é mais que o dobro). Em termos de saúde pública, é muito mais conveniente o T Cobre 380 sendo que a mulher tem a contracepção garantida por maior tempo. · Levonorgestrel: 5 anos – é o Mirena DIU: CONTRAINDICAÇÕES ABSOLUTAS MEC=4 Certeza ou suspeita de gravidez; sepse puerperal ou abortamento séptico; mola com β-HCG positivo; tuberculose pélvica/DIP/endocervicite atual; câncer cervical/endométrio: inserção; hemorragia de origem desconhecida; mioma ou malformação com distorção da cavidade; câncer mama atual (LNG) (≥5 anos =3) Se há suspeita ou certeza de gravidez. Qualquer situação em que haja inflamação/infecção pélvica, sepse puerperal, abortamento séptico, endometrite, doença inflamatória pélvica, tuberculose pélvica ou infecção do colo do útero (endocervicite) não se deve colocar DIU, pois irá comportar-se como um corpo estranho, colonizando as bactérias oriundas da infecção que, posteriormente, não será possível as combater com antibióticos mesmos que sistêmico. Então, não será possível tratar a infecção se há a presença do DIU. Primeiro é realizado o tratamento da infecção e depois é colocado o DIU. Mola com β-HCG positivo: Mola é a degeneração neoplásica da placenta. O critério de cura para mola é o β-HCG diminuir mais a cada vez até negativar, se não tem β-HCG negativado não pode inserir o DIU até que se considere aquela mola tratada. Em casos de tuberculose pélvica ou endocervicite (infecção do colo do útero, da endocervice), para chegar na cavidade uterina se faz necessário passar, primeiramente, pelo colo uterino, então as bactérias da endocervice são levadas para a cavidade peritoneal, produzindo uma endometrite, que será instrumental certa vez que o responsável pelo procedimento induzirá tal quadro. Então, antes de colocar o DIU, é necessário examinar a paciente, descartar que esta apresente algum sinal de endocervicite ou endometrite. Caso tenha, faz-se necessário o tratamento para posteriormente colocar o DIU. É necessário examinar a paciente sem que ela esteja no período menstrual, pois, na presença do sangue, não é possível analisar as possíveis secreções, a mobilidade e dor. Caso haja câncer de colo ou câncer de endométrio, não há problema em realizar o tratamento usando o DIU. O que não pode é realizar o diagnóstico de câncer invasor de colo de útero e colocar o DIU, pois o próprio tratamento do câncer irá induzir ficar estéril, não necessitando do DIU. Se há hemorragia de origem desconhecida, o DIU de cobre faz sangrar mais. Se a paciente está sangrando por motivos desconhecidos, pode acontecer, por exemplo, câncer de endométrio, que não acrescenta benefício algum a colocação de um DIU. O tratamento do câncer de endométrio vai implicar na perda uterina. Caso haja adenomiose e esta seja razão para alto fluxo menstrual, colocar um DIU de progesterona para resolver tal problema é indicado para a melhoria dos sintomas. Mas aí as causas do sangramento já foram descartadas e o diagnóstico aponta que é tratável com o DIU de escolha. Mioma ou outra má formação com distorção da cavidade. Se houver um mioma que cresça para dentro da cavidade endometrial denominado mioma submucoso, o próprio mioma funcionará como um DIU. Se colocar outro dispositivo nessa cavidade, ocorrerá a expulsão do dispositivo, desperdiçando o DIU. Existem mulheres as quais não tiveram a fusão dos ductos, na formação embriológica, e, consequentemente, não tem uma cavidade, mas sim duas cavidades com um septo ao meio podendo ser parcial ou total; ou há a presença de um útero muito pequeno até pela má formação. Às vezes, se eu colocar um DIU nessa cavidade, a chance de expulsão é maior. E, se existir duas cavidades, teria que colocar dois DIU, pois pode não engravidar em uma cavidade, mas se a outra estiver livre, pode engravidar na outra cavidade. Então, não é um bom método para quem tem distorção ou deformidade da cavidade intrauterina. Câncer de mama, mesma coisa do hormonal. é categoria 4 se estiver com câncer de mama até os primeiros cinco anos de segmento. Não pode usar DIU de levonorgestrel, mas pode usar DIU de cobre. Depois de passados 05 anos, passa ser categoria 3. DIU – CONTRAINDICAÇÕES RELATIVAS (MEC=3) Menometrorragia; anemia grave; sensibilidade ou alergia ao cobre; puerpério maior que 48h e menor que 4 semanas; coagulopatiaou terapia anticoagulante (sangramento); TVP atual (LNG); IAM (LNG); Anticorpo antifosfolipídeo (LNG); múltiplos parceiros/ risco de DSTs (inserção 2/3); dismenorréia grave; nulípara (2); estenose cervical grave; enxaqueca; mola com β-HCG negativo; HIV grave; insuficiência hepática (LNG) São situações, na verdade, que interferem no acompanhamento da clínica da paciente. Caso a decisão seja colocar um DIU de cobre, é necessário saber que a reação de corpo estranho, na prática, representa mais dias sangrando (de 01 a 03 dias a mais) e um pouco mais de cólica. Então, se a paciente apresenta um quadro de alto fluxo menstrual, menstruando muito, pode acontecer dessa paciente fazer um quadro de anemia, pois iria menstruar mais que seu alto fluxo menstrual. Sendo assim, não se deve optar por DIU de cobre. Mas se puder descartar que o sangramento não é de causa maligna, nem de causa anatômica que possa corrigir, é recomendado o DIU de progesterona. Para as pacientes anemiadas as quais sangram muito, menstruadoras crônicas, é possível colocar um DIU de progesterona para induzir tal paciente a parar de menstruar. Não se deve colocar um DIU de cobre. Pacientes que possuem sensibilidade ou alergia ao cobre, não devem utilizar o DIU de cobre, mas podem usar o DIU de progesterona. Puérperas depois de 48 horas e com menos de 04 semanas: período de involução dos órgãos genitais depois do parto. Então, pode colocar um DIU imediatamente após o parto. Se passar de 48h após o parto, só é possível a colocação do DIU um mês depois, pois a taxa de expulsão é maior no período de involução dos órgãos genitais. Pacientes com coagulopatia ou em terapia anticoagulante normalmente menstruam mais, dependendo da situação, pode ser colocado um DIU levonorgestrel, pois o DIU de cobre fará a paciente sangrar muito, evoluindo para anemia. Paciente com trombose venosa atual pode usar o DIU de cobre, não deve inserir o DIU de levonorgestrel. Paciente com IAM segue a mesma proposição da paciente com trombose venosa, apenas deve ser usado o DIU de cobre. Síndrome do Anticorpo antifosfolipídeo, não pode DIU de cobre, mas não deve iniciar levonorgestrel até a estabilização da doença. Em pacientes com múltiplos parceiros e risco de DST, como irá ser inserido um dispositivo que irá ultrapassar a endocervice que é um local onde, normalmente, quando há infecção ??? e clamídia e clamídia, que são bactérias patogênicas, induzem doença inflamatória pélvica que deforma a luz tubária podendo produzir infertilidade irreversível que só será possível engravidar com fertilização assistida. É importante, antes de colocar o DIU, ter um exame bom da paciente senão pode induzir doença inflamatória pélvica. Caso a paciente seja profissional do sexo, pratique relações sexuais sem o uso camisinha e decida colocar um DIU, eventualmente pode acontecer doença inflamatória pélvica de retenção devido à alta suscetibilidade a DSTs. Não é um bom método para fazer caso a paciente possua alto risco de infecção pélvica. Quando a paciente tem dificuldade em lembrar de tomar a pílula anticoncepcional, pode ser feita a colocação do DIU, mas irá aumentar a cólica, o DIU de cobre aumenta a cólica. Nulípara em categoria dois é exatamente isso. Se houver três episódios de doença inflamatória pélvica, existe o risco de 50% de chance de acontecer deformidade tubária e ter obstrução tubária bilateral. Quando se coloca o DIU numa nulípara, é importante a explicação para que ela use camisinha, que tenha orientação para procurar um médico com qualquer sinal ou sintoma de endocervicite ou doença inflamatória pélvica e que seja criteriosa ao escolher seus parceiros sexuais para que a paciente não corra o risco de fazer doença inflamatória pélvica, pois o DIU não protege de doença inflamatória pélvica e, com o aumento do sangramento causado pelo DIU de cobre, a vagina fica mais tempo menos ácida e ocorre um meio de cultura maravilhoso para o crescimento bacteriano. É necessário orientar a paciente para garantir o uso do preservativo. Quando há estenose cervical, não tem como colocar o DIU no ambulatório. Sendo assim, é anestesiada a paciente para fazer sob narcose, visto que é necessário dilatar o colo para passar o DIU. Em pacientes com enxaqueca, tem-se a recomendação do DIU de cobre; o de levonorgestrel também pode ser usado. Mas caso desenvolva a enxaqueca em uso de levonorgestrel pode ser por conta do levonorgestrel. Mola apenas com B-HCG negativo sendo necessário o acompanhamento da paciente para garantir que não será reincidida da doença molar. Paciente com HIV grave pode até ser colocado o DIU, mas se fizer doença inflamatória pélvica em pacientes com HIV graves são muito graves e será necessário retirar o DIU. E paciente com insuficiência hepática não pode usar o DIU de levonorgestrel por conta do metabolismo hepático do levonorgestrel, então, caso não haja contraindicação para o cobre, insere o DIU de cobre. DIU – COMPLICAÇÕES ● Expulsão: 5% expulsam espontaneamente, sendo mais comum em nulíparas; ● Perfuração: 1/3000. Principalmente em útero retrovertido; ● Sangramento: Maior com DIU inerte; atenção para anemia;1-2 dias de menstruação; ● Dor: Cólicas menstruais ou fora deste período; Cede com AINH ● DIP: Relacionada a inserção, agrava quadro clínico, selecionar pacientes, Actinomyces; ● Gravidez: Retirar o DIU imediatamente. Prenhez ectópica. ● Fios ausentes: Identificar o DIU, cuidados na retirada. Ao colocar o DIU, mesmo sem contraindicações, pode acontecer de expulsar o DIU espontaneamente. O profissional deve checar se a cavidade uterina da paciente não possui alterações, eventualmente as más formações da cavidade uterina não produzem sintoma, podendo pedir USG. A expulsão é maior nas nulíparas. E eventualmente, tem-se cavidades uterinas menores para o tamanho padrão de DIU, fazendo necessário usar um DIU menor. Pode acontecer de, na hora de colocar o DIU, perfurar o útero. A perfuração pode ser parcial, que ocasiona do DIU preso na parede uterina, ou total em que o DIU pode ser jogado na cavidade abdominal. Nisso precisará abrir a cavidade abdominal para a retirada do DIU (laparotomia). O sangramento é muito maior quando se tem o DIU não medicado. Tem que prestar atenção no perfil menstrual da paciente, pois, segundo algumas literaturas, o DIU pode aumentar até 04 dias o período menstrual. Pode ocasionar anemia. O DIU pode dar cólica: o de cobre, pois este não interrompe a menstruação. Geralmente, essa cólica cede com AINES. Eventualmente, se tiver disminorréria importante ou endometriose, o ideal é que uso o DIU de levonorgestrel para cessar a menstruação. O DIU só produz doença inflamatória pélvica no momento da inserção. Se inserir num útero sem ter feito o diagnóstico de endocervicite, de fato, poderá ocorrer endometrite, pois carregou bactérias para dentro da cavidade uterina. Normalmente, a infecção acontece 20 dias após a inserção do dispositivo. Alguns pacientes só conseguem tratar a doença pélvica com a remoção do DIU, nesses casos são retirados os dispositivos e refeito o tratamento. Existe uma bactéria que é exclusiva de pacientes com DIU, chamada Actinomyces. Nos casos de gravidez, o DIU é retirado imediatamente, pois o DIU induz o abortamento, induz prematuridade, gerando complicações. Deve-se tirar o DIU e vigiar a gravidez. Como o DIU não interfere na ovulação, com o DIU de cobre acontece alguns números de prenhez ectópica. Quando acontece do fio do DIU estar ausente, pode ser que esteja enrolado dentro do canal. Com a escovinha de colher preventivo, tenta puxar o fio do DIU. Caso não tenha encontrado o fio, pede um USG para verificar se o DIU ainda está no útero. Só consegue tirar com histerescopia. DIU – VANTAGENS · Boa eficácia · Não interfere