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A Importância do Inconsciente na 
Prática Psicanalítica a Partir da 
Metapsicologia Freudiana 
 
The Importance of the Unconscious in Psychoanalytic Practice from 
Freudian Metapsychology 
João Jeronimo Galvão Costa1 
Dr. Rogério Henrique2 
 
 
Resumo 
Um dos temas mais importantes da psicanálise é o estudo em torno do 
inconsciente. Apesar de não ser um termo cunhado pelo pai da psicanálise, 
Sigmund Freud se ocupou em estudar e desenvolver o conceito de 
inconsciente trazendo luz e base para todas as teorias que viria a desenvolver 
e acima de tudo para a compreensão das neuroses que seriam tratadas em 
sua prática psicanalítica e as teorias que fundamentariam o nexo causal em 
sua metapsicologia. Este artigo abordará a importância do inconsciente na 
prática psicanalítica a partir da metapsicologia freudiana, buscando entender 
seus conceitos e desenvolvimento através da história e como assumiu lugar de 
importância na psicanálise; bem como sua relação na compreensão do 
humano bem como das causas fundantes de suas neuroses. Para tanto 
utilizaremos a metodologia de pesquisa bibliográfica através de obras literárias 
e artigos científicos e outras fontes e publicações. Além de obras físicas e 
artigos impressos, será utilizado também a base de dados das plataformas do 
Google Acadêmico, Cielo, Pepsic, dentre outras. Ao final deste artigo restará 
comprovado que o entendimento amplo do conceito de inconsciente e suas 
relações com as teorias da psicanálise é essencial à pratica psicanalítica, para 
um atendimento clinico bem sucedido. 
 
1
 Autor do artigo: Aluno Formando do Curso de Psicanálise Clínica 
2
 Psicanalista, Professor, Orientador e Presidente da SBPC (Sociedade Brasileira de Psicanálise Clínica) 
 
Palavras-Chave: Inconsciente, Pré-Consciente e Consciente; Neuroses, ID, 
EGO, SUPEREGO 
Abstract: One of the most important themes of psychoanalysis is the study of 
the unconscious. Although not a term coined by the father of psychoanalysis, 
Sigmund Freud was concerned with studying and developing the concept of the 
unconscious, bringing light and basis to all the theories that he would develop 
and above all for the understanding of the neuroses that would be treated in his 
psychoanalytical practice and the theories that would underlie the causal nexus 
in his metapsychology. This article will discuss the importance of the 
unconscious in psychoanalytic practice, trying to understand its concepts and 
development through history and how it has assumed a place of importance in 
psychoanalysis; as well as their relation in the understanding of the human as 
well as the founding causes of their neuroses. For this we will use the 
methodology of bibliographic research through literary works and scientific 
articles and other sources and publications. In addition to physical works and 
printed articles, will also be used the database of platforms of Google Scholar, 
Cielo, Pepsic, among others. At the end of this article it will be proved that the 
broad understanding of the concept of the unconscious and its relations with the 
theories of psychoanalysis is essential to psychoanalytic practice, for a 
successful clinical care. 
 
Keywords: Unconscious, Preconscious and Conscious; Neuroses, ID, EGO, 
SUPEREGO 
 
 
INTRODUÇÂO: 
 Freud não é o autor do termo inconsciente, porém este termo irá ganhar 
importância na prática clínica a partir de seus estudos e teorias acerca do 
inconsciente e suas relações com o grande mal estar de sua época (séc XIX). 
O grande mal estar nos dias de Freud era o que se conhecia por histeria, e a 
partir deste contexto Freud desenvolve sua teoria psicanalítica buscando 
entender a origem e causas da histeria, e nesta tarefa ele passará à estudar e 
desenvolver um conceito que de um certo modo já circulava na comunidade 
médica e científica de sua época, mas que todavia não tinha ainda o sentido 
que posteriormente foi atribuído por Freud. A doença mental estava ainda 
muito ligada às superstições até o séc XVIII, quando irá se tornar objeto da 
investigação científica; todavia os estudos se davam essencialmente no campo 
fisiológico. É nesse contexto que a fala de Freud acerca do inconsciente 
assume grande importância e será o tema que irá propor-se a explicar a fonte e 
causas da histeria e mais tarde será fundamental no desenvolvimento de 
outras teorias tanto psicológicas quanto psicanalíticas pós freudianas. 
 Atualmente existem diversas correntes psicanalíticas, ou ainda 
abordagens influenciadas pela psicanálise, porém apesar de haver nuances 
que as diferencia, o conceito de inconsciente irá perpassar por todas elas, pois 
qualquer teoria que queira se chamar de psicanalítica passará pelo conceito de 
inconsciente e nenhuma teoria é psicanálise se não houver o conceito de 
inconsciente. 
 
1, A FUNDAMENTAÇÃO HISTÓRICA DO DESENVOLVIMENTO DO 
CONCEITO DE INCONSCIENTE 
 A ideia de inconsciente não é algo novo, e tampouco surgiu com os 
trabalhos de Sigmund Freud. Esta é uma ideia que veio se construindo desde a 
antiguidade como bem observa Elisabeth Roudinesco (p. 389) quando afirma 
que “desde a Antiguidade, a ideia da existência de uma atividade diversa do 
funcionamento da consciência sempre foi objeto de múltiplas reflexões.”. 
 Foi com René Descartes (1596-1650) que se postulou o princípio de um 
dualismo entre o corpo e a mente, que levou a fazer da consciência (e do 
cogito) o lugar da razão, em contraste com o universo da desrazão. No séc 
XVIII desenvolveu-se a ideia já avançada por Pascal e Spinoza de que a 
autonomia da consciência seria necessariamente limitada por forças vitais 
incognoscíveis e, com frequência, destrutivas (ROUDINESCO 1997). Mais 
tarde, como observa o Dr. Cesar Rey Xavier da faculdade Dom Bosco3, 
Paraná, em seu artigo proferido no I Simpósio de Psicologia do Inconsciente 
em Curitiba PR, que o trabalho do médico alemão Franz Anton Mesmer (1734-
1815) através de suas teorias do magnetismo animal irá levar à compreensão 
da existência do inconsciente quando um dos mais renomados discípulos de 
Mesmer, o Marquês de Puységur(1751-1825) utilizando a prática terapêutica 
do magnetismo percebe que um de seus pacientes entra num estado, que mais 
tarde seria reconhecido como estado de transe hipnótico, termo denominado 
pelo médico inglês James Braid (1795-1860). A teoria do Magnetismo Animal 
de Mesmer então, irá levar, no fim do século seguinte, a se encarar o 
inconsciente como uma dissociação da consciência: subconsciência ou 
automatismo mental atingível através do hipnotismo ou da sugestão 
(ROUDINESCO 1997). 
 Já no séc XIX e início do Séc XX, a filosofia alemã de Wilhelm von 
Schelling (1775-1854), Friedrich Nietzsche (1844-1900), Arthur Schopenhauer 
(1788-1860), dentre outros, vai entender o inconsciente como o oposto ao 
racionalismo e sem qualquer relação com questões terapêuticas ou 
psicológicas. A filosofia alemã vai então relacionar o inconsciente como o lado 
sombrio da alma humana que revelava uma psique imersa nas profundezas do 
ser. É então nesse contexto que vai surgir os trabalhos da psicologia 
experimental, da medicina, e da fisiologia com grandes nomes como Herbart, 
Helmholtz, Fechner, Wundt dentre outros. 
 Estes conceitos vão emprestar campo fértil para as reflexões de 
Sigmund Freud (1856-1939) acerca do inconsciente e suas concepções 
inovadoras deste conceito. 
 
2. FREUD E O INCONSCIENTE 
 Em seu Vocabulário da Psicanálise, Laplanche e Pontalis (1996) 
afirmam que, “se fosse preciso concentrar em uma palavra a descoberta3
 César Rey Xavier - Psicólogo, Especialista em Filosofia pela Pontifícia 
Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Mestre em História da Ciência pela 
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Doutor em Filosofia da 
Mente pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Professor das Faculdades 
Dom Bosco e UniBrasil, e da Universidade do Contestado (SC). 
freudiana, essa palavra seria incontestavelmente a de inconsciente.”. Para 
eles o inconsciente freudiano é, em primeiro lugar, indissoluvelmente uma 
noção tópica e dinâmica que brotou da experiência do tratamento. (Laplanche e 
Pontalis, p. 235). 
 De acordo com Elisabeth Roudinesco, misturando as tradições da 
filosofia alemã e da psiquiatria dinâmica, Freud inventou uma concepção 
inédita do inconsciente, e para começar efetuou uma síntese do ensino de 
Jean Martin Charcot, Hippolyte Bernheim e Joseph Breuer que o conduziu à 
psicanálise e num segundo momento, forneceu um arcabouço teórico ao 
funcionamento do inconsciente, a partir da interpretação do sonho. 
(ROUDINESCO, 1997). 
Porém a grande questão a ser respondida aqui é; o que é o inconsciente 
na concepção de Freud e qual a sua importância à prática psicanalítica; a para 
tanto não iremos nos conter na gênese do desenvolvimento do conceito em 
Freud, mas já ao seu entendimento da importância do inconsciente na prática 
psicanalítica. 
É em sua obra, A Interpretação dos Sonhos que Freud estabelece de 
uma vez por todas o conceito de inconsciente. Em nota, o editor da tradução 
inglesa da obra de Freud que trata do inconsciente deixa claro que Freud não 
tinha uma intenção filosófica ao desenvolver o conceito de inconsciente, mas 
sua intenção era prática (p.96)4. Freud acreditava que sem considerar a 
possibilidade do inconsciente não era possível explicar ou descrever os 
fenômenos com os quais se defrontava em sua prática psicanalítica. 
Na publicação da Afasia, tratando do caso de Frau Emmy von N. no 
rodapé de sua anamnese Freud usa pela primeira vez o termo “inconsciente” 
(Edição Standard Brasileira, Vol. II, pág. 120, IMAGO Editora, 1974). Em O 
Inconsciente (1915) Freud busca relacionar o inconsciente com o processo de 
repressão. 
 
Aprendemos com a psicanálise que a essência do processo de 
repressão não está em pôr fim, em destruir a idéia que representa um 
instinto, mas em evitar que se torne consciente. Quando isso 
acontece, dizemos que a ideia se encontra num estado ‘inconsciente’, 
e podemos apresentar boas provas para mostrar que, inclusive 
 
4
 FREUD, S. (1914-1916). Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. 
v. 12. Rio de Janeiro: Imago, 1990, p. 96. 
quando inconsciente, ela pode produzir efeitos, incluindo até mesmo 
alguns que finalmente atingem a consciência. Tudo que é reprimido 
deve permanecer inconsciente; mas, logo de início, declaremos que o 
reprimido não abrange tudo que é inconsciente. O alcance do 
inconsciente é mais amplo: o reprimido não é apenas uma parte do 
inconsciente. (FREUD, 1915, p.98). 
 
 Para Freud só é possível chegar ao conhecimento do inconsciente como 
algo consciente depois que ele sofrer transformação ou tradução para algo 
consciente, e para que isto aconteça a pessoa deve superar as barreiras da 
resistência que transformam o material ou conteúdos em algo reprimido, 
rejeitando-o do consciente (FREUD, 1915). Buscando justificar o seu conceito 
de inconsciente, Freud vai afirmar que sua suposição da existência de um 
inconsciente é necessária e legítima, e que haveria numerosas provas de sua 
existência. 
 
Ela é necessária porque os dados da consciência apresentam um 
número muito grande de lacunas; tanto nas pessoas sadias como nas 
doentes ocorrem com frequência atos psíquicos que só podem ser 
explicados pela pressuposição de outros atos, para os quais, não 
obstante, a consciência não oferece qualquer prova... Assim sendo, 
devemos adotar a posição segundo a qual o fato de exigir que tudo 
quanto acontece na mente deve também ser conhecido pela 
consciência, significa fazer uma reivindicação insustentável... 
Incidentalmente, mesmo antes da época da psicanálise, as 
experiências com a hipnose, especialmente a sugestão pós-hipnótica, 
já tinham demonstrado tangivelmente a existência e o modo de 
operação do inconsciente mental. 
A suposição de um inconsciente é, além disso, uma suposição 
perfeitamente legítima, visto que ao postulá-la não nos estamos 
afastando um só passo de nosso habitual e geralmente aceito modo 
de pensar. A consciência torna cada um de nós cônscio apenas de 
seus próprios estados mentais; que também outras pessoas possuam 
uma consciência é uma dedução que inferimos por analogia de suas 
declarações e ações observáveis, a fim de que sua conduta fique 
inteligível para nós... (FREUD, 1915, p.102) 
 
 
Com isso Freud afirma que: 
 
Na psicanálise, não temos outra opção senão afirmar que os 
processos mentais são inconscientes em si mesmos, e assemelhar a 
percepção deles por meio da consciência à percepção do mundo 
externo por meio dos órgãos sensoriais. (opcit. p.102). 
 
Assim o pai da psicanálise conclui que o que está provado em nós não é 
a existência de uma segunda consciência, mas a existência de atos psíquicos 
que carecem de consciência. 
A partir desta compreensão Freud vai desenvolver sua primeira tópica 
do aparelho psíquico, também conhecida como teoria topográfica, onde para 
ele existem três sistemas no aparelho psíquico que se comunicam entre si, 
sendo estes o inconsciente, pré consciente e consciente. Para explicar este 
aparelho psíquico Freud vai dizer que em geral um ato psíquico passa por duas 
fases quanto ao seu estado, e que este ato passa por uma espécie de censura 
onde na primeira fase o ato psíquico é inconsciente e pertence ao sistema 
inconsciente, se no teste for rejeitado pela censura, este ato permanecerá no 
inconsciente, diz-se então que foi reprimido, devendo permanecer inconsciente. 
Se passar pela censura este ato passará a pertencer ao segundo sistema que 
é o consciente. Este segundo sistema que Freud chamou de consciente, é o 
que ele vai denominar depois de pré consciente, pois aqui ele afirma que nesse 
estágio, o ato psíquico passou para o consciente mas não se tornou 
consciente, segundo suas próprias palavras, “...o fato de pertencer à este 
sistema ainda não determina de modo inequívoco a sua relação com a 
consciência. Ainda não é consciente, embora, certamente seja capaz de se 
tornar consciente.” (Freud. 1915, p.103). 
 Aqui Freud entende que ainda pode haver certa censura e por isso irá 
denominar esta instancia de pré consciente, entendendo que esta participa do 
sistema consciente que seria a instancia topográfica onde os conteúdos já são 
manifestos e estão presentes na consciência do indivíduo. 
 Em sua discussão sobre os vários significados de inconsciente Freud 
(1915) após longa discussão e reflexão vai determinar o aspecto topográfico da 
existência deste sistema no aparelho psíquico, como se diz, mais tarde, nas 
palavras de Garcia-Roza (1996) “o inconsciente é um lugar psíquico” (p.177). 
E então Freud vai concluir que o atributo de ser inconsciente é apenas um dos 
aspectos do elemento psíquico e que o inconsciente abrange pelo menos dois 
processos: 
 
1. Atos que são meramente latentes, temporariamente 
inconscientes que não diferenciam dos atos conscientes. 
2. Processos de repressão onde se os atos reprimidos se 
tornarem conscientes sairiam num contraste grosseiro em relação 
aos processos conscientes. (Freud 1915, p.103,104). 
 
