Prévia do material em texto
1 2 3 STELA LOPES SOARES TEORIA E PRÁTICA DE JOGOS, RECREAÇÃO E LAZER 1ª Edição Sobral/2017 4 5 Sumário Palavra do Professor autor Sobre o autor Ambientação à disciplina Trocando ideias com os autores Problematizando Unidade de Estudo I: O Lazer Conceituando Lazer Unidade de Estudo II: A Recreação Conhecendo a recreação Importância da recreação Se Apropriando do Campo da Recreação e Lazer O profissional que trabalha com recreação: O Recreador Unidade de Estudo III: O Jogo Compreendendo o Jogo Classificação dos Jogos Diferenças entre Recreação, Lazer e Jogo Unidade de Estudo IV: Jogos, Recreação e Lazer na Escola Algumas reflexões Dimensões do conteúdo na escola Sequência Didática de Jogos, Recreação e Lazer no Âmbito Escolar 6 Explicando melhor com a pesquisa Leitura Obrigatória Saiba mais Pesquisando na Internet Vendo com os olhos de ver Revisando Autoavaliação Bibliografia Bibliografia web Vídeos 7 Palavra da Professora autora Caros Estudantes sejam bem-vindos! A disciplina de Jogos Populares, Recreação e Lazer é de grande importância na vida do futuro Professor de Educação Física, pois nela teremos a oportunidade de conhecer um pouco sobre as particularidades dos Jogos, Recreação e Lazer na nossa sociedade, cada qual em seu campo de atuação. Então, entender sobre o assunto abordado é de grande responsabilidade, dedicação e interesse, pois a Educação a Distância exige mais de todas as partes envolvidas, tanto do estudante quanto do professor, tutor e de todos os papéis envolvidos, comparando-se à educação presencial. Para mim como professora é uma satisfação trabalhar com os Jogos, Recreação e Lazer, em virtude da relevância deste conteúdo para a Educação Física e para sociedade nos últimos tempos. Espero que o material elaborado auxilie na aprendizagem e na construção do conhecimento. Desejo sucesso na disciplina e no curso que está iniciando. E saiba que existe uma equipe trabalhando para bem atendê-lo e ajudá-lo com qualquer tipo de dúvidas que tiver. Não hesite em buscar ajuda e contatar-nos. Bons estudos! 8 Sobre a autora Stela Lopes Soares é Mestranda em Ensino na Saúde pela Universidade Estadual do Ceará – UECE. Especialista em Fisiologia do Exercício e Biomecânica do Movimento e Gerontologia pelo Centro Universitário – UNINTA. Docência no Ensino na Saúde pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e ainda em Saúde da Família pela Universidade Estadual Vale do Acaraú - UVA. Graduada em Educação Física pela UVA e em Fisioterapia pelo UNINTA. Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Física Escolar - GEPEFE pela UECE e do Laboratório de Pesquisa Social, Educação Transformadora e Saúde Coletiva – LABSUS pela UVA. Professora do curso de Educação Física na modalidade à Distância do UNINTA. . Vídeo de apresentação 9 Ambientação à disciplina Há muito se estudam as atividades de jogos, recreação e lazer. Dentre as temáticas que envolvem atividades prazerosas que devem fazer parte do seu cotidiano, mas não dominá-lo, isto é, o lazer é bem-vindo mas não pode ser o centro de sua vida. A disciplina de Jogos Populares, Recreação e Lazer espera dá uma visão geral sobre a recreação, lazer e jogos, pois suas atividades lúdicas e brincadeiras podem ser, também, um poderoso instrumento educacional. Quando falamos da educação para o lazer, recreação e jogos, se visa educar o cidadão para sua participação nas atividades. Então, neste material procuraremos abordar sobre o conceito de jogos populares, recreação e lazer, além de conhecimentos necessários para seu entendimento e sua aplicação teórico-prática no âmbito escolar. Também neste material, será ofertada a compreensão dos jogos populares, recreação e lazer, e sua aplicação na prática do professor de Educação Física associados às leituras complementares ao assunto. Além disso, a disciplina se propõe a auxiliá-los na busca mais aprofundada sobre o assunto, através da indicação da leitura dos livros, artigos e vídeos sugeridos no decorrer do estudo do material. GUIA DE ESTUDO Leia o artigo: http://www2.videolivraria.com.br/pdfs/24034.pdf a seguir faça um resumo crítico dos textos lidos, relatando o que neles é apresentado e estabeleça um diálogo com os autores tecendo sua compreensão acerca deste saber. 10 Trocando ideias com os autores Agora é o momento de trocar ideias com os autores indicados. É constante no mundo infantil de todas as culturas, sendo referência primordial para as discussões sobre criança e o seu desenvolvimento a discussão sobre a aplicabilidade dos Jogos, recreação e lazer na escola. Considerando que a utilização do jogo, da recreação e do lazer no processo de aprendizagem e desenvolvimento de habilidades cognitivas e corporais da criança e suas aplicações como recurso didático-pedagógico, principalmente nos primeiros anos escolares, têm sido defendidas constantemente por estudiosos da educação e da psicologia. No entanto, experiências práticas de forma sistematizada, fundamentadas em referências teóricas que apontam essa necessidade e possibilidade, quase não são conhecidas. Sugerimos a leitura dos Parâmetros Curriculares Nacionais: Terceiro e Quarto Ciclos do Ensino Fundamental. – Educação Física.. Você terá a oportunidade de aprender as orientações propostas pelos PCN’s que servirão de apoio às discussões e ao desenvolvimento do projeto educativo de sua escola, à reflexão sobre a prática pedagógica, ao planejamento de suas aulas, à análise e seleção de materiais didáticos e de recursos tecnológicos e, em especial, que possam contribuir para sua formação e atualização profissional. BRASL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: Educação Física / Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1998. : 11 Sugerimos que leia a obra Organização de Atividades de Lazer e Recreação. Voltado a profissionais que já atuem ou estejam interessados em atuar nesse ramo, apresenta o panorama do mercado de trabalho, bem como o perfil do profissional da área, discutindo as principais necessidades e os desafios para a formação. DIAS, Cleber; ISAYAMA, Hélder Ferreira. Organização de Atividades de Lazer e Recreação. Editora: Érica, 2014. GUIA DE ESTUDO: Nesse momento você é convidado para ler dois livros sobre o tema da disciplina. Leia as obras indicadas que estão abaixo indicadas; e faça um resumo comparativo entre o pensamento dos dois autores. E coloque o seu texto no fórum para compartilha com seus colegas. 12 Problematizando Considerando as expectativas da utilização das aprendizagens a respeito dos jogos, recreação e lazer, por professores de Educação Física escolar, ressignificar os jogos, recreação e lazer e assumir novos horizontes de aplicação didático-pedagógicos específicos para sua atuação como profissional da aprendizagem, é papel fundamental deste professor. Dessa forma, você como professor de Educação Física, como conscientizaria seus alunos em relação a relevância dessa temática no âmbito escolar? Leia mais a respeito da aplicabilidade destes saberes nas aulas de Educação Física em: Jogos e Brincadeira na Escola GUIA DE ESTUDO: Após a leitura faça um texto argumentativo respondendo como os jogos e brincadeiras podemser consideradas instrumentos de desenvolvimento e aprendizagem. 13 O LAZER 1 CONHECIMENTOS Conhecer os conceitos, características, assim como, as diferenças sobre o lazer. HABILIDADES Identificar conceituações básicas sobre o Lazer. ATITUDES Desenvolver uma postura ética sobre o lazer, em sua prática profissional 14 15 Conceituando Lazer Quando se fala em atitude sobre o tema lazer, devemos considerar o seu estilo de vida livre de um tempo estabelecido. Ainda, quando falar de tempo, este, deve ser liberado do trabalho, das obrigações sejam elas: sociais, familiares, religiosas, deve de fato, ser considerado o tempo livre. E quando se fala em lazer para você, o que vem a cabeça? É diversão? Satisfação? Existem prejulgamentos quando se aborda a diversão, pois muitos acreditam que se divertir é uma atividade somente das classes mais favorecidas. Como falar de diversão quando há tanta gente sem alimentação, sem moradia, sem condições de cuidar da sua própria saúde? É evidente que um ser humano sem muito poder aquisitivo não alcança ou tem problema no acesso a determinadas formas de lazer (que implicam em algum custo), mas existem organizações que se dedicam ao lúdico, apoiando programas e propostas com o intuito de melhorar/aumentar as possibilidades de diversão para os mais necessitados através de centros culturais, centros esportivos, etc. O lazer também conhecido como ócio, isto é, o tempo livre de uma pessoa, em que ela não trabalha ou, ao menos, não determina, sendo um tempo recreativo que um indivíduo pode organizar e usar da forma que bem lhe interessar. O lazer não só excluiu as obrigações laborais, mas também o tempo dispensado para realizar atividades como se alimentar ou dormir. Como falado acima, o lazer, denota geralmente, o descanso do trabalho. Dessa forma, ele se apresenta fora do horário laboral ou ainda no período de férias. É importante dar-lhe algum sentido (por exemplo, através da prática de algum esporte específico, da leitura, indo à uma praia, ou ainda, realizando um passeio), caso contrário, é provável que esse tempo livre acabe por se tornar uma insatisfação. 16 Já Requixa (1980) conceitua o lazer como “Ocupação não obrigatória, de livre escolha do indivíduo que a vive, e cujos valores propiciam condições de recuperação psicossomática e de desenvolvimento pessoal e social”. Essa definição concebe o lazer como tempo liberado das obrigações, constituindo-se no tempo residual de nossas vidas. Assim, podíamos chamá-lo de “tempo livre”. Marcellino (1987, p.29), afirma que o tempo não é “livre”, ou seja, “tempo algum pode ser considerado livre de repressões ou normas de comportamento social.” Esse autor propõe, então, o termo tempo disponível, porque é difícil pensar as vivências do ser humano desconectadas das influências de sua vida em sociedade. O conceito de amplamente difundido foi o proposto por Dumazedier (1979, p.12); apesar de sua importância para a área, apresenta um conjunto de questões que precisavam ser repensadas, pois o lazer deve ser considerado o conjunto de ocupações, às quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para repousar, seja para divertir-se e entreter-se ou ainda para desenvolver sua informação ou formação desinteressada, sua participação social voluntária ou sua livre capacidade criadora após livrar-se ou desembaraçar- -se das obrigações profissionais, familiares e sociais.” Em virtude do lazer ser visto como direito social, pela primeira vez no Brasil, com a Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, políticas de implementação do lazer e recreação começaram a surgir no país, por meio de políticas públicas. O governo passou, então, a se preocupar com as horas vagas dos trabalhadores. Repensando esse tema numa visão crítica, o lazer é como parte da vida gerada historicamente, da qual emergem valores questionadores da sociedade como um todo, e que também pode exercer influências na estrutura social vigente. 