Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Disciplina 
Introdução à Linguística 
 
 
Coordenador da Disciplina 
Prof.ª Maria Silvana Militão de Alencar 
 
 
7ª Edição
 
Copyright © 2010. Todos os direitos reservados desta edição ao Instituto UFC Virtual. Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, 
transmitida e gravada por qualquer meio eletrônico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, dos autores. 
 
Créditos desta disciplina 
 
Realização 
 
 
Autor 
 
Prof.ª Maria Silvana Militão de Alencar 
 
 
 
 
 
Sumário 
 
Aula 01: Linguística: a Ciência da Linguagem ...................................................................................... 01 
 Tópico 01: Preparando o Caminho para a Conceituação ....................................................................... 01 
 Tópico 02: Principais Conceitos: Linguística e Gramática .................................................................... 03 
 Tópico 03: Principais Conceitos: Linguagem, Língua, Norma, Fala e Discurso ................................... 06 
 Tópico 04: Os Estudos da Linguagem: a Antiguidade Clássica ............................................................ 10 
 Tópico 05: A Linguística pré-saussureana: o século XIX ...................................................................... 17 
 
Aula 02: O Formalismo ............................................................................................................................ 21 
 Tópico 01: O Estruturalismo .................................................................................................................. 21 
 Tópico 02: A Contribuição de Ferdinand de Saussure ........................................................................... 23 
 Tópico 03: Estruturalismo Europeu e Norte Americano ........................................................................ 31 
 Tópico 04: O Gerativismo ...................................................................................................................... 34 
 
Aula 03: Funcionalismo Linguístico ........................................................................................................ 39 
 Tópico 01: A Linguística Funcional: Panorama .................................................................................... 39 
 Tópico 02: Principais Escolas e Círculos ............................................................................................... 43 
 Tópico 03: Principais Conceitos ............................................................................................................ 47 
 
Aula 04: Linguística de Texto / Psicolinguística ..................................................................................... 51 
 Tópico 01: Percurso Histórico ................................................................................................................ 51 
 Tópico 02: Mecanismos de Construção de Sentidos do Texto .............................................................. 60 
 Tópico 03: A referenciação .................................................................................................................... 62 
 Tópico 04: Psicolinguística .................................................................................................................... 66 
 
