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PORTUGUÊS SUPREMO FERNANDO MOURA Curso Completo de Gramática, Interpretação de Textos e Redação Ao Deus Pai, Meu Tudo. À minha mãe, Therezinha de Jesus Moura, minha Maior Estrela. Ao meu pai, Osvaldino Moreira, minha força. Aos meus irmãos, Cláudio, Antônio, Ahirtes, Regina, Rosana, Wilson, Valdemir, meus melho- res amigos. Aos meus sobrinhos, minha inspiração. Aos meus filhos, Fernando Moura Júnior e Thaíza Fernanda Moura, minhas alegrias. Aos meus alunos, minha fonte de realização profissional. Metodologia de Estudo Para que seu estudo seja proveitoso, siga corretamente estas orientações: TEXTOS Leia-os atentamente. Explore as conexões lógicas que existem entre as ideias e faça todas as reflexões linguís- ticas possíveis. QUESTÕES PROPOSTAS Tente resolvê-las. Alguns itens serão difíceis, outros fáceis. Isso porque você avaliará sua gramática internalizada. Mas não se preocupe: comentários e dicas virão em se- guida. Ao final de cada item, há a indicação da página em que se encontra a resolução comentada. RESOLUÇÕES COMENTADAS Nesta parte, você encontrará a solução dos itens propos- tos em cada questão. Eles estão indicados em negrito. Além disso, dicas importantes acerca do assunto em es- tudo serão apresentadas. Leia-as cuidadosamente. Com- pare-as. Reflita. Destaque as informações mais significa- tivas. EXERCÍCIOS Você dispõe, ainda, para fixação dos conteúdos, de uma rica bateria de questões selecionadas e atualizadas. Somen- te depois de resolvê-las, recorra às resoluções comentadas. Desejo-lhe sucesso pleno! Professor Fernando Moura Sumário CAPÍTULO 1 ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA ................17 Alfabeto ...............................................................................................17 Trema ..................................................................................................17 Regras de acentuação .......................................................................18 Ditongos éi e ói .................................................................................18 I e u tônicos ........................................................................................19 Hiatos oo(s) e eem ............................................................................19 Acento diferencial .............................................................................20 Acento facultativo .............................................................................21 Hífen ....................................................................................................22 Lista de vocábulos (VOLP) ...............................................................26 Exercícios de aplicação ........................................................................38 CAPÍTULO 2 MORFOSSINTAXE: CLASSES GRAMATICAIS E FUNÇÕES SINTÁTICAS ............................................................................................41 Processos de formação de palavras ..............................................53 Arcaísmos ..........................................................................................53 Neologismos .......................................................................................53 Palavras primitivas ...........................................................................53 Palavras derivadas ou cognatas .....................................................53 Palavras simples ................................................................................53 Palavras compostas ..........................................................................53 Composição ........................................................................................53 Justaposição .......................................................................................53 Aglutinação ........................................................................................53 Derivação ............................................................................................54 Derivação prefixal .............................................................................54 Derivação sufixal ...............................................................................54 Derivação parassintética ou parassíntese ....................................54 Derivação regressiva ou deverbal ..................................................54 Derivação imprópria ou conversão ...............................................55 Hibridismo ..........................................................................................55 Onomatopeia ......................................................................................55 Abreviação vocabular ......................................................................55 Siglonimização ...................................................................................55 Classes gramaticais variáveis .........................................................57 Classes gramaticais invariáveis ......................................................57 Nomenclatura Gramatical Brasileira .............................................57 Articulações morfossintáticas ........................................................57 Substantivo .........................................................................................58 Morfossintaxe do substantivo ........................................................58 Paralelismo sintático ........................................................................59 Classificação dos substantivos ......................................................59 Gêneros do substantivo ...................................................................61 Número do substantivo ...................................................................61 Graus do substantivo .......................................................................62 Artigo ...................................................................................................62 Morfossintaxe do artigo ..................................................................62 Substantivação ...................................................................................62 Observações importantes sobre o artigo .....................................63 Adjetivo ...............................................................................................63 Morfossintaxe do adjetivo...............................................................64 Locução adjetiva ................................................................................64 Substantivação do adjetivo .............................................................64 Flexões do adjetivo ...........................................................................64 Graus do adjetivo ..............................................................................65 Adjetivos pátrios e gentílicos .........................................................66 Numeral...............................................................................................67 Morfossintaxe do numeral ..............................................................67 Numeral substantivo ........................................................................67 Numeral adjetivo ...............................................................................67 Observações importantes sobre o numeral .................................68 Pronome ..............................................................................................68 Morfossintaxe do pronome .............................................................68 Pronome substantivo .......................................................................68 Pronome adjetivo ..............................................................................68Pronome relativo ...............................................................................68 Partícula expletiva ou de realce .....................................................69 Pronomes o, a, os, as ........................................................................69 Pronome lhe .......................................................................................69 Verbo ..................................................................................................70 Morfossintaxe do verbo ...................................................................70 Advérbio..............................................................................................70 Morfossintaxe do advérbio .............................................................71 Locução adverbial .............................................................................71 Observações importantes sobre o advérbio ................................71 Palavras denotativas ........................................................................72 Preposição ..........................................................................................72 Morfossintaxe da preposição .........................................................73 Locução prepositiva ..........................................................................73 Observações importantes sobre a preposição ............................73 Preposições essenciais .....................................................................74 Preposições acidentais .....................................................................74 Conjunção ...........................................................................................74 Morfossintaxe da conjunção ...........................................................74 Conjunções coordenativas ..............................................................74 Conjunções subordinativas ............................................................75 Interjeição ...........................................................................................76 Exercícios de aplicação ........................................................................78 Resoluções comentadas ................................................................... 113 CAPÍTULO 3 SINTAXE DA ORAÇÃO ...................................................................... 127 Pronome substantivo ................................................................... 132 Pronome adjetivo ........................................................................... 132 Pronomes pessoais do caso reto e do caso oblíquo ............... 133 Emprego dos pronomes pessoais ............................................... 133 Pronomes possessivos .................................................................. 136 Pronomes demonstrativos ........................................................... 136 Pronomes e discurso ..................................................................... 137 Estrutura diafórica ......................................................................... 137 Elemento coesivo anafórico ......................................................... 137 Elemento coesivo catafórico ........................................................ 137 Elemento coesivo endofórico ...................................................... 137 Elemento coesivo exofórico ......................................................... 138 Elemento dêitico ............................................................................. 138 Elemento vicário ............................................................................. 138 Pronomes indefinidos ................................................................... 139 Pronomes interrogativos .............................................................. 139 Pronomes relativos ........................................................................ 140 Pronomes eu e tu, mim e ti ......................................................... 141 Pronomes mo, to, lho, no-lo, vo-lo ............................................. 141 Frase, oração e período ................................................................. 142 Sujeito simples ............................................................................... 143 Sujeito composto ........................................................................... 143 Sujeito elíptico ou desinencial .................................................... 143 Sujeito indeterminado ou genérico ............................................ 144 Oração sem sujeito ........................................................................ 145 Verbos impessoais e unipessoais ............................................... 146 Sujeito oracional ............................................................................ 146 Adjunto adnominal........................................................................ 146 Verbo intransitivo .......................................................................... 147 Verbo transitivo direto ................................................................. 147 Verbo transitivo indireto .............................................................. 147 Verbo transitivo direto e indireto ............................................... 147 Verbo de ligação ............................................................................. 147 Verbo transobjetivo ....................................................................... 148 Objeto direto ................................................................................... 148 Objeto indireto ............................................................................... 150 Sujeito acusativo ou de infinitivo ............................................... 150 Objeto pleonástico ......................................................................... 152 Objeto indireto dativo de posse ................................................ 152 Objeto direto interno e cognato ................................................. 152 Agente da passiva .......................................................................... 152 Adjunto adverbial .......................................................................... 153 Predicativo ....................................................................................... 154 Complemento nominal ................................................................. 154 Diferença entre adjunto adnominal e complemento nominal .. 155 Aposto .............................................................................................. 158 Vocativo ........................................................................................... 159 Exercícios de aplicação ..................................................................... 161 Resoluções comentadas ................................................................... 210 CAPÍTULO 4 VERBO (VOZES VERBAIS, PREDICADOS E FLEXÕES) ................ 241 Verbo regular .................................................................................. 246 Verbo irregular ............................................................................... 246 Verbo defectivo .............................................................................. 247 Verbo abundante ............................................................................ 247 Verbos causativos e sensitivos .................................................... 249 Tempos primitivos e derivados .................................................. 249 Tempos derivados do presente ................................................... 250 Formação do imperativo............................................................... 250 Tempos derivados do pretérito perfeito ................................... 250 Tempos derivados do infinitivo ..................................................251 Tempos derivados do pretérito perfeito do indicativo .......... 251 Vozes verbais .................................................................................. 252 Voz ativa ......................................................................................... 252 Voz passiva analítica ..................................................................... 252 Voz passiva sintética ..................................................................... 252 Morfossintaxe do verbo ................................................................ 253 Predicado verbal ............................................................................. 255 Predicado nominal ......................................................................... 255 Predicado verbo-nominal ............................................................. 255 Lista de verbos ................................................................................ 257 Tempos compostos ....................................................................... 266 Correlação verbal ........................................................................... 268 Exercícios de aplicação ..................................................................... 269 Resoluções comentadas ................................................................... 292 CAPÍTULO 5 SEMÂNTICA DOS CONECTIVOS E FUNÇÕES DAS PALAVRAS QUE, SE, COMO, ONDE, QUANDO .................................................. 303 Conectores ou conectivos ............................................................ 306 Pronome relativo que .................................................................... 309 Pronome relativo cujo ................................................................... 309 Pronome relativo onde ................................................................. 309 Funções da palavra se ................................................................... 310 Índice de indeterminação do sujeito ......................................... 310 Partícula apassivadora .................................................................. 310 Pronome reflexivo .......................................................................... 310 Pronome reflexivo recíproco ....................................................... 311 Parte integrante do verbo ............................................................. 311 Partícula expletiva ou de realce .................................................. 311 Conjunção ........................................................................................ 312 Sujeito acusativo ou de infinitivo ............................................... 312 Objeto direto reflexivo .................................................................. 312 Objeto indireto reflexivo .............................................................. 312 Funções da palavra que ................................................................ 313 Advérbio........................................................................................... 313 Substantivo ...................................................................................... 313 Preposição ....................................................................................... 313 Interjeição ........................................................................................ 313 Partícula expletiva ou de realce .................................................. 314 Pronome relativo ............................................................................ 314 Pronome indefinido adjetivo ....................................................... 314 Pronome indefinido substantivo interrogativo ....................... 314 Pronome indefinido adjetivo interrogativo .............................. 315 Conjunção coordenativa ............................................................... 315 Conjunção subordinativa ............................................................. 315 Funções da palavra como ............................................................. 317 Conjunção subordinativa causal ................................................. 317 Conjunção subordinativa comparativa ..................................... 317 Conjunção subordinativa conformativa .................................... 317 Pronome relativo ............................................................................ 317 Substantivo ...................................................................................... 317 Advérbio interrogativo .................................................................. 317 Funções da palavra onde.............................................................. 318 Advérbio interrogativo .................................................................. 318 Pronome relativo ............................................................................ 318 Conjunção subordinativa ............................................................. 319 Funções da palavra quando ......................................................... 319 Advérbio interrogativo .................................................................. 319 Pronome relativo ............................................................................ 319 Conjunção subordinativa ............................................................. 319 Exercícios de aplicação ..................................................................... 319 Resoluções comentadas ................................................................... 338 CAPÍTULO 6 SINTAXE DO PERÍODO E PONTUAÇÃO ....................................... 343 Período simples .............................................................................. 348 Período composto .......................................................................... 348 Oração absoluta .............................................................................. 348 Oração principal ............................................................................. 348 Oração coordenada ........................................................................ 348 Oração subordinada ...................................................................... 349 Coordenação e subordinação (período misto) ......................... 349 Coordenadas sindéticas aditivas ................................................ 350 Coordenadas sindéticas adversativas ........................................ 350 Coordenadas sindéticas explicativas ......................................... 350 Coordenadas sindéticas conclusivas ......................................... 351 Coordenadas sindéticas alternativas ......................................... 351 Subordinadas desenvolvidas e reduzidas ................................. 352 Subordinadas substantivas .......................................................... 352 Particularidades das subordinadas substantivas .................... 354 Subordinadas adjetivas ................................................................. 355 Particularidades das subordinadas adjetivas .......................... 356 Funções sintáticas do pronome relativo ................................... 357 Subordinadas adverbiais .............................................................. 358 Particularidades das subordinadas adverbiais ........................ 360 Orações reduzidas de infinitivo, gerúndio e particípio ......... 362 Carga semântica dos conectivos (quadro) ................................ 363 Oração subordinada adjetiva explicativa e restritiva: pontuação ........................................................................................ 366 Emprego da vírgula ........................................................................ 370 Pontuação no contexto sintático-estilístico .............................. 369 Travessão .........................................................................................370 Vírgula opcional ............................................................................. 372 Ponto e vírgula ................................................................................ 375 Exercícios de aplicação ..................................................................... 376 Resoluções comentadas ................................................................... 435 CAPÍTULO 7 COLOCAÇÃO PRONOMINAL ........................................................... 457 Próclise ............................................................................................ 459 Mesóclise .......................................................................................... 461 Ênclise............................................................................................... 461 Pronome oblíquo nas locuções verbais ..................................... 462 Exercícios de aplicação ..................................................................... 517 Resoluções comentadas ................................................................... 486 CAPÍTULO 8 REGÊNCIA E CRASE ........................................................................... 491 Regência ........................................................................................... 495 Regência de verbos importantes ................................................. 496 Regras básicas para o uso do acento grave .............................. 510 Não uso do acento grave .............................................................. 513 Uso facultativo do acento grave ................................................. 516 Exercícios de aplicação ..................................................................... 517 Resoluções comentadas ................................................................... 555 CAPÍTULO 9 CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL ....................................... 571 Regra geral de concordância ....................................................... 576 Casos especiais de concordância ................................................ 577 Sujeito composto ........................................................................... 577 Predominância entre pessoas gramaticais ............................... 577 Verbos dar, bater, soar / indicação de horas .......................... 577 Pronome interrogativo ou indefinido ........................................ 577 Sujeitos ligados por ou ................................................................. 578 Nomes próprios plurais ................................................................ 578 Mais de um ..................................................................................... 578 Quantidade aproximada ............................................................... 579 Infinitivo precedido de preposição ............................................ 579 Que e quem ..................................................................................... 579 Concordância facultativa .............................................................. 580 Concordância ideológica ou silepse ........................................... 580 Parecer + infinitivo ........................................................................ 580 Pronome apassivador e indeterminador ................................... 581 Sujeito oracional ............................................................................ 581 Verbo fazer .................................................................................... 582 Verbo haver .................................................................................... 582 Verbo existir ................................................................................... 582 Haja vista ........................................................................................ 582 Adjetivo como predicativo ........................................................... 583 Adjetivo como adjunto adnominal ............................................ 584 Verbo ser ......................................................................................... 585 Linguagem protocolar ................................................................... 586 Bastante ............................................................................................ 586 Menos, alerta, pseudo ................................................................... 587 Meio................................................................................................... 587 Anexo, incluso, apenso, extra, quite .......................................... 587 Mesmo, próprio, só ........................................................................ 587 Obrigado, servido ........................................................................... 588 É bom, é proibido ........................................................................... 588 O melhor possível .......................................................................... 588 Tal qual ............................................................................................ 589 Caro/barato ..................................................................................... 589 Todo/toda ........................................................................................ 589 Exercícios de aplicação ..................................................................... 589 Resoluções comentadas ................................................................... 640 BIBLIOGRAFIA ..................................................................................... 651 17 Capítulo 1 ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA 1. ALFABETO Nosso alfabeto agora tem 26 letras. Reintroduziram-se as letras k, w e y: A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z. Usam-se as letras k, w e y em várias situações: a) na es- crita de símbolos de unidades de medida: km (quilômetro), kg (quilograma), W (watt); b) na escrita de palavras e nomes estrangeiros (e seus derivados): playboy, show, playground, windsurf, kung fu, yin, yang, William, kaiser, Kafka, kafkiano. 2. TREMA Nos grupos gue, gui, que, qui, o trema desaparece. Registro antigo Novo registro argüir arguir bilíngüe bilíngue cinqüenta cinquenta delinqüente delinquente eloqüente eloquente ensangüentado ensanguentado eqüestre equestre freqüente frequente lingüeta lingueta lingüiça linguiça qüinqüênio quinquênio 18 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) sagüi sagui seqüência sequência seqüestro sequestro IMPORTANTE O trema permanece apenas em palavras estrangeiras e em suas derivadas. Exemplos: Bündchen, Schönberg, Müller, mülleriano. 3. REGRAS DE ACENTUAÇÃO 3.1. Desaparece o acento dos ditongos abertos éi e ói dos vocábulos paroxítonos. Registro antigo Novo registro alcatéia alcateia andróide androide apóia (verbo apoiar) apoia apóio (verbo apoiar) apoio asteróide asteroide bóia boia celulóide celuloide clarabóia claraboia colméia colmeia Coréia Coreia debilóide debiloide epopéia epopeia estóico estoico estréia estreia geléia geleia heróico heroico 19 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I idéia ideia jibóia jiboia jóia joia odisséia odisseia paranóia paranoia paranóico paranoico platéia plateia IMPORTANTE Permanece o acento agudo nos monossílabos tônicos e oxítonos terminados em éis, éu, éus, ói, óis. Exemplos: dói, céu, papéis, herói, heróis, troféu, troféus, chapéu, chapéus. 3.2. Nos vocábulos paroxítonos, não se acentuam o i e o u tônicos quando vierem depois de ditongo decrescente. Registro antigo Novo registro baiúca baiuca bocaiúva bocaiuva cauíla cauila feiúra feiura IMPORTANTE Se o vocábulo for oxítono e o i ou o u estiverem em posi- ção final (ouseguidos de s) ou se o vocábulo for propa- roxítono, o acento permanece. Exemplos: tuiuiú, tuiuiús, Piauí, maiúscula. 3.3. Não se acentuam os vocábulos terminados em êem e ôo(s). 20 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) Registro antigo Novo registro crêem (verbo crer) creem dêem (verbo dar) deem dôo (verbo doar) doo enjôo enjoo lêem (verbo ler) leem magôo (verbo magoar) magoo perdôo (verbo perdoar) perdoo povôo (verbo povoar) povoo vêem (verbo ver) veem vôos voos zôo zoo 3.4. Não se diferenciam mais os pares pára/para, péla(s)/ pela(s), pêlo(s)/pelo(s), pólo(s)/polo(s) e pêra/pera. Registro antigo Novo registro Ela pára o cavalo. Ela para o cavalo. Ele foi ao pólo Sul. Ele foi ao polo Sul. Esse animal tem pêlos bo- nitos. Esse animal tem pelos bo- nitos. Devoramos uma pêra. Devoramos uma pera. IMPORTANTE a) Permanece o acento diferencial em pôde/pode. Pôde é a forma do passado do verbo poder (pretérito per- feito do indicativo), na 3ª pessoa do singular. Pode é a forma do presente do indicativo, na 3ª pessoa do singular. Exemplo: No passado, ele pôde roubar o povo, mas hoje ele não pode. 21 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I b) Permanece o acento diferencial em pôr/por. Pôr é verbo. Por é preposição. Exemplo: Desejo pôr o documento sobre a mesa que foi construída por mim. c) Permanecem os acentos que diferenciam o singular do plural dos verbos ter e vir, assim como de seus de- rivados (manter, deter, reter, conter, convir, intervir, advir, etc.). Observe: Ele tem escrúpulos. / Eles têm escrúpulos. Ele vem de uma região humilde. / Eles vêm de uma região humilde. Ele mantém a promessa. / Eles mantêm a promessa. Ele convém aos juízes. / Eles convêm aos juízes. Ele detém o marginal. / Eles detêm o marginal. Ele intervém no Iraque. / Eles intervêm no Iraque. d) É facultativo o uso do acento circunflexo para dife- renciar as palavras dêmos (do verbo no subjuntivo que nós dêmos) de demos (do passado nós demos); fôrma (substantivo) de forma (verbo). 3.5. Não se acentua o u tônico das formas (tu) arguis, (ele) argui, (eles) arguem, do presente do indicativo dos ver- bos arguir e redarguir. 3.6. Há uma variação na pronúncia dos verbos termina- dos em guar, quar e quir, como aguar, averiguar, apaziguar, desaguar, enxaguar, obliquar, delinquir, etc. Esses verbos ad- mitem duas pronúncias em algumas formas do presente do indicativo, do presente do subjuntivo e também do impera- tivo. Observe: a) se forem pronunciadas com a ou i tônicos, essas for- mas devem ser acentuadas. Exemplos: • verbo enxaguar: enxáguo, enxáguas, enxágua, enxá- guam; enxágue, enxágues, enxáguem. • verbo delinquir: delínquo, delínques, delínque, delín- quem; delínqua, delínquas, delínquam. 22 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) b) se forem pronunciadas com u tônico, essas formas deixam de ser acentuadas. Exemplos (a vogal sublinhada é tônica, isto é, deve ser pronunciada mais fortemente que as outras): • verbo enxaguar: enxaguo, enxaguas, enxagua, enxa- guam; enxague, enxagues, enxaguem. • verbo delinquir: delinquo, delinques, delinque, delin- quem; delinqua, delinquas, delinquam. IMPORTANTE No Brasil, a pronúncia mais corrente é a primeira, aquela com a e i tônicos. 4. HÍFEN 4.1. Com prefixos, usa-se sempre o hífen diante de pa- lavra iniciada por h. Exemplos: anti-humanitário; anti-higi- ênico; anti-histórico; co-herdeiro; macro-história; mini-ho- tel; proto-história; sobre-humano; super-homem; ultra-hu- mano. IMPORTANTE Co-herdeiro ou coerdeiro Carbo-hidrato ou carboidrato Subumano ou sub-humano (segundo o VOLP/2009). 4.2. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vo- gal diferente da vogal com que se inicia o segundo elemento. Exemplos: antiético; aeroespacial; agroindustrial; anteontem; antiaéreo; antieducativo; autoaprendizagem; autoescola; au- toestrada; autoinstrução; coautor; coedição; extraescolar; in- fraestrutura; plurianual; semiaberto; semianalfabeto; semies- férico; semiopaco. 23 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I IMPORTANTE O prefixo co aglutina-se em geral com o segundo ele- mento, mesmo quando este se inicia por o: coobrigar, coobrigação, coordenar, cooperar, cooperação, cooptar, coocupante. 4.3. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por consoante diferente de r ou s. Exemplos: autodefesa; anteprojeto; antipedagógico; autopeça; autoproteção; coprodução; geopolítica; microcom- putador; pseudomestre; semicírculo; semideus; seminovo; ultramoderno. IMPORTANTE Com o prefixo vice, usa-se sempre o hífen. Exemplos: vice-diretor, vice-almirante. 4.4. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por r ou s. Nesse caso, duplicam-se essas letras. Exemplos: sociorreligioso; antir- rábico; antirracismo; antirreligioso; antirrugas; antissocial; biorritmo; contrarregra; contrassenso; cosseno; infrassom; microssistema; minissaia; multissecular; neorrealismo; neos- simbolista; semirreta; ultrarresistente; ultrassom. 4.5. Quando o prefixo termina por vogal, usa-se o hífen se o segundo elemento começar pela mesma vogal. Exem- plos: anti-inflacionário; anti-ibérico; anti-imperialista; anti-in- flamatório; auto-observação; contra-almirante; contra-atacar; contra-ataque; micro-ondas; micro-ônibus; semi-internato; semi-interno. 24 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 4.6. Quando o prefixo termina por consoante, usa-se o hífen se o segundo elemento começar pela mesma consoan- te. Exemplos: hiper-religioso; inter-racial; inter-regional; sub- -bibliotecário; sub-base; super-racista; super-reacionário; su- per-resistente; super-romântico. IMPORTANTE Nos demais casos não se usa o hífen (hipersensível, hiper- mercado, intermunicipal, superinteressante, superpro- teção, superelegante). Com o prefixo sub, usa-se o hí- fen também diante de palavra iniciada por r (sub-região, sub-raça). Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de palavra iniciada por m, n e vogal (circum-nave- gação, pan-americano). 4.7. Quando o prefixo termina por consoante, não se usa o hífen se o segundo elemento começar por vogal. Exem- plos: superinteligente; hiperacidez; hiperativo; interescolar; interestadual; interestelar; interestudantil; superamigo; su- peraquecimento; supereconômico; superexigente; superoti- mismo; superorganizado; superinteressante. 4.8. Com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, usa-se sempre o hífen. Exemplos: além-mar; além- -túmulo; aquém-mar; ex-hospedeiro; ex-prefeito; ex-aluno; ex-diretor; ex-presidente; pós-graduação; pré-história; pré- -vestibular; pró-europeu; recém-casado; recém-nascido; sem- -terra. 4.9. Usa-se o hífen com os sufixos de origem tupi-guara- ni: açu, guaçu e mirim. Exemplos: amoré-guaçu, anajá-mirim, capim-açu. 25 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I 4.10. Usa-se o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam, formando não propriamente vocábulos, mas encadeamentos vocabulares. Exemplos: pon- te Rio-Niterói, eixo Rio-São Paulo. 4.11. Não se deve usar o hífen em certas palavras que perderam a noção de composição. Exemplos: girassol; ma- dressilva; mandachuva; paraquedas; paraquedista; pontapé; passatempo. 4.12. Para clareza gráfica, se no final da linha a partição de uma palavra ou combinação de palavras coincidir com o hífen, ele deve ser repetido na linha seguinte. 5. Em síntese, veja o emprego do hífen com prefixos: Regra geral: Usa-se o hífen diante de h: hiper-habitável, anti-higiêni- co, super-homem.Casos importantes: 1. Prefixo terminado em vogal: – Sem hífen diante de vogal diferente: autoestima, autoescola, antiaéreo. – Sem hífen diante de consoante diferente de r e s: autodefesa; anteprojeto, semicírculo. – Sem hífen diante de r e s (dobram-se essas letras): autorretrato; antirracismo, antissocial, ultrassom. – Com hífen diante de mesma vogal: arqui-inimigo, contra-ataque, micro-ondas. 2. Prefixo terminado em consoante: – Com hífen diante de mesma consoante: sub-base, inter-regional, sub-bibliotecária. 26 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) – Sem hífen diante de consoante diferente: intertex- tual, intermunicipal, supersônico. – Sem hífen diante de vogal: interestadual, superin- teressante. IMPORTANTE a) Com o prefixo sub, usa-se o hífen também diante de palavra iniciada por r: sub-região, sub-raça. Palavras iniciadas por h perdem essa letra e juntam-se sem hífen: subumano, subumanidade. b) Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de palavra iniciada por m, n e vogal: circum-navega- ção, pan-americano, circum-ambiente. c) O prefixo co aglutina-se em geral com o segundo ele- mento, mesmo quando este se inicia por o: coautor, coobrigação, coordenar, cooperar, cooperação, coop- tar, coocupante, corresponsável. d) Com o prefixo vice, usa-se sempre o hífen: vice-dire- tor, vice-almirante, vice-presidente. e) Não se usa o hífen em vocábulos que perderam a noção de composição, como girassol, madressilva, mandachuva, pontapé, paraquedas, paraquedista e outras. f) Com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, usa-se sempre o hífen: ex-esposa, ex-sogra, ex-aluno, sem-terra, além-mar, aquém-mar, recém-ca- sado, pós-graduação, pré-vestibular, pró-brasileiro. g) Segue uma lista de vocábulos importantes registra- dos pelo Vocabulário Ortográfico da Língua Portugue- sa. Atente para a grafia de cada um deles nas diversas áreas. 27 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I Casa e comida Bem-te-vi Bico-de-papagaio (planta) Boca-de-leão Cão de guarda Cobra-capelo Cobra-d’água Colmeia Couve-flor Dente-de-leão Erva-doce Erva-do-chá Ervilha-de-cheiro Eucalipto Feijão-verde Girassol Jiboia Leõezinhos Louva-a-deus Malmequer Nucleico Pera (fruta) Pica-pau-amarelo Romãzeira Sagui Semi-herbáceo Vaga-lume Xiquexique Zoo Antessala Apart-hotel Azeite-de-dendê Café com leite Café da manhã Café-expresso Claraboia Coa/coo (1ª pessoa do sing. de “coar”) Copo-d’água Dona de casa Enxágue Geleia Linguiça Líquido Malpassado Micro-ondas Moo (1ª pessoa do singular de “moer”) Muçarela Pão com manteiga Pão de mel Pé de moleque Proteico Sala de jantar Subalimentado Botânica e zoologia Abóbora-menina Água-de-coco Alcateia Andorinha-do-mar Baleia-branca Bálsamo-do-canadá Batata-doce Beija-flor Bem-me-quer Ciência e tecnologia Androide Ano-luz Antirrandômico Asteroide Coaxial Decibéis Eletro-ótica 28 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) Gêiser Giga-hertz Humanoide Infravermelho Interestelar Macrossistema Megawatt Microbiologia Microcomputador Micro-onda Microssistema Microssegundo Paleozoico Peso-atômico Politécnico Sequência Superaquecimento Ultravioleta Malcriado Mal-educado Multidisciplinar Pós-gradução Pós-doutorado Pós-adolescente Pré-escolar Pré-requisito/Prerrequisito Pré-seleção/Presseleção Pré-vestibular Pseudoprofessor Semiaberto Semianalfabeto Semi-interno Sub-bibliotecário Subdiretor Superproteção Turma-piloto Vice-reitor Educação Antiacadêmico Antieducativo Antipedagógico Autoaprendizagem Autoinstrução Bem-criado Circum-escolar Coeducação Ex-aluno Ex-bolsista Ex-diretor Extracurricular Extraescolar Hiperativo Interescolar Leem Livre-docência Transporte Aeroespacial Antiaderente Antiaéreo Antiderrapante Antioxidante Autoescola Autoestrada Autopeça Equidistante Interestadual Interligação Intermunicipal Micro-ônibus Para-balas Para-brisa Para-choque 29 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I Para-lama Seminovo Sobrevoo Supersônico Voo Sino-japonês Socioeconômico Subfaturar Supereconômico Superestimar Superestrutura Superotimismo Economia Agroaçucareiro Agroalimentar Agroexportador Agroindustrial Agropecuária Anglo-americano Anti-inflacionário Autorregulação Autossustentável Coprodução Covariação Contrassenha Eletrossiderurgia Entressafra Franco-suíço Hidroelétrica/hidrelétrica Hiperdesenvolvimento Hiperinflação Hipermercado Hiperprodução Infraestrutura Macroeconomia Macroestrutura Maxidesvalorização Megaempresa Mega-hotel Megainvestidor Microssistema Pro labore (latim) Pró-labore (português) Geografia Açoriano Acriano Afro-asiático Afro-brasileiro Afrodescendente Afrodescendência Africânder (natural da África do Sul) Africâner (idioma) Além-fronteiras Além-mar Anglo-saxão Anhanguera Aquém-oceano Baía de Todos-os-Santos Belo-horizontino Cabo-verdiano Cidade-satélite Circum-navegação Coreia do Norte/Coreia do Sul Guiné-Bissau Guineense Grã-Bretanha Grão-Pará Inter-regional Inter-relação Mato-grossense Méier 30 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) Norte-ameriano Polo Norte/Polo Sul Piauí Santa Rita do Passa-Quatro Sauipe Semiárido Sul-africano Sul-americano Timor-Leste Trás-os-Montes Coautor Coedição/Coeditor Corredator Ex-libris (português)/ Ex libris (latim) Haicai In-oitavo In-quatro Kafkiano Lesa-poesia Machadiano Minidicionário Não ficção Reedição/Reeditar Reescrever/Reescrita Releem Releitura Idioma Anglo-brasileiro Bilíngue Dois-pontos Hífen Hifens Iberorromânico Indo-europeu Lesa-ortografia Língua-mãe Linguista/Linguística Lusofonia Mais-que-perfeito Onomatopeia Pós-tônico Ponto de exclamação Ponto de interrogação Ponto e vírgula Ponto-final Sociolinguístico Verbo-nominal Verborragia Cultura Afro-brasileiro Afrodescendência Água com açúcar (romântico) Anti-herói Alto-astral Alto-relevo Autopromoção Autorretrato Autossatirizar Baixo-astral Baixo-relevo Benfeito Celuloide Cinema-verdade Contra-harmônico Contrarregra Estreia Epopeia Livros Anti-herói Autoajuda Autobiografia 31 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I Estoico Faz de conta Herói Heroico Hiper-realista Inter-racial Introito Leiloo (verbo “leiloar”) Meia-entrada Mestre-sala Minissérie Neoexpressionista Neo-helênico Neorrealismo Neossimbolista Odisseia Plateia Preanunciar Pré-estreia Pré-história Pró-romano Reco-reco Reveem Samba-canção Superexposição Super-revista Tabloide Ultrarromântico Videoarte Chapéu-panamá Chiquê (afetação) Cor-de-rosa Feiume Feiura Guarda-joias Hiper-requintado Joia Laquê Minissaia/Microssaia Prêt-à-porter Tomara que caia Véu Esporte Antidoping Arco e flecha Asa-delta Centroavante Contra-ataque Esteroide Hiper-resistente Pan-americano Paraolimpíada/Paraolímpico Paraquedas/Paraquedista Pentacampeão Peso-pesado/Peso-pena/Pe- so-pluma Pingue-pongue Ponta-esquerda/Ponta-direi- ta (jogador) Pontapé Semifinal Tiro de meta Vice-campeão Moda Alta-costura Antissimétrico Bem-apanhado Bem-arrumado Bem-vestido Blêizer Política e ciência sociais Afro-americano 32 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) Apartidário Anteprojeto Anti-ibérico Anti-imperialista Antirracismo Antissocial Autodeterminação Apoio (3ª pessoa do singular do presente do indicativo de “apoiar”) Centro-esquerdaDecreto-lei Desumano Europeia Eurocomunista Ex-prefeito Ex-presidente Ex-primeiro-ministro Extraoficial Geocêntrico Geopolítica Inter-racial Inter-relação Inumano Maquiavélico Mega-ação Minirrevolução Não governamental (organização) Pan-negritude Perestroica Pré-eleitoral Preenchimento Primeiro-ministro Protorrevolucionário Protossatélite Pseudo-organizado Reeleger/Reeleição/Reeleito Semisselvagem Sem-terra Sem-teto Súbdito (Portugal) Súdito (Brasil) Sul-africano Sul-americano Ultraesquerda Ultrassecreto Vice-presidente Vice-rei Segurança Antifurto Antissequestro Antissocial À queima-roupa Autorretrato Bomba-granada Causa mortis Cessar-fogo Delinquência/Delinquente Destróier Ensanguentado Guarda-costas Guarda-floretal Guarda-nortuno Liquidar Não agressão (pacto de) Quase delito (cometer um) Quebra-quebra Retrato falado Sequestro Tenente-coronel Direito Abaixo-assinado Ab-rogar 33 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I Abrupto/Ab-rupto Ação (Brasil e Portugal) Acionar (Brasil e Portugal) Álibi Anteprojeto Apaniguado Apaziguar Apto Arguir Arguição Assembleia Autodefesa Autoincriminação Averiguar Aviso-prévio Bom senso Coabitar/Coabitação Coerdar/Coerdeiro Convicção Coocupante Corresponsável Coobrigação Copaternidade Corréu Decreto-lei De cujus Diretor-geral Eloquência Exequível Inepto Meio-termo Objeção (Brasil e Portugal) Obliquar Pacto Reaver Seguro-desemprego Seguro-saúde Sub-reptício Subsequente Vade-mécum Religião Abençoo Além-túmulo Anticristo Antirreligioso Antissemita Ave-maria Auto de fé Batizar (Brasil e Portugal) Bem-aventurado Bençãozinha Boa-nova Coirmão Creem Creio em deus padre (interjeição) Cruz-credo (interjeição) Descreem Fiéis Galileia Hebreia Livre-arbítrio Multissecular Onipotente Semideus Unguento Zen-budismo Medicina Adenoide Aerobiose Aerossinusite Amenorreia Anatomopatológico 34 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) Antebraço Antenasal Anteolhos Antiabortivo Antiagregantes Anti-hemorrágico Anti-higiênico Anti-inflamatório Anti-infeccioso Anti-insulina Antirrábico Antirreceptor Antirretrovirais Antirreumático Antissecretores Antisséptico Antissoro Apneia Autoanticorpo Autoexame Autoimune Autoimunidade Autorregeneração Autorrotação Autovacina Biomassa Biorritmo Cardiovascular Cefaleia Célula-tronco Cerebrovascular Coamplificação Cofator Conta-gotas Contraindicação Contrarreação Coreico Corticoide Cranioencefálico De-hidroandrosterona Diarreia Diarreico Di-hidrato Dispneia Dismenorreia Eletroanálise Eletrocardiograma Eletrochoque Eletroencefalograma Eletroluminescência Enjoo Espermatozoide Esteato-hepatia Esteroide Extracraniano Extra-hepático Extraocular Fruto-oligossacarídeo Geomedicina Hidrocarboneto Hidroxi-indolacético Hiper-reatividade Hiper-rugoso Hipertensão Histopatológico Imunodeficiência Imuno-histoquímica Infecção Infra-axilar Inframandibular Infra-hepático Infraorbitário 35 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I Antebraço Antenasal Anteolhos Antiabortivo Antiagregantes Anti-hemorrágico Anti-higiênico Anti-inflamatório Anti-infeccioso Anti-insulina Antirrábico Antirreceptor Antirretrovirais Antirreumático Antissecretores Antisséptico Antissoro Apneia Autoanticorpo Autoexame Autoimune Autoimunidade Autorregeneração Autorrotação Autovacina Biomassa Biorritmo Cardiovascular Cefaleia Célula-tronco Cerebrovascular Coamplificação Cofator Conta-gotas Contraindicação Contrarreação Coreico Corticoide Cranioencefálico De-hidroandrosterona Diarreia Diarreico Di-hidrato Dispneia Dismenorreia Eletroanálise Eletrocardiograma Eletrochoque Eletroencefalograma Eletroluminescência Enjoo Espermatozoide Esteato-hepatia Esteroide Extracraniano Extra-hepático Extraocular Fruto-oligossacarídeo Geomedicina Hidrocarboneto Hidroxi-indolacético Hiper-reatividade Hiper-rugoso Hipertensão Histopatológico Imunodeficiência Imuno-histoquímica Infecção Infra-axilar Inframandibular Infra-hepático Infraorbitário Infrarrenal Infrassom Interauricular Intercapilar Intercelular Intercevical Interobservador Interventricular Intra-articular Intraepitelial Intramuscular Intraoperatório Intrapulmonar Intrauterino Leucorreia Linfoide Mal-estar Médico-cirurgião Meta-hemoglobina Metoxi-isobutilisonitrila Microcirurgia Micrograma Micro-organismo Microssonda Mieloide Musculoesquelético Neovascularização Neurocirurgia Neuroendócrino Neurorradiologia Neuro-hipófise Onco-hematologia Opioide Osteoarticular Osteometabólica Oxi-iodeto Paratireoide Pós-operatório Pós-parto Pré-menstrual Pré-natal Pré-operatório Proteico Protoderme Pseudogene Queloide Retrovírus Reumatoide Sanguíneo Seborreia Semi-hospitalar Sequela Sub-hepático Subósseo Suprarrenal Supraventricular Tetra-hidrofolato Tiroide Tifoide Traqueia Ultrassom Ultrassonografia Ureia Psicologia Autoafirmação Autoanálise Autoconfiança Autoconhecimento Autoconsciência Autocontrole Autoestima Auto-hipnose 36 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) Autoindução Auto-observação Autopiedade Autorreflexão Autossugestionado Autovalorizar-se Inter-relação Interrupção Paranoia Paranoico Superego Ao deus-dará Apoio (3ª pessoa de apoiar) Arco-da-velha Arco e flecha Arco-íris Arqui-inimigo Assembleia Assim-assim À toa Autoadesivo Autossuficiente À vontade Azul-claro/Azul-escuro Bem-amado Bem-criado Bem-dito/bem-dizer Bem-estar Bem-falante Bem-humorado Bem-sucedido Bem-nascido Bem-visto Benfazejo Benfeito Benfeitor Benquerença Blá-blá-blá Boa-praça Boa-vida Boas-vindas Boia Cabra-cega Cabra-macho Calcanhar de aquiles Chave-inglesa Claraboia Farmácia Antiabortivo Antiácido Antialérgico Anti-hemorrágico Anti-higiênico Anti-hipertensivo Anti-infeccioso Anti-inflamatório Antirrábico Antirretroviral Antirrugas Automedicação Benzoico Contraindicação Contrarreação Conta-gotas Farmacopeia Superdose Palavras em comum Água-de-colônia Aguentar Além-fronteiras Além-mar Anteontem 37 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I Coabitar Coirmão Concepção (Brasil) Conceção (Portugal) Contra-atacar Contra-ataque Contrarregra Contrassenso Cosseno Cinquenta Consequência Contraexemplo Contrassenha Coocorrer Coocupar Cooperar Coordenar Debiloide Dia a dia Embaixo Em cima Enjoo Enxágue Extraoficial Extrarregular Fim de século Fim de semana Frequência Fura-bolo Guarda-chuva Grã-fina Hipersensível Ideia Infravermelho Inter-relação Lenga-lenga Lengalengar Livre-arbítrio Mandachuva Manda-tudo Mal-afortunado Mal-estar Mal-humorado Malnascido Malsucedido Malvisto Mega-ação Microssistema Não fumante Nhem-nhem-nhem Ovoide Pé-de-meia Pelo (animal) Perdoo Pontapé Porta-retrato Povoo Predeterminado Pró-ativo Pró-conceder Pseudo-organizado Recém-casados Recém-nascido Rega-bofe Reidratar Sem-cerimônia Semicírculo Seminovo Sem-número Sem-vergonha Sequência Superamigo 38 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) Superaquecimento Supereconômico Superestimar Super-homem Superinteressante Superotimismo Superproteção Suprassumo Sub-humano Tintim por tintim Tique-taque Tramoia Tranquilidade Ultraelevado Ultramoderno Zigue-zague Zás-trás Zum-zum EXERCÍCIOS DE APLICAÇÃO I– Avalie se as palavras sublinhadas nas sentenças abaixo estão corretas, segundo as novas regras ortográficas que entraram em vigor em 1º de janeiro de 2009. Julgue (C ou E) os itens a seguir. 