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TRANSTORNOS-ALIMENTARES-E-TRATAMENTOS

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SUMÁRIO 
1 TRANSTORNOS ALIMENTARES .............................................................. 3 
2 BULIMIA NERVOSA ................................................................................. 11 
3 FATORES DE DESENVOLVIMENTO ...................................................... 13 
3.1 Fatores genéticos e ambientais .......................................................... 16 
3.2 Bioquímica .......................................................................................... 16 
3.3 Complicações médicas ....................................................................... 17 
3.4 Avaliação médica ............................................................................... 18 
3.5 Avaliação psicológica ......................................................................... 19 
4 TRATAMENTO ......................................................................................... 20 
4.1 Tratamento de anorexia nervosa ........................................................ 21 
4.2 Tratamento da bulimia nervosa .......................................................... 25 
5 IMAGEM CORPORAL .............................................................................. 27 
5.1 Distorção da imagem corporal nos transtornos alimentares ............... 28 
6 BODY SHAPE QUESTIONNAIRE ............................................................ 29 
7 TRANSTORNO DA COMPULSÃO ALIMENTAR PERIÓDICA (TCAP) .... 30 
8 TRATAMENTO NUTRICIONAL ................................................................ 31 
9 AVALIAÇÃO NUTRICIONAL .................................................................... 32 
10 AVALIAÇÃO ANTROPOMÉTRICA ........................................................ 33 
11 COMPORTAMENTO ALIMENTAR ........................................................ 35 
12 TRATAMENTO MEDICAMENTOSO ..................................................... 37 
13 ANOREXIA NERVOSA .......................................................................... 37 
14 BULIMIA NERVOSA .............................................................................. 39 
15 TRANSTORNO DA COMPULSÃO ALIMENTAR PERIÓDICA .............. 40 
16 QUALIDADE DE VIDA NOS TRANSTORNOS ALIMENTARES ........... 40 
17 TRANSTORNOS ALIMENTARES NA ADOLESCÊNCIA ...................... 42 
 
2 
 
18 COMPORTAMENTOS ALIMENTARES ................................................ 42 
BIBLIOGRAFIA ............................................................................................... 44 
 
 
 
3 
 
1 TRANSTORNOS ALIMENTARES 
Os transtornos alimentares são doenças psiquiátricas caracterizadas por 
graves alterações do comportamento alimentar e que afetam, na sua maioria, 
adolescentes e adultos jovens do sexo feminino, podendo originar prejuízos 
biológicos, psicológicos e aumento da morbidade e mortalidade. 
Os dois principais transtornos alimentares são a anorexia e bulimia nervosas. 
A anorexia nervosa é caracterizada pela perda de peso à custa de dieta extremamente 
restrita, a busca desenfreada pela magreza, distorção da imagem corporal e 
alterações do ciclo menstrual. 
A bulimia nervosa caracteriza-se por episódios repetidos de grande ingestão 
alimentar (episódios bulímicos, do inglês “binge eating”) e uma preocupação 
excessiva com o controle do peso corporal. O paciente chega a adotar medidas 
extremas, a fim de evitar o ganho de peso, devido à ingestão exagerada de alimentos. 
 
 
Fonte: cdn2.dicasparaperderpeso.com.br 
Essas duas doenças estão intimamente relacionadas por apresentarem alguns 
sintomas em comum: uma ideia prevalente envolvendo a preocupação excessiva com 
o peso, distorção da imagem corporal e um medo patológico de engordar. Estudos 
epidemiológicos demonstram que há dificuldades relacionadas ao diagnóstico correto 
 
4 
 
dos transtornos alimentares, como por exemplo, a recusa do paciente em procurar 
ajuda profissional ou por não admitir que está doente ou por achar que conseguirá se 
tratar sozinho. 
Com isso somente os casos mais graves procuram tratamento, o que pode 
implicar em incidência e prevalência subestimadas. A incidência de novos casos de 
anorexia nervosa em mulheres jovens, de acordo com trabalhos nos Estados Unidos 
e Europa, pode variar de 1,432 a 503 por 100 mil pessoas anualmente. A incidência 
de bulimia nervosa é de 2 a 4% em países de primeiro mundo. Existe uma tendência 
ao aumento de incidência, em parte pela realização de um diagnóstico mais preciso 
por parte dos médicos ou da familiaridade com a doença por parte dos pais dos 
pacientes e por outro lado pela apologia atual do culto ao “corpo perfeito”, inatingível 
pela maior parte da população. 
 
 
Fonte: www.julianagoes.com.br/ 
A prevalência dos transtornos alimentares pode variar se considerarmos as 
síndromes parciais, isto é, pacientes que não apresentam a doença totalmente 
desenvolvida seja pela presença dos ciclos menstruais, seja pelo fato de a perda de 
peso não ser tão intensa quanto esperada. Embora a anorexia se inicie na 
adolescência (geralmente entre 13 a 17 anos), casos com início na infância e após 40 
anos têm sido observados. 
 
5 
 
Na bulimia nervosa o início dos sintomas ocorre nos últimos anos da 
adolescência ou até os 40 anos, estando a idade média de início por volta dos 20 anos 
de idade.1,4 Geralmente, o perfil dos pacientes portadores de transtornos alimentares 
é: adolescentes do sexo feminino, raça branca, e alto nível sócio econômico cultural. 
Porém, o que se tem observado, é que esse grupo é cada vez mais 
heterogêneo, sendo realizado diagnóstico em adolescentes do sexo masculino, raça 
negra, pré-adolescentes e pacientes com nível sócio econômico cultural baixo. Quanto 
à etiopatogenia, não há uma etiologia única responsável pela anorexia nervosa. 
Acredita-se no modelo multifatorial, com contribuição de fatores biológicos, genéticos, 
psicológicos, socioculturais e familiares. 
 
 
Fonte: wp.clicrbs.com.br 
São ditos fatores de predisposição: sexo feminino, história familiar de transtorno 
alimentar, baixa autoestima, perfeccionismo, dificuldade em expressar emoções. 
Fatores precipitantes: dieta, separação e perda, alterações da dinâmica 
familiar, expectativas irreais, proximidade da menarca. Fatores mantenedores: 
alterações endócrinas, distorção da imagem corporal, distorções cognitivas, práticas 
purgativas 
Segundo a Sociedade Brasileira de Psiquiatria Clínica (SBPC), a cada ano 
milhões de pessoas desenvolvem graves transtornos do comportamento alimentar. 
Muitas acabam colocando sua vida em risco. 
 
6 
 
A maior parte – mais de 90% – daqueles que sofrem desses transtornos são 
adolescentes e mulheres jovens. Uma das razões que levam essas pessoas a 
tornarem-se mais vulneráveis a transtornos alimentares é a tendência de fazerem 
rigorosos regimes para obterem uma “silhueta ideal”. 
Nos últimos anos, as mulheres têm sido vítimas de diversos padrões de 
aparência física, que as têm submetido a fortes pressões e a dietas com o objetivo de 
corresponder às expectativas sociais de magreza. 
A sociedade exige e reforça um padrão físico absolutamente irreal e muito 
distante do que realmente é considerado saudável. Nas últimas décadas, a 
preocupação das mulheres com a forma tornou-se tão radical que o ideal de magreza 
acabou transformando-se, cada vez mais, num padrão irrealista e destrutivo. 
As indústrias de moda, cinema, alimentos dietéticos, bem como as academias 
e spas reforçam, a todo momento, que beleza, sucesso, autoestima e felicidade estão 
baseados num contorno magro. 
Todos esses veículos são responsáveis por promover a visão de que “a pessoa 
só será amada e respeitadase for esbelta”. Desta forma, muitas vezes, a insatisfação 
com o corpo e a decisão de fazer dieta, especialmente na população feminina, podem 
ser atribuídas, em grande parte, à nossa cultura. 
Como foi dito anteriormente, os aspectos socioculturais fazem parte de um 
conjunto de fatores que, interligados, podem levar ao desenvolvimento de transtornos 
alimentares. 
 
