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Homeostasia e Organização do Corpo Humano

Capítulo introdutório de anatomia e fisiologia que define os termos, explica homeostase e sistemas de retroalimentação, descreve os seis níveis de organização estrutural (químico a organísmico) e inclui uma tabela de subáreas.

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1.1
Corpo humano e homeostasia
Os seres humanos têm muitas maneiras de manter a homeostasia, o estado de estabilidade relativa do ambiente interno do
corpo. O comprometimento da homeostasia frequentemente de͆agra ciclos corretivos, chamados sistemas de retroalimentação
(feedback), que ajudam a restabelecer as condições necessárias para a saúde e para a vida.
Nossa jornada fascinante pelo corpo humano começa com uma visão geral do significado dos termos anatomia e
fisiologia, seguida por uma discussão da organização do corpo humano e das propriedades que compartilha com todos os
seres vivos. Em seguida, descobriremos como o corpo regula seu próprio ambiente interno; esse processo ininterrupto,
chamado homeostasia, é um tema importante em todos os capítulos deste livro. Por fim, apresentaremos o vocabulário
básico para a interação bem-sucedida com pesquisadores e profissionais de saúde.
Deånição de anatomia e åsiologia
027
•
1.
2.
1.2
•
•
 OBJETIVO
Definir anatomia e fisiologia e nomear várias subáreas dessas ciências.
Duas áreas da ciência – anatomia e fisiologia – fornecem os fundamentos para a compreensão das partes do corpo e suas
funções. A anatomia é a ciência que estuda as estruturas do corpo e as correlações entre elas. A anatomia foi estudada
inicialmente por dissecação, a secção cuidadosa das estruturas do corpo para o estudo de suas relações. Atualmente,
inúmeras técnicas de imagem (ver Tabela 1.3) também contribuem para o avanço do conhecimento anatômico. Enquanto
a anatomia lida com as estruturas do corpo, a fisiologia é a ciência que estuda as funções do corpo – como as partes do
corpo funcionam. A Tabela 1.1 descreve diversas subáreas da anatomia e da fisiologia.1
Visto que existe uma correlação muito próxima entre estrutura e função, você aprenderá sobre o corpo humano
estudando simultaneamente sua anatomia e fisiologia. A estrutura de uma parte do corpo frequentemente reflete suas
funções. Por exemplo, os ossos do crânio estão conectados firmemente de modo a formar um invólucro rígido que
protege o encéfalo. Os ossos dos dedos das mãos estão conectados de modo mais “frouxo” para possibilitar vários
movimentos. As paredes dos alvéolos pulmonares são muito finas para possibilitar a passagem rápida do oxigênio
inalado para o sangue.
 TESTE RÁPIDO
Qual função corporal um terapeuta respiratório poderia melhorar? Quais estruturas estão envolvidas?
Dê seu próprio exemplo de como a estrutura de uma parte do corpo relaciona-se com sua função.
Níveis de organização estrutural e sistemas do corpo
 OBJETIVOS
Descrever os seis níveis de organização estrutural do corpo.
Listar os 11 sistemas do corpo humano, os órgãos representativos presentes em cada um deles e suas funções
gerais.
TABELA 1.1 Algumas subáreas da anatomia e da fisiologia.
SUBÁREAS DA ANATOMIA ESTUDA
Embriologia As primeiras oito semanas do desenvolvimento após a fertilização de um óvulo humano
Biologia do desenvolvimento O desenvolvimento completo de um indivíduo desde a fertilização até a morte
Biologia celular Estrutura e funções celulares
Histologia Estrutura microscópica dos tecidos
Anatomia macroscópica Estruturas que podem ser examinadas sem microscópio
Anatomia sistêmica A estrutura de sistemas especíͅcos do corpo, como os sistemas nervoso e respiratório
Anatomia regional Regiões especíͅcas do corpo, como a cabeça e o tórax
Anatomia de superfície Pontos de referência superͅciais do corpo para compreensão da anatomia interna por meio da visualização e da
palpação
028
Anatomia por imagens Estruturas corporais que podem ser visualizadas por meio de técnicas como radiograͅas, RM e TC
Anatomia patológica Alterações estruturais (macroscópicas ou microscópicas) associadas às doenças
Neuroͅsiologia As propriedades funcionais das células nervosas
Endocrinologia Os hormônios (reguladores químicos no sangue) e como eles controlam as funções corporais
Fisiologia cardiovascular As funções do coração e dos vasos sanguíneos
Imunologia As defesas corporais contra agentes que causam doenças
Fisiologia respiratória As funções das vias respiratórias e dos pulmões
Fisiologia renal As funções dos rins
Fisiologia do exercício As mudanças nas funções celulares e orgânicas causadas pela atividade física (muscular)
Fisiopatologia As mudanças funcionais associadas às doenças e ao envelhecimento
Os níveis de organização de um idioma – as letras, as palavras, as frases, os parágrafos e assim por diante – podem
ser comparados aos níveis de organização do corpo humano. A exploração pelo corpo humano se estenderá desde átomos
e moléculas até a pessoa como um todo. Do menor para o maior, seis níveis de organização ajudam a compreender a
anatomia e a fisiologia: os níveis químico, celular, tecidual, orgânico, sistêmico e organísmico (Figura 1.1).
Nível químico. Esse nível muito básico pode ser comparado às letras do alfabeto e inclui os átomos, as menores
unidades da matéria que participam de reações químicas, e as moléculas, dois ou mais átomos ligados entre si.
Alguns átomos, como o carbono (C), o hidrogênio (H), o oxigênio (O), o nitrogênio (N), o fósforo (P), o cálcio
(Ca) e o enxofre (S), são essenciais para a manutenção da vida. Duas moléculas conhecidas encontradas no corpo
humano são o ácido desoxirribonucleico (DNA), o material genético passado de geração em geração, e a glicose,
conhecida comumente como açúcar do sangue. Os Capítulos 2 e 25 focam no nível químico da organização.
Nível celular. As moléculas se combinam para formarem células, as unidades estruturais e funcionais básicas de
um organismo, compostas por moléculas. Do mesmo modo que as palavras são os menores elementos de um
idioma que fazem sentido, as células são as menores unidades vivas do corpo humano. Entre os muitos tipos de
células no corpo humano estão as células musculares, as células nervosas e as células epiteliais. A Figura 1.1
apresenta uma célula muscular lisa, um dos três tipos de células musculares do corpo. O nível de organização
celular é o foco do Capítulo 3.
Figura 1.1 Níveis de organização estrutural do corpo humano.
Os níveis de organização estrutural são o químico, o celular, o tecidual, o orgânico, o sistêmico e o organísmico.
029
Qual é o nível de organização estrutural composto por dois ou mais tipos diferentes de tecido que
trabalham em conjunto para executar uma função específica?
Nível tecidual. Os tecidos são grupos de células mais o material que as circundam, atuando em conjunto para
executar uma função específica, do mesmo modo que as palavras são colocadas juntas formando frases. Existem
apenas quatro tipos básicos de tecidos em nosso corpo: o tecido epitelial, o tecido conjuntivo, o tecido muscular e o
tecido nervoso. O tecido epitelial cobre todas as superfícies do corpo, reveste órgãos ocos e cavidades e forma
glândulas. O tecido conjuntivo conecta, dá sustentação e protege os órgãos do corpo, enquanto distribui os vasos
sanguíneos para outros tecidos. O tecido muscular contrai-se para fazer com que as partes do corpo se movam e
produzam calor. O tecido nervoso transmite informação de uma parte do corpo para outra por meio de impulsos
nervosos. O Capítulo 4 descreve o nível tecidual de organização com maiores detalhes. A Figura 1.1 mostra o
tecido muscular liso, que consiste em células musculares lisas altamente justapostas.
