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FACULDADE ÚNICA DE IPATINGA PALOMA FERNANDES RIBEIRO DE CARVALHO DOCÊNCIA NO ENSINO SUPERIOR: DESAFIOS E POSSIBILIDADES FLORIANO – PI 2019 FACULDADE ÚNICA DE IPATINGA PALOMA FERNANDES RIBEIRO DE CARVALHO DOCÊNCIA NO ENSINO SUPERIOR: DESAFIOS E POSSIBILIDADES Artigo Científico apresentado à Faculdade Única de Ipatinga – FUNIP, com requisito parcial para a obtenção do título de Especialista em Docência no Ensino Superior. FLORIANO – PI 2019 DOCÊNCIA NO ENSINO SUPERIOR: DESAFIOS E POSSIBILIDADES Paloma Fernandes Ribeiro de Carvalho RESUMO O século XXI apresenta uma sociedade repleta de avanços e mudanças em diversos aspectos, principalmente nos sociais. Quando se fala em educação, nota-se esse retrato em vários níveis de ensino, em especial na educação superior. A partir disso, este artigo foi preparado com base em discussões acerca da profissão docente na educação superior. O artigo tem como objetivo analisar o exercício da docência de forma livre e independente. Foram ainda abordados desafios e possibilidades diante à docência no ensino superior. Utilizou-se como metodologia a pesquisa bibliográfica. Ao final da realização deste estudo elencamos os desafios do exercício da docência no ensino superior e suas possibilidades para redefinir a prática pedagógica em vista da produção do conhecimento científico. Apesar do Ensino Superior estar repleto de novos desafios, espera-se alcançar melhorias através das transformações a partir da ação e reflexão do docente. Palavra-chave: Docência. Educação Superior. Formação Docente. Introdução Percebe-se facilmente que o atual século (XXI) possui como principal característica as constantes mudanças que sofre. Essas transformações, acompanhadas de novos desafios, afetam os mais variados ramos do mundo, inclusive a educação, e, mais especificamente, o Ensino Superior. De acordo com o artigo 205 da Constituição Federal de 1988 a educação é um direito de todos. (BRASIL,1988, p.123) O exposto anteriormente, de forma bastante simples, requer uma certa análise sobre o processo de cidadãos a partir da educação. O exercício da docência vai além de apenas transmitir conhecimento. Envolve a incorporação do indivíduo nas relações sociais, o seu entendimento como cidadão no mundo e no desenvolvimento da sociedade. A ideia é melhor fundamentada a partir das palavras de Bruel no livro Educação, trabalho e cidadania, onde relata que a educação, entendida como um dos direitos fundamentais, tem como ponto fundamental o acesso a outros direitos, como o civil, social e político, contribuindo desta forma para a construção da cidadania. (BRUEL, 2011, p.104). Então, o conhecimento científico é um fator importante, mas além dele deve existir a preocupação com a formação crítica do estudante para chegar-se a um cidadão com concepção de mundo, de relações sociais e do próprio conhecimento. A instituição formadora de ensino deve se envolver na construção do conhecimento de forma significativa. Apesar da influência de fatores externos, modificações no espaço, avanços no conhecimento e tecnológicos, a instituição deve manter qualidade nos professores, estes, por sua vez, devem manter atualizadas suas informações, adquirir habilidades com o exercício da profissão, como interdisciplinaridade, contextualização, democratização, pertinência e relevância social. (SILVA; FERREIRA, 2011, p.25). Com isso, o presente artigo busca expor desafios como ausência de fiscalização adequada no ensino superior, desvalorização da docência em contrapartida com a excessiva valorização da pesquisa e a necessidade de motivação para o aluno no ensino moderno. Além disso, o estudo traz algumas possibilidades para a docência superior, como as inovações tecnológicas, docência através de um processo coletivo, livre e independente, e ainda, a consideração dos docentes diante novos métodos e desafios. Desenvolvimento O Brasil é um país onde a qualidade nos serviços públicos é baixa e com altos custos. Um dos principais motivos para isso é a falta de uma boa gestão. Tendo em vista esse fato, a saída para muitos é buscar auxílio no setor privado. Quando se trata de educação, Soares e Cunha relatam que houve um aumento significativo de matrículas, a partir da década de 90, em instituições de ensino particular. (SOARES; CUNHA, 2010, p.579). Mais especificamente, as instituições de ensino