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Carlos Cezar Lobo da Costa 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica ÍNDICE 1. INTRODUÇÃO ........... ..............................................................................................................09 2. A TERRA NO ESPAÇO ............................................................................................................. 11 2.1. Movimentos da Terra ......................................................................................................... 11 2.2. Inclinação da Terra ............................................................................................................ 12 2.3. Estações do Ano ................................................................................................................. 13 2.3.1. Solstício de Inverno ................................................................................................... 14 2.3.2. Solstício de Verão ..................................................................................................... 15 2.3.3. Equinócios .................................................................................................................. 15 2.4. Latitudes e Zonas Notáveis ............................................................................................... 15 2.4.1. Equador (Latitude Zero) ........................................................................................... 15 2.4.2. Trópicos de Câncer e de Capricórnio .................................................................. 16 2.4.3. Círculo Polar .............................................................................................................. 16 2.4.4. Zona Equatorial ......................................................................................................... 16 2.4.5. Zona Tropical ............................................................................................................. 16 2.4.6. Zona Subtropical ....................................................................................................... 17 2.4.7. Zona Temperada ...................................................................................................... 17 2.4.8. Zona Polar .................................................................................................................. 17 3. A ATMOSFERA TERRESTRE ....................................................................................................... 18 3.1. Composição do Ar Atmosférico ...................................................................................... 18 3.2. Vapor d'água ...................................................................................................................... 19 3.3. Impurezas ............................................................................................................................. 19 3.4. Estrutura Vertical da Atmosfera ....................................................................................... 20 3.4.1. Troposfera ................................................................................................................... 20 3.4.2. Tropopausa ................................................................................................................ 21 3.4.3. Estratosfera ................................................................................................................. 21 3.4.4. Mesosfera ................................................................................................................... 22 3.4.5. Ionosfera ou Termosfera .......................................................................................... 22 3.4.6. Exosfera ...................................................................................................................... 23 3.5. Função da Atmosfera ........................................................................................................ 23 3.5.1. Absorção ............................................................................................................... 24 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 3.5.2.Difusão......................................................................................................................24 3.5.3. Reflexão ................................................................................................................. 24 3.5.4. Albedo .................................................................................................................... 24 3.5.5.Efeito Estufa..........................................................................................................27 4. TEMPERATURA DO AR ............................................................................................................. 27 4.1. Natureza do Calor e da Temperatura ............................................................................ 27 4.2. Termômetros ........................................................................................................................ 27 4.3. Propagação do Calor ....................................................................................................... 28 4.3.1. Convecção ........................................................................................................... 28 4.3.2. Advecção .............................................................................................................. 29 4.3.3. Condução ............................................................................................................. 30 4.3.4.Radiação.................................................................................................................31 4.4. Variação Vertical da Temperatura ................................................................................. 32 4.5. Processo Adiabático.......................................................................................................34 4.6.Outros Gradientes Térmicos..............................................................................................34 4.7. Variação Horizontal da Temperatura.............................................................................. 37 5. PRESSÃO ATMOSFÉRICA ........................................................................................................ 38 5.1. Medidas de Pressão ........................................................................................................... 38 5.1.1. Barômetro de Mercúrio ....................................................................................... 39 5.1.2. Barômetro Aneróide ............................................................................................. 40 5.2. Unidades de Pressão .......................................................................................................... 41 5.3. Variações da Pressão Atmosférica .................................................................................. 41 5.3.1. Variação da Pressão com a Altitude ................................................................ 42 5.3.2. Variação Horizontal da Pressão ......................................................................... 42 5.3.3. Variação Diuturna da Pressão ............................................................................ 42 5.3.4. Variação Dinâmica da Pressão ......................................................................... 43 5.4. Pressão da Estação - QFE .................................................................................................. 43 5.5. Pressão ao Nível do Mar - QFF ..........................................................................................43 5.6. Campos de Pressão ........................................................................................................... 44 5.6.1. Superfície Isobárica .............................................................................................. 44 5.6.2. Isóbara .................................................................................................................... 44 5.7. Alta Pressão (ou Anticiclone) ............................................................................................ 45 5.8. Baixa Pressão (ou Ciclone) ............................................................................................... 45 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 5.9. Crista ou Cunha .................................................................................................................. 46 5.10. Cavado .............................................................................................................................. 46 5.11. Colo .................................................................................................................................... 46 6. UMIDADE ATMOSFÉRICA ........................................................................................................ 48 6.1. Medidas da Umidade ....................................................................................................... 48 6.1.1. Umidade Absoluta .................................................................................................... 48 6.1.2. Umidade Relativa ..................................................................................................... 49 6.1.3. Temperatura do Ponto de Orvalho ....................................................................... 50 6.2. Processos Físicos de Saturação ........................................................................................ 50 6.2.1. Acréscimo de Vapor d’água ................................................................................. 50 6.2.2. Por Resfriamento ...................................................................................................... .50 6.2.2.1 Radiação...........................................................................................................51 6.2.2.2. Advecção........................................................................................................51 6.2.2.3 Efeito Orográfico...............................................................................................52 6.2.2.4. Efeito Dinâmico................................................................................................52 6.2.2.5. Convecção......................................................................................................52 6.3. Ciclo Hidrológico ................................................................................................................ 53 7. NEBULOSIDADE ....................................................................................................................... 55 7.1. Processos de Formação .................................................................................................... 55 7.2. Classificação das Nuvens ................................................................................................. 56 7.2.1. Nuvens do Estágio Alto ............................................................................................ 56 7.2.2. Nuvens do Estágio Médio ........................................................................................ 58 7.2.3. Nuvens do Estágio Baixo .......................................................................................... 60 7.2.4. Nuvens de Desenvolvimento Vertical...................................................................62 7.3. Miscelâneas de Nuvens.......................................................................................................64 8. NEVOEIRO ............................................................................................................................... 70 8.1.Nevoeiro de Radiação ....................................................................................................... 70 8.2 Nevoeiro de Advecção.................................................................................................. 70 8.3. Nevoeiro de Evaporação.............................................................................................. 71 8.4. Nevoeiro Frontal...............................................................................................................71 8.5. Nevoeiro Orográfico.........................................................................................................72 9. HIDROMETEOROS E LITOMETEOROS ...................................................................................... 73 9.1. Névoa Úmida ...................................................................................................................... 73 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 9.2 Hidrometeoros que se Precipitam...................................................................................73 9.2.1. Chuva ......................................................................................................................... 73 9.2.2. Chuvisco ..................................................................................................................... 74 9.2.3. Água - Neve ............................................................................................................... 74 9.2.4. Granizo ........................................................................................................................ 74 9.2.5. Neve ............................................................................................................................ 74 9.3. Hidrometeoros que se depositam ................................................................................... 75 9.3.1. Escarcha ..................................................................................................................... 75 9.3.2. Orvalho ....................................................................................................................... 75 9.3.3. Geada ........................................................................................................................ 75 9.4. Litometeoros......................................................................................................................76 9.4.1. Névoa Seca .............................................................................................................76 9.4.2.Fumaça.....................................................................................................................76 9.4.3. Poeira.......................................................................................................................77 10. ATMOSFERA PADRÃO ........................................................................................................... 78 10.1. Características ................................................................................................................. 78 10.2 Superfícies Isobáricas ........................................................................................................ 79 10.3. Conceitos de Altitudes .................................................................................................... 79 11. ALTIMETRIA ............................................................................................................................ 81 11.1. Ajuste Padrão ....................................................................................................................82 11.2. Erro Altimétrico de Temperatura .................................................................................... 84 11. 3. Altitude Densidade ......................................................................................................... 84 12. VENTO ................................................................................................................................... 87 12.1. Relação entre Pressão e Vento ..................................................................................... 88 12.2. Gradiente de Pressão ...................................................................................................... 88 12.3. Força Centrífuga ............................................................................................................... 89 12.4. Efeito da Rotação da Terra ............................................................................................ 89 12.5. Circulação dos Ventos .................................................................................................... 90 12.6. Lei de Buys Ballot............................................................................................................... 91 12.7. Camada de Fricção e Atmosfera Livre ........................................................................ 92 12.7.1. Divisão da Camada de Fricção ........................................................................... 92 13. CIRCULAÇÃO GERAL DOS VENTOS ..................................................................................... 94 13.1. Circulação Inferior ............................................................................................................ 94 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 13.2. Circulação Superior dita Predominante de Oeste ..................................................... 95 13.3. Circulação Secundária ................................................................................................... 96 13.4. Cisalhamento do Vento .................................................................................................. 98 14. TROVOADAS.........................................................................................................................100 14.1. Condições de Desenvolvimento das Trovoadas.....................................................100 14.2. Tipos de Trovoadas.........................................................................................................101 14.3. Desenvolvimento de uma Trovoada............................................................................101 14.4. Ciclo de Vida de uma Trovoada..................................................................................103 14.4.1. Estágio de Cumulus .............................................................................................. 104 14.4.2. Estágio da Maturidade......................................................................................105 14.4.3. Estágio de Dissipação.......................................................................................... 106 14.5. Variedades das Trovoadas........................................................................................... 107 14.5.1. Trovoadas Severas................................................................................................ 108 14.6. Perigos de Vôo em uma Trovoada...........................................................................110 14.6.1. Turbulência.........................................................................................................110 14.6.2. Granizos.................................................................................................................. 111 14.6.3. Formação de Gelo............................................................................................... 111 14.6.4. Raios e Eletricidade Estática............................................................................... 112 14.6.5. Precipitação, Visibilidade e Teto......................................................................112 14.6.6. Efeitos nos Altímetros............................................................................................ 113 14.6.7. Ventos de Superfície..........................................................................................113 14.7. Complexos Convectivos de Mesoescala.................................................................114 14.8. Micro-Explosões (Tesoura de Vento).........................................................................115 14.9. Relâmpagos.................................................................................................................116 14.9.1. Eletrização das Nuvens..................................................................................... 118 14.9.2. Proteção Contra Relâmpagos..........................................................................119 14.9.3.Proteção de Pessoas...........................................................................................120 Sprites, Elves e Jatos Azuis................................................................................................ 121 15. SISTEMAS FRONTAIS............................................................................................................ 123 15.1. Massas de Ar..................................................................................................................... 123 15.2. Regiões de Origem.......................................................................................................... 123 15.3. Classificação das Massas de Ar..................................................................................... 124 15.4. Características das Massas de Ar................................................................................125 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 15.5. Frentes................................................................................................................................ 126 15.5.1.Frente Quente........................................................................................................ 128 15.5.2. Frente Fria............................................................................................................130 15.5.3. Frente Estacionária............................................................................................... 132 15.5.4. Frente Oclusa........................................................................................................ 133 15.5.5. Linhas de Instabilidade......................................................................................134 15.5.6. Frente de Rajada................................................................................................135 15.5.7. Frentes Frias no Brasil...........................................................................................136 15.5.8. Frentes Quentes no Brasil....................................................................................137 15.5.9. Frontogênese e Frontólise...................................................................................138 16. CONDIÇÕES METEOROLÓGICAS ADVERSAS AO VÔO ............................................. ......139 16.1. Restrições à Visibilidade ............................................................................................... 139 16.2. Fenômenos que Restringem a Visibilidade ................................................................ 139 16.3. Tipos de Visibilidade .......................................................................................................139 16.3.1. Visibilidade Horizontal.......................................................................................... .139 16.3.2. Visibilidade Oblíqua ............................................................................................. 140 16.4. Fatores Agravantes da Visibilidade ............................................................................. 141 17. FORMAÇÃO DE GELO EM AERONAVES............................................................................ 141 17.1 Condições para a Formação de Gelo.......................................................................142 17.2. Condições Básicas do Gelo: ........................................................................................ 142 17.3.Fatores Aerodinâmicos para a Formação de Gelo...................................................143 17.4. Tipos de Formação de Gelo ......................................................................................... 144 17.4.1. Gelo Claro .............................................................................................................. 144 17.4.2. Gelo Opaco (ou Escarcha) ................................................................................ 144 17.4.3. Geada .................................................................................................................... 144 17.5. Intensidade de Formação de Gelo ............................................................................ 145 17.5.1. Formação Leve ..................................................................................................... 145 17.5.2. Formação Moderada .......................................................................................... 145 17.5.3. Formação Forte ..................................................................................................... 145 17.6. Sistemas Antigelo ............................................................................................................ 146 17.6.1. Sistema Mecânico ................................................................................................ 146 17.6.2. Sistema Térmico ..................................................................................................... 146 17.6.3. Sistema Químico ................................................................................................... 146 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 17.7. Áreas Críticas de Formação de Gelo.......................................................................146 17.7.1. Sistema de Carburação...................................................................................... 147 17.7.2. Asas e Empenagem ............................................................................................. 147 17.7.3. Hélices..................................................................................................................... 148 17.7.4. Tubo de Pitot .......................................................................................................... 148 17.7.5. Antenas .................................................................................................................. 148 17.8. Minimizando ou Evitando os Efeitos da Formação de Gelo ................................... 148 18. TURBULÊNCIA ...................................................................................................................... 150 18.1. Causas da Turbulência .................................................................................................. 150 18.1.1. Correntes Convectivas ........................................................................................ 151 18.1.2. Obstruções ao Fluxo de Ar .................................................................................. 151 18.1.3. Ondas de Montanha ........................................................................................... 152 18.1.4. Cortante do Vento ............................................................................................... 153 18.1.5. Esteira de Grandes Aeronaves ........................................................................... 153 18.2. Helicóptderos 154 18.3. Conselhos Úteis ............................................................................................................... 156 18.4. Graus de Intensidade da Turbulência ........................................................................ 156 18.4.1. Turbulência Leve ................................................................................................... 157 18.4.2. Turbulência Moderada ........................................................................................ 157 18.4.3. Turbulência Forte .................................................................................................. 157 18.4.4. Turbulência Severa ............................................................................................... 157 19. SERVIÇO DE METEOROLOGIA AERONÁUTICA .................................................................. 