17 O lazer é definido também pela cultura compreendida no sentido mais amplo vivenciada no tempo disponível. Não se busca, pelo menos fundamentalmente, outra recompensa além da satisfação provocada pela situação. De acordo com as características e locais de atividades, o lazer é considerado de uma forma diferenciada. Desse modo, podemos destacar alguns tipos: ● Lazer escolar: acontece no momento de intervalo de aula, das aulas práticas de quaisquer disciplinas. Por exemplo: interclasses, show de talentos, festivais. ● Lazer doméstico: são as atividades de satisfação que podem ser realizadas dentro de casa e que provocam divertimento e comunicação Ex: assistir televisão, utilizar a internet, jogar videogame. ● Lazer turístico: incluem passeios e viagens de relaxar e conhecer novos ares, está intimamente relacionado a férias. Exemplo: excursões pelo país, viagens de avião, cruzeiros. ● Lazer trabalhista: é a atividade realizada em determinado tempo desocupado oferecido no local de trabalhador e realizaram estas atividades. Exemplo: assistir televisão, conversar com os outros funcionários tranquilamente, fazer ioga ou academia. Assim, após o entendimento sobre os tipos de lazer, refletimos que durante o desenvolvimento da nossa sociedade, observa-se que, exista uma atenção voltada a melhoria de qualidade de vida. Em virtude disso, tem a redução das horas de trabalho, valorizando o lazer social. O conceito de lazer surgiu a partir das tensões entre capital e trabalho, quando os sujeitos passaram a se preocupar com a ocupação do tempo livre de trabalho. Na década de 80, teve um impulso nos estudos sobre esta temática. Neste sentindo, o lazer atualmente está relacionado aos esportes, jogos, 18 brincadeiras, práticas culturais ou, simplesmente descanso. Por sua vez, a recreação seria uma forma do indivíduo satisfazer suas vontades e inquietações, relacionadas ao lazer, estando ligada à diversão, alegria e entretenimento. Dentre as principais características estão: espontaneidade, positividade, satisfação e criatividade. Em acordo com Dumazedier (1979), os primeiros estudos sobre lazer surgem nos Estados Unidos e na França, na década de 20 e 30, relacionando os fenômenos do lazer aos outros campos da realidade social. Entretanto, foi somente a partir da Segunda Guerra Mundial que a sociologia do lazer e um conjunto de pesquisas sobre o assunto se multiplicaram por outros países e passaram a se relacionar de modo mais frequente com outras áreas sociais, tais como: política, urbanismo, planejamento econômico, saúde e assistência social. Foi no ano de 1969, que o lazer se tornou institucional, a partir do seminário: “Seminário de 1969”, em São Paulo, com objetivos de promover uma análise crítica sobre as condições de lazer no Brasil. Na oportunidade, vários temas debatidos apresentaram diversos enfoques possíveis para a questão do lazer, sendo um progresso e um alarme para os diálogos sobre esta parte de nossa sociedade. Como principais resultados desse evento, destacou-se as seguintes questões: a identificação de um grande número de pessoas que atuavam no campo do lazer; a possibilidade de conhecer a produção teórica da área e a consequente troca de experiências; a ampliação da concepção de lazer, demonstrando a importantecontribuição da cidade de Porto Alegre (RS) para os campos de recreação e lazer, em setembro de 1973 foi criado o Centro de Estudos de Lazer e Recreação – CELAR, promoção conjunta da Pontíficia Univer - A importância da recreação e do lazer 15 cidade católica e da Prefeitura Municipal de Porto Alegre. O CELAR tinha como objetivo principal auxiliar na educação para o lazer, por meio da conscientização em novas dimensões, impostas pelo mundo 19 contemporâneo. Disseminando uma visão de recreação e de lazer presentes na época, o centro procurava formar uma mentalidade consciente sobre a importância do lazer e da formação de profissionais para programar e coordenar as atividades específicas de lazer, visando à saúde física e mental das comunidades. Apesar do pequeno tempo de existência (de 1973 a 1978), o CELAR teve grande contribuição na difusão dos conhecimentos, em âmbito nacional e internacional, sobre o lazer no Brasil. No contexto brasileiro, cabe destacar também as contribuições de duas instituições para a disseminação de propostas de “recreação e lazer”: Sesi (Serviço Social da Indústria) e o Sesc (Serviço Social do Comércio), pertencentes, respectivamente, aos segmentos do comércio e da indústria. Essas instituições tinham como foco principal a ação social e educacional por intermédio de diversos projetos, dentre os quais os de lazer e recreação, respaldados por dados internos de normas e diretrizes de ação. O aporte dessas instituições é indiscutível, os objetivos traçados vislumbravam o exercício da participação da comunidade. No entanto, ao efetuar análises sobre os projetos e as ações entre o Sesi e Sesc, acredita-se que a participação se resumia ao oferecimento de atividades de lazer como bens residuais, a partir da hegemonia de determinados grupos sociais. Não havia preocupação com a participação mais efetiva no processo de distribuição de renda e de bens sociais, como se não existissem, também, diferenças de classes sociais, raças, etnias, credos, gêneros. Com a vinda ao Brasil do sociólogo francês Joffre Dumazedier, no fim da década de 70, impulsionou-se para o desenvolvimento da sociologia do lazer no País. Essa época foi apontada pelo estímulo a troca de ideias e pesquisas empíricas sobre o lazer, concretizando em inúmeros encontros e cursos, organizados principalmente pelos técnicos que atuavam no Sesc/São Paulo. 20 É importante ressaltar que, ainda hoje, o trabalho de Dumazedier influencia no desenvolvimento dos campos de estudos sobre o lazer em nosso país. Essa produção sobre o lazer dos anos 70 auxiliou no desenvolvimento de novos instrumentos, mais precisos e diversificados, de descrição, avaliação, cálculo e organização dos “usos do tempo livre”, e é nela que se ratificam esforços mais amplos para transformar o nosso meio sociocultural. Referenciando Dumazedier (1979), trazem-se as características fundamentais para o entendimento do lazer: 1. Modo desinteressado – não sendo caracterizado como um fim especifico, profissional, utilitário, material, social e político; 2. Modo libertário – quando entendido como a liberação das obrigações profissionais, familiares, sócio espirituais e sociopolíticas, resultante de uma livre escolha do sujeito; 3. Modo hedonístico – quando por meio dele, se procura o prazer e por isso, o hedonismo representa o seu motivo principal; 4. Modo pessoal – representa divertimento e desenvolvimento pessoal e social do lazer respondem às necessidades do indivíduo perante o conjunto de rígidas obrigações impostas pela sociedade. Ainda o mesmo autor acima citado, apresenta 4 pontos que devem ser considerados para a caracterização do lazer: 1. ”Tempo privilegiado para a vivência de valores que contribuam para mudanças de ordem moral e cultural”; 2. “Cultura vivenciada no ‘tempo disponível’ das obrigações profissionais, escolares, familiares e sociais, combinando os aspectos tempo e atitude”; 3. “Fenômeno gerado historicamente e do qual emergem valores questionadores da sociedade como um todo e sobre o qual são exercidas influências da estrutura social vigente”; 21 4. “Portador de um duplo aspecto educativo, veículo e objeto de educação”. Na mesma direção, Gomes (2004, p. 125) entende o lazer como: “Uma dimensão da cultura constituída por meio da vivência lúdica de manifestações culturais em um tempo/espaço conquistado pelo sujeito ou grupo social, estabelecendo relações dialéticas com as necessidades, os deveres e as obrigações, especialmente com o trabalho produtivo”. 5. Os elementos que estão interligados ao lazer – tempo, espaço-lugar, ações/atitude e manifestações culturais. Estes dados são enraizados no lúdico, e, mesmo passíveis de força e intervenção do contexto, bem como não adquirem caráter de obrigação e não são vistos como um conjunto de ocupações a serem cumpridas. Existem quatro elementos que expressam um exercício coletivamente construído, no qual os sujeitos se envolvem em função dos seus desejos. A disponibilidade de tempo significa a possibilidade de opção pela atividade prática ou contemplativa. O conceito apresentado por Marcellino aponta a cultura como um objetivo principal do lazer. Entretanto, o autor afirma que é preciso romper com a compreensão reduzida da cultura, relacionando-a principalmente às artes e espetáculos e ao volume de conhecimento adquirido pelos sujeitos. Em outra sociedade, ainda que não seja possível visualizá-la em um momento próximo, o trabalho não deverá ser visualizado como um “fardo”, mas como uma possibilidade dotada de sentido, já que a distribuição igualitária e justa de seu produto social poderá ser assegurada com o fim da propriedade privada sobre os meios de produção. Neste outro projeto de sociedade, o tempo livre, e consequentemente o lazer, será destinado ao desenvolvimento físico e intelectual do homem com fim em si mesmo. Melo e Alves Junior (2003) procuram definir as atividades de lazer pela conjunção de dois parâmetros: um mais objetivo, de caráter social (o tempo), e 22 outro mais subjetivo, de caráter individual (o prazer). Os autores apresentam alguns indicadores que auxiliam no entendimento do conceito de lazer: As atividades de lazer são vivências culturais, amplamente, que englobam os diferentes interesses humanos, podendo não ser realizadas no tempo livre das obrigações domésticas, profissionais, familiares, religiosas e ainda da parte fisiológica. Isso não significa que não há obrigações nos momentos de lazer. Então, é importante observar, que nem toda a atitude realizada fora do tempo de trabalho ou de necessidades básicas vitais é lazer, pois para ser considerada como tal, tem que apresentar o componente lúdico. Um exemplo é ir a uma festa a qual não se tem vontade, porém se decide por ir apenas por obrigação, o que se chama de obrigações sociais. Exemplos similares podem ser: ida a um velório, compras do dia a dia, dentre outros. 