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Brasília-DF. 
AntibiogrAmA e Controle de QuAlidAde
Elaboração
Liliana Scorzoni
Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração
Sumário
APRESENTAÇÃO ................................................................................................................................. 5
ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA .................................................................... 6
INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 8
UNIDADE I
ANTIBIOGRAMA ................................................................................................................................... 11
CAPÍTULO 1
TIPOS DE ANTIBIOGRAMA E REALIZAÇÃO DOS ENSAIOS .......................................................... 11
CAPÍTULO 2
INTERPRETAÇÃO DO ANTIBIOGRAMA ...................................................................................... 21
CAPÍTULO 3
PRECAUÇÕES E CUIDADOS PARA A REALIZAÇÃO DO ANTIBIOGRAMA. ESCOLHAS DOS DISCOS 
DE ANTIBIOGRAMA ................................................................................................................ 25
UNIDADE II
REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS ....................................................................... 30
CAPÍTULO 1
INFORMAÇÕES GERAIS .......................................................................................................... 30
CAPÍTULO 2
REQUISITOS BÁSICOS PARA LABORATÓRIO DE MICROBIOLOGIA .............................................. 45
UNIDADE III
CLASSIFICAÇÃO DOS LABORATÓRIOS SEGUNDO O NÍVEL DE BIOSSEGURANÇA ................................... 52
CAPÍTULO 1
NÍVEL 1, 2, 3 E 4 DE BIOSSEGURANÇA OU PROTEÇÃO BÁSICA ................................................ 52
CAPÍTULO 2
CLASSIFICAÇÃO DO ORGANISMO SEGUNDO SEU POTENCIAL PATOGÊNICO .......................... 64
CAPÍTULO 3
CLASSIFICAÇÃO DOS ORGANISMOS GENETICAMENTE MODIFICADOS ................................... 68
UNIDADE IV
CONTROLE DE QUALIDADE DO LABORATÓRIO ..................................................................................... 73
CAPÍTULO 1
PARÂMETROS DO CONTROLE DE QUALIDADE ......................................................................... 73
CAPÍTULO 2
CONTROLE DE QUALIDADE DE EQUIPAMENTOS ....................................................................... 80
PARA (NÃO) FINALIZAR ..................................................................................................................... 87
REFERÊNCIAS .................................................................................................................................. 89
5
Apresentação
Caro aluno
A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se 
entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. 
Caracteriza-se pela atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela 
interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da 
Educação a Distância – EaD.
Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade 
dos conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos 
específicos da área e atuar de forma competente e conscienciosa, como convém 
ao profissional que busca a formação continuada para vencer os desafios que a 
evolução científico-tecnológica impõe ao mundo contemporâneo.
Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo 
a facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na 
profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na carreira.
Conselho Editorial
6
Organização do Caderno 
de Estudos e Pesquisa
Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em 
capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos 
básicos, com questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam a tornar 
sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta, para 
aprofundar os estudos com leituras e pesquisas complementares.
A seguir, uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos Cadernos de 
Estudos e Pesquisa.
Provocação
Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes 
mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor 
conteudista.
Para refletir
Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa e reflita 
sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante 
que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As 
reflexões são o ponto de partida para a construção de suas conclusões.
Sugestão de estudo complementar
Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo, 
discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.
Atenção
Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a 
síntese/conclusão do assunto abordado.
7
Saiba mais
Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões 
sobre o assunto abordado.
Sintetizando
Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o 
entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.
Para (não) finalizar
Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a aprendizagem 
ou estimula ponderações complementares sobre o módulo estudado.
8
Introdução
A confiabilidade dos serviços laboratoriais prestados deve ser assegurada pelo laboratório 
clínico. O controle de qualidade e os requisitos básicos para o bom funcionamento de 
um laboratório de microbiologia são normas que permitem a qualidade dos ensaios 
microbiológicos. Esses requisitos são regidos pela Resolução da Diretoria Colegiada 
(RDC) no 302, de 13 de outubro de 2005, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. 
Trata-se da normalização do funcionamento do laboratório clínico, do posto de coleta 
laboratorial e da qualidade dos exames laboratoriais realizados. Além disso, a RDC no 
302 também trata de normas de biossegurança. 
Os laboratórios de microbiologia são ambientes que podem expor seus trabalhadores 
a doenças infecciosas. São descritos muitos casos de infecções contraídas em um 
laboratório durante toda a história e inúmeros casos foram atribuídos à falta de cuidados 
ou a uma técnica de manuseio inadequada de materiais infecciosos. 
Denomina-se biossegurança as norma e medidas destinadas a prevenir riscos inerentes 
às atividades dos laboratórios as quais possam comprometer a saúde dos profissionais 
e o meio ambiente. O conhecimento sobre as normas de biossegurança é de interesse de 
todos os que lidam com os serviços de saúde.
Entre os ensaios executados nos laboratórios de microbiologia está a realização 
de antibiogramas. Com o descobrimento dos antibióticos houve a necessidade de 
desenvolver técnicas laboratoriais para verificar se essas substâncias possuíam ação 
nos micro-organismos. Denomina-se antibiograma o teste realizado para verificar a 
sensibilidade ou resistência dos micro-organismos aos antibióticos. Grandes esforços 
foram feitos para padronizar as metodologias para a determinação da sensibilidade 
antimicrobiana. Devido ao grande número de variações metodológicas e interpretações 
dos testes de sensibilidade, o grupo americano Clinical and Laboratory Standards 
Institute (CLSI), e o grupo europeu European Committee on Antimicrobial Susceptibility 
Testing (EUCAST) desenvolveram normas para a validação das metodologias e dos 
critérios de interpretação dos antibiogramas. O objetivo dessesgrupos é unificar o 
tipo de ensaio e interpretação realizados, sendo assim possível comparar os dados em 
estudos intra e inter-laboratoriais.
Na primeira parte deste curso, serão abordadas diferentes técnicas para determinação 
da sensibilidade antimicrobiana. Nessa etapa o objetivo é entender como são realizadas 
essas técnicas, analisar as vantagens e as desvantagens de cada uma. Além disso, a 
interpretação dos dados de cada tipo de teste de antibiograma também é abordada 
9
nesse capítulo, bem como os controles e cuidados necessários para sua realização de 
forma adequada.
A segunda etapa desse curso tem como objetivo abordar os critérios para o funcionamento 
de um laboratório de microbiologia, classificação quanto ao nível de biossegurança e 
controle de qualidade. Esse material tem como base documentos, manuais e resoluções 
divulgados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), Ministério da Saúde 
e Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), as quais são responsáveis 
pela regulamentação e fiscalização das normas aqui descritas.
Objetivos
 » Entender como são realizadas as técnicas para determinação da 
sensibilidade antimicrobiana, bem como analisar as vantagens e as 
desvantagens de cada uma. 
 » Interpretar os dados de cada tipo de teste de antibiograma, bem como os 
controles e cuidados necessários para sua realização de forma adequada.
 » Abordar os critérios para o funcionamento de um laboratório de 
microbiologia.
 » Identificar a classificação quanto ao nível de biossegurança e controle de 
qualidade.
11
UNIDADE IANTIBIOGRAMA
CAPÍTULO 1
Tipos de antibiograma e realização dos 
ensaios
A demanda por ensaios de antibiograma vem aumentando. Alguns fatores contribuem 
para o acréscimo da realização desses testes.
 » O descobrimento de novos antibióticos disponibilizando opções de 
tratamento.
 » O desenvolvimento de resistência dos micro-organismos aos 
antimicrobianos.
 » O aumento da sobrevida dos pacientes os quais fazem uso prolongado 
desses medicamentos.
Com isso, houve a necessidade de desenvolver técnicas laboratoriais para verificar se essas 
substâncias possuíam ação contra os micro-organismos. Denomina-se antibiograma o 
teste realizado para verificar a sensibilidade ou resistência dos micro-organismos aos 
antibióticos. Em outras palavras o antibiograma informa se um determinado antibiótico 
tem a capacidade matar, inibir o crescimento de um micro-organismo ou se não possui 
ação. 
A realização de antibiogramas tem dois objetivos principais:
1. Na área epidemiológica: o antibiograma é de grande importância para 
conhecer o perfil de suscetibilidade microbiana de determinado local, 
podendo ser usado para comparar as taxas de suscetibilidade entre as 
instituições e acompanhar as tendências de resistência a determinados 
antimicrobianos. O perfil de sensibilidade é um fenômeno variável de 
acordo com o transcorrer do tempo, tipo de tratamento utilizado ou entre 
hospitais.
12
UNIDADE I │ ANTIBIOGRAMA
2. Na terapêutica: ajuda a selecionar tratamento adequado e o 
monitoramento do mesmo. Para a realização do antibiograma, é 
necessário isolar e identificar o micro-organismo causador da infecção. 
Uma vez identificado, para a prescrição do tratamento deve-se determinar 
quais antibióticos esse micro-organismo é sensível e isso é feito pela 
realização do teste de antibiograma. As técnicas de antibiogramas podem 
ser qualitativas, determinando se um micro-organismo é sensível ou 
resistente a determinado antimicrobiano. Existem também técnicas 
de antibiograma quantitativas, quando determinam a concentração 
inibitória mínima (CIM). Os dois métodos são comparáveis, uma vez 
que existe uma correlação entre o diâmetro do halo de inibição no disco 
difusão e os valores de CIM. 
Grandes esforços foram feitos para padronizar as metodologias para a determinação da 
suscetibilidade antimicrobiana. Devido ao grande número de variações metodológicas 
e interpretações dos antibiogramas, o grupo americano Clinical and Laboratory 
Standards Institute (CLSI) e o grupo europeu European Committee on Antimicrobial 
Susceptibility Testing (EUCAST) desenvolveram normas para a validação das 
metodologias e critérios de interpretação dos antibiogramas. O objetivo desses grupos 
é unificar o tipo de ensaio e interpretação realizado sendo assim possível comparar os 
dados em estudos intra e inter-laboratoriais.
Define-se antibiograma o ensaio in vitro realizado para verificar a sensibilidade ou 
resistência de um micro-organismo a determinado antibiótico. Antes de dar início ao 
tratamento, devem ser coletadas amostras do local suspeito de infecção, por exemplo, 
se a suspeita for de infecção urinária, deve-se coletar amostra de urina. A partir da 
amostra biológica, será possível isolar e identificar o micro-organismo suspeito e, só 
então, o antibiograma poderá ser realizado. 
Os testes de sensibilidade ou antibiogramas são indicados para a seleção da terapia 
quando não se conhece o perfil de sensibilidade do micro-organismo, mesmo após sua 
identificação. Esses testes são indicados principalmente quando que o organismo causador 
pertence a uma espécie capaz de apresentar resistência aos agentes antimicrobianos 
normalmente usados. Quando a infecção é causada por um micro-organismo cuja 
sensibilidade a determinado antibiótico é conhecida, os testes de sensibilidade são 
raramente necessários.
Além disso, realização de testes de sensibilidade a partir de material clínico como fluidos 
corpóreos estéreis pode ser realizada, mas apenas em caso de emergências. Nesse 
caso, é necessário certificar-se por meio da coloração de Gram que apenas um tipo de 
13
ANTIBIOGRAMA │ UNIDADE I
micro-organismo está presente na amostra. O antibiograma deve ser posteriormente 
repetido com o micro-organismo isolado e identificado e metodologia padronizada. Os 
antibiogramas podem ser divididos em dois tipos de técnicas:
 » Técnicas difusão em ágar (disco difusão e Etest).
 » Técnicas de diluição em ágar ou em meio líquido (macrodiluição e 
microdiluição).
Difusão em ágar
Disco difusão
A técnica de disco difusão é uma das metodologias de antibiograma mais tradicionalmente 
usadas nos laboratórios de microbiologia, sendo amplamente utilizada tanto para 
patógenos comuns como para bactérias fastidiosas. Essa metodologia é compatível 
com a maioria dos agentes antimicrobianos, além disso, não necessita de equipamentos 
específicos. A técnica de disco difusão utiliza discos contendo antimicrobianos em uma 
única concentração. Esses discos serão aplicados em uma placa de Petri contendo meio 
sólido, previamente inoculado com uma bactéria. De acordo com o diâmetro do halo se 
determina a sensibilidade do micro-organismo ao composto. É importante lembrar que 
a classificação da sensibilidade é específica para cada antibiótico e micro-organismo.
Meio de cultura
O meio de cultura utilizado é o ágar Mueller-Hinton, pois é reprodutível entre os 
diferentes lotes, permite crescimento satisfatório dos patógenos não fastidiosas, além 
disso, existem muitos dados sobre a realização de antibiogramas com esse meio. Para 
a realização de ensaios com bactérias fastidiosas, é possível acrescentar nutrientes 
especiais ao Mueller-Hinton.
Preparo do inóculo ou suspensão bacteriana
Existem duas formas para se realizar o inóculo:
1. Método do crescimento
 Selecionar três a cinco colônias isoladas e cultiva-las em meio de cultura 
adequado a 35°C até atingirem ou excederem a turbidez da escala 0,5 
de McFarland. Em seguida, a turbidez do crescimento será ajustada com 
14
UNIDADE I │ ANTIBIOGRAMA
solução de salina estéril equivalente escala 0,5 de McFarland (turbidez 
que equivale a 1 a 2x108 UFC/ml de E. coli ATCC® 25922).
2. Método de Suspensão Direta dasColônias
 A partir de um cultivo de 18 a 24 horas, realizar uma suspensão das 
bactérias em salina estéril e ajustar a turbidez de acordo com a escala 0,5 
de McFarland.
Figura 1. Preparo do inóculo para realização do antibiograma pelo método de crescimento e pelo método de 
suspensão direta de colônias.
Fonte: Esquema de figura montado a partir dos sites: <http://www.microbiologia.vet.br/> e < http://pixabay.com/>. Acesso 
em: abril de 2015.
Aplicação do inóculo nas placas
Mergulhar um swab na suspensão bacteriana previamente padronizada. Remover 
excesso de líquido rodando o swab sob a parede do tubo. Espalhar inóculo uniformemente 
em toda a superfície da placa contendo o meio de cultura sólido. Aguardar até que o 
excesso de umidade seja absorvido antes de se aplicar os discos impregnados de droga 
(não exceder 15 minutos).
15
ANTIBIOGRAMA │ UNIDADE I
Aplicação de discos a placas de ágar inoculadas
Os discos antimicrobianos devem ser colocados cuidadosamente sob a superfície de 
uma placa semeada com a bactéria em questão. Pressionar o disco cuidadosamente para 
remoção de bolhas de maneira a assegurar contato completo do disco com a superfície 
do ágar. Uma vez que algumas drogas se difundem quase instantaneamente, o disco 
não deve ser reaplicado após ter entrado em contato com a superfície de ágar. Em vez 
disso, coloque um novo disco em outra parte da placa. As placas devem ser incubadas 
invertidas a 35° C por 6 a 18 horas. 
Figura 2. Etapas para realização do antibiograma. 1) com o auxílio de um swab, coletar a suspensão bacteriana 
com a concentração previamente padronizada com a escala 0,5 de Mc Farland; 2) aplicação na placa de 
ágar Mueller-Hinton; 3 e 4) aplicação dos discos de antibióticos na placa; 5) halos formados após a incubação; 
6) interpretação dos resultados.
Fonte: <https://www.microbelibrary.org/>. Acesso em: abril de 2015.
Etest
Epsilometer test ou Etest é um método comercial para determinar a sensibilidade 
antimicrobiana e também é possível determinar a concentração inibitória mínima 
(CIM), portanto, é um teste quantitativo. A CIM é definida como a menor concentração 
de um antibiótico capaz de inibir o crescimento de um micro-organismo.
O Etest consiste em uma tira de material plástico contento um gradiente de concentração 
do antimicrobiano. Da mesma forma como para o ensaio de disco difusão, a tira de 
Etest é aplicada sobre a superfície de uma placa pré-inoculada com a bactéria em 
questão. Quando a tira de Etest é colocada sobre uma superfície de ágar, o gradiente de 
16
UNIDADE I │ ANTIBIOGRAMA
antibiótico da tira é transferido para o ágar. O crescimento bacteriano se torna visível 
após a incubação, em forma de elipse. A CIM é determinada a partir da escala expressa 
na tira em µg/ml, em que a borda elipse do crescimento bacteriano intercepta a tira.
Figura 3. Representação do Etest. Tiras de Etest e representação da leitura.
Fonte: Disponível em: <http://www.biomerieux-usa.com/clinical/etest>. Acesso em: abril de 2015.
Técnicas de diluição
As técnicas de diluição baseiam-se em diluições sucessivas do antimicrobiano em meio 
de cultura sólido ou líquido. Posteriormente, é realizada a inoculação da suspensão 
bacteriana com concentração padronizada. As diluições que se utilizam são, em geral, 
diluições seriadas realizadas no meio de cultura, ou seja, 1, 2, 4, 8,16 µg/ml etc. Essa 
metodologia é quantitativa, pois é possível determinar a Concentração Inibitória 
Mínima (CIM), menor concentração de antimicrobiano capaz de inibir o crescimento 
de um micro-organismo. Esse método é também utilizado na confirmação de alguns 
perfis de resistência detectados inicialmente por disco-difusão.
Diluição em ágar
Preparo das placas com diferentes diluições do 
antimicrobiano
O meio de cultura utilizado é o ágar Mueller-Hinton ou ágar BHI. Esses meios podem 
ser acrescidos de nutrientes especiais dependendo do micro-organismo em questão. 
17
ANTIBIOGRAMA │ UNIDADE I
1. Ao ágar fundido a temperatura de 45-50ºC adicione a solução de 
antibiótico na concentração adequada para cada diluição e misture bem. 
Evitar a formação de bolhas.
2. Coloque a mistura do ágar com os antibióticos em placas de Petri (3-4 
mm de profundidade).
3. Após a solidificação do ágar, as placas podem ser guardadas em 
embalagens plásticas para evitar o ressecamento a 2-8ºC por 5 dias ou 
mais, dependendo do antibiótico. Atenção, alguns antibióticos têm rápida 
degradação, para garantir que se mantenha a atividade, cada laboratório 
deve realizar testes de estabilidade usando as cepas padrão como controle 
de qualidade.
4. Antes da utilização, as placas devem estar à temperatura ambiente e, 
caso exista umidade na tampa, elas devem ser colocadas abertas no fluxo 
laminar por 30 minutos.
5. Como controle de crescimento de cada experimento, será utilizada uma 
placa de meio de cultura sem antibiótico.
Preparo do inóculo
Método de crescimento ou suspensão direta das colônias, equivalente a uma solução 
padrão 0.5 de McFarland. A escala 0.5 de McFarland equivale a aproximadamente 
1-2x108 UFC/ml, entretanto, para esse ensaio, a concentração ideal é 104 UFC, o inóculo 
deve ser diluído 1/10 e então 2 μl serão aplicados no ágar, sendo assim possível ter 104 
UFC por placa.
Aplicação do inóculo nas placas
Com o auxílio de uma micropipeta, aplicar da suspensão padronizada nas placas, 
iniciando pela placa de controle de crescimento (placa somente com o meio de cultura 
e sem o antibiótico), seguida das diferentes concentrações as quais devem ser iniciadas 
pela de menor concentração de antibiótico. Após a absorção do inóculo pelo ágar as 
placas serão incubadas invertidas a 35ºC por ao término 16-20 hs.
18
UNIDADE I │ ANTIBIOGRAMA
Diluição em meio líquido (macrodiluição e 
microdiluição)
Método de macrodiluição em caldo 
Meio de cultura
O meio de cultura utilizado é o Mueller-Hinton em caldo. O meio de cultura pode 
ser acrescido de nutrientes especiais dependendo do micro-organismo em questão. 