158 19.1. Rede de Coleta de Dados Básicos ............................................................................. 158 19.1.1. Estação Meteorológica de Superfície (EMS) ................................................... 159 19.1.2. Estação Meteorológica de Altitude (EMA) ...................................................... 160 19.1.3. Estação de Rastreamento de Satélite Meteorológico (ERS) ........................ .161 19.1.4. Estação de Radar Meteorológico (ERM)...........................................................161 19.2. Rede de Centros Meteorológicos................................................................................158 19.2.1. Centro Regional de Previsão de Área (RAFC).................................................158 19.2.2. Centro Meteorológico de Vigilância (CMV)....................................................159 19.2.3. Centro Meteorológico de Aeródromo (CMA).................................................153 19.2.4. Centro Meteorológico Militar (CMM).................................................................154 20. INFORMAÇÕES METEOROLÓGICAS...................................................................................161 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 20.1. Mensagem METAR/SPECI...............................................................................................165 20.1.1. Estrutura da Mensagem METAR..........................................................................165 20.2. Mensagem TAF................................................................................................................184 20.2.1. Validade do TAF:...................................................................................................184 20.2.2. Estrutura da Mensagem TAF...............................................................................184 20.3 Elementos do Código TAF..............................................................................................184 20.4. Condição CAVOK...........................................................................................................195 20.5. Condição NSC..........................................................................................................195 20.6. Condição NSW..........................................................................................................195 20.7. Emenda na Mensagem TAF...................................................................................195 20.3. Mensagem AIREP............................................................................................................19620.3.1. Composição da Mensagem..............................................................................196 20.3.2. Airep Especial.........................................................................................................197 20.4. Mensagens de Vigilância..............................................................................................198 20.4.1. Mensagem SIGMET...............................................................................................199 20.4.2. Aviso de Aeródromo.............................................................................................201 20.4.3. GAMET.....................................................................................................................202 20.4.4. AIRMET.....................................................................................................................202 20.4.5. WS WRNG................................................................................................................203 21. CARTAS METEOROLÓGICAS...............................................................................................204 21.1. Sig Wx Prog Chart............................................................................................................204 21.1.1 . Simbologia dos Fenômenos...............................................................................205 21.1.2. Abreviaturas dos Fenômenos.............................................................................206 21.2. Wind Aloft Prog Chart.....................................................................................................208 22. CICLONES EXTRA-TROPICAIS..............................................................................................211 22.1. Furacões............................................................................................................................211 22.1.1. Desenvolvimento de um Furacão ...................................................................... 212 22.1.2. Estágios de Desenvolvimento ............................................................................. 213 22.1.3. Condições de Dissipação................................................................................... 215 22.1.4. Danos de Furacões.............................................................................................. 212 22.1.5. Marés Barométricas............................................................................................. 213 22.1.6. Danos de Ventos................................................................................................... 214 22.1.7. Danos de Enchentes..........................................................................................215 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 22.1.8. Previsões de Furacões.......................................................................................220 22.1.9. Satélites Meteorológicos...................................................................................220 22.1.10. Reconhecimento de Aeronaves...................................................................221 22.1.11. Radar e Bóias de Dados.................................................................................223 22.1.12. Alertas e Avisos de Furacões..........................................................................224 23. TORNADOS...........................................................................................................................226 23.1. Variedades de Tornados............................................................................................. 228 23.2. Desenvolvimento dos Tornados.................................................................................. 229 23.3. Climatologia dos Tornados........................................................................................... 231 23.4. Danos dos Tornados.....................................................................................................232 23.5. Previsão de Tornados...................................................................................................233 23.6. Alerta e Avisos de Tornados.......................................................................................... 234 23.7. Radar Doppler............................................................................................................... 235 24. EL NIÑO E LA NIÑA............................................................................................................. 237 25. COMO SE FORMA A AURORA........................................................................................... 242 26. A POLUIÇÃO DO AR .......................................................................................................... 243 26.1. Conseqüências da Poluição........................................................................................ 244 26.2. Camada de Ozônio....................................................................................................... 248 26.3. Chuva Ácida................................................................................................................... 250 27. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA........................................................................................... 254 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica METEOROLOGIA 1. Introdução O tempo representa um fator que permanentemente interfere na vida do homem e em todas as suas atividades. Ao nos referirmos a tão importante fator, a nossa mente, embora voltada para o tempo propriamente dito, não lhe exclui o outro aspecto, o de clima. Assunto que, de uma maneira ou de outra, em uma ou mais ocasiões, já determinou mudanças de atitudes em milhares de pessoas. A Meteorologia é o ramo da Geofísica que estuda os fenômenos que ocorrem na atmosfera terrestre. A Meteorologia, como ciência, não tem tido o progresso desejado, não se desenvolvendo da mesma forma que os demais ramos da Geofísica. Forçada pelas necessidades profissionais imediatas, tem sido mais utilizada diretamente nos diversos setores de atividades humanas, em detrimento da pesquisa e investigações científicas. A atual evolução do campo científico e o progresso geofísico em geral estão, finalmente, fazendo a Meteorologia retornar a sua base puramente científica, colocando-a no seu devido lugar como a verdadeira ciência da atmosfera. Na Aeronáutica, em função da atmosfera terrestre ser o habitat natural das operações aéreas, a Meteorologia encontra sua principal utilidade e, desse modo, todos os estudos e aplicações feitas nessa área deverão ser, necessariamente, em função da economia e da segurança do vôo, sendo, portanto a Meteorologia Aeronáutica, o estudo dos fenômenos que ocorrem na atmosfera, tendo em vista a economia e a segurança do vôo. Este trabalho destina-se a orientar aos alunos do Curso de Pilotagem Aérea no estudo dessa ciência, como base de apoio para um melhor desenvolvimento de suas atividades dentro do Sistema da Aviação Civil Brasileira. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 2. A TERRA NO ESPAÇO A Terra é o terceiro planeta do nosso sistema, por ordem de distância do Sol, com um diâmetro aproximado de 12.500 km. Em virtude da forma elíptica da órbita terrestre, a distância Terra-Sol varia ao longo do ano emtorno de um valor médio de 149.600.000 km. O ponto da trajetória da Terra que se acha mais próximo do Sol chama-se "Periélio", e o mais distante, "Afélio". Logo, comparando a Terra com os demais astros do universo, podemos concluir que o mundo que habitamos é bem pequeno. 2.1 Movimentos da Terra Tendo como referência o Sol, a Terra executa dois movimentos básicos dentro do sistema solar. Vamos estudar cada um deles e identificar sua influência nas condições de tempo. a) Movimento de Rotação Este movimento da Terra é feito com velocidade constante em torno de um eixo imaginário, cuja direção são os pólos terrestres. A rotação da Terra em torno do seu eixo se faz no sentido Oeste para Este, num período de 24 horas. Assim, a Terra tem sempre uma de suas faces voltadas para o Sol (é o dia), enquanto que a outra fica às escuras (é à noite). O fenômeno dos dias e noites, causado pelo do movimento de rotação é responsável pelas variações físicas locais da atmosfera, resultantes do aquecimento diurno e do resfriamento noturno. Rotação da Terra 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica b) Movimento de Translação ou Revolução Neste movimento a Terra percorre uma trajetória elíptica, de oeste para este em torno do Sol, num período de 365 dias e ¼ de dia. Para se evitar erros na medida do ano, introduziu-se a cada quatro anos, um Ano Bissexto de 366 dias. Translação da Terra A órbita elíptica da Terra, no movimento de translação, faz com que ela periodicamente se situe mais perto do Sol (Periélio) e mais afastada (Afélio). Estes dois pontos, Periélio e Afélio, recebem o nome de Solstícios e ocorrem, respectivamente, nos dias 22 de dezembro e 21 de junho (Inverno e Verão no Hemisfério Norte). 2.2 Inclinação da Terra O eixo polar da Terra apresenta uma pequena inclinação de 2327’ em relação à perpendicular ao plano da órbita terrestre. Em conseqüência, o plano que contém o Equador, mantém o mesmo ângulo com o plano da órbita terrestre. Essa inclinação que provoca a diferença na duração do dia e da noite, e faz com que os raios solares atinjam a Terra mais diretamente ou obliquamente, o que causa as diferenças na forma de aquecimento das diversas regiões da Terra. Na região equatorial, os raios são mais diretos e, por isso, os trópicos são mais aquecidos. À 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica medida que caminhamos para os pólos, os raios solares passam a incidir mais oblíquos, também pela curvatura da Terra, tornando essas regiões polares mais frias. As diferenças na forma de aquecimento das regiões da Terra, associadas ao movimento de translação, resultam nas estações do ano. Inclinação da Terra 2.3 Estações do Ano Para um observador fixo na Terra, o Sol se movimenta na esfera celeste. A combinação da obliqüidade do plano de órbita com o movimento de translação dá a esse observador a impressão de que o Sol se desloca na direção norte/sul ao longo do ano. Analogamente, o movimento de rotação dá a impressão que o Sol se move no sentido leste/oeste ao longo do dia. Climatologicamente, as condições atmosféricas se caracterizam de modo muito especial durante o movimento de translação da Terra ao longo do ano. Se considerarmos, inicialmente, a Terra partindo de um ponto espacial, determinado pelo nosso calendário oficial, verificará que, de modo cíclico, essas condições se repetem de maneira semelhante, surgindo, como conseqüência, as estações do ano, que se iniciam nos instantes denominados "Solstícios" e "Equinócios". Tendo o hemisfério norte como referência, o Solstício de Verão, o de Inverno, o Equinócio de Primavera e o de Outono correspondem aos inícios dessas estações naquele hemisfério. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Como já foi visto o eixo imaginário em torno do qual a terra gira está inclinada em relação ao plano de sua órbita. Esta inclinação determina a variação da energia solar recebida pelas diferentes regiões da Terra e, por conseguinte, as estações do Ano. Conforme esteja a Terra, de um lado ou outro do Sol, cada hemisfério estará recebendo mais ou menos energia, determinando maior ou menor aquecimento das regiões. Estações do ano 2.3.1 Solstício de Inverno Quando a Terra se encontra no Periélio (posição mais próxima do Sol), expõe diretamente o seu Hemisfério Sul à incidência solar e isso resulta uma maior concentração de raios solares por unidade de área da sua superfície e, conseqüentemente, maior aquecimento. É o verão no Hemisfério Sul. No hemisfério Norte, com a Terra ainda no Periélio, ocorre exatamente o oposto. A incidência solar se faz indiretamente, acarretando menor concentração de raios solares por unidade de área e, conseqüentemente, menor aquecimento. Isso 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica provoca o Inverno no Hemisfério Norte e esse Solstício recebe o nome de Solstício de Inverno. 2.3.2 Solstício de Verão Quando a Terra se encontra no Afélio (posição mais afastada do Sol), seu Hemisfério Norte acha-se diretamente exposto aos raios solares e, conseqüentemente, recebe maior aquecimento. É o verão no Hemisfério Norte. O Hemisfério Sul, com a Terra ainda no Afélio, recebe a incidência solar indiretamente, acarretando menor aquecimento. É o inverno do Hemisfério Sul. Este é o Solstício de Verão, por coincidir com o verão do Hemisfério Norte. 2.3.3 Equinócios Nos pontos equinociais, os dois hemisférios recebem praticamente, a mesma incidência solar, porque a Terra apresenta a mesma posição relativa ao Sol. a) Equinócio Vernal A 21 de março ocorre o Equinócio Vernal ou de Primavera porque, no Hemisfério Norte, está iniciando a primavera. Ao mesmo tempo, no Hemisfério Sul, está iniciando o Outono, que é a estação de transição para o Inverno. b) Equinócio Outonal A 23 de setembro ocorre o Equinócio Outonal porque, no Hemisfério Norte está iniciando o Outono. Simultaneamente, no Hemisfério Sul, tem início à primavera, que é a estação de transição para o Verão. 2.4 Latitudes e Zonas Notáveis As diversas posições da Terra no espaço, em relação ao Sol, fazem surgir zonas de características peculiares, bastante importantes no contexto meteorológico. Vejamos as principais latitudes terrestres: 2.4.1 Equador (Latitude Zero) Maior circunferência do globo terrestre, com aproximadamente 40.000 km, divide a Terra em dois hemisférios. Os raios solares se projetam perpendicularmente sobre esta latitude, durante os Equinócios de Primavera e Outono. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 2.4.2 Trópicos de Câncer e de Capricórnio Latitude de 23 graus e 27 minutos. Os raios solares se projetam perpendicularmente sobre esta latitude, tanto no Hemisfério Sul (Trópico de Capricórnio) quanto no Hemisfério Norte (Trópico de Câncer), nos Solstícios de Inverno e de Verão, respectivamente. 2.4.3 Círculo Polar Latitude de 66 graus e 33 minutos. Os raios solares tangenciam esta latitude tanto no HemisférioSul (Círculo Polar Antártico) quanto no Hemisfério Norte (Círculo Polar Ártico), durante Inverno, formando as "longas noites" nas localidades acima deste paralelo. Círculo Polar Antártico 2.4.4 Zona Equatorial Geograficamente, a zona equatorial está situada imediatamente em torno do Equador Terrestre, formando a região mais aquecida e úmida da Terra. Meteorologicamente corresponde à estreita faixa ocupada pelos ventos alísios do Hemisfério Norte e do Sul, também denominada "Zona de Convergência Intertropical" (ITCZ) ou "Equador Meteorológico". 2.4.5 Zona Tropical Geograficamente, a Zona ou Região Tropical corresponde à área compreendida entre os Trópicos de Câncer e Capricórnio. Meteorologicamente, a 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica região tropical é a principal área de "exportação" de umidade para as demais regiões da Terra, responsável, portanto, pelo equilíbrio térmico das regiões mais frias. 2.4.6 Zona Subtropical Corresponde à estreita faixa formada entre o paralelo 30 (norte ou sul) e um dos Trópicos (Câncer ou Capricórnio). É uma zona de transição entre as regiões frias e quentes. Trata-se da região climaticamente mais regular. As chuvas são bem distribuídas durante o ano inteiro, e as quatro estações do ano são bem nítidas. O calor do verão contrasta com as geadas do inverno, passando pelas temperaturas mais amenas no Outono e na Primavera. No Brasil, é a região onde ocorre, embora esporadicamente, precipitação de neve. O paralelo 30 (tanto norte quanto sul) é conhecido por "latitude de cavalo", região das grandes calmarias marítimas, proporcionadas pelos anticiclones ali formados. 2.4.7 Zona Temperada Corresponde à área compreendida entre o paralelo 30 e o Círculo Polar (Ártico ou Antártico). É uma região climaticamente bem definida, de nítidas estações do ano, embora o verão não seja tão quente quanto o subtropical. 2.4.8 Zona Polar Corresponde à área situada acima do Círculo Polar, onde as temperaturas são, geralmente, muito baixas. É uma região de clima eminentemente oposto ao tropical. É, também, a região onde existe a maior diferença entre a duração dos dias e das noites. No verão, não escurece; no inverno, os raios solares praticamente não aparecem, surgindo somente um leve clarão no horizonte, nas áreas próximas ao paralelo 66. Na parte central, bem no pólo, a longa noite de inverno dura seis meses. Zona Polar 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 3. A ATMOSFERA TERRESTRE O planeta Terra é, provavelmente, o único no qual a atmosfera sustenta a vida como nós a conhecemos. O tempo, como um estado da atmosfera, em qualquer hora e lugar, muita influência exerce sobre as nossas atividades. Certamente, pelo menos um importante compromisso já adiamos ou cancelamos por motivos atmosféricos. Evidentemente, as condições do tempo têm muito a ver com o dia-a-dia de todos, mas poucas atividades humanas são tão dependentes das condições da atmosfera quanto à navegação aérea. A Terra, em sua órbita em torno do Sol, acha-se envolvida por uma camada gasosa, chamada Atmosfera. A atmosfera é definida como sendo uma mistura mecânica, insípida, inodora e incolor de gases, na qual, cada um dos seus componentes exerce uma função definida. A atmosfera tem ainda a propriedade termoreguladora, que não permite o aquecimento exagerado durante o dia e, à noite, evita as excessivas perdas desse aquecimento. Na atmosfera iniciam e evolui a totalidade dos fenômenos meteorológicos. 3.1 Composição do Ar Atmosférico O ar atmosférico é, como vimos, uma mistura de vários gases, que, em condições normais, se apresenta inodora, insípida e incolor. Presa a Terra por ação da gravidade, acompanha a massa sólida em todos os seus movimentos e, pela mesma razão, mantém íntima relação com a massa líquida. Quando complemente seco, o ar atmosférico possui uma composição aproximada de 78% de Nitrogênio e 21% de Oxigênio. O 1% restante é composto de outros gases, tais como Argônio, Dióxido de Carbono, Neônio, Hélio, Ozônio, Hidrogênio, etc. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 3.2 Vapor d'água Em seu estado real, o ar atmosférico nunca se apresenta complemente seco (0%). Por menor que seja, considerando-se a grande massa líquida do planeta, ele sempre contém alguma fração de vapor d'água, cujo conteúdo pode chegar a valores próximos a 4% do volume considerado, encontrados nas latitudes equatoriais (quentes e úmidas). O acréscimo ocorrido no percentual do vapor d'água, por unidade de volume, acarreta, necessariamente, um decréscimo proporcional nos demais gases. A importância da umidade do ar atmosférico é universalmente reconhecida pela sua influência na defesa dos tecidos vivos contra as radiações solares e no equilíbrio térmico do meio ambiente. 3.3 Impurezas Os gases da atmosfera mantêm, em suspensão, um imenso número de partículas de substâncias não gasosas de várias espécies, chamadas, no conjunto, de poeira. Além da poeira visível, que algumas vezes satura o ar, toldando o Sol nas regiões secas, a atmosfera carrega pequenas partículas de origem orgânica, tais como sementes, esporos e bactérias. Mais numerosas, ainda, são as partículas inorgânicas microscópicas, que contribuem para a formação de névoa e nuvens. Algumas dessas partículas são provenientes do solo, de fumaças ou de sais de origem oceânica, que são elevadas e dispersadas pelo vento e correntes de ar. Embora a maior concentração de partículas seja encontrada nas camadas inferiores, algumas são transportadas a grandes alturas, quando são atiradas para o ar por meio de explosões vulcânicas, enquanto outras são resultantes da queima de meteoritos na atmosfera superior, fornecendo poeira ao ar nas altitudes extremas. Muitas dessas partículas são pequeníssimas, mas exercem dois efeitos importantes sobre o tempo: primeiro absorvem água e constituem os núcleos em torno dos quais ocorre a condensação do vapor d'água; segundo interceptam uma parte do calor solar, diminuindo, sensivelmente, a temperatura média nas regiões afetadas. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 3.4 Estrutura Vertical da Atmosfera A atmosfera terrestre possui uma estrutura vertical extremamente variável quanto aos aspectos composição, temperatura, umidade e movimentos. Para fins de estudo, costuma-se dividir a atmosfera em várias camadas, em cujas regiões encontramos peculiaridades relevantes. Foguetes a Lua TROPOPAUSA BALÃO TRIPULADO AVIÃO A JATO AVIÃO FOGUETE MONTE EVEREST PLANADOR NÍVEL DO MAR AURORA POLAR Estrutura Vertical da Atmosfera 3.4.1 Troposfera É a camada que se encontra em contato com a superfície, cuja espessura varia segundo as estações do ano e a latitude. Nas regiões equatoriais, sua altitude 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica aproximada está entre 17 Km e 19 km; nas regiões de latitudes médias, entre 13 e 15 km e nas regiões polares, no em torno de 7 a 9 km. Elacorresponde ao invólucro onde ocorrem os fenômenos meteorológicos mais importantes e que afetam diretamente a vida sobre a superfície. Como características da Troposfera, temos as seguintes: a) os movimentos atmosféricos horizontais e verticais são intensos; b) a temperatura diminui com a altitude, numa razão média de 6,5°C/km; c) cerca de 75% da massa total da atmosfera se encontram na Troposfera; d) praticamente todo o vapor d'água da atmosfera se encontra na Troposfera, razão pela qual ali se desenvolvem os principais fenômenos, logo esta é a camada que apresenta maior densidade e; e) o aquecimento da Troposfera se dá, principalmente, por absorção da radiação de ondas longas, emitidas pela superfície terrestre, a qual, por sua vez, se aquece pela absorção de ondas curtas emitidas pelo Sol. Por esta razão, a superfície é considerada como fonte de calor para a Troposfera. 3.4.2 Tropopausa Embora não seja propriamente uma camada, a Tropopausa é uma região de transição entre a Troposfera e a Estratosfera. Para a aviação, a Tropopausa tem grande significado em virtude da localização dos fortes ventos de oeste e das áreas de intensa turbulência. Por ser considerado o topo da Troposfera, a altitude da Tropopausa se altera segundo os mesmos critérios de variação daquela camada. Sua principal característica é possuir um gradiente térmico vertical muito pequeno e, na maioria das vezes, isotérmico, cuja espessura varia de 3 a 5 km. 3.4.3 Estratosfera Camada que se estende até cerca de 60 a 70 Km acima da superfície terrestre, onde ocorre moderada penetração de radiação ultravioleta, que é absorvida pelo oxigênio molecular, o qual se decompõe e forma uma zona de concentração de Ozônio entre 25 e 35 Km. Este fato produz calor e torna a Ozonosfera uma camada mais aquecida e com características próprias. Apresenta-se isotermal 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica do topo da Tropopausa até 20 Km; daí, até 50 km, ela se aquece atingindo temperaturas superiores a 0 C; a partir desse nível, volta a esfriar até cerca de -30 °C. 3.4.4 Mesosfera Como a Troposfera, esta camada é aquecida por baixo, em virtude do aquecimento da camada de ozônio pela radiação ultravioleta. Portanto, a temperatura também decresce a uma razão média de 3,5 °C/km, atingindo, no topo da camada, cerca de 80 km de altitude, -90 °C, o valor mais baixo de toda a atmosfera. Nessa camada são observados os fenômenos óticos conhecidos por Aurora, vistos com maior freqüência nas latitudes médias e polares. Trata-se de linhas claras e faixas de luz, produzidas pela passagem de partículas ionizadas, através dos gases raros da atmosfera. Aurora Boreal 3.4.5 Ionosfera ou Termosfera Ionizada pela ação fotoquímica da radiação solar de baixíssimos comprimentos de onda (Raios X, Gama e Ultravioleta), esta camada é de grande importância pela sua propriedade de refletir ondas de rádio a grandes distâncias. Sua altitude máxima pode atingir 500 km. Por ser de interesse para o estudo das comunicações por rádio, a Ionosfera foi subdividida pelos pesquisadores em três faixas significativas denominadas: a) Camada D. De baixa concentração iônica; surge durante o dia por causa da presença dos raios solares. Compreende a faixa do topo da Mesopausa à 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica altitude de 90 km. Nas latitudes temperadas surgem nuvens especiais, conhecidas por Noctilucentes. b) Camada E. Também conhecida por "Camada de Kennely e Heaviside", situa-se na faixa entre 90 e 150 km. De alta concentração iônica durante o dia, surgem ali, com freqüência, trilhas de meteoritos (estrelas cadentes). c) Camada F. Também conhecida por "Camada de Appleton", situa-se na faixa entre 150 e 500 km. É a mais ionizada das três e, por esta razão, a mais importante para o estudo das comunicações. 3.4.6 Exosfera A Exosfera caracteriza-se por representar a mudança gradativa da atmosfera terrestre em espaço interplanetário. Sem topo definido, devido a sua baixíssima densidade, supõe-se que chegue à altitude de 1.000 km. Embora a noção de temperatura se torne imprecisa em razão da rarefação das moléculas do ar, a partir do topo da Mesopausa (-90 °C), a curva da temperatura se mantém, indicando aumento gradativo até atingir valores próximos a 2.000 °C, dependendo da atividade solar. 