Nível orgânico. No nível orgânico, diferentes tipos de tecidos são mantidos juntos. Semelhante à relação entre as
frases e os parágrafos, os órgãos são as estruturas compostas por dois ou mais tipos de tecidos; desempenham
funções específicas e, em geral, têm formatos reconhecíveis. Exemplos de órgãos incluem o estômago, a pele, os
ossos, o coração, o fígado, os pulmões e o encéfalo. A Figura 1.1 apresenta como vários tecidos compõem o
estômago. O revestimento externo do estômago é uma camada de tecido epitelial e de tecido conjuntivoque reduz o
030
atrito quando o estômago se move e é pressionado contra outros órgãos. Abaixo dela se encontram três camadas de
um tipo de tecido muscular chamado tecido muscular liso, que se contrai para agitar e misturar os alimentos e,
então, empurrá-los para o próximo órgão digestório, o intestino delgado. O seu revestimento mais interno é a
camada de tecido epitelial, que produz líquido e substâncias químicas responsáveis pela digestão no estômago.
Nível sistêmico. Um sistema (ou capítulo em nossa analogia linguística) consiste em órgãos relacionados
(parágrafos) com uma função em comum. Um exemplo do nível sistêmico, também chamado nível orgânico-
sistêmico, é o sistema digestório, que digere e absorve os alimentos. Seus órgãos incluem a boca, as glândulas
salivares, a faringe, o esôfago, o estômago, o intestino delgado, o intestino grosso, o fígado, a vesícula biliar e o
pâncreas. Algumas vezes, um órgão pertence a mais de um sistema. O pâncreas, por exemplo, é parte tanto do
sistema digestório quanto do sistema endócrino.
Nível organísmico. Um organismo, qualquer ser vivo, pode ser comparado a um livro em nossa analogia. Todas
as partes do corpo humano, funcionando em conjunto, constituem o organismo total.
Nos capítulos seguintes, você estudará a anatomia e a fisiologia dos sistemas do corpo. A Tabela 1.2 lista os
componentes e introduz as funções desses sistemas. Você também descobrirá que os sistemas corporais influenciam uns
aos outros. Conforme você estudar cada sistema corporal com mais detalhes, descobrirá que eles trabalham em conjunto
para manter a saúde, fornecer proteção contra doenças e permitir a reprodução da espécie humana.
TABELA 1.2 Os 11 sistemas do corpo humano.
TEGUMENTO COMUM (CAPÍTULO 5) SISTEMA ESQUELÉTICO (CAPÍTULOS 6 A 9)
Componentes: pele e estruturais associadas, como pelos, unhas,
glândulas sudoríparas e glândulas sebáceas.
Funções: protege o corpo; ajuda a regular a temperatura corporal; elimina
algumas escórias; ajuda a formar a vitamina D; detecta sensações como toque,
dor, calor e frio; armazena gordura e fornece isolamento.
Componentes: ossos e articulações do corpo e suas cartilagens
associadas.
Funções: sustenta e protege o corpo; fornece a superfície para a ͅxação dos
músculos; auxilia os movimentos corporais; abriga as células que produzem as
células sanguíneas; armazena minerais e lipídios (gorduras).
031
SISTEMA MUSCULAR (CAPÍTULOS 10 E 11) SISTEMA NERVOSO (CAPÍTULOS 12 A 17)
Componentes: especiͅcamente, o tecido muscular estriado esquelético –
músculos normalmente ͅxados a ossos (os outros tecidos musculares incluem
o liso e o estriado cardíaco).
Funções: participa dos movimentos corporais, como caminhar; mantém a
postura; produz calor.
Componentes: encéfalo, medula espinal, nervos e órgãos sensoriais
especiais, como os olhos e as orelhas.
Funções: gera potenciais de ação (impulsos nervosos) que regulam as
atividades corporais; detecta mudanças nos ambientes interno e externo do
corpo, interpreta essas mudanças e responde provocando contrações
musculares ou secreções glandulares.
032
SISTEMA ENDÓCRINO (CAPÍTULO 18) SISTEMA CIRCULATÓRIO (CAPÍTULOS 19 A 21)
Componentes: glândulas produtoras de hormônios (glândula pineal,
hipotálamo, hipóͅse, timo, glândula tireoide, glândulas
paratireoides, glândulas suprarrenais, pâncreas, ovários e testículos)
e células produtoras de hormônios em vários outros órgãos.
Funções: regula as atividades corporais por intermédio da liberação de
hormônios (mensageiros químicos transportados no sangue desde a glândula
endócrina até o tecido ou órgão-alvo).
Componentes: sangue, coração e vasos sanguíneos.
Funções: o coração bombeia sangue pelos vasos sanguíneos; o sangue carrega
oxigênio e nutriente para as células e dióxido de carbono e escórias
metabólicas para longe delas e ajuda a regular o equilíbrio acidobásico, a
temperatura e o conteúdo aquoso dos líquidos corporais; os componentes
sanguíneos ajudam a defender contra doenças e a reparar vasos sanguíneos
daniͅcados.
033
SISTEMA LINFÁTICO E IMUNIDADE (CAPÍTULO 22) SISTEMA RESPIRATÓRIO (CAPÍTULO 23)
Componentes: linfa e vasos linfáticos; baço, timo, linfonodos e
tonsilas; células que realizam as respostas imunológicas (linfócitos B e T,
entre outras).
Funções: retorna proteínas e líquido para o sangue; carrega lipídios do sistema
digestório para o sangue; contém os locais de maturação e proliferação dos
linfócitos B e T que protegem contra os microrganismos causadores de
doenças.
Componentes: pulmões e vias respiratórias como faringe, laringe,
traqueia e ductos brônquicos que levam ar para dentro e para fora dos
pulmões.
Funções: transfere oxigênio do ar inalado para o sangue e dióxido de carbono
do sangue para o ar exalado; ajuda a regular o equilíbrio acidobásico dos
líquidos corporais; o ar que sai dos pulmões e passa através das cordas vocais
produz sons.
034
SISTEMA DIGESTÓRIO (CAPÍTULO 24) SISTEMA URINÁRIO (CAPÍTULO 26)
Componentes: boca, faringe, esôfago, estômago, intestinos delgado e
grosso e ânus; também inclui órgãos acessórios que ajudam nos processos
digestórios, como glândulas salivares, fígado, vesícula biliar e pâncreas.
Funções: realiza a decomposição física e química do alimento; absorve
nutrientes; elimina excreções sólidas.
Componentes: rins, ureteres, bexiga urinária e uretra.
Funções: produz, armazena e elimina urina; elimina escórias metabólicas e
regula o volume e a composição química do sangue; ajuda a manter o
equilíbrio acidobásico dos líquidos corporais; mantém o equilíbrio mineral do
corpo; ajuda a regular a produção de eritrócitos.
035
Sistema genital (CapÍtulo 28)
Componentes: gônadas (testículos em homens e ovários em mulheres) e
órgãos associados (tubas uterinas, útero, vagina e glândulas mamárias
em mulheres e epidídimo, ducto deferente, glândulas [vesículas]
seminais, próstata e pênis em homens)
Funções: as gônadas produzem gametas (espermatozoides ou oócitos) que se
unem para formar um novo organismo; as gônadas também liberam
hormônios que regulam a reprodução e outros processos corporais; os órgãos
associados transportam e armazenam os gametas; as glândulas mamárias
produzem leite.
036
3.
4.
5.
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Técnicas diagnósticas não invasivas
Os proͅssionais de saúde e os estudantes de anatomia e ͅsiologia utilizam comumente várias técnicas diagnósticas não invasivas para avaliar certos aspectos da
estrutura e da função corporais. Uma técnica diagnóstica não invasiva é aquela que não envolve a inserção de um instrumento ou de um dispositivo através da
pele ou de uma abertura do corpo. Na inspeção, o examinador observa se há qualquer alteração no corpo que seja diferente do normal. Por exemplo, um médico
pode examinar a cavidade oral procurando evidências de doenças. Após a inspeção, podem ser empregadas uma ou mais técnicas adicionais. Na palpação, o
examinador sente as superfícies corporais com suas mãos. Um exemplo é a palpação do abdome para detectar órgãos internos aumentados ou sensíveis à
palpação ou ainda massas anormais. Na ausculta, o examinador ouve sons corporais para avaliar o funcionamento de determinados órgãos, utilizando
frequentemente um estetoscópio para ampliͅcar os sons. Um exemplo é a ausculta dos pulmões durante a respiração para veriͅcar se há crepitação associada a
acúmulo anormal de líquido. Na percussão, o examinador bate na superfície corporal com seus dedos e escuta os sons (ecos) resultantes. As cavidades ou os
espaços ocos produzem um som diferente dos órgãos sólidos. Por exemplo, a percussão pode revelar a existência anormal de líquidos nos pulmões ou de ar nos
intestinos. Ela também pode fornecer informações a respeito do tamanho, da consistência e da posição de uma estrutura subjacente. O conhecimento anatômico é
importante para a aplicação efetiva da maioria dessastécnicas diagnósticas.
 TESTE RÁPIDO
Defina os seguintes termos: átomo, molécula, célula, tecido, órgão, sistema e organismo.
Em quais níveis de organização um estudioso da fisiologia do exercício estudaria o corpo humano? (Dica: veja
a Tabela 1.1).
A respeito da Tabela 1.2, quais sistemas corporais ajudam na eliminação dos resíduos?
037
1.3
•
1.
2.
3.
4.
5.
6.
Características do organismo humano vivo
 OBJETIVO
Definir os processos vitais importantes do corpo humano.
Processos vitais básicos
Alguns processos distinguem os organismos (ou seres vivos), das coisas que não vivem. A seguir estão os seis
processos vitais mais importantes do corpo humano:
Metabolismo é a soma de todos os processos químicos que ocorrem no corpo. Uma fase do metabolismo é o
catabolismo, a clivagem de substâncias químicas complexas em componentes mais simples. A outra fase do
metabolismo é o anabolismo, a construção de substâncias químicas complexas a partir de componentes menores e
mais simples. Por exemplo, os processos digestórios catabolizam as proteínas dos alimentos em aminoácidos.
Esses aminoácidos são utilizados então para anabolizar (construir) novas proteínas que compõem as estruturas
corporais como os músculos e os ossos.
Responsividade é a capacidade de o corpo detectar e responder a mudanças. Por exemplo, um aumento da
temperatura corporal (febre) representa uma mudança no ambiente interno e girar a cabeça na direção do som de
pneus “cantando” é uma resposta a uma mudança no ambiente externo que prepara o corpo para uma ameaça em
potencial. Células diferentes no corpo respondem a modificações ambientais de modos característicos. As células
nervosas respondem gerando sinais elétricos conhecidos como impulsos nervosos (potenciais de ação). As células
musculares respondem contraindo-se, o que gera força para mover partes do corpo.
Movimento inclui a movimentação do corpo todo, de órgãos individuais, de células únicas e até mesmo de
pequenas estruturas dentro das células. Por exemplo, a ação coordenada dos músculos das pernas move o corpo
todo de um lugar para outro quando você caminha ou corre. Após comer uma refeição que contém gordura, a sua
vesícula biliar se contrai e libera bile no sistema digestório, ajudando a digeri-la. Quando um tecido corporal é
danificado ou infectado, determinados leucócitos do sangue se movem do sangue para o tecido afetado, ajudando a
reparar a área lesada. Dentro da célula, várias partes, como as vesículas secretórias (ver Figura 3.20), movem-se de
uma posição para outra para realizarem suas funções.
Crescimento é o aumento no tamanho corporal resultante do aumento no tamanho das células existentes e/ou do
aumento do número de células. Além disso, um tecido algumas vezes aumenta de tamanho por causa do aumento
do material entre as células. Em um osso que cresce, por exemplo, depósitos minerais se acumulam entre as células
ósseas, fazendo com que o osso cresça em comprimento e em largura.
Diferenciação é o desenvolvimento de uma célula a partir de um estado não especializado para outro especializado.
Essas células precursoras, que podem se dividir e originar células que passam por diferenciação, são conhecidas
como células-tronco. Como você verá mais adiante no texto, cada tipo de célula no corpo tem uma estrutura ou
função especializada diferente de suas células precursoras (ancestrais). Por exemplo, os eritrócitos e vários tipos de
leucócitos podem surgir a partir das mesmas células precursoras não especializadas na medula óssea vermelha.
Também através da diferenciação, um único óvulo humano fertilizado desenvolve-se em um embrião e então em um
feto, um bebê, uma criança e, finalmente, em um adulto.
Reprodução refere-se tanto (1) à formação de novas células para o crescimento, o reparo ou a troca tecidual quanto
(2) à produção de um novo indivíduo. A formação de novas células ocorre através da divisão celular. A produção
de um novo indivíduo ocorre através da fertilização de um óvulo por um espermatozoide, formando um zigoto, o
que é seguido por divisões celulares repetidas e pela diferenciação dessas células.
Quando qualquer um desses processos deixa de ocorrer adequadamente, o resultado é a morte de células e tecidos, o
que pode levar à morte do organismo. Clinicamente, perda dos batimentos cardíacos, ausência de respiração espontânea e
038
6.
1.4
•
•
•
•
perda de funções encefálicas indicam a morte do ser humano.
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Necropsia
A necropsia (ver com os próprios olhos) ou autopsia é um exame post mortem (após a morte) do corpo e a dissecação de seus órgãos internos para conͅrmar ou
determinar a causa da morte. Uma necropsia pode descobrir a existência de doenças não detectadas durante a vida, determinar o grau das lesões e explicar como
essas lesões podem ter contribuído para a morte de uma pessoa. A necropsia também pode fornecer mais informações a respeito de uma doença, ajudar para a
coleta de dados estatísticos e ensinar estudantes da área de saúde. Além disso, uma necropsia pode revelar problemas (como defeitos cardíacos congênitos) que
podem afetar os ͅlhos ou os irmãos. Algumas vezes, uma necropsia é legalmente necessária, como durante uma investigação criminal. Ela também é valiosa na
resolução de disputas entre beneͅciários e companhias de seguro a respeito da causa da morte.
 TESTE RÁPIDO
Liste os seis processos mais importantes da vida no corpo humano.
Homeostasia
 OBJETIVOS
Definir homeostasia.
Definir os componentes de um sistema de retroalimentação.
Diferenciar a operação entre sistemas de retroalimentação negativa e positiva.
Explicar como os desequilíbrios homeostáticos estão relacionados com os distúrbios.