Para discutir os processos de repressão Freud irá concentrar suasanálises na topografia e dinâmica da repressão sustentando suas ideias acerca 
do inconsciente na formulação desta primeira tópica do aparelho psíquico, e 
para tanto irá fazer uma descrição metapsicológica do processo de repressão 
naquilo que ele denominou de neuroses de transferência. Antes, contudo, 
expliquemos um pouco o que é a metapsicologia freudiana. 
Aqui o conceito passado pelo Dr, Rogério Henrique, presidente da 
Sociedade Brasileira de Psicanálise Clinica (SBPC), é relevante quando este 
afirma que: 
A metapsicologia é a base da teoria freudiana onde estão baseados 
todos os conceitos da psicanálise. A metapsicologia é a análise da 
relação metodológica com o objeto de desejo ou de necessidade; é 
um mecanismo de comunicação com o objeto desejado.
5
 
 
 
Com o que também corrobora Joviane Moura sustentando que: 
 
A metapsicologia freudiana traz os princípios, os modelos teóricos e 
os conceitos fundamentais da clínica psicanalítica. É um método de 
abordagem de acordo com o qual todo processo mental é 
considerado em relação com três 
coordenadas: dinâmica, topográfica e econômica.
6
 
 
 Moura esclarece ainda que; em seus aportes teóricos Freud foi levado a 
elaborar um modelo de funcionamento mental. Desde cedo ele forjou o termo 
metapsicologia mental para designar os aspetos teóricos da Psicanálise. Essa 
metapsicologia busca dar conta dos fatos psíquicos em seu conjunto, 
principalmente de sua vertente inconsciente. A metapsicologia freudiana traz 
os princípios, os modelos teóricos e os conceitos fundamentais da clínica 
psicanalítica.(opcit). 
 Retomando então aqui os estudos de Freud em sua metapsicologia para 
descrever os processos de repressão nas neuroses de transferência no que ele 
 
5
 Conteúdo retirado de suas aulas em plataforma online restritas a alunos do curso de Psicanálise 
Clínica. 
6
 MOURA, Joviane. Metapsicologia freudiana. Psicologado. Edição 09/2008. Disponível em 
<https://psicologado.com.br/abordagens/psicanalise/metapsicologia-freudiana>. 
chamou de as três neuroses que eram familiares em sua época, as quais ele 
descreve como: 
 
1. Histeria de ansiedade – consiste no surgimento da ansiedade sem 
que o indivíduo saiba o que teme. 
2. Histeria de conversão – o sintoma se converte para o corpo. Nas 
palavras de Freud (1915); “Na histeria de conversão, a catexia 
instintual da ideia reprimida converte-se na inervação do sintoma.” 
3. Neurose obsessiva - organizado como uma formação de reação, 
provoca a primeira repressão, constituindo depois o ponto no qual a 
ideia reprimida irrompe. 
 
Para Freud o sistema inconsciente tem características específicas que 
em resumo ao que ele escreveu a respeito de tais características podemos 
dizer que seu entendimento é que o núcleo do inconsciente consiste em 
impulsos carregados de desejos. A censura atua no inconsciente por isso não 
há lugar para dúvida ou certeza no inconsciente, a negação é um substituto da 
repressão. No inconsciente só existem conteúdos catexizados com mais ou 
menos força. Freud ainda destaca que existem processos psíquicos primários e 
secundários e o inconsciente está relacionado aos processos primários e o pré 
consciente aos processos secundários.; isso para fazer relação ao que ele 
chamou de condensação e deslocamento quanto a mobilidade das catexias. 
Outra característica ressaltada por Freud quanto ao inconsciente é que seus 
processos são intemporais e não são ordenados temporalmente e não se 
alteram com a passagem do tempo. A referência ao tempo é trabalho do 
consciente segundo o pai da psicanálise. O inconsciente substitui a realidade 
externa pela psíquica e seus processos se tornam cognoscíveis por nós sob a 
condição de sonhos e neurose. (Freud 1915, p.111-113). 
Sendo assim Freud vai destacar a importância do inconsciente na prática 
psicanalítica quando em suas palavras afirma que “Não obstante, o tratamento 
psicanalítico se baseia numa influência do Ics. a partir da direção do Cs., e pelo 
menos demonstra que, embora se trate de uma tarefa laboriosa, não é 
impossível.” (opcit, p.116). 
 
 
 
3. A SEGUNDA TÓPICA DE FREUD – A TEORIA ESTRUTURAL E SUA 
RELAÇÃO COM O INCOSNCIENTE 
 Freud enquanto um estudioso e psicanalista clínico, não cessava de 
evoluir em suas pesquisas e descobertas a respeito do aparelho psíquico, e 
após desenvolver a teoria topográfica do aparelho psíquico, ele vai 
compreender que este aparelho não funciona apenas a partir de lugares 
específicos, mas que também existe uma estrutura. Em seu entendimento; 
 
“A divisão do psíquico em o que é consciente e o que é inconsciente 
constitui a premissa fundamental da psicanálise, e somente ela torna 
possível a esta compreender os processos patológicos da vida 
mental, que são tão comuns quanto importantes, e encontrar lugar 
para eles na estrutura da ciência. (FREUD, 1923, p.9). 
 