3.5 Função da Atmosfera A função básica da atmosfera é filtrar seletivamente a radiação solar, deixando passar até a superfície terrestre somente a radiação que esteja dentro dos limites suportáveis à vida terrena. Essa filtragem seletiva que a atmosfera exerce sobre a radiação solar processa-se através da absorção, difusão e reflexão. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 3.5.1 Absorção A absorção mais importante ocorre nas camadas superiores, quando as formas de energia mais penetrantes e perigosas à vida chocam-se com os átomos da atmosfera, alterando-lhes as estruturas com a eliminação de elétrons causando, assim, a absorção. 3.5.2 Difusão A difusão ocorre quando a luz passa através de um meio cujas partículas tenham o diâmetro menor que o comprimento de onda da própria luz. Quando isso ocorre, parte da luz se espalha ou é difundida em todas as direções. Este fenômeno inicia-se na Estratosfera. A luz de mais fácil difusão é a de cor azul, motivo pelo qual o céu apresenta, durante o dia, essa coloração. As partículas macroscópicas do tipo poeira e areia em suspensão difundem a cor amarelada e as partículas microscópicas dos dias de névoa seca ou enfumaçados difundem a cor avermelhada. A difusão é, portanto, o processo responsável pelas restrições à visibilidade. 3.5.3 Reflexão Além da absorção e da difusão, uma boa parte da radiação solar, de natureza luminosa, é refletida de volta para o espaço, principalmente pelas nuvens e pela superfície da Terra. 3.5.4 Albedo A capacidade de um corpo em refletir mais ou menos luz é representada pelo albedo, que é uma relação entre a quantidade de luz refletida e a quantidade de luz incidida sobre a superfície desse corpo. O albedo médio da Terra, considerando-se uma cobertura média de nebulosidade, é de 0,35, ou seja, da luminosidade recebida, a Terra devolve ao espaço cerca de 35%. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Radiação Solar 3.5.5 Efeito Estufa A atmosfera da Terra é constituída de gases que permitem a passagem da radiação solar, e absorvem grande parte do calor (a radiação infravermelha térmica), emitido pela superfície aquecida da Terra. Esta propriedade é conhecida como efeito estufa. Graças a ela, a temperatura média da superfície do planeta mantém-se em cerca de 15°C. Sem o efeito estufa, a temperatura média da Terra seria de 18°C abaixo de zero, ou seja, ele é responsável por um aumento de 33°C. Portanto, é benefício ao planeta, pois cria condições para a existência de vida. Quando se alerta para riscos relacionados com o efeito estufa, o que está em foco é a sua possível intensificação, causada pela ação do homem, e a conseqüência dessa intensificação parao clima da Terra. A hipótese da intensificação do fenômeno é muito simples, do ponto de vista da física: quanto maior for a concentração de gases, maior será o aprisionamento do calor, e conseqüentemente mais alta a temperatura média do globo terrestre. A maioria dos cientistas envolvidos em pesquisas climáticas está convencida de que a intensificação do fenômeno em decorrência das ações e atividades humanas provocará esse aquecimento. Uma minoria discorda disso e indaga em que 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica medida esse aquecimento, caso esteja ocorrendo, se deve ao efeito estufa, intensificado pela ação do homem. Sem dúvida, que as descargas de gases na atmosfera por parte das indústrias e das frotas de veículos, contribuem para aumentar o problema, e naturalmente ainda continuarão a ser objeto de muita discussão entre os cientistas e a sociedade. Efeito Estufa 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 4. TEMPERATURA DO AR Um parâmetro meteorológico de importância fundamental é a temperatura do ar. Em muitas partes do mundo, está sujeita a grandes extremos e mudanças súbitas, e a vida humana, as plantas e a vida dos animais são sensíveis a ela. Constitui, assim, um importante fator na determinação das condições de vida e na produtividade do solo nas diferentes regiões do mundo. 4.1 Natureza do Calor e da Temperatura De acordo com a teoria da expansão molecular da constituição da matéria, todas as substâncias são formadas de moléculas de movimentos mais ou menos rápidos. Quando a velocidade do movimento intermolecular de um corpo aumenta, a temperatura desse corpo se eleva. A energia capaz de acelerar o movimento molecular de um corpo é chamada de calor, portanto, o calor cuja unidade de medida se chama "caloria", a energia responsável pelo aumento da temperatura de um corpo. Os conceitos de temperatura, por outro lado, são tão imprecisos que não existe uma definição satisfatória; todos eles partem para uma definição relacionada à sensação fisiológica do corpo humano. Portanto, nos bastará saber apenas que a temperatura é um parâmetro indicador do estado térmico dos corpos, o que não deve ser confundido com calor. O calor é uma manifestação de energia capaz de se transformar em trabalho ou em outro tipo de energia, podendo passar de um corpo para outro, quando suas temperaturas forem diferentes. Embora o corpo humano possa reagir às variações térmicas do meio ambiente, não constitui um instrumento acurado capaz de medir a temperatura do ar. Para tal propósito necessitamos dos termômetros. 4.2 Termômetros Quando um corpo é aquecido, ou seja, quando aumenta a sua temperatura, o seu volume, na maioria dos casos, também aumenta. De maneira análoga, quando se resfria, o seu volume diminui. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Aproveitando-se da propriedade que certas substâncias possuem de se dilatarem e se contraírem com as variações térmicas, o físico alemão Daniel Fahrenheit criou, em 1710, um instrumento capaz de medir as variações de temperatura de um corpo e o denominou termômetro. Os termômetros são, pois, instrumentos destinados a reagir, com precisão, às variações térmicas de um corpo. Há vários tipos e formas, utilizados segundo sua destinação. Termômetro de Máximas e de mínimas temperaturas 4.3 Propagação do Calor O calor, como forma de energia, pode ser transferido de um corpo para outro, quando há uma diferença de temperatura entre eles. O calor passa sempre de um corpo mais aquecido para outro menos aquecido; daí dizer-se que o sentido de propagação do calor é sempre no sentido das temperaturas mais baixas. A transferência ou propagação do calor na atmosfera se faz, basicamente, por quatro processos: convecção, advecção, condução e radiação. 4.3.1 Convecção É o processo de propagação mais comum na atmosfera, que se traduz pelo movimento vertical do ar por meio das correntes ascendentes e descendentes, que levam ar mais aquecido para os níveis mais elevados e trazem um volume correspondente de ar mais frio para a superfície. É o mesmo processo pelo qual a 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica água de uma panela exposta ao fogo se aquece igualmente em todos os níveis. Podemos, então, definir convecção como sendo o processo de transmissão de calor de um ponto a outro de um fluido, pelo deslocamento de seus átomos e moléculas através de correntes convectivas. Transporte Convectivo 4.3.2 Advecção Processo pelo qual o ar é transportado horizontalmente, na tentativa de trazer um equilíbrio entre as temperaturas. Como sabemos, o ar aquecido se expande e se torna mais leve que o ar frio; isso gera uma diferença de pressão entre as regiões, obrigando o deslocamento de grandes porções de ar no sentido horizontal a fim de contrabalançar essas diferenças térmicas. Esse movimento horizontal do ar é que denominamos de correntes advectivas. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 4.3.3 Condução Processo de transmissão do calor menos encontrado na atmosfera, visto que esse processo só ocorre quando o ar é bastante denso. É a transferência do calor se processando de molécula a molécula, sem as mudanças relativas da posição de cada molécula de um corpo. Esse processo é mais comum aos sólidos. 4.3.4. Radiação É a transferência de calor pela conversão da energia térmica em radiação eletromagnética, de natureza semelhante à da luz e a reconversão dessa radiação em calor pelo corpo sobre o qual tenha incidido a radiação. O aquecimento da Terra, pela radiação solar, ocorre quando a radiação infravermelha, ao atingir a superfície, faz vibrar suas moléculas, dando origem ao calor. É um processo pelo qual o calor pode ser transferido de um corpo para outro, através de um meio quase desprovido de matéria. 4.4 Variação Vertical da Temperatura No capítulo sobre "Atmosfera Terrestre", discutimos as divisões da atmosfera em camadas e verificamos o comportamento da variação térmica vertical, desde a superfície até o suposto "topo" da camada gasosa. Vimos que, inicialmente, a temperatura decresce com a altitude, em razão de ser a superfície da Terra, e não o Sol, que aquece diretamente o ar. Mas esse comportamento térmico é, como dissemos, o "normal". Portanto, não nos devemos assustar se em algum momento tudo ocorrer exatamente ao contrário. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica A variação térmica com a altitude é conhecida por "gradiente térmico vertical", que será "positivo" quando a temperatura diminuir com a altitude e "negativo" quando aumentar. Na média, o gradiente térmico vertical, nos níveis mais baixos da atmosfera, é de 6,5°C/km (cerca de 0,65°C/100 m ou 2°C/1.000 pés).Mas, desde que se trata de "média", este valor raramente ocorre. No entanto, o valor médio tem sua aplicação prática: serve como "base" para calibração de instrumentos de aeronaves e preparação de cartas de navegação. O normal é a temperatura decrescer com a altitude; todavia, em algumas ocasiões, ela aumenta, caracterizando a chamada "Inversão Térmica". A camada de inversão pode ocorrer em diversos níveis, mas, na maioria das vezes, ela ocorre "colada" ao solo. Sua causa principal é o resfriamento excessivo da superfície em noite de céu claro, principalmente no inverno, ocasionando nevoeiros pela manhã e, o pior, altos índices de poluição ambiental. 4.5 Processo Adiabático Processo termodinâmico que engloba as variações de temperatura e pressão não considerando as variações de volume. A densidade absoluta ou massa específica do ar diminui na vertical (altitude). Um volume de ar que sobe na atmosfera vai penetrando em áreas de pressões cada vez menores e, em conseqüência vai se expandindo, provocando resfriamento, ou seja, perda de temperatura por expansão, sem troca com o meio ambiente. Caso contrário, um volume de ar que se afunda na atmosfera vai penetrando em áreas de pressões cada vez maiores e, em conseqüência, vai se comprimindo, provocando aquecimento, ou seja, ganho de temperatura por compressão, sem troca de calor com o meio ambiente. A este processo dá-se o nome de “processo adiabático”. 4.6. Outros Gradientes Térmicos O gradiente da razão adiabática seca cujo valor é igual a 1ºC/100 m, significa que, o ar seco ao se elevar na atmosfera se resfria neste valor constante. Da mesma 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica maneira, a razão adiabática úmida, cujo valor é igual a 0,6ºC/100 m, significa que, o ar saturado ao se elevar, dentro de nuvens, se resfriará neste valor constante. O gradiente térmico isotérmico é o gradiente cuja temperatura não varia com a altitude (gradiente nulo). O gradiente térmico negativo, ao contrário, é aquele em que a temperatura aumenta com a altitude, gerando as inversões térmicas. Estes dois últimos gradientes geram estabilidade no ar. O gradiente super-adiabático, é o gradiente cuja temperatura decresce em valores maiores do que 1º C/100 m, e, ao chegar em valores iguais a 3,42ºC/100, teremos o gradiente denominado auto-convectivo, também conhecido por instabilidade absoluta, ocorre nas nuvens cumulunimbus. O gradiente do ponto de orvalho é o gradiente que decresce em média 0,2ºC/100 m quando uma parcela de ar se eleva na atmosfera, convectivamente. Nível de condensação convectiva (NCC), é o nível onde o ar saturado se condensa e dá origem à formação de nebulosidade convectiva, geralmente nuvens cumulus. Para se obter a altura da base desta nuvem, recorre-se a seguinte fórmula: NCC = 125x (T – PO) Onde o NCC é a altura da nuvem em metros. Resumindo: 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Geram ESTABILIDADE Geram INSTABILIDADE INSTABILIDADE Instabilidade - Mau tempo Sistema Bárico Convergente Nuvens Cumuliformes GT> 1ºC (CU-TCU-CB-AC-CC) TRV, RPG, GRZ, VNT RJD, Turbulência Frente Fria Gelo Claro, Cristal, Vítreo, Transparente, Vidrado ESTABILIDADE Estabilidade – Bom Tempo Sistema Bárico Divergente Nuvens Estratiformes GT < 0,6ºC (ST-NS-AS-CS-CI) PRP LEV CNT (AS) NVO, Névoas, Chuvisco Gelo Opaco, Escarcha, Amorfo, Granular CONDICIONAL SC Stratocumulus • Instável (ar saturado) • Estável (ar não saturado) 0,6ºC 1ºC 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 4.7. Variação Horizontal da Temperatura A variação horizontal da temperatura determina diferenças nas médias das temperaturas verificadas de local para local da Terra, principalmente no sentido longitudinal, nas diversas épocas do ano. As condições de temperatura em qualquer ponto do globo terrestre dependem de um modo geral, dos seguintes fatores: latitude, intensidade e duração da radiação solar, insolação, albedo da superfície e aspectos físicos da superfície, se marítima ou continental. A variação horizontal da temperatura ou campo termal da atmosfera constitui um dos elementos mais importantes para a análise e estudo do comportamento da atmosfera. Na análise meteorológica, o campo termal é representado pelo traçado de linhas que ligam pontos de iguais valores de temperatura, que são chamadas de isotermas. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 5. PRESSÃO ATMOSFÉRICA O ar atmosférico, por ser matéria, tem peso. Este peso, num passado não muito distante, era totalmente ignorado pelos homens de ciência. Somente após a experiência realizada por Evangelista Torricelli, em 1643, pôde ser demonstrado o quanto pesa a atmosfera sobre a superfície do solo. A experiência de Torricelli deu origem ao barômetro de mercúrio, instrumento responsável pela elevação do estudo da atmosfera à categoria de ciência. A pressão do ar atmosférico é o resultado da força exercida em todas as direções, por efeito do peso do ar. Como conseqüência dos diversos movimentos constantes do ar, das variações de sua temperatura e do teor de vapor d'água, o peso do ar atmosférico, sobre um dado ponto, varia constantemente. A pressão, portanto, de maneira análoga à temperatura, nunca se estabiliza. Contrariamente às variações térmicas, as variações da pressão não são, de ordinário, perceptíveis aos sentidos humanos. Elas constituem, no entanto, um aspecto importante do tempo, pelas relações que apresentam com as mudanças das condições meteorológicas. Para a aviação, a pressão do ar atmosférico tem um sentido todo especial, pois, sem essa informação, a navegação aérea teria um sério problema de segurança. 5.1 Medidas de Pressão Como a pressão do ar varia constantemente, é necessário que os seus valores sejam devidamente medidos. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 5.1.1 Barômetro de Mercúrio O instrumento usado para medir, de maneira acurada, a pressão atmosférica é o barômetro de mercúrio.Quando se mergulha a extremidade aberta de um tubo de vidro, com cerca de 90 cm de comprimento, cheio de mercúrio, num recipiente também contendo mercúrio, o conteúdo do tubo tende a escoar-se para o recipiente, até que a coluna de mercúrio dentro do tubo seja equilibrada pela pressão do ar, exercida sobre a superfície livre do recipiente. O comprimento da coluna do mercúrio torna-se, pois, uma medida de pressão do ar. Esta foi a experiência realizada por Torricelli em 1643. Os instrumentos usados hoje para medir a pressão atmosférica nada mais são que refinamentos mecânicos do barômetro original. Barômetros de Mercúrio 5.1.2 Barômetro Aneróide Funcionando como “altímetros” e “barógrafos”, o barômetro aneróide consiste, essencialmente, de uma caixa metálica flexível, complemente fechada, 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica dentro da qual é feito vácuo parcial. Uma pequena mola no seu interior impede que ela seja esmagada pela pressão externa. A câmara flexível reage às variações de pressão, cujos movimentos resultantes são transmitidos a um ponteiro que se desloca sobre um mostrador. Barógrafo 5.2 Unidades de Pressão As unidades de pressão de interesse aeronáutico são aquelas de uso nos boletins meteorológicos, nos altímetros das aeronaves e das torres de controle de vôo. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Não abordaremos, neste estudo, outras unidades, como, por exemplo, as utilizadas nas indústrias. a) Hectopascal (hPa). Esta unidade é utilizada internacionalmente, tanto nos boletins meteorológicos quanto nos altímetros dos aviões. Corresponde a 1.000 dinas/cm², no sistema CGS de unidades. Algumas publicações aeronáuticas ainda utilizam o milibar (mb), unidade numericamente equivalente ao hectopascal (hPa). Todavia, a Organização de Aviação Civil Internacional (OACI) recomendou, por meio da Emenda 14 ao Anexo 5, substituir a mb pelo hPa como unidade de medida de pressão para fins aeronáuticos, a partir de 01.01.86. b) Polegada de mercúrio (pol Hg). É a medida da altura da coluna de mercúrio do barômetro em polegadas. Esta unidade ainda é muito utilizada nos países de língua inglesa. 1 pol Hg = 33,86 hPa (aproximadamente). No Brasil, muitos altímetros ainda utilizam essa escala. c) Centímetro de mercúrio (cm Hg). Analogamente, é a medida da altura da coluna de mercúrio do barômetro, em centímetros. 1 cm Hg = 13,33 hPa (aproximadamente). d) Milímetro de mercúrio (mm Hg). É a medida da altura da coluna de mercúrio do barômetro, em milímetros. 1 mm Hg = 1,33 hPa (aproximadamente). 5.3 Variações da Pressão Atmosférica Como vimos a pressão do ar num dado ponto é uma força exercida em todas as direções, pelo total do ar acima desse ponto. Por efeito de movimentos constantes do ar, variações de sua temperatura e teor de vapor de água, o peso do ar sobre um dado ponto sofre variações constantes. A pressão, da mesma forma que a temperatura, nunca se estabiliza por um período de tempo e. conjuntamente, esses dois parâmetros determinam a maior parte das mudanças nas condições meteorológicas. 5.3.1 Variação da Pressão com a Altitude À medida que nos elevamos acima do nível do mar, diminuímos o ar acima de nós e a pressão cai, rapidamente nos níveis inferiores e mais densos, e mais lentamente à medida que o ar se torna mais rarefeito. Estudos têm mostrado que 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica cerca de 50% do peso da atmosfera acha-se concentrado abaixo dos primeiros 5.500 metros, ou seja, até o nível isobárico de 500 hPa. O restante de seu peso se encontra espalhado até os limites superiores da atmosfera. A densidade e o peso do ar dependem da sua temperatura e, em menor proporção, do seu teor de umidade e da força de gravidade. Assim sendo, nenhuma correção de altitude poderá ser feita com perfeição se não considerarmos, principalmente, a temperatura. A variação vertical da pressão do ar, em realidade, não ocorre de modo constante. Para a navegação aérea, no entanto, utilizam-se valores padronizados de altura em relação a valores de pressão, cujos resultados são satisfatórios, principalmente nos níveis inferiores da Troposfera. Consideremos, para cálculos práticos, a seguinte relação: 1 hPa = 30 pés (aproximadamente). 5.3.2 Variação Horizontal da Pressão Se a atmosfera estivesse em repouso, predominariam sobre os continentes, durante o verão, altas temperaturas e baixas pressões e, sobre os oceanos, baixas temperaturas e altas pressões. No inverno, as configurações se inverteriam. Em realidade, a situação não é tão simples assim. Além da periodicidade da radiação solar, os ventos, associados à topografia, desempenham importante papel na distribuição dos campos de pressão. A barlavento das grandes elevações, o ar em escoamento tende a represar-se, criando situações de alta pressão, enquanto, a sotavento, ocorre a formação de baixas pressões. Além disso, as perturbações da atmosfera estão em permanentes alterações, ora se intensificando, ora se enfraquecendo, e, quase sempre, deslocando-se horizontalmente. Assim, torna-se clara a grande complexidade das variações horizontais do campo de pressão, residindo aí o grande desafio da previsão do tempo. 5.3.3 Variação Diuturna da Pressão A atmosfera oscila para cima e para baixo, como se fosse uma mola, sob o efeito da atração solar. Oscila para cima, por efeito direto da atração do Sol e, para baixo, pela força da gravidade e seu próprio peso. Esse movimento da atmosfera apresenta dois máximos e dois mínimos durante as 24 horas do dia. As pressões 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica máximas ocorrem por volta de 10:00 e 22:00 horas local e as mínimas ocorrem às 04:00 e 16:00 horas local. Esse fenômeno é denominado de Maré Barométrica e é mais acentuada nas regiões tropicais, diminuindo gradativamente na direção dos pólos. 5.3.4 Variação Dinâmica da Pressão Ocorre em função dos deslocamentos horizontais dos grandes sistemas de pressão e da redistribuição das massas de ar. ela é muito mais definida nas latitudes temperadas, onde ocorrem os maiores contrastes entre as massas de ar. 5.4 Pressão da Estação – QFE O valor de pressão obtido a partir da leitura do Barômetro, num dado ponto à superfície da Terra representa a pressão que a atmosfera está exercendo sobre o referido ponto. A esse valor de pressão dá-se o nome de Pressão da Estação ou QFE. 5.5 Pressão ao Nível do Mar – QFF Sabemos que a pressão decresce com a altitude. Assim sendo, estações situadas em altitudes diferentes terão pressões diferentes, não sendo possível uma comparação entre elas, para análise do campo bárico. Para se fazer uma análise do campo bárico das várias estações meteorológicas situadas em regiões, com diversas altitudes, numa mesma hora, é necessário que todas essas localidades reduzam suas pressões para um nível de referência comum. O nível médio do mar é a referência utilizada e a pressão até aí reduzida é denominada Valor QFF, obtida através de cálculos e uso de tabelas, tendo como ponto de partida o QFE, pressão ao nível da estação. Para as estações situadas acima do nível do mar, reduzir a pressão da estaçãoa esse nível significa adicionar à pressão da estação, um valor que represente o peso de uma coluna de ar hipotética, que se estenderia do nível da estação ao nível do mar. Assim, a coluna hipotética de ar representa a distância vertical que separa o nível da estação, do nível do mar, ou seja, é a própria altitude da estação: Altitude da Estação = QFF - QFE. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 5.6 Campos de Pressão Para compreendermos o significado de "campo de pressão" e sua importância para a navegação aérea, é imperativo o entendimento de outros dois conceitos meteorológicos. 5.6.1 Superfície Isobárica Consideremos um valor de pressão qualquer: 900 hPa, por exemplo. Imaginemos esse valor numa determinada altura, sobre um aeródromo e suponhamos, agora, encontrar o mesmo valor de pressão em outras localidades, preferencialmente sobre todos os pontos do globo terrestre. O resultado será uma "superfície" de mesmo valor de pressão, que denominaremos, daqui por diante, "superfície isobárica". Portanto, sobre o globo terrestre, as superfícies isobáricas se superpõem, formando um conjunto infinito de superfícies concêntricas irregulares, cujo núcleo será a crosta terrestre. 5.6.2 Isóbara Para podermos ter uma idéia global da distribuição da pressão sobre uma região, as pressões QFF de cada estação da região são lançadas em um mapa, que denominamos Carta Sinóptica. Feito isto, o meteorologista fará a análise da carta, unindo todos os pontos que possuam iguais valores de pressão, com linhas denominadas Isóbaras que, geralmente, são traçadas em dois hPa, números pares. Traçadas as isóbaras é possível analisar o campo bárico ao nível do mar, o que nos permite visualizar o comportamento físico da atmosfera, através das flutuações e deslocamentos dos diversos sistemas de pressão que compõem, no todo; esses campos báricos tão diferentes entre si pelas diferenças de pressão que possuem. 5.7 Alta Pressão (ou Anticiclone) Um valor elevado de pressão atmosférica não constitui, por si só, uma alta pressão, ou anticiclone, como também é conhecido. O que define um sistema de alta pressão é um conjunto de isóbaras concêntricas num mapa meteorológico, em que os valores mais elevados se acham no centro. Observemos, na figura abaixo, que essa 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica configuração isobárica (H) é fechada, mesmo formando uma figura irregular. Sistemas de alta pressão estão associados a bom tempo. Sistema Bárico Divergente 5.8 Baixa Pressão (ou Ciclone) Analogamente à alta, um valor baixo de pressão também não constitui, por si só, um sistema de baixa pressão. Uma baixa pressão é um conjunto de isóbaras concêntricas num mapa meteorológico, em que os valores menores se encontram no centro. Observemos, na figura abaixo, que essa configuração isobárica (L) é fechada, mesmo formando uma figura irregular. Sistemas de baixa pressão estão associados a mau tempo. 5.9 Crista ou Cunha A configuração de uma crista é semelhante à de alta, todavia, ao observarmos as isóbaras, elas formam linhas que não se fecham o que caracterizaria um sistema de alta pressão. Portanto, uma crista é definida como uma região alongada de pressões elevadas, associada a bom tempo. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 5.10 Cavado A configuração de um cavado é semelhante à de baixa, todavia, ao observarmos as isóbaras, elas formam linhas que não se fecham, o que caracterizaria um sistema de baixa pressão. Portanto, um cavado é definido como uma região alongada de pressões baixas, associada a mau tempo. 5.11 Colo O campo de pressão denominado "colo" é formado por uma região ligando dois ciclones e dois anticiclones opostos. Em geral, nessa região os ventos são fracos e variáveis. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 6. UMIDADE ATMOSFÉRICA Mais de dois terços (2/3) da superfície da Terra são cobertos por oceanos, mares, rios, lagos, etc. A lâmina d'água superior dessa extensa área está, continuamente, em processo de evaporação para a atmosfera. Ao subir, essa umidade evaporada se resfria, condensa-se e precipita-se em forma de chuva, chuvisco, neve, granizo, etc., percorrendo, portanto, um caminho cíclico ao longo de sua existência. Com uma concentração praticamente nula nas regiões desérticas e nos extremos polares, mas de até 4%, em volume, nas regiões equatoriais, o vapor d'água é um dos mais importantes constituintes atmosféricos. Sua presença é absolutamente indispensável para toda espécie de vida na Terra, por ser um elemento absorvedor da energia infravermelha e, ainda, o responsável pelo equilíbrio térmico da atmosfera. Por outro lado, o vapor d'água é, também, o responsável pela existência dos fenômenos meteorológicos, que tantos problemas causam à sociedade, tais como enchentes, desmoronamentos e outros, como densas nuvens e nevoeiros, mais especificamente problemáticos à navegação aérea. 6.1 Medidas da Umidade O Vapor d’água não é um elemento componente da atmosfera, mas um elemento que está sempre presente devido ao fenômeno da evaporação. O vapor d’água utiliza-se da atmosfera apenas como meio de transporte, de região para região. A presença do vapor d’água pode ser verificada e medida através de diversos elementos, tais como: umidade absoluta, umidade relativa e temperatura do ponto de orvalho. 6.1.1 Umidade Absoluta Em uma mistura de vapor d’água e ar seco, a umidade absoluta é definida como sendo a razão entre a massa de vapor d’água e o volume ocupado pela mistura. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 6.1.2 Umidade Relativa A umidade relativa é uma relação entre a quantidade de vapor de água presente em um dado volume de ar e a quantidade máxima de vapor de água que este volume de ar pode conter a pressão e temperatura constantes. A umidade relativa é expressa em percentagem e pode variar de 0% a 100%. Quando um volume de ar está saturado, ele contém todo o vapor d’água possível e sua umidade relativa é 100%. Quando ele contém metade da quantidade máxima possível, a umidade relativa passa a ser 50%. Quando a quantidade de vapor de água de um volume de ar for constante, o aumento da temperatura desse volume de ar fará diminuir o valor da umidade relativa, isso porque o aumento da temperatura de um volume de ar aumenta a capacidade de reter umidade e assim, conclui-se que, se aumentou a capacidade de reter o vapor de água, e não há evaporação, a umidade relativa será menor. Para a obtenção do valor da umidade relativa usam--se tabelas e métodos apropriados ou ainda, utilizando os higrômetros ou Higrógrafos, que são instrumentos destinados a avaliar a quantidade de umidade no ar. Higrotermógrafo 6.1.3 Temperatura do Ponto de Orvalho Temperatura que um volume de ar deve atingir,para tornar-se saturado com o vapor d’água nele existente, a uma mesma pressão. Ao atingir a temperatura do 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica ponto de orvalho, observamos que o ar se satura sem o acréscimo de vapor de água, mas pela diminuição da capacidade de retenção do vapor desse ar. A temperatura do ponto de orvalho é sempre comparada à temperatura do ar, a fim de permitir a determinação do teor de umidade atmosférica. O ar estará saturado quando as duas forem iguais. A temperatura do ponto de orvalho é obtida através de psicrômetros, usando- se a diferença entre as temperaturas do bulbo úmido e do bulbo seco, daquele conjunto, e a tabela do ponto de orvalho correspondente. 6.2 Processos Físicos de Saturação Na atmosfera, a condensação e a sublimação do vapor d’água ocorre, principalmente, devido à saturação do ar. Para que isso ocorre, o ar deve conter uma quantidade apreciável de partículas sólidas, ao redor das quais o vapor d’água se condensará ou se sublimará. Essas partículas são denominadas de Núcleos de Condensação ou Núcleos Higroscópicos. O ar pode atingir a saturação por dois processos: acréscimo de umidade e resfriamento. 6.2.1 Acréscimo de Vapor d’água Isso ocorre quando a temperatura e a pressão permanecem constantes e há acréscimo de vapor d’água pela evaporação. Quando a saturação ocorre com a umidade relativa acima de 100%, fica caracterizada a condição de supersaturação. Nesses casos, o excesso de umidade condensa-se ou sublima-se instantaneamente. 6.2.2 Por Resfriamento Os processos de saturação do ar por resfriamento são os seguintes: 6.2.2.1 Radiação Nas noites sem nuvens, uma superfície que tenha recebido calor solar durante o dia, devolve esse calor para o espaço. Qualquer ar úmido em contato com a superfície resfriada por radiação tornar-se-á saturado, podendo formar-se nevoeiro de 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica superfície. Esta condição de resfriamento ocasiona a formação de orvalho ou, a baixas temperaturas, a geada. 6.2.2.2 Advecção É o transporte horizontal do calor, através da movimentação do ar. Em duas situações a advecção pode contribuir para a saturação do ar. Uma quando um ar frio e úmido se desloca sobre superfície mais aquecida. a parte inferior do ar se aquece, se torna menos denso e se eleva, condensando o seu vapor d’água, dando origem às nuvens do tipo Cumuliforme; outra situação ocorre quando um ar mais aquecido e úmido se desloca sobre superfície mais fria. Nesse movimento, por contato, o ar vai se resfriando pouco a pouco em sua parte inferior. Na faixa de contato entre o ar mais aquecido acima e o ar mais frio abaixo, haverá a saturação do ar por resfriamento, formando camadas contínuas de nuvens estratiformes. 6.2.2.3 Efeito Orográfico Um ar úmido e aquecido, ao se deparar com cordilheira, serra ou montanha, é forçado a se elevar mecanicamente. À medida que sobe, o ar vai se resfriando, podendo se condensar, dando origem a nuvens orográficas ou nevoeiro orográfico, a barlavento das encostas. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 6.2.2.4 Efeito Dinâmico A convergência de ventos com diferentes características de temperatura, pressão e umidade, sobre uma região, resulta em efeito dinâmico, que pode ocasionar elevação do ar, saturação por resfriamento e, conseqüentemente, a formação de nuvens dinâmicas, comuns às frentes e linhas de instabilidade. Efeito Dinâmico 6.2.2.5 Convecção O mecanismo da convecção se processa quando a superfície sólida do globo terrestre é aquecida pelo Sol. O ar em contato também se aquece e tende a subir. Na subida, o ar vai se resfriando e se tornando saturado por resfriamento, favorecendo a formação de nuvens. O ar aquecido sobe, gera as correntes ascendentes e o ar mais frio superior, que desce, gera as correntes descendentes. Essas correntes verticais recebem o nome de correntes convectivas e a nebulosidade daí resultante, terá o nome de nuvens convectivas. O processo da convecção atinge seu máximo à tarde sobre a terra e, à noite, sobre as superfícies líquidas. Ciclo Hidrológico O ciclo Hidrológico é um sistema alimentador, que permite a circulação contínua da água entre a hidrosfera e a atmosfera, e vice-versa. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Como vimos, a água é levada para a atmosfera pelo processo físico da evaporação. A água evaporada, assim permanece na atmosfera, podendo se condensar ou se sublimar, sob a forma de gotas d’água ou cristais de gelo, constituindo as nuvens e nevoeiros. A água condensada ou sublimada retorna à superfície através das precipitações como chuva, chuvisco, neve e outras. Esse ciclo, água da superfície para a atmosfera pela evaporação e, da atmosfera para a superfície, pelas precipitações, se repete indefinidamente dando continuidade ao Ciclo Hidrológico. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 7. NEBULOSIDADE De acordo com o Atlas Internacional de Nuvens, da Organização Meteorológica Mundial (OMM), nuvem é um conjunto visível de partículas minúsculas de água no estado líquido ou sólido, ou em ambos, em suspensão na atmosfera. Em geral, as nuvens se formam distantes da superfície; todavia, em muitas ocasiões, elas também se desenvolvem coladas ao solo, principalmente em locais de topografia acidentada. 7.1 Processos de Formação Para que o vapor d'água contido no ar atmosférico, em estado invisível, possa condensar-se, são necessárias, pelo menos, duas condições: a) o ar ambiente deverá resfriar-se até atingir a sua temperatura de saturação, ou seja, o seu ponto de orvalho; e b) o ar ambiente deverá conter partículas higroscópicas em quantidade suficiente, a fim de servirem de "núcleos de condensação". Conforme vimos no capítulo "Umidade na Atmosfera", a água evapora-se da superfície e se transfere para a atmosfera. Se a quantidade de água evaporada sofrer um resfriamento, como resultado de sua ascensão, ou repousar sobre uma superfície mais fria, a condição "a" estará cumprida. Núcleos de condensação, de origem orgânica ou mineral, são partículas sólidas, existentes naturalmente nas camadas inferiores da atmosfera. Nas regiões industrializadas (fuligem), na zona rural (pó e pólen) ou sobre os oceanos (sais), esses núcleos existem em grande quantidade (condição "b"). A formação de nuvens ocorre lenta e continuamente na atmosfera. Quando as condições estabelecidas se concretizam, gradativamente vão surgindo os primeiros aspectos da condensação. Em altitude, em forma de nuvem, uma leve "neblina" vai- se formando no "nível de condensação", e um fluxo de vapor d'água se estabelece entre a superfície e a base da nuvem, fornecendo o seu "combustível" de crescimento. Os processos de formação e desenvolvimento das nuvens na atmosfera são vários e dependem de muitos fatores, tais como estação do ano, horário, topografia,etc., sendo os mais comuns a convecção, a advecção, o efeito orográfico, o efeito dinâmico e a radiação. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 7.2 Classificação das Nuvens Apesar das freqüentes transformações da aparência das nuvens, é possível a definição das formas características que permitem classificá-las em diferentes grupos. De acordo com o Atlas Internacional de Nuvens, estas recebem designações segundo o seu "gênero" (formato e altura da base), sua "espécie" (peculiaridades nas formas e diferenças nas estruturas internas) e "variedade" (arranjos dos elementos e grau de transparência). No total, são 10 (dez) gêneros, 26 (vinte e seis) espécies e 31 (trinta e uma) variedades. Para fins aeronáuticos, todavia, as nuvens são conhecidas apenas pelo seu gênero, isto é, pelo seu nome principal. As espécies e variedades são classificações de interesse puramente técnico, visto que essas designações traduzem informações importantes para o serviço de previsão do tempo. Portanto, para nós, o mais importante é identificar o gênero da nuvem e sua influência na navegação aérea. A continuada observação das nuvens demonstrou que estas se desenvolvem numa gama de altitudes que varia do nível do mar até 18 km nos trópicos, 13 km nas latitudes médias e 8 km nas regiões polares. Por convenção, a parte da atmosfera na qual estão normalmente presentes foi dividida em três "estágios": alto, médio e baixo, que correspondem, aproximadamente, à antiga denominação de "famílias". Os estágios se sobrepõem, e seus limites variam com a latitude. As alturas aproximadas são as seguintes: Estágio Região Tropical Região Temperada Região Polar Alto 6 a 18 km 5 a 13 km 3 a 8 km Médio 2 a 8 km 2 a 7 km 2 a 4 km Baixo Superfície a 2 km Superfície a 2 km Superfície a 2 km Desenvolvimento Vertical Em todos os níveis Em todos os níveis Em todos os níveis 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 7.2.1 Nuvens do Estágio Alto a) Cirrus (CI): nuvens isoladas, com textura fibrosa, sem sombra própria, geralmente de cor branca e freqüentemente de brilho sedoso. São constituídas por cristais de gelo e podem se apresentar sob a forma de fibras delgadas ou filamentos retilíneos, encurvados ou emaranhados e em bancos suficientemente densos para parecerem cinzentos, quando se encontram na direção do Sol. b) Cirrocumulus (CC): banco, lençol ou camada delgada de nuvens brancas, sem sombra própria, compostas de elementos muito pequenos, em forma de grânulos, rugas, etc., soldados ou não, dispostos mais ou menos regularmente. São constituídos, quase que exclusivamente, por cristais de gelo, podendo conter água super-resfriada, em algumas ocasiões. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica c) Cirrostratus (CS): véu transparente, fino e esbranquiçado, sem ocultar o sol ou a lua. São constituídos, quase que exclusivamente, por cristais de gelo, podendo conter água super-resfriada, em algumas ocasiões. Apresentam o fenômeno do "halo" em volta da lua. Às vezes, o véu dos Cirrostratus é tão tênue que o único indício de sua presença é o “halo”. 7.2.2 Nuvens do Estágio Médio a) Altocumulus (AC): banco, lençol ou camada de nuvens brancas ou cinzentas ou, simultaneamente, brancas e cinzentas, tendo geralmente sombra própria; têm forma de lamínulas, seixos, rolos, etc., de aspecto, às vezes, parcialmente fibroso ou difuso, soldados ou não. Os Altocumulus são, quase invariavelmente, constituídos por gotículas de água, contudo, a temperaturas muito baixas, podem formar cristais de gelo. A transparência do Altocumulus é muito variável, podendo ele às vezes ser suficientemente denso para esconder complemente o sol. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica b) Altostratus (AS): lençol ou camada de nuvens cinzentas ou azuladas, de aspecto estriado, fibroso ou uniforme, cobrindo inteira ou parcialmente o céu e apresentando partes suficientemente delgadas para que se possa ver o sol, pelo menos vagamente, como se fosse através de um vidro despolido. São constituídos por gotículas de água e cristais de gelo, podendo conter flocos de neve, no inverno. c) Nimbostratus (NS): camada de nuvens cinzentas, muitas vezes de aspecto sombrio. A espessura dos Nimbostratus é suficientemente densa para ocultar complemente o sol. São constituídos por gotículas de água e cristais de gelo, podendo conter flocos de neve, no inverno. O "Ns" diferencia-se do "As" por ser complemente opaco, de cor mais escura e, ainda, pode ser encontrado no estágio baixo. 7.2.3 Nuvens do Estágio Baixo a) Stratocumulus (SC): banco, lençol ou camada de nuvens cinzentas ou, ao mesmo tempo, cinzentas e esbranquiçadas, tendo quase sempre partes escuras em forma de lajes, seixos, rolos, etc., de aspecto não fibroso, soldadas ou não. Os Stratocumulus são constituídos de gotículas de água, principalmente na região tropical, podendo conter cristais de gelo e flocos de neve em regiões frias. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica b) Stratus (ST): camada de nuvens geralmente cinzentas, com base bastante uniforme, podendo dar lugar a chuviscos, prismas de gelo ou grãos de neve (em regiões muito frias). O sol, quando visto através da camada, tem contorno nitidamente visível. Apresenta-se, também, sob a forma de bancos esgarçados. 7.2.4. Nuvens de Desenvolvimento Vertical: a) Cumulus (CU): nuvens isoladas, geralmente densas e de contornos bem definidos, desenvolvendo-se verticalmente em forma de mamilões ou torres, cuja parte superior, cheia de protuberâncias, assemelha-se, muitas vezes, a uma "couve- flor". Quando iluminadas pelo sol, são de um branco brilhante, e sua base, relativamente sombria, é sensivelmente horizontal. Os Cumulus são constituídos basicamente por gotículas de água e, quando produzem precipitação isoladamente, parece uma ducha. Na antiga classificação de nuvens em "famílias", ao invés de "estágios", os Cumulus eram classificados como "Nuvens de Desenvolvimento Vertical". 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica d) Cumulonimbus (CB): nuvens densas e possantes, de considerável dimensão vertical, em forma de montanha ou de enormes torres. Uma de suas partes, pelo menos da região superior, é lisa, fibrosa ou estriada e quase sempre achatada, podendo desenvolver-se em forma de bigorna ou de um vasto penacho. Debaixo da base do Cb, freqüentemente muito escura, existem normalmente nuvens esgarçadas, soldadas ou não a ela. Os Cumulonimbus são constituídos por gotículas de água e, principalmente, em sua região superior, por cristais de gelo. Podem conter gotas grossas de chuva e flocos de água-neve, granizo ou saraiva. As gotículas de água e as gotas de chuva podem estar super-resfriadas. As dimensões horizontal e vertical dos Cumulonimbus são tão grandes, que a forma característica da nuvem só é visível quando observadaa uma distância suficientemente grande. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 7.3 Miscelâneas de Nuvens Lenticulares são nuvens de levantamento orográfico que tem uma aparência de lentes. Elas formam-se quando ar úmido passa sobre montanhas. As vezes, este ar forma-se em ondas. Nuvens lenticulares formam-se no lado sotavento das montanhas nas cristas das ondas, mas os cavados permanecem sem nuvens. Elas freqüentemente forma-se uma acima da outra, como uma pilha de panquecas. Quando observadas numa distancia, nuvens lenticulares podem ter uma aparência de discos voadores, especialmente à noite. A maioria de reportes sobre discos voadores ocorre nas regiões montanhosas, quando nuvens lenticulares são presentes. As nuvens comuns de tipo lenticulares incluem altocumulus lenticulares e stratocumulus lenticulares. Lenticulares Mammatus são protuberâncias redondas luminosas no lado debaixo das nuvens, que tem uma aparência de ubres bovinos. Estas nuvens formam-se em ar descendente, em contraste da maioria das nuvens discutidas que se formam em ar ascendente. Frequentemente, mammatus formam-se no lado debaixo de uma nuvem cumulonimbus, e são observadas geralmente depois da passagem de uma trovoada severa. Mammatus também podem desenvolver-se debaixo de nuvens cirrus, cirrocumulus, altostratus, altocumulus, e stratocumulus. Mammatus 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Os piléus formam-se quando ar nos níveis altos é levantado à força. Freqüentemente, nuvens piléus formam-se quando ventos úmidos são defletidos acima e sobre o topo de uma cumulus congestus ou cumulonimbus em desenvolvimento. Se o ar flutuando sobre o topo da nuvem condensa-se, pode formar uma nuvem piléus. Piléus tem uma aparência de um lenço de seda cobrindo o topo de uma nuvem cumuliforme. Estas nuvens não crescem muito verticalmente, porque o ar levantado é mais seco do que o ar nos níveis baixos. Nuvens piléus também podem formar-se sobre os topos de montanhas ou torres altas. Os rastos de condensação são linhas finas de nuvens que se formam nos rastos dos aviões em altitudes altas. Estas nuvens são resultado da condensação do vapor de água emitido pelos motores. Necessitamos mistura suficiente entre as descargas quentes de gás e o ar frio para produzir saturação. Rastos de condensação dispersam-se rapidamente quando a umidade relativa do ar ao redor é baixa, mas numa atmosfera úmida, podem permanecer por muitas horas. Rastos de condensação também podem formar-se pelo processo de resfrio, quando a pressão mais baixa produzida pelo ar flutuando acima da asa causa o resfrio do ar. Freqüentemente, rastos de condensação espalham-se em nuvens cirrus pelos ventos altos. Trilhas de condensação 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Nuvens Bem Altas Todas as nuvens discutidas são observadas na troposfera inferior. Ocasionalmente, nuvens podem ser observadas acima da troposfera. Nuvens nacreous formam-se na estratosfera em altitudes acima de 30 km. Estas nuvens são bem observadas durante o inverno. Neste período da estação, o Sol é justamente acima do horizonte, e pode iluminar as nuvens por causa das suas altitudes altas. Nuvens nacreous são identificadas pelas cores iridescentes luminosas. As composições destas nuvens não são bem conhecidas, embora que nuvens nacreous são provavelmente compostas de água no estado sólido ou líquido (supercongelado). Nuvens nacreous são também chamadas de nuvens madrepérola. Nuvens Nacaradas Nuvens noctilucentes Nuvens noctilucentes formam-se na mesosfera superior, em altitudes acima de 80 km. Estas nuvens são bem observadas nas regiões polares durante crepúsculo. Neste tempo, as nuvens são iluminadas por causa da suas altitudes. Nuvens noctilucentes parecem como nuvens luminosas contra um céu escuro. As nuvens são geralmente de azuis para brancas onduladas tão finas que as estrelas penetram seus brilhos. Como as nuvens nacreous, a origem destas nuvens não é bem conhecida. Cientistas especulam que nuvens noctilucentes são compostas de água que se congela nas partículas de poeira de meteoros. Atualmente, a água pode originar em meteoros que se desintegram na atmosfera superior. Uma nuvem em forma de parede é uma nuvem baixa isolada unida à base da nuvem cumulonimbus na parte sem precipitação. Esta nuvem é geralmente 3 km em diâmetro e indica a área da corrente de ar ascendente principal. Assim que a trovoada intensifica, a corrente de ar ascendente puxa ar nos níveis baixos na área de precipitação. Este ar resfriado é muito úmido, e a umidade no ar condensa 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica rapidamente para formar a nuvem em forma de parede. A figura abaixo representa uma situação com uma trovoada e a nuvem em forma de parede produzindo um tornado. A nuvem em forma de parede geralmente existe na parte traseira da área de precipitação com trovoadas intensas. Nuvens em forma de parede que produzem tornados geralmente exibem movimentos rápidos e violentos de ar que giram e ascendem nas nuvens. Estas nuvens existem por muitos minutos antes da formação de um tornado. O influxo de ar quente com este tipo é mais forte do que nuvens que não produzem tornados. Nuvens em forma de parede que se dissipam e desenvolvem-se novamente indicam trovoadas multi-células ou supercélulas não associadas com tornados. Cientistas estimam que menos da metade de nuvens em forma de parede produzem tornados. Persistentes nuvens em forma de parede significam fortes correntes de ar ascendente, capazes de produzir granizos devastadores. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 8 NEVOEIRO O nevoeiro é um higrometeoro formado pela condensação do vapor d'água nos níveis inferiores da atmosfera, colado à superfície e reduzindo-lhe a visibilidade horizontal a valores inferiores a 1.000 m. Formado à semelhança da névoa úmida, o nevoeiro difere desta pela visibilidade, que é inferior a 1.000 m, e pela umidade relativa, que já se aproxima dos 100%. Gotículas de água, extremamente pequenas, parecem flutuar quando o nevoeiro se intensifica. Verticalmente, a visibilidade fica extremamente reduzida, não permitindo a identificação de qualquer nuvem, astro ou aeronave, isto é, o céu se torna invisível. No entanto, quando a camada de nevoeiro é excessivamente tênue, ocorre o que se denomina "nevoeiro de superfície", ficando o céu em condições visíveis. Normalmente, a formação de névoa úmida precede a formação de nevoeiro, reduzindogradativamente a visibilidade e sucedendo a ele após sua dissipação. Os processos físicos responsáveis pela formação do nevoeiro são, basicamente, dois: incorporação de água à atmosfera, por meio da evaporação e/ou redução gradativa da temperatura ambiente, até atingir o ponto de saturação. Vejamos os principais tipos de nevoeiros: 8.1 Nevoeiro de Radiação A perda de calor pela radiação da superfície terrestre resulta, freqüentemente, na saturação do ar atmosférico que se encontra próximo ao solo. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Principalmente nos meses de Outono e Inverno, da saturação do ar atmosférico dos níveis mais baixos, que ocorre mais comumente à noite ou de madrugada, resulta o desenvolvimento de nevoeiros de radiação. 8.2 Nevoeiro de Advecção Um outro processo de desenvolvimento do nevoeiro é o que resulta do movimento horizontal do ar quente e úmido sobre superfícies frias. Evidentemente, os elementos determinantes desse processo são os núcleos higroscópicos e a umidade do ar que sofrerá a saturação. Quando o ar quente e úmido de uma região advectivamente passar por sobre uma superfície mais fria, esta o saturará e, provavelmente, o nevoeiro de advecção se formará. Quando a camada quente e úmida estiver ligeiramente turbulenta, devido ao movimento mais intenso do ar, a camada de nevoeiro será bastante espessa, o que caracterizará esta formação como um tipo muito persistente e de difícil dissipação, inclusive podendo conviver com camadas de nuvens estratificadas. Nas regiões litorâneas, o ar marinho, quente e úmido, sopra e incrementa a umidade no continente, provocando a formação de nevoeiro de advecção à noite, quando o solo se resfriar suficientemente. Sobre os oceanos, o nevoeiro de advecção ocorre quando correntes marítimas quentes estão adjacentes a correntes marítimas muito frias, provocando o contraste térmico, capaz de condensar a umidade do ar. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 8.3 Nevoeiro de Evaporação Geralmente nas tardes de verão, após uma tempestade repentina, a chuva fria sobre superfícies quentes provoca evaporação súbita e o conseqüente resfriamento do solo. A saturação resultante da queda de temperatura pode dar origem a esta espécie de nevoeiro. Se o ar da superfície estiver fluindo em movimento laminar, o nevoeiro poderá ocorrer; se, por outro lado, o movimento for turbulento, o mais provável será a formação de nuvens estratiformes. 8.4 Nevoeiro Frontal A superfície fria de uma região afetada por um sistema frontal poderá, em ação conjunta com a precipitação fina das nuvens mais baixas, saturar e condensar o meio ambiente e dar origem a esta espécie de nevoeiro. Se o sistema for do tipo frio, o nevoeiro formado será denominado "pós-frontal"; se do tipo quente, "pré-frontal", por ocorrerem somente no interior da massa polar. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 8.5 Nevoeiro Orográfico Numa atmosfera estável, o ar úmido pode ser forçado a ascender por encostas de montanhas e dar origem ao nevoeiro de encosta ou "orográfico", cuja saturação tem como causa o resfriamento adiabático do ar ascendente. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 9 HIDROMETEOROS E LITOMETEOROS Os hidrometeoros são os fenômenos atmosféricos formados pelo elemento água. Eles começam na formação do vapor d’água, passam pelas nuvens e nevoeiros, pelas formas de precipitação como chuva, chuvisco, neve e outros, e pelas formas depositadas como o orvalho, a geada, etc. De um modo geral, os hidrometeoros classificam-se em dois grandes grupos: os que se precipitam e os que se depositam. 9.1 Névoa Úmida A névoa úmida é formada pela concentração de partículas higroscópicas existentes nas camadas inferiores da atmosfera, difere da névoa seca pelo valor da umidade relativa, que é 80% ou mais. Em geral, a névoa úmida se forma em níveis mais baixos que os da névoa seca e apresenta uma tonalidade acinzentada mais próxima do azul, dependendo do fundo. A visibilidade horizontal mínima, devido à névoa úmida, é 1.000 m. Difere do nevoeiro por apresentar uma visibilidade horizontal igual ou superior a 1.000 m (o nevoeiro sempre está aquém deste valor) e, também no teor de umidade relativa uma vez que, o nevoeiro apresenta 97% no mínimo de teor de umidade relativa. 9.2 Hidrometeoros que se precipitam A precipitação de um ou de vários hidrometeoros se dá quando uma nuvem, não podendo mais conter o excesso de umidade condensada ou sublimada, seus elementos caem por ação da gravidade. Informaremos a seguir os tipos mais comuns de hidrometeoros: 9.2.1 Chuva Gotas de água visivelmente separadas, que caem de certas nuvens, devendo ter um diâmetro mínimo de 0,5 mm. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 9.2.2 Chuvisco São gotículas de água com diâmetro inferior a 0,5 mm e uniformemente dispersas. Ao se precipitarem às gotas parecem flutuar no ar, acompanhando o sopro da brisa. Precipitam-se de nuvens stratus e, muitas vezes, são acompanhados de nevoeiro. 9.2.3 Água - Neve Grãos brancos, opacos e redondos, com dois a cinco milímetros de diâmetro. São quebradiços, compressíveis e, quando caem à superfície, normalmente despedaçam-se. 9.2.4 Granizo Grão de gelo, geralmente translúcido, redondo ou cônico, que caem das nuvens Cumulonimbus. 9.2.5 Neve Precipitação no estado sólido, em forma de cristais hexagonais irradiados ou estrelados, comumente misturados com cristais de gelo simples. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 9.3 Hidrometeoros que se depositam 9.3.1 Escarcha Camadas brancas de cristais de gelo, depositadas principalmente em superfícies verticais, nas portas e arestas de objetos sólidos. 9.3.2 Orvalho Gotas d’água, depositadas por condensação direta do vapor d’água, em contato com superfícies horizontais esfriada pela radiação noturna. 9.3.3 Geada Cristais de gelo fino, em forma de agulhas ou escamas, depositadas por sublimação direta do vapor d’água, em condições semelhantes às do orvalho, exceto pelas temperaturas da superfície e do ar, que dever estar iguais ou inferiores a 0 C. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 9.4 Litometeoros É um fenômeno que ocorre devido à presença de grande quantidade de partículas sólidas (litometeoros) em suspensão nas camadas inferiores da atmosfera, apresentando umidade relativa sempre inferior a 80%. 9.4.1 Névoa Seca A névoa seca resulta da decomposição da luz solar ao atravessar as camadas com grande concentração de poeira levantada pelo vento, de fumaça lançada porchaminés, ônibus, automóveis ou provenientes das queimadas durante os meses sem chuva. A névoa seca reduz a visibilidade horizontal para até 1.000 m. Em geral, produz um véu uniforme sobre a paisagem, modificando-lhe as cores. Quando observada em direção a um fundo escuro, como montanhas, a névoa apresenta-se em uma tonalidade avermelhada; com fundo claro, com o Sol e nuvens no horizonte, apresenta-se em amarelo, alaranjado ou vermelho, dependendo do ângulo solar e da concentração das partículas. Por convenção, a umidade relativa do ar, em presença de névoa seca, é inferior a 80%. 