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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE PATOS DE MINAS – UNIPAM CURSO: ENGENHARIA CIVIL – ENG 10D DISCIPLINA: OPTATIVA (PERÍCIA EM ENGENHARIA CIVIL) PROFESSOR: ROGÉRIO BORGES VIEIRA APRESENTAÇÃO DE UM LAUDO PERICIAL DIVULGADO PELA MÍDIA – PALACE II / RJ ANA LAURA DE OLIVEIRA BORGES DANIELLA MATOS RODRIGUES JÉSSICA NAYARA DA SILVA PATOS DE MINAS 2019 ANA LAURA DE OLIVEIRA BORGES DANIELLA MATOS RODRIGUES JÉSSICA NAYARA DA SILVA APRESENTAÇÃO DE UM LAUDO PERICIAL DIVULGADO PELA MÍDIA – PALACE II / RJ PATOS DE MINAS 2019 Trabalho apresentado como requisito parcial de avaliação na disciplina Orçamento e Planejamento de Obras do curso de Engenharia Civil do Centro Universitário de Patos de Minas, sob orientação do professor Rogério Borges Vieira. 1 IDENTIFICAÇÃO DO IMÓVEL. O Edifício Palace II situava-se na Barra da Tijuca – RJ, possuía 22 andares e 172 apartamentos, sendo parte integrante do condomínio residencial Palace. O Palace II iniciou sua construção em 1990 com previsão de entrega em 1995, sendo este prazo não cumprido. A construtora SERSAN, responsável pela construção foi processada 4 vezes em virtude da má construção, não recebendo sequer o habite-se da prefeitura. 2 CROQUI DE LOCALIZAÇÃO DO EDIFÍCIO 3 OBJETIVOS DO ESTUDO Esta análise tem como objetivo emitir o diagnóstico conclusivo, considerando os aspectos estritamente técnicos, sobre as causas que provocaram o colapso estrutural do Edifício Palace II. 4 TEMPORALIDADE O primeiro desmoronamento ocorreu às 3 horas do dia 22 de fevereiro de 1998, quando os pilares 1 e 2 do edifício desabaram, deixando 8 vítimas fatais e 130 famílias desabrigadas. O desabamento teve repercussão nacional, principalmente, devido ao fato de Sérgio Augusto Naya, engenheiro e dono da construtora responsável pela construção do edifício ser na época deputado federal. No dia 24 de fevereiro a prefeitura do RJ anunciou que o edifício seria implodido em 5 dias, ou seja, no dia 01 de março. Porém, no dia 27 de fevereiro, um laudo técnico recomendava aos moradores que voltassem ao edifício para recuperar seus pertences. Meia hora antes da entrada dos moradores houve um segundo desmoronamento com toneladas de água vindas do terraço. Essa coluna d’agua é alvo de especulações até os dias de hoje, pois na época se assumiu-se que a caixa d’agua teria sido drenada, por razões de segurança, antes da entrada dos técnicos para instalação dos explosivos para implosão. No primeiro desmoronamento houve a destruição de 44 apartamentos, enquanto no segundo desabaram mais 22 apartamentos. Sendo assim, para evitar outro desmoronamento, a prefeitura autorizou a implosão do que restara do prédio no dia 28 de fevereiro, às 10:30h. 5 EMBASAMENTO TÉCNICO Os quatro peritos do ICCE consideraram que a deficiência de cobertura e a inexistência de estribos contribuíram para o desabamento. O professor Bruno Contarini, renomado calculista com trabalhos executados em diversos países, declarou que se não houvesse erro no detalhamento nos pilares P4 e P44, o edifício Palace II não teria desabado. Já o professor Alexandre Duarte Santos, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, opinou que se não tivesse ocorrido o erro gravíssimo de cálculo (desenho), a ruína não teria ocorrido. Os defeitos construtivos apontados foram considerados lamentavelmente comuns e só capazes de comprometer a estrutura em longo prazo, se não forem feitas quaisquer recuperações. Não obstante a clareza das declarações chegou a conclusão que a má execução dos pilares, omissão de consertos urgentes e a falta de correção de defeitos que poderiam ser sanados com a simples recuperação de colunas, como a realizada no condomínio Palace I. Fica, assim, claro que não havia cobertura, estribo ou manutenção que suprissem o déficit de 500 toneladas decorrente do errado detalhamento das colunas P4A e P44A. O edifício Palace II desabou cerca de 10 anos depois de iniciada sua construção. O Professor Barbosa do Valle afirmou que se o prédio tivesse sido bem dimensionado, se não houvesse os erros de cálculo ou de detalhamento, a ruína só ocorreria em 30 anos. A conclusão de que um pilar bem projetado e mal executado, que durante sua vida útil não passou por nenhuma manutenção, apesar de claramente atacado, pode durar mais de 30 anos; ao contrário, um pilar mal projetado e muito bem executado tem vida efêmera. 