Prévia do material em texto
o
Princípio Regulador
no Culto
• • •
• •
Paulo Anglada
fiES
O PRINCÍPIO REGULADOR
NO CULTO
Paulo Anglada 1
Permitam-me iniciar esre escudo com
algumas pergunras. O que pensariam os irmãos
se durante um culro evangélico o pasror fizesse
o sinal da cruz, queimasse incensos para que o
ambiente ficasse perfumado, e lavasse os pés
de alguns irmãos como demonstração de
humildade? O que pensariam, se fossem
convidados a abstere.m-se de comer carne na
semana chamada "a sem:ana sanca", se apenas o
pão (melhor, bósria) fosse distribuído por
ocasião da Ceia do Senhor, e lhes fosse requerido
que se ajoelhassem para poderem participar
dela?
Com razão os irmãos condenariam estas
atitudes. Por quê? Porque não são bíblicas. As
Ei;cricuras não nos ensinam a fazer o sinal da
cruz, a queimar incenso (no culto da nova
aliança), jamais instituíram a atitude humilde
de Jesus como cerimônia eclesiástica, não
requerem nenhuma abstenção de alimentos no
Novo Testamento (muito menos na "semana
1 Escudo proferido pelo autor no congresso, Os Puritanos, cm
junho de 1997, em Águas de Lind6ia. Texto básico, João
4:19-24. (Titulo original; O Prmcipio R~g11/ador do Culto
Refennado)
santa"; que por sinal jamais foi instituída como
cerimônia r eligiosa), não requerem que
fiquemos de joelhos ao participar da Ceia do
Senhor, etc. Tudo isso não passa de cradicio-
nalismo católico-romano, de símbolos, gestos,
cerimônias, e práticas eclesiásticas invencadas
pelo homem, sem real fundamentação bíblica.
Mas deixem-me ir um pouco mais adiante.
Eu tenho um filho de 12 anos na escola mantida
po r nossa ig reja. Uma das professoras
(evangélica, de outra denominação), perguntou
a um dos poucos alunos. católico-romanos da
sala, por que -eles (católicos) celebr avam Corpus
Cristi. A criança retrucou com outra pergunta:
por que vocês, evangélicos, comemoram o natal
e a páscoa? (Ao relatar o episódio, o meu fi lho
fez uma careta, como quem diz: e agora?)
E agora, caros ouvin t es? Creio que
precisamos cons iderar seria mente esta
pergunta, e a questão geral q ue ela envolve, se
desejarmos ser coerentes.
O ASSUNTO
O assun to deste escudo,cn tão, está
relacionado ao cul to. Diz respe ito, mais
especificamente, a questão da forma do culto
público, ao modo como Deus deve ser adorado.
Não se trata de um estudo exegético, e sim, de
um ensaio sobre ecologia prática. Meu objetivo
aqui não é interpretar e sistematizar a revelação
2
bíblica r efer ente ao assunto,2 mas s im,
descrever a concepção reformado-puritana do
princípio que deve regular a forma do culto
público a Deus. Não ignoro a natureza
controvertida do assun1Co. Também não entrarei
em detalhes com relação à ap licação do
princípio regulador do culto às diversas práticas
eclesiásticas envolvidas. Conrudo, creio que a
descaracterização litú rgica de considerável
parcela do movimento evangélico moderno,
inclusive no Brasil, exige que a questão seja
considerada, e justifica uma exposição da
posição puritana hist6rica quanto a questão.
Natureza Espiritual do Culto
Admito p le n a mente, de iníc io, a
importância da atitude do adorador, do espírito
do adorador no culto público.3 É impossível
ler as Escrituras, sem perceber que não se pode
dissociar o ato de culto da vida do adorador.
Em um dos textos mais iluminadores do Novo
Testamento sobre o assunto, Jesus afirma,
1 Jfl tive 11 oponunid3dc de f:nicr i$SO cm outro lugar: P:iulo
Angl2da, O Cul10 Reformado (Estudo não publicado, BclEm,
PA: Igreja Presbiteriana O:nlnl do Pani, 1996). Nos capftulos
sobre O Cul10 no Velho Tes1am:en10 cO Cul10 no NO'IJO Tts1ame1110.
1 Geralmente, ao se dcmonsU"llr a importância da forma do c:ulto,
não E incomum a objcçio observada por G rcg L.. Pricc,
Fouru/JJ1io11/ur Reformo1io11; The Regr1loriw Principie o/ ll'fmhip
(Edmonton, Can11da: Silll Watc:rs Reviva! Books, l 99S), p.10,
de que isto dcmonsU'll um interesse :apenas nos aspectos
externos do culto, e nno com os seus aspectos internos,
relacionados com o coraçlio.
3
dirigindo-se à mulher samaritana, que "Deus
é Espírito, e imporca que os que o adoram o
adorem cm espírito ... " a oão 4: 19-24 ). o cermo
en1 espírito, no Novo Testamento, conrrasta com
o tennona carne, e denota a natureza espiritual
do culto, cm conrraste com a mera aparência
exterior. Aponta para o coração, para a natureza
íntima do homem. O culto pressupõe, portanto,
da parte do adorador, umn transformação
espiritual, um coração convertido pelo Espírito
de Deus. Por diversas vezes Jesus condena a
a ri rude h ipócri ca dos fariseus que enfatizavam
a observância de formas e ritos religiosos
C:\.<:ernos, mas que únham o coração impuro,
pecaminoso, mais preocupado com a aparência
externa do que com a sinceridade e pureza dos
seus corações e mocivaçõcs.
Importância do Modo de Culto
Mas Jesus não pára aí. Ele r cssa1La,
igualmente, a importância da forma de culto,
da maneira correta de cultuar a Deus. Ele
afirma também, que aqueles que O adoram,
devem fazê-lo en1 verdade: "Deus é Espírito, e
importa que os que o adoram o adorem em
espírito e e111 verdade". Observando o contexto,
pode-se perceber que Jesus está Se referindo
ao modo de culto, revelado ao Seu povo na Sua
Palavra. O termo e111 verdade denota
conformação à verdade revelada de .Deus.
Denota submissão à Sua Palavra. AponLa
4
portarno, especialmente, para a conformação às
formas externas de culto prescritas por Deus
na Sua Palavra.
Os judeus adoravam Aquele que
conheciam, porque a eles haviam sido
confiados os oráculos de Deus (Romanos 3:22).
Afinal, a salvação vem dos judeus Goão 4:22)-
embora à maioria deles fal casse sinceridade, e
mesmo que a forma houvesse sido bastante
corrompida com acréscimos e negligências. Os
samaritanos, entretanto, não cinbam a forma, o
modo: "vós adorais o que não conheceis". A
referência é à adoração sincretista, deturpada
dos samaritanos, que manifestava ignorância
da vontade revelada de Deus com relação ao
culto.
Lendo-se com atenção as Escriruras, pode-
-se observar que ranto o Velho Testamento
como o Novo, atribuem grande importância à
maneira de se cultuar a Deus, a forma externa
de culto público.
RELEVÂNCIA DO ASSUNTO
A forma de culto é, sem dúvida, um
assunto da maior relevância. Duas questões
for am de suma importância na Reforn1a
Protestante do século XVI: o culto e a doutrina
' da salvação (e nesta ordem). E nesta ordem que
Calvino apresenta os dois principais males da
época, como ele mesmo afirma num tratado
5
sobre a necessidade de reforma na Igreja;
escrito em 1543:
... primeiro, o modo como Deus ~ cultuado
devid3memc; e, segundo, a fon te da qual a salvação
pode ser obtida. Quando se perde de vista estas
cou:is, embora possamos DOS gtonar DO nome de
cristãos, noss:i profissão de í~ ~ vazia e vã.5
Tem-se reconhecido que durante os
primeiros anos da Reforma Protestante em
Genebra, "o foco de atenção não foi a questão
da justificação, e sim a questão da missa e das
imagens, e todos os abusos relacionados a ela".4
De fato, o foco principal dos reformadores, cais
como Zwinglio, Bullinger (sucesso r de
Zwínglio em Zurique), Bucer(em Srrasburgo),
Farel e Calvino foi a purificação do culto das
superstições e idolatria medievais.7 Ilustrando
a importância do c ul to n a co ncepção
r~formada, Iain Murray' reconhece que:
A questão do culto ~teve no centro d3 revolução
esptrnual e n:icional que marcou a Reforma do
século XVI. Mãn:ires escoceses foram para a escaca
por se recusarem a obedecer à forma de culto
imposra pela igreja católica romana. Pela mesma
• TMN=11yof~farmingw Chinrh(Prote1tan1 Hcritagc Press,
1995).
1 lo!cio do primeiro C3pítulo: TlrL Evils IVJrithO!mpdkd U1 to
Su/t; ~mtdw.
• Carlos M. N. Ein; War Againsr '"'}dois (Citado por TCrTy
John$0n, "lntroduction to Warslup", Premiu, 3:1 {1996).
'Tcrry John$0n, lbul.
' "Thc D1rcçtory (or Publk \'V°orship", fumuc, 3; 1 (1996).
6
•
raziio, cerca de 288 homens e mulheres foram
queimados vivos na lnglaterrncntreosanos de 1555
e 1558. Depois, quando a doutrina protesutnte
cornou-sc ofici3.lmentc csaabclccid:l na Inglaterra e
na Escócui cm 1560, um conflito continuou nos dois
países para purificar o culto público das praticas e
cerimônias pré-reformadas. Ministros cvangaicos
foram silenciados, banidos e mesmo executados por
protestarem contra corrupções no culto. A
emigrnção dos Pais Peregrinos e dos Puritanos para
a Nov3 Inglaterra esrnva csscncialmeo1c ligada à
mesma questão. "O principal propósito desta nova
plantação", escreveu Couon .Mather, "era
eslllbelccer e desfrutar das ordcnaoças do evangelho
e culrunr o Senhor Jesus Crisco de acordo com Suas
próprias instiruiçõcs."