9.4.2 Fumaça É a presença no ar, de forma concentrada, de minúsculas partículas resultantes de combustão incompleta. Quando perto da origem, pode ser distinguida pelo cheiro característico. O disco da Lua ou do Sol, quando próximo ao horizonte e visto através da fumaça, apresenta-se extremamente amarelado. Vista de grandes distâncias, a fumaça distribui-se uniformemente pelo ar superior, difundindo uma tonalidade cinzenta ou azulada. Nos grandes centros urbanos, no entanto, as cores difundidas pela fumaça podem ser marrom, cinza-escuro ou negro, dependendo do horário e do fundo. O termo "fumaça" somente pode ser empregado quando a visibilidade horizontal for inferior a 1.000 m. 9.4.3 Poeira É resultante da presença, em tamanhos diminutos, de partículas sólidas, em suspensão nas camadas inferiores da atmosfera, tais como argila ou areia fina, 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica uniformemente distribuídas. Em vista da decomposição da luz solar, os objetos distantes adquirem uma tonalidade cinzenta ou bronzeada e o disco solar apresenta- se pálido ou, quando muito, em tom amarelo. Em altitude, a poeira vinda de grandes distâncias pode dar uma aparência acinzentada ao céu ou reduzir-lhe a cor azulada. O termo "poeira" somente pode ser empregado quando a visibilidade horizontal for inferior a 1.000 m. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 10 ATMOSFERA PADRÃO Na atmosfera terrestre ocorrem variações aparentemente irregulares com relação aos parâmetros: pressão, temperatura e densidade ou massa específica, que não permitem um estudo preciso dessas variações e suas conseqüências. Criou-se, então, um termo de comparação capaz de permitir a avaliação da magnitude dessas variações, dentro de um limite conhecido. Esse termo de comparação recebeu o nome de ATMOSFERA PADRÃO, e constitui uma atmosfera ideal, a partir da qual podemos ter uma idéia das irregularidades ocorridas na atmosfera real. Na aviação adotou-se a ATMOSFERA PADRÃO da ICAO, conhecida abreviadamente por ISA (ICA STANDARD ATMOSPHERE). ICAO (Internacional Civil Aviation Organization) ou OACI (Organização de Aviação Civil Internacional ) é uma entidade de âmbito mundial, com sede Montreal, no Canadá, que regulamenta e normatiza a aviação em todo o mundo. 10.1 Características 1 - A ISA, como atmosfera ideal, não pode conter impurezas ou vapor de água. O ar é considerado seco e composto basicamente dos seguintes gases: Nitrogênio 78%, Oxigênio 21% e 1% do restante compreendem os demais gases (Hélio, Neônio, Argônio, Hidrogênio, Dióxido de Carbono, etc.). 2 - Na Atmosfera Padrão, ao nível do mar, a temperatura tem valor fixo de 15 graus Celsius (59 ºF). Apresenta gradiente térmico vertical de 0,65C/100 m ou 2C/1000 FT, até 11000 m; acima da Tropopausa padrão, a temperatura é constante de -56,5C. Para fins práticos, podemos calcular a temperatura padrão para qualquer nível, subtraindo o dobro do milésimo da altitude, em pés, de 15. Ex.: Qual a temperatura padrão a 5000 FT? 15 - (2 x5) = 5C 3 - A pressão padrão ao nível do mar tem o valor padrão de 1013,2 hPa. Essa pressão equilibra uma coluna de mercúrio de 76 Cm ou 29,92 Pol de altura. A variação vertical média da pressão é irregular, mas, para fins práticos, podemos usar as relações de 1 hPa para cada 30 FT ou 1 pol para cada 1000 FT. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 10.2 Superfícies Isobáricas Consideremos que todos os pontos ao nível do mar possuem a pressão padrão de 1013,2 hPa. As pressões de 1010 e 1006 hPa, tomadas em relação ao nível do mar, se encontrarão sempre acima deste, porque a pressão sempre decresce à medida que ganhamos altitude. Ligando-se os pontos que possuem pressão de 1010 hPa aos pontos com pressão de 1006 hPa, encontramos linhas superpostas e paralelas entre si e também paralelas ao nível do mar. Como o nível do mar é a própria superfície do globo terrestre, as linhas que ligam as pressões de 1010 ou 1006 hPa, também serão superfícies superpostas e paralelas entre si. Essas são as denominadas “Superfícies Isobáricas”, porque apresenta em todos os seus pontos o mesmo valor de pressão. Por isso dizemos que as pressões na atmosfera distribuem-se na vertical como as folhas de uma cebola, envolvendo um núcleo, que é o próprio globo terrestre. Sempre que a superfície isobárica de 1013,2 hPa coincidir com o nível do mar, estará determinada a condição ISA. Por isso a superfície isobárica de 1013,2 hPa é importante e chamada de NÍVEL PADRÃO. Para fins de análise e pesquisas, algumas superfícies de pressão constante foram selecionadas na vertical do nível do mar e são chamadas “Superfícies de Pressão Constante Padronizada” ou “Níveis Padrões”. 10.3 Conceitos de Altitudes a) Altitude - distância vertical que separa uma superfície isobárica, do nível do mar. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica b) Altitude Pressão - distância vertical que separa uma superfície isobárica qualquer, do Nível Padrão (1013,2 hPa) c) Altura - distância vertical que separa duas superfícies isobáricas quaisquer. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 11 ALTIMETRIA A altímetria é a técnica de utilização do Altímetro e o altímetro é um barômetro aneróide, calibrado segundo os parâmetros da Atmosfera Padrão, que indica distâncias verticais, em relação a um dado valor de pressão. Considerando-se que o gradiente térmico adotado para a ISA raramente ocorre na natureza, conclui-se que as medições do altímetro sempre serão aproximadas. É importante lembrar que o altímetro é um dispositivo para medição de pressão, ou seja, ele indicará 3.000 m (10.000FT) quando a pressão for de 697 hPa, sendo ou não a altitude de 3000 m. Assim, a altitude indicada pelo altímetro é sujeita a erros que deverão ser corrigidos sempre que necessário. O altímetro, quando submetido a variações de pressão, passa a indicar altitudes correspondentes em função do movimento giratório dos seus ponteiros: a) Pressão decrescente corresponde a altitudes crescentes - os ponteiros giram no sentido HORÁRIO. b) Pressão crescente corresponde a altitude decrescente - os ponteiros giram no sentido ANTI-HORÁRIO. 18 de fevereiro de 20106. Meteorologia Aeronáutica c) Altura: distância vertical que separa duas superfícies isobáricas quaisquer. 11.1 Ajuste Padrão Quando um altímetro é ajustado para o valor padrão de pressão (1013,2 hPa), ele fornece indicações relativas ao nível fictício do mar (nível padrão), que são chamados de altitude pressão (AP). Essa indicação não inclui a distância que separa o nível padrão do nível do mar real. Esse ERRO de pressão do altímetro não aparece e nem é corrigido na ajustagem padrão e gera três casos a considerar: 1 CASO: A pressão ao nível do mar é 1013,2 hPa. Se o seu altímetro for ajustado padrão e a aeronave voar na Altitude pressão de 3.560 FT a altitude será de igual valor, visto que, o nível padrão está coincidindo com o nível do mar. ALTITUDE INDICADA é a altitude pressão corrigida para os erros de pressão. 2 CASO: Uma aeronave voa no FL040, na vertical de um ponto onde a pressão ao nível do mar é 1018,2 hPa. Estando seu altímetro ajustado padrão, sua altitude pressão é de 4.000 pés. Se ajustarmos QNH (1018,2 hPa), a altitude indicada por esse altímetro será a corrigida para erros de pressão de 4.150 pés do nível do mar, enquanto a altitude pressão mantém-se de 4000 pés. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 3 CASO: A mesma aeronave, voando no FL060, na vertical de um ponto onde a pressão ao nível do mar é 1008,2 hPa, e ajustada padrão, terá indicação de altitude pressão igual a 6.000 pés . Se ajustarmos QNH (1008,2 hPa), a altitude indicada por esse altímetro será a corrigida para erros de pressão de 5.850 ft, ou seja, a aeronave estará voando a 5.850 pés do nível do mar, enquanto a altitude pressão mantém-se de 6.000 pés. __________________________________________ FL060 Ar = 5850 ft AP = 6000 ft NMM_________________________________________1008,2 hPa d = 150 ft NP _________________________________________1013,2 hPa Em resumo, uma aeronave ajustada padrão (QNE) indicará altitude pressão sem corrigir erros de pressão, ao passo que a ajustada QNH estará corrigindo os erros de pressão e fornecendo altitude relativa ao nível do mar. Na atmosfera padrão, a superfície isobárica de 843 hPa está a 5.000 pés,. Com isso, uma aeronave ajustada padrão indicará 5.000 pés onde que se encontre a pressão de 843 hPa, ou seja, nivelada no FL050 estará acompanhando a superfície isobárica de 843 hPa, mesmo que ela suba ou desça em relação ao nível do mar. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Ajuste QNE - ajuste padrão e permite vôo dentro da aerovia com segurança, visto que, o erro de pressão ocorrido será comum a todas as aeronaves em vôo. Ajuste QNH - pressão da estação reduzida ao nível do mar, em condições padrões de atmosfera, fornece a distância vertical que separa uma superfície isobárica qualquer, do nível do mar. Introduzido no altímetro de bordo, faz com que este, no pouso, indique a altitude da pista em uso, relativa ao nível do mar. Ajuste QFE - pressão ao níveo do aeródromo. Quando utilizado como ajuste do altímetro, este passa a fornecer a distância vertical que separa o altímetro da superfície isobárica que fornece o QFE, ou seja, fornece uma altura. A aeronave, quando pousada, indica zero na altura, razão pela qual chamamos o QFE de “Ajuste a Zero”. 11.2 Erro Altimétrico de Temperatura O ar aquecido se expande em todos os sentidos e as superfícies isobáricas superpostas acompanham essa expansão na vertical, afastando-se umas das outras e do nível do mar. Quando o ar é resfriado ocorre o contrário, este se comprime fazendo com que as superfícies isobáricas se aproximem umas das outras e do nível do mar. Com isso, notamos que em ar mais aquecido uma aeronave, ajustada padrão, estará, na realidade, voando acima de sua AP indicada, porque o FL voado estará acima da sua altitude na ISA. Em ar mais frio ocorrerá o oposto e a aeronave ajustada padrão voará sempre abaixo da AP indicada; o FL voado estará abaixo da sua altitude na ISA. Daí, concluímos que o vôo em cruzeiro, em ar mais frio que o padrão é sempre mais inseguro. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 11.3 ALTITUDE DENSIDADE Seja um altímetro perfeitamente calibrado, instalado ao nível do mar, sob condições padrões de 15 C e 1013,2 hPa. Ajustado padrão, esse altímetro deverá indicar ZERO. Suponhamos agora, a temperatura do ar se elevando. No ar mais aquecido, as moléculas componentes estão mais afastadas entre si por expansão e, conseqüentemente, há menor pressão estática por causa da redução de sua massa especifica ou densidade. Com pressão estática menor, as cápsulas aneróides do altímetro se dilatam, acionando os ponteiros que passam a indicar altitudes cada vez maiores. Cada uma dessas altitudes será sempre uma altitude pressão, porque o altímetro continua ajustado padrão. Seja o caso oposto, em que a temperatura do ar vai baixando, a densidade ou massa específica aumenta proporcionalmente, acarretando maiores valores de pressão estática. As cápsulas do altímetro são comprimidas, forçando indicações de altitudes pressão cada vez menores. Cada nova indicação do altímetro continua sendo altitude pressão e as alterações ocorrem por efeito das variações de densidade do ar apenas, visto que o altímetro continua fixo ao nível do mar. Cada um desses valores de altitude pressão constitui o que se chama ALTITUDE DENSIDADE e a definição diz que a Altitude Densidade é a Altitude Pressão corrigida para erros de densidade do ar. Pelo exposto acima, três casos gerais ocorrem: 1 . A temperatura do ar, num dado nível, é igual à temperatura padrão no referido nível e acarreta altitude densidade igual à altitude pressão. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 2 . A temperatura do ar, num dado nível, é maior que a temperatura padrão do referido nível e acarreta altitude densidade maior que a altitude pressão. A densidade do ar é menor que a padrão. 3. A temperatura do ar, num dado nível é menor que a temperatura padrão do referido nível e acarreta altitude densidade menor que a altitude pressão. A densidade do ar é maior que a padrão. O cálculo da Altitude Densidade pode ser feito através do computador de vôo ou através da seguinte relação: Cada grau centígrado variado em relação à temperatura na ISA, acarreta uma variação média de 100 FT na altitude densidade. Assim, podemos usar a seguinte fórmula: AD = AP + (100 x d) onde, temos : AD = Altitude Densidade AP = Altitude Pressão d = temperatura verdadeira menos a temperatura padrão. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 12 VENTO Como sabemos a variação do ângulo de incidência dos raios solares das regiões equatoriais às polares, traz como conseqüência, um aquecimento diferenciado entre essas regiões. Essas diferenças são causadas, em parte, em virtude dos raios solares incidirem maisperpendicularmente sobre as latitudes baixas do que sobre as latitudes altas, tornando as regiões equatoriais mais aquecidas do que as regiões polares. Uma outra causa do aquecimento desigual está no fato de que certas partes da superfície terrestre absorvem mais calor do que outras. O ar aquecido expande-se, tornando-se mais leve do que o ar frio. Daí resulta que uma diferença de temperatura estabelece uma diferença de pressão, obrigando o deslocamento de grandes porções de ar no sentido horizontal, a fim de contrabalançar essa diferença. Esses deslocamentos horizontais constituem os VENTOS e compõem o que denominamos de CIRCULAÇÃO DO AR. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 12.1 Relação entre Pressão e Vento O vento é definido como sendo o ar em movimento aproximadamente horizontal e ocorre quando há diferenças de pressão entre duas regiões, ocasionadas pela variação de temperatura. Suponhamos dois pontos A e B, à superfície, ambos com a mesma pressão de 1014 hPa e, conseqüentemente, com a mesma densidade ou massa específica. A densidade igual nos dois pontos determina um certo equilíbrio de pressão e, dizemos, então, que o ar no ponto A vai estar em repouso em relação ao do ponto B e vice- versa. Se, entretanto, a pressão do ponto B cair para 1010 hPa, continuando a pressão no ponto A com o mesmo valor de 1014 hPa, teremos uma diferença de densidade entre os dois pontos. O ar tenderá a equilibrar a diferença de densidade, fluindo do ponto de maior densidade (ponto A) para o de menor densidade (ponto B). Esse fluxo horizontal do ar, tendendo a manter um certo equilíbrio de pressão, é chamado VENTO. 12.2 Gradiente de Pressão O fluxo do vento faz-se no sentido das pressões altas para as pressões baixas e será tanto mais intenso quanto maior for a diferença entre as pressões. A variação da pressão no sentido horizontal, considerada sobre uma determinada distância, é chamada GRADIENTE DE PRESSÃO. A força que desloca o ar no sentido das pressões mais baixas é denominada de FORÇA DO GRADIENTE DE PRESSÃO. Essa força é que determina a velocidade com que o ar vai fluir. Essa força é diretamente proporcional à diferença de pressão e inversamente proporcional à distância entre as isóbaras. Os ventos que fluem equilibrados pela força do gradiente de pressão denominam-se VENTOS BAROSTRÓFICOS. A Força do Gradiente de Pressão é considerada a força motriz dos ventos. Se, no entanto, somente essa força atuasse sobre o ar em movimento, o vento sempre sopraria diretamente das altas para as baixas pressões. Todavia, isso não ocorre exatamente, pois outras forças também influem no deslocamento horizontal do ar, como Força Centrífuga, Força de Coriólis e Força de Atrito. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 12.3 Força Centrífuga Como a Terra possui uma forma mais ou menos esférica, achatada nos pólos e dilatada no Equador e gira em torno de seu eixo norte-sul, todos os objetos na sua superfície estão sujeitos a uma força centrífuga. Essa força exerce grande influência nos corpos que se movem rapidamente na superfície terrestre e pouca influência terá sobre o vento, visto que este tem deslocamento mais lento. 12.4 Efeito da Rotação da Terra Um corpo em movimento fica sob o efeito de uma força que tende a desviá- lo para a ESQUERDA no Hemisfério Sul e para a DIREITA no Hemisfério Norte. Essa força desviadora é chamada FORÇA DE CORIOLIS, em homenagem ao físico e matemático francês, GASPARD GUSTAVE CORIOLIS, que estudou o deslocamento de uma parcela, relativamente, à superfície da Terra, girando no espaço, determinando o efeito que a referida parcela parecia sofrer, desviando-se de sua trajetória por causa da rotação da Terra. Esta força é expressa por: Coriólis = 2. V. . SEN C = Força de Coriólis 2 = Constante V = Velocidade do vento = Velocidade angular da rotação da Terra = Latitude onde ocorre o movimento Como a Força de Coriólis é diretamente proporcional ao seno trigonométrico do ângulo da latitude, podemos concluir que ela é máxima nos pólos e mínima no Equador. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 12.5 Circulação dos Ventos Como já vimos, a Força do Gradiente de Pressão força o vento a fluir para fora do centro de alta pressão, divergência de ventos, e para dentro do centro de baixa pressão, convergência dos ventos. Vejamos agora uma alta pressão no Hemisfério Sul. A força do gradiente de pressão atuará para fora do sistema, ao mesmo tempo em que a força de Coriólis atuará para a esquerda da direção. O vento, sob o efeito simultâneo das duas forças, fluirá no sentido anti-horário, determinando a Circulação Anticiclônica. Para o Hemisfério Norte, a única diferença é que a Força de Coriólis atua para a direita, obrigando os ventos a fluírem em torno do sistema, no sentido horário. O vento que flui equilibrado pela força do gradiente de pressão e pela força de Coriólis é denominado de VENTO GEOSTRÓFICO. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Nas baixas pressões, nos dois hemisférios, a força do gradiente de pressão atua para dentro do sistema, enquanto a força de Coriólis atua para a esquerda da direção, no Hemisfério Sul e para a direita no Hemisfério Norte. Isso faz com que os ventos fluam, nas baixas pressões, no sentido horário no Hemisfério Sul e no sentido anti-horário no Hemisfério Norte, determinando a Circulação Ciclônica. 12.6 Lei de Buys Ballot A relação entre a distribuição da pressão e a direção do vento foi descrita pela primeira vez no século XVIII, pelo Meteorologista holandês BUYS BALLOT. A lei enuncia o seguinte: “Se uma pessoa ficar de costas para o vento, no Hemisfério Sul, a área de maior pressão ficará a sua esquerda e a de menor pressão a sua direita, ocorrendo o oposto no Hemisfério Norte”. Para fins aeronáuticos, a Lei de Buys Ballot pode ser enunciada da seguinte maneira: “Uma aeronave, voando com ventos de cauda no Hemisfério Sul, terá pressões mais altas à esquerda e pressões mais baixas à direita, ocorrendo o oposto no Hemisfério Norte”. 12.7 Camada de Fricção e Atmosfera Livre A viscosidade do ar faz com que os ventos que fluem próximos à superfície sofram variações de direção e velocidade, por efeito da fricção com a própria superfície e caracterize uma camada inferior da Troposfera, chamada CAMADA DE FRICÇÃO. À medida que nos afastamos da superfície, o efeito da fricção vai diminuindo proporcionalmente, até atingir um nível no qual o atrito desaparece totalmente. Esse nível é chamado NÍVEL GRADIENTE ou NÍVEL DO VENTO GEOSTRÓFICO. A camada atmosférica compreendida entre a superfície e o nível gradiente é chamado de CAMADA DE FRICÇÃO ou PLANETÁRIA e a atmosfera total acima dela é denominada ATMOSFERA LIVRE. O nível gradiente situa-se a 600 metros acima da superfície, embora oscile entre 400 e 1000 metros, dependendo do aspecto orográfico. 18 de fevereiro de 2010 6.Meteorologia Aeronáutica 12.7.1 Divisão da Camada de fricção: a) Camada Limite ou Prandtl Estende-se da superfície até 100 metros de altura. Nesta camada sopram os ventos de superfície. b) Camada de Transição Estende-se da camada limite até o nível gradiente. A partir desta camada sopram os ventos superiores ou ventos de altitude. Os ventos, dentro da camada de fricção, fluem por efeito exclusivo do gradiente de pressão e do atrito, sendo chamados de VENTOS BAROSTRÓFICOS, já que nesta camada o efeito de Coriólis desaparece completamente. A partir do nível gradiente, já dentro da Atmosfera Livre, o efeito do atrito desaparece e o efeito de Coriólis volta a atuar, restabelecendo o equilíbrio geostrófico. O equilíbrio geostrófico é estabelecido quando o vento flui equilibrado pelas forças do gradiente de pressão e Coriólis, paralelamente às isóbaras. O vento daí resultante é chamado de VENTO GEOSTRÓFICO. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 13 CIRCULAÇÕES GERAL DOS VENTOS As regiões equatoriais recebem mais energia solar do que as áreas polares. No equador o calor ganho por radiação é maior do que o calor perdido, enquanto que o inverso se produz nos polos. O excesso de calor do equador é transportada para os polos, enquanto que o excesso de frio dos polos é trazida para as latitudes mais baixas, num movimento contínuo, que tende a manter um certo equilíbrio em toda a atmosfera. Esse movimento da atmosfera é denominado circulação geral. Por causa do aquecimento constante, nas proximidades do equador, têm-se menor pressão. Ao contrário, nos polos o ar torna-se mais denso e mais pesado, logo a circulação nos níveis inferiores se faz dos polos para o equador, e ao contrário, nos níveis superiores, nos dois hemisférios. A circulação geral apresenta aspectos distintos: (1) Uma faixa equatorial que separa os dois hemisférios, denominada de Zona de Convergência Intertropical (ITCZ), também conhecida por: CIT, FIT, Equador Termal, Mínimo Equatorial, Depressão Equatorial, Mínimo Meteorológico, etc.; (2) Circulação Inferior que se estende da superfície até 6.000 metros (20.000 pés); (3) Circulação Superior dita, predominante de OESTE, que se encontra acima da Circulação Inferior; (4) Circulação Secundária ou Regional, são ventos que apresentam características próprias, devido a geografia ou orografia irregular de um determinado local. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 13.1 Circulação Inferior A Circulação Inferior estende-se da superfície até 6.000 metros e tem os seguintes fluxos: Nas Latitudes Polares: Flui de ESTE Nas Latitudes Temperadas: Flui de OESTE Nas Latitudes Equatoriais/Tropicais: Flui de ESTE Os Ventos Alíseos, pertencentes As latitudes equatoriais, tem o seguinte fluxo: No HS flui de SE e no HN flui de NE. 13.2 A Circulação Superior Predominante de OESTE Esta Circulação ocorre acima de 6.000 metros (20.000 pés). Tendo origem sobre as latitudes equatoriais no retorno dos Alíseos (Contra-Alíseos). A Circulação Superior desenvolve-se em espiral acelerando gradativamente à medida que vai se aproximando das latitudes polares. Apresenta os seguintes ventos: a) Contra-Alíseos – Retorno dos Alíseos em altitude, flui de W 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica b) Jatos de Este – Sobre as latitudes equatoriais e tropicais, encontram-se acima de 40.000 pés e apresentam uma velocidade variando entre 50 e 60 nós. c) Correntes de Berson – Fluem de Oeste, ao longo do Equador, acima de 60.000 pés, com velocidades superiores a 100 nós. d) Ventos Krakatoa – Fluem acima da Tropopausa, de este, sobre as latitudes tropicais, com velocidades superiores a 100 nós. e) Vórtices Polares – A partir das latitudes tropicais e em direção aos polos, em movimentos espiralados; são mais intensos no inverno, onde a velocidade pode alcançar 200 nós. f) Corrente de Jato (Jet Stream = JT ST) - Flui de oeste, sobre as latitudes temperadas, encontra-se situado entre a troposfera e a tropopausa; é mais intensa no outono/inverno. Sua velocidade média é superior a 100 nós; está associada, normalmente, a uma CAT; ocorre na retaguarda de uma frente fria intensa. A formação de uma corrente de jato denomina-se jatogênese e a dissipação, jatólise. É dita isotermal, logo apresenta a característica de estabilidade. São mais baixas no outono/inverno e bem mais elevadas no verão. A nebulosidade que identifica a aproximação de uma corrente de jato é o Cirrus do tipo Uncinus (rabo de galo). Na base da corrente pode ser encontrado Cirrocumulus (ar turbulento) 13.3 Circulação Secundária São ventos caracterizados pelas perturbações atmosféricas locais, provocados por efeito orográficos e/ou geográficos. Os ventos da circulação secundária, mais conhecidos, são os seguintes: a) Ventos de Brisas: Marítimas – O aquecimento no continente acontece mais rapidamente do que a superfície líquida do mar. Assim sendo, o ar em contato com o litoral, se aquece 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica facilmente durante o dia, tornando-se menos denso e com pressão menor, ao contrário, o ar em contato com o mar permanece mais frio, logo, mais denso e com pressão maior, isto implica que o vento flui do mar para a terra, mais intensamente nas tardes de verão, onde as temperaturas serão maiores. Terrestres - No outono/inverno ocorre o processo inverso, fazendo com que o vento venha a fluir da terra para o mar, mais intensamente nas noites ou madrugadas de inverno intenso. Brisa Marítima: M T, TV Brisa Terrestre: T M, NI b) Ventos de Vales e Montanhas A origem destes ventos é ocasionada pela radiação solar diurna e pela radiação terrestre noturna. O aquecimento diurno do fundo de vales e suas encostas, provoca o aquecimento do ar por contato, formando fluxos ascendentes de ar nas encostas, denominados de ventos de vales. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica O resfriamento noturno das montanhas e suas encostas, com o ar mais frio e mais denso, obriga o ar a descer as encostas, caracterizando assim, os ventos de montanhas. VALES SOBEM DIURNOS MONTANHAS DESCEM NOTURNOS c) Ventos Anabáticos e catabáticos Uma encosta alongada é aquecida durante o dia pela radiação solar, o ar em contato com ela, se aquece e tende a se elevar ao longo da encosta, constituindo o vento anabático. O contrário deste vento vento é o catabático, ocorre durante as noites descendo encostas alongadas. d) Vento de Fohen (Efeito de Fohen) Vento de natureza orográfica, resfriam-se à barlavento, às vezes formando nebulosidade. No sotavento se aquecem adiabaticamente secos, constituindo-se em ventos quentes e secos. e) Ventos de Monções São circulações termais e fluem sobre as latitudes equatoriaise tropicais, vindos do mar para a terra nas tardes de verão e da terra para o mar nas noites de inverno. Nas monções de verão ocorrem precipitações intensas. A mais conhecida das monções é a monção das Índias. Estão associadas com os ventos alíseos. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 13.4 Cisalhamento de vento É uma mudança de vento sobre uma distância pequena na atmosfera. Porque vento é um vetor, com velocidade e direção, cisalhamentos de vento podem envolver uma mudança em velocidade ou direção, ou ambos. Este fenômeno pode existir nos tipos de cisalhamento horizontal de vento (uma mudança de vento sobre uma distancia horizontal) ou cisalhamento vertical de vento (uma mudança de vento sobre uma distancia vertical), ou uma combinação de ambos destes tipos. A figura abaixo representa uma situação de cisalhamento vertical de vento. Cisalhamento de vento é um fenômeno de muito interesse para aviação por causa da influencia nos desempenhos de aviões. Micro-explosões produzem cisalhamento de vento e são mais perigosos para aviões. Cisalhamento vertical de vento é o segundo fator critico na determinação dos tipos de trovadas e a severidade potencial de trovoadas. Cisalhamento vertical engrandecerá ou diminuirá as forças das correntes de ar, o primeiro fator critico de trovoadas. Trovoadas que ocorrem em fraco cisalhamento vertical de vento geralmente aparecem eretos. Estas tempestades não duram por muito tempo como as tempestades em forte cisalhamento vertical porque a corrente de ar descendente corta a corrente de ar ascendente pela parte de baixo. Fenômenos severos destas tempestades duram pouco e ocorrem imediatamente antes de dissipação. Trovoadas severas de fraco cisalhamento de vento também são chamadas tempestades de pulso. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 14 TROVOADAS São perturbações atmosféricas de curta duração, de origem convectiva, que se desenvolve de uma nuvem cumulonimbus (CB). O termo trovoada designa as tempestades locais produzidas por nuvens Cumulonimbus. Principalmente para a aviação, ela constitui uma das condições meteorológicas de maior risco, pois é responsável por uma série de fatores capazes de comprometer a segurança do vôo. Durante uma trovoada, podem ocorrer fenômenos como ventos fortes, granizo, saraiva, descargas elétricas, turbulência, tornados, formação de gelo e chuva intensa. 14.1 Condições de Desenvolvimento das Trovoadas Para que haja uma trovoada é necessário a combinação das seguintes condições: Instabilidade no ar Elevado teor de umidade relativa Nuvem CB Alto Conteúdo de Umidade A umidade absoluta do ar atmosférico, conseqüência da evaporação, constitui o combustível do desenvolvimento das nuvens Cumulonimbus. Grande parte da energia calorífica utilizada durante o processo de evaporação e que se mantém em estado latente no corpo evaporado, é transformada em energia cinética e potencial no interior dos Cumulonimbus e será dissipada de forma violenta e destruidora. Instabilidade Atmosférica Local A instabilidade do ar contribui para que o crescimento vertical dos Cumulonimbus possa ocorrer. É importante lembrar que a instabilidade não significa, necessariamente, alta temperatura em superfície, mas um gradiente térmico vertical superior a 1°C/100 m. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Força Ascensional A terceira condição significa o movimento de ascensão que gerará o transporte do ar úmido para os níveis onde se desenvolverão os Cumulonimbus. Esta ação de levantamento pode ser de duas ordens: a) Ação térmica. Por razões óbvias, durante o verão, os continentes são mais quentes que os oceanos. Nessa época, as partículas de ar dos níveis inferiores, aquecidas pela troca de calor com o solo, tornar-se-ão mais leves e ascenderão naturalmente. No inverno, todavia, as forças ascensionais de origem térmica são mais ativas no oceano. b) Ação mecânica. A irregularidade topográfica dos continentes poderá fazer o fluxo horizontal intenso e constante do ar úmido ascender e dar início ao processo de crescimento de nuvens convectivas. A persistência dessa ação resultará em maior duração do fenômeno. Na maioria das vezes, trovoadas persistentes, em determinadas regiões, são devidas à topografia da região. 14.2 Tipos de trovoadas 1) Trovoadas de massas de ar - Formam-se no interior de uma massa quente e úmida. Ocorrem em pontos isolados, são trovoadas esparsas. Classificam-se em: a) Trovoadas convectivas ou termais – Formadas por convecção, são mais freqüentes nas tardes de verão, sobre o continente e à noite sobre o mar, no inverno. b) Trovoadas orográficas ou de encostas - Se formam por efeito orográfico no barlavento das montanhas. São semi-estacionárias e persistentes. c) Trovoadas advectivas - Se formam por advecção e são mais freqüentes à noite, embora sejam raras e menos comuns que as demais. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 2) Trovoadas frontais ou dinâmicas - Se formam pela convergência dos ventos, de densidades, temperaturas e pressões diferentes. São intensas e violentas. Dividem-se em: a) Trovoadas de frentes frias – São as mais violentas das trovoadas. São mais ativas à tarde. b) Trovoadas de frentes quentes – São trovoadas menos intensas, normalmente o CB está embutido em nuvens estratiformes. c) Trovoadas pré-frontais ou de linha de instabilidade - É também muito intensa e violenta, deslocando-se com mais velocidade. Pode originar, inclusive, tornados. d) Trovoadas de frentes oclusas - Não são extensas e tampouco severas, são semelhantes às trovoadas de frente quentes. Atividades de trovoadas são associadas com nuvens cumulonimbus que geram chuvas fortes, trovoadas, relâmpagos e, ocasionalmente, granizos. Quando o ar quente e úmido se eleva num ambiente instável, dá o nascimento a uma trovoada. A causa necessária para iniciar o movimento de ar ascendente pode ser a desigualdade 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica da superfície se aquecendo, o efeito do terreno, ou a ascensão do ar quente juntamente com a zona de frente. Uma região favorável para o desenvolvimento de trovoada é ocasionada por uma divergência de ventos altos, porque divergência dos ventos, altos, tendem, a ascender o ar debaixo deles. Vários destes mecanismos normalmente trabalham juntos para gerar trovoadas severas. Obviamente, as trovoadas representam condições meteorológicas que devem ser evitadas, mas a ocorrência de, aproximadamente, 44.000 núcleos de tempestades diárias, sobre a superfície terrestre, aumenta a possibilidade desse encontro. No entanto, o conhecimento das características das trovoadas e dos procedimentos a serem adotados numa região afetada poderão contribuir para amenizar os seus efeitos, quando não houver alternativas. Embora as trovoadas sejam fenômenos típicos de verão, na região tropical ocorrem durante todo o ano; nas regiões temperadas, durante a primavera, o verão e o outono e, nas regiões árticas ou antárticas, ocasionalmente noverão. 14.3 Desenvolvimento de uma trovoada O desenvolvimento de uma trovoada ordinária dá-se pelo aquecimento das temperaturas de alta superfície, e estas trovoadas são muito comuns à tarde e à noitinha. Contudo, o aquecimento da superfície não é geralmente suficiente sozinha para causar um crescimento elevado nas nuvens cumulonimbus. Uma célula solitária de ar quente ascendendo, produzido por uma superfície aquecida, pode somente produzir uma pequena nuvem cumulus. Mistura entre o ar úmido de uma nuvem nova e, ar frio e seco, causa evaporação que dissipa a nuvem em 10 a 15 minutos. 14.4 Ciclo de Vida das Trovoadas O ciclo de vida de uma trovoada passa por três estágios consecutivos, cuja durabilidade (de 20 a 180 minutos) e intensidade dependerão dos fatores que deram origem ao fenômeno. É pouco provável a percepção visual da mudança de estágio de uma trovoada, principalmente porque as células dos Cumulonimbus que formam a tempestade crescem em velocidades diferentes, e dois ou mais estágios podem ocorrer simultaneamente, possuindo, entretanto, cada estágio, características próprias e bastante perceptíveis. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 14.4.1 Estágio de Cumulus O desenvolvimento de uma alta nuvem cumulonimbus de 12km ou raramente de 20km, requer um fornecimento contínuo de ar úmido. Cada nova ascensão de ar úmido se eleva mais alto do que o último, aumentando assim a altura da nuvem. Esta fase no desenvolvimento de uma trovoada é chamada estágio de cumulus, e a mesma é dominada por corrente de ar ascendente. Estas correntes de ar ascendentes podem alcançar ocasionalmente uma velocidade de 160km/h para acomodar enormes granizos. Cumulus: Predomínios das ascendentes Uma vez que a nuvem passa além do nível de congelamento, ocorre a precipitação. Normalmente, dentro de uma hora do seu nascimento, o acumulo de precipitação na nuvem é muito grande para a corrente de ar ascendente suportar. A precipitação caindo causa um arrastamento no ar iniciando uma corrente de ar descendente. A criação da corrente de ar descendente é também ajudada pelo influxo do ar frio e seco rodeando a nuvem, um processo chamado entranhamento. Este processo intensifica a corrente de ar descendente, porque o ar acumulado é fresco e sendo assim é pesado. Mas provavelmente a maior importância é que este ar é seco. Daí, causando evaporação em algumas precipitações que caem (processo de resfrio), resfriando o ar dentro da corrente de ar descendente. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 14.4.2 Estágio de Maturidade O início da chuva ou da queda de granizo faz surgir correntes descendentes desde o interior da nuvem até a superfície, caracterizando a mudança de fase para maturidade. É importante notar que as correntes descendentes são resultantes do movimento da queda das gotas de chuva ou de granizo. As gotas d'água e o granizo existente na nuvem são mantidos em suspensão pelas correntes ascendentes até que, não mais suportando a massa acumulada, estas são vencidas pelo peso das gotas. Nesse momento, a nuvem já deve estar atingindo a altura média de 25.000 pés e, à medida que a precipitação se intensifica, as correntes descendentes se fortalecem. Estando a camada atmosférica bastante instável, o ar frio do interior da nuvem é rapidamente acelerado para baixo, chegando a atingir velocidades de 2.500 pés por minuto. O bolsão de ar frio descendente, ao chocar-se contra a superfície, produz uma cunha de ventos fortíssimos e intensas forças cortantes (Wind Shear), perigosas para as operações de pouso e decolagem. Embora apareçam as correntes descendentes, as ascendentes se mantêm intensas nas partes mais externas da nuvem, chegando a atingir velocidades próximas a 6.000 pés por minuto. Quando uma nuvem de trovoada, no estágio de maturidade, aproxima-se de um aeródromo, a cunha de ar frio que a antecede produz bruscas alterações nos ventos de superfície, que podem chegar a 180 graus e 30 ou 40 nós. Este fenômeno, conhecido por "primeira rajada", constitui um grande perigo para a aterrissagem. O piloto, em contato com a torre de controle, ciente da aproximação de uma nuvem de trovoada, deverá perguntar se as mudanças bruscas do vento de superfície já aconteceram; caso afirmativo, poderá supor que a primeira rajada já tenha cruzado o aeródromo. No entanto, se ainda não ocorreram, deverá ficar atento ao aparecimento, próximo ao solo, de turbulência forte, um claro indício da presença da primeira rajada. Nestas condições, se possível, é preferível evitar o pouso naquele momento. Ocorre a precipitação, quando a corrente de ar descendente deixa a base da nuvem. Isto marca o começo de uma nuvem no estágio de maturidade (Figura abaixo). A corrente de ar descendente fresca se espalha lateralmente na superfície e pode ser sentida no solo antes da precipitação. Os fortes pés de ventos frescos na 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica superfície indicam que as correntes de ar descendentes estão acima. Durante a fase matura, correntes de ar ascendentes e descendentes coexistem lado a lado e continuam no alargamento da nuvem. Quando a nuvem cresce acima da região instável (normalmente localizada na base da estratosfera), as correntes de ar ascendentes se espalham lateralmente produzindo um topo de bigorna característica. Nuvens cirrus (geralmente gelos cristalizados), formam o topo e são espalhados para baixo pelos rápidos ventos altos. O período mais ativo de uma trovoada é a fase matura, com rajadas, relâmpagos, fortes precipitações e às vezes granizos. Maturidade: Ascendentes e descendentes 14.4.3 Estágio de Dissipação Uma vez iniciada a corrente de ar descendente, faz com que o ar em volta da célula (nuvem), tornar-se mais fresco e seco. Eventualmente, as correntes de ar descendentes dominam toda a nuvem e inicia o estágio de dissipação (Figura abaixo). O efeito de resfrio da precipitação que cai e o influxo de ar mais frio de cima, marcam o final de uma atividade de trovoada. Sem umidade, a nuvem se evapora rapidamente, algumas vezes deixando somente a bigorna de nuvens cirrus. Dentro de um complexo de trovoadas, a duração de uma célula cumulonimbus sozinha é de uma a duas horas. Dissipação: Predomínio das descendentes 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Em resumo, os estágios em desenvolvimento de uma trovoada são: 1. O estágio de cumulus na qual correntes de ar ascendentes dominam toda nuvem e cresce de cumulus para cumulonimbus; 2. O estágio de maturidade caracterizada quando correntes de ar ascendentes e correntes de ar descendentes coexistem lado a lado; 3. O estágio de dissipação dominada por correntes de ar descendentes, causando evaporação da estrutura. 14.5 Variedades das trovoadas Trovoadas podem ser analisadas em três categorias básicas dentro do espectro de trovoadas. As categorias refletem a compreensão cientifica neste momento, mas não são perfeitas ou conclusivas. Os tipos de trovoadas principais são: trovoadas de massas de ar, que são isoladas, trovoadas frontais ou dinâmicas ou multi- célulase trovoadas de linhas de instabilidade ou supercélulas. Uma "célula" denota uma corrente de ar ascendente e uma corrente de ar descendente dupla. Trovoadas frontais podem ser definidas nas categorias de trovoadas de linhas de instabilidade. Uma trovoada de linha de instabilidade ou supercélula é uma tempestade com uma intensa corrente de ar ascendente que pode produzir fenômenos severos, incluindo tornados. Supercélulas são sempre classificadas de severas (com granizos 2cm ou mais em diâmetro, rajadas de ventos de 90km/h, e/ou tornados). 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 14.5.1 Trovoadas Severas Trovoadas severas são definidas como trovoadas capazes de produzir qualquer combinação de granizos de 2 cm de diâmetro ou mais, ventos de 90 km/h ou mais, enchentes súbitas, ou tornados. A maioria de trovoadas severas, nas latitudes médias ocorre ao longo, ou antes, de frentes frias que acompanham ondas ciclônicas. Assim que o ar frio avança numa região de ar quente, o ar quente de menor densidade é espalhado para cima ao longo da frente. Se o ar elevando-se é suficientemente molhado, o processo de levantamento causa a condensação. Este também causa a liberação de calor latente que torna o ar instável. Nesse caso começa o crescimento vertical da nuvem, e o desenvolvimento de uma trovoada severa. Trovoadas severas também pode formar-se em áreas de cisalhamento vertical de vento. Este processo causa a inclinação da corrente de ar ascendente no estágio da maturidade. A inclinação das correntes de ar ascendente é muito importante para o desenvolvimento, existência contínua, e propagação do sistema de trovoada severa. Quando a precipitação torna-se muito pesada para ser suportada pelas correntes de ar ascendentes, elas caem dentro das correntes de ar descendentes. Porque as correntes de ar ascendentes fluem sem interrupção, elas são capazes de alcançar velocidades rápidas. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Movimentos em uma trovoada severa As correntes de ar ascendentes podem ser tão fortes que o topo da nuvem é capaz de atravessar a estratosfera estável. Algumas vezes, o topo da nuvem pode alcançar mais de 18 quilômetros acima da superfície. Violentas correntes de ar ascendentes seguiram granizos suspensos na nuvem o tempo suficiente para os mesmos crescerem. Quando os granizos alcançam um tamanho considerável, eles caem na base da nuvem, ou são lançados para o lado por uma forte corrente de ar ascendente, e também são lançados para a base da bigorna. Aviões têm encontrado granizos em ar claro, quilômetros fora de uma tempestade. Perto da extremidade de uma trovoada severa, a corrente de ar descendente é alimentada pelo ar que rodeia a nuvem sendo atraído para dentro do sistema. Quando algumas precipitações caem, evaporam-se, esfriam o ar, certamente produzindo a corrente de ar descendente. O ar frio que alcança a superfície age como uma cunha, forçando o ar úmido e quente para a superfície ascender no sistema. Por este motivo, as correntes de ar descendente e ascendente trabalham juntas para manterem-se uma a outra. Assim, a trovoada severa é capaz de manter-se por si mesma (por muitas horas em alguns casos). O nível de vôo mais apropriado para se cruzar uma nuvem de trovoada depende da altura de sua base, dos mínimos permitidos e da topografia do terreno. Se a base da tormenta for mais alta que o nível de segurança de vôo, a passagem poderá ser realizada pelo terço superior do espaço entre o solo e a base da nuvem, desde que a topografia seja plana. A opção mais racional é, no entanto, voar pela parte superior, ou contorná-la pela esquerda (no hemisfério sul) ou pela direita (no 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica hemisfério norte). Em caso de entrada inevitável, o piloto deve desligar o piloto automático, fixar os objetos soltos, colocar cintos de segurança e manter o rumo até sair da tormenta. 14.6 Perigos de Vôo em uma Trovoada Ao decidir cruzar uma região afetada por uma tormenta, o piloto deve estar consciente que aquela ação é imperiosa ou que não lhe resta outra alternativa. Vejamos, por ordem de importância, os fenômenos meteorológicos mais significativos que poderão ocorrer. 14.6.1 Turbulência A turbulência existente na trovoada é produzida pela combinação de intensas correntes verticais, que podem produzir consideráveis alterações da altitude da aeronave, com remoinhos irregulares, capazes de fazer gerar acelerações extremamente perigosas para a estrutura do avião. Enquanto os pilotos estão acostumados com variações verticais de velocidade na ordem de 400 a 600 pés/minuto, essas variações, em condições de turbulência extrema, podem chegar a valores próximos a 5.000 pés/minuto, o suficiente para deixar a aeronave totalmente fora do controle do seu comandante. É importante levar em conta que a turbulência é muito mais intensa em todo o borde dianteiro do Cb, aumentando de baixo para cima, até próximo ao nível médio da nuvem. Daí em diante, a turbulência vai decrescendo até as proximidades do topo. A intensidade dos movimentos causadores da turbulência depende da distância entre o nível de condensação e o de congelamento, isto é, entre o NCC e a superfície de 0°C: quanto maior, mais ativo o Cumulonimbus. O nível de vôo mais apropriado para se cruzar uma nuvem de trovoada depende da altura de sua base, dos mínimos permitidos e da topografia do terreno. Se a base da tormenta for mais alta que o nível de segurança de vôo, a passagem poderá ser realizada pelo terço superior do espaço entre o solo e a base da nuvem, desde que a topografia seja plana. A opção mais racional é, no entanto, voar pela parte superior, ou contorná-la pela esquerda (no hemisfério sul) ou pela direita (no hemisfério norte). Em caso de entrada inevitável, o piloto deve desligar o piloto 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica automático, fixar os objetos soltos, colocar cintos de segurança e manter o rumo até sair da tormenta. Em virtude da forte turbulência, os instrumentos de bordo tornam-se não confiáveis, pois as bruscas variações verticais induzem a erros significativos no altímetro e dificultam a leitura do "climb". 14.6.2 Granizo Embora não ocorra com freqüência, a presença do granizo nas trovoadas é o segundo maior perigo para o vôo. É encontrado durante o estágio de maturidade e envolvido nas fortes correntes ascendentes que atuam acima do nível de 0°C, no interior da nuvem, ou nas proximidades da bigorna, fora da nuvem. Mesmo não havendo uma regra segura para evitar o granizo, acredita-se que a região dianteira é a mais perigosa, principalmente nas trovoadas mais intensas. 14.6.3 Formação de Gelo Numa região de trovoada, os efeitos da formação de gelo já não oferecem tanto perigo quanto a turbulência e o granizo. Isto porque a pequena área de formação, associada às grandes velocidades das aeronaves mais modernas e aos sistemas antigelo existentes, minimizam os seus resultados. Entretanto, não convém negligenciar essa possibilidade porque ela nunca ocorre isoladamente. Além disso, nada garante que a região afetada por uma trovoada esteja, sempre, associada a poucos núcleos de Cumulonimbus.14.6.4 Raios e Eletricidade Estática A característica mais espetacular das trovoadas e, ao mesmo tempo, a menos importante, são os fenômenos elétricos que nelas se produzem. Não se pode descartar, todavia, o seu efeito psicológico sobre tripulantes e passageiros, devido ao vivo resplendor dos relâmpagos e à fadiga mental produzida pela continuada tensão emocional. O campo elétrico criado dentro de uma nuvem se forma por razões ainda não bem conhecidas, embora saibamos que a causa fundamental é o atrito causado entre as partículas que compõem a nuvem; mas a realidade é que um gradiente de 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica potencial elétrico vai aumentando até alcançar valores superiores a 1.000.000 (um milhão) de volts por metro, quando, então, produzirá a descarga. As faíscas elétricas já registradas em nuvens de trovoada podem ser conduzidas por elementos cujo diâmetro seja igual a uma polegada; portanto, raramente produzem grandes avarias em um avião metálico, porque os pontos de entrada e saída são os mais distantes do centro da aeronave e os mais pontiagudos, tais como antenas, asas, empenagem, etc. Nesses pontos, no entanto, pode haver danos causados pela fusão do metal. Sempre que fatos semelhantes acontecerem, é conveniente revisar o estado dos descarregadores de estática que, certamente, não se encontrarão mais em boas condições. O piloto poderá suspeitar da possibilidade de receber uma descarga elétrica quando, voando à noite, observar "Fogo de Santelmo", halos ou coroas luminosas em alguma parte externa do avião, oriundos da eletricidade estática acumulada na carcaça da aeronave. Nesse caso, uma boa medida é utilizar o sistema antigelo das hélices (se for líquido), que ajuda a descarregar a estática, acender as luzes de cabine, para evitar deslumbramentos, e retirar os fones de ouvido. 14.6.5 Precipitação, Visibilidade e Teto Uma trovoada contém quantidade considerável de água no estado líquido, mas toda essa umidade não é necessariamente precipitada como chuva. Gotas de água são elevadas acima das nuvens pelas correntes ascendentes ou podem estar suspensas, resultando em uma redução da visibilidade, com tendência a zero, dentro da nuvem. Quando a precipitação atinge a superfície, geralmente é bastante forte para ocasionar teto baixo e visibilidade reduzida. 14.6.6 Efeito nos Altímetros A pressão, em geral, decresce rapidamente com a aproximação de uma trovoada. Aumenta sob o efeito da primeira rajada de vento e a chegada da corrente fria de ar descendente e fortes chuvas. A pressão logo retorna para o valor normal quando a chuva termina e a trovoada vai se afastando. Esse ciclo de variação de pressão pode ocorrer em 15 minutos. A altitude indicada num altímetro, durante a chuva forte, pode ser errada em dezenas de metros, poucos minutos após o término da chuva. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 14.6.7 Ventos de Superfície A dispersão horizontal das correntes descendentes sob a trovoada ocasiona uma rápida mudança na direção e na velocidade do vento imediatamente antes da passagem da trovoada. As rajadas e instabilidade do vento são, geralmente, perigosas para o pouso e decolagem de aeronaves. Geralmente, a primeira rajada precede a chegada de nuvens em forma de rolos e, a seguir, a chuva. Freqüentemente Os ventos de superfície elevam considerável quantidade de poeira e entulho, à medida que a trovoada avança. a força da primeira rajada geralmente é mais forte do que o vento observado na superfície durante a trovoada e, em casos extremos, poderá atingir 100 KT. As nuvens em forma de rolos estão sempre presentes, mas são encontrados, com mais freqüência, na dianteira das frentes com rápido movimento ou das linhas de trovoadas, representando condições extremamente turbulentas. 14.7 Complexos Convectivos de Mesoescala Quando as condições são favoráveis para convecção, ocasionalmente um número de trovoadas individuais cresce em tamanho e organizam-se em um grande sistema de convecção. Estes sistemas, chamados Complexos Convectivos de Mesoescala (CCMs), podem ser 1000 vezes maiores do que uma trovoada individual. Muitas vezes, estes sistemas são enormes atingindo 100.000 km2, cobrindo um Estado inteiro. Aparentemente, as trovoadas individuais dentro de uma CCM trabalham juntas para criarem um sistema atmosférico que excede 12 horas de duração. A 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica circulação do CCM suporta o crescimento de novas trovoadas como também uma região espalhada de precipitação. Os CCMs também produzem uma variedade de tormentas atmosféricas, incluindo granizos, ventos fortes, enchentes súbitas e destrutivas, e tornados. CCMs são encontrados em grandes quantidades nos oceanos tropicais, predominantemente na Zona de Convergência Intertropical (ITCZ), sobre regiões continentais nas Grandes Planícies dos Estados Unidos, o Sahel da África, e sobre as latitudes médias da América do Sul. Casualmente, existem variedades de Sistemas Convectivos de Mesoescala (SCMs) que possuem muitas características de uma CCM, mas em comparação, eles duram pouco e não crescem muito. 14.8 Micro-explosões (tesoura de vento) Embaixo de uma trovoada, a corrente de ar descendente talvez se localize assim que ela toca o solo e espalha-se horizontalmente em uma explosão de vento radial. Como por exemplo, semelhante a água correndo da torneira e atingindo a pia 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica abaixo. Estas correntes de ar descendentes chamam-se micro-explosões quando os ventos estendem-se somente 4 quilômetros ou menos que isto (Figura 10-6). Apesar de ser bem pequeno, uma micro-explosão intensa pode induzir ventos devastadores que atingem 146 nós (270km/h). A formação de uma frente de rajada acontece quando a micro-explosão atinge o solo e continua como um afluxo em expansão. Por isso, uma micro-explosão pode se desenvolver em uma frente de rajada. Micro-explosões são capazes de arrancar árvores e danificar severamente estruturas fracas. Também, micro-explosões podem ser responsáveis por alguns danos que muitas vezes eram atribuídos aos tornados. Micro-explosões e seus acompanhantes, o cisalhamento de vento (mudanças rápidas em velocidade ou direção de vento) pode ser responsável por inúmeros acidentes de aeronaves. Quando uma aeronave voa através de uma micro-explosão, ela, primeiro encontra um vento de frente que gera uma elevação extra. Contudo, em segundos o vento de frente é substituído por um vento de traseira que causa uma perda repentina de elevação na aeronave e subseqüentemente uma queda na atuação da mesma. Em Abril de 1985, uma micro- explosão causou um acidente no aeroporto regional de Dallas-Forth Worth nos Estados Unidos. Assim que a aeronave chegava à aproximação final, encontrou uma severa tesoura de vento debaixo de uma trovoada pequena, porém, intensa. Então a aeronave caiu e explodiu numa bola de fogo. Mais de cem passageiros pereceram. Micro-explosões podem ser associadas com trovoadas severas, produzindo ventos fortes causando muitos danos. Estudos mostram que micro-explosões também ocorrem com nuvens e trovoadas que produzem somente chuvas isoladas. Estasnuvens podem ou não conter trovões e raios. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 14.9 Relâmpagos Um relâmpago é uma descarga elétrica visível produzida por uma trovoada. Relâmpagos ocorrem dentro de uma nuvem (relâmpagos intra-nuvem), de uma nuvem para outra (relâmpagos nuvem-nuvem), de uma nuvem e a atmosfera (descargas para o ar), ou de uma nuvem e solo (relâmpagos nuvem-solo). A maioria dos raios ocorre dentro da nuvem, enquanto que mais ou menos 20% ocorrem entre a nuvem e solo. Uma descarga pode aquecer o ar até 30,000°C, o que é cinco vezes mais quente do que a superfície solar. Este calor extremo causa a expansão explosiva do ar. Isso inicia uma onda de choque que se torna trovão que sai em todas as direções de um relâmpago. Vemos o relâmpago instantaneamente depois de uma descarga. Mas o som do trovão viaja somente 330 metros por segundo (1km em 3 segundos). Contando os segundos do momento que vemos o relâmpago até ouvirmos o trovão, podemos determinar a distância aonde ocorreu a descarga. Por exemplo, se vemos o relâmpago e ouvimos o trovão quinze segundos depois, a descarga do raio ocorreu a uma distância de 5 km. Relâmpagos estão sempre presentes dentro (e ao redor) de uma trovoada. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Quando o relâmpago está bem próximo, o trovão soa como um estalo seguido de uma forte pancada. Quando está distante, às vezes o som é como um estrondo, que pode ser causado pelo som vindo de áreas diferentes da descarga. O estrondo também é acentuado quando a onda de som ricocheteia nos morros, prédios, etc. Algumas vezes o trovão não é ouvido, porque a atmosfera pode curvar e enfraquecer as ondas de som. Uma trovoada típica produz três ou quatro descargas por minuto. Geralmente, as trovoadas severas produzem mais. 14.9.1 Eletrização das Nuvens O campo elétrico da atmosfera estável é caracterizado por uma carga negativa na superfície e uma carga positiva na alta atmosfera. Para ocorrer o raio, é necessário que existam regiões separadas contendo cargas elétricas opostas numa nuvem cumulonimbus. Uma forma para eletrização das nuvens é quando partículas de gelo (como granizos) caem sobre uma região de gotas liquidas super-frias e gelos cristalizados. Assim que gotas líquidas colidem com um gelo cristalizado, elas se congelam e soltam calor latente. Isso permite que a superfície da partícula de gelo permaneça mais quente do que os gelos cristalizados ao redor. Quando a partícula de gelo quente entra em contato com um gelo cristalizado frio, existe ai uma transferência de íons positivos dos objetos quentes para os objetos frios. Dai, a partícula de gelo recebe uma carga negativa e o gelo cristalizado recebe uma carga positiva. De qualquer maneira, as partículas de carga positiva mais leves são elevadas para o topo da nuvem pelas correntes de ar ascendentes. Enquanto que as maiores partículas de carga negativa caem para baixo da nuvem. Esta distribuição induz uma carga positiva no solo, porque cargas opostas se atraem. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Relâmpagos nuvem-solo começam dentro da nuvem quando o campo elétrico localizado excede o valor critico num trajeto provavelmente de 50 metros de comprimento. Esta situação causa uma onda de elétrons virem a ser lançados para a base da nuvem e depois para o solo numa série de escalas. Assim que os elétrons saem da nuvem, eles colidem com moléculas de ar que as ionizam e produzem um canal condutor facilitando o trajeto para outros elétrons. Cada onda de elétron cobre cerca de 50 ou 100 metros, depois pára por uns 50 milionésimos de segundo, e ocorre, novamente mais ou menos 50 metros ou mais. Este líder escalonado é muito indistinto e normalmente invisível aos olhos humanos. Assim que a ponta do líder escalonado se aproxima do solo, a corrente da carga positiva começa a se levantar do solo aonde eles se encontram. Depois deste encontro, um grande número de elétrons, flui para o solo e, uma maior, mais luminosa descarga de retorno, muitos centímetros em diâmetro, ascendem para a nuvem no mesmo trajeto do líder escalonado. Daí os elétrons descendem estabilizando um claro canal de corrente que se propaga acima. Ainda que a descarga de retorno clara ascenda do solo para a nuvem, isto acontece tão rapidamente (em dez milésimos de segundo) que nossos olhos não conseguem perceber este movimento, e nós vemos o que parece ser uma continuação do flash do raio. 14.9.2 Proteção contra Relâmpagos Uma descarga de relâmpago em um edifício desprotegido pode ser catastrófica. Com até 100.000.000 volts de eletricidade e uma força comparável àquela 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica de um pequeno reator nuclear, o relâmpago tem a potência de destelhar estruturas, explodir paredes de tijolo e de concreto e inflamar fogos fatais. Além de danos estruturais, um surto de relâmpago através de fios elétricos causa danos do fio e a destruição de equipamentos eletrônicos, incluindo computadores, televisões, estéreos, sistemas de segurança, etc. Porque as descargas favorecem o trajeto dos menos resistentes para a superfície, pontos altos na superfície da Terra, como picos de montanhas, arranha-céus, topos de árvores e antenas são particularmente vulneráveis aos relâmpagos. Quanto mais próximo o objeto de carga positiva está da nuvem, mais vulnerável ele fica para os relâmpagos. Em áreas onde trovoadas são mais freqüentes, as maiorias dos edifícios tem pára-raios para carregar as descargas para o solo sem causar danos. Pára-raios não atraem relâmpagos, mas se relâmpago for atingir uma casa, atingirá os pára-raios. Cada pára-raio fornece um cone de proteção ao redor de um edifício numa inclinação de 45 graus. Por esta razão, edifícios freqüentemente contém mais de um pára-raio para proteção contra relâmpago. A instalação apropriada requer que os condutores tenham altura suficiente, estenda-se sobre todos os pontos elevados do prédio, sejam conectados num sistema sem ângulos agudos, e bem enterrados na terra em diferentes pontos. Durante uma trovoada, a concentração da carga positiva será máxima na ponta do pára-raio, e aumenta a probabilidade da descarga atingir a ponta. Depois, a descarga segue inofensivamente num fio condutor isolado para a terra. 14.9.3 Proteção de Pessoas Pessoas estão em mais perigo de serem atingidas por relâmpago durante trovoadas em área próxima, mas relâmpago pode viajar 10 quilômetros ou mais fora 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica das tempestades. Algumas pessoas foram atingidas pelo relâmpago durante céu claro enquanto jogavam golfe, nadavam num lago, e debaixo de árvores. Você pode tomar precauções para minimizar as chances de ser atingida(o) por relâmpago quando trovoadas estão acima ou perto de você. Durante uma trovoada, quando relâmpago e trovão são observados, você estará mais seguro dentro de sua casa ou de um edifício. Fiquem longe de portas e janelas abertas, telefones,objetos metálicos, chaminés ou eletrodomésticos. Saia das banheiras e chuveiros. Saia de casa somente se for necessário, e evite objetos altos, como árvores isoladas. Também evite topos de morros, lugares abertos e cercas de arame. Fique dentro de seu veículo se você estiver viajando. 14.10 Sprites, Elves e Jatos Azuis Relâmpagos produzem fenômenos transientes na atmosfera superior acima de trovoadas. Estes fenômenos são fracas luzes quase invisíveis ao olho humano. Reportagens destas emissões existem a mais de um século, com algumas observações de pilotos. Reportagens iniciais referiram-se a estes eventos por vários nomes, incluindo "descargas ascendentes", "descargas nuvem-estratosfera" e "descargas nuvem- ionosfera". As primeiras imagens foram capturadas por veículo espacial nos anos de 1990. Depois disto, milhares de imagens foram capturadas pelas aeronaves e câmaras sensíveis no solo. Intensos esforços experimentais e teóricos estão ocorrendo para determinar como estes fenômenos formam uma parte do ambiente terrestre elétrico. Sprites são flashes luminosos maciços e fracos que aparecem diretamente acima de trovoadas e são relacionados com descargas nuvem-solo e intra-nuvem. As suas estruturas são poucas e isoladas ou múltiplas pintas verticalmente alongadas que se estendem dos topos das nuvens para altitudes de quase 95 km. Sprites são geralmente vermelhos e raramente ocorrem isolados, mas em grupos de dois, três ou mais. Evidencias neste momento sugerem que sprites ocorrem nas áreas decadentes de trovoadas ativas e duram apenas poucos milisegundos. Sprites são quase invisiveis aos olhos humanos, mas com imagens intensificadas de televisões obtidas do solo ou aeronaves, eles aparecem como fantásticas estruturas complexas que assumem formas variadas. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Elves são brilhos difundidos de moléculas gasosas ionizadas que ocorrem na baixa ionosfera, mais ou menos 90 km acima do solo. Eles duram menos do que os Sprites, por somente algumas centenas de microsegundos. Sprites e Elves podem ocorrer isolados ou juntos. Elves são mais fracos do que os Sprites, e necessitam equipamentos de ampliação de luz para que possam ser observados. Nem todas as trovoadas produzem Sprites ou Elves, como as trovoadas pequenas e isoladas. Também, eles nem sempre são produzidos pelos relâmpagos. Somente 40% de relâmpagos que ocorrem são descargas nuvem-solo, e 5 a 10% das descargas nuvem-solo são relâmpagos positivos. Quase 10% das descargas nuvem-solo positivas produzem sprites e elves. Jatos azuis são outros tipos de fenômeno óptico de altitudes, que ocorrem na alta troposfera. Eles são diferentes dos Sprites, sendo observados acima de trovoadas usando câmaras de alta sensibilidade. Jatos azuis são explosões ópticas acima de regiões de trovoadas eletricamente ativadas. Seguindo a sua aparição do topo da trovoada, eles tipicamente propagam-se para cima em cones estreitos de pelo menos 15 graus de largura em velocidades verticais de 100 km/s, ou 300 vezes a velocidade de som. Finalmente, eles espalham-se e desaparecem em altitudes de mais ou menos 40 a 50 km. Para ver estes fenômenos ópticos, há a necessidade de acesso visual da região acima da tempestade, sem obstáculos de outras nuvens, contra um céu escuro à noite. Os olhos precisam estar devidamente ajustados na escuridão. Precisamos ficar 200 a 300 km fora da tempestade para ter um bom visual. Sprites serão breves flashes que ocorrem muito rapidamente para serem seguidos com os olhos, mas estas estrias estruturais e cor avermelhada fraca podem ser percebidas. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 15 SISTEMAS FRONTAIS Um planejamento de vôo seguro e econômico depende do conhecimento e das expectativas do piloto quanto aos movimentos dos sistemas de massa de ar ao longo de sua rota. Em vôo, o piloto, informado e consciente do ambiente em que se encontra, decidirá mais adequadamente sobre o que e como fazer, quando algum fenômeno meteorológico aparecer. Isso, evidentemente, muito o auxiliará nos momentos mais difíceis da viagem. Neste capítulo estudaremos os conceitos básicos de massa de ar e as conseqüências dos seus deslocamentos. 15.1 Massas de Ar Podemos observar a existência de amplo volume de ar aquecido ocupando as latitudes tropicais e outro mais frio sobre as regiões polares, ambos com gradientes térmicos bastante reduzidos. Entre os dois, as latitudes médias servem de "transição gradativa". Nessas latitudes, no entanto, grandes massas de ar, polares ou tropicais, periodicamente se manifestam, fazendo-se notar pela área de mau tempo que as acompanha. Toda e qualquer massa de ar pode ser definida como uma grande porção da atmosfera, cujas propriedades físicas, em especial a temperatura, o conteúdo de umidade e o gradiente térmico vertical, são mais ou menos uniformes para uma extensão horizontal de várias centenas de quilômetros. 15.2 Regiões de Origem As massas de ar adquirem suas características por permanecerem estacionadas numa região por um período suficientemente longo (cerca de uma semana, pelo menos) para que as propriedades termodinâmicas alcancem o estado de equilíbrio, constituindo-se, assim, um volume praticamente homogêneo. Evidentemente, as propriedades da região fonte irão se refletir nas características da massa e, por conseguinte, a denominação da fonte identificará aquela massa de ar. Quando essas massas atmosféricas se deslocam da região de origem, progressivamente vão perdendo suas características originais em 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica conseqüência das trocas com a superfície sobre a qual escoa e dos movimentos verticais que vão surgindo em seu interior. 15.3 Classificação das Massas de Ar As massas de ar são designadas por uma letra minúscula, que define a natureza da região de origem, se marítima (m) ou continental (c), seguida de uma letra maiúscula que define a latitude de origem, Equatorial (E), Tropical (T), Polar (P), Ártica (A) e Antártica (A). A classificação geral das massas de ar, portanto, se faz assim: Tropicais - marítimas Tropicais - mT - continentais Tropicais - cT Equatoriais - marítimas Equatoriais - mE - continentais Equatoriais - cE Polar - marítima Polar - mP - continental Polar - cP Árticas e Antárticas - marítima Ártica - mA - continental Antártica - cA 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Uma massa de ar é ainda designada pela letra minúscula (k), Massa Fria, quando se apresenta mais fria do que a superfície sobre a qual se desloca, ou pela letra minúscula (w), Massa Quente, quando se apresenta mais aquecida do que a superfície sobre a qual se desloca. Estas duas propriedades das massas de ar ainda poderão classificá-las da seguinte forma: Massas Polares: mPw, mPk, cPw, cPk Massas Tropicais: mTw, mTk, cTw, cTk As massas Equatoriais, Árticas e Antárticas são, em realidade, as que dão origem e induzem as massas Polares e Tropicais, pois permanecem sempre sobre suas regiões de origem. 15.4 Características das Massas de Ar Os fenômenos meteorológicos produzidosno interior de determinada massa de ar dependem das características dessas massas, isto é, das condições de temperatura, umidade e gradiente térmico vertical. Evocando os assuntos tratados em capítulos anteriores, podemos concluir que: a) as massas quentes, ao se deslocarem sobre regiões frias, tenderão a resfriar-se e, conseqüentemente, tornar-se-ão estáveis, o que propicia a formação de névoa e nevoeiros, reduzindo, significativamente, a visibilidade; 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica b) as massas frias, ao se deslocarem sobre regiões quentes, tenderão a se aquecer e, conseqüentemente, tornar-se-ão instáveis, o que facilita a dispersão das partículas em suspensão, proporcionando boa visibilidade; c) as massas continentais possuem baixo índice de umidade, o que dificulta a formação de nuvens; d) as massas marítimas possuem alto índice de umidade, o que facilita a formação de nuvens; e) as massas quentes, úmidas e estáveis tendem a produzir má visibilidade, grande quantidade de nuvens estratiformes e chuva leve e contínua; f) as massas frias, secas e instáveis tendem a proporcionar boa visibilidade e pequena quantidade de nuvens; e g) as massas instáveis, quando úmidas, produzem grande quantidade de nuvens Cumuliformes e, conseqüentemente, chuvas fortes e trovoadas. 15.5 Frentes Os conceitos de “frente” foram introduzidos na literatura meteorológica durante a década 1920/1930 por Bergeron, Bjerknes e Solberg. Desde então, esses conceitos têm sido amplamente adotados e ainda figuram como base importante na análise do tempo. Uma frente é uma zona de transição entre duas massas de ar de densidades diferentes. Porque diferenças em densidades freqüentemente são causadas por diferenças em temperaturas, frentes normalmente separam massas de ar com temperaturas de contraste. Geralmente, uma massa de ar é mais quente e úmida do 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica que a outra. Massas de ar estendem-se horizontalmente e verticalmente; conseqüentemente, a extensão ascendente de uma frente é chamada de superfície frontal ou zona frontal. Acima do solo, a superfície frontal inclina-se em um ângulo baixo permitindo o ar mais fresco cobrir o ar mais frio. Idealmente, as massas de ar em ambos os lados da frente mover-se-iam na mesma direção e velocidade. Nesta condição, a frente agiria simplesmente como uma barreira que segue juntamente com as massas de ar e nenhuma massa poderia penetrar. Mas geralmente, a distribuição de pressão através de uma frente permite uma massa de ar mover-se mais rápida do que a outra. Assim, uma massa de ar avança ativamente contra a outra e elas colidem. Quando uma massa de ar move-se de encontro à outra, resulta daí uma mistura ao longo de superfície frontal. Na maioria das vezes, as massas não perdem as suas identidades quando uma é superposta acima da outra. Qualquer massa que avança, é sempre um ar mais quente e menos denso que é forçado para o alto, ao passo que o ar mais fresco e mais denso atua com uma cunha ocorrendo assim o levantamento. Para identificar uma frente em um mapa do tempo de superfície, meteorologistas usam: Mudanças de temperaturas rápidas sobre uma distância relativamente pequena; Mudanças em umidade de ar (mudanças no ponto de orvalho); Troca de direção de ventos; Pressão e mudanças em pressão; Nuvens e padrões de precipitação. Vejamos agora os tipos principais de frentes e suas características. A maioria dos fenômenos interessantes de tempo ocorrem ao longo das frentes. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 15.5.1 Frente Quente O tempo na superfície associada com uma frente quente (Precipitação representada em áreas verdes) A velocidade média de movimento de uma frente quente é de 25 km/h, ou metade do que a frente fria. Durante o dia, quando a mistura ocorre nos dois lados da frente, o movimento desta frente pode ser mais rápida. Frentes quentes freqüentemente movem em uma série de saltos rápidos, mas durante a noite, radiação resfriada cria ar mais frio e denso na superfície atrás da frente. Isto inibe levantamento de ar e movimento adiantado da frente. Assim que o ar quente ascende sobre a cunha recuada de ar frio, ele se expande, se resfria e se condensa em nuvens freqüentemente com precipitação. O primeiro sinal de uma típica frente quente em aproximação é nuvens Cirrus (CI). Estas nuvens podem ser formadas a 1000 quilômetros ou mais adiante de uma frente quente. As nuvens Cirrus então se graduam em nuvens Cirrostratus (CS) e Altostratus (AS). Perto de 300 quilômetros adiante da frente, nuvens Stratus (ST) e Nimbostratus (NS) aparecem e começa a precipitação (neve, chuva ou garoa). 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica O tempo na superfície associada com uma frente quente. (Precipitação representada em áreas verdes) A precipitação associada com uma frente quente antecede a posição na superfície da frente. Algumas das chuvas que caem no ar mais frio abaixo das nuvens podem evaporar. O ar abaixo da base das nuvens freqüentemente torna-se saturado formando nuvens stratus. Ocasionalmente, estas nuvens crescem rapidamente para baixo e podem causar problemas para pilotos de aviões pequenos que requerem boa visibilidade. Os pilotos podem experimentar boa visibilidade em um minuto e nevoeiro frontal no próximo. Sendo assim, voar na proximidade de uma frente quente é muito perigoso. Por causa dos movimentos vagarosos e inclinações baixas, frentes quentes geralmente produzem precipitações leves e moderadas sobre uma área vasta por um período longo. Ocasionalmente, frentes quentes são associadas com nuvens Cumulonimbus e trovoadas quando o ar quente levantado é instável e as temperaturas nos dois lados da frente contrastam repentinamente. Existindo estas condições, nuvens cirrus são geralmente seguidas de nuvens Cirrocumulus (CC). Uma frente quente associada com uma massa de ar seco pode passar despercebida na superfície. Quando uma frente quente passa, as temperaturas e umidade aumentam, a pressão atmosférica sobe, e os ventos trocam de direção gradualmente no lado quente. As mudanças de tempo com a passagem de uma frente quente não são tão pronunciadas quanto à passagem de uma frente fria. As precipitações cessam e geralmente, o ar fica claro depois de passagem da frente. A umidade e estabilidade da massa de ar quente avançado basicamente determinam o período de tempo 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica requerido para retorno de céu claro. A massa de ar quente pode produzir algumas condições para nevoeiro. 15.5.2 Frente Fria O tempo na superfície associada com uma frente fria. (Precipitação representada em áreas verdes) Porque a frente fria é um cavado de pressão baixa, mudanças rápidas em pressão podem ser significantes em localizar a posição da frente. A pressãomais baixa geralmente ocorre assim que a frente passa sobre uma estação meteorológica. Se você vai de encontro à frente de qualquer lado, a pressão atmosférica desce, e se você vem para fora da frente, a pressão atmosférica sobe. A figura abaixo representa os padrões de nuvens e precipitação típicas em uma vista lateral da frente fria. O ar frio e denso na frente força o levantamento do ar 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica quente. Se o ar quente levantado é úmido e instável, ele condensa em uma série de nuvens Cumulus (CU) e Cumulonimbus (CB). Ventos fortes nos níveis altos assopram os cristais de gelo formados perto dos topos das nuvens Cumulonimbus em nuvens Cirrostratus (CS) e Cirrus (CI). Estas nuvens geralmente aparecem bem adiante de uma frente aproximando-se. As nuvens Cumulonimbus formam um bando estreito de trovoadas que produzem pancadas de chuvas fortes com rajadas de vento. O ar resfria rapidamente atrás da frente. Os ventos trocam de direção do sudeste para nordeste, a pressão sobe, e a precipitação cessa. Assim que o ar resseca, o céu clareia com exceção de algumas nuvens cumulus de tempo bom (Cumulus Humilis). O tempo na superfície associada com uma frente fria. (Precipitação representada em áreas verdes) A borda principal da frente é íngreme por causa da fricção na superfície que retarda o fluxo de ar perto da terra. A inclinação média de uma frente fria é somente 1:100. Isto quer dizer que se você viajar à 100 quilômetros atrás da posição na superfície de uma frente fria, a superfície frontal (a curva azul que separa o ar frio da frente fria do ar quente) estará a 1 quilômetro acima. A velocidade média de movimento de uma frente fria é de 35 km/h. O íngreme de inclinação e velocidade avançando são responsáveis pelos eventos mais violentos do tempo de frentes frias. Nuvens e precipitação geralmente cobrem uma área vasta atrás da frente com frentes frias de movimentos vagarosos. Quando o ar levantado é quente e estável, as nuvens predominantes são stratus e nimbostratus, e nevoeiro pode formar-se na área de chuva. Com uma frente fria de movimento rápido, uma linha de pancadas de chuva e trovoadas, chamada de linha de instabilidade, podem ser formados paralelo e adiante da frente em aproximação. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica O padrão de tempo, associados com frentes frias, descritas acima é mais ou menos “típico" mas existem exceções. Por exemplo, se o ar levantado é seco e estável, somente nuvens esparsas formam-se com ausência de precipitação. Em tempo extremamente seco, podem ser observados somente um aumento de umidade com uma troca de ventos. 15.5.3 Frentes Estacionárias O tempo na superfície associada com uma frente estacionária Uma frente estacionária é uma frente quase estacionária aonde o fluxo de ar em ambos os lados da frente, não se dirigem para a massa de ar fria ou para a massa de ar quente, mas é paralelo à linha da frente. Frentes estacionárias formam-se quando uma frente avançando retarda ou pára sobre uma região. Em um mapa do tempo, a posição na superfície é representada por uma linha com triângulos estendidos para o ar mais quente em um lado e semicírculo estendido para o ar mais frio no outro. Uma 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica mudança em temperatura e/ou uma troca de direção de ventos são geralmente observados quando atravessamos de um lado da frente para o outro. Se ambas as massas de ar ao longo de uma frente estacionária são secas, pode existir céu claro sem precipitação. Quando ar úmido e quente é empurrado para cima sobre o ar frio, nebulosidade com precipitações leves podem cobrir uma vasta área. Ciclones que tramitam ao longo de uma frente estacionária podem despejar grandes quantidades de precipitações fortes, resultando em enchentes significantes ao longo da frente. Freqüentemente as frentes estacionárias dissipam-se sobre a região aonde elas param. A frente pode resumir seu movimento se os ventos nos níveis altos mudam de direção e tornam-se mais perpendiculares à frente. Uma frente estacionária pode tornar-se uma frente fria ou uma frente quente dependendo que massa de ar avança. 15.5.4 Frentes Oclusas Uma frente oclusa é uma frente complexa aonde uma frente fria se encontra com uma frente quente. Em um mapa do tempo, a posição na superfície é representada por uma linha alternada, com triângulos e semicírculos, estendidos em direção do movimento. As condições de tempo associadas com este tipo de frente são geralmente complexas. A maioria de precipitação é produzida pelo ar quente levantado no alto. Quando as condições são suficientes, a nova frente sozinha tem a capacidade de iniciar precipitação. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Uma frente oclusa de tipo fria existe quando o ar atrás da frente avançado é mais frio do que o ar deslocado. A figura acima representa esta situação. Ali, uma frente fria desloca uma frente quente. Freqüentemente com um tipo frio, o ar quente no alto e a precipitação associada seguem a frente na superfície. Um outro tipo de frente oclusa é uma frente oclusa de tipo quente, quando o ar atrás da frente avançado é mais quente do que o ar substituído. A situação deste tipo é o reverso da outra. O ar quente no alto e a precipitação freqüentemente precedem a frente na superfície com um tipo quente. 15.5.5 Linhas de Instabilidade A linha de instabilidade forma-se como uma linha de trovoadas severas. Às vezes estas linhas de instabilidade acompanham uma frente fria, mas muitas das vezes elas ultrapassam a frente fria de 100km a 300km. As trovoadas de linha de instabilidade antes de uma frente fria podem ser causadas pelo ar no alto, fluindo acima da frente fria formando ondas. Na figura abaixo, o cavado da onda inibe a formação de nuvens, 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica enquanto que a crista da onda, a 100km antes de uma frente fria, favorece uma elevação do ar. Aqui as nuvens e trovoadas são formadas no ar instável A aproximação da linha de instabilidade é, às vezes, precedida por céu do “mammatus” constituídas de nuvens escuras, enroladas com malotes descendentes. A foto acima desta página mostra uma linha de instabilidade, vista no espaço. Uma súbita mudança de direção de vento, temperaturas mais frias, e pés de ventos podem ocasionar muitos danos, e também são muito comuns. Uma vez formada, a linha de instabilidade ajuda a propagar-se a si mesma ajudando no desenvolvimento de novas células. As correntes de ar descendentes destas células de trovoadas produzem um avanço de cunha de ar frio. A principal borda deste avanço de ar frio é uma frente de rajada. Elevação de ar quente acompanhando a frente de rajada inicia o desenvolvimento de novas células antes da linha de instabilidade. Sendo assim, o distúrbio da linha de instabilidade geralmente vai adiantee paralelo da frente fria numa velocidade que excede a da frente fria. As linhas de instabilidade podem ser tão severas quanto as trovoadas super-células. 15.5.6 Frente de Rajada 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica O corrente de ar descendente de uma trovoada severa espalha-se lateralmente depois de atingir o solo. A linha demarcadora que é formada entre a corrente fria de ar descendente e o ar quente da superfície chama-se frente de rajada. Para um observador no solo, a passagem de uma frente de rajada é semelhante a uma frente fria. Os ventos mudam de direção, tornando-se fortes e tempestuosos com velocidades acima de 55 nós (100km/h). A temperatura do ar cai, e a pressão atmosférica eleva-se por causa do peso da corrente de ar descendente. Se a pressão atmosférica eleva-se vários milibares, a área de alta pressão chama-se mesoalto (mesoscala alta). O ar frio pode perdurar perto do solo por várias horas, bem depois do final de uma atividade de trovoada. Ao lado da borda da frente de rajada, o ar é muito turbulento. Aqui, os ventos fortes podem levantar poeiras soltas e terra para dentro de uma grande nuvem que se revolve. A nuvem em forma de rolo é formada quando o ar úmido e quente ascende ao lado da borda da frente de rajada (também chamada nuvem arcus). Às vezes à frente de rajada força a elevação de ar úmido e quente, produzindo novas trovoadas. 