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Aula Demonstrativa Curso: Direito Empresarial p/ ICMS-RS Professor: Wangney Ilco Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 2 de 156 www.exponencialconcursos.com.br Olá pessoal! Tudo beleza? Sejam bem-vindos ao Curso de Direito Empresarial para o cargo de Auditor Fiscal do Estado do Rio Grande do Sul (ICMS-RS) BANCA ESCOLHIDA: CESPE (27/07/2018) O curso está 100% atualizado com as normas legais editadas e em vigor em 2018. Observação.: Como ainda não temos um programa, adotaremos o programa do último certame realizado em 2014 sob a responsabilidade da FUNDATEC. Na última aula, faremos todas as questões possíveis da banca CESPE, ok? APRESENTAÇÃO Se não puder voar, corra. Se não puder correr, ande. Se não puder andar, rasteje, mas continue em frente de qualquer jeito. (Martin Luther King Jr.) Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 3 de 156 www.exponencialconcursos.com.br Sumário Apresentação do professor .................................................................. 5 Histórico e análise das provas de Direito Empresarial ......................... 5 Estrutura do curso ............................................................................... 6 1- Direito Comercial ......................................................................... 8 1.1- Origem e evolução histórica ............................................................................................... 8 1.2- Definição e autonomia ..................................................................................................... 10 1.3- Fontes ............................................................................................................................... 11 1.4- Características .................................................................................................................. 11 2- A atividade empresarial ............................................................. 12 2.1- Teoria dos atos de comércio ............................................................................................ 12 2.2- Teoria da Empresa ............................................................................................................ 13 2.2.1- Atributos da Teoria da Empresa ............................................................................... 14 2.3- A empresa ........................................................................................................................ 15 2.4- O empresário .................................................................................................................... 16 2.5- Exceções à Teoria da Empresa ......................................................................................... 18 2.6- Empresário Individual....................................................................................................... 19 2.7- Requisitos e impedimentos para o exercício da atividade empresarial .......................... 20 2.7.1- Capacidade Civil do Empresário Individual .............................................................. 21 2.7.2- Capacidade Civil da Sociedade Empresária - sócio................................................... 23 2.7.3- Impedimentos: Empresário Individual ..................................................................... 24 2.7.4- Empresário casado ................................................................................................... 25 2.8- Empresa Individual de Responsabilidade Limitada - EIRELI ............................................. 27 3- Registro da empresa ................................................................. 31 3.1- Órgãos de registro da empresa ........................................................................................ 31 3.2- Atos de registro ................................................................................................................ 32 3.3- Registro do empresário .................................................................................................... 32 3.4- Registro da sociedade empresária ................................................................................... 34 3.5- Registro da atividade rural ............................................................................................... 36 3.6- A inatividade da empresa ................................................................................................. 36 Aula 00 – Direito comercial: Origem, evolução histórica, autonomia, fontes e características. A atividade empresarial: teoria da empresa e seus perfis, empresário e empresa. Empresário individual: requisitos e impedimentos. Empresário casado. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 4 de 156 www.exponencialconcursos.com.br 3.7- Empresário irregular......................................................................................................... 38 4- Livros Comerciais ...................................................................... 39 4.1- Sigilo dos livros comerciais ............................................................................................... 42 5- Nome empresarial ..................................................................... 43 6- Estabelecimento Empresarial .................................................... 46 6.1- Trespasse .......................................................................................................................... 47 6.2- Aviamento ........................................................................................................................ 51 6.3- Clientela ............................................................................................................................ 51 6.4- O ponto empresarial (ou comercial) ................................................................................ 52 7- Prepostos .................................................................................. 53 7.1- O Gerente ......................................................................................................................... 55 7.2- O Contabilista ................................................................................................................... 55 8- Questões propostas ................................................................... 58 9- Gabarito .................................................................................... 87 10- Questões Comentadas ............................................................... 88 Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 5 de 156 www.exponencialconcursos.com.br Apresentação do professor Pois bem, agora vou me apresentar: Meu nome é Wangney Ilco. Sou ex-aluno do Colégio Naval (ingresso em 1997) e Escola Naval (ingresso em 2000). Bacharel em Ciências Navais pela Escola Naval com especialidade em Sistemas (2004). Após alguns anos como Oficial da Marinha, decidi deixar a vida militar e ingressei nesta doce vida de “concurseiro”. O foco era a área fiscal, mais especificamente o fisco do Estado do Rio de Janeiro. Nos dois primeiros certames (2008) não fui feliz devido a alguns problemas pessoais. Porém, já no ano seguinte, após alguns meses sem estudar, retornei com muita força já com edital na praça. Fiz alguns ajustes. Foram45 dias de dedicação total e foco máximo. Resumos, gráficos, esquemas, mapas- mentais foram utilizados para aproveitar o tempo com a máxima eficiência. E deu certo! Obtive a tão sonhada aprovação: Auditor Fiscal da Receita Estadual do Rio de Janeiro. Cargo que exerço atualmente! Assim, desde final de 2009, troquei de lado e venho participando intensamente na preparação dos alunos para diversos concursos (ICMS, ISS, AFT, AFRFB, CGU), sempre em Direito Empresarial e, mais recentemente, em Direito Civil (confira meus cursos de civil AQUI). Por fim, vale ressaltar que, no momento, estou cursando Direito na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO. Portanto, meus caros, já tenho certa experiência em contribuir com a aprovação de alunos em concursos públicos na disciplina de Direito Empresarial. Histórico e análise das provas de Direito Empresarial Como o nosso objetivo é marcar o “xis” na alternativa correta, fizemos uma análise das provas anteriores. Concluímos que o histórico de questões é bem pequeno. No entanto, observamos que as questões são bem diversificadas, abrangendo quase todo o conteúdo programático. Eis os assuntos cobrados na úlitima prova do ICMS-RS: ASSUNTOS Falência: classificação dos créditos Sociedade Anônima Estabelecimento empresarial Recuperação judicial Operações societárias: transformação EIRELI Sociedade Limitada Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 6 de 156 www.exponencialconcursos.com.br Estrutura do curso Então, meus amigos, o presente curso de Direito Empresarial é de TEORIA e Exercícios para o cargo de Auditor Fiscal do Estado do Rio Grande do Sul (ICMS-RS). A linguagem do curso pretende ser a mais próxima possível de uma aula presencial: solta, objetiva, leve; sem expressões difíceis, como encontramos nos livros e, principalmente, utilizando muitos recursos gráficos e esquematizações para facilitar a assimilação do Direito Empresarial. Lembre- se que foi esta a metodologia de estudos objetiva que utilizei e que deu certo!!! Afinal, o objetivo do curso é a aprovação; é ensinar a marcar o “X” na alternativa correta e “partir pro abraço”. Beleza? O programa de empresarial que consta no edital foi organizado da seguinte forma em nosso curso: AULA ASSUNTO 00 Empresário: caracterização, inscrição, capacidade. Empresa individual de responsabilidade limitada. Estabelecimento: disposições gerais; registro; nome empresarial; prepostos. Escrituração. 01 Sociedade: empresária e simples; sociedade não personificada; sociedade personificada; espécies. Sociedade nacional; sociedade estrangeira. 02 sociedade cooperativa; empresa de pequeno porte e microempresa. Órgãos sociais; responsabilidade dos sócios; responsabilidade dos administradores. 03 Sociedade Anônima (Lei Federal nº 6.404/76). Liquidação da sociedade; transformação; incorporação; fusão; cisão. Órgãos sociais; responsabilidade dos sócios; responsabilidade dos administradores. Sociedades coligadas, controladoras e controladas; grupo de sociedades; consórcio; 04 Títulos de crédito: regras e princípios gerais; requisitos; classificação; exceções oponíveis e inoponíveis ao portador; 05 nota promissória; letra de câmbio; duplicata; cheque. 06 Contratos e obrigações mercantis: regras e princípios gerais; compra e venda mercantil; transporte. 07 Falência e recuperação judicial (Lei Federal nº 11.101/05): regras e princípios gerais; caracterização e decretação da falência; efeitos da decretação da falência; administração da falência; declaração, verificação e classificação dos créditos; liquidação; extinção das obrigações; crimes falimentares. 08 Questões CESPE *Confira o cronograma de liberação das aulas no site do Exponencial Concursos, na página do curso. Além de abordar a parte teórica, faremos mais de 450 questões das principais bancas organizadoras de concursos do país, tais como FGV Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 7 de 156 www.exponencialconcursos.com.br (Fundação Getúlio Vargas), FCC (Fundação Carlos Chagas) e ESAF (Escola de Administração Fazendária) e em especial da CESPE/UnB (Centro de Seleção e Promoção de Eventos da Universidade de Brasília), a banca escolhida. Todas as questões inseridas nas aulas serão devidamente comentadas, de modo a não deixar dúvidas. Desse modo, este curso será completo. Ele foi elaborado visando ser sua única fonte de estudos de Direito Empresarial. Por fim, não deixem de usar e abusar de nosso fórum tira-dúvidas. É uma ferramenta importante onde a interação com os alunos é maior. Além disso, recomendo utilizar nosso SISTEMA DE QUESTÕES e SIMULADOS para uma eficiência maior nos estudos. E, para mais informações sobre nossa disciplina, acessem minha página no Exponencial Concursos (AQUI) e Facebook: Wangney. Pois bem, vamos ao que interessa! Antes, porém, tenho o hábito de deixar sempre uma frase motivacional no início das aulas, ok? Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 8 de 156 www.exponencialconcursos.com.br 1- Direito Comercial Bem, pessoal, o nosso primeiro tópico diz respeito à origem e evolução do Direito Comercial. É uma parte de nossa disciplina que, embora tenha a sua relevância para fins didáticos, não é muito cobrada em provas de concurso público. Na maioria das vezes nem consta no edital. Então, normalmente, esta parte evolutiva de nossa disciplina, costumamos “passar batido” mesmo; afinal de contas, por que abordar um tema que não consta nos editais e não é cobrado em provas? Lembrem-se de nossa objetividade, ok? No entanto, devemos nos precaver, certo? Então, vamos lá! 1.1- Origem e evolução histórica A evolução do Direito Comercial está diretamente ligada à história do comércio. No início, apesar da existência do comércio por meio de trocas de mercadorias entre as famílias e, posteriormente, pelas relações comerciais marítimas, não se pode dizer que já existia o Direito Comercial. Os usos e costumes, aliados a alguns simples contratos, regulavam o comércio nas cidades antigas. Então, segundo Frans Martins, “Não se pode, com segurança, dizer que houve um Direito Comercial na mais remota antiguidade”, referindo- se aos fenícios e gregos. Já no período do Império Romano, o exercício do comércio era restrito aos escravos, pois não seria uma prática digna aos cidadãos romanos. Assim, apesar de existirem algumas regras e institutos que regulavam o comércio na época, o Direito Comercial ainda não havia ganhado autonomia. Com fundamento nas obrigações e nos contratos do Direito Romano, já na Idade Média, é que o Direito Comercial surge e ganha autonomia frente ao Direito Civil, para regular o intenso comércio marítimo na região do Mar Mediterrâneo. Cidades se tornaram importantes centros comerciais, em especial na Itália. Mercados surgiram e feiras eram realizadas. Nesse cenário, houve a necessidade de criar regras para harmonizar as relações comerciais e os mercadores e artesões se organizaram em corporações de ofício. Nelas, havia os juízes consulares, eleitos para dirimir os conflitos internos, inclusive com a atribuição de impor penalidades, com base nos usos e costumes. Portanto, embora haja certa controvérsia, a maioria da doutrina entende que o Direito Comercial tenha surgido aí, nessa fase corporativista e subjetivista, pois eradestinado aos membros das corporações num primeiro momento, mas que extrapolou o seu âmbito, alcançando todos os indivíduos que praticassem atos comerciais. Então, dada essa abrangência além das corporações, bem como o surgimento de alguns institutos do Direito Comercial, como títulos de crédito, tem-se a fase objetiva e o surgimento da chamada Teoria dos Atos de Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 9 de 156 www.exponencialconcursos.com.br Comércio. Assim, o Direito Comercial passou a regular objetivamente qualquer indivíduo que praticasse ato próprio de comércio, ou seja, não estava mais restrito aos membros das corporações. Estatutos e Códigos foram criados para consolidar as normas e práticas comerciais. No entanto, ainda não havia um importante documento regulatório das relações comerciais imposto pelo Estado. Até que em 1673, na França, temos o chamado Código de Savary que tratava do comércio terrestre e, em 1681, temos a Ordenança da Marinha, regulando diversos contratos marítimos, que serviram de base para o primeiro Código Comercial em 1807, promulgado por Napoleão. Este Código Comercial Francês influenciou diversos códigos pelo mundo afora, dentre eles o Código Comercial Brasileiro de 1850. Por fim, nessa linha de evolução do Direito Comercial, atualmente, temos a chamada Teoria da Empresa, que é o objeto do nosso curso. Portanto, podemos observar que o atual nome de nossa disciplina – Direito Empresarial – é devido a teoria da empresa que rege o regime jurídico- empresarial. Mais adiante, falaremos mais detalhadamente da passagem da Teoria dos Atos de Comércio para a Teoria da Empresa, ok? Por ora, pessoal, tenham em mente essas 3 fases de evolução de nossa disciplina: corporações de ofício (subjetivismo), teoria dos atos de comércio (objetivismo) e teoria da empresa (subjetivismo moderno). Obs.: As duas denominações de nossa disciplina (comercial e empresarial) são aceitas por nossa doutrina. “Comercial” é a denominação mais antiga e tradicional; “empresarial” é a moderna, a partir do Código Civil de 2002. Neste curso, adotaremos Direito Empresarial, ok? 1. (CESPE/Delegado da PF/2013) Apesar de os gregos e os fenícios serem historicamente associados a atividades de compra e troca, o surgimento do direito comercial de forma organizada corresponde à ascensão da classe burguesa na Idade Média. À medida que artesãos e comerciantes europeus se reuniam em corporações de ofícios, surgiam normas destinadas a disciplinar os usos e costumes comerciais da época. Comentários Correta. Esta questão menciona exatamente a evolução histórica do Direito Empresarial e suas fases. De fato, é na Idade Média que surge o Direito Comercial de forma organizada e relacionado às corporações de ofícios. Tais corporações eram formadas por mercadores e artesãos. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 10 de 156 www.exponencialconcursos.com.br Portanto, pessoal, em resumo acerca do surgimento do Direito Comercial: Idade Média 1.2- Definição e autonomia O Direito pode ser dividido didaticamente em dois grandes ramos: direito público e direito privado. Deste modo, o Direito Empresarial é o ramo do direito privado que regula e disciplina o empresário e os atos de empresa, possuindo regras, métodos e princípios próprios. Portanto, podemos perceber que o Direito Empresarial é autônomo em relação aos demais ramos do Direito, principalmente em relação ao Direito Civil, que também faz parte do direito privado. As razões dessa autonomia são as seguintes: 1 – A nossa Constituição Federal de 1988, em seu art. 22, inciso I, separa o Direito Civil do Comercial: “Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho;”. 2 – Apesar de terem pontos em comum, como os aspectos gerais dos contratos e das obrigações, o Civil não se confunde com o Comercial, que possui normas e princípios próprios que objetivam as relações comerciais ou empresariais. Há diversas normas comerciais dispersas por nosso ordenamento jurídico, além da matéria presente no Código Civil. Logo, o Direito Empresarial é autônomo! ☺ Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 11 de 156 www.exponencialconcursos.com.br 1.3- Fontes Então, quais seriam as fontes de estudo do Direito Empresarial? Onde encontraremos as normas e dispositivos para estudarmos para a nossa prova? FONTES DO DIREITO EMPRESARIAL - Código Civil 2002: principal - Lei de Falências ❖ Fonte Primária ou direta - Legislação dos títulos de crédito - Legislação dos contratos mercantis - etc. ❖ Secundária ou indireta➔ doutrina, jurisprudência, dos tratados e convenções internacionais, dos usos e costumes (Art. 4º da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro). Então, essas serão as nossas fontes de estudo no presente curso, beleza? 1.4- Características As características do Direito Empresarial é mais um tópico presente no último edital. Então, vejamos quais as características do Direito Empresarial que o diferenciam dos outros ramos do Direito: Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 12 de 156 www.exponencialconcursos.com.br 2- A atividade empresarial Antes de estudarmos a atividade empresarial e a chamada teoria da empresa, na qual atualmente baseia-se a nossa disciplina, necessitamos compreender a própria evolução de nossa disciplina. Assim, iniciemos pelo estudo da teoria dos atos de comércio. 2.1- Teoria dos atos de comércio Antes das normas contidas no Código Civil de 2002, o Direito Comercial era regido pelo Código Comercial de 1850, que era baseado no Código Francês e dividia-se em três partes: CÓDIGO COMERCIAL DE 1850 1ª PARTE Atos de Comércio Revogada pelo Código Civil de 2002 2ª PARTE Direito Marítimo Ainda em vigor 3ª PARTE Direito Falimentar Não estava mais em vigor desde a antiga lei de falências (DL 7.661/45). Em vigor a nova Lei de Falências (Lei 11.101/05) Então: • Código Comercial de 1850 ➔ regia as sociedades comerciais. • Código Civil 1916 ➔ regia as sociedades civis. Bem, a chamada TEORIA DOS ATOS DE COMÉRCIO era o pilar daquele Código Comercial. Por esta teoria, o que importava era o objeto da atividade comercial. Ou seja, a partir do objeto ou gênero da atividade comercial exercida foi elaborada uma enumeração das atividades como forma de enquadrar a atividade no âmbito do Direito Comercial. Era uma forma bem objetiva e direta de classificar as atividades no regime jurídico comercial. A teoria dos atos de comércio era caracterizada por três ATRIBUTOS: Habitualidade: com que a atividade é exercida; Lucro: como objetivo da atividade; Intermediação: comprar para vender. Porém, com a evolução das relações comerciais foi surgindo a necessidade de atualizar o ordenamento jurídico tendo em vista a situação TEORIA DOS ATOS DE COMÉRCIO – forma objetiva de enquadrar as atividades no regime jurídico comercial. O que importava era o objeto da atividade em si. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 13 de 156 www.exponencialconcursos.com.br real e atual das relações comerciais, já que algumas atividades importantes,como a prestação de serviços e a atividade imobiliária, estavam fora da disciplina comercial. Então, a jurisprudência passou a adotar o entendimento de que a teoria dos atos de comércio não deveria mais vigorar. Nessa linha, depois de vários anos de discussões e debates, o Novo Código Civil de 2002 foi aprovado, revogando a primeira parte do Código Comercial de 1850 que tratava dos atos de comércio e adotando a TEORIA DA EMPRESA, por influência do direito italiano. Vejamos uma questão cobrada em prova sobre o tema: 2. (FCC/OAB-SP/2006) O Código Comercial, sancionado em 1850, a) foi totalmente revogado. b) foi parcialmente revogado, mantendo-se vigentes apenas os dispositivos que regem os contratos e obrigações mercantis e o comércio marítimo. c) não foi revogado. d) foi parcialmente revogado, mantendo-se vigentes apenas os dispositivos que regem o comércio marítimo. Comentários Letra “d”. Viram como a questão ficou fácil após estudarmos o assunto? Embora possa parecer banal determinado ponto da matéria, há sempre a possibilidade de cair em prova. É justamente este o nosso trabalho: direcionar o caro aluno a marcar a alternativa correta, de forma objetiva. Pois bem, como vimos acima, a única alternativa correta é a letra d). Só está em vigor a 2ª parte, que trata do Direito Marítimo. 2.2- Teoria da Empresa Então, o Código Civil de 2002 entrou em vigor e adotou a TEORIA DA EMPRESA sob a influência do direito italiano como fundamento para o regime jurídico comercial. Este será o nosso grande foco nas primeiras aulas do curso! Prosseguindo... Mas o que vem a ser de fato a TEORIA DA EMPRESA? Bem, por meio desta teoria, passou-se a priorizar o desenvolvimento da atividade em detrimento do ato de comércio, do objeto em si. Portanto, a teoria da empresa e o Novo Código Civil priorizam a FORMA como é exercida e/ou desenvolvida a atividade empresarial. Deste modo, a teoria da empresa nos revela alguns atributos que devem ser observados para que determinada atividade seja considerada como Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 14 de 156 www.exponencialconcursos.com.br atividade empresarial. São eles: profissionalismo, atividade econômica e organização. 2.2.1- Atributos da Teoria da Empresa PROFISSIONALISMO: atividade exercida de forma habitual e profissional. ATIVIDADE ECONÔMICA: objetiva o lucro. Esta é característica intrínseca daquele que assume os riscos da atividade econômica. ORGANIZAÇÃO: este é o principal atributo que uma atividade econômica exercida de forma profissional deve possuir para se enquadrar como uma atividade empresarial. Diz respeito à organização dos FATORES DE PRODUÇÃO: capital, mão de obra, matéria-prima e tecnologia. Portanto, além de objetivar o lucro e agir com profissionalismo, a atividade empresarial deve ser organizada. Vejamos algumas distinções entre as duas teorias: Pois bem, de forma geral, podemos concluir que a atividade empresarial pode ser entendida como um mecanismo que faz circular os fatores de produção: capital, insumo, mão-de-obra e tecnologia, almejando a obtenção de riquezas e o desenvolvimento econômico. 3. (ESAF/ADVOGADO IRB/2004) A recepção do instituto empresa pelo Código Civil resultará em: Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 15 de 156 www.exponencialconcursos.com.br a) retornar a discussão sobre ato de comércio como intermediação na circulação de mercadorias. b) realçar a ideia de atividade sobre a de ato. c) incorporar novos ofícios e profissões ao campo do direito mercantil. d) extremar atividades empresariais e não empresariais. e) criar novo sistema de análise da atividade econômica. Comentários b) Correta. É a nossa resposta. A forma como a atividade econômica está sendo exercida é o que importa atualmente. Portanto, a atividade econômica em si se sobrepõe à ideia de enumeração das atividades conforme o seu objeto (ato de comércio). a) A teoria dos atos de comércio faz parte do passado. A teoria que rege atualmente a atividade empresarial é a teoria da empresa. Incorreta. c) De certo modo está correta, já que atualmente o D. Comercial PODERÁ abranger outras profissões que não eram regidas pela teoria dos atos de comércio. No entanto, é a forma como a atividade econômica é exercida que prevalece e que vai determinar a sujeição ou não ao regime jurídico comercial. Assim, a alternativa b) prevalece e está “mais correta”. Há questões onde devemos assinalar a alternativa mais correta, ok? d) Incorreta, pois mesmo antes da teoria da empresa já havia a divisão entre as atividades comerciais e as civis. Hoje, melhor seria dizer: atividades empresariais (ou típicas de empresa) e atividades não empresariais. e) Não há lógica em sua afirmativa. Incorreta. 2.3- A empresa A Teoria da Empresa foi adotada pelo Novo Código Civil de 2002, no entanto, NÃO há um conceito jurídico de empresa. Temos, porém, o conceito econômico, pelo qual a empresa seria a união dos fatores de produção por um indivíduo (o empresário) visando à obtenção de um produto ou a prestação de um serviço. Esta definição é aquela que possuímos e retiramos de nosso cotidiano econômico, através da observação da sociedade e da dinâmica comercial que nos cerca. Por conta disso, foi criada a teoria dos Perfis de Empresa (Prof. Asquini) para o entendimento do instituto EMPRESA. Esta é a teoria mais aceita e aborda a empresa como fenômeno poliédrico a partir de quatro perfis: Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 16 de 156 www.exponencialconcursos.com.br Perfil Subjetivo A empresa está relacionada ao indivíduo que exerce de forma organizada e profissional uma atividade econômica objetivando a produção ou circulação de bens ou de serviços. O EMPRESÁRIO é o sujeito de direito, pois é ele quem exerce a atividade empresarial. Perfil Funcional A empresa está relacionada à ATIVIDADE EMPRESARIAL em si, direcionada a um determinado fim produtivo, que é gerar riquezas. Perfil Objetivo ou patrimonial A empresa está relacionada ao ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL, considerando os bens patrimoniais da empresa como resultado do fator econômico. Perfil Corporativo ou institucional A empresa relacionada ao grupo organizacional formado pelo empresário e seus colaboradores. Este perfil está superado, pois não tem correspondência na realidade atual. Deste modo, podemos definir EMPRESA como sendo: Obs.: Teoria dos feixes de contratos: formulada pelo economista britânico Ronald Coase, a teoria dos feixes de contratos define a empresa sob a ótica econômica. Então, a empresa seria um feixe de contratos com o objetivo de organizar a atividade econômica (fatores de produção) e de reduzir os custos de transação. Isso significa dizer que os mais diversos tipos de contratos são firmados de modo a viabilizar a produção de bens e serviços ao mercado, de maneira organizada e menos custosa. Esta teoria se aproxima do perfil institucional de Asquini. 2.4- O empresário Então, não há uma definição jurídica de empresa. Com a positivação da teoria da empresa pelo Código Civil de 2002, temos SOMENTE a definição de EMPRESÁRIO, conforme a perfil subjetivo de Asquini. Esta definição é uma das mais importantes no D. Empresarial. Vejamos: A ATIVIDADE econômica ORGANIZADA para a produção ou a circulaçãode bens ou serviços, exercida de forma PROFISSIONAL pelo EMPRESÁRIO. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 17 de 156 www.exponencialconcursos.com.br • DEFINIÇÃO DE EMPRESÁRIO Destaca-se que a “produção ou circulação de bens ou serviços”, representa uma maior amplitude em relação ao campo de incidência da antiga teoria dos atos de comércio. Agora, qualquer atividade poderá ser considerada empresária, desde que possua as demais características e requisitos da Teoria da Empresa. Desta forma, consegue-se definir empresário - a pessoa (física ou jurídica) que exerce a atividade típica de empresa. Assim, temos a seguinte esquematização: Então, até o momento podemos distinguir perfeitamente os seguintes conceitos: Art. 966 do CC. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL EMPRESÁRIO EMPRESA Atividade Empresarial Sujeito que exerce a atividade Complexo de bens Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 18 de 156 www.exponencialconcursos.com.br 2.5- Exceções à Teoria da Empresa Então meus amigos, a regra geral para a caracterização da atividade econômica como empresarial é dada acima, nos termos do art. 966 do CC visto no tópico anterior. Porém, a esta regra temos as seguintes exceções: Em suma, a cooperativa jamais poderá ser considerada uma atividade empresarial; o profissional liberal (intelectual) em regra não exerce a atividade empresarial (só se constituir elemento de empresa). Então, estas são consideradas atividades econômicas civis, ok? Mas o que significa elemento de empresa? Essa expressão deve ser compreendida sob um enfoque econômico, pelo qual as atividades (intelectual, de natureza científica, literária ou artística) são exercidas observando a organização dos fatores de produção: Capital, Mão-de-obra, Insumos (ou matéria-prima) e Tecnologia. Assim, essa estrutura de produção deve ser exercida de forma organizada e profissional, para que seja considerada uma atividade empresarial. Observação: A sociedade pode ser empresária ou simples; a sociedade simples, obviamente, não exerce a atividade empresarial. No mais, a sociedade será tema de aula futura, ok? Exceções à Teoria da Empresa • PROFISSIONAL INTELECTUAL Natureza científica, artística ou literária – não é empresário. Considera-se empresário EXCETO SE a organização dos fatores de produção for mais importante que a atividade pessoal desenvolvida (Aí constitui Elemento de empresa) • ATIVIDADE RURAL O indivíduo (ou sociedade) tem a OPÇÃO de ser empresário • SOCIEDADES COOPERATIVAS São sempre sociedades simples. Independente da forma com que a atividade é exercida §único, art. 966, CC Art. 971 e 984, CC §único, art. 982, CC Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 19 de 156 www.exponencialconcursos.com.br 4. (COPS-UEL/ICMS-PR/2012) Sobre o Direito de Empresa, previsto no Código Civil, considere as afirmativas a seguir. I. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços ou quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística. Comentários Incorreta. O examinador faz um jogo de palavras nesta afirmativa em relação à definição legal de empresário, de acordo com o art. 966 do Código Civil. Aí também está positivada a Teoria da Empresa. Bem, a primeira parte desta afirmativa está literal ao caput do art. 966. Está perfeita, tranquila! A segunda parte da afirmativa aborda o chamado profissional liberal. Aquele que exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística. Como estudamos, em regra o profissional liberal não é considerado empresário, conforme o parágrafo único do art. 966. No entanto, caso a atividade exercida pelo profissional liberal apresente elemento de empresa, ele será considerado empresário e estará sujeito ao regime jurídico empresarial. Então, como o examinador não menciona tal requisito para o profissional liberal ser considerado empresário, esta afirmativa está incorreta, ok? 2.6- Empresário Individual Pois bem, como sabemos, o titular da atividade econômica é o empresário. O empresário é o sujeito de direito, apto a adquirir direitos e contrair obrigações, podendo ser tanto uma pessoa física na condição de empresário individual, quanto uma pessoa jurídica na condição de sociedade empresária. Em termos gerais a atividade empresarial é exercida conforme a esquematização acima. Assim, o empresário individual é uma pessoa física que exerce a atividade empresarial, que na prática, compreende atividades econômicas de pouco capital/investimentos: artesanatos, mercearias, Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 20 de 156 www.exponencialconcursos.com.br padarias, etc. Inclusive, PODERÁ se enquadrar como Microempresa (ME), Empresa de Pequeno Porte (EPP) e Microempreendedor Individual (MEI). Ainda, PODE optar pela nova forma Empresa Individual de Responsabilidade Limitada – EIRELI. Porém, o ponto mais importante acerca do EMPRESÁRIO INDIVIDUAL é com relação a sua responsabilidade pelas obrigações e dívidas decorrentes da sua atividade. Deste modo, a RESPONSABILIDADE do empresário individual é ILIMITADA e DIRETA, pois ele NÃO possui personalidade jurídica e, por consequência, os BENS da pessoa física e do empresário individual são os MESMOS, se confundem. Neste caso, ele responde com seus próprios bens (ilimitadamente) para saldar as dívidas surgidas no curso da atividade empresarial. Quando à SOCIEDADE EMPRESÁRIA, ela é formada por um grupo de pessoas (sócios) que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de atividade típica de empresa e a partilha, entre si, dos resultados (art. 981 e 982, CC). Este é o conceito de sociedade empresária e, no momento, é o que basta sabermos para prosseguirmos com a matéria. Obs.: Apesar de não possuir personalidade jurídica, o empresário individual é obrigado a se registrar no Registro Público das Empresas Mercantis (RPEM) e ao uso da inscrição no CNPJ (Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas). 2.7- Requisitos e impedimentos para o exercício da atividade empresarial Bem, os primeiros requisitos para o exercício da empresa são aqueles que a caracterizam como tal, e que já comentamos na Teoria da Empresa. Relembremos: Tendo em vista a teoria da empresa, considera-se empresário aquele que: ➢ COM Profissionalismo – habitualidade no exercício da atividade econômica; ➢ EXERCE A Atividade econômica – objetivo de auferir lucros; ➢ DE FORMA Organizada – principal requisito. Organização dos fatores de produção; ➢ PARA A Produção ou a circulação de bens ou de serviços – objetivo de satisfazer as necessidades do mercado exercendo qualquer tipo de atividade econômica. Além desses requisitos que devem ser cumpridos para caracterizar o empresário e a atividade empresária, ainda devem ser observados os casos de capacidade e impedimento, nos termos do art. 972, do CC. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. WangneyIlco Prof.º Wangney Ilco 21 de 156 www.exponencialconcursos.com.br “Art. 972 do CC. Podem exercer a atividade de empresário os que estiverem em pleno gozo da capacidade civil e não forem legalmente impedidos.” 2.7.1- Capacidade Civil do Empresário Individual O empresário individual necessita estar CIVILMENTE CAPAZ para exercer a atividade empresarial. Esta capacidade civil é exatamente aquela prevista no Direito Civil: artigos 3º e 4º do CC (apesar de saber que o caro leitor (a) possui a lei seca ao seu lado enquanto estuda este curso, no intuito de facilitar e relembrar a disciplina civil, apresento a seguinte esquematização): Absolutamente Incapaz x Relativamente Incapaz Absolutamente Incapaz Relativamente Incapaz Idade Menor de 16 anos 16 a 18 anos Pessoas Ébrios habituais, viciados em tóxicos, pródigos, aquele que não puder exprimir sua vontade (por causa transitória ou permanente). Obs.: O quadro acima está conforme a nova redação dos arts. 3º e 4º do CC, dada pela Lei nº 13.146/2015 (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Observemos que não há mais hipóteses de uma pessoa maior de idade ser considerada absolutamente incapaz. O objetivo de tais mudanças é promover a inclusão social e cidadania às pessoas com deficiência. No entanto, a esta necessidade de plenitude na capacidade civil para o exercício da atividade empresarial, temos duas situações de exceções, conforme esquema abaixo: Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 22 de 156 www.exponencialconcursos.com.br Pessoal, percebam que há sempre um fato novo que culmina no exercício da atividade empresarial por agente incapaz. Isso quer dizer que o incapaz NÃO poderá iniciar ou constituir uma empresa como empresário individual; nos casos acima ocorre a continuidade da atividade empresarial já exercida. Assim, o Código Civil observa o princípio da preservação da atividade típica de empresa incentivando o desenvolvimento e continuidade da atividade econômica. Ressalta-se que os bens particulares (aqueles estranhos à empresa) que o incapaz possuía quando ainda era capaz ou antes da sucessão NÃO estão sujeitos ao resultado da empresa, ou seja, não respondem pelas obrigações oriundas da atividade empresarial. Portanto, acerca desses bens, ocorre a separação patrimonial entre os bens da empresa e os bens do empresário individual (incapaz). 5. (FCC/Auditor-Substituto de Conselheiro-TCM-RJ/ 2015) O relativamente incapaz, desde que devidamente assistido, poderá continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz, vedada tal possibilidade ao absolutamente incapaz, ainda que por meio de representante. Comentários Incorreta. Como podemos observar, esta assertiva está incorreta pois tanto o relativamente incapaz, quanto o absolutamente incapaz, podem continuar a empresa, desde que devidamente assistidos ou representados (art. 974, caput, CC). Empresário Individual Deve ter capacidade civil EXCEÇÕES Mediante Autorização Judicial após análise das circunstâncias e riscos 1ª-Em favor do incapaz no caso de sucessão da empresa por causa mortis. 