Esse ensaio se realiza em tubos (13 x 100 mm) estéreis os quais devem possuir 
tampas ou tampões de algodão. As diluições são realizadas em caldo Mueller-Hinton 
e cada diluição deve ser de no mínimo 1 ml. As diluições devem possuir o dobro das 
concentrações desejadas pois, com a adição do inóculo, as concentrações serão a 
metade da concentração inicial.
Figura 4. Representação esquemática do teste de macrodiluição em tubo, após a inoculação e incubação.
Fonte: Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br>. Acesso em: abril de 2015.
Método de microdiluição em caldo 
Essa técnica é denominada microdiluição pois envolve pequenos volumes de meio 
de cultura sendo, por isso, realizada em microplaca de 96 poços. Para evitar erros de 
pipetagem, recomenda-se que as diluições sejam realizadas em volume de pelo menos 
10 ml e a essas diluições sejam distribuídas nas placas de 96 poços (0.1 ml por poço). 
Cada diluição do antimicrobiano deve possuir o dobro da concentração desejada pois 
com a adição do inóculo as concentrações serão reduzidas pela metade. As placas 
podem ser guardadas a -20ºC e, se possível, a temperaturas menores que -60ºC, até 
o momento do uso. Uma vez que descongeladas as placas não podem voltar a serem 
congeladas pois os antimicrobianos podem perder a atividade.
19
ANTIBIOGRAMA │ UNIDADE I
Figura 5. Esquema do antibiograma pela técnica de microdiluição.
 
Controle positivo: 
meio de cultura + 
Controle negativo: 
somente o meio de 
cultura
Concentração 
decrescente do 
antibiótico
Fonte: Própria.
Preparo do inóculo
O preparo do inóculo, tanto para a macrodiluição como para a microdiluição, pode ser 
obtido pelo método de crescimento ou suspensão direta das colônias, obtendo uma 
concentraçãoequivalente a padrão 0,5 de McFarland. Esse inóculo deve ser diluído 
para que cada poço tenha a concentração equivalente a 5x105 UFC/ml ou 5x104 UFC 
por poço.
Aplicação do inóculo nos tubos de macrodiluição
Deve-se adicionar 1ml do inóculo com concentração padronizada em cada tudo da 
macrodiluição (contendo 1 ml de cada diluição). Como controles são utilizados um tubo 
somente com meio de cultura (sem antibiótico e sem inóculo) o qual é considerado 
controle de esterilidade do meio e também o controle de crescimento que consiste de 
meio de cultura acrescido do inóculo (sem antibiótico).
Aplicação do inóculo na placa de microdiluição
O inóculo deve ser aplicado no máximo em 15 minutos após o ajuste de sua concentração. 
O volume da diluição e de inóculo devem ser os mesmos, sendo assim a concentração 
dos antimicrobianos diluídos pela metade. Da mesma forma, como na macrodiluição 
temos o controle de esterilidade do meio e o controle de crescimento do antimicrobiano.
Incubação microdiluição e macrodiluição
Para a maioria dos micro-organismos, a incubação é de 18 a 24 horas a 35°C, e os tubos 
são inspecionados visualmente para evidenciar o crescimento bacteriano, traduzido 
pela turbidez. 
20
UNIDADE I │ ANTIBIOGRAMA
O quadro 1 mostra uma comparação das vantagens e desvantagens de todos os testes 
de descritos nesse capítulo.
Quadro 1. Tabela comparativa das vantagens e desvantagens das técnicas de antibiograma.
Disco – Difusão
Vantagens Desvantagens
 » Fácil execução.
 » Reprodutibilidade. 
 » Utilização de reagentes de baixo custo. 
 » Resultados de fácil interpretação clínica. 
 » Flexibilidade quanto à escolha dos antimicrobianos. 
 » Não requer utilização de equipamentos especiais.
 » Falta de mecanização ou automação para realização deste teste. 
 » Ausência de padronização do método para alguns 
micro-organismos e agentes antimicrobianos, por exemplo: o S. 
pneumoniae versus ceftriaxona, que deverá ser avaliado por um 
método quantitativo.
 » Este método pode não ser adequado para a detecção de 
mecanismos de resistência resultantes da produção de beta-
lactamases, por exemplo: o enterococo versus ampicilina, ou 
outros mecanismos mais complexos, como o estafilococo com 
sensibilidade diminuída aos glicopeptídeos.
Etest
Vantagens Desvantagens
 » Flexibilidade na escolha dos agentes antimicrobianos a serem 
testados. 
 » Fácil execução e fornecimento de um resultado quantitativo 
(CIM).
 » Alto custo das fitas. 
 » Número limitado de antimicrobianos testados por placa.
Diluição em ágar
Vantagens Desvantagens
 » Habilidade em testar um grande número de amostras 
simultaneamente a um custo relativamente baixo. 
 » Permitir a determinação quantitativa da CIM.
 » Testar bactérias fastidiosas, que não apresentam bom 
crescimento em caldo, como Neisseria gonorrhoeae e bactérias 
anaeróbias.
 » É um método muito trabalhoso, no que se refere à preparação 
das placas e do inóculo bacteriano.
 » As placas de ágar contendo antimicrobianos devem ser 
preparadas, preferencialmente, no dia em que serão usadas, 
pois o armazenamento das placas pode determinar a perda da 
atividade antimicrobiana.
Macrodiluição
Vantagens Desvantagens
 » Determinação de resultado quantitativo, a CIM.
 » Avaliação de um número substancial de bactérias.
 » Quantidade de reagentes utilizada.
 » Espaço necessário para o armazenamento dos tubos.
 » Possibilidade da ocorrência de erros durante a preparação das 
concentrações antimicrobianas.
 » Trabalho manual dispendioso na preparação do teste.
Macrodiluição
Vantagens Desvantagens
 » Economia de espaço e de reagentes.
 » Reprodutibilidade dos resultados, devido à 
 » possibilidade de preparação de grande quantidade de placas a 
partir da mesma série de diluições de antimicrobianos.
 » Gera resultado quantitativo.
 » Conveniência de poder utilizar placas pré-fabricadas e sistemas 
automatizados.
 » Inflexibilidade na escolha dos antimicrobianos a serem testados, 
quando se utilizam as placas pré-fabricadas. 
 » Alto custo.
 » Dificuldade em discernir o crescimento bacteriano da amostra 
inoculada daquele causado por bactérias contaminantes.
Fonte: Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br>. Acesso em: maio de 2015. 
21
CAPÍTULO 2
Interpretação do antibiograma
A interpretação dos resultados dos ensaios de antibiograma é estabelecida por meio de 
estudos desenvolvidos pelo EUCAST e CLSI. Esses estudos levam em consideração as 
propriedades microbiológicas, farmacocinéticas e de eficácia clínica para a definição 
de sensibilidade (sucesso terapêutico) e resistência. A análise dos resultados de 
antibiograma é fundamental para a determinação da sensibilidade, além disso, é de 
grande importância clínica.
Como descrito anteriormente, o isolamento da bactéria responsável pela infecção 
e identificação de seu gênero e espécie são necessários, uma vez que sem esses 
resultados podem ocorrer erros na seleção dos antibióticos para o teste. Um exemplo da 
importância da identificação do micro-organismo na interpretação dos dados é o caso 
das enterobactérias que apresentam CIM de 8 mg/l para a ampicilina, sendo sensível 
a esse antimicrobiano. Entretanto, espécies de estafilococos com esse mesmo valor 
de CIM para ampicilina é considerado resistente. Portanto, as CIM baixas podem não 
estar relacionadas com a sensibilidade do micro-organismo pois isso depende de sua 
identificação e também do antibiótico.
Outro fator importante ao se analisar os antibiogramas é conhecer o fenótipo de 
sensibilidade dos micro-organismos, uma vez que algumas bactérias são sempre 
sensíveis e outras sempre resistentes a determinado antibiótico. 
Padrões de interpretação do diâmetro dos 
halos
O CLSI dispõe de tabelas de interpretação as quais relacionam o diâmetro dos halos 
com a sensibilidade do micro-organismo a determinado antimicrobiano. Para isso, 
primeiro é realizada uma comparação do diâmetro do halo com a CIM e, posteriormente, 
estas CIMs e os diâmetros dos halos correlacionados foram analisados em relação à 
farmacocinética da droga em regimes terapêuticos normais. A classificação a seguir 
está de acordo com o documento M23 do CLSI.
Sensível: significa que uma infecção por um determinado micro-organismo pode ser 
tratada adequadamente com a dose do agente antimicrobiano recomendada para esse 
tipo de infecção e patógeno, exceto quando contraindicado.
22
UNIDADE I │ ANTIBIOGRAMA
Intermediária: a categoria “intermediária” inclui isolados com CIMs do agente 
antimicrobiano que se aproximam de níveis sanguíneos e tissulares atingíveis e para os 
quais as taxas de resposta podem ser inferiores àquelas para isolados sensíveis.
Resistente: os isolados não são inibidos pelas concentrações sistêmicas dos agentes 
antimicrobianos geralmente atingíveis nos regimes terapêuticos habituais; e/ou podem 
ter os diâmetros do halo de inibição dentro de uma faixa de maior probabilidade de 
ocorrência de mecanismos específicos de resistência microbiana (ex.:, ß-lactamases), 
além de a eficácia clínica não ter sido confiável nos estudos terapêuticos.
Quadro 2. Padrões interpretativos dos diâmetros dos halos de inibição e equivalência de pontos de corte das 
Concentrações Inibitórias Mínimas (CIM) para Enterobacteriaceae. R=resistente, I=intermediário, S= sensível.
Agente antimicrobiano
Conteúdo do Disco
R
Diâmetro do Halo de Inibição 
(mm)
CIM Equivalente 
Pontos de Corte (µg/
ml)
I S R S
Ampicilina 10 µg/ml ≤13 14-16 ≥17 ≥32 ≤8
Mezlocilina 75 µg/ml ≤17 18-20 ≥21 ≥128 ≤16
Piperacilina 100 µg/ml ≤17 18-20 ≥21≥ ≥128 ≤16≤
Ticarcilina 75 µg/ml ≤14 15-19 20 ≥128 16
Carbenicilina 100 µg/ml ≤19 20-22 ≥23 ≥64 ≤16
Mecilinam 10 µg/ml ≤11 12-14 ≥15 ≥32 ≤8
Fonte: adaptado de CLSI documento M100-S15.Disco difusão e etest
Como descrito no capítulo anterior, a técnica de disco difusão baseia-se na aplicação de 
discos contendo antibióticos sobre a superfície de um meio sólido o qual foi previamente 
inoculado com uma suspensão bacteriana de concentração padronizada. Após o tempo 
de incubação. a bactéria irá crescer e o diâmetro do halo formado se relacionará com 
a sensibilidade da bactéria. Da mesma maneira, para a realização do Etest, uma tira 
contendo um gradiente de concentração do antimicrobiano é aplicada sobre uma placa 
pré-inoculada com a bactéria em questão e após a incubação ocorrerá a formação de 
uma elipse pela qual é possível determinar a Concentração Inibitória Mínima (CIM).
Pode-se relacionar os dados qualitativos da técnica de disco difusão com os dados 
quantitativos do Etest, então, halos pequenos estão relacionados com valores de CIM 
altos, ou seja, com a resistência da bactéria e halos grandes estão relacionados com 
as CIM baixas e consequentemente com a sensibilidade, portanto, são inversamente 
proporcionais.
23
ANTIBIOGRAMA │ UNIDADE I
Figura 6. Técnicas de difusão em ágar para a determinação da sensibilidade. (A) Disco difusão, formação de 
tamanhos de halos diferentes de acordo com o antibiótico testado. (B) Etest.
Fonte: Cercenadoa, E.; Saavedra-Lozanob., J (2009).
Figura 7. Curva de regressão linear da correlação entre a CIM e o halo de inibição.
Fonte: <http://www.anvisa.gov.br>. Acesso em: abril de 2015.
Diluição em ágar
Para facilitar a leitura, as placas devem ser colocadas sobre superfície escura. A CIM é 
determinada pela menor concentração que inibe o crescimento microbiano. 
Figura 8. Esquema representativo de um ensaio de sensibilidade pela técnica de difusão em ágar. As diferentes 
concentrações do antimicrobiano são representadas e a CIM (menor concentração em que se verifica a inibição 
bacteriana) é hipoteticamente 16 µg/ml.
 
Bactéria
64 32 16 8 4 2 1 0,5 
(g/mL)
Placa com ágar e 
antimicroniano
CIM
Fonte: Própria.
24
UNIDADE I │ ANTIBIOGRAMA
Macrodiluição e microdiluição
A CIM, no caso da macrodiluição e da microdiluição, é determinada pela falta de 
turbidez do meio de cultura. Ou seja, a menor concentração em que não se observa 
turbidez é equivalente a CIM. Isso quer dizer que o antimicrobiano teve ação sob o 
micro-organismo matando-o ou impedindo seu crescimento. No caso da microdiluição, 
pode-se ainda realizar leituras espectrofotométricas para determinar o poço em que não 
existe crescimento comparando-se com o poço controle (sem bactéria). É importante 
lembrar que a CIM obtidas por macrodiluição ou por microdiluição para um mesmo 
antimicrobiano deve ser a mesma.
25
CAPÍTULO 3
Precauções e cuidados para a 
realização do antibiograma. Escolhas 
dos discos de antibiograma
Controle de qualidade nos antibiogramas
Para garantir resultados confiáveis e reprodutíveis, uma série de ações devem ser 
tomadas dentro do laboratório. Essas ações de boas práticas laboratoriais envolvem a 
coleta, o transporte e o acondicionamento das amostras, o treinamento do pessoal do 
laboratório, a qualidade dos reagentes, os meios de cultura, a qualidade e a calibração 
dos equipamentos. No que se trata de antibiograma, podemos destacar os seguintes 
cuidados:
 » Preparo dos meios de cultura. 
 » Controle do pH do meio.
 » Espessura do ágar na placa.
 » Tempo de armazenamento das placas.
 » Temperatura e a atmosfera de incubação.
 » Concentração do inóculo.
 » Estoque adequado dos discos de sensibilidade.
 » Rigor na execução da técnica.
Controle de qualidade do meio de cultura 
O meio indicado para os testes de antibiograma é Mueller Hinton e existem alguns 
fatores que devem ser considerados para manter a acurácia e reprodutibilidade desses 
ensaios, são eles:
 » Espessura: para os ensaios realizados em meio sólido, a espessura deve 
ser de 4 mm (60 a 70 ml para placas de 150 mm e 25 ml para placas 90 
mm). A padronização da espessura é importante principalmente no caso 
dos testes de difusão em ágar e Etest, pois o antimicrobiano se difunde 
26
UNIDADE I │ ANTIBIOGRAMA
mais facilmente em placas com espessura mais fina e isso pode causar 
erros de interpretação.
 » Esterilidade: deve-se garantir que as placas ou tubos com meio de cultura 
estejam estéreis após seu preparo, para isso uma amostra significativa 
(10%) de cada lote das placas deve ser examinada para confirmar sua 
esterilidade. O teste de esterilidade é realizado incubando o meio de 
cultura a 30-35°C, por pelo menos 24 horas.
 » pH: o meio Mueller Hinton deverá ter pH entre 7,2 e 7,4 a temperatura 
ambiente e no caso do meio sólido, após sua solidificação. PHs do 
meio alterados podem causar reações químicas indesejáveis com os 
antimicrobianos.
Controle de turbidez para o preparo do inóculo
Na realização dos testes de antibiograma, é necessário a padronização do número de 
células bacterianas. Para isso, é usado um controle de turbidez de BaSO4, equivalente 
a uma solução padrão 0,5 de McFarland. Esse padrão de 0,5 de McFarland é feito com 
0,5ml de BaCl2 0.048 mol/l e 99,5ml de H2SO4 0,18 mol/l. O armazenado deve ser 
realizado em tubos hermeticamente fechado, protegido da luz a temperatura ambiente.
Antes de iniciar os testes de sensibilidade, deve-se verificar se a escala 0,5 de McFarland 
encontra-se adequada para a padronização do inóculo bacteriano. Para isso, deve-se 
medir o valor da absorbância a 625nm, usando cubeta de 1 cm. Se tiver adequada, 
a absorbância da solução padrão 0,5 de McFarland deverá variar de 0,08 a 0,10. É 
muito importante se lembrar de agitar vigorosamente o tubo com o padrão da escala. 
Os controles de sulfato de bário devem ser substituídos e suas densidades verificada 
todo mês.
Cuidados com o armazenamento e uso dos discos 
de antibiograma
Os discos devem ser mantidos em seus frascos originais a temperatura de 2-8ºC 
(geladeira) ou a parir de -14ºC (congelador) ou menos. Antes do uso, os frascos devem 
ser retirados da geladeira ou do congelador e mantidos a temperatura ambiente por 1-2 
horas antes do uso com a finalidade de estabilizar a temperatura.
27
ANTIBIOGRAMA │ UNIDADE I
Fontes dos agentes antimicrobianos
Os antimicrobianos são obtidos diretamente da empresa produtora, não sendo 
aconselhável o uso de soluções parenterais. É necessário conhecer a potência, a data de 
vencimento dos antimicrobiano e eles devem ser armazenados -20ºC em dessecador, 
para evitar o umedecimento das drogas.
 Cepas controle 
Cepas de referência são aquelas que têm o papel de verificar os resultados obtidos. 
Normalmente, possuem origem no American Type Culture Colection (ATCC) e 
possuem seu perfil de sensibilidade conhecidos. Para a realização de ensaios de 
antibiograma, essas cepas são usadas, garantindo assim a precisão e acurácia das 
técnicas. Recomenda-se incluir cepas de referência apropriadas, todo dia que o teste 
for realizado. São exemplos de cepas padrão: Escherichia coli ATCC 25922; 
Staphylococcus aureus ATCC 25923; Pseudomonas aeruginosa ATCC 27853. Como 
interpretação desses resultados espera-se que cada cepa testada produza um halo 
inibitório ou CIM dentro dos limites estabelecidos para controle. 
Em caso de resultados alterados das cepas controle, todo o processo deve ser 
revisado e não se recomenda a liberação dos resultados até que a causa do problema 
seja definido. Cepas clínicas não são indicadas para esse tipo de controle pois elas 
já entraram em contato com diversos fatores e já estão adaptadas resultando em 
resultados duvidosos.
Frequência dos testes de controle de qualidade
Os testes de controle de qualidade internos devem ser realizados no mínimo mensalmente.Entretanto, existem recomendações para que seja realizado semanalmente. Dessa 
forma, recomenda-se, 
durante a primeira fase, quando se iniciam os testes de controle de qualidade, testes 
diários, sendo que a frequência posteriormente passa a ser mensal.
 » Diários: as cepas de controle de qualidade serão testadas por cinco dias 
consecutivos, se esses resultados forem reprodutíveis, os ensaios passam 
a ser realizados mensalmente. 
 » Mensais: para as cepas de controle de qualidade, a frequência mínima de 
testes é mensal. Além disso, testes de controle de qualidade devem ser 
executados a cada novo lote de ágar, um novo fabricante ou reagente. 
28
UNIDADE I │ ANTIBIOGRAMA
Deve-se documentar a realização dos testes de controle da qualidade, anotando os 
números dos lotes, meios de cultura, reagentes, discos de antibióticos testados nas 
respectivas datas e mês. Caso algum resultado mensal esteja fora da faixa aceitável, 
medidas corretivas devem ser implantadas para verificar a fonte do erro. Caso o 
laboratório introduza um novo antimicrobiano ou houver alterações significativas 
na forma de leitura dos testes (ex.: conversão de leitura visual da CIM para leitura 
instrumental), estes devem ser realizados por cinco dias consecutivos e documentados, 
antes de se passar para uma frequência mensal.
Tipos de erros
Ao verificar que os resultados estão fora dos padrões aceitáveis, é necessário investigar 
as possíveis razões para o ocorrido. Existem dois tipos classificações para os erros:
 » Erro por razão óbvia: como exemplo, temos o uso de um antimicrobiano 
errado, cepa controle incorreta ou contaminação, condições de 
temperatura. Uma vez detectado o erro, o ensaio deve ser realizado 
novamente.