15.5.7 Frentes Frias no Brasil Um sistema frontal será considerado "frio" quando a massa de ar, formada nas regiões mais frias, invadir outra região mais aquecida. No Brasil, esse sistema é caracterizado pelos movimentos da massa polar, formada ao sul do Continente, em direção às latitudes menores, chegando, às vezes, à Amazônia ou ao Nordeste. As condições meteorológicas que antecedem a chegada de uma frente fria se alteram a partir de quatro (4) a seis (6) horas antes, dependendo da velocidade do sistema. Em geral, nuvens Cirrus e Cirrostratus invadem o céu no dia anterior e, à medida que a frente se aproxima, nuvens médias e principalmente Cumulus se desenvolvem rapidamente. Como se pode notar, o mau tempo vai se formando na região invadida. Isso ocorre porque o calor e a umidade do ar tropical são os ingredientes da formação da tempestade que está preste a ocorrer. Para a aviação, um dado significativo é a mudança da direção e da velocidade do vento predominante, em superfície, antes da chegada da frente. A tendência da alteração da direção do vento, no Hemisfério Sul, é no sentido anti- horário, mudando de este para nordeste, depois para norte, noroeste e, finalmente, oeste, quando o sistema atinge o local. A partir desta direção, a mudança é 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica completada para sudoeste, sul e sudeste, à medida que o sistema avança para o equador. No HN, o sentido é inverso. Em algumas ocasiões, principalmente quando a atmosfera está muito instável, uma "Linha de Cumulonimbus”, conhecida por "pré-frontal", antecede, em algumas horas, a chegada de uma frente fria, provocando tempestades violentas. Na maioria das vezes, entretanto, essa tempestade ocorre no momento exato da passagem da frente. 15.5.8 Frentes Quentes no Brasil Analogamente à frente fria, uma frente será considerada "quente" quando o sentido do seu movimento for em direção às regiões mais frias, ou seja, uma massa de ar quente invade uma região fria. Embora as condições sejam semelhantes, um sistema frontal quente, na maioria das vezes, não dá sinais muito significativos da sua presença. Como o movimento é muito lento, somente o sistema de previsão meteorológica poderá identificá-lo em suas cartas de análise. As pessoas comuns, em geral, são surpreendidas com a mudança do tempo, que costuma demorar mais para melhorar. A mudança do fluxo do vento de superfície ocorre no sentido inverso ao da frente fria, isto é, de sudeste para sul, sudoeste e oeste, quando o sistema cruza a região. A seguir, a mudança continua para noroeste, norte, nordeste e finalmente este, quando a frente se afasta. No HN, a mudança ocorre ao contrário. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 15.5.9 Frontogênese e Frontólise Como todo sistema sinótico, as frentes, ao se deslocarem na atmosfera, passam pelas fases de desenvolvimento, maturidade e dissipação. O termo "Frontogênese" identifica um sistema frontal em crescimento ou intensificação, isto é, a área de contraste entre as duas massas de ar, mais conhecida por frente, está se intensificando. A “Frontólise”, por sua vez, indica que essa superfície de contraste está se dissipando ou enfraquecendo. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 16 . CONDIÇÕES METEOROLÓGICAS ADVERSAS AO VÔO No estudo das condições de tempo adversas ao vôo, veremos somente as condições de tempo significativo que afetam as operações de vôo ao longo das rotas e durante as operações de pouso e decolagem. Essas condições incluem as restrições à visibilidade, formação de gelo em aeronaves, turbulência e trovoada. 16.1 Restrições à Visibilidade Para a aviação, o grau de transparência da atmosfera é, ainda hoje, fator fundamental de segurança das operações de pouso e decolagem. Não que o fenômeno em si possa colocar em risco o pouso ou a decolagem, mas as limitações dos equipamentos existentes a bordo da maioria das aeronaves e nos principais aeródromos ainda exigem do piloto manobras manuais dependentes da visibilidade. 16.2 Fenômenos que Restringem a Visibilidade Apesar de alguns poucos fenômenos meteorológicos, de interesse aeronáutico, ocorrer sem afetar a visibilidade do ar, a maioria deles restringe essa visibilidade, são os hidrometeoros ou higrometeoros e os litometeoros. 16.3 Tipos de Visibilidade Para a aviação, a visibilidade tanto pode interferir numa aproximação para pouso quanto num vôo em rota. 16.3.1 Visibilidade Horizontal Para as operações de pouso e decolagem, as informações da visibilidade horizontal, em superfície, são fornecidas pelo Serviço de Meteorologia. Considera-se o "menor valor" observado, em incrementos de 100 em 100 m, até 5.000 m. A partir daí, em incrementos de 1.000 em 1.000 m. A visibilidade em superfície será considerada "zero", quando for menor que 100 m. Em aeródromos de maior importância operacional, a visibilidade sobre o eixo da pista de pouso poderá ser medida por meio do "visibilômetro" ou "RVR" (Runway Visual Range), desde que inferior a 2.000 m. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 16.3.2 Visibilidade Oblíqua É a visibilidade experimentada por um piloto quando, na trajetória de planeio de aproximação para pouso por instrumentos, ele pode ver os auxílios de aterrissagem no umbral da pista. Esta informação não é fornecida pelo Serviço de Meteorologia. 16.4 Fatores Agravantes da Visibilidade A estabilidade do ar é o fator determinante da intensidade e do tipo de restrição da visibilidade. O ar estável dificulta a dispersão das partículas sólidas(Iitometeoros) diluídas no ar, facilitando, portanto, a sua concentração nos níveis inferiores. Logo, a redução da visibilidade do ar será tanto maior, quanto mais estável estiver a camada atmosférica considerada. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 17 FORMAÇÃO DE GELO EM AERONAVES A formação de gelo é um dos maiores riscos que o conteúdo de água líquida contida na atmosfera pode representar para a aviação. Ela afeta uma aeronave tanto interna quanto externamente. Internamente, o gelo se forma no tubo de Pitot, nos carburadores e nas tomadas de ar, reduzindo a circulação do ar para os instrumentos e motores. Externamente, a acumulação de gelo ocorre nas superfícies expostas do avião, aumentando o seu peso e a sua resistência ao avanço. Quando ocorre nas partes móveis, como rotor e hélices, afeta o controle da aeronave, produzindo fortes vibrações. 17.1 Condições de Formação de Gelo Recentes experiências em túneis de vento confirmam que um fluxo de ar saturado sobre um objeto fixo pode formar gelo sobre este corpo, quando a temperatura do fluido estiver com 4°C ou menos. Isso ocorre porque a temperatura da superfície do corpo experimentado é diminuída devido à evaporação e à queda da pressão nas correntes de ar. Por outro lado, esse mesmo objeto sofre aquecimento por efeito de fricção das partículas de ar. Conclusão: quando a velocidade aerodinâmica de uma aeronave, voando em ar claro, for igual ou inferior a 400 nós, os efeitos de aquecimento e resfriamento se anulam. A formação de gelo em aeronaves é um dos principais problemas meteorológicos para a aviação. O gelo na estrutura externa da aeronave diminui a sustentação e o impulso e aumenta o peso e o arrasto. Por outro lado, o acúmulo de gelo nas superfícies móveis exteriores afeta o controle da aeronave. No passado, a formação de gelo na estrutura das aeronaves foi um problema, principalmente porque tendia a causar dificuldades em manter a altitude. Embora hoje em a maioria das aeronaves tenha suficiente reserva de potência para voar com uma carga pelada de gelo, essa formação na estrutura da aeronave é, ainda, um sério problema, ma vez que resulta em um grande aumento do consumo de combustível e, conseqüentemente, diminuição de autonomia e, ainda, sempre existe a possibilidade de que a formação de gelo no sistema do motor resulte em perda de potência. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 17.2 Condições básicas para a formação de gelo em aeronaves: 1. Gotículas d’água abaixo do ponto de congelação As nuvens são as formas mais comuns de água líquida existente na atmosfera, mas por serem gotas d'água ao ar livre, não se congelam a 0°C, como normalmente acontece. Em muitos casos, as gotículas existentes chegam a atingir temperaturas de - 10°C, podendo, excepcionalmente, chegar a -40°C. Quanto menores as gotas, mais baixas temperaturas suportam. Como regra geral, significativa formação de gelo em aeronaves raramente ocorre em nuvens cuja temperatura seja inferior a -20°C, em virtude de serem formadas quase que exclusivamente por cristais de gelo. Entretanto, os aeronavegantes mais experimentados reconhecem que a formação de gelo é possível em quaisquer nuvens cuja temperatura seja igual ou inferior a 0°C. Além disso, ainda é possível a formação de leve camada de gelo em ar úmido, fora das nuvens, desde que a superfície da aeronave também esteja abaixo do ponto de congelação. Chuva ou chuvisco, cujas gotas estejam sob temperaturas inferiores ao ponto de congelação, constituem, na maioria das vezes, a mais perigosa formação de gelo em aeronaves. Voando abaixo da base das nuvens, uma aeronave poderá encontrar precipitação super-resfriada, condição para a formação de gelo em poucos minutos. 2. Temperatura na superfície da aeronave com valor inferior a 0 C De um modo geral, essas duas condições podem ser definidas em: presença de água-líquida e de temperatura de sub-congelação. As gotículas de água no ar livre, ao contrário do que ocorre com um volume de água, não se congelam a 0 C, visto que sua temperatura de congelamento varia de um limite próximo a - 10 C a um limite inferior próximo a -40 C. Quanto menores e mais puras as gotículas, mais baixo será o seu ponto de congelação. Quando uma gota super-resfriada golpeia um objeto, assim como a superfície de uma aeronave, o impacto destrói a estabilidade interna da gota e aumenta sua temperatura de congelação. Por essa razão, deve-se admitir a possibilidade de formação de gelo em qualquer aeronave que voe através de nuvens super-resfriadas ou sob precipitação líquidas a temperatura abaixo do 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica ponto de congelação. Além do que, às vezes, a geada se forma sobre a aeronave em ar úmido e claro se, tanto a aeronave como o ar, estiverem a temperaturas de sub-congelação. O tamanho das gotas super-resfriadas contidas numa nuvem determina o intervalo de temperatura na qual podem ser congeladas. Se grandes, o congelamento ocorre entre zero e -10°C; se pequenas, podem atingir valores próximos a -40°C. Em experimentos realizados em laboratório de física de nuvens, na Universidade de Chicago, conseguiu-se o superesfriamento de gotas de três micra de diâmetro a -43°C, comprovando, portanto, a capacidade das pequenas gotas d'água de permanecerem em estado líquido, em temperaturas tão baixas. Segundo o meteorologista pesquisador Dr Jansá, as condições mais perigosas de formação de gelo em aeronaves são as seguintes: a) temperaturas no intervalo de 0 a -10°C; b) diâmetro das gotas líquidas maior que 10 micra; e c)conteúdo de água líquida superior a 0,5 g/m³. 17.3 Fatores Aerodinâmicos de Formação de Gelo: Além das condições atmosféricas propícias, a formação de gelo depende das formas da aeronave e de seus distintos elementos. a) Aspecto da asa. Quando delgada, desvia menor quantidade de gotas, facilitando a acumulação do gelo. b) Superfície exposta. Quanto maior, menos polida e contendo saliências, maior facilidade de acumulação do gelo formado. c) Velocidade aerodinâmica. Quanto maior, mais gelo acumula no mesmo espaço de tempo. No entanto, aviões velozes saem das áreas perigosas mais rapidamente. Além disso, o aquecimento cinético da superfície da aeronave, resultante do atrito das partículas de ar, pode contribuir para o impedimento da formação de gelo, se a temperatura da superfície do avião aumentar para valores muito acima de 0°C. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 17.4 Tipos de Formação de Gelo O tipo de gelo que se forma numa aeronave depende, basicamente, do tamanho das gotas d'água existentes nas nuvens e da temperatura ambiente. Vejamos cada tipo de formação e suas características. 17.4.1 Gelo Claro (ou Vidrado) Este tipo de formação é o que oferece maior perigo às aeronaves em vôo. É denso, transparente, desprende-se com dificuldade e altera significativamente o perfil aerodinâmico do avião. Além disso, as gotas não se congelam instantaneamente e sua formação mais lenta permite a acomodação do corpo líquido antes da solidificação total. A faixa térmica compreendida entre 0 e -10°C,associada às grandes gotas d'água das nuvens Cumuliformes, em ar instável. É a área mais favorável à formação e à acumulação de gelo cristalino, logo, nessas condições, o vôo deve ser evitado. 17.4.2 Gelo Opaco (ou Escarcha) Este tipo de formação ocorre mais freqüentemente em nuvens estratiformes, em atmosfera estável, na faixa térmica compreendida entre -10 e -20°C. Devido a sua formação instantânea, prende em seu interior pequena quantidade de ar atmosférico, responsável, pois, pela sua aparência leitosa. Por desprender-se facilmente, ser mais leve e, ainda, acumular-se mais lentamente, não oferece tanto perigo; todavia, quando combinado com o tipo cristalino, altera demasiadamente a superfície aerodinâmica da aeronave se nenhuma providência for tomada por parte do piloto. A faixa térmica compreendida entre -10 e -15°C, devido pertencer aos dois tipos de formação, torna-se, portanto, uma região muito perigosa para o vôo, onde é mais provável a ocorrência simultânea de gelo claro e opaco. 17.4.3 Geada Este tipo de gelo, que se deposita em fina camada, adere aos bordos de ataque, pára-brisas e janelas da aeronave em vôo. Não pesa nem altera os perfis, mas afeta a visibilidade do piloto. Sua formação ocorre mais freqüentemente quando a 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica aeronave, após passar muito tempo em área muito fria, cruzar regiões com alto teor de umidade. A quase instantânea sublimação do vapor d'água dá origem à geada. 17.5 Intensidade de Formação de Gelo Nos mapas de previsão meteorológica e nas mensagens operacionais de interesse aeronáutico, a formação de gelo é classificada segundo sua razão de acumulação sobre a aeronave, isto é, a quantidade de gelo formada na unidade de tempo. Por este critério, a formação de gelo pode ser: 17.5.1 Formação Leve Nesta intensidade, a acumulação de gelo se processa lentamente. Somente após vários minutos de vôo dentro das nuvens, pode ser notado algum indício dele, porém não ultrapassando a razão de 1 mm/min. Em geral, a formação leve não afeta a operacionalidade da aeronave, porque a própria evaporação compensa a acumulo. 17.5.2 Formação Moderada A formação será considerada moderada quando a acumulação ficar compreendida entre 1 e 5 mm/min. Nesta condição, cai a eficiência das comunicações, os instrumentos de pressão já apresentam erros, alguma vibração já é percebida, e a velocidade indicada chega a diminuir em até 15%. 17.5.3 Formação Forte A formação será considerada forte quando a acumulação ficar compreendida entre 5 e 10 mm/min. Nesta condição, a formação é quase instantânea, criando uma densa capa de gelo sobre a aeronave. Fortes vibrações afetam os motores, os comandos ficam sensivelmente prejudicados, e a velocidade indicada chega a diminuir em até 25%. Em condições extremas, a formação de gelo poderá determinar a imediata mudança de nível de vôo, porque os sistemas usuais de combate à formação de gelo se tornam ineficazes. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 17.6 Sistemas Antigelo (Anti-ice) Os meios de combate à formação de gelo podem ser divididos em duas classes: “anticongelantes” e “descongelantes”. A primeira inclui somente aqueles que impedem que a formação de gelo ocorra, enquanto que a segunda se refere aos sistemas que agem sobre o gelo já formado. 17.6.1 Sistema Mecânico Evita o acúmulo de gelo, mas não impede a sua formação. Consiste em capas de borracha colocadas nos bordos de ataque das asas e empenagens. Por meio de ar comprimido por bombas, essas capas são infladas periodicamente, promovendo o rompimento e a expulsão do gelo formado. Evitando o uso do piloto automático em condições de formação de gelo, o piloto estará, também, minimizando o acúmulo de gelo nas superfícies de comando da aeronave. 17.6.2 Sistema Térmico Evita e combate à formação de gelo, aquecendo as partes que se deseja proteger, tais como bordos de ataque, empenagens e tubo de Pitot. Este aquecimento pode ser feito por resistências elétricas incandescentes, instaladas em pontos específicos, ou por fluxos de ar aquecido pelos motores. 17.6.3 Sistema Químico Na maioria das vezes, este sistema é utilizado preventivamente nas hélices, pára-brisas e carburadores. Consiste na utilização de fluidos anticongelantes compostos de substâncias solúveis em água, como o álcool etílico, que têm a propriedade de fazer passar para o estado líquido o gelo formado ou impedir a sua formação. 17.7 Áreas Críticas de Formação de Gelo Quando uma aeronave penetra numa área sujeita à formação de gelo, alguns sintomas podem identificar os pontos mais afetados pelo congelamento. Vejamos os mais críticos e seus principais efeitos. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 17.7.1 Sistema de Carburação A formação de gelo no sistema de carburação reduz o rendimento do motor e, conseqüentemente, sua potência. Há três formas de congelamento que podem afetar o carburador de uma aeronave. A primeira ocorre por acúmulo de gelo na boca da tomada de ar do motor, provocando uma obstrução que impede a chegada de ar ao sistema de carburação, afetando seriamente a mistura ar-combustível. A segunda, por obstruções provocadas pelo acúmulo de gelo no interior do carburador. Neste caso, o gelo formado não é devido à água super-resfriada contida nas nuvens, mas ao processo adiabático que experimenta o fluxo de ar no sistema de injeção de combustível. É possível ocorrer esta forma de congelamento mesmo em temperatura de 5°C, em céu claro. A terceira ocorre também internamente, pelo resfriamento produzido pela evaporação do combustível ao ser introduzido na corrente de ar. Neste processo, a maior quantidade de calor utilizada para evaporar o combustível é subtraída do ar, cuja temperatura baixa consideravelmente até valores que podem produzir forte acúmulo de gelo. Esta forma de congelamento é possível ocorrer mesmo em temperatura de 20°C, em céu claro. A rigor, a segunda e a terceira formas de resfriamento interno do carburador ocorrem simultaneamente, sendo seu efeito considerado o mais perigoso devido à facilidade com que pode acontecer. 17.7.2 Asas e Empenagem A formação de gelo que ocorre nas asas e na empenagem, principalmente nos bordos de ataque, modifica o perfil aerodinâmico, aumenta a resistência ao avanço e diminui a sustentação da aeronave. A formação de gelo do tipo "opaco + claro" (misto) sobre os bordos de ataque, em virtude da sua acumulação irregular, tende a produzir alterações significativas no perfil aerodinâmico da aeronave. A acumulação que ocorre sobre a empenagem tende a dificultar a manutenção do rumo da aeronave e a produzir vibrações que podem comprometer a estrutura da cauda. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 17.7.3 Hélices As hélices são projetadas de tal forma que o seu perfil possa produzir um máximo de tração, mas, se ocorrer formação de gelo em sua superfície, principalmente em seus bordos de ataque, esse perfil será modificado, reduzindo o seu rendimento. Neste caso, o motor começa a apresentar fortes vibrações por causa do desbalanceamento da hélice. Em baixa RPM (rotações por minuto), o acúmulo de gelo nas hélices será mais intenso que em alta, por causa do aquecimento dinâmicoresultante do movimento e, assim sendo, a formação de gelo tende a ocorrer do centro para as pontas. 17.7.4 Tubo de Pitot Se o gelo bloqueia a entrada do tubo de Pitot ou se acumula em seu interior, deixam de funcionar os instrumentos que dependem das pressões dinâmica e estática do ar atmosférico, como o indicador de velocidade vertical (climb), altímetro e velocímetro. 17.7.5 Antenas O gelo que se acumula nas antenas de rádio produz efeitos prejudiciais às comunicações, porque aumenta o diâmetro dos cabos (efeito pelicular) e diminui o isolamento da antena em relação à carcaça da aeronave. Como se não bastasse, o excesso de peso produzido pelo acúmulo de gelo poderá romper a antena, deixando a tripulação em situação ainda mais complicada. 17.8 Minimizando ou Evitando os Efeitos da Formação de Gelo O piloto deve estar sempre preparado para evitar ou, pelo menos, minimizar os efeitos da formação de gelo em sua aeronave. Os procedimentos seguintes devem ser adotados quando necessário: a) providenciar a remoção do gelo depositado sobre a aeronave, antes da decolagem; b) usar o sistema antigelo adequadamente, seguindo as normas operacionais para cada tipo de aeronave; 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica c) evitar níveis de vôo dentro de nuvens com alto índice de precipitação, principalmente na faixa térmica entre 0 e -20°C; d) subir para níveis mais altos ou desça para faixas térmicas positivas (se possível), quando pressentir que os sistemas de combate à formação de gelo se tornaram ineficientes; e e) enviar mensagem de posição, reportando formações de gelo em seu nível de vôo, caso tenha sido surpreendido. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 18 . TURBULÊNCIA Conforme sabemos, a atmosfera da Terra é uma mistura gasosa que acompanha a esfera sólida em todos os seus movimentos. Por se tratar de um sistema dinâmico, a atmosfera apresenta-se variável em muitos de seus aspectos. Um deles é a irregularidade do movimento do fluxo de ar, resultante de vários fatores, tais como aquecimento diferenciado do solo e obstáculos naturais da topografia. Esse movimento irregular do fluxo do ar, mais conhecido por turbulência, exerce efeito significativo no vôo, comprometendo, portanto, a segurança da navegação aérea. As reações de uma aeronave à turbulência dependem das diferenças da velocidade do vento adjacente, do tamanho e peso da aeronave, da superfície das asas e da altitude de vôo. Quando passa rapidamente de um fluxo para outro, a aeronave sofre intensa mudança de velocidade. Obviamente, se o tempo de mudança for maior, a variação da velocidade da aeronave será menor, proporcionando maior suavidade aos "solavancos". No entanto, o conhecimento antecipado das áreas de turbulência ajudará a evitar ou minimizar o desconforto e os perigos da turbulência. Este capítulo destina-se a esclarecer as causas e as conseqüências da turbulência do ar atmosférico para a aviação. 18.1 Causas da Turbulência Sob o ponto de vista hidrodinâmico, o movimento de um fluido pode ser "laminar" ou "turbulento". Todavia, na atmosfera, é muito raro o movimento puramente laminar. Em realidade, por menor que seja, sempre haverá oscilações no movimento do ar, o que significa dizer que a turbulência é fator comum para a aviação. A turbulência é considerada a informação mais importante para a segurança da navegação aérea. Recentes pesquisas no campo aeronáutico revelaram que a turbulência, especialmente a de intensidade extrema, constitui o "inimigo público nº 1" na atmosfera. Por ordem de importância, seguem-se o granizo, a formação de gelo e as descargas elétricas dos Cumulonimbus. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 18.1.1 Correntes Convectivas O gradiente térmico vertical da atmosfera, quando superior a 1°C/100 m, faz surgir, dentro e fora das nuvens, correntes verticais significativas capazes de interferir no movimento horizontal das aeronaves; quando no intervalo 0,6 a 1°C/100 m, as correntes aparecem somente dentro das nuvens. Evidentemente, quanto maior o gradiente, mais intensos serão os movimentos verticais, provocando efeitos de turbulência nos níveis mais baixos da Troposfera. A turbulência resultante desse processo recebe o nome de Turbulência Convectiva. O topo das nuvens Cumulus define, aproximadamente, o limite superior dessas correntes. O vôo à baixa altura, principalmente nas aproximações para pouso, é perigosamente afetado por turbulência convectiva, capaz de alterar a trajetória de aterrissagem e causar acidentes graves. 18.1.2 Obstruções ao Fluxo de Ar Tanto a topografia acidentada quanto as edificações podem provocar desvios no fluxo horizontal do ar atmosférico. Em geral, os efeitos dependem da altura desses obstáculos e da intensidade do vento, pois, quanto mais acidentada a topografia e quanto mais forte o fluxo, mais intensa e mais alta será a Turbulência Mecânica ou de Solo. Este tipo de turbulência é resultado da fricção do fluxo de ar sobre a superfície irregular, fazendo surgir remoinhos capazes de afetar níveis de até 1.000 metros de altura. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 18.1.3 Ondas de Montanha As ondas de montanha são fenômenos turbulentos resultantes da regularidade e da alta intensidade do fluxo de ar, que sopra perpendicularmente a uma cordilheira. A barlavento das montanhas, o ar é forçado a ascender, enquanto que, a sotavento, é forçado a descer, estendendo seus efeitos sobre o vale, em forma de ondas. A turbulência resultante deste fenômeno é conhecida por Turbulência Orográfica. Para existir ondas de montanhas, são necessários alguns requisitos: a) componente do vento perpendicular à montanha de, pelo menos, 15 nós; b) intensa variação vertical do vento; e c) intensa inversão da temperatura acima do topo das montanhas. Se essas condições ocorrerem simultaneamente, a atmosfera, sobre a cordilheira, estará propícia à formação de ondas de montanha. A turbulência orográfica se caracteriza pelos seguintes aspectos: a) tendência a debilitar-se a partir dos 10.000 pés acima do topo da cordilheira; b) possibilidade de formação de nuvens Nimbostratus ou Cumulonimbus a barlavento da cordilheira; c) possibilidade de formação de nuvens em forma de rolo no interior das cristas das ondas, indicando forte turbulência; e 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica d) possibilidade de formação de nuvens em forma de lente na parte superior das cristas, indicando turbulência moderada ou forte. 18.1.4 Cortante do Vento Variações verticais ou horizontais do vento fazem aparecer forças de cortante, capazes de provocar turbulência naqueles níveis. Em geral, as variações mais importantes do vento, capazes de provocar turbulências muito fortes, são encontradas no interior da corrente de jato, na Tropopausa, e conhecidas por Turbulência em Ar Claro (CAT). Nos níveis inferiores, todavia, as mais perigosas estão relacionadas com a presença de nuvens Cumulonimbus, provocando efeitos decortante conhecidos por "Wind Shear" (tesoura de vento). 18.1.5 Esteira de Grandes Aeronaves Quando uma aeronave, grande e pesada, inicia a corrida para decolar, uma esteira de ar começa a se formar em sua retaguarda. A partir do ponto de decolagem, vórtices de pontas de asas surgem nas laterais da esteira, formando um turbilhonamento intenso e perigoso para aeronaves de menor porte, peso e velocidade. Este tipo, conhecido por Turbulência em Esteira, foi intensamente pesquisado pela "Federal Aviation Administration" (FAA), dos Estados Unidos, durante os anos 60, quando, então, foram descobertos seus efeitos e as áreas por elas afetadas nas trajetórias de vôo. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Uma asa gera depressões na parte superior (Extradorso) e sobrepressões na parte inferior (intradorso). O ar desloca-se da área das altas pressões para a de baixas pressões; assim o ar “tenta” passar do lado de baixo da asa para o de cima pela ponta da asa, originando-se um fluxo de ar que na parte inferior se afasta do centro para a extremidade da asa, onde “enrola” para passar para o lado superior, havendo aí um fluxo de ar no sentido da ponta para o meio. Forma-se assim uma circulação em "vórtex" ao longo de toda a asa, mas mais forte e visível na extremidade. 18.2 Helicópteros Os helicópteros também produzem este efeito, que pode ser muito mais forte que o que é produzido por um avião do mesmo peso; os helicópteros com duas pás produzem um efeito superior aos que têm maior número de pás A Turbulência de esteira depende, sobretudo do PESO, ENVERGADURA e CONFