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* FARMACOBOTÂNICA SISTEMÁTICA VEGETAL Prof Leonor Monteiro do Nascimento Universidade Iguaçu Curso de Farmácia * Introdução A diversidade de organismos vegetais criou a necessidade de classificação, com o fim de poder acumular conhecimentos sobre eles. As primeiras classificações foram baseadas na prática. O homem necessitava saber quais as plantas poderiam servir para comer, para cuidar de enfermidades ou quais as que seriam nocivas ou até mesmo fatais. A partir de Darwin, começou-se a tentar organizar os vegetais em grupos, baseados em seu aspecto estrutural. * Introdução Aos organismos mais conhecidos foram dados nomes vulgares, tais nomes podem ser inadequados. Por estas razões, os biólogos designam os organismos com nomes em Latim, que são oficialmente reconhecidos por organizações internacionais de botânicos, bacteriologistas e zoólogos. Estes nomes formais em Latim originaram-se de sistemas informais de nomear plantas * Definições Sistemática Taxonomia ou Sistemática vegetal Identificação Nomenclatura Classificação * Sistemática A sistemática moderna estuda o comportamento da planta na natureza, como se fundamenta na morfologia e na estrutura dos vegetais, seus caracteres genéticos, sua ecologia, distribuição geográfica e estudo dos seus antepassados, etc., para compreender e estabelecer as verdadeiras afinidades e graus de parentesco existentes entre os diversos grupos de plantas. Baseia-se na hipótese de que existem relações genéticas entre as plantas e que os vegetais atuais descendem de outros existentes ou já extintos, através de sucessivas gerações, encontrando-se elas, hoje em dia, mais aperfeiçoadas. * Sistemática Objetivos: Reconhecer (identificar) e classificar todo ser vegetal Descrever a morfologia principalmente dos órgãos florais Conhecer a importância evolutiva dos vegetais Identificar o ser vegetal utilizando-se chaves de identificação. * Taxonomia ou Sistemática vegetal É a parte da Botânica que tem por finalidade agrupar as plantas dentro de um sistema, levando em consideração suas características morfológicas e externas, suas relações genéticas e suas afinidades. * Identificação É a determinação de qualquer material botânico, como idêntico ou semelhante a outro já conhecido. Pode ser feita com o auxilio da literatura ou pela comparação com outro de identidade conhecida e em qualquer hierarquia (família, gênero, espécie, subespécie, etc.). Tratando-se de material novo para a Sistemática, por conseguinte ainda não designado cientificamente, deve receber denominação própria e ser objeto de descrição, publicação em órgão especializado, observando-se o que preceitua o Código Internacional de Nomenclatura Botânica. * Nomenclatura Está relacionada com o emprego correto dos nomes das plantas e compreende um conjunto de princípios, regras e recomendações aprovados em congressos internacionais de Botânica e publicados num texto oficial. A Botânica necessita de um sistema preciso e simples de nomenclatura para ser usado pelos botânicos em todos os países, que lide por um lado com os termos que denotam nível dos grupos ou unidades taxonômicas e por outro com os nomes científicos que são aplicados as grupos taxonômicos individuais de plantas. * Classificação É a ordenação das plantas em categorias hierárquicas, segundo as afinidades naturais ou graus de parentesco e de acordo com um sistema de classificação. Cada espécie é classificada como membro de um gênero, cada gênero pertence a uma família, as famílias estão subordinadas a uma ordem, cada ordem a uma classe, cada classe a uma divisão. * Sistemas de classificação taxonômica Artificiais = Sistema Sexual de Lineau (baseou-se no número e deposição dos estames, um só caráter) em meados do século XVIII. Naturais = Sistema de Classificação de Jussieu (baseou-se na afinidade natural das plantas e na organização total do vegetal). Ex. número de cotilédones, estrutura da semente, soma dos caracteres reprodutivos e Vegetativos. Filogenético = baseou-se na variabilidade das espécies, considera os vegetais atuais e fósseis, se firma na Teoria da Evolução do Simples ao Complexo. Sistema de Classificação de Engles (mais tradicional) Sistema de Classificação de Cronquist (mais atual) * O Reino Vegetal Divisão sub-divisão Classe sub-classe Ordem sub-ordem Família sub-família tribo Gênero sub-gênero Espécie sub-espécie, variedade, forma * Premissas por Bessey e Hutchinson ? as árvores e os arbustos são mais primitivos que as ervas; ? as plantas perenes são mais primitivas que as bianuais e anuais; ? as plantas aquáticas com flores derivam de antepassados terrestres; ? as plantas epífitas, saprófitas e parasitas são mais evoluídas que as de hábito normal; ? as Dicotyledoneae são mais primitivas que as Monocotyledoneae; ? a evolução não envolve todos os órgãos ao mesmo tempo; ? o arranjo espiralado é mais primitivo que o cíclico; ? as folhas simples são mais primitivas que as compostas; ? as flores unissexuais são mais evoluídas que as hermafroditas; ? a flor solitária é mais primitiva que a inflorescência; ? a actinomorfia é mais primitiva que a zigomorfia; ? o androceu com estames numerosos é mais primitivo do que