 » Erro por razões não detectáveis: o ensaio deve ser realizado novamente, 
entretanto, se novamente os resultados estão fora do esperado, deve-se 
tomar uma ação corretiva adicional.
Ações corretivas adicionais
 » Verificar se a leitura dos resultados está correta.
 » Verificar se o padrão de McFarland está dentro da validade e se esquadra 
com o valor de leitura de densidade óptica necessária.
 » Verificar se todos os reagentes estão dentro do prazo de validade e 
armazenados corretamente.
 » Observar se a estufa de incubação está à temperatura adequada.
 » Observar se não houve contaminação das cepas de referência.
Seleção dos discos de antimicrobianos
Uma equipe multidisciplinar, composta por infectologista, farmacêutico e representantes 
dos comitês de farmácia, terapêuticos e controle de infecção hospitalar, deve realizar 
29
ANTIBIOGRAMA │ UNIDADE I
a seleção dos antibióticos para a realização do antibiograma. O laboratório tem a 
responsabilidade de testar os antimicrobianos adequados para o micro-organismo 
isolado, o local da infecção e o tipo de paciente atendido. Na seleção dos agentes 
antimicrobianos, é necessário considerar a eficácia clínica, baixa taxa de resistência 
antimicrobiana, custo, indicações de consensos para drogas antimicrobianas. 
30
UNIDADE II
REQUISITOS TÉCNICOS 
PARA LABORATÓRIOS 
CLÍNICOS
CAPÍTULO 1
Informações gerais
Os requisitos técnicos para laboratórios clínicos são regidos pela RDC no 302, de 13 
de outubro de 2005, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Esse documento 
descreve a normatização do funcionamento do Laboratório Clínico e Posto de Coleta 
Laboratorial. Além disso, aborda aspectos na qualidade dos exames laboratoriais para 
apoio ao diagnóstico eficaz. O descumprimento das determinações deste Regulamento 
Técnico constitui infração de natureza sanitária, sujeitando o infrator a processo e 
penalidades previstas na Lei no 6.437, de 20 de agosto de 1977, ou instrumento legal 
que venha a substituí-la, sem prejuízo das responsabilidades penal e civil cabíveis.
Esse Regulamento Técnico de Funcionamento do Laboratório Clínico foi elaborado 
por técnicos da ANVISA, Grupo de Trabalho instituído pela Portaria no 864, de 30 
de setembro 2003, o qual é constituído por: Técnicos da ANVISA, Secretaria de 
Atenção à Saúde (SAS/MS), Secretaria de Vigilância a Saúde (SVS/MS), Vigilâncias 
Sanitárias Estaduais, Laboratório de Saúde Pública, Sociedade Brasileira de 
Patologia Clínica/Medicina Laboratorial, Sociedade Brasileira de Análises Clínicas, 
Provedores de Ensaio de Proficiência e um Consultor Técnico com experiência na área. 
Segundo ANVISA, a RDC no 302/2005 tem como objetivo: “Definir os requisitos para 
o funcionamento dos laboratórios clínicos e postos de coleta laboratorial públicos 
ou privados que realizam atividades na área de análises clínicas, patologia clínica e 
citologia”. Assim, nesse capítulo serão abordados aspectos importantes da referida 
norma.
Organização do Laboratório Clínico e Posto de 
Coleta Laboratorial
É necessário: 
 » Possuir alvará atualizado, expedido pelo órgão sanitário competente.
31
REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS │ UNIDADE II
 » Possuir profissional legalmente habilitado como responsável técnico e, 
caso este não possa comparecer, deve haver um profissional legalmente 
habilitado para substituí-lo. 
 » O profissional pode assumir responsabilidade técnica por no máximo: 
dois laboratórios clínicos ou dois postos de coleta laboratorial ou um 
laboratório clínico e um posto de coleta laboratorial (de acordo com a 
vigilância sanitária).
 » Estar inscritos no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde 
(CNES). 
 » Dispor de instruções escritas e atualizadas das rotinas técnicas 
implantadas.
Direção do Laboratório Clínico e Posto de Coleta 
Laboratorial
No que diz respeito a esse quesito, é necessário planejar, implementar e garantir a 
qualidade dos processos relacionados com:
 » A equipe técnica e recursos para o desempenho de suas atribuições.
 » A proteção de dados dos pacientes.
 » Possuir profissional de nível superior legalmente habilitado para a 
supervisão do pessoal técnico por durante o período de funcionamento 
do estabelecimento.
 » Os equipamentos, reagentes, insumos e produtos utilizados para 
diagnóstico de uso in vitro. Tudo isso deve estar em conformidade com 
a legislação vigente. Além disso, deverá verificar recomendações dos 
fabricantes para o uso de equipamentos e reagentes. 
 » Verificar a rastreabilidade de todos os seus processos. 
Organização do Posto de Coleta Laboratorial
No que diz respeito a organização do Posto de Coleta Laboratorial, recomenda-se: 
 » Possuir vínculo com apenas um laboratório clínico. 
 » Os postos de coleta laboratorial localizados em unidades públicas de 
saúde devem ter seu vínculo definido formalmente pelo gestor local. 
32
UNIDADE II │ REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS
Organização do Laboratório Clínico 
 » Deve possuir estrutura organizacional documentada. 
 » As atividades de coleta domiciliar, em empresa ou em unidade móvel, 
devem estar vinculadas a um laboratório clínico e devem seguir os 
requisitos aplicáveis definidos neste Regulamento Técnico. 
Recursos Humanos do Laboratório Clínico e Posto 
de Coleta Laboratorial 
É necessário: 
 » Manter disponíveis registros de formação e qualificação de seus 
profissionais compatíveis com as funções desempenhadas. 
 » Promover treinamento e educação permanente aos seus funcionários 
mantendo disponíveis os seus registros. 
 » Todos os profissionais do laboratório clínico e do posto de coleta 
laboratorial devem ser vacinados em conformidade com a legislação 
vigente. 
 » A admissão de funcionários deve ser precedida de exames médicos em 
conformidade com o PCMSO da NR-7, da Portaria MTE no 3.214, de 
8/6/1978, e da Lei no 6.514, de 22/12/1977, suas atualizações ou outro 
instrumento legal que venha substituí-la. 
Infraestrutura
Devem estar de acordo com a RDC/ANVISA no 50, de 21/2/2002. A infraestruturado laboratório de microbiologia é importante para a proteção dos funcionários e 
proteção das áreas externas ao laboratório. A área física deve ser planejada de acordo 
com os materiais clínicos que serão manipulados e o risco dos agentes manipulados. 
Classificam-se os laboratórios em quatro níveis de acordo com características específicas 
de infraestrutura e de condutas relacionadas aos micro-organismos. Essa classificação 
será abordada nos próximos capítulos.
33
REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS │ UNIDADE II
Equipamentos e Instrumentos do Laboratório 
Clínico e Posto de Coleta Laboratorial 
É necessário: 
 » Estar regularizado junto a ANVISA/MS, de acordo com a legislação 
vigente, sejam eles nacionais ou importados.
 » Estar de acordo com a complexidade do serviço e necessários ao 
atendimento de sua demanda. Além disso, são necessárias instruções 
escritas, nas quais podem ser substituídas ou complementadas por 
manuais do fabricante em língua portuguesa.
 » Realizar e manter registros das manutenções preventivas e corretivas; 
calibrações dos instrumentos a intervalos regulares. Os equipamentos 
com temperatura controlada devem possuir registro de verificação da 
mesma. 
Produtos para diagnóstico de uso in vitro são definidos segundo a ANVISA:
Reagentes, padrões, calibradores, controles, materiais, artigos e 
instrumentos, junto com as instruções para seu uso, que contribuem para 
realizar uma determinação qualitativa, quantitativa ou semi-quantitativa 
de uma amostra biológica e que não estejam destinados a cumprir função 
anatômica, física ou terapêutica alguma, que não sejam ingeridos, injetados 
ou inoculados em seres humanos e que são utilizados unicamente para 
provar informação sobre amostras obtidas do organismo humano. 
Produtos para diagnóstico de uso in vitro do 
Laboratório Clínico e Posto de Coleta Laboratorial 
 » Registrar a aquisição dos produtos para diagnóstico de uso in vitro, 
reagentes e insumos, de forma a garantir a rastreabilidade, além disso, 
eles devem estar regularizados junto a ANVISA/MS, de acordo com a 
legislação vigente. 
 » Identificar reagente ou insumo preparado ou aliquotado pelo próprio 
laboratório com nome, concentração, número do lote quando aplicável, 
data de preparação, identificação de quem preparou, quando aplicável, 
data de validade, condições de armazenamento, além de informações 
referentes a riscos potenciais.
34
UNIDADE II │ REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS
 » Manter registros dos processos de preparo e do controle da qualidade dos 
reagentes e insumos preparados. 
 » Respeitar as recomendações de uso do fabricante, condições de 
preservação, armazenamento e os prazos de validade, não sendo 
permitida a sua revalidação depois de expirada a validade. 
 » Alguns laboratórios clínicos utilizam metodologias próprias, denominada 
In House (reagentes ou sistemas analíticos produzidos e validados 
pelo próprio laboratório clínico, exclusivamente para uso próprio, 
em pesquisa ou em apoio diagnóstico). Nesse caso, esses laboratórios 
devem documentá-las incluindo, no mínimo: a) descrição das etapas 
do processo; b) especificação e sistemática de aprovação de insumos, 
reagentes e equipamentos e instrumentos; c) sistemática de validação. 
 » O laboratório clínico deve manter registro de todo o processo e especificar 
no laudo que o teste é preparado e validado pelo próprio laboratório. 
Descartes de resíduos e dejetos do Laboratório 
Clínico e Posto de Coleta Laboratorial 
 » Implantar o Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde 
(PGRSS) atendendo aos requisitos da RDC/ANVISA no 306, de 7/12/2004, 
suas atualizações, ou outro instrumento legal que venha substituí-la. Os 
resíduos dos laboratórios são classificados em quatro grupos de A, B, C, 
D e E. Entretanto, os resíduos infectantes que podem ser gerados em 
laboratório de microbiologia são os do grupo A e E.
Quadro 3. Resumo da classificação dos resíduos que podem ser gerados no laboratório de microbiologia 
segundo a RDC no 306/2004.
Grupo Simbologia Característica Descrição (com foco na microbiologia)
A
Presença de possíveis agentes 
biológicos que podem apresentar 
risco de infecção.
A1 – micro-organismos em culturas, instrumentais utilizados para 
transferência, inoculação ou mistura de culturas; produtos utilizados 
na atenção de pacientes; sobras de material biológico enviados ao 
laboratório para análise.
A4 – sobras de amostras de laboratório (fezes, urina e secreções) 
de pacientes sem agentes classe de risco 4; peças anatômicas 
(órgãos e tecidos) e outros resíduos provenientes de procedimentos 
cirúrgicos ou de confirmação diagnóstica.
A5 – órgãos, tecidos, fluidos orgânicos, materiais perfurocortantes 
ou escarificantes e demais materiais resultantes da atenção à saúde. 
35
REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS │ UNIDADE II
Grupo Simbologia Característica Descrição (com foco na microbiologia)
B
Químicos que apresentam risco à 
saúde ou ao meio ambiente.
Produtos classificados como corrosivos, tóxicos inflamáveis e 
reativos.
C Rejeitos radioativos.
Qualquer material resultante do uso de radionucleotídeos em 
quantidades superiores aos limites previstos pelo Comissão Nacional 
de Energia Nuclear (CNEN) para reutilização ou descarte comum.
D Comum.
Papel de sanitário, fraldas, absorventes higiênicos, resto de 
alimentos de pacientes, material utilizado na antissepsia; resíduos do 
administrativo; resíduos da área de construção. Neste grupo, estão 
localizados os materiais que podem ser reciclados (vidro, papel, 
metal e plástico).
E Perfurocortantes.
Lâminas de barbear, agulhas, lâminas de bisturi, ampolas de vidro, 
lancetas, vidros de laboratório quebrados, micropipetas, entre outros.
Fonte: Adaptada de Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial, 2015.
RDC/ANVISA no 306, de 7/12/2004, faz ainda as seguintes orientações sobre a forma 
de tratamento desses resíduos.
Grupo A1: 
Culturas e estoques de micro-organismos, resíduos de fabricação de 
produtos biológicos, exceto os hemoderivados; meios de cultura e 
instrumentais utilizados para transferência, inoculação ou mistura 
de culturas; resíduos de laboratórios de manipulação genética. Estes 
resíduos não podem deixar a unidade geradora sem tratamento prévio. 
(RDC no 306, de 7 de dezembro de 2004).
Grupo E
Os resíduos perfurocortantes contaminados com agente biológico 
Classe de Risco 4, micro-organismos com relevância epidemiológica e 
risco de disseminação ou causador de doença emergente que se torne 
epidemiologicamente importante ou cujo mecanismo de transmissão 
seja desconhecido, devem ser submetidos a tratamento, utilizando-se 
processo físico ou outros processos que vierem a ser validados para a 
obtenção de redução ou eliminação da carga microbiana, em equipamento 
compatível com Nível III de Inativação Microbiana (Apêndice IV). (RDC 
no 306, de 7 de dezembro de 2004).
36
UNIDADE II │ REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS
Dessa forma, fica claro que esses resíduos devem ter a carga microbiana reduzida, para 
isso, os resíduos gerados devem ser acomodados de maneira adequada para o posterior 
tratamento para a redução da carga microbiana. 
Num laboratório de Microbiologia, todos os resíduos gerados como culturas e estoques 
de micro-organismo, meios de cultura e instrumentais utilizados para transferência, 
inoculação ou mistura de culturas, amostras biológicas devem ser acondicionados 
de maneira compatível com o processo de tratamento a ser utilizado, que poderá ser 
um processo físico ou outro que venha a ser validado para obtenção de redução ou 
eliminação da carga microbiana. 
Os instrumentos de trabalho reutilizados deverãoser colocados em recipientes 
preferencialmente plásticos contendo solução desinfetante e permanecer o tempo 
estabelecido pelo fabricante para posterior autoclavagem, lavagem e reutilização.
Biossegurança no Laboratório Clínico e Posto de 
Coleta Laboratorial 
É necessário: 
 » Manter atualizados e disponibilizar, a todos os funcionários, instruções 
escritas de biossegurança, contemplando: a) normas e condutas de 
segurança biológica, química, física, ocupacional e ambiental; b) 
instruções de uso para os equipamentos de proteção individual (EPI) e 
de proteção coletiva (EPC); c) procedimentos em caso de acidentes; d) 
manuseio e transporte de material e amostra biológica.
 » O Responsável Técnico pelo laboratório clínico e pelo posto de coleta 
laboratorial deve documentar o nível de biossegurança dos ambientes 
e/ou áreas, baseado nos procedimentos realizados, equipamentos e 
micro-organismos envolvidos, adotando as medidas de segurança 
compatíveis. 
Limpeza, desinfecção e esterilização no laboratório 
clínico e o posto de coleta laboratorial 
É necessário:
 » Possuir instruções de limpeza, desinfecção e esterilização, quando 
aplicável, das superfícies, instalações, equipamentos, artigos e materiais. 
Os saneantes e os produtos usados nos processos de limpeza e desinfecção 
37
REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS │ UNIDADE II
devem ser utilizados segundo as especificações do fabricante e estarem 
regularizados junto a ANVISA/MS, de acordo com a legislação vigente.
A realização da limpeza e desinfecção das superfícies é fundamental para a redução da 
incidência de infecções. Para a escolha do procedimento de desinfecção das superfícies 
e preciso considerar:
 » Natureza do item a ser desinfetado.
 » Número de micro-organismos presentes.
 » Resistência do micro-organismo aos efeitos do germicida.
 » Quantidade de matéria orgânica presente.
 » Tipo e concentração do germicida usado.
 » Duração e temperatura do contato com o germicida.
 » As especificações e indicações de uso do produto pelo fabricante (ANVISA, 
2013).
Quadro 4. Eficiência dos agentes químicos frente aos tipos comuns de micro-organismos. 
Desinfetante Bactéria 
Gram (+) 
Bactéria
 Gram (-) 
Bacilo 
Tuberculose 
Esporo Vírus Fungo
Sabão 0 0 0 0 0 0
Detergente 2 1 0 0 0 0
Quaternário de amônio 3 2 0 0 2 2
Cloro 3 3 0 0 2 2
Comp. Fenólicos 3 3 0 0 2 2
Hexaclorofeno 3 1 0 0 2 2
Álcoois 3 3 3 0 2 2
Glutaraldeído 3 3 3 2 3 3
Fonte: ANVISA (2013).
Níveis: 3= Bom; 2=satisfatório; 1=insatisfatório; 0 = não ativo (Fonte: Segurança no 
Ambiente Hospitalar, Ministério da Saúde).
Processos operacionais
São denominados processos operacionais as diferentes etapas que ocorrem para a 
execução do exame laboratorial (fase pré-analítica, analítica e pós-analítica).
38
UNIDADE II │ REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS
Fase pré-analítica
A fase pré-analítica é definida pela ANVISA como “Fase que se inicia com a solicitação 
da análise, passando pela obtenção da amostra e termina ao se iniciar a análise 
propriamente dita”. O laboratório clínico e o posto de coleta laboratorial devem informar 
ao paciente ou responsável de forma escrita e/ou verbal, orientações sobre o preparo e 
a coleta de amostras.
Para o cadastro do paciente são necessárias as seguintes informações: 
a. número de registro de identificação do paciente gerado pelo laboratório; 
b. nome do paciente; 
c. idade, sexo e procedência do paciente; 
d. telefone e/ou endereço do paciente, quando aplicável; 
e. nome e contato do responsável em caso de menor de idade ou incapacitado; 
f. nome do solicitante; 
g. data e hora do atendimento; 
h. horário da coleta, quando aplicável; 
i. exames solicitados e tipo de amostra; 
j. quando necessário: informações adicionais, em conformidade com o 
exame (medicamento em uso, dados do ciclo menstrual, indicação/
observação clínica, dentre outros de relevância); 
k. data prevista para a entrega do laudo; 
l. indicação de urgência, quando aplicável. 
Além disso, o paciente deve apresentar um documento que comprove a sua identificação 
para o cadastro. Em caso de atendimento de urgência ou submetidos a regime de 
internação, a comprovação dos dados de identificação também poderá ser obtida no 
prontuário médico. 
Após o atendimento, o paciente ou responsável deve receber do laboratório clínico ou 
posto de coleta laboratorial um comprovante de atendimento com: número de registro, 
nome do paciente, data do atendimento, data prevista de entrega do laudo, relação de 
exames solicitados e dados para contato com o laboratório. 
39
REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS │ UNIDADE II
As amostras devem ser devidamente identificadas no momento da coleta, identificando 
o nome do funcionário que recebeu a amostra ou efetuou a coleta, sendo assim a 
rastreabilidade da amostra.
O laboratório clínico e o posto de coleta laboratorial devem dispor de instruções escritas 
que orientem o recebimento, a coleta e a identificação de amostra. 
Também devem possuir instruções escritas para o transporte da amostra de paciente, 
estabelecendo prazo, condições de temperatura e padrão técnico para garantir a sua 
integridade e estabilidade. Para o transporte, a amostras deve estar em recipiente 
isotérmico, quando requerido, higienizável, impermeável, garantindo a sua estabilidade 
desde a coleta até a realização do exame, identificado com a simbologia de risco biológico, 
com os dizeres “Espécimes para Diagnóstico” e com nome do laboratório responsável 
pelo envio. 
O transporte da amostra de paciente, em áreas comuns a outros serviços ou de circulação 
de pessoas, deve ser feito em condições de segurança conforme descrito no item sobre 
biossegurança. Se houver terceirização do transporte da amostra, deve existir contrato 
formal obedecendo aos critérios estabelecidos em regulamento. 
