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Acentuação: usa-se acentos ou não? 
Um pouco da Língua... 
 
 
2 
 
Título: concordância e acentos: quórum, fórum, câmpus, hábitat. 
A matéria deixou de ser votada por falta de quórum. 
Havia esquecido os documentos no Fórum, lembrou-se depois. 
 
Reza a gramática que devem ser acentuadas todas as palavras paroxítonas terminadas em I, 
IS, US, UM, UNS, como júri, lápis, bônus, álbum, álbuns. Daí o acento agudo em quórum e 
fórum, pois são palavras de origem latina que foram aportuguesadas. Antigamente elas 
eram escritas em latim, o que exigia sua grafia em itálico ou sublinhada: quorum, forum. 
 
Igualmente deve-se acentuar a palavra câmpus em português, sendo idêntico o plural. 
Muitas editoras já adotam essa grafia, embora ela esteja dicionarizada apenas como latim, 
cujo plural é campi. Neste caso deve-se usar o itálico: 
 
Dirigiu-se ao campus da UFSCar tão logo chegou a São Carlos. 
 
Mas, se preferir, escreva: 
 
Dirigiu-se ao câmpus da UFSCar tão logo chegou a São Carlos. 
 
Em suma, temos: câmpus/câmpus ou campus/campi. 
 
Outro caso é o do latim habitat. A exemplo de déficit e superávit, termos latinos que vêm 
sendo acentuados graficamente para informação da pronúncia, hábitat também recebe 
acentuação, dispensando assim o itálico ou grifo pertinente a palavras estrangeiras. 
 
Exemplo: 
 
Os wapixanas estão se defendendo da exploração e ganância de pessoas e laboratórios 
sobre os conhecimentos e recursos do hábitat indígena. 
 
 
Verbo antecipado ao sujeito composto 
 
A base da concordância verbal é, resumidamente: sujeito simples com um só núcleo no 
singular – verbo no singular [João saiu]; com um só núcleo no plural – verbo no plural [Elas 
saíram]; sujeito composto (formado por mais de um núcleo) – verbo no plural [João e Maria 
saíram]. 
 
3 
 
Contudo, existe um caso em que o verbo pode ficar no singular mesmo se referindo a um 
sujeito composto: é quando se coloca o verbo na frente do sujeito, contrariando a ordem 
natural que é “sujeito e predicado/verbo”. Antecipado ao sujeito, o verbo pode ou 
concordar com o núcleo mais próximo ou com o conjunto. Vejamos uma frase com sujeito 
composto na ordem direta: ”A Lei nº 2.089/88 e demais disposições em contrário ficam 
revogadas”. Essa mesma frase pode ser construída na ordem indireta de duas 
maneiras: 
 
Ficam revogadas a Lei nº 2.089/88 e demais disposições em contrário. 
Fica revogada a Lei nº 2.089/88 e demais disposições em contrário. 
 
 Ao pluralizar, concordando com o conjunto, você estará mais seguro e evitará possíveis 
ambiguidades. Todavia, é bom saber que existem as duas possibilidades. Às vezes o singular 
soa melhor nesses casos de anteposição, e também, por uma questão de estilo, você pode 
querer usar essa inversão. Exemplos das duas opções (núcleos do sujeito em itálico): 
 
Ali pelo parque sempre passava uma senhora com os sete filhos e várias avós com os 
netinhos. 
 
A pedido do Governador, redigiu-se novamente o Decreto n° 9.959 e as alterações 
contratuais dele decorrentes. 
 
Nas mãos não se refletem unicamente a nossa vivência psíquica e o nosso estado anímico. 
 
No livro, narram-se a queda dos preços do café a partir da crise de 1929 e os desmandos do 
populismo getulista. 
 
 
Título: XÉROX OU XEROX e outros pares. 
As duas formas podem ser usadas: se você pronuncia como palavra oxítona, escreva xerox, 
sem o acento gráfico, a exemplo de outras marcas registradas que se tornaram nomes 
comuns, como pirex, gumex, perfex, durex etc. Mas é possível acentuar o vocábulo, xérox, 
de acordo com a norma ortográfica relativa às paroxítonas terminadas em X, tal qual fênix, 
ônix, látex e dúplex (também pronunciado como oxítona: duplex). 
Quando existem alternativas de pronúncia e escrita, é bobagem ficar corrigindo as pessoas 
que falam ou escrevem diferente da gente. Deixando a escolha a cada um, vejamos outros 
casos de dupla grafia ou de uso optativo entre duas formas de se expressar: 
4 
 
- assoalho e soalho 
- a maquinaria e o maquinário [mas não a maquinária] 
- abdome e abdômen 
- aluguel (pl. aluguéis) e aluguer (pl. alugueres, sobretudo em Portugal) 
- aterrissar e aterrizar [formação vinda de aterrar + sufixo izar, eis uma forma conciliadora 
para quem prefere a pronúncia com som de Z] 
- bile e bílis 
- de pé e em pé [no sentido de estar ereto sobre os próprios pés, não sentado nem deitado, 
enquanto “ir a pé” significa deslocar-se sem veículo algum]. 
- destrinçar e destrinchar 
- garçom (pl. garçons) e garção (pl. garções) 
- germe e gérmen 
- hidrelétrica e hidroelétrica 
- humo e húmus 
- infarto e enfarte [mas não *infarte] 
- maquiagem e maquilagem 
- mestria e maestria 
- nuança e nuance 
- porcentagem e percentagem 
- quadriênio e quatriênio 
- quatorze e catorze 
- quociente e cociente 
- quota e cota 
- termelétrica e termoelétrica 
- vitrina e vitrine 
Regência verbal: falta da preposição 
“Sabe aquele lugar que você planejava viver no futuro? A inauguração é hoje.” 
Assim foi escrito no lançamento de condomínio na capital catarinense. A construtora se 
preocupou com os “apartamentos totalmente mobiliados”, mas a agência de propaganda 
falhou na redação do texto. O correto de acordo com a norma-padrão seria: 
 Sabe aquele lugar em que você planejava viver no futuro? 
Isso porque o verbo viver reclama a preposição EM [você vive em um lugar], que deve 
aparecer nitidamente na frase. Neste caso, a preposição se desloca para a frente do 
pronome relativo QUE, que introduz a oração subordinada na qual se encontra o verbo que 
rege a preposição. Outros exemplos: 
5 
 
A marca em que você sempre confiou está de volta. [confiar em] 
 
Só faço as coisas de que gosto. [gostar de] 
 
Não publicou as notas mais importantes a que me referi. [referir-se a] 
 
Ninguém precisou se perguntar a que pressões aludia o presidente. [aludir a] 
A gramática interior do falante lhe permite saber a preposição adequada a cada situação. É 
natural dizermos “confiou na marca, gosto de coisas boas, eu me referi a notas importantes, 
ele aludia a pressões”; porém, é preciso um bom ouvido para reconhecer a falta da 
preposição quando ela está distante do verbo. Nem todas as pessoas, por exemplo, sentem 
que o slogan da Texaco [? “O posto que você confia”] fere as normas gramaticais. Mas seria 
muito bem-vinda a retificação da frase para “o posto em que você confia”. 
Na fala cotidiana a tendência é simplificar deixando de lado essas particularidades. Todavia, 
quem quer escrever de acordo com o padrão culto formal não pode omitir essa preposição 
que antecede o pronome relativo. 
 