23 A RECREAÇÃO 2 CONHECIMENTOS Conhecer os conceitos, características, assim como, as diferenças sobre o recreação HABILIDADES Identificar conceituações básicas sobre a Recreação. ATITUDES Desenvolver uma postura ética sobre a temática recreação, em sua prática profissional 24 25 Conhecendoa recreação A recreação simboliza a possibilidade de alinhar o lazer, se tornando o responsável pela estabilidade da sociedade para enfrentamento dos problemas que surgiram em virtude das mudanças e da globalização pelo qual o mundo passou. A palavra recreação é derivada do latim recreatio (divertimento), sendo emanada do vocábulo recreare, com o significado de reproduzir, restabelecer, recuperar. Nesse aspecto, destaca-se a ideia de que o objetivo da recreação era a recuperação designada ao trabalho, conceito este não utilizado nos dias de hoje. De acordo com Rousseau (1712-1771) recreação é o livre-arbítrio da criança, em que estes, podem escolher se querem ou não ficar em uma atividade e, além disso, não chamar atenção quando escolherem permanecer no que estão realizando, contradizendo a sua orientação. A educação dessa forma deve ser libertária, sendo necessária a liberdade para correr, pular, gritar, dançar, se essa for sua vontade. Outro conceito de recreação une o lazer e o jogo, contudo ela como prática e conduta característica do jogo estão presentes no lazer. Sendo um componente observado em uma composição do lazer. Nesse sentido, todas as referências de lazer reúnem naturalmente o jogo e consequentemente, a recreação. A recreação é importante para o ser humano não só para a criança. Logo, as atividades recreativas devem ser criativas e prazerosas, devendo ser espontâneas, reduzindo as preocupações do dia-a-dia. A recreação dessa forma é entendida como toda atividade espontânea, divertida e criadora, em que as pessoas promovam sua participação individual 26 e coletiva em ações que aprimorem a qualidade de vida, nos aspectos psicológicos, físicos, sociais e afetivos, visando à saúde integral do indivíduo. Atualmente, vê-se a recreação como a reprodução de jogos e brincadeiras, tal fato ocorre por motivo de sua tradição histórica e cultural na sociedade, sendo disseminada pelos aspectos técnico-operacionais, em contraposição à outros. Apesar das críticas efetuadas sobre a tradicional visão da recreação, ressaltamos a importância de diferentes práticas culturais espalhadas para a compreensão de seu processo de construção. Pensa-se, no entanto, que seja necessário buscar um entendimento amplificado por meio dessas práticas, através da análise dos significados culturais, pedagógicos e sociais, reunidos em nosso atual contexto de trabalho. Desta forma, a recreação fora ofertada como um meio para organizar o tempo do lazer dos trabalhadores, reduzindo os riscos que supostamente eram causados pela ociosidade, como o vandalismo, a banalidade e, principalmente, o risco de reivindicações. A oferta da recreação representava, naquele momento, uma relação direta com a satisfação e o descanso dos trabalhadores, culminando no aumento da produção - trabalhador descansado trabalhava mais e reclamava menos. Isso justificou maiores investimentos no lazer e recreação dos trabalhadores, uma vez que o Estado bem como o empresariado, de forma geral, visualizaram benefícios com a oferta da recreação, refletindo em investimentos nesse setor, para toda sociedade. Segundo Dumazedier (1975), a recreação é considerada como um dos papeis do lazer. Esse papel por meio do divertimento está pautado com outros focos, construção do lazer, e norteada para o desenvolvimento do sujeito por si mesmo. Tem-se que o entendimento de que a recreação não pode mais ser pensada apenas como uma atividade sem importância, e sim ofertando uma 27 visão ampla, sendo uma possibilidade de lazer, intimamente atrelada ao trabalho do homem sobre a sociedade. Compõe-se, assim, num espaço distinto para o desenvolvimento coletivo de novos conhecimentos e, ainda, em possibilidade de influenciar educadores mais implicados com as mudanças imprescindíveis para o aparecimento de uma sociedade pautada em valores humanísticos. Nesse sentido, a recreação deve ser considerada um meio de conhecer o contexto do meio em que se insere, criar, descrever, explorar e recriar, e praticar. Além de poder mostrar outro formato sob outro ponto de vista de uma realidade. É interessante dizer que o planejamento é fundamental para que aconteça uma programação efetiva. Como exemplo do que estamos falando, temos os jogos em grupo por meio da consciência coletiva, procuram entre si escolher uma tática. Desse modo, temos como objetivos da recreação: gastar energia, apreender algo, relaxar, instruir, comunicar-se, melhora das relações entre pessoas, por meio dela, mostrar o papel da realidade. Esta por sua vez deve possuir regras claras e ter função educativa, antes de começar o jogo deve-se fazer uma narrativa minuciosa. Podemos reconhecer na recreação outra possibilidade diferente da que vem sendo construída historicamente no atual cenário, sendo percebida uma maneira de reflexão e de interação consciente com a nossa realidade, o que nos pode auxiliar no encaminhamento de mudanças. É nesse sentido que acredito no trabalho com a recreação, compreendendo-a como a recriação que inclui o divertimento, mas não de uma forma alienada e dominadora e sim numa perspectiva de educação inovadora, que permita a criação e a recriação. É importante ressaltar que ainda tem poucos documentos sobre o assunto recreação, carecendo de estudos voltados para vivências críticas e criativas, com sensibilidade e com as adaptações que se fizerem necessárias para os diferentes sujeitos e os grupos sociais envolvidos. 28 Por isso, a participação de profissionais de Educação Física na orientação dessas práticas é fundamental. Recrear-se sem a preocupação com o caráter competitivo por meio das diversas atividades recreativas e de lazer, através dos jogos cooperativos, com ênfase na coletividade, cooperação, união além do prazer internalizado na prática dos jogos, é uma estratégia válida para a efetividade dessas práticas. Por fim, deve-se entender que a recreação não é necessariamente uma atividade, e sim uma atitude ou circunstância. Importância da recreação Em todas as fases do desenvolvimento humano, faz-se necessário trabalhar a recreação, pois, por meio dela, surgem os diferentes valores necessários para cada idade. Nesse sentido, para as crianças e os adolescentes, a recreação (jogos e brincadeiras) é pedagógica, buscando a educação por meio do estímulo a prática, além do estudo prazeroso. A recreação favorece a aprendizagem da criança, dá subsídios para o enfrentamento dos conflitos, contribuindo para o estímulo dos aspectos cognitivo, emocional e social, permitindo o erro e o acerto, a autonomia, construindo sua base de conhecimento. No lúdico não há erro e sim criação. A recreação é uma ferramenta fundamental na mediação do conhecimento, contudo, estimula a criança enquanto trabalha com material concreto, isto é, tudo que ela consiga manipular, reorganizar, refletir; por meio dela, a aprendizagem acontece com uma maior facilidade e ânimo, pois ela aprende sem perceber e brincando. O brincar fomenta as dinâmicas das relações sociais dentro de sala de aula, consolidando o vínculo entre o professor que ensina e o aluno está a aprender. Por meio da recreação a criança consegue construir sua identidade. Diversas situações do imaginário infantil estão presentes na realidade cotidiana, assim, a criança aprende a respeitar as regras e compreende os limites, além dos papeis de cada pessoa na vida cotidiana. 29 As atividades recreativas proporcionam a passagem de um papel passivo para o ativo, reduzindo o efeitofrustrante de uma atividade mal sucedida, deixando o indivíduo mais preparado para ser submetido novamente ao papel passivo, quando necessário. Esse caso, na maioria das vezes, representa o efeito benéfico da brincadeira. Para vários autores, a recreação significa alegria e contentamento na realização de algo. Ela representa uma prática livre e espontânea, na qual o interesse se mantem por si só, tanto é que na maioria das vezes, as crianças nem sentem vontade de parar a brincadeira. Nesse sentido, a recreação tem como objetivo relaxar, gastar energia, aprender, instruir, promover a comunicação, melhorando assim as relações humanas. A recreação é uma diversão típica da infância, sendo natural nesta fase, não implicando no compromisso, planejamento. Portanto, por meio da prática recreativa a criança se diverte, faz exercícios, constrói conhecimentos e se desenvolve no seu contexto social, por meio das relações com seus colegas. Através dessa atividade, a criança é capaz de desenvolver o pensamento, a linguagem, a socialização, a atitude e a autoestima, se antecipando para ser um cidadão, enfrentando desafios e colaborando para a construção de um mundo mais desenvolvido. No processo ensino e aprendizagem, a recreação ajuda no desenvolvimento psicomotor e na motricidade fina, do mesmo modo que no desenvolvimento de habilidades tais como: a imaginação, a tomada de decisão, interpretação, a criatividade, dentre muitos outros fatores. A inserção e utilização da recreação na prática pedagógica é uma realidade que se confere ao professor, pois essas atividades não devem ser exploradas apenas como lazer, mas também como elementos enriquecedores para gerar a aprendizagem. 30 Nesse sentido professores precisam estar cientes de que a brincadeira é necessária e que traz enormes contribuições para o desenvolvimento da habilidade de aprender e pensar. Através das atividades recreativas o conhecimento infantil evoluciona. Ao atuar sobre objetos as crianças organizam seu ambiente de espaço, sendo motivadas a usar a inteligência através da competitividade dentro do jogo, superando os obstáculos emocionais e cognitivos. Dessa forma, o jogo não é apenas um passatempo, mas sim um método que é exigido naturalmente pelo próprio organismo e deve ser fortalecido dentro do currículo básico da educação escolar. Embora seja explícito o lado positivo da recreação na educação, diversos professores não notam a relevância deste método. Para entender melhor este meio, é necessário que o educador se envolva profundamente no processo de ensino, compreendendo os jogos, brincadeiras e os brinquedos a partir da educação infantil. Os diálogos sobre a influência dos jogos e das brincadeiras dentro da educação vêm se firmando, tal fato ocorre pelo desenvolvimento da capacidade de raciocínio e das soluções de situações-problema. Além do desenvolvimento social do aluno que possui dificuldades de se relacionar com os demais, seja por insegurança ou timidez. Através da aplicação dos jogos surge a oportunidade de troca de experiências e a consequente socialização desta criança. Se Apropriando do Campo da Recreação e Lazer O entendimento sobre a recreação e o lazer demandam conhecer como estes componentes se configuraram na nossa sociedade. Basta ver que a institucionalização do lazer acontece por intermédio de valores