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� AO JUÍZO DA ___ª VARA DE FAMÍLIA DA COMARCA DE FORTALEZA-CE AÇÃO DE RECONHECIMENTO DE UNIÃO ESTÁVEL POST MORTEM PRIORIDADE TRAMITAÇÃO - ESTATUTO DO IDOSO - LEI Nº 10.741/03 MARIA LÚCIA ALVES DE OLIVEIRA, brasileira, do lar, separada judicialmente RG nº 201�02337086, SSP-CE e CPF nº 102.487.873-15, residente e domiciliado na Rua Setor 70, casa 844, Conjunto Jereissati II , Fortaleza-CE, CEP 61.800-000, telefone para contato (85) 986060404/ 988121987 sem endereço eletrônico, vem por meio da DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO CEARÁ propor, perante Vossa Excelência, a presente AÇÃO DE RECONHECIMENTO DE UNIÃO ESTÁVEL “POST MORTEM”, em face de LUCIANA OLIVEIRA DA SILVA, residente e domiciliada na Rua Setor 70, nº 844, Bairro Jereissati II, , RAFAEL OLIVEIRA DA SILVA, redente e domiciliado na rua 70, nº 844 – B, Bairro Jeiressati II, e ANA LEITICIA OLIVEIRA DA SILVA, residente e domiciliada na Rua 70 nº 844, Bairro� Jeiressati II, todos domicialiados nesta Cidade, CEP 61.800-00, pelos fatos e fundamentos que passa a expor: JUSTIÇA GRATUITA E DAS PRERROGATIVAS DA DEFENSÓRIA PÚBLICA Inicialmente, a parte autora declara-se pobre na forma da lei tendo em vista não ter condições de arcar com as custas e demais despesas processuais sem prejuízo do sustento próprio ou de sua família, razão pela qual comparece assistido (a) pela Defensoria Pública do Estado do Ceará, autorizada a atuar por força dos artigos 1º e 4º da Lei Complementar Federal nº 80/94. Assim, requer (m) preliminarmente os benefícios da gratuidade judiciária (artigo 3º da lei nº 1.060/50), tendo em vista enquadra-se na situação legal prevista para sua concessão (artigo 4º da lei nº 1.060/50 e artigo 98 caput e §1º, §5º do NCPC) bem como a observância das prerrogativas processuais do defensor público ao final assinado, sobretudo (I) a intimação pessoal e (II) prazos processuais em dobro, tudo em conformidade com o artigo 128 da Lei Complementar Federal nº. 80/94. DO E-MAIL DO PETICIONÁRIO No que se refere ao e-mail do Defensor Público signatário, requer que as intimações pessoais do membro permaneçam sendo encaminhadas ao Portal do E-SAJ do Defensor Público atuante na unidade jurisdicional respectiva. � DOS FATOS A requerente conviveu durante 37 (trinta e sete) anos em regime de união estável, com o Sr. JOÃO MAURÍCIO COSTA DA SILVA, falecido em 25/03/2017, conforme se verifica na certidão de óbito anexa, tendo a autora como declarante do óbito. Neste momento esclarece-se que a requerente foi casada civilmente com o falecido, casamento este celebrado na data de 29/01/1977 mas veio a se separar judicialmente no ano de 1980. Entretanto, voltou a conviver maritalmente com o Sr. João Maurício dois anos após a separação judicial, ou seja, desde o ano de 1982 até a data de seu óbito (25.03.2017) durando essa nova convivência aproximadamente 35 anos, como podem comprovar as fotos do casal e da família anexadas a esta petição, as faturas de água e energia, ora no nome da Sra. Maria Lúcia, ora no nome do Sr. João Maurício e as certidões de nascimento dos filhos do casal que nasceram após a reconciliação do mesmo: Rafael Oliveira da Silva, nascido em 13.02.1989 e Ana Letícia Oliveira da Silva, nascida em 10.09.1992, � O vínculo fático existente entre a requerente e o de cujus era um vínculo de natureza matrimonial, pois conviviam como marido e mulher, com os mesmos direitos e deveres relativos ao matrimônio, sendo tal união pública e notória, bem como era conhecida de todos os seus familiares, vizinhos e demais cidadãos com os quais conviviam. Desta união, nasceram os filhos: Luciana Oliveira da Silva, Rafael Oliveira da Silva e Ana Letícia Oliveira da Silva, todos maiores, conforme comprova a cópia das respectivas certidões de nascimento em anexo. O casal adquiriu um único imóvel na constância da união, local este que é moradia atual da requerente e de seus filhos, registrado no 2 Ofício da Comarca de Pacatuba, sob a matrícula de n° 5497. Após a morte do companheiro a Sra. Maria Lúcia, sobrevive de doações dos parentes e de seus outros filhos, não recebendo nenhum beneficio deste por conta da averbação da separação judicial, motivo pelo qual se faz necessário que a requerente ingresse com a presente ação objetivanto o