Título: A QUESTÃO DO TREMA. 
Oficialmente já não se usa mais o trema, que em Portugal havia sido abolido em 1932. A 
exceção fica para as “palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros: hübneriano, de 
Hübner, mülleriano, de Müller, etc.” (cf. ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA - 
Decreto 6.583, de 29 de setembro de 2008). Nos nomes próprios estrangeiros mantém-se 
não só o trema como “quaisquer combinações gráficas ou sinais diacríticos não peculiares à 
nossa escrita”, como por exemplo ett, ff, m antes de t. 
Por estarmos familiarizados com a pronúncia de vocábulos como antiquíssimo, cinquenta, 
cinquentenário, consequência, equestre, equitativo, liquidificador, liquidação, sequela, 
sequestrador, subsequente, tranquilidade, aguentar, ambiguidade, linguística, linguiça, 
sagui, pinguim, unguento, a presença do trema não faz nem fazia diferençapara nós, sendo 
por isso dispensável. 
O trema, contudo, se não faz falta nas palavras de uso comum, é imprescindível nos nomes 
próprios – e não apenas nos de origem estrangeira – pois ele informa sua leitura correta. 
Para exemplificar: só quem conhece bem a nossa História vai falar corretamente “Via 
Anhangüera” - com o u pronunciado - mesmo que ali não encontre o trema. E somente 
quem é de Curitiba sabe que o nome do parque Barigüi deve ter o u proferido; uma pessoa 
6 
 
de fora, se não encontrar essa palavra tremada, por certo lerá a última sílaba como dígrafo, 
isto é, como gui de guia. 
Então é conveniente, para o bem de todos, que se escreva Anhangüera e Barigüi, mesmo 
porque ambos os nomes, sendo de origem indígena (em tupi, anhangüera quer dizer “diabo 
velho”, e barigüi, “mosquito”), podem ser enquadrados na norma dos estrangeiros. 
A regra 
Empregava-se o trema nas “sequências gu e qu seguidas de e ou i, nas quais o u se 
pronuncia”. Em outras palavras: trema só nos grupos gue, gui, que, qui que tenham o u 
pronunciado (atonamente, como semivogal, pois se configura aí um ditongo crescente). 
A ideia do trema era mostrar a diferença de pronúncia entre GUEto, GUIsado, QUENte, 
QUIlo, por exemplo, e alcaGÜETO (verbo), saGÜI, freQÜENte, tranQÜIlo, por exemplo. 
Embora sem trema, a pronúncia dessas palavras continua a mesma. 
 
Título: Acentuação – proparoxítonas. 
Se há um aspecto da língua que diz respeito a todas as categorias de escribas é sem dúvida a 
acentuação. Ortografia é fundamental, é o complemento de um bom texto. Acentuar 
corretamente é importante em qualquer situação. Mesmo nas mensagens eletrônicas a que 
se quer atribuir algum valor. Como nem todas as pessoas escrevem em computador ou 
dispõem de um bom corretor ortográfico, vamos relembrar, numa série de artigos (não-
sequenciais), as regras e a razão dos acentos gráficos em português. 
A acentuação gráfica serve para informar a leitura correta das palavras. Alguns acentos 
indicam a intensidade e outros informam se a pronúncia é aberta ou fechada. Devemos nos 
lembrar que a língua portuguesa é predominantemente paroxítona: caneta, escrevo, 
amamos, dizem, jovens, claro, clareza, varia, horas, saia, banana, carinho... e por aí seguem 
milhares de palavras com pronúncia forte (tonicidade) na penúltima sílaba. Há também 
aquelas - em menor número - cujo acento tônico recai naturalmente na última sílaba: são as 
palavras terminadas em i, u, r, l, ão, ã, como ali, caju, valor, papel, falarão, maçã. O acento 
gráfico, portanto, marca a exceção. 
Assim, devem ser acentuadas todas as palavras cujo acento tônico (intensidade de 
pronúncia) recaia sobre a antepenúltima sílaba. São as proparoxítonas, que constituem 
sensível minoria em português, como pêssego, lâmpada, fenômeno, límpido, ácido, tíquete, 
revólveres, êxito, estereótipo, rubéola, fac-símile, debênture. A importância do acento - 
7 
 
agudo ou circunflexo - para informar a pronúncia correta pode ser vista nos pares de 
exemplos abaixo: 
Meu pai sempre pacifica seus netos. / Sua família é pacífica e ordeira. 
 
Ela critica seu modo de cozinhar. / Ela é uma pessoa muito crítica. 
 
Não publico meus discursos agora, mas no futuro o farei. / Não frequento parque público. 
 
Sempre me exercito de manhã cedo. / O menino tem um exército de brinquedo. 
 
Pratica bastante, que aprenderás logo. / A prática é diferente da teoria. 
 
Espero que o cantor interprete minhas favoritas./ O embaixador solicitou um intérprete. 
 
Será que você não duvida de nada? / Qual é a sua dúvida agora? 
 
Não habito no paraíso dos meus sonhos. / O hábito não faz o monge. 
 
O trânsito vitima milhares de pessoas por ano no Brasil. / A população é a vítima. 
 
Peço que analises estas amostras de sangue. / As análises serão feitas no laboratório X. 
 
Já nem calculo quanto tempo perdi. / Fez o cálculo da areia necessária para a construção. 
 
Eu mesma digito meus artigos. / O dígito verificador foi calculado de maneira errada. 
 
A bandeira tremula ao gosto do vento. / Fez a assinatura com mão trêmula. 
 
Jamais trafego à margem da rodovia. / Evito os percursos de tráfego mais pesado. 
 
Todo verão a loja liquida seus estoques. / Prefiro medicação líquida a comprimidos. 
Imagine ler o termo grifado à direita como se não tivesse acento. Que diferença! Devemos 
lembrar ainda que os verbos não fogem à regra. Muitos deles, quando estão na primeira 
pessoa do plural, precisam ser acentuados por serem proparoxítonos: “Era maravilhoso 
quando saíamos juntos, como se fôssemos parar no tempo... Não dispúnhamos de dinheiro 
mas não perdíamos o bom humor. Levávamos a vida cantando, como se quiséssemos 
mostrar a todos quanto éramos felizes.” 
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Da mesma forma devem levar acento os nomes próprios proparoxítonos: Amábile, 
Ânderson, Ângela, Angélica, Émerson, Éverton, Eurídice, Jéferson, Orígenes, Róbinson, 
Rosângela, etc. 
Título: Acentuação – Paroxítonas. 
São chamadas paroxítonas as palavras cuja tonicidade recai na penúltima sílaba. Formam a 
maioria do léxico português. Só recebem acento gráfico as palavras paroxítonas que não 
terminam em a, e, o, am, em e ens. No mais, são acentuadas as que terminam em: 
- i, is: júri, dândi, táxi, biquíni, safári, íris, lápis, grátis, tênis. 
Compare: O caqui está maduro. Comprei uma roupa cáqui. 
- us, um, uns: Vênus, vírus, bônus, húmus, fórum, médium, médiuns, álbuns. 
Compare: A última foto do álbum é do neném com o bumbum de fora. 
Nenhum projeto foi aprovado pois faltou quórum. 
 
- ã, ãs, ão, ãos: ímãs, sótão, órfão, órgãos, bênçãos, Cristóvão. 
Compare as oxítonas com as paroxítonas: 
Sua irmã tem o ímã que você procura. 
 
No afã de ajudar a órfã, só se complicou. 
 
Estêvão deu maçãs para as órfãs. 
 
Os cidadãos assinaram os acórdãos. 
 
O Papa desceu do balcão para dar a bênção. 
 
O coração é o principal órgão do corpo humano. 
 
- l, n, r, x, consoantes da palavra-lembrete rouxinol: cônsul, pênsil, fácil, horrível, abdômen 
(ou abdome, plural: abdomens ou abdomes), gérmen (ou germe, plural: germens ou 
germes), próton, nêutron, pólen (plural: polens), hífen (plural sem acento: hifens, como 
jovens e nuvens), açúcar, zíper, mártir, fênix, tórax, ônix. 
9 
 
Compare: 
 
Nílson foi muito amável dando-me um anel. 
 
