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FÍSICA EXPERIMENTAL II ENGENHARIA CIVIL ANA CLARA PEDRAS BUENO DETERMINAÇÃO DA CONSTANTE DE PLANCK CURVELO 2018 INTRODUÇÃO: Um material semicondutor caracteriza-se por apresentar duas bandas de estados, chamadas de banda de valência (𝐵𝑉) e banda de condução (𝐵𝐶), separadas por um gap de energia 𝐸𝑔de cerca de 1-3 eV. Sob condições normais, um portador de carga ocupa a 𝐵𝑉, de onde – desde que lhe seja fornecida uma energia 𝐸 ≥ 𝐸𝑔 – pode ser excitado para a 𝐵𝐶. Uma vez que energias da ordem de 𝐸𝑔 podem ser conseguidas mediante formas diversas (estímulo elétrico, luz, temperatura, dentre outros), é possível controlar a condução elétrica de um semicondutor com relativa facilidade. Outra maneira de alterar, controladamente, as características elétricas de materiais semicondutores, consiste na inserção de determinadas impurezas. Este processo é denominado dopagem, e tem por objetivo alterar o tipo e a densidade dos portadores (de cargas) livres: quer sejam elétrons ou vacâncias. No primeiro caso, diz- se que o semicondutor é do tipo 𝑁 já que, majoritariamente, os portadores livres são cargas negativas. No segundo caso, temos um semicondutor do tipo 𝑃. Salientando- se que, mesmo dopado, o material semicondutor permanece no estado neutro, apenas o tipo e a densidade de portadores de carga são alteradas. O dispositivo baseado na união de dois materiais semicondutores, um do tipo 𝑃 e outro do tipo 𝑁, recebe o nome de diodo. Tipicamente, um diodo tem por função permitir a passagem de corrente elétrica em apenas um sentido (Figura 1). Figura 1: Representação de um diodo (junção PN). Além das regiões neutra e de depleção, também estão indicadas (uma vez estabelecido o equilíbrio): a concentração de portadores, a distribuição de carga elétrica, o campo elétrico, e a tensão ao longo da junção. Quando os semicondutores tipo P e N são colocados em contato, há difusão de vacâncias e de elétrons. Esta difusão dá origem à região de depleção, cuja característica é a queda acentuada na concentração de portadores de carga nas proximidades da junção. Esta variação de concentração, com o consequente acúmulo de cargas, dá origem a um campo elétrico interno que permite a passagem de corrente elétrica apenas no sentido do ânodo (tipo P) para o cátodo (tipo N). Contudo, dependendo das características dos materiais semicondutores utilizados e da configuração do dispositivo, um diodo pode produzir radiação luminosa. Neste caso, temos o chamado diodo emissor de luz ou LED (light emitting diode), onde o processo de recombinação de um par elétron-vacância dá origem a um fóton – cujo comprimento de onda depende da 𝐸𝑔 da junção (Figura 2). (Figura 2: Diagrama de um LED sendo alimentado por uma bateria. Na parte inferior da figura vemos o diagrama de bandas de energia do LED e o processo de recombinação elétron-vacância dando origem à emissão de um fóton.) Neste contexto, pode-se dizer que a função desempenhada pela bateria (ou fonte de alimentação) é tanto de excitar portadores de carga, quanto de estabelecer um fluxo de corrente através da junção. O princípio de funcionamento de um LED prevê, ainda, que a energia mínima para excitar elétrons da 𝐵𝑉 para a 𝐵𝐶 deve