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1 UNIVERSIDADE SANTA ÚRSULA THAÍS VALENTE E GUILHERME ARAÚJO B. F. SKINNER E O BEHAVIORISMO RADICAL RIO DE JANEIRO JULHO DE 2017 2 THAÍS VALENTE E GUILHERME ARAÚJO B. F. SKINNER E O BEHAVIORISMO RADICAL Trabalho apresentado ao Professor Lauro Pontes, de Psicologia da Personalidade da Universidade Santa Úrsula como parte dos requisitos para conclusão da matéria em questão. RIO DE JANEIRO JULHO DE 2017 3 SUMÁRIO RESUMO.......................................................................................................................iv 1. INTRODUÇÃO..........................................................................................................05 2. PRINCÍPIOS BÁSICOS.............................................................................................06 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO.................................................................................06 3.1 Darwinismo, Watson e Pavlov.......................................................................07 3. 2 Condicionamento e Reforçamento................................................................07 3.2.1 Condicionamento Respondente...........................................................07 3.2.2 Condicionamento Operante.................................................................08 3.2.3 Reforçamento.....................................................................................08 3.3 Ficções Explanatórias.....................................................................................09 3.4 Obstáculos ao Crescimento (Punição)............................................................09 3.5 Estrutura.........................................................................................................10 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS...........................................................................................11 5. REFERÊNCIAS............................................................................................................12 4 RESUMO Este trabalho trata do estudo do comportamento humano, voltado para a teoria do Behaviorismo Radical de Skinner. Onde é discutida a importância de tal estudo e seus objetivos. Foi feito um breve histórico de como se começou o estudo do comportamento, seus precursores, teorias e estudiosos, através de levantamento bibliográfico desde 1913. Palavras-chave: Comportamento Humano, Behaviorismo, Comportamentalismo, Skinner. 5 1. INTRODUÇÃO De acordo com Skinner, psicólogo americano muito renomado na época e por se destacar até os dias atuais sobre suas colocações, o homem é uma consequência daquilo que o ambiente transmite, das forças nele existentes e, com essa definição, cria-se a ideia de que o homem não é livre, ou seja, para os comportamentalistas, o homem é consequência das influências do meio. Na tendência comportamentalista, o aprendiz (homem) é considerado um ser que responde a estímulos, como se fosse um produto em seu processo de evolução. O Behaviorismo de Skinner, conhecido como Análise Experimental do Comportamento, tem influenciado muitos psicólogos americanos e psicólogos de vários países onde a psicologia americana tem grande penetração, como o próprio Brasil. Skinner faleceu em 1990 e realizava suas pesquisas na universidade de Harvard. A base da corrente está na formulação do condicionamento operante. Para desenvolvermos este conceito, retrocederemos um pouco na história do Behaviorismo, condicionamento respondente para então chegar ao condicionamento operante. 6 2. PRINCÍPIOS BÁSICOS A tendência Comportamentalista tem como característica fundamental a repetição e estímulos (Positivo ou negativos) fornecidos pelo tutor e ambiente para que o homem possa adquirir o conhecimento que o meio seleciona e venha a se tornar o produto ideal desse meio, ignorando o senso crítico, independente e pensante daquele que aprende. São utilizados alguns métodos para que esse tipo de aprendizado ocorra, tais como: Teoria do Reflexo – Utiliza de estímulos neutros junto a um reflexo condicionado (não há ligação com o reflexo condicionado) e o torna em um estímulo condicionado. (Ex.: O cão de Ivan Pavlov). Teoria Associacionista – Utiliza a experiência de ensaio-e-erro, onde o indivíduo utiliza variados impulsos para chegar a um resultado e, conforme vai obtendo sucesso, passa a trabalhar apenas com o impulso que lhe proporciona o resultado mais rapidamente. Nessa teoria é aplicada a Lei do Exercício e Lei do Efeito, que salientam o papel da motivação para se chegar a um objetivo com o aprendizado e de suas recompensas e punições por suas ações. Nelas também vemos a aprendizagem que trabalha ligações de estímulo-resposta. (Ex.: O gato de Edward