Aírton recebeu um falso prêmio Nobel num túnel. 
 
Vou andar até achar um âmbar amarelo. 
 
Vamos revolver a gaveta até encontrar o revólver. 
 
Édson e Cármen não sabem onde meter o éter recém-importado. 
 
Tentaram juntar com “durex” o modelo em gesso do córtex. 
 
Éder tirou uma cópia xerox do laudo médico sobre a cirurgia do tórax. 
 
No tempo de Pólux não havia cera “polvax”. 
 
Em todos esses exemplos pode-se observar que, quando as palavras com as terminações i(s), 
u(s), um, uns, ã(s), ão(s), r, x, n, l não são acentuadas graficamente, nós as pronunciamos 
normalmente como oxítonas, isto é, com a pronúncia forte na última sílaba. Portanto, o 
acento agudo ou circunflexo é usado para evidenciar que a sílaba tônica, de maior 
intensidade, fugiu ao normal, mudou de lugar, orientando assim a nossa pronúncia. 
- ps, om, ons: bíceps, fórceps, Quéops; rádom, elétrons, prótons, nêutrons. 
- ditongo oral, crescente ou decrescente, seguido ou não de s: 
(ia) idéia, beneficência, hérnia, mobília, biópsia, estratégia, Cátia, Cássia, Célia, Cecília, Cíntia, 
Felícia, Hortência, Márcia, Marília, Tânia,Vânia 
 
(ie) série, calvície, barbárie, cárie, efígie, espécie, imundície, planície, superfície 
 
(io) sério, pátio, vários, néscio, calcário,dignitário, exímio, Antônio, Anísio, Aloísio (ou 
Aluísio), Dário, Décio, Flávio, Hélio, Júlio, Marcílio, Márcia, Mário, Otávio, Vinício 
 
(ua) água, régua, árdua, quíchua, tábua, exígua, ingênua, iníqua 
 
(ue) tênue, águe, míngue, bilíngue 
 
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(uo) árduo, supérfluo, ambíguo, mútuo, ubíquo, assíduo, ingênuo, iníquo, profícuo 
 
(ea) áurea, rédea, orquídea, miscelânea, várzea, drágea, pâncreas, fêmeas 
 
(eo) espontâneo, momentâneo, homogêneo, litorâneo, saponáceo, óleo, gêmeos 
 
(oa) mágoa, Páscoa, amêndoa, névoa, nódoas 
 
(ei) jóquei, vôlei, ágeis, férteis, pênseis, faríeis, achásseis, fósseis. 
 
Novas regras (2009) 
- "Não se acentuam graficamente os ditongos representados por ei e oi da sílaba tônica das 
palavras paroxítonas, dado que existe oscilação em muitos casos entre o fechamento e a 
abertura na sua articulação: assembleia, boleia, ideia, tal como aldeia baleia, cadeia (...)”. 
Outros exemplos: [eu] apoio, [ele] apoia, Coreia, pré-estreia, heroico, introito, jiboia, 
paranoica, proteico. 
- Não se usa o acento nas formas verbais paroxítonas que contêm um e tônico oral fechado 
em hiato com a terminação -em da 3ª pessoa do plural do presente do indicativo ou do 
subjuntivo: creem, deem, descreem, desdeem, leem, preveem, releem, reveem, veem. 
- Não se usa o acento circunflexo em paroxítonas com duplo o: enjoo, magoo, povoo, voo, 
zoo. 
 
Título: Acentuação – Oxítonas. 
O sabiá não sabia nadar. 
 
Pelé sofreu um ferimento na pele. 
 
Em maio não se usa maiô. 
Observe que as palavras sabiá, Pelé e maiô foram acentuadas para que pudessem ser lidas 
corretamente. Sem o acento, nós as leríamos como paroxítonas: saBIa, PEle, MAIo (a 
penúltima sílaba forte). Por que Telê tem acento? Porque a pronúncia é diferente de tele 
(telecomunicações). O coco-da-baía, por exemplo, não precisa de acento, pois é um 
11 
 
paroxítono natural, como soco, bolo, tolo, mofo. A exceção é que deve ser acentuada 
(cocô). 
Oxítonas são chamadas as palavras cujo acento tônico cai na ÚLTIMA SÍLABA. 
1. Assinalam-se com acento agudo ou circunflexo os vocábulos oxítonos que terminam em A, 
E, O seguidos ou não de S: 
Iaiá ia ao parque comigo. 
 
Na sua casa tem um pé de cajá. 
 
Pepe veio receber seu cachê. 
 
Vi jacarés nadando no rio. 
 
Acabou o jogo de dominó. 
 
Seus dois avôs usavam chapéu-coco. 
Nesta regra se incluem as formas verbais seguidas de pronomes: contá-lo, amá-la, dizê-lo, 
magoá-las, marcá-la-ei, fá-lo-á, fê-los, movê-las-ia, pô-los, qué-los, dá-nos, etc. (Ver Não 
Tropece na Língua 251) 
2. Marca-se com o acento agudo o E da terminação em ou ens: 
Tem alguém aí? 
 
Os que eram louvados são agora mencionados com desdém. 
 
Vários nenéns foram doados ilegalmente. 
É necessário colocar acento gráfico na última sílaba de palavra acabada em EM (ou seu 
plural ENS) para ela não ser lida como paroxítona, como em: forem, morem, desdenhem, 
cosem, acalmem, bebem, cedem etc. (verbos) ou imagem, imagens, garagem, plumagem, 
nuvem, item, itens, hifens, liquens, jovens, totem (substantivos) etc. Quando a palavra é 
monossílaba, o acento não é necessário: nem, vem, sem, tem, cem, quem, bem, trem, tens, 
vens, bens. 
3. Na regra dos oxítonos se incluem os monossílabos tônicos, palavras de uma só sílaba com 
pronúncia forte. Assinalam-se com o acento agudo os que terminam em a, e, o abertos, e 
12 
 
com o acento circunflexo os que acabam em e, o fechados, seguidos ou não de s: pá, pé, pó / 
pás, pés, pós; dê, dês, vô, vôs; Sé, lá, lê, dá, nó, nós, vó, vós. 
4. Terminação em I e U. Observe: 
Aqui estão os livros. Desculpe, não quis feri-lo. Chamou à parte os gurupis. 
 
O urso-panda come bambu. Vendem-se perus congelados. Eles parecem urubus. 
Não há necessidade de acentuar graficamente aqui, feri-lo, gurupis, bambu, peru, urubus, 
por exemplo, porque pronunciar fortemente a última sílaba de palavras terminadas em i e u 
é o natural. Mas repare que em todos os exemplos o i ou o u formaram sílaba com outras 
letras (qui, ri, pis, bu, rus, bus). Porém, quando o i e o u estão sozinhos na sílaba, devem ser 
acentuados: 
Sai já daqui - já saí. Ontem caí da escada como laranja cai do pé. Daí disseram: dai-nos seu 
perdão. Concluí que o tolo jamais conclui com acerto. Ai, como deve doer aí. 
 
Atravessou a vau carregando um baú. Nas naus portuguesas havia muitos baús. Maus 
elementos não entram no grupo Emaús. 
O hiato, portanto, é a razão de algumas formas verbais serem acentuadas e outras não. 
Exemplos: atraí-lo, distraí-la, traí-los, construí-la, subtraí-los, distribuí-los, atribuí-lo, destruí-
la, instruí-lo, constituí-lo. Mas: admiti-lo, abri-las, adverti-las, muni-lo, fingi-lo, permiti-nos, 
garanti-lo, persegui-las, consegui-los. 
 
