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1 Acentuação: usa-se acentos ou não? Um pouco da Língua... 2 Título: concordância e acentos: quórum, fórum, câmpus, hábitat. A matéria deixou de ser votada por falta de quórum. Havia esquecido os documentos no Fórum, lembrou-se depois. Reza a gramática que devem ser acentuadas todas as palavras paroxítonas terminadas em I, IS, US, UM, UNS, como júri, lápis, bônus, álbum, álbuns. Daí o acento agudo em quórum e fórum, pois são palavras de origem latina que foram aportuguesadas. Antigamente elas eram escritas em latim, o que exigia sua grafia em itálico ou sublinhada: quorum, forum. Igualmente deve-se acentuar a palavra câmpus em português, sendo idêntico o plural. Muitas editoras já adotam essa grafia, embora ela esteja dicionarizada apenas como latim, cujo plural é campi. Neste caso deve-se usar o itálico: Dirigiu-se ao campus da UFSCar tão logo chegou a São Carlos. Mas, se preferir, escreva: Dirigiu-se ao câmpus da UFSCar tão logo chegou a São Carlos. Em suma, temos: câmpus/câmpus ou campus/campi. Outro caso é o do latim habitat. A exemplo de déficit e superávit, termos latinos que vêm sendo acentuados graficamente para informação da pronúncia, hábitat também recebe acentuação, dispensando assim o itálico ou grifo pertinente a palavras estrangeiras. Exemplo: Os wapixanas estão se defendendo da exploração e ganância de pessoas e laboratórios sobre os conhecimentos e recursos do hábitat indígena. Verbo antecipado ao sujeito composto A base da concordância verbal é, resumidamente: sujeito simples com um só núcleo no singular – verbo no singular [João saiu]; com um só núcleo no plural – verbo no plural [Elas saíram]; sujeito composto (formado por mais de um núcleo) – verbo no plural [João e Maria saíram]. 3 Contudo, existe um caso em que o verbo pode ficar no singular mesmo se referindo a um sujeito composto: é quando se coloca o verbo na frente do sujeito, contrariando a ordem natural que é “sujeito e predicado/verbo”. Antecipado ao sujeito, o verbo pode ou concordar com o núcleo mais próximo ou com o conjunto. Vejamos uma frase com sujeito composto na ordem direta: ”A Lei nº 2.089/88 e demais disposições em contrário ficam revogadas”. Essa mesma frase pode ser construída na ordem indireta de duas maneiras: Ficam revogadas a Lei nº 2.089/88 e demais disposições em contrário. Fica revogada a Lei nº 2.089/88 e demais disposições em contrário. Ao pluralizar, concordando com o conjunto, você estará mais seguro e evitará possíveis ambiguidades. Todavia, é bom saber que existem as duas possibilidades. Às vezes o singular soa melhor nesses casos de anteposição, e também, por uma questão de estilo, você pode querer usar essa inversão. Exemplos das duas opções (núcleos do sujeito em itálico): Ali pelo parque sempre passava uma senhora com os sete filhos e várias avós com os netinhos. A pedido do Governador, redigiu-se novamente o Decreto n° 9.959 e as alterações contratuais dele decorrentes. Nas mãos não se refletem unicamente a nossa vivência psíquica e o nosso estado anímico. No livro, narram-se a queda dos preços do café a partir da crise de 1929 e os desmandos do populismo getulista. Título: XÉROX OU XEROX e outros pares. As duas formas podem ser usadas: se você pronuncia como palavra oxítona, escreva xerox, sem o acento gráfico, a exemplo de outras marcas registradas que se tornaram nomes comuns, como pirex, gumex, perfex, durex etc. Mas é possível acentuar o vocábulo, xérox, de acordo com a norma ortográfica relativa às paroxítonas terminadas em X, tal qual fênix, ônix, látex e dúplex (também pronunciado como oxítona: duplex). Quando existem alternativas de pronúncia e escrita, é bobagem ficar corrigindo as pessoas que falam ou escrevem diferente da gente. Deixando a escolha a cada um, vejamos outros casos de dupla grafia ou de uso optativo entre duas formas de se expressar: 4 - assoalho e soalho - a maquinaria e o maquinário [mas não a maquinária] - abdome e abdômen - aluguel (pl. aluguéis) e aluguer (pl. alugueres, sobretudo em Portugal) - aterrissar e aterrizar [formação vinda de aterrar + sufixo izar, eis uma forma conciliadora para quem prefere a pronúncia com som de Z] - bile e bílis - de pé e em pé [no sentido de estar ereto sobre os próprios pés, não sentado nem deitado, enquanto “ir a pé” significa deslocar-se sem veículo algum]. - destrinçar e destrinchar - garçom (pl. garçons) e garção (pl. garções) - germe e gérmen - hidrelétrica e hidroelétrica - humo e húmus - infarto e enfarte [mas não *infarte] - maquiagem e maquilagem - mestria e maestria - nuança e nuance - porcentagem e percentagem - quadriênio e quatriênio - quatorze e catorze - quociente e cociente - quota e cota - termelétrica e termoelétrica - vitrina e vitrine Regência verbal: falta da preposição “Sabe aquele lugar que você planejava viver no futuro? A inauguração é hoje.” Assim foi escrito no lançamento de condomínio na capital catarinense. A construtora se preocupou com os “apartamentos totalmente mobiliados”, mas a agência de propaganda falhou na redação do texto. O correto de acordo com a norma-padrão seria: Sabe aquele lugar em que você planejava viver no futuro? Isso porque o verbo viver reclama a preposição EM [você vive em um lugar], que deve aparecer nitidamente na frase. Neste caso, a preposição se desloca para a frente do pronome relativo QUE, que introduz a oração subordinada na qual se encontra o verbo que rege a preposição. Outros exemplos: 5 A marca em que você sempre confiou está de volta. [confiar em] Só faço as coisas de que gosto. [gostar de] Não publicou as notas mais importantes a que me referi. [referir-se a] Ninguém precisou se perguntar a que pressões aludia o presidente. [aludir a] A gramática interior do falante lhe permite saber a preposição adequada a cada situação. É natural dizermos “confiou na marca, gosto de coisas boas, eu me referi a notas importantes, ele aludia a pressões”; porém, é preciso um bom ouvido para reconhecer a falta da preposição quando ela está distante do verbo. Nem todas as pessoas, por exemplo, sentem que o slogan da Texaco [? “O posto que você confia”] fere as normas gramaticais. Mas seria muito bem-vinda a retificação da frase para “o posto em que você confia”. Na fala cotidiana a tendência é simplificar deixando de lado essas particularidades. Todavia, quem quer escrever de acordo com o padrão culto formal não pode omitir essa preposição que antecede o pronome relativo. Título: A QUESTÃO DO TREMA. Oficialmente já não se usa mais o trema, que em Portugal havia sido abolido em 1932. A exceção fica para as “palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros: hübneriano, de Hübner, mülleriano, de Müller, etc.” (cf. ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA - Decreto 6.583, de 29 de setembro de 2008). Nos nomes próprios estrangeiros mantém-se não só o trema como “quaisquer combinações gráficas ou sinais diacríticos não peculiares à nossa escrita”, como por exemplo ett, ff, m antes de t. Por estarmos familiarizados com a pronúncia de vocábulos como antiquíssimo, cinquenta, cinquentenário, consequência, equestre, equitativo, liquidificador, liquidação, sequela, sequestrador, subsequente, tranquilidade, aguentar, ambiguidade, linguística, linguiça, sagui, pinguim, unguento, a presença do trema não faz nem fazia diferençapara nós, sendo por isso dispensável. O trema, contudo, se não faz falta nas palavras de uso comum, é imprescindível nos nomes próprios – e não apenas nos de origem estrangeira – pois ele informa sua leitura correta. Para exemplificar: só quem conhece bem a nossa História vai falar corretamente “Via Anhangüera” - com o u pronunciado - mesmo que ali não encontre o trema. E somente quem é de Curitiba sabe que o nome do parque Barigüi deve ter o u proferido; uma pessoa 6 de fora, se não encontrar essa palavra tremada, por certo lerá a última sílaba como dígrafo, isto é, como gui de guia. Então é conveniente, para o bem de todos, que se escreva Anhangüera e Barigüi, mesmo porque ambos os nomes, sendo de origem indígena (em tupi, anhangüera quer dizer “diabo velho”, e barigüi, “mosquito”), podem ser enquadrados na norma dos estrangeiros. A regra Empregava-se o trema nas “sequências gu e qu seguidas de e ou i, nas quais o u se pronuncia”. Em outras palavras: trema só nos grupos gue, gui, que, qui que tenham o u pronunciado (atonamente, como semivogal, pois se configura aí um ditongo crescente). A ideia do trema era mostrar a diferença de pronúncia entre GUEto, GUIsado, QUENte, QUIlo, por exemplo, e alcaGÜETO (verbo), saGÜI, freQÜENte, tranQÜIlo, por exemplo. Embora sem trema, a pronúncia dessas palavras continua a mesma. Título: Acentuação – proparoxítonas. Se há um aspecto da língua que diz respeito a todas as categorias de escribas é sem dúvida a acentuação. Ortografia é fundamental, é o complemento de um bom texto. Acentuar corretamente é importante em qualquer situação. Mesmo nas mensagens eletrônicas a que se quer atribuir algum valor. Como nem todas as pessoas escrevem em computador ou dispõem de um bom corretor ortográfico, vamos relembrar, numa série de artigos (não- sequenciais), as regras e a razão dos acentos gráficos em português. A acentuação gráfica serve para informar a leitura correta das palavras. Alguns acentos indicam a intensidade e outros informam se a pronúncia é aberta ou fechada. Devemos nos lembrar que a língua portuguesa é predominantemente paroxítona: caneta, escrevo, amamos, dizem, jovens, claro, clareza, varia, horas, saia, banana, carinho... e por aí seguem milhares de palavras com pronúncia forte (tonicidade) na penúltima sílaba. Há também aquelas - em menor número - cujo acento tônico recai naturalmente na última sílaba: são as palavras terminadas em i, u, r, l, ão, ã, como ali, caju, valor, papel, falarão, maçã. O acento gráfico, portanto, marca a exceção. Assim, devem ser acentuadas todas as palavras cujo acento tônico (intensidade de pronúncia) recaia sobre a antepenúltima sílaba. São as proparoxítonas, que constituem sensível minoria em português, como pêssego, lâmpada, fenômeno, límpido, ácido, tíquete, revólveres, êxito, estereótipo, rubéola, fac-símile, debênture. A importância do acento - 7 agudo ou circunflexo - para informar a pronúncia correta pode ser vista nos pares de exemplos abaixo: Meu pai sempre pacifica seus netos. / Sua família é pacífica e ordeira. Ela critica seu modo de cozinhar. / Ela é uma pessoa muito crítica. Não publico meus discursos agora, mas no futuro o farei. / Não frequento parque público. Sempre me exercito de manhã cedo. / O menino tem um exército de brinquedo. Pratica bastante, que aprenderás logo. / A prática é diferente da teoria. Espero que o cantor interprete minhas favoritas./ O embaixador solicitou um intérprete. Será que você não duvida de nada? / Qual é a sua dúvida agora? Não habito no paraíso dos meus sonhos. / O hábito não faz o monge. O trânsito vitima milhares de pessoas por ano no Brasil. / A população é a vítima. Peço que analises estas amostras de sangue. / As análises serão feitas no laboratório X. Já nem calculo quanto tempo perdi. / Fez o cálculo da areia necessária para a construção. Eu mesma digito meus artigos. / O dígito verificador foi calculado de maneira errada. A bandeira tremula ao gosto do vento. / Fez a assinatura com mão trêmula. Jamais trafego à margem da rodovia. / Evito os percursos de tráfego mais pesado. Todo verão a loja liquida seus estoques. / Prefiro medicação líquida a comprimidos. Imagine ler o termo grifado à direita como se não tivesse acento. Que diferença! Devemos lembrar ainda que os verbos não fogem à regra. Muitos deles, quando estão na primeira pessoa do plural, precisam ser acentuados por serem proparoxítonos: “Era maravilhoso quando saíamos juntos, como se fôssemos parar no tempo... Não dispúnhamos de dinheiro mas não perdíamos o bom humor. Levávamos a vida cantando, como se quiséssemos mostrar a todos quanto éramos felizes.” 8 Da mesma forma devem levar acento os nomes próprios proparoxítonos: Amábile, Ânderson, Ângela, Angélica, Émerson, Éverton, Eurídice, Jéferson, Orígenes, Róbinson, Rosângela, etc. Título: Acentuação – Paroxítonas. São chamadas paroxítonas as palavras cuja tonicidade recai na penúltima sílaba. Formam a maioria do léxico português. Só recebem acento gráfico as palavras paroxítonas que não terminam em a, e, o, am, em e ens. No mais, são acentuadas as que terminam em: - i, is: júri, dândi, táxi, biquíni, safári, íris, lápis, grátis, tênis. Compare: O caqui está maduro. Comprei uma roupa cáqui. - us, um, uns: Vênus, vírus, bônus, húmus, fórum, médium, médiuns, álbuns. Compare: A última foto do álbum é do neném com o bumbum de fora. Nenhum projeto foi aprovado pois faltou quórum. - ã, ãs, ão, ãos: ímãs, sótão, órfão, órgãos, bênçãos, Cristóvão. Compare as oxítonas com as paroxítonas: Sua irmã tem o ímã que você procura. No afã de ajudar a órfã, só se complicou. Estêvão deu maçãs para as órfãs. Os cidadãos assinaram os acórdãos. O Papa desceu do balcão para dar a bênção. O coração é o principal órgão do corpo humano. - l, n, r, x, consoantes da palavra-lembrete rouxinol: cônsul, pênsil, fácil, horrível, abdômen (ou abdome, plural: abdomens ou abdomes), gérmen (ou germe, plural: germens ou germes), próton, nêutron, pólen (plural: polens), hífen (plural sem acento: hifens, como jovens e nuvens), açúcar, zíper, mártir, fênix, tórax, ônix. 9 Compare: Nílson foi muito amável dando-me um anel. Aírton recebeu um falso prêmio Nobel num túnel. Vou andar até achar um âmbar amarelo. Vamos revolver a gaveta até encontrar o revólver. Édson e Cármen não sabem onde meter o éter recém-importado. Tentaram juntar com “durex” o modelo em gesso do córtex. Éder tirou uma cópia xerox do laudo médico sobre a cirurgia do tórax. No tempo de Pólux não havia cera “polvax”. Em todos esses exemplos pode-se observar que, quando as palavras com as terminações i(s), u(s), um, uns, ã(s), ão(s), r, x, n, l não são acentuadas graficamente, nós as pronunciamos normalmente como oxítonas, isto é, com a pronúncia forte na última sílaba. Portanto, o acento agudo ou circunflexo é usado para evidenciar que a sílaba tônica, de maior intensidade, fugiu ao normal, mudou de lugar, orientando assim a nossa pronúncia. - ps, om, ons: bíceps, fórceps, Quéops; rádom, elétrons, prótons, nêutrons. - ditongo oral, crescente ou decrescente, seguido ou não de s: (ia) idéia, beneficência, hérnia, mobília, biópsia, estratégia, Cátia, Cássia, Célia, Cecília, Cíntia, Felícia, Hortência, Márcia, Marília, Tânia,Vânia (ie) série, calvície, barbárie, cárie, efígie, espécie, imundície, planície, superfície (io) sério, pátio, vários, néscio, calcário,dignitário, exímio, Antônio, Anísio, Aloísio (ou Aluísio), Dário, Décio, Flávio, Hélio, Júlio, Marcílio, Márcia, Mário, Otávio, Vinício (ua) água, régua, árdua, quíchua, tábua, exígua, ingênua, iníqua (ue) tênue, águe, míngue, bilíngue 10 (uo) árduo, supérfluo, ambíguo, mútuo, ubíquo, assíduo, ingênuo, iníquo, profícuo (ea) áurea, rédea, orquídea, miscelânea, várzea, drágea, pâncreas, fêmeas (eo) espontâneo, momentâneo, homogêneo, litorâneo, saponáceo, óleo, gêmeos (oa) mágoa, Páscoa, amêndoa, névoa, nódoas (ei) jóquei, vôlei, ágeis, férteis, pênseis, faríeis, achásseis, fósseis. Novas regras (2009) - "Não se acentuam graficamente os ditongos representados por ei e oi da sílaba tônica das palavras paroxítonas, dado que existe oscilação em muitos casos entre o fechamento e a abertura na sua articulação: assembleia, boleia, ideia, tal como aldeia baleia, cadeia (...)”. Outros exemplos: [eu] apoio, [ele] apoia, Coreia, pré-estreia, heroico, introito, jiboia, paranoica, proteico. - Não se usa o acento nas formas verbais paroxítonas que contêm um e tônico oral fechado em hiato com a terminação -em da 3ª pessoa do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo: creem, deem, descreem, desdeem, leem, preveem, releem, reveem, veem. - Não se usa o acento circunflexo em paroxítonas com duplo o: enjoo, magoo, povoo, voo, zoo. Título: Acentuação – Oxítonas. O sabiá não sabia nadar. Pelé sofreu um ferimento na pele. Em maio não se usa maiô. Observe que as palavras sabiá, Pelé e maiô foram acentuadas para que pudessem ser lidas corretamente. Sem o acento, nós as leríamos como paroxítonas: saBIa, PEle, MAIo (a penúltima sílaba forte). Por que Telê tem acento? Porque a pronúncia é diferente de tele (telecomunicações). O coco-da-baía, por exemplo, não precisa de acento, pois é um 11 paroxítono natural, como soco, bolo, tolo, mofo. A exceção é que deve ser acentuada (cocô). Oxítonas são chamadas as palavras cujo acento tônico cai na ÚLTIMA SÍLABA. 1. Assinalam-se com acento agudo ou circunflexo os vocábulos oxítonos que terminam em A, E, O seguidos ou não de S: Iaiá ia ao parque comigo. Na sua casa tem um pé de cajá. Pepe veio receber seu cachê. Vi jacarés nadando no rio. Acabou o jogo de dominó. Seus dois avôs usavam chapéu-coco. Nesta regra se incluem as formas verbais seguidas de pronomes: contá-lo, amá-la, dizê-lo, magoá-las, marcá-la-ei, fá-lo-á, fê-los, movê-las-ia, pô-los, qué-los, dá-nos, etc. (Ver Não Tropece na Língua 251) 2. Marca-se com o acento agudo o E da terminação em ou ens: Tem alguém aí? Os que eram louvados são agora mencionados com desdém. Vários nenéns foram doados ilegalmente. É necessário colocar acento gráfico na última sílaba de palavra acabada em EM (ou seu plural ENS) para ela não ser lida como paroxítona, como em: forem, morem, desdenhem, cosem, acalmem, bebem, cedem etc. (verbos) ou imagem, imagens, garagem, plumagem, nuvem, item, itens, hifens, liquens, jovens, totem (substantivos) etc. Quando a palavra é monossílaba, o acento não é necessário: nem, vem, sem, tem, cem, quem, bem, trem, tens, vens, bens. 3. Na regra dos oxítonos se incluem os monossílabos tônicos, palavras de uma só sílaba com pronúncia forte. Assinalam-se com o acento agudo os que terminam em a, e, o abertos, e 12 com o acento circunflexo os que acabam em e, o fechados, seguidos ou não de s: pá, pé, pó / pás, pés, pós; dê, dês, vô, vôs; Sé, lá, lê, dá, nó, nós, vó, vós. 4. Terminação em I e U. Observe: Aqui estão os livros. Desculpe, não quis feri-lo. Chamou à parte os gurupis. O urso-panda come bambu. Vendem-se perus congelados. Eles parecem urubus. Não há necessidade de acentuar graficamente aqui, feri-lo, gurupis, bambu, peru, urubus, por exemplo, porque pronunciar fortemente a última sílaba de palavras terminadas em i e u é o natural. Mas repare que em todos os exemplos o i ou o u formaram sílaba com outras letras (qui, ri, pis, bu, rus, bus). Porém, quando o i e o u estão sozinhos na sílaba, devem ser acentuados: Sai já daqui - já saí. Ontem caí da escada como laranja cai do pé. Daí disseram: dai-nos seu perdão. Concluí que o tolo jamais conclui com acerto. Ai, como deve doer aí. Atravessou a vau carregando um baú. Nas naus portuguesas havia muitos baús. Maus elementos não entram no grupo Emaús. O hiato, portanto, é a razão de algumas formas verbais serem acentuadas e outras não. Exemplos: atraí-lo, distraí-la, traí-los, construí-la, subtraí-los, distribuí-los, atribuí-lo, destruí- la, instruí-lo, constituí-lo. Mas: admiti-lo, abri-las, adverti-las, muni-lo, fingi-lo, permiti-nos, garanti-lo, persegui-las, consegui-los. Título: Falando de gente - Nomes próprios permitem variações? Qual seria a forma correta: Vítor, Vitor ou Victor? João Carlos Magalhães, Vitória/ES. O registro civil no Brasil é bastante democrático, digamos assim. Os cartórios só não registram nomes que possam causar constrangimento. No mais, atendem ao gosto do freguês, razão pela qual se encontram muitas variações de nomes, sobretudo naqueles de origem estrangeira, como por exemplo: Wagner e Vágner; Graziela, Grasiella, Grasiela; Jeferson, Jéferson, Jefferson; Alexandra, Alessandra, Alexsandra; Mike, Maikon, Maicon, Máicon, Maicom; Luise, Luiza, Luísa (sobre este último, ver o Mural de Consultas 215). Mas a orientação que oferecemos e que os bons cartórios adotam é a seguinte: os nomes próprios devem seguir as normas ortográficas vigentes. Portanto, sendo palavra paroxítona terminada em r, Vítor (com acento agudo) é a grafia correta. 