Thorndike) Behaviorismo de Watson – Utilizando um pouco da base de Pavlov, Watson nos diz que o meio em que vivemos nos exerce grande influência e que quase todo comportamento humano pode ser aprendido. Ele nos mostra que a aprendizagem é um relacionamento entre estímulos, resposta e consequências dependentes do meio externo. Segundo Watson, tudo o que fazemos, sentimos e pensamos envolve as atividades do nosso corpo. (Ex.: O rato branco) Behaviorismo de Skinner – O modelo de Skinner utiliza um estímulo, que pode ser um reforço (Positivo ou negativo) para aumentar as chances de encontrar uma resposta. Estes estímulos podem ser acrescentados ou removidos, fortalecendo a probabilidade de respondentes (Resposta evocada por estímulo) que se referem as reações reflexas que também reagem com o organismo. (Ex.: A caixa de Skinner). Estas quatro teorias possuem em comum a repetição, que é a principal forma de transmitir o conhecimento desejado, controlada pelo meio para atingir o objetivo de tornar o homem um ser operacional que segue os ditos do sistema social existente. 7 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO 3.1 DARWINISMO, WATSON E PAVLOV Aliado as ideias da pesquisa de Darwin e a teoria da evolução, acreditou-se que o estudo sobre os animais seria relevante para compreensão do comportamento. O início das pesquisas eram baseados em elevar a condição dos animais à seres pensantes e os Behavioristas consideram que somos mais parecidos com animais do que queremos observar ou admitir. John B. Watson, o primeiro psicólogo behaviorista reconhecido, é conhecido como o pai do Behaviorismo Metodológico ou Clássico, teoria que diz ser possível prever e controlar toda a conduta humana, com base no estudo do meio em que o indivíduo vive e nas teorias do russo Ivan Pavlov sobre condicionamento. Esta teoria teve início em 1913, com um manifesto criado por John B. Watson – “A Psicologia como um comportamentista a vê”. Watson defende que a psicologia não deveria estudar processos internos da mente, mas sim o comportamento, pois este é visível e, portanto, passível de observação por uma ciência positivista. Já em 1927, Ivan Pavlov realizou o primeiro trabalho moderno importante sobre comportamento condicionado. Sua pesquisa demonstrou ser possível que funções autônomas poderiam ser condicionadas, tal como a salivação frente a alimentos. Pavlov foi além das estatísticas e não estava simplesmente observando e prevendo oscomportamentos, podia provocá-los. Fascinado com o “além da predição” do controle, Skinner se dirigiu para experimentos de laboratório com animais e descobriu que restringindo o meio ambiente de um animal sob condições limitadas, podia conseguir resultados replicáveis. 3.2 CONDICIONAMENTO E REFORÇAMENTO 3.2.1 O CONDICIONAMENTO RESPONDENTE O comportamento reflexo é um comportamento INVOLUNTÁRIO e inclui as respostas que são produzidas por modificações especiais de estímulos do ambiente. Por exemplo, a dilatação das pupilas quando uma pessoa por quem está apaixonado se aproxima, o arrepio da pele ao sentir frio e a salivação ao ver uma comida com cheiros e aparências agradáveis ao seu gosto. Todos esses exemplos são de comportamentos reflexos que ocorrem através de um estímulo do meio. Mas, também, podem ser provocados por outros estímulos que, originalmente, nada têm a ver com o comportamento, devido à associação entre estímulos. Assim, se um estímulo neutro for associado certo número de vezes a um estímulo eliciador, o estímulo previamente neutro, irá causar uma resposta. 8 “Suponha que, numa sala aquecida, sua mão direita seja mergulhada numa vasilha de água gelada. Imediatamente a temperatura da mão abaixar-se-á, devido ao encolhimento ou constrição dos vasos sanguíneos. Isto é um exemplo de comportamento correspondente. Será acompanhado de uma modificação semelhante, e mais facilmente mensurável, na mão esquerda, onde a constrição vascular também será induzida. Suponha agora que sua mão direita seja mergulhada na água gelada certo número de vezes, digamos em intervalos de três ou quatro minutos; e, além disso, que você ouça uma cigarra elétrica pouco antes de cada imersão. Lá pelo vigésimo pareamento do som da cigarra com a água fria, a mudança de temperatura poderá ser eliciada apenas pelo som – isto é, sem a necessidade de molhar uma das mãos.” (KELLER, Fred. Aprendizagem: teoria do reforço. São Paulo: Herder e EDUSP, 1970). 3.2.2 O CONDICIONAMENTO OPERANTE O comportamento operante é o comportamento voluntário e abrange uma quantidade muito maior da atividade humana. A forma como esta lendo um livro, escrever, acenar para alguém, dirigir um carro, tocar um violão, beijar, são todos exemplos de comportamento operante. O condicionamento depende do que acontece depois que o comportamento termina. “Quando um dado comportamento é seguido por uma dada conseqüência, apresenta maior probabilidade de repetir-se. Denominamos reforço à conseqüência que produz tal efeito” (Skinner, 1971, p. 26 na ed. bras.). 3.2.3 REFORÇO O reforço pode ser positivo ou negativo. O Reforço positivo é aquele que, quando apresentado, atua para fortalecer o comportamento que o precede. O reforço negativo é aquele que fortalece a resposta que o remove. Entre alguns bons exemplos de condicionamento operante com reforço positivo que estamos habituados, estão: Ir ao trabalho todos os dias para receber um salário e o elogio do professor cada vez que um aluno responder uma pergunta de forma correta. Já o reforço negativo, tem como objetivo retirar algo desagradável para que o comportamento seja incentivado. Um belo exemplo é um professor que isenta o aluno da prova final, se ele tem um comportamento adequado. Assim, o professor está tirando algo desagradável para aumentar a probabilidade desse comportamento. 9 3.3 FICÇÕES EXPLANATÓRIAS A ficção explanatória é a tendência a propor algum fator interno entre os estímulos observáveis e os comportamentos e, então, usar esse fator como uma possível explicação do comportamento. Algo que fazemos o tempo todo, ao menos sem intenção. Imagine que o seu novo colega de quarto fica estudando até tarde e passa mais tempo na biblioteca que qualquer outra pessoa que você conhece. Você pergunta dele aos seus amigos e seus amigos lhe dizem que ele tem muita necessidade de realização. Segundo Skinner, a essa altura nós poderíamos cometer o erro de pensar que o comportamento de estudar estaria explicado pela grande necessidade de realização. Porém, na verdade, essa necessidade de realização é simplesmente um rótulo que resume os comportamentos de estudar e de ir à biblioteca, mas não acrescenta nada à sua explicação. Para Skinner, a explicação estaria no histórico geral de aprendizagem. Alguns exemplos de ficções explanatórias são homem autônomo, liberdade, dignidade e criatividade. 3.4 OBSTÁCULOS AO CRESCIMENTO Punir informa apenas o que não fazer, ao invés de informar o que fazer, não é didático. Punições não capacitam uma pessoa a aprender qual é o melhor comportamento para uma situação e vem a ser o maior impedimento para uma real aprendizagem. Comportamentos punidos não desaparecem. Um bom exemplo disso esta nas prisões, se um prisioneiro não aprendeu nada de novo, não é absurdo prever que uma vez em liberdade, exposto ao mesmo ambiente e ainda dominado pelas mesmas tentações, este prisioneiro repita os mesmos comportamentos. O alto índice de criminosos que voltam à prisão pelos mesmos crimes pode ilustrar estas observações. 3.5 ESTRUTURA O papel do corpo num sistema baseado exclusivamente em dados observáveis é de importância fundamental. Contudo, não é necessário conhecer os processos fisiológicos e neuro-anatômicos que ocorrem ao mesmo tempo em que o comportamento, a fim de compreender como e por quê. Corpo é aquilo que se comporta. Comportamento é tudo o que pode ser observado e tudo o que responde à mudança em situações de reforçamento. 10 O comportamento de uma pessoa é continuamente modificado e modelado por outros do meio ambiente. Isto é senso comum; mas isso não quer dizer que a interação social não seja importante, pelo contrário, para Skinner, o que molda o nosso comportamento são as nossas relações sociais, a partir de que o dialogo enriquece a nossa subjetividade e da força ao senso comum. Para Skinner, força de vontade ou livre arbítrio, são ficções explanatórias mentais não observáveis (uma invenção que não tem base em fatos, usada para explicar eventos e que costuma ser difícil de ser checada), acreditar que existe um sentido interior que determina a ação, é crer que nenhum comportamento é livre. “Quando reconhecemos isto, estaremos aptos a abandonar a noção de responsabilidade e com ela, a doutrina do livre arbítrio como agente causal interior” (Skinner 1953, p. 33) Já com as emoções, Skinner foi bastante descritivo, citando uma emoção bem definida como a raiva, alegou que pode ser notado diferentes comportamentos do mesmo indivíduo sob influência da raiva, “As dificuldades usuais na compreensão, predição e controle de comportamentos emocionais poderiam ser menores se observássemos padrões de comportamento. Skinner duvida que, ao fazer referências a estados internos desconhecidos, seja possível diminuir estas dificuldades”. As "emoções" são excelentes exemplos das causas fictícias às quais comumente atribuímos o comportamento (Skinner. 