Título: Falando de gente 
- Nomes próprios permitem variações? Qual seria a forma correta: Vítor, Vitor ou Victor? 
João Carlos Magalhães, Vitória/ES. 
O registro civil no Brasil é bastante democrático, digamos assim. Os cartórios só não 
registram nomes que possam causar constrangimento. No mais, atendem ao gosto do 
freguês, razão pela qual se encontram muitas variações de nomes, sobretudo naqueles de 
origem estrangeira, como por exemplo: Wagner e Vágner; Graziela, Grasiella, Grasiela; 
Jeferson, Jéferson, Jefferson; Alexandra, Alessandra, Alexsandra; Mike, Maikon, Maicon, 
Máicon, Maicom; Luise, Luiza, Luísa (sobre este último, ver o Mural de Consultas 215). 
Mas a orientação que oferecemos e que os bons cartórios adotam é a seguinte: os nomes 
próprios devem seguir as normas ortográficas vigentes. Portanto, sendo palavra paroxítona 
terminada em r, Vítor (com acento agudo) é a grafia correta. 
13 
 
Transcrevo a instrução oficial (Formulário Ortográfico de 1943): 
39. Os nomes próprios personativos, locativos e de qualquer natureza, sendo portugueses 
ou aportuguesados, estão sujeitos às mesmas regras estabelecidas para os nomes comuns. 
40. Para salvaguardar direitos individuais, quem o quiser manterá em sua assinatura a forma 
consuetudinária. Poderá também ser mantida a grafia original de quaisquer firmas, 
sociedades, títulos e marcas que se achem inscritos em registro público. 
Vale lembrar ainda: se na prática os nomes próprios das pessoas vivas têm sido grafados de 
acordo com a certidão de nascimento – ainda que em desacordo com as regras de ortografia 
– , os nomes de pessoas falecidas (e famosas) devem se ajustar às normas ortográficas 
vigentes: 
Cruz e Sousa [era Cruz e Souza], Vítor Meireles [Victor Meirelles], Rui Barbosa [Ruy], Filinto 
Elísio [Elysio], Érico Veríssimo [Verissimo] etc. 
 
- Qual é a forma correta dos sobrenomes: os Sousa ou os Sousas? os Maia ou os Maias? 
Wanderley Casani, Montenegro/RS. 
As duas formas coexistem. A tradição na literatura portuguesa, desde a “Gramática da 
Linguagem Portuguesa”, publicada em 1536, é pluralizar os nomes próprios ou sobrenomes: 
os Maias, os Silvas, os Sousas, os Albuquerques, os Costas – aliás, uso diferente da nossa 
língua-mãe, o latim, e do grego, que empregavam sempre o singular. Diga-se o mesmo do 
francês atual. 
No Brasil, no entanto, houve uma flexibilização, pois há nomes que definitivamente não 
soam bem no plural, como Queiroses e Gils. Sobretudo soam artificiais os de origem 
estrangeira, como Herings, Amins, Bauers, Bornhausens, Bortoluzzis. E se fosse obrigatório 
pluralizar, o nome Maciel como ficaria? “Maciéis”, como Manoel – Manéis? Fica assim 
justificada a prática atual de deixá-los (corretamente) no singular: os Queirós, os Sousa, os 
Bauer, os Bortoluzzi, os Maciel, os Gil, os Costa, os Hering etc. 
 
Título: Ó aberto, nada a ver. 
- Gostariade ver compilada uma lista de palavras nas quais o ‘o’ seja aberto no plural ou 
feminino (ovo/ova – olho/olhos). A. A., São Paulo/SP. 
Normalmente as vogais das palavras paroxítonas têm o mesmo som no singular e no plural, 
como por exemplo: bolha – bolhas, cachorro – cachorros, mola – molas, modo – modos. Há 
14 
 
contudo algumas exceções, em que o O da sílaba tônica é fechado no singular e aberto [ó] 
no plural. Eis os principais casos, de acordo com a pronúncia brasileira: 
abrolhos jogos 
caroços miolos 
corcovos olhos 
cornos ossos 
coros ovos 
corpos poços 
corvos porcos 
despojos portos 
desportos postos [todos os terminados em -postos] 
destroços povos 
esforços povos 
fogos povos 
formosos rogos 
fornos socorros 
foros tijolos 
fossos tortos 
gostosos tremoços 
gozosos troços 
grossos 
 
Nessa lista aparecem alguns substantivos que têm o feminino com ó aberto; há quem diga 
que isso justifica o aparecimento do som aberto no masculino plural (por exemplo: porco-
pórca-pórcos, ovo-óva-óvos). Todavia, não é regra, pois não se aplica a outras palavras como 
miolo e forno, que não têm feminino, e tampouco a outros vocábulos que têm um 
equivalente feminino aberto mas cujo plural permanece com o som fechado, de que é 
exemplo sogro (sôgro-sógra-sôgros) ou toldo (tôldo-tólda-tôldos). Assim, pode haver 
hesitação por parte do falante igualmente nos seguintes casos, que no Brasil têm som 
fechado [ô] no singular e no plural: 
acordo – acordos 
choco – chocos 
contorno – contornos 
desgosto – desgostos 
estorno – estornos 
estorvo – estorvos 
globo – globos 
gosto – gostos 
rosto – rostos 
15 
 
suborno – subornos 
transtorno – transtornos 
toco – tocos 
torno – tornos 
troco – trocos 
Como se vê, não há regra absoluta. O jeito, então, é decorar as palavras que interessam ou 
consultar a lista quando for necessário. 
- Nada a ver é uma expressão correta? “Não tive nada a ver com o fato.” Vi grafado nada a 
haver... Lyana, Rio Claro/SP. 
O errado, claro, é *nada haver. “Nada a ver” é uma expressão coloquial mas correta, que 
quer dizer "não estar relacionado, não ter nenhuma correspondência"; significa que não se 
vê relação entre uma coisa e outra. Exemplo: 
Não tive nada a ver com o fato. 
Também se pode usar QUE no lugar de A: 
Isso não tem nada que ver com o assunto tratado na reunião. 
 
Título: Superavit, sub examine e habeas corpus. 
- Por que o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (PVOLP) da Academia Brasileira de 
Letras (ACL) coloca acento gráfico na palavra SUPERÁVIT sendo que não há regra que o 
justifique? Agnaldo Martino, São Paulo, SP. 
Vamos tratar junto de déficit e hábitat, que configuram a mesma questão. O PVOLP editado 
em 1999 pela ACL traz os dois registros: “deficit, superavit, habitat” - o próprio latim, e 
“déficit, superávit, hábitat”, a forma aportuguesada. Também assim procedem os dicionários 
pós-Acordo Ortográfico (2009). A imprensa prefere a grafia com o acento, porque facilita a 
leitura e dispensa o itálico, que seria de rigor na palavra latina. Aliás, a acentuação gráfica 
nos três vocábulos tem o mero papel de informar a tonicidade. Senão vejamos: 
Dé – fi – cit 
Há – bi – tat 
Su – pe – rá – vit 
Como se observa, não é possível afirmar que o acento nessas palavras se justifica porque 
elas são proparoxítonas, como assim as denomina Napoleão Mendes de Almeida no seu 
16 
 
Dicionário de Questões Vernáculas (1981: 305). Se as duas primeiras são proparoxítonas, a 
última não pode ser. 
PLURAL: superávits, déficits e hábitats 
Em Portugal resolveu-se a pendenga de outra maneira: a grafia de deficit é défice. E 
superávit? Fui informada de que não é termo vulgarmente usado – preferem “excedente”. 
Mas poderia e poderá ser aportuguesado como “superávite”, não? 
De minha parte, ainda prefiro as formas acentuadas que estou acostumada a ver em revistas 
e jornais, mesmo que não haja coerência nessa grafia. 
 Sub exame 
Nos meios forenses é comum a dúvida entre a grafia “sub examen” e “sub examine” quando 
se pretende dizer que a matéria está sendo examinada ou está “sob exame”. 
Já vai longe o tempo em que estudei latim, mas tive condições de verificar a questão 
baseando-me na locução adverbial in limine (desde logo, no início), originada pelo 
substantivo limen, que significa “limiar, entrada”; o caso nominativo é limen; liminis é o 
genitivo, e limine o ablativo, caso latino que representa as palavras na função de adjunto 
adverbial, em que aparece uma preposição, como in, sub, de. 
Então, como examen e limen pertencem à mesma declinação (neutros da 3ª) temos examen, 
examinis, examine. Consequentemente, deve-se redigir sub examine. 
Hábeas 
O “Word” acentua automaticamente a palavra hábeas. “Mas latim não tem acento”, 
surpreendem-se as pessoas. Pois este é um caso parecido com o tratado inicialmente: no 
Brasil se vulgarizou o uso de “hábeas” como palavra proparoxítona no lugar de “habeas 
corpus”, que é a expressão latina original e que portanto não levaria nem hífen nem acento. 
Para que se caracterize o latim em qualquer texto, as palavras devem ser escritas em itálico, 
entre aspas ou sublinhadas. A imprensa, no entanto, como evita o uso desse tipo de 
destaque, tem juntado os dois vocábulos com hífen [habeas-corpus] ou utiliza hábeas 
simplesmente. Recomenda-se que os operadores do Direito usem o termo em latim com o 
devido grifo. 
Título: Récorde ou recorde - Solicitamos-lhe, Vamo-nos! 
- Qual a forma correta, desse e demais verbos semelhantes: contatemo-nos ou contatemos-
nos? Essa forma verbal possui o “s” ou não? Gustavo Oliveira, São Paulo/SP. 
17 
 
- Em nossas correspondências oficiais, é comum o uso do plural majestático. Nesse caso, eu 
devo escrever solicitamos-lhe, encaminhamos-lhe, ou, como sugere o corretor ortográfico do 
computador: solicitamo-lhe e encaminhamo-lhe? Maria Inêz, Belo Horizonte/MG. 
- Gostaria de informações acerca do uso dos pronomes no, na, nos, nas, lo, las etc. Qual 
seria a forma correta: Manoel amou intensamente seus filhos, dava-lhes apoio irrestrito e 
pequenos gestos faziam-nos fortes ou faziam-os fortes (no sentido de fazer eles fortes). 
Antônio Silveira Neto, Campina Grande/PB. 
A melhor orientação: escreva encaminhamos-lhe o documento, solicitamos-lhes as fotos, 
fizemos-lhe um favor, com o S da desinência mos antes do pronome lhe. Elimine o S com os 
oblíquos nos e lo(s) apenas: vamo-nos, encontramo-nos,amamo-lo, temo-lo [temos + o]. 
O corretor ortográfico deve ter se baseado numa regrinha que genericamente diz: “A 
desinência pessoal mos perde o s antes de formas pronominais enclíticas”, sem especificar 
quais pronomes repelem o s. Ao mesmo tempo, como assegura Napoleão Mendes de 
Almeida, “gramaticalmente não se pode dizer errada a forma ‘queixamos-nos’. Se outro, no 
entanto, é o uso geral, explica-o a facilidade, ou melhor, o hábito da pronúncia, o qual regula 
a omissão ou não do ‘s’ final nos diferentes casos”. 
Também confirmam a supressão do s somente antes de nos, “por eufonia”, autores como 
Laudelino Freire, Celso Pedro Luft, Vasco Botelho e Eduardo Carlos Pereira. 
Quanto aos pronomes enclíticos o, a, os, as, sua forma depende da terminação do verbo: 
» Altera-se para lo, las, los, las quando a forma verbal termina em R, S, Z, como deixar, 
contatemos, faz, caindo essa consoante na nova composição: vamos deixá-lo em casa / 
contatemo-los agora / fá-los bem feitos. 
» Altera-se para no, na, nos, nas quando o verbo termina em som nasal: dão-no / põe-na / 
mostram-nas / fazem-nos. 
Portanto, a frase do leitor Antonio fica assim: “pequenos gestos faziam-nos fortes”. Mas há 
um probleminha com o nos em tal situação verbal: pode-se confundir o objeto direto (é a 
primeira ou a terceira pessoa do plural?). O fato chamou minha atenção quando vi uma cena 
de perseguição num filme antigo, em que um dos líderes clamava: “Sigam-nos, sigam-nos!” 
Não dava para saber se ele queria dizer sigam a nós ou sigam eles (aos que estavam à 
frente). 
- Gostaria de saber como devo escrever e pronunciar a palavra recorde: como paroxítona ou 
proparoxítona? Maria Nair de Souza Resende, Uberaba/MG. 
18 
 
A sua dúvida faz sentido, pois se ouvem as duas pronúncias no Brasil. Uma, à inglesa: 
récorde; outra, com base na grafia aportuguesada como paroxítona: recorde. O dicionário 
Houaiss 2009 registra no verbete recorde a variante récorde. Na edição anterior havia a 
observação de que “pelo menos no Brasil, ocorre também como palavra proparoxítona: 
récorde”. 
Em dicionários mais antigos encontrei somente a grafia do inglês, por exemplo: “RECORD, 
s.m. Do ingl. Ato desportivo, verificado e registrado por personalidades ou associações 
desportivas competentes e que excede tudo o que foi precedentemente feito no mesmo 
gênero” (Laudelino Freire, 1957). 
Por pressão social, repórteres de televisão e rádio assim como falantes em atos oficiais estão 
cada vez mais usando a forma paroxítona, embora ainda possa causar certa estranheza nos 
ouvintes, provavelmente pelo fato de a palavra “recorde” nos reportar ao verbo “recordar” 
(recorde = lembre). Se o inglês ticket foi aportuguesado conforme absorvido pelos falantes 
de português, isto é, tíquete, assim com acento indicativo de proparoxítona, por que 
não oficializar a grafia récorde? 
 
Título: Prefixar, pré-fixar e casos afins. 
- Qual a regra de utilização do prefixo PRE em palavras como pré-história e predestinação? A. 
L. C., Bom Jesus do Itabapoana/RJ. 
 
A regra (estabelecida em 1943) para o uso do acento agudo em tais casos – pré ou pre – é a 
pronúncia aberta ou fechada do E. Isso significa que, quando o prefixo é tônico – PRÉ –, ele 
se separa da palavra seguinte por hífen. Quando átono – PRE –, aglutina-se ao segundo 
elemento. O Acordo Ortográfico (2009) assim se expressa: [usa-se o hífen] “d) Nas 
formações com os prefixos tônicos acentuados graficamente pós-, pré- e pró-, quando o 
segundo elemento tem vida à parte (ao contrário do que acontece com as correspondentes 
formas átonas que se aglutinam com o elemento seguinte): pós-graduação, pós-tônicos (mas 
pospor); pré-escolar, pré-natal (mas prever); pró-africano, pró-europeu (mas promover)” – 
Base XVI, 1º. 
Assim, de um lado temos pré-história, pré-estreia, pré-pago, pré-datado, pré-moldar, pré-
habilitar, pré-natal, pré-fabricado, pré-molar, pré-adolescente, pré-cozido, pré-olímpico, pré-
coma – para dar mais alguns exemplos. 
De outro lado, encontramos predestinação, predispor, predisposição, precogitação, 
prejulgar, predizer, predominar, pressupor, preordenar etc. 
19 
 
Um problema é quando não se distingue facilmente entre E aberto e E fechado, como em 
preanunciar, preaquecer ou precitado (“citado anteriormente”). Não se pode esquecer que 
em muitas regiões do Brasil há uma predominância do timbre aberto, o que leva por 
conseguinte ao pré tônico. Muitos brasileiros, ou a maioria, falam por exemplo “pré-
estabelecer” e “pré-condição”, mas a grafia oficial é “preestabelecer” e “precondição”. 
 