1. Eles leem durante o voo tranquilo, sem reparar na epo- peia do rapaz paranoico que não para de atormentar os outros passageiros. 2. Sempre gostei de pé-de-moleque. 3. A heroica atriz foi aplaudida no dia da estreia da peça. 4. Cinquenta toneladas de linguiça estragaram a caminho da Coreia. 5. Quero sanduíche com presunto e mussarela. 6. Os pelos do cachorro ficaram melados de geleia. 7. Não deixe comentários sobre antissemitismo afetarem sua autoestima. 8. Sairemos no fim-de-semana e comeremos bife mal-passado. 39 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I 9. Enquanto as outras crianças creem em Papai-noel, ele prefere acreditar na ideia de que o Homem-aranha vai visitá-lo no Natal. 10. Ao ouvir da irmã, na sequência de sua confissão, “Eu te perdoo”, ela ficou tão nervosa que sentiu enjoos e seus pelos do braço arrepiaram. 11. O pedido para que se averigue a denúncia de tráfico de jiboias no zoo é urgente. 12. Preocupo-me com o super-aquecimento da Terra. 13. Ela tem preguiça de cozinhar até pipoca de micro-ondas. 14. Saltar de paraquedas é contraindicado para pessoas com problemas cardíacos. 15. A informação do sequestro do político ainda é extraoficial. II – Avalie se as palavras sublinhadas nas sentenças abaixo estão corretas, segundo as novas regras ortográficas que entraram em vigor em 1º de janeiro 2009. Julgue (C ou E) os itens a seguir. 1. A crise financeira dos EUA pode trazer conseqüências para o Brasil. 2. Quando ele para para pensar, desiste. 3. Livro de auto-ajuda permanece no topo da lista dos mais vendidos. 4. A sonda Phoenix realizou um pouso histórico no pólo Norte de Marte. 5. O consumo frequente de álcool durante a juventude cau- sa danos ao cérebro. 6. A idéia do presidente é que todos os países se unam con- tra o aquecimento. 7. O empresário deve cumprir pena por roubo em regime semiaberto. 40 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 8. Avião permitirá que passageiros fumem durante o vôo. 9. O síndico marcou uma assembleia para decidir sobre a reforma do prédio. 10. Pesquisa revela que 97% dos brasileiros crêem em Deus. 11. A estréia de Katie Holmes foi marcada por protestos. 12. O coautor do estudo explicou que a descoberta ajuda no tratamento do câncer. 13. Os homens mais vaidosos já encontram no mercado ti- pos de creme antirrugas. 14. Ela perdeu tudo que estava dentro da caixa de joias. 15. Cerca de 5% da população mundial têm comportamento anti-social. 16. O ex-vereador participou da reunião extraoficial durante a madrugada. 17. No momento decisivo, ele recuou e desistiu de saltar de pára-quedas. 18. Eu apoio qualquer acordo entre os países. 19. Ele achou a nova estátua uma feiura. 20. Ela é a coherdeira da indústria da soja. Respostas: Para fixar, releia o capítulo. Todas as respostas constam dele. 41 Capítulo 2 MORFOSSINTAXE: CLASSES GRAMATICAIS E FUNÇÕES SINTÁTICAS TEXTO I Leia o texto a seguir para responder à questão 1. Há muito se converteram em rotina as falhas nos meca- nismos de controle sobre a execução de programas gover- namentais destinados a parcelas específicas da população. Antes foi o Fome Zero, atacado por desvios de finalidades, inclusão de clientela de satisfatória situação econômica e fraudes na distribuição dos recursos. Depois, o mesmo ocorreu com o Bolsa Escola. E ainda é cedo para acreditar que, em ambas as iniciativas, não ocorram disfunções gra- ves. Ao quadro desalentador veio juntar-se agora a revela- ção de que há milhões de alunos fantasmas matriculados no ensino básico. (Correio Braziliense, 5/3/2006) QUESTÃO 1 Julgue os itens seguintes: 1) Nas linhas 1 e 2, os vocábulos “rotina”, “falhas”, “meca- nismos” e “controle” são classificados, morfologicamen- te, como substantivos. (p. 52) 2) No trecho “... programas governamentais destinados a parcelas específicas da população” (l. 2 e 3), registraram- -se duas ocorrências do artigo definido “a”. (p. 52) 42 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 3) Em “clientela de satisfatória situação econômica” (l. 5), o substantivo “situação” é caracterizado por dois adjeti- vos. (p. 52) 4) No trecho “E ainda é cedo para acreditar que, em ambas as iniciativas, não ocorram disfunções graves”, do ponto de vista da morfologia, os vocábulos destacados classi- ficam-se, respectivamente, como preposição, conjunção, numeral, advérbio, verbo e adjetivo. (p. 52) 5) Em “... há milhões de alunos fantasmas matriculados no ensino básico”, o substantivo “fantasmas” é empregado com valor adjetivo e caracteriza um processo de for- mação de palavras denominado derivação imprópria. (p. 52) TEXTO II Leia o texto a seguir para responder à questão 2. A cantoria atraiu o olhar de motoristas que passavam pela Esplanada dos Ministérios. Vestidos a caráter e com cho- calhos nas mãos, índios pataxós realizavam o toré, um ritual de luta. “É o que viemos fazer aqui. Lutar pelos nossos di- reitos”, explicou o cacique Evangelista Pataxó, da aldeia Pau Brasil, no sul da Bahia. Assim como ele, outros 500 índios de 20 estados brasileiros acamparam ontem em Brasília, para avaliar a política indigenista do governo Lula e cobrar a regu- larização fundiária, o acesso à saúde e à educação. (Jornal do Brasil, 1/4/2006) QUESTÃO 2 1) Em “A cantoria atraiu o olhar”, destacaram-se, respecti- vamente, o núcleo do sujeito e o núcleo do objeto direto. (p. 56) 43 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I 2) Em “... índios pataxós realizavam o toré, um ritual de luta”, destacou-se o núcleo do aposto explicativo. (p. 56) 3) No trecho “... outros 500 índios de 20 estados brasileiros acamparam ontem em Brasília”, caracteriza-se um sujei- to composto. (p. 56) 4) Em “... avaliar a política indigenista do governo Lula e cobrar a regularização fundiária”, os substantivos des- tacados apresentam paralelismo sintático. (p. 56) 5) Em “... o acesso à saúde e à educação”, destacaram-se os núcleos de complementos nominais. (p. 56) TEXTO III Leia o texto a seguir para responder à questão 3. Vinho de missa Era domingo e o navio prosseguia viagem. Os passagei- ros iam sendo convocados para a missa de bordo. – Vamos à missa? – convidou Ovalle. O passageiro a seu lado no convés recusou-se com ines- perada veemência: – Missa, eu? Deus me livre de missa. – Não entendo – tornou Ovalle, intrigado: – O senhor pede justamente a Deus que o livre da missa? – No meu tempo de menino eu ia à missa. Mas deixei de ir por causa de um episódio no colégio interno, há mais de trinta anos. Colégio de padre – isso explica tudo, o senhor não acha? Ele achou que não explicava nada e pediu ao homem que contasse. – Pois olha, vou lhe contar: imagine o senhor que havia no colégio um barbeiro, para fazer a barba dos padres e o cabelo dos alunos. Vai um dia o barbeiro me seduz com a ideia de 44 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) furtar o vinho de missa, que era guardado numa adega. Me ensinou um jeito de entrar na adega – e um dia eu fiz uma incursão ao tonel de vinho. Mas fui infeliz: deixei a torneira pingando, descobriram a travessura e no dia seguinte o pa- dre-diretor reunia todos os alunos do colégio, intimando o culpado a se denunciar. Ia haver comunhão geral e quem co- mungas-se com tão horrenda culpa mereceria danação eter- na. Está visto que não me denunciei: busquei um confessor, tendo o cuidado de escolher um padre que gozava entre nós da fama de ser maiscamarada: “Padre, como é que eu saio desta? Eu pequei, fui eu que bebi o vinho. Mas se deixar de comungar, o padre-diretor descobre tudo, vou ser castigado.” Ele então me tranquilizou, invocando o segredo confessional, me absolveu e pude receber a comunhão. Pois muito bem: no mesmo dia todo mundo sabia que tinha sido eu e eu era sus- penso do colégio. O homem respirou fundo e acrescentou, irritado: – Como é que o senhor quer que eu ainda tenha fé nessa espécie de gente? Ovalle ouvia calado, os olhos perdidos na amplidão do mar. Sem se voltar para o outro, comentou: – O senhor, certamente, achou que o confessor saiu dali e foi direitinho contar ao diretor. – Isso mesmo. Foi o que aconteceu. – O vinho era bom? – Como? – Pergunto se o senhor achou o vinho bom. O homem sorriu, intrigado: – Creio que sim. Tanto tempo, não me lembro mais... Mas devia ser: vinho de missa! Então Ovalle se voltou para o homem, ergueu o punho com veemência: – E o senhor, depois de beber o seu bom vinho de missa, me passa trinta anos acreditando nessa asneira? O homem o olhava, boquiaberto: – Asneira? Que asneira? 45 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I – Será possível que ainda não percebeu? Foi o barbeiro, idiota! – O barbeiro? – balbuciou o outro: – É verdade... O barbei- ro! Como é que na época não me ocorreu... – Vamos para a missa – ordenou Ovalle, tomando-o pelo braço. (Fernando Sabino. A mulher do vizinho. 17ª ed., Rio de Janeiro, Record, 1997.) QUESTÃO 3 Considerando a classe morfológica dos vocábulos em des- taque, julgue os itens a seguir: 1) “Era domingo e o navio prosseguia viagem. Os passa- geiros iam sendo convocados para a missa de bordo.” – substantivos. (p. 56) 2) “Mas fui infeliz: deixei a torneira pingando, descobriram a travessura e no dia seguinte o padre-diretor reunia todos os alunos do colégio, intimando o culpado a se denunciar.” – adjetivos. (p. 58) 3) “Ia haver comunhão geral e quem comungasse com tão horrenda culpa mereceria danação eterna.” – verbos. (p. 58) 4) “Está visto que não me denunciei: busquei um confessor, tendo o cuidado de escolher um padre que gozava entre nós da fama de ser mais camarada.” – pronomes relativos. (p. 58) 5) “Então Ovalle se voltou para o homem, ergueu o punho com veemência.” – preposições. (p. 58) 6) “– Isso mesmo. Foi o que aconteceu.” – pronomes. (p. 58) 7) “– Creio que sim. Tanto tempo, não me lembro mais... Mas devia ser: vinho de missa!” – conjunções. (p. 58) 8) “Vai um dia o barbeiro me seduz com a ideia de furtar o vinho de missa, que era guardado numa adega.” – locuções adjetivas. (p. 58) 46 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) TEXTO IV Leia o texto a seguir para responder à questão 4. A dengue é considerada hoje o maior problema de saúde pública dos países tropicais. As condições climáticas lhe são favoráveis. O Aedes aegypti, mosquito transmissor da doença, prolifera em ambientes com temperatura e umidade elevadas. Daí por que no verão, período de calor forte e chuvas abun- dantes, ocorre o maior número de casos. O Brasil oferece terreno fértil para a proliferação do inse- to. Mais de 20% da população das grandes e médias cidades vivem em condições precárias de saneamento básico. Sem abastecimento regular de água e coleta constante de lixo, for- mam-se os criadouros ideais do Aedes aegypti. Os moradores das áreas de risco precisam manter água em reservatórios, e o lixo moderno, descartável por excelência, forma depósitos artificiais que atraem o mosquito. A violência urbana é outro aliado da enfermidade. Os técnicos não conseguem entrar nas casas para inspecioná-las. Amedrontada, a população teme estar diante de um bandido disfarçado que se diz funcionário da vigilância sanitária. Não lhe abre a porta. Mais. O país recebe grande fluxo de turistas. O ser huma- no é a fonte da transmissão do mal. É ele quem contamina o mosquito. Ora, não há possibilidade de inspecionar portos, aeroportos, ferroviárias, rodoviárias e estradas para detec- tar possíveis infectados. Ainda que houvesse, a dengue, em muitos casos, é assintomática ou confunde-se com gripe ou resfriado. Erradicar a dengue no curto prazo, pois, é impossível. Mas o poder público pode e deve tomar medidas capazes de man- tê-la sob controle e, sobretudo, de salvar vidas. Campanhas educativas mudam hábitos da população. Os brasileiros têm 47 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I o costume de manter, nas dependências domésticas, vasos de plantas com pratinhos de água. Conscientes do perigo, poderão livrar-se do risco potencial. Certas ações simples, porém indispensáveis, não podem ser negligenciadas. É o caso de atacar os possíveis focos do Aedes aegypti. A vigilância sanitária deve fiscalizar cemité- rios, borracharias, depósitos de ferro velho e providenciar a limpeza de terrenos baldios. São ações preventivas eficazes e urgentes. Mas, enquanto perdurarem as situações de precariedade em saneamento básico, haverá infectados. O Brasil deu um passo adiante para conviver com o mal. Especializou profis- sionais da área de saúde a fim de tratar as formas graves da infecção e reduzir-lhe a letalidade a quase zero. Vale o exem- plo. Manaus registrou 58 ocorrências de dengue hemorrágica. O único óbito deveu-se ao fato de o enfermo não ter procurado o hospital de referência. A escassez de recursos impede que todos os hospitais tenham unidades especializadas em dengue. Mas impõe-se que todas as cidades tenham pelo menos um centro de atendi- mento aos casos graves. Com socorro adequado e tempestivo, é possível evitar mortes. Nenhum governo pode ignorar esse avanço. (Correio Braziliense, 24 de janeiro de 2002) QUESTÃO 4 Julgue os itens: 1) Na linha 1, a palavra “dengue” constitui substantivo e é, sintaticamente, núcleo do sujeito. (p. 58) 2) Em “O Brasil oferece terreno fértil...” (l. 7) e “O país recebe grande fluxo de turistas” (l. 20), os substan- tivos destacados apresentam paralelismo sintático. (p. 59) 48 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 3) No trecho: “Os moradores das áreas de risco precisam manter água em reservatórios, e o lixo moderno, descartá- vel por excelência, forma depósitos artificiais que atraem o mosquito” (l. 11-14), destacaram-se apenas substantivos concretos, comuns e simples. (p. 59) 4) Em “O ser humano é a fonte da transmissão do mal” (l. 20-21), temos exemplo de verbo usado substantiva- mente. (p. 60) 5) O substantivo “mosquito” é comum-de-dois-gêneros. (p. 61) 6) No trecho: “Especializou profissionais da área de saúde a fim de tratar as formas graves da infecção e reduzir-lhe a letalidade a quase zero” (l. 42-44), destacaram-se seis ocorrências de artigo definido. (p. 62) 7) Em “A violência urbana é outro aliado da enfermidade” (l. 15) e em “Os moradores das áreas de risco precisam manter água em reservatórios” (l. 11-12), destacaram-se, respectivamente, o adjetivo e a locução adjetiva. (p. 63) 8) Em “O Brasil deu um passo adiante para conviver com o mal” (l. 40-41) e em “Manaus registrou 58 ocorrências de dengue hemorrágica” (l. 45), destacaram-se numerais. (p. 66) TEXTO V Leia o texto a seguir para responder à questão 5. À margem da linha ‘‘Foi com disfarçada alegria que eu senti a mão do Mano sobre o meu ombro, e o metal da sua voz escarafunchando meu cérebro. ‘‘Cê vai voltar comigo, pirralho!’’. Mas eu tinha ido longe demais para não manter um mínimo de dignidade, 49 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I por isso, segui em frente, duro, como se estivesse mesmo decidido a prosseguir. E foi aí que aconteceu o inesperado. Não pelo tapa de mão aberta, nem pela fogueira que acendeu minha face esquerda;não pela dor física, nem pela vergonha de apanhar assim na cara (ele nunca havia me batido desse jeito humilhante). Esse tapa do Mano era de certo modo uma coisa esperada, pois se ele nunca me batera de mão aberta em plena cara, eu também nunca cometera uma falta tão grave. Surpreendentemente nisso tudo foi a minha reação interior. Pela primeira vez eu contestei, ainda que só para mim mes- mo, esse direito que ele se dava de me bater. ‘‘Tá certo que a mãe me pôs sob os cuidados dele, transferindo inteiramente para ele a responsabilidade de me encaminhar na vida – eu me disse lá com as palavras que eu possuía –, mas até que ponto isso lhe dá direito de escravizar o meu corpo e a minha consciência?’’ (Paulo Rodrigues, Correio Braziliense, 21/1/2002) QUESTÃO 5 Julgue os itens a seguir: 0) Em “... nem pela fogueira que acendeu minha face esquer- da...” (l. 7-8), destacou-se pronome relativo com função sintática de sujeito. (p. 68) 1) No trecho ‘‘Foi com disfarçada alegria que eu senti a mão do Mano sobre o meu ombro” (l. 1-2), a palavra que cons- titui pronome relativo e tem como referente o antecedente alegria. (p. 69) 2) Em “... mas até que ponto isso lhe dá direito de escravizar o meu corpo e a minha consciência?’’ (l. 18-20), o pronome lhe exerce a função sintática de objeto indireto, e o termo destacado pode ser substituído pela forma pronominal “os”, obtendo-se a seguinte reescritura: “... mas até que ponto isso lhe dá direito de os escravizar?”. (p. 69) 50 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 3) O verbo “contestar” (l. 14) classifica-se, quanto à predica- ção, em intransitivo. (p. 70) 4) Em “... pois se ele nunca me batera de mão aberta em plena cara...” (l. 11-12), destacaram-se um advérbio e duas locuções adverbiais. (p. 70) 5) No trecho: “Tá certo que a mãe me pôs sob os cuidados dele, transferindo inteiramente para ele a responsabili- dade de me encaminhar na vida – eu me disse lá com as palavras que eu possuía –, mas até que ponto isso lhe dá direito de escravizar o meu corpo e a minha consciência?’’, destacaram-se, respectivamente, conectivo nominal e co- nectivo oracional. (p. 72) TEXTO VI Leia o texto a seguir para responder à questão 6. A mata que corre perigo Além de ser conhecido como sede brasileira do monta- nhismo, o Parque Nacional da Serra dos Órgãos abriga uma imensa reserva de Mata Atlântica, onde se encontram diversas espécies da fauna (como micos-leões, lontras, araras azuis e onças pintadas) e flora (como palmito, cedro e bromélias diversificadas) ameaçadas de extinção. Para se ter noção do risco que a Mata Atlântica corre, à época do descobrimento do Brasil a floresta apresentava uma área equivalente a um terço da Amazônia. Cobria 1 milhão de quilômetros quadrados, ou 12% do território nacional. Hoje restam apenas 7% da sua área original. Estatísticas indicam que 70% da população brasileira vi- vem na região da Mata Atlântica. Nessas cidades litorâneas e serranas estão concentrados os polos industriais, petroleiros e portuários do país. Os benefícios proporcionados pela mata, 51 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I são muitos. Protege e regula o fluxo dos mananciais hídricos que abastecem as grandes metrópoles, garante a fertilidade do solo e controla o clima. Além disso, tem a maior biodiver- sidade do mundo e preserva um patrimônio histórico de valor inestimável. Em 1817, os naturalistas Spix (austríaco) e Von Martius (alemão) vieram para o Brasil estudar fauna e flora. Em 10 mil quilômetros percorridos, catalogaram 6.500 variedades de plantas e 3.411 animais. A Serra dos Órgãos fez parte da rota dessa expedição, que auxiliou na demarcação da reserva, mais de um século depois. (Correio Braziliense, 20/1/2002. Adaptado) QUESTÃO 6 Julgue os itens a seguir quanto à pontuação: 0) Em “... o Parque Nacional da Serra dos Órgãos abriga uma imensa reserva de Mata Atlântica” (l. 2-3), a vírgula após o substantivo “Órgãos” é proibida. (p. 76) 1) A colocação de uma vírgula depois do substantivo “Brasil” em “Para se ter noção do risco que a Mata Atlântica corre, à época do descobrimento do Brasil a floresta apresentava uma área equivalente a um terço da Amazônia” (l. 7-9) provocará ambiguidade. (p. 77) 2) Em “Estatísticas indicam que 70% da população brasileira vivem na região da Mata Atlântica” (l. 12-13), é possível colocar vírgula após os termos “Estatísticas” e “70% da população brasileira”, sem prejuízo gramatical. (p. 77) 3) Observe: “... os naturalistas Spix (austríaco) e Von Martius (alemão) vieram para o Brasil estudar fauna e flora” (l. 21-22). Na construção “Spix estudou a fauna; Von Mar- tius, a flora”, a vírgula caracteriza verbo subentendido. (p. 77) 52 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 4) Em “Os benefícios proporcionados pela mata, são muitos”, registrou-se a vírgula para garantir mais clareza. (p. 77) 5) No trecho “que auxiliou na demarcação da reserva, mais de um século depois”, a retirada da vírgula comprometerá a carga semântica do enunciado. (p. 77) RESOLUÇÕES COMENTADAS QUESTÃO 1 1) Certo. Os vocábulos destacados nomeiam elementos pre- sentes no universo e, por isso, são substantivos. 2) Errado. A primeira ocorrência da forma “a” é preposição exigida pelo adjetivo participial “destinados” (destinados a quê?). O substantivo “parcela” exigiria o artigo “as”. Na forma “da”, tem-se contração da preposição “de” e do artigo “a”, que acompanha o substantivo “população”. 3) Certo. Os adjetivos “satisfatória” e “econômica” caracte- rizam o substantivo “situação”. 4) Certo. No decorrer deste capítulo, você revisará o conceito de cada classe gramatical. 5) Certo. De fato, o vocábulo “fantasmas” exerce a função própria de substantivo, como no seguinte exemplo: “Os fantasmas sempre me incomodaram”. No texto apresen- tado, o vocábulo “fantasmas” passa a exercer a função imprópria de adjetivo, já que caracteriza o substantivo “alunos”. 53 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I IMPORTANTE O texto I tem caráter unicamente motivador. Você se recor- da de todas as categorias gramaticais? Lembre-se de que, a partir de agora, você terá de dominar a estrutura mor- fossintática do texto e toda a sua organização semântica. Antes de revisar as classes gramaticais, é importan- te entender alguns PROCESSOS DE FORMAÇÃO DE PALAVRAS. As palavras estão em constante processo de evolução e tornam a língua um fenômeno vivo que acompanha o homem. Alguns vocábulos caem em desuso (arcaís- mos), outros nascem (neologismos), e muitos mudam de significado com o passar do tempo. Na Língua Portuguesa, em razão da estruturação e ori- gem das palavras, pode-se chegar à seguinte divisão: • palavras primitivas – não derivam de outras (casa, flor) • palavras derivadas ou cognatas – derivam de outras (casebre, florzinha) • palavras simples – só possuem um radical (couve, flor) • palavras compostas – possuem mais de um radical (couve-flor, aguardente) Para a formação das palavras portuguesas, é necessário o conhecimento dos seguintes processos de formação: • Composição – ocorre junção de radicais. São dois ti- pos de composição, em virtude de ter havido ou não alteração fonética. – Justaposição – sem alteração fonética (girassol, sex- ta-feira) – Aglutinação – alteração fonética, com perda de ele- mentos (planalto/plano+alto; pernalta/perna+alta). 54 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) • Derivação – palavra primitiva (um radical) acrescida, geralmente, de afixos. São cinco tipos de derivação: – prefixal – ocorre acréscimo de prefixo à palavra pri- mitiva (infeliz, desleal) – sufixal – ocorre acréscimo de sufixo àpalavra primitiva (felizmente, lealdade) – parassintética ou parassíntese – ocorre acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo, ao mesmo tempo, à palavra primitiva (en+surdo+ecer / a+benção+ado / en+forca+ar). Por esse processo, formam-se especial- mente verbos, de base substantiva ou adjetiva; mas há parassintéticos de outras classes (subterrâneo, desnaturado). IMPORTANTE Se, com a retirada do prefixo ou do sufixo, não existir aquela palavra na língua, houve parassíntese. Em “ensur- decer”, se se retirar o sufixo, “ensurde” não existirá e, se se retirar o prefixo, “surdecer” também não existirá; logo “ensurdecer” foi formada por parassíntese. Em “in- felizmente”, se se retirar o sufixo, “infeliz” existirá e, se se retirar o prefixo, “felizmente” também existirá; logo “infelizmente” foi formada por prefixação e sufixação, e não parassíntese. – regressiva ou deverbal – cria substantivos, que de- notam ação, derivados de verbos. É o que acontece com as seguintes palavras: amparo, choro, voo, corte, destaque, conserva, fala, pesca, visita, denúncia, aná- lise e outras. 55 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I IMPORTANTE Para determinar se a palavra primitiva é o verbo ou o substantivo cognato, usa-se o seguinte critério: substan- tivo que denota ação constitui palavra derivada do verbo (ajuda, estudo, grito), mas se o substantivo denotar objeto ou substância será primitivo (planta, âncora). – Imprópria ou conversão – ocorre alteração da classe gramatical da palavra primitiva (“o jantar” – de verbo para substantivo; “é um judas” – de substantivo pró- prio a comum; “o não é uma má resposta” – de advérbio para substantivo). • Hibridismo – nesse processo, as palavras são consti- tuídas por elementos originários de línguas diferentes (automóvel e monóculo – grego e latim / sociologia, bígamo, bicicleta – latim e grego / alcaloide, alcoômetro – árabe e grego / caiporismo – tupi e grego / bananal – africano e latim / sambódromo – africano e grego / burocracia – francês e grego). • Onomatopeia – reprodução imitativa de sons (pingue- -pongue, zunzum, miau, cocoricó, pum). • Abreviação vocabular – redução da palavra até o limite de sua compreensão (metrô em vez de “metropolita- no”, moto em vez de “motocicleta”, pneu em vez de “pneumático”, foto em vez de “fotografia”). • Siglonimização – formação de siglas, por meio de le- tras iniciais de uma sequência de palavras (Academia Brasileira de Letras – ABL). A partir de siglas, formam- -se outras palavras (aidético, petista, peemedebista e outras). 56 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) QUESTÃO 2 1) Certo. Os substantivos “cantoria” e “olhar” são, respecti- vamente, núcleos do sujeito e do objeto direto de “atraiu”. 2) Certo. Lembre-se de que o aposto, ou termo em aposição, serve para reiterar ou reforçar o antecedente. 3) Errado. Embora o sujeito seja longo, apresenta apenas um núcleo: índios. Portanto, o sujeito é simples. 4) Certo. Os vocábulos “política” (objeto direto de “avaliar”) e “regularização” (objeto direto de “cobrar”) apresentam igual função sintática. Por isso, ocorre o que chamamos de paralelismo sintático. 5) Certo. Os termos preposicionados “à saúde” e “à educa- ção” são expansões sintáticas do substantivo “acesso” (acesso a quê?). Não completam, portanto, o verbo, mas, sim, o nome, o substantivo. São, portanto, complementos nominais. No capítulo 2 deste livro, aprofundaremos este tema. Parece difícil? Não se preocupe. Muitos conceitos serão aprofundados na próxima questão. Mantenha o ânimo. QUESTÃO 3 1) Certo. Um detalhe: viagem (substantivo) é diferente de viajem (verbo). SAIBA MAIS De acordo com a NGB, são dez as CLASSES GRAMATI- CAIS, embora a interjeição, vocábulo-frase, fique, na verdade, excluída dessa relação: 57 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I • variáveis – Substantivo, – Artigo, Adjetivo, – Numeral, Pronome, – Verbo. • invariáveis – Advérbio, – Preposição, – Conjunção. A interjeição também é invariável. O que é a Nomenclatura Gramatical Brasileira? A nomenclatura gramatical foi organizada por comissão de professores designada pelo Ministério da Educação e Cultu- ra, em abril de 1957. Entrou em vigor nas escolas a partir do ano letivo de 1959. ARTICULAÇÕES MORFOSSINTÁTICAS QUE VOCÊ DE- VERÁ SEMPRE LEMBRAR: • Função básica: verbo (transitivo ou intransitivo) • Funções relacionais (conectivos): conjunção, prepo- sição, verbo de ligação. • Funções estruturais: substantivo, adjetivo, artigo, pronome, numeral, advérbio. • Funções estilísticas: interjeição e palavras denotati- vas. Está ficando mais fácil? Essas articulações serão apro- fundadas a partir do texto IV. Continue. É só um teste. 58 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 2) Errado. O vocábulo “travessura” não é adjetivo. É subs- tantivo. 3) Errado. O vocábulo “danação” (derivado do verbo danar) é substantivo. Reveja: danação eterna (substantivo + adjetivo). 4) Errado. Veja que a primeira ocorrência da palavra que não retoma antecedente. No caso, é uma conjunção inte- grante. Já a segunda ocorrência da palavra que retoma o antecedente “um padre”. É pronome relativo. 5) Certo. Para e com são preposições essenciais. 6) Certo. Isso (pronome demonstrativo) e o = aquilo (prono- me demonstrativo). 7) Certo. Que (conjunção integrante – Creio que o vinho era bom. Lembre-se de que o advérbio “sim” substitui a ora- ção “que o vinho era bom”. Por isso, o advérbio “sim” tem função vicária); “Mas” (conjunção adversativa). Ambas são conectivos oracionais. 8) Errado. Locução adjetiva é aquele termo preposicionado que caracteriza o substantivo. É o caso de “vinho de missa” (substantivo + locução adjetiva). Já em “guardado numa ade- ga”, temos locução adverbial de lugar modificando o verbo. QUESTÃO 4 1) Certo. Lembre-se: SUBSTANTIVO (Palavra nuclear) – Do ponto de vista semântico, o substantivo é a palavra que denomina os seres em geral. Morfossintaxe: O substantivo (ou palavra com valor substantivo funcio- nará sempre como núcleo dos termos). Observe: 59 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I Ex.: Nossos ídolos ainda são os mesmos. (núcleo do su- jeito) Encontramos os livros na estante. (núcleo do objeto direto) Todos carecem de respeito. (núcleo do objeto indireto) As informações são úteis ao povo. (núcleo do com- plemento nominal) As estrelas pareciam grandes olhos azuis. (núcleo do predicativo do sujeito) A criança foi avistada pelo diretor. (núcleo do agente da passiva) Naquela tarde, lembrei-me dos bons momentos. (nú- cleo do adjunto adverbial) 2) Errado. O substantivo “terreno” é núcleo do objeto direto (complemento do verbo “oferece”), ao passo que o substan- tivo “país” é núcleo do sujeito do verbo “recebe”. LEMBRE-SE Quando comandos de questões tratarem do paralelismo sintático, as palavras ou termos destacados deverão exercer a mesma função sintática. Observe: Há paralelismo sintático no que concerne aos substan- tivos destacados no texto abaixo: “A moça entrou e viu o corpo estendido no chão. Ela não esperava viver tal situação.” (Ambos exercem a função sintática de OBJETO DI- RETO, respectivamente, dos verbos “viu” e “viver”) 3) Certo. Relembremos a classificação dos substantivos: • Comum – designa todos os seres de uma mesma espé- cie. Ex.: mesa, porta. • Próprio – designa determinado ser de uma espécie. Ex.: Fortaleza, Código Civil. 60 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) • Concreto – indica os nomes de lugares, pessoas, animais e coisas. Ex.: Deus, livro. • Abstrato – indica qualidade (ex.: beleza), sentimento(ex.: amor), sensações (ex.: dor), ações (ex.: análise) ou estados (ex.: morte). • Primitivo – é o substantivo que não nasce de outra palavra. Ex.: rio, alma, saudade. • Derivado – é o substantivo que se forma a partir de outra palavra. Ex.: velocidade • Simples – formado por uma só palavra. Ex.: noite, sol, praça, Deus. • Composto – formado por mais de uma palavra. Ex.: girassol, beija-flor. • Coletivo – indica uma reunião, uma coleção de seres de uma mesma espécie. Ex.: acervo (obras de arte); bando (aves, crianças). OBSERVAÇÃO IMPORTANTE Chamam-se substantivos abstratos aqueles que designam como seres determinadas noções, estados e qualidades. De um papel, de um pano, de uma nuvem, abstrai-se a ideia de brancura. Brancura é, assim, um substantivo abstrato. Da ideia de morrer, tira-se a ideia de morte. Já os substantivos concretos designam os seres propriamente ditos, ou seja, os nomes de pessoas, de lugares, de um gênero, de uma espécie: mulher, cão, Câmara, vila, João, Ilhéus. 4) Errado. A palavra ser tem valor de legítimo substantivo e é sinônimo de homem, pessoa, criatura, indivíduo. Observe a diferença: “O correr da moça impressionou-me” (verbo usado substantivamente). Portanto, 61 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I LEMBRE-SE Todo verbo tem uma forma que pode ser usada subs- tantivamente: é o infinitivo. Embora haja o substan- tivo queda, pode-se dizer também ao cair da tarde. O infinitivo pode ser tratado, na mesma frase, como substantivo e como verbo, conforme na frase Aquele não falar-lhe era o que mais doía. Embora o infinitivo tenha suas próprias desinências, pode não raramente adotar o plural de um substantivo. Vejam-se estas duas frases, cada uma delas com uma forma de plural: “O que havia mais sério nas agressões de Montepoliziano era o envolverem uma ofensa pessoal ao infante” (Herculano); “Em um desses volveres do espírito à obra começada” (Alencar). Não são raros os infinitivos encontrados mais como substantivos: o vagar, o volver, etc. 5) Errado. É substantivo epiceno (mosquito macho e mosquito fêmea). ENTENDA MELHOR • Gêneros – masculino: gato, homem – feminino: gata, mulher ATENÇÃO Alguns substantivos têm um único gênero: são os subs- tantivos uniformes. – comum de dois gêneros (o balconista / a balconista) – epiceno (baleia macho / baleia fêmea) – sobrecomum (a vítima / a testemunha) • Número – singular: pedra, mar – plural: pedras, mares 62 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) • Graus – aumentativo analítico: casa – casa enorme – aumentativo sintético: casa – casarão – diminutivo analítico: casa – casa pequena – diminutivo sintético: casa – casinha/casebre 6) Errado. A segunda e a sexta ocorrências são exemplos de preposições (apenas conectam palavras), uma vez que não definem substantivos femininos. Uma lição sobre o artigo: ARTIGO é a palavra que se coloca antes do substan- tivo para determiná-lo (ou indeterminá-lo) e também para indicar-lhe o gênero e o número. Morfossintaxe: O artigo, como acompanha o nome, será sempre adjunto adnominal. Ex.: O jagunço trouxe um animal. No Brasil, todos desconfiam dos políticos. ATENÇÃO O artigo sempre concorda em gênero (masculino/femini- no) e número (singular/plural) com o substantivo a que se refere. Artigos definidos: O, A, OS, AS. Artigos Indefinidos: UM, UMA, UNS, UMAS. Substantivação Toda palavra ou expressão que apresentar artigo antes de si passa a ser considerada substantivo. Esse processo é o que se chama substantivação ou derivação imprópria. Ex.: O sonhar é importante. (Classe gramatical: SUBSTAN- TIVO/ Função sintática: NÚCLEO DO SUJEITO) 63 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I OBSERVAÇÕES IMPORTANTES 1. Além de suas formas simples, os artigos definidos apre- sentam formas em que se combinam com as preposições a, de, em, por, o que dá origem a ao, do, nas, pelos, etc. 2. Quando o artigo definido feminino (a, as) se combina com a preposição a, forma-se a crase, encontro de duas vogais idênticas, escritas uma ao lado da outra no por- tuguês arcaico (aa) e hoje representadas com um acento grave (à): Elas chegaram cedo à cidade. 3. Os artigos indefinidos combinam-se com as preposi- ções em e de, o que dá origem a num, numa, nuns, numas, dum, duma, etc. 4. Antes de nomes próprios de pessoa, a presença do artigo é de uso coloquial e familiar: “O João está?”, “A Maria já foi embora”, dando também conotação de informalidade o uso do artigo anteposto aos adjetivos possessivos, como em o meu pai, a nossa menina, etc. Em contrapartida, a omissão do artigo, nesses casos, dá à frase um toque de elegância. 5. Também se omite o artigo antes de certas expressões de tratamento, antes de palavras como terra e bor- do quando usadas como antônimos (Os passageiros vieram de bordo para terra) e antes da palavra casa, quando não se refere a uma moradia específica (Che- gou cedo a casa). Alguns nomes de cidade são empre- gados com artigo (o Rio de Janeiro, o Cairo, o Porto; opcionalmente, o Recife). 7) Certo. Veja a diferença: “violência urbana” (uma palavra apenas caracteriza o substantivo), “áreas de risco” (expres- são preposicionada caracteriza o substantivo). Mais uma lição: ADJETIVO é a palavra que acompanha o substantivo para indicar as qualidades ou características desse substantivo. 64 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) Morfossintaxe: O adjetivo pode funcionar como adjunto adnominal ou nome predicativo. Analise cuidadosamente os seguintes pe- ríodos: 1. O progresso material não acontece repentinamente. (Adjunto adnominal) 2. Nossos sonhos parecem impossíveis. (Predicativo do sujeito) 3. Considero sua atitude infantil. (Predicativo do objeto) LEMBRE-SE A função de predicativo também pode ser exercida pelo substantivo. Ex.: A comunicação é uma necessidade vital. (Classe gramatical: SUBSTANTIVO./ Função sintática: NÚ- CLEO DO PREDICATIVO DO SUJEITO) Locução adjetiva É toda expressão (em geral formada de: preposição + subs- tantivo) que exerce função de adjetivo, isto é, caracteriza o substantivo. Sintaticamente, funciona como adjunto adnominal. Ex.: O sonho de criança me emociona. (de criança = pue- ril, infantil) Substantivação do adjetivo É bastante comum a utilização do adjetivo como subs- tantivo. Esse fato ocorre quando, antes do adjetivo, coloca-se um artigo. Ex.: Os desobedientes devem ser punidos. (Classe gra- matical: SUBSTANTIVO./Função sintática: NÚCLEO DO SUJEITO) Flexões do adjetivo • Gêneros – masculino: novo, franco – feminino: nova, franca 65 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I • Números – singular: útil, lenta – plural: úteis, lentas Graus Comparativo • de inferioridade Ex.: Ele é menos MAGRO que você. • de igualdade Ex.: Ele é tão MAGRO quanto você. • de superioridade (analítico e sintético) Ex.: Seu pai é mais experiente (analítico) que o meu. Suas dificuldades são menores (sintético) que as mi- nhas. (Lembre-se de que “menores” corresponde a “mais pequenas” – em desuso – ; por isso fala-se em grau de superioridade). Superlativo • relativo de superioridade (analítico e sintético). Ex.: Ela é a mais bela das moças. Ele recebeu o maior dos elogios. • relativo de inferioridade Ex.: Aquela moça era a menos simpática de todas. • absoluto analítico Ex.: Aquele artista era muito negro. • absoluto sintético Ex.: Aquele artista era nigérrimo. OBSERVAÇÕES IMPORTANTES 1. Reforçando, o adjetivo diz-se substantivado quan- do, antecedido de um determinativo (geralmente um artigo), não funciona como termo determinante de nenhum substantivo: odesagradável da situação 66 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) (comparar com “uma situação desagradável”, em que “desagradável” funciona como adjetivo). 2. O adjetivo pode ser substituído por palavras ou ex- pressões de outra classe gramatical, bem como por orações: • O rio gigante (substantivo em função de adjetivo); • A poltrona sem comodidade (locução formada por preposição + substantivo, substituível por “incô- moda”); • A escrita que não se consegue ler (oração de valor adjetivo, equivalendo a “ilegível”). 3. Os adjetivos que se referem a continentes, países, re- giões, estados, cidades, províncias, vilas e povoados denominam-se pátrios (europeu, alemão, amazônico, paraense, campista, minhoto, etc.); os que se aplicam a raças ou povos, denominam-se gentílicos (latino, ger- mânico). Os sufixos -ês ou -ense, -ão ou –ano são os mais usados para a formação de adjetivos pátrios e gentílicos. Nos adjetivos pátrios compostos, o primeiro elemento assume forma alatinada, em geral reduzida: anglo-germânico, austro-húngaro, euro-asiático, fran- co-italiano, greco-latino, hispano-americano, indo-eu- ropeu, ítalo-suíço, galaico-português, luso-brasileiro, sino-soviético. Entendeu? 8) Errado. Em “O Brasil deu um passo adiante para conviver com o mal” (l. 30), temos artigo indefinido (diferente de “O Brasil deu apenas um passo”, em que teríamos numeral), e em “Manaus registrou 58 ocorrências de dengue hemorrá- gica”, temos, sim, numeral. Vejamos: 67 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I NUMERAL é toda palavra que indica quantidade, número de ordem, múltiplo ou fração. Ex.: Ele venceu cinco partidas. (quantidade) Não teremos a sexta aula. (ordem) Ele gastou o cêntuplo que você. (múltiplo) Dois terços das pessoas vieram. (fração) Morfossintaxe: Numeral substantivo (substitui o substantivo) = núcleo dos termos. Numeral adjetivo (acompanha o substantivo) = adjunto adnominal. Ex.: Os dois devem procurar a tesouraria. (Núcleo do su- jeito) Os três navios naufragaram. (Adjunto adnominal) • Numerais Cardinais: indicam uma quantidade de seres. Ex.: Ele conhece os sete pecados capitais. • Numerais Ordinais: indicam a posição que um deter- minado ser ocupa em uma sequência, em uma série. Ex.: O Brasil é considerado a oitava potência mundial? • Numerais Multiplicativos: indicam o aumento propor- cional da quantidade. Ex.: Teremos o triplo de ações no próximo semestre. • Numerais Fracionários: indicam a divisão proporcional da unidade. Ex.: Três centésimos de professores estão insatisfeitos. Leitura dos numerais Na indicação de reis, papas, séculos, capítulos e outros, sempre que o numeral vier depois do substantivo, deve-se usar os ordinais até dez (primeiro, segundo, ... décimo) e a partir daí deve-se usar os cardinais (onze, doze, etc.). Ex.: século III (terceiro), século XI (onze), capítulo X (dé- cimo), Carlos V (quinto). 68 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) OBSERVAÇÕES IMPORTANTES 1. Figuradamente, o numeral pode expressar número indeterminado, como, por exemplo, na frase: “Já lhe disse isso mais de mil vezes.” 