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UNIP
ECA
PROFA.: MÁRCIA S. SOARES
UNIVERSIDADE PAULISTA 
Disciplina : Direito da Criança e Adolescente e Estatuto do Idoso
Professora: Márcia S. Soares 
Esquema de apresentação 
Aula 1 – 
1-Apresentação do plano de ensino 
PLANO DE ENSINO
CURSO: Direito
PERÍODO: 10º Semestre 2009/1 e 9º Semestre 2009/2
TURNO: Diurno/Noturno
DISCIPLINA: Direito da Criança, Adolescente e Estatuto do Idoso
CARGA HORÁRIA SEMANAL: 02 hora/aula
CARGA HORÁRIA SEMESTRAL: 44 horas/aula
I – EMENTA
Direitos fundamentais da criança e do adolescente. Prevenção no Direito da Criança e do Adolescente. Política de atendimento. Medidas de proteção. Prática de ato infracional. Medidas pertinentes aos pais ou responsável. Competência. Acesso à justiça. Crimes e as infrações administrativas no Estatuto da Criança e do Adolescente. Direitos fundamentais do idoso. Medidas de proteção ao idoso. Política de atendimento ao idoso. Acesso à justiça no Estatuto do Idoso. Crimes no Estatuto do Idoso.
II – OBJETIVOS GERAIS
Promover a compreensão e a importância do Direito da Criança e do Adolescente e do Direito do Idoso, assim como apresentar e discutir o significado dos institutos fundamentais relacionados; de forma a estimular a capacidade de análise, domínio de conceitos e terminologia jurídica, argumentação, interpretação e valorização dos fenômenos jurídicos e sociais envolvidos.
III – OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Preparar para utilização de elementos de doutrina, jurisprudência e legislação componentes da técnica jurídica dos direitos relacionados, com uma visão crítica e consciência sociopolítica. 
Promover o desenvolvimento das competências e habilidades definidas no perfil do egresso, quais sejam:
Leitura, compreensão e elaboração de textos, atos e documentos jurídicos ou normativos, com a devida utilização das normas técnico-jurídicas;
Interpretação e aplicação do Direito;
Pesquisa e utilização da legislação, da jurisprudência, da doutrina e de outras fontes do Direito;
Adequada atuação técnico-jurídica, em diferentes instâncias, administrativas ou judiciais, com a devida utilização de processos, atos e procedimentos;
Correta utilização da terminologia jurídica ou da Ciência do Direito;
Utilização de raciocínio jurídico, de argumentação, de persuasão e de reflexão crítica;
Julgamento e tomada de decisões;
Domínio de tecnologias e métodos para permanente compreensão e aplicação do Direito.
IV – CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
1. Direitos Fundamentais da Criança e do Adolescente. 
1.1. Direito á Vida e à Saúde. 
1.2. Direito à Liberdade, ao Respeito e à Dignidade.
1.3. Direito à Convivência Familiar e Comunitária. 
1.4. Direito à Educação, à Cultura, ao Esporte e ao Lazer. 
1.5. Direito à Profissionalização e à Proteção no Trabalho.
2. Prevenção no Direito da Criança e do Adolescente. 
2.1. Disposições Gerais.
2.2. Prevenção Especial.
3. Política de Atendimento à Criança e ao Adolescente.
4. Medidas de Proteção à Criança e ao Adolescente
5. Prática de Ato Infracional. 
5.1. Garantias Processuais. 
5.2. Procedimento Relativo à Apuração do Ato Infracional.
5.3. Medidas Sócio-Educativas 
5.4. Remissão. 
6. Medidas Pertinentes aos Pais ou Responsável. 
6.1. Procedimento Relativo à Perda e Suspensão do Pátrio Poder.
6.2. Procedimento Relativo à Destituição da Tutela.
6.3. Procedimento Relativo à Colocação em Família Substituta.
7. Competência em Matéria de Criança e Adolescente.
7.1. Competência Jurisdicional.
7.2. Conselhos de Direitos.
7.3. Conselhos Tutelares.
8. Acesso à Justiça no Estatuto da Criança e do Adolescente.
8.1. Justiça da Infância e da Juventude.
8.2. Procedimentos.
8.3. Recursos.
8.4. Proteção Judicial dos Interesses Individuais, Difusos e Coletivos.
9. Crimes e as Infrações Administrativas no Estatuto da Criança e do Adolescente.
10. Direitos Fundamentais do Idoso.
10.1 Direito à Vida como Fundamento Maior.
10.2. Direito à Liberdade, ao Respeito e à Dignidade.
10.3. Alimentos.
10.4. Direito à Saúde.
10.5. Educação, Cultura, Esporte e Lazer.
10.6. Profissionalização e do Trabalho.
10.7. Previdência Social.
10.8. Assistência Social.
10.9. Habitação.
10.10. Transporte.
11. Medidas de Proteção ao Idoso. 
12. Política de Atendimento ao Idoso.
13. Acesso à Justiça no Estatuto do Idoso.
14. Crimes no Estatuto do Idoso.
15. Temas e Casos Práticos da Área voltados para a Realidade Regional de Inserção do Curso.
V – ESTRATÉGIA DE TRABALHO
A disciplina será desenvolvida com aulas expositivas e práticas, sendo incentivada a participação dos alunos nos questionamentos e discussões apresentadas, acompanhadas de metodologias que privilegiam a integração entre teoria e prática, entre elas: estudos de casos, análise de jurisprudência, elaboração de trabalhos práticos e produção de textos, realização de seminários (elaborados pelos alunos da disciplina) e ciclo de palestras (com professores convidados, profissionais da área e/ou de áreas afins), quando pertinente.
VI – AVALIAÇÃO
A avaliação será realizada por intermédio de provas regimentais e atividades desenvolvidas em sala de aula, conforme solicitação do professor da disciplina, tendo como referência as metodologias adotadas de integração entre teoria e prática. 
VII – BIBLIOGRAFIA
Bibliografia Básica:
CURY, Munir; et al (Coords.). Estatuto da criança e do adolescente: comentários jurídicos e sociais. São Paulo: Malheiros, 2008.
MACIEL, Kátia Regina Ferreira Lobo Andrade. Curso de direito da criança e do adolescente. 3ª ed. Rio de Janeiro: Lúmen Júris, 2008.
PINHEIRO, Naide Maria. Estatuto do idoso comentado. São Paulo: Servanda, 2008.
Bibliografia Complementar:
FRANCO, Paulo Alves. Estatuto do idoso anotado. 2ª ed. São Paulo: Servanda, 2005.
LIBERATI, Wilson Donizeti. Direito da criança e do adolescente. 2ª ed. São Paulo: Rideel, 2007. 
MARTINEZ, Wladimir Novaes. Comentários ao estatuto do idoso. São Paulo: LTR, 2006.
PEREIRA, Tânia da Silva. Direito da criança e do adolescente: uma proposta interdisciplinar. 2ª ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2008.
VERONESE, Josiane Rose Petry; MOTA, Moacyr. Da tutela jurisdicional dos direitos da criança e do adolescente. São Paulo: LTR, 1998.
VERONESE, Josiane Rose Petry. Direito da criança e do adolescente. Florianópolis: OAB/SC, 2006.
2- Direito da Criança e Adolescente 
2.1 – Amparo legal: Lei n. 8069, de 13/07/1990
2.2 – Doutrina da proteção integral adotada pelo ECA
Introdução
"A criança é a nossa mais rica matéria-prima. Abandoná-la à sua própria sorte ou desassistí-la em suas necessidades de proteção e amparo é crime de lesa-pátria." Tancredo Neves. 
O Estatuto da Criança e do Adolescente resultou da fusão de duas emendas populares, que levaram ao Congresso cerca de 200 mil assinaturas de crianças e adolescentes. Em sua elaboração trabalharam juristas e pessoas de diversas instituições espalhadas por todo o país. 
O Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei complementar n. 8.069/90, substituiu o Código de Menores que era de 1979. Optou-se por Estatuto pois tem sentido de punir e Código tem sentido de direitos, segundo o Senador Gerson Camata. Plácido e Silva (terminologia jurídica) explica que: Código traz consigo a idéia de uma coleção de leis e Estatuto a de uma lei especial de uma coletividade ou corporação. 
Com este Estatuto, os conceitos ideológicos e anti-científicos de 'situação irregular' e o termo estigmatizador de 'menor' com sentido pejorativo e marginalizador ficaram definitivamente revogados. Salientamos que neste estudo adotaremos a denominação 'menor' para designar genericamente criança e adolescente. 
O presente Estatuto se divide em dois livros. No primeiro elencam-se os direitos fundamentais da nossa infância e adolescência, sem exclusão de qualquer natureza. Em seu segundo livro, define as diretrizes e bases da política de atendimento dos direitos da criança e do adolescente em situação de risco social e pessoal. As disposições finais e transitórias normatizam a aplicação do diploma legal, definindo estrutura e mecanismospara a sua concretização. 
A sociedade também possui uma parcela de responsabilidade na tutela à criança e ao adolescente. Sendo que tal responsabilidade tornou-se obrigação com a promulgação de nossa Carta Magna, pois o 'caput' do art. 227, preceitua que: "É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão." Sabemos que o Estado destina verbas insuficientes para a assistência ao menor, mas a comunidade precisa se conscientizar urgentemente de sua importância nos Conselhos Comunitários. 
Esta lei complementar se aplica a todos os menores de 18 anos em qualquer situação; ou seja, até se completar essa idade, todos são menores para efeitos penais. Desta forma, todo menor está sob tutela, sem qualquer discriminação. 
Existe um juízo especializado em causas menoristas, pois a Justiça Comum possui competência para separação de casais, para guarda dos filhos, entre outras, e a Justiça Menorista é a competente para apreciar a situação de todos os menores de 18 anos. É importante lembrar que para efeitos penais não há distinção entre criança e adolescente. 
De acordo com o art. 1º, o ECA adota a doutrina da proteção integral, baseada no reconhecimento de direitos especiais e específicos de todas as crianças e adolescentes (art. 3º). A C.F. em seu art. 227, afastou a doutrina da situação irregular, que limitava-se basicamente em 3 matérias: a) menor carente; b) menor abandonado; c) diversões públicas, para assegurar direitos fundamentais à criança e adolescente. 
2.3 – Convenção sobre os direitos da criança 
O primeiro documento internacional relativo à criança e adolescente foi uma convenção internacional de 1924, Declaração de Genebra aprovada no Brasil em 26/01/1990, pelo decreto legislativo n. 28 de 14/09/1990. O ECA está conforme a Convenção da ONU. De acordo com a doutrina da proteção integral há necessidade de um conjunto articulado de ações por parte do Estado e da sociedade que vão desde a concepção de políticas públicas até a realização de programas locais de atendimento implementados por entidades governamentais ou não governamentais. A doutrina da proteção integral nasceu no IX Congresso Panamericano Del Niño, realizado em Caracas em 1948, e no X Congresso Panamericano Del Niño, realizado no Panamá em 1955
2.4 – Natureza jurídica do direito da criança e adolescente 
O direito da criança e adolescente pertence ao direito ao público, cuja natureza de suas normas é ius cogens, onde o Estado surge para fazer valer a sua vontade, diante de sua função protecional e ordenadora. 
2.5 – O ECA e a denominação técnica de criança e adolescente – art. 2º
2.5.1- Teorias sobre o momento exato em que a pessoa completa a idade
1ª) Completa-se qualquer idade no primeiro minuto do dia em que festeja o aniversário, independentemente da hora do nascimento. 
2ª) Completa-se qualquer idade na hora que consta do assento de nascimento. 
3ª) Completa-se qualquer idade após o transcurso integral do dia em que se dá o aniversário. 
A tese predominante entre nós é aquela em que a pessoa completa qualquer idade no primeiro momento do dia do seu aniversário (RT, 360:117). O Estatuto fixou a adolescência aos 12 anos completos, no entanto, as regras mínimas que as Nações Unidas para a Administração da Justiça de Menores recomenda é que nos sistemas jurídicos que reconheçam o conceito de responsabilidade penal para menores, seu começo não deveria fixar-se numa idade demasiado precoce, levando em conta as circunstâncias que acompanham a maturidade emocional, mental e intelectual. 
Para Paulo Lúcio Nogueira essa fixação é prejudicial ao menor, pois crianças de 12/13 anos não possuem maturação suficiente para se responsabilizarem por atos infracionais, com o processo do contraditório e a ampla defesa. Ele defende que a imputabilidade penal seja fixada aos 16 anos completos. 
Quanto ao nascituro, a sua inclusão como criança exige uma anotação mais extensa. Pode-se resumidamente elencar 3 posições: natalista, personalidade condicional e concepcionista. É certo que a interpretação sistemática do ECA leva à inclusão do nascituro como incluso na expressão criança. 
2.5.1 – Jovem 
A Emenda Constitucional nº 65 de 13 de julho de 2010 introduziu no art. 227 texto constitucional a expressão jovem. Previu, além disso, um estatuto do jovem, ratificando a tendência jurídica de se criarem microssistemas a amparar as chamadas faixas etárias vulneráveis. 
A ONU definiu jovem como a pessoa entre 15 e 29 anos de idade. 
2.5.2 – Exceções do parágrafo único do art. 2º 
A referência do parágrafo único às pessoas entre 18 e 21 anos, se relaciona claramente à hipótese de maioridade civil, pois à época de entrada em vigor do ECA estava em vigor o C.C. de 1916. 
O ECA expressamente permite a internação do maior de 18 e menor de 21 anos. 
Na questão da adoção de maior de 18 anos, levando-se em conta a data do ajuizamento, continua a aplicar-se as regras do ECA, de acordo com o disposto no art. 1619 do C.C.
3- Análise do art. 3º 
Entende-se como direitos humanos fundamentais são o conjunto de direitos e garantias do ser humano, objetivando a proteção da dignidade, protegendo contra o arbítrio do Estado e estabelecendo regras mínimas de desenvolvimento. 
Há direitos que são destacáveis da pessoa humana e há outros que são inerentes a mesma. (características – art. 11 do C.C. ). Além dos direitos fundamentais da pessoa humana, gozam a criança e adolescente do direito subjetivo de desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, preservando-se sua liberdade e dignidade. 
Os art. 3º resume os princípios 1 e 2 da Declaração dos Direitos da Criança, das Nações Unidas; já os arts. 4º e 5º foram extraídos do art. 6º e 227 da C.F. 
4 – Direito ao voto 
5- Dos direitos fundamentais
5.1-Conceito de políticas públicas
“São os mecanismos executados pelo poder público com a intenção de aniquilar ou reduzir drasticamente o espectro da fome, da pobreza e da injustiça social.”
5.2- Responsabilidade pelas políticas públicas
 As políticas públicas são de incumbência do Poder Executivo, que deve reservar parte de seu orçamento na consecução de seus objetivos. A omissão pode ser sanada por meio de ação civil pública em que o M.P. possui legitimidade para propô-la. 
5.3- Sistema de proteção dos direitos da criança e adolescente 
 Sabemos que o ECA adota a doutrina da proteção integral, garantindo-lhes instrumentos efetivos de defesa. Inicialmente, no art. 3º menciona o direito de gozo de todos os direitos fundamentais da pessoa humana. Para garantia e efetivação desses direitos, criou mecanismos para tal, mencionando a prevenção no Título III, estabelecendo como “dever de todos prevenir a ocorrência de ameaça ou violação dos direitos da criança e do adolescente”. (Ex: limitação imposta no art. 80 do ECA). 
 Na Parte Geral, temos os direitos fundamentais da criança e adolescente, sendo que introduziu a regra da proteção integral, determinou regras eminentemente administrativas baseadas no poder de polícia e finalmente efetivou instrumentos para a garantia da efetivação desses direitos fundamentais da criança e adolescente na parte especial. 
5. 4- Direito à saúde – art. 8º ECA
 O art. 7º ao 14 traçam regras gerais de garantia à vida e à saúde da criança e adolescente. O art. 7º reproduz os dois primeiros direitos elencados no art. 227 da C.F. e o art. 8 remete, implicitamente ao seu art. 198, que trata do SUS. 
 Esse direito inclui uma fase anterior que é a gestação e o parto, constituindo em próprio direito da criança a nascer, o atendimento pré-natal e perinatal. Trata-se de um verdadeiro direito do nascituro.A Lei n. 12.010-2009 inseriu o dever de assistência psicológica à gestante e à mãe, no período pré-natal e pós-natal. O estado puerperal pode ser definido como a perturbação psíquica sofrida pela mãe decorrente do parto que pode levar a impulsos homicidas (art. 123 C.P.). Deriva do princípio da responsabilidade primária e solidária do poder público. 
5,4.1- Ação de obrigação de fazer contra a gestante
 Em caso de omissão da mesma, os agentes de saúde devem comunicar ao Conselho Tutelar e na continuação da omissão, deve comunicar ao órgão ministerial, que oferta ação de obrigação de fazer contra agestante, sendo essa obrigação de comparecer ao serviço hospitalar. 
 5.4.2- Omissão do governo do Estado ao art. 8º do ECA
 Cabe ação civil pública de obrigação de fazer .
 5.4.3-Princípio da prioridade absoluta e do direito à vida e a permissão do aborto do art. 128 do C.P. 
 A criança e adolescente possuem direito à vida, incluindo o direito ao nascimento, inclusive como preceito constitucional (art. 227 da C.F.), temos três hipóteses em que é permitido o aborto (aborto necessário ou terapêutico, justificando-se pelo estado de necessidade, aborto sentimental e feto anencefálico. 
5.4.4- Direito de amamentar - art. 9º ECA.
 A C.F. no art. 7º, XVIII garantiu 120 dias de licença-maternidade e estabilidade no emprego durante amamentação. A Lei n. 11.770 – 2008 instituiu o programa empresa cidadã, destinado a prorrogar por 60 dias a duração da licença-maternidade. O art. 396 da CLT, prevê que as mulheres têm direito, durante a jornada de trabalho, a dois descansos diários especiais, de meia hora cada um, até que a criança complete 6 meses de idade, podendo esse período ser dilatado se a saúde da criança o exigir. Em caso de proibição do exercício desse direito, cabe mandado de segurança. 
 A Lei n. 11.942-2009, assegura às mães presas e aos recém-nascidos condições mínimas de assistência. 
5.4.5- Identificação e atendimento médico do neonato
 A ausência dolosa ou culposa, do registro a que alude o art. 10,I do ECA, pode configurar a figura penal do art. 228 do ECA. A ausência do teste do pezinho, implica o delito do art. 229 do ECA. 
5.4.6 – Atendimento integral à saúde da criança e adolescente
 Em se tratando de direito fundamental da pessoa humana, a saúde deve ser garantida pelo Estado em todos os seus planos e aspectos, que vão do preventivo à manutenção e recuperação, abrangendo a assistência médico-hospitalar, com o fornecimento de medicamentos, apoio psicológico, tratamento para dependentes químicos e outros. 
5.4.7 – Direito a acompanhante
 O art. 12 aplica-se a hospitais tanto da rede pública e privada. 
5.4.8 – Maus-tratos 
 O descumprimento do art. 13 implica as sanções administrativas o art. 245 do ECA. Os maus tratos podem ser físicos ou não (art. 136 do C.P.) A comunicação não implica o crime previsto no art. 154 do C.P.. 
5.4.9 – Encaminhamento à Justiça da Infância e Juventude
 A Lei n. 12.010-2009, incluiu o parágrafo único no art. 13 do ECA, para determinar a obrigatoriedade de encaminhamento à Justiça da Infância e da Juventude as gestantes ou mães que manifestem interesse em entregar seus filhos para adoção. Se necessário, deve ser prestada assistência psicológica ( art. 8º ECA)
5.4.10- Programas de educação e prevenção sanitárias
 O dispositivo resume as atribuições cometidas pelo SUS pela C.F. \(art. 200, \\I a IV), enfatizando as medidas de prevenção, particularmente a de vacinação, e as campanhas de educação sanitária. A omissão pode configurar infração administrativa do art. 249 do ECA ou o crime de maus-tratos ( art. 136 C.P), 
6- Direito à liberdade, ao respeito e à dignidade
 O dispositivo do art. 15 simplesmente reforça a idéia do art. 4º, sendo tais garantias fundamentais a base necessária ao sadio desenvolvimento do ser humano. 
6.1 – Direito à liberdade
 Art. 16 ECA
6.2 – Liberdade de locomoção
 As restrições legais encontram-se nos arts. 75, 80, 83 e 85 ECA). No caso do adolescente, a liberdade de locomação pode, ainda, ser limitada pela aplicação das medidas sócioeducativas de internação e semiliberdade, em razão de prática de atos infracionais. 
 Privar a criança ou adolescente de liberdade, configura crime previsto no art. 230 do ECA. 
6.3 – Liberdade de pensamento
 Não se concebe educação sem que o destinatário possa livremente formar suas convicções (liberdade de opinião) e eventualmente externá-las (liberdade de expressão). 
6.4- Liberdade religiosa
 A ofensa à liberdade de religião pode configurar, dependendo do que consistir, nos crimes previstos no art. 140, par. 3º do C.P. ou art. 208 do C.P. ( ultraje ao culto). 
6.5- Liberdade de brincar, praticar esportes e divertir-se
 Corolário ao direito social de lazer ( art. 6º da C.F.) , a liberdade de brincar, praticar esportes e de divertir-se busca garantir à criança e adolescente, o espaço mínimo indispensável ao seu sadio desenvolvimento. Contudo há limitações, conforme os arts. 74 a 80 do ECA. 
6.6 – Liberdade de participar da vida familiar e comunitária
 Essa interação está disposta no art. 227 da C.F. 
6.7 – Liberdade de participação na vida política 
 Sabemos que o adolescente não é elegível, mas pode votar a partir dos 16 anos. 
6.8- Liberdade de buscar refúgio, auxílio e oritentação
 O inciso VII do art. 16 destina-se ao menor em situação de risco.
7 – Direito ao respeito 
 Encontra-se explicitado no art. 17 do ECA. e abrange a inviolabilidade identidade; a preservação da autonomia; a preservação dos valores, idéias e crenças e a preservação dos espaços e objetos pessoais. 
8- Direito à convivência familiar e comunitária
 De acordo com o art. 19 do ECA, a inserção em lar substituto é medida protetiva, excepcional, destinada a crianças ou adolescentes em situação de risco ( art. 98 do ECA). 
8.1 – Direito à criação em ambiente salutar
 O art. 19 prevê a necessidade de criação e educação “em ambiente livre da presença de pessoas dependentes de substâncias entorpecentes”. 
8.2- Serviços de acolhimento 
 Os serviços de acolhimento visam atender, temporária e excepcionalmente, crianças ou adolescentes que, por alguma razão, tiveram seus vínculos familiares rompidos e-ou precisam ser afastadas, temporária ou definitivamente, de seus lares. 
 De acordo com a Resolução nº 109, de 11 de novembro de 2009, os serviços de acolhimento para crianças e adolescentes dividem-se em: 
Serviço de acolhimento institucional, nas seguintes modalidades (art. 98):
Abrigo institucional (20)
Casa-lar e (10)
república
Serviços de acolhimento em família acolhedora
 No acolhimento familiar, pessoas ou casais, previamente inscritos em programas municipais específicos, recebem crianças ou adolescentes em situação de risco, na modalidade de guarda, até que ocorra a reintegração familiar ou a colocação definitva em família substituta pela adoção. 
8.3- Serviço de acolhimento institucional 
 O abrigamento deve perdurar até o retorno à família de origem ou colocação em família substituta. Tendo como prazo máximo 2 anos. 
8.4 – República
 A república tem como destinatários, jovens-adultos em situação de vulnerabilidade e risco. 
8.5- Excepcionalidade e temporariedade do acolhimento – art. 19, par. 1º
 Há a determinação que, no mínimo, semestralmente, deve ser feita a reavaliação da situação das crianças ou adolescentes inseridos em programas de acolhimento institucional ou familiar, com vistas a verificar a possibilidade de reintegração familiar ou colocação em família substituta. Havendo omissão do Estado na implementação de políticas públicas que permitam medidas efetivas de restabelecimento dos vínculos familiares ou a inclusão em família substituta, é cabível ação civil pública. 
8.6 – Outros princípios que regulam os serviços de acolhimento
 De acordo com as orientações técnicasdo Conselho Nacional de Assistência Social, além da excepcionalidade e temporariedade do acolhimento, são também princípios que devem nortear os serviços de acolhimento: 
a)preservação e fortalecimento dos vínculos familiares e comunicatórios;
b)garantia de acesso e respeito à diversidade e não discriminação;
c) oferta de atendimento personalizado e individualizado;
d)garantia de liberdade de crença e religião;
e)respeito à autonomia da criança , do adolescente e do jovem . 
8.7- Audiências concentradas de reavaliação das medidas de acolhimento institucional ou familiar
 Tais audiências são atos processuais conjuntos, de que participam todas as pessoas envolvidas na política da criança e do adolescente, com o objetivo de viabilizar o retorno da criança institucionalizada ao seio familiar. 
 O ECA prevê apenas a necessidade de reavaliação periódica da situação dos acolhidos e que a realização de audiências concentradas é mera recomendação, não gerando, portanto, obrigatoriedade. 
 A situação dos acolhidos deve ser avaliada pelo juízo da infância e da juventude para verificar:
a)a possibilidade de reintegração familiar;
b)a possibilidade de colocação em família substituta;
c)acompanhamento do plano individual de atendimento (PIA – art. 101 do ECA).
 A audiência para acompanhamento do PIA deve ser feita, uma vez não obrigatória ou exigível, sempre que pertinente e necessária, para avaliar a eficácia, dirimir dúvidas ou corrigir omissões do programa e definir possíveis medidas protetivas adicionais, ouvidos os acolhidos, suas famílias e demais profissionais envolvidos. 
8.8 – Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Acolhidos 
 A iniciativa tem por objetivo complementar o banco de dados do Cadastro Nacional de Adoção (CNA) e contém o histórico de crianças e adolescentes, destituídos ou não do poder familiar, que se encontram em entidades de acolhimento. 
 O acesso ao sistema (CNCA) é restrito, mas os dados estatísticos podem ser acompanhados por meio da Agência CNJ de Notícias. 
9-Modalidades de colocação em família substituta.
 A colocação em família substituta se faz mediante guarda, tutela ou adoção. A colocação em família substituta estrangeira só ocorrerá em forma de adoção.
9.1- Fliação – art. 20 ECA , art. 227, par. 6º da C.F. e art. 1596 C.C. 
 Temos a filiação legítima, ilegítima e civil 
10- Poder familiar – art. 21 ECA.
 O poder familiar não é absoluto, podendo ser suspenso ou extinto. 
10.1 – Deveres dos pais – art. 22 ECA e art. 1634 do C.C. 