Matthew Henry resumiu bem a
importância do culto na fé reformado-puritana,
quando escreveu: "Religião é toda a razão da
nossa vida, e o culto a Deus a razão da nossa
religião".9
A importância que os reformadores e
puritanos atribuíam ao culto (e à sua forma) se
manifesta mais claramente quando
consideramos:
Os Exemplos Históricos das Religiões
A história das religiões demonstra que
quando o próprio homem se arroga o direito
de conceber formas de adoração a Deus, os
maiores absurdos podem acontecer. Prostitutas
'Cirndo por lnin Murrny, "Thc Dircc1ory for Public \Vorship",
Prtmist, 3: 1 (1996).
7
cultuais, l1.1xúria, sacrifícios humanos, auto-
-flagelação, adoração da própria natureza, culto
a demônios e a espíritos imundos, são alguns
exemplos.
A igreja católica romana não foge à regra.
Uma infinidade de crenças e práticas litúrgicas
foram incorporadas a ela no decorrer dos
séculos. A Reforma Protestante ocorreu numa
igreja repleta de adições espúrias ao culto:
missas pelos morros (missa do sétimo dia), a
própria missa (um sacrifício não cruento),
confessionário, sete sacramentos, celibato,
indulgências, penitências, rezar terços, sinal da
cruz, uso do latim na missa, imagens, rosários,
crucifixos, representações, relíquias, pere-
grinações, procissões, velas, vestes sacras,
músicas sacras, livros de oração, dias santos, etc.
A Diversidade de Novos Elementos nos Cultos
Evangélicos Modernos
Esta é, sem dúvida, a principal razão, a
razão imediata, que me levou a considerar o
assunto: as práticas de culto do movimento
evangélico moderno. Uma parafernália
litúrgica tem sido introduzida no culto
evangélico no últim·o século: orações em
conjunto (em voz alta), grupos de oração no
mesmo culto. Na área da música: rodo tipo de
instrumento, ritmo e. linguagem, corais,
conjuntos, bandas, solos, duetos, quartetos,
cânticos responsivos (homens/mulheres; uma
8
fila/outra), dirigentes, regc.;1lles e ministros de
música, palmas etc. Há também testemunhos
pessoais; recitações de poemas e versos por
adultos e crian ças, palmas para Jesus,
cumprimentos no culto (às pessoas ao lado),
apelos, danças, línguas, cântico em línguas,
curas, emprego de luzes coloridas, cultos
jovens, cultos apenas musicados, represen-
tações teatrais, gargalhadas sagradas, quedas,
urros, etc.
Num artigo publicado recentemente em
Os Purica11os,John MacArthur faz referência à
uma igreja no sudoeste dos Estado Unidos que
"instalou um sistema de efeitos especiais de um
milhão de dólares que pode produzir fumaça,
fogos, faíscas e feixes de raio lazer no
auditório ... " Nessa igreja "o pastor terminou
um culto sendo elevado ao "céu" por meio de
fios invisíveis, enquanto um coral e uma
orquestra faz.iam o acompanhamento à fumaça,
fogo e n eve". 10
O Contraste com o Culto Simples Reformado
e Puritano
Os reformadores aboliram toda a
parafernália do culto católico-romano, e os
puritanos fizeram o mesmo com relação ao
culto anglicano. Ambos instituíram uma forma
de culto extremamente simples, colocando de
'º"Verdade vs. Técnica", Os Pruitanos, IV:S (1996), pp. 12-16.
9
lado toda a pompa, esplendor, vestes, adereços,
procissões, cerimônias, livros de oração,
representações, símbolos, gestos, etc.11 O culto
refor1nado e puritano consistia simplesmente
de leitura bíblica, pregação, oração, cãntico dos
Salmos (sem nenhum instrumento), mini-
stração das duas ordenanças e a bênção
apostólica. Alem disso, a pr imazia cabia à
pregação. O púlpito foi colocado no centro.
O que explica a surpreend ente
uniformidade e simplicidade do culto
reformado-puritano? O que foi que os levou a
rejeitar a parafernália litúrgica romana e
anglicana? O que norteou a profunda refor ma
litúrgica que empreenderam? O princípio
regulador puritano.
DEFINIÇÃO DO PRINCÍPIO
REGULADOR PURITANO
A terminologia geralmente em pregada
(Princípio Regulador Puritano) não expressa be.m
o assunto. Não porque os puritanos não
11 Embora sendo anglicano, J.1. P11cker reconhece que os
puritanos " ... insistillm que a adoração deve ser simples e
bíblicn. Pnm eles, a simplicidade fazia pare e essencial d:i belC2:1
da adoração cristfi." J. 1. Packer,E111re os Giga111a do Deus, uma
Visão Puriuina da Vida Cristã (São Jos\! dos Campos, SP.
Editora Fiel, 1991), p. 270. Com.relação à simplicid11dc do
culco rc(ormado·puritano, ver Ull'l\b~m Leland Rykcn,Sa11tos
110 Afondo; Os Pur11anoscomo Realmente Er.im (São Jos~ dos
Campos, São Paulo: Editora Fiel, 1992), pp.121-145.
10
defendessem o princípio que estamos
considerando. Mas porque não indica o
assunto, e porque a defesa desce princípio não
se limita a eles.
Do ponco de vista do assunto, é melhor
chamar o principio em questão de princípio
regulador do culto. O principio que estaremos
considerando é a norma fundamental que
norteou a reforma litúrgica que resultou na
simpl icidade do culto público reformado-
-puritano.
Do ponto de vista daqueles que
formularam e defenderam o princípio de culto
cm questão, é melhor denominá-lo deprináp10
regulador rcfonnado. Este foi o princípio que
norteou não apenas os puritanos na sua luta
concra imposições por parte da Igreja
Anglicana de liturgias, ricos, símbolos, vestes,
etc. Foi também o princípio que norteou os
reformadores na profunda reforma litúrgica
que empreenderam, contra a idolatria, a
superstição e as tradições litúrgicas da igreja
católica romana.
O assunto desce escudo, portanto, é O
Princípio Regulador do Culto Reformado. Esre foi
o princípio de culto que norteou os
reformadores na reforma litúrgica que
empreenderam - o princípio defendido pelas
igrejas reformadas cm geral, desenvolvido
especialmente pelos puritanos, e adorado pela
1 1
igreja reformada escocesa, e pela I greja
Presbiteriana, em particular.12
Mas no que consiste, afinal, o princípio
regulador do culto reformado? É o princípio
que afirma que o culto público deve ser bíblico.
Em oposição ao princípio romano e anglicano
(às vezes chamado de princípio nonnativo)
segundo o qual o que não for diretamente
proibido nas Escrituras é permitido no culco,
os reformadores e puritanos sustentavam que
o que não for diretamente ensinado nas Escrituras
ou necessarian1ente inferido do seu ensino, é pruihido
no culto. Colocado positivamente, o princípio
regulador puritano afirma que só é permitido
LO culco aquilo que tiver real fundamentação
bíblica.
EVIDÊNCIAS IIlSTÓRICAS
Que cscc se trata de um princíp io
genuínamente reformado, puritano . e
presbiteriano, é fato h is tórico facilmente
ver ificável. Não ser ia difícil multiplicar
citações de reformadores calvinistas, de
puritanos e presbiterianos a favor do princípio
regulador puri cano .Como o tempo não
permitida, mencionarei apenas alguns dos
"Umacx1cns:i babhogru'tui rdacionadaàqueslàodasccrimônias
cacólicas e an~licanas pode ser cncontrndll cm Christopher
Coldwell, "Bibliogr.aphical lndcx for Oispu1c Ag:iinst lhe
Engllsh Popash Ccremonies", Premis~, 2:5 (1995), p. 6 .
.
12
. .
mais representanvos.
R cforn1adorcs
A posição de Calvino com relação ao culto
é manifesta em muitos dos seus escritos. No
tratado The Necessúy of Reforming rhe Church (A
Necessidade de Reformar a Igreja), por
exemplo, escrito em 1543, ele afLrma:
... a regra que distingue entre o culto puro e o culto
corrompido é de aplicação universal, a fim de que
não adotemos nenhum arLificjo que nos pareça
apropriado, mas atentemos para ns instruções do
Único que cst:I autorjZ3do a lesislor quanto ao
assunto. Portanto, se quisermos que Ele (Deus)
aprove o nosso culto, esta regra, que Ele impõe nas
Escrituras com o máximo rigor, deve ser
cuidadosamente observada. Pois há duas razões pelas
quais o Senhor, ao condena.r e proibir todo culto
ficúcio, requer que obedeçamos apenas à Sua voz:
primeiro, porque não seguir o nosso próprio prazer,
mas depender inteiramente da Sua soberania,
promove grandemente a Sua autoridade. Segundo,
porque a nossa corrupção é de tal ordem, que quando
somos deixados em liberdade, tudo o que <$ramos
habilitados a fa7..er é nos extraviar. E então, uma vez
desviados do reto caminho, a nossa viagem não
termina, enquanto não nos soterremos numa
infinidade de superstições ...
John Knox> o grande reformador escocês,
lutou tenazmente para livrar o culto de
todas as superstições católico-romanas. O
Prinzeiro Livro de Disciplina da Igreja da
Escócia, escrito por John Knox e outros
reformadores escoceses, em 1560. condena,
13
como "douLrinas contrárias":
•.• qualquer coisa que homens, por leis, concmos ou
consciwiçiõcs têm imposto sobre :is con.'IC:iências dos
homens, sem mnndiamcnto ei.')>rcsso da Palavra de
Deus - rn1s como votos de cnsridadc ... imposição u
homens e mulheres do uso de diversas vestes
especiais, observãm:JJ1supcr5ciciosa de dias de jejuns,
abstinência de alimentos por motivo deconseiênci:\i
oração pelos mortos, e a guarda de dias santos
instiruídos por homens, tais como rodos aqueles que
os papistas têm inventado, como as festas aos
apóstolos, mártires, virgens, natal, circuncisão,
epifunia (reis). purificação e outrnS fcsms -coisas
essas que, não tendo nem mandamento nem
endossa nas Escritul"lls de Deus, julgamos devnm
ser compleulmente abolidas do nosso reino;
declarando ainda, que obsunodos observadores e
ensinodorc.; de tais abominações não devem escapar
à punição do Magistrado Civil 11
Esses exemplos são apenas ilustraúvos da
posição reformada cuJvinisca quanto ao assunto.