2ª-Pela incapacidade superveniente do empresário. O INCAPAZ é representado ou assistido Regra Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 23 de 156 www.exponencialconcursos.com.br 2.7.2- Capacidade Civil da Sociedade Empresária - sócio Bem, e quanto à capacidade civil daquele que é sócio de sociedade empresária? Como proceder? Tratando deste tema, em 2011 foi publicada a Lei nº 12.399/2011 que acrescentou o §3º ao Art. 974 do Código Civil. Vejamos os pressupostos que devem ser atendidos CUMULATIVAMENTE para a pessoa incapaz ser sócio da sociedade empresária: Por fim, vale ressaltar, ainda, que a prova de emancipação do menor e a autorização do incapaz devem ser registradas no Registro Público das Empresas Mercantis (Junta Comercial). Vejamos a seguinte questão: 6. (COPS-UEL/Procurador do Estado-PR/2011) Sobre o regime jurídico do empresário no Código Civil de 2002, assinale a alternativa correta: IV – o Registro Público de Empresas Mercantis deverá registrar contratos ou alterações contratuais de sociedade que envolva sócio absolutamente incapaz, desde que o capital social da sociedade esteja totalmente integralizado e que, o incapaz, devidamente representado, não exerça administração da sociedade. Comentários Atendidos os pressupostos REGISTRAR o contrato e suas alterações na JUNTA COMERCIAL • O sócio incapaz não pode exercer a administração da sociedade; • O capital social deve estar totalmente integralizado; • O sócio relativamente incapaz deve ser assistido e o absolutamente incapaz deve ser representado por seus representantes legais. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 24 de 156 www.exponencialconcursos.com.br Correta. O examinador cobrou exatamente o que consta no esquema acima, que acabamos de estudar. Portanto, está correta conforme o art. 974, §3º do CC. Art. 974, §3º. O Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais deverá registrar contratos ou alterações contratuais de sociedade que envolva sócio incapaz, desde que atendidos, de forma conjunta, os seguintes pressupostos: I – o sócio incapaz não pode exercer a administração da sociedade; II – o capital social deve ser totalmente integralizado; III – o sócio relativamente incapaz deve ser assistido e o absolutamente incapaz deve ser representado por seus representantes legais. 2.7.3- Impedimentos: Empresário Individual Bem, pessoal, o empresário individual além de ter que possuir o pleno gozo da capacidade civil, precisa não estar legalmente impedido para exercer a atividade empresarial, ou seja, embora o indivíduo seja civilmente capaz, a lei poderá impedi-lo. Assim, por exemplo, está impedido legalmente o servidor público federal (Art. 117, X, lei 8.112/90), o militar (Art. 29, lei 6.880/93), membro do ministério público (Art. 44, III, lei 8.625/1993), etc. Portanto, o impedimento legal para o exercício da atividade empresária é consignado em leis específicas, beleza? Outra coisa: o impedimento legal é com relação ao empresário individual, ou seja, nada impede que um servidor público federal, por exemplo, seja acionista ou quotista de uma sociedade, desde que não participe de sua administração. Porém, alguém poderia perguntar: Professor, e se o impedido resolver exercer a atividade empresária? Os atos por ele praticados são nulos? Neste caso, o indivíduo não poderá se valer do impedimento para se livrar de obrigações assumidas na condição de empresário, respondendo por elas (art. 973 do CC). Perfeito? Isso é tema de questões de prova!!! SÓ PARA RECORDAR: Então, vimos que temos as seguintes condições para o exercício da atividade empresarial: - Capacidade civil: deve estar em pleno gozo (arts. 3º, 4º e 5º do CC). Exceções: incapacidade superveniente e sucessão da empresa (causa mortis). - Sem impedimentos legais: possui capacidade civil e não é proibido legalmente. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 25 de 156 www.exponencialconcursos.com.br 7. (FCC/PROMOTOR JUSTIÇA-MPE-CE/2009) Em relação ao empresário, é INCORRETO afirmar que: a) se a pessoa legalmente impedida deexercer atividade empresarial assim agir, responderá pelas obrigações contraídas. b) de sua definição legal, destacam-se as noções de profissionalismo, atividade econômica organizada e produção ou circulação de bens ou serviços. c) a profissão intelectual, de natureza científica ou artística pode ser considerada empresarial, se seu exercício constituir elemento de empresa. d) a atividade empresarial pode ser exercida pelos que estiverem em pleno gozo da capacidade civil, não sendo impedidos legalmente. e) ainda que representado ou assistido, não pode o incapaz continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz, por seus pais ou pelo autor da herança. Comentários: O enunciado pede para assinalar a alternativa incorreta em relação ao empresário. Analisemos cada uma delas. e) Incorreta. Nossa resposta. A alternativa vai de encontro ao preconizado no art. 974 do CC, o qual permite ao incapaz continuar a empresa naquelas condições e situações. Está incorreta em função da palavra NÃO. a) Correta. Conforme o art. 973, CC, descumprindo a proibição de exercer a atividade empresarial, o impedido responderá pelas obrigações contraídas. b) Correta. Alternativa menciona as características do titular da atividade empresária: profissionalismo, atividade econômica organizada e produção ou circulação de bens ou serviços. c) Correta. A profissão intelectual, de natureza científica ou artística PODE ser considerada empresarial, DESDE QUE o seu exercício caracterize elemento de empresa. Esta é uma das exceções à teoria da empresa (art. 967, §único). d) Correta. É exatamente o que exige o art. 972 que vimos acima: CAPACIDADE CIVIL e SEM IMPEDIMENTOS LEGAIS. e) Incorreta. Nossa resposta. A alternativa vai de encontro ao preconizado no art. 974 do CC, o qual permite ao incapaz continuar a empresa naquelas condições e situações. Está incorreta em função da palavra NÃO. 2.7.4- Empresário casado O Código Civil também traz algumas considerações acerca do empresário casado. Vamos lá? Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 26 de 156 www.exponencialconcursos.com.br Obs.: Os cônjuges, separadamente, podem contratar sociedade com terceiros, independente do regime de casamento. O regime de separação legal ou obrigatória é o seguinte: Art. 1.641. É obrigatório o regime da separação de bens no casamento: I - das pessoas que o contraírem com inobservância das causas suspensivas da celebração do casamento; II – da pessoa maior de 70 (setenta) anos; III - de todos os que dependerem, para casar, de suprimento judicial. Ainda sobre o empresário casado, ele pode alienar os imóveis que integrem o patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus real (limitação de fruição e disposição do bem), sem necessidade de outorga do outro cônjuge, independente do regime do casamento (art. 978, CC). Esta regra reflete a preocupação do legislador em privilegiar a atividade empresarial diante de possível confusão patrimonial entre os bens particulares do empresário e da pessoa jurídica. Obs.: ATENÇÃO – Há certa divergência quanto a necessidade de autorização conjugal para alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis que integram o patrimônio da empresa. A razão de tal divergência é que este tema versa sobre dois artigos do CC que aparentemente estão em conflito, quais sejam: Art. 978. O empresário casado pode, sem necessidade de outorga conjugal, qualquer que seja o regime de bens, alienar os imóveis que integrem o patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus real. Art. 1.647. Ressalvado o disposto no art. 1.648, nenhum dos cônjuges pode, sem autorização do outro, exceto no regime da separação absoluta: I - alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis; (...) Assim, há duas correntes e interpretações quanto a este assunto: 1) Prevalece o art. 1.647 – há a necessidade de autorização conjugal. O art. 978 seria interpretado de modo restritivo face à regra do art. 1.647. Nesta linha, os autores da I Jornada de Direito Comercial entenderam o seguinte: “Enunciado 6. O empresário individual regularmente inscrito é o destinatário da norma do art. 978 do Código Civil, que permite alienar ou gravar de ônus real o imóvel incorporado à empresa, desde que exista, se for o caso, prévio registro de autorização conjugal no Cartório de Imóveis, devendo tais requisitos constar do instrumento de alienação ou de instituição Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 27 de 156 www.exponencialconcursos.com.br do ônus real, com a consequente averbação do ato à margem de sua inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis.”. Notem que esta orientação da Jornada de Direito Comercial é endereçada somente ao empresário individual. Por ela, faz-se necessária a outorga conjugal para que o empresário individual aliene ou grave de ônus real os bens patrimoniais da empresa; 2) Prevalece o art. 978 – este artigo seria uma exceção à regra geral do art. 1.647, ou seja, não haveria a necessidade de autorização conjugal. Essa corrente entende que o princípio da autonomia patrimonial deve prevalecer em privilégio à empresa. Assim, os bens diretamente envolvidos e destinados à atividade empresarial poderiam ser alienados ou gravados de ônus real sem a necessidade de outorga do outro cônjuge, independente do regime de bens do casamento, já que estes seriam bens da empresa e não da sociedade conjugal. Caso contrário, como preceitua a corrente anterior, haveria um entrave ao perfeito desenvolvimento e execução das atividades empresariais. Também se refere exclusivamente ao empresário individual casado. Então, qual das duas correntes/interpretações devemos adotar? Resposta: aquela que a banca entende! rsrs Boa resposta! De fato, veremos na parte das questões, que a FGV, por exemplo, se afiliou à segunda corrente em uma questão bem recente, ok? 8. (FCC/Juiz substituto-TJ-PE/2011) É correto afirmar que: e) é vedado aos cônjuges contratar sociedade entre si ou com terceiros, qualquer que seja o regime de bens escolhido. Comentários Está incorreta, visto que a vedação é quando o regime de casamento é o da SEPARAÇÃO OBRIGATÓRIA ou DA COMUNHÃO UNIVERSAL DE BENS. Ok? 2.8- Empresa Individual de Responsabilidade Limitada - EIRELI A empresa individual de responsabilidade limitada, EIRELI, foi criada pela lei nº 12.441/2011 como nova forma de organização do empresário individual; não é um novo tipo de sociedade, ok? Ela foi inserida no art. 980-A do CC. Vejamos então suas características de forma esquematizada: Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 28 de 156 www.exponencialconcursos.com.br *Obs.: Divergência no registro: o CC silencia e não é pacífico o registro onde a EIRELI deve ser registrada. O mais aceito é que se for de natureza empresária deve se registrar no RPEM-Registro Público de Empresas Mercantis (Junta Comercial); se de natureza simples, no RCPJ-Registro Civil de Pessoas Jurídicas. **Obs.: Divergência se pessoa jurídica poderia constituir EIRELI: o Departamento de Registro Empresarial e Integração (DREI) considerava que pessoa jurídica não poderia constituir uma EIRELI, enquanto que a doutrina e jurisprudência consideravam que não havia qualquer impedimento neste sentido. Com a Instrução Normativa DREI nº 38/2017, esta divergência ficou para trás. Assim, expressamente o 1.2 daquela IN estabelece que “A Empresa Individual de Responsabilidade Limitada- EIRELI poderá ser constituída tanto por pessoa natural quanto por pessoa jurídica, nacional ou estrangeira”. Pois bem, o objetivo e a principal característica da EIRELI estão relacionados à responsabilidade pelas dívidas sociais. Neste caso, a EIRELI responderá com o seu próprio patrimônio por suas dívidas, por conta da separação patrimonial tal qual ocorre nas sociedades limitadas. Inclusive, as regras das sociedades limitadas são aplicadas à EIRELI no que couber. Portanto, a responsabilidade na EIRELI é limitada ao seu patrimônio, podendo ser ainda ser aplicado o princípio da desconsideração da personalidade jurídica. Vejamos outras disposições acerca da EIRELI: Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 29 de 156 www.exponencialconcursos.com.br A constituição da EIRELI de forma derivada ocorre quando as quotas de outro tipo de sociedade encontram-se concentradas nas mãos de um único sócio. Logo, temos uma sociedade unipessoal. Então, em observância ao princípio da preservação da atividade econômica, a lei possibilita a transformação da sociedade unipessoal em EIRELI (ou em empresário individual), já que a falta de pluralidade de sócios além do prazo de 180 dias é um caso de dissolução da sociedade (art. 1.033, IV, CC). Então, o art. 980-A, §3º combinado com o art. 1.033, §único possibilita a transformação da sociedade unipessoal em EIRELI através de requerimento ao RPEM. Outro importante ponto sobre a EIRELI é quanto a sua administração. A EIRELI, portanto, poderá ser administrada por uma ou mais pessoas designadas em seu ato constitutivo. O mais comum é que o titular da EIRELI exerça a sua administração, seja o seu próprio administrador. Porém, é possível que uma pessoa estranha, que não seja o titular, administre a EIRELI. Logo, tanto o titular quanto o não-titular poderá ser o administrador da EIRELI. No mais, somente pessoa física (ou natural) poderá administrar a EIRELI e é permitido que estrangeiro também exerça esse papel (deve ter visto permanente e não estar enquadrado em caso de impedimento para o exercício da administração). Por fim, relembra-se que a EIRELI tem a possibilidade de enquadramento em ME e EPP, nos termos previstos no art. 3º da LC 123/06. Além disso, destaca-se que um profissional da área intelectual, artística ou científica, que seja detentor de direitos patrimoniais de sua obra ou criação, poderá constituir EIRELI para a prestação de serviços e, assim, explorar comercialmente e diretamente a sua obra ou, ainda, poderá ceder tais direitos patrimoniais à EIRELI que preste esse tipo de serviço (art. 980-A, §5º). 9. (FCC/Procurador da Procuradoria Especial-TCM- RJ/2015) Acerca da empresa individual de responsabilidade limitada, considere: I. Seu titular não poderá figurar em outras empresas de mesma modalidade, nem participar, como sócio, de quaisquer sociedades empresárias. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 30 de 156 www.exponencialconcursos.com.br II. Seu nome empresarial deverá ser formado pela inclusão da expressão "LTDA." após a firma ou a denominação social. III. Será constituída por uma única pessoa titular da totalidade do capital social, devidamente integralizado, que não poderá ser inferior a cem vezes o maior salário-mínimo vigente no País. IV. Poderá ser formada a partir da concentração das quotas de sociedade limitada num único sócio, independentemente das razões que motivaram tal concentração. V. Sua personalidade jurídica confunde-se com a do seu titular, sendo incapaz de adquirir personalidade jurídica própria. Está correto o que se afirma APENAS em a) III e IV. b) I e V. c) II e V. d) I e IV. e) II e III. Comentários Letra “a”. Itens III e IV corretos. I – Incorreta. Não é vedado ao titular da EIRELI participar como sócio de outra sociedade. A vedação que existe é com relação à constituição de outra EIRELI. Ou seja, a mesma pessoa não poderá ser titular de mais de uma EIRELI. Art. 980-A. §2º A pessoa natural que constituir empresa individual de responsabilidade limitada somente poderá figurar em uma única empresa dessa modalidade. II – Incorreta. Conforme, o art. 980-A, §1º, o nome empresarial da empresa individual de responsabilidade se dá da seguinte forma: FIRMA ou DENOMINAÇÃO + expressão “EIRELI”. Também, pode se enquadrar como ME ou EPP, neste caso o nome empresarial fica desta forma: firma ou denominação + “EIRELI” + “ME” ou “EPP” III – Correta. Assertiva nos termos previsto no caput do art. 980-A: “A empresa individual de responsabilidade limitada será constituída por uma única pessoa titular da totalidade do capital social, devidamente integralizado, que não será inferior a 100 (cem) vezes o maior salário-mínimo vigente no País”. IV – Correta. Assertiva literal ao §3º do art. 980-A. V – Incorreta. A EIRELI é um novo ente jurídico personificado, onde o seu patrimônio não se confunde com o patrimônio particular do seu titular. Inclusive, sujeita-se à desconsideração da personalidade jurídica. Neste Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 31 de 156 www.exponencialconcursos.com.br sentido, vejamos as seguintes orientações doutrinárias materializadas nos Enunciados da Jornada de Direito Civil: Enunciado nº 469 – Arts. 44 e 980-A: A empresa individual de responsabilidade limitada (EIRELI) não é sociedade, mas novo ente jurídico personificado. Enunciado nº 470 – Art. 980-A: O patrimônio da empresa individual de responsabilidade limitada responderá pelas dívidas da pessoa jurídica, não se confundindo com o patrimônio da pessoa natural que a constitui, sem prejuízo da aplicação do instituto da desconsideração da personalidade jurídica. 3- Registro da empresa Pessoal, o registro da empresa no órgão competente, bem como realizar a correta escrituração de suas atividades, tornam a empresa regular perante a lei. Então, neste tópico trataremos da regular inscrição da empresa perante os órgãos públicos, ok? 3.1- Órgãos de registro da empresa O registro da empresa, independentemente do seu objeto, ocorre no chamado Registro Público de Empresas Mercantis (sigla RPEM), regulado pela Lei nº 8.934/94. O RPEM atua em todo o território nacional por meio do Sistema Nacional de Registro de Empresas Mercantis (SINREM), composto da seguinte maneira: Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 32 de 156 www.exponencialconcursos.com.br Portanto, pessoal, devemos ter em mente que por meio do RPEM é conferida garantia, publicidade, autenticidade, segurança e eficácia dos atos jurídicos das empresas nacionais e estrangeiras, além de efetuar a matrícula (e cancelamento) dos seus agentes auxiliares (prepostos). *NOTA: A estrutura acima é dada pela Lei nº 8.934/94. Acontece que o Decreto nº 8.001/13 extinguiu o DNRC, que havia sido criado pela lei nº 4.048/61, ou seja, um decreto extinguiu um órgão criado por lei (?????? – ver o art. 84, VI, “a”, da CF). As funções do DNRC agora são da competência do Departamento de Registro Empresarial e Integração – DREI. Ainda, o DREI é órgão que pertence à estrutura da recém-criada Secretaria da Micro e Pequena Empresa – SMPE. Então, as instruções normativas que veremos acerca dos atos de registro foram emitidas pela DREI – as instruções do DNRC foram revogadas. 3.2- Atos de registro O registro da empresaé gênero cujas espécies são a matrícula, arquivamento e autenticação, nos termos do art. 32 da Lei 8.934/94. • Matrícula – dos leiloeiros, tradutores públicos e intérpretes comerciais, trapicheiros e administradores de armazéns-gerais; • Arquivamento – dos atos constitutivos, alterações, dissolução e extinção de firmas mercantis individuais, sociedades mercantis e cooperativas; dos atos relativos a consórcio e grupo de sociedade; dos atos concernentes a empresas mercantis estrangeiras autorizadas a funcionar no Brasil; das declarações de microempresa; de atos ou documentos que, por determinação legal, sejam atribuídos ao RPEM ou daqueles que podem interessar ao empresário e às empresas mercantis; • Autenticação – dos instrumentos de escrituração das empresas mercantis registradas e dos agentes auxiliares do comércio, na forma de leis próprias. 3.3- Registro do empresário A INSCRIÇÃO DO EMPRESÁRIO no Registro Público de Empresas Mercantis de sua sede é OBRIGATÓRIA, antes do início de sua atividade (art. 967, CC). Tal ato de inscrição no RPEM apesar de ser obrigatório não é constitutivo da condição de empresário ou sociedade empresária. A inscrição determinada pelo art. 967 do CC é DECLARATÓRIA, resultando na REGULARIDADE da condição de empresário, passando a estar regular Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 33 de 156 www.exponencialconcursos.com.br perante a lei e apto a adquirir direitos e a contrair obrigações. Como exemplo, poderá se valer do benefício da recuperação judicial por estar regular. Isto significa dizer que inscrição no RPEM não dá a qualidade de empresário, mas sim a sua regularidade. Assim, determinada atividade poderá possuir todas as características e atributos de empresa, mas não estar inscrita no RPEM; logo estará irregular. Beleza? Vejamos o teor dos enunciados da Jornada de Direito Civil realizada pelo Conselho Federal da Justiça (CFJ) que tratam deste tema: Então, pergunto: como deve ser feita a inscrição do empresário? Qual o procedimento? Bem, a inscrição se dá através de requerimento contendo (art. 968): 1) O seu NOME, nacionalidade, domicílio, estado civil e, se casado, o regime de bens; 2) A FIRMA, com a respectiva assinatura autografa (pode ser substituída por assinatura autenticada com certificação digital ou equivalente); Enunciado 199 Art. 967: A inscrição do empresário ou sociedade empresária é requisito delineador de sua regularidade, e não de sua caracterização. Enunciado 198 Art. 967: A inscrição do empresário na Junta Comercial não é requisito para a sua caracterização, admitindo-se o exercício da empresa sem tal providência. O empresário irregular reúne os requisitos do art. 966, sujeitando-se às normas do Código Civil e da legislação comercial, salvo naquilo em que forem incompatíveis com a sua condição ou diante de expressa disposição em contrário. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 34 de 156 www.exponencialconcursos.com.br 3) O CAPITAL; 4) O OBJETO e a SEDE da empresa. Obs.: Atenção ao item 2 acima, pois é mudança recente no CC (Lei Complementar nº 147/14), bem suscetível de ser cobrado. Ressalto, ainda, que a microempresa (ME) e empresa de pequeno porte (EPP) estão dispensadas do uso da firma, como forma de facilitar o início de seu funcionamento (art. 4º,§1º, I, LC 123/06 – abaixo transcrito). Art. 4º. § 1o. O processo de abertura, registro, alteração e baixa da microempresa e empresa de pequeno porte, bem como qualquer exigência para o início de seu funcionamento, deverão ter trâmite especial e simplificado, preferencialmente eletrônico, opcional para o empreendedor, observado o seguinte: I - poderão ser dispensados o uso da firma, com a respectiva assinatura autógrafa, o capital, requerimentos, demais assinaturas, informações relativas ao estado civil e regime de bens, bem como remessa de documentos, na forma estabelecida pelo CGSIM; Pois bem, à margem da inscrição dos atos constitutivos da empresa, deve ser averbada qualquer alteração relacionada às informações nela constantes. Por exemplo, no caso de constituição de estabelecimento secundário (sucursal, filial ou agência), o empresário deve averbar esta modificação no RPEM da sede da empresa. 10. (FCC/JUIZ SUBSTITUTO-TJ-PE/2011) É correto afirmar que c) É facultativa a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas Mercantis da sede respectiva, antes do início de sua atividade. Comentários Incorreta. A inscrição do empresário no Registro Público de Empresas Mercantis (RPEM) de sua sede é OBRIGATÓRIA antes do inicio de sua atividade (art. 967, CC). Logo a assertiva está incorreta pelo uso da palavra “facultativa”. Ressalta-se, apenas, que este procedimento é delineador de sua regularidade, e não de sua caraterização, conforme dispõe o enunciado que acabamos de estudar! 3.4- Registro da sociedade empresária Meus caros, a próxima aula será especificamente sobre as sociedades, onde trataremos acerca de sua definição, classificação e tipos. Porém neste momento, devemos falar sobre o seu registro, beleza? Logo, necessitamos Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 35 de 156 www.exponencialconcursos.com.br adiantar que a sociedade divide-se em dois grandes grupos conforme exerçam ou não a atividade empresarial: SOCIEDADE EMPRESÁRIA e SOCIEDADE SIMPLES. Pois bem, por definição, a sociedade é uma pessoa jurídica de direito privado que adquire personalidade jurídica com a inscrição dos seus atos constitutivos no registro próprio. É neste momento que se dá o “nascimento” da sociedade. Assim, os dois grupos de sociedades seguem a seguinte esquematização em relação aos seus registros: Portanto, o “nascimento” das sociedades (e demais pessos jurídicas de direito privado) significa o início de sua existência legal. Então, tal como ocorre para o empresário, a inscrição dos atos constitutivos da sociedade no registro próprio (RPEM ou RCPJ) confere a REGULARIDADE à sociedade, na forma da lei. Mais ainda: a sociedade adquire personalidade jurídica e poderá exercer a sua atividade econômica de forma plena e regular. Bem, na próxima aula trataremos da constituição e do contrato social da sociedade, ok? No mais, importa dizer, neste momento, que um rito formal deve ser observado pelas sociedades na sua constituição, bem como pelo empresário (art. 1.151), conforme a seguinte esquematização: Assim, o empresário e a sociedade (simples ou empresária) devem apresentar os documentos necessários ao registro no prazo de 30 (trinta) Lavratura (assinatura) dos atos constitutivos 30 dias Prazo final para levar os atos ao registro Registro dos atos constitutivos Averbação pelo registro Regularidade Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 36 de 156 www.exponencialconcursos.com.br dias contados da lavratura dos atos. No caso de omissão ou demora, o sócio ou qualquer interessado poderá ir ao RPEM/RCPJ e efetuar o registro dos atos constitutivos, respondendo por perdas e danos aqueles obrigados a requerer o registro. Destaca-se que no caso de ocorrer o registro além do prazo de 30 (trinta) dias, ele só produzirá os efeitos próprios (regularidade) após a concessão ou averbação pelo RPEM/RCPJ. 3.5- Registro da atividade ruralRessalta-se, por fim, o caso da ATIVIDADE RURAL. Já mencionamos que aquele que exerce a atividade rural seria uma exceção à teoria da empresa. Recordam? Bem, esta exceção deve-se ao fato de que é opcional para aquele que exerce a atividade rural se sujeitar às regras próprias de quem é empresário. Vejamos como pode ser a inscrição da atividade rural: O mesmo serve para a sociedade que tenha por objeto o exercício da atividade própria de empresário rural: PODERÁ requerer inscrição no RPEM, sujeitando-se às regras da sociedade empresária. Em relação ainda ao empresário rural e sua inscrição, está previsto no CC que a lei assegurará TRATAMENTO FAVORECIDO, DIFERENCIADO E SIMPLIFICADO ao empresário rural. O mesmo ocorre para pequeno empresário (art. 970). 3.6- A inatividade da empresa A inatividade da empresa ocorre quando ela não proceder a qualquer arquivamento na Junta Comercial por 10 anos contados da data do último arquivamento e não se manifestar a respeito quando intimada pela Junta Comercial. Então, como resultado, a empresa será considerada inativa e terá o seu registro cancelado. Além disso, perde a sua proteção ao nome empresarial. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 37 de 156 www.exponencialconcursos.com.br O art. 60 da Lei nº 8.934/94 é enfático: Art. 60. A firma individual ou a sociedade que não proceder a qualquer arquivamento no período de dez anos consecutivos deverá comunicar à junta comercial que deseja manter-se em funcionamento. Conforme o art. 3º da IN DREI nº 5/13, é previsto o prazo de 30 dias da data do instrumento de comunicação (via postal ou edital) para que a empresa em vias de ser cancelada se manifeste. Esse prazo poderá ser prorrogado. Com o cancelamento do registro, a Junta Comercial deverá comunicar os órgãos arrecadadores no prazo de 10 dias (dica: 10 anos 10 dias). No mais, a empresa cancelada poderá ser reativada obedecendo os mesmos procedimentos requeridos para a sua constituição. Vale destacar que a empresa que se encontra paralisada temporariamente poderá requerer o arquivamento da chamada “Comunicação de Paralisação Temporária de Atividades” para evitar que o cancelamento de sua inscrição e a perda do seu nome empresarial. Deve-se observar o prazo de 10 anos. Vejamos uma questão que aborda este assunto: 11. (FGV/Juiz Substituto-TJ-PA/2009) A respeito de Registro de Empresas Mercantis, analise as afirmativas a seguir. I. O registro dos atos de comércio é constitutivo de direitos. II. Os atos das sociedades mercantis serão arquivados no Registro Público das Empresas Mercantis independente de seu objeto, salvo as exceções previstas em lei. III. As Juntas Comerciais são órgãos integrantes da administração estadual que desempenham uma função de natureza federal. IV. Será cancelado administrativamente o registro de empresa mercantil que não comunicar à Junta Comercial que está em funcionamento, caso não tenha procedido a qualquer arquivamento no período de 15 anos consecutivos. Assinale: a) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas. b) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas. c) se somente as afirmativas I, II e IV estiverem corretas d) se somente as afirmativas II, III e IV estiverem corretas e) se todas as afirmativas estiverem corretas. Comentários Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 38 de 156 www.exponencialconcursos.com.br Letra “b”. I – O registro dos atos de comércio é constitutivo de direitos. Incorreta. O registro dos atos de comércio NÃO é constitutivo de direitos, mas simplesmente declaratório da qualidade de empresário. II – Os atos das sociedades mercantis serão arquivados no Registro Público das Empresas Mercantis independente de seu objeto, salvo as exceções previstas em lei. Correta. A expressão “mercantil” utilizada na alternativa caiu em desuso, mas significa empresa, ok? Assim, o empresário e a sociedade empresária vinculam-se ao RPEM (Registro Público das Empresas Mercantis), por força do art. 1.150, CC. Segundo o art. 2º da lei 8.934/94, seus atos serão arquivados no RPEM independente de seu objeto, salvo exceções previstas em lei, em especial o art. 35 da lei 8.934/94, que proíbe o arquivamento em certas hipóteses. III – As Juntas Comerciais são órgãos integrantes da administração estadual que desempenham uma função de natureza federal. Correta. Conforme o art. 6º da Lei 8.934/94, a junta comercial subordina-se administrativamente ao governo estadual, mas desempenha função de natureza federal. É tecnicamente subordinado ao atual Departamento de Registro Empresarial e de Integração (DREI), que é o órgão central do Sistema Nacional de Registro Mercantil. No entanto, a Junta Comercial do Distrito Federal subordina-se à Secretaria da Micro e Pequena Empresa – SMEP. IV – Será cancelado administrativamente o registro de empresa mercantil que não comunicar à Junta Comercial que está em funcionamento, caso não tenha procedido a qualquer arquivamento no período de 15 anos consecutivos. Incorreta. Esta sem dúvidas foi a afirmativa mais difícil da questão. Nos termos do art. 60 da Lei 8.934/94, o período é de 10 anos consecutivos, e não de 15 anos. 3.7- Empresário irregular Há uma série de consequências para o empresário irregular perante a lei, em decorrência da falta de registro no RPEM, bem como escrituração dos livros irregularmente. Vejamos algumas mais importantes: Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 39 de 156 www.exponencialconcursos.com.br Consequências Fundamento legal Não tem legitimidade ativa para pedir a falência do seu devedor, pois somente o empresário regularmente inscrito na Junta Comercial pode requerer. Art. 97, § 1º da LF (Lei nº 11.101 /2005 - Lei de Falências) Não tem legitimidade ativa para se beneficiar de recuperação judicial e extrajudicial, pois somente o empresário regularmente inscrito na Junta Comercial pode se valer de tais benefícios legais. Arts. 48, 51, V e 161 da da LF (Lei nº 11.101 /2005 - Lei de Falências) A escrituração da empresa não poderá ser autenticada no RPEM, pois é necessário estar registrado. Assim, os livros não possuirão a eficácia probatória em caso de litígio. Art. 32, III; art. 39, I da Lei 8.934/94 (Lei do RPEM) e art. 379 do CPC. Crime falimentar - Deixar de elaborar, escriturar ou autenticar os documentos de escrituração contábil obrigatórios Art. 178 da LF (Lei nº 11.101 /2005 - Lei de Falências) Além dessas consequências, no caso de sociedade irregular, os sócios responderão ilimitadamente pelas obrigações da sociedade, como veremos na próxima aula. No mais, no decorrer do curso trataremos dessas consequências para o empresário irregular. 4- Livros Comerciais Os livros comerciais ou a escrituração empresarial estão relacionados ao registro da empresa, na medida em que são também pressupostos da regularidade empresarial. Assim, temos a autenticação nas Juntas Comerciais dos instrumentos de escrituração das empresas, como um dos atos do registro da empresa (os outros dois são a matrícula e o arquivamento). Portanto, no exercício de sua atividade, o empresário e a sociedade devem seguir a correta escrituração dos seus livros e assim manter a sua atividade regular, sendo aplicada ainda às suas sucursais, filiais ou agências, com sede no estrangeiro.Então, primeiramente, podemos concluir que a escrituração constitui a prova do exercício regular da atividade empresarial, ok? Isto porque, os livros comerciais provam contra e a favor da empresa que os elaborar. É o que prevê os arts. 417 e 418 do Código de Processo Civil (CPC). Ou seja, de fato, a escrituração constitui prova do exercício regular da empresa. Vejamos as disposições do CPC: Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 40 de 156 www.exponencialconcursos.com.br Art. 417 do CPC. Os livros empresariais provam contra seu autor, sendo lícito ao empresário, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos. Art. 418 do CPC. Os livros empresariais que preencham os requisitos exigidos por lei provam a favor de seu autor no litígio entre empresários. Logo, devemos notar que os livros comerciais têm força probante relativa, já que eles admitem prova em contrário. Assim, os livros comerciais fazem prova a favor e contra o seu titular, sendo lícito a demonstração por todos os meios admitidos em direito de que os lançamentos não correspondem às verdades dos fatos. No mesmo sentido, o §único do art. 1.192 do CC aduz que “A confissão resultante da recusa pode ser elidida por prova documental em contrário”. Portanto, a escrituração serve para provar a existência das operações, bem como para que os sócios e o empresário verifiquem e avaliem os efeitos econômicos da ação administrativa da empresa. No entanto, o PEQUENO EMPRESÁRIO ESTÁ DISPENSADO de manter um sistema de contabilidade completo (Art. 1.179, §2º, CC). As suas obrigações são simplificadas, mas existentes (escrituração). Pois bem, em síntese, verificamos as seguintes regras e obrigações do empresário e da sociedade empresária em relação à escrituração dos livros comerciais com base no que diz o Código Civil: Podemos ainda considerar que além de caracterizar a regularidade da atividade empresarial, a escrituração possui três outras funções: Gerencial, Documental e Fiscal. Pela função gerencial, a escrituração serve de auxílio à Pequeno empresário - DISPENSADO Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 41 de 156 www.exponencialconcursos.com.br tomada de decisões administrativas, financeiras e comerciais. Já pela função documental, ela serve de base para informações do interesse de terceiros (sócios, investidores, bancos credores). E por fim, pela função fiscal a escrituração serve para a fiscalização do cumprimento de obrigações legais (natureza fiscal). No mais, há consequências para a falta de escrituração dos livros comerciais, como crime falimentar (art. 178, Lei 11.101/05) e a não obtenção do benefício da recuperação judicial (art. 51, Lei 11.101/05). Outra obrigação importante e que costuma ser cobrado em prova é aquela referente ao livro Diário. Vejamos: Então, conforme o art. 1.180 do CC, o único livro obrigatório para TODOS os empresários é o Diário, com exceção do pequeno empresário (Microempreendedor Individual – MEI – receita brutal anual de até 60 mil reais). Art. 1.180. Além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o Diário, que pode ser substituído por fichas no caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. Art. 1.185. O empresário ou sociedade empresária que adotar o sistema de fichas de lançamentos poderá substituir o livro Diário pelo livro Balancetes Diários e Balanços, observadas as mesmas formalidades extrínsecas exigidas para aquele. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 42 de 156 www.exponencialconcursos.com.br 4.1- Sigilo dos livros comerciais Bem, eu diria que esta é a parte mais importante com relação aos livros e à escrituração comercial. O esquema abaixo engloba as possibilidades de QUEBRA DO SIGILO DOS LIVROS COMERCIAIS: Para complementar o esquema acima, é importante termos atenção às sumulas do STF: Súmula 390: A exibição judicial de livros comerciais pode ser requerida como medida preventiva. Súmula 260: O exame de livros comerciais, em ação judicial, fica limitado às transações entre os litigantes. Súmula 439: Estão sujeitos à fiscalização tributária ou previdenciária quaisquer livros comerciais, limitado o exame aos pontos objeto da investigação. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 43 de 156 www.exponencialconcursos.com.br Logo, observemos que tanto o sigilo quanto o exame dos livros comerciais não são direitos absolutos. 5- Nome empresarial Então! Vamos seguir em frente?! Bem, tal como ocorre para as pessoas naturais, a pessoa jurídica tem direito ao nome. Assim, é através de seu nome que a empresa realiza negócios com clientes e credores, obrigando-se juridicamente perante terceiros. Deste modo, o nome empresarial pode ser dividido nas seguintes espécies: FIRMA e DENOMINAÇÃO. A firma ainda pode se dividir em: individual e social. Quando tratar-se de EMPRESÁRIO INDIVIDUAL, usaremos a FIRMA INDIVIDUAL. Quando tratar-se de SOCIEDADE usaremos a expressão “FIRMA SOCIAL” (ou “firma coletiva” ou “razão social”). Importa destacar que a lei confere ao nome da sociedade simples, associação e fundação a mesma proteção do nome empresarial, mesmo não sendo tais entes sociedades empresárias. Bem, abaixo vamos detalhar cada tipo de nome empresarial: • FIRMA INDIVIDUAL ➔ formada pelo nome civil, de forma completa ou abreviada, seguida opcionalmente de designação mais precisa da sua pessoa ou do gênero de sua atividade. Exemplos: Carlos Eduardo / Carlos Eduardo Automóveis / C E Automóveis. • FIRMA OU RAZÃO SOCIAL ➔ usada para sociedades. Semelhante à firma individual. Formada pelo nome civil de um ou mais sócios. Exemplos: André Neves, Antônio Jorge e Vinícius Milagre Bar e Restaurante / Antônio Jorge e companhia / Vinícius Milagre & Cia. • DENOMINAÇÃO ➔ formada por expressão ou nome fantasia e, obrigatoriamente, por expressão indicativa do objeto social (ramo de atividade). É permitido o uso do nome de um ou mais sócios. Lembrando que a denominação é somente usada em caso de sociedade. Exemplos: Nery e Cohen Tecidos Ltda.; Flamengo Carros S/A / Companhia Flamengo de Carros. Na tabela abaixo relacionamos cada nome empresarial com os tipos societários e empresário individual. Lembrando que trataremos de cada tipo societário mais adiante neste curso, ok? Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 44 de 156 www.exponencialconcursos.com.br Tipo Societário Espécie Exemplo Empresário Individual Firma individual André Neves Sociedade Simples Razão social ou Denominação Paulo e José Flores ou PJ Floricultura LTDA Sociedade em nome coletivo Razão social Ana, João e José Flores ou Ana & Cia Sociedade Comandita Simples Razão social (apenas o comandidato aparece no nome) Antônio & Companhia Sociedade Limitada Razão social ou Denominação João & Cia. LTDA ou Transportes FLA LTDA Comandita por ação Razão social ou Denominação Bar do Buí comandita por ações Micro Empresa e Empresa de Pequeno Porte Razão social ou Denominação PJ Floricultura LTDA EPP Sociedade Anônima Denominação (vedado o uso de “companhia” ou “Cia.”no final da denominação) Companhia do Rio de Janeiro ou Cia do Rio de Janeiro ou Rio de Janeiro S/A ou Rio de Janeiro Sociedade Anônima Cooperativas Denominação Cooperativa dos Concurseiros do Brasil Obs1: a Sociedade em conta de participação não possui nome empresarial (art. 1.162). Obs2: Micro empresa e Empresa de pequeno porte – Nome empresarial: o art. 72 da LC 123 foi revogado. Assim, a partir de 01/01/2018, fica vedado o uso das expressões “Microempresa” ou “Empresa de Pequeno Porte”, ou suas respectivas abreviações, “ME” ou “EPP”. Também, a inclusão do objeto da atividade exercida passa a ser obrigatória quando tratar-se de denominação. Porém, os nomes empresariais já anteriormente registrados poderão ser mantidos, caso for do interesse da sociedade. Beleza? Obs3: Embora o inciso II do art. 997 do CC fale em "denominação", entende- se que a sociedade simples "pura" ou simples simples (neste caso estamos falando do tipo social sociedade simples) pode adotar firma ou razão social. Veja a orientação doutrinária do Conselho da Justiça Federal no Enunciado nº 213 da Jornada de Direito Civil: Art. 997: "O art. 997, inc. II, não exclui a possibilidade de sociedade simples utilizar firma ou razão social". Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 45 de 156 www.exponencialconcursos.com.br Obs4: Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI): firma ou denominação + expressão “EIRELI”. Bem pessoal, sei que inicialmente saber qual tipo de nome empresarial é adotado por determinado tipo de sociedade pode parecer confuso. Mas não é. Vocês verão! Com o tempo e paciência, este tema estará tranquilo em suas cabeças. Ainda em relação ao NOME EMPRESARIAL, é importante assimilarmos as regras na tabela abaixo e que constam no Código Civil. • PROTEÇÃO • Âmbito ESTADUAL – Junta Comercial (JC) • PRINCÍPIO DA VERACIDADE • NÃO pode conter informações falsas. • NÃO pode conter sócio falecido ou excluído ou se retirado. • PRINCÍPIO DA NOVIDADE • Deve ser único no registro (JC) • EXTINÇÃO DO NOME • Requerimento de qualquer interessado • Encerramento da atividade • Liquidação • OMISSÃO da expressão “LTDA” • Responsabilidade solidária e ilimitada dos administradores pelo ato de omitir. Prosseguindo, devemos atentar para o fato de que o uso indevido do nome empresarial pode acarretar responsabilidades, como no caso da omissão da expressão “LTDA” na sociedade limitada, conforme acima na tabela. Nesta mesma linha, as sociedades que possuem sócios de responsabilidade ilimitada (sociedade em nome coletivo e sociedade em comandita simples) devem usar a firma (razão social), sendo que somente o sócio de responsabilidade ilimitada pode aparecer na firma, ok? Na esquematização abaixo podemos entender melhor este aspecto da responsabilidade social em relação ao nome empresarial (art. 1.157). Bem, agora para fecharmos o assunto nome empresarial, devemos saber da seguinte REGRA: o nome empresarial não pode ser objeto de Obrigatório Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 46 de 156 www.exponencialconcursos.com.br ALIENAÇÃO, EXCETO se por ato entre vivos o contrato de trespasse (contrato de alienação do estabelecimento empresarial) permitir. Neste caso, o adquirente do estabelecimento PODE utilizar o nome do alienante precedido de seu próprio nome, com a qualificação de sucessor. Exemplo: Renata Almeida Calçados adquire o estabelecimento empresarial de Valéria Teixeira Bolsas, passando a se chamar Renata Almeida Calçados, sucessor de Valéria Teixeira Bolsas. Ou seja, de forma isolada, o nome empresarial NÃO pode ser alienado. 12. (FCC/Julgador Administrativo Tributário-SEFAZ- PE/2015) Quanto ao nome empresarial, é correto afirmar: e) A omissão da palavra "limitada" no nome da sociedade limitada determina a responsabilidade subsidiária dos administradores que assim empregarem a firma ou a denominação da sociedade. Comentários Incorreta. No caso de omissão da palavra “limitada”, a responsabilidade é solidária e ilimitada dos administradores que assim empregarem a firma ou a denominação da sociedade limitada (art. 1.158, §3º, CC). 6- Estabelecimento Empresarial Este é um importante tema; muito cobrado em prova! Bem, estudamos mais acima a Teoria dos Perfis de Empresa (Prof. Asquini), lembram? Portanto, devem lembrar que o estabelecimento empresarial diz respeito ao Perfil Objetivo ou Patrimonial, certo? Assim, podemos definir o Estabelecimento Empresarial: Assim, podemos entender o Estabelecimento Empresarial como sendo o COMPLEXO DE BENS ORGANIZADO para o exercício da empresa (art. 1.142, CC), sendo elemento essencial para o exercício da atividade. É formado, ainda, por bens corpóreos (tangível) e incorpóreos (intangível). • Bens corpóreos: mercadorias, instalações, máquinas e utensílios; • Bens incorpóreos: bens industriais (patente de invenção, de modelo de utilidade, registro de desenho industrial, marca registrada, nome empresarial e título de estabelecimento) e o ponto comercial “Estabelecimento empresarial é o CONJUNTO DE BENS reunidos pelo empresário para a exploração de sua atividade econômica.” (Fabio Ulhoa Coelho). Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 47 de 156 www.exponencialconcursos.com.br Vale destacar que o Estabelecimento Empresarial possui natureza jurídica caracterizada por uma UNIVERSALIDADE DE FATO - pluralidade de bens singulares que, pertinentes à mesma pessoa, tenha destinação unitária (art. 90, CC), sendo, deste modo, OBJETO UNITÁRIO de direitos e negócios jurídicos, translativos ou constitutivos. Isso significa que o estabelecimento empresarial poderá ser objeto de um negócio, por exemplo, de arrendamento, ou de cessão, venda, alienação. Beleza? 6.1- Trespasse Outro importante tema relacionado ao estabelecimento empresarial diz respeito ao TRESPASSE. Aí, surge a pergunta: que troço é esse de trespasse? Hehehe. Embora não haja um conceito legal, vejamos à luz da doutrina e jurisprudência: Então, o que vai nos interessar são as circunstâncias e consequências que envolvem a transferência do estabelecimento empresarial. Observemos o esquema abaixo. Podemos notar que as condições para a eficácia da alienação são verdadeiras proteções aos credores do alienante. Assim, efetuada a alienação do estabelecimento e caso haja DÉBITOS anteriores à transferência, o adquirente RESPONDE por eles, desde que estejam regularmente contabilizados. Porém, o alienante (devedor TRESPASSE: É o contrato comercial inter-vivos pelo qual a titularidade do estabelecimento empresarial é transferida (contrato de compra e venda). Se não restarem ao alienante bens suficientes. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 48 de 156 www.exponencialconcursos.com.br primitivo) continua a responder SOLIDARIAMENTE ao adquirente por 1 (um) ano contado da publicação do contrato de venda do estabelecimento pelos débitos vencidos e, da data do vencimento, dos outros débitos, também por um ano (art. 1.146, CC). Portanto, a SOLIDARIEDADE entre o alienante e o adquirente, pelos débitos do estabelecimento, possui o duração de 1 (um) ano, nesses termos: Obs.: A sucessão empresarial (solidariedade) acima engloba TODAS AS DÍVIDAS do empresário?NÃO. Considera-se que a regra do art. 1.146 não engloba as dívidas trabalhistas e as tributárias, que contam com regras próprias – arts. 448 da CLT e 133 do CTN, respectivamente. Portanto, mesmo existindo cláusulas pactuadas no contrato de trespasse regulando a responsabilidade por tais dívidas, nem o alienante e nem o adquirente, podem se valer de tais cláusulas quando demandados ou pelo fisco ou pela Justiça do Trabalho. Os efeitos das referidas cláusulas se restringem às partes pactuadas, no caso de ação em regresso. E quanto aos CRÉDITOS existentes no momento do trespasse? Bem, neste caso, os créditos são também transferidos e seus respectivos devedores estarão afetados pelo trespasse. Isso só não ocorre se o devedor, agindo de boa fé, pagar seus débitos ao antigo proprietário (cedente). Ok? Beleza? Outra consequência do trespasse diz respeito à possibilidade de concorrência por parte do alienante ou cedente após a transferência. Como regra, é proibido ao alienante ou cedente do estabelecimento empresarial fazer concorrência ao adquirente. Somente no caso de alienação é permitida a CONCORRÊNCIA, nos seguintes termos: Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 49 de 156 www.exponencialconcursos.com.br Obs.: Enunciado nº 490 da Jornada de Direito Civil: “A ampliação do prazo de 5 (cinco) anos de proibição de concorrência pelo alienante ao adquirente do estabelecimento, ainda que convencionada no exercício da autonomia da vontade, pode ser revista judicialmente, se abusiva”. E quanto aos contratos em vigor no momento do trespasse? Bem, salvo disposição em contrário, o adquirente poderá assumir (sub-rogação) os contratos que não tiverem caráter pessoal. Sendo que, os terceiros podem rescindir o contrato em 90 (noventa) dias contados da publicação da transferência, se ocorrer justa causa, ressalvada, neste caso, a responsabilidade do alienante. Então, ocorrendo o trespasse, as partes podem tratar e estabelecer disposições sobre os contratos afetos ao estabelecimento. Porém, caso não tratem desse assunto, o CC trata. Resumindo: • CONTRATOS ➔ Alienante e adquirente acertam entre si; • Contrato de caráter pessoal ➔ adquirente NÃO ASSUME; • RESCISÃO de contratos ➔ até 90 dias de publicado a transferência em caso de justa causa. Obs.: CONTRATO DE LOCAÇÃO do ponto comercial ➔ Embora não se transmita automaticamente ao adquirente por conta do trespasse do estabelecimento empresarial, o contrato de locação segue a regra geral acima vista para os demais contratos. O Enunciado nº 8 da I Jornada de Direito Comercial também vai neste mesmo sentido: “A sub-rogação do adquirente nos contratos de exploração atinentes ao estabelecimento adquirido, desde que não possuam caráter pessoal, é a regra geral, incluindo o contrato de locação”. Por fim, mais adiante voltaremos a este assunto quando tratarmos do Ponto Comercial e da renovação do contrato de locação e seus requisitos. 13. (FCC/Juiz-TJ-AL/2015) Relativamente ao estabelecimento empresarial, considere: I. O contrato que tenha por objeto a alienação, o usufruto ou arrendamento do estabelecimento, só produzirá efeitos quanto a terceiros depois de averbado à margem da inscrição do empresário, ou da sociedade empresária, no Registro Público de Empresas Mercantis, e de publicado na Imprensa Oficial. II. Se ao alienante não restarem bens suficientes para solver o seu passivo, a eficácia da alienação do estabelecimento depende do pagamento de todos os credores, ou do consentimento destes, somente de modo expresso, em trinta dias a partir de sua notificação. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 50 de 156 www.exponencialconcursos.com.br III. O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados, continuando o devedor primitivo solidariamente obrigado pelo prazo de um ano, a partir, quanto aos créditos vencidos, da publicação, e, quanto aos outros, da data do vencimento. IV. Não havendo autorização expressa, o alienante do estabelecimento não pode fazer concorrência ao adquirente, nos três anos subsequentes ao registro da transferência. V. É legítima a penhora da sede do estabelecimento comercial. Está correto o que se afirma APENAS em a) II, III e IV. b) II, III, IV e V. c) I, III e V. d) I, II, IV e V. e) I, III, IV e V. Comentários Letra “c”. I - Importante ter em mente que o contrato de alienação, usufruto ou arrendamento só produz efeitos após averbado no RPEM e de publicado oficialmente (art. 1.144, CC). Correta. II – Incorreta. O erro está no “somente de modo expresso”, pois tacitamente a alienação do estabelecimento adquire eficácia – no caso dos credores não se manifestarem em 30 dias no sentido de consentir com a alienação (art. 1.145, CC). Art. 1.145. Se ao alienante não restarem bens suficientes para solver o seu passivo, a eficácia da alienação do estabelecimento depende do pagamento de todos os credores, ou do consentimento destes, de modo expresso ou tácito, em trinta dias a partir de sua notificação. III – Correta, conforme a literalidade do art. 1.146 do CC. IV – Incorreta. São 5 (cinco) anos e não 3 (três). Art. 1.147, CC. V – Para complementar o que já estudamos até aqui sobre estabelecimento empresarial, vale destacar que “é legítima a penhora da sede do estabelecimento comercial”, conforme teor da Súmula nº 451 do STJ. Porém, esta é uma medida excepcional, quando não existir outros bens passíveis de penhora e desde que não seja servil à residência da família. Correta. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 51 de 156 www.exponencialconcursos.com.br 6.2- Aviamento Partindo do pressuposto de que o estabelecimento empresarial é composto de elementos materiais e imateriais empregados na execução da atividade empresarial, surge a ideia de aviamento. O aviamento é considerado um atributo do estabelecimento empresarial e pode ser conceituado como: Então, observemos que o aviamento não é um elemento corpóreo ou incorpóreo do estabelecimento empresarial, mas está com ele intimamente ligado, não podendo ser separado do mesmo. Em suma, é uma qualidade adquirida pelo estabelecimento em razão da forma como a atividade empresarial está sendo exercida, de tal sorte que confere um sobrevalor aos bens quando considerados em conjunto. Obs. (1): Fundo de comércio (ou fundo de empresa): ora é empregado como sinônimo de estabelecimento empresarial, ora é empregado como aviamento. Azienda (do italiano) também pode vir empregado como sinônimo de fundo de comércio e estabelecimento empresarial. Obs. (2): Goodwill of a trade (ou somente goodwill): expressão econômica que também podemos encontrar como sinônimo de aviamento. Inclusive, esta expressão já foi tema da seguinte prova: (CESPE/Juiz-PI/2007) “...mais valia do conjunto de bens do empresário em relação à soma dos valores individuais, relacionado à expectativa de lucros futuros”. Portanto, atenção a essas expressões conforme o contexto da questão, pois não é pacífica a distinção precisa entre elas, ok? 6.3- Clientela A clientela também é um atributo do estabelecimento empresarial e representa as pessoas que mantém certa relação com a empresa na busca por bens e serviços. A doutrina majoritária entende que a clientela NÃO pode ser considerada como ELEMENTO DO ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL, jáque não pode ser quantificada ou mensurada. Assim, não pode ser objeto de alienação isolada, pois só existe enquanto a empresa estiver em funcionamento. Além disso, o empresário não é proprietário de seus clientes. “... sobrevalor, agregado aos bens do estabelecimento empresarial em razão da sua racional organização pelo empresário” (Ulhoa) “... é a aptidão da empresa de produzir lucros, decorrente da qualidade e da melhor perfeição de sua organização” (Requião) Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 52 de 156 www.exponencialconcursos.com.br Então, a clientela não pode ser vendida, pois representa uma dada situação de fato relacionada ao aviamento e à forma como a atividade empresarial está sendo exercida. Considera-se, por isso, que a clientela seria uma manifestação externa do aviamento. 6.4- O ponto empresarial (ou comercial) Por fim, para finalizar esta aula, devemos cuidar do ponto empresarial ou ponto de comércio ou ponto de negócio. Bem, o ponto empresarial é o local onde a atividade empresarial é exercida de maneira contínua e a clientela relaciona-se com o empresário. Note que o ponto empresarial é parte integrante do estabelecimento e não se confunde com o local físico; sua definição vai além do simples conceito de imóvel, pois é consequência do trabalho desenvolvido no local. É um bem incorpóreo do estabelecimento empresarial, ok? Dada a sua importância para o exercício da atividade empresarial e observando o princípio da preservação da empresa, a legislação confere proteção ao ponto empresarial. Afinal, imaginemos a situação onde um empresário exerce durante anos a sua atividade em um imóvel alugado. Ele, obviamente, por meio de investimentos, já possui uma clientela fiel; sendo ele mesmo cliente de seus fornecedores. Então, existe um contrato de locação que contém diversas cláusulas, sendo uma delas o prazo de duração daquela relação contratual. Assim, o principal aspecto que envolve o ponto empresarial é essa proteção à atividade ali exercida. A Lei nº 8.245/91 (Lei de Locação-LL) é o instrumento a ser utilizado no caso de imóvel alugado, conferindo ao empresário locatário o direito de permanecer no imóvel ou de indenização em caso de não renovação, conforme a lei – Direito de Inerência. No entanto, alguns requisitos legais devem ser observados no caso de renovação obrigatória do contrato de locação (art. 51 da LL). Logo, em regra, o empresário detém o direito de renovação do contrato de locação mesmo contra a vontade do locador. Porém, esse direito não é Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 53 de 156 www.exponencialconcursos.com.br absoluto, existindo algumas situações em que o locador (proprietário do imóvel) poderá se opor à renovação do aluguel, mesmo preenchidos os requisitos acima. É o chamado Direito de Retomada. Tais hipóteses são as seguintes (art. 52 e 72 da LL): 1. Por determinação do Poder Público – proprietário deve realizar obras no imóvel que resultem em sua radical transformação ou aumentem o valor do negócio ou da propriedade; 2. Proprietário irá utilizar ele próprio o imóvel; 3. Proprietário irá transferir fundo de comércio já existente há mais de um ano, quando o detentor da maioria do capital social for o locador, seu cônjuge, ascendente ou descendente; 4. A proposta do locatário não atende ao valor locativo real do imóvel; 5. Existir proposta de terceiro em condições melhores – ao locatário cabe indenização para ressarcimento dos prejuízos e dos lucros cessantes que tiver que arcar com mudança, perda do lugar e desvalorização do fundo de comércio; Observações: • Hipóteses 2 e 3: o locador não poderá usar o imóvel no mesmo ramo de atividade que o locatário, salvo se a locação também envolvia o fundo de comércio, com as instalações e pertences; • Hipóteses 1, 2 e 3: o locador tem o prazo de 3 meses para dar o destino alegado ao imóvel ou iniciar as obras determinadas pelo Poder Público ou que declarou pretender realizar, sob pena de indenizar o locatário por prejuízos e lucros cessantes que tiver que arcar com mudança, perda do lugar e desvalorização do fundo de comércio. 7- Prepostos Imagine que ficar sozinho a frente de uma atividade empresarial não é uma tarefa fácil. Portanto, os prepostos são as pessoas que auxiliam o empresário no exercício da atividade empresária. E, assim como os instrumentos de escrituração, os instrumentos dos agentes auxiliares devem ser autenticados pelas Juntas Comerciais. Art. 39. As juntas comerciais autenticarão: I - os instrumentos de escrituração das empresas mercantis e dos agentes auxiliares do comércio; Os auxiliares da empresa podem ser profissionais com vínculo empregatício ou profissionais autônomos. Quando há vínculo empregatício, o empresário é conhecido como preponente. Portanto, o empresário é chamado de preponente e é RESPONSÁVEL “pelos atos de quaisquer prepostos, praticados nos seus estabelecimentos e relativos à atividade Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 54 de 156 www.exponencialconcursos.com.br da empresa, ainda que não autorizados por escrito.” (art. 1.178). No entanto, se os atos forem praticados fora do estabelecimento, o preponente fica obrigado somente até o limite dos poderes que foram conferidos por escrito ao preposto. E qual é a responsabilidade do preposto? Logo, a responsabilidade do preposto é SUBJETIVA, visto a necessidade de se demonstrar culpa ou dolo. Beleza? Ainda com relação às funções do preposto (art. 1.169 e 1.170, CC): Obs.: Pessoal, podemos conceber que os tipos acima de autorização são sinônimos (escrita e expressa). Afinal, uma autorização expressa normalmente deve ser escrita, certo? Não podemos aceitar algo do tipo: o preponente dar uma autorização expressa, mas verbal, para o preposto fazer concorrência com ele. Não seria viável, certo? Entendo que neste caso a autorização deve ser expressa e escrita. Pois bem, no entanto, para fins de prova, e sabemos Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 55 de 156 www.exponencialconcursos.com.br que as bancas cobram muitas vezes a literalidade da lei, devemos ficar com essa relação literal acima, ok? 7.1- O Gerente O gerente pode ser considerado o preposto mais importante no exercício da empresa. Ele é o preposto permanente no exercício da empresa, na sede desta, ou em sucursal, filial ou agência (art. 1.172). Abaixo, vejamos a seguinte esquematização sobre os poderes do gerente e sua relação com o preponente: *Na falta de disposição diversa: • DOIS ou MAIS Gerentes➔ seus PODERES são SOLIDÁRIOS 7.2- O Contabilista Bem, o empresário e a sociedade empresária estão obrigados por lei a manter e a seguir um sistema de contabilidade, ou seja, devem escriturar em livros suas atividades comerciais. Portanto, é necessário ter um profissional responsável por escriturar os livros do empresário e da sociedade empresária: Contador ou Contabilista. Assim, nos termos do art. 1.182 do CC, a escrituração ficará sob a responsabilidade de contabilista legalmente habilitado, SALVO se nenhum houver na localidade. Logo, outro preposto poderá ser o responsável pelos assentos lançados nos livros ou fichas do preponente. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º WangneyIlco 56 de 156 www.exponencialconcursos.com.br Por fim, importa destacar que a escrituração realizada pelo contabilista ou outro preposto tem os mesmos efeitos se fosse realizada pelo preponente (empresário), desde que tenha feito de boa-fé a escrituração. 14. (ESAF/ Auditor Fiscal do trabalho / 2010) Sobre a disciplina dos prepostos no Livro do Direito de Empresa do Código Civil, assinale a opção incorreta. a) Considera-se o gerente autorizado a praticar todos os atos necessários ao exercício dos poderes que lhe foram outorgados, mesmo quando a lei exigir poderes especiais. b) Em regra, considera-se perfeita a entrega de papéis, bens ou valores ao preposto, encarregado pelo preponente, se os recebeu sem protesto. c) O preposto não pode, sem autorização escrita, fazer-se substituir no desempenho da preposição, sob pena de responder, pessoalmente, pelos atos do substituto e pelas obrigações por ele contraídas. d) O gerente pode estar em juízo em nome do preponente, pelas obrigações resultantes do exercício da sua função. e) Na falta de estipulação diversa, consideram-se solidários os poderes conferidos a dois ou mais gerentes. Comentários Letra “a”. O enunciado da questão pede para assinalar a alternativa incorreta. A letra A, de cara é a nossa resposta, pois evidentemente se a lei exigir poderes especiais, o gerente não poderá praticar certos atos, conforme o art. 1.173, CC. Art. 1.173. Quando a lei não exigir poderes especiais, considera-se o gerente autorizado a praticar todos os atos necessários ao exercício dos poderes que lhe foram outorgados. Aprofundando um pouco mais, os prepostos são as pessoas que auxiliam o empresário no exercício da atividade empresária. Os auxiliares da empresa podem ser profissionais com vínculo empregatício ou profissionais autônomos. Quando há vínculo empregatício, o empresário é conhecido como preponente. Portanto, o empresário é chamado de preponente e é RESPONSÁVEL “pelos atos de quaisquer prepostos, praticados nos seus estabelecimentos e relativos à atividade da empresa, ainda que não autorizados por escrito” (art. 1.178). Pois bem, a única alternativa incorreta é a letra A, de fato. As demais estão corretas, conforme a seguir: Art. 1.171. Considera-se perfeita a entrega de papéis, bens ou valores ao preposto, encarregado pelo preponente, se os recebeu sem protesto, salvo nos casos em que haja prazo para reclamação. (letra B) Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 57 de 156 www.exponencialconcursos.com.br Art. 1.169. O preposto não pode, sem autorização escrita, fazer-se substituir no desempenho da preposição, sob pena de responder pessoalmente pelos atos do substituto e pelas obrigações por ele contraídas. (letra C) Art. 1.176. O gerente pode estar em juízo em nome do preponente, pelas obrigações resultantes do exercício da sua função. (letra D) Art. 1.173. Parágrafo único. Na falta de estipulação diversa, consideram-se solidários os poderes conferidos a dois ou mais gerentes. (letra E) Então, pessoal, esta foi a parte teórica de nossa aula demonstrativa. Espero que tenham assimilado com atenção o que foi apresentado. Agora é “arregaçar as mangas” e fazer muitos exercícios. Ressalto a importância de fazer muitas e muitas questões. Esse é o nosso objetivo. É simples: aprender a fazer questões. Marcar o “xis” na alternativa correta. A parte teórica é para nos dar o suporte, a base para acertarmos as questões. Ela é importante também. Óbvio que sim. Mas só saber a parte teórica, sem treinar, não vai ser o suficiente no dia da prova. Com certeza não vai ser. Beleza? Então, elaborei a sequência de questões abaixo. Há questões bem “fresquinhas”. Sugiro que iniciem pela lista de questões que se encontra logo depois das questões comentadas, para de fato treinar, sem verificar os comentários. Aí, depois estudem os comentários e aprimorem os seus conhecimentos. Façam com atenção! Forte abraço! Até a próxima aula. Wangney Ilco Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 58 de 156 www.exponencialconcursos.com.br 8- Questões propostas Pessoal, seguem as questões propostas da aula de hoje. No último tópico, elas estão detalhadamente comentadas. Basta conferir!!!!! 15. (CESPE/Oficial Técnico de Inteligência-Área 2-ABIN/2018) No que concerne aos requisitos, impedimentos, direitos e deveres do empresário, aos atos de comércio e aos contratos de empresas, julgue o item subsecutivo. Situação hipotética: João, empresário e proprietário de uma loja de roupas, sofreu um acidente vascular cerebral, razão por que foi decretada a sua incapacidade civil. Assertiva: Nessa situação, João poderá continuar na empresa, assistido ou representado pelos seus pais, mediante autorização judicial. 16. (CESPE/Oficial Técnico de Inteligência-Área 2-ABIN/2018) Em relação ao conceito e à natureza do estabelecimento, ao fundo de comércio e à sucessão comercial, à natureza e às espécies de nome empresarial e ao registro de empresas, julgue o item a seguir. A firma, além de identificar o exercente de atividade empresarial, funciona como assinatura do empresário ou da sociedade empresária. 17. (CESPE/Oficial Técnico de Inteligência-Área 2-ABIN/2018) Em relação ao conceito e à natureza do estabelecimento, ao fundo de comércio e à sucessão comercial, à natureza e às espécies de nome empresarial e ao registro de empresas, julgue o item a seguir. O imóvel de uma sociedade empresarial utilizado exclusivamente como clube para seus funcionários integra o estabelecimento empresarial. 18. (CESPE/Oficial Técnico de Inteligência-Área 2-ABIN/2018) Em relação ao conceito e à natureza do estabelecimento, ao fundo de comércio e à sucessão comercial, à natureza e às espécies de nome empresarial e ao registro de empresas, julgue o item a seguir. Os exercentes de atividade econômica rural estão obrigados a realizar a sua inscrição no registro público de empresas mercantis, como empresários ou sociedade empresarial. 19. (CESPE/Defensor Público-DP-AL/2017) Assinale a opção que apresenta a denominação dada a pessoa capaz ordenada ao exercício profissional de atividade economicamente organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços. a) sociedade anônima Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 59 de 156 www.exponencialconcursos.com.br b) sociedade limitada c) empresa d) empreendedor e) empresário 20. (CESPE/Juiz-TJ-RN/2013) Acerca do empresário, assinale a opção correta. a) Faculta-se aos cônjuges contratar sociedade, entre si ou com terceiros, independentemente do regime de bens adotado no casamento. b) O empresário casado pode, mediante a necessária outorga conjugal, qualquer que seja o regime de bens, alienar os imóveis que integrem o patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus real. c) Não poderá o incapaz, ainda que por meio de representante ou devidamente assistido, continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz. d) Em nenhuma hipótese, considera-se empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda que com o concurso de auxiliares ou colaboradores. e) É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade. 21. (CESPE / ICMS-ES / 2013) Em relação àempresa, ao estabelecimento comercial e ao nome empresarial, assinale a opção correta. a) Empresário que se tornar absolutamente incapaz não poderá continuar a empresa. b) Para a eficácia do trespasse, é necessário o pagamento de todas as dívidas ou o prévio consentimento dos credores, salvo na hipótese de o alienante permanecer solvente após a alienação. c) A sede do estabelecimento comercial é necessária ao desempenho da atividade empresarial, por isso ela não pode ser objeto de penhora. d) Se o sócio que tiver emprestado seu nome civil à composição do nome empresarial for retirado da sociedade, não será necessária a alteração da firma da referida sociedade limitada. e) O conceito de empresário abrange o exercício episódico da produção de certa mercadoria destinada à venda no mercado. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 60 de 156 www.exponencialconcursos.com.br 22. (CESPE/Procurador-TC-DF/2013) Considerando que o atual Código Civil, instituído em 2002, inaugurou no ordenamento jurídico brasileiro o que a doutrina denomina de unificação do direito privado, passando a disciplinar tanto a matéria civil quanto a comercial, julgue os itens a seguir. Instituído em 1850, o Regulamento 737 que então definiu os atos de mercancia, embora já tenha sido revogado há muito tempo, ainda é albergado pela doutrina e tem aplicação subsidiária na nova ordem do direito empresarial calcada na teoria da empresa. 23. (CESPE/Juiz-TJ-AL/2008) O massagista Rogério colocou nos fundos de sua casa equipamentos voltados para a prática de exercícios físicos, que utilizou para prestar serviços onerosos ao público em geral por meio de uma academia de ginástica, identificada pela designação de Aleatória Work- Out, conforme cartaz afixado sobre a porta do imóvel. Após dois anos, a atividade alcançou substancial desempenho, o que levou Rogério a alugar um imóvel para reinstalar a academia, bem como a contratar uma secretária e dois fisioterapeutas para auxiliá-lo com os clientes. Esse sucesso chamou a atenção de Serviços do Corpo Ltda., academia concorrente, que propôs a Rogério o trespasse de seu estabelecimento empresarial para a sociedade limitada, celebrando-se esse negócio. Considerando essa situação hipotética, assinale a opção correta. a) A alienação só valerá se Rogério estiver inscrito no Registro Público de Empresas Mercantis como empresário ou como sociedade empresária, sem o que faltará requisito essencial ao negócio de trespasse. b) No preço do trespasse, poderá ser contabilizado o valor do aviamento, que corresponderá à soma das quantias concernentes aos aspectos subjetivo e objetivo desse bem imaterial, a serem transferidas, com a alienação, ao comprador. c) A designação Aleatória Work-Out constitui o título do estabelecimento alienado, e a negociação desse bem pelo trespasse ocorrerá sob as mesmas regras aplicáveis ao nome empresarial. d) Publicado o negócio de trespasse, os clientes da academia de Rogério deverão adimplir suas mensalidades perante o adquirente do estabelecimento, mas qualquer pagamento dessa natureza feito de boa-fé ao alienante valerá contra a sociedade limitada. e) Os débitos vincendos referentes às atividades da academia serão assumidos por Serviços do Corpo Ltda., mas Rogério continuará por eles solidariamente responsável pelo prazo de um ano, contado da data da publicação do negócio de trespasse. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 61 de 156 www.exponencialconcursos.com.br 24. (CESPE/Delegado da PF/2013) No que concerne ao empresário e às sociedades empresárias, julgue o próximo item. Ao empresário individual não é permitida a realização da atividade-fim intuitu personae, uma vez que ele é o organizador da atividade empresarial. Por isso, ele deve contratar pessoas para desempenhar esse tipo de atividade. 25. (CESPE/Delegado da PF/2013) Julgue o item seguinte, relativo ao direito empresarial. O delegado, no desempenho de sua função institucional de investigação de infração legal, deve diferenciar se o ato ilegal foi praticado por pessoa jurídica empresa ou por pessoa física ou jurídica empresário, pois a empresa não se confunde com a pessoa que a compõe, tendo personalidade jurídica distinta da de seus sócios. 26. (CESPE / Juiz-TJ-TO / 2007) Considere que SB Móveis Ltda. possua vários móveis, imóveis, marcas e lojas intituladas de Super Bom Móveis, em diversos pontos da cidade. Nessa situação, à luz da disciplina jurídica do direito de empresa, assinale a opção correta. a) O ponto empresarial confunde-se com o imóvel onde funciona cada loja da SB Móveis Ltda b) O aviamento e o nome fantasia Super Bom Móveis são elementos integrantes do estabelecimento empresarial da SB Móveis Ltda. c) A lei veda a alienação do nome empresarial da SB Móveis Ltda. d) Pelo princípio da veracidade, o nome empresarial da SB Móveis Ltda. deve se distinguir de outros já existentes. 27. (CESPE/Procurador-AGU/2010) Marcos exerce atividade rural como sua principal profissão. Nessa situação, Marcos poderá requerer, observadas as formalidades legais, sua inscrição perante o Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, equiparando-se, após a sua inscrição, ao empresário sujeito a registro. 28. (CESPE/Procurador-TCE-BA/2010) As disposições relativas à escrituração previstas no Código Civil não se aplicam às sucursais, filiais ou agências no Brasil de empresário ou sociedade com sede em país estrangeiro. 29. (CESPE/Procurador-AGU/2010) Sérgio, administrador da pessoa jurídica Gama Ltda., celebrou contrato em nome dessa pessoa jurídica com a pessoa jurídica Delta Ltda. e, no respectivo instrumento, apôs a firma de Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 62 de 156 www.exponencialconcursos.com.br Gama, omitindo tanto a palavra limitada como a sua abreviatura. Nessa situação, a omissão deve ser considerada mero erro material e não ensejará nenhuma repercussão jurídica. 30. (CESPE/Procurador-PG-DF/2013) Para Ronald Coase, jurista norte- americano cujo pensamento doutrinário tem sido bastante estudado pelos juristas brasileiros, a empresa se revelaria, estruturalmente, como um “feixe de contratos” que, oferecendo segurança institucional ao empresário, permite a organização dos fatores de produção e a redução dos custos de transação. Nesse aspecto, a proposta de Coase coincide com o perfil institucional proposto por Asquini. 31. (CONSULPLAN/Titular de Serviços Notariais-TJ-MG/2017) Possui(em) capacidade para ser empresário, EXCETO: a) Os que estiverem em pleno gozo da capacidade civil e não forem legalmente impedidos. b) O incapaz, desde que representado ou assistido, poderá continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz. c) Faculta-se aos cônjuges contratar sociedade, entre si ou com terceiros, desde que não tenham casado no regime da comunhão universal de bens, ou no da separação obrigatória. d) O falido não reabilitado. 32. (CONSULPLAN/Titular de Serviços Notariais-TJ-MG/2017) Nos termos do Código Civil marque a afirmativa INCORRETA acerca da definição de empresário: a) É aquele que exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. b) É aquele que exerce profissionalmente atividades em cooperativas sendo um dos cooperados. c) É aquele cuja atividade rural constituasua principal profissão, desde que seja inscrito no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede. d) É aquele que exerce atividade empresarial individual de responsabilidade limitada, por uma única pessoa titular da totalidade do capital social. 33. (CONSULPLAN/Titular de Serviços Notariais-TJ-MG/2017) O Código Civil brasileiro adotou, de forma indireta, uma definição para o termo jurídico Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 63 de 156 www.exponencialconcursos.com.br “empresa”. Levando em conta, esta definição, amplamente aceita e adotada pela doutrina pátria, a palavra-chave que está presente nesta definição é a) atividade. b) pessoa. c) coisa. d) instituição. 34. (FCC/Direito-Eletrobrás-Eletrosul/2016) Analise os seguintes enunciados em relação à atividade empresarial: I. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. II. Considera-se empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. III. É facultativa a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade. IV. Faculta-se aos cônjuges contratar sociedade, entre si ou com terceiros, desde que não sejam casados sob o regime da comunhão universal de bens, ou no da separação obrigatória. Está correto o que se afirma APENAS em: a) II, III e IV. b) I, III e IV. c) II e III. d) I e IV. e) I e II. 35. (CONSUPLAN/Titular de Serviços Notariais-TJ-MG/2016) Sobre o conceito de empresário e sua capacidade, e à luz do Código Civil brasileiro, é correto afirmar: a) Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou de serviços. b) A pessoa legalmente impedida de exercer atividade própria de empresário, se a exercer, não responderá pelas obrigações contraídas. c) Poderá o incapaz, mesmo sem assistência, continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz, por seus pais ou pelo autor da herança. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 64 de 156 www.exponencialconcursos.com.br d) O empresário casado necessita de outorga conjugal, qualquer que seja o regime de bens, para alienar os imóveis que integram o patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus real. 36. (VUNESP/Titular de Serviços Notariais-TJ-SP/2016) Considera-se juridicamente empresa: a) a atividade economicamente organizada exercida pelo empresário. b) o fundo de comércio das entidades empresariais. c) as sociedades empresárias registradas devidamente no Registro de Comércio. d) as sociedades unipessoais que exerçam atividade econômica para produção ou circulação de bens ou serviços, de maneira habitual e com intuito de lucro. 