Aula 05: Análise do Discurso / Sociolinguística ..................................................................................... 73 
 Tópico 01: Análise do Discurso – a complexidade das relações entre sentido e contexto .................... 73 
 Tópico 02: As várias vertentes da Análise do Discurso ......................................................................... 78 
 Tópico 03: Sociolinguística .................................................................................................................... 85 
 Tópico 04: Análises de Fenômenos Variáveis ....................................................................................... 87 
TÓPICO 01: PREPARANDO O CAMINHO PARA A CONCEITUAÇÃO
VERSÃO TEXTUAL
Ao ser aprovado no vestibular para Letras, você deve estar 
pensando que vai passar o curso de Letras se aprofundando em 
gramática. Alguém pode perguntar: você estudou gramática em toda 
sua vida escolar e ainda quer estudar mais? Ou outras perguntas desse 
tipo; mas, nesta disciplina introdutória, vamos lhe apresentar 
conceitos básicos para o estudo da língua que vão além de questões da 
gramática normativa. Esses conceitos são fundamentais para a 
formação no curso de Letras, especificamente para uma de suas áreas, 
a Linguística.
Então, é comum que se identifique Letras ou Linguística, sua área 
principal, com o estudo da gramática, as regras da língua, aprender todas as 
palavras do português etc; também é comum que se encontre em referências 
bibliográficas (livro, site, revista etc) a clássica definição de Linguística: o 
estudo (científico) da língua/linguagem.
Porém, a partir de agora, essas considerações deverão ser aprofundadas, 
afinal, você está em um curso superior de língua. Isso porque, desde épocas 
remotas, o ser humano apresentou um fascínio pela língua que falava. 
Veremos nas aulas seguintes que alguns povos, como os hindus, no século IV 
a.C. já esboçavam uma descrição de uma das línguas que usavam, o 
sânscrito, utilizado principalmente no âmbito religioso. 
Encontramos, também, em outros povos referência ao estudo da língua, 
melhor dizendo, ao fascínio da língua. Alguns lhe atribuíam poder espiritual, 
místico. É o caso dos judeus, uma grande matriz sociológica do Ocidente. 
Temos em Gênesis, o livro da criação, a conhecida frase: fiat lux et facta est 
lux – faça-se luz e a luz se fez, primeira referência a palavra de Jeová, quando 
de sua ação de criar o universo. Veja um trecho da Bíblia, impressa por 
Gutenberg, em 1450, em escrita gótica; para facilitar a leitura sublinhamos 
em amarelo a frase que citamos acima:
Fonte [1]
Vemos que, na Bíblia, a língua sempre está atrelada a algo sacro ou à 
ideia de poder: é a palavra de Deus que gera o mundo; é a confusão de 
línguas em Babel, como forma de dispersar a humanidade, evitando assim o 
pecado. A relação do divino com a palavra é tamanha, a ponto de o deus 
cristão ser identificado com a própria palavra:
No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. 
João 1:1 
INTRODUÇÃO À LINGUÍSTICA
AULA 01: LINGUÍSTICA: A CIÊNCIA DA LINGUAGEM
1
E é Jeová quem habilita ao homem à fala, quando o coloca no Jardim do 
Éden e ordena a Adão que nomeie aquilo que ele criara – ou seja, numa visão 
judaico-cristã, a linguagem é uma dádiva divina: 
Havendo, pois, o SENHOR Deus formado da terra todo o animal do 
campo, e toda a ave dos céus, os trouxeram a Adão, para este ver como lhes 
chamaria; e tudo o que Adão chamou a toda a alma vivente, isso foi o seu 
nome. Gênesis 2:19
Fonte [2]
Vemos a imagem de Thot, deus egípcio da sabedoria, a quem eles, os 
egípcios, atribuíam a dádiva da escritura hieroglífica e a própria língua. Por 
isso que sempre se encontra a imagem de um escriba junto a Thot, 
representado pelo macaco. Ou seja: o uso da língua era considerado um ato 
de culto ao dito deus. Nesta seção poderíamos passar mais tempo citando 
povos da Antiguidade com suas visões e especulações sobre língua: os 
acádios e os sumérios (com seus dicionários bilíngues, já que ambos 
compartilhavam traços culturais, inclusive geográficos, sendo necessário o 
conhecimento dessas línguas.); os chineses, os fenícios, os gregos, os 
romanos, os árabes (que colocavam o estudo da gramática árabe abaixo 
apenas da teologia muçulmana) etc. 
Enfim, a língua, em cada civilização, foi objeto de estudo seja por 
motivações religiosas ou econômicas, seja por curiosidade. E nós? Por qual 
motivo estudamos a línguaportuguesa? A literatura? Uma segunda língua? 
FÓRUM 1 
Qual o motivo de estudarmos língua portuguesa se somos falantes 
nativos?
Este tema de nosso fórum parece simples, mas não o é. Procure basear sua 
discussão no artigo disponível no seguinte link [3] (Visite a aula online 
para realizar download deste arquivo.) e em outros que tratem da mesma 
temática.
FONTES DAS IMAGENS
1. http://www.gutenbergdigital.de/gudi/dframes/index.htm
2. http://www.google.com.br/imgres?
imgurl=http://www.teenwitch.com/divine/kmt/pict/08010245.jpg&imgrefu
rl=http://www.teenwitch.com/divine/kmt/djehuti.html&h=330&w=240&sz
=59&tbnid=N0xGkINPR1G0wM&tbnh=263&tbnw=191&zoom=1&usg=__s1
ZLXy6ACHzSiatcCINTL55jHaI=
3. http://www.filologia.org.br/xiicnlf/04/09.pdf
4. http://www.denso-wave.com/en/
Responsável: Prof.ª Maria Silvana Militão
Universidade Federal do Ceará - Instituto UFC Virtual
2
TÓPICO 02: PRINCIPAIS CONCEITOS: LINGUÍSTICA E GRAMÁTICA
No tópico anterior, vimos, em linhas gerais, como alguns povos viam a 
língua. Agora apresentaremos alguns conceitos que serão basilares para sua 
vida acadêmica em Letras. Iniciaremos pela primeira questão pontuada 
nesta aula: gramática e linguística. Essa dúvida advém de nosso histórico 
escolar, o qual tinha como centro, nas aulas de português, o estudo da 
gramática normativa (GN), também chamada de tradicional (GT), que é 
apenas um dos vários conceitos de gramáticas que podemos encontrar. A GT 
é um manual de como falar e escrever corretamente uma língua, quase 
sempre dividida em fonologia (ortografia, ortoépica e prosódia), morfologia, 
sintaxe, podendo ainda contar com temas de estilística, e suas regras 
gramaticais se apoiam tão somente na língua escrita e nos textos literários 
considerados clássicos. Também é comum conceituar gramática como 
qualquer descrição de língua, assim como assevera Kempson (2010, p. 21): 
A gramática de uma língua é, por definição, um 
modelo formal das propriedades da linguagem que 
são intrínsecos às palavras da língua e à forma como 
eles podem ser combinados. 
[tradução nossa do inglês]
Esse modelo de gramática procura estudar a língua de modo científico e 
pode ser denominado de gramática descritiva. Além desses dois tipos de 
gramática, há outros: universal, compartilhada, implícita, comparada, 
gerativa, transformacional, funcional, filosófica, escolar etc. 
Posto o que se entende por gramática, passemos à conceituação de 
Linguística. De início, é bom ter claro que é uma ciência, assim como a 
Medicina, a Física, a Química, a Biologia e tantas outras. Para uma área ser 
considerada como tal, precisa apresentar características, como: objeto de 
pesquisa, metodologia, objetividade na coleta, na observação e na análise dos 
dados de pesquisa coletados, entre outros. 
VERSÃO TEXTUAL
A Linguística é uma ciência da linguagem humana que tem 
como objeto de estudo a língua/linguagem. Pode ser definida como a 
ciência que estuda a linguagem.
A relação entre a "conceituação" de língua e os povos citados foi 
fundamental para a construção do objeto de estudo da Linguística. 
Para não deixarmos a definição de Linguística um tanto aberta, 
apontamos um consenso dentro da chamada Historiografia Linguística: não 
há uma definição do que é Linguística, mas sim, várias, pois cada movimento 
INTRODUÇÃO À LINGUÍSTICA
AULA 01: LINGUÍSTICA: A CIÊNCIA DA LINGUAGEM
3
teórico-metodológico, pelo qual ela passa, o dito "estudo científico da língua 
ou linguagem" recebe um enfoque: na comparação de línguas (Linguística 
comparativa), na formalização (Linguística formal), na fenomenização 
(Linguística funcional), na discursivização (Linguística discursiva) etc; 
somando a isso tudo a relação da Linguística com outras áreas: 
Sociolinguística, Linguística antropológica, Linguística computacional, 
Linguística matemática, Neurolinguística, Psicolinguística, Linguística 
Cognitiva, Ecolinguística, Geografia Linguística (Dialetologia) etc; além das 
subáreas da própria Linguística: Fonética/Fonologia, Morfologia, 
Morfossintaxe, Sintaxe, Semântica, Estilística, Linguística aplicada, 
Linguística histórica, Aquisição e desenvolvimento da linguagem, Linguística 
de corpus, Lexicologia, Lexicografia, Terminologia, Paremiologia, 
Fraseologia etc; e, por fim, as áreas limítrofes da Linguística: Análise do 
Discurso, Análise Crítica do Discurso, Análise da Conversação, Pragmática, 
Psicanálise etc.
Observe quão vasta é a área de interesse da Linguística! Isso se dá 
justamente porque seu objeto de interesse, a linguagem, é também visado 
por outras disciplinas. Assim, um cientista pode limitar-se a apenas a sua 
área ou ainda conjugar-se a outros interesses.
Lembramos, também, que não é pacífica esta divisão feita, mas, do 
modo como colocamos, parece ser o mais consensual. Para facilitar o 
entendimento, ilustramos com dois esquemas.
CLIQUE AQUI PARA VER
4
FONTE: WEEDWOOD, Barbara. História concisa da Linguística. SP: 
Parábola, 2002. P.11 
Segundo Weedwood (2002, p. 10), o campo da Linguística pode ser 
dividido por meio de três dicotomias: sincrônica versus diacrônica; teórica 
versus aplicada e microlinguística versus macrolinguística. A figura acima 
ilustra a micro e a macrolinguística. A primeira, numa visão mais restrita, 
inclui estudos que se preocupam com a "língua em si": fonética e fonologia, 
sintaxe, morfologia, semântica, lexicologia. E a segunda, em uma visão mais 
ampla, inclui estudos da língua em suas relações com a sociedade: 
Linguística Histórica, Análise da Conversação, Linguística de Texto, 
Sociolinguística, Psicolinguística, Análise do Discurso etc. 
FONTES DAS IMAGENS
1. http://www.adobe.com/go/getflashplayer
2. http://www.denso-wave.com/en/
Responsável: Prof.ª Maria Silvana Militão
Universidade Federal do Ceará - Instituto UFC Virtual
5
TÓPICO 03: PRINCIPAIS CONCEITOS: LINGUAGEM, LÍNGUA, NORMA, FALA E DISCURSO.
Neste tópico, seguiremos na apresentação de conceitos básicos da 
Linguística. Iniciaremos pela diferenciação entre linguagem e língua. Essa 
diferenciação é importante para a Linguística porque é comum o uso de 
um (a) pelo outro (a) como sinônimo. Contudo há uma diferença entre eles 
(elas). 
Se observarmos veremos que esta confusão ocorre também em outros 
idiomas, é o caso do inglês que usa a palavra language, referindo-se tanto à 
linguagem quanto à língua. Também era assim em latim, em que o termo 
lingua, - ae, fazia a mesma referência como em inglês (em alemão die 
Sprache, e em outras línguas). 
Afinal qual a origem da palavra lenguatge? 
Vem do vocábulo lenguatge (< lingua, - ae), oriundo de uma língua neolatina 
chamada língua provençal, falada ao sul da França, que, por volta do século 
IX, iniciaram as primeiras grafações neste idioma e, com o tempo, tomou 
relevo pela Europa latina por sua forte produção poética. Sendo dados às 
artes, os provençais sentiram necessidade de distinguir a língua utilizada no 
dia a dia, da língua mais geral, mais artística. Assim podemos definir 
linguagem, como: 
Capacidade humana de comunicar através do uso 
sistemático e convencional de sons, sinais ou símbolos 
escritos. O termo é utilizado para exprimir outros 
conceitos como os meios de comunicação dos animais 
ou os sistemas de programação em informática. 
(CRYSTAL, 1980, apud AIT)
Ou seja, linguagem é o termo mais geral, faz referência a qualquer tipo 
de meio de comunicação. Além desse lado externo (som, sinal, símbolo, gesto 
etc.), há também um lado interno, que é o pensamento. 
A linguagem é uma forma de expressão do cognocer (pensar, conhecer, 
aprender). 
O que é a língua? Aqui adotaremos a definição de Ferdinando de Saussure:
É, ao mesmotempo, um produto social da 
faculdade da linguagem e um conjunto de convenções 
necessárias, adotadas pelo corpo social [uma 
comunidade, grifo nosso] para permitir o exercício 
dessa faculdade nos indivíduos (1969, p. 17).
INTRODUÇÃO À LINGUÍSTICA
AULA 01: LINGUÍSTICA: A CIÊNCIA DA LINGUAGEM
6
Se linguagem liga-se ao geral, e a língua, ao mais específico, fica até mais 
fácil exemplificar: língua portuguesa, inglesa (ambas línguas alfabéticas); 
japonesa, chinesa (ideográficas); árabe, hebraico (aramaicas); Libras (língua 
de sinais) etc. Veja que a definição dada se harmoniza com os exemplos, pois 
língua é o lado social da linguagem, não pode ser modificada pelo falante e 
obedece às leis de contrato social estabelecido pelos membros da 
comunidade (PETTER, 2002, p. 14). 
Outra definição que veremos nas próximas aulas é língua como sistema 
de signos – conjunto de unidades (significante versus significado) que se 
articulam.
O terceiro conceito é o de fala. Podemos também opor língua/fala. 
Podemos definir a fala como um:
(1) ato individual, diferentemente de língua como um ato social; 
(2) combinações Linguísticas individuais produzidas pelos falantes de 
uma determinada língua; 
(3) o próprio ato de fonação. 
O linguista Ferdinando de Saussure propôs a dicotomia língua/fala 
(langue/parole), porém há uma fronteira entre essas duas categorias, a que 
Coseriu chamou de norma. 
EUGÊNIO COSERIU: a norma linguística
Fonte [1]
Para dar conta das limitações da dicotomia langue e parole, Eugênio 
Coseriu propõe um terceiro conceito: a noção de NORMA. A norma é o meio 
termo da dicotomia saussureana. Assim como a langue, a norma é 
CONVENCIONAL, tal como a parole, que é OPCIONAL.
Mas, diferentemente da parole, que é individual, 
deliberação de cada falante em cada enunciação 
concreta, a norma implica numa opção do grupo a que 
pertence o falante e, pode, assim, divergir, das demais 
normas seguidas por outros grupos da mesma 
comunidade linguística. (LOPES, 1976: 80)
Exemplificando, tomemos a palavra TIA. Em Fortaleza, o fonema inicial 
é alveolar, isto é, o T é produzido chiado. Já no Cariri, o fonema inicial é 
dental, isto é, o T não é chiado. Essa diferença não é do sistema: os dois 
fonemas não distinguem significados diferentes. Desse modo, com o T chiado 
ou não, os falantes do Cariri e de Fortaleza compreenderão, porque apesar de 
pronúncias diferentes, a palavra é a mesma.
Também não é uma diferença individual da fala, uma vez que todos os 
falantes nativos do Cariri pronunciam o T da mesma forma. Fenômeno 
semelhante pode ser observado em Fortaleza. Então, em que consiste a 
diferença? A pronúncia do T nessas duas regiões do Ceará é uma diferença de 
NORMA; podendo caracterizar o falar de uma região: na norma de Fortaleza, 
7
o t será pronunciado alveolar (chiado), enquanto que, na norma do Cariri, 
ocorrerá como uma consoante dental.
VERSÃO TEXTUAL
Fala + Língua = Norma
Podemos afirmar que a língua portuguesa possui normas Linguísticas. 
Isso porque, embora a língua portuguesa seja a mesma utilizada em vários 
países, em cada um deles ela se realiza de maneira distinta, é falada 
diferentemente. Podemos também subclassificá-la em norma culta (e não 
culta), norma padrão (e não padrão), norma coloquial, popular.
Clarificando. Em língua portuguesa, é previsto o uso de 'mais/menos 
grande/pequeno' ou 'maior/menor', porém, no Brasil é mais comum o uso de 
maior/menor e, em Portugal, da primeira expressão. Isto é, embora falemos 
a mesma língua e sejam previstos os dois usos, cada comunidade de fala tem 
sua norma Linguística. Acreditamos que esse exemplo ilustra bem o conceito 
de norma, mas não para por aí, há inúmeros outros. 
Podemos citar o uso da negação na Língua Portuguesa falada no Brasil. 
É comum o uso da:
a) negação padrão pré-verbal – Não/ não vou.
b) negação pós-verbal – Vou não/ não.
c) dupla negação – não/ não vou não.
Como vimos, são previstos dois ou mais usos da negação na norma da 
Língua Portuguesa falada no Brasil. Por fim discurso como um:
Acontecimento estrutural manifestado em 
comportamento linguístico e não linguístico. Do 
ponto de vista da pragmática, discurso refere o modo 
como os significados são atribuídos e trocados por 
interlocutores em contextos reais. Num discurso 
particular, os enunciados são compreendidos por 
meio de referência a um conjunto particular de ideias, 
valores ou convenções que existem fora das palavras 
trocadas 
(STUBBS 1983, apud AIT)
Veja que o entendimento de discurso engloba vários fatores: 
manifestação real e social da língua, pressuposição de um sujeito (aquele que 
além de 'falar', manifesta seu ponto de vista por meio das expressões 
linguísticas); é um evento de comunicação no qual há uma sistematização de 
ideias e valores. 
8
Este evento comunicativo pode ser analisado a ponto de se descrever, 
mapear a formação discursiva de quem fala – formação política, situação 
histórica, posição social etc., tudo isso implica na forma como uma pessoa 
organiza e produz linguisticamente.
CONTRIBUIÇÃO
REFLITA SOBRE OS CONCEITOS ESTUDADOS
Experimente construir falas para esta história em quadrinho abaixo. 
Veja como sua visão, experiência e conhecimento de mundo, direcionam a 
um tipo de discurso caracterizado por um léxico próprio, uma sintaxe que, 
de algum modo, reflete seu modo de sistematizar o que você recebe de 
informação nas diversas situações comunicativas... Com isso queremos 
dizer que nada na língua ocorre por acaso, tudo que enunciamos tem um 
motivo e pode ser descrito cientificamente na Linguística.
FONTES DAS IMAGENS
1. http://coseriu.uniud.it/wp-content/uploads/2013/07/coseriu1.jpg
2. http://www.adobe.com/go/getflashplayer
3. http://www.denso-wave.com/en/
Responsável: Prof.ª Maria Silvana Militão
Universidade Federal do Ceará - Instituto UFC Virtual
9
TÓPICO 04: OS ESTUDOS DA LINGUAGEM: A ANTIGUIDADE CLÁSSICA
Dado o caráter introdutório e histórico da disciplina Introdução à 
Linguística, centraremos nossa discussão na chamada Historiografia 
Linguística (também denominada História das Ideias Linguísticas), ramo 
da Ciência da Linguagem que busca delinear as bases teóricas do 
desenvolver epistemológico da Linguística. É comum nesse percurso 
dividir os estudos em antes e depois de Saussure, considerado pai da 
Linguística Moderna. 
Esse antes ou pré-saussureano, no ocidente, é dividido em estudos 
linguísticos gregos, romanos, medievais, renascentistas/ “modernos” – 
acompanha basicamente a divisão da história tradicional. E essa será a 
orientação desta aula. 
Outro ponto digno de se pôr em questão é: será que tudo iniciou na 
Grécia? A resposta é sim, mas não porque eram os gregos altamente 
inteligentes, ou porque seus filósofos eram grandiosos... Mas porque é de lá 
que temos os primeiros registros mais formalizados sobre ciência. A Grécia é 
considerada o berço da cultura ocidental, dessa forma, é válido revisitar o 
que ali se discutia sobre a língua.
GRÉCIA
Nossa trajetória inicia com os filósofos gregos, pois todos eles 
discutiram de alguma forma tópicos de língua, não propriamente a língua. 
Assim podemos citar alguns nomes, como: Heráclito – afirmante de que a 
palavra (logos) era a expressão do pensamento, Parmênides (e a Escola 
Eleática), Demócrito, Epicuro etc. Porém os mais importantes são Platão 
(429-347 A.C.) e Aristóteles (384-322 A.C.). 
O primeiro, em seus Diálogos, registra uma possível discussão ocorrida 
entre Crátilo, Hermógenes e Sócrates, os quais discutem sobre a 
arbitrariedade da linguagem: seria a língua natural
(Crátilo analogia) ou convencional (Hermógenes anomalia). 
Sócrates,ao final, considera que a língua em sua origem havia sido 
análoga, isto é, refletia a realidade, foi motivada pelas coisas, mas com o 
tempo, com o uso, passou a se convencionar os nomes no mundo (esboçam 
um estudo especulativo de etimologia) – Sócrates compara a língua a uma 
ferramenta: criada pelo homem a um fim específico, mas, dada seu grau de 
utilidade, passou a outras funções. 
EXEMPLO
Vejamos este exemplo da fala de Sócrates:
"Se o 'l', por exemplo, representa 'deslizar' ou" 'resvalar', podemos esperar 
que as palavras que contêm este som tenham algum elemento de 
INTRODUÇÃO À LINGUÍSTICA
AULA 01: LINGUÍSTICA: A CIÊNCIA DA LINGUAGEM
10
'deslizamento' em seu significado, e este é o caso de liparón ('liso'), glyký 
('doce'), glyskheron ('viscoso')". (WEEDWOOD, 2002, p. 26). 
Aristóteles em, A Poética, quando trata da linguagem e das ideias, coloca 
a primeira como meio de expressão da segunda e ainda propõe uma divisão 
das partes do discurso: letra, sílaba, conectivo, articulação, nome, verbo, 
flexão, frase. Observe que o autor parte da letra para a frase. Como partes do 
discurso, o autor considera apenas nome e verbo, e o restante como 
elementos linguísticos subordinados. Vejamos esta definição de Aristóteles:
VERSÃO TEXTUAL
Nome é um som composto significativo sem referência de tempo, 
do qual nenhuma parte é de si significativa, pois nas composições de 
dois elementos não os empregamos como tendo cada um seu sentido; 
por exemplo, - doro, em Teodoro, nada significa. Verbo é um som 
composto, com significado, com referência de tempo, do qual 
nenhuma parte tem sentido próprio, como nos casos dos nomes; com 
efeito, homem, ou branco, não dão ideia de quando, mas anda ou 
andou, trazem de acréscimo, um a ideia do tempo presente, o outro, a 
do passado.
A Poética, cap. XX
Embora haja quem não aceite a inclusão desses nomes no rol dos 
estudos linguísticos, vemos que ambos tentaram adotar um critério científico 
para suas análises. Veja que Aristóteles usa a noção de composição e 
categorias de tempo e aspecto. Assim são considerados estudos para- 
linguísticos.
Na Grécia antiga, falavam-se vários dialetos da língua grega, porém, por 
questões históricas, sempre havia um predominante. Os principais foram os 
dialetos jônicos (em que Homero escreveu Ilíada e Odisseia) e o ático, do 
período clássico. Assim, dado que as futuras gerações não conseguiam ler as 
obras escritas nessas línguas, pois já eram falares antigos, e a Grécia recebeu 
muitos outros povos, com as invasões do macedônio Alexandre, surgiu à 
chamada Filologia que tinha como objetivo: recuperar os textos clássicos de 
nacionalidade grega purificá-los de qualquer impureza dos outros dialetos e 
editá-los com notas, pontuação, acentuação, tudo isso para facilitar a leitura 
e o acesso aos textos.
Principais filólogos: Aristófanes e Aristarco – editores dos textos 
homéricos e criadores dos sinais de pontuação. 
Surgem na Grécia três polos culturais: Antioquia, Pérgamo e Alexandria 
– onde a Filologia ganhou seguidores que avançaram nos estudos dos textos 
literários, que descreveriam a língua grega clássica com base nas categorias 
aristotélicas e tendo como corpus os textos literários clássicos que eles 
editavam. Este trabalho foi chamado de téchne grammatiké (técnica da 
gramática), traduzido entre os latinos de Ars grammatica – melhor dizendo: 
Arte da gramática
11
(ars – técnica; grammata – letra "técnica da letra, da escrita"). Em suma: 
surge a GRAMÁTICA, com o objetivo de descrever a língua literária, tida 
como modelo linguístico correto.
Principais Gramáticos:
Dionísio, o trácio, (170 – 90 a.C.): autor de da Téchne grammatiké, 
primeira gramática ocidental. Eis a divisão de sua obra. 
EIS A DIVISÃO DE SUA OBRA
- leitura praticada segundo as regras da prosódia;
- explicação dos poetas segundo os tropos que neles aparecem;
- explicação natural dos fatos linguísticos e históricos;
- investigação etimológica;
- exposição analógica
- julgamento das obras. (NEVES, 2005, p. 116).
Apolônio Díscolo (II a.C.) – segundo gramatico, defende a ideia de não 
haver sinonímia perfeita, enfatiza aspectos sintáticos, apresentando o 
conceito de diátese (disposição dos corpos em relação à ação). 
ROMA 
"Græcia capta ferum uictorem cepit et artes intulit agresti 
Latio" 
(Horácio, Epístolas, II, 1,156)
Tradução (A Grécia, cativa, cativou o feroz vencedor e introduziu as 
artes no Agreste Lácio.) 
É com esta citação de Horácio que iniciamos nosso tópico sobre os 
estudos linguísticos em Roma, pois ali encontramos uma cópia do que se 
fazia culturalmente na Grécia, porém uma cópia caracterizada pelo espírito 
romano: tendência ao prático.
Se a descrição Linguística efetuada na Grécia foi guiada pela Filosofia, 
Lógica. Em Roma foi distinto, teve como principal característica o estudo 
normativo da língua latina, dado que se deu no surgimento de uma sociedade 
urbana frente a uma rural. Logo foi a língua urbana a que foi descrita nas 
gramáticas latinas – obra de grande valor nessa sociedade e matriz de 
descrição Linguística perpetuada até nossos dias.
Vejamos esta citação de Mounin quando trata dessa transmissão 
cultural entre Grécia e Roma: 
Consiste na vontade de submeter os fatos latinos 
às regras linguísticas gregas [...] Quintiliano trata de 
buscar, e acaba por encontrar, o dual em latim, o 
mesmo que em grego; os gramáticos de Roma 
encontram um optativo em latim por o haver em 
grego. Como o latim não tem artigo, só havia 7 partes 
12
da oração, no entanto o grego tinha 8; contudo a 
interjeição passará a ser em latim uma parte da 