A importação ou exportação de “Espécimes para Diagnóstico”, devem ser seguidas a 
RDC/ANVISA no 1, de 6 de dezembro de 2002, e a Portaria MS no 1.985, de 25 de 
outubro de 2001, suas atualizações ou outro instrumento legal que venha substituí-las. 
Principais falhas da fase pré-analítica
Figura 9. Principais falhas que ocorrem na fase pré-analítica na fase de prescrição.
Fonte: <http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1067279-so-metade-dos-laboratorios-tem-controle-de-qualidade.
shtml>. Acesso em: maio de 2015.
40
UNIDADE II │ REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS
Figura 10. Principais falhas que ocorrem na fase pré-analítica na fase de coleta de amostra.
Fonte: <http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1067279-so-metade-dos-laboratorios-tem-controle-de-qualidade.
shtml>. Acesso em: maio de 2015.
Fase analítica
É definido pela ANVISA como “Conjunto de operações, com descrição específica, 
utilizada na realização das análises de acordo com determinado método”.
Compete ao laboratório clínico e o posto de coleta laboratorial:
 » Possuir instruções escritas, disponíveis e atualizadas para todos os 
processos analíticos, podendo ser utilizadas as instruções do fabricante. 
 » Disponibilizar por escrito, uma relação que identifique os exames 
realizados no local, em outras unidades do próprio laboratório e os que 
são terceirizados.
 » Definir mecanismos que possibilitem agilizar a liberação dos resultados 
em situações de urgência. 
 » Definir limites de risco, valores críticos ou de alerta, para os analitos com 
resultado dos quais necessitem tomada imediata de decisão. 
 » Definir o fluxo de comunicação ao médico, responsável ou paciente 
quando houver necessidade de decisão imediata. 
 » Monitorar a fase analítica por meio de controle interno e externo da 
qualidade. 
41
REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS │UNIDADE II
 » Definir o grau de pureza da água reagente utilizada nas suas análises, a 
forma de obtenção, o controle da qualidade. 
 » O laboratório clínico pode contar com laboratórios de apoio para 
realização de exames. 
O laboratório clínico deve: 
 » Manter um cadastro atualizado dos laboratórios de apoio.
 » Possuir contrato formal de prestação destes serviços.
 » Avaliar a qualidade dos serviços prestados pelo laboratório de apoio. 
 » O laudo emitido pelo laboratório de apoio deve estar disponível e 
arquivado pelo prazo de 5 anos. 
Principais falhas da fase analítica
Figura 11. Principais falhas que ocorrem na fase analítica.
Fonte: <http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1067279-so-metade-dos-laboratorios-tem-controle-de-qualidade.
shtml>. Acesso em: maio de 2015.
Fase pós-analítica
A fase pós-analítica é definida pela ANVISA como “fase que se inicia após a obtenção 
de resultados válidos das análises e finda com a emissão do laudo, para a interpretação 
pelo solicitante”. As cópias dos laudos de análise, bem como dados brutos devem ser 
42
UNIDADE II │ REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS
arquivados pelo prazo de 5 anos, facilmente recuperáveis e de forma a garantir a sua 
rastreabilidade. Retificações em laudo já emitido devem ser feitas em um novo laudo 
em que fica clara a retificação realizada.
Figura 12. Principais falhas que ocorrem na fase pós-analítica.
Fonte: <http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1067279-so-metade-dos-laboratorios-tem-controle-de-qualidade.
shtml>. Acesso em: maio de 2015.
Registros
O laboratório clínico e o posto de coleta laboratorial devem garantir a recuperação e 
disponibilidade de seus registros, de modo a permitir a rastreabilidade do laudo liberado. 
Se houver alterações nos registros, elas devem conter data, nome ou assinatura legível 
do responsável pela alteração, preservando o dado original. 
Garantia da qualidade
A confiabilidade dos serviços laboratoriais prestados deve ser assegurada pelo 
laboratório clínico. Assim, o laboratório deve garantir que os resultados produzidos 
reflitam de forma fidedigna a situação do paciente e possibilitem a determinação e a 
realização correta do diagnóstico e tratamento. A garantia de qualidade tem função 
determinante nesse aspecto e pode ser definida como “Conjunto de atividades 
planejadas, sistematizadas e implementadas com o objetivo de cumprir os requisitos 
da qualidade especificados”. Portanto, a garantia da qualidade engloba todo o controle 
da qualidade realizado. 
43
REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS │ UNIDADE II
Segundo a ANVISA, laboratório clínico deve assegurar a confiabilidade dos serviços 
laboratoriais prestados, no mínimo, pelo controle interno da qualidade e controle 
externo da qualidade (ensaios de proficiência).
Controle da qualidade
O controle de qualidade é definido como “Técnicas e atividades operacionais utilizadas 
para monitorar o cumprimento dos requisitos da qualidade especificados”. Tanto para 
o programa de Controle Interno da Qualidade (CIQ) como para o programa de Controle 
Externo da Qualidade (CEQ), devem ser documentados, contendo: os analitos, tipo de 
controle e frequência em que é utilizado, interpretação e resultados para os controles. 
O Controle Interno da Qualidade define-se como “Procedimentos conduzidos em 
associação com o exame de amostras de pacientes para avaliar se o sistema analítico está 
operando dentro dos limites de tolerância pré-definidos”. E tem a função de monitorar 
o processo analítico pela análise dos controles. A realização do Controle Interno da 
Qualidade contempla:
a. Monitoramento do processo analítico pela análise das amostras-controle, 
com registro dos resultados obtidos e análise dos dados.
b. Definição dos critérios de aceitação dos resultados por tipo de analito e 
de acordo com a metodologia utilizada.
c. Liberação ou rejeição das análises após avaliação dos resultados das 
amostras-controle. 
As amostras-controle utilizadas devem ser regularizadas junto a ANVISA/MS de 
acordo com a legislação vigente ou formas alternativas descritas na literatura. Registrar 
ações adotadas decorrentes de rejeições de resultados de amostras-controle. Além 
disso, as amostras-controle devem ser analisadas da mesma forma que amostras dos 
pacientes. 
O Controle Externo da Qualidade é definido como “Atividade de avaliação do desempenho 
de sistemas analíticos através de ensaios de proficiência, análise de padrões certificados 
e comparações interlaboratoriais. Também chamada Avaliação Externa da Qualidade”. 
Para esse controle o laboratório clínico deve:
a. Participar de ensaios de proficiência para todos os exames realizados 
na sua rotina. Exames não contemplados por programas de ensaios de 
proficiência, o laboratório clínico deve adotar formas alternativas de 
Controle Externo da Qualidade descritas em literatura científica.
44
UNIDADE II │ REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS
b. A participação em ensaios de proficiência deve ser individual para cada 
unidade do laboratório clínico que realiza as análises.
c. O laboratório clínico deve registrar os resultados do Controle Externo 
da Qualidade, inadequações, investigação de causas e ações tomadas 
para os resultados rejeitados ou nos quais a proficiência não foi obtida. 
E as amostras-controle devem ser analisadas da mesma forma que as 
amostras dos pacientes.
45
CAPÍTULO 2
Requisitos básicos para laboratório de 
microbiologia
Os requisitos básicos para o bom funcionamento de um laboratório de microbiologia 
são normas que permitem a qualidade dos ensaios microbiológicos. Primeiramente, 
é necessário delimitar quais tipos de ensaio serão realizados em determinado 
laboratório. No laboratório de microbiologia, podem ser realizados os seguintes 
teses: teste de esterilidade, detecção, isolamento, enumeração e identificação de 
micro-organismos, pesquisa de antígenos, toxinas e endotoxinas, ensaios de 
sensibilidade a antimicrobianos, antifúngicos ou quimioterápicos, testes moleculares e 
ensaios com agentes geneticamente modificados.
Definido esses paramentos, a ANVISA recomenda por meio da RDC no 302, de 13 de 
outubro de 2005, os requisitos descritos a seguir.
A elaboração de normas para a coleta, 
conservação e transporte do material clínico
Para a obtenção de resultados adequados e confiáveis no laboratório de microbiologia 
vários fatores devem ser considerados, iniciando-se pela qualidade da amostra. A 
amostra coletada deve ser representativa da hipótese do processo infeccioso e o 
local deve ser selecionado adequadamente para evitar contaminações. Para evitar o 
desenvolvimento de microbiota contaminante a coleta, transporte e armazenamento 
devem ser adequados com isso evita-se isolamento de um “falso” agente etiológico. 
Outra etapa crítica da coleta é a identificação do material, essa deve conter: nome e 
registro do paciente, leito ou ambulatório e especialidade, material colhido, data, hora 
e quem realizou a coleta.
As seguintes recomendações sobre a realização da coleta são feitas:
 » Coletar, sempre que possível, a amostra antes que o paciente faça uso de 
antibióticos.
 » Se o paciente estiver em terapia antimicrobiana, coletar sangue ou urina 
imediatamente antes da próxima dose do antimicrobiano.
 » Instruir claramente o paciente sobre o procedimento. 
46
UNIDADE II │ REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS
 » Realizar antissepsia na coleta de todos os materiais clínicos. 
 » A coleta deve ser realizada no local em que o micro-organismo suspeito 
tenha maior probabilidade de ser isolado, nunca coletar tecidos necróticos 
ou materiais purulentos acumulados na lesão. 
 » Considerar o estágio da doença na escolha do material. 
 » Coletar quantidadesuficiente de material, sendo assim possível uma 
completa análise microbiológica. Caso a quantidade seja pequena, 
priorizar os exames de maior relevância. 
 » O pedido do exame e o frasco contendo material devem ser devidamente 
identificados. Seguem a seguir modelos de identificação das amostras e 
dos pacientes recomendados pela agência nacional de vigilância sanitária.
Figura 13. Descrição da amostra.
Hemocultura
□ Sangue periférico 
□ Sangue colhido de cateter
Urocultura
□ Jato médio □ Sonda de alívio
□ Sonda vesical de demora
□ Punção supra púbica □ Saco coletor
Trato respiratório
□ Orofaringe □ Escarro □ Aspirado traqueal □ Lavado bronco-alveolar □ Escovado brônquico
□ Outros
Lesões, secreções, abcessos Descrever topografia
Nível de coleta
□ Superficial □ Profunda
Via de obtenção do material
□ Punção □ Swab □ Raspado
□ Fragmentos □ Drenagem □ Fístula
□ Outros
Líquidos cavitários
□ Líquor □ Líquido pleural □ Pericárdio □ Sinovial □ Ascitico 
Prótese □ Local
Pontas de Catéter Vascular Tipo de Catéter
Catéter de diálise Outros
Justificativa para envio de exame microbiológico:
Fonte: ANVISA (2013).
47
REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS │ UNIDADE II
Figura 14. Informações do paciente relevantes ao diagnóstico infeccioso.
Hipótese diagnóstica 
Dados clínicos (escrever detalhadamente os achados clínicos mais significativos).
Dados epidemiológicos relevantes (viagem ou excursão, se vive em área endêmica de alguma doença infecciosa, contato com animais, 
acidente, trauma, mordida.
Outros dados Laboratoriais importantes (raio-X, hemograma etc.).
Provável origem do processo infeccioso
□ Comunitário □ Hospitalar
Relacionado com procedimento invasivo, qual?
Cirurgia? Qual? Existe infecção em outra topografia? Qual?
Fez uso de antibiótico nos últimos 10 dias? Qual
Existe comprometimento imunológico?
□ Sim □ Não
(Prematuridade, transplante de órgãos, uso de imunossupressores, 
diabetes, câncer, AIDS, leucemia falciforme etc.).
O paciente é transferido ou de alta de outro hospital nos últimos 30 
dias.
□ Sim □ Não
É portador, colonizado ou infectado por bactérias multirresistentes?
□ Sim □ Não 
Para urocultura informar
□ Sintomático □ Assintomático
Data do pedido:
Nome legível do médico, CRM e telefone de contato:
Data: Hora da coleta:
Nome e identificação de quem colheu o material:
Comentários, quando necessário, do procedimento de coleta (por exemplo, acidentes ou dificuldades de obter o material).
Fonte: ANVISA, 2013.
Figura 15. Identificação clara do paciente
Nome completo
Registro no (do hospital ou serviço): Data de nascimento:
Sexo (identificação de bacteriúria pode ser diferente para mulheres)
□ Masculino □ Feminino
□ Clínica □ Leito
□ Ambulatório
Campo para identificação do exame no laboratório (número da análise microbiológica e sessão do laboratório
Fonte: ANVISA (2013).
Sobre o transporte de amostras biológicas, deve-se considerar:
 » A disponibilidade dos meios de transporte.
 » As amostras devem ser transportadas imediatamente ao laboratório 
para assegurar a sobrevivência e o isolamento do micro-organismo, 
pois o laboratório de microbiologia trabalha basicamente em função 
da viabilidade dos micro-organismos e também para evitar o contato 
prolongado dos micro-organismos com anestésicos ou anticoagulantes 
utilizados durante a coleta, pois eles poderão exercer atividade bactericida.
Durante a coleta e realização dos ensaios, o profissional deve usar equipamentos de 
proteção individual (EPI) adequados e ter conhecimento dos procedimentos em caso 
48
UNIDADE II │ REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS
de acidente, para assim evitar a exposição do material biológico e à contaminação do 
ambiente.
Além disso, deve-se ter cuidado durante o transporte usando frascos e meios de 
transporte apropriados. Os frascos devem estar devidamente vedados e deverão estar 
acondicionados em sacos plásticos fechados. Não é permitido manusear a amostra em 
trânsito, do local de coleta ao laboratório, e o transporte de amostras em seringas com 
agulha deve ser evitado.
A identificação dos agentes infecciosos 
(gênero e espécie, se necessário) por meio de 
técnicas microbiológicas adequadas
Para a identificação correta dos agentes infecciosos, existem diferentes tipos de 
colorações para exames diretos do material biológico, meios seletivos para favorecer 
seu isolamento e crescimento, além de outros ensaios bioquímicos para sua perfeita 
identificação. Peculiaridades quanto ao tipo de material clínico (sangue, escarro, 
biópsias e secreções e outros) e micro-organismos suspeito devem ser respeitadas.
Realização de testes de sensibilidade às drogas 
antimicrobianas
Os testes de sensibilidade são de grande importância na epidemiologia, bem como na 
orientação do médico para a prescrição do tratamento.
Controle de qualidade de todas as atividades 
realizadas
O controle de qualidade deve estar presente em todos os processos no laboratório de 
Microbiologia. Dentro do programa de controle de qualidade em microbiologia, deve-se 
incluir itens específicos, o senso comum, o bom julgamento e uma constante atenção aos 
detalhes. Além disso, deve-se delinear as diversas etapas que devem ser seguidas para o 
controle diário e vigilância de todas as facetas do programa. 
É necessário elaborar um manual detalhando as práticas tais como procedimentos para 
monitorar o funcionamento dos equipamentos, o controle da reatividade dos meios 
e reagentes, os prazos de validade, os resultados de todos os testes etc. Deve haver 
formulários para a coleta de dados possibilitando a detecção de anormalidade. Todos 
os registros de controle devem ser revisados e todas as incidências fora do controle e as 
respectivas ações corretivas registradas.
49
REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS │ UNIDADE II
Também é necessária a existência de uma lista de inspeção para realizar avaliações 
pontuais dos controles de qualidade, sendo um requerimento para credenciamento de 
laboratórios e/ou auditoria e fiscalização sanitária. 
Para garantir a qualidade no laboratório, recomenda-se a elaboração de Procedimento 
Operacional Padrão (POPs). Esses são protocolos que descrevem detalhadamente 
cada atividade realizada no laboratório, desde a coleta até a emissão do resultado 
final. Os POPs incluem a utilização de equipamentos, procedimentos técnicos e 
inclusive cuidados de biossegurança e condutas a serem adotadas em acidentes. Esses 
documentos são para padronizar todas as ações para que qualquer profissional possa 
compreender e executar, da mesma maneira, uma determinada tarefa, garantindo 
assim qualidade. Esses protocolos devem estar escritos de forma clara e completa, 
possibilitando a compreensão e adesão de todos. Também devem estar disponíveis 
em local de acesso e conhecido de todos os profissionais, revisados e atualizados 
periodicamente e devem ser assinados pelo responsável do laboratório.
Treinamento quanto às normas de biossegurança
Biossegurança pode ser definida como o conjunto de ações para a prevenção, 
minimização ou eliminação de riscos inerentes a atividades do laboratório e que podem 
comprometer a saúde do homem, dos animais, do meio ambiente ou a qualidade dos 
trabalhos desenvolvidos. 
Na rotina do Laboratório de Microbiologia, existem riscos relacionados à exposição, 
ao material clínico, a reagentes químicos e a agentes patogênicos. Dessa forma, 
os profissionais da área de saúde e trabalhadores que exercem suas atividades 
em laboratórios estão sob risco de desenvolver doença por exposição a agentes 
infecciosos, produtos químicos tóxicos e inflamáveis, entre outros. É necessária a 
adoção e prática de normas de segurança e uso de equipamentos afins são consideradosimprescindíveis. 
A responsabilidade legal pela segurança em ambientes de trabalho cabe aos 
administradores de hospitais e laboratórios. No entanto, os funcionários também são 
responsáveis pela sua adesão às técnicas e normas de biossegurança. Essas diretrizes 
devem estar contidas no “Manual de Segurança de Laboratório” o qual um encarregado 
ou uma comissão de segurança realizaram a redação, publicação e implementação das 
normas e instruções de segurança. Nesses regulamentos de segurança, estão descritas 
medidas de proteção pessoal, manuseio de equipamentos, amostras e materiais e 
outras precauções. Os funcionários devem ser informados destas normas e instruções 
e treinados regularmente. Cabe também ao encarregado/comissão de segurança, 
50
UNIDADE II │ REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS
juntamente com os administradores/supervisores dos hospitais e laboratórios, ajustar 
e corrigir falhas ou irregularidades de conduta. 
Participação na comissão de controle de infecção 
hospitalar para auxiliar no rastreamento dos surtos 
de infecções hospitalares e fornecimento de 
dados epidemiológicos (etiologia de infecções e 
susceptibilidade a drogas)
O problema mundial da resistência microbiana gera morbidade e mortalidade dos 
pacientes, aumento do tempo e custos durante a internação. O uso indiscriminado e 
incorreto dos antimicrobianos é um importante fator de risco para o aparecimento 
e a disseminação da resistência microbiana. Com isso, o papel do Laboratório de 
Microbiologia é, além de identificar o agente infeccioso, monitorar as populações 
microbianas e sua sensibilidade a antimicrobianos para direcionar tratamento 
adequado.
Infraestrutura
Entre os requisitos que um Laboratório de Microbiologia deve ter, a infraestrutura é de 
suma importância, sendo dividida em recursos materiais e recursos humanos. 
Recursos materiais 
Os equipamentos mínimos para funcionamento de um laboratório de microbiologia 
consistem de: 
 » Estufa bacteriológica, forno de Pasteur, autoclave, microscópio binocular, 
centrifugador de baixa rotação, homogeneizador, banho-maria, destilador 
para água, balança comum com uma ou duas casas decimais, bico de 
Bunsen, geladeira, capela de fluxo laminar. 
Também são recomendados: 
 » Microscópio estereoscópico, congelador (-20oC ou -70oC), bomba de 
vácuo para filtração com membranas, potenciômetro, balança analítica. 
Recursos humanos 
É recomendável que a supervisão técnico-científica do laboratório seja de 
nível superior especializado em microbiologia, e, se possível, em tempo integral. Os 
procedimentos devem ser conferidos por esse responsável o qual deverá verificar os 
51
REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS │ UNIDADE II
parâmetros de qualidade (exatidão, reprodutibilidade e concordância com os padrões 
de controle de qualidade). Os funcionários devem receber treinamento regularmente, 
além disso, devem participar de cursos, seminários para estarem atualizados.