2. Em datas, quando se trata do primeiro dia do mês, dá-se preferência ao ordinal: primeiro de janeiro (e não um de janeiro). QUESTÃO 5 0) Certo. Veja que em “nem pela fogueira a qual acendeu mi- nha face esquerda”, a palavra que pode ser substituída pela forma a qual e retoma o antecedente a fogueira (sujeito da forma verbal “acendeu”). Portanto, esclareçamos alguns detalhes: PRONOME é a palavra que acompanha ou substitui o substantivo. Morfossintaxe: Pronome substantivo (substitui o nome): núcleo dos termos. Pronome adjetivo (acompanha o nome): adjunto adno- minal. Ex.: Todos lhe disseram a verdade. (Núcleo do sujeito e do objeto indireto, respectivamente) Nossos assessores entregaram aquele relatório. (Ad- juntos adnominais) O PRONOME RELATIVO pode exercer diferentes funções sintáticas: 1. O pintor apresentou os quadros que estavam sobre a mesa. (O que substitui o antecedente “quadros” e tem função sintática de SUJEITO do verbo “estavam”). 69 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I 2. O pintor apresentou os quadros que você comprou. (O que substitui o antecedente “quadros” e tem função sintática de OBJETO DIRETO do verbo “comprou”). 1) Errado. Nesse caso, temos PARTÍCULA EXPLETIVA ou de realce. Que partícula é essa, professor Fernando Moura? É aquela que pode ser retirada sem prejuízo sintático. Mas lembre-se: se retirada, haverá prejuízo semântico, pois deixaremos de realçar um termo. Expliquemos melhor. O trecho ‘‘Foi com disfarçada alegria que eu senti a mão do Mano sobre o meu ombro” pode ser reescrito da seguinte maneira: “Com disfarçada alegria foi que eu senti a mão do Mano sobre o meu ombro”. Ao se retirar o termo em negrito, obtém-se: ‘‘Com disfarçada alegria eu senti a mão do Mano sobre o meu ombro”. Houve algum prejuízo sintático? Não. As palavras “foi” e “que” são, portanto, elementos expletivos e não apresentam função morfossintática. 2) Certo. Observe: “... mas até que ponto isso lhe (objeto indi- reto) dá (verbo transitivo direto e indireto: quem dá dá algo a alguém) direito (objeto direto) de escravizar (verbo transi- tivo direto: quem escraviza escraviza algo) o meu corpo e a minha consciência?’’ (de os escravizar ou escravizá-los). LEMBRE-SE Os pronomes O, A, OS, AS substituem o objeto direto. Ex.: Estabeleci os rumos da sua ação./ Estabeleci-os. Já o pronome LHE pode ter as seguintes funções sintáticas: 1. Objeto indireto: Transmiti-lhe a mensagem. (Com- plemento do verbo “Transmiti”). 70 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 2. Adjunto adnominal: Fechei-lhe a porta na cara. (Fechei a porta na sua cara). Tem valor de pronome possessivo. Portanto, é ADJUNTO ADNOMINAL do substantivo “cara”. 3. Complemento nominal: Meu papel lhe é útil. (Subor- dinado ao adjetivo “útil”/ lhe = a ele). 3) Errado. É transitivo direto. O objeto direto aparece depois da interrupção: “Pela primeira vez eu contestei, ainda que só para mim mesmo, esse direito...” (quem contesta contesta algo). Então, vejamos: VERBO é a palavra que designa processo (ação, estado, mudança, aparência, fenômeno da natureza) Morfossintaxe: O verbo funciona como núcleo do predicado. Exceção: verbo de ligação (função conectiva). Ex.: As crianças sorriam no parque. (Verbo intransitivo: núcleo do predicado verbal) Um bêbedo solitário atravessou a rua. (Verbo transi- tivo direto: núcleo do predicado verbal) A situação parece tranquila. (Verbo de ligação: o pre- dicativo funciona como núcleo do predicado) 4) Certo. No trecho, os termos destacados modificam o valor semântico do verbo “batera”. Observe: Nunca (advérbio de tempo) me batera – batera de mão aberta (locução adverbial de modo/ preposicionada) – batera em plena cara (locução adverbial de lugar/preposicionada). LEMBRE-SE ADVÉRBIO é a palavra que modifica o verbo, o adjetivo ou outro advérbio, pois exprime circunstância (de tem- po, lugar, modo, etc.) Existem, portanto, advérbios indicadores de: • Modo – Tristemente um balão solitário caiu no meio da avenida. 71 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I • Tempo – Hoje ouvi um diálogo entre as nuvens. • Afirmação – Sim, eu já vou embora. • Lugar – Lá na cidade é tudo tão alto. • Negação – Não deixou de sofrer tão cedo. • Intensidade – Choveu bastante. • Dúvida – O sol talvez permaneça fora mais um pouco. • Interrogação – Ficou só para saber onde guardaria os velhos retratos. Morfossintaxe: O advérbio e as locuções adverbiais funcionam, sintatica- mente, como adjuntos adverbiais de acordo coma circuns- tância que exprimem. Encontraremos nossos metais amanhã. (Classe gramatical: ADVÉRBIO/ Função sintática: ADJUNTO ADVERBIAL DE TEMPO) Locução adverbial Expressão formada por mais de uma palavra, preposi- cionada, com valor de advérbio (circunstância). Sintati- camente, é adjunto adverbial. Ex.: À noite os assaltantes invadiram a residência do em- baixador. (locução adverbial de tempo) Cumpriu de bom grado as tarefas que lhe confiaram. (locução adverbial de modo) Avistava-se de longe uma belíssima cachoeira. (lo- cução adverbial de lugar) OBSERVAÇÕES IMPORTANTES 1. Advérbios interrogativos. São palavras ou expressões que, nas interrogações diretas ou indiretas, indicam cir- cunstâncias de causa (Por que não dizes a verdade? Que- ro saber por que não dizes a verdade), lugar (Onde mora sua irmã? Não sei onde mora sua irmã), modo (Como passa você? Diga-me como passa você) e tempo (Quando prestarás exame? Quero saber quando prestarás exame). 72 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 2. Advérbios em “mente”. Quando dois ou mais advér- bios em “mente” modificam a mesma palavra, costu- ma-se conservar o sufixo apenas no último da série. Ex.: Discursou lógica e serenamente. 3. Palavras de classificação à parte. A Nomenclatura Gra- matical Brasileira deu classificação à parte a determinadas palavras habitual e impropriamente incluídas entre os advérbios. Na verdade, são chamadas de palavras deno- tativas. Palavras que denotam, entre outras circunstân- cias, continuação (Mas você ainda não sabe da novidade... Então é certo que ele ficou zangado?), designação (Eis-me aqui), exclusão (Todos saíram, menos eu. Salvo Antônio, todos concordam), explicação (Os batráquios, a saber, os sapos, rãs e pererecas... O Brasil, isto é, o maior país da América do Sul...), inclusão (Mesmo os mais avisados po- dem errar. Inclusive os mais velhos não souberam como agir), realce (Eu cá não me incomodo. Ele é que sabe), retificação (Encontrei quinze, aliás, vinte pessoas. Passou toda a tarde tocando, digo, arranhando o violino). 5) Certo. A preposição corresponde a um conectivo nominal, uma vez que sua função precípua é conectar palavras. Já a conjunção tem a função precípua de conectar orações (conec- tivo oracional, portanto). Observe: ‘‘Tá certo / que (conjunção) a mãe me pôs sob (preposição) os cuidados dele/ (...) mas (conjunção) até que ponto isso lhe dá direito de escravizar o meu corpo e a minha consciência?’’. SAIBA MAIS Afinal, qual a diferença entre preposição e conjunção? PREPOSIÇÃO é a palavra que liga palavras (ou orações – com conjunção implícita), subordinando-as. 73 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I Observe os exemplos de ligação: • subordinando palavras: Voou até o Sol com a notícia. Nós víamos folhas de papel prontas para nossas canetas. • subordinando orações: apenas as subordinadas reduzi- das de infinitivo são ligadas à oração principal por meio de preposição. Nesse caso, a conjunção fica implícita. César gostaria apenas de fechar os olhos. (Observe a conjunção implícita: “César gostaria apenas de que fechasse os olhos”). Morfossintaxe: A preposição NÃO TEM FUNÇÃO SINTÁTICA. Funciona apenas como CONECTIVO. Locução prepositiva Expressão com valor de preposição, normalmente as lo- cuções prepositivas terminam em preposições: para com, por sobre, exceto em, acima de, abaixo de, junto a, quanto a, à procura de, à moda de, à disposição de, não obstante, apesar de, graças a, etc. OBSERVAÇÕES IMPORTANTES 1. Em português, as preposições introduzem os objetos indiretos (dar um livro a alguém), excepcionalmente também os objetos diretos (amar a Deus), os comple- mentos nominais (medo de chuva), os adjuntos adno- minais (mesa de vidro), os adjuntos adverbiais (fugir com pressa) e, às vezes – o que constitui uma anomalia sintática –, os predicativos (tachou-o de ignorante). 2. Um traço característico das preposições em língua portuguesa é que somente elas têm o privilégio de introduzir as formas pronominais mim, ti e si, como nos exemplos: Veio a mim./ Entre mim e ti não pode haver nada./ E ela fala por si. 3. As preposições portuguesas classificam-se em: 74 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 3.1. Essenciais, herdadas diretamente do latim (a, ante, com, contra, de, em, entre, per, por, sem, sob, sobre, trás), ou indiretamente, como resultado da aglutinação de duas ou mais preposições latinas (após, até, desde, para, perante); 3.2. Acidentais, provenientes de palavras que, providas de significação (nomes, verbos), transformaram-se em vocábulos gramaticais: afora, conforme, consoante, durante, exceto, fora, mais, mediante, menos, não obstante, salvo, segundo, senão, tirante, visto, etc. 4. Embora as preposições apresentem ampla variedade de usos diferentes no discurso, pode-se estabelecer para cada uma significação fundamental, aplicável aos cam- pos espacial, temporal e nocional. Assim, a preposição com, por exemplo, exprime a ideia de uma situação de associação (mora com a mãe), enquanto ante, perante e após denotam uma situação em relação a um limite. CONJUNÇÃO é a palavra que liga palavras e, principal- mente, orações. Ex.: Estamos aqui, mas não observaremos o material. A lei permite que o sujeito fique livre. Morfossintaxe: Como a preposição, a conjunção não tem função sintática. É apenas um CONECTIVO. Uma preocupação de quem lê e escreve é ver se os conec- tores estão empregados com precisão. A toda hora fazemos uso deles. Por isso, veja a seguir uma lista sucinta desses conectivos e suas respectivas funções. Classificam-se em co- ordenativas e subordinativas. As conjunções coordenativas dividem-se em cinco tipos: • aditivas, que expressam ideia de soma: “O trabalho gera riqueza e produz alegria.” “Não hesitaremos nem desistiremos.” 75 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I • adversativas, que relacionam elementos contrastantes: “Foi a Roma, mas não viu o papa.” • alternativas, que relacionam elementos excludentes: “Dinheiro demais ou é bênção ou maldição.” “Quer queiras, quer não queiras, irás comigo.” • conclusivas, que exprimem ideia de conclusão: “Estudou bastante, logo deve ser aprovado.” • explicativas, que exprimem explicação, motivo: “Não vás, porque te arrependerás.” A Nomenclatura Gramatical Brasileira reconhece dez tipos de conjunção subordinativa: • integrantes, que encabeçam orações que servem de sujeito, objeto, complemento nominal, predicativo ou aposto a outra: “É necessário que acabemos logo.” “Não sei se isto é válido.” • causais, que justificam o exposto na oração anterior: “Os preços caíram porque cresceram as importações.” “Por que não vais a ele, se é tão amigo teu?” • concessivas, que indicam um fato contrário à ação prin- cipal, mas insuficiente para anulá-la: “Insistiu em sair, embora fosse tarde.” • condicionais (se, caso, contanto que, etc.), que põem a oração subordinada em relação de condição, hipótese ou suposição para com a principal: “Caso viaje, não poderei estar contigo.” • conformativas, que exprimem a conformidade da ora- ção subordinada com a principal: “Esses dados, conforme já anunciado, são falsos.” • finais, que iniciam orações indicativas da finalidade da principal: “Fale baixo, para que Marta não acorde.” • proporcionais, que introduzem orações nas quais se menciona na subordinada um fato realizado ou a rea- lizar-se simultaneamente com o da principal: 76 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) “À medida que a cidade crescer, mais difícil será resolver seus problemas.” • temporais, que iniciam uma oração subordinada indi- cadora de circunstânciade tempo: “Quando estiveres irado, conta até dez.” “Mal chegou, foi começando a gritar.” • comparativas, que ligam à principal uma subordinada que encerra comparação: “Nada é mais caro que a ignorância.” • consecutivas, que iniciam uma oração na qual se indica consequência do que foi declarado na anterior: “Trabalhe sério, de modo que o respeitem.” Vale a pena ressaltar que a INTERJEIÇÃO, palavra que exprime emoções, não tem função sintática. • Viva! (alegria) • Psiu! Fiquem atentos! (pedido de atenção) • Tomara que Simone consiga! (desejo) PODEMOS SINTETIZAR O NOSSO ESTUDO ASSIM: • Funções substantivas – sujeito, complementos verbais (objeto direto, objeto indireto), complemento nominal, agente da passiva, aposto, predicativo, vocativo. • Funções adjetivas – adjunto adnominal, predicativo. • Função adverbial – adjunto adverbial. QUESTÃO 6 0) Certo. Primeira regra: não coloque vírgula entre o sujeito e o verbo, entre o verbo e o sujeito. Se houvesse uma inter- rupção, as entrevírgulas apareceriam: “... o Parque Nacio- nal da Serra dos Órgãos, há vários séculos, abriga uma imensa reserva de Mata Atlântica”. 77 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I 1) Certo. Leia o trecho com a vírgula: “Para se ter noção do risco que a Mata Atlântica corre, à época do descobrimen- to do Brasil, a floresta apresentava uma área equivalente a um terço da Amazônia”. Não se sabe se a Mata Atlântica corre risco desde a época do descobrimento do Brasil, ou se à época do descobrimento do Brasil a floresta apresen- tava uma área equivalente. Ficamos com a segunda inter- pretação. Então, retiramos a vírgula após o substantivo “Brasil”. 2) Errado. Os termos “Estatísticas” e “70% da população bra- sileira” são sujeitos, respectivamente, dos verbos “indi- cam” e “vivem”. Lembre-se: vírgula proibida entre o sujeito e o verbo. 3) Certo. “Spix estudou a fauna; Von Martius (estudou) a flo- ra”. Sempre que o verbo ficar subentendido (elipse verbal), a vírgula será obrigatória. 4) Errado. A vírgula entre o sujeito e o verbo é proibida. 5) Certo. Lembre-se: a vírgula é também questão de bom senso. Leia o trecho sem a vírgula: “... que auxiliou na demarcação da reserva mais de um século depois” (como se “reserva mais de um século depois” fosse uma uni- dade semântico-sintática). O sentido (carga semântica) é alterado. A proposta é: “... que auxiliou na demarcação da reserva, (quando?) mais de um século depois”. 78 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) EXERCÍCIOS DE APLICAÇÃO NÍVEL 1 Considerando as articulações morfossintáticas estudadas neste capítulo, julgue os itens a seguir: 1. Por não derivarem de outras palavras, os substantivos “flor”, “pedra” e “artista” são primitivos. 2. São concretos os substantivos que nomeiam divindades (Deus, anjos, almas) e seres fantásticos (fada, duende, saci), pois, existentes ou não, são sempre considerados seres com vida própria. 3. Em razão de designarem ideias ou conceitos, cuja existên- cia está vinculada a alguém ou a alguma outra coisa, os substantivos “justiça”, “amor”, “trabalho” e “honra” são abstratos. 4. Os substantivos “criança” e “indivíduo” são comuns-de- -dois-gêneros. 5. Substantivos próprios são sempre concretos e devem ser grafados com iniciais maiúsculas. 6. Alguns substantivos, quando mudam de gênero, alteram também a carga semântica. É o que ocorre nos seguintes exemplos: o cabeça (líder) x a cabeça (parte do corpo), o grama (unidade de medida) x a grama (planta). 7. Os substantivos “óculos”, “núpcias”, “pêsames” exigem determinantes – como artigos, pronomes, adjetivos, nu- merais – somente no singular: o óculos, núpcias perfeita, meu pêsames. 8. Os substantivos “cartão” e “cartilha” estão flexionados, respectivamente, no grau aumentativo e no grau diminu- tivo. 79 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I 9. O plural de “primeiro-ministro” corresponde a “primei- ros-ministros”. 10. Nas construções “Já encontramos os documentos neces- sários” e “Eles são os que mais irritam”, há duas ocor- rências do artigo definido masculino plural. 11. Em “Uma pessoa lhe telefonou” e “Uns e outros insetos faziam barulho na rua”, há duas ocorrências do artigo indefinido masculino plural. 12. É facultativo o uso do artigo com os pronomes possessi- vos: “Sua intenção era das melhores” ou “A sua intenção era das melhores”. 13. Os substantivos “Bahia”, “Amazonas”, “Santa Catarina”, “Goiás” e “Andes” admitem o artigo. 14. Em “Ele falava com uma segurança que impressionava a todos”, o artigo indefinido tem a função de realçar (dar intensidade a) uma ideia. 15. Em “Toda a casa ficou alagada” e “Toda casa deve ter segurança”, há paralelismo semântico. 16. Na construção “Ambas as partes chegaram a um acordo”, o emprego do artigo definido é opcional. 17. Na frase “Visitei um artista cujos quadros são famosos”, falta artigo definido antes do substantivo “quadros”. 18. Nas construções “terno preto”, “prédio redondo”, “che- que frio”, “pequena empresa”, os adjetivos designam, respectivamente, cor, forma, temperatura, proporção. 19. Se os poemas são heróis e cômicos, são “poemas herói- -cômicos”. 20. Variam-se, em número, todos os elementos que com- põem os seguintes adjetivos compostos: surdo-mudo, verde-mar, azul-marinho, cor-de-rosa. 21. O plural de “lente côncavo-convexa” corresponde a “len- tes côncavas-convexas”. 22. O plural de “olho verde-lagoa” corresponde a “olhos ver- de-lagoas”. 23. Em “Senadores são tão competentes quanto deputados”, o adjetivo “competentes” está no grau comparativo de 80 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) igualdade, que pode ser determinado pelas locuções: tanto...quanto, ...assim como..., tão... quanto, ...do mesmo jeito que..., e outras variações. 24. Ao se utilizar do grau comparativo de superioridade (“A ciência é mais consciente do que a ideologia”) ou do grau comparativo de inferioridade (“A ideologia é menos consciente do que a ciência”), o redator pode dispensar a forma “do”, sem função morfossintática. 25. Em “conselho de mãe”, “dor de estômago” e “período da tarde”, os termos preposicionados constituem locuções adjetivas. 26. Em “É óbvio que isto é melhor que aquilo!”, há dois pro- nomes demonstrativos. 27. No trecho “Fui professora durante minha juventude, mas já não o sou agora”, o vocábulo destacado corresponde a um pronome demonstrativo com função catafórica. 28. Na construção “Fá-lo-ei, libertarei o Brasil do domínio português”, o vocábulo destacado corresponde a um pronome demonstrativo com função anafórica. 29. Em “Os nossos sonhos estão perdidos de nós mesmos” e “Sei o que cabe a mim fazer”, os pronomes “nós” e “mim” são oblíquos tônicos. 30. Na frase “O artista se matou hoje pela manhã”, o pronome “se” indica reflexivização do verbo. 31. Em “O deputado e o delegado se entenderam depois do conflito”, o pronome “se” indica reflexivização e recipro- cidade. 32. A construção “Vossa Majestade deveis exigir a manifes- tação de vossos súditos” está em consonância com a norma culta da língua portuguesa. 33. Em “Certos objetos chegam na hora certa”, os vocábulos “Certos” e “certa” apresentam igual função morfossintá- tica. 34. Na construção “Ela me mostrou uma página de que eu gostei”, o vocábulo “que” funciona como pronome rela- tivo. 81 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I 35. Em “Quem editou este artigo?”, o vocábulo destacado constitui pronome interrogativo substantivo. 36. No enunciado “Muito já fiz”, destacou-se advérbio de intensidade. 37. Caso se substitua o objeto direto na construção “É impor- tante definir as estratégias”, obter-se-á, em estiloformal culto, a construção “É importante definí-las”. 38. Caso se substitua o objeto direto na construção “É ne- cessário destruir a prova”, obter-se-á, em estilo formal culto, a construção “É necessário destruí-la”. 39. Em “Às vezes, as palavras possuem duplo sentido” e em “Arrecadou-se o triplo dos impostos relativos ao ano passado”, registraram-se numerais multiplicativos. 40. As expressões “às pressas, à toa, às cegas, às escuras, às vezes, de quando em quando, de vez em quando, à direita, à esquerda, em vão, frente a frente, de repente, de maneira alguma”, usadas em textos diversos, são lo- cuções adverbiais. 41. Algures (= em algum lugar), alhures (= em outro lugar), nenhures (= em nenhum lugar) são, do ponto de vista morfológico, advérbios. 42. Em “Nunca fui vadio e jamais traí meus compatriotas”, “Nunca” e “jamais” servem de advérbios temporais ou de negação. 43. Nas construções “Havia pouco entusiasmo no local” e “O atleta dormiu pouco durante a noite”, a palavra “pouco”, nas duas ocorrências, exerce igual função morfossintá- tica. 44. Na frase “A sociedade agiu contra a ética”, o vocábulo “contra” classifica-se como preposição essencial. 45. Em “Agimos conforme a atitude deles”, “Obtiveram como resposta um bilhete” e “Ele terá que fazer o trabalho”, destacaram-se preposições acidentais. 82 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 46. Em “O presidente falou a respeito de crise econômica”, a estrutura “a respeito de” corresponde a uma locução prepositiva, assim como “junto de, por cima de, em cima de, acerca de, a fim de, apesar de, através de, de acordo com, em cima de, em vez de, junto de, à procura de, à busca de, à distância de, além de, antes de, depois de”, entre outras. 47. As construções “Isso não depende de o professor que- rer” e “Isso não depende de ele querer” não estão em conformidade com o padrão culto da linguagem. 48. Nos trechos “Estivemos em São Paulo”, “Essas ginastas vieram do Japão”, “Recebeu a herança do avô paterno” e “Adquiriu roupas de lã”, as preposições indicam, respec- tivamente, as ideias de lugar, origem, posse e matéria. 49. Em “Dize-me com quem andas, que eu te direi quem és”, a palavra “que” corresponde a conjunção coordenativa aditiva. 50. Na construção “Como o calor estivesse forte, pusemo- -nos a andar pelo Passeio Público”, a palavra “Como” corresponde a conjunção subordinativa causal e admite a substituição por “Porque” ou “Porquanto”. NÍVEL 2 1. (Cespe) Todas as opções contêm associação correta en- tre os vocábulos sublinhados e as respectivas classes gramaticais, exceto. a) “havia uma efígie feminina estampada” / substantivo / adjetivo / adjetivo. b) “eles eram neutros, imponentes e prestigiados”/ adje- tivo / adjetivo / adjetivo. c) “há uma simbologia política brasileira” / substantivo / adjetivo / adjetivo. 83 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I d) “conheci o numismata paulista Cláudio Amato”/ ad- jetivo / adjetivo / substantivo. e) “eram cenas tradicionais de sua paisagem” / substan- tivo / adjetivo / substantivo. 2. (Cespe) Assinale a sequência correta no que se refere à classe gramatical dos vocábulos sublinhados no texto a seguir. Neologismo Beijo pouco falo menos ainda Mas invento palavras Que traduzem a ternura mais funda E mais cotidiana. Inventei, por exemplo, o verbo teadorar Intransitivo: Teadoro, Teodora. (Manuel Bandeira) a) verbo – advérbio – pronome – conjunção. b) substantivo – advérbio – conjunção – conjunção. c) verbo – pronome – pronome – preposição. d) substantivo – pronome – conjunção – conjunção. 3. (Cespe) Leia o texto abaixo. Nosso século é o da aceleração tecnológica e científica, que se operou e continua a se operar em ritmos antes inconcebíveis. Foram necessários milhares de anos para passar do barco e remos à caravela ou da energia eólica ao motor de explosão; e em algumas décadas se passou do dirigível ao avião, da hélice ao turborreator e daí ao foguete interplanetário. No texto, 0) o sinal indicativo de crase, obrigatório antes de “cara- vela” (l. 4), justifica-se pela ocorrência de um objeto indireto construído por um substantivo feminino. 84 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 1) as partículas “se”, presentes nas linhas 2 e 5, perten- cem todas à mesma classe gramatical e desempenham igual função sintática. 2) há quinze substantivos, a maioria concretos, dos quais quatro estão qualificados por cinco adjetivos. 4. (Cespe) Tomando como parâmetro a forma flexionada lugares-comuns, indique a opção em que os dois elemen- tos dos dois substantivos compostos recebem a marca de plural. a) cavalo-vapor / guarda-roupa. b) decreto-lei / matéria-prima. c) salvo-conduto / vice-diretor. d) comandante-em-chefe / marca-d’água. e) surdo-mudo / bem-falante. 5. (Cespe) Assinale a opção em que o plural do substantivo composto está incorreto. a) Os funcionários fizeram muitos abaixo-assinados so- licitando reformas. b) Os salários-família recebidos pelos funcionários são insuficientes. c) Os guardas-livros organizavam informações que hoje estão nos computadores. d) Os recém-nascidos têm direito ao leite materno. e) Os bancos precisam de guardas-noturnos competentes. 6. (Cespe) Assinale a opção correta em relação ao plural das palavras compostas. a) Era prodigioso contemplar as vitória-régias. b) Os cravos vermelho-crepúsculos pareciam artificiais. 85 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I c) Borboletas azuis-marinho sobrevoam o lagoão fecha- do. d) As pétalas recém-abertas estavam de um branco finís- simo. e) São inesquecíveis os pôr-do-sol da Amazônia! 7. (Cespe) Em “Também tem marcas em código braile”. a) falta o acento no verbo, pois o sujeito é plural. b) com a substituição da forma verbal pelo haver, ter-se-ia a forma hão. c) braile é adjetivo. d) há advérbio de modo. e) o sujeito é indeterminado. 8. (Cespe) Marque a opção em que todas as palavras são adjetivos e estão separadas, corretamente, em sílabas. a) as-sis-tên-cia / dig-no / hu-mi-lha-ção. b) con-stran-gi-do / a rro-gan-tes / re-a-lis-ta. c) in-te-lec-tual / e-fe-ti-vo / cor-ru-pto. d) ad-mi-ra-dís-si-mo / res-pei-tá-veis / i-nin-ter-rup-to. e) a-dmi-ti-mos / sub-me-ti-dos / con-vin-ha. 9. (Cespe) Observe: Na acolhedora Barcelona, deparávamos sempre com um sorriso alegre ou um olhar bondoso do povo espanhol. Da frase acima, são adjetivos todas as palavras da alter- nativa: a) acolhedora, deparávamos, sempre, sorriso. b) sempre, sorriso, alegre, povo. c) deparávamos, alegre, bondoso, espanhol. d) acolhedora, alegre, bondoso, espanhol. 86 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 10. (Cespe) Assinale a opção correta. a) Espécim é singular de “espécimes”. b) O antônimo de “bem-feito” é mau-feito. c) “três” é número ordinal. d) “tecnologia” é palavra trissílaba. e) Em “a mais moderna do mundo”, há adjetivo no grau superlativo relativo. 11. (Esaf) Assinale a opção incorreta quanto ao emprego do adjetivo. a) dor cervical – dor no pescoço. b) paisagem insular – paisagem da ilha. c) estratégia bélica – estratégia de guerra. d) corpo docente – corpo de professores. e) fisionomia simiesca – fisionomia de cão. 12. (Esaf) Assinale a alternativa que apresenta erro no nu- meral indicado nos parênteses em relação aos números incluídos nas frases: a) Na lista dos aprovados, seu nome apareceu no 389º lugar. (trecentésimo octogésimo nono). b) O capítulo XIII do romance contém revelações surpre- endentes sobre o enredo. (treze). c) Ata da 56ª sessão ordinária do condomínio Edifício Bela Morada.(quinquagésima sexta). d) Foram doados à Biblioteca Municipal 660 obras de es- critores brasileiros. (seiscentos e sessenta). e) O Artigo 196 da Constituição Federal refere-se ao di- reito à saúde. (cento e noventa e seis). 13. (Esaf) “A educação é direito de todos e dever do Estado e da Família.” A palavra sublinhada na frase acima classifica-se como pronome. 87 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I a) relativo. b) indefinido. c) possessivo. d) demonstrativo. e) pessoal. 14. (Cespe) Flexione o verbo “fazer”: I – No gerúndio. II – Na 3ª pessoa do singular do pretérito perfeito do in- dicativo. III – Na 1ª pessoa do plural do pretérito imperfeito do indicativo. IV – No particípio. V – Na 2ª pessoa do singular do futuro do presente do indicativo. As formas obtidas estão dispostas em ordem alfabética: a) V – I – III – IV – II. b) IV – III – II – I – V. c) V – III – IV – II – I. d) III – I – IV – II – V. e) V – I – IV – II – III. 15. (Cespe) Indique a opção com a associação correta entre as palavras grifadas e as classes gramaticais respectivas à direita. a) muito pouco / pouco tempo – pronome / pronome. b) muito tempo / nenhuma censura – pronome / advérbio. c) alguns milhões / mais terrível – advérbio / advérbio. d) pouco tempo / mais terrível – advérbio / pronome. e) mais inviolável / mais honra – advérbio / pronome. 88 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 16. (Esaf) Assinale a opção que preenche corretamente as lacunas. I – O assunto __________ o qual se vai pesquisar será definido por todos. II – Os manifestantes retiram-se da praça __________ protesto. III – Aberto o malote, o diretor recomendou que as cartas fossem colocadas __________ sua mesa. a) sobre / sob / sobre. b) sob / sob / sobre. c) sob / sobre / sob. d) sob / sob / sobre. e) sobre / sob / sob. 17. (Cespe) “Nós merecemos a morte, porque somos huma- nos.” Começando o período com a segunda oração, conservando o mesmo sentido, teríamos: a) Nós somos humanos, portanto merecemos a morte. b) Nós somos humanos, embora mereçamos a morte. c) Nós somos humanos, porque merecemos a morte. d) Nós somos humanos, para merecermos a morte. e) Nós somos humanos, se merecermos a morte. 18. (Cespe) No exemplo anterior, já fizemos da oração causal a principal, a outra, para conservar o mesmo sentido teve que ser: a) conclusiva. b) concessiva. c) explicativa. d) final. e) condicional. 19. (Esaf) Marque a alternativa que contém conjunção su- bordinativa condicional. 89 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I a) Melhoramos nosso trabalho, à medida que nos esfor- çamos mais. b) Embora não estivesse com razão, continuava argumen- tando. c) Repare todos os dados, para fazermos os cálculos das despesas. d) Por não dispor de tempo, ainda não consegui visitá-lo. e) Caso seja aprovado e contratado, continuarei meus estudos. 20. (FCC) Sem dúvida, ele tem um ar muito inocente; con- tudo, algo me diz que é um mentiroso. Comece com: Algo me diz que ele é... a) desde que tenha b) se tiver c) embora tenha d) caso tivesse e) dado que tem 21. (FCC) Fez uma dieta tão violenta, que emagreceu vinte quilos em um mês. Comece com: Emagreceu... a) sem ter feito b) embora fizesse c) quando fez d) desde que fizesse e) por ter feito 90 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 22. (FCC) Diga-me a verdade, ou não nos falaremos mais. Comece com: Não nos falaremos... a) porquanto b) posto que c) nem que d) a não ser que e) de modo que 23. (FCC) Se você preferir, podemos decidir isso depois. Comece com: Podemos... a) quando b) desde que c) apesar de que d) no entanto e) logo que 24. (FCC) Abraçou-me com tal ímpeto, que não pude evitá-lo. Comece com: Não pude evitá-lo... a) assim b) quando c) à medida que d) então e) porque 25. (FCC) Ela é muito jovem, mas sabe assumir responsabi- lidades. Comece com: Ela sabe assumir responsabilidades... a) mesmo 91 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I b) tanto que c) desde que d) visto que e) para que 26. Assinale o período em que o lhe não tem valor de pro- nome possessivo: a) “... quase sentia morder-lhe a pele o frio úmido da madrugada...” b) “A franja comprida ameaçava entrar-lhe pelos olhos bistrados.” c) “A voz de Magô pareceu-lhe anônima.” d) “Foi de olhos baixos que lhe acendeu o cigarro.” e) “Um baque metálico decepou-lhe a palavra pelo meio.” 27. (Fuvest-SP) Selecione a alternativa que contém a forma adequada ao preenchimento das lacunas. Era para...falar...ontem, mas não...encontrei em parte alguma. a) mim – consigo – o b) eu – com ele – lhe c) mim – consigo – lhe d) mim – contigo – te e) eu – com ele – o 28. (Cespe) Assinale a alternativa correta com relação ao uso do pronome pessoal: a) Entre eu e ti existe um grande sentimento. b) Isto representa muito para mim viver. c) Com tu, passo os momentos mais felizes de minha vida. 92 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) d) Sempre lhe quis ao meu lado. e) De fato, entre mim e ti, há sempre um clima de har- monia. 29. (Cespe) Indique a opção em que um dos pronomes des- tacados tem valor de adjetivo: a) Não sei que diz aquele anúncio. b) Já pensei em tudo o que ele disse. c) De que se queixa o cliente? d) Este livro é o que comprei ontem. e) Acreditei que fosse outra pessoa. 30. (Cesgranrio-RJ) Assinale a opção em que há erro na subs- tituição do termo destacado pelo pronome oblíquo: a) não queria ver os irmãos/ não queria vê-los. b) espalhara balões sugados pelo teto/ espalhara-os. c) para que não desarrumassem a casa/ para que não a desarrumassem. d) arrastando crianças surpreendidas/ arrastando-as. e) olharam a aniversariante de modo mais oficial/ olha- ram-lhe de modo mais oficial. 31. (Fuvest-SP) Assinale a opção que preenche corretamente as lacunas correspondentes. Eu _____ desconheço. Roubaram-_____ o carro. Os carros? Roubaram-_____. Não _____ era permitido ficar na sala. Obrigaram-_____ a sair daqui. a) o, lhe, nos, lhe, nos b) lhe, o, o, o, no c) os, lhe, lhe, lhe d) lhe, lhe, lhe, se, os e) o, o, os, lhe, no 32. (FCC) Em todos os versos, o pronome destacado está corretamente classificado, exceto em: 93 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I a) Isto aqui não é Vitória nem é Glória do Goitá. Indefinido b) O mar de nossa conversa precisa ser combatido. Pos- sessivo. c) Seu José, mestre carpina, que lhe pergunte permita. Pessoal. d) Primeiro é preciso achar um trabalho de que viva. Re- lativo. e) Mas este setor de cá é como a estação dos trens. De- monstrativo. 33. (FCC) Passando para a 2ª pessoa a frase “Sente-se, pegue sua prova, leia e restrinja-se a responder o que lhe foi proposto”, teremos: a) Sente-se, pegue tua prova, lê-a e restringe-te a respon- der o que lhe foi proposto. b) Senta-te, pega tua prova, lê-a e restringe-te a responder o que te foi proposto. c) Sentai-vos, pegai vossa prova, leia-a e restringi-vos a responder o que vos foi proposto. d) Senta-te, pegue sua prova, leia-a e restringe-te a res- ponder o que te foi proposto. e) Senta-se, pegue sua prova, lede-a e restringi-vos a res- ponder o que vos foi proposto. 34. (FCC) Para que não _____ equívocos quanto ao funcio- namento da biblioteca _____ no quadro mural além de outros avisos, todos os horários de atendimento. a) continuassem ocorrer, foi afixado. b) continuassem a ocorrer, foi afixado. c) continuasse a ocorrer, foi afixado. d) continuassem a ocorrer, foram afixados.e) continuassem a ocorrerem, foram afixados. 94 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 35. (Cesgranrio) Assinale o período em que aparece forma verbal incorretamente empregada em relação à norma culta da língua. a) Se o compadre trouxesse a rabeca, a gente do ofício ficaria exultante. b) Quando verem o Leonardo, ficarão surpresos com os trajes que usava. c) Leonardo propusera que se dançasse o minuete da corte. d) Se o Leonardo quiser, a festa terá ares aristocráticos. e) O Leonardo não interveio na decisão da escolha do padrinho do filho. 36. (FCC) Em todas as opções a lacuna pode ser preenchida pelo verbo indicado entre parênteses, no subjuntivo, exceto em: a) Olhou para o cão, enquanto esperava que lhe _________ a porta. (abrir) b) Por que foi que aquela criatura não _________ com fran- queza? (proceder) c) É preciso que uma pessoa se _________ para encurtar a despesa. (trancar) d) Deixa de luxo, minha filha, será o que Deus ________. (querer) e) Se isso me ________ possível, procuraria a roupa. (ser) 37. (FCC) Indique a opção em que o verbo está empregado corretamente. a) Você já reouve o que lhe emprestou? b) Quando nos vermos de novo, não seremos os mesmos. c) Viemos agora neste instante porque vimos ontem e não o encontramos. d) Se nós intervíssemos em seu discurso, ele nos exco- mungaria. 95 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I e) Gastou o que tinha mas se prouve do essencial por meses. 38. (Cesgranrio-RJ) Assinale o item em que há erro de con- jugação verbal em relação à norma culta da língua: a) Era necessário que o governo impusesse medidas para baratear os produtos editoriais. b) Se o trabalhador dispuser de adequadas bibliotecas, ter-se-á dado um importante passo para o desenvol- vimento cultural do país. c) Seria de todo desejável que a classe trabalhadora se entretivesse mais com a leitura de livros e revistas. d) Era importante que se contradissesse, com as evidên- cias disponíveis, a afirmação de que o trabalhador re- jeita a leitura. e) O trabalhador quase não tem intervido nas discussões sobre a comercialização dos produtos editoriais. 39. (NCE) As expressões destacadas correspondem a um adjetivo, exceto em: a) João Fanhoso anda amanhecendo sem entusiasmo. b) Demorava-se de propósito naquele complicado banho. c) Os bichos da terra fugiam em desabalada carreira. d) Noite fechada sobre aqueles ermos perdidos da caa- tinga sem fim. e) E ainda me vem com essa conversa de homem da roça. 40. (NCE) Marque a opção que indica as classes das palavras destacadas conforme a ordem em que estas aparecem a seguir: “Ante essa repulsa obstinada, teve as mais variadas reações.” 96 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) “Isso produzia nele um constrangimento não só perante todos quantos sabiam da história como também perante si mesmo.” a) advérbio, adjetivo, numeral, pronome demonstrativo, advérbio. b) preposição, adjetivo, advérbio, pronome demonstrati- vo, preposição. c) preposição, adjetivo, advérbio, pronome demonstrati- vo, advérbio. d) advérbio, verbo, pronome indefinido, pronome relati- vo, adjetivo. e) conjunção coordenativa, adjetivo, numeral, pronome indefinido, preposição. 41. (Fesp) Assinale a alternativa em que a palavra destacada não corresponde à afirmação. a) “Um publicitário morreu e como era da área de aten- dimento e mau...” – conjunção subordinativa causal; b) “Uma das técnicas que podemos usar é a de trans- formar...” – artigo definido que acompanha a palavra “técnica”. c) “Servem a mesa pessimamente” – advérbio que indica uma circunstância de modo em relação ao verbo servir; d) “Muito bom!” – advérbio que intensifica o adjetivo; e) “Os humoristas, como se sabe...” – conjunção subor- dinativa conformativa. 42. (Fuvest-SP) Nas frases abaixo, cada espaço pontilhado corresponde a uma conjunção retirada. “Porém já cinco sóis eram passados _______ dali nos par- tíramos...” _______ estivesse doente faltei à escola. _______ haja maus nem por isso devemos descrer dos bons. Pedro será aprovado _______ estude. _______ chova sairei de casa. 97 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I As conjunções retiradas são, respectivamente: a) quando, ainda que, sempre que, desde que, como. b) que, como, embora, desde que, ainda que. c) como, que, porque, ainda que, desde que. d) que, ainda que, embora, como, logo que. e) que, quando, embora, desde que, já que. 43. (Fuvest-SP) “Se você vai sair agora, nunca saberá se dissemos a verdade a eles e qual foi sua reação ao se verem diante daquela descoberta.” No texto acima, a partícula se é respectivamente: a) conjunção condicional, conjunção condicional, partí- cula apassivadora. b) conjunção integrante, partícula expletiva, partícula apassivadora. c) conjunção integrante, pronome reflexivo, pronome reflexivo. d) conjunção condicional, conjunção integrante, pronome reflexivo. e) conjunção condicional, conjunção integrante, partícula apassivadora. 44. (Álvares Penteado-SP) Assinale a alternativa cuja relação é incorreta: a) Sorria às crianças que passavam. – pronome relativo b) Declaram que nada sabem. – conjunção integrante c) Que alegre manifestação a sua. – advérbio de intensi- dade d) Que enigmas há nessa vida! – pronome adjetivo inde- finido e) Uma ilha que não consta do mapa. – conjunção coord. explicativa 98 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) NÍVEL 3 – DE OLHO NOS CONCURSOS UnB/CESPE – SEPLAG/DETRAN/DF (Cargo 15: Auxiliar de Trânsito) Ao longo da segunda metade do século XIX, época da introdução das ferrovias no Brasil, uma sucessão de planos de viação foi apresentada aos governos, todos eles descar- tando as rodovias como principal instrumento de integração e colocando ênfase nas vias férreas e na navegação fluvial e marítima como a solução para os problemas do isolamento a que ainda se viam submetidas as regiões brasileiras. O estudo do engenheiro militar Eduardo José de Moraes, apresentado ao governo imperial em 1869, continha ambicioso projeto de aproveitamento de vários rios brasileiros. O seu trabalho, in- titulado “Navegação Interior no Brasil”, destacava as enormes potencialidades das bacias hidrográficas brasileiras, prevendo a implantação de uma ampla rede de navegação fluvial, que facilitaria as comunicações dos mais remotos pontos do país entre si, por meio da construção de canais, eclusas e outras obras de engenharia. O plano, além de enfatizar o aproveita- mento das vias interiores de navegação, preconizava, ainda, a integração do sistema fluvial com as ferrovias e com a nave- gação de cabotagem, por meio da construção de três grandes estradas de ferro conectando os portos do Rio de Janeiro, de Salvador e de Recife com as bacias – tudo isso de uma forma harmônica e coordenada. A implementação desses planos e de outros que se seguiram terminou constituindo não mais do que uma aspiração não concretizada de grandes estadistas brasileiros do século XIX. Olímpio J. de Arroxelas Galvão. In: Internet: <www.ipea.go v.br>. Com base nesse texto, julgue o próximo item. 1. O pronome “eles” [destacado] é elemento coesivo que re- toma o antecedente “governos”. 99 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I UnB/CESPE – SEPLAG/DETRAN/DF (Cargo 15: Auxiliar de Trânsito)Considere a hipótese de que o documento a seguir tenha sido redigido para ser encaminhado ao diretor de segurança no trânsito do DETRAN/DF. Memorando nº 3/NUCET Em 5 de fevereiro de 2009. Ao D.D. Diretor de Segurança no Trânsito do DETRAN/ DF Assunto: ............................................... Tem ocorrido, em anosanteriores, excessos de motoristas quanto à perigosa mistura bebida + direção, nos dias de folia carnavalesca, onde a ingestão de bebidas alcoólicas se eleva, em nome da descontração e da alegria próprios dos brasileiros. 2. Nessa época, desaparecem as diferenças entre pobre e rico, jovem e velho, mulheres e homens, e todos se lançam à folia, como se o mundo fosse acabar amanhã. 3. Por causa disso, solicito a Vossa Senhoria a presença do Grupo de Teatro do DETRAN na Praça do DI, reduto dos foliões mais intempestivos, onde se verificam muitas ocorrências de trânsito irresponsável, no intuito de intensificar as atividades educativas em Taguatinga, neste ano. 4. Certo de contar com vossa atenção, já demonstrada em preitos anteriores, coloco-me à disposição para o que for de seu desejo. Atenciosamente, FSFilho Chefe do Núcleo de Campanhas Educativas de Trânsito Com base no texto apresentado e no que estabelece o Manual de Redação da Presidência da República acerca da comunica- ção oficial, julgue os itens a seguir. 2. Está correto o emprego do tratamento “Vossa Senhoria”, no terceiro parágrafo do documento em questão, mas 100 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) incorreto o uso do pronome possessivo de segunda pessoa do plural no quarto parágrafo: “vossa atenção”. 3. Considerando-se as duas ocorrências do advérbio “onde”, primeiro e terceiro parágrafos do documento, apenas na primeira respeitam-se as normas do padrão escrito formal da língua portuguesa para o emprego desse advérbio. UnB/CESPE – PETROBRAS Quando se fala em tecnologia, geralmente vem à mente uma série de artigos eletrônicos de última geração, artefatos complexos, frutos de investigações científicas altamente sofis- ticadas. Pensa-se, via de regra, em máquinas superpoderosas, computadores, celulares e outros artefatos do gênero. Mas essa visão é, certamente, incompleta, pois tecnológicas tam- bém são as descobertas ou invenções que não parecem ser, ao nosso olhar atual, tão complexas e sofisticadas. É tecnologia a utilização do fogo há cerca de 800 mil anos, a criação de instrumentos de pedra há 100 mil, da roda há 4 mil, para citar algumas. Tecnológicas são quaisquer criações que ampliem nossas características naturais. Lília Pinheiro. Homem: o ser tecnológico. In: Filosofia ciência & vida, ano III, no 27 (com adaptações). Mantém-se a coerência e a correção gramatical do texto ao se: 4. suprimir o advérbio “também”. 5. inserir o advérbio atrás logo após a expressão “800 mil anos”. UnB/CESPE – PETROBRAS Enquanto para a teoria tradicional a necessidade do tra- balho teórico significa o respeito às regras gerais da lógica formal, ao princípio da identidade e da não-contradição, ao procedimento indutivo ou dedutivo, à restrição do trabalho teórico a um campo claramente delimitado, a noção de necessi- dade para a teoria crítica continua presa a um juízo existencial: 101 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I libertar a humanidade do jugo da repressão, da ignorância e da inconsciência. Esse juízo preserva, em sua essência, o ideal iluminista: usar a razão como instrumento de libertação para realizar a autonomia, a autodeterminação do homem. Como se pode ver, o objeto da teoria tradicional e o da teoria crítica não podem coincidir. Enquanto para a primeira o objeto representa um dado externo ao sujeito, a teoria crítica sugere uma relação orgânica entre sujeito e objeto: o sujeito do conhecimento é um sujeito histórico que se encontra inserido em um processo igualmente histórico que o condiciona e molda. 6. O uso da conjunção “Enquanto” [nos dois exemplos des- tacados no texto] tem a função estilística e semântica de marcar dois tempos diferentes: o do predomínio da teoria tradicional e o do predomínio da teoria crítica. UnB/CESPE – PETROBRAS As relações internacionais constituem-se em(1) uma das questões centrais referidas ao desenvolvimento em(2) uma conjuntura em que, além do acentuado aumento da interde- pendência econômica entre as nações, temos agora sua cres- cente interdependência ecológica. Os países em desenvolvi- mento têm de atuar em(3) um contexto em(4) que se amplia o fosso entre a maioria das nações industrializadas e aquelas em desenvolvimento em matéria de recursos, em(5) que o mundo industrializado impõe as regras que regem as princi- pais organizações internacionais – e já usou grande parte do capital ecológico do planeta. 