A homeostasia é a condição de equilíbrio no ambiente corporal interno resultante da interação constante entre os muitos
processos regulatórios corporais. A homeostasia é uma condição dinâmica. Em resposta às condições variáveis, o
equilíbrio corporal pode deslocar-se entre pontos em um intervalo estreito compatível com a manutenção da vida. Por
exemplo, os níveis de glicose sanguínea normalmente se encontram entre 70 e 110 miligramas de glicose por 100
mililitros de sangue.* Cada estrutura, desde o nível celular até o nível sistêmico, contribui de algum modo para a
manutenção do ambiente corporal interno dentro dos limites normais.
Homeostasia e líquidos corporais
Um aspecto importante da homeostasia é a manutenção do volume e da composição dos líquidos corporais, soluções
aquosas diluídas contendo substâncias químicas dissolvidas que são encontradas dentro das células e ao redor delas. O
líquido no interior das células é o líquido intracelular (LIC). O líquido fora das células do corpo é o líquido
extracelular (LEC). O LEC que preenche os espaços estreitos entre as células dos tecidos é conhecido como líquido
intersticial. O LEC é diferente dependendo de onde ele se encontra no corpo: o LEC nos vasos sanguíneos é chamado
plasma sanguíneo, nos vasos linfáticos é chamado linfa, dentro e ao redor do encéfalo e da medula espinal é conhecido
como líquido cerebrospinal, nas articulações é chamado líquido sinovial e o LEC dos olhos é chamado humor aquoso
e de humor vítreo.
O funcionamento adequado das células do corpo depende da regulação precisa da composição do líquido intersticial
que as cerca. Por causa disso, o líquido intersticial é chamado frequentemente de ambiente interno do corpo. A
composição do líquido intersticial se altera conforme as substâncias se movem para dentro e para fora entre ele e o
plasma sanguíneo. Essa troca de material ocorre através das paredes finas dos menores vasos sanguíneos do corpo, os
capilares sanguíneos. Esse movimento em ambas as direções através das paredes capilares fornece o material necessário
039
1.
2.
3.
para as células teciduais como glicose, oxigênio, íons e assim por diante. Ele também remove resíduos, comoo dióxido
de carbono, do líquido intersticial.
Controle da homeostasia
A homeostasia do corpo humano é “desafiada” continuamente. Algumas perturbações vêm do ambiente interno na forma
de agressões físicas como o calor intenso de um dia quente de verão ou a falta de oxigênio suficiente para aquela corrida
de 3.200 m. Outros agravos se originam no ambiente interno, como o nível de glicose sanguínea que cai muito quando a
pessoa não ingere seu desjejum. Os desequilíbrios homeostáticos também podem ocorrer por causa de estresse
psicológico no nosso ambiente social – as demandas do trabalho e da escola, por exemplo. Na maioria dos casos, a
perturbação da homeostasia é moderada e temporária e as respostas das células do corpo reestabelecem rapidamente o
equilíbrio no meio interno. Entretanto, em alguns casos a perturbação da homeostasia pode ser intensa e prolongada,
como no envenenamento, na superexposição a temperaturas extremas, na infecção grave ou em uma grande cirurgia.
Felizmente, o corpo tem muitos sistemas regulatórios que podem normalmente levar o ambiente interno ao
equilíbrio. Mais frequentemente, o sistema nervoso e o sistema endócrino trabalhando juntos ou independentemente
fornecem as medidas corretivas necessárias. O sistema nervoso regula a homeostasia por intermédio do envio de sinais
elétricos conhecidos como impulsos nervosos (potenciais de ação) aos órgãos que podem regular mudanças que
promovam o retorno ao estado de equilíbrio. O sistema endócrino inclui muitas glândulas que secretam moléculas
mensageiras para o sangue chamadas hormônios. Os impulsos nervosos normalmente causam mudanças rápidas,
enquanto os hormônios em geral trabalham mais devagar. Entretanto, ambos os tipos de regulação trabalham com o
mesmo objetivo, em geral por intermédio de sistemas de retroalimentação negativa.
Sistemas de retroalimentação (feedback)
O corpo pode regular seu ambiente interno por intermédio de muitos sistemas de retroalimentação. Um sistema de
retroalimentação ou alça de retroalimentação é um ciclo de eventos em que o estado de uma condição corporal é
monitorado, avaliado, alterado, remonitorado, reavaliado e daí por diante. Cada variável monitorada, como a temperatura
corporal, a pressão arterial ou o nível de glicose sanguínea é chamada condição controlada. Qualquer perturbação que
modifique uma condição controlada é chamada de estímulo. Um sistema de retroalimentação inclui três componentes
básicos: um receptor, um centro de controle e um efetor (Figura 1.2).
Um receptor é uma estrutura corporal que monitora modificações em uma condição controlada e envia informações
(influxo) para um centro de controle. Essa via é chamada via aferente, uma vez que o influxo flui para o centro de
controle. Tipicamente, o influxo ocorre na forma de impulsos nervosos ou sinais químicos. Por exemplo,
determinadas terminações nervosas na pele sentem a temperatura e podem detectar mudanças, como uma queda
drástica da temperatura.
Um centro de controle no corpo, por exemplo, o encéfalo, estabelece a faixa de valores em que uma condição
controlada deve ser mantida (setpoint, ponto de ajuste), avalia o influxo que recebe a partir dos receptores e gera
comandos de saída quando eles são necessários. A saída do centro de controle tipicamente ocorre como impulsos
nervosos, hormônios ou outros sinais químicos. Essa via é chamada via eferente, uma vez que a informação flui
para fora do centro de controle. No nosso exemplo de temperatura da pele, o encéfalo age como centro de controle,
recebendo os impulsos nervosos dos receptores na pele e gerando impulsos nervosos como resultado.
Um efetor é uma estrutura corporal que recebe efluxos do centro de controle e provoca uma resposta ou um efeito
que modifica a condição controlada. Praticamente todos os órgãos ou tecidos do corpo podem se comportar como
efetores. Quando sua temperatura corporal cai acentuadamente, seu encéfalo (centro de controle) envia impulsos
nervosos (débito) para seus músculos esqueléticos (efetores). O resultado é o tremor, que gera calor e aumenta a
temperatura corporal.
Figura 1.2 Operação de um sistema de retroalimentação.
040
Os três componentes básicos de um sistema de retroalimentação são o receptor, o centro de controle e o efetor.
Qual é a principal diferença entre os sistemas de retroalimentação negativa e positiva?
Um grupo de receptores e efetores que se comunicam com o centro de controle forma um sistema de
retroalimentação que pode regular uma condição controlada no ambiente interno do corpo. Em um sistema de
retroalimentação, a resposta do sistema “alimenta retroativamente” com informações que modificam uma condição
controlada de algum modo, seja diminuindo-a (retroalimentação negativa) ou aumentando-a (retroalimentação positiva).
SISTEMAS DE RETROALIMENTAÇÃO NEGATIVA. Um sistema de retroalimentação negativa reverte uma variação em
041
uma condição controlada. Considere a regulação da pressão arterial. A pressão arterial (PA) é a força exercida pelo
sangue quando ele é pressionado contra as paredes dos vasos sanguíneos. Quando o coração bate mais rápido ou com
mais força, a PA se eleva. Se algum estímulo interno ou externo fizer com que a pressão arterial (condição controlada) se
eleve, ocorre a sequência de eventos a seguir (Figura 1.3). Os barorreceptores (receptores), células nervosas sensíveis à
pressão localizadas nas paredes de determinados vasos sanguíneos, detectam a pressão mais elevada. Os barorreceptores
enviam impulsos nervosos (influxo) para o encéfalo (centro de controle), que interpreta os impulsos e responde enviando
impulsos nervosos (efluxos) para o coração e os vasos sanguíneos (os efetores). A frequência cardíaca diminui e os
vasos sanguíneos se dilatam (ficam mais largos), o que faz com que a PA diminua (resposta). Essa sequência de eventos
rapidamente retorna à condição controlada – pressão arterial – para o normal e a homeostasia é restabelecida. Repare que
a atividade do efetor faz com que a PA caia, um resultado que contraria o estímulo original (um aumento na PA). Esse é
o motivo pelo qual o sistema de retroalimentação é chamado negativo.