52
UNIDADE III
CLASSIFICAÇÃO 
DOS LABORATÓRIOS 
SEGUNDO O NÍVEL 
DE BIOSSEGURANÇA
CAPÍTULO 1
Nível 1, 2, 3 e 4 de biossegurança ou 
proteção básica
O conhecimento sobre biossegurança deve estar associado aos interesses daqueles que 
lidam com os serviços de saúde. Profissionais da saúde, durante a jornada de trabalho, 
estão expostos a riscos invisíveis e, por vezes, desconhecidos, os quais podem carregar 
para outros ambientes (ANVISA, 2005).
Os laboratórios de microbiologia são ambientes que podem expor seus trabalhadores 
a doenças infecciosas. São descritos muitos casos de infecções contraídas em um 
laboratório durante toda a história e inúmeros casos foram atribuídos à falta de cuidados 
ou a uma técnica de manuseio inadequada de materiais infecciosos. 
Se denomina biossegurança as norma e medidas destinadas a prevenir riscos inerentes 
às atividades dos laboratórios (assistência, ensino, pesquisa e desenvolvimento 
tecnológico), as quais possam comprometer a saúde dos profissionais e o meio ambiente. 
Na rotina de trabalho, os funcionários devem obedecer às Boas Técnicas Microbiológicas 
e as Normas de Biossegurança. Além disso, uma pessoa ou Comissão de Biossegurança 
deve ser responsável por:
 » Implementar as normas preconizadas em Biossegurança, a fim de 
prevenir riscos para funcionários, alunos, pacientes e meio ambiente. 
 » Padronizar e normatizar procedimentos que regulamentem as normas de 
segurança.
 » Identificar e classificar áreas de risco.
53
CLASSIFICAÇÃO DOS LABORATÓRIOS SEGUNDO O NÍVEL DE BIOSSEGURANÇA │ UNIDADE III
 » Estabelecer programas de treinamento para prevenção de acidentes e 
monitorar acidentes de trabalho.
A partir dos anos 1980, surgiram os primeiros códigos de prática, padrões, diretrizes 
ou outras publicações com descrições detalhadas das técnicas, do equipamento e de 
outras considerações ou recomendações das atividades laboratoriais conduzidas com 
agentes infecciosos exóticos e nativos. O guia “Classificação dos Agentes Etiológicos 
Baseando-se no Grau de Risco” (CENTERS FOR DISEASE CONTROL, 1974) serviu 
como uma referência geral para várias atividades laboratoriais que utilizam agentes 
infecciosos. Nesse guia, surgiu o conceito sobre a classificação dos agentes infecciosos e 
das atividades laboratoriais em quatro níveis ou classes.
No Brasil, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNbio) é o órgão responsável 
pelo estabelecimento de normas, pela análise de risco, pelo acompanhamento, pela 
emissão de Certificados de Qualidade em Biossegurança (CQB) para o desenvolvimento 
de atividades em laboratório nessa área, pela definição do nível de biossegurança e 
classificação dos Organismos Geneticamente Modificados (OGM), além de emitir 
parecer técnico prévio conclusivo sobre a biossegurança desses organismos e seus 
derivados nas atividades de pesquisa e uso comercial.
Cada tipo de micro-organismo exige características físicas estruturais e de contenção 
de um laboratório para poder ser manipulado em suas dependências. Dessa forma, os 
laboratórios são classificados de acordo com seu nível de segurança ou proteção básica 
em: Nível 1, 2, 3 e 4 de biossegurança (NB-1, NB-2, NB-3, NB-4 ) ou proteção básica (p1, 
p2, p3 e p4). Os níveis são classificados em ordem crescente de acordo com o grau de 
proteção proporcionado ao pessoal do laboratório, ao meio ambiente e à comunidade.
Nível 1 de biossegurança (NB-1) ou proteção 
básica (p1) 
Esse nível de laboratório possui as práticas, os equipamentos de segurança e o projeto 
das instalações para fins educacionais (treinamento educacional secundário ou para o 
treinamento de técnicos e de professores de técnicas laboratoriais). É adequado para o 
trabalho que envolva agentes bem caracterizados que não causem riscos para o pessoal 
do laboratório e para o meio ambiente. O laboratório, neste caso, não está separado das 
demais dependências do edifício. O trabalho é conduzido, em geral, em bancada, não 
sendo exigidos equipamentos de contenção específicos. O pessoal de laboratório deverá 
ter treinamento específico nos procedimentos realizados no laboratório e deverão ser 
supervisionados por um profissional com treinamento em microbiologia ou ciência 
correlata. 
54
UNIDADE III │ CLASSIFICAÇÃO DOS LABORATÓRIOS SEGUNDO O NÍVEL DE BIOSSEGURANÇA
Nível 2 de biossegurança (NB-2) ou (p2) 
Esse nível de laboratório possui as práticas, os equipamentos, a planta e a construção 
das instalações aplicáveis aos laboratórios clínicos, de diagnóstico, laboratórios escolas 
e outros laboratórios onde o trabalho é realizado com agentes de risco moderado 
presentes na comunidade e que estejam associados a uma patologia humana de 
gravidade variável. Esse nível de biossegurança é adequado para trabalho que envolva 
material clínico (sangue humano, líquidos corporais,tecidos ou linhas de células 
humanas primárias) em que a presença de um agente infeccioso pode ser desconhecido. 
O NB-2 se difere do NB-1 nos seguintes aspectos: 
1. O pessoal de laboratório deverá passar por treinamento específico no 
manejo de agentes patogênicos e serão supervisionados por profissional 
competentes.
2. O acesso ao laboratório deve ser limitado durante os procedimentos 
operacionais; precauções extremas serão tomadas em relação a objetos 
cortantes infectados.
3. O uso das cabines de segurança biológica ou outros equipamentos de 
contenção física é necessário para procedimentos nos quais exista a 
possibilidade de formação de aerossóis e borrifos infecciosos.
Nível 3 de biossegurança (NB-3) ou (p3) 
O nível 3 de biossegurança é aplicável para laboratórios clínicos, de diagnóstico, ensino 
e pesquisa ou de produção em que o trabalho com agentes exóticos possa causar doenças 
sérias ou fatais adquiridos por inalação. A equipe laboratorial deve possuir treinamento 
específico no manejo de agentes patogênicos e potencialmente letais devendo ser 
supervisionados por profissional competente que possuam vasta experiência com estes 
agentes.
Para todos os procedimentos que envolvam a manipulação de material infeccioso, 
é necessário o uso de cabines de segurança biológica ou outro sistema de contenção 
física. O laboratório deverá possuir instalações compatíveis para o NB-3. Quando 
não existirem as condições específicas para o NB-3, particularmente em instalações 
laboratoriais sem área de acesso específica, com ambientes selados ou fluxo de ar 
unidirecional, as atividades de rotina e operações repetitivas podem ser realizadas em 
laboratório com instalações NB-2, desde que acrescidas das práticas recomendadas para 
NB-3 e do uso de equipamentos de contenção para NB-3. A decisão de implementar 
55
CLASSIFICAÇÃO DOS LABORATÓRIOS SEGUNDO O NÍVEL DE BIOSSEGURANÇA │ UNIDADE III
essas modificações das recomendações do nível de biossegurança 3 deve ser tomada 
pelo diretor do laboratório. 
Nível 4 de biossegurança (NB-4) ou (p4) 
As práticas, os equipamentos de segurança, o planejamento e a construção das 
dependências são aplicáveis para laboratórios clínicos, de diagnósticos, laboratório 
escola, de pesquisa ou de produção. Nestes locais, realiza-se o trabalho com agentes 
nativos ou exóticos que possuam um potencial de transmissão via respiratória e que 
podem causar infecções sérias e potencialmente fatais. O Mycobacterium tuberculosis 
e a Coxiella burnetii são exemplos de micro-organismos determinados para este 
nível. Os riscos primários causados aos trabalhadores que lidam com estes agentes 
incluem a autoinoculação, a ingestão e a exposição aos aerossóis infecciosos. São 
poucos laboratórios no mundo que possuem instalações compatíveis com nível 4 de 
biossegurança.
Figura 16. Laboratórios de Nível 4 de biossegurança pelo mundo.
Fonte: <http://synapse.koreamed.org/>. Acesso em: maio de 2015.
Instalações laboratoriais
NB-1
As instalações laboratoriais devem ser de fácil limpeza e descontaminação. As superfícies 
das bancadas impermeável e resistente a ácidos, álcalis, solventes e calor. Deve haver 
56
UNIDADE III │ CLASSIFICAÇÃO DOS LABORATÓRIOS SEGUNDO O NÍVEL DE BIOSSEGURANÇA
espaços entre bancadas e equipamentos que permita a limpeza. Deve haver pia para 
lavagem das mãos. 
NB-2
Deve possuir os mesmos tipos de instalação da NB-1 acrescida de autoclave para 
descontaminação.
NB-3
Deve possuir os mesmos tipos de instalação da NB-2 acrescido de separação de áreas 
de trânsito, sistema de dupla porta, superfícies internas, pisos e tetos resistentes 
à água. Portas com fechamento automático, sistema de ar independente, ventilação 
unidirecional, sem recirculação de ar e filtrado com filtro HEPA para eliminação do ar, 
linhas de vácuo protegidas por sifão contendo desinfetante e filtro HEPA ou semelhantes.
NB-4
Deve possuir os mesmos tipos de instalação da NB-3 acrescido de câmara de entrada e 
saída de pessoal separada por chuveiro, sistema de autoclave de dupla porta, câmara de 
fumigação, paredes, tetos e pisos construídos com sistema de vedação interna; sistema 
coletor de descontaminação de líquidos; o ar deve ser insuflado por meio de filtros 
HEPA e eliminado para o exterior pelos de dutos de exaustão.
Permissão de acesso aos laboratórios de 
diferentes níveis biológicos
 » Para NB-1, o acesso deve ser limitado ou restrito de acordo com a definição 
do chefe de laboratório, quando estiver sendo realizado experimento ou 
trabalhos com amostras e culturas. Nos laboratórios NB-2 e NB-3, o 
chefe de laboratório tem a responsabilidade de limitar o acesso; cabe ao 
mesmo avaliar cada situação e autorizar quem poderá entrar ou trabalhar 
no laboratório. 
 » Para os níveis NB-2 e NB-3, as portas devem ser mantidas fechadas e 
adequadamente identificadas: o símbolo de “Risco Biológico” deverá ser 
colocado na entrada do laboratório em que agentes etiológicos estiverem 
sendo utilizados. Este sinal de alerta deverá conter informações como 
o(s) nome(s) o(s) agente(s) manipulado(s), o nível de biossegurança, as 
57
CLASSIFICAÇÃO DOS LABORATÓRIOS SEGUNDO O NÍVEL DE BIOSSEGURANÇA │ UNIDADE III
imunizações necessárias, o nome e número do telefone do pesquisador, 
o tipo de equipamento de proteção individual que deverá ser usado 
no laboratório e os procedimentos necessários para entrar e sair do 
laboratório.
 » Nos laboratórios NB-3, nenhum indivíduo deve trabalhar sozinho; no 
mínimo duas pessoas devem estar nas instalações do laboratório. 
 » Pessoas sujeitas à contaminação ou que possam ter sérias consequências 
caso sejam contaminadas, não devem ser permitidas dentro dos 
laboratórios NB-2 e NB-3 ou na sala de animais.
 » Não é autorizada a entrada de menores de idade dentro do laboratório 
e também não são autorizados plantas e animais que não estejam 
relacionados ao trabalho em execução no laboratório. 
Equipamentos e acessórios laboratoriais 
É de responsabilidade do chefe de laboratório assegurar que os equipamentos e 
acessórios apropriados estejam disponíveis e o treinamento para sua adequada 
utilização. Os equipamentos devem ser:
 » Projetado para evitar ou limitar o contato do operador e o material 
infectante.
 » Desenvolvido com materiais impermeáveis a líquidos, resistentes à 
corrosão e que atendem aos requerimentos estruturais.
 » Projetado e instalado para facilitar a operação, manutenção, limpeza 
e descontaminação (vidraria e outros produtos quebráveis devem ser 
evitados sempre que possível). 
 » Especificações devem ser consultadas para se certificar que o equipamento 
e/ou acessório possui os dispositivos de segurança. São equipamentos 
de segurança: Pipetas automáticas, bulbos de borracha ou outros 
disponíveis (é impróprio e arriscado pipetar com a boca). Cabines de 
segurança biológica para os laboratórios NB-2 e NB-3. Alças de plástico 
descartáveis. Tubos e frascos com rosca. Autoclaves (é importante lembrar 
que autoclaves e cabines de segurança biológica devem ser certificadas, 
caibradas regularmente a calibração dever ser efetuada regularmente de 
acordo com as instruções do fabricante). 
58
UNIDADE III │ CLASSIFICAÇÃO DOS LABORATÓRIOS SEGUNDO O NÍVEL DE BIOSSEGURANÇA
Figura 17. Profissionais trabalhando em laboratório NB-4.
Fonte: <http://www.climvib.eu/the-laboratory/bsl-4/>. Acesso em: maio de 2015.
Quadro 5. Recomendações de Biossegurança.
NB Agentes Práticas
Barreiras de Contenção 
Equipamentos de 
segurança
Instalações
1
Pouca probabilidade de causar 
doenças em adultos sadios. 
Boas Práticas Microbiológicas 
(BPLs).
Equipamento de Proteção 
Individual (EPI) avental e luvas. 
Bancada aberta e pia para a 
lavagem das mãos.
2
Agentes associados a doenças 
de risco individualmoderado e 
limitado para comunidade. Vias 
de transmissão: lesão cutânea, 
ingestão, exposição de mucosa.
NB-1 acrescido de: Acesso 
limitado, Sinalização de risco, 
manual de biossegurança 
definindo políticas de vigilância 
médica e necessidade de 
descontaminação dos resíduos.
Barreiras primárias: cabine 
de segurança classe I ou II, 
usada para manipulação de 
todos materiais que possam 
formar aerossol ou que haja 
risco de respingo. EPI: avental, 
luvas e protetor facial, quando 
necessário.
NB-1 acrescido de autoclave 
disponível.
3
Agentes que provocam 
infecções graves ou 
potencialmente letais. Risco 
individual alto e limitado para 
comunidade. Transmissão 
potencial por formação de 
aerossóis.
NB-2 acrescido de: acesso 
controlado, descontaminação de 
todo resíduo, descontaminação 
do avental antes da lavagem, 
banco de soro de funcionários 
na admissão.
Barreiras primárias: cabine de 
segurança classe I ou II, usada 
para manipulação de todos os 
materiais. EPI: avental, luvas, 
máscaras quando necessário.
NB-2 acrescido de: separação 
física de corredor de acesso. 
Porta com fechamento 
automático, dupla porta de 
acesso. Ar não recirculado. 
Pressão negativa no laboratório.
4
Agentes com alto risco de 
causar doença letal. Risco 
individual e para comunidade 
elevado. Ocorrências de 
infecções causadas por 
transmissão por aerossóis 
ou risco de transmissão 
desconhecido.
NB-3 acrescido de: trocar 
de roupa antes de entrar no 
laboratório; tomar banho na 
saída; todo material deve 
ser descontaminado antes de 
sair do laboratório.
Barreiras primárias: 
manipulações conduzidas em 
cabine de Segurança Classe II B 
ou Classe III.
NB-3 acrescido de: construção 
separada ou área isolada. 
Sistema de exaustão. 
Fornecimento de ar e vácuo. 
Descontaminação.
Fonte: ANVISA (2013).
Saúde ocupacional
O administrador e/ou diretor, juntamente com o chefe de laboratório, é responsável em 
assegurar a implementação de um programa de controle médico de saúde ocupacional. 
59
CLASSIFICAÇÃO DOS LABORATÓRIOS SEGUNDO O NÍVEL DE BIOSSEGURANÇA │ UNIDADE III
No quadro 6, estão descritas as ações que devem ser tomadas para cada nível de risco 
biológico.
Quadro 6. Ações que devem ser tomadas em relação a saúde ocupacional em cada nível biológico.
NB Ações
NB-1
O trabalhador deve fazer exames médicos e seu histórico médico deve ser registrado. Doenças ou acidentes laboratoriais 
devem ser registrados e todos os trabalhadores devem ser informados e conscientizados da importância das boas práticas 
no laboratório de microbiologia. 
NB-2
Avaliação médica antes da contratação do trabalhador é necessária; o histórico médico deve ser registrado.
Amostras referência de soro do pessoal do laboratório ou de outras pessoas possivelmente expostas ao risco, inclusive 
pessoal de limpeza e de manutenção devem ser coletadas; amostras adicionais devem ser obtidas periodicamente 
dependendo do agente manipulado e das atividades exercidas nas das instalações laboratoriais. 
Registros de doenças e ausências devem ser mantidos pela gerência do laboratório; é de responsabilidade do trabalhador 
informar o chefe de laboratório de todas as ausências resultantes de problemas de saúde. 
Mulheres devem ter conhecimento do risco que existe para o feto da exposição ocupacional a certos micro-organismos 
como, por exemplo, o vírus da rubéola.
NB-3
Além das exigências citadas no NB-2: indivíduos que são imunocomprometidos não devem ser contratados para trabalhar 
nas instalações do laboratório.
Após uma avaliação clínica satisfatória, deve-se providenciar para o trabalhador uma notificação com a sua foto e que 
descreva que este é um funcionário de um laboratório de nível 3 de biossegurança. A notificação pode incluir informações 
para contato, inclusive do chefe ou diretor do laboratório, médico ou encarregado da biossegurança do laboratório.
Deve-se realizar, anualmente, radiografia de tórax para os funcionários que se dedicam à rotina de tuberculose (seguir as 
orientações do Programa Nacional de Controle de Infecção Hospitalar).
Os trabalhadores devem ser apropriadamente imunizados ou examinados quanto aos agentes manipulados ou 
potencialmente presentes no laboratório (por exemplo, vacina para hepatite B ou teste cutâneo para tuberculose); exames 
periódicos são recomendados.
Fonte: ANVISA (2005).
Equipamento de Proteção Individual (EPI)
 » Avental: uso para todos que trabalham em ambiente laboratorial 
(confeccionado em algodão, com manga longa e punho sanfonado, 
na altura dos joelhos e usado abotoado). Não usar fora da área de 
trabalho, nem guardar junto com objetos pessoais. Para laboratórios 
NB-3, recomenda-se que o abotoamento do avental seja nas costas. Há 
necessidade de descontaminação antes da lavagem.
 » Avental impermeável: evita a contaminação do vestuário.
 » Luvas: uso para todos que trabalham em ambiente laboratorial, na 
manipulação de amostras biológicas, preparo de reagentes, lavagem de 
materiais, atendimento ao paciente. Descartar sempre que estiverem 
contaminadas ou quando sua integridade estiver comprometida. 
60
UNIDADE III │ CLASSIFICAÇÃO DOS LABORATÓRIOS SEGUNDO O NÍVEL DE BIOSSEGURANÇA
 » Máscaras e respiradores: proteção de boca e nariz contra respingos 
e inalação de partículas em aerossol e substâncias químicas voláteis e 
tóxicas.
 » Óculos de proteção: destinado à proteção dos olhos contra respingos de 
material biológico, substâncias químicas e partículas.
 » Protetor facial: destinado à proteção da face contra respingos de material 
biológico, substâncias químicas e partículas. Deve ser leve, resistente, 
com visor em acrílico.
 » Sapatos: devem ser fechados, evitando-se assim impactos e respingos. 
Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC)
 » Cabine de segurança biológica classe I: é uma cabine em que o fluxo de ar 
ocorre de fora para dentro, pela abertura frontal, sem recirculação do ar. 
Os aerossóis eventualmente gerados pela manipulação do material são 
carregados pelo fluxo de ar para o duto de exaustão. No final do duto 
de exaustão existe um filtro HEPA e o ar é liberado para o interior do 
laboratório. Essas cabines protegem o operador, mas não o material que 
está sendo manipulado e podem ser usadas quando se está trabalhando 
com micro-organismos de baixo ou moderado risco.
 » Cabine de segurança biológica classe II: esse tipo de cabine possui 
abertura frontal na qual uma parte do ar é recirculado, protegendo o 
operador, o material a ser manipulado e o meio ambiente. Existem dois 
tipos de cabine classe II.
1. Classe II A: 30% de ar ambiente entra pela abertura frontal, 70% é 
recirculado para o interior da cabine passando por um filtro HEPA e 
30% é exaurido para dentro ou fora do laboratório passando por filtro 
HEPA. Usadas na ausência de substâncias químicas voláteis, radioativas 
ou tóxicas.
2. Classe II B: 70% de ar ambiente entra pela abertura frontal, 30% é 
recirculado para o interior da cabine passando por um filtro HEPA e 
70% é exaurido para fora do laboratório através de outro filtro HEPA, 
por um sistema de exaustão. São indicadas para manipulação de cultura 
de micobactérias e com algumas substâncias tóxicas, voláteis e/ou 
radioativas. 
61
CLASSIFICAÇÃO DOS LABORATÓRIOS SEGUNDO O NÍVEL DE BIOSSEGURANÇA │ UNIDADE III
 » Classe III: É uma cabine hermeticamente fechada, impermeável a gases 
e todo o trabalho é realizado com luvas de borracha que estão presas à 
câmara. O ar que entra passa por um filtro HEPA e o ar que sai pelo 
exaustor passa por dois filtros HEPA dispostos sequencialmente. Todos 
os equipamentos necessários (centrífuga, incubadora etc.) devem estar 
dentro da cabine. É indicada para o trabalho com micro-organismos de 
alto poder infectante. Oferece o mais altograu de proteção ao operador e 
ao meio ambiente.
 » Lava-olhos: usado em caso de acidentes de contato de material biológico 
ou substância química, com os olhos e/ou a face. Deve haver treinamento 
dos profissionais quanto ao seu uso e as orientações localizadas próximas 
ao equipamento. 
 » Chuveiro de segurança: usado quando ocorrem acidentes com 
derramamento de grande quantidade de material biológico ou substância 
química sobre as roupas e pele do profissional ou quando as roupas 
estiverem em chamas. Deve haver treinamento dos profissionais quanto 
ao seu uso e as orientações localizadas próximas ao equipamento. 
 » Proteção de linha de vácuo: evita contaminação do sistema de vácuo com 
aerossóis e fluidos derramados. 
 » Autoclave: esterilização por calor eficaz, tornando material infeccioso 
seguro para ser eliminado ou reutilizado.
 » Garrafas com tampa de rosca: proteção contra aerossóis e derrames.
 » Microincineradores de alça: funcionam a gás ou eletricidade. Possuem 
escudo de vidro ou cerâmica que minimizam salpicos ou borrifos quando 
se esterilizam as alças.
Boas práticas em laboratório clínico
 » Proibido consumir alimentos e bebidas, fumar, guardar alimentos e 
aplicar cosméticos na área técnica. 
 » Os cabelos devem estar presos e o uso de adornos é proibido.
 » É proibido o uso de calçados abertos (chinelos e sandálias). 
62
UNIDADE III │ CLASSIFICAÇÃO DOS LABORATÓRIOS SEGUNDO O NÍVEL DE BIOSSEGURANÇA
 » Toda amostra biológica deve ser considerada potencialmente 
contaminada.
 » Obrigatório o uso de EPIs. 
 » Proibido pipetar com a boca.
 » Obrigatória a descontaminação das bancadas de trabalho antes e após o 
desenvolvimento das atividades.
 » Proibido reencapar e entortar agulhas após o uso.
 » Não manipular materiais não identificados.
 » Separar e acondicionar adequadamente resíduos biológicos, químicos e 
ionizantes.
 » Depositar todo material contaminado em recipientes apropriados para 
autoclavação. 
 » Higienizar sempre as mãos. 
Acidentes
Em caso de acidente com derramamento de material biológico, deve-se proceder da 
seguinte forma:
 » Isolar a área atingida.
 » Impedir a manipulação no local por pelo menos 30 minutos.
 » Usar EPIs.
 » Colocar papel toalha sobre o material derramado e, sobre ele, solução de 
hipoclorito de sódio a 2%, ou cloro ativo; aguardar 15 minutos. 
 » Recolher em recipiente com saco para resíduo infectante ou saco 
autoclavável as toalhas de papel, luvas e todo material usado na 
descontaminação.
 » Estilhaços de vidro ou plástico deverão ser recolhidos em caixa de 
perfurocortante.
 » Refazer a descontaminação da área com solução de hipoclorito de sódio 
a 2%.
63
CLASSIFICAÇÃO DOS LABORATÓRIOS SEGUNDO O NÍVEL DE BIOSSEGURANÇA │ UNIDADE III
Em caso de quebra de tubos contendo material biológico em centrífuga, deve-se 
proceder da seguinte forma:
 » Desligar a centrífuga e manter fechada por 30 minutos para dispersão de 
aerossóis.
 » Usar EPIs. 
 » Retirar estilhaços com auxílio de pinça e descartar em caixa de 
perfurocortante.
 » Limpar caçapas, pinos e rotor com solução de hipoclorito de sódio a 2%.
 » Limpar internamente a centrífuga com gaze embebida com solução de 
hipoclorito de sódio a 2% e após com pano embebido em água e sabão.
 » Descartar todo o material usado na descontaminação em recipiente com 
saco para resíduo infectante.
Em caso de acidente com derramamento de produtos químicos, deve-se proceder da 
seguinte forma:
 » Utilizar EPIs.
 » Conter o líquido derramado em área reduzida.
 » Cobrir o resíduo com vermiculina ou areia e aguardar sua absorção.
 » Recolher todo o resíduo e o material utilizado para limpar a área.
Descontaminação e descarte de resíduos
Todos os resíduos do laboratório e do biotério deverão ser descontaminados antes de 
serem descartados por um método de descontaminação aprovado como, por exemplo, 
esterilização por calor úmido (autoclave). 
64
CAPÍTULO 2
Classificação do organismo segundo 
seu potencial patogênico
A classificação de risco dos agentes biológicos tem papel na estimava do risco, no tipo 
de estrutura para a contenção e a tomada de decisão para o gerenciamento dos riscos. 
Os critérios de classificação de risco dos agentes biológicos têm-se como base:
 » Virulência – é a capacidade de um agente biológico em causar 
mortalidade e/ou por seu poder de invadir tecidos do hospedeiro. A 
virulência pode ser avaliada por meio dos coeficientes de letalidade 
(percentual de casos da doença que são mortais) e de gravidade (o 
percentual dos casos considerados graves). 
 » Modo de transmissão – é a forma como o agente infeccioso atinge o 
hospedeiro. O conhecimento do modo de transmissão do agente biológico 
é de grande importância para a aplicação de medidas de proteção contra 
a disseminação.
 » Estabilidade – é a capacidade de manutenção do potencial infeccioso 
de um agente biológico no meio ambiente e em condições ambientais 
adversas como a exposição à luz, à radiação ultravioleta, às temperaturas, 
à umidade relativa e aos agentes químicos. 
 » Concentração e volume – quantidade de agentes patogênicos em 
determinado volume. Portanto, quanto maior a concentração, maior o 
risco. O volume do agente patogênico também é importante, pois quanto 
maior o volume, maior são os fatores de risco. 
 » Origem do agente biológico potencialmente patogênico – deve 
ser considerada a origem do hospedeiro do agente biológico (humano ou 
animal), a localização geográfica (áreas endêmicas) e a natureza do vetor. 
 » Disponibilidade de medidas profiláticas eficazes – disponibilidade 
de vacinação, antissoros e globulinas eficazes, adoção de medidas 
sanitárias, controle de vetores e medidas de quarentena em movimentos 
transfronteiriços. 
 » Disponibilidade de tratamento eficaz – tratamento eficaz, capaz 
de prover a contenção do agravamento e a cura da doença causada pela 
65
CLASSIFICAÇÃO DOS LABORATÓRIOS SEGUNDO O NÍVEL DE BIOSSEGURANÇA │ UNIDADE III
exposição ao agente patogênico (imunização e vacinação pós-exposição, 
o uso de antibióticos e medicamentos terapêuticos).
 » Dose infectante – consiste no número mínimo de agentes patogênicos 
necessários para causar doença. Varia de acordo com a virulência do 
agente e com a susceptibilidade do indivíduo.
 » Manipulação do agente patogênico – a manipulação pode 
potencializar o risco (centrifugação procedimentos de manipulação, 
inoculação experimental em animais), os riscos irão variar de acordo com 
as espécies utilizadas e com a natureza do protocolo.
 » Eliminação do agente – o conhecimento das vias de eliminação do 
agente é importante para a adoção de medidas de contingenciamento. No 
caso de eliminação por via respiratória, medidas adicionais de contenção 
são necessárias. As pessoas que lidam com animais experimentais 
infectados com agentes biológicos patogênicos apresentam um risco 
maior de exposição devido à possibilidade de mordidas, arranhões e 
inalação de aerossóis.
 » Fatores referentes ao trabalhador – o estado de saúde do indivíduo, 
assim como, idade, sexo, fatores genéticos, estado imunológico, exposição 
prévia, gravidez, lactação, consumo de álcool, consumo de medicamentos, 
hábitos de higiene pessoal e uso de equipamentos de proteção individual. 
Além disso, o profissional deve ser treinado e qualificado para as atividades 
laboratoriais (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2010).
Considerando todos esses fatores, os micro-organismos podem ser classificados quanto 
ao seu risco em 4 diferentes classes:
Classe de risco 1
São organismos de baixo risco individual e baixo risco para a comunidade; não causam 
doença ao homem ou animal. Ex: micro-organismos usados na produção de cerveja, 
vinho, pão e queijo. (Lactobacillus casei, Penicillium camembertii, S.cerevisiae etc.).
Classe de risco 2
São patógenos de risco individual moderado e risco limitado para a comunidade; 
causam doença ao homem ou aos animais, mas que não consiste em sério risco, 
a quem o manipula em condições de contenção, à comunidade, aos seres vivos e ao 
66
UNIDADE III │ CLASSIFICAÇÃO DOS LABORATÓRIOS SEGUNDO O NÍVEL DE BIOSSEGURANÇA
meio ambiente. As exposições laboratoriais podem causar infecção, mas a existência 
de medidas eficazes de tratamento e prevenção limita o risco. Exemplo: bactérias – 
Clostridium tetani, Klebsiella pneumoniae, Staphylococcus aureus; vírus – ebv, 
herpes; fungos – Candida albicans; parasitas – Plasmodium schistosoma.
Classe de risco 3
São patógenos de elevado risco individual e risco limitado para a comunidade, 
geralmente, causam doenças graves ao homem ou aos animais e pode representar um 
sério risco a quem o manipula. Pode representar um risco se disseminado na comunidade, 
mas usualmente existem medidas de tratamento e de prevenção. Exemplos: bactérias 
– Bacillus anthracis, Brucella, Chlamydia psittaci, Mycobacterium tuberculosis; 
vírus – hepatites b e c, HTLV 1 e 2, HIV, febre amarela, dengue; fungos – Blastomyces 
dermatiolis, Histoplasma; parasitas – echinococcus, leishmania, Toxoplasma gondii, 
Trypanosoma cruzi. 
Classe de risco 4
São patógenos de elevado risco individual e elevado risco para a comunidade; 
representam grande ameaça para o ser humano e para aos animais, representando 
grande risco a quem o manipula e tendo grande poder de transmissibilidade de um 
indivíduo a outro. Normalmente, não existem medidas preventivas e de tratamento 
para esses agentes. Exemplos: vírus de febres hemorrágicas, febre de lassa, ébola, 
arenavírus e certos arbovírus.
Quadro 7: Recomendações de Biossegurança. 
NB AGENTES PRÁTICAS EQUIPAMENTOS 
DE SEGURANÇA 
(BARREIRAS 
PRIMÁRIAS)
INSTALAÇÕES 
(BARREIRAS 
SECUNDÁRIAS)
1
Não são conhecidos por 
causarem doenças em adultos 
sadios.
Práticas padrão de 
microbiologia.
Não são necessários. Bancadas abertas com pias 
próximas.
2
 Associados com doenças 
humanas
Risco: lesão percutânea, 
ingestão, exposição da 
membrana mucosa.
Prática de NB-1 mais: acesso 
limitado; avisos de risco 
biológico precauções com 
objetos perfurocortantes; 
manual de biossegurança 
que defina qualquer 
descontaminação de dejetos ou 
normas de vigilância médica.
Barreiras primárias: cabines 
de classe I ou II ou outros 
dispositivos de contenção 
física usados para todas as 
manipulações de agentes 
que provoquem aerossóis 
ou vazamento de materiais 
infecciosos; procedimentos 
especiais como o uso de 
aventais, luvas e proteção para 
o rosto, quando necessário.
NB1 mais autoclave disponível.
67
CLASSIFICAÇÃO DOS LABORATÓRIOS SEGUNDO O NÍVEL DE BIOSSEGURANÇA │ UNIDADE III
3
Agentes exóticos com 
potencial para transmissão via 
aerossol; a doença pode trazer 
consequências sérias ou até 
fatais.
Práticas de NB-2 mais: acesso 
controlado; descontaminação 
de todo o lixo; descontaminação 
da roupa usada no laboratório 
antes de ser lavada; amostra 
sorológica.
Barreiras primárias: cabines 
de classe I ou II ou outros 
dispositivos de contenção 
usados para todas as 
manipulações abertas de 
agentes; uso de aventais, luvas 
e proteção respiratória, quando 
necessário.
NB-2 mais: separação física dos 
corredores de acesso; portas de 
acesso duplas com fechamento 
automático; ar de exaustão não 
recirculante; fluxo de ar negativo 
dentro do laboratório.
4
Agentes exóticos ou perigosos 
que impõem um alto risco 
de doenças que ameaçam a 
vida, infecções laboratoriais 
transmitidas via aerossol 
ou relacionadas a agentes 
com risco desconhecido de 
transmissão.
NB-3 mais: mudança de roupa 
antes de entrar; banho de 
ducha na saída; todo o material 
descontaminado na saída das 
instalações.
Barreiras primárias: todos os 
procedimentos conduzidos em 
cabines de classe III ou classe I 
ou II juntamente com macacão 
de pressão positiva com 
suprimento de ar.
NB-3 mais: edifício separado 
ou área isolada; sistemas de 
abastecimento e escape a 
vácuo e de descontaminação.
Fonte: ANVISA (2013).
Quadro 8. Resumo dos níveis de biossegurança recomendados para agentes infecciosos.
Classe de risco Risco individual Risco para o meio 
ambiente
Risco de infecção
1
Baixo/ausente Baixo/ausente Nenhum risco ou baixa probabilidade de causar infecção no 
homem.
2
Moderado Baixo Pode causar infecções no homem e existem medidas 
terapêuticas ou profiláticas eficazes. Risco de propagação da 
infecção é limitado.
3
Elevado Moderado Pode causar infecções graves no homem, podendo infectar 
outras pessoas. Existem medidas terapêuticas e/ou profilaxia.
4
Elevado Elevado Altamente patogênicos e de grande poder de transmissibilidade 
de uma pessoa para outra, direta ou indiretamente. Não 
existem medidas terapêuticas ou profiláticas conhecidas.
Fonte: MINISTÉRIO DA SAÚDE (2006).
68
CAPÍTULO 3
Classificação dos organismos 
geneticamente modificados
Os Organismos Geneticamente Modificados (OGM) são definidos como toda entidade 
biológica (plantas, fungos bactérias, animais) cujo material genético (DNA/RNA) 
foi alterado por meio de técnicas de engenharia genética, de uma maneira que não 
ocorreria naturalmente. A tecnologia de recombinação permite que determinados 
genes sejam transferidos de um organismo para outro, inclusive entre espécies. 
Inicialmente, os pesquisadores desconheciam se esses organismos poderiam possuir 
alguma característica indesejável ou se tais modificações poderiam representar algum 
risco biológico. Hoje se sabe que a engenharia genética pode ser realizada de maneira 
segura por meio de avaliação apropriada do risco e de medidas de segurança adequadas.
A tecnologia de DNA recombinante tem grande importância na medicina e na biologia. 
Atualmente, devido ao desenvolvimento de tecnologias para sequenciamento de 
material genético em grande escala, a tecnologia de DNA recombinante tem grande 
importância pois, por meio dela é possível ter indícios ou até mesmo desvendar a função 
de genes os quais até hoje não se conhece a função.
Existem importantes aplicações da tecnologia dos OGMs, como por exemplo, na terapia 
gênica para o tratamento de doenças hereditárias, produção de vacinas e produção 
de proteínas. Além disso, o desenvolvimento de OGM favorece certas características 
específicas (cor, tamanho, produção de determinado composto etc.).
Figura 18. Esquema representativo da produção de organismos geneticamente modificados.
Fonte: <http://ciencia.hsw.uol.com.br/transgenicos2.htm>. Acesso em: maio de 2015.
69
CLASSIFICAÇÃO DOS LABORATÓRIOS SEGUNDO O NÍVEL DE BIOSSEGURANÇA │ UNIDADE III
Para avaliar, em nível de segurança biológica de OGM, é necessário caracterizar as 
propriedades patogênicas; para isso, a Organização Mundial da Saúde faz as seguintes 
recomendações, de acordo com o Manual de Segurança Biológica em Laboratório, 
(ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2004).
Riscos resultantes do gene introduzido 
(organismo doador)
Quando se conhece que a expressão do gene gera produtos com potencial biológico 
ou farmacológicas (hormônios, reguladores de expressão de genes, fatores virulência, 
sequências de genes oncogénicos, resistência a antibióticos, toxinas, citocinas ou 
alérgenos), os quais podem originar perigo, é necessário avaliar nível de expressão 
necessária para atingir atividade biológica ou farmacológica.
Riscos associados ao hospedeiro
1. Susceptibilidade do hospedeiro.
2. Patogenicidade da cepa hospedeira, incluindo virulência e produção de 
toxinas.
3. Modificação do tipo de hospedeiros.
4. Estado de imunidade do receptor.
5. Consequências da exposição.
Riscos resultantes da alteraçãodas 
características patogênicas existentes
As modificações genéticas podem alterar a patogenicidade do organismo. Nesses casos, 
é importante analisar se existe aumento da patogenicidade, se o gene em questão 
confere patogenicidade em outro organismo, se existe disponibilidade de tratamento, se 
a susceptibilidade OGM ao tratamento é comprometida devido a modificação genética, 
se é possível a irradicação do OGM.
70
UNIDADE III │ CLASSIFICAÇÃO DOS LABORATÓRIOS SEGUNDO O NÍVEL DE BIOSSEGURANÇA
Os OGMs são classificados em Grupo I e Grupo II e essa classificação dos OGMs 
considera: Características do organismo receptor ou parental.
 » Os vetores.
 » Os insertos. 
 » O OGM resultante.
A ANVISA faz a seguinte classificação dos organismos geneticamente modificados 
(OGMs)
OGM do grupo I 
Esse grupo contempla receptor ou parental não patogênico, isento de agentes 
adventícios, com histórico documentado de utilização segura ou com a incorporação de 
barreiras biológicas que, sem interferir no crescimento ótimo em reator ou fermentador, 
permita uma sobrevivência e multiplicação limitadas, sem efeitos negativos para o meio 
ambiente. 
Vetor/inserto 
 » Deve ser adequadamente caracterizado quanto a todos os aspectos (riscos 
ao homem e ao meio ambiente), e desprovido de sequências nocivas 
conhecidas.
 » Deve ser de tamanho limitado às sequências genéticas necessárias para 
realizar a função projetada.
