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Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 1 de 73 SUMÁRIO 1 APRESENTAÇÃO........................................................................................................ 1 2 TÍTULOS DE CRÉDITO: PRINCÍPIOS GERAIS................................................................. 2 3 ALGUMAS CARACTERÍSTICAS INERENTES AOS TÍTULOS DE CRÉDITOS ........................... 3 4 PRINCÍPIOS DOS TÍTULOS DE CRÉDITO ...................................................................... 3 4.1 LITERALIDADE....................................................................................................... 4 4.2 CARTULARIDADE ................................................................................................... 4 4.3 AUTONOMIA.......................................................................................................... 5 5 CLASSIFICAÇÃO DOS TÍTULOS DE CRÉDITO ................................................................ 6 5.1 QUANTO À ESTRUTURA .......................................................................................... 6 5.2 QUANTO AO MODELO ............................................................................................. 8 5.3 QUANTO À CRIAÇÃO .............................................................................................. 8 5.4 QUANTO À CIRCULAÇÃO......................................................................................... 9 6 ENDOSSO .............................................................................................................. 11 6.1 RESPONSABILIDADE DO ENDOSSANTE................................................................... 11 6.2 ENDOSSO EM PRETO X ENDOSSO EM BRANCO ........................................................ 12 6.3 ENDOSSO X CESSÃO CIVIL DO CRÉDITO ................................................................ 13 6.4 TIPOS DE ENDOSSO............................................................................................. 14 6.5 ENDOSSO PARCIAL .............................................................................................. 15 6.6 PONTO AVANÇADO ± PERDA DE TÍTULO ENDOSSADO .............................................. 16 7 AVAL ..................................................................................................................... 18 8 PROTESTO ............................................................................................................. 22 9 DISPOSIÇÕES DO CÓDIGO CIVIL SOBRE OS TÍTULOS DE CRÉDITO .............................. 23 10 LETRA DE CÂMBIO ............................................................................................... 29 11 NOTA PROMISSÓRIA ............................................................................................ 37 12 CHEQUE.............................................................................................................. 42 12.1 QUESTÃO PRÁTICA SOBRE O CHEQUE................................................................. 50 13 DUPLICATAS ....................................................................................................... 57 14 QUESTÕES COMENTADAS ..................................................................................... 69 15 GABARITO DAS QUESTÕES COMENTADAS NESTA AULA............................................ 73 1 APRESENTAÇÃO Olá, meus amigos. Como estão?! É com um imenso prazer que estamos aqui, no Estratégia Concursos, para ministrar mais uma aula da disciplina de Direito Empresarial para o Exame da OAB. Hoje, conforme prometido, falaremos sobre os títulos de crédito. CRONOGRAMA Aula 05. Títulos de crédito. O fórum de dúvidas está funcionando. Está ok?! É isso! Vamos começar a nossa batalha?! Forte abraço! GABRIEL LO AULA 05 ± TÍTULOS DE CRÉDITO Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 2 de 73 2 TÍTULOS DE CRÉDITO: PRINCÍPIOS GERAIS O mundo hoje é vive eminentemente do crédito, do consumo. Não mais consegue andar a sociedade sem que as pessoas (físicas ou jurídicas) se utilizem, com toda a voracidade, de operações mercantis. O crescente desuso da moeda em papel, manual, torna muito mais célere a mobilização da riqueza, exigindo-se, para isso, documentos representativos. Mas o crédito pode ser apresentado de várias maneiras, seja contratual, seja por título, escritura. Contudo, o título de crédito, dentre todos os modos, é o que propicia maiores vantagens em sua emissão, dada a simplicidade, baixo custo e facilidade de cobrança. Mas o que vem a ser o título de crédito?! O conceito, emanado por Cesare Vivante, é o que melhor responde a pergunta. Tanto que o Código Civil encampou sua doutrina para narrar: Art. 887. O título de crédito, documento necessário ao exercício do direito literal e autônomo nele contido, somente produz efeito quando preencha os requisitos da lei. Portanto, o conceito mais recorrentemente cobrado em provas é o seguinte: Título de crédito é o documento necessário para o exercício do direito, literal e autônomo, nele mencionado (Cesare Vivante). Segundo Fábio Ulhoa, os títulos de crédito são documentos representativos de obrigações pecuniárias. Não se confundem com a própria obrigação, mas se distinguem dela na medida em que a representam. Assim, deste conceito, devemos destacar: - O título é um documento. - O título é literal, isto é, os valores exigidos só podem ser aqueles ali, expressamente firmados. - O título é autônomo, isto é, se desvincula da relação que lhe deu origem. Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 3 de 73 3 ALGUMAS CARACTERÍSTICAS INERENTES AOS TÍTULOS DE CRÉDITOS Diversas são as características que podem ser atribuídas aos títulos de crédito. Listemos algumas: - Agilidade ou celeridade: por ser título de formalidade mais simples, se comparado a outros instrumentos de dívida, e, também, por ser um título executivo, de fácil cobrança. - Liquidez da obrigação: a obrigação é conhecida, determinada. - Caráter quesível da obrigação: os títulos de crédito, em regra, são quesíveis, isto é, deve o credor buscar a satisfação no domicílio do devedor. - Caráter pro solvendo: o título de crédito, de modo geral, tem característica pro solvendo. E o que é isso? Significa que, em regra, a simples tradição, ou entrega do título, não necessariamente implica o pagamento, pois há uma dilação do prazo para pagamento. Os títulos pro solutos são aqueles que devem ser quitados quando houver a entrega do título. Isso foi cobrado na prova de Procurador da Fazenda Nacional, pela ESAF, em 2015, com a seguinte assertiva (item incorreto): (ESAF/Procurador da Fazenda Nacional/2015) Os títulos de crédito são documentos representativos GH�REULJDo}HV�SHFXQLiULDV� ú�GH�RULJHP cambial ou H[WUDFDPELDO� ú�H��FRPR�UHJUD��WrP QDWXUH]D�³SUR�VROXWR´� 4 PRINCÍPIOS DOS TÍTULOS DE CRÉDITO Três são os princípios que se relacionam aos títulos de crédito. Os principais consagrados em nosso direito pátrio são: PRINCÍPIOS DO REGIME CAMBIAL 1) Literalidade Æ Só vale no título o que tiver nele escrito. 2) Cartularidade Æ O exercício do direito ao crédito só vale se o seu beneficiário apresentar o documento (proíbe-se cópias). 3) Autonomia Æ As obrigações são autonomas, umas em relação as outras. Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 4 de 73 4.1 LITERALIDADE Por este princípio, só vale no título o que estiver nele escrito. Sendo o título de crédito um documento, somente aquilo que nele estiver circunstanciado valerácomo obrigação, sua data, valor, titular, entre outros dados. Se João é beneficiário de um cheque emitido por Maria no valor de R$ 10.000,00, não poderá alegar que o valor correto a lhe ser pago pela instituição financeira seria de R$ 15.000,00, pois, pelo princípio da literalidade, só vale no cheque o que estiver nele contido. A FCC, em 2015, cobrou este item, com a seguinte questão: (FCC/Julgador Administrativo Tributário/SEFAZ/PE/2015) Nos títulos de crédito, ensina-se que o devedor não é obrigado a mais, nem o credor pode querer outros direitos, que não aqueles declarados só expressamente no título. Esta lição refere-se aos efeitos da: a) literalidade. b) autonomia. c) abstração. d) incorporação. e) causalidade. O gabarito é a letra a. 4.2 CARTULARIDADE Pelo princípio da cartularidade, o direito à cobrança somente pode ser exercido mediante a apresentação do título. Ainda, no mesmo exemplo citado acima, imagine-se que o cheque não foi pago, por insuficiência de fundos. Todavia, João perdeu o documento. Porém, astuto que é, providenciou a fotocópia do título. Poderá promover a cobrança com a Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 6 de 73 1) Abstração: qualquer título de crédito colocado em circulação se desvincula da relação originária que lhe deu causa. 2) Inoponibilidade das exceções pessoais aos terceiros de boa-fé: uma vez que as relações cambiais são autônomas entre si, não pode o devedor original do título alegar em juízo as exceções (defesas) pessoais que possui contra o credor original, opondo-as ao portador de boa-fé. Veja bem, a inoponibilidade das exceções pessoais tem uma faceta processual. Vejamos uma questão bem sutil do CESPE, explorada no ano de 2015 para que possamos entender: (CESPE/Defensor Público/PE/2015) A sociedade empresária X firmou contrato com a sociedade empresária Y, para que Y lhe prestasse determinado serviço, tendo Y recebido como título de crédito uma nota promissória, sem indicação expressa da sua vinculação ao citado contrato. Com referência a essa situação hipotética, julgue o item seguinte. Caso o contrato não seja cumprido e a sociedade Y ponha a nota promissória em circulação, o devedor não poderá opor-se ao pagamento a terceiro que apresente o referido título de crédito, em face da autonomia da cártula e da inoponibilidade das exceções ao terceiro de boa-fé. Comentários: A incorreção da questão está em afirmar que ele não poderá opor ao pagamento em face da autonomia e da inoponibilidade das exceções. Na verdade, é em homenagem à abstração. Gabarito Æ Errado. 5 CLASSIFICAÇÃO DOS TÍTULOS DE CRÉDITO Os títulos de crédito se classificam de quatro modos distintos, a saber: 5.1 QUANTO À ESTRUTURA Neste aspecto, pode ser o título de crédito ou ordem ou promessa de pagamento. O título que configura ordem de pagamento é aquele que em que existem três pessoas: aquele que dá a ordem (sacador) ao devedor (sacado), para que o título seja pago a alguém (tomador, beneficiário). ORDEM DE PAGAMENTO Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 7 de 73 Por exemplo, o cheque é emitido pelo sacador (emitente) contra o sacado (instituição bancária), em favor próprio ou de terceiro, e que incide sobre fundos que o sacador dispõe em poder do sacado. A duplicata, cheque e letra de câmbio são exemplos de ordens de pagamento. Ordem de pagamento Duplicata Cheque Letra de câmbio As promessas de pagamento possuem apenas dois pólos: aquele que promete pagar e o beneficiário do pagamento. PROMESSA DE PAGAMENTO Um exemplo de promessa de pagamento é a nota promissória. Estrutura 1) Ordem de pagamento (duplicata, cheque, letra de câmbio) 2) Promessa de pagamento (nota promissória) Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 8 de 73 A ESAF abordou o assunto, no concurso para Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, com a seguinte assertiva (item correto): (ESAF/AFRFB/2009) O cheque e a duplicata são ordens de pagamento, e a nota promissória é uma promessa de pagamento. 5.2 QUANTO AO MODELO Os títulos de créditos podem ser classificados em dois aspectos quanto ao modelo, modelo vinculado (cheque e duplicata) e modelo livre (nota promissória e letra de câmbio). Modelo Vinculado Nota promissória Letra de câmbio Livre Cheque Duplicata Modelo livre são aqueles títulos para os quais a lei não trata pormenorizadamente de seus detalhes, deixando que alguns detalhes possam variar, mas sempre obedecendo aos requisitos básicos para figurarem como título de crédito (a serem vistos a seguir). Modelo vinculado são os títulos para os quais a lei traz a forma exata de como deve ser, tal como o cheque. 5.3 QUANTO À CRIAÇÃO Quanto à forma de criação, ou surgimento, o título pode ser causal ou não causal (ou abstrato). O título é causal quando a lei determina a causa de sua emissão, surgimento. Por exemplo, a duplicata é o título de crédito emitido com base em obrigação proveniente de compra e venda comercial ou prestação de certos serviços. Rege-se pela Lei 5.474/1968. É conhecida por ser um título causal, ou seja, encontra-se vinculada à relação jurídica que lhe dá origem que é a compra e venda mercantil. Contudo, tão logo emitida, a duplicata deixa de ter nexo com o negócio que lhe deu origem, tornando-se independente. Essa distinção deve estar clara: não obstante se perfaça em título de crédito causal, assim que emitida, deixa de ter nexo com o negócio jurídico que lhe deu origem. Os títulos não causais são aqueles que podem ser emitidos em diversas hipóteses, tal como a nota promissória, cheque e letra de câmbio. Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 9 de 73 5.4 QUANTO À CIRCULAÇÃO Quanto à circulação, os títulos podem ser nominativos ou ao portador. O título nominativo, por fim, é definido pelo Código Civil como: Art. 921. É título nominativo o emitido em favor de pessoa cujo nome conste no registro do emitente. O título nominativo é aquele que indica expressamente o nome do beneficiário, seja no próprio título, seja em registro do emitente. Ademais, o título nominativo pode ser à ordem (quando circula por endosso) ou não à ordem (quando circula por cessão civil). O título ao portador é aquele que não indica o nome do beneficiário. A lei 8.021/1990 proíbe a emissão de títulos ao portador. Igualmente dispõe o artigo 907 do Código Civil: Art. 907. É nulo o título ao portador emitido sem autorização de lei especial. Porém, como se vê, o CC ressalva a hipótese de lei especial prever de modo diverso. Para o cheque, a lei 9.069/95, art. 69, confere o direito de emissão de cheque ao portador, desde que o valor seja inferior a R$ 100 (cem reais). Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 10 de 73 (FCC/Julgador Administrativo/SEFAZ/PE/2015) Relativamente à classiificação dos títulos de crédito, considere: I. Os títulos de crédito devem sempre atender em sua emissão a um padrão obrigatório, de modelo vinculado quanto à disposição formal dos elementos essenciais à sua criação. II. Quanto à circulação, os títulos são ao portador ou nominativos, subdividindo- VH�HVWHV�HP�³j�RUGHP´�H�³QmR�j�RUGHP´� III. Quanto à estrutura, os títulos de crédito se classificam em ordem de pagamento e promessa de pagamento; na ordem, o sacador do título de crédito manda que osacado pague determinada importância, enquanto na promessa o sacador assume o compromisso de pagar o valor do título. Está correto o que se afirma em a) I, II e III. b) I e III, apenas. c) I e II, apenas. d) II e III, apenas. e) I, apenas. Comentários: O item I está incorreto. O título, quanto ao modelo, pode ser vinculado ou não vinculado. O item II está correto. A assertiva traz corretamente o conceito estabelecido pelo autor Fabio Ulhoa. O item III também está correto. Quanto à estrutura, a divisão é como ordem de pagamento e promessa de pagamento. Gabarito Æ D. Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 11 de 73 6 ENDOSSO Falaremos agora dos diversos atos ou declarações cambiários. Endosso é o ato mediante o qual se transfere a propriedade de um título. Juridicamente falando, é um ato unilateral, solidário e autônomo, pelo qual se transferem os direitos emergentes de um título. O endosso, além de transferir o título, é uma garantia. Suponhamos que Gabriel emite uma Nota Promissória a Lucas, passando a dever a ele o valor de R$ 100,00. Lucas, por sua vez, deseja efetuar uma compra no valor de R$ 300,00, mas só possui R$ 200,00 em numerários. O que poderá fazer? Poderá endossar o montante de R$ 100,00 constante de seu título de crédito, transferindo os direitos ao vendedor. De acordo com o Código Civil: Art. 893. A transferência do título de crédito implica a de todos os direitos que lhe são inerentes. Se A emite cheque a B, como pagamento de determinada obrigação que possui, e B resolve endossar este cheque para C, por possuir dívida com C no mesmo valor, transmite-se o direito a ele não só de receber o título de crédito, originário de A, mas também o direito de cobrar em juízo, por exemplo, caso o título não seja quitado. Com efeito, diz-se que a transferência do título implica a transferência igualmente de todos os direitos que lhe são inerentes. Se C quisesse endossar novamente o título, poderia fazê-lo. E assim por diante. 