Fonte: encrypted-tbn0.gstatic.com 
 
7 
 
Na tentativa de compreender as causas desses transtornos, especialistas e 
pesquisadores têm estudado a personalidade, a genética, o ambiente e o metabolismo 
de pessoas com esse problema. 
No entanto, como geralmente acontece, quanto mais se estuda mais se 
descobre o quanto são complexas as origens dos transtornos alimentares. De acordo 
com a classificação do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 
conhecida como DSM-V (APA,2013). os transtornos alimentares dividem-se em dois 
tipos principais: anorexia nervosa e bulimia nervosa. 
A obesidade, em termos gerais, está incluída no International Classification of 
Diseases (ICD) como uma condição médica (doença), segundo o DSM-V (Manual 
Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5º edição), “a obesidade (excesso 
de gordura corporal) resulta do excesso prolongado de ingestão energética em 
relação ao gasto energético. Uma gama de fatores genéticos, fisiológicos, 
comportamentais e ambientais, que variam entre os indivíduos, contribui para o 
desenvolvimento da obesidade; dessa forma, ela não é considerada um transtorno 
mental. Entretanto, existem associações robustas entre obesidade e uma série de 
transtornos mentais (p. ex., transtorno de compulsão alimentar, transtornos 
depressivo e bipolar e esquizofrenia).” 
Contudo, quando há evidências a respeito de fatores psicológicos importantes 
presentes na etiologia de um caso particular de obesidade, isso pode indicar que as 
condições médicas afetadas mostram a presença de fatores psicológicos atuantes. 
Embora não seja uma classificação específica para casos particulares de 
obesidade, é importante, falar de uma terceira perturbação do comportamento 
alimentar – transtorno do “comer compulsivo” – uma vez que apresenta características 
muito semelhantes à bulimia nervosa e também exige uma atenção especial por parte 
dos especialistas. 
Ataques de bulimia (binge-eating) /tipo purgativo: durante o episódio de 
anorexia nervosa, a pessoa tem um comportamento regular de ataques de bulimia e 
de excreção (vômito auto induzido, uso de laxantes, diuréticos ou de enemas/clisters); 
Os critérios para o diagnóstico da bulimia nervosa no DSM V são: 
A - Episódios recorrentes de compulsão alimentar. Um episódio de compulsão 
alimentar é caracterizado por ambos os seguintes critérios: 
 
 
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 Ingestão, em um período limitado de tempo (por exemplo, dentro de um 
período de 2 horas), de uma quantidade de alimentos definitivamente 
maior do que a maioria das pessoas consumiria em um período similar, 
sob circunstâncias similares; 
 Um sentimento de falta de controle sobre o episódio (por exemplo, um 
sentimento de não conseguir parar ou controlar o que ou quanto se 
come) 
 
B – Comportamentos compensatórios inapropriados para prevenir ganho de 
peso, como vômito autoinduzido; abuso de laxantes, diuréticos ou outras medicações; 
jejum; ou excesso de exercício físico. 
C – A compulsão e o comportamento compensatório inapropriado devem 
ocorrer, no mínimo, pelo menos uma vez por semana, por 3 meses. 
D – Autoavaliação indevidamente influenciada pelo peso e forma corporal. 
E - O transtorno não ocorre exclusivamente durante episódios de anorexia 
nervosa. 
Além dos dois transtornos definidos até agora, segundo a Sociedade Brasileira 
de Psiquiatria Clínica (SBPC), a terceira e mais recente desordem alimentar é o 
transtorno do “comer compulsivo”. 
 
 
Fonte: ulbra-to.br 
 
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Caracteriza-se, como a bulimia, por episódios de ingestão exagerada 
Transtornos alimentares e compulsiva de alimentos (episódios bulímicos). No entanto, 
difere da bulimia, pois as pessoas afetadas não produzem a eliminação forçada dos 
alimentos ingeridos. 
A seguir, procuraremos explicar, com mais detalhes, cada um dos transtornos 
alimentares e os possíveis fatores que podem levar ao seu desenvolvimento. Como a 
bibliografia do último e mais recente tipo de transtorno ainda é escassa, e devido à 
sua grande semelhança com a bulimia nervosa, a definição do transtorno do “comer 
compulsivo” estará incluída na definição de bulimia nervosa. 
 
Fonte: encrypted-tbn0.gstatic.com/ 
Também falaremos de algumas formas de tratamento, assim como da 
importância da terapia cognitivo-comportamental e suas contribuições. ANOREXIA 
NERVOSA Um dos principais sintomas da anorexia nervosa é uma acentuada perda 
de peso. Esta doença geralmente se inicia durante a puberdade e, como na bulimia e 
no transtorno do comer compulsivo, tem maior incidência nas mulheres. 
Pessoas que sofrem desse tipo de transtorno passam fome intencionalmente 
e, embora apresentem-se extremamente emagrecidas, têm plena convicção de que 
estão com excesso de peso. Às vezes é necessário que haja internação para evitar a 
inanição. 
 
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Não é raro pessoas com anorexia se submeterem a longos períodos de jejum, 
apesar de sentirem muita fome. Um dos aspectos que mais preocupa médicos e 
terapeutas é o fato dessas pessoas continuarem a se achar gordas, mesmo estando 
extremamente magras; muitas vezes preocupam-se com determinadas partes do 
corpo. 
A anorexia nervosa, assim como a bulimia nervosa, caracteriza-se por um 
medo intenso de ganhar peso. Há uma recusa na manutenção do peso ideal e a 
grande maioria faz dieta para emagrecer, provocando muitas vezes o vômito (ataques 
de bulimia). A magreza é tida como um referencial muito importante para a autoestima. 
 
Fonte: encrypted-tbn1.gstatic.com/ 
Esse tipo de transtorno pode estar associado a comportamentos obsessivos e, 
geralmente, essas Transtornos alimentares pessoas comem de uma maneira 
ritualizada. 
Apesar de ingerirem quantidades mínimas de alimento, estas pacientes se 
interessam pela comida, gostam de cozinhar e de observar os outros comendo, 
colecionam receitas e preparam verdadeiros banquetes para a família e amigos, mas 
não participam das refeições. 
Muitas vezes, aderem a rigorosas rotinas de exercícios físicos para perder 
peso. Mulheres com este distúrbio caracterizam-se pela ausência de pelo menos três 
ciclos menstruais e os homens frequentemente tornam-se impotentes. 
 
11 
 
2 BULIMIA NERVOSA 
A bulimia nervosa caracteriza-se por episódios de grande ingestão de alimentos 
(episódios bulímicos) e depois pela eliminação do excesso de calorias através de 
prolongados jejuns, vômitos auto induzidos, uso de laxantes e diuréticos ou a prática 
obsessiva de exercícios físicos. 
Em alguns casos, o indivíduo recorre a uma combinação de todas essas formas 
de “desintoxicação”. Muitas vezes, pessoas que sofrem esse transtorno conseguem 
esconder seu problema, uma vez que realizam seus rituais do “comer compulsivo” 
seguido de “eliminação” em segredo, e também pelo fato de manterem seu peso 
normal ou um pouco acima do normal. 
 
 
Fonte: encrypted-tbn3.gstatic.com 
Da mesma forma que a bulimia nervosa, as pessoas com transtorno de “comer 
compulsivo” também sentem que perdem o controle quando comem. Elas ingerem 
grandes quantidades de alimentos e só param quando sentem desconfortavelmente 
“empanturradas”. 
A diferença da bulimia é que nesta as pessoas geralmente têm maior 
dificuldade em perder ou manter o peso. Além de serem obesas, na sua maioria,apresentam uma história de variação de peso. 
 
12 
 
Essas pessoas apresentam ataques de bulimia, mas sem os mecanismos 
compensatórios (vômito, uso de laxantes ou diuréticos, excesso de exercícios, jejum 
prolongado). 
Fazem apenas um pouco de dieta ou exercício e não tem uma preocupação 
excessiva com o corpo. Ao Transtornos alimentares contrário do que ocorre com os 
dois outros tipos de transtornos, essas pessoas têm noção do seu peso corporal. 
 
Fonte: encrypted-tbn2.gstatic.com/ 
De acordo com a Sociedade Brasileira de Psiquiatria Clínica, o transtorno do 
“comer compulsivo” é encontrado em cerca de 2% da população em geral e é mais 
frequente em mulheres. Pesquisas demonstram que ocorre em cerca de 30% das 
pessoas que fazem regimes alimentares com supervisão médica. É comum, na 
bulimia nervosa, sentimentos como depressão e pensamentos de autocrítica 
relacionados à perda de controle sobre o ato de comer. Trata-se de uma desordem 
complexa, a qual, em muitos casos, psicológicos e biológicos (Garner et al. 1983). 
É importante ressaltar o grande número de pacientes que iniciam o tratamento 
com uma série de conceitos errôneos relacionados a dietas, regulação de peso, 
nutrição e o contexto social de sua desordem. Por causa desses fatores, é 
fundamental a orientação e a informação, durante o tratamento, acerca desses 
transtornos. É importante esclarecer, por exemplo, que nas últimas décadas, as 
mulheres têm sido vítimas de padrões corporais absolutamente irreais; ou que o “peso 
 
13 
 
natural” da maioria das mulheres está bem acima do ideal atual de beleza feminina e 
que algumas pessoas são naturalmente mais gordas e outras mais magras; ou ainda 
que a bulimia e o vômito tornam-se um ciclo vicioso, uma vez que o vômito leva o 
indivíduo a comer sem o medo de consequências calóricas (Garner et al., 1983). 
 
Fonte: encrypted-tbn0.gstatic.co 
Através desses esclarecimentos, o paciente tem a oportunidade de 
compreender melhor o transtorno alimentar, bem como os efeitos perigosos de se 
fazer dietas indiscriminadamente. 
Com essas informações, poderemos capacitar essas pessoas a começar a 
questionar e a resistir aos valores opressivos que podem ter contribuído para o seu 
sofrimento pessoal. 
3 FATORES DE DESENVOLVIMENTO 
O desenvolvimento dos transtornos alimentares acontece em função da 
combinação de diversos fatores – biológicos, psicológicos, culturais e familiares. 
A maioria das pessoas com transtornos alimentares apresentam determinados 
traços de personalidade em comum: baixa autoestima, sentimentos de desesperança 
e medo de se tornarem gordas. Na anorexia, na bulimia e no transtorno do “comer 
 
14 
 
compulsivo”, o comportamento alimentar parece desenvolver-se como uma forma de 
lidar com o stress e a ansiedade (SBPC). 
Biologicamente, essas pessoas podem apresentar uma lentidão do 
esvaziamento do estômago, ou uma alteração nos neurotransmissores. Na tentativa 
de entender os transtornos alimentares, pesquisadores têm estudado as funções 
bioquímicas de pessoas com tais doenças. Uma especial atenção tem sido dada ao 
sistema neuroendócrino. 
Este sistema é responsável pela regulação da função sexual, pelo crescimento 
e desenvolvimento físico, pelo apetite e digestão, o sono, as funções renais e 
cardíacas, as emoções, o pensamento e a memória, etc.; em resumo, o sistema 
neuroendócrino é responsável por múltiplas funções físicas e mentais. 
Em pessoas que apresentam transtornos alimentares, muitos desses 
mecanismos reguladores estão gravemente comprometidos. Pressões socioculturais 
também têm contribuído de uma forma bastante expressiva, especialmente depois da 
2ª Guerra Mundial, para o desenvolvimento desses transtornos. Com a 2ª Guerra 
Mundial criou-se uma verdadeira confusão com a autoimagem. 
Os modelos ideais começaram a ficar discrepantes do possível para a maioria 
das mulheres. Geralmente, pessoas com anorexia tendem a ser obedientes, 
introvertidas, perfeccionistas, boas alunas e excelentes atletas. 
Especialistas acreditam que essas pessoas restringem sua alimentação para 
adquirirem uma sensação de controle em determinadas áreas de suas vidas. 
Controlar o peso para estas pessoas pode ter, aparentemente, pelo menos 
duas vantagens, ter controle sobre o seu corpo e obter a aprovação das outras 
pessoas. Pessoas com bulimia e transtorno do “comer compulsivo” ingerem grandes 
quantidades de alimentos para diminuir o stress e aliviar a ansiedade. 
No entanto, esse comportamento descontrolado acaba gerando a culpa e a 
depressão. Essas pessoas podem ser impulsivas e têm maior probabilidade de 
apresentar comportamentos arriscados, como o abuso de álcool e drogas. 
Normalmente a família desses pacientes é muito preocupada com a imagem, 
comparam os filhos e são superprotetores. 
 
 
15 
 
 
Fonte: encrypted-tbn1.gstatic.com 
Os pais se intrometem de forma exagerada na vida dos filhos. Um estudo 
recente demonstrou que as mães muito preocupadas com o excesso de peso e a 
aparência física das filhas podem aumentar o risco de transtornos alimentares. 
Além disso, meninas com transtornos alimentares frequentemente têm pais e 
irmãos extremamente críticos (SBPC). Comparação de “famílias de anorexia” com 
“famílias psicossomáticas” indicam dinâmicas básicas semelhantes. 
A interação familiar seria caracterizada pela educação superprotetora dos filhos 
e pela ligação muito íntima entre as gerações. O estilo de comunicação e interação, 
nas famílias deste tipo, seria provocado pelas alterações das condições sociais e da 
hierarquia de valores, entre outros fatores mais, resultando em modificações das 
estruturas e do papel desempenhado pelo indivíduo, dentro da família. 
Segundo Reinecker (1988), essas alterações podem se tornar mais perigosas 
quando um valor exagerado é atribuído à realização, à rejeição da sexualidade, à 
rigidez dos papéis sociais, ao aumento da disposição para o sacrifício, à economia e 
ao acaso. 
 
16 
 
3.1 Fatores genéticos e ambientais 
Uma importante observação a respeito dos transtornos do comportamento 
alimentar é a frequência com que ocorrem em algumas famílias e também o fato de, 
geralmente, as mulheres serem as mais atingidas. Essa observação sugere que 
fatores genéticos podem predispor algumas pessoas a transtornos alimentares. 
Da mesma maneira, outros fatores – tanto comportamentais quanto ambientais 
– também podem exercer influência. Os transtornos alimentares têm maior incidência 
nos países industrializados, especialmente nas classes média e alta. 
Pessoas com profissões ou atividades que valorizam a magreza – como 
modelos, bailarinos e atletas – são mais suscetíveis ao problema. Embora a maior 
parte das vítimas desses transtornos sejam mulheres jovens e adolescentes, homens 
e mulheres mais velhos também podem ser acometidos por essas doenças. 
Anorexia e bulimia são mais frequentes entre brancos, mas também afetam 
negros e outros grupos étnicos. Ao contrário do que ocorre com outros transtornos 
alimentares, um terço a um quarto dos pacientes com transtorno do “comer 
compulsivo” são homens. 
Estudos preliminares demonstram também que a doença ocorre igualmente em 
negros e brancos. 
3.2 Bioquímica 
Pesquisadores, através de estudos feitos no sistema nervoso central – 
especialmente no cérebro –, desconfiam que os neurotransmissores serotonina e 
noradrenalina que controlam a produção hormonal funcionam de forma anormal em 
pessoas com depressão. 
Observou-se, recentemente, através de estudos financiados pelo National 
Institute of Mental Health (NIMH), que esses neurotransmissores encontram-se 
diminuídos empacientes com anorexia e bulimia aguda e em pacientes que se 
recuperaram de anorexia há muito tempo. 
Pesquisadores acreditam que possa haver uma relação entre a depressão e os 
transtornos alimentares, uma vez que pessoas com esses transtornos também sofrem 
de depressão. 
 