na vida sexual · Independe da vontade da paciente · Trata sinéquias uterinas · Induz amenorréia após 1 ano de uso (Mirena®) · Proteção contra DIP/Câncer de endométrio (Mirena®): · Pode ser usado: · Mulheres em uso tamoxifen; · Tratamento da menorragia/ melhora anemia· Tratamento da dismenorréia/adenomiose/endometriose · Mulheres em uso estrogenioterapia isolada · Tratamento hiperplasia de endométrio · Mulheres com vasculopatias. O DIU é um método muito eficiente, não interfere na vida sexual, não depende da vontade da paciente. Trata sinéquia uterina (lesão do endométrio que cola uma parede na outra), aí tem um DIU chamado Y que lembra asas de morcego – introduz fechado e ele abre na cavidade uterina, mantendo as paredes não coladas e é realizada alguma terapia para reconstrução. O Mirena, DIU de progesterona, induz a amenorreia. Como não tem menstruação, tem menor incidência de doença inflamatória pélvica. Como tem progesterona, tem incidência menor de câncer de endométrio. Pode ser usado em mulheres que usam Tamoxifeno no tratamento do câncer de mama. Melhora o alto fluxo menstrual, a consequente anemia e a cólica menstrual. E doenças relacionadas à menstruação como endometriose. Pode ser usado em pacientes com estrogenioterapia isolada quando ocorre menopausa precoce tendo que tomar hormônio para o resto da vida, aí bota implante e DIU para fazer uma terapia de reposição combinada. Trata pacientes com hiperplasia do endométrio são originadas de pacientes que não ovulam e fazem proliferação de endométrio sem que tenha a descamação pela progesterona ou o efeito da progesterona de diminuir receptor de estrogênio e de induzir a conversão de estradiol em estrona que é um estrogênio mais fraco. Nesses casos, é colocado o DIU, e a paciente usará a progesterona constantemente, aí o endométrio tende a atrofiar e ela vai estar tratada da hiperplasia de endométrio. MÉTODOS DE BARREIRA Não possui efeito sistêmico; possui poucos efeitos prejudiciais locais; podem impedir transmissão de DSTs; existem raras contraindicações; fácil aquisição; não precisa de prescrição; não requer acompanhamento e retorno imediato à fertilidade. Vantagens do método de barreira: Atualmente, poucas são as vantagens dos métodos de barreira. Os mais usados hoje são camisinha feminina e masculina, o resto não é mais tão eficiente como antigamente quando a pílula não era desenvolvida. Hoje o método de barreira, além de contraceptivo, faz prevenção de DST. Não possuem efeitos sistêmicos, nem efeitos prejudiciais locais, talvez apenas a alergia. As camisinhas são os únicos que impedem a transmissão de DST. Fácil aquisição. Raras as contraindicações. Não precisam de prescrição médica com exceção do diafragma e do capuz cervical. Não precisa de acompanhamento. Não interfere no eixo H-H-Gonadal. DIAFRAGMA É uma cúpula de borracha ou silicone para quem tem alergia ao látex, com diâmetro entre 50 e 150 mm que deve ser inserida na vagina antes das relações sexuais, com a parte côncava virada para o colo do útero. Os diâmetros mais usados são os com medida entre 65 e 80 mm. NÃO PROTEGE CONTRA O HIV. Eficácia: falha 2-23%; Típica 16% Inserção: até 6h antes do coito Retirada: 06 a 24 horas depois Instruções de uso: ● Exame ginecológico para afastar contraindicações ● Medida ideal (escolher o maior anel que não gere desconforto) ● Manipulação pela paciente: ● Inserir/retirar ● Conferir normotopografia ● Conservação ● Duração 2-3 anos Vantagens: Menos gonorreia, Tricomoníase, Clamídia, DIP. Desvantagens: Irritação (alergia ao látex e/ou espermicida); aumenta 2-3 vezes ITU; choque tóxico; uso prologado pode causar abrasão na vagina; modifica o tamanho com parto ou peso. O diafragma deve repousar no colo uterino com o objetivo de ocluir a entrada do colo uterino. É colocado espermicida na borda do diafragma. Quando o diafragma é colocado na vagina da paciente, o colo tem que encaixar no diafragma. Depois de colocado, é feito um toque em que é necessário achar o orifício do colo uterino atrás dessa cúpula de borracha. Como o colo fica mergulhado em espermicida, o espermatozoide ejaculado ao lado de fora encontra o espermicida e morre. A falha é de 02 a 23%, típica 16%. Inserir até 06h antes do ato sexual e deve ser retirado não antes de 06 horas da última ejaculação. Podendo ficar até 24h na vagina, não deve ultrapassar esse tempo, pois a vagina é uma cavidade com contaminação, tem bactéria. Para o uso acontecer, primeiro é necessário examinar a paciente para avaliação de boa estruturação perineal. Há a necessidade de medir o diafragma. Através do toque bimanual, com um dedo é localizado o fundo da vagina e com o outro dento, analisar aonde bate a borda interna da sínfise púbica. Depois disso, é medido a distância para a escolha da medida ideal. Após a verificação do tamanho, tem que ensinar a paciente a fazer o uso do diafragma para a colocação e retirada corretas. Importante orientar que, na retirada, as vezes forma vácuo e que, nesse caso, é só puxar uma vez que a borracha do material não provoca lesões nem danos. Após a retirada, lavar com água e sabão e guardar devidamente. A durabilidade do diafragma é, em média, dois a três anos. Não pode apertar a face anterior do púbis devido à uretra – pode causar infecção urinária de infecção. É vantajoso porque diminui a incidência de gonorreia, tricomoníase, clamídia e doença inflamatória pélvica (desencadeada por gonorreia e clamídia) porque o espermicida é bactericida, mas não protege contra HIV. Eventualmente, o espermicida usado pode causar microfissuras na parede vaginal que pode aumentar a contaminação pelo HIV. O esquecimento do diafragma na vagina pode ocasionar o choque tóxico através da colonização de bactérias no diafragma que é passível de evolução para sepse. O uso muito frequente pode machucar a vagina. O tamanho é modificado com o parto e com o peso. Exemplo: Uma mulher comprou um diafragma e engravidou. Após o parto, provavelmente terá que comprar outro tamanho de diafragma. Alterações de peso de mais ou menos 05 quilos, também interfere no tamanho. Não é um bom método para quem faz oscilação de peso com frequência. CAPUZ CERVICAL · Só existe em 4 tamanhos; · Inserção dura até 48 horas; · Não precisa espermicida; · Mulheres com colo plano ou muito longe não conseguem usar; · Não retirar antes 8h após coito; · Não existe no Brasil. Cúpula de borracha que gruda, por sucção, no colo uterino. Não existe no Brasil. Como age por sucção, é necessário que a paciente tenha um colo uterino protuso. Colo plano não funciona. Não precisa usar, concomitantemente, o espermicida. Porém, só existe em quatro tamanhos. A inserção dura até 48h. [Então, se tiver maratona sexual, é melhor ir de capuz do que de diafragma!] ESPONJA CONTRACEPTIVA Disco de poliuretano com liberação lenta de espermicida “Today” - Nonoxinol 9 “Protectaid” - Nonoxinol 9 + Cloreto de benzalcônio + Colato de sódio · Absorve sêmen e bloqueia canal; · Não retirar antes de 6 horas pós coito · Dura 24h independente da frequência de coito · Infecção por gonorreia, clamídia e Tricomoníase · Efeitos colaterais: Alergia, secura, prurido. – Induzidos por espermicidas É um método descartável. Caso você viaje para o exterior e conheça cinco homens maravilhosos e você queira dar para todos porque são irresistíveis, mas sem engravidar. Beleza! Vai na farmácia e compra uma esponja. Toda vez que alguma mulher vai ter uma relação sexual e usar o diafragma, é necessário refazer a dose de espermicida. Já a esponja não. Ao molhar a esponja com o espermicida, dura 24h [então você pode gastar seu estrangeiro por 24h!] Após molhar a esponja com Nonoxinol 9 – espermicida – introduz a esponja na vagina [transa tantas vezes que quiser] Tem duas formas/tamanhos: essa que tem uma concavidade onde fica o colo do útero e uma lisa. A esponja absorve o sêmen e bloqueia o canal. Não deve ser retirada antes de 06 horas após a última ejaculação. Diminui infecção bacteriana, mas não protege contra o HIV. ESPERMICIDAS São compostos tensoativos que agem lesando a membrana celular do espermatozoide – ou matando o espermatozoide, ou paralisando, ou impedindo a capacidade fecundativa do espermatozoide. ● Tipos: nonoxinol-9; octocinol-9; menfegol ● Veículos de base: geléias,cremes, espumas, óvulos, tabletes e películas solúveis ● Dose: 60-100 mg por aplicação ● Aplicar de 10 a 30 minutos antes do intercurso ● Geleias, cremes e espumas duram 8 horas ● Comprimidos duram menos de 1 hora ● IG: 28 gestações/100mulheres/ano ● INDICAÇÕES: Associação a outros métodos de barreira ● EFEITOS COLATERAIS: Alergia, normalmente relaciona-se ao veículo de base ● Vantagens: Baratos, fácil aquisição e fácil utilização NÃO PROTEGE CONTRA HIV Possui falha. Não é usado individualmente. PRESERVATIVO O PRESERVATIVO TE PRESERVA! · PRESERVATIVO MASCULINO: Metas: uso correto; uso consistente (uso em todas as relações); preço acessível e disponibilidade SUS: Programa de contracepção e Programa de Prevenção de DST Orientação ao paciente: Usar em toda e qualquer relação. Não usar cremes a base de vaselina. Usar lubrificantes a base de água. VANTAGENS: Não tem efeitos secundários e pode ser usado sem receita médica; proteção contra DST; Fácil acesso e baixo custo. Eficácia de 98% quando bem colocado. DESVANTAGENS Pode ser desconfortável; pode romper (faz contracepção de urgência ou faz prevenção de gonorreia, clamídia, tricomoníase com antirretroviral); é descartável; requer cuidados e tem prazo de validade – não pode ficar no sol/calor. · PRESERVATIVO FEMININO Confeccionado de poliuretano é mais resistente que o látex oferecendo menor risco de ruptura É confortável; pode ser introduzida antes da relação, não precisa ser retirada imediatamente após a ejaculação; pode ser usado com lubrificante a base de óleo, não causa reação alérgica Índice de Pearl:1,6 a 21% É introduzida como o anel vaginal, cobrindo toda o canal vaginal. É confortável, mas não é bonito. Pode colocar antes do ato sexual, já pode chegar utilizando a camisinha feminina, uma vez que não depende de pênis ereto. Não precisa ser retirada imediatamente após a ejaculação. Lubrificante a base de óleo não estraga o poliuretano. MÉTODOS COMPORTAMENTAIS Coito em período não fértil: Abstinência periódica (calendário, muco cervical, temperatura basal, sintotérmico) e método de amenorréria lactacional Ejaculação extra vaginal: coito interrompido, variantes sexuais – qualquer ejaculação do joelho para baixo e do umbigo para cima, não terá risco de engravidar. Tem que ter a certeza que não há espermatozoides na região genital. MÉTODO OGINO- KNAUS (TABELINHA, CALENDÁRIO, RITMO) Antes de iniciar o método deve-se registrar a duração do ciclo por pelo /menos 8 meses Calcular a diferença entre o ciclo mais curto e o ciclo mais longo - Se for maior que 10 não realizar o método, pois o tempo de abstinência é quase o tempo do ciclo. O cálculo do período fértil: Ciclo mais curto – 18; Ciclo mais longo-11 Ex: ciclo mais curto 26d e Ciclo mais longo 30d (26-18=8) e (30-11=19) Abstinência do 8° ao 19° dia do ciclo atual – não deve ter relação sexual VANTAGENS: Não apresenta efeitos colaterais físicos; grátis; aumenta o conhecimento da mulher sobre o seu sistema reprodutivo; retorno imediato da fertilidade. DESVANTAGENS: Alta incidência de falha (principalmente por fazer conta errada); difícil para algumas mulheres detectar o período fértil; não protege contra DST/AIDS. Antes de usar tal método, avaliar a paciente entre 06 a 08 meses para perceber como é o ciclo menstrual. Exemplo: Ciclo entre 20 e 45 dias. 20-18=02. 