13 Transcrevo a instrução oficial (Formulário Ortográfico de 1943): 39. Os nomes próprios personativos, locativos e de qualquer natureza, sendo portugueses ou aportuguesados, estão sujeitos às mesmas regras estabelecidas para os nomes comuns. 40. Para salvaguardar direitos individuais, quem o quiser manterá em sua assinatura a forma consuetudinária. Poderá também ser mantida a grafia original de quaisquer firmas, sociedades, títulos e marcas que se achem inscritos em registro público. Vale lembrar ainda: se na prática os nomes próprios das pessoas vivas têm sido grafados de acordo com a certidão de nascimento – ainda que em desacordo com as regras de ortografia – , os nomes de pessoas falecidas (e famosas) devem se ajustar às normas ortográficas vigentes: Cruz e Sousa [era Cruz e Souza], Vítor Meireles [Victor Meirelles], Rui Barbosa [Ruy], Filinto Elísio [Elysio], Érico Veríssimo [Verissimo] etc. - Qual é a forma correta dos sobrenomes: os Sousa ou os Sousas? os Maia ou os Maias? Wanderley Casani, Montenegro/RS. As duas formas coexistem. A tradição na literatura portuguesa, desde a “Gramática da Linguagem Portuguesa”, publicada em 1536, é pluralizar os nomes próprios ou sobrenomes: os Maias, os Silvas, os Sousas, os Albuquerques, os Costas – aliás, uso diferente da nossa língua-mãe, o latim, e do grego, que empregavam sempre o singular. Diga-se o mesmo do francês atual. No Brasil, no entanto, houve uma flexibilização, pois há nomes que definitivamente não soam bem no plural, como Queiroses e Gils. Sobretudo soam artificiais os de origem estrangeira, como Herings, Amins, Bauers, Bornhausens, Bortoluzzis. E se fosse obrigatório pluralizar, o nome Maciel como ficaria? “Maciéis”, como Manoel – Manéis? Fica assim justificada a prática atual de deixá-los (corretamente) no singular: os Queirós, os Sousa, os Bauer, os Bortoluzzi, os Maciel, os Gil, os Costa, os Hering etc. Título: Ó aberto, nada a ver. - Gostariade ver compilada uma lista de palavras nas quais o ‘o’ seja aberto no plural ou feminino (ovo/ova – olho/olhos). A. A., São Paulo/SP. Normalmente as vogais das palavras paroxítonas têm o mesmo som no singular e no plural, como por exemplo: bolha – bolhas, cachorro – cachorros, mola – molas, modo – modos. Há 14 contudo algumas exceções, em que o O da sílaba tônica é fechado no singular e aberto [ó] no plural. Eis os principais casos, de acordo com a pronúncia brasileira: abrolhos jogos caroços miolos corcovos olhos cornos ossos coros ovos corpos poços corvos porcos despojos portos desportos postos [todos os terminados em -postos] destroços povos esforços povos fogos povos formosos rogos fornos socorros foros tijolos fossos tortos gostosos tremoços gozosos troços grossos Nessa lista aparecem alguns substantivos que têm o feminino com ó aberto; há quem diga que isso justifica o aparecimento do som aberto no masculino plural (por exemplo: porco- pórca-pórcos, ovo-óva-óvos). Todavia, não é regra, pois não se aplica a outras palavras como miolo e forno, que não têm feminino, e tampouco a outros vocábulos que têm um equivalente feminino aberto mas cujo plural permanece com o som fechado, de que é exemplo sogro (sôgro-sógra-sôgros) ou toldo (tôldo-tólda-tôldos). Assim, pode haver hesitação por parte do falante igualmente nos seguintes casos, que no Brasil têm som fechado [ô] no singular e no plural: acordo – acordos choco – chocos contorno – contornos desgosto – desgostos estorno – estornos estorvo – estorvos globo – globos gosto – gostos rosto – rostos 15 suborno – subornos transtorno – transtornos toco – tocos torno – tornos troco – trocos Como se vê, não há regra absoluta. O jeito, então, é decorar as palavras que interessam ou consultar a lista quando for necessário. - Nada a ver é uma expressão correta? “Não tive nada a ver com o fato.” Vi grafado nada a haver... Lyana, Rio Claro/SP. O errado, claro, é *nada haver. “Nada a ver” é uma expressão coloquial mas correta, que quer dizer "não estar relacionado, não ter nenhuma correspondência"; significa que não se vê relação entre uma coisa e outra. Exemplo: Não tive nada a ver com o fato. Também se pode usar QUE no lugar de A: Isso não tem nada que ver com o assunto tratado na reunião. Título: Superavit, sub examine e habeas corpus. - Por que o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (PVOLP) da Academia Brasileira de Letras (ACL) coloca acento gráfico na palavra SUPERÁVIT sendo que não há regra que o justifique? Agnaldo Martino, São Paulo, SP. Vamos tratar junto de déficit e hábitat, que configuram a mesma questão. O PVOLP editado em 1999 pela ACL traz os dois registros: “deficit, superavit, habitat” - o próprio latim, e “déficit, superávit, hábitat”, a forma aportuguesada. Também assim procedem os dicionários pós-Acordo Ortográfico (2009). A imprensa prefere a grafia com o acento, porque facilita a leitura e dispensa o itálico, que seria de rigor na palavra latina. Aliás, a acentuação gráfica nos três vocábulos tem o mero papel de informar a tonicidade. Senão vejamos: Dé – fi – cit Há – bi – tat Su – pe – rá – vit Como se observa, não é possível afirmar que o acento nessas palavras se justifica porque elas são proparoxítonas, como assim as denomina Napoleão Mendes de Almeida no seu 16 Dicionário de Questões Vernáculas (1981: 305). Se as duas primeiras são proparoxítonas, a última não pode ser. PLURAL: superávits, déficits e hábitats Em Portugal resolveu-se a pendenga de outra maneira: a grafia de deficit é défice. E superávit? Fui informada de que não é termo vulgarmente usado – preferem “excedente”. Mas poderia e poderá ser aportuguesado como “superávite”, não? De minha parte, ainda prefiro as formas acentuadas que estou acostumada a ver em revistas e jornais, mesmo que não haja coerência nessa grafia. Sub exame Nos meios forenses é comum a dúvida entre a grafia “sub examen” e “sub examine” quando se pretende dizer que a matéria está sendo examinada ou está “sob exame”. Já vai longe o tempo em que estudei latim, mas tive condições de verificar a questão baseando-me na locução adverbial in limine (desde logo, no início), originada pelo substantivo limen, que significa “limiar, entrada”; o caso nominativo é limen; liminis é o genitivo, e limine o ablativo, caso latino que representa as palavras na função de adjunto adverbial, em que aparece uma preposição, como in, sub, de. Então, como examen e limen pertencem à mesma declinação (neutros da 3ª) temos examen, examinis, examine. Consequentemente, deve-se redigir sub examine. Hábeas O “Word” acentua automaticamente a palavra hábeas. “Mas latim não tem acento”, surpreendem-se as pessoas. Pois este é um caso parecido com o tratado inicialmente: no Brasil se vulgarizou o uso de “hábeas” como palavra proparoxítona no lugar de “habeas corpus”, que é a expressão latina original e que portanto não levaria nem hífen nem acento. Para que se caracterize o latim em qualquer texto, as palavras devem ser escritas em itálico, entre aspas ou sublinhadas. A imprensa, no entanto, como evita o uso desse tipo de destaque, tem juntado os dois vocábulos com hífen [habeas-corpus] ou utiliza hábeas simplesmente. Recomenda-se que os operadores do Direito usem o termo em latim com o devido grifo. Título: Récorde ou recorde - Solicitamos-lhe, Vamo-nos! - Qual a forma correta, desse e demais verbos semelhantes: contatemo-nos ou contatemos- nos? Essa forma verbal possui o “s” ou não? Gustavo Oliveira, São Paulo/SP. 17 - Em nossas correspondências oficiais, é comum o uso do plural majestático. Nesse caso, eu devo escrever solicitamos-lhe, encaminhamos-lhe, ou, como sugere o corretor ortográfico do computador: solicitamo-lhe e encaminhamo-lhe? Maria Inêz, Belo Horizonte/MG. - Gostaria de informações acerca do uso dos pronomes no, na, nos, nas, lo, las etc. Qual seria a forma correta: Manoel amou intensamente seus filhos, dava-lhes apoio irrestrito e pequenos gestos faziam-nos fortes ou faziam-os fortes (no sentido de fazer eles fortes). Antônio Silveira Neto, Campina Grande/PB. A melhor orientação: escreva encaminhamos-lhe o documento, solicitamos-lhes as fotos, fizemos-lhe um favor, com o S da desinência mos antes do pronome lhe. Elimine o S com os oblíquos nos e lo(s) apenas: vamo-nos, encontramo-nos,amamo-lo, temo-lo [temos + o]. O corretor ortográfico deve ter se baseado numa regrinha que genericamente diz: “A desinência pessoal mos perde o s antes de formas pronominais enclíticas”, sem especificar quais pronomes repelem o s. Ao mesmo tempo, como assegura Napoleão Mendes de Almeida, “gramaticalmente não se pode dizer errada a forma ‘queixamos-nos’. Se outro, no entanto, é o uso geral, explica-o a facilidade, ou melhor, o hábito da pronúncia, o qual regula a omissão ou não do ‘s’ final nos diferentes casos”. Também confirmam a supressão do s somente antes de nos, “por eufonia”, autores como Laudelino Freire, Celso Pedro Luft, Vasco Botelho e Eduardo Carlos Pereira. Quanto aos pronomes enclíticos o, a, os, as, sua forma depende da terminação do verbo: » Altera-se para lo, las, los, las quando a forma verbal termina em R, S, Z, como deixar, contatemos, faz, caindo essa consoante na nova composição: vamos deixá-lo em casa / contatemo-los agora / fá-los bem feitos. » Altera-se para no, na, nos, nas quando o verbo termina em som nasal: dão-no / põe-na / mostram-nas / fazem-nos. Portanto, a frase do leitor Antonio fica assim: “pequenos gestos faziam-nos fortes”. Mas há um probleminha com o nos em tal situação verbal: pode-se confundir o objeto direto (é a primeira ou a terceira pessoa do plural?). O fato chamou minha atenção quando vi uma cena de perseguição num filme antigo, em que um dos líderes clamava: “Sigam-nos, sigam-nos!” Não dava para saber se ele queria dizer sigam a nós ou sigam eles (aos que estavam à frente). - Gostaria de saber como devo escrever e pronunciar a palavra recorde: como paroxítona ou proparoxítona? Maria Nair de Souza Resende, Uberaba/MG. 18 A sua dúvida faz sentido, pois se ouvem as duas pronúncias no Brasil. Uma, à inglesa: récorde; outra, com base na grafia aportuguesada como paroxítona: recorde. O dicionário Houaiss 2009 registra no verbete recorde a variante récorde. Na edição anterior havia a observação de que “pelo menos no Brasil, ocorre também como palavra proparoxítona: récorde”. Em dicionários mais antigos encontrei somente a grafia do inglês, por exemplo: “RECORD, s.m. Do ingl. Ato desportivo, verificado e registrado por personalidades ou associações desportivas competentes e que excede tudo o que foi precedentemente feito no mesmo gênero” (Laudelino Freire, 1957). Por pressão social, repórteres de televisão e rádio assim como falantes em atos oficiais estão cada vez mais usando a forma paroxítona, embora ainda possa causar certa estranheza nos ouvintes, provavelmente pelo fato de a palavra “recorde” nos reportar ao verbo “recordar” (recorde = lembre). Se o inglês ticket foi aportuguesado conforme absorvido pelos falantes de português, isto é, tíquete, assim com acento indicativo de proparoxítona, por que não oficializar a grafia récorde? Título: Prefixar, pré-fixar e casos afins. - Qual a regra de utilização do prefixo PRE em palavras como pré-história e predestinação? A. L. C., Bom Jesus do Itabapoana/RJ. A regra (estabelecida em 1943) para o uso do acento agudo em tais casos – pré ou pre – é a pronúncia aberta ou fechada do E. Isso significa que, quando o prefixo é tônico – PRÉ –, ele se separa da palavra seguinte por hífen. Quando átono – PRE –, aglutina-se ao segundo elemento. O Acordo Ortográfico (2009) assim se expressa: [usa-se o hífen] “d) Nas formações com os prefixos tônicos acentuados graficamente pós-, pré- e pró-, quando o segundo elemento tem vida à parte (ao contrário do que acontece com as correspondentes formas átonas que se aglutinam com o elemento seguinte): pós-graduação, pós-tônicos (mas pospor); pré-escolar, pré-natal (mas prever); pró-africano, pró-europeu (mas promover)” – Base XVI, 1º. Assim, de um lado temos pré-história, pré-estreia, pré-pago, pré-datado, pré-moldar, pré- habilitar, pré-natal, pré-fabricado, pré-molar, pré-adolescente, pré-cozido, pré-olímpico, pré- coma – para dar mais alguns exemplos. De outro lado, encontramos predestinação, predispor, predisposição, precogitação, prejulgar, predizer, predominar, pressupor, preordenar etc. 19 Um problema é quando não se distingue facilmente entre E aberto e E fechado, como em preanunciar, preaquecer ou precitado (“citado anteriormente”). Não se pode esquecer que em muitas regiões do Brasil há uma predominância do timbre aberto, o que leva por conseguinte ao pré tônico. Muitos brasileiros, ou a maioria, falam por exemplo “pré- estabelecer” e “pré-condição”, mas a grafia oficial é “preestabelecer” e “precondição”. Em virtude dessa ambivalência é que o VOLP - Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa 2009 já registra duas grafias em alguns casos: pré-eleito, pré-eleição e preeleito, preeleição; pré-embrião e preembrião; pré-demarcar, pré-demarcação e predemarcar, predermarcação. Sugiro que o leitor anote quatro casos, bastante comuns, de palavras habitualmente pronunciadas com som aberto mas escritas sem hífen e portanto sem acento