 O não cumprimento dessas obrigações poderá importar em perda ou suspensão do poder familiar, conforme o art. 24 do ECA. 
10.2 – Carências de recursos materiais e poder familiar – art. 23 ECA. 
 O vínculo sanguíneo, pela sua importância deve ser preservado, e a família carente incluída em programas oficiais de auxílio
10.3- Perda ou suspensão do poder familiar
 Suspensão – art. 1637 C.C.
 Extinção sem responsabilidade – art. 1635, I a IV do C.C.
 Extinção por responsabilidade – art. 1635, V e 1638 C.C.
 
 
5- Princípios Fundamentais 
a)Do direito à vida e à saúde
"'A vida é realmente o único bem que a pessoa tem', já que os demais virão por acréscimo." A vida e a saúde também são consideradas direitos fundamentais da criança e do adolescente, já que estão em fase de desenvolvimento, devendo existir programas assistenciais que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de existência, assegurando à gestante, à parturiente e à nutriz (mulher que amamenta) todas as condições necessárias. 
O Capítulo referente à vida e à saúde prevê atendimento pré, peri e pós-natal, preferencialmente pelo mesmo médico, através do Sistema Único de Saúde (SUS), convém salientar que este sistema é precário, insuficiente e falho. Sendo que tal prerrogativa legal é utópica, pois de nada adianta fazer exigências legais se não houver real implantação de uma política de saúde eficaz, séria e satisfatória. 
Quando ocorrer suspeita de maus tratos (art. 13), deve-se comunicar imediatamente o Conselho Tutelar (art. 131), órgão constituído por cidadãos eleitos em cada município que deverá ter um importante papel na proteção ao menor, pois esse Conselho que irá tomar as providências cabíveis em cada caso. 
b)Liberdade, Respeito e Dignidade
O direito à liberdade é bastante amplo, mas sempre deve-se ter em vista a segurança da criança e do adolescente, e, por esse motivo, é que existem certas restrições e limites. 
Os menores devem respeitar os outros indivíduos, principalmente os idosos, da mesma forma que a criança e o adolescente merecem o respeito de todos. Ao exigir deveres para os menores, o ECA estabeleceu o equilíbrio indispensável à sociedade sadia. 
A liberdade de crença e religião é tão importante que o legislador se preocupou em preceituar o direito de conhecer todas as crenças religiosas existentes. 
c)Convivência Familiar e Comunitária
Pela regra geral acredita-se que a família, de direito ou de fato, é o lugar ideal para a criação e educação do menor. E isto porque os pais são os maiores responsáveis pela formação dos filhos, possuindo o pátrio poder sobre eles e o pátrio dever de lhes garantir os direitos fundamentais. A Constituição da República igualou o pátrio poder, portanto, ele será exercido igualmente pelo pai e pela mãe. Qualquer divergência entre eles poderá ser resolvida em juízo. 
A legislação penal prevê crimes contra a assistência familiar (arts. 244, 246, 247 e 245) visando tutelar o menor de 18 anos. Em casos excepcionais o menor deverá ser colocado em família substituta. A perda ou suspensão do pátrio poder só deve ocorrer nos casos em que a família natural se desinteresse ou abandone o filho. Essa perda ou suspensão somente poderá ser decretada judicialmente, em procedimento contraditório, nos casos previstos na lei. 
d)Família Natural
É a comunidade formada pelos pais, ou qualquer um deles e seus descendentes. Família Substituta é aquela que recebe o menor em guarda, tutela ou adoção. A família substituta estrangeira é uma medida que deve ser tomada excepcionalmente, sendo admissível apenas na modalidade de adoção. 
Os filhos havidos fora do casamento podem ser reconhecidos pelos pais, conjunta ou separadamente; no próprio termo de nascimento; por testamento; mediante escritura; mediante outro documento público. Vale lembrar que qualquer que seja a origem da filiação, os filhos podem ser reconhecidos, ou seja, pouco importa o estado civil dos pais. O direito ao estado de filiação é direito personalíssimo, indisponível e imprescritível. 
A guarda visa regularizar a posse de fato da criança. É a primeira forma de colocação do menor em família substituta ou associação até que se torne definitivo. Poderá ser revogada a qualquer tempo mediante ato judicial fundamentado, ouvido o Ministério Público. 
A tutela é uma instituição legal destinada à proteção de menores órfãos, que não possam dirigir suas pessoas ou bens, por si sós, precisando de tutor. Existem três formas de tutela: testamentária (por ato de última vontade), legítima (decorre da lei e cabe aos parentes) e dativa (deriva de sentença judicial). O artigo 409, do Código Civil estabelece uma ordem determinada para a nomeação de tutor, mas não é rígida, porque visa o interesse do menor (RT, 614:56; 566:56). 
A adoção é o instituto que tem sido utilizado desde a antigüidade, pois trata-se de meio pelo qual o casal sem filhos consegue assegurar a continuidade de sua descendência, recebendo um estranho na qualidade de filho. 
e) Prevenção 
Visto que é dever de todos prevenir a ocorrência de ameaça ou violação de direitos, ninguém pode eximir-se desta obrigação. Qualquer atentado aos direitos fundamentais, por ação ou omissão, merece exemplar punição (art. 5º). Maus tratos contra 'X' ou 'Y' (é suficiente a simples suspeita) devem serobrigatoriamente levados ao conhecimento do Conselho Tutelar da cidade (art. 13) e ao juiz da infância e juventude, para as providências legais cabíveis. 
O descumprimento das normas de prevenção, sujeita os responsáveis (pessoa física ou jurídica) à obrigação de reparar o gravame ocasionado, por ação ou omissão, sem prejuízo da responsabilidade penal. 
f) Proteção
As medidas de proteção devem ser aplicadas pelo Conselho Tutelar ou pela autoridade judiciária, e devem sempre buscar os fins sociais a que se destinam, conforme o art. 6º do ECA, levando em consideração o universo bio-psicossocial que vivem. As medidas específicas de proteção aplicam-se: 
1) às crianças e adolescentes carentes (art. 98, I e II, c/c artigo 136, I, ambos do ECA); 
2) às crianças e adolescentes infratores (art. 98, III, c/c 6s art5g6s 105; 112, VII e 136, VI, todos do ECA). 
O Conselho Tutelar, órgão permanente e autônomo, não jurisdicional, terá atribuição para aplicar as medidas específicas de proteção às crianças e aos adolescentes carentes e às crianças infratoras (arts. 136, I, c/c artigo 98 e seus incisos e art. 105, todos do Estatuto). O juiz da infância e da juventude tem competência para administrar privativamente as medidas de proteção aos adolescentes infratores e conforme dispõe o artigo 126, ECA, conhecer da problemática e administrar tudo o que é da competência do Conselho Tutelar, enquanto este não é criado. 
"A sociedade conquistou instrumentos para a construção da cidadania de milhões de crianças e adolescentes excluídos dos benefícios do desenvolvimento, que, se tomados com seriedade, firmeza, vontade e determinação política na sua consecução do Projeto Cidadão-Criança, poderemos alcançar o Estado Democrático de Direito." BENEDITO RODRIGUES DOS SANTOS - Fórum dos Direitos da Criança e do Adolescente. 
FAMÍLIA NATURAL
1-Conceito – art. 25 do ECA
*Abrange a união estável (família informal) e monoparental 
2-Diferença entre família natural e ampliada – art. 25, par. único ECA.
*A família extensa foi inserida pela Lei n. 12.010, de 03 de agosto de 2009. 
3- Conceito de parentesco – É a relação que une duas ou mais pessoas em laços de família. Pode ser natural ou consangüíneo, quando decorre do vínculo genético com um ancestral comum, e civil ou por afinidade, quando advém do casamento ou de outras relações sociais. 
 Lembrando que o parentesco consangüíneo pode ser, em linha reta (art. 1591 C.C.) ou colateral (art. 1.592 C.C.). O vínculo civil é definido pelo art. 1.595 C.C., caput. 
4- Unidades de famílias possíveis: matrimonial, informal (união estável), homoafetiva, monoparental (art. 226, par.4º C.F.), parental ou anaparental (ausência dos genitores, quer por morte ou abandono). É constituída pela convivência entre parentes, irmãos, tios, primos, ou mesmo por terceiros, que assumem o compromisso do cuidado recíproco; pluriparental (formadas pela união de famílias monoparentais, quer de fato, quer pelo matrimônio, em que cada integrante agrega filhos provenientes de uma relação antecedente; paralelas (decorrente de ligações afetivas eventuais e transitórias e ou adulterinas, que não são suficientemente longas a ponto de configurar o concubinato, mas que podem levar à existência de prole e, sem dúvida, à existência de vínculos emocionais. A família eudemonista, é formada por uma entidade grupal que nasce da solidariedade e da afetividade de seus membros.
5 – Reconhecimento voluntário – art. 26 ECA. 
 De acordo com o art. 1.609 do C.C., que acolheu o art. 1º da Lei n. 8.560-1992, prevê que o reconhecimento dos filhos havidos fora do casamento pode ser feito:
a)no registro do nascimento;
b) por escritura pública ou escrito particular em cartório;
c)por testamento, ainda que incidentalmente manifestado; e
d) por manifestação expressa e direta perante o juiz, ainda que o reconhecimento não haja sido o objeto único e principal do ato que o contém. 
 O reconhecimento de filho maior não pode ser feito sem o seu consentimento. O filho menor que pode impugnar o reconhecimento, nos quatro anos que se seguirem à maioridade ou emancipação ( art. 1.614 do C.C.). O reconhecimento não pode ser revogado (art. 1.610) e não comporta qualquer condição (art. 1.613). 
 A mãe só pode contestar a maternidade aposta no termo do nascimento do filho se provar a sua falsidade material ou ideológica (art. 1.608). O filho havido fora do casamento , e reconhecido por um dos cônjuges, necessita do consentimento do outro para poder residir no lar conjugal \(art. 1.611), priorizando o legislador civilista o casamento e estabilidade da família legítima em detrimento da proteção integral da criança. Assim,tal norma deve ser vista como inexistente. 
 Para Paulo Afonso Garrido de Paula, a segunda parte do art. 1616 é incompatível com a doutrina da proteção integral,
 A ação de investigação de paternidade ou de maternidade pode ser contestada por qualquer pessoa com justo interesse (art.1615 C.C.) 
6- Natureza do reconhecimento do estado de filiação 
 O M.P. , sem prejuízo de quem tenha legítimo interesse, tem legitimidade para ajuizar ação de investigação de paternidade. 
 É direito indisponível e imprescritível, não sendo possível renúncia ou a transação.
 Ação de investigação de partenidade é imprescritível, mas a de petição de herança não o é. (Súmula 149 do STF)
 A ação pode ser proposta independentemente do estado civil dos genitores ou de eventual grau de parentesco entre eles, sempre em face dos supostos pais ou, se falecidos , contra seus herdeiros. A ação de investigação de paternidade post mortem, cumulada, ou não, com petição de herança, a legitimidade passiva ad causam fica restrita aos herdeiros, assim compreeendidos os que herdaram, ou que poderiam herdar e os seus sucessores. A demanda pode ser ajuizada independentemente da ação de anulação do registro de nascimento do investigante, cujo cancelamento é mera conseqüência da decisão procedente na investigatória, sem necessidade de expresso pedido de cumulação. 
 Por não se enquadrar nas hipóteses do art. 208, a competência é da Vara Especializada de Família e Sucessões, ou, à sua falta, à Vara Cível . Devendo se ajuizada no foro do domicílio do réu (art. 94 do C.P.C.), ou, quando cumulada com alimentos, no foro do domicílion ou residência do autor (art. 100, II do C.P.C. e Súmula 1 do STJ.
 O processo deve correr em segredo de jusiça
7- Investigação de maternidade 
 O art. 27 do ECA garante a sua aplicabilidade em caso de investigação de maternidade
FAMÍLIA SUBSTITUTA
 De acordo com o art. 28 do ECA, a colocação em família substituta pode ocorrer por guarda, tutela ou por adoção. Nesses casos indo ao encontro da teoria da desbiologização da paternidade. O Estatuto acolheu a chamada paternidade social, reconhecendo ao lar alternativo o mesmo patamar de família natural. 
1-Oitiva da criança e adolescente por equipe interprofissional
 Sempre que possível, o menor deve ser previamente ouvido por equipe interprofissional e sua opinião devidamente considerada pelo julgador (art. 28, par. 1º e 168 do ECA)
2- Requisitos para apreciação do pedido de colocação em família substituta. 
 O magistrado deve levar em conta o grau de parentesco e a relação de afinidade ou de afetividade, a fim de evitar ou minorar as conseqüências decorrentes da medida. 
 Ao priorizar e procurar preservar os vínculos e laços familiares, o legislador não apenas cumpriu o preceito constitucional insculpido no art. 226 da C.F., como aderiu à tendência do “fenômeno jurídico-social denominado repersonalização das relações civis, que valoriza o interesse da pessoa humana mais do que suas relações patrimoniais. Pela nova tendência, a família afasta-se da tradicional função política-religiosa-procriacional e assume a forma de um espaço comum de afetividade e dignidade onde o ser humano é moldado. 
3- Atenção especial às crianças ou adolescentes indígenasou provenientes de comunidade remanescente de quilombo
 Prescrevendo o respeito à sua identidade social e cultural, aos seus costumes e tradições, bem como às suas instituições, desde que não incompatíveis com os direitos fundamentais rcconhecidos pela legislação. O art. 28, par. 6º prescreve que a colocação familiar seja feita prioritariamente no seio da própria comunidade ou junto a membros da mesma etnia. 
3.1- População indígena
 O reconhecimento dos direitos específicos à população indígena tem como marco fundamental o Estatuto do Índio. Ao se decidir sobre a colocação em família substituta, deve-se priorizar a comunidade de origem ou os membros da mesma etnia. A FUNAI deve ser ouvida. 
3.2 – Comunidades remanescentes de quilombos
 As comunidades remanescentes de quilombos formam, ainda hoje, grupamentos sociais dotados de identidade étnica, que as separa do restante da sociedade e que garante sua reprodução física, social, econômica e cultural. O art. 68 do ADCT se limitou à questão fundiária. 
 O procedimento para colocação do menor em família substituta encontra-se regulado pelos arts. 165 a 170 do ECA. 
4- Vedações à colocação em família substituta
 De acordo com o art. 29 ECA, o juiz deve procurar o ambiente mais propício ao sadio desenvolvimento de crianças e adolescentes. As incompatibilidades podem ser de qualquer natureza, econômica, moral, comportamental, social, ética, etc. A avaliação deve ser baseada em estudo social ou, se possível, perícia por equipe interprofissional (art. 167 ECA). 
5- Indelegabilidade
 O art. 30 veda a transferência dos menores para pessoas físicas ou jurídicas governamentais ou não, sem autorização judicial. Caso tal preceito não seja acatado pela família substituta, incorre em infração administrativa prevista no art. 249 do ECA, bem como, dependendo da conduta, em um dos crimes contra a assistência familiar (art. 244 a 247 do C.P. )
6- Medida excepcional 
 A adoção internacional, caracteriza exceção extrema, já que os nacionais merecem prioridade. Para os estrangeiros residentes fora do país, qualquer medida de caráter transitório ou cautelar é vedada, podendo ser concedida a adoção definitiva. 
7- Compromisso do guardião e do tutor
 Aplica-se o art. 32 do ECA combinado com o art. 1.187 C.C.
GUARDA
1- CONCEITO 
“É um meio utilizado para colocar o menor em família substituta ou em associações, independentemente da sua situação jurídica, até que se resolva definitivamente o destino do menor”.
2- CARACTERISTICAS
Destina-se à prestação de assistência moral, material e educacional do menor.
Não importa em previa suspensão do poder familiar.
O detentor do menor tem o direito de se opor a terceiros, inclusive aos pais.
Uma vez conferida a guarda a alguém tido como idôneo, não se admite a transferência do menor à terceiros ou a entidades governamentais ou não-governamentais sem autorização judicial.
A guarda poderá ser revogada a qualquer tempo, mediante ato judicial fundamentado, e com manifestação do MP.
A perda ou a modificação da guarda poderá ser decretada nos mesmos autos do procedimento.
É a modalidade mais simples de colocação em família substituta.
A guarda, tratada no ECA, é deferida à criança ou ao adolescente que, por abandono dos pais ou orfandade, necessitam de colocação em família substituta.
3- MODALIDADES 
PROVISÓRIA: 
pode ser concedida através de medida liminar ou incidentalmente nos processos de adoção
Não é possível nas adoções por estrangeiros.
PERMANENTE
Destina-se a atender a situação nas quais, por qualquer razão, não se logrou a adoção ou tutela.
Objetiva, também regularizar a guarda de fato.
PECULIAR
É destinada a atender situações excepcionais ou eventuais, permitindo ao juiz outorgar representação ao guardião para a prática de determinados atos em beneficio do menor.
*** OBS: O fato de o menor estar sob guarda não exime os pais da obrigação de prestar alimentos.
4- GUARDA COMPARTILHADA
Instituída pelo Código Civil de 2002
Ambos os pais permanecem com a guarda do menor, mesmo não vivendo sobre o mesmo teto.
Regularizada pela Lei 11.698/2008.
Promoveu alteração radical no modelo de guarda dos filhos, ate então dominante no direito brasileiro, ou seja, da guarda unilateral conjugada com o direito de visita.
A lei instituiu a preferência pela guarda compartilhada, que só deve ser afastada quando o melhor interesse dos filhos recomendar a guarda unilateral.
A guarda compartilhada não é mais subordinada ao interesse dos genitores quando se separam, ao contrário, quando não houve acordo será fixada pelo juiz, sempre que possível.
A guarda compartilhada pode ser requerida por um dos pais ou por ambos, ou em medidas cautelares preparatórias das ações de separação judicial ou divórcio.
O juiz pode fixar a guarda compartilhada ainda que não requerida pelos pais, quando perceber que ela se impõe para atender as necessidades específicas do filho.
A guarda compartilhada é exercida em conjunto pelos pais separados, de modo a assegura ao filho a convivência e o acesso livres a ambos.
Nessa modalidade, a guarda é substituída pelo direito a convivência dos filhos em relação aos pais.
Ainda que separados, os pais exercem em plenitude o poder familiar.
Na guarda compartilhada é definida a residência de um dos pais, onde viverá ou permanecerá, visando garantir-lhe a referencia de um lar, para suas relações de vida, ainda que tenha liberdade de freqüentar a do outro; ou mesmo de viver alternadamente em uma ou outra.
A guarda compartilhada tem por finalidade essencial a igualdade na decisão em relação ao filho ou co-responsabilidade, em todas as situações existenciais e patrimoniais.
A guarda compartilhada é caracterizada pela manutenção responsável e solidária dos direitos-deveres inerentes ao poder familiar, minimizando-se os efeitos da separação dos pais.
Os períodos de convivência do filho com seus pais não necessitam de ser rigorosamente iguais, para que o filho não tenha uma existência partida.
Uma modalidade que se aproxima da guarda compartilhada é a guarda alternada. Nesta, o tempo de convivência com o filho é dividido entre os pais, passando a viver alternadamente, de acordo com o que ajustarem os pais ou o que for decidido pelo juiz, na residência de um e do outro.
TUTELA
1- CONCEITO 
 “É um complexo de direitos e obrigações conferidos pela lei a um terceiro, para que a proteja a pessoa de um menor, que não se acha sob o poder familiar, e administre os seus bens”.
2- CARACTERISTICAS
Visa proteger o menor não emancipado e seus bens, se seus pais faleceram, foram declarados ausentes, suspensos ou destituídos do poder familiar.
Não pode coexistir simultaneamente com o poder familiar; onde um incide não há lugar para o outro.
É um instituto de caráter assistencial, que tem por escopo substituir o poder familiar
O tutor não poderá sem autorização judicial, transferir a criança ou o adolescente a terceiros ou a entidades governamentais e não-governamentais.
3- ESPÉCIES
TESTAMENTÁRIA: 
Se institui em virtude de nomeação de tutor aos menores, por ato de ultima vontade.
Deve ser instituída somente pelo pai ou pela mãe, desde que tenham o poder familiar.
Compete aos pais em conjunto.
Será nula se feita por pai ou mãe, que não seja detentor do poder familiar ao tempo da lavratura do testamento ou da escritura publica.
Será válida, se à época da nomeação do tutor, o pai ou mãe, estava suspenso do poder familiar, mas o recuperou antes de falecer.
Será inválida, se à época da nomeação do tutor, o pai ou a mãe era detentor do poder familiar mas no momento do falecimento o havia perdido.
Será inválida se feita por um dos pais, mas ou outro sobreviver, e ser capacitado para exercer o poder familiar.
Só poderá ser instituída se ambos os pais forem falecidos.
Aos irmãos órfãos será nomeado apenas um tutor
*** OBS: Quem instituir um menor como seu herdeiro ou legatário, poderá nomear curador especial para osbens deixados ainda que o beneficiário se encontre sob poder familiar ou tutela.
LEGÍTIMA
É a que se dá em falta da testamentária.
É deferida pelo juiz, ouvindo o menor e seus parentes mais próximos.
É estabelecida na seguinte ordem, a qual poderá ser alterada por entendimento do juiz
ascendentes
irmãos ou tios
DATIVA
É oriunda de decisão judicial, pois na falta de tutor testamentário ou legitimo ou quando os mesmos forem excluídos, removidos, ou escusados da tutela.
A nomeação recairá sobre:
pessoa estranha;
idônea;
que resida no domicilio do menor (*** Obs: esta exigência é exclusiva da tutela dativa).
É cabível mesmo quando os pais do menor forem vivos, mas decaíram do poder familiar.
IRREGULAR
É aquela que não há propriamente uma nomeação, na forma legal.
O suposto tutor zela pelo menor e por seus bens como se estivesse legitimamente investido do oficio tutelar.
Esta tutela não gera efeitos jurídicos, não passando de mera gestão de negócios.
4- IMPEDIMENTOS PARA O EXERCÍCIO DA TUTELA
Não poderão ser tutores e serão exonerados do exercício (art. 1735, I a IV)
Os que não tiverem a livre administração de seus bens;
Os que possuem obrigação para com o menor
Os inimigos do menor ou de seus pais, ou os que foram excluídos expressamente da tutela.
Os condenados por crime 
As pessoas de mau procedimento
Os que exercerem função publica incompatível com a boa administração da tutela
5- ESCUSA OU DISPENSA DOS TUTORES 
A escusa não é absoluta.
Art 1736, I a VII
as mulheres casadas;
os maiores de 60 anos;
os que tiverem em seu poder mais de três filhos;
os impossibilitados por enfermidade;
os que habitarem longe do lugar onde se deve exercer a tutela;
os que já estiverem no exercício de tutela ou curatela;
os militares em serviço
Quem não for parente do menor, pode recusar a tutela, se houver, no lugar, parente idôneo, consangüíneo ou afim, em condições de exercê-la.
 O pedido de dispensa deverá ser feito no prazo decadencial de 10 dias.
6- GARANTIAS DA TUTELA
Os bens do menor devem ser entregues ao tutor, mediante termo especificado deles e de seus valores, mesmo que os pais o tenham dispensado
7- EXERCICIO DA TUTELA
A tutela é exercida por um tutor, com o auxílio, quando necessário, de um protutor;
A nomeação do protutor deverá recair sobre pessoa idônea e competente para exercer o ônus de fiscalização dos atos praticados pelo tutor.
O tutor pode ser substituído durante a tutela, por motivo de dispensa, remoção ou morte, sem que esta sofra solução de continuidade, daí ser órgão permanente.
O poder do tutor é uno e indivisível, sem possibilidade de delegação.
A função tutelar é similar ao poder familiar, mas não idêntica a ele, uma vez que seu exercício se efetua sob inspeção judicial.
A venda dos bens do menor, pelo tutor, só poderá se dar mediante autorização judicial, através da expedição de alvará.
O tutor não pode, ainda que com autorização judicial:
obter para si mesmo, ou para pessoa interposta, bens pertencentes ao menor;
alienar, a titulo gratuito, os bens do menor;
adquirir credito, ou direito, contra o menor, por negocio jurídico em que figure como cessionário.
O tutor exercerá seu mandato por 2 anos, podendo ser reconduzido de acordo com sua vontade.
O tutor não tem direito ao usufruto dos bens do tutelado.
O tutor tem direito a reembolso do que realmente vier a despender no exercício da tutela, e ainda uma gratificação ou remuneração proporcional à importância dos bens do menor por ele administrados.
O protutor, por sua vez, apenas fará jus a uma gratificação módica pela fiscalização dos autos do tutor por ele feita.
A prestação de contas é feita em juízo com audiência do Ministério Público, sendo que as contas deverão ser organizadas em forma mercantil ou contábil.
O tutor deverá apresentar balanço anual de sua administração
O tutor deverá prestar contas de sua administração de dois em dois anos.
8- CESSAÇÃO DA TUTELA
Em relação ao tutelado:
se ele atingir a maioridade
completando 18 anos de idade
atingindo a emancipação
se ele cair sob o poder familiar, em caso de reconhecimento ou adoção
se ele se alistar ou for sorteado para o serviço militar.
Em relação ao tutor:
se expirar o termo em que era obrigado a servir;
se sobrevier escusa legítima;
se for removido por ter se tornado incapaz e por exercera tutoria, revelando-se negligente ou prevaricação.
*** Obs: o tutor destituído deverá prestar contas de sua administração e será nomeada outra pessoa idônea para ficar em seu lugar, mesmo que antes da aprovação daquela prestação de contas.
ADOÇÃO
1- CONCEITO E FINALIDADE
“A adoção vem a ser o ato jurídico solene pelo qual, observados os requisitos legais, alguém estabelece, independentemente de qualquer relação de parentesco consangüíneo ou afim, um vinculo fictício, trazendo para a sua família, na condição de filho, pessoa que, geralmente, lhe é estranha”. 
Dá origem, a uma relação legal que possibilita que se constitua entre o adotante e o adotado um laço de parentesco de 1º grau na linha reta.
Tal possibilidade de filho será definitiva ou irrevogável, para todos os efeitos legais.
Há o desligamento do adotado de qualquer vinculo com os pais de sangue, salvo os impedimentos para o casamento (CF, art. 227, § § 5º e 6º), criando verdadeiros laços de parentesco entre o adotado e a família do adotante (CC, art. 1.626).
Pode ser realizada por pessoas solteiras ou por pessoas casadas ou que vivam em regime de união estável. Admitindo-se, atualmente, a adoção por homossexuais.
Vedada por procuração
Se maior de 12 anos é necessário o seu consentimento.