oração, estabelecendo o equilíbrio. 
(MOUNIN, 1968, p. 101)
Ou seja, o desejo latino era fazer uma mesma descrição de sua língua, 
assim como a que foi feita na língua grega, que incluíram mais uma classe 
gramatical, a interjeição, para manter o mesmo padrão grego. Daí que, 
diferentemente das outras classes gramaticais, é a interjeição a única classe 
de palavra que não pode ser descrita pelos critérios: morfológico, sintático e 
semântico. 
PRINCIPAIS GRAMÁTICOS LATINOS
VARRÃO DE REATE (116-27 A. C.)
QUINTILIANO (30-96 D.C.)
ÉLIO DONATO (IV D.C.)
PRISCIANO (V-VI D.C)
SANTO ISIDORO DE SEVILHA (556-636)
VARRÃO DE REATE (116-27 A. C.)
autor de De lingua latina, obra em 25 tomos, mas que apenas os tomos 5 
a 10 chegaram-nos; sua obra se divide em etimologia, morfologia e sintaxe; 
trata da "aspectividade verbal" (perfectum e infectum): "A analogia, diz-se, 
não se observa nos tempos de algum verbo, como legi (li), lego (leio) e legam 
(lerei); o primeiro dos quais pertence ao perfeito (perfectum) e os outros dois 
ao imperfeito (inchoatum) (incoativo, grifo nosso) (IX, §§96)". (MOUNIN, 
1968: 102-103).
QUINTILIANO (30-96 D.C.)
autor de Institutio oratoria, obra que trata de Retórica, mas na qual ele 
discorre sobre fonologia e morfologia; e define gramática com base em 
Varrão: "recte loquendi scientiam et poetarum enarrationem" (I, IV, 1, apud 
idem).[tradução: Arte de falar corretamente e de narrar os poetas.]. O 
destaque merece Quintiliano, pois não apenas se preocupou em descrever a 
língua latina, com vistas ao ensino, mas também aponta que o uso gramatical 
deve ter uma funcionalidade, principalmente na constituição de um discurso. 
Observe trechos de sua obra.
OBSERVE TRECHOS DE SUA OBRA
Mas não basta ler os poetas: todo tipo de escritores deve ser 
estudado, não apenas pelo conteúdo de suas obras como pelas suas 
palavras, que amiúde recebem o aval dos que as empregam. Além disso, 
a Gramática não se pode considerar perfeita prescindindo da Música, 
pois o gramático deve trazerde metros e ritmos, e, se ignorar a 
Astronomia, não compreenderá os poetas, os quais – deixando de lado 
outras coisas – servem-se tantas vezes do nascimento e do ocaso dos 
astros para veicular a ideia de tempo. Não pode a Gramática, 
igualmente, ignorar a Filosofia, tendo em vista que numerosas 
passagens de muitos poemas se baseiam na mais profunda sutileza da 
Filosofia Natural. De mais, entre os gregos temos, por exemplo, 
13
Empédocles, e entre os latinos Varrão e Lucrécio, que transmitiram 
preceitos filosóficos em versos (idem)
Não basta ser um pouco eloquente para, de cada uma das coisas 
que expusemos, falar de modo apropriado e abundante. Por isso, são 
menos toleráveis os que zombam da Gramática, considerando-a árida e 
de pouca importância: se ela não estabelecer alicerces seguros para o 
futuro orador, tudo o que se tiver edificado irá por terra, necessária 
como é aos pequenos, agradável aos velhos, doce companheira dos 
retiros; a única talvez que, dentre todos os tipos de estudos, prima pelo 
trabalho mais que pela aparência (ibidem). (QUINTILIANUS apud 
PEREIRA, 2002, p. 62).
ÉLIO DONATO (IV D.C.)
autor de Arte Menor (gramática latina) que serviu de modelo por toda a 
Idade Média.
PRISCIANO (V-VI D.C)
SANTO ISIDORO DE SEVILHA (556-636) 
autor de Etimologias, no qual trata de gramática, retórica, dialética e 
da origem das palavras; uma espécie de enciclopédia Linguística. 
OLHANDO DE PERTO
Consulte o texto original, disponível no site da Biblioteca da 
Universidade de Técnica de Darmstadt [2], na Alemanha.
Ou sua edição bilíngue em espanhol e latim [3].
Os Estudos da Linguagem 2: Idade Média e Idade Moderna
IDADE MÉDIA 
Neste período há uma manutenção cultural dos valores romanos. O que 
se fazia de estudo linguístico era basicamente o ensino de gramática latina. 
Exemplo maior é a gramática de Alexandre de Villedieu (1175-1240), escrita 
toda já nos fins do medievo, ressurge a preocupação de explicar a gramática 
latina não apenas descritiva, mas filosoficamente. Com uma abordagem 
universal a partir de estruturas canônicas do latim, apareceram as 
gramáticas especulativas – Gramática Especulativa, de Tomás de Erfurt. 
RESNACIMENTO/PERÍODO MODERNO 
Duas características marcaram este período. O estudo de línguas até 
então "desconhecidas" (etíope, sírio, árabe, basco, ameríndias etc.) e estudo 
das línguas nacionais. As longas datas de estudo do latim, fizeram com que 
surgissem nos teóricos da época um interesse por algo novo, que foi 
preenchido pelo conhecimento das línguas dadas ao esquecimento. Como 
uma das consequências, houve um empenho de descrever as línguas 
nacionais com o intuito de lhes dar status tal qual tinham o latim, o grego e o 
hebraico (as três línguas sagradas dignas de serem inscritas na cruz de Cristo 
– INRI).
14
Fonte [4]
A primeira gramática de uma língua "vulgar" é de Ælfric de Eynsham, 
que traduziu uma gramática latina para o inglês antigo. 
No tocante às línguas latinas, temos a primeira gramática de língua 
latina que coube ao francês, datada de 1409, de Barton. Em língua 
portuguesa, a primeira se chama Grammatica da Lingoagem 
Portuguesa, de iFernão de Oliveira (http://purl.pt/369/1/ficha-obra-
gramatica.html ) , de 1536.
Com esses novos rumos dados aos estudos de língua, viram que muitas 
línguas compartilhavam traços estruturais, constituindo verdadeiras famílias 
Linguísticas, surgindo o que chamamos de Linguística comparativa, Método 
comparativo, Linguística histórica, que se preocupava mais em encontrar 
traços de semelhanças formais entre as diversas línguas, fossem elas latinas, 
germânicas etc. A culminância foi com as leis de Grimm e o modelo arbóreo 
da genealogia das línguas, numa tentativa de encontrar uma possível língua-
mãe para as línguas indo-europeias.
Observe as ilustrações:
Tabela das oclusivas labiais e dentais nas línguas indo-europeias
GREGO LATIM GÓTICO SÂNSCRITO ESLAVO 
p p f p p
b b p b b
ph f/b b bh b
t t q t t
d d t d d
th f/d d dh d
Fonte: WEEDWOOD, 2002, p 116. 
Exemplificação da tabela acima:
GREGO LATIM GÓTICO SÂNSCRITO ESLAVO 
PHERO Fero
(sonífero)
biru bharami bera “eu 
levo”
PHATER frater brodhar bhratar bratu “irmão”
POUS, 
PODÓS
pes, pedis fotus pád- peŠi “pé”
Fonte: WEEDWOOD, 2002, p 116. 
PORTFÓLIO
15
Questão 01 - Pesquise o conceito de três tipos de gramática. Faça uma 
vasta pesquisa, mas sua conceituação não deve ultrapassar o máximo de 
três linhas para cada conceito.
Questão 02 – Procure informações sobre a língua sânscrita e dê o 
porquê de sua importância para os estudos linguísticos.
FÓRUM
Com base no artigo Por que (não) estudar latim hoje no 
link [5] da revista Língua Portuguesa/UOL, discuta a seguinte questão: é 
o latim uma língua morta? Não se esqueça de utilizar exemplos para 
ilustrar seu comentário.
CONTRIBUIÇÃO
Contribuição do Método Comparativo para a Determinação da 
Existência do Indo-Europeu: [6]
Da Filologia, da Gramática Comparada, da Neogramática à 
Historiografia Linguística [7] (Visite a aula online para realizar download 
deste arquivo.)
FONTES DAS IMAGENS
1. http://www.adobe.com/go/getflashplayer
2. http://tudigit.ulb.tu-darmstadt.de/show/inc-v-1
3. http://pt.scribd.com/doc/23858438/Isidoro-de-Sevilla-Etimologias
4. http://www.billpetro.com/wp-content/uploads/INRI-781834.jpg
5. http://linguaportuguesa.uol.com.br/linguaportuguesa/gramatica-
ortografia/18/artigo143917-1.asp
6. http://www.filologia.org.br/revista/artigo/3(9)41-52.html 
7. http://www.fflch.usp.br/dlcv/lport/pdf/slp23/07.pdf
8. http://www.denso-wave.com/en/
Responsável: Prof.ª Maria Silvana Militão
Universidade Federal do Ceará - Instituto UFC Virtual
16
TÓPICO 05: A LINGUÍSTICA PRÉ-SAUSSUREANA: O SÉCULO XIX
Os estudos linguísticos do século XIX influenciaram o pensamento 
saussureano. Esses estudos contribuíram para um estudo científico da 
linguagem, cujo foco não se restringe ao conhecimento universal da 
linguagem, bem como aos estudos eminentemente históricos.
Foram fundamentais para essa ciência, as seguintes premissas:
• As línguas humanas são totalidades organizadas (2004: 28). (A língua é 
formada por partes que compõem um conjunto. Cada uma dessas partes 
está interligada entre si. ) 
• A ideia da língua como instituição social. (A língua é parte de uma 
comunidade de falantes.) 
• A língua como sistema autônomo. (A língua funciona independente de 
influências externas) 
• A língua como um sistema de signos independente. (Os elementos que 
compõem a língua (os signos) se relacionam entre si na mente dos 
falantes. ) 
• A língua muda com o tempo. (As línguas não são estáticas. As mudanças 
ocorrem ao longo do tempo.) 
• A língua pode ser estudada em si e por si mesma. (os fatos linguísticos 
são descritos e analisados apenas por dados linguísticos da própria 
língua.) 
A partir dessas ideias, que nortearão grande parte da Linguística 
praticada no século seguinte, destacam-se, ainda no século XIX, as 
mudanças ocorridas na língua ao longo do tempo. A busca de explicações 
para entender tais mudanças marca os estudos histórico-comparativos, em 
que se destacam os nomes de Humboldt e de Franz Bopp. O primeiro autor 
foi responsável pela criação do Método Comparativo¸ ao estudar 
semelhanças e diferenças em várias línguas, a fim de tentar encontrar 
parentescos entre elas. Já Bopp, com a aplicação desse método, percebeu 
semelhanças entre o sânscrito, o latim e o grego e a partir dessas observações 
desenvolveu sua Gramática comparada.
LEITURA COMPLEMENTAR
Para saber sobre os estudos da Linguística do século XIX, leia mais no 
link [1].
Ainda nos estudos histórico-comparativos, surgea obra do linguista A. 
Schleicher (1821- 1867) de orientação naturalista. Para ele, a língua poderia 
ser considerada comoorganismo vivo (com existência própria independente 
de seus falantes, sendo sua história vista como ) A partir dessa concepção, 
Schleicher propõe uma tipologia das línguas e uma "árvore genealógica" das 
línguas indo-europeias. 
INTRODUÇÃO À LINGUÍSTICA
AULA 01: LINGUÍSTICA: A CIÊNCIA DA LINGUAGEM
17
Fonte [2]
OS NEOGRAMÁTICOS
O movimento dos neogramáticos surge em oposição à concepção 
naturalista da língua. Os autores que se destacam nesse movimento são 
Hemann Osthof (1847-1909) e Karl Bromam (1849 – 1919). Para eles, o 
objetivo principal do pesquisador não era a busca da língua original indo-
europeia. Essa seria uma hipótese muito geral sobre as línguas, devendo-se, 
portanto, estudar as línguas vivas atuais e apreender a natureza da mudança 
linguística.
LEITURA COMPLEMENTAR
Para aprofundamento sobre os neogramáticos, indicamos a leitura 
deste texto sobre August Schleicher [3], um dos principais pensadores na 
área dos estudos linguísticos do século XIX. 
 REFERÊNCIAS
ARISTÓTELES; HORÁCIO; LONGINO. A poética clássica. 
Tradução de Jaime Bruna. 7 ed. São Paulo: Cultrix, 1997.
ASSOCIAÇÃO DE INFORMAÇÃO TECNOLÓGICA (AIT) / 
PORTUGAL. Dicionário de Termos Linguísticos. 
http://www.ait.pt/recursos/dic_term_ling/index2.htm [4]
AUROUX, Sylvain; NIEDEREHE, Hans-Josef; VERSTEEGH, Kees; 
KOERNER, Konrad. (Eds.). History of Linguistics and 
Communication Science / Händbücher zur Sprach- und 
Kommunikationswissenschaft. Berlim: Walter de Gruyter, 2006. 
3 volumes.
BÍBLIA, Português. A Bíblia Sagrada: Antigo e Novo Testamento. 
Tradução de João Ferreira de Almeida. Edição rev. e atualizada no 
Brasil. Brasília: Sociedade Bíblia do Brasil, 1969. 
http://www.bibliaonline.com.br/ [5]
CÂMARA JR., Joaquim Mattoso. História da Linguística. Tradução 
de Maria do Amparo Barbosa de Azevedo. 6. ed. Petrópolis: Vozes, 
2006.
18
COSERIU, Eugenio. Teoria da Linguagem e Linguística Geral. 
Rio de Janeiro/ São Paulo, Presença/ EDUSP, 1979.
DUBOIS, Jean (et al.). Dicionário de Linguística. Tradução do 
francés por Frederico Pessoa de Barros (et al.). 9.ed.São Paulo: Cultrix, 
2004. http://books.google.com/books?
id=ivoQ6Q2xu0oC&printsec=frontcover&hl=pt-
BR&source=gbs_ge_summary_r&cad=0#v=onepage&q&f=false [6]
DUCROT, Oswald; TODOROV, Tzvetan. Diccionario 
enciclopédico de las ciencias del lenguaje. Ciudad de Mexico 
D.F.: Siglo Veintiuno, 1978.
http://books.google.com/books?
id=7EDaWAJCIkIC&printsec=frontcover&dq=Diccionario+enciclop%
C3%A9dico+de+las+ciencias+del+lenguaje.&hl=pt-
BR&ei=2tXBTuKdAqrv0gGw6YW_BA&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CDEQ6AEwAA#v=onepage&q&f=false 
[7]
FARACO, Carlos Alberto. Estudos Pré-saussurianos. In: BENTES, 
Anna Christina; MUSSALIM, Fernanda. Introdução à Linguística: 
fundamentos epistemológicos. São Paulo: Cortez: 2004. vol.2. 
KEMPSON, Ruth. Architecture of Grammar. In: BROWN, Keith 
(Coord.; et al.) Concise Encyclopedia of Philosophy of 
Language and Linguistics. Oxford: Elsevier, 2010.
http://www.4shared.com/document/XWVKqs3D/CONCISE_ENCYCLOPEDIA_OF_PHILOS.htm 
[8]
KRISTEVA, Julia. História da linguagem. Tradução de Maria 
Margarida Barahona. Lisboa: Edições 70, 1969.
MOUNIN, Georges. Historia de la Lingüística (desde los origines 
al siglo XX). Madrid: Gredos, 1968.
NEVES, Maria Helena de Moura. A vertente grega da gramática 
tradicional: uma visão do pensamento grego sobre a linguagem. 2. 
ed. ver. São Paulo: UNESP, 2005.
PETTER, Margarida. Linguagem, língua, Linguística. In: FIORIN, José 
Luiz (Org.). Introdução à Linguística. São Paulo: Contexto, 2002. 
11-24 p. 
SAUSSURE, Ferdinando. CURSO DE LINGUÍSTICA GERAL. São 
Paulo: Cultrix, 1969.
ROBINS, Robert Henri. Pequena História da Linguística. 
Tradução de Luiz Martins Monteiro de Barros. Rio de Janeiro: Ao livro 
técnico, 1983.
WEEDWOOD, Barbara. Historia Concisa da Linguística. 
Tradução de Marcos Bagno. São Paulo: Parábola, 2002.
FONTES DAS IMAGENS
1. http://pt.wikipedia.org/wiki/Lingu%C3%ADstica_comparativa 
19
2. http://3.bp.blogspot.com/-q9sBRKnkWo0/T7EAqAmtjRI/AAAAAAAA
AZM/JnGJCAmXXFw/s640/fa.jpg
3. http://pt.scribd.com/doc/41890797/August-Schleicher
4. http://www.ait.pt/recursos/dic_term_ling/index2.htm 
5. http://www.bibliaonline.com.br/
6. http://books.google.com/books?
id=ivoQ6Q2xu0oC&printsec=frontcover&hl=pt-
BR&source=gbs_ge_summary_r&cad=0#v=onepage&q&f=false
7. http://books.google.com/books?
id=7EDaWAJCIkIC&printsec=frontcover&dq=Diccionario+enciclop%C3%
A9dico+de+las+ciencias+del+lenguaje.&hl=pt-
BR&ei=2tXBTuKdAqrv0gGw6YW_BA&sa=X&oi=book_result&ct=result&re
snum=1&ved=0CDEQ6AEwAA#v=onepage&q&f=false
8. http://www.4shared.com/document/XWVKqs3D/CONCISE_ENCYCL
OPEDIA_OF_PHILOS.htm
9. http://www.denso-wave.com/en/
Responsável: Prof.ª Maria Silvana Militão
Universidade Federal do Ceará - Instituto UFC Virtual
20
TÓPICO 01: O ESTRUTURALISMO
CONSIDERAÇÕES INICIAIS- A LINGUÍSTICA FORMAL
VERSÃO TEXTUAL
Como vimos na aula anterior, a Linguística como conhecemos 
hoje, ganhou status cientifico com a publicação póstuma do Curso de 
Linguística Geral de Ferdinand Saussure em 1916. Nesta aula, veremos 
as ideias que fundamentam a Linguística formal em seus dois eixos 
teóricos: o Estruturalismo e o Gerativismo.
A palavra FORMALISMO parte da concepção de língua como FORMA e 
não como substância. Para exemplificar essa conceituação, Saussure faz 
analogia a um jogo de xadrez. As peças do jogo são definidas por suas 
funções dentro das regras do jogo e não por suas propriedades físicas – 
tamanho da torre ou do cavalo, cores das peças, material de que as peças são 
feitas – uma vez que essas características são acidentais, podendo sofrer 
variações. Se uma peça for perdida, ela pode ser substituída por um objeto 
qualquer, basta que os jogadores convencionem a esse objeto a mesma 
função e a mesma identidade da peça perdida. 
Trazendo esse exemplo para o campo linguístico, um fonema, por 
exemplo, deve ser definido, a partir de suas relações com outros elementos 
do mesmo sistema e por suas funções – essa pode ser considera como uma 
noção básica de forma – e nunca por suas propriedades físicas, como o modo 
de formação, a estrutura acústica etc. – essas noções podem ser consideradas 
como uma noção básica de substância. (LOPES, 1976, p. 79).
O Estruturalismo e o Gerativismo são teorias linguísticas de base 
formalista, conforme veremos, ao longo desta aula.
O ESTRUTURALISMO
O ESTRUTURALISMO compreende um campo de estudos que abrange a 
Antropologia, a Sociologia, a Psicologia, a Literatura, entre outras áreas das 
Ciências Humanas, inclusive a Linguística, esse campo de estudos reflete o 
pensamento que permeou o século XX. No que se refere especificamente à 
linguística, as escolas consideradas como estruturalistas apresentam em 
comum concepções e métodos que implicam o reconhecimento de que a 
língua é uma ESTRUTURA ou SISTEMA e que é tarefa do linguista descrever e 
analisar a organização e o funcionamento de seus elementos constituintes.O 
termo estrutura compreende as relações entre os elementos linguísticos 
ocorridas no interior da língua ( a língua é entendida como sistema de signos 
convencionados em uma comunidade linguística) Dessa forma, conforme 
nos explica Hjelmslev (1971 apud LOPES, 1976, p. 39):
INTRODUÇÃO À LINGUÍSTICA
AULA 02: O FORMALISMO
21
é cientificamente legítimo descrever a linguagem 
como sendo essencialmente uma entidade autônoma 
de dependências internas (...) A análise dessa 
entidade permite constantemente isolar partes que se 
condicionamreciprocamente, cada uma delas 
dependendo de algumas outras, sendo inconcebível e 
indefinível sem essas outras partes.
Tomemos como exemplo a palavra bad. Essa palavra significa mau em 
inglês e em persa. No entanto, não podemos dizer que é a mesma palavra, 
comum aos dois sistemas linguísticos: bad do inglês é diferente do bad do 
persa, pois essas palavras, em cada uma dessas línguas, ocorrem num 
contexto específico, formando série com outras classes de palavras, 
ocupando um lugar preciso em campos semânticos idiomáticos. Dizendo de 
outra forma, embora a palavra bad seja igual nas duas línguas, elas terão 
diferenças gramaticais e lexicais impostas por cada uma das línguas. Assim, 
as unidades linguísticas se definem pela rede de relações que se constitui 
dentro do sistema total que é a língua.
Essas ideias receberam destaque na Linguística estrutural na Europa e 
nos Estados Unidos, dando início às correntes estruturalistas europeias e 
norte - americana, respectivamente. A seguir, destacaremos o nome de 
alguns autores/escolas representativos dessas correntes. Clique sobre os 
botões:
1. LINGUÍSTICA ESTRUTURAL NA EUROPA
a. Círculo de Genebra
i. Ferdinand Saussure, Ch. Bally e A. Sechehaye.
b. Círculo de Praga
i. Nikolai Sergeievitch Trubetzkoy e Roman Jakobson.
c. Círculo de Copenhague (ou Glossemática)
i. Louis Hjelmslev
2. LINGUÍSTICA ESTRUTURAL NOS ESTADOS UNIDOS
i. Franz Boas
ii. Edward Sapir
iii. Leonard Bloomfield
DICA
Para saber mais sobre a repercussão da corrente estruturalista nas 
Ciências Humanas, acesse o link [2] .
FONTES DAS IMAGENS
1. http://www.adobe.com/go/getflashplayer
2. http://pt.wikipedia.org/wiki/Estruturalismo
3. http://www.denso-wave.com/en/
22
TÓPICO 02: A CONTRIBUIÇÃO DE FERDINAND DE SAUSSURE
Fonte [1]
Ferdinand de Saussure (1857 – 1913), linguista suíço, é considerado pai 
da Linguística Moderna, a partir das ideias centrais do Curso de Linguística 
Geral (CLG), obra póstuma publicada em 1916 por dois de seus alunos: 
Charles Bally e Albert Sechehaye. O livro Curso de Linguística Geral (CLG) é 
um resultado das anotações de aulas dos discípulos.
Na obra de Saussure, podemos citar seu trabalho sobre as vogais do 
indo-europeu e o estudo de anagramas para a compreensão da versificação 
indo-europeia arcaica. Contudo, sua imagem ficará marcada, como afirma 
Lopes (1976), pelas ideias que fundamentaram a Linguística estrutural 
europeia. Como teses centrais do CLG podemos citar: 
• Suas ideias sobre o valor relacional dos elementos linguísticos.
• A autonomia do sistema linguístico.
• A distinção entre langue/ parole.
• A natureza psíquica do signo.
• A necessidade de dissociação de uma linguística de estados (sincrônica) 
de uma linguística evolutiva (diacrônica).
Essas ideias serão aqui abordadas através do estudo de quatro 
dicotomias presentes na obra do linguista suíço.
DICOTOMIAS
2.1 Langue (língua) x Parole (fala)
Para Saussure (2006, p. 27), o estudo da linguagem apresenta duas 
partes: uma tem como objeto a LÍNGUA que, em sua essência é social, 
independente do indivíduo, e seu estudo é unicamente psíquico; a outra tem 
por objeto a FALA, parte individual da linguagem, de caráter psicofísico.
Língua e fala são dois objetos diretamente ligados “a língua é necessária 
para que a fala seja inteligível e produza todos os seus efeitos; mas esta é 
necessária para que a língua se estabeleça” (SAUSSURE, 2006, p. 27). 
Todavia, podemos observar as seguintes diferenças entre langue e parole:
Langue (língua) Parole (fala)
Social Individual
Abstrata Concreta
Homogênea Heterogênea
Sistemática Assistemática
INTRODUÇÃO À LINGUÍSTICA
AULA 02: O FORMALISMO
23
Por SOCIAL, Saussure concebe que a língua existe na coletividade, isto é, 
ela preexiste e subsiste a cada um de seus falantes. Assim sendo, cada falante 
já encontra, ao nascer, a língua, que irá falar, em pleno funcionamento.
No que diz respeito à questão ABSTRATA x CONCRETA, a língua é um 
fato social, geral, ou seja, um sistema abstrato. Já a fala é a realização 
concreta da língua, assim sendo, a parole é circunstancial e variável.
Enquanto a fala é HETEROGÊNEA, a língua é HOMOGÊNEA, pois é 
constituída de um sistema de signos, em que só existe a união entre sentido e 
imagem acústica.
Para esse autor, o fato de a fala depender do indivíduo, a torna não 
passível de SISTEMATIZAÇÃO, devendo, portanto, ser excluída do campo de 
estudo da Linguística.
Língua, portanto, é considerada um sistema de signos 
convencionado, em outras palavras, para que a língua cumpra sua 
função social de comunicar, é necessário que entre os falantes de 
uma determinada comunidade de fala haja um acordo, uma 
convenção social. 
2.2 Signo Linguístico: Significado + Significante
Saussure entende o signo linguístico como resultante da associação de 
um conceito e uma imagem acústica, ambos de natureza psíquica, e não, 
a união entre uma coisa e uma palavra, ambas de natureza material. 
Desse modo, a imagem acústica não é o som material, mas a impressão 
psíquica desse som, aquilo que nos evoca um conceito (LOPES, 1976, p. 82). 
REFLEXÃO
Para entendermos o caráter psíquico do signo, vamos fazer um 
pequeno teste. Pense na sua música preferida ou em um poema que você 
saiba decorado. Você é capaz de cantar ou recitar silenciosamente, não é? 
Isso se deve ao fato de não precisarmos materializar os signos linguísticos 
através da fala, pois tanto conceito, quanto imagem acústica estão 
presentes em nosso cérebro. 
Sempre que nos referirmos ao conjunto conceito + imagem acústica, em 
sua totalidade, utilizaremos o termo SIGNO; quando quisermos isolar um dos 
aspectos do signo, chamaremos conceito de SIGNIFICADO e imagem acústica 
de SIGNIFICANTE. 
24
O signo linguístico, segundo Saussure, apresenta duas características 
principais: a arbitrariedade e a linearidade. Esses conceitos serão 
apresentados a seguir.
PRIMEIRO PRINCÍPIO: A ARBITRARIEDADE DO SIGNO
O laço que une significado ao significante é arbitrário” (SAUSSURE, 
2006, p. 81). 
Por ARBITRÁRIO, deve-se entender duas noções distintas:
a) Não há nenhuma relação intrínseca ou de causalidade necessária 
entre significado e significante;
b) A palavra arbitrário quer dizer que o significante independe da livre 
escolha do falante, pois nenhum indivíduo pode alterar o sistema linguístico.
Desse modo, a palavra arbitrário pode ser interpretada como 
IMOTIVADO, Isto é, não há nenhuma motivação extralinguística que una o 
significante ao significado. Para melhor entendermos, observemos o exemplo 
dado por Lopes (1976, p. 83).
SIGNIFICADO SIGNIFICANTES
“boi”
Port. /boj/ “boi”
Esp. /bwej/ buey
Fr. /bœf/ boeuf
Ing. /oks/ ox 
DICA
E as onomatopeias? Elas ferem o princípio da arbitrariedade?
Saussure (1975) nos responde que nem mesmo as onomatopeias 
fogem desse princípio, uma vez que sua escolha já é, de uma certa forma, 
arbitrária, pois "... não passam de imitação aproximativa". Comparemos as 
diferentes vozes dos animais:
Voz do cuco: port. Cuco; fr. Coucou; lat. Cuculus; ing. Cuckoo; al. 
Kuckuck.
Voz do cão: port. Au au; esp. Guau guau; fr. Ouaoua; al. Wauwau 
(LOPES, 1976, p. 84).
SEGUNDO PRINCÍPIO: A LINEARIDADE DO SIGNIFICANTE
O significante, sendo de natureza auditiva, desenvolve-se no tempo, 
unicamente, e tem características que toma do tempo: 
25
a) Representa uma extensão e
b) Essa extensão é mensurável numa só dimensão: é uma linha (SAUSSURE, 
1975, p. 84).
Por esse princípio, evidencia-se a propriedade de os elementos dos 
significantes apresentarem-se um após o outro, formando uma cadeia. 
Signos, símbolos e ícones
Depoisde estudados a natureza do signo e seus princípios, cabe fazer a 
diferenciação entre os conceitos de signo linguístico, símbolo e ícone, 
conforme o esquema: 
Signo linguístico
• Arbitrário
• Signos verbais só 
traduzíveis por outros signos 
verbais.
Símbolo 
• Signos não-linguísticos
• Representam as noções 
abstratas
• Convencionados e 
parcialmente motivados 
Ícone
• Sinais não-sígnicos
• Motivado
• São, pura e simplesmente, 
imagens 
Assim, ao vermos um tecido preto representando o luto ou uma cruz 