6.1 RESPONSABILIDADE DO ENDOSSANTE Outra pergunta interessante é se o endossante continua responsável pelas obrigações constantes do título. Vejamos: Art. 914. Ressalvada cláusula expressa em contrário, constante do endosso, não responde o endossante pelo cumprimento da prestação constante do título. Seguindo a inteligência do artigo 914, o endossante não responde, via de regra, pelo pagamento da obrigação. Porém, não podemos olvidar que o Código Civil é norma geral e pode ser excepcionado por norma especial. Tanto o é que, de acordo com as legislações especiais, o cheque, duplicata, nota Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 12 de 73 promissória e letra de câmbio, são títulos que mantêm o endossante como devedor solidário. Esse tópico foi abordado no concurso para Auditor Fiscal da Receita Estadual, realizado pela FGV, (item correto), com o seguinte teor: De acordo com as disposições do Código Civil, o endossante de título à ordem não responde pelo cumprimento da prestação constante do título, salvo se este contiver cláusula expressa em contrário. 6.2 ENDOSSO EM PRETO X ENDOSSO EM BRANCO O endosso ocorre com a assinatura do endossante na própria cártula (título), que pode ocorrer com a indicação do nome do novo beneficiário (endossatário), caracterizando o chamado endosso em preto, ou sem a indicação do beneficiário, o denominado endosso em branco. Importante: Endosso em preto Æ Indica o novo beneficiário. Endosso em branco Æ Não indica o novo beneficiário. Art. 910. O endosso deve ser lançado pelo endossante no verso ou anverso do próprio título. Outro detalhe trazido pelo Código Civil, mas que costuma ser bem cobrado em prova, é o seguinte: Art. 910. O endosso deve ser lançado pelo endossante no verso ou anverso do próprio título. Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 13 de 73 § 1o Pode o endossante designar o endossatário, e para validade do endosso, dado no verso do título, é suficiente a simples assinatura do endossante. Então, o endosso pode ser dado no verso ou anverso (frente) do título. Observem que o parágrafo primeiro trouxe que para a validade do endosso no verso é suficiente a simples assinatura do endossante. Ora, o parágrafo falou sobre o anverso? Não! Concluímos, em interpretação a contrario sensu, que a simples assinatura para endosso feito no anverso não é suficiente para a transferência do título. Devemos expressamente dizer que se trata de endosso, sob pena de ser reputado como aval. Art. 898. O aval deve ser dado no verso ou no anverso do próprio título. § 1o Para a validade do aval, dado no anverso do título, é suficiente a simples assinatura do avalista. Ambos (endosso e aval) podem ser feito no verso e na frente do título. Porém: Anote-se, também, que o protesto é necessário para cobrar o título dos endossantes e de seus avalistas. 6.3 ENDOSSO X CESSÃO CIVIL DO CRÉDITO Outro aspecto importante é diferenciar o endosso da cessão civil de crédito. De acordo com o Código Civil: Art. 919. A aquisição de título à ordem, por meio diverso do endosso, tem efeito de cessão civil. Endosso Cessão civil do crédito Transmissão de títulos à ordem. Transmissão de títulos não à ordem. Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 14 de 73 Endosso Cessão civil do crédito Quem transfere o título de crédito responde pela existência do título e também pelo seu pagamento. Quem transfere o título de crédito só responde pela existência do título, mas não responde pelo seu pagamento. O devedor não pode alegar contra o endossatário de boa-fé exceções pessoais. O devedor pode alegar contra o cessionário de boa-fé exceções pessoais. Não pode ser parcial Pode ser parcial Se qualquer questão perguntar, portanto, se o endosso é ato necessário para a transferência dos títulos de crédito, marque a alternativa como incorreta, já que a transmissão pode também se dar por cessão civil. Outro ponto que é muito importante frisar é que o endosso posterior ao protesto tem efeito de cessão civil de créditos. Art. 919. A aquisição de título à ordem, por meio diverso do endosso, tem efeito de cessão civil. Art. 920. O endosso posterior ao vencimento produz os mesmos efeitos do anterior. Portanto, se determinado título for endossado após o protesto, o efeito é de cessão civil! 6.4 TIPOS DE ENDOSSO Sobre os tipos de endosso, divide-se ele em próprio ou impróprio. O endosso próprio ou puro e simples transfere a propriedade imediata do título e torna o endossante responsável solidariamente (lembre-se: segundo o CC, apenas se contiver cláusula expressa, todavia, a legislação especial que rege os diversos títulos previu a responsabilidade solidária) pelo pagamento do crédito. Endosso próprio ou puro e simples Transfere a propriedade Torna o endossante responsável solidariamente O endosso impróprio é o que não transfere a propriedade do título, permitindo apenas ao endossatário exercer direitos relativos à cártula. Da espécie endosso impróprio resultam as espécies endosso-mandato e endosso- caução. Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 15 de 73 Endosso impróprio Não transfere a propriedade Endossatário exerce os direitos apenas A FGV, no concurso para Procurador do TCM-RJ, explorou este assunto, com a seguinte sentença: O endosso impróprio transfereo exercício dos direitos inerentes à cambial. O item deve ser analisado com muita cautela. O endosso impróprio transfere, sim, os direitos inerentes à cártula, exceto a transmissão da propriedade. Gabarito, portanto, correto. Do genero endosso mandato resultam os endossos do tipo mandato ou procuração e caução ou pignoratício. Endosso-mandato ou endosso procuração é aquele através do qual o endossatário atua em nome do endossante, não possuindo a posse sobre o título. Com a morte ou a superveniente incapacidade do endossante, não perde eficácia o endosso-mandato (CC, art. 917, §2º). Ademais, o título poderá ser novamente endossado, desde que nos mesmos poderes recebidos e, também, na qualidade de endosso-procuração. Sobre a responsabilidade no endosso-mandDWR�� VHJXQGR� R� (JUpJLR� 67-�� ³só responde por danos materiais e morais o endossatário que recebe título de crédito por endosso-mandato e o leva a protesto, se extrapola os poderes de mandatário ou em razão de ato culposo próprio, como no caso de apontamento depois da ciência acerca do pagamento anterior ou da falta de higidez da cártula´�� Portanto, se o banco recebeu uma duplicata para cobrar e extrapolou os limites que lhe foram concedidos, responderá pelos danos. O endosso caução, endosso garantia ou endosso penhor é utilizado quando o endossante deposita ou dá o título, perante o endossatário como garantia de uma dívida. O título endossado em garantia permanecerá com o endossatário até que haja a liquidação da dívida. Com o inadimplemento do endossante, o endossatário passará a ter a efetiva propriedade do título. Existe, ainda, o endosso após o vencimento do título, que é conhecido como endosso póstumo. Produzirá efeitos tal como tivesse sido feito antes do vencimento, salvo se feito após o protesto por falta de pagamento ou após a expiração do prazo para protestar. 6.5 ENDOSSO PARCIAL Por fim, temos de nos perguntar: pode o endosso ser parcial? Segundo o Código Civil: Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 16 de 73 Art. 912. Considera-se não escrita no endosso qualquer condição a que o subordine o endossante. Parágrafo único. É nulo o endosso parcial. Portanto, com base no Código Civil, temos que o endosso parcial é nulo. A justificativa para a proibicão do endosso parcial é no sentido de que o endosso, em regra, transfere a cártula, e não há possibilidade de se transferir só ³PHLR�WtWXOR�GH�FUpGLWR´. 6.6 PONTO AVANÇADO ± PERDA DE TÍTULO ENDOSSADO Suponhamos a seguinte situação: C (emite uma n. promissória) Æ A (endossante) Æ B (endossatário) Æ Perde o título. Suponha que o título seja uma nota promissória, no valor de R$ 5.000,00. O endosso foi feito em branco. Vamos nos fazer algumas perguntas! 1) Como está circulando o título? 2) O endossante vai responder pela obrigação? 3) O portador, que encontrou o título, pode exigir o valor dos devedores? 4) O que o endossatário, que tinha o direito a receber o valor, pode fazer? Bom, vamos analisar as perguntas. 1) O título está circulando ao portador. Ele está em branco. 2) O endossante, se nenhuma providência for tomada, vai responder, sim, pela obrigação. Afinal, ele é coobrigado e não sabe com quem está o título. Ele não tem a obrigação de saber que o título foi perdido. 3) O portador do título pode requerer o valor de quem quer que seja, exceto se adquirir de má-fé ou se tiver adquirido cometendo alguma fata grave. 4) Sobre o endossatário, aquele que poderia receber o valor, ele poderá ir a juízo e requerer novo título, para impedir que sejam pagos a outrem capital e rendimentos. Supondo a situação a seguir, vamos nos fazer algumas perguntas. Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 17 de 73 1. (FGV/Exame/OAB/2014) Sobre a distinção entre endosso e cessão de crédito, assinale a afirmativa correta. a) A cessão de crédito é a forma de transmissão dos títulos à ordem, enquanto o endosso é a forma de transmissão dos títulos não à ordem. b) A cessão de crédito ao cessionário pode ser parcial ou total, enquanto o endosso deve ser feito pelo valor integral do título, sob pena de nulidade. c) A eficácia do endosso em relação aos devedores do título depende de sua notificação; na cessão de crédito, a eficácia decorre da simples assinatura do cedente no anverso do título. d) O direito de crédito do endossatário é dependente das relações do devedor com portadores anteriores; o direito do cessionário é literal e autônomo em relação aos portadores anteriores. Comentários: Comentemos item a item... a) A cessão de crédito é a forma de transmissão dos títulos à ordem, enquanto o endosso é a forma de transmissão dos títulos não à ordem. O item está incorreto. A cessão de crédito é a forma de transmissão de títulos não à ordem, enquanto o endosso é a forma de transmissão dos títulos à ordem. b) A cessão de crédito ao cessionário pode ser parcial ou total, enquanto o endosso deve ser feito pelo valor integral do título, sob pena de nulidade. A cessão de crédito, conforme estudado no direito civil, pode sim ser parcial ou total. Todavia, o endosso não pode ser parcial, segundo o Código Civil: Art. 912. Considera-se não escrita no endosso qualquer condição a que o subordine o endossante. Parágrafo único. É nulo o endosso parcial. Este, portanto, é o nosso gabarito. c) A eficácia do endosso em relação aos devedores do título depende de sua notificação; na cessão de crédito, a eficácia decorre da simples assinatura do cedente no anverso do título. Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 18 de 73 Os quesitos estão ao contrário. Eficácia do endosso Æ simples assinatura do cedente no anverso do título. Eficácia da cessão civil de crédito Æ depende de notificação. d) O direito de crédito do endossatário é dependente das relações do devedor com portadores anteriores; o direito do cessionário é literal e autônomo em relação aos portadores anteriores. Item incorreto. Os quesitos também estão invertidos. O direito do cessionário é dependente das relações do devedor com portadores anteriores; o direito de crédito do endossatário é literal e autônomo em relação aos portadores anteriores. Portanto, o direito do endossatário é, assim, literal e autônomo em relação aos portadores anteriores. Todavia, o direito do cessionário depende das relações do devedor com portadores anteriores. Gabarito Æ B. 7 AVAL Falemos agora sobre o instituto do AVAL. Não raramente, vocês, quando já houverem passado nos certames que desejam, cheios de dinheiro, deverão se GHSDUDU� FRP� R� VHJXLQWH� SHGLGR� GH� XP� DPLJR�� ³)XODQR�� VHMD� Peu avalista na FRPSUD�GH�WDO�FRLVD"´�� Mas R�TXH�YHP�D�VHU�R�DYDO"�3RLV�EHP��)iELR�8OKRD�&RHOKR�R�GHILQH�FRPR�³ato cambiário pelo qual uma pessoa (avalista) se compromete a pagar titulo de crédito, nas mesmas condições do devedor deste titulo (avalizado)´. Vejamos também a explicação do Código Civil: Art. 897. O pagamento de título de crédito, que contenha obrigação de pagar soma determinada, pode ser garantido por aval. Parágrafo único. É vedado o aval parcial. Um aspecto importantíssimo para a prova é também o seguinte: o avalista responde solidariamente (ou seja, sem benefício de ordem) com o devedor principal. Assim, se o título não for pago no vencimento, o credor poderá cobrar diretamente do avalista, se quiser. AVAL Æ RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Veja-se, ainda, que, segundo o Código Civil, é vedado o aval parcial. Atente- se, contudo, para o fato de que a regra que veda o aval parcial não vale para os títulos que contenham legislação específicaprevendo de forma contrária. E, Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 19 de 73 de fato, as legislações especiais dos mais diversos títulos de crédito prevêem a possibilidade do aval parcial. Neste escopo, a FGV perguntou aos candidatos do concurso para Procurador do TCM RJ o seguinte: O Código Civil não admite o aval parcial (O item está correto, pois faz clara remissão ao CC). A ESAF, nos idos de 1996, questionou sobre o aval, se tido ou não como obrigação acessória. Ora, a responsabilidade do avalista é solidária juntamente com o avalizado. Trata-se, portanto, de obrigação principal, autônoma, no título de crédito. Ainda, caso se dê o aval posteriormente ao vencimento do título a produção de efeitos se dará tal como tivesse sido prolatado antes de seu vencimento. Assim prevê o CC: Art. 900. O aval posterior ao vencimento produz os mesmos efeitos do anteriormente dado. Ao avalizar determinado título, o avalista passar a ser devedor solidário. O aval, como dito, não é garantia acessória, posto que, como já propagado em diversos julgados do STJ, é autônomo e independente. O aval, em regra, deve ser feito na frente do título (anverso) ± CC, art. 898. Se for feito no anverso, basta que o avalista assine. Se for feito no verso, contudo, deverá ser indicado expressamente que se trata de aval, junto da assinatura. É o que se extrai da leitura dos artigos seguintes do Código Civil: Art. 898. O aval deve ser dado no verso ou no anverso do próprio título. § 1o Para a validade do aval, dado no anverso do título, é suficiente a simples assinatura do avalista. AVAL SE FEITO NO ANVERSO (FRENTE): BASTA ASSINATURA! SE FEITO NO VERSO: DEVE SE INDICAR EXPRESSAMENTE TRATAR-SE DE AVAL. O aval, tal como o endosso, pode indicar ou não a pessoa do avalizado. Indicando, será classificado como aval em preto. Não o fazendo teremos caracterizado o aval em branco. De acordo com o Código Civil: Art. 899. O avalista equipara-se àquele cujo nome indicar; na falta de indicação, ao emitente ou devedor final. § 1° Pagando o título, tem o avalista ação de regresso contra o seu avalizado e demais coobrigados anteriores. Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 20 de 73 § 2o Subsiste a responsabilidade do avalista, ainda que nula a obrigação daquele a quem se equipara, a menos que a nulidade decorra de vício de forma. Assim, de acordo com o artigo 899, §2º, se um negócio jurídico praticado com simulação é avalizado por Beltrano, não poderá ele alegar eventual nulidade no aval, uma vez que o verdadeiro prejudicado com tal situação é o credor. Existe, perfeitamente, a possibilidade de mais de uma pessoa ser avalista de um devedor. É o que a doutrina ousa chamar de aval simultâneo. 