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15
 UNIVERSIDADE NILTON LINS
CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO
DISCIPLINA DE INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO HÁBITAT
OSCAR NIEMEYER: O PALÁCIO DA ALVORADA
DÉBORAH VICTÓRIA CORRÊA GUIMARÃES
FRANCISCO GONÇALVES SERRÃO NETO
JOÃO MARCOS DE SOUZA CALDAS 
SAMUEL JANSLEY CARVALHO DOS SANTOS
MANAUS/AM
OUT/2019
DÉBORAH VICTÓRIA CORRÊA GUIMARÃES
FRANCISCO GONÇALVES SERRÃO NETO
JOÃO MARCOS DE SOUZA CALDAS 
SAMUEL JANSLEY CARVALHO DOS SANTOS
OSCAR NIEMEYER: O PALÁCIO DA ALVORADA
Estudo de obra apresentada na disciplina de Introdução ao Estudo do Hábitat do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Nilton Lins, como requisito à obtenção de nota P1.
Orientadora: Prof. Msc. Íris Vargas Barros
MANAUS/AM
OUT/2019
		
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
O AUTOR DO PROJETO 
Após o seu sucesso nos projetos do complexo da Pampulha em Minas Gerais, o arquiteto Oscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares Filho é convidado pelo então presidente Juscelino Kubitschek, em 1956, para projetar os monumentos da Esplanada dos Ministérios da capital do Brasil. Foi nomeado Diretor do Departamento de Arquitetura da NOVACAP, empresa responsável pela construção de Brasília.
Criticando severamente o modo como os projetos se faziam frios e repetitivos, limitados pela justificativa do funcionalismo, Oscar Niemeyer, com o uso do concreto armado, apostou e buscou a tão requerida liberdade da forma plástica nos seus projetos como exemplo desta peculiar forma de projetar, trata-se a seguir da obra de residência presidencial intitulada Palácio da Alvorada.
O PALÁCIO DA ALVORADA 
O Palácio da Alvorada foi uma das obras pioneiras em Brasília. Inaugurado pelo presidente Juscelino Kubitschek, este palácio denominado “da Alvorada”, residência do chefe de estado brasileiro, foi executado de 3 de abril de 1957 a 30 de junho de 1958, apenas 15 meses, prazo excepcional para o arrojo da obra. 
Sua localização, na margem do Lago Paranoá, foi definida antes mesmo da abertura do concurso que escolheria o plano urbanístico de Brasília, sendo o primeiro edifício do conjunto monumental erguido na nova capital da República.
Projetado por Niemeyer, o Palácio Residencial do Presidente da República em Brasília sempre teve o dever de constituir um marco e padrão técnico e artístico da nova capital. Assim como foi previsto, suas características técnicas e plásticas foram temas de grande repercussão.
PARTIDO ARQUITETÖNICO
A primeira proposta para a Residência Oficial do Presidente da República necessitava ser revista, de modo especial, em termos do caráter que a função demandava. Conforme nos atesta Niemeyer, a nova solução surgiu da intenção de encontrar um partido que não se limitasse a caracterizar uma grande residência, mas um verdadeiro palácio, com o espírito de monumentalidade e nobreza que deve marcá-lo.
Para tanto, na solução do Palácio Residencial procurou-se dedicar às colunas maior atenção, estudando-as cuidadosamente nos seus espaçamentos, forma e proporção, dentro das conveniências da técnica e dos efeitos plásticos que se desejava obter. Chegou-se a uma solução de ritmo contínuo e ondulado, que confere à construção leveza e elegância, situando-a como simplesmente pousada no solo (Niemeyer, 1957). 
Com base nestas premissas foi planejado um novo objeto, identificado na documentação técnica de projetos como Palácio Residencial e, posteriormente, denominado oficialmente Palácio da Alvorada, por escolha do Presidente. Os planos da arquitetura foram elaborados a partir de outubro de 1956 e apresentados a Juscelino Kubitschek em dezembro do mesmo ano, antes do prazo final estabelecido para o concurso.