para representar o Cristianismo, temos exemplos de símbolos.
Fonte [2] Fonte [3]
Entretanto, quando observamos uma fotografia ou um mapa de nossa 
cidade, temos ícones.
DESAFIO
A Linguística estuda os signos verbais. Pesquise se há outra(s) ciência
(s) que tenha(m) como objeto de estudo símbolos e/ou ícones.
RELAÇÕES SINTAGMÁTICAS X RELAÇÕES ASSOCIATIVAS
26
Antes de apresentarmos a dicotomia sintagma x paradigma, 
precisamos compreender a noção de VALOR LINGUÍSTICO. Para Saussure, a 
língua é um sistema de valores, no qual cada elemento se define em relação a 
outros elementos.
O autor diz, ainda, que na língua só existem diferenças (1975, p. 139). 
Nesse sistema de forma e valores, um signo é tudo que os demais não são. 
Para exemplificarmos, tomemos os seguintes signos:
MeninO x MeninA
MestrE x MestrA
Guri x GuriA
Nos pares de palavras acima, observa-se uma oposição de significados 
referentes aos gêneros MASCULINO, representado pelas desinências –O, -E e 
zero (no caso de guri), e FEMININO, representado pela desinência –A. 
Sabendo disso, o feminino, em língua portuguesa, é marcado, pois assume 
valor linguístico em oposição às desinências de masculino, -O, -E e zero, não 
têm valores diferentes na língua, pois não existe oposição de significados 
entre eles: todos representam o masculino, sendo apenas formas variantes de 
um mesmo morfema.
Compreendida a noção de valor, as relações que os signos mantêm entre 
si são de dois tipos: relações sintagmáticas e relações associativas.
SINTAGMA
Ao definir a linearidade como característica essencial do signo, Saussure 
observa que esses signos ocorrem formando uma cadeia de elementos, 
através de combinações que se apoiam na extensão, podendo ser chamados 
de SINTAGMAS.
Observe os exemplos de sintagma presentes na frase
O menino ganhou uma bola
• No nível fonológico
• No nível morfológico
O menin - o ganh -ou um - a bola
• No nível sintático
O menino + ganhou uma bola
 Sujeito Predicado
O sintagma “dispõe-se sobre um eixo cujo suporte segmental é a 
extensão linear dos significantes e tendo como propriedade a combinação 
em contraste num mesmo nível da língua (LOPES, 1976, p. 89). Assim, a 
27
partir dos exemplos, observamos o contraste entre vogais e consoantes no 
nível fonológico; entre morfemas no nível morfológico; entre um sintagma 
nominal – sujeito – e um sintagma verbal – predicado – no nível sintático. 
Desse modo, dizemos que as relações sintagmáticas ocorrem in praesentia
(em presença), isto é, segundo Saussure (1975, p. 143), ";repousa em dois ou 
mais termos igualmente presente numa série efetiva".
PARADIGMA 
As relações associativas da língua não têm por base a extensão, mas são 
formadas por associações mentais. Tendo isso em vista, pode-se falar em 
CORRELAÇÕES PARADIGMÁTICAS para explicar esse conceito. Correlação é 
a função existente entre os termos de um paradigma, esse, por sua vez, pode 
ser definido como uma classe de elementos que podem ser colocados no 
mesmo ponto de uma cadeia.
Lembremo-nos quando estávamos aprendendo a conjugar verbos. Ao 
aprendermos o paradigma do modo indicativo da primeira conjugação de um 
verbo regular, tínhamos, por exemplo:
PRESENTE
PRETÉRITO 
PERFEITO
PRETÉRITO 
IMPERFEITO
Eu amei
Tu amas
Ele ama
Nós amamos
Vós amais
Eles amam 
Eu amei
Tu amaste
Ele amou
Nós amamos
Vós amastes
Eles amaram 
Eu amava
Tu amavas
Ele amava
Nós amávamos
Vós amáveis
Eles amavam 
PRETÉRITO MAIS 
QUE PERFEITO
FUTURO DO 
PRESENTE
FUTURO DO 
PRETÉRITO 
Eu amara
Tu amaras
Ele amara
Nós amáramos
Vós amáreis
Eles amaram 
Eu amarei
Tu amarás
Ele amará
Nós amaremos
Vós amareis
Eles amarão 
Eu amaria
Tu amarias
Ele amaria
Nós amaríamos
Vós amaríeis
Eles amariam 
Devido ao caráter linear da fala, escolhemos apenas um elemento 
linguístico do paradigma. Ao selecionarmos esse elemento, 
automaticamente, excluímos todos os demais membros do mesmo 
paradigma. Assim, no ato da enunciação, ao realizarmos no eixo 
sintagmático a forma verbal AMÁ+VA+MOS (primeira pessoa do plural do 
verbo amar no pretérito imperfeito do indicativo), excluímos as demais 
possibilidades do sistema linguístico.
28
SINCRONIA X DIACRONIA
Uma das dicotomias propostas por Saussure é a que envolve as noções 
de Linguística estática e Linguística evolutiva, também denominada de 
Linguística sincrônica e Linguística diacrônica, respectivamente.
Nos estudos sincrônicos, a linguística interessar-se-ia pelos fatos 
coexistentes no sistema num dado momento, fazendo abstração de qualquer 
noção de tempo. Já, nos estudos diacrônicos, o objeto de estudo seria as 
relações dos fatos linguísticos ao longo do tempo. Nesse caso, seriam levados 
em consideração fenômenos que precedem esse fato linguístico ou os que o 
seguem na linha da continuidade histórica.
Ao fazer essa separação, Saussure distingue os FATORES INTERNOSde 
um sistema, de um ponto de vista sincrônico, dos FATORES EXTERNOS, 
histórico-culturais, de um ponto de vista diacrônico. Após feita essa 
diferenciação, Saussure assume um posicionamento a favor dos estudos 
sincrônicos da língua e afirmando que não podemos descrevê-la (a língua) 
nem fixar normas para o seu uso sem nos colocarmos num estado 
determinado.
PARADA OBRIGATÓRIA
Para explorar melhor os conhecimentos dessa aula, consulte o Curso 
de linguística geral disponível em:
http://books.google.com.br/books?hl=pt-
BR&lr=&id=Nsd0kiUfrlgC&oi=fnd&pg=PR11&dq=a+import%
E2ncia+de+saussure&ots=lYptEeY-
wf&sig=_hv6NtiN5r7mDPzie28Cy0UHhUM#v=onepage&q=a%
20import%C3%A2ncia%20de%20saussure&f=false [4]
FÓRUM
Leia o artigo da Revista da Língua Portuguesa (Visite a aula online 
para realizar download deste arquivo.), sobre críticas e polêmicas que 
giram em torno de Ferdinand de Saussure. Em seguida, discuta com seus 
colegas os pontos que você julga merecer destaque no texto.
FONTES DAS IMAGENS
1. http://www.infoamerica.org/teoria_imagenes/saussure10.jpg
2. http://vidaamoresonhos-krika.blogspot.com/
29
3. http://salcedoadvocacia.blogspot.com/2011/01/sobre-data-venia-e-
datissima-venia.html
4. http://books.google.com.br/books?hl=pt-
BR&lr=&id=Nsd0kiUfrlgC&oi=fnd&pg=PR11&dq=a+import%
E2ncia+de+saussure&ots=lYptEeY-
wf&sig=_hv6NtiN5r7mDPzie28Cy0UHhUM#v=onepage&q=a%20import%
C3%A2ncia%20de%20saussure&f=false
5. http://www.denso-wave.com/en/
Responsável: Prof.ª Maria Silvana Militão
Universidade Federal do Ceará - Instituto UFC Virtual
30
TÓPICO 03: ESTRUTURALISMO EUROPEU E NORTE AMERICANO
A Linguística moderna conhece duas importantes vertentes sob o 
rótulo de Estruturalismo: a européia e a norte-americana.
Convém, neste tópico, traçar uma distinção entre 
O ESTRUTURALISMO EUROPEU e O ESTRUTURALISMO AMERICANO, 
através de linguistas que se destacaram nessa linha de pensamento.
O estruturalismo europeu está representado, principalmente, pela 
linguística funcional desenvolvida pelo Círculo Linguístico de Praga ou 
Escola de Praga e muito deve à produção desse círculo. As questões 
relacionadas a essa vertente serão tratadas na Aula 3, Tópico 2.
A LINGUÍSTICAESTRUTURAL NA EUROPA
ROMAN JAKOBSON
Segundo Weedwood (2002), o estruturalismo no sentido europeu 
caracteriza-se pela visão da existência de uma estrutura abstrata que é 
subjacente e distinta dos enunciados reais. Essa estrutura ABSTRATA é o 
objeto de análise do linguista. Em outras palavras, a língua como sistema de 
possibilidades é independente da fala, é passível de ser descrita por si mesma 
sem a necessidade de considerar como análise os fatos da fala.
Fez parte do Círculo de Praga, escola linguística que assumiria tanto 
fundamentos estruturalistas, como já mostraria características 
funcionalistas.
Jakobson distinguiu, em seus estudos, seis pontos de vista sob os quais 
se pode considerar o ato linguístico: 
1- O do locutor 5- O da mensagem
2- O do ouvinte 6- O do contexto
3- O do canal
4- O do código
Esses seis fatores participam do processo de comunicação. Por exemplo, 
um falante/locutor põe-se em relação comunicativa com um ouvinte, através 
INTRODUÇÃO À LINGUÍSTICA
AULA 02: O FORMALISMO
31
de um código, em nosso caso específico a Língua Portuguesa, para expressar 
uma mensagem, aludindo a um contexto e passando através de um canal 
físico.
Fonte
EXERCITANDO
Você consegue identificar, na figura acima, os seis elementos da 
comunicação?
Fonte [1]
A LINGUÍSTICA ESTRUTURAL NOS ESTADOS UNIDOS
Nos Estados Unidos, há um outro panorama linguístico. Nesse país, 
havia centenas de línguas indígenas americanas que nunca tinham sido 
descritas e várias delas eram faladas por poucos indivíduos. Dessa forma, 
cabia ao linguista americano descrevê-las antes que se extinguissem. Por 
essa razão, a Linguística estrutural americana estava menos preocupada com 
uma teoria geral da estrutura da linguagem humana. Para ela, o foco dos 
estudos era a prescrição de firmes princípios metodológicos para a análise de 
línguas pouco familiares.
EDWARD SAPIR
Este autor atuava em várias áreas do conhecimento: antropologia, 
literatura, música, linguística etc. Entretanto, esta vastidão não faz de sua 
obra fragmentada. Pelo contrário, os interesses se fundem e marcam a 
originalidade de sua obra. Por esse motivo, o trabalho de Sapir, com forte 
inclinação antropóloga, atraiu bastante repercussão na linguística 
americana.
Vê-se, nesse autor, uma forte relação entre pensamento e linguagem: a 
língua como estrutura é, no seu aspecto interno, a marca do pensamento.
VERSÃO TEXTUAL
Desde o prefácio (de seu livro) ele insiste sobre o caráter 
“inconsciente e sobre a natureza não racionalista da estrutura 
linguística” e acentua, depois, o aspecto puramente humana, não-
instintivo, do sistema de símbolos que é a figura; trata-se de função 
“não-instintiva, adquirida culturalmente”. (LESPCHY, 1975: 82)
32
Fonte [3]
LEONARD BLOOMFIELD
Leonard Bloomfield é o linguista estruturalista que mais marcou a 
Linguística americana por preparar o caminho para a fase que viria 
posteriormente. Fortemente influenciado pela Psicologia, Bloomfield adota a 
postura behaviorista para os estudos da linguagem. A partir desse 
posicionamento, é adotada uma concepção de que o significado está 
relacionado a um ESTÍMULO e a uma RESPOSTA, banindo dos estudos 
linguísticos quaisquer menções a categorias mentais ou conceituais.
A teoria é explicitada através do seguinte esquema:
S – R – S – R
Dessa forma, um estímulo externo (S) leva alguém a falar (r), 
provocando no ouvinte um estímulo também linguístico (s) que provoca 
uma resposta prática (R). 
FONTES DAS IMAGENS
1. http://tupian.hudong.com/a0_20_33_01300000328622123420339107
624_jpg.html
2. http://www.adobe.com/go/getflashplayer
3. http://falandoemlinguistica.blogspot.com/
4. http://www.denso-wave.com/en/
Responsável: Prof.ª Maria Silvana Militão
Universidade Federal do Ceará - Instituto UFC Virtual
33
TÓPICO 04: O GERATIVISMO
Em 1957, Noam Chomsky publicou o livro, Syntactic Structures, que 
se tornou divisor de águas na Linguística do século XX. Nesse livro, 
Chomsky desenvolveu o conceito de GRAMÁTICA GERATIVA, adotando 
um posicionamento que rompia radicalmente com os conceitos 
estruturalista e behaviorista praticados na Linguística das décadas 
anteriores.
Neste tópico, veremos os principais conceitos presentes na Gramática 
Gerativa.
A primeira grande questão a ser levantada nos estudos gerativistas é a 
definição de FACULDADE DA LINGUAGEM, isto é, nesse programa 
linguístico, a capacidade de falar uma língua é inata nos seres humanos. 
Dizendo de outra forma, a linguagem tem conexão direta com o aparato 
genético de nossa espécie e é isso que nos distingue das demais espécies.
Partindo dessa concepção, Chomsky traçou uma distinção básica: a 
relação entre competência e desempenho. Para o autor, entende-se por 
COMPETÊNCIA o conhecimento inato que as pessoas têm das regras que 
compõem uma língua. Já o uso efetivo dessa língua em situações reais é o 
que se entende por DESEMPENHO. Assim, cabe à linguística o estudo da 
competência, ou seja, o linguista deve descrever as regras de que é composta 
essa capacidade.
Para isso, devemos compreender o conceito de GRAMÁTICA
INTERNALIZADA adotado pelo modelo gerativista. Este conceito NÃO
compreende gramática como um livro cheio de regras que nos ensina o que 
é certo e o que é errado na língua (conceito de gramática prescritiva).
Tomemos os exemplos dados por Mioto; Silva; Lopes (2005) para 
entendermos o conceito de gramática internalizada.
(1) a. ‘Cê viu a Maria saindo.
b. Quem que ‘cê viu saindo?
c. A Maria disse que ‘cê foi viajar.
(2) a. * A Maria vai ver ‘cê.
b. * A Maria comprou o livro pra ‘cê.
c. * A Maria e ‘cê vão comprar o livro. 
Ao ler essas frases, percebemos que as sentenças em (1) são próprias do 
português brasileiro. Contudo, não podemos dizer o mesmo das sentenças 
em (2). Essa capacidade de dizer o que pertence a nossa língua, mesmo sem 
INTRODUÇÃO À LINGUÍSTICA
AULA 02: O FORMALISMO
34
ninguém nos ter ensinado, pertence ao conjunto de regras que compõe a 
nossa GRAMÁTICA INTERNALIZADA.
A partir dessa gramática, podemos dizer que as frases em (1) são 
GRAMATICAIS, pois são formadas segundo a gramática do português 
brasileiro, enquanto que as frases em (2) são AGRAMATICAIS.
Dessa forma, os conceitos de GRAMATICALIDADE e de 
AGRAMATICALIDADE dizem respeito, respectivamente, às sentenças que 
pertencem ou não a uma língua. Somente os falantes nativos podem decidir 
se uma frase pertence ou não àquela língua (MIOTO; SILVA; LOPES, 2005).
MULTIMÍDIA
Observemos no vídeo, a seguir, uma entrevista com o Chomsky sobre 
a linguagem humana.
Um dos objetivos principais da Gramática Gerativa é oferecer um meio 
de análise dos enunciados, através de um estudo da sintaxe que contemple o 
nível subjacente da estrutura linguística (WEEDWOOD, 2002). Tomemos o 
seguinte exemplo:
(3) O bombeiro assistiu ao incêndio da delegacia.
Temos nesse caso, uma estrutura ambígua, pois a frase pode ser 
interpretada de duas maneiras distintas: (a) a delegacia estava em chamas e 
o bombeiro presenciava o incêndio e (b) da delegacia, o bombeiro assistia a 
um prédio qualquer pegar fogo. Notemos, assim, que da delegacia é o 
sintagma causador da ambiguidade, pois, ora ele tem sentido do local 
incendiado, ora do local de onde se assistia ao incêndio. 
Pelo formato do modelo gerativista, poderíamos representar a estrutura 
linguística subjacente em (3) das seguintes formas:
CLIQUE AQUI
35
Ao analisarmos o esquema arbóreo de representação da sentença, ficam 
claras as duas interpretações possíveis do exemplo em (3). Notemos que a 
parte destacada, da delegacia, representa em (a) um adjunto adnominal do 
SN“o incêndio”. Já em (b), esse SPrep, da delegacia, é um adjunto adverbial 
do verbo assistir.
Esse modelo de análise e a teoria proposta pelo programa gerativista 
forma amplamente divulgados na linguística durante décadas. Este modelo 
será alvo de críticas, assim como o Formalismo de um modo geral, pelas 
correntes funcionalistas conforme veremos na aula a seguir. 
LEITURA COMPLEMENTAR
Para saber mais sobre os principais pontos de divergências entre as 
grandes correntes da Linguística do século XX, leia o artigo Gerativismo e 
Funcionalismo: encontros de divergências [1] (Visite a aula online para 
realizar download deste arquivo.) de Ana Fernandes Aguiar Gonçalves 
Cardoso. 
ATIVIDADE DE PORTFÓLIO
COM BASE NO QUE FOI ESTUDADO DURANTE AS AULAS RESOLVA AS QUESTÕES A
SEGUIR
01) De acordo com os objetivos da Linguística, marque V ou F e, em 
seguida, justifique sua resposta. 
( ) Os sinais que o homem produz quando fala ou escreve são chamados 
de signos.
( ) Os signos, em geral, verbais e não-verbais, são objetos de uma ciência 
geral dos signos: a Semiologia.
( ) Os signos da linguagem verbal têm uma importância tão grande para 
a humanidade que merecem uma ciência só para si: a Linguística. 
02) Leia o resumo acadêmico de Faria e Fujisawa (2009) e, em 
seguida, relacione o texto com as dicotomias Língua x Fala, 
Sincronia x Diacronia e Paradigma x Sintagma, de acordo com os 
trechos destacados. Para isso, escolha um dos pares da dicotomia 
abordado na pesquisa e justifique a sua escolha.
RESUMO: Uma das mudanças mais claras entre o latim vulgar e as 
línguas românicas é a da ordem básica das orações, que passou de 
36
Sujeito – Objeto -Verbo (SOV) para Sujeito – Verbo - Objeto (SVO). A 
compreensão desse processo – que interpretamos, aqui, da perspectiva 
da gramática gerativa – passa pela análise de textos antigos em latim, 
em busca de evidências que o suportem. O presente trabalho, portanto, 
busca por tais evidências na obra Satyricon, escrita no séc. I d.C. por 
Petrônio, cujas particularidades literárias aproximam certos trechos da 
obra do que seria a fala coloquial da época. Este trabalho mostrará que 
há evidências de que a mudança na ordem já estaria em curso no latim 
vulgar do séc. I d.C.. 
a) “passa pela análise de textos antigos em latim” (Língua x Fala)
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
b) “Este trabalho mostrará que há evidências de que a mudança na 
ordem já estaria em curso no latim vulgar do séc. I d.C.” (Sincronia x 
Diacronia)
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
c) “...ordem básica das orações, que passou de SOV (Sujeito – 
Objeto –Verbo) para SVO” (Paradigma x Sintagma)
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
03) O signo linguístico Saussureano é uma entidade psíquica de 
duas faces: significante e significado. Explique o caráter psíquico do 
significado e do significante a partir da exemplificação de Saussure 
(1975:80) que afirma: “Sem movermos os lábios nem a língua, podemos 
falar conosco ou recitar mentalmente um poema.”.
04) “Uma vez atribuído um nome, ele passa a ter um valor na 
língua”. Essa afirmação dialoga diretamente com a imagem acima. 
Ambas referem-se a um dos princípios do signo linguístico e o conceito 
de valor linguístico. Identifique esse princípio, explique-o e relacione-o 
ao conceito de valor.
05) A partir da imagem abaixo, escreva um pequeno texto sobre o 
Gerativismo, teoria da linguagem desenvolvida por Chomsky, 
destacando o posicionamento inatista dessa teoria.
37
 REFERÊNCIAS
LEPSCHY,Giulio C. A LINGUÍSTICA ESTRUTURAL. 2. ed. São Paulo: 
Perspectiva S.A, 1975.
LOPES, Edward. FUNDAMENTOS DA LINGUÍSTICA
CONTEMPORÂNEA. São Paulo: Cultrix, 1976.
MIOTO, Carlos; SILVA, Maria Cristina Figueiredo; LOPES, Ruth 
Elisabeth Vasconcellos. NOVO MANUAL DE SINTAXE. 2. ed. 
Florianópolis: Insular, 2009.
ORLANDI, Eni Pulcinelli. O QUE É LINGUÍSTICA. São Paulo: 
Brasiliense, 1999.
SAUSSURE, Ferdinand de. CURSO DE LINGUÍSTICA GERAL. São 
Paulo: Cultrix, 2006.
WEEDWOOD, Barbara. HISTÓRIA CONCISA DA LINGUÍSTICA. Trad. 
Marcos Bagno. São Paulo: Parábola Editorial, 2002.
FONTES DAS IMAGENS
1. http://www.letras.ufscar.br/linguasagem/edicao11/artigo08.pdf
2. http://www.denso-wave.com/en/
Responsável: Prof.ª Maria Silvana Militão
Universidade Federal do Ceará - Instituto UFC Virtual
38
TÓPICO 01: A LINGUÍSTICA FUNCIONAL: PANORAMA
A partir desse ponto, veremos o que denominamos Linguística 
Funcional, isso porque a Linguística, assim como as outras ciências 
humanas, atravessou três momentos: historicismo, descritivismo e 
funcionalismo. O primeiro momento foi marcado pelos estudos históricos da 
língua, na busca da protolíngua, no estabelecimento de árvores genealógicas 
das línguas e na comparação estrutural de línguas de origem comum (latim: 
português, espanhol, francês, italiano etc; germânico: inglês, alemão, 
holandês etc, por exemplo).
O segundo foi marcado pela formulação científica da Linguística por 
meios de trabalhos, como o de Ferdinando de Saussure (Curso de 
Linguística Geral) que esquematiza princípios de análise linguística, 
diferenciando língua (langue) de fala (parole); seguidamente encontramos 
outras propostas de cientifização dos estudos linguísticos: Leonardo 
Bloomfield (distribucionalismo); Noam Chomsky (Gerativismo). A ênfase 
dessa perspectiva é a análise exaustiva da estrutura da língua. Contudo, 
outra maneira de estudar a língua é buscar entender seus usos e 
seu funcionamento.
Cabe ao Funcionalismo buscar entender a relação entre os usos da 
linguagem e suas funções comunicativas. Essa corrente adota pontos de 
convergência como: mais atenção à funcionalidade da estrutura linguística 
(para que serve?); a utilização do conceito de enunciado (como é utilizado?) 
e, consequentemente, o conceito de discurso (qual o contexto de utilização?). 
VERSÃO TEXTUAL
ENUNCIADO – sequência de frases emitidas entre dois brancos 
semânticos, duas suspensões de comunicações; DISCURSO: enunciado 
do ponto de vista do mecanismo discursivo que o condiciona. 
(GYESPIN, Louis. Problematique dês travaux sur le discours politique. 
In: LANGAGES, 23, p. 3-24, 1971)
“O discurso é toda enunciação que supõe um locutor e um auditor, 
e, no primeiro, a intenção de influenciar ao outro de alguma maneira 
(BENVENISTE, Emile. PROBLEMAS DE LINGUÍSTICA GERAL I. 4. 
ed. México DF: Siglo XXI, 1974)
Parece haver uma ideia de que o Funcionalismo não se preocupa com 
regras gramaticais, não atenta para a estrutura ou mesmo o extremo: não 
concebe a noção de uma teoria gramatical, porém não é nada disso. A 
questão é que, embora não demonstrando uma unidade doutrinal, o 
Funcionalismo entende a língua como um sistema de significados 
acompanhados por formas por meio das quais esses significados podem ser 
atualizados. Um dos principais teóricos funcionalistas, Michael Halliday 
INTRODUÇÃO À LINGUÍSTICA
AULA 03: FUNCIONALISMO LINGUÍSTICO
39
(1985), apresentando um quadro conceitual da gramática funcional (estuda 
como a língua é usada) apresenta três instâncias de análise: 
1. O texto – usado para explicar a linguagem, seja ele escrito ou dito, é um 
contexto de uso.
2. O sistema – retoma a ideia de articulação de elementos para a 
produção e a recepção¬ de sentido; organizado em dois eixos, o da 
atividade (o uso da linguagem) e o da reflexão [melhor dizendo: a relação 
interpessoal (agirsobre os outros)]. 
3. A estrutura linguística – cada elemento da língua é explicado por sua 
função, uso, dentro do sistema linguístico.
Por isso que a visão linguística de Halliday é chamada de sistêmico-
funcional, pois busca integrar o binarismo língua/fala, dicotomias já 
propostas por Saussure e grandes nomes do Formalismo.
Leia a charge abaixo:
Fonte [2]
UMA PROPOSTA DE ANÁLISE FUNCIONAL
Veja, a seguir, a proposta de análise funcional da charge.
NÍVEL TEXTUAL: 
A charge é um gênero textual que se caracteriza por uma leitura rápida, 
estrutura linguística simples, tamanho reduzido, reunião de elementos 
verbais e não verbais principalmente icônicos; de teor crítico, pendendo 
quase sempre ao jocoso. Sabemos que nem sempre para esse tipo de texto 
era possível sua vinculação pública. Ainda hoje, em países de regime político 
fechado, sua publicação é proibida. Mesmo no Brasil, alguns políticos 
conseguiram judicialmente que não se relacione sua imagem ou nome à 
charge, dado que sempre são ironizados, criticados.
Veja: analisamos a relação do texto com seu processo histórico.
NÍVEL SISTÊMICO E FUNCIONAL (ESTRUTURA LINGUÍSTICA EM
ARTICULAÇÃO): 
40
No nível sistêmico, analisamos como os elementos linguísticos se 
articulam no texto. Um princípio já estabelecido por Hjelmslev: a função 
nasce da articulação de dois elementos. 
Neste nível, focaremos a partícula ONDE, que na gramática é 
preestabelecido como advérbio ou pronome relativo. Contudo, pela 
gramática funcional, um elemento linguístico ganha funções e é classificado 
de acordo com seu uso, sua posição (o chamado aspecto tático (Táctico, ca: 
do gr. τακτικός, der. de τάσσειν, por em ordem.) 
Observe que o onde é o primeiro elemento apresentado no texto, 
direcionando-nos a dizer Brasil, cuja resposta não aparece em nenhum 
momento no texto. Inclusive o próprio nome “país” está antecedido por um 
denominado artigo indefinido “um”, ratificando a ideia de indefinição, de 
não apontar a algo específico no mundo. Mas nosso conhecimento de mundo 
e inferências de leitura fazem-nos deduzir qual o lugar a que a charge faz 
referência. Não é à toa que é o primeiro termo a ser empregado no texto e 
que encabeça a oração retirada de sua estrutura canônica, fazendo surgir em 
sua posição o “assim” – que retoma a tudo o que foi dito anteriormente, até 
aquilo que as reticências indicam que foi suspenso da fala do locutor. Note 
que o próprio vocativo “Kadafi”, que, comumente vem no início de oração, é 
o último elemento a ser utilizado. Isso por que: o autor quis focar as 
características do dito país. O tema de sua fala é o dito país em que tudo é 
possível, não o ditador, que é apenas uma informação compartilhada para 
contextualizar o texto.
Uma análise funcional da língua entende que cada escolha do usuário 
estabelece uma função para a constituição textual – eis o exemplo da eleição 
do nome de Kadafi, como exemplo, e não outro político.
KADAFI
Aqui poderíamos usar um substantivo que mais convém a nossa 
visão de mundo: ditador, presidente, chefe de estado, premier etc. – 
embora sinônimas cada um deles tem um sentido diferenciado.
Veja: aqui utilizamos dois níveis sistêmico e funcional para exemplificar 
a relação entre a escolha de determinados elementos linguísticos (onde, 
assim, Kadafi) e sua função argumentativa na charge em estudo. 