17 
 
Essa relação pode ser reforçada por estudos que demonstram que os 
antidepressivos podem ser usados com bons resultados no tratamento de alguns 
pacientes com transtornos alimentares (SBPC). 
O cortisol – hormônio cerebral liberado em resposta ao stress – encontra-se em 
níveis mais altos do que o normal em pessoas com anorexia ou certas formas de 
depressão. Comprovou-se que esses níveis excessivos de cortisol, tanto na anorexia 
como na depressão, são causados por uma alteração que ocorre em uma região do 
cérebro chamada hipotálamo, ou em áreas próximas. Pesquisadores também 
descobriram semelhanças bioquímicas entre pessoas com transtornos alimentares e 
com o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Recentemente, pesquisadores do 
NIHM descobriram que vários pacientes com bulimia apresentam um quadro 
obsessivo compulsivo tão grave como aquele verificado em pacientes realmente 
diagnosticados com TOC. 
Da mesma forma, também foi constatado que pacientes com TOC 
frequentemente apresentam comportamento alimentar anormal. 
3.3 Complicações médicas 
De acordo com a Sociedade Brasileira de Psiquiatria Clínica, os transtornos 
alimentares são responsáveis pelos maiores índices de mortalidade entre todos os 
tipos de transtornos mentais. 
Mais de 10% dos pacientes acabam morrendo. Os mais vulneráveis são 
aqueles que usam determinadas drogas para induzir o vômito, ou utilizam diuréticos 
e laxantes como mecanismos compensatórios, pois esses hábitos aumentam o risco 
de problemas cardíacos. 
Na anorexia, a desnutrição pode comprometer órgãos vitais como o coração e 
o cérebro. O organismo então se defende, reduzindo sua atividade, a menstruação é 
interrompida, assim como diminui a frequência respiratória, o pulso e a pressão 
arterial. 
A tireoide – glândula que controla o metabolismo – também fica menos ativa. 
Percebe-se que as unhas e cabelos tornam-se quebradiços, além da pele ficar 
ressecada e amarelada, recoberta por uma pelugem chamada lanugo. Pessoas com 
 
18 
 
anorexia possuem uma anemia moderada, inflamação das articulações, redução da 
massa muscular e tontura. 
Não é raro também encontrar outras doenças psíquicas. Na maioria das vezes, 
a depressão clínica pode ser diagnosticada em pacientes com anorexia. Entretanto, 
distúrbios de personalidade ou abuso de drogas; em muitos casos há um grande risco 
de suicídio. O transtorno obsessivo-compulsivo também pode coexistir com a 
anorexia. 
O hábito frequente de comer compulsivamente e depois se “desintoxicar”, 
característica da bulimia nervosa, pode prejudicar seriamente o organismo. 
O vômito faz com que o ácido clorídrico (presente no vômito) desgaste o 
esmalte dos dentes, podendo produzir abrasões nas mãos, quando os dedos são 
introduzidos na garganta para provocar o vômito. Pode ocorrer também inflamação do 
esôfago e intumescimento das glândulas salivares. 
Em casos mais raros, a excessiva e descontrolada ingestão de alimentos pode 
causar ruptura do estômago e a “desintoxicação” pode resultar em insuficiência 
cardíaca por perda de minerais essenciais, como o potássio. Assim como a anorexia, 
a bulimia pode produzir irregularidades menstruais. O interesse sexual pode diminuir. 
Também pode-se constatar que pessoas com bulimia sofrem de depressão, 
ansiedade, transtorno obsessivo-compulsivo e outras doenças psiquiátricas (SBPC). 
Geralmente as pessoas que apresentam o transtorno do “comer compulsivo” têm 
excesso de peso, podendo ter graves problemas médicos, associados à obesidade, 
aumento de colesterol, hipertensão arterial e diabetes. 
Estudos do National Institute of Mental Health indicam que pessoas com esse 
tipo de transtorno também apresentam outras doenças psiquiátricas concomitantes – 
especialmente depressão. 
3.4 Avaliação médica 
Em primeiro lugar é necessário fazer uma boa análise do sistema de 
funcionamento do paciente. Deve-se dar atenção especial aos diagnósticos 
diferenciais e investigar se há alguma complicação física. 
Por causa disso, o tratamento dos transtornos alimentares deve ser sempre 
feito em conjunto com médicos – especialmente endocrinologista – e psicoterapeutas. 
 
19 
 
A primeira providência, depois do diagnóstico, é decidir qual será o regime de 
tratamento – hospitalar ou ambulatorial – e conversar com o paciente sobre a decisão 
tomada. 
A questão do envolvimento do médico deve ser sempre levada em 
consideração, em qualquer tratamento ambulatorial para transtornos da alimentação. 
Esse envolvimento é importante por causa da existência de vários correlatos 
fisiológicos, da severa perda de peso, obesidade ou orgias alimentares, e vômitos ou 
purgação que podem precisar ser atentamente monitorados. 
O médico deverá estar preparado para, eventualmente, avaliar o bem-estar 
físico do paciente em intervalos regulares; isso dependerá muito dos aspectos 
particulares de cada paciente. 
3.5 Avaliação psicológica 
Como já foi dito anteriormente, é fundamental que se estabeleça uma boa 
relação terapêutica, baseada principalmente na confiança. É importante que o 
psicoterapeuta avalie a motivação do paciente para o tratamento e explique, 
didaticamente, o que são os transtornos alimentares e quais as suas consequências 
físicas. 
A avaliação da perturbação alimentar e preocupações com a forma corporal 
deve abordar várias áreas diferentes (Channon e Wardie, 1994). Uma história clínica 
possibilita algumas indicações ligadas a amplas áreas de problemas e possíveis 
fatores causais ou mantenedores. 
As entrevistas clínicas podem ser complementadas com questionários 
padronizados, métodos de automonitoramento e técnicas experimentais. A avaliação 
deverá ser formada por um conhecimento detalhado dos hábitos alimentares, da 
flutuação do peso e dos pensamentos e atitudes disfuncionais relacionados à 
alimentação e ao peso corporal. 
A seleção entre as diferentes áreas de problemas e tipos de avaliação variará 
de acordo com as dificuldades de cada paciente. 
 
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4 TRATAMENTO 
O tratamento dos transtornos alimentares envolve tanto a parte física como a 
psicológica. A complexa interação de problemas emocionais e fisiológicos torna, 
muitas vezes, necessário um plano de tratamento que envolva uma variedade de 
abordagens e de especialistas. 
O ideal é que haja uma equipe multidisciplinar, que inclua um clínico, um 
nutricionista, um psicoterapeuta individual e, se possível, um psicoterapeuta de grupo 
ou familiar e um psicofarmacologista, que tenha conhecimento dos medicamentos 
psicoativos usados no tratamento desses transtornos. 
Entretanto, na prática, este tratamento – envolvendo uma equipe 
multidisciplinar – nem sempre é viável. Atualmente, a associação de terapias 
individuais com um assessoreamento médico vem apresentando bons resultados. 
 
Fonte: encrypted-tbn3.gstatic.com 
Estudos financiados pelo National Institute of Mental Health (NIMH) têm 
avaliado a eficácia de se associar psicoterapia e medicamentos. Em um recente 
estudo sobre bulimia, observou-se que o uso combinado de terapia cognitivo-
comportamental e medicamentos antidepressivos foi muito benéfico. Principalmente 
em relação à recaída, o tratamento mostrou ser bastante eficaz quando o 
medicamento era interrompido. 
Cada vez mais psicoterapia mostra ótimos resultados e vem sendo reconhecida 
como parte fundamental no tratamento dos transtornosalimentares. Um dos seus 
principais objetivos é ajudar as pessoas a lidar com a sua doença e com as questões 
emocionais subjacentes. 
 