E na medida em que ele aprofunda e amadurece suas pesquisas e 
prática clinica, algumas revisões teóricas se impõem, então após conceber a 
primeira tópica, teoria topográfica do aparelho psíquico, Freud aperfeiçoou o 
conceito de inconsciente, e formula então a segunda tópica também conhecida 
como teoria ou modelo estrutural ao perceber que um instinto se opõe a outro e 
que proibições sociais bloqueavam pulsões biológicas e as maneiras de lidar 
com determinadas situações. Freud então tenta ordenar este caos aparente 
propondo agora três componentes básicos para a estrutura da psique, que 
seriam o ID, o EGO e o SUPEREGO. 
 A teoria estrutural foi desenvolvida por Freud durante a década de 1920, 
porém suas raízes se encontram já em escritos anteriores. Como esclarece a 
Associação Campinense de Psicanálise, que em 1914, com “Introdução ao 
Narcisismo”, tem início uma mudança conceitual pela postulação do ego como 
objeto de amor, objeto de investimento sexual. O ego será definido como o 
reservatório da libido, ponto de onde flui e para onde retorna a energia sexual. 
Em 1923, com “O Id e o Ego”, será a vez de uma revisão no modo de 
abordagem do aparelho psíquico, agora descrito em termos tópicos: id, ego e 
superego. Esta segunda tópica será o epicentro da revisão conceitual da 
psicanálise, tornando-se posteriormente a base de apoio e de discórdia das 
escolas pós-freudianas.7 
 Então de acordo com a teoria estrutural freudiana, o ID é a estrutura da 
personalidade original, básica e mais central exposta tanto ás exigências 
somáticas do corpo como aos efeitos do EGO e SUPEREGO. É o reservatório 
de energia de toda a personalidade. A Dra. Andréa Pereira de Lima da 
Universidade Federal de Uberlândia-MG, em seu artigo vai conceituar, de 
forma ampla e abrangente, o que segundo Freud, o que vem a ser o ID em sua 
teoria estrutural e sua relação com o inconsciente: 
 
O id foi concebido como um conjunto de conteúdos de natureza 
pulsional e de ordem inconsciente, constituindo o polo psicobiológico 
da personalidade. É considerado a reserva inconsciente dos desejos 
e impulsos de origem genética, voltados para a preservação e 
propagação da vida. Contém tudo o que é herdado, que se acha 
presente no nascimento, acima de tudo os elementos instintivos que 
se originam da organização somática. Do ponto de vista "topográfico", 
o inconsciente, como instância psíquica, virtualmente coincide com o 
id. Portanto, os conteúdos do id, expressão psíquica das pulsões, são 
inconscientes, por um lado hereditários e inatos e, por outro lado, 
adquiridos e recalcados. Do ponto de vista "econômico", o id é, para 
Freud, a fonte e o reservatório de toda a energia psíquica do 
indivíduo, que anima a operação dos outros dois sistemas(ego e 
superego). Do ponto de vista "dinâmico", o id interage com as funções 
do ego e com os objetos, tanto os da realidade exterior como aqueles 
que, introjetados, habitam o superego. Do ponto de vista "funcional", 
o id é regido pelo princípio do prazer, ou seja, procura a resposta 
direta e imediata a um estímulo instintivo, sem considerar as 
circunstâncias da realidade. Assim, o id tem a função de descarregar 
as tensões biológicas, regido pelo "princípio do prazer". (LIMA, 
2010) 
 
 Quanto ao EGO, Freud (1923, p.11) vai dizer que é a organização 
coerente de processos mentais e que ele é a instância mental que supervisiona 
todos os seus próprios processos constituintes e que vai dormir à noite, embora 
ainda exerça censura sobre os sonhos. Dele (do EGO) procedem as 
repressões, onde, para Freud, o reprimido é protótipo do inconsciente. (opcit. 
p10). Porém Freud vai destacar ainda que o inconsciente não coincide com o 
reprimido, e tudo o que é reprimido é inconsciente, mas nem tudo o que é 
inconsciente é reprimido.(ibidem. p12). 
 
7
 http://www.acpsicanalise.org.br/ 
 Assim podemos concluir que o EGO seria a parte do aparelho psíquico 
que está em contato com a realidade externa. Nas Palavras do pai da 
psicanálise, “o EGO é aquela parte do ID que foi modificada pela influência 
direta do mundo externo, por intermédio do Pcpt-Cs8, em certo sentido é uma 
extensão da diferenciação de superfície.” (Freud 1923, p.16). De acordo com a 
Dra. Joviane Moura: 
 
 O EGO é o polo defensivo do psiquismo, É um mediador. Por um 
lado pode ser considerado como uma diferenciação progressiva do 
id, que leva a um continuo aumento do controle sobre o resto do 
aparelho psíquico. Por outro ponto de vista, o ego se forma na 
seqüência de identificações a objetos externos, que são 
incorporados ao ego. O ego tem raízes no inconsciente, como é o 
caso dos mecanismos de defesa, que são funções do ego, assim 
como o desenvolvimento da angústia. A função do ego é mediadora, 
integradora e harmonizadora entre as pulsões do id, as exigências e 
ameaças do superego e as demandas da realidade exterior. (Moura 
2010).
9
 
 
 Moura (2010) afirma ainda que O ego tem raízes no inconsciente, como 
é o caso dos mecanismos de defesa, que são funções do ego, assim como o 
desenvolvimento da angústia.10 
 Já o SUPEREGO, também chamado por Freud (1923, p.18) de “Ideal 
do ego”, desenvolve-se a partir do ego e atua como um juiz ou censor. Seria o 
componente moral do aparelho psíquico, um depósito dos códigos morais e 
modelos de conduta, é a instância que abriga os valores internos que regem o 
indivíduo. Freud então vai dizer que: 
 