Essa é uma das diferenças entre o Funcionalismo e o Estruturalismo: 
para este, a noção de função linguística surge pela oposição de elementos 
linguísticos, para aquele, surge da articulação. 
De tudo o que comentamos, perguntamos: é o advérbio um termo 
acessório como afirma a Gramática Tradicional? Está ele ligado apenas ao 
verbo (ad para/verbio verbo)? Neste caso, não. Seu campo de 
abrangência é todo o texto – considerando que, no Funcionalismo, as 
análises são colocadas em um continuum entre mais ou menos – podendo, 
em outros casos, o advérbio estar ligado mais ao verbo.
FONTES DAS IMAGENS
41
1. http://www.adobe.com/go/getflashplayer
2. http://alagoinhas-bahia-acaminhada.blogspot.com/2011/08/oposicao-
posiciona-se-contra-as.html
3. http://www.denso-wave.com/en/
Responsável: Prof.ª Maria Silvana Militão
Universidade Federal do Ceará - Instituto UFC Virtual
42
TÓPICO 02: PRINCIPAIS ESCOLAS E CÍRCULOS
Como já afirmamos, anteriormente, os estudos linguísticos de 
orientação funcional não apresentam uma uniformidade teórica. O 
caracteriza a todos eles é o ponto de partida: As funções da língua. Assim são 
compelidos a explicarem e a descreverem a língua em uso.
Outro fator interessante é que dentro do Funcionalismo encontramos 
ideias funcionais, já previstas pelo grande nome do Estruturalismo, 
Saussure: língua como instrumento de comunicação e língua como cultura. 
Isso para que vejamos que uma visão não exclui a outra.
A seguir, citaremos os principais movimentos dentro da corrente em 
estudo:
OS CÍRCULOS LINGUÍSTICOS
A seguir, citaremos pelo menos três movimentos importantes de estudos 
linguísticos, dentro da corrente em estudo, que surgiram na Europa, durante 
a primeira metade do século XX: o Círculo Linguístico de Moscou (CLM), o 
Círculo Linguístico de Praga (CLP) e o Círculo Linguístico de Copenhague 
(CLC).
Estes círculos, baseados nas ideias de Saussure, eram formados por 
grupos de estudiosos interessados em discutir, sob diferentes aspectos, as 
idéias de saussureanas. Os dois primeiros não enfocaram apenas o aspecto 
formal das línguas, mas uma língua vista como sistema funcional, enquanto 
o CLC focalizou o aspecto formal das línguas, deixando sua função em 
segundo plano.
CÍRCULO LINGUÍSTICO DE MOSCOU
Fonte [1]
O Círculo Linguístico de 
Moscou (CLM) nasce em 1915, por 
iniciativa de Roman Jakobson, ao 
reunir os formalistas russos. Tinha 
como objetivo estudar 
cientificamente a língua e as leis de 
produção poética. Os estudiosos 
denominados "formalistas" 
buscavam desenvolver uma prática 
de análise despojada de 
subjetividade e abstração. O 
formalismo em excesso culminou 
com a extinção deste círculo.
Também chamado de Formalismo Russo – grupo de teóricos da 
literatura que aplicavam pressupostos estruturalistas no estudo e na 
produção de textos poéticos. Principal nome: Roman Jakobson.
CIRCULO LINGUÍSTICO DE PRAGA
INTRODUÇÃO À LINGUÍSTICA
AULA 03: FUNCIONALISMO LINGUÍSTICO
43
Além do CLM, Jakobson participou, também, como fundador do 
CÍRCULO LINGUÍSTICO DE PRAGA (CLP) ou Escola de Praga, juntamente 
com os russos Nicolai Trubetzkoy e Serge Karcevsky, com um manifesto 
apresentado durante o Primeiro Congresso Internacional de Linguística de 
Haia (1928). Na realidade, o Círculo Linguístico de Praga foi fundado por 
Mathesius, em 1926, ao reunir pesquisadores tchecos e linguistas 
estrangeiros, como o alemão Bühler, os franceses Benveniste, Tesnière, 
Vendryès e Martinet. A linguística oriunda deste círculo estabeleceu como 
ponto primordial a dimensão sincrônica. 
Fonte [2]
A maior contribuição de Trubetzkoy vai-se dar principalmente no 
domínio da fonologia, ao estabelecer a diferença entre fonética (ciência que 
estuda os sons da fala) e fonologia (ciência que estuda os sons da língua). 
Seus Princípios de Fonologia (Principes de phonologie) são uma síntese da 
linguística pragueana. Além de instaurar e sintetizar a fonologia, seu 
trabalho mais importante é seu enfoque na noção de fonema. No seu ponto 
de vista, as mudanças fonéticas e fonológicas não são fenômenos isolados, 
mas organizados em busca de um fim comum.
Por questões políticas, cientistas de várias nacionalidades se 
radicaram em Praga, como: Roman Jakobson, Roman Osipovich, Nikolai 
SergeievichTrubetzkoi, Josef Vachek, Bohumil Trnka, Vilém Mathesius, 
Jan Firbas, František Daneš etc.
Embora heterogêneo este Círculo se caracterize "por forte ênfase no 
estudo das funções da linguagem. Esta ênfase na função inclui a função da 
linguagem no ato de comunicação e o papel da linguagem na sociedade; a 
função da linguagem na literatura e o problema dos diferentes aspectos e 
níveis de linguagem do ponto de vista funcional" ( GARVIN, 1974, p. 238).
Principais áreas de atuação:
a) Fonologia – estudo da importância funcional do padrão sonoro 
dentro do sistema linguístico;
b) Perspectiva oracional funcional – interpretação linguística dos 
estudos de estilística da frase, que pode ser dita de várias maneiras 
(tema/rema), por exemplo, o cachorro lambeu minha mão. TEMA
(parte geral do que se fala e pressupõe conhecimento do interlocutor) + 
REMA (o que se diz do tema, incorporando informação nova). A ideia 
44
também é a de que o usuário da língua tematiza seus enunciados de acordo 
com sua intenção
c) E função estética da linguagem e seu papel na literatura e nas 
outras artes verbais. Note que há uma forte ênfase na literatura, isso 
porque eles estudavam a língua em sua manifestação literária. É bom saber 
que até hoje esta escola desenvolve suas investigações 
http://www.praguelinguistics.org/ [3]
CÍRCULO LINGUÍSTICO DE COPENHAGEN
Fonte
O CÍRCULO LINGUÍSTICO DE COPENHAGUE (CLC) foi fundado pelo 
dinamarquês Louis Hjelmslev em 1931. Essa Escola adotou a concepção 
saussureana de língua como um sistema autônomo. Segundo Orlandi 
(2009, p. 35), "em Copenhague, exclui-se qualquer referência à literatura. 
Só se leva em conta a lógica-matemática, e um dos fins almejados é a 
elaboração de uma teoria linguística universal".
L. Hjelmslev desenvolveu a Glossemática, teoria em que se estuda a 
língua como forma e não, como substância, e a sua estrutura interna 
através do método empírico. Estabeleceu a oposição entre denotação 
(sentido primeiro) e conotação (sentido segundo), produzindo uma 
separação estanque entre o plano lógico da comunicação e o plano afetivo 
de efeito poético. Razão e emoção estão separadas categoricamente nessa 
reflexão linguística (ORLANDI, 2009, p.35). Seu trabalho foi fundamental 
para a construção da Semiótica. A partir de 1939, fundou o jornal Acta 
Linguística, órgão da linguística estrutural. 
Também chamada de Glossemática teve como principal nome Louis 
Hjelmslev. Seus estudos podem ser considerados tanto estruturais, quanto 
funcionais. Este último porque afirma ter a língua dois níveis (expressão + 
conteúdo), ou seja, cada expressante linguístico tem seu conteúdo de 
significado, os quais se opõem obtendo valor dentro do sistema linguístico 
– vindo daí o conceito de função: o valor resultante da articulação entre 
formas e conteúdos. (articulação para o Funcionalismo; oposição para o 
Estruturalismo).
Outros estudos se desenvolveram na Europa, tais como: o 
Funcionalismo Francês, a Escola Inglesa e, por fim, nos Estados Unidos, o 
Funcionalismo Norte-Americano.
45
Quadro Síntese 
 Funcionalismo A) Função Forma – embora considere a língua do ponto de vista 
da EXPRESSÃO LINGUÍSTICA, seu olhar está para a função.
B) Função – esta concepção também é 
considerada no Estruturalismo, o qual 
entende como aquilo que surge da 
relação entre elementos linguísticos. No 
Funcionalismo, considera-se assim, 
porém tal interpretação para utilidade.
A língua é usada para a comunicação. Em cada contexto comunicativo, 
selecionamos formas linguísticas diferentes para nos expressarmos. 
Assim o que importa, para essa corrente, é a função linguística utilizada 
na comunicação, as formas linguísticas variam de língua para língua, e 
em uma mesma língua. 
REFLEXÃO
Pense em quantas formas de saudações podemos usar para 
cumprimentar uma pessoa:
Oi!; olá!; e aí?; bom dia!; boa tarde!; boa noite!; dia!; tarde!; e aí, sô!; 
e aí, mano!; e aí, velho!; tudo na paz?; tudo beleza! Etc
Observou quantas formas usamos para a função “saudação” em 
português? Temos uma função e várias formas para expressá-la. 
FONTES DAS IMAGENS
1. http://www.portalentretextos.com.br/webroot/img/prt_materias/image
m_418b9c79c1.jpg
2. http://www.vdl.ufc.br/solar/aula_link/llpt/I_a_P/Intro_Ling/aula_03
-3497/imagens/02/02_clip_image001%20(2).jpg 
3. http://www.praguelinguistics.org/
4. http://www.denso-wave.com/en/
Responsável: Prof.ª Maria Silvana Militão
Universidade Federal do Ceará - Instituto UFC Virtual
46
TÓPICO 03: PRINCIPAIS CONCEITOS
Dado que o funcionalismo parte da função e não da forma, há nove 
princípios básicos que servem de orientação para os estudos funcionais: 
iconicidade, marcação, transitividade, planos discursivos, informatividade, 
gramaticalização, discursivização, ciclo funcional e unidirecionalidade 
(CUNHA et al., 2003). A seguir tratamos da iconicidade.
ICONICIDADE
Há uma relação entre expressão e conteúdo, dado que a língua reflete as 
experiências humanas. Não quer dizer isso que há uma relação entre língua e 
mundo exterior, mas que o conhecimento adquirido pelo uso dos sentidos 
influência na configuração do sistema linguístico. Por isso que, por exemplo, 
as línguas naturais apresentam estruturas distintas, mas também comuns. 
NEVES (2010: 23) APRESENTA VÁRIOS TIPOS DE ICONICIDADE
a) Iconicidade de quantidade: quanto maior a informação, maior a 
forma. Exemplo: ela NÃO quis ir NÃO. [caso chamado de dupla negativa].
Estrutura esta que pode ser mais ou menos marcada. Imagine um 
comerciante cearense dizendo: "Tem, mas tá faltando!" – veja que a ideia 
da resposta é toda ela negativa, mas não há nenhum elemento tipicamente 
de negação, a não ser o conectivo "mas", no qual se marca a negatividade, 
mas bem menos se fosse usada uma resposta mais ‘tradicional": "Não 
tenho!". Isso porque o comerciante intencionando manter o interesse do 
cliente em seu produto, minimiza a quantidade de elementos negativos de 
sua fala.
b) Iconicidade de distância ou proximidade: quanto maior a distância 
conceptual, maior a distância linguística entre expressões;
c) Iconicidade de independência: separação linguística de expressão 
independência conceptual;
d) Iconicidade de ordenação: grau de importância determina a ordem; 
e) Iconicidade de complexidade: forma plural maior do que forma 
singular; 
f) Iconicidade de categorização: sujeitos são preponderantemente 
agentes e objetos, pacientes. 
GRAMATICALIZAÇÃO
a morfologia de hoje é a sintaxe de amanhã (GIVON, 1971, p. 413).
Diferentemente de outras categorias de análise, quando tratamos de 
gramaticalização, elegemos uma forma e mapeamos seu funcionamento. 
Façamos nos entender!
Iniciemos com a definição de gramaticalização: ocorre quando um 
vocábulo ou uma expressão linguística passa a exercer, em certos contextos, 
INTRODUÇÃO À LINGUÍSTICA
AULA 03: FUNCIONALISMO LINGUÍSTICO
47
uma nova função como item gramatical; ou quando já gramaticalizados, 
gramaticalizam-se mais ainda, podendo mudar de categoria sintática, atuar 
com outras propriedades na sentença, passar por alterações semânticas e 
fonológicas etc. Abaixo exemplificamos:
Habere: verbo auxiliar morfema de futuro 
No latim clássico, usavam-se as formas amabo (futuro do presente / 
ativo), entendido como amarei, e a locução amare habeo [verbo principal no 
infinitivo + verbo auxiliar habere (conjugado)] para expressar a ideia de 
desejo, traduzida como terei/haverei de amar.
Dado que essa locução verbal, além de indicar desejo, também indica 
algo que ocorrerá no futuro, foi pouco a pouco substituindo a forma sintética 
do latim clássico (amabo) no latim vulgar. Podemos indicar essa mudança 
naseguinte sequência:
(amare) habeo > a(b)eo > *aio > *eio > ei
Ou seja, a forma habeo limitou-se, nesse processo, ao morfema de 
futuro –ei. E, hoje, usamos amar + ei = amarei (que por sua vez, parece 
estar sendo substituída pela perífrase ir + infinitivo, vou amar, vamos 
trabalhar etc.).
Observe que só o futuro do presente e o do pretérito permitem intercalar 
pronome (mesóclise), dado que, no latim, assim também ocorria:
amare (te) habeo amar-te-ei
Partindo do exemplo acima e retomando a frase com que iniciamos esta 
seção, a morfologia de hoje é a sintaxe de amanhã, máxima lançada por 
Givón, apresentamos uma sistematização do processo de gramaticalização:
(Adaprtado de Castilho, 1997:32)
Essa sistematização permite que vejamos o processo de gramaticalização 
do verbo latino habere, de item discursivo, caminhou rumo à morfologia. Em 
cada fase que passou, foi perdendo massa fônica (habeo > -ei).
Em linhas gerais, os estudos de gramaticalização consideram dois 
pontos fundamentais (GONÇALVES et al., 2007: 19):
i. Fazem a distinção entre itens lexicais, signos linguísticos plenos, 
classes abertas de palavras, lexemas concretos, palavras principais de um 
lado, e itens gramaticais, signos linguísticos “vazios”, classes fechadas de 
palavras, lexemas abstratos, palavras acessórias, do outro;
48
ii. Consideram que as últimas categorias tendem a se originar das 
primeiras. 
Veja quadro abaixo:
Itens lexicais Itens gramaticais
Signos linguísticos plenos Signos linguísticos “vazios”
Classes abertas de palavras Classes fechadas de 
palavras
Lexemas concretos Lexemas abstratos 
Palavras principais Palavras acessórias
PORTFÓLIO
Busque um texto curto, que reúna pelo menos dois tipos de 
linguagens (verbal e não verbal) e efetue uma análise semelhante a que foi 
feita com a charge. Lembre-se de ressaltar não apenas os valores textuais, 
mas também formais e sua relação com a expressão de sentido.
FÓRUM
Busque mais informações sobre gramaticalização e discuta no fórum. 
Use exemplos para ilustrar sua explicação e procure desenvolver 
comentários consistentes.
Para auxiliar, consultem:
Gramaticalização no português do Brasil: uma abordagem funcional 
[1] (Visite a aula online para realizar download deste arquivo.)
Gramaticalização: definição, princípios e análise de casos. [2] (Visite a 
aula online para realizar download deste arquivo.)
REFERÊNCIAS
CASTILHO, Ataliba T. A gramaticalização. Estudos linguísticos e 
literários. Salvador,n. 19,p.25-63,1997.
FURTADO DA CUNHA, Maria Angélica; OLIVEIRA, Mariângela Rios; 
MARTELOTTA, Mário Eduardo (Orgs.). LINGÜÍSTICA FUNCIONAL: 
TEORIA E PRÁTICA. Rio de Janeiro: DP&A, 2003.
GARVIN, Paul. A Escola Linguística de Praga. In: HILL, Archibald. 
ASPECTOS DA LINGUÍSTICA MODERNA. Tradução de Adair Palácio et 
all. 2. ed. São Paulo: Cultrix/EDUSP, 1974. pp. 236-245.
GIVÓN, Talmy. Historical Sintax na Synchronic Morfology: an 
Archaelogist’s. Field Trip. Papers from the 7th.Regional Meeting. 
Chicago: Chicago Linguist Society, 1971.
GONÇALVES, Sebastião Carlos Leite; GALVÃO, Vania Cristina Casseb; 
HERNANDES, Maria Célia Lima (Orgs.) et alli . INTRODUÇÃO À
49
GRAMATICALIZAÇÃO: princípios teóricos e aplicação. São Paulo: 
Parábola Editorial, 2007.
HALLIDAY, Michael A.K. AN INTRODUCTION TO FUNCTIONAL
GRAMMAR. Baltimore: Edward Arnold, 1985.
MARTINET, André. ELEMENTOS DE LINGÜÍSTICA GENERAL. 
Traducción del francés por Julio Calonge Ruiz. Madrid: Gredos, 1968.
NEVES, Maria Helena de Moura. A GRAMÁTICA FUNCIONAL. São 
Paulo: Martins Fontes, 1997.
_______. TEXTO E GRAMÁTICA. São Paulo: Contexto: 2010.
ORLANDI, Eni Puccinelli. O QUE É LINGUÍSTICA. São Paulo: 
Brasiliense, 2009. (Coleção primeiros passos).
FONTES DAS IMAGENS
1. http://www.discursoegramatica.letras.ufrj.br/download/publicacao_livr
o_gramaticalizacao.pdf
2. http://www.ufmg.br/online/arquivos/anexos/Gramaticalizao_ufrj.pdf
3. http://www.denso-wave.com/en/
Responsável: Prof.ª Maria Silvana Militão
Universidade Federal do Ceará - Instituto UFC Virtual
50
TÓPICO 01: PERCURSO HISTÓRICO
Não se pode falar em estudar Linguística, hoje, sem se reportar à 
Linguística de Texto (LT). Este ramo da Linguística tomou uma dimensão tal 
que as pesquisas em LT estão se avolumando cada vez mais e o interesse por 
essa área do conhecimento não para de crescer. Atualmente, desenvolvemos 
complexas pesquisas à luz dos fundamentos da LT.
A Linguística de Texto toma o texto como objeto de estudo. Isso quer 
dizer que interessa a esse campo de investigação o texto como uma unidade 
de sentido. 
Para o desenvolvimento deste item, falaremos da trajetória histórica da 
LT, da coesão, da coerência textual e da referenciação como mecanismo de 
construção dos sentidos do texto. 
TRAJETÓRIA HISTÓRICA DA LINGUÍSTICA TEXTUAL
Assim como tudo que acontece na vida, a Linguística de Texto (LT) não 
nasceu do nada. Ela surgiu a partir da necessidade de se repensar as 
concepções de texto, em primeiro lugar. A gramática não abarcava essa 
noção, e a LT passou a discutir essa e outras concepções, o que a colocou em 
fase de consolidação de tal modo que grandes saltos em busca de solução 
para questões que, até então, pareciam sem solução. Somente para se ter 
uma ideia, ainda se concebia texto como um conglomerado de frases.
De qualquer forma, a LT começou de forma tímida, como veremos a 
seguir, porém já era um começo.
Os autores, de modo geral, dentre os quais destacamos Koch (2004), 
separaram, para efeitos de estudo, a trajetória da LT em três momentos, 
como expostos a seguir.
1.1 A FASE INTERFRÁSTICA E DAS GRAMÁTICAS DE TEXTO. 
Esta é considerada a primeira fase ou fase inicial da LT. Ela data de, 
aproximadamente, da metade da década de 60 até meados da década de 70 
(KOCH, p. 2004).
Nesse momento, a LT apresentou como preocupação básica os 
mecanismos interfrásticos, ou seja, seu olhar se voltava para os usos do 
sistema gramatical da língua. Com isso, houve destaque para o uso da 
pronominalização e da correferência (Correferência é a retomada de um 
referente expresso no cotexto, cuja âncora está explícita. Ex.: Os alunos da 
turma de Leitura e Produção de Textos Acadêmicos receberam o material. 
<b>Eles</b> o acharam fácil. ) Era essa a noção, concepção de 
referenciação. Os casos de retomada do referente eram identificados pelos 
usos do artigo definido e indefinido. Na verdade, a referenciação restringia-
se aos casos de coesão textual.
INTRODUÇÃO À LINGUÍSTICA
AULA 04: LINGUÍSTICA DE TEXTO / PSICOLINGUÍSTICA
51
Segundo Koch (2004, p. 4), "o texto era concebido como uma 'frase 
complexa', 'signo linguístico primário', (apud HARTMANN, 1968), 'cadeia de 
pronominalizações ininterruptas' (apud HARWEG, 1968), 'sequência 
coerente de enunciados' (apud ISENBERG, 1971), ' cadeia de 
pressuposições' (apud BELLERT,1970).
Nota-se, com essas definições, que o texto era um conglomerado de 
estruturas fechadas. Não havia indicações de que nascia da interlocução, da 
interação, como concebemos, hoje.
Quanto aos estudos referenciais, estes limitavam-se à correferência, aos 
processos correferenciais, relações que se estabeleciam entre dois elementos 
do texto. Vejamos o exemplo a seguir. 
(1) A festa de aniversário do Pedro estava animada. Ele 
estava feliz. O pronome ele retoma correferencialmente Pedro. 
Todavia, alguns autores alemães (INSEBER, 1968; LATER, 1979) já 
faziam referência às anáforas não correferenciais, como nos exemplos 
seguintes, retirados de KOCH (2004, p. 4). 
(2) Ontem houve um casamento. A noiva usavaum longo vestido 
branco. (ISENBERG, 1968)
(3) Pedro me molhou todo. A água me escorria pelo corpo 
abaixo.
(4) Era um belo povoado. A igreja ficava numa colina. 
(VATER, 1979 apud KOCH, 2004).
Note-se que as anáforas são retomadas por inferência. A primeira, a 
noiva, é retomada por inferência a casamento; a água por inferência ao verbo 
molhou; e igreja por inferência a povoado, que deve ter uma igreja.
Também nessa fase, surgiram as chamadas gramáticas de texto. Na 
época, elas representaram certo avanço. Isso aconteceu devido à ideia de que 
“o texto seria simplesmente a unidade linguística mais alta, superior à 
sentença” ( KOCH, 2004, p. 5).
Essas gramáticas teriam tarefas básicas, tais como:
a) Verificar o que faz com que um texto seja um texto, ou seja, determinar 
seus princípios de construção, os fatores responsáveis pela coerência, as 
condições em que fatores responsáveis pela coerência, as condições em que 
se manifesta a textualidade.
b) Levantar critérios para a delimitação de textos, já que a completude é uma 
de suas características essenciais;
c) Diferenciar as várias espécies de textos (KOCH, 2004, p. 5). 
52
A ideia que veio atrelada a essas gramáticas foi a de que havia uma 
competência textual à semelhança da competência linguística, defendida por 
Chomshy. Isso significava que todo falante poderia distinguir um texto 
coerente de um não coerente, a partir de suas propriedades linguísticas.
O texto passou a ser “considerado o signo linguístico primário, 
atribuindo-se aos seus componentes o estatuto de signos 
parciais.” (HARTMANN, 1968, apud KOCH, 2004, p. 6). Assim, o texto 
passou a ser visto como uma unidade hierarquicamente mais elevada, haja 
vista ter suas estruturas determinadas pelas regras de uma gramática textual.
As gramáticas textuais tiveram seus modelos definidos sob a perspectiva 
dos autores americanos, como: Harold Weinrich, modelo estruturalista que 
preconizava a construção de uma macrossintaxe do discurso, com base no 
tratamento textual de categorias gramaticais: artigos, tempos verbais, certos 
advérbios. O modelo de Jono Petöfi, que consta de uma base textual e que 
“consiste em uma representação semântica indeterminada com respeito às 
manifestações lineares do texto (KOCH, 2004, p. 7) . Em seu modelo, Petöfi 
torna possível: a) a análise do texto, isto é, a atribuição de uma manifestação 
linear, de todas as bases textuais possíveis; b) a síntese de textos , ou seja, a 
geração de todas as bases textuais possíveis; c) a comparação de textos.
Teun Van Dijk (1972), um dos pioneiros da linguística textual, apresenta 
um modelo de gramática, cujas características são as seguintes:
VERSÃO TEXTUAL
Insere-se no quadro teórico gerativo;
Utiliza em grande escala o instrumental teórico e metodológico de 
lógica formal;
Busca integrar a gramática do enunciado em uma gramática do 
texto, sustentado, porém, que não basta estender a gramática da frase, 
como faziam muitos autores da época, mas que uma gramática textual 
tem por tarefa principal especificar as estruturas profundas a que 
denomina macroestruturas textuais. 
Embora não se tenham configurado, posteriormente, como um grande 
salto na LT, as gramáticas de texto representaram, de certa forma, um 
avanço nos estudos linguísticos, notadamente porque os linguistas 
envolvidos na construção dessas gramáticas, nesta fase da LT, introduziram 
o componente semântico. Além deles, muitos outros linguistas trataram 
desse fenômeno (semântico), como as cadeias isotópicas, as relações 
semânticas entre os enunciados dos textos não ligados por conectores. 
Enfim, o sentido do texto também era encontrado na superfície do texto. 
1.2 A FASE PRAGMÁTICA
Logo surgiu a necessidade de incrementar a abordagem à qual o texto 
vinha sendo analisado. A abordagem sintático-semântica cedeu lugar, então, 
à perspectiva pragmática, na década de 70. Com isso, a pesquisa em 
Linguística Textual ganha nova dimensão: já não se tratava de pesquisar a 
53
língua como sistema autônomo, mas sim o seu funcionamento nos processos 
comunicativos de uma sociedade concreta.”( KOCH, 2004:13-4)
Nessa perspectiva, o texto era visto, analisado não mais como um 
produto acabado, mas como um processo , uma atividade que resulta da 
interação humana, que surge dos contratos enunciativos, das intenções 
comunicativas das pessoas que interagem com o fim de produzir 
comunicação. Segundo Koch ( 2004, p. 14):
Os impulsos decisivos para esta nova orientação 
vieram da Psicologia da Linguagem – especialmente 
da Psicologia da Atividade de origem soviética e da 
Filosofia da Linguagem, em particular da Filosofia da 
Linguagem Doutrinária da Escola de Oxford, que 
desenvolveu a Teoria dos Atos de Fala. Caberia, então, 
à Linguística Textual a tarefa de provar que os 
pressupostos e o instrumental metodológico dessas 
teorias eram transferíveis ao estudo dos textos e de 
sua produção / recepção, ou seja, que se poderia 
atribuir também aos textos a qualidade de formas de 
ação verbal.
Também nessa vertente houve destaque para outros alemães 
(Weenderlich, 1976; Schmidt, 1973; Motsch, 1983; Motsch e Pasch, 1987; e 
Van Dijk, 1980). Dentre eles, destacamos Weenderlich, que foi um dos 
primeiros responsáveis a incorporar valores pragmáticos a LT. Ou seja, ele 
teve a preocupação de incorporar valores pragmáticos às pesquisas sobre o 
texto, afirma Koch ( 2004). Também Isenberg ( 1976) teve uma participação 
importante, ele apresenta um método que permite descrever a geração, 
interpretação e análise de texto, desde a estrutura pré-linguística da 
interação comunicativa até a sua manifestação superficial.” ( KOCH, 2004, p. 
15)
Nessa perspectiva pragmática toda e qualquer manifestação de 
linguagem está sujeita ao contexto de uso, que, por sua vez, se submete às 
condições de produção vinculadas à interação dos interlocutores. Para 
resumir, observamos os pressupostos gerais da obra introdução à linguística, 