21 
 
O psicoterapeuta deve estabelecer uma boa relação com o paciente, 
proporcionando-lhe apoio emocional constante para que ele possa entender a 
enfrentar sua doença. 
A terapia cognitivo-comportamental para os transtornos alimentares 
desenvolveu-se a partir de uma análise sistemática das perturbações emocionais, 
cognitivas e comportamentais características. 
Os programas de tratamento baseiam-se, amplamente, nas técnicas básicas 
para a redução da ansiedade, auto manejo do comportamento e modificações de 
cognições mal adaptativas (Channon e Wardle, 1994). 
4.1 Tratamento de anorexia nervosa 
Historicamente, o tratamento de anorexia nervosa baseava-se quase que 
inteiramente na hospitalização e tinha como objetivo básico o rápido ganho de peso 
através de vários métodos operantes e drogas. 
Como resultado, comprovou-se que a restauração do peso ocorrida no hospital 
não era necessariamente mantida após a alta. Por causa disso, o tratamento da 
anorexia passou a se concentrar em tratamentos ambulatoriais mais efetivos. 
Baseado em uma perspectiva de longo prazo, o tratamento ambulatorial supera 
a hospitalização em vários aspectos. Em primeiro lugar, no tratamento ambulatorial o 
paciente tem a oportunidade de aprender a lidar com fatores ambientais que podem 
manter as dificuldades apresentadas. 
Por mais que o hospital proporcione um alívio, isto é algo temporário e, quando 
o paciente voltar à comunidade, as dificuldades tenderão a ressurgir. Por fim, no 
tratamento ambulatorial, a responsabilidade do paciente está em suas mãos, 
enquanto na hospitalização esta responsabilidade é transferida para uma equipe de 
atendimento. 
No entanto, há situações em que a hospitalização torna-se necessária, 
podendo evitar até mesmo riscos para o paciente. Existem seis indicações principais 
para uma internação. 
Primeiro, paciente que apresentem uma grave perda de peso – peso corporal 
abaixo de 60% da média para idade, sexo e altura – é indicativo para admissão. 
Segundo, se o peso está sendo perdido em ritmo rápido; terceiro, pacientes com 
 
22 
 
complicações físicas que ameaçam a vida; quarto, risco de suicídio; quinto, alguns 
pacientes podem necessitar de admissão porque, por uma série de razões, suas 
circunstâncias sociais não são condutivas de manejo ambulatorial; por último, 
pacientes que não responderam ao tratamento ambulatorial, podem beneficiar-se de 
um período no hospital. 
No entanto, por mais que a hospitalização seja necessária, a internação é uma 
medida preliminar para os cuidados ambulatoriais, que são sempre o alicerce principal 
do tratamento (Fairburn e Cooper, 1989). 
 A terapia cognitivo-comportamental tem como principal meta alterar o 
pensamento do paciente sobre o aspecto e peso, partindo da suposição de que esta 
mudança é um pré-requisito para uma recuperação completa e duradoura. O 
psicoterapeuta deve explicar que as crenças do paciente podem estar baseadas em 
várias aspectos culturais, familiares e genéticos. 
Deve ensinar também questões sobre nutrição e fornecer, didaticamente, 
informações que julgar necessárias. Na prática, a terapia cognitivo-comportamental 
deve ajudar o paciente a articular e examinar os pensamentos e atitudes que motivam 
o seu comportamento perturbado e tornam a mudança difícil. 
Garner et al. (1983) fazem uma análise das distorções cognitivas de pacientes 
com anorexia nervosa baseados nos erros de raciocínio delineados por Beck el al. 
(1979). Estes erros estão relacionados principalmente a ideias sobre a significância 
de aspecto e peso e a importância de aderir a determinadas regras de dieta. 
Esses pensamentos e atitudes e os erros de raciocínio associados podem ser 
identificados e questionados através dos procedimentos de reestruturação cognitiva. 
Na maioria das vezes, as crenças e valores de pacientes com transtornos 
alimentares são formas extremas de visões amplamente defendidas. A sociedade 
estipula um padrão de beleza ideal e, especialmente as mulheres, em função desse 
padrão, acreditam que só terão sua satisfação pessoal realizada se seguirem esses 
valores. 
 
23 
 
 
Fonte: encrypted-tbn0.gstatic.com 
É importante ressaltar que o que torna tais crenças problemáticas é a sua força, 
significado pessoal e inflexibilidade. Pacientes com anorexia revelam a crença em sua 
“fraqueza” fundamental pela comida: “Eu não tenho coragem de comer. Se eu comer 
um pouco mais que o normal, especialmente coisas proibidas, temo não conseguir 
parar.” 
Às vezes, esses pacientes se engajam em compulsões alimentares que ajudam 
a alimentar sua crença de que são incapazes de controlar sua tentação pela comida. 
Por exemplo, “sentir-se fraco e sem autocontrole no confronto com a tentação de 
comer” pode estar relacionado à crença de ineficácia pessoal geral (Guidano e Liotti, 
1983). 
Seguem-se, abaixo, algumas distorções cognitivas típicas de pacientes com 
transtornos alimentares. Abstração seletiva: a pessoa baseia uma conclusão em 
detalhes isolados, enquanto ignora evidências mais contraditórias e salientes. 
Por exemplo: “Sou especial se sou magra”. Supergeneralização: extrair uma 
regra com base num evento e aplicá-la a outras situações diferentes. Por exemplo: 
“Quando eu costumava comer carboidratos era gorda, assim, devo evitá-los ao 
máximo para não ficar obesa”. 
 
24 
 
Magnificação: superestimava do significado de eventos consequentes 
indesejáveis; estímulos são ornamentos com significados excessivos, não apoiados 
por uma análise objetiva. 
Por exemplo: “Se os outros comentarem sobre meu ganho de peso, não serei 
capaz de suportar.”; “Ganhei dois quilos, por isso não posso mais usar bermudas.” 
Raciocínio dicotômico/tudo ou nada: pensar em termos extremos e absolutos, as 
coisas só podem ser certas ou erradas, boas ou más. Por exemplo: “Se não posso 
administrar essa área da minha vida, perderei todo o controle.” Personalização e auto 
referência: interpretações egocêntricas de eventos impessoais ou super-interpretação 
de eventos relacionados a si próprio. 
Por exemplo: “Duas pessoas cochicharem algo quando passei. Provavelmente 
estavam dizendo que eu estava super gorda, pois ganhei dois quilos.” Pensamento 
supersticioso: crença na relação de causa-efeito de eventos não contingentes. Por 
exemplo: “Se eu comer um doce, na mesma hora se transformará em gordura 
estomacal.” (Hawton et al., 1989). 
Em algumas situações, o treino em solução de problemas também pode 
mostrar bons resultados, pois além de prover os pacientes com formas de lidar com 
uma grande variedade de escolhas e decisões que encaram na sua vida diária, 
também aprimora seu senso geral de autocontrole. 
É muito importante o envolvimento da família no tratamento, especialmente se 
as relações do paciente com seus pais tornaram-se conflito constante em torno do 
alimento e da alimentação. 
O progresso do tratamento é bastante relativo. A frequência dos encontros e a 
sua duração varia enormemente. Alguns pacientes podem ser tratados por um 
sistema ambulatorial em que são vistos semanalmente, de início, e depois 
quinzenalmente, até receberem alta (dentro de alguns meses). 
No entanto, a maioria dos pacientes com anorexia precisa de um longo período 
de tratamento ambulatorial, que pode levar de 12 a 18 meses. Muitos pacientes com 
anorexia nervosa passaram anos da sua vida perseguindo magreza e autocontrole. 
A recuperação dessa desordem precipita tais pacientes a circunstâncias sociais 
e sentimentos pessoais que eles podem enfrentarde forma “doentia” (Fairburn e 
Cooper, 1989). 
 