37. (FGV/ICMS-RJ/2010) Segundo o art. 966 do Código Civil, é considerado empresário: a) quem é sócio de sociedade empresária dotada de personalidade jurídica. b) quem é titular do controle de sociedade empresária dotada de personalidade jurídica. c) quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços. d) quem exerce profissão intelectual de natureza científica, literária ou artística. e) quem assume a função de administrador em sociedade limitada ou sociedade anônima. 38. (FGV/ICMS-RJ/2008) Pela teoria da empresa, adotada pelo novo Código Civil, pode-se afirmar que o principal elemento da sociedade empresarial é: a) o trabalho. b) o capital. c) a organização. d) o ativo permanente. e) o maquinário. 39. (ESAF/AFRFB/2009) A respeito do empresário individual no âmbito do direito comercial, marque a opção correta. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 65 de 156 www.exponencialconcursos.com.br a) O empresário individual atua sob a forma de pessoa jurídica. b) Da inscrição do empresário individual, constam o objeto e a sede da empresa. c) O analfabeto não pode registrar-se como empresário individual. d) O empresário, cuja atividade principal seja a rural, não pode registrar-se no Registro Público de Empresas. e) O empresário individual registra uma razão social no Registro Público de Empresas. 40. (FCC/Juiz do Trabalho-TRT-23ªR-MT/2015) Antônio é empresário individual, como tal inscrito no Registro de Empresas e no CNPJ há mais de dez anos. Com exceção daqueles legalmente impenhoráveis, respondem pelas dívidas contraídas por Antônio no exercício da atividade empresarial: a) somente os seus bens afetados à atividade empresarial, mas limitadamente ao valor do capital da empresa. b) todos os seus bens, inclusive os não afetados à atividade empresarial, desde que deferida judicialmente a desconsideração da personalidade jurídica da empresa. c) todos os seus bens. d) todos os seus bens, mas limitadamente ao valor do capital da empresa. e) somente os seus bens afetados à atividade empresarial. 41. (FCC / Juiz-TJ-GO / 2015) Thiago, titular de uma empresa individual do ramo de padaria, veio ser interditado judicialmente e declarado absolutamente incapaz para os atos da vida civil por conta de uma doença mental que lhe sobreveio. A Thiago, nesse caso, é: a) permitido continuar a empresa por meio de representante, mediante prévia autorização judicial, que não é passível de revogação. b) vedado continuar a empresa, ainda que por meio de representante. c) permitido continuar a empresa por meio de representante, mediante prévia autorização judicial, que poderá ser revogada, também judicialmente, sem prejuízo dos direitos de terceiros. d) permitido continuar a empresa por meio de representante, independentemente de prévia autorização judicial. e) permitido continuar a empresa por meio de representante, caso em que todos os bens que já possuía ao tempo da sua interdição ficarão sujeitos ao resultado da empresa, ainda que estranhos ao acervo desta. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 66 de 156 www.exponencialconcursos.com.br 42. (FCC/Auditor-Substituto de Conselheiro-TCM-RJ/2015) É vedado ao empresário casado, salvo no regime da separação total de bens, alienar os imóveis que integrem o patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus reais sem a outorga conjugal. 43. (FCC/ICMS-RJ/2014) No tocante à atividade empresarial, é correto afirmar: a) A pessoa legalmente impedida de exercer atividade própria de empresário, se a exercer, não responderá pelas obrigações que contrair. b) Faculta-se aos cônjuges contratar sociedade, entre si ou com terceiros, desde que tenham casado no regime da comunhão universal de bens, ou no da separação obrigatória. c) Em nenhum caso poderá o incapaz, após reconhecida judicialmente sua incapacidade, continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz, por seus pais ou pelo autor da herança. d) O empresário casado pode, sem necessidade de outorga conjugal, qualquer que seja o regime de bens, alienar os imóveis que integrem o patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus real. e) A sentença que decretar ou homologar o divórcio do empresário pode ser oposta de imediato a terceiros, sem necessidade de qualquer averbaçãoou arquivo no Registro Público de Empresas Mercantis. 44. (FCC/Assessor Jurídico-TCE-PI/2014) João Renato era dono de um restaurante, exercendo pessoalmente sua administração. Sofre um acidente grave, automobilístico, que o leva a ser interditado para os atos da vida civil, mas insiste em continuar as atividades da empresa. Nessas condições pessoais: a) poderá fazê-lo, por meio de autorização judicial na qual se nomeará um curador e de natureza irrevogável, salvo prova de abuso de gestão. b) poderá fazê-lo, desde que por meio de representante ou devidamente assistido, sem interferência judicial, já que as obrigações legais passam a ser integralmente de seu representante. c) não poderá fazê-lo, por impedimento legal e, se o fizer, não responderá pelas obrigações contraídas, por sua incapacidade. d) não poderá fazê-lo, por impedimento legal às atividades empresariais mas, se o fizer, responderá pelas obrigações contraídas, para que não haja prejuízo a terceiros de boa-fé. e) poderá fazê-lo, desde que por meio de representante ou devidamente assistido, com precedente autorização judicial que examine as circunstâncias e riscos da empresa, bem como a conveniência em continuá- Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 67 de 156 www.exponencialconcursos.com.br la e podendo tal autorização ser revogada pelo juiz, nos termos previstos em lei. 45. (FCC/Assessor Jurídico-TCE-PI/2014) Marina é dona de um laboratório especializado em exames patológicos, que realiza a pedido de médicos e hospitais. Fábio é agricultor, com atividade voltada à montagem de cestas de legumes e verduras orgânicas, a serem vendidas em feiras e supermercados. Quanto a essas atividades: a) em nada se relacionam com atividades empresariais, por serem próprias de sociedades civis e de profissionais liberais. b) somente a de Marina é empresarial, já que voltada ao lucro, apesar de científica; a de Fábio é atividade agrária, que não se confunde com uma conduta empresarial. c) somente a conduta de Fábio é empresarial, já que se trata de atividade econômica organizada para a produção de bens, enquanto a atividade de Marina é científica, que não se considera empresarial. d) nenhuma delas é empresarial, já que a atividade de Marina é científica, que não se considera empresarial, e a de Fábio é meramente agrária, também não caracterizada como tal. e) são ambas empresariais, pois Marina exerce profissão de natureza científica, mas visando ao lucro e constituindo elemento de empresa, enquanto Fábio exerce atividade econômica organizada, para a produção e circulação de bens. 46. (FCC/Juiz Substituto-TJ-MS/2010) Considera-se empresário: a) quem organiza a produção de certa mercadoria, ainda que episodicamente, destinando-a à venda no mercado. b) quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. c) quem exerce habitualmente qualquer atividade, econômica ou intelectual, para prestação de serviços diretos na comunidade. d) o profissional da área científica, literária ou artística, desde que se trate de atividade habitual, como regra. e) quem exerce atividade econômica, habitualmente ou não, desde que destine a produção de seus bens à venda no mercado. 47. (FCC/Juiz Substituto-TRT 11ª/2007) Determinada pessoa física exercia atividade empresarial e, em determinado momento, torna-se Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 68 de 156 www.exponencialconcursos.com.br incapaz para os atos da vida civil. Nesse caso, a continuidade do exercício da empresa a) pode ser efetuada por mandatário do empresário. b) é ilegal. c) depende de autorização judicial. d) pode ser efetuada por curador, independentemente de autorização judicial. e) é possível por intermédio dos sócios do empresário. 48. (FCC/Procurador BACEN/2006) Pessoa incapaz pode ser empresária individual a) se autorizada judicialmente a continuar a exploração de estabelecimento recebido por ela em herança. b) se for maior de 14 (quatorze) anos e possuir estabelecimento com economia própria. c) na qualidade de sócia de sociedade de responsabilidade limitada, desde que não possua poderes de administração. d) como acionista, sem direito de voto, de sociedade anônima. e) em qualquer hipótese, desde que devidamente representada na forma da lei. 49. (FCC/Procurador Jaboatão dos Guararapes-PE/2006) Em relação ao empresário, é correto afirmar que a) empresário casado sob o regime de comunhão universal de bens não pode alienar os imóveis que integram o patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus real sem o consentimento de seu cônjuge. b) se se tornar incapaz, não poderá continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz. c) se impedido de exercer atividade própria de empresa, vier a exercê-la, não responderá pelas obrigações contraídas. d) é facultado contratar sociedade com seu cônjuge, se forem casados sob o regime da comunhão parcial de bens. e) sem qualquer restrição, podem exercer a atividade de empresário os que estiverem em pleno gozo da capacidade civil. 50. (FCC/Procurador-BACEN/2006) O art. 195, I, da Constituição estabelece que a seguridade social será custeada por contribuições sociais "do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 69 de 156 www.exponencialconcursos.com.br lei". De acordo com a terminologia empregada pelo Código Civil, a palavra "empresa", no texto constitucional, está usada de modo: a) correto. b) incorreto, devendo ser substituída por "empresário". c) incorreto, devendo ser substituída por "pessoa jurídica". d) incorreto, devendo ser substituída por "atividade". e) incorreto, devendo ser substituída por "estabelecimento". 51. (FCC/OAB-SP/2005) No regime do atual Código Civil, a caracterização de determinada atividade econômica como empresarial a) depende de expressa previsão legal ou regulamentar, devendo a atividade constar em relação previamente expedida pelo Departamento Nacional de Registro de Comércio. b) é feita mediante opção do empresário, que no momento do seu registro deverá declinar se sua atividade será empresarial, ou não. c) é aferida a posteriori, conforme seja a atividade efetivamente exercida em caráter profissional e organizado, ou não. d) depende do ramo da atividade exercida pelo empresário, sendo empresarial a compra e venda de bens móveis e semoventes e não empresariais as demais atividades. 52. (FCC/Juiz Substituto-TRT 11ª/2005) De acordo com o Código Civil de 2002, a utilização do termo "comerciante" para designar todo aquele a quem são dirigidas as normas de Direito Comercial: a) permanece correta, em razão da adoção, pelo Código Civil, da teoria objetiva dos atos de comércio. b) perdeu sentido, pois a revogação de parte expressiva do Código Comercial operou a extinção do Direito Comercial. c) tornou-se equivocada, pois o Código Civil estendeu a aplicação do Direito Comercial a todos os que exercem atividade econômica organizada e profissional, não apenas comerciantes. d) permanece correta, em razão da adoção, pelo Código Civil, da teoria da empresa. e) tornou-se equivocada, pois os antigos "comerciantes" são hoje denominados "empresários", embora designando os mesmos conceitos. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questõescomentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 70 de 156 www.exponencialconcursos.com.br 53. (FGV/ISS-Recife/2014) Paulo Afonso, casado no regime de comunhão parcial com Jacobina, é empresário enquadrado como microempreendedor individual (MEI). O varão pretende gravar com hipoteca o imóvel onde está situado seu estabelecimento, que serve exclusivamente aos fins da empresa. De acordo com o Código Civil, assinale a opção correta. a) O empresário casado não pode, sem a outorga conjugal, gravar com hipoteca os imóveis que integram o seu estabelecimento, salvo no regime da separação de bens. b) O empresário casado pode, sem necessidade de outorga conjugal, qualquer que seja o regime de bens, gravar com hipoteca os imóveis que integram o seu estabelecimento. c) O empresário casado, qualquer que seja o regime de bens, depende de outorga conjugal para gravar com hipoteca os imóveis que integram o seu estabelecimento. d) O empresário casado pode, sem necessidade de outorga conjugal, gravar com hipoteca os imóveis que integram o seu estabelecimento, salvo no regime da comunhão universal. e) O empresário casado pode, mediante autorização judicial, gravar com hipoteca os imóveis que integram o estabelecimento. 54. (FGV / ICMS-RJ / 2010) As alternativas a seguir apresentam figuras que estão proibidas de exercer a atividade empresarial, à exceção de uma. Assinale-a. a) O falido que, mesmo não tendo sido condenado por crime falimentar, não foi reabilitado por sentença que extingue suas obrigações. b) O magistrado. c) O militar da ativa. d) A mulher casada pelo regime da comunhão universal de bens, se ausente a autorização marital para o exercício de atividade empresarial. e) Os que foram condenados pelo juízo criminal à pena de vedação do exercício de atividade mercantil. 55. (FGV / ISS-Cuiabá / 2014) A respeito do empresário individual, assinale V para a afirmativa verdadeira e F para a falsa. ( ) O empresário individual poderá limitar sua responsabilidade pelos atos praticados no exercício da empresa caso seja enquadrado como microempreendedor individual. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 71 de 156 www.exponencialconcursos.com.br 56. (FGV/ISS-Niterói/2015) A Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI) é uma pessoa jurídica que pode ser constituída por pessoa natural, desde que seja aportado um valor em bens ou em numerário de, no mínimo, 100 (cem) salários mínimos, totalmente integralizado. Em relação a EIRELI, analise as afirmativas a seguir: I. O administrador da EIRELI, sempre pessoa natural, poderá ser designado no ato de constituição ou em ato separado. II. O nome empresarial da EIRELI não pode ser usado pelo instituidor, exceto se for administrador com os necessários poderes. III. A pessoa natural somente poderá instituir uma EIRELI para participar dela. IV. A EIRELI enquadrada como microempresa terá direito, em sede de recuperação judicial, ao parcelamento de seus débitos com prazos 20% (vinte por cento) maiores do que aqueles ordinariamente concedidos. V. Em caso de concentração de todas as quotas de uma sociedade empresária na titularidade de sócio pessoa natural, esse poderá requerer a transformação do registro em EIRELI. Está correto o que se afirma em: a) somente III; b) somente II e IV; c) somente I, II e V; d) somente I, II, IV e V; e) I, II, III, IV e V. 57. (FGV / ISS-Cuiabá / 2014) A respeito do empresário individual, assinale V para a afirmativa verdadeira e F para a falsa. ( ) Ao efetuar seu registro como empresário individual, a pessoa física tem a opção de declarar se exerce a empresa como empresário ou como EIRELI; no primeiro caso, a responsabilidade será ilimitada e, no segundo, limitada. 58. (FEPESE/Analista Técnico em Gestão de Registro Mercantil- JUCESC/2013) De acordo com a Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002, que institui o Código Civil brasileiro, é correto afirmar sobre a empresa individual de responsabilidade limitada (EIRELI): a) A EIRELI será constituída por uma ou mais pessoas titulares da totalidade do capital social. b) A pessoa natural que constituir EIRELI somente poderá figurar em uma única empresa dessa modalidade. c) A totalidade do capital social da EIRELI não será inferior a 60 vezes o maior salário-mínimo vigente no País. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 72 de 156 www.exponencialconcursos.com.br d) O nome empresarial utilizado será obrigatoriamente a denominação social, acompanhado da expressão “EIRELI”. e) Aplicam-se à EIRELI, no que couber, as regras previstas para as sociedades simples. 59. (FCC/Promotor de Justiça-MPE-PE/2014) Em relação à Empresa Individual de Responsabilidade Limitada, é correto afirmar: a) Sua constituição e funcionamento, independentemente do objeto, dependem de prévia autorização da Junta Comercial. b) O seu capital social não poderá ser superior a 100 (cem) vezes o maior salário mínimo vigente no País. c) Tem natureza jurídica de sociedade limitada unipessoal, de sorte que o seu nome empresarial deverá ser formado pela inclusão da expressão "Ltda." após a firma ou a denominação social. d) A mesma pessoa natural não poderá, simultaneamente, ser titular de mais de uma empresa individual de responsabilidade limitada, ainda que seja capaz de integralizar o capital de todas elas. e) Tem personalidade jurídica própria, que não se confunde com a do seu titular e se adquire com a sua inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ). 60. (FCC / Juiz-TJ-SC / 2015) Ricardo, empresário do ramo de móveis, alienou o seu estabelecimento para Alexandre, que ali deu continuidade à exploração da mesma atividade. No contrato de trespasse, foram regularmente contabilizadas todas as dívidas relativas ao estabelecimento, algumas delas já vencidas e outras por vencer. Nesse caso, Ricardo: a) não responde pelas dívidas do estabelecimento, ainda que anteriores à sua transferência. b) responde com exclusividade por todas as dívidas do estabelecimento anteriores à sua transferência. c) responde com exclusividade apenas pelas dívidas já vencidas por ocasião da transferência do estabelecimento. d) responde solidariamente com Alexandre, durante determinado prazo, por todas as dívidas anteriores à transferência do estabelecimento. e) responde solidariamente com Alexandre apenas pelas dívidas já vencidas por ocasião da transferência do estabelecimento. 61. (FCC / Procurador-TCE-CE / 2015) Considere as seguintes proposições acerca do registro da empresa: Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 73 de 156 www.exponencialconcursos.com.br I. Entre outras atribuições, cabe ao órgão incumbido do registro verificar a regularidade das publicações determinadas em lei. II. O ato sujeito a registro, ressalvadas disposições especiais da lei, não pode, antes do cumprimento das respectivas formalidades, ser oposto a terceiro, salvo prova de que este o conhecia. III. A sociedade empresária vincula-se ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas. IV. Cumpre à autoridade competente, antes de efetivar o registro, verificar a legitimidade do signatário do requerimento, mas não a sua autenticidade. V. O registro é pressuposto para a constituição regular da sociedade empresária, mas a aquisição de personalidade jurídica somente ocorre com a sua inscrição no Cadastro Nacional de PessoasJurídicas − CNPJ. Está correto o que se afirma APENAS em: a) IV e V. b) I e III. c) II e V. d) III e IV. e) I e II. 62. (FCC / Juiz-TJ-PE / 2015) Acerca do nome empresarial, é correto afirmar: a) O nome de sócio que vier a falecer pode ser conservado na firma social. b) É vedada a alienação do nome empresarial. c) A inscrição do nome empresarial somente será cancelada a requerimento do seu titular, mesmo quando cessado o exercício da atividade para que foi adotado. d) Independentemente de previsão contratual, o adquirente de estabelecimento, por ato entre vivos, pode usar o nome empresarial do alienante, precedido do seu próprio, com a qualificação de sucessor. e) A sociedade em conta de participação pode ter firma ou denominação. 63. (FCC / Julgador Administrativo Tributário-SEFAZ-PE / 2015) Quanto ao estabelecimento empresarial, é correto afirmar: a) O conceito de estabelecimento empresarial confunde-se com o da sociedade empresária, como sujeito de direito, e com o de empresa, como atividade econômica. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 74 de 156 www.exponencialconcursos.com.br b) O estabelecimento empresarial é composto apenas por elementos materiais, como as mercadorias do estoque, os mobiliários, utensílios, veículos, maquinaria, clientela etc. c) Na classificação geral dos bens, conforme Código Civil, o estabelecimento empresarial é uma universalidade de fato, por encerrar um conjunto de bens pertinentes ao empresário e destinados à mesma finalidade, de servir à exploração de empresa. d) Ao estabelecimento empresarial imputam-se as obrigações e asseguram-se os direitos relacionados com a empresa, já que passou o estabelecimento a possuir personalidade jurídica. e) A sociedade empresária só pode ser titular de um único estabelecimento empresarial, dado o princípio da unicidade. 64. (FCC / Julgador Administrativo Tributário-SEFAZ-PE / 2015) Em relação ao registro da empresa, é correto afirmar: a) O ato empresarial sujeito a registro não pode, antes do cumprimento das respectivas formalidades, em nenhuma hipótese, ser oposto a terceiro. b) As sociedades empresárias, dependendo do objeto a que se dedicam, devem registrar-se na Junta Comercial do Estado em que estão sediadas. c) Os atos do registro de empresa praticados pelas Juntas Comerciais são, em sua totalidade, a matrícula e o arquivamento dos atos empresariais. d) O registro dos atos empresariais sujeitos à formalidade legal será requerido privativamente pelos sócios da empresa. e) A principal sanção imposta à sociedade empresária que explora irregularmente sua atividade econômica, funcionando sem registro na Junta Comercial, é a responsabilidade ilimitada dos sócios pelas obrigações da sociedade. 65. (FCC/Defensor Público-DPE-CE/2014) João, titular de estabelecimento comercial do ramo de confeitaria, alienou-o para Paulo, que continuou explorando a mesma atividade no local. Dois anos depois da transferência, João decidiu alugar o imóvel vizinho, no qual estabeleceu nova confeitaria, passando a competir diretamente com Paulo. Nesse caso, e considerando que o contrato de trespasse nada previa acerca da proibição de concorrência, é correto afirmar: a) João tem direito de fazer concorrência a Paulo, dado que o contrato nada previa a esse respeito. b) É requisito de validade do contrato de trespasse a estipulação, por escrito, acerca do direito de concorrência por parte do alienante do estabelecimento. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 75 de 156 www.exponencialconcursos.com.br c) Nem mesmo com autorização expressa de Paulo seria lícito a João fazer-lhe concorrência, por se tratar de direito irrenunciável, que visa a impedir o comportamento empresarial predatório, prejudicial ao desenvolvimento sustentável da ordem econômica. d) João tem direito de explorar a mesma atividade no imóvel vizinho amparado no princípio constitucional da liberdade de concorrência, reputando-se nulas quaisquer convenções que o proibissem de competir com Paulo. e) Na omissão do contrato, João não poderá fazer concorrência a Paulo nos cinco anos subsequentes à transferência do estabelecimento. 66. (FCC / ICMS-PE / 2014) Quanto ao nome empresarial, é correto afirmar: a) O nome de sócio que vier a falecer, for excluído ou se retirar, pode sempre ser conservado na firma social. b) A inscrição do empresário, ou dos atos constitutivos das pessoas jurídicas, ou as respectivas averbações, no registro próprio, asseguram o uso privativo do nome exclusivamente nos limites do respectivo município. c) O nome de empresário deve distinguir-se de qualquer outro já inscrito no mesmo registro; se o empresário tiver nome idêntico ao de outros já inscritos, deverá acrescentar designação que o distinga. d) O nome empresarial pode ser objeto de alienação, pois tem conteúdo econômico. e) O adquirente de estabelecimento, por ato entre vivos, é legalmente impedido de usar o nome do alienante, ainda que precedido do seu próprio, com a qualificação de sucessor. 67. (FCC / DEFENSOR PUBLICO-SP / 2009) Para que uma pessoa possa ser reputada empresária tem-se que verificar sua inscrição perante o Registro Público de Empresas Mercantis. 68. (FCC / JUIZ SUBSTITUTO-TJ-PE / 2011) É correto afirmar que a lei assegurará tratamento isonômico ao empresário rural e ao pequeno empresário, quanto à inscrição empresarial e aos efeitos dela decorrentes. 69. (FGV/ISS-Niterói/2015) No contrato de arrendamento de um dos estabelecimentos da sociedade empresária Abreu & Cia Ltda., celebrado pelo prazo de 10 (dez) anos, não houve estipulação autorizando o arrendatário a fazer concorrência ao arrendador. A partir desse dado, é correto afirmar que o arrendador: Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 76 de 156 www.exponencialconcursos.com.br a) não poderá fazer concorrência ao arrendatário pelo prazo do contrato, porém esse prazo fica limitado a cinco anos; b) poderá fazer concorrência ao arrendatário, porque as cláusulas implícitas ou expressas de proibição de concorrência são nulas; c) diante da omissão no contrato quanto à proibição de concorrência, poderá fazer concorrência ao arrendatário pelo prazo do contrato; d) não poderá fazer concorrência ao arrendatário pelo prazo do contrato, mesmo que esse seja maior do que cinco anos; e) não poderá fazer concorrência ao arrendatário porque o prazo de duração do contrato coincide com o máximo fixado em lei para a cláusula de proibição de concorrência. 70. (FGV/ISS-Niterói/2015) A partir da previsão contida no art. 1.143 do Código Civil, segundo o qual “pode o estabelecimento ser objeto unitário de direitos e de negócios jurídicos, translativos ou constitutivos, que sejam compatíveis com a sua natureza”, é possível afirmar que tal instituto tem natureza de: a) comunhão ou universalidade de direitos; b) universalidade de fato; c) patrimônio de afetação; d) pessoa jurídica de direito privado; e) pessoa formal, sem personalidade jurídica. 71. (FGV/ISS-Niterói/2015) O empresário e a sociedade empresária devem adotar um nome para o exercício da empresa, de acordo com o Código Civil. Esse instituto, conhecido como nome empresarial, possui regras para sua formação e utilização. A afirmativa que revela corretamente uma regra para utilização/formação do nome empresarial é: a)a sociedade em nome coletivo deverá adotar firma como nome empresarial, que incluirá o nome de pelo menos um dos sócios, sendo facultativo o aditivo & Companhia, caso todos os sócios sejam nominados; b) a denominação social é uma espécie de nome empresarial, também conhecida como “nome de fantasia”, porque nela não se inclui nome patronímico, apenas palavras ou expressões designativas do objeto social; Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 77 de 156 www.exponencialconcursos.com.br c) nas sociedades cujo capital é dividido em ações, é proibido o uso da firma social como nome empresarial, somente sendo permitido o uso da denominação com a indicação do objeto social; d) o adquirente de estabelecimento por ato entre vivos ou causa mortis, pode usar a firma do alienante ou do de cujus, precedida de sua própria, com a qualificação de sucessor; e) na sociedade em conta de participação a espécie de nome empresarial é firma, exclusivamente, formada pelo nome patronímico do sócio ostensivo seguida do aditivo & Companhia, por extenso ou abreviado. 72. (FGV / ISS-Cuiabá / 2014) Uma sociedade empresária com sede em Denise/MT, composta por três sócios pessoas naturais, adotou o nome empresarial “Pontes, Lacerda & Cáceres”. Sobre esse nome empresarial, assinale a afirmativa correta. a) Trata-se de denominação adotada por sociedade em comandita por ações. b) Trata-se de firma social adotada por sociedade cooperativa. c) Trata-se de denominação adotada por sociedade anônima. d) Trata-se de firma adotada por sociedade em nome coletivo. e) Trata-se de firma adotada por sociedade em comandita simples. 73. (FGV / ISS-Recife / 2014) Alfredo Chaves exerce em caráter profissional atividade intelectual de natureza literária com a colaboração de auxiliares. O exercício da profissão constitui elemento de empresa. Não há registro da atividade por parte de Alfredo Chaves em nenhum órgão público. Com base nestas informações e nas disposições do Código Civil, assinale a afirmativa correta. a) Alfredo Chaves não é empresário porque exerce atividade intelectual de natureza literária. b) Alfredo Chaves não é empresário porque não possui registro em nenhum órgão público. c) Alfredo Chaves será empresário após sua inscrição na Junta Comercial. d) Alfredo Chaves é empresário porque exerce atividade não organizada em caráter profissional. e) Alfredo Chaves é empresário independentemente da falta de inscrição na Junta Comercial. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 78 de 156 www.exponencialconcursos.com.br 74. (FGV / ISS-Recife / 2014) O complexo de bens organizado e titularizado por empresário para o exercício de atividade econômica em caráter profissional, que pode ser objeto unitário de direitos e negócios jurídicos, denomina-se: a) aviamento. b) firma. c) empresa. d) estabelecimento. e) matriz ou sede. 75. (FGV / OAB-XIII Exame / 2014) Ananias Targino consulta sua advogada para saber as providências que deve tomar para publicizar o trespasse do estabelecimento da Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI) por ele constituída e enquadrada como microempresa, cuja firma é Ananias Targino EIRELI ME. A advogada corretamente respondeu que: a) é dispensável qualquer publicização ou arquivamento do contrato de trespasse do estabelecimento por ser a EIRELI enquadrada como microempresa. b) é dispensável o arquivamento do contrato de trespasse no Registro Público de Empresas Mercantis, mas ele deverá ser publicado na imprensa oficial. c) é dispensável o arquivamento do contrato de trespasse no Registro Público de Empresas Mercantis, mas ele deverá ser publicado na imprensa oficial e em jornal de grande circulação. d) é dispensável a publicação do contrato de trespasse na imprensa oficial, mas ele deverá ser arquivado no Registro Público de Empresas Mercantis. 76. (FGV / ISS-Recife / 2014) Condado Confeitaria Ltda. arrendou o estabelecimento de uma de suas filiais, situado na cidade de Buíque, à sociedade empresária Calumbi, Machados & Cia. Ltda. Não houve notificação prévia do arrendamento aos credores quirografários do arrendador, apenas a publicação legal do contrato e seu arquivamento na Junta Comercial. O contrato foi celebrado pelo prazo de quatro anos e contém estipulação estabelecendo que, durante sua vigência, o arrendador está proibido de fazer concorrência ao arrendatário na cidade de Buíque. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 79 de 156 www.exponencialconcursos.com.br Com base nessas informações, é correto afirmar que a estipulação contratual é: a) válida, porque, no caso de arrendamento do estabelecimento, a proibição de concorrência ao arrendador persiste durante o prazo do contrato. b) nula de pleno direito, porque viola os princípios constitucionais da livre iniciativa e da livre concorrência, impedindo o restabelecimento do arrendador. c) anulável, porque, no caso de arrendamento do estabelecimento, o prazo de proibição de concorrência ao arrendador limita-se aos cinco anos subsequentes à transferência. d) não escrita, porque somente é possível proibir o restabelecimento em caso de alienação do estabelecimento e, ainda assim, até o limite de cinco anos. e) é válida, porém ineficaz perante terceiros, porque, em havendo arrendamento do estabelecimento, o arrendador deveria ter notificado previamente seus credores quirografários. 77. (FGV / ISS-Recife / 2014) Sobre os atos de competência do Registro Público de Empresas Mercantis (denominado atualmente Registro Empresarial), a cargo das Juntas Comerciais, assinale a afirmativa correta: a) O registro compreende a matrícula dos leiloeiros, tradutores públicos e intérpretes comerciais, trapicheiros e administradores de armazéns-gerais, bem como o cancelamento dela. b) Os atos concernentes a sociedades simples e a sociedades empresárias estrangeiras autorizadas a funcionar no Brasil estão sujeitos a arquivamento. c) O arquivamento dos documentos relativos à constituição, alteração, dissolução e extinção de associações, sociedades empresárias e cooperativas compete às Juntas Comerciais. d) A autenticação dos instrumentos de escrituração das sociedades empresárias, do empresário individual, registrado ou não, e dos agentes auxiliares do comércio é de responsabilidade das Juntas Comerciais. e) As Juntas Comerciais procederão ao assentamento dos usos e das práticas mercantis apenas quando houver provocação da Procuradoria ou de entidade de classe interessada. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 80 de 156 www.exponencialconcursos.com.br 78. (FGV / Juiz-TJ-AM / 2013) De acordo com o Direito Empresarial, disciplinado pelo Código Civil, assinale a afirmativa correta. e) A sociedade limitada que tem por objeto a criação de cabeças de gado para corte, pode ter os seus atos constitutivos registrados no Registro Civil de Pessoas Jurídicas. 79. (FGV/Juiz-TJ-AM/2013) De acordo com o Direito Empresarial, disciplinado pelo Código Civil, assinale a afirmativa correta. b) O analfabeto pode se inscrever como empresário individual no Registro Público de Empresas Mercantis, mediante outorga de uma procuração, por instrumento público ou particular. 80. (FGV / ICMS-RJ / 2011) O empresário individual e as sociedadesempresárias são obrigados, por lei, a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. A respeito dos livros comerciais, é INCORRETO afirmar que: a) o empresário que adotar o sistema de fichas de lançamentos poderá substituir o livro Diário pelo livro Balancetes Diários e Balanços, observadas, contudo, as mesmas formalidades extrínsecas exigidas para aquele. b) a filial localizada no Brasil, de sociedade empresária com sede em país estrangeiro, fica subordinada às mesmas disposições relativas à escrituração dos livros comerciais, previstas no Código Civil brasileiro. c) além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o Razão, que pode ser substituído por fichas no caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. d) salvo disposição especial de lei, os livros obrigatórios e, se for o caso, as fichas, antes de postos em uso, devem ser autenticados no Registro Público de Empresas Mercantis. e) o juiz só poderá autorizar a exibição integral dos livros e papéis de escrituração quando necessária para resolver questões relativas a sucessão, comunhão ou sociedade, administração ou gestão à conta de outrem, ou em caso de falência. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 81 de 156 www.exponencialconcursos.com.br 81. (FGV / ICMS-RJ / 2011) XYZ Produtos Alimentícios Ltda. é uma sociedade empresária, regularmente inscrita no órgão competente desde 1999, cujo objeto constitui a exploração do ramo de alimentos. Com sólido nome no mercado, localizada em um ponto empresarial altamente valorizado no Estado do Rio de Janeiro, detentora de valiosa marca e linhas de crédito pré-aprovadas nos melhores bancos do Estado à sua disposição, os sócios decidem, por maioria absoluta, fazer a cessão do estabelecimento, aproveitando ótima proposta oferecida por um empresário que já atua no mesmo ramo. Em relação ao estabelecimento, assinale a afirmativa correta. a) A sociedade empresária XYZ Produtos Alimentícios Ltda. responde de forma subsidiária por eventuais débitos existentes anteriormente à cessão apontada. b) A cessão dos créditos referentes ao estabelecimento transferido produz efeitos em relação aos respectivos devedores, desde o momento da publicação da transferência, somente ficando exonerado se, de boa-fé, paga ao cedente. c) Para ser considerada eficaz, a cessão é indispensável à expressa autorização dos credores existentes àquela época, ainda que a sociedade possua bens suficientes para solver o seu passivo. d) A sociedade empresária XYZ Produtos Alimentícios Ltda. não pode fazer concorrência ao empresário adquirente, pelo prazo de 2 (dois) anos, salvo se obtida autorização expressa. e) O contrato de cessão produz efeitos em relação a terceiros desde a sua averbação à margem da inscrição da sociedade no Registro Público de Empresas Mercantis, no caso, a cargo da Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro, independente de a publicação ocorrer na imprensa oficial. 82. (FGV / ICMS-RJ / 2010) Com relação ao estabelecimento empresarial, assinale a afirmativa incorreta. a) É o complexo de bens organizado para o exercício da empresa, por empresário ou por sociedade empresária. b) Refere-se tão-somente à sede física da sociedade empresária. c) Desponta a noção de aviamento. d) Inclui, também, bens incorpóreos, imateriais e intangíveis. e) É integrado pela propriedade intelectual. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 82 de 156 www.exponencialconcursos.com.br 83. (FGV / ICMS-RJ / 2010) Com relação ao registro da empresa, analise as afirmativas a seguir. I. A matrícula, o arquivamento e a autenticação são atos do registro de empresa. II. O empresário que desenvolve atividade rural de grande porte está obrigado a requerer a inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede. III. Compete ao Departamento Nacional de Registro do Comércio – DNRC, a execução do ato de registro do empresário. Assinale: a) se todas as afirmativas estiverem corretas. b) se somente a afirmativa I estiver correta. c) se somente a afirmativa II estiver correta. d) se somente a afirmativa III estiver correta. e) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas. 84. (FGV / ICMS-AP / 2010) Pedro Henrique tem uma sorveteria na qual vende sorvetes artesanais da sua marca Gelados. O imóvel no qual está localizada a empresa, os freezers e as máquinas necessárias para a elaboração dos sorvetes são alugados. Os móveis e o estoque de matéria prima, no entanto, são de propriedade de Pedro Henrique. Ressalta-se que a marca é bastante conhecida na cidade e o seu estabelecimento já tem uma clientela fiel. Considerando os fatos expostos, assinale a alternativa correta. a) Fazem parte do estabelecimento empresarial apenas os móveis e o estoque de matéria prima, pois somente estes bens são de propriedade de Pedro Henrique. b) Fazem parte do estabelecimento empresarial todos os bens que estão organizados para o desenvolvimento da empresa, isto é, tanto o imóvel, quando os freezers, as máquinas, os móveis, o estoque e a marca Gelados. c) Pedro Henrique não pode ser considerado empresário pois não desenvolve a atividade empresarial por meio de uma sociedade empresária. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 83 de 156 www.exponencialconcursos.com.br d) Se Pedro Henrique desejar alienar o estabelecimento, o trespasse somente poderá abranger os bens de propriedade de Pedro Henrique, não podendo versar sobre os contratos relacionados com os outros bens. e) Se Pedro Henrique desejar alienar o estabelecimento, o preço do negócio deverá corresponder exatamente ao preço de mercado dos bens de sua propriedade, considerados isoladamente. 85. (FGV / ICMS-RJ / 2010) A respeito do trespasse do estabelecimento empresarial, analise as afirmativas a seguir. I. O contrato de trespasse de estabelecimento empresarial produzirá efeitos quanto a terceiros só depois de averbado à margem da inscrição do empresário, ou da sociedade empresária, no Registro Público de Empresas Mercantis e de publicado na imprensa oficial. II. Com relação aos créditos de natureza civil vencidos antes da celebração do contrato de trespasse, o vendedor do estabelecimento continuará por eles solidariamente obrigado, pelo prazo de um ano contado a partir da publicação do contrato de trespasse na imprensa oficial. III. Não se admite, mesmo por convenção expressa entre os contratantes, o imediato restabelecimento do vendedor do estabelecimento no mesmo ramo de atividades e na mesma zona geográfica. Assinale: a) se somente a afirmativa I estiver correta. b) se somente a afirmativa II estiver correta. c) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas. d) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas. e) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas. 86. (ESAF/Auditor–TCE-GO/2007) Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, mas jamais em seu favor. 87. (ESAF/AFRFB/2012) Sobre a disciplina escrituração empresarial prevista no Código Civil, assinale a opção incorreta. a) O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituraçãouniforme Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 84 de 156 www.exponencialconcursos.com.br de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. b) A escrituração será feita em idioma e moeda corrente nacionais e em forma contábil, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borrões, rasuras, emendas ou transportes para as margens, sendo permitido o uso de código de números ou de abreviaturas, que constem de livro próprio, regularmente autenticado. c) O empresário ou sociedade empresária que adotar o sistema de fichas de lançamentos poderá substituir o livro Diário pelo livro Balancetes Diários e Balanços, observadas as mesmas formalidades extrínsecas exigidas para aquele. d) O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados. e) O juiz ou tribunal pode autorizar a exibição integral dos livros e papéis de escrituração empresarial quando necessária para resolver qualquer questão de caráter patrimonial. 88. (ESAF/Procurador-PGFN/2015) Assinale a opção correta. a) Por configurar uma universalidade de fato, o estabelecimento empresarial pode ser objeto unitário de direitos e de negócios jurídicos, translativos ou constitutivos, que sejam compatíveis com a sua natureza. b) O adquirente do estabelecimento empresarial responde pelo pagamento dos débitos anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados, ficando o devedor primitivo subsidiariamente responsável pelo pagamento das dívidas pelo prazo de 1 (um) ano, contado da data da publicação da alienação, quanto aos créditos vencidos; ou da data do vencimento, quanto aos créditos vincendos. c) Com exceção das dívidas de natureza trabalhista e fiscal, a aquisição de estabelecimento empresarial em alienação judicial promovida em processo de falência ou de recuperação judicial exime a responsabilidade do adquirente pelas obrigações anteriores. d) A transferência do estabelecimento empresarial importa a sub-rogação do adquirente nos contratos negociados anteriormente pelo alienante, podendo os terceiros rescindir apenas aqueles contratos que têm caráter pessoal. e) De acordo com a atual jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), considerado o princípio da preservação da empresa, não é legítima a penhora da sede do estabelecimento empresarial. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 85 de 156 www.exponencialconcursos.com.br 89. (ESAF/Auditor Fiscal do Trabalho/2003) As obrigações empresariais relacionadas com a escrituração: a) têm em conta o interesse de terceiros quanto a informações daquela constantes. b) determinam, no seu descumprimento, responsabilidade no plano cível apenas para o contador responsável. c) são relevantes apenas do ponto de vista fiscal, determinando a caracterização de crimes de sonegação fiscal, na sua desobediência. d) acarretam responsabilidades para os sócios não-administradores por culpa in vigilando. e) podem levar à prisão civil os administradores, caso os livros obrigatórios não tenham sido escriturados ou o tenham sido de forma indevida. 90. (ESAF/ISS-RJ/2010) Quanto ao estabelecimento empresarial, marque a opção incorreta. a) Pode o estabelecimento ser objeto unitário de direitos e de negócios jurídicos, translativos ou constitutivos, que sejam compatíveis com a sua natureza. b) O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados. c) A cessão dos créditos referentes ao estabelecimento transferido produzirá efeito em relação aos respectivos devedores, desde o momento da publicação da transferência, mas o devedor ficará exonerado se de boa-fé pagar ao cedente. d) Salvo disposição expressa em contrário, o alienante do estabelecimento pode fazer concorrência ao adquirente. e) Considera-se estabelecimento todo complexo de bens organizado, para exercício da empresa, por empresário ou por sociedade empresária. 91. (FCC / ICMS-SP / 2013) Em relação aos gerentes dos estabelecimentos empresariais: I. Considera-se gerente o preposto permanente no exercício da empresa, na sede desta, ou em sucursal, filial ou agência. II. O gerente não pode estar em Juízo em nome do preponente, mesmo que pelas obrigações resultantes do exercício de sua função, por se tratar de capacidade exclusiva do representante legal do estabelecimento. III. O preponente responde com o gerente pelos atos que este pratique em seu próprio nome, mas à conta daquele. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 86 de 156 www.exponencialconcursos.com.br Está correto o que se afirma APENAS em a) I e III. b) I e II. c) I. d) II. e) III. 92. (FCC / Juiz-TJ-PE / 2013) No tocante ao estabelecimento e seus institutos complementares, é correto afirmar que b) preposto do estabelecimento pode negociar livremente por conta própria ou de terceiro, bem como participar de operação do mesmo gênero da que lhe foi cometida, salvo vedação expressa a respeito. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 87 de 156 www.exponencialconcursos.com.br 9- Gabarito 15 CERTO 36 A 57 ERRADO 78 CERTO 16 CERTO 37 C 58 B 79 ERRADO 17 ERRADO 38 C 59 D 80 ANULADA 18 ERRADO 39 B 60 D 81 B 19 E 40 C 61 E 82 B 20 E 41 C 62 B 83 B 21 B 42 ERRADO 63 C 84 B 22 ERRADO 43 D 64 E 85 C 23 D 44 E 65 E 86 ERRADO 24 ANULADA 45 E 66 C 87 E 25 ANULADA 46 B 67 ERRADO 88 A 26 C 47 C 68 ERRADO 89 A 27 CERTO 48 A 69 D 90 D 28 ERRADO 49 D 70 B 91 A 29 ERRADO 50 B 71 A 92 ERRADO 30 ERRADO 51 C 72 D 31 D 52 C 73 E 32 B 53 B 74 D 33 A 54 D 75 D 34 D 55 ERRADO 76 A 35 A 56 E 77 A Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 88 de 156 www.exponencialconcursos.com.br 10- Questões Comentadas 15. (CESPE/Oficial Técnico de Inteligência-Área 2-ABIN/2018) No que concerne aos requisitos, impedimentos, direitos e deveres do empresário, aos atos de comércio e aos contratos de empresas, julgue o item subsecutivo. Situação hipotética: João, empresário e proprietário de uma loja de roupas, sofreu um acidente vascular cerebral, razão por que foi decretada a sua incapacidade civil. Assertiva: Nessa situação, João poderá continuar na empresa, assistido ou representado pelos seus pais, mediante autorização judicial. Comentários O item está CERTO. Conforme o art. 974 do CC, “Poderá o incapaz, por meio de representante ou devidamente assistido, continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz, por seus pais ou pelo autor de herança”. Esta continuidade da empresa deverá ser precedida de autorização judicial, de acordo com o previsto no §1º do artigo em questão: “§1º Nos casos deste artigo, precederá autorização judicial, após exame das circunstâncias e dos riscos da empresa, bem como da conveniênciaem continuá-la, podendo a autorização ser revogada pelo juiz, ouvidos os pais, tutores ou representantes legais do menor ou do interdito, sem prejuízo dos direitos adquiridos por terceiros”. Portanto, a regra é que para o exercício da atividade empresarial o empresário seja civilmente capaz. A exceção fica por conta de incapacidade superveniente ou sucessão da empresa por causa mortis. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 89 de 156 www.exponencialconcursos.com.br 16. (CESPE/Oficial Técnico de Inteligência-Área 2-ABIN/2018) Em relação ao conceito e à natureza do estabelecimento, ao fundo de comércio e à sucessão comercial, à natureza e às espécies de nome empresarial e ao registro de empresas, julgue o item a seguir. A firma, além de identificar o exercente de atividade empresarial, funciona como assinatura do empresário ou da sociedade empresária. Comentários O item está certo. Segundo o Prof. Fábio Ulhoa Coelho, “Nome empresarial é aquele utilizado pelo empresário para se identificar, enquanto sujeito exercente de uma atividade econômica”. A firma é uma espécie de nome empresarial. Continua Ulhoa: “…Quer dizer, a firma possui uma função que a denominação não tem: ela serve também de assinatura do empresário”. Para concluir, o Prof. André Luiz Santa Cruz Ramos leciona que “A firma individual ou social possui a função específica de servir como a própria assinatura do empresário individual ou da sociedade empresária, respectivamente. Já a denominação, por sua vez, não funciona como assinatura”. 17. (CESPE/Oficial Técnico de Inteligência-Área 2-ABIN/2018) Em relação ao conceito e à natureza do estabelecimento, ao fundo de comércio e à sucessão comercial, à natureza e às espécies de nome empresarial e ao registro de empresas, julgue o item a seguir. O imóvel de uma sociedade empresarial utilizado exclusivamente como clube para seus funcionários integra o estabelecimento empresarial. Comentários O item está errado. Conforme o art. 1.142, CC, “Considera-se estabelecimento todo complexo de bens organizado, para exercício da empresa, por empresário, ou por sociedade empresária”. Segundo a definição do Prof. Fábio Ulhoa Coelho: Portanto, o imóvel utilizado como clube não integra o conceito de estabelecimento empresarial, pois não se destina à exploração da atividade econômica da sociedade empresarial. “Estabelecimento empresarial é o CONJUNTO DE BENS reunidos pelo empresário para a exploração de sua atividade econômica.” (Fabio Ulhoa Coelho). Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 90 de 156 www.exponencialconcursos.com.br 18. (CESPE/Oficial Técnico de Inteligência-Área 2-ABIN/2018) Em relação ao conceito e à natureza do estabelecimento, ao fundo de comércio e à sucessão comercial, à natureza e às espécies de nome empresarial e ao registro de empresas, julgue o item a seguir. Os exercentes de atividade econômica rural estão obrigados a realizar a sua inscrição no registro público de empresas mercantis, como empresários ou sociedade empresarial. Comentários O item está errado. A inscrição do produtor rural tem natureza constitutiva, ou seja, se ele optar por se inscrever na Junta Comercial, se sujeitará ao regime-jurídico empresarial e será considerado empresário rural. Então, o ato de inscrição gera a constituição de atividade empresarial por parte do produtor rural. E, não o contrário, como sugere a questão: o exercício da atividade rural como empresário ou sociedade empresarial não gera a obrigação de inscrição no RPEM. A inscrição no RPEM é facultativa. Art. 971. O empresário, cuja atividade rural constitua sua principal profissão, pode, observadas as formalidades de que tratam o art. 968 e seus parágrafos, requerer inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, caso em que, depois de inscrito, ficará equiparado, para todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro. Enunciado nº 202/CJF: O registro do empresário ou sociedade rural na Junta Comercial é facultativo e de natureza constitutiva, sujeitando-o ao regime jurídico empresarial. É inaplicável esse regime ao empresário ou sociedade rural que não exercer tal opção. 19. (CESPE/Defensor Público-DP-AL/2017) Assinale a opção que apresenta a denominação dada a pessoa capaz ordenada ao exercício profissional de atividade economicamente organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços. a) sociedade anônima b) sociedade limitada c) empresa d) empreendedor e) empresário Comentários Letra E. Questão “dada”. O enunciado representa a definição de empresário expressa no art. 966 do CC: Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 91 de 156 www.exponencialconcursos.com.br Acerca da letra C (empresa), é importante destacar que o empresário não se confunde com a empresa (atividade empresarial) nem com o estabelecimento empresarial. 20. (CESPE/Juiz-TJ-RN/2013) Acerca do empresário, assinale a opção correta. a) Faculta-se aos cônjuges contratar sociedade, entre si ou com terceiros, independentemente do regime de bens adotado no casamento. b) O empresário casado pode, mediante a necessária outorga conjugal, qualquer que seja o regime de bens, alienar os imóveis que integrem o patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus real. c) Não poderá o incapaz, ainda que por meio de representante ou devidamente assistido, continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz. d) Em nenhuma hipótese, considera-se empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda que com o concurso de auxiliares ou colaboradores. e) É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade. Comentários e) Correta, nos termos literais do art. 967, CC. a) Incorreta. Os cônjuges podem contratar sociedade, entre si ou com terceiros, EXCETO no regime de comunhão universal ou separação total de bens (art. 977, CC). Obs.: Os cônjuges, separadamente, podem contratar sociedade com terceiros, independente do regime de casamento. Art. 966 do CC. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 92 de 156 www.exponencialconcursos.com.br b) Incorreta, conforme o art. 978, CC, não há necessidade de outorga conjugal. Este é o entendimento da doutrina que privilegia a atividade empresarial. Porém, há divergência neste ponto, já que pelo art. 1.647 do CC, há a previsão de outorga conjugal: Art. 978. O empresário casado pode, sem necessidade de outorga conjugal, qualquer que seja o regime de bens, alienar os imóveis que integrem o patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus real. Art. 1.647. Ressalvado o disposto no art. 1.648, nenhum dos cônjuges pode, sem autorização do outro, exceto no regime da separação absoluta: I - alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis; (...) c) Incorreta, pois o incapaz poderá exerce a atividade empresarial respeitadas algumas condições, conforme o art. 974, CC. Art. 974. Poderá o incapaz, por meio de representante ou devidamente assistido, continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz, por seus pais ou peloautor de herança. d) Incorreta, pois na hipótese de existir elemento de empresa, considera-se empresário o profissional liberal. Art. 966. Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. 21. (CESPE / ICMS-ES / 2013) Em relação à empresa, ao estabelecimento comercial e ao nome empresarial, assinale a opção correta. a) Empresário que se tornar absolutamente incapaz não poderá continuar a empresa. b) Para a eficácia do trespasse, é necessário o pagamento de todas as dívidas ou o prévio consentimento dos credores, salvo na hipótese de o alienante permanecer solvente após a alienação. c) A sede do estabelecimento comercial é necessária ao desempenho da atividade empresarial, por isso ela não pode ser objeto de penhora. d) Se o sócio que tiver emprestado seu nome civil à composição do nome empresarial for retirado da sociedade, não será necessária a alteração da firma da referida sociedade limitada. e) O conceito de empresário abrange o exercício episódico da produção de certa mercadoria destinada à venda no mercado. Comentários Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 93 de 156 www.exponencialconcursos.com.br b) Correta. Art. 1.145 do CC. Lembrando que o consentimento dos credores deve ser expresso em até 30, após notificados, ou tácito, no caso do silêncio deles. a) Incorreta. Para exercer a atividade empresarial o empresário necessita estar civilmente capaz. Porém, esta regra fica afastada na forma prevista no art. 974, CC: incapacidade superveniente do empresário e sucessão causa mortis. c) Incorreta. Esta alternativa cobrou o conhecimento da súmula nº 451 do STJ, que permite a penhora da sede do estabelecimento comercial. d) Incorreta, pois é necessária a alteração do nome empresarial, conforme o princípio da veracidade e art. 1.165, CC. e) Incorreta. Pela teoria da empresa adotada pelo CC de 2002, para ser considerado empresário a pessoa deve exercer a atividade econômica profissionalmente de forma organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. O modo profissional pressupõe o exercício habitual e estável da atividade. Logo o termo “episódico” afasta a teoria da empresa por remeter a ideia de esporádica, mesmo destinada ao mercado. Ressalta-se que uma atividade sazonal é empresária, já que pressupõe o exercício habitual em certas estações do ano, por exemplo. 22. (CESPE/Procurador-TC-DF/2013) Considerando que o atual Código Civil, instituído em 2002, inaugurou no ordenamento jurídico brasileiro o que a doutrina denomina de unificação do direito privado, passando a disciplinar tanto a matéria civil quanto a comercial, julgue os itens a seguir. Instituído em 1850, o Regulamento 737 que então definiu os atos de mercancia, embora já tenha sido revogado há muito tempo, ainda é albergado pela doutrina e tem aplicação subsidiária na nova ordem do direito empresarial calcada na teoria da empresa. Comentários O item está errado. A Teoria dos Atos de Comércio não tem mais espaço atualmente diante do regime jurídico comercial implementado pela Teoria da Empresa. São incompatíveis as duas teorias, portanto não podemos falar em subsidiariedade da teoria dos atos de comércio. Vejamos um esquema comparativo entre as duas teorias: Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 94 de 156 www.exponencialconcursos.com.br 23. (CESPE/Juiz-TJ-AL/2008) O massagista Rogério colocou nos fundos de sua casa equipamentos voltados para a prática de exercícios físicos, que utilizou para prestar serviços onerosos ao público em geral por meio de uma academia de ginástica, identificada pela designação de Aleatória Work- Out, conforme cartaz afixado sobre a porta do imóvel. Após dois anos, a atividade alcançou substancial desempenho, o que levou Rogério a alugar um imóvel para reinstalar a academia, bem como a contratar uma secretária e dois fisioterapeutas para auxiliá-lo com os clientes. Esse sucesso chamou a atenção de Serviços do Corpo Ltda., academia concorrente, que propôs a Rogério o trespasse de seu estabelecimento empresarial para a sociedade limitada, celebrando-se esse negócio. Considerando essa situação hipotética, assinale a opção correta. a) A alienação só valerá se Rogério estiver inscrito no Registro Público de Empresas Mercantis como empresário ou como sociedade empresária, sem o que faltará requisito essencial ao negócio de trespasse. b) No preço do trespasse, poderá ser contabilizado o valor do aviamento, que corresponderá à soma das quantias concernentes aos aspectos subjetivo e objetivo desse bem imaterial, a serem transferidas, com a alienação, ao comprador. c) A designação Aleatória Work-Out constitui o título do estabelecimento alienado, e a negociação desse bem pelo trespasse ocorrerá sob as mesmas regras aplicáveis ao nome empresarial. d) Publicado o negócio de trespasse, os clientes da academia de Rogério deverão adimplir suas mensalidades perante o adquirente do estabelecimento, Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 95 de 156 www.exponencialconcursos.com.br mas qualquer pagamento dessa natureza feito de boa-fé ao alienante valerá contra a sociedade limitada. e) Os débitos vincendos referentes às atividades da academia serão assumidos por Serviços do Corpo Ltda., mas Rogério continuará por eles solidariamente responsável pelo prazo de um ano, contado da data da publicação do negócio de trespasse. Comentários d) Correta. Assertiva está de acordo com o art. 1.149 do CC. A sucessão dos créditos em favor do estabelecimento fica ao encargo do adquirente. Porém, as mensalidades pagas ao alienante, se de boa-fé, vale em relação à sociedade limitada. É o caso, por exemplo, do mensalista desconhecer o contrato de trespasse e efetuar o pagamento ao antigo dono da academia. Neste caso, o alienante deverá agir de boa-fé também repassando o pagamento recebido indevidamente ao adquirente. Art. 1.149. A cessão dos créditos referentes ao estabelecimento transferido produzirá efeito em relação aos respectivos devedores, desde o momento da publicação da transferência, mas o devedor ficará exonerado se de boa-fé pagar ao cedente. a) Incorreta. Não há previsão de obrigatoriedade de estar regularmente inscrito no Registro Público de Empresas Mercantis para que a alienação do estabelecimento empresarial tenha validade, mesmo porque a inscrição do empresário na Junta Comercial é declaratória e não constitutiva da condição de empresário. Ainda, a necessidade de averbação da alienação junto à inscrição do empresário na Junta Comercial é um requisito em relação aos efeitos perante terceiros, conforme o art. 1.144, CC. Ou seja, o negócio jurídico em questão será válido entre as partes. Art. 1.144. O contrato que tenha por objeto a alienação, o usufruto ou arrendamento do estabelecimento, só produzirá efeitos quanto a terceiros depois de averbado à margem da inscrição do empresário, ou da sociedade empresária, no Registro Público de Empresas Mercantis, e de publicado na imprensa oficial. b) Incorreta, pois o aviamento não é bem imaterial do estabelecimento, mas sim um atributo. c) Incorreta, pois o título de estabelecimento (ou nome fantasia) não goza da mesma proteção conferida pela disciplina empresarialao nome empresarial. e) Incorreta, pois conta-se o prazo de um ano em relação aos créditos vincendos (aqueles que ainda irão vencer) a partir da data do seu vencimento. Art. 1.146. O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados, continuando o devedor primitivo solidariamente obrigado Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 96 de 156 www.exponencialconcursos.com.br pelo prazo de um ano, a partir, quanto aos créditos vencidos, da publicação, e, quanto aos outros, da data do vencimento. 24. (CESPE/Delegado da PF/2013) No que concerne ao empresário e às sociedades empresárias, julgue o próximo item. Ao empresário individual não é permitida a realização da atividade-fim intuitu personae, uma vez que ele é o organizador da atividade empresarial. Por isso, ele deve contratar pessoas para desempenhar esse tipo de atividade. Comentários ANULADA. Inicialmente, o item foi dado como CERTO, com fundamento no art. 966 do CC e na teoria da empresa. O examinador pretendeu cobrar o conhecimento dos requisitos para ser considerado empresário, bem como dos fatores de produção: mão-de-obra, capital, insumo e tecnologia. Assim, considera-se a organização dos fatores de produção como o requisito mais relevante para qualificar alguém como empresário. Obviamente, alguém que exerça uma atividade econômica de maneira rudimentar estará excluído do conceito de empresário. Ou seja, o indivíduo que produz de forma solitária determinado produto e, depois, o vende, não exerce de forma profissional atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. No entanto, é possível que o indivíduo seja considerado empresário individual, estando a frente da empresa, mas também realizando a atividade-fim. O Prof. Fabio Ulhoa Coelho assim exemplifica: “O médico que atende à sua clientela, em consultório mantido junto com colegas, não é empresário, porque, embora até eventualmente integre pessoa jurídica para a repartição de despesas e de resultados, ele não pode ser caracterizado como elemento de empresa. Já o mesmo médico, ao organizar um pronto--socorro, empregando clínicos, enfermeiros, pessoal Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 97 de 156 www.exponencialconcursos.com.br administrativo etc., passa a ser visto como elemento de empresa, mesmo se continuar dando atendimento médico especializado”. Portanto, entendemos que a assertiva acima estaria ERRADA. Porém, a banca CESPE assim justificou a anulação do item: O item está correto de acordo com o CC e abalizada doutrina. Porém, há discordância doutrinária sobre o assunto. Diante disso, opta-se pela anulação. 25. (CESPE/Delegado da PF/2013) Julgue o item seguinte, relativo ao direito empresarial. O delegado, no desempenho de sua função institucional de investigação de infração legal, deve diferenciar se o ato ilegal foi praticado por pessoa jurídica empresa ou por pessoa física ou jurídica empresário, pois a empresa não se confunde com a pessoa que a compõe, tendo personalidade jurídica distinta da de seus sócios. Comentários ANULADA. Justificativa da CESPE: A utilização do termo “pessoa jurídica empresa” prejudicou o julgamento objetivo do item, motivo pelo qual se opta por sua anulação. De fato, o examinador confundiu os termos. Mas, relembremos o ponto central da questão: 26. (CESPE / Juiz-TJ-TO / 2007) Considere que SB Móveis Ltda. possua vários móveis, imóveis, marcas e lojas intituladas de Super Bom Móveis, em diversos pontos da cidade. Nessa situação, à luz da disciplina jurídica do direito de empresa, assinale a opção correta. a) O ponto empresarial confunde-se com o imóvel onde funciona cada loja da SB Móveis Ltda b) O aviamento e o nome fantasia Super Bom Móveis são elementos integrantes do estabelecimento empresarial da SB Móveis Ltda. c) A lei veda a alienação do nome empresarial da SB Móveis Ltda. d) Pelo princípio da veracidade, o nome empresarial da SB Móveis Ltda. deve se distinguir de outros já existentes. ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL EMPRESÁRIO EMPRESA Atividade Empresarial Sujeito que exerce a atividade Complexo de bens Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 98 de 156 www.exponencialconcursos.com.br Comentários Letra “c”. c) Correta, nos termos do art. 1.164 do CC. Art. 1.164. O nome empresarial não pode ser objeto de alienação. Parágrafo único. O adquirente de estabelecimento, por ato entre vivos, pode, se o contrato o permitir, usar o nome do alienante, precedido do seu próprio, com a qualificação de sucessor. a) Incorreta. O ponto empresarial, como vimos, não pode ser confundido com o imóvel. É um elemento imaterial (incorpóreo) do estabelecimento. b) Incorreta, pois o aviamento não é elemento do estabelecimento, mas sim atributo. O nome fantasia (título do estabelecimento) é elemento imaterial do estabelecimento. d) Incorreta. O princípio descrito é o da novidade (art. 1.163, CC), e não da veracidade. Pelo princípio da veracidade, o nome empresarial deve corresponder à situação real da empresa (não pode conter informações falsas, nome de sócio já falecido). Art. 1.163. O nome de empresário deve distinguir-se de qualquer outro já inscrito no mesmo registro. Parágrafo único. Se o empresário tiver nome idêntico ao de outros já inscritos, deverá acrescentar designação que o distinga. 27. (CESPE/Procurador-AGU/2010) Marcos exerce atividade rural como sua principal profissão. Nessa situação, Marcos poderá requerer, observadas as formalidades legais, sua inscrição perante o Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, equiparando-se, após a sua inscrição, ao empresário sujeito a registro. Comentários O item está certo. A pessoa ou a sociedade que exercer atividade rural tem a opção de inscrever-se tanto no RCPJ quanto no RPEM, conforme previsto nos arts. 971 e 984 do CC. Optando pelo RPEM, será equiparado ao empresário sujeito a registro. 28. (CESPE/Procurador-TCE-BA/2010) As disposições relativas à escrituração previstas no Código Civil não se aplicam às sucursais, filiais ou agências no Brasil de empresário ou sociedade com sede em país estrangeiro. Comentários O item está errado. Obviamente que as empresas que atuam no país devem se sujeitar às suas leis. Assim, as disposições previstas sobre escrituração Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 99 de 156 www.exponencialconcursos.com.br também se aplicam às sucursais, filiais ou agencias com sede no estrangeiro, por força do art. 1.195 do CC. 29. (CESPE/Procurador-AGU/2010) Sérgio, administrador da pessoa jurídica Gama Ltda., celebrou contrato em nome dessa pessoa jurídica com a pessoa jurídica Delta Ltda. e, no respectivo instrumento, apôs a firma de Gama, omitindo tanto a palavra limitada como a sua abreviatura. Nessa situação, a omissão deve ser considerada mero erro material e não ensejará nenhuma repercussão jurídica. Comentários O item está errado. A omissão da palavra limitada e de sua abreviatura tem como resultado a RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E ILIMITADA dos administradores que praticaram a referida omissão, no caso Sérgio. Então, tem repercussão jurídica (art. 1.158, §3º). 30. (CESPE/Procurador-PG-DF/2013)Para Ronald Coase, jurista norte- americano cujo pensamento doutrinário tem sido bastante estudado pelos juristas brasileiros, a empresa se revelaria, estruturalmente, como um “feixe de contratos” que, oferecendo segurança institucional ao empresário, permite a organização dos fatores de produção e a redução dos custos de transação. Nesse aspecto, a proposta de Coase coincide com o perfil institucional proposto por Asquini. Comentários O item está errado. É a teoria dos perfis de empresa de Asquini que é adotada pela doutrina nacional. Além disso, é incorreto dizer que a teoria dos feixes de contratos coincide com o perfil institucional de Asquini, pois na verdade representam concepções distintas: enquanto a teoria de feixe de contratos relaciona-se aos contratos para organizar a atividade econômica e reduzir os custos de transação, o perfil institucional ou corporativo de Asquini refere-se à empresa como uma instituição, formada pelo empresários e seus coloboradores, ok? 31. (CONSULPLAN/Titular de Serviços Notariais-TJ-MG/2017) Possui(em) capacidade para ser empresário, EXCETO: a) Os que estiverem em pleno gozo da capacidade civil e não forem legalmente impedidos. b) O incapaz, desde que representado ou assistido, poderá continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 100 de 156 www.exponencialconcursos.com.br c) Faculta-se aos cônjuges contratar sociedade, entre si ou com terceiros, desde que não tenham casado no regime da comunhão universal de bens, ou no da separação obrigatória. d) O falido não reabilitado. Comentários O enunciado pede para assinalar a alternativa que representa hipótese de incapacidade para exercer a atividade empresarial, ou seja, as demais alternativas são hipóteses previstas para a exercício regular da atividade empresarial. Letra “d”. Correta, conforme a Lei de Falências (Lei nº 11.101/06). Art. 102. O falido fica inabilitado para exercer qualquer atividade empresarial a partir da decretação da falência e até a sentença que extingue suas obrigações, respeitado o disposto no § 1o do art. 181 desta Lei. Letra “a”. Art. 972. Podem exercer a atividade de empresário os que estiverem em pleno gozo da capacidade civil e não forem legalmente impedidos. Letra “b”. Art. 974. Poderá o incapaz, por meio de representante ou devidamente assistido, continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz, por seus pais ou pelo autor de herança. Letra “c”. Art. 977. Faculta-se aos cônjuges contratar sociedade, entre si ou com terceiros, desde que não tenham casado no regime da comunhão universal de bens, ou no da separação obrigatória. 32. (CONSULPLAN/Titular de Serviços Notariais-TJ-MG/2017) Nos termos do Código Civil marque a afirmativa INCORRETA acerca da definição de empresário: a) É aquele que exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. b) É aquele que exerce profissionalmente atividades em cooperativas sendo um dos cooperados. c) É aquele cuja atividade rural constitua sua principal profissão, desde que seja inscrito no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede. d) É aquele que exerce atividade empresarial individual de responsabilidade limitada, por uma única pessoa titular da totalidade do capital social. Comentários Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 101 de 156 www.exponencialconcursos.com.br Letra “b”. Incorreta, pois não se relaciona à definição de empresário nos termos da regra geral prevista no art. 966 do CC, nem representa uma das hipóteses de exceção à teoria da empresa. Ressaltando que a sociedade cooperativa será sempre considerada uma sociedade simples. Art. 982 Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considera- se empresária a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa Letra “a”. Correta. Definição de empresário e representa a teoria da empresa. Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. para os demais empresários. Letra “c”. Correta. Aquele que exerce a atividade rural é exceção à teoria da empresa, pois para ser considerado empresário basta a sua inscrição já Junta Comercial. Art. 971. O empresário, cuja atividade rural constitua sua principal profissão, pode, observadas as formalidades de que tratam o art. 968 e seus parágrafos, requerer inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, caso em que, depois de inscrito, ficará equiparado, para todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro. Letra “d”. Correta. Representa a chamada EIRELI, que tanto pode ser de natureza simples como empresarial. Porém, esta assertiva representa uma EIRELI de natureza empresarial, pois afirma-se “É aquele que exerce atividade empresarial”. Art. 980-A. A empresa individual de responsabilidade limitada será constituída por uma única pessoa titular da totalidade do capital social, devidamente integralizado, que não será inferior a 100 (cem) vezes o maior salário-mínimo vigente no País. 33. (CONSULPLAN/Titular de Serviços Notariais-TJ-MG/2017) O Código Civil brasileiro adotou, de forma indireta, uma definição para o termo jurídico “empresa”. Levando em conta, esta definição, amplamente aceita e adotada pela doutrina pátria, a palavra-chave que está presente nesta definição é a) atividade. b) pessoa. c) coisa. d) instituição. Comentários Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 102 de 156 www.exponencialconcursos.com.br Letra “a”. Podemos definir empresa como sendo “A ATIVIDADE econômica ORGANIZADA para a produção ou a circulação de bens ou serviços, exercida de forma PROFISSIONAL pelo EMPRESÁRIO”. A Teoria dos Perfis de Asquini procura definir a empresa: Perfil Subjetivo A empresa está relacionada ao indivíduo que exerce de forma organizada e profissional uma atividade econômica objetivando a produção ou circulação de bens ou de serviços. O EMPRESÁRIO é o sujeito de direito, pois é ele quem exerce a atividade empresarial. Perfil Funcional A empresa está relacionada à ATIVIDADE EMPRESARIAL em si, direcionada a um determinado fim produtivo, que é gerar riquezas. Perfil Objetivo ou patrimonial A empresa está relacionada ao ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL, considerando os bens patrimoniais da empresa como resultado do fator econômico. Perfil Corporativo ou institucional A empresa relacionada ao grupo organizacional formado pelo empresário e seus colaboradores. Este perfil está superado, pois não tem correspondência na realidade atual. Logo, a forma como é exercida a atividade é determinante para caracterizar a empresa, conforme o perfil funcional acima. 34. (FCC/Direito-Eletrobrás-Eletrosul/2016) Analise os seguintes enunciados em relação à atividade empresarial: I. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. II. Considera-se empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. III. É facultativa a inscrição do empresário no Registro Público deEmpresas Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade. IV. Faculta-se aos cônjuges contratar sociedade, entre si ou com terceiros, desde que não sejam casados sob o regime da comunhão universal de bens, ou no da separação obrigatória. Está correto o que se afirma APENAS em: Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 103 de 156 www.exponencialconcursos.com.br a) II, III e IV. b) I, III e IV. c) II e III. d) I e IV. e) I e II. Comentários Letra “d”: itens I e IV corretos. I-Correto. Esta é a positivação da Teoria da Empresa, que define o empresário nos termos previstos no art. 966 do CC. II-Incorreta. É o contrário: estas características não qualificam o indivíduo como empresário, exceto se estiver presente elemento de empresa (art. 966, §único, CC). III-Incorreta. Conforme o art. 967 do CC, é obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público das Empresas Mercantis da respectiva sede, antes do início de suas atividades. Esta determinação define a regularidade perante à lei do empresário. IV-Correta, conforme a literalidade do art. 977 do CC. 35. (CONSUPLAN/Titular de Serviços Notariais-TJ-MG/2016) Sobre o conceito de empresário e sua capacidade, e à luz do Código Civil brasileiro, é correto afirmar: Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 104 de 156 www.exponencialconcursos.com.br a) Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou de serviços. b) A pessoa legalmente impedida de exercer atividade própria de empresário, se a exercer, não responderá pelas obrigações contraídas. c) Poderá o incapaz, mesmo sem assistência, continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz, por seus pais ou pelo autor da herança. d) O empresário casado necessita de outorga conjugal, qualquer que seja o regime de bens, para alienar os imóveis que integram o patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus real. Comentários a) Correta. É o gabarito. Esta assertiva reproduz literalmente o conceito de empresário, segundo o art. 966 do CC. Ter atenção para: “...exerce profissionalmente atividade econômica organizada...”. b) Incorreta. O erro está na palavra “não”, já que a pessoa legalmente impedida de exercer atividade própria de empresário, se a exercer, responderá pelas obrigações contraídas (art. 973, CC). c) Incorreta, pois o incapaz deve ser representado ou assistido no exercício da empresa, conforme o art. 974 do CC. Art. 974. Poderá o incapaz, por meio de representante ou devidamente assistido, continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz, por seus pais ou pelo autor de herança. d) Incorreta, conforme o art. 978 do CC, pelo qual o empresário casado não necessitaria de outorga conjugal, qualquer que seja o regime de bens, para alienar os imóveis que integram o patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus real. 36. (VUNESP/Titular de Serviços Notariais-TJ-SP/2016) Considera-se juridicamente empresa: a) a atividade economicamente organizada exercida pelo empresário. b) o fundo de comércio das entidades empresariais. c) as sociedades empresárias registradas devidamente no Registro de Comércio. d) as sociedades unipessoais que exerçam atividade econômica para produção ou circulação de bens ou serviços, de maneira habitual e com intuito de lucro. Comentários Letra “a”. Das alternativas acima, somente a alternativa “a” representa o que a doutrina e jurisprudência nacional consideram como empresa. Este conceito Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 105 de 156 www.exponencialconcursos.com.br está conforme os ensinamentos do Prof. Asquini e sua teoria dos Perfis de Empresa, abordando a empresa como um fenômeno poliédrico: perfil subjetivo, perfil funcional, perfil objetivo ou patrimonial e perfil corporativo ou institucional. Assim, o perfil funcional de Asquini está relacionado a essa definição jurídica de empresa. 