de Heinemann; Viehweger (1991), que retratam os principais princípios 
norteadores da perspectiva pragmática da LT.
VERSÃO TEXTUAL
1. Usar uma língua significa realizar ações. A ação verbal constitui 
uma atividade social, efetuada por indivíduos sociais, com o fim de 
realizar tarefas comunicativas, ligadas com a troca de representações, 
metas e interesses. Ela é parte de processos mais amplos de ação, pelos 
quais é determinada.
2. A ação verbal é sempre orientada para os parceiros da 
comunicação, portanto é também ação social, determinada por regras 
sociais.
54
3. A ação verbal realiza-se na forma de produção e recepção de 
textos. Os textos são, portanto, resultantes de ações verbais/estruturas 
ilocucionais, que estão intimamente ligadas com a estrutura 
proposicional dos enunciados.
4. A ação verbal consciente e finalisticamente orientada origina-se 
de um plano / estratégia de ação. Para realizar seu objetivo, o falante 
utiliza-se da possibilidade de operar escolhas entre os diversos meios 
verbais disponíveis. A partir da meta final a ser atingida, o falante 
estabelece objetivos parciais, bem como suas respectivas ações 
parciais. Estabelece-se, por uma hierarquia entre os atos de fala de um 
texto dos mais gerais aos mais particulares. Ao interlocutor cabe, no 
momento da compreensão, reconstruir essa hieraquia.
5. Os textos deixam de ser examinados como estruturas acabadas 
(produtos) e passam a ser considerados no processo de sua 
constituição, verbalização tratamento pelos parceiros da comunicação.
Por fim, podemos afirmar que, nessa fase, o conceito de coerência toma 
nova dimensão: “ passa a incorporar, ao lado dos fatores sintático-
semânticos, umasérie de fatores de ordem pragmática e 
contextual.” ( kOCH, 2004, p. 19-20).
1.3 A FASE COGNITIVISTA
Surge, na década de 80, uma nova orientação de análise de texto: a 
cognitivista. Nessa, o texto é analisado sob a ordem de operações mentais. 
Trata-se de uma abordagem procedural, segundo a qual os conhecimentos 
devem ser ativados para que os co-enunciadores manifestem seus saberes 
acerca de determinado tipo de atividade social. Ou seja, os co-enunciadores 
têm conhecimentos acumulados na memória que precisam ser ativados para 
ser externados em dado momento. 
Conforme menciona Koch (2004), Beaugrande e Dressler foram os 
pioneiros nesse contexto e perceberam que o texto é originado “por uma 
multiplicidade de operações cognitivas interligadas”, “ um documento de 
procedimentos de decisão, seleção e combinação” ( BEAUGRANDE, 
DRESSLER, 1981: 37, apud Koch, 2004: 22) .
Koch (2004) cita também Heinemann; Viehweger (1991) para dizer que, 
nesta vertente, existem vários tipos de conhecimentos: o linguístico, o 
enciclopédico, o interacional e o referente a modelos textuais globais. 
Todavia, vale a pena lembrar que esses tipos de conhecimentos agem 
cognitivamente para a obtenção dos significados. O processamento cognitivo 
ocorre pela junção, atenção, combinação, de todos esses conhecimentos 
simultaneamente. O cognitivo ativa-os para que a mente processe as reações 
cognitivas.
O conhecimento linguístico refere-se ao conhecimento gramatical e 
lexical, o que compreende as relações de som e sentido. O conhecimento 
enciclopédico é o que se encontra armazenado na memória cognitiva do 
indivíduo. Diz respeito a todo conhecimento acumulado. O referente a 
55
modelos textuais globais são originários de modelos variados. Na literatura, 
são atribuídas denominações diversas, como: frames, scripts, cenários, 
esquemas, modelos mentais, modelos episódicos ou de situação. Esses 
modelos são “caracterizados como estruturas complexas de conhecimentos 
que representam as experiências que vivenciamos em sociedade e que 
servem de base aos processos conceituais.” (KOCH, 2004, p. 24):
O conhecimento sobre estruturas ou modelos 
textuais globais é aquele que permite aos falantes 
reconhecer textos como exemplares de determinado 
gênero ou tipo. Envolve, também, conhecimentos 
sobre as macrocategorias ou unidades globais que 
distinguem os vários tipos de textos, sobre a sua 
ordenação ou sequenciação (Superestruturas 
textuais), bem como sobre a conexão entre objetivos, 
bases textuais e estruturas textuais globais. Segundo 
Heinemann e Viejweger (1991), seriam ainda 
precárias, na época da publicação de sua obra, as 
respostas à questão de saber quais os conhecimentos 
específicos que estariam aí incluídos. Contudo, parece 
possível apontar algumas aproximações, por exemplo, 
de modelos cognitivos contextuais, de Van Dijk 
(1994/1997), os “tipos de atividades”, sugeridos por 
Levinson (1979) e outros, que, evidentemente, variam 
conforme a perspectiva dos diversos estudiosos. 
Parece-me, contudo, que a aproximação mais 
produtiva poderia ser feita com a noção de gênero, 
que hoje volta a ocupar posição central nos estudos 
sobre texto/ discurso.
Nessa vertente fica claro que o processamento estratégico depende não 
só das características textuais, mas de características inerentes às línguas, 
como seus objetivos, convicções e conhecimentos de mundo. Ou seja, essas 
condições dependem dos objetivos dos usuários, pois elas são 
pragmaticamente definidas, pois dependem da quantidade de conhecimento 
disponível a partir do texto e do contexto, e isso envolve uma série de valores 
como: crenças, opiniões, atitudes diante do que será interpretado. 
A PERSPECTIVA SOCIOCOGNITIVO- INTERACIONISTA
Não tardou que a separação entre exterioridade e interioridade, 
presente nas ciências cognitivas clássicas, se visse questionada, 
principalmente, pela separação que opera entre fenômenos mentais e 
sociais.
As ciências cognitivas clássicas vêm trabalhando com uma diferença 
bem nítida e estanque entre os processos cognitivos que acontecem dentro 
da mente e como eles são acionados para resolver problemas postos pelo 
ambiente. O ambiente seria, assim, apenas um meio a ser analisado e 
56
representado internamente, ou seja, uma fonte de informações para a 
mente individual. 
Desta maneira, a cultura e a vida social seriam parte deste ambiente e 
exigiriam a representação, na memória, de conhecimentos especificamente 
culturais. Entender a relação entre cognição e cultura seria, portanto, 
entender o conjunto de noções e procedimentos a serem armazenados 
individualmente. É fácil ver que, partindo desse ponto de vista, a cultura é 
subsidiária e dependente do conjunto de mentes que a compõem, ou seja, 
um fenômeno em geral passivo, sobre o qual as mentes atuam.
A concepção de mente desvinculada do corpo, característica do 
cognitivismo clássico, que predominou por muito tempo nas ciências 
cognitivas e, por decorrência, na linguística, começa a cair como um todo 
quando várias áreas das ciências, como a neurobiologia, a antropologia e 
também a própria linguística dedicam-se a investigar com mais vigor esta 
relação e constatam que muitos dos nossos processos cognitivos têm por 
base mesma a percepção e capacidade de atuação física no mundo. Uma 
visão que incorpore aspectos sociais e interacionais à compreensão do 
processamento cognitivo baseia-se no fato de que existem muitos 
processos cognitivos que acontecem na sociedade e não exclusivamente 
nos indivíduos. Essa visão, efetivamente, tem se mostrado necessária para 
explicar tanto fenômenos cognitivos quanto culturais.
Mente e corpo não são duas entidades estanques. Muitos adultos vêm 
defendendo a posição de que a mente é um fenômeno essencialmente 
corporificado (emboied), que os aspectos motores e perceptuais e as 
formas de raciocínio abstrato são todos de natureza semelhante e 
profundamente inter-relacionados. Para autores como Varela, Thompson e 
Rosch (1992), nossa cognição é o resultado das nossas ações e das nossas 
capacidades sensório-motoras. Estes autores enfatizam a enação, ou seja, 
emergência e desenvolvimento dos conceitos nas atividades nas quais os 
organismos se engajam, como a forma pela qual eles fazem sentido do 
mundo que os rodeia.
Portanto, tais operações não se dão apenas na cabeça dos indivíduos, 
mas são o resultado da interação de várias ações conjuntas por eles 
praticadas. As rotinas computacionais que acontecem socialmente são 
muito comuns e envolvem várias tarefas diárias (pensemos, por exemplo, 
na necessidade de computar conjuntamente quando se trata de tarefas 
como preparar com alguém uma receita culinária, ou o que acontece num 
restaurante para que o prato possa chegar à mesa dos fregueses). Essas 
tarefas constituem rotinas desenvolvidas culturalmente e organizam as 
atividades mentais internas dos indivíduos, que adotam estratégias para 
dar conta das tarefas de acordo com as demandas socialmente impostas.
Isto quer dizer que muito da cognição acontece fora das mentes e não 
somente dentro delas: a cognição é um fenômeno situado, ou seja, não é 
simples traçar o ponto exato em que a cognição está dentro ou fora das 
mentes, pois o que existe aí é uma inter-relação complexa. Volta-se 
exclusivamente para dentro da mente à procura da explicação para os 
57
comportamentos inteligentes e para as estratégias de construção do 
conhecimento podem levar a sérios equívocos. 
Desta forma, na base da atividade linguística está a interação e o 
compartilhar de conhecimentos e de atenção: os eventos linguísticos não 
são a reunião de vários atos individuais e independentes.São, ao contrário, 
uma atividade que se faz com os outros , conjuntamente. No dizer de Clark 
(1996), a língua é um tipo de ação conjunta.
São, pois, ações conjuntas aquelas que envolvem a coordenação e mais 
de um indivíduo para sua realização, por exemplo, dois pianistas 
executando um dueto ao piano, um casal dançando, duas pessoas remando 
uma canoa. Ainda outros exemplos são: crianças brincando de roda, 
músicos de um conjunto tocando juntos. Uma ação conjunta se diferencia 
de ações individuais não meramente pelo número de pessoas envolvidas, 
mas pela qualidade da ação, pois nela a presença de vários indivíduos e a 
coordenação entre eles é essencial para que a ação se desenvolva. 
Dentro desta perspectiva, as ações verbais são ações conjuntas, já que 
usar a linguagem é sempre engajar-se em alguma ação em que ela é o 
próprio lugar onde a ação acontece, necessariamente em coordenação com 
os outros. Essas ações não são simples realizações autônomas de sujeitos 
livres e iguais. São ações que se desenrolam em contextos sociais, com 
finalidades sociais e com papéis distribuídos socialmente. Os rituais, os 
gêneros e as formas verbais disponíveis não são em nada neutros quanto a 
este contexto social e histórico.
As abordagens interacionistas consideram a linguagem uma ação 
compartilhada que percorre um duplo percurso na relação sujeito/ 
realidade e exerce dupla função em relação ao desenvolvimento cognitivo: 
intercognitivo ( sujeito/mundo) e intercognitivo (linguagem e outros 
processo cognitivos). Cognição, aqui, define-se como um conjunto de 
várias formas de conhecimento, não totalizado por linguagem, mas de sua 
responsabilidade: os processos cognitivos, dependentes, como linguagem, 
da significação, não são tomados como comportamentos previsíveis ou 
aprioristicamente concebidos, à margem das rotinas significativas da vida 
em sociedade. O tipo de relação que se estabelece entre linguagem e 
cognição é estreito, interno, de mútua constitutividade, na medida em que 
supõe que não há possibilidades integrais de pensamento ou domínios 
cognitivos fora da linguagem, nem possibilidades de linguagem fora de 
processos interativos humanos. A linguagem é tida como o principal 
mediador da interação entre as referencias do mundo biológico e as 
referências do mundo sociocultural ( cf. MORATO, 2011).
Dentro desta concepção, amplia-se, mais uma vez, a noção de 
contexto, tão cara à Linguística Textual. Se, inicialmente, nas análises 
transfrásticas o contexto era visto apenas como co-texto (segmentos 
textuais precedentes e subsequentes ao fenômeno em estudo), tendo, 
quando da introdução da pragmática passado a abranger, primeiramente a 
situação comunicativa e, posteriormente, o entorno sócio-histórico-
cultural, representado na memória por meio de modelos cognitivos, ele 
58
passa a constituir agora a própria interação e seus sujeitos : o contexto 
constrói-se , em grande parte, na própria interação. 
Portanto, na concepção interacional (dialógica) a língua, na qual os 
sujeitos são vistos como atores / construtores sociais, o texto passa a ser 
considerado o próprio lugar da interação, e os interlocutores, sujeitos 
ativos que – dialogicamente - nele se constroem e por ele são construídos. 
A produção de linguagem constitui atividade interativa altamente 
complexa de produção de sentidos, que se realiza, evidentemente, com 
base nos elementos linguísticos presentes na surpeficie textual e na sua 
forma de organização, mas que requer não apenas a mobilização de um 
vasto conjunto de saberes (enciclopédia), mas sua reconstrução – e a dos 
próprios sujeitos - no momento da interação verbal.
Em consequência do grande interesse pela dimensão sociointeracional 
da linguagem e processos afeitos a ela, surge (ou ressurge) uma série de 
questões pertinentes para a “agenda de estudos da linguagem”, entre as 
quais as diversas formas de progressão textual (referenciação, progressão 
referencial, formas de articulação textual, progressão temática, progressão 
tópica), a dêixis textual, o processamento sociocognitivo do texto, os 
gêneros, inclusive da mídia eletrônica, questões ligadas ao hipertexto, a 
intertextualidade, entre várias outras. 
PARADA OBRIGATÓRIA
Linguística Textual – uma entrevista com Ingedore Villaça Koch Leia 
o texto com a entrevista completa. [3]
FÓRUM
Considerando que a Linguística Textual passou por três momentos 
históricos e que esses momentos não são estanques, discuta com seus 
colegas cada um desses momentos, destacando as características de cada 
um e, simultaneamente, evidenciando a inter-relação entre eles. 
FONTES DAS IMAGENS
1. http://www.adobe.com/go/getflashplayer
2. http://www.adobe.com/go/getflashplayer
3. http://docslide.com.br/documents/revel-1-entrevista-ingedore-
koch.html#
4. http://www.denso-wave.com/en/
Responsável: Prof.ª Maria Silvana Militão
Universidade Federal do Ceará - Instituto UFC Virtual
59
TÓPICO 02: MECANISMOS DE CONSTRUÇÃO DE SENTIDOS DO TEXTO
Se as coisas são inatingíveis... ora! Não é motivo 
para não querê-las... Que tristes os caminhos, se não 
fora a presença distante das estrelas! 
(Mário Quintana) [1]
Por um longo tempo, coesão e coerência textual 
foram sinônimos de Linguística Textual. Ainda hoje, 
muitos estudiosos, pesquisadores se debruçam sobre 
o estudo desses fenômenos linguísticos. 
Não só a coesão e a coerência. São sete os 
mecanismos que, em geral, os autores descrevem 
como responsáveis pela construção da textualidade. 
Ou seja, que eles descrevem como responsáveis 
indispensáveis pela construção dos sentidos dos 
textos. Beuagrande e Dressler (1981) dividem esses 
fatores da seguinte forma: dois se concentram no 
texto, coesão e coerência, e cinco no usuário, 
situacionalidade, informatividade, intertextualidade, 
intencionalidade e aceitabilidade. 
LEITURA COMPLEMENTAR
Para esclarecer sobre cada um desses mecanismos sugerimos a leitura 
do artigo A CONSTRUÇÃO DO TEXTO: COESÃO E COERÊNCIA 
TEXTUAIS CONCEITO DE TÓPICO [2] (Visite a aula online para realizar 
download deste arquivo.), de Maria Lúcia Mexias Simon, que, com muita 
propriedade e poder de síntese, explicita cada um desses mecanismos.
 REFERÊNCIAS
SIMON, Maria Lúcia Mexias. A construção do texto coesão e coerência 
textuais conceito de tópico. Disponível em 
http://www.filologia.org.br/revista/40suple/a_construcao_de_texto.pdf. 
[3] (Visite a aula online para realizar download deste arquivo.) Acesso 
em 23 de Out de 2011.
FONTES DAS IMAGENS
1. http://pensador.uol.com.br/frases_de_mario_quintana/
2. http://www.filologia.org.br/revista/40suple/a_construcao_de_texto.pd
f
3. http://www.filologia.org.br/revista/40suple/a_construcao_de_texto.pd
f
INTRODUÇÃO À LINGUÍSTICA
AULA 04: LINGUÍSTICA DE TEXTO / PSICOLINGUÍSTICA
60
4. http://www.denso-wave.com/en/
Responsável: Prof.ª Maria Silvana Militão
Universidade Federal do Ceará - Instituto UFC Virtual
61
TÓPICO 03: : A REFERENCIAÇÃO
Sobre a Arte de ler, disse uma vez [Quintana]: “O 
leitor que mais admiro é aquele que não chegou até a 
presente linha. Neste momento já interrompeu a 
leitura e está continuando a viagem por conta 
própria.” E eu também... assim sigo a minha, para 
onde vai a sua?
(Vinícius Masutti)
Especial para o Diário de Cuiabá. Disponível em [1]
O processo de referenciação é um mecanismo de textualização presente 
nos gêneros textuais, de modo geral, responsável pela construção dos 
sentidos dos textos e pela progressão temática. 
Os autores partidários da concepção ampla de referenciação concebem o 
referente como objeto do discurso, que se sustenta em bases cognitivo-
discursivas. De acordo comesta concepção, os referentes não são estáveis, ou 
seja, não estão no mundo à disposição dos falantes/usuários para serem 
colhidos e usados à medida que eles forem sentindo necessidade. O que se 
sabe, com base em estudos, é que há uma instabilidade no léxico, 
determinada pela plasticidade dos significados, propriedade das línguas 
naturais em geral. Em função desta instabilidade, os referentes vão-se 
construindo segundo os pontos de vista dos interlocutores. Esta concepção é 
designada por Apothéloz e Reichler-Béguelin (1995) como 
socioconstrutivista, também Koch (2002) e Lima (2004) partilham dessa 
concepção, pois os sujeitos falantes controlam, em seus discursos, a evolução 
dos objetos. Para eles, os referentes não devem ser tomados como entidades 
apriorísticas e estáveis, mas como objetos-de-discurso. Ressaltam que os 
referentes são construídos a partir de informações adquiridas nos contextos 
comunicativos, resultantes do saber por eles compartilhado.
REFERENCIAÇÃO ANAFÓRICA
Assim como o processo de referenciação, a anáfora constitui uma 
estratégia de textualização bastante presente nos gêneros textuais, de modo 
geral. Koch (2002, p. 85), ao falar em progressão referencial, menciona os 
principais tipos de estratégias de progressão referencial: “a) uso de 
pronomes ou elipses; b) usos de expressões nominais definidas; c) uso de 
expressões nominais indefinidas”. O uso dessas estratégias é responsável 
pela construção dos referentes discursivos, pois, além de proporcionar uma 
organização estrutural, desenvolve também a temática do texto. 
Cavalcante (2004) propõe uma classificação para os processos 
referenciais. Em sua proposta, ela os separa em anáforas correferências e não 
INTRODUÇÃO À LINGUÍSTICA
AULA 04: LINGUÍSTICA DE TEXTO / PSICOLINGUÍSTICA
62
correferências. No primeiro grupo, abrigam-se as anáforas diretas, chamadas 
correferências (ACo), que retomam o referente cotextualmente. Elas podem 
ser recategorizadoras ou não. No segundo grupo, as anáforas não 
correferências também denominadas de indiretas (AI). São chamadas 
recategorizadoras aquelas que atribuem novos significados ao referente 
retomado. 
Vejamos um exemplo:
(2) Visitei a casa de minha tia. A mansão estava deslumbrante. 
Mansão retoma casa e atribui-lhe novo significado. Ou seja, recategoriza-a. 
As anáforas recategorizadoras, assim como as não-recategorizadoras,, 
possuem âncora clara no cotexto. Cavalcante (2004) destaca quatro subtipos 
desta categoria de anáfora:
a) por hiperonímia; 
b) por expressão definida; 
c) por nome genérico; 
d) por pronome. Vejamos mais um exemplo ilustrativo do subtipo b.
(6) “SOBE CARLOS ALBERTO PARREIRA. O treinador tetracampeão 
do mundo voltou ao comando da seleção brasileira.” (CAVALCANTE, 
2004: 9)
O treinador tetracampeão do mundo retoma Carlos Alberto Parreira, 
cuja âncora está no texto, e lhe atribui novo significado. Dessa vez, 
nomeando-o com uma de suas “qualidades”. Pelo menos, a maioria dos 
brasileiros sabe que ele foi campeão, quatro vezes, já que participou das 
quatro copas em que a seleção do Brasil venceu.
Passemos ao segundo grupo de anáforas, as indiretas ou não 
correferências. Conforme Cavalcante (2004:13), “as anáforas indiretas foram 
acordadas na literatura como tendo duas características fundamentais, 
porém não únicas: (i) a não correferencialidade e (ii) a introdução de um 
referente novo sob o modo do conhecido”.
Na referenciação indireta, há pistas textuais que possibilitam ao co-
enunciador as inferências, ou seja, há sempre elementos de relação de 
sentido entre o referente e a anáfora. Como lembra Koch (2002, p. 108), 
“anáforas deste tipo desempenham um papel extremamente importante na 
construção da coerência”.
As relações no processo que envolve as AIs é sempre mais complexo, 
pois é necessário um esforço maior, por parte do interlocutor/co-enunciador, 
para fazer a recuperação do referente, uma vez que a âncora não está 
claramente explicitada no cotexto. Nesse processo, há necessidade de maior 
grau de “cumplicidade” entre os interlocutores, eles precisam ter um nível de 
partilhamento de informações bem acentuado para obter o sentido pleno da 
informação. Confirmemos com um exemplo extraído de Cavalcante 
(2004:14).
63
(7) Decifra-me ou te mato
“Essa é a radicalidade do consumismo. Viver é satisfazer imediatamente 
os desejos. Suzane Richthofen disse que, ajudada pelo namorado, matou por 
amor. O pai, um engenheiro, e a mãe, uma psiquiatra, não gostavam do 
namorado e estariam inviabilizando a relação. Como não conseguiu a 
autorização para manter o relacionamento e não queria fugir de casa - até 
porque não sabia como iria assegurar o padrão de vida-, optou pelo 
assassinato.” (Artigo de opinião – Gilberto Dimenstein).
Em (7), o leitor recupera o sentido da informação que é atribuído a 
expressão a relação, porque cognitivamente detém o conhecimento de que 
esta palavra pressupõe relação afetiva, amorosa, entre ela e o namorado, que 
levou a jovem ao assassinato dos pais. Em resumo, as anáforas indiretas são, 
pois, mecanismos importantes de construção da textualidade capazes, 
inclusive, de proporcionar situações comunicativas de criatividade e beleza 
nas formas de expressão textual. 
LEITURA COMPLEMENTAR
Para maior aprofundamento no assunto, leia o artigo REFERIR E 
ARGUMENTAR: DUAS FUNÇÕES DOS PROCESSOS DE 
REFERENCIAÇÃO INDIRETA NO TWITTER, [2] (Visite a aula 
online para realizar download deste arquivo.) de Jaqueline Barreto Lé.
A DÊIXIS
A dêixis designa o conjunto de palavras ou expressões (expressões 
dêiticas) que têm como função ‘apontar’ para o contexto situacional ou 
textual. Deste modo, essas palavras ou expressões, ao serem utilizadas num 
discurso, adquirem um novo significado, uma vez que o seu referente 
depende do contexto ou do cotexto. Em outras palavras, a dêixis pode ser 
definida como o conjunto de processos linguísticos que permitem inscrever 
nos enunciados as marcas da sua enunciação, que é única e irrepetível. 
Assim, assinalam o sujeito que enuncia (locutor), o sujeito a quem se dirige 
(interlocutor), o tempo e o espaço da enunciação.
O sujeito da enunciação/coenunciador é o ponto central a partir de 
quem se estabelecem todas as coordenadas do contexto enunciativo: eu - é 
aquele que diz eu no momento em que fala; tu é a pessoa, o interlocutor, a 
quem o eu se dirige; agora é o momento em que o eu fala; aqui é o lugar em 
que o eu se encontra, isto é, um objeto que se encontra perto do eu. Os 
tempos verbais indicam um tempo anterior, simultâneo ou posterior ao 
momento da enunciação (ex.: escrevi, escrevo, escreverei). 
Com efeito, é o sistema de coordenadas referenciais 
(EU/TU—AQUI—AGORA) da enunciação que possibilita a atribuição de 
sentidos referenciais. “A própria palavra dêixis, pelo seu sentido etimológico, 
está associada ao gesto de “apontar” [3].
64
Como vimos, há vários tipos de dêixis. Para conhecer mais sobre esses 
tipos, vejamos o artigo que se encontra no link: CAVALCANTE, M. M. 
Dêiticos discursivos. Disponível em 
http://www.revistadeletras.ufc.br/rl22Art06.pdf. [4] (Visite a aula online 
para realizar download deste arquivo.) Acesso em 23/10/2011.
 REFERÊNCIAS
APOTHÉLOZ, D. Rôle et fonctionnement de l'anaphore dans la 
dynamique textuelle.
Neuchâtel. Tese, 1995. (Doutorado) Université de Neuchâtel. p. 18-43.
CAVALCANTE, M. M.; BRITO, Mariza A. (Orgs.). Gêneros textuais e 
referenciação. Fortaleza: Quatro Comunicação, 2004, CD-Rom, 21p.
_____ . Dêiticos discursivos. Disponível em 
http://www.revistadeletras.ufc.br/rl22Art06.pdf [5] (Visite a aula 
online para realizar download deste arquivo.) Acesso em23/10/2011.
KOCH, I. G. Desvendando os segredos do texto. São Paulo, Cortez. 
2002.
_____. Introdução à lingüística. São Paulo: Contexto, 2004.
_____, I. G.; MARCUSCHI, Luiz. A. Processos de referenciação na 
produção discursiva. DELTA, 14, nº Especial, p. 169-190, 1998.
LÉ, Jaqueline Barreto. Referir e argumentar: duas funções dos 
processos de referenciação indireta do twitter.Disponível 
emhttp://www.hipertextus.net/volume5/Jaqueline-Barreto-Le.pdf. 
[6] (Visite a aula online para realizar download deste arquivo.) Acesso 
em 16/10/11. 
LIMA, T. S. Construção de cadeias referenciais em narrativas escritas 
por alunos da 8ª série do ensino fundamental. Belo Horizonte, 2004. 