ELEMENTOS CONSTRUTIVOS 
Niemeyer tinha como princípio para esta obra o conceito de leveza, e queria que os suportes conferissem ao edifício tal característica. Para isso, ele e seu calculista tiveram que abandonar as técnicas tradicionais, esquecer as limitações do material, e pensar como se estivesse criando um novo tipo de concreto armado. Cardozo criou suportes internos que recebessem a maior parte das cargas, aliviando assim a solicitação dos pilares de fachada, com função estrutural secundária.
Acerca das soluções indicadas para as estruturas destacam-se dois tipos de lançamentos: a proposta volumétrica escultórica da capela e a distribuição de elementos com base em malha regular, existente tanto no bloco de serviços, quanto no edifício principal. Capela anexa, que se insinuava nos primeiros registros como placa delgada à semelhança da Igreja não construída, tem desenho técnico corrigido e adaptado para um volume cujas curvas sugerem configuração em seção variável maciça.
No anexo do bloco de serviços, o plano de cobertura se apresenta com estrutura transversal disposta a cada 4m, constituída de apoios centrais em vãos de 10m e balanços assimétricos de 4m e 6m. Os suportes centrais recuados, ocultando os elementos de sustentação, e as bordas chanfradas do plano em balanço, reduzindo a altura perceptível da placa, contribuem para a leitura de leveza.
Expedientes similares são empregados para os demais trechos do plano intermediário horizontal do conjunto, incluindo o piso da Capela. No edifício principal segue o predomínio da estrutura transversal segundo a disposição do espaçamento definido pelos intercolúnios de 10m. Neste sentido transversal, o lançamento sugere vão central de cobertura plana com 18m e vãos das galerias em trecho levemente arqueado de 6m. Embora com leitura externa de um mesmo plano, estes lançamentos configuram níveis de vigamentos e lajes sem continuidade entre si, conectados por vigas longitudinais na transição entre eles.
Os elementos de suporte, junto às bordas, são determinados pelas colunas e, nos trechos centrais, apresentam-se como pilares recuados da vedação externa, ora integrados com as vedações, ora independentes. Estes últimos contam com perfil de seção regular bastante esbelto, com cerca de 30cm de diâmetro. Além da esbeltez dos elementos, as condições estabelecidas para a disposição dos suportes no acesso principal e Hall, tal qual no Palácio Presidencial, indicavam os maiores desafios que se apresentavam para o equilíbrio estrutural. Neste trecho, mantidas as mesmas alturas para os planos horizontais de cobertura, os vãos transversais foram ampliados de 10m para 30m, marcados tanto pela ausência de colunas, quanto pela ausência dos pilares recuados.
As colunas das fachadas, em acordo com a precedência do Palácio Presidencial, submetem-se às mesmas demandas estruturais e têm solução geratriz na forma estrutural romboide representada no sentido transversal. A articulação das extremidades é beneficiada pelo travamento da laje de piso, que reduz o comprimento efetivo de flambagem de 9,0m para cerca de 6,3m, facultando possibilidades de especulação para a esbeltez da peça nos pontos de contato. No resultado final da forma, conforme nos atesta Cardozo, o desenho resultante no sentido longitudinal é obtido com abundância do material construtivo na busca da forma estética pretendida.
MÉTODO CONSTRUTIVO
Uma das características da documentação técnica produzida para esta etapa é o registro sucinto da arquitetura, no qual as etapas consideradas, Anteprojeto e Projeto, possuem poucas anotações acerca dos materiais e técnicas construtivas. Em suma, o planejamento constitui-se de conjunto composto por: planta de situação; plantas dos pavimentos; e cortes, sem registros das elevações. 
As indicações e especificações que tratam dos materiais previstos encontram-se registradas somente na etapa subsequente de detalhamento, ocorrida simultaneamente à execução da obra e que inclui as fases Detalhes Diversose Esquadrias, que serão tratadas no próximo capítulo.