Em muitos outros escriros, Calvino, John Knox
e outros reformadores, cais como Bucer e
Bullinger, e mesmo os principais símbolos de
fé reformados demonsuam o caráter normativo
do princípio de culco que cscamos Lratando. A
Confissão B elga, por exemplo, ao professar a
suficiência das Escriruras, declara:
Cremos que as EscritU1'3S Sagrndascontêm de modo
comple10 a vontade de Deus, e que tudo o que o
• 11 :John Knox's Hut<n;y of tlr1 RefonnatiDn 1n Scotland, \'OI. 2, cd.
Willi2m Oickmnson (Ncw York: Philosoph1Clll L1brary,
1950), p. 281.
.
14
homem está obrigado a crer para ser salvo é nelas
suficiente mence ensinado. Ponanto, já que coda
forma de culto que Deus requer de nós se encontra
nelas amplamente descrilll, não é pcrmüido ao
homem ... ensinar nenhuma outrama.ncira (de culto)
C.'\:ccto aquela que agora é ensinada nas Escrituras
Sagradas."
Puritanos
No século XVII, dezenas de teólogos e
pastores puritanos escoceses e ingleses dos mais
expressivos - tais como Thomas Cartwright
(1535-1603), ministro não conformista inglés;1s
William Ames (1576-1633), professor de
t eologia não conformisra exilado paza a
Holanda;16 David Calderwood ( 1575-1650?),
ministro e teólogo da Igreja da Escócia,17 e
1
' Guido De Bres,Crumosy Ca11fewmcn; Confisión de los Países
Bajos. Rijswijk (Países Baixos: Asociaci6n Cultural de
Esrudios de la Litcrarur.i Reformada, 1976), parágnafo 7.
"VerA Confutotitm o/IM R!icmists Tro11s/a1io11, 1618 (Amstcrd:un:
TheatrumOrbisTcrmrum; NewYork: Da Capo Prc$$, 1971).
Obs: A Trad11çlio de Rlacms das Escrimrns, contendo uma
série de noras marginais, foi publieuda (o NovoTestamcnto)
cm J 582 pelos Jesuítas ingleses, com o propósito de subverter
a Reforma na Inglaterra. O livro de Canwright refuta estas
norns, e, cm diversos lugares, expõe também o car:\ter não
bíblico d3s cerimônias do culto anglicano. Por isso mesmo, a
obra só foi publicada após n sua rnonc. Ver Alan C. CHfTord,
"Thomas Canwright". T/tc Bamur o/ Tru1/1 , 302 (Novcmbcr
1988), pp.12-15.
14 Ver The i\turruw o/11reawgy, 1623 (Ourham, N.C. : Labyrint h
Prcss, 1983, cl 968); cA Fmla Suit Against Huma11 Cl!f<moni.s
ira God's llYtmlaip (Ronctdllm: n.cd., 1633).
15
outtos18 - escreveram tratados e outros tipos de
escritos defendendo e aplicando o princípio
regu lador do culto, condenando a imposição
de cerimônias, festividades religiosas, gestos e
símbolos não fundamentados nas Escrituras.
As seguintes citações, são representativas da
posição puritana quanto ao assunto:
George Gillespie (1613-1649), um dos
ministros representantes da Escócia na
Assembléia de Wcstm inster,19 escreveu, em
1637, um t ratado contra a imposição de
cerimônias religiosas. Eis um pequeno trecho
do livro:
A igreja é proibida de acrescentar qualquer coisa
aos m:iodamcntos que Deus nos deu, concemen tes
ao Seu culto e serviço, De11u. 4:3; 12:32; Prov. 30:6;
por conseguinte, ela não pode prescrever coisa
11 Em ·n.e PtWDra11d úrePrdau, 1628 (Edmonton, CanactJ: Sull
WatcrsRcvival Books, bound photocopies); eAgai1111 Fts1rval
DayJ, 161 S (Onllas: Naphtali Prtss, 1996).
11 Algumas ciutç<ies de outros puriumos (tais como \Villiam
l'erkins e William Brnd&haw) e de confissões de (é reformadas,
em dcícsa do principio regulador puritano podem ser
c:ncont:rndoscm William Young, ThePurilanPrindp/cofrl7onhip
(Viena, VA: Thc l'ublica1ions Committec oíthc Presbytcrian
Ketormed Church, n.d.), pp. 30-36.
"Quanto à participação deGiJlespiecdos dcmau rcprcscrnantcs
esC'OCCSCS na Assc01bléia de \Vcsuninster, ver lain H. Mumay,
"Thc Seots at the W1:11rnin.ster Asscmbly; With Special
Refercnce to thc Dispute on Church Govcrnmcnt und its
AC1crm1nhn, The Bannuo/Truth, 371 ·372 (August-Scptembcr,
1994), pp. 6-40.
16
alguma rclncionadn i\ práticn do culto divino, que
ultrapasse mera circunstilncia.: tudo é incluído
naquele tipo de coisas que niío são tratadas nas
Escrituras ... A Igreja Cristã ntlo tem maior liberdade
para acrescentar (coisas) ao mancbmento de Deus
do que tiveram os judeus; pois o segundo
mandamento é moral e peipéruo, e nos proíbe, bem
como a eks, as adições e invenções humanas no
culto a Dc\1$.io
John Owen (1616-1683), um dos mais
capazes, respeirados e conhecidos puritanos,
cambém escreveu um tratado contra n
imposição de licurgias.z1 Eis um pequeno
t.recbo do livro:
... a invenção arbitrária de qualquer coisa imposta
como necessária e indispens:lvcl no cuho público a
Deus, como p:ine deste cuho, e o uso de qualquer
coisn :issim inventada e ordennda no cuhoé ilegal e
contr:lria 1l. regra da Palavra ... i: Portanto, todo o
de\•tr da lgrcjn com relação ao culto a Deus, parece
consis tir nn precisa obsci:vação daquilo que é
prescrito e ordenado por Ele (Deus)."
Jcremiah Burroughs (1599-1646), puritano
independente, e membro da Assembléia de
Westminster, escreveu em 1648 um tratado de
16Gcorgc Gillcs11lc,Dispu1~Agairul tlu~ E11gful1 F\!pish CmiflbilÍB
Obtn1d~dun th' Ch11rrli of Scbdand (Edinburah: Robcn Oglc
ond Oliver & Boyd, 1844), p.133.
"John 01Vcn, º'/\ Discoursc Conc:cmmg LilurJics and Tbctr
lmpos1tions'", 1n T111: Wúrlua/Yultn On.m, \"OI IS(Edinburgh
Tbc B3nncr of1ruth üust, 196S).
u lbid, pp. 33,34.
"lbid, p . 42.
17
cerca de 400 páginas sobre o culto evangélico.
Burroughs começa sua obra, argumenrando,
com base no relato bíblico sobre o fogo estranho
oferecido por Nadabe e Abiú, " ... que no culro
a Deus não pode haver nada apresentado a
Deus, que Ele não tenha ordenado; o que quer
que pratiquemos no culto a Deus, deve ter
fundamentação proveniente da Palavra de
Deus".1'
Presbiterianos
Historicamente, o presbiterian ismo é um
dos ramos.reformados que mais contribuíram
para a reforma litúrgica. A herança reformada,
calvinista, escocesa e puritana legada aos
presbiterianos tornou-os parti cu la rmen re
empenhados na purificação do culto. Alcxander
Hodge, conhecido professor de ecologia do
Seminário de Princccon, no século passado, no
seu comentário sobre a Confissão de Fé de
• Westminster, com relação ao capítulo XXI,
parágrafo I, escreveu:
Nós j:\ vimos, ao comentar o capfrulo primeiro, que
Deus nos deu ns Escrituras como uma rcgrainfa!Ivel,
autori1ativo, complcUI e clara de fé e pratica ... Isso
implica ncccssarinmcn'te que, visto que Deus
prescreveu o modo como nós devemos culruá-10 e
servi-10 de modo acdtável, é uma ofcnsu 1>ara Ele e
pcaado da noss:i P;irtC:. t:uuo ncdi&cncinr o modo
" Jcn:m1•h Burrougbs, Gtupd Worslnp (P1115burgb,
Pcnnsylvanu Soh Oco,Cloria, 1990). pp. l, 8.
18
por Ele esmbelccido, como preferir prnúcar o nosso
próprio modo de cuko ... visto que a nntureza moral
do homem é depravada, seus instintos religiosos
pervertidos, e suas relações com Deus invertidas
pelo pecado, é auto-evidente que uma revelação
positiva e explicim é necessária, não apenas para
dizer ao homem que Deus admiccsercultuado, mas
também para prescrcveros princípios com base nos
quais, e os métodos pelos qu:iis este culto e serviço
de\•erão ser prestados. Como jli foi antes
dcmonsrrndo a partir das Escricurns ... roda maneira
de culto da vontade, de aros e formas auto-escolhidas
de culto são nbominnção diante de Dcus.u
Mas como presbiterianos, não precisamos
buscar cesremunhos pessoais favoráveis ao
princípio regulador puritano, visco que nossos
próprios símbolos de fé professam claramente
o princípio de culto que estamos considerando.