 » Não deve aumentar a estabilidade do organismo modificado no meio 
ambiente.
 » Deve ser escassamente mobilizável.
 » Não deve transmitir nenhum marcador de resistência a organismos que, 
de acordo com os conhecimentos disponíveis, não o adquira de forma 
natural. 
Micro-organismos geneticamente modificados
 » Não devem ser patogênicos.
 » Devem ser seguros, com sobrevivência e/ou multiplicação limitadas, sem 
efeitos negativos para o meio ambiente. 
71
CLASSIFICAÇÃO DOS LABORATÓRIOS SEGUNDO O NÍVEL DE BIOSSEGURANÇA │ UNIDADE III
Outros micro-organismos geneticamente modificados que poderiam incluir-se no 
Grupo I, desde que reúnam as condições estipuladas no item anterior:
 » Micro-organismos construídos inteiramente a partir de um único receptor 
procariótico (incluindo plasmídeos e vírus endógenos) ou de um único 
receptor eucariótico (incluindo cloroplastos, mitocôndrias e plasmídeos, 
mas excluindo os vírus).
 » Organismos compostos inteiramente por sequências genéticas de 
diferentes espécies que troquem tais sequências mediante processos 
fisiológicos conhecidos. 
OGM do grupo II
Todos aqueles não incluídos no grupo I, ou seja, qualquer organismo resultante de 
organismo receptor ou parental classificado como patogênico para o homem e animais 
como classe de risco 2, 3, ou 4. 
Em outras palavras, OGM do Grupo I são os mais inofensivos e exigem um nível de 
biossegurança menor do que os OGM do Grupo II. Sendo assim, para se trabalhar com 
organismos do Grupo II, as exigências são maiores do que para o Grupo I. A avaliação 
quanto ao tipo de OMG cabe ao pesquisador solicitar a autorização de uso do OGM à 
CIBio .
Experimentos envolvendo mais de 10 litros de 
cultura de OGM (Instrução Normativa CTNBio 
no 7, de 6/6/1997)
A manipulação de OMG usando volumes superiores a 10 litros necessita a adoção de 
medidas especiais de contenção, levando em consideração o tipo de produto gerado 
(toxicidade de produtos, aspectos físicos, mecânicos e químicos de processamento do 
OGM). A saúde dos funcionários deve ser monitorada periodicamente (exame físico e 
médico periódico, manutenção e análise de amostras de soro para monitoramento de 
eventuais modificações que possam resultar da situação de trabalho).
Boas práticas em grande escala
Devem ser estabelecidos e implementados procedimentos institucionais para assegurar 
adequado controle da saúde e da segurança das pessoas envolvidas no trabalho. As 
72
UNIDADE III │ CLASSIFICAÇÃO DOS LABORATÓRIOS SEGUNDO O NÍVEL DE BIOSSEGURANÇA
instruções devem estar por escrito e, além disso, os funcionários devem ter sido 
submetidos a treinamentos adequados quanto a manipulação dos OGM, limpeza e 
organização dos locais de manipulação.
As instalações devem possuir pias, chuveiros, sala para a troca de roupa e os funcionários 
devem estar devidamente paramentados com uniformes, jalecos de laboratório, para 
minimizar o contato com o OGM e assegurar uma higiene pessoal adequada. 
As culturas de OGM devem ser manipuladas em instalações adequadas. E antes de 
qualquer descarte, os OGMs devem ser inativados, e o tratamento de efluentes deve 
seguir as normas específicas. É muito importante que existam planos de emergência 
com medidas adequadas para conter e neutralizar derramamentos.
É importante ressaltar que a classificação quanto ao nível biológico de OGM pode 
divergir entre diferentes países e que a avaliação de riscos é um processo dinâmico e vai 
se desenvolvendo à medida em que novas informações surgem. Entretanto, a avaliação 
do risco assegura a utilização da tecnologia para novos avanços futuros.
73
UNIDADE IV
CONTROLE DE 
QUALIDADE DO 
LABORATÓRIO
CAPÍTULO 1
Parâmetros do controle de qualidade
O conceito de qualidade em todas as diferentes atividades é uma exigência e nos 
laboratórios clínicos isso não é diferente. Dessa forma, o laboratório clínico deve 
certificar que os resultados sejam fidedignos e consistentes a situação clínica apresentada 
pelos pacientes, assegurando que não haja interferências durante os processos para a 
obtenção desse resultado.
Para garantir qualidade durante todo o processo de realização de um exame (fases 
pré-analítica, analítica e pós-analítica), ações devem ser tomadas em relação a qualidade. 
A essas ações se dá o nome de gestão da qualidade. A garantia da qualidade de todas 
as fases pode ser conseguida por meio da padronização de cada uma das atividades 
envolvidas, desde o atendimento ao paciente até a liberação do laudo. Para dirigir 
adequadamente todas as atividades laboratoriais, é necessário que essas atividades 
sejam documentadas por meio de Procedimentos Operacionais Padrão (POP). 
A melhoria da qualidade evita desperdícios, reduz custos e aumenta a produtividade. 
O Procedimento Operacional Padrão (POP) é um documento que descreve um 
procedimento, detalhadamente e contêm instruções sequenciais das operações, 
frequência de execução, responsável pela execução, listagem dos equipamentos outros 
materiais, descrição de interpretação e pontos críticos.
O laboratório deverá definir, documentar e manter um programa para controlar os 
seus procedimentos e documentos pertinentes (livros, especificações, tabelas, gráficos, 
desenhos, pôsteres, regulamentos, normas etc.). A versão implementada deverá ser a 
atual e o documento antigo não deve estar no laboratório. Esses procedimentos deverão 
ter revisões pelo menos anuais ou sempre que houver alterações no processo. 
Todos os POPs devem estar escritos em linguagem de acordo com o grau de instrução 
das pessoas envolvidas na tarefa. A elaboração deve ser realizada por pessoa treinada 
74
UNIDADE IV │ CONTROLE DE QUALIDADE DO LABORATÓRIO
e que conheça bem o processo e estar familiarizada com fatores que influenciam seu 
processo analítico, manuseio da amostra, aplicação e interpretação de seus controles 
internos e externos, manutenção e operação de equipamentos de sua área.
Todas as atividades e respectivos protocolos devem estar claramente delineados e 
colocados em local acessível do laboratório para a consulta regular pelos trabalhadores. 
A forma como os procedimentos devem ser desenvolvidos e implementados deve ser 
determinada pelo responsável imediato do laboratório. 
Seguem os principais itens que devem constar no manual de procedimento, de acordo 
com a ANVISA:
 » Nome, endereço e telefonede todos os trabalhadores do laboratório.
 » Lista de todos os planos de ação e regulamentos geral do laboratório.
 » Lista da localização dos equipamentos, meio de culturas, reagentes, 
e outros suplementos, incluindo descrição completa das fórmulas e 
instruções para o uso e preparo.
 » Descrição completa de todos os formulários, informes e arquivos 
utilizados no laboratório de microbiologia. 
 » Descrição detalhada de todas as técnicas e os procedimentos efetuados 
no laboratório.
 » Lista de todos os esquemas de identificação utilizados para identificar e 
classificar os micro-organismos. 
 » Nome, endereço, telefone, procedimentos e planos de ação de laboratórios 
de referência/relacionados com o envio de amostras. 
 » Inclusão de todos os procedimentos de controle de qualidade com 
detalhes específicos quanto à frequência e ao modo como cada item deve 
ser realizado. 
 » Para inspeção do laboratório é exigido que o manual de procedimentos 
seja revisto e atualizado ao menos uma vez ao ano e que constem as iniciais 
do diretor ou chefe de laboratório em cada procedimento, indicando que 
a atualização foi efetuada. 
75
CONTROLE DE QUALIDADE DO LABORATÓRIO │ UNIDADE IV
Quadro 9. Modelo de formato de POP.
LOGOTIPO PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO – POP Página 1 de 2
Código
xxxxx
Data Emissão
Xxxx
Data de Vigência
XXXXX
Próxima Revisão
XXXXX
Versão no 001
ÁREA EMITENTE: Laboratório de Química Analítica e Orgânica.
ASSUNTO: Normas Internas para utilização da Capela de Exaustão de gases e vapores.
OBJETIVO: 
É objetivo deste procedimento é estabelecer critérios seguros de utilização da 
capela de exaustão de gases e vapores. 
APLICAÇÃO
Este POP aplica-se a todos os Professores, técnicos e alunos que utilizam a capela 
de exaustão.
DIVULGAÇÃO
Este POP é divulgado para todos os usuários dos laboratórios de ensino.
CONTEÚDO
Ligue a capela em: botão verde. 
Desligue a capela em: botão vermelho.
Administre todas as reações que podem gerar contaminantes no ar dentro da 
capela.
Mantenha distância do aparador ou apoio das substâncias químicas de pelo 
menos 15 cm da face da capela.
Não apoie na capela ou coloque sua cabeça no interior da capela.
Não use a capela como modo de descarte.
Não armazene substâncias químicas ou vidrarias na capela.
Em funcionamento, mantenha o vidro frontal da capela fechado sempre que 
possível.
Mantenha as aberturas na capela, incluindo a boca do duto, livre e desobstruída 
de equipamentos e ou recipientes.
76
UNIDADE IV │ CONTROLE DE QUALIDADE DO LABORATÓRIO
Use equipamentos com apoio, caso contrário eleve-o da superfície de trabalho 
para permitir que a corrente de ar passe sob o equipamento como também ao 
redor e em cima.
Minimize fontes de turbulência na face da capela (por exemplo, equipamento 
alto fora da capela que impossibilite uma exaustão linear).
Mantenha as portas do laboratório fechadas sempre que possível.
Não remova vidro da capela ou painéis, estes aparatos influenciam no 
desempenho da exaustão.
Não é permitida no interior da capela nenhuma tomada elétrica.
Caso o fluxo de ar altere, interrompa imediatamente o trabalho e informe ao 
técnico de laboratório.
Ligue a capela 15 minutos antes do início do trabalho e aguarde 15 minutos ao 
término para desligar.
TESTES PARA AVALIAÇÃO DA CAPELA – Realizados de forma terceirizada. 
Deve ter avaliação técnica especializada semestralmente para: 
VAZÃO - CLASSES I, II OU III - (0,4 a 0,7 m/s)
RUIDOS – 70db(A)
ILUMINAÇÃO – acima de 300 Lux
Emitido por: XXX
Revisado por: XXXX
BIBLIOGRAFIA:
EN 14175 - 2004 Part 1, 2, 3 e 4 European Standards.
BS 7258 Part 1, 2, 3 e 4 British Standards.
ANSI/ASHRAE 110-1995 – American Socyety Heating, Refrigerating and Air- 
conditioning.
OSHA 29 CFR 1910 – Occupational Safety and Health Administration.
DIN 12923/12324 - Deutsches Institut fur Normung.
77
CONTROLE DE QUALIDADE DO LABORATÓRIO │ UNIDADE IV
ACGIH – Industrial Ventilation “Manual of Recommended Practice 24th ed.”
ABNT NBR 5410 – Elétrica.
NR 15 - Atividades e Operações Insalubres.
NR 17 – Ergonomia.
Fonte: Adaptado de: <http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&sourc
e=web&cd=3&ved=0CCoQFjAC&url=http%3A%2F%2Flaboratorios.curitibanos.ufsc.
br%2Ffiles%2F2013%2F07%2FPOP-CAPELA-EXAUSTAO.doc&ei=RN-VdzGBYS7ggSH3ICoBQ&usg
=AFQjCNEq2EZUVUYaukZyKE2_nD1trQ_vZQ>. Acesso em: junho de 2015.
Objetivo dos POPs
O laboratório clínico de microbiologia é responsável em providenciar informação precisa 
e relevante quanto ao diagnóstico do paciente. O programa de qualidade documenta a 
validade do método aplicado e monitora a performance dos procedimentos, de todos os 
reagentes, dos meios, dos instrumentos e também do indivíduo que executou a análise. 
Além disso, também verifica os resultados do teste quanto aos erros e relevância clínica. 
Um programa de qualidade efetivo depende de um processo de avaliação contínuo e do 
seu aprimoramento. 
Com isso, um POP tem o objetivo de padronizar um procedimento e minimizar erros ou 
desvios na execução dessas tarefas. Um POP deve garantir que qualquer pessoa consiga, 
a qualquer momento, realizar um procedimento com qualidade e que essa qualidade 
seja mantida de um turno para outro, de um dia para outro. Além disso, o POP também 
é um ótimo instrumento para a Gerência da Qualidade na prática de auditoria interna. 
Ou seja, quando funcionários de um setor auditam outro setor, com o POP o auditor 
encontra subsídios técnicos para indagações e verificação de eficácia da metodologia, 
assim como sua familiarização entre os auditados. 
Ensaios de proficiência (avaliação externa da 
qualidade)
Os ensaios de proficiência são testes que compões a garantia de qualidade assim como 
o controle interno e o controle de processos. Assim, os testes de proficiência servem 
para identificar desvios e avaliam a capacidade do laboratório em desempenhar os 
ensaios de forma competente. O ensaio de proficiência se concentra na fase analítica 
(processamento inicial da amostra, realização do ensaio e interpretação de resultados) 
existindo uma menor análise e pontual nas demais fases.
78
UNIDADE IV │ CONTROLE DE QUALIDADE DO LABORATÓRIO
A avaliação é conduzida sob sigilo, sendo uma ferramenta de gerenciamento do nível 
de confiança do laboratório e uma medida do seu desempenho em relação a outros 
laboratórios. Em outras palavras, o ensaio de proficiência avalia o desempenho de um 
laboratório comparando com outro de mesma natureza.
No laboratório clínico, esses ensaios são estabelecidos anualmente para cada área 
(bacteriologia, micologia, parasitologia e virologia). Os ensaios são realizados com 
base em comparações inter-laboratoriais, dessa forma, diferentes laboratórios 
recebem as mesmas amostras e realizam simultaneamente a análise. As amostras de 
proficiência devem ser analisadas pelos trabalhadores que realizam as análises em 
questão cotidianamente e de acordo com os procedimentos de rotina e juntamente 
com as amostras de pacientes. O provedor do programa reúne todos os resultados 
e disponibiliza para os participantes relatórios que permitem identificar o nível de 
acerto e/ou de afastamento do resultado esperado, os resultados gerais de todos os 
participantes e, comumente, faz também comentários que ajudam na análise dos dados 
e na avaliação de possíveis causas de desvios. Os laboratórios reprovados nos requisitos 
dos ensaios de proficiência devem documentar a fonte do problema e adotar medidas 
corretivas. º quadro 10 mostra os benefícios dos testes de proficiência.
Quadro 10. Benefícios dos testes de proficiência.
Benefícios que podem ser obtidos a partir do ensaio de proficiência
Caracterizar a tendência e a imprecisão dos ensaiosem diferentes métodos.
Correlacionar variáveis específicas do método com a tendência e a imprecisão.
Identificar interferentes e quantificar os seus efeitos em diferentes métodos.
Promover informação confiável sobre o desempenho das metodologias.
Permitir a percepção de desempenho aquém do aceitável/desejável.
Possibilitar a tomada de ações corretivas e preventivas.
Padronizar práticas de acordo com o mercado.
Promover a melhoria da prática laboratorial.
Prover segurança ao paciente.
Satisfazer requerimentos de acreditação e de órgãos reguladores.
Fonte: Recomendações da sociedade brasileira de patologia clínica/medicina laboratorial (2015).
Apesar do ensaio de proficiência ser importante na avaliação da qualidade os controles 
internos e outras ferramentas não devem ser substituído. Com a constante detecção dos 
desvios gerados pelo ensaio de proficiência e as medidas de melhoria adotadas devem 
levar a um alto nível de qualidade, entretanto, devido a implantação de novas técnicas 
os processos devem ser continuamente controlados. 
No quadro 11, estão listados parâmetros do controle de qualidade de diferentes etapas 
de um laboratório de microbiologia.
79
CONTROLE DE QUALIDADE DO LABORATÓRIO │ UNIDADE IV
Quadro 11. Parâmetros do Controle de Qualidade – CQ.
Parâmetros Diretrizes
Coleta e transporte de amostra. 
 » Descreve as instruções de coleta e transporte. 
 » Estabelece o critério de aceitação e rejeição das amostras. 
Performance dos equipamentos e 
instrumentos. 
 » Documenta a verificação do funcionamento do equipamento e uso frequente que assegura o 
funcionamento apropriado.
 » Documenta a manutenção regular.
 » Documenta os registros de manutenção do equipamento. 
Meios de cultura prontos. 
 » Mantém o protocolo de controle de qualidade do fabricante.
 » Obtém a garantia por escrito quanto aos padrões de embalagem, rotulagem e protocolo. 
 » Inspeciona as condições dos meios, placas de Petri, hemólises, excesso de bolhas, contaminação, 
volume, temperatura.
 » Documenta as falhas e as medidas corretivas, e informa o fabricante. 
 » Executa teste de CQ até a falha ser corrigida. 
Meios de cultura preparado no 
laboratório. 
 » Registra a quantidade, o número do lote, método de esterilização, a data de preparo, prazo de 
validade, pH e nome do preparador. 
 » Avalia quanto a coloração, consistência, inclinação, hemólise, excesso de bolhas e contaminação.
 » Executa o teste de CQ com os micro-organismos de propriedades fisiológicas e bioquímicas 
conhecidas. 
Reagentes e suplementos. 
 » Rotula os frascos quanto ao conteúdo, concentração, requerimentos para estoque, data de 
fabricação e de recebimento, prazo de validade número do lote, volume.
 » Armazena de acordo com as recomendações do fabricante.
 » Executa o teste de controle negativo e positivo antes do uso.
 » Descarta aqueles que falharam na performance kits comerciais.
 » Testa cada lote novo ou em cada entrega.
 » Segue as recomendações do fabricante para teste de CQ. 
Funcionários. 
 » Utiliza funcionários suficientemente qualificados para trabalho complexo e volumoso. 
 » Documenta as atividades de treinamento contínuo.
 » Providencia aos funcionários por escrito padrões de performance. 
 » Avalia funcionários anualmente. 
Registro de CQ .
 » Registra todos os resultados em um formulário de CQ.
 » Relata ao chefe e/ou responsável resultados “anormais” e as medidas de correção no formulário de 
CQ. 
 » Mantém os registros por pelo menos dois anos. 
Manual de procedimento. 
 » Define os procedimentos, os limites de tolerância, a aceitação da amostra, o preparo do reagente, a 
CQ, os cálculos e os laudos.
 » Revisa anualmente.
 » Aprova e data todas as mudanças.
 » Torna disponível na área de trabalho. 
Fonte: ANVISA (2005).
80
CAPÍTULO 2
Controle de qualidade de 
equipamentos
Os equipamentos necessários para cada laboratório dependem da complexidade e 
dos tipos de serviços oferecidos. Os equipamentos (nacionais ou importados) devem 
estar regularizados junto a ANVISA/Ministério da Saúde, de acordo com a legislação 
vigente. Além disso, são necessários programas de manutenção preventiva para o 
bom funcionamento de todos os equipamentos elétricos ou mecânicos, calibração e 
verificação de desempenho de seus equipamentos.
Para isso, devem ser estabelecidos por POPs para tais fins. A ANVISA recomenda: 
 » Determinar intervalos de tempo para que os equipamentos sejam 
testados.
 » A troca de peças deve respeitar um período especificado, mesmo que não 
pareçam alteradas.
 » A manutenção pode ser executada tanto pelo fabricante como pelo setor 
de serviços de engenharia do laboratório, quando existente.
 » Os operadores devem realizar todos os controles e registrar conforme 
instruídos nos POPs, para a detecção imediata de desvios e adoção de 
medidas corretivas apropriadas antes que comprometam os resultados.
 » As temperaturas dos equipamentos devem ser medidas diariamente com 
termômetros calibrados. 