Não obstante, mesmo nos poucos produtos, é possível perceber transformações em algumas soluções relacionadas aos materiais previstos. Verifica-se que, tal qual no Palácio Presidencial, que no edifício principal do Palácio da Alvorada as vedações transparentes predominam no fechamento do volume recuado entre os planos das lajes, no entanto, a maquete elaborada indica, em determinado momento, a representação de elementos de proteção nas fachadas oeste, em trechos parciais, bem como na elevação norte, provavelmente em função da orientação solar pouco favorável destas faces do prédio.
Nos desenhos técnicos de plantas dos níveis, a proteção norte é eliminada, sendo mantidas apenas as previsões para trechos de proteção destacado das esquadrias na fachada oeste.
Pelo seu corte transversal (Figura 1), é possível perceber que as lajes mais pesadas se encontram na parte central do edifício – suportadas pelos pilares internos. Como eles não devem aparecer, foram projetados com a menor seção possível (diâmetro = 30 cm), envoltos num invólucro externo de aço funcionando também como forma.
Figura 1 - Cortes Transversais do Palácio da Alvorada 	
Os pilares da fachada suportam apenas a laje curva de cobertura, que tem seu peso reduzido mais ainda, afinando sua borda para 15 cm. Esta laje é independente da principal, sendo apoiada numa grande viga longitudinal de seção H com grande resistência à torção. Os apoios dos pilares de fachada possuem uma reduzida seção, e ficam soterrados.
Sobre a armação de ambos os tipos de pilares – internos e de fachada – havia um sério problema. Era necessária além da armadura própria, armadura transversal, e isso era praticamente impossível de ser executado, seja pela pequena seção, seja pela sua própria forma (Figura 2).
Figura 2- Desenho da armadura dos pilares do Palácio da Alvorada 	
A experimentação com a forma da coluna é visível nas transformações ocorridas entre as versões do Palácio Presidencial e a do Palácio da Alvorada. Na primeira versão do Palácio Presidencial, a concordância dos arcos superior e inferior garantia o ritmo contínuo e ondulado. A segunda versão manteve a geometria aparente e reduziu a massa do elemento na intenção de conferir a leveza pretendida, no entanto, mantida
a proporção entre as partes, a alteração resultou na perda da sequência dos arcos.
O projeto para a coluna no Palácio da Alvorada é indicativo das alternativas que a regra do jogo possibilitava, pois sugere alteração nas proporções entre as partes da coluna em busca da forma que congregasse a continuidade dos arcos com a leitura de leveza do elemento.
Comparada com as colunas do Palácio Presidencial, a forma resultante confere maior altura para o trecho superior, correspondente ao encontro com os planos de cobertura e piso. A medida foi suficiente para garantir a continuidade da curva superior, mantendo o desenho esbelto ao longo da peça. No trecho abaixo, o arco pleno, desenhado a partir dos pontos de apoio e do ponto médio do intercolúnio, confere o efeito ondulado. No desenho final resultante, a proporção entre trecho superior e inferior também contribui para acentuar a leitura de leveza do trecho acima da laje intermediária.
 Além das alterações relativas às medidas da coluna, outra mudança relacionada ao elemento refere-se ao espaçamento entre colunas e vedação. Lembradas por Niemeyer como referências à arquitetura colonial, o feito nos remete também à recomendação expressa de Durand para o emprego adequado de colunas na composição clássica. 
O autor ressalta a obrigatoriedade de previsão do espaço entre as colunas e as vedações que lhe servem de fundo e aponta algumas relações entre as dimensões do elemento e este espaço, de modo que o recurso resulte em desejável proteção contra sol e chuva. Nesse sentido, ainda que não atendam expressamente às recomendações de Durand, as vedações do volume regular entre os planos de lajes, antes próximas da colunata no Palácio Presidencial, são dispostas de maneira recuada no Palácio da Alvorada, lembrando galeria clássica ou varanda colonial, conforme prefere Niemeyer.