A Con.ftssão de Fé de Wes11ni11.srer afirma no
capírulo referente ao culto (XXI), que:
... o modo aceitável de ndorar o verdadeiro Deus é
iosu1ujdo por Ele mesmo, e é tão limitado pela Sua
próprin vontade revelada, que Ele não pode ser
adorado segundo as imaginações e invenções dos
homens. ou sugestões de saainás, nem sob qualquer
represencaçiio visível, ou de qualquer outro modo
não prescrito nas sagradas Escrituras."'
,. Alexander Hodgc:, T1u1 Co11fusio11 of Faith (13dinburgh: Thc
Bnnncr ofTruLh ·n-ust, 1958), pp. 271,272.
"" Capítulo XXI, p3râgrafo l. Cf. Fé para Hojt; Confiss:ilo de Ft
Batismdc 1689(SãoJosédos Campos, S~ Ed11ora Ficl, 1991).
19
CONCEPÇ ÃO REFORMADO-PURITANA
DO PRINCÍPIO REGULADOR
DO CULTO
Princípio Calvinista
O princípio regulador do cu 1 to reformado
está cm perfeito acordo com as doutrinas
reformadas da autorid ade e da suficiência das
E scri tur as. D e faro, o princípio não é nada m ais
nada menos do que a aplicação dessas doutrinas
ao cu l to. A fé reformada su slenla que as
Escricu.ras são pleaamence suficientes cm
matéria de fé e p rática - o que s ignifica que
tudo o que o homem precisa conhecer, c rer e
fazer para que seja salvo e viva de modo
agr adável a Deus é revelad o n a Sua Palavra:
"Toda Escrirura é inspirado por Deus e útil para o
ensino, pnra a repreensão, paro a correção, para a
educação na justiçn, a fim de que o homem de Deus
seja pcrfcico e perfeitamente hnbilitado parn t<1da
boaobr:i." (2 Timóteo 3: 16,17).
Trata-se também de um princípio coerente
com a concepção cal vinis ta a respeito da
natureza p erver tida do homem, inclinada para
ó êrtõ e pata o pecado, e dé u m D eus soberano
que faz tod as as coisas conform e o conselho da
Sua vontade p ara o louvor da Sua glória. Por
cau sa da natuFeza pecam inosa do homem,
sempre inclinada para o CITO e para o pecado,
n ão l he compete inven tar e in stituir com o
prática de cul to absolutamen te n ada que não
2 0
scia ensinado nas Escrituras. Esta é uma
prerrogaciva divina, e a acirude e modo pelos
quais Deus quer ser adorado é suficientemente
prescrito por E le nas Escrjruras. O culto,
porcanro,, na concepção reformado-puritana,
não tem como p r opósito agrad ar aos
adoradores, e sim, a D eus.
Hugh B inn ing (1627-1653), m i nistro
presbiteriano escocês conhecido por sua
piedade e erudição, professor na U niver sidade
de G lasgow aos dezenove a n os de idade,
comen cando João 4: 24, escreveu:
A moiorin dos ho111ens tem algum:• forma própria
de adorar n Deus, e está cão satisfeita com cln, que
pensa que Deus carn bém está. Poucos há, cncrecanco,
que de futo sabem o que sisniiica adornr de modo
aceilá"el à Sua M<ljestadc. M:is vocês sabem que
niío - dor11r a Deus, ou não adorá-10 do modo que
Ele quer ser adorado, significa o mesma coisn.
Portanto, a maioria das pessoas não passa de auto-
-adoradores, porque niío a.sradom a Deus com seus
culcos. mas a si próprios._ Vocês dc\fcm ter como
verdade .ú1cgaveln1entc eswbclccida, que Deus tem
que ser adorado de acordo com a Sua própria
vontade.e prazer, e não de acordo com a vontade ou
invenção de vocés. Portan to, Deus aborrece
concepções human as de culco (will-worship)
iniag.inadas pelos homens, por zelo ignoran!e ou
superstição, embora possam aparen tar muita
devoção ou afeição a Deus ... O culto divino deve ser
em verdade -isso é claro - masque verdade é essa?
Deve ser de conformidade com a norma e padrão
de culto revelado como vontade e prnzer de Deus
21
r1:1 Palâvra da verdade. Verdadeiro culto é a própria
prática da Palavrada verdade."' (Ver Mateus 15:8,9).
Charles Spurgeon, o conhecido pregador
batista calvinista do sécul o passado, também
alertou seus Leitores contra o perigo incipiente,
na época, de buscar agradar os ouvintes no
culto público. Em um pequeno artigo,
inlCitulado Feeding Sheep or Amusing Goats
(Alimentando Ovelhas ou Entretendo Bodes)/ 8
Spurgeon escreveu:
O diabo tem raramcn te fcito algumn coisa mais sagaz
do que sugerir à Igreja que parte da sua missão
consiste em proporcionar: cn tretenimcnto ao povo,
com vistas a ganhá-lo ... Em nenhum lugar nas
Escrirurns é dito que prover divertimento para as
pessoas é função da Igreja. Se isso fosse função da
Igreja, por que Cristo não falou sobre isso? ... "ele
concedeu uns para apóstolos, outros para profetas,
outros para evangelistas, e outros pal'a pastores e
mestres" paro a obra do minis1ério. Onde se incluem
os que couetém pessoas? ... Se Cristo úvessc
introdu7jdo mais elementos festivos e agrad:fvcis à
Sua missão, Ele tcri:I sido mais popular, quando as
!Pessoas se afastavam d.Ele por causa da natureza
perscrutadora e penetrante do Seu ensino. Mas eu
não O ouço dizendo: "Corre alJ'ás destas pessoas,
IPcdro, e diga a elas que teremos um eswo de culto
" Hugh Binning, TheCommo11 Prüidp/esofrlic Clirisrum Rcbgio11,
LccLUre 11: Thc Knowlcdge 'lhnt God is, Combíned wíth 1hc:
Knowlcdge th•r Hc is to bc \Vorsrupped (Edmonton, Canada.
Srill \Vatcrs Rcç1-.-al Books). p. SS.
,. Em T/1c Bann" ofTmtli, 302 (November, 1988), pp.S,6.
Também cm Rrfqm1011011 & ReviVtJI, 2: 1 ( 1993), pp. 109, 11 O.
22
difcrcn1c :amanhã, nlgo mais breve e atrntivo, com
pouca pregnçiío ... " Jesus Se comp11dccin dos
pecadores, prcocupavn-S.ee chorava por eles, mas
nunca procurou diverti-los.
Princípio Bíblico
Embora cm perfeita harmonia com as
doutrinas reformadas fundamentais a respeito
das Escrituras, do homem e dos atributos de
Deus, reformadores e puritanos defenderam e
aplicaram o princípio regulador do culto por
uma razão maior: porque cntcndian1 que Deus
mesmo revela este princípio na Sua Palavra.
Segundo eles, as próprias Escrituras, canto no
Velho Testamento como no Novo, condenam
invenções humanas relacionadas ao culto,
proíbem adições ou diminuições ao culto
divinamente prescrilo, e consideram vãs
quaisquer formas de adoração provenientes de
mera tradição humana.
Um dos textos frequentemente mencio-
n ados por reformadores e puritanos em defesa
d o princípio regulador do culto é Deutero-
n ômio 4: 1,2: "Agora pois, ó Israel, ouve os
estatutos e os juízos que eu vos ensino, para os
cumprirdes, para que vivais, e entreis e possuais
a terra que o Senhor, Deus de vossos pais, vos
deu. Nada acrescentareis à palavra que vos
mando, nem diminuireis dela, para que
guardeis os mandamentos do Senhor vosso
Deus, que eu vos mando". Não se trata de uma
referência especificamente relacionada ao culto,
23
mas, evidentemente, também inclui o culto
público.
O versículo bfblico c lássico na defesa
reformada do princípio regulador se encontra
um pouco adiante, no livro citado acima: "Tudo
o que eu te ordeno, observarás; nada lhe
ucrescen tarás nen1 dimh.iuirás" (Deuteronômio
12:32). Esse versículo diz respeito exatamente
•
ao culto. E a conclusão de um capítulo que trata
especificamente do culto público.
Entre os textos do Novo TesU1mento mais
cicado10 em defesa do princípio regulador
pur itano estão M arcos 7:6-13 e Colossenses
2: 16-23. No primeiro, o próprio Jesus considera
vã (despropositada) a adoração resultante do
ensino e tradições humanas:
Bem proícuzou ls:u3s, a respe110 de v6s, hipócrir.as,
como está escrito: este povo honru-mecom os ln'bios,
mas o seu coração CSl!i longe de mim. E cm tJáo ~
udoram, tnn1111T1do do11tri1111s de liomcns. Ncgligcn·
dando o 111undnmen10 de Dcus,gunrtluis a rradiçiío
dos homens. E disse-lhes :unda: Je1los:uncnrc
rcjeiuus o prccctto de Deus para guardard~ a ,.ossa
própria tmdição (Marcos 7 :6-9).
No segundo cexco, o apóstolo Paulo, após
aler tar a igreja em Colossos a não se deixar
julgar pela não observância de práticas
licúi:gicas úpicas da antiga dispensação,so11zbras
do culto neo-testamencãr io, condena, corre
outras coisas, o culto de si n1e.f1no, isco é, o culto
proven iente da vontade, as formas de culto
•
inventadas pelo homem, para agradar a sua
própria vontade.29 Eis o texto:
"Ninguém, pois, vos julgllle por causa de comida e
bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados,
porque tudo isso tem sido sombra das coisas que
haviam de vir ... Se morrestes com Cristo para os
rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis
no mundo, vos sujeitais a ordenanças: não
manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquilo
outro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens?
Pois todas esras coisas, com o uso, se destroem. Tais
coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como
c11l10 de si niesmo, e falsa humildade, e rigor ascético;
todavia, não rêm valor a.lgum eoncra a sensualidade"
(Colosscnses 2: 16,17,20-23).
Outras importantes passagens bíblicas do
Velho Testamento e do Novo, e geralmente
mencionadas com relação ao princípio
regulador do culto reformado, serão
consideradas adiante.
O Culto da Vontade
Os reformadores reconheciam que as
adições humanas ao culto têm aparência de
sabedoria e tendem a ser mais agradáveis à
"'O t<!trnO da língua grega cradu.zido como "culto dcsi mesmo"
segundo Joseph Henry Thayer,A GreeJ.~E11g/ish Lexico11 of thc
New Testamem (Grand Rapid:s: Zondcrvan, 1979), designa,
um ºcu lto arbitrário",, um •cculco que alguém imagí.na e
prescreve para si mesmo". Segundo William F. Arodt and F.
\'Y'ilbur Gingrich,A Gru1"-E11gli.sla Lexi~o11 ofrhc New 1ésramettt
a11d Otlier Early Cliris1ia11 Literowre, 2 ed. (Chicago and
London: Thc University of Chic.1go Press, 1979), um culto
ou ªreligião :iuro-fabricada".
25
natureza humana pervertida do que o culto
divinamente prescrito nas Escriruras .
... Eu nüo ignoro (escreveu Calvino) o quão dificil é
persuadir o mundo de que Deus rejeica e mesmo
abomina toda invenção da razão humana
relacionada no culto. A ilusão, com relação a esta
questão tem diversas causas: "Cada um acha que
está certo", como expressa o antigo provérbio.
Assim, os filhos das nos.sas próprias mentes nos
deleitam; e além disso, como Pnulo admite, o culto
ficúcio frequcn temente aprcsen1.a alguma aparência
de sabedoria (Colosscnses 2:23). Como na maioria
dos casos, o culto fictício tem um esplendor externo
que agrada aos olhos, ele é mais a~dável à nossa
nacuru.a carnal, do que apenas aquilo que Deus
requer e aprova, e que tem menos ostentação.-.M>
Contudo, eles consideravam qualquer
invenção humana no culto como will-worship
(culto da vontade), "o culto de si mesmo»,
condenado em Colossenses 2:23. Eis o que
escreveu Calvino:
Eu sei o quão dificil é persuadir o mundo dcstue
Deus desaprova todas as prãticas de culto não
sancionadas cx,,rcss:u;nente na Su:i Palavra. A
opinião conlrária, à qual se apegam, e que está
arraigada até aos ossos e medul.a, é que, qualquer
prática para a qual encontrem alguma razão em si
mesma é lq;itima, desde que exiba algum tipo de
aparência de zelo pela honra de Deus. Ora, visto
que Deus não apen:is considera frívola, mas
t:imbém clacamcnte abomina o que quer que
pratiquemos por zelo ao Seu culto, se não estiver de
,. John C:ilvin. TirL.Neenmy of R~fonning the Clwreh.
26
acordo com o Seu mandlamenco, o que pode nos
aproveitar tomaraticude oposta? As palavras de Deus
são claras e distintas: "obedecer é melhor do que
sacrificar." " Em vão me adoram, ensinando
doutrinas e mandamentos de homens" ( l Samuel
15:22; M.atcus 15:9). Toda adição à Sua palavra,
cspedalmen1c neste assunto, é uma mentira. Mero
"culto da vontade" é ''aidade(Colossenses 2:23).J'
Como exemplos bíblicos da reação divina
ao culto da vontade (will-worship ), eles
freqüentemente mencionam o culto de Caim,
o fogo estranho de Nadabe e Abiú, o culto de
Saul em Gilgal32 e o transporte da arca da
aliança para Jerusalém. Por que Deus não Se
agradou da ofer ta não cruenta de Caim, e
agradou-Se da o ferta cr uenta de Abel (Gênesis
4:1-6; cf. H ebreus 11 :4)? Por que Nadabe e
Abi ú foram mortos por co locarem fogo
estranho no oferecimento de incenso (Levíúco
4:17-20)? Por que o sacrifício de Saul foi
condenado por Deus? P or que deu tudo errado
quando Davi tentou levar a arca para Jerusalém
num carro e não pelas argolas (1 Crônicos,
capírulo 13)? Por que Uzá foi m orto ao segurar
a arca da aliança quando os bois tropeçaram
"lbid.
"" ... tem, porventura, o Senhor moto prazer cm holocaustos e
sacrificios qu11nto cm que se obedeça li sua palavra? Eis que o
obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender melhor do
que a gordura de carneiros. Porque a rebclt:io é como o pecado
da feitiçaria, e :i obstinação é como u idolatria e culto a ídolos
do lar ... " {I Snmucl 15:22,23).
27
en1 Quidon1? Rcspos:ra reformado-puritana:
porque todos concra,,.i~ram a lei do culto, o
princípio bíblic., regulador do cu lto, que
atribui a Deus o direito de prescrever a maneira
pela qual Eie deseja ser adorado.
Em resposta à alegação de boa intenção,
os reformadores respondiam como John
Knox:13
Desobediência à voz de Deus não ocorre apenas
quando o homem age impiamente, contrariando os
preceitos de Deus, mas também quando por zelo
genuino ou poa intenção (como normalmente
falamos), o homemfaz qunlquer coisa a útulo de
honra ou serviço :a Deus não ordenado
expressamente pcln Palavra de Dcus ... 1•
... nem a preeminência da pessoa que concebe ou
estabelece qualquer prálica religiosa, sem
mandamento expresso de Deus, nem a inccn~ão
que a indu7.iu a cais práticas, é aceitável diance de
Deus-pois Ele (Deus) :não :idmiúrá nada cm Sun
religião, sem que se fun dnmentc n:1 Sua própria
Palavra; mas tudo o que lhe for acrescentado Ele
obomina, e pune os inventores e prnticantcs dcscas
coisas, como aconteceu com Nadabe e Abiú
(Levítico 10: 1-3).l;
Idolatria e SuperStição
A desobediência ao princípio regulador do
culto era considerada pelos reformadores e
•
" No lrntado: Tru< & False ll'orthip; A Vindicauon oí the
Doctrine thut lhe Sac:ra!icc: oí lhe Mass is Idolntry (Dallas:
J>rcsbyLcrion Hcrlragc J>ubllcuLíons, 1994).
" lbul, p. 26. •
28
•
puritanos como 1dolacr1a e superstição. Eles não
entendiam idolatria no sentido restrico de
adoração a outros deuses (primeiro manda-
mento), mas cambém no sentido de adoração
ao Deus verdadeiro da forma errada (segundo
mandamento).
Melanchcon," por exemplo, considerava
inadmissíveis as tradições católico-romanas
adicionadas ao culco. Segundo ele, os que assim
procedem, demonstram preferir a sua própria
sabedoria à de Deus. E, pior, no seu encendi-
mcnco, "Isco cem sido, e é, a fonte de culto a
ídolos." Daí seu alerta: " ... nós, na igreja,
deveríamos considerar estas coisas, a fim de
que, rendo sido advertidos, possamos n os
submeter à Palavra de Deus, e não estar
d ispostos a sermos regidos pelas nossas próprias
opiniões ... ".
Em 1550, J ohn Knox escreveu um
pequeno cracado condenando a missa católico-
-r omana como idolatria. Seu principal
argumento, cm forma de silogismo, cem o
princípio regulador do culto como premissa:
A missa ~ ídolnLrin. Todo culco, honra ou serviço
invcncado pelo cêrcbro humano n o que diz rcspci10
3 religião de Deus, que não se fundamente cm Seu
• Cimdo por John l'la,•cl, "Anupharmacum Salubcrr1mum; A
Scrious und S~asonnblc Owcn1 1n aU thc Sn1111s 1n 1his Hour
of Tcmp1a1ion". llm Th~ 117orkl o/]0/111 FIJrwl, •·oi 4, p.526
(l..ondon, Thc Banncr o( Tn11h Trus1, 1968).
29
próprio CJl.l>l'CSSO mandamento, é idolatria. A missa
é invenção do cérebro humano, que não se
fundamenta cm nenhum mandamento de Deus;
portanto é idolacria.n
John Flavel (1630?-1691), outro conhecido
puritano em um dos seus escritos, definiu
idolatria como:
... um culto religioso prestado a ourro que não o
verdadeiro Deus, ou (prestado)ao verdadeiro Deus,
mas de maneira que Ele não prescreveu em Sua
Palnvra Disso vemos com clru'C7.a que um culto pode
ser idólatra de duas maneiras: (1) com relação ao
objc10 ... ou, (2) com relação à maneira, quando
cultuamos o verdadeiro Deus, todavia de um modo
e maneira que Ele não prescreveu cm Sua Palavra,
mas que tenha sido invenUtdo ou concebido por
nós mesmos; e isso é condenado como idolatrill no
segundo mandamento; Não far6.s paro ti, isto é, da
rua própria mente ou da rua própria cabeça,nDll1umo
imagom de csc:11/wra; linguagem que proíbe todas ns
invenções humanas, corrupções do culto puro e
simples a Deus, como idólat.r:1s ... J.1
O mesmo é afirmado por alguns dos
principais símbolos de fé reformados. O
CateciS1no de Heidelberg, por exemplo, dá a
seguinte resposta à pergunta de número 96 ("O
que Deus requer no segundo mandamento?"):
"que não O represenremos ou adoremos de
•
" John Knox, 1hu & T-.úu Ui'onl1ip; A Vindication of lhe
Ooctrine that thc Sacrificc of thc Mass is ldol.atry, p.23.
" John Flavcl. ' 'Antipbarmacum Slllubcrrimum; A Scrious
and Scasonable C.vea1 10 all the Saints ln t.his Hour oí
Tcmpiationb, vot: 4. ln 771~ Wí>rkt "f:Jo/111 Flavd, p. 522.
30
;.tenhuma outra maneira que E le não tenha
ord enado em Sua Palavra."39 Já o Catecisrno
Maior, em rcsposra à pergunta 109, "Quais são
os pecados proibidos n o segundo
mandamento?", afirma:
Os pecados proibidos oo segundo m:mdru:ncoto são:
o cscabelcccr, aconstlhar, mandar, usar e aprovar de
qualquer maneira cada cul co religioso nã.o insti ruído
por Deus; o fazer qualquer representação de Deus ... ;
todas as invenções s upersticiosas, corrompendo o
culto de Deus, acrescentando ou tirando desse culto,
quer sejam inventadas e adol:ldns por nós, quer
recebidas porundição de outros, embora sob tirulo
de antigüidade, de cosrumc:, de devoção, de boa
intenção, ou de qualquer outro pre1cxto; a simonia, ..
o sacrilégio, toda negligência, desprezo,
impedimento e oposição ao culto e ordenanças que
Deus instituiu. (Ver Apocalipse22:18,l 9).
Acréscimos litúrgicos em termos de
ceri mônias, ritos, gestos, etc., eram
considerados superstições pelos reformadores.
Toda e qualquer p rática litúrgica invencada pelo
homem era vista por eles, como vemos h oje as
práticas supersticiosas dos amuletos (tais como
pés de coelho, ferraduras e trevos), da distinção
de dias especiais (sexta-feira 13), e evitar passar
""O uuccismo de Heidclberg." Em O Lrvro do Omfissõn (São
Pawo: Mi$:5ão P~í1cria.na do Brasil <:cntml, 1969), pp. 4.00 I •
-4.l29.
•O oom&cio dos dons de OcU$. Atitude: de Simão, o mágico,
que tencionou comprar de Pedro o dom de conferir() Espírito
Sanro (Atos 8: 18·20).
3 1
por baixo de escadas, perto de gatos pretos, etc.
Algumas das citações mencionadas já
fizeram referências a essas práticas licúrgicas
como supersticiosas. Eis apenas mais uma.
Comentando Jeremias 7:31, " ... o que nunca
ordenei, nem me passou pela mente", Calvino
argumenta:
Deus, aqui, elimina qualquer oportunidade de
evasivas humanas, visto que E le condena, pela Sua
própria fr-.ise, "o que nunca ordenci,''o que quer que
os judeus imaginassem. Não há, portanto, nenhum
outro argumento necessário para condenar
superstições do que o fato de não terem sido
ordenadas por Deus: porque quando os homens se
permitem cultuar a Deus de acordo com suas
próprias fantasias, e não observam os Seus
mandamentos, pervertem a verdadeira religião. E
se este princípio fosse adotado pelos papistas, todos
estes 1nodos fictícios de culto, nos quais eles
absurdamente se exercitam, cairiam por terra."
Princípio Libertador
Na concepção reformado-purita'ha, o
princípio regulador puritano não tolhe, não
limita nem restringe a liberdade cristã. Ele a
preserva da imposição do cerimonialismo do
qual Cristo nos libertou e de quaisquer imposi-
ções litúrgicas à nossa liberdade de consciência.
Com relação ãs cerimônias (escreveu Calvino), as
quais pretendem ser um sério atestado de culto a
Deus, não paSsam de 7.0mbaria a Deus. Um novo
judaísmo, em substituição àquele que Deus
'
1 John Calvin, Cc>m,,1emaryon:feremial1, 7:31.
32
clnramc1ue revogou, foi novamcn1e insutuido
atrllv0s de nu1ncrosas e pueris cxlrnvagfincias,
colcradns de diversos lugares, 1\s quais foram
misturad11s com ritos ímpios, parcialmente
emprestados dos pngãos, e mais adnptados nalguns
slwws ceaU'llis do que à dignidadcd:t nossa religião. .e
No capitulo que rrara de qucscóes de ordem
e disciplina ecJesiásticas, a Confissão Belga
re jeita ..... todas as invenções humanas, e todas
as leis que os homens queiram introduzir no
cul co a Deus, pelas quais obriguem e
consuanjam a consciência humana de qualquer
for m a possível".4 , No capítulo que craca da
liberdade cristã e da liberdade de consciência,
a Confissão de Fé de ll7esu111nsru afuma:
Só Deus é! Senhor da consciência, e a deixou livre
das douuinns e mundamentos humanos que, CJn
qualquer coisa, sc:jom contririos ~ Sun Pal:tvra~ 011
que, cm matéria de fé 011 d~ a1úo1 estejam fora dela.
Assim, crc1· cm tais doutrinas ou obedecer :i r:als
mandamentos, por motivo de consciênc1a, é! crair 11vcrdad.eirn llbcrdadc dcconsc:1ênaa; e rcqucrcrparn
eles íé implícita e obediência cega e absoluca, é
dcsrruir a hberdllde de consciénc1a e a própna
raziio ...
Esta concepção reformada do princípio
regulador como um princípio liber tador se
funda m enta cm textos bíblicos do Novo
" John CalYin, TM Ntt.asll)lo/Rt'fomrinz tlt~ C1turclt .
" Parigraío 32.
" Capítulo XX, Jt"nlar.tf o 2. Ver wmbémF' paN Hojl, Confissão
de F~ Bacisua de 1689(São José dos Campos, SP· Ednora F1cl,
199J), 21:2.
33
Testamento, tais como Colossenses 2: 16,17:
"Ningué m , pois, vos julgue por causa de
comida e bebida, ou dia de festa, o u lua nova,
ou sábados, porque rudo isso tem sido sombra
das coisas que haviam de vir ... "; e Gálatas 4:9-
-1 1, onde o apósto lo argume nta que a
insistência em observar dias e festas significava
uma escravidão voluntária a formas
rudimentares e fracas (em comparação com a
nova dispensação), e poderia até indicar coisa
muito s<!ria: " ... mas agora que conheceis a
Deus ... como estais voltando ourra vez aos
rudimentos fracos e pobres, aos quais quereis
ainda escravizar-vos? Guardais dias, e meses, e
tempos, e anos. Receio de vós renha eu
trabalhado cm vão para convosco" (Gálatas 4:9-
-11). A seriedade do assunro é demonstrada
pelo apóstolo Paulo no início do capítulo cinco
(versículo primeiro) dessa mesma carta; onde
ele adverte: "P ara a liberdade foi que Cristo
nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos
submetais de novo a jugo de escravidão. Eu,
Paulo, vos digo que, se vos deixardes
circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará".
É por causa de passagens bíblicas como
essas, que a fé reformada não admite, na nova
dispensação, a observância de dias, meses,
tempos e anos especiais prescritos na lei
cerimonial ju<laica. Mui to menos admite a
instituição humana de novos dias, fes tas e
34
cerimônias religiosas.~s Quando, portanto,
reformadores e puritanos enfa cizam a
necessidade de base bíblica para qualquer
elemento d e cu lto, na verdade não estão
enfatizando o caráter formal do culto da nova
dispensação, mas a sua natureza espirirual,
csseocialmencc livre das formas litúrgicas
cípicas do culto na anciga dispensação ou de
novas fo rmas lirúrgiicas inventadas pelo
homem.
Elementos e Circunstâncias de Culto
Uma última mas Ílnportan te consideração
que preciso fazer com relação à concepção
refor mado-puritana do princípio regulador do
culto, diz respeito à distinção entre elenientos
(ou ordenanças) de culto e circunstâncias de
culto.46
<$ Um texto intcttSsantc com relação a observância de dias e n
obstinêncin de comidas é Romnnos 14 :5,6. O cc.-:to pode parecer
indicar que comer ou observar dias é ulgo completamente
indiferente. Mas os textos já mencionados não pcrmitc.m CS$O
intcrprctaçiio. O contexto indica que se trata de concessões,
por amor, aos débeis na fé. Estes (certamente judeus), ainda
não haviam absorvido as carncterísticas pcculillrcs da novu
dispcnsaçiio (não foi fácil nem para Pedro), e ainda julgavam
relevante alguma observância de dias e absunência de
alimentos (quais especificamente, n.ào sabemos). Deve-se ter
cm mente, aqui, as drcunstiincias históricas especiais (de
transição) entre o 1udaísmo e o crisuanismo. De qualquer
modo, trarn·sc de escrúpulos pt:$sorus (o que não provém de (é
é pecado), e não pnrn ser jmposto na igreja .
.. Ver Jc.rcmiah Burroughs, Gospd Worsh1p, p. 9.
35
Os elementos de culto são práticas
específicas, prescritas (direta ou necessaria-
mente inferidas) das Escrituras e válidas para
toda a dispensação do evangelho (da graça), em
qualquer lugar ou circunstância. Alguns desses
elementos são comuns; isto é, fazem parte
regularmente do culto. A Confissão de Fé reflete
perfeitamente a posição reformada, admitindo
apenas os seguintesele11ze11tos coniuns de culto: a
leitura bíblica, a pregação da Palavra, a
reverente atenção a ela, a oração, o louvor, e a
ministração e recepção das ordenanças do
batismo e da Ceia do Senhor. Outros elementos
ocasionais (não regulares) de culto são: os
"juramentos religiosos, votos, jejuns solenes e
ações de graças em ocasiões especiais".
As circunstâncias de culto, são rodâs as
demais coisas, de caráter não religioso, mas
necessárias à realização do culto. Estas coisas
não são fixas, não fazem parte do culto em si,
não sendo portanto especificamente prescritas
nas Escrituras. Mas devem ser ordenadas à luz
da revelação geral, do bom senso cristão, de
conformidade com os princípios gerais das
Escrituras.A Confissão de Fé de ~sttninsrer trata
do assunto no capítulo I, parágrafo IV, nos
seguintes termos:
... há algwnas circunstâncias, quanto ao culto d.e
Deus e o governo da Igreja, comuns às ações e
sociedades humanas, as quais têm de ser ordenadas
36
•
peln luz dll natureza e 1>ela p:rudênci:i cristã, segundo
as regras da Palovr:i, que sempre devem ser
ob$CrVlldas."
Como exemplo de circunsrãncias de culto
na dispensação do evangelho, pode-se
mencionar o lugar (casa, templo, ao ar livre),
horãrio (dias da semana, horário), duração e
ordem do culco, n16veis (púlpito, bancos ou
cadeiras, mesa para a Ceia do Senhor);
iluminação (velas, lamparinas, candeeiros ou
luz elétrica), aquecimento ou ventilação, som,
etc. Estas questões sfio rodas circunstanciais na
dispensação do evangelho, o que significa que
não se pode atribuir a e las conotação religiosa,
tornando-as obrigalórias, e devem ser decididas
com a prudência cristã e à luz dos princípios
gçrais das Escrituras, tais como simplicidade,
ordem e decência, reverência, etc.
H á alguns cuidados gerais que se deve ter
com relação a estas questões circunstanciais:
O primeiro é o de não acribuir a estas
coisas, que em si mesmas são indiferentes,
conotação religiosa, atrelando-as ao evangelho,
confundindo-as com os ,elementos de culto,
tornando-as obrigatórias. Não se pode
sacralizar um lugar (um cemplo), um horário
(sete ou oito horas da noite), um dia da semana
(quarta-feira), um móvel (bancada de madeira),
uma roupa (o paletó ou batina), um sisrema de
"Capitulo J, parágrafo VI.
37
ventilaçilo, uma ordem de culto, erc. Tem sido
grande o perigo da superstição com relação a
estas coisas. Quanto a esta tendência, Hugh
Binning adverte:
Muito$ têm uma noção supersticiosa do lugar de
culto público, como se hou\•csse mais sanudade nele
do que cm outra cnsa qualquer; e assim, pensam que
suas ornções na igreja são mais aceiU'ivcis do que
nos seus próprios aposentos. Mas Cristo rcjcitn essa
opinião supersticiosa com relação a lugares, e
consequentemente, com relação a dias, comidas e
coisas externas como essas.••
O segundo, é o de fazer tudo à luz da
prudência cristã. É este o melhor horário, o
melhor dia, o lugar mais apropriado (com
relação à tranqüilidade, residência e poder
aquisitivo dos membros)? Os móveis são
apropriados, a roupa, a i l uminação, a
ventilação, etc.?
O terce: iro, é o de deixar q ue os princípios
gerais das Escrituras regulem as nossas decisões
con1 relação a rodas estas coisas, de modo que
não venham a contrariá-la. Nós não somos
naruralmente prudentes. É à luz das Escriruras
que devemos determinar o que é ou não
prudente, mesmo co m relação às co isas
ordinárias da vida. " ... vede prudentemente
•
" 11,. Comnro11 Pri1wplu o/ úu ClmJtilUI Rrligiott, Lccture 11 :
Thc Knowlcdgc: that God is, Combmcd with thc Knowlcdae
üuu Hc is to bc Worsh1ppcd. p.S9
38
como andais, não como néscios, e, sim, como
sábios, remindo o tempo, porque os dias são
maus ... ". (Efésios 5: IS,16).
CONCLUSÃO
Reconheço que professar e praticar o
princípio regulador p uritano não significa
dirimir todas as questões relacionadas ao culto.
Mesmo os puritanos não foramunânimes em
algumas questões concernentes ao cântico de
hinos no culco público e ao uso de orações
Ji rúrgicas (previamente composcas).•9
A convicção da legitimidade do princípio
regulador do culto reformado também não
implica necessariamente cm um rompimento
imediato e abrupto com toda e qualquer prática
que, na nossa interpretação, não tenha
fundamentação bíblica. A prudência nos
recomenda que em questões cão disputadas
como estas, tenhamos o cuidado de avaliar
extensamente as nossas interpretações - e a
teologia e a prãüca reformadas são excelentes
referenciais nesta avaliaç!ío.
Além disso, mesmo que plenamente
convencidos da ilegicimidade de práticas
litúrgicas menos relevantes ou geralmente
"'Ch . . . h nstophcr J. L. Bennctt, MWorsrup amoog tbc Puntans! e e
Rcgufative Principie". Em Spintual ll'ilnlúp (London: Thc
Wcsll'Oinncr Confcrencc, l 98S), pp. 17·32.
39
estabelecidas, convém un1a palavra de
prudência e paciência, para não virmos a
comprometer questões maiores. Calvino, por
exemplo, não concordava de modo algum com
o dia santo do natal. Mas preferiu adiar esta
reforma em Genebra, para não impcdtro curso
da Rcforma.so John Knox rejeitava a imposição
anglicana do ato de ajoelhar-se para receber o
pão e o vinho na Ceia do Senhor, mas
aconselhou sua congregação em Berwick a
tolerar a prática.si E o puritano Thomas
Carnvright, embora se opus'!sse ao uso de vestes
clericais, considerou melhor usá-las do que ser
obrigado a abandonar a sua vocação.s2
,. Ver CRrU endereçada a John Hallcr, 1,:asrnr de Bcrno.L<f1uno/
joht1 O.lv111, voL 2 (Ncw York: Bun Fr:mldin, 1972), pp. 288
-289.
Obs.: Com reJaç:iu il qucst5odas pr:'ilu:as na1ahm1s, ,,cr i'amlXm
Paulo i\nglado, O Natal t a Fi Rtfonnada (estudos nAo
publicados, Bc:lém: Igreja Prcsbitcrluna Ccntrnl do Par.i, 1996).
" Cf Christopher J. L Bennen, MWorshipsmoog the Puritans;
Lhe Regubuve Prioaple" ln Sp1ntual Worship, p. 30. Ver
tGmbém excelente artigo de Manyn Lloyd-Joncs, j~ U'2duz1do
pnra o português, sobre as au:acterlstic:as pe~soais de John
Knox, que fizeram dele, Lta opinrno do autor, o fundJldor do
purilJlnwno: MJobn Knox; O Fundador do PurilJlJÚSmo"
Em ()$ Punlil11'b1: rua1 Ori~1u r itw Sucestorrs (Sào Paulo;
PBS- Puhhcnçucs Evangélicas Selecionadas, 1993), pp. 268 •
288.
" Cf. Christopher J. L Benneu, "Worshap among thc Puriians,
the Regubuvc l'rincaple~ Em Spmrua/ Worslup, p. 30.
40
Entretanto, se re1e1tarm.os o principio
regulador do culto reformado, que estabeJece
as Escri curas como regra suficiente e
autoritativa de cuJto, que outro princípio
adotaremos? Como definiremos o que é ou não
permitido no culto? Como preservaremos o
culco das tradições, invenções e superstições
humanas? Adotando o princípio normativo
anglicano, segundo o qual tudo o que não for
proibido ou não for contrário às Escrituras é
permitido no· culto, devemos reconhecer que
teremos dificuldade em responder às questões
com as quais introduzi este estudo. AfinaJ, as
Escrituras não proíbem o sinal da cruz, a
queima de incenso, ou a cerimônia do lava-pés!
Também não proíbem a abstinência de carne
na "semana santa" e uma infinidade de práticas
litúrgicas católico-anglicanas!
D esejo, portanto, concluir sugerindo que,
à luz da história da revelação bíblica, ênfases
sobre pompa. ritos, símbolos, gestos e demais
práticas litúrgicas inventadas pelo homem, não
constituem um avanço, e sim, um retrocesso.
Significam um retomo a formas de culto mais
rudimentares, apropriadas apenas à velha
dispensação. A glória e beleza do cul to na nova
dispensação não está no templo., na sua
decoração, nos ritos, nos símbolos, nos gestos,
nas luzes, nos corais, na pompa, nas cerimônias,
nos instrumentos 1nusicais, ou em quaisquer
41
coisas do gênero.SJ Está, sim, na sua
simplicidade, na sua natureza espirirual, na
santidade do adorador, na conformação ao
culto à verdade revelada nas Escrituras, na
realidade do acesso do crente à presença de
Deus pela intermediação de Cristo e a ação do
Espírito Santo.
Encerro este pequeno estudo sobre o
princípio regulador do culto reformado com
as palavras do apóstolo Paulo na sua Epístola
aos RomaQos:
"Rogo-vos, pois, irmãos, pelas miscric6rdias deDcas,
que aptt$Cn1cis os vossos corpos por '3aificio vivo
santo eagrndd\"Cl a Deus, que~ o vosso culto racional
(l6gico, n12o:h·cl). E não vos conformeis oom este
s~ulo, m:u lt'aosformai·vos pc111 renovação das
vosSllS mentes, para que cxpcrimcn1els qual seja o
boo, agradável e perfeita vontade de Deus"
(Romanos 12:1,2).
•
., Sobre a bclCD do culto na nova dtspcnlaçiío, ver John Owen,
uThc Naturc and Bcauty ofGospcl Worab1p", Em 17re 117orks
of:foltn Owen, \'019.(Edinburah, 1852; Thc Baaner ofTrulh
TN$t, rcpr. 1966), p. S>-84.
42
BIBLIOGRAFIA
A B íblia Sagrada; Velho e Novo Tescameotos.
Edição Revisca e Atualizada no Brasil.Traduzida
por João Ferreira de Almeida. Brasília: Sociedade
Bíblica do Brasil. 1969.
A Confissão de Fé. O Catecismo Maior. O Breve
Catecismo. São Paulo; Casa Editora Presbiceriana,
1991.
J A M ES, William. A Fresh Suit Agai11st
Human Ceremmzies in God's Worsliip. Rorcerdam:
n.ed., 1633.
Tlze Marrow of Tlteology.
Durham: Labyrincb Press, 1983.
ANGL ADA, Paulo. O Culto Reformado
(estudo não publicado). Belém, PA: Igreja
Presbiceriana Central do Pará, 1996.
- - ---· O Natal e a Fé Reformada
(estudos não publicados). Belém: Igreja
Presbiter iana Central do P ará, 1996.