8P� H[HPSOR� SURSRVWR� SRU� -RVp� 3DXOR� /HDO�� 1XPD� QRWD� SURPLVVyULD�� ³$´� p� HPLWHQWH�H�³%´�R�EHQHILFLiULR��1R�anYHUVR�Ki�DVVLQDWXUDV�GH�³&´�H�³'´��³(´�H�³)´�� Não há restrição alguma, apenas assinaturas; portanto, avais em branco. Presume-se que todos avali]DUDP�³$´� Difere, todavia, do aval sucessivo, que se dá quando o avalista posterior avaliza o anterior. AVAL SUCESSIVO E AVAL SIMULTÂNEO Aval simultâneo Æ B, C, D, E e F avalizam A. Aval sucessivo Æ B avaliza A, C avaliza B, D avaliza C, E avaliza D e F avaliza E. Pois bem, feitas as devidas considerações sobre a figura do aval, passemos a distingui-la de outro instituto parecido, qual seja, a fiança. Aval Fiança Regulado pelo Direito Comercial Regulado pelo Direito Civil Obrigação autônoma Obrigação acessória Responsabilidade Solidária Responsabilidade Subsidiária Deve estar contido no título de crédito Pode estar em instrumento em separado Não pode o avalista opor as exceções pessoais do avalizado para se defender do credor de boa-fé As exceções pessoais do afiançado podem ser alegadas pelo fiador. Necessita de autorização do cônjuge, salvo no regime de separação absoluta Necessita de autorização do cônjuge, salvo no regime de separação absoluta Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 21 de 73 2. (FGV/Exame/OAB/2012) Com relação ao instituto do aval, é correto afirmar que: a) é necessário o protesto para a cobrança dos avalistas do emitente e dos endossantes de notas promissórias. b) o avalista, quando executado, pode exigir que o credor execute primeiro o avalizado. c) o aval pode ser lançado em documento separado do título de crédito. d) a obrigação do avalista se mantém, mesmo no caso de a obrigação que ele garantiu ser nula, exceto se essa nulidade for decorrente de vício de forma. Comentários: Comentemos item a item... a) é necessário o protesto para a cobrança dos avalistas do emitente e dos endossantes de notas promissórias. - O protesto se faz necessário para cobrança dos endossantes e avalistas dos endossantes. - O protesto não se faz necessário para cobrança do devedor principal e avalistas dos devedores do principal. Item incorreto. b) o avalista, quando executado, pode exigir que o credor execute primeiro o avalizado. Item incorreto. Não há benefício de ordem para o avalista. Vejam o que diz o Código Civil: Art. 899. O avalista equipara-se àquele cujo nome indicar; na falta de indicação, ao emitente ou devedor final. § 1° Pagando o título, tem o avalista ação de regresso contra o seu avalizado e demais coobrigados anteriores. c) o aval pode ser lançado em documento separado do título de crédito. Item incorreto. Segundo o Código Civil: Art. 898. O aval deve ser dado no verso ou no anverso do próprio título. d) a obrigação do avalista se mantém, mesmo no caso de a obrigação que ele garantiu ser nula, exceto se essa nulidade for decorrente de vício de forma. Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 22 de 73 Este é o nosso gabarito. Nos termos do Código Civil: Art. 899. § 2o Subsiste a responsabilidade do avalista, ainda que nula a obrigação daquele a quem se equipara, a menos que a nulidade decorra de vício de forma. Com efeito, ainda que a obrigação que eu tenha avalizado seja considerada nula, a obrigação do avalista subsiste. Essa situação é excepcional se o vício for de forma. Gabarito Æ D. 8 PROTESTO Se o devedor original de um título não o paga, o credor poderá cobrar dos demais coobrigados, efetuando antes o protesto do título. CONCEITO DE PROTESTO Protesto é o ato formal e solene pelo qual se prova a inadimplência e o descumprimento de obrigação originada em títulos e outros documentos de dívida (art. 1.º da Lei 9.492/1997). O protesto realiza-se no Cartório de Protesto de Títulos. Sua função é constituir em mora o devedor, fazendo prova sobre a impontualidade do devedor. Agora o principal aspecto quando o assunto é protesto: SEMPRE CAI EM CONCURSO!!! Cobrança contra o devedor principal e seu avalista: desnecessário o protesto. Diz-se que o protesto é facultativo. Cobrança contra os demais coobrigados: necessário o protesto. A ESAF cobrou o assunto no concurso para AFTN, há mais de 10 anos, em 1996, com a seguinte redação: Nos títulos de crédito, a falta do protesto necessário, nos prazos legais, exonera os coobrigados. O item está correto. A execução dos coobrigados depende da realização do protesto. Apenas mais um detalhe que também pode ser cobrado sob o protesto: Nos títulos de crédito pode existir cláusula denominada ³VHP� SURWHVWR´� RX� ³VHP�GHVSHVDV´. A aposição desta cláusula dispensará o portador de protestar o título para exercer seu direitode ação contra os coobrigados. Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 23 de 73 A cláusula pode ser aposta pelo sacador ou por um endossante ou avalista, nesta última hipótese só produzirá efeito em relação a esse endossante ou a esse avalista (art. 46 da LUG e art. 50 da Lei 7.357/1985). A FCC cobrou o tema em provas da seguinte forma: (Juiz Substituto TJ-PI/2001/FCC) Somente o sacador pode lançar na letra de câmbio a cláusula sem despesas ou sem protesto. Ora, tanto o sacador como os endossantes ou avalistas podem lançar a cláusula sem despesas ou sem protesto nos títulos de crédito. Item incorreto. 9 DISPOSIÇÕES DO CÓDIGO CIVIL SOBRE OS TÍTULOS DE CRÉDITO Os principais títulos de crédito hoje existentes são: cheque, duplicata, nota promissória e letra de câmbio. Esses configuram os chamados títulos de crédito próprios. Pois bem. O Código Civil apenas traz NORMAS GERAIS sobre o assunto, não tratando pormenorizadamente de qualquer deles. Assim dispôs o artigo 903: Art. 903. Salvo disposição diversa em lei especial, regem-se os títulos de crédito pelo disposto neste Código. Com efeito, não havendo previsão na lei que rege o título, devemos aplicar as normas do Código Civil. Art. 888. A omissão de qualquer requisito legal, que tire ao escrito a sua validade como título de crédito, não implica a invalidade do negócio jurídico que lhe deu origem. Negócio jurídico, segundo a doutrina, é toda ação ou omissão humana cujos efeitos jurídicos - criação, modificação, conservação ou extinção de direitos - derivam essencialmente da manifestação de vontade. Exemplos de negócio jurídico são os contratos e os testamentos. Os títulos de crédito são NEGÓCIOS JURÍDICOS ABSTRATOS, pois produzem efeito independentemente da causa que lhes deu origem. O artigo 888 determina que se faltar algum requisito legal para a validade do documento como título de crédito, ele não anulará o negócio como um todo. Perderá o documento tão-somente sua validade como título de crédito. Perde o título o seu caráter cambiário, mas continua vigendo conforme o direito civil. Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 24 de 73 Art. 889. Deve o título de crédito conter a data da emissão, a indicação precisa dos direitos que confere, e a assinatura do emitente. O título de crédito deve conter como REQUISITOS ESSENCIAIS: - DATA DA EMISSÃO: composta por ano, dia e mês. - INDICAÇÃO DOS DIREITOS QUE CONFERE: Trata-se da importância a ser paga. Por exemplo, uma duplicata que tenha por objeto a venda de 100 mercadorias a R$ 10,00, deverá narrar esta quantia. O valor deve ser certo. Não podendo ser indeterminado. Ademais, devem ser indicados também a pessoa do devedor e do credor. - ASSINATURA DO EMITENTE. Art. 889 (...) § 1o É à vista o título de crédito que não contenha indicação de vencimento. § 2o Considera-se lugar de emissão e de pagamento, quando não indicado no título, o domicílio do emitente. § 3o O título poderá ser emitido a partir dos caracteres criados em computador ou meio técnico equivalente e que constem da escrituração do emitente, observados os requisitos mínimos previstos neste artigo. A data de vencimento do título não é requisito obrigatório. Porém, se o título não contiver a data em que a obrigação vence, será considerado à vista (parágrafo primeiro). O parágrafo segundo traz, outrossim, outro requisito não essencial, a saber, o lugar de emissão e de pagamento do título de crédito. Quando o local não estiver circunstanciado no documento considerar-se-á como tal o DOMICÍLIO DO EMITENTE. Sobre o parágrafo terceiro, apenas legitima a possibilidade de emissão de títulos de maneira informatizada. Art. 890. Consideram-se não escritas no título a cláusula de juros, a proibitiva de endosso, a excludente de responsabilidade pelo pagamento ou por despesas, a que dispense a observância de termos e formalidade prescritas, e a que, além dos limites fixados em lei, exclua ou restrinja direitos e obrigações. Assim, são consideradas NÃO ESCRITAS: - Cláusulas de juros; Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 25 de 73 - Cláusula que proíba endosso; - Cláusula que exclua a responsabilidade pelo pagamento ou despesas; - Cláusula que dispense a observância de termos e formalidades prescritas; - Cláusula que exclua, restrinja direitos ou obrigações. Lembre-se de que se houver lei prevendo em sentido contrário, é ela quem prevalecerá. Lei especial prevalece sobre a lei geral. Por exemplo, a Lei Uniforme de Genebra, que regula as notas promissórias e letra de câmbio prevê: Art. 49 ± A pessoa que pagou uma letra pode reclamar dos seus garantes: 1 ± A soma integral que pagou; 2 ± Os juros da dita soma, calculados a taxa de 6 por cento, desde a data em que a pagou; 3 ± As despesas que tiver feito. Art. 891. O título de crédito, incompleto ao tempo da emissão, deve ser preenchido de conformidade com os ajustes realizados. Parágrafo único. O descumprimento dos ajustes previstos neste artigo pelos que deles participaram, não constitui motivo de oposição ao terceiro portador, salvo se este, ao adquirir o título, tiver agido de má-fé. Expliquemos o artigo 891. Assim, se duas pessoas, ao emitirem determinado título de crédito, acordam que a cláusula X ou Y será preenchida posteriormente, estão formando o chamado PACTO ADJETO. Pacto adjeto ou acessório é a denominação dada a toda cláusula inserida em acordo, formando uma convenção acessória dentro de uma convenção principal, com a finalidade de garantir seu adimplemento ou modificar seus efeitos. Por exemplo, um pacto no sentido de o portador preencher corretamente o título do qual é beneficiário, de acordo com o que fora acordado. Assim, se ao receber o título, agir em desacordo com a avença poderá o portador ser acionado judicialmente pelo emitente do título. Todavia, se posteriormente esse título de crédito preenchido com má-fé pelo portador é repassado a terceiro, este terceiro terá direito a receber o crédito da forma como consta no título, salvo se este último beneficiário também agir de má-fé. Art. 892. Aquele que, sem ter poderes, ou excedendo os que tem, lança a sua assinatura em título de crédito, como mandatário ou representante de outrem, fica pessoalmente obrigado, e, pagando o título, tem ele os mesmos direitos que teria o suposto mandante ou representado. Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 26 de 73 Exemplifique-se. Sabemos que o mandato é o instrumento que dá a uma pessoa poderes para praticar atos em nome de outra. Com fulcro no Código Civil: Art. 653. Opera-se o mandato quando alguém recebe de outrem poderes para, em seu nome, praticar atos ou administrar interesses. A procuração é o instrumento do mandato. Deste modo, imagine-se que João confere a Pedro procuração para que assine título de crédito em seu nome, no período de 01.01.2011 a 05.01.2011. De má- fé, Pedro emite determinado título em 07.06.2011, quando a procuração já não era mais válida, para realizar a compra de determinadas mercadorias para a empresa. Como Pedro não tem mais poderes para proceder à emissão, responderá pessoalmente pela emissão. Se Pedro promover, no entanto, a quitação do título, terá a dívida extinta e, WDPEpP�R�GLUHLWR�D�UHFHEHU�DV�PHUFDGRULDV�Mi�TXH�³pagando o título, tem ele os mesmos dLUHLWRV�TXH�WHULD�R�VXSRVWR�PDQGDQWH�RX�UHSUHVHQWDGR´. Art. 893. A transferência do título de crédito implica a de todos os direitos quelhe são inerentes. É o caso típico do endosso. Se A emite cheque a B, como pagamento de determinada obrigação que possui, e B resolve endossar este cheque para C, por possuir dívida com C no mesmo valor, transmite-se o direito a ele não só de receber o título de crédito, originário de A, mas também o direito de cobrar em juízo, por exemplo, caso o título não seja quitado. Com efeito, diz-se que a transferência do título implica a transferência igualmente de todos os direitos que lhe são inerentes. Se C quisesse endossar novamente o título, poderia fazê-lo. E assim por diante. Art. 894. O portador de título representativo de mercadoria tem o direito de transferi-lo, de conformidade com as normas que regulam a sua circulação, ou de receber aquela independentemente de quaisquer formalidades, além da entrega do título devidamente quitado. Para explicar este artigo, precisaremos conhecer um pouco sobre dois títulos de créditos ditos impróprios, quais sejam, o conhecimento de depósito e o warrant. O warrant e conhecimento de depósito são títulos de financiamento da atividade econômica. Fábio Ulhoa Coelho os define como títulos de créditos impróprios (para o autor não se tratam, na verdade, de títulos de crédito, apenas se aproximando do regime jurídico cambial), mais especificamente, na categoria de títulos representativos. Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 27 de 73 Títulos representativos são aqueles que representam mercadorias custodiadas (esta é a palavra chave!) e possibilitam, em algumas condições, a negociação, pelo proprietário, do valor que elas têm. O warrant e conhecimento de depósito são regidos pelo Decreto 1.102/1.903. Quem emite esses títulos é o armazém geral. Se o depositante solicitar, o armazém os emitirá, em substituição ao recibo de depósito. Os títulos são emitidos conjuntamente. O portador só terá direito à entrega da mercadoria depositada se apresentar os documentos juntos, devidamente quitados. Em síntese, é isso o que quer dizer o artigo 894 do Código Civil. Art. 895. Enquanto o título de crédito estiver em circulação, só ele poderá ser dado em garantia, ou ser objeto de medidas judiciais, e não, separadamente, os direitos ou mercadorias que representa. O artigo 895 trata exatamente de um princípio que dissemos no início do estudo dos títulos de crédito, qual seja, o princípio da autonomia. Exemplifiquemos. Imagine-se que A compre um bem a prazo de B, no valor de R$ 1.000,00, para pagamento em 30 dias, mediante a emissão de uma nota promissória (quem emite a nota promissória é o devedor, A, pois se trata de uma promessa de pagamento). B é o legítimo portador dessa nota promissória (beneficiário). B, por sua vez, necessita fazer compra de matéria-prima com o fornecedor C, e, não possuindo recursos, procede ao endosso da nota promissória para C, que passa a ser o legítimo portador do título, tendo direito a receber, na data certa, a quantia estipulada no título emitido por A. Assim, no vencimento, não poderá A, por exemplo, dizer que não pagará C, por estar o bem que comprou de B eivado de vício. Deve, em virtude do princípio da autonomia, A proceder ao pagamento e, em seguida, exigir o ressarcimento por parte de B. Imaginemos a mesma situação. A compra um bem de B, emitindo (A) uma nota promissória em favor de B (que é o portador do título). B tem uma dívida perante C, mas não endossa o título. Ele, simplesmente, diz: C, tenho um bem que vendi para A, e vou deixá-lo como garantia. Poderá C fazer isso?! Não, é claro! Pois as mercadorias já se desvincularam do título de crédito, não mais pertencendo a B, uma vez que houve a tradição (entrega da mercadoria). Em síntese, é isto o que diz o artigo 895: a garantia deve ser instituída sob o título e não sobre as mercadorias que dele são objeto. Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 28 de 73 Art. 896. O título de crédito não pode ser reivindicado do portador que o adquiriu de boa-fé e na conformidade das normas que disciplinam a sua circulação. O que este artigo quer, em síntese, dizer é que, se uma pessoa é legítima portadora de um título, tendo agido de boa-fé para receber os direitos que lhe são inerentes, não poderá ter seu direito prejudicado por relações travadas anteriormente. Art. 901. Fica validamente desonerado o devedor que paga título de crédito ao legítimo portador, no vencimento, sem oposição, salvo se agiu de má-fé. Parágrafo único. Pagando, pode o devedor exigir do credor, além da entrega do título, quitação regular. O título que configura venda a prazo pode, tão-logo vença, ser exigido. O pagamento quando efetuado implica a extinção da obrigação que o título carrega consigo. Assim, o pagamento pelo devedor desobriga todos aqueles que da relação cambial tiveram parte. A exceção é a existência de má-fé por parte de quem paga. E mais, uma vez efetuado o pagamento do título, pode o devedor exigir que o credor lhe entregue o título de volta. Art. 902. Não é o credor obrigado a receber o pagamento antes do vencimento do título, e aquele que o paga, antes do vencimento, fica responsável pela validade do pagamento. § 1o No vencimento, não pode o credor recusar pagamento, ainda que parcial. § 2o No caso de pagamento parcial, em que se não opera a tradição do título, além da quitação em separado, outra deverá ser firmada no próprio título. Antes do vencimento, não precisa o credor aceitar o pagamento. Se o devedor o fizer, e o fizer incorretamente, fica responsável pela validade do pagamento. Afinal, como diz o brocardo jurídico, quem paga mal paga duas vezes. Todavia, no vencimento, querendo o devedor fazer pagamento, ainda que parcial, não pode o credor recusar. Se o pagamento for parcial, o título não é entregue ao devedor. Nesta hipótese, deve ser feita uma quitação em separado, para ficar de posse do devedor, e, também, uma no próprio título, provando a quitação. Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 29 de 73 Vistas estas principais considerações gerais sobre os títulos de crédito, passemos a falar sobre os títulos em espécie. 10 LETRA DE CÂMBIO Inicialmente, estudaremos a letra de câmbio. Ela é o título de crédito mais antigo. Contudo, a letra de câmbio é título que aqui, em nosso país, se encontra em franco desuso. A seguir, um modelo de letra de câmbio: Fonte: http://www.segundoprotestosbc.com.br/sbc/img up/letracambio.jpg Suponha-se que Alberto deve uma quantia X a Carlos, e que Breno deve uma quantia X a Alberto. Uma solução viável para Alberto é emitir uma letra de câmbio, figurando como sacador, contra Breno (sacado), que passará a dever a quantia perante Carlos (tomador). Embora neste exemplo três pessoas tenham existido, pode ocorrer de na nota promissória sacador e tomador ou beneficiário serem a mesma pessoa. Um dos motivos que torna a letra de câmbio um título de difícil utilidade prática é que depende ela do aceite do sacado, do devedor. No caso, enquanto Breno não aceitasse as condições de pagar a quantia para Carlos não poderia ser de forma alguma responsabilizado nesta obrigação. Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 30 de 73 A letra de câmbio é regulada pela Lei Uniforme de Genebra e, uma vez emitida, não nasce de imediato a obrigação cambial, sendo necessário que o sacador a entregue ao sacado, a fim de que a aceite. Nasce a partir daí a obrigação. Todavia, o aceite, por parte do sacado, é facultativo. Reprise-se: o aceite éfacultativo! Eis o grande motivo de essa figura cambial ser de raríssima utilização no dia a dia. São requisitos da letra de câmbio, segundo a Lei Uniforme de Genebra: Art. 1º - A letra contém: 1 - A palavra "letra" inserta no próprio texto do título é expressa na língua empregada para a redação desse título; 2 - O mandato puro e simples de pagar uma quantia determinada; 3 - O nome daquele que deve pagar (sacado); 4 - A época do pagamento; 5 - A indicação do lugar em que se deve efetuar o pagamento; 6 - O nome da pessoa a quem ou a ordem de quem deve ser paga; 7 - A indicação da data em que, e do lugar onde a letra é passada; 8 - A assinatura de quem passa a letra (sacador). A letra em que se não indique a época do pagamento entende-se pagável à vista (LUG, art. 2º). Na falta de indicação especial, o lugar designado ao lado do nome do sacado considera-se como sendo o lugar do pagamento e, ao mesmo tempo, o lugar do domicílio do sacado (LUG, art. 2º). A letra pode ser pagável no domicílio de terceiro, quer na localidade onde o sacado tem o seu domicílio, quer noutra localidade (LUG, art. 4º). A letra sem indicação do lugar onde foi passada considera-se como tendo-o sido no lugar designado, ao lado do nome do sacador (LUG, art. 2º). Toda a letra de câmbio, mesmo que não envolva expressamente a cláusula a ordem, é transmissível por via de endosso (LUG, art. 11º). Quando o sacador tiver inserido na letra as palavras "não a ordem", ou uma expressão equivalente, a letra só é transmissível pela forma e com os efeitos de uma cessão ordinária de créditos (LUG, art. 11º). Segundo o artigo 11 da Lei Uniforme de Genebra: Art. 11. Toda a letra de câmbio, mesmo que não envolva expressamente a cláusula a ordem, é transmissível por via de endosso. Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 31 de 73 Quando o sacador tiver inserido na letra as palavras "não a ordem", ou uma expressão equivalente, a letra só é transmissível pela forma e com os efeitos de uma cessão ordinária de créditos. O endosso pode ser feito mesmo a favor do sacado, aceitando ou não, do sacador, ou de qualquer outro co-obrigado. Estas pessoas podem endossar novamente a letra. Ainda sobre o endosso da letra, a lei uniforme de genebra prescreve o seguinte: Art. 12 - O endosso deve ser puro e simples. Qualquer condição a que ele seja subordinado considera-se como não escrita. O endosso parcial é nulo. O endosso ao portador vale como endosso em branco. Como já frisamos, a letra de câmbio necessita de aceite. A letra pode ser apresentada, até o vencimento, ao aceite do sacado, no seu domicílio , pelo portador ou até por um simples detentor (LUG, art. 21). O aceite é escrito na própria letra. Exprime-se pela palavra "aceite" ou qualquer outra palavra equivalente; o aceite é assinado pelo sacado. Vale como aceite a simples assinatura do sacado aposta na parte anterior da letra (LUG, art. 25). O aceite é puro e simples, mas o sacado pode limitá-lo a uma parte da importância sacada (LUG, art. 26). A letra de câmbio pode ser: - À vista. - A dia certo. - A certo termo da vista. - A certo termo da data. Expliquemos rapidamente. - À vista: é o que já conhecemos. - A certo termo da vista: vencimento começa a contar a partir do aceite. Agora, para diferenciar o vencimento a certo termo da data do vencimento a dia certo, vejamos um exemplo. Alberto deve 1.000 reais a Bianca que deve 1.000 reais a Clarissa. Bianca emite uma letra de cambio, ela recebe o nome de sacador. Alberto aceita (ou nao) a letra e recebe o nome de sacado. Clarissa que e a credora recebe o nome de tomador. Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 32 de 73 Letra de cambio a dia certo: Bianca estipula um vencimento "simples", como, por exemplo, dia 31/12. Letra de câmbio a certo termo da data: Bianca estipula um prazo, por exemplo, 30 dias. Estes 30 dias começam a contar a partir da emissao do titulo. A diferença fica mais clara com este exemplo prático. Se recusado o aceite, considera-se que há vencimento antecipado do título. Um último aspecto interessante sobre a letra é o seguinte: em função do princípio da cartularidade, o crédito existe na medida em que está contido expressamente na cártula. Contudo, segundo a LUG: Art. 67. O portador de uma letra tem o direito de tirar cópias dela. A cópia deve reproduzir exatamente o original, com os endossos e todas as outras menções que nela figurem. Deve mencionar onde acaba a cópia. A cópia pode ser endossada e avalizada da mesma maneira e produzindo os mesmos efeitos que o original. Art. 68. A cópia deve indicar a pessoa em cuja posse se encontra o título original. Esta é obrigada a remeter o dito título ao portador legítimo da cópia. Se se recusar a fazê-lo, o portador só pode exercer o seu direito de ação contra as pessoas que tenham endossado ou avalizado a cópia, depois de ter feito constatar por um protesto que o original lhe não foi entregue a seu pedido. Se o título original, em seguida ao último endosso feito antes de tirada a cópia, contiver a cláusula "daqui em diante só é válido o endosso na cópia" ou qualquer outra fórmula equivalente, é nulo qualquer endosso assinado ulteriormente no original. Com efeito, o título se torna documento necessário ao exercício do direito nele mencionado. Então, como poderia alguém tirar cópia de uma nota e transferi-la por endosso, apoderando-se da via original? Não contrariaria o princípio referido? Para a LUG não. Essa questão foi abordada pelo CESPE no concurso para Juiz Substituto do TJ SE, em 2008, do seguinte modo: (Cespe/Juiz Substituto/TJ/SE/2008) Alfredo emitiu nota promissória em favor de Pedro e estabeleceu que seu vencimento se daria 6 meses após o vencimento do título. Entretanto, esqueceu-se de apor este acordo no título, que foi emitido sem data de vencimento. Pedro, por sua vez, negociou a nota promissória, colocando-a em circulação. A respeito da situação hipotética acima, assinale a opção correta. Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 33 de 73 a) Pedro pode tirar cópia da nota promissória e transferi-la por endosso, desde que a cópia indique que o original encontra-se em sua posse. Este item foi considerado correto pela banca. Embora remeta à nota promissória, o tratamento legislativo também se encontra na LUG. 3. (FGV/Exame/OAB/2013) Fontoura Xavier sacou letra de câmbio à ordem no valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) em face de Sales Oliveira, pagável à vista na praça de Itaocara, indicando como beneficiário Rezende Costa. Com base nos dados apresentados e na legislação sobre letra de câmbio, assinale a afirmativa incorreta. a) O vencimento da letra de câmbio ocorrerá na data de sua apresentação pelo beneficiário ao sacado, Sales Oliveira. b) Se o sacador, Fontoura Xavier, inserir D� FOiXVXOD� ³VHP� GHVSHVDV´� VHUi� facultativo o protesto por falta de pagamento. c) O beneficiário e portador, Rezende Costa, pode inserir no título a cláusula ³QmR�j�RUGHP´�DQWHV�GH�WUDQVIHUL-lo a terceiro. d) Se o sacador, Fontoura Xavier, inserir na letra de câmbio cláusula de juros e sua taxa, essa estipulação será considerada válida. Comentários: Comentemos item a item... a) O vencimento da letra de câmbio ocorrerá na data de sua apresentação pelo beneficiário ao sacado, Sales Oliveira. A única informação constante do enunciado é que a letra de câmbio é pagável à vista. Segundo a LUG: Art. 2º. A letra em que se não indique a época do pagamento entende-se pagável à vista. Art. 34 - A letra à vista é pagável a apresentação. Deveser apresentada a pagamento dentro do prazo de um ano, a contar da sua data. O sacador pode reduzir este prazo ou estipular um outro mais longo. Estes prazos podem ser encurtados pelos endossantes. E�� 6H� R� VDFDGRU�� )RQWRXUD� ;DYLHU�� LQVHULU� D� FOiXVXOD� ³VHP� GHVSHVDV´� será facultativo o protesto por falta de pagamento. Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 34 de 73 Item correto. Segundo a LUG: Art. 46 - O sacador, um endossante ou um avalista pode, pela cláusula "sem despesas", "sem protesto", ou outra cláusula equivalente, dispensar o portador de fazer um protesto por falta de aceite ou falta de pagamento, para poder exercer os seus direitos de ação. c) O beneficiário e portador, Rezende Costa, pode inserir no título a FOiXVXOD�³QmR�j�RUGHP´�DQWHV�GH�WUDQVIHUL-lo a terceiro. Art. 11 - Toda a letra de câmbio, mesmo que não envolva expressamente a cláusula a ordem, é transmissível por via de endosso. Quando o sacador tiver inserido na letra as palavras "não a ordem", ou uma expressão equivalente, a letra só é transmissível pela forma e com os efeitos de uma cessão ordinária de créditos. O endosso pode ser feito mesmo a favor do sacado, aceitando ou não, do sacador, ou de qualquer outro co-obrigado. Estas pessoas podem endossar novamente a letra. A nosso ver o item está correto, já que, segundo a LUG, o portador pode incluir a cláusula não à ordem. Contudo, fazendo, a transferência terá efeito de cessão civil de créditos. Todavia, a banca entendeu como incorreto. d) Se o sacador, Fontoura Xavier, inserir na letra de câmbio cláusula de juros e sua taxa, essa estipulação será considerada válida. Item correto. Art. 5º - Numa letra pagável à vista ou a um certo termo de vista, pode o sacador estipular que a sua importância vencerá juros. Em qualquer outra espécie de letra a estipulação de juros será considerada como não escrita. A taxa de juros deve ser indicada na letra; na falta de indicação, a cláusula de juros é considerada como não escrita. Os juros contam-se da data da letra, se outra data não for indicada. Gabarito Æ C (A questão deveria ter sido anulada!) 4. (FGV/Exame/OAB/2015) Uma letra de câmbio no valor de R$ 13.000,00 (treze mil reais) foi endossada por Pilar com cláusula de mandato para o Banco Poxim S/A. Não tendo havido pagamento no vencimento, a cambial foi apresentada a protesto pelo endossatário-mandatário, tendo sido lavrado e registrado o protesto pelo tabelião. Dez dias após o protesto, Rui Palmeira, aceitante da letra de câmbio, compareceu ao tabelionato e apresentou declaração de anuência firmada apenas pelo endossante da letra de câmbio, Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 35 de 73 com identificação do título e firma reconhecida. Não houve apresentação do título no original ou em sua cópia. À luz das disposições da Lei nº 9.492/97 sobre o cancelamento do protesto, é correto afirmar que o tabelião a) não poderá realizar o cancelamento do protesto por faltar no documento apresentado a anuência do endossatário-mandatário. b) não poderá realizar o cancelamento do protesto, porque esse ato é privativo do juiz, diferentemente da sustação do protesto. c) poderá realizar o cancelamento do protesto, porque é suficiente a declaração de anuência firmada pelo endossante-mandante. d) poderá realizar o cancelamento do protesto, porque o pedido foi feito no prazo legal (30 dias) e pelo aceitante, obrigado principal. Comentários: Sabemos que na letra de câmbio existem basicamente três figuras. A primeira delas é a do sacador, que é quem emite a letra de câmbio. A segunda é o sacado que é a quem a letra de câmbio é destinada. Por fim, temos uma terceira pessoa, que é o beneficiário da letra de câmbio. Portanto, A (sacador) emite uma letra de câmbio para B (sacado), a fim de que pague determinada quantia a C (tomador). Na situação em tela, houve endosso mandato para o Banco Poxim. Mas o que é o endosso mandato? ³1essa espécie de endosso, o credor de um título mantém a sua condição de credor, realizando o endosso apenas para que o endossatário possa representá- lo. Assim, o endossatário atua no interesse do endossante, podendo receber o valor do crédito, mas, se o título for protestado, a declaração de anuência para o cancelamento do protesto tem que ser feita pelo endossante´. Fonte: http://protestoibirite.com.br/?page id=24 O título não foi pago, de forma que foi protestado. Lembremos que o protesto é o ato pelo qual se prova a inadimplência do devedor, tendo basicamente duas finalidade: constituir prova pública de que o devedor atrasou o pagamento e resguardar o direito ao crédito. Quando o título for pago, devemos proceder ao cancelamento do protesto. Segundo a Lei de 9.492/1997: Art. 26. O cancelamento do registro do protesto será solicitado diretamente no Tabelionato de Protesto de Títulos, por qualquer interessado, mediante apresentação do documento protestado, cuja cópia ficará arquivada. Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 36 de 73 § 1º Na impossibilidade de apresentação do original do título ou documento de dívida protestado, será exigida a declaração de anuência, com identificação e firma reconhecida, daquele que figurou no registro de protesto como credor, originário ou por endosso translativo. § 2º Na hipótese de protesto em que tenha figurado apresentante por endosso- mandato, será suficiente a declaração de anuência passada pelo credor endossante. § 3º O cancelamento do registro do protesto, se fundado em outro motivo que não no pagamento do título ou documento de dívida, será efetivado por determinação judicial, pagos os emolumentos devidos ao Tabelião. 3RUWDQWR��SDUD�GDU�EDL[D�QR�SURWHVWR��SDUD�³OLPSDU�R�QRPH�QD�SUDoD´��R�FUHGRU� deve apresentar o título original protestado. Contudo, não sendo possível, será exigida a declaração de anuência, com identificação e firma reconhecida, daquele que figurou no registro de protesto como credor, originário ou por endosso translativo (art. 26, parágrafo primeiro). Agora, vamos ver as assertivas (o tabelião...). a) não poderá realizar o cancelamento do protesto por faltar no documento apresentado a anuência do endossatário-mandatário. O item está incorreto. Segundo o artigo 26, parágrafo segundo. É suficiente a anuência do endossante, sendo desnecessária a do endossatário. Afinal, o maior interessado é o endossante. b) não poderá realizar o cancelamento do protesto, porque esse ato é privativo do juiz, diferentemente da sustação do protesto. Incorreto. Segundo o parágrafo terceiro, artigo 26. No cancelamento do protesto temos o seguinte: - Cancelamento por pagamento: pode ser feito pelo tabelião. - Cancelamento por outro motivo: feito pelo tabelião, mas por determinação judicial. c) poderá realizar o cancelamento do protesto, porque é suficiente a declaração de anuência firmada pelo endossante-mandante. Gabarito! Conforme parágrafo primeiro do artigo 26 da Lei de Protestos. d) poderá realizar o cancelamento do protesto, porque o pedido foi feito no prazo legal (30 dias) e pelo aceitante, obrigado principal. Item incorreto. Esse prazo não consta do artio 26 da Lei 9492/1997. Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 37 de 73 Gabarito Æ C. 11 NOTA PROMISSÓRIA A nota promissória, como já dito, é uma promessa de pagamento, que se consubstancia em um título de crédito emitido pelo devedor. Ele é quem promete pagar determinada quantia a alguém. A seguir um modelode nota promissória: Fonte: http://tabelionatoroquedomingues.com.br/images/servicos/np.jpg Apenas duas figuras circundam a emissão da nota promissória: a) Emitente, devedor, promitente, que é aquele que emite a NP. b) Tomador, beneficiário, que é aquele que se beneficia na relação cambial. Para exemplificar a constituição de uma nota promissória citamos a seguinte hipótese, Pedro empresta R$ 1.000,00 (mil reais) ao seu amigo Anderson, que por sua vez se compromete a efetuar o pagamento do empréstimo em trinta dias, assim sendo, emite Anderson uma nota promissória no valor do empréstimo figurando Pedro como beneficiário, com vencimento para trinta dias da data. Segundo a LUG: Art. 75 - A nota promissória contém: 1 - Denominação "Nota Promissória" inserta no próprio texto do título e expressa na língua empregada para a redação desse título; 2 - A promessa pura e simples de pagar uma quantia determinada; Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 38 de 73 3 - A época do pagamento; 4 - A indicação do lugar em que se deve efetuar o pagamento; 5 - O nome da pessoa a quem ou a ordem de quem deve ser paga; 6 - A indicação da data em que e do lugar onde a nota promissória é passada; 7 - A assinatura de quem passa a nota promissória (subscritor). A nota promissória em que não se indique a época do pagamento será considerada pagável à vista (LUG, art. 76). Na falta de indicação especial, lugar onde o título foi passado considera-se como sendo o lugar do pagamento e, ao mesmo tempo, o lugar do domicílio do subscritor da nota promissória (LUG, art. 76). Na nota promissória não existe a figura do aceite, uma vez que emitida pelo próprio devedor. É jurisprudência do STJ que a nota promissória não pode ser emitida ao portador. A FGV, categoricamente, afirmou o seguinte no 2º concurso para Agente Fiscal de Rendas do Estado do RJ (item incorreto): a nota promissória pode ser emitida ao portador. Todavia, nada impede que seja emitida em branco. Desta forma, o credor deve completar o título de boa-fé antes da cobrança ou protesto, sob pena de não se conferir ao título natureza cambial (Ver in RT 591/220 e in RT 588/210). Torna-se nula a execução de nota promissória sem o preenchimento de seus requisitos essenciais. A nota promissória não será nula, apenas perderá as características de título cambial (LUG, art. 76). Segundo o Decreto Lei 2.044/1908: Art. 55. A nota promissória pode ser passada: I. à vista; II. a dia certo; III. a tempo certo da data. Os títulos a dia certo ou a data certa são aqueles que devem ser pagos no dia neles previsto. Nos títulos a tempo certo da data o prazo para vencimento começa a correr a partir do dia da emissão ou saque. Já para a letra de câmbio, dispõe o decreto que: Art. 6º A letra pode ser passada: I. à vista. II. a dia certo. III. a tempo certo da data. Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 39 de 73 IV. a tempo certo da vista. Ainda, para os dois tipos de título (nota e letra), prescreve a LUG que Art. 34 - A letra à vista é pagável a apresentação. Deve ser apresentada a pagamento dentro do prazo de um ano, a contar da sua data. O sacador pode reduzir este prazo ou estipular um outro mais longo. Estes prazos podem ser encurtados pelos endossantes. O sacador pode estipular que uma letra pagável à vista não deverá ser apresentada a pagamento antes de uma certa data. Nesse caso, o prazo para a apresentação conta-se dessa data. 5. (FGV/Exame/OAB/2014) Glória vendeu um automóvel a prazo para Valente. O pagamento foi realizado em quatro notas promissórias, com vencimentos em 30, 60, 90 e 120 dias da data de emissão. Os títulos foram endossados em branco para Paulo Afonso, mas foram extraviados antes dos respectivos vencimentos. Sobre a responsabilidade do emitente e do endossante das notas promissórias, assinale a afirmativa correta. a) Apenas o emitente responde pelo pagamento dos títulos porque o endossante não é coobrigado, salvo cláusula em contrário inserida na nota promissória. b) A responsabilidade do emitente e do endossante perante o portador subsiste ainda que os títulos tenham sido perdidos ou extraviados involuntariamente. c) O endossante e o emitente não respondem perante o portador pelo pagamento das notas promissórias em razão do desapossamento involuntário. d) O emitente e o endossante não respondem pelo pagamento dos títulos porque só é permitido ao vendedor sacar duplicata em uma compra e venda. Comentários: Vamos lá! Glória vendeu um carro para Valente. Na nota promissória existem duas figuras: emitente (devedor), que é quem promete o pagamento, e beneficiário (credor), que é a quem o pagamento é prometido. Valente, portanto, emitiu uma nota promissória, em que se compromete a pagar o valor em 30, 60, 90 e 120 dias. Glória endossou o título em branco para Paulo Afonso. O que é mesmo o endosso? Juridicamente falando, é um ato unilateral, solidário e autônomo, pelo qual se transferem os direitos emergentes de um título. O endosso, além de transferir o título, é uma garantia. Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 40 de 73 Segundo o Código Civil: Art. 914. Ressalvada cláusula expressa em contrário, constante do endosso, não responde o endossante pelo cumprimento da prestação constante do título. Seguindo a inteligência do artigo 914, o endossante não responde, via de regra, pelo pagamento da obrigação. Porém, não podemos olvidar que o Código Civil é norma geral e pode ser excepcionado por norma especial. Tanto o é que, de acordo com as legislações especiais, o cheque, duplicata, nota promissória e letra de câmbio, são títulos que mantêm o endossante como devedor solidário. E o endosso em branco? O que é? O endosso ocorre com a assinatura do endossante na própria cártula, que pode ocorrer com a indicação do nome do novo beneficiário (endossatário), caracterizando o chamado endosso em preto, ou sem a indicação do beneficiário, o denominado endosso em branco. Neste caso, o endosso foi em branco, sem o nome do novo beneficiário. Portanto, temos: - Emitente (devedor original): Valente. - Endossante (primeira beneficiária na cadeia e endossante, responsável solidária): Glória. - Endossatário e beneficiário do título (quem tem o direito de receber): Paulo Afonso. Depois disso, houve extravio. E agora? Segundo o Código Civil: Art. 909. O proprietário, que perder ou extraviar título, ou for injustamente desapossado dele, poderá obter novo título em juízo, bem como impedir sejam pagos a outrem capital e rendimentos. Parágrafo único. O pagamento, feito antes de ter ciência da ação referida neste artigo, exonera o devedor, salvo se se provar que ele tinha conhecimento do fato. A responsabilidade do emitente e do endossante perante o portador subsiste ainda que os títulos tenham sido perdidos ou extraviados involuntariamente. Portanto, o nosso gabarito é a letra b. Feitas essas considerações, analisemos as assertivas: Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 41 de 73 a) Apenas o emitente responde pelo pagamento dos títulos porque o endossante não é coobrigado, salvo cláusula em contrário inserida na nota promissória. Item incorreto. O endossante é coobrigado. b) A responsabilidade do emitente e do endossante perante o portador subsiste ainda que os títulos tenham sido perdidos ou extraviados involuntariamente. Gabarito! c) O endossante e o emitente não respondem perante o portadorpelo pagamento das notas promissórias em razão do desapossamento involuntário. Incorreto. Uma vez que o endosso é em branco, o portador poderá comparecer perante o emitente e endossante para que estes arquem com suas obrigações. Todavia, esse direito restará anulado, caso o proprietário prove que o título deva ser pago a ele, bem como compareça em juízo, requerendo a emissão de novo título, evitando que seja pago a outrem. Art. 909. O proprietário, que perder ou extraviar título, ou for injustamente desapossado dele, poderá obter novo título em juízo, bem como impedir sejam pagos a outrem capital e rendimentos. Parágrafo único. O pagamento, feito antes de ter ciência da ação referida neste artigo, exonera o devedor, salvo se se provar que ele tinha conhecimento do fato. d) O emitente e o endossante não respondem pelo pagamento dos títulos porque só é permitido ao vendedor sacar duplicata em uma compra e venda. Item incorreto. A lei de duplicatas prescreve que: Art. 2º No ato da emissão da fatura, dela poderá ser extraída uma duplicata para circulação como efeito comercial, não sendo admitida qualquer outra espécie de título de crédito para documentar o saque do vendedor pela importância faturada ao comprador. E agora? A duplicata é o único título hábil para documentar compra e venda? Não! A duplicata é o único título que pode ser emitido pelo vendedor, nas hipóteses arroladas na Lei de Duplicatas. Todavia, a nota promissória e o cheque, por exemplo, são títulos de crédito emitidos pelo devedor, eis que a utilização destes instrumentos é permitida em compra e venda, sim. Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 42 de 73 Gabarito Æ B. 12 CHEQUE O cheque é uma ordem de pagamento à vista. O cheque é regido pela Lei 7.357/85 (Lei do Cheque), e emitido pelo sacador (emitente) contra o sacado (instituição bancária), em favor próprio ou de terceiro, e que incide sobre fundos que o sacador dispõe em poder do sacado. Art. 3º O cheque é emitido contra banco, ou instituição financeira que lhe seja equiparada, sob pena de não valer como cheque. Art. 4º O emitente deve ter fundos disponíveis em poder do sacado e estar autorizado a sobre eles emitir cheque, em virtude de contrato expresso ou tácito. A infração desses preceitos não prejudica a validade do título como cheque. § 1º - A existência de fundos disponíveis é verificada no momento da apresentação do cheque para pagamento. Ainda, segundo a Lei do Cheque: Art. 32 O cheque é pagável à vista. Considera-se não-escrita qualquer menção em contrário. Os títulos de créditos podem ser classificados em dois aspectos quanto ao modelo, modelo vinculado (cheque e duplicata) e modelo livre (nota promissória e letra de câmbio). Art. 1º O cheque contêm: I - D�GHQRPLQDomR�µ¶FKHTXH¶¶�LQVFULWD�QR�FRQWH[WR�GR�WtWXOR�H�H[SUHVVD�QD�OtQJXD� em que este é redigido; II - a ordem incondicional de pagar quantia determinada; III - o nome do banco ou da instituição financeira que deve pagar (sacado); IV - a indicação do lugar de pagamento; V - a indicação da data e do lugar de emissão; VI - a assinatura do emitente (sacador), ou de seu mandatário com poderes especiais. O cheque não admite aceite considerando-se não escrita qualquer declaração com esse sentido (LC, art. 6º). A seguir um modelo de cheque com as características citadas acima: Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 43 de 73 Fonte: https://www.tcn.com.br/nastur/ajuda/chequemodelo.gif O sacado (banco) não se obriga ao pagamento do cheque, sendo a responsabilidade do emitente. Art. 15º O emitente garante o pagamento, considerando-se não escrita a declaração pela qual se exima dessa garantia. Art. 6º O cheque não admite aceite considerando-se não escrita qualquer declaração com esse sentido. Levem para a prova: o banco sacado não responde pela inexistência ou insuficiência de fundos. A responsabilidade do banco se dá somente quando do processamento de pagamento indevido, como creditamento a cliente errado, que não seja beneficiário do título, ou ainda no caso de pagamento de cheque falso, falsificado ou alterado, exceto se houver dolo ou culpa do correntista, endossante ou beneficiário (LC, art. 39). Outro aspecto que é sempre cobrado, é o seguinte: $UW�� ��� 2� VDFDGR� TXH� SDJD� FKHTXH� µ¶j� RUGHP¶¶� p� REULJDGR� D� YHULILFDU� D� regularidade da série de endossos, mas não a autenticidade das assinaturas dos endossantes. A mesma obrigação incumbe ao banco apresentante do cheque a câmara de compensação. Portanto, o banco (sacado) deve verificar a regularidade da série de endossos, se eles atendem os requisitos formais, contudo, a autenticidade da assinatura de cada endossante não é tarefa que cabe ao banco. Continuemos! Dissemos que o cheque é uma ordem de pagamento à vista (LC, DUW�� ����� 1RV� GL]HUHV� GR� 67-� ³A emissão de cheque pós-datado, popularmente conhecido como cheque pré-datado, não o desnatura como título de crédito, e traz como única consequência a ampliação do prazo de apresentação´�� Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 44 de 73 Desta forma, está incorreto o seguinte item apresentado no exame da Ordem dos Advogados do Brasil/2004: O cheque é uma ordem de pagamento à vista, sendo que qualquer menção em contrário o inutiliza como título de crédito. Como bem salientou o E. STJ, a única consequência é a ampliação do prazo de apresentação do título. Não será o cheque desnaturado como título de crédito! A emissão do cheque pré-datado é aceita como praxe, não havendo alicerce jurídico para tanto. Então, o que temos de saber é o seguinte: o cheque é ordem de pagamento à vista. Contudo, a emissão de cheque pré-datado é aceita no Brasil, por ser praxe, trazendo como única consequência a ampliação do prazo de apresentação, não o desnaturando como título de crédito! $�6~PXOD�����GR�67-�SURS}H�TXH�³caracteriza dano moral a apresentação antecipada do cheque pré-datado". Assim, encontra-se plenamente aceita em nossos tribunais pátrios a possibilidade de emissão de cheque pré-datado, embora constitua verdadeiro costume contra legem. Agora, outro aspecto interessante. Imagine-se que determinado comerciante emite cheque no valor de R$ 5.000,00 e o banco, quando da apresentação da cheque pelo fornecedor, não efetua o pagamento, devolvendo o cheque, por motivo não conhecido. Se o comerciante tinha saldo à época e mesmo assim o pagamento não fora efetuado, caracterizado está o dano moral. É o exato teor da súmula 388 do STJ: A simples devolução indevida de cheque caracteriza dano moral. Outro assunto interessante, diz respeito ao endosso dos cheques. Art. 18 O endosso deve ser puro e simples, reputando-se não-escrita qualquer condição a que seja subordinado. Importantíssimo agora: Art. 18, § 1º São nulos o endosso parcial e o do sacado. A lei que instituía a Contribuição Provisória sobre a Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF, qual seja a Lei 9.311/96, permitia tão somente um único endosso nos cheques, com o intuito de proibir a circulação de cheques sem o devido recolhimento do tributo. Ocorre que a referida lei não mais se encontra em vigor, podendo o cheque agora ser objeto de mais de um endosso. Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 45 de 73 Art. 20 - O endosso transmite todos os direitos resultantes do cheque. Se o endosso é em branco, pode o portador: I - completá-lo com oseu nome ou com o de outra pessoa (torna o endosso em preto); II - endossar novamente o cheque, em branco ou a outra pessoa; III - transferir o cheque a um terceiro, sem completar o endosso e sem endossar. 2�GHWHQWRU�GH�FKHTXH��j�RUGHP¶¶�p�FRQVLGHUDGR�SRUWDGRU�OHJLWLPDGR��VH�SURYDU� seu direito por uma série ininterrupta de endossos, mesmo que o último seja em branco. Para esse efeito, os endossos cancelados são considerados não- escritos (Lei do Cheque, artigo 22). Art. 23 O endosso num cheque passado ao portador torna o endossante responsável, nos termos das disposições que regulam o direito de ação, mas nem por isso converte o título num cheque µ¶j�RUGHP¶¶�� Sobre o aval, temos que a Lei do Cheque prevê: Art. 29 O pagamento do cheque pode ser garantido, no todo ou em parte, por aval prestado por terceiro, exceto o sacado, ou mesmo por signatário do título. Vê-se, pois, a possibilidade do aval parcial para o cheque. Sobre a classificação dos cheques, existem diversos tipos de cheques, senão vejamos: - Cruzado: é o cheque em que o emitente apõe dois traços paralelos no anverso do título (LC, art. 44). A principal finalidade do cruzamento é impedir que um cliente saque o cheque no caixa, permitindo-se apenas que se pague através de crédito em conta corrente. O parágrafo primeiro do art. 44 dispõe que se diz geral o cruzamento que contenha as duas linhas em branco, ou que apenas contenha a palavra banco (sem especificações) entre as suas linhas. Será especial o cruzamento se existir nome específico do banco entre as linhas do cruzamento. O cheque com cruzamento geral só pode ser pago pelo sacado a banco ou a cliente do sacado, mediante crédito em conta. O cheque com cruzamento especial só pode ser pago pelo sacado ao banco indicado, ou, se este for o sacado, a cliente seu, mediante crédito em conta. Pode, entretanto, o banco designado incumbir outro da cobrança (Lei do Cheque, art. 45). Segundo a Lei do Cheque: Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 46 de 73 Art. 44. § 2º O cruzamento geral pode ser convertido em especial, mas este não pode converter-se naquele. § 3º A inutilização do cruzamento ou a do nome do banco é reputada como não existente. O cruzamento especial não pode ser convertido em geral e a inutilização do cruzamento ou a do nome do banco é reputada como não existente Vejamos exemplos de cheque cruzado especial (em preto) e cheque cruzado geral (em branco): Cheque cruzado especial (ou em preto): Fonte: http://contabilidadycomercios.blogspot.com.br/2013/07/cheque.html Cheque cruzado geral (ou em branco): Fonte: http://oficialblog.com/cheque-cruzado-como-funciona-como-descontar/ Portanto, um cruzamento geral pode ser convertido em especial! Caso inutilizem o cruzamento, essa condição será tida como não existente. Gabriel, e se tiverem vários cruzamentos especiais em um cheque? Utilizaremos as regras a seguir: Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 47 de 73 Art. 45. § 2º O cheque com vários cruzamentos especiais só pode ser pago pelo sacado no caso de dois cruzamentos, um dos quais para cobrança por câmara de compensação. E o que é uma câmara de compensação? Segundo o glossário do Banco Central GR�%UDVLO�p�D�³FHQWUDO�RX�PHFDQLVPR�GH�SURFHVVDPHQWR�FHQWUDO�SRU�PHLR�GR�TXDO� as instituições financeiras acordam trocar instruções de pagamento ou outras obrigações financeiras (por exemplo: valores mobiliários). As instituições liquidam os instrumentos trocados em um momento determinado com base em regras e procedimentos da Câmara de Compensação. Em alguns casos, ela pode assumir responsabilidades significativas de contraparte, financeiras ou de administração do risco para o sistema de compensação. Por definição, a Câmara GH�&RPSHQVDomR�GHYH�VHU�HQWH�GRWDGR�GH�SHUVRQDOLGDGH�MXUtGLFD´�� Portanto, para os cheques a câmara de compensação é o local onde os cheques de diversas instituições são compensados entre si. A aposição de dois cruzamentos, sendo um para a câmara de compensação, não invalidará o cheque. - Visado: também é conhecido por cheque bancário, cheque de caixa ou cheque comprado. Está previsto no artigo 7º da Lei 7.357/85 (Lei do Cheque), é aquele em que o emitente solicita ao banco (sacado) que vise, certifique, o cheque, atestando haver fundos para pagamento durante o prazo em que o título será apresentado. O CESPE, sobre o assunto, formulou a seguinte questão: (Cespe/Defensor Público do Ceará/2008) Considere que, ao efetuar o pagamento de um automóvel recentemente adquirido, Lucas tenha emitido cheque em que, no verso, havia sido lançada declaração do banco indicando a existência de provisão de fundos para a sua liquidação, durante o prazo de apresentação do título de crédito. Nessa situação, o cheque utilizado por Lucas é considerado um cheque administrativo ou bancário. O item está incorreto. Apontou-se na assertiva o conceito de cheque visado e não de cheque administrativo. - Administrativo: é o cheque emitido pelo próprio banco. A instituição financeira figurará como sacador e sacado. Pode ser comprado pelo cliente em qualquer agência bancária. O banco o emite em nome de quem o cliente efetuará o pagamento. - Especial: assim denominado porque o banco concedeu ao titular da conta um limite de crédito para saque quando não dispuser de fundos. O cheque especial é concedido ao cliente mediante contrato firmado previamente. Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 48 de 73 - Viagem/Turismo: (traveler check) é um tipo de cheque emitido em quantia prefixada, traz uma quantia expressa, em moeda estrangeira. Serve para atender gastos em viagens internacionais, tendo a vantagem sobre o dinheiro em espécie de ter proteção contra furto, roubo ou perda. Outro ponto que vez ou outra aparece em provas de concursos é a possibilidade da emissão de cheque ao portador, ou seja, que não contém o nome do beneficiário. Essa possibilidade existe, desde que o cheque não exceda o valor de R$ 100,00. Falemos, agora, do prazo para apresentação do cheque. O portador do cheque deve apresentá-lo para pagamento no prazo de 30 dias, quando emitido no lugar em que for pago, ou 60 dias, se emitido em lugar diverso ou no exterior (LC, art. 33) ± isso tudo considerando que o cheque é uma ordem de pagamento à vista. Adendo: se houver insuficiência de fundos ou divergência na assinatura constante do cadastro da instituição financeira, poderá ser recursado o pagamento. Esvaído o prazo in albis [sem que seja apresentado] perde-se o direito de executar os coodevedores. Uma vez expirado este prazo, o beneficiário do cheque tem ainda o prazo de 6 meses para promover a execução (LC, art. 59) ou tentar receber do banco. Segundo a Lei do Cheque... Art. 59 Prescrevem em 6 (seis) meses, contados da expiração do prazo de apresentação, a ação que o art. 47 desta Lei assegura ao portador. Art. 47 Pode o portador promover a execução do cheque: I - contra o emitente e seu avalista; II - contra os endossantes e seus avalistas, se o cheque apresentado em tempo hábil e a recusa de pagamento é comprovada pelo protesto ou por declaração do sacado, escrita e datada sobre o cheque, com indicação do dia de apresentação, ou, ainda, por declaração escrita e datada por câmara de compensação. Anote-se, pois, que o prazo para execução é contado a partir do término do prazo de apresentação e não da data de emissão. Essa questão é recorrente em concursos. Continuando... Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof.Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 49 de 73 Art. 40 O pagamento se fará à medida em que forem apresentados os cheques e se 2 (dois) ou mais forem apresentados simultaneamente, sem que os fundos disponíveis bastem para o pagamento de todos, terão preferência os de emissão mais antiga e, se da mesma data, os de número inferior. Se o portador não apresentar o cheque em tempo hábil ou não comprovar a recusa de pagamento na forma acima, perderá o direito de execução contra o emitente, caso se comprove que este tinha fundos disponíveis durante o prazo de apresentação e os deixou de ter, em razão de fato que não lhe seja imputável (art. 47, § 3.º, da LC). O protesto do cheque acontece pela ausência de fundos. Se a ação é proposta contra o emitente e seus avalistas, não há necessidade de protesto. Se proposta contra endossantes e respectivos avalistas, exige-se o protesto. Protesto ± cheque!! Cobrança dos endossantes e seus avalistas Æ necessário Cobrança do emitente e seus avalistas Æ desnecessário O protesto ou as declarações devem ser feitos no lugar de pagamento ou do domicílio do emitente, antes da expiração do prazo de apresentação. Mas se a apresentação ocorrer no último dia do prazo, o protesto ou as declarações podem fazer-se no primeiro dia útil seguinte (art. 48 da LC). Se, após o protesto, o cheque for pago, o protesto poderá ser cancelado, a pedido de qualquer interessado, mediante arquivamento de cópia autenticada da quitação que contenha perfeita identificação do cheque no Cartório de Protesto de Títulos (art. 48, § 4.º, da LC). Cuidado! Algumas questões propõem o prazo de 6 meses para promover a execução contados a partir da emissão. Está errado! O prazo é de 6 meses após o transcurso dos 30 ou 60 dias (prazo de apresentação). Olhem este item proposto no concurso para Juiz Substituto TRT 23ª, em 2008: a ação de execução do cheque prescreve em seis meses contados da data de sua emissão. Percebe-se que o item incidiu no exato erro que estamos alertando. O mesmo assunto foi cobrado no concurso para Juiz Federal da 5ª região elaborado pelo CESPE, em 2009, item incorreto: O prazo prescricional do cheque é de seis meses a contar da data da sua emissão. Amigos, outro aspecto importante é o seguinte: Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 50 de 73 Após a prescrição do cheque (6 meses a contar a expiração do prazo para apresentação) não é mais possível sua execução. Contudo, cabe, nesta hipótese, uma ação de enriquecimento ilícito, também conhecida como ação de locupletamento. O prazo para impetrar esta ação é de 2 anos a partir do dia em que findar a prescrição da ação cambial. Por fim, mesmo que prescreva a ação de locupletamento, caberá a ação por cobrança ordinária, desde que se comprove a relação que deu causa à emissão do cheque. Art. 62 Salvo prova de novação, a emissão ou a transferência do cheque não exclui a ação fundada na relação causal, feita a prova do não-pagamento. Há que se salientar, ainda, que a morte do emitente ou sua incapacidade superveniente à emissão não invalidam os efeitos do cheque (Lei do Cheque, art. 37). 12.1 QUESTÃO PRÁTICA SOBRE O CHEQUE Vamos examinar um exemplo prático sobre o cheque, com aspectos que podem aparecer na sua prova? A questão apareceu no concurso para Fiscal de Tributos, da Prefeitura de Niterói. (FGV/Auditor Tributário/ISS Niterói/2015) João, endossatário, apresentou um cheque emitido em 30/09/2010, ao sacado para pagamento em 01/10/2010, que foi devolvido por insuficiência de fundos disponíveis com declaração escrita e datada da câmara de compensação. No cheque constam as assinaturas de Maria Madalena, emitente, e Sebastião, endossante. A situação é a seguinte: Vamos começar a nos perguntar: 1) Deve haver protesto para eventual cobrança? Havendo necessidade, qual o local para se protestar? Segundo a Lei do Cheque: Art. 48 O protesto ou as declarações do artigo anterior devem fazer-se no lugar de pagamento ou do domicílio do emitente, antes da expiração Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 51 de 73 do prazo de apresentação. Se esta ocorrer no último dia do prazo, o protesto ou as declarações podem fazer-se no primeiro dia útil seguinte. Protesto: - Local do pagamento ou domicílio do emitente. - Antes da expiração do prazo de apresentação. Se o beneficiário apresentar no último dia possível, poderá fazê-lo no primeiro dia útil seguinte. - Necessário para cobrar dos endossantes e seus avalistas. - Desnecessário para cobrar do emitente e seus avalistas. Art. 47 Pode o portador promover a execução do cheque: I - contra o emitente e seu avalista; II - contra os endossantes e seus avalistas, se o cheque apresentado em tempo hábil e a recusa de pagamento é comprovada pelo protesto ou por declaração do sacado, escrita e datada sobre o cheque, com indicação do dia de apresentação, ou, ainda, por declaração escrita e datada por câmara de compensação. § 1º Qualquer das declarações previstas neste artigo dispensa o protesto e produz os efeitos deste. § 2º Os signatários respondem pelos danos causados por declarações inexatas. § 3º O portador que não apresentar o cheque em tempo hábil, ou não comprovar a recusa de pagamento pela forma indicada neste artigo, perde o direito de execução contra o emitente, se este tinha fundos disponíveis durante o prazo de apresentação e os deixou de ter, em razão de fato que não lhe seja imputável. 2) Quando começa o prazo prescricional para ação de execução, já que não havia fundos para receber o cheque? Segundo a Lei do Cheque: Art. 59 Prescrevem em 6 (seis) meses, contados da expiração do prazo de apresentação, a ação que o art. 47 desta Lei assegura ao portador. Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 52 de 73 3) Pode haver a proibição de que o cheque seja pago em dinheiro? Nos termos da Lei do Cheque: Art. 46 O emitente ou o portador podem proibir que o cheque seja pago em dinheiro mediante a inscrição transversal, no anverso do título, da cláusula µ¶SDUD�VHU�FUHGLWDGR�HP�FRQWD¶¶��RX�RXWUD�HTXLYDOHQWH��1HVVH�FDVR��R�VDFDGR�Vy� pode proceder a Iançamento contábil (crédito em conta, transferência ou compensação), que vale como pagamento. O depósito do cheque em conta de seu beneficiário dispensa o respectivo endosso. Portanto, pode haver a proibição, desde que haja uma inscrição na frente (anverso do título) com o dizer: para ser creditado em conta ou equivalente. 4) João deveria comunicar para Maria Madalena ou para Sebastião que houver devolução do cheque? Vejamos: Art. 49 O portador deve dar aviso da falta de pagamento a seu endossante e ao emitente, nos 4 (quatro) dias úteis seguintes ao do protesto ou das declarações previstas no art. 47 desta Lei ou, havenGR� FOiXVXOD� µ¶VHP� GHVSHVD¶¶�� DR� GD� apresentação. Portanto, deve haver comunicação da falta de pagamento ao endossante e emitente, nos quatro dias úteis seguintes ao protesto ou ao prazo da apresentação (se o protesto for dispensado). 6. (FGV/Exame/OAB/2012) Com relação ao instituto do cheque, assinale a afirmativa correta. a) O cheque pode ser sacado contra pessoa jurídica, instituições financeiras e instituições equiparadas. b) O portador não pode recusar o pagamento parcial do cheque. c) O cheque pode consubstanciar ordem de pagamento à vista ou a prazo. d) A ação de execução do cheque contra o sacador prescreve em 1 (um) ano contado do prazo final para sua apresentação. Comentários: Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 53 de 73 Comentemos item a item... a) O cheque pode ser sacado contra pessoa jurídica, instituições financeiras e instituições equiparadas. Segundo a Lei do Cheque: Art. 3º O cheque é emitido contra banco, ou instituição financeira que lhe seja equiparada, sob pena de não valer como cheque. Portanto, o cheque não pode ser sacado contra qualquer pessoa jurídica, eis o erro da questão. b) O portador não pode recusar o pagamento parcial do cheque. Item correto. Art. 38 O sacado pode exigir, ao pagar o cheque, que este lhe seja entregue quitado pelo portador. Parágrafo único. O portador não pode recusar pagamento parcial, e, nesse caso, o sacado pode exigir que esse pagamento conste do cheque e que o portador lhe dê a respectiva quitação. Portanto, se houver apenas a possibilidade de pagamento parcial do cheque, o portador não poderá recursar. c) O cheque pode consubstanciar ordem de pagamento à vista ou a prazo. Item incorreto. O cheque é uma ordem de pagamento à vista. d) A ação de execução do cheque contra o sacador prescreve em 1 (um) ano contado do prazo final para sua apresentação. Item incorreto. Art. 59 Prescrevem em 6 (seis) meses, contados da expiração do prazo de apresentação, a ação que o art. 47 desta Lei assegura ao portador. Gabarito Æ B. 7. (FGV/Exame/OAB/2013) Laurentino recebeu um cheque nominal sacado QD�SUDoD�GH�³=´�QR�YDORU�GH�5�������������YLQWH�PLO�UHDLV��H�SDJiYHO�QD�SUDoD� GH� ³$´�� 9LQWH� GLDV� DSyV� D� HPLVVmR� H� DQWHV� GD� DSUHVHQWDomR� DR� VDFDGR� IRUDP� Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 54 de 73 furtados vários documentos da residência do tomador, dentre eles o referido cheque. Com base nestas informações, assinale a afirmativa correta. a) A medida judicial cabível para impedir o pagamento do cheque pelo sacado é a contra-ordem ou oposição, que produz efeito durante o prazo de apresentação. b) A medida extrajudicial cabível para impedir o pagamento do cheque pelo sacado é a sustação ou oposição, que depende da prova da existência de fundos disponíveis. c) A medida judicial cabível para impedir o pagamento do cheque pelo sacado é a sustação ou oposição, que produz efeito apenas após o prazo de apresentação. d) A medida extrajudicial cabível para impedir o pagamento do cheque pelo sacado é a sustação ou oposição, que está fundada em relevante razão de direito. Comentários: Segundo a Lei do Cheque: Art. 36 Mesmo durante o prazo de apresentação, o emitente e o portador legitimado podem fazer sustar o pagamento, manifestando ao sacado, por escrito, oposição fundada em relevante razão de direito. § 1º A oposição do emitente e a revogação ou contra-ordem se excluem reciprocamente. § 2º Não cabe ao sacado julgar da relevância da razão invocada pelo oponente. Portanto, não há necessidade de medida judicial para sustação do cheque, podendo o emitente e o portador sustar o pagamento, manifestando ao sacado (banco) por escrito a razão pelo qual deseja a sustação. Gabarito Æ D. 8. (FGV/Exame/OAB/2013) Um cheque no valor de R$ 3.000,00 (três mil reais) foi sacado em 15 de agosto de 2012, na praça de Santana, Estado do Amapá, para pagamento no mesmo local de emissão. Dez dias após o saque, o beneficiário endossou o título para Ferreira Gomes. Este, no mesmo dia, apresentou o cheque ao sacado para pagamento, mas houve devolução ao apresentante por insuficiência de fundos, mediante declaração do sacado no verso do cheque. Com base nas informações contidas no enunciado e nas disposições da Lei n. 7.357/85 (Lei do Cheque), assinale a afirmativa incorreta. Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 55 de 73 a) O apresentante, diante da devolução do cheque, deverá levar o título a protesto por falta de pagamento, requisito essencial à propositura da ação executiva em face do endossante. b) O emitente do cheque, durante ou após o prazo de apresentação, poderá fazer sustar seu pagamento mediante aviso escrito dirigido ao sacado, fundado em relevante razão de direito. c) O prazo de apresentação do cheque ao sacado para pagamento é de 30 (trinta) dias, contados da data de emissão, quando o lugar de emissão for o mesmo do de pagamento. d) O portador, apresentado o cheque e não realizado seu pagamento, deverá promover a ação executiva em face do emitente em até 6 (seis) meses após a expiração do prazo de apresentação. Comentários: Analisemos... a) O apresentante, diante da devolução do cheque, deverá levar o título a protesto por falta de pagamento, requisito essencial à propositura da ação executiva em face do endossante. Item incorreto. Para cobrar do emitente e seus avalistas o protesto é desnecessário. Todavia, para cobrar dos endossantes e seus avalistas, via de regra, é necessário. Dizemos via de regra, pois comporta essa regra exceção. Senão vejamos a Lei do Cheque. Art. 47 Pode o portador promover a execução do cheque: I - contra o emitente e seu avalista; II - contra os endossantes e seus avalistas, se o cheque apresentado em tempo hábil e a recusa de pagamento é comprovada pelo protesto ou por declaração do sacado, escrita e datada sobre o cheque, com indicação do dia de apresentação, ou, ainda, por declaração escrita e datada por câmara de compensação. Portanto, para cobrar do endossante ou de seus avalistas podemos fazer ou por meio de protesto ou por declaração do sacado. Gabarito, letra a. b) O emitente do cheque, durante ou após o prazo de apresentação, poderá fazer sustar seu pagamento mediante aviso escrito dirigido ao sacado, fundado em relevante razão de direito. Item correto, conforme já estudado na questão anterior. Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 56 de 73 Art. 36 Mesmo durante o prazo de apresentação, o emitente e o portador legitimado podem fazer sustar o pagamento, manifestando ao sacado, por escrito, oposição fundada em relevante razão de direito. c) O prazo de apresentação do cheque ao sacado para pagamento é de 30 (trinta) dias, contados da data de emissão, quando o lugar de emissão for o mesmo do de pagamento. Item correto. Segundo a Lei do Cheque: Art. 33 O cheque deve ser apresentado para pagamento, a contar do dia da emissão, no prazo de 30 (trinta) dias, quando emitido no lugar onde houver de ser pago; e de 60 (sessenta) dias, quando emitido em outro lugar do País ou no exterior. d) O portador, apresentado o cheque e não realizado seu pagamento, deverá promover a ação executiva em face do emitente em até 6 (seis) meses após a expiração do prazo de apresentação. Item correto. Art. 59 Prescrevem em 6 (seis) meses, contados da expiração do prazo de apresentação, a ação que o art. 47 desta Lei assegura ao portador. Gabarito Æ D. 9. (FGV/Exame/OAB/2012) A sociedade empresária Congelados da Vovó Ltda., com sede na cidade de Montanha, realizou o pagamento a um fornecedor por meio de cheque administrativo. Sobre esta espécie de cheque, assinale a afirmativa correta. a) É aquele sacado para ser creditado em conta, podendo ser emitido ao portador até o valor de R$ 100,00 (cem reais). b) É aquele que contém visto em seu verso, atestando a existência de fundos durante o prazo de apresentação. c) É aquele sacado contra o próprio banco sacador, sendo necessariamente nominal qualquer que seja seu valor. d) É aquele sacado em favor de órgão ou entidade da administração pública para pagamento de taxa ou emolumento. Comentários: Cheque administrativo é o cheque emitido pelo próprio banco. A instituição financeira figurarácomo sacador e sacado. Pode ser comprado pelo cliente em qualquer agência bancária. O banco o emite em nome de quem o cliente efetuará o pagamento. Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 57 de 73 Deverá ser sempre nominal. Gabarito Æ C. 13 DUPLICATAS A duplicata é o título de crédito emitido com base em obrigação proveniente de compra e venda comercial ou prestação de certos serviços. Rege-se pela Lei 5.474/1968. É conhecida por ser um título causal, ou seja, encontra-se vinculada à relação jurídica que lhe dá origem que é a compra e venda mercantil. Contudo, tão logo emitida, a duplicata deixa de ter nexo com o negócio que lhe deu origem, tornando-se independente. Essa distinção deve estar clara na cabeça: não obstante se perfaça em título de crédito causal, assim que emitida, deixa de ter nexo com o negócio jurídico que lhe deu origem. Somente a compra e venda mercantil (e a prestação de serviços) permite o saque da duplicata mercantil. Art. 1º Em todo o contrato de compra e venda mercantil entre partes domiciliadas no território brasileiro, com prazo não inferior a 30 (trinta) dias, contado da data da entrega ou despacho das mercadorias, o vendedor extrairá a respectiva fatura para apresentação ao comprador. Art. 2º No ato da emissão da fatura, dela poderá ser extraída uma duplicata para circulação como efeito comercial, não sendo admitida qualquer outra espécie de título de crédito para documentar o saque do vendedor pela importância faturada ao comprador. Percebam que a lei diz prazo não inferior a 30 dias para a emissão obrigatória de fatura. Se o prazo for menor, torna-se facultativa a emissão. De acordo com a lei, uma só duplicata não pode corresponder a mais de uma fatura (LD, art. 2º, §2º). Segundo a lei, a duplicata conterá: I - a denominação "duplicata", a data de sua emissão e o número de ordem; II - o número da fatura; III - a data certa do vencimento ou a declaração de ser a duplicata à vista; IV - o nome e domicílio do vendedor e do comprador; V - a importância a pagar, em algarismos e por extenso; VI - a praça de pagamento; Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 60 de 73 O aceite da duplicata pode ocorrer das seguintes formas: FORMAS DE ACEITE DA DUPLICATA a) aceite expresso ou ordinário: resultante de assinatura lançada no título pelo comprador; b) aceite por comunicação: resultante de retenção da duplicata pelo sacado, autorizado por instituição financeira cobradora, e de comunicação escrita do aceite (LD, art. 7º, § 1º); c) aceite tácito ou presumido: resultante da prova de recebimento das mercadorias, da falta de recusa justificada do aceite, no prazo de 10 dias, e do protesto do título (LD, art. 15, inc. II). Dessa forma, a Fundação José Pelúcio, no concurso para AFTE RO em 2006, apresentou o seguinte enunciado: Dos títulos de crédito abaixo relacionados, aquele que admite o instituto do denominado aceite presumido é (...). Ficou fácil inferir que a resposta correta é duplicata. Mas, e se a duplicata for enviada para aceite e, no meio do caminho, houver perda, extravio? Neste caso, o vendedor deve lançar mão da TRIPLICATA, prevista no artigo 23 da LD: Art. 23. A perda ou extravio da duplicata obrigará o vendedor a extrair triplicata, que terá os mesmos efeitos e requisitos e obedecerá às mesmas formalidades daquela. Sobre o pagamento da duplicata, é lícito ao comprador resgatar a duplicata antes de aceitá-la ou antes da data do vencimento (LD, art. 9º). Este é o denominado pagamento antecipado. A prova do pagamento é o recibo, passado pelo legítimo portador ou por seu representante com poderes especiais, no verso do próprio título ou em documento, em separado, com referência expressa à duplicata (LD, art. 9º, §1º). Constituirá, igualmente, prova de pagamento, total ou parcial, da duplicata, a liquidação de cheque, a favor do estabelecimento endossatário, no qual conste, no verso, que seu valor se destina a amortização ou liquidação da duplicata nele caracterizada (LD, art. 9º, §2º). No pagamento da duplicata poderão ser deduzidos quaisquer créditos a favor do devedor resultantes de devolução de mercadorias, diferenças de preço, enganos, verificados, pagamentos por conta e outros motivos assemelhados, desde que devidamente autorizados (LD, art. 10). Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 61 de 73 Art. 11. A duplicata admite reforma ou prorrogação do prazo de vencimento, mediante declaração em separado ou nela escrita, assinada pelo vendedor ou endossatário, ou por representante com poderes especiais. Caso o pagamento não seja efetuado deverá ser procedida à cobrança da duplicata. A cobrança não necessita ser efetuada pelo banco. Pode ser feita diretamente na via judicial. A duplicata precisa conter o aceite (assinatura) do sacado/devedor, para que se comprove que os valores foram aceitos e que a mercadoria foi devidamente entregue. Se o aceite foi devidamente realizado, o título não precisa necessariamente ser protestado para sua execução judicial. Contudo, o portador que não tirar o protesto da duplicata, em forma regular e dentro do prazo de 30 (trinta) dias, contado da data de seu vencimento, perderá o direito de regresso contra os endossantes e respectivos avalistas. Se a duplicata não contiver o aceite, para execução da duplicata serão necessários 3 procedimentos cumulativamente: EXECUÇÃO DE DUPLICATA SEM ACEITE 1 ± Protesto; 2 ± Documentos que comprovem a entrega e recebimento da mercadoria, e 3 ± Verificar se o sacado/devedor recusou o aceite pelos motivos descritos nos arts. 7.º e 8.º da Lei das Duplicatas. O protesto é o ato formal e solene pelo qual se comprova a inadimplência e o descumprimento de obrigação originada em títulos e outros documentos de dívida. Protesta-se a duplicata por falta de aceite, de devolução (obrigatório por parte do devedor/sacado) ou de pagamento (LD, art. 13). Repetimos. A duplicata pode ser protestada por: 1) Falta de aceite; 2) Falta de devolução; 3) Falta de pagamento. Perde o direito de crédito contra endossantes e respectivos avalistas aquele que não protestar a duplicata em até 30 dias após o vencimento (LD, art. 13, §4º). Atente-se, também, para o fato de que a cobrança do devedor principal (comprador/sacado) independe de protesto, desde que o aceite tenha ocorrido. DUPLICATA ± PROTESTO Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 62 de 73 Endossante e respectivos avalistas Î Protesto em 30 dias Devedor principal e respectivos avalistas Î Independe de protesto ± se ocorrido o aceite O assunto prescrição está disposto no art. 18 da Lei de Duplicatas. O prazo para propor ação contra o sacado e seus avalistas é de 3 anos da data do vencimento. O prazo para propor ação contra os endossantes e seus avalistas é de 1 ano da data do protesto. Se ação for movida por um coobrigado, há direito de regresso. Neste caso, o direito de ação contra outros extingue-se no prazo de um ano a partir da data do pagamento. Sobre o vencimento da duplicata, deve ela ser à vista ou à data certa. Não se pode emitir duplicata com vencimento a certo termo de vista (a letra de câmbio pode). Título a certo termo de vista é aquele em que o vencimento é computado a partir da data do aceite, ou, na falta deste, do protesto. Vejamos como dispõe a LD sobre o assunto: Art. 2º No ato da emissão da fatura, dela poderá ser extraída uma duplicata para circulação como efeitocomercial, não sendo admitida qualquer outra espécie de título de crédito para documentar o saque do vendedor pela importância faturada ao comprador. § 1º A duplicata conterá: III - a data certa do vencimento ou a declaração de ser a duplicata à vista; Portanto, a duplicata deve conter a data certa do vencimento quando enviada para o aceite ou constar que se trata de título à vista. Não se pode contar o vencimento da duplicata quando do aceite ou protesto. 10. (FGV/Exame/OAB/2014) Na duplicata de compra e venda, entende-se por protesto por indicações do portador aquele que é lavrado pelo tabelião de protestos Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 63 de 73 a) em caso de recusa ao aceite e devolução do título ao apresentante pelo sacado, dentro do prazo legal. b) quando o sacado retiver a duplicata enviada para aceite e não proceder à devolução dentro do prazo legal. c) na falta de pagamento do título pelo aceitante ou pelo endossante dentro do prazo legal. d) em caso de revogação da decisão judicial que determinou a sustação do protesto. Comentários: O protesto é o ato formal e solene pelo qual se comprova a inadimplência e o descumprimento de obrigação originada em títulos e outros documentos de dívida. Protesta-se a duplicata por falta de aceite, de devolução (obrigatório por parte do devedor/sacado) ou de pagamento (LD, art. 13). Ainda, na Lei de Duplicatas: Art. 13. § 1º Por falta de aceite, de devolução ou de pagamento, o protesto será tirado, conforme o caso, mediante apresentação da duplicata, da triplicata, ou, ainda, por simples indicações do portador, na falta de devolução do título. (Redação dada pelo Decreto-Lei nº 436, de 27.1.1969) Assim, protesto por indicação é aquele que ocorre quando, por falta de aceite, de devolução ou de pagamento, o devedor retém a duplicata. Deste modo, trata-se do protesto - por falta de aceite, de devolução ou de pagamento - feito pelo sacador, quando o sacado recebe a duplicata para o aceite e a retém. Para protestar, o sacador apresenta indicações, como documentos que provam que a operação ocorreu. Tudo bem? Gabarito Æ B. 11. (FGV/Exame/OAB/2012) Com relação aos títulos de crédito, assinale a afirmativa correta. a) No endosso de letra de câmbio após o protesto por falta de pagamento, o portador tem ação cambiária contra o seu endossante. b) A cláusula não à ordem inserida no cheque impede sua circulação tanto por endosso quanto por cessão de crédito. c) O endosso de cheque poderá ser realizado pelo sacado ou por mandatário deste com poderes especiais. d) A duplicata pode ser apresentada para aceite do sacado pelo próprio sacador ou por instituição financeira. Comentários: Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 64 de 73 Comentemos item a item... a) No endosso de letra de câmbio após o protesto por falta de pagamento, o portador tem ação cambiária contra o seu endossante. Item incorreto. Segundo a LUG: Art. 20 - O endosso posterior ao vencimento tem os mesmos efeitos que o endosso anterior. Todavia, o endosso posterior ao protesto por falta de pagamento, ou feito depois de expirado o prazo fixado para se fazer o protesto, produz apenas os efeitos de uma cessão ordinária de créditos. Salvo prova em contrário, presume-se que um endosso sem data foi feito antes de expirado o prazo fixado para se fazer o protesto. O item está incorreto. Se a letra de câmbio já foi protestada por falta de pagamento, a ação não será cambiária, posto que a transferência do título terá efeitos de cessão civil de crédito. b) A cláusula não à ordem inserida no cheque impede sua circulação tanto por endosso quanto por cessão de crédito. Item incorreto. Segundo a Lei do Cheque: Art . 17 O cheque pagável a pessoa nomeada��FRP�RX�VHP�FOiXVXOD�H[SUHVVD�µ¶� j�RUGHP¶¶��p�WUDQVPLVVtYHO�SRU�YLD�GH�HQGRVVR� § �� 2� FKHTXH� SDJiYHO� D� SHVVRD� QRPHDGD�� FRP� D� FOiXVXOD� µ¶QmR� j� RUGHP¶¶��RX�RXWUD�HTXLYDOHQWH��Vy�p�WUDQVPLVVtYHO�SHOD�IRUPD�H�FRP�RV� efeitos de cessão. § 2º O endosso pode ser feito ao emitente, ou a outro obrigado, que podem novamente endossar o cheque. c) O endosso de cheque poderá ser realizado pelo sacado ou por mandatário deste com poderes especiais. Item incorreto. O sacado, no cheque, é o banco. E o banco não faz endosso algum! d) A duplicata pode ser apresentada para aceite do sacado pelo próprio sacador ou por instituição financeira. Este é o nosso gabarito. Segundo a Lei de Duplicatas, artigo 6º: Art . 6º A remessa de duplicata poderá ser feita diretamente pelo vendedor ou por seus representantes, por intermédio de instituições financeiras, procuradores ou, correspondentes que se incumbam de apresentá-la ao comprador na praça ou no lugar de seu estabelecimento, podendo os Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 65 de 73 intermediários devolvê-la, depois de assinada, ou conservá-la em seu poder até o momento do resgate, segundo as instruções de quem lhes cometeu o encargo. Assim, a duplicata pode ser apresentada para aceite do sacado pelo próprio sacador ou por instituição financeira. Gabarito Æ D. 12. (FGV/Exame/OAB/2010) Em relação aos Títulos de Crédito, é correto afirmar que, quando D��SUHVHQWH�QD�OHWUD�GH�FkPELR��D�FOiXVXOD�³QmR�j�RUGHP´�LPSHGH�D�FLUFXODomR� do crédito. b) insuficientes os fundos disponíveis, o portador de um cheque pode requerer a responsabilidade cambiária do banco sacado pelo seu não pagamento. c) firmado em branco, o aval na nota promissória é entendido como dado em favor do sacador. d) não aceita a duplicata, o protesto do título é a providência suficiente para o ajuizamento da ação de execução contra o sacado. Comentários: Vamos aos comentários! D�� SUHVHQWH� QD� OHWUD� GH� FkPELR�� D� FOiXVXOD� ³QmR� j� RUGHP´� LPSHGH� D� circulação do crédito. Item incorreto. Segundo a LUG: Art. 11 - Toda a letra de câmbio, mesmo que não envolva expressamente a cláusula a ordem, é transmissível por via de endosso. Quando o sacador tiver inserido na letra as palavras "não a ordem", ou uma expressão equivalente, a letra só é transmissível pela forma e com os efeitos de uma cessão ordinária de créditos. O endosso pode ser feito mesmo a favor do sacado, aceitando ou não, do sacador, ou de qualquer outro co-obrigado. Estas pessoas podem endossar novamente a letra. Portanto, poderá circular como cessão civil de crédito. Vejam que este posicionamento é diametralmente oposto à questão comentada na parte de letra de câmbio propriamente dito. Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 66 de 73 b) insuficientes os fundos disponíveis, o portador de um cheque pode requerer a responsabilidade cambiária do banco sacado pelo seu não pagamento. Item incorreto. Obviamente, não cabe a responsabilidade ao banco por insuficiência de fundos de um cheque. c) firmado em branco, o aval na nota promissória é entendido como dado em favor do sacador. Este é o nosso gabarito. Segundo a LUG: Art. 31 - O aval é escrito na própria letra ou numa folha anexa. Exprime-se pelas palavras "bom para aval" ou por qualquer fórmula equivalente; e assinado pelo dador do aval. O aval considera-se como resultante da simples assinatura do dador aposta na face anterior da letra, salvo se se trata das assinaturas do sacado ou do sacador. O aval deve indicar a pessoa por quem se dá. Na falta de indicação entender-se-á ser pelo sacador. Assim, quando avalizo alguém na nota promissória, devo dizer a quem serefere. Na falta de indicação, entende-se que é para o devedor principal. Observação: sacador, na nota promissória, é o devedor principal. d) não aceita a duplicata, o protesto do título é a providência suficiente para o ajuizamento da ação de execução contra o sacado. Item incorreto. Se a duplicata for aceita, mas não for paga, não se faz necessário o protesto para cobrança. Todavia, se a duplicata não for aceita, a lei de duplicatas manda sejam tomadas as seguintes providências. Art 15 - A cobrança judicial de duplicata ou triplicata será efetuada de conformidade com o processo aplicável aos títulos executivos extrajudiciais, de que cogita o Livro II do Código de Processo Civil ,quando se tratar: (Redação dada pela Lei nº 6.458, de 1º.11.1977) l - de duplicata ou triplicata aceita, protestada ou não; (Redação dada pela Lei nº 6.458, de 1º.11.1977) II - de duplicata ou triplicata não aceita, contanto que, cumulativamente: (Redação dada pela Lei nº 6.458, de 1º.11.1977) a) haja sido protestada; (Redação dada pela Lei nº 6.458, de 1º.11.1977) Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 67 de 73 b) esteja acompanhada de documento hábil comprobatório da entrega e recebimento da mercadoria; e (Redação dada pela Lei nº 6.458, de 1º.11.1977) c) o sacado não tenha, comprovadamente, recusado o aceite, no prazo, nas condições e pelos motivos previstos nos arts. 7º e 8º desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 6.458, de 1º.11.1977) Portanto, se a duplicata não for aceita, para recebermos, devemos: - Protestar, - Juntas documentos hábeis que comprovem a operação, - Demonstrar que não foi recusado o aceite pelo sacado (devedor). Gabarito Æ C. 13. (FGV/Direito Empresarial OAB/XXI Exame) Humaitá Comércio e Distribuição de Defensivos Agrícolas Ltda. sacou 4 (quatro) duplicatas de compra e venda em face de Cooperativa dos Produtores Rurais de Coari Ltda., em razão da venda de insumos para as plantações dos cooperados. Com base nestas informações, assinale a afirmativa correta. A) É facultado ao sacador inserir cláusula não à ordem no momento do saque, caso em que a forma de transferência dos títulos se dará por meio de cessão civil de crédito. B) Por se tratar de sacado cooperativa, sociedade simples independentemente de seu objeto, é proibido o saque de duplicatas em face dessa espécie de sociedade. C) Lançada eventualmente a cláusula mandato no endosso das duplicatas, o endossatário poderá exercer todos os direitos emergentes dos títulos, inclusive efetuar endosso próprio a terceiro. D) Sendo o pagamento das duplicatas garantido por aval, o avalista é equiparado àquele cujo nome indicar; na falta da indicação, àquele abaixo de cuja firma lançar a sua; fora desses casos, ao sacado. Comentários: A) Incorreto. Segundo a Lei de Duplicatas: Segundo a lei, a duplicata conterá a cláusula à ordem (art. 2o, VII) B) Item incorreto. Não há qualquer proibição para que sejam sacadas duplicatas em face das sociedades cooperativas. c) O endosso impróprio é o que não transfere a propriedade do título, permitindo apenas ao endossatário exercer direitos relativos à cártula. Da espécie endosso impróprio resultam as espécies endosso-mandato e endosso- caução. Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 68 de 73 Assim, no endosso mandato não poderá o endossatário exercer todos os direitos emergentes do título. D) Gabarito! Segundo a Lei de Duplicatas: Art . 12. O pagamento da duplicata poderá ser assegurado por aval, sendo o avalista equiparado àquele cujo nome indicar; na falta da indicação, àquele abaixo de cuja firma lançar a sua; fora dêsses casos, ao comprador. Parágrafo único. O aval dado posteriormente ao vencimento do título produzirá os mesmos efeitos que o prestado anteriormente àquela ocorrência. Gabarito Æ D. Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 69 de 73 14 QUESTÕES COMENTADAS 1. (FGV/Exame/OAB/2014) Sobre a distinção entre endosso e cessão de crédito, assinale a afirmativa correta. a) A cessão de crédito é a forma de transmissão dos títulos à ordem, enquanto o endosso é a forma de transmissão dos títulos não à ordem. b) A cessão de crédito ao cessionário pode ser parcial ou total, enquanto o endosso deve ser feito pelo valor integral do título, sob pena de nulidade. c) A eficácia do endosso em relação aos devedores do título depende de sua notificação; na cessão de crédito, a eficácia decorre da simples assinatura do cedente no anverso do título. d) O direito de crédito do endossatário é dependente das relações do devedor com portadores anteriores; o direito do cessionário é literal e autônomo em relação aos portadores anteriores. 2. (FGV/Exame/OAB/2012) Com relação ao instituto do aval, é correto afirmar que: a) é necessário o protesto para a cobrança dos avalistas do emitente e dos endossantes de notas promissórias. b) o avalista, quando executado, pode exigir que o credor execute primeiro o avalizado. c) o aval pode ser lançado em documento separado do título de crédito. d) a obrigação do avalista se mantém, mesmo no caso de a obrigação que ele garantiu ser nula, exceto se essa nulidade for decorrente de vício de forma. 3. (FGV/Exame/OAB/2013) Fontoura Xavier sacou letra de câmbio à ordem no valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) em face de Sales Oliveira, pagável à vista na praça de Itaocara, indicando como beneficiário Rezende Costa. Com base nos dados apresentados e na legislação sobre letra de câmbio, assinale a afirmativa incorreta. a) O vencimento da letra de câmbio ocorrerá na data de sua apresentação pelo beneficiário ao sacado, Sales Oliveira. b) Se o sacador, )RQWRXUD� ;DYLHU�� LQVHULU� D� FOiXVXOD� ³VHP� GHVSHVDV´� VHUi� facultativo o protesto por falta de pagamento. c) O beneficiário e portador, Rezende Costa, pode inserir no título a cláusula ³QmR�j�RUGHP´�DQWHV�GH�WUDQVIHUL-lo a terceiro. d) Se o sacador, Fontoura Xavier, inserir na letra de câmbio cláusula de juros e sua taxa 4. (FGV/Exame/OAB/2015) Uma letra de câmbio no valor de R$ 13.000,00 (treze mil reais) foi endossada por Pilar com cláusula de mandato para o Banco Poxim S/A. Não tendo havido pagamento no vencimento, a cambial foi apresentada a protesto pelo endossatário-mandatário, tendo sido lavrado e registrado o protesto pelo tabelião. Dez dias após o protesto, Rui Palmeira, Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 70 de 73 aceitante da letra de câmbio, compareceu ao tabelionato e apresentou declaração de anuência firmada apenas pelo endossante da letra de câmbio, com identificação do título e firma reconhecida. Não houve apresentação do título no original ou em sua cópia. À luz das disposições da Lei nº 9.492/97 sobre o cancelamento do protesto, é correto afirmar que o tabelião a) não poderá realizar o cancelamento do protesto por faltar no documento apresentado a anuência do endossatário-mandatário. b) não poderá realizar o cancelamento do protesto, porque esse ato é privativo do juiz, diferentemente da sustação do protesto. c) poderá realizar o cancelamento do protesto, porque é suficiente a declaração de anuência firmada pelo endossante-mandante. d) poderá realizar o cancelamento do protesto, porque o pedido foi feito no prazo legal (30 dias) e pelo aceitante, obrigado principal. 5. (FGV/Exame/OAB/2014) Glória vendeu um automóvel a prazo para Valente. O pagamento foi realizado em quatro notas promissórias, com vencimentos em 30, 60, 90 e 120 dias da data de emissão. Os títulos foramendossados em branco para Paulo Afonso, mas foram extraviados antes dos respectivos vencimentos. Sobre a responsabilidade do emitente e do endossante das notas promissórias, assinale a afirmativa correta. a) Apenas o emitente responde pelo pagamento dos títulos porque o endossante não é coobrigado, salvo cláusula em contrário inserida na nota promissória. b) A responsabilidade do emitente e do endossante perante o portador subsiste ainda que os títulos tenham sido perdidos ou extraviados involuntariamente. c) O endossante e o emitente não respondem perante o portador pelo pagamento das notas promissórias em razão do desapossamento involuntário. d) O emitente e o endossante não respondem pelo pagamento dos títulos porque só é permitido ao vendedor sacar duplicata em uma compra e venda. 6. (FGV/Exame/OAB/2012) Com relação ao instituto do cheque, assinale a afirmativa correta. a) O cheque pode ser sacado contra pessoa jurídica, instituições financeiras e instituições equiparadas. b) O portador não pode recusar o pagamento parcial do cheque. c) O cheque pode consubstanciar ordem de pagamento à vista ou a prazo. d) A ação de execução do cheque contra o sacador prescreve em 1 (um) ano contado do prazo final para sua apresentação. Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 71 de 73 7. (FGV/Exame/OAB/2013) Laurentino recebeu um cheque nominal sacado QD�SUDoD�GH�³=´�QR�YDORU�GH�5�������������YLQWH�PLO�UHDLV��H�SDJiYHO�QD�SUDoD� GH� ³$´�� 9LQWH� GLDV� DSyV� D� HPLVVmR� H� DQWHV� GD� DSUHVHQWDomR� DR� VDFDGR� IRUDP� furtados vários documentos da residência do tomador, dentre eles o referido cheque. Com base nestas informações, assinale a afirmativa correta. a) A medida judicial cabível para impedir o pagamento do cheque pelo sacado é a contra-ordem ou oposição, que produz efeito durante o prazo de apresentação. b) A medida extrajudicial cabível para impedir o pagamento do cheque pelo sacado é a sustação ou oposição, que depende da prova da existência de fundos disponíveis. c) A medida judicial cabível para impedir o pagamento do cheque pelo sacado é a sustação ou oposição, que produz efeito apenas após o prazo de apresentação. d) A medida extrajudicial cabível para impedir o pagamento do cheque pelo sacado é a sustação ou oposição, que está fundada em relevante razão de direito. 8. (FGV/Exame/OAB/2013) Um cheque no valor de R$ 3.000,00 (três mil reais) foi sacado em 15 de agosto de 2012, na praça de Santana, Estado do Amapá, para pagamento no mesmo local de emissão. Dez dias após o saque, o beneficiário endossou o título para Ferreira Gomes. Este, no mesmo dia, apresentou o cheque ao sacado para pagamento, mas houve devolução ao apresentante por insuficiência de fundos, mediante declaração do sacado no verso do cheque. Com base nas informações contidas no enunciado e nas disposições da Lei n. 7.357/85 (Lei do Cheque), assinale a afirmativa incorreta. a) O apresentante, diante da devolução do cheque, deverá levar o título a protesto por falta de pagamento, requisito essencial à propositura da ação executiva em face do endossante. b) O emitente do cheque, durante ou após o prazo de apresentação, poderá fazer sustar seu pagamento mediante aviso escrito dirigido ao sacado, fundado em relevante razão de direito. c) O prazo de apresentação do cheque ao sacado para pagamento é de 30 (trinta) dias, contados da data de emissão, quando o lugar de emissão for o mesmo do de pagamento. d) O portador, apresentado o cheque e não realizado seu pagamento, deverá promover a ação executiva em face do emitente em até 6 (seis) meses após a expiração do prazo de apresentação. 9. (FGV/Exame/OAB/2012) A sociedade empresária Congelados da Vovó Ltda., com sede na cidade de Montanha, realizou o pagamento a um fornecedor por meio de cheque administrativo. Sobre esta espécie de cheque, assinale a afirmativa correta. Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 72 de 73 a) É aquele sacado para ser creditado em conta, podendo ser emitido ao portador até o valor de R$ 100,00 (cem reais). b) É aquele que contém visto em seu verso, atestando a existência de fundos durante o prazo de apresentação. c) É aquele sacado contra o próprio banco sacador, sendo necessariamente nominal qualquer que seja seu valor. d) É aquele sacado em favor de órgão ou entidade da administração pública para pagamento de taxa ou emolumento. 10. (FGV/Exame/OAB/2014) Na duplicata de compra e venda, entende-se por protesto por indicações do portador aquele que é lavrado pelo tabelião de protestos a) em caso de recusa ao aceite e devolução do título ao apresentante pelo sacado, dentro do prazo legal. b) quando o sacado retiver a duplicata enviada para aceite e não proceder à devolução dentro do prazo legal. c) na falta de pagamento do título pelo aceitante ou pelo endossante dentro do prazo legal. d) em caso de revogação da decisão judicial que determinou a sustação do protesto. 11. (FGV/Exame/OAB/2012) Com relação aos títulos de crédito, assinale a afirmativa correta. a) No endosso de letra de câmbio após o protesto por falta de pagamento, o portador tem ação cambiária contra o seu endossante. b) A cláusula não à ordem inserida no cheque impede sua circulação tanto por endosso quanto por cessão de crédito. c) O endosso de cheque poderá ser realizado pelo sacado ou por mandatário deste com poderes especiais. d) A duplicata pode ser apresentada para aceite do sacado pelo próprio sacador ou por instituição financeira. 12. (FGV/Exame/OAB/2010) Em relação aos Títulos de Crédito, é correto afirmar que, quando D��SUHVHQWH�QD�OHWUD�GH�FkPELR��D�FOiXVXOD�³QmR�j�RUGHP´�LPSHGH�D�FLUFXODomR� do crédito. b) insuficientes os fundos disponíveis, o portador de um cheque pode requerer a responsabilidade cambiária do banco sacado pelo seu não pagamento. c) firmado em branco, o aval na nota promissória é entendido como dado em favor do sacador. d) não aceita a duplicata, o protesto do título é a providência suficiente para o ajuizamento da ação de execução contra o sacado. Direito Empresarial ± Exame OAB Teoria e exercícios comentados Prof. Gabriel Rabelo ± Aula 05 Prof. Gabriel Rabelo www.estrategiaconcursos.com.br 73 de 73 13. (FGV/Direito Empresarial OAB/XXI Exame) Humaitá Comércio e Distribuição de Defensivos Agrícolas Ltda. sacou 4 (quatro) duplicatas de compra e venda em face de Cooperativa dos Produtores Rurais de Coari Ltda., em razão da venda de insumos para as plantações dos cooperados. Com base nestas informações, assinale a afirmativa correta. A) É facultado ao sacador inserir cláusula não à ordem no momento do saque, caso em que a forma de transferência dos títulos se dará por meio de cessão civil de crédito. B) Por se tratar de sacado cooperativa, sociedade simples independentemente de seu objeto, é proibido o saque de duplicatas em face dessa espécie de sociedade. C) Lançada eventualmente a cláusula mandato no endosso das duplicatas, o endossatário poderá exercer todos os direitos emergentes dos títulos, inclusive efetuar endosso próprio a terceiro. D) Sendo o pagamento das duplicatas garantido por aval, o avalista é equiparado àquele cujo nome indicar; na falta da indicação, àquele abaixo de cuja firma lançar a sua; fora desses casos, ao sacado. 15 GABARITO DAS QUESTÕES COMENTADAS NESTA AULA QUESTÃO GABARITO 1 B 2 D 3 C 4 C 5 B 6 B 7 D 8 D 9 C 10 B 11 D 12 C 13 D