“O superego, contudo, não é simplesmente um resíduo das primitivas 
escolhas objetais do id; ele também representa uma formação reativa 
enérgica contra essas escolhas... Esse aspecto duplo do ideal do ego 
deriva do fato de que o ideal do ego tem a missão de reprimir o 
complexo de Édipo; em verdade, é a esse evento revolucionário que 
ele deve a sua existência... O ideal do ego, portanto, é o herdeiro do 
complexo de Édipo, e, assim, constitui também a expressão dos mais 
poderosos impulsos e das mais importantes vicissitudes libidinais do 
id.” (ibidem, p.21, 22) 
 
 
8
 Na metapsicologia freudiana do período da primeira topografia, o "Sistema de Percepção-Consciência" 
designa o sistema localizado na periferia do aparelho psíquico. Sua função é a consciência, e está ligado 
ao sistema pré-consciente. A sigla Pcpt-Cs está relacionada ao sistema perceptivo consciente de acordo 
com as teorias de Freud. 
9
 MOURA, Joviane. Psiquismo: Segunda Tópica. Psicologado. Edição 08/2010. 
10
 ibid 
 Aqui cabe mais uma vez trazer a visão ampliada e abrangente desta 
parte da teoria freudiana resumida pela Dra. Andréa Pereira de Lima no que 
ela chamou de “o superego segundo Freud”: 
 
O superego desenvolve-se a partir do ego, em um período que Freud 
designa como período de latência, situado entre a infância e o início 
da adolescência. Nesse período, forma-se nossa personalidade moral 
e social. O superego atua como um juiz ou um censor relativamente 
ao ego. Freud vê na consciência moral, na auto-observação, na 
formação de ideais, funções do superego. Classicamente, o superego 
constitui-se por interiorização das exigências e das interdições 
parentais. Num primeiro momento, o superego é representado pela 
autoridade parental que molda o desenvolvimento infantil, alternando 
as provas de amor com as punições, geradoras de angústia. Num 
segundo tempo, quando a criança renuncia à satisfação edipiana, as 
proibições externas são internalizadas. Esse é o momento em que o 
superego vem substituir a instância parental por intermédio de uma 
identificação da criança com os pais. Freud salientou que o superego 
não se constrói segundo o modelo dos pais, mas segundo o que é 
constituído pelo superego deles. O superego estabelece a censura 
dos impulsos que a sociedade e a cultura proíbem ao id, impedindo o 
indivíduo de satisfazer plenamente seus instintos e desejos. É o 
órgão psíquico da repressão, particularmente a repressão sexual. 
(LIMA, 2010). 
 
 Com isso podemos concluir que para Freud, o SUPEREGO em sua 
relação com o ID relaciona-se com os conteúdos inconscientes, uma vez que 
esta é a relação do ID, funcionando como uma barreira que irá controlar os 
impulsos do ID; ou seja, podemos dizer que no aparelho psíquico estas 
instancias se correlacionam e que Freud mesmo construindo esta segunda 
tópica não vai se desvencilhar do conceito de inconsciente, mas compreende o 
inconsciente na relação desta nova estrutura do aparelho psíquico. O id refere-
se ao inconsciente, mas o ego e o superego têm, também, aspectos ou “partes” 
inconscientes. (BOCK, 1999, p.101) 
 
 
4. APLICAÇÃO DO CONCEITO DE INCONSCIENTE NA PRÁTICA 
PSICANALÍTICA A PARTIR DA METAPSICOLOGIA FREUDIANA 
 
 Para uma maior compreensão vamos retomar aqui falas que esclarecem 
a compreensão da metapsicologia freudiana. Aqui vale ressaltar novamente e 
de forma mais completa a fala de Freud que entendia que o conceito de 
inconsciente percorre todo o entendimento e prática da psicanálise: 
 
A divisão do psíquico em o que é consciente e o que é inconsciente 
constitui a premissa fundamental da psicanálise, e somente ela torna 
possível a esta compreender os processos patológicos da vida 
mental, que são tão comuns quanto importantes, e encontrar lugar 
para eles na estrutura da ciência. Para dizê-lo mais uma vez, de 
modo diferente: a psicanálise não pode situar a essência do psíquico 
na consciência, mas é obrigada a encarar esta como uma qualidade 
do psíquico, que pode achar-se presente em acréscimo a outras 
qualidades, ou estar ausente. (Freud, 1923, p.9) 
 
 Com isso em princípio vale retomar aqui também a fala do Dr. Rogério 
Henrique da Sociedade Brasileira de Psicanálise Clinica para a compreensão 
do que venha a ser a metapsicologia freudiana: 
 
A metapsicologia é a base da teoria freudiana onde estão baseados 
todos os conceitos da psicanálise. A metapsicologia é a análise da 
relação metodológica com o objeto de desejo ou de necessidade; é 
um mecanismo de comunicação com o objeto desejado.
11
 
 
 Sendo assim faz-se necessário uma compreensão um pouco mais 
ampla da metapsicologia freudiana e suas relações com o conceito de 
inconsciente. 
 Zimerman (2008) observa que o edifício psicanalítico construído por 
Freud pode ser esquematicamente desdobrado em cinco áreas específicas 
sendo elas; 1. Histórias Clínicas, 2. Metapsicologia, 3. Teoria, 4. Técnica e 5. 
Psicanálise Aplicada. 
 Segundo Roudinesco(1998, p. 525), numa carta endereçada ao médico 
alemão Wilhelm Fliess, em 10 de março de 1898 quando falava sobre o 
trabalho em andamento de a interpretação dos sonhos, Freud começa a dar os 
primeiros passos para formulação do conceito de sua metapsicologia e então 
escreve: 
Parece-me que a explicação através da realização de um desejo 
fornece uma solução psicológica, mas não uma solução biológica, e 
sim metapsicológica... Aliás, é preciso que me digas seriamente se 
posso dar à minha psicologia, que desemboca no pano de fundo do 
consciente, o nome de metapsicologia. (apud FISCHER, 1986). 
 