ANÁLISE DE EDIFICAÇÃO
Localização
O precedente programático no Rio de Janeiro para o Palácio da Alvorada era o conjunto edificado escolhido por Juscelino Kubitschek para Residência Oficial no início de seu mandato, o Palácio das Laranjeiras. Contando com área construída de aproximadamente 2.300m² o palácio possuía distribuição do programa na qual se destacava a setorização hierarquizada em três alas distintas que conciliavam, ao mesmo tempo, espaços públicos amplos de recepção e recintos típicos da função residencial. Na ala social, as partes sociais ocupavam o corpo principal da casa; as demais se distribuíam em duas alas secundárias ligadas ao corpo principal, uma delas agrupava as áreas privativas, a outra as funções de apoio e serviços.
Naquele palácio, a segmentação geral volumétrica das funções domésticas, em hierarquização dos espaços segundo uma lógica de resguardo da família, também se encontrava presente na distribuição específica das áreas de uso público presentes no principal bloco na ala social. Naquela ala, o pavimento inferior destinava-se ao convívio mais formal, com ambientes mais solenes definidos pelo Hall principal com a escadaria, Sala de Música, Fumoir , Salão de Estar e Salão de Jantar, principal local de recepção que contava com dupla altura. O pavimento superior, menos suntuoso, destinava-se ao convívio mais íntimo, de entretenimento e estudos, contemplando Biblioteca, Salão Império (antigo salão de jogos) e Galeria Regência, no trecho residual acima da Sala de Jantar. 
O terreno
O sítio previsto para a nova morada em Brasília, comparado àquele destinado ao primeiro projeto da Residência Oficial, localizava-se em ponto mais afastado do Hotel de Turismo. A escolha apontava terreno peninsular a leste, de geometria quase triangular, definido a partir das curvas de níveis de ocupação do futuro Lago. 
A opção determinava características peculiares: limitava o acesso por terra à face oeste o que, de certa forma, também condicionava a orientação das funções públicas necessárias; e voltava as demais faces para o lago, propiciando condições desejáveis para a distribuição de áreas privativas residenciais.
 Implantação
Embora contasse com perfil natural de caimento considerável em direção ao lago, consoante a documentação técnica existente, o conjunto foi planejado com implantação em plano nivelado.
 Previsto com três edificações principais - além da área de lazer -, a orientação estabelecida considerou a testada oeste do lote para dispor, em alinhamento norte-sul, o principal eixo do conjunto. Ainda que resultasse, aparentemente, em orientação menos vantajosa do ponto de vista do conforto térmico, a disposição das partes valeu-se preponderantemente do potencial para a função pública oferecida por aquela porção do terreno. Deste modo, o eixo delimitado segmentava as funções prioritárias conforme as características oferecidas pelo sítio: elevação oeste caracterizava a principal visada pública do palácio, voltado para o acesso por terra, enquanto a elevação leste propiciava a implantação dos espaços que se destinavam à privacidade familiar e de lazer voltados para o lago.
O programa de necessidades
Distribuído nas três partes, totalizava cerca de 9.670m². No edifício principal, os espaços de uso público para eventos sociais, atos representativos e recepção de autoridades, compartilhavam a distribuição com as áreas destinadas à residência. Dois anexos completavam o conjunto: a norte uma capela; a sul um bloco de serviços, semienterrado. Elemento comum às três partes, uma interligação plana horizontal, que se alternava entre piso e cobertura, conectava o conjunto e acentuava a composição marcadamente horizontal no alinhamento do eixo determinante.
No edifício principal, as funções foram distribuídas em três níveis. O subsolo, em nível semienterrado,abrigava o apoio imediato ao funcionamento do palácio e correspondia ao único eixo de circulação comum às três partes, com acessos bastante definidos: na fachada norte abrigo coberto para o acesso privativo e ligação ao apoio da capela; na parte central acesso ao hall no nível térreo, com a chapelaria ligada ao espaço; e na fachada sul, agrupamento das locais de apoio à cozinha/alimentação e ligação com o bloco de serviço, que, por seu turno possuía acesso exclusivo apropriado.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/14.161/4913
SILVA, Elcio Gomes da. Os palácios originais de Brasília. Ed. Universidade de Brasília, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo . 2 v 586p, 2012.

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