Direito de conhecer sua origem biológica e possibilidade de acesso aos processo de adoção após os 18 anos ou quando menor, desde que verificada a necessidade da criança.
Possibilidade de alteração do nome, desde que consentido.
2- REQUISITOS
I- Efetivação por maior de 18 anos.
Quando a adoção for singular, o adotante deverá obrigatoriamente ter mais de 18 anos de idade; (CC, art. 1.618)
Quando a adoção for por casal (adoção conjugal) ligado pelo matrimônio ou por união estável, desde que pelo menos um deles tenha completado 18 anos de idade comprovada a estabilidade familiar (art. 1.618, parágrafo único). 
Ninguém pode ser adotado por duas pessoas, salvo se forem marido e mulher, ou se viverem em união estável. (art.1.622, caput)
Se, porventura, alguém vier a ser adotado por duas pessoas (adoção conjunta ou cumulativa) que não sejam marido ou mulher, nem conviventes, prevalecerá tão-somente à primeira adoção, sendo considerada nula a segunda, caso contrario ter-se-ia a situação absurda de um individuo com dois pais e duas mães. 
Os divorciados e os separados judicialmente poderão adotar conjuntamente se o estagio de convivência com o adotado houver iniciado na constância da sociedade conjugal e se fizerem acordo sobre a guarda do menor e o regime do direito de visitas (CC, art. 1.622, parágrafo único). 
Se um dos cônjuges ou conviventes adotar filho do outro, os vínculos de filiação entre adotado e o cônjuge, ou companheiro, e de parentesco entre o adotado e o cônjuge, ou companheiro, e de parentesco entre os respectivos parentes serão mantido.
Não estão legitimados a adotar seus tutelados ou curatelados, os tutores ou curadores, enquanto não prestarem contas de sua administração, sob a fiscalização do Ministério Publico e julgadas pelo juiz, e saldarem o debito, se houver, fizerem inventario e pedirem exoneração do munus publico (CC, art. 1.620).
Nada impede a adoção pelo pai ou mãe, do filho havido fora do relacionamento conjugal, se não quiser reconhecê-lo, uma vez que não existe na legislação nenhuma norma que proíba relações de parentesco civil entre pais, ou mãe, e filho “natural”.
Marido e mulher não podem ser adotados pela mesma pessoa, pois passariam a ser irmãos.
Se a adoção se der por pessoa solteira ou que não viva em união estável, formar-se uma entidade familiar, ou seja, uma família monoparental.
Diferença mínimade 16 anos de idade entre o adotante e o adotado.
É imprescindível que o adotante seja mais velho para que possa desempenhar cabalmente o exercício do poder familiar. 
Se o adotante for um casal, bastará que um dos cônjuges, ou conviventes, seja 16 anos mais velho que o adotando.
Consentimento do adotado, de seus pais ou representante legal (tutor ou curador).
Não cabe nesta matéria suprimentos judiciais. 
Se o adotado for menor de 12 anos ou se for maior incapaz, consente por ele seu representante legal (pai, tutor ou curador), mas se contar mais de 12 anos, deverá ser ouvido para manifesta sua concordância.
O consentimento será dispensado em relação à criança ou adolescente, se seus pais forem desconhecidos ou tiverem sido destituídos do poder familiar.
Se se trata de relativamente incapaz, deverá participar do ato assistido pelo seu representante legal.
Se for maior de 18 anos e capaz, deverá manifesta sua aquiescência por ato inequívoco (RT, 200:652).
O consentimento é revogável até a publicação da sentença constitutiva da adoção.
Apenas será admitida a adoção que constituir efetivo benéfico para o adotado (CC, art. 1.625), visto que não há adoção intuitu personae, pois o juiz é quem terá o poder-dever de optar pela família substitutiva adequada e não os pais da criança a se adotado, e muito menos os adotantes. 
O Poder Judiciário é que analisara a convivência ou não, para o adotando, e os motivos em que se funda a pretensão dos adotantes, ouvindo, sempre que possível, o adotado, levando em conta o parecer do Ministério Publico. 
O Juiz deverá agir com prudência, verificando se os adotantes têm condições morais e econômicas de proporcionar um pleno e saudável desenvolvimento físico e mental ao adotado.
Intervenção judicial na sua criação, pois somente se aperfeiçoa perante juiz, em processo judicial.
Há necessidade de intervenção do Ministério Publico, inclusive em caso de adoção de maior de 18 anos.
A competência para julgar pedidos de adoção de menores de 18 anos será da Justiça da Infância e da juventude. 
Irrevogabilidade: A adoção, tanto de maiores como de menores é irrevogável, mesmo que os adotantes venham a ter filhos, aos quais o adotado está equiparado, tendo os mesmos deveres e direitos, inclusive sucessório, proibindo-se quaisquer designações discriminatórias, relativas à filiação.
Irreversibilidade:A adoção é irreversível, entrando o adotado definitivamente para a família do adotante. 
A morte do adotante não restabelecerá o poder familiar dos pais naturais.
Necessidade de estágio de convivência entre os adotantes e adotados.
Para os divorciados ou separados judicialmente (adotantes) e adotados, é necessário que o estágio de convivência tenha se iniciado na constância da sociedade conjugal.
O estagio de convivência pode ser dispensado somente se o menor tiver menos do que um ano de idade ou se, independentemente de sua idade, já estiver na companhia do adotante durante tempo suficiente para a avaliação dos benefícios da constituição do vínculo.
Para adoções internacionais o estágio será de 30 dias dentro do território brasileiro.
Acordo sobre guarda e regime de visitas feitas entre divorciados e judicialmente separados que pretendem adotar, conjuntamente, pessoa que com eles conviveu na vigência do casamento (CC, art. 1.622, parágrafo único, 2ª parte).
Prestação de contas da administração e pagamentos dos débitos por parte de tutor e curador que pretenda adotar pupilo ou curatelado (CC, art. 1.620).
Comprovação de estabilidade familiar se a adoção se der por conviventes (CC, art. 1.618, parágrafo único, in fine).
3- REQUISITOS PARA ADOÇÃO DE MENORES (ECA)
O procedimento para tanto será o indicado na Lei n. 8.069/90. requisitos específicos para a concessão desse pedido;
qualificação de requerente e de seu cônjuge ou companheiro, com expressa anuência deste;
indicação de eventual parentesco do requerente e de seu cônjuge, ou companheiro, com a criança ou adolescente, especificando se há ou não algum parente vivo;
qualificação completa do adotado e de seus pais, se conhecidos;
indicação do cartório onde se deu a inscrição do nascimento do adotado, anexando, se for possível, uma copia de sua certidão de nascimento;
declaração sobre a existência de bens, diretos ou rendimentos pertencentes ao adotado.
A adoção poderá ser deferida ao adotante que, após inequívoca manifestação de vontade (art. 43). 
A adoção poderá ser deferida ao adotante que, após inequívoco manifestação de vontade, vier a falecer na pendência do procedimento, antes que a sentença judicial seja prolatada, hipótese em que a sentença constitutiva do vinculo da adoção retroagirá à data do óbito. Essa adoção post mortem só é possível por que o adotante já havido manifestado sua vontade de adotar ainda em vida.
A sentença judicial concessiva da adoção terá efeito constitutivo e devera ser inscrito no registro civil, mediante mandado do qual não se fornecera certidão.
 A inscrição consignará o nome dos adotantes como pais, bem como o nome de seus ascendentes, com o intuito de fazer crer, a todos, que o parentesco entre adotantes e adotado é consangüíneo. 
O mandado judicial, que será arquivado, cancelará o registro original do doador. 
Nas certidões do registro não poderá constar nenhuma observação sobre a origem do ato, e a critério do magistrado poderá ser fornecida certidão para a salvaguarda de direitos. 
A sentença conferirá ao adotado o nome do adotante e, a pedido deste, poderá determina a modificação do prenome. 
A doação produzirá seus efeitos a partir do transito em julgado da sentença.
4- ADOÇÃO DE MAIORES DE 18 ANOS
A adoção de maior de 18 anos não dispensa a efetiva assistência do poder publico, nem processo judicial; 
O magistrado da Vara de Família deverá examinar se foram, ou não, cumpridos os requisitos legais e averiguar se a adoção é conveniente para o adotado.
A adoção só se consuma com o assento da sentença constitutiva, que se perfaz com a sua averbação à margem do registro de nascimento do adotado, efetuada à vista de petição acompanhada da decisão judicial.
5- EFEITOS PESSOAIS E PATRIMONIAIS
Os efeitos pessoais decorrentes da adoção são:
Rompimento automático do vínculo de parentesco com a família de origem. 
Salvo os impedimentos matrimoniais;
Os genitores não mais poderão exigir noticias da criança ou o adolescente, nem mesmo quando se torna maior de idade. 
Os vínculos de filiação e parentesco anteriores cessam com a inscrição da adoção no Registro Civil. 
Nem mesmo, a morte do adotante restabelecerá o poder família dos pais naturais. 
As relações sucessórias que prendiam o adotado aos pais de origem e as obrigações alimentícias decorrentes do parentesco natural não mais substituirão.
Estabelecimento de verdadeiros laços de parentesco civil entre o adotado e o adotante, 
abrange toda a família do adotante, exceto para efeitos matrimoniais, em que prevalecem os impedimentos dirimentes previstos no art. 1.521, I,III e V, do Código Civil.
Será recíproco direito sucessório entre adotado, seu descendentes, o adotantes, seus ascendentes, descendentes e colaterais até o 4º grau, observando-se a ordem de vocação hereditária.
Transferência definitiva e de pleno direito do poder familiar para o adotante, se o adotado for menor, com todos os direitos e deveres que lhe são inerentes: companhia, guarda, criação, educação obediência respeito, consentimento para casamento, nomeação de tutor, representação e assistência. 
O poder familiar mesmo com a morte, interdição ou ausência do adotante não se restaura em favor do pai natural, pois o adotado, sendo menor, ficará sob tutela.
Liberdade razoável em relação à formação do nome patronímico do adotado, pois o art. 1.627 do Código Civil reza a decisão confere ao adotado o sobrenome do adotante.
Pode-se determinar a modificação do prenome do adotado, se menor, a pedido do adotante ou do adotado.
 Apenas o pronome de menor adotado poderá sofrer alteração, logo o do maior serámantido por ser elemento que o identifica socialmente. 
O sobrenome do adotado, maior ou menor, será o mesmo do adotante. 
Tal sobrenome transmitir-se-á aos descendentes do adotado.
Possibilidade de promoção da interdição do pai ou mãe adotiva pelo adotado ou vice-versa (CC, art. 1.768).
Inclusão do adotante e do adotado entre os destinatários da proibição de serem testemunhas e entre aqueles com relação aos quais o juiz tem impedimentos.
Determinação do domicilio do adotado menor de idade, que adquire o do adotante.
Se o adotado for maior, ou emancipado, terá domicilio próprio e independente se viver em lugar diverso do adotante.
6- EFEITOS JURIDICOS PATRIMONIAIS DA ADOÇÃO
Dentre os efeitos jurídicos patrimoniais produzidos pela adoção temos;
Direito do adotante de administração e usufruto dos bens do adotado menor, para fazer frente às despesas com sua educação e manutenção, perdendo esse direito o pai, ou mãe, natural, por ter perdido o poder familiar.
Obrigação do adotante de sustentar o adotado enquanto durar o poder familiar (CC, art. 1.634)
Dever do adotante de prestar alimentos ao adotado(CC, art. 1.694, 1.696 e 1.697), nos casos em que são devidos pelo pai ao filho maior.
Direitos à indenização do filho adotivo por acidente de trabalho do adotante, para fins de sub-rogação do seguro, em matéria de responsabilidade por fato ilícito
Responsabilidade civil do adotante pelos atos cometidos pelo adotado, menor de idade (CC, arts. 932, I, 933 e 934)
Direito sucessório do adotado, visto que se equipara ao filho advindo de parentesco consangüíneo.
Reprocidade nos efeitos sucessórios, pois se o adotado falecer sem descendência, se lhe sobreviveu o adotante, a este caberá por inteiro a herança, faltando cônjuge ou convivência do de cujus.
Filhos adotivos não está compreendido na exceção do Código Civil.
Rompimento de testamento se sobrevier filho adotivo, que é descendente sucessível ao testador, que não o tinha quando testou, se esses descendente sobreviver ao testador.
Os efeitos da adoção têm inicio com o transito em julgado da sentença, salvo se o adotante vier a falecer no curso do procedimento, caso em que terá força retroativa à data do óbito (CC, art. 1.628, 1ª parte) e, conseqüentemente, o adotado, na qualidade de filho, será considerado seu herdeiro.
7- INEXISTÊNCIA, NULIDADE E ANULABILIDADE
	São casos de inexistência de adoção;
Falta de consentimento do adotado e do adotante
Falta de objeto p. ex., se o adotante estiver privado do exercício do poder familiar por incapacidade, ausência ou intervenção civil.
Falta de processo judicial com a intervenção do Ministério Publico.
Poder-se-á torna nula a adoção, judicialmente, desde que violadas as prescrições legais.
São casos de nulidade da adoção:
O adotante não tiver mais de 18 anos (CC, art. 1.618, caput).
por não haver diferença de pelo menos 16 anos de idade entre adotado e adotante(CC, art. 1.616).
Duas pessoas, sem serem marido ou mulher ou convivente, adotaram a mesma pessoa (CC, art. 1.622 e parágrafo único);
O tutor ou curador não prestou contas (CC, art. 1.620).
Vício restante de simulação (CC, art. 167) ou de fraude à lei (CC, art. 166, VI).
São casos de anulabilidade
Falta de assistência do pai, tutor ou curador, ao consentimento do adotado relativamente incapaz (CC, art. 171, I).
Ausência e anuência de pessoa sob cuja guarda se encontra o menor ou interdito.
Consentimento manifestado somente pelo adotado relativamente incapaz (CC, art. 171, I)
Vício resultante p. ex., de erro, dolo, coação (RT, 586:40; CC, art. 171, II).
Falta de consentimento do cônjuge ou convivente do adotante e do consorte do adotado, mas há julgamento, no que concordamos, visto que a lei não exige tal anuência, dispensando-a (RT, 481:96, 475:96, 610:193), se a adoção for feita pelo casal, caso em que se pressupõe, expressa ou tacitamente, o consenso de ambos.
A ação de impugnação da adoção tem causa na nulidade ou anulabilidade da adoção, desdobrando-se em;
I- 	Ação de nulidade da adoção:
É meramente declaratória;
Não produz efeitos constitutivos, por que não tem o poder de dissolver vínculo de filiação que já nasceu ineficaz, limitando-se apenas a declarar essa situação.
A declaração da nulidade dispensa processo especial, podendo vir a lume em qualquer processo onde a questão venha a ser ventilada(RT, 182:460).
II- 	Ação de anulação da adoção 
movida pelo adotante ou adotado que pretende romper o laço de parentesco civil.
Nestas ações tem legitimidade ativa o adotado, porém terceiros interessados, com parentes das partes, sucessores ou legatário também poderão movê-la. 
Exige-se, ainda, nestas ações, a intervenção do Ministério Publico (CPC, art. 82, II) por versar sobre estado da pessoa. 
O lapso prescricional para sua propositura pelo adotado, segundo alguns julgados, é o de 10 anos (CC, art. 205) contados da morte do adotante(RT, 143:266; RF, 92:145).
8- EXTINÇÃO
Extingue-se a doação, por iniciativa do adotante ou do adotado, ou seja;
Pela deserdação, pois a norma jurídica confere ao adotante e ao que foi adotado a possibilidade de romper o efeito sucessório da adoção, desde que surjam os casos dos arts. 1.814, 1.962 e 1.963 do Código Civil declarando a causa em testamento(CC, art. 1.964).
Pela indignidade, ou melhor, pela existência de casos que autorizam exclusão do adotado ou adotante da sucessão, arrolados no art. 1.814 do Código Civil, ou seja, se houver sido autor ou cúmplice em crimes de homicídio doloso ou tentativo deste, contra a pessoa de cuja sucessão se trata, seu cônjuge.
Pelo reconhecimento judicial do adotado pelo pai de sangue, devido à incompatibilidade de haver, na mesma pessoa e com relação ao mesmo filho, concomitantemente, paternidade natural e paternidade adotiva, tal reconhecimento só deverá ser admitido excepcionalmente, ante a irrevogabilidade de adoção.
Pela morte do adotante ou do adotado, porem com a subsistência daqueles efeitos que lhe sobrevivem (RT, 141:621). Contudo o poder familiar do pai de sangue não pode ser restabelecido (RT, 610:193), ficando o menor sob tutela.
9- ADOÇÃO DE MENORES BRASILEIROS POR ESTRANGEIROS
GENERALIDADES
A adoção por estrangeiro deverá obedecer aos casos e condições estabelecidos legalmente (CC, art. 1.629).
9.1-ADOÇÃO POR ESTRANGEIRO NO DIREITO PÁTRIO
Como no Brasil prevalece a lei do domicilio (LICC, art. 7º), qualquer estrangeiro aqui radicado e residente poderá adotar, mesmo que a lei de seu país de origem ignore o instituto da adoção, seguindo o mesmo procedimento exigido para um adotante brasileiro .
A colocação em família substituta estrangeira constitui medida excepcional, somente admissível na modalidade de adoção, apresentando as seguintes restrições legais, que poderão, infelizmente, até conduzir o adotante à desistência.
Impossibilidade de adoção por procuração, método que era muito usado por casais domiciliados no exterior, que, outorgando procuração a um conhecido brasileiro, davam entrada ao processo de adoção de nossas crianças.
Necessidade de estagio de convivência, exigido na hipótese de adoção por estrangeiro residente ou domiciliado fora do Brasil, a ser cumprido no território nacional, será de 30 dias
Necessidade de consentimento do adotado.
A prioridade será sempre dos casais brasileiros.
Comprovação da habilitação do adotante à adoção, consoante as leis de seu país de origem mediante documento expedido pela autoridade competente do seu domicilio.
Apresentação de estudo psicossocial do adotante feito por agencia especializada e credenciada no seu país de origem, que atestará sua sanidade mental, sua idoniedade moral, sua condições econômicas para adotar, etc. ...
Apresentação de texto pertinente à legislação estrangeira, acompanha a prova de sua vigência, a pedido do juiz, de oficio, ou do Ministério Público, pois o conhecimento da lei alienígena é essencial para evitar problemas que, eventualmente, possam surgir.
Juntada ao autos de documentos estrangeiros,devidamente autenticados pela autoridade consular, com observância dos tratados e convenções internacionais e acompanhados da respectiva tradução juramentada.
A permissão da saída do adotando do território nacional apenas após a consumação da doação .
Tema: 
Medidas de Proteção
Tema: 
Medidas sócio-educativas 
3.1 – Conceito = é uma medida jurídica aplicada ao adolescente autor de ato infracional. O rol destas medidas encontra-se no art. 112 do ECA.
3.2 – Classificação
a) Advertência = simples administração verbal (art. 115 ECA). Esgota-se em si mesma (instantânea). Além disso, conforme preconiza o ECA, esta pode ocorrer apenas com indícios suficiente de autoria + materialidade. Entende-se que esta norma é inconstitucional, pois para a doutrina basta nesta hipótese ocorrer indícios suficientes de autoria para aplicá-la, já para as demais é necessário os dois requisitos. 
	Art. 115. A advertência consistirá em admoestação verbal, que será reduzida a termo e assinada.
b) Obrigação de reparar o dano (art. 116 ECA) = pode ser aplicada quando o ato infracional tiver reflexos patrimoniais. Ex.: Adolescente que pichou o muro (a forma de reparação do dano seria lixar e pintar o muro). 
	Art. 116. Em se tratando de ato infracional com reflexos patrimoniais, a autoridade poderá determinar, se for o caso, que o adolescente restitua a coisa, promova o ressarcimento do dano, ou, por outra forma, compense o prejuízo da vítima.
	Parágrafo único. Havendo manifesta impossibilidade, a medida poderá ser substituída por outra adequada.
c) Prestação de serviço à comunidade (art. 117 ECA) = realização de tarefas gratuitas e de interesse geral que são desempenhadas pelo adolescente. Possui o prazo máximo de 6 meses à proporção de 8h/semana.
	Art. 117. A prestação de serviços comunitários consiste na realização de tarefas gratuitas de interesse geral, por período não excedente a seis meses, junto a entidades assistenciais, hospitais, escolas e outros estabelecimentos congêneres, bem como em programas comunitários ou governamentais.
	Parágrafo único. As tarefas serão atribuídas conforme as aptidões do adolescente, devendo ser cumpridas durante jornada máxima de oito horas semanais, aos sábados, domingos e feriados ou em dias úteis, de modo a não prejudicar a freqüência à escola ou à jornada normal de trabalho.
d) Liberdade Assistida (arts. 118/119 ECA) = consiste ao acompanhamento na orientação e no auxílio do adolescente que é realizado por um orientador. Prazo mínimo de seis meses (a lei não fala e prazo máximo, mas utiliza-se o da internação que é de três anos).
	Art. 118. A liberdade assistida será adotada sempre que se afigurar a medida mais adequada para o fim de acompanhar, auxiliar e orientar o adolescente.
	§ 1º A autoridade designará pessoa capacitada para acompanhar o caso, a qual poderá ser recomendada por entidade ou programa de atendimento.
	§ 2º A liberdade assistida será fixada pelo prazo mínimo de seis meses, podendo a qualquer tempo ser prorrogada, revogada ou substituída por outra medida, ouvido o orientador, o Ministério Público e o defensor.
	Art. 119. Incumbe ao orientador, com o apoio e a supervisão da autoridade competente, a realização dos seguintes encargos, entre outros:
	I - promover socialmente o adolescente e sua família, fornecendo-lhes orientação e inserindo-os, se necessário, em programa oficial ou comunitário de auxílio e assistência social;
	II - supervisionar a freqüência e o aproveitamento escolar do adolescente, promovendo, inclusive, sua matrícula;
	III - diligenciar no sentido da profissionalização do adolescente e de sua inserção no mercado de trabalho;
	IV - apresentar relatório do caso.
e) Regime de Semi-Liberdade (art. 120 ECA) = importa na limitação da liberdade do adolescente. Ele permanecerá por um período junto à sua família e por outro período junto à uma entidade de atendimento. Não possui prazo determinado e é de sua natureza a possibilidade de atividades externas, das quais independem de autorização judicial (ex.: freqüentar curso de informática, escola ou praticar esporte fora do “muro da entidade”). O juiz não pode vedar sua prática. Nesta hipótese, o adolescente sai e retorna à entidade sem a necessidade de ser escoltado. 
	
	Art. 120. O regime de semi-liberdade pode ser determinado desde o início, ou como forma de transição para o meio aberto, possibilitada a realização de atividades externas, independentemente de autorização judicial.
	§ 1º São obrigatórias a escolarização e a profissionalização, devendo, sempre que possível, ser utilizados os recursos existentes na comunidade.
	§ 2º A medida não comporta prazo determinado aplicando-se, no que couber, as disposições relativas à internação.
f) Internação (arts. 121 a 125 ECA) 
Art. 121. A internação constitui medida privativa da liberdade, sujeita aos princípios de brevidade, excepcionalidade e respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento.
§ 1º Será permitida a realização de atividades externas, a critério da equipe técnica da entidade, salvo expressa determinação judicial em contrário.
§ 2º A medida não comporta prazo determinado, devendo sua manutenção ser reavaliada, mediante decisão fundamentada, no máximo a cada seis meses.
§ 3º Em nenhuma hipótese o período máximo de internação excederá a três anos.
§ 4º Atingido o limite estabelecido no parágrafo anterior, o adolescente deverá ser liberado, colocado em regime de semi-liberdade ou de liberdade assistida.
§ 5º A liberação será compulsória aos vinte e um anos de idade.
§ 6º Em qualquer hipótese a desinternação será precedida de autorização judicial, ouvido o Ministério Público.
Art. 122. A medida de internação só poderá ser aplicada quando:
I - tratar-se de ato infracional cometido mediante grave ameaça ou violência a pessoa;
II - por reiteração no cometimento de outras infrações graves; 
III - por descumprimento reiterado e injustificável da medida anteriormente imposta.
§ 1º O prazo de internação na hipótese do inciso III deste artigo não poderá ser superior a três meses.
§ 2º. Em nenhuma hipótese será aplicada a internação, havendo outra medida adequada. 
Art. 123. A internação deverá ser cumprida em entidade exclusiva para adolescentes, em local distinto daquele destinado ao abrigo, obedecida rigorosa separação por critérios de idade, compleição física e gravidade da infração.
Parágrafo único. Durante o período de internação, inclusive provisória, serão obrigatórias atividades pedagógicas.
Art. 124. São direitos do adolescente privado de liberdade, entre outros, os seguintes:
I - entrevistar-se pessoalmente com o representante do Ministério Público;
II - peticionar diretamente a qualquer autoridade;
III - avistar-se reservadamente com seu defensor;
IV - ser informado de sua situação processual, sempre que solicitada;
V - ser tratado com respeito e dignidade;
VI - permanecer internado na mesma localidade ou naquela mais próxima ao domicílio de seus pais ou responsável;
VII - receber visitas, ao menos, semanalmente;
VIII - corresponder-se com seus familiares e amigos;
IX - ter acesso aos objetos necessários à higiene e asseio pessoal;
X - habitar alojamento em condições adequadas de higiene e salubridade;
XI - receber escolarização e profissionalização;
XII - realizar atividades culturais, esportivas e de lazer:
XIII - ter acesso aos meios de comunicação social;
XIV - receber assistência religiosa, segundo a sua crença, e desde que assim o deseje;
XV - manter a posse de seus objetos pessoais e dispor de local seguro para guardá-los, recebendo comprovante daqueles porventura depositados em poder da entidade;
XVI - receber, quando de sua desinternação, os documentos pessoais indispensáveis à vida em sociedade.
§ 1º Em nenhum caso haverá incomunicabilidade.
§ 2º A autoridade judiciária poderá suspender temporariamente a visita, inclusive de pais ou responsável, se existirem motivos sérios e fundados de sua prejudicialidade aos interesses do adolescente.Art. 125. É dever do Estado zelar pela integridade física e mental dos internos, cabendo-lhe adotar as medidas adequadas de contenção e segurança.
f.1) Conceito = é a medida sócio-educativa, de caráter punitivo, aplicada ao adolescente em razão da prática de ato infracional. Temos três modalidades de internação: 
● Internação provisória = A internação provisória é aquela que decorre de auto de apreensão em flagrante de ato infracional ou por ordem escrita e fundamentada do juiz. Trata-se de medida cautelar, ou seja, decretada antes da sentença. Terá cabimento quando o ato infracional for doloso e praticado com violência ou grave ameaça à pessoa e não poderá, em nenhuma hipótese, exceder o prazo de 45 dias. 