 
 
11
 Conteúdo retirado de suas aulas em plataforma online restritas a alunos do curso de Psicanálise 
Clínica. 
 Porém foi numa, endereçada a Fliess, carta datada de 13 de fevereiro de 
1896 que Freud utiliza pela primeira vez o termo metapsicologia sem se 
preocupar de inicio em dar explicações: “A psicologia - ou melhor, a 
metapsicologia – preocupa-me ininterruptamente.” (ibidem). 
 A leitura do psiquismo assim esboçada nas diferentes tópicas freudianas 
exigiu a constituição de um discurso teórico outro, que não seria nem o da 
psicologia clássica, nem o da neuropatologia. Para esse discurso Freud forjou 
o nome de metapsicologia. Esta se caracterizaria pela utilização de três 
códigos de descrição dos fenômenos mentais, que seriam complementares: o 
tópico, o dinâmico e o econômico.(BIRMAN, 2003, P.43). Nas palavras do pai 
da psicanálise estes processos psíquicos são a sua metapsicologia, e sendo 
assim Freud (1915) vai dizer as seguintes palavras: 
 
Proponho que, quando tivermos conseguindo descrever um processo 
psíquico em seus aspectos dinâmico, topográfico e econômico, 
passemos a nos referir a isso como uma apresentação 
metapsicológica. (opcit. p.108). 
 
Joviane Moura (2008), observa que Freud constrói sua metapsicologia a 
partir de reflexões como “Sobre o Narcisismo” (1914), “As Pulsões e suas 
Vicissitudes” (1915), “Repressão” (1915), “O Inconsciente” (1915), “Luto e 
Melancolia” (1917), e com isso queria construir um método de abordagem de 
acordo com o qual todo processo mental é considerado em relação com três 
coordenadas, as quais descreveu como dinâmica, topográfica e econômica, 
respectivamente. 
Sendo assim Moura (2008) conceitua um destes três códigos ou pontos 
de vista de descrição dos fenômenos mentais a partir da visão freudiana 
afirmando que o ponto de vista Dinâmico explica os fenômenos mentais como 
sendo o resultado da interação e de contra-ação de forças mais ou menos 
antagônicas. A explicação dinâmica examina não só os fenômenos, mais 
também as forças que produzem os fenômenos. Estas forças seriam as 
pulsões que conforme a teoria freudiana seria a carga energética que se 
encontra na origem da atividade motora do organismo e do funcionamento 
psíquico inconsciente do homem (ROUDINESCO,1997). Ou seja, o 
representante psíquico dos estímulos somáticos (MOURA, 2008). Zimerman 
(1999, apud MOURA, 2008) define pulsão como necessidades biológicas, 
com representações psicológicas que urgem em ser descarregadas. Já Bock 
(2001) resume o conceito de pulsão freudiano abrangendo as subdivisões das 
pulsões tal como Freud compreendia; 
 
A pulsão refere-se a um estado de tensão que busca, através de um 
objeto, a supressão deste estado. Eros é a pulsão de vida e abrange 
as pulsões sexuais e as de auto conservação. Tanatos é a pulsão de 
morte, pode ser autodestrutiva ou estar dirigida para fora e se 
manifestar como pulsão agressiva ou destrutiva. (BOCK, 2001, p.99). 
 
 Quanto ao ponto de vista topográfico Birman (2003) explicando a teoria 
freudiana vai dizer que para Freud qualquer experiência psíquica exigiria uma 
leitura que definisse em que lugares psíquicos estaria acontecendo, antes de 
mais nada; e como as representações seriam sempre investidas e quais as 
intensidades em pauta seria a dimensão econômica da metapsicologia 
freudiana. 
Sendo assim é possível compreender que o ponto de vista topográfico 
da metapsicologia freudiana tem relação direta com sua primeira tópica onde 
formulou o conceito de inconsciente. 
Enfim, “Uma descrição metapsicológica do psiquismo seria aquela que 
sempre se orientasse, por esta tripla exigência teórica.” Birman (2003, p.43). 
Ana Bock resume de forma explicativa e prática estas três dimensões da 
metapsicologia freudiana nas seguintes palavras: 
O funcionamento psíquico é concebido a partir de três pontos de 
vista: o econômico (existe uma quantidade de energia que “alimenta” 
os processos psíquicos), o tópico (o aparelho psíquico é constituído 
de um número de sistemas que são diferenciados quanto a sua 
natureza e modo de funcionamento, o que permite considerá-lo como 
“lugar” psíquico) e o dinâmico (no interior do psiquismo existem 
forças que entram em conflito e estão, permanentemente, ativas. A 
origem dessas forças é a pulsão). Compreender os processos e 
fenômenos psíquicos é considerar os três pontos de vista 
simultaneamente. (BOCK, 2001, p.99). 
 