ser da ordem de 𝐸𝑔. Isto equivale dizer que a tensão mínima (𝑉𝑙𝑖𝑚𝑖𝑎𝑟) de excitação destes elétrons deve ser: 𝑉𝑙𝑖𝑚𝑖𝑎𝑟 = 𝐸𝑔 𝑒 (1) Sabendo-se que a energia do fóton é quantizada (𝐸𝑓ó𝑡𝑜𝑛 = ℎ𝑣) e que, idealmente, há conservação de energia entre o processo de excitação-recombinação (𝐸𝑔 = 𝐸𝑓ó𝑡𝑜𝑛), pode-se escrever: ℎ𝑣 = 𝑒𝑉𝑙𝑖𝑚𝑖𝑎𝑟 ℎ 𝑐 𝜆 = 𝑒𝑉𝑙𝑖𝑚𝑖𝑎𝑟 ℎ = 𝑒𝑉𝑙𝑖𝑚𝑖𝑎𝑟𝜆 𝑐 (2) Onde, ℎ é a constante de Planck (6,62606957𝑥10−34 𝑚2𝑘𝑔 𝑠 ), 𝑒 é a carga elementar do elétron (1,6𝑥10−19 𝐶), 𝜆 é o comprimento de onda dos LEDs e 𝑐 é a velocidade da luz no vácuo. O valor da tensão de limiar (𝑉𝑙𝑖𝑚𝑖𝑎𝑟) de cada LED é determinado a partir do método chamado piecewise linear (PWL). Segundo este método, a curva I versus V pode ser “reduzida” à combinação de duas funções lineares independentes (Figura 3), e um valor estimado de 𝑉𝑙𝑖𝑚𝑖𝑎𝑟 é dado pela intersecção destas. (Figura 3: Estimativa do valor da tensão de limiar (Vlimiar) a partir do método piecewise linear. Vlimiar corresponde, aproximadamente, à tensão na qual o LED deve começar a emitir radiação.) Este método, apesar de conveniente, é muito susceptível à disposição dos dados experimentais e, principalmente, à intervenção do experimentador que o aplica. O ideal, portanto, é que se aplique o método várias vezes (definindo diferentes regiões para as retas) a fim de se estimar um 𝑉𝑙𝑖𝑚𝑖𝑎𝑟 médio e sua correspondente dispersão. OBJETIVO: A prática teve por objetivo obter experimentalmente a curva característica de dois LEDs de cores distintas, bem como determinar a tensão mínima necessária para acendê-los e, a partir desta, determinar experimentalmente a constante de Planck. MATERIAIS E MÉTODOS: Os materiais utilizados para execução da prática são listados abaixo: Placa de circuito impresso com chave liga-desliga e divisor de tensão; Fonte de alimentação 6,0 V DC; 2 (dois) multímetros; LEDs autobrilho: azul, amarelo, verde e vermelho; Cabos de conexão. Inicialmente, conectou-se na placa de circuito impresso um multímetro na função amperímetro, para medidas de até 200 mA, e um segundo multímetro na função voltímetro, para medidas de até 20 V DC. Em seguida, conectou-se um dos LEDs (amarelo) na placa, de modo que este ficasse voltado para fora. O amperímetro e o voltímetro foram ajustados na menor escala, e a tensão foi variada para pequenos acréscimos. Os valores experimentais de corrente, para suas respectivas tensões, foram anotados. Os procedimentos anteriores foram repetidos, utilizando um segundo LED (verde). Por fim, os dados experimentais foram inseridos em um software de análises gráficas, de modo a se obter um gráfico I versus V, para cada um dos LEDs experimentados. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Os resultados das medições experimentais para o primeiro LED experimentado, LED amarelo, são apresentados nas tabelas a seguir: (Tabela 1: Primeiros 8 pontos experimentais.) (Tabela 2: Últimos 8 pontos experimentais.) Os dados de tensão e corrente elétrica apresentados nas Tabelas 1 e 2, foram inseridos em um software de análises gráficas, e obteve-se o seguinte gráfico de corrente em função da tensão: (Figura 4: Gráfico experimental da corrente em função da tensão, LED amarelo.) 