25 
 
É importante, portanto, que o psicoterapeuta esteja preparado para dar apoio, 
aconselhamento e encorajamento, objetivando ajudar o paciente a lidar com as suas 
dificuldades, especialmente aqueles de natureza interpessoal. 
4.2 Tratamento da bulimia nervosa 
A identificação da bulimia nervosa é bem mais recente e os principais 
tratamentos estão no domínio cognitivo-comportamental. Estudos e descobertas de 
pesquisa indicam que os tratamentos cognitivo-comportamentais beneficiam, a curto 
prazo, os pacientes com bulimia. No entanto, pouco se sabe sobre a manutenção da 
mudança depois de terapia cognitivo-comportamental (Fairburn e Cooper, 1989). 
As descobertas de um estudo recente de follow-up de cinco anos sugerem que 
as melhoras são mantidas. Pode-se considerar que o tratamento da maior parte dos 
pacientes com bulimia pode ser manejado em uma base ambulatorial. As abordagens 
cognitivo-comportamentais para o tratamento de bulimia nervosa têm três 
propriedades em comum. 
Primeiro, baseiam-se em uma visão cognitiva da manutenção da bulimia. Esta 
visão é apresentada explicitamente aos pacientes, possibilitando o raciocínio para a 
maior parte dos procedimentos de tratamento. 
Em segundo lugar, estes tratamentos têm como objetivo não apenas modificar 
o comportamento destes pacientes, mas também mudar suas atitudes com relação a 
aspecto e peso e, se relevante, distorções cognitivas mais fundamentais. 
Terceiro, usa-se uma combinação de procedimentos comportamentais e 
cognitivos de tratamento. Geralmente, esses tratamentos são baseados 
ambulatorialmente e duram cerca de três a seis meses. 
 
26 
 
 
Fonte: encrypted-tbn0.gstatic.com 
A maioria utiliza os seguintes procedimentos: reestruturação cognitiva, usando 
técnicas semelhantes àquelas desenvolvidas pela terapia cognitiva para o tratamento 
da depressão (Beck et al., 1979); automonitoria de pensamentos e comportamentos 
relevantes; educação-estabelecimento de um padrão regular de alimentação, através 
do uso de medidas autocontrole; e diversas outras medidas tomadas com o objetivo 
de eliminar dietas. 
Alguns programas incluem elementos adicionais, como a prevenção de 
recaída, treinamento em solução de problemas e exposição com prevenção de 
resposta (Fairburn e Cooper, 1989). 
A exposição com prevenção de resposta tem como objetivo eliminar os ataques 
compulsivos, o vômito auto induzido e também o medo de engordar indefinidamente. 
O treino de solução de problemas identifica quais são os problemas que 
facilitam o aparecimento dos ataques, da mesma forma que avalia alternativas e 
solução. É importante também fazer com que o paciente se oriente no processo de 
tratamento e não no resultado final. 
 
27 
 
O tratamento da bulimia nervosa é semiestruturado (quando feito dentro desta 
abordagem cognitivo-comportamental), sendo orientado para o problema e 
preocupado, antes de tudo, com o presente e o futuro, e não com o passado. 
O paciente participa do processo de forma ativa, sendo ele o responsável por 
suas mudanças. A função do psicoterapeuta é informar, aconselhar, apoiar e 
encorajar. É importante também que a parte final do tratamento seja voltada para a 
manutenção da mudança. 
5 IMAGEM CORPORAL 
O início da história da imagem corporal foi no século XVI, a partir de um 
cirurgião que percebeu a existência do “membro fantasma”, onde o indivíduo que 
perde alguma parte do corpo acha que este ainda está presente¹. 
Esta ocorrência comprovou que a visão que criamos de nós mesmos 
permanece mesmo em situações de dificuldade de sensibilidade. Mais tarde, Weir 
Mitchell demonstrou que a imagem que formamos de nós pode ser mudada sob 
tratamento ou em condições especiais. 
 
Fonte: epreditora.com.br 
 
28 
 
A partir de então, diversos estudos foram realizados sobre a imagem corporal 
nos aspectos neurológicos, fisiológicos e psicológicos. A imagem corporal é o modelo 
que construímos em nossa mente sobre o nosso corpo englobando o tamanho, a 
imagem, a forma e os sentimentos relacionados a estas características. 
Esta é influenciada por diversos fatores como estado emocional, crenças 
sociais, sociedade e principalmente nos dias de hoje, a mídia. 
Além disso, pesquisas indicam que a exposição à televisão está relacionada 
com a insatisfação do corpo, desenvolvimento de distúrbios da imagem corporal e 
alimentar, devido a padrões de beleza apresentados, exigindo corpos perfeitos e 
estimulando práticas alimentares não saudáveis. 
5.1 Distorção da imagem corporal nos transtornos alimentares 
Os transtornos alimentares como a Anorexia Nervosa (AN) e a Bulimia Nervosa 
(BN) são caracterizados pelo medo de engordar ou tornar-se obeso e distúrbios da 
percepção do formato corporal. 
Este último é considerado o primeiro sintoma dos transtornos alimentares, onde 
o indivíduo faz uma auto avaliação, influenciada pelo peso e forma corporal. É muito 
comum pacientes com este tipo de distúrbio terem as seguintes avaliações dos seus 
corpos: 
 Pensamento Dicotômico – muito crítico em relação a sua aparência; 
 Comparação Injusta – comparação da aparência com padrões 
extremos; 
 Atenção Seletiva – acredita que as pessoas pensam como ele em 
relação a sua aparência. 
 
29 
 
 
Fonte:www.portaldepaulinia.com.br/ 
Os indivíduos que apresentam este tipo de distorção, mesmo extremamente 
magros avaliam os seus corpos como “gordos” ou podem se sentir magros, porém 
estar extremamente preocupados em engordar. 
6 BODY SHAPE QUESTIONNAIRE 
Nos transtornos enfatiza-se a mensuração das medidas corporais e é 
esquecido os comportamentos sociais, que por sua vez também influenciam as 
distorções. 
Por isso, foi desenvolvido o Body Shape Questionnaire (BSQ), um instrumento 
para detectar a insatisfação corporal, o qual considera a influência do meio social. 
O BSQ é composto de 34 questões, onde o avaliado aponta com que 
frequência ele vivenciou os eventos propostos pelas alternativas. 
Cada resposta tem uma pontuação que varia de 1 (nunca) a 6 (sempre) que 
quando somados formam o resultado, o qual é dividido em níveis de satisfação: 
< 80: Ausência de Insatisfação 
80 – 110: Insatisfação Leve 
110 – 140: Insatisfação Moderada 
> 140: Grave Insatisfação 
 
30 
 
Corporal O BSQ fornece uma avaliação dos distúrbios alimentares tanto em 
população clínica quanto em não clínica e auxilia na análise deste distúrbio no 
tratamento da AN e BN. 
Para o tratamento da insatisfação corporal é necessário acompanhamento de 
uma equipe multidisciplinar especializada (médico, psicólogo, nutricionista, entre 
outros), para que estes possam auxiliar o paciente na mudança da forma de visualizar 
a imagem de seu corpo. 
7 TRANSTORNO DA COMPULSÃO ALIMENTAR PERIÓDICA (TCAP) 
 
Fonte: mulherinsana10.blogspot.com.br 
O TCAP é caracterizado pela ingestão de grandes volumes de comida em curto 
espaço tempo (até 2 horas), onde o indivíduo não tem controle sobre o quê ou o 
quanto come. 
Este pode ocorrer em indivíduos normais ou obesos e só é diagnosticado 
quando os episódios ocorrem pelo menos dois dias na semana nos últimos 6 meses 
8. 
Mas, qual é a diferença entre o TCAP e a BN? 
 