Nilson G. V. Filho da Universidade Federal do Amazonas em seu artigo 
intitulado; “Inconsciente e Cotidiano na Prática da Atenção Psicossocial em 
Saúde Mental”, analisa as concepções sobre o inconsciente ligadas ao 
cotidiano da prática terapêutica de rede como contribuição à clinica em saúde 
mental a partir do conceito freudiano de inconsciente, e para tanto realiza uma 
pesquisa em um CAPS12 da cidade de São Paulo e conclui que nesta prática 
surge três conceitos de inconsciente; o inconsciente como inconsciência (estar 
fora de si), o inconsciente como desconhecimento e o inconsciente como 
método de escuta do sujeito e das relações na instituição. 
 Em conclusão à esta pesquisa em seu artigo Filho observa que a prática 
clínica em redes sociais de atenção à saúde mental deve considerar o conceito 
de inconsciente. 
Estimular o desenvolvimento da clínica em saúde mental e em rede 
social na atenção psicossocial é também promover ocasiões e 
atividades na instituição que possibilitem a compreensão da 
dimensão humana do inconsciente, principalmente por intermédio da 
dimensão do laço com o outro nas redes sociais. (FILHO, 2010, P.54) 
 
 
 Ele ainda conclui que; 
 Leituras do inconsciente podem emergir, por exemplo, a partir do 
desconhecimento, do não-dito, do incompreensível, em relação à 
subjetividade de quem sofre, de quem adoece, de quem se encontra 
em situação de crise existencial e assim por adiante. (ibidem). 
 
 
 
 
5. RESULTADOS E DISCUSSÕES 
 
 A importância do inconsciente na prática psicanalítica a partir da 
metapsicologia freudiana comprova prioritariamente a importância de se 
conhecer o conceito de inconsciente. Neste artigo nos limitamos ao 
entendimento do conceito de inconsciente dentro da perspectiva freudiana, 
uma vez que consideramos que qualquer que seja a corrente psicanalítica, esta 
passará pelo conceito de inconsciente e necessariamente passará pelo pai da 
psicanálise Sigmund Freud. Discutir os diversos conceitos de inconsciente nas 
mais variadas correntes psicanalíticas tornaria este trabalho extenso e de 
leitura exaustiva o que não seria o propósito aqui. Uma compreensão do 
conceito de inconsciente a partir da metapsicologia freudiana é o ponto de 
partida para o fazer psicanalítico e sua prática clínica. 
 
12
 CAPS - Centro de Atenção Psicossocial. Os CAPS, surgiram como uma política pública para a atenção 
de pessoas com transtornos mentais. São instituições que vieram a substituir os hospitais psiquiátricos e 
manicômios e seus métodos promovendo uma atenção mais amplae interdisciplinar. 
 O inconsciente é a base de toda a constituição, o arcabouço da 
psicanálise, por isso Freud vai procurar explicar o sujeito a partir da perspectiva 
psíquica buscando fazer uma relação entre o psíquico e o orgânico. Nos dias 
de Freud a compreensão era de que toda a doença tem origem no corpo, e era 
assim que seu tempo compreendia a histeria que era o grande mal da época. 
Então sua psicanálise vai dizer que a origem está na questão psíquica, e vai 
dizer que todo o homem tem um aparelho psíquico. 
 A partir da prática clínica Freud vai dizer que existe um aparelho 
psíquico que tem relação com o organismo e que é possível explicar o sujeito e 
tratar o mal estar (histeria) a partir de sua origem que está no psiquismo 
humano e se reflete no corpo físico. Freud vai concluir que o nosso organismo 
funciona a partir de um aparelho psíquico e constrói suas teorias topográfica e 
estrutural para compreender esse aparelho psíquico e suas relações com o 
sujeito e nesse cenário o inconsciente é peça fundamental para a compreensão 
de toda a sua metapsicologia. 
 Ana Bock (2001) observa que; 
No processo terapêutico e de postulação teórica, Freud, inicialmente, 
entendia que todas as cenas relatadas pelos pacientes tinham de fato 
ocorrido. Posteriormente, descobriu que poderiam ter sido 
imaginadas, mas com a mesma força e consequências de uma 
situação real. Aquilo que, para o indivíduo, assume valor de realidade 
é a realidade psíquica. E é isso o que importa, mesmo que não 
corresponda à realidade objetiva. (BOCK, 2001, p.98). 
 
 Com isto somos levados à entender que na prática clinica a realidade 
psíquica, representada no aparelho psíquico deve assumir importância para o 
psicanalista e este deverá devotar a sua atenção à esta realidade que se revela 
no sujeito e que tem relação direta com sua estrutura psíquica, e que ainda a 
metapsicologia freudiana considera o conceito de inconsciente em todo o fazer 
psicanalítico. 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
BIRMAN, Joel, Freud e a Filosofia, ZAHAR, Rio de Janeiro. 2003. 
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ROUDINESCO Elisabeth, PLON Michel. Dicionário de Psicanálise / Elisabeth 
Roudinesco, Michel Plon; Tradução Vera Ribeiro, Lucy Magalhães; Supervisão 
da edição brasileira Marco Antônio Coutinho Jorge; Rio de Janeiro; Jorge Zahar 
Ed., 1998. 
SCHULTZ, D. P. & Schultz, S. E. História da Psicologia Moderna, São Paulo: 
Editora Cultrix, 1996. 
ZIMERMAN, David E., Vocabulário Contemporâneo de Psicanálise (Recurso 
Eletrônico), Porto Alegre, Artmed, 2008.

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