45-11=34. Do 2º ao 34º em abstinência. Não é resolutivo. Se a diferença entre o ciclo mais curto e o ciclo mais longo for maior que 10, não vale a pena utilizar esse método. MUCO CERVICAL Não protege contra DST/AIDS O muco produzido pelas células glandulares do colo sob influência do estrogênio e progesterona modifica suas características ao longo do ciclo menstrual. Parte do pressuposto que, quando a mulher está perto do dia fértil, o muco cervical fica filante, transparente, volumoso e forma fio. Essa filância é característica do muco pré-ovulatório. Se há progesterona depois da ovulação, o muco perde a filância, fica branco e passa a ser hostil a ascensão espermática. A percepção de muco ou sensação de lubrificação vaginal impõe abstinência sexual, até o quarto dia após a percepção do muco. Quanto mais longo está esse fio, mais próxima está a ovulação. Encontrou o muco? Para de ter relação. Esperar aproximadamente 04 dias após a percepção do muco sem ter relação. Principais causas de falha: fluxo tardio do muco; Ápice do muco precoce; infecção vaginal; ausência da percepção do muco. Não protege contra DST. TEMPERATURA BASAL Após ovulação ocorre aumento dos níveis séricos de progesterona que eleva a temperatura basal entre 0,3 e 0,8 graus. Deve-se registrar a temperatura diária pela manhã com pelo menos 5 horas de sono antes de qualquer atividade por 5 minutos. A abstinência deve ocorrer do primeiro dia do ciclo até o quarto dia que houve aumento da temperatura. Não protege contra DST/AIDS SINTOTÉRMICO Combinação dos métodos anteriores para garantir eficácia com mais dias sem abstinência. AMENORRÉIA LACTACIONAL Uso correto e consistente significa: · A dieta do bebê consiste de pelo menos 85% de leite materno, a mãe amamenta o bebê frequentemente durante o dia e durante a noite · A menstruação não retornou · O bebê tem menos de 6 meses de vida Se uma dessas condições não estiver presente a mulher deve usar outro método eficaz que não interfira na amamentação. Começar a usar outro método quando: menstruação retornar; parar de amamentar em tempo integral ou quase integral; o bebê completar mais de 6 meses; a mulher quer usar outro método anticoncepcional. É a promessa de que, quando a mulher está em aleitamento exclusivo, não engravidará. Se mesmo amamentando, ocorrer a menstruação, pode ocorrer prenhez. COITO EXTRAGENITAL Não deve ser recomendada, porém pode ser útil em emergências quando não estão disponíveis outros recursos. Requer auto controle por parte do homem. Importante: antes do ato sexual o homem deve urinar e retirar restos de esperma de uma eventual relação anterior; Não causa risco à saúde; antes da ejaculação o pênis deve ser retirado e colocado longe das genitálias femininas; Pode ocorrer insatisfação sexual por um ou ambos os parceiros Não oferece proteção contra DST/AIDS CONTRACEPÇÃO DEFINITIVA · Feminina: Laqueadura tubária; Laparotômica; Laparoscópica; Vaginal; Transcervical; Adiana ®; Essure ®. · Laparotômica: · Técnicas: Pomeroy; Irving; Uchida; Fimbriectomia · Pós-parto: Cesareana; Transumbelical (parto normal) · Laparoscópica: Clipe Hulka Clemens; Clipe de Filshie; Anel de Yoon. · Masculina: vasectomia – procedimento ambulatorial em que o saco escrotal é aberto e é pinçado o canal deferente. Técnica de The Pomeroy: faz uma alça na parte mais longa da tuba, amarra e corta. É uma das melhores técnicas para recanalizar porque depois se não tiver tirado um pedaço muito grande uma luz vai ser muito semelhante a outra luz. Se tirar um pedaço muito grande depois não consegue fazer com que uma luz fique semelhante a outra não consegue fazer recanalização. Técina de Irving: corta a trompa e a outra é amarrada virada ao contrário na superfície uterina. Técnica de Uchida: abre o peritônio pega a parede tubária, corto e faz uma ligadura de cada lado. É a melhor para recanalizar, mas a mais complicada de fazer Laparoscópica: Clipe Hulka Clemens; Clipe de Filshie; Anel de Yoon. Anel de Yoon: tipo uma borrachinha só que é igual um garrote, faz fazer isquêmia e ocluir a luz tubária. Essas técnicas são muito mais fáceis para recanalizar. São dispositivos feitos por estereoscopia e insere esses dispositivos na entrada da tuba, aí eles fazem uma reação inflamatória e ocluem a entrada da tuba. São dispositivos feitos através da estereoscopia, inseridos esses dispositivos na entrada da tuba, fazem uma reação inflamatória e ocluem a entrada da tuba. Custa caro. LEI 9263 QUE DISPÕE SOBRE