superior particulares possuem certas características mais flexíveis, tendo em vista que estão sempre em busca de maior número de alunos matriculados. Georgen relata que a falta de alternativa dos alunos e a demanda reprimida contribuem, também, para a falta de qualidade nessas instituições particulares. (GEORGEN, 2006, p.72). A partir disso, pode-se concluir que a grande procura é por uma vaga para, enfim, adquirir um diploma de curso superior e ter mais chances de melhorar o currículo e ingressar no mercado de trabalho. Paralelo a isso, observa-se a falta de interesse na qualidade do ensino caminhando ao lado da supervalorização de um título de ensino superior. Muitas vezes o resultado acaba sendo frustrante, diante uma formação profissional fraca. De acordo com Vasconcellos e Oliveira (2011), nota-se que a universidade não tem dado o devido valor a qualidade da docência. (VASCONCELLOS; OLIVEIRA, 2011, p.4). Os professores, em sua maioria, se preocupam apenas em transmitir conhecimento e as instituições de ensino através das reitorias, coordenações de curso e colegiado deveriam ser mais rígidas quanto a qualidade do ensino transmitido pelo docente. Ao invés disso, a preocupação é apenas com a quantidade de trabalhos científicos produzidos pelos docentes. Georgen afirma ainda que a principal responsabilidade da universidade deve ser a qualidade em suas atividades e na docência, independente da sua área. (GEORGEN, 2006, p.69). Logo, é certo que a universidade deveria se preocupar primordialmente em garantir um serviço de qualidade, que contribua para uma formação profissional eficiente e eficaz. Infelizmente, como visto anteriormente, a realidade é bastante diferente. A quantidade de pesquisas que o docente possui é suficiente para manter sua permanência na instituição. Características importantes como o ensinar, o fazer-se docente, a experiência, a formação pedagógica, os conhecimentos específicos e didáticos, a metodologia e o planejamento não são vistos com a mesma importância dos trabalhos acadêmicos. As instituições de ensino contentam-se com profissionais que possuam títulos de mestrado e doutorado, entretanto o simples fato de possuir esses títulos não significa dizer que o docente possua habilidades e técnicas de didática em sala de aula. Em resumo, as produções científicas estabelecem padrões quantitativos e são mais valorizados do que a qualidade no ensino que será transmitido para formação de graduandos que cultivem seus próprios saberes e associem-no ao seu meio social. Georgen relata sobre as instituições de ensino: [...] além de atender aos apelos mercadológicos, deve colocar-se a questão do tipo de visão humana e social que está imbricada em seu trabalho de investigação e de docência e, com isso refletir sobre o tipo de visão social e humana que está transmitindo ou sugerindo aos seus alunos. (GEORGEN, 2006, p. 64) Percebe-se ainda mais que a universidade deve ir além da simples transmissão de conteúdo específico. O ambiente deve servir de transformação social, além de qualificá-lo especificamente, o aluno deve ser capaz de desenvolver-se como cidadão e possuir senso crítico diante da sociedade em que está inserido. É importante entender a função do professor no meio educacional. Além de exercer a docência e ministrar assuntos específicos, deve também preparar estudantes que saibam lidar com os desafios que a sociedade moderna apresenta, que contribuam para resolução de problemas, que saibam trabalhar seu desenvolvimento cognitivo, que promovam reflexões coletivas e que formem novos saberes desenvolvendoum pensamento crítico. Tardif embasa melhor o argumento ao afirmar: “o saber docente se compõe, na verdade, de vários saberes provenientes de diferentes fontes. Esses saberes são os saberes disciplinares, curriculares, profissionais (incluindo os das ciências da educação e da pedagogia). ” (TARDIF, 2008, p.33) A mesma importância deveria ser dada tanto para a pesquisa como para a docência, tendo em vista que ambas contribuem para seus respectivos desenvolvimentos. Ideia que não ocorre, também, na maioria dos Programas de Pós-Graduação, onde se prioriza a formação de bons pesquisadores. (SOARES; CUNHA; 2010) O que se espera desse fato é a formação de profissionais frustrados devido as dificuldades encontradas durante a realização de seu trabalho em função da falta de qualidade durante sua formação. Deve-se