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conhecimentos específicos
Didatismo e Conhecimento 1
CONEHCIMENTOS ESPECÍFICOS / Enfermeiro
1 ADMINISTRAÇÃO DOS SERVIÇOS DE 
ENFERMAGEM. 
1.1 PROCESSO SOCIAL DE MUDANÇA 
DAS PRÁTICAS SANITÁRIAS NO SUS E 
NA ENFERMAGEM. 
1.2 ADMINISTRAÇÃO DE MATERIAIS 
E ENFERMAGEM. 
1.3 NORMAS, ROTINAS E MANUAIS, 
ELABORAÇÃO E UTILIZAÇÃO NA EN-
FERMAGEM. 
1.4 ORGANIZAÇÃO DOS SERVIÇOS 
DE ENFERMAGEM. 
1.5 ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO 
DOS SERVIÇOS DE ENFERMAGEM. 
1.6 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM 
EM NÍVEL AMBULATORIAL. 
A administração é uma ciência multidisciplinar visto que os conhecimentos da mesma se advêm e se aplica em diversas áreas, 
no qual a importância desta ciência nos serviços de enfermagem também são preciosismos. Com este estudo tentou-se explorar a 
aplicação da ciência da administração no cotidiano dos profi ssionais de enfermagem, especifi camente a aplicação do conceito chave 
da administração no processo gerencial do enfermeiro. Para isso foi realizada uma revisão de literatura na qual abordou temas como: 
teorias da administração, administração em enfermagem e processo gerencial do enfermeiro. No fi nal entendeu-se que os conceitos 
de administração estão fortemente entrelaçados com ao processo gerencial do enfermeiro. Observou-se que os conceitos analisados, 
ao serem aplicados por esses profi ssionais eles se dão de uma forma simultânea, não ordenada e variando relativamente com as cir-
cunstâncias específi cas de cada hospital. 
Olhando a administração como um corpo de conhecimentos organizados, esta “arte-ciência” vem ganhando espaço em todas 
as espécies de organizações; ainda tendo em vista que a administração se desmembra em diversas partes, o processo administrativo 
embora seja visto de uma forma específi ca ele está associado a todos os aspectos da vida humana, tanto na esfera profi ssional, quanto 
no familiar e no social.
Tomando como apoio o fato de que a administração se aplica em todos os departamentos da vida, a enfermagem também se in-
clui nessa globalização. A enfermagem é formada por uma equipe onde se encontra profi ssionais auxiliares de enfermagem, técnicos 
em enfermagem e o enfermeiro que por sua vez é o líder da equipe, ele tem como objetivo de conduzir os membros de sua equipe à 
realização de determinadas tarefas onde se espera a efi ciência e a efi cácia da mesma e é dessa forma que se observa a administração 
na enfermagem.
O presente trabalho buscou discorrer sobre o conceito de administração no processo gerencial do enfermeiro; analisando a aplica-
bilidade da ciência da administração nesta esfera da saúde, fazendo uma correlação teoria e prática dos dois campos de atuação, onde 
o corpo de conhecimentos da primeira serve de base para melhorar o desempenho desses profi ssionais de saúde na execução da suas 
tarefas. Mais especifi camente, trouxe a discussão das quatro palavrinhas que é apresentado ao se defi nir a administração (organizar, 
planejar, executar e controlar) para o processo gerencial do enfermeiro.
Uma breve revisão da teoria geral da administração
Segundo Chiavenato, a palavra administração originou-se do latim, sendo, ad (direção, tendência para) e minister (subordinação 
ou obediência) e tem como signifi cado a realização de uma função sob o comando de outrem, ou seja, a prestação de um serviço a 
outro.
Didatismo e Conhecimento 2
conehcimentos específicos / enfermeiro
Já como disciplina, Masiero entende que Administração pode ser compreendida como integração e coerência entre o conheci-
mento das diferentes áreas da atividade humana, aplicadas às organizações, tendo em vista a sua sobrevivência, sua eficiência e sua 
eficácia. E o Raymundo, caracteriza a administração como um conjunto de atividades multicientífico e multidisciplinar, ou seja, uma 
ciência que se aplica em todas os departamentos da vida antiga e moderna.
Procurando trazer uma definição para o ambiente macro das empresas ou organizações, Maximiano, define administração como 
o processo de tomada de decisões utilização de recursos para realização de objetivos. Para o autor o processo de decisão não é sim-
plesmente tomar decisões sem nenhuma estrutura, mas sim a partir dos recursos disponíveis no momento da decisão. Raymundo 
acrescenta que administrar é o processo que conduz as pessoas à realização de determinados trabalhos, pois é necessário que exista 
no administrador a capacidade de influenciar as pessoas a realizarem suas tarefas. 
Ainda Maximiano, acreditar que administrar é agir, é o processo de tomar decisões e realizar ações que compreende cinco pro-
cessos principais: organização, planejamento, execução, liderança, e controle (sublinhados acrescentados). Estes são os principais 
elementos que caracterizam a definição da administração, é o principal conceito adotado neste artigo, visto que a intenção é correla-
cionar esta definição com o processo gerencial do enfermeiro. Demonstrar-se-á, mais a frente, como esses elementos se enquadra no 
trabalho do enfermeiro.
Com essa breve conceituação da ciência da administração, será apresentada logo a seguir as principais teorias desta disciplina e 
mais tarde se retornará a definição da administração:
Teoria da Administração Científica: Quando se fala desta primeira corrente da administração como ciência o destaque vai para 
o engenheiro norte-americano Frederick Winslow Taylor. Ele observou ao longo de sua carreira a deficiência das produções fabris, 
tais como: ausência de noção clara de divisão de responsabilidades; muitos trabalhadores não cumpriam seu dever; as decisões dos 
administradores eram baseadas em intuições e palpites; os departamentos das empresas não eram integrados, aos trabalhadores eram 
delegadas funções onde não possuíam habilidade, dentre outras deficiências. 
Tendo em vista os problemas das produções fabris, Taylor achou por bem desenvolver o “estudo sistemático e científico do tem-
po”, o que consistia em cronometrar o tempo em que os funcionários produziam determinados produtos no maior ritmo possível. Este 
estudo tinha como objetivo analisar o tempo necessário para o desenvolvimento de determinadas tarefas e o salário correspondente.
Ao passar dos anos Taylor observou que a questão do tempo e salário unicamente não solucionaria o problema. Então desenvol-
veu uma nova pesquisa que visava o aprimoramento dos métodos de trabalho. Assim sendo ele apresenta uma nova concepção dos 
princípios da administração de uma empresa, que são eles: Seleção e treinamento de pessoal, salários altos e baixos custos de produ-
ção, identificação de como executar a tarefas da melhor maneira possível e cooperação entre trabalhadores e administração. Ainda 
outros aspectos foram abordos, entre eles: padronização de ferramenta e equipamentos, sequenciamento e programação de operações, 
estudo de movimentos, Conveniência de uma área de planejamento, cartões de instruções pagamento de acordo com desempenho e 
cálculos de custo. Após esses estes estudos guru da teoria da administração científica agregou ao seu estudo que o incentivo indivi-
dual ao trabalhador atenderia o desejo do ganho material estimulando assim o crescimento pessoal.
Teoria clássica da administração: A teoria de administração clássica foi fundada por Henry Fayol logo após a primeira guerra 
mundial (1914-1917) e tem como ponto de parida o estudo científico da administração. Fayol apresentou como novidade em sua 
época a necessidade de um ensino organizado e metódico de administração para formar administradores. A teoria clássica tem como 
estrutura a organização; e ele acreditava que o comportamento administrativo deveria ter como modelo a organização militar, ou seja, 
um sistema de hierarquização. Onde haja uma cadeia de comando interligando as posições e definindo quem se subordina a quem. 
Portanto, pode-se ver que a teoria clássica aborda a constituição de uma organização baseada em uma cadeia de comando,pela qualexiste um corpo executivo que controla todo um grupo de pessoas que hierarquicamente se subordinam.
Teoria das relações humanas: Na década de 1930 psicólogos e cientistas sociais, afirmavam que o homem só trabalha por di-
nheiro. Acreditavam que as aplicações da administração científica eram insuficientes para o êxito profissional. Essas colocações trou-
xeram resultados desagradáveis como a desumanização do trabalho, tendo em vista o modo rígido de supervisão para realização de 
tarefas. Os estudiosos da época percebiam que a rigidez das normas de trabalha dificultavam o relacionamento dos trabalhadores em 
meio ao ambiente de trabalho. Helton Mayo, o mais importante contribuinte para a escola das relações humanas realizou um estudo 
que visava em principio entender a produtividade e luminosidade no local do trabalho. Esperava-se que ao aumentar a luminosidade 
aumentaria o desempenho dos trabalhadores, assim como se diminuísse a luminosidade, diminuiria o desempenho dos trabalhadores. 
No entanto ao trocarem as lâmpadas por outras de uma mesma potência notou-se a queda do desempenho dos trabalhadores levando 
a conclusão de que o que realmente poderia levar em consideração era o estado psicológico dos trabalhadores. Foi analisado então 
outros fatores como horário de descanso e alimentação. 
Porém os resultados foram diferentes do esperado, pois se notou novamente a influência de fatores psicológicos. Enfim foi re-
alizado outro experimento pelo qual foi separado um grupo de seis trabalhadores e colocado sob uma supervisão mais branda onde 
foi encontrado um resultado satisfatório, pois os trabalhadores se sentiam mais liberdade e motivação. Portanto com esta escola 
descobriu-se o “homem social” da organização.
Didatismo e Conhecimento 3
conehcimentos específicos / enfermeiro
Teoria de sistema: A abordagem da teoria de sistema foi desenvolvida pelo Bertalanffy, que iniciou um movimento intelectual 
visando uma ciência unificada. Segundo Masiero sistema seria “um conjunto de elementos que inter-relacionam de forma coesa e 
integrada, buscando atingir determinado objetivo”. Mais tarde ela obteve a projeção definitiva a partir do trabalho de Katz e Kahn no 
ano de 1987. A abordagem da estrutura de sistema relaciona a estrutura (organização) com o meio que lhe dá suporte e afirma que a 
maneira de manter a organização é fortalecer os seus recursos humanos que é a fonte motivadora da mesma. A palavra sistema está 
intimamente ligada com a palavra ambiente. O sistema necessita de constantes informações vindas do ambiente, para ser analisado o 
desempenho de produção a fim de atingir os seus objetivos. O pensamento desses autores leva a crer que a comunicação é a essência 
de uma organização, visto que através da comunicação os diversos departamentos das instituições se interligam.
Teoria Contingencial: Uma característica importante da teoria da contingência é que não se consegue sucesso na organização 
partindo de um único ponto, é necessária diversidade de alternativas para encaminha estudos, demandas organizacionais e problemas. 
Segundo Masiero, Contingência significa eventualidade, incerteza, ou seja, a teoria da contingência aborda as diferentes formas de 
administrar, a forma de administrar é “relativa”, envolvendo uma série de fatores, assim sendo, a maneira que uma organização deve 
ser administrada está condicionada ao ambiente em que ela está inserida. O fato da teoria de contingência considerar a forma de admi-
nistrar relativa, dependendo do ambiente em que a organização está envolvida limita o processo administrativo, pois não estabelece 
nenhuma técnica padrão, e por outro lado enriquece as habilidades do administrador. 
Administração em Enfermagem
A prática de enfermagem é uma das principais atividades profissionais da área de saúde, onde se abrange diversos departamen-
tos de atuação. Em função do desenvolvimento técnico-científico e de sua prática profissional, a enfermagem é uma profissão que 
vem evoluindo muito ao longo dos anos. Para esses dois autores a enfermagem é um conjunto de ciências humanas e sociais, uma 
profissão que vem evoluindo consideravelmente ao longo dos anos e vem sendo estudada e através disto observa-se uma grande 
contribuição de sua parte para o desenvolvimento de seu pessoal.
Rothbarth, Wolff e Peres entendem que a mais importante responsabilidade do enfermeiro é a assistência em saúde e tem como 
foco a excelência de atendimento buscando o bem estar do cliente. A profissão de enfermagem exige de eu profissional um perfil que 
agregue um conjunto de características que o capacite para exercer sua profissão da melhor e mais adequada maneira possível, sendo 
algumas delas: agilidade, decisões assertivas, criatividade e agregação de valores à instituição onde trabalha. 
É necessário também que o enfermeiro esteja sempre buscando atualização dos seus conhecimentos e técnicas de trabalho, que 
seja capaz de atuar em diferentes campos de ação, oferecendo uma assistência de excelência em todos os setores em que atuar. Se-
gundo Arone e Cunha, são atribuição do enfermeiro prestar ao cliente uma assistência satisfatória e isenta de riscos a fim de passar 
confiança e desta forma contar com a colaboração do cliente para todo tipo e assistência que for necessária ao mesmo.
Liderança em enfermagem: Considerando que o enfermeiro é o principal responsável por sua equipe e tem como objetivo a 
realização de determinadas atividades pelas quais depende do desempenho de sua equipe para a realização de uma forma eficiente, 
entende-se que é necessário que haja no enfermeiro o perfil de líder, para que assim estimule e influencie sua equipe a alcançar os 
objetivos.
Segundo Trevizan a palavra liderar vem do verbo inglês to lead e significa, conduzir, dirigir, guiar, comandar, persuadir, enca-
minhar. O primeiro registro dessa palavra foi no ano 825 d.C. Os diversos conceitos ligados a ele estão ligados ao latim, ducere, que 
no português significa conduzir. Entre as décadas de 30 e 40 a palavra lead foi adaptada ao português significando líder, liderança, 
liderar. Os primeiros estudos realizados sobre liderança têm a tendência de classificá-la como a capacidade de influenciarem seus 
respectivos liderados em prol de um objetivo comum, assim sendo liderança pode ser definida como o processo de coordenar e in-
fluenciar determinadas tarefas de membros de grupos variados. 
É comum o uso do termo liderança para definir a pessoa que está no comando, ou seja que está a frente de uma equipe e junto a 
ela busca um objetivo único. Enquanto que Mendes, liderança é o processo de condução de pessoas, é a capacidade de influenciar e 
motivar as pessoas lideradas a realização de uma tarefa da melhor maneira possível de acordo com os objetivos do grupo ou da or-
ganização. A liderança é fator capaz de harmonizar a exigência das organizações com a necessidade das equipes. É um processo que 
abrange todos os departamentos da vida, sejam eles familiares, acadêmicos, trabalhistas, sociais e muitos outros mais. A liderança é 
manifestada todas as vezes que é aplicada a influência sobre outras pessoas a fim de se realizar algum objetivo.
Segundo Kotter, em quanto à visão do administrador é focada para o resultado final, a do líder é voltada para o objetivo inicial, 
inspirando as pessoas a traçar seus objetivos. Para Kotter o sucesso dos lideres estão entrelaçados ao sucesso das pessoas ao seu redor, 
havendo uma atuação harmônica entre eles. Segundo Souza e Soares, o exercício da liderança é uma das principais responsabilidades 
do enfermeiro tendo em vista que ser líder e saber administrar são condições absolutamente necessárias para o eficiente desenvol-
vimento do trabalho do profissional de enfermagem. Assim sendo podemos observar a importância da realização de liderança nos 
serviços de enfermagem. Ainda Hunter, afirma que ser líder não é apenas influenciar, mas sim ter a capacidade de servirao próximo. 
O autor acreditar que quando a pessoa se disponibiliza a serviço de um outro alguém, isso causa um impacto profundo, onde a satis-
fação é o retorno.
Didatismo e Conhecimento 4
conehcimentos específicos / enfermeiro
Aplicação da administração em enfermagem
Ao longo dos anos a práxis da enfermagem tem contribuído muito para o desenvolvimento da profissão o que faz com que ela 
necessite do apoio de outras ciências como a administração para a sua expansão. 
Segundo Souza e Soares, a administração participativa no que diz respeito à democratização das tomadas de decisões, estabelece 
uma melhor satisfação e aumento de produtividade no trabalho. A enfermagem busca na administração uma ciência capaz de tornar 
a profissão operacionalmente racional, tendo em vista que administração é defendia como um instrumento de qualquer organização 
e que pode ser aplicada em qualquer área.
Ao longo deste estudo vimos que o administrador tem como função: planejar, organizar, coordenar, executar e avaliar os servi-
ços de uma organização. Assim como o administrador o enfermeiro também exerce essa função no que diz respeito aos serviços de 
enfermagem. É bem verdade que em algumas ocasiões tem sido necessário que o enfermeiro resolva questões que não são de sua 
responsabilidade, fazendo com que ele se sinta sobrecarregado pondo em risco a eficácia de seu trabalho. Visando o acúmulo de res-
ponsabilidades entende-se que é necessário que o enfermeiro/ administrador na resolução de problemas busque não somente soluções 
imediatistas, ou seja, a curto prazo, mas também a médio e longo prazo, através de planejamento e organização evitando assim o 
acúmulo de situações problemáticas e o estresse e sobrecarga enfermeiro prejudicando assim seu desempenho.
Processo Gerencial do enfermeiro
Segundo Weirich, a gerência deve ser entendida atribuição dos dirigentes na perspectiva de construção de um objetivo a fim de 
atender às necessidades da população voltada para integralidade de atendimento. Para Pesut e Herman o processo de enfermeiro ofe-
rece outro sistema teórico de resolução dos problemas e tomada de decisão. Os educadores de enfermagem identificam o processo de 
enfermagem como um modelo eficiente de tomada de decisão. É necessário que o enfermeiro tenha competência para assumir a res-
ponsabilidade de gerenciar, tendo em vista que o gerenciamento de enfermagem corresponder a coordenar os serviços de assistência 
em enfermagem e de tomada de decisões a fim oferecer uma assistência de qualidade. O enfermeiro deve estar sempre aprimorando 
suas competências gerenciais, o que pode ser feito através de cursos, cursos de especialização, educação continuada, dentre outros. 
E um outro elemento importante no processo gerencial do enfermeiro a ser considerado é o que Weirich salienta: uma característica 
importante nas praticas gerenciais é a inclusão das relações humanas, onde viabiliza as práticas para a administração do trabalho 
de pessoas. Um outro aspecto a ser salientado é que não compete ao enfermeiro somente identificar a cultura da organização e sua 
influência no processo de gestão, mas também a compreensão de como é aprendida e disseminada essa cultura pelos seus integrantes, 
possibilitando assim suas ações gerenciais.
Voltando ao objetivo geral deste artigo, a seguir apresenta-se a definição comum de administração como sendo o processo que 
incluí o administrar na esfera do trabalho do enfermeiro:
- Planejamento: planejar se consiste em arquitetar um plano, analisar recursos, criar uma estratégia para realização de um ob-
jetivo.
- Organização: este processo se dá logo após o planejamento e se consiste em colocar cada etapa do planejamento em seu de-
vido lugar, ou seja, juntar as informações e colocá-las de forma ordenadas, delegar funções e atribuir responsabilidade e autoridade 
a pessoas. 
- Liderança: após o planejamento e a organização, é necessário que haja uma influência sobre as pessoas que irão realizar deter-
minadas tarefas, motivando-as a realizarem o trabalho de uma forma eficaz.
- Execução: é o processo de realizar tarefas e consumir recursos cuja sua eficácia depende da forma pela qual a motivação e 
influencia foi exercida através do líder.
- Controle: é onde se realiza o feedback da realização de um objetivo, onde se verifica a mudança de estratégia, ou seja, é a aná-
lise do decorrer e da conclusão de uma determinada tarefa.
Acima foi apresentado de forma breve o conceito dos termos chaves que caracterizam a definição da administração. Por outro 
lado, não deixa de se fazer presente no processo gerencial do enfermeiro. Na enfermagem, planejar e executar atividades são impres-
cindíveis para garantir assistência com qualidade. A função de planejamento costuma figurar como uma das atividades desenvolvidas 
predominantemente pela enfermeira, dada a divisão social e técnica do trabalho. Costuma também, ser associado imediatamente ao 
planejamento da assistência de enfermagem ou ainda, Como uma função das enfermeiras que desenvolvem predominantemente o 
processo de trabalho de gerenciamento do serviço ou da unidade assistencial.
A fase de planejamento do processo administrativo é um elemento essencial que antecede todas as demais funções. Sem plane-
jamento adequado, ocorre fracasso no processo administrativo, considera Marquis. Desse modo, planejar pode ser considerado como 
uma função proativa, necessária a todos os enfermeiros para que as necessidades e os objetivos pessoais e organizacionais possam ser 
alcançados. Ela se inicia se inicia à medida que se determinam os objetivos a serem alcançados, se definem estratégias e políticas de 
ação e se detalham planos para conseguir alcançar os objetivos, se estabelece uma sequência de decisões que incluem a revisão dos 
objetivos propostos alimentando um ciclo de planificação. 
Didatismo e Conhecimento 5
conehcimentos específicos / enfermeiro
Já foi abordado o papel da liderança no trabalho do enfermeiro. A partir do planejamento, se dá a organização, execução do 
trabalho, onde se podem incluir os demais dois elementos: a liderança e o controle. Essas funções coexistem no desempenho do tra-
balho do enfermeiro. Determinar quem faz o que e onde nas organizações, assim como evidencia as relações de autoridade e poder 
existentes entre os componentes organizacionais. A organização é um dos meios de que se utilizam as organizações para atingirem 
eficientemente seus objetivos. E nesse processo o controle essencial, de horas, custos, salários, horas extras, ausência de doença, 
patrimônio, suprimentos, etc. 
A administração se aplica praticamente em todas as esferas da vida humana, tanto pessoal como profissional. Trazendo este corpo 
de conhecimentos para a esfera de saúde, o trabalho do enfermeiro no cumprimento das suas funções focando o objetivo de atingir 
a eficiência e a eficácia no seu processo gerencial, conclui-se que há uma forte correlação dos conceitos apresentados pela adminis-
tração na enfermagem, mas se perceber que esse processo é multidisciplinar e não se dá de forma ordenada como foi apresentado. 
Portanto, ela trata-se de um processo que acontecesse simultaneamente e dependendo de cada circunstância especifica, assim com na 
teoria contingencial, a qual se observa a maior aproximação do processo gerencial do enfermeiro.
Pacto pela Saúde
Determinada pela Constituição e pela Lei Complementar n.º 8.142/1990, a participação popular confere à gestão do SUS realis-
mo, transparência, comprometimento coletivo e efetividade de resultados. Ela está diretamente relacionada ao grau de consciência 
política e de organização da própria sociedade civil.
A construção de consensos formando lideranças. As práticas participativas preservam a autodeterminação das comunidades. Para 
se construir consensos, é preciso saber escutar o outro como legítimo e ter consciência sobre o significado do bem público, do papeldo Estado e da ampla representação do conjunto da sociedade. Por isso mesmo, é importante que haja autonomia nos processos de 
escolha das representações municipais, como forma de se combater a formação de grupos fechados ao debate.
A participação social na saúde é uma das maneiras de se efetivar a democracia, por meio da inclusão de novos sujeitos sociais 
nos processos de gestão do SUS, como participantes ativos em debates, formulações e fiscalização das políticas desenvolvidas pela 
saúde pública brasileira, o que lhes confere legitimidade e transparência. O SUS deve identificar o usuário como membro de uma 
comunidade, com direitos e deveres, e não como recebedor passivo de benefícios do Estado.
A participação da comunidade no SUS acontece, nos municípios, por meio de canais institucionalizados – ou seja, previstos por 
leis ou normas do SUS –, como as Conferências Municipais de Saúde, os Conselhos Municipais de Saúde, os Conselhos Gestores de 
Serviços ou, ainda, por meio de reuniões de grupos, por áreas de afinidade. Mesmo nos órgãos internos do SUS, os processos parti-
cipativos são importantes, como as mesas de negociação trabalhista, a direção colegiada e outras.
É preciso informar e saber escutar as ouvidorias municipais do SUS, as consultas públicas e as pesquisas de opinião de usu-
ários permitem colher as avaliações e as demandas da população sobre a saúde pública local e conhecer a realidade do atendimento 
fornecido pelo SUS. É preciso estabelecer canais de comunicação que levem permanentemente à comunidade esclarecimentos sobre 
as ações e os serviços de saúde – em particular sobre prestações de contas, informações de saúde e relatórios de gestão. Para isso, 
podem ser utilizados não apenas veículos convencionais, como jornais, rádio e tv, mas também meios alternativos, como rádios co-
munitárias ou jornais murais – eficientes e de baixo custo.
Dentre os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), a participação ou controle social na saúde destaca-se como de grande 
importância, pois é a garantia de que a população participará do processo de formulação e controle das políticas de saúde.
Controle social também pode ser definido como a “[...] capacidade que a sociedade civil tem de interferir na gestão pública, 
orientando as ações do Estado e os gastos estatais na direção dos interesses da coletividade [...]”. É “[...] toda ação controladora da 
sociedade sobre o estado, objetivando as políticas de saúde [...]”. Temos ainda, que controle social “é a produção de necessidades da 
vida por seus próprios protagonistas. É acima de tudo partilhar poder. Construção de um processo político pedagógico de conquista 
da cidadania e fortalecimento da sociedade civil”.
Como forma de participação da população na saúde, temos as conferências de saúde e os conselhos de saúde nas três esferas 
de governo: nacional, estadual e municipal. Atuam na elaboração de estratégias e no controle da execução da política de saúde. As 
Conferências de Saúde são realizadas no mínimo a cada quatro anos, por meio de uma Conferência Nacional, Conferências Estaduais 
e Municipais, propiciando oportunidades de discussão e análise da situação geral de saúde da população e estabelecendo orientações 
para o funcionamento dos serviços de saúde do SUS. Já os Conselhos de Saúde são definidos como organismos colegiados de cará-
ter deliberativo e permanente, compostos por representantes do governo, prestadores de serviços, profissionais de saúde e usuários, 
sendo que a representação dos usuários se dá de forma paritária em relação aos demais segmentos.
Também estão presentes em todas as esferas de governo: conselhos municipais, conselhos estaduais e Conselho Nacional de 
Saúde. Além dos conselhos municipais existe uma outra opção de participação direta da sociedade na gestão da saúde local, que são 
os chamados, em alguns municípios, conselhos gestores locais. Estes órgãos funcionam em hospitais, ambulatórios e unidades de 
saúde, tendo composição tripartite: funcionários do SUS, usuários e representantes da administração municipal.
Didatismo e Conhecimento 6
conehcimentos específicos / enfermeiro
Apesar de o SUS ter sido criado há quase duas décadas, a falta de compreensão dos princípios que o norteiam, por parte dos 
usuários e trabalhadores dos serviços de saúde, tem se constituído em entrave à sua implantação efetiva. O trabalhador da saúde se 
constitui em sujeito fundamental para a construção e a viabilização das mudanças nas práticas de saúde, e, como tal, é necessário que 
compreenda os princípios que direcionam o Sistema de Saúde no qual estão inseridos.
Considerar o trabalhador do SUS como participante das políticas públicas em saúde em seus aspectos administrativos, técnicos, 
políticos e sociais; torna-se condição fundamental para a construção e viabilização de reais mudanças institucionalizadas e legitima-
das socialmente. Acredita-se que a mobilização das comunidades em torno da participação “pode se dar de modo natural [...], mas 
pode, também, ser provocada por profissionais comprometidos com a qualidade de vida das pessoas, que incorporem em suas práticas 
a socialização e discussão dos saberes/verdades que permeiam a área da saúde [...]”.
Concorda-se com a afirmação de que a “enfermagem, presente em todos os serviços de saúde tem base prática para conversar 
com a população e dizer ao Estado as necessidades do serviço para uma assistência de qualidade”. E, ainda, que os profissionais 
de enfermagem precisam estar engajados nos movimentos sociais e eventos da saúde em defesa do SUS, que se constitui em única 
alternativa para a grande maioria da população.
Acredita-se que os enfermeiros possam exercer um papel importante na construção e no fortalecimento do controle social, prin-
cipalmente, os que atuam em unidades de atenção básica à saúde, pois estão em contato direto com a população usuária dos serviços 
e possuem, em grande parte, um papel articulador tanto das atividades realizadas, quanto dos diferentes trabalhadores envolvidos no 
processo de produção das ações de saúde. Enquanto realizam suas funções gerenciais, educativas e de cuidados básicos, os enfermei-
ros podem contribuir diretamente na busca do controle social efetivo.
O controle social na saúde ocorre principalmente por meio de representações nos conselhos de saúde, que são órgãos colegiados 
em que participam representantes dos usuários do SUS, dos prestadores de serviços, dos trabalhadores da saúde e dos gestores do 
sistema. 
As concepções dos enfermeiros sobre controle social na saúde estão ancoradas, principalmente, no exercício da participação 
dos usuários nos conselhos gestores das unidades de saúde. Em relação a estes conselhos, foram destacadas algumas dificuldades 
que prejudicam o seu funcionamento efetivo: a falta de preparo dos profissionais e dos usuários para atuarem e os baixos resultados 
alcançados pelos conselhos junto ao gestor municipal. Neste sentido, processos educativos participativos poderiam ser utilizados 
para capacitação dos diferentes segmentos envolvidos, com vistas a fortalecer o controle social na saúde. E o enfermeiro, capacitado 
e atualizado nesta área, poderia ter um importante papel no desenvolvimento de ações na atenção básica.
Acredita-se que a educação para o controle social na saúde deva estar inserida em uma política de educação permanente que vise 
à formação dos diferentes segmentos: usuários, trabalhadores e gestores para a participação social no SUS. O envolvimento com a 
educação permanente deve ocorrer por parte de vários atores, como: as universidades e instituições com cursos na área da saúde; os 
hospitais de ensino; os estudantes da área da saúde; os trabalhadores de saúde; os conselhos de saúde; entre outros.
Por outro lado, processos educativos já desenvolvidos pelos enfermeiros nas unidades de atenção básica deveriam ser aproveita-
dos também como espaço de reflexão da participaçãosocial na saúde, propiciando uma educação com vistas à cidadania. Os enfer-
meiros, no exercício de suas funções, estão realizando ações que auxiliam a promoção e o fortalecimento do controle social na saúde, 
tais como: orientação aos usuários, convite para participarem das reuniões do conselho gestor local, leitura de sugestões deixadas em 
caixas específicas e divulgação das reuniões do conselho gestor. Essas várias ações mostram que a prática de enfermagem voltada ao 
controle social na atenção básica já é uma realidade, mas precisa ser aprofundada e ampliada. 
Concorda-se que uma política de fortalecimento do controle social deva ter como princípios norteadores, “[...] a motivação para 
que os indivíduos se tornem sujeitos sociais na luta por saúde, e também pela qualificação da participação social tornando-a pró-
-ativa, formuladora, criativa e comunicativa, proporcionando o empoderamento dos conselheiros, no sentido de torná-los portadores 
de desejos e necessidades dos grupos sociais [...]”, para, desta maneira, transformar a atuação dos conselhos de saúde.
Tem-se claro que a implementação dos princípios do SUS é um processo inacabado e, por isso, muitas são as ações a serem rea-
lizadas; mas acreditamos que através das reflexões deste e de outros temas pode auxiliar no processo de transformação da saúde em 
nosso país. Nessa perspectiva, tem-se consciência de que a enfermagem exerce um importante papel, não só nas ações com vistas ao 
controle social, mas na busca de práticas que fortaleçam o SUS de uma forma mais ampla.
O Pacto pela Saúde trata-se de um esforço das três esferas de governo (municípios, estados e União) para, juntamente com o 
Conselho Nacional de Saúde, rediscutir a organização e o funcionamento do SUS. Seu objetivo principal é avançar na implantação 
dos princípios constitucionais referentes à saúde no Brasil e definir as responsabilidades de gestão de cada ente federado. 
Facilmente reconhecemos que o Brasil é o país do futebol, do carnaval, da diversidade cultural, etc. Entretanto, não podemos 
dizer que o Brasil seja reconhecido pelo seu Sistema Único de Saúde – SUS – como mereceria ser. Primeiro, porque os interesses 
neoliberais buscam transformar nosso direito à saúde em mercadoria geradora de lucro. Para isso, há uma ação sistemática de alguns 
grupos para que a política pública não funcione e para que as pessoas tenham planos privados de saúde.
Segundo, porque o SUS ainda é uma proposta muito recente, considerando o longo período em que vivemos sem qualquer polí-
tica pública de saúde universal e de qualidade no Brasil. 
Didatismo e Conhecimento 7
conehcimentos específicos / enfermeiro
Apesar de registrar avanços importantes, a reforma sanitária brasileira – que está intimamente ligada à proposta do SUS, ainda 
enfrenta enormes limitações. Muitas regras estão ultrapassadas e são até contraditórias. Os sujeitos da participação da comunidade 
na saúde, especialmente os conselheiros, atuam em meio a uma burocracia que parece não ter fim e convivem com um sistema de 
normas inaplicável à sua realidade, dificultando assim a implantação do SUS. 
Alia-se a isso a dificuldade enorme que ainda existe para que o SUS funcione integrado como um sistema, embora tenhamos 
exemplos muito positivos de experiências de regionalização e descentralização. Por fim, não poderíamos deixar de fazer referência 
ao limite enorme enfrentado pela participação da comunidade no exercício da fiscalização do SUS. Faltam instrumentos que res-
ponsabilizem os gestores de forma clara, a partir de metas e indicadores para as ações e os serviços da saúde. Tudo isso mostra a 
necessidade de mudanças.
Essa realidade foi detectada há muito tempo e vem sendo discutida pela sociedade, por profissionais e por gestores comprometi-
dos com o SUS. Foi pauta das últimas Conferências de Saúde e dos debates do Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde 
(CONASS) e do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS) que resultaram em profunda análise do SUS 
no contexto pós-NOBs (Normas Operacionais Básicas).
Esses diferentes debates resultaram na criação de uma nova proposta de pactuação sobre o funcionamento do SUS. Tratou-se, 
primeiramente, de um diálogo entre o Ministério da Saúde, o CONASS e CONASEMS sobre suas respectivas responsabilidades. Em 
seguida, esse diálogo entre as três esferas do governo proporcionou novas orientações quanto ao funcionamento do SUS que foram 
encaminhadas ao Conselho Nacional de Saúde. Estas novas orientações, depois de discutidas e aprovadas pelo CNS, em fevereiro de 
2006, resultaram no que se chamou de Pacto Pela Saúde.
Dimensões do Pacto pela Saúde
É fundamental reafirmar que o Pacto pela Saúde busca preservar os princípios do SUS previstos na Constituição e nas Leis Or-
gânicas da Saúde (Lei 8.080, de 19 de setembro de 1990, e 8.142, de 11 de dezembro de 1990). O próprio Pacto prevê estratégias que 
afirmam esses princípios. É a partir deles que se construiu uma pactuação que contempla três dimensões:
- Pacto pela Vida
- Pacto em Defesa do SUS
- Pacto de Gestão do SUS
No início, o debate estava centrado somente na gestão do SUS. Entretanto, as discussões posteriores indicavam a importância 
de se ampliar o processo e a pactuação para uma visão mais integral. Em que pese o Pacto pela Saúde contemplar três dimensões, as 
mesmas não podem ser tratadas separadamente, pois elas se correlacionam.
O Pacto pela Vida tem como foco central estabelecer um conjunto de prioridades a serem assumidas pelos gestores das três 
esferas. As prioridades estão expressas em objetivos, metas e indicadores, que são definidas nacionalmente, mas que permitem que 
os gestores indiquem situações a partir da realidade local. Até 2006, o Pacto pela Vida era constituído por indicadores do Pacto da 
Atenção Básica, da Programação Pactuada e Integrada da Vigilância (PPI-VS), e pelos indicadores do Pacto pela Saúde. A Portaria 
nº 91 GM/MS, de 10 de janeiro de 2007, unificou o processo de pactuação de indicadores por meio de aplicativo eletrônico. Esta 
portaria foi alterada pela Portaria GM/MS nº 325, de 21 de fevereiro de 2008, onde se incluíram novas responsabilidades. No ano de 
2009 foi mantida a pactuação de 2008, por meio da Portaria GM/MS nº 48, de 12 de janeiro de 2009.
Essas prioridades buscam enfrentar os principais problemas de saúde que assolam o país, os estados, as regiões e os municípios. 
Por isso, o objetivo do Pacto é eleger prioridades nacionais e incentivar que estados e municípios elejam as suas a partir da realidade 
local e regional. Entretanto, é importante que as prioridades não sejam ações que já estão incluídas no cotidiano do sistema, como por 
exemplo, a vacinação. Elas devem continuar sendo feitas com qualidade, mas não necessariamente precisam constar como priorida-
de, porque já fazem parte da cultura dos gestores, conselheiros e cidadãos.
A importância do Pacto pela Vida é olhar para o contexto da saúde (lugar onde as pessoas moram e suas condições de vida) e 
definir prioridades que incidem progressivamente para a melhoria da situação de saúde dos brasileiros. No entanto, uma vez definidas 
e acordadas, é preciso estabelecer recursos orçamentários para que elas não sejam apenas boas intenções.
Para que essas prioridades expressem a realidade nacional, estadual, regional e municipal, elas devem estar em profunda con-
sonância entre si. Isso não significa, por exemplo, que as metas nacionais sejam uma imposição ao município e/ou ao estado. Um 
dos objetivos do Pacto é exatamente eliminar este formato. Mas o município deve atentar para as prioridades das outras esferas e 
discutir como elas podem responder às suas necessidades. É preciso também definir as suas próprias prioridades, que dizem respeito 
especificamente ao seu território. O documento que deve guiar o estabelecimento dessas metas é o Plano de Saúde. Vale destacar que 
o alcancedas metas e objetivos do Pacto pela Vida está relacionado à implementação do Pacto pela Saúde.
Didatismo e Conhecimento 8
conehcimentos específicos / enfermeiro
O Pacto em Defesa do SUS objetiva discutir o sistema a partir dos seus princípios fundamentais. Repolitizar o debate em torno 
do SUS, para reafirmar seu significado e sua importância para a cidadania brasileira, retomando seus princípios declarados na Cons-
tituição Federal. O SUS é parte do processo democrático do país e tem como primeira finalidade a promoção e efetivação do direito 
à saúde. Embora esse propósito muitas vezes seja desvirtuado por interesses diferentes, é fundamental que a sociedade compreenda 
a importância da política pública para a efetivação dos seus direitos.
As diretrizes operacionais do Pacto em Defesa do SUS recomendam:
- expressar os compromissos entre os gestores do SUS com a consolidação da Reforma Sanitária Brasileira, explicitada na defesa 
dos princípios do Sistema Único de Saúde estabelecidos na Constituição Federal; 
- desenvolver e articular ações no seu âmbito de competência e em conjunto com os demais gestores que visem qualificar e as-
segurar o Sistema Único de Saúde como política pública.
Para garantir a defesa dos princípios do SUS e assegurá-lo como política pública, foram definidas como fundamentais três frentes 
de ação. O Plano de Saúde é um dos instrumentos imprescindíveis para a qualificação da gestão do SUS, além de ser junto com o 
Relatório de Gestão, uma exigência legal para o recebimento dos recursos da saúde, conforme o artigo 4º da Lei 8142/90.
- Primeiro, implementar um amplo processo de mobilização social para divulgar a saúde como direito de todos e o SUS como a 
política pública que deve responder a esse direito. Deste processo resultou a Carta dos Direitos dos Usuários do SUS, um instrumento 
conhecido e importante para a mobilização e controle social. Neste item específico, caberia um debate sobre a atual necessidade de 
ações e publicações que ampliem a divulgação da saúde como direito de todos e sobre o SUS. Cabe destacar, que a partir de 2009, o 
Conselho Nacional de Saúde, em parceria com o Ministério da Saúde, CONASS e CONASEMS, instituiu a Caravana em Defesa do 
SUS. O Objetivo é fortalecer o debate da saúde como um direito humano e repolitizar o SUS de acordo com os princípios da reforma 
sanitária. Junto com a Caravana, está em curso a proposta de reconhecimento do SUS como patrimônio imaterial da humanidade.
- A segunda frente de ação é mobilizar a sociedade para que tenhamos mais recursos para a saúde. A perspectiva é que, em curto 
prazo, a Emenda Constitucional nº 29 seja regulamentada e, em longo prazo, que a saúde tenha aumentados seus recursos orçamen-
tários e financeiros O Pacto em Defesa do SUS destaca a intenção de evitar a proposição de políticas de governo. É fundamental 
que tenhamos uma política de financiamento de Estado. Os direitos não podem depender da boa vontade deste ou daquele governo. 
Necessitamos de uma política de financiamento que garanta estabilidade e o progressivo aumento dos recursos destinado à saúde.
- A terceira grande frente, diz respeito à ampliação do diálogo com a sociedade.
O Pacto de Gestão é outra dimensão do Pacto pela Saúde. Suas diretrizes dizem respeito à Regionalização, ao Financiamento, 
ao Planejamento, à Programação Pactuada e Integrada da Atenção à Saúde (PPI), à Regulação da Atenção à Saúde e da Assistência, à 
Participação e Controle Social, à Gestão do Trabalho e à Educação na Saúde. Seu foco é radicalizar os princípios da regionalização, 
hoje um dos maiores desafios do SUS. O sistema ainda convive, em muitos casos, com uma lógica velha, centralizada, e que não 
permite o pleno e qualificado acesso dos cidadãos às ações e aos serviços de saúde. 
O Pacto de Gestão do SUS definiu melhor as responsabilidades de cada esfera de governo. Essa definição é importante para que 
a política do SUS funcione a partir da gestão participativa. O que vemos hoje é o chamado “empurra-empurra” (descumprimento de 
pactuações) entre os gestores, que aumentam cada vez mais as tensões entre si para ver de quem é a responsabilidade na saúde. E o 
cidadão fica no meio, sem saber ao certo a quem deve recorrer para garantir o seu direito. Com a nova pactuação as responsabilidades 
e o processo de monitoramento e avaliação da gestão do SUS ficaram mais claros.
Outro aspecto que deve ser ressaltado no Pacto de Gestão do SUS é reconhecer que a participação da comunidade tem importân-
cia estrutural na gestão do SUS. Já passou o tempo em que o gestor centralizava todas as decisões sobre a saúde. Para que a partici-
pação da comunidade tenha melhores condições de atuação, o Pacto propõe um conjunto de ações e reconhece o dever dos gestores 
de destinar orçamento, cooperando técnica e financeiramente para sua qualificação.
Essa medida poderá resolver uma das maiores dificuldades atuais dos conselhos que é ter estrutura para realizar seu trabalho. 
Ainda hoje, muitos gestores desrespeitam as deliberações e inviabilizam a atuação dos conselheiros quando não apoiam ações for-
mativas, negam recursos para viagens, não viabilizam sala com telefone para o conselho trabalhar, ou não cedem veículos para ações 
de fiscalização.
No entanto, fica ainda uma crítica sobre o processo de construção do Pacto pela Saúde. Apesar da proposta potencializar a par-
ticipação da comunidade, os gestores envolvidos na sua construção não conseguiram dialogar com os representantes da comunidade. 
Embora o texto final tenha sido aprovado pelo Conselho Nacional de Saúde, poucos foram os debates públicos que possibilitaram aos 
movimentos, às organizações e aos conselhos do país inteiro colocar em pauta suas ideias, posições e perspectivas sobre um assunto 
tão importante.
Didatismo e Conhecimento 9
conehcimentos específicos / enfermeiro
Temas relevantes do Pacto pela Saúde
O Pacto se constitui a partir de uma unidade de princípios que buscam:
- respeitar as diferenças locais e regionais;
- reforçar a organização das regiões sanitárias (regionalização) instituindo mecanismos (colegiados) de co-gestão e planejamento 
regional;
- qualificar o acesso ao direito humano à saúde;
- redefinir instrumentos de regulação, programação e avaliação; 
- valorizar a cooperação técnica entre os gestores; 
- unificar os diversos pactos existentes; 
- estimular o financiamento tripartite com critérios de equidade nas transferências fundo a fundo e fortalecer o controle social.
O Pacto também é composto por diversos temas. Sem desmerecer a importância de nenhum, vamos priorizar aqueles que, ao 
nosso ver, mais se relacionam com as demandas e lutas dos sujeitos sociais populares pelo direito humano à saúde. São eles: Atenção 
Básica, Regionalização e Financiamento.
Em 30 de março de 2006, o Ministro da Saúde assinou a portaria nº 699/GM que deu sequência ao processo de implantação do 
Pacto pela Saúde. Um dos objetivos desta portaria foi apontar as diretrizes operacionais e os desdobramentos para o processo de 
gestão do SUS. Ela determinou também como seria a transição e o monitoramento destes pactos, dando unidade aos processos de 
definição de indicadores e metas.
A principal definição desta portaria foi o Termo de Compromisso de Gestão - TCG. Trata-se de uma espécie de contrato que os 
gestores assinam. E no caso do Pacto pela Saúde, o TCG vale para os três gestores do SUS. No TCG constam todas as suas respon-
sabilidades no tocante às ações e serviços de saúde. É um contrato porque os gestores devem ser sujeitos do processo de discussão 
das suas responsabilidades com as outras esferas, sem que ninguém defina autoritariamente suas obrigações.
Esse Termo passou a ser o meio pelo qual os gestores fazem sua adesão ao Pacto. Isto significa que a adesão não será automática, 
mas que todos os municípios, estados, o Distrito Federal e a União devem desencadear um processode discussão com os agentes do 
controle social e as outras esferas de gestão, para que se estabeleça a adesão.
A construção do Termo de Compromisso de Gestão
Primeira premissa: Os Termos de Compromisso substituem o processo de habilitação. Os Termos de Compromisso de Gestão, 
tanto de estados, Distrito Federal e dos municípios substituem os antigos processos de habilitação ao SUS. Dissemos também, que 
todos os municípios e estados terão responsabilidades das quais não podem abrir mão em nenhuma hipótese. Isso não significa que 
todos os gestores devam ou consigam dar conta dessas atribuições imediatamente. Entretanto, devem pactuar um cronograma que 
mostre ‘como’ e ‘quando’ estas atribuições serão assumidas. Vale destacar que no caso dos municípios, existem responsabilidades 
que não se aplicam, devido ao porte do município ou mesmo a natureza da responsabilidade.
A partir dessas prerrogativas é que todos os municípios e estados devem construir o seu Termo para que seja possível o acesso 
às ações e serviços de qualidade para todos os cidadãos. De posse do documento final, os conselheiros de saúde, os gestores (sejam 
municípios, estados ou União) e os cidadãos em geral poderão monitorar permanentemente se determinado município está cumprindo 
ou não com os compromissos acordados. Será um documento público que permitirá a fiscalização, o monitoramento e a avaliação da 
gestão do SUS, de forma mais eficiente. 
Para isso acontecer, é importante a participação da comunidade já na construção do Termo. Afinal, caberá ao Conselho de Saúde 
aprovar a proposta. A primeira questão fundamental para o sucesso deste processo é: O Termo não deve ser uma construção indivi-
dual, somente dentro do município, como se ele fosse uma ilha isolada. É claro que cada gestor municipal é responsável para tomar a 
iniciativa de responder por seu território e população. Nenhum gestor deve esperar que outros façam por ele o que é responsabilidade 
sua.
Entretanto, aqui vale o grande princípio da solidariedade presente no SUS. Todo gestor municipal pode solicitar o apoio de ou-
tros gestores municipais, principalmente os que participam dos Colegiados de Gestão Regional e de outras esferas de governo, para 
pôr em prática um processo de negociação e construção do Termo. Até porque não é possível pensar o sistema isoladamente.
Segunda premissa: Termos devem necessariamente estar relacionados com o Plano Municipal de Saúde. O Termo não pode 
diminuir ou substituir o Plano de Saúde. Ao contrário, espera-se que o Termo, o Plano de Saúde e o Relatório de Gestão tenham 
coerência entre si e se efetivem como instrumentos de planejamento do SUS. Neste sentido, o Plano de Saúde é um meio para que o 
conteúdo do Termo de Compromisso de Gestão seja realizado. A construção do Termo requer um plano de ação que, compatibilizado 
com a programação anual de gestão, identifique os problemas e apresente soluções de curto, médio e longo prazos. Assim, estaremos 
contribuindo para evitar os famosos “planos de gaveta”, que são bem elaborados por alguns técnicos, mas depois desconsiderados 
no cotidiano do fazer saúde.
Didatismo e Conhecimento 10
conehcimentos específicos / enfermeiro
Terceira premissa: Nada pode ser construído sem a participação e a aprovação do Conselho Municipal de Saúde. Gestor que não 
discute e submete sua política ao Conselho ainda não compreendeu a concepção de Estado com ampla participação que a sociedade 
mundial e brasileira vem construindo nos últimos tempos. Construir a política de Saúde junto com o Conselho não significa garan-
tir apenas o espaço formal de participação, em que os conselheiros são convocados, muitas vezes de última hora, e sua atuação se 
restringe a levantar o crachá, mesmo sem entender o que estão votando. Ao contrário, significa criar as condições para que os con-
selheiros e cidadãos possam efetivamente participar e discutir. Neste sentido, cabe um grande desafio à participação da comunidade 
que é conhecer os eixos que compõem a estrutura do Termo e seu fluxograma de aprovação, para poder contribuir no debate e ter 
condições de votá-lo conscientemente.