37. (FGV/ICMS-RJ/2010) Segundo o art. 966 do Código Civil, é considerado empresário: a) quem é sócio de sociedade empresária dotada de personalidade jurídica. b) quem é titular do controle de sociedade empresária dotada de personalidade jurídica. c) quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços. d) quem exerce profissão intelectual de natureza científica, literária ou artística. e) quem assume a função de administrador em sociedade limitada ou sociedade anônima. Comentários Letra “c”. Percebam que a banca cobrou a literalidade do art. 966 do CC na letra C, que é a nossa resposta. Comentemos as demais alternativas. a), b) e e) - Incorretas, pois somente pelo fato de um indivíduo ser sócio ou controlador, ou ainda, administrador de uma sociedade empresária, não significa que ele seja empresário. O requisito para ser considerado empresário é que a pessoa física ou jurídica exerça profissionalmente atividade econômica de forma organizada. d) quem exerce profissão intelectual de natureza científica, literária ou artística. Incorreta. Essas atividades são as exceções à teoria da empresa, pela qual somente são empresárias se constituírem elemento de empresa, conforme o parágrafo único do art. 966, CC, transcrito abaixo: Art. 966. Parágrafo único do CC. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. 38. (FGV/ICMS-RJ/2008) Pela teoria da empresa, adotada pelo novo Código Civil, pode-se afirmar que o principal elemento da sociedade empresarial é: a) o trabalho. b) o capital. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 106 de 156 www.exponencialconcursos.com.br c) a organização. d) o ativo permanente. e) o maquinário. Comentários Letra “c”. Embora o enunciado mencione a sociedade empresarial, sabemos que a teoria da empresa refere-se tanto ao empresário individual quanto à sociedade. Afinal, o fundamento daquela teoria é a forma como a atividade econômica é exercida. Assim, dentre as alternativas, a ORGANIZAÇÃO da atividade empresarial é o elemento mais importante da teoria da empresa e do regime jurídico comercial atual. 39. (ESAF/AFRFB/2009) A respeito do empresário individual no âmbito do direito comercial, marque a opção correta. a) O empresário individual atua sob a forma de pessoa jurídica. b) Da inscrição do empresário individual, constam o objeto e a sede da empresa. c) O analfabeto não pode registrar-se como empresário individual. d) O empresário, cuja atividade principal seja a rural, não pode registrar-se no Registro Público de Empresas. e) O empresário individual registra uma razão social no Registro Público de Empresas. Comentários Letra “b”. Correta. A inscrição do empresário individual no Registro Público das Empresas Mercantis deve conter alguns dados conforme o art. 968 do CC: 1) O seu NOME, nacionalidade, domicílio, estado civil e, se casado, o regime de bens; 2) A FIRMA, com a respectiva assinatura autografa (pode ser substituída por assinatura autenticada com certificação digital ou equivalente); 3) O CAPITAL; 4) O OBJETO e a SEDE da empresa. a) Incorreta. Oempresário individual é a pessoa física ou natural à frente da empresa. A sociedade é um tipo de pessoa jurídica. Recordando: Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 107 de 156 www.exponencialconcursos.com.br c) Incorreta. Não há qualquer impedimento legal à inscrição do analfabeto como empresário individual, se ele possuir capacidade civil. No entanto, ele precisa ser representado por procurador constituído mediante procuração por instrumento público, ok? Este procedimento está previsto na IN DREI nº 10/2013, abaixo transcrito: 1.3.5 - REPRESENTAÇÃO DO EMPRESÁRIO Poderá o empresário ser representado por procurador com poderes específicos para a prática do ato. Em se tratando de empresário analfabeto, a procuração deverá ser outorgada por instrumento público. Na procuração por instrumento particular deve constar o reconhecimento da firma do outorgante. d) Incorreta. A atividade rural é uma das exceções à teoria da empresa. Assim, quem a exerce tem a opção de se inscrever no RPEM, se sujeitando para todos os efeitos ao regime jurídico empresarial. Art. 971. O empresário, cuja atividade rural constitua sua principal profissão, pode, observadas as formalidades de que tratam o art. 968 e seus parágrafos, requerer inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, caso em que, depois de inscrito, ficará equiparado, para todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro. e) Incorreta. Conforme o art. 1.156 do CC, o empresário individual opera sob firma como nome empresarial. Art. 1.156. O empresário opera sob firma constituída por seu nome, completo ou abreviado, aditando-lhe, se quiser, designação mais precisa da sua pessoa ou do gênero de atividade. 40. (FCC/Juiz do Trabalho-TRT-23ªR-MT/2015) Antônio é empresário individual, como tal inscrito no Registro de Empresas e no CNPJ há mais de dez anos. Com exceção daqueles legalmente impenhoráveis, respondem pelas dívidas contraídas por Antônio no exercício da atividade empresarial: a) somente os seus bens afetados à atividade empresarial, mas limitadamente ao valor do capital da empresa. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 108 de 156 www.exponencialconcursos.com.br b) todos os seus bens, inclusive os não afetados à atividade empresarial, desde que deferida judicialmente a desconsideração da personalidade jurídica da empresa. c) todos os seus bens. d) todos os seus bens, mas limitadamente ao valor do capital da empresa. e) somente os seus bens afetados à atividade empresarial. Comentários Letra “c”. O principal ponto acerca do empresário individual é em relação à sua responsabilidade pelas dívidas oriundas dos seus negócios. Por elas, o empresário individual deve responder ilimitadamente, posto que não possui personalidade jurídica e não há a separação dos bens particulares daqueles destinados à sua atividade. Ou seja, há confusão patrimonial: bens da empresa e bens pessoais. No entanto, como bem diz o enunciado, os bens legalmente considerados impenhoráveis não serão atingidos (arts. 591, 648 e 649, CPC). Assim, a nossa resposta é a letra C – todos os bens do empresário individual são chamados a responder pelas dívidas da empresa! 41. (FCC / Juiz-TJ-GO / 2015) Thiago, titular de uma empresa individual do ramo de padaria, veio ser interditado judicialmente e declarado absolutamente incapaz para os atos da vida civil por conta de uma doença mental que lhe sobreveio. A Thiago, nesse caso, é: a) permitido continuar a empresa por meio de representante, mediante prévia autorização judicial, que não é passível de revogação. b) vedado continuar a empresa, ainda que por meio de representante. c) permitido continuar a empresa por meio de representante, mediante prévia autorização judicial, que poderá ser revogada, também judicialmente, sem prejuízo dos direitos de terceiros. d) permitido continuar a empresa por meio de representante, independentemente de prévia autorização judicial. e) permitido continuar a empresa por meio de representante, caso em que todos os bens que já possuía ao tempo da sua interdição ficarão sujeitos ao resultado da empresa, ainda que estranhos ao acervo desta. Comentários Obs.: Não existe mais essa hipótese de incapacidade absoluta, conforme nova redação do art. 3º do CC (Lei nº 13.146/15). Enunciado fica prejudicado, porém a consequência e o procedimento em relação a preservação da empresa continuam válidos, conforme o comentário a seguir! Letra “c”. Questão que trata da capacidade civil do empresário individual. Thiago foi declarado absolutamente incapaz, portanto, legalmente, deve ser Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 109 de 156 www.exponencialconcursos.com.br representado para continuar a atividade empresarial, mediante prévia autorização judicial. No entanto, esta autorização judicial poderá ser revogada pelo juiz sem prejuízo de terceiros, conforme o art. 974, §1º do CC. Assim, a única alternativa correta é a letra C. Já a letra E está incorreta em razão do teor do §2º do mesmo artigo. Art. 974, CC: poderá o incapaz, por meio de representante ou devidamente assistido, continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz, por seus pais ou pelo autor da herança. § 1º. Nos casos deste artigo, precederá autorização judicial, após exame das circunstâncias e dos riscos da empresa, bem como da conveniência em continuá-la, podendo a autorização ser revogada pelo juiz, ouvidos os pais, tutores ou representantes legais do menor ou do interdito, sem prejuízo dos direitos adquiridos por terceiros. § 2o Não ficam sujeitos ao resultado da empresa os bens que o incapaz já possuía, ao tempo da sucessão ou da interdição, desde que estranhos ao acervo daquela, devendo tais fatos constar do alvará que conceder a autorização. 42. (FCC/Auditor-Substituto de Conselheiro-TCM-RJ/2015) É vedado ao empresário casado, salvo no regime da separação total de bens, alienar os imóveis que integrem o patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus reais sem a outorga conjugal. Comentários O item está errado. Esta assertiva tem como fundamento o art. 978 do CC. Por este artigo, o empresário casado pode alienar ou gravar de ônus real os imóveis destinados à atividade empresarial sem a necessidade de autorização do seu cônjuge, independente do regime de casamento. Notemos que neste caso os imóveis aqui tratados estão identificados e integrados ao patrimônio da empresa, logo não há necessidade de outorga conjugal. Assim, esta assertiva está incorreta, pois não há a ressalva do regime de separação total de bens. Porém, certamente o examinador intencionava confundir o candidato em razão do teor do art. 1.647, I, CC: “Ressalvado o disposto no art. 1.648, nenhum dos cônjuges pode, sem autorização do outro, exceto no regime da separação absoluta: I - alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis”. Conflito entre o art. 978 e 1.647, inciso I ???? Bem, há controvérsia sim! Olhem só o enunciado nº 6 da I Jornada de Direito Comercial: “O empresário individual regularmente inscrito é o destinatário da norma do art. 978 do Código Civil, que permite alienar ou gravar de ônus real o imóvel incorporado à empresa, desde que exista, se for o caso, prévio registro de autorização conjugal no Cartório de Imóveis, devendo tais requisitos constar do instrumento de alienação ou de instituição do ônus real, com a consequente Curso de DireitoEmpresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 110 de 156 www.exponencialconcursos.com.br averbação do ato à margem de sua inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis”. Por este enunciado, observemos, exige-se a prévia autorização conjugal. No entanto, entendemos que este conflito é apenas aparente, em que pese o enunciado acima. Para chegarmos a um entendimento razoável sobre o tema, devemos aplicar o art. 978 de forma especial ou específica somente aos imóveis destinados à atividade empresarial, ou seja, aos imóveis efetivamente incorporados à empresa. Neste caso, consagrando a atividade empresarial e a teoria da empresa, permitindo o livre exercício da atividade econômica, não haveria a necessidade de outorga conjugal para alienar ou gravar de ônus real tais bens, ok? Beleza? Foi neste sentido o entendimento do examinador: art. 1.647, I é a regra geral e o art. 978 é uma regra mais específica. 43. (FCC/ICMS-RJ/2014) No tocante à atividade empresarial, é correto afirmar: a) A pessoa legalmente impedida de exercer atividade própria de empresário, se a exercer, não responderá pelas obrigações que contrair. b) Faculta-se aos cônjuges contratar sociedade, entre si ou com terceiros, desde que tenham casado no regime da comunhão universal de bens, ou no da separação obrigatória. c) Em nenhum caso poderá o incapaz, após reconhecida judicialmente sua incapacidade, continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz, por seus pais ou pelo autor da herança. d) O empresário casado pode, sem necessidade de outorga conjugal, qualquer que seja o regime de bens, alienar os imóveis que integrem o patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus real. e) A sentença que decretar ou homologar o divórcio do empresário pode ser oposta de imediato a terceiros, sem necessidade de qualquer averbação ou arquivo no Registro Público de Empresas Mercantis. Comentários d) Esta é a nossa resposta, conforme a literalidade do art. 978 do CC. Esta regra refere-se ao empresário individual regularmente inscrito no RPEM. Assim, se o imóvel pertencer ao patrimônio da empresa, não há necessária a autorização conjugal para alienar ou gravar de ônus real o imóvel, independente do regime de comunhão do casamento, ok? a) Além da necessidade de estar em pleno gozo da capacidade civil, o indivíduo para exercer a atividade empresarial precisa NÃO estar legalmente impedido, certo? Assim, aquele que estiver por lei impedido de exercer a atividade empresarial, caso venha a exercer responderá pelas Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 111 de 156 www.exponencialconcursos.com.br obrigações assumidas. Logo, seus atos não serão considerados nulos, ok? Alternativa incorreta, nos termos do art. 973, CC. b) Relembrando a nossa esquematização sobre o empresário casado, a alternativa está incorreta, pois os regimes de comunhão citados são as exceções para que os cônjuges contratem sociedades. Obs.: Os cônjuges, separadamente, podem contratar sociedade com terceiros independente do regime de casamento. c) Pessoa, devemos ter sempre cuidado com expressões do tipo “Em nenhum caso”, “jamais”, “nunca”, “todas”, e outras. Normalmente o erro está aí. No caso desta alternativa, há a afirmação de que em nenhum caso o incapaz poderá exercer a atividade empresarial. Porém, segundo o art. 974 do CC, o incapaz poderá exercer a atividade empresarial desde que assistido ou representado, mediante autorização judicial prévia. Alternativa incorreta. e) Mais uma vez o uso de expressão extremista: “qualquer”. Em respeito à publicidade dos atos, o art. 980 do CC determina a necessidade de averbação e arquivamento no RPEM da sentença de divórcio e de reconciliação, antes de serem opostas a terceiros. 44. (FCC/Assessor Jurídico-TCE-PI/2014) João Renato era dono de um restaurante, exercendo pessoalmente sua administração. Sofre um acidente grave, automobilístico, que o leva a ser interditado para os atos da vida civil, mas insiste em continuar as atividades da empresa. Nessas condições pessoais: a) poderá fazê-lo, por meio de autorização judicial na qual se nomeará um curador e de natureza irrevogável, salvo prova de abuso de gestão. b) poderá fazê-lo, desde que por meio de representante ou devidamente assistido, sem interferência judicial, já que as obrigações legais passam a ser integralmente de seu representante. c) não poderá fazê-lo, por impedimento legal e, se o fizer, não responderá pelas obrigações contraídas, por sua incapacidade. d) não poderá fazê-lo, por impedimento legal às atividades empresariais mas, se o fizer, responderá pelas obrigações contraídas, para que não haja prejuízo a terceiros de boa-fé. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 112 de 156 www.exponencialconcursos.com.br e) poderá fazê-lo, desde que por meio de representante ou devidamente assistido, com precedente autorização judicial que examine as circunstâncias e riscos da empresa, bem como a conveniência em continuá- la e podendo tal autorização ser revogada pelo juiz, nos termos previstos em lei. Comentários Obs.: Não existe mais essa hipótese de incapacidade absoluta, conforme nova redação do art. 3º do CC (Lei nº 13.146/15). Enunciado fica prejudicado, porém a consequência e o procedimento em relação a preservação da empresa continuam válidos, conforme o comentário a seguir! Letra “e”. Observem como as questões se repetem. Após algumas questões e comentários, ficou fácil esta questão, não é mesmo? A nossa resposta é a letra E, conforme o art. 974, §1º do CC. Logo, é importantíssimo sempre fazermos questões de provas anteriores, ok? 45. (FCC/Assessor Jurídico-TCE-PI/2014) Marina é dona de um laboratório especializado em exames patológicos, que realiza a pedido de médicos e hospitais. Fábio é agricultor, com atividade voltada à montagem de cestas de legumes e verduras orgânicas, a serem vendidas em feiras e supermercados. Quanto a essas atividades: a) em nada se relacionam com atividades empresariais, por serem próprias de sociedades civis e de profissionais liberais. b) somente a de Marina é empresarial, já que voltada ao lucro, apesar de científica; a de Fábio é atividade agrária, que não se confunde com uma conduta empresarial. c) somente a conduta de Fábio é empresarial, já que se trata de atividade econômica organizada para a produção de bens, enquanto a atividade de Marina é científica, que não se considera empresarial. d) nenhuma delas é empresarial, já que a atividade de Marina é científica, que não se considera empresarial, e a de Fábio é meramente agrária, também não caracterizada como tal. e) são ambas empresariais, pois Marina exerce profissão de natureza científica, mas visando ao lucro e constituindo elemento de empresa, enquanto Fábio exerce atividade econômica organizada, para a produção e circulação de bens. Comentários Letra “e”. Esta questão aborda a teoria da empresa. O enunciado menciona duas atividades que devem ser confrontadas entre si nos termos da teoria da empresa. Só o enunciado não nos ajuda muito para acertarmos a questão. Mas pelos detalhes das alternativas é possível acertarmos pelo que já estudamos até aqui, principalmente quanto às exceções à teoria da empresa. Vejamos! Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 113 de 156 www.exponencialconcursos.com.br e) Pessoal, já ouviram aquela frase “nãoadianta brigar com o examinador”? Ou aquela outra clássica dos concurseiros “marque a menos incorreta”? É o caso aqui. As demais alternativas estão muito incorretas – sem chances!!! Porém, esta alternativa E tem uma impropriedade até certo ponto grave no seu final. A definição sobre a atividade da Marina está correta (menciona elemento de empresa numa atividade científica, beleza?). Agora, sobre a atividade de Fábio é que temos o problema. Fábio é agricultor e exerce uma atividade rural, correto? Portanto, esta é uma das exceções à teoria da empresa. Quem exerce a atividade rural, seja de forma organizada configurando empresa ou não, deve se registrar na Junta Comercial para ser considerado empresário (art. 971, CC) – é opcional. Então, este registro é constitutivo da condição de empresário rural, conforme a corrente majoritária. Inclusive esta é a orientação da Jornada de Direito Civil sob a tutela do Conselho da Justiça Federal no enunciado nº 202: “O registro do empresário ou sociedade rural na Junta Comercial é facultativo e de natureza constitutiva, sujeitando-o ao regime jurídico empresarial. É inaplicável esse regime ao empresário ou sociedade rural que não exercer tal opção”. Porém, entendeu o examinador que exercendo a atividade nos moldes do conceito clássico de empresário (art. 966, caput) é suficiente para ser considerado empresário rural. Enfim, muita atenção!!!! a) Incorreta, pois esta diferenciação entre sociedades comerciais e civis, de forma objetiva, é a base da teoria dos atos comerciais. Assim, necessitamos verificar de que forma a atividade empresarial está sendo exercida. b) Incorreta, pois a lucratividade de forma isolada não é a principal característica definidora da atividade empresarial. Então, dizer que a atividade de Mariana é empresária pelo simples fato de visar o lucro é incorreto. Além disso, a atividade rural (agrária) pode ser considerada empresária. c) Incorreta. Por ser uma atividade rural, a opção pelo regime jurídico empresarial é dada pelo registro da atividade na Junta Comercial (art. 971, CC). Como já comentamos, a atividade científica pode ser considerada empresarial desde que possua elemento de empresa. Art. 971. O empresário, cuja atividade rural constitua sua principal profissão, pode, observadas as formalidades de que tratam o art. 968 e seus parágrafos, requerer inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, caso em que, depois de inscrito, ficará equiparado, para todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro. d) Incorreta. Somente pelas informações do enunciado não seria possível chegar a uma conclusão sobre se tais atividades são empresariais ou não. Porém, as definições trazidas por esta alternativa estão definitivas incorretas. 46. (FCC/Juiz Substituto-TJ-MS/2010) Considera-se empresário: a) quem organiza a produção de certa mercadoria, ainda que episodicamente, destinando-a à venda no mercado. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 114 de 156 www.exponencialconcursos.com.br b) quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. c) quem exerce habitualmente qualquer atividade, econômica ou intelectual, para prestação de serviços diretos na comunidade. d) o profissional da área científica, literária ou artística, desde que se trate de atividade habitual, como regra. e) quem exerce atividade econômica, habitualmente ou não, desde que destine a produção de seus bens à venda no mercado. Comentários Letra “b”. Questão literal ao art. 966 do CC, que define empresário e positiva a teoria da empresa. “Art. 966 do CC. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços” 47. (FCC/Juiz Substituto-TRT 11ª/2007) Determinada pessoa física exercia atividade empresarial e, em determinado momento, torna-se incapaz para os atos da vida civil. Nesse caso, a continuidade do exercício da empresa a) pode ser efetuada por mandatário do empresário. b) é ilegal. c) depende de autorização judicial. d) pode ser efetuada por curador, independentemente de autorização judicial. e) é possível por intermédio dos sócios do empresário. Comentários Letra “c”. Mais uma questão sobre capacidade e impedimento para o exercício de atividade típica de empresário. Em caso de incapacidade ou impedimento, a autorização judicial é imprescindível para o exercício da atividade empresarial pelo incapaz ou impedido, de acordo com o art. 974, §1º do CC. Logo, a alternativa correta é a letra c. 48. (FCC/Procurador BACEN/2006) Pessoa incapaz pode ser empresária individual a) se autorizada judicialmente a continuar a exploração de estabelecimento recebido por ela em herança. b) se for maior de 14 (quatorze) anos e possuir estabelecimento com economia própria. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 115 de 156 www.exponencialconcursos.com.br c) na qualidade de sócia de sociedade de responsabilidade limitada, desde que não possua poderes de administração. d) como acionista, sem direito de voto, de sociedade anônima. e) em qualquer hipótese, desde que devidamente representada na forma da lei. Comentários Letra “a”. Logo de cara a letra a) é a nossa resposta. A alternativa está conforme o art. 974, §1º do CC. É necessária a devida autorização judicial para que o incapaz possa ser empresário individual e continue a atividade empresária recebida em herança. Vamos passar pelas demais alternativas. A letra b) está incorreta em virtude de mencionar a idade de 14 anos. Se mencionasse 16 anos, estaria correta, pois conforme o art. 5º do CC, há essa possibilidade de emancipação do menor. Neste caso, teria que ser averbada no Registro Público de Empresas Mercantis a prova da emancipação (art. 976, CC). As letras c) e d) estão absolutamente infundadas. A letra e) está incorreta devido à expressão “em qualquer hipótese”, pois somente em algumas hipóteses o incapaz poderá ser empresário individual. 49. (FCC/Procurador Jaboatão dos Guararapes-PE/2006) Em relação ao empresário, é correto afirmar que a) empresário casado sob o regime de comunhão universal de bens não pode alienar os imóveis que integram o patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus real sem o consentimento de seu cônjuge. b) se se tornar incapaz, não poderá continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz. c) se impedido de exercer atividade própria de empresa, vier a exercê-la, não responderá pelas obrigações contraídas. d) é facultado contratar sociedade com seu cônjuge, se forem casados sob o regime da comunhão parcial de bens. e) sem qualquer restrição, podem exercer a atividade de empresário os que estiverem em pleno gozo da capacidade civil. Comentários d) Correta. O art. 977 do CC faculta aos cônjuges contratar sociedade entre si, com a condição de NÃO terem casado no regime da comunhão universal de bens ou no da separação obrigatória. a) Incorreta. O empresário casado independente do regime de bens pode alienar os imóveis que integrem o patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus real SEM o consentimento de seu cônjuge. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 116 de 156 www.exponencialconcursos.com.br b)Incorreta. Há previsão no art. 974, caput para que o empresário individual que se tornou incapaz de continuar a empresa antesexercida por ele enquanto capaz. c) Incorreta nos termos do art. 973 do CC, que prevê a responsabilidade do empresário impedido de exercer atividade empresarial, quando vier a exercê-la. e) Incorreta. Devemos ficar sempre atentos a expressões extremistas, como “sempre”, “nunca”, “toda”, “sem qualquer restrição” e outras mais. Pode haver uma “pegadinha”. Nesta alternativa, a plena capacidade civil NÃO configura condição suficiente para caracterizar o empresário, já que, ainda deve preencher os requisitos estabelecidos no art. 966 do CC, bem como não estar impedido. O indivíduo pode ser capaz civilmente para exercer a atividade empresária, porém estar impedido, em razão de ser militar, por exemplo. 50. (FCC/Procurador-BACEN/2006) O art. 195, I, da Constituição estabelece que a seguridade social será custeada por contribuições sociais "do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei". De acordo com a terminologia empregada pelo Código Civil, a palavra "empresa", no texto constitucional, está usada de modo: a) correto. b) incorreto, devendo ser substituída por "empresário". c) incorreto, devendo ser substituída por "pessoa jurídica". d) incorreto, devendo ser substituída por "atividade". e) incorreto, devendo ser substituída por "estabelecimento". Comentários Letra “b”. Esta questão aborda exatamente a diferença: empresa, empresário e estabelecimento empresarial. Observemos que o enunciado menciona sujeitos de direito: “empregador”, “entidade”. Logo, não restam dúvidas de que o dispositivo deveria mencionar “empresário”, como indivíduo que exerce a atividade típica de empresa, sendo sujeito de direito (perfil subjetivo de Asquini). 51. (FCC/OAB-SP/2005) No regime do atual Código Civil, a caracterização de determinada atividade econômica como empresarial a) depende de expressa previsão legal ou regulamentar, devendo a atividade constar em relação previamente expedida pelo Departamento Nacional de Registro de Comércio. b) é feita mediante opção do empresário, que no momento do seu registro deverá declinar se sua atividade será empresarial, ou não. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 117 de 156 www.exponencialconcursos.com.br c) é aferida a posteriori, conforme seja a atividade efetivamente exercida em caráter profissional e organizado, ou não. d) depende do ramo da atividade exercida pelo empresário, sendo empresarial a compra e venda de bens móveis e semoventes e não empresariais as demais atividades. Comentários Letra “c”. Mais uma boa questão de atividade empresarial. Pelo que já estudamos fica “mole” marcamos a letra c), tendo em vista a necessidade de analisarmos a forma como a atividade está sendo exercida para inseri-la no regime jurídico empresarial. As letra a) e d) referem-se aos atos de comércio. A letra b) trata da exceção à teoria da empresa e faz referência àquele que exerce a atividade rural. 52. (FCC/Juiz Substituto-TRT 11ª/2005) De acordo com o Código Civil de 2002, a utilização do termo "comerciante" para designar todo aquele a quem são dirigidas as normas de Direito Comercial: a) permanece correta, em razão da adoção, pelo Código Civil, da teoria objetiva dos atos de comércio. b) perdeu sentido, pois a revogação de parte expressiva do Código Comercial operou a extinção do Direito Comercial. c) tornou-se equivocada, pois o Código Civil estendeu a aplicação do Direito Comercial a todos os que exercem atividade econômica organizada e profissional, não apenas comerciantes. d) permanece correta, em razão da adoção, pelo Código Civil, da teoria da empresa. e) tornou-se equivocada, pois os antigos "comerciantes" são hoje denominados "empresários", embora designando os mesmos conceitos. Comentários Letra “c”. Comentemos, então, cada alternativa sobre a expressão “comerciante”. c) Correta e d) e e) Incorretas. Com o novo Código Civil e a adoção da teoria da empresa, ampliou-se a aplicação do Direito Comercial a todos os que exercem atividade econômica organizada e profissional, não apenas aos comerciantes (pessoa que pratica o comércio). Logo, o termo comerciante tornou-se equivocado, cedendo lugar ao EMPRESÁRIO, expressão mais abrangente, sendo definido nos termos do art. 966, do CC. a) Incorreta, pois a alternativa menciona a teoria dos atos de comércio e a teoria adotada pelo Código Civil de 2002 foi a Teoria da Empresa. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 118 de 156 www.exponencialconcursos.com.br b) Incorreta, pois mesmo revogando-se duas partes do Código Comercial, o regime jurídico-comercial está em plena aplicação, não foi extinto. O Direito Comercial está em plena atividade, não é mesmo? (rsrsrs). 53. (FGV/ISS-Recife/2014) Paulo Afonso, casado no regime de comunhão parcial com Jacobina, é empresário enquadrado como microempreendedor individual (MEI). O varão pretende gravar com hipoteca o imóvel onde está situado seu estabelecimento, que serve exclusivamente aos fins da empresa. De acordo com o Código Civil, assinale a opção correta. a) O empresário casado não pode, sem a outorga conjugal, gravar com hipoteca os imóveis que integram o seu estabelecimento, salvo no regime da separação de bens. b) O empresário casado pode, sem necessidade de outorga conjugal, qualquer que seja o regime de bens, gravar com hipoteca os imóveis que integram o seu estabelecimento. c) O empresário casado, qualquer que seja o regime de bens, depende de outorga conjugal para gravar com hipoteca os imóveis que integram o seu estabelecimento. d) O empresário casado pode, sem necessidade de outorga conjugal, gravar com hipoteca os imóveis que integram o seu estabelecimento, salvo no regime da comunhão universal. e) O empresário casado pode, mediante autorização judicial, gravar com hipoteca os imóveis que integram o estabelecimento. Comentários: Letra “b”. A questão trata da possibilidade do empresário Paulo Afonso, casado no regime de comunhão parcial de bens, gravar com hipoteca o imóvel onde se localiza o estabelecimento empresarial, que serve exclusivamente aos fins da empresa. O enquadramento de Paulo Afonso como MEI, não é relevante para a resolução da questão. Pois bem, sugiro que nos recordemos do que foi falado quanto ao empresário casado na parte teórica. Tudo bem? Então, devemos nos lembrar que há certo conflito entre o art. 978 que trata do empresário individual casado e o art. 1.647, o qual aborda a proteção à sociedade conjugal. Também, deve ser lembrado que há duas possíveis interpretação para solucionar esse conflito: 1) necessita de autorização conjugal, exceto no regime de separação total de bens; 2) NÃO necessita de autorização conjugal independente do regime de casamento. A FGV, nesta questão, considerou a segunda corrente para tornar a letra B correta, ok? Entendido? Ou seja, deu-se privilégio à atividade empresarial. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 119 de 156 www.exponencialconcursos.com.br 54. (FGV / ICMS-RJ / 2010) As alternativas a seguir apresentam figuras que estão proibidas de exercer a atividade empresarial, à exceção de uma. Assinale-a. a) O falido que, mesmo não tendo sido condenado por crime falimentar, não foi reabilitado por sentença que extingue suas obrigações. b) O magistrado. c) O militar da ativa. d) A mulher casada pelo regime da comunhão universal de bens, se ausente a autorizaçãomarital para o exercício de atividade empresarial. e) Os que foram condenados pelo juízo criminal à pena de vedação do exercício de atividade mercantil. Comentários Letra “d”. Nesta questão, primeiramente tenha bastante atenção ao que está sendo pedido no enunciado. Por vezes ele pode nos confundir, certo? Veja que ele nos pede para assinalar a alternativa que NÃO está proibida de exercer a atividade empresarial, sendo que as demais estarão impedidas devido a dispositivos legais. Algumas das alternativas tratamos nesta aula. Outras nem tanto. Porém, a questão poderia ser acertada pelo candidato utilizando o famoso método da “eliminação”, bastaria ter calma para analisar cada uma. Vamos lá? Com exceção da alternativa correta, as demais têm previsão de proibição/vedação em leis específicas. d) A mulher casada pelo regime da comunhão universal de bens, se ausente a autorização marital para o exercício de atividade empresarial. Esta é nossa resposta por eliminação. O antigo código civil trazia esta previsão. Porém, hoje não há mais cabimento para este tipo de previsão, certo? Ou seja, não existe a distinção apontada na alternativa entre homem e mulher. a) O falido que, mesmo não tendo sido condenado por crime falimentar, não foi reabilitado por sentença que extingue suas obrigações. Incorreta. Art. 102 da Lei de Falências (Lei nº 11.101/05). Mesmo sem ter estudado ainda o regime falimentar, é óbvio que o indivíduo falido que ainda tem obrigações pendentes não poderá se aventurar em outra atividade empresarial, não é mesmo? b) O magistrado. c) O militar da ativa. Incorretas. Art. 36, I da Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Lei Complementar n.° 35/79) e o art. 29 do Estatuto dos Militares (Lei nº 6.880/80). Logicamente, essas pessoas não podem ser empresárias. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 120 de 156 www.exponencialconcursos.com.br e) Os que foram condenados pelo juízo criminal à pena de vedação do exercício de atividade mercantil. Incorreta. Art. 35, II da Lei do Registro Público de Empresas Mercantis (Lei n.° 8.934/94). Obviamente que se o juiz condena o indivíduo a esse tipo de pena, pressupomos realmente que ele estará proibido de exercer a atividade empresária. 55. (FGV / ISS-Cuiabá / 2014) A respeito do empresário individual, assinale V para a afirmativa verdadeira e F para a falsa. ( ) O empresário individual poderá limitar sua responsabilidade pelos atos praticados no exercício da empresa caso seja enquadrado como microempreendedor individual. Comentários O item está errado. Pela teoria da empresa, o empresário individual é a pessoa física que exerce a atividade típica de empresa. Como não há a proteção da personalidade jurídica própria das pessoas jurídicas de direito privado (art. 44 do Código Civil-CC), o empresário individual possui responsabilidade ilimitada e direta pelas obrigações e dívidas decorrentes do exercício de sua atividade. Ou seja, ele irá responder com seus próprios bens pela solvência das dívidas surgidas no exercício de sua atividade empresarial. Logo, voltando à assertiva, ela está incorreta ao tentar limitar a responsabilidade do empresário individual, beleza? No mais, o empresário individual pode se enquadrar como Microempresa, Empresa de pequeno porte, e Microempreendedor Individual (MEI). Ainda pode ser Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI). Com relação ao MEI, conforme o art. 18- A da LC 123/06, é aquele empresário individual com receita bruta anual de até R$ 60.000,00, podendo optar pelo Simples Nacional. O MEI é o pequeno empresário a que se refere o art. 966, CC. 56. (FGV/ISS-Niterói/2015) A Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI) é uma pessoa jurídica que pode ser constituída por pessoa natural, desde que seja aportado um valor em bens ou em numerário de, no mínimo, 100 (cem) salários mínimos, totalmente integralizado. Em relação a EIRELI, analise as afirmativas a seguir: I. O administrador da EIRELI, sempre pessoa natural, poderá ser designado no ato de constituição ou em ato separado. II. O nome empresarial da EIRELI não pode ser usado pelo instituidor, exceto se for administrador com os necessários poderes. III. A pessoa natural somente poderá instituir uma EIRELI para participar dela. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 121 de 156 www.exponencialconcursos.com.br IV. A EIRELI enquadrada como microempresa terá direito, em sede de recuperação judicial, ao parcelamento de seus débitos com prazos 20% (vinte por cento) maiores do que aqueles ordinariamente concedidos. V. Em caso de concentração de todas as quotas de uma sociedade empresária na titularidade de sócio pessoa natural, esse poderá requerer a transformação do registro em EIRELI. Está correto o que se afirma em: a) somente III; b) somente II e IV; c) somente I, II e V; d) somente I, II, IV e V; e) I, II, III, IV e V. Comentários Letra “e”. Esta questão exigiu bastante do candidato, já o examinador cobrou pontos além do Código Civil e que se encontram na Instrução Normativa nº 38/2017 do Departamento de Registro Empresarial e Integração-DREI, órgão subordinado à Secretaria da Micro e Pequena Empresa, que substituiu o Departamento Nacional de Registro do Comércio nas atribuições de registro dos atos empresariais. I – O primeiro ponto desta alternativa é sobre a administração da EIRELI quanto à possibilidade de pessoa jurídica exercer tal papel. A IN nº 38 do DREI, Anexo V, veda a pessoa jurídica como administradora da EIRELI (item 1.2.12.3 – Administrador – pessoa jurídica). O segundo ponto diz respeito à hipótese do administrador da EIRELI ser nomeado em ato separado. Bem, normalmente, assim como na sociedade limitada, o administrador pode ser nomeado em ato separado. A IN em questão não dispõe de forma contrária. O RCPJ-RJ, por exemplo, dispõe de forma expressa que o administrador poderá ser designado tanto no ato constitutivo quanto em ato separado. Logo, podemos pressupor que existe a possibilidade do administrador ser nomeado em ato separado. Também poderíamos concluir este ponto por meio das normas da sociedade limitada, já que pelo art. 980-A, §6º, CC, as normas da sociedade limitada são aplicadas subsidiariamente à EIRELI. Por conseguinte, o art. 1.060 do CC permite que o administrador da sociedade limitada seja nomeado em ato separado. Enfim, apesar da polêmica, esta alternativa está conforme a norma vigente. Correta. II – Como vimos no item anterior, as normas da sociedade limitada são aplicadas à EIRELI. Assim, o art. 1.064 que afirma que “O uso da firma ou denominação social é privativo dos administradores que tenham os necessários poderes”, é o fundamento que deixa esta assertiva correta. III – Correta, nos termos do §2º do art. 980-A do CC. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 122 de 156 www.exponencialconcursos.com.br Art. 980-A. §2º A pessoa natural que constituir empresa individual de responsabilidade limitada somente poderá figurar em uma única empresa dessa modalidade. IV – Correta, nos termos do §único do art. 68 da Lei nº 11.101/2005 (Lei de Falências). Trata-se de um item bem específico que foi recentemente incluído na Lei de Falências. Talvez aí, na novidade, esteja a razão do examinador ter cobrado este ponto. Mais uma maldade da FGV!!! Ainda veremos este ponto futuramente. Por ora, transcrevo apenas o dispositivoem comento: Art. 68. Parágrafo único. As microempresas e empresas de pequeno porte farão jus a prazos 20% (vinte por cento) superiores àqueles regularmente concedidos às demais empresas. (Incluído pela Lei Complementar nº 147, de 2014) V – Correta, nos termos do §3º do Art. 980-A c/c com o §único do Art. 1.033 do CC. Gabarito: E (todas corretas) Art. 980-A. § 3º A empresa individual de responsabilidade limitada também poderá resultar da concentração das quotas de outra modalidade societária num único sócio, independentemente das razões que motivaram tal concentração. Art. 1.033. Parágrafo único. Não se aplica o disposto no inciso IV caso o sócio remanescente, inclusive na hipótese de concentração de todas as cotas da sociedade sob sua titularidade, requeira, no Registro Público de Empresas Mercantis, a transformação do registro da sociedade para empresário individual ou para empresa individual de responsabilidade limitada, observado, no que couber, o disposto nos arts. 1.113 a 1.115 deste Código. 57. (FGV / ISS-Cuiabá / 2014) A respeito do empresário individual, assinale V para a afirmativa verdadeira e F para a falsa. ( ) Ao efetuar seu registro como empresário individual, a pessoa física tem a opção de declarar se exerce a empresa como empresário ou como EIRELI; no primeiro caso, a responsabilidade será ilimitada e, no segundo, limitada. Comentários O item está errado. Maldade da banca! Afirmativa difícil, mas incorreta. Vejo dois erros: 1) Há o obstáculo do capital social, que não pode ser inferior a 100 vezes o maior salário-mínimo vigente (art. 980-A, caput, CC), ou seja, dizer genericamente que o empresário individual pode optar pela EIRELI não é correto – está incompleto; 2) Além disso, a pessoa física ou opta por se registrar como empresário individual ou como EIRELI – já registrado como empresário individual não cabe essa declaração de exercício da atividade como empresário ou como EIRELI, pois já é empresário individual. O que pode Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 123 de 156 www.exponencialconcursos.com.br ocorrer é a transformação dos atos constitutivos de empresário individual para EIRELI por meio de requerimento. Beleza? 58. (FEPESE/Analista Técnico em Gestão de Registro Mercantil- JUCESC/2013) De acordo com a Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002, que institui o Código Civil brasileiro, é correto afirmar sobre a empresa individual de responsabilidade limitada (EIRELI): a) A EIRELI será constituída por uma ou mais pessoas titulares da totalidade do capital social. b) A pessoa natural que constituir EIRELI somente poderá figurar em uma única empresa dessa modalidade. c) A totalidade do capital social da EIRELI não será inferior a 60 vezes o maior salário-mínimo vigente no País. d) O nome empresarial utilizado será obrigatoriamente a denominação social, acompanhado da expressão “EIRELI”. e) Aplicam-se à EIRELI, no que couber, as regras previstas para as sociedades simples. Comentários Letra “b”. Correta, conforme a literalidade do §2º do art. 980-A do CC. Letra “a” e “c”. Incorreta, conforme o caput do art. 980-A do CC: Art. 980-A. A empresa individual de responsabilidade limitada será constituída por uma única pessoa titular da totalidade do capital social, devidamente integralizado, que não será inferior a 100 (cem) vezes o maior salário- mínimo vigente no País. Letra “d”. Incorreta, pois a EIRELI pode adotar firma ou denominação social como nome empresarial. Art. 980-A. § 1º O nome empresarial deverá ser formado pela inclusão da expressão "EIRELI" após a firma ou a denominação social da empresa individual de responsabilidade limitada. Letra “e”. Incorreta, pois as normas das sociedades limitadas são aplicadas subsidiariamente à EIRELI. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 124 de 156 www.exponencialconcursos.com.br Art. 980-A. § 6º Aplicam-se à empresa individual de responsabilidade limitada, no que couber, as regras previstas para as sociedades limitadas. 59. (FCC/Promotor de Justiça-MPE-PE/2014) Em relação à Empresa Individual de Responsabilidade Limitada, é correto afirmar: a) Sua constituição e funcionamento, independentemente do objeto, dependem de prévia autorização da Junta Comercial. b) O seu capital social não poderá ser superior a 100 (cem) vezes o maior salário mínimo vigente no País. c) Tem natureza jurídica de sociedade limitada unipessoal, de sorte que o seu nome empresarial deverá ser formado pela inclusão da expressão "Ltda." após a firma ou a denominação social. d) A mesma pessoa natural não poderá, simultaneamente, ser titular de mais de uma empresa individual de responsabilidade limitada, ainda que seja capaz de integralizar o capital de todas elas. e) Tem personalidade jurídica própria, que não se confunde com a do seu titular e se adquire com a sua inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ). Comentários d) Correta, conforme estabelecido no art. 980-A, §2º, CC. Art. 980-A, § 2º. A pessoa natural que constituir empresa individual de responsabilidade limitada somente poderá figurar em uma única empresa dessa modalidade. a) Incorreta. Não há a previsão de autorização prévia da Junta Comercial para constituir EIRELI. b) Incorreta. O capital social da EIRELI não será inferior a 100 vezes o salário mínimo vigente no país (art. 980-A, caput, CC). c) Incorreta. Conforme o Enunciado nº 469, da Jornada de Direito Civil, a EIRELI é um novo ente jurídico personalizado, ou seja, não é sociedade unipessoal. Já o Enunciado nº 3, da Jornada de Direito Comercial, afirma que: “A Empresa Individual de Responsabilidade Limitada – EIRELI não é sociedade unipessoal, mas um novo ente, distinto da pessoa do empresário e da sociedade empresária”. Além disso, acerca do seu nome empresarial, deve-se incluir a expressão “EIRELI” após a firma ou denominação. Art. 980-A §1º. O nome empresarial deverá ser formado pela inclusão da expressão “Eireli” após a firma ou a denominação social de empresa individual de responsabilidade limitada. e) Incorreta. A EIRELI adquire a personalidade jurídica com a inscrição dos seus atos constitutivos no registro próprio, e não no CNPJ. Afinal de contas, a existência legal das pessoas jurídicas inicia-se conforme o art. 45 do CC abaixo transcrito: Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 125 de 156 www.exponencialconcursos.com.br Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, procedida, quando necessário ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. 60. (FCC / Juiz-TJ-SC / 2015) Ricardo, empresário do ramo de móveis, alienou o seu estabelecimento para Alexandre, que ali deu continuidade à exploração da mesma atividade. No contrato de trespasse, foram regularmente contabilizadas todas as dívidas relativas ao estabelecimento, algumas delas já vencidas e outras por vencer. Nesse caso, Ricardo: a) não responde pelas dívidas do estabelecimento, ainda que anteriores à sua transferência. b) responde com exclusividade por todas as dívidas do estabelecimento anteriores à sua transferência. c) responde com exclusividade apenas pelas dívidas já vencidas por ocasião da transferência do estabelecimento. d) responde solidariamente com Alexandre,durante determinado prazo, por todas as dívidas anteriores à transferência do estabelecimento. e) responde solidariamente com Alexandre apenas pelas dívidas já vencidas por ocasião da transferência do estabelecimento. Comentários Letra “d”. Esta questão versa sobre a sucessão empresarial em relação ao contrato de trespasse do estabelecimento. Conforme reza o Art. 1.146, “O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados, continuando o devedor primitivo solidariamente obrigado pelo prazo de um ano, a partir, quanto aos créditos vencidos, da publicação, e, quanto aos outros, da data do vencimento”. Logo, a única alternativa correta é a letra D. Ressalta-se, contudo, que não são todas as dívidas sujeitas a essa regra, tal como estudamos mais acima. As dívidas trabalhistas e tributárias possuem regras próprias! Porém, as demais alternativas estão de fato incorretas. 61. (FCC / Procurador-TCE-CE / 2015) Considere as seguintes proposições acerca do registro da empresa: I. Entre outras atribuições, cabe ao órgão incumbido do registro verificar a regularidade das publicações determinadas em lei. II. O ato sujeito a registro, ressalvadas disposições especiais da lei, não pode, antes do cumprimento das respectivas formalidades, ser oposto a terceiro, salvo prova de que este o conhecia. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 126 de 156 www.exponencialconcursos.com.br III. A sociedade empresária vincula-se ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas. IV. Cumpre à autoridade competente, antes de efetivar o registro, verificar a legitimidade do signatário do requerimento, mas não a sua autenticidade. V. O registro é pressuposto para a constituição regular da sociedade empresária, mas a aquisição de personalidade jurídica somente ocorre com a sua inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas − CNPJ. Está correto o que se afirma APENAS em: a) IV e V. b) I e III. c) II e V. d) III e IV. e) I e II. Comentários Letra “e”. I – Correta, conforme caput do art. 1.152 do CC: Cabe ao órgão incumbido do registro verificar a regularidade das publicações determinadas em lei, de acordo com o disposto nos parágrafos deste artigo. II – Correta, segundo a literalidade do caput do art. 1.154 do CC. III – Incorreta. A sociedade empresária está vinculada ao RPEM (Junta Comercial), enquanto a sociedade simples vincula-se ao RCPJ. Art. 1.150, CC. O empresário e a sociedade empresária vinculam-se ao Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais, e a sociedade simples ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas, o qual deverá obedecer às normas fixadas para aquele registro, se a sociedade simples adotar um dos tipos de sociedade empresária. IV – Incorreta, conforme caput do art. 1.153 do CC: Cumpre à autoridade competente, antes de efetivar o registro, verificar a autenticidade e a legitimidade do signatário do requerimento, bem como fiscalizar a observância das prescrições legais concernentes ao ato ou aos documentos apresentados. V – Incorreta, pois a inscrição no registro próprio dos atos constitutivos confere à sociedade personalidade jurídica – ela “nasce” para o Direito. Art. 985. A sociedade adquire personalidade jurídica com a inscrição, no registro próprio e na forma da lei, dos seus atos constitutivos (arts. 45 e 1.150). Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 127 de 156 www.exponencialconcursos.com.br 62. (FCC / Juiz-TJ-PE / 2015) Acerca do nome empresarial, é correto afirmar: a) O nome de sócio que vier a falecer pode ser conservado na firma social. b) É vedada a alienação do nome empresarial. c) A inscrição do nome empresarial somente será cancelada a requerimento do seu titular, mesmo quando cessado o exercício da atividade para que foi adotado. d) Independentemente de previsão contratual, o adquirente de estabelecimento, por ato entre vivos, pode usar o nome empresarial do alienante, precedido do seu próprio, com a qualificação de sucessor. e) A sociedade em conta de participação pode ter firma ou denominação. Comentários Letra “b”. b) Correta. É a nossa resposta mesmo, nos termos do art. 1.164 do CC: “O nome empresarial não pode ser objeto de alienação”. a) Incorreta, pois conforme o princípio da veracidade, o nome empresarial deve retratar a realidade, ou seja, não pode conter informações falsas nem o nome do sócio falecido, excluído ou que se retirou da sociedade, conforme o art. 1.165 do CC: “O nome de sócio que vier a falecer, for excluído ou se retirar, não pode ser conservado na firma social”. c) Incorreta, pois qualquer interessado poderá requerer o cancelamento do nome empresarial quando cessar o exercício da atividade para que foi adotado, ou quando ultimar-se a liquidação da sociedade que o inscreveu (art. 1.168, CC). d) Incorreta, já que faz-se necessária a previsão de permissão no contrato a utilização do nome empresarial pelo adquirente do estabelecimento. Art. 1.164, §único. O adquirente de estabelecimento, por ato entre vivos, pode, se o contrato o permitir, usar o nome do alienante, precedido do seu próprio, com a qualificação de sucessor. e) Incorreta. A sociedade em conta de participação não poderá ter nome empresarial (art. 1.162, CC). 63. (FCC / Julgador Administrativo Tributário-SEFAZ-PE / 2015) Quanto ao estabelecimento empresarial, é correto afirmar: a) O conceito de estabelecimento empresarial confunde-se com o da sociedade empresária, como sujeito de direito, e com o de empresa, como atividade econômica. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 128 de 156 www.exponencialconcursos.com.br b) O estabelecimento empresarial é composto apenas por elementos materiais, como as mercadorias do estoque, os mobiliários, utensílios, veículos, maquinaria, clientela etc. c) Na classificação geral dos bens, conforme Código Civil, o estabelecimento empresarial é uma universalidade de fato, por encerrar um conjunto de bens pertinentes ao empresário e destinados à mesma finalidade, de servir à exploração de empresa. d) Ao estabelecimento empresarial imputam-se as obrigações e asseguram-se os direitos relacionados com a empresa, já que passou o estabelecimento a possuir personalidade jurídica. e) A sociedade empresária só pode ser titular de um único estabelecimento empresarial, dado o princípio da unicidade. Comentários a) e d) Incorretas. A letra “c” é o nosso gabarito. O estabelecimento empresarial representa uma universalidade de fato, logo não constitui sujeito de direito nem possui personalidade jurídica própria e distinta da empresa (art. 1.142 do CC). b) Incorreta. O estabelecimento empresarial é composto por bens materiais e imateriais. e) Incorreta. Para a execução mais eficiente de sua atividade econômica, a sociedade empresária, como pessoa jurídica, muitas vezes constitui filiais. Contudo, o patrimônio da sociedade continua um só, em respeito à unicidade patrimonial da pessoa jurídica. A autonomia de cada estabelecimento empresarial da sociedade empresária refere-se somente às suas obrigações tributárias, facilitando a fiscalização. Ou seja, é criado um CNPJ para cada filial, mas que vinculam-se ao CNPJ matriz da sociedade empresária, ok? 64. (FCC / Julgador Administrativo Tributário-SEFAZ-PE / 2015) Em relação ao registroda empresa, é correto afirmar: ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL EMPRESÁRIO EMPRESA Atividade Empresarial Sujeito que exerce a atividade Complexo de bens Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 129 de 156 www.exponencialconcursos.com.br a) O ato empresarial sujeito a registro não pode, antes do cumprimento das respectivas formalidades, em nenhuma hipótese, ser oposto a terceiro. b) As sociedades empresárias, dependendo do objeto a que se dedicam, devem registrar-se na Junta Comercial do Estado em que estão sediadas. c) Os atos do registro de empresa praticados pelas Juntas Comerciais são, em sua totalidade, a matrícula e o arquivamento dos atos empresariais. d) O registro dos atos empresariais sujeitos à formalidade legal será requerido privativamente pelos sócios da empresa. e) A principal sanção imposta à sociedade empresária que explora irregularmente sua atividade econômica, funcionando sem registro na Junta Comercial, é a responsabilidade ilimitada dos sócios pelas obrigações da sociedade. Comentários e) Correta. Uma sociedade empresária que funcione sem inscrição dos atos constitutivos no RPEM, encontra-se irregular e deve ser regida pelas regras do da chamada Sociedade em Comum, conforme art. 986, CC: Todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais, excluído do benefício de ordem, previsto no art. 1.024, aquele que contratou pela sociedade. a) Incorreta, pois esta regra contém as ressalvas especiais da lei e a prova de que o terceiro conhecia, conforme o art. 1.154, CC: O ato sujeito a registro, ressalvadas disposições especiais da lei, não pode, antes do cumprimento das respectivas formalidades, ser oposto a terceiro, salvo prova de que este o conhecia. Parágrafo único. O terceiro não pode alegar ignorância, desde que cumpridas as referidas formalidades. b) Incorreta em razão da expressão “dependendo do objeto a que se dedicam”. A sociedade empresária vincula-se ao RPEM e a sociedade simples ao RCPJ (art. 1.150, CC). c) Incorreta. Faltou mencionar o ato de autenticação dos instrumentos de escrituração das empresas mercantis registradas e dos agentes auxiliares do comércio, conforme previsto no art. 32 da Lei nº 8.934/94. d) Incorreta em razão do teor do art. 1.151, CC: O registro dos atos sujeitos à formalidade exigida no artigo antecedente será requerido pela pessoa obrigada em lei, e, no caso de omissão ou demora, pelo sócio ou qualquer interessado. 65. (FCC/Defensor Público-DPE-CE/2014) João, titular de estabelecimento comercial do ramo de confeitaria, alienou-o para Paulo, que Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 130 de 156 www.exponencialconcursos.com.br continuou explorando a mesma atividade no local. Dois anos depois da transferência, João decidiu alugar o imóvel vizinho, no qual estabeleceu nova confeitaria, passando a competir diretamente com Paulo. Nesse caso, e considerando que o contrato de trespasse nada previa acerca da proibição de concorrência, é correto afirmar: a) João tem direito de fazer concorrência a Paulo, dado que o contrato nada previa a esse respeito. b) É requisito de validade do contrato de trespasse a estipulação, por escrito, acerca do direito de concorrência por parte do alienante do estabelecimento. c) Nem mesmo com autorização expressa de Paulo seria lícito a João fazer-lhe concorrência, por se tratar de direito irrenunciável, que visa a impedir o comportamento empresarial predatório, prejudicial ao desenvolvimento sustentável da ordem econômica. d) João tem direito de explorar a mesma atividade no imóvel vizinho amparado no princípio constitucional da liberdade de concorrência, reputando-se nulas quaisquer convenções que o proibissem de competir com Paulo. e) Na omissão do contrato, João não poderá fazer concorrência a Paulo nos cinco anos subsequentes à transferência do estabelecimento. Comentários Letra “e”. Esta questão trata da cláusula de não restabelecimento ou não concorrência, no caso de alienação do estabelecimento empresarial. Conforme reza o art. 1.147, caput, CC, em regra, João não poderá fazer concorrência a Paulo pelo prazo de 5 anos da transferência do estabelecimento, exceto se Paulo expressamente autorizar. Assim, a única alternativa correta é a letra E. 66. (FCC / ICMS-PE / 2014) Quanto ao nome empresarial, é correto afirmar: a) O nome de sócio que vier a falecer, for excluído ou se retirar, pode sempre ser conservado na firma social. b) A inscrição do empresário, ou dos atos constitutivos das pessoas jurídicas, ou as respectivas averbações, no registro próprio, asseguram o uso privativo do nome exclusivamente nos limites do respectivo município. c) O nome de empresário deve distinguir-se de qualquer outro já inscrito no mesmo registro; se o empresário tiver nome idêntico ao de outros já inscritos, deverá acrescentar designação que o distinga. d) O nome empresarial pode ser objeto de alienação, pois tem conteúdo econômico. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 131 de 156 www.exponencialconcursos.com.br e) O adquirente de estabelecimento, por ato entre vivos, é legalmente impedido de usar o nome do alienante, ainda que precedido do seu próprio, com a qualificação de sucessor. Comentários c) Correta. É a nossa resposta, segundo o art. 1.163 do CC: O nome de empresário deve distinguir-se de qualquer outro já inscrito no mesmo registro. Parágrafo único. Se o empresário tiver nome idêntico ao de outros já inscritos, deverá acrescentar designação que o distinga. a) Em respeito ao princípio da veracidade, o nome empresarial não pode conter o nome de sócio que não faça mais parte da sociedade. Esta regra está preconizada no art. 1.165 do CC, deixando esta alternativa incorreta. b) A proteção ao nome empresarial é, em regra, no âmbito estadual, nos termos do art. 1.166 do CC: A inscrição do empresário, ou dos atos constitutivos das pessoas jurídicas, ou as respectivas averbações, no registro próprio, asseguram o uso exclusivo do nome nos limites do respectivo Estado. Parágrafo único. O uso previsto neste artigo estender-se- á a todo o território nacional, se registrado na forma da lei especial. d) O nome empresarial não pode ser objeto de alienação (art. 1.164, caput, CC). Incorreta. e) Incorreta, segundo o §único do art. 1.164, CC. 67. (FCC / DEFENSOR PUBLICO-SP / 2009) Para que uma pessoa possa ser reputada empresária tem-se que verificar sua inscrição perante o Registro Público de Empresas Mercantis. Comentários O item está errado. Conforme a teoria da empresa, para que uma pessoa seja considerada empresária ela deve reunir os atributos e características típicas da atividade empresarial. Assim, a inscrição perante o RPEM é apenas DECLARATÓRIA da condição de empresário, ou seja, da sua regularidade. Assertiva incorreta. 68. (FCC / JUIZ SUBSTITUTO-TJ-PE / 2011) É correto afirmar que a lei assegurará tratamento isonômico ao empresário rural e ao pequeno empresário, quanto à inscrição empresarial e aos efeitos dela decorrentes. Comentários O item está errado. Pessoal, a banca trocou palavras e aparentemente pode parecer que a afirmativa é correta. Lendo rápido podemos nos equivocar. Na Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 132 de 156 www.exponencialconcursos.com.brverdade, o que está previsto é o tratamento favorecido, diferenciado e simplificado ao empresário rural e ao pequeno empresário com relação a sua inscrição e seus efeitos. É assim que está previsto no art. 970 do CC. A palavra “isonômico” deixa a afirmativa incorreta. 69. (FGV/ISS-Niterói/2015) No contrato de arrendamento de um dos estabelecimentos da sociedade empresária Abreu & Cia Ltda., celebrado pelo prazo de 10 (dez) anos, não houve estipulação autorizando o arrendatário a fazer concorrência ao arrendador. A partir desse dado, é correto afirmar que o arrendador: a) não poderá fazer concorrência ao arrendatário pelo prazo do contrato, porém esse prazo fica limitado a cinco anos; b) poderá fazer concorrência ao arrendatário, porque as cláusulas implícitas ou expressas de proibição de concorrência são nulas; c) diante da omissão no contrato quanto à proibição de concorrência, poderá fazer concorrência ao arrendatário pelo prazo do contrato; d) não poderá fazer concorrência ao arrendatário pelo prazo do contrato, mesmo que esse seja maior do que cinco anos; e) não poderá fazer concorrência ao arrendatário porque o prazo de duração do contrato coincide com o máximo fixado em lei para a cláusula de proibição de concorrência. Comentários Letra “d”. Questão tranquila. Sem problemas. Está nos termos do §único do art. 1.147 do CC. Notemos que mesmo sendo uma questão considerada fácil, ela não foi abordada de forma literal à norma legal. Art. 1.147. Não havendo autorização expressa, o alienante do estabelecimento não pode fazer concorrência ao adquirente, nos cinco anos subseqüentes à transferência. Parágrafo único. No caso de arrendamento ou usufruto do estabelecimento, a proibição prevista neste artigo persistirá durante o prazo do contrato. 70. (FGV/ISS-Niterói/2015) A partir da previsão contida no art. 1.143 do Código Civil, segundo o qual “pode o estabelecimento ser objeto unitário de direitos e de negócios jurídicos, translativos ou constitutivos, que sejam compatíveis com a sua natureza”, é possível afirmar que tal instituto tem natureza de: Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 133 de 156 www.exponencialconcursos.com.br a) comunhão ou universalidade de direitos; b) universalidade de fato; c) patrimônio de afetação; d) pessoa jurídica de direito privado; e) pessoa formal, sem personalidade jurídica. Comentários Letra “b”. Nossos doutrinadores divergiam bastante quanto à natureza do estabelecimento empresarial: universalidade de fato ou universalidade de direito. Ultimamente, segundo a maior parte da doutrina, o estabelecimento empresarial é uma universalidade de fato, ou seja, “pode ser objeto de relações jurídicas próprias, distintas das relativas a cada um dos bens singulares que o integram” (Negrão, Ricardo. Direito Empresarial: estudo unificado. 5 ed. rev. – São Paulo; Saraiva, 2014.). Gabarito: B. 71. (FGV/ISS-Niterói/2015) O empresário e a sociedade empresária devem adotar um nome para o exercício da empresa, de acordo com o Código Civil. Esse instituto, conhecido como nome empresarial, possui regras para sua formação e utilização. A afirmativa que revela corretamente uma regra para utilização/formação do nome empresarial é: a) a sociedade em nome coletivo deverá adotar firma como nome empresarial, que incluirá o nome de pelo menos um dos sócios, sendo facultativo o aditivo & Companhia, caso todos os sócios sejam nominados; b) a denominação social é uma espécie de nome empresarial, também conhecida como “nome de fantasia”, porque nela não se inclui nome patronímico, apenas palavras ou expressões designativas do objeto social; c) nas sociedades cujo capital é dividido em ações, é proibido o uso da firma social como nome empresarial, somente sendo permitido o uso da denominação com a indicação do objeto social; d) o adquirente de estabelecimento por ato entre vivos ou causa mortis, pode usar a firma do alienante ou do de cujus, precedida de sua própria, com a qualificação de sucessor; e) na sociedade em conta de participação a espécie de nome empresarial é firma, exclusivamente, formada pelo nome patronímico do sócio ostensivo seguida do aditivo & Companhia, por extenso ou abreviado. Comentários Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 134 de 156 www.exponencialconcursos.com.br Letra “a”. Esta é uma questão polêmica em razão da alternativa A. a) Manteve esta alternativa como correta, apesar dos diversos recursos. Vejamos: O aditivo & Companhia é usado quando não constar na firma a individualização de todos os sócios, tão-somente, conforme art. 5º, II, a) da Instrução Normativa DREI nº 15, de 5 de dezembro de 2013: da sociedade em nome coletivo, se não individualizar todos os sócios, deverá conter o nome de pelo menos um deles, acrescido do aditivo “e companhia”, por extenso ou abreviado. O art. 1.157 do CC também assim dispõe: Art. 1.157 do CC. A sociedade em que houver sócios de responsabilidade ilimitada operará sob firma, na qual somente os nomes daqueles poderão figurar, bastando para formá-la aditar ao nome de um deles a expressão "e companhia" ou sua abreviatura. Portanto, o examinador considera correto facultativo o uso do aditivo & Companhia quando todos os sócios constarem na firma social da sociedade em nome coletivo. Complicado!!!! O Professor Ricardo Negrão (2014, p.56), por sua vez, dispõe acerca da sociedade em nome coletivo: “...quanto ao nome adotado: admite-se apenas firma social, isto é, nome empresarial composto pelo nome de um ou alguns sócios, de forma reduzida ou integral, acrescido da expressão “e companhia”, abreviada ou completa, ou, ainda, o nome de todos os sócios, sem qualquer acréscimo”. Veja: “...sem acréscimo.”. Logo, observemos que não há previsão legal para manter o aditivo “& Companhia” quando todos os sócios estiverem individualizados na firma social, já que não há evidente necessidade. Enfim, levemos isso para a prova já que a banca manteve o gabarito! A FGV se manifestou sobre esta alternativa nestes termos: “A alternativa que contém a afirmativa “a sociedade em nome coletivo deverá adotar firma como nome empresarial, que incluirá o nome de pelo menos um dos sócios, sendo facultativo o aditivo & Companhia, caso todos os sócios sejam nominados” é a única correta, com base nos artigos 1.042 e 1.157 do Código Civil, considerando-se também que na sociedade em nome coletivo todos os sócios possuem responsabilidade ilimitada pelas obrigações sociais”. b) Incorreta, pois pode figurar na denominação de sociedade limitada o nome de um ou mais sócios (art. 1.158, §2º: A denominação deve designar o objeto da sociedade, sendo permitido nela figurar o nome de um ou mais sócios.). c) Incorreta, pois na sociedade em comandita por ações é permitido o uso da firma como modalidade de nome empresarial, nos termos do Art. 1.161. A sociedade em comandita por ações pode, em lugar de firma, adotar denominação designativa do objeto social, aditada da expressão "comandita por ações". d) Incorreta, pois o nome do sócio falecido não pode ser conservado na firma social (art. 1.165, CC). Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 135 de 156 www.exponencialconcursos.com.br e) Incorreta, pois a sociedade em conta de participação não pode ter nome empresarial (art. 1.162, CC). 72. (FGV / ISS-Cuiabá / 2014) Uma sociedade empresária com sede em Denise/MT,composta por três sócios pessoas naturais, adotou o nome empresarial “Pontes, Lacerda & Cáceres”. Sobre esse nome empresarial, assinale a afirmativa correta. a) Trata-se de denominação adotada por sociedade em comandita por ações. b) Trata-se de firma social adotada por sociedade cooperativa. c) Trata-se de denominação adotada por sociedade anônima. d) Trata-se de firma adotada por sociedade em nome coletivo. e) Trata-se de firma adotada por sociedade em comandita simples. Comentários d) Correta. A sociedade em nome coletivo utiliza a firma ou razão social como nome empresarial (art. 1.041, CC). a) Incorreta. Na denominação deve constar expressão ou nome fantasia. No caso de sociedade em comandita por ações, a expressão “comandita por ações”. Lembrando que a comandita pode adotar denominação ou firma (art. 1.161, CC). b) Incorreta. A cooperativa usa somente denominação e deve constar a expressão “cooperativa” (art. 1.159, CC). c) Incorreta. Não se trata de denominação e a sociedade anônima utiliza expressões “Companhia” ou “Sociedade Anônima”, por extenso ou abreviadamente. É vedado o uso de “Companhia” ou “Cia.” no final da denominação. e) Incorreta. A sociedade em comandita simples deverá conter o nome de pelo menos um dos sócios comanditados, com o aditivo "e companhia", por extenso ou abreviado, conforme prevê a Instrução Normativa nº 104/07 em seu art. 5º. 73. (FGV / ISS-Recife / 2014) Alfredo Chaves exerce em caráter profissional atividade intelectual de natureza literária com a colaboração de auxiliares. O exercício da profissão constitui elemento de empresa. Não há registro da atividade por parte de Alfredo Chaves em nenhum órgão público. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 136 de 156 www.exponencialconcursos.com.br Com base nestas informações e nas disposições do Código Civil, assinale a afirmativa correta. a) Alfredo Chaves não é empresário porque exerce atividade intelectual de natureza literária. b) Alfredo Chaves não é empresário porque não possui registro em nenhum órgão público. c) Alfredo Chaves será empresário após sua inscrição na Junta Comercial. d) Alfredo Chaves é empresário porque exerce atividade não organizada em caráter profissional. e) Alfredo Chaves é empresário independentemente da falta de inscrição na Junta Comercial. Comentários Letra “e”. Em razão do §único do art. 966, CC, num primeiro momento Alfredo Chaves não seria considerado empresário por exercer atividade intelectual. No entanto, o exercício dessa atividade constitui elemento de empresa, logo pela parte final deste dispositivo do CC, Alfredo Chaves exerceria atividade típica de empresário – organizada e com a contribuição de auxiliares. Por outro lado, ele não efetuou o devido registro dessa atividade no órgão competente (Junta Comercial), conforme determina o art. 967 do CC: Art. 967. É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade. Acontece que a inscrição do empresário na Junta Comercial não é constitutiva da condição de empresário, mas sim da sua regularidade, ou seja, significa dizer que Alfredo Chaves seria um empresário irregular (um empresário ou comerciante informal). Assim, somente a letra E está correta. 74. (FGV / ISS-Recife / 2014) O complexo de bens organizado e titularizado por empresário para o exercício de atividade econômica em caráter profissional, que pode ser objeto unitário de direitos e negócios jurídicos, denomina-se: a) aviamento. b) firma. c) empresa. d) estabelecimento. e) matriz ou sede. Comentários Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 137 de 156 www.exponencialconcursos.com.br Letra “d”. O aviamento é um atributo do estabelecimento empresarial que significa a capacidade que ele tem de produzir lucros, podendo ser entendido como o conjunto dos bens pertencentes ao estabelecimento. Assim, a alternativa correta é a letra D, nos termos dos artigos abaixo transcritos: Art. 1.142. Considera-se estabelecimento todo complexo de bens organizado, para exercício da empresa, por empresário, ou por sociedade empresária. Art. 1.143. Pode o estabelecimento ser objeto unitário de direitos e de negócios jurídicos, translativos ou constitutivos, que sejam compatíveis com a sua natureza. Gabarito: D 75. (FGV / OAB-XIII Exame / 2014) Ananias Targino consulta sua advogada para saber as providências que deve tomar para publicizar o trespasse do estabelecimento da Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI) por ele constituída e enquadrada como microempresa, cuja firma é Ananias Targino EIRELI ME. A advogada corretamente respondeu que: a) é dispensável qualquer publicização ou arquivamento do contrato de trespasse do estabelecimento por ser a EIRELI enquadrada como microempresa. b) é dispensável o arquivamento do contrato de trespasse no Registro Público de Empresas Mercantis, mas ele deverá ser publicado na imprensa oficial. c) é dispensável o arquivamento do contrato de trespasse no Registro Público de Empresas Mercantis, mas ele deverá ser publicado na imprensa oficial e em jornal de grande circulação. d) é dispensável a publicação do contrato de trespasse na imprensa oficial, mas ele deverá ser arquivado no Registro Público de Empresas Mercantis. Comentários Letra “d”. Questão bem específica sobre o trespasse de estabelecimento empresarial de uma EIRELI enquadrada como microempresa. Portanto, sujeita-se à LC 123/06. Assim, ela estará dispensada de publicar o contrato de trespasse na imprensa oficial por determinação do art. 71 da LC 123/06, que a dispensa da publicação de qualquer ato societário. Porém, por força do art. 1.144 do CC, ela deve registrar no RPEM o trespasse. Art. 71. Os empresários e as sociedades de que trata esta Lei Complementar, nos termos da legislação civil, ficam dispensados da publicação de qualquer ato societário. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 138 de 156 www.exponencialconcursos.com.br Art. 1.144. O contrato que tenha por objeto a alienação, o usufruto ou arrendamento do estabelecimento, só produzirá efeitos quanto a terceiros depois de averbado à margem da inscrição do empresário, ou da sociedade empresária, no Registro Público de Empresas Mercantis, e de publicado na imprensa oficial. 76. (FGV / ISS-Recife / 2014) Condado Confeitaria Ltda. arrendou o estabelecimento de uma de suas filiais, situado na cidade de Buíque, à sociedade empresária Calumbi, Machados & Cia. Ltda. Não houve notificação prévia do arrendamento aos credores quirografários do arrendador, apenas a publicação legal do contrato e seu arquivamento na Junta Comercial. O contrato foi celebrado pelo prazo de quatro anos e contém estipulação estabelecendo que, durante sua vigência, o arrendador está proibido de fazer concorrência ao arrendatário na cidade de Buíque. Com base nessas informações, é correto afirmar que a estipulação contratual é: a) válida, porque, no caso de arrendamento do estabelecimento, a proibição de concorrência ao arrendador persiste durante o prazo do contrato. b) nula de pleno direito, porque viola os princípios constitucionais da livre iniciativa e da livre concorrência, impedindo o restabelecimento do arrendador. c) anulável, porque, no caso de arrendamento do estabelecimento, o prazode proibição de concorrência ao arrendador limita-se aos cinco anos subsequentes à transferência. d) não escrita, porque somente é possível proibir o restabelecimento em caso de alienação do estabelecimento e, ainda assim, até o limite de cinco anos. e) é válida, porém ineficaz perante terceiros, porque, em havendo arrendamento do estabelecimento, o arrendador deveria ter notificado previamente seus credores quirografários. Comentários Letra “a”. Temos dois pontos principais a serem destacados nesta questão sobre arrendamento do estabelecimento empresarial: a não comunicação prévia aos credores quirografários do arrendador e a existência de cláusula contratual de não restabelecimento. Em relação ao primeiro ponto, no arrendamento do estabelecimento empresarial, a comunicação aos credores não é requisito para a sua eficácia perante terceiros (art. 1.144, CC); basta a publicação legal do contrato e sua inscrição no RPEM. Essa condição é aplicada no caso de alienação do estabelecimento, já que a propriedade deste será Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 139 de 156 www.exponencialconcursos.com.br transferida em definitivo para outra pessoa. Logo, a alternativa E está incorreta. Relembremos o nosso esquema: Quanto ao segundo ponto, a aludida cláusula de não restabelecimento está conforme o parágrafo único do art. 1.147 do CC. Ou seja, sua duração é a mesma do prazo do contrato de arrendamento. Assim, a única alternativa correta é a letra A. Art. 1.147. Não havendo autorização expressa, o alienante do estabelecimento não pode fazer concorrência ao adquirente, nos cinco anos subseqüentes à transferência. Parágrafo único. No caso de arrendamento ou usufruto do estabelecimento, a proibição prevista neste artigo persistirá durante o prazo do contrato. 