● Internação por prazo indeterminado = não fixa o prazo de internação da medida, tudo dependerá do projeto pedagógico e suprido este, cessa-se o prazo. A lei diz que esta deve ser realizada em decisão fundamentada, em pelo menos a cada seis meses (após sentença).
	Todavia, possui prazo máximo de três anos, ou se o adolescente completar 21 anos antes (previsão no art. 122, I e II do ECA). 
** art. 122,I ECA = refere-se após atos inflacionais praticados mediante violência ou grave ameaça à pessoa. Deve-se verificar se há outra medida pedagógica que seja suficiente, pois caso positivo, não será aplicada a internação. 
	De acordo com o tipo penal, ter-se-á esta situação em casos de: homicídio, roubo, atentado violento ao pudor. Ex.: tráfego de entorpecentes não se enquadra nesta hipótese, conforme o entendimento do STJ, já que não há grave ameaça ou violência. No furto também não será paliçada a internação. 
	Quem aplicará esta penalidade, nesta hipótese, é o juiz da sentença. 
** art. 122, II ECA = quando praticado(s) de forma reiterada outras infrações graves. Quem a aplicará é o juiz da sentença. 
a) forma reiterada: Para o STJ é a prática de três ou mais de atos inflacionais (não seria caso de reincidência). Porém, os TJ’s em geral, consideram a reiteração o mesmo que reincidência (bastam duas infrações). 
Infrator sofreu uma advertência → em seguida uma liberdade assistida → e depois praticou outro ato infracional. Neste último caso, a internação poderá ser aplicada.
b) infrações graves: é aquela pela qual cabe pena de reclusão. Para o STJ deve-se analisar cada caso concreto. 
● Internação por prazo determinado = art. 122, III ECA (quando houver descumprimento reiterado e injustificável de determinado medida anteriormente imposta). Quem a aplica é o juiz da execução, no processo de execução da medida sócio-educativa, não podendo o prazo de a internação ultrapassar 3 meses, de acordo com o art. 122,§1º ECA. Ex.: Imposta liberdade assistida ao infrator. O menor a descumpre de forma reiterada e injustificada. Pode-se aplicar a internação por prazo determinado — é a chamada internação sanção.
	A reiteração deverá ser injustificável, pois do contrário não poderá ser aplicada esta internação ou qualquer outra penalidade. Se, por exemplo, o menor descumpre uma prestação de serviço à comunidade porque seu pai faleceu, não será aplicada a mesma. 
	Súmula 265 STJ: “É necessária a oitiva do menor infrator antes de decretar-se a regressão da medida sócio-educativa”.
	As medidas restritivas de liberdade estão subordinadas a três princípios, quais sejam: 
● Princípio da Brevidade (art. 121 ECA) = a medida deverá ser o de menor tempo possível. Em regra, a medida terá prazo máximo de 03 anos ou até que o adolescente complete 21 anos, e será revista de 06 em 06 meses; no caso de descumprimento reiterado e injustificado de medida anteriormente aplicada, o prazo máximo será de 03 meses; no caso de internação provisória, o prazo máximo é de 45 dias.
● Princípio da Excepcionalidade (art. 122,§2º ECA) = aplicada somente em casos excepcionais — necessidade pedagógica para tanto. Havendo a incidência e não necessidade pedagógica não se aplica e vice-versa. Isto é, tem que haver a incidência e a necessidade. 
● Princípio do Respeito à Peculiar Condição de Pessoa em Desenvolvimento (art. 112,§3º c/c 123 ECA) 
	Art. 112, § 3º Os adolescentes portadores de doença ou deficiência mental receberão tratamento individual e especializado, em local adequado às suas condições. 
	Art. 123. A internação deverá ser cumprida em entidade exclusiva para adolescentes, em local distinto daquele destinado ao abrigo, obedecida rigorosa separação por critérios de idade, compleição física e gravidade da infração. 
	Parágrafo único. Durante o período de internação, inclusive provisória, serão obrigatórias atividades pedagógicas. 
	No que tange às atividades externas na internação, estas podem ser realizadas, a critério da equipe da entidade de atendimento, salvo expressa determinação judicial em contrário, devidamente fundamentada. Diferentemente do que ocorre no regime semi-liberdade, na internação, os menores deverão ser escoltados nestas atividades externas.
 As medidas sócio-educativas prescrevem?
Resposta: Sim, conforme diz a súmula 338 STJ: “A prescrição penal é aplicável nas medidas sócio-educativas”.
 E como fixar este prazo?
Resposta: Não há previsão legal, mas a defensoria entende que:
● PSC = 1 ano de prazo prescricional (prazo máximo da medida e leva ao art. 109 CP, reduzindo pela ½ por ser menor de idade);
● Liberdade assistida (L.A.) = não possui prazo máximo e mesmo considerando a ½ o prazo é alto. O mesmo acontece no Semi e Internação. Vale dizer, que a defensoria utiliza o prazo mínimo da L.A. para descobrir o prazo prescricional. 
Obs.: Está para ser aprovada o SINASE (Sistema Nacional Sócio-Educativa). Por força do art. 150 do ECA, aplica-se subsidiariamente as normas processuais penais, respeitando as peculiaridades. Neste PL há menção expressa de que não se aplicará a prescrição às medidas sócio-educativas. 
4 – Ação sócio-educativa = Parte do conceito de tutela jurisdicional diferenciada. Possui procedimento próprio para a apuração do ato infracional, previsto no ECA (aplicando-se o CPP de forma subsidiária). 
	Possui a finalidade de apuração do ato infracional, onde o juiz verifica a questão da autoria + materialidade e se o fato foi praticado (ato infracional como conduta humana) pelo adolescente. Ele também verifica se o resultado + nexo de causalidade + tipicidade (esta delegada) + culpabilidade (exigência de conduta diversa — conhecimento da ilicitude). No final da sentença o juiz dirá se aplicará a medida sócio-educativa e/ou medida protetiva. 
	Divide-se em duas fases:
1ª fase: administrativa ou pré-processual;
2ª fase: judicial ou processual. 
1ª fase) Administrativa = começa com a apreensão do adolescente, em razão de flagrante de ato infracional. Depois disso, deverá ser encaminhado à autoridade policial. Esta, por sua vez, cumprirá determinadas formalidades, previstas no art. 173 ECA. 
	
	Art. 173. Em caso de flagrante de ato infracional cometido mediante violência ou grave ameaça a pessoa, a autoridade policial, sem prejuízo do disposto nos arts. 106, parágrafo único, e 107, deverá:
	I - lavrar auto de apreensão, ouvidos as testemunhas e o adolescente;
	II - apreender o produto e os instrumentos da infração;
	III - requisitar os exames ou perícias necessários à comprovação da materialidade e autoria da infração.
	Parágrafo único. Nas demais hipóteses de flagrante, a lavratura do auto poderá ser substituída por boletim de ocorrência circunstanciada.
- Inciso I: será lavrado auto de apreensão que pode ser substituído por um BO, nos casos em que os atos infracionais forem praticados sem grave ameaça ou violência à pessoa (§Ú, art. 173). 
- Inciso II: apreende o produto e os instrumentos da infração;
- Inciso III: determinará os exames ou perícia quando necessário;
	Além destas formalidades previstas, neste diapositivo, deve-se informar aos adolescentes quais os responsáveis pela apreensão e comunicará à família ou outra pessoa indicada. 
** Regra quanto à comunicação: liberação do adolescente aos seus paiscom o compromisso de que o mesmo se apresentará ao MP, no mesmo dia ou no 1º dia útil imediato. Porém, pode o adolescente não ser liberado para os seus pais.
 Jurisprudência
RE 248.018 (06.05.08)
Ementa:“(...) O acórdão recorrido declarou a inconstitucionalidade do artigo 127, in fine, da Lei n. 8.089/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente), por entender que não é possível cumular a remissão concedida pelo Ministério Público, antes de iniciado o procedimento judicial para apuração de ato infracional, com a aplicação de medida sócio-educativa. A medida sócio-educativa foi imposta pela autoridade judicial, logo, não fere o devido processo legal. A medida de advertência tem caráter pedagógico, de orientação ao menor e em tudo se harmoniza com o escopo que inspirou o sistema instituído pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. A remissão pré-processual concedida pelo Ministério Público, antes mesmo de se iniciar o procedimento no qual seria apurada a responsabilidade, não é incompatível com a imposição de medida sócio-educativa de advertência, porquanto não possui este caráter de penalidade. Ademais, a imposição de tal medida não prevalece para fins de antecedentes e não pressupõe a apuração de responsabilidade. (...) Recurso Extraordinário conhecido e provido.”
RE 78345 embargos / SP (05/05/1977)
Ementa: ENTORPECENTE. MENOR VICIADO. SUBSTITUIÇÃO DA PENA POR INTERNAÇÃO EM ESTABELECIMENTO HOSPITALAR. QUANDO O AGENTE FOR MAIOR E SEMI-IMPUTAVEL, A SUBSTITUIÇÃO É FACULTATIVA; QUANDO, ENTRETANTO, SE TRATAR DE MENOR, QUE TAMBÉM SEJA SEMI-IMPUTAVEL, A SUBSTITUIÇÃO DA PENA POR INTERNAÇÃO EM ESTABELECIMENTO HOSPITALAR É OBRIGATORIA. NÃO CABE A SUBSTITUIÇÃO DA PENA POR INTERNAÇÃO QUANDO O AGENTE, EMBORA MAIOR DE 18 E MENOR DE 21 ANOS, NÃO SEJA SEMI-IMPUTAVEL (LEI N. 5.726/1971, ART. 11 E PAR. 2.).
Tema:
Apuração dos atos fracionais
	O ato infracional pode ser praticado tanto por criança como por adolescente. O que difere é a resposta estatal, ou seja, quando são as crianças que as praticam serão aplicadas medidas protetivas pelo Conselho Tutelar. Por outro lado, quando praticados por adolescentes serão aplicadas medidas sócio-educativas ou protetivas. Estas serão aplicadas pelo juiz, a través de uma ação — “ação sócio-educativa”.
1 – Ato infracional praticado por ADOLESCENTE
	Será instaurado um procedimento para apuração do ato infracional, através de ação sócio-educativa pública, pois somente o Ministério Público pode ajuizá-la. 
1.1 – Parte geral dos procedimentos = deverão ser observados as regras constantes do ECA, aplicando subsidiariamente a legislação processual, a depender do procedimento (CPC ou CPP). Vale ressaltar, que para os RECURSOS são aplicados subsidiariamente SOMENTE o CPC.
	A L. 12.010/09 (a nova lei de adoção) alterou o art. 153 do ECA. No antigo dispositivo havia uma flexibilização do procedimento, a depender da vontade do juiz. Contudo, acarretava numa inobservância do princípio do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório. Ex.: Se a mãe estava passando por uma dificuldade econômica, podia retirar a criança do seu lar e colocá-la num abrigo.
	Com o advento da nova Lei, houve a inserção do §único no art. 153 ECA, no qual ainda persiste a flexibilização do procedimento, porém impõe a observância, com o fim de se evitar o abuso de direito.
	Art. 153. Se a medida judicial a ser adotada não corresponder a procedimento previsto nesta ou em outra lei, a autoridade judiciária poderá investigar os fatos e ordenar de ofício as providências necessárias, ouvido o Ministério Público.
	Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica para o fim de afastamento da criança ou do adolescente de sua família de origem e em outros procedimentos necessariamente contenciosos. (Acrescentado pelo L-012.010-2009).
1.2 – Funcionamento deste procedimento (da apuração do ato infracional cometido por adolescente) = 
	
	É composto por duas fases: fase pré-processual ou administrativa e fase processual (que se inicia com a representação do MP).
1ª fase) Fase pré-processual ou administrativa = Inicia-se, em regra, em caso de FLAGRANTE. 
	Quando o adolescente é pego em flagrante, deve este ser encaminhado à autoridade policial. Esta, por sua vez, deve:
● lavrar o auto de apreensão (que poderá ser substituído por um B.O. — boletim de ocorrência — somente em caso de ato infracional praticado sem violência ou ameaça contra pessoa), bem como determinará:
● a realização de exame/perícia;
● apreensão do produto “crime”;
● comunicará à família/ou pessoa indicada pelo adolescente;
● comunicará ao mesmo quem são os responsáveis pela sua apreensão. 
	Feito isso, pode-se ocorrer duas situações:
1ª situação) em regra, a autoridade policial pode liberar o adolescente aos seus pais/responsáveis, sob a obrigação de assumir o compromisso de comparecer perante o Ministério Público; OU
2ª situação) a autoridade policial pode não liberá-lo quando pela gravidade do ato infracional e sua repercussão social, deve o adolescente permanecer em internação, cujo intuito é garantir a sua segurança pessoal ou manutenção da ordem pública. 
	
	Pelo fato da autoridade policial não liberá-lo, o mesmo será conduzido para o Ministério Público (caso isto não seja possível, em razão das circunstâncias, ele será encaminhado para a Entidade de Atendimento). A Entidade de Atendimento é aquela responsável pela execução de programa sócio-educativo ou programa de proteção, e tem o prazo de 24h para encaminhar o adolescente ao Ministério Público. 
 E se não existir esta entidade numa determinada localidade, por exemplo, no interior do país? 
Resposta: Neste caso, o adolescente pode permanecer perante a repartição policial (devendo permanecer em local separado dos demais presos), e a autoridade policial então deverá encaminhá-lo ao Ministério Público, também no prazo de 24h. 
	Assim que o adolescente é entregue ao Ministério Público, este promoverá uma oitiva informal com o mesmo, bem como de seus pais/responsáveis e até da vítima, se possível (art. 179 ECA). Nesta oitiva não é obrigatória a assistência de advogado. 
	Art. 179. Apresentado o adolescente, o representante do Ministério Público, no mesmo dia e à vista do auto de apreensão, boletim de ocorrência ou relatório policial, devidamente autuados pelo cartório judicial e com informação sobre os antecedentes do adolescente, procederá imediata e informalmente à sua oitiva e, em sendo possível, de seus pais ou responsável, vítima e testemunhas.
	Parágrafo único. Em caso de não-apresentação, o representante do Ministério Público notificará os pais ou responsável para apresentação do adolescente, podendo requisitar o concurso das polícias civil e militar.
	Realizada a oitiva informal, pode o Ministério Público: (a) requerer o arquivamento do procedimento; (b) requerer a remissão e (c) representar o adolescente, dando origem à 2ª fase do procedimento — fase processual. 
(a) Requerer o arquivamento do procedimento = pois o MP verifica que não é caso de ato infracional ou então há presença de excludente de ilicitude, por exemplo. Se o juiz não concordar com o MP, pode encaminhar ao Procurador-Geral de Justiça. 
(b) Requerer a remissão = Há dois tipos de remissão: a remissão ministerial (que pode importar na exclusão do processo) e a remissão judicial (que pode importar na suspensão ou extinção do processo) — são atos que não justificam a instauração processual. 
	A remissão ministerial é aquela praticada pelo Ministério Público, no qual pode importar em:
● perdão puro e simples; ou
● remeter a outro procedimento. 
	Vale dizer que é possível cumular a remissão ministerial com medidas sócio-educativas. Além disso, esta espécie de remissão deve ser HOMOLOGADA pelo juiz, conforme prevê a súmula 108 STJ. 
	Súmula 108 STJ: “A aplicação de medidas sócio-educativas ao adolescente, pela prática de ato infracional, é da competência exclusiva do juiz”.
 E se o juiz não concordar?
Resposta:Encaminha ao PGJ, para que este represente, no qual instaurará novo procedimento. 
	Por outro lado, a remissão judicial é aquela concedida pelo juiz, que pode conceder o perdão puro e simples ou remeter ao PGJ para instauração de novo procedimento. Esta importará:
● na extinção do processo, quando esta se esgotar em si mesma (perdão puro e simples);
● se é cumulada a remissão junto com a medida sócio-educativa, deverá haver a suspensão do procedimento. Ex.: remissão + liberdade assistida ou remissão + prestação de serviço à comunidade — nestes casos, a ação sócio-educativa é paralisada/suspensa para que o adolescente pratique esta medida. Cumprida a mesma, pode ser extinta a ação. Do contrário, retorna a ação, desde que o descumprimento da medida sócio-educativa seja justificado (é necessário ouvir o adolescente). 
** Críticas:
I) Na remissão ministerial, mesmo com a extinção do procedimento, há aplicação da medida sócio-educativa (caso esta venha acompanhada da remissão).
II) Havendo cumulação da remissão com liberdade assistida, por exemplo, caso esta medida não seja cumprida, é possível a internação-sanção (aquela prevista no art. 122,III ECA), conforme entendimento de muitos Tribunais. No entanto, para o STJ não seria hipótese de aplicação de internação-sanção, pois não há responsabilização direta, assim descumprida a medida sócio-educativa, retorna o procedimento. No TJ/SP tem decisão nos dois sentidos. 
(c) Pode o MP, após a oitiva informal do adolescente, representá-lo dando origem à 2ª fase do procedimento — fase processual. 
2ª fase) Fase processual 
	A representação é a petição inicial da ação sócio-educativa, que pode ser feita de forma escrita ou oral e independe de prova pré-constituída, visto que pode ser produzida ao longo do procedimento.
	O promotor vai narrar os fatos, pode arrolar testemunhas, bem como formular requerimento de internação provisória, cujo prazo máximo é de 45 dias (art. 182 c/c 108 ECA).
	O juiz pode:
● indeferir a petição inicial;
● determinar a emenda da petição inicial; 
● receber a representação, no qual vai analisar o requerimento de internação provisória, além de:
- designar o dia da Audiência de Apresentação;
- determinará a notificação do adolescente e de seu responsável. 
	Determinada a internação provisória, o adolescente será encaminhado à Entidade de Atendimento (não havendo esta, pode permanecer no máximo 5 dias na repartição policial e nos 40 dias restantes deverá ser conduzido à Entidade de Atendimento). 
	Caso o adolescente sendo notificado e não comparece à Audiência de Apresentação, o juiz designará uma nova Audiência, bem como determinará a condução coercitiva do mesmo. Diferentemente de quando o mesmo não for encontrado, pois neste caso será expedido um mandado de busca e apreensão e quando encontrado será imediatamente apresentado ao juiz. 
	
	Comparecendo o adolescente à Audiência de Apresentação, pode o juiz:
(a) conceder remissão judicial com prévia oitiva do Ministério Público, sob pena de nulidade. Vale dizer que a participação do advogado nesta fase (da Audiência de Apresentação) é obrigatória, pois o adolescente deve ser previamente orientado e caso não tenha um, será nomeado um defensor público.
 Pode ser aplicada, na Audiência de Apresentação, a medida de internação, quando o próprio adolescente assume que praticou o ato infracional?
Resposta: De acordo com a súmula 342 do STJ, o juiz não pode aplicar a medida sócio-educativa tão-somente com a confissão do adolescente, pois é necessária a produção de provas em Audiência de Apresentação, seja tanto para medidas restritivas de liberdade quanto para as medidas de meio-aberto. 
(b) pode o juiz dar prosseguimento à ação = nesta hipótese, o adolescente tem o prazo de 03 dias para arrolar testemunhas. Ocorrerá a Audiência de Apresentação, na qual será designada a oitiva de testemunhas, sendo ouvidas primeiramente as arroladas pelo MP e em seguida as da defesa, aplicando-se as regras do CPP.
	Nesta audiência, deve constar o processo um laudo de perícia técnica (déficit pedagógico existente) para a escolha da medida — geralmente subscrito por psicólogo ou assistente social. 
	Em seguida, há o debate (primeiro o MP e depois a defesa) e por fim, é proferida a SENTENÇA. Nesta o juiz verificará se há índices de autoria e materialidade (se realmente há a prática do ato infracional e caso positivo se este o praticou). Sendo negativa a análise, será julgada improcedente a ação sócio-educativa. Do contrário, a representação será julgada procedente, tendo o juiz que escolher a medida sócio-educativa. 
	Vale ressaltar, que aplicada medida restritiva de liberdade, deve na Audiência de Apresentação ser intimados o adolescente e o defensor. A intimação do adolescente é importante, a fim de que este se manifeste quanto ao desejo de querer recorrer ou não, já que prevalecerá a vontade de quem quer recorrer (seja do mesmo ou do defensor). Já em caso de aplicação de medida meio-aberto basta a intimação do defensor. 
 A L.12.010/09 alterou as medidas sócio-educativas?
Resposta: Sim, porém de forma indireta/reflexivamente. Ou seja, estalei trouxe uma nova roupagem para as mesmas (ex.: no art. 113 do ECA, este dispositivo faz referência ao art. 100 do Estatuto. Esta lei então acrescentou o §Ú no art. 100 do ECA). Assim sendo, devem ser observados os princípios presentes no art. 100,§Ú ECA	 — Base principiológica do ECA. Desta forma, em conformidade com o artigo supracitado, verifica-se a presença de muitos princípios, porém todos derivam de dois metas-princípio – Princípio da Proteção Integral e Princípio da Prioridade Absoluta.
** Análise dos princípios do art. 100,§Ú ECA:
I – Princípio da condição da criança e do adolescente como sujeitos de direitos: crianças e adolescentes são os titulares dos direitos previstos nesta e em outras Leis, bem como na Constituição Federal. 
	Assim, deve ser observado o devido processo legal, a culpabilidade (analisar a conduta diversa), estes possuem o direito de se opor às medidas sócio-educativas, através de uma defesa, o chamado GARANTISMO (as garantias processuais, presentes nos arts. 110 e 111 ECA): 
- pleno e formal conhecimento da atribuição de ato infracional, mediante citação ou meio equivalente,
- igualdade na relação processual, podendo confrontar-se com vítimas e testemunhas e produzir todas as provas necessárias à sua defesa, 
- defesa técnica por advogado, 
- assistência judiciária gratuita e integral aos necessitados, na forma da lei, 
- direito de ser ouvido pessoalmente pela autoridade competente 
- direito de solicitar a presença de seus pais ou responsável em qualquer fase do procedimento.
II - Princípio da proteção integral e prioritária: a interpretação e aplicação de toda e qualquer norma contida nesta Lei deve ser voltada à proteção integral e prioritária dos direitos de que crianças e adolescentes são titulares. Isto é, repete a regra do art. 1º ECA
III - Princípio da responsabilidade primária e solidária do poder público: a plena efetivação dos direitos assegurados a crianças e a adolescentes por esta Lei e pela Constituição Federal, salvo nos casos por esta expressamente ressalvados, é de responsabilidade primária e solidária das 3 (três) esferas de governo, sem prejuízo da municipalização do atendimento e da possibilidade da execução de programas por entidades não governamentais. As medidas restritivas de liberdade são aplicadas pelo Estado e as medidas não-aberto aplicadas pelo Município. 
IV - Princípio do interesse superior da criança e do adolescente: a intervenção deve atender prioritariamente aos interesses e direitos da criança e do adolescente, sem prejuízo da consideração que for devida a outros interesses legítimos no âmbito da pluralidade dos interesses presentes no caso concreto. Princípio que deriva da CRFB/88 e da Declaração Universal dos Direitos da Criança e do Adolescente. 
V - Princípio da privacidade: a promoção dos direitos e proteção da criança e do adolescentedeve ser efetuada no respeito pela intimidade, direito à imagem e reserva da sua vida privada. Qualquer imagem vexatória é proibida, sendo respeitada a intimidade e a imagem da criança e do adolescente. 
VI - Princípio da intervenção precoce: a intervenção das autoridades competentes deve ser efetuada logo que a situação de perigo seja conhecida;
VII - Princípio da intervenção mínima: a intervenção deve ser exercida exclusivamente pelas autoridades e instituições cuja ação seja indispensável à efetiva promoção dos direitos e à proteção da criança e do adolescente;
VIII - Princípio da proporcionalidade e atualidade: a intervenção deve ser a necessária e adequada à situação de perigo em que a criança ou o adolescente se encontram no momento em que a decisão é tomada;
IX - Princípio da responsabilidade parental: a intervenção deve ser efetuada de modo que os pais assumam os seus deveres para com a criança e o adolescente. Ou seja, a intervenção deve ser feita com o intuito de preservar/resguardar os laços familiares. 
X - Princípio da prevalência da família: na promoção de direitos e na proteção da criança e do adolescente deve ser dada prevalência às medidas que os mantenham ou reintegrem na sua família natural ou extensa ou, se isto não for possível, que promovam a sua integração em família substituta. Em outras palavras, a retirada da criança ou do adolescente somente pode ser realizada em casos excepcionais. 
XI - Princípio da obrigatoriedade da informação: a criança e o adolescente, respeitado seu estágio de desenvolvimento e capacidade de compreensão, seus pais ou responsável devem ser informados dos seus direitos, dos motivos que determinaram a intervenção e da forma como esta se processa;
XII - Princípio da oitiva obrigatória e participação: a criança e o adolescente, em separado ou na companhia dos pais, de responsável ou de pessoa por si indicada, bem como os seus pais ou responsável, têm direito a ser ouvidos e a participar nos atos e na definição da medida de promoção dos direitos e de proteção, sendo sua opinião devidamente considerada pela autoridade judiciária competente, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 28 do ECA.
1.2 – Recursos e demais meios de impugnações das decisões judiciais
1.2.1 – Recursos
a) Previsão = arts. 198, 199, 199-A a 199-E do ECA, além dos arts. previstos no CPC, independentemente do procedimento adotado.
b) Requisitos de admissibilidade
b.1) Tempestividade = prazo de 10 dias para interposição de todos os recursos, salvo os embargos de declaração (aplica-se prazo em dobro para Defensoria Pública e Ministério Público). Vale dizer que o prazo do agravo será também de 10 dias, apesar de o ECA não ter alterado o art. 198,II.
b.2) Preparo recursal = Segundo o STJ, há isenção do preparo, SALVO quando for pessoa jurídica de direito privado que recorrer perante a Vara de Infância e Juventude — AgReg em AG 955.493/RJ. Ex.: É aplicada uma penalidade administrativa à uma PJ de direito privado, pois esta deixou um adolescente adentrar no bingo. Esta então recorre da penalidade e por isso deve pagar o preparo recursal. 
AgReg em AG 955.493/RJ
Ementa: PROCESSUAL CIVIL E CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. ISENÇÃO DE CUSTAS E EMOLUMENTOS À PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO. IMPOSSIBILIDADE. PRETENSÃO DE REEXAME DE PROVA. SÚMULA 7/STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO-DEMONSTRADA. DESCUMPRIMENTO DOS ARTS. 541, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC E 255, § 2º, DO STJ.
2. A isenção de custas prevista no ECA refere-se apenas às ações ou procedimentos inerentes à Justiça da Infância e Juventude ajuizados por crianças e adolescentes ou em seus interesses, impossibilitando a extensão deste benefício legal à pessoa jurídica de direito privado.
b.3) Cabimento = são cabíveis os recursos previstos no CPC. Deve-se interpor juntamente com as contra-razões. 
b.4) Prazo para julgamento do recurso = o prazo para colocá-lo em mesa para julgamento é de 60 dias e quem fiscalizará é o Ministério Público, sob pena de instauração de um procedimento para averiguar o caso. 
b.5) O Ministério Público pode representar a sua manifestação de forma oral, através de um PARECER. 
b.6) Efeitos do recurso = via de regra, o recurso de apelação terá efeito só DEVOLUTIVO. E terá somente efeito suspensivo em dois casos: 
● tratando-se de adoção internacional;
● tratando-se de adoção nacional, se houver perigo de dano irreparável ou de difícil reparação ao adotando. 
	ANTES: havia previsão genérica da possibilidade do efeito suspensivo para qualquer procedimento (ex.: ato infracional – antigo art. 198 ECA). HOJE: somente em caso de ADOÇÃO, haverá efeito suspensivo da apelação – art. 199-A e 199-B do ECA.
	Art. 199-A. A sentença que deferir a adoção produz efeito desde logo, embora sujeita a apelação, que será recebida exclusivamente no efeito devolutivo, salvo se se tratar de adoção internacional ou se houver perigo de dano irreparável ou de difícil reparação ao adotando.(Acrescentado pelo L-012.010-2009)
	 Art. 199-B. A sentença que destituir ambos ou qualquer dos genitores do poder familiar fica sujeita a apelação, que deverá ser recebida apenas no efeito devolutivo.(Acrescentado pelo L-012.010-2009).
b.7) Possibilidade do juízo de retratação = ao receber a apelação, o juiz dá vista a outra parte para contra-arrazoar e em seguida pode conceder a retratação. 
1.2.2 – Outros meios de impugnações das decisões judiciais
	Cabe habeas corpus contra decisões judiciais. Ajuizando HC contra ato praticado por autoridade policial, quem julgará é o juiz da Vara de Infância e Juventude. Já contra ato de juiz, julgará o TJ. 
	Contudo, caso não seja concedida liminar pelo TJ, para o STJ (5ª e 6ª Turma) é possível o ajuizamento de HC ao referido Tribunal, desde que a decisão seja teratológica OU ofenda a jurisprudência do Tribunal, diferentemente do STF que veda o ajuizamento do HC, conforme súmula 691. 
 Cabe ação rescisória ou ação revisional dos julgados? 
Resposta: Os Tribunais entendem que não, apesar de não existir previsão legal de forma expressa. Em contrapartida, o ECA diz que pode ser utilizada “toda e qualquer ação”, logo a doutrina entende cabível o ajuizamento destas ações, até porque o adolescente é sujeito de direito, tendo os mesmos direitos que os adultos. 
1.3 - Contornos de aplicabilidade da súmula 342 do STJ (Autor: Luciano Alves Rossato)
1.3.1 – Introdução = O Superior Tribunal de Justiça editou recentemente a Súmula n.º 342, a sua quarta em matéria relativa ao direito da criança e do adolescente, na qual foi fixado o entendimento de que "no procedimento para aplicação de medida sócio-educativa, é nula a desistência de outras provas em face da confissão do adolescente".
	Neste momento, evidencia-se como oportuna a delimitação de seu campo de aplicação e os motivos que levaram o Superior Tribunal de Justiça a sumulasse entendimento.
1.3.2 - A garantia constitucional da inimputabilidade e a responsabilização de adolescentes = Conforme a garantia constitucional da inimputabilidade (art. 228, da CRFB/88), os menores de dezoito anos, em caso de prática de atos ilícitos penais (particularmente denominados de atos infracionais), estarão sujeitos a uma legislação e resposta especiais.
	Por isso, diante da prática de uma conduta prevista na lei como crime ou contravenção penal, a resposta estatal será diferenciada: se o ato for praticado por um adulto, responderá a um processo criminal e receberá, ao final, uma pena; se o ato for praticado por um adolescente, este responderá a um processo sócio-educativo e será inserido, ao final, em uma das medidas sócio-educativas previstas em lei (art. 112, do ECA). Trata-se de clássico exemplo de tutela jurisdicional diferenciada, proposta pelo ECA, que estabelece uma ação apropriada (a ação sócio-educativa pública) com procedimento específico para a apuração dos atos infracionais, exigindo a observância de garantiasprocessuais e traçando limites à aplicação das medidas sócio-educativas.
	Dentre as garantias processuais, o ECA ratificou a indispensabilidade do DEVIDO PROCESSO LEGAL, conforme preceitua o seu artigo 110, e em conformidade com a regra mínima 14.1 de Beijing ("todo menor delinqüente cujo caso não seja objeto de remissão (segundo a regra 11) será apresentado à autoridade competente (Juizados, Tribunais, Cortes, Juntas, Conselhos, etc.), que decidirá de acordo com os princípios de um Juízo imparcial e eqüitativo").
1.3.3 - A garantia do devido processo legal = A aplicação das medidas sócio-educativas exige a observância do devido processo legal, que se caracteriza como um dos mecanismos de intervenção estatal e resposta à prática de ato infracional.
	E não poderia ser diferente.
	Com efeito, muito embora não sejam as medidas sócio-educativas classificadas como pena, não se pode negar que, mesmo que indesejado, essas medidas jurídicas ostentam caráter punitivo e coercitivo. A sua aplicação independe da vontade do próprio adolescente, que inclusive pode se opor, facultativamente em defesa pessoal, e obrigatoriamente em defesa técnica.
	Em defesa pessoal, o adolescente pode negar a prática do ato infracional, ou mesmo que o confesse, pode discordar por completo da aplicação da medida sócio-educativa pleiteada pelo pólo ativo da ação sócio-educativa pública (Ministério Público).
	Em defesa técnica, por meio da presença obrigatória de advogado, imprescindível nas ações sócio-educativas, por força do artigo 207, caput, do Estatuto da Criança e do Adolescente.
	Curioso notar que muitos advogados não compreenderam o seu papel na ação sócio-educativa, notadamente nos casos em que haja possibilidade de restrição da liberdade, em que há real necessidade de oposição à pretensão formulada, independentemente da convicção íntima do profissional. Se o Ministério Público pretender a aplicação de uma medida de internação, com prazo indeterminado, jamais poderá o advogado, responsável pela defesa do adolescente, concordar com essa medida aflitiva, sob pena de nulidade, conforme se vê do teor da ementa transcrita: "DEFESA E DUE PROCESS: APLICAÇÃO DAS GARANTIAS AO PROCESSO POATO INFRACIONAIS ATRIBUÍDOS A ADOLESCENTE. 1.Nulidade do processo por ato infracional imputado a adolescentes, no qual o defensor aceita a versão do fato a eles mais desfavorável e pugna que se aplique aos menores medida de internação, a mais grave admitida pelo Estatuto legal pertinente. 2. As garantias constitucionais da ampla defesa e do devido processo penal - como corretamente disposto no ECA (art. 106-111) - não podem ser subtraídas ao adolescente acusado de ato infracional, de cuja sentença podem decorrer graves restrições a direitos individuais básicos, incluída a privação de liberdade. 3.A escusa do defensor dativo de que a aplicação da medida sócio-educativa mais grave, que pleiteou, seria um benefício para o adolescente que lhe incumbia defende- além do toque de humor sádico que lhe empresta as condições reais do internamento do menor infrator no Brasil - é revivência de excêntrica construção de CARNELUTTI a do processo penal como jurisdição voluntária por se a pena um bem para o criminoso - da qual o mestre teve tempo para retratar-se e que, de qualquer sorte da luz da Constituição, não passa de uma curiosidade (STF - 1a. Turma - RE n.º 285.571-5 - Paraná. Rel. Min. Sepúlveda Pertence. J. Em 23/02/2001. In Revista Igualdade Vol. 09 n.º 33, pág. 118)."
	Essa oposição se dá por meio de um processo regular, que "(...) compreende a estrita observância do procedimento especial previsto nos arts. 171 a 190, da Lei n.º 8.069/90, assim como das regras e princípios contidos nos arts. 1º, 3º, 6º, 106 a 109, 110 e 111, do mesmo diploma legal. Importa, ainda, por força do disposto no art. 152, da Lei nº 8.069/90, na integral aplicação das disposições corretadas, de cunho garantista, previstas no Código de Processo Penal".
1.3.4 - O artigo 186 do estatuto da criança e do adolescente = Segundo o ECA, o procedimento judicial para apuração do ato infracional se inicia com o oferecimento de representação (peça inicial da ação sócio-educativa), seguindo-se a apresentação do adolescente à autoridade judiciária para a sua oitiva, bem como de seus responsáveis.
	Nesta audiência, o adolescente poderá apresentar sua versão sobre os fatos, ou permanecer calado, passando o juiz, em qualquer das situações, à entrevista dos seus responsáveis. Se for vislumbrada a hipótese de aplicação de qualquer medida restritiva de liberdade (semi-liberdade e internação), deverá necessariamente ser designada audiência em continuação (instrução, debates e julgamento), na qual ouvirá eventuais vítimas e testemunhas e decidirá, após os debates das partes, qual a medida sócio-educativa pertinente ao caso.
	Quanto à imprescindibilidade dessa audiência, dita o § 2º, do artigo 186, do ECA, in verbis: "Sendo o fato grave, passível de aplicação de medida de internação ou colocação em regime de semi-liberdade, a autoridade judiciária, verificando que o adolescente não possui advogado constituído, nomeará defensor, designando, desde logo, audiência em continuação, podendo determinar a realização de diligências e estudo do caso". 
	Ocorre que, em muitas oportunidades, o Ministério Público, já conhecer do procedimento do juízo e diante da confissão do adolescente, desiste da produção da prova oral, passando o magistrado, desde já, na própria audiência de apresentação, a aplicar a medida sócio-educativa restritiva de liberdade, independentemente da realização da audiência de continuação.
	É como se um adulto, após confessar a prática de um crime de roubo, desde já fosse sancionado a uma pena de cinco anos e quatro meses de reclusão, em regime inicial fechado. Inadmissível, por óbvio, por flagrante ofensa ao devido processo legal e à regra contida no art. 186, § 2º, do Estatuto da Criança e do Adolescente.
	A ofensa ao devido processo legal ocorre na medida em que ocorre o reconhecimento de responsabilidade e aplicação de medida jurídica, sem que tenha o procedimento garantido o pleno exercício do direito de defesa e do contraditório.
	Ora, mesmo a própria confissão do adolescente - pessoa em peculiar situação de desenvolvimento – pode ser questionada pela Defesa técnica em razão do conjunto probatório existente. Por muitas vezes, as expressões daquele que confessam a prática de um ato infracional (ou mesmo de um crime) se afastam da realidade e podem conduzia uma tipificação diversa.
	Nesse passo, o Superior Tribunal de Justiça, através da concessão de inúmeras ordens requeridas em Habeas Corpus impetrados, passou a reconhecer a nulidade desses julgamentos, impondo, como condição para a prolação da sentença de mérito, a ocorrência de dilação probatória. A título de exemplo, verifica-se o Habeas Corpus n.º 41.409-SP, no qual o Ministro GILSON DIPP, da 5a. Turma, deixou registrado que: "Deve ser considerado, ainda, que, visualizada, durante a realização da audiência de apresentação, a possibilidade de aplicação ao adolescente de medida de internação ou colocação em regime de semi-liberdade, os parágrafos 2º, 3º e 4º do art. 186 da Lei nº 8.069⁄90 determinam à autoridade judiciária a designação, desde logo, de audiência em continuação, bem como a abertura de vista dos autos para a apresentação de defesa prévia pelo defensor. Conclui-se, portanto, que é defeso ao Magistrado a supressão dessas fases. Assim, sendo a ampla defesa um direito constitucionalmente previsto, o seu exercício deve ocorrer no âmbito do devido processo legal, evidenciando, portanto, a ilegalidade da decisão do Magistrado de simplesmente homologar a desistência das partes na produção probatória, proferindo, ato contínuo, sentença pela procedência da representação".
1.3.5 - A súmula 342 do STJ e as medidas em meio aberto = Foi visto que o artigo 186, § 2º, do ECA, determina que, vislumbrando a possibilidade de aplicação das medidas de internação ou de semi-liberdade, deverá o juiz designar audiênciaem continuação, a despeito da confissão do adolescente e dos demais elementos de prova existentes nos autos.
	Porém, questiona-se: será que tal proceder se estende também aos casos em que o magistrado vislumbre a possibilidade de aplicação de medidas em meio aberto (advertência, reparação de danos, prestação de serviços à comunidade e liberdade assistida)? Passa-se à análise desse ponto.
	Tarcísio José Martins Costa posiciona-se no sentido de que a medida em meio aberto pode ser aplicada sem a necessidade de audiência em continuação.Sobre o tema, pondera o magistrado: "Sendo o fato grave, passível de aplicação da medida de internação ou colocação em regime de semi-liberdade, o juiz depois de nomear defensor ao adolescente que não possuir advogado constituído, designará, desde logo, audiência em continuação, podendo determinar a realização de diligências do caso (art. 186, § 2º).
	Em outras palavras, a audiência em continuação - instrução e julgamento - é imperiosa tão-somente quando a gravidade da infração e as circunstâncias que envolvem o fato indicarem a aplicação de medida privativa de liberdade (semi-liberdade e internação)."[18] [grifo nosso].
	Porém, esse não é o posicionamento que atualmente deve prevalecer.
	A Súmula 342 foi firmada com base no julgamento de dez Habeas Corpus (desses, nove são provenientes de São Paulo, interpostos pela Procuradoria de Assistência Judiciária, nºs. 39.548, 42.747, 42.384, 42.382, 43.392, 40.342, 43.644, 43.657 e 44.275, e um proveniente do Rio de Janeiro, de n.º 32.342), e em um recurso ordinário em Habeas Corpus (RHC 15.258-SP). De todos os casos, apenas um - o HC n.º 32.324-RJ - não se refere à aplicação da medida de internação.
	Neste writ, o adolescente foi inserido em liberdade assistida, após o juiz homologar a desistência na produção de provas pelas partes. Note-se, que, neste caso, a ratio decidendi foi a mesma utilizada nos casos em que houve aplicação de medida de internação, qual seja, ofensa ao devido processo legal (ampla defesa e contraditório), conforme se vê do voto do Ministro Jorge Scartezzini: "Consta dos autos que, por ocasião da audiência de apresentação, o menor confessou o cometimento de ato infracional, tendo Ministério Público e defesa dispensado a produção de outras provas (fls. 105). Em seguida, acusação e defesa procederam aos debates orais, sendo que, ao final, o MM. Juiz julgou procedente a pretensão ministerial, impondo ao adolescente a medida sócio-educativa de LIBERDADE ASSISTIDA (fls. 106). No presente writ substitutivo, a defesa pugna pela anulação do procedimento, porquanto não teriam sido garantidos ao paciente os princípios do devido processo lega, da ampla defesa e do contraditório ante à realização una de audiência de apresentação, instrução e julgamento, impossibilitando a realização de alegações preliminares e produção de provas pela defesa, previstas no art. 186 do ECA. Merece ser acolhida a irresignação. Com efeito, ainda que a defesa tenha dispensado a produção probatória, tenho que aquela fora a primeira oportunidade em que a Defensoria Pública teve ciência dos autos, razão pela qual o d. Magistrado de primeiro grau haveria de proceder integralmente ao disposto no art. 186 do ECA, que visa assegurar a aplicação do devido processo legal, consagrado na Constituição Federal e corporificado nos princípios do contraditório e da ampla defesa, ex vi inciso LV do art. 5º da Carta Magna. Em sendo assim, não andou bem o Magistrado de primeiro grau em obstar o processo, impossibilitando a produção de provas".
	Seguindo essa linha de raciocínio, portanto, qualquer que seja a medida sócio-educativa a ser aplicada (restritiva de liberdade ou não), a audiência em continuação é fase indispensável do procedimento.
	Nesse ponto, deve haver uma interpretação conforme do art. 186, § 2º, do ECA, pois os princípios da ampla defesa e do contraditório não podem ser mitigados nem mesmo diante do menor caráter aflitivo de algumas medidas sócio-educativas.
13.6 - A remissão e a celeridade da ação sócio-educativa = Muitos dirão que o cumprimento do devido processo legal dificultará a celeridade da ação sócio-educativa, na medida em que obrigará o juiz a, necessariamente, realizar a audiência em continuação para que haja a dilação probatória.
	Ocorre, porém, que o próprio Estatuto da Criança e do Adolescente previu um mecanismo capaz de proporcionar celeridade à resolução das causas que envolvam atos infracionais praticados por adolescentes.
	Refere-se à REMISSÃO SUSPENSIVA, conforme prevê o art. 126, parágrafo único.
	O mecanismo da remissão afigura-se importante na medida em que "trouxe agilidade ao sistema de apuração de ato infracional, constituindo-se em inovação importante, cuja esteira veio a ser trilhada, em relação a determinados delitos praticados por imputáveis, pela da Lei 9.099/95, que consagrou o direito de transação no sistema penal adulto brasileiro".
	A remissão suspensiva é também denominada de imprópria, porque cumulada com uma medida sócio-educativa.
	Nesta modalidade, haverá remessa a um procedimento diverso, dependente da concordância do adolescente, de seu responsável e do defensor. Em caso positivo, o processo será suspenso, até que a medida seja cumprida integralmente.
	Se a medida for cumprida, o processo será extinto. Se não o for, retomará o seu curso, com a completa produção de provas e aplicação, ao final, da medida sócio-educativa que o magistrado
Entender ser conveniente, nos termos legais.
	Como se nota, a exclusão da audiência em continuação somente será possível quando o juiz remeter a ação sócio-educativa a outro procedimento, concedendo-se a remissão cumulada com medida sócio-educativa em meio aberto.
	Por tudo isso, defende-se, diante do posicionamento do Superior Tribunal de Justiça, que a audiência em continuação, para a aplicação de qualquer medida sócio-educativa, quer seja restritiva de liberdade, quer seja em meio aberto, será sempre necessária, podendo o magistrado, se acaso pretender abreviar esse procedimento, fazer uso da remissão, como forma de suspensão do processo.
1.3.7 – Conclusões = De tudo quanto foi exposto, conclui-se:
1. É nula a dispensa da produção probatória em sede de ação sócio-educativa pública, devendo ser necessariamente realizada a audiência em continuação;
2. Que tal regra vale para aplicação de qualquer medida sócio-educativa, quer seja restritiva de liberdade (semi-liberdade ou internação com prazo indeterminado), quer seja em meio aberto (advertência, reparação de danos, liberdade assistida e prestação de serviços à comunidade).
3. Se acaso for pretendido o abreviamento do procedimento, o próprio ECA prevê o mecanismo da remissão, como forma de suspensão do processo.
A Lei n° 12.954, de 18 de janeiro de 2012 instituiu o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo, regulamentando a execução das medidas destinadas a adolescente que pratique ato infracional.
Entende-se por Sinase o conjunto ordenado de princípios, regras e critérios que envolvem a execução de medidas socioeducativas, incluindo-se nele, por adesão, os sistemas estaduais, distrital e municipais, bem como todos os planos, políticas e programas específicos de atendimento a adolescente em conflito com a lei.
Entendem-se por medidas socioeducativas as previstas no art. 112 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), as quais têm por objetivos: a responsabilização do adolescente quanto às consequências lesivas do ato infracional, sempre que possível incentivando a sua reparação; a integração social do adolescente e a garantia de seus direitos individuais e sociais, por meio do cumprimento de seu plano individual de atendimento; e a desaprovação da conduta infracional, efetivando as disposições da sentença como parâmetro máximo de privação de liberdade ou restrição de direitos, observados os limites previstos em lei.
Entendem-se por programa de atendimento a organização e o funcionamento, por unidade, das condições necessárias para o cumprimentodas medidas socioeducativas.
Entende-se por unidade a base física necessária para a organização e o funcionamento de programa de atendimento.
Entendem-se por entidade de atendimento a pessoa jurídica de direito público ou privado que instala e mantém a unidade e os recursos humanos e materiais necessários ao desenvolvimento de programas de atendimento.
O Sinase será coordenado pela União e integrado pelos sistemas estaduais, distrital e municipais responsáveis pela implementação dos seus respectivos programas de atendimento a adolescente ao qual seja aplicada medida socioeducativa, com liberdade de organização e funcionamento, respeitados os termos da Lei n° 12.954, de 18 de janeiro de 2012.
A execução das medidas socioeducativas reger-se-á pelos seguintes princípios: legalidade, não podendo o adolescente receber tratamento mais gravoso do que o conferido ao adulto; excepcionalidade da intervenção judicial e da imposição de medidas, favorecendo-se meios de autocomposição de conflitos; prioridade a práticas ou medidas que sejam restaurativas e, sempre que possível, atendam às necessidades das vítimas; proporcionalidade em relação à ofensa cometida; brevidade da medida em resposta ao ato cometido, em especial o respeito ao que dispõe o art. 122 da Lei nº 8.069/1990 (ECRIAD); individualização, considerando-se a idade, capacidades e circunstâncias pessoais do adolescente; mínima intervenção, restrita ao necessário para a realização dos objetivos da medida; não discriminação do adolescente, notadamente em razão de etnia, gênero, nacionalidade, classe social, orientação religiosa, política ou sexual, ou associação ou pertencimento a qualquer minoria ou status; e fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários no processo socioeducativo.
2 Procedimentos
Os arts. 36 a 48 da Lei nº 12.594/2012, tratam dos procedimentos da execução das medidas socioeducativas.
A competência para jurisdicionar a execução das medidas socioeducativas segue o determinado pelo art. 146 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente).
A defesa e o Ministério Público intervirão, sob pena de nulidade, no procedimento judicial de execução de medida socioeducativa, asseguradas aos seus membros as prerrogativas previstas na Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), podendo requerer as providências necessárias para adequar a execução aos ditames legais e regulamentares.
As medidas de proteção, de advertência e de reparação do dano, quando aplicadas de forma isolada, serão executadas nos próprios autos do processo de conhecimento, respeitado o disposto nos arts. 143 e 144 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente).
Para aplicação das medidas socioeducativas de prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida, semiliberdade ou internação, será constituído processo de execução para cada adolescente, respeitado o disposto nos arts. 143 e 144 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), e com autuação das seguintes peças: documentos de caráter pessoal do adolescente existentes no processo de conhecimento, especialmente os que comprovem sua idade; e as indicadas pela autoridade judiciária, sempre que houver necessidade.
Obrigatoriamente, o referido processo de execução conterá: cópia da representação; cópia da certidão de antecedentes; cópia da sentença ou acórdão; e cópia de estudos técnicos realizados durante a fase de conhecimento.
Procedimento idêntico será observado na hipótese de medida aplicada em sede de remissão, como forma de suspensão do processo.
Autuadas as peças, a autoridade judiciária encaminhará, imediatamente, cópia integral do expediente ao órgão gestor do atendimento socioeducativo, solicitando designação do programa ou da unidade de cumprimento da medida.
A autoridade judiciária dará vistas da proposta de plano individual de que trata o art. 53 da Lei nº 12.594/2012 ao defensor e ao Ministério Público pelo prazo sucessivo de 3 (três) dias, contados do recebimento da proposta encaminhada pela direção do programa de atendimento.
O defensor e o Ministério Público poderão requerer, e o Juiz da Execução poderá determinar, de ofício, a realização de qualquer avaliação ou perícia que entenderem necessárias para complementação do plano individual.
A impugnação ou complementação do plano individual, requerida pelo defensor ou pelo Ministério Público, deverá ser fundamentada, podendo a autoridade judiciária indeferi-la, se entender insuficiente a motivação.
Admitida a impugnação, ou se entender que o plano é inadequado, a autoridade judiciária designará, se necessário, audiência da qual cientificará o defensor, o Ministério Público, a direção do programa de atendimento, o adolescente e seus pais ou responsável.
A impugnação não suspenderá a execução do plano individual, salvo determinação judicial em contrário. Findo o prazo sem impugnação, considerar-se-á o plano individual homologado.
As medidas socioeducativas de liberdade assistida, de semiliberdade e de internação deverão ser reavaliadas no máximo a cada 6 (seis) meses, podendo a autoridade judiciária, se necessário, designar audiência, no prazo máximo de 10 (dez) dias, cientificando o defensor, o Ministério Público, a direção do programa de atendimento, o adolescente e seus pais ou responsável.
A audiência será instruída com o relatório da equipe técnica do programa de atendimento sobre a evolução do plano de que trata o art. 52 da Lei nº 12.594/2012 e com qualquer outro parecer técnico requerido pelas partes e deferido pela autoridade judiciária.
A gravidade do ato infracional, os antecedentes e o tempo de duração da medida não são fatores que, por si, justifiquem a não substituição da medida por outra menos grave.
Considera-se mais grave a internação, em relação a todas as demais medidas, e mais grave a semiliberdade, em relação às medidas de meio aberto.
A reavaliação da manutenção, da substituição ou da suspensão das medidas de meio aberto ou de privação da liberdade e do respectivo plano individual pode ser solicitada a qualquer tempo, a pedido da direção do programa de atendimento, do defensor, do Ministério Público, do adolescente, de seus pais ou responsável.
Justifica o pedido de reavaliação, entre outros motivos: o desempenho adequado do adolescente com base no seu plano de atendimento individual, antes do prazo da reavaliação obrigatória; a inadaptação do adolescente ao programa e o reiterado descumprimento das atividades do plano individual; e a necessidade de modificação das atividades do plano individual que importem em maior restrição da liberdade do adolescente.
A autoridade judiciária poderá indeferir o pedido, de pronto, se entender insuficiente a motivação.
Admitido o processamento do pedido, a autoridade judiciária, se necessário, designará audiência, observando o princípio do § 1º do art. 42 da Lei nº 12.594/2012.
A substituição por medida mais gravosa somente ocorrerá em situações excepcionais, após o devido processo legal, inclusive na hipótese do inciso III do art. 122 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), e deve ser: fundamentada em parecer técnico; precedida de prévia audiência, e nos termos do § 1º do art. 42 da Lei nº 12.594/2012.
Na hipótese de substituição da medida ou modificação das atividades do plano individual, a autoridade judiciária remeterá o inteiro teor da decisão à direção do programa de atendimento, assim como as peças que entender relevantes à nova situação jurídica do adolescente.
No caso de a substituição da medida importar em vinculação do adolescente a outro programa de atendimento, o plano individual e o histórico do cumprimento da medida deverão acompanhar a transferência.