Quarta premissa: A adesão ao Pacto pela Saúde é o início e não o fim do processo. A adesão ao Pacto pela Saúde é o início do 
processo para o Poder Executivo responder com qualidade às necessidades de saúde da população. Cumprir com as responsabilidades 
sanitárias de forma satisfatória e com qualidade significa, entre outras medidas, manter um diálogo permanente entre gestores e os 
Conselhos de Saúde. Significa enxergar o Pacto como um todo, compreendendo que a unificação de indicadores representa um acor-
do de metas para melhoria da qualidade da saúde da população, e que acaba por refletir-se também no Pacto de Gestão. Além disto, 
o Pacto em Defesa do SUS garante a sustentabilidade do sistema de saúde como um todo. Outro aspecto importante diz respeito à 
utilização do processo que envolve o Pacto para a qualificação das ações da equipe de saúde, respeitando o diálogo com os conselhos 
de saúde e os movimentos populares.
Eixos para a construção do Termo de Compromisso Municipal
O Termo prevê que os gestores municipais tenham responsabilidades sanitárias claras e que as pactuem nas negociações corres-
pondentes. Essas responsabilidades obedecem basicamente a sete eixos:
- Responsabilidades Gerais da Gestão do SUS;
- Regionalização; 
- Planejamento e Programação;
- Regulação, Controle, Avaliação e Auditoria;
- Gestão do Trabalho;
- Educação na Saúde; 
- Participação e Controle Social. 
Cada um destes eixos é detalhado em diferentes ações e o Termo deve informar se as ações são realizadas com qualidade (satisfa-
toriamente) ou não, qual o prazo para que venha a se realizar, ou se esta ação não se aplica ao contexto em questão. A não aplicação, 
como destacado anteriormente, é aceita somente nos casos em que a complexidade do sistema local de saúde não permite a realização 
de uma responsabilidade, ou em uma situação previamente pactuada. Entretanto, na maioria das ações, essa opção não existe, pois, 
de forma geral, o município é obrigado a realizá-las. Se não fizer imediatamente, então deverá fazê-lo num período que ele mesmo 
irá propor, informando no Termo. 
Pacto pela Saúde: uma possibilidade
Com a construção e a implementação do SUS, vive-se no Brasil uma façanha histórica na área da saúde. Ao mesmo tempo em 
que muitos países seguem o caminho da privatização e do sucateamento dos sistemas públicos de saúde, o Brasil resiste e mostra que 
é possível construir um sistema universal, integral e equitativo. Sabemos dos obstáculos que enfrentamos, desde a redemocratização, 
para que a saúde fosse um direito de todos e dever do Estado. No entanto, permanece o desafio da constante efetivação ou concretiza-
ção desse direito. É isso que justifica a luta permanente da sociedade pelo direito humano à saúde. A efetivação do Pacto pela Saúde 
representa mais um grande esforço nesta direção.
É a partir dessa perspectiva que o Pacto pela Saúde deve ser analisado. Ele é um acordo que pretende garantir avanços no SUS. 
Entretanto, a simples pactuação, transformada posteriormente em portarias, não garante que as mudanças efetivamente ocorram. Isso 
significa que o Pacto configura uma possibilidade de organizar, corrigir e qualificar um conjunto de questões que ainda impedem o 
funcionamento pleno do SUS, e de permitir o avanço na efetivação do direito humano à saúde. Mas é preciso estar atento para o risco 
de não se desenvolver uma pactuação burocrática/formal, pouco efetiva e não contributiva com o processo de reforma sanitária pela 
qual tanto lutamos no Brasil.
O que pode efetivamente garantir que essas mudanças ocorram será a organização e mobilização da comunidade para compro-
meter os profissionais e principalmente os gestores, que deverão implantar estratégias e realizar ações diversas no sentido de garantir 
os propósitos doPacto pela Saúde.
Didatismo e Conhecimento 11
conehcimentos específicos / enfermeiro
O Pacto, por si só não passa de uma possibilidade que, por mais importante que seja para este momento, só será efetivada da 
forma como queremos, se criarmos as condições para tal. Se isso é verdade, é importante fazermos um conjunto de esforços para 
multiplicarmos os debates sobre o novo Pacto, a fim de construirmos as condições de participação e pressão social.
Central de Material e Esterilização
No cenário hospitalar, a Central de Material e Esterilização é a unidade encarregada de expurgar, preparar, esterilizar, guardar e 
distribuir materiais estéreis ou desinfetados para todos os setores do hospital que prestam cuidados aos pacientes. Neste contexto, é 
o setor responsável diuturnamente por atividades fundamentais no controle de qualidade do processo de esterilização e no controle 
das infecções hospitalares. 
Na estrutura hospitalar brasileira, até a década de 40, não existia central de material e esterilização; todos os processos de preparo, 
esterilização e armazenamento de materiais eram feitos no centro cirúrgico. A partir dos anos 50, com o surgimento de novos métodos 
de limpeza e esterilização de materiais e o advento de instrumentais especializados para cirurgias mais complexas é que começaram 
a destinar uma área própria para o preparo de materiais. Porém, só no início dos anos 70 é que alguns hospitais, especialmente os 
grandes e os universitários, iniciaram a implantação de setores destinados às atividades de limpeza autônomas e independentes do 
centro cirúrgico. Surgiu então a Central de Material e Esterilização, chefiada por um enfermeiro, composta por áreas: de recepção, 
expurgo, preparo, esterilização e guarda (armazenamento e distribuição de materiais).
O desenvolvimento tecnológico ocorrido nas últimas décadas na área de saúde, impulsionou as atividades desenvolvidas nas 
CMEs de forma vertiginosa, colocando-a como um setor de vital importância no ambiente hospitalar, dada a magnitude do trabalho 
ali desenvolvido. Neste manual os principais métodos de limpeza, desinfecção, esterilização e validação do processo de esterilização 
desenvolvidos nas CMEs são abordados de forma clara e objetiva para que todos possam realizá-los, oferecendo aos seus clientes 
materiais seguros que contribuam para a qualidade da assistência prestada.
Classificação de Artigos Hospitalares
Críticos: São artigos que estão envolvidos em alto risco de aquisição de infecção se estiverem contaminados com quaisquer 
microorganismos, incluindo os esporos bacterianos. Estes objetos penetram tecidos estéreis ou sistema vascular e devem ser esterili-
zados para uso. Ex: instrumentos cirúrgicos, cateteres urinário e cardíaco, implantes, agulhas e etc.
Semi-Críticos: São artigos que entram em contato com membranas mucosas íntegras ou pele não íntegra . Devem estar livres 
de todos os microorganismos na forma vegetativa, mas, podem conter alguns esporos. Membranas mucosas intactas geralmente são 
resistentes aos esporos bacterianos mais comuns; porém, são suscetíveis a infecções por microbactérias e alguns vírus. Estes artigos 
requerem desinfecção de alto nível. Ex: equipamentos respiratórios e de anestesia, endoscópios digestivo e etc.
Não-Críticos: São artigos que entram em contato com pele íntegra, mas não com mucosas. A pele íntegra é uma barreira efetiva 
a muitos microorganismos. Há baixíssimo risco de se transmitir agentes infecciosos para pacientes através dos artigos não críticos. 
Entretanto, eles podem servir de fonte de contaminação das mãos dos profissionais ou dos fômites em geral que por sua vez poderão 
carrear microorganismos quando entrarem em contato com outro paciente. Os artigos não críticos dependendo da sua particularidade 
ou grande contaminação poderão ser lavados com água e sabão, ou receber desinfecção de nível intermediário ou baixo. Ex: coma-
dres, aparelhos de pressão, móveis do paciente e etc.
Etapas do preparo de Material para Esterilização
Seleção: É a separação dos materiais odonto-médico-hospitalares, por tipo, para que sejam limpos adequadamente sem sofrer 
danos. Ex. Instrumentais, endoscópios, borrachas, vidros, etc.
Limpeza: É o processo de remoção de sujidades realizado pela aplicação de energia mecânica (fricção), química (soluções de-
tergentes, desincrostantes ou enzimática) ou térmica. A utilização associada de todas estas formas de energia aumentam a eficiência 
da limpeza. A matéria orgânica presente (óleo, gordura, sangue, pus e outras secreções) envolve os microrganismos, protegendo-os 
da ação do agente esterilizante. Por essa razão, a limpeza constitui núcleo de todas as ações referentes aos cuidados de higiene com 
os artigos e áreas hospitalares, além de ser o primeiro passo nos procedimentos técnicos de desinfecção e esterilização. A limpeza 
dos artigos deve ser feita de maneira escrupulosa e meticulosa procurando-se escolher para cada tipo de material a melhor maneira 
de executar esta tarefa.
Didatismo e Conhecimento 12
conehcimentos específicos / enfermeiro
Quanto aos produtos de limpeza, merece destaque o seguinte grupo: 
Detergentes: São produtos que contém tensoativos em sua formulação, com a finalidade de limpar através de redução da tensão 
superficial, umectação, dispersão, suspensão e emulsificação da sujeira.
Detergente Enzimático: À base de enzimas e surfactantes, não-iônico, com pH neutro, destinado a dissolver e digerir sangue, 
restos mucosos, fezes, vômito e outros restos orgânicos de instrumental cirúrgico, endoscópios e artigos em geral. As enzimas que 
promovem a quebra da matéria orgânica são basicamente de três tipos:
1- Proteases: decompõem as proteínas
2- Amilases: decompõem os carbohidratos
3- Lipases: decompõem as gorduras
Observações:
- Diluir o produto conforme orientações do fabricante;
- Produtos abrasivos: Lã de aço e similares não são recomendados, principalmente para metais, pois tornam suas superfícies 
progressivamente ásperas e proporcionam abrigo para a proliferação de microrganismos;
- Sabões: Os comuns, são combinações de substâncias fortes e gordurosas. Têm pouco valor para a limpeza de materiais odonto-
-médico-hospitalares, quando comparados aos modernos detergentes.
Alternativas de Limpeza
Manual: Por fricção com escova macia e/ou esponja, atentando para ranhuras, articulações, concavidades e lumens do material. 
Ex: Instrumentais, circuito respiratório, etc. 
O artigo deve ser imerso, por completo, em água com detergente enzimático ou sabão neutro líquido, friccionado, enxaguado em 
água corrente abundante e seco.
Por equipamentos
- Lavadoras Ultra-sônicas: emitem vibrações ultra-sônicas na água aquecida para remover a sujidade das superfícies externa e 
interna dos instrumentais com ajuda de soluções químicas;
- Lavadoras esterilizadoras (a 121ºC e alta pressão): de acordo com o nome, existem dois ciclos: um de lavagem (não remove 
toda a matéria orgânica dos instrumentas), e outro de esterilização (devido a alta temperatura a matéria orgânica não removida na 
lavagem adere-se aos instrumentais dificultando a remoção na limpeza manual), necessitando de lavagem manual posterior;
- Lavadora descontaminadora (descontaminadora térmica, desinfectora e sanitizadora): essa máquina emite numerosos jatos de 
água, através de espargidores, que são estrategicamente dispostos para remover a sujidade, proporcionando excelente limpeza, sem 
danificar os instrumentais. O ciclo inicia um banho de água fria (reduz a impregnação de matéria orgânica), e depois, água quente 
(até 85ºC), com detergente, seguido de enxágue múltiplos.
Observações:
- Após a limpeza, deve ser feita revisão de todo material, com cuidado especial para ranhaduras e lumens, para detecção de su-
jidade;
- A escolha da alternativa de limpeza deve levar em conta a realidade de cada unidade e a natureza do artigo a ser processado;- O uso dos EPIs pelo servidor, é obrigatório nesta fase.
Secagem: Tem por objetivo evitar que a umidade interfira nos processos químicos e/ou físicos de desinfecção e/ou esterilização 
dos materiais. Deve ser feita rigorosamente utilizando-se:
- Pano limpo e seco;
- Secadoras de ar quente;
- Ar comprimido.
Observações: A secagem deve ser criteriosa porque havendo água nos artigos pode ocorrer:
- Alteração da concentração em que as soluções químicas agem adequadamente;
- Interferência no ciclo de secagem na autoclave porque esse processo tem umidade relativa definida;
- Aumento do tempo necessário para esterilização em estufa, por ampliar o tempo de aquecimento inicial.
Revisão: Feita durante o preparo das bandejas, consiste na verificação da integridade das funções e presença de sujidade no ma-
terial. Confere-se: ranhuras, cremalheiras, corte, etc.
Didatismo e Conhecimento 13
conehcimentos específicos / enfermeiro
Preparo: É a montagem das bandejas e pacotes; Deve ser feito em área limpa e organizada; O setor deve ter livro (ou pasta) com 
as listas dos materiais e orientações para o preparo.
Observações:
- Os campos e/ou embalagens devem estar íntegros;
- Observar a presença de pelos, lanugem, sujidade, etc, nos campos a serem usados;
- Os profissionais devem usar gorro, cobrindo totalmente os cabelos para evitar queda nas mesas, bancadas e materiais.
Empacotamento: Deve ser adequado ao processo de esterilização, de maneira a garantir a esterilidade do material. Devemos 
observar:
Na seleção da embalagem:
- Permeabilidade ao agente esterilizante;
- Impermeabilidade a partículas microscópicas;
- Resistência às condições físicas do processo de esterilização;
- Adequação ao material a ser esterilizado;
- Flexibilidade e resistência à tração durante o manuseio;
- Se proporciona selagem adequada;
- Ausência de resíduos tóxicos (corantes e alvejantes) e nutrientes microbianos (amido).
No empacotamento:
- Tamanho do pacote deve ser, no máximo 25x25x40cm;
- Peso máximo de 5 Kg;
- Embalagem adequada ao volume do material.
Na montagem dos pacotes:
- Não deixá-los muito apertados, para que o agente esterilizante possa penetrar facilmente nem muito folgados para que não se 
desfaçam, permitindo contaminação durante o manuseio.
Tipos de embalagens:
Campo duplo de algodão cru
- permeável ao vapor;
- 140 fios/polegada = 56 fios/cm2 = 200g/m2;
- lavado recentemente.
Papel grau cirúrgico: É um laminado com duas faces de papel ( uso industrial ) ou uma face de papel e outra com filme trans-
parente.
• Permeável ao vapor e óxido de etileno;
• Resistente a temperaturas de até 160º C;
• Impermeável a microorganismos, oferecendo segurança ao material esterilizado;
• Validade de esterilização de acordo com as condições de estocagem e integridade da embalagem;
• Não pode ser reaproveitado porque torna-se impermeável ao agente esterilizante após uma esterilização;
• O ar deve ser removido ao máximo da embalagem para evitar ruptura dos pacotes por expansão do mesmo.
Papel crepado
- Atóxico, biodegradável;
- Composto de celulose tratada, resiste até 150º C por 1 hora;
- Permeável ao vapor e óxido de etileno;
- É flexível mas menos resistente à tração que o tecido e não tecido;
- Funciona como barreira microbiana efetiva;
- Guarda memória das dobras.
Didatismo e Conhecimento 14
conehcimentos específicos / enfermeiro
Papel Kraft
Observação:
- O papel Kraft vem caindo em desuso devido à fragilidade e vulnerabilidade como barreira microbiana após a esterilização. 
Além da presença do amido, corante e outros produtos tóxicos que podem se depositar sobre os artigos.
Não tecido
- Sintético, resultado da união de três camadas de não tecido, 100% polipropileno;
- Barreira microbiana;
- Maleável, facilitando a confecção dos pacotes;
- Resistente às condições físicas do processo de esterilização;
- Atóxico e livre de furos;
- Permeável ao vapor, óxido de etileno e plasma de peróxido de hidrogênio;
- Não guarda memória nas dobras.
Tyvec
- Compatível com óxido de etileno, vapor, radiação gama e plasma de peróxido de hidrogênio;
- Alta resistência à tração e perfuração;
- Excelente barreira microbiana;
- O uso em larga escala é limitado pelo alto custo.
Caixas metálicas
- Podem ser usadas por vapor, se as mesmas forem perfuradas e recobertas por embalagens permeáveis ao vapor.
Containers
- Apresentam perfurações na tampa e fundo, onde são colocados filtros permeáveis ao vapor e impermeáveis a microorganismos.
Identificação: Todo o material a ser esterilizado deve ser identificado na própria fita (ou etiqueta) adesiva com os seguintes 
dados:
- Identificação do material (bandeja de parto, etc);
- data e lote;
- setor de origem;
- assinatura legível do servidor que preparou.
Procedimentos Gerais adotados em setores e CME
Instrumentais Cirúrgicos
Procedimento de pré lavagem
- Uso obrigatório de EPI completo (máscara, óculos protetores, gorro, avental plástico, propés/botas, luvas de borracha de cano 
longo);
- Receber e conferir material sujo das unidades, na própria bandeja, sem descartáveis e pérfuro-cortantes;
- Selecionar os delicados, pontiagudos, de anestesia, materiais elétricos, etc;
- Abrir os instrumentais, com exceção das pinças pontiagudas (Backaus, Pozzi), para reduzir risco ocupacional;
- Materiais leves devem ficar sobre os pesados a fim de evitar danos (os delicados lavar manualmente);
- Se a CME dispuser de máquinas, o material continuará a ser processado nelas.
Caso contrário, obedecer as etapas seguintes:
- Fazer enxágue prévio dos instrumentais com jato de água fria (para remoção de restos de sangue e matéria orgânica);
- Colocar os instrumentais imersos em sabão neutro líquido ou detergente enzimático, tendo o cuidado de abrir as pinças, exceto 
os pontiagudas (evitar acidente com o servidor). Obs: não utilizar detergente de uso doméstico; ao longo do tempo danifica os ins-
trumentais;
- Deixar agir na solução de acordo com as orientações do fabricante;
- Retirar desta solução e lavar friccionando com escova, observando ranhuras, articulações, cavidades e concavidades. Lavar os 
delicados separadamente;
- Enxaguar em água corrente abundantemente, secar e encaminhar para preparo.
Didatismo e Conhecimento 15
conehcimentos específicos / enfermeiro
OBS:
- Os instrumentais com peças removíveis devem ser desmontados para facilitar a limpeza em todos os pontos críticos;
- Caneta de bisturi deve ser encaminhada envolvida em compressa, não misturada com os demais instrumentais;
- Os instrumentais com grande carga de sujidade, (sangue, pus e fezes), encaminhar à CME acondicionados em dois sacos plás-
ticos identificados;
- Os instrumentais com grande carga de sujidade (pus, fezes etc.) deverão ser colocados de preferência na lavadora – esteriliza-
dora evitando qualquer contato destes resíduos com pia, bancadas e mesas, para reduzir riscos ocupacionais.
Procedimento de secagem e revisão dos instrumentais cirúrgicos
- Secagem minuciosa com compressas limpas e/ou ar comprimido;
- Fazer revisão observando integridade das funções de cada instrumental e presença de sujidade;
- Lubrificação das articulações quando necessário;
- Encaminhar os materiais para a área de preparo.
Área de preparo dos instrumentais cirúrgicos
- Separar por tipo: pinças, tesouras, afastadores, etc, inspecionando os materiais;
- Solicitar à enfermeira a substituição de materiais danificados ou quebrados, quando necessário;
- Montar bandejas conforme relação de instrumentais padronizada;
- Acondicionar em bandejas, caixas perfuradas ou pacotes, tendo o cuidado de colocar os materiais leves sobre os pesados a fim 
de evitar danos;
- Juntar e amarrar frouxamente peças delicadas como: ganchos, espátulas, etc, para evitar que caiam ao abrir a bandeja em sala 
de cirurgia;
- Proteger os instrumentos pontiagudos para evitar danos aos materiaise acidente de trabalho. Para tanto pode-se usar envelope 
aberto de papel cirúrgico ou compressa de gaze 7,5 x 7,5 cm.
Empacotamento
Instrumentais cirúrgicos, embalar na seguinte sequência:
- Abrir campo duplo de algodão cru;
- Sobrepor campo de cretone simples;
- Colocar o instrumental;
- Fechar segundo técnica de envelope.
Obs: os pacotes também podem ser feitos em papel grau cirúrgico com termoselagem.
Instrumental acondicionado em bandejas e caixas perfuradas, na seguinte sequência:
- Abrir campo duplo de algodão cru;
- Sobrepor campo simples de cretone;
- Colocar a bandeja, forrando-a com campo simples de cretone;
- Colocar os instrumentais conforme relação padronizada sobrepondo os materiais leves sobre os pesados;
- Fechar segundo a técnica de envelope.
Identificação
- Usar preferencialmente fita teste para autoclave;
- Colocar nome do material, especialidade, setor de origem, data e assinatura;
- Encaminhar para esterilização.
OBS: Para o fechamento com fita branca, com adesivo acrílico, faz-se necessário o uso de no mínimo 5 cm ( 3 listras ) de fita 
teste para autoclave.
Tubos para aspiração e oxigenação (látex e silicone)
- Após uso, passar em jato de água corrente imediatamente, para retirar excesso de matéria orgânica;
- Imergir em solução de sabão neutro de 20 a 30 minutos;
- Levar para pia, friccionando toda extensão da borracha para retirada total da sujidade;
- Enxaguar em água corrente;
- Colocar para escorrer o excesso de água em suporte;
Didatismo e Conhecimento 16
conehcimentos específicos / enfermeiro
- Encaminhar para preparo, após inspeção visual;
- Todo tubo usado em procedimento de grande sujidade (pus, fezes, etc) deve ser desprezado no local do procedimento;
- Os tubos novos devem ser lavados antes do preparo;
- Separar por tamanho (máximo 1,50m), enrolar em círculo frouxo, colocar conexão quando for para o centro cirúrgico;
- Envolver em campo de cretone e campo duplo de algodão cru;
- Fixar e identificar;
- Encaminhar para esterilização.
Obs: As borrachas deverão ser preparadas ainda úmidas internamente, para facilitar a penetração de vapor no lúmem.
Vidrarias
Vidros de aspiração
- Receber sem secreção;
- Colocar solução limpadora dentro do vidro e proceder de acordo com as recomendações do fabricante;
- Lavar com água corrente, sabão neutro líquido e escova própria;
- Escorrer em local próprio ( dispensador );
- Devolver ao setor de origem.
Seringas de vidro
- Colocar em recipiente adequado com sabão neutro líquido e água quente, corpo e êmbolo separadamente;
- Lavar com escova própria;
- Colocar para escorrer e secar;
- Separar corpo e êmbolo por tamanho;
- Testar o êmbolo e observar se o bico está íntegro;
- Enrolar com gaze aberta, corpo e embolo conforme rotina;
-• Fixar, identificar e assinar.
Obs: As seringas de vidro são usadas atualmente para confecção de bandejas de bloqueio anestésico e punção lombar.
Vidros para biópsia
- Lavar com água corrente e sabão neutro líquido e escova própria;
- Enxaguar com água corrente e escorrer em local próprio;
- Empacotar individualmente tampa e vidro em papel grau cirúrgico ou embalagem descartável, observando para que a tampa 
não entre em contato direto com o vidro;
- Fixar, identificar, datar e assinar;
- Encaminhar para esterilização.
Bacias, comadres e papagaios
- A limpeza, desinfecção e secagem devem ser feitas no setor de origem;
- Em caso de lesão de pele do paciente que entra em contato direto com bacia, comadre ou papagaio, após limpeza, empacotar, 
identificar e encaminhar a CME para esterilização.
Limpeza no setor:
- Desprezar as secreções na própria enfermaria;
- Levar ao expurgo colocar solução enzimática, caso não tenha, lavar com água e sabão neutro líquido, utilizando escova para 
friccionar;
- Enxaguar em água corrente abundante;
- Colocar para escorrer em local próprio;
- Secar com pano limpo e seco;
- Friccionar com pano umedecido em álcool etílico a 70%;
- Guardar em local adequado.
Obs: Dispondo de lavadora com rack próprio, colocar os materiais diretamente na máquina; conforme orientação do fabricante.
Didatismo e Conhecimento 17
conehcimentos específicos / enfermeiro
Equipamento elétrico
Caneta de bisturi elétrico
- Desconectar o eletrodo da caneta e lavar separadamente com água e sabão neutro líquido;
- Passar compressa com sabão neutro líquido em toda extensão do fio;
- Passar compressa úmida com água para retirar o sabão;
- Secar com compressa limpa;
- Readaptar o eletrodo na caneta;
- Encaminhar para área de preparo;
- Enrolar o fio em forma circular de maneira folgada ( sem amarrar );
- Envolver a caneta de bisturi e colocar em papel grau cirúrgico ou campo de algodão, selar ou fixar, identificar, datar e assinar;
- Encaminhar para esterilização em autoclave.
Perfurador elétrico
- Passar compressa úmida, com sabão neutro líquido em todo aparelho externamente, inclusive o fio;
- Abrir o mandril e limpar rigorosamente com gaze, haste flexível ou escova embebida em sabão neutro líquido, em seguida 
retirar o sabão com gaze umedecida em água;
- Secar com ar comprimido;
- Embalar individualmente e encaminhar para esterilização em ciclo de materiais termossensíveis.
Retossigmoidoscópio
Peças metálicas:
- Paramentar-se usando EPIs;
- Passar água corrente para retirar o excesso de sujidade;
- Colocar em detergente enzimático (conforme orientação do fabricante);
- Enxaguar abundantemente;
- Fazer revisão das peças para detectar sujidades;
- Acondicionar em campos de cretone simples e campo de algodão cru e/ou bandejas;
- Fixar, identificar, datar e assinar;
- Encaminhar para esterilização em autoclave.
Óticas:
- Lavar manual e delicadamente evitando impactos, não enrolar para não danificar;
- Usar água e sabão neutro líquido ou detergente enzimático;
- Enxaguar bem em água corrente;
- Secar com compressa limpa;
- Enrolar em forma de círculo grande para não danificar internamente;
- Encaminhar para preparo;
- Colocar as óticas em solução esterilizante ( conforme orientação do fabricante);
- Enxaguar em água corrente;
- Colocar sobre um campo duplo;
- Secar com compressa limpa;
- Acondicionar em campo estéril para uso imediato.
Desinfecção
Conceito: É o processo físico (raios ultravioleta, pasteurização) ou químico (solução germicida) que elimina muitos ou todos os 
microorganismos na forma vegetativa em objetos inanimados com exceção de esporos bacterianos.
Níveis de desinfecção:
De alto nível
Ocorre quando a ação dos desinfectantes é eficaz sobre todos as bactérias nas formas vegetativas, microbactérias, fungos, vírus 
e alguns dos esporos bacterianos.
Didatismo e Conhecimento 18
conehcimentos específicos / enfermeiro
De nível intermediário
Ocorre quando a ação dos desinfetantes é eficaz contra micobactérias, bactérias na forma vegetativa, maioria dos fungos, maio-
rias dos vírus, mas não é eficaz contra esporos bacterianos.
Baixo nível
Ocorre quando a ação dos desinfetantes é eficaz contra a maioria dos fungos, alguns vírus, mas não é eficaz contra microorganis-
mos resistentes como a micobactéria ou contra esporos bacterianos.
Processos
Físicos
Lavadoras termo-desinfectoras: são usadas para descontaminar e desinfetar artigos. Emitem numerosos jatos de água através de 
espargidores dispostos estrategicamente para prover uma excelente limpeza sem danificar os instrumentos. A limpeza é realizada com 
água fria e depois água quente e detergente. A etapa da água fria é importante para reduzir a impregnação da matéria orgânica nos 
instrumentos. A temperatura da água na etapa subsequente é em torno de 90º C, indicadas para a desinfecção de itens de baixo risco 
de aquisição de infecção como comadres, papagaios, cubas e frascos coletores de secreção. Não devem ser utilizadas para limpar 
equipamentos de fibra óptica por causa da natureza delicada das fibras.
Pasteurização:É o processo que destrói através da coagulação de proteínas todos os microorganismos patogênicos, porém não 
elimina esporos bacterianos. Consiste na imersão de artigos em água a 77º C por 30 minutos. Indicado para desinfecção de equipa-
mento de terapia respiratória e de anestesia.
Químico
Um grande número de germicidas são usados em unidades de saúde. Cada formulação é única e deve ter registro no Ministério 
de Saúde. O profissional de saúde deverá estar familiarizado com as características de cada um para selecionar aquele apropriado à 
sua necessidade.
Glutaraldeído 2%: É um dialdeído saturado utilizado para desinfecção de alto nível e esterilização química, dependendo do tem-
po de exposição. Espectro de ação: possui ação bactericida, fungicida, viruscida, micobactericida e esporicida. Tempo de exposição: 
o glutaraldeído a 2% requer no mínimo 20 minutos de exposição para efetivar alto nível de desinfecção.
Indicação de uso: endoscópios semi-críticos (endoscópios digestivos, broncoscópios, laringoscópios, retossigmoidoscópios) e 
críticos (artroscópios e laparoscópios) quando a esterilização não é possível. Artigos metálicos semi-críticos como espéculos vagi-
nais, otorrinológicos e lâminas de laringoscópios entre outros.
Critérios para uso do glutaraldeído a 2%:
- A ativação e manuseio desses produtos devem ocorrer em salas ventiladas;
- Usar equipamento de proteção individual - EPI: máscara com filtro, avental plástico, luvas grossas de borracha, óculos de 
proteção;
- Usar recipiente de acrílico ou plástico limpo com tampa para colocar a solução;
- Verificar a validade do produto e data de ativação do mesmo;
- Observar o tempo de exposição necessária de acordo com o material a ser desinfetado;
- O material a ser desinfetado ou esterilizado deve estar rigorosamente limpo e seco, para evitar a alteração do pH do produto;
- Imergir completamente o artigo observando a configuração física do material (tubos, lumens, etc.) para evitar a formação de 
bolhas de ar, as quais impedem a ação do glutaraldeído;
- Deixar o material em contato com a solução de acordo com o tempo recomendado;
- Retirar o material com pinça estéril e/ ou luva;
- Enxaguar abundantemente, usando de preferência água estéril. Se não for viável, enxaguar com água potável e após fazer rin-
sagem com álcool a 70% para facilitar a secagem;
- Secar com compressa estéril, usando campos duplos de cretone estéril sobre a mesa, em bandeja esterilizada.
Álcool etílico a 70%: Espectro de ação: Através da desnaturação da proteína. É bactericida, tuberculicida, fungicida e viruscida, 
entretanto, não é esporicida. Tempo de exposição: é dificil especificar o tempo de exposição pois o álcool evapora rapidamente. Os 
artigos devem permanecer umedecidos pelo álcool por 5 minutos.
Didatismo e Conhecimento 19
conehcimentos específicos / enfermeiro
Indicação de uso: desinfecção de nível intermediário de superfícies de mobiliário e equipamentos, termômetros, diafragmas 
e olivas de estetoscópios. É utilizado, usando uma compressa embebida fazendo fricção. O álcool não tem penetração em matéria 
orgânica. Apresenta desvantagem de opacificar acrílico e ressecar plásticos.
Cloro e compostos clorados: Quanto maior a concentração e/ou o tempo, maior o espectro de ação. 
São utilizados para desinfecção de nível intermediário de artigos e superfícies. Possui como vantagens o baixo custo e ação rápi-
da e como desvantagem, ser extremamente corrosivo para metais, sofrer interferência de matéria orgânica e ser instável.
Espectro de ação: viruscida, fungicida, bactericida, micobactericida e esporicida para grande número de esporos. Concentração 
e tempo de exposição: o tempo de exposição e a concentração variam de acordo com o artigo e superfície a ser desinfetada. Concen-
trações baixas de 25ppm atuam em microorganismos mais sensíveis. A concentração mínima necessária para eliminar micobactérias 
é de 1000ppm (0,1%). Para desinfecção de circuitos ventilatórios e inaladores: 30 minutos na concentração 10.000 ppm (1%) ou 200 
ppm (0,02 %) por 60 minutos. Bicos de mamadeiras e chupetas devem ser desinfetadas utilizando concentração de 0,015% (150ppm) 
por 60 minutos. Pode-se utilizar a concentração de 0,5% (5000ppm) para desinfecção de artigos semi-críticos, desde que a diluição 
seja para uso imediato. A concentração de 1% pode ser mais segura do ponto de vista de degradação mas oferece a desvantagem do 
forte odor e requer enxágüe abundante para evitar irritação química iatrogênica.
Preparo de Materiais de Consumo e Roupa Cirúrgica
Escovas para unhas
- Envolver individualmente papel crepado ou algodão cru;
- Selar ou fixar e identificar conforme o item 3.1.5;
- Encaminhar para esterilização em autoclave no menor tempo pssível.
Ataduras de crepon e de algodão ortopédico
- Separar por tamanho;
- Retirar o invólucro;
- Envolver cada unidade em papel grau cirúrgico ou papel crepado;
- Selar ou fixar e identificar conforme o item 3.1.5;
- Encaminhar para esterilização em autoclave.
Obs: A atadura de algodão ortopédico muito densa deve ser desenrolada e enrolada novamente, deixando-a fofa, de modo a 
facilitar a esterilização.
Compressa cirúrgica para campo operatório
- Observar cuidadosamente os dois lados, verificando a integridade, limpeza, presença de corpo estranho e integridade da alça;
- Retirar cabelos, bolinhas soltas, pelos, fiapos e outros objetos estranhos;
- Selecionar as compressas:
- Com sujidades - encaminhar a lavanderia;
- Rasgadas, não íntegras – utilizar para secagem de material e outros procedimentos de clínica;
- Com algumas asperezas e manchas e/ou sem alças – utilizar para preparo de pacotes de parto e aventais e outros procedimentos 
de clínicas;
- Limpas, com alças, sem manchas, íntegras, livres de quaisquer objetos estranhos- preparar para cirurgias;
- Dobrar conforme a rotina;
- Para procedimento cirúrgico, agrupar cinco unidades;
- Envolver em campo duplo de algodão cru 70x70 cm;
- Fixar e identificar;
- Encaminhar para esterilização em autoclave.
Palito e haste flexível
- Fazer pacotes com 2 a 3 unidades em papel grau cirúrgico;
- Selar e identificar;
- Encaminhar para esterilização em autoclave no menor tempo de superfície.
Didatismo e Conhecimento 20
conehcimentos específicos / enfermeiro
Dissectores
- Fazer pacotes com 3 a 5 unidades em papel grau cirúrgico duplo;
- Selar e identificar;
- Encaminhar para esterilização em autoclave.
Tampões ginecológico e nasal
- Empacotar individualmente em papel grau cirúrgico duplo;
- Selar e identificar;
- Encaminhar para esterilização em autoclave.
Borboletas e bolas de amígdalas
- Empacotar individualmente em papel grau cirúrgico duplo;
- Selar e identificar;
- Encaminhar para esterilização em autoclave.
Vidros para coleta de secreções, biópsias e outros
- Empacotar individualmente em papel grau cirúrgico, ou papel crepado. Vidro aberto, com a tampa solta;
- Selar ou fixar e identificar;
- Encaminhar para esterilização em autoclave.
Líquidos
Óleo
- Acondicionar em caixa metálica, colocando até 1.0 cm da altura do recipiente;
- Tampar a caixa;
- Encaminhar para esterilização em estufa a 160ºC por 2 horas;
- Após a esterilização, deixar esfriar e lacrar o recipiente com fita adesiva.
Violeta genciana/azul de metileno
- Colocar 3 ml da solução em um vidro pequeno (tipo Xylocaína);
- Vedá-lo com fita adesiva e colocar uma agulha hipodérmica no centro para permitir a penetração do vapor;
- Identificar;
- Encaminhar para esterilização em autoclave no ciclo de líquidos ou gravidade;
- Após a esterilização retirar a agulha.
Observação:
- Dentro da autoclave, acondicionar os vidros com solução em bandeja ou cuba.
Pós
- Acondicionar em placa de Petri grande, colocando uma camada de cerca de 1mm de altura, uniformemente;
- Esterilizar em estufa a 1600 C por 2 horas.
Roupa cirúrgica
- Selecionar por tamanho e tipo;- Observar cuidadosamente os dois lados, verificando a integridade, limpeza, presença de corpos estranhos;
- Retirar cabelos, bolinhas soltas, pelos, fiapos e outros objetos estranhos;
- Selecionar as roupas:
- Com sujidades - encaminhar à lavanderia;
- Rasgadas, não íntegras - encaminhar à costuraria;
- Com algumas manchas – utilizar para empacotamento, forrar bandejas e outros procedimentos de clínicas;
- Limpas, sem manchas, íntegras, livres de qualquer objeto estranho – preparar para cirurgias;
- Dobrar conforme a rotina cirúrgica;
- Montar os pacotes de acordo com a rotina de cada unidade;
- Envolver em campo duplo de algodão usando técnica de envelope;
- Fixar e identificar;
- Encaminhar para esterilização em autoclave.
Didatismo e Conhecimento 21
conehcimentos específicos / enfermeiro
Guarda do material estéril
Após a esterilização é importante observar:
Em relação aos pacotes:
- Não retirá-los imediatamente após o final do ciclo; deixar o ar circular na autoclave para evitar choque térmico;
- Não colocar o material estéril quente em superfícies compactas ao sair da autoclave;
- Observar a integridade e presença de umidade nos pacotes e embalagens;
- Observar mudança na coloração da fita indicadora;
- Manusear o mínimo possível e com delicadeza.
Em relação ao ambiente:
- Manter o ambiente fechado, limpo e seco;
- Manter a temperatura ambiente entre 18º e 22ºC;
- Restringir o acesso e movimentação na sala.
Em relação a estocagem:
- Usar prateleiras móveis, preferencialmente em aço inoxidável, favorecendo a limpeza;
- Usar estantes com cestos removíveis;
- Observar que a distância entre o material e o piso deve ser de no mínimo 30cm e em relação ao teto 50cm;
- Estocar separadamente de materiais não estéreis.
Em relação ao período de estocagem:
Em condições adequadas de estocagem, manuseio e integridade da embalagem, é aconselhado:
Material esterilizado em autoclaves:
- Campos de algodão – 7 dias
- Papel grau cirúrgico selado – indeterminado
Material esterilizado em estufa:
- Caixa – 7 dias
Material esterilizado em Plasma de Peróxido de Hidrogênio:
- Tecido não tecido – 30 dias
- Tyvec – indeterminado
Em relação a paramentação na área de guarda: Usar roupa privativa para o setor, gorro e máscara
Controle de qualidade do processo de esterilização através de indicadores químicos e biológicos e integradores químicos em 
autoclave
Os indicadores e integradores são usados para assegurar a real esterilidade dos artigos e instrumentais que passam por processos 
de esterilização Químicos indicador de processo indicadores externos Fita Indicadora/Fita teste indicadores internos Bowie & Dick 
Indicadores
Tira de indicador químico para vapor
Ex:: comply indicador de esterilização indicador biológico Ex: Attest integrador químico Ex: Sterigage Biológico
Indicadores químicos: Consistem de tiras de papel impregnadas com tinta termocrômica que mudam de cor quando expostas à 
temperatura por tempo suficiente, indicando que as condições em que se processou a esterilização estavam corretas. Classificam-se 
em: 
- Indicadores de Processo
- Indicadores de Esterilização
Didatismo e Conhecimento 22
conehcimentos específicos / enfermeiro
Indicadores de Processo: São usados para evidenciar o funcionamento correto ou não do processo realizado pelo equipamento. 
Porém não atestam se o material foi realmente esterilizado.
Tipos
- Indicadores Externos
- Indicadores Internos
Indicadores Externos/ Fita Indicadora Rolo/Fita Teste: São fitas auto-adesivas utilizadas unicamente para diferenciar os pa-
cotes processados dos não processados. Sendo um indicador visual, facilita a detecção de problemas nos equipamentos e falhas do 
servidor responsável pela esterilização. A fita indicadora possui listras claras que se tornam escuras (marrom/grafite) após a passagem 
pelo calor; não deixa resíduo após autoclavagem e deve estar presente em todos os pacotes de materiais estéreis distribuídos pelo 
hospital.
Indicadores Internos: Teste de Bowie & Dick/Indicador de ar residual: É usado para determinar a eficácia do sistema de vácuo 
na autoclave de pré - vácuo. Foi desenvolvido para detectar bolhas de ar e avaliar a habilidade do equipamento em reduzir o ar re-
sidual da câmara a um nível suficiente para prevenir a compactação da carga quando o vapor é introduzido após a eliminação do ar.
O teste deve ser feito diariamente no primeiro ciclo do dia, após o ciclo de aquecimento (antes da primeira carga processada); 
seguindo as orientações do fabricante da autoclave sobre o tempo, a temperatura e o uso correto do indicador. A folha indicadora 
deverá ser colocada no interior de um pacote a ser esterilizado sobre o dreno (purgador), com a câmara vazia. Este pacote pode ser 
preparado utilizando-se campos lavados e dobrados, empilhados até a altura de 25 a 28cm. Este indicador mudará para a cor preta 
após completado o ciclo, evidenciando a ausência de bolhas de ar. A presença de áreas mais claras indica ar residual na câmara.
Obs: Este teste só deve ser utilizado em autoclaves de pré-vácuo e nunca em autoclaves gravitacionais, porque neste sistema não 
ocorre eliminação do ar na câmara interna.
Tira de indicador químico para vapor- Ex: Comply: É uma tira composta por substâncias químicas que reagem às condições 
do processo. Oferece resposta através de uma nítida mudança de coloração, ( - ) grafite e ( + ) cinza claro/outros. Monitora a pressão 
do vapor saturado no interior do pacote e caixas, assegurando a exposição dos artigos às condições mínimas de tempo e temperatura. 
Utilizado em cada pacote, aponta problemas locais causados por falhas humanas ou avarias mecânicas na autoclave.
Indicadores de Esterilização
Incluem todas as variáveis do processo de esterilização (temperatura, tempo e pressão). Tipos:
- Integrador Químico
- Indicador Biológico
Integrador Químico para Ciclo de Vapor- Ex: Sterigage: É um dispositivo que indica se os materiais dentro do pacote foram 
expostos às três variáveis críticas: temperatura, tempo e presença de vapor saturado, condições necessárias para esterilização. Pode 
ser utilizado em todos os processos de esterilização a vapor. Aconselha-se colocar, no mínimo, um integrador por ciclo de esteriliza-
ção e também no interior de caixas e pacotes grandes. A leitura é fornecida de maneira precisa e de fácil interpretação, pela mudança 
de coloração.
Indicador Biológico – Ex: Attest: É um sistema que contém suspensão de esporos do tipo Bacillus stearothermophilus (autocla-
ve) e Bacillus subtilis (estufa ou peróxido de hidrogênio ). É uma preparação padronizada de esporos bacterianos de modo a produzir 
suspensões contendo em torno de 106 esporos por unidade de papel filtro. É o único meio capaz de assegurar que todas as condições 
de esterilização estão adequadas porque os microrganismos são testados quanto ao seu crescimento ou não, após a aplicação do pro-
cesso.
Utilização: Diariamente, para validar os equipamentos de esterilização, após o teste de Bowie & Dick.
Esterilização
É o processo de destruição de todas as formas de vida microbiana: bactérias, fungos, vírus e esporos mediante a aplicação de 
agentes físicos, químicos ou físico-químicos.
Didatismo e Conhecimento 23
conehcimentos específicos / enfermeiro
Físicos
- Vapor saturado /autoclaves
- Calor seco/estufa
- Raios Gama/cobalto 60
Físico-químicos
- Esterilizadoras a Óxido de Etileno (ETO)
- Plasma de Peróxido de Hidrogênio
- Vapor de Formaldeído
Químicos
- Glutaraldeído
- Formaldeído
- Ácido peracético
Métodos de esterilização
Físicos: Esterilização por meio físico consiste na utilização do calor, em suas várias formas, e alguns tipos de radiação. 
Esterilização por vapor saturado sob pressão: É o processo que oferece maior segurança no meio hospitalar. Sendo o método 
preferencial para o processamento de material termo-resistente, destruindotodas as formas de vida em temperaturas entre 121°C a 
132°C. A esterilização a vapor é realizada em autoclaves. Vale lembrar que o vapor saturado é um gás e portanto está sujeito às leis 
dos gases da física. Não se pode obter uma redução na temperatura do vapor saturado sem correspondente diminuição da pressão e 
viceversa. Em regiões de altitude elevada como Brasília, é necessário usar maiores pressões do vapor para se obter a mínima variação 
de temperatura para esterilização. Isto ocorre porque a pressão atmosférica varia com a altitude. 
Observações: Vapor saturado: É o ideal para uma esterilização de qualidade. É a camada de vapor mais próxima da superfície 
líquida, isto é, se apresenta no limiar do estado líquido e gasoso, podendo apresentar-se seca ou úmida. Para a esterilização é neces-
sário que o vapor apresente um valor de “secura”. Esse valor é medido pelo técnico de manutenção.
Vapor úmido: Inadequado para esterilização. É normalmente formado quando a água da caldeira ou condensado dos tubos é 
carregado pelo vapor quando injetado na câmara. O resultado é um excesso de água que poderá tornar úmidos os materiais dentro da 
esterilizadora, podendo ocorrer contaminação ao retirá-los da autoclave. Para evitar o problema, realizar o primeiro ciclo/dia vazio, 
para eliminar o condensado de vapor da rede de caldeira. As autoclaves elétricas não necessitam pois geram o próprio vapor.
Mecanismo de ação: Os microorganismos são destruídos pela ação combinada da temperatura, pressão e umidade que promovem 
a termo-coagulação e a desnaturação das proteínas da estrutura genética celular.
Fases do ciclo de esterilização:
- drenagem do ar na câmara de esterilização – possibilita a penetração do vapor;
- período de exposição – começa a ser marcado no instante em que a câmara atinge a temperatura previamente estabelecida 
demonstrada pelo termômetro.
Compreende três tempos:
- da penetração do vapor: é o intervalo necessário para que a carga atinja a temperatura da câmara;
- da esterilização: é o menor intervalo necessário para a destruição de todas as formas de vida microbiana em uma determinada 
temperatura;
- da confiança: é um período adicional, geralmente igual à metade do tempo de esterilização, adotado na autoclavação de artigos 
em que a penetração do calor é, ou poderá ser, retardada ou variável. 
O excesso na margem de segurança é uma prática antieconômica, pois a combinação do custo de energia com a deterioração dos 
materiais por excessiva exposição ao calor aumentam as despesas.
- exaustão do vapor – realizado por uma válvula ou condensador;
- secagem da carga – obtida pelo calor das paredes da câmara em atmosfera rarefeita.
Didatismo e Conhecimento 24
conehcimentos específicos / enfermeiro
Equipamentos:
Autoclaves a vapor: São câmaras de aço inóx equipadas com uma ou duas portas dotadas de válvula de segurança, manômetros 
de pressão e um indicador de temperatura, geralmente localizado na linha de drenagem da câmara. Para que haja esterilização é 
necessário que o vapor entre em contato com todos os artigos colocados na câmara e isso só ocorre quando o ar é removido adequa-
damente. As autoclaves podem ser divididas em dois tipos básicos:
- Autoclave gravitacional (evacuação do ar por gravidade): O ar frio, mais denso, tende a sair por um ralo colocado na parte 
inferior da câmara, quando o vapor é admitido. Este processo é relativamente lento e permite a permanência de ar residual. A fase de 
secagem é limitada pois não possui capacidade para completa remoção do vapor, podendo apresentar umidade no material ao final do 
processo. Em geral, processos em autoclaves gravitacionais são adequados para esterilização de materiais desempacotados.
- Autoclave pré-vácuo (evacuação mecânica do ar): neste sistema o ar é removido previamente, para formação de vácuo. Quan-
do o vapor é admitido, penetra instantaneamente nos pacotes, com pouca chance de permanência de ar residual. Devido a este meca-
nismo o processo é mais rápido e eficiente. A bomba de sucção forma o vácuo num único pulso (alto vácuo) ou através de seguidas 
injeções e retiradas rápidas de vapor em temperatura ligeiramente inferior a do processo (pulsos de pressurização). O sistema mais 
eficiente é o de pulsos de pressurização pois existe grande dificuldade em obter vácuo num único pulso.
Disposição dos artigos dentro da câmara: Os pacotes devem ser posicionados de forma a permitir que o vapor possa fluir por 
todos os itens no esterilizador. Para isso, deve ser observado um espaçamento de 25 a 50mm entre todos os pacotes e entre eles e as 
paredes da câmara. O volume de material não deve exceder a 80% da capacidade do aparelho. Os pacotes maiores devem ser colo-
cados na parte inferior da câmara e os menores na superior. Os jarros, bacias, frascos e outros artigos que apresentam concavidade 
devem ser colocados com sua abertura para baixo, para facilitar o escoamento de água resultante da condensação do vapor.
Falhas no processo: Inspeções periódicas, manutenção e troca dos componentes das autoclaves (filtros, válvulas e diafragma) são 
necessários para garantir o bom funcionamento e devem seguir as recomendações do fabricante. A frequência para se realizar a ma-
nutenção preventiva depende do número de utilizações e da idade dos equipamentos. As autoclaves devem ser validadas em função 
de suas instalações e desempenho. Um calendário de manutenção preventiva deverá ser estabelecido de acordo com a recomendação 
do fabricante, como no exemplo:
Frequência Atividade
Diariamente - limpeza da câmara interna (álcool ou éter).
Mensalmente - limpeza dos elementos filtrantes e linha de drenagem.
Trimestralmente - descarga do gerador.
Semestralmente
- verificação e limpeza dos eletrodos de nível
- lubrificação do sistema de fechamento
- verificação da guarnição da tampa
- avaliação dos sistemas de funcionamento e segurança
- desempregnação dos elementos hidráulicos
- ajustamento e reaperto do sistema de fechamento
Anualmente
- verificação do elemento filtrante de entrada de água
- aferição dos instrumentos de controle monitoração e segurança
- limpeza do gerador de vapor
- após 3º ano de funcionamento, teste, avaliação hidrostática,
- aferição dos instrumentos de controle.
Fonte: Manual Técnico da Autoclave Sercon.
Os maiores problemas durante o processo são: remoção do ar, superaquecimento, carga úmida e danificação do material. Abaixo, 
quadro dos principais defeitos de funcionamento de autoclave.
Didatismo e Conhecimento 25
conehcimentos específicos / enfermeiro
Quadro 1: Causa dos principais defeitos de funcionamento das autoclaves
Defeito Autoclave com geração elétrica de vapor Autoclave com geração de vaporatravés de caldeira
A pressão do vapor na câmara 
não alcança o desejado.
• Resistência queimada
• Falta de fase
• Filtro entupido
• Excesso de água ou de entrada de água
• Pressostato ou termostato danificado ou 
desregulado.
• Válvula redutora desregulada
• Suprimento de vapor baixo
• Purgadores ou filtros entupidos
• Pressostato danificado ou desregulado.
A temperatura não alcança o 
desejado.
• Dreno da câmara está entupido
• Termostato ou pressostato está desregulado
• Purgador danificado ou sujo
• Filtro entupido
• Esquecimento de fechar a válvula de 
segurança.
• Dreno da câmara está entupido
• Termostato ou pressostato está desregulado.
• Purgador danificado ou sujo
• Filtro entupido
• Esquecimento de fechar a válvula de segurança.
O redutor da autoclave não 
permite mais regulagem. • Necessita trocar o redutor ou reparo. • Necessita trocar o redutor ou reparo.
Vapor excessivo na área de 
esterilização.
• O condensador tem defeito ou a entrada de 
água está fechada. • O condensador tem defeito ou a entrada de água está fechada.
Poça de água na câmara
• O Vapor está escapando através da válvula de 
segurança que precisa sertrocada.
• A autoclave não está nivelada.
• O sistema de drenagem está entupido.
• O Vapor está escapando através da válvula de 
segurança que precisa ser trocada.
• A autoclave não está nivelada.
• O sistema de drenagem está entupido.
Os pacotes saem molhados
• O vapor está úmido e não saturado.
• O nível de água deve estar elevado.
• O tempo de secagem necessita ser maior.
• Os pacotes estão mal colocados ou encostados 
nas paredes ou entre si.
• Dreno sujo.
• Filtro ou purgador entupido ou defeituoso.
• A pressão do vapor não é suficiente.
• O vapor está úmido e não saturado.
• O nível de água deve estar elevado.
• O tempo de secagem necessita ser maior.
• Os pacotes estão mal colocados ou encostados 
nas paredes ou entre si.
• Dreno sujo.
• Filtro ou purgador entupido ou defeituoso.
• A pressão do vapor não é suficiente.
A carga de líquidos ferve na 
autoclave
• Abertura da porta demasiado rápida. Deve-
se aguardar pelo menos cinco minutos com a 
porta entreaberta.
• Abertura da porta demasiado rápida.
Perda de vapor pela porta
• Necessita trocar a guarnição.
• Porta desregulada ou empenada.
• Mecanismo defeituoso.
• Necessita trocar a guarnição.
• Porta desregulada ou empenada.
• Mecanismo defeituoso.
Vapor escapa pela válvula de 
segurança
• Válvula danificada ou desregulada 
• Excesso de pressão, examinar o registro do 
manômetro.
• Válvula danificada ou desregulada 
• Excesso de pressão, examinar o registro do 
manômetro.
Piloto não acende • Lâmpada queimada ou desligada
• Fusível queimado.
• Lâmpada queimada ou desligada
• Fusível queimado
Fonte: Zanon & Neves.1987
Didatismo e Conhecimento 26
conehcimentos específicos / enfermeiro
Riscos ocupacionais:
- Ruídos emitidos pelo aparelho:
- Alta frequência: causa nervosismo e irritabilidade;
- Frequência moderada: provoca distração;
- Frequência baixa: origina cansaço.
Obs: Sons contínuos ou constantes apresentam efeito cumulativo podendo causar irritação. O ruído diminui a capacidade de 
trabalho, a produtividade, afeto e bemestar, podendo induzir o trabalhador a erros.
Aspectos ergonômicos e posturais: São necessários cuidados no que se refere ao transporte do rack, carregamento, fechamento 
da porta da autoclave e descarregamento.
Calor: Desconforto pelo aumento de temperatura e umidade ambiental, como riscos diretos de queimaduras. Embora existam di-
ferentes modelos de autoclave, alguns pontos são fundamentais no seu manuseio, visando a prevenção de acidentes do seu operador.
Dentre estes, enumeramos algumas das medidas preconizadas pelo “Manual de Segurança para Serviços de Saúde”:
- Manter as válvulas de segurança em boas condições;
- Não abrir a porta da autoclave enquanto a pressão de vapor na câmara não atingir o valor zero;
- Proteger o rosto atrás da porta da autoclave, quando for abrí-la , para evitar queimaduras pelo vapor e possíveis explosões ou 
implosões dos frascos de vidro tampados;
- Evitar contato direto com as partes metálicas ou com o material quente, utilizando luvas de proteção próprias (raspa), no des-
carregamento;
- Verificar periodicamente, o funcionamento de termostatos, purgadores e válvulas de segurança;
- Não forçar a porta para abrir quando emperrar;
- A autoclave deve ser equipada com uma trava ou outro dispositivo que impeça sua abertura enquanto houver pressão no seu 
interior.
Validação: É a verificação prática e documentada de todo o processo de esterilização, que avalia o desempenho dos equipamen-
tos para averiguar se cumprem suas finalidades (Moura 1996).
Validação da Autoclave a Vapor Saturado sob Pressão
Passos na validação:
1- Aquecimento da autoclave: Realizar um ciclo completo de esterilização com tempo máximo de 3 minutos;
2- Na autoclave vazia, posicionar um pacote desafio (roupa cirúrgica) colocando no centro deste, um teste Bowie & Dick. Repetir 
a operação por mais 2 vezes com outros pacotes e testes;
3- Retirar os testes a cada ciclo, procedendo as anotações pertinentes em formulário próprio;
4- No centro do pacote desafio (roupa cirúrgica), colocar um teste biológico, um integrador químico e uma tira para indicador 
químico para vapor. Posicionar o pacote sobre o dreno em autoclave com carga completa, em ciclo padronizado de rotina. Repetir a 
operação por mais 2 vezes com novos pacotes e testes;
5- Retirar os testes a cada ciclo, realizando a incubação dos indicadores biológicos processados, e de um piloto/não processado, 
em incubadora de leitura rápida/ 3 horas ou 48 horas e as anotações pertinentes aos demais testes em formulário próprio;
6- Só liberar os pacotes das cargas testes, após leitura final dos indicadores biológico e integrador químico com resultados ne-
gativos.
QUANDO VALIDAR A AUTOCLAVE: Segundo NORMA ISO 11.134
1- Na instalação de equipamentos novos;
2- Após manutenção corretiva de grande extensão;
3- Após a autoclave ficar parada por muito tempo;
4- Sempre que trocar guarnição;
5- A cada doze meses.
Didatismo e Conhecimento 27
conehcimentos específicos / enfermeiro
Teste Biológico
Os testes deverão ser realizados diariamente no primeiro ciclo com carga completa, sendo colocado em pacote do tipo cirurgia 
geral sobre o dreno/purgador. Operação do Sistema de Controle Biológico em autoclave
1- Identificar nos espaços apropriados do rótulo do Indicador Biológico, o número da carga, a data e o esterilizador;
2- Colocar esta ampola identificada no centro de um pacote desafio;
3- Processar o ciclo de acordo com a rotina da autoclave;
4- Retirar a ampola do pacote;
5- Incubar e fazer leitura de acordo com o tipo de teste; de leitura rápida/3horas ou 48 horas;
6- Registrar os resultados em formulário próprio. Arquivar na CME e encaminhar mensalmente cópias ao SCIH;
7- Após leitura final, os Indicadores Biológicos utilizados deverão ser esterilizados em autoclave a vapor e descartados em lixo 
comum.
Esterilização por calor seco/estufa
Baseia-se na utilização do calor gerado por uma fonte. Requer o uso de altas temperaturas e um longo tempo de exposição, pois 
como o ar quente propaga-se lentamente no material, a esterilização exige um aquecimento prolongado. A sua distribuição dentro da 
câmara não ocorre de maneira uniforme, sendo recomendado que não se utilize o centro da estufa, pois este concentra os chamados 
pontos frios. 
A carga deve ser o mais uniforme possível e as caixas devem conter uma quantidade limitada de instrumentais. O calor seco por 
não ser tão penetrante quanto o vapor, deve ser utilizado somente quando não for possível a autoclavação, como nos casos de óleos 
e pós.
Mecanismo de ação: a morte dos microorganismos pelo calor seco tem sido considerada fundamentalmente um processo de 
oxidação, em que ocorre uma desidratação progressiva no núcleo das células, gerando um desarranjo interno e consequente desse-
camento.
Equipamento/Estufa ou Forno de Pasteur: seu funcionamento consiste na produção de calor gerado por resistências elétricas. A 
temperatura dentro da câmara não é uniforme devido à diferença de densidade entre o ar frio e quente. Existem dois tipos de estufa, 
comumente utilizados:
- Estufa de convecção por gravidade: compõe-se de uma câmara revestida de resistência elétrica em sua parede inferior, pos-
suindo um orifício de drenagem de ar na parede superior. À medida que ocorre o aquecimento do ar no interior da câmara, o ar frio é 
empurrado pelo ar quente em direção ao dreno superior, promovendo-se a uniformização da temperatura interna.
- Estufa de convecção mecânica: possui um dispositivo que produz rápido movimento de grande volume de ar quente, facilitando 
a transmissão do calor diretamente para a carga, sob condições de temperatura controlada e limitando as variações de temperatura em 
vários pontos da câmara a mais ou menos 1°C. É a mais indicada para uso hospitalar.
Princípios operacionais:
- validação doequipamento básico e calibração dos instrumentos: deve ser solicitada ao fabricante do equipamento uma carta de 
validação indicando o ponto mais frio, uma vez que existem variações de temperatura dentro do ambiente da câmara de esterilização. 
A esterilização é eficiente quando o ponto frio registrar 160°C, em exposição por 2 horas. Nesse local, deverão ser realizados os testes 
biológicos;
- após iniciado o ciclo a porta não pode ser aberta. Caso ocorra, deve-se esperar que o equipamento atinja novamente os 160o C, 
para reiniciar a contagem de tempo (2 horas);
- seleção de materiais que possuam boa condutibilidade térmica: a esterilização na estufa requer alta temperatura e tempo de ex-
posição prolongado, portanto, não é recomendada para artigos como tecidos, borrachas e papéis que não tenham boa condutibilidade 
térmica ou não sejam termoresistentes;
- preenchimento da carga anteriormente à marcação do tempo de exposição: o material deve ser colocado assim que se liga a 
estufa, sendo aquecido ao mesmo tempo que a câmara;
- distribuição interna da carga: não sobrecarregar a estufa com materiais, nem permitir que toquem nas paredes. A sobrecarga 
dificulta a circulação do calor.
As caixas devem ser pequenas contendo poucos instrumentos;
- invólucros: os mais utilizados são caixas metálicas fechadas, papel alumínio e frascos de vidro refratário;
- o monitoramento deve ser feito pelo menos uma vez por semana usando fita teste própria e indicador biológico (Bacillus sub-
tilis), no centro de cada caixa.
Didatismo e Conhecimento 28
conehcimentos específicos / enfermeiro
Riscos ocupacionais:
- queimaduras por acidente;
- incêndio por extravasamento de óleos.
Esterilização por radiação ionizante:
É utilizada para materiais termossensíveis por utilizar baixa temperatura. Seguro, mas por razões econômicas é normalmente 
utilizado em escala industrial. As principais fontes de radiação utilizadas com fins de radioesterilização industrial são os raios beta 
e gama. Mecanismo de ação: A capacidade antimicrobiana da radiação ionizante se dá principalmente por modificações no DNA da 
célula alvo.
Físico-químicos
De forma geral os métodos físico-químicos são processos realizados em equipamentos especiais, que utilizam substâncias quími-
cas esterilizantes e baixas temperaturas. É indicado para esterilização de materiais termossensíveis e/ou sensíveis à umidade. Óxido 
de etileno (ETO): é um gás inflamável e explosivo. Quando misturado com gás inerte é uma das principais opções para esterilização 
de materiais termossensíveis, desde que obedecidos alguns parâmetros relacionados com a concentração do gás, temperatura, umida-
de e tempo de exposição. O ETO tem boa penetração em embalagens e lúmens podendo ser usado na maioria dos artigos hospitala-
res. Entretanto, sua’ utilização é muito complexa, de alto custo e toxicidade exigindo uma estrutura física específica. Mecanismo de 
ação: a sua ação letal é atribuída a alquilação das cadeias proteicas microbianas, impedindo a multiplicação celular. Fatores a serem 
considerados:
- Concentração: 450 a 1200mg/L;.
- Temperatura: 49°C a 65°C, o que pode danificar artigos muito sensíveis ao calor; nesse caso, pode-se adotar temperatura entre 
30°C e 38°C, sendo necessário um período de exposição mais longo ou concentração mais elevada;
- Umidade: 45% a 80%;
- Tempo de exposição: 2 a 5 horas. Havendo limitações, o aumento da concentração do gás pode reduzir o tempo de exposição;
- Fases do processo: preparo e umidificação, introdução do gás, exposição, evacuação do gás e injeções de ar que requerem apro-
ximadamente duas horas e meia excluindo o período de aeração;
- Período de aeração: mecânica 8 a 12 horas de 50°C a 60°C; ambiental 7 dias a 20°C.
Plasma de peróxido de hidrogênio - Esterilizadores que operam a baixa temperatura utilizando peróxido de hidrogênio como 
substrato para formação de plasma. O plasma chamado de quarto estado da matéria, é definido como uma nuvem de íons, elétrons e 
partículas neutras (muitas das quais em forma de radicais livres), que são altamente reativos. É formado pela geração de um campo 
eletromagnético (rádio frequência) que produz o plasma. Este processo é uma alternativa viável para submeter artigos sensíveis ao 
calor e umidade. Os materiais compatíveis com o sistema incluem: alumínio, bronze, acetato de vinil etílico (EVA), craton, látex, 
polietileno de baixa densidade, polietileno de alto peso molecular, policarbonatos, poliolefinas, polipropileno, poliuretano, cloreto 
de polivinila (PVC), silicone, aço inoxidável, teflon, vidro, borrachas, acrílico, fibras ópticas, equipamentos e materiais elétricos e 
pneumáticos. 
O equipamento deve ser monitorizado pelo menos uma vez por semana, toda vez que sofrer manutenção e quando da esteriliza-
ção de materiais ainda não testados. Para tanto usa-se:
- Indicador químico no interior de todas as embalagens;
- Fita química colante nas embalagens que não possuem o indicador no seu exterior;
- Indicador biológico próprio/Bacillus subtillis.
Mecanismo de ação: os radicais livres gerados no plasma de peróxido de hidrogênio apresentam-se com cargas negativas e positi-
vas excitadas que tendem a se reorganizar, interagindo com moléculas essenciais ao metabolismo e reprodução microbianos ligam-se 
de maneira específica às enzimas, fosfolipídios, DNA, RNA e etc. Essa reação é rápida , viabilizando o processo de esterilização em 
curto espaço de tempo.
Fases do ciclo de esterilização:
- Vácuo: após a câmara de esterilização ter sido carregada e a porta fechada, o ciclo de esterilização é iniciado, ocorrendo uma 
redução da pressão da câmara através do acionamento de uma bomba de vácuo. Esta fase dura aproximadamente 5 minutos, podendo 
variar, dependendo do tipo de carga; 
Didatismo e Conhecimento 29
conehcimentos específicos / enfermeiro
- Injeção: quando a pressão atinge 0,3 Torr, o conteúdo de uma ampola de peróxido de hidrogênio ( 1,8 ml ) a 58%, fornecendo 
uma concentração de 6mg/l é injetado na câmara de esterilização sob a forma de vapor. O peróxido de hidrogênio é fornecido em um 
cassete plástico que possui 10 ampolas;
- Difusão: a solução de peróxido de hidrogênio, injetada dentro da câmara sob vácuo, se difunde por todos os materiais. Esta fase 
dura 44 minutos e assegura tempo e concentração de peróxido de hidrogênio suficientes para o início da fase seguinte;
- Plasma: como resultado da injeção e difusão do peróxido de hidrogênio na forma gasosa, a pressão dentro da câmara no final da 
fase de difusão permanece demasiadamente elevada para a formação de plasma a baixa temperatura, mediante a aplicação de energia 
de radiofrequência. Esta fase dura 15 minutos, onde é obtido o fator de segurança de esterilização previsto;
- Ventilação: a energia de radiofrequência é interrompida ao final da fase de plasma, passando-se para a ventilação. Esta fase 
possui duas etapas de injeção de ar, o que permite à câmara retornar à pressão atmosférica num período de 4 minutos.
Recomendações de uso: por se tratar de um aparelho extremamente sensível são fundamentais os seguintes passos para evitar 
abortamento do ciclo:
- Limpeza com remoção completa de resíduos orgânicos;
- Secagem completa;
- Embalagem e selagem adequadas.
OBS: Não é indicada a esterilização de instrumentos com lumens longos e estreitos e de fundo fechado.
Riscos ocupacionais: O processo de esterilização foi concebido de forma a evitar o contato direto com o peróxido de hidrogênio 
líquido, na forma de vapor ou plasma, independentemente da fase em que o processo se encontre. O material não necessita aeração, 
pois o resíduos finais do processo são água e ar. Portanto, é seguro para o meio ambiente e o trabalhador. Esterilização com vapor de 
baixa temperatura e formaldeído gasoso (autoclave de formaldeído). 
A esterilização é conseguida com formaldeído gasoso na presençade vapor saturado. A combinação desses dois meios de esteri-
lização, distribuídos uniformemente na câmara da autoclave, é essencial para o sucesso do processo.
Fases do ciclo de esterilização:
- Evacuação do ar;
- Injeção: o vapor a baixa temperatura e o formaldeído são injetados na autoclave em vários pulsos;
- Difusão: o formaldeído se difunde através da carga (fase de manutenção da esterilização);
- Remoção do ar: por repetidas evacuações e injeções de jatos de vapor ou ar.
- Secagem.
A maior parte das autoclaves usa o sistema de jatos de ar. Embora tenha sido relatado que os jatos de vapor eliminam mais rapi-
damente os resíduos de formaldeído, podem necessitar de um estágio subsequente de vácuo muito longo, para secar a carga. O pro-
cesso inteiro normalmente inclui 20 pulsos, e dura aproximadamente 2 horas, a 65°C sendo mais curto a temperaturas mais elevadas. 
Indicações de uso: Indicado para esterilização de materiais sensíveis ao calor, tais como endoscópios rígidos, equipamentos elétricos, 
vários objetos fabricados com plásticos sensíveis ao calor, entre outros. São aplicáveis os mesmos procedimentos de embalagem para 
esterilização em autoclave a vapor d’água. Controle da esterilização: a validação de uma autoclave à base de formaldeído, inclui 
testes físico-químicos e microbiológicos. Os testes físicos investigam:
- integridade da câmara da autoclave;
- capacidade física da máquina para evacuar o ar da câmara/carga;
- capacidade de manter a temperatura requerida com a admissão de vapor;
- produção de temperatura uniforme para toda a carga.
Depois de estabelecida a função física correta da máquina, pode-se estimar a distribuição do formaldeído dentro da câmara, usan-
do papéis indicadores ou fazendo a análise química de amostras retiradas da câmara. Não havendo homogeneidade, deve-se corrigí-la 
antes de proceder os estudos de qualificação com os indicadores biológicos. A eficácia da esterilização é medida por bioindicadores 
de dois tipos - um com esporos de Bacillus stearothermophilus e outro com Bacillus subtilis. Avaliação de toxicidade: A determinação 
do resíduo de formaldeído é feita de acordo com o método do ácido cromotrópico. Um filtro circular é utilizado como objeto de teste. 
A enorme superfície de fibras de filtro absorve o formaldeído o suficiente para possibilitar a análise do total dos resíduos. Não existem 
requerimentos oficiais no Brasil, mas na Escandinávia, o valor máximo de 200g/filtro é estabelecido.
Didatismo e Conhecimento 30
conehcimentos específicos / enfermeiro
Químicos:
Esterilização por imersão do artigo em produto químico do grupo dos aldeídos e outros, de eficácia comprovada. São utilizados 
para artigos que não possam ser esterilizados pelo calor. Os artigos devem estar limpos e secos, serem imersos na solução, dentro de 
recipiente plástico e tampado conforme orientação do fabricante e aprovação do órgão oficial. 
Esterilização por glutaraldeído a 2%: O glutaraldeído é um dialdeído saturado com potente ação biocida podendo ser utilizado 
para quimioesterilização de equipamentos que não possam ser processados pelos métodos físicos tradicionais. As soluções aquosas 
de glutaraldeído são ácidas e geralmente neste pH não são esporicidas. Somente depois de ativadas por agentes alcalinizantes atingin-
do pH de 7,5 a 8,5 é que a solução se torna esporicida. Desde que não estejam em uso, essas soluções mantém sua atividade biocida 
por 14 a 28 dias (de acordo com o fabricante) devido a subsequente polimerização de suas moléculas ativas.
Mecanismo de ação: O glutaraldeído tem atividade bactericida, viruscida, fungicida e esporicida em tempo que varia de 8 a 10 
horas de acordo com a orientação do fabricante. Indicações de uso: .Utilizado como esterilizante de materiais termossensíveis. Com-
patível com instrumentos com lentes (endoscópio), metal, borracha e plástico. Não deve ser utilizado em superfícies por ser muito 
tóxico e de alto custo. Pontos a observar:
- Lavar rigorosamente o artigo e secar para evitar que a água altere a concentração da solução;
- Utilizar solução recém ativada;
- Medir a concentração de glutaraldeído, com fita teste própria;
- Utilizar a solução apenas se a concentração estiver a 2% ou mais;
- Utilizar equipamento de proteção individual (EPI);
- Imergir completamente o artigo na solução, mantendo o recipiente tampado;
- Rotular o recipiente com a hora do início e término do processo;
- Enxaguar abundantemente os artigos, após a esterilização, com água destilada ou deionizada estéril. Evitar soro fisiológico, pois 
pode promover depósito acelerando a corrosão do metal;
- Utilizar o material imediatamente (não é recomendado o armazenamento).
Toxicidade: Quando o trabalhador de saúde processa os equipamentos e artigos pode ocorrer exposição ao vapor de glutaralde-
ído. O limite máximo de glutaraldeído no ar é de 0,2 ppm. Nesta concentração pode ocorrer irritação dos olhos, nariz ou garganta. 
Este problema pode ser minimizado com ventilação adequada, recipientes que contém a solução hermeticamente fechauso de EPIs. 
Devido ao risco de impregnação do glutaraldeído em alguns materiais, principalmente plásticos e borrachas. É fundamental o enxá-
gue abundante dos mesmos, para evitar iatrogenias, como bronquites e pneumonite química. Formaldeído líquido: é apresentado em 
duas formulações básicas:
- aquosa a 10%, composta de tensoativos, sequestrantes, antioxidantes, dissolvidos em glicerina, que não libera vapores irritan-
tes, mas conserva as propriedades germicidas do formaldeído.
- alcoólica a 8%, composta de tensoativos sequestrantes, antioxidantes e etanol a 70%.
Indicações de uso: O formaldeído é bastante utilizado como esterilizante de dialisadores em 50% dos Centros de Hemodiálise 
do mundo . O Center for Disease Control (CDC), USA recomenda a reutilização do dialisador no mesmo paciente se o formaldeído 
for utilizado em temperatura ambiente, à concentração de 4% e tempo de exposição mínima de 24 horas. Para evitar problemas de 
saúde para o paciente hemodialisado, o material deve ser submetido à lavagem com soro fisiológico e testado quanto a existência de 
formol, antes do uso. 
Toxicidade: O uso do formaldeído em estabelecimentos de saúde é limitado devido aos vapores irritantes, odor desagradável e 
comprovado potencial carcinogênico.
Ácido peracético: é um componente de uma equilibrada mistura entre ácido acético, peróxido de hidrogênio e água. É bacteri-
cida, fungicida e esporicida através da desnaturação de proteínas e alteração da parede celular. Sua ação esporicida ocorre a baixas 
temperaturas, mesmo em presença de matéria orgânica. Possui atividade antimicrobiana rápida de amplo espectro em concentração 
de 0,001 a 0,2% por 20 minutos. Como desvantagem apresenta-se como um poderoso oxidante podendo causar corrosão em cobre, 
bronze, aço e ferro galvanizado. Esses efeitos podem ser contornados através de aditivos e alterações de pH.
Indicação de uso: como desinfetante de alto nível ou esterilizante de materiais termo sensíveis; como endoscópios. A inativação 
de microorganismos é dependente do tempo, temperatura e concentração: microorganismos mais sensíveis em 5 minutos a uma con-
centração de 100ppm e esporos em 30 minutos a uma concentração de 1000ppm.
Didatismo e Conhecimento 31
conehcimentos específicos / enfermeiro
Divisão de Trabalho
Quanto a Escolaridade
Enfermeiro: Superior Completo.
Técnico de Enfermagem: Ensino Médio.
Auxiliar de Enfermagem: Ensino Fundamental.
Quanto a Competência (Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986)
Enfermeiro: 
Art. 11 - O Enfermeiro exerce todas as atividades de Enfermagem, cabendo-lhe:
I - privativamente:
a) direção do órgão de Enfermagem integrante da estrutura básica da instituição de saúde, pública ou privada, e chefia de serviço 
e de unidade de Enfermagem;
b) organização e direção dos serviços de Enfermagem e de suas atividadestécnicas e auxiliares nas empresas prestadoras desses 
serviços;
c) planejamento, organização, coordenação, execução e avaliação dos serviços de assistência de Enfermagem;
d), e), f) e g) (vetados)
h) consultoria, auditoria e emissão de parecer sobre matéria de Enfermagem;
i) consulta de Enfermagem;
j) prescrição da assistência de Enfermagem;
l) cuidados diretos de Enfermagem a pacientes graves com risco de vida;
m) cuidados de Enfermagem de maior complexidade técnica e que exijam conhecimentos de base científica e capacidade de 
tomar decisões imediatas;
II - como integrante da equipe de saúde:
a) participação no planejamento, execução e avaliação da programação de saúde;
b) participação na elaboração, execução e avaliação dos planos assistenciais de saúde;
c) prescrição de medicamentos estabelecidos em programas de saúde pública e em rotina aprovada pela instituição de saúde;
d) participação em projetos de construção ou reforma de unidades de internação;
e) prevenção e controle sistemática de infecção hospitalar e de doenças transmissíveis em geral;
f) prevenção e controle sistemático de danos que possam ser causados à clientela durante a assistência de Enfermagem;
g) assistência de Enfermagem à gestante, parturiente e puérpera; 
h) acompanhamento da evolução e do trabalho de parto;
i) execução do parto sem distocia;
j) educação visando à melhoria de saúde da população;
Parágrafo único - às profissionais referidas no inciso II do Art. 6º desta Lei incumbe, ainda:
a) assistência à parturiente e ao parto normal;
b) identificação das distocias obstétricas e tomada de providências até a chegada do médico;
c) realização de episiotomia e episiorrafia e aplicação de anestesia local, quando necessária.
Técnico de Enfermagem: 
Art. 12 - O Técnico de Enfermagem exerce atividade de nível médio, envolvendo orientação e acompanhamento do trabalho de 
Enfermagem em grau auxiliar, e participação no planejamento da assistência de Enfermagem, cabendo-lhe especialmente: 
a) participar da programação da assistência de Enfermagem;
b) executar ações assistenciais de Enfermagem, exceto as privativas do Enfermeiro, observado o disposto no Parágrafo único do 
Art. 11 desta Lei;
c) participar da orientação e supervisão do trabalho de Enfermagem em grau auxiliar;
d) participar da equipe de saúde.
Art. 15 - As atividades referidas nos arts. 12 e 13 desta Lei, quando exercidas em instituições de saúde, públicas e privadas, e em 
programas de saúde, somente podem ser desempenhadas sob orientação e supervisão de Enfermeiro.
Didatismo e Conhecimento 32
conehcimentos específicos / enfermeiro
Auxiliar de Enfermagem: 
Art. 13 - O Auxiliar de Enfermagem exerce atividades de nível médio, de natureza repetitiva, envolvendo serviços auxiliares 
de Enfermagem sob supervisão, bem como a participação em nível de execução simples, em processos de tratamento, cabendo-lhe 
especialmente:
a) observar, reconhecer e descrever sinais e sintomas;
b) executar ações de tratamento simples;
c) prestar cuidados de higiene e conforto ao paciente;
d) participar da equipe de saúde.
Art. 15 - As atividades referidas nos arts. 12 e 13 desta Lei, quando exercidas em instituições de saúde, públicas e privadas, e em 
programas de saúde, somente podem ser desempenhadas sob orientação e supervisão de Enfermeiro.
Quanto à Competência no Pré-Hospitalar (Portaria n.º 814/GM, de 01 de junho de 2001)
Enfermeiro:
- supervisionar e avaliar as ações de enfermagem da equipe no Atendimento Pré-Hospitalar Móvel;
- executar prescrições médicas por telemedicina;
- prestar cuidados de enfermagem de maior complexidade técnica a pacientes graves e com risco de vida, que exijam conheci-
mentos científicos adequados e capacidade de tomar decisões imediatas;
- prestar a assistência de enfermagem à gestante, a parturiente e ao recém nato;
- realizar partos sem distócia;
- participar nos programas de treinamento e aprimoramento de pessoal de saúde em urgências, particularmente nos programas 
de educação continuada;
- fazer controle de qualidade do serviço nos aspectos inerentes à sua profissão;
- subsidiar os responsáveis pelo desenvolvimento de recursos humanos para as necessidades de educação continuada da equipe;
- obedecer a Lei do Exercício Profissional e o Código de Ética de Enfermagem;
- conhecer equipamentos e realizar manobras de extração manual de vítimas.
Técnico de Enfermagem:
- assistir ao enfermeiro no planejamento, programação, orientação e supervisão das atividades de assistência de enfermagem;
- prestar cuidados diretos de enfermagem a pacientes em estado grave, sob supervisão direta ou à distância do profissional en-
fermeiro;
- participar de programas de treinamento e aprimoramento profissional especialmente em urgências/emergências;
- realizar manobras de extração manual de vítimas.
Auxiliar de Enfermagem:
- auxiliar o enfermeiro na assistência de enfermagem;
- prestar cuidados de enfermagem a pacientes sob supervisão direta ou à distância do profissional enfermeiro;
- observar, reconhecer e descrever sinais e sintomas, ao nível de sua qualificação;
- ministrar medicamentos por via oral e parenteral mediante prescrição do médico regulador por telemedicina;
- fazer curativos;
- prestar cuidados de conforto ao paciente e zelar por sua segurança;
- realizar manobras de extração manual de vítimas.
Quanto à Tripulação de Ambulâncias, Aeronaves e Embarcações (Portaria n.º 814/GM, de 01 de junho de 2001)
Enfermeiro: Transporte; Suporte Básico; Resgate (desde que tenha capacitação e certificação em suporte básico de vida e salva-
mento); Suporte Avançado; Aeronave; Embarcação.
Técnico de Enfermagem: Transporte; Suporte Básico; Resgate (desde que tenha capacitação e certificação em suporte básico de 
vida e salvamento).
Auxiliar de Enfermagem: Transporte; Suporte Básico; Resgate (desde que tenha capacitação e certificação em suporte básico 
de vida e salvamento).
Didatismo e Conhecimento 33
CONEHCIMENTOS ESPECÍFICOS / Enfermeiro
2 ADMINISTRAÇÃO DO PROCESSO DE 
CUIDAR EM ENFERMAGEM.
2.1 NORMAS DO MINISTÉRIO DA 
SAÚDE PARA ATUAÇÃO: PROGRAMA 
NACIONAL DE IMUNIZAÇÕES, 
PROGRAMAS DA MULHER, DA CRIANÇA, 
DO ADOLESCENTE, DO IDOSO, PARA 
DST E AIDS, PARA HANSENÍASE, PARA 
PNEUMOLOGIA SANITÁRIA, PARA 
HIPERTENSÃO E DE DIABÉTICO. 
Cuidar
A condição de enfermidade gera sentimentos como incapacidade, dependência, insegurança e sensação de perda do controle so-
bre si mesmo. Os doentes encaram a hospitalização como fator de despersonalização por reconhecerem a difi culdade para manter sua 
identidade, intimidade e privacidade. O ambiente hospitalar é estressante por diversos fatores, essencialmente ao doente, por perder o 
controle sobre os que o afetam, e dos quais depende para a sua sobrevivência. Além disso, a internação é angustiante por evidenciar 
a fragilidade a que estão sujeitos, devido à exposição emocional e física.
A enfermagem não pode ignorar que, ao cuidar do doente, toca-lhe o corpo e o expõe, muitas vezes sem pedir autorização, 
adotando uma postura de “poder” sobre o corpo de outrem. O doente pouco questiona essa invasão porque, na sua percepção, ela é 
necessária para sua recuperação, porém demonstra constrangimento, vergonha e embaraço. Um estudo que discute as relações sociais 
e de poder no contexto hospitalar sugere que a submissão do doente à enfermagem e a outros profi ssionais da área da saúde ocorre 
por entender que o “saber” dessas profi ssões lhes confere o direito de manipular seu corpo.
Outra investigação constatou que pacientes internados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) “que sobrevivem, sabem que uma 
jornada na UTI só não é pior que a morte e que todos os pudores da vida em sociedade se esvanecem, pois homens e mulheres expõem 
seus corpos, que são manuseados pelos enfermeiros”. Contudo, o enfermeiro “é o profi ssional da área de saúde que tem maior autori-
zaçãosocial para tocar o corpo do outro”, mas pouco tem discutido a questão da nudez, que é um fator a mais de estresse e sofrimento 
para o paciente, difi cultando sua adaptação ao ambiente hospitalar. Para um indivíduo, mesmo doente, estar despido pode signifi car 
desconforto e embaraço. Afi nal, culturalmente e no núcleo familiar, aprende-se que expor o corpo não é apropriado, relacionando-se 
implicitamente a nudez com sensualidade e sexualidade, comuns aos indivíduos, mas, de certa forma, reprimidas, de acordo com os 
padrões de comportamento vigentes na sociedade.
A invasão do território e do espaço pessoal fere a dignidade do indivíduo. A privacidade é uma necessidade e um direito do ser 
humano, sendo indispensável para a manutenção da sua individualidade. No entanto, é importante ressaltar que o Capítulo IV ¾ DOS 
DEVERES do Código de Ética dos Profi ssionais de Enfermagem, preconiza que o enfermeiro deve: “Art. 27- Respeitar e reconhecer 
o direito do cliente de decidir sobre sua pessoa, seu tratamento e seu bem estar. Art. 28- Respeitar o natural pudor, privacidade e a 
intimidade do cliente”. Ao mesmo tempo, o enfermeiro tem que reconhecer que o paciente possui: “o direito a atendimento humano, 
atencioso e respeitoso, por parte de todos os profi ssionais de saúde. Tem o direito a um local digno e adequado para seu atendimento, 
o direito a manter sua privacidade para satisfazer suas necessidades fi siológicas, inclusive alimentação e higiênicas, quer quando 
atendido no leito, no ambiente onde está internado ou aguardando atendimento”.
Sendo o enfermeiro o profi ssional em constante contato com o doente durante a hospitalização, é imprescindível circunstanciar 
sobre a conduta da enfermagem no sentido de resguardar esses direitos. A enfermagem procura preservar a intimidade e a privacidade 
dos doentes usando biombos, cobrindo partes do corpo que não precisam fi car expostas durante um procedimento e solicitando que 
familiares/visitas retirem-se do quarto/enfermaria ao realizar um cuidado, caracterizando essa tentativa de proteção como um gesto 
humanitário e de respeito.
Essa ação pode representar uma atitude de defesa à fragilidade pela doença, resgatando o instinto maternal, sentimento forte 
nesses profi ssionais, ou simplesmente uma atitude que facilitará a assistência de enfermagem, difi cultando a intervenção ou questio-
namento dos familiares. Em algumas situações, a enfermagem invariavelmente invadirá a privacidade e a intimidade do doente, como 
na passagem de cateter vesical, banho no leito, enemas e outros. Entretanto, o doente, sujeito do processo de trabalho da enfermagem, 
é um ser humano e, como tal, tem personalidade, dignidade, honra, pudor e preconceito. Para que haja interação entre enfermeiro e 
Didatismo e Conhecimento 34
conehcimentos específicos / enfermeiro
paciente, é importante conhecer a sua natureza física, cultural, espiritual, social e psicológica. Esses aspectos são significativos ao se 
tentar estabelecer uma relação de confiança junto ao doente, no sentido de transmitir segurança e apoio. Atitudes de respeito à indi-
vidualidade, humildade, tolerância, tranquilidade e solidariedade podem minimizar o estresse pela doença e internação. Todos estes 
fatores são importantes, mas será que são suficientes para proteger a identidade, a privacidade e a intimidade do doente?
O direito a um espaço como pessoa, sob o aspecto legal, é propriedade inatingível de todo cidadão. O Art. 5º, parágrafo X da 
Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, prevê que: “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem 
das pessoas, assegurando o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação”. Em resposta aos anseios 
e inquietações da população, a Organização das Nações Unidas (ONU) promulgou, em 1948, a Declaração Universal dos Direitos 
Humanos, assegurando, no “Art. 12º Ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio 
ou na sua correspondência, nem ataques à sua honra e reputação. Contra tais intromissões ou ataques toda pessoa tem direito à pro-
teção da lei”.
As comunidades política e científica também têm se preocupado com a proteção dos indivíduos, desenvolvendo mecanismos 
de controle, como o Código de Nuremberg (1947), a Declaração de Helsinque, e, no Brasil, isso se efetivou com a formulação da 
Resolução 196/96, pelo Conselho Nacional de Saúde. Eles priorizam as pesquisas científicas que envolvem seres humanos, uma 
vez que a racionalidade científica encobre o valor da subjetividade na produção do conhecimento, evidenciando-se a necessidade 
de harmonizar objetividade, razão, subjetividade e humanização. Foram criados, então, os Comitês de Ética em Pesquisa (CEP) e 
as Comissões de Ética nos Hospitais. Os primeiros, com a finalidade de orientar, instruir, analisar a validade das pesquisas e delibe-
rar sobre assuntos éticos pertinentes aos protocolos, além de “receber e apurar denúncias e determinar a interrupção de projetos de 
pesquisa quando necessário”. Os últimos, com a função de analisar, interpretar e adequar as atividades dos profissionais, diante de 
valores éticos, direitos, deveres, à legislação de cada categoria profissional.
No caso dos enfermeiros, a Comissão de Ética de Enfermagem das Entidades tem o propósito educativo, opinativo, consultivo, 
fiscalizador e de assessorar em questões éticas do exercício da profissão, durante atuação na assistência, ensino, pesquisa e admi-
nistração(12). Dentre as competências previstas para essa Comissão, conforme a Decisão Nº 18 do COREN-SC, consta no Art. 12º, 
parágrafo 11, que seus membros devem fiscalizar “a qualidade de atendimento dispensado à clientela pelos profissionais de enfer-
magem as condições oferecidas pela entidade e sua compatibilidade com o desempenho ético - profissional”. Os enfermeiros, ao in-
terpretarem superficialmente essas competências, provavelmente compreendem apenas o que reporta ao tecnicismo da assistência de 
enfermagem, não levando em consideração os aspectos individuais e emocionais dos doentes quanto à preservação da sua intimidade, 
do seu espaço pessoal e territorial. Todavia, “saúde”, para a Organização Mundial de Saúde (OMS), não é meramente a ausência de 
doença, mas também o completo bem-estar físico, psíquico e social do indivíduo, dimensionando este problema, mas que raramente 
é abordado, embora provoque muito “mal-estar” ao indivíduo enfermo.
Atualmente, tem se discutido muito o comportamento ético, moral e legal, referindo-se a questões políticas, conflitos religiosos, 
influência do avanço tecnológico e das pesquisas científicas. Se ética é a ciência da moral, implicando juízo de valores, e moral refere-
-se a conduta/comportamento do ser humano, não seria a invasão da privacidade do doente, durante o cuidado de enfermagem, uma 
questão ética a ser encarada com mais seriedade e importância por esses profissionais?
Outras questões também emergem para discussão e reflexão por parte dos enfermeiros, tais como: que percepção os enfermeiros 
têm sobre o que ocorre com o doente durante os cuidados? O quê e como os enfermeiros fazem para proteger os doentes? Como eles 
interpretam e compreendem as competências das Comissões de Ética de Enfermagem e de seus membros no âmbito hospitalar, e 
também os Artigos 27 e 28 do Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem? Conhecem os direitos dos doentes? Não seria mais 
importante ajudá-los a trabalhar com a perda da privacidade do que simplesmente preservar o seu espaço pessoal?
Ao se levantarem esses questionamentos, procura-se sensibilizar prioritariamente os profissionais de enfermagem, como também 
os das demais áreas da saúde, quanto à garantia que os indivíduos têm de que sua privacidade e individualidade será resguardada, 
tanto na condição de doente quanto na situação de sujeitos de uma pesquisa científica. 
O avanço foisignificativo em relação às pesquisas envolvendo seres humanos, após a promulgação da Resolução 196/96. Os 
CEPs empenham-se em analisar rigorosamente esses projetos, com atenção especial ao Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, 
porém raramente acompanham o desenvolvimento das investigações e a conduta do pesquisador, exceto em caso de denúncia. E as 
Comissões de Ética Hospitalar geralmente só se reúnem para apurar questões ético-legais encaminhadas para análise e apreciação, 
não supervisionando nem fiscalizando a conduta e postura dos profissionais.
O “homem” vem absorvendo informações em quantidade, qualidade e rapidez, possibilitadas pelo progresso tecnológico e cientí-
fico, tornando-o mais exigente quanto aos seus direitos. É necessário discutir e reavaliar o papel dos Comitês e Comissões, enquanto 
mecanismos de controle e proteção dos indivíduos. São poucos os trabalhos que discorrem sobre a questão da privacidade do doente 
no contexto da enfermagem, no entanto já se alerta sobre a relevância desse tema como sendo “um conceito chave em enfermagem”, 
principalmente quando relacionado à qualidade da assistência, uma vez que os enfermeiros ainda apresentam falhas na proteção dos 
pacientes.
Didatismo e Conhecimento 35
conehcimentos específicos / enfermeiro
A enfermagem muito tem se desenvolvido no processo de cuidar, acreditando que é a arte e a ciência de cuidar, ou seja, “é gente 
que cuida de gente”. Na verdade, cuidar é muito mais que um ato, é uma atitude de “ocupação, preocupação, de responsabilização e 
de envolvimento afetivo com o outro”, exigindo compromisso dos profissionais enfermeiros para com o semelhante. A enfermagem 
não pode nem deve dimensionar só a doença, mas o indivíduo como um todo, o qual, por estar doente, precisa de cuidado pessoal e 
especial.
Programa de imunização e rede de frios, conservação de vacinas
PNI: essas três letras inspiram respeito internacional entre especialistas de saúde pública, pois sabem que se trata do Programa 
Nacional de Imunizações, do Brasil, um dos países mais populosos e de território mais extenso no mundo e onde nos últimos 30 anos 
foram eliminadas ou são mantidas sob controle as doenças preveníveis por meio da vacinação.
Na Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), braço da Organização Mundial de Saúde (OMS), o PNI brasileiro é citado 
como referência mundial. Por sua excelência comprovada, o nosso PNI organizou duas campanhas de vacinação no Timor Leste, 
ajudou nos programas de imunizações na Palestina, na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Nós, os brasileiros do PNI, fomos solicitados 
a dar cursos no Suriname, recebemos técnicos de Angola para serem capacitados aqui. Estabelecemos cooperação técnica com Esta-
dos Unidos, México, Guiana Francesa, Argentina, Paraguai, Uruguai, Venezuela, Bolívia, Colômbia, Peru, Israel, Angola, Filipinas. 
Fizemos doações para Uruguai, Paraguai, República Dominicana, Bolívia e Argentina.
A razão desse destaque internacional é o Programa Nacional de Imunizações, nascido em 18 de setembro de 1973, chega aos 30 
anos em condições de mostrar resultados e avanços notáveis. O que foi alcançado pelo Brasil, em imunizações, está muito além do 
que foi conseguido por qualquer outro país de dimensões continentais e de tão grande diversidade socioeconômica. 
No campo das imunizações, somos vistos com respeito e admiração até por países dotados de condições mais propícias para esse 
trabalho, por terem população menor e ou disporem de espectro social e econômico diferenciado. Desde as primeiras vacinações, em 
1804, o Brasil acumulou quase 200 anos de imunizações, sendo que nos últimos 30 anos, com a criação do PNI, desenvolveu ações 
planejadas e sistematizadas. Estratégias diversas, campanhas, varreduras, rotina e bloqueios erradicaram a febre amarela urbana em 
1942, a varíola em 1973 e a poliomielite em 1989, controlaram o sarampo, o tétano neonatal, as formas graves da tuberculose, a dif-
teria, o tétano acidental, a coqueluche. Mais recentemente, implementaram medidas para o controle das infecções pelo Haemophilus 
influenzae tipo b, da rubéola e da síndrome da rubéola congênita, da hepatite B, da influenza e suas complicações nos idosos, também 
das infecções pneumocócicas.
Hoje, os quase 180 milhões de cidadãos brasileiros convivem num panorama de saúde pública de reduzida ocorrência de óbitos 
por doenças imunopreveníveis. O País investiu recursos vultosos na adequação de sua Rede de Frio, na vigilância de eventos adver-
sos pós-vacinais, na universalidade de atendimento, nos seus sistemas de informação, descentralizou as ações e garantiu capacitação 
e atualização técnico-gerencial para seus gestores em todos os âmbitos. As campanhas nacionais de vacinação, voltadas em cada 
ocasião para diferentes faixas etárias, proporcionaram o crescimento da conscientização social a respeito da cultura em saúde.
Antes, no Brasil, as ações de imunização se voltavam ao controle de doenças específicas. Com o PNI, passou a existir uma atu-
ação abrangente e de rotina: todo dia é dia de estar atento à erradicação e ao controle de doenças que sejam possíveis de controlar e 
erradicar por meio de vacina, e nas campanhas nacionais de vacinação essa mentalidade é intensificada e dirigida à doença em foco. 
O objetivo prioritário do PNI, ao nascer, era promover o controle da poliomielite, do sarampo, da tuberculose, da difteria, do tétano, 
da coqueluche e manter erradicada a varíola.
Hoje, o PNI tem objetivo mais abrangente. Para os próximos cinco anos, estão fixadas as seguintes metas: 
- ampliação da auto-suficiência nacional dos produtos adquiridos e utilizados pela população brasileira; 
- produção da vacina contra Haemophilus influenzae b, da vacina combinada tetravalente (DTP + Hib), da dupla viral (contra 
sarampo e rubéola) e tríplice viral (contra sarampo, rubéola e caxumba), da vacina contra pneumococos e da vacina contra influenza 
e da vacina anti-rábica em cultivo celular.
As competências do Programa, estabelecidas no Decreto nº 78.231, de 12 de agosto de 1976 (o mesmo que o institucionalizou), 
são ainda válidas até hoje:
- implantar e implementar as ações relacionadas com as vacinações de caráter obrigatório; 
- estabelecer critérios e prestar apoio técnico a elaboração, implantação e implementação dos programas de vacinação a cargo 
das secretarias de saúde das unidades federadas; 
- estabelecer normas básicas para a execução das vacinações; 
- supervisionar, controlar e avaliar a execução das vacinações no território nacional, principalmente o desempenho dos órgãos 
das secretarias de saúde, encarregados dos programas de vacinação;
- centralizar, analisar e divulgar as informações referentes ao PNI. 
Didatismo e Conhecimento 36
conehcimentos específicos / enfermeiro
A institucionalização do Programa se deu sob influência de vários fatores nacionais e internacionais, entre os quais se destacam 
os seguintes: 
- fim da Campanha da Erradicação da Varíola (CEV) no Brasil, com a certificação de desaparecimento da doença por comissão 
da OMS; 
- a atuação da Ceme, criada em 1971, voltada para a organização de um sistema de produção nacional e suprimentos de medica-
mentos essenciais à rede de serviços públicos de saúde; 
- recomendações do Plano Decenal de Saúde para as Américas, aprovado na III Reunião de Ministros da Saúde (Chile, 1972), 
com ênfase na necessidade de coordenar esforços para controlar, no continente, as doenças evitáveis por imunização.
Torna-se cada vez mais evidente, no Brasil, que a vacina é o único meio para interromper a cadeia de transmissão de algumas 
doenças imunopreveníveis. O controle das doenças só será obtido se as coberturas alcançarem índices homogêneos para todos os 
subgrupos da população e em níveis considerados suficientes para reduzir a morbimortalidade por essas doenças. Essa é a síntese do 
Programa Nacional de Imunizações, que na realidadenão pertence a nenhum governo, federal, estadual ou municipal. É da sociedade 
brasileira. Novos desafios foram sucessivamente lançados nestes 30 anos, o maior deles sendo a difícil tarefa de manejar um progra-
ma que trabalha articulado com os 26 estados, o Distrito Federal e os 5.560 municípios, numa vasta extensão territorial, cobrindo uma 
população de 174 milhões de habitantes, entre crianças, adolescentes, mulheres, adultos, idosos, indígenas e populações especiais.
Enquanto diversidades culturais, demográficas, sociais e ambientais são suplantadas para a realização de atividades de vacina-
ção de campanha e rotina, novas iniciativas e desafios vão sendo lançados. Desses, vale a pena citar alguns: Programas regionais do 
continente americano – Os programas de erradicação da poliomielite, eliminação do sarampo, controle da rubéola e prevenção da 
síndrome da rubéola congênita e a prevenção do tétano neonatal são programas regionais que requerem esforços conjuntos dos paí-
ses da região, com definição de metas, estratégias e indicadores, envolvendo troca contínua e oportuna de informações e realização 
periódica de avaliações das atividades em âmbito regional.
O PNI tem desempenhado papel de destaque, sendo pioneiro na implementação de estratégias como a vacinação de mulheres 
em idade fértil contra a rubéola e o novo plano de controle do tétano neonatal. Além disso, em 2003 foi iniciada a estratégia de mul-
tivacinação conjunta por todos os países da América do Sul, durante a Semana Sul-Americana de Vacinação. Atividades de busca 
ativa de casos, vigilância epidemiológica e vacinação nas fronteiras de todo o Brasil foram executadas com sucesso. Essa iniciativa 
se repetirá nos próximos anos, contando já com a participação de um número ainda maior de países da América Central, América do 
Norte e Espanha.
Quantidades de imunobiológicos: A cada ano são incorporados novos imunobiológicos ao calendário do PNI, que são ofereci-
dos gratuitamente à população, durante campanhas ou na rotina do programa, prezando pelos princípios do SUS de universalidade, 
eqüidade e integralidade.
Campanhas de vacinação: São extremamente complexas a coordenação e a logística das campanhas de vacinação. As campa-
nhas anuais contra a poliomielite conseguem o feito de vacinar 15 milhões de crianças em um único dia. 
A campanha de vacinação de mulheres em idade fértil conseguiu vacinar mais de 29 milhões de mulheres em idade fértil em todo 
o País, objetivando o controle da rubéola e a prevenção da síndrome da rubéola congênita.
Rede de Frio: A rede de frio do Brasil interliga os municípios brasileiros em uma complexa rede de armazenamento, distribuição 
e manutenção de vacinas em temperaturas adequadas nos níveis nacional, estadual e municipal e local.
Auto-suficiência na produção de imunobiológicos: O PNI produz grande parte das vacinas utilizadas no País e ainda fornece 
vacinas com qualidade reconhecida e certificada internacionalmente pela Organização Mundial da Saúde, com grande potencial de 
exportação de um número maior de vacinas produzidas no País. O Brasil tem a meta ousada de ter auto-suficiência na produção de 
imunobiológicos para uso na população brasileira.
Cooperação internacional: O PNI provê assistência técnica com envio de profissionais para apoiar atividades de imunizações 
e vigilância epidemiológica em outros países das Américas. Ainda, por meio da OPAS, são inúmeros os termos de cooperação entre 
países do qual o Brasil participa, firmados com o intuito de transferir experiências e conhecimentos entre os países.
Sendo assim, um dos programas de imunizações mais ativos na região das Américas, o PNI brasileiro tem exportado iniciativas, 
histórias de sucesso e experiência para diversos países do mundo. É, portanto, um exemplo a ser seguido, de ousadia, de determinação 
e de sucesso.”
Didatismo e Conhecimento 37
CONEHCIMENTOS ESPECÍFICOS / Enfermeiro
Rede de Frio
A Rede de Frio ou Cadeia de Frio é o processo de recebimento, armazenamento, conservação, manipulação, distribuição e trans-
porte dos imunobiológicos do Programa Nacional de Imunizações e devem ser mantidos em condições adequadas de refrigeração, 
desde o laboratório produtor até o momento de sua utilização. 
O objetivo da Rede de Frio é assegurar que todos os imunobiológicos mantenham suas características iniciais, para conferir 
imunidade. 
Imunobiológicos são produtos termolábeis, isto é, se deterioram depois de determinado tempo quando expostos a temperaturas 
inadequadas (inativação dos componentes imunogênicos). O manuseio inadequado, equipamentos com defeito ou falta de energia 
elétrica podem interromper o processo de refrigeração, comprometendo a potência e efi cácia dos imunobiológicos.
São componentes da Rede de Frio: equipe qualifi cada e equipamentos adequados.
Sistema de Refrigeração: é composto por um conjunto de componentes unidos entre si, cuja fi nalidade é transferir calor de um 
espaço, ou corpo, para outro. Esse espaço pode ser o interior de uma câmara frigorífi ca de um refrigerador, ou qualquer outro espaço 
fechado onde haja a necessidade de se manter uma temperatura mais baixa que a do ambiente que o cerca. 
O primeiro povo a utilizar a refrigeração foi o chinês, muitos anos antes de Cristo. Os chineses colhiam o gelo nos rios e lagos 
durante a estação fria e o conservavam em poços cobertos de palha durante as estações quentes. 
Este primitivo sistema de refrigeração foi também utilizado de forma semelhante por outros povos da antiguidade. Servia ba-
sicamente para deixar as bebidas mais saborosas. Até pelo menos o fi m do século XVII, esta seria a única aplicação do gelo para a 
humanidade. 
Didatismo e Conhecimento 38
conehcimentos específicos / enfermeiro
Em 1683, Anton Van Leeuwenhoek, um comerciante de tecidos e cientista de Delft, nos Países Baixos, que muito contribuiu para 
o melhoramento do microscópio e para o progresso da biologia celular, detectou microorganismos em cristais de gelo e a partir dessa 
observação constatou-se que, em temperaturas abaixo de +10ºC, estes microorganismos não se multiplicavam, ou o faziam mais 
vagarosamente, ocorrendo o contrário acima dessa temperatura. 
A observação de Leeuwenhoek continuou sendo alvo de pesquisa no meio científico e no século 18, descobertas científicas 
relacionaram o frio à inibição do processo dos alimentos. Além da neve e do gelo, os recursos eram a salmoura e o ato de curar os 
alimentos. Também havia as loucas de barro que mantinham a frescura dos alimentos e da água, fato este já observado pelos egípcios 
antes de Cristo. Mas as dificuldades para obtenção de gelo na natureza criava a necessidade do desenvolvimento de técnicas capazes 
de produzi-lo artificialmente. 
Apenas em 1824, o físico e químico Michael Faraday descobriu a indução eletromagnética – o princípio da refrigeração. Esse 
princípio seria utilizado dez anos depois, nos Estados Unidos, para fabricar gelo artificialmente e, na Alemanha em 1855. 
Mesmo com o sucesso desses modelos experimentais, a possibilidade de produção do gelo para uso doméstico ainda era um 
sonho distante. 
Enquanto isso não ocorria, a única possibilidade de utilização do frio era tentando ampliar ao máximo a durabilidade do gelo 
natural. No início do século XIX, surgiram, assim, as primeiras “geladeiras” – apenas um recipiente isolado por meio de placas de 
cortiça, onde eram colocadas pedras de gelo. Essa geladeira ganhou ares domésticos em 1913. 
Em 1918, após a invenção da eletricidade, a Kelvinator Co. introduziu no mercado o primeiro refrigerador elétrico com o nome 
de Frigidaire. Esses primeiros produtos foram vendidos como aparelhos para serem colocados dentro das “caixas de gelo”. 
Uma das vantagens era não precisar tirar o gelo derretido. O slogan do refrigerador era “mais frio que o gelo”. Na conservação 
dos alimentos, a utilização da refrigeração destina-sea impedir a multiplicação de microorganismos e sua atividade metabólica, 
reduzindo, consequentemente, à taxa de produção de toxinas e enzimas que poderiam deteriorar os alimentos, mantendo, assim, à 
qualidade dos mesmos. 
Com a criação do Programa Nacional de Imunizações no Brasil surge a necessidade de equipamento de refrigeração para a 
conservação dos imunobiológicos e inicia-se o uso do refrigerador doméstico para este fim, adotando-se algumas adaptações e/ou 
modificações que serão demonstradas no capítulo referente aos equipamentos da rede de frio. 
Para os imunobiológicos, a refrigeração destina-se exclusivamente à conservação do seu poder imunogênico, pois são produtos 
termolábeis, isto é, que se deterioram sob a influência do calor. 
Princípios Básicos de Refrigeração
Calor: é uma forma de energia que pode ser transmitida de um corpo a outro em virtude da diferença de temperatura existente en-
tre eles. A transmissão da energia se dá a partir do corpo com maior temperatura para o de menor temperatura. Um corpo, ao receber 
ou ceder calor, pode sofrer dois efeitos diferentes: variação de temperatura ou mudança de estado físico (fase). A quantidade de calor 
recebida ou cedida por um corpo que sofre uma variação de temperatura é denominada calor sensível. E, se ocorrer uma mudança de 
fase, o calor é chamado latente (palavra derivada do latim que significa escondido). 
Diz-se que um corpo é mais frio que o outro quando possui menor quantidade de energia térmica ou, temperatura inferior ao 
outro. Com base nesses princípios são, a seguir, apresentadas algumas experiências onde os mesmos são aplicados à conservação de 
imunobiológicos. 
Transferência de Calor: É a denominação dada à passagem da energia térmica (que durante a transferência recebe o nome de 
calor) de um corpo com temperatura mais alta para outro ou de uma parte para outra de um mesmo corpo com temperatura mais baixa. 
Essa transmissão pode se processar de três maneiras diferentes: condução, convecção e radiação. 
Condução: É o processo de transmissão de calor em que a energia térmica passa de um local para outro através das partículas do 
meio que os separa. Na condução a passagem da energia de uma local para outro se faz da seguinte maneira: no local mais quente, 
as partículas têm mais energia, vibrando com mais intensidade; com esta vibração cada partícula transmite energia para a partícula 
vizinha, que passa a vibrar mais intensamente; esta transmite energia para a seguinte e assim sucessivamente.
Convecção: Consideremos uma sala na qual se liga um aquecedor elétrico em sua parte inferior. O ar em torno do aquecedor é 
aquecido, tornando-se menos denso. Com isso, o ar aquecido sobe e o ar frio que ocupa a parte superior da sala, e portanto, mais dis-
tante do aquecedor, desce. A esse movimento de massas de fluido chamamos convecção e as correntes de ar formadas são correntes de 
convecção. Portanto, convecção é um movimento de massas de fluido, trocando de posição entre si. Notemos que não tem significado 
falar em convecção no vácuo ou em um sólido, isto é, convecção só ocorre nos fluidos. Exemplos ilustrativos: 
- Os aparelhos condicionadores de ar devem sempre ser instalados na parte superior do recinto a ser resfriado, para que o ar frio 
refrigerado, sendo mais denso, desça e force o ar quente, menos denso, para cima, tornando o ar de todo o ambiente mais frio e mais 
uniforme. 
Didatismo e Conhecimento 39
conehcimentos específicos / enfermeiro
- Os aparelhos condicionadores de ar modernos possuem refrigeração e aquecimento, mas também devem ser instalados na parte 
superior da sala, pois o período de tempo de maior uso será no modo ‘refrigeração’, ou seja, no período de verão. Contudo, quando 
o equipamento for utilizado no modo ‘aquecimento’, durante o inverno, as aletas do equipamento deverão estar direcionadas para 
baixo, forçando o ar quente em direção ao solo.
- Os aquecedores de ar, por sua vez, deverão ser sempre instalados na parte inferior do recinto a ser aquecido, pois o ar quente, 
por ser menos denso, subirá e o ar que está mais frio na parte superior desce e sofre aquecimento por convecção. 
Radiação: É o processo de transmissão de calor através de ondas eletromagnéticas ondas de calor). A energia emitida por um 
corpo (energia radiante) se propaga até o outro, através do espaço que os separa. Raios infravermelhos; Sol; Terra; O Sol aquece a 
Terra através dos raios infravermelhos. Sendo uma transmissão de calor através de ondas eletromagnéticas, a radiação não exige a 
presença do meio material para ocorrer, isto é, a radiação ocorre no vácuo e também em meios materiais. 
Nem todos os materiais permitem a propagação das ondas de calor através dele com a mesma velocidade. A caixa térmica, por 
exemplo, por ser feita de material isolante, dificulta a entrada do calor e o frio em seu interior, originário das bobinas de gelo reuti-
lizável, é conservado por mais tempo. Toda energia radiante, transportada por onda de rádio, infravermelha, ultravioleta, luz visível, 
raios-X, raio gama, etc, pode converter-se em energia térmica por absorção. 
Porém, só as radiações infravermelhas são chamadas de ondas de calor. Um corpo bom absorvente de calor é um mal refletor. 
Um corpo bom refletor de calor é um mal absorvente. Exemplo: Corpos de cor negra são bons absorventes e corpos de cores claras 
são bons refletores de calor. 
Relação entre temperatura e movimento molecular: Independentemente do seu estado, as moléculas de um corpo encontram-
-se em movimento contínuo. Na figura a seguir, verifica-se o comportamento das moléculas da água nos estados sólido, líquido e 
gasoso. À medida que sofrem incremento de temperatura, essas moléculas movimentam-se com maior intensidade. A liberdade para 
se movimentarem aumenta conforme se passa do estado sólido para o líquido; e deste, para o gasoso
Convecção Natural – Densidade: Uma mesma substância, em diferentes temperaturas, pode ficar mais ou menos densa. O ar 
quente é menos denso que o ar frio. Assim, num espaço determinado e limitado, ocorre sempre uma elevação do ar quente e uma 
queda (precipitação) do ar frio. Sob tal princípio, uma caixa térmica horizontal aberta, contendo bobinas de gelo reutilizável ou outro 
produto em baixa temperatura, só estará recebendo calor do ambiente através da radiação e não pela saída do ar frio existente, uma 
vez que este, sendo mais denso, permanece no fundo da caixa. 
Ao se abrir a porta de uma geladeira vertical ocorrerá a saída de parte do volume de ar frio contido dentro da mesma, com sua 
conseqüente substituição por parte do ar quente situado no ambiente mais próximo do refrigerador. O ar frio, por ser mais denso, sai 
por baixo, permitindo a penetração do ar ambiente (com calor e umidade). Os equipamentos utilizados para a conservação de sorvetes 
e similares são predominantemente freezers horizontais, com várias aberturas pequenas na parte superior, visando a maior eficiência 
na conservação de baixas temperaturas. Um exemplo do princípio da densidade é observado quando os evaporadores ou congeladores 
dos refrigeradores, os aparelhos de ar-condicionado e centrais de refrigeração são instalados na parte superior do local a ser refrige-
rado Assim o ar frio desce e refrigera todo o ambiente mais rapidamente. Já os aquecedores devem ser instalados na parte inferior. 
Desta forma, o ar quente sobe e aquece o local de forma mais rápida. Agindo destas formas, garantimos o desempenho correto dos 
aparelhos e economizamos energia através da utilização da convecção natural 
Temperatura: O calor é uma forma de energia que não pode ser medida diretamente. Porém, por meio de termômetro, é possível 
medir sua intensidade. A temperatura de uma substância ou de um corpo é a medida de intensidade do calor ou grau de calor existente 
em sua massa. Existem diversos tipos e marcas de indicadores de temperatura. Para seu funcionamento,aproveita-se a propriedade 
que alguns corpos têm para dilatar-se ou contrair-se conforme ocorra aumento ou diminuição da temperatura. Para esse funcionamen-
to utilizam-se, também, as variações de pressão que alguns fluidos apresentam quando submetidos a variações de temperatura. Os 
líquidos mais comumente utilizados são o álcool e o mercúrio, principalmente por não se congelarem a baixas temperaturas. 
Existem várias escalas para medição de temperatura, sendo que as mais comuns são a Fahrenheit (ºF), em uso nos países de 
língua inglesa, e a Celsius (ºC), utilizada no Brasil. 
Nos termômetros em escala Celsius (ºC) ou Centígrados, o ponto de congelamento da água é 0ºC e o seu ponto de ebulição é de 
100ºC, ambos medidos ao nível do mar e à pressão atmosférica. 
Fatores que interferem na manutenção da temperatura no interior das caixas térmicas: 
- Temperatura ambiente: Quanto maior for a temperatura ambiente, mais rapidamente a temperatura do interior da caixa térmica 
se elevará, em virtude da entrada de ar quente pelas paredes da caixa. 
Didatismo e Conhecimento 40
conehcimentos específicos / enfermeiro
- Material isolante: O tipo, a qualidade e a espessura do material isolante utilizado na fabricação da caixa térmica interferem na 
penetração do calor. Com paredes mais grossas, o calor terá maior dificuldade para atravessá-las. Com paredes mais finas, o calor 
passará mais facilmente. Com material de baixa condutividade térmica (exemplo: poliuretano ao invés de poliestireno expandido), o 
calor não penetrará na caixa com facilidade.
- Bobinas de Gelo Reutilizável – Quantidade e Temperatura: A quantidade de bobinas de gelo reutilizável colocada no interior da 
caixa é importante para a correta conservação. A transferência do calor recebido dos imunobiológicos, do ar dentro da caixa e através 
das paredes fará com que o gelo derreta (temperatura próxima de 0ºC, no caso de as bobinas de gelo serem constituídas de água pura). 
Otimizar o espaço interno da caixa para a acomodação de maior quantidade de bobinas de gelo fará com que a temperatura interna 
do sistema permaneça baixa por mais tempo. Dispor as bobinas de gelo reutilizável nos espaços vazios no interior da caixa, de modo 
que circundem os imunobiológicos serve ao propósito mencionado acima. Ao dispor de certa quantidade de bobinas de gelo reutili-
zável nas paredes laterais da caixa térmica, formamos uma barreira para diminuir a velocidade de entrada de calor, por um período 
de tempo. O calor vai continuar atravessando as paredes, e isso ocorre porque não existe material perfeitamente isolante. Contudo, 
o calor que adentra a caixa atinge primeiro as bobinas de gelo reutilizável, aumentando inicialmente sua temperatura, e, somente 
depois, altera a temperatura do interior da caixa. 
A temperatura das bobinas de gelo reutilizável também deve ser rigorosamente observada. Caso sejam utilizadas bobinas de gelo 
reutilizável, em temperaturas muito baixas (-20ºC) e em grande quantidade, há o risco de, em determinado momento, que a tempe-
ratura dos imunobiológicos esteja próxima à dessas bobinas. Por conseqüência, os imunobiológicos serão congelados, o que para 
alguns tipos, pode comprometer a qualidade, por exemplo: a vacina contra DTP. 
Além desses fatores, as experiências citadas permitem lembrar alguns pontos importantes: 
- o calor, decorrido algum tempo, passará através das paredes da caixa com maior ou menor facilidade, em função das caracte-
rísticas do material utilizado e da espessura das mesmas; 
- a temperatura no interior da caixa nem sempre é uniforme. Num determinado momento podemos encontrar temperaturas di-
ferentes em vários pontos (a, b e c). O procedimento de envolver os imunobiológicos com bobinas de gelo reutilizável é entendido 
como uma proteção ao avanço do calor, que parte sempre do mais quente para o mais frio, mas que afeta a temperatura dos corpos 
pelos quais se propaga;
- no acondicionamento de imunobiológicos em caixas térmicas é possível manter ou reduzir a temperatura das mesmas durante 
um tempo determinado utilizando-se, para tal, bobinas de gelo reutilizável em diferentes temperaturas e quantidade.
Tipos de Sistema 
Compressão: São sistemas que utilizam a compressão e a expansão de uma substância, denominada fluido refrigerante, como 
meio para a retirada de energia térmica de um corpo ou ambiente. Esses sistemas são normalmente alimentados por energia elétrica 
proveniente de centrais hidrelétricas ou térmicas. Alternativamente, em regiões remotas, tem-se usado o sistema fotovoltaico como 
fonte geradora de energia elétrica. 
Componentes e elementos do sistema de refrigeração por compressão: Componentes: compressor, condensador e controle do 
líquido refrigerante. Elementos: evaporador, filtro desidratador, gás refrigerante e termostato. Os componentes acima descritos estão 
unidos entre si por meio de tubulações, dentro das quais circula um fluido refrigerante ecológico (R-134a - tetrafluoretano, é o mais 
comum). A compressão e a expansão desse fluido refrigerante, dentro de um circuito fechado, o torna capaz de retirar calor de um 
ambiente. Esse circuito deve estar hermeticamente selado, não permitindo a fuga do refrigerante. Nos refrigeradores e freezers, o 
compressor e o motor estão hermeticamente fechados em uma mesma carcaça 
Compressor: É um conjunto mecânico constituído de um motor elétrico e pistão no interior de um cilindro. Sua função é fazer o 
fluido refrigerante circular dentro do sistema de refrigeração.. Durante o processo de compressão, a pressão e a temperatura do fluido 
refrigerante se elevam rapidamente 
Condensador: É o elemento do sistema de refrigeração que se encontra instalado e conectado imediatamente após o ponto de 
descarga do compressor. Sua função é transformar o fluido refrigerante em líquido. Devido à redução de sua temperatura, ocorre 
mudança de estado físico, passando de vapor superaquecido para líquido saturado. São constituídos por tubos metálicos (cobre, alu-
mínio ou ferro) dispostos sobre chapas ou fixos por aletas (arame de aço ou lâminas de alumínio), tomando a forma de serpentina. 
A circulação do ar através do condensador pode se dar de duas maneiras: a) Por circulação natural (sistemas domésticos) b) Por 
circulação forçada (sistemas comerciais de grande capacidade). Como o condensador está exposto ao ambiente, cuja temperatura é 
inferior à temperatura do refrigerante em circulação, o calor vai sendo dissipado para esse mesmo ambiente. Assim, na medida em 
que o fluido refrigerante perde calor ao circular pelo condensador, ele se converte em líquido. 
Didatismo e Conhecimento 41
conehcimentos específicos / enfermeiro
Nos refrigeradores tipo doméstico e freezers utilizados pelo PNI, são predominantemente utilizados os condensadores estáticos, 
nos quais o ar e a temperatura ambiente são os únicos fatores de interferência. As placas, ranhuras e pequenos tubos incorporados aos 
condensadores, visam exclusivamente facilitar a dissipação do calor, aumentando a superfície de resfriamento. 
Olhando-se lateralmente um refrigerador tipo doméstico verifica-se que o condensador está localizado na parte posterior, afas-
tado do corpo do refrigerador. O calor é dissipado para o ar circulante que sobe em corrente, dos lados do evaporador. Para que este 
ciclo seja completado com maior facilidade e sem interferências desfavoráveis, o equipamento com sistema de refrigeração por com-
pressão (geladeira, freezers, etc.) deve ficar afastado da parede, instalado em lugar ventilado, na sombra e longe de qualquer fonte de 
calor, para que o condensador possa ter um rendimento elevado. 
Não colocar objetos sobre o condensador. Periodicamente, limpar o mesmo para evitar acúmulo de pó ou outro produto que 
funcione como isolante. 
Alguns equipamentos (geladeiras comerciais, câmaras frigoríficas, etc.) utilizam o conjunto de motor, compressor econdensador, 
instalado externamente. 
Filtro desidratador: Está localizado logo após o condensador. Consiste em um filtro dotado de uma substância desidratadora que 
retém as impurezas ou substâncias estranhas e absorve a umidade residual que possa existir no sistema. 
Controle de expansão do fluido refrigerante: A seguir está localizado o controlador de expansão do fluido refrigerante. Sua fi-
nalidade é controlar a passagem e promover a expansão (redução da pressão e temperatura) do fluido refrigerante para o evaporador. 
Este dispositivo, em geral, pode ser um tubo capilar usado em pequenos sistemas de refrigeração ou uma válvula de expansão, usual 
em sistemas comerciais e industriais. 
Evaporador: É a parte do sistema de refrigeração no qual o fluido refrigerante, após expandir-se no tubo capilar ou na válvula 
de expansão, evapora-se a baixa pressão e temperatura, absorvendo calor do meio. Em um sistema de refrigeração, a finalidade do 
evaporador é absorver calor do ar, da água ou de qualquer outra substância que se deseje baixar a temperatura. Essa retirada de calor 
ou esfriamento ocorre em virtude de o líquido refrigerante, a baixa pressão, se evaporar, absorvendo calor do conteúdo e do ambiente 
interno do refrigerador. À medida que o líquido vai se evaporando, deslocando-se pelas tubulações, este se converte em vapor, que 
será aspirado pelo compressor através da linha de baixa pressão (sucção). Posteriormente, será comprimido e enviado pelo compres-
sor ao condensador fechando o ciclo. 
Alimentação elétrica dos sistemas de refrigeração por compressão: Pode ser convencional, quando é proveniente de centrais 
hidrelétricas ou térmicas, ou fotovoltaica, quando utiliza a energia solar. A alimentação elétrica convencional dispensa maiores co-
mentários, pois é de uso muito comum e conhecida por todos. 
Atualmente, muitos países em desenvolvimento estão usando o sistema fotovoltaico na rede de frio para conservação de imuno-
biológicos. É, algumas vezes, a única alternativa em áreas onde não existe disponibilidade de energia elétrica convencional confiável. 
A geração de energia elétrica provém de células fotoelétricas ou fotovoltaicas, instaladas em painéis que recebem luz solar direta, 
armazenando-a em baterias próprias através do controlador de carga para a manutenção do funcionamento do sistema, inclusive no 
período sem sol. 
O sistema utilizado em refrigeradores para conservação de imunobiológicos é dimensionado para operação contínua do equipa-
mento (carregado e incluindo as bobinas de gelo reutilizável) durante os períodos de menor insolação no ano. Se outras cargas, como 
iluminação, forem incluídas no sistema, elas devem operar através de um banco de baterias separado, independente do que fornece 
energia ao refrigerador. O projeto do sistema deve permitir uma autonomia de, no mínimo, sete dias de operação contínua. 
Em ambientes com temperaturas médias entre +32ºC e +43ºC, a temperatura interna do refrigerador, devidamente carregado, 
quando estabilizada, não deve exceder a faixa de +2ºC a +8ºC. A carga recomendada de bobinas de gelo reutilizável contendo água a 
temperatura ambiente deve ser aquela que o equipamento é capaz congelar em um período de 24 horas. 
Em virtude de seu alto custo e necessidade de treinamento especializado dos responsáveis pela manutenção, alguns critérios são 
observados para a escolha das localidades para instalação desse tipo de equipamento: 
- remotas e de difícil acesso, isoladas com inexistência de fonte de energia convencional; 
- que por razões logísticas se necessite dispor de um refrigerador para armazenamento; 
- que, segundo o Ministério de Minas e Energia, não serão alcançadas pela rede elétrica convencional em, pelo menos, 5 anos;
Absorção: Funciona alimentado por uma fonte de calor que pode ser uma resistência elétrica, gás ou querosene. Em operação 
com gás ou eletricidade, a temperatura interna é controlada automaticamente por um termostato. Nos equipamentos a gás, o termos-
tato dispõe de um dispositivo de segurança que fecha a passagem deste quando a chama se apaga; com querosene, a temperatura é 
controlada manualmente através do ajuste da chama do querosene. O sistema por absorção não é tão eficiente e difere da configuração 
do sistema por compressão. Seu funcionamento depende de uma mistura de água e amoníaco, em presença de um gás inerte (hidro-
gênio). Requer atenção constante para garantir o desempenho adequado. 
Didatismo e Conhecimento 42
conehcimentos específicos / enfermeiro
Funcionamento do sistema por absorção: A água tem a propriedade de absorver amônia (NH3) com muita facilidade e através 
desta, é possível reduzir e manter baixa a temperatura nos sistemas de absorção. A aplicação de calor ao sistema faz com que a so-
lubilidade da amônia na água, libere o gás da solução. Assim, a amônia purificada, em forma gasosa, se desloca do separador até o 
condensador, que é uma serpentina de tubulações com um dispositivo de aletas situado na parte superior do circuito. Nesse elemento, 
a amônia se condensa e, em forma líquida, desce por gravidade até o evaporador, localizado abaixo do condensador e dentro do 
gabinete. 
O esfriamento interno do equipamento ocorre pela perda de calor para a amônia, que sofre uma mudança de fase da amônia, 
passando do estado líquido para o gasoso. 
A presença do hidrogênio mantém uma pressão elevada e uniforme no sistema. A mistura amônia-hidrogênio varia de densida-
de ao passar de uma parte do sistema para outra, o que resulta em um desequilíbrio que provoca a movimentação da amônia até o 
componente absorvente (água). Ao sair do evaporador, a mistura amônia-hidrogênio passa ao absorvedor, onde somente a amônia é 
retida. Nesse ponto, o calor aplicado permitirá novamente a liberação da amônia até o condensador, fechando o ciclo continuamente. 
Os sistemas de absorção apresentam algumas desvantagens: 
- os equipamentos que utilizam combustível líquido na alimentação apresentam irregularidade da chama e acúmulo de carvão ou 
fuligem, necessitando regulagem sistemática e limpeza periódica dos queimadores; 
- a manutenção do equipamento em operação satisfatória apresenta maior grau de complexidade em relação aos sistemas de 
compressão; 
- a qualidade e o abastecimento constante dos combustíveis dificulta o uso de tal equipamento. 
Controle de temperatura conforme o tipo de sistema, proceder das seguintes maneiras: a) aqueles que funcionam com com-
bustíveis líquidos. O controle é efetuado através da diminuição ou aumento da chama utilizada no aquecimento do sistema, por meio 
de um controle que movimenta o pavio do queimador; b) aqueles que funcionam com combustíveis gasosos. Nestes sistemas, o con-
trole é feito por um elemento termostático que permite aumentar ou diminuir a vazão do gás que alimentará a chama do queimador, 
provocando as alterações de temperatura desejadas; c) aqueles que funcionam com eletricidade. O controle é feito através de um 
termostato para refrigeração simples, que conecta ou desconecta a alimentação da resistência elétrica, do mesmo tipo utilizado nos 
refrigeradores à compressão.
 
Temperatura: controle e monitoramento 
O controle diário de temperatura dos equipamentos da Rede de Frio é imprescindível em todas as instâncias de armazenamento 
para assegurar a qualidade dos imunobiológicos. Para isso, utilizam-se termômetros digitais ou analógicos, de cabo extensor ou não. 
Quando for utilizado o termômetro analógico de momento, máxima e mínima, a leitura deve ser rápida, a fim de evitar variação de 
temperatura no equipamento. O termômetro de cabo extensor é de fácil leitura e não contribui para essa alteração porque o visor 
permanece fora do equipamento. 
Termômetro digital de momento, máxima e mínima: É um equipamento eletrônico de precisão constituído de um visor de cristal 
líquido, com cabo extensor, que mensura as temperaturas (do momento,a máxima e a mínima), através de seu bulbo instalado no 
interior do equipamento, em um período de tempo. Também existe disponível um modelo deste equipamento que permite a leitura das 
temperaturas de momento, máxima, mínima e do ambiente externo, com dispositivo de alarme que é acionado quando a variação de 
temperatura ultrapassa os limites configurados, ou seja, +2º e + 8º C (set point) ou sem alarme. Constituído por dois visores de cristal 
líquido, um para temperatura do equipamento e outro para a temperatura do ambiente
Termômetro analógico de momento, máxima e mínima (Capela): Este termômetro apresenta duas colunas verticais de mercúrio 
com escalas inversas e é utilizado para verificar as variações de temperatura ocorridas em determinado ambiente, num período de 
tempo, fornecendo três tipos de informação: a mais fria; a mais quente e a do momento.
Termômetro linear: Esse tipo de termômetro só nos dá a temperatura do momento, por isso seu uso deve ser restrito às caixas 
térmicas de uso diário. 
Colocá-lo no centro da caixa, próximo às vacinas e tampá-la; aguardar meia hora para fazer a leitura da temperatura, verificando 
a extremidade superior da coluna. 
- Na caixa térmica da sala de vacina ou para o trabalho extramuro, a temperatura deverá ser controlada com freqüência, substi-
tuindo-se as bobinas de gelo reutilizável quando a temperatura atingir +8ºC. 
- O PNI não recomenda a compra deste modelo de termômetro, porém onde 
- O PNI espera cada vez mais que todas as instâncias invistam na aquisição de termômetros mais precisos e de melhor qualidade 
(digital de momento, máxima e mínima). 
Didatismo e Conhecimento 43
conehcimentos específicos / enfermeiro
Termômetro analógico de cabo extensor: Este tipo de termômetro é utilizado para verificar a temperatura do momento, no trans-
porte, no uso diário da sala de vacina ou no trabalho extramuro.
Termômetro a laser: É um equipamento de alta tecnologia, utilizado principalmente para a verificação de temperatura dos imu-
nobiológicos nos volumes (caixas térmicas), recebidos ou expedidos em grandes quantidades. Tem a forma de uma pistola, com um 
gatilho que ao ser pressionado aciona um feixe de raio laser que ao atingir a superfície das bobinas de gelo, registra no visor digital 
do aparelho a temperatura real do momento. Para que seja obtido um registro de temperatura confiável é necessário que sejam obser-
vados os procedimentos descritos pelo fabricante quanto à distância e ao tempo de pressão no gatilho do termômetro 
Situações de Emergência 
Os equipamentos de refrigeração podem deixar de funcionar por vários motivos. Assim, para evitar a perda dos imunobiológicos, 
precisamos adotar algumas providencias. Quando ocorrer interrupção no fornecimento de energia elétrica, manter o equipamento 
fechado e monitorar, rigorosamente, a temperatura interna com termômetro de cabo extensor. Se não houver o restabelecimento da 
energia, no prazo máximo de 2 horas ou quando a temperatura estiver próxima a + 8 C proceder imediatamente a transferência dos 
imunobiológicos para outro equipamento com temperatura recomendada (refrigerador ou caixa térmica). 
O mesmo procedimento deve ser adotado em situação de falha no equipamento. 
O serviço de saúde deverá dispor de bobinas de gelo reutilizável congeladas para serem usadas no acondicionamento dos imu-
nobiológicos em caixas térmicas. 
No quadro de distribuição de energia elétrica da Instituição, é importante identificar a chave especifica do circuito da Rede de 
Frio e/ou sala de vacinação e colocar um aviso em destaque - “Não Desligar”. Estabelecer uma parceria com a empresa local de 
energia elétrica, a fim de ter informação prévia sobre interrupções programadas no fornecimento. Nas situações de emergência é 
necessário que a unidade comunique a ocorrência à instância superior imediata para as devidas providências. 
Observação: Recomenda-se a orientação dos agentes responsáveis pela vigilância e segurança das centrais de rede de frio na 
identificação de problemas que possam comprometer a qualidade dos imunobiológicos, comunicando imediatamente o técnico res-
ponsável, principalmente durante finais de semana e feriados. 
Equipamentos da Rede de Frio 
O PNI utiliza equipamentos que garantem a qualidade dos imunobiológicos: câmara frigorífica, freezers ou congeladores, re-
frigeradores tipo doméstico ou comercial, caminhão frigorífico entre outros. Considerando as atividades executadas no âmbito da 
cadeia de frio de imunobiológicos, algumas delas podem apresentar um potencial de risco à saúde do trabalhador. Neste sentido, 
a legislação trabalhista vigente determina o uso de Equipamentos de Protecão Individual (EPI), conforme estabelece a Portaria do 
Ministério do Trabalho e Emprego n. 3.214, de 08/06/1978 que aprovou, dentre outras normas, a Norma Regulamentadora nº 06 - 
Equipamento de Proteção Individual - EPI. Segundo esta norma, considera-se EPI, “todo dispositivo ou produto, de uso individual 
utilizado pelo trabalhador, destinado á proteção de riscos suscetíveis de ameaçar a segurança e a saúde no trabalho”.
Câmaras Frigoríficas: Também denominadas câmaras frias. São ambientes especialmente construídos para armazenar produtos 
em baixas temperaturas, tanto positivas quanto negativas e em grandes volumes. Para conservação dos imunobiológicos essas câma-
ras funcionam em temperaturas entre +2ºC e +8ºC e -20°C, de acordo com a especificação dos produtos. Na elaboração de projetos 
para construção, ampliação ou reforma, é necessário solicitar assessoria do PNI considerando a complexidade, especificidade e custo 
deste equipamento.
O seu funcionamento de uma maneira geral obedece aos princípios básicos de refrigeração, além de princípios específicos, tais 
como: 
- paredes, piso e teto montados com painéis em poliuretano injetado de alta densidade revestido nas duas faces em aço inox/
alumínio; 
- sistema de ventilação no interior da câmara, para facilitar a distribuição do ar frio pelo evaporador; 
- compressor e condensador dispostos na área externa à câmara, com boa circulação de ar; 
- antecâmara (para câmaras negativas), com temperatura de +4°C, objetivando auxiliar o isolamento do ambiente e prevenir a 
ocorrência de choque térmico aos imunobiológicos; 
- alarmes audiovisual de baixa e alta temperaturas para alertar da ocorrência de oscilação na corrente elétrica ou de defeito no 
equipamento de refrigeração; 
Didatismo e Conhecimento 44
conehcimentos específicos / enfermeiro
- alarme audiovisual indicador de abertura de porta; 
- dois sistemas independentes de refrigeração instalados: um em uso e outro em reserva, para eventual defeito do outro; 
- sistema eletrônico de registro de temperatura (data loggers);
- Lâmpada de cor amarela externamente à câmara, com acionamento interligado à iluminação interna, para alerta da presença de 
pessoal no seu interior e evitar que as luzes internas sejam deixadas acesas desnecessariamente.
Algumas câmaras, devido ao seu nível de complexidade e dimensões utilizam sistema de automação para controle de tempera-
tura, umidade e funcionamento. 
Organização Interna: As câmaras são dotadas de prateleiras vazadas, preferencialmente metálicas, em aço inox, nas quais os 
imunobiológicos são acondicionados de forma a permitir a circulação de ar entre as mesma e organizados de acordo com a especifi-
cação do produto laboratório produtor, número do lote, prazo de validade e apresentação. 
As prateleiras metálicas podem ser substituídas por estrados de plástico resistente (paletes), em função do volume a ser armaze-
nado. Os lotes com menor prazo de validade devem ter prioridade na distribuição, Cuidados básicos para evitar perda de imunobio-
lógicos:
- na ausência de controle automatizado de temperatura, recomenda-se fazer a leitura diariamente, no início da jornada de traba-
lho, no início da tarde e no final do dia,com equipamento disponível e anotar em formulário próprio; 
- testar os alarmes antes de sair, ao final da jornada de trabalho; 
- usar equipamento de proteção individual; 
- não deixar a porta aberta por mais de um minuto ao colocar ou retirar imunobiológico e somente abrir a câmara depois de fe-
chada a antecâmara; 
- somente entrar na câmara positiva se a temperatura interna registrada no visor externo estiver ≤+5ºC. Essa conduta impede que 
a temperatura interna da câmara ultrapasse +8ºC com a entrada de ar quente durante a abertura da porta; 
- verificar, uma vez ao mês, se a vedação da porta da câmara está em boas condições, isto é, se a borracha (gaxeta) não apresenta 
ressecamento, não tem qualquer reentrância, abaulamento em suas bordas e se a trava de segurança está em perfeito funcionamento. 
O formulário para registro da revisão mensal encontra-se em manual específico de manutenção de equipamentos; 
- observar para que a luz interna da câmara não permaneça acesa quando não houver pessoas trabalhando em seu interior. A luz 
é grande fonte de calor; 
- ao final do dia de trabalho, certificar-se de que a luz interna foi apagada; de que todas as pessoas saíram e de que a porta da 
câmara foi fechada corretamente; 
- a limpeza interna das câmaras e prateleiras é feita sempre com pano úmido, e se necessário, utilizar sabão. Adotar o mesmo 
procedimento nas paredes e teto e finalmente secá-los. Remover as estruturas desmontáveis do piso para fora da câmara, lavar com 
água e sabão, enxaguar, secar e recolocar. Limpar o piso com pano úmido (pano exclusivo) e sabão, se necessário e secar. Limpar 
as luminárias com pano seco e usando luvas de borracha para prevenção de choques elétricos. Recomenda-se a limpeza antes da 
reposição de estoque. 
- recomenda-se, a cada 6 (seis) meses, proceder a desinfecção geral das paredes e teto das câmaras frias; 
- semanalmente a Coordenação Estadual receberá do responsável pela Rede de Frio o gráfico de temperatura das câmaras e dará 
o visto, após análise dos mesmos. 
A manutenção preventiva e corretiva é indispensável para a garantia do bom funcionamento da câmara. Manter o contrato atu-
alizado e renovar com antecedência prevenindo períodos sem cobertura. As orientações técnicas e formulários estão descritos no 
manual específico de manutenção de equipamentos. 
Freezers ou Congeladores: São equipamentos destinados, preferencialmente, a estocagem de imunobiológicos em temperaturas 
negativas (aproximadamente a -20ºC), mais eficientes e confiáveis, principalmente aquele dotado de tampas na parte superior. Estes 
equipamentos devem ser do tipo horizontal, com isolamento de suas paredes em poliuretano, evaporadores nas paredes (contato in-
terno) e condensador/compressor em áreas projetadas no corpo, abaixo do gabinete. São também utilizados para congelar as bobinas 
de gelo reutilizável e nesse caso, a sua capacidade de armazenamento é de até 80%. 
Não utilizar o mesmo equipamento para o armazenamento concomitante de imunobiológicos e bobinas de gelo reutilizável. Ins-
talar em local bem arejado, sem incidência da luz solar direta e distante, no mínimo, 40cm de outros equipamentos e 20cm de paredes, 
uma vez que o condensador necessita dissipar calor para o ambiente. Colocar o equipamento sobre suporte com rodinhas para evitar 
a oxidação das chapas da caixa em contato direto com o piso úmido e facilitar sua limpeza e movimentação.
Didatismo e Conhecimento 45
conehcimentos específicos / enfermeiro
Calendários de Vacinação
O Calendário de vacinação brasileiro é aquele definido pelo Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde (PNI/
MS) e corresponde ao conjunto de vacinas consideradas de interesse prioritário à saúde pública do país. Atualmente é constituído por 
12 produtos recomendados à população, desde o nascimento até a terceira idade e distribuídos gratuitamente nos postos de vacinação 
da rede pública.
Lembramos que estes calendários de vacina são do Ministério da Saúde e corresponde a todo o Território Nacional. Mas deter-
minados Estados do Brasil, acrescentam outras vacinas e outras doses, devido a necessidade local.
Calendário Básico de Vacinação da Criança
Campanhas Nacionais para a Criança
Nas campanhas a VOP (Sabin) continuará a ser utilizada (idade menor que cinco anos) e a vacina contra gripe estará disponível 
para crianças de seis meses a menos de dois anos. 
 
Observações
- A BCG-ID (intradérmica) deve ser administrada ao nascimento ou o mais precocemente possível. Nos prematuros com menos 
de 36 semanas, administrar a vacina após 1 mês de vida e 2 kg de peso. 
Didatismo e Conhecimento 46
conehcimentos específicos / enfermeiro
Administrar uma dose em crianças menores de cinco anos de idade sem cicatriz vacinal. Contactantes intradomiciliares de 
portadores de hanseníase, menores de 1 ano de idade, comprovadamente vacinados (presença de cicatriz), não necessitam de dose 
adicional. Administrar 1 dose em contactantes menores de 1 ano de idade sem cicatriz vacinal (ou se não existir certeza da presença 
da cicatriz). Administrar 1 dose em contactantes com mais de 1 ano de idade, com ou sem sem cicatriz vacinal. O intervalo mínimo 
entre as doses da vacina é de seis meses. Não administrar dose adicional em contactantes que tenham comprovadamente (presença de 
cicatrizes) recebido duas doses. A vacina é contraindicada em gestantes, portadores de HIV, neoplasias malígnas e imunodeficiências 
congênitas ou adquiridas. 
- O esquema básico de vacinação contra a hepatite B é feito com 3 doses. A primeira dose será feita com a vacina isolada e deve 
ser administrada nas primeiras 12 horas de vida do recém nascido. A segunda e a terceira doses serão feitas com a vacina pentavalente 
(DPT + Hib + HB) e devem ser aplicadas, respectivamente, 30 e 180 dias após a primeira. Em prematuros ou em recém-nascidos à 
termo de baixo peso (menor de 2 Kg), utilizar esquema de quatro doses (0, 1, 2 e 6 meses de vida). Nos recém-nascidos de mães por-
tadoras da hepatite B administrar a vacina e a imunoglobulina humana contra hepatite B (HBIG - disponível nos CRIE) nas primeiras 
12 horas ou no máximo até sete dias após o nascimento, em locais anatômicos diferentes. A amamentação não traz riscos adicionais 
ao recém-nascido que tenha recebido a primeira dose da vacina e a HBIG. 
- A vacina pentavalente (DTP+Hib+HB) protege contra Difteria, Tétano, Pertussis (coqueluche), infecções graves pelo Haemo-
philus influenzae tipo b (inclusive meningite) e hepatite B. Os reforços, o primeiro aos 15 meses e o segundo entre 4 e 6 anos (idade 
máxima), são feitos com a DTP. 
- A vacina inativada contra a poliomielite (Salk) é injetável e será utilizada para as duas primeiras doses, quando os riscos de 
eventos adversos da Sabin (vírus atenuado) é maior. As doses subsequentes serão feitas com a vacina oral (Sabin), que também conti-
nuará a ser utilizada em campanhas. Tanto para a inativada (Salk), quanto para a atenuada (Sabin), o intervalo entre as doses é de no 
mínimo 30 dias. Considerar o intervalo mínimo de 6 meses após a última dose para o reforço que é feito aos 15 meses. 
- A primeira dose da VORH deve ser administrada entre 1 mês e 15 dias e 3 meses e 7 dias de vida e a segunda entre 3 meses e 
7 dias e 5 meses e 15 dias. Os limites de faixa etária devem ser estritamente observados. O intervalo mínimo recomendado entre a 
primeira e a segunda dose é de 30 dias. Não repetir a dose se a criança regurgitar, cuspir ou vomitar após a vacinação. 
- O intervalo mínimo entre as doses da vacina antipneumocócica (conjugada) é de 30 dias. O esquema de vacinação para crianças 
de 7-11 meses de idade é feito com duas doses. 
- O intervalo mínimo entre as doses da vacina antimeningocócica C (conjugada) é de 30 dias. Crianças a partir dos 9 meses de 
idade, que residam ou que irão viajar para áreas de risco de febre amarela,no Brasil e no exterior. Para não vacinados, em caso de 
viagem para áreas de risco, inclusive no exterior, a vacina deve ser feita 10 dias antes da partida. Os reforços devem ser administrados 
a cada dez anos. 
- A vacina contra sarampo, caxumba e rubéola deve ser administrada em duas doses. A primeira dose aos 12 meses de idade e a 
segunda aos 4 (quatro) anos de idade. 
Em situação de circulação viral, antecipar a administração da vacina para os 6 (seis) meses de idade, porém deverá ser mantido o 
esquema vacinal de duas doses e a idade preconizada no calendário. Considerar o intervalo mínimo de 30 dias entre as doses
Calendário de Vacinação do Adolescente
Nota: Mantida a nomenclatura do Programa Nacional de Imunização e inserida a nomenclatura segundo a Resolução de Diretoria 
Colegiada – RDC nº 61 de 25 de agosto de 2008 – Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA
Didatismo e Conhecimento 47
conehcimentos específicos / enfermeiro
 Orientações importantes para a vacinação do adolescente
(1) vacina hepatite B (recombinante): Administrar em adolescentes não vacinados ou sem comprovante de vacinação ante-
rior, seguindo o esquema de três doses (0, 1 e 6) com intervalo de um mês entre a primeira e a segunda dose e de seis meses entre a 
primeira e a terceira dose. 
Aqueles com esquema incompleto, completar o esquema. A vacina é indicada para gestantes não vacinadas e que apresentem 
sorologia negativa para o vírus da hepatite B a após o primeiro trimestre de gestação.
(2) vacina adsorvida difteria e tétano - dT (Dupla tipo adulto): Adolescente sem vacinação anteriormente ou sem compro-
vação de três doses da vacina, seguir o esquema de três doses. O intervalo entre as doses é de 60 dias e no mínimo de 30 (trinta) 
dias. Os vacinados anteriormente com 3 (três) doses das vacinas DTP, DT ou dT, administrar reforço, a cada dez anos após a data 
da última dose. Em caso de gravidez e ferimentos graves antecipar a dose de reforço sendo a última dose administrada há mais de 
5 (cinco) anos. A mesma deve ser administrada pelo menos 20 dias antes da data provável do parto. Diante de um caso suspeito de 
difteria, avaliar a situação vacinal dos comunicantes. Para os não vacinados, iniciar esquema de três doses. Nos comunicantes com 
esquema de vacinação incompleto, este dever completado. Nos comunicantes vacinados que receberam a última dose há mais de 5 
(cinco) anos, deve-se antecipar o reforço.
(3) vacina febre amarela (atenuada): Indicada 1 (uma) dose aos residentes ou viajantes para as seguintes áreas com recomen-
dação da vacina: estados do Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso 
do Sul, Goiás, Distrito Federal e Minas Gerais e alguns municípios dos estados do Piauí, Bahia, São Paulo, Paraná, Santa Catarina 
e Rio Grande do Sul. Para informações sobre os municípios destes estados, buscar as Unidades de Saúde dos mesmos. No momento 
da vacinação considerar a situação epidemiológica da doença. Para os viajantes que se deslocarem para os países em situação epi-
demiológica de risco, buscar informações sobre administração da vacina nas embaixadas dos respectivos países a que se destinam 
ou na Secretaria de Vigilância em Saúde do Estado. Administrar a vacina 10 (dez) dias antes da data da viagem. Administrar dose 
de reforço, a cada dez anos após a data da última dose. Precaução: A vacina é contra indicada para gestante e mulheres que estejam 
amamentando. Nestes casos buscar orientação médica do risco epidemiológico e da indicação da vacina.
(4) vacina sarampo, caxumba e rubéola – SCR: considerar vacinado o adolescente que comprovar o esquema de duas doses. 
Em caso de apresentar comprovação de apenas uma dose, administrar a segunda dose. O intervalo entre as doses é de 30 dias.
Calendário de Vacinação do Adulto e do Idoso
Nota: Mantida a nomenclatura do Programa Nacional de Imunização e inserida a nomenclatura segundo a Resolução de Diretoria 
Colegiada – RDC nº 61 de 25 de agosto de 2008 – Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA
Didatismo e Conhecimento 48
conehcimentos específicos / enfermeiro
Orientações importantes para a vacinação do adulto e idoso
(1) vacina hepatite B (recombinante): oferecer aos grupos vulneráveis não vacinados ou sem comprovação de vacinação 
anterior, a saber: Gestantes, após o primeiro trimestre de gestação; trabalhadores da saúde; bombeiros, policiais militares, civis e 
rodoviários; caminhoneiros, carcereiros de delegacia e de penitenciarias; coletores de lixo hospitalar e domiciliar; agentes funerá-
rios, comunicantes sexuais de pessoas portadoras de VHB; doadores de sangue; homens e mulheres que mantêm relações sexuais 
com pessoas do mesmo sexo (HSH e MSM); lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, (LGBT); pessoas reclusas (presídios, 
hospitais psiquiátricos, instituições de menores, forças armadas, dentre outras); manicures, pedicures e podólogos; populações de 
assentamentos e acampamentos; potenciais receptores de múltiplas transfusões de sangue ou politransfundido; profissionais do sexo/
prostitutas; usuários de drogas injetáveis, inaláveis e pipadas; portadores de DST. A vacina esta disponível nos Centros de Referência 
para Imunobiológicos Especiais (CRIE) para as pessoas imunodeprimidas e portadores de deficiência imunogênica ou adquirida, 
conforme indicação médica.
(2) vacina adsorvida difteria e tétano - dT (Dupla tipo adulto): Adultos e idosos não vacinados ou sem comprovação de três 
doses da vacina, seguir o esquema de três doses. O intervalo entre as doses é de 60 (sessenta) dias e no mínimo de 30 (trinta) dias. 
Os vacinados anteriormente com 3 (três) doses das vacinas DTP, DT ou dT, administrar reforço, dez anos após a data da última dose. 
Em caso de gravidez e ferimentos graves antecipar a dose de reforço sendo a última dose administrada a mais de cinco (5) anos. A 
mesma deve ser administrada no mínimo 20 dias antes da data provável do parto. Diante de um acaso suspeito de difteria, avaliar a 
situação vacinal dos comunicantes. Para os não vacinados, iniciar esquema com três doses. Nos comunicantes com esquema incom-
pleto de vacinação, este deve ser completado. Nos comunicantes vacinados que receberam a última dose há mais de 5 anos, deve-se 
antecipar o reforço.
(3) vacina febre amarela (atenuada): Indicada aos residentes ou viajantes para as seguintes áreas com recomendação da vaci-
na: estados do Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, 
Distrito Federal e Minas Gerais e alguns municípios dos estados do Piauí, Bahia, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande 
do Sul. Para informações sobre os municípios destes estados, buscar as Unidades de Saúde dos mesmos. No momento da vacinação 
considerar a situação epidemiológica da doença. Para os viajantes que se deslocarem para os países em situação epidemiológica de 
risco, buscar informações sobre administração da vacina nas embaixadas dos respectivos países a que se destinam ou na Secretaria 
de Vigilância em Saúde do Estado. Administrar a vacina 10 (dez) dias antes da data da viagem. Administrar dose de reforço, a cada 
dez anos após a data da última dose. Precaução: A vacina é contra indicada para gestantes e mulheres que estejam amamentando, 
nos casos de risco de contrair o vírus buscar orientação médica. A aplicação da vacina para pessoas a partir de 60 anos depende da 
avaliação do risco da doença e benefício da vacina.
(4) vacina sarampo, caxumba e rubéola – SCR: Administrar 1 (uma) dose em mulheres de 20 (vinte) a 49 (quarenta e nove) 
anos de idade e em homens de 20 (vinte) a 39 (trinta e nove) anos de idade que não apresentarem comprovação vacinal.
(5) vacina influenza sazonal (fracionada, inativada): Oferecida anualmente durante a Campanha Nacional de Vacinação do 
Idoso.
(6) vacina pneumocócica23-valente (polissacarídica): Administrar 1 (uma) dose durante a Campanha Nacional de Vacinação 
do Idoso, nos indivíduos de 60 anos e mais que vivem em instituições fechadas como: casas geriátricas, hospitais, asilos, casas de 
repouso, com apenas 1 (um) reforço 5 (cinco) anos após a dose inicial.
Didatismo e Conhecimento 49
conehcimentos específicos / enfermeiro
Esquema preconizado para indígenas de zero a 6 anos
Idade Vacinas Doses Doenças Evitadas
Ao 
Nascer
BCG-ID (1)- vacina BCG Dose Única Formas graves de tuberculose
Hepatite B (2) – vacina hepatite B 
(recombinante)
1ª Dose Hepatite B
2 Meses
Pentavalente (3) – vacina adsorvida 
difteria, tétano, pertussis, hepatite B 
(recombinante) e Haemophilus influenzae 
b (conjugada)
1ª Dose
Difteria, tétano, coqueluche, 
hepatite B; além de meningite e 
outras infecções causadas pelo 
Haemophilus influenzae tipo b
VOP (vacina oral contra pólio) (4) vacina 
poliomielite 1,2 e 3 (atenuada) 1ª Dose Poliomielite (paralisia infantil)
Pneumocócica 10-valente (5)* - vacina 
pneumocócica 10-valente (conjugada) 1ª Dose
Pneumonia, otite, meningite e 
outras doenças causadas pelo 
pneumococo
VORH (6) – vacina contra rotavírus 
humano G1P1 [8] (atenuada) 1ª Dose Diarréia por rotavírus
3 Meses
Meningocócica C (7)* - vacina 
meningocócica C (conjugada) 1ª Dose
Doença invasiva causada por 
Neisseria meningitidis do 
sorogrupo C
4 Meses
Pentavalente – vacina adsorvida
difteria, tétano, pertussis, hepatite B 
(recombinante) e Haemophilus influenzae 
b (conjugada)
2ª Dose
Difteria, tétano, coqueluche, 
hepatite B; além de meningite e 
outras infecções causadas pelo 
Haemophilus influenzae tipo b
VOP – vacina poliomielite 1, 2 e 3 
(atenuada) 2ª Dose Poliomielite (paralisia infantil)
Pneumocócica 10-valente – vacina 
pneumocócica 10-valente (conjugada) 2ª Dose
Pneumonia, otite, meningite e 
outras doenças causadas pelo 
pneumococo
VORH – vacina contra rotavírus humano 
G1P1 [8] (atenuada) 2ª Dose Diarréia por rotavírus
5 Meses
Meningocócica C – vacina 
meningocócica C (conjugada) 2ª Dose
Doença invasiva causada por 
Neisseria meningitidis do 
sorogrupo C
6 Meses
Pentavalente – vacina adsorvida 
difteria,tétano, pertussis, hepatite B 
(recombinante) e Haemophilus influenzae 
b (conjugada)
3ª Dose
Difteria, tétano, coqueluche, 
hepatite B; além de meningite e 
outras infecções causadas pelo 
Haemophilus influenzae tipo b
Pneumocócica 10-valente –vacina 
pneumocócica 10-valente (conjugada) 3ª Dose
Pneumonia, otite, meningite e 
outras doenças causadas pelo 
pneumococo 
Influenza Sazonal (8) – vacina influenza 
(fracionada, inativada) Duas Dose Influenza sazonal ou gripe
VOP – vacina poliomielite 1, 2 e 3 
(atenuada) 3ª Dose Poliomielite (paralisia infantil)
9 Meses
Febre Amarela (9) – vacina febre amarela 
(atenuada) Dose Inicial Febre amarela
Didatismo e Conhecimento 50
conehcimentos específicos / enfermeiro
12 Meses
SCR (tríplice viral) (10) – vacina 
sarampo, caxumba e rubéola- SCR 1ª Dose
Sarampo, caxumba e rubéola
Varicela (11) – vacina varicela 
(atenuada) Dose Única Varicela (catapora)
Meningocócica C – vacina 
meningocócica C (conjugada)
Reforço
Doença invasiva causada por 
Neisseria meningitidis do 
sorogrupo C
15 Meses
VOP – vacina poliomielite 1,2 e 3
(atenuada) Reforço Poliomielite (paralisia infantil)
DTP (tríplice bacteriana) – vacina 
adsorvida difteria, tétano e pertussis-
DTP 1º Reforço
Difteria, tétano e coqueluche
Pneumocócica 10-valente – vacina 
pneumocócica 10-valente (conjugada) Reforço
Pneumonia, otite, meningite 
e outras doenças pelo 
pneumococo
2 Anos
Pneumocócica 23-valente (12) – 
vacina pneumocócica 23-valente 
(polissacarídica) Dose Única
Pneumonia e outras infecções 
causadas pelo pneumococo
4-6 Anos
DTP – vacina adsorvida difteria, tétano e 
pertussis-DTP 2º Reforço Difteria, tétano e coqueluche
SCR – vacina sarampo, caxumba e 
rubéola – SCR
2ª Dose Sarampo, caxumba e rubéola
Nova nomenclatura das vacinas em itálico, segundo Resolução de Diretoria Colegiada - RDC Nº 61 de 25 de agosto de 2008 - 
Agencia Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA
*Ano de introdução 2010.
(1) BCG: deve ser administrada o mais precocemente possível, preferencialmente logo após o nascimento. Nos prematuros 
com menos de 36 semanas, administrar a vacina após a criança atingir 2 Kg e ao completar 1 mês de vida. Administrar uma dose 
em crianças menores de cinco anos de idade (4 anos 11 meses e 29 dias) sem cicatriz vacinal. Contatos íntimos de portadores de 
hanseníase, contatos menores de 1 ano de idade, comprovadamente vacinados, não necessitam da administração de outra dose de 
BCG. Contatos a partir de 1 ano de idade: sem cicatriz, administrar uma dose; os comprovadamente vacinados com a primeira dose, 
administrar outra dose de BCG, mantendo o intervalo mínimo de 6 meses entre a cicatriz e a dose; e os vacinados com duas doses não 
administrar nenhuma dose adicional. Na incerteza da existência de cicatriz vacinal nos contatos íntimos de portadores de hanseníase, 
aplicar uma dose, independentemente da idade. Portadores de HIV - em crianças HIV positivo deve ser administrada ao nascimento 
ou mais precocemente possível; a vacina está contraindicada na existência de sinais ou sintomas de imunodeficiência; não se indica 
a revacinação de rotina. Para adulto HIV positivo a vacina está contraindicada em qualquer situação.
(2) vacina Hepatite B (recombinante): deve ser aplicada preferencialmente nas primeiras 12 horas, ou no primeiro contato com 
o serviço de saúde. Esta primeira dose deve ser feita com a vacina monovalente. Nas doses subsequentes, deverá ser utilizada a va-
cina Pentavalente, até 6 anos, 11 meses e 29 dias. Nos prematuros, menores de 36 semanas de gestação ou de baixo peso (< 2Kg) ao 
nascer, seguir esquema de quatro doses: 0, 1, 2 e 6 meses de vida. Na prevenção da transmissão vertical em recém-nascido (RN) de 
mães portadoras de hepatite B administrar a vacina e a imunoglobulina humana anti-hepatite B (HBIG) nas primeiras 12 horas ou no 
máximo até 7 dias após o nascimento. A vacina e a HBIG devem ser administradas em locais anatômicos diferentes. A amamentação 
não traz riscos adicionais aos RN que tenham recebido a primeira dose da vacina e a imunoblobulina.
Didatismo e Conhecimento 51
conehcimentos específicos / enfermeiro
(3) vacina adsorvida difteria, tétano, pertussis, hepatite B (recombinante) e Haemophilus influenzae b (conjugada): o esquema de 
vacinação primária é feito aos 2, 4 e 6 meses de idade. O intervalo entre as doses é de 60 dias, podendo ser de 30 dias, se necessário. 
São realizados dois reforços com vacina adsorvida difteria, tétano e pertussis (DTP). O primeiro reforço é dado a partir de 12 meses 
de idade (6 a 12 meses após a terceira dose da pentavalente) e o segundo reforço entre 4 e 6 anos. A idade máxima para aplicação 
desta vacina é de 6 anos 11meses e 29 dias. 
(4) vacina poliomielite 1, 2 e 3 (atenuada): O intervalo entre as doses é de 60 dias sendo o mínimo de 30 dias. O reforço pode ser 
feito a partir de 12 meses de idade (6 a 12 meses após a terceira dose). Manter o intervalo mínimo de 6 meses a partir da última dose.
(5) vacina pneumocócica 10-valente (conjugada): Crianças de 6 semanas a 6 meses de vida, administrar 3 doses, aos 2, 4 e 6 
meses de idade. O intervalo entre as doses é de 60 dias, sendo o mínimo de 30 dias. Recomenda-se o reforço, preferencialmente, aos 
12 meses de idade, podendo administrar até 15 meses. Crianças de 7-11 meses de idade: o esquema de vacinação consiste em duas 
doses com intervalo de pelo menos 1 mês entre as doses. 
O reforço é recomendado preferencialmente entre 12 e 15 meses, com intervalo de pelo menos 2 meses. Crianças de 12-23 meses 
de idade: uma dose, com intervalo de pelomenos 2 meses entre as doses, sem a necessidade de reforço. 
(6) vacina rotavírus humano G1P1 [8] (atenuada): observar rigorosamente os seguintes limites de faixa etária: primeira dose: 1 
mês e 15 dias a 3 meses e 7 dias; segunda dose: 3 meses e 7 dias a 5 meses e 15 dias.
- O intervalo mínimo preconizado entre a primeira e a segunda dose é de 4 semanas.
- Nenhuma criança poderá receber a segunda dose sem ter recebido a primeira.
- Se a criança regurgitar, cuspir ou vomitar após a vacinação não repetir a dose.
(7) vacina meningocócica C (conjugada): administrar a partir dos 2 meses de vida. O reforço é recomendado entre 12 e 15 meses, 
preferencialmente aos 12 meses. Crianças a partir de 12 meses administrar dose única.
(8) vacina influenza (fracionada e inativada): está recomendada para toda a população a partir dos seis meses de idade. A primo-
vacinação de crianças com idade inferior a 9 anos (8 anos 11 meses e 29 dias) deve ser feita com duas doses com intervalo mínimo de 
1 mês entre as doses, mantendo a dose de início de esquema, mesmo que mude a faixa etária: crianças com idade entre 6 e 35 meses 
(2a 11m e 29d) a dose é de 0,25ml; e crianças com idade entre 3 a 8a 11m e 29d a dose é de 0,5 ml. A partir dos 9 anos de idade deverá 
ser administrada apenas uma dose (0,5 ml) anualmente.
(9) vacina febre amarela (atenuada): está recomendada para toda a população, a partir dos 9 meses de idade. Em caso de surtos, 
antecipar a administração da dose para 6 meses. 
(10) vacina sarampo, caxumba e rubéola: está recomendada a partir dos 12 meses de idade. Todas as crianças devem receber ou 
ter recebido duas doses de SCR, com intervalo mínimo de 1 mês. Não é necessário aplicar mais de duas doses. 
(11) vacina varicela (atenuada): está recomendada uma dose a partir dos 12 meses de idade.
(12) vacina pneumocócica 23-valente (polissacarídica): está recomendada uma dose a partir dos 24 meses de idade para aquelas 
crianças sem histórico vacinal de pneumocócica 10-valente (conjugada).
Didatismo e Conhecimento 52
conehcimentos específicos / enfermeiro
Calendário de Vacinação da Mulher
Recomendações da Associação Brasileira de Imunizações (SBIm) – 2011
Vacinas Esquemas Não-Gestante Gestante Puérpera
HPV (3)
A vacina HPV deve ser indicada para a 
prevenção de infecções por papilomavírus. 
Duas vacinas estão disponíveis no Brasil: 
uma contendo os tipos 6, 11, 16, 18 de HPV 
com esquemas de intervalos de 0-2-6 meses, 
indicada para meninas e mulheres de nove 
a 26 anos de idade; outra, contendo os tipos 
16 e 18 de HPV com esquemas de intervalos 
de 0-1-6 meses, indicada para meninas e 
mulheres de dez a 25 anos de idade.
Sim Contraindicada Sim
Tríplice viral (sarampo, 
caxumba e rubéola) (1)
Uma ou duas doses (com intervalo mínimo 
de 30 dias) para mulheres com até 49 anos 
de idade, de acordo com histórico vacinal, 
de forma que todas recebam no mínimo duas 
doses na vida. Dose única para mulheres com 
mais de 49 anos de idade.
Sim Contraindicada Sim
Hepatites A, B ou A e 
B (2)
Hepatite A: duas doses, no esquema 0-6 meses. Sim
A ser considerada
em situações de 
risco especiais Sim
Hepatite B: três doses, no esquema 0-1-6 
meses. Sim Recomendada Sim
Hepatite A e B: três doses, no esquema 0-1-
6 meses. A vacinação combinada contra as 
hepatites A e B é uma opção e pode substituir 
a vacinação isolada contras as hepatites A e B. Sim
A ser considerada
em situações de 
risco especiais Sim
Vacinas contra difteria,
tétano e coqueluche (4)
Com esquema de vacinação básica completo: 
reforço com dTpa (tríplice bacteriana acelular 
do tipo adulto) ou dT (dupla do tipo adulto).
Sim
dT ou dTpa
Sim
Com esquema de vacinação básica incompleto 
(que tenha recebido menos de três doses do 
componente tetânico
durante a vida): uma dose de dTpa, seguida 
por uma ou duas doses de dT para completar o 
esquema 0-2-6 meses.
Sim Sim
Durante a gestação(4): para a gestante, mesmo 
que esteja com o esquema de vacinação contra 
o tétano em dia, mas que tenha recebido a 
última dose há mais de cinco anos: uma dose 
de dT (dupla bacteriana do tipo adulto).
Sim Sim
Didatismo e Conhecimento 53
conehcimentos específicos / enfermeiro
Varicela (catapora) (1)
Duas doses com intervalo de dois meses entre 
elas. Sim Contraindicada Sim
Influenza (gripe) (5) Dose única anual. Sim Recomendada Sim
Febre amarela (1, 6)
Uma dose (que deverá ser repetida de dez em 
dez anos), para quem vive ou vai se deslocar 
para áreas endêmicas. Sim
Em geral 
contraindicada.
Deve ser 
considerada em
situações em que 
o risco da doença 
supere o risco da 
vacina
Sim, contra-
indicada na 
lactação6
Meningocócica 
conjugada (7)
Uma dose, mesmo para aquelas vacinadas na 
infância ou há mais de cinco anos. Sim
A ser considerada
em situações de 
risco especiais Sim
Sempre que possível, evitar a aplicação de vacinas no primeiro trimestre de gravidez. Vacinas de vírus vivos (tríplice viral, vari-
cela e febre amarela), se possível e de preferência, devem ser aplicadas pelo menos um mês antes do início da gravidez.
Comentários
- Vacina de vírus atenuados de risco teórico para o feto, portanto, contraindicada em gestantes. 
- A vacina contra hepatite A é vacina inativada, portanto, sem evidências de riscos teóricos para a gestante e o feto. Deve ser 
preferencialmente aplicada fora do período da gestação, mas em situações de risco a exposição ao vírus não está contraindicada em 
gestantes.
- A vacinação de mulheres com mais de 26 anos é considerada segura e efi caz por órgãos regulatórios de alguns países do mundo. 
A melhor época para vacinar é a adolescência, mas, a critério médico, mulheres com mais de 25 ou 26 anos, mesmo que previamente 
infectadas, podem ser vacinadas.
- A vacina dTpa (tríplice bacteriana acelular do tipo adulto) é vacina inativada, portanto, sem evidências de riscos teóricos para 
a gestante e o feto e não contraindicada nessa fase. O uso de dTpa em gestantes é recomendado após a 20ª semana de gestação. No 
entanto, devemos ressaltar que não há dados que descartem a possibilidade de interferência na resposta imune à vacina tríplice bac-
teriana aplicada na criança. Recomenda-se:
Histórico Vacinal Conduta na Gravidez Conduta após a Gravidez
Previamente vacinada, com pelo menos três 
doses de vacina contendo o toxoide tendo 
recebido a última dose há menos de cinco 
anos.
Nada ou dTpa.
Fazer dTpa no puerpério se optou
por não vacinar durante a gestação.
Previamente vacinadas, com pelo menos três 
doses de vacina contendo o toxoide tendo 
recebido a última dose há mais de cinco anos. Uma dose de dT ou dTpa.
Fazer dTpa no puerpéro, se optou
por vacinar com dT durante a gestação.
Em gestantes que receberam vacinação 
incompleta contra tétano, tendo recebido 
apenas uma dose na vida.
Aplicar uma dose de dT e uma
dose de dTpa ou dT com 
intervalo de 2 meses.
Fazer dTpa no puerpéro, se optou por não 
vacinar com dTpa durante a gestação.
Em gestantes que receberam vacinação 
incompleta contra tétano, tendo recebido 
apenas duas doses na vida. Uma dose de dT ou dTpa.
Fazer dTpa no puerpéro, se optou por não 
vacinar com dTpa durante a gestação.
Em gestantes com vacinação desconhecida
Aplicar uma dose de dT e 
uma dose de dTpa ou dT com 
intervalo de 2 meses.
Fazer dTpa no puerpéro, se optou por não 
vacinar com dTpa durante a gestação.
Didatismo e Conhecimento 54
conehcimentos específicos / enfermeiro
- A gestante inclui-se no grupo de risco para as complicações da infecção pelo vírus da in. uenza. A vacina de in. uenza está in-
dicada nos meses da sazonalidade do vírus, mesmo no primeiro trimestre de gestação.
- A vacina contra a febre amarela, apesar de vacina de vírus atenuado de risco teórico para o feto (e por isso contraindicada para 
gestantes), nos locaisem que a doença seja altamente endêmica e os riscos de adquirir febre amarela superem os riscos de eventos 
adversos graves pela vacina antiamarílica, esta deve ser aplicada mesmo durante a gravidez. Essa vacina está contraindicada durante 
a lactação até que o bebê complete seis meses de idade.
- As vacinas meningocócicas conjugadas são inativadas, portanto sem evidências de riscos teóricos para a gestante e o feto. No 
entanto, na gestação está indicada apenas nas situações de surtos da doença. A vacina meningocócica conjugada quadrivalente (tipos 
A.C,W135 e Y) deve ser considerada opção para a imunização das adolescentes e mulheres adultas.
NOTA TÉCNICA Nº 05/2010/CGPNI/DEVEP/SVS/MS
Assunto: Recomendação da Vacina Febre Amarela VFA (atenuada) em mulheres que estão amamentando
A Coordenação Geral do Programa Nacional de Imunizações – CGPNI e o Comitê Técnico
Assessor em Imunização – CTAI, em virtude da possível transmissão do vírus vacinal pelo leite materno registrada no Rio Gran-
de do Sul, fazem as seguintes considerações e recomendações:
1. A Vacina Febre Amarela - VFA (atenuada) é uma das mais antigas utilizadas no mundo. A vacinação é seguida de viremia com 
início em torno de 3 a 6 dias e duração de 1 a 5 dias na maioria dos indivíduos vacinados após a primeira dose da vacina.
2. A vacina é bem tolerada, mas podem ocorrer eventos adversos associados à sua aplicação. Entre 2 e 7 dias após a vacinação 
cerca de 2% a 5% das pessoas podem apresentar sintomatologia leve, como mialgia, mal-estar, dor de cabeça e febre, com duração 
de 1 a 3 dias.
3. Apesar de serem raros, eventos adversos graves (EAG) e até mesmo fatais, têm sido observados e a sua causa ainda não está 
esclarecida. Entretanto, admite-se que fatores de predisposição individual, embora desconhecidos, estejam relacionados, pois não se 
encontraram mutações no vírus vacinal ou problemas ligados à qualidade das vacinas. 
4. Com o aumento do uso da vacina na re-emergência do vírus da febre amarela em 2007, o Sistema de Informações de Vigilância 
de Eventos Adversos Pós-vacinais (SI-EAPV), registrou um aumento de EAG associados à VFA. Diante deste fato, a Secretaria de 
Vigilância em Saúde (SVS) reuniu o grupo assessor para eventos adversos pós-vacinais (EAPV) para analisar os casos registrados. 
Essa análise resultou no estudo e classificação de 112 casos compatíveis com as seguintes síndromes clínicas: 94 com doença vis-
cerotrópica aguda (DVA) e 18 como doença neurotrópica aguda (DNA) e doença neurológica auto-imune (DAA). Dentre os casos 
neurológicos confirmados, dois foram classificados como provável transmissão do vírus vacinal pelo aleitamento materno em recém 
nascidos de amamentação exclusiva, após a administração da VFA (atenuada) em suas mães.
5. Visando o esclarecimento deste fato epidemiológico novo e desconhecido nos meios científicos, o Ministério da Saúde através 
da CGPNI juntamente com a Secretaria de Estado da Saúde do Rio Grande do Sul, investigou, criteriosamente, os 2 (dois) casos 
notificados e constatou a associação entre o quadro clínico apresentado pelos recém nascidos e o vírus vacinal.
6. A presença do vírus vacinal de febre amarela em leite materno durante o período virêmico após a vacinação de mulheres que 
estão amamentando é desconhecida e relatos de risco teórico de transmissão do vírus vacinal para os recém nascidos em amamenta-
ção são baseados na possibilidade de transmissão pelo leite materno para o vírus da Febre do Nilo Ocidental e por outros Flavivirus 
transmitidos pelo leite de vaca.
7. Deve-se considerar ainda que o aleitamento materno nas suas diferentes interfaces, tanto do ponto de vista nutricional, conten-
do os componentes adequados com biodisponibilidade ideal para o desenvolvimento do lactente, como do ponto de vista da proteção 
que a especificidade do leite humano confere, é de suma importância.
8. Diante do exposto e considerando as evidências científicas que demonstram as vantagens e importância do aleitamento ma-
terno (AM), a CGPNI e o CTAI vêm advertir que, diante da possibilidade de transmissão do vírus vacinal pelo leite materno, sejam 
adotadas as seguintes medidas de precaução: 
- O adiamento da vacinação de mulheres que estão amamentando até a criança completar seis meses de idade, ou 
- Na impossibilidade de adiar a vacinação, durante o aconselhamento deve-se apresentar à mãe opções para evitar o risco de 
transmissão do vírus vacinal pelo aleitamento materno, tais como:
Didatismo e Conhecimento 55
conehcimentos específicos / enfermeiro
a) Previamente à vacinação praticar a ordenha do leite, de preferência manualmente, e mantê-lo congelado por 15 dias em freezer 
ou congelador (seguir as técnicas de ordenha descrita no Caderno de Atenção Básica nº 23 – Aleitamento Materno e Alimentação 
Complementar do Ministério da Saúde) para planejamento de uso durante o período da viremia, ou seja, por 14 dias após a vacinação, 
ou
b) Encaminhar a mãe à rede de banco de leite humano, que são centros especializados, obrigatoriamente vinculados a um hos-
pital materno e/ou infantil, responsável pela promoção do aleitamento materno e atividades de coleta, processamento e controle de 
qualidade de colostro, leite de transição e leite humano maduro.
9. Adicionalmente, a Secretaria de Vigilância em Saúde ressalta que são necessários estudos que expliquem a capacidade da vei-
culação do vírus vacinal através do aleitamento materno em mulheres que estão amamentando recém vacinadas para orientar futuras 
estratégias de vacinação contra febre amarela nas áreas afetadas pelo vírus.
Informe Técnico da Vacina Pneumocócica 
10-valente (conjugada)
Composição
- é constituída de 10 sorotipos: 1, 4, 5, 6B, 7F, 9V, 14, 18C, 19F e 23 F. Em relação a vacina 7-valente, há o acréscimos dos 
sorotipos 1, 5 e 7F.
- é conjugada com a proteína D do H. influenza não tipável (8 sorotipos), toxóide diftérico (1 sorotipo) e toxóide tetânico (1 
sorotipo).
- a vacina contém excipiente de cloreto de sódio, fosfato de alumínio e água para injeção. Não contém conservantes. 
- já vem pronta para o uso 
Via de aplicação e dose: A via de aplicação é intra-muscular na dose de 0,5 ml, no vasto lateral. Obs: com a introdução da vacina 
conjugada contra o pneumococo 10-valente na rotina e a aplicação da vacina contra Influenza A(H1N1), poderá ocorrer a seguinte 
situação:
- criança com 6 meses de idade que vai à sala de vacinas para receber a 3ª dose da vacina contra hepatite B e Tetravalente. Neste 
momento deverão receber também as vacinas contra Influenza A(H1N1) e Pneumo 10. Recomendamos as seguintes alternativas: 
Aplicar as vacinas da rotina (Hepatite B a Tetra) no terço médio do vasto lateral D, observando-se a distância de aproximadamen-
te 2,5 cm (equivalente a 2 dedos) entre as aplicações e as outras (Influenza A(H1N1) e Pneumo-10 no terço médio do vasto lateral E, 
o que torna possível uma melhor avaliação de possíveis eventos adverso locais. Ou aplicar as vacinas contra Influenza A(H1N1) no 
terço médio do vasto lateral D e a vacina Pneumo-10 no terço médio do vasto lateral E, e agendar as da rotina (Hepatite B e Tetra) 
para 30 dias após, juntamente com a 2ª dose da influenza.
Esquema de aplicação
 
Idade Número de doses Reforço
2-4- 6 ou 
3-5-7 ou 
4-6-8 ou 
5-7-9 ou 
6-8-10 
3 doses com intervalo 
de 2 meses 
1 dose aos 15 meses 
de idade 
7-9 ou 
8-10 ou 
9-11 
2 doses com intervalo 
de 2 meses 
1 dose de reforço aos 
15 meses de idade 
10-12 ou 
11-13 
2 doses com intervalo 
de 2 meses 
nesta faixa etária não 
será necessário a dose 
de reforço 
12-23 meses 1 dose - 
Didatismo e Conhecimento 56
conehcimentos específicos / enfermeiro
- a idade mínima para aplicação é de 6 semanas;
- o intervalo mínimo entre as doses é de 30 dias; 
- a dose de reforço para as crianças que iniciaram o esquema vacinal com menos de6 meses de idade é de pelo menos 6 meses 
após a última dose; 
- a dose de reforço para as crianças que iniciaram o esquema vacinal entre 7 e 9 meses de idade é no segundo ano de vida, com 
intervalo de pelo menos 2 meses; 
- as crianças que já receberam alguma dose da vacina contra o Pneumococo 7-valente (Prevenar®), poderá completar o esquema 
vacinal com a vacina 10-valente. 
Conservação: a vacina deverá ser conservada entre +20C e +80C. Não deve ser congelada. 
Contra Indicações: antecedente de reação anafilática aos componentes da vacina; reação anafilática em dose anterior. 
Situações de adiamento para aplicação: durante a evolução de doenças agudas febris graves 
Uso simultâneo com outras vacinas: poderá ser aplicada simultâneamente com qualquer vacina do Programa Nacional de Imu-
nizações. 
Eventos adversos: é uma vacina bem tolerada; manifestações locais como dor, edema e eritema em cerca de 40% das crianças 
vacinadas. Na dose de reforço essas manifestações ocorreram em cerca de 50% dos vacinados, em intensidade leve a moderada; ma-
nifestações sistêmicas como febre ≥ 38oC em cerca de 80% das crianças vacinadas e 14,7% ≥ a 39oC. E mais raramente convulsão 
febril.
Uso de antitérmico profilático: observou-se em um estudo realizado que o paracetamol quando aplicado de modo profilático 
pode reduzir a resposta vacinal, no entanto, ainda há a manutenção de níveis protetores; recomenda-se que o paracetamol não seja 
aplicado de modo profilático; o uso de antitérmico profilático está indicado para as pessoas com história pessoal ou familiar de con-
vulsão febril. 
Orientações para o registro das doses aplicadas: a informação oportuna e de qualidade permitirá traçar ajustes e correções 
nas estratégias utilizadas; a caderneta de vacinação e a ficha de Registro não apresentam ainda o campo específico para o registro 
da vacina Pneumo-10. Para a anotação da aplicação dessa vacina recomenda-se que seja utilizado o espaço destinado como “Outras 
Vacinas” escrevendo “Pneumo-10” e fazendo as anotações pertinentes.
Saúde da Mulher
Ginecologia e Obstetrícia: A ginecologia literalmente significa “a ciência da mulher”, mas na medicina é a especialidade que 
trata de doenças do sistema reprodutor feminino, útero, vagina e ovários. Quase todos ginecologistas atuais são também obstetras. 
A obstetrícia é o ramo da medicina que estuda a reprodução na mulher. Investiga a gestação, o parto e o puerpério nos seus aspectos 
fisiológicos e patológicos. O obstetra é o médico especialista que cuida do desenvolvimento do feto, além de prestar assistência à 
mulher nos períodos da gravidez e pós-parto (puerpério). No entanto, existem outros profissionais habilitados no cuidado ao ciclo 
gravídico puerperal do parto normal: Enfermeiros Obstetras e Obstetriz.
Neonatologia: A Neonatologia (do latim: ne(o) - novo; nat(o) - nascimento e logia - estudo), é o ramo da Pediatria que se ocupa 
das crianças desde o nascimento até aos 28 dias de idade (quando as crianças deixam de ser recém-nascidos passam a ser lactentes). 
Na actualidade são muito frequentes os grandes prematuros com muito pouco peso, que ao ultrapassarem os 28 dias de vida, conti-
nuam sob o cuidado do Neonatologista, porque ainda necessitam de estar internados nas Unidades Neonatais. Pierre Budin, obstetra 
de origem francesa é considerado o pai da Neonatologia. Foi o primeiro a escrever um livro (1892) sobre lactentes nascidos de parto 
prematuro e classificou as crianças em pequenas e grandes para a idade gestacional.
Em 1914,o Dr. Julius Hess e o Dr. Evelyn Lundeen implantaram unidades de cuidados para recém-nascidos prematuros no Mi-
chael Reese Hospital em Chicago. Em 1924 o pediatra Albert Peiper interessou-se pela maturação neurológica dos prematuros. Por 
volta de 1940 foram unificados os critérios para manejo dos recém-nascidos prematuros e foram inventadas as incubadoras para que 
se pudesse controlar a temperatura dessas crianças. Nessa altura Budin estudou a influência da temperatura ambiente na mortalidade 
dos prematuros, tendo sido o primeiro a usa garrafas de vidro com água quente para termorregulação dos bebés durante o transporte 
neonatal. 
Didatismo e Conhecimento 57
conehcimentos específicos / enfermeiro
Em 1953 a Dra. Virginia Apgar divulgou no meio científico a sua escala para avaliação do grau de asfixia neonatal e de adaptação 
á vida extra uterina (Escala de Apgar). Em 1957 Ethel Dunham escreveu o livro “O Prematuro”. Em 1960 o Dr. Alexander Schaffer 
usou o termo Neonatologia pela primeira vez no livro “Diaseases of the Newborn”. 
Na década de 60 começaram a ser utilizados os monitores electrónicos, as gasometrias arteriais tornaram-se possíveis e surgiram 
antibióticos apropriados para tratar as sépsis neonatal.
Em 1967 o Colégio Americano de Ginecologia e Obstetrícia reconheceu a necessidade do trabalho conjunto dos Obstetras e Ne-
onatologistas para diminuir a mortalidade perinatal. Iniciou-se assim, em 1973, o primeiro Serviço de Cuidados Perinatais nos EUA. 
Na década de 70 houve progressos importantes na nutrição, alimentação por sondas e na alimentação parenteral. Tornou-se rotina 
o uso de cateteres umbilicais. Uma das mudanças mais importantes na Neonatologia foi a atenção intensiva para o recém-nascido 
prematuro e a vigilância dos problemas respiratórios, através do uso da ventilação mecânica. Em 1887 Dwyer utilizou o primeiro 
ventilador rudimentar de pressão positiva e Egon Braun e Alexander Graham Bell introduziram a pressão negativa em 1888. Em 
1953 Donald e Lord introduziram a uso do ventilador com ciclos.
Em 1971 Gregory, Kitterman e Phibbs introduziram a Pressão Positiva Continua nas vias aéreas (CPAP). Pouco depois Bird 
com a colaboração de Kirby desenvolveram o primeiro ventilador neonatal de pressão positiva, o “Baby Bird”. Posteriormente, 
através de um melhor conhecimento da fisiologia respiratória neonatal, foram melhorados os resultados da assistência respiratória 
mecânica aos recém-nascidos. É de destacar ainda as contribuições de Downes, Anderson, Silverman, Gregory e Fujiwara com o 
uso de surfactante exógeno. 
A Neonatologia avançou muito nos últimos tempos, conseguindo menores índices de mortalidade e de morbilidade graças a uma 
maior compreensão das particularidades dos recém-nascidos, melhores equipamentos e medicamentos.
A Mulher e os Ciclos Reprodutivos
Na infância nosso corpo ainda não esta totalmente formado. Durante a puberdade, quando a menina está se tornando uma moça, 
passamos da infância para a fase adulta. Na mulher a puberdade se caracteriza:
- pela diminuição no crescimento dos ossos,
- pelo surgimento dos seios (peitos),
- pelo surgimento de pêlos no ventre e nas axilas,
- pelo chegada da menstruação (menarca) e ovulação,
- pelo aumento do desejo sexual, e
- por mudanças emocionais.
A mulher tem um terceiro ciclo, que é o climatério (menopausa), quando a menstruação e a ovulação terminam. Veremos sobre 
a menopausa mais adiante.
A Menstruação: A menstruação começa na metade da puberdade, geralmente entre 11 e 12 anos, ainda que dos 10 até os 18 anos 
a menina pode ficar menstruada. A menstruação continua até os 49 ou 50 anos, podendo estender-se até os 55 anos. A menstruação 
não é doença; é algo totalmente normal na vida da mulher e pode ser encarada sem restrições: pode (e deve) tomar banho, lavar a 
cabeça, comer o que quiser, agir normalmente. O ciclo menstrual varia de 20 a 36 dias, sendo que a maioria das mulheres tem um 
ciclo de 28 dias. Geralmente dura de 4 a 6 dias, podendo em algumas mulheres variar de 2 a 8 dias.
Cada mulher reage de forma distinta quando está menstruada, podendo ocorrer alguns destes sintomas:
- aumento do desejo sexual;
- dores no abdome (cólicas);
- dores nas pernas;
- dores de cabeça (enxaqueca);
- mal humor/ irritação/depressão;
- dores nos seios.
Esses sintomas são chamados de “síndromeprémenstrual”.
Importante: Se você tem filhas mulheres, perto da puberdade, procure prepará-las para a chegada da menstruação. Explique que 
é algo normal na vida das mulheres: que não é doença. Fale da importância da higiene pessoal nesse período. E, caso você ou suas 
filhas apresentarem todos (ou quase todos) dos sintomas listados acima, procure um médico, para se certificar que você ou elas não 
tenham algum problema maior, como por exemplo, a chamada ‘síndrome pré-menstrual’. Lembre-se que esse problema, bem como 
outros problemas menstruais, podem ser tratados e a mulher viver a menstruação normalmente.
Didatismo e Conhecimento 58
conehcimentos específicos / enfermeiro
O Aparelho Reprodutor
Planejamento Familiar: É uma forma que o casal encontra para organizar o crescimento da sua família. Fazendo isto o casal terá 
condições de ter apenas o número de filhos que poderá criar, sendo possível dar a eles melhores condições de vida. A responsabilidade 
do planejamento familiar é do casal, para isto ele precisa conhecer os vários métodos que podem ser utilizados para evitar a gravidez 
indesejada. Existem vários métodos de evitar a gravidez, todos eles voltados para o planejamento familiar, de maneira que o casal 
possa ter seus filhos no período que desejar. Cada método de contracepção (evitar a gravidez) tem suas vantagens e desvantagens. Um 
método é mais seguro quando usado corretamente; em caso de dúvidas, procure o posto de saúde de seu município.
Os Métodos Anticoncepitivos
Relacionamos a seguir os métodos mais utilizados, com suas propriedades, vantagens e desvantagens.
Métodos considerados muito seguros são: Camisinha do Homem; Dispositivo Intra-ute-rino(Diu); Pílula Anticoncepcional; 
Pílula do dia seguinte; Anticoncepcional injetável; Camisinha da mulher; Vasectomia; Ligadura de Trompas.
Métodos considerados pouco seguros: Tabelinha; Diafragma; Geléias Espermecidas.
A Camisinha Masculina: A camisinha é um método para ser utilizado pelo homem no momento da relação sexual. É uma 
capinha de borracha fina, porém resistente, que se coloca sobre o pênis. Ela evita a gravidez, impedindo que os esperma-tozóides 
penetrem na vagina da mulher. Use a camisinha apenas uma vez. Jogue fora depois de usada.
Vantagens: não faz mal a saúde; oferece segurança quando usada corretamente e, principalmente, quando combinada com o uso 
de espermicida; protege contra as doenças venéreas; faz com que o homem divida com a mulher a responsabilidade com o planeja-
mento familiar; contribui para a prevenção de doenças venéreas, tais como a AIDS.
Desvantagem: alguns homens reclamam de desconforto na relação sexual.
Dispositivo Intra-Uterino (DIU): É uma pequena peça de plástico flexível com cobre que, colocada por um médico, dentro do 
útero, impede a gravidez.
Vantagens: é um método seguro que, com acompanhamento médico, pode ser usado até oito anos. Não interfere no ato sexual, é 
um método reversível, isto é, pode ser retirado a qualquer momento. É um método altamente eficaz.
Desvantagens: é raro, mas pode haver rejeição por parte do organismo, pode ocasionar efeitos secundários como: maior sangra-
mento e cólicas.
Pílula Anticoncepcional: As pílulas anticoncepcionais são comprimidos feitos com substâncias químicas semelhantes aos hor-
mônios da mulher, que impedem a ovulação, evitando a gravidez. Deve-se tomar um comprimido por dia, na mesma hora, durante 
um período de 21 dias. A pílula só deve ser tomada com prescrição médica. Só o médico pode avaliar qual o tipo adequado. Uma 
marca pode servir para uma mulher e não servir para a outra. A pílula não deve ser tomada por mulheres: grávidas ou com suspeita 
de gravidez; fumantes; com menos de 16 e mais de 35 anos; que estejam amamentando (pode secar o leite). Também não deve ser 
usada por mulheres com pressão alta e outras doenças do coração; que tenham sangramento fora do período menstrual; que possuam 
varizes; que tenham fortes enxaquecas; convulsões; diabetes; glaucoma; que estão operadas ou vão se operar. Deve-se evitar tomá-la 
por mais de 5 anos (mesmo não contínuos).
Vantagens: Segurança, quando tomada corretamente.
Desvantagens: Como é um produto químico, só funciona se a mulher seguir exatamente as instruções do médico, isto é, não 
pode esquecer de tomá-la durante o período prescrito, caso contrário, corre-se o risco de engravidar. Também, nem todas as mulheres 
sentem-se bem com o seu uso.
Laqueadura: A laqueadura é uma operação de esterelização que se realiza na mulher, com a finalidade de evitar definitivamente 
a pos-sibilidade da gravidez. A laqueadura é a amarração ou ligadura de trompas. Essa operação é irreversível e só deve ser feita em 
casos de indicação médica, em que haja risco de vida para a mãe ou para a criança.
Recomendações Importantes: A esterilização deve ser indicada pelo médico para mulheres que tiveram grandes riscos na gra-
videz e nas seguintes condições:
- que fizeram mais de três cesarianas;
- com doenças graves no coração;
Didatismo e Conhecimento 59
conehcimentos específicos / enfermeiro
- com diabetes grave;
- com problema de RH negativo e gestações anteriores sem os devidos cuidados;
- com pressão muito alta;
- com problemas renais;
- com problemas pulmonares.
Em qualquer destes casos, a decisão final caberá sempre a mulher. O médico deve ajudar dando informações sobre os riscos e as 
consequências, discutindo a possibilidade de usar outros métodos.
Vasectomia: A vasectomia é uma operação que se realiza no homem com a finalidade de evitar a gravidez. É uma operação feita 
nos órgãos genitais do homem que fecha a passagem da saída dos espermatozóides. Fechando a sua saída, o homem continua expe-
lindo um líquido, o sémem, que não conterá os espermatozóides e, portanto, não fecundará a mulher. Após a vasectomia o homem 
continua, normalmente, a ter desejo sexual, ereção e ejaculação.
Recomendações Importantes: Deve-se pensar muito antes de realizar a operação de vasectomia, pois a mesma é irreversível. 
Após a operação é recomendável o uso da camisinha por 2 meses, pois leva algum tempo para que os espermatozóides que estão no 
canal do pênis sejam eliminados.
Anticoncepcional Injetável: É considerado um método simples e seguro. Consiste em uma injeção de hormônios, aplicada na 
mulher que pode ser tomada uma vez por mês ou de três em três meses, a mulher escolhendo com o seu médico o que achar melhor. 
Esse é um método que pode ser usado por mulheres que não se dão bem com o uso da pílula. Alguns médicos não gostam de reco-
mendar este método porque há suspeitas de que ele diminui o desejo sexual nas mulheres.
Pílula do dia seguinte: Esse é considerado um método para casos de emergência. É indicado para mulheres que foram vítimas de 
estupro ou fizeram sexo sem usar nenhum tipo de método anticoncepcional. A pílula do dia seguinte deve ser usada até 72 horas após 
o ato sexual. Procure o médico no posto de saúde o mais rápido possível. Se a mulher não tiver acesso a esta pílula, ela pode tomar 
dois comprimidos de qualquer anticoncepcional nas primeiras 24 horas após o ato sexual e depois tomar mais dois comprimidos com 
intervalos de 12 horas entre cada um, que faz o mesmo efeito.
Diafragma: O diafragma é uma capinha de borracha bem fina, que a mulher coloca, ela mesma, no fundo da vagina, antes da 
relação sexual, tapando assim o colo do útero. Ele impede que os espermatozóides do homem penetrem no útero da mulher. Deve ser 
usado junto com um espermicida, para garantir maior segurança. É recomendável que o início do uso do diafragma seja orientado 
por “um profissional da saúde”.
Após o uso, o diafragma deve ser lavado com água fria e sabão neutro, secado com um pano macio, polvilhado com maizena, 
em seguida, deve ser guardado na caixinha longe do calor e da luz. Nos casos da borracha enrugar ou quando estiver fora do prazo 
recomendado, o mesmo deve ser trocadoimediatamente.
Vantagens: Não faz mal a saúde e ajuda a mulher a conhecer melhor o seu próprio corpo.
Desvantagens: Não é totalmente seguro e exige disciplina.
Tabelinha: É um método que exige que a mulher conheça seu ciclo menstrual. Só assim ela terá condições de saber o período 
fértil ou seja, aquele em que poderá ficar grávida. Tabelas prontas não são seguras. A tabela de uma mulher não serve para outra, pois 
cada uma tem o seu ciclo menstrual.
Como proceder: Utilize um calendário para marcar todo o mês o início do seu ciclo menstrual. Não confunda o dia do ciclo 
menstrual com o dia do mês. Para melhor esclarecimento, marque no calendário o primeiro dia da sua menstruação durante seis meses 
e depois mostre ao seu médico.
Vantagens: Não prejudica a saúde, ensina a mulher a conhecer o comportamento do corpo.
Desvantagens: Requer um período longo para começar a ser usado; exige disciplina e responsabilidade da mulher e do homem; 
não serve para as mulheres com ciclo menstrual irregular. Não é um método seguro.
Geléias Espermicidas: É um produto para ser usado na vagina antes da relação sexual. As geléias espermicidas contém produ-
tos que matam os espermatozóides, evitando assim a gravidez. Os espermicídas podem ser usados sozinhos, mas são mais seguros 
quando usados com outros métodos (camisinha, diafragma, tabela). Ao utilizar o espermicida, não se deve fazer lavagem vaginal pelo 
menos até 8 horas após a relação sexual.
Vantagens: É um método simples e pode ser associado a outros métodos.
Desvantagens: É considerado pouco seguro. 
Didatismo e Conhecimento 60
conehcimentos específicos / enfermeiro
Gravidez: Ao descobrir que está grávida a mulher tem que tomar certos cuidados com sua saúde e com o bem estar do bebê. A 
primeira coisa a fazer é procurar um posto de saúde ou hospital para começar a fazer o pré-natal. A maioria dos municípios da região 
do Pró-Gavião tem programas de atendimentos a gestante. O pré-natal é muito importante para a saúde da mulher e do seu filho, pois 
é através do acompanhamento médico que ela poderá evitar qualquer tipo de complicação. Outro cuidado é com a alimentação. Se 
possível coma muitas frutas, verduras (em especial as de folhas verdes), leite, queijo, carnes (em especial fígado), peixes, ovos, cere-
ais (aveia, germe de trigo, levedura de cerveja, milho) e muita água. Beba de 6 a 8 copos de água diariamente. Evite doces e massas 
(pão, macarrão e produtos feitos com farinha) para não engordar muito. Nunca tome qualquer tipo de remédio sem recomendação 
médica pois é muito perigoso para você e seu bebê.
Gravidez na Adolescência: Todos sabemos que cada vez mais, cresce o número de meninas que ficam grávidas muito cedo, mas 
poucos sabem as consequências dessa gravidez para as mulheres com menos de 19 anos. No Brasil, milhares de meninas adolescentes 
morrem em consequência de aborto, gravidez, parto e pós-parto. Isso acontece, em grande parte, porque elas demoram para começar 
o pré-natal e porque esse atendimento é muito ruim nos postos de saúde e hospitais da rede publica.
A gravidez prejudica o corpo imaturo das meninas e ainda atrapalha seu crescimento. Isso tudo sem contar que muitas são obri-
gadas a deixar a escola ou o trabalho para cuidar do filho. O que fazer para evitar a gravidez na adolescencia:
- orientar os jovens sobre os riscos da gravidez;
- alertar, esclarecer, orientar sobre a educação sexual;
- entender o direito dos jovens a uma vida sexual ativa e orientá-los a exercer esse direito com responsabilidade;
- assegurar aos jovens (mulheres e homens) informações e acesso aos métodos anticoncepcionais;
- conversar sempre sobre os prejuízos de uma gravidez na vida dos jovens. 
- Informar sobre a necessidade do uso da camisinha nas relações sexuais.
O que fazer em caso de gravidez na adolescência:
- Oferecer todo o apoio necessário para que a jovem não abandone os estudos;
- Procurar imediatamente um médico;
- Garantir o acesso ao pré-natal;
- Ficar atento para qualquer sintomas de doença (inchaço, pressão alta, mudanças de cor e quantidade na urina);
- Garantir uma alimentação com carnes, ovos, fígado e beterraba para evitar a anemia;
O Parto: é um fato natural para a maioria das mulheres. É um processo de saúde. Não deve ser tratado como doença, nem como 
uma cirurgia, ou internação. Alguns dias antes do parto, o bebê desce na barriga. Você percebe que a barriga fica mais baixa, você 
respira melhor, sente vontade de urinar com mais freqüência e pode sentir um certo peso na região baixa do ventre. Com maior fre-
quência, sua barriga fica mais tensa e endurecida. São as contrações que, com a aproximação do parto, vão ficando mais fortes, mais 
duradouras, mais frequentes e regulares. Você está entrando em trabalho de parto.
O problema das vagas em Maternidades: Durante o pré-natal é bom conversar sobre este assunto com o pessoal do serviço de 
saúde. É importante saber qual a maternidade ou maternidades a que você tem direito, onde ficam, se existe algum tipo de acerto 
entre o serviço de pré-natal e o hospital para que você seja encaminhada, qual a qualidade do atendimento etc. Se puder faça uma 
visita para conhecer o local, informar-se sobre as exigências, as vagas, como chegar lá, etc. Quando ir ao Hospital (ou Maternidade)?
- Se durante 12 horas seguidas você não sentir a criança se mexer.
- Se tiver sangramentos.
- Se tiver perda de líquido pela vagina, que pode ser devido ao rompimento da bolsa das águas.
- Quando as contrações se repetirem com a mesma frequência (o mesmo intervalo de tempo), no mínimo a cada dez minutos.
- Se for seu primeiro parto, você terá bastante tempo até que as contrações aumentem e ocorra a dilatação (abertura) do colo 
do útero. Não sendo o primeiro parto, a dilatação ocorre mais rapidamente e o parto, provavelmente, acontecerá em algumas horas.
- Para evitar pressa e nervosismo nesta hora, é importante ter suas coisas preparadas para levar à maternidade. Evite levar coisas 
inúteis.
- Não esqueça de levar seus documentos para internação, carteira de gestante e todos os documentos que possam ser importantes 
para o atendimento no hospital, como exames e encaminhamento do pré-natal.
A Internação: No hospital (ou maternidade), a decisão sobre se é ou não a hora de internar, se você está em trabalho de parto 
avançado ou não, é um dos problemas mais frequentes e responsável por grande parte das complicações para a gestante e o bebê. Se 
a data prevista para o nascimento estiver certa, se você estiver com contrações fortes e frequentes (menos de 10 minutos entre uma e 
outra), ou se você estiver com algum problema, não saia do hospital.
Didatismo e Conhecimento 61
conehcimentos específicos / enfermeiro
Mesmo que seu parto não aconteça dentro da próximas horas, voltar para casa e vir novamente ao hospital no dia seguinte, ou até 
no meio da noite, às pressas, pode ser impossível ou até arriscado. Os serviços de saúde nem sempre se preocupam com isto. O pe-
ríodo de trabalho de parto é um período delicado que se complica facilmente em situações de nervosismo, grande agitação, correria. 
Estando no hospital e atendida a tempo, esses problemas não terão maiores conseqüências. Sem assistência adequada, eles podem se 
tornar graves ou mesmo fatais.
Importante: Não coma nesse período, apenas tome líquidos, se for necessário. Com o problema da falta de vagas, as maternida-
des não aceitam mulheres que podem permanecer até um dia inteiro ocupando um leito, esperando os bebês nascerem e só aceitam 
interná-las em casos extremos, além de muitas vezes não fazerem uma avaliação adequada sobre suas condições e a dos bebês. Exija 
atenção, um exame minucioso, explique exaustivamente os sinais que você está notando sobre a chegada do momento do parto, avise 
quando vier uma contração para que a parteira ou profissional que a atende coloque a mão em sua barriga e sinta. Você pode errar,pois 
não é sua obrigação saber o que está acontecendo. Quem deve fazer o possível para não errar e agir corretamente são os profissionais 
que a atendem. Não tenha vergonha de manifestar suas sensações, seus receios, dúvidas e, principalmente, as certezas.
A chegada do momento do parto: O momento do parto deve ser tranqüilo, aconchegante,
cercado das pessoas queridas, mas infelizmente, a parturiente (a mulher que está dando luz) é muitas vezes tratada como doente, 
sem direito a acompanhantes, à liberdade, à sua privacidade. Enquanto essa maneira de organizar as maternidades não mudar, você 
terá de se submeter aos procedimentos de uma rotina que são: 
No pré parto: 
- Tricotomia (depilação da região genital) para facilitar a higiene; 
- Enema, ou “lavagem intestinal”: esvaziamento do intestino para evitar contaminação no momento do parto.
- Retirar suas roupas e acessórios e colocar a camisola do hospital.
- Jejuar (não se alimentar) para evitar náuseas e vômitos. 
- Administração de soro por veia, para o caso de ser necessária alguma medicação endovenosa.
- Repouso no leito, na enfermaria de pré-natal. Até que o trabalho de parto evolua para a fase final, (para a maioria das mulheres, 
quando se iniciam as contrações mais fortes e a “vontade de fazer força”).
- Exames de toque para acompanhar a evolução do parto.
No momento do parto:
- Ficar deitada na mesa ginecológica com as pernas e braços semi imobilizados.
- Anestesia - nem todos os serviços contam com anestesia para parto normal. As formas existentes são: anestesia local, no caso 
de ser feito um pequeno corte na vulva para facilitar a saída do bebê, raqui ou peridural, que são anestesias dadas na medula (nas cos-
tas), que “adormecem” o corpo da cintura para baixo; usadas no caso de cesárea e em partos normais muito dolorosos. Submeter-se 
à rotina do hospital, embora nem sempre seja confortável, pode significar segurança e melhor atendimento a você e ao bebê, mas não 
deve significar submissão e maus tratos, muito menos descaso com sua saúde. Não se entregue passivamente. O parto é um momento 
ativo e participante em que você deve ajudar, manifestar-se, ser tratada com cuidado e carinho, ser informada, receber atenção. Não é 
você que serve aos profissionais, mas eles a você, embora sua colaboração, calma e compreensão sejam fundamentais para o trabalho 
deles.
Menopausa: Menopausa não é doença. É uma situação normal na vida da mulher, que se
caracteriza pelo término da menstruação, ocorrendo, normalmente, por volta dos 50 anos. Nesse momento aparecem, na maioria 
das mulheres, alguns incômodos passageiros ou mais fortes, tais como: ondas de calor, nervosismo e pele seca.
Ondas de calor: É o sintoma mais freqüente. Quase todas as mulheres, nesse período, sentem ondas de calor, porém, em pro-
porção diferente. Variam de pessoa para pessoa e até de época para época. Pode-se ter mais calor em um período e menos em outros. 
Ele começa de uma hora para a outra, iniciando pelo rosto e pescoço, espalhando-se para cima e para baixo. Muitas vezes, provoca 
bastante suor, no rosto, no pescoço, na cabeça e no peito. Dura de dois a três minutos e vai embora de repente, assim como chegou, 
embora algumas situações e hábitos alimentares podem contribuir para o seu surgimento. Entre elas, uso de alimentos quentes, de 
bebidas, de café, assim como lugares quentes e abafados.
Também situações emocionais como a raiva e a vergonha fazem aparecer as ondas de calor. Quando ocorrem à noite, e por várias 
vezes, prejudicam o sono e fazem com que a mulher acorde cansada e impaciente.
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conehcimentos específicos / enfermeiro
Para diminuir seus efeitos:
- A mulher deve tomar bastante água (no mínimo oito copos por dia);
- usar roupas de algodão ( elas são menos quentes);
- evitar café, chá preto, bebidas quentes, comidas picantes e diminuir o consumo do sal e do açúcar;
- evitar ficar debaixo do sol ou sair nos horários mais quentes do dia.
- Também é importante o consumo de frutas ricas em vitamina C, tais como laranjas, tangerina, limão, goiaba e acerola, caram-
bola, abacaxi, mamão, manga, assim como o consumo de salsinha, pimentão verde, couve, agrião e outras folhas verdes.
Exercícios Físicos: São de grande ajuda nessa fase da vida da mulher. Como se sabe, eles são importantes para qualquer ser 
humano, em qualquer época, pois, ajudam a controlar o colesterol, fortalecem os músculos e o coração e deixam as articulações mais 
ágeis. Na menopausa a mulher deve fazer exercícios regularmente, principalmente caminhadas. Caminhar é o melhor exercício para 
essa fase da vida, mas são também recomendados outros exercícios leves, como os de alongamento(esticar o corpo, se “espreguiçar”) 
e todo tipo de massagem, inclusive nas mãos, dedos, juntas, pescoço, entre outros. Também é preciso manter uma alimentação sau-
dável e regular ( na hora certa). Tomar um bom café da manhã, almoçar bem, porém, sem excessos e à noite evitar alimentos pesados 
e encher muito o estômago. (contentese com uma sopa ou outros alimentos leves). A mulher deve se cuidar, gostar de si, e procurar 
ser feliz, isto ajudará bastante.
Longe está o tempo em que a menopausa era tratada como o fim da vida sexual da mulher, ou profissional. Como velhice. Hoje, 
quando as pessoas vivem bem mais tempo e com mais condições, ela representa apenas mais uma fase, que deve ser encarada como 
outra qualquer, mas que pode representar mudanças para melhor.
Ela acontece, de forma normal, por volta dos 45 aos 50 anos, quando a mulher, quase sempre já está com os filhos maiores, às 
vezes até independentes e por isso, a mulher pode ter uma vida mais calma e feliz. 
Para isto, ela precisa, como vimos anteriormente, querer mudar. Seguindo uma vida saudável, procurando se irritar menos, usar 
alimentos mais naturais (frutas, verduras, pouco sal, pouco açúcar), evitando álcool, cigarros, tomando bastante água e fazendo exer-
cícios. Ela não precisa, certamente, deixar de trabalhar, apenas evitar trabalhos em locais quentes, muito ensolarado, pouco ventilados 
e que a deixe nervosa e irritada. Eis algumas “dicas” preciosas, para uma vida melhor nessa fase da vida da mulher.
As Principais Doenças Femininas
O câncer de útero: O câncer de útero atinge milhares de mulheres. É uma doença que se desenvolve devagar e silenciosamente. 
O período de desenvolvimento pode ir de 10 a 20 anos. Começa com pequenas lesões que vão aumentando e se aprofundando quando 
não são tratadas.
Fatores que favorecem o câncer de útero:
- Início da atividade sexual muito cedo;
- Ter tido muitas infecções sexualmente transmissíveis;
- Falta de higiene
- Ser fumante
- Desnutrição
- Falta de vitamina A (encontrada em requeijão, leite, manteiga, peixe, ovos, fígado, cenoura, batata doce, espinafre, couve, 
alface, salsa)
O câncer do colo do útero é fácil prevenir: Nenhuma mulher deveria morrer de câncer do colo do útero, porque esse é um cân-
cer fácil de prevenir e de curar. Se o câncer for percebido bem no começo, a mulher tem 100% de chance de cura. Muito antes dele 
aparecer, o exame Papanicolaou (ou ‘preventivo’) revela se o colo da mulher tem certas condições que podem levar ao câncer. Se 
essas condições precancerígenas forem tratadas, a doença pode ser evitada. O câncer do colo do útero é um tumor que cresce devagar 
e pode ser percebido bem no comecinho, muito antes de aparecerem sinais ou sintomas. Da ferida ou inflamação inicial até o câncer 
localizado, podem decorrer de dois a dez anos. Enquanto está somente no colo o câncer é curável em 85% dos casos.
Esse é o tipo de câncer que mais aparece no aparelho genital das mulheres. Os canceres de ovário, trompas, endométrio (parede 
interna do útero) e vagina são mais raros.
Como prevenir o câncer do colo do útero:
- Fazer todo ano uma consulta ginecológica e o exame Papanicolaou (o ‘preventivo’). Esses exames descobrem cedo qualquerproblema;
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- Tratar feridas e infecções do colo produzidas por situações de aborto, parto e doenças sexualmente transmissíveis;
- Fazer consulta se perceber qualquer problema ginecológico;
- Usar camisinha para se proteger de doenças sexualmente transmissíveis;
- Sinais do câncer de colo do útero;
- Corrimento parecido com água de lavagem de carne;
- Sangramento fora do normal, principalmente depois da menopausa;
- Dor e sangramento nas relações sexuais;
- Dor na parte mais baixa da barriga;
- Mau cheiro.
O Câncer de Mama: O câncer de mama tem matado e continua matando muitas mulheres no Brasil. A maioria dessas mortes 
poderia e pode ser evitada se a doença for descoberta no início, quando o tratamento tem mais chances de cura. É uma doença que 
aparece nos seios, como um caroço, em alguns casos, cresce rapidamente e precisa ser retirado o mais rápido possível. As formas de 
descobrir a doença são:
- Através do exame dos seios feito em uma consulta ginecológica, no mínimo uma vez por ano;
- através do “auto exame”; ou seja, o exame feito pelas próprias mulheres.
As Doenças Sexualmente Transmissíveis: São chamadas doenças sexualmente transmissíveis aquelas que geralmente são trans-
mitidas pelo ato sexual. No caso do seu aparecimento é o casal que deve ser tratado. Durante o tratamento deve-se evitar a relação 
sexual ou fazê-la com o uso de preservativo. As infecções mais comuns são:
- Candidíase
- Tricomoníase
- Gonorréia
- Sífilis
- A mais perigosa é a AIDS
Candidíase: É causada por um fungo que está presente nas pessoas, animais domésticos, água, ar e solo. A mulher sente coceira 
na vagina e irritação, sente ardência ao urinar e dor nas relações sexuais. O corrimento é branco ou amarelado, tem cheiro azedo e 
aparência de leite talhado, podendo aparecer inchação e vermelhidão. O homem não sente nenhum sintoma. O aparecimento da can-
didíase é favorecido por uso de muito antibiótico, corticóides, alergias, gravidez, obesidade e falta de higiene.
Para prevenir a Candidíase, é importante evitar o uso de antibiótico sem receita médica, fazer higiene da vagina antes e depois da 
relação sexual, lavando da frente para trás, usar calcinha de algodão. O tratamento é simples e eficaz. O medicamento receitado por 
um médico, é tomado por via oral em dose única.
Tricomoníase: A mulher sente muita coceira, apresenta corrimento fino, cinzento amarelado e com mau cheiro, dificuldade de 
urinar, dor na relação, menstruação muito forte. No homem os sintomas quase não aparecem, quando aparecem são: ligeira coceira 
no pênis, secreção clara no pênis, dificuldade de urinar.
Gonorreia: Também chamada de pingadeira ou escorrimento. É uma doença que muitas vezes não tem sintomas no seu início. 
Na mulher os sintomas podem ser:
- Corrimento amarelado com cheiro fétido;
- Dor ao urinar;
- Desconforto retal.
Muitas vezes esta infecção está localizada no colo do útero, nas trompas e no ânus. No homem o primeiro sintoma é a dificuldade 
de urinar pela ardência e coceira. Do pênis sai secreção amarelada (pus) com mau cheiro. A ereção do pênis fica dolorida. A infecção 
pode ir para a próstata, para a vesícula, causando ínguas na virilha e febre. Tanto na mulher quanto no homem, a gonorréia pode 
levar à esterilidade (não ter mais filhos). As bactérias da gonorreia podem entrar no sangue e causar doenças nas juntas e no coração. 
Podem também causar conjuntivite nos recém nascidos. Não se deve esperar para tratar a doença. É preciso procurar o médico. 
Durante o tratamento até a cura da doença não se deve manter relação sexual.
Sífilis: Esta doença apresenta três fases:
1º fase. Surge nas primeiras semanas após o contágio. Aparece uma ferida vermelha, brilhante, dura, sem dor, com mais ou me-
nos 1 cm de tamanho no local onde o agente causador entrou. Geralmente, aparece perto dos órgãos genitais da mulher e do homem, 
na boca ou nos seios. Nesta fase é muito fácil passar a doença de uma pessoa para outra.
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2º fase. Situa-se entre os 45 e 180 dias após o contágio. Nesta fase o corpo todo está afetado. Os sinais da infecção são diversos. 
Os mais comuns são: feridas na pele que variam de local, número e tamanho. Podem aparecer manchas esbranquiçadas na boca e 
na garganta e queda de cabelos. Muitas vezes também surgem febres, ínguas e dores nas juntas. Nesta fase a doença continua sendo 
contagiosa.
3º fase. Mesmo sem tratar, as feridas desaparecem e a doença entra para a fase silenciosa (latente). Os sintomas finais desta 
doença se apresentam somente entre dez e trinta anos após o contágio. Eles são: doenças cardíacas, doenças cerebrais que levam à 
paralisia, cegueira e morte. Pelas consequências graves, a sífilis deve ser tratada logo no início da doença com muita seriedade. Para 
descobrir se a pessoa foi contagiada é preciso fazer exame de sangue. A mulher grávida que tiver sífilis, transmite ao bebê e ele nasce 
com malformações causadas pela doença.
Corrimento: O corrimento vaginal pode ser caracterizado como a presença de muco de cor clara ou esbranquiçada na vagina, 
acima da quantidade habitual. O aumento do corrimento vaginal isolado ou associado com a mudança na cor ou no cheiro do corri-
mento ou com coceira vaginal pode, por outro lado, ser o primeiro sinal de uma doença específica. Estas doenças, além de causarem 
problemas e complicações para as próprias mulheres, são usualmente transmissíveis sexualmente, podendo ser transmitidas para seus 
companheiros. É importante consultar um médico.
Cistites: A cistite é um tipo de infecção urinária na bexiga. Embora, em alguns casos, a cistite pode desaparecer em alguns dias, é 
recomendado procurar um médico para o tratamento com remédios antimicrobianos em períodos de 3 a 14 dias, dependendo do grau 
da infecção e da medicação usada. A falta de tratamento pode levar a repetições da enfermidade. Prevenção da cistite:
- Urinar frequentemente;
- Beber muito líquido, o ideal são 2 litros de água por dia - Higiene pessoal constante, com cuidado especial nas partes íntimas
- Evitar o uso de roupas justas por longos períodos, de calcinhas de nylon ou material sintético. Usar de preferência calcinhas de 
algodão.
Medidas de Higiene e Prevenção
- A prevenção através da correta higiene das partes íntimas é muito importante para a mulher.
- No banho procure usar sabonete neutro na região da vagina e evite esfregar forte, pois pode provocar irritações;
- Use sempre papel higiênico macio para retirar secreções na vagina;
- Evite o uso de roupas justas ou de tecidos sintéticos;
- Dê preferência a dormir sem calcinhas;
- Fique atenta para os corrimentos;
- Use sempre camisinha em suas relações sexuais. Não tenha vergonha de procurar um médico para tratar estas doenças.
AIDS: a doença mais perigosa: É uma doença provocada por um vírus, o HIV, que ataca a
defesa do corpo contra as doenças. Por isso a pessoa que tem AIDS chega a morte por doenças comuns. A transmissão do vírus 
se dá por meio de líquidos corporais como secreção vaginal, sêmen e sangue. Fora dos líquidos corporais o vírus não dura mais do 
que dois minutos.
A transmissão se dá por: Relação sexual, anal ou oral se houver ferida na boca; Uso comum de agulhas contaminadas; Transfu-
são de sangue contaminado; De mãe para filho durante a gestação.
Sintomas:
- Cansaço persistente com duração de mais de três meses;
- Grande perda de peso sem motivo aparente;
- Febres persistentes, acompanhadas por calafrios e suores noturnos;
- Diarreia frequente;
- Ínguas por todo o corpo;
- Tosse seca, com longa duração;
- Manchas (lesões) esbranquiçadas na boca, em grande quantidade;
- Diminuição do fôlego durante o esforço físico;
- Facilidade de sangramento em qualquer ferimento;
- Dores de cabeça, fortes e persistentes, acompanhadas de problemasde visão.
Estes sintomas aparecem quando a doença encontra-se em estágio avançado. O vírus pode permanecer durante muito tempo de 
forma latente.
Didatismo e Conhecimento 65
conehcimentos específicos / enfermeiro
Como prevenir: Use sempre camisinha em suas relações sexuais; Faça o teste de HIV sempre que você esteve exposta a uma 
situação de risco; Esteja atento para as formas de contágio.
No ano de 2004 a Secretaria Municipal de Saúde definiu como uma de suas prioridades a política de atenção à saúde da mulher. 
Como parte desta proposta, foi elaborado o Protocolo de Detecção Precoce e Prevenção ao Câncer de Colo do Útero, com seu respec-
tivo algoritmo. Este documento foi elaborado por um grupo de especialistas da rede que, através de discussões clínicas baseadas em 
evidências, buscou aperfeiçoar as rotinas já existentes de assistência à saúde da mulher em Porto Alegre. No ano de 2007 o Protocolo 
foi revisado pela equipe técnica da Saúde da Mulher baseando-se na atualização da Nomenclatura Brasileira para Laudos cervicais e 
Condutas preconizadas pelo INCA / Ministério da Saúde (2006).
Os protocolos são recomendações desenvolvidas sistematicamente, dentro de uma circunstância clínica específica, baseados 
na melhor informação científica. Eles servem como instrumento de auxílio, nunca de obrigatoriedade, e devem ser periodicamente 
revisados segundo as novas evidências médicas. Dentre todos os tipos, o câncer do colo do útero é o que apresenta um dos mais altos 
potenciais de prevenção e cura, chegando perto de 100%, quando diagnosticado precocemente. Seu pico de incidência situa-se entre 
40 e 60 anos de idade, e apenas uma pequena porcentagem ocorre antes dos 30 anos.
Embora o Brasil tenha sido um dos primeiros países do mundo a introduzir o exame de Papanicolau para rastreamento do câncer 
do colo do útero, a doença continua a ser entre nós um grave problema de saúde pública, sendo que os índices de mortalidade continu-
am estáveis nos últimos dez anos. Nos anos de 2002-2003 foi realizado pelo Ministério da Saúde o Inquérito Domiciliar que mostrou 
que a cobertura estimada do Papanicolau variou de 74% a 93%. Entretanto, o percentual da realização desse exame pelo SUS variou 
de 33% a 64%. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) Saúde 2003, divulgados pelo IBGE /2005, mostraram que 
nos últimos três anos, a cobertura do exame citológico do colo do útero foi de 68,7% em mulheres acima de 24 anos de idade, sendo 
que 20,8% das mulheres nesta faixa etária nunca tinham sido submetidas ao exame preventivo.
Magnitude (o quanto é freqüente a condição)
As maiores causas de morte na população feminina em Porto Alegre são as doenças cardiovasculares, seguidas das neoplasias. 
Entre essas, a principal causa de morte é o câncer de mama e o câncer de colo uterino está em 4º lugar. No Brasil, estima-se que o 
câncer do colo do útero seja o terceiro mais comum na população feminina, sendo superado pelo câncer de pele não melanoma e de 
mama. Este tipo de câncer representa 10% de todos os tumores malignos em mulheres. É uma doença que pode ser prevenida, estando 
diretamente vinculada ao grau de subdesenvolvimento do país.
Cerca de 80% dos casos ocorrem em países em desenvolvimento, onde o carcinoma de cérvice é o principal câncer em mulhe-
res, atingindo o quinto lugar entre todas as neoplasias, considerando ambos os sexos, correspondendo a 7,3% de todos os cânceres 
humanos. O câncer cervical é uma doença potencialmente prevenível, através de métodos de rastreamento de lesões pré-malignas 
e da identificação e controle dos fatores de risco associados. O Brasil é o nono lugar entre os quinze países com maiores taxas de 
mortalidade por câncer de colo uterino no mundo. O número de casos novos de câncer do colo do útero esperado para o Brasil, em 
2006, é de 19.260, com um risco estimado de 20 casos a cada 100 mil mulheres. A idade é marcador de risco importante, com o pico 
de incidência, para o carcinoma “ïn situ” ocorrendo entre os 20 e 30 anos de idade. O vírus do papiloma humano (HPV) é considerado 
o marcador de risco mais importante para o câncer de colo uterino. É um achado citológico encontrado em 3 a 8% das mulheres ras-
treadas. O risco relativo de desenvolvimento do câncer de colo de útero apresenta um aumento linear (até aproximadamente 9) pro-
porcional ao número de parceiros, assim como mulheres com início da atividade sexual anterior aos 17-18 anos apresentam um risco 
relativo variando entre 2-3. Alguns estudos epidemiológicos têm sugerido vários fatores implicados no desenvolvimento de neoplasia 
cervical, entre os quais encontram-se o baixo nível socioeconômico e a presença de doenças sexualmente transmissíveis(DST), taba-
gismo e diversas características associadas ao comportamento sexual, como número de parceiros e idade da primeira relação sexual. 
As fumantes parecem ter um risco maior de apresentar câncer de colo de útero que as não fumantes. 
Também um fator importante a ser considerado é a dificuldade de acesso ao serviço de saúde, material coletado inadequadamente 
pelo profissional de saúde e lâmina mal avaliada pelo citologista.
Particularmente, infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV), especialmente os sorotipos 16,18,31,33,35 foi associada ao risco 
de desenvolver câncer de colo uterino. Uso de anticoncepcionais orais e o tabagismo são fatores que parecem contribuir para elevar o 
risco de displasias associadas ao HPV. Além disso, o início precoce de relações sexuais e o elevado número de parceiros são fatores 
reconhecidamente associados à maior prevalência de DSTs, dentre elas se destacando a infecção pelo HIV. É uma patologia que 
evolui muito lentamente. Estima-se que cerca de 50% de todos os casos de carcinoma “in situ” progridam para carcinoma invasor 
num período de anos de evolução. A padronização das ações de saúde da mulher visa a alcançar a melhoria da qualidade e cobertura 
da assistência à saúde das mulheres que procuram o Sistema Único de Saúde em nossa cidade.
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Transcendência (gravidade do problema)
As mulheres representam uma prioridade para as políticas públicas de saúde pelas suas peculiaridades sócio-biológicas, nas 
quais as ações de saúde podem ter um impacto direto na redução dos índices de morbimortalidade, interferindo positivamente nos 
indicadores de saúde de uma população.
Vulnerabilidade (o quanto é efetivo o tratamento)
O protocolo tem por objetivo padronizar o atendimento, orientar a realização do mínimo a ser feito para garantia de boa qualida-
de, facilitando a informatização dos dados e possibilitando a realização de vigilância das situações de risco. A prioridade deve ser no 
sentido de diminuir a morbimortalidade da mulher por câncer de colo uterino. O câncer de colo uterino atinge mulheres jovens com 
grande freqüência e é potencialmente prevenível. Assim sendo, sua prevenção e detecção precoces apresentam importante impacto 
em saúde pública prevenindo milhares de mortes. É uma patologia que evolui muito lentamente. Estima-se que cerca de 50% de todos 
os casos de carcinoma “in situ” progridam para carcinoma invasor num período de anos de evolução.
Nos países desenvolvidos, a sobrevida média estimada em cinco anos varia de 59% a 69%. Nos países em desenvolvimento, os 
casos são encontrados em estágios relativamente avançados e, consequentemente, a sobrevida média é estimada em 49% após cinco 
anos. A prevenção e tratamento de doenças sexualmente transmissíveis (DST), particularmente a comportamento sexual, como nú-
mero de parceiros e idade da primeira relação sexual podem ser passíveis de interferência das equipes de saúde e educação, podendo 
ter impacto na prevenção dos fatores de risco associados ao desenvolvimento do câncer de colo uterino.
Objetivo
Diminuir a morbimortalidade por câncer de colo uterino na cidade de Porto Alegre, atravésde:
1. Ampliação da cobertura de rastreamento, privilegiando a busca àquelas pacientes que nunca foram submetidas a qualquer 
exame preventivo anterior;
2. Identificação das pacientes expostas aos fatores de risco;
3. Detecção precoce e tratamento das lesões precursoras do câncer de colo uterino;
4. Realização de vigilância epidemiológica e de busca ativa de mulheres faltosas, cujos resultados dos exames de prevenção 
mostraram-se alteradas;
5. Qualificação e humanização destas ações, integrando-as às demais ações e programas de assistência à saúde;
6. Revisar a literatura médica para atualização deste protocolo clínico anualmente.
População Alvo
Todas as mulheres com mais de 18 anos ou com vida sexual ativa em qualquer idade.
População com ênfase especial
- Mulheres com inicio de vida sexual ativa anterior aos 18 anos.
- Mulheres com comportamento de risco para DST/AIDS
- Mulheres em situação de vulnerabilidade social
- Tabagistas
- Mulheres soropositivas para HIV ou imunodeprimidas.
Anotações referentes ao algoritmo
1 A - Oferecer o rastreamento ao câncer de colo uterino a mulheres a partir dos 18 anos de idade ou com vida sexual ativa em 
qualquer idade, inclusive durante a gestação. Ainda não há evidências epidemiológico clínicas de benefícios na diminuição da mor-
bimortalidade da mulher em executar citopatológico de colo uterino em mulheres com menos de 18 anos. Há evidências fortes de 
diminuição da mortalidade após rastreamento regular com o teste de Papanicolaou e a inspeção visual com ácido acético e lugol em 
mulheres sexualmente ativas ou com idade igual ou superior a 18 anos. O limite de idade em que o rastreamento deve ser suspenso 
é desconhecido, mas pela história natural da doença a literatura aponta como sendo 65 anos este limite; desde que nos últimos 10 
anos os exames de rastreamento para câncer de colo uterino tenham tido resultado normal e que esta mulher não pertença a nenhum 
grupo de risco para câncer cervical..
Os fatores de risco para câncer de colo uterino são (DST, promiscuidade, precocidade das relações sexuais, tabagismo, etc.) e os 
fatores protetores são (uso de preservativos,higiene, exame ginecológico periódico, parceiros fixos, tratamento e diagnóstico precoce 
das lesões pré-malignas).
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conehcimentos específicos / enfermeiro
Nível de Evidências:
3 (estudo de coorte / caso-controle)
4 (evidências de séries múltiplas, com ou sem intervenção)
5 (opiniões de autoridades respeitadas, baseadas na experiência clínica, estudos descritivos ou comitês de experts)
Há boas evidências para se incluir o exame de prevenção e detecção precoce do câncer de colo uterino no exame de saúde de 
mulheres sexualmente ativas. Mulheres dos grupos de risco devem ser rastreadas com maior freqüência, se possível anualmente(Grau 
de recomendação B). Quanto à citologia em meio líquido não há evidências que suportem sua indicação como método de rastreio, 
especialmente devido a seu alto custo.
2 A - Rastreamento de Câncer de Colo Uterino Atendimento Individual. O exame de prevenção ao câncer de colo uterino reali-
zado nos postos de saúde deverá estar integrado à consulta de saúde da mulher. 
- Anamnese: avaliar saúde geral, gineco-obstétrica e dados sócio-econômicos, buscando a identificação de riscos.
- Exame Clínico
- Exame ginecológico:
- Exame de mamas: inspeção e palpação (segundo protocolo de mama).
- Realização do exame a fresco de secreção vaginal (onde houver microscópio);
- Rastreamento do câncer de colo uterino: coleta do exame citopatológico de colo uterino; inspeção visual do colo uterino com 
ácido acético e lugol.
- Exame de toque vaginal.
Técnica de coleta de exame citopatológico de prevenção ao câncer de colo uterino
- Não estar menstruada. Diferenciar menstruação de sangramento vaginal pois este poderá ser sinal de lesão de colo detectável à 
inspeção visual; Coletar mesmo na presença de menstruação se esta for a melhor oportunidade de realizar o exame em paciente que 
não tenha tido acompanhamento regular.
- Não usar cremes vaginais há pelo menos 4 dias;
- Não ter relações sexuais até 24 horas antes;
- Coletar o exame mesmo na presença de leucorréia, pois esta poderá ser a única oportunidade (retirar o excesso de secreção com 
gaze);
- Colocar espéculo sem lubrificantes;
- Não utilizar nenhuma solução intravaginal antes da coleta;
- Realizar coleta ecto e endocervical:
A combinação mais eficiente é o uso de escova para coleta da endocérvice, e da espátula de Ayre para coleta da ectocérvice, giran-
do-a 360 graus sobre a JEC (junção escamo-colunar) colocadas de forma sobreposta na mesma lâmina. (Grau de recomendação A) .
- Espalhar o material sobre a lâmina previamente identificada e fixar imediatamente com fixador citológico ou álcool 95%.
Periodicidade do Rastreamento
- A cada três anos, após dois exames normais consecutivos com intervalo de um ano. (Grau de recomendação A).Existe pouca 
evidência de que o rastreamento anual é mais efetivo do que a cada 3 anos para a população em geral.
- Anualmente em mulheres com risco (HIV positivo, imunodeprimidas, com lesões prévias de alto risco).
- Mulheres histerectomizadas por outras razões que não o câncer ginecológico, não precisam ser incluídas no rastreamento.
3A- No exame de rastreamento de câncer de colo uterino (coleta de citopatológico de colo uterino, inspeção visual e inspeção 
com ácido acético e lugol) são consideradas alteradas as seguintes situações:
Alterações visuais no colo uterino:
- Pólipos
- Tumores
- Erosões
- Epitélio branco
- Áreas leucoacéticas
- Áreas com Teste de Schiller positivo.
Didatismo e Conhecimento 68
conehcimentos específicos / enfermeiro
Alterações no exame citopatológico de colo uterino:
1. Alterações celulares benignas: (citologia normal)
- Inflamação
- Reparação
- Metaplasia escamosa imatura
- Atrofia com inflamção
- Radiação
2. Atipias celulares
2.1. Alterações de significado indeterminado:
2.1.1 Células Escamosas:
- Possivelmente não neoplásicas (ASC-US de Bethesda)
- Não se pode afastar lesão intra-epitelial de alto grau ( ASC-H de Bethesda)
2.1.2.Células Glandulares:
- Possivelmente não neoplásicas
- Não se pode afastar lesão intra-epitelial de alto grau.
2.1.3. De origem indefinida:
- Possivelmente não neoplásicas
- Não se pode afastar lesão intra-epitelial de alto grau.
2.2. Atipias celulares em células escamosas:
2.2.1 Lesão intra-epitelial de baixo grau (compreendendo efeito citopático pelo HPV e NICI).
2.2.2 Lesão intra-epitelial de alto grau (compreendendo NIC II e NICIII).
2.2.3 Lesão intra-epitelial de alto grau, não podendo excluir microinvasão
2.2.4 Carcinoma epidermóide invasor.
2.3 Atipias celulares em células glandulares:
2.3.1 Adenocarcinoma in situ
2.3.2 Adenocarcinoma invasor: cervical, endometrial, sem outras especificações
3. Outras neoplasias malignas
4. Presença de células endometriais (na pós-menopausa ou acima de 40 anos, fora do período menstrual).
4 A - Exames Normais: A paciente apresenta inspeção visual do colo uterino normal e resultado do exame citopatológico do colo 
uterino normal. Neste momento avalia-se a adequabilidade da amostra: satisfatória ou insatisfatória.
5 A - Satisfatória, com representatividade da JEC. A periodicidade do rastreamento será a cada três anos, desde que existam 
dois exames normais consecutivos (com intervalo de um ano) e que não exista situação de risco.
6 A - Insatisfatória. Tratar as vulvovaginites, se necessário, e repetir imediatamente. 7 e 8ª - Na presença de lesões intra-epite-
liais de baixo grau (NIC I e HPV) e atipias em células escamosas (ASC-US), realizar citologia em 6 meses. 
9 A - Duas citologias consecutivas normais ( 6/6 meses) voltar a rotina de rastreamento básica.
11 A - Se uma das duas citologias forem: ASC-US, ASC-H ou lesões de baixo grau (NICI- HPV) encaminhar para colposcopia.12 A - Vide 17 A ou 21 A.
13 A - Se alto grau (NICII ou NICIII), microinvasão, carcinoma epidermóide invasor, adenocarcinoma in situ ou invasor, deve-
mos encaminhar para a referência.
15 A - Na presença de ASC-H (atipias em células escamosas de significado indeterminado que não se pode afastar lesão de alto 
grau) ou alterações na inspeção visual encaminhar para colposcopia.
17A - Colposcopia normal ou insatisfatória. É considerada satisfatória a colposcopia em que a JEC (junção escamo colunar) é 
visível e insatisfatória quando ocorrer inflamação intensa ou atrofia acentuada. Nestes casos tratar a alteração e repetir a colposcopia 
após 30 dias. Para os casos de atrofia, usar estrogênio via vaginal por 7 dias antes do exame, desde que não haja contra-indicações 
para tal conduta. Se após o tratamento a colposcopia for normal, repetir citologia em 6 meses.
18A, 19 e 20 - Após duas citologias normais coletadas com intervalo de 6 meses , retornar a rotina de rastreamento básico.
21A - Colposcopia com lesão: encaminhar para a referência 
Didatismo e Conhecimento 69
conehcimentos específicos / enfermeiro
Colposcopia com lesões de baixo grau
As lesões colposcópicas de baixo grau são: epitélio acetobranco tênue e plano, pontilhado fino, mosaico regular, ausência de 
vasos atípicos, zona iodo negativa muda. Observar se as alterações encontram-se dentro ou fora da zona de transformação; Nível de 
Evidências: 4 (evidências de séries múltiplas, com ou sem intervenção) e 5 (opiniões de autoridades respeitadas, baseadas na experi-
ência clínica, estudos descritivos ou comitês de experts)
Colposcopia com lesões de alto grau ou insatisfatória com lesão
As alterações observadas na colposcopia de alto grau são:epitélio branco com relevo, pontilhado grosseiro, mosaico irregular; 
vasos atípicos; orifícios glandulares com halos espessados. Observar se as alterações encontram-se dentro ou fora da zona de trans-
formação.
23 A - Se citologia com atipias (ASC-US ou mais) encaminhar para referência
24 A - Na presença de: Lesão intra-epitelial de alto grau (NIC II e NICIII), carcinoma epidermóide microinvasor ou invasor, 
adenocarcinoma e AGUS: Encaminhar para referência e tratar as vulvovaginites, se presentes, antes do OBS: Na presença de células 
endometriais em mulher com mais de quarenta anos, fora do período menstrual, aconselha-se investigar patologias ovariana, tubária 
ou endometrial, sendo então encaminhadas para a unidade de referência.
Pesquisa de HPV-DNA
Não se justifica a pesquisa de HPV-DNA porque em cerca de 80% será positiva para vírus de alto risco oncogênico. Porém nem 
toda mulher com HPV de alto risco apresentará lesão de alto grau. Para que isto ocorra são necessários outros co-fatores tais como 
suscetibilidade genética, fatores nutricionais, tabagismo, etc. A pesquisa molecular pode ser utilizada nas pacientes cujo resultado 
de exame citopatológico apresentar atipias de significado indeterminado (para detectar a presença de vírus oncogênico) ou no se-
guimento de pacientes que tenham sido submetidas a conização ou à cirurgia de alta frequência. No entanto, como o custo deste 
procedimento é elevado, não existe indicação de realizá-lo como rotina, optando-se pela colposcopia.
Magnitude (o quanto é frequente a condição)
As maiores causas de morte na população feminina são as doenças cardiovasculares, seguidas das neoplasias. Entre essas, a 
principal causa de morte é o câncer de mama. A mortalidade materna ocupa o 8º lugar. O índice de mortalidade materna no país é 35 
vezes maior que nos países desenvolvidos (Brasil: 140/100.000, Canadá: 3/100.000). Porto Alegre apresenta índice abaixo da média 
nacional (71,68/100.000 em 2004), mas ainda assim, expressivamente alto. As principais causas de morte materna na capital, nos 
últimos 8 anos(1996 a 2004) são: patologias clínicas que coincidem com o período gravídico-puerperal (17%), SIDA(15%), doença 
hipertensivada gestação 15%) e infecção puerperal ( 15%), doenças cardiovasculares (12,5%), aborto(12%). 
Apenas 80% das gestantes realizam um pré-natal com o mínimo de seis consultas pré-natais preconizadas pelo Ministério da 
Saúde. O índice de gestações na adolescência variou de 19,5% em 1999 para 17,1 em 2004. A mortalidade neonatal representa o 
principal componente da mortalidade infantil em Porto Alegre, sendo de 61% em 2004. As principais causas são as Afecções Peri-
natais (48,5%) e mal Formações Congênitas (27,2%). SINASC e SIM, CGVS, Porto Alegre. Os índices de infecção pelo HIV em 
Porto Alegre têm mostrado que as mulheres e os adolescentes vêm sendo as principais vítimas. Estima-se que 15 a 40 % das crianças 
de mães soropositivas ao HIV tornam-se infectadas na gestação, durante o parto e no puerpério através da amamentação. Conforme 
o Sistema de Informação do Pré-natal (SISPRENATAL) 69% das gestantes tem registro de solicitação do anti-HIV e 69% para a 1ª 
coleta do VDRL . Estes indicadores revelam a necessidade de intervenções específicas e diretas com ênfase nas ações que dizem 
respeito ao aumento da cobertura e à qualificação da assistência pré-natal e na melhoria dos registros. Sabemos que esses agravos 
à saúde são passíveis de intervenções que podem diminuir a morbimortalidade do binômio mãe-bêbe. A normatização das ações de 
saúde da mulher visa a alcançar a melhoria da qualidade e da cobertura da assistência à saúde das mulheres que procuram o Sistema 
Único de Saúde em nossa cidade.
Transcendência (gravidade do problema)
As mulheres representam uma prioridade para as políticas públicas de saúde pelas suas peculiaridades sócio-biológicas, nas quais 
as ações de saúde podem ter um impacto direto na redução dos índices de morbimortalidade materno-infantil, interferindo positiva-
mente nos indicadores de saúde de uma população.
Didatismo e Conhecimento 70
conehcimentos específicos / enfermeiro
Vulnerabilidade (o quanto é efetivo o tratamento)
A assistência pré-natal adequada, com detecção e intervenção precoce das situações de risco, e um sistema ágil de referência 
hospitalar, além da qualificação da assistência ao parto, são os grandes determinantes dos indicadores de saúde relacionados à mãe e 
ao bêbe, que tem o potencial de diminuir as principais causas de mortalidade materna e neonatal.Os cuidados assistenciais no primei-
ro trimestre são utilizados como um indicador maior da qualidade dos cuidados maternos. As diretrizes têm por objetivo padronizar 
o atendimento de acordo com as evidências mais atuais da literatura médica, visando a realização de uma prática racional e custo-
-efetiva garantindo um padrão de boa qualidade, facilitando a informatização dos dados e possibilitando a realização de vigilância das 
situações de risco. A prioridade deve ser no sentido de: identificar as gestantes de alto risco e acompanhar as de baixo risco tratando 
suas intercorrências.
Objetivos
Diminuição da morbimortalidade materna e perinatal através da:
- qualificação e humanização da assistência pré-natal no município;
- ampliação da cobertura;
- captação precoce das gestantes (antes de 16 semanas de gestação);
- aumento do número de consultas/gestante no pré-natal;
- identificação precoce das gestantes de alto risco e encaminhamento ao serviço de referência;
- diminuição da transmissão vertical das infecções pré-natais (HIV, toxoplasmose, sífilis, hepatite) ampliando a cobertura dos 
exames complementares de rotina;
- inicio precoce da terapia anti-retroviral nas gestantes HIV positivas;
- realização de vigilância epidemiológica e busca ativa de gestantes faltosas;
- integração das ações de pré-natal às ações dos demais programas;
- validação e revisão das diretrizes clínicas.
População Alvo
Todas as mulheres no ciclo gravídico-puerperal da área de atuação das unidades de saúde com ênfase especial para:
- adolescentes
- mulheres de risco para DST/AIDS
- mulheres em situação de vulnerabilidadesocial e das micro-áreas de risco das unidades de saúde.
Metas de Cobertura
Aumentar a cobertura de pré-natal de 80% ( SINASC) para 100 % na área de atuação das unidades de saúde, priorizando as áreas 
e as gestantes de maior risco. Para calcular o número de gestantes esperado na população da área de atuação utiliza-se a taxa bruta 
de natalidade. Em Porto Alegre, esta taxa é de 1,53% do total da população, o que representa o número de gestantes esperadas em 
um ano. 
Por exemplo: numa área com população estimada em 4.000 hab., o número de gestantes (ou RN) estimada em um ano será 1,53% 
de 4.000, ou seja, 61 gestantes/ano. Outra forma de estimar é pelo número de DNs encaminhadas pela Equipe de Informação (Prá-
-Nenê) dos nascidos vivos da área de atuação da unidade.
Algoritmo da assistência ao pré natal de baixo risco
A1 - Mulher com suspeita de gestação
A2 - Investigar sinais de presunção, probabilidade e certeza
A4 - Gestação
A3 - Investigar amenorreia; Orientação anticoncepcional e pré concepcional
A5 - Acompanhamento do Pré-natal de Baixo Risco; Realizar anamnese e exame físico. Solicitar e avaliar exames complemen-
tares. Estabelecer risco da gestação e planejar o acompanhamento. Identificar as gestantes faltosas e as que não estão realizando pré-
-natal. Diagnosticar e tratar precocemente intercorrências e avaliar a necessidade de referenciar ao serviço especializado. Orientar o 
aleitamento materno e retorno no puerpério.
A6 - Consulta de prénatal: Alto Risco?
Didatismo e Conhecimento 71
conehcimentos específicos / enfermeiro
A7 - Encaminhar ao ambulatório de alto risco
A8 - Acompanhamento no pré natal de baixo risco
A9 - Verificar e orientar as situações em que as gestantes devem ser encaminhadas ao centro obstétrico.
A10 - Consulta de puerpério.
Sinais de presunção de gravidez
- Atraso menstrual;
- Manifestações clínicas (náuseas, vômitos, tonturas, salivação excessiva, mudança de apetite, aumento da frequência urinária e 
sonolência);
- Modificações anatômicas (aumento do volume das mamas, hipersensibilidade nos mamilos, tubérculos de Montgomery, saída 
de colostro pelo mamilo, coloração violácea vulvar, cianose vaginal e cervical);
Sinais de probabilidade
- Amolecimento da cérvice uterina com posterior aumento do seu volume;
- Paredes vaginais aumentadas com aumento da vascularização (pode-se observar pulsação da artéria vaginal nos fundos de saco 
laterais);
- Positividade da fração beta do HCG no soro materno a partir do oitavo ou nono dia após a fertilização.
Sinais de certeza
- Presença dos batimentos cardíacos fetais - BCF- detectados pelo sonar a partir de 12 semanas;
- Percepção dos movimentos fetais (18 e 20 semanas);
- Ultra-sonografia - o saco gestacional pode ser observado por via transvaginal com apenas 4-5 semanas gestacionais e a ativida-
de cardíaca é a primeira manifestação do embrião com seissemanas gestacionais.
Recomendações quanto ao diagnóstico da gravidez
O diagnóstico da gravidez pode ser efetuado em 90% das pacientes através dos sinais clínicos, sintomas e exame físico, em 
gestações mais avançadas. 
As queixas principais incluem o atraso menstrual, fadiga, mastalgia, aumento da frequência urinária e enjôos/vômitos matinais 
[Grau de recomendação D (1)]. Alguns testes urinários têm baixa taxa de resultados falso-positivos, mas elevada taxa de falso-
-negativos, podendo atrasar o início do pré-natal. A pesquisa através de radioimunoensaio da fração beta da gonadotrofina coriônica 
humana sérica é o método mais sensível e confiável, embora também o mais caro [Grau de recomendação D (2)].
Recomendações quanto ao roteiro das consultas pré-natais
Talvez o principal indicador do prognóstico ao nascimento seja o acesso à assistência pré-natal [Grau de recomendação B(3)]. 
Os cuidados assistenciais no primeiro trimestre são utilizados como um indicador maior da qualidade dos cuidados maternos [Grau 
de recomendação B(4)].
Se o início precoce do pré-natal é essencial para a adequada assistência, o número ideal de consultas permanece controverso. 
Segundo a Organização Mundial de Saúde, o número adequado seria igual ou superior a seis. Pode ser que, mesmo com um núme-
ro mais reduzido de consultas, porém com maior ênfase para o conteúdo de cada uma delas, em pacientes de baixo risco, não haja 
aumento de resultados perinatais adversos [Grau de recomendação A (5)]. Atenção especial deverá ser dispensada às grávidas com 
maiores riscos [Grau de recomendação A (6)]. As consultas deverão ser mensais até a 28ª semana, quinzenais entre 28 e 36 semanas 
e semanais no termo [Grau de recomendação D (7)]. Deve-se avaliar o mamilo para lactação, conforme orientações precedentes no 
item amamentação [Grau de recomendação D (2)].
Anamnese: A anamnese deverá incluir a história pessoal e familiar da paciente e questões relativas ao estilo de vida.
Recomendações quanto à anamnese:
Os componentes da história que precisam ser interrogados na primeira consulta pré-natal são [Grau de recomendação D(2)]:data 
precisa da última menstruação; regularidade dos ciclos; uso de anticoncepcionais; paridade; intercorrências clínicas, obstétricas 
e cirúrgicas; detalhes de gestações prévias; hospitalizações anteriores; uso de medicações; história prévia de doença sexualmente 
transmissível; exposição ambiental ou ocupacional de risco; reações alérgicas; história pessoal ou familiar de doenças hereditárias/
Didatismo e Conhecimento 72
conehcimentos específicos / enfermeiro
malformações; gemelaridade anterior; fatores socioeconômicos; atividade sexual; uso de tabaco, álcool ou outras drogas lícitas ou 
ilícitas; história infecciosa prévia; vacinações prévias; história de violências. Na pesquisa de sintomas relacionados à gravidez tam-
bém deverá ser questionado: náuseas, vômitos, dor abdominal, constipação, cefaléia, síncope, sangramento ou corrimento vaginal, 
disúria, polaciúria e edemas [grau de recomendação D (2)].
Exame Físico: São indispensáveis: medida da pressão arterial, peso, exame das mamas, altura uterina, abdômen (percepção da 
dinâmica), ausculta dos batimentos fetais (conforme idade gestacional), verificação de edema e toque vaginal.
Recomendações quanto ao exame físico:
No exame físico os mais importantes componentes que precisam ser incluídos na primeira visita pré-natal são: peso, altura, pres-
são arterial, avaliação de mucosas, da tireóide, das mamas, pulmões, coração, abdômen e extremidades. 
No exame ginecológico/obstétrico, avaliar a genitália externa, vagina, colo uterino e, no toque bidigital, o útero e anexos.. Após 
a 12ª semana medir a altura do fundo uterino no abdôme. A ausculta fetal será possível após a 10/12ª semana com o sonar-doppler 
[Grau de recomendação D(2)]. Nas visitas subsequentes, torna-se obrigatório medir a altura uterina, pesar a paciente, mensurar a 
pressão arterial, verificar a presença de anemia de mucosas, existência de edemas e auscultar os batimentos cardíacos fetais. Deve-se 
avaliar o mamilo para lactação. A definição da apresentação fetal deverá ser determinada por volta da 36ª semana [Grau de recomen-
dação D(2)].
Exames Complementares
1ª Consulta ou 1º trimestre Hemograma, grupo sangüíneo e fator Rh, glicemia de jejum, VDRL, EQU, urocultura com teste, 
Anti-HIV, HBsAg, Coombs indireto (se Rh negativo), sorologia para toxoplasmose, CP de colo uterino, exame de secreção vaginal.
2º Trimestre: Repetir glicemia de jejum, TTG /75gr, Coombs indireto (se Rh negativo).
3º Trimestre: Hemograma, VDRL, EQU, HIV, HBsAg, Coombs indireto (se Rh negativo), sorologia para toxoplasmose ( Se1º 
Ig G for negativo), exame de secreção vaginal (investigação de vaginose bacteriana), anti-HCV para as gestantes de risco. (26,31,32).
OBS: A coleta para cultura de Streptococcus do grupo B, é recomendada de forma sistemática para todas as gestantes entre 35 
e 37 semanas de gestação, para determinar acolonização pelo Streptococcus do grupo B no trato genital e intestinal (CDC, Estados 
Unidos).[Grau de recomendação B. No Brasil no entanto, não existe consenso ou recomendação técnica sobre o tema. Ainda não 
existem estudos que avaliem o custo efetividade ( riscos versus benefícios). As variáveis a serem analisadas são: a prevalência da 
colonização pelo Streptococcus do grupo B nas gestantes no final da gestação , a incidência de sepse neonatal, bem como os riscos 
oriundos do uso de antibióticos profiláticos intraintraparto ( anafilaxia e infecções maternas e neonatais por bactérias resistentes). A 
literatura aponta que a colonização neonatal por Streptococcus do grupo B ocorre em metade das mães portadoras, mas só 2% terão 
quadros infecciosos graves. Se a prevalência de colonização no Brasil fosse de 20%, de cada 1000 gestantes triadas, 200 seriam po-
sitivas e receberiam antibiótico profilático intraparto, para evitar 2 sepses neonatais.
Neste momento não se tem elementos suficientes para recomendar a realização sistemática da coleta de streptococcus do grupo 
B em gestantes. È necessário que, primeiramente, realizem-se estudos locais de prevalência da colonização pelo Streptococcus do 
grupo B nas gestantes e estudos que demonstrem a incidência de sepse neonatal por esta bactéria.
Observações
- Anti-HIV (com aconselhamento): As pacientes negativas deverão repetir o teste no terceiro trimestre (a partir da 27ª sema-
na). O teste positivo determina referência para alto risco (SAE) para confirmação com outro teste Elisa e com um teste específico 
(Western-blot).
- HbsAg: Solicitar na 1ª consulta para todas as gestantes.Grau de recomendação A. Se negativo, e vacinação prévia não tiver sido 
efetuada, pode ser recomendado a vacinação nas pacientes de risco e menores de 20 anos (Ministério da Saúde). Repetir, a partir da 
27ª semana de gestação. Se HbsAg for positivo, notificar a Vigilância de Saúde, encaminhar para referência secundária, e investigar 
familiares. Se a mãe for portadora do antígeno, a criança tem 70% a 90% de chance de adquirir hepatite B e 85% a 90% de ser porta-
dora crônica. O tratamento do recém-nascido com imunoglobulina e vacina para hepatite B reduz o risco em 85% a 90%.
- Anti-HCV: Situações especiais de alto risco como: uso de drogas injetáveis e/ou parceiro usuário, transfusões de sangue, ou 
múltiplos parceiros de um ou de ambos.
- Coombs Indireto: Se gestante for Rh negativo e o genitor masculino for Rh positivo, solicitar na 1ª consulta. Se negativo, 
repetir entre 24-28 semanas e, após a cada 4 semanas. Se positivo, referenciar para pré natal de alto risco imediatamente .
Didatismo e Conhecimento 73
conehcimentos específicos / enfermeiro
- Toxoplasmose: não existe consenso em relação ao rastreio da toxoplasmose, mas o Rio Grande do Sul é área endêmica. Quando 
a IgM for positiva .( MEIA, ELISA, IFI), a gestante deve ser encaminhada à referência especializada. Ver Anexo IV de Rastreamento 
da Toxoplasmose.
- O E.Q.U e urocultura reduzem o risco de pielonefrite por detectarem precocemente as infecções urinárias baixas assintomá-
ticas. Na presença de bacteriúria assintomática por Streptococcus do Grupo B, tratar e anotar, com destaque, na carteira de pré-natal, 
pois este é um critério de uso de antibiótico profilaxia durante o parto.
- TTG de 2 horas com 75 gramas de glicose: Deverá ser realizado entre a 24ª e 28ª semanas de gestação, se a 1ªglicemia de 
jejum for entre 85 e 109 mg/dl ou, se a gestante apresentar dois ou mais fatores de risco para diabete gestacional.[grau de recomen-
dação D (16)]. Caso a paciente não apresentar fatores de risco e a 1ª glicemia de jejum menor que 85 mg/dl, repetir a glicemia de 
jejum na 20ª semana. Se esta for menor que 85 mg/dl o rastreamento é negativo não precisando fazer o TTG. [Grau de recomendação 
D (16)]. Ver Anexo III.
- Ecografia obstétrica: A ecografia poderá ser solicitada para a gestante em que há impossibilidade de determinação da idade 
gestacional correta e na presença de intercorrências clínicas ou obstétricas, assim como detecção precoce de gestações múltiplas e 
retardo de crescimento intrauterino. Existem evidências de que sua realização poderá detectar malformações fetais não suspeitadas. 
Embora seja um exame muito útil em diversas situações, na ausência de uma indicação específica, é bastante discutida a sua solicita-
ção e não existem dados até o momento que suportem sua recomendação como rotina. Não há evidência da sua efetividade na redução 
da morbimortalidade materna e perinatal.[Grau de recomendação A (17)]. Se for solicitada, na ausência de indicações específicas, a 
época ideal seria em torno da 16-20 semanas de gestação, quando podemos detectar malformações fetais e calcular a idade gestacio-
nal. [Grau de recomendação A (17,18,19)].
- Gestantes com exames citopatológicos do colo uterino alterados ou com alterações palpatórias ao exame físico das mamas de-
vem ser encaminhadas para referência especializada e poderão seguir, se possível , seu pré-natal na unidade de atenção básica. Para 
tratar pacientes com exames alterados recorrer aos anexos. 
Recomendações quanto a avaliação da vitalidade fetal
- Ecografia Obstètrica: Em relação ao diagnóstico do bem-estar fetal, um estudo realizado com mais de 15.000 pacientes de 
baixo risco não ofereceu subsídios para seu uso rotineiro [Grau de recomendação A (19)].
- Dopplervelocimetria : sua utilização em gestações de risco é totalmente justificada, existindo melhora no cuidado obstétrico, 
parecendo ser promissora em reduzir mortes perinatais [Grau de recomendação A (21)].Em pacientes de baixo risco não existem 
evidências que justifiquem sua utilização rotineira, não adicionando benefícios à mãe ou ao feto [Grau de recomendação A (21)].
- Cardiotocografia anteparto: Apesar de ser método seguro e inócuo em relação à mãe, não existem evidências científicas que 
autorizem seu uso rotineiro em gestações de baixo risco. Os dados incluídos nas últimas revisões, entretanto, são do início da utiliza-
ção da cardiotocografia e podem não se correlacionar com a prática obstétrica atual [Grau de recomendação A (20)].
Calendário de vacinação, acompanhamento nutricional e práticas educativas
Vacinação da gestante
1. Vacinação Antitetânica: É realizada para a prevenção do tétano no recém-nascido e para a proteção da gestante, com a vacina 
dupla tipo adulto (dT) ou, na falta desta, com o toxóide tetânico (TT).
Gestante não vacinada
Esquema básico: consta de três doses, podendo ser adotado um dos seguintes esquemas:
1. As primeiras duas doses com intervalo de dois meses (mínimo de um mês) – aplicando-se a primeira o mais precocemente 
possível - e a terceira seis meses depois da segunda (a segunda dose deve ser aplicada até 20 dias, no máximo, antes da data provável 
do parto);
2. Três doses, de dois em dois meses (intervalos mínimos de um mês), aplicando-se a primeira dose o mais precocemente possível 
e a terceira até 20 dias, no máximo, antes da data provável do parto. OBS:Duas doses de vacina já imunizam o feto. Por motivos de 
ordem operacional, tem-se optado por um ou outro esquema nas diferentes regiões do país.
3. Reforços: A cada cinco anos se ocorrer nova gravidez.
Didatismo e Conhecimento 74
conehcimentos específicos / enfermeiro
Gestante vacinada
Nunca repetir o esquema completo de 3 doses, independente da época em que ele já foi feito. Fazer só uma dose de reforço.
2. Influenza (Inativado): Poderá ser realizado, se disponível, para as gestantes em qualquer trimestre, devido às complicações 
desta doença na gestação. Um estudo com 2000 grávidas, não demonstrou efeitos adversos fetais. [GRAU DE RECOMENDAÇÃO 
B ( 23)]
3. Vacina para hepatite: para as gestantes menores de 20 anos ou com vulnerabilidade para a doença, com HbsAg negativo. 
[GRAU DE RECOMENDAÇÃO B ( 24 E 25)]
Recomendações em relação a suplementaçãode vitaminas e nutrientes na gestação
- Ferro e folato: A suplementação rotineira de ferro e folato parece prevenir a instalação de baixos níveis de hemoglobina no 
parto e puerpério. Existem poucas informações em relação a outros parâmetros de avaliação da mãe e seu recém-nascido [Grau de 
recomendação A (8)].
- Folato peri-concepcional: Tem forte efeito protetor contra defeitos abertos do tubo neural. Deve ser usado rotineiramente pelo 
menos dois meses antes e nos dois primeiros meses da gestação. Esta informação deve ser difundida através de programas educacio-
nais de saúde. Mulheres que tiveram fetos ou neonatos com defeitos abertos do tubo neural, têm que usar folato continuamente se 
ainda desejam engravidar [Grau de recomendação A (9 E 10)].
- Piridoxina (vitamina B6): não há evidências para indicá-la como suplemento na gravidez, embora os resultados de um trabalho 
sugiram que seu uso pode ter efeito protetor em relação ao esmalte dentário [Grau de recomendação A (11)].
- Cálcio: Seu uso parece ser benéfico em mulheres que apresentam alto risco de desenvolver hipertensão na gestação e naquelas 
que têm baixa ingesta de cálcio. Novas investigações são necessárias para definição da melhor dose a ser utilizada na gestação [Grau 
de recomendação A (12)].
- Zinco: Não existem evidências suficientes para avaliar os efeitos do seu uso na gravidez. Os possíveis efeitos benéficos sobre 
a prevenção do trabalho de parto prematuro necessitam de novas avaliações [Grau de recomendação A (13)].
- Proteínas: A suplementação balanceada parece melhorar o crescimento fetal e reduzir os riscos de morte fetal e neonatal. As 
evidências são insuficientes para afirmar se existem outras vantagens potenciais [Grau de recomendação A (14)].
A7 - Aos ambulatórios de alto risco conforme hospital de referência
Atenção especial deverá ser dispensada às grávidas com maiores riscos, a fim de reduzir a morbidade e mortalidade materna e 
perinatal. (Grau de recomendação A).Todas as gestantes deverão ser referenciadas ao pré-natal de alto risco prontamente conforme 
a regionalização.
Patologias Prévias:
- Hipertensão Arterial (Hipertensão crônica na gestante( TA > 140/90 antes das 20 semanas, medida em repouso de pelo menos 
10 minutos,
- Nefropatias,
- Doenças Hematológicas,
- Lupus Eritematoso Sistêmico,
- Diabete Mélito Tipos I e II,
- Cardiopatia,
- Pneumopatia Grave,
- Doenças Neurológicas como a Epilepsia que necessitam de acompanhamento multidisciplinar;
- Doenças Psiquiátricas que necessitem de acompanhamento; Qualquer patologia clínica que necessite acompanhamento de 
maior complexidade;
Gestação Atual
- Isoimunização Rh
- Hipertensão na gestação deverá ser encaminhado para avaliação no Centro Obstétrico (vide “urgências em Obstetrícia”),
- HIV Reagente;
- Hemoglobina < 8 não responsiva a 30 dias de tratamento com Sulfato Ferroso 3 cps/dia,
- Diabete Mélito Gestacional;
- História Prévia de Doença Hipertensiva da Gestação, com mau resultado obstétrico e ou perinatal (interrupção prematura da 
gestação, morte fetal intrauterina, HELLP, Eclampsia, internação da mãe em UTI),
Didatismo e Conhecimento 75
conehcimentos específicos / enfermeiro
- Toxoplasmose IgM reagente ou conversão de IgG
- infecções pré-natais como a Rubéola e a Citomegalovirose adquiridas na gestação atual;
- Oligoidrâmnio Pré-termo( < ou igual a 36 semanas)
- Crescimento Intra-Uterino Restrito Pré-Termo;
- Desnutrição Materna severa;
- Drogadição e Alcoolismo ,
- Gemelidade,
- Malformações Fetais ou arritmia fetal.,
- Morte Intra-uterina ou perinatal em gestação anterior principalmente se for de causa desconhecida,
- Polidrâmnio;
- Placenta Prévia na gestação atual,
- NIC III ( encaminhar pelo disque onco),
- Alta suspeita clínica de Câncer de Mama ou Mamografia com Bi-rads III ou mais (encaminhar pelo disque onco),
- Adolescentes com fatores de risco psicossocial
A8 - Acompanhamento do pré-natal de baixo risco
Calendário de Consultas
A9 - Encaminhamento para centro obstétrico
- Presença de sangramento oriundo do canal cervical independente da dilatação e idade gestacional.
- Suspeita de Pré-eclâmpsia: Pressão Arterial >= 140/90 medida após um mínimo de 10 minutos de repouso, em decúbito lateral 
esquerdo e confirmado em uma segunda medida. 
Obs: edema não é mais considerado critério diagnóstico.
Os hospitais irão confirmar ou não o diagnóstico e dar a conduta (hospitalização, pré-natal de alto risco ou retorno à unidade de 
saúde).
- Sinais premonitórios de eclâmpsia em hipertensas(escotomas cintilantes, cefaléia típica occipital, epigastralgia ou dor intensa 
no hipocôndrio direito).
- Hipertermia (TAX>=37,8C) na ausência de sinais ou sintomas clínicos de IVAS.
- suspeita/diagnóstico de abdômen agudo em gestantes;
- suspeita/diagnóstico de pielonefrite , infecção ovular ou outra infecção que necessite de internação hospitalar;
- perda de líquido característica( consistência líquida, em grande quantidade ou pequenas quantidades mas persistente)mediante 
exame especular com manobra de Valsalva e elevação da apresentação fetal.
- Suspeita de Trombose venosa profunda em gestantes ( dor no membro inferior, edema localizado e ou varicosidade aparente)
- Trabalho de parto prematuro (contrações + modificação de colo uterino em gestantes < 36 semanas).
- 41 semanas de idade gestacional confirmadas.
- investigação de prurido gestacional / icterícia.
- Vômitos incoercíveis não responsivos ao tratamento com comprometimento sistêmico < 20 semanas.
- Vômitos inexplicáveis no 3º trimestre.
- crise hipertensiva (TA >=160/110).
- suspeita de pré-eclâmpsia em gestantes.
- Retardo de Crescimento Intra Uterino ( RCIU).
- Oligodrâmnio com patologia prévia.
- casos clínicos que necessitem de avaliação hospitalar (p.ex. cefaléia intensa e súbita, sinais neurológicos, crise aguda de asma, 
etc.)se menor que 20 semanas de idade gestacional encaminhar para a emergência se mais de 20 semanas de idade gestacional enca-
minhar ao centro obstétrico.
Casos para avaliação de bem estar fetal:
a) parada da movimentação fetal por 12h;
b) ausência de BCF ( para confirmar morte ou investigar sofrimento);
c) trauma abdominal;
Didatismo e Conhecimento 76
conehcimentos específicos / enfermeiro
d) bradicardia fetal (menos de 120 BCF por minuto), Taquicardia fetal (mais de 160 BCF por minuto) em decúbito lateral es-
querdo.
e) oligodrâmnio : índice de liquido amniótico(ILA) menor que 5.
f) suspeita de pós-datismo (Idade Gestacional duvidosa = > 41 semanas, pois se for de certeza 41 semanas encaminhar para a 
maternidade para interrupção da gestação (gestação de 40 semanas não se avalia Bem Estar Fetal).
Obs: não existem parâmetros na literatura médica para quantificar a normalidade dos movimentos fetais. A movimentação deve 
ser valorizada de acordo com a situação clínica de cada paciente. Há evidências contrárias à realização da cardiotocografia anteparto 
em gestações de baixo risco (em torno de 50% de falso positivo).
Indicações para cesareana eletiva:
- Placenta Prévia Oclusiva total (encaminhar com 36 semanas de gestação).
- Duas ou mais cesarianas prévias (acima de 38 semanas).
- Apresentação pélvica ou anômala ( acima de 38 semanas).
- Placenta acreta em gestação anterior.
A10 - Consulta de Puerpério
A primeira consulta deve ser entre 7 e 10 dias após o parto. Deve-se ter atenção para:
- Preencher a ficha de pré-natal com os dados relativos ao parto e dar alta do programa no cadastro das gestantes ativas.
- Proceder ao exame ginecológico quando houver presença de: lóquios fétidos, sangramento uterino aumentado, secreção vaginal 
purulenta, dor abdominal ou febre.
- Solicitar os exames complementares necessários.
- Avaliar a necessidade de completar doses da vacina antitetânica.
- Avaliar hábito intestinal e queixas urinárias.
- Avaliar necessidade de suplemento alimentar, orientando-anesse sentido.
- Proceder ao exame das mamas, investigando fissuras mamárias, retrações de mamilo, ingurgitamento, mastite, etc.
- Investigar a freqüência da amamentação, estimulando o aleitamento materno.
- Observar os sinais de apego ao recém-nascido, atentando para possíveis sinais de alerta, principalmente se apresentar fatores de 
risco (gestação indesejada, primeira gestação, mãe adolescente, família desestruturada, falta de apoio social e/ou familiar, ausência 
de companheiro, abuso de drogas, não ter realizado pré-natal, tentativa de aborto desta gestação e outros).
- Observar sinais de depressão pós-parto e atuar positivamente, apoiando esta mãe em suas dificuldades, sejam de ordem emo-
cional ou social, promovendo o desenvolvimento do apego e a prevenção dos maus tratos.
- Incentivar o acompanhamento do desenvolvimento do bebê.
- Orientar sobre a importância do tempo intergestacional e o acompanhamento ginecológico.
- Promover a visitação domiciliar para as puérperas faltosas através da lista de faltosas do Programa de pré-natal e da lista de 
Dns do programa Prá-Nenê (SINASC).
- Agendar consulta de retorno para 30 a 40 dias, para revisar os seguintes tópicos:
- Revisar a amamentação, incentivando-a.
- Proceder ao exame das mamas e ginecológico se houver queixas.
- Investigar a cessação ou não dos lóquios..
- Investigar hábitos intestinais e queixas urinárias.
- Orientar sobre os métodos anticoncepcionais e definir junto à paciente o mais adequado para sua situação. Geralmente, se hou-
ver uma boa e adequada amamentação, institui-se progestágenos, oral ou injetável , até nova avaliação em 3 meses.
- Orientar sobre o período da coleta do exame Citopatológico de colo uterino.
Patologias do Puerpério
Endometrite: A endometrite leve pós-parto, sem repercussão no estado geral da paciente, pode ser tratada de ambulatório com 
antibiótico V.O.. São usadas drogas de amplo espectro como a ampicilina ou a amoxacilina. A melhora deverá ocorrer em 48 a 72 
horas e se houver persistência de febre após este intervalo, referir a paciente ao hospital. Na endometrite pós-parto com peritonite 
(íleo, distensão abdominal e Blumberg positivo) bem como na endometrite pós-cesareana, a paciente deverá ser referida a hospitali-
zação para tratamento mais intensivo.
Infecção da Ferida Operatória: A ferida operatória deve ser explorada e se a infecção for superficial, não envolvendo fáscia, são 
orientados curativos na US e em casa e combinada a re-sutura. Se a infecção comprometer a fáscia ou existir quadro febril associado, 
a paciente deverá ser referida ao hospital.
Didatismo e Conhecimento 77
conehcimentos específicos / enfermeiro
Infecção de Episiotomia: Deve ser explorada e os fios de sutura removidos, orientando curativos freqüentes. Se houver quadro 
febril associado, usar antibiótico de amplo espectro (ampicilina ou amoxacilina). O quadro deve melhorar em 48 a 72 horas ou a 
paciente ser referida ao hospital.
Mastite: Usar analgésico/antitérmico e antibióticos com ampicilina ou eritromicina por 10 dias. Caso não ocorra boa resposta 
clínica em dois dias, trocar o antibiótico para oxacilina. Não suspender a amamentação.
Abcesso de Mama: Referir para drenagem.
Fissura de Mamilo: Banhos de luz ou de sal após as mamadas e se houver monilíase associada tratar o mamilo e a monilíase 
oral do bebê com nistatina.
Depressão Puerperal: Prevalência de 10 a 15% das puérperas. Devem ser adotadas medidas de apoio com médico e/ou enfermei-
ra ou técnico em saúde mental. Deve-se realizar visita domiciliar pelo risco de negligência e/ou maus tratos ao bebê se paciente não 
seguir acompanhamento proposto. Se não houver melhora do quadro, referência para profissional da saúde mental (interconsulta ou 
referência secundária), o médico pré-natalista e/ou enfermeira podem tratar de maneira eficaz 70% dos casos. Comunicar ao pediatra 
da equipe pelos riscos potenciais ao RN.
Fatores de risco para depressão puerperal:
- primiparidade
- gestação indesejada
- mãe jovem ou mãe solteira
- prematuridade ou baixo peso ao nascer
- parto cesáreo
- alimentação c/ mamadeira
- antecedentes familiares ou pessoais de desordem psiquiátrica - fatores psicossociais: difícil situação financeira, ausência de 
raízes, precária situação familiar, más condições de moradia, desemprego, etc.
Psicose Puerperal: Prevalência de 1/500 puérperas. Deve-se referenciar estes casos para atendimento especializado.
ANEXO III - DIAGNÓSTICO E RASTREAMENTO DO DIABETES GESTACIONAL
Fatores de Risco
- Idade superior a 25 anos
- Obesidade ou ganho excessivo de peso na gravidez atual
- Deposição central excessiva de gordura corporal
- História familiar de diabetes em parentes de 1º grau
- Baixa estatura (<= 1,40 m)
- Crescimento fetal excessivo, polidrâmnio, hipertensão ou pré-eclâmpsia na gravidez atual
- Antecedentes obstétricos de morte fetal ou neonatal, macrossomia ou diabetes gestacional
ANEXO IV - SCREENING E DIAGNÓSTICO DA TOXOPLASMOSE NA GESTAÇÃO
Interpretação dos Resultados: OBS: o Ig G poderá ser realizado por várias técnicas, entretanto só pode ser valorizado como um 
teste qualitativo e não quantitativo. Medidas quantitativas ( títulos) não são confiáveis, especialmente quando não pareados ou de 
laboratórios diferentes.
Prevenção Primária da Toxoplasmose Congênita
Experiências em várias partes do mundo mostram que a maneira mais efetiva, simples e econômica de prevenir a toxoplasmose 
congênita é informar as gestantes sobre os riscos da infecção e educá-la de modo a adquirirem comportamentos preventivos. As me-
didas recomendadas como prevenção primária estão relacionadas abaixo.
Didatismo e Conhecimento 78
conehcimentos específicos / enfermeiro
Gatos
- Mantê-los dentro de casa.
- Limpar a caixa de areia diariamente (se gestante, evitar ou usar luvas).
- Dar apenas alimentos secos, industrializados ou cozidos.
Carne e ovos
- Evitar comer carne crua ou malpassada durante a gestação. A carne deve ser cozida até perder a cor avermelhada. Evitar comer 
ovos crus e mal passados. Ao manusear carne crua usar luvas e lavar bem as mãos após. Não tocar nos olhos, boca e nariz enquanto 
não lavar as mãos. Manter as facas e utensílios de cozinha completamente limpos e lavar bem as superfícies que entraram em con-
tato com a carne crua. Solicitar na 1ª consulta de pré-natal para todas as gestantes ( exceto se a gestante for comprovadamente IgG 
positiva)
Vegetais
- Usar luvas para mexer na terra. Lavar cuidadosamente os vegetais antes de comer. Ao manusear os vegetais usar luvas e lavar 
bem as mãos as mãos após. Não tocar nos olhos, boca e nariz antes de lavar as mãos. Evitar o acesso de moscas e outros insetos aos 
alimentos.
Etiologia: O T. gondii é um coccídeo parasita de felinos. Outros animais são hospedeiros intermediários. Na natureza, adquirem 
três formas: oocisto, que libera esporozoítos; cisto tecidual, que contém os bradizoítos e, o taquizoíto.
1. Oocisto
O gato ingere o T.gondii em qualquer das três formas. No intestino o parasita estabelece o ciclo intestinal, com reprodução sexu-
ada e assexuada, com posterior liberação de oocistos nas fezes. No ambiente, ocorre esporulação do oocisto, que passa a conter dois 
esporocistos, cada um com quatro esporozoítos.
2. Taquizoíto
É a forma obrigatoriamente intracelular, presente na infecção ativa tecidual (aguda ou reativada). Nessa fase ocorre a infecção 
de múltiplas células do hospedeiro, que após rompidas, liberam novos taquizoítos; estes por sua infectam células adjacentes ou são 
fagocitados e levados pela linfa a outros sítios à distância.
3. Cisto tecidual
Forma de cronificação. Crescem e persistem no citoplasma celular do hospedeiro, com localização preferencial em SNC, olhos e 
músculos lisos, estriados e cardíacos. Os cistos contém bradizoítos em multiplicação é a forma tecidual persistente após o desenvol-
vimento deimunidade. Sua presença não implica em infecção recente nem em infecção clinicamente ativa.
Epidemiologia e transmissão
A infecção ocorre mais frequentemente pela ingestão de carnes cruas ou mal-cozidas contendo cistos, pela ingestão de água ou 
alimentos (principalmente folhosas) contaminados por oocistos ou transmissão vertical pela mulher que tenha adquirido a infecção 
durante a gestação. A infecção é mais frequente em regiões quentes e úmidas. A evidência de infecção, determinada sorologicamente, 
aumenta com a idade do indivíduo, e é semelhante em homens e mulheres. A infecção inter-humana não ocorre, exceto na transmissão 
vertical (mãe-feto). 
ANEXO V - ORIENTAÇÕES PRÉ-CONCEPCIONAIS
1. Vacinação para rubéola e hepatite B em mulheres em idade fértil
2. Uso de ácido fólico para prevenção de malformações do tubo neural (0,4 mg/dia, 2 meses antes da concepção até a 12ª semana 
de gestação).
3. Avaliar riscos da utilização de medicação de uso contínuo na gestação (corticóides, anticonvulsivantes,hipoglicemiantes orais, 
etc)
4. Aconselhamento genético para mulheres com idade superior a 35 anos, história pessoal ou familiar de criança com defeito 
aberto do tubo neural, risco étnico para condições genéticas detectáveis, história familiar ou pessoal de doença cardíaca congênita, 
resultados anormais do teste tríplice em gestação prévia , história pessoal ou familiar de anormalidades cromossômicas, diabetes pré-
vio à gestação, abortamento habitual, exposição a drogas teratogênicas, história de uso de quimioterapia ou radiação, história pessoal 
ou familiar de hemofilia, distrofia muscular, fibrose cística, coréia de Huntington, acondroplasia, síndrome de Marfan, deficiência de 
G6PD, fenilcetonúria, retardo mental ou desenvolvimento anormal.
Didatismo e Conhecimento 79
conehcimentos específicos / enfermeiro
5. Aconselhamento sobre uso de tabaco, álcool, e outras drogas lícitas ou ilícitas.
6. Vacinação para influenza, se disponível
7. Sorologia para HIV, Toxoplasmose, HbsAg e VDRL.
8. Detecção do risco reprodutivo da mulher para realizar aconselhamento. Detectar patologias crônicas não previamente diagnos-
ticas, ou patologias crônicas descompensadas, como diabete melitus, hipertensão arterial crônica, dislipidemias, etc. Desaconselhar 
a gestação se o risco for importante e programar para a concepção ocorrer após a estabilização e tratamento das patologias clínicas. 
(OBS: a principal causa de morte materna em Porto Alegre nos últimos 8 anos são as doenças clínicas que coincidem com o ciclo 
gravídico puerperal.) 
9. Prevenção Primária da toxoplasmose
10. Orientar hábitos de vida saudáveis (alimentação, atividades esportivas).
Em que pesem os grandes avanços ocorridos no âmbito do SUS desde sua criação, particularmente os relacionados à ampliação 
de cobertura e à qualificação da assistência e de seus mecanismos gestores, ainda há muito que ser construído na perspectiva de garan-
tir uma atenção à saúde de qualidade a todos os brasileiros. Adequar o seu financiamento, amadurecer o modelo de gestão tripartite, 
superar a fragmentação das ações e serviços de saúde e qualificar suas práticas clínicas constituem os desafios que necessitam ser 
enfrentados na atualidade para que se possa garantir oferta qualificada de cuidados em saúde.
Embora, nas últimas décadas, a cobertura de atenção ao pré-natal tenha aumentado garantir sua qualidade permanece como o 
maior desafio e como uma prioridade. Mesmo reconhecendo que os resultados nesse campo dependem de fatores relativos ao de-
senvolvimento econômico, social e humano de cada região, que terminam por conferir maior ou menor suporte às mulheres nessa 
fase do ciclo de vida, é preciso potencializar os recursos humanos e materiais existentes no Estado de São Paulo para o progressivo 
enfrentamento da morbimortalidade materna e perinatal.
Nessa perspectiva, deve-se considerar que a melhoria da qualidade da atenção exige também uma mudança sensível na atitude 
dos profissionais de saúde e na eficiência e presteza dos serviços. Há que se investir na qualificação da atenção pré-natal, da atenção 
ao parto e ao puerpério, devendo-se, para isso, garantir o acesso das usuárias aos serviços de saúde e instituir uma abordagem integral 
do processo saúde doença através de ações intersetoriais de promoção da saúde e de prevenção, diagnóstico e tratamento adequado 
dos problemas que ocorrem nesse período.
A atenção à gestante e à puérpera no SUS São Paulo é orientada por diretrizes e procedimentos constantes em duas publicações 
da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES SP): o Manual Técnico de Pré-Natal e Puerpério e o Documento de Referência 
da Linha de Cuidado da Gestante e da Puérpera. São as seguintes as diretrizes definidas para nortear a atenção ao pré-natal e ao puer-
pério nas várias regiões de saúde do estado:
1. Respeito à autonomia da mulher na tomada de decisões sobre sua vida, em particular em relação a sua saúde, a sua sexualidade 
e a reprodução;
2. Garantia de acesso da mulher a uma rede integrada de serviços de saúde que propicie abordagem integral do processo saúde 
doença, visando à promoção da saúde, o início precoce do acompanhamento das gestantes, a prevenção, diagnóstico e tratamento 
adequado dos problemas que eventualmente venham a ocorrer nesse período;
3. Oferta de cuidado sempre referendada por evidências científicas disponíveis;
4 . Garantia de adequada infra-estrutura física e tecnológica das diversas unidades de saúde para atendimento da gestante e da 
puérpera.
5 . Aprimoramento permanente dos processos de trabalho dos profissionais envolvidos na atenção a gestante e a puérpera, 
buscando a integração dos diversos campos de saberes e práticas e valorizando o trabalho em equipe multiprofissional e a atuação 
interdisciplinar;
6 . Desenvolvimento contínuo de processos de educação permanente dos profissionais de saúde;
7. Incentivo ao parto seguro e confortável e ao aleitamento materno.
Tendo-se como referência essas diretrizes pode-se afirmar que a implantação da linha de cuidado da gestante e da puérpera em 
dada região sanitária, apresenta-se como uma das estratégias de qualificação do cuidado em saúde no SUS – SP. Ao mesmo tempo, se 
constitui em objetivo a ser perseguido pelos gestores e profissionais comprometidos com a melhoria permanente da atenção à saúde 
no SUS.
Nessa perspectiva, o presente Manual de Orientação aos Gestores propõe a definição de um Plano de Estruturação da Linha de 
Cuidado da Gestante e da Puérpera em cada região de saúde. Esse Plano deve respeitar as especificidades regionais e deve ser cons-
truído através de processos de discussão, articulação e negociação, amplamente participativos, envolvendo além dos membros do 
CGR, profissionais das unidades de saúde onde a produção do cuidado efetivamente acontece.
Didatismo e Conhecimento 80
conehcimentos específicos / enfermeiro
Este Manual deve, assim, ser compreendido como uma referência para a implantação da linha de cuidado que deve ser construída 
respeitando as características próprias de cada local. Constitui-se, portanto, em instrumento de trabalho para gestores, gerentes de 
unidades e profissionais de saúde, construído na perspectiva de contribuir com a implantação da linha de cuidado da gestante e da 
puérpera nas redes regionais de atenção à saúde do Estado de São Paulo. Neste Manual, o conceito de cuidado em saúde é entendido 
como o conjunto de práticas / intervenções voltadas a promoção, preservação ou recuperação da saúde. Engloba desde as iniciativas 
singulares de auto-cuidado desenvolvidas pelos próprios indivíduos visando à promoção, à preservação ou à recuperação de sua pró-
pria saúde, até as atividades ofertadas de forma organizada pelos sistemas de saúde. Protocolos clínicos são padronizações utilizadas 
na oferta do cuidado a portadores de riscos e/ou agravos, as quais consideram a atualidadedo conhecimento científico e tecnológico e 
incluem informações sobre freqüência, diagnóstico, tratamento, prognóstico e profilaxia a serem respeitados no processo assistencial.
Já a noção de linha de cuidado é entendida como o conjunto de saberes, tecnologias e recursos necessários ao enfrentamento dos 
riscos, agravos ou condições específicas do ciclo de vida, a ser ofertado de forma articulada por um dado sistema de saúde. Uma linha 
de cuidado deve se expressar por meio de padronizações técnicas que explicitem informações relativas à organização da oferta de 
ações de saúde em um dado sistema. Para que uma linha de cuidado possa ser definida num sistema, há a necessidade de elaboração 
prévia de protocolos clínicos e/ou revisão crítica dos existentes em relação às patologias e às condições clínicas sob as quais se deseja 
atuar.
A linha de cuidado descreve o conjunto de ações e atividades a serem desenvolvidas em cada unidade de atenção à saúde e de 
apoio diagnóstico que compõem um determinado sistema, bem como aponta os profissionais envolvidos e os recursos necessários, 
incluindo medicamentos e insumos.
Saúde da Mulher e da Criança
Planejamento e desenvolvimento de ações intersetoriais: definindo-se as prioridades para a saúde da população infantil local e 
estabelecendo-se as interfaces necessárias, com a articulação das diversas políticas sociais e iniciativas da comunidade implementa-
das no município e na área da unidade de saúde, de forma a tornar mais efetivas as intervenções para os diversos problemas deman-
dados pela população. Nesse aspecto, a saúde do escolar (saúde bucal, mental, triagem auditiva e oftalmológica) e a educação infantil 
(creches, pré-escola) devem estar contempladas. A intersetorialidade pressupõe a definição de objetivos comuns para os quais cada 
setor contribui com as suas especificidades, articulando ou produzindo novas ações. Esse conceito desperta para a necessidade de 
participação da unidade de saúde nas redes sociais locais que se constituem, a partir do território, na defesa dos direitos da criança.
Acesso universal: deve ser entendido como o direito de toda criança receber assistência de saúde e a responsabilidade da unidade 
de saúde em receber todos os que procuram a unidade, propiciando uma escuta de suas demandas ou problemas de saúde e avaliação 
qualificada de cada situação.
Acolhimento: receber toda criança que procura o serviço de saúde com escuta qualificada, estabelecendo uma relação cidadã e 
humanizada, definindo o encaminhamento mais adequado para a resolução das demandas identificadas. Deve-se adotar uma postura 
acolhedora na recepção e atendimento dos usuários – durante todo o expediente – para não se incorrer no erro comum de burocratiza-
ção dessa prática, com a instituição de agendamento ou distribuição de senhas para o acolhimento, que de fato deve acontecer como 
fluxo contínuo. A unidade/equipe assume o paciente e estabelece compromisso e responsabilidade sobre todas as suas necessidades 
de saúde. A consulta médica não deve ser a única proposta de abordagem da criança e toda a equipe deve participar da assistência 
e resolução do problema do usuário, potencializando-se a capacidade de resposta e intervenção. São encaminhadas para a consulta 
médica apenas aquelas crianças que dela necessitam.
Responsabilização: definição da população sob a responsabilidade da equipe, estabelecimento de vínculo entre o profissional de 
saúde e o usuário, garantindo a continuidade da assistência, com a responsabilização dos profissionais e da unidade de saúde sobre a 
saúde integral da criança e sobre os problemas colocados, até a sua completa resolução.
Assistência integral: abordagem global da criança, contemplando todas as ações de saúde adequadas para prover resposta satis-
fatória na produção do cuidado, não se restringindo apenas às demandas apresentadas. Compreende, ainda, a integração entre todos 
os serviços de saúde, da atenção básica à atenção especializada, apoio diagnóstico e terapêutico até a atenção hospitalar de maior 
complexidade, com o acompanhamento de toda a trajetória da criança pela atenção básica.
Assistência resolutiva: promover a articulação necessária para disponibilizar os diversos saberes e recursos adequados à ne-
cessidade apresentada, em todos os níveis de atenção. O cuidado não deve ser dispensado pontualmente e de forma fragmentada, 
devendo-se garantir a continuidade da assistência até a completa resolução do problema.
Equidade: com a definição das prioridades para atuação no processo de organização da assistência à saúde da criança, com maior 
alocação dos recursos onde é maior a necessidade.
Atuação em equipe: articulando os diversos saberes e intervenções dos profissionais da unidade de saúde, efetivando-se o traba-
lho solidário e compartilhado e produzindo-se resposta qualificada às necessidades em saúde da criança.
Didatismo e Conhecimento 81
conehcimentos específicos / enfermeiro
Desenvolvimento de ações coletivas com ênfase nas ações de promoção da saúde: com estruturação de ações educativas nas 
escolas, creches, pré-escolas e unidades de saúde, com abordagem das ações de promoção de saúde, com o entendimento das interfe-
rências necessárias sobre o ambiente e hábitos de vida, buscando-se uma qualidade de vida saudável. Participação da família/controle 
social na gestão local: incentivo à participação da família em toda a atenção à criança, envolvendo-a com a informação sobre os 
cuidados e problemas de saúde, bem como nas propostas de abordagem e intervenções necessárias, entendidas como direito de cada 
cidadão e potencial de qualificação e humanização da assistência.
Avaliação permanente e sistematizada da assistência prestada: ação a ser permanentemente desenvolvida pela unidade de 
saúde ou pela equipe de saúde da família, de maneira a contribuir para que os problemas prioritários sejam identificados, os ajustes e 
ações necessárias sejam realizadas, de modo a prover resultados mais satisfatórios para a população. 
Os instrumentos que poderão ser utilizados com esta finalidade, na forma de Sistemas de Informação já disponíveis, estão des-
critos neste documento no item Instrumentos de Gestão dos Serviços de Saúde, além de outros mecanismos locais que podem ser 
desenvolvidos.
O cuidado em saúde demanda uma visão integral do usuário em todos os aspectos – a pessoa por inteiro, contemplando uma pos-
tura acolhedora com escuta atenta, olhar zeloso e estabelecimento de vínculo e responsabilização. As linhas de cuidado pressupõem, 
ainda, uma visão global das dimensões da vida dos usuários que possibilitem respostas também mais globais, fruto de um trabalho em 
equipe. Da mesma maneira, é necessária a visão integral da rede de assistência, potencializando os recursos disponíveis para oferecer 
a resposta mais adequada, completa e resolutiva à necessidade do usuário. A organização da assistência de saúde em linhas de cuidado 
coloca-se como uma estratégia para superação da desarticulação entre os diversos níveis de atenção em saúde (como o distanciamen-
to entre a atenção básica e a atenção hospitalar) e garantia de continuidade do cuidado integral, desde as ações de promoção às de 
tratamento e reabilitação, com um fluxo ágil e oportuno em cada nível de atenção (primária, secundária e terciária), com referência e 
contra-referência responsável, até a recuperação completa do indivíduo.
Ações da saúde da mulher: atenção humanizada e qualificada
A atenção clínico-ginecológica com ênfase na anticoncepção, no atendimento às mulheres vítimas de violência, às doenças sexu-
almente transmissíveis/aids e à saúde das adolescentes são importantes ações de saúde, tanto para a garantia do intervalo interpartal 
e para a prevenção de gravidez indesejada ou de alto risco, quanto para identificar fatores de risco ou diagnosticar e tratar doenças/
problemas que podem comprometer a saúde da mulher e do recém-nato,ou até mesmo alterar a evolução normal de uma futura ges-
tação. Não se deve esquecer a atenção à infertilidade, direito do cidadão ou casal e dever do Estado.
Atenção humanizada e qualificada à gestante e ao recém-nascido
Melhorar o acesso, a cobertura e a qualidade da atenção à gestante e ao recém-nato implica na reorganização do sistema, com a 
compreensão da necessidade de integração das ações básicas com as de média e alta complexidade, conformando-se uma rede articu-
lada de assistência que responda à necessidade da gestante e do recém-nascido. A implantação dos Programas de Agentes Comunitá-
rios de Saúde e Saúde da Família, voltados para a identificação e enfrentamento dos principais problemas de saúde em seu território, 
é a principal estratégia de fortalecimento da atenção básica, devendo se tornar a porta de entrada preferencial do sistema de saúde.
É essencial a organização de serviços de saúde que, em conformidade com o nível de complexidade, devem contar com recursos 
humanos adequadamente capacitados; equipamentos mínimos necessários e manutenção sistemática; sistema de registro que permita 
o acompanhamento adequado das gestantes e o planejamento das suas necessidades em termos de medicamentos; retaguarda labo-
ratorial e de unidades transfusionais e bancos de leite. Ainda, é necessário o monitoramento e avaliação sistemática de suas ações.
Mais da metade das mortes maternas e neonatais ocorrem durante a internação para o parto. É necessário organizar a referência 
e contra-referência da gestante para o parto, com disponibilidade de meios seguros de transporte para a mulher e a criança, quando 
necessário, e a garantia da assistência imediata e de qualidade no hospital/maternidade, para que a conduta adequada seja tomada em 
tempo hábil para ser eficaz.
O pós-parto é outro momento de cuidado especial com a mulher e os serviços de saúde devem se organizar para garantir a atenção 
à puérpera. A ação “Primeira Semana Saúde Integral”, quando o teste do pezinho é recomendado, é uma estratégia e oportunidade de 
atenção à saúde da mulher e da criança, em um momento especial e de maior vulnerabilidade na vida da mulher e da criança.
As seguintes ações de saúde devem ser ofertadas pelos sistemas de saúde:
- pré-natal (de acordo com protocolo do Ministério da Saúde);
- parto institucional (e parto domiciliar seguro em alguns municípios das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste);
- atenção ao puerpério;
- urgências e emergências maternas, com acesso a leitos de Unidades de Tratamento Intensivo;
- atenção imediata ao recém-nascido na sala de parto, garantia de alojamento conjunto e acesso à Unidade de Cuidados Interme-
diários e a Unidades de Tratamento Intensivo, quando necessário, e acompanhamento após a alta.
Didatismo e Conhecimento 82
conehcimentos específicos / enfermeiro
Triagem neonatal: teste do pezinho
As unidades de saúde devem divulgar informações sobre a importância do teste do pezinho, a ser realizado a partir do 5.º dia 
de vida, para detectar doenças como o hipotireoidismo, fenilcetonúria, anemia falciforme e fibrose cística, que podem ser tratadas, 
minimizando sua repercussão sobre a saúde da criança. As equipes de saúde devem estar atentas às crianças que não comparecerem à 
Unidade de Saúde na 1.ª semana de vida. Neste caso, os Agentes Comunitários de Saúde deverão fazer visita domiciliar e encaminhar 
a criança e a mãe à Unidade de Saúde. No momento da realização do teste do pezinho a equipe de saúde deverá atender integralmente 
a criança e a mulher – Primeira Semana Saúde Integral – com avaliação das condições de saúde da criança, da mãe, incentivo ao 
aleitamento materno e apoio às dificuldades apresentadas, aplicação das vacinas para a puérpera e a criança, agendamento da consulta 
de pós-parto e planejamento familiar para a mãe, e de acompanhamento para a criança.
Essa ação envolve não apenas a realização do exame laboratorial para a triagem neonatal, mas a busca ativa dos casos suspeitos, 
a confirmação diagnóstica, o acompanhamento multidisciplinar especializado e o tratamento dos pacientes detectados, o que deve 
estar garantido e pactuado na rede de assistência local/regional, bem como a avaliação de cobertura, do funcionamento e resultados 
do programa.
A Portaria GM/MS 822/2001 institui o Programa Nacional de Triagem Neonatal definindo referências para o acompanhamento 
desses casos em todos os estados brasileiros.
Incentivo ao aleitamento materno
O aleitamento natural no decorrer dos anos tem se constituído tema fundamental para a garantia da saúde da criança. Este se 
traduz na edificação de três importantes pilares erguidos sob a ótica da promoção, da proteção e do apoio ilimitado e reforçado à 
mulher, começando no início da gestação. Iniciar bem a vida é fundamental e pode acontecer somente se houver condição favorável 
para a prática da alimentação saudável acompanhada pela afetividade e pelo bem-estar proporcionados pela amamentação. São inú-
meras, inegáveis e inquestionáveis as vantagens da amamentação para a criança, sua mãe, a família e a sociedade. A amamentação 
quando praticada de forma exclusiva até os seis meses e complementada com alimentos apropriados até os dois anos de idade ou 
mais, demonstra grande potencial transformador no crescimento, desenvolvimento e prevenção de doenças na infância e idade adulta. 
As evidências científicas atuais comprovam que o leite humano proporciona um melhor desenvolvimento infantil. Por essas e outras 
razões é prioridade o desenvolvimento das várias ações de promoção da amamentação.
Estímulo ao aleitamento materno nas unidades básicas de saúde: pré-natal
As equipes de atenção básica devem estar capacitadas para acolher precocemente a gestante, garantindo orientação apropriada 
quanto aos benefícios da amamentação para mãe, a criança, a família e a sociedade. A abordagem durante o pré-natal é de fundamen-
tal importância para as orientações sobre como o leite é produzido, a importância da amamentação precoce e sob livre demanda. A 
importância do alojamento conjunto, os riscos do uso de chupetas, mamadeiras e qualquer tipo de bico artificial; orientação quanto 
ao correto posicionamento da criança e pega da aréola; como realizar a ordenha manual do leite, como guardá-lo e/ou doá-lo; como 
superar dificuldades como o ingurgitamento mamário, oferecer apoio emocional e estimular a troca de experiências, dedicar tempo e 
ouvir suas dúvidas, preocupações e dificuldades. Ajudando, assim, a aumentar sua autoconfiança para a capacidade de amamentar e 
envolver os familiares e a comunidade nesse processo.
Estímulo ao aleitamento materno na sala de parto e maternidade
Toda a equipe de saúde que presta cuidados às mães e aos bebês deve ser capacitada para o adequado acolhimento da gestante 
em trabalho de parto e para as práticas que promovam, protejam e apóiem a amamentação. Devem ajudar e apoiar as mães a iniciar 
a amamentação na primeira hora após o parto e garantir o alojamento conjunto por 24 horas. Estimular a amamentação sob livre 
demanda, não oferecer nenhum alimento ou líquido além do leite materno, exceto em casos indicados pelo médico, não dar bicos 
artificiais ou chupetas, ensinar como amamentar e como manter a amamentação caso necessitem ser separadas de seus filhos. En-
corajar a formação de grupos de apoio à amamentação, praticar a observação e avaliação da mamada em todas as oportunidades em 
que estão sendo avaliadas a mãe e/ou a criança. A iniciativa Hospital Amigo da Criança visa estimular e certificar as instituições que 
adotam tais práticas.
Estímulo ao aleitamento materno após a alta da maternidade
A visita domiciliar do agentes comunitários de saúde, no último mês de gestação e na primeira semana de vida da criança, é 
uma ação prioritária de vigilância à saúde da mãe e do bebê e de fundamental importância para o incentivo, orientação e apoio à 
amamentação. 
Didatismoe Conhecimento 83
conehcimentos específicos / enfermeiro
Na “Primeira Semana Saúde Integral” todo recém nascido deve ser acolhido na Unidade Básica de Saúde para checagem dos 
cuidados tanto para a mãe quanto para a criança, ressaltando-se a importância dessa abordagem na primeira semana de vida e primei-
ro mês, quando ocorre a maioria dos problemas que levam ao desmame precoce. A equipe de cuidados deve estar atenta para ouvir a 
mãe ou seus familiares, evitando julgar o que por acaso esteja sendo feito de errado, devendo elogiar o que estiver sendo feito certo e 
sugerir formas de corrigir o errado, sem dar ordens. Avaliar e observar a mamada em todas as ocasiões de encontro com mães e bebês 
e reforçar as orientações dadas no pré-natal ou maternidade, priorizando a importância do aleitamento materno exclusivo por 6 meses 
e a complementação com os alimentos da família até os dois anos de idade ou mais.
Proteção legal ao aleitamento materno e mobilização social
Os profissionais, serviços e gestores da saúde devem estar atentos às recomendações da Convenção dos Direitos Humanos, espe-
cificamente a Convenção dos Direitos da Criança, de 1989, e o Estatuto da Criança e do Adolescente que garantem aos pais o direito 
de serem orientados corretamente quanto à alimentação saudável e correta de seus filhos. Igualmente, todos devem estar atentos 
para o respeito à Constituição Federal que garante às puérperas 120 dias de licença maternidade, sem prejuízo do emprego e salário 
e, ainda, o direito da nutriz, quando do retorno ao trabalho, a pausa de uma hora por dia, podendo ser parcelada em duas pausas de 
meia hora, para amamentar seu próprio filho até os 6 meses de idade. Já a Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para 
lactentes e crianças da primeira infância e a Portaria MS 2.051, protegem o aleitamento materno das estratégias de marketing usadas 
pelas indústrias que comercializam produtos que interferem na amamentação. A Semana Mundial da Amamentação (anualmente em 
outubro), o Hospital Amigo da Criança e outras iniciativas locais devem ser estimuladas, com o objetivo de melhorar a prática do 
aleitamento materno, difundindo informações e articulando os gestores e todos os segmentos da sociedade.
Banco de Leite Humano
Importante estratégia de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, é uma verdadeira “casa de amamentação”. A sua 
principal ação é apoiar as mulheres que desejam amamentar seus filhos e, nesse processo, além de conseguir prolongar a amamen-
tação, muitas descobrem ou aprendem a identificar o excesso de leite e se tornam doadoras. O leite humano pasteurizado no Brasil 
é seguro e atende, prioritariamente, os recém-nascidos prematuros e/ou os que por algum motivo necessitam de internação em Uni-
dades Neonatais.
Essa rede deve ser divulgada na sociedade para ampla utilização pela população e contribuição para aumento dos índices de 
aleitamento no país.
Incentivo e qualificação do acompanhamento do crescimento e desenvolvimento (CD)
Toda criança deve receber o “Cartão da Criança”, de preferência ainda na maternidade. O acompanhamento do crescimento e 
desenvolvimento faz parte da avaliação integral à saúde da criança (0 a 6 anos), que envolve o registro no, Cartão da Criança, de 
avaliação do peso, altura, desenvolvimento, vacinação e intercorrências, o estado nutricional, bem como orientações à mãe/família/
cuidador sobre os cuidados com a criança (alimentação, higiene, vacinação e estimulação) em todo atendimento. Toda a equipe de 
saúde deve estar preparada para esse acompanhamento, identificando crianças de risco, fazendo busca ativa de crianças faltosas ao 
calendário de acompanhamento do crescimento e desenvolvimento, detectando e abordando adequadamente as alterações na curva 
de peso e no desenvolvimento neuro-psicomotor da criança. O seguimento a criança será feito visando estreitar e manter o vínculo 
da criança e da família com os serviços de saúde, propiciando oportunidades de abordagem para a promoção da saúde, de hábitos de 
vida saudáveis, vacinação, prevenção de problemas e agravos e provendo o cuidado em tempo oportuno.
Alimentação saudável e prevenção do sobrepeso e obesidade infantil
Uma alimentação saudável inicia-se com o aleitamento materno. Além desse incentivo e apoio, a equipe de saúde deve estar 
preparada para orientar a transição do aleitamento para a introdução de novos alimentos (início do desmame), por se tratar de um mo-
mento crítico, em que os distúrbios nutricionais acontecem. A avaliação e orientação para hábitos alimentares saudáveis devem fazer 
parte de todo o atendimento da criança, no calendário de acompanhamento do crescimento e desenvolvimento e nas intercorrências.
A abordagem da criança pela equipe de saúde deve destacar a importância dos hábitos alimentares, como um meio eficiente de 
promoção da saúde, controle dos desvios alimentares e nutricionais e prevenção de várias doenças, na infância e na futura vida adulta, 
como as deficiências nutricionais, as doenças crônicas, sobrepeso e obesidade.
No município devem estar destacadas as ações de Vigilância Alimentar e Nutricional, incluindo avaliação de consumo alimentar, 
além da identificação e priorização do atendimento das famílias e crianças em programas de transferência de renda ou de distribuição 
de alimentos disponíveis.
Didatismo e Conhecimento 84
conehcimentos específicos / enfermeiro
Combate à desnutrição e anemias carenciais
As equipes de saúde deverão incentivar ações de promoção à saúde e prevenção da desnutrição, como orientação alimentar para 
as famílias, acompanhamento pré-natal, incentivo ao aleitamento materno, orientação no desmame, acompanhamento do crescimento 
e desenvolvimento, uso do ferro profilático e vitaminas para recém-nascidos prematuros e de baixo peso, suplementação medicamen-
tosa de vitamina A em áreas endêmicas, suplementação alimentar para gestantes desnutridas, nutrizes e crianças em risco nutricional. 
As equipes de saúde deverão estar preparadas para avaliar o Cartão da Criança em todos os atendimentos, promover atividades 
educativas, identificar e captar gestantes desnutridas, crianças em risco nutricional e/ou desnutridas, realizar acompanhamento e tra-
tamento segundo protocolo específico, manter arquivo atualizado de crianças cadastradas e fazer busca ativa de faltosos ao calendário 
de acompanhamento proposto.
É ainda papel das equipes de saúde e do município a identificação da necessidade e priorização do atendimento das famílias e 
crianças em programas de transferência de renda ou de distribuição de alimentos disponíveis.
Imunização
Mesmo com os avanços alcançados no controle das doenças imunopreveníveis na última década – erradicação da febre amarela 
urbana, da varíola e da poliomielite e eliminação da circulação autóctone do vírus do sarampo –, muito ainda deve ser feito para se 
atingir a meta de vacinar com o esquema básico no mínimo 95% das crianças que nascem a cada ano, além de atingir um alto percen-
tual de municípios com cobertura vacinal adequada por estado, garantindo assim a interrupção da circulação dos agentes etiológicos 
das doenças imunopreveníveis. A linha de cuidado de atenção à saúde da criança e da mulher é uma prioridade, desenvolvida com 
as seguintes ações:
- estimular o processo de educação e promoção de saúde;
- realizar a vacinação de mulheres em idade fértil com a dupla adulto e tríplice viral;
- realizar vacinação contra hepatite B na faixa etária de até 19 anos;
- realizar a vacinação de gestantes com a vacina dupla adulto em casos de ausência de esquema vacinal, esquema vacinal incom-
pleto, ou completado há mais de 5 anos;
- completar esquema com a dupla adulto e tríplice viral no pós-parto e pós-aborto, se o esquema vacinal não estiver completo;
- realizar o esquema de vacinação contra hepatite B nas primeiras 12 horas de vida do recém-nascido. Ressalta-se a necessidadede aplicação de imunoglobulina anti-hepatite B nos casos de recém-nascidos de mãe HBs Ag positivo também nas primeiras 12 horas 
de vida do recém-nascido;
- realizar vacinação com o BCG ID de preferência na maternidade, atingindo cobertura de 90% das crianças;
- completar o esquema básico de vacinação da criança, visando atingir 95% da população menor de 1 ano vacinada contra a 
poliomielite (VOP), contra o tétano, coqueluche, difteria e hemófilos B (tetravalente) e hepatite B; 95% da população com 1 ano 
vacinada contra a rubéola, caxumba e sarampo (tríplice viral);
- vacinar 100% da população menor de 1 ano nos municípios de área endêmica e de área de transição contra febre amarela.
Para reduzir as taxas de morbimortalidade das doenças imunopreveníveis, é importante conhecer a situação dessas doenças. Para 
isto, as doenças preveníveis através de imunização, como poliomielite, hepatite B, sarampo, rubéola, caxumba, tétano, coqueluche, 
difteria, entre outras, devem ser notificadas imediatamente pela equipe de saúde, para se traçar as medidas de prevenção e controle. 
A Unidade de Saúde deve garantir o funcionamento contínuo da sala de vacina, sem restrição de horários, para não se perder a opor-
tunidade de vacinar toda a população. As equipes de saúde devem se organizar para acompanhar a cobertura vacinal das crianças de 
sua área, realizar o controle e a busca ativa de faltosos pelo arquivo de vacinação com a segunda via do cartão. A continuidade do 
acompanhamento do crescimento e desenvolvimento da criança nos serviços de saúde possibilita ampliar a cobertura de vacinação 
em uma faixa etária (principalmente a partir dos 5 anos de vida) que não tem sido atingida pela ação dos serviços de saúde.
Atenção às doenças prevalentes
Destaque para as diarréias; sífilis e rubéola congênitas; tétano neonatal; HIV/aids; doenças respiratórias/alergias. As doenças 
diarréicas e respiratórias persistem como graves problemas para a criança e quando associadas à desnutrição colocam em risco a sua 
vida. As doenças respiratórias são o primeiro motivo de consulta em ambulatórios e serviços de urgência, o que demanda capacita-
ção das equipes de saúde para uma atenção qualificada, com continuidade, da assistência até a resolução completa dos problemas, 
evitando-se internação hospitalar desnecessária e finalmente a morte por esse motivo. A pneumonia é uma das principais doenças 
da infância e a segunda causa de morte em menores de 1 ano. A asma e sua associação com a alergia e pneumonia merecem atenção 
especial, seja por se tratar de uma das principais causas de internação e procura em serviços de urgência, seja pela interferência na 
qualidade de vida da criança. As parasitoses intestinais seguem com prevalência significativa na infância, interferindo no desenvolvi-
mento adequado da criança, o que demanda, conjuntamente com a doença diarréica, ações intersetoriais integradas e promotoras de 
acesso à água tratada e esgotamento sanitário, além de tratamento adequado.
Didatismo e Conhecimento 85
conehcimentos específicos / enfermeiro
A estratégia de Atenção às Doenças Prevalentes na Infância – AIDPI é uma importante ferramenta para a identificação de sinais 
de risco e qualificação do manejo dos casos. As ações em DST/HIV/aids voltadas para crianças têm procurado, primordialmente, 
diminuir o risco da transmissão do HIV e da sífilis da mãe para o filho (transmissão vertical) por meio do oferecimento de exames 
sorológicos, tratamento e profilaxia adequados durante a gestação (pré-natal), no parto e no puerpério. Toda gestante deve fazer o 
pré-natal e ser orientada a realizar exames que possam prevenir doenças nos bebês, entre elas sífilis e HIV/aids, sob o seu consenti-
mento e direito ao sigilo do resultado.
A gestante soropositivo tem direito a medicamentos e, quando tratada adequadamente, tem maiores chances de ter um bebê 
saudável. Se a gestante não realizou o pré-natal ou não se tem a informação sobre sua condição sorológica, é importante que na hora 
do parto possa ser realizado o teste rápido para o HIV, assim como testes confirmatórios para a sífilis, para que se intervenha efetiva-
mente, visando a redução da transmissão vertical dessas doenças, como também do desenvolvimento de seqüelas tardias da infecção 
congênita, sempre após aconselhamento e consentimento.
O recém-nascido de mãe soropositivo deve receber quimioprofilaxia imediatamente após o nascimento e durante as seis primei-
ras semanas de vida (42 dias). O aleitamento materno é contra-indicado e é garantido o suprimento da fórmula láctea infantil por seis 
meses. A mãe deverá receber inibidores de lactação. (Portaria GM/MS n.º 2.104, de 19 de novembro de 2002). Deve ser assegurado 
o acompanhamento da criança em serviço de saúde especializado para crianças expostas ao HIV; o bebê deve ter alta da maternidade 
com consulta agendada nesse serviço, onde será seguido o fluxograma para utilização de testes de acordo com orientação do Mi-
nistério da Saúde. É direito de toda criança soropositivo ter acesso ao tratamento com anti-retrovirais. O uso desses medicamentos 
tem prolongado significativamente a sobrevida e diminuído o desenvolvimento clássico da aids. Todo ato de discriminação deve ser 
veementemente repelido e denunciado.
A transmissão vertical do HIV, a sífilis e a rubéola congênita e o tétano neonatal merecem destaque como eventos-sentinela, ou 
seja, situações que refletem problemas no sistema de saúde, dado que existem ações de prevenção e controle para essas doenças. 
Diante de uma ocorrência indesejável e prevenível como esta, a informação sobre cada caso deve retornar à equipe de atenção básica 
de saúde, retroalimentando as ações dos serviços, para se proceder a investigação e avaliação crítica sobre as circunstâncias de sua 
ocorrência, de modo que as medidas pertinentes sejam tomadas, prevenindo-se novos casos.
Atenção à saúde bucal
A saúde bucal da criança começa com o cuidado à saúde da mulher. Condições favoráveis antes e durante a gravidez, inclusive 
com tratamentos preventivos e curativos (principalmente no 1.º e 3.º trimestres da gravidez) evitam que o meio bucal da mãe esteja 
muito contaminado durante os primeiros dias de vida do bebê. O aleitamento materno promove a saúde dos dentes e o correto cres-
cimento dos ossos da face, prevenindo problemas ortodônticos e da fala. Como ponto de partida, deve-se tentar conhecer, através 
de trabalhos em grupos, consultas, visitas e observação, qual a importância atribuída pela gestante à sua saúde bucal e quais os seus 
hábitos de vida, principalmente alimentares e de higiene. É importante a discussão construtiva sobre as funções e a importância da 
boca para a saúde das pessoas e nas relações sociais, bem como sobre o desenvolvimento das estruturas bucais durante a gestação 
e após o nascimento. O vínculo criado entre a equipe de saúde e a família possibilita que a criança não se sinta ansiosa em suas pri-
meiras consultas odontológicas e permite que hábitos sejam identificados e modificados para melhorar a saúde bucal da criança e de 
toda a família.
Na gestação são importantes os cuidados com a alimentação, ingestão de medicamentos, consumo de álcool, fumo e drogas e sua 
relação com o desenvolvimento dos dentes/boca da criança, inclusive riscos de ingestão excessiva de medicamentos com flúor em 
locais onde já há o abastecimento com água fluoretada.
Após o nascimento, é necessário destacar aspectos como a importância do aleitamento e dos hábitos alimentares que serão ad-
quiridos pela criança. A introdução de alimentos, após a fase de aleitamento materno exclusivo, deve ser feita de maneira criteriosa. 
Deve-se recomendar às mães que não introduzam o açúcar na dieta das crianças (mamadeiras, chás, sucos, etc.). A construção de 
hábitos alimentares saudáveis desde os primeiros meses de vida é garantia de uma vida mais saudável em todos os aspectos, com 
grande impactona saúde bucal. 
Os cuidados de higiene bucal (acesso à água fluoretada, uso de panos, gaze, escova e fio dental), devem ser constantemente esti-
mulados e construídos nas diversas ações das equipes de saúde, como a única maneira de se controlar a microbiota bucal no dia-a-dia. 
A transmissibilidade da cárie ou outras doenças da boca, medicamentos com manifestação sobre as estruturas dentárias (como p. ex., 
a tetraciclina), a cronologia da erupção dos dentes e os fenômenos que geralmente os acompanham (incômodos, febre, irritação) ou 
o uso excessivo de chupetas devem ser motivos de atenção permanente por parte dos profissionais de saúde.
Alimentação e higiene são os pontos-chave para a promoção da saúde bucal, dessa maneira, seria interessante que a equipe de 
saúde entrasse em contato com os estabelecimentos de ensino para que higiene e alimentação se tornem motivo de preocupação tam-
bém nos ambientes de educação infantil. Os tratamentos preventivos e curativos, quando realizados em intervalos regulares de tempo, 
garantem uma saúde bucal sem complicações. Quando acontecer evento de dor ou alguma emergência (abscessos, fraturas, luxações, 
avulsões) a equipe de saúde deve estar atenta e preparada para realizar os procedimentos adequados para o primeiro atendimento e 
caso não haja a possibilidade de resolver o problema, encaminhar a criança a um serviço de referência. A manutenção da saúde bucal 
pode e deve ser realizada com acompanhamento constante e regular.
Didatismo e Conhecimento 86
conehcimentos específicos / enfermeiro
Atenção à saúde mental
Há inúmeros fatores que devem ser considerados quando se fala em saúde mental de crianças. Nesse sentido, deve-se reconhecer 
que todos os cuidados que se tem com a mulher e mãe, antes mesmo do nascimento do bebê, são importantes também para a saúde 
mental da futura criança. A forma como assiste à família, sua relação com o neném, a maneira como essa família se dispõe a cuidar 
da criança, seu percurso escolar desde os primeiros anos, enfim, como essa criança é recebida e “endereçada” ao mundo, são fatores 
fundamentais para a saúde mental. Nesse contexto, todos os profissionais que atuam na rede de cuidados, que se relacionam com a 
família, com a criança e com a escola (desde a educação infantil) têm responsabilidade em zelar também por sua saúde mental. O 
acompanhamento do crescimento e desenvolvimento se coloca como o eixo privilegiado do cuidado com a criança, possibilitando 
a identificação de necessidades especiais que merecem abordagem oportuna e deve ser realizado pela equipe de saúde, conforme 
protocolo do Ministério de Saúde.
As equipes de saúde mental devem ser habilitadas a intervir nos casos em que se caracteriza a necessidade de uma abordagem 
mais específica. Devem ser definidas a rede e o fluxo de assistência capazes de fazer o acolhimento de bebês para avaliação e o tra-
tamento psicoterapêutico de crianças. Os profissionais devem estar aptos a identificar e referenciar as crianças que demandam inter-
venção, nos casos em que há sintomas indicativos de autismo, psicose, ou neuroses mais severas. Nos demais casos, é indispensável 
que os profissionais da saúde mental, em parceria com as equipes de saúde da família, possam verificar em que medida os problemas 
apresentados pela criança podem ser resolvidos com sua inclusão em atividades de socialização, em oficinas culturais e esportivas 
da própria comunidade. 
Muitas das demandas atuais à saúde mental decorrem da impossibilidade da cidade oferecer espaços de participação social, 
de exercício do protagonismo infanto-juvenil, bem como da falta de perspectivas e de oportunidades para a produção dos talentos, 
aptidões e mesmo do efetivo exercício de cidadania de crianças e jovens. E é por isso que se deve reconhecer a importância e o sig-
nificado dos espaços de construção coletiva e de efetivo exercício da intersetorialidade, fundamentais na luta para assegurar o lugar 
da criança no seu território, na comunidade e na cidade.
Prevenção de acidentes, maus-tratos/violência e trabalho infantil
A abordagem de problemas relevantes em saúde pública na atualidade, como a violência urbana, a violência doméstica, os aci-
dentes domésticos (quedas, choques elétricos, queimaduras e ingestão de substâncias químicas) e do trânsito, causas importantes de 
morbidade na infância e primeira causa de mortalidade a partir de 4 anos, traz aos serviços de saúde a necessidade de estruturação 
diferenciada. Muitas vezes levando à morte, outras formas de violência, tais como, o abuso sexual, o abandono, a negligência e a 
violência psicológica, deixam marcas nem sempre visíveis por toda a vida. Cabe às equipes de saúde identificar e notificar os casos 
de violência e maus-tratos, comunicar e referenciar todos os casos suspeitos ou confirmados, de acordo com fluxo local, além de 
proceder ao acolhimento, assistência, tratamento e encaminhamentos necessários utilizando a rede de apoio existente (Pastoral da 
Criança, Juizado, Conselho Tutelar, Delegacia, Hospital, Serviços de Saúde mental, Abrigo, etc).
As equipes de saúde deverão estar atentas para reconhecer situações de risco nas famílias (alcoolismo, abuso de drogas, desagre-
gação familiar) além de verificar sinais e sintomas sugestivos de violência em todos os seus atendimentos e visitas domiciliares, tais 
como lesões físicas (equimoses, fraturas, queimaduras), alterações de comportamento (agressividade, medo, timidez excessiva, apa-
tia), negligência (criança malcuidada, internações repetidas, desnutrição crônica, etc.), entre outros. Esses comportamentos podem 
refletir situações de abuso psicológico, abuso sexual/físico; síndrome da criança espancada; síndrome do bebê sacudido; abandono; 
maus-tratos; negligência, violência institucional, intrafamiliar e violência social.
A atenção integral à criança vítima de violência, abuso sexual e trabalho infantil deve compor o cardápio de ações da saúde, 
com a promoção de um crescimento e desenvolvimento saudável e prevenção de agravos, detecção oportuna dos problemas e abor-
dagem multiprofissional e intersetorial. Campanhas educativas de prevenção aos acidentes e violências na infância e adolescência, 
desenvolvidas em parceria com organizações nãogovernamentais, universidades e sociedades científicas, além de outros órgãos do 
governo, são importantes para a mudança de hábitos culturais presentes na comunidade que aumentam esses riscos para as crianças. 
Ainda, a Notificação Obrigatória de Maus-Tratos contra Crianças e Adolescentes (PT/GM/MS n.º 1.968/2001 ) é um instrumento 
de fundamental importância para a implementação do cuidado à criança vítima de violência e deve ser implementada por todos os 
gestores (municipais e estaduais) da saúde.
Atenção à criança portadora de deficiência
Segundo a UNICEF, pelo menos 10% das crianças nascem ou adquirem algum tipo de deficiência – física, mental ou sensorial 
– com repercussão negativa no desenvolvimento neuropsicomotor. Por outro lado, cerca de 70 a 80% das seqüelas podem ser evita-
das ou minimizadas através de condutas e procedimentos simples de baixo custo e de possível operacionalização. A introdução de 
medidas preventivas, adequadas em todos os níveis de atenção à saúde, deve ser compromisso prioritário dos gestores estaduais e 
municipais com o acompanhamento do crescimento, estimulação global do desenvolvimento, imunização e abordagem oportuna das 
alterações observadas.
Didatismo e Conhecimento 87
conehcimentos específicos / enfermeiro
A criança com necessidades especiais deve receber atenção integral e multiprofissional, possibilitando a detecção dos problemas 
em tempo oportuno para o desenvolvimento de ações de diagnóstico e intervenção precoce, de habilitação e reabilitação, promoção 
de saúde e prevenção de impedimento físico, mental ou sensorial e de agravos secundários, minimizando as consequências da defici-
ência. A abordagemda criança deve ter como referencial a promoção da sua inclusão e participação social, para o quê é necessária a 
atuação integrada da equipe de saúde com a família, a comunidade e os equipamentos sociais disponíveis.
Em toda visita domiciliar ou atendimento da criança a equipe de saúde deve estar atenta a alguns sinais de alerta como atraso nas 
aquisições neuropsicomotoras, comportamentos estereotipados e repetitivos, apatia frente a estímulos do ambiente, dificuldade em 
fixar visualmente o rosto da mãe e objetos do ambiente, ausência de resposta aos estímulos sonoros, dentre outros. Na presença de 
qualquer alteração do desenvolvimento neuropsicomotor e/ou algum dos sinais de alerta, a criança deve ser encaminhada à Unidade 
Básica de Saúde para avaliação com pediatra e equipes de habilitação e reabilitação, se necessário.
Recomenda-se que em todas as crianças menores de 1 ano com malformações congênitas e alterações neurológicas seja descar-
tada como causa etiológica o vírus da rubéola, devendo-se realizar coleta de sangue, preferencialmente até o 6.º mês de vida, para 
diagnóstico laboratorial da infecção congênita. Aqui, lembra-se novamente a importância da notificação e investigação adequada 
desses casos para melhoria do conhecimento sobre esse importante problema de saúde pública, o que permite desenvolver medidas 
de controle e prevenção apropriadas.
O cuidado integral à criança portadora de deficiência e a promoção da sua qualidade de vida pressupõe reabilitar a criança na sua 
capacidade funcional e desempenho humano, proteger a sua saúde para que possa desempenhar o seu papel em todas as esferas da 
sua vida social. Inclui o diagnóstico, tratamento, procedimentos de reabilitação, medicamentos, assistência odontológica, ajudas téc-
nicas e a nutrição adequada; o fornecimento de órteses, próteses, bolsas pediátricas de colostomias, medicamentos, leites especiais; 
obedecendo o fluxo local de assistência.
O monitoramento permanente de ocorrências de deficiências e incapacidades nas crianças assim como a análise da prevalência e 
tendência constitui uma meta a ser alcançada pelos gestores da saúde, objetivando o planejamento de serviços e a adoção de medidas 
preventivas.
Ainda, a disponibilidade de recursos humanos capacitados para o desenvolvimento de ações de prevenção e atenção integral à 
criança com deficiência deve ser providenciada para a efetiva operacionalização desta política.
Principais estratégias de ação
Vigilância à saúde pela equipe de atenção básica
Entendida como a postura ativa que o serviço de saúde deve assumir em situações de maior risco e dirigida a pessoas com maior 
vulnerabilidade, desencadeando ações estratégicas específicas para minimizar os danos com o adequado acompanhamento de saúde, 
programando visitas domiciliares para captação dos usuários e realização de busca ativa daqueles sem o acompanhamento programa-
do. Devem ser priorizados os seguintes grupos populacionais: gestante, puérpera, recém-nascidos, a criança menor 5 anos, a criança 
portadora de deficiência e aquelas egressas de internações.
Recomenda-se que algumas ações sejam consideradas eventos-sentinelas (situações que não deveriam ocorrer dada a disponi-
bilidade de conhecimento, recursos técnicos e de assistência em saúde) e incorporadas à rotina das equipes de atenção básica, com 
destaque para: vigilância da ocorrência do tétano neonatal, da sífilis e da rubéola congênita, da transmissão vertical do HIV, onde já 
estão implantadas as ações de controle dessas doenças, incluindo a disponibilidade de exames e medicamentos, conforme orientações 
do Ministério da Saúde (Programa de Humanização do Parto e Nascimento e Projeto Nascer). O objetivo é que, para além da notifica-
ção dos casos identificados, o serviço procure compreender quais foram os fatores que contribuíram para a ocorrência desses eventos 
e, dessa forma, desencadear as ações locais necessárias para a prevenção de novas ocorrências (por exemplo: número insuficiente de 
exames preconizados, atraso nos resultados, dificuldade de acesso aos medicamentos, etc.)
Vigilância da mortalidade materna e infantil
A vigilância do óbito materno, infantil e perinatal é de responsabilidade do gestor municipal e deve ser realizada pela equipe 
de atenção básica para levantamento dos possíveis problemas que envolveram a morte de uma mulher e de uma criança por causa 
evitável na sua área de responsabilidade – evento-sentinela – o que possibilita a avaliação das medidas necessárias para a prevenção 
de óbitos evitáveis pelos serviços de saúde e redução da mortalidade materna, infantil e perinatal. Deve ser realizado:
- identificação e estudo dos óbitos maternos da área de abrangência da unidade/município/regional/estado;
- identificação e estudo dos óbitos infantis da área de abrangência da unidade/município/
regional/estado;
- análise da evitabilidade dos óbitos maternos e infantis, em reuniões locais, e identificação das medidas necessárias para pre-
venção de novas ocorrências.
Didatismo e Conhecimento 88
conehcimentos específicos / enfermeiro
Educação continuada das equipes de atenção à criança
A capacitação teórico-prática e a supervisão da educação continuada das equipes de saúde da família e de atenção básica é de 
fundamental importância para a plena inserção de todos os profissionais no cuidado com a criança. Assim, o trabalho com a criança 
e a família pode ser realizado com todo o potencial que a equipe multiprofissional detém (médico generalista, enfermeiro, auxiliar de 
enfermagem, agente comunitário de saúde, equipe de apoio com o pediatra e demais profissionais). A abordagem deve ter como eixo 
a visão global da criança, enfocando a identificação daquela com maior vulnerabilidade e risco, de forma a orientar a priorização do 
atendimento para a criança com algum sinal de gravidade, o aconselhamento da mãe/família e a responsabilização pela continuidade 
da assistência com acompanhamento até a solução dos problemas apresentados (referência de instrumento para capacitação: proposta 
AIDPI-MS/OPAS/OMS).
Organização de linhas de cuidado
O desenho de linhas de cuidado representa uma estratégia para garantir a continuidade do cuidado, como “costura”, como co-
nexão, de modo a permitir a articulação das ações de saúde. A organização da assistência de saúde em linhas de cuidado coloca-se 
como uma possibilidade para a superação da desarticulação entre os diversos níveis de atenção em saúde (como o distanciamento 
entre a atenção básica e a atenção hospitalar) e garantia de continuidade do cuidado integral, desde as ações de promoção até as de 
tratamento e reabilitação, com um fluxo ágil e oportuno em cada nível de atenção (primária, secundária e terciária), com referência 
e contra-referência responsável, até a recuperação completa do indivíduo. Seria um modo de articular as diversas ações de saúde na 
busca da integralidade.
A estratégia de saúde da família é o eixo norteador para a organização da atenção básica nas unidades de saúde. Deve ser en-
tendida como o conjunto de ações, de caráter individual ou coletivo, desempenhadas para a promoção da saúde e a prevenção dos 
agravos, bem como para as ações de assistência aos problemas de saúde. Portanto, a porta de entrada do sistema é preferencialmente 
a unidade básica de saúde ou a equipe de saúde da família e o momento privilegiado para prover ações resolutivas, que contemplem 
integralmente e de forma mais abrangente as necessidades colocadas, para além da assistência à saúde. 
No entanto, não se pode perder de vista que qualquer local do sistema de saúde e outros espaços sociais se colocam como opor-
tunidade de cuidado e devem prestar atenção integral à criança, além de envolver/demandar a atuação da equipe de saúde da família 
ou da Unidade Básica de Saúde.
As unidades de saúde, independentemente da sua forma de organização e/ou cobertura por equipes de saúde dafamília, devem 
aderir à Agenda de Compromissos para a Saúde Integral da Criança e Redução da Mortalidade Infantil. Devem ainda pactuar o 
cumprimento de alcance de resultados, com o seu desempenho sendo avaliado periodicamente.
Os critérios e indicadores para essa avaliação devem ser definidos e pactuados entre as unidades de saúde e gestores municipais, 
tendo como referência as diretrizes apontadas pelos níveis regionais, estaduais e federal. Como ressaltado anteriormente, o foco de 
todos os profissionais nessa agenda é a criança, dentro do contexto da sua família e sociedade. Cada olhar (de cada profissional da 
equipe de saúde e de acordo com a sua competência profissional) adiciona saberes e possibilidades de atuação integral sobre o todo 
da criança, a criança por inteiro. A idéia central deve ser a de não perder oportunidades de atuação, de prevenção, de promoção e 
de assistência, enfim, de cuidado, com vinculação e responsabilização sobre a continuidade da atenção. É sob essa ótica que cada 
trabalhador articula sua ação com a do outro e de outros atores sociais, e cada nível de atenção com o outro, conformando uma rede 
de saúde, de fato, e uma rede de apoio social por onde caminha a criança/família, funcionando em seu benefício.
Em algumas situações de maior risco poderá ser necessária a atenção do profissional de apoio para dar suporte à equipe de saúde 
da família ou para acompanhamento da criança mais grave, dentro das possibilidades locais e de referenciamento regional. No en-
tanto, deve ser mantido o compromisso de acompanhamento da criança pela equipe de saúde da família, que propicia a continuidade 
da assistência e a abordagem familiar.
Por sua vez, o profissional de apoio (pediatra e outras especialidades médicas e demais profissionais) se insere na atenção com:
- atuação articulada com a equipe de saúde da família para supervisão sempre que necessário;
- estabelecimento de mecanismos de educação continuada da equipe em termos do conteúdo e da prática do cuidado em saúde 
com a criança;
- atuação como retaguarda para o atendimento das crianças referenciadas pela equipe.
A atenção básica deve estabelecer
- Articulação com as equipes de apoio e rede ambulatorial especializada para verificar se a criança efetivamente conseguiu o 
atendimento referido e manteve a continuidade da assistência na atenção básica (promoção da saúde com acompanhamento do cres-
cimento e desenvolvimento, aleitamento materno/alimentação, imunização, etc.), com vistas a promover a saúde integral da criança 
Didatismo e Conhecimento 89
conehcimentos específicos / enfermeiro
e não transferir a responsabilidade para o nível de assistência especializada, evitando-se prejuízo da visão global sobre a criança e 
o cuidado necessário em cada caso. O encaminhamento de crianças para atenção especializada deverá seguir os protocolos locais e 
acordos pactuados entre unidades/municípios/regionais, para esse nível de assistência. Deve ser feita a contra referência por escrito 
(relatório de atendimento e proposta terapêutica) da unidade especializada para a equipe de atenção básica, fundamental para quali-
ficar o seguimento da criança.
- Articulação com os serviços de urgência (vigilância à saúde da criança que necessitou de atendimento em serviço de urgência) 
para a continuidade da assistência após o atendimento nos serviços de urgência, desenvolvendo mecanismos de comunicação com a 
equipe de saúde da família ou da unidade básica para o seguimento da criança, de modo a garantir a continuidade da assistência pela 
atenção básica. Esta comunicação deve ser feita pelo serviço de urgência por meio de relatório de atendimento (contra-referência), 
telefone ou outras alternativas, desde que seja garantido o acompanhamento da criança até a resolução do problema, propiciando 
melhores resultados para a sua saúde e, inclusive, evitando-se internações desnecessárias.
- Articulação com a rede hospitalar (vigilância da saúde da criança que necessitou de internação): deve-se garantir a continuida-
de de assistência à criança após a alta hospitalar por patologias agudas, por meio de comunicação com a equipe de saúde da família 
ou da unidade básica, para o seguimento do cuidado da criança que apresenta maior risco de morbimortalidade, principalmente no 
primeiro ano de vida. Esta comunicação pode se dar por meio de relatório de atendimento (contra-referência), telefone ou outras 
alternativas. Deverá ser realizada a captação dessa criança (busca ativa/visita domiciliar) para que ela tenha o acompanhamento ga-
rantido até a sua completa recuperação. No nascimento, o Cartão da Criança deve ser preenchido e entregue à família, de preferência 
na maternidade, propiciando as informações necessárias ao seguimento adequado da criança na atenção básica, com destaque para o 
recém-nascido de risco. A maternidade deve orientar sobre a importância da “Primeira Semana Saúde Integral” na Unidade Básica 
de Saúde.
- Articulação com o programa de atenção domiciliar nos locais onde está implantado, de forma a prover o cuidado necessário 
para a criança no seu domicílio, evitando-se a internação hospitalar, sempre que possível, garantindo a assistência necessária e a con-
tinuidade da atenção pela equipe da atenção básica. O agente comunitário de saúde e equipe do Programa de Agentes Comunitários 
de Saúde na atenção à criança Todas as atividades contidas no cuidado à criança fazem parte do roteiro de abordagem da criança pelo 
agente comunitário de saúde/Programa de Agentes Comunitário de Saúde. A possibilidade de abordagem da criança nos espaços 
de sua vida cotidiana (domicílio e instituições de educação infantil) ampliam a capacidade de atuação na prevenção de doenças, na 
promoção da saúde e identificação de necessidades especiais em tempo oportuno, por exemplo, o crescimento e desenvolvimento 
alterados, desvios na alimentação, imunização e a pronta abordagem da criança com algum sinal de risco ou perigo, conforme Ma-
nual do Agente Comunitário de Saúde do Ministério da Saúde – 2001. Por meio de ações educativas em saúde, nos domicílios e 
coletividade, essa equipe estende o acesso às ações e serviços de informação e promoção social e de proteção da cidadania, além de 
participar da orientação, acompanhamento e educação específica em saúde. Compromisso das unidades de saúde: “o que não pode 
deixar de ser feito”
Linha de cuidado: nascimento saudável
Na atenção à mulher que deseja engravidar
- orientar sobre a importância do intervalo interpartal e oferecer os meios necessários à anticoncepção quando este for o desejo 
da mulher;
- orientações sobre alimentação, visando o peso ideal; sobre os riscos do tabagismo, o uso rotineiro de bebidas alcoólicas, uso de 
medicamentos; avaliação de anemia e tratamento; avaliação das condições de trabalho;
- administração preventiva de ácido fólico durante 60 a 90 dias antes da concepção;
- investigação para rubéola e hepatite B com imunização prévia à gestação;
- aconselhar a realização do teste anti-HIV. Nos casos positivos, esclarecer sobre o risco de transmissão vertical e oferecer os 
tratamentos disponíveis;
- investigação para sífilis. Nos casos positivos, tratar a mulher e seu parceiro para evitar sífilis congênita;
- diagnosticar e tratar a infertilidade quando este for o desejo e a necessidade da mulher/casal;
- diagnosticar e tratar ou controlar doenças crônicas, tais como diabetes, hipertensão, epilepsia.
No cuidado pré-natal
- a equipe de saúde da família ou da Unidade Básica de Saúde deve conhecer o número de gestantes da área de abrangência, 
programar e avaliar as ações de saúde (pré-natal, exames, pré-natal alto risco, assistência ao parto);
- captar a gestante para início do pré-natal até o 4.º mês (120 dias);
Didatismo e Conhecimento 90
conehcimentos específicos / enfermeiro
- acolher imediatamente a gestante na unidade de saúde;
- seguir protocolo doMS: mínimo de 6 consultas (preferencialmente 1 no 1.º trimestre, 2 no 2.º trimestre e 3 no 3.º trimestre da 
gestação); realizar os exames: ABO-Rh, hemoglobina/hematócrito (1.a consulta), VDRL, urina rotina e glicemia de jejum (1 exame 
na 1.a consulta e outro próximo à 30.a semana da gestação); ofertar o teste anti-HIV; aplicar vacina dupla tipo adulto (completar 
esquema); realizar a consulta de puerpério;
- realizar sorologia IgM para rubéola caso a gestante apresente quadro clínico compatível com a doença: exantema, febre, linfa-
denopatia, artralgia;
- ofertar medicamentos necessários;
- diagnosticar, tratar/controlar as intercorrências clínicas na gestação e/ou doenças crônicas, tais como diabetes e hipertensão; 
identificar gestantes de risco e garantir atendimento no pré-natal alto risco;
- avaliar a necessidade de realização do Papanicolaou;
- ofertar atenção à adolescente conforme suas especificidades;
- manter cartão da gestante, prontuário e registro de atendimento completos;
- realizar práticas educativas com incentivo ao aleitamento materno, ao parto normal, hábitos saudáveis de vida; orientar sobre 
sinais de alerta na gravidez, cuidados com recém-nascido; sobre a importância da consulta de puerpério, do planejamento familiar; 
direitos da gestante e do pai;
- acompanhar o ganho de peso no decorrer da gestação, orientar sobre alimentação saudável no decorrer da gestação e avaliar o 
estado nutricional da gestante;
- ofertar o atendimento clínico e psicológico à gestante vítima de violência doméstica e sexual, encaminhando-a para o atendi-
mento adequado (fluxo local);
- manter continuidade do cuidado até o parto (também para a gestante de alto risco acompanhada em outra unidade), com con-
sultas mais frequentes no último mês;
- garantir a vinculação com a maternidade para o parto e intercorrências;
- identificar a gestante em situação de risco para amamentação e encaminhá-la para grupos de apoio ao aleitamento materno ou 
Banco de Leite Humano;
- realizar busca ativa da gestante faltosa ao pré-natal;
- realizar visita domiciliar no último mês de gestação;
- qualificar e humanizar a assistência.
No cuidado ao nascimento
A unidade que atende o parto deverá:
- garantir acolhimento imediato da gestante na maternidade; avaliação e início da assistência; se necessária a transferência da 
gestante ou recém-nascido;
- acionar a Central de Regulação, onde existir, ou referências definidas localmente (secretaria de saúde, hospitais/maternidades;
- providenciar transporte pré e inter-hospitalar responsável e seguro para gestante e recém-nascido; 
- garantir equipamento e recursos humanos capacitados na maternidade para o atendimento com segurança da gestante, puérpera 
e recém-nascido; retaguarda laboratorial, de unidades transfusionais e bancos de leite, conforme o nível de complexidade da assis-
tência;
- acompanhar o trabalho de parto com partograma e avaliação materna e fetal, no mínimo a cada hora;
- humanização da assistência: chamar a mulher pelo nome; permitir que ela identifique cada membro da equipe; informar a ges-
tante sobre os procedimentos realizados, esclarecer suas dúvidas e aliviar suas ansiedades; permitir acompanhante para a gestante; 
utilização de recursos para o conforto durante o trabalho de parto, como exercícios de relaxamento, banhos e massagens no pré-parto; 
evitar tricotomia, enteroclisma e a episiotomia de rotina e a rutura artificial da bolsa.
- ofertar a analgesia no parto, quando a mulher assim o desejar;
- apoiar a gestante na sua escolha sobre a posição do parto;
- estimular a prática do parto normal, utilizando a cesariana apenas em caso de indicação precisa, esclarecendo a gestante sobre 
esta necessidade;
- garantir o alojamento conjunto desde o nascimento, evitando a separação da mãe e bebê ;
- permitir acompanhante em tempo integral para o recém-nascido internado;
- orientar e incentivar o aleitamento materno, desde o nascimento, e cuidados com recém-nascido;
- garantir o início da amamentação na primeira hora após o parto;
- implantar e preencher o cartão da criança na maternidade;
- propiciar ao recém-nascido a vacinação contra hepatite B nas primeiras 12 horas de vida;
- garantir imunoglobulina anti-hepatite B aos recém-nascidos de mãe HbsAg positivas;
Didatismo e Conhecimento 91
conehcimentos específicos / enfermeiro
- garantir imunoglobulina anti-RH às mães de recém-nascidos isoimunizados;
- orientar para o registro do recém-nascido em até 15 dias após o parto;
- orientar para o “Primeira Semana Saúde Integral”.
No cuidado após o parto
A unidade de atenção básica de saúde deverá:
- conhecer o número de puérperas e recém-nascidos da área de abrangência para programar as ações de saúde e realizar visita 
domiciliar na primeira semana após o parto;
- avaliação da saúde da mãe; checar relatório de alta/cartão de pré-natal;
- verificar cartão da criança e relatório da alta da maternidade/unidade de assistência ao recém-nascido;
- identificação do recém-nascido de risco, ao nascimento;
- avaliar a saúde do recém-nascido;
- orientar e incentivar o aleitamento materno e cuidados com o recém-nascido; observar e avaliar a mamada ao peito; avaliar a 
mama puerperal e orientar quanto à prevenção das patologias, enfocando a importância da ordenha manual do leite excedente e a 
doação a um Banco de Leite Humano;
- orientar sobre a importância da “Primeira Semana Saúde Integral”;
- checar e orientar sobre o registro de nascimento.
No cuidado do RN na unidade de saúde
“Primeira semana saúde integral”:
- verificação do cartão da criança/condições de alta da maternidade/unidade de assistência ao recém-nascido;
- avaliação geral da criança;
- identificação da criança de risco ao nascer*;
- avaliação da saúde da puérpera;
- avaliação e identificação da alimentação; avaliação e orientação para o aleitamento materno – ressaltar a importância do aleita-
mento materno por 2 anos, sendo exclusivo nos primeiros 6 meses;
- observação e avaliação da mamada no peito para garantia do adequado posicionamento e pega da aréola;
- avaliação da mama puerperal e orientação quanto à prevenção das patologias, enfocando a importância da ordenha manual do 
leite excedente e a doação a um Banco de Leite Humano;
- teste do pezinho;
- aplicação das vacinas (BCG e contra hepatite para o recém-nascido, dupla tipo adulto e tríplice viral para a mãe, se necessário);
- agendamento de consulta para o recém-nascido e para a puérpera (30 dias após o parto).
A criança e os fatores de risco ao nascer:
- residente em área de risco;
- baixo peso ao nascer (< 2.500 g);
- prematuros (< 37 semanas de idade gestacional);
- asfixia grave (Apgar < 7 no 5.º minuto de vida);
- crianças internadas ou com intercorrências na maternidade ou em unidade de assistência ao recém-nascido;
- orientações especiais à alta da maternidade/unidade de cuidados do recém-nascido;
- recém-nascido de mãe adolescente (< 18 anos);
- recém-nascido de mãe com baixa instrução (< 8 anos de estudo);
- história de morte de crianças < 5 anos na família.
No cuidado com a criança
A unidade de atenção básica de saúde deverá identificar a criança com risco adquirido/associado para vigilância à saúde:
- crianças que não compareceram à unidade de saúde na primeira semana de vida para o teste de pezinho;
- menor de 1 ano sem acompanhamento;
- menor de 6 meses que não mama no peito;
- desnutrido ou criança com ganho de peso insuficiente ou com perda de peso recente sem acompanhamento;
- egresso hospitalar (prioridade para o < 5 anos);
- crianças com atendimento freqüente em serviços de urgências;
- criança com asma sem acompanhamento;
- crianças com vacinas em atraso;
Didatismo e Conhecimento 92
conehcimentos específicos / enfermeiro
- criança vítima de violência doméstica;
- criança explicitamente indesejada;
- criança com diarréia persistente ou recorrente;
- criança

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