ARNDT, William F. & GINGRICH, F.
Wil bur, A Greek-Englislz Lexicon o/ tlze New
Testament a11d Other Early Christian Literature, 2
ed. Ch icago and London: The University of
Chicago Press, 1979.
BENNETT, Chris-copher J. L. "Worship
among t he Puritans; cbe Regulative Principie".
Em Spirit11al U7orship. London: The Westminster
Confe rencc, 1985, pp. 17-32
BlNNING, H ugh, Tlze Comnio11 Principies of
the Christ ian Religio11. Lecrure 11: The Knowledge
tbat God is, Combincd wicb the Knowledge rbat
Heis to be Worshippcd. Edmonron, Canada: Still
Wacers Revival Books, pp. 57-63.
43
BURROUGHS, Jeremiah. Go$pel Worshzp.
P ittsburgh, Pennsylvania: Soli Oco Gloria, 1990.
CALOERWOOD, David. The Pasror and tlie
Prelate. Edmoncon: Canada: Scill Wace•s Reviva]
Books, bound photocppies,(1628).
_____ . Agaiust Festival Days. Dallas:
Naphtali Press, 1996.
CALVIN, John, The Ncr;essity o/ Rcfon11i11g
rhe Church. Dallas: Prorestanc Hericage Press,
1995.
-----· Let1ers of John Calvi11, vol. 2.
New York: Burt Franklin, 1972.
-----· Commentary on .Jeren1íah.
CART\'4'RIGHT, Thomas. A Co11futatio11 o/
the RJ1cmís1s Tra11slatio11. Amscerdam: Theatrum
Orbis Terrarum; New York: Capo Pres·, 1971.
CLIFFORD, Alan C. "Thomas Cart\vright".
The Ba1111er o/ Tnult Tn1st, 302 (Novcmber 1988),
pp.12-15.
COLDWELL, Christopher, "Bibliogra-
phical Index for Dispute Againsc che English
Popish Ceremonies." Premísc, 2:5 (1995), ·p. 6.
Fé para H oje; Confissão de Fé Batista de 1689.
São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 1991.
FLAVEL, John. "An ripharmacum
Saluberrimum; A Serious and Scasonable Caveat
co ali che Saincs in chis Hour of Tc1npcation".
Em Thc Works of .Joli11 Flavel, vol 4. London: The
Banner of 1rulh Trusr, 1968.
GILLESPIE, George. Dispute Again.st Eng/ísh
Popish Cerc111011ies Obtruded 011 tlte Ch11rch o/
Scocla11d. Edinburgh: Robert Oglc and Oliver &
Boyd, 1844.
44
HODGE, Alexander, The Co11fcssio11 of Faitli.
Edinburgh: ·rhe Banner of Truth Trust, J 958,
pp 271,272.
JOHNSON, Terry, "Inlroduct1on lO
Worsbíp". Prcn1isc, 3: 1 (1996).
LOCKh1AN, Vic. The llYorship Principie.
Yreca, Calafornia: Vic Lockman, 1996.
LLOYD·JONES, D. Martyn. "John Knox;
O Fundador do Puritanismo". Em Os P11n1a11os:suas Orige11s e seus Sucessores. Süo Paulo: PES -
Publicações Evangélicas Selecionadas, 1993, pp.
268-288.
KNOX, John. True & False Worslrip; A
Vindícation of cbc Doctrínc chal Lhe Sacr1ficc
of the Mass is ldolatry. Dallas: Prcsbyterian
H e1·íuagc Publícations, 1994.
-----· joltn K11ox's llistory of 1he
R eforma1io11 ifl Sco1land, vol. 2, ed. William
Oickinnson. Ncw York: Philosophic.al Library,
1950,p. 281
MacARTHUR, John. "Verdade vs. Técnica".
Os Puritanos, IV:S ( 1996), pp. 12-16.
MURRA Y, H . Iaín . "The Scots at thc
Wcscminsrer Assembly; With Spccial Referencc
to rhc Dispute on Churcb Govcrnmcnl and its
Afrermath." The Banntr of Tn'1/1 Tnal, 371-372
(August-Septcmber, 1994)t pp. 6-40
-----· "The Dircctory for Public
Worship". Premise, 3: 1 ( 1996).
"O Catecismo de Heidelberg." Ia O Livro de
Confissões . São Paulo: Missão Presbiteriana do
Brasil Ccntrnl, 1969, pp. 4.001-4.129.
45
OWEN, John. The Narure and Beauty of
Gospcl Worship. Goold, \VI. H. (ed.), TJie UYorks
o/ jolin Owe11, vol. 9. Edinburgh: The Banner of
Truth Trust, 1966, pp. 53-84. ( Primeira
pubHcação: Johnslone & I-lunccr, 1850-53).
-----· A Discourse Concerning
Llcurgies and cheir lmpos.ition. Em Goold, W.
H . ( 'cd.), The l~órks of :fohn Owe1t, vol. 15.
Edinburgh : Thc Banner ofTrut:h Trust., 1976, pp.
1-55. (Primeira publicação: Johnscone & Hunler,
1850-53).
PACKER, J. I. E111re os Gigantes de Deus; Uma
Visão ruritana da Vid:a Cristã. São José dos
Campos, SP: Editora Fiel, 1991.
PRICE, Greg L . Fu11do1io11 for Refonnatio11;
The Regula tive Pri neiple of Worship.
Edmonton, Canada: Scili Wacers Reviva! Books,
1995.
RYKEN, Lelnnd. Santos 110 Muudo; Os
Puritanos como Realmente Eram. São José dos
Campos, São Paulo: Editor:a Fiel, 1992. •
SPURGEON, Charles H. "Feeding Sheep or
Amusing Goars". 771e Ba1111er o/ Th1th Trust, 302
(Novcmber, 1988), pp. S,6; e Reforma1io11 &
Revival, 2:1 (1993), pp. 109,110.
THAYER, Joseph Henry. A Greek-English
Lexicon o/ the New Tes1·an1e11t. Grand Rapids:
Zondervan, 1979.
YOUNG, \Villiam. Tlu: Puri1011 Pri11cipk o/
Worship. Vit!na, VA: Tbe Publicacions
Comn1itcee Presbyterian Reformed Church, o.d.
46
OUTROS LIVRINHOS PELA " PES"
Amor de Crisco, O-R. M . McCheyne
Amor imensunlvel -C. H. Spurgcon
Aprcsen1ação do evangelho, A- D. M. Lloyd-Joncs
Arrependimento: a porca para o Reino
-D. i\<\. Lloyd-Jones
Calvino: o leôlogo do Espirico Santo-A. Lopes
Calvino e a responsabilidade social dJI Igreja
-A. Lopes
Catecismo para meninos e merunas, Um
-Carcy Publications L1d
Chamado para o min1stt!rio, 0-C. II. Spurgcon
Cinco pontos do calvinismo, 0.s- W.J. Scaton
Com quem mc:casarci?-A. Swanson
Conhc:cimeoto: falso e \•erdadciro
-D. M. 1.loyd-J oncs
Conver'Sóe$: psicol6gicas e espirituais
- D . M. Lloyd-Jones
Crescimento nn graça-]. Newton
Cris10: sabedoria, 1us1iça, saotificaçiio do crente
- G. Whitcficld
Cruz: a justificaç:lo de Deus, A - n. M. Lloyd· Jones
Doença-J. C.Rylc
Dons do Espírtto Santo, Os-D. M. Lloyd-Jooe:s
Eleição: incentiva para pregar o evangelho
-8. "lyler
Exigências de Deus, As-C. H. Spurgeon
Fé sa.lvadorn-D. i\'!.. Lloyd-Joncs
Figueira 1n urcha, A- C. 1"1. Spurgeon
História dos poderosos feitos de Deus, A
-C. lJ . Spurgcon
Idolatria desmusca1·adu, A-O. Ollvctú
Igreja e o Estado: suas funções difcrcn1cs, A
- D. M . Lloyd-Joncs
lnspinção das Es.:rituras, A- J. C. Rylc
47
Iro de Deus, A-D. M. Lloyd-Jones
João Calvino e George \Vhitefield
- D. M . Lloyd-Jones
John Knox, o fundador de puritnnismo
- D. M. Lloyd-Jones
Jonathan Edwards e a crucial importância de
uv1Vamento-D. M. Lloyd-Joncs
Livre-arbítrio: um escravo- C. 1 I. Spurgeon
Mantendo a fé evangélica boje - D. M.Lloyd-Jones
Mensagem cristã parn o mundo, A
- D. M. Lloyd-Jones
Não é pura rir-S. Jebb
Oraçiio eficaz - C. H. Spurgeon
Ordenação de mulheres: que diz o N.1:? - A. Lopes
Pecadores nas mãos de um Deus irado - j . Edwards
Perseverança n.asanúdade, A-C. H. Spurgeon
Plano de Deus, O-J. I. Packcr
Podemos aprender da bisuSria? - D. M. Lloyd-Jones
Precioso sangue de Cristo, O - C. II. Spurgeon
Pregação, A- D. M. Lloyd-Jones
Pudcanismo e suas origens, O-D. M. Lloyd-Jones
Que é a Igreja?-D. M. Lloyd-Jones
Que é um cristão?- \V. Mack •
Que é um e\•angélico?-D. M . Lloyd-Joncs
RcaviVllmentos: sua origem, progresso e
reali1..açõcs -E. Evans
Rememorando a Reforma- n. M Lloyd-Jones
Siscemo de pelo, 0-I. H. Murray
Soberana vocação da maternidade, A - W. Cbantry
Sobrcnntural na medicina, O-D. M. Lloyd-Joncs
Urgente necessidade de avivamcnlO, A
-D. M. Lloyd-Jones
Verdades clfam3das calvinistas: uma defesa
-C. li. Spurgcon
Vivendo a vida crisrã- D. M. Lloyd-Jones
48