31 
 
O TCAP não é acompanhado de comportamentos compensatórios para perder 
peso e os pacientes apresentam IMC superior, diferente da BN que os pacientes 
alteram compulsões e restrições alimentares. 
Pacientes com este tipo de transtorno sentem-se angustiados e envergonhados 
depois dos episódios, além de sentirem nojo de si mesmos e culpados. A maioria se 
desespera porcausa da dificuldade de controlar a ingestão de alimentos e desistem 
de fazer dietas por causa de fracassos repetidos. 
8 TRATAMENTO NUTRICIONAL 
 
Fonte: www.sobrepeso.com.br/ 
Por ser uma doença que compromete o estado nutricional, os TA ganharam 
grande destaque na Nutrição. Entretanto, vale ressaltar que o tratamento de 
portadores de TA deve ser feito com uma equipe multiprofissional, a fim de modificar 
os comportamentos relacionados ao peso e à alimentação. 
Além disso, o apoio da família é fundamental, pois geralmente estes pacientes 
não reconhecem que estão doentes. 
Os quadros clínicos da AN e da BN estão relacionados a problemas de nutrição 
como perda ou ganho de peso, distorção corporal e preocupação excessiva com a 
alimentação. 
 
32 
 
 O nível de assistência para este tipo de patologia é o terciário, uma vez que 
necessitam de cuidados especiais dietoterápicos e apresentam risco nutricional. O 
estado nutricional varia de acordo com o tipo de transtorno. 
Nos casos de AN, o IMC é inferior a 15 kg/m² (desnutrição grau III) e na BN 
geralmente são estróficos do ponto de vista antropométrico. Os sinais clínicos que 
eles podem apresentar são: 
 
Anorexia Nervosa: 
Pele seca, cabelos finos e quebradiços, leve alopecia, aparência envelhecida, 
lanugo (pele pálida, seca, sem brilho e coberta por uma fina camada de 32elos), 
interrupção do ciclo Menstrual 
 
Bulimia Nervosa: 
Rosto Semilua (pelo aumento das paratireóides) e amenorreia 
Ambos os sintomas citados podem ocorrer ou não. 
9 AVALIAÇÃO NUTRICIONAL 
 
Fonte: veronicapacheco.wordpress.com/ 
Para avaliar o estado nutricional utiliza-se a anamnese, a qual é composta por 
perguntas sobre a atividade física, relação com os alimentos, comportamento 
gastrintestinal e medicamentos. 
 
33 
 
É importante avaliar os seguintes aspectos: 
 
Atividade Física – tipo, horas e frequência. 
Relação com Alimentos – tabus, mitos, crenças sobre alimentos, hábitos 
alimentares e distorção corporal. 
Para este também pode-se utilizar o recordatório de 24 horas ou registro 
alimentar: 
 Recordatório de 24 horas: feito no primeiro atendimento, o profissional 
tentará extrair informações da alimentação do paciente das ultimas 24 
horas. Também pode ser usado para confirmar os dados anotados no 
registro alimentar. 
 Registro Alimentar: o paciente será orientado a escrever tudo o que 
ingerir em casa, relatando quantidades ingeridas, horário, local, 
percepção da fome e saciedade, mecanismos de purgação e 
sentimentos. 
 Medicamentos: uso de medicamentos, laxantes, diuréticos e 
suplementos alimentares. 
10 AVALIAÇÃO ANTROPOMÉTRICA 
A Avaliação Antropométrica é realizada no primeiro atendimento e nos retornos. 
Nesta afere-se: 
 Peso 
 Altura 
 Circunferência do braço 
 Dobra Cutânea Triciptal 
 Dobra Cutânea Subscapular 
 Dobra Cutânea Suprailíaca 
Entretanto, não podemos nos esquecer que estes pacientes apresentam uma 
preocupação muito grande com o corpo e compete ao profissional decidir o momento 
certo para fazer a avaliação nutricional das medidas mais invasivas. 
 
34 
 
Alguns detalhes fazem diferença no processo de medição corporal, como 
analisar o indivíduo no mesmo horário e optar por roupas mais leves. Muitas vezes 
estes pacientes vestem roupas pesadas e maiores para que seu peso seja 
superestimado. 
Uma forma menos invasiva de analisar a composição corporal destes pacientes 
é a partir do exame de Bioimpedância. Este avalia com alta precisão e rapidez a 
massa magra, massa gorda e água corporal total através de uma corrente elétrica de 
baixa intensidade. 
Pode ser utilizado para direcionar o acompanhamento e como medida 
comparativa do paciente entre os dados coletados. Conduta Nutricional Síndrome da 
realimentação 
Antes de estabelecer a terapia nutricional é necessário estar atento à síndrome 
da realimentação. Quando um indivíduo passa por longos períodos de depleção 
alimentar, seguida de reposição nutricional o organismo entra em estado anabólico 
(síntese) com consequente consumo intracelular de eletrólitos. 
A queda muito brusca destes pode resultar em complicações cardíacas e 
morte. Por isso a realimentação deve ser feita gradualmente e pode levar meses. 
 
Tratamento Nutricional: Os objetivos do tratamento nutricional variam de 
acordo com o tipo de transtorno, veja abaixo: 
 
Anorexia Nervosa 
 
 Restabelecer o peso 
 Normalizar o padrão alimentar, da percepção da fome e saciedade 
 Corrigir sequelas psicológicas e biológicas da desnutrição 
 
Bulimia Nervosa 
 Diminuir compulsões 
 Minimizar as restrições alimentares 
 Regular as refeições 
 
35 
 
 Variar os alimentos consumidos 
 Corrigir deficiências nutricionais 
 Estabelecer práticas de alimentação saudável 
De acordo com a APA (2000) as necessidades energéticas na AN variam de 
30 a 40 kcal/kg/dia e recomenda-se ganho de peso de 900g a 1,3 kg/semana para 
pacientes de enfermaria e 250g a 450 g/semana para pacientes de ambulatório. 
Na BN é muito importante explicar para o paciente as consequências do 
transtorno e conscientizá-lo que restrições alimentares levam a compulsões e por isso 
não devem ficar longos períodos sem se alimentar. O tratamento nutricional deve visar 
não somente as mudanças dos hábitos alimentares como também trabalhar o lado 
psicológico do paciente para que este aceite seu corpo e reduza comportamentos 
compensatórios. 
Uma equipe multi e interdisciplinar é fundamental e o nutricionista que trata de 
pacientes com transtornos alimentares deve ter conhecimentos de psicologia e 
psiquiatria. Vale ressaltar que o aumento de peso para estes pacientes deve ser 
programado e feito de forma gradativa e com monitoramento de eletrólitos, para evitar 
a síndrome de realimentação, principalmente nos casos de AN. 
11 COMPORTAMENTO ALIMENTAR 
Entende-se como comportamento alimentar todas as formas de convívio com 
o alimento. Este está relacionado com as decisões sobre o que comer, disponibilidade 
de alimentos, modo de preparação, utensílios utilizados, horários, número de 
refeições por dia, preferências e aversões, crenças, tabus e conhecimentos sobre 
nutrição. 
O aumento da obesidade na população tem contribuído para as mudanças no 
comportamento alimentar, uma vez que temos muito mais acesso à comida e o padrão 
qualitativo piorou. O cuidado da obesidade muitas vezes caracteriza obrigações e 
restrições alimentares para manter ou perder peso. 
Outro caso em que ocorre este tipo de relação com a alimentação é nos 
transtornos alimentares, onde geralmente é restringido o grupo dos carboidratos e as 
gorduras, preferindo as proteínas. 
 
36 
 
As características dos comportamentos variam muito, devido aos diversos tipos 
de dietas divulgadas pela mídia. Os comportamentos mais comuns são: 
 Realizar poucas refeições no dia. 
 Permanecer grandes períodos sem comer. 
 Picar em vários pedaços a comida antes de comer. 
 Deixar restos de comida no prato. 
 
Estes comportamentos podem ser divididos entre a AN e BN. 
 
Anorexia Nervosa 
 Esconder alimentos 
 Dividir alimentos em pequenas porções 
 Preparar pratos para outras pessoas e não provar 
 Observar os outros comerem 
 Evitar comer na presença dos outros 
 Interesse por culinária e dieta 
 
Bulimia Nervosa 
 Evitam alimentos “engordativos” 
 Apresentam episódios de compulsões alimentares de alto valor calórico 
 Comer grande quantidade de comida e pouco período de tempo 
 Comer escondido 
Muitas vezes os comportamentos apresentam-sede forma controversa, pois 
indivíduos que estão em restrição alimentar em situações normais, quando expostos 
a certas circunstâncias tendem a ingerir alimentos em excesso. Este fenômeno 
chama-se desinibição, onde uma situação experimentada desinibe o autocontrole 
imposto pelo indivíduo quanto ao comportamento alimentar. 
 