gráfico: O ajuste foi aceito de acordo com as condições preestabelecidas. Os fatos preexistentes não nos permitem mudar de rota. Está sendo minuciosamente predeterminado cada passo do plano. Serão predefinidos os termos em que faremos a negociação. Outras duas palavras que comportam um comentário à parte são pré-fixado e prefixado. Quando se trata de “colocar prefixo em”, não há dúvida de que só se usa prefixar (ou aprefixar): Para se formar um novo verbo em português, basta prefixar uma forma primitiva. Já no âmbito da economia, a forma que apresenta mais lógica e clareza, por trazer a ideia de prazo fixado com antecedência e por ser efetivamente pronunciada com timbre aberto, é pré-fixar, que ainda se opõe melhor a pós-fixar e a pós-datar. A questão é que nem todos os dicionários brasileiros registram a forma com hífen, encontrada entretanto no Dicionário de Usos do Português do Brasil (Francisco S. Borba, 2002): Títulos de renda pré-fixada. Você faz uma transação cuja margem de lucro são os juros pré-fixados mais correção monetária. 20 Há outro caso parecido: preconceito em alguns casos específicos escreve-se pré-conceito, para fazer a distinção entre a intolerância, ou “atitude, sentimento ou parecer insensato, especialmente de natureza hostil, assumido em consequência da generalização apressada de uma experiência pessoal ou imposta pelo meio”, e o conceito formado a priori, seja favorável ou não. Título: De polos e bolos: acento diferencial Pergunta um menino a outro: – Vamos jogar uma pelada? – Está bem, vou buscar a bola. Seria estranho se o garoto fosse buscar a “péla”, palavra que deu origem à informal “pelada” porque designativa de um tipo de bola usada no jogo da pela. Esta palavra perdeu o acento agudo, mas continua com o e aberto. A mesma pronúncia (é) mantém o ato de pelar: “Tu pelas ou ele pela uma laranja em dois segundos”. Antes de 1971 usava-se o acento circunflexo no e e no o de certas palavras homógrafas para distinguir a pronúncia fechada (por exemplo êle, êsse, sôbre, côrte) da aberta (ele, esse, sobre, corte), ou seja, por questão de timbre. A Lei 5.765/71 aboliu esse acento diferencial, tendo permanecido duas exceções por timbre (pôde e fôrma – esta última não oficialmente), além de outros pares diferenciais em razão da tonicidade, em que o acento agudo ou circunflexo distinguia a sílaba tônica da átona (côa, pólo, pôlo, pêlo, pélo, pêra, péra, pára, pôr). O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que entrou em vigor em janeiro de 2009, reduziu essas onze palavras acentuadas a três: pôr, pôde e fôrma (sendo o acento facultativo neste últimocaso). Não se usará mais acento em para (verbo), pela (bola ou verbo), polo (extremidade, face oposta), pelo (cabelo, penugem) e pera (fruta), como acontece com todas as palavras paroxítonas terminadas em a, e, o. O acento diferencial evita ambiguidades. Imagine, por exemplo, um bilhete deixado na sua mesa: “O contador não pode vir, conforme sua convocação”. Significa o quê? Que não houve jeito de ele vir, ou que no momento está impossibilitado de comparecer? Para esclarecer, basta um sinal gráfico: Não pôde vir [ontem, ou outro passado]. Não pode vir [hoje, agora]. Outro caso em que o acento diferencial se faz quase que indispensável é o de fôrma versus forma, porque ambas as palavras pertencem à mesma classe gramatical, têm a mesma distribuição na frase. Só o contexto não evita a ambiguidade – uma coisa é “prefiro esta 21 forma” e outra é “prefiro esta fôrma”. É o acento que nos faz perceber a diferença de sentido. Há muitos pares de homógrafos, como bolo (doce) e bolo (verbo) ou fora (na parte exterior; exceto) e fora (verbo), que não se confundem dentro de um mesmo contexto: - Vou colocar o bolo na fôrma que inventei. Como bolo coisas lindas! - diz, convencida. - O menino deixou a bicicleta lá fora, mas quando o procurei, já se fora. Há uma palavra, entretanto, que deveria ter permanecido com o acento diferencial: pára. Não custava nada terem deixado os três verbos na mesma situação: pôde, pôr, pára. Criou- se no mínimo um problema para os jornais porque, usada isoladamente, a forma verbal “para” se confunde com a preposição “para”. Por exemplo, numa frase como TRÂNSITO PARA SÃO PAULO, a tendência do leitor é entender que o trânsito vai em direção a ou é destinado a SP. Como os jornais prezam por uma comunicação rápida mas eficiente, já não podem usar o verbo em manchetes! Esse acento poderia ser facultativo, ao menos, para salvaguardar os casos ambíguos. Quem sabe a Academia Brasileira de Letras ainda vá mudar este ponto da reforma, um entre outros que merecem revisão. Título: Computo, me adéquo, expludo. Em vista de três consultas específicas, estávamos falando sobre os verbos defectivos ou defeituosos, aqueles que apresentam lacunas em algumas pessoas verbais. Nessa categoria se enquadram todos os verbos que exprimem fenômenos meteorológicos. Por exemplo, amanhecer, chover, anoitecer, garoar, gear, nevar, trovejar só se conjugam na terceira pessoa do singular de cada tempo e não possuem as formas imperativas. São chamados verbos impessoais. Há outros que podem ser considerados defectivos, os pessoais, que se apresentam sobretudo na terceira pessoa do singular e do plural de cada tempo, como os que exprimem fenômenos da natureza vegetal (arborescer, frutificar, murchar, verdejar, vicejar etc.) e os verbos onomatopaicos ou imitativos de vozes animais e de ruído das coisas (balir, cacarejar, ganir, grasnar, latir, mugir, badalar, chiar, espoucar/espocar, tilintar/tlintar etc.). Tanto os verbos que exprimem estados atmosféricos ou vegetativos quanto os onomatopaicos admitem conjugação completa, pois eles podem ser empregados em sentido figurado (eu trovejei de raiva, amanheço pensando em ti, nós frutificamos, eles uivaram de dor) e também em outras acepções, como “eles badalam em todas as festas; o filme foi muito badalado”. 