Em virtude dessa ambivalência é que o VOLP - Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa 
2009 já registra duas grafias em alguns casos: pré-eleito, pré-eleição e preeleito, preeleição; 
pré-embrião e preembrião; pré-demarcar, pré-demarcação e predemarcar, predermarcação. 
Sugiro que o leitor anote quatro casos, bastante comuns, de palavras habitualmente 
pronunciadas com som aberto mas escritas sem hífen e portanto sem acento gráfico: 
 
O ajuste foi aceito de acordo com as condições preestabelecidas. 
 
Os fatos preexistentes não nos permitem mudar de rota. 
 
Está sendo minuciosamente predeterminado cada passo do plano. 
 
Serão predefinidos os termos em que faremos a negociação. 
 
Outras duas palavras que comportam um comentário à parte são pré-fixado e prefixado. 
Quando se trata de “colocar prefixo em”, não há dúvida de que só se usa prefixar (ou 
aprefixar): 
Para se formar um novo verbo em português, basta prefixar uma forma primitiva. 
Já no âmbito da economia, a forma que apresenta mais lógica e clareza, por trazer a ideia de 
prazo fixado com antecedência e por ser efetivamente pronunciada com timbre aberto, é 
pré-fixar, que ainda se opõe melhor a pós-fixar e a pós-datar. A questão é que nem todos os 
dicionários brasileiros registram a forma com hífen, encontrada entretanto no Dicionário de 
Usos do Português do Brasil (Francisco S. Borba, 2002): 
Títulos de renda pré-fixada. 
Você faz uma transação cuja margem de lucro são os juros pré-fixados mais correção 
monetária. 
20 
 
Há outro caso parecido: preconceito em alguns casos específicos escreve-se pré-conceito, 
para fazer a distinção entre a intolerância, ou “atitude, sentimento ou parecer insensato, 
especialmente de natureza hostil, assumido em consequência da generalização apressada de 
uma experiência pessoal ou imposta pelo meio”, e o conceito formado a priori, seja 
favorável ou não. 
Título: De polos e bolos: acento diferencial 
Pergunta um menino a outro: 
– Vamos jogar uma pelada? 
– Está bem, vou buscar a bola. 
Seria estranho se o garoto fosse buscar a “péla”, palavra que deu origem à informal “pelada” 
porque designativa de um tipo de bola usada no jogo da pela. Esta palavra perdeu o acento 
agudo, mas continua com o e aberto. A mesma pronúncia (é) mantém o ato de pelar: “Tu 
pelas ou ele pela uma laranja em dois segundos”. 
Antes de 1971 usava-se o acento circunflexo no e e no o de certas palavras homógrafas para 
distinguir a pronúncia fechada (por exemplo êle, êsse, sôbre, côrte) da aberta (ele, esse, 
sobre, corte), ou seja, por questão de timbre. A Lei 5.765/71 aboliu esse acento diferencial, 
tendo permanecido duas exceções por timbre (pôde e fôrma – esta última não 
oficialmente), além de outros pares diferenciais em razão da tonicidade, em que o acento 
agudo ou circunflexo distinguia a sílaba tônica da átona (côa, pólo, pôlo, pêlo, pélo, pêra, 
péra, pára, pôr). 
O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que entrou em vigor em janeiro de 2009, 
reduziu essas onze palavras acentuadas a três: pôr, pôde e fôrma (sendo o acento 
facultativo neste últimocaso). 
Não se usará mais acento em para (verbo), pela (bola ou verbo), polo (extremidade, face 
oposta), pelo (cabelo, penugem) e pera (fruta), como acontece com todas as palavras 
paroxítonas terminadas em a, e, o. 
O acento diferencial evita ambiguidades. Imagine, por exemplo, um bilhete deixado na sua 
mesa: “O contador não pode vir, conforme sua convocação”. Significa o quê? Que não houve 
jeito de ele vir, ou que no momento está impossibilitado de comparecer? Para esclarecer, 
basta um sinal gráfico: Não pôde vir [ontem, ou outro passado]. Não pode vir [hoje, agora]. 
Outro caso em que o acento diferencial se faz quase que indispensável é o de fôrma versus 
forma, porque ambas as palavras pertencem à mesma classe gramatical, têm a mesma 
distribuição na frase. Só o contexto não evita a ambiguidade – uma coisa é “prefiro esta 
21 
 
forma” e outra é “prefiro esta fôrma”. É o acento que nos faz perceber a diferença de 
sentido. 
Há muitos pares de homógrafos, como bolo (doce) e bolo (verbo) ou fora (na parte exterior; 
exceto) e fora (verbo), que não se confundem dentro de um mesmo contexto: 
- Vou colocar o bolo na fôrma que inventei. Como bolo coisas lindas! - diz, convencida. 
- O menino deixou a bicicleta lá fora, mas quando o procurei, já se fora. 
Há uma palavra, entretanto, que deveria ter permanecido com o acento diferencial: pára. 
Não custava nada terem deixado os três verbos na mesma situação: pôde, pôr, pára. Criou-
se no mínimo um problema para os jornais porque, usada isoladamente, a forma verbal 
“para” se confunde com a preposição “para”. Por exemplo, numa frase como TRÂNSITO 
PARA SÃO PAULO, a tendência do leitor é entender que o trânsito vai em direção a ou é 
destinado a SP. Como os jornais prezam por uma comunicação rápida mas eficiente, já não 
podem usar o verbo em manchetes! Esse acento poderia ser facultativo, ao menos, para 
salvaguardar os casos ambíguos. Quem sabe a Academia Brasileira de Letras ainda vá mudar 
este ponto da reforma, um entre outros que merecem revisão. 
 
Título: Computo, me adéquo, expludo. 
Em vista de três consultas específicas, estávamos falando sobre os verbos defectivos ou 
defeituosos, aqueles que apresentam lacunas em algumas pessoas verbais. Nessa categoria 
se enquadram todos os verbos que exprimem fenômenos meteorológicos. Por exemplo, 
amanhecer, chover, anoitecer, garoar, gear, nevar, trovejar só se conjugam na terceira 
pessoa do singular de cada tempo e não possuem as formas imperativas. São chamados 
verbos impessoais. 
Há outros que podem ser considerados defectivos, os pessoais, que se apresentam 
sobretudo na terceira pessoa do singular e do plural de cada tempo, como os que exprimem 
fenômenos da natureza vegetal (arborescer, frutificar, murchar, verdejar, vicejar etc.) e os 
verbos onomatopaicos ou imitativos de vozes animais e de ruído das coisas (balir, cacarejar, 
ganir, grasnar, latir, mugir, badalar, chiar, espoucar/espocar, tilintar/tlintar etc.). 
Tanto os verbos que exprimem estados atmosféricos ou vegetativos quanto os 
onomatopaicos admitem conjugação completa, pois eles podem ser empregados em sentido 
figurado (eu trovejei de raiva, amanheço pensando em ti, nós frutificamos, eles uivaram de 
dor) e também em outras acepções, como “eles badalam em todas as festas; o filme foi 
muito badalado”. 
22 
 