Se, no transcurso da execução, sobrevier sentença de aplicação de nova medida, a autoridade judiciária procederá à unificação, ouvidos, previamente, o Ministério Público e o defensor, no prazo de 3 (três) dias sucessivos, decidindo-se emigual prazo.
É vedado à autoridade judiciária determinar reinício de cumprimento de medida socioeducativa, ou deixar de considerar os prazos máximos, e de liberação compulsória previstos na Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), excetuada a hipótese de medida aplicada por ato infracional praticado durante a execução.
É vedado à autoridade judiciária aplicar nova medida de internação, por atos infracionais praticados anteriormente, a adolescente que já tenha concluído cumprimento de medida socioeducativa dessa natureza, ou que tenha sido transferido para cumprimento de medida menos rigorosa, sendo tais atos absorvidos por aqueles aos quais se impôs a medida socioeducativa extrema.
A medida socioeducativa será declarada extinta: pela morte do adolescente; pela realização de sua finalidade; pela aplicação de pena privativa de liberdade, a ser cumprida em regime fechado ou semiaberto, em execução provisória ou definitiva; pela condição de doença grave, que torne o adolescente incapaz de submeter-se ao cumprimento da medida; e nas demais hipóteses previstas em lei.
No caso de o maior de 18 (dezoito) anos, em cumprimento de medida socioeducativa, responder a processo-crime, caberá à autoridade judiciária decidir sobre eventual extinção da execução, cientificando da decisão o juízo criminal competente.
Em qualquer caso, o tempo de prisão cautelar não convertida em pena privativa de liberdade deve ser descontado do prazo de cumprimento da medida socioeducativa.
O mandado de busca e apreensão do adolescente terá vigência máxima de 6 (seis) meses, a contar da data da expedição, podendo, se necessário, ser renovado, fundamentadamente.
O defensor, o Ministério Público, o adolescente e seus pais ou responsável poderão postular revisão judicial de qualquer sanção disciplinar aplicada, podendo a autoridade judiciária suspender a execução da sanção até decisão final do incidente.
Postulada a revisão após ouvida a autoridade colegiada que aplicou a sanção e havendo provas a produzir em audiência, procederá o magistrado na forma do § 1° do art. 42 da Lei nº 12.594/2012.
É vedada a aplicação de sanção disciplinar de isolamento a adolescente interno, exceto seja essa imprescindível para garantia da segurança de outros internos ou do próprio adolescente a quem seja imposta a sanção, sendo necessária ainda comunicação ao defensor, ao Ministério Público e à autoridade judiciária em até 24 (vinte e quatro) horas.
3 Direitos Individuais
O art. 35 da Lei nº 12.594/2012, dispõe sobre os direitos individuais dos adolescentes na execução das medidas socioeducativas.
São direitos do adolescente submetido ao cumprimento de medida socioeducativa, sem prejuízo de outros previstos em lei: ser acompanhado por seus pais ou responsável e por seu defensor, em qualquer fase do procedimento administrativo ou judicial; ser incluído em programa de meio aberto quando inexistir vaga para o cumprimento de medida de privação da liberdade, exceto nos casos de ato infracional cometido mediante grave ameaça ou violência à pessoa, quando o adolescente deverá ser internado em Unidade mais próxima de seu local de residência; ser respeitado em sua personalidade, intimidade, liberdade de pensamento e religião e em todos os direitos não expressamente limitados na sentença; peticionar, por escrito ou verbalmente, diretamente a qualquer autoridade ou órgão público, devendo, obrigatoriamente, ser respondido em até 15 (quinze) dias; ser informado, inclusive por escrito, das normas de organização e funcionamento do programa de atendimento e também das previsões de natureza disciplinar; receber, sempre que solicitar, informações sobre a evolução de seu plano individual, participando, obrigatoriamente, de sua elaboração e, se for o caso, reavaliação; receber assistência integral à sua saúde, conforme o disposto no art. 60 da Lei nº 12.594/2012; e ter atendimento garantido em creche e pré-escola aos filhos de 0 (zero) a 5 (cinco) anos.
As garantias processuais destinadas a adolescente autor de ato infracional previstas na Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), aplicam-se integralmente na execução das medidas socioeducativas, inclusive no âmbito administrativo.
A oferta irregular de programas de atendimento socioeducativo em meio aberto não poderá ser invocada como motivo para aplicação ou manutenção de medida de privação da liberdade.
Sem prejuízo do disposto no § 1º do art. 121 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), a direção do programa de execução de medida de privação da liberdade poderá autorizar a saída, monitorada, do adolescente nos casos de tratamento médico, doença grave ou falecimento, devidamente comprovados, de pai, mãe, filho, cônjuge, companheiro ou irmão, com imediata comunicação ao juízo competente.
A decisão judicial relativa à execução de medida socioeducativa será proferida após manifestação do defensor e do Ministério Público.
4 Plano Individual de Atendimento
O Plano Individual de Atendimento (PIA) é regulamentado pelos arts. 52 a 59 da Lei nº 12.594/2012.
O cumprimento das medidas socioeducativas, em regime de prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida, semiliberdade ou internação, dependerá de Plano Individual de Atendimento (PIA), instrumento de previsão, registro e gestão das atividades a serem desenvolvidas com o adolescente. O PIA deverá contemplar a participação dos pais ou responsáveis, os quais têm o dever de contribuir com o processo ressocializador do adolescente, sendo esses passíveis de responsabilização administrativa, nos termos do art. 249 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), civil e criminal.
O PIA será elaborado sob a responsabilidade da equipe técnica do respectivo programa de atendimento, com a participação efetiva do adolescente e de sua família, representada por seus pais ou responsável.
Constarão do plano individual, no mínimo: os resultados da avaliação interdisciplinar; os objetivos declarados pelo adolescente; a previsão de suas atividades de integração social e/ou capacitação profissional; atividades de integração e apoio à família; formas de participação da família para efetivo cumprimento do plano individual; e as medidas específicas de atenção à sua saúde.
Para o cumprimento das medidas de semiliberdade ou de internação, o plano individual conterá, ainda: a designação do programa de atendimento mais adequado para o cumprimento da medida; a definição das atividades internas e externas, individuais ou coletivas, das quais o adolescente poderá participar; e a fixação das metas para o alcance de desenvolvimento de atividades externas. O PIA será elaborado no prazo de até 45 (quarenta e cinco) dias da data do ingresso do adolescente no programa de atendimento.
Para o cumprimento das medidas de prestação de serviços à comunidade e de liberdade assistida, o PIA será elaborado no prazo de até 15 (quinze) dias do ingresso do adolescente no programa de atendimento.
Para a elaboração do PIA, a direção do respectivo programa de atendimento, pessoalmente ou por meio de membro da equipe técnica, terá acesso aos autos do procedimento de apuração do ato infracional e aos dos procedimentos de apuração de outros atos infracionais atribuídos ao mesmo adolescente.
O acesso aos documentos de que trata o caput, do art. 57, da Lei nº 12.594/2012, deverá ser realizado por funcionário da entidade de atendimento, devidamente credenciado para tal atividade, ou por membro da direção, em conformidade com as normas a serem definidas pelo Poder Judiciário, de forma a preservar o que determinam os arts. 143 e 144 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente).
A direção poderá requisitar, ainda: ao estabelecimento de ensino, o histórico escolar do adolescente e as anotações sobre o seu aproveitamento; os dados sobre o resultado de medida anteriormente aplicada e cumprida em outro programa de atendimento; e osresultados de acompanhamento especializado anterior.
Por ocasião da reavaliação da medida, é obrigatória a apresentação pela direção do programa de atendimento de relatório da equipe técnica sobre a evolução do adolescente no cumprimento do plano individual.
O acesso ao plano individual será restrito aos servidores do respectivo programa de atendimento, ao adolescente e a seus pais ou responsável, ao Ministério Público e ao defensor, exceto expressa autorização judicial.
5 Atenção Integral à Saúde
A atenção integral à saúde do adolescente em cumprimento de medida socioeducativa é disciplinada nos arts. 60 a 65 da Lei nº 12.594/2012.
5.1 Disposições Gerais
A atenção integral à saúde do adolescente no Sistema de Atendimento Socioeducativo seguirá as seguintes diretrizes: previsão, nos planos de atendimento socioeducativo, em todas as esferas, da implantação de ações de promoção da saúde, com o objetivo de integrar as ações socioeducativas, estimulando a autonomia, a melhoria das relações interpessoais e o fortalecimento de redes de apoio aos adolescentes e suas famílias; inclusão de ações e serviços para a promoção, proteção, prevenção de agravos e doenças e recuperação da saúde; cuidados especiais em saúde mental, incluindo os relacionados ao uso de álcool e outras substâncias psicoativas, e atenção aos adolescentes com deficiências; disponibilização de ações de atenção à saúde sexual e reprodutiva e à prevenção de doenças sexualmente transmissíveis; garantia de acesso a todos os níveis de atenção à saúde, por meio de referência e contrarreferência, de acordo com as normas do Sistema Único de Saúde (SUS); capacitação das equipes de saúde e dos profissionais das entidades de atendimento, bem como daqueles que atuam nas unidades de saúde de referência voltadas às especificidades de saúde dessa população e de suas famílias; inclusão, nos Sistemas de Informação de Saúde do SUS, bem como no Sistema de Informações sobre Atendimento Socioeducativo, de dados e indicadores de saúde da população de adolescentes em atendimento socioeducativo; e estruturação das unidades de internação conforme as normas de referência do SUS e do Sinase, visando ao atendimento das necessidades de Atenção Básica.
As entidades que ofereçam programas de atendimento socioeducativo em meio aberto e de semiliberdade deverão prestar orientações aos socioeducandos sobre o acesso aos serviços e às unidades do SUS.
As entidades que ofereçam programas de privação de liberdade deverão contar com uma equipe mínima de profissionais de saúde cuja composição esteja em conformidade com as normas de referência do SUS.
Serão asseguradas as condições necessárias para que a adolescente submetida à execução de medida socioeducativa de privação de liberdade permaneça com o seu filho durante o período de amamentação.
5.2 Atendimento a Adolescente com Transtorno Mental e Dependente de Álcool e de Substância Psicoativa
O adolescente em cumprimento de medida socioeducativa que apresente indícios de transtorno mental, de deficiência mental, ou associadas, deverá ser avaliado por equipe técnica multidisciplinar e multissetorial.
As competências, a composição e a atuação da equipe técnica de que trata o caput, do art. 64, da Lei nº 12.594/2012, deverão seguir, conjuntamente, as normas de referência do SUS e do Sinase, na forma do regulamento.
A avaliação de que trata o caput, do art. 64, da Lei nº 12.594/2012, subsidiará a elaboração e execução da terapêutica a ser adotada, a qual será incluída no PIA do adolescente, prevendo, se necessário, ações voltadas para a família.
As informações produzidas na avaliação de que trata o caput são consideradas sigilosas.
Excepcionalmente, o juiz poderá suspender a execução da medida socioeducativa, ouvidos o defensor e o Ministério Público, com vistas a incluir o adolescente em programa de atenção integral à saúde mental que melhor atenda aos objetivos terapêuticos estabelecidos para o seu caso específico.
Suspensa a execução da medida socioeducativa, o juiz designará o responsável por acompanhar e informar sobre a evolução do atendimento ao adolescente.
A suspensão da execução da medida socioeducativa será avaliada, no mínimo, a cada 6 (seis) meses.
O tratamento a que se submeterá o adolescente deverá observar o previsto na Lei n° 10.216, de 6 de abril de 2001, que dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental.
Enquanto não cessada a jurisdição da Infância e Juventude, a autoridade judiciária, nas hipóteses tratadas no art. 64, da Lei nº 12.594/2012, poderá remeter cópia dos autos ao Ministério Público para eventual propositura de interdição e outras providências pertinentes.
6 Visitas a Adolescente em Internação
As visitas a adolescente em cumprimento de medida de internação é regulamentada pelos arts. 67 a 70 da Lei nº 12.594/2012.
A visita do cônjuge, companheiro, pais ou responsáveis, parentes e amigos a adolescente a quem foi aplicada medida socioeducativa de internação observará dias e horários próprios definidos pela direção do programa de atendimento.
É assegurado ao adolescente casado ou que viva, comprovadamente, em união estável o direito à visita íntima. O visitante será identificado e registrado pela direção do programa de atendimento, que emitirá documento de identificação, pessoal e intransferível, específico para a realização da visita íntima.
É garantido aos adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa de internação o direito de receber visita dos filhos, independentemente da idade desses.
O regulamento interno estabelecerá as hipóteses de proibição da entrada de objetos na unidade de internação, vedando o acesso aos seus portadores.
7 Regimes Disciplinares
Os arts. 71 a 75 da Lei nº 12.594/2012 tratam dos regimes disciplinares na execução das medidas socioeducativas.
Todas as entidades de atendimento socioeducativo deverão, em seus respectivos regimentos, realizar a previsão de regime disciplinar que obedeça aos seguintes princípios: tipificação explícita das infrações como leves, médias e graves e determinação das correspondentes sanções; exigência da instauração formal de processo disciplinar para a aplicação de qualquer sanção, garantidos a ampla defesa e o contraditório; obrigatoriedade de audiência do socioeducando nos casos em que seja necessária a instauração de processo disciplinar; sanção de duração determinada; enumeração das causas ou circunstâncias que eximam, atenuem ou agravem a sanção a ser imposta ao socioeducando, bem como os requisitos para a extinção dessa; enumeração explícita das garantias de defesa; garantia de solicitação e rito de apreciação dos recursos cabíveis; e apuração da falta disciplinar por comissão composta por, no mínimo, 3 (três) integrantes, sendo 1 (um), obrigatoriamente, oriundo da equipe técnica.
O regime disciplinar é independente da responsabilidade civil ou penal que advenha do ato cometido.
Nenhum socioeducando poderá desempenhar função ou tarefa de apuração disciplinar ou aplicação de sanção nas entidades de atendimento socioeducativo.
Não será aplicada sanção disciplinar sem expressa e anterior previsão legal ou regulamentar e o devido processo administrativo.
Não será aplicada sanção disciplinar ao socioeducando que tenha praticado a falta: por coação irresistível ou por motivo de força maior; em legítima defesa, própria ou de outrem.
8 Capacitação para o Trabalho
A capacitação para o trabalho dos usuários do Sinase é o tema dos arts. 76 a 80 da Lei nº 12.594/2012.
As escolas do Senai poderão ofertar vagas aos usuários do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) nas condições a serem dispostas em instrumentos de cooperação celebrados entre os operadores do Senai e os gestores dos Sistemas de Atendimento Socioeducativo locais.
As escolas do Senac poderão ofertar vagas aos usuários do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) nas condições a serem dispostas em instrumentos de cooperação celebradosentre os operadores do Senac e os gestores dos Sistemas de Atendimento Socioeducativo locais.
Os programas de formação profissional rural do Senar poderão ofertar vagas aos usuários do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) nas condições a serem dispostas em instrumentos de cooperação celebrados entre os operadores do Senar e os gestores dos Sistemas de Atendimento Socioeducativo locais.
Os programas de formação profissional do Senat poderão ofertar vagas aos usuários do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) nas condições a serem dispostas em instrumentos de cooperação celebrados entre os operadores do Senat e os gestores dos Sistemas de Atendimento Socioeducativo locais.
Os estabelecimentos, cujas funções demandem formação profissional, ofertarão vagas de aprendizes a adolescentes usuários do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) nas condições a serem dispostas em instrumentos de cooperação celebrados entre os estabelecimentos e os gestores dos Sistemas de Atendimento Socioeducativo locais.
9 Conclusão
A consolidação dos direitos atinentes à infância e juventude trilhou, no Brasil, um árduo caminho, fruto de mobilização da sociedade civil, durante o processo de elaboração e promulgação da Constituição Federal de 1988, culminando com a aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECRIAD).
O ECRIAD abandonou a doutrina da situação irregular e adotou a teoria da proteção integral, garantidora da prioridade absoluta das crianças e adolescentes no âmbito do Estado, da família e da sociedade, tornando-se assim um instrumento essencial para a cidadania, figurando como referência internacional de respeitabilidade dos direitos humanos relacionados às crianças e aos adolescentes, embora não tenha tratado, de forma satisfatória, das questões atinentes à aplicação das medidas socioeducativas, traçando, somente, diretrizes genéricas acerca da matéria, o que provocava a disparidade na execução das medidas socioeducativas pelos diversos órgãos dos entes federados, ficando a efetividade das medidas de proteção a mercê de cada componente da federação e de seu grau de responsabilidade com os direitos ligados ao adolescente.
A Lei n° 12.954, de 18 de janeiro de 2012 tem como objetivo superar essa lacuna normativa, por intermédio da instituição do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo, coordenado pela União, com a participação dos Estados, Distrito Federal e Municípios.
O sistema em questão tem como finalidade precípua estabelecer conjunto ordenado de princípios, regras e critérios que devem ser observados no processo de apuração de ato infracional, assim como quando da execução das medidas socioeducativas.
A Lei n° 12.954, de 18 de janeiro de 2012, que tem como escopo a uniformidade na política de atendimento socioeducativo, se bem aplicada, produzirá resultados positivos na ressocialização dos adolescentes em conflito com a lei, contribuindo para a redução da criminalidade, representando avanço no tratamento dos adolescentes em conflito com a lei, estando afinada com as bases ideológicas da proteção integral consagradas na Constituição Federal de 1988 e no Estatuto da Criança e do Adolescente.
 
	Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos
LEI Nº 12.594, DE 18 DE JANEIRO DE 2012.
	Mensagem de veto
Vigência
	Institui o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase), regulamenta a execução das medidas socioeducativas destinadas a adolescente que pratique ato infracional; e altera as Leis nos 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente); 7.560, de 19 de dezembro de 1986, 7.998, de 11 de janeiro de 1990, 5.537, de 21 de novembro de 1968, 8.315, de 23 de dezembro de 1991, 8.706, de 14 de setembro de 1993, os Decretos-Leis nos4.048, de 22 de janeiro de 1942, 8.621, de 10 de janeiro de 1946, e a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943.
A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: 
TÍTULO I
DO SISTEMA NACIONAL DE ATENDIMENTO SOCIOEDUCATIVO (Sinase) 
CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES GERAIS 
Art. 1o  Esta Lei institui o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) e regulamenta a execução das medidas destinadas a adolescente que pratique ato infracional. 
§ 1o  Entende-se por Sinase o conjunto ordenado de princípios, regras e critérios que envolvem a execução de medidas socioeducativas, incluindo-se nele, por adesão, os sistemas estaduais, distrital e municipais, bem como todos os planos, políticas e programas específicos de atendimento a adolescente em conflito com a lei. 
§ 2o  Entendem-se por medidas socioeducativas as previstas no art. 112 da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), as quais têm por objetivos: 
I - a responsabilização do adolescente quanto às consequências lesivas do ato infracional, sempre que possível incentivando a sua reparação; 
II - a integração social do adolescente e a garantia de seus direitos individuais e sociais, por meio do cumprimento de seu plano individual de atendimento; e 
III - a desaprovação da conduta infracional, efetivando as disposições da sentença como parâmetro máximo de privação de liberdade ou restrição de direitos, observados os limites previstos em lei. 
§ 3o  Entendem-se por programa de atendimento a organização e o funcionamento, por unidade, das condições necessárias para o cumprimento das medidas socioeducativas. 
§ 4o  Entende-se por unidade a base física necessária para a organização e o funcionamento de programa de atendimento. 
§ 5o  Entendem-se por entidade de atendimento a pessoa jurídica de direito público ou privado que instala e mantém a unidade e os recursos humanos e materiais necessários ao desenvolvimento de programas de atendimento. 
Art. 2o  O Sinase será coordenado pela União e integrado pelos sistemas estaduais, distrital e municipais responsáveis pela implementação dos seus respectivos programas de atendimento a adolescente ao qual seja aplicada medida socioeducativa, com liberdade de organização e funcionamento, respeitados os termos desta Lei. 
CAPÍTULO II
DAS COMPETÊNCIAS 
Art. 3o  Compete à União: 
I - formular e coordenar a execução da política nacional de atendimento socioeducativo; 
II - elaborar o Plano Nacional de Atendimento Socioeducativo, em parceria com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; 
III - prestar assistência técnica e suplementação financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios para o desenvolvimento de seus sistemas; 
IV - instituir e manter o Sistema Nacional de Informações sobre o Atendimento Socioeducativo, seu funcionamento, entidades, programas, incluindo dados relativos a financiamento e população atendida; 
V - contribuir para a qualificação e ação em rede dos Sistemas de Atendimento Socioeducativo; 
VI - estabelecer diretrizes sobre a organização e funcionamento das unidades e programas de atendimento e as normas de referência destinadas ao cumprimento das medidas socioeducativas de internação e semiliberdade; 
VII - instituir e manter processo de avaliação dos Sistemas de Atendimento Socioeducativo, seus planos, entidades e programas; 
VIII - financiar, com os demais entes federados, a execução de programas e serviços do Sinase; e 
IX - garantir a publicidade de informações sobre repasses de recursos aos gestores estaduais, distrital e municipais, para financiamento de programas de atendimento socioeducativo. 
§ 1o  São vedados à União o desenvolvimento e a oferta de programas próprios de atendimento. 
§ 2o  Ao Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) competem as funções normativa, deliberativa, de avaliação e de fiscalização do Sinase, nos termos previstos na Lei no 8.242, de 12 de outubro de 1991, que cria o referido Conselho. 
§ 3o  O Plano de que trata o inciso II do caput deste artigo será submetido à deliberaçãodo Conanda. 
§ 4o  À Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) competem as funções executiva e de gestão do Sinase. 
Art. 4o  Compete aos Estados: 
I - formular, instituir, coordenar e manter Sistema Estadual de Atendimento Socioeducativo, respeitadas as diretrizes fixadas pela União; 
II - elaborar o Plano Estadual de Atendimento Socioeducativo em conformidade com o Plano Nacional; 
III - criar, desenvolver e manter programas para a execução das medidas socioeducativas de semiliberdade e internação; 
IV - editar normas complementares para a organização e funcionamento do seu sistema de atendimento e dos sistemas municipais; 
V - estabelecer com os Municípios formas de colaboração para o atendimento socioeducativo em meio aberto; 
VI - prestar assessoria técnica e suplementação financeira aos Municípios para a oferta regular de programas de meio aberto; 
VII - garantir o pleno funcionamento do plantão interinstitucional, nos termos previstos no inciso V do art. 88 da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente); 
VIII - garantir defesa técnica do adolescente a quem se atribua prática de ato infracional; 
IX - cadastrar-se no Sistema Nacional de Informações sobre o Atendimento Socioeducativo e fornecer regularmente os dados necessários ao povoamento e à atualização do Sistema; e 
X - cofinanciar, com os demais entes federados, a execução de programas e ações destinados ao atendimento inicial de adolescente apreendido para apuração de ato infracional, bem como aqueles destinados a adolescente a quem foi aplicada medida socioeducativa privativa de liberdade. 
§ 1o  Ao Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente competem as funções deliberativas e de controle do Sistema Estadual de Atendimento Socioeducativo, nos termos previstos no inciso II do art. 88 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), bem como outras definidas na legislação estadual ou distrital. 
§ 2o  O Plano de que trata o inciso II do caput deste artigo será submetido à deliberação do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente. 
§ 3o  Competem ao órgão a ser designado no Plano de que trata o inciso II do caput deste artigo as funções executiva e de gestão do Sistema Estadual de Atendimento Socioeducativo. 
Art. 5o  Compete aos Municípios: 
I - formular, instituir, coordenar e manter o Sistema Municipal de Atendimento Socioeducativo, respeitadas as diretrizes fixadas pela União e pelo respectivo Estado; 
II - elaborar o Plano Municipal de Atendimento Socioeducativo, em conformidade com o Plano Nacional e o respectivo Plano Estadual; 
III - criar e manter programas de atendimento para a execução das medidas socioeducativas em meio aberto; 
IV - editar normas complementares para a organização e funcionamento dos programas do seu Sistema de Atendimento Socioeducativo; 
V - cadastrar-se no Sistema Nacional de Informações sobre o Atendimento Socioeducativo e fornecer regularmente os dados necessários ao povoamento e à atualização do Sistema; e 
VI - cofinanciar, conjuntamente com os demais entes federados, a execução de programas e ações destinados ao atendimento inicial de adolescente apreendido para apuração de ato infracional, bem como aqueles destinados a adolescente a quem foi aplicada medida socioeducativa em meio aberto. 
§ 1o  Para garantir a oferta de programa de atendimento socioeducativo de meio aberto, os Municípios podem instituir os consórcios dos quais trata a Lei no 11.107, de 6 de abril de 2005, que dispõe sobre normas gerais de contratação de consórcios públicos e dá outras providências, ou qualquer outro instrumento jurídico adequado, como forma de compartilhar responsabilidades. 
§ 2o  Ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente competem as funções deliberativas e de controle do Sistema Municipal de Atendimento Socioeducativo, nos termos previstos no inciso II do art. 88 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), bem como outras definidas na legislação municipal. 
§ 3o  O Plano de que trata o inciso II do caput deste artigo será submetido à deliberação do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. 
§ 4o  Competem ao órgão a ser designado no Plano de que trata o inciso II do caput deste artigo as funções executiva e de gestão do Sistema Municipal de Atendimento Socioeducativo. 
Art. 6o  Ao Distrito Federal cabem, cumulativamente, as competências dos Estados e dos Municípios. 
CAPÍTULO III
DOS PLANOS DE ATENDIMENTO SOCIOEDUCATIVO 
Art. 7o  O Plano de que trata o inciso II do art. 3o desta Lei deverá incluir um diagnóstico da situação do Sinase, as diretrizes, os objetivos, as metas, as prioridades e as formas de financiamento e gestão das ações de atendimento para os 10 (dez) anos seguintes, em sintonia com os princípios elencados na Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente). 
§ 1o  As normas nacionais de referência para o atendimento socioeducativo devem constituir anexo ao Plano de que trata o inciso II do art. 3o desta Lei. 
§ 2o  Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios deverão, com base no Plano Nacional de Atendimento Socioeducativo, elaborar seus planos decenais correspondentes, em até 360 (trezentos e sessenta) dias a partir da aprovação do Plano Nacional. 
Art. 8o  Os Planos de Atendimento Socioeducativo deverão, obrigatoriamente, prever ações articuladas nas áreas de educação, saúde, assistência social, cultura, capacitação para o trabalho e esporte, para os adolescentes atendidos, em conformidade com os princípios elencados na Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente). 