SISTEMAS DE RETROALIMENTAÇÃO POSITIVA. Ao contrário de um sistema de retroalimentação negativa, um sistema
de retroalimentação positiva tende a aumentar ou a reforçar uma mudança em uma condição controlada do corpo. Em
um sistema de retroalimentação positiva, a resposta afeta a condição controlada de modo diferente do sistema de
retroalimentação negativa. O centro de controle ainda fornece comandos para um efetor, mas desta vez o efetor provoca
uma resposta fisiológica que se soma ou reforça a modificação inicial na condição controlada. A ação de um sistema de
retroalimentação positiva continua até que seja interrompida por algum mecanismo.
O parto normal fornece um bom exemplo de um sistema de retroalimentação positiva (Figura 1.4). As primeiras
contrações do trabalho de parto (estímulo) empurram parte do feto para o colo, a parte mais inferior do útero, que se abre
para a vagina. Células nervosas sensíveis ao estiramento (receptores) monitoram o grau de estiramento do colo (condição
controlada). Conforme o estiramento aumenta, eles enviam mais impulsos nervosos (influxo) para o encéfalo (centro de
controle), que, por sua vez, libera o hormônio ocitocina (efluxo) para o sangue. A ocitocina faz com que os músculos da
parede uterina (efetores) se contraiam com ainda mais força. Essas contrações empurram o feto cada vez mais para baixo
no útero, distendendo ainda mais o colo. O ciclo de estiramento, liberação hormonal e contrações ainda mais fortes é
interrompido apenas com a expulsão do feto. Então, a distensão do colo é interrompida e a ocitocina não é mais liberada.
Figura 1.3 Regulação homeostática da pressão arterial por um sistema de retroalimentação negativa. A seta pontilhada com o
sinal negativo envolto por um círculo simboliza a retroalimentação negativa.Se a resposta reverter o estímulo, um sistema está operando por retroalimentação negativa.
042
O que aconteceria com a frequência cardíaca se algum estímulo fizesse com que a pressão arterial
diminuísse? Isso ocorreria por intermédio de uma retroalimentação positiva ou negativa?
Figura 1.4 Controle das contrações do trabalho de parto por retroalimentação positiva. A seta pontilhada com o sinal positivo
envolto por um círculo simboliza uma retroalimentação positiva.
Se a resposta aumenta ou intensifica o estímulo, o sistema está operando por retroalimentação positiva.
043
044
•
•
•
Por que os sistemas de retroalimentação positiva que são parte de uma resposta fisiológica normal
incluem algum mecanismo que interrompe o sistema?
Outro exemplo de retroalimentação positiva é o que ocorre com seu corpo quando há perda significativa de sangue.
Em condições normais, o coração bombeia sangue para as células do corpo com pressão suficiente para fornecer
oxigênio e nutrientes para elas e manter a homeostasia. Se houver perda substancial de sangue, a pressão arterial cai e as
células do corpo (incluindo as células do coração) recebem menos oxigênio e funcionam com menos eficiência. Se a
perda sanguínea continuar, as células do coração ficam ainda mais fracas, a ação de bombeamento do coração diminui
ainda mais e a pressão arterial continua a cair. Esse é um exemplo de retroalimentação positiva que tem consequências
sérias e que pode até levar à morte se não houver intervenção médica. Como você verá no Capítulo 19, a coagulação
sanguínea também é um exemplo de sistema de retroalimentação positiva.
Esses exemplos sugerem algumas diferenças importantes entre os sistemas de retroalimentação positiva e negativa.
Como um sistema de retroalimentação positiva reforça continuamente uma mudança em uma condição controlada, algum
evento exterior ao sistema precisa encerrá-lo. Se a ação do sistema de retroalimentação positiva não for interrompida, ele
pode se “descontrolar” e até mesmo provocar problemas potencialmente fatais. A ação de um sistema de retroalimentação
negativa, por sua vez, diminui e então se encerra conforme a condição controlada retorna a seu estado normal. Em geral,
os sistemas de retroalimentação positiva reforçam condições que não ocorrem muito frequentemente e os sistemas de
retroalimentação negativa regulam condições corporais que permanecem razoavelmente estáveis por longos períodos.
Desequilíbrios homeostáticos
Você viu que a homeostasia é definida como uma condição em que o ambiente interno corporal permanece relativamente
estável. A capacidade de o corpo manter a homeostasia fornece a ele um grande poder de cura e uma resistência marcante
aos agravos. Os processos fisiológicos responsáveis pela manutenção da homeostasia são também responsáveis em
grande parte pela sua saúde.
Para a maioria das pessoas, a boa saúde ao longo da vida não é algo que aconteça sem esforço. Os muitos fatores
nesse equilíbrio chamado saúde incluem:
O ambiente e o seu próprio comportamento
Sua constituição genética
O ar que você respira, os alimentos que você come e até mesmo seus pensamentos.
O modo como você vive pode tanto apoiar quanto atrapalhar a capacidade de o seu corpo manter a homeostasia e se
recuperar dos estresses inevitáveis que a vida põe em seu caminho. Muitas doenças são resultado de anos de
comportamento inadequado que atrapalha a capacidade natural de o seu corpo manter a homeostasia. Um exemplo óbvio
são as doenças relacionadas com o fumo. O fumo do tabaco expõe o tecido pulmonar sensível a muitas substâncias
químicas que causam câncer e danificam a capacidade de reparo pulmonar. Como as doenças como enfisema e câncer
pulmonar são difíceis de tratar e muito raramente são curadas, é muito mais sábio parar de fumar – ou nunca ter
começado – do que esperar que um médico “conserte” seu problema uma vez que você tenha sido diagnosticado com uma
doença pulmonar. O desenvolvimento de um estilo de vida que trabalhe junto e não contra os processos homeostáticos do
seu corpo ajuda a maximizar seu potencial pessoal para a saúde e o bem-estar ideais.
Desde que todas as condições controladas do corpo permaneçam dentro de certos limites estreitos, as células do
corpo funcionam eficientemente, a homeostasia é mantida e o corpo permanece saudável. Se um ou mais componentes do
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7.
8.
9.
10.
11.
1.5
•
•
•
•
corpo perder sua capacidade de contribuir para a homeostasia, o equilíbrio normal entre todos os processos corporais
pode ser perturbado. Se o equilíbrio homeostático for moderado, pode ocorrer um distúrbio ou uma doença; se for grave,
pode ocorrer morte.
Um distúrbio é qualquer anomalia de estrutura ou função. Já doença é um termo mais específico para uma
enfermidade caracterizada por um conjunto reconhecível de sinais e sintomas. Uma doença localizada afeta uma parte ou
uma região limitada do corpo (p. ex., uma sinusite); uma doença sistêmica afeta o corpo inteiro ou várias de suas partes
(p. ex., a gripe). As doenças alteram as estruturas corporais e suas funções de modos característicos. Um indivíduo
doente pode experimentar sintomas, modificações subjetivas nas funções corporais que não são aparentes para o
observador. Exemplos de sintomas são cefaleia (dor de cabeça), náuseas e ansiedade. As modificações objetivas que um
médico pode observar e medir são chamadas sinais. Sinais de uma doença podem ser anatômicos, como inchaço ou
rubor (vermelhidão), ou fisiológicos, como febre, pressão arterial elevada ou paralisia.
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Diagnóstico de doença
O diagnóstico é a ciência e a habilidade de distinguir um distúrbio ou uma doença de outro. Os sintomas e os sinais do paciente, seu histórico médico, um exame
físico e exames laboratoriais fornecem a base para o estabelecimento de um diagnóstico. A determinação da história da doença (anamnese) consiste na coleta de
informações a respeito de eventos que possam estar relacionados com a enfermidade do paciente. Eles incluem a reclamação principal (motivo primário que levou
o paciente a procurar atenção médica), a história da doença atual, a história patológica pregressa, a história familiar, a história social e a revisão dos sintomas. Um
exame físico é uma avaliação básica do corpo e suas funções. Esse processo inclui técnicas não invasivas de inspeção, palpação, ausculta e percussão que você
aprendeu anteriormente neste capítulo, em conjunto com medidas de sinais vitais (temperatura, pulso, frequência respiratória e pressão arterial) e, algumas
vezes, exames laboratoriais.
A ciência que lida com por que, quando e onde as doenças ocorrem e como elas são transmitidas entre pessoas na
comunidade é chamada epidemiologia. A farmacologia é a ciência que lida com os efeitos e o uso de medicamentos
para o tratamento de doenças.
 TESTE RÁPIDO
Descreva as localizações do líquido intracelular, do líquido extracelular, do líquido intersticial e do plasma
sanguíneo.
Por que o líquido intersticial é chamado ambiente interno do corpo?
Quais tipos de distúrbios podem agir como estímulos para iniciar um sistema de retroalimentação?
Defina receptor, centro de controle e efetor.
Qual é a diferença entre sintomas e sinais de uma doença? Dê exemplos de cada um deles.
Terminologia anatômica básica
 OBJETIVOS
Descrever a posição anatômica.
Relacionar os nomes anatômicos e os nomes comuns correspondentes para várias regiões do corpo. humano.
Definir os planos e cortes anatômicos e os termos de posição e direção utilizados para descrever o corpo
humano.
Destacar as principais cavidades do corpo, os órgãos que elas contêm e seus revestimentos associados.
Os pesquisadores e os profissionais de saúde utilizam uma linguagem comum de termos especiais ao se referirem a
046
estruturas corporais e suas funções. A linguagem de anatomia que eles utilizam tem significados precisamente definidos
que permitemque eles se comuniquem clara e precisamente. Por exemplo, está certo dizer “o punho está acima dos
dedos das mãos”? Isso pode ser verdade se os seus membros superiores (descritos em breve) estiverem do lado do
corpo. Mas se você põe as suas mãos acima da cabeça, seus dedos ficarão acima dos punhos. Para evitar esse tipo de
confusão, os anatomistas utilizam uma posição anatômica padronizada e um vocabulário especial para relacionarem as
partes do corpo umas com as outras.
Posições corporais
As descrições de qualquer parte do corpo humano partem do princípio de que ele está em uma posição padronizada de
referência chamada posição anatômica. Na posição anatômica, o indivíduo se mantém ereto de frente para o observador,
com a cabeça e os olhos voltados diretamente para frente. Os membros inferiores estão paralelos, os pés estão retos
sobre o chão e direcionados para frente. Os membros superiores ficam ao lado do corpo, com as palmas voltadas para
frente (Figura 1.5). Dois termos descrevem o corpo deitado. Se o corpo está com o rosto voltado para baixo, ele está em
decúbito ventral. Se o corpo está com o rosto voltado para cima, ele está em decúbito dorsal.
Partes do corpo humano e regiões anatômicas
O corpo humano é dividido em algumas partes principais, que podem ser identificadas externamente. As principais
partes do corpo são a cabeça, o pescoço, o tronco, os membros superiores e os membros inferiores (Figura 1.5). A
cabeça consiste no crânio e na face. O crânio envolve e protege o encéfalo; a face é a parte frontal da cabeça que inclui
olhos, nariz, boca, fronte, bochechas e mento. O pescoço sustenta a cabeça, unindo-a ao tronco. O tronco consiste em
tórax, abdome e pelve. Cada membro superior está unido ao tronco e consiste em ombro, axila, braço (a parte do
membro do ombro até o cotovelo), antebraço (do cotovelo até o punho), punho e mão. Cada membro inferior também
está unido ao tronco e consiste em nádega, coxa (a parte do membro da nádega até o joelho), perna (a parte do membro
do joelho até o tornozelo), tornozelo e pé. A região inguinal é a área na superfície anterior do corpo, marcada por uma
prega de cada lado, na qual o tronco se liga às coxas.
Figura 1.5 Posição anatômica. Denominações anatômicas e alguns nomes correspondentes comuns (entre parênteses) são indicados
para regiões específicas do corpo. Por exemplo, a região cefálica é a região da cabeça.
Na posição anatômica, a pessoa encontra-se de pé de frente para o observador, com a cabeça e os olhos
voltados para frente. Os membros inferiores estão paralelos e os pés apoiados no chão e direcionados para
frente. Os membros superiores estão ao lado do corpo, com as palmas voltadas para frente.
047
Por que é importante definir uma posição anatômica padrão?
A Figura 1.5 mostra os nomes comuns anatômicos e os da terminologia anatômica das principais partes do corpo.
Por exemplo, se você recebe uma vacina antitetânica na região glútea, ela é aplicada na nádega. Como o termo anatômico
para uma parte do corpo em geral se baseia em uma palavra ou “radicais” gregos ou latinos, ela pode ser diferente do
nome comum para a mesma parte do corpo. Por exemplo, a palavra latina que descreve a cavidade abaixo da articulação
do ombro é “axila”. Desse modo, um dos nervos que atravessam essa região é denominado nervo axilar.
Termos direcionais
Para localizar várias estruturas corporais, os anatomistas utilizam termos direcionais específicos, palavras que
descrevem a posição de uma parte do corpo em relação à outra. Vários termos direcionais são agrupados em pares com
significados opostos, como anterior (frente) e posterior (atrás). A Expo 1.A e a Figura 1.6 apresentam os principais
termos posicionais e direcionais.
EXPO 1.A Termos direcionais (Figura 1.6)
048
•
12.
 OBJETIVO
Definir cada termo direcional utilizado para descrever o corpo humano.
VISÃO GERAL
A maioria dos termos direcionais utilizados para descrever a correlação entre uma parte do corpo com outra pode ser
agrupada em pares com significados opostos. Por exemplo, superior significa na direção da parte de cima do corpo e
inferior significa na direção da parte de baixo do corpo. É importante compreender que os termos direcionais têm
significados relativos; eles só fazem sentido quando utilizados para descrever a posição de uma estrutura em relação à
outra. Por exemplo, o joelho é superior ao tornozelo, embora ambos estejam localizados na metade inferior do corpo.
Estude os termos direcionais adiante e o exemplo de como cada um é utilizado. Conforme você lê os exemplos, observe
a Figura 1.6 para ver a localização de cada estrutura.
 TESTE RÁPIDO
Quais termos direcionais podem ser utilizados para especificar as relações entre (1) o cotovelo e o ombro, (2)
os ombros esquerdo e direito, (3) o esterno e o úmero e (4) o coração e o diafragma?