específicos, significações e outros fatores relacionados à Revolução Industrial, tornando o 31 lazer um contexto próprio, com peculiaridades específicas e contornos mais definidos, capazes de diferenciar e até mesmo de contrapor o mesmo. Ao lazer, do mesmo modo que à recreação, frequentemente, conferem- se sentidos de consumo, entretenimento e produtividade. Essa compreensão possui raízes na historicidade dos termos, desde a instituição do lazer como direito social e o surgimento das práticas de recreação ofertadas pelo governo para entreter, descansar e recuperar os trabalhadores; até o desenvolvimento destas práticas no decorrer dos séculos. Como dito anteriormente, o lazer deve ser considerado o estado de espírito em que uma pessoa se encontra, no seu tempo livre, em busca do lúdico, a diversão, alegria e o entretenimento. Já a recreação, é o momento ou a circunstância que o indivíduo escolhe espontaneamente o que satisfaz suas vontades e perspectivas relacionadas ao seu lazer. Para que se possa compreender um pouco dessa diferença, fala-se sobre a definição de Tempo Total de uma pessoa, em que, se divide em três partes, não necessariamente com a mesma duração, dependendo da prioridade de cada um. A diferença entre recreação e lazer está no nível de obrigação. No lazer, pode-se optar com maior facilidade pelo o que se deseja fazer e em qual momento. Os participantes procuram as atividades de lazer tendo como referência o prazer que permitem, apesar de que nem sempre isso ocorra e embora o prazer não deva ser compreendido como exclusividade das possibilidades de lazer. Os conceitos de Recreação e de Lazer convivem em nossa realidade sem maiores julgamentos sobre os seus significados. Enquanto o termo recreação é influência da perspectiva norte-americana sobre o assunto, o lazer 32 surge a partir da influência dos estudos europeus. Essa dupla denominação está presente em nossos dias atuais e em geral utiliza-se a recreação para designar o conjunto de atividades, e o lazer para abordar o fenômeno cultural. Alguns autores identificam distinções mais apresentadas entre os termos. A associação entre os termos recreação e lazer vem gerando questionamentos no que se refere aos seus significados, às especificidade e à abrangência, conforme destaca Gomes (2006). E por isso, é importante entender o percurso histórico desses dois fenômenos sociais para promover um avanço qualitativo no campo de estudos e intervenções do lazer A importância da recreação e do lazer se dá por intermédio de alguns pontos básicos: organização da sociedade, os direitos fundamentais, o planejamento do processo educativo; a cultura, como processo de identificação comunitária. O profissional que trabalha com recreação: O Recreador O campo do lazer apresenta o profissional que irá trabalhar com este segmento, inúmeras tendências de atuação, como parques temáticos, empresas e o ecoturismo, este profissional é o Recreador. De acordo com a Classificação Brasileira de Ocupações – CBO, o Recreador é uma pessoa gentil e organizada, que irá ser monitor de Esportes, Lazer, Recreação Infantil, Recreacionista, promovendo atividades recreativas diversas, buscando ao entretenimento, a socialização, o desenvolvimento pessoal dos participantes das atividades. Para tanto, elaboram projetos e executam atividades recreativas; estimulando a participação, criam atividades recreativas e coordenam setores de recreação, administram equipamentos e materiais para recreação. As atividades são desenvolvidas segundo normas de segurança. 33 As áreas de atuação do recreador podem ser: megaeventos esportivos, escolas, cruzeiros marítimos, esportes e atividades de aventura, clubes, hospitais, associações filantrópicas, acampamentos, buffets e casa de festas, meios de hospedagem: pousadas, hotéis e resorts, shows e espetáculos culturais, ruas e espaços públicos, e outros. Dessa forma, o recreador irá desenvolver e controlar atividades recreativas em diferentes locais. Soma-se às áreas de atuação citada, onde o profissional de Educação Física pode atuar de diversas maneiras, desde monitor/recreadoraté supervisor/coordenador, as oportunidades empreendedoras, onde o profissional torna-se um empresário, dono de um negócio, voltado para a área do lazer, recreação e entretenimento. O Recreador não pode se limitar apenas em profissionais da Educação Física, do Turismo ou da Pedagogia e não podemos acreditar que a formação concebida em tais cursos superiores são suficientes para forma profissionais de qualidade para atuar com um mercado tão complexo e de tantas habilidades necessárias. Recreador é aquele facilitador de possibilidades em busca de um bem estar que pode ser social, físico, turístico, artístico e virtual. Esse bem estar são ligado aos interesses culturais do lazer trazidos por especialista como Jofre Dumazedier, Nelson Carvalho Marcellino, Luiz Octavio de Camargo e Gisele Shwarts. Sendo assim, um conhecimento teórico das ações destes profissionais, favorecem para que o recreador entenda sua real importância, pois ser recreador não é, apenas, vestir uma roupa engraçada e fazer uma brincadeira com crianças, é saber sensibilizar as pessoas e ainda observar o que as pessoas precisam, como podemos auxiliá-las em busca de um bem-estar. 34 35 O JOGO 3 CONHECIMENTOS Conhecer os conceitos, características, assim como, as diferenças sobre os jogos. HABILIDADES Identificar conceituações básicas sobre os Jogos. ATITUDES Desenvolver uma postura ética sobre a temática jogos, em sua prática profissional 36 37 Compreendendo o JOGO Na tentativa de valorizar os jogos, concomitante a Educação Física, tornando a disciplina menos excludente, universal e plural, deve-se entender que o jogo não é apenas uma disputa, nem tão pouco os esportes que são realizados atualmente, denotam a concorrência e egoísmo presente em nossa sociedade. Este tipo de atividade esportiva, reproduz o legítimo modelo social: onde os mais fortes se sobressai sobre os mais fracos. O que importa é vencer a todo custo, sejam quais forem os meios para se alcançar à vitória. A palavra jogo é originária do latim ludus, que significa brincadeira, brinquedo, diversão, com regras. Sendo um recurso apropriado para promover um espaço prazeroso, permitindo a aprendizagem de aptidões, pois é uma atividade compreensível, carente e duvidosa, conduzida por regras previamente definidas. Definir jogo não é fácil, de acordo Huizinga (1938) é uma atividade espontânea, desempenhada dentro de determinados tempo e espaço, seguindo regras livremente permitidas, mas obrigatórias, dotadas de um fim, acompanhado de alegria e consciência. De acordo com Araújo (1992, p.18) o jogo é derivado de ficção e tem por função favorecer ao indivíduo executar. Nos conceitos estudados, os jogos são atividades que os participantes possuem uma maneira formal de proceder e estão sujeitos a regras. Se direcionados e conduzidos de maneira adequada, favorecem momentos de confraternização, participação e integração, aliviando o cansaço físico e mental. Favorece aos participantes entendimentos das expressões como jogar, busca pela vitória, cooperação, aceitação da derrota e equilíbrio durante a realização das atividades, com os adversários de jogo ou companheiros. Assim, o 1º filósofo acadêmico a definir jogos em 1989, foi Ludwig Wittigenstein, por intermédio da criação do termo: “Jogos de linguagem”, 38 entendendo que o jogo não tem uma definição única, mas é um conjunto de definições que compartilham características entre si. Pode-se comprovar que os jogos estão na humanidade desde 2600 a.C, tal informação se deve aos achados da arqueologia. Desse feito, tem-se que na pré-história os jogos estavam presentes como forma de lazer e de atividades cotidianas, além de servir como instrumento para passar herança cultural e conhecimentos entre as gerações. Já na Idade Média, as práticas dos jogos no âmbito escolar foram combatidas pela Igreja. No Renascimento a Pedagogia Moderna, que estava baseada na participação lúdica e afetiva do aluno, mostra a importância do jogo no processo de ensino – aprendizagem. Então atualmente, o jogo tem diferentes funções tais como: sentimentos, lazer e emoções e ainda educacional. Desse modo, as características principais dos jogos são a(o): repetição, dinamismo e criatividade; espaço limitado; não busca resultados, existem regras (que auxiliam no processo de interação social); estimulando a imaginação, autoafirmação e autonomia, sendo uma atividade que proporciona prazer e satisfação; voluntário e desejado; - ajuda a desenvolver, as faculdades psíquicas, físicas e serve para conhecer as próprias limitações; possibilita as relações de hierarquização entre crianças e adultos; é um meio terapêutico de libertação de tensões psíquicas e retorna ao equilíbrio. Assim, o jogo é toda atividade em que as regras são construídas em um espaço demarcado ou imediato, normalmente praticadas com fins recreativos e as vezes, como instrumento educativo. Os alunos que tenham dificuldades em aprender podem se utilizar do jogo como meio facilitador na compreensão dos diferentes conteúdos pedagógicos. 39 Referenciando Piaget, a atividade lúdica é a originária das atividades intelectuais da criança, não sendo um passatempo e sim um meio de proporcionar o desenvolvimento infantil. Para Vygotsky é por meio da brincadeira que a criança tem o comportamento habitual de sua idade. Assim as crianças vão crescendo e se desenvolvendo emocional e cognitivamente, então, elas começam a colocar outras pessoas em suas brincadeiras, e vai percebendo a presença do outro, respeitando as regras e os limites. Por meio de brincadeiras, como o faz de conta, o jogo simbólico, a vivência de papeis, criando e recriando situações agradáveis ou não; a criança pode realizar atividades próprias do mundo adulto. Dessa maneira, quando uma criança se mostra capaz de seguir uma regra, nota-se que seu relacionamento com outras crianças e até mesmo com adultos é aprimorado, sustentando a ideia de que os jogos influenciam no processo de aprendizagem das crianças, ainda que algumas caminhem de forma mais rápida e outras, de forma mais devagar. Jogando, as crianças podem colocar desafios e questões para serem por elas mesmas resolvidas, dando margem para que criem hipóteses de soluções para os problemas colocados. Isso acontece porque o pensamento da criança evolui a partir de suas ações. Assim, por meio do jogo o indivíduo pode brincar naturalmente, testar hipóteses, explorar toda a sua espontaneidade criativa. Os jogos não são apenas uma forma de divertimento: são maneiras de desenvolvimento intelectual. Assim, por meio dos jogos e das brincadeiras, a criança estimula o raciocínio, melhorando geralmente a parte cognitiva e conduz o seu conhecimento de forma descontraída e espontânea: no jogar, ela constrói um espaço de experimentação, de transição entre o mundo interno e externo. 