𝑇𝑒𝑛𝑠ã𝑜 (𝑉) 𝐶𝑜𝑟𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 (𝑚𝐴) (1,75 ± 0,01) (0,24 ± 0,01) (1,76 ± 0,01) (0,31 ± 0,01) (1,77 ± 0,01) (0,41 ± 0,01) (1,78 ± 0,01) (0,53 ± 0,01) (1,80 ± 0,01) (0,89 ± 0,01) (1,82 ± 0,01) (1,43 ± 0,01) (1,84 ± 0,01) (2,38 ± 0,01) (1,86 ± 0,01) (3,48 ± 0,01) 𝑇𝑒𝑛𝑠ã𝑜 (𝑉) 𝐶𝑜𝑟𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 (𝑚𝐴) (1,62 ± 0,01) (0,00 ± 0,01) (1,64 ± 0,01) (0,00 ± 0,01) (1,66 ± 0,01) (0,01 ± 0,01) (1,68 ± 0,01) (0,03 ± 0,01) (1,70 ± 0,01) (0,05 ± 0,01) (1,72 ± 0,01) (0,10 ± 0,01) (1,73 ± 0,01) (0,15 ± 0,01) (1,74 ± 0,01) (0,19 ± 0,01) De modo a se obter a tensão mínima necessária para acender o LED amarelo, 𝑉𝑙𝑖𝑚𝑖𝑎𝑟, realizou-se a linearização dos quadro últimos pontosexperimentais, como apresentado na figura 5, a seguir: (Figura 5: Ajuste linear dos quatro últimos pontos experimentais, LED amarelo.) O gráfico apresentado na Figura 5, expressa a seguinte função linear: 𝑦 = (−77,74 ± 8,27517) + (43,6 ± 4,52161)𝑥 Que pode ser reescrita mais corretamente na forma: 𝑦 = (−78 ± 8) + (44 ± 5)𝑥 A partir da Figura 3, observa-se que o valor de 𝑉𝑙𝑖𝑚𝑖𝑎𝑟 é obtido quando 𝑦 = 0, ou seja: 0 = (−78 ± 8) + (44 ± 5)𝑥 Assim, 𝑉𝑙𝑖𝑚𝑖𝑎𝑟 = 𝑥 = (78 ± 8) (44 ± 5) 𝑉𝑙𝑖𝑚𝑖𝑎𝑟 = (1,8 ± 0,3)𝑉 Obtido o valor de 𝑉𝑙𝑖𝑚𝑖𝑎𝑟, a partir da equação (2) é possível estimar experimentalmente a constante de Planck (ℎ): ℎ = 𝑒𝑉𝑙𝑖𝑚𝑖𝑎𝑟𝜆 𝑐 Como 𝑒 e 𝑐 são constantes com valores previamente conhecidos, e 𝜆 é o comprimento de onda do LED amarelo, informado pelo fabricante como sendo 590 𝑛𝑚, tem-se: ℎ = (1,6𝑥10−19)(1,8 ± 0,3)(590𝑥10−9) (3𝑥108) Logo, ℎ = ((5,7 ± 0,9)𝑥10−34) 𝑚2𝑘𝑔 𝑠 (3) Comparando o valor obtido experimentalmente (3) com o real valor da constante de Planck (6,62606957𝑥10−34 𝑚2𝑘𝑔 𝑠 ) , observa-se uma divergência entre estes valores. A falta de total coerência entre o resultado experimental e o valor real da constante de Planck, se deve, possivelmente, à qualidade do ajuste linear feito (Figura 5). Observou-se que, uma maior quantidade de pontos plotados nesse caso, ou seja, caso fossem colhidos mais pontos próximos ao limite superior de voltagem, melhor seria a qualidade da linearização feita, o que, provavelmente, resultaria em um valor de 𝑉𝑙𝑖𝑚𝑖𝑎𝑟 mais próximo do ideal, e um valor experimental da constante de Planck mais coerente. Os resultados das medições experimentais para o segundo LED experimentado, o LED verde, são apresentados nas tabelas a seguir: (Tabela 3: Primeiros 8 pontos experimentais.) (Tabela 4: Últimos 8 pontos experimentais.) 𝑇𝑒𝑛𝑠ã𝑜 (𝑉) 𝐶𝑜𝑟𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 (𝑚𝐴) (2,50 ± 0,01) (0,24 ± 0,01) (2,51 ± 0,01) (0,31 ± 0,01) (2,52 ± 0,01) (0,41 ± 0,01) (2,55 ± 0,01) (0,53 ± 0,01) (2,60 ± 0,01) (0,89 ± 0,01) (2,75 ± 0,01) (1,43 ± 0,01) (2,85 ± 0,01) (2,38 ± 0,01) (2,90 ± 0,01) (3,48 ± 0,01) 𝑇𝑒𝑛𝑠ã𝑜 (𝑉) 𝐶𝑜𝑟𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 (𝑚𝐴) (2,36 ± 0,01) (0,00 ± 0,01) (2,38 ± 0,01) (0,00 ± 0,01) (2,40 ± 0,01) (0,01 ± 0,01) (2,42 ± 0,01) (0,03 ± 0,01) (2,44 ± 0,01) (0,05 ± 0,01) (2,46 ± 0,01) (0,10 ± 0,01) (2,48 ± 0,01) (0,15 ± 0,01) (2,49 ± 0,01) (0,19 ± 0,01) Os dados de tensão e corrente elétrica apresentados nas Tabelas 3 e 4, foram inseridos em um software de análises gráficas, e obteve-se o seguinte gráfico de corrente em função da tensão: (Figura 6: Gráfico experimental da corrente em função da tensão, LED verde.) De modo a se obter a tensão mínima necessária para acender o LED verde, 𝑉𝑙𝑖𝑚𝑖𝑎𝑟, realizou-se a linearização dos quadro últimos pontos experimentais, como apresentado na figura 7, a seguir: (Figura 7: Ajuste linear dos quatro últimos pontos experimentais, LED verde.) O gráfico apresentado na Figura 7, expressa a seguinte função linear: 𝑦 = (−25,2664 ± 4,11708) + (9,74286 ± 1,48237)𝑥 Que pode ser reescrita mais corretamente na forma: 𝑦 = (−25 ± 4) + (10 ± 1)𝑥 A partir da Figura 3, observa-se que o valor de 𝑉𝑙𝑖𝑚𝑖𝑎𝑟 é obtido quando 𝑦 = 0, ou seja: 0 = (−25 ± 4) + (10 ± 1)𝑥 Assim, 𝑉𝑙𝑖𝑚𝑖𝑎𝑟 = 𝑥 = (25 ± 4) (10 ± 1) 𝑉𝑙𝑖𝑚𝑖𝑎𝑟 = (2,5 ± 0,5)𝑉 Obtido o valor de 𝑉𝑙𝑖𝑚𝑖𝑎𝑟, a partir da equação (2) é possível estimar experimentalmente a constante de Planck (ℎ): ℎ = 𝑒𝑉𝑙𝑖𝑚𝑖𝑎𝑟𝜆 𝑐 Como 𝑒 e 𝑐 são constantes com valores previamente conhecidos, e 𝜆 é o comprimento de onda do LED verde, informado pelo fabricante como sendo 515 𝑛𝑚, tem-se: ℎ = (1,6𝑥10−19)(2,5 ± 0,5)(515𝑥10−9) (3𝑥108) Logo, ℎ = (7 ± 1)𝑥10−34 𝑚2𝑘𝑔 𝑠 (4) Comparando agora o valor obtido experimentalmente (4) com o real valor da constante de Planck (6,62606957𝑥10−34 𝑚2𝑘𝑔 𝑠 ) , observa-se que, nesse caso, embora o resultado experimental apresente um valor de incerteza mais elevado que no primeiro caso, os valores são relativamente próximos. E assim, diferentemente do valor experimental da constante de Planck obtido a partir do LED amarelo, o valor obtido pelo LED verde revelou maior coerência com o valor real. O que possivelmente justificaria uma maior coerência do valor da constante de Planck obtido a partir do LED de luz verde, são os pontos experimentais plotados no ajuste linear (Figura 7). Durante a execução experimental e a coleta dos pontos de voltagens do LED verde, atentou-se por “pegar” pontos experimentais mais próximos do limite superior de voltagem, diferentemente do procedimento adotado na obtenção dos pontos experimentais do LED de luz amarela. De modo geral, como já abordado inicialmente, o método utilizado para obtenção do 𝑉𝑙𝑖𝑚𝑖𝑎𝑟 é muito susceptível à disposição dos dados experimentais, e consequentemente aos possíveis erros decorrente da execução da experimentação. Desse modo, o procedimento ideal, seria a aplicação do método mais de uma vez. E assim, uma diminuição da incerteza associada ao valor de 𝑉𝑙𝑖𝑚𝑖𝑎𝑟, tornaria a estimativa da constante de Planck mais precisa e coerente. Obs.: Para possível verificação dos valores de incerteza apresentados anteriormente, um rascunho dos cálculos foi anexado ao final deste relatório. CONCLUSÃO: Finalizado a prática, foi possível obter experimentalmente a curva características dos LEDs de luz amarela e de luz verde. Além de determinar, de modo experimental, a tensão mínima necessária para acendê-las (𝑉𝑙𝑖𝑚𝑖𝑎𝑟). Por fim, obtido o valor de 𝑉𝑙𝑖𝑚𝑖𝑎𝑟 para cada um dos LEDs, foi possível estimar valores experimentais da constante de Planck, onde o valor obtido através do LED de luz verde, apresentou maior coerência com o valor real da constate. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: Roteiro Física Experimental II. ZANATTA, R. A. Constante de Planck. Instituto de Física de São Carlos: Laboratório Avançado De Física. Novembro, 2013.