7. Para se evitar o uso recorrente da preposição em, podem-se alterar algumas estruturas linguísticas do texto. Entretanto, provoca-se incoerência entre os argumentos ou incorreção gramatical ao se: 102 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) a) escrever constituem uma em lugar de “constituem-se em uma” (1). b) suprimir a segunda ocorrência de “em” (2). c) usar a contração no termo “em um contexto” (3): num contexto. d) substituir “em que se amplia” (4) por no qual se amplia. e) substituir “em que o mundo” (5) por onde o mundo. UnB/CESPE – PETROBRAS O petróleo sempre mobilizou politicamente a sociedade brasileira ao longo do século XX e assim continua a fazê-lo nesse começo de século. Por muitas razões, entre elas a de seu alto valor estratégico para a economia dos países e para o desenvolvimento das nações. O interessante é que passam os anos, mas não se alteram muito as posturas dos grupos que entre si se opõem relativamente às formas de exploração e de produção do petróleo no país. Desde 1947, a opinião pública brasileira foi confrontada com essa duplicidade de atitudes, intensificada pela campa- nha O Petróleo É Nosso, que alguns chegam a considerar tão intensa e apaixonante, no século XX, quanto fora a da abolição da escravatura, no século XIX. No cenário que se seguiu ao fim da 2ª Guerra Mundial, em que o liberalismo anglo-saxão vencedor repercutiu também no Brasil com a queda do Estado Novo e da ditadura Vargas, os assim chamados entreguistas, com forte representação na grande imprensa e nas grandes organizações patronais, propugnavam pela abertura total do país ao capital estrangeiro para a exploração do petróleo em terras brasileiras. Contra eles, os nacionalistas, que pregavam o monopólio estatal do petróleo, que acreditavam na capaci- dade de planejamento e de atuação eficaz do Estado e que não admitiam outra alternativa que não fosse a da criação de uma empresa nacional para a exploração do então chamado ouro negro. 103 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I 8. Assinale a opção correta a respeito do emprego dos pro- nomes oblíquos no texto. a) A supressão do pronome oblíquo em “fazê-lo” provocaria erro gramatical visto que não haveria, na oração, elemen- to que garantisse a coesão e a coerência do período. b) A substituição do pronome “elas” por si não só pre- servaria a coerência das ideias e a correção gramatical, mas também conferiria estilo mais formal ao texto. c) Caso se suprimisse da oração o advérbio “não”, o prono- me “se” deveria, obrigatoriamente, em respeito às regras gramaticais, ser utilizado depois do verbo: alteram-se. d) Em respeito às regras gramaticais, o pronome “si” é empregado antes da forma verbal “opõem” porque ela já está acompanhada do pronome “se”. e) Apesar da possibilidade gramatical do emprego do pro- nome oblíquo depois da forma verbal “seguiu”, em tex- tos escritos na modalidade padrão da língua, tende-se a utilizá-lo antes do verbo quando há, no início da oração, pronomes como “que”. UnB/CESPE – CODEBA (Cargo 1: Administrador de Empresas) 9. Em “a singularidade brasileira está na abundância ener- gética de nossa natureza”, há apenas dois adjetivos e três substantivos abstratos. UnB/CESPE – SGA/PCAC (Cargo 1:Perito Médico-Legal) Julgue os itens com referência ao emprego das classes de palavras e à sintaxe da oração e do período. 10. Em “Não importa se vítima ou agressor: o periciado tem o direito de ser visto e respeitado como homem, sendo examinado em ambiente neutro, sem a presença de estra- nhos, devendo sentir-se seguro e livre de coações”, são 104 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) substantivos os vocábulos: vítima, agressor, periciado, direito, homem, ambiente, presença, estranhos e coa- ções. 11. Em “Por sua vez, o médico-legista deve exercer seu mis- ter livre de constrangimentos, coações ou pressões de quaisquer espécies, mantendo o respeito incondicional pelo homem”, os seguintes adjetivos são derivados de verbos: mister, livre, coações, pressões, respeito. 12. As duas circunstâncias de tempo no período “Nunca, ja- mais, devem acontecer ocorrências que levem o periciado a confundir a figura parcial e isenta do médico-legista com o aparelho repressor do Estado” exercem a função sintática de adjuntos adverbiais e têm, ambas, carga se- mântica negativa. UnB/CESPE – SEAD/SEDUC (Cargo 12: Professor AD-4 – Dis- ciplina: Português) A esperança, essa característica exclusivamente humana, nos dirige para dias melhores que os atuais, fazendo nascer a ideia de um Brasil onde não mais existam injustiça, discri- minação e marginalização social. A confiança, desenvolvida e amadurecida nos processos de convivência e de diálogo, nos diz que existem outras pessoas coparticipantes desses pro- cessos que percebem a necessidade de união e mobilização para a transformação da sociedade. 13. “Esperança, confiança e conquista” e “Coragem, conflito, desobediência” pertencem à mesma classe gramatical. 14. Os vocábulos “humana”, “melhores”, “atuais”, “injustiça”, “social” e “amadurecida” estão empregados no texto como adjetivos. 105 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I UnB/CESPE – PMV/SEMUS (Cargo 1: Enfermeiro do Trabalho) A origem tanto da alopatia quanto das artes de curar é a mesma: os xamãs e curadores da pré-história. Em busca do retorno ao estado de plena saúde, diversas trilhas foram percorridas, e não é por várias delas parecerem deslocadas no tempo e bizarras aos olhos ocidentais do século XXI que deixam de dar testemunho de sua eficiência. Embora se per- ceba que um paciente que passa por um tratamento, digamos, de um pajé tem mais possibilidade de se recuperar se estiver sintonizado com os níveis mitológicos presentes no ritual, um leigo também pode conseguir a remissão do seu problema. A cura envolve níveis não apenas bioquímicos, mas também psicológicos, semânticos e até parapsicológicos, a respeito dos quais nossa compreensão ainda é escassa. 15. O emprego do adjetivo “plena”, qualificando “saúde”, su- gere que a saúde é um estado que pode ser gradualmente alcançado. UnB/CESPE – PMV/SAÚDE (Cargo 1: Arteterapeuta) Os sentimentos de dor e prazer são os alicerces da men- te. É fácil não dar conta dessa simples realidade porque as imagens dos objetos e dos acontecimentos que nos rodeiam, bem como as imagens das palavras e frases que os descrevem ocupam toda a nossa atenção, ou quase toda. Mas é assim. Os sentimentos de prazer ou de dor ou de toda e qualquer qualidade de dor e prazer, os sentimentos de toda e qualquer emoção, ou dos diversos estados que se relacionam com uma emoção qualquer, são a mais universal da melodias, uma canção que só descansa quando chega o sono, e que se torna um verdadeiro hino quando a alegria nos ocupa, ou se desfaz em lúgubre réquiem quando a tristeza nos invade. Dada a ubiquidade dos sentimentos, seria fácil pensar que sua ciência estaria já há muito elucidada. Mas não está. Dentre 106 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) todos os fenômenos mentais que podemos descrever, os senti- mentos e os seus ingredientes essenciais – a dor e o prazer – são de longe os menos compreendidos no que diz respeito à sua biologia e em particular à neurobiologia. Isso é especialmente surpreendente quando pensamos que as sociedades avança- das cultivam os sentimentos da forma mais despudorada e os manipulam com práticas cuja única finalidade é o bem-estar. Antônio Damásio. Em busca de Espinosa: prazer e dor na ciência dos sentimentos. São Paulo: Companhia das Letras, 2004, p. 11-2 (com adaptações) 16. A palavra “uma”, em “uma emoção qualquer”, confere sentido indefinido ao substantivo “emoção”. UnB/CESPE – IRBr (Admissão à Carreira de Diplomata) Teste de Pré-Seleção A história do Brasil, nos três primeiros séculos, está intima- mente ligada à da expansão comercial e colonial europeia na Época Moderna. Parte integrante do império ultramarino portu- guês, o Brasil-colônia refletiu, em todo o largo período de sua formação colonial, os problemas e os mecanismos de conjunto que agitaram a política imperial lusitana. Por outro lado, a histó- ria da expansão ultramarina e da exploração colonial portuguesa desenrola-se no amplo quadro da competição entre as várias potências, em busca do equilíbrio europeu; dessa forma, é na história do sistema geral de colonização europeia moderna que devemos procurar o esquema de determinações no interior do qual se processou a organização da vida econômica e social do Brasil na primeira fase de sua história e se encaminharam os problemas políticos de que essa região foi o teatro. 17. No trecho “ligada à da expansão comercial e colonial eu- ropeia”, o acento grave indica crase de preposição e pro- nome, o qual substitui “história”. 18. O emprego do artigo “o”, no trecho “em todo o largo pe- ríodo de sua formação colonial”, reflete opção estilística 107 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I do autor, visto que o artigo poderia ser eliminado, sem prejuízo para o sentido da frase. UnB/CESPE – IRBr (Admissão à Carreira de Diplomata) Teste de Pré-Seleção Há algo que une técnicos e humanistas. Ambos se creem marcados por um fator distintivo, inerente a seus cérebros: o dom da inteligência, que os apartaria do trabalhador manual ou mecânico. Gramsci percebe nessa crença um ranço ideológi- co da divisão do trabalho: “Em qualquer trabalho físico, até no mais mecânico e degradado, existe um mínimo de qualificação técnica, um mínimo de atividade intelectual criadora. Todos os homens são intelectuais, pode-se dizer, mas nem todos os homens têm na sociedade a função de intelectuais. Não se pode separar o Homo faber do Homo sapiens.” O que distingue, portanto, a figura pública do homem da palavra é a rede peculiar de funções que os intelectuais costumam desempenhar no complexo das relações sociais. Á medida que o técnico se quer cada vez mais técnico, restringindo-se a mero órgão do sistema, e à medida que o humanista é deixado avulso do contexto, um e outro se irão fechando em suas pseudototalidades. O seu conhecimento político decairá. E o sistema, contentando-se com alguns pro- fissionais mais à mão, alijará dos centros de decisão a maior parte dos intelectuais. Um Gramsci puramente historicista talvez não pudesse dizer mais nada. Os fatos têm a sua razão, os intelectuais são o que são, e ponto-final. Mas Gramsci foi um pensador revolucionário. Por isso, via uma possibilidade de projeto no intelectual moderno, que sucederia, nesse caso, o apóstolo e o reformador de outrora. Alfredo Bosi. Céu, inferno: ensaios de crítica literária e ideológica. São Paulo: Ática, 1988, p. 242-3 (com adaptações) 108 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) Em cada um dos itens abaixo é apresentada, em relação a trechos do texto, uma alternativa de colocação pronominal. Com base na prescrição gramatical,julgue (C ou E) cada proposta apresentada. 19. ( ) “Ambos se creem marcados” / Ambos creem-se mar- cados 20. ( ) “que os apartaria” / que apartá-los-ia 21. ( ) “Não se pode separar” / Não pode-se separar 22. ( ) “um e outro se irão fechando” / um e outro irão-se fechando UnB/CESPE – PMV/SAÚDE (Cargo 1: Arteterapeuta) Toda a sua vida passou diante dos olhos Muita gente acredita que, no momento da morte, se vê uma espécie de retrospectiva da própria vida. Para os cientistas, essa retrospectiva é uma alucinação causada pelo cérebro, assim como o encontro com entes queridos já falecidos ou figuras religiosas. Ocorre que, nos momentos finais, regiões do cérebro se tornam hiperativas em uma última tentativa de compensar a falta de oxigênio, cujo abastecimento diminui à medida que as batidas do coração se tornam irregulares. O cérebro então libera substâncias para proteger os neurônios, desligando-os. Algumas dessas substâncias agem diretamente nos receptores dos neurônios, causando o que os médicos chamam de dissociação neural. 23. A preposição para introduz, [nas duas ocorrências des- tacadas], expressões de mesmo sentido. ESAF/Banco Central (Cargo: Analista) No Sistema de Pagamentos Brasileiro, a tecnologia se tor- na variável crítica e o executivo de negócios e planejamento 109 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I precisa encarar este risco sob a mesma ótica que encara os riscos de crédito e mercado. Doravante um problema tecno- lógico pode interferir diretamente na questão da liquidez da instituição, mesmo que por poucos momentos. Trata-se de uma questão de continuidade de negócios. As interrupções no processamento da informação, ou a degradação nos sistemas de informação fazem parte da rotina nas estruturas de tecnologia de qualquer empresa, seja ela financeira ou não. Esses são eventos programados que visam atender a demandas ocasionais do negócio ou da tecnologia. Em relação ao texto, julgue o item. 24. Em “que visam atender a demandas”, “a” é artigo feminino singular exigido pela regência do verbo “atender”. ESAF/Auditor-Fiscal da Receita Federal 25. Julgue a correção tanto do diagnóstico quanto da in- dicação de correção gramatical e linguística no trecho abaixo. Podemos prever o traço fundamental do comércio colonial: ele deriva imediatamente do próprio caráter da colonização, organizada como ela está na base da produção de gêneros tropicais e metais preciosos para o fornecimento do mercado internacional. É a exportação desses gêneros, pois, que consti- tuirá o elemento essencial das atividades comerciais da colônia. O comércio exterior brasileiro é todo ele, pode-se dizer, marítimo. Nossas fronteiras atravessam áreas muito pouco po- voadas, quando não inteiramente indevassadas. A colonização portuguesa vinda do Atlântico, e a espanhola, quase toda do Pacífico, mal tinham ainda engajado suas vanguardas, de sorte que entre ambas ainda sobravam vastos territórios ocupados. (Caio Prado Júnior, História Econômica do Brasil, com adaptações.) Diagnóstico do erro: incoerência textual no emprego do ad- jetivo “ocupados”. Indicação de correção: substituí-lo por inocupados. 110 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) UnB/CESPE/Auditoria-Geral (Cargo: Auditor Interno, Nível I-A) Nas inter-relações pessoais, é inconteste que cada um dá sua própria versão dos fatos e da vida, segundo suas particula- res experiências e com base na formação que tenha acumula do ao longo de sua existência. Cada indivíduo, assim, é um ser único, que vislumbra as ocorrências à sua volta e dá tratamen- to específico às informações e ao conhecimento que tenha condições de absorver. Da mesma forma, mesmo os registros históricos oficiais, como se sabe há muito, são somente a versão dos que ven- ceram e, portanto, invariavelmente omitem ou distorcem as razões, os motivos e as realizações dos que foram vencidos. Não menos temeroso é o conhecimento que se transmite por gerações por meio da arte. Partindo da premissa de que a arte imita a vida e, por consequência, reinventa a realidade, na medida em que a vida também imita a arte, por certo que perpetuar visões e conceitos mal fundamentados (a despeito de eventuais boas intenções) também representa que o artista acaba sendo, igualmente, um difusor de informações e ideias cuja confiabilidade é relativa. Em suma, toda e qualquer avaliação da realidade passa, necessariamente, pelas impressões pessoais de quem a avalia. Obed de Faria Junior. A verdade de cada um. Internet: <recantodas- letras.uol.com.br> (com adaptações). Julgue o uso de estruturas linguísticas no texto. 26. A colocação do pronome átono antes do verbo, em “se transmite”, é obrigatória devido à presença do pronome relativo “que” no início da oração subordinada. 111 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I UnB/CESPE/IBAMA (Cargo: Analista Ambiental) Reparação duas décadas depois Francisco Alves Mendes Filho ainda não era um mito da luta contra a devastação da Amazônia quando foi preso, em 1981, acusado de subversão e incitamento à luta de classes no Acre, em plena ditadura militar. Chico Mendes se tornaria mundialmente conhecido, dali para a frente, por comandar uma campanha contra a ação de grileiros e latifundiários, responsáveis pela destruição da floresta e pela escravização do caboclo amazônico. Por isso mesmo foi assassinado, em 22 de dezembro de 1988, na porta de casa, em Xapuri. O crime, cometido por uma dupla de fazendeiros, foi punido com uma sentença de 19 anos de cadeia para cada um. Faltava reparar a injustiça cometida pelos militares. E ela veio na quarta-feira 10, no palco do Teatro Plácido de Castro, em Rio Branco, na forma de uma portaria assinada pelo ministro da Justiça, Tarso Genro. Antes, porém, realizou- -se uma sessão de julgamento da Comissão de Anistia, cujo resultado foi o reconhecimento, por unanimidade, da perse- guição política sofrida por Chico Mendes no início dos anos 80 do século passado. A viúva do líder seringueiro, Izalmar Gadelha Mendes, vai receber uma pensão vitalícia de 3 mil reais mensais, além de indenização de 337,8 mil reais. Leandro Fortes. Internet: <www.cartacapital.com.br> (com adaptações) Considerando aspectos linguísticos do texto Reparação duas décadas depois, julgue o item a seguir. 27. A conjunção “E”, por ter, no 2º parágrafo, valor adversati- vo, pode ser substituída pela conjunção Mas, sem prejuízo para as informações do texto. 112 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) UnB/CESPE/SGA/AC (Cargo 1: Administrador) Uma decisão singular de um juiz da Vara de Execuções Criminais de Tupã, pequena cidade a 534 km da cidade de São Paulo, impondo critérios bastante rígidos para que os esta- belecimentos penais da região possam receber novos presos, confirma a dramática dimensão da crise do sistema prisional. A sentença determina, entre outras medidas, que as penitenciárias somente acolham presos que residam em um raio de 200 km. Segundo o juiz, as medidas que tomou são previstas pela Lei de Execução Penal e objetivam acabar com a violação dos direitos humanos da população carcerária e “abrir o debate a respeito da regionalização dos presídios”. Ele alega que muitos presos das penitenciárias da região são de famílias pobres da Grande São Paulo, que não dispõem de condições financeiras para visitá-los semanalmente, o que prejudica o trabalho de reeducação e de ressocialização. Sua sentença foi muito elogiada. Contudo, o governo es- tadual anunciou que irá recorrer ao Tribunal de Justiça, sob a alegação de que, se os estabelecimentos penais não puderem receber mais presos, os juízes das varas de execuções não pode- rão julgar réus acusados de crimes violentos,como homicídio, latrocínio, sequestro ou estupro. Além disso, as autoridades carcerárias alegam que a decisão impede a distribuição de integrantes de uma quadrilha por diversos estabelecimentos penais, seja para evitar que continuem comandando seus “ne- gócios”, seja para coibir a formação de facções criminosas. Estado de S. Paulo, 13/1/2008, p. A3 (com adaptações). 28. A correção gramatical do texto seria mantida se a palavra “bastante” [destacada] fosse flexionada no plural, para concordar com o substantivo “critérios”. 29. O emprego da conjunção “Contudo” estabelece uma rela- ção de causa e efeito entre as orações. 30. As três ocorrências destacadas da palavra que correspon- dem à mesma função morfológica. 113 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I RESOLUÇÕES COMENTADAS NÍVEL 1 1) Errado. Os substantivos “flor”, “pedra” são primitivos. Contudo, “artista” é derivado de “arte”. 2) Certo. De fato, são concretos os substantivos que no- meiam divindades (Deus, anjos, almas) e seres fantásticos (fada, duende, saci), pois, existentes ou não, são sempre considerados seres com vida própria. 3) Certo. Por designarem ideias ou conceitos, cuja existên- cia depende de algo, os substantivos “justiça”, “amor”, “trabalho” e “honra” são abstratos. 4) Errado. Os substantivos “criança” e “indivíduo” são so- brecomuns. 5) Errado. Substantivos próprios também podem ser abs- tratos, se personificados ou tratados como entidades: “O Amor vence o Ódio”. 6) Certo. De fato, alguns substantivos, quando mudam de gênero, alteram também a carga semântica. É o que ocorre nos exemplos: o cabeça (líder) x a cabeça (parte do corpo), o grama (unidade de medida) x a grama (planta). 7) Errado. Os substantivos “óculos”, “núpcias”, “pêsames” exigem determinantes – como artigos, pronomes, adje- tivos, numerais – somente no plural: os óculos, núpcias perfeitas, meus pêsames. 8) Errado. Os substantivos “cartão” e “cartilha” são aumenta- tivo e diminutivo descaracterizados. Por convenção, estão no grau normal. 9) Certo. O plural de “primeiro-ministro” corresponde a “primeiros-ministros”, já que o numeral “primeiro” e o substantivo “ministro” são classes gramaticais variáveis. 114 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 10) Errado. Nas construções “Já encontramos os documentos necessários” e “Eles são os que mais irritam”, há uma ocorrência do artigo definido masculino plural e uma ocorrência do pronome demonstrativo “os” (= aqueles). 11) Errado. Em “Uma pessoa lhe telefonou” e “Uns e outros insetos faziam barulho na rua”, há uma ocorrência do artigo indefinido feminino singular. Em “Uns e outros”, há dois pronomes indefinidos. 12) Certo. De fato, é facultativo o uso do artigo com os pro- nomes possessivos: “Sua intenção era das melhores” ou “A sua intenção era das melhores”. Não há alteração de sentido. 13) Errado. Observe: “a Bahia”, “o Amazonas”, “Santa Cata- rina”, “Goiás” e “os Andes”. 14) Certo. Em “Ele falava com uma segurança que impressio- nava a todos”, o artigo indefinido tem a função de real- çar (dar intensidade a) a ideia expressa pelo substantivo “segurança”. 15) Errado. Em “Toda a casa ficou alagada” (a casa completa, inteira) e “Toda casa deve ter segurança” (qualquer casa), os sentidos são diferentes. Portanto, não há paralelismo semântico. 16) Errado. Na construção “Ambas as partes chegaram a um acordo”, o emprego do artigo definido é obrigatório. 17) Errado. Na frase “Visitei um artista cujos quadros são famosos”, não falta artigo definido antes do substantivo “quadros”. O registro do artigo antes ou depois de “cujo” e suas variações é proibido. 18) Errado. Nas construções “terno preto”, “prédio redondo”, “pequena empresa”, os adjetivos designam, respectiva- mente, cor, forma, proporção. Em “cheque frio”, o adjetivo 115 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I “frio”, em virtude da polissemia (= vários sentidos), não indica temperatura, mas falsidade. 19) Certo. Nos adjetivos compostos, como regra geral, só o último elemento vai para o plural: herói-cômicos. 20) Errado. Em “surdo-mudo”, variam-se, em número, todos os elementos que compõem o adjetivo composto: surdos- -mudos. Todavia, “verde-mar, azul-marinho, cor-de-rosa” são invariáveis. Portanto, ternos verde-mar, azul-mari- nho, cor-de-rosa. 21) Errado. Nos adjetivos compostos, como regra geral, só o último elemento vai para o plural. O plural de “lente côn- cavo-convexa” corresponde a “lentes côncavo-convexas”. 22) Errado. Os adjetivos que indicam cores ficarão invari- áveis quando o último elemento for um substantivo. O plural de “olho verde-lagoa” corresponde a “olhos ver- de-lagoa”. 23) Certo. Em “Senadores são tão competentes quanto de- putados”, o adjetivo “competentes” está no grau com- parativo de igualdade. Este pode ser determinado pelas locuções: tanto...quanto, ...assim como..., tão...quanto, ...do mesmo jeito que..., e outras variações. 24) Certo. Ao se utilizar do grau comparativo de superiori- dade (“A ciência é mais consciente do que a ideologia”) ou do grau comparativo de inferioridade (“A ideologia é menos consciente do que a ciência”), o redator pode dispensar a forma “do”, sem função morfossintática. Essa forma funciona apenas como apoio fonético. 25) Certo. Em “conselho de mãe”, “dor de estômago” e “pe- ríodo da tarde”, os termos preposicionados constituem locuções adjetivas e correspondem, respectivamente, aos adjetivos “materno”, “estomacal” e “vespertino”. 116 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 26) Certo. Em “É óbvio que isto é melhor que aquilo!”, os pronomes demonstrativos têm função de apontar para algo, mostrar algo. 27) Errado. No trecho “Fui professora durante minha ju- ventude, mas já não o sou agora”, o vocábulo destacado corresponde a um pronome demonstrativo com função anafórica, uma vez que se refere a termo anteposto (= professora). 28) Errado. Na construção “Fá-lo-ei, libertarei o Brasil do domínio português”, o vocábulo destacado corresponde a um pronome demonstrativo com função catafórica, uma vez que se refere à oração posterior (= libertarei o Brasil do domínio português). 29) Certo. Em “Os nossos sonhos estão perdidos de nós mesmos” e “Sei o que cabe a mim fazer”, os pronomes “nós” e “mim” são oblíquos tônicos. Estes vêm sempre precedidos de preposição. 30) Certo. Na frase “O artista se matou hoje pela manhã”, o pronome “se” indica reflexivização do verbo (= matou a si próprio). 31) Certo. Em “O deputado e o delegado se entenderam de- pois do conflito”, o pronome “se” indica reflexivização e reciprocidade (= um e outro se entenderam). 32) Errado. O pronome de tratamento concordará sempre com a 3ª pessoa. Construção correta: “Vossa Majestade deve exigir a manifestação de seus súditos”. 33) Errado. “Certos (= pronome indefinido adjetivo) objetos chegam na hora certa (= adjetivo)”. 34) Certo. Na construção “Ela me mostrou uma página de que (= da qual) eu gostei”, o vocábulo “que” funciona como pronome relativo. 117 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I 35) Certo. Em “Quem editou este artigo?”, o vocábulo desta- cado constitui pronome interrogativo substantivo, pois substitui algum substantivo. 36) Errado. No enunciado “Muito já fiz”, destacou-se prono- me indefinido substantivo. 37) Errado. Caso se substitua o objeto direto na constru- ção “É importante definir as estratégias”, obter-se-á, em estilo formal culto, a construção “É importante defini- -las” (sem acento: oxítono terminado em “i” não recebe acento). 38) Certo. Caso se substituao objeto direto na construção “É necessário destruir a prova”, obter-se-á, em estilo formal culto, a construção “É necessário destruí-la”. Nesse caso, o “i” forma hiato com a vogal anterior. 39) Certo. Em “Às vezes, as palavras possuem duplo sentido” e em “Arrecadou-se o triplo dos impostos relativos ao ano passado”, registraram-se numerais multiplicativos: duas vezes, três vezes. 40) Certo. As expressões “às pressas, à toa, às cegas, às escu- ras, às vezes, de quando em quando, de vez em quando, à direita, à esquerda, em vão, frente a frente, de repente, de maneira alguma”, usadas em textos diversos, são lo- cuções adverbiais. 41) Certo. Algures (= em algum lugar), alhures (= em outro lugar), nenhures (= em nenhum lugar) são, do ponto de vista morfológico, advérbios. 42) Certo. Em “Nunca fui vadio e jamais traí meus com- patriotas”, “Nunca” e “jamais” servem de advérbios de tempo ou de negação. 43) Errado. Nas construções “Havia pouco entusiasmo no lo- cal” e “O atleta dormiu pouco durante a noite”, a palavra 118 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) “pouco”, nas duas ocorrências, exerce, respectivamente, as funções de pronome indefinido adjetivo (acompanha o substantivo “entusiasmo”) e advérbio de intensidade (subordinado ao verbo “dormiu”). 44) Certo. Na frase “A sociedade agiu contra a ética”, o vo- cábulo “contra” classifica-se como preposição essencial. “Contra” conecta palavras e será sempre preposição. 45) Certo. Em “Agimos conforme a atitude deles”, “Obtiveram como resposta um bilhete” e “Ele terá que fazer o traba- lho”, destacaram-se preposições acidentais. As palavras destacadas nem sempre serão preposições. 46) Certo. Em “O presidente falou a respeito de crise eco- nômica”, a estrutura “a respeito de” corresponde a uma locução prepositiva, assim como “junto de, por cima de, em cima de, acerca de, a fim de, apesar de, através de, de acordo com, em cima de, em vez de, junto de, à procura de, à busca de, à distância de, além de, antes de, depois de”, entre outras. 47) Errado. As construções “Isso não depende de o profes- sor querer” e “Isso não depende de ele querer” estão em conformidade com o padrão culto da linguagem, uma vez que os sujeitos “o professor” e “ele” não podem vir preposicionados. 48) Certo. Preposição também tem carga semântica. Nos tre- chos “Estivemos em São Paulo”, “Essas ginastas vieram do Japão”, “Recebeu a herança do avô paterno” e “Ad- quiriu roupas de lã”, as preposições indicam, respecti- vamente, as ideias de lugar, origem, posse e matéria. 49) Certo. Em “Dize-me com quem andas, e eu te direi quem és”, a palavra “que” corresponde a conjunção coordena- tiva aditiva “e”. 50) Certo. Na construção “Como o calor estivesse forte, puse- mo-nos a andar pelo Passeio Público”, a palavra “Como” 119 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I corresponde a conjunção subordinativa causal e admite a substituição por “Porque” ou “Porquanto”. NÍVEL 2 1) Resposta: D (numismata = colecionador de moedas/ subs- tantivo; paulista/adjetivo; Cláudio Amato/ substantivo). 2) Resposta: A. Beijo (verbo beijar) pouco (advérbio de inten- sidade: modifica o verbo Beijo). Que (pronome relativo: retoma o antecedente palavras). E (conjunção aditiva). 3) 0 – Falso. Em “passar do barco e remos / à caravela”, (morfologicamente), ou seja, dois adjuntos adverbiais (sin- taticamente). 1– Falso. Linha 2: “que se operou”, temos pronome relativo (retoma o antecedente “a aceleração tecnológica e cientí- fica) + partícula apassivadora + v.t.d. Observe: a acelera- ção tecnológica e científica foi operada em ritmos antes inconcebíveis. Linha 5: “em algumas décadas (adjunto adverbial) se (índice de indeterminação do sujeito) passou (verbo intransitivo) do dirigível (adjunto adverbial)”. 2 – Falso. Para não perder tempo: há seis adjetivos (tec- nológica, científica, inconcebíveis, necessários, eólica, in- terplanetário). 4) Resposta: B. a) cavalos-vapor/ guarda-roupas; b) decretos- -leis/ matérias-primas; c) salvo-condutos/ vice-diretores; d) comandantes-em-chefe/ marcas-d’água; e) surdos-mu- dos/ bem-falantes. 5) Resposta: C. Os guarda-livros (o verbo, embora seja uma classe gramatical variável, nesse caso perde o caráter fle- xional). 120 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 6) Resposta: D. a) vitórias-régias; b) vermelho-crepúsculo; c) azul-marinho; d) recém-abertas; e) pores-do-sol. 7) Resposta: C. Braile está caracterizando o substantivo có- digo. Um detalhe: o registro culto seria “Também há/ existem marcas em código braile”. 8) Resposta: D. Embora as palavras da opção A estejam corre- tamente separadas em sílabas, só há um adjetivo (digno). As demais são substantivos (assistência; humilhação). Na opção D, só há adjetivos. 9) Resposta: D. Fácil, fácil. “Acolhedora” caracteriza “Barcelo- na”, “alegre” caracteriza “sorriso”, “bondoso” caracteriza “olhar”; “espanhol” caracteriza “povo”. 10) Resposta: E. a) O singular de espécimes é “espécime”; b) bem-feito/ malfeito; c) Três é número cardinal; d) tec/ no/lo/gi/a (polissílaba); e) “a mais moderna do mundo”, a coisa supervalorizada (a mais moderna) foi retirada de uma relação (do mundo). Por isso, superlativo relativo. 11) Resposta E. Fisionomia simiesca – fisionomia de macaco. 12) Resposta: D. Seiscentas e sessenta obras. 13) Resposta: B. O pronome “todos” traduz a ideia de indefi- nição. 14) Resposta: A. I – fazendo; II – fez; III – fazíamos; IV – feito; V – farás. Em ordem alfabética: V – farás; I – fazendo; III – fazíamos; IV – feito; II – fez. 15) Resposta: E. a) advérbio + advérbio/ pronome + substan- tivo; b) pronome + substantivo/ pronome + substantivo; c) pronome + substantivo/ advérbio + adjetivo; d) pro- nome + substantivo/ advérbio + adjetivo; e) advérbio + adjetivo/ pronome + substantivo. 121 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I 16) Resposta: A. I – sobre (assunto); II – sob (com afirmação ou força de); III – sobre (em cima). 17) Resposta: A. “Nós merecemos a morte (consequência), porque somos humanos (causa)”. Nós somos humanos, portanto merecemos a morte. 18) Resposta: A. Portanto traduz a ideia de conclusão. 19) Resposta: E. a) à medida que (proporção); b) Embora (con- cessão); c) para (prep./finalidade); d) Por (prep./causa); e) Caso (condição). 20) Resposta: C. Contudo e embora traduzem a ideia de opo- sição. 21) Resposta: E. Tem-se a relação de causa e consequência. 22) Resposta: D. Tem-se a ideia de condição. 23) Resposta: B. Tem-se, mais uma vez, a ideia de condição. 24) Resposta: E. Tem-se a ideia de causa e consequência. 25) Resposta: A. Tem-se a ideia de oposição. 26) Resposta: C. a) “... quase sentia morder-lhe a pele...” (mor- der a sua pele); b) “entrar-lhe pelos olhos bistrados.” (entrar pelos seus olhos bistrados); c) “A voz de Magô pareceu-lhe anônima.” (pareceu anônima a ele); d) “Foi de olhos baixos que lhe acendeu o cigarro.” (acendeu o seu cigarro); e) “... decepou-lhe a palavra” (decepou a sua palavra). 27) Resposta: E. “Era para EU falar COM ELE ontem, mas não O encontrei em parte alguma.” Lembre-se de que o ver- bo encontrar é transitivo direto. Portanto, não admite o pronome LHE como complemento. 28) Resposta: E. a) Entre mim e ti existe um grande sentimento; b) Isto representa muito para eu viver; c) Contigo, passo 122 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) os momentos mais felizes de minha vida; d) Sempre o quis ao meu lado; e) De fato, entre mim e ti, há sempre um clima de harmonia. 29) Resposta: E. O pronome tem valor de adjetivo quando acompanha o substantivo. Observe que essefato somen- te ocorre na opção E: Acreditei que fosse outra pessoa (pronome indefinido adjetivo + substantivo). 30) Resposta: E. O verbo “olhar” é transitivo direto. Portanto, não admite o pronome LHE na substituição lexical. Forma correta: “olharam a aniversariante de modo mais oficial/ olharam-NA de modo mais oficial. 31) Resposta: A. Eu O desconheço (v.t.d.); Roubaram-LHE o carro (o seu carro); Os carros? Roubaram-NOS (v.t.d.); Não LHE era permitido ficar na sala (não era permitido a ele); Obrigaram-NOS a sair daqui. (v.t.d.). 32) Resposta: A. Em “Isto aqui não é Vitória”, destacou-se pronome demonstrativo. 33) Resposta: B. Lembre-se de que a 2ª pessoa do imperativo afirmativo é retirada do presente do indicativo, retiran- do-se a letra “S”. Observe: tu sentas (-s): Senta-te/ tu pe- gas (-s): pega/ tu lês (-s): lê/ tu restringes (-s): restringe. Portanto: “Senta-te, pega tua prova, lê-a e restringe-te a responder o que te foi proposto.” 34) Resposta: D. Questão de concordância: “Para que não con- tinuassem a ocorrer equívocos quanto ao funcionamento da biblioteca, foram afixados, no quadro mural além de outros avisos, todos os horários de atendimento”. 35) Resposta: B. “Quando virem o Leonardo, ficarão surpre- sos com os trajes que usava”. Relembre: quando eu vir, tu vires, ele vir, nós virmos, vós virdes, eles virem (futuro do subjuntivo do verbo VER). 123 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I 36) Resposta: B. Observe: a) Olhou para o cão, enquanto espe- rava que lhe abrisse a porta. (pretérito imperfeito do sub- juntivo); b) Por que foi que aquela criatura não procedeu com franqueza? (pretérito perfeito do indicativo); c) É preciso que uma pessoa se tranque para encurtar a des- pesa. (presente do subjuntivo); d) Deixa de luxo, minha filha, será o que Deus quiser (futuro do subjuntivo); e) Se isso me fosse possível, procuraria a roupa. (pretérito imperfeito do subjuntivo) 37) Resposta: A. Observe: a) Você já reouve (passado de rea- ver) o que lhe emprestou?; b) Quando nos virmos de novo, não seremos os mesmos; c) Vimos (presente) agora neste instante porque viemos (passado) ontem e não o encon- tramos; d) Se nós interviéssemos em seu discurso, ele nos excomungaria; e) Gastou o que tinha mas se proveu do essencial por meses. 38) Resposta: E. O gerúndio e o particípio do verbo VIR são iguais: vindo. Como o verbo intervir segue o mesmo mo- delo de conjugação, observe o registro correto: “O traba- lhador quase não tem intervindo nas discussões sobre a comercialização dos produtos editoriais.” 39) Resposta: B. Observe: a) João Fanhoso anda amanhecen- do sem entusiasmo (desentusiasmado); b) Demorava-se de propósito naquele complicado banho (propositada- mente: valor adverbial); c) Os bichos da terra fugiam em desabalada carreira. (terrestres); d) Noite fechada sobre aqueles ermos perdidos da caatinga sem fim (infinita); e) E ainda me vem com essa conversa de homem da roça (roceiro). 40) Resposta: B. “Ante (preposição essencial) essa repulsa obs- tinada (caracteriza o substantivo ‘repulsa’), teve as mais (advérbio que intensifica o adjetivo ‘variadas’) variadas reações”. “Isso (pronome demonstrativo) produzia nele 124 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) um constrangimento não só perante (preposição essencial) todos quantos sabiam da história como também perante (preposição essencial) si mesmo.” 41) Resposta: B. Lembre-se: o artigo sempre estabelece uma relação de pressuposição unilateral com o substantivo. Em “Uma das técnicas que podemos usar é a de trans- formar...”, o vocábulo a não acompanha o substantivo e, portanto, não é artigo. Tem, na verdade, a função de pronome demonstrativo = é aquela de transformar. 42) Resposta: B. “Porém já cinco sóis eram passados que (= desde que) dali nos partíramos...”; Como (= porque) estivesse doente faltei à escola; Embora (= mesmo que) haja maus nem por isso devemos descrer dos bons; Pedro será aprovado desde que (= caso) estude; Ainda que (= mesmo que) chova sairei de casa. 43) Resposta: D. Observe: “Se (= condição) você vai sair agora, nunca saberá (saberá o quê) se (= a conjunção integrou as orações) dissemos a verdade a eles e qual foi sua rea- ção ao se verem (= verem a eles mesmos) diante daquela descoberta.” Portanto, temos, respectivamente: conjunção condicional, conjunção integrante, pronome reflexivo. 44) Resposta: E. Em “Uma ilha que não consta do mapa”, a palavra que retoma o antecedente ilha. É pronome relativo, portanto. NÍVEL 3 1. E (pronome – coesão e coerência textual). Retoma “planos de aviação”. 2. C (pronomes de tratamento). Lembre-se: sua atenção. 125 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I 3. E (advérbio onde). Substituir a primeira ocorrência por “quando”. 4. E (advérbio). Denota inclusão. 5. E (advérbio). “Há” já faz referência a tempo atrás. 6. E (conjunção enquanto). Indica objetos diferentes. 7. B (preposição em). Preposição necessária. 8. E (pronomes oblíquos). Pronome relativo é fator de atração. 9. C (adjetivos/substantivos abstratos). 10. C (substantivos). 11. E (adjetivos derivados de verbos). O único adjetivo é “li- vre”. Os demais vocábulos são substantivos. 12. C (advérbio). 13. C (substantivo). 14. E (adjetivo). “Injustiça” é substantivo. 15. C (adjetivo). 16. C (artigo + substantivo). 17. C (crase de preposição e pronome). 18. E (todo + artigo definido). “Todo o largo” (= completo); “todo largo” (= qualquer). 19. E (Celso Cunha considera o numeral “Ambos” fator de atração). 126 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 20. E (colocação pronominal). “Que” é fator de próclise. 21. E (colocação pronominal). “Não” é fator de atração. 22. E (colocação pronominal). Futuro não admite ênclise. 23. E (preposição). Referência e finalidade, respectivamente. 24. E (artigo versus pronome). “A” é preposição. O artigo seria “as”. 25. C (adjetivo muito pouco empregado, porém com registro no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa e no Dicionário Houaiss). 26. C (colocação pronominal). 27. E (valor aditivo da conjunção E). 28. E (advérbio invariável). 29. E (conjunção adversativa). 30. E (pronome relativo, conjunção, pronome relativo). 127 Capítulo 3 SINTAXE DA ORAÇÃO TEXTO I Leia o texto a seguir para responder à questão 1. O límpido cristal Que límpido o cristal de abril!... Um grito não vai como os da noite – para os extramundos... Todas as vozes, todas as palavras ditas – cigarras presas dentro do globo azul – vão em redor do mundo e a ninguém é preciso entender o que elas dizem; basta aquele bordoneio profundo que vibra com o peito de cada um... palavras felizes de se encontrarem uma com a outra nas solidões do mundo! (Mário Quintana. Esconderijos do tempo. São Paulo, Globo,1995.) QUESTÃO 1 Julgue os itens a seguir: 1) Em “Que límpido o cristal de abril!”, a palavra destacada constitui um pronome relativo. (p. 132) 2) Em “Todas as vozes, todas as palavras ditas”, destaca- ram-se pronomes indefinidos adjetivos. (p. 132) 3) No verso 5, há somente um pronome pessoal do caso reto. (p. 133) 128 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 4) No trecho “a ninguém é preciso entender o que elas di- zem”, destacaram-se, respectivamente, um pronome in- definido substantivo e um pronome demonstrativo subs- tantivo. (p. 135) 5) Em “que vibra com o peito de cada um...”, a expressão em destaque dispensa o segundo vocábulo. (p. 141) 6) Em “palavras felizes de se encontrarem uma com a outra”, os vocábulos destacados constituem, respectivamente, um artigo indefinido e um pronome indefinido. (p. 142) TEXTO II Leia o texto, com atenção, para responderà questão 2. De acordo com dados internacionais, o Brasil, que é a oitava economia mundial, apresenta-se no sexagésimo quarto posto em indicadores sociais, nos quais os índices de saúde têm peso fundamental. Assim, a ideia do Brasil Grande traz embutido também o tamanho de seus problemas sociais e, em especial, os de saúde, afastando qualquer hipótese de ufanis- mo e obrigando a uma profunda reflexão sobre a iniquidade em que vive a maioria da população. É bem verdade que a mortalidade infantil baixou nos úl- timos anos, estando ao redor de setenta óbitos para cada mil crianças nascidas vivas. No entanto, isso não revela as imensas disparidades regionais, onde esses valores variam de vinte e cinco a quase duzentos, aproximando polarmente o país de outros em extremos de desenvolvimento e de atraso. Em termos de América do Sul, apenas a Bolívia e o Paraguai apresentam valores piores que o Brasil. Outro indicador dramático é a esperança de vida ao nas- cer. Se a chance média de viver de um habitante da região Sul é de sessenta anos, a de um nordestino é de apenas quarenta e cinco. 129 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I A par dessas indignas e inaceitáveis diferenças regionais e sociais, outras questões ainda afligem os brasileiros. Sem que as doenças infecciosas tenham saído das primeiras causas de morte, já lhes fazem companhia as doenças cardiovasculares, os cânceres e os acidentes. Isto é, além de ser campeão nas chamadas “doenças da pobreza”, o Brasil já disputa espaço entre os países com elevados índices de doenças consideradas “do desenvolvimento”, da urbanização. (Eleutério Rodrigues Neto. O lucro perverso da doença, publicado em HUMANIDADE, número 15) QUESTÃO 2 Julgue os itens seguintes: 1) O primeiro período do texto é composto por três orações. (p. 142) 2) Em “As doenças da pobreza e do desenvolvimento existem no Brasil”, temos sujeito composto. (p. 143) 3) Em “O Brasil que é a oitava economia mundial” (l. 1-2), temos, ao todo, quatro adjuntos adnominais. (p. 146) 4) Em “... afastando qualquer hipótese de ufanismo e obrigan- do a uma reflexão...” (l. 6-7), os verbos possuem a mesma classificação quanto à predicação. (p. 146) 5) Em “... os índices de saúde têm peso fundamental” (l. 3-4), os substantivos destacados constituem o núcleo do sujeito e o núcleo do objeto direto. (p. 148) 6) Em “... a mortalidade infantil baixou nos últimos anos” (l. 9-10), o adjunto adverbial vem representado, morfologi- camente, por uma locução adverbial. (p. 153) 7) O sujeito de “... isso não releva as imensas disparidades” (l. 11-12) classifica-se tal qual o sujeito de “Quem apre- sentou esses valores?”. (p. 153) 130 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 8) Em “Outro indicador dramático é a esperança de vida” (l. 17), temos verbo de ligação assim como em “O Brasil está na América do Sul”. (p. 154) 9) Destacou-se o complemento nominal em “... e obrigan- do a uma profunda reflexão sobre a iniquidade...” (l. 7). (p. 154) TEXTO III Leia o texto a seguir para responder à questão 3. Obra máxima de Camões e da poesia de língua portuguesa, Os lusíadas constituem o poema mais abrangente e expressivo do humanismo renascentista, em que a expansão marítima de Portugal se transforma em monumento de imaginação e arte literária. Poesia poderosamente épica, apesar dos que viram em Camões um temperamento sobretudo lírico, Os lusíadas se ocupam do real transfigurado pelo heroísmo e do irreal mi- tológico que preside a ação dos personagens e os assimila ou rejeita de acordo com seus feitos. Na verdade, esses persona- gens, mesmo os historicamente identificáveis, também desde o início são mitos como os deuses, representando toda a sua gente. Os lusíadas cantam uma coletividade, “o peito ilustre lusitano” em movimento, descobrindo o mundo. Massaud Moisés QUESTÃO 3 Julgue os itens: 1) Os verbos “constituem” (l. 2), “ocupam” (l. 8) e “cantam” (l. 13) poderiam ser registrados no singular e o texto con- tinuaria correto. (p. 158) 131 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I 2) O texto abre-se com um aposto explicativo. (p. 158) 3) Os vocábulos “coletividade” e “transfigurado” apresentam o mesmo número de fonemas. (p. 159) 4) O primeiro parágrafo apresenta um único pronome oblí- quo átono proclítico. (p. 159) 5) Os verbos do último período do texto possuem a mesma classificação no tocante à transitividade. (p. 159) 6) No trecho: “Na verdade, esses personagens, mesmo os historicamente identificáveis, também desde o início são mitos...” (l. 10-12), destacou-se o vocativo. (p. 159) TEXTO IV Leia o texto a seguir para responder à questão 4. Nas sociedades primitivas, as transações comerciais se faziam por troca direta de uma mercadoria por outra de valor equivalente, sistema denominado escambo. Progressivamente, uma mercadoria de interesse geral passou a ser empregada como medida de valor das demais e tornou-se o padrão de troca. Assim, em diferentes épocas, centenas de objetos cir- cularam como moeda ou meio de troca: couro, conchas, sal, gado, pedras preciosas, etc. Ao converter-se no primeiro grande meio de pagamento, por ser uma mercadoria facilmente trocável nas transações internas ou externas de uma comunidade, o gado bovino afas- tou as várias outras que funcionavam como moeda. Sua im- portância como instrumento de troca e de reserva transparece em termos usados atualmente, como “pecúnia” e “pecúlio”, derivados do latim pecus, “rebanho”, “gado”, e cujas origens remontam ao grego pékos. Moeda e evolução. Napoleão Laerte (com adptações) 132 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) QUESTÃO 4 Julgue os itens a seguir: 0) A vírgula presente na linha 1 indica deslocamento de ad- junto adverbial. (p. 159) 1) Caso seja colocada vírgula antes da conjunção “e” (l. 5), não haverá prejuízo gramatical. (p. 159) 2) A vírgula antes de “etc.” (l. 8) é opcional. (p. 160) 3) Em “... o gado bovino afastou as várias outras...” não é possí- vel usar vírgula entre “afastou” e “as várias outras”. (p. 160) 4) No trecho: “Sua importância como instrumento de troca e de reserva transparece em termos usados atualmente, como “pecúnia” e “pecúlio”...” (l. 12-14), a vírgula antes do elemento coesivo “como”, com valor exemplificativo, é obrigatória. (p. 160) RESOLUÇÕES COMENTADAS QUESTÃO 1 1) Falso. Em “Que límpido o cristal de abril!”, a palavra des- tacada constitui advérbio (intensifica o adjetivo). 