22 Alguns, entretanto, continuam defectivos, já que não têm a primeira pessoa do presente do indicativo, tais como os verbos falir, parir, balir, latir, colorir, que por conseguinte não têm o presente do subjuntivo. EXPLODIR não é verbo defectivo em si. Ele é conjugado conforme o verbo dormir, segundo dicionários especializados; portanto, pode-se dizer “ele explode, eu expludo; ele que expluda o balão”. O dicionário Houaiss registra as conjugações brasileiras explodo, exploda, observando que também existem expludo e expluda. Já vi expludo em livros editados em Portugal, numa boa. Aqui, depois que o ex-presidente Figueiredo falou (corretamente) “eu expludo”, criou-se o estigma e a má reputação do verbo, como se ele devesse ter explodido de outra forma: "Ele que se exploda!" COMPUTAR não é tampouco verbo defectivo. Existem e são usadas formas como “eu computo, ele computa os dados diariamente; computa isso para mim?” Não falar “computa” seria talvez uma opção pessoal por causa da sonoridade indigesta para alguns. O dicionário Aurélio não traz o presente “computo, computas, computa”, como faz o Houaiss, que registra todas as formas. Mas devemos lembrar que as palavras existem não porque os dicionários querem que elas existam. É o contrário: os dicionários devem espelhar o vocabulário existente. De qualquer modo, um alerta: quem está se submetendo a um concurso público deve evitá- las, pois nunca se sabe o grau de tolerância da comissão que vai corrigir as provas, a qual pode aceitar ou rejeitar o Houaiss, dicionário que se propôs a registrar um uso efetivo, encontrado mesmo entre falantes cultos, assim considerados, na ciência linguística, os brasileiros da zona urbana que têm curso superior completo. Aliás, formas em discussão jamais deveriam ser objeto de provas de língua portuguesa. Título: Pessoa humana, reúso, ver/vir e reaver. - Ouço a toda hora a expressão “pessoa humana” dita por gente acima de qualquer suspeita. Não seria uma danada de uma redundância? Cao Hering, Blumenau/SC Aparentemente, “pessoa humana” é uma redundância. Ou “pessoa” ou “ser humano” – basta um ou outro. Mas então por que é que em textos jurídicos, sobretudo na área de Direitos Humanos, encontram-se os dois termos juntos? Vejamos um exemplo: Procura-se psicopata que vá à televisão pedir desculpas por torturas, como se esses atos de supremo agravo aos direitos da pessoa humana fossem perdoáveis venialmente. 23 A explicação está em que neste caso é necessário distinguir a pessoa de direito privado ou pessoa jurídica (que seria uma sociedade, uma empresa, uma organização), que também tem seus direitos e pode sofrer danos, da pessoa física, que é a pessoa natural ou pessoa individual: o sujeito de direitos pelo fato de pertencer à espécie humana. - A palavra reuso é acentuada? Claudia Rodrigues do Nascimento, Fortaleza/CE. - A palavra reuso tem hífen? Roseana Rodrigues, São Paulo/SP. Não tem hífen, mas tem o acento gráfico para marcar a sílaba tônica no U: reúso. Sem acento você pronunciaria o eu como ditongo /reu/, e não como hiato, em que o u é pronunciado sozinho numa sílaba: /re-ú-so/. Se fosse grafado “reuso”, uma pessoa desavisada (já que é novidade e não aparece nos dicionários) poderia ler /reu-so/ como se lê deusa e Neusa. Este vocábulo tem sido utilizado geralmente em relação aos recursos hídricos: O uso controlado e o reúso da água estão contemplados na nova política ambiental da instituição. - Quanto ao uso dos verbos, estas frases estão corretas? Ele reaveu os bens que havia perdido. Se ele ver você na rua, não ficará contente. W.R.C., Araçatuba/SP. Quanto à primeira frase, nem *reaveu, nem *reaviu, pois o verbo reaver deriva de haver [re + haver sem o h], e não de ver. Ele é conjugado somente nas formas em que a letra v aparece nas flexões do verbo haver. Por exemplo, no tempo presente conjuga-se hei, hás, há, havemos, haveis, hão. Então, no caso de reaver, só temos as formas reavemos e reaveis. Trata-se de um verbo defectivo. Não existe o subjuntivo presente nem o imperativo. Nos outros tempos, segue-se o verbo haver, como foi dito: Ele reouve, logo, os bens que havia perdido. Se os rebeldes reouvessem as armas que lhes tiramos, voltariam a atacar. A segunda frase – Se ele ver você na rua, não ficará contente – contém uma impropriedadelinguística do ponto de vista da norma culta ou da língua-padrão, já que o verbo ver é irregular, devendo ser conjugado assim no futuro do subjuntivo: se/quando eu vir, vires, vir, virmos, virem. Na hora de falar, poucas pessoas o usam assim. Porém, numa linguagem mais monitorada é solicitada essa conjugação, como nos seguintes exemplos: Se eles virem você na rua, não ficarão contentes. Quando eu vir o João, vou lhe dar o recado. 24 Por favor, diga à sua diretora, se você a vir ainda hoje, que o relatório está pronto. Se não nos virmos mais, boa viagem! Título: Linguagem jurídica: é plúrimo, não há como negar. - Por questão meramente prática, sempre escrevi a palavra PLÚRIMA acentuada. É assim que escrevo para me referir a um ‘tipo’ de ação na esfera trabalhista ou para indicar a pluralidade de devedores, credores ou de obrigações, por exemplo, na esfera cível. Contudo, lendo alguns textos em jornais, internet etc. tenho notado que alguns escrevem PLURIMA, ou seja, sem acentuação. A forma correta é com ou sem acento? Natanael Vieira dos Santos, São Paulo/SP. Para começar, vejamos o que significa a palavra plúrimo, pois ela é praticamente desconhecida fora do âmbito jurídico e não consta nos dicionários como vocábulo em português. Quando se quer fazer menção a uma pluralidade ou multiplicidade de situações ou coisas, tem-se usado o termo latino PLÚRIMO em vez de múltiplo, ou seja, aquilo que comporta mais de um elemento, como nestes exemplos: A dissertação trata da cidadania plúrima como reflexo da competição entre sistemas- Estados. “Da própria natureza do direito de propriedade decorre, antes de mais nada, que um domínio plúrimo não pode existir sobre uma e mesma coisa, plúrimo não no sentido de formas diversas de propriedade (...), mas no sentido de várias propriedades iguais e igualmente plenas sobre a mesma coisa.” Geralmente a decisão é proferida por uma Junta de Conciliação e Julgamento em dissídio individual ou plúrimo, exercendo o tribunal mera revisão recursal. Há certas relações jurídicas com diversos titulares ativos ou passivos (daí a legitimidade plúrima) que, pela sua própria natureza, não comportam cisão. A origem do termo é o latim “plurimus, a, um”, que é o superlativo de “multus” (muitos), trazendo o dicionário latino a significação de “muito numeroso, ou o mais numeroso ou muito abundante, o mais abundante”. Adaptada ao português, a palavra plúrimo deve ser acentuada para que se informe a leitura correta, pois do contrário um desavisado pode lê-la como paroxítona: /pluríma/. Ocorre a mesma questão de acentuação com as palavras latinas deficit, superavit, alibi, habitat, 25 forum, por exemplo, que não sendo mais escritas com grifo em itálico ou aspas acabaram recebendo um acento gráfico no seu processo de aportuguesamento: déficit, superávit, álibi, hábitat, fórum. - Li num Código de Processo Civil comentado as seguintes frases: Não se há cogitar..., se há verificar é que..., não há mais aplicar o artigo. Pergunto: as três formas estão corretas? Obrigada. Maria Cristina, São Paulo/SP. Não vejo como abonar tal uso numa linguagem atual e elegante. Nos casos acima ou falta a