40 As possibilidades não se limitam a estas, servindo ainda para agilizar a astúcia e o talento, estabelecer e revisar valores e estimular as habilidades manuais. Além disso, os jogos não podem ser tidos apenas como uma fonte de aprendizado para os alunos, mas também para professores e pais, pois quando se trata da educação formal, os jogos podemajudar a incentivar o respeito às demais pessoas e culturas, estimular a melhor aceitação de regras, agilizar o raciocínio verbal, numérico, visual e abstrato e, por último, mas não necessariamente o fim, possibilitar ao aluno o aprendizado acerca da resolução de problemas ou dificuldades, estimulando-o a procurar alternativas. O jogo é essencial para o desenvolvimento físico, cognitivo e social da criança, ajudando na construção do seu conhecimento e socialização, sendo um poderoso meio educacional, trabalhando a autoestima e aumentando os conhecimentos da criança, quando utilizados com objetivos definidos. Todavia, é importante que o professor busque a ampliação de seus conhecimentos sobre o jogo e que o utilize mais e com técnicas, possibilitando o desenvolvimento integral dos alunos. Vale ressaltar que quanto mais o adulto vivenciar o jogo, maior será a chance desse profissional trabalhar com a criança de forma prazerosa. Isto é, os jogos proporcionam ao professor conhecer a si mesmo e ainda, observar dificuldades e potencialidades, visando o desenvolvimento da criança, adolescente e adulto. Logo, um dos motivos que denotam a importância dos jogos é o desafio que eles provocam no aluno, o que gera interesse e satisfação. Portanto, é importante que a criança descubra espontaneamente o jogo, independente de qual será o resultado final. Deve-se limitar a sugerir, explicar, estimular, sem impor nossa forma de agir para que a criança aprenda descobrindo e compreendendo, e não pela imitação. Ao professor, cabe analisar e avaliar a potencialidade educativa dos diferentes jogos, permitindo assim uma prática pedagógica mais inclusiva. 41 Por último, vale ressaltar que os profissionais, ligados ou não a áreas educacionais, não estão aproveitando as situações prazerosas que os jogos e brincadeiras lhes dão. Tais profissionais se esquecem de que os jogos e as brincadeiras são considerados excelentes auxiliares para fornecer limites, estabelecer liberdade, conviver com regras, tornar-se um cidadão. O jogo é entendido como sendo mais simples que a brincadeira, pois compreende-se que ele, é parte integrante do homem, pois através deles foi possível o desenvolvimento de habilidades cognitivas, de resolução de problemas, fabricando ferramentas, de afetividade, socialização e de utilização do corpo como instrumento de construção e mudança do meio ambiente em que se encontra. As diferentes culturas que habitaram o planeta e determinaram oscaminhos que nos trouxeram ao que conhecemos hoje como civilização nos dão conta através de manuscritos, pinturas e varias outras formas encontradas através dos estudos arqueológicos que o homem primitivo e seus descendentes desenvolveram os mais variados tipos de jogos. Os jogos não tem origem definida, pois muitos deles surgiram em tempo remotos ou simplesmente do conhecimento popular. Os vários tipos de jogos conhecidos hoje surgiram e evoluíram juntamente com o desenvolvimento do conhecimento do homem sobre como sobreviver e tirar proveito dos recursos oferecidos pela natureza. O desejo de jogar estimula as crianças a descobrir, manipular, observar e interpretar o mundo que as rodeia. Através do jogo aprendem a se relacionar, a exercitar as suas capacidades, conhecer o seu próprio corpo, desenvolvimento de personalidade e a encontrar um lugar na comunidade. Para Piaget, o jogo auxilia na construção do conhecimento, ou seja, é um fato inato e responde à necessidade da atividade, que por sua vez proporciona a aprendizagem. Em resumo, o jogo é uma atividade idealizada, pedagógica que adquire uma dimensão central no tempo de lazer e livre. 42 Classificação dos Jogos O entendimento de jogo está associado ao brinquedo (que é o objeto) e à brincadeira (o ato de entreter-se). Existe uma variação de jogos e para entendermos melhor essa alteração, devemos compreender que o jogo é uma atividade mais estruturada, com regras mais explícitas, que pode ser praticado por crianças e adultos, enquanto que o brinquedo tem uma agregação mais exclusiva com o universo infantil. Desta forma, existem distintos tipos de jogos, como: jogos de salão, esportizados, populares, de regras, construção, faz-de-conta, entre outros. Vejamos abaixo os conceitos de alguns dos jogos: Jogos Faz-de-conta: conhecidos também como jogos simbólicos, possui uma acentuada importância na formação social das crianças, onde através da imitação, podem compreender a diferença entre o outro, resultando em uma aproximação do brincar da realidade vivida dentro ou fora do ambiente escolar. São exemplos de representações dos jogos de faz-de-conta a crição de papéis como, médico, manicure; brincadeiras de escolinha, onde a criança pode assumir diversos papéis; brincadeiras de teatro, mímica, fantoches. Os Jogos de Ficção: relaciona-se com o popular “faz de conta”, ou seja uma situação imaginária. Nesses jogos, a criança poderá imitar situações, papéis do seu dia a dia, como, imitar os adultos, brincar de imitar a escolinha, entre outros. Jogos de Fabricação: a criança poderá se distrair com atividades criadas, combinadas e transformadas manualmente. Estes jogos possuem causa ou consequência com o de ficção, podendo se confundir com a semelhança. São exemplos, quando a criança cria e improvisa o seu brinquedo, esses brinquedos serão vindos, na maioria de vida fictícia. 43 Jogos de Aquisição: acontece quando a criança possui sua atenção para as atividades ou objetos, observa, procura entender, imitar os gestos, os sons, imagens. Esta atividade possui uma relação com capacidade de olhar, escutar, fazer esforços que possibilitem a compreensão. Jogos Funcionais: realizam movimentos simples com o corpo, por meio dos sentidos. A criança desenvolverá o prazer em realizar funções, tendo em vista colocar em prática as aprendizagens adquiridas pela evolução da motricidade. Essas atividades são caracterizadas como, por exemplo, quando a criança ao realizar uma atividade agradável, ela tende a repetir buscando o prazer através da repetição. Exemplos: produzir ruídos e sons, mover os dedos, tocar objetos, dobrar os braços ou as pernas, entre outras. Jogos Cooperativos: priorizam a participação, o desafio e a diversão. Acontece por meio de dinâmica de grupos e tem como propósito o estímulo da consciência de cooperação e promover efetivamente a ajuda entre as pessoas. O objetivo principal destes jogos é proporcionar um jogo cooperativo e divertido ao invés de uma competição. Jogos de Construção: são elaborados utilizando objetos e materiais alternativos como sucatas, por exemplo, e criam novos produtos. Esses jogos podem ser considerados como uma etapa de passagem entre os jogos faz-de- conta (os jogos simbólicos) para os jogos de regra (jogos sociais). Tem como objetivo fazer como que os jogadores desenvolvam sua criatividade e a capacidade de elaboração e expressão, além de entenderem a importância da reciclagem. Jogos de Regras: é caracterizado pela existência de um composto de leis imposto pelo grupo, conhecido popularmente como regras, onde seu descumprimento ocasiona-se em uma penalização (variando de modalidade). Tais brincadeiras trabalham os aspectos motores-exploratórios (movimento corporal e sensações) e/ou os aspectos intelectuais, com competição dos jogadores e regras pré-estabelecidas. 44 Os Jogos Eletrônicos: são resultados dos avanços tecnológicos das ultimas décadas, como o videogame. Tem como principal característica o desenvolvimento de várias habilidades cognitivas do jogador, partindo de habilidades mais simples, até os raciocínios mais elaborados, como o desenvolvimento da capacidade de tomada de decisão e avaliação. Quando a criança joga esse tipo jogo, são trabalhados algumas técnicas de raciocínio rápido, agilidade, coordenação motora e alguns possibilitam até os aspectos sociais, características que também são trabalhadas na escola. Os Jogos de Aventura: possui relação com os jogos eletrônicos. Envolvem cenários e história que levam a explorar mundos, resolver enigmas e montar quebra-cabeças. Os Jogos de Ação: são baseados em histórias com muita agitação. Possui grande ligação com o desenvolvimento dos jogos eletrônicos que vem evoluindo bastante desde 1980. Os Jogos de Salão: são os jogos em que o jogador compreende menos energia por parte do movimento corporal. São realizados em ambientes fechados, como salas, salões, e são usados tabuleiros e pequenas peças que possam representar os jogadores. Suas regras podem ser pré-determinadas. Os Jogos Esportivizados: são caracterizados por modalidades esportivas. Suas regras podem ser alteradas em modalidades como: tênisbol, futebol de cadeira, volençol, 10 passes, câmbio, etc. Os Jogos de Cartas: são utilizados cartas de baralho como instrumento primordial para que o jogo seja realizado. Possui regras definidas em alguns tipos de jogos, porém surgiram no meio popular e por isso variam de local para local de acordo com a cultura, pessoa e etc. Os Jogos Esportivos ou Desportivos: são atrativos e são os preferidos por todos, principalmente os que possuem prática tradicional em 45 todos os países. Em geral são jogos com bola ou outro elemento que atrai a atenção dos praticantes. Os Jogos Populares: são brincadeiras tradicionais ou também conhecidas como jogos de rua. Nestes tipos de jogos, não existem regras fixas, elas podem ser criadas pelo grupo que está brincando e modificadas sempre que necessário. Não necessitam de materiais, instrumentos mais sofisticados. Sua origem está na cultura popular. Alguns dos jogos populares são: Amarelinha, queimada, rouba bandeira, boca-de-forno, mãe da rua, chuta lata, manchete, tacobol, etc. Os jogos são interessantíssimos e despertam o interesse de qualquer pessoa a participar. Para as crianças, são excelentes formas de divertir, entreter e pode ser uma importante característica para auxiliar em seu desenvolvimento físico e mental. Os jogos podem proporcionaruma melhor qualidade de vida aos jogadores. Nas crianças, mais especificamente, poderá suprir suas necessidades ou estados de carência. Diante disso, para que sejam desenvolvidas atividades práticas com a criança na escola, é importante que o jogo desenvolvido tenha como objetivo desempenhar o desenvolvimento das funções de acordo com a realidade no qual a criança está inserida. Nos dias de hoje, a sociedade está inserida em um contexto, em que a diversidade e os meios de comunicação encontram-se atrelados para a compreensão de diferentes formas de comunicação. Ainda que sejam encontradas as diferentes formas no âmbito escolar, são compreendidos a utilização da leitura e escrita como pontos tradicionais nesses ambientes, onde são inevitáveis a inclusão de outras formas de comunicação nas instituições. 