Alguns, entretanto, continuam defectivos, já que não têm a primeira pessoa do presente do 
indicativo, tais como os verbos falir, parir, balir, latir, colorir, que por conseguinte não têm o 
presente do subjuntivo. 
EXPLODIR não é verbo defectivo em si. Ele é conjugado conforme o verbo dormir, segundo 
dicionários especializados; portanto, pode-se dizer “ele explode, eu expludo; ele que 
expluda o balão”. O dicionário Houaiss registra as conjugações brasileiras explodo, exploda, 
observando que também existem expludo e expluda. Já vi expludo em livros editados em 
Portugal, numa boa. Aqui, depois que o ex-presidente Figueiredo falou (corretamente) “eu 
expludo”, criou-se o estigma e a má reputação do verbo, como se ele devesse ter explodido 
de outra forma: "Ele que se exploda!" 
COMPUTAR não é tampouco verbo defectivo. Existem e são usadas formas como “eu 
computo, ele computa os dados diariamente; computa isso para mim?” Não falar “computa” 
seria talvez uma opção pessoal por causa da sonoridade indigesta para alguns. O dicionário 
Aurélio não traz o presente “computo, computas, computa”, como faz o Houaiss, que 
registra todas as formas. Mas devemos lembrar que as palavras existem não porque os 
dicionários querem que elas existam. É o contrário: os dicionários devem espelhar o 
vocabulário existente. 
De qualquer modo, um alerta: quem está se submetendo a um concurso público deve evitá-
las, pois nunca se sabe o grau de tolerância da comissão que vai corrigir as provas, a qual 
pode aceitar ou rejeitar o Houaiss, dicionário que se propôs a registrar um uso efetivo, 
encontrado mesmo entre falantes cultos, assim considerados, na ciência linguística, os 
brasileiros da zona urbana que têm curso superior completo. Aliás, formas em discussão 
jamais deveriam ser objeto de provas de língua portuguesa. 
 
Título: Pessoa humana, reúso, ver/vir e reaver. 
- Ouço a toda hora a expressão “pessoa humana” dita por gente acima de qualquer suspeita. 
Não seria uma danada de uma redundância? Cao Hering, Blumenau/SC 
Aparentemente, “pessoa humana” é uma redundância. Ou “pessoa” ou “ser humano” – 
basta um ou outro. Mas então por que é que em textos jurídicos, sobretudo na área de 
Direitos Humanos, encontram-se os dois termos juntos? Vejamos um exemplo: 
 
Procura-se psicopata que vá à televisão pedir desculpas por torturas, como se esses atos de 
supremo agravo aos direitos da pessoa humana fossem perdoáveis venialmente. 
23 
 
A explicação está em que neste caso é necessário distinguir a pessoa de direito privado ou 
pessoa jurídica (que seria uma sociedade, uma empresa, uma organização), que também 
tem seus direitos e pode sofrer danos, da pessoa física, que é a pessoa natural ou pessoa 
individual: o sujeito de direitos pelo fato de pertencer à espécie humana. 
- A palavra reuso é acentuada? Claudia Rodrigues do Nascimento, Fortaleza/CE. 
 
- A palavra reuso tem hífen? Roseana Rodrigues, São Paulo/SP. 
Não tem hífen, mas tem o acento gráfico para marcar a sílaba tônica no U: reúso. Sem 
acento você pronunciaria o eu como ditongo /reu/, e não como hiato, em que o u é 
pronunciado sozinho numa sílaba: /re-ú-so/. Se fosse grafado “reuso”, uma pessoa 
desavisada (já que é novidade e não aparece nos dicionários) poderia ler /reu-so/ como se lê 
deusa e Neusa. Este vocábulo tem sido utilizado geralmente em relação aos recursos 
hídricos: 
O uso controlado e o reúso da água estão contemplados na nova política ambiental da 
instituição. 
- Quanto ao uso dos verbos, estas frases estão corretas? Ele reaveu os bens que havia 
perdido. Se ele ver você na rua, não ficará contente. W.R.C., Araçatuba/SP. 
Quanto à primeira frase, nem *reaveu, nem *reaviu, pois o verbo reaver deriva de haver [re 
+ haver sem o h], e não de ver. Ele é conjugado somente nas formas em que a letra v 
aparece nas flexões do verbo haver. Por exemplo, no tempo presente conjuga-se hei, hás, 
há, havemos, haveis, hão. Então, no caso de reaver, só temos as formas reavemos e reaveis. 
Trata-se de um verbo defectivo. Não existe o subjuntivo presente nem o imperativo. Nos 
outros tempos, segue-se o verbo haver, como foi dito: 
Ele reouve, logo, os bens que havia perdido. 
 
Se os rebeldes reouvessem as armas que lhes tiramos, voltariam a atacar. 
A segunda frase – Se ele ver você na rua, não ficará contente – contém uma impropriedadelinguística do ponto de vista da norma culta ou da língua-padrão, já que o verbo ver é 
irregular, devendo ser conjugado assim no futuro do subjuntivo: se/quando eu vir, vires, vir, 
virmos, virem. Na hora de falar, poucas pessoas o usam assim. Porém, numa linguagem mais 
monitorada é solicitada essa conjugação, como nos seguintes exemplos: 
Se eles virem você na rua, não ficarão contentes. 
 
Quando eu vir o João, vou lhe dar o recado. 
24 
 
Por favor, diga à sua diretora, se você a vir ainda hoje, que o relatório está pronto. 
 
Se não nos virmos mais, boa viagem! 
 
Título: Linguagem jurídica: é plúrimo, não há como negar. 
- Por questão meramente prática, sempre escrevi a palavra PLÚRIMA acentuada. É assim que 
escrevo para me referir a um ‘tipo’ de ação na esfera trabalhista ou para indicar a 
pluralidade de devedores, credores ou de obrigações, por exemplo, na esfera cível. Contudo, 
lendo alguns textos em jornais, internet etc. tenho notado que alguns escrevem PLURIMA, ou 
seja, sem acentuação. A forma correta é com ou sem acento? Natanael Vieira dos Santos, 
São Paulo/SP. 
Para começar, vejamos o que significa a palavra plúrimo, pois ela é praticamente 
desconhecida fora do âmbito jurídico e não consta nos dicionários como vocábulo em 
português. Quando se quer fazer menção a uma pluralidade ou multiplicidade de situações 
ou coisas, tem-se usado o termo latino PLÚRIMO em vez de múltiplo, ou seja, aquilo que 
comporta mais de um elemento, como nestes exemplos: 
A dissertação trata da cidadania plúrima como reflexo da competição entre sistemas-
Estados. 
 
“Da própria natureza do direito de propriedade decorre, antes de mais nada, que um 
domínio plúrimo não pode existir sobre uma e mesma coisa, plúrimo não no sentido de 
formas diversas de propriedade (...), mas no sentido de várias propriedades iguais e 
igualmente plenas sobre a mesma coisa.” 
Geralmente a decisão é proferida por uma Junta de Conciliação e Julgamento em dissídio 
individual ou plúrimo, exercendo o tribunal mera revisão recursal. 
Há certas relações jurídicas com diversos titulares ativos ou passivos (daí a legitimidade 
plúrima) que, pela sua própria natureza, não comportam cisão. 
A origem do termo é o latim “plurimus, a, um”, que é o superlativo de “multus” (muitos), 
trazendo o dicionário latino a significação de “muito numeroso, ou o mais numeroso ou 
muito abundante, o mais abundante”. 
Adaptada ao português, a palavra plúrimo deve ser acentuada para que se informe a leitura 
correta, pois do contrário um desavisado pode lê-la como paroxítona: /pluríma/. Ocorre a 
mesma questão de acentuação com as palavras latinas deficit, superavit, alibi, habitat, 
25 
 
forum, por exemplo, que não sendo mais escritas com grifo em itálico ou aspas acabaram 
recebendo um acento gráfico no seu processo de aportuguesamento: déficit, superávit, 
álibi, hábitat, fórum. 
- Li num Código de Processo Civil comentado as seguintes frases: Não se há cogitar..., se há 
verificar é que..., não há mais aplicar o artigo. Pergunto: as três formas estão corretas? 
Obrigada. Maria Cristina, São Paulo/SP. 
Não vejo como abonar tal uso numa linguagem atual e elegante. Nos casos acima ou falta a 
partícula COMO, ou falta um DE. São sintaticamente boas e corretas estas frases: 
Não há que se cogitar em mudar a função criadora do juiz. 
 