Dissertação (Mestrado em Lingüística). Programa de Pós-Graduação 
em Estudos Lingüísticos. Universidade Federal de Minas Gerais.
MONDADA, L.; DUBOIS, D. Construction des objets de discours et 
catégorisation: une approche des processus de référenciation. In: 
TRANEL (Travaux neuchâtelois de linguistique). 1995, 23, 273-302.
FONTES DAS IMAGENS
1. http://www.diariodecuiaba.com.br/detalhe.php?cod=401120)
2. http://www.hipertextus.net/volume5/Jaqueline-Barreto-Le.pdf
3. http://apoioptg.blogspot.com/2007/06/deixis.html
4. http://www.revistadeletras.ufc.br/rl22Art06.pdf
5. http://www.revistadeletras.ufc.br/rl22Art06.pdf
6. http://www.hipertextus.net/volume5/Jaqueline-Barreto-Le.pdf
7. http://www.denso-wave.com/en/
Responsável: Prof.ª Maria Silvana Militão
Universidade Federal do Ceará - Instituto UFC Virtual
65
TÓPICO 04: PSICOLINGUÍSTICA
O PROCESSAMENTO DA LINGUAGEM
A Psicolinguística é um ramo da Linguística que se interessa em analisar 
o processamento da linguagem oral e escrita e os fatores que afetam a 
decodificação, isto é, as estruturas psicológicas que nos capacitam a entender 
expressões, palavras, orações e textos.
Para entendermos um pouco melhor como ocorre esse processamento 
da linguagem, precisamos nos remeter a duas áreas de nosso cérebro: as 
áreas de Broca e de Wernick.
VERSÃO TEXTUAL
A intersubjetividade humana se realiza através de cada ato de 
enunicação, de modo que o processo de interação verbal passa a ser 
considerado como uma realidade fundamental da língua.
O interlocutor não é mais um polo inerte do processo de 
comunicação, mas um sujeito ativo que lida com signos linguísticos 
vivos, dinâmicos, que vão se modificando na interação. O outro passa a 
ser considerado no processo de constituição do significado, o que 
obriga a considerarmos o ato de enunciação em um contexto mais 
amplo, revelando as relações entre o linguístico social.
A Área de Broca é a parte do cérebro humano responsável pelo 
processamento da linguagem, produção da fala e compreensão. Possui este 
nome em homenagem ao médico francês Paul Broca.
A Área de Wernicke é uma região do cérebro humano responsável 
pelo conhecimento, interpretação e associação das informações. Graves 
danos nessa área podem fazer com que uma pessoa que escuta perfeitamente 
e reconhece bem as palavras seja incapaz de agrupá-las para formar um 
pensamento coerente. A área recebe o nome em homenagem a Karl 
Wernicke, neurologista e psiquiatra alemão.
INTRODUÇÃO À LINGUÍSTICA
AULA 04: LINGUÍSTICA DE TEXTO / PSICOLINGUÍSTICA
66
A descoberta dessas áreas foi, sem dúvida alguma, um grande marco 
para os estudos sobre onde ocorrem o processamento e a compreensão da 
linguagem. No entanto, sobre o modo como isso ocorre temos várias teorias, 
as chamadas teorias de aquisição da linguagem. A seguir, veremos as 
principais.
BEHAVIORISMO OU COMPORTAMENTALISMO
Teoria desenvolvida pelo Psicólogo norte-americano B. F. Skinner que 
encara o processo de aquisição da linguagem como um acúmulo de 
comportamentos verbais. Ou seja, a linguagem seria um tipo de 
comportamento adquirido pela experiência, em decorrência da exposição ao 
meio e da utilização de mecanismos comportamentais como estímulo, 
resposta e reforço.
Principal hipótese: a linguagem é um tipo de comportamento 
adquirido pela experiência, em decorrência da exposição ao meio e da 
utilização de mecanismos comportamentais como estímulo, resposta e 
reforço. 
A aquisição da linguagem: resultado de uma construção gradativa 
operada pela criança que ocorre primordialmente pela imitação da produção 
verbal do adulto. 
Estímulo reforço 
resposta
Na escola: Os comportamentalistas afirmam que a pessoa que cuida da 
criança, o professor, por exemplo, deve modelar as formas adultas corretas e 
fazer uso do reforço e da recompensa para corrigir as produções imitativas 
delas. Através de estímulos, respostas e reforços (que podem se manifestar 
de forma positiva ou negativa), ocorre a maturação do comportamento 
verbal, ou seja, por esse processo, a criança torna-se madura como usuária 
da língua.
Principais objeções:
1. Não explica como as crianças produzem sentenças nunca ouvidas antes; 
2. O processo de aquisição ocorre de forma muito rápida.
INATISMO
A proposta inatista, também conhecida como gerativista, surgiu em 
1957, com a publicação de um artigo do linguista norte-americano N. 
Chomsky, que criticava o modelo behaviorista vigente na época. 
O principal argumento do inatismo contra o comportamentalismo é a 
afirmação de que a linguagem infantil não é uma imitação da linguagem do 
adulto, pois existem expressões linguísticas na fala da criança que não se 
verificam na fala dos adultos. Sendo assim, as crianças possuem suas 
próprias regras de fala, e, à medida que interagem com o ambiente 
linguístico que as cerca, adaptam sua fala às regras da língua-alvo que 
precisam desenvolver.
67
Principal hipótese: a criança nasce com uma capacidade inata para 
a linguagem e esta capacidade é exclusiva do ser humano. 
A aquisição da linguagem ocorre em dois momentos: no primeiro 
momento, a criança já nasce biologicamente (geneticamente) equipada com 
uma gramática que possui todas as regras possíveis de todas as línguas. No 
entanto, ao nascer, a criança realiza operações mentais que transformam a 
gramática universal na gramática da língua a que está exposta.
Em meio a esse processo, há o chamado “Período crítico de aquisição da 
linguagem”, momento em que o cérebro infantil está dotado de uma 
extraordinária plasticidade especificamente para a atividade cognitiva de 
adquirir uma ou mais línguas naturais. Esse período pode se estender até por 
volta dos sete anos de idade. Isso ocorre porque a criança possui um 
Dispositivo de Aquisição da Linguagem (DAL) capaz de gerar a 
gramática da língua na qual ela está imersa
A proposta inatista é, portanto, mentalista. Isto é, a linguagem está 
radicada, em última instância, na mente humana.
Para explicar o segundo momento da aquisição da linguagem, Chomsky 
formulou a Teoria de Princípios e Parâmetros.
Segundo essa teoria, o ser humano adquire uma língua natural porque 
ele vem equipado, no estágio inicial, com uma gramática universal, dotada 
de princípios universais pertencentes à faculdade da linguagem e de 
parâmetros fixados pela experiência, ou seja, pelo contato com a língua 
materna. 
Veja as comparações entre os dois momentos para a aquisição da linguagem: 
68
Assim, de acordo com Chomsky, a linguagem está atrelada às 
características biológicas e cognitivas inerentes à espécie humana, o que 
reafirma seu caráter universal.
O CONSTRUTIVISMO COGNITIVISTA
O postulado central das ideias de Piaget sobre aquisição da linguagem é 
que o conhecimento não pode ser concebido como algo predeterminado 
desde o nascimento (inatismo), nem como resultado do simples registro de 
percepções do meio exterior (empirismo). O conhecimento da criança resulta 
das ações e interações do sujeitocom o ambiente onde vive. Para ele, todo 
conhecimento se constrói e se elabora desde a infância, por meio de 
interações com os objetos que o indivíduo procura conhecer, no ambiente em 
que se encontra. 
Principal hipótese: o desenvolvimento linguístico da criança é 
determinado por seu desenvolvimento cognitivo. 
A aquisição da linguagem depende, assim, do 
desenvolvimento da inteligência na criança, que ocorre em 
estágios.. Em outras palavras, a linguagem surge mediante a superação do 
estágio de desenvolvimento cognitivo conhecido como sensório-motor, 
que ocorre por volta dos 18 meses. Nesse estágio, ocorre o desenvolvimento 
da função simbólica (um significante é relacionado a um objeto significado) e 
da representação (a experiência pode ser cognitivamente armazenada e 
recuperada pela criança). Após superar esse estágio a criança entra em outro 
estágio chamado de pré-operacional, cujas características principais 
são: 
• “A Revolução coperniciana”: a criança percebe que não é mais o centro 
das coisas;
• O desenvolvimento da função simbólica . O desenvolvimento da 
função simbólica (um significante é relacionado a um objeto significado) 
e da representação (a experiência pode ser cognitivamente 
armazenada e recuperada pela criança).
O outro estágio da aquisição da linguagem é o das operações 
concretas, no qual há na criança o aparecimento da capacidade de 
69
interiorizar as ações, ou seja, ela começa a realizar operações mentalmente e 
não mais apenas através de situações concretas.
Por fim, temos o Estágio das operações formais, no qual a criança, 
ampliando as capacidades conquistadas anteriormente, consegue raciocinar 
sobre hipóteses na medida em que é capaz de formar conceitos abstratos e 
por meio deles realizar operações mentais dentro dos princípios da lógica 
formal. A aquisição da linguagem da criança desenvolve-se, então, a partir de 
uma linha evolutiva, ou seja, à medida que a criança entra em contato com o 
ambiente ela vai aprimorando, construindo seu conhecimento. Esta 
construção dá-se em termos de: 
Principal objeção: o pouco enfoque dado ao componente social. 
Na escola: O sujeito ativo de que falamos é aquele que compara, exclui, 
ordena, categoriza, classifica, reformula, comprova, formula hipóteses, etc. 
em uma ação interiorizada (pensamento) ou em ação efetiva (segundo seu 
grau de desenvolvimento). Alguém que esteja realizando algo materialmente, 
porém seguindo um modelo dado por outro, para ser copiado, não é 
habitualmente um sujeito intelectualmente ativo.
A escola deve partir dos esquemas de assimilação da criança, 
propondo atividades desafiadoras que provoquem desequilíbrios e 
reequilibrações sucessivas, promovendo a descoberta e a construção 
do conhecimento.
O SÓCIO- INTERACIONISMO
A ideia central de Vygostsky sobre a aquisição da linguagem era que as 
questões sociais são muito importantes para o desenvolvimento linguístico 
da criança. Assim, enquanto Piaget parte da cognição para a socialização, 
Vygostsky, por outro lado, parte da interação social para a 
representação mental da linguagem.
A linguagem é, então, considerada pelo sócio-interacionismo como a 
primeira forma de socialização da criança, e, na maioria das vezes, é efetuada 
explicitamente pelos pais através de instruções verbais durante atividades 
diárias, assim como através de histórias que expressam valores culturais. A 
socialização através da linguagem pode ocorrer também de forma implícita, 
por meio de participação em interações verbais que têm marcações sutis de 
papéis e status. Desta forma, através da linguagem a criança tem acesso, 
antes mesmo de aprender a falar, a valores, crenças e regras, adquirindo os 
conhecimentos de sua cultura.
70
Principal hipótese: as origens das formas superiores de 
comportamento consciente, como a linguagem, o pensamento e a memória 
devem ser encontradas nas relações sociais que o homem mantém. 
A aquisição da linguagem: o desenvolvimento da linguagem e do 
pensamento tem origens sociais nas trocas comunicativas entre criança e 
adulto. Tais trocas, a princípio construídas socialmente, sofreriam, por volta 
dos dois anos de idade, um movimento de interiorização e representação 
mental.
As transformações causadas por este movimento manifestam-se na 
ZDP. 
A proposta sócio-interacionista de Vygotsky teve influência marxista, 
uma vez que o soviético acreditava que as origens das formas superiores de 
comportamento estavam no inter-relacionamento do indivíduo com o 
ambiente exterior; e humbolditiana, ao conceber que a linguagem tem o 
duplo papel de mediar a relação do homem com sua história e a cognição 
com o exterior. 
Na escola: o professor deve intervir na aprendizagem do aluno a fim de 
desenvolver a construção de conceitos.A formação de conceitos 
espontâneos ou cotidianos desenvolvidos no decorrer das interações 
sociais, diferencia-se dos conceitos científicos adquiridos pelo ensino, 
parte de um sistema organizado de conhecimentos.
O aluno não é tão somente o sujeito da aprendizagem, mas, aquele 
que aprende junto ao outro o que o seu grupo social produz, tal 
como: valores, linguagem e o próprio conhecimento. 
ATIVIDADE DE PORTFÓLIO
Procure comparar as teorias de aquisição da linguagem apresentadas 
nessa aula e justifique, com argumentos, a que você considera mais 
plausível. 
 REFERÊNCIAS
AIMARD, Paule. A Linguagem da criança. Porto Alegre: 
Artmed, 1986.
CHOMSKY, Noam. Linguagem e mente. Brasília: Universidade 
de Brasília, 1998.
MONTEIRO, Rosemeire Selma. Equacionando: alfabetização e 
letramento. In: Anais do GELNE, 1998. 
PIAGET, Jean. A linguagem e o pensamento da criança. Rio 
de Janeiro: Fundo de Cultura, 1973. 
PIAGET, J. e GRECO, P. Aprendizagem e conhecimento. São 
Paulo: Freitas Bastos, 1974. 
71
SCARPA, Ester Mirian. Aquisição da linguagemIn: 
MUSSALIM, Fernanda; BENTES, Ana Cristina.Introdução à 
lingüística: domínios e fronteiras. São Paulo: Cortez, 2001. v.2.
SKINNER, B. F. Ciência e Comportamento Humano. São 
Paulo: Martins Fontes, 1980.
SOUZA, Solange Jobim e. Infância e Linguagem: Baktin, 
Vygotsky e Benjamin. 6. ed. São Paulo: Papirus, 2001.
STENBERG, Robert J. Psicologia Cognitiva. Porto Alegre: 
Artmed, 2000.
VYGOTSKY, L. -A formação social da mente. SP: Martins 
Fontes, 1987.
VYGOTSKY, L.S. Pensamento e linguagem. 2. ed. São Paulo: 
Martins Fontes, 1989.
WOOD, David. Como as crianças crescem e aprendem. São 
Paulo: Martins Fontes, 1996. 
FONTES DAS IMAGENS
1. http://www.adobe.com/go/getflashplayer
2. http://www.adobe.com/go/getflashplayer
3. http://www.denso-wave.com/en/
Responsável: Prof.ª Maria Silvana Militão
Universidade Federal do Ceará - Instituto UFC Virtual
72
TÓPICO 01: ANÁLISE DO DISCURSO – A COMPLEXIDADE DAS RELAÇÕES ENTRE SENTIDO E CONTEXTO
ANÁLISE DO DISCURSO
Os estudos da linguagem realizados hoje são de uma forma ou de outra, 
tributários de Ferdinand de Saussure, sejam tomando o linguista suíço como 
ponto de partida e assumindo os seus postulados, seja rejeitando esses 
postulados. Alguns estudiosos, embora reconhecendo o valor da revolução 
linguística empreendida por Saussure, logo questionaram a dicotomia língua 
versus fala, na medida em que a exclusão da fala do campo dos estudos 
linguísticos suscitava questões que o modelo de análise até então 
desenvolvido não dava conta
Fonte [1]
Um desses estudiosos foi Mikhail Bakhtin, que fundamentou as suas 
reflexões no princípio de que a língua é um fato social cuja existência se 
funda das necessidades de comunicação. A língua deveria ser vista, então, 
como algo concreto, fruto da manifestação individual de cada falante, 
valorizando,assim, a fala. Formula, assim, uma teoria do enunciado, que 
passa a ser objeto dos estudos da linguagem, assim como a situação de 
enunciação, já que esta é componente necessário para a compreensão da 
estrutura semântica de qualquer ato de comunicação verbal.
VERSÃO TEXTUAL
A intersubjetividade humana se realiza através de cada ato de 
enunicação, de modo que o processo de interação verbal passa a ser 
considerado como uma realidade fundamental da língua.
O interlocutor não é mais um polo inerte do processo de 
comunicação, mas um sujeito ativo que lida com signos linguísticos 
vivos, dinâmicos, que vão se modificando na interação. O outro passa a 
ser considerado no processo de constituição do significado, o que 
obriga a considerarmos o ato de enunciação em um contexto mais 
amplo, revelando as relações entre o linguístico social.
O reconhecimento de que a língua é constituída por estruturas formais e 
por aspectos subjetivos e sociais provocou um deslocamento dos estudos 
linguísticos, que passam a buscar uma compreensão de linguagem situada 
numa instância que não é mais a língua ideologicamente neutra concebida 
por Saussure, mas no nível do discurso. Considerar o discurso na análise 
possibilita operacionalizar a ligação entre o linguístico e o extralinguístico, 
num ponto de articulação entre os processos ideológicos e os fenômenos 
linguísticos. Com efeito, o discurso é justamente esse ponto de articulação.
A linguagem considerada como discurso não se trata de um conjunto de 
signos que é apenas um instrumento; é interação e uma forma de prática 
social, além de ser o lugar de manifestação das ideologias, de modo que não é 
neutra, nem inocente. É o elemento de mediação do homem e sua realidade, 
INTRODUÇÃO À LINGUÍSTICA
AULA 05: ANÁLISE DO DISCURSO / SOCIOLINGUÍSTICA
73
não podendo ser estudada fora da sociedade, uma vez que é constituída por 
processos histórico-sociais. A seguir, veremos alguns conceitos de grande 
importância para os estudos do discurso.
ENUNCIADO
Compreender um enunciado não é, segundo Dominique Maingueneau 
(2008), somente fazer referência a uma gramática e a um dicionário, mas, na 
verdade, é mobilizar saberes advindos de fontes diversas, fazer hipóteses, 
raciocinar, construindo, assim, um contexto que não é algo preestabelecido e 
imutável. Não podemos falar de sentido de um enunciado fora de contexto, 
pois, para que uma sequência verbal proferida (seja em modalidade escrita, 
seja em modalidade oral) se torne um verdadeiro enunciado, precisamos 
entender que ela se constitui em um lugar e um momento específicos, por 
um sujeito que se dirige a um ou vários sujeitos.
O enunciado tem valor pragmático, pretende instituir uma relação do 
enunciador com o seu destinatário (enunciatário). O enunciador demonstra, 
de uma maneira ou de outra, o ato que pretende realizar por intermédio de 
sua enunciação. Podemos, então, representar o circuito da enunciação assim:
Maingueneau (2008) aponta três tipos de contextos que podem fornecer 
elementos necessários para a interpretação dos enunciados, quais sejam:
VERSÃO TEXTUAL
◾ O ambiente físico da enunciação, ou contexto situacional: 
valendo-nos do contexto situacional, podemos interpretar unidades 
linguísticas como “esse lugar”, o presente do verbo, “eu” ou “você” etc.
◾ O cotexto: são as sequências verbais encontradas antes ou depois da 
unidade a ser interpretada. Há os enunciados autônomos como “É proibido 
fumar”, mas também, e principalmente, há enunciados que são fragmentos 
de uma totalidade mais ampla, como trechos de textos, de modo que 
precisamos conhecer o seu cotexto, ou seja, as unidades que os precedem, 
para compreender a relação de uma dada unidade em relação à outra do 
mesmo texto.
◾ Os saberes anteriores à enunciação: trata-se do conhecimento de 
mundo que possuímos e a que podemos recorrer para compreender 
determinados elementos de um texto.
É preciso assinalar que não há, a priori, uma única interpretação 
possível para um enunciado, uma vez que o contexto particular a cada 
enunciação é o que vai determinar quais informações são necessárias para 
interpretá-lo. Desse modo, reforça-se o caráter ativo do enunciatário no 
processo enunciativo, já que ele precisa fazer operar no enunciado e recorrer 
a inúmeros saberes para atribuir significação ao que é veiculado pela 
linguagem. 
DESAFIO
74
Os enunciados “É proibido fumar” e “Espaço reservado a não 
fumantes” parecem ter, a priori, a mesma interpretação, mas, na verdade, 
vinculam conteúdos distintos. Analise em que termos se dá essa distinção.
IDEOLOGIA
A ideologia, segundo Brandão (2004), pode ser entendida em duas 
perspectivas:
• Por uma concepção marxista, que apresenta a ideologia como o 
mecanismo que leva ao escamoteamento da realidade social, apagando as 
contradições que são inerentes a essa realidade. Preconiza então a existência 
de um discurso ideológico que, utilizando-se de várias manobras, serve para 
legitimar o poder de uma classe ou grupo social.
• Por um viés mais amplo, definida como concepção de mundo de uma 
determinada comunidade social numa determinada circunstância histórica, 
o que acarreta uma compreensão dos fenômenos da linguagem e da ideologia 
como estreitamente vinculados e mutuamente necessários. Nesse sentido, 
não há um discurso ideológico; com efeito, todos os discursos são 
ideológicos.
O entendimento do que é ideologia se faz necessário para os estudos 
discursivos na medida em que a linguagem é uma via por meio da qual se 
pode depreender o funcionamento da ideologia. 
LEITURA COMPLEMENTAR
Para entender melhor como o conceito de Ideologia passa a ter 
extrema importância na Análise do Discurso, leia o texto “Análise do 
discurso e os pontos de encontro tecidos na convergência das teorias”. 
(Visite a aula online para realizar download deste arquivo.)
DIALOGISMO
Considerando o signo linguístico e a enunciação como de ordem social e 
história, suas existências se devem justamente pelas necessidades de 
interação entre os indivíduos e o modo como eles se relacionam com o 
mundo. Nesse sentido, as diferenças de classe, por exemplo, encontram 
correspondência com as diferenças de registro linguístico, pois o signo é 
também ideológico, seu sentido vai ser estabelecido a partir da interação 
social.
VERSÃO TEXTUAL
A enunciação é carregada da fala do outro e a presença do 
interlocutor, como participante ativo do discurso, é tão importante 
quanto a presença do locutor, pois é em virtude da presença do 
interlocutor que o locutor toma a palavra. Nenhum dizer se ancora 
numa consciência individual, ele está imbricado da palavra do outro. 
Àquilo que é dito é incorporado o dito de outrem, para ratificar, 
reiterar, reformular ou opor.
75
Esse caráter responsivo da linguagem, impregnado da palavra do outro, 
constitui o dialogismo na linguagem. O diálogo se torna um eixo importante 
das preocupações dos estudos discursivos, porque passa a considerar, então, 
a fala como processo de apropriação de sentidos e dizeres de outrem. Uma 
vez que as palavras não são neutras e nelas encontramos inscritas as 
ideologias, encontramos também as posições dos outros, de modo que a 
enunciação de cada falante contém os pontos de vistas de discursos 
anteriores e influenciará, por conseqüência, discursos posteriores. Podemos 
encontrar, num mesmo discurso, vozes de sujeitos diferentes, explicitadas ou 
não.
LEITURA COMPLEMENTAR
Para aprofundar o entendimento sobre Dialogismo, leia o texto 
“Dialogismo e enunciação: elementos para uma epistemologia da 
linguística”. (Visite a aula online para realizar download deste arquivo.)
INTERDISCURSIVIDADE
Maingueneau afirma quea unidade de análise da Análise do Discurso 
não é o discurso, mas o espaço de troca entre vários discursos. Podemos 
entender, então, que os discursos teriam a sua identidade estruturada a 
partir da relação interdiscursiva e não independentemente uns dos outros 
para depois serem colocados em relação. 
Nesse sentido, um discurso nunca seria autônomo, na medida em que 
ele remete sempre a outros discursos e suas possibilidades de significação se 
concretizariam num espaço de trocas, não como identidade fechada. A 
impossibilidade de separar a interação dos discursos do funcionamento 
intradiscursivo decorre do caráter dialógico de todo enunciado. O analista do 
discurso deve apreender, assim, a interação entre os discursos, uma vez que 
a identidade discursiva se constroi na relação com o outro presente 
linguisticamente ou não.
LEITURA COMPLEMENTAR
Para compreender a diferença entre Interdiscursividade e 
Intertextualidade, leia o texto “Interdiscursividade e Intertextualidade: 
Vestígios na Literatura e na Publicidade”. (Visite a aula online para 
realizar download deste arquivo.)
DESAFIO
Analise o enunciado “A formação do Planeta Terra se deve ao Big 
Bang e não à criação divina” no tocante às relações entre discursos 
diversos que são construídas.
ATIVIDADE DE PORTFÓLIO
76
Analise o quadrinho a seguir levando em consideração a expressão 
linguística e o seu contexto de produção e veiculação, o público a quem se 
dirige e a conjuntura sócio-histórica na qual a sua emergência é possível. 
Redija um texto relacionando esses aspectos ao efeito humorístico 
obtido.
 REFERÊNCIAS
BRANDÃO, H. H. N. Introdução à análise do discurso. 2ª ed. 
Campinas: Editora da Unicamp, 2004.
GUIMARÃES, I. A. O dialogismo: uma perspectiva marxista da 
linguagem. In: 
ZANDWAIS, A. Mikhail Bakhtin: contribuição para a filosofia da 
linguagem e estudos discursivos. Porto Alegre: Editora Sagra Luzzatto, 
2005. p. 148-156.
MAINGUENEAU, D. Análise de textos de comunicação. 5ª ed. 
São Paulo: Cortez, 2008
FONTES DAS IMAGENS
1. http://4.bp.blogspot.com/-Iyf77nWRu6M/UV4EGjmEgOI/AAAAAAAA
Acc/tIPh90THQVE/s320/3282.jpg
2. http://www.adobe.com/go/getflashplayer
3. http://www.adobe.com/go/getflashplayer
4. http://www.adobe.com/go/getflashplayer
5. http://www.denso-wave.com/en/
Responsável: Prof.ª Maria Silvana Militão
Universidade Federal do Ceará - Instituto UFC Virtual
77
TÓPICO 02: AS VÁRIAS VERTENTES DA ANÁLISE DO DISCURSO
Embora o termo ANÁLISE DO DISCURSO (AD) possa conduzir ao entendimento 
de que se trata de uma disciplina única, na qual todos os pesquisadores se debruçam 
sobre as mesmas questões, tal concepção não pode ser mais ilusória. Por 
considerar as relações entre linguagem, sujeitos e contextos, e por essas 
relações serem as mais variadas possíveis, também existem as mais variadas 
análises do discurso, a depender da perspectiva que o analista assume. 
Trataremos de algumas vertentes da AD, a seguir.
ANÁLISE DO DISCURSO DE LINHA FRANCESA
A Análise do Discurso de linha francesa teve origem na década de 60, a 
partir das preocupações de vários autores, mais proeminentemente Michel 