46 Vale ressaltar que o jogo pode ser um auxílio importante no processo de aprendizagem como uma alternativa para os professores. Jogando, a criança aprende, cria, descobre, estimula habilidades, inteligência e sua sensibilidade. Em virtude disso, o jogo está relacionado ao desenvolvimento do indivíduo nos afetivos, históricos, sociais e culturais. Dessa forma, pode-se perceber que o jogo possui uma importância, não somente como incentivo da criatividade e imaginação, como também para contribuir no desenvolvimento integral da criança em que favoreça uma boa aprendizagem. Isso acontece, pois a criança está vivendo em um meio ambiente em constante mudança e com vários materiais desconhecidos. Nessa perspectiva, o jogo pode ser uma importante ferramenta da aprendizagem, no momento em que desperta o interesse do aluno. Favorecendo o professor como sendo estimulador, condutor e avaliador da aprendizagem. Ao empregar programas que estimule a atividade psicomotora, mais especificamente por meio do jogo, poderá favorecer na concentração, atenção imaginação, e como consequência, a criança poderá ficar mais calma, relaxada e aprender a pensar, estimulando sua inteligência. Através da observação do desempenho das crianças com a aplicação dos jogos, poderá ser avaliado o nível de desenvolvimento motor e cognitivo. No lúdico, poderão ser manifestadas suas potencialidades, e a partir de sua observação, poderemos enriquecer sua aprendizagem, possibilitando o desenvolvimento do por meio dos jogos. Isto é, brincando e jogando poderá desenvolver na criança capacidades importantíssimas à sua futura formação, como: afetividade, concentração, atenção e outras habilidades psicomotoras. Portanto, pode-se dizer que no jogo possui uma significativa importância do desenvolvimento psicomotor para o desenvolvimento da aprendizagem intelectual do indivíduo. 47 Diferenças entre Recreação, Lazer e Jogo Nas Unidades anteriores abordamos um pouco dos conceitos e particularidades sobre Recreação, Lazer e Jogos, percebendo assim, algumas diferenças entre estes elementos. Dessa forma, a recreação pode ser entendida como todas as atividades que o individuo procura praticar em seu tempo livre, procurando na sua execução, a satisfação. Vale ressaltar que uma atividade recreativa pode não obter esse resultado. Já o Lazer pode ser ao mesmo tempo férias e trabalhos voluntários, nadar e praticar esportes, prazeres gastronômicos e entretenimentos musicais, atividades de azar, leitura de jornal e estudo de uma obra-prima, conversa fútil e conversa cultural. São atividades que não visam a obtenção de um pagamento e colocam-se à margem das obrigações familiares, sociais, políticas e religiosas. São desinteressadas e realizadas livremente, a fim de proporcionar satisfação aos indivíduos que as praticam. Fazendo diferenciação entre jogo pode-se dizer que este, é a atividade com regras que definem uma disputa “que serve para brincar”. É preciso deixar claro que o jogo é uma brincadeira com regras e a brincadeira, um jogo sem regras. O jogo se origina do brincar ao mesmo tempo em que é o brincar. Vale mais uma vez lembrar que existem várias formas de recreação, lazer e jogo e nem sempre, é necessário lucro para isso, só necessita imaginação e criatividade. 48 49 JOGOS, RECREAÇÃO E LAZER NA ESCOLA 4 CONHECIMENTOS Compreender os jogos, recreação e lazer na escola. HABILIDADES Adquirir os principais fundamentos básicos dos jogos, recreação e lazer na escola e reconhecer e valorizar atitudes não preconceituosas. ATITUDES Valorizar o patrimônio dos jogos, recreação, brincadeiras e lazer no seu contexto regional, além de respeitar o próximo, valorizar atitudes não preconceituosas quanto aos níveis de habilidade, sexo, religião e outras características. 50 51 Algumas reflexões Como já vimos, a recreação diz respeito às práticas de atividades lúdicas, que abrangem espontaneidade, liberdade de expressão, criatividade, alegria e prazer. No contexto escolar além dos aspectos supracitados, as atividades recreativas que podem envolver os jogos, os esportes, os brinquedos e as brincadeiras, também visam o desenvolvimento integral dos educandos nos aspectos cognitivos, afetivos, sociais e motores. Quando se trata desses conteúdos não deve-se deixar de lado a ludicidade, independente da faixa etária, a ludicidade é essencial ao ser humano, principalmente quando o conteúdo reporta-se aos jogos, recreação e lazer na Educação Física escolar. Miranda (2001) traz uma importante consideração quando aponta que o lúdico é uma categoria geral de todas as atividades que têm características de jogo, brinquedo e brincadeira (brincadeira como sinônimo de recreação). O jogo pressupõe uma regra, o brinquedo é o objeto manipulável e a brincadeira é o ato com o brinquedo e com o jogo. Assim, jogo, brinquedo e a brincadeira têm conceitos distintos; porém, imbricados, ao passo que o lúdico os abarca. (SCHREIBER, 2010). Dessa forma, a recreação, os jogos e as brincadeiras devem fazer parte do processo pedagógico, além de ser considerados como eixos necessários e fundamentais para uma educação de qualidade, pois estas atividades fazem parte da vida humana, sendo, portanto, componentes essenciais do ser. Nesse sentido, a criança quando inserida dentro do jogo, permanece em um ambiente agradável, impulsionador de seus potenciais, assimilando diversas habilidades, tanto dentro como fora do ambiente escolar (IAVORSKI, 2008). Podemos verificar ainda, que de acordo com Freire (2002), “as brincadeiras têm grande significado no período da infância, as quais de forma 52 segura e bem estruturada podem estar presentes nas aulas de Educação Física dentro da sala de aula.” (IAVORSKI, 2008). Vale ressaltar que na escola, o jogo sempre esteve em evidência, sendo um dos conteúdos mais trabalhados pelos professores de Educação Física, configurando-se, portanto, como uma importante ferramenta de contribuição no processo de ensino e aprendizagem do indivíduo (VALDUGA, 2011). Entretanto, a recreação no ambiente escolar precisa ser bem planejada e adequada à faixa etária e desenvolvimento do aluno. Deve conter objetivos bem delineados, com uma estrutura organizacionalpré-definida em relação aos possíveis ajustes referentes ao desenvolvimento da atividade, evitando a mesmice e padronização de movimentos e ações. Cebalos (2011), reafirma que o jogo deve ser motivador, ter intenções e significados bem delineados, sempre com objetivos estabelecidos. Além disso, o professor deve compreender que estas atividades podem e devem ser adaptadas a realidade e cotidiano no qual os alunos estão inseridos. Pois o mundo da recreação e dos jogos não pode ser engessado e circundado por leis e regras imutáveis, haja vista que o mais importante é o desenvolvimento da afetividade, das emoções, por onde transitam medos, sofrimentos, interesses, alegrias e valores. Portanto, o professor tem grande responsabilidade no que diz respeito a uma atenção e interesse mais profundos por meio da observação da atividade, do ouvir os feedbacks, do verificar os possíveis erros e sempre acrescentando novas ideias. 53 Dimensões do conteúdo na escola Um assunto pouco discutido na literatura diz respeito as dimensões dos conteúdos, principalmente quando o assunto é jogo, brincadeira e recreação, pois a Educação Física, ao considerar o jogo conteúdo, contribui para que o mesmo continue sendo transmitido de geração a geração, alicerçando esse patrimônio cultural tão importante para a humanidade. Assim, faz-se imprescindível frisar que, na prática docente, não há como separar os conteúdos na dimensão conceitual, atitudinal e procedimental, ainda que exista a possibilidade de existir uma ênfase em determinada dimensão. Por exemplo, em uma aula de Educação Física, cujo o conteúdo principal seja os jogos populares, o professor solicita aos alunos que realizem o aquecimento brincando de pega-pega e de em certo momento ao sinal do apito pede que todos façam estátua. Nesse momento o professor explica-lhes qual é a importância de realizar tais movimentos, o objetivo do aquecimento, quais grupos musculares estão sendo exigidos, entre outras informações. Além disso, fala da importância de resgatar jogos e brincadeiras regionais, assim como um pouco da história da atividade sugerida. Assim, tanto a dimensão procedimental, como a conceitual estão sendo desenvolvidas na atividade. No que diz respeito a dimensão atitudinal, o professor pode levantar reflexões durante a fase de volta à calma da aula ou em uma roda de conversa no início da aula (dependendo da faixa etária da turma), acerca do respeito ao próprio limite e ao do colega, incentivando o altruísmo, a cooperação, a solidariedade, e demais valores. Perceba que dessa forma supracitada, o conteúdo Jogo, brincadeira e recreação podem ser tratados em suas diferentes dimensões em um único momento. Contudo, caso ocorra a necessidade de um aprofundamento em uma determinada dimensão, como por exemplo, a conceitual, a aula em sala 54 de aula convencional é uma boa sugestão, pois o professor pode utilizar recursos didático-metodológicos que envolva os alunos e contribua para o alcance de seus objetivos. O professor deve lembrar ainda, que dependendo da faixa etária e desenvolvimento da turma, essas dimensões são mais ou menos trabalhadas. Veja, se a aula estiver sendo ministrada para crianças que estão no Infantil IV (faixa de 4 anos de idade), a dimensão conceitual deve ser ministrada, mas de preferência no momento da dimensão procedimental (durante a aula prática) através de um linguagem adequada e direcionada para a determinada turma. Evite termos técnicos nessa fase, falar sobre o jogo, por exemplo, pode e deve ser feito de maneira lúdica, divertida e fácil. Entretanto, segundo Coll et al. (2000), existe uma discussão na literatura entre os grandes pensadores, que na escola faz-se necessário que seja ensinado aos alunos outros conhecimentos, que ultrapassem tais dimensões, algo que esteja além de conceitos, práticas e símbolos, pois os conteúdos são os meios pelos quais o aluno deve analisar a realidade de forma que possa construir uma rede de significados em torno do que se aprende na escola e do que se vive, ou seja, o conteúdo precisa fazer sentido para a vida do aluno. Dessa forma, a escola através de todos as dimensões do conteúdo (conceitual, procedimental e atitudinal) deve ensinar ao corpo discente habilidades para a vida, estratégias para resolver problemas, ensiná-los ainda a trabalhar em equipe, ser solidário, respeitar o próximo e principalmente a não discriminar o colega, seja por conta do gênero, etnia, religião, tipo físico ou qualquer outro motivo. Com esse apanhado sobre as dimensões dos conteúdos na prática pedagógica, os PCN da área da Educação Física sugerem que as atitudes, os conceitos e os procedimentos dos conteúdos sejam trabalhados em todos os conteúdos da cultura corporal, dos quais podemos citar os jogos (BRASIL, 1998b). 