partícula COMO, ou falta um DE. São sintaticamente boas e corretas estas frases: Não há que se cogitar em mudar a função criadora do juiz. Não há como se cogitar em mudar a função criadora do juiz, que não é um porta-voz da vontade do legislador. Não se há de cogitar em mudar a função criadora do juiz. Pois há de se verificar que houve imprudência e má-fé. Não há mais como aplicar o artigo, argumentou o advogado. Não sendo a empresa ou o estabelecimento sujeitos de direitos, não há como falar em sucessão de empresas. Não há como se falar em nulidade do julgamento por falta de intimação. Não há que se falar em nulidade do julgamento. Não há como negar à jurisprudência e à doutrina a condição de fontes mediatas do Direito. Não há que se acolher a proposta. Não há como (se) acolher a proposta. Título: Fazer o quê? E outros ques sem acento circunflexo. - Acentua-se o ‘que’ neste caso: Fazer o quê, Fernando? (quando a frase termina com um vocativo). Carlos Eduardo Miranda, São Paulo/SP. 26 Pela norma oficial, não. Reza o Formulário Ortográfico de 1943 (na 14ª regra da Acentuação Gráfica - Obs.) que o acento circunflexo deve ser usado como distintivo ou diferencial entre “porquê (quando é substantivo ou vem no fim da frase) e porque (conj.)” e entre “quê (s.m., interj., ou pron. no fim da frase) e que (adv., conj., pron. ou part. expletiva)”. Vamos exemplificar essa regra quanto aos dois últimos “ques”: Com acento circunflexo: - Substantivo masculino: Seu olhar tem um quê de misterioso e vago. - Interjeição: Quê! isso é intriga. - Pronome em fim de frase: Fumar pra quê? Ele falou não sei o quê. Analise como e por quê. Sem acento: - Advérbio: Que beleza! - Conjunção: O ministro disse que vai pensar no caso. - Pronome: É linda a casa que construíram. - Partícula expletiva: Que doce que ela é! Em suma: escreve-se o que com acento para marcá-lo como monossílabo tônico, da mesma forma que se faz com dê, lê, sê, e essa tonicidade ocorre com o que quando interjeição ou substantivo e quando pronome no final da frase. Há, contudo, uma situação que deixa muitos brasileiros em dúvida: é justamente quando o “que” soa como tônico mas não vem no fim da frase – ao menos a frase entendida como um enunciado de sentido completo que se conclui com um ponto (final, de exclamação ou de interrogação). É para evidenciar essa tonicidade que alguns redatores usam o “que” acentuado no meio da frase ou antes de acabado o período: Fazer o quê, Fernando? Está pensando em quê, fofura? São leituras, então, que intermedeiam o quê, para quê, através de quem. Não se pode considerar o acento gráfico um erro nesses casos, de modo algum. Mas pelo sim, pelo não, é uma boa opção ater-se ao preceituado na gramática e não acentuar o “que” situado no meio da frase, com ou sem pontuação na sequência. Assim o fizeram as pessoas que escreveram os períodos abaixo: 27 Por que, Senhor? O Washington e toda a equipe da W/Brasil mantiveram o frescor da campanha por 26 anos. Parar por que, então? Confira nesta página como e por que – embora entrelaçadas por uma história inacabada – as duas guerras têm características singulares. O redator-chefe de Primeira Leitura responde, numa reportagem sobre desinvestimento, o que e por que mudar. Cometemos de fato o equívoco apontado, pelo que nos desculpamos. Pedimos que nos envie o recibo e a nota fiscal, sem o que não realizamos nenhuma troca. Para elas, mudou o que neste meio século? O penteado? E se o barco afundar, vamos fazer o que, Presidente? Título: Formas verbais oxítonas devem ser acentuadas. - Alguns verbos, ao receberem o pronome em ênclise, com o hífen, recebem acento na última sílaba, sendo que não eram acentuados quando desacompanhados do pronome (ex. chamá-lo, vê-lo). Gostaria de saber quando colocar acento no verbo que recebe ênclise. Celso Luiz Bini Fernandes, São Paulo/SP. Começamos com os dois verbos mencionados pelo consulente: sabemos que “chamá-lo” e “vê-lo” se formam de chamar + o e ver + o. Ao receber em ênclise os pronomes átonos O, OS, A, AS (os únicos que começam por vogal), o infinitivo perde o R, que se transforma em L, unindo-se ao pronome. Vale isso para todas as conjugações: amar + o = amá-lo; vender + a = vendê-la; distribuir + os = distribuí-los; ferir + as = feri-las;pôr + a = pô-la. Deve-se notar que, no caso dos verbos da 1ª e 2ª conjugação – terminados em AR e ER mais PÔR e seus derivados –, a forma verbal sem o R continua sendo oxítona, só que agora se tornou um vocábulo oxítono (ou monossílabo tônico) terminado em A, E, O, motivo pelo qual deve ser acentuado, assim como se acentua “babá, nenê, está, você, dá, dê, pó”. A regra é simples e clara: acentuam-se as palavras oxítonas e os monossílabos tônicos terminados em A, E e O. Em relação ao acento gráfico, deve-se levar em conta somente o verbo na hora de aplicar a regra, ignorando o pronome átono que vem depois do hífen: 28 É preciso reformar as instituições e prepará-las para as novas gerações. E este livro? – Queira pô-lo na estante, por obséquio. A ideia é deselitizar a praça e devolvê-la ao povo. O hino? Vou compô-lo para as próximas efemérides. Dê um jeito de fazê-la melhor, torná-la mais útil. Não gostaríamos de lê-lo uma segunda vez – há outros livros à espera. Vou apanhá-los em um minuto. Se não se acentuasse o verbo em “prepará-las”, por exemplo, ele seria lido como paroxítono: “prePAra-las”, que equivale a preparas + as. Essa composição poderia ser usada numa situação assim: “Tu mesma fizeste as codornas? Estão deliciosas. Prepara-las muito bem.” Não importa que nenhum brasileiro se expresse desse modo. O fato é que as normas ortográficas não podem ser aplicadas somente quando nos convêm. O mesmo tipo de acentuação vamos encontrar em formas verbais com dois hifens. Também neste caso cada segmento da palavra deve ser considerado isoladamente, razão pela qual é possível encontrar dois acentos gráficos no mesmo vocábulo, como vemos a seguir: Dê-se-lhe o purgante imediatamente. Amá-la-ei para sempre. Fá-lo-ás por mim? Vê-los-á em breve – a senhora pode confiar. Repô-lo-ei na estante. Magoá-la-íamos caso não a convidássemos. Devolvê-los-emos assim que tivermos as notas fiscais. Pô-lo-íamos na tua mão agora, se tivéssemos todo esse dinheiro. No tocante à 3ª conjugação, cabe lembrar que só recebem acento agudo as formas verbais oxítonas em que o “i” forma sílaba sozinho: distribuí-lo, construí-la, incluí-las, reconstituí-los. Compare com: puni-lo, extingui-lo, dissuadi-la, segui-las, defini-los. 29 Observação: os títulos e dúvidas acima foram enviados entre os anos de 2007 e 2012. Coluna Não tropece na língua. Fonte: Instituo Euclides da Cunha. Site: www.linguabrasil.com.br