O PLANEJAMENTO FAMILIAR NO BRASIL (12 DE JANEIRO DE 1996) Tem aparecido em provas de residência. Promulgada pelo Fernando Henrique Cardoso, 1996. Todas as unidadesde saúde têm que ter atividades educativas sobre sexualidade e sobre a função dos órgãos genitais. A orientação e a educação têm que ser oferecidas. E regulamenta, também, o desejo de esterilização. Artigo 10: Somente é permitida a esterilização voluntária nas seguintes situações: I. Em homens e mulheres com capacidade civil plena e maiores de vinte e cinco anos de idade ou, pelo menos, com dois filhos vivos, desde que observado o prazo mínimo de sessenta dias entre a manifestação da vontade e o ato cirúrgico, período no qual será propiciado à pessoa interessada acesso a serviço de regulação da fecundidade, incluindo aconselhamento por equipe multidisciplinar, visando desencorajar a esterilização precoce; II. Risco à vida ou à saúde da mulher ou do futuro concepto, testemunhado em relatório escrito e assinado por dois médicos § 1º - É condição para que se realize a esterilização o registro de expressa manifestação da vontade em documento escrito e firmado, após a informação a respeito dos riscos da cirurgia, possíveis efeitos colaterais, dificuldades de sua reversão e opções de contracepção reversíveis existentes. § 2º - É vedada a esterilização cirúrgica em mulher durante os períodos de parto ou aborto, exceto nos casos de comprovada necessidade, por cesarianas sucessivas anteriores. § 3º - Não será considerada a manifestação da vontade, na forma do § 1º, expressa durante ocorrência de alterações na capacidade de discernimento por influência de álcool, drogas, estados emocionais alterados ou incapacidade mental temporária ou permanente. § 4º - A esterilização cirúrgica como método contraceptivo somente será executada através da laqueadura tubária, vasectomia ou de outro método cientificamente aceito, sendo vedada através de histerectomia e ooforectomia. § 5º - Na vigência de sociedade conjugal, a esterilização depende do consentimento expresso de ambos os cônjuges. § 6º - A esterilização cirúrgica em pessoas absolutamente incapazes somente poderá ocorrer mediante autorização judicial, regulamentada na forma da lei. Artigo 11: Toda esterilização cirúrgica será objeto de notificação compulsória à direção do Sistema Único de Saúde. (Artigo vetado pelo Presidente da República e mantido pelo Congresso Nacional, em 20/8/1997) Artigo 12: É vedada a indução ou instigamento individual ou coletivo à prática da esterilização cirúrgica. Artigo 13: É vedada a exigência de atestado de esterilização ou de teste de gravidez para quaisquer fins. CAPÍTULO II - DOS CRIMES E DAS PENALIDADES Artigo 15: Realizar esterilização cirúrgica em desacordo com o estabelecido no art. 10 desta Lei. Pena: reclusão, de dois a oito anos, e multa, se a prática não constitui crime mais grave. Parágrafo único. A pena é aumentada de um terço se a esterilização for praticada: I - Durante os períodos de parto ou aborto, salvo o disposto no inciso II do art. 10 desta Lei. II - Com manifestação da vontade do esterilizado expressa durante a ocorrência de alterações na capacidade de discernimento por influência de álcool, drogas, estados emocionais alterados ou incapacidade mental temporária ou permanente; III - através de histerectomia e ooforectomia; IV - Em pessoa absolutamente incapaz, sem autorização judicial; V - Através de cesárea indicada para fim exclusivo de esterilização. PARTICULARIDADES - NECESSIDADES ESPECIAIS: ♀ com limitação nas mãos/MMSS não usam métodos de barreira nem anel vaginal. ♀ com imobilização prolongada não devem usar combinados, pelo risco de trombose do estrogênio. ♀ com deficiências mentais ou intelectuais ou analfabetas não devem usar pílulas diárias. ♀ com obesidade mórbida não usam métodos de barreira nem anel vaginal (não alcançam). ♀ analfabetas ou com discalculia não devem fazer tabela ou temperatura basal. Não fazer esterilização involuntária, pois fere direito de autonomia da lei. 1