55 Portanto, como o jogo apresenta a ideia de liberdade e invenção, este pode transformar em fácil o que era difícil, razão pela qual a pedagogia, psicologia e principalmente a Educação Física o utilizam na escola. Portanto, o jogo possui um [...] “papel vital na história da autoafirmação da criança e na formação da sua personalidade, sendo conteúdo indispensável para formação do ser” (CAILLOIS, 1990). Sequência Didática de Jogos, Recreação e Lazer no Âmbito Escolar A sequência didática é similar a um plano de aula, porém é diferente na sequência que o conteúdo deverá ser estruturado, de maneira que leve o estudante a uma evolução no conhecimento, através do aprofundamento dos estudos sobre o tema. Não há uma regra sobre a quantidade do número de aulas que uma sequência didática deve possuir, o que revela seu aspecto flexível, porém é preciso um bom planejamento para que os resultados sejam alcançados. O momento principal é o desenvolvimento da sequência didática, este pode ser realizado em diversas etapas, tais como: discussão coletiva, motivação, exibições de vídeos, aulas expositivas, obter referenciais históricos, atividades, dinâmicas, jogos, e outros. Objetiva-se que através do uso de uma sequência didática o estudante possa realizar uma reflexão sobre o ensino proposto, assim como fazer com que os conhecimento adquirido sejam levados para a vida e não somente considerado no momento da avaliação. As sequências didáticas são planejadas e desenvolvidas para a realização de determinados objetivos educacionais, com início e fim conhecidos tanto pelos professores, quanto pelos alunos. Para compreender o valor pedagógico e as razões que justificam uma sequência didática é fundamental identificar suas fases, as atividades que a constitui e as relações que estabelecem com o objeto de conhecimento, visando atender as 56 verdadeiras necessidades dos alunos. Para que uma sequência didática obtenha sucesso é necessário seguir alguns passos que, obrigatoriamente, devem ser respeitados. Este produto, adotou o modelo proposta por KOBASHIGAWA et al ( 2008), em que uma sequência didática deve conter os seguintes itens: ● Tema da aula: jogos ● Turma: Ensino Fundamental ● Média de Tempo: 50 min. ● Objetivo geral: ● Objetivos específicos: ATIVIDADE 1 O início poderá ser realizado alguns questionamentos: ● Quais são os jogos e brincadeiras prediletos de vocês? ● Quais são as principais características que vocês observam em seus colegas quando participam de jogos e brincadeiras? Após esse momento de reflexão e construção orquestrada pelo professor, algumas brincadeiras podem ser propostas:Divididos em dois grupos, cada um terá a tarefa de, no menor tempo possível, montar um conceito para jogos populares. Para tanto, serão distribuídos (para cada grupo) pequenos pedaços de papel com fragmentos de frases que compõem o conceito de jogos populares. O grupo deverá organizar estes fragmentos dando sentido ao texto. Logo depois, será pedido para que os alunos exemplifiquem tipos de jogos populares, tais como: amarelinha, cabra- cega. Após a exemplificação, será pedido para que eles pratiquem os jogos sugeridos. Após a experimentação das brincadeiras acima relacionadas, o professor questionará à turma se todos sempre brincaram desta forma ou se 57 conhecem outras formas de brincar destes mesmos jogos! Ressaltar ainda que, os jogos populares não possuem regras fixas e são criados pelas pessoas a partir de seus interesses e necessidades. AVALIAÇÃO Escreva um texto de pelo menos uma lauda, explicando o que você aprendeu sobre jogos e brincadeiras populares. Neste texto você deverá destacar: O que são os jogos populares? Quais são suas características? ATIVIDADE 2: Confecção de brinquedos e o planejamentos de jogos JUSTIFICATIVA: Proporcionar as crianças momentos de convivência saudável, amiga, criativa e construtiva; pois através da brincadeira a criança atribui sentido ao seu mundo, se apropria de conhecimentos que a ajudarão a agir sobre o meio em que ela se encontra. OBJETIVOS DO TRABALHO: ● Aumentar o repertório de brincadeiras infantil; ● Participar de situações de socialização; ● Participar de jogos que sejam trabalhadas regras em grupo; ● Construção de brinquedos com sucatas; ● Registrar de diferentes formas o brincar. 58 OBJETIVOS DIDÁTICOS: ● Ampliar as possibilidades expressivas nas brincadeiras, jogos e demais situações de interação. ● Explorar e identificar elementos da música para se expressar, interagir com outros. ● Produzir trabalhos de arte utilizando a linguagem do desenho, da pintura, da colagem e da construção. ● Participar de variadas situações de comunicação oral. ● Participar de diversas situações de intercambio social. ● Estabelecer algumas relações entre o modo de vida característico de seu grupo social e de outros grupos. CONTEÚDOS: Movimento: ● Utilização expressiva intencional do movimento nas situações cotidianas e em suas brincadeiras. ● Percepção de estruturas rítmicas para expressar – se corporalmente por meio de brincadeiras. Natureza e Sociedade: ● Participação em brincadeiras, jogos e canções que digam respeito às tradições culturais de sua comunidade e de outros grupos. Música: ● Participação em situações que integrem músicas, canções e movimentos corporais. 59 Artes: ● Exploração dos espaços bidimensionais e tridimensionais na realização de seus projetos artísticos. ● Exploração e utilização de alguns procedimentos necessários para construção. Linguagem Oral e Escrita: ● Uso da linguagem oral para conversar e brincar. ● Observação e manuseio de materiais impressos como livro e revistas. ● Valorização da leitura como fonte de prazer e entretenimento. ● Participação em situações cotidianas nas quais se faz necessário o uso da escrita. ORIENTAÇÕES DIDÁTICAS: ● Pesquisa junto às famílias sobre as brincadeiras da infância. ● Pesquisa em livros e na internet sobre a origem de alguns dos brinquedos e brincadeiras. ● Selecionar alguns brinquedos que possam ser construídos pelas crianças. (bilboquê, peteca, vai e vem, pião, cavalo de pau, e outros.). ● Coletar algumas sucatas para confecção dos brinquedos. ETAPAS DO TRABALHO: ● Rodas de conversa (Quais os brinquedos preferidos?). ● Listar os brinquedos em cartaz. ● Roda de conversa (Qual a brincadeira preferida?). ● Listar as brincadeiras e escolher algumas para brincar. ● Pesquisar junto com as famílias sobre as brincadeiras e brinquedos do seu tempo de infância. 60 ● Ler as pesquisas para as crianças e junto com as crianças selecionar algumas para brincarmos. ● Propor para que as crianças desenhem algumas brincadeiras. ● Proporcionar oportunidade para que as crianças confeccionem alguns brinquedos. ● Escrever junto com as crianças regras de algumas brincadeiras para confecção de um livro de brincadeiras para acervo da escola. (texto coletivo). Área de formação: Conhecimento matemático e movimento. Objetivos: ● Desenvolver gradativamente o conceito de número e o pensamento operativo por meio de jogos e brincadeiras. ● Utilizar o desenho como representação simbólica. (números) ● Vivenciar práticas de movimento por meio de jogos e brincadeiras. Recursos e Materiais didáticos: Sulfite, canetinha vermelha e azul, materiais de boliche, bola, cadeiras, pano, entre outros. Desenvolvimento: 1ª. Etapa: Em uma roda de aprendizagem, apresentaremos e explicaremos á atividade proposta, que será: “Jogos com registro em tabela”. Em seguida realizaremos o jogo de boliche, onde dividiremos a turma em duas equipes (Vermelha e azul), na qual cada criança realizará a jogada, onde serão registrados na tabela de jogos, representados os pinos que caíram por desenhos ou números. 2ª. Etapa: Acerte o alvo 3ª. Etapa:Foot pano 61 Explicando melhor com a pesquisa Sugerimos a leitura do artigo Jogos, Recreação e Lazer. Os autores apresentam a importância da criatividade na Educação, mostrando os principais conceitos e elementos importantes para este conhecimento. Propomos também a leitura do artigo Recreação e Lazer – Relações com a Educação Física. Os autores se propôs a trazer os pontos convergentes e divergentes entre recreação, lazer e ludicidade, não se destinando a uma finalização, devido o número de conceitos e definições. GUIA DE ESTUDO: Após a leitura destes artigos, faça uma síntese dos pontos comuns e divergentes encontrados nos artigos e disponibilize no ambiente virtual. 62 Leitura Obrigatória Sugerimos a obra: A Infância e a Recreação de Dante Costa (1960). É um clássico, que se propõe a estudar as crianças em diversos aspectos da sua biologia e higiene. Ilustrando essas atividades em espaços, tais como: parques infantis em pequenas e grandes cidades do Brasil, para facilitar o entendimento dos leitores. Leia atentamente, e reflita sobre as possibilidades de inserção dos conteúdos de jogos, recreação e lazer a partir desta leitura. GUIA DE ESTUDO: Após a leitura da obra, faça um paralelo, comparando com o material estudado, sempre argumentando com sua opinião fundamentada de estudo e pesquisa. Em seguida disponibilize no ambiente virtual. 63 Saiba mais Sugerimos a leitura da entrevista sobre Recreação com Tiago Aquino, conhecido como Paçoca, coordenador do curso de pós-graduação em Recreação e Lazer na Central de Cursos da UGF e coautor do livro Manual do Lazer e Recreação pela Phorte Editora, no qual tratamos sobre os diferenciais para a atualização na área, a importância dos valores éticos e a postura do recreador e os prêmios conquistados pelo professor. Propomos a leitura da entrevista ao Jornal do Professor, Tizuko Kishimoto, Pedagoga, com doutorado e pós-doutorado em educação, tem várioslivros publicados sobre assuntos relacionados a jogos, brincadeiras e educação infantil traz explanação sobre o brincar, explicando que o mesmo é diferente de aprender e fala de temas como as principais brincadeiras utilizadas na aprendizagem infantil, a melhor forma de utilizar brinquedos na sala de aula, brincadeiras tradicionais e jogos eletrônicos, e educadores de destaque na área de brinquedos educativos. GUIA DE ESTUDO: Leia as entrevistas e em seguida produza um texto argumentativo, abordando a importância da atuação do Professor de Educação Física, para valorização dos Jogos, Recreação e Lazer dentro e fora do âmbito escolar. 