2) Verdadeiro. Em “Todas as vozes, todas as palavras di- tas”, os pronomes indefinidos adjetivos acompanham os substantivos. LEMBRE-SE: O pronome é a palavra que substitui o substantivo ou que o acompanha, determinando-lhe a extensão do sig- nificado. Pronome substantivo – substitui o substantivo. Ex.: Elas exigiram o material básico. Pronome adjetivo – acompanha o substantivo. Ex.: Aquela música emocionou os presentes. 133 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I 3) Verdadeiro. A palavra “elas” constitui pronome pessoal do caso reto. Mas, qual a diferença entre o pronome pessoal do caso reto e o do caso oblíquo? PRONOMES PESSOAIS DO CASO RETO E DO CASO OBLÍQUO Substituem as três pessoas gramaticais. São sempre, portanto, pronomes substantivos. Retos Oblíquos Átonos Tônicos Singular 1ª pessoa Eu Me mim, comigo 2ª pessoa Tu Te ti, contigo 3ª pessoa ele, ela Se, lhe, o, a si, consigo, ele, ela Plural 1ª pessoa Nós Nos nós, conosco 2ª pessoa Vós Vos vós, convosco 3ª pessoa eles, elas Se, lhes, os, as si, consigo, eles, elas IMPORTANTE EMPREGO DOS PRONOMES • Os pronomes retos funcionam geralmente como sujeito:Ex.: Nós estabelecemos as regras no jogo. • Os pronomes oblíquos funcionam como objeto ou com- plemento: Ex.: Bentinho contou-me a verdade. (objeto indireto) O livro será útil a nós. (complemento nominal) • Os pronomes oblíquos podem ser: a) átonos (empregados sem preposição): Ex.: Dê-nos o material necessário à execução do plano. b) tônicos (precedidos de preposição): Ex.: Dê a nós o material necessário à execução do plano. 134 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) c) lo, la, los, las depois de verbos terminados em r, s, z: Ex.: É necessário dividir a herança. / ... dividi-la (sem acento na forma verbal). Quis a proposta anterior. / Qui-la (sem acento na forma verbal). Fiz os exercícios propostos. / Fi-los (sem acento na forma verbal). É importante instruir o candidato/ ... instruí-lo (com acento na forma verbal, em virtude do hiato) Lavra- rá a ata. / Lavrá-la-á (observe que o acento agudo aparece duas vezes). Buscarás a verdade. / Buscá-la-ás (observe que o acento agudo aparece duas vezes). d) no, na, nos, nas depois de verbos terminados em ditongo nasal (am, em, ão, õe): Ex.: Executaram os sem-terra. / Executaram-nos. Põe o álbum sobre a mesa. / Põe-no. Emprego dos pronomes pessoais Pronomes pessoais retos 1. Os pronomes ele(s), ela(s), nós e vós podem funcionar como objeto direto quando vierem precedidos de todos, só, apenas, ou quando vierem seguidos de numeral: Ex.: Encontre-os. Encontre todos eles. Defini-os. Defini eles dois. 2. Os pronomes retos de 3ª pessoa (ele, ela, eles, elas) passam a ser oblíquos quando se contraem com as preposi- ções de ou em: • de + ele = dele • em + ele = nele • de + ela = dela • em + ela = nela • de + eles = deles • em + eles = neles Ex.: Precisamos deles. Sempre cremos neles. 135 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I IMPORTANTE Essa contração não ocorre quando esses pronomes exer- cem a função de sujeito: Ex.: É hora de o Congresso estabelecer suas normas. É hora de ele estabelecer normas. (Embora haja di- vergências entre os estudiosos, não são construções cultas: É hora do Congresso estabelecer suas nor- mas./É hora dele estabelecer normas.) O Acordo Or- tográfico da Língua Portuguesa (2009) não recomen- da a contração. PRONOMES PESSOAIS OBLÍQUOS 1. Os pronomes pessoais oblíquos tônicos vêm sempre precedidos de preposição: Ex.: Policarpo Quaresma deu uma lição a nós. 2. As formas conosco e convosco serão substituídas por com nós e com vós se estas vierem seguidas de numeral ou de palavras como todos, outros, mesmos, próprios, ambos: 3. Os pronomes pessoais oblíquos átonos podem ser uti- lizados com sentido possessivo: Ex.: O soldado cortou-me o rosto. (me = meu) Roubaram-lhe o dinheiro. (lhe = seu) 4) Verdadeiro. No trecho “a ninguém é preciso entender o (= aquilo) que elas dizem”, destacaram-se, respectivamen- te, um pronome indefinido substantivo e um pronome de- monstrativo substantivo. Estudemos melhor a classificação dos pronomes: 136 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) PRONOMES POSSESSIVOS Os pronomes possessivos indicam aquilo que pertence a cada uma das pessoas gramaticais: Singular Plural 1ª pessoa meu, minha, meus, minhas nosso, nossa, nossos, nossas 2ª pessoa teu, tua, teus, tuas vosso, vossa, vossos, vossas 3ª pessoa seu, sua, seus, suas seu, sua, seus, suas PRONOMES DEMONSTRATIVOS São pronomes que situam o ser no espaço e no tempo, to- mando como ponto de referência as três pessoas gramaticais. Variáveis Invariáveis este, esta, estes, estas isto esse, essa, esses, essas isso aquele, aquela, aqueles, aquelas aquilo • Este, esta, isto indicam que o ser está próximo do fa- lante: Este livro é meu. • Esse, essa, isso indicam que o ser está próximo do ouvinte: Esse livro é seu. • Aquele, aquela, aquilo indicam que o ser está afastado do falante e do ouvinte: Aquele livro é dele. 137 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I IMPORTANTE Em relação ao DISCURSO, o que vai ser mencionado é indicado pelo pronome “este” (função catafórica): “Nosso vizinho vive repetindo este provérbio: Casa de ferreiro, espeto de pau”. Também se usa o pronome “este” para referência a elemento anterior mais próximo (função ana- fórica): “Preocupa-se o autor com a escrita como processo, e não como literatura ou como texto a ser linguisticamente analisado. Aliás, neste último caso não se leva em consi- deração o tipo de processo...”. Para o que se mencionou, usa-se o pronome “esse” (função anafórica): “A segunda parte do trabalho dispõe sobre a marginalidade social. É nesse capítulo / nessa parte / nesse ponto que se discutem os desvios verificados nas instituições pesquisadas”. ESTRUTURA DIAFÓRICA Todo texto produz cadeias coesivas à medida que os vo- cábulos são registrados. Você perceberá que, como o texto é um “tecido”, ideias serão sempre retomadas ou previstas. • Elemento coesivo anafórico – é aquele que apresenta referente anteposto. Ex.: O ex-presidente criticou o empresário que interme- diou o patrocínio do projeto. (Observe que o pronome relativo “que” retoma o antecedente “o empresário”.) • Elemento coesivo catafórico – é aquele que apresenta referente posposto. Ex.: Esta é a principal causa da violência: a impunidade. (Observe que o pronome demonstrativo “Esta” refere-se ao termo posposto “a impunidade”.) • Elemento coesivo endofórico – é aquele que apresenta referente interno (está dentro do texto). Observe que todos os elementos coesivos presentes nos exemplos 138 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) anteriores são, além de anafóricos ou catafóricos, en- dofóricos. • Elemento coesivo exofórico – é aquele que apresenta referente externo (fora do texto). Ex.: Eu estive fazendo um levantamento das mensagens que me enviam pela internet. (Observe que o pronome “Eu” refere-se a elemento não registrado no texto.) • Elemento dêitico – sinal que designa mostrando, e não conceituando. Observe, cuidadosamente, pronomes pes- soais e desinências verbais (indicam os participantes do ato do discurso), pronomes demonstrativos, certas locuções prepositivas e adverbiais, advérbios de tempo: este, hoje, agora, ultimamente, recentemente, ontem, no próximo ano, antes de (pretérito) e outros. Na verdade, os dêiticos são os elementos linguísticos que mais evi- denciam a presença do emissor no enunciado. Ex.: Senhores pares, circula uma proposta para aumen- tar as verbas com vistas à contratação de funcionários pessoais de cada deputado desta Casa. Hoje, um parla- mentar recebe 35.000 reais por mês para isso. A ideia é elevar esse montante para 45.000 reais. Eu considero esse fermento nas verbas de gabinete um assalto aos cofres públicos. • Elemento vicário – palavra que, como verdadeiro pro- nome, se põe em lugar de uma oração inteira. Ex.: a) “Que quer dizer este nome? É que as almas, tanto que entram naquele templo, se tornam estáticas!” O verbo É equivale, aí, a este nome quer dizer, e o que seguinte inicia uma oração subordinada subs- tantiva objetiva direta. b) “É um século que não chega pronto da fábrica, mas sim pronto para ser forjado por vocês à nossa imagem e semelhança.” O vocábulo sim equivale, aí, a é um século que chega. Entendeu? Salientemos, agora, os processos de coesão lexical por substituição léxica. 139 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I • As palavras o, a, os, as, mesmo, próprio, semelhante e tal podem ser pronomes demonstrativos: Ex.: O elefante é o que mais pesa. (o = aquele) O vigilante mesmo repreendeu os moleques. Tal gesto deve ser repreendido. PRONOMES INDEFINIDOS Os pronomesindefinidos referem-se à 3ª pessoa grama- tical de maneira indeterminada, vaga: Ex.: Alguém estacionou o carro em local proibido. Variáveis Invariáveis Algum, alguma, alguns, algumas alguém Nenhum, nenhuma, nenhuns, nenhumas ninguém Todo, toda, todos, todas tudo Outro, outra, outros, outras outrem Muito, muita, muitos, muitas nada Pouco, pouca, poucos, poucas cada Certo, certa, certos, certas algo Vário, vária, vários, várias Tanto, tanta, tantos, tantas Quanto, quanta, quantos, quantas Qualquer, quaisquer Locuções pronominais indefinidas Cada um, cada qual, quem quer que seja, quem for, seja qual for, etc. PRONOMES INTERROGATIVOS São os pronomes que, quem, qual e quanto (também indefinidos) empregados na formulação de perguntas. Essa pergunta pode ser direta ou indireta. a) direta: Ex.: Quem abandonou o emprego naquela repartição? b) indireta: Ex.: Quero saber qual o meu peso ideal. 140 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) PRONOMES RELATIVOS Referem-se a termos já expressos (função anafórica) e introduzem oração subordinada adjetiva: Variáveis Invariáveis O qual, a qual, os quais, as quais que Cujo, cuja, cujos, cujas quem Quanto, quanta, quantos, quantas onde Ex.: Conheci os presidiários que foram elogiados pelo di- retor. Emprego dos pronomes relativos 1. O antecedente do pronome relativo pode ser o pronome demonstrativo o, a, os, as: Ex.: O jovem rapaz foi o que demonstrou mais segurança. 2. O pronome relativo que pode ser substituído por o qual, a qual, os quais, as quais, quando seu antecedente for um substantivo: Ex.: Naquele lugar, há um restaurante que vende comida chinesa. (que = o qual / Substitui o antecedente “res- taurante”) 3. O pronome cujo tem valor possessivo e equivale a do qual, de quem, de que. Terá sempre o valor de ADJUNTO ADNOMINAL. Ex.: Os filhos com cujos pais conversei prometeram mudar de atitude. 4. Os pronomes relativos virão precedidos de preposição quando a regência assim exigir: Ex.: Posso provar as irregularidades a que me referi. As informações de que dependo são sigilosas. O motorista, em cujo táxi entrei, era velho conhecido. 5. Após o pronome cujo nunca se usa o artigo: Ex.: Os alunos cujas ideias são claras fazem boas redações. 141 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I ATENÇÃO Os pronomes EU e TU não podem vir regidos de preposi- ção essencial como ENTRE, PARA, PERANTE, CONTRA, SEM, DE. Empregamos MIM e TI. Ex.: Perante mim, ela chorou. Contra mim e ti, ela agiu. Entre mim e você, tudo está acabado. Sem mim, nada podeis fazer. É incorreto pensar que sempre antes de verbo no infiniti- vo usamos o pronome eu, apesar da presença de preposição. Cuidado com o sujeito oracional. Este trabalho é fácil para eu desenvolver. sujeito sujeito É fácil para mim desenvolver este trabalho. sujeito oracional PRONOMES MO, TO, LHO, NO-LO, VO-LO Funcionam como objeto indireto e direto, respectivamen- te, acoplados, unidos. Ele disse a verdade a mim (me + a) – Ele ma disse. Ele informou o problema a você (lhe + o) – Ele lho informou. Ela mostrou o quadro a nós (nos + o) – Ela no-lo mostrou. Ela indicou as placas a vós (vos + as) – Ela vo-las indicou. Ele relatou o fato a ti. (te + o) Ele to relatou. VTDI -o -te 5) Falso. Em “que vibra com o peito de cada um...”, a expres- são em destaque sempre se construirá dessa forma. 142 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 6) Falso. Em “palavras felizes de se encontrarem uma com a outra”, os vocábulos destacados constituem pronomes indefinidos. É uma questão de paralelismo. Reveja a clas- sificação dos pronomes na questão 4. QUESTÃO 2 1) Verdadeiro. O número de verbos ou locuções verbais de- terminará o número de orações. Observe: De acordo com dados internacionais, o Brasil (1ª parte da 2ª oração) /, que é a oitava economia mundial, (1ª oração) / apresenta-se no sexagésimo quarto posto em indicadores sociais (2ª oração), / nos quais os índices de saúde têm peso fundamental (3ª oração). Assim, análise sintática é a parte da Gramática que estuda e classifica as orações e os termos de cada oração. Mas, como distinguir frase, oração e período? • FRASE é todo enunciado capaz de estabelecer comuni- cação: A lua ia grande e bela! Nossa! Você veio? Silêncio! • ORAÇÃO é a frase construída em torno de um verbo. Os cientistas descobriram a cura. Não assisti àquele filme. Nosso inimigo bateu as botas. • PERÍODO é a frase formada por uma ou mais orações. – simples: formado por uma oração. Ontem, não encontrei a bomba-relógio. – composto: formado por duas ou mais orações. Ele disse/ que a nossa casa recebia subsídios gover- namentais (2 orações). Marta chegou/ e constatou/ que todos estavam men- tindo. (3 orações) 143 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I 2) Falso. Temos sujeito simples: As doenças da pobreza e do desenvolvimento (sujeito)/ existem no Brasil (predicado). O sujeito apresenta apenas um núcleo. SAIBA MAIS SUJEITO E PREDICADO • Sujeito: é o termo da oração que representa o ser a respeito do qual afirmamos ou negamos alguma coisa. • Predicado: é a parte da oração por meio da qual afir- mamos ou negamos algo a respeito do sujeito. O pre- dicado sempre contém um verbo. Ex.: Os valentes jagunços encontraram a pedra. suj. predic. • SUJEITO SIMPLES: é aquele formado por apenas um núcleo. Ex.: Muitos problemas surgiram naquele momento. núcleo suj. • SUJEITO COMPOSTO: é aquele formado por dois ou mais núcleos. Ex.: Chapéus coloridos e guarda-chuvas velhos chamavam núcleo suj. núcleo suj. a atenção de todos. • SUJEITO ELÍPTICO OU DESINENCIAL: é aquele que só pode ser conhecido pela análise da desinência verbal. Pode ser chamado, também, de oculto (evite essa no- menclatura), implícito, elíptico, fossilizado. Ex.: Negarás os teus parentes? (negarás – sujeito desi- nencial tu) Ex.: Entendemos o processo de formação das palavras. (entendemos – sujeito elíptico nós) 144 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) • SUJEITO INDETERMINADO OU GENÉRICO: quando não podemos ou não queremos dizer quem é o sujeito. Este não aparece anteposto ou posposto no contexto oracio- nal. Casos em que podemos verificar a indeterminação do sujeito: – Quando o verbo, sem se referir a nenhum elemento do contexto da frase, apresentar-se na 3ª pessoa do plural. Ex.: Falaram sobre a única matéria jornalística publicada. 3ª p. plural – Quando o verbo, sem se referir a nenhum elemento do contexto da frase, apresentar-se na 3ª pessoa do singular + SE. Cuidado para não confundir PARTÍCULA APASSIVADORA (com sujeito determinado) e ÍNDICE DE INDETERMINAÇÃO DO SUJEITO (com sujeito inde- terminado) Acreditou-se em teorias obsoletas. 3ª p. sing. (V.T.I. + SE – índice de indeterminação do sujeito) ATENÇÃO Quando o verbo no infinitivo não apresenta referente es- pecífico na construção sintática, é possível caracterizar um sujeito genérico (ou indeterminado). Ex.: É necessário estabelecer novas metas. (Quem estabe- lecerá novas metas?) IMPORTANTE Lembre-se de que só podemos transpor para a voz pas- siva, em princípio, VERBOS TRANSITIVOS DIRETOS (ou transitivos diretos e indiretos). Observe: Ex.: Apresentou-se um relatório. (Voz passiva sintética ou pronominal – VTD + SE – PARTÍCULA APASSIVA- DORA) Um relatório foi apresentado. (Voz passiva analítica) 145 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I Nos dois enunciados o sujeito é o mesmo: um relatório. Ex.: Comunicou-seo fato ao diretor. (Voz passiva sintética ou pronominal – VTDI + SE – PARTÍCULA APASSIVADORA) Ex.: O fato foi comunicado ao diretor. (Voz passiva ana- lítica) O mesmo não acontecerá com VERBOS TRANSITIVOS INDI- RETOS, INTRANSITIVOS E DE LIGAÇÃO. Observe também os casos em que há objeto direto preposicionado. Teremos ÍNDICE DE INDETERMINAÇÃO DO SUJEITO. Observe: Ex.: Confiou-se em suas propostas. (VTI + SE) Comeu-se em um bom restaurante. (VI + SE) É-se esperançoso no Brasil. (VL + SE) Bebeu-se do delicioso vinho. (VTD +SE + OBJETO DI- RETO PREPOSICIONADO) • ORAÇÃO SEM SUJEITO: observe os seguintes verbos e situações: – Haver no sentido de existir, acontecer e indicando tempo passado: Ex.: Havia alguns roqueiros no ambiente. (Lembre-se de que os verbos impessoais também não ad- mitem transposição para a voz passiva. Como transformar o objeto direto em sujeito se o verbo é impessoal?) Há dois anos/ éramos românticos. – Fazer indicando tempo e fenômeno da natureza: Ex.: Faz três meses/ que estudo a língua. Faz calor no Rio sempre. – Ser indicando tempo e distância: Ex.: São cinco horas da manhã. Daqui a Brasília são vinte quilômetros. 146 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) – Verbos indicativos de fenômeno da natureza. (chover, ventar, nevar, relampejar e outros) Ex.: Chove torrencialmente em Curitiba. IMPORTANTE Vale a pena ressaltar a diferença entre verbos IMPES- SOAIS E UNIPESSOAIS. Muitas vezes, a ideia expressa pelo verbo não pode ser aplicada a determinadas pessoas. É o caso, por exemplo, dos verbos que exprimem fenômenos da natureza, como chover, trovejar, ventar. Só aparecem na 3ª pessoa do singular. Os que indicam vozes de animais, como granir, ladrar, zurrar, normal- mente só se empregam na 3ª pessoa do singular e do plural. Aos primeiros chamamos IMPESSOAIS; aos últimos, UNIPESSOAIS. • SUJEITO ORACIONAL: é aquele representado por uma oração. O verbo a que ele se relaciona estará sempre na 3ª pessoa do singular. Ex.: É necessário obter mais lucros. (sujeito oracional de “É”) Ficou confirmado que o ministro renunciaria. (su- jeito oracional de “Ficou confirmado”) 3) Verdadeiro. Os adjuntos adnominais são: O (artigo), a (ar- tigo), oitava (numeral), mundial (adjetivo). • ADJUNTO ADNOMINAL: é um termo que se relaciona a um nome (substantivo) para caracterizar, detalhar melhor esse nome. São representados, morfologicamente, por artigos, adjetivos (ou locuções adjetivas), numerais e pronomes. Ex.: Pequenos flocos de espuma boiavam. A casinha ficava em um pequeno vale. 4) Falso. O verbo “afastando” exige complemento verbal sem o auxílio da preposição. É transitivo direto. O verbo “obrigando”, ao contrário, exige complemento verbal com 147 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I o auxílio da preposição “a”. É transitivo indireto. Quer entender melhor essa classificação? • VERBO INTRANSITIVO: é aquele que, por ter predicação completa, não exige nenhum termo que lhe complete o sentido. Isso significa que o verbo intransitivo não exige complemento verbal (objeto). Ex.: As nossas encomendas chegaram. v. intr. Assobiava, lá fora, um vento gelado. v. int suj. • VERBO TRANSITIVO DIRETO: é o verbo que exige, para completar-lhe o sentido, um termo não iniciado por preposição – o objeto direto. Ex.: Alguns turistas fotografavam o mar. v.t.d obj.dir. • VERBO TRANSITIVO INDIRETO: é o verbo que exige um complemento (objeto) iniciado por preposição – o objeto indireto. Ex.: O motorista desconfiou de nossa conversa. v.t.i obj. ind. • VERBO TRANSITIVO DIRETO E INDIRETO: é todo ver- bo que exige dois complementos: um deles sem prepo- sição (objeto direto) e o outro com proposição (objeto indireto). Ex.: Todos pediram ajuda ao fiscal. v.t.d.i obj.dir. obj.ind. A escola fornece todas as informações aos interessados. v.t.d.i obj.dir obj. ind. • VERBO DE LIGAÇÃO: é todo verbo que estabelece um vínculo, uma ligação entre o sujeito e uma qualidade atribuída a esse sujeito. A qualidade (ou característica, 148 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) ou modo de ser) atribuída ao sujeito denomina-se pre- dicativo do sujeito. Ex.: Algumas crianças estavam tristes. suj. v. lig. predicat. A torcida ficou extremamente irritada. suj. v.lig predicat. • VERBO TRANSOBJETIVO: é aquele que apresenta um objeto e um predicativo desse objeto. Ex.: Nossos pais consideram sua atitude corajosa. obj. dir. pred. obj. O fraco rei faz fraca a forte gente. pred. obj. obj. dir. OBSERVAÇÃO Atenção para o verbo CHAMAR (= cognominar, caracteri- zar, denominar, apelidar). É transitivo direto ou indireto indiferentemente e o predicativo pode vir ou não regido pela preposição DE. Ex.: Chamei-o perverso. Chamei-o de perverso. Chamei-lhe perverso. Chamei-lhe de perverso. 5) Verdadeiro. Lembre-se: o núcleo do sujeito não pode, em tese, vir preposicionado. Por isso, “saúde” não constitui núcleo, e, sim, “índices”. O verbo “têm” é transitivo direto. Exige complemento verbal chamado objeto direto. Apro- fundemos esse estudo: • OBJETO DIRETO: é o complemento verbal não iniciado por preposição. Ex.: Poucas pessoas já leram esse livro. v.t.d. obj.dir. 149 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I O objeto direto caracteriza-se pelo seguinte: em tese, toda frase que apresenta objeto direto pode ser transposta para a voz passiva. Ex.: Todos aplaudiram o jogador. (voz ativa) v.t.d. obj. dir. O jogador foi aplaudido por todos (voz passiva) suj. Observe que o objeto direto da voz ativa torna-se o sujeito da voz passiva. ATENÇÃO O verbo “haver”, com o sentido de “existir”, “ocorrer”, embora seja transitivo direto, não admite transposição para a voz passiva, uma vez que corresponde a verbo impessoal: Havia pessoas (obj. dir.) no local (impossível transpor para a voz passiva). O objeto direto pode, sempre, ser substituído lexicalmente por um dos seguintes pronomes oblíquos: O, A, OS, AS Ex.: Alguns moradores conheciam o velhinho. v.t.d. obj. dir Substituindo o objeto direto pelo pronome oblíquo equi- valente, temos: Alguns moradores o conheciam. obj. dir v.t.d OBSERVAÇÕES Há casos em que o objeto direto pode apresentar, antes de si, uma preposição; no entanto, não é exigida pelo verbo e pode até ser eliminada da frase. Ex.: A notícia surpreendeu a todos. suj. v.t.d. obj.dir. preposicionado 150 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) • OBJETO INDIRETO: é o complemento verbal que, obri- gatoriamente, vem iniciado por uma preposição (de, com, em, para, etc.). Ex.: Muitos já desconfiaram de você. v.t.i. obj. ind. O poeta dedicou o livro aos jovens. v.t.d.i. obj.dir. obj. ind. Pronomes oblíquos como objeto. Os pronomes oblí- quos átonos, quan- do funcionam como objeto, são classifi- cados: O, A, OS, AS sempre objetos di- retos. Todos O criticaram. Obj. dir. v.t.d LHE, LHES objeto indireto. Eu já LHE entreguei o livro ME, NOS, TE, VOS, SE a classificação de cada um desses pronomescomo ob- jeto direto ou obje- to indireto depende do verbo que o pro- nome estiver com- plementando. Se o verbo for tran- sitivo direto, o pro- nome será objeto direto. Se o verbo for transitivo in- direto, o pronome será objeto indireto. Eu TE conheço o.d. v.t.d. Eu TE obedeço o.i. v.t.i Eu TE enviarei o material o. i. v.d.t.i. o.d. • SUJEITO ACUSATIVO OU DE INFINITIVO: Que é esse tal de sujeito acusativo? Em “Eu o mandei arquivar o processo”, o sujeito do verbo “mandar” é o pronome “Eu”, e o do verbo “arquivar” é o pronome “o”. Por quê, Fernando Moura? Ora, se desenvolvermos a oração, teremos: “Eu mandei que ele arquivasse o processo”. Portanto, o objeto direto do verbo mandar é a oração, e não o pronome. Ao reduzirmos a oração, como ocorre na frase apresentada, teremos o pronome de terceira pessoa do singular ligado ao verbo “mandar”. En- tão, ele deve ser transformado em pronome oblíquo átono – o. Consequentemente, a frase certa será “Eu o mandei arquivar o processo”. 151 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I Quando isso ocorrerá? Quando surgir verbo causativo (mandar, fazer, deixar) ou sensitivo (ver, ouvir, sentir) mais qualquer verbo no infinitivo. O sujeito desse segundo verbo não pode ser pronome pessoal do caso reto, e sim pronome pessoal do caso oblíquo – me, te, se, o, a, nos, vos, os, as. E a concordância? Fernando, qual a forma correta: “Deixai vir a mim as criancinhas” ou “Deixai virem a mim as criancinhas”? As duas formas estão corretas. O sujeito acusativo pode ser representado por um substantivo ou por um pronome pes- soal oblíquo. Quando o sujeito acusativo for um substantivo plural, o verbo no infinitivo tanto poderá concordar com o substantivo quanto ficar no singular. Quando for um pronome pessoal oblíquo, o verbo ficará sempre na terceira pessoa do singular. Quer mais um exemplo? Compare. “Mandaram os advogados saírem” ou “Mandaram os advo- gados sair” (o sujeito acusativo vem representado pelo subs- tantivo “advogados”). “Mandei-os sair” (o sujeito acusativo vem representado pelo pronome). Lembre-se, ainda, de que os sinônimos também são cau- sativos ou sensitivos: ordenar, permitir, escutar, enxergar, perceber. IMPORTANTE Vale ressaltar que os pronomes MO, TO, LHO, NO-LO, VO-LO constituem a contração de dois pronomes-objetos. Portanto, exercerão, sintaticamente, a função de OBJETO INDIRETO E DIRETO. Ex.: Não pediria isso a você. (lhe + o) Não lho pediria. -o -lhe Ele contou o caso a nós. (nos + o) Ele no-lo contou. -o -nos 152 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) • OBJETO PLEONÁSTICO: é aquele que vem deslocado no contexto oracional e reforçado por um pronome pessoal oblíquo. Essa repetição recebe o nome de pleonasmo. Ex.: As folhinhas, inventou-as algum boticário da região. objeto direto obj. dir. sujeito deslocado pleonástico Aos regulamentos, sempre lhes obedeci. obj. ind. obj. ind. pleonástico • OBJETO INDIRETO DATIVO DE POSSE: é aquele que apresenta valor possessivo e é representado por um pronome pessoal do caso oblíquo. Alguns gramáticos chamam-no de objeto indireto por extensão e outros de adjunto adnominal. Esta última classificação é mais frequente em concursos públicos. Ex.: Roubaram-lhe o carro (lhe = seu) Cortaram-me os dedos. (me = meus) • OBJETO DIRETO INTERNO E COGNATO – Cognato: o verbo e o complemento pertencem à mesma família etimológica (mesmo radical). Ex.: Os brasileiros vivem uma vida tranquila. Meu vizinho chorou um choro hipócrita. – Interno: o verbo e o complemento estão no mesmo campo semântico (de significação). Ex.: Dormi um sono tranquilo. A moça chorou lágrimas falsas. • AGENTE DA PASSIVA: é o elemento que pratica a ação verbal nas frases que estão na voz passiva (isto é, quan- do o sujeito recebe a ação verbal.) Ex.: Muitas árvores foram destruídas pelo vento. suj. paciente ag. da passiva Ele será elogiado por nós? suj. paciente ag. da passiva 153 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I OBSERVAÇÃO O agente da passiva corresponde ao sujeito da ativa e sempre se inicia pela preposição POR/PELO (e, também, mais raramente, pela preposição DE). Ex.: A atriz foi cercada de fãs. 6) Verdadeiro. O adjunto adverbial pode vir representado por advérbio, locução adverbial e oração adverbial. Esta última possibilidade veremos nos próximos capítulos. Compare: A mortalidade infantil baixou ontem. (Apenas uma pala- vra traduzindo a circunstância temporal). A mortalidade infantil baixou nos últimos anos. (Expres- são preposicionada traduzindo a circunstância tempo- ral). Portanto, aprenda esta lição: • ADJUNTO ADVERBIAL: termo que se relaciona ao verbo para acrescentar uma circunstância qualquer (tempo, modo, negação, causa, lugar, dúvida, etc.). Talvez ele não vá à cidade hoje. adj. adv. adj. adv. adj. adv. adj. adv. de dúvida de negação de lugar de tempo IMPORTANTE Locução adverbial é um termo preposicionado que tem valor de advérbio, exprimindo, portanto, a ideia de circuns- tância. Sintaticamente, exercerá a função de adjunto adverbial e não pode ser confundido com objeto indireto. Ex.: Ele morreu de tuberculose. (locução adverbial = ad- junto adverbial de causa) Na África, pessoas estão vivendo em cortiços. (locuções adverbiais = adjuntos adverbiais de lugar) 7) Verdadeiro. Os pronomes “isso” e “quem” são núcleos do sujeito simples, respectivamente, dos verbos “revela” 154 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) e “apresentou”. Ambos os pronomes substituem o subs- tantivo. Reveja a classificação do sujeito na questão 2. 8) Falso. Verbo de ligação conecta sujeito e predicativo, como acontece em “A esperança de vida é outro indicador dra- mático (predicativo)” / (ordem direta). Em “O Brasil está na América do Sul”, o mesmo não acontece. Temos sujeito, verbo intransitivo e adjunto adverbial de lugar, respectiva- mente. SAIBA MAIS • PREDICATIVO: termo que expressa uma característi- ca, um estado, um modo de ser do nome. O predicativo relaciona-se ao nome por meio de um verbo de ligação ou não. O predicativo pode ser: – Predicativo do sujeito: quando a característica é atribuída ao sujeito da oração. Ex.: Os jogadores estavam nervosos. suj. v. lig. predicat. do suj. Os brasileiros assistiram à cena nervosos. suj. v.t.i. obj. ind. predicat. do suj. – Predicativo do objeto: quando a característica é atribuída ao objeto da oração. Ex.: Ninguém considerou certa sua atitude. suj. v.t.d. predicat. obj. dir. do obj 9) Verdadeiro. O substantivo “reflexão” (abstrato, cognato de verbo, ou seja, da família etimológica do verbo “refletir”). A esse substantivo está subordinado, numa relação comple- tiva (objetiva), o termo “sobre a iniquidade”. LEMBRE-SE • COMPLEMENTO NOMINAL: é o termo que relaciona a nomes de sentido incompleto a fim de completá-los. 155 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I O complemento nominal se assemelha ao objeto indire- to, mas a diferença fundamental entre eles é que o objeto indireto inicia-se por uma preposição e completa o sen- tido de verbos, enquanto que o complemento nominal inicia-se por preposição e completa o sentido de nomes. O complemento nominal tem como principais carac- terísticas: – começa sempre por uma preposição; – está subordinado somente a: substantivos, adjetivos e advérbios; – recebe, em muitos casos, a ação do nome que ele completa (relaçãoobjetiva ou completiva). Ex.: A população ficou revoltada com as mudanças. nome incomp. compl. nom. (adjetivo) A acusação ao criminoso foi feita por mim. nome incomp. compl. nom. IMPORTANTE DIFERENÇA ENTRE ADJUNTO ADNOMINAL E COMPLE- MENTO NOMINAL Muitos estudiosos da língua discutem essa diferença. Macetes não ajudarão. A meu ver, essa diferença é mais semântica que sintática. É necessário compreender o que se lê e verificar, cuidadosamente, que tipo de relação é estabelecida no texto. Em nossa língua, há nomes (subs- tantivos, adjetivos e advérbios) que carecem de uma ex- pansão sintática que lhes complete o sentido na constru- ção fraseológica. Essa expansão sintática, sempre prepo- sicionada, recebe o nome de complemento nominal. O adjunto adnominal, nem sempre preposicionado, a não ser que venha representado por uma locução adjetiva, estará sempre subordinado ao substantivo. Vamos tentar entender cada situação. 1. Termo preposicionado subordinado ao adjetivo será sempre complemento nominal. 156 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) Ex.: Estamos insatisfeitos com o atual cenário político. (adjetivo) (complemento nominal) Esse projeto é igual ao decreto. (adjetivo) (complemento nominal) 2. Termo preposicionado subordinado ao advérbio será sempre complemento nominal. Ex.: Agiu favoravelmente à Lei de Responsabilidade Fiscal. (advérbio) (complemento nominal) Ele mora perto do aeroporto paulista. (advérbio) (complemento nominal) 3. Termo preposicionado subordinado ao substantivo abstrato cognato (derivado) de verbo poderá ser com- plemento nominal (se se estabelecer relação comple- tiva, ou seja, se na reescritura caracterizar-se o com- plemento do verbo) ou adjunto adnominal (se se es- tabelecer relação subjetiva, ou seja, se na reescritura caracterizar-se o sujeito). Ex.: O ataque aos iraquianos provocou revoltas. (complemento nominal) Note que há a ideia de “atacar os iraquianos”. Em vez de completar o verbo, o termo preposicionado completa o nome e é, portanto, complemento nominal. Ex.: O ataque dos iraquianos foi fraco. (adjunto adnominal) Note que há a ideia de “os iraquianos (sujeito) ataca- rem”. Como a relação é subjetiva, o termo preposicio- nado é adjunto adnominal. 4. Termo preposicionado subordinado ao substantivo abs- trato não cognato de verbo poderá ser complemento nominal (se se estabelecer relação completiva) ou ad- junto adnominal (se se estabelecer relação subjetiva). Ex.: Os brasileiros têm aversão ao desemprego. (complemento nominal) 157 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I Note que a ideia de “ter medo” parte dos brasileiros e recai sobre o desemprego. Como a relação é comple- tiva, o termo preposicionado é complemento nominal. Ex.: Essa aversão dos brasileiros não procede. (adjunto adnominal) Note que a ideia de “ter aversão” não recai sobre os brasileiros. Na verdade, a ideia de “ter aversão” parte, numa relação subjetiva, exatamente do termo prepo- sicionado, que será chamado de adjunto adnominal. LEMBRE-SE Às vezes, o substantivo é abstrato e (ou) cognato de verbo, mas não é possível estabelecer nem a relação completiva nem a relação subjetiva. O termo preposi- cionado estará apenas junto do nome e será chamado, portanto, de adjunto adnominal. Ex.: Maria Clara tem grande desembaraço de expressão. (adjunto adnominal) Interprete o texto. Note que desembaraço é um subs- tantivo abstrato, cognato do verbo “desembaraçar”. Mas, semanticamente, não existe a ideia de Maria Clara desembaraçar a expressão (relação completiva) nem a ideia de a expressão desembaraçar Maria Clara (relação subjetiva). O redator apenas tem o intuito de dizer que Maria Clara é comunicativa, desembaraçada. 5. Termo preposicionado subordinado ao substantivo concreto será sempre adjunto adnominal. Cuidado apenas quando o substantivo concreto for empregado conotativamente, pois poderá haver relação completiva e, portanto, complemento nominal. Ex.: O professor de Matemática recebeu o prêmio. (adjunto adnominal) A torre de aço foi derrubada pelo avião. (adjunto adnominal) 158 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) Note que os substantivos “professor” e “torre”, em- pregados denotativamente, não indicam ação. Indicam pessoa, coisa. Esses substantivos nunca serão comple- tivos. Portanto, o termo preposicionado será sempre adjunto adnominal. Ex.: Dirceu era o cabeça do grupo. (complemento nominal/ “liderava o grupo”) Paulo era o rei da mentira. (complemento nominal/ “comandava a mentira”) Observe que os substantivos “cabeça” e “rei”, empre- gados conotativamente, estabelecem, com o termo preposicionado, relação completiva. QUESTÃO 3 1) Verdadeiro. Em vez de aplicar a concordância lógico-for- mal, pode-se recorrer à silepse ou concordância ideológica. Nesse caso, concorda-se com o termo logicamente implíci- to: (A obra) Os lusíadas constitui (...), ocupa (...), canta (...). 2) Verdadeiro. O termo “Obra máxima de Camões e da poesia de língua portuguesa” explica o sujeito “Os lusíadas”. SAIBA MAIS • APOSTO: termo que serve para reiterar ou reforçar outro termo. Conforme o seu valor na oração, classi- fica-se em: – Explicativo: Gudesteu, pai de Ambrosina, foi traído por todos. – Enumerativo: Tenho necessidade de três coisas: caixas, fitas adesivas e pincéis. – Resumidor ou Recapitulativo: Cadeira, mesa, ar- mário, tudo parecia velho demais. – Comparativo: As estrelas, grandes olhos azuis, es- preitavam através da folhagem. – Especificativo ou Restritivo: A cidade de Roma tem belezas incontestáveis. 159 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I 3) Verdadeiro. Os dois vocábulos apresentam o mesmo nú- mero de fonemas: /coletividade/ – 12 fonemas; /trãsfi- gurado/ – 12 fonemas. 4) Verdadeiro. O único pronome átono (não precedido de preposição) e proclítico (colocado antes do verbo) é o des- tacado em: “... em que a expansão marítima de Portugal se transforma em monumento de imaginação e arte literária.” 5) Verdadeiro. Ambos são transitivos diretos (exigem com- plemento sem o auxílio da preposição): cantam uma co- letividade/ descobrindo o mundo. 6) Falso. Destacou-se o sujeito do verbo “são”. Veja a oração na ordem direta, sem interrupções: “... esses personagens são mitos...”. Então, o que é o vocativo? O VOCATIVO é o termo usado para chamar a atenção da pessoa com quem se fala. O vocativo não pertence nem ao sujeito, nem ao predicado da oração. A vida, meu irmão, está triste agora. suj. vocativo predicado Deus, por que me abandonaste? Por que me irritas, Maria? QUESTÃO 4 0) Verdadeiro. Pré-requisito para o bom emprego da vírgula: dominar a ordem direta. Vejamos: SUJEITO – VERBO – COMPLEMENTO VERBAL – COMPLEMENTO ADVERBIAL. Caso se verifique essa ordem, a vírgula é proibida. Porém, na linha 1 não é o sujeito que inicia a construção. É o adjunto adverbial e está deslocado. 1) Falso. No trecho “... uma mercadoria de interesse geral pas- sou a ser empregada como medida de valor das demais e 160 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) tornou-se o padrão de troca” (l. 6), a conjunção “e” conecta orações que têm o mesmo sujeito. Nesse caso, a vírgula anteposta é proibida. E se os sujeitos fossem diferentes? É melhor colocar a vírgula. Observe: “... uma mercadoria de interesse geral passou a ser empregada como medida de valor das demais, e o objeto convencional tornou-se o padrão de troca”. Pontuação errada: a) Fernando Henrique, presidente do Brasil eLuiz Estêvão conversavam; b) Ele criticou o chefe e o assessor ficou nervoso (Ele criticou o chefe e o assessor?). Melhor registrar: a) Fernando Hen- rique, presidente do Brasil, e Luiz Estêvão conversavam. b) Ele criticou o chefe, e o assessor ficou nervoso. E vírgula depois da conjunção “e”? Só se houver estrutu- ra intercalada. Observe: “...uma mercadoria de interesse geral passou a ser empregada como medida de valor das demais e, depois de vários anos, tornou-se o padrão de troca.” 2) Verdadeiro. Vale ressaltar, porém, que a maioria dos es- tudiosos da língua prefere usar vírgula antes de “etc.” (expressão latina = e outras coisas). No Vocabulário Or- tográfico de 2009, essa pontuação é sistemática. 3) Verdadeiro. Considerando a ordem direta, não se separa o verbo do seu complemento. 4) Verdadeiro. Outros casos você verá depois. Observe, ago- ra, a palavra “como”, seguida da expressão ratificadora “por exemplo”: – Pedro sabia criar um clima organizacio- nal muito especial, como, por exemplo, dar nome para cada carneirinho e ovelhinha. 161 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I EXERCÍCIOS DE APLICAÇÃO NÍVEL 1 1. Destaque o sujeito dos verbos em negrito, transcreven- do-o na coluna da direita e classificando-o de acordo com o código seguinte: (SS) = sujeito simples (OSS) = oração sem sujeito (sujeito inexistente)(SC) = sujeito composto (SI) = sujeito indeterminado (SO) = sujeito oracional Observe o exemplo: VERBOS SUJEITO a) Aqui está ela. ela (SS) b) “A areia do chapadão virara poeira de mica”. (Mário Palmério, Vila dos Confins) ___________ ( ) c) “... o cheiro nauseabundo do anfi- teatro da escola, o aspecto nojento dos cadáveres, as maçantes lições de Química, Física e Botânica, as troças dos veteranos, a descrição minuciosa e fatigante da osteologia, a cara inso- ciável dos explicadores; tudo isso o fazia vacilar”. (Aluísio Azevedo, Casa de Pensão) ___________ ( ) d) Foi o próprio filho que o procurou logo de manhã. ___________ ( ) e) “Parece que ela os compra em al- guma fábrica, pensou Rubião”. (Machado de Assis. Quincas Borba) ___________ ( ) 162 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) f) “Ora, ora, ora! respingava o sarce- dote, como as últimas gotas de um aguaceiro”. (Aluísio Azevedo, O Mulato) ___________ ( ) g) “Há muitas árvores de cedro, áqui- la, sândalos e outros paus de bom olor e várias cores e tantas diferenças de folhas e flores...”. (Anchieta, Cartas, Informações, Fragmentos Históricos e Sermões) ___________ ( ) h) “Domingos e dias santos, nos man- da a igreja guardar”. (Gregório de Matos, Verdades Miúdas) ___________ ( ) i) “A vil Paraguaçu, que sem que o creia, sobre ser-me inferior, é néscia e feia”. (Santa. Rita Durão, Caramuru) ___________ ( ) j) “Oração e Trabalho são os recursos mais poderosos na criação moral do homem”. (R. Barbosa, Escritos e Discursos Seletos) ___________ ( ) l) Destes penhascos fez a natureza o berço em que nasci: oh! Quem cui- dara...”. (Cláudio M. da Costa, Obras Poéticas) ___________ ( ) m) “O senhor Rodrigues volta-se para dona Bernardina que continua muito ocupada com a gaiola...”. (Artur Azevedo, Contos Fora da Moda) ___________ ( ) n) “Mas há muitos anos que o Paraíba não repetia a façanha”. (J. Lins do Rego. Menino de Engenho) ___________ ( ) o) É tarde. Troveja. Beto não volta. ___________ ( ) 163 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I p) “De quando em quando rumores surdos trovejavam ao longe”. (Coelho Neto. Obra Seleta) ___________ ( ) 2. Classifique os verbos quanto à predicação: a) O professor sou eu. b) Eu sou o professor. c) “A lua ia grande e bela.” (Eça). d) “Nossa vida tornou-se impossível.” (M. de Assis). e) “Um fraco rei faz fraca a forte gente.” (Camões. Lus.) f) Acusaram de injusto o diretor. g) Saiu da luta engrandecido. h) Nesse andar, acabarás mendigo. i) “Pegou de uma faca e entrou a bater com ela devaga- rinho.” (M. de Assiss. HSD, 74) j) “Uma das três janelas vivia sempre meio aberta.” (Id., ibid., 29.) l) “A pobre dama sentiu-se humilhada.” (Id., ibid., 74) m) “O cônego Brito acabava de sair eleito deputado.” (Id., ibid., 90) n) A canoa virou. o) O vento virou a canoa. p) O tronco, à força de fogo, virou canoa. 3. Na oração “Maurício me considerava seu amigo já que as minhas ações eram sinceras”, a palavra que exerce a função de objeto direto é: a) seu amigo b) minhas ações c) me d) sinceras 164 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 4. Abaixo segue a análise da oração “Não duvides das pala- vras divinas”. Assinale (C) quando correta ou (E) quando errada: a) “não” = advérbio de negação b) “duvides” = verbo transitivo indireto c) “das palavras divinas” = objeto indireto d) “duvides das palavras divinas” = predicado verbal 5. As palavras da oração “A matéria que o professor me explicou foi fácil” estão analisadas (C) correta ou (E) erradamente: a) ( ) “a matéria” = sujeito de “foi” b) ( ) “que” = objeto direto de “explicou” c) ( ) “o professor” = sujeito de “explicou” d) ( ) “me” = objeto direto de “explicou” e) ( ) “explicou” = verbo intransitivo f) ( ) “fácil” = predicativo do objeto g) ( ) “foi fácil” = predicado nominal h) ( ) “que me explicou” = predicado verbal 6. Faça a análise das palavras abaixo indicadas. Coloque nos parênteses da 1ª coluna o número correspondente da 2ª coluna: a) ( ) É digno de censura. b) ( ) Ele tomou do lápis. c) ( ) Ele estudou a lição. d) ( ) Vi nervoso a João. e) ( ) Isto depende dos pais. f) ( ) Matou o caçador ao animal. g) ( ) As flores Deus as fez. (1) complemento nomi- nal (2) objeto direto (3) objeto direto preposi- cionado (4) objeto indireto (5) objeto direto pleo- nástico (6) agente da passiva (7) sujeito 165 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I h) ( ) Consertam-se sapatos. i) ( ) A sala foi enfeitada de flores. j) ( ) Amo a Deus. k) ( ) O aluno está atento à lição. IMPORTANTE COMPLEMENTO NOMINAL X ADJUNTO ADNOMINAL • COMPLEMENTO NOMINAL: termo preposicionado que estabelece relação objetiva ou completiva com o SUBS- TANTIVO, o ADJETIVO ou o ADVÉRBIO. A suspensão das aulas foi necessária. (“suspender as aulas”: V.T.D. + obj. dir. / “suspensão das aulas”: subst. + compl. nominal) Estou satisfeito com você. (adjetivo + complemento nominal) Ele mora perto do rio. (advérbio + complemento nominal) • ADJUNTO ADNOMINAL: só se subordina ao substan- tivo e pode estabelecer com ele relação subjetiva (na reescritura, tem-se o sujeito). A explicação do mestre merece aplausos. (“o mestre explicou”: sujeito + verbo/ “explicação do mestre”: subst. + adjunto adnominal) A folha de papel está ali. (subst. concreto. + adjunto adnominal) 166 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 7. Distinga o adjunto adnominal (1), o complemento no- minal (2) e o complemento adverbial (3): a) ( ) Dirceu tinha sede de justiça. b) ( ) Veio procurá-lo um oficial de justiça. c) ( ) Maria Clara tem grande desembaraço de expressão. d) ( ) Foi demorado o desembaraço de minha bagagem. e) ( ) Gorou minha viagem à Bahia. f) ( ) Somente para o ano irei à Bahia. g) ( ) Collor tinha a volúpia da mentira. h) ( ) Maluf era o rei da mentira. (Cp.: Comandava a men- tira”.) i) ( ) Perdeu-o a ambição de dinheiro. j) ( ) Encontraram vários pacotes de dinheiro. k) ( ) A defesa do réu foi trabalhosíssima para seusad- vogados. l) ( ) A mulher do réu chorava convulsivamente. m) ( ) À noite, é deslumbrante a visão da cidade. n) ( ) Os habitantes da cidade são taciturnos. o) ( ) O aparecimento de fantasmas sobressaltou os ha- bitantes do castelo. p) ( ) Está desmoralizada a crença em fantasmas. q) ( ) A esperança de perdão transfigurava-o. r) ( ) A hora de perdão não chegara ainda. s) ( ) A falta às aulas prejudica-o. t) ( ) Amanhã faltarei às aulas. 8. Classifique os predicados seguintes: a) Encontramos em ruínas a casa. ___________________________________________________ b) Os jogadores voltaram felizes com o resultado do jogo. ___________________________________________________ c) O rapaz, bêbado, caiu na rua. ___________________________________________________ 167 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I d) Ele escreveu ótimos poemas. ___________________________________________________ e) A lua ia grande e bela. ___________________________________________________ f) Pedro acha-se ocupado no momento. ___________________________________________________ g) A crisálida virou borboleta. ___________________________________________________ h) O rio corre vagarosamente. ___________________________________________________ i) “Nossa vida tornou-se impossível”. ___________________________________________________ j) Nós o chamamos padrinho. ___________________________________________________ 9. Julgue os itens seguintes: ( ) Em “... eu a julgava recompensada e feliz...”, ocorre predicado verbo-nominal. (UnB/CESPE) ( ) A palavra paz exerce a função sintática de predicativo na oração “Para que exista paz”. (UnB/CESPE) ( ) Em “O táxi avançava monótono”, o predicado é verbo- -nominal. (UnB/CESPE) 10. Julgue os itens 1. No texto seguinte, o preço, seu cupom e dinheiro exer- cem funções sintáticas diferentes: Dê a volta ao mundo sem sair de casa. Tenha o mundo inteiro em suas mãos toda semana. Congele o preço por um ano todo e aproveite as van- tagens. Envie hoje mesmo seu cupom. Não mande dinheiro agora. (UnB/CESPE) 2. Em “possibilidade de comunicação autêntica”, no tex- to seguinte, a expressão grifada é objeto indireto do termo possibilidade: 168 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) Paz é, portanto, possibilidade de comunicação autên- tica, de diálogo, de palavra plena. (UnB/CESPE) 3. Em “respeito ao próximo”, no texto abaixo, a expressão sublinhada exerce a função sintática de complemento nominal: Paz implica, portanto, e de maneira radical, respeito ao próximo, escuta atenta, modéstia. (UnB/CESPE) 4. No texto seguinte, tanto ao desenho quanto à pintura são complementares nominais de sensível: Sempre fui mais sensível ao desenho do que à pintura. (UnB/ CESPE) 5. Na oração Que visão teria eu dessa realidade, o sujeito está posposto ao verbo transitivo direto, cujo comple- mento é Que visão (...) dessa realidade, em que dessa realidade é um complemento nominal. (UnB/CESPE) 11. Julgue os itens a seguir conforme a classificação dos verbos quanto à predicação: 1. Havia uma bolsa sobre a mesa – transitivo direto. 