Parágrafo único.  Os Poderes Legislativos federal, estaduais, distrital e municipais, por meio de suas comissões temáticas pertinentes, acompanharão a execução dos Planos de Atendimento Socioeducativo dos respectivos entes federados. 
CAPÍTULO IV
DOS PROGRAMAS DE ATENDIMENTO 
Seção I
Disposições Gerais 
Art. 9o  Os Estados e o Distrito Federal inscreverão seus programas de atendimento e alterações no Conselho Estadual ou Distrital dos Direitos da Criança e do Adolescente, conforme o caso. 
Art. 10.  Os Municípios inscreverão seus programas e alterações, bem como as entidades de atendimento executoras, no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. 
Art. 11.  Além da especificação do regime, são requisitos obrigatórios para a inscrição de programa de atendimento: 
I - a exposição das linhas gerais dos métodos e técnicas pedagógicas, com a especificação das atividades de natureza coletiva; 
II - a indicação da estrutura material, dos recursos humanos e das estratégias de segurança compatíveis com as necessidades da respectiva unidade; 
III - regimento interno que regule o funcionamento da entidade, no qual deverá constar, no mínimo: 
a) o detalhamento das atribuições e responsabilidades do dirigente, de seus prepostos, dos membros da equipe técnica e dos demais educadores; 
b) a previsão das condições do exercício da disciplina e concessão de benefícios e o respectivo procedimento de aplicação; e 
c) a previsão da concessão de benefícios extraordinários e enaltecimento, tendo em vista tornar público o reconhecimento ao adolescente pelo esforço realizado na consecução dos objetivos do plano individual; 
IV - a política de formação dos recursos humanos; 
V - a previsão das ações de acompanhamento do adolescente após o cumprimento de medida socioeducativa; 
VI - a indicação da equipe técnica, cuja quantidade e formação devem estar em conformidade com as normas de referência do sistema e dos conselhos profissionais e com o atendimento socioeducativo a ser realizado; e 
VII - a adesão ao Sistema de Informações sobre o Atendimento Socioeducativo, bem como sua operação efetiva. 
Parágrafo único.  O não cumprimento do previsto neste artigo sujeita as entidades de atendimento, os órgãos gestores, seus dirigentes ou prepostosà aplicação das medidas previstas no art. 97 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente). 
Art. 12.  A composição da equipe técnica do programa de atendimento deverá ser interdisciplinar, compreendendo, no mínimo, profissionais das áreas de saúde, educação e assistência social, de acordo com as normas de referência. 
§ 1o  Outros profissionais podem ser acrescentados às equipes para atender necessidades específicas do programa. 
§ 2o  Regimento interno deve discriminar as atribuições de cada profissional, sendo proibida a sobreposição dessas atribuições na entidade de atendimento. 
§ 3o  O não cumprimento do previsto neste artigo sujeita as entidades de atendimento, seus dirigentes ou prepostos à aplicação das medidas previstas no art. 97 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente). 
Seção II
Dos Programas de Meio Aberto 
Art. 13.  Compete à direção do programa de prestação de serviços à comunidade ou de liberdade assistida: 
I - selecionar e credenciar orientadores, designando-os, caso a caso, para acompanhar e avaliar o cumprimento da medida; 
II - receber o adolescente e seus pais ou responsável e orientá-los sobre a finalidade da medida e a organização e funcionamento do programa; 
III - encaminhar o adolescente para o orientador credenciado; 
IV - supervisionar o desenvolvimento da medida; e 
V - avaliar, com o orientador, a evolução do cumprimento da medida e, se necessário, propor à autoridade judiciária sua substituição, suspensão ou extinção. 
Parágrafo único.  O rol de orientadores credenciados deverá ser comunicado, semestralmente, à autoridade judiciária e ao Ministério Público. 
Art. 14.  Incumbe ainda à direção do programa de medida de prestação de serviços à comunidade selecionar e credenciar entidades assistenciais, hospitais, escolas ou outros estabelecimentos congêneres, bem como os programas comunitários ou governamentais, de acordo com o perfil do socioeducando e o ambiente no qual a medida será cumprida. 
Parágrafo único.  Se o Ministério Público impugnar o credenciamento, ou a autoridade judiciária considerá-lo inadequado, instaurará incidente de impugnação, com a aplicação subsidiária do procedimento de apuração de irregularidade em entidade de atendimento regulamentado na Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), devendo citar o dirigente do programa e a direção da entidade ou órgão credenciado. 
Seção III
Dos Programas de Privação da Liberdade 
Art. 15.  São requisitos específicos para a inscrição de programas de regime de semiliberdade ou internação: 
I - a comprovação da existência de estabelecimento educacional com instalações adequadas e em conformidade com as normas de referência; 
II - a previsão do processo e dos requisitos para a escolha do dirigente; 
III - a apresentação das atividades de natureza coletiva; 
IV - a definição das estratégias para a gestão de conflitos, vedada a previsão de isolamento cautelar, exceto nos casos previstos no § 2o do art. 49 desta Lei; e 
V - a previsão de regime disciplinar nos termos do art. 72 desta Lei. 
Art. 16.  A estrutura física da unidade deverá ser compatível com as normas de referência do Sinase. 
§ 1o  É vedada a edificação de unidades socioeducacionais em espaços contíguos, anexos, ou de qualquer outra forma integrados a estabelecimentos penais. 
§ 2o  A direção da unidade adotará, em caráter excepcional, medidas para proteção do interno em casos de risco à sua integridade física, à sua vida, ou à de outrem, comunicando, de imediato, seu defensor e o Ministério Público. 
Art. 17.  Para o exercício da função de dirigente de programa de atendimento em regime de semiliberdade ou de internação, além dos requisitos específicos previstos no respectivo programa de atendimento, é necessário: 
I - formação de nível superior compatível com a natureza da função; 
II - comprovada experiência no trabalho com adolescentes de, no mínimo, 2 (dois) anos; e 
III - reputação ilibada. 
CAPÍTULO V
DA AVALIAÇÃO E ACOMPANHAMENTO DA GESTÃO DO ATENDIMENTO SOCIOEDUCATIVO 
Art. 18.  A União, em articulação com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, realizará avaliações periódicas da implementação dos Planos de Atendimento Socioeducativo em intervalos não superiores a 3 (três) anos. 
§ 1o  O objetivo da avaliação é verificar o cumprimento das metas estabelecidas e elaborar recomendações aos gestores e operadores dos Sistemas. 
§ 2o  O processo de avaliação deverá contar com a participação de representantes do Poder Judiciário, do Ministério Público, da Defensoria Pública e dos Conselhos Tutelares, na forma a ser definida em regulamento. 
§ 3o  A primeira avaliação do Plano Nacional de Atendimento Socioeducativo realizar-se-á no terceiro ano de vigência desta Lei, cabendo ao Poder Legislativo federal acompanhar o trabalho por meio de suas comissões temáticas pertinentes. 
Art. 19.  É instituído o Sistema Nacional de Avaliação e Acompanhamento do Atendimento Socioeducativo, com os seguintes objetivos: 
I - contribuir para a organização da rede de atendimento socioeducativo; 
II - assegurar conhecimento rigoroso sobre as ações do atendimento socioeducativo e seus resultados; 
III - promover a melhora da qualidade da gestão e do atendimento socioeducativo; e 
IV - disponibilizar informações sobre o atendimento socioeducativo. 
§ 1o  A avaliação abrangerá, no mínimo, a gestão, as entidades de atendimento, os programas e os resultados da execução das medidas socioeducativas. 
§ 2o  Ao final da avaliação, será elaborado relatório contendo histórico e diagnóstico da situação, as recomendações e os prazos para que essas sejam cumpridas, além de outros elementos a serem definidos em regulamento. 
§ 3o  O relatório da avaliação deverá ser encaminhado aos respectivos Conselhos de Direitos, Conselhos Tutelares e ao Ministério Público. 
§ 4o  Os gestores e entidades têm o dever de colaborar com o processo de avaliação, facilitando o acesso às suas instalações, à documentação e a todos os elementos necessários ao seu efetivo cumprimento. 
§ 5o  O acompanhamento tem por objetivo verificar o cumprimento das metas dos Planos de Atendimento Socioeducativo. 
Art. 20.  O Sistema Nacional de Avaliação e Acompanhamento da Gestão do Atendimento Socioeducativo assegurará, na metodologia a ser empregada: 
I - a realização da autoavaliação dos gestores e das instituições de atendimento; 
II - a avaliação institucional externa, contemplando a análise global e integrada das instalações físicas, relações institucionais, compromisso social, atividades e finalidades das instituições de atendimento e seus programas; 
III - o respeito à identidade e à diversidade de entidades e programas; 
IV - a participação do corpo de funcionários das entidades de atendimento e dos Conselhos Tutelares da área de atuação da entidade avaliada; e 
V - o caráter público de todos os procedimentos, dados e resultados dos processos avaliativos. 
Art. 21.  A avaliação será coordenada por uma comissão permanente e realizada por comissões temporárias, essas compostas, no mínimo, por 3 (três) especialistas com reconhecida atuação na área temática e definidas na forma do regulamento. 
Parágrafo único.  É vedado à comissão permanente designar avaliadores: 
I - que sejam titulares ou servidores dos órgãos gestores avaliados ou funcionários das entidades avaliadas; 
II - que tenham relação de parentesco até o 3o grau com titulares ou servidores dos órgãos gestores avaliados e/ou funcionários das entidades avaliadas; e 
III - que estejam respondendo a processos criminais. 
Art. 22.  A avaliação da gestão terá por objetivo: 
I - verificar se o planejamento orçamentário e sua execução se processam de forma compatível com as necessidades do respectivo Sistema de Atendimento Socioeducativo; 
II - verificar a manutenção do fluxo financeiro, considerando as necessidades operacionais do atendimento socioeducativo, as normas de referência e as condiçõesprevistas nos instrumentos jurídicos celebrados entre os órgãos gestores e as entidades de atendimento; 
III - verificar a implementação de todos os demais compromissos assumidos por ocasião da celebração dos instrumentos jurídicos relativos ao atendimento socioeducativo; e 
IV - a articulação interinstitucional e intersetorial das políticas. 
Art. 23.  A avaliação das entidades terá por objetivo identificar o perfil e o impacto de sua atuação, por meio de suas atividades, programas e projetos, considerando as diferentes dimensões institucionais e, entre elas, obrigatoriamente, as seguintes: 
I - o plano de desenvolvimento institucional; 
II - a responsabilidade social, considerada especialmente sua contribuição para a inclusão social e o desenvolvimento socioeconômico do adolescente e de sua família; 
III - a comunicação e o intercâmbio com a sociedade; 
IV - as políticas de pessoal quanto à qualificação, aperfeiçoamento, desenvolvimento profissional e condições de trabalho; 
V - a adequação da infraestrutura física às normas de referência; 
VI - o planejamento e a autoavaliação quanto aos processos, resultados, eficiência e eficácia do projeto pedagógico e da proposta socioeducativa; 
VII - as políticas de atendimento para os adolescentes e suas famílias; 
VIII - a atenção integral à saúde dos adolescentes em conformidade com as diretrizes do art. 60 desta Lei; e 
IX - a sustentabilidade financeira. 
Art. 24.  A avaliação dos programas terá por objetivo verificar, no mínimo, o atendimento ao que determinam os arts. 94, 100, 117, 119, 120, 123 e 124 da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente). 
Art. 25.  A avaliação dos resultados da execução de medida socioeducativa terá por objetivo, no mínimo: 
I - verificar a situação do adolescente após cumprimento da medida socioeducativa, tomando por base suas perspectivas educacionais, sociais, profissionais e familiares; e 
II - verificar reincidência de prática de ato infracional. 
Art. 26.  Os resultados da avaliação serão utilizados para: 
I - planejamento de metas e eleição de prioridades do Sistema de Atendimento Socioeducativo e seu financiamento; 
II - reestruturação e/ou ampliação da rede de atendimento socioeducativo, de acordo com as necessidades diagnosticadas; 
III - adequação dos objetivos e da natureza do atendimento socioeducativo prestado pelas entidades avaliadas; 
IV - celebração de instrumentos de cooperação com vistas à correção de problemas diagnosticados na avaliação; 
V - reforço de financiamento para fortalecer a rede de atendimento socioeducativo; 
VI - melhorar e ampliar a capacitação dos operadores do Sistema de Atendimento Socioeducativo; e 
VII - os efeitos do art. 95 da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente). 
Parágrafo único.  As recomendações originadas da avaliação deverão indicar prazo para seu cumprimento por parte das entidades de atendimento e dos gestores avaliados, ao fim do qual estarão sujeitos às medidas previstas no art. 28 desta Lei. 
Art. 27.  As informações produzidas a partir do Sistema Nacional de Informações sobre Atendimento Socioeducativo serão utilizadas para subsidiar a avaliação, o acompanhamento, a gestão e o financiamento dos Sistemas Nacional, Distrital, Estaduais e Municipais de Atendimento Socioeducativo. 
CAPÍTULO VI
DA RESPONSABILIZAÇÃO DOS GESTORES, OPERADORES E ENTIDADES DE ATENDIMENTO 
Art. 28.  No caso do desrespeito, mesmo que parcial, ou do não cumprimento integral às diretrizes e determinações desta Lei, em todas as esferas, são sujeitos: 
I - gestores, operadores e seus prepostos e entidades governamentais às medidas previstas no inciso I e no § 1o do art. 97 da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente); e 
II - entidades não governamentais, seus gestores, operadores e prepostos às medidas previstas no inciso II e no § 1o do art. 97 da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente). 
Parágrafo único.  A aplicação das medidas previstas neste artigo dar-se-á a partir da análise de relatório circunstanciado elaborado após as avaliações, sem prejuízo do que determinam os arts. 191 a 197, 225 a 227, 230 a 236, 243 e245 a 247 da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente). 
Art. 29.  Àqueles que, mesmo não sendo agentes públicos, induzam ou concorram, sob qualquer forma, direta ou indireta, para o não cumprimento desta Lei, aplicam-se, no que couber, as penalidades dispostas na Lei no 8.429, de 2 de junho de 1992, que dispõe sobre as sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no exercício de mandato, cargo, emprego ou função na administração pública direta, indireta ou fundacional e dá outras providências (Lei de Improbidade Administrativa). 
CAPÍTULO VII
DO FINANCIAMENTO E DAS PRIORIDADES 
Art. 30.  O Sinase será cofinanciado com recursos dos orçamentos fiscal e da seguridade social, além de outras fontes. 
§ 1o  (VETADO). 
§ 2o  Os entes federados que tenham instituído seus sistemas de atendimento socioeducativo terão acesso aos recursos na forma de transferência adotada pelos órgãos integrantes do Sinase. 
§ 3o  Os entes federados beneficiados com recursos dos orçamentos dos órgãos responsáveis pelas políticas integrantes do Sinase, ou de outras fontes, estão sujeitos às normas e procedimentos de monitoramento estabelecidos pelas instâncias dos órgãos das políticas setoriais envolvidas, sem prejuízo do disposto nos incisos IX e X do art. 4o, nos incisos V e VI do art. 5o e no art. 6o desta Lei. 
Art. 31.  Os Conselhos de Direitos, nas 3 (três) esferas de governo, definirão, anualmente, o percentual de recursos dos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente a serem aplicados no financiamento das ações previstas nesta Lei, em especial para capacitação, sistemas de informação e de avaliação. 
Parágrafo único.  Os entes federados beneficiados com recursos do Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente para ações de atendimento socioeducativo prestarão informações sobre o desempenho dessas ações por meio do Sistema de Informações sobre Atendimento Socioeducativo. 
Art. 32.  A Lei no 7.560, de 19 de dezembro de 1986, passa a vigorar com as seguintes alterações: 
“Art. 5o  Os recursos do Funad serão destinados:
............................................................................................. 
X - às entidades governamentais e não governamentais integrantes do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase).
...................................................................................” (NR) 
“Art. 5o-A.  A Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), órgão gestor do Fundo Nacional Antidrogas (Funad), poderá financiar projetos das entidades do Sinase desde que: 
I - o ente federado de vinculação da entidade que solicita o recurso possua o respectivo Plano de Atendimento Socioeducativo aprovado; 
II - as entidades governamentais e não governamentais integrantes do Sinase que solicitem recursos tenham participado da avaliação nacional do atendimento socioeducativo; 
III - o projeto apresentado esteja de acordo com os pressupostos da Política Nacional sobre Drogas e legislação específica.” 
Art. 33.  A Lei no 7.998, de 11 de janeiro de 1990, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 19-A: 
“Art. 19-A.  O Codefat poderá priorizar projetos das entidades integrantes do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) desde que: 
I - o ente federado de vinculação da entidade que solicita o recurso possua o respectivo Plano de Atendimento Socioeducativo aprovado; 
II - as entidades governamentais e não governamentais integrantes do Sinase que solicitem recursos tenham se submetido à avaliação nacional do atendimento socioeducativo.” 
Art. 34.  O art. 2o da Lei no 5.537, de 21 de novembro de 1968, passa a vigorar acrescido do seguinte § 3o:
“Art. 2o  .................................................................................................................................................................... 
§ 3o  O fundo de que trata o art. 1o poderá financiar, na forma das resoluções de seu conselho deliberativo, programas e projetos de educação básica relativos ao Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) desde que: 
I - o ente federado que solicitar o recurso possua o respectivo Plano de Atendimento Socioeducativo aprovado; 
II - as entidades de atendimento vinculadas ao ente federado que solicitar o recurso tenham se submetido à avaliação nacional do atendimento socioeducativo; e 
III - o ente federado tenha assinado o Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação e elaborado o respectivo Plano de Ações Articuladas (PAR).” (NR) 
TÍTULO II
DA EXECUÇÃO DAS MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS 
CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES GERAIS 
Art. 35.  A execução das medidas socioeducativas reger-se-á pelos seguintes princípios: 
I - legalidade, não podendo o adolescente receber tratamento mais gravoso do que o conferido ao adulto; 
II - excepcionalidade da intervenção judicial e da imposição de medidas, favorecendo-se meios de autocomposição de conflitos; 
III - prioridade a práticas ou medidas que sejam restaurativas e, sempre que possível, atendam às necessidades das vítimas; 
IV - proporcionalidade em relação à ofensa cometida; 
V - brevidade da medida em resposta ao ato cometido, em especial o respeito ao que dispõe o art. 122 da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente); 
VI - individualização, considerando-se a idade, capacidades e circunstâncias pessoais do adolescente; 
VII - mínima intervenção, restrita ao necessário para a realização dos objetivos da medida; 
VIII - não discriminação do adolescente, notadamente em razão de etnia, gênero, nacionalidade, classe social, orientação religiosa, política ou sexual, ou associação ou pertencimento a qualquer minoria ou status; e 
IX - fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários no processo socioeducativo. 
CAPÍTULO II
DOS PROCEDIMENTOS 
Art. 36.  A competência para jurisdicionar a execução das medidas socioeducativas segue o determinado pelo art. 146 da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente). 
Art. 37.  A defesa e o Ministério Público intervirão, sob pena de nulidade, no procedimento judicial de execução de medida socioeducativa, asseguradas aos seus membros as prerrogativas previstas na Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), podendo requerer as providências necessárias para adequar a execução aos ditames legais e regulamentares. 
Art. 38.  As medidas de proteção, de advertência e de reparação do dano, quando aplicadas de forma isolada, serão executadas nos próprios autos do processo de conhecimento, respeitado o disposto nos arts. 143 e 144 da Lei no8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente). 
Art. 39.  Para aplicação das medidas socioeducativas de prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida, semiliberdade ou internação, será constituído processo de execução para cada adolescente, respeitado o disposto nosarts. 143 e 144 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), e com autuação das seguintes peças: 
I - documentos de caráter pessoal do adolescente existentes no processo de conhecimento, especialmente os que comprovem sua idade; e
II - as indicadas pela autoridade judiciária, sempre que houver necessidade e, obrigatoriamente: 
a) cópia da representação; 
b) cópia da certidão de antecedentes; 
c) cópia da sentença ou acórdão; e 
d) cópia de estudos técnicos realizados durante a fase de conhecimento. 
Parágrafo único.  Procedimento idêntico será observado na hipótese de medida aplicada em sede de remissão, como forma de suspensão do processo. 
Art. 40.  Autuadas as peças, a autoridade judiciária encaminhará, imediatamente, cópia integral do expediente ao órgão gestor do atendimento socioeducativo, solicitando designação do programa ou da unidade de cumprimento da medida. 
Art. 41.  A autoridade judiciária dará vistas da proposta de plano individual de que trata o art. 53 desta Lei ao defensor e ao Ministério Público pelo prazo sucessivo de 3 (três) dias, contados do recebimento da proposta encaminhada pela direção do programa de atendimento. 
§ 1o  O defensor e o Ministério Público poderão requerer, e o Juiz da Execução poderá determinar, de ofício, a realização de qualquer avaliação ou perícia que entenderem necessárias para complementação do plano individual. 
§ 2o  A impugnação ou complementação do plano individual, requerida pelo defensor ou pelo Ministério Público, deverá ser fundamentada, podendo a autoridade judiciária indeferi-la, se entender insuficiente a motivação. 
§ 3o  Admitida a impugnação, ou se entender que o plano é inadequado, a autoridade judiciária designará, se necessário, audiência da qual cientificará o defensor, o Ministério Público, a direção do programa de atendimento, o adolescente e seus pais ou responsável. 
§ 4o  A impugnação não suspenderá a execução do plano individual, salvo determinação judicial em contrário. 
§ 5o  Findo o prazo sem impugnação, considerar-se-á o plano individual homologado. 
Art. 42.  As medidas socioeducativas de liberdade assistida, de semiliberdade e de internação deverão ser reavaliadas no máximo a cada 6 (seis) meses, podendo a autoridade judiciária, se necessário, designar audiência, no prazo máximo de 10 (dez) dias, cientificando o defensor, o Ministério Público, a direção do programa de atendimento, o adolescente e seus pais ou responsável. 
§ 1o  A audiência será instruída com o relatório da equipe técnica do programa de atendimento sobre a evolução do plano de que trata o art. 52 desta Lei e com qualquer outro parecer técnico requerido pelas partes e deferido pela autoridade judiciária. 
§ 2o  A gravidade do ato infracional, os antecedentes e o tempo de duração da medida não são fatores que, por si, justifiquem a não substituição da medida por outra menos grave. 
§ 3o  Considera-se mais grave a internação, em relação a todas as demais medidas, e mais grave a semiliberdade, em relação às medidas de meio aberto. 
Art. 43.  A reavaliação da manutenção, da substituição ou da suspensão das medidas de meio aberto ou de privação da liberdade e do respectivo plano individual pode ser solicitada a qualquer tempo, a pedido da direção do programa de atendimento, do defensor, do Ministério Público, do adolescente, de seus pais ou responsável. 
§ 1o  Justifica o pedido de reavaliação, entre outros motivos: 
I - o desempenho adequado do adolescente com base no seu plano de atendimento individual, antes do prazo da reavaliação obrigatória; 
II - a inadaptação do adolescente ao programa e o reiterado descumprimento das atividades do plano individual; e 
III - a necessidade de modificação das atividades do plano individual que importem em maior restrição da liberdade do adolescente. 
§ 2o  A autoridade judiciária poderá indeferir o pedido, de pronto, se entender insuficiente a motivação. 
§ 3o  Admitido o processamento do pedido, a autoridade judiciária, se necessário, designará audiência, observando o princípio do § 1o do art. 42 desta Lei. 
§ 4o  A substituição por medida mais gravosa somente ocorrerá em situações excepcionais, após o devido processo legal, inclusive na hipótese do inciso III do art. 122 da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), e deve ser: 
I - fundamentada em parecer técnico; 
II - precedida de prévia audiência, e nos termos do § 1o do art. 42 desta Lei. 
Art. 44.  Na hipótese de substituição da medida ou modificação das atividades do plano individual, a autoridade judiciária remeterá o inteiro teor da decisão à direção do programa de atendimento, assim como as peças que entender relevantes à nova situação jurídica do adolescente. 
Parágrafo único.  No caso de a substituição da medida importar em vinculação do adolescentea outro programa de atendimento, o plano individual e o histórico do cumprimento da medida deverão acompanhar a transferência. 
Art. 45.  Se, no transcurso da execução, sobrevier sentença de aplicação de nova medida, a autoridade judiciária procederá à unificação, ouvidos, previamente, o Ministério Público e o defensor, no prazo de 3 (três) dias sucessivos, decidindo-se em igual prazo. 
§ 1o  É vedado à autoridade judiciária determinar reinício de cumprimento de medida socioeducativa, ou deixar de considerar os prazos máximos, e de liberação compulsória previstos na Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), excetuada a hipótese de medida aplicada por ato infracional praticado durante a execução. 
§ 2o  É vedado à autoridade judiciária aplicar nova medida de internação, por atos infracionais praticados anteriormente, a adolescente que já tenha concluído cumprimento de medida socioeducativa dessa natureza, ou que tenha sido transferido para cumprimento de medida menos rigorosa, sendo tais atos absorvidos por aqueles aos quais se impôs a medida socioeducativa extrema. 
Art. 46.  A medida socioeducativa será declarada extinta: 
I - pela morte do adolescente; 
II - pela realização de sua finalidade; 
III - pela aplicação de pena privativa de liberdade, a ser cumprida em regime fechado ou semiaberto, em execução provisória ou definitiva; 
IV - pela condição de doença grave, que torne o adolescente incapaz de submeter-se ao cumprimento da medida; e 
V - nas demais hipóteses previstas em lei. 
§ 1o  No caso de o maior de 18 (dezoito) anos, em cumprimento de medida socioeducativa, responder a processo-crime, caberá à autoridade judiciária decidir sobre eventual extinção da execução, cientificando da decisão o juízo criminal competente. 
§ 2o  Em qualquer caso, o tempo de prisão cautelar não convertida em pena privativa de liberdade deve ser descontado do prazo de cumprimento da medida socioeducativa. 
Art. 47.  O mandado de busca e apreensão do adolescente terá vigência máxima de 6 (seis) meses, a contar da data da expedição, podendo, se necessário, ser renovado, fundamentadamente. 
Art. 48.  O defensor, o Ministério Público, o adolescente e seus pais ou responsável poderão postular revisão judicial de qualquer sanção disciplinar aplicada, podendo a autoridade judiciária suspender a execução da sanção até decisão final do incidente. 
§ 1o  Postulada a revisão após ouvida a autoridade colegiada que aplicou a sanção e havendo provas a produzir em audiência, procederá o magistrado na forma do § 1o do art. 42 desta Lei. 