64 Pesquisando na Internet O intuito deste artigo é trazer discussões estabelecidas acerca dos problemas que envolvem historicamente a relação entre o lazer e a Educação Física no Brasil no âmbito da formação profissional, por meio do título: Lazer e Educação Física: problemas historicamente construídos, saídas possíveis -Um enfoque na questão da formação. A partir das informações acima, investigue sobre uma possível forma de intervenção pedagógica através dos Jogos Populares, Recreação e Lazer como conteúdo da Educação Física. GUIA DE ESTUDO: Logo após sua pesquisa faça uma resumo sobre suas descobertas e conclusões. Compartilhe suas reflexões postando no ambiente virtual. 65 Vendo com os olhos de ver Recomenda-se que assista ao vídeo Jogos, Recreação e Lazer. Este vídeo se propõe a mostrar, qual a diferença entre recreação e lazer? Como o jogo se encaixa nessas atividades? O professor Elisandro Schultz Wittizorecki explica historicamente e etimologicamente o significado desses termos, as diversas relações que podem ser entendidas entre eles e a relevância individual e coletiva que apresentam na vida cotidiana de todos nós. Propõe-se que veja também ao vídeo A importância do brincar. A professora da Faculdade de Educação da USP, Tizuko Morchida, fala um pouco mais sobre o papel das brincadeiras na educação infantil. Ela destaca que até os bebês aprendem a fazer escolhas através dos brinquedos. GUIA DE ESTUDO: Após você assistir esses vídeos, faça uma correlação entre eles e produza um texto argumentativo, relatando a função do Professor de Educação Física desde seu surgimento até os dias de hoje. 66 Revisando A partir do material didático estudado, podemos compreender um pouco mais sobre os jogos, recreação e lazer. Na primeira unidade de estudo conceituamos o lazer, apontando o conceito amplamente difundido, o de Dumazedier (1979, p.12); apesar de sua importância para a área, apresenta-se um conjunto de questões que precisavam ser repensadas, pois ele deve ser considerado diversas ocupações, às quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para repousar, seja para divertir-se e entreter-se ou ainda para desenvolver sua informação ou formação desinteressada. Falamos ainda sobre a atitude do tema lazer, em que devemos considerar o seu estilo de vida livre de um tempo estabelecido de acordo com as características e locais de atividades, de uma forma diferenciada. Assim, após o entendimento sobre o lazer, na Unidade de Estudo II, apresentamos a conceituação de acordo com Rousseau (1712-1771) no qual afirma que a recreação é o livre-arbítrio da criança, em que estes, podem escolher se querem ou não ficar em uma atividade e, além disso, não chamar atenção quando escolherem permanecer no que estão realizando, contradizendo a sua orientação. A educação dessa forma deve ser libertária, sendo necessária a liberdade para correr, pular, gritar, dançar, se essa for sua vontade. Outro conceito de recreação une o lazer e o jogo, contudo ela como prática e conduta característica do jogo estão presentes no lazer. Sendo um componente observado em uma composição do lazer. Nesse sentido, todas as referências de lazer reúnem naturalmente o jogo e consequentemente, a recreação. A recreação é importante para o ser humano não só para a criança. Logo, as atividades recreativas devem ser criativas e prazerosas, devendo ser espontâneas, reduzindo as preocupações do dia-a-dia. 67 Na Unidade de Estudo III trazemos o pensamento de que definir o jogo não é fácil, de acordo Huizinga (1938) é uma atividade espontânea, desempenhada dentro de determinado tempo e espaço, seguindo regras livremente permitidas, mas obrigatórias, dotadas de um fim, acompanhado de alegria e consciência. De acordo com Araújo (1992, p.18) o jogo é derivado de ficção e tem por função favorecer ao indivíduo executar. Devendo-se entender que o jogo não é apenas uma disputa, nem tão pouco os esportes que são realizados atualmente, denotam a concorrência e egoísmo presente em nossa sociedade. Este tipo de atividade esportiva, reproduz o legítimo modelo social: onde os mais fortes se sobressai sobre os mais fracos. O que importa é vencer a todo custo, sejam quais forem os meios para se alcançar à vitória. Dessa forma, finalizando o material, trazemos a Unidade de Estudo IV, em que apresenta-se a recreação, os jogos e o lazer, como parte do processo pedagógico, além de ser considerados como eixos necessários e fundamentais para uma educação de qualidade, pois estas atividades fazem parte da vida humana, sendo, portanto, componentes essenciais do ser. Nesse sentido, a criança quando inserida dentro do jogo, permanece em um ambiente agradável, impulsionador de seus potenciais, assimilando diversas habilidades, tanto dentro como fora do ambiente escolar. Finalizando convidamos aos alunos a refletirem que o professor deve compreender que estas atividades podem e devem ser adaptadas à realidade e ao cotidiano, no qual os alunos estão inseridos. O mundo da recreação e dos jogos não pode ser engessado e circundado por leis e regras imutáveis, haja vista que, o mais importante é o desenvolvimento da afetividade, das emoções, por onde transitam medos, sofrimentos, interesses, alegrias e valores. 68 Autoavaliação 1) Qual a importância do conhecimento da Recreação, Lazer e Jogos para o professor de Educação Física? 2) Por que é considerado importante compreender e saber como aplicar a Recreação, Lazer e Jogos dentro da Educação Física na Escola? 3) Como Recreação, Lazer e Jogos, auxiliam na formação de professores em Educação Física? 4) Elenque os tipos de Recreação, Lazer e Jogos, assim como as características dos mesmos. 5) De acordo com o Material Didático estudado, qual a diferença entre a Recreação, Lazer e Jogos? 69 Bibliografia BARRETO, Sidirley de Jesus. Psicomotricidade: Educação e Reeducação. Blumenau/Odorizzi, 1998. CAILLOIS, Roger; PALHA, José Garcês. Os jogos e os homens: a máscara ea vertigem. 1990. CARDOSO, S. R. Memórias e jogos tradicionais infantis: lembrar e brincar é só começar. Londrina: Eduel, 2004. COLETIVO DE AUTORES. Metodologia de ensino de educação física. São Paulo: Cortez, 2009. COLL, César et al. Os conteúdos na reforma: ensino e aprendizagem de conceitos, procedimentos e atitudes. Artmed, 2000. DARIDO, S. C. Implicações para a prática pedagógica. Rio de Janeiro. Guanabara: Koogan, 2005. DE ARAUJO, Vania Carvalho. O jogo no contexto da educação psicomotora. CortezEditora, 1992. DIAS, Cleber; ISAYAMA, Hélder Ferreira. Organização de Atividades de Lazer e Recreação. Editora: Érica, 2014. DIETRICH, K. Os grandes jogos: metodologia e prática. Fortaleza: Ao Livro Técnico, 2005. DUMAZEDIER, Joffre et al. Sociologia empírica do lazer. 1979. FERNANDES, F. Folclore e mudança social na cidade de São Paulo. Petrópolis: Vozes, 1979. FRANCO, L. A. C. A escola do trabalho e o trabalho da escola. São Paulo: Cortez, 1998. FREIRE, J. B. Educação de corpo Inteiro: teoria e prática da Educação Física. São Paulo: Scipione, 1994. 70 FREIRE, J. B; SCAGLIA, A. J. Educação como prática corporal. São Paulo: Scipione, 2003. GUEDES, M. Oficina da brincadeira. Rio de Janeiro: Sprint, 2000. GOMES, CHRISTIANNE LUCE. Dicionário crítico do lazer. Auténtica Editora, 2006. HUIZINGA, J. Homo Ludens—o jogo como elemento da cultura (Homo Ludens—The Cultural Influence). 1938. IAVORSKI, J.; VENDITTI JUNIOR, R. A ludicidade no desenvolvimento e aprendizado da criança na escola: reflexões sobre a Educação Física, jogo e inteligências múltiplas. Revista Digital. Buenos Aires, v. 13, n. 119, 2008. KOBASHIGAWA, A. H.; ATHAYDE, B. A. C.; MATOS, K. F. de O.; et al. Estação ciência: formação de educadores para o ensino de ciências nas séries iniciais do ensino fundamental. IV Seminário Nacional ABC na Educação Científica. São Paulo, 2008. p. 212-217. MARCELLINO, Nelson C. Lazer; LAZER, Cultura. educação. 1987. MELO, Victor Andrade; ALVES JUNIOR, Edmundo D. Introdução ao lazer. Introdução ao lazer, 2003. MIRANDA, S. No Fascínio do jogo, a alegria de aprender. In: Ciência Hoje, v.28, 2001 p. 64-66. REQUIXA, Renato. Sugestão de diretrizes para uma política nacional de lazer. Servico social de Comercio, 1980. Bibliografia Web BRASL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: Educação Física / Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1998. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/fisica.pdf 71 CEBALOS et al. Atividade lúdica como meio de desenvolvimento infantil. Efdeportes.com, Buenos Aires, 2011. Disponível em: <http://www.efdeportes.com/efd162/atividade-ludica-como-meio-de- desenvolvimento.htm>. Acesso em 27 ago. 2017. COSTA, Dante. A Infância e a Recreação. 6ª Edição. Rio de Janeiro, 1960. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/10002000040.pdf GONÇALVES, Y.S. O valor da recreação no incentivo a prática da Educação Física no Colégio Estadual Ana Nery de 5ª a 8ª série, 2007. Disponível em: http://www.cdof.com.br/recrea25.htm Acesso em: 14/12/2007. HAETINGER, Daniela; HAETINGER, Max Gunther. Jogos, recreação e lazer. Curitiba: IESDE Brasil S. A., 2009. Disponível em: http://www2.videolivraria.com.br/pdfs/24034.pdf KISHIMOTO, Tizuko. Entrevista concedida ao Jornal do Professor. Edição 18. Brinquedos Educativos. 2009. Disponível em: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/noticias.html?idEdicao=19&idCategoria=8 MELO, Victor Andrade de. Lazer e Educação Física: problemas historicamente construídos, saídas possíveis – um enfoque na questão da formação, 1997. Disponível em: http://www.lazer.eefd.ufrj.br/producoes/educ_fisica_lazer_relacao_art_livro.pdf ROSADO, D. G.; KOWALSKIZ, M.; MOREIRA, N. C. L.; SOUZA, D. A. Recreação e Lazer: Relações com a Educação Física. Disponível em: http://sudamerica.edu.br/argumentandum/artigos/argumentandum_volume_1/R ecreacao_e_Lazer.pdf SILVA, Tiago Aquino da Costa e. Jogos e Brincadeiras na Escola. 1ª Edição. São Paulo: Kids Move Fitness Programs, 2015. Disponível em: http://www.saosebastiao.sp.gov.br/ef/pages/linguagem/expressividade/brincade 72 iras_cantadas/Leitura/Livro.%20Jogos%20e%20Brincadeiras%20na%20escola. pdf SILVA, Tiago Aquino da Costa e. Entrevista concedida a UGF. Recreação. 2012. Disponível em: http://www.posugf.com.br/noticias/todas/1762-entrevista- sobre-recreacao-com-tiago-aquino VALDUGA, Camila. Jogo na Educação Física: discussões e reflexões. Efdeportes.com, Buenos Aires, ago. 2011. Disponível em: <http://www.efdeportes.com/efd159/jogo-na-educacao-fisica-discussoes-e- reflexoes.htm. Acesso em: 27 mar. 2017. Vídeos Jogos, recreação e lazer. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Nl9DIAzBJQc A importância do brincar. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=HpiqpDvJ7-8 73 74 75