2. Nossos atletas se comportaram muito bem nos jogos olímpicos – intransitivo. 3. Existiam muitos estranhos na festa – transitivo direto. 4. Perdeu-se tudo no prato – transitivo direto. 5. Ele mora em São Paulo – transitivo indireto. 6. Nós beberemos do vinho – transitivo indireto. 7. Nossa Majestade já pensou nisso? – transitivo indireto. 8. A moça caiu doente – verbo de ligação. 9. Os ausentes nunca têm razão – transitivo direto. 10. Solicitei a proposta ao empresário – transitivo direto e indireto. 169 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I 12. Julgue os itens que se seguem de acordo com a classi- ficação sintática dos termos sublinhados: 1. O inimigo resistiu ao ataque – objeto indireto. 2. A crença em Deus é necessária – objeto indireto. 3. As ruas ficaram cobertas de lama – agente da passiva. 4. Jussara tem certeza da vitória – complemento nominal. 5. A análise do professor deixou o aluno revoltado – complemento nominal. 6. Dívidas, convém saldá-las – objeto direto pleonástico. 7. Pisaram-me o calo – adjunto adnominal. 8. O time jogou contra o Flamengo – complemento no- minal. 9. O deputado considerou o jovem incompetente – ad- junto adnominal. 10. As crianças, meu amigo, são agitadas – vocativo. 13. (IDR/FEDF) No período: “A análise da questão não pode excluir o fato de que o problema apresenta uma grave faceta.”, o sujeito da primeira oração classifica-se em: a) simples. b) composto. c) inexistente. d) indeterminado. 14. (IDR/FEDF) No período: “Se não ocorrer uma redução sensível do ritmo desse fluxo, será muito difícil resol- ver o problema.”, o predicado, nas três orações, res- pectivamente, classifica-se como: a) nominal; verbo-nominal; verbal. b) nominal; verbal; nominal. c) verbal; verbal; nominal. d) verbal; nominal; verbal. 170 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 15. (UnB/TCU) Observe o trecho: “Os bancos brasileiros se vangloriam permanentemente de sua eficiência e agilidade.” Assinale a opção em que o se tem a mesma função do exemplo acima. a) Os bancos crescerão se aceitarem clientes novos. b) Pretende-se aperfeiçoar o sistema bancário. c) Discutiu-se a questão da renda mínima. d) Os clientes queixaram-se dos serviços bancários. e) Aos clientes oferecem-se serviços elementares. 16. (Esaf/TRT) O professor será eleito presidente da asso- ciação dos moradores. A função sintática do termo grifado na oração acima é: a) complemento nominal. b) sujeito. c) objeto indireto. d) predicativo do sujeito. e) predicativo do objeto. 17. (Unirio-RJ) Assinale a frase cujo sujeito se classifica do mesmo modo que o da frase “Faz muito calor no Rio o ano inteiro”. a) Devia haver mais interesse pela boa formação profis- sional. b) Falaram muito mal dos estimuladores de conflitos. c) Vive-se bem o clima da montanha. d) Almejamos dias melhores. e) Haviam chegado cedo os candidatos. 18. (UnB/Cespe) Leia o texto a seguir para responder à questão. “Mas quando Carlota viu as horas, lembrou-se num so- bressalto, que a fez levar a mão ao peito, de que se es- quecera de tomar o copo de leite.” (Clarice Lispector) Marque a opção que indica quantas orações há no texto: 171 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I a) 7 b) 5 c) 4 d) 6 19. (PUCC-SP) Classifique os verbos quanto à predicação na frase: “Não agradou ao dono da casa o café que a criada fez.” a) “agradou” – transitivo indireto; “fez” – transitivo direto b) “agradou” – transitivo indireto; “fez” – transitivo in- direto c) “agradou” – intransitivo; “fez” – intransitivo d) “agradou” – transitivo direto; “fez” – intransitivo e) n.d.a. 20. (U.F. Uberlândia-MG) Todos os períodos a seguir apre- sentam verbo transitivo direto e indireto ao mesmo tempo, exceto: a) “Fernando opôs à pretensão da noiva a razão de estado.” b) “... essa palavra proferida sem intenção pelo velho infligiu-lhe a mais acerba das humilhações.” c) “Deus a destinará à opulência.” d) “Vou confiar-lhe meu segredo, um segredo que a nin- guém neste mundo foi revelado, e que só Deus sabe.” e) “Estas últimas palavras, a moça proferiu-as com uma indefinível expressão.” 21. (UFMG) Em todas as opções, o verbo dar é transitivo, exceto em: a) Tereza Maria dava jantares com mesinhas. b) Ninguém estava mais disposto a dar a pele, a se con- sumir. c) Aceitava, mas dava-lhe o troco. d) Laura deu uma noiva linda, olhos azuis, cabelos pretos. e) Pediu à Eugênia que me desse umas aulas. 172 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 22. (Mackenzie-SP)Em: “E quando o brotinho lhe telefonou, dias depois, comunicando que estudava o modernismo, e dentro do modernismo sua obra, para o que o pro- fessor lhe sugerira contato pessoal com o autor, ficou assanhadíssimo e paternal a um tempo”, os verbos assinalados são, respectivamente. a) transitivo direto, transitivo indireto, de ligação, tran- sitivo direto e indireto. b) transitivo direto e indireto, transitivo direto, transi- tivo indireto, de ligação. c) transitivo indireto, transitivo direto e indireto, tran- sitivo direto, de ligação. d) transitivo indireto, transitivo direto, transitivo direto e indireto, de ligação. e) transitivo indireto, transitivo direto e indireto, de li- gação, transitivo direto. 23. (UCMG) A classificação dos verbos destacados, quanto à predicação, foi feita corretamente em: a) “Não nos olhou o rosto. A vergonha foi enorme.” – transitivo direto e indireto. b) transitivo direto e indireto, transitivo direto, transi- tivo indireto, de ligação. c) transitivo indireto, transitivo direto e indireto, tran- sitivo direto, de ligação. d) transitivo indireto, transitivo direto, transitivo direto e indireto, de ligação. e) transitivo indireto, transitivo direto e indireto, de li- gação, transitivo direto. 24. (CTA/Computação) Assinale a opção em que há verbo transitivo indireto e predicativo do sujeito: a) Os alunos andavam apreensivos com os resultados dos exames. b) Todos elogiaram sua participação nos debates. c) As crianças assistiram alegres ao espetáculo. d) Seus livros estão sobre a mesa. e) n. d. a. 173 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I 25. (ESPM-SP) “Quando percebi que o doente expirava, re- cuei aterrado e dei um grito, mas ninguém me ouviu.” (Machado de Assis) A função sintática das palavras doente – grito – ninguém – me é, respectivamente: a) sujeito, objeto direto, objeto direto, objeto indireto. b) objeto direto, sujeito, objeto direto, sujeito. c) sujeito, objeto indireto, sujeito, objeto direto. d) objeto indireto, objeto direto, sujeito, objeto direto. e) sujeito, objeto direto, sujeito, objeto direto. 26. (Odonto-Santos) Assinale a opção correta em relação à classificação dos predicados das orações abaixo: I – Todos nós consideramos a sua atitude infantil. III – A multidão caminhava pela estrada poeirenta. III – A criançada continua emocionada. a) I – predicado verbal; II – predicado nominal; III – pre- dicado verbo-nominal. b) I – predicado nominal; II – predicado verbal; III – pre- dicado verbo-nominal. c) I – predicado verbo-nominal; II – predicado verbal; III – predicado nominal. d) I – predicado verbo-nominal; II – predicado nominal; III – predicado verbal. e) I – predicado nominal; II – predicado verbal; III – pre- dicado verbo-nominal. 27. (EPUSP) “Os ilhais da fera arfam de fadiga, a espuma franja-lhe a boca, as pernas vergam, e os olhos amor- tecem de cansaço.” Os termos de fadiga e de cansaço funcionam como: a) adjuntos adverbias de modo. b) adjuntos adverbiais de causa. c) adjunto adverbial de causa e adjunto adverbial de modo, respectivamente. 174 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) d) adjunto adverbial de modo e adjunto adverbial de causa, respectivamente. e) adjuntos adnominais. 28. (PUCC-SP) “Encontrei-a sentada na sarjeta.” Os termos destacados são, respectivamente: a) objeto indireto, adjunto adnominal, adjunto adnomi- nal de lugar. b) objeto direto, aposto, adjunto adverbial de lugar. c) objeto direto, nome predicativo do objeto direto, ad- junto adverbial de lugar. d) objeto direto, nome predicativo do objeto direto, ad- junto adverbial de tempo. e) n.d.a. 29. (FEI-SP) Resolva as questões a seguir conforme o código que segue: I – adjunto adverbial de lugar; III – adjunto adverbial de tempo; III – adjunto adverbial de modo; IV – adjunto adverbial de causa. a) Segunda-feira haverá um jogo importante b) Com o mau tempo não podemos trabalhar ao relento c) O livro foi acolhido com entusiasmo pelos leitores. d) O automóvel parou perto do rio. 30. (Cescea) Indique a opção em que o predicado é verbo- -nominal: a) Desde então ficou desconfiado. b) Eu ia caminhando pela avenida. c) Encontrei Maria Clara mais envelhecida. d) Viajarei amanhã de manhã. 31. (U.F.Uberlândia-MG) Assinale a oração cujo predicado é verbo-nominal: a) Fiz-lhe um pecúlio de cinco contos. 175 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I b) Um desvão do telhado é o infinito para as andorinhas. c) Virgília designou as alfaias mais idôneas. d) Tinha nojo de si mesma. e) Ela falava-me séria, carrancuda. 32. (FESP) Analise pela ordem os termos destacados e apon- te sua função: I – As meninas assistiam alegres ao espetáculo. II – Uma flor, o Quincas Borba! III – Isto é bem dele! IV – Consideramos indiscutíveis os direitos da herdeira. a) predicativo do sujeito, todos b) predicativo do sujeito, predicativo do sujeito, predi- cativo do sujeito, predicativo do objeto. c) objeto direto, sujeito, predicativo do sujeito, objeto direto. d) predicativo do objeto, sujeito, objeto direto, predica- tivo do objeto. e) predicativo do sujeito, aposto, predicativo do sujeito, objeto direto. 33. (OSEC-SP) Das seguintes orações: – “Pede-se silêncio”, – “A caverna anoitecia aos poucos.” “Fazia um calor tremendo naquela tarde” – o sujeito se classifica respectivamente como: a) indeterminado, inexistente, simples b) oculto, simples, inexistente c) inexistente, inexistente, inexistente d) oculto, inexistente, simples e) simples, simples, inexistente 176 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 34. (Mackenzie-SP) Aponte a análise correta do termo des- tacado. Em todas as ruas, cruzavam-se amigos e inimigos anun- ciando em clima desafinado. a) objeto direto b) sujeito simples c) sujeito composto d) sujeito indeterminado e) adjunto adverbial 35. (UFMG) Em todas as frases, os verbos estão na voz ativa, exceto em: a) Ele, que sempre vivera órfão de afeições legítimas e duradouras, como então seria feliz!... b) O quinhão de ternura, que a ela pertencia, estava in- tacto no coração do filho. c) Os dois quadros tinham sido ambos bordados por Mariana e Ana Rosa, mãe e filha. d) E dizia as inúmeras viagens que tinha feito até ali; contava episódio a respeito do boqueirão. e) Sobre a banca de Madalena estava o envelope de que ela me havia falado. 36. (Cesgranrio-RJ) Assinale a opção em que o pronome lhe apresenta o mesmo valor significativo que possui em: “Uma espécie de riso sardônico e feroz contraía-lhe as negras mandíbulas.” a) A mãe apalpava-lhe o coração. b) Aconteceu-lhe uma desgraça. c) Tudo lhe era indiferente. d) Ao inimigo não lhe rogo perdão. e) Não lhe contei o susto por que passei. 177 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I 37. (UFMG) Assinale o item em que a função não corres- ponde ao termo destacado: a) Comer demais é prejudicial à saúde. – complemento nominal b) Jamais me esquecerei de ti. – objeto indireto c) A vida da cidade é muito agitada. – complemento nominal d) Ele foi cercado de amigos sinceros. – agente da passiva e) Não tens interesse pelos estudos. – complemento no- minal 38. (FMU-SP) Em “eu era enfim, senhores, uma graça de alienado”, os termos da oração destacados são, respec- tivamente, do ponto de vista sintático: a) adjunto adnominal, vocativo e predicativo do sujeito. b) adjunto adverbial, aposto, predicativo do objeto. c) adjunto adverbial, vocativo e predicativo do sujeito. d) adjunto adverbial, vocativo e objeto direto. e) adjunto adnominal, aposto e predicativo do sujeito. 39. (Fuvest-SP) No texto: “Acho-me tranquilo – sem desejos,sem esperanças. Não me preocupa o futuro”. os termos destacados são, respectivamente: a) predicativo, objeto direto, sujeito b) predicativo, sujeito, objeto direto c) adjunto adnominal, objeto direto, sujeito d) predicativo, objeto direto, objeto indireto e) adjunto adnominal, objeto indireto, objeto direto 178 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 40. (UCMG) O termo destacado não está classificado cor- retamente, quanto à sua função sintática, em: a) Aquilo o dava como absolutamente incapaz para o serviço militar. – complemento nominal b) Geraldo Viramundo continuava calado. – predicado verbo-nominal. c) E lá estavam eles, os profetas, assistindo imóveis ao rolar do tempos. – aposto d) O cego se surpreendia com o desalento de seu amigo. – objeto indireto e) Os homens marchavam decididos, secundados pelas mulheres. – predicativo do sujeito 41. (Mackenzie-SP) Assinale a opção em que apareçam, res- pectivamente, as funções sintáticas dos termos desta- cados no trecho a seguir: Só não é dele a tua tristeza Tristeza dos que perderam o gosto de viver Dos que a vida traiu impiedosamente Tristeza de criança que se deve afagar e acalentar (A minha tristeza também...) Só não é dele a tua tristeza, ó minha triste amiga, porque ele não a quer. a) objeto direto, adjunto adnominal, adjunto adnominal b) predicativo do sujeito, objeto indireto, objeto direto c) predicativo do sujeito, complemento nominal, adjun- to adnominal d) sujeito, predicativo do sujeito, objeto indireto. e) sujeito, adjunto adnominal, objeto direto 179 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I 42. (UFMG) O termo destacado está corretamente classifi- cado, exceto em: a) Minha mãe era temente a Deus. – complemento no- minal b) Expus a Capitu a ideia de José Dias. – objeto indireto c) A afeição crescente era manifestada por atos extra- ordinários. – agente da passiva d) Poucos teriam ânimo de confessar aquele pensamen- to. – sujeito simples e) Há cousas que não se ajustam nem combinam. – ob- jeto direto 43. (FESP) Aponte a correta: Preferiu a fuga ao cativeiro. Ele é rico em virtudes. Morte, onde está tua vitória? a) objeto indireto, objeto indireto, sujeito. b) adjunto adnominal, objeto indireto, vocativo. c) objeto indireto, complemento nominal, vocativo. d) complemento nominal, adjunto adverbial, sujeito. e) adjunto adverbial, complemento nominal, aposto. 44. (FCMSC-SP) Observe as orações seguintes: Dizem por aí tantas coisas... Nesta faculdade acolhem muito bem os alunos. Obedece-se aos mestres. O sujeito está indeterminado: a) somente na 1. b) na 2 somente. c) na 3 somente. d) em duas delas somente. e) nas três orações. 180 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 45. (UEPG-PR) Só num caso a oração é sem sujeito. Identi- fique-a: a) Faltavam três dias para o batismo. b) Houve por improcedente a reclamação do aluno. c) Só me resta uma esperança. d) Havia tempo suficiente para as comemorações. e) n.d.a. 46. (FESP) Em “Retira-te, criatura ávida de vingança!”, o sujeito é: a) te. b) inexistente. c) oculto determinado. d) criatura. e) n.d.a. 47. (FMU-SP) Observe a estrofe: “Lembra-me que, certo dia, Na rua, ao sol de verão, Envenenado morria Um pobre cão.” Aparece aí a inversão do: a) objeto direto: um pobre cão. b) sujeito: um pobre cão. c) sujeito: certo dia. d) predicado: lembra-me. e) predicativo do sujeito: me. 48. (FMU-FIAM-SP) Na oração “Mas uma diferença houve”, o sujeito é: a) agente. b) indeterminado. c) paciente. d) inexistente. e) oculto. 181 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I 49. (ITA-SP) Considere os verbos destacados nos seguintes versos de Olavo Bilac: “Longe do estéril turbilhão da rua, Beneditino, escreve!” “De tal modo, que a imagem fique nua (...)” “E, natural, o efeito agrade, Sem lembrar os andaimes do edifício.” Quanto à predicação eles se classificam, respectivamente, como: a) intransitivo – de ligação – transitivo direto. b) transitivo direto – intransitivo – intransitivo. c) transitivo – intransitivo – intransitivo. d) transitivo – de ligação – intransitivo. e) transitivo direto – de ligação – transitivo direto e in- direto. 50. (Esal-MG) Em “O tempo estava de morte, de carnificina”, o verbo é: a) de ligação. b) transitivo indireto. c) intransitivo. d) transitivo direto. e) transitivo direto e indireto. 51. (UE-CE) Em “Cuspi no chão com um nojo desgraçado daquele sangue...”, o verbo “cuspi” é: a) intransitivo. b) transitivo direto. c) transitivo indireto. d) transitivo direto e indireto. 52. (FMPA-MG) Identifique a opção em que o verbo desta- cado não é de ligação: a) A criança estava com fome. 182 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) b) Pedro parece adoentado. c) Ele tem andado confuso. d) Ficou em casa o dia todo. e) A jovem continua sonhadora. 53. (Mack-SP) Em: “Chamou-se um eletricista para a insta- lação dos fios?”, o termo destacado é: a) objeto direto. b) sujeito. c) predicativo do sujeito. d) objeto indireto. e) agente da passiva. 54. (FEI-SP) Identifique a opção em que há objeto direto preposicionado: a) Passou aos alunos, para estudo, o texto impresso. b) Naquela época, era difícil viajar para a Europa. c) Em dias chuvosos, gosto de ler um bom livro. d) Sentamo-nos a uma das mesas e pedimos o jantar. e) Amou a João com o mais puro amor. 55. (UF-MG) Identifique a opção em que a função não cor- responde ao termo em destaque: a) Comer demais é prejudicial à saúde. – complemento nominal. b) Jamais me esquecerei de ti. – objeto indireto. c) Ele foi cercado de amigos sinceros. – agente da pas- siva. d) Não tens interesse pelos estudos. – complemento nominal. e) Tinha grande amor à humanidade. – objeto indireto. 56. (FMU-SP) Observe os termos destacados: “Passei o dia à toa, à toa.” “Passei a vida à toa, à toa.” 183 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I Tais termos exercem: a) a mesma função sintática: sujeito do verbo passar. b) a mesma função sintática: objeto direto do verbo pas- sar. c) a mesma função sintática: adjunto adverbial de modo. d) funções sintáticas diferentes: o primeiro é adjunto adverbial; o segundo, sujeito. e) funções sintáticas diferentes: o primeiro é objeto di- reto; o segundo, sujeito do verbo passar. 57. (FCMSC-SP) Na oração seguinte: “Você ficará tuberculoso, de tuberculose morrerá”, as palavras destacadas são, respectivamente: a) adjunto adverbial de modo, adjunto adverbial de causa. b) objeto direto, objeto indireto. c) predicativo do sujeito, adjunto adverbial. d) ambas predicativos. e) n.d.a. 58. (Cescem-SP) Dê a função sintática do termo destacado em: “Amanhã, sábado, não sairei de casa”: a) objeto direto. b) objeto indireto. c) agente da passiva. d) complemento nominal. e) aposto. 59. (PUC-SP) Dê a função sintática do termo destacado em: “Voltaremos pela Via Anhanguera”: a) sujeito. b) objeto direto. c) agente da passiva. d) adjunto adverbial. e) aposto. 184 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 60. (Osec-SP) “Ninguém parecia disposto ao trabalho naque- la manhã de segunda-feira”. O termo destacado exerce a função sintática de: a) predicativo. b) complemento nominal. c) objeto indireto. d) adjunto adverbial. e) adjunto adnominal. 61. (Osec-SP) “Todas as cartas que me enviam chegam com algum atraso”. Os termos destacados no período exer- cem, respectivamente, a função sintática de: a) objeto direto e adjunto adnominal. b) sujeito e adjunto adnominal. c) objeto direto e adjunto adverbial. d) sujeito e objeto indireto. e) objetodireto e objeto indireto. 62. (Esaf/AFTN) Indique a letra que completa com corre- ção gramatical e com coerência as lacunas do trecho abaixo, pelo ordem de aparecimento. Diante do aumento da população de idosos, a sociedade brasileira começa a tomar consciência de que a questão exige uma política social imediata e enérgica que permita não só __________ e __________ condições de sobrevivên- cia, mas __________ à comunidade e à força produtiva, __________ a completa dimensão de cidadania. a) sustentá-los, fornecer-lhes, inserir-lhes, restituindo- -lhes b) ampará-los, dar-lhes, reintegrá-los, devolvendo-lhes c) asilá-los, garantir-lhes, recolhê-los, subtraindo-lhes d) acolher-lhes, garantir-lhes, introduzí-los, recambian- do-lhes e) assisti-los, prover-lhes, readmití-los, alijando-lhes 185 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I 63. (CEUB) Único que que não é pronome relativo é: a) Barbeiro que me conhecia. b) Na ocasião em que ia passando. c) Não atendeu a um freguês, e logo a outro que ali fo- ram. d) Cortina de chita que fechava o interior da casa. e) Creio que me descobriu de dentro. 64. (Esaf/TTN) O texto abaixo apresenta cinco segmentos grifados. Assinale a opção correspondente ao segmento incorreto. “Pedimos a (1) todas as outras funcionárias que saíssem (2). Saia (3) você também; senão (4) vão dizer que lhe (5) tratamos injustamente”. a) 1 b) 2 c) 3 d) 4 e) 5 65. (IDR/TCDF) Assinale a opção em que a forma prono- minal foi usada conforme a norma culta. a) Infelizmente não deu para mim opinar sobre o pro- grama. b) Não lhe vi ontem no bloco dos honestos. c) Sem mim, vocês não conseguem descobrir os corruptos. d) Fiquei fora de si quando vi tantos dólares. 66. (UnB/TCDF) Assinale a opção correta quanto ao uso dos pronomes na modalidade da língua portuguesa culta. a) O chefe convocou ele durante a reunião. b) Chegou uma ordem para mim comparecer à secretaria. c) Mandaremos os produtos para ti analisar a qualidade. 186 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) d) Busquei elas no serviço de almoxarifado. e) Entreguei-lhe o envelope fechado ontem mesmo. 67. (Ceub) “Nós merecemos a morte”. Com pronome no lugar de morte, teríamos. a) nós merecemos-lhe b) nós merecemo-la c) nós merecemos-a d) nós merecemos-te e) nós te merecemos 68. (Câmara Legislativa) De acordo com a práxis consa- grada do uso dos pronomes de tratamento, assinale a opção correta: a) Pela presente, enviamos a V. S.a a relação de seus débitos e solicitamos-lhe a gentileza de saldá-los com urgência (correspondência comercial). b) Vossa Alteza Real, o Príncipe de Gales, virá ao Brasil para participar da ECO – 92 (nota de jornal). c) Sua Santidade pode ter a certeza de que sua presen- ça entre nós é motivo de júbilo e de místico fervor (discurso pronunciado em recepção diplomática ao Sumo Pontífice). d) Solicito a V. Exa. dignar-vos aceitar as homenagens devidas, por justiça, a quem tanto engrandeceu a pá- tria (ofício dirigido a ministro do Supremo Tribunal). 69. (Câmara Legislativa – DF) Marque a opção em que houve substituição incorreta do termo sublinhado: a) Diria a eles uma resposta adequada. Dir-lhes-ia uma resposta adequada. b) Enviamos o presente a nossos amigos. Enviamos-lhes o presente. c) Mandamos as crianças saírem. Mandamos-as saírem d) Não pediria isso a você em hipótese alguma. Não lho pediria em hipótese alguma. 187 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I 70. (Esaf/TRT) “A educação é direito de todos e dever do Estado e da família.” A palavra sublinhada na frase acima classifica-se como pronome: a) relativo. b) indefinido. c) possessivo. d) demonstrativo. e) pessoal. 71. (Esaf/TRT) Considerando o emprego dos pronomes, as- sinale a opção incorreta. a) Este processo aqui precisa de um despacho de Sua Excelência, o Presidente do Tribunal. b) Chamaram-o para assumir o emprego, mas o mesmo não se apresentou no prazo previsto. c) Traga consigo todos os documentos e alguns objetos que lhe são úteis. d) Levaram-me os livros, entretanto, vou pedi-los de vol- ta, pois preciso deles. e) Encaminhou pelos correios seu próprio currículo, porque não quis entregá-lo pessoalmente. 72. (Esaf/TRT) Assinale a opção incorreta quanto ao em- prego do pronome relativo. a) Avise a quem interessar que as inscrições encerram-se hoje. b) A casa, cujo proprietário não conheço, está à venda. c) Esperava-se o fiscal da sala sem o qual não se podia iniciar a prova. d) Os candidatos aos quais votaremos preenchem os requisitos para o cargo. e) Retire as fichas de inscrição daqueles que foram apro- vados. 188 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 73. (Acafe) Assinale a opção em que a palavra grifada exer- ce a função de pronome adjetivo. a) Partiu sem ao menos dizer-me adeus. b) Poderíamos reconhecê-lo como um dos nossos már- tires. c) Aquela não foi uma obra de arte, mas esta será? d) Leio muito, porém não o que me desagrada. e) Sempre serei assim, mesmo que não me aceites. 74. (Taubaté) Em: “Os outros é que me chamam de Zé.” a palavra grifada é: a) pronome indefinido substantivo e sujeito. b) pronome indefinido adjetivo e adjunto adnominal. c) pronome relativo e sujeito. d) pronome relativo e objeto direto. 75. (Fundação Lusíadas) Dê a classificação morfológica e a função sintática da palavra grifada em “Seria vista mais animação, se houvesse disciplina.” 76. (PUC) No trecho: “O presidente não recebeu ninguém, não havia nenhuma fotografia sorridente dele, nenhu- ma frase imortal, nada que fosse supimpa.”, tem-se: a) 4 pronomes adjetivos indefinidos. b) 2 pronomes adjetivos indefinidos e 2 pronomes subs- tantivos indefinidos. c) 1 pronome substantivo indefinido e 3 pronomes ad- jetivos indefinidos. d) 4 pronomes substantivos indefinidos. e) 1 pronome adjetivo indefinido e 3 pronomes subs- tantivos indefinidos. 77. (FEI) Substitua os termos sublinhados pelos pronomes oblíquos correspondentes. a) Encontraram o corpo na estufa. 189 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I b) Arrancara do peito uma cruz de ametistas. c) A disposição das plantas não permite um esconderijo. 78. (Univ. Fed. de Santa Catarina) Observe os períodos abai- xo e assinale a opção em que o lhe é adjunto adnominal. a) “... anunciou-lhe: ‘Filho, amanhã vais comigo’.” b) O peixe cai-lhe na rede. c) Ao traidor, não lhe perdoaremos jamais. d) Comuniquei-lhe o fato ontem pela manhã. e) Sim, alguém lhe propôs emprego. 79. (Fatec) Indique em que opção os pronomes pessoais estão bem empregados. a) Deixou ele sair. b) Mandou-lhe ficar de guarda. c) Permitiu-lhe ficar de guarda. d) Procuram-o por toda a parte. e) n.d.a. 80. (Fuvest) Era para __________ falar __________ ontem, mas não __________ encontrei __________ em parte alguma. a) mi / consigo / o. b) eu / com ele / lhe. c) mim / consigo / lhe. d) mim / contigo / te. e) eu / com ele / o. 81. (F.C.A.Tabajara) Aponte a incorreta. a) Eu ofereço esse livro para si. b) Maria queria o namorado para junto de si. c) Hei de tornar meu filho mais confiante em si. d) Colegas há que vivem brigando entre si. e) n.d.a. 190 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 82. (GV-RJ) Assinale a série que completa corretamente as frases. I. De presente, deu-lhe um livro para __________ ler du- rante as férias. II. De presente, trouxe um livro para __________. III. Nada mais há entre __________ e você. IV. Sempre houve entendimentos entre __________ e ti. V. José, espere. Vou __________. a) ele / mim / eu / eu / consigo. b) ela / mim / mim / mim / com vocêc) ela / eu / mim / eu / consigo d) ela / mim / eu / eu / consigo e) ela / mim / eu / mim / com você 83. (FCC) Se é para __________ dizer o que penso, creio que a escolha se dará entre __________. a) mim / eu e tu b) mim / mim e ti c) eu / mim e tu d) eu / mim e ti e) eu / eu e ti 84. (Univ. Cat. de Pelotas) I. O lugar ________ moro é muito pequeno. II. Esse foi o número ________ gostei mais. III. O filme ________ enredo é fraco, tem dado grande prejuízo. a) onde / que / cujo b) em que / de que / cujo o c) no qual / o qual / do qual o d) que / que / cujo o e) em que / de que / cujo 191 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I 85. (Univ. Cat. de Pelotas) I. O diretor deixou as provas para ________ revisar. II. Este assunto fica só entre ________ e você. III. Juca, espere, tenho que falar ________. a) eu / mim / com você b) mim / eu / consigo c) eu / mim / contigo d) mim / eu / com o senhor e) mim / mim / consigo 86. (Mogi) Em: “... encara a arte e o que esta implica...” e “... de que ele é o primeiro símbolo...”, os dois elementos sublinhados são: a) dois artigos definidos b) dois pronomes demonstrativos c) dois artigos indefinidos d) respectivamente um artigo definido e um pronome demonstrativo e) respectivamente um pronome demonstrativo e um artigo definido 87. (Fuvest) Destaque a frase em que o pronome relativo está empregado corretamente. a) É um cidadão em cuja honestidade se pode confiar. b) Feliz o pai cujos os filhos são ajuizados. c) Comprou uma casa maravilhosa, cuja casa lhe custou uma fortuna. d) Preciso de um pincel delicado, sem o cujo não poderei terminar meu quadro. e) Os jovens, cujos pais conversei com eles, prometeram mudar de atitude. 192 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 88. (Gama Filho) Assinale a opção que preenche correta- mente as lacunas da frase: “As mulheres, ________ olhos as lágrimas caíam, assistiam a uma cena ________ não gostavam.” a) cujos / que b) em cujos / que c) de cujos / de que d) cujos / de que e) de cujos / que 89. (U.F. Ouro Preto-MG) Verifique o emprego das formas pronominais nos períodos abaixo: I. Não há mais ciúmes entre eu e ele. III. Perante eu e vós o juiz a declarou culpada. III. Papai deu o carro para mim dirigir. IV. Contra os alunos e eu estava o chefe da coordenadoria. V. Sem você e eu ninguém fará nada correto. Assinale a opção correta: a) Todos os períodos estão corretos. b) Todos os períodos estão incorretos. c) Apenas o período 3 está incorreto. d) Apenas o período 1 está incorreto. e) Apenas os períodos 1 e 3 estão incorretos. 90. (Concurso Magistério-RJ) “Um jornal diário tem posto em prática, há bastantes meses, uma grande parte das correções e simplificações que defendo aqui.” No tre- cho, a classe de bastantes é: a) adjetivo b) pronome indefinido c) advérbio d) partícula de realce e) numeral 193 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I 91. (Concurso Magistério-RJ) I. Chegaram várias cartas, mas não havia nenhuma para ________. II. Não é tarefa para ________ desenvolver este tema. III. Este tema não é tarefa para ________ desenvolver por enquanto. IV. É mais fácil para ________ acreditar nessa história do que para ele. A opção que completa, corretamente, as lacunas acima é: a) mim – eu – mim – eu b) mim – mim – eu – mim c) eu – eu – mim – mim d) eu – eu – eu – eu e) mim – mim – mim – mim 92. (Epcar-MG) I. É muito difícil para ________ escrever-lhe diariamente. II. Eles chegaram a discutir entre ________ mas não bri- garam. III. Percebi que o plano era para ________ desistir do jogo. IV. Passeando pelo jardim, o velho falava ________, mur- murando frases confusas. a) mim – eles – mim – consigo b) mim – si – eu – consigo c) eu – eles – eu – contigo d) eu – si – eu – consigo e) mim – si – mim – contigo NÍVEL 2 Nos enunciados seguintes, distinga o complemento nominal (CN) e o adjunto adnominal (AA): 1. ( ) De fato, ele tem fome de sucesso. 2. ( ) Muitos brasileiros têm admiração pelo presidente. 3. ( ) Lemos muitos livros de Euclides da Cunha. 194 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 4. ( ) Essa obra evidencia aversão à lágrima e à dor. 5. ( ) O surgimento de teorias filosóficas facilitou o pensa- mento. 6. ( ) Houve atentado contra aquele povo simples. 7. ( ) Aquele político nunca teve capacidade para governar. 8. ( ) ( ) A espingarda de pederneira estava nas mãos de Fabiano. 9. ( ) ( ) Ele revelou devoção ao raciocínio de Santo Agosti- nho. 10. ( ) Tive dúvida acerca de algumas teorias matemáticas. 11. ( ) O aparecimento de espinhas preocupa o adolescente. 12. ( ) Políticos brasileiros têm horror ao nepotismo. 13. ( ) A impaciência do deputado incomodou os advogados. 14. ( ) ( ) O jornalista mostrou impaciência com as respostas do deputado. 15. ( ) ( ) Ontem, tive medo do ataque de cobras venenosas. 16. ( ) O estatuto exige obediência aos princípios administra- tivos. 17. ( ) Sempre contei com o respeito da população paulistana. 18. ( ) ( ) Mas, a população de São Paulo não teve respeito à minha plataforma. 19. ( ) A plantação de cana-de-açúcar pegou fogo ontem. 20. ( ) A plantação de cana-de-açúcar ocorrerá nos próximos dias. 21. ( ) ( ) O conhecimento do universo não está acessível a todos. 22. ( ) ( ) A rainha foi generosa com o presidente venezuelano. 23. ( ) Os costumes daquele povo são condenados pela Axio- logia. 24. ( ) ( ) ( ) Ele parece acostumado ao processo de reificação da mulher. 195 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I 25. ( ) ( ) Ele agiu contrariamente ao desejo de matar. 26. ( ) ( ) A gratidão dos filhos conforta o coração da mãe. 27. ( ) ( ) A curiosidade do cientista deve-se ao seu descon- tentamento com a realidade existencial. 28. ( ) O filme é impróprio para menores. 29. ( ) Viveu perto de uma cidade grande. 30. ( ) ( ) A diferenciação entre os dois institutos depende de normas de substituição. 31. ( ) ( ) O tempo de destruição da geleira depende da ação do sol. 32. ( ) ( ) Não quero estar alheio aos problemas deste mundo. 33. ( ) A indecisão da mulher amada irritou o poeta. 34. ( ) ( ) Os servidores estão aptos à troca de funções. 35. ( ) Diferentemente do seu antecessor, este servidor é competente. 36. ( ) Ele está longe de alcançar o primeiro posto. 37. ( ) O fanatismo de alguns grupos religiosos preocupa o mundo. 38. ( ) ( ) O acordo entre as partes ocorreu durante a audiência de reconciliação. 39. ( ) ( ) Ele mora próximo daquela região de fábricas e in- dústrias. 40. ( ) A capacidade do cientista foi questionada pelo assessor. 41. ( ) ( ) Ele revelou capacidade para memorização de mais de vinte mil nomes. 42. ( ) ( ) Ele revelou capacidade para memorização de mais de vinte mil nomes. 43. ( ) Collor retornou ávido de vingança. 44. ( ) ( ) A satisfação do cliente é a meta desta empresa. 45. ( ) O fato ocorreu paralelamente ao desmoronamento da bancada comunista. 46. ( ) O ambiente é propício ao surgimento da doença. 47. ( ) Não serei poeta (= versador) de um mundo caduco. 48. ( ) O poeta de Minas Gerais faleceu há muitos anos. 196 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 49. ( ) ( ) Deverá efetuar o pagamento no momento do rece- bimento do bem. 50. ( ) ( ) O prazo de interposição do recurso foi definido. NÍVEL 3 – DE OLHO NOS CONCURSOS UnB/CESPE – SEPLAG/DETRAN/DF (Cargo 15: Auxiliar de Trânsito) Os acidentes de trânsito representam uma das principais causas externas de morte no Brasil – só não ultrapassam os homicídios. De acordo com a publicação Saúde Brasil2007, divulgada pelo Ministério da Saúde, 35.155 pessoas morreram em 2006 por causa da violência no trânsito. As mortes, de acordo com a pesquisa, concentraram-se em homens com idade entre 20 e 59 anos, residentes em municípios de pequeno porte populacional. No caso de atro- pelamentos, o risco de morte foi maior entre os idosos; para ocupantes de veículos, o risco foi maior para o grupo de 20 a 59 anos. Entre os motociclistas, o risco concentra-se na faixa de 20 a 29 anos. As regiões Centro-Oeste e Sul apresentaram os maiores riscos de morte por acidente de trânsito. Na região Centro- -Oeste, registrou-se, segundo o ministério, o maior risco de morte para acidentes que envolvem motociclistas e ocupan- tes de veículo. Já o maior risco de morte por atropelamento foi registrado na região Norte. Santa Catarina, Mato Grosso e Paraná foram os estados que apresentaram as maiores taxas de morte provocadas pela violência no trânsito. O ranking de óbitos, de acordo com o estudo, é lidera- do pelos atropelamentos de pedestres, com o total de 27,9% dos casos – a maioria deles entre idosos, pessoas com idade igual ou superior a 60 anos e crianças. Em segundo lugar, es- tão os ocupantes de automóveis, com 21%, e, em terceiro, os 197 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I motociclistas, com 19,8%. Dados da publicação apontam que os motociclistas mortos no trânsito saltaram de 300, em 1990, para quase 7 mil, em 2006. Internet: <www.detran.sp.gov.br> (com adaptações). Em relação ao texto acima, julgue os itens que se seguem. 1. Em “concentraram-se”, o “se” indica sujeito indeterminado. 2. A palavra “residentes” está no plural porque concorda com o vocábulo “homens”. UnB/CESPE – SEPLAG/DETRAN (Cargo 15: Auxiliar de Trân- sito) O levantamento concluído pelo Instituto Médico Legal (IML) aponta, após a implantação da Lei de Embriaguez ao Volante, uma redução de 63% nas mortes ocasionadas por acidente de trânsito em São Paulo. No levantamento realizado pelo IML, são comparadas as três primeiras semanas de junho, período que antecedeu a chamada Lei Seca, com as três semanas posteriores. Na primei- ra fase, a média é de 11,7 mortos na quinta, sexta, sábado e domingo de cada semana. Depois da implantação da Lei Seca, a média cai para 4,3 mortos em acidentes de trânsito. A pesquisa foi feita nesses quatro dias de cada semana, pois é o período em que é mais frequente a associação de álcool e direção com o aumento do número de acidentes registrados. Internet: <www.detran.sp.gov.br>. Com base no texto acima, julgue os itens a seguir. 3. O emprego de vírgulas após as palavras “aponta” e “Volan- te” indica que o adjunto adverbial de tempo está deslocado na oração. 4. Após a palavra “trânsito”, não se emprega vírgula porque o adjunto adverbial de lugar está em sua posição lógica na oração. 198 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) UnB/CESPE – SEPLAG/DETRAN (Cargo 15: Auxiliar de Trân- sito) Ao longo da segunda metade do século XIX, época da introdução das ferrovias no Brasil, uma sucessão de planos de viação foi apresentada aos governos, todos eles descar- tando as rodovias como principal instrumento de integração e colocando ênfase nas vias férreas e na navegação fluvial e marítima como a solução para os problemas do isolamento a que ainda se viam submetidas as regiões brasileiras. O estudo do engenheiro militar Eduardo José de Moraes, apresentado ao governo imperial em 1869, continha ambicioso projeto de aproveitamento de vários rios brasileiros. O seu trabalho, in- titulado “Navegação Interior no Brasil”, destacava as enormes potencialidades das bacias hidrográficas brasileiras, prevendo a implantação de uma ampla rede de navegação fluvial, que facilitaria as comunicações dos mais remotos pontos do país entre si, por meio da construção de canais, eclusas e outras obras de engenharia. O plano, além de enfatizar o aproveita- mento das vias interiores de navegação, preconizava, ainda, a integração do sistema fluvial com as ferrovias e com a nave- gação de cabotagem, por meio da construção de três grandes estradas de ferro conectando os portos do Rio de Janeiro, de Salvador e de Recife com as bacias – tudo isso de uma forma harmônica e coordenada. A implementação desses planos e de outros que se seguiram terminou constituindo não mais do que uma aspiração não concretizada de grandes estadistas brasileiros do século XIX. Olímpio J. de Arroxelas Galvão. In: Internet: <www.ipea.go v.br>. Com base nesse texto, julgue os próximos itens. 5. A forma verbal “apresentada” [destacada] está no feminino singular porque concorda com “sucessão”. 6. O emprego de preposição “a” em “a que ainda se viam submetidas” justifica-se pela regência de “submetidas”. 199 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I ESAF/ANA O Programa Nacional de Desenvolvimento dos Recursos Hídricos – PROÁGUA Nacional é um programa do Governo Brasileiro financiado pelo Banco Mundial. O Programa origi- nou-se da exitosa experiência do PRO-ÁGUA/Semiárido e man- tém sua missão estruturante, com ênfase no fortalecimento institucional de todos os atores envolvidos com a gestão dos recursos hídricos no Brasil e na implantação de infraestruturas hídricas viáveis do ponto de vista técnico, financeiro, econô- mico, ambiental e social, promovendo, assim, o uso racional dos recursos hídricos. 7. A expressão “sua missão estruturante” refere-se a “Banco Mundial”. FGV/Prefeitura Municipal de Campinas – Secretaria Munici- pal de Educação (Cargo: Professor Adjunto II – Português) “Ao organizar a comunicação entre empregadores, indi- víduos e recursos de aprendizado de todas as ordens, as uni- versidades do futuro estariam contribuindo para a animação de uma nova economia do conhecimento. Esta é a hora de fomentar incertezas, pois incertezas trazem nas entrelinhas uma descoberta, a busca pelo aprendizado.” 8. O vocábulo “Esta” tem no texto a função de resgatar uma ideia anterior. UnB/CESPE – IRBr (Admissão à Carreira de Diplomata) Teste de Pré-Seleção As três almas do poeta Ênio, poeta latino do século II a.C., falava três línguas: o grego, que ele tinha aprendido por ser, na época, a língua de 200 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) cultura dominante no sul da Itália; o latim, em que escreveu suas obras; e o osco (uma língua aparentada com o latim), que era, com toda a probabilidade, sua língua nativa. O mais provável é que o latim fosse usado nas relações com as auto- ridades romanas; o grego, nas grandes cidades; e o osco, nas regiões rurais. E Ênio, que sabia as três, costumava dizer que tinha “três almas”. É curioso observar que ele exprimiu com isso uma coisa muito importante relativa ao conhecimento de uma língua: não se trata simplesmente de “uma outra maneira de dizer as coisas” (table em vez de mesa, te quiero em vez de eu te amo), mas de outra maneira de entender, de conceber, talvez mesmo de sentir o mundo. 9. No primeiro parágrafo, há mais de um aposto. 10. No trecho “O mais provável é que o latim fosse usado nas relações com as autoridades romanas; o grego, nas gran- des cidades; e o osco, nas regiões rurais”, utiliza-se uma forma de elipse, por meio da qual se evitam repetições. UnB/CESPE – SEAD/SEDUC (Cargo 12: Professor AD-4 – Dis- ciplina: Português) A esperança, essa característica exclusivamente humana, nos dirige para dias melhores que os atuais, fazendo nascer a ideia de um Brasil onde não mais existam injustiça, discri- minação e marginalização social. A confiança, desenvolvida e amadurecida nos processos de convivência e de diálogo, nos diz que existem outras pessoas – coparticipantes desses pro- cessos – que percebem a necessidade de união e mobilizaçãopara a transformação da sociedade. 11. A palavra “que” [destacada] exerce a função gramatical de sujeito de “percebem” e refere-se a outras pessoas. 201 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I UnB/CESPE/Auditoria-Geral – MG (cargo: Auditor Interno, Nível I-A) Para Vygotsky, a base do funcionamento psicológico ti- picamente humano é cultural, portanto, histórica. Os elementos mediadores na relação entre o homem e o mundo – instrumentos, signos e todos os elementos do ambiente humano carregados de significado cultural – são construídos nas relações entre os homens. Os sistemas simbó- licos e, particularmente, a língua exercem um papel fundamen- tal na comunicação entre os sujeitos e no estabelecimento de significados compartilhados que permitem interpretações dos objetos, eventos e situações do mundo real. O surgimento da atividade verbal e da língua como sistema de signos é crucial no desenvolvimento da espécie humana, momento mesmo em que o biológico se transforma no histórico e em que emerge a centralidade da mediação simbólica na constituição do psi- quismo humano. É o trabalho que, pela ação transformadora do homem sobre a natureza, une homem e natureza e cria a cultura e a história humanas. Marta Kohl de Oliveira. História, consciência e educação. Coleção Memória da Pedagogia, nº 2. 2005. Viver mente& cérebro – especial Vygotsky, p. 9-10 (com adaptações) 12. Assinale a opção em que as duas expressões apresenta- das remetem ao mesmo referente no desenvolvimento do texto. a) “centralidade da mediação simbólica” e “constituição do psiquismo humano”. b) “tipicamente humano” e “cultural”. c) “base do funcionamento psicológico tipicamente hu- mano” e “sistemas simbólicos”. d) “elementos mediadores na relação entre o homem e o mundo” e “instrumentos, signos e todos os elemen- tos do ambiente humano carregados de significado cultural”. e) “significados compartilhados” e “interpretações dos objetos”. 202 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 13. Preservam-se a correção gramatical e a coerência entre os argumentos caso se suprima o elemento sublinhado no trecho a) “a centralidade da mediação simbólica na constituição do psiquismo humano”. b) “Os elementos mediadores na relação entre o homem e o mundo”. c) “são construídos nas relações entre os homens”. d) “exercem um papel fundamental na comunicação en- tre os sujeitos e no estabelecimento de significados”. e) “sistema de signos é crucial no desenvolvimento”. UnB/CESPE/IBAMA (Cargo: Analista Ambiental) Reparação duas décadas depois Francisco Alves Mendes Filho ainda não era um mito da luta contra a devastação da Amazônia quando foi preso, em 1981, acusado de subversão e incitamento à luta de classes no Acre, em plena ditadura militar. Chico Mendes se tornaria mundialmente conhecido, dali para a frente, por comandar uma campanha contra a ação de grileiros e latifundiários, responsáveis pela destruição da floresta e pela escravização do caboclo amazônico. Por isso mesmo foi assassinado, em 22 de dezembro de 1988, na porta de casa, em Xapuri. O crime, cometido por uma dupla de fazendeiros, foi punido com uma sentença de 19 anos de cadeia para cada um. Faltava reparar a injustiça cometida pelos militares. E ela veio na quarta-feira 10, no palco do Teatro Plácido de Castro, em Rio Branco, na forma de uma portaria assinada pelo ministro da Justiça, Tarso Genro. Antes, porém, reali- zou-se uma sessão de julgamento da Comissão de Anistia, cujo resultado foi o reconhecimento, por unanimidade, da perseguição política sofrida por Chico Mendes no início dos anos 80 do século passado. A viúva do líder seringueiro, 203 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I Izalmar Gadelha Mendes, vai receber uma pensão vitalícia de 3 mil reais mensais, além de indenização de 337,8 mil reais. Leandro Fortes. Internet: <www.cartacapital.com.br> (com adaptações) Considerando aspectos linguísticos do texto Reparação duas décadas depois, julgue os itens a seguir. 14. No período que se inicia por “Antes, porém”, o sujeito da oração principal está posposto ao verbo. 