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O texto em questão se debruça sobre uma investigação conceitual dos termos que constituem os estudos ambientais. De início, o autor ressalta que, para o público leigo, as diferenciações pouco fazem diferença, mas que na verdade resguardam uma importância para além da semântica, sendo mesmo uma questão semiótica, a fim de galgar políticas e posicionamentos ambientais dotados de maior acurácia, assertividade e justiça. Mencionando personalidades como Lenoble, que reivindica uma perspectiva racionalista de encarar a natureza, apontando o que chamou de natureza pensada, e quando diz isso, refere-se a uma natureza pensada a partir de relações sociais. Lenoble destaca ainda que majoritariamente a concepção que prevalece entre autores é a de que a natureza existe para ser explorada, e que os conhecimentos científicos servem a esse favor. A partir dessa linha de raciocínio é que, segundo esse autor, o homem ocidental preteriu de seu diálogo com a natureza, idolatrando a ciência, em detrimento do zelo para com o que se designa por natural. Daí é que Dulley delineia a discussão para que se discorra melhor a respeito de outros termos pertinentes à temática, tais como ambiente e meio ambiente. Citando Morin, Capra e Ehrenfeld, associa o que foi dito pelos três encontrando pontos em comum como a percepção de que a natureza se trata de uma teia interconexa, um sistema complexo e abrangente, além de interligar Morin e Ehrenfeld na formulação relativa à relação entre natureza e cultura. Enquanto Morin afirma ser a cultura o ponto diferenciador do homem e demais animais, Ehrenfeld considera ser a cultura uma contribuição do homem à natureza. Ao analisar os posicionamentos, o autor então se encaminha para a síntese de que o meio ambiente denota “o conhecimento que o homem acumulou e tem da própria espécie e inter-relações da mesma”, sendo o ambiente a soma dos meios ambientes particulares de cada espécie com o meio ambiente humano. O autor ressalta que não há definição, por exemplo, na Constituição Federal sobre o que seria meio ambiente, apesar de legislá-lo. Existe, no entanto, a Lei Federal nº6.938/81, instituindo dada definição. Como explicitado por Dulley, enquanto autores como Art, Santos, Humphrey, Buttel e Galopin enxergam e definem ambiente muito mais como uma infraestrutura, Santos encara tudo (natureza, homem) como um grande sistema, indissociável. Lenoble adota linha de raciocínio análoga, ao afirmar que “a natureza não se resume ao físico, pois ela é antes de tudo um produto, um resultado da visão que o homem tem dela no tempo e no espaço (...)”, sendo elencados outros autores que endossam tal perspectiva. O autor, então, chega à conclusão de que o ambiente é a natureza conhecida pelo sistema social humano – composto pelo meio ambiente humano e o meio ambiente das demais espécies conhecidas -, reiterando a ideia de somatório anteriormente citada. A derivação conceitual é importante a partir do momento em que, dessa definição, pode-se afirmar que o correto, ao se tratar de ambiente, é que se inclua aquele além do meio ambiente humano: inclua-se também os meios ambientes de todas as demais espécies conhecidas pelo homem. Esse pensamento holístico se faz fundamental por reconhecer que todas as relações se dão simbioticamente, não devendo haver uma análise meramente antropocêntrica, como comumente ocorre. Define, ainda, que natureza e ambiente são “duas faces da mesma moeda”, sendo a ideia de ambiente um conceito mais prático, utilitário. A natureza tem um caráter dinâmico, em constante mudança, intervenção e adaptação. Especialmente quando se trata do ser humano, conclui-se que os sistemas sociais humanos se afastam do “natural”, por priorizar o meio ambiente construído, edificado. Dulley conclui que o ambiente pode ser considerado como todo produto do conhecimento que o sistema social produtivo tem sobre a natureza e o meio ambiente, intrinsecamente relacionado ao conceito de cultura, que foi a principal responsável a permitir o homem adaptar os mais diversos ambientes a si, que passaram a ser cada vez mais dominados. A diferenciação entre ambiente e natureza é que o ambiente corresponde ao resultado do pensamento e conhecimento humano e do seu trabalho intelectual e físico sobre a natureza, ou seja, o ambiente é uma natureza trabalhada, e é também a natureza que é conhecida pelo homem. Para efeitos práticos, o ambiente se confundiria com ela. Tudo o que ocorre na natureza conhecida pelo homem, ocorreria também no ambiente. O conhecimento humano foi produzido historicamente em constante mudança e intervenção na natureza, intervindo, adaptando e mesmo copiando-a. No mesmo escopo, definem-se recursos. Mencionando autores como Portugal e Art, diz- se que recurso significa algo a que se possa recorrer para a obtenção de alguma coisa, e que podem ser provenientes do ambiente vivo e não-vivo para satisfazer às necessidades e ambições humanas. Podem também ser divididos em renováveis e não renováveis, se podem voltar a estar disponíveis após seu uso, por intermédio de sua produção. Usos esses que têm ocorrido mais frequentemente quando se pretende tratar de sua utilização econômica e racional, de modo que se discorra a respeito de um uso que não esgote permanentemente tais recursos. O termo “recursos naturais” se encontra obsoleto e não é mais utilizado nem mesmo na legislação ambiental brasileira, sendo mais comum “recursos ambientais”. Usa-se oficialmente também o termo “ativos ambientais”, o que Dulley critica, dizendo ser perfeitamente substituível por “recursos naturais”. Citando Portugal, o autor relembra a importância de se discorrer na temática dos recursos ambientais, concedendo enfoque no uso destes, principalmente de que a solução de problemáticas humanas pode estar em recursos que estão em perigo ou já foram extintos, por exemplo. O novo foco do grande capital está nas potencialidades dos componentes genéticos dos organismos. Assim, o autor encerra o artigo tecendo considerações que ressaltam a falta de diálogo entre as instâncias competentes a assuntos ambientais, seja em defesa ou pró-intervenção, o que fica evidente por meio da disparidade de entendimento acerca dos conceitos anteriormente abordados, mesmo quando se analisa dentro de uma mesma entidade. É necessário que seja feita uma homogeneização mínima no discurso, a fim de que se possam traçar diálogos mais efetivos e responsáveis, não devendo tratar a questão como um mero preciosismo ou similar. Dulley conclui ainda que, independente de termos e terminologias, “o que está em jogo daqui para diante, e não pode ser esquecido, é que em termos econômicos são os recursos genéticos que devem ser rigorosamente conservados e preservados (...).”.