77. (FGV / ISS-Recife / 2014) Sobre os atos de competência do Registro Público de Empresas Mercantis (denominado atualmente Registro Empresarial), a cargo das Juntas Comerciais, assinale a afirmativa correta: a) O registro compreende a matrícula dos leiloeiros, tradutores públicos e intérpretes comerciais, trapicheiros e administradores de armazéns-gerais, bem como o cancelamento dela. b) Os atos concernentes a sociedades simples e a sociedades empresárias estrangeiras autorizadas a funcionar no Brasil estão sujeitos a arquivamento. Se não restarem ao alienante bens suficientes. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 140 de 156 www.exponencialconcursos.com.br c) O arquivamento dos documentos relativos à constituição, alteração, dissolução e extinção de associações, sociedades empresárias e cooperativas compete às Juntas Comerciais. d) A autenticação dos instrumentos de escrituração das sociedades empresárias, do empresário individual, registrado ou não, e dos agentes auxiliares do comércio é de responsabilidade das Juntas Comerciais. e) As Juntas Comerciais procederão ao assentamento dos usos e das práticas mercantis apenas quando houver provocação da Procuradoria ou de entidade de classe interessada. Comentários Letra “a”. Questão sobre o registro da empresa. As disposições que justificam as alternativas são todas da Lei nº 8.934/94. a) De cara é o nosso gabarito. Está praticamente literal ao art. 32, inciso I. b) Incorreta. O erro está em mencionar sociedade simples, que vincula-se ao RCPJ (art. 32, inciso II, alínea c). c) Incorreta. Aqui, considerando a literalidade do art. 32, inciso II, alínea a, o único erro seria mencionar que as associações estariam sujeitas à inscrição dos atos constitutivos na Junta Comercial. Porém, um outro possível erro poderá ser questionado: cooperativa. É que há certa divergência quanto à inscrição das sociedades cooperativas, se na Junta Comercial ou no RCPJ, tendo em vista que a cooperativa possui natureza de sociedade simples. Entretanto, nesta questão me parece que o examinador quis abordar a literalidade dos dispositivos da lei de registro das empresas, pois as outras alternativas encontram justificativas nessa lei. No mais, voltaremos a essa divergência mencionada quando tratarmos especificamente da sociedade cooperativa, ok? d) Incorreta. O erro está em mencionar que podem ser autenticados os instrumentos de entes não registrados na Junta Comercial (art. 32, inciso III). e) Incorreta. Não há a condição restritiva apresentada na parte final desta alternativa. Além disso, a Procuradoria, como órgão da Junta Comercial, possui outra atribuição: fiscalizar e promover o fiel cumprimento das normas legais e executivas (art. 28). No mais, compete à Junta Comercial realizar o assentamento dos usos e das práticas mercantis (art. 8, inciso IV). Vejamos a seguir os dispositivos legais do art. 32. Art. 32. O registro compreende: I - a matrícula e seu cancelamento: dos leiloeiros, tradutores públicos e intérpretes comerciais, trapicheiros e administradores de armazéns- gerais; Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 141 de 156 www.exponencialconcursos.com.br II - O arquivamento: a) dos documentos relativos à constituição, alteração, dissolução e extinção de firmas mercantis individuais, sociedades mercantis e cooperativas; b) dos atos relativos a consórcio e grupo de sociedade de que trata a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976; c) dos atos concernentes a empresas mercantis estrangeiras autorizadas a funcionar no Brasil; d) das declarações de microempresa; e) de atos ou documentos que, por determinação legal, sejam atribuídos ao Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins ou daqueles que possam interessar ao empresário e às empresas mercantis; III - a autenticação dos instrumentos de escrituração das empresas mercantis registradas e dos agentes auxiliares do comércio, na forma de lei própria. 78. (FGV / Juiz-TJ-AM / 2013) De acordo com o Direito Empresarial, disciplinado pelo Código Civil, assinale a afirmativa correta. e) A sociedade limitada que tem por objeto a criação de cabeças de gado para corte, pode ter os seus atos constitutivos registrados no Registro Civil de Pessoas Jurídicas. Comentários O item está certo. Com estas características, podemos pressupor que trata-se de uma sociedade limitada que exercer atividade empresarial, logo, ela poderá se vincular tanto ao RPEM quanto ao RCPJ – é mas das exceções à Teoria da Empresa. Assim, é uma sociedade de natureza simples. Art. 984. A sociedade que tenha por objeto o exercício de atividade própria de empresário rural, e seja constituída, ou transformada, de acordo com um dos tipos de sociedade empresária, pode, com as formalidades do art. 968, requerer inscrição no Registro público de Empresas Mercantis da sua sede, caso em que, depois de inscrita, ficará equiparada, para todos os efeitos, à sociedade empresária. 79. (FGV/Juiz-TJ-AM/2013) De acordo com o Direito Empresarial, disciplinado pelo Código Civil, assinale a afirmativa correta. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 142 de 156 www.exponencialconcursos.com.br b) O analfabeto pode se inscrever como empresário individual no Registro Público de Empresas Mercantis, mediante outorga de uma procuração, por instrumento público ou particular. Comentários O item está errado. Não há qualquer vedação legal à inscrição do analfabeto como empresário individual. A capacidade civil para o exercícioda atividade empresarial é aquela que está presente nos artigos 3º e 4º, CC. Então, podemos concluir que a primeira parte desta afirmativa estaria correta. A dúvida que podemos ter é sobre a exigência de “...outorga de uma procuração, por instrumento público ou particular.” ao analfabeto. Aí, galera, caso alguém não tivesse o conhecimento do dispositivo da Instrução Normativa DREI nº 10/2013 abaixo transcrito, deveria usar a técnica do bom senso, afinal de contas, somente mediante uma procuração com os poderes necessários para a prática do ato de inscrição é que o analfabeto estaria apto e regular para exercer a atividade empresarial. Só um detalhe: esta procuração deve ser por instrumento público. 1.3.5 - REPRESENTAÇÃO DO EMPRESÁRIO Poderá o empresário ser representado por procurador com poderes específicos para a prática do ato. Em se tratando de empresário analfabeto, a procuração deverá ser outorgada por instrumento público. Na procuração por instrumento particular deve constar o reconhecimento da firma do outorgante. 80. (FGV / ICMS-RJ / 2011) O empresário individual e as sociedades empresárias são obrigados, por lei, a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. A respeito dos livros comerciais, é INCORRETO afirmar que: a) o empresário que adotar o sistema de fichas de lançamentos poderá substituir o livro Diário pelo livro Balancetes Diários e Balanços, observadas, contudo, as mesmas formalidades extrínsecas exigidas para aquele. b) a filial localizada no Brasil, de sociedade empresária com sede em país estrangeiro, fica subordinada às mesmas disposições relativas à escrituração dos livros comerciais, previstas no Código Civil brasileiro. c) além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o Razão, que pode ser substituído por fichas no caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 143 de 156 www.exponencialconcursos.com.br d) salvo disposição especial de lei, os livros obrigatórios e, se for o caso, as fichas, antes de postos em uso, devem ser autenticados no Registro Público de Empresas Mercantis. e) o juiz só poderá autorizar a exibição integral dos livros e papéis de escrituração quando necessária para resolver questões relativas a sucessão, comunhão ou sociedade, administração ou gestão à conta de outrem, ou em caso de falência. Comentários ANULADA. Gabarito preliminar: Letra “c”. Questão que foi anulada. Vejamos o motivo, lembrando que devemos assinalar a alternativa incorreta. A alternativa a) está correta e literal ao art. 1.185. A letra b) está conforme o Art. 1.195, afinal a regra válida para a sociedade nacional também se aplica a sociedade estrangeira que aqui atua. Já a c) está incorreta, pois o livro indispensável é o DIÁRIO, e não o Razão, segundo art. 1.180 do CC – este foi o gabarito preliminar. A alternativa d) está correta conforme o art. 1.181 do CC. Bem, a alternativa e) foi a razão da anulação da questão. Percebemos que todas as alternativas estão praticamente literais aos dispositivos do CC, inclusive esta. Por isso mesmo, o examinador desconsiderou o contido no art. 381 do Código de Processo Civil, que diz: Art. 381, CPC. O juiz pode ordenar, a requerimento da parte, a exibição integral dos livros comerciais e dos documentos do arquivo: I – na liquidação da sociedade; II – na sucessão por morte de sócio; III – quando e como determinar a lei. Portanto, ao usar a expressão “só” na alternativa, o examinador desconsiderou a interpretação sistêmica de ordenamento jurídico. Assim, nos casos dos incisos acima do art. 381 do CPC, o juiz também poderá ordenar a exibição integral dos livros comerciais, beleza? Logo, questão perfeitamente anulada. 81. (FGV / ICMS-RJ / 2011) XYZ Produtos Alimentícios Ltda. é uma sociedade empresária, regularmente inscrita no órgão competente desde 1999, cujo objeto constitui a exploração do ramo de alimentos. Com sólido nome no mercado, localizada em um ponto empresarial altamente valorizado no Estado do Rio de Janeiro, detentora de valiosa marca e linhas de crédito pré-aprovadas nos melhores bancos do Estado à sua disposição, os sócios decidem, por maioria absoluta, fazer a cessão do estabelecimento, Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 144 de 156 www.exponencialconcursos.com.br aproveitando ótima proposta oferecida por um empresário que já atua no mesmo ramo. Em relação ao estabelecimento, assinale a afirmativa correta. a) A sociedade empresária XYZ Produtos Alimentícios Ltda. responde de forma subsidiária por eventuais débitos existentes anteriormente à cessão apontada. b) A cessão dos créditos referentes ao estabelecimento transferido produz efeitos em relação aos respectivos devedores, desde o momento da publicação da transferência, somente ficando exonerado se, de boa-fé, paga ao cedente. c) Para ser considerada eficaz, a cessão é indispensável à expressa autorização dos credores existentes àquela época, ainda que a sociedade possua bens suficientes para solver o seu passivo. d) A sociedade empresária XYZ Produtos Alimentícios Ltda. não pode fazer concorrência ao empresário adquirente, pelo prazo de 2 (dois) anos, salvo se obtida autorização expressa. e) O contrato de cessão produz efeitos em relação a terceiros desde a sua averbação à margem da inscrição da sociedade no Registro Público de Empresas Mercantis, no caso, a cargo da Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro, independente de a publicação ocorrer na imprensa oficial. Comentários Letra “b”. Pessoal, esta é uma questão que gerou dúvidas. Vejamos! b) Esta é mais uma daquelas alternativas que geram dúvidas. Aqui podemos adotar aquele conhecido jargão de concurseiro: “Esta é a alternativa mais correta ou menos errada”. Tudo devido ao fato de que o examinador não se limitou em copiar o dispositivo da lei; até aí tudo bem, porém não pode é alterar o sentido legal almejado pelo legislador, ou colocá-lo em dúvida. E foi isso que ocorreu. O artigo em comento é o art. 1.149 do CC. Obviamente, com a transferência do estabelecimento não só os débitos, mas também os créditos são envolvidos. Assim, desde o momento da publicação do trespasse, a cessão dos créditos passa a produzir efeitos em relação aos seus devedores. No entanto, caso o devedor pague de boa-fé ao cedente do estabelecimento, ele estará desobrigado. Ou seja, como há a possibilidade de ocorrer o pagamento ao cedente após a celebração do contrato de cessão sem que o devedor tenha conhecimento da publicação do ato, ele fica exonerado da obrigação, pois teria agido de boa-fé. Bem, é dessa forma que versa o Código Civil. Todavia, o examinador substituiu a expressão “mas” por “somente” na alternativa, gerando muitos recursos. O argumento dos recorrentes era no sentido de que em utilizando a expressão “somente”, não haveria outra forma do devedor ser exonerado de sua obrigação, senão o Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 145 de 156 www.exponencialconcursos.com.br pagamento ao cedente (credor original). Porém, ele poderia pagar diretamente ao adquirente do estabelecimento, e, desta forma, se livraria de sua obrigação. Assim, se julgado procedente os recursos, não haveria alternativa correta,já que as demais estão flagrantemente erradas. Contudo, a FGV manteve o gabarito argumentando que “a palavra “somente”, presente na afirmativa, destaca a necessidade de haver a boa-fé. Não havendo boa-fé, não ficará o devedor exonerado. Não objetivou a questão esgotar as possibilidades de exoneração da obrigação do devedor.”. Minha opinião é no sentido de que a FGV acertou em manter o gabarito, porém reitero a maldade e desnecessidade de utilizar ferramentas que coloquem em dúvidas dispositivos legais; considerando, ainda, que as demais alternativas estão muito incorretas, e esta é a que melhor atende o enunciado. a) Incorreta, pois os débitos anteriores à cessão do estabelecimento são de responsabilidade de quem adquirir o estabelecimento, DESDE que estejam regularmente contabilizados. Porém, o proprietário/devedor antigo fica SOLIDARIAMENTE obrigado por essas dívidas existentes por UM ANO a partir da data da publicação do trespasse quanto aos débitos já vencidos e por UM ANO, também, do dia do vencimento quanto aos débitos a vencerem (art. 1.146 do CC). c) Para ser considerada eficaz, a cessão é indispensável à expressa autorização dos credores existentes àquela época, ainda que a sociedade possua bens suficientes para solver o seu passivo. Incorreta, nos termos do art. 1.145 do CC. O consentimento dos credores do alienante do estabelecimento sobre a sua transferência pode ser expresso ou tácito em trinta dias a partir de sua notificação. Tal consentimento é vital para a eficácia da transferência. Todavia, somente é exigido esse consentimento, SE AO ALIENANTE NÃO RESTAREM BENS SUFICIENTES PARA SOLVER O SEU PASSIVO. De outra forma, para garantir a eficácia do trespasse, obviamente, o alienante poderá pagar seus credores. Portanto, o erro desta alternativa está em sua parte final, já que se possuir bens suficientes para solver o seu passivo, não será necessário o consentimento dos credores. d) A sociedade empresária XYZ Produtos Alimentícios Ltda. não pode fazer concorrência ao empresário adquirente, pelo prazo de 2 (dois) anos, salvo se obtida autorização expressa. Incorreta. O erro está “no prazo de 2 (dois) anos”, quando o prazo correto é de 5 (cinco) anos, conforme art. 1.147 do CC. e) O contrato de cessão produz efeitos em relação a terceiros desde a sua averbação à margem da inscrição da sociedade no Registro Público de Empresas Mercantis, no caso, a cargo da Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro, independente de a publicação ocorrer na imprensa oficial. Incorreta, já que conforme preconizado no art. 1.144 do CC, é necessário publicar na Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 146 de 156 www.exponencialconcursos.com.br Imprensa Oficial o contrato de cessão do estabelecimento para que a transferência realmente produza efeitos. 82. (FGV / ICMS-RJ / 2010) Com relação ao estabelecimento empresarial, assinale a afirmativa incorreta. a) É o complexo de bens organizado para o exercício da empresa, por empresário ou por sociedade empresária. b) Refere-se tão-somente à sede física da sociedade empresária. c) Desponta a noção de aviamento. d) Inclui, também, bens incorpóreos, imateriais e intangíveis. e) É integrado pela propriedade intelectual. Comentários b) Incorreta. Eis a nossa resposta. O estabelecimento é complexo de bens corpóreos e incorpóreos, logo não se refere somente à sede física. a) Correta. Definição legal de estabelecimento nos termos do art. 1.142 do CC. c) Correta. O Professor Rubens Requião conceitua: “aviamento é a aptidão da empresa de produzir lucros, decorrente da qualidade e da melhor perfeição de sua organização”. O aviamento, desta forma, pressupõe a existência do estabelecimento. d) Como já foi afirmado, o estabelecimento empresarial é um complexo de bens, e traduz tanto os bens corpóreos quanto os incorpóreos, imateriais e intangíveis. e) Correta. A propriedade intelectual pode ser dividida em direito autoral e propriedade industrial. A propriedade industrial compreende a invenção e modelo de utilidade (bens patenteáveis), bem como as marcas de produtos ou serviços. Desta forma, são bens imateriais e integram o estabelecimento empresarial. A propriedade industrial está fora de nosso programa. 83. (FGV / ICMS-RJ / 2010) Com relação ao registro da empresa, analise as afirmativas a seguir. I. A matrícula, o arquivamento e a autenticação são atos do registro de empresa. II. O empresário que desenvolve atividade rural de grande porte está obrigado a requerer a inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 147 de 156 www.exponencialconcursos.com.br III. Compete ao Departamento Nacional de Registro do Comércio – DNRC, a execução do ato de registro do empresário. Assinale: a) se todas as afirmativas estiverem corretas. b) se somente a afirmativa I estiver correta. c) se somente a afirmativa II estiver correta. d) se somente a afirmativa III estiver correta. e) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas. Comentários Letra “b”. I – Correta. O registro é gênero cujas espécies são a matrícula, arquivamento e autenticação (art. 32 da Lei 8.934/94). Matrícula – dos leiloeiros, tradutores públicos e intérpretes comerciais, trapicheiros e administradores de armazéns-gerais; Arquivamento – dos atos constitutivos, alterações, dissolução e extinção de firmas mercantis individuais, sociedades mercantis e cooperativas; dos atos relativos a consórcio e grupo de sociedade; dos atos concernentes a empresas mercantis estrangeiras autorizadas a funcionar no Brasil; das declarações de microempresa; de atos ou documentos que, por determinação legal, sejam atribuídos ao RPEM ou daqueles que podem interessar ao empresário e às empresas mercantis; Autenticação – dos instrumentos de escrituração das empresas mercantis registradas e dos agentes auxiliares do comércio, na forma de leis próprias. II – O empresário que desenvolve atividade rural de grande porte está obrigado a requerer a inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede. Incorreta. É facultado ao empresário rural requerer inscrição no RPEM nos termos do art. 971 do CC. Observe que não há distinção quanto ao porte de sua atividade. Art. 971 do CC. O empresário, cuja atividade rural constitua sua principal profissão, pode, observadas as formalidades de que tratam o art. 968 e seus parágrafos, requerer inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, caso em que, depois de inscrito, ficará equiparado, para todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro. III – Compete ao Departamento Nacional de Registro do Comércio – DNRC, a execução do ato de registro do empresário. Incorreta. Esta competência é das Juntas Comerciais (arts. 3º, II e 8º, I da Lei 8.934/94). O antigo DNRC (hoje DREI) tinha função supervisora, orientadora, coordenadora e normativa, no plano técnico; e supletiva, no âmbito administrativo. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 148 de 156 www.exponencialconcursos.com.br 84. (FGV / ICMS-AP / 2010) Pedro Henrique tem uma sorveteria na qual vende sorvetes artesanais da sua marca Gelados. O imóvel no qual está localizada a empresa, os freezers e as máquinas necessárias para a elaboração dos sorvetes são alugados. Os móveis e o estoque de matéria prima, no entanto, são de propriedade de Pedro Henrique.Ressalta-se que a marca é bastante conhecida na cidade e o seu estabelecimento já tem uma clientela fiel. Considerando os fatos expostos, assinale a alternativa correta. a) Fazem parte do estabelecimento empresarial apenas os móveis e o estoque de matéria prima, pois somente estes bens são de propriedade de Pedro Henrique. b) Fazem parte do estabelecimento empresarial todos os bens que estão organizados para o desenvolvimento da empresa, isto é, tanto o imóvel, quando os freezers, as máquinas, os móveis, o estoque e a marca Gelados. c) Pedro Henrique não pode ser considerado empresário pois não desenvolve a atividade empresarial por meio de uma sociedade empresária. d) Se Pedro Henrique desejar alienar o estabelecimento, o trespasse somente poderá abranger os bens de propriedade de Pedro Henrique, não podendo versar sobre os contratos relacionados com os outros bens. e) Se Pedro Henrique desejar alienar o estabelecimento, o preço do negócio deverá corresponder exatamente ao preço de mercado dos bens de sua propriedade, considerados isoladamente. Comentários Letra “b”. A questão trata do chamado ponto comercial, que é um dos elementos do estabelecimento empresarial. O ponto comercial é o local físico onde a atividade comercial está sendo exercida. Pode ser de propriedade do próprio empresário ou fruto de locação. Assim, podemos perceber que dependendo da localização da atividade exercida, esta poderá ter valores diferentes. No caso de locação, a lei nº 8.245/91 (Lei de Locação) confere direito de renovação do contrato dos imóveis destinados à atividade empresarial, pois uma nova localização pode significar prejuízo financeiro. Assim, embora o locador não deseje renovar o contrato, o direito à renovação existe quando cumpridos os requisitos previstos no art. 51 da lei de locação. Pois bem, no caso dessa questão, a atividade exercida possui as características de ponto comercial, já que sua marca é conhecida na cidade e apresenta clientela fiel. Desta forma, vejamos as alternativas: Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 149 de 156 www.exponencialconcursos.com.br a) Incorreta e b) correta. Tanto o imóvel quanto os bens móveis fazem parte do estabelecimento empresarial, pois adquiriram juntos a condição de ponto comercial. c) Incorreta, pois uma pessoa física na condição de empresário individual também pode exercer a atividade empresária, como ocorre nesta questão. Não é requisito para ser empresário ter que exercer a atividade por meio de uma sociedade, ok? d) Incorreta, pois o trespasse importa a sub-rogação do adquirente pelos contratos estipulados para exploração do estabelecimento, desde que não tenham caráter pessoal. Ressaltando-se que o contrato de locação não se transmite automaticamente ao adquirente. Art. 1.148. Salvo disposição em contrário, a transferência importa a sub-rogação do adquirente nos contratos estipulados para exploração do estabelecimento, se não tiverem caráter pessoal, podendo os terceiros rescindir o contrato em noventa dias a contar da publicação da transferência, se ocorrer justa causa, ressalvada, neste caso, a responsabilidade do alienante. e) Incorreta. O estabelecimento empresarial possui o atributo do aviamento, o qual se caracteriza pela capacidade que os bens do estabelecimento têm, de uma vez vendidos em conjunto, gerarem um lucro maior do que teriam se fossem vendidos isoladamente. Portanto, no caso de alienação do estabelecimento empresarial, o seu preço de negócio considerará a avaliação do estabelecimento como um todo, dos bens corpóreos aos bens incorpóreos. 85. (FGV / ICMS-RJ / 2010) A respeito do trespasse do estabelecimento empresarial, analise as afirmativas a seguir. I. O contrato de trespasse de estabelecimento empresarial produzirá efeitos quanto a terceiros só depois de averbado à margem da inscrição do empresário, ou da sociedade empresária, no Registro Público de Empresas Mercantis e de publicado na imprensa oficial. II. Com relação aos créditos de natureza civil vencidos antes da celebração do contrato de trespasse, o vendedor do estabelecimento continuará por eles solidariamente obrigado, pelo prazo de um ano contado a partir da publicação do contrato de trespasse na imprensa oficial. III. Não se admite, mesmo por convenção expressa entre os contratantes, o imediato restabelecimento do vendedor do estabelecimento no mesmo ramo de atividades e na mesma zona geográfica. Assinale: a) se somente a afirmativa I estiver correta. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 150 de 156 www.exponencialconcursos.com.br b) se somente a afirmativa II estiver correta. c) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas. d) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas. e) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas. Comentários Letra “c”. I – Correta, conforme art. 1.144 do CC. Trespasse averbado no RPEM e publicado no Diário Oficial para produzir efeitos. II – Correta, conforme art. 1.146 do CC. Já fizemos questão semelhante. Mas sempre é bom para fixarmos bem os conceitos. III – Incorreta, pois havendo autorização expressa entre os contratantes, é admitido que o alienante faça concorrência ao adquirente nos termos do art. 1.147 do CC. Ressalva, neste caso, deve ser feita em relação ao contrato de arrendamento ou usufruto do estabelecimento, onde tal proibição deverá durar até o final do contrato. Art. 1.147. Não havendo autorização expressa, o alienante do estabelecimento não pode fazer concorrência ao adquirente, nos cinco anos subseqüentes à transferência. Parágrafo único. No caso de arrendamento ou usufruto do estabelecimento, a proibição prevista neste artigo persistirá durante o prazo do contrato. 86. (ESAF/Auditor–TCE-GO/2007) Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, mas jamais em seu favor. Comentários O item está errado. A escrituração constitui a prova do exercício regular da atividade empresarial, ok? Isto porque, os livros comerciais provam contra e a favor da empresa que os elaborar. É o que prevê os arts. 417 e 418 do Novo Código de Processo Civil (NCPC). Ou seja, de fato, a escrituração constitui prova do exercício regular da empresa. Vejamos as disposições do Novo CPC: Art. 417. Os livros empresariais provam contra seu autor, sendo lícito ao empresário, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 151 de 156 www.exponencialconcursos.com.br Art. 418. Os livros empresariais que preencham os requisitos exigidos por lei provam a favor de seu autor no litígio entre empresários. Logo, devemos notar que os livros comerciais têm força probante relativa, já que eles admitem prova em contrário. Assim, os livros comerciais fazem prova a favor e contra o seu titular, sendo lícito a demonstração por todos os meios admitidos em direito de que os lançamentos não correspondem às verdades dos fatos. 87. (ESAF/AFRFB/2012) Sobre a disciplina escrituração empresarial prevista no Código Civil, assinale a opção incorreta. a) O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimoniale o de resultado econômico. b) A escrituração será feita em idioma e moeda corrente nacionais e em forma contábil, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borrões, rasuras, emendas ou transportes para as margens, sendo permitido o uso de código de números ou de abreviaturas, que constem de livro próprio, regularmente autenticado. c) O empresário ou sociedade empresária que adotar o sistema de fichas de lançamentos poderá substituir o livro Diário pelo livro Balancetes Diários e Balanços, observadas as mesmas formalidades extrínsecas exigidas para aquele. d) O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados. e) O juiz ou tribunal pode autorizar a exibição integral dos livros e papéis de escrituração empresarial quando necessária para resolver qualquer questão de caráter patrimonial. Comentários e) Incorreta. Somente o juiz poderá autorizar a exibição integral dos livros e papéis de escrituração (art. 1.191 do CC). Essa exibição é para tratar de questões de: sucessão, comunhão ou sociedade, administração ou gestão à conta de outrem, falência e liquidação da sociedade ou sucessão por morte de sócio (art. 420, NCPC). Art. 1.191. O juiz só poderá autorizar a exibição integral dos livros e papéis de escrituração quando necessária para resolver questões relativas a sucessão, comunhão ou sociedade, administração ou gestão à conta de outrem, ou em caso de falência. Art. 420. O juiz pode ordenar, a requerimento da parte, a exibição integral dos livros empresariais e dos documentos do arquivo: Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 152 de 156 www.exponencialconcursos.com.br I – na liquidação de sociedade; II – na sucessão por morte de sócio; III – quando e como determinar a lei. a) Correta, conforme a literalidade do art. 1.179 do CC. b) Correta, conforme a literalidade do art. 1.183 do CC. c) Correta, conforme a literalidade do art. 1.185 do CC. d) Correta, conforme a literalidade do art. 1.194 do CC. 88. (ESAF/Procurador-PGFN/2015) Assinale a opção correta. a) Por configurar uma universalidade de fato, o estabelecimento empresarial pode ser objeto unitário de direitos e de negócios jurídicos, translativos ou constitutivos, que sejam compatíveis com a sua natureza. b) O adquirente do estabelecimento empresarial responde pelo pagamento dos débitos anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados, ficando o devedor primitivo subsidiariamente responsável pelo pagamento das dívidas pelo prazo de 1 (um) ano, contado da data da publicação da alienação, quanto aos créditos vencidos; ou da data do vencimento, quanto aos créditos vincendos. c) Com exceção das dívidas de natureza trabalhista e fiscal, a aquisição de estabelecimento empresarial em alienação judicial promovida em processo de falência ou de recuperação judicial exime a responsabilidade do adquirente pelas obrigações anteriores. d) A transferência do estabelecimento empresarial importa a sub-rogação do adquirente nos contratos negociados anteriormente pelo alienante, podendo os terceiros rescindir apenas aqueles contratos que têm caráter pessoal. e) De acordo com a atual jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), considerado o princípio da preservação da empresa, não é legítima a penhora da sede do estabelecimento empresarial. Comentários a) Correta. A ideia de universalidade de fato conferida ao estabelecimento empresarial ganhou força e é o entendimento da maioria dos nossos doutrinadores. Pelo conceito de universalidade de fato, os elementos que compõem o estabelecimento empresarial possuem uma única destinação e finalidade, conforme previsto no art. 90 do CC. Art. 90. Constitui universalidade de fato a pluralidade de bens singulares que, pertinentes à mesma pessoa, tenham destinação unitária. Art. 1.143. Pode o estabelecimento ser objeto unitário de direitos e de negócios jurídicos, translativos ou constitutivos, que sejam compatíveis com a sua natureza. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 153 de 156 www.exponencialconcursos.com.br Este conjunto de bens não se dá em razão de mandamento legal, como ocorre, por exemplo, na massa falida – universalidade de direito. b) Incorreta. A responsabilidade é solidária e não subsidiária, como sugere o examinador (art. 1.146, CC). Portanto, há SOLIDARIEDADE entre o alienante e o adquirente, pelos débitos do estabelecimento, possui o duração de 1 (um) ano, nesses termos: c) Incorreta. Na falência e na recuperação judicial, NÃO há sucessão do arrematante ou adquirente nas obrigações do devedor no caso de alienação do estabelecimento empresarial (filiais e a própria empresa), inclusive as de natureza tributária e trabalhista (art. 60 e 141, II, da Lei de Falências – Lei 11.101/05). Art. 60. Se o plano de recuperação judicial aprovado envolver alienação judicial de filiais ou de unidades produtivas isoladas do devedor, o juiz ordenará a sua realização, observado o disposto no art. 142 desta Lei. Parágrafo único. O objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor, inclusive as de natureza tributária, observado o disposto no § 1o do art. 141 desta Lei. Art. 141. Na alienação conjunta ou separada de ativos, inclusive da empresa ou de suas filiais, promovida sob qualquer das modalidades de que trata este artigo: II – o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor, inclusive as de natureza tributária, as derivadas da legislação do trabalho e as decorrentes de acidentes de trabalho. d) Incorreta. Em caso de transferência do estabelecimento, os contratos de caráter pessoal não serão assumidos pelo adquirente, em regra. Os demais contratos só poderão ser rescindidos por terceiros em caso de justa causa – mas podem ser rescindidos. Art. 1.148. Salvo disposição em contrário, a transferência importa a sub-rogação do adquirente nos contratos estipulados para exploração do estabelecimento, se não tiverem caráter pessoal, podendo os terceiros rescindir o contrato em noventa dias a contar da publicação da transferência, se ocorrer justa causa, ressalvada, neste caso, a responsabilidade do alienante. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 154 de 156 www.exponencialconcursos.com.br e) Incorreta, conforme a Súmula 451 do STJ: “é legítima a penhora da sede do estabelecimento comercial”. Porém, esta é uma medida excepcional, quando não existir outros bens passíveis de penhora e desde que não seja servil à residência da família. 89. (ESAF/Auditor Fiscal do Trabalho/2003) As obrigações empresariais relacionadas com a escrituração: a) têm em conta o interesse de terceiros quanto a informações daquela constantes. b) determinam, no seu descumprimento, responsabilidade no plano cível apenas para o contador responsável. c) são relevantes apenas do ponto de vista fiscal, determinando a caracterização de crimes de sonegação fiscal, na sua desobediência. d) acarretam responsabilidades para os sócios não-administradores por culpa in vigilando. e) podem levar à prisão civil os administradores, caso os livros obrigatórios não tenhamsido escriturados ou o tenham sido de forma indevida. Comentários Letra “a”. A letra “a” é de cara a nossa resposta, pois uma das funções que vimos da escrituração é exatamente a função documental que serve de base para informações do interesse de terceiros (sócios, investidores, bancos credores). A letra C, portanto, está incorreta pois a escrituração não tem somente a função fiscal, mas também a gerencial e documental. O uso da expressão “apenas” deixa a alternativa incorreta. b) Incorreta. O erro está na expressão “apenas”, pois o descumprimento das obrigações escriturais poderá ter como consequência a responsabilidade solidária do profissional de contabilidade com o preponente perante terceiros. (art. 1.177, §único, do CC). Art. 1177. Parágrafo único. No exercício de suas funções, os prepostos são pessoalmente responsáveis, perante os preponentes, pelos atos culposos; e, perante terceiros, solidariamente com o preponente, pelos atos dolosos. d) Incorreta. Vamos observar dois conceitos da responsabilidade civil: - A culpa in vigilando: Falta de atenção e cuidado na fiscalização ou vigilância de atividades ou pessoas que estavam obrigatoriamente sob a guarda ou responsabilidade de alguém. Exemplo: os pais são responsáveis por reparar os danos dos filhos que estão sob a sua autoridade e em sua companhia (art. 932, I, CC). - A culpa in eligendo: Configura-se pela má eleição do preposto. Caracteriza-se pela negligência do contratante, ao delegar serviço ou negócio da sua competência, sem a necessária investigação acerca da idoneidade e Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 155 de 156 www.exponencialconcursos.com.br solvabilidade do contratado (Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil: III- o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele). Portanto, não há que se falar em responsabilidade do sócio não- administrador por atos do preposto, pois aquele nem mesmo participou de sua contratação. e) Incorreta. Não há previsão legal de prisão civil neste caso. 90. (ESAF/ISS-RJ/2010) Quanto ao estabelecimento empresarial, marque a opção incorreta. a) Pode o estabelecimento ser objeto unitário de direitos e de negócios jurídicos, translativos ou constitutivos, que sejam compatíveis com a sua natureza. b) O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados. c) A cessão dos créditos referentes ao estabelecimento transferido produzirá efeito em relação aos respectivos devedores, desde o momento da publicação da transferência, mas o devedor ficará exonerado se de boa-fé pagar ao cedente. d) Salvo disposição expressa em contrário, o alienante do estabelecimento pode fazer concorrência ao adquirente. e) Considera-se estabelecimento todo complexo de bens organizado, para exercício da empresa, por empresário ou por sociedade empresária. Comentários Letra “d”. Questão que pede a alternativa incorreta. A letra a) está expressa de forma literal no art. 1.143 do CC, representando o estabelecimento empresarial um objeto unitário. A letra b) está correta, conforme art. 1146 do CC. Já a letra c) está correta, nos termos do art. 1149 do CC. A letra d) é a nossa resposta, estando incorreta, devido ao fato de ser proibido o alienante fazer concorrência ao adquirente do estabelecimento pelo prazo de cinco anos, salvo autorização expressa (art. 1147). E a letra e), traz a definição de estabelecimento empresarial, conforme o art. 1142. 91. (FCC / ICMS-SP / 2013) Em relação aos gerentes dos estabelecimentos empresariais: I. Considera-se gerente o preposto permanente no exercício da empresa, na sede desta, ou em sucursal, filial ou agência. Curso de Direito Empresarial Teoria e Questões comentadas Prof. Wangney Ilco Prof.º Wangney Ilco 156 de 156 www.exponencialconcursos.com.br II. O gerente não pode estar em Juízo em nome do preponente, mesmo que pelas obrigações resultantes do exercício de sua função, por se tratar de capacidade exclusiva do representante legal do estabelecimento. III. O preponente responde com o gerente pelos atos que este pratique em seu próprio nome, mas à conta daquele. Está correto o que se afirma APENAS em a) I e III. b) I e II. c) I. d) II. e) III. Comentários I – Correta. Art. 1.172, CC. Literal. II – Incorreta. Art. 1.176, CC. O gerente pode sim estar em juízo em nome do preponente, pelas obrigações resultantes do exercício de suas funções. III – Correta. Art. 1.175. Literal. Gabarito: A 92. (FCC / Juiz-TJ-PE / 2013) No tocante ao estabelecimento e seus institutos complementares, é correto afirmar que b) preposto do estabelecimento pode negociar livremente por conta própria ou de terceiro, bem como participar de operação do mesmo gênero da que lhe foi cometida, salvo vedação expressa a respeito. Comentários O item está errado. Como vimos em um de nossos esquemas gráficos, o preposto só pode negociar livremente por conta própria ou de terceiro, bem como participar de operação do mesmo gênero da que lhe foi cometida, mediante AUTORIZAÇÃO EXPRESSA (art. 1.170). Logo, esta possível concorrência que o preposto venha oferecer ao seu preponente é exceção e deve ser expresso.