15. O vocábulo “cujo” estabelece relação sintático-semântica entre os termos “resultado” e “Comissão de Anistia”. UnB/CESPE/IBAMA (Tema 1: Regulação, controle, fiscaliza- ção, licenciamento e auditoria ambiental) As religiões e o meio ambiente “Tudo o que vive e se move será alimento para vós. Da mesma forma que lhes dei as plantas, agora dou-lhes tudo.” Gênesis (9; 3). Essa passagem da Bíblia tem sido interpretada como uma visão antropocêntrica, profundamente antiambientalista, do judeu-cristianismo, que contrasta com a visão budista e hin- duísta do mundo, que ensina que os seres humanos devem viver em harmonia com a natureza. Alguns cristãos têm tentado atenuar a frase do Gênesis, explicando que a intenção do Senhor sempre foi a de proteger a biodiversidade, como quando ordenou a Noé que levasse na Arca um casal de cada criatura viva, para que sobrevivessem ao dilúvio. Esta podia ser uma questão secundária 5 ou 10 mil anos atrás, quando a população mundial era de alguns milhões de habitantes, mas passou a ser uma questão central nos dias de hoje, em que existem sobre a Terra mais de 6 bilhões de seres humanos. A ação do homem sobre a natureza atualmente é 204 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) comparável, em força destrutiva, à das forças geológicas, como terremotos, erupções vulcânicas, inundações e tempestades, e estamos até provocando o aquecimento do planeta, com 19 consequências imprevisíveis sobre a vida como a conhecemos. O uso e o abuso da natureza pelo homem põem hoje em risco sua própria sobrevivência. José Goldemberg. O Estado de São Paulo. Editorial Espaço Aberto, caderno A, 17/5/2005, p. 2 (com adaptações) Tendo o texto acima como referência inicial e considerando a amplitude do tema que ele aborda, julgue os itens subse- quentes. 16. Na organização das ideias do texto, o pronome “que” [des- tacado] retoma “visão antropocêntrica”. 17. Respeita-se o desenvolvimento da textualidade, reforçan- do-se a coesão com o parágrafo anterior, e mantém-se a correção gramatical ao se substituir a expressão “Alguns cristãos” por A visão cristã. UnB/CESPE/IBAMA (Tema 1: Regulação, controle, fiscaliza- ção, licenciamento e auditoria ambiental) É assumidamente uma estimativa conservadora, com base apenas nos relatórios oficiais de uma das atividades extrati- vistas mais predadoras da história, mas pelo menos é a pri- meira vez que alguém mergulha na documentação e tira dela um número: quase 470 mil árvores. Certamente indivíduos maduros, com cerca de 15 metros de altura. Do contrário, o precioso corante cor-de-fogo que moveu a colonização brasi- leira não poderia ser obtido em quantidade que compensasse o trabalho de botar a planta abaixo. Essa é a conta oficial da devastação do *paubrasil*, árvore símbolo do país, do século XVI ao XIX, feita por um grupo de pesquisadores paulistas. A árvore da pátria. In: Folha de S. Paulo, 15/5/2005 (com adaptações). 18. A organização das ideias no texto indica que a expressão “quase 470 mil árvores” constitui o sujeito da primeira 205 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I oração; por isso seu deslocamento para o início do texto preserva tanto a coerência textual quanto a correção gra- matical, desde que seja retirado o sinal de dois-pontos que a precede e sejam feitos os ajustes necessários nas letras minúsculas e maiúsculas. UnB/CESPE/IBAMA (Tema 1: Regulação, controle, fiscaliza- ção, licenciamento e auditoria ambiental) Andar pela região do Alto Xingu, no nordeste de Mato Grosso, é mais que turismo. Beira uma experiência antropo- lógica. A troca de conhecimento com osíndios é, sem dúvi- da, enriquecedora. Além da convivência na aldeia – o ponto principal da viagem –, os passeios de barco e canoa pelo rio Von den Steinen são um deslumbramento. A mata preservada contrasta com o espelho formado na água, produzindo uma paisagem belíssima. À noite, o céu se abre limpo e estrelado. É um convite à contemplação da natureza. Caminhar em trilhas pela floresta também faz parte do programa. Chegar a esse paraíso não é das missões mais fáceis, o que garante parte de sua preser- vação. Pelo caminho, pode-se comprovar uma das tragédias da região: uma enorme quantidade de carretas carregando madeira nobre retirada da floresta. E as clareiras deixadas por elas nas matas. Época, 9/5/2005 (com adaptações). 19. Preservam-se a coerência e a correção gramatical do texto ao se substituir “são” [destacado] pela forma verbal é, pois a concordância com o verbo ser é facultativa: tanto pode se dar com o sujeito como com o predicativo. 20. O emprego da forma verbal “faz” [destacada] é exigência do termo “floresta”, com o qual deve o verbo concordar. 21. De acordo com a organização textual, o pronome “o” re- toma as ideias da oração principal do período. 206 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) UnB/CESPE/SGA/AC (Cargo 1: Administrador) Uma decisão singular de um juiz da Vara de Execuções Criminais de Tupã, pequena cidade a 534 km da cidade de São Paulo, impondo critérios bastante rígidos para que os estabelecimentos penais da região possam receber novos presos, confirma a dramática dimensão da crise do sistema prisional. A sentença determina, entre outras medidas, que as penitenciárias somente acolham presos que residam em um raio de 200 km. Segundo o juiz, as medidas que tomou são previstas pela Lei de Execução Penal e objetivam acabar com a violação dos direitos humanos da população carcerária e “abrir o debate a respeito da regionalização dos presídios”. Ele alega que muitos presos das penitenciárias da região são de famílias pobres da Grande São Paulo, que não dispõem de condições financeiras para visitá-los semanalmente, o que prejudica o trabalho de reeducação e de ressocialização. Sua sentença foi muito elogiada. Contudo, o governo esta- dual anunciou que irá recorrer ao Tribunal de Justiça, sob a alegação de que, se os estabelecimentos penais não puderem receber mais presos, os juízes das varas de execuções não poderão julgar réus acusados de crimes violentos, como ho- micídio, latrocínio, sequestro ou estupro. Estado de S. Paulo, 13/1/2008, p. A3 (com adaptações). 22. O trecho “pequena cidade a 534 km da cidade de São Paulo” encontra-se entre vírgulas por exercer a função de aposto. 23. As orações subordinadas “que as penitenciárias somente acolham presos”, “que tomou” e “que irá recorrer ao Tri- bunal de Justiça” desempenham a função de complemento do verbo. 24. No trecho “para visitá-los semanalmente”, o pronome re- fere-se a “presos”. 207 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I UnB/CESPE/PMDF/Saúde (Especialidade 3: Clínica Geral) A leitura crítica pressupõe a capacidade do indivíduo de construir o conhecimento, sua visão de mundo, sua ótica de classe. Isso é possível através das discussões em sala, do diálogo com os professores, com outros alunos e, até mesmo, do “diálogo cognitivo” com seu objeto de conhecimento. No “diálogo cognitivo” com o objeto do conhecimento encontra-se o valor da apreensão dos conteúdos curriculares historica- mente produzidos, pois não se constrói o conhecimento a par- tir do nada. À medida que assimila criticamente os conteúdos (momento em que entra em ação a diretividade do professor, selecionando, sistematizando e apresentando os conteúdos), o aluno realiza o diálogo cognitivo com seu objeto. A assimi- lação crítica ocorre quando os conteúdos são confrontados com os dados da realidade empírica, quando são historici- zados, relativizados no contexto que os gerou, remetidos às suas condições de produção, quando são apreendidos através da relação, tão conhecida na obra de Freire, entre leitura da palavra e leitura do mundo. Aparecida de Fátima Tiradentes dos Santos. Desigualdade social e dualidade escolar: conhecimento e poder em Paulo Freire e Gramsci. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000, p. 89. Em relação ao texto acima, julgue os itens a seguir. 25. O trecho “de construir o conhecimento” estabelece relação de regência com o termo “capacidade”, especificando-lhe o significado. 26. O pronome “seu” [destacado] se reporta à expressão “a capacidade do indivíduo”, com a qual mantém relação coesiva. 27. O trecho “são apreendidos através da relação” refere-se sintaticamente à expressão “conteúdos curriculares”. 208 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) UnB/CESPE/MTE (Cargo 1: Administrador) No Brasil, apesar da pressão do desemprego, que tem atingido níveis altíssimos, a fiscalização do trabalho e a justiça do trabalho estão empenhadas em uma luta para preservar o direito do trabalhador ao emprego com registro, tratando de coibir as formas atípicas de emprego, especialmente a do trabalho cooperativado. As cooperativas de trabalho são de- nunciadas como falsas, como pretensas cooperativas, criadas unicamente para privar os trabalhadores dos seus direitos legais. Apesar da ação vigorosa de fiscais, procuradores e juízes do trabalho, o número dos que gozam do direito ao emprego com registro não cessa de diminuir. Na realidade, nem todas as cooperativas de trabalho contratadas por firmas são falsas. Um bom número delas são formadas por trabalha- dores desempregados, que disputam os seus antigos empregos contra intermediadoras de mão-de-obra. Para eles, a perda dos direitos já é um fato consumado e, se forem obrigados a se empregar nas terceirizadas, possivelmente sofrerão, além disso, acentuada perda de salário direto. Outras cooperativas de trabalho são formadas por trabalhadores que estavam as- salariados por empresas intermediadoras e que preferiram se organizar em cooperativa para se apoderar de parte do ganho que aquelas empresas auferem a suas custas. Essas considera- ções não pretendem indicar que a luta contra a precarização é inútil, mas que ela carece de bases legais para realmente coibir a perda incessante de direitos por cada vez mais traba- lhadores. O fulcro da questão é que ou garantimos os direitos sociais a todos os trabalhadores, em todas as posições na ocupação – assalariados, estatutários, cooperantes, avulsos, terceirizados, etc. – ou será cada vez mais difícil garanti-los para uma minoria cada vez menor de trabalhadores que hoje têm o status de empregados regulares. Paul Singer. Em defesa dos direitos dos trabalhadores. Brasília: MTE, Secretaria de Economia Solidária, 2004, p. 4 (com adaptações) 209 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I 28. As alternativas expressas nas orações iniciadas por “ou garantimos” e “ou será”, destacadas, complementam o sentido do sujeito da oração “O fulcro da questão é”. UnB/CESPE – SEPLAG/DETRAN/DF [Conhecimentos Básicos e Conhecimentos Complementares (para os cargos de 1 a 3 e de 5 a 14)] A qualidade do ambiente urbano torna-se, cada vez mais, uma destacada fonte de cobrança da população sobre seus governantes. Repleta de problemas nessa área, a cidade de São Paulo experimenta, nos últimos anos, uma notável mudança de comportamento das autoridades municipais, que passam a incorporar o tema em suas prioridades de gestão. Depois de ter implementado uma reforma nos passeios públicos da avenida Paulista, a prefeitura, agora, promove uma blitz com o fito de acabar com as diversas formas de invasão da calçada naquela via. Rampas de garagem, escadarias e jardins se apropriam,sem mais, de um espaço reservado ao pedestre. Construções e usos de interesse particular desrespeitam sistematicamente os códigos de obra e as leis de ocupação do solo. Invadem o espaço público, e o resultado é uma cidade de edificação monstruosa e hostil ao transeunte. É preciso, portanto, que o espírito da blitz na avenida Paulista seja estendido para toda a cidade. O DNA Paulistano, série de pesquisas realizadas, no ano passado, pelo Datafo- lha, revelou fatias surpreendentemente elevadas de pessoas que, nas diversas regiões da cidade, costumam caminhar até o trabalho. No Bom Retiro, por exemplo, 64% dos moradores vão a pé de casa até o emprego. Mas basta percorrer essa e outras áreas do centro – onde, compreensivelmente, mais se caminha – para notar o estado precário das calçadas e as constantes irregularidades. 210 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) O transtorno que esse problema representa no cotidiano dos cidadãos – que se torna dramático no caso de idosos e deficientes físicos – requer uma resposta abrangente e firme da prefeitura. Folha de S.Paulo. Editorial, 8/1/2009 (com adaptações) Em relação ao texto acima, julgue os itens a seguir. 29. A expressão “nessa área” é um elemento de coesão tex- tual que retoma o antecedente “qualidade do ambiente urbano”. 30. No processo de coesão textual, a expressão “naquela via” funciona como elemento coesivo que retoma o anteceden- te “passeios públicos”. 31. A forma verbal “Invadem” está no plural porque concorda com “códigos de obra”. RESOLUÇÕES COMENTADAS NÍVEL 1 1. a) Sujeito simples: ela. f) Sujeito simples: nú- cleo destacado. l) A natureza fez.../ sujeito simples. b) Sujeito simples: núcleo destacado. g) Oração sem sujei- to. Há (= existem): im- pessoal. m) Sujeito simples: pronome relativo/ retoma “dona Ber- nardina”. c) Sujeito composto: núcleos destacados. h) A igreja manda.../ Sujeito simples. n) Oração sem sujei- to. Há (= tempo de- corrido): impessoal. d) Sujeito simples: núcleo destacado. i) Sujeito simples: nú- cleo destacado. o) Oração sem sujei- to. Verbo exprime fe- nômeno da natureza. Impessoal. 211 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I e) Sujeito oracional: a oração destacada funciona como su- jeito. j) Sujeito composto: núcleos destacados. p) Sujeito simples. Verbo empregado com valor conotativo. 2. a) O professor (sujeito) sou (v.l.) eu (predicativo). b) Eu (sujeito) sou (v.l.) o professor (predicativo). c) “A lua (sujeito) ia (v.i.) grande e bela (predicativos).” d) “Nossa vida (sujeito) tornou-se (v.l.) impossível (pre- dicativo).” (M. de Assis). e) “Um fraco rei (sujeito) faz (v.t.d.) fraca (predicativo do objeto) a forte gente (obj. dir.).” f) Acusaram (v.t.d.) de injusto (predicativo do obj.) o di- retor (obj. dir.). g) Saiu (v.i.) da luta (adj. adv.) engrandecido (predicativo do suj.). h) Nesse andar (adj., adv.), (tu) acabarás (v.l.) mendigo (predicativo do suj.) i) “Pegou (v.t.d.) de uma faca (obj. dir. preposicionado) e entrou a bater (v.i.) com ela (adj. adv.) devagarinho. (adj. adv.) j) “Uma das três janelas (suj.) vivia (v.l.) sempre (adj. adv.) meio aberta. (predicativo do suj.)” l) “A pobre dama (suj.) sentiu-se (a ela mesma) (v.t.d.) humilhada (predicativo do obj.).” m) “O cônego Brito (sujeito) acabava de sair eleito (v.t.d. na voz passiva) deputado (predicativo do sujeito).” n) A canoa (suj.) virou (v.i). o) O vento (suj.) virou (v.t.d.) a canoa (obj. dir.). p) O tronco (suj.), à força de fogo (adj. adv.), virou (v.l.) canoa (predicativo). 212 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 3. Resposta: C. Observe: “Maurício (suj.) me (obj. dir.) con- siderava (v.t.d.) seu amigo (predicativo do obj.) já que (conectivo oracional) as minhas ações (suj.) eram (v.l.) sinceras (predicativo do suj.).” 4. a) Certo. “não” = advérbio de negação; b) Certo. “duvides” = verbo transitivo indireto; c) Certo. “das palavras divinas” = objeto indireto; d) Errado. O predicado verbal é “Não duvides das palavras divinas”. 5. Observe a análise do período. Primeiro divida as orações: “A matéria / que o professor me explicou/ foi fácil”. 1ª oração: A matéria (suj.) foi (v.l.) fácil (predicativo do suj.) – predicado nominal/ 2ª oração: que (obj. direto) o professor (suj.) me (obj. ind.) explicou (v.t.d.i.) – predicado verbal. a) Certo. “a matéria” = sujeito de “foi”; b) Certo. “que” = objeto direto de “explicou”; c) Certo. “o professor” = sujeito de “explicou”; d) Errado. “me” = objeto indireto de “explicou”; e) Errado. “explicou” = verbo transitivo direto e indireto; f) Errado. “fácil” = predicativo do sujeito; g) Certo. “foi fácil” = predicado nominal; h) Certo. “que me explicou” = predicado verbal. 6. a) (1) É digno de censura. (“de censura” completa o adje- tivo “digno”); b) (3) Ele tomou do lápis (“tomou” é v.t.d., mas o obj. dir. apresentou preposição); 213 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I c) (2) Ele estudou a lição (“estudou” é v.t.d.); d) (3) Vi nervoso a João (“vi” é v.t.d.); e) (4) Isto depende dos pais (“depende” é v.t.i.); f) (3) Matou o caçador ao animal. (“matar” é v.t.d.); g) (5) As flores Deus as fez (o pronome “as” reforça o obj. direto “As flores”); h) (7) Consertam-se sapatos (Sapatos são consertados); i) (6) A sala foi enfeitada de flores (a locução verbal indica voz passiva, cujo agente é o termo “de flores”; j) (3) Amo a Deus (“Amo” é v.t.d); k) (1) O aluno está atento à lição (“à lição” completa o adjetivo “atento”). 7. a) (2) Tinha sede de justiça. (Relação completiva/ A ideia de “ter sede” recai sobre o termo preposicionado) b) (1) Veio procurá-lo um oficial de justiça. (O substantivo “oficial”/concreto não é completivo) c) (1) Maria Clara tem grande desembaraço de expressão. (O substantivo “desembaraço” não é completivo) d) (2) Foi demorado o desembaraço de minha bagagem. (O substantivo “desembaraço” é completivo: desem- baraçar a bagagem) e) (2) Gorou minha viagem à Bahia. (O substantivo “via- gem” é completivo: viajar à Bahia) f) (3) Somente para o ano irei à Bahia. (A locução adverbial está modificando o verbo “irei”) g) (2) Tinha a volúpia da mentira. (A ideia de “ter volúpia” recai sobre o termo preposicionado: relação comple- tiva) 214 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) h) (2) Era o rei da mentira. (Cp.: “Comandava a mentira”/ rei = comandante – relação completiva) i) (2) Perdeu-o a ambição de dinheiro. (A ideia de “ter ambição” recai sobre o termo preposicionado: relação completiva) j) (1) Encontraram vários pacotes de dinheiro. (O subs- tantivo “pacote”/concreto não é completivo) k) A defesa do réu (2) foi trabalhosíssima para seus advo- gados. (O substantivo “defesa” é completivo: defender o réu) l) A mulher do réu (1) chorava convulsivamente. (O subs- tantivo “mulher”/concreto não é completivo) m) (2) À noite, é deslumbrante a visão da cidade. (O subs- tantivo “visão” é completivo: ver a cidade) n) Os habitantes da cidade (1) são taciturnos. (O substan- tivo “habitantes”/concreto não é completivo) o) O aparecimento de fantasmas (1) sobressaltou os ha- bitantes do castelo. (O substantivo “aparecimento” não é completivo: os fantasmas apareceram/relação subjetiva) p) (2) Está desmoralizada a crença em fantasmas. (O subs- tantivo “crença” é completivo: crer em fantasmas) q) (2) A esperança de perdão transfigurava-o. (O substan- tivo “esperança” é completivo: esperar o perdão) r) A hora de perdão (1) não chegara ainda (O substantivo “hora” não é completivo) s) A falta às aulas (2)prejudica-o. (O substantivo “falta” é completivo: faltar às aulas) 215 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I t) (3) Amanhã faltarei às aulas. (A locução adverbial está modificando o verbo “faltarei”) 8. a) (Nós) Encontramos (v.t.d./núcleo) em ruínas (predi- cativo do obj./núcleo) a casa (obj. dir.) – Predicado verbo-nominal. b) Os jogadores (suj.) voltaram (v.i./núcleo) felizes (pre- dicativo do sujeito/núcleo) com o resultado do jogo (compl. nom.) – Predicado verbo-nominal. c) O rapaz (suj.), bêbado (predicativo do sujeito/ núcleo), caiu (v.i./ núcleo) na rua (adj. adv.) – Predicado verbo- -nominal. d) Ele (suj.) escreveu (v.t.d./núcleo) ótimos poemas (obj. dir.) – Predicado verbal. e) A lua (suj.) ia (v.i./ núcleo) grande e bela (predicativo do suj./núcleo) – Predicado verbo-nominal. f) Pedro (suj.) acha-se (v.l.) ocupado (predicativo do suj./ núcleo) no momento (adj. adv.) – Predicado nominal. g) A crisálida (suj.) virou (v.l.) borboleta (predicativo do suj./núcleo) – Predicado nominal. h) O rio (suj.) corre (v.i./núcleo) vagarosamente (adj. adv.) – Predicado verbal. i) “Nossa vida (suj.) tornou-se (v.l.) impossível (predica- tivo do suj./núcleo)” – Predicado nominal. j) Nós (suj.) o (obj. dir.) chamamos (v.t.d./núcleo) pa- drinho (predicativo do obj./núcleo) – Predicado ver- bo-nominal. 216 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 9. a) Verdadeiro. Em “... eu (suj.) a (obj. dir.) julgava (v.t.d./ núcleo) recompensada e feliz (predicativo do obj./nú- cleo)”, ocorre predicado verbo-nominal. b) Falso. A palavra “paz” exerce a função sintática de sujeito do verbo “exista”. c) Falso. Em “O táxi (suj.) avançava (v.i./núcleo) monótono (adj. adverbial de modo)”, o predicado é verbal. 10. 1. Falso. Congele (v.t.d.) o preço (obj. dir.); Envie (v.t.d.) hoje mesmo seu cupom (obj. dir.); Não mande (v.t.d.) dinheiro (obj. dir.) agora. Os termos destacados apre- sentam a mesma função sintática. 2. Falso. Em “possibilidade de comunicação autêntica”, a expressão grifada é complemento nominal do termo possibilidade. 3. Verdadeiro. Em “respeito ao próximo” a expressão sublinhada exerce a função sintática de complemento nominal, já que o substantivo “respeito” é completivo: respeitar o próximo. 4. Verdadeiro. Sempre fui mais sensível (adjetivo/ pre- dicativo) ao desenho do que à pintura. Os dois termos completam o valor do adjetivo. São, portanto, comple- mentos nominais). 5. Verdadeiro. Coloque na ordem direta: Eu (suj.) teria (v.t.d.) que visão dessa realidade (obj. dir.). Em “visão dessa realidade (compl. nom.)”, o substantivo “visão” é completivo: ver a realidade. 217 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I 11. 1. Verdadeiro. Havia (v.t.d.) uma bolsa (obj. dir.). 2. Verdadeiro. Nossos atletas (suj.) se comportaram (v.i.) muito bem (adj. adv.) nos jogos olímpicos (adj. adv.). 3. Falso. Existiam (v.i.) muitos estranhos (suj.) na festa (adj. adv.). 4. Verdadeiro. Perdeu (v.t.d) -se (partícula apassivadora) tudo (suj.) no prato (adj. adv.). 5. Falso. Ele (suj.) mora (v.i.) em São Paulo (adj. adv.). 6. Falso. Nós beberemos (v.t.d) do vinho (obj. dir. prep.). 7. Verdadeiro. Vossa Majestade (suj.) já pensou (v.t.i.) nisso (obj. ind.)? 8. Verdadeiro. A moça (suj.) caiu (v.l.) doente (predicativo do suj.). 9. Verdadeiro. Os ausentes (suj.) nunca têm (v.t.d) razão (obj. dir.). 10. Verdadeiro. Solicitei (v.t.d.i.) a proposta (obj. dir.) ao empresário (obj. indir.). 12. 1. Verdadeiro. O inimigo resistiu (v.t.i.) ao ataque – objeto indireto. 2. Falso. A crença (substantivo completivo: crer em Deus) em Deus é necessária – complemento nominal. 3. Verdadeiro. As ruas ficaram cobertas de lama – agente da passiva (O sujeito sofre a ação expressa pela loc. verbal/ voz passiva, cujo agente é o termo destacado). 4. Verdadeiro. Jussara tem certeza (substantivo comple- tivo) da vitória – complemento nominal. 218 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 5. Falso. A análise do professor deixou o aluno revoltado – adjunto adnominal (A ideia de “analisar” parte do professor: não há relação completiva). 6. Verdadeiro. Dívidas, convém saldá-las – objeto direto pleonástico, pois reforça o termo deslocado. 7. Verdadeiro. Pisaram-me o calo – adjunto adnominal, pois o pronome “me” tem valor de possessivo: meu calo. 8. Falso. O time jogou contra o Flamengo – locução ad- verbial/adjunto adverbial de adversidade-oposição. 9. Falso. O deputado (suj.) considerou (v.t.d.) o jovem (obj. dir.) incompetente – predicativo do objeto direto. 10. Verdadeiro. As crianças, meu amigo, são agitadas – vocativo: termo que serve para “chamar”. 13. Resposta: A. Em “A análise da questão não pode excluir o fato ...”, “análise” é o núcleo do sujeito simples. 14. Resposta: D. “Se não ocorrer (v.i./ núcleo do predicado verbal) uma redução sensível do ritmo desse fluxo (suj.), / será (v.l.) muito difícil (predicativo do suj./ núcleo do predicado nominal) / resolver (v.t.d./ núcleo do predicado verbal) o problema”. 15. Resposta: D. “Os bancos brasileiros (sujeito) se vangloriam (v.t..i./ se = parte integrante do verbo) permanentemente (adj. adv.) de sua eficiência e agilidade (obj. ind.).” 219 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I a) Os bancos crescerão se (conjunção condicional) acei- tarem clientes novos. b) Pretende (v.t.d.) –se (partícula apassivadora) aperfei- çoar o sistema bancário (suj. oracional). c) Discutiu (v.t.d) –se (partícula apassivadora) a questão da renda mínima (sujeito). d) Os clientes (suj.) queixaram-se (v.t.i./ se = parte inte- grante do verbo) dos serviços bancários (obj. ind.). e) Aos clientes (obj. ind.) oferecem (v.t.d.i) -se (partícula apassivadora) serviços elementares (sujeito). 16. Resposta: D. O professor (sujeito) será eleito (v.t.d na voz passiva + auxiliar) presidente (predicativo do suj.) da as- sociação dos moradores. 17. Resposta: A. “Faz muito calor no Rio o ano inteiro” (Oração sem sujeito). a) Devia haver (= existir) mais interesse pela boa formação profissional (obj. dir.) – oração sem sujeito. b) Falaram muito mal dos estimuladores de conflitos. (sujeito indeterminado). c) Vive-se bem o clima da montanha. (O clima da monta- nha – sujeito – é vivido bem). d) (Nós) Almejamos dias melhores. e) Haviam chegado cedo os candidatos. (suj.) 220 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 18. Resposta: D. Observe: “Mas quando Carlota viu as horas (1), lembrou-se num sobressalto (2), que a fez (3) / levar (4) a mão ao peito, / de que se esquecera (5) / de tomar (6) o copo de leite.” Lembre-se: o sobressalto fez a Carlota levar a mão ao peito (Os verbos não formam locução verbal). 19. Resposta: A. “Não (adj. adv.) agradou (v.t..i.) ao dono da casa (obj. ind.) o café (sujeito) que (obj. dir.) a criada (suj.) fez (v.t.d).” 20. Resposta: E. a) “Fernando opôs (v.t.d.i.) à pretensão da noiva (obj. ind.) a razão de estado (obj. dir.).” b) ... infligiu (v.t.d.i.) -lhe (obj. ind.) a mais acerba das humilhações (obj. dir.).” c) “Deus a (obj. dir.) destinará (v.t.d.i.) à opulência (obj. ind.).” d) “Vou confiar (v.t.d.i.) –lhe (obj. ind.) meu segredo (obj. dir.).” e) “Estas últimas palavras (obj. dir.), a moça proferiu (v.t.d.) -as (obj. dir. pleonástico) com uma indefinível expressão (adj. adv. modo).” 21. Resposta: D. a) Tereza Maria dava (v.t.d.) jantares com mesinhas. b) Ninguém estava (v.l.) mais disposto a dar (v.t.d.) a pele, a se consumir (v.t.d./valor reflexivo). c) Aceitava (v.i.), mas dava (v.t.d.i.) -lhe o troco. 221 Vade-Mécum Língua Portuguesa - VolumeI d) Laura deu (v.l. = tornou-se) uma noiva linda, olhos azuis, cabelos pretos. e) Pediu (v.t.d.i.) à Eugênia que me desse (v.t.d.i) umas aulas. 22. Resposta: D. “E quando o brotinho lhe telefonou (v.t.i.) dias depois, comunicando que estudava (v.t.d.) o modernismo, e dentro do modernismo sua obra, para o que o professor lhe sugerira (v.t.d.i.) contato pessoal com o autor, ficou (v.l.) assanhadíssimo e paternal a um tempo.” 23. Resposta: B. a) “Não nos olhou o rosto (v.t.d.)” – Não olhou o nosso rosto. b) “Procura insistentemente perturbar-me (v.t.d.) a me- mória.” – perturbar a minha memória. c) “Fiquei (v.i.) durante as férias (adj. adv. tempo), no sítio de meus avós.” (adj. adv. de lugar). Veja que o verbo não liga o sujeito ao predicativo)./ d) “Para conseguir o prêmio, Mário reconheceu-nos (v.t.d.) imediatamente.” e) “Ela nos encontrará (v.t.d)... .” 24. Resposta: C. a) Os alunos andavam (v.l.) apreensivos com os resultados dos exames (predicativo do suj.). b) Todos elogiaram (v.t.d.) sua participação nos debates (obj. dir.). c) As crianças assistiram (v.t.i.) alegres (predicativo do suj.) ao espetáculo (obj. ind.). d) Seus livros estão (v.i.) sobre a mesa (adj. adv. lugar). 222 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 25. Resposta: E. Observe a divisão das orações: “Quando perce- bi / que o doente (sujeito) expirava (v.i.), / recuei aterrado / e (eu) dei (v.t.d.) um grito (obj. dir.), / mas ninguém (suj.) me (obj. dir.) ouviu (v.t.d.).” (Machado de Assis) 26. Resposta: C. I. Todos nós consideramos (v.t.d./núcleo do predicado) a sua atitude infantil (predicativo do obj./núcleo do pre- dicado) – Dois núcleos concomitantes: predicado verbo- -nominal. II. A multidão caminhava (v.i./núcleo do predicado) pela estrada poeirenta (adj. adv. lugar) – Apenas um núcleo: predicado verbal. III. A criançada continua (v.l.) emocionada (predicativo do sujeito/ núcleo do predicado) – Apenas um núcleo: predicado nominal. 27. Resposta: B. Em “Os ilhais da fera arfam (respiram com dificuldade, ofegam) de fadiga, a espuma franja-lhe a boca, as pernas vergam, e os olhos amortecem de cansaço”, os termos de fadiga e de cansaço funcionam como adjuntos adverbiais de causa, representados, morfologicamente, por locuções adverbiais. Por que arfam? Por causa da fa- diga. Por que os olhos amortecem? Por causa do cansaço. 28. Resposta: C. “(Eu) Encontrei (v.t.d.) –a (obj.dir.) sentada (predicativo do obj.) na sarjeta (adj. adv. de lugar).” 29. Resposta: a) II, b) IV, c) III, d) I. Segunda-feira (adj. adv. de tempo) haverá um jogo importante; Com o mau tempo (adj. adv. de causa) não podemos trabalhar ao relento; O 223 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I livro foi acolhido com entusiasmo (adj. adv. de modo) pelos leitores; O automóvel parou perto do rio (adj. adv. de lugar). 30. Resposta: C. a) Desde então ficou (v.l.) desconfiado (predicativo do suj./ núcleo do predicado) – Predicado nominal. b) Eu ia caminhando (auxiliar + v.i./ núcleo do predicado) pela avenida – Predicado verbal. c) (Eu) Encontrei (v.t.d./ núcleo do predicado) Maria Clara (obj. dir.) mais envelhecida (predicativo do obj./ nú- cleo do predicado) – Núcleos concomitantes: predicado verbo-nominal. d) (Eu) Viajarei (v.i./núcleo do predicado) amanhã de ma- nhã (adj. adv. tempo) – Predicado verbal. 31. Resposta: E. a) (Eu) Fiz (v.t.d.i./ núcleo do predicado) –lhe (obj. ind.) um pecúlio de cinco contos (obj. dir.) – Predicado verbal. b) Um desvão do telhado é (v.l.) o infinito para as andori- nhas (predicativo do suj./núcleo do predicado) – Pre- dicado nominal. c) Virgília designou (v.t.d./ núcleo do predicado) as alfaias mais idôneas (obj. dir.) – Predicado verbal. d) (Ela) Tinha (v.t.d./ núcleo do predicado) nojo de si mes- ma (obj. dir.) – Predicado verbal. e) Ela (suj.) falava (v.t.i. / falava a mim/ núcleo do predi- cado) -me séria, carrancuda (predicativos do sujeito/ núcleos do predicado) – Núcleos concomitantes: pre- dicado verbo-nominal). 224 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 32. Resposta: B. I. As meninas (suj.) assistiam alegres (predicativo do su- jeito) ao espetáculo. II. Uma flor, o Quincas Borba! (O Quincas Borba é uma flor – predicativo do sujeito). III. Isto (suj.) é (v.l.) bem dele (predicativo do sujeito)! IV. (Nós) Consideramos (v.t.d.) indiscutíveis (predicativo do objeto) os direitos da herdeira (obj. direto). 33. Resposta: E. Em “Pede (v.t.d.) -se (partícula apassivadora) silêncio (sujeito simples)”, temos voz passiva sintética ou pronominal. Lembre-se: por causa da partícula apassiva- dora, o objeto direto passa a ser o sujeito. Em “A caverna (suj. simples) anoitecia (= escurecia) aos poucos”, o sujeito está explícito, pois o verbo não exprime fenômeno da na- tureza. Em “Fazia (v.t.d.) um calor tremendo (obj. direto) naquela tarde (adj. adv. de tempo)”, o verbo é impessoal e a oração não apresenta sujeito. 34. Resposta: C. Basta colocar na ordem direta: “Amigos e inimigos (sujeito composto) cruzavam-se em todas as ruas, anunciando em clima desafinado”. 35. Resposta: C. a) Ele, que sempre vivera (v.i) órfão de afeições legítimas e duradouras, como então seria feliz!... b) O quinhão de ternura, que a ela pertencia (v.t.i.), estava (v.l.) intacto no coração do filho. 225 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I c) Voz passiva: “Os dois quadros tinham sido ambos bor- dados (v.t.d. na voz passiva) por Mariana e Ana Rosa, mãe e filha”. Observe a voz ativa: Mariana e Ana Rosa, mãe e filha, tinham bordado (v.t.d.) os dois quadros. d) E dizia (v.t.d./ voz ativa) as inúmeras viagens que tinha feito (v.t.d. / voz ativa) até ali; contava (v.t.d./ voz ativa) episódio a respeito do boqueirão./ e – Sobre a banca de Madalena (adj. adv.) estava (v.i.) o envelope de que ela me havia falado (v.t.i – ... ela me havia falado do envelope). 36. Resposta: A. Em “Uma espécie de riso sardônico e feroz contraía-lhe (suas) as negras mandíbulas”, o pronome “lhe” tem valor de posse. É adjunto adnominal de “man- díbulas”. a) A mãe apalpava-lhe (seu) o coração – adj. adnominal. b) Aconteceu-lhe (a ele) uma desgraça – obj. indireto. c) Tudo lhe (a ele) era indiferente – “indiferente a ele” – complemento nominal. d) Ao inimigo não lhe (a ele) rogo perdão – obj. indireto pleonástico. e) Não lhe (a ele) contei o susto por que passei – obj. indireto. 37. Resposta: C. a) Comer demais é prejudicial à saúde. – complemento nominal do adjetivo “prejudicial”. b) Jamais me esquecerei de ti. – objeto indireto, comple- mento (regido pela preposição “de”) do verbo “esque- cerei”. 226 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) c) A vida da cidade é muito agitada. – Adjunto adnominal do substantivo “vida” – vida da cidade = vida urbana. d) Ele (sujeito paciente) foi cercado de (ou por) amigos sinceros. – agente da passiva. e) Não tens interesse pelos estudos. – complemento no- minal do substantivo (abstrato e cognato de verbo) “interesse” (relação completiva: interessar-se pelos estudos). 38. Resposta: C. Observe: “... eu (sujeito simples) era (v.l.) en- fim (adj. adv.), senhores, (vocativo) uma graça de alienado (predicativo do sujeito). 39. Resposta: A. “(Eu) Acho-me (v.l.) tranquilo (predicativo do suj.) – sem desejos, sem esperanças. Ordem direta: O futuro (sujeito) não me (obj. dir.) preocupa (v.t.d.). 40. Resposta: B. a) Aquilo o dava como absolutamente incapaz para o serviço militar. – complemento nominal do adjetivo “incapaz”. b) Geraldo Viramundo continuava (v.l.) calado. (predica- tivo do suj./núcleo do predicado). Apenas um núcleo (nome): predicado nominal. c) E lá estavam eles,os profetas, assistindo imóveis ao rolar do tempos. – aposto explicativo do sujeito “eles”. d) O cego se surpreendia (v.t.i.) com o desalento de seu amigo – objeto indireto. e) Os homens (suj.) marchavam (v.i.) decididos (predica- tivo do suj.), secundados pelas mulheres. 227 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I 41. Resposta: E. Ordem direta: A tua tristeza (suj.) não é (v.l.) dele (predicativo do suj.)/ Tristeza de criança (adj. adn. de “tristeza” – tristeza de criança = tristeza pueril) / ... porque ele (suj.) não a (obj. dir.) quer (v.t.d.). 42. Resposta: B. a) Minha mãe era temente a Deus – complemento nominal do adjetivo “temente”. b) (Eu) Expus (v.t.d.i.) a Capitu (obj. ind.) a ideia de José Dias (obj. dir.) – O termo destacado é adjunto adnomi- nal do núcleo do objeto direto, o substantivo “ideia”. c) A afeição crescente (suj. paciente) era manifestada por atos extraordinários – agente da passiva. d) Poucos (pronome indefinido substantivo: núcleo do sujeito simples) teriam ânimo de confessar aquele pen- samento. e) Há (verbo impessoal, v.t.d.) cousas (obj. dir.) que não se ajustam nem combinam. 43. Resposta: C. Preferiu (v.t.d.i) a fuga (obj. dir.) ao cativeiro (obj. ind.)./ Ele (suj.) é (v.l.) rico (predicativo do suj.) em virtudes (complemento nominal do adjetivo “rico”)./ Mor- te (vocativo), onde (adj. adv.) está (v.i.) tua vitória (suj.)? 44. Resposta: E. 1. (Suj. indeterminado) Dizem (v.t.d.) por aí (adj. adv. lu- gar) tantas coisas (obj. dir.)... 2. Nesta faculdade (adj. adv. lugar), (sujeito indetermi- nado) acolhem (v.t.d.) muito bem (adj. adv. modo) os alunos (obj. direto). 228 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 3. Obedece (v.t.i.) -se (índice de indeterminação do suj.) aos mestres (obj. ind.). Nas três orações, temos sujeito indeterminado. 45. Resposta: D. a) Faltavam três dias (suj.) para o batismo. b) (Ele: suj. elíptico) Houve por improcedente a reclama- ção do aluno. c) Só me resta uma esperança (suj.). d) Havia (v.t.d.) tempo suficiente para as comemorações (obj. dir.). Lembre-se: verbo “haver” com sentido de “existir, ocorrer” é impessoal (não apresenta sujeito) e é transitivo direto. 46. Resposta: C. “Retira-te (tu: sujeito elíptico – ou oculto – determinado), criatura ávida de vingança (vocativo)!” 47. Resposta: B. Observe a ordem direta: “Lembra-me que um pobre cão (sujeito) morria envenenado na rua, ao sol de verão, certo dia.” 48. Resposta: D. “Mas uma diferença (obj. dir.) houve (v.t.d.).” Lembre-se: verbo “haver” com sentido de “existir, ocorrer” é impessoal (não apresenta sujeito) e é transitivo direto. 49. Resposta: A. “Beneditino, escreve” (verbo intransitivo: não exige complemento verbal)!”/ “De tal modo, que a imagem (suj.) fique (v.l.) nua (predicativo do suj.)”/ “E, natural, o efeito agrade, Sem lembrar (v.t.d.) os andaimes do edifício (obj. dir.).” 50. Resposta: A. “O tempo estava (verbo de ligação) de morte, de carnificina (predicativos do sujeito “tempo”)”. 229 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I 51. Resposta: A. “(Eu) Cuspi (verbo intransitivo: não exige complemento verbal) no chão (adj. adv. lugar) com um nojo desgraçado daquele sangue... (adj. adv. modo).” 52. Resposta: D. a) A criança estava (v.l.) com fome (= faminta/ predicativo do suj.). b) Pedro parece (v.l.) adoentado (predicativo do suj.). c) Ele tem andado (auxiliar + v.l.) confuso (predicativo do sujeito). d) (Ele) Ficou (verbo intransitivo) em casa (adj. adv. lugar) o dia todo (adj. adv. tempo). e) A jovem (sujeito) continua (v.l.) sonhadora (predicativo do sujeito). 53. Resposta: B. “Chamou (v.t.d.) –se (partícula apassivadora) um eletricista (sujeito. Lembre-se: por causa da partícula apassivadora, o objeto direto passa a ser o sujeito) para a instalação dos fios (adj. adv. finalidade)?” 54. Resposta: E. a) Passou (v.t.d.i) aos alunos (obj. indireto), para estudo (adj. adv. finalidade), o texto impresso (obj. dir.). b) Naquela época (adj. adv. tempo), era (v.l.) difícil (predi- cativo do suj.) viajar para a Europa (sujeito oracional). c) Em dias chuvosos (adj. adv. tempo), gosto (v.t.i.) de ler um bom livro (obj. ind.). d) Sentamo-nos (v.i.) a uma das mesas (adj. adv. lugar) e pedimos (v.t.d.) o jantar (obj. dir.). e) Amou (v.t.d.) a João (obj. dir. preposicionado) com o mais puro amor (adj. adv. modo). 230 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 55. Resposta: E. a) Comer demais é prejudicial à saúde. – complemento nominal do adjetivo “prejudicial”. b) Jamais me esquecerei de ti. – objeto indireto de “es- quecerei” (v.t.i.). c) Ele (sujeito paciente) foi cercado de (ou por) amigos sinceros – agente da passiva. d) Não tens interesse pelos estudos – complemento nominal do substantivo (abstrato, cognato de verbo) “interesse” (relação completiva: interessar-se pelos es- tudos). e) Tinha grande amor à humanidade complemento nomi- nal do substantivo (abstrato, cognato de verbo) “amor” (relação completiva: amar a humanidade). 56. Resposta: B. “(Eu) Passei (v.t.d.) o dia (obj. dir.) à toa, à toa (adj. adv. modo).”/ “(Eu) Passei (v.t.d.) a vida (obj. dir.) à toa, à toa (adj. adv. modo).” 57. Resposta: C. “Você (suj.) ficará (v.l.) tuberculoso (predica- tivo do suj.), de tuberculose (adj. adv. de causa) morrerá (v.i.).” 58. Resposta: E. “Amanhã, sábado (aposto explicativo do adjunto adverbial de tempo “Amanhã”), não (adj. adv., negação) sairei (v.i.) de casa (adj. adv. lugar)”: 59. Resposta: D. “(Nós) Voltaremos (verbo intransitivo) pela Via Anhanguera (por onde? – adj. adv. lugar).” 231 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I 60. Resposta: B. “Ninguém (suj.) parecia (v.l.) disposto (pre- dicativo do suj.) ao trabalho (complemento nominal do adjetivo “disposto”) naquela manhã de segunda-feira (adj. adv. tempo).” 61. Resposta: A. Observe a divisão das orações: “Todas as cartas / que (= as quais – pronome relativo) me enviam/ chegam com algum atraso”. Portanto, temos duas orações: 1. Todas as cartas (suj.) chegam (v.i.) com algum atraso (adj. adv. modo = conectivo + adj. adn. + núcleo do adj. adv.); 2. ... que (o pronome relativo substitui o termo “as cartas”) me enviam = as cartas me enviam/ Ordem direta: Enviam-me as cartas. Assim: (Sujeito indeterminado) En- viam (v.t.d.i.) –me (= a mim/obj. ind.) as cartas (obj. dir.: que substitui obj. direto “as cartas”; logo, que = obj. dir.). 62. Resposta: B. Observe a transitividade verbal: “Diante do aumento da população de idosos, a sociedade brasileira começa a tomar consciência de que a questão exige uma política social imediata e enérgica que permita não só ampará-los (v.t.d.) e dar-lhes (v.t.d.i.) condições de sobre- vivência, mas reintegrá-los (v.t.d.) à comunidade e à força produtiva, devolvendo-lhes (v.t.d.i.) a completa dimensão de cidadania.” 63. Resposta: E. Em todas as opções, a palavra que retoma o antecedente (barbeiro, ocasião, outro freguês, cortina de chita), exceto na opção E. Nela, temos conjunção integrante. 64. Resposta: E. Observe a correção: “Pedimos a (1) todas as outras funcionárias que saíssem (2). Saia (3) você também; senão (4) vão dizer que a (5) tratamos injustamente” (O verbo “tratar” é transitivo direto, portanto não admite o pronome lhe na substituição lexical). 232 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 65. Resposta: C. Observe: a) Infelizmente não deu para EU opinar sobre o programa; b) Não O vi ontem no bloco dos honestos; c) Sem mim, vocês não conseguem descobrir os corrup- tos; d) Fiquei fora de MIM quando vi tantos dólares. 66. Resposta: E. Observe: a) O chefe convocou-O durante a reunião; b) Chegouuma ordem para EU comparecer à secretaria; c) Mandaremos os produtos para TU analisares a quali- dade; d) Busquei-AS no serviço de almoxarifado; e) Entreguei-lhe o envelope fechado ontem mesmo. 67. Resposta: B. Em “nós merecemo-la”, o verbo merecer é transitivo direto. Preferível: Nós a merecemos. 68. Resposta: A. Com o pronome de tratamento, a concordân- cia será sempre feita com a terceira pessoa. Outro detalhe: se se fala da pessoa, usa-se a forma Sua; se se fala com a pessoa, usa-se a forma Vossa. Portanto: a) Pela presente, enviamos a V. S.a a relação de seus dé- bitos e solicitamos-lhe a gentileza de saldá-los com urgência; b) Sua Alteza Real, o Príncipe de Gales, virá ao Brasil para participar da ECO – 92; c) Vossa Santidade pode ter a certeza de que sua presença entre nós é motivo de júbilo e de místico fervor; 233 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I d) Solicito a V. Exa. dignar-se aceitar as homenagens de- vidas, por justiça, a quem tanto engrandeceu a pátria. 69. Resposta: C. Se o verbo apresenta a terminação R, S ou Z, os pronomes assumem as modalidades LO, LA, LOS, LAS: Mandamos as crianças saírem./ Mandamo-las sair. Melhor ainda: Nós as mandamos sair. 70. Resposta: B. O pronome “todo” traduz a ideia de indefi- nição. 71. Resposta: B. Cuidado com o sinal de nasalização: Chama- ram-no para assumir... (forma correta). 72. Resposta: D. Quem vota, vota EM alguém. Portanto: Os candidatos NOS quais votaremos preenchem os requisitos para o cargo. 73. Resposta: B. Pronome adjetivo é aquele que acompanha o substantivo. É o que acontece na opção A: “Poderíamos reconhecê-lo como um dos nossos mártires.” 74. Resposta: A. Em “Os outros é que me chamam de Zé.” a palavra grifada traduz a ideia de indefinição e é sujeito do verbo chamam. 75. Não confunda advérbio de intensidade e pronome indefini- do. Em “Seria vista mais animação, se houvesse disciplina”, a palavra “mais” acompanha o substantivo “animação”. Portanto, temos adjunto adnominal (= pronome indefini- do) girando em torno do núcleo do sujeito. 76. Resposta: B. “O presidente não recebeu ninguém (pronome indefinido substantivo), não havia nenhuma fotografia 234 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) (pronome adjetivo indefinido: acompanha o substantivo) sorridente dele, nenhuma frase (pronome adjetivo indefi- nido: acompanha o substantivo) imortal, nada (pronome indefinido substantivo) que fosse supimpa.” 77. a) Encontraram-NO; b) Arrancara-A do peito; c) A disposição das plantas não O permite. 78. Resposta: B. O lhe é adjunto adnominal quando apresenta valor de pronome possessivo. Observe: a) “... anunciou-lhe (obj. ind.): ‘Filho, amanhã vais comi- go’.”; b) O peixe cai-lhe na rede (cai na sua rede/ adjunto ad- nominal); c) Ao traidor, não lhe (objeto indireto) perdoaremos ja- mais; d) Comuniquei-lhe (objeto indireto) o fato ontem pela manhã; e) Sim, alguém lhe (objeto indireto) propôs emprego. 79. Resposta: C. a) Deixou – O sair; b) Mandou-O ficar de guarda; c) Permitiu-lhe (permitiu a ele) ficar de guarda; d) Procuram-NO por toda a parte. 80. Resposta: E. “Era para EU falar COM ELE ontem, mas não O encontrei em parte alguma.” Lembre-se de que o verbo “encontrar” é transitivo direto, portanto não admite o pronome “lhe” na substituição lexical. 81. Resposta: A. Eu ofereço esse livro para TI ou para VOCÊ. 82. Resposta: B. 235 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I I. De presente, deu-lhe um livro para ela (sujeito) ler du- rante as férias; II. De presente, trouxe um livro para MIM (observe a pre- posição); III. Nada mais há entre MIM e você; IV. Sempre houve entendimentos entre MIM e ti; V. José, espere. Vou COM VOCÊ. Lembre-se: consigo tem valor reflexivo: Ele falava consigo (com ele mesmo). 83. Resposta: D. Se é para EU (sujeito) dizer o que penso, creio que a escolha se dará entre MIM e TI. (A preposição rege os dois pronomes.) 84. Resposta: E. Veja as possibilidades: I. O lugar onde/no qual/em que moro é muito pequeno; II. Esse foi o número de que/do qual gostei mais; II. O filme cujo enredo é fraco, tem dado grande prejuízo. Atenção: o pronome “cujo” não admite artigo anteposto nem posposto. 85. Resposta: A. Observe: I. O diretor deixou as provas para EU (sujeito) revisar; II. Este assunto fica só entre MIM e você; II. Juca, espere, tenho que falar COM VOCÊ. 86. Resposta: E. Em: “... encara a arte e o (= aquilo) que esta implica...” e “... de que ele é o primeiro símbolo...”, os dois elementos sublinhados são respectivamente um pronome demonstrativo e um artigo definido. 236 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 87. Resposta: A. Observe: a) É um cidadão em cuja honestidade se pode confiar (quem confia confia em algo); b) Feliz o pai cujos (dispensa o artigo) filhos são ajuiza- dos; c) Comprou uma casa maravilhosa, que/a qual lhe custou uma fortuna; d) Preciso de um pincel delicado, sem o qual não poderei terminar meu quadro; e) Os jovens, com cujos pais conversei (quem conversa conversa com alguém), prometeram mudar de atitude. 88. Resposta: C. “As mulheres, DE cujos olhos as lágrimas caíam (o que cai cai de algum lugar, ou seja, dos olhos), assistiam a uma cena de que não gostavam (quem não gosta não gosta de algo).” 89. Resposta: B. Correções: I. Não há mais ciúmes entre MIM e ele; II. Perante MIM e vós o juiz a declarou culpada; III. Papai deu o carro para EU dirigir; IV. Contra os alunos e MIM, estava o chefe da coordena- doria; V. Sem você e MIM, ninguém fará nada correto. 