aquele com poucos ? os frutos simples são mais primitivos que os múltiplos; a cápsula antecede a baga ou a drupa. * CINB – Código Internacional de Nomenclatura Botânica O CIB estabelece critérios para a elaboração de nomes para os diferentes táxons, segundo princípios, regras e recomendações, atualizados a cada 4 anos, durante os Congressos Internacionais de Botânica. Os princípios, totalizando 6, formam a base e estabelecem a filosofia do : ♦ a nomenclatura botânica é independente da zoológica; ♦ a aplicação de nomes é determinada por tipos nomenclaturais; ♦ a nomenclatura de um grupo taxonômico baseia-se na prioridade de publicação; ♦ cada táxon tem apenas um nome válido; ♦ os nomes dos taxons são tratados como nomes latinos; e ♦ as regras de nomenclatura são retroativas, exceto quando claramente limitadas. * CÓDIGO INTERNACIONAL DE NOMENCLATURA BOTÂNICA Princípios 1. A nomenclatura Botânica é independente da zoológica 2. A aplicação de nomes é determinada por tipos nomenclaturais 3. A nomenclatura de um grupo taxonômico baseia-se na prioridade de publicação 4. Cada táxon tem apenas um nome válido 5. Independente de sua origem, os nomes dos táxons são tratados com nomes latinos 6. As regras de nomenclatura são retroativas, exceto quando claramente limitadas * CÓDIGO INTERNACIONAL DE NOMENCLATURA BOTÂNICA Regras 1. As terminações do quadro designam as categorias taxonômicas em Angiospermae 2. O nome científico é sempre um binômio 3. Gênero e espécie não têm terminações fixas 4. A primeira palavra do binômio científico corresponde ao gênero e deve ser escrito com letra inicial maiúscula. A segunda palavra corresponde ao epíteto específico, para uma espécie determinada, o qual deve concordar gramaticalmente com o nome do gênero e ser escrito com letra inicial minúscula. 5. O binômio científico deve ser acompanhado do nome do autor do mesmo, isto é, daquela pessoa que descreveu a espécie. Nomes de autores podem ser abreviados, sendo recomendadas que as abreviaturas não sejam aleatórias, sugerindo-se que sejam obedecidas as normas indicadas por Brummit e Powel (1992). * CÓDIGO INTERNACIONAL DE NOMENCLATURA BOTÂNICA 6. Sempre que houver mais epíteto específico para nominar uma espécie, vale o princípio da prioridade, devendo ser utilizado o nome mais antigo, sendo os demais considerados sinônimos. Essa regra vale para todos os nomes publicados a partir de 1753. 7. Quando uma espécie muda de gênero, o nome do autor do basiônimo (primeiro nome dado a uma espécie) deve ser citado entre parênteses, seguido pelonome do autor que fez a nova combinação. Ex.: Tabebuia alba (Cham.) Sadw.; basiônimo: Tecoma alba Cham. 8. Espécies que receberam o nome sem ter sido descrita; aparece primeiramente o autor seguido pelo responsável pela descrição. Ex: Maytenus ilicifolia Martius ex Reissek 9. O binômio científico deve ser grifado no texto (o grifo em itálico é o usual; quando manuscrito deve ser sublinhado). 10. Subespécies ou Variedades Ex: Prumus persica var persica e Prumus persica var. nectarina * Engler Engler (1892) Divisão: Angiospermae Classes: Monocotiledôneas e Dicotiledôneas Dicotiledôneas (subclasses): Archyclamideae: plantas com flores aclamídeas , monoclamídeas ou diclamídeas dialipétalas; Sympetalae ou Metaclamídeas: plantas com flores diclamídeas simpetalas ; Cronquist 1988 Classe: Liliopsid * Cronquist Cronquist 1988 Classe: Liliopsida = Monocots Classe: Magnoliopsida = Dicots * Chaves para identificação As chaves organizam a informação sobre um grupo (p. ex., as famílias de coníferas) de um modo que facilita a identificação. Assim, na medida do possível, temos tentado definir Famílias que são monofiléticas Monofilético – um único ancestral e seus descendentes. * Coleta e Identificação * Excicata * Referência bibliográfica Souza, VC. Botânica sistemática: guia ilustrado para identificação das famílias das angiospermas da flora brasileira, baseado em APGII/Vinicius Castro Souza, Harri Lorenzi. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2005. www.mobot.org ..... SIMÕES, Claudia Maria Oliveira; SPITZER, Valker. Óleos voláteis. In: SIMÕES, Claudia Maria Oliveira (Org.). Farmacognosia: da planta ao medicamento. 4. ed. Florianópolis, SC: Ed. Da UFSC, 2002. cap. 18. * BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA BARROSO, G.M. Sistemática de angiospermas do Brasil. Viçosa: Imprensa Universitária UFV, 1986-91. 3v. CRONQUIST, A. An integrated system of classification of flowering plants. New York: Columbia University, 1981. CRONQUIST, A. The evolution and classification of flowering plants. New York: New York Botanical Garden, 1988. FERRI, M.G.; MENEZES, N.L.; MONTEIRO, W.R. Glossário ilustrado de Botânica. São Paulo: Nobel, 1981. JOLY, A.B. Botânica : introdução à taxonomia vegetal. 12.ed. São Paulo: Nacional, 1998. JUDD, W.S.; STEVENS, P.F.; CAMPBELL, C.S.; KELLOGG, E.A. Plant systematics. Sunderland: Sinauer, 1999. LAWRENCE, G.H.M. Taxonomia das plantas vasculares. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1977. 2 v. TAKHTAJAN, A. Outline of the classification of flowering plants (Magnoliophyta). Bot.Rev., Bronx, v. 46, n. 3, p. 225-359, 1980. F.M. Biodiversity. Washington: National Academy, 1988.