6 METODOLOGIA Para atingir os objetivos desta análise, primeiramente realizou-se uma busca pelo laudo pericial do desmoronamento do edifício, porém, não foi encontrado em meios eletrônicos. Sendo assim, a análise foi realizada através de pesquisas na web sobre noticiários, vídeos, reportagens e trabalhos acadêmicos referentes ao incidente. 7 MEMORIAL DESCRITIVO DA VISTORIA Deficiência no cobrimento das armaduras; Ausência de estribos suplementares; Defeitos de acabamento; Materiais estranhos na massa; Erro de calculo de projeto. 8 ENQUADRAMENTO DENTRO DOS CRITÉRIOS DE NORMA Segundo os técnicos, o edifício Palace 2 desabou devido a um erro generalizado em seu projeto de construção: 78% dos pilares do edifício foram construídos com coeficiente de segurança abaixo do estabelecido pela ABNT. Dentre os 42 pilares, 31 deles foram executados segundo um projeto com falhas e subdimensionados, de tal forma que em vez de suportarem 480 toneladas cada um, estavam calculados para no máximo 230 toneladas. O engenheiro afirmou que isso aconteceu porque a construtora tinha muita pressa em iniciar a obra e que por isso liberou a planta de locação com o peso dos pilares majorados, para dimensionar a fundação do prédio. Desta forma, os pilares não suportaram a edificação de 23 andares, que acabou desabando. Esse erro no detalhamento aconteceu no momento em que o calculista José Roberto Chendes transformou o projeto do prédio em desenhos, para facilitar o trabalho de construção. Em seu depoimento à polícia, Chendes admitiu a existência de erros no projeto, mas afirmou que eles não seriam suficientes para causar o desabamento. Foi verificado que o coeficiente de segurança recomendado pela ABNT NBR 6118 deveria ser maior ou igual a 1,40, porém, o coeficiente de segurança apresentado pelos pilares P4 e P44 foi equivalente a 0,66. Além disso, os técnicos ainda detectaram deficiência no revestimento das argamassas que protege o concreto da corrosão, havendo também a ausência de estribos suplementares. 9 ENCERRAMENTO DO ESTUDO DO LAUDO DE SINISTRO O laudo do Instituto Carlos Éboli desfez uma das principais suspeitas que surgiram na época. Acreditava-se que a falta de manutenção e o uso de material de construção de má qualidade tivessem levado o edifício ao chão. Na época, divulgou-se uma fita de vídeo na qual o próprio Naya admitia usar material de segunda mão nas obras da Sersan. Entre os erros de execução apontados nos laudos estavam a deficiência de cobrimento das armaduras, ausência de estribos suplementares dos pilares, concreto fraco, com muitas bolhas de ar e possivelmente feito com areia do mar. No meio dos destroços, engenheiros encontraram conchas do mar misturadas ao concreto e em quatro pilares foram encontrados pedaços de madeira, sacos de cimento, plásticos e jornal misturados ao concreto.Porém, depois de examinar as plantas do projeto e analisar amostras do material usado na construção, os peritos concluíram que o prédio ruiu por erro de cálculo. 10 CONCLUSÃO Ao calculista cabe, se não a elaboração do desenho, sua conferência rigorosa. Este nada mais é do que a imagem de seu próprio trabalho. Além disso, não passível de crer que o desenhista tenha errado duas vezes. Afinal, foram elaboradas plantas para o Palace I e para o Palace II e em ambas havia erro grave no dimensionamento dos pilares P4 e P44. E mais do que isso houve erro generalizado no dimensionamento de 32 dos 41 pilares. O erro, sem dúvida, estava no cálculo, muito embora Chendes tenha declarado à autoridade policial que, quando tomou conhecimento do desabamento, estudou e conferiu seu projeto e seus cálculos, concluindo por sua correção. Diante do exposto, é possível concluir que: Deve-se contratar um engenheiro com conhecimento técnico e experiência para realizar um projeto; Deve-se seguir as normas mais atualizadas e respeitar os coeficientes de segurança; Os materiais utilizados devem atender as normas pertinentes, inclusive a norma de desempenho; Não se deve morar em um empreendimento que não tenha recebido o habite-se. REFERÊNCIAS