§ 2o  É vedada a aplicação de sanção disciplinar de isolamento a adolescente interno, exceto seja essa imprescindível para garantia da segurança de outros internos ou do próprio adolescente a quem seja imposta a sanção, sendo necessária ainda comunicação ao defensor, ao Ministério Público e à autoridade judiciária em até 24 (vinte e quatro) horas. 
CAPÍTULO III
DOS DIREITOS INDIVIDUAIS 
Art. 49.  São direitos do adolescente submetido ao cumprimento de medida socioeducativa, sem prejuízo de outros previstos em lei: 
I - ser acompanhado por seus pais ou responsável e por seu defensor, em qualquer fase do procedimento administrativo ou judicial; 
II - ser incluído em programa de meio aberto quando inexistir vaga para o cumprimento de medida de privação da liberdade, exceto nos casos de ato infracional cometido mediante grave ameaça ou violência à pessoa, quando o adolescente deverá ser internado em Unidade mais próxima de seu local de residência; 
III - ser respeitado em sua personalidade, intimidade, liberdade de pensamento e religião e em todos os direitos não expressamente limitados na sentença; 
IV - peticionar, por escrito ou verbalmente, diretamente a qualquer autoridade ou órgão público, devendo, obrigatoriamente, ser respondido em até 15 (quinze) dias; 
V - ser informado, inclusive por escrito, das normas de organização e funcionamento do programa de atendimento e também das previsões de natureza disciplinar; 
VI - receber, sempre que solicitar, informações sobre a evolução de seu plano individual, participando, obrigatoriamente, de sua elaboração e, se for o caso, reavaliação; 
VII - receber assistência integral à sua saúde, conforme o disposto no art. 60 desta Lei; e 
VIII - ter atendimento garantido em creche e pré-escola aos filhos de 0 (zero) a 5 (cinco) anos. 
§ 1o  As garantias processuais destinadas a adolescente autor de ato infracional previstas na Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), aplicam-se integralmente na execução das medidas socioeducativas, inclusive no âmbito administrativo. 
§ 2o  A oferta irregular de programas de atendimento socioeducativo em meio aberto não poderá ser invocada como motivo para aplicação ou manutenção de medida de privação da liberdade. 
Art. 50.  Sem prejuízo do disposto no § 1o do art. 121 da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), a direção do programa de execução de medida de privação da liberdade poderá autorizar a saída, monitorada, do adolescente nos casos de tratamento médico, doença grave ou falecimento, devidamente comprovados, de pai, mãe, filho, cônjuge, companheiro ou irmão, com imediata comunicação ao juízo competente. 
Art. 51.  A decisão judicial relativa à execução de medida socioeducativa será proferida após manifestação do defensor e do Ministério Público. 
CAPÍTULO IV
DO PLANO INDIVIDUAL DE ATENDIMENTO (PIA) 
Art. 52.  O cumprimento das medidas socioeducativas, em regime de prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida, semiliberdade ou internação, dependerá de Plano Individual de Atendimento (PIA), instrumento de previsão, registro e gestão das atividades a serem desenvolvidas com o adolescente. 
Parágrafo único.  O PIA deverá contemplar a participação dos pais ou responsáveis, os quais têm o dever de contribuir com o processo ressocializador do adolescente, sendo esses passíveis de responsabilização administrativa, nos termos do art. 249 da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), civil e criminal. 
Art. 53.  O PIA será elaborado sob a responsabilidade da equipe técnica do respectivo programa de atendimento, com a participação efetiva do adolescente e de sua família, representada por seus pais ou responsável. 
Art. 54.  Constarão do plano individual, no mínimo: 
I - os resultados da avaliação interdisciplinar; 
II - os objetivos declarados pelo adolescente; 
III - a previsão de suas atividades de integração social e/ou capacitação profissional; 
IV - atividades de integração e apoio à família; 
V - formas de participação da família para efetivo cumprimento do plano individual; e 
VI - as medidas específicas de atenção à sua saúde. 
Art. 55.  Para o cumprimento das medidas de semiliberdade ou de internação, o plano individual conterá, ainda: 
I - a designação do programa de atendimento mais adequado para o cumprimento da medida; 
II - a definição das atividades internas e externas, individuais ou coletivas, das quais o adolescente poderá participar; e 
III - a fixação das metas para o alcance de desenvolvimento de atividades externas. 
Parágrafo único.  O PIA será elaborado no prazo de até 45 (quarenta e cinco) dias da data do ingresso do adolescente no programa de atendimento. 
Art. 56.  Para o cumprimento das medidas de prestação de serviços à comunidade e de liberdade assistida, o PIA será elaborado no prazo de até 15 (quinze) dias do ingresso do adolescente no programa de atendimento. 
Art. 57.  Para a elaboração do PIA, a direção do respectivo programa de atendimento, pessoalmente ou por meio de membro da equipe técnica, terá acesso aos autos do procedimento de apuração do ato infracional e aos dos procedimentos de apuração de outros atos infracionais atribuídos ao mesmo adolescente. 
§ 1o  O acesso aos documentos de que trata o caput deverá ser realizado por funcionário da entidade de atendimento, devidamente credenciadopara tal atividade, ou por membro da direção, em conformidade com as normas a serem definidas pelo Poder Judiciário, de forma a preservar o que determinam os arts. 143 e 144 da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente). 
§ 2o  A direção poderá requisitar, ainda: 
I - ao estabelecimento de ensino, o histórico escolar do adolescente e as anotações sobre o seu aproveitamento; 
II - os dados sobre o resultado de medida anteriormente aplicada e cumprida em outro programa de atendimento; e 
III - os resultados de acompanhamento especializado anterior. 
Art. 58.  Por ocasião da reavaliação da medida, é obrigatória a apresentação pela direção do programa de atendimento de relatório da equipe técnica sobre a evolução do adolescente no cumprimento do plano individual. 
Art. 59.  O acesso ao plano individual será restrito aos servidores do respectivo programa de atendimento, ao adolescente e a seus pais ou responsável, ao Ministério Público e ao defensor, exceto expressa autorização judicial. 
CAPÍTULO V
DA ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DE ADOLESCENTE EM CUMPRIMENTO DE MEDIDA SOCIOEDUCATIVA 
Seção I
Disposições Gerais 
Art. 60.  A atenção integral à saúde do adolescente no Sistema de Atendimento Socioeducativo seguirá as seguintes diretrizes: 
I - previsão, nos planos de atendimento socioeducativo, em todas as esferas, da implantação de ações de promoção da saúde, com o objetivo de integrar as ações socioeducativas, estimulando a autonomia, a melhoria das relações interpessoais e o fortalecimento de redes de apoio aos adolescentes e suas famílias; 
II - inclusão de ações e serviços para a promoção, proteção, prevenção de agravos e doenças e recuperação da saúde; 
III - cuidados especiais em saúde mental, incluindo os relacionados ao uso de álcool e outras substâncias psicoativas, e atenção aos adolescentes com deficiências; 
IV - disponibilização de ações de atenção à saúde sexual e reprodutiva e à prevenção de doenças sexualmente transmissíveis; 
V - garantia de acesso a todos os níveis de atenção à saúde, por meio de referência e contrarreferência, de acordo com as normas do Sistema Único de Saúde (SUS); 
VI - capacitação das equipes de saúde e dos profissionais das entidades de atendimento, bem como daqueles que atuam nas unidades de saúde de referência voltadas às especificidades de saúde dessa população e de suas famílias; 
VII - inclusão, nos Sistemas de Informação de Saúde do SUS, bem como no Sistema de Informações sobre Atendimento Socioeducativo, de dados e indicadores de saúde da população de adolescentes em atendimento socioeducativo; e 
VIII - estruturação das unidades de internação conforme as normas de referência do SUS e do Sinase, visando ao atendimento das necessidades de Atenção Básica. 
Art. 61.  As entidades que ofereçam programas de atendimento socioeducativo em meio aberto e de semiliberdade deverão prestar orientações aos socioeducandos sobre o acesso aos serviços e às unidades do SUS. 
Art. 62.  As entidades que ofereçam programas de privação de liberdade deverão contar com uma equipe mínima de profissionais de saúde cuja composição esteja em conformidade com as normas de referência do SUS. 
Art. 63.  (VETADO). 
§ 1o  O filho de adolescente nascido nos estabelecimentos referidos no caput deste artigo não terá tal informação lançada em seu registro de nascimento. 
§ 2o  Serão asseguradas as condições necessárias para que a adolescente submetida à execução de medida socioeducativa de privação de liberdade permaneça com o seu filho durante o período de amamentação. 
Seção II
Do Atendimento a Adolescente com Transtorno Mental e com Dependência de Álcool e de Substância Psicoativa 
Art 64.  O adolescente em cumprimento de medida socioeducativa que apresente indícios de transtorno mental, de deficiência mental, ou associadas, deverá ser avaliado por equipe técnica multidisciplinar e multissetorial. 
§ 1o  As competências, a composição e a atuação da equipe técnica de que trata o caput deverão seguir, conjuntamente, as normas de referência do SUS e do Sinase, na forma do regulamento. 
§ 2o  A avaliação de que trata o caput subsidiará a elaboração e execução da terapêutica a ser adotada, a qual será incluída no PIA do adolescente, prevendo, se necessário, ações voltadas para a família. 
§ 3o  As informações produzidas na avaliação de que trata o caput são consideradas sigilosas. 
§ 4o  Excepcionalmente, o juiz poderá suspender a execução da medida socioeducativa, ouvidos o defensor e o Ministério Público, com vistas a incluir o adolescente em programa de atenção integral à saúde mental que melhor atenda aos objetivos terapêuticos estabelecidos para o seu caso específico. 
§ 5o  Suspensa a execução da medida socioeducativa, o juiz designará o responsável por acompanhar e informar sobre a evolução do atendimento ao adolescente. 
§ 6o  A suspensão da execução da medida socioeducativa será avaliada, no mínimo, a cada 6 (seis) meses. 
§ 7o  O tratamento a que se submeterá o adolescente deverá observar o previsto na Lei no 10.216, de 6 de abril de 2001, que dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. 
§ 8o  (VETADO). 
Art. 65.  Enquanto não cessada a jurisdição da Infância e Juventude, a autoridade judiciária, nas hipóteses tratadas no art. 64, poderá remeter cópia dos autos ao Ministério Público para eventual propositura de interdição e outras providências pertinentes. 
Art. 66.  (VETADO). 
CAPÍTULO VI
DAS VISITAS A ADOLESCENTE EM CUMPRIMENTO DE MEDIDA DE
INTERNAÇÃO 
Art. 67.  A visita do cônjuge, companheiro, pais ou responsáveis, parentes e amigos a adolescente a quem foi aplicada medida socioeducativa de internação observará dias e horários próprios definidos pela direção do programa de atendimento. 
Art. 68.  É assegurado ao adolescente casado ou que viva, comprovadamente, em união estável o direito à visita íntima. 
Parágrafo único.  O visitante será identificado e registrado pela direção do programa de atendimento, que emitirá documento de identificação, pessoal e intransferível, específico para a realização da visita íntima. 
Art. 69.  É garantido aos adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa de internação o direito de receber visita dos filhos, independentemente da idade desses. 
Art. 70.  O regulamento interno estabelecerá as hipóteses de proibição da entrada de objetos na unidade de internação, vedando o acesso aos seus portadores. 
CAPÍTULO VII
DOS REGIMES DISCIPLINARES 
Art. 71.  Todas as entidades de atendimento socioeducativo deverão, em seus respectivos regimentos, realizar a previsão de regime disciplinar que obedeça aos seguintes princípios: 
I - tipificação explícita das infrações como leves, médias e graves e determinação das correspondentes sanções; 
II - exigência da instauração formal de processo disciplinar para a aplicação de qualquer sanção, garantidos a ampla defesa e o contraditório; 
III - obrigatoriedade de audiência do socioeducando nos casos em que seja necessária a instauração de processo disciplinar; 
IV - sanção de duração determinada; 
V - enumeração das causas ou circunstâncias que eximam, atenuem ou agravem a sanção a ser imposta ao socioeducando, bem como os requisitos para a extinção dessa; 
VI - enumeração explícita das garantias de defesa; 
VII - garantia de solicitação e rito de apreciação dos recursos cabíveis; e 
VIII - apuração da falta disciplinar por comissão composta por, no mínimo, 3 (três) integrantes, sendo 1 (um), obrigatoriamente, oriundo da equipe técnica. 
Art. 72.  O regime disciplinar é independente da responsabilidade civil ou penal que advenha do ato cometido. 
Art. 73.  Nenhum socioeducando poderá desempenhar função ou tarefa de apuração disciplinar ou aplicação de sanção nas entidades de atendimento socioeducativo. 
Art. 74.  Não será aplicada sanção disciplinar sem expressa e anterior previsão legal ou regulamentar e o devido processo administrativo.Art. 75.  Não será aplicada sanção disciplinar ao socioeducando que tenha praticado a falta: 
I - por coação irresistível ou por motivo de força maior; 
II - em legítima defesa, própria ou de outrem. 
CAPÍTULO VIII
DA CAPACITAÇÃO PARA O TRABALHO 
Art. 76.  O art. 2o do Decreto-Lei no 4.048, de 22 de janeiro de 1942, passa a vigorar acrescido do seguinte § 1o, renumerando-se o atual parágrafo único para § 2o: 
“Art. 2o  ......................................................................... 
§ 1o  As escolas do Senai poderão ofertar vagas aos usuários do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) nas condições a serem dispostas em instrumentos de cooperação celebrados entre os operadores do Senai e os gestores dos Sistemas de Atendimento Socioeducativo locais. 
§ 2o  ...................................................................... ” (NR) 
Art. 77.  O art. 3o do Decreto-Lei no 8.621, de 10 de janeiro de 1946, passa a vigorar acrescido do seguinte § 1o, renumerando-se o atual parágrafo único para § 2o: 
“Art. 3o  ......................................................................... 
§ 1o  As escolas do Senac poderão ofertar vagas aos usuários do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) nas condições a serem dispostas em instrumentos de cooperação celebrados entre os operadores do Senac e os gestores dos Sistemas de Atendimento Socioeducativo locais. 
§ 2o. ..................................................................... ” (NR) 
Art. 78.  O art. 1o da Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, passa a vigorar acrescido do seguinte parágrafo único: 
“Art. 1o  ......................................................................... 
Parágrafo único.  Os programas de formação profissional rural do Senar poderão ofertar vagas aos usuários do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) nas condições a serem dispostas em instrumentos de cooperação celebrados entre os operadores do Senar e os gestores dos Sistemas de Atendimento Socioeducativo locais.” (NR) 
Art. 79.  O art. 3o da Lei no 8.706, de 14 de setembro de 1993, passa a vigorar acrescido do seguinte parágrafo único: 
“Art. 3o  ......................................................................... 
Parágrafo único.  Os programas de formação profissional do Senat poderão ofertar vagas aos usuários do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) nas condições a serem dispostas em instrumentos de cooperação celebrados entre os operadores do Senat e os gestores dos Sistemas de Atendimento Socioeducativo locais.” (NR) 
Art. 80.  O art. 429 do Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943, passa a vigorar acrescido do seguinte § 2o: 
“Art. 429.  .....................................................................
............................................................................................. 
§ 2o  Os estabelecimentos de que trata o caput ofertarão vagas de aprendizes a adolescentes usuários do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) nas condições a serem dispostas em instrumentos de cooperação celebrados entre os estabelecimentos e os gestores dos Sistemas de Atendimento Socioeducativo locais.” (NR) 
TÍTULO III
DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS 
Art. 81.  As entidades que mantenham programas de atendimento têm o prazo de até 6 (seis) meses após a publicação desta Lei para encaminhar ao respectivo Conselho Estadual ou Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente proposta de adequação da sua inscrição, sob pena de interdição. 
Art. 82.  Os Conselhos dos Direitos da Criança e do Adolescente, em todos os níveis federados, com os órgãos responsáveis pelo sistema de educação pública e as entidades de atendimento, deverão, no prazo de 1 (um) ano a partir da publicação desta Lei, garantir a inserção de adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa na rede pública de educação, em qualquer fase do período letivo, contemplando as diversas faixas etárias e níveis de instrução. 
Art. 83.  Os programas de atendimento socioeducativo sob a responsabilidade do Poder Judiciário serão, obrigatoriamente, transferidos ao Poder Executivo no prazo máximo de 1 (um) ano a partir da publicação desta Lei e de acordo com a política de oferta dos programas aqui definidos. 
Art. 84.  Os programas de internação e semiliberdade sob a responsabilidade dos Municípios serão, obrigatoriamente, transferidos para o Poder Executivo do respectivo Estado no prazo máximo de 1 (um) ano a partir da publicação desta Lei e de acordo com a política de oferta dos programas aqui definidos. 
Art. 85.  A não transferência de programas de atendimento para os devidos entes responsáveis, no prazo determinado nesta Lei, importará na interdição do programa e caracterizará ato de improbidade administrativa do agente responsável, vedada, ademais, ao Poder Judiciário e ao Poder Executivo municipal, ao final do referido prazo, a realização de despesas para a sua manutenção. 
Art. 86.  Os arts. 90, 97, 121, 122, 198 e 208 da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), passam a vigorar com a seguinte redação: 
“Art. 90.  ......................................................................
............................................................................................. 
V - prestação de serviços à comunidade; 
VI - liberdade assistida; 
VII - semiliberdade; e 
VIII - internação.
....................................................................................” (NR) 
“Art. 97.  (VETADO)” 
“Art. 121.  .................................…………………............
............................................................................................. 
§ 7o  A determinação judicial mencionada no § 1o poderá ser revista a qualquer tempo pela autoridade judiciária.” (NR) 
“Art. 122.  .....................................................................
............................................................................................. 
§ 1o  O prazo de internação na hipótese do inciso III deste artigo não poderá ser superior a 3 (três) meses, devendo ser decretada judicialmente após o devido processo legal.
...................................................................................” (NR) 
“Art. 198.  Nos procedimentos afetos à Justiça da Infância e da Juventude, inclusive os relativos à execução das medidas socioeducativas, adotar-se-á o sistema recursal da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil), com as seguintes adaptações:
............................................................................................. 
II - em todos os recursos, salvo nos embargos de declaração, o prazo para o Ministério Público e para a defesa será sempre de 10 (dez) dias;
...................................................................................” (NR) 
“Art. 208.  .....................................................................
............................................................................................. 
X - de programas de atendimento para a execução das medidas socioeducativas e aplicação de medidas de proteção.
...................................................................................” (NR) 
Art. 87.  A Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), passa a vigorar com as seguintes alterações: 
“Art. 260.  Os contribuintes poderão efetuar doações aos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente nacional, distrital, estaduais ou municipais, devidamente comprovadas, sendo essas integralmente deduzidas do imposto de renda, obedecidos os seguintes limites: 
I - 1% (um por cento) do imposto sobre a renda devido apurado pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real; e 
II - 6% (seis por cento) do imposto sobre a renda apurado pelas pessoas físicas na Declaração de Ajuste Anual, observado o disposto no art. 22 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997.
.............................................................................................§ 5o  Observado o disposto no § 4o do art. 3o da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a dedução de que trata o inciso I do caput: 
I - será considerada isoladamente, não se submetendo a limite em conjunto com outras deduções do imposto; e 
II - não poderá ser computada como despesa operacional na apuração do lucro real.” (NR) 
“Art. 260-A.  A partir do exercício de 2010, ano-calendário de 2009, a pessoa física poderá optar pela doação de que trata o inciso II do caput do art. 260 diretamente em sua Declaração de Ajuste Anual. 
§ 1o  A doação de que trata o caput poderá ser deduzida até os seguintes percentuais aplicados sobre o imposto apurado na declaração: 
I - (VETADO); 
II - (VETADO); 
III - 3% (três por cento) a partir do exercício de 2012. 
§ 2o  A dedução de que trata o caput: 
I - está sujeita ao limite de 6% (seis por cento) do imposto sobre a renda apurado na declaração de que trata o inciso II do caput do art. 260; 
II - não se aplica à pessoa física que: 
a) utilizar o desconto simplificado; 
b) apresentar declaração em formulário; ou 
c) entregar a declaração fora do prazo; 
III - só se aplica às doações em espécie; e 
IV - não exclui ou reduz outros benefícios ou deduções em vigor. 
§ 3o  O pagamento da doação deve ser efetuado até a data de vencimento da primeira quota ou quota única do imposto, observadas instruções específicas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. 
§ 4o  O não pagamento da doação no prazo estabelecido no § 3o implica a glosa definitiva desta parcela de dedução, ficando a pessoa física obrigada ao recolhimento da diferença de imposto devido apurado na Declaração de Ajuste Anual com os acréscimos legais previstos na legislação. 
§ 5o  A pessoa física poderá deduzir do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual as doações feitas, no respectivo ano-calendário, aos fundos controlados pelos Conselhos dos Direitos da Criança e do Adolescente municipais, distrital, estaduais e nacional concomitantemente com a opção de que trata o caput, respeitado o limite previsto no inciso II do art. 260.” 
“Art. 260-B.  A doação de que trata o inciso I do art. 260 poderá ser deduzida: 
I - do imposto devido no trimestre, para as pessoas jurídicas que apuram o imposto trimestralmente; e 
II - do imposto devido mensalmente e no ajuste anual, para as pessoas jurídicas que apuram o imposto anualmente. 
Parágrafo único.  A doação deverá ser efetuada dentro do período a que se refere a apuração do imposto.” 
“Art. 260-C.  As doações de que trata o art. 260 desta Lei podem ser efetuadas em espécie ou em bens. 
Parágrafo único.  As doações efetuadas em espécie devem ser depositadas em conta específica, em instituição financeira pública, vinculadas aos respectivos fundos de que trata o art. 260.” 
“Art. 260-D.  Os órgãos responsáveis pela administração das contas dos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente nacional, estaduais, distrital e municipais devem emitir recibo em favor do doador, assinado por pessoa competente e pelo presidente do Conselho correspondente, especificando: 
I - número de ordem; 
II - nome, Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e endereço do emitente; 
III - nome, CNPJ ou Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) do doador; 
IV - data da doação e valor efetivamente recebido; e 
V - ano-calendário a que se refere a doação. 
§ 1o  O comprovante de que trata o caput deste artigo pode ser emitido anualmente, desde que discrimine os valores doados mês a mês. 
§ 2o  No caso de doação em bens, o comprovante deve conter a identificação dos bens, mediante descrição em campo próprio ou em relação anexa ao comprovante, informando também se houve avaliação, o nome, CPF ou CNPJ e endereço dos avaliadores.” 
“Art. 260-E.  Na hipótese da doação em bens, o doador deverá: 
I - comprovar a propriedade dos bens, mediante documentação hábil; 
II - baixar os bens doados na declaração de bens e direitos, quando se tratar de pessoa física, e na escrituração, no caso de pessoa jurídica; e 
III - considerar como valor dos bens doados: 
a) para as pessoas físicas, o valor constante da última declaração do imposto de renda, desde que não exceda o valor de mercado; 
b) para as pessoas jurídicas, o valor contábil dos bens. 
Parágrafo único.  O preço obtido em caso de leilão não será considerado na determinação do valor dos bens doados, exceto se o leilão for determinado por autoridade judiciária.” 
“Art. 260-F.  Os documentos a que se referem os arts. 260-D e 260-E devem ser mantidos pelo contribuinte por um prazo de 5 (cinco) anos para fins de comprovação da dedução perante a Receita Federal do Brasil.” 
“Art. 260-G.  Os órgãos responsáveis pela administração das contas dos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente nacional, estaduais, distrital e municipais devem: 
I - manter conta bancária específica destinada exclusivamente a gerir os recursos do Fundo; 
II - manter controle das doações recebidas; e 
III - informar anualmente à Secretaria da Receita Federal do Brasil as doações recebidas mês a mês, identificando os seguintes dados por doador: 
a) nome, CNPJ ou CPF; 
b) valor doado, especificando se a doação foi em espécie ou em bens.” 
“Art. 260-H.  Em caso de descumprimento das obrigações previstas no art. 260-G, a Secretaria da Receita Federal do Brasil dará conhecimento do fato ao Ministério Público.” 
“Art. 260-I.  Os Conselhos dos Direitos da Criança e do Adolescente nacional, estaduais, distrital e municipais divulgarão amplamente à comunidade: 
I - o calendário de suas reuniões; 
II - as ações prioritárias para aplicação das políticas de atendimento à criança e ao adolescente; 
III - os requisitos para a apresentação de projetos a serem beneficiados com recursos dos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente nacional, estaduais, distrital ou municipais; 
IV - a relação dos projetos aprovados em cada ano-calendário e o valor dos recursos previstos para implementação das ações, por projeto; 
V - o total dos recursos recebidos e a respectiva destinação, por projeto atendido, inclusive com cadastramento na base de dados do Sistema de Informações sobre a Infância e a Adolescência; e 
VI - a avaliação dos resultados dos projetos beneficiados com recursos dos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente nacional, estaduais, distrital e municipais.” 
“Art. 260-J.  O Ministério Público determinará, em cada Comarca, a forma de fiscalização da aplicação dos incentivos fiscais referidos no art. 260 desta Lei. 
Parágrafo único.  O descumprimento do disposto nos arts. 260-G e 260-I sujeitará os infratores a responder por ação judicial proposta pelo Ministério Público, que poderá atuar de ofício, a requerimento ou representação de qualquer cidadão.” 
“Art. 260-K.  A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) encaminhará à Secretaria da Receita Federal do Brasil, até 31 de outubro de cada ano, arquivo eletrônico contendo a relação atualizada dos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente nacional, distrital, estaduais e municipais, com a indicação dos respectivos números de inscrição no CNPJ e das contas bancárias específicas mantidas em instituições financeiras públicas, destinadas exclusivamente a gerir os recursos dos Fundos.” 
“Art. 260-L.  A Secretaria da Receita Federal do Brasil expedirá as instruções necessárias à aplicação do disposto nos arts. 260 a 260-K.” 
Art. 88.  O parágrafo único do art. 3o da Lei no 12.213, de 20 de janeiro de 2010, passa a vigorar com a seguinte redação: 
“Art. 3o  .......................................................................... 
Parágrafo único.  A dedução a que se refere o caput deste artigo não poderá ultrapassar 1% (um por cento) do imposto devido.” (NR) 
Art. 89.  (VETADO). 
Art. 90.  Esta Lei entra em vigor após decorridos 90 (noventa) dias de sua publicação oficial.
Brasília, 18 de janeiro de 2012; 191o da Independência e 124o da República. 
DILMA ROUSSEFF
José Eduardo Cardozo
Guido Mantega
Alexandre Rocha Santos Padilha
MiriamBelchior
Maria do Rosário Nunes
Este texto não substitui o publicado no DOU de 19.1.2012 retificado em 20.1.2012

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