Não há como se cogitar em mudar a função criadora do juiz, que não é um porta-voz da 
vontade do legislador. 
 
Não se há de cogitar em mudar a função criadora do juiz. 
 
Pois há de se verificar que houve imprudência e má-fé. 
 
Não há mais como aplicar o artigo, argumentou o advogado. 
 
Não sendo a empresa ou o estabelecimento sujeitos de direitos, não há como falar em 
sucessão de empresas. 
 
Não há como se falar em nulidade do julgamento por falta de intimação. 
 
Não há que se falar em nulidade do julgamento. 
 
Não há como negar à jurisprudência e à doutrina a condição de fontes mediatas do Direito. 
 
Não há que se acolher a proposta. 
 
Não há como (se) acolher a proposta. 
 
Título: Fazer o quê? E outros ques sem acento circunflexo. 
- Acentua-se o ‘que’ neste caso: Fazer o quê, Fernando? (quando a frase termina com um 
vocativo). Carlos Eduardo Miranda, São Paulo/SP. 
26 
 
Pela norma oficial, não. Reza o Formulário Ortográfico de 1943 (na 14ª regra da Acentuação 
Gráfica - Obs.) que o acento circunflexo deve ser usado como distintivo ou diferencial entre 
“porquê (quando é substantivo ou vem no fim da frase) e porque (conj.)” e entre “quê (s.m., 
interj., ou pron. no fim da frase) e que (adv., conj., pron. ou part. expletiva)”. Vamos 
exemplificar essa regra quanto aos dois últimos “ques”: 
Com acento circunflexo: 
- Substantivo masculino: Seu olhar tem um quê de misterioso e vago. 
- Interjeição: Quê! isso é intriga. 
- Pronome em fim de frase: Fumar pra quê? 
Ele falou não sei o quê. 
Analise como e por quê. 
 
Sem acento: 
- Advérbio: Que beleza! 
- Conjunção: O ministro disse que vai pensar no caso. 
- Pronome: É linda a casa que construíram. 
- Partícula expletiva: Que doce que ela é! 
Em suma: escreve-se o que com acento para marcá-lo como monossílabo tônico, da mesma 
forma que se faz com dê, lê, sê, e essa tonicidade ocorre com o que quando interjeição ou 
substantivo e quando pronome no final da frase. 
Há, contudo, uma situação que deixa muitos brasileiros em dúvida: é justamente quando o 
“que” soa como tônico mas não vem no fim da frase – ao menos a frase entendida como um 
enunciado de sentido completo que se conclui com um ponto (final, de exclamação ou de 
interrogação). É para evidenciar essa tonicidade que alguns redatores usam o “que” 
acentuado no meio da frase ou antes de acabado o período: 
Fazer o quê, Fernando? 
Está pensando em quê, fofura? 
São leituras, então, que intermedeiam o quê, para quê, através de quem. 
Não se pode considerar o acento gráfico um erro nesses casos, de modo algum. Mas pelo 
sim, pelo não, é uma boa opção ater-se ao preceituado na gramática e não acentuar o “que” 
situado no meio da frase, com ou sem pontuação na sequência. Assim o fizeram as pessoas 
que escreveram os períodos abaixo: 
 
27 
 
Por que, Senhor? 
 
O Washington e toda a equipe da W/Brasil mantiveram o frescor da campanha por 26 anos. 
Parar por que, então? 
 
Confira nesta página como e por que – embora entrelaçadas por uma história inacabada – as 
duas guerras têm características singulares. 
 
O redator-chefe de Primeira Leitura responde, numa reportagem sobre desinvestimento, o 
que e por que mudar. 
 
Cometemos de fato o equívoco apontado, pelo que nos desculpamos. 
 
Pedimos que nos envie o recibo e a nota fiscal, sem o que não realizamos nenhuma troca. 
 
Para elas, mudou o que neste meio século? O penteado? 
 
E se o barco afundar, vamos fazer o que, Presidente? 
 
Título: Formas verbais oxítonas devem ser acentuadas. 
- Alguns verbos, ao receberem o pronome em ênclise, com o hífen, recebem acento na 
última sílaba, sendo que não eram acentuados quando desacompanhados do pronome (ex. 
chamá-lo, vê-lo). Gostaria de saber quando colocar acento no verbo que recebe ênclise. 
Celso Luiz Bini Fernandes, São Paulo/SP. 
Começamos com os dois verbos mencionados pelo consulente: sabemos que “chamá-lo” e 
“vê-lo” se formam de chamar + o e ver + o. Ao receber em ênclise os pronomes átonos O, 
OS, A, AS (os únicos que começam por vogal), o infinitivo perde o R, que se transforma em L, 
unindo-se ao pronome. Vale isso para todas as conjugações: amar + o = amá-lo; vender + a = 
vendê-la; distribuir + os = distribuí-los; ferir + as = feri-las;pôr + a = pô-la. 
Deve-se notar que, no caso dos verbos da 1ª e 2ª conjugação – terminados em AR e ER mais 
PÔR e seus derivados –, a forma verbal sem o R continua sendo oxítona, só que agora se 
tornou um vocábulo oxítono (ou monossílabo tônico) terminado em A, E, O, motivo pelo 
qual deve ser acentuado, assim como se acentua “babá, nenê, está, você, dá, dê, pó”. 
A regra é simples e clara: acentuam-se as palavras oxítonas e os monossílabos tônicos 
terminados em A, E e O. Em relação ao acento gráfico, deve-se levar em conta somente o 
verbo na hora de aplicar a regra, ignorando o pronome átono que vem depois do hífen: 
28 
 
É preciso reformar as instituições e prepará-las para as novas gerações. 
 
E este livro? – Queira pô-lo na estante, por obséquio. 
 
A ideia é deselitizar a praça e devolvê-la ao povo. 
 
O hino? Vou compô-lo para as próximas efemérides. 
 
Dê um jeito de fazê-la melhor, torná-la mais útil. 
 
Não gostaríamos de lê-lo uma segunda vez – há outros livros à espera. 
 
Vou apanhá-los em um minuto. 
Se não se acentuasse o verbo em “prepará-las”, por exemplo, ele seria lido como 
paroxítono: “prePAra-las”, que equivale a preparas + as. Essa composição poderia ser usada 
numa situação assim: “Tu mesma fizeste as codornas? Estão deliciosas. Prepara-las muito 
bem.” Não importa que nenhum brasileiro se expresse desse modo. O fato é que as normas 
ortográficas não podem ser aplicadas somente quando nos convêm. 
O mesmo tipo de acentuação vamos encontrar em formas verbais com dois hifens. Também 
neste caso cada segmento da palavra deve ser considerado isoladamente, razão pela qual é 
possível encontrar dois acentos gráficos no mesmo vocábulo, como vemos a seguir: 
Dê-se-lhe o purgante imediatamente. 
Amá-la-ei para sempre. 
Fá-lo-ás por mim? 
Vê-los-á em breve – a senhora pode confiar. 
Repô-lo-ei na estante. 
Magoá-la-íamos caso não a convidássemos. 
Devolvê-los-emos assim que tivermos as notas fiscais. 
Pô-lo-íamos na tua mão agora, se tivéssemos todo esse dinheiro. 
No tocante à 3ª conjugação, cabe lembrar que só recebem acento agudo as formas verbais 
oxítonas em que o “i” forma sílaba sozinho: distribuí-lo, construí-la, incluí-las, reconstituí-los. 
Compare com: puni-lo, extingui-lo, dissuadi-la, segui-las, defini-los. 
 
29 
 
Observação: os títulos e dúvidas acima foram enviados entre os anos de 2007 e 
2012. 
Coluna Não tropece na língua. 
Fonte: Instituo Euclides da Cunha. 
Site: www.linguabrasil.com.br

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