1953. p. 97 na ed. bras.). Skinner definiu o intelecto como repertório de comportamento. Se uma pessoa sabe desenhar bem, Skinner diria que essa pessoa vem de algum lugar onde o ensinamento de desenhar é reforçado. Ensino programado: Trata se de uma “maquina de ensinar”, aonde o aprendiz resolveria questões passadas pela máquina, e teria a oportunidade de refazer as questões erradas, gerando assim um alto nível de aprendizado. Ensino melhorado: Agora a maquina de ensinar se encontra dentro de um computador, e é muito mais interativa para manter o interesse do aluno.Como o leitor provavelmente imagina, Skinner considera o termo self ficção explanatória. “Se não podemos mostrar o que é responsável pelo comportamento do homem dizemos que ele mesmo é responsável pelo comportamento.” Embora Skinner explore o repertório de comportamento denominado autoconhecimento, ele também descreve inúmeros casos onde falta autoconhecimento. “Um homem pode não saber que fez alguma coisa, pode não saber que está fazendo alguma coisa, pode não saber que tende a/ou está indo fazer alguma coisa, pode não reconhecer as variáveis das quais seu comportamento é função” Skinner, 1953. 11 O behaviorismo está interessado diretamente no comportamento do paciente, seja abuso de drogas, fetiches sexuais ou até mesmo timidez, essa terapia aborda somente os pontos externos do comportamento humano. Skinner descreve a terapia como um instrumento de controle de poder quase ilimitado. No relacionamento, o terapeuta é apontado como uma fonte de alívio bastante provável; qualquer promessa ou alívio toma-se positivamente reforçadora, aumentando, assim, a influência do terapeuta. Aplicações institucionais: Ao invés de censurar e reprimir o comportamento inadequado do indivíduo muda-se os esforços para o meio ambiente onde habita o indivíduo, trabalhando e desenvolvendo a mudança. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS O psicólogo americano Skinner, propôs um conceito diferente de behaviorismo, o behaviorismo radical. Com sua publicação de ”The Operational Analysis of Psychological Terms”, em 1945, Skinner questionou o behaviorismo metodológico de orientação positivista. Skinner era contra a utilização de objetos não observáveis para explicar a conduta humana, onde o ser humano não é visto com sua individualidade. Para Skinner, o meio, as variáveis externas, são os responsáveis pelo comportamento. Seu behaviorismo radical foi apresentado como a filosofia que se ocupa da ciência do comportamento, que analisa a interação entre o indivíduo e o meio. Consiste basicamente de uma interpretação filosófica de dados adquiridos em uma análise sistemática do comportamento, descrevendo relações entre comportamento e ambiente. O behaviorismo foi desde Watson, alterando o sentido desse termo. Hoje, considera-se o comportamento como uma interação entre as ações do indivíduo e, o meio onde as mesmas acontecem. O objetivo do método comportamentalista é condicionar o indivíduo tanto para o ensino quanto para um comportamento prévio, orientadas por técnicas, conceito de pesquisas tecnológicas e experimentais, onde o indivíduo desenvolve habilidades para absorver o máximo possível de informações sem cometer erros, reproduzindo-as fielmente, evitando assim que tais conhecimentos sejam extintos. Após a explanação das principais características e das categorias que conceituam os temas tratados pela Abordagem Comportamentalista, chega-se à conclusão que esta tendência, fundamentada na experiência e na observação e controle dos comportamentos, utiliza um método repetitivo para a transmissão dos conteúdos a serem ensinados, isto é, pode-se compreender que é almejada a maximização do desempenho do ser humano, que ocorre num ato controlador de ensinar, no qual o comportamento é moldado e não reflexivo e crítico, utilizando-se da repetição mecânica que resulta na memorização, ao passo que ocorre a fixação e assim o aprendizado. 12 5. REFERÊNCIAS TEREZA MARIA DE AZEVEDO PIRES SÉRIO, O Behaviorismo radical e a psicología como ciencia. Rev. bras. ter. comport. cogn. vol.7 no.2 São Paulo dez. 2005 FADIMAN, JAMES, 1939. Teorias da Personalidade. São Paulo: HARBRA, 1986. GOODWIN, C. JAMES. História da Psicologia Moderna. São Paulo: Cultrix, 2005. Skinner, B. F. (1974) About Behaviorism. New York: Vintage Books MIZUKAMI, Maria da Graça: As abordagens do processo. São Paulo EPU, 2005. SKINNER, B. Frederic. Ciência e Comportamento Humano. Brasília . Editora da Universidade de Brasilia, 1970 BLOGSPOT. Comportamento Abordado. Disponível em:<http://comportamentoabordado.blogspot.com.br/2011/10/abordagem-comportamentalista-do-ensino.html> Acesso em: 8 mar. 2016 UNIRIOTEC. Teorias de Aprendizagem. Disponível em:<http://www.uniriotec.br/~pimentel/disciplinas/ie2/infoeduc/aprcomportamentalismo.html> Acesso em: 07 mar. 2016 INFO ESCOLA. Teoria de Aprendizagem de Skinner. Disponível em: <http://www.infoescola.com/pedagogia/teoria- de-aprendizagem-de-skinner/> Acesso em: 06 mar. 2016