perceber ainda que o ensino transmitido precisa ser acompanhado de elementos que estimulem o interesse do aluno e, também, os motive. De acordo com Cunha (2005) as transformações e progressos sociais que vem acontecendo influenciam no conhecimento de professores do ensino superior. (CUNHA, 2005). Métodos, exigências, saberes, tudo é afetado e precisa se renovar, além de contribuírem para motivar e interessar o aluno. Os recursos tecnológicos são importantes armas que proporcionam o desenvolvimento de novas práticas pedagógicas mais contextualizadas e que estabelecem uma relação entre o aluno, o conhecimento adquirido e o meio social em que está inserido. Paralelo a isso, o docente precisa romper com a forma conservadora de ensino e se adequar as mudanças que acontecem e continuam a acontecer. Soares e Cunha relatam: “(...)uma revolução dos meios de comunicação e informação, que, ao possibilitar o acesso aos conhecimentos de forma ágil e dinâmica, põe em xeque o papel de porta-voz inquestionável do saber assumido historicamente pelo professor universitário por meio dos métodos tradicionais de ensino. ” (SOARES; CUNHA, 2010, p.579) Antigamente a docência era entendida como o simples ato de transmitir conhecimento do professor para o aluno. Em meio a tantas transformações, esse ato passou a necessitar de mudanças também. Diante de uma nova sociedade, mais complexa, e das novas exigências dos alunos, surgiu a necessidade do professor se adequar através de novas metodologias que possam acompanhar esse novo conceito. Confirmando o argumento, a autora Anastasiou relata que a medida que as gerações se renovam, elas vêm acompanhadas de novas capacidades. O novo aluno pode fazer várias coisas ao mesmo tempo, e se o ensino não despertar sua atenção ele não se interessa. (ANASTASIOU, 2013). Conclui-se que o docente precisa se preparar, se adequar a essas novas mudanças, tentando ao máximo utilizar novos métodos que prendam a atenção do aluno. Além de tudo, existe ainda a reflexão coletiva. É através dela que o professor conhece melhor os interesses do aluno, o que o motiva, e ainda, o faz pensar sobre determinado tema. Aqui o professor deixa de ser o centro das atenções e passa a problematizar situações fazendo que o aluno saia da zona de conforto. O docente precisa entender o novo meio que está inserido, adotar novas técnicas de ensino que se adequem a realidade da sala, buscar prender a atenção do aluno não só através de assuntos que o agradem, mas também aqueles que ainda não foram aprendidos e não tem tanto interesse por parte do aluno. Tudo isso soma-se a tentativa de sempre motivar e interagir com o estudante e fazê-lo refletir sobre o tema trabalhado. Conclui-se que a docência do ensino superior é bastante trabalhosa, complexa e está sempre necessitando ser renovada, o que torna difícil o trabalho do docente, principalmente quando se está inserido num meio social onde o professor não é valorizado como deveria. Em meio a tantos desafios que se pode encontrar na docência, existem também muitas possibilidades que acabam servindo de motivação para aqueles que estão na área. Como abordado anteriormente, as inovações tecnológicas são importantes elementos para atualizar os métodos de ensino, deixando de lado alguns meios que não são mais eficientes e melhorando as abordagens de ensino. Veiga reforça a ideia ao falar sobre algumas atitudes que devem ser adquiridas pelos que praticam a docência para melhorar o processo da educação, como deixar de lado um ensino conservador, procurando atualizar-se e acompanhar a sociedade moderna; formar novos saberes a partir da quebra do abismo entre teoria e prática, conhecimento científico e comum; investigar e investir novos métodos de ensino; e ainda, fazer com que a ética tenha seu valor percebido dentro do campo educacional. (VEIGA, 2006) Percebe-se, então, como é importante procurar acompanhar a evolução tecnológica, tendo em vista uma sociedade que cada vez mais está inserida nesse meio. Um grande exemplo da inovação tecnológica no meio educacional, são as instituições que proporcionam ensino à distância (Ead). Vídeo-aulas, apostilas, contato com os docentes, tudo é realizado através da internet. Nota-se a tecnologia como importante instrumento para transmitir conhecimento. Mas não adianta usar dessa nova ferramenta, se o docente não mudar sua concepção de educação e métodos de