reconhecimento de união estável pós mortem. O companheiro foi admitido em 11 de agosto de 1978 na Superintendência de Saúde Pública Funasa, e percebia como remuneração a época de sua morte� um valor de R$ 3.568,27 (três mil quinhentos e sessenta e oito reais e vinte e sete centavo). Saliente-se que o falecido solicitou em data de 04/12/2000 a inclusão no plano de saúde CAPESAÚDE de sua companheira como dependente, conforme documento anexo. DO DIREITO O instituto da União Estável é resguardado pela legislação pátria, e consiste em uma relação de afeto entre homem e mulher, com a comunhão de vida, possuindo dois objetivos claros: a mútua felicidade e a formação de família, sem que para isso seja necessária intervenção cartorária ou judicial. Ademais, segundo a melhor doutrina, em se tratando do reconhecimento de união estável, deve-se observar, ainda, o respeito e a consideração mútuos, a assistência moral e material recíproca e o dever de guarda, sustento e educação dos filhos comuns. A Constituição Federal de 1988 marcou a evolução do conceito de família no Direto Brasileiro, reconhecendo a união estável como uma entidade familiar, conforme se conclui da leitura do seu art. 226, caput e § 3o: Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado. (...) § 3º - Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento. A legislação pátria, no mesmo sentido, regulamenta e reconhece a união entre um homem e uma mulher resguardando os direitos do casal inerentes a entidade familiar constituída no intuito de estabelecer uma família, assim, cumpre anotar o disposto no artigo 1º da Lei nº 9.278/96: Art. 1º - É reconhecida como entidade familiar a convivência duradoura, pública e contínua, de um homem e uma mulher, estabelecida com objetivo de constituição de família. Art. 2° - São direitos e deveres iguais dos conviventes: I - respeito e consideração mútuos; II - assistência moral e material recíproca; III - guarda, sustento e educação dos filhos comuns. O Código Civil de 2002, acompanhando tal tendência, se manifesta sobre o assunto em um artigo incorporado no título referente à união estável, inserido no Livro de Família: Art. 1.723. É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família. § 1º A união estável não se constituirá se ocorrerem os impedimentos do art. 1.521; não se aplicando a incidência do inciso VI no caso de a pessoa casada se achar separada de fato ou judicialmente. As normas também encontram amparo doutrinário, data vênia citamos a doutrina de Rodrigo da Cunha Pereira : ".O.delineamento do conceito de união estável deve ser feito buscando os elementos caracterizadores de um ‘núcleo familiar’. É preciso saber se daquela relação nasceu uma entidade familiar. Os ingredientes são aqueles já demarcados principalmente pela jurisprudência de doutrina pós-constituição de 1988: durabilidade, estabilidade, convivência sob o mesmo teto, prole, relação de dependência econômica. Entretanto, se faltar um desses elementos, não significa que esteja descaracterizada a união estável. É o conjunto de determinados elementos que ajuda a objetivar e a formatar o conceito de família. O essencial é que se tenha formado com aquela relação afetiva e amorosa uma família, repita-se. Os elementos intrínsecos e extrínsecos, objetivos e subjetivos, em cada caso concreto, são os que nos ajudarão a responder se ali está caracterizada, ou não, uma união estável.” (Da UniãoEstável. In Direito de Família e o novo Código Civil / coordenação Maria Berenice Dias e Rodrigo da Cunha Pereira. 2ed. Belo Horizonte: Del Rey, 2001).". Ademais, a jurisprudência pátria assim se manifesta: APELAÇÃO. AÇÃO DE RECONHECIMENTO DE UNIÃO ESTÁVEL POST MORTEM. RECONHECIDA. I - Da conjunção dos artigos 226, § 3º da Constituição Federal e 1.723 do Código Civil, extrai-se que a união estável é a relação afetivo-amorosa entre duas pessoas não impedidas de casar entre si, com estabilidade e durabilidade, vivendo sob o mesmo teto ou não, com a intenção de constituir uma família, sem o vínculo matrimonial. II - No caso em apreço conclui-se que houve união estável entre as partes, durante os anos de 2009 a 2015, restando presentes todos os requisitos necessários para tanto. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. (TJ-GO - APL: 02896600520158090152, Relator: CARLOS ROBERTO FAVARO, Data de Julgamento: 03/04/2019, 1ª Câmara Cível, Data de Publicação: DJ de 03/04/2019) Ora, é inegável que a situação em análise aplica-se perfeitamente aos artigos transcritos, eis que os conviventes mantiveram relacionamento com ´animus´ de família, tendo o relacionamento sido interrompido pelo falecimento do Sr. João Maurício Costa da Silva.Corrobora a existência da entidade familiar entre os conviventes o depoimento das testemunhas arroladas, bem como a documentação acostada. Encontra-se, assim, a promovente amparada pelo ordenamento jurídico pátrio em seu pleito, do que se faz necessário, portanto, o reconhecimento da união estável post mortem havida entre o Sr. João Maurício Costa da Silva e a Sra. Maria Lucia Alves de Oliveira. DO RITO PROCESSUAL Os artigos 693 e seguintes do Novo Código de Processo Civil, estabelecem: Art. 693. As normas deste Capítulo aplicam-se aos processos contenciosos de divórcio, separação, reconhecimento e extinção de união estável, guarda, visitação e filiação. Parágrafo único. A ação de alimentos e a que versar sobre interesse de criança ou de adolescente observarão o procedimento previsto em legislação específica, aplicando-se, no que couber, as disposições deste Capítulo. Art. 694. Nas ações de família, todos os esforços serão empreendidos para a solução consensual da controvérsia, devendo o juiz dispor do auxílio de profissionais de outras áreas de conhecimento para a mediação e conciliação. Parágrafo único. A requerimento das partes, o juiz pode determinar a suspensão do processo enquanto os litigantes se submetem a mediação extrajudicial ou a atendimento multidisciplinar. Art. 695. Recebida a petição inicial e, se for o caso, tomadas as providências referentes à tutela provisória, o juiz ordenará a citação do réu para comparecer à audiência de mediação e conciliação, observado o disposto no art. 694. § 1oO mandado de citação conterá apenas os dados necessários à audiência e deverá estar desacompanhado de cópia da petição inicial, assegurado ao réu o direito de examinar seu conteúdo a qualquer tempo. § 2oA citação ocorrerá com antecedência mínima de 15 (quinze) dias da data designada para a audiência. § 3oA citação será feita na pessoa do réu. § 4o Na audiência, as partes deverão estar acompanhadas de seus advogados ou de defensores públicos. Art. 696. A audiência de mediação e conciliação poderá dividir-se em tantas sessões quantas sejam necessárias para viabilizar a solução consensual, sem prejuízo de providências jurisdicionais para evitar o perecimento do direito. Art. 697. Não realizado o acordo, passarão a incidir, a partir de então, as normas do procedimento comum, observado o art. 335. Art. 698. Nas ações de família, o Ministério Público somente intervirá quando houver interesse de incapaz e deverá ser ouvido previamente à homologação de acordo. Art. 699. Quando o processo envolver discussão sobre fato relacionado a abuso ou a alienação parental, o juiz, ao tomar o depoimento do incapaz, deverá estar acompanhado por especialista. DOS PEDIDOS Assim como fundamento no artigo 226 §6º, da Constituição Federal, artigos 1.571 §1º, 1581 e artigos 693 e seguintes do CPC, requer: 1) o recebimento da inicial com a qualificação apresentada (cf. artigo 319, inciso II, e §2º e 3ºdo CPC); 2) o deferimento da gratuidade judiciária integral para todos os atos processuais (cf. artigo 98,§1º e §5º do CPC); 3) Ao final, proferir sentença de resolução de mérito acolhendo totalmente os pedidos contidos nessa inicial, para que seja reconhecida a União Estável do Sr. João Maurício Costa da Silva e a Sra. Maria Lúcia Alves de Oliveira, para que a mesma possa ingressar com pedido de pensão por morte na condição de companheira do falecido. Protesta provar o alegado por todos os meios de provas admitidas em direito, notadamente depoimento pessoal das partes, oitiva de testemunhas e juntada posterior de documentos. Dá à causa valor de R$ R$ 998,00 (novecentos e noventa e oito reais). Termos em pede deferimento. Fortaleza-CE, 13 de agosto de 2019. DEFENSOR PÚBLICO ESTADUAL Maria Kamila Petrola Erica Cassia de Carvalho Estagiária Estagiário �Número divergente da documentação �CEP?????? �Inserir TODAS as preliminares do CPC, conforme modelos fornecidos ao EPJ �Fazer menção às fotos do casal anexadas �Em 1978???