37 
 
12 TRATAMENTO MEDICAMENTOSO 
O tratamento medicamentoso auxilia na abordagem psicológica e nutricional e 
seu objetivo irá depender do tipo de Transtorno Alimentar. 
Veja a tabela abaixo: 
Transtorno Objetivo 
Anorexia Nervosa Ganho de peso acima do 
Índice de Massa Corporal 
(IMC) de 19kg/m 
Bulimia Nervosa Regular o padrão alimentar e 
suspender a práticas 
compensatórias 
Transtorno da Compulsão 
Alimentar Periódica 
Reduzir os episódios 
bulímicos, diminuir o peso 
corporal e melhorar sintomas 
como depressão e ansiedade 
13 ANOREXIA NERVOSA 
 
Fonte: beleza.culturamix.com 
 
38 
 
O tratamento medicamentoso na AN é utilizado quando houver alguma 
comorbidade psiquiátrica e tem foco principal na perda de peso. 
Os medicamentos baseiam-se em três pontos principais: 
 
 Transtornos da Imagem Corporal 
 Sintomas Depressivos 
 Alterações do apetite 
Os medicamentos estudados são os antipsicóticos e os antidepressivos. O 
primeiro usado no tratamento da AN foi a Clorpromazina, droga antipsicótica que 
bloqueia os receptores de dopamina. 
A resposta ao tratamento a partir desta droga foi positiva obtendo uma remissão 
total dos sintomas. Além desta outros tipos de psicóticos são prescritos como a 
Pimozida e a Sulpirida. 
Dentro dos antidepressivos incluem-se: 
 
 Amiptilina 
 Clorimipramina 
 Maprotilina 
 Trazodona 
 Fluoxetina 
 Ciproheptadina 
 
39 
 
14 BULIMIA NERVOSA 
 
Fonte: www.slideshare.net 
Na BN inicia-se com um tratamento não-farmacológico, mas se o tratamento 
psicoterápico não for positivo é prescrito o fármaco. O uso de antidepressivos tem 
auxiliado na redução dos episódios bulímicos e vômitos, além de reduzir sintomas de 
ansiedade e depressão. 
O tratamento é baseado em dois pontos principais: 
 
 Compulsões Alimentares 
 Sintomas Comportamentais 
 
Além dos antidepressivos também podem ser utilizados: 
Lítio - efeito placebo 
Fluvoxamine – reduz episódios de compulsões, fome e depressões 
Naltrexone – reduz episódios de compulsões 
Fenfluramina – reduz a ingestão alimentar e o consumo de carboidratos 
 
40 
 
15 TRANSTORNO DA COMPULSÃO ALIMENTAR PERIÓDICA 
Por ter sido descrita recentemente, os medicamentos da TCAP são derivados 
de estudos com pacientes bulímicos. 
Neste tipo de transtorno o tratamento farmacológico baseia-se em três pontos 
principais: 
 
 Remissão ou redução das compulsões alimentares 
 Alterações psicopatológicas associadas 
 Controle da obesidade e comorbidades 
 No tratamento incluem-se: 
 Antidepressivos 
 Naltroxona 
 Agente antiobesidade 
 Topiramato 
 
Vale ressaltar que ainda estão sendo realizados diversos estudos para avaliar 
a utilidade dos medicamentos nos transtornos alimentares. 
16 QUALIDADE DE VIDA NOS TRANSTORNOS ALIMENTARES 
A expressão Qualidade de Vida foi empregada pela primeira vez no ano de 
1964 pelo presidente dos Estados Unidos, Lyndon Johnson e é utilizada atualmente 
por diversas áreas. 
Nas especialidades da saúde, a qualidade de vida está associada à valorização 
de parâmetros mais amplos do que o controle de sintomas, diminuição da mortalidade 
ou aumento da expectativa de vida. 
É adotada principalmente na área da oncologia, uma vez que inicialmente 
ocorreu um confronto entre as condições de vida do paciente e os tratamentos para 
aumentar sua sobrevida. 
Para este é importante que o paciente se sinta bem psicologicamente, tenha 
condições físicas, esteja socialmente integrado e funcionalmente competente. 
 
41 
 
 
 
Fonte: espacosaudeminas.com. 
Pesquisas recentes demonstraram que a qualidade de vida em pacientes com 
transtornos alimentares está mais prejudicada do que em outras doenças psiquiátricas 
e em indivíduos sadios. 
Estes pacientes apresentam insatisfação quanto ao requisito social, relatando 
dificuldades de relacionamento com a família, amigos e trabalho. Os componentes 
que agravam sua qualidade de vida são: 
 
 Comorbidades psiquiátricas 
 Depressão 
 Ansiedade 
 Gravidade do quadro alimentar 
 
Estudos realizados pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão 
Preto, USP indicaram que os componentes mentais (vitalidade, aspectos sociais, 
aspectos emocionais e saúde mental) dos pacientes com AN e BN são mais 
prejudicados que os físicos (capacidade funcional, aspectos físicos, dor e estado geral 
de saúde). 
 
42 
 
17 TRANSTORNOS ALIMENTARES NA ADOLESCÊNCIA 
Segundo a Organização Mundial da Saúde, a adolescência compreende o 
período de dez aos dezenove anos de idade. É definida como um período de 
transformação biológica e psicossocial, onde as mudanças ocorrem paralelamente 
com a constituição da personalidade. 
Nesta etapa o adolescente sofre alterações no corpo e no peso, as quais 
podem não ser aceitas, resultando em uma imagem corporal negativa de si mesmo. 
No contexto atual, a supervalorização da beleza e da magreza faz com que as 
pessoas usem dietas abusivas, produtos dietéticos sem orientações e prática 
excessiva de exercícios físicos. 
Essa ocorrência quando associada à baixa autoestima contribui para a 
insatisfação corporal e pode desenvolver comportamentos de risco para os 
transtornos alimentares. Em geral, os adolescentes apresentam grande preocupação 
com a aparência e o peso, os quais possivelmente estão relacionados com os 
transtornos alimentares e obesidade na adolescência. 
Esse fato explica porque geralmente o início da AN ocorre neste período, 
principalmente no sexo feminino. 
18 COMPORTAMENTOS ALIMENTARES 
Os adolescentes insatisfeitos com sua imagem corporal adotam práticas 
alimentares anormais e inadequadas para controle do peso como: 
 Uso de diuréticos 
 Uso de laxantes 
 Indução de vômitos 
 Atividade Física Extenuante 
 
43 
 
 
Fonte: dionizionetojj.wordpress.com/ 
Alguns comportamentos são comumente notados em adolescentes com AN e 
BN como sempre achar que estão gordos e contar calorias. O hábito alimentar é 
baseado em restrições e preferências, onde alimentos como carnes, gorduras de 
adição, doces e sobremesas são excluídos, dando preferência para as frutas e 
hortaliças. 
Estes comportamentos indicam maior probabilidade de desenvolver 
transtornos alimentares quando comparado à adolescentes satisfeitos com a imagem 
corporal. 
O conhecimento do perfil da alimentação dos adolescentes é de extrema 
importância para auxiliar a identificar os principais sintomas dos transtornos como a 
restrição alimentar, comportamentos compensatórios e compulsões. 
Algumas medidas preventivas devem ser feitas em escolas através da 
educação nutricional para promover práticas alimentares saudáveis e modificar 
associações errôneas entre os alimentos e o peso. 
 
 
44 
 
BIBLIOGRAFIA 
AMBULIM. Transtornos Alimentares. Acesso em: 18 jan. 2012. 
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