TERMOS DIRECIONAIS DEFINIÇÃO EXEMPLO DE USO
Superior (cefálico ou cranial) Em direção à cabeça ou na parte de cima de uma
estrutura.
O coração encontra-se superior ao fígado.
Inferior (caudal) Distante da cabeça ou na parte de baixo de uma
estrutura.
O estômago encontra-se inferior aos pulmões.
Anterior (ventral)* Próximo da parte frontal ou na frente do corpo. O esterno encontra-se anterior ao coração.
Posterior (dorsal) Próximo ou na parte de trás do corpo. O esôfago encontra-se posterior à traqueia.
Medial Próximo ao plano mediano (um plano imaginário
vertical que divide o corpo em lados iguais direito e
esquerdo).
A ulna encontra-se medial ao rádio.
Lateral Mais afastado do plano mediano. Os pulmões encontram-se laterais ao coração.
Intermediário Entre duas estruturas. O colo transverso encontra-se em posição
intermediária aos colos ascendente e descendente do
intestino grosso.
Ipsilateral No mesmo lado do corpo em relação a outra
estrutura.
A vesícula biliar e o colo ascendente do intestino
grosso são ipsilaterais.
Contralateral No lado oposto do corpo em relação a outra estrutura. Os colos ascendente e descendente do intestino
grosso são contralaterais.
Proximal Próximo à ligação entre um membro e o tronco;
próximo à origem de uma estrutura.
O úmero encontra-se proximal ao rádio.
049
Distal Distante da ligação entre um membro e o tronco;
distante da origem de uma estrutura.
As falanges (ossos dos dedos da mão) são distais aos
ossos carpais).
Superͅcial (externo) Na direção ou na superfície do corpo. As costelas encontram-se superͅciais aos pulmões.
Profundo (interno) Distante da superfície do corpo. As costelas encontram-se profundas em relação à
pele do tórax e do dorso.
*Repare que os termos anterior e ventral significam a mesma coisa para seres humanos. Entretanto, nos quadrúpedes,
ventral refere-se ao ventre e é, portanto, inferior. De maneira semelhante, os termos posterior e dorsal significam a
mesma coisa em seres humanos, mas em quadrúpedes, dorsal refere-se ao dorso e é, portanto, superior.
Figura 1.6 Termos direcionais.
Os termos direcionais localizam precisamente várias partes do corpo em relação umas às outras.
050
O rádio encontra-se proximalmente ao úmero? O esôfago encontra-se superior à traqueia? As costelas
encontram-se superficiais aos pulmões? A bexiga urinária encontra-se medialmente ao colo ascendente
do intestino grosso? O esterno encontra-se lateralmente ao colo descendente?
Planos e secções
Você também estudará as partes do corpo em relação aos planos, superfícies planas imaginárias que atravessam o corpo
(Figura 1.7). Um plano sagital é um plano vertical que divide o corpo ou um órgão nos lados direito e esquerdo. Mais
especificamente, quando um plano sagital atravessa as linhas medianas anterior e posterior do corpo ou de um órgão,2
dividindo-o em lados direito e esquerdo iguais, ele é chamado plano mediano. As linhas medianas anterior e
posterior são linhas verticais imaginárias que dividem o corpo em lados direitoe esquerdo iguais anterior e
posteriormente. Se o plano sagital não for o plano mediano, mas dividir o corpo ou o órgão em lados direito e esquerdo
desiguais, ele é chamado plano paramediano. Um plano frontal ou coronal divide o corpo ou um órgão em partes
anterior (frontal) e posterior (dorsal). Um plano transverso divide o corpo ou um órgão em partes superior e inferior.
Outros nomes para o plano transverso são plano horizontal ou plano axial. Os planos sagital, frontal e transverso se
encontram todos em ângulos retos um em relação ao outro. Um plano oblíquo, por sua vez, atravessa o corpo ou um
órgão em um ângulo oblíquo (qualquer ângulo diferente de 90°).
Figura 1.7 Planos que dividem o corpo humano.
Os planos frontal, transverso, sagital e oblíquo dividem o corpo de maneiras específicas.
051
Qual plano divide o coração em partes anterior e posterior?
Figura 1.8 Planos e secções através de partes diferentes do encéfalo. Os diagramas (esquerda) apresentam os planos e as
fotografias (direita) mostram as secções resultantes. Nota: as setas nos diagramas indicam a direção a partir da qual cada secção é
visualizada. Essa ajuda é fornecida ao longo do livro para indicar as perspectivas de visualização.
Os planos dividem o corpo de vários modos para produzir secções.
052
Qual plano divide o encéfalo em partes direita e esquerda desiguais?
Ao estudar uma região corporal, frequentemente é mostrada uma secção do mesmo. Uma secção é um corte do
corpo ou de um de seus órgãos feito ao longo de um dos planos descritos. É importante conhecer o plano da secção para
compreender a relação anatômica de uma parte com a outra. A Figura 1.8A-C indica como três secções diferentes –
mediana, frontal e transversa – fornecem visões diferentes do encéfalo.
Cavidades corporais
As cavidades corporais são espaços que envolvem os órgãos internos. Ossos, músculos, ligamentos e outras estruturas
separam as diversas cavidades umas das outras. Aqui nós discutiremos as várias cavidades corporais (Figura 1.9).
Os ossos do crânio formam um espaço oco na cabeça chamado cavidade do crânio, que contém o encéfalo. Os
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ossos da coluna vertebral formam o canal vertebral, que contém a medula espinal. A cavidade do crânio e o canal
vertebral são contínuos. Três camadas de tecido protetor, as meninges, e um líquido absorvedor de impactos cercam o
encéfalo e a medula espinal.
As principais cavidades do tronco são as cavidades torácica e abdominopélvica. A cavidade torácica (Figura 1.10) é
formada pelas costelas, músculos do tórax, esterno e pela parte torácica da coluna vertebral. Na cavidade torácica se
encontram a cavidade do pericárdio, um espaço preenchido por líquido que contorna o coração, e dois espaços
preenchidos por líquido chamados cavidades pleurais, um ao redor de cada pulmão. A parte central da cavidade torácica
é uma região anatômica chamada mediastino. Ele se encontra entre os pulmões, desde o esterno até a coluna vertebral e
desde a primeira costela até o diafragma (Figura 1.10A,B). O mediastino contém todos os órgãos torácicos com exceção
dos pulmões. Entre as estruturas do mediastino se encontram o coração, o esôfago, a traqueia, o timo e vários vasos
sanguíneos calibrosos que entram e saem do coração. O diafragma é um músculo cupuliforme que separa a cavidade
torácica da cavidade abdominopélvica.
A cavidade abdominopélvica (ver Figura 1.9) estende-se do diafragma até a região inguinal e é cercada pela parede
muscular abdominal e pelos ossos e músculos da pelve. Como seu nome sugere, a cavidade abdominopélvica é dividida
em duas partes, embora não exista uma separação (Figura 1.11). A parte superior, a cavidade abdominal, contém o
estômago, o pâncreas, o fígado, a vesícula biliar, o intestino delgado e a maior parte do intestino grosso. A parte inferior,
a cavidade pélvica, contém a bexiga urinária, partes do intestino grosso e os órgãos genitais internos. Os órgãos
localizados nas cavidades torácica e abdominopélvica são chamados vísceras.
Figura 1.9 Cavidades corporais. A linha preta pontilhada em A indica o limite entre as cavidades abdominal e pélvica.
As principais cavidades do tronco são as cavidades torácica e abdominopélvica.