Pêcheux, que se questionaram acerca da relação entre marxismo, política e 
linguagem, inscrevendo o projeto da AD em um objetivo político, no qual a 
Linguística ofereceria os meios para abordar a política (MUSSALIM, 2001).
VERSÃO TEXTUAL
Para Pêcheux, a AD exigiu uma ruptura com a linguística 
saussureana, ao colocar o estudo do discurso em um terreno no qual as 
questões teóricas são relativas à ideologia e ao sujeito, não mais a uma 
língua tomada por si mesma, sem relação com as condições sociais que 
a tornam possível. Esse autor propôs uma semântica do discurso, 
concebida como um lugar onde convergem componentes linguísticos e 
socioideológicos, pois as condições sócio-históricas de produção de um 
discurso são constitutivas de sua significação. A AD francesa nesse 
momento concebe, então, o discurso como uma manifestação da 
ideologia decorrente da organização dos modos de produção social.
A AD de linha francesa, em outra ruptura com a linguística 
estruturalista, também insere o sujeito no bojo da teoria, a partir do Outro de 
Lacan, o que acarreta no entendimento de que o sujeito do discurso não pode 
ser considerado como aquele que decide sobre os sentidos e as possibilidades 
enunciativas do próprio discurso, mas como aquele que ocupa um lugar 
social e a partir dele enuncia, inserido no processo histórico que lhe permite 
dizer determinadas coisas e outras, não.
LEITURA COMPLEMENTAR
Para entender a relação entre a definição de sujeito de Lacan e a 
Análise do Discurso de linha francesa, leia o texto “Psicanálises e análise 
do discurso: interlocuções possíveis e necessárias”. (Visite a aula online 
para realizar download deste arquivo.)
Se podemos nos referir a “várias análises do discurso”, também 
podemos afirmar que existem várias “análises do discurso de linha francesa”, 
INTRODUÇÃO À LINGUÍSTICA
AULA 05: ANÁLISE DO DISCURSO / SOCIOLINGUÍSTICA
78
já que ela passou por várias fases, na medida em que formulava e 
reformulava seu procedimento de análise e seu objeto de estudo ao longo do 
tempo. As fases podem ser descritas da seguinte forma: 
• AD1: o discurso é uma máquina autodeterminada sobre si mesma, de tal 
modo que um sujeito-estrutura determina os sujeitos como produtores de 
seus discursos; os sujeitos acreditam que produzem os seus discursos, 
quando na verdade são assujeitados ao discurso. A proposta metodológica 
era o estabelecimento de um corpus fechado de sequências discursivas 
selecionadas num espaço discursivo fechado, dominado por condições de 
produção estáveis e homogêneas.
• AD2: caracterizada pela introdução do conceito de formação discursiva, 
implodindo a noção de máquina estrutural fechada da fase anterior. O 
estabelecimento do corpus se dá de modo a se observarem as interinfluências 
entre duas formações distintas.
Uma formação discursiva é um conjunto de 
regras anônimas, históricas, sempre determinadas no 
tempo e no espaço, que definiriam em uma época 
dada, e para uma área social, econômica, geográfica 
ou linguística dada, as condições de exercício da 
função enunciativa. 
(FOUCAULT, Michel. Arqueologia do saber. 
São Paulo: Loyola, 1996)
• AD3: há a definitiva desconstrução da noção de maquinaria discursiva. 
Adota-se a perspectiva segundo a qual os diversos discursos que atravessam 
uma Formação Discursiva não se constituem independentemente uns dos 
outros para, em seguida, serem postos em relação, mas se formam de 
maneira regulada no interior de um interdiscurso. O objeto de análise passa 
a ser o interdiscurso (Cf. Tópico 3, item d).
Costa (2005) defende a emergência de uma quarta fase para a Análise 
do Discurso francesa. Tal fase seria caracterizada, sumariamente, por uma 
concepção de sujeito relativamente assujeitado. Os graus de assujeitamento 
dependeriam das diversas instâncias da sociedade, por uma 
interdisciplinaridade constitutiva, o estudo do discurso deve ser conjugado a 
outras disciplinas como a antropologia, a comunicação, a sociologia etc, pela 
preferência por uma análise qualitativa e interpretativa dos fatos discursivos 
e pela concepção de discurso como forma de intervenção no mundo..
ANÁLISE DA CONVERSAÇÃO
A Análise da Conversação consiste numa abordagem discursiva que teve 
origem na década de 60 (assim como a AD francesa), ligada aos estudos 
sociológicos. Segundo Dionísio (2001), a maior preocupação da AC é 
compreender o modo pelo qual a linguagem é estruturada para favorecer a 
comunicação, reconhecendo que a conversação nos diz algo sobre a natureza 
da línguacomo fonte para se fazer a vida social.
79
Assim, os analistas devem ser sensíveis aos fenômenos interacionais, 
observando detalhes e conexões estruturais existentes no processo interativo. 
A estrutura conversacional pode ser focalizada em três níveis:
Macronível: estuda as fases conversacionais, que são a abertura, o 
fechamento e a parte central e o tema central e subtemas da conversação.
Nível médio: investiga o turno conversacional, a tomada de turnos, a 
sequência conversacional, os atos de fala e os marcadores 
conversacionais.
Micronível: analisa os elementos internos do ato de fala, que 
constituem sua estrutura sintática, lexical, fonológica e prosódica.
Dionísio (2001) assevera que a conversa espontânea se constroi a cada 
intervenção dos interlocutores, de modo que a elaboração e a produção 
ocorrem simultaneamente, no mesmo eixo temporal. As contribuições dos 
falantes devem demonstrar uma relação com o curso da conversa, pois a 
conversação é uma atividade semântica, um processo de produção de 
sentidos altamente estruturado e funcionalmente motivado.
A compreensão, na interação verbal face a face, resulta de um processo 
conjunto dos interlocutores em atividades colaborativas – não 
necessariamente caracterizadas pela concordância – e coordenadas de co- 
produção de sentido e não de uma simples interpretação semântica de 
enunciados proferidos. 
LEITURA COMPLEMENTAR
Para a compreensão de como é feito o tratamento e a análise de 
conversações, leia o texto “Análise de conversação em uma entrevista: 
interação entre falantes”. (Visite a aula online para realizar download 
deste arquivo.)
ANÁLISE SEMIOLINGUÍSTICA DO DISCURSO
A perspectiva Semiolinguística da Análise do Discurso tem Patrick 
Charaudeau (2010) como nome proeminente. Embora tenha origem 
francesa, ela se afasta da AD francesa por ter um viés fundamentalmente 
pragmático, negando, sobretudo, a concepção de um sujeito assujeitado, ao 
postular que o sujeito tem o domínio das regras e das estratégias para que a 
comunicação possa se processar.
A abordagem semiolinguística constitui-se no cotejo e na integração de 
abordagens linguísticas e semióticas que, a princípio, seriam antinomias 
inconciliáveis, quais sejam:
Em relação ao Objeto de estudo:
- A linguagem como um objeto transparente
- A linguagem como um objeto não transparente 
Em relação ao Método:
80
- Atividade de abstração
- Atividade de elucidação
Em relação ao Conhecimento:
- Objetivo é procurar saber do que fala a linguagem: qual é o mundo que se 
encontra já organizado por trás da linguagem?
- O objetivo é procurar saber como fala a linguagem: como a significação é 
significada?
A perspectiva semiolinguística integra esses entendimentos na medida 
em que concebe a linguagem como marcada pelo selo da discordância e da 
concordância. O ato de linguagem não pode ser concebido de outra forma 
que não um conjunto de atos significadores que falam o mundo através das 
condições e da própria instância de sua transmissão.
Para o campo semiolinguístico:
a) O Objeto é do que fala a linguagem através do como fala a linguagem, 
um constituindo o outro, numa relação processual, não de 
anterioridade/posterioridade.
b) O Método deverá então ser duplo: deve elucidar o como e abstratizar o 
do quê. 
Desse modo, a análise semiolinguística é Semiótica por se interessar 
por um objeto que só se constitui numa intertextualidade, que, por sua vez, 
depende dos sujeitos da linguagem. Também é Linguística porque o 
instrumento que utiliza para interrogar esse objeto é construído ao fim de 
um trabalho de conceituação estrutural dos atos linguageiros.
SOCIOCOGNITIVISMO
Promovendo uma ruptura com as ciências cognitivas clássicas, que 
trabalham com uma distinção estanque entre os processos cognitivos que 
acontecem dentro da mente dos indivíduos e os que acontecem fora da 
mente, o Sociocognitivismo parte da compreensão de que existem muitos 
processos cognitivos que acontecem na sociedade e não exclusivamente nos 
indivíduos (KOCH; CUNHA-LIMA, 2004). 
No entanto, não é simples determinar o ponto em que a cognição está 
dentro ou fora das mentes, o que existe, na verdade, é uma inter-relação 
complexa entre essas duas instâncias. Para explicar como as pessoas 
conhecem e lidam com os processos culturais é preciso compreender a 
dinâmica pela qual as soluções são coletivamente estabelecidas e 
modificadas pelos indivíduos na história de suas interações. 
EXEMPLO
Uma criança que trabalha vendendo bombons na rua consegue, com 
muita velocidade, realizar cálculos matemáticos relativamente complexos 
e não consegue realizar os mesmos cálculos na escola. Como explicar essa 
diferença de desempenho?
81
Em cada evento linguístico, os interactantes tomam como base para as 
suas decisões um conjunto de conhecimentos e experiências comuns que 
balizam esses atos, o background. Esses conhecimentos têm três origens 
principais:
• A comunidade da qual os sujeitos fazem parte;
• Os conhecimentos que se supõem partilhados;
• Os laços em comum construídos pelos membros da 
comunidade,
além das experiências compartilhadas.
O conhecimento compartilhado constitui-se de 
tudo o que os falantes disseram e todos os elementos 
do contexto. Está sempre em movimento dinâmico, 
incluindo cada experiência compartilhada e cada troca 
linguística como novo conhecimento partilhado. Na 
base desse conhecimento compartilhado está o 
reconhecimento do outro como um ente intencional 
parecido com o Eu, com quem é possível interagir e 
cujos estados emocionais são paralelos aos do Eu. 
(KOCH; CUNHA-LIMA, 2004)
Desse modo, para o Sociocognitivismo toma a interação como base da 
atividade linguística, bem como o compartilhamento de conhecimentos e de 
atenção. Os eventos linguísticos são atos que se faz com os outros, 
conjuntamente, envolvendo, portanto, mais de um indivíduo para a sua 
realização, o que exige a coordenação desses indivíduos. 
Nessa breve introdução ao Sociocognitivismo, julgamos importante também 
ressaltar a importância dos participantes das ações. Em todos os tipos de 
ações conjuntas existem pessoas que podem tomar parte do evento, 
enquanto outras serão excluídas. Os papeis dos participantes podem ser de 
dois tipos:
VERSÃO TEXTUAL
• Simétricos: com um leque de iniciativas e atitudes semelhantes 
para todos os participantes;
• Assimétricos: quando cada participante tem um papel a 
desempenhar
Não é suficiente, no entanto, ver a linguagem como ação conjunta, tão 
somente. É preciso abordá-la como ação social. As relações sociais complexas 
autorizam e desautorizam os falantes a produzirem certos sentidos, na 
82
medida em que distribuem desigualmente o poder para estabelecer qual 
interpretação do dito deve ser autorizada. Nesse sentido, o contexto passa a 
englobar dimensões como situação de enunciação, recursos extralinguísticos, 
conhecimentos de mundo compartilhados entre os participantes e a situação 
que ultrapassa o evento local. 
ANÁLISE DE DISCURSO CRÍTICA
A Análise de Discurso Crítica (ADC), também conhecida como Análise 
de Discurso anglo-saxã (para se contrapor à abordagem francesa) é uma 
abordagem transdisciplinar da linguagem na vida social que se situa na 
interface entre a Ciência Social Crítica e a Linguística Sistêmico-Funcional. 
Autores como Norman Fairclough e Ruth Wodak defendem que a 
transdisciplinaridade é necessária a abordagens que investigam o uso da 
linguagem em sociedade, pois não há uma relação externa entre linguagem e 
sociedade, mas uma relação interna e, sobretudo, dialética, na medida em 
que um constitui o outro. O rompimento das fronteiras disciplinarestraria à 
Linguística a ancoragem em perspectivas teóricas acerca da estrutura e da 
ação sociais, e propiciaria para as Ciências Sociais um arcabouço para análise 
textual.
A ADC propõe uma articulação entre as macrofunções de M. A. K. 
Halliday e os conceitos de gênero, discurso e estilo (RESENDE; RAMALHO, 
2006), sugerindo, no lugar das funções da linguagem, três principais tipos de 
significado:
• O significado acional: focaliza o texto como modo de (inter)ação em 
eventos sociais, aproxima-se da função relacional pois a ação legitima/ 
questiona relações sociais
• O significado representacional: o significado representacional enfatiza a 
representação de aspectos do mundo – físico, mental, social – em textos
• O significado identificacional: refere-se à construção e à negociação de 
identidades no discurso, relacionando-se à função identitária
Para a ADC, a linguagem é parte irredutível da vida social, 
dialeticamente interconectada a outros elementos sociais. A proposta 
pretende mapear relações entre os recursos linguísticos utilizados por atores 
sociais e aspectos da rede de práticas sociais em que a interação discursiva se 
situa. Para atingir tal objetivo, as análises discursivas críticas não 
consideram, portanto, textos como objetos de investigação isolados, uma vez 
que eles devem ser analisados em consonâncias com as práticas sociais que 
representam e pelas quais são representados. É nesse momento que ocorre a 
articulação com os pressupostos da Ciência Social Crítica, uma vez que esta 
proveria um arcabouço teórico para a compreensão da vida social como 
constituída de práticas e redes de práticas. 
LEITURA COMPLEMENTAR
Para entender como os estudos do discurso no Brasil têm se 
desenvolvido, leia o texto “O quadro atual da Análise de Discurso no 
Brasil”. (Visite a aula online para realizar download deste arquivo.)
83
 REFERÊNCIAS
CHARAUDEAU, P. Linguagem e discurso: modos de organização. 
2. ed. São Paulo: Contexto, 2010.
COSTA, N. B. O primado da prática: uma quarta época para a análise 
do discurso. In: COSTA, N. B. (Org.). Práticas discursivas: 
exercícios analíticos. São Paulo: Pontes, 2005. p. 17-48.
DIONÍSIO, A. P. Análise da conversação. In: MUSSALIM, F.; BENTES, 
A. C. Introdução à linguística: domínios e fronteiras. v. 2. 2. ed. 
São Paulo: Cortez, 2001. p. 69-100. 
KOCH, I. V.; CUNHA-LIMA, M. L. Do cognitivismo ao 
sociocognitivismo. In: MUSSALIM, F.; BENTES, A. C. (Orgs.). 
Introdução à linguística: fundamentos epistemológicos. São Paulo: 
Cortez, 2004. p. 251-300.
MUSSALIM, F. Análise do discurso. In: MUSSALIM, F.; BENTES, A. 
C. (Orgs.).Introdução à linguística: domínios e fronteiras. v. 2. 2. 
ed. São Paulo: Cortez, 2001. p. 101-142.
RESENDE, V. M.; RAMALHO, V. Análise de discurso crítica. São 
Paulo: Contexto, 2006.
FONTES DAS IMAGENS
1. http://www.adobe.com/go/getflashplayer
2. http://www.adobe.com/go/getflashplayer
3. http://www.denso-wave.com/en/
Responsável: Prof.ª Maria Silvana Militão
Universidade Federal do Ceará - Instituto UFC Virtual
84
TÓPICO 03: SOCIOLINGUÍSTICA
PRESSUPOSTOS BÁSICOS
A Sociolinguística surge na década de 1960, a partir da proposta de 
Weinreich; William Labov; Herzog (1968), com o objetivo de desenvolver 
uma teoria que pudesse descrever a língua e seus determinantes sociais e 
linguísticos, bem como produzir uma teoria da mudança que acomodasse o 
uso variável da língua.
Para a Sociolinguística há nas línguas uma variação sistemática 
motivada por pressões sociais que continuamente operam sobre a língua, 
não devendo, pois, ser estudada fora do contexto social (LABOV, 
1972;1994;2001).
Nessa perspectiva, é na heterogeneidade refletida através do 
desempenho que se deve buscar estrutura, sistema e funcionamento da 
língua, bem como tentar explicar o efetivo funcionamento dos sistemas 
linguísticos em momentos de mudança. Para tal, estuda a língua do 
indivíduo na comunidade em situação de fala real.
Para essa corrente da Linguística são princípios básicos para o estudo da 
língua:
(i) deixar de identificar estrutura linguística com homogeneidade e conceber 
como opção racional a possibilidade de descrever ordenadamente a 
diferenciação numa língua que serve à comunidade.
(ii) entender que as gramáticas nas quais uma mudança linguística ocorre 
representam gramáticas de comunidade de fala.
Essa abordagem concebe a língua como instrumento de 
comunicação (a língua efetivamente em uso ) usada por falantes da 
comunidade, num sistema de associações comumente aceito entre formas 
arbitrárias e seus significados. 
Interessa à Sociolinguística a variação e a mudança por que passam as 
línguas. Nesse sentido, esse campo de investigação busca explicar o processo 
de mudança linguística em função de diversos fatores, assim subdivididos: 
– Fatores linguísticos que são referentes às variáveis internas à língua. Em 
outras palavras, procura entender de que maneira aspectos fonológicos, 
morfológicos, morfossintáticos e sintático-semânticos atuam para que a 
variação e a mudança linguística ocorram. 
– Fatores sociais que são variáveis relacionadas ao falante como sexo, idade, 
grau de escolaridade, classe social, entre outras. 
Para Labov (1994, p. 09), essas fatores atuam de maneira probabilística 
na variação da língua, sendo possível revelar quais ambientes linguísticos 
influenciam regularmente a frequência de uma variante ou outra, e quais 
INTRODUÇÃO À LINGUÍSTICA
AULA 05: ANÁLISE DO DISCURSO / SOCIOLINGUÍSTICA
85
contextos linguísticos e/ou sociais são mais relevantes no fenômeno 
observado.
Podemos enquadrar a Sociolinguística Quantitativa no paradigma da 
linguística funcional (cf. FIGUEROA, 1996). Vejamos algumas definições de 
Sociolinguística:
• A. A Sociolinguística é o estudo da língua em relação à sociedade 
(HUDSON, 1980, p.01); 
• B. A Sociolinguística visa a relacionar o uso da língua a padrões sociais 
ou estruturas de vários tipos (ROMAINE, 1982, p.01); 
• C. A Sociolinguística é aquela parte da Linguística envolvida com a 
língua enquanto fenômeno social e cultural (TRUDGILL, 1974, p32);
• D. A Sociolinguística é o estudo da língua como um fenômeno social 
(SVEJCER; NIKOL’SKIJ, 1986, p.01); 
• E. A Sociolinguística é o estudo das características das variedades 
linguísticas, das características de suas funções e das características de 
seus falantes e de como esses três interagem e mudam numa comunidade 
(FISHMAN, 1971, p.04).
Em linhas gerais, a Sociolinguística tem como principio o estudo da 
língua vernacular efetivamente em uso.
FÓRUM
Discuta com seus colegas e com seu (sua) tutor(a) a questão da 
variação linguística no português brasileiro. 
FONTES DAS IMAGENS
1. http://www.denso-wave.com/en/
Responsável: Prof.ª Maria Silvana Militão
Universidade Federal do Ceará - Instituto UFC Virtual
86
TÓPICO 04: ANÁLISES DE FENÔMENOS VARIÁVEIS
A língua falada dispõe de duas ou mais formas variantes que podem ser 
usadas pelo falante sem grandes alterações na mensagem transmitida: Na 
fonologia, (Ex.: peixe/pexe; homem/home;menino/minino 
(monotongação) ) Na morfologia, (Ex.: pego/pegado (particípios duplos); 
umas casinhas bonitinhas/umas casinhaÆ bonitinha Æ (concordância 
nominal de número). ) Na sintaxe (Ex.: apareceram três homens/três 
homens apareceram (ordem verbo- sujeito ou sujeito-verbo); Ele 
chegou/chegou (o uso ou não do pronome sujeito). ) 
Isso pressupõe que, na língua, variantes podem estar em competição, 
isto é frequentemente existirão formas linguísticas em variação, isto é, 
formas que coocorrem (quando duas formas estão sendo usadas com certa 
equivalência, numa determinada sincronias). 
A análise sociolinguísticaestá orientada para as variações sistemáticas, 
inerentes ao seu objeto de estudo. Não existe, portanto, um caos linguístico, 
cujo processamento, análise e sistematização sejam impossíveis de serem 
processados. Há, pelo contrário, um sistema (uma organização) por trás da 
heterogeneidade da língua falada.
Existem condições ou regras que obrigam o falante a usar certas formas 
(a casa) e não outras (casa a), essas condições ou regras funcionam para 
favorecer ou desfavorecer, variavelmente o uso de uma ou outra das formas 
em cada contexto. Nesses casos, aplica-se uma regra variável. As regras 
variáveis representam, portanto, os fatos linguísticos que a linguística 
estruturalista e a gerativa representariam por meio de regras opcionais ou 
categóricas (LABOV, 1972b). 
Entende-se por regra variável o efeito da ação simultânea de vários 
fatores. As formas em variação recebem o nome de "variantes linguísticas". 
Para Tarallo (1986, p. 08) "variantes linguísticas são diversas maneiras de se 
dizer a mesma coisa em um mesmo contexto e com o mesmo valor de 
verdade. A um conjunto de variantes dá-se o nome de variável linguística". A 
variável linguística é o fenômeno que se objetiva estudar. Como exemplo 
variável linguística, podemos citar a aplicação da regra de concordância 
nominal, as variantes seriam então as formas que estão em competição: a 
presença ou a ausência da regra de concordância nominal. O uso de uma ou 
outra variante é influenciado por fatores linguísticos (estruturais) ou sociais 
(extralinguísticos). 
Veja os exemplos de variação de concordância nominal de número, 
retirados de banco de dados de língua falada:
COM MARCA FORMAL OU EXPLÍCITA DE PLURAL
(1) em todos os elementos do SN
“...como falam os professores, o segundo grau é o primeiro passo para 
entrar na universidade...” (HBC, m,s,j).
INTRODUÇÃO À LINGUÍSTICA
AULA 05:ANÁLISE DO DISCURSO / SOCIOLINGUÍSTICA
87
“... são tantos os lugare, eu vou dizer...” (EBC, f,s,v).
“... tinha aqueles carros alegóricos ...” (EBC, f,s,v).
“... principalmente a parte física dOs jogadores...” (FP, m,u,j).
(2) em alguns dos elementos do SN:
“... todos os dia a minha vida...” (JS,m,n,a).
“... minha mãe é aquela mãezona, ela faz tudo que eu quero, minha comida 
(...) essas coisa toda assim (EEL,m,s,a).
“... umas entrevistas muito boa ” (RCRA,f,u,v).
Como é possível observar, nos exemplos acima, a concordância é tratada 
como um fenômeno variável em que a marca de plural pode aparecer em 
todos os elementos do sintagma nominal, como pode aparecer em apenas 
alguns elementos, sem perda da marca de pluralidade.
Para os sociolinguistas, existirão, nas comunidades de fala, 
frequentemente, formas linguísticas em variação. Interessa à Sociolinguística 
estudar, analisar, descrever a língua como um fenômeno dinâmico, variável, 
heterogêneo. Em geral, os estudos são realizados com base em corpora 
coletados em situações de fala semi-espontâneas, buscando o vernáculo.
Está implícito nesta abordagem que todos os falantes têm a "mesma 
gramática" com relação ao processo de escolha sob estudo. Em outras 
palavras, os falantes diferem somente na tendência geral de optar por A em 
vez de ~A, conforme refletido na diferença entre efeitos de fatores 
individuais.
• A variação é um fenômeno natural nas línguas.
• As regras variáveis da língua são motivadas por diversos 
fatores.
• O funcionamento do sistema linguístico se constitui da 
tensão de forças internas e externas à língua em uso.
• A comunicação entre falantes se dá com base em um 
sistema linguístico variado que atualiza estratégias linguísticas 
diversas, dinâmicas em usos efetivos de linguagem.
PARADA OBRIGATÓRIA
Procure, em dicionários, o significado de língua vernácula.
 REFERÊNCIAS
FIGUEROA, E. Sociolinguistic metatheory. Oxford: Pergamon, 
1996. 
FISHMAN, J. A. Sociolinguistics: a brief introduction. Rowley 
Mass: Newbury House, 1971. 
HUDSON, R. A. Sociolinguistics. Cambridge: Cambridge University 
Press, 1980. 
88
LABOV, W. Sociolinguistic patterns. Philadelphia: University of 
Pennsylvania Press, 1972.
LABOV, W. Principles of linguistic change: internal factors. v. 1. 
Oxford: Blackwell, 1994.
LABOV, W. Principles of linguistics change: Social factors. 
Malden, Massachussets-USA:Blackwell, 2001.
LABOV, W. Padrões Sociolinguísticos. São Paulo: Parábola, 2008. 
NARO, Anthony J. Modelos quantitativos e tratamento estatístico. In: 
MOLLICA, M. C. (Org.) INTRODUÇÃO À SOCIOLINGÜÍSTICA
VARIACIONISTA. 2. ed. Cadernos Didáticos UFRJ. Rio de 
Janeiro,1994.
ROMAINE, S. Sociolinguistic variation in speech communities. 
London: Edward Arnold, 1982.
TRUDGILL,P. Sociolinguistics: an introduction to language and 
society. Harmondsworth: Peguin Books, 1974.
SVEJCER, A.; NIKOL’SKIJ, L.B. Introduction to Sociolinguistics. 
Philadelphia: John Benjamins, 1986. 
WEINREICH, Uriel, LABOV, William ; HERZOG, Marvin. Empirical 
foundations for a theory of language change. In: LEHMANN, W. e 
MALKIEL, Y. (eds.) Directions for historical linguistics. Austin: 
University of Texas Press, 1968. 
TARALLO, Fernando. A PESQUISA SOCIOLINGÜÍSTICA. São Paulo: 
Ática, 1986.
FONTES DAS IMAGENS
1. http://www.denso-wave.com/en/
Responsável: Prof.ª Maria Silvana Militão
Universidade Federal do Ceará - Instituto UFC Virtual
89
 
 
 
 
 
	LLPT_Capa_Creditos_Sumario.pdf
	impresso_parcial.pdf
	01.pdf
	02.pdf
	03.pdf
	04.pdf
	05.pdf
	01.pdf
	02.pdf
	03.pdf
	04.pdf
	01.pdf
	02.pdf
	03.pdf
	01.pdf
	02.pdf
	03.pdf
	04.pdf
	01.pdf
	02.pdf
	03.pdf
	04.pdf
	LLPT_Contracapa.pdf

Mais conteúdos dessa disciplina