ensino. É essencial que haja o planejamento para que o uso dessa tecnologia no meio educacional seja eficiente e vantajoso. Pesquisas bibliográficas, imagens, vídeos, áudios, organização, apresentações de trabalho, tudo isso pode ser aproveitado de forma significativa no uso da tecnologia, desde que seja pensado e preparado com antecedência. De acordo com Cunha: “É possível uma formação de professores que ajude a construir saberes para uma docência emancipatória. ” (CUNHA, 2005, p.90). A partir do momento que docentes trabalham e estudam juntos é possível um auxílio mútuo, uma reflexão coletiva que contribui para uma educação mais livre. Seja numa reflexão com os alunos, seja numa reflexão com outros docentes, essa troca de informações se torna importante como ferramenta inovadora fazendo que a mente trabalhe e a qualidade no ensino aumente. Existe na prática docente uma análise de como se fazer o trabalho pedagógico em um meio repleto de modificações. É preciso refletir, e se necessário, mudar. O docente deve estar atento as transformações que a sociedade moderna apresenta e se adequar a esse novo meio que está se inserindo. O professor deve ser o primeiro a buscar essa transformação, mas juntamente com ele a instituição de ensino deve procurar realizar mudanças igualmente, o que acaba servindo também como forma de apoio aos docentes. De acordo com Vasconcellos e Oliveira o docente deve mostrar a obrigação que tem com o aluno, a instituição e seu trabalho através das atitudes que realiza durante sua prática pedagógica. (VASCONCELLOS; OLIVEIRA, 2011). O professor deve refletir suas ações, bem como o que, por que e para quem ensina, procurando sempre soluções que aumentem a qualidade do ensino e da aprendizagem de seus alunos. É preciso que as instituições também procurem fazer seu papel, servindo como inspiração e motivação para essas mudanças por parte dos docentes. Mesmo diante de tantos desafios professor e instituição precisam refletir para fazer que o setor de ensino melhore e acompanhe as transformações que a sociedade vem sofrendo e ainda irá sofrer. Conclusão Hodiernamente a sociedade desse século encontra-se repleta de mudanças advindas principalmente do crescente conhecimento humano e das inovações tecnológicas. Percebe-se que essas transformações afetam vários setores, em especial o da educação no ensino superior, que sente a necessidade de fazer modificações em suas instituições de ensino e suas técnicas pedagógicas. Tudo isso para acompanhar essa sociedade moderna e fazer com que a transmissão de conhecimentos e formação de pessoas críticas seja mais eficiente. Primeiramente foram expostas algumas das dificuldades encontradas pelo docente ao longo de sua profissão, como as metodologias conservadoras que acabam não acompanhando essa nova fase da sociedade,a supervalorização dos trabalhos acadêmicos seguidos da desvalorização da qualidade na docência e a falta de importância que os próprios docentes e as instituições de ensino mostram. Em seguida, evidenciou-se, também, alguns aspectos positivos nesse meio. Uma das medidas apresentadas foi a revolução tecnológica. Através dela muitos elementos na transmissão de conhecimento puderam ser melhoradas, bastando apenas ao professor se adequar a elas. Além disso, foi relatado a docência como um meio de reflexão coletiva, livre e independente, que busca formar alunos com senso crítico dentro da sociedade. É evidente que a sociedade vai continuar mudando e sofrendo mudanças. Juntamente com isso, novos desafios e novas possibilidades também estarão sempre surgindo. E é papel do docente e da instituição de ensino acompanhar essas transformações, adaptando-se a esse cenário. Espera-se que este artigo contribua para formular novas concepções e reflexões por parte dos professores e universidades, bem como suas respectivas mudanças de atitude acerca do tema, resultando na formação de profissionais qualificados, que possuam opiniões formadas e senso crítico em meio a sociedade e que estejam preparados para lidar com as situações que vivenciarem. REFERÊNCIAS ANASTASIOU, L. Pedagoga defende renovação do modelo de ensino. Disponível em: <http://www.uel.br/prograd/?content=noticias/2013/jornada_pedagogica(1).htmllink>. Acesso em: abril 2019. BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal, 1988. BRUEL, A. L. O. 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