Em quais cavidades encontram-se os seguintes órgãos: bexiga urinária, estômago, coração, intestino
delgado, pulmões, órgãos genitais femininos internos, timo, baço, fígado? Use os seguintes símbolos
para suas respostas: T = cavidade torácica, A = cavidade abdominal ou P = cavidade pélvica.
Figura 1.10 Cavidade torácica. As linhas pontilhadas indicam os limites do mediastino. Nota: quando os cortes transversais são
054
mostrados em vistas inferiores, a face anterior do corpo aparece na parte superior e o lado esquerdo do corpo aparece no lado direito da
ilustração.
A cavidade torácica contém três cavidades menores e o mediastino.
Qual é o nome da cavidade que envolve o coração? Quais cavidades envolvem os pulmões?
Figura 1.11 Cavidade abdominopélvica. A linha preta pontilhada inferior apresenta o limite aproximado entre as cavidades
abdominal e pélvica.
A cavidade abdominopélvica se estende do diafragma até a região inguinal.
055
A quais sistemas corporais os órgãos apresentados aqui nas cavidades abdominal e pélvica
pertencem? (Dica: observe a Tabela 1.2).
Túnicas das cavidades torácica e abdominal
Uma túnica é um tecido fino e flexível que cobre, reveste, divide ou conecta estruturas. Um exemplo é uma túnica dupla
e lisa associada às cavidades do corpo que não se abre diretamente para o exterior chamada túnica serosa. Ela recobre as
vísceras nas cavidades torácica e abdominal e também reveste as paredes do tórax e do abdome. As partes de uma túnica
serosa são (1) a lâmina parietal, um epitélio delgado que reveste as paredes das cavidades, e (2) a lâmina visceral, um
epitélio delgado que reveste e adere à víscera no interior das cavidades. Entre as duas camadas encontra-se um espaço
virtual que contém um pequeno volume de líquido lubrificante (líquido seroso). O líquido permite que as vísceras
deslizem um pouco durante os movimentos, como quando os pulmões se expandem e se contraem durante a respiração.
A túnica serosa das cavidades pleurais é chamada pleura. A pleura visceral adere à superfície dos pulmões e a
pleura parietal reveste a parede do tórax, cobrindo a face superior do diafragma (ver Figura 1.10A). Entre elas encontra-
se a cavidade pleural, preenchida por um pequeno volume de líquido lubrificante (ver Figura 1.10). A túnica serosa da
cavidade do pericárdio é o pericárdio. A lâmina visceral do pericárdio seroso recobre a superfície do coração, enquanto
a lâmina parietal do pericárdio seroso reveste a parede do tórax. Entre as lâminas do pericárdio seroso se encontra a
cavidade do pericárdio, preenchida por um pequeno volume de líquido lubrificante (ver Figura 1.10). O peritônio é a
túnica serosa da cavidade abdominal. O peritônio visceral recobre as vísceras abdominais e o peritônio parietal reveste a
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parede abdominal, cobrindo a face inferior do diafragma. Entre eles se encontra a cavidade peritoneal, que contém um
pequeno volume de líquido seroso lubrificante. A maioria dos órgãos abdominais é totalmente revestida pelo peritônio.
Alguns não são totalmente revestidos pelo peritônio; em vez disso, eles se encontram posteriores a ele. Esses órgãos são
chamados retroperitoneais. Os rins, as glândulas suprarrenais, o pâncreas, o duodeno do intestino delgado, os colos
ascendente e descendente do intestino grosso e partes da parte abdominal da aorta e da veia cava inferior são
retroperitoneais.
Além das principais cavidades corporais descritas até agora, você também aprenderá sobre outras cavidades
corporais nos capítulos posteriores. Estas incluem a cavidade oral (boca), que contém a língua e os dentes (ver Figura
24.5); a cavidade nasal, no nariz (ver Figura 23.1); as cavidades orbitais, que contêm osbulbos dos olhos (ver Figura
7.3); a cavidade timpânica (orelhas médias), que contêm ossículos (ver Figura 17.19); e as cavidades sinoviais, que são
encontradas em articulações livremente móveis e que contêm líquido sinovial (ver Figura 9.3).
Um resumo das principais cavidades do corpo e suas túnicas é apresentado na tabela da Figura 1.9.
Regiões e quadrantes abdominopélvicos
Para descrever a localização dos muitos órgãos abdominais e pélvicos mais facilmente, os anatomistas e os profissionais
de saúde utilizam dois métodos de divisão da cavidade abdominopélvica em áreas menores. No primeiro método, dois
planos horizontais e duas linhas verticais, alinhados como um jogo da velha, dividem essa cavidade em nove regiões
abdominopélvicas (Figura 1.12A). O plano horizontal superior, o plano subcostal, é traçado imediatamente inferior às
costelas, através da parte inferior do estômago; o plano horizontal inferior, o plano intertubercular, é traçado
imediatamente inferior à parte superior dos ossos do quadril. São traçadas duas linhas verticais, as linhas
medioclaviculares esquerda e direita, através dos pontos médios das clavículas e mediais às papilas mamárias (também
conhecidas como mamilos). As quatro linhas dividem a cavidade abdominopélvica em uma secção média maior e em
secções esquerda e direita menores. Os nomes das nove regiões abdominopélvicas são: hipocôndrio direito, epigástrio,
hipocôndrio esquerdo, lateral direita, umbilical, lateral esquerda, inguinal direita, hipogástrio (púbica) e inguinal
esquerda.
Figura 1.12 Regiões e quadrantes da cavidade abdominopélvica.
A divisão com nove regiões é utilizada para estudos anatômicos; a divisão em quadrantes é utilizada para
designar o local de dor, de tumores ou de alguma outra anomalia.
057
13.
14.
15.
1.6
•
Em qual região abdominopélvica encontra-se cada parte a seguir: a maior parte do fígado, o colo
ascendente do intestino grosso, a bexiga urinária e a maior parte do intestino delgado? Em qual
quadrante abdominopélvico seria sentida a dor da apendicite (inflamação do apêndice vermiforme)?
O segundo método é mais simples e divide a cavidade abdominopélvica em quadrantes, como mostrado na Figura
1.12B. Nesse método, uma linha sagital através do plano mediano e uma linha horizontal (a linha transumbilical)
atravessam o umbigo. Os nomes dos quadrantes abdominopélvicos são: quadrante superior direito (QSD), quadrante
superior esquerdo (QSE), quadrante inferior direito (QID) e quadrante inferior esquerdo (QIE). A divisão com
nove regiões é utilizada mais amplamente em estudos anatômicos e os quadrantes são utilizados mais comumente por
profissionais de saúde para descreverem o local de dor, tumor ou outra anormalidade abdominopélvica.
 TESTE RÁPIDO
Localize cada região apresentada na Figura 1.5 e então a identifique por seu nome anatômico e o nome
comum correspondente.
Quais estruturas separam as várias cavidades corporais umas das outras?
Localize as nove regiões abdominopélvicas e os quatro quadrantes abdominopélvicos em você e liste alguns
dos órgãos encontrados em cada um deles.
Técnicas de imagem
 OBJETIVO
Descrever os princípios e a importância dos procedimentos de imagem na avaliação das funções orgânicas e no
diagnóstico de doenças.
Existem várias técnicas e procedimentos para gerar imagens do corpo humano. Diversos tipos de imagem possibilitam a
visualização de estruturas no interior do nosso corpo, e são cada vez mais úteis para o diagnóstico preciso de um amplo
espectro de distúrbios anatômicos e fisiológicos. A “avó” de todas as técnicas de imagem é a radiografia convencional
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