90. Resposta: B. “Um jornal diário tem posto em prática, há bastantes meses (o pronome acompanha o substantivo), uma grande parte das correções e simplificações que de- fendo aqui.” 237 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I 91. Resposta: B. I. Chegaram várias cartas, mas não havia nenhuma para MIM; II. Não é tarefa para MIM desenvolver este tema. (Coloque na ordem direta: Desenvolver este tema não é tarefa para mim); III. Este tema não é tarefa para EU (sujeito) desenvolver por enquanto; IV. É mais fácil para MIM acreditar nessa história do que para ele (Coloque na ordem direta: Acreditar nessa história é mais fácil para mim do que para ele). 92. Resposta: B. I. É muito difícil para MIM escrever-lhe diariamente (Co- loque na ordem direta: Escrever-lhe diariamente é muito difícil para mim); II. Eles chegaram a discutir entre SI mas não brigaram; III. Percebi que o plano era para EU (sujeito) desistir do jogo; IV. Passeando pelo jardim, o velho falava CONSIGO (com ele mesmo), murmurando frases confusas. 238 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) NÍVEL 2 1. CN 2. CN 3. AA 4. CN 5. AA 6. CN 7. CN 8. AA/AA 9. CN/AA 10. CN 11. AA 12. CN 13. AA 14. CN/AA 15. CN/AA 16. CN 17. AA 18. AA/CN 19. AA 20. CN 21. CN/CN 22. CN 23. AA 24. CN/AA/CN 25. CN/CN 26. AA/AA 27. AA/CN 28. CN 29. CN 30. CN/AA 31. AA/CN/AA 32. CN/AA 33. AA 34. CN/CN 35. CN 36. CN 37. AA 38. AA/AA 39. CN/AA 40. AA 41. CN/CN 42. CN 43. CN 44. CN/AA 45. CN/AA 46. CN/AA 47. CN 48. AA 49. AA/CN 50. AA/CN NÍVEL 3 1. E (sujeito: As mortes). 2. C (adjunto adnominal). 3. C (adjunto adverbial deslocado + pontuação). 4. C (adjunto adverbial). 5. C (núcleo do sujeito – concordância). 6. C (regência). 7. E (referente: O Programa). 8. E (função dêitica). Indica o tempo de quem redige. 9. C (aposto). 10. C (elipse). 11. C (que – função sujeito). Retoma “outras pessoas”. 12. D 13. D 239 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I 14. C (sujeito: uma sessão de julgamentoda Comissão de Anistia). 15. E (cujo relaciona “resultado” e “uma sessão de julga-mento da Comissão de Anistia”.) 16. C (referente que como sujeito da oração). 17. E (concordância do sujeito com o verbo). “A visão cristã tem” (sem acento). 18. C 19. E (concordância sujeito / predicativo). “Os passeios são...” 20. E (sujeito oracional: “Caminhar faz”.) 21. C 22. C (aposto) 23. E (“que tomou” é adjunto adnominal oracional de “medi- das”.) 24. C (referente). 25. C (complemento nominal). 26. E (adjunto adnominal). Retoma “diálogo cognitivo”. 27. E (sujeito). Sintaticamente, retoma apenas “os conteúdos”. 28. C 29. C (coesão). 30. E (função anafórica). Retoma “avenida Paulista”. 31. E (sujeito). Concorda com “Construções e usos de interesse particular”. 241 Capítulo 4 VERBO (VOZES VERBAIS, PREDICADOS E FLEXÕES) TEXTO I Leia o texto a seguir para responder à questão 1. Água viva (fragmento) Sinta-se bem. Eu na minha solidão quase vou explodir. Morrer deve ser uma muda explosão interna. O corpo não aguenta mais ser corpo. E se morrer tiver o gosto de comida quando se está com muita fome? E se morrer for um prazer, egoísta prazer? Ontem eu estava tomando café e ouvi a empregada na área de serviço a pendurar roupa na corda e a cantar uma melodia sem palavras. Espécie de cantilena extremamente plangente. Perguntei-lhe de quem era a canção, e ela respondeu: é boba- gem minha mesmo, não é de ninguém. Sim, o que te escrevo não é de ninguém. E essa liberdade de ninguém é muito perigosa. É como o infinito que tem cor de ar. Clarice Lispector 242 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) QUESTÃO 1 Julgue os itens a seguir: 1) Em “Eu na minha solidão quase vou explodir”, o verbo destacado não apresenta a primeira pessoa do singular do presente do indicativo e é, portanto, defectivo. (p. 246) 2) No trecho “Morrer deve ser uma muda explosão interna”, o verbo destacado pode apresentar, dependendo do con- texto, dois particípios: morrido e morto. (p. 247) 3) Em “Ontem, eu estava tomando café”, destacou-se uma locução verbal, caracterizando, portanto, período simples e oração absoluta. (p. 248) 4) No trecho “... e ouvi a empregada na área de serviço a pendurar roupa na corda”, destacaram-se verbos regula- res. (p. 249) 5) Em “Perguntei-lhe de quem era a canção, e ela respondeu: é bobagem minha mesmo, não é de ninguém”, os verbos destacados encontram-se flexionados no mesmo tempo e modo verbais. (p. 249) TEXTO II Leia o texto a seguir para responder à questão 2. A indústria moderna tem produzido uma quantidade impressionante de substâncias e artigos de maior ou menor toxicidade, como vernizes, lacas, tintas, pesticidas, inseticidas, detergentes etc., e até aerossóis. Neles se encontram compos- tos e elementos químicos, como sulfetos, óxido de nitrogênio, monóxido de carbono, nitratos, fluoretos, sulfatos, derivados de petróleo, cloro ou fósforo. Grande parte dessas substân- cias é lançada diretamente na água ou no ar, ou se acumula no solo, de onde passa para organismos vivos e vão atingir populações humanas. Revista Globo Ciência 243 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I QUESTÃO 2 Julgue os itens a seguir: 1) O primeiro período do texto apresenta voz passiva ana- lítica. (p. 252) 2) Em “Neles se encontram compostos e elementos quími- cos” (l. 4-5), temos exemplo de voz passiva com sujeito composto. (p. 253) 3) Reescrevendo o trecho “Grande parte dessas substâncias é lançada diretamente na água ou no ar” (l. 7-8) na voz ativa, obtém-se: Lançam grande parte dessas substâncias diretamente na água ou no ar. (p. 253) 4) Em “... ou se acumula no solo” (l. 8-9), temos exemplo de voz passiva sintética ou pronominal. (p. 253) TEXTO III Leia o texto a seguir para responder à questão 3. Facultativo (...) Saberão os groelandeses o que seja ponto facultativo? (Os brasileiros sabem). É descanso obrigatório, no duro. João Brandão, o de alma virginal, não entendia assim, e lá um dia em que o Departamento Meteorológico anunciava “céu azul, praia, ponto facultativo”, não lhe apetecendo a casa nem as atividades lúdicas, deliberou usar de sua “faculdade” de as- sinar o ponto no Instituto Nacional da Goiaba, que como é do domínio público, estuda as causas da inexistência dessa matéria-prima na composição das goiabadas. Hoje deve haver menos gente por lá, conjeturou, ótimo, porque assim trabalho à vontade. Nossas repartições atingiram 244 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) tal grau de dinamismo e fragor, que chega a ser desejável o não-comparecimento de 90 por cento dos funcionários, para que os restantes possam, na calma, produzir um bocadinho. E o inocente João via no ponto facultativo essa virtude de afastar os menos diligentes, ou os mais futebolísticos, que cediam lugar à turma dos “caxias”. Encontrou cerradas as grandes portas de bronze, ouro e pórfiro, e nenhum sinal de vida nos arredores. Nenhum – a não ser aquele gato que se lambia à sombra de um tinhorão. João Brandão tentou forçar as portas, mas as portas man- tiveram-se surdas e nada facultativas (...) João decidiu-se a penetrar no edifício, galgando-lhe a fachada e utilizando a vidraça que os serventes sempre deixam aberta, na previsão de casos como esse, talvez. E começava a fazê-lo, com a tei- mosia calma dos Brandões, quando um vigia brotou da grama e puxou-o pela perna. – Desce daí, moço. Então não está vendo que é dia de descansar? – Perdão, é dia em que se pode ou não descansar, e eu estou com o expediente atrasado (...) – Mas, e o senhor por que então está vigiando, se é dia de descanso? – Estou aqui porque a patroa me escaramuçou, dizendo que não quer vagabundo em casa. Não tenho para onde ir, tá bem? João Brandão aquiesceu, porque o outro, pelo tom de voz, parecia disposto a tudo, inclusive a trabalhar de braço, a fim de impedir que ele trabalhasse de pena. Era como se o vigia lhe dissesse: “Veja bem, está estragando meu dia. Então não sabe o que quer dizer facultativo?” DRUMOND DE ANDRADE. Carlos. “Facultativo” In: Carlos Drummond de Andrade – poesia e prosa. Rio de Janeiro. Editora Nova Aguilar 245 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I QUESTÃO 3 Julgue os itens a seguir quanto à transitividade dos verbos destacados: 1) “Saberão os groelandeses o que seja ponto facultativo?” (l. 1) – transitivo direto. (p. 254) 2) “É descanso obrigatório, no duro” (l. 2) – verbo de ligação. (p. 254) 3) “... não lhe apetecendo a casa nem as atividades lúdicas” (l. 5-6) – transitivo direto e indireto. (p. 254) 4) “... Instituto Nacional da Goiaba (...) estuda as causas da inexistência dessa matéria-prima na composição das goia- badas” – transitivo direto e indireto. (p. 254) 5) “Hoje deve haver menos gente por lá” (l. 10) – intransitivo. (p. 254) 6) “... para que os restantes possam, na calma, produzir um bocadinho” (l. 13-14) – transitivo direto. (p. 254) 7) “João Brandão aquiesceu, porque o outro, pelo tom de voz, parecia disposto a tudo” (l. 37-38) – intransitivo. (p. 254) QUESTÃO 4 Julgue os itens a seguir, considerando a classificação dos predicados destacados: 1) “João Brandão tentou forçar as portas” (l. 21) – predicado verbal. (p. 256) 2) “... mas as portas mantiveram-se surdas e nada faculta- tivas” (l. 21-22) – predicado verbo-nominal. (p. 256) 3) “... que os serventes sempre deixam aberta” (l. 24) – pre- dicado verbal. (p. 256) 246 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 4) “– Desce daí, moço.” (l. 28) – predicado nominal. (p. 256) 5) “– Mas, e o senhor por que então está vigiando...” (l. 32) – predicado nominal. (p. 256) 6) “... o outro, pelo tom de voz, pareciadisposto a tudo” (l. 37-38) – predicado nominal. (p. 256) RESOLUÇÕES COMENTADAS QUESTÃO 1 1) Verdadeiro. Presente do indicativo do verbo “explodir”: eu ..., tu explodes, ele explode, nós explodimos, vós explodis, eles explodem. O verbo é irregular e defectivo (prefira), embora alguns dicionaristas e estudiosos da língua de- fendam as formas “eu explodo” e “eu expludo” (Evite!). LEMBRE-SE Os verbos exprimem processos (ação, estado, fenômeno, mudança, etc.). Ex.: O juiz condenou o réu com severidade. A música baiana parece interessante. Esse fato ocorreu naquela praça misteriosa. CLASSIFICAÇÃO • Regular – É aquele cujo radical é invariável e segue o paradigma de sua conjugação. Ex.: estudar, trabalhar, compreender, entender, definir, partir. • Irregular – Apresenta variação no radical ou no para- digma de terminações. ATENÇÃO: Essa alteração deve ser gráfica e fonética ao mesmo tempo. Compare: – Estudar – Eu estudo (regular: sem alterações radical/ terminações.) – Agir – Eu ajo (regular: houve alteração gráfica, mas não fonética no radical.) 247 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I – Medir – Eu meço (irregular: houve alteração gráfica e fonética, ao mesmo tempo, no radical.) – Estar – Eu estou (irregular: houve alteração gráfica e fonética no paradigma de terminações.) Compare: AMAR: Eu amo. (regular) OBSERVAÇÃO Segundo a NGB (Nomenclatura Gramatical Brasileira), quando os verbos apresentam transformações profundas no radical, são chamados de anômalos: – ser: sou, era, fui – ir: vou, irei, fora • Defectivo – É o verbo que não é conjugado em todas as formas: Ex.: falir, abolir, reaver, precaver-se, colorir, remir, des- comedir-se, feder. 2) Verdadeiro. ABUNDANTE – É o verbo que possui duas ou mais formas equivalentes. Os verbos da coluna 1 são usados com os auxiliares TER e HAVER. Os verbos da coluna 2 são usados com os auxiliares SER e ESTAR. Coluna 1 Coluna 2 (havia/tinha) aceitado (foi, está) aceito, aceite entregado entregue enxugado enxuto expressado expresso expulsado expulso isentado isento matado morto salvado salvo soltado solto 248 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) vagado vago acendido aceso benzido bento elegido eleito incorrido incurso morrido morto rompido roto suspendido suspenso emergido emerso exprimido expresso extinguido extinto frigido frito imergido imerso imprimido impresso inserido inserto omitido omisso submergido submerso 3) Verdadeiro. Diz-se que há locução verbal quando duas ou mais formas verbais ocorrem para expressar apenas um processo verbal, ou seja, uma unidade semântica e sintá- tica. Na locução, haverá sempre um verbo principal – que será sempre o último e estará no infinitivo, gerúndio ou particípio – e um ou mais verbos auxiliares, que indicarão o tempo e o modo verbais. Ex.: Eu estava tomando café. Estou escrevendo uma peça inédita! O médico há de agir com ética. Os políticos estão querendo enganar o povo. 249 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I ATENÇÃO NÃO FORMAM LOCUÇÃO VERBAL VERBOS CAUSATI- VOS E SENSITIVOS + INFINITIVO Esses verbos não são considerados, nessa estrutura, auxiliares. Chamam-se causativos os que indicam que a ação expres- sa pelo outro verbo foi determinada ou causada por eles: mandar, deixar e fazer. Ex.: Eu o deixei / chorar. Chamam-se sensitivos os que indicam que a ação seguinte foi percebida sensorialmente: ver, ouvir e sentir. Ex.: Nós a vimos / esconder um objeto na bolsa. Nada impede que outros auxiliares formem locução com esses seis verbos. Ex.: Procurei fazer a coisa certa. Aux. Principal 4) Falso. O verbo “ouvir” já apresenta irregularidade na 1ª pessoa do singular do presente do indicativo: eu ouço (variação gráfica e fonética no radical). Reveja os comen- tários do item 2. 5) Falso. “Perguntei” e “respondeu” correspondem ao pre- térito perfeito do indicativo (tempo primitivo); “era” cor- responde ao pretérito imperfeito do indicativo (tempo derivado) e “é” corresponde ao presente do indicativo (tempo primitivo). Que história é essa de TEMPOS PRIMITIVOS E DERIVA- DOS? São considerados tempos primitivos: o presente do indica- tivo, o pretérito perfeito do indicativo e o infinitivo impessoal. Os demais tempos são derivados desses três. 250 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) Tempos derivados do presente Pres. Ind. Imper. Afirm. Pres. Subj. Imper. Neg. Estudo estude Estudas estuda tu estudes não estudes Estuda estude você estude não estude Estudamos estudemos nós estudemos não estudemos Estudais estudai vós estudeis não estudeis Estudam estudem vocês estudem não estudem Formação do imperativo Da 1ª pessoa do singular do presente do indicativo for- ma-se o presente do subjuntivo. A 2ª pessoa do singular e a 2ª pessoa do plural do imperativo afirmativo vêm do presente do indicativo menos o s. As demais pessoas do imperativo afirmativo e todas as pessoas do imperativo negativo originam-se do presente do subjuntivo. Tempos derivados do pretérito perfeito Pret.perf. Pret.mais-que- perf. Ind. Fut. subj. Pret.imperf. subj. Cantei cantara cantar Cantasse Cantaste cantaras cantares Cantasses Cantou cantara cantar Cantasse Cantamos cantáramos cantarmos Cantássemos Cantastes cantáreis cantardes Cantásseis Cantaram cantaram cantarem Cantassem Veja: Eles cantaram. – M: cantara Pret. mais-que-perf. ind. – AM: cantar Fut. subj. – RAM + SSE: cantasse Pret. imperf. subj. 251 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I Tempos derivados do infinitivo Infinitivo impessoal: levar Futuro do presente Futuro do pretérito levarei Levaria levarás Levarias levará Levaria levaremos Levaríamos levareis Levaríeis levarão Levariam Tempos derivados do pretérito perfeito do indicativo Alguns verbos irregulares (ver, vir, pôr e ter), que servem de modelo para outros derivados, apresentam dificuldades de conjugação, principalmente nos tempos derivados do pretérito perfeito do indicativo. Veja o quadro abaixo: Verbo Tema do perf. Pret. mais-que perf. Imperf. subj. Fut. subj. Ver vi vira visse vir Vir vie viera viesse vier Pôr puse pusera pusesse puser Ter tive tivera tivesse tiver OBSERVAÇÕES • Conjugam-se como o verbo ver: antever, entrever, prever e rever. • Conjugam-se como o verbo vir: advir, convir, desavir, antevir, intervir, provir e sobrevir. • Conjugam-se como o verbo pôr: repor, propor, antepor, compor, etc. • Conjugam-se como o verbo ter: reter, conter, ater, en- treter, etc. 252 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) QUESTÃO 2 1) Falso. Em “A indústria moderna (sujeito) tem produzido (auxiliar + v.t.d.) uma quantidade impressionante de subs- tâncias e artigos de maior ou menor toxicidade (objeto direto)”, temos exemplo de voz ativa. LEMBRE-SE Só existirá objeto direto na voz ativa. Na transposição para a voz passiva, o objeto direto passará a funcionar como sujeito. Essa transposição é uma das formas de se fazer PARÁFRASE: o texto é reescrito sem que haja prejuízo semântico. Observe: “Uma quantidade impressionante de substâncias e artigos de maior ou menor toxicidade (sujeito) tem sido produzida pela indústria moderna.” (voz passiva analítica). O que é necessário saber sobre VOZES VERBAIS? • Voz ativa: sujeito AGENTE (executa ou pratica a ação que o verbo ou a locução verbal exprime). Ex.: Ele derrubou a casa. Explicaram o problema ao mendigo. O moço havia encontrado as esmeraldas. • Voz passiva analítica (com auxiliar): sujeito PACIENTE (recebe ou sofre a ação que o verbo ou a locução verbal exprime)Ex.: A casa foi derrubada por ele. (Agente da passiva) O problema foi explicado ao mendigo. As esmeraldas foram encontradas pelo moço. (Agente da passiva) A chácara estava cercada de cães. (Agente da passiva) • Voz passiva sintética ou pronominal: v.t.d. (ou v.t. d.i.) + partícula apassivadora. Ex.: Derrubou-se a casa. (Sujeito paciente: a casa; verbo derrubar (v.t.d.) na voz passiva pronominal) 253 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I Planejaram-se muitas aulas. (Sujeito paciente plural: muitas aulas; verbo planejar (v.t.d.) na voz passiva pronominal concordando com o sujeito) Informou-se o problema ao público. (Sujeito pacien- te singular: o problema; objeto indireto: ao público; verbo informar (v.t.d.i) na voz passiva pronominal) 2) Verdadeiro. “Neles se (partícula apassivadora) encontram (verbo transitivo direto) compostos e elementos químicos (sujeito composto)”. LEMBRE-SE Só será possível transpor para a voz passiva verbos tran- sitivos diretos ou transitivos diretos e indiretos. Reveja os comentários da questão anterior. 3) Verdadeiro. Observe que em “Grande parte dessas subs- tâncias (sujeito) é lançada (por quem?) diretamente na água ou no ar (adj. adv. lugar)” o agente da passiva está inde- terminado. Transpondo para a voz ativa, o sujeito passa a funcionar como objeto direto, e o agente da passiva passa a funcionar como sujeito. Como o agente da passiva está indeterminado, o sujeito, na voz ativa, também ficará inde- terminado: Lançam (v.t.d) grande parte dessas substâncias (objeto direto) diretamente na água ou no ar (adj. adv. lugar). 4) Verdadeiro. Observe: “... ou (grande parte dessas subs- tâncias) se acumula no solo...”. Veja se assim fica mais fácil: “Acumula (v.t.d.) -se (partícula apassivadora) grande parte dessas substâncias (sujeito) no solo (adj. adv. lugar)”. Essa é a voz passiva sintética ou pronominal. Na voz pas- siva analítica, temos: “Grande parte dessas substâncias é acumulada no solo”. QUESTÃO 3 Antes de responder aos itens, é necessário que você do- mine a MORFOSSINTAXE DO VERBO. O VERBO, palavra que indica processo (ação, estado, fenô- meno, mudança e outros), constitui uma palavra nuclear. Não 254 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) se esqueça de que o VERBO DE LIGAÇÃO jamais funcionará como núcleo do predicado, pois sua função é somente ligar o sujeito ao predicativo. Predicação (ou Regência) verbal é o nome que se dá ao tipo de conexão que há entre o sujeito e o verbo, entre o verbo e os complementos. Por isso, caro (a) estudante, a classificação do verbo de- pende do seu emprego no contexto intraoracional. Alguns exemplos: – Ele está decepcionado. (VERBO DE LIGAÇÃO) – Ela estava comigo. (VERBO INTRANSITIVO – Não existe predicativo do sujeito.) – Choveu muito ontem. (VERBO INTRANSITIVO) – Deus choverá bênçãos. (VERBO TRANSITIVO DIRETO) – Eu obedeço aos meus superiores. (VERBO TRANSITIVO INDIRETO) – O homem deu tudo aos pobres. (VERBO TRANSITIVO DIRETO E INDIRETO) Quanto aos itens propostos, observe: 1) Verdadeiro. “Saberão (v.t.d.) os groelandeses (sujeito) o que seja ponto facultativo? (obj. direto)” 2) Verdadeiro. “(Ponto facultativo – sujeito elíptico) É (v. de liga- ção) descanso obrigatório (predicativo do sujeito), no duro”. 3) Falso. “... não lhe (obj. indireto) apetecendo (v.t.i) a casa nem as atividades lúdicas (sujeito)”. 4) Falso. Instituto Nacional da Goiaba (sujeito) estuda (v.t.d.) as causas da inexistência dessa matéria-prima na compo- sição das goiabadas (objeto direto)”. 5) Falso. “Hoje deve haver (v.t.d) menos gente (obj. direto) por lá”. 6) Verdadeiro. “... para que os restantes (sujeito) possam, na calma, produzir (v.t.d.) um bocadinho (obj. direto)”. 7) Verdadeiro. “João Brandão aquiesceu (verbo intransitivo: não exige complemento verbal), porque o outro, pelo tom de voz, parecia disposto a tudo”. 255 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I QUESTÃO 4 A CLASSIFICAÇÃO DO PREDICADO depende do tipo de verbo que ele contém. PREDICADO VERBAL é todo predicado que apresenta verbo significativo (VTD/ VTI/ VI), isto é, verbo que in- dica ação, fato ou fenômeno. As ruas escalavam íngremes ladeiras. suj. v.t.d. o.d. predicado verbal PREDICADO NOMINAL é o predicado que não apresenta verbo significativo e sim verbo de ligação. A plateia permaneceu absolutamente quieta. suj. v. lig. predicativo do suj. predicado nominal IMPORTANTE Só existirá verbo de ligação se existir predicativo do su- jeito. – Eu estava eufórico. (estava = verbo de ligação/ eufórico = predicativo do sujeito) – Eu estava contigo. (estava = verbo intransitivo/ contigo = adjunto adverbial de companhia) Principais verbos de ligação: ser, estar, parecer, permane- cer, continuar, ficar, tornar-se, achar-se, cair, virar, andar, etc. PREDICADO VERBO-NOMINAL é um predicado misto, que surge da fusão de um predicado verbal (que sempre tem verbo significativo) com um predicado nominal (que sempre tem predicativo). 256 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) O predicado verbo-nominal pode apresentar-se sob duas estruturas diferentes: Verbo significativo + predicativo do sujeito O tenista abandonou a quadra irritado. v. sign. predicativo do suj. predicado verbo-nominal Verbo significativo + predicativo do objeto O médico julgou desnecessária a cirurgia. v. sign. predicativo do obj. predicado verbo-nominal Sendo assim, os itens propostos apresentam as seguintes respostas: 1) Verdadeiro. “João Brandão tentou forçar (auxiliar + v.t.d.) as portas” – predicado verbal. 2) Verdadeiro. “... mas as portas mantiveram (v.t.d.) -se (obj. direto reflexivo) surdas e nada facultativas (predicativo do objeto)” – predicado verbo-nominal. 3) Falso. “... que (= a vidraça) os serventes sempre deixam (v.t.d.) aberta (predicativo do objeto)” – predicado verbo- -nominal. 4) Falso. “– Desce (verbo intransitivo) daí, moço.” (l. 28) – predicado verbal. 5) Falso. “– Mas, e o senhor por que então está vigiando (auxiliar + verbo intransitivo)” – predicado verbal. 6) Verdadeiro. “... o outro (sujeito), pelo tom de voz, parecia (v. de ligação) disposto a tudo (predicativo do suj.)” – pre- dicado nominal. 257 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I VERBOS QUE VOCÊ DEVERÁ SEMPRE LEMBRAR Segue uma LISTA DE VERBOS cuja conjugação pode sus- citar dúvidas. • APROPINQUAR – presente do indicativo: apropínquo, apropínquas, apropínqua, apropinquamos, apropinquais, apro- pínquam. – pretérito perfeito do indicativo: apropinquei, apro- pinquaste, apropinquou, apropinquamos, apropin- quastes, apropinquaram. • ABOLIR (defectivo) – presente do indicativo: aboles, abole, abolimos, abo- lis, abolem. – pretérito perfeito do indicativo: aboli, aboliste, abo- liu, abolimos, abolistes,aboliram. Conjugam-se da mesma forma: banir, carpir, colorir, demolir, descomedir-se, exaurir, fremir, fulgir, haurir, retorquir, urgir. • ACUDIR (alternância vocálica) – presente do indicativo: acudo, acodes, acode, acudi- mos, acudis, acodem. – pretérito perfeito do indicativo: acudi, acudiste, acudiu, acudimos, acudistes, acudiram. Assim se conjugam: bulir, consumir, cuspir, engolir, fugir • ADEQUAR (defectivo) Alguns dicionaristas e gramáticos defendem as formas “adéquo, adéquas, adéqua, adequamos, adequais, adé- quam”. Cuidado: trata-se de ponto divergente. Prefira: – presente do indicativo: adequamos, adequais. – pretérito perfeito do indicativo: adequei, adequaste, adequou, adequamos, adequastes, adequaram. 258 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (DoBásico ao Avançado) • ADERIR (alternância vocálica) – presente do indicativo: adiro, aderes, adere, aderi- mos, aderis, aderem. – pretérito perfeito do indicativo: aderi, aderiste, ade- riu, aderimos, aderistes, aderiram. Conjugam-se da mesma forma: advertir, cerzir, digerir, divergir, ferir, despir, deferir, sugerir. • AGIR (acomodação gráfica) – presente do indicativo: ajo, ages, age, agimos, agis, agem. – pretérito perfeito do indicativo: agi, agiste, agiu, agi- mos, agistes, agiram. Assim se conjugam: afligir, coagir, erigir, espargir, re- fulgir, restringir, transigir, surgir. • ATRIBUIR (irregular) – presente do indicativo: atribuo, atribuis, atribui, atri- buímos, atribuís, atribuem. – pretérito perfeito do indicativo: atribuí, atribuíste, atribuiu, atribuímos, atribuístes, atribuíram. Assim se conjugam: afluir, concluir, destituir, excluir, possuir, instruir, usufruir. • AGREDIR (alternância vocálica) – presente do indicativo: agrido, agrides, agride, agre- dimos, agredis, agridem. – pretérito perfeito do indicativo: agredi, agrediste, agrediu, agredimos, agredistes, agrediram. Assim se conjugam: prevenir, progredir, regredir, trans- gredir. • AGUAR – presente do indicativo: águo, águas, água, aguamos, aguais, águam – pretérito perfeito do indicativo: aguei, aguaste, aguou, aguamos, aguastes, aguaram. Assim se conjugam: desaguar, enxaguar, minguar. 259 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I • APIEDAR-SE (pronominal) – presente do indicativo: apiedo-me, apiedas-te, apie- da-se, apiedamo-nos, apiedais-vos, apiedam-se. – pretérito perfeito do indicativo: apiedei-me, apie- daste-te, apiedou-se, apiedamo-nos, apiedastes-vos, apiedaram-se. • APRAZER (irregular) – presente do indicativo: aprazo, aprazes, apraz, apra- zemos, aprazeis, aprazem. – pretérito perfeito do indicativo: aprouve, aprouveste, aprouve, aprouvemos, aprouvestes, aprouveram. • ARGUIR (irregular com alternância vocálica) – presente do indicativo: arguo (ú), arguis, argui, ar- guimos, arguis, arguem. – pretérito perfeito do indicativo: argui, arguiste, ar- guiu, arguimos, arguistes, arguiram. • ATRAIR (irregular) – presente do indicativo: atraio, atrais, atrai, atraímos, atraís, atraem. – pretérito perfeito do indicativo: atrai, atraíste, atraiu, atraímos, atraístes, atraíram. Como este se conjugam: abstrair, cair, distrair, subtrair, sair. • AVERIGUAR (alternância fonética) – presente do indicativo: averiguo (ú), averiguas (ú), averigua (ú), averiguamos, averiguais, averiguam (ú). – pretérito perfeito do indicativo: averiguei, averiguas- te, averiguou, averiguamos, averiguastes, averiguaram Assim se conjugam: apaziguar, obliquar. • CABER (irregular) – presente do indicativo: caibo, cabes, cabe, cabemos, cabeis, cabem. – pretérito perfeito do indicativo: coube, coubeste, coube, coubemos, coubestes, couberam. 260 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) • CEAR (irregular) – presente do indicativo: ceio, ceias, ceia, ceamos, ce- ais, ceiam. – pretérito perfeito do indicativo: ceei, ceaste, ceou, ceamos, ceastes, cearam. Assim se conjugam os verbos terminados em ear: pas- sear, pentear, frasear, recear, etc. • COMERCIAR (regular) – presente do indicativo: comercio, comercias, comer- cia, comerciamos, comerciais, comerciam. – pretérito perfeito do indicativo: comerciei, comerciaste, comerciou, comerciamos, comerciastes, comerciaram. Assim se conjugam os verbos terminados em iar: anun- ciar, evidenciar, licenciar, etc. • COAR (regular) – presente do indicativo: coo, coas, coa, coamos, coais, coam. – pretérito perfeito do indicativo: coei, coaste, coou, coamos, coastes, coaram. Assim se conjugam: abençoar, perdoar, magoar. • COMPELIR (alternância vocálica) – presente do indicativo: compilo, compeles, compele, compelimos, compelis, compelem. – pretérito perfeito do indicativo: compeli, compeliste, compeliu, compelimos, compelistes, compeliram. • COMPILAR (regular) – presente do indicativo: compilo, compilas, compila, compilamos, compilais, compilam. – pretérito perfeito do indicativo: compilei, compilas- te, compilou, compilamos,compilastes, compilaram. • CONSTRUIR (irregular e abundante) – presente do indicativo: construo, constróis (ou cons- truis), constrói (ou construi), construímos, construís, constroem (ou construem). 261 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I – pretérito perfeito do indicativo: construí, construís- te, construiu, construímos, construístes, construíram. • CRER (irregular) – presente do indicativo: creio, crês, crê, cremos, cre- des, creem. – pretérito perfeito do indicativo: cri, creste, creu, cre- mos, crestes, creram. • DIGNAR-SE (pronominal) – presente do indicativo: digno-me, dignas-te, digna-se, dignamo-nos, dignais-vos, dignam-se. – pretérito perfeito do indicativo: dignei-me, dignaste-te, dignou-se, dignamo-nos, dignastes-vos, dignaram-se. Assim se conjuga: persignar-se • DIZER (irregular) – presente do indicativo: digo, dizes, diz, dizemos, dizeis, dizem. – pretérito perfeito do indicativo: disse, disseste, disse, dissemos, dissestes, disseram. • EXPUGNAR (regular) – presente do indicativo: expugno, expugnas, expugna, expugnamos, expugnais, expugnam. – pretérito perfeito do indicativo: expugnei, expugnas- te, expugnou, expugnamos, expugnastes, expugnaram. Assim se conjugam: estagnar, designar, impugnar, pug- nar, repugnar, resignar. • FALIR (defectivo) – presente do indicativo: nós falimos, vós falis. – pretérito perfeito do indicativo: fali, faliste, faliu, falimos, falistes, faliram. Assim se conjugam: aguerrir, combalir, foragir-se, remir, renhir. 262 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) • FAZER (irregular) – presente do indicativo: faço, fazes, faz, fazemos, fazeis, fazem. – pretérito perfeito do indicativo: fiz, fizeste, fez, fi- zemos, fizestes, fizeram. • FICAR (acomodação gráfica) – presente do indicativo: fico, ficas, fica, ficamos, fi- cais, ficam. – pretérito perfeito do indicativo: fiquei, ficaste, ficou, ficamos, ficastes, ficaram. • FRIGIR (acomodação gráfica e alternância vocálica) – presente do indicativo: frijo, freges, frege, frigimos, frigis, fregem. – pretérito perfeito do indicativo: frigi, frigiste, frigiu, frigimos, frigistes, frigiram. • IR (anômalo) – presente do indicativo: vou, vais, vai, vamos, ides, vão. – pretérito perfeito do indicativo: fui, foste, foi, fomos, fostes, foram. • JAZER (irregular) – presente do indicativo: jazo, jazes, jaz, jazemos, ja- zeis, jazem. – pretérito perfeito do indicativo: jazi, jazeste, jazeu, jazemos, jazestes, jazeram. • LER (irregular) – presente do indicativo: leio, lês, lê, lemos, ledes, leem. – pretérito perfeito do indicativo: li, leste, leu, lemos, lestes, leram. • MOBILIAR (irregular) – presente do indicativo: mobílio, mobílias, mobília, mobiliamos, mobiliais, mobiliam. – pretérito perfeito do indicativo: mobiliei, mobiliaste, mobiliou, mobiliamos, mobiliastes, mobiliaram. 263 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I • OBSTAR (regular) – presente do indicativo: obsto, obstas, obsta, obsta- mos, obstais, obstam. – pretérito perfeito do indicativo: obstei, obstaste, obstou, obstamos, obstastes, obstaram. • OPTAR (regular) – presente do indicativo: opto, optas, opta, optamos, optais, optam. – pretérito perfeito do indicativo: optei, optaste, op- tou, optamos, optastes, optaram. • OUVIR (irregular) – presente do indicativo: ouço, ouves, ouve, ouvimos, ouvis, ouvem. – pretérito perfeito do indicativo: ouvi, ouviste, ouviu, ouvimos, ouvistes, ouviram. • PEDIR (irregular) – presentedo indicativo: peço, pedes, pede, pedimos, pedis, pedem. – pretérito perfeito do indicativo: pedi, pediste, pediu, pedimos, pedistes, pediram. • PERDER (irregular) – presente do indicativo: perco, perdes, perde, perde- mos, perdeis, perdem. – pretérito perfeito do indicativo: perdi, perdeste, per- deu, perdemos, perdestes, perderam. • PODER (irregular) – presente do indicativo: posso, podes, pode, podemos, podeis, podem. – pretérito perfeito do indicativo: pude, pudeste, pôde, pudemos, pudestes, puderam. • POLIR (alternância fonética) – presente do indicativo: pulo, pules, pule, polimos, polis, pulem. 264 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) – pretérito perfeito do indicativo: poli, poliste, poliu, polimos, polistes, poliram. • PRECAVER-SE (defectivo e pronominal) – presente do indicativo: precavemo-nos, precaveis-vos – pretérito perfeito do indicativo: precavi-me, preca- veste-te, precaveu-se, precavemo-nos, precavestes- -vos, precaveram-se. • PROVER (irregular) – Observe que, no presente do in- dicativo, ele é conjugado como o verbo “ver”, mas, no pretérito perfeito do indicativo, isso não ocorre. – presente do indicativo: provejo, provês, provê, pro- vemos, provedes, proveem. – pretérito perfeito do indicativo: provi, proveste, pro- veu, provemos, provestes, proveram. • QUERER (irregular) – Lembre-se de que o verbo “reque- rer” não é conjugado como o verbo “querer”. – presente do indicativo: quero, queres, quer, quere- mos, quereis, querem. – pretérito perfeito do indicativo: quis, quiseste, quis, quisemos, quisestes, quiseram. • REAVER (defectivo) – presente do indicativo: reavemos, reaveis. – pretérito perfeito do indicativo: reouve, reouveste, reouve, reouvemos, reouvestes, reouveram. • REMIR (defectivo) – presente do indicativo: remimos, remis. – pretérito perfeito do indicativo: remi, remiste, remiu, remimos, remistes, remiram. • REQUERER (irregular) – presente do indicativo: requeiro, requeres, requer, requeremos, requereis, requerem. 265 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I – pretérito perfeito do indicativo: requeri, requereste, requereu, requeremos, requerestes, requereram. • RIR (irregular) – presente do indicativo: rio, ris, ri, rimos, rides, riem. – pretérito perfeito do indicativo: ri, riste, riu, rimos, ristes, riram. Assim se conjuga: sorrir. • SABER (irregular) – presente do indicativo: sei, sabes, sabe, sabemos, sabeis, sabem. – pretérito perfeito do indicativo: soube, soubeste, soube, soubemos, soubestes, souberam. • SAUDAR (alternância vocálica) – presente do indicativo: saúdo, saúdas, saúda, sau- damos, saudais, saúdam. – pretérito perfeito do indicativo: saudei, saudaste, saudou, saudamos, saudastes, saudaram. • SUAR (regular) – presente do indicativo: suo, suas, sua, suamos, suais, suam. – pretérito perfeito do indicativo: suei, suaste, suou, suamos, suastes, suaram. Assim se conjugam: atuar, continuar, habituar, recuar, situar. • TRAZER (irregular) – presente do indicativo: trago, trazes, traz, trazemos, trazeis, trazem. – pretérito perfeito do indicativo: trouxe, trouxeste, trouxe, trouxemos, trouxestes, trouxeram. • VALER (irregular) – presente do indicativo: valho, vales, vale, valemos, valeis, valem. 266 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) – pretérito perfeito do indicativo: vali, valeste, valeu, valemos, valestes, valeram. • VER (irregular) – presente do indicativo: vejo, vês, vê, vemos, vedes, veem. – pretérito perfeito do indicativo: vi, viste, viu, vimos, vistes, viram. Assim se conjugam seus derivados: rever, prever, ante- ver, etc. • SOER (defectivo) – presente do indicativo: sóis, sói, soemos, soeis, soem. – (verbo pouco usado) OBSERVAÇÃO O verbo pôr, assim como seus derivados, pertence à 2ª conjugação. (forma antiga: poer). LEITURA OBRIGATÓRIA 1. TEMPOS COMPOSTOS Os tempos verbais compostos constituem locuções ver- bais que têm como auxiliares os verbos ter e haver e como principal qualquer verbo no particípio. Vejamos: a) Pretérito perfeito composto do indicativo: ter ou haver no presente do indicativo e o principal no particípio. Indica fato que tem ocorrido. Ex.: Eu tenho trabalhado muito ultimamente. Todos nós temos lutado por um mundo melhor. b) Pretérito perfeito composto do subjuntivo: ter ou haver no presente do subjuntivo e o principal no particípio. Indica desejo de que algo já tenha ocorrido. Ex.: Esperamos que você tenha convencido o presidente. O meu desiderato é que todos tenham confessado o crime. 267 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I c) Pretérito mais-que-perfeito composto do indicati- vo: ter ou haver no pretérito imperfeito do indicativo e o principal no particípio. Tem o mesmo valor semântico do pretérito mais-que-perfeito do indicativo simples. Ex.: Ontem, quando você foi ao aeroporto, o avião já havia decolado. Eu já tinha estudado na UnB, quando conheci Am- brosina. d) Pretérito mais-que-perfeito composto do subjunti- vo: ter ou haver no pretérito imperfeito do subjuntivo e o principal no particípio. Tem o mesmo valor semântico do pretérito imperfeito do subjuntivo simples. Ex.: Eu teria conquistado mais medalhas, se não tives- se conhecido esse técnico. e) Futuro do presente composto do indicativo: ter ou haver no futuro do presente simples do indicativo e o prin- cipal no particípio. Tem o mesmo valor semântico do futuro do presente simples do indicativo. Ex. Quando você chegar ao aeroporto, o avião já terá decolado. f) Futuro do pretérito composto do indicativo: ter ou haver no futuro do pretérito simples do indicativo e o prin- cipal no particípio. Tem o mesmo valor semântico do futuro do pretérito simples do indicativo. Ex. Eu teria caminhado todos os dias desse ano, se não estivesse trabalhando tanto. Eu teria estudado na UnB, se tivesse passado no vestibular. g) Futuro composto do subjuntivo: ter ou haver no fu- turo do subjuntivo simples e o principal no particípio. Tem o mesmo valor semântico do futuro do subjuntivo simples. Ex.: Quando você tiver concluído o relatório, eu dis- pensarei o grupo. 268 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) h) Infinitivo pessoal composto: ter ou haver no infini- tivo pessoal simples e o principal no particípio. Indica ação passada em relação ao momento da fala. Ex.: Para você ter adquirido essa propriedade, necessi- tou de orientações do corretor. 2. CORRELAÇÃO VERBAL Os textos produzidos por nós precisam ser coerentes. Nesse sentido, é necessário perceber a articulação temporal entre duas formas verbais. Os verbos precisam, portanto, estabelecer, entre si, uma relação, uma correspondência. Vejamos exemplos de correlações lógicas e coerentes: Se eu tivesse recursos, construiria o monumento. Tives- se (pretérito imperfeito do subjuntivo): tempo que indica hipótese, conjetura. Construiria (futuro do pretérito do indicativo): tempo que expressa possibilidade, eventualidade. Observe que os dois verbos têm em comum a marca do pretérito. Se em vez da forma verbal construiria, empregássemos outra forma, construirei, teríamos uma correlação verbal incorreta, incoerente. Veja mais alguns exemplos de correlações verbais ade- quadas. Observe que os verbos possuem sempre uma marca comum (em negrito). a) 1º verbo: presente do indicativo. 2º verbo: presente do subjuntivo. Peço-te que me entregues o documento. b) 1º verbo: pretérito perfeito do indicativo. 2º verbo: pretérito imperfeito do subjuntivo. Pedi-te que me entregasses o documento. c) 1º verbo: presente do indicativo. 2º verbo: pretérito perfeito composto do subjuntivo (verbo “ter” no presente do subjuntivo).Desejo que ele tenha encontrado o documento. 269 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I d) 1º verbo: pretérito imperfeito do indicativo. 2º verbo: mais-que-perfeito composto do subjuntivo (verbo “ter” no pretérito imperfeito do subjuntivo). Queria que ele tivesse encontrado o documento. e) 1º verbo: futuro do subjuntivo. 2º verbo: futuro do presente do indicativo. Se você confessar o crime, ficarei tranquilo. f) 1º verbo: pretérito mais-que-perfeito composto do subjuntivo. 2º verbo: futuro do pretérito simples ou composto do indicativo. Se os jovens tivessem estudado, seriam, hoje, bons profissionais. g) 1º verbo: futuro do presente do subjuntivo. 2º verbo: futuro do presente do indicativo. Quando eu chegar à puberdade, terei mais indepen- dência? h) 1º verbo: futuro do subjuntivo. 2º verbo: futuro do presente composto do indicativo. Quando compuserem a música, ele já terá conquis- tado a mulher amada. EXERCÍCIOS DE APLICAÇÃO NÍVEL 1 1. (Esaf/TRT) Assinale a opção incorreta quanto à flexão verbal. a) Muitos migrantes provêm da zona rural, trazendo ilu- sões que se desfazem na dura realidade. b) Os grandes centros urbanos atraem lavradores, mas o mercado de trabalho não lhes propõe emprego. 270 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) c) De volta às suas cidades de origem, eles não conseguem reaver sua casa nem outros pertences. d) Quando o país conter o fluxo migratório resolverá um problema muito grave. e) Se eles dispusessem de informações, certamente não viriam para as cidades grandes. 2. (UnB/TCU) Assinale a opção incorreta. a) Não se habituem a faltar ao trabalho. b) Os servidores possuem habilitação. c) O salário inclui as gratificações. d) O associado contribue quando quer. e) Os treinamentos constituem ótimo programa. 3. (Esaf/TRT) Marque a opção que contém as formas ver- bais para o preenchimento das lacunas do seguinte pe- ríodo: “Na ausência do diretor, ____________ comigo para que você não ____________ sozinho em algum caso.” a) falais, intervenhais b) falai, intervenhas c) fale, intervenhas d) fala, intervenha e) fale, intervenha 4. (Ceub) “Não te queixas; não pensas.” No imperativo afirmativo e negativo respeitando a pessoa em que está, fica: a) queixa-te; não penses. b) queixe-se; não pense. c) queixe-te; não penseis. d) queixe-se; não pensa e) queixe-te, não pensas. 5. (UnB/TJDF) Leia a frase seguinte: Se os adultos ____________ que não entendo o que dizem, não ____________ voz esquisita e fanhosa. 271 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I a) saberem – faziam b) sabessem – fariam c) souberem – faziam d) soubessem – fazeriam e) soubessem – fariam 6. (UnB/MEC) Assinale a opção em que os verbos sublinha- dos em “(...) que trazia estampado (...)” e “(...) é que elas dizem (...)” estão conjugados no pretérito mais-que-per- feito, conservando-se a pessoa e o número verbais. a) trouxeram e dissera b) trouxessem e dizeram c) trouxer e dissessem d) traria e disseram e) trouxera e disseram 7. (Câmara dos Deputados) Quando eu o ____________, avi- sá-lo-ei de que você já ____________ o documento e assim se ____________ contra os malevolentes. a) ver – reaveu – precaviu b) vir – reouve – precaveio c) vir – reouveu – precaveu d) vir – reouve – precaveu e) vir – reaviu – precaviu 8. (Esaf/TRT) Assinale a frase em que o verbo sublinhado está flexionado incorretamente. a) É importante que tu preenchas os formulários. b) Seria ótimo, se tu viajasses ainda hoje. c) Tu fostes o responsável pela remessa da mala. d) Sê pontual, para que tu sejas promovido. e) Tu eras a favor da repressão nas aduanas. 9. (Esaf/TTN) Indique o trecho em que a transposição para a primeira pessoa do singular não provoca erro grama- tical. 272 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) a) hoje, redimimos valores morais e estéticos de décadas passadas... b) emergimos impunemente do estresse no qual o triunfo tecnológico envolveu nossa civilização. c) na mesma celeridade com que abolimos as verdades e os saberes da ciência de ontem. d) apertamos um botão e colorimos nossa visão com fatos que ocorrem do outro lado do mundo... e) mas não nos precavemos contra as ameaças que cer- cam nosso cotidiano nem... 10. (UnB/Telebrasília) Com relação às formas verbais, assi- nale a opção correta. a) Jamais usar os dedos – Flexionando-se o verbo na 2ª pessoa do singular do imperativo negativo, obtém-se: Não use jamais. b) Se a pessoa acha que fica bem – Flexionando-se o verbo no futuro do subjuntivo, obtém-se: Se a pessoa achar. c) As mulheres vão continuar usando pós, blushes e pin- céis. – A cada forma verbal corresponde uma oração. d) Dispensam-se as sombras psicodélicas. – O verbo está flexionado na voz ativa. e) A estratégia é investirmos na trucagem. – Substituin- do-se a oração reduzida por uma equivalente desen- volvida, obtém-se: A estratégia é que investamos (...) 11. (UnB/TCU) Assinale a opção que preenche corretamente as lacunas. Os objetivos do projeto _________ para a melhoria de vida dos cidadãos e _________ os programas anteriores que não _________ as necessidades reais. a) convergiam – substituíram – contemplarão b) convergiram – substituíam – contemplasse c) convergem – substituem – contemplavam 273 Vade-Mécum Língua Portuguesa - Volume I d) convergissem – substituem – contemplariam e) convergiram – substituíssem – contemplarão 12. (Embrapa) Identifique a sentença correta. a) É preciso que esquarteja três pessoas para ser punido com rigor. b) Se ele ver um crime sendo praticado, ele nunca mais dormirá em paz. c) Quando ele propor mudança no sistema penitenciário, apresentaremos relatório esclarecedor. d) Vossa Excelência, com certeza, gostará de conhecer os seus chefiados. 13. (UnB/TCU) Assinale a opção que preenche corretamente as lacunas. Se a Indústria não _________ arcar com os custos da pro- dução, os funcionários _________ férias coletivas e os di- retores _________ trabalhando. a) conseguisse – teriam – continuariam b) consegui – têm – continuassem c) conseguira – tiveram – continuariam d) conseguisse – tem – continuavam e) conseguia – terão – continuariam 14. (UnB/TCU) Assinale a opção correta quanto à grafia dos verbos sublinhados: a) Os artistas creem que a restauração do Centro Histó- rico é uma conquista cultural comunitária. b) Os intelectuais veêm com bons olhos a consolidação da consciência em relação ao patrimônio. c) Os empresários vem instalando lojas, cafés, restauran- tes, escritórios e estúdios no Centro. d) É preciso que os cidadãos deêm valor ao trabalho de restauração e preservem as características originais do estilo barroco. e) Cores, formas, detalhes em madeiras e em alvenaria compoêm o cenário de casarões coloniais do Centro Histórico. 274 CURSO COMPLETO DE GRAMÁTICA DO TEXTO (Do Básico ao Avançado) 15. (UnB/Caesb) Assinale a opção gramaticalmente correta. a) Esvazie e alve as parede e o fundo do reservatório. b) Use baldes, panos, rodos, pás e botas de borracha ex- clusiva para esse trabalho. c) Espalhe uma solução de água sanitária e água no re- servatório e espere meia hora para então enxaguar. d) Mantenha as caixas, os reservatórios, as torneiras e os canos bem conservado e funcionando adequadamente. e) Lembre-se de que a água que vaza esvaziam seu bolso. 16. (UnB/Caesb) Assinale a opção gramaticalmente correta: a) É preciso vim à agência mais próxima. b) Quando vim traga os comprovantes. c) Mande o cliente vim ao posto de atendimento. d) O técnico não pode vir hoje ao trabalho. e) Se o cliente vir amanhã ao posto, entregue-lhe o recibo. 17. (UnB/TJDF) Os verbos estão conjugados corretamente