 » Em caso de leituras cujos valores estejam fora dos limites de tolerância 
definidos pelo controle de qualidade, deve-se determinar a causa e 
corrigir o problema. 
Procedimento para operar equipamentos
Os procedimentos relacionados com o funcionamento dos equipamentos são 
indispensáveis para seu adequado desempenho. Esses manuais devem ser claros, 
práticos e completos com informações que permitam seu adequado manuseio. Nesses 
documentos devem conter fundamentos da tecnologia, passo a passo da operação, itens 
81
CONTROLE DE QUALIDADE DO LABORATÓRIO │ UNIDADE IV
de verificações nas atividades de manutenção, critérios de liberação do equipamento 
para a rotina, contatos das oficinas responsáveis e como destinar os resíduos/efluentes 
gerados.
Plano de manutenção preventiva
O programa de manutenções preventivas dos equipamentos é realizado em intervalos 
pré-determinados e segue as instruções dos fabricantes. Esses procedimentos podem 
ser executados pelos operadores os quais estejam familiarizados com o funcionamento 
do aparelho ou por terceiros qualificados. Um cronograma de trabalho é estabelecido 
e as ações acontecem de acordo com esse esquema proposto. Constam minimamente: 
data prevista, famílias de equipamentos, periodicidade de realização, tarefas a serem 
realizadas, responsáveis, parâmetros de controle e situação atual.
Plano periódico de calibrações e verificações
Para assegurar que os equipamentos estejam funcionando de forma adequada, existem 
as calibrações e suas verificações periódicas.
Quadro 12. Procedimentos para o controle de qualidade de alguns equipamentos. 
Equipamento Procedimento Intervalo Limites de tolerância
Refrigeradores.
Freezers.
Estufas.
Banho-maria.
Aquecedores.
Registro de temperatura*. Diário ou contínuo. 2°C a 8°C.
-8°C a –20°C/-60°Ca -75°C.
35,5°C ± 1°C.
36°C a 38°C/55°C a 57°C.
± 1°C do estabelecido.
Estufas de CO
2
.
Medida do conteúdo de CO
2
.
Usar analisador de gases 
sanguíneos ou dispositivo Fyrite1.
Diário ou duas vezes ao dia. 5-10%.
Autoclaves.
Teste com tiras de esporos 
(Bacillus stearothermophilus). 
Semanalmente. O não crescimento de esporos indica 
corrida estéril.
Medidor de pH.
Testes com soluções para 
calibrar pH.
A cada uso. ± 0,1 unidade de pH do padrão 
em uso.
Jarras de anaerobiose.
Tira indicadora com azul de 
metileno.
A cada uso. A conversão da tira de azul para 
branco indica baixa tensão de CO
2
.
Câmera anaeróbia 
com luvas.
Cultivo de Clostridium novyi 
tipo B. 
Solução indicadora de azul de 
metileno. 
Periódico. O crescimento indica baixa tensão 
de O
2.
Utilizada apenas quando é preciso 
uma tensão de O
2
 extremamente 
baixa.
A solução permanece incolor se a 
tensãode O
2
 for baixa.
82
UNIDADE IV │ CONTROLE DE QUALIDADE DO LABORATÓRIO
Equipamento Procedimento Intervalo Limites de tolerância
Rotador de sorologia Contagem de rpm. A cada uso. 180 rpm ± 10 rpm.
Centrífugas
Controlar revoluções com 
tacômetro .
Mensalmente. Dentro de 5% do estabelecido no 
indicador.
Cabines de segurança
Medir a velocidade do ar por 
meio da abertura para o rosto2.
Semestral ou 
Trimestralmente.
Fluxo de 1,52m de fluxo de ar/
minuto ± 0,152 m/minuto.
*cada termômetro de controle deve ser calibrado contra um termômetro padrão.
1.Bacharach Instrument Co, Pittsburgh, PA.
2.Velometer Jr., Alnor Instrument Co., Chicago, IL.
Fonte: ANVISA (2005).
Controle de qualidade de meio de cultura, 
reagentes e kits comerciais
Os registos de qualidade são fornecidos pelos fabricantes dos meios de cultura, reagentes 
e de kits comerciais. Embora isso seja aceito por auditores, recomenda-se que um 
controle de qualidade periódico desses produtos seja também realizado pelo laboratório. 
Os laboratórios devem assegurar que a qualidade dos reagentes usados seja apropriada e 
devem verificar se cada lote de reagentes está adequado para o uso durante sua validade. 
Para a realização desses controles, são utilizados micro-organismos controles, como por 
exemplo, as cepas de referência ATCC.
A RDC no 302, de 13 de outubro de 2005, faz as seguintes recomendações sobre o 
controle de qualidade de meios de cultura, reagentes e kits comerciais.
 » Cada bateria de meios deve ser controlada com os quesitos mais exigentes 
para o crescimento ou para a produção de atividade bioquímica. A 
disponibilidade de cepas do laboratório pode ser necessária para 
suplementar aquelas comercialmente disponíveis. 
 » Cada tubo de cultura, placa de meio e reagente deve ter uma etiqueta que 
identifique claramente o conteúdo e as datas de preparo e vencimento. 
 » Cada bateria de tubos e placas devem ser também controladas quanto à 
esterilidade, principalmente quando são adicionados suplementos após 
a esterilização. As provas de esterilidade devem ser feitas visualmente e 
por meio de subcultivos. Determinados meios seletivos, podem suprimir 
o crescimento visível de bactérias, mas as células viáveis podem aparecer 
nos subcultivos. 
 » Os meios preparados devem ser visualmente avaliados para sinais de 
deterioração como descoloração, turvação, mudança de cor e desidratação. 
83
CONTROLE DE QUALIDADE DO LABORATÓRIO │ UNIDADE IV
 » Os reagentes e testes usados para identificação de micobactéria devem 
ser verificados uma vez ao dia, quando utilizados, com uma espécie de 
micobactéria que resulte uma reação positiva. Para verificação de fixação 
de ferro, o teste deve ser monitorado para controle negativo e positivo. 
 » Os reagentes e testes utilizados para identificação de fungos devem 
ser examinados uma vez por semana, quando utilizados, para controle 
positivo. O reagente nitrato que determina sua assimilação é monitorado 
com peptona. 
 » Todos os discos para susceptibilidade antimicrobiana devem estar 
avaliados ao menos uma vez por semana com micro-organismo padrão 
de qualidade, de sensibilidade conhecida como E. coli (ATCC 25922), S. 
aureus (ATCC 25923), S. fecalis (ATCC 29212) e P. aeruginosa (ATCC 
27853). 
 » Os kits comerciais devem ser examinados a cada entrega e a cada lote, 
conforme as recomendações do fabricante. 
 » Os componentes de um kit não devem ser utilizados com um kit de lote 
diferente, a não ser quando especificado pelo fabricante. 
Reagentes preparados no laboratório
Meios de cultura, diluentes e outras soluções preparadas no laboratório devem ser 
verificados analisando a sobrevivência ou inibição dos micro-organismos alvo, as 
propriedades bioquímicas (diferenciais e diagnósticas); as propriedades físicas (pH, 
volume e esterilidade). Se forem observadas alterações nos meios (empedrados ou com 
mudança de coloração), esses não devem ser usados.
As condições de armazenamento das matérias-primas (formulações comerciais 
desidratadas e constituintes individuais) devem ser apropriadas (em ambiente frio, 
seco e protegido da luz), além disso, os recipientes devem ser hermeticamente fechados. 
Deve-se respeitar a data de validade.
Para o preparo dos meios de cultura, soluções ou reagentes é necessário usar água 
destilada, deionizada, ou produzida por osmose reversa, livre de substâncias 
bactericidas, inibidoras ou interferentes, ao menos que o método de teste especifique 
de outra forma.
84
UNIDADE IV │ CONTROLE DE QUALIDADE DO LABORATÓRIO
Reagentes prontos para uso
Os mesmos atributos para os reagentes preparados no laboratório são válidos para os 
prontos para uso, ou seja, mesmo que venham com o laudo do fabricante garantido a 
qualidade, esses reagentes devem ser validados antes do uso.
Para a validação, o laboratório precisa conhecer as especificações de qualidade do 
fabricante, são eles:
 » Nome dos meios e da lista dos ingredientes, incluindo quaisquer 
suplementos.
 » Prazo de validade e critérios de aceitação aplicados.
 » Condições de armazenamento.
 » Frequência de amostragem.
 » Verificação da esterilidade.
 » Verificação de crescimento dos micro-organismos de controle alvo e não 
alvo (com suas referências da coleção de cultura) e critérios de aceitação.
 » Verificações físicas e critérios de aceitação aplicados.
Rotulagem
Os laboratórios devem garantir que todos os reagentes (soluções estocadas, meios, 
diluentes e outras soluções) sejam adequadamente rotulados, com indicações quanto 
à identidade, concentração, condições de armazenamento, data de preparação, prazo 
de validade e/ou períodos de armazenamento recomendados. O responsável pela 
preparação deve ser identificável por intermédio de registros.
Quadro 13. Micro-organismo-controle e reações para o controle de qualidade dos meios de cultura.
Meio Micro-organismo Reações
Ágar Sangue.
Streptococcus do Grupo A Streptococcus 
pneumoniae.
Bom crescimento, beta-hemólise.
Bom crescimento, alfa-hemólise.
Ágar bile-esculina
Espécies de Enterococcus Streptococcus alfa-
hemolítico não do grupo D.
Bom crescimento, cor negra.
Nenhum crescimento, sem coloração do meio.
Ágar chocolate
Haemophilus influenzae.
Neisseria gonorrhoeae.
Bom crescimento.
Bom crescimento.
85
CONTROLE DE QUALIDADE DO LABORATÓRIO │ UNIDADE IV
Meio Micro-organismo Reações
Ágar ureia de Christensen
Proteus mirabilis.
Klebsiella pneumoniae.
Escherichia coli.
Toda a superfície de cor rosa (positivo).
Inclinação do meio rosa (positivo parcial).
Cor amarela (negativo).
Ágar citrato de Simmons
Klebsiella pneumoniae.
Escherichia coli.
Crescimento ou cor azul (positivo).
Sem crescimento, permanece verde (negativo).
Ágar cistina-tripticase (ACT)
Dextrose
Sacarose
Maltose
Neisseria gonorrhoeae
Branhamella catarrhalis
Cor amarela (positivo)
Não modifica a cor (negativo)
Escherichia coli.
Neisseria gonorrhoeae.
Cor amarela (positivo).
Não modifica a cor (negativo).
Espécies de Salmonella ou Neisseria meningitidis.
Neisseria gonorrhoeae.
Cor amarela (positivo).
Não modifica a cor (negativo).
Lactose
Neisseria lactamicus.
Neisseria gonorrhoeae.
Cor amarela (positivo).
Não modifica a cor (negativo).
Descarboxilases
Lisina
Arginina
Ornitina
Klebsiella pneumoniae.
Enterobacter sakasakii.
Cor azulada (positivo).
Cor amarela (negativo).
Enterobacter cloacae.
Proteus mirabilis.
Cor azulada (positivo).
Cor amarela (negativo).
Proteu mirabilis.
Klebsiella pneumoniae.
Cor azulada (positivo).
Cor amarela (negativo).
DNAse
Serratia marcescens.
Enterobacter cloacae.
Zona de clarificação (adicionar HCl 1 N).
Sem zona de clarificação.
Ágar eosina azul-de-metilenoEscherichia coli.
Klebsiella pneumoniae.
Shigella flexneri.
Bom crescimento, brilho verde metálico.
Bom crescimento, púrpuras, sem brilho.
Bom crescimento, transparentes 
(lactosenegativas).
Ágar de Hecktoen
Salmonella typhimurium. 
Shigella flexneri.
Escherichia coli.
Verdes com centro negro.
Verdes transparentes.
Crescimento algo inibido, alaranjadas.
Indol
Escherichia coli.
Klebsiella pneumoniae.
Cor vermelha (positivo).
Ausência de cor vermelha (negativo).
Ágar lisina-ferro
Salmonella typhimurium. 
Shigella flexneri.
Proteus mirabilis.
Profundidade e inclinação púrpura + H
2
S.
Inclinação púrpura/profundidade amarela.
Inclinação vermelha/profundidade amarela.
Ágar MacConkey
Escherichia coli.
Proteus mirabilis.
Espécies de Enterococcus.
Colônias vermelhas (lactose-positivas).
Colônias incolores, sem disseminação.
Sem crescimento.
Malonato
Escherichia coli.
Klebsiella pneumoniae.
Sem crescimento
Bom crescimento, cor azul (positivo)
Motilidade
Proteus mirabilis. 
Klebsiella pneumoniae.
Meio turvo (positivo).
Sem borda plumosa em estria (negativo).
Caldo ou ágar nitrato
Escherichia coli. 
Acinetobacter lwoffi.
Cor vermelha ao adicionar reativos. 
Ausência de cor vermelha (negativo).
86
UNIDADE IV │ CONTROLE DE QUALIDADE DO LABORATÓRIO
Meio Micro-organismo Reações
Ágar sangue fenletil álcool
Espécies de Streptococcus.
Escherichia coli.
Bom crescimento.
Sem crescimento.
o-Nitrofil-beta-
Dgalactopiranosídeo (ONPG)
Serratia marcescens. 
Salmonella typhimurium.
Cor amarela (positivo).
Incolor (negativo).
Fenilalanina desaminase
Proteus mirabilis. 
Escherichia coli.
Cor verde (adicionar FeCl
3
 a 10%).
Ausência de cor verde (negativo).
Ágar Salmonella-Shigella
Salmonella typhimurium.
Escherichia coli.
Colônias incolores, centro negro.
Sem crescimento.
Voges-Proskauer
Klebsiella pneumoniae. 
Escherichia coli.
Cor vermelha (adicionar reativos).
Não desenvolve cor (negativo).
Ágar xilose-lisina-dextrose 
(XLD)
Espécies de Salmonella. 
Escherichia coli.
Espécies de Shigella.
Colônias vermelhas (lisina-positivas).
Colônias amarelas (positiva para açúcares).
Colônia transparentes (negativo).
Fonte: ANVISA (2005). 
87
Para (não) Finalizar
Texto completo: 
<http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1067279-so-metade-dos-
laboratorios-tem-controle-de-qualidade.shtml>.
88
PARA (NÃO) FINALIZAR
Texto completo:
<http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2014/10/quatro-pacientes-do-no-
rio-sao-infectados-por-bacteria-resistente.html>.
Veja texto completo: 
<http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2014/04/brasil-libera-producao-
de-inseto-transgenico-que-combate-dengue.html>.
Clinical and Laboratory Standards Institute – CLSI. Disponível em: <http://clsi.
org/>.
<http://www.anvisa.gov.br/servicosaude/manuais/clsi.asp>.
The European Committee on Antimicrobial Susceptibility Testing – EUCAST. 
Disponível em: <http://www.eucast.org/>.
89
Referências
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EPIDEMIOLÓGICA. Biossegurança em laboratórios biomédicos e de 
microbiologia. 3. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2006.
CERCENADOA, E.; SAAVEDRA-LOZANOB., J. El antibiograma. Interpretación del 
antibiograma: conceptos generales. An Pediatr Contin, v. 7; pp. 214-7, 2009.
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etiologic agents on the basis of hazard. 4. ed.: US Department of Health, Education 
and Welfare; Public Health Service, 1974.
BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. SECRETARIA DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E 
INSUMOS ESTRATÉGICOS. DEPARTAMENTO DO COMPLEXO INDUSTRIAL E 
INOVAÇÃO EM SAÚDE. Classificação de risco dos agentes biológicos. 2. Ed. 
Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2010.
CLINICAL AND LABORATORY STANDARDS INSTITUTE. CM2-A10 – Normas 
de Padronização dos Testes de Sensibilidade Disco-Difusão para Antimicrobianos 
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Standard – Tenth Edition), 2009.
CLINICAL AND LABORATORY STANDARDS INSTITUTE. M100-S15 – Normas 
Padronizadas para Testes de Sensibilidade Disco-Difusão para Antimicrobianos 
(Performance Standards for Antimicrobial Susceptibility Testing; Fifteenth 
Informational Supplement), 2005.
CLINICAL AND LABORATORY STANDARDS INSTITUTE. M100S20E – Normas 
Padronizadas para Testes de Sensibilidade Disco-Difusão para Antimicrobianos 
(Performance Standards for Antimicrobial Susceptibility Testing; Twentieth 
Information Supplement), 2010.
CLINICAL AND LABORATORY STANDARDS INSTITUTE. M11-A7 – Métodos para 
Testes de Sensibilidade a Agentes Antimicrobianos para Bactérias Anaeróbias (Methods 
for Antimicrobial Susceptibility Testing of Anaerobic Bacteria ; Approved Standard – 
Seventh Edition), 2007. 
90
REFERÊNCIAS
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para Testes de Sensibilidade Antifúngica por Disco–Difusão para Leveduras (Method 
for Antifungal Disk Diffusion Susceptibility Testing of Yeasts), 2009.
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interpretativas de zona diâmetro, correspondente MIC breakpoints interpretativos 
e limites de controle de qualidade dos testes de sensibilidade a antifúngicos difusão 
do disco de leveduras (Zone Diameter Interpretive Standards, Corresponding MIC 
Interpretive Breakpoints, and Quality Control Limits for Antifungal Disk Diffusion 
Susceptibility Testing of Yeasts), 2009.
CLINICAL AND LABORATORY STANDARDS INSTITUTE. M7-A8: Métodos para 
Testes de Sensibilidade a Agentes Antimicrobianos por Diluição para Bactérias de 
Crescimento Aeróbico (Methods for Dilution Antimicrobial Susceptibility Tests for 
Bacteria that Grow Aerobically; Approved Standard – Eight Edition), 2009. 
BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. ANVISA. ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA 
DA SAÚDE. Controle interno da qualidade para testes de sensibilidade a 
antimicrobianos. Brasília, 2006.
DUARTE, R.L. Procedimento operacional padrão – a importância de se padronizar 
tarefas nas BPLC. Rio Branco, 2005.
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Classification of etiologic agents on the basis of hazard. 4. ed. [S.l.]: US 
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BRASIL. ANVISA. Manual de microbiologia clínica para o controle de infecção 
relacionada à assistência à saúde. Módulo 1: Biossegurança e Manutenção de 
Equipamentos em Laboratório de Microbiologia Clínica. Brasília: ANVISA, 2013.
BRASIL. ANVISA. Manual de microbiologia clínica para o controle de infecção 
relacionada à assistência à saúde. Módulo 4: Procedimentos Laboratoriais: da 
requisição do exame à análise microbiológica e laudo final. Brasília: ANVISA, 2013.
BRASIL. ANVISA. Manual de procedimentos básicos em microbiologia clínica 
para o controle de infecção hospitalar. Módulo I: Programa Nacional de Controle 
de Infecção Hospitalar, Brasília: ANVISA, 2000.
MATUSCHEK, E.; BROWN, D. F. J.; KAHLMETER G. Development of the EUCAST 
disk diffusion antimicrobial susceptibility testing method and its implementation in 
routine microbiology laboratories. Bacteriology, 2013.
91
REFERÊNCIAS
CTNBIO. Instrução Normativa CTNBio no 7, de 6 de junho de 1997. Dispõe sobre 
as normas para o trabalho em contenção com organismos geneticamente modificados 
– OGMs. ANVISA. Segurança e Controle de Qualidade no Laboratório de 
Microbiologia Clínica Resolução da Diretoria Colegiada – RDC no 302, de 13 
de outubro de 2005. Brasília: ANVISA, 2005.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA. Medicina Laboratorial, 
Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial 
(SBPC/ML): boas práticas em microbiologiaclínica. Barueri, SP, Manole: Minha 
Editora, 2015.
Sites
<www.anvisa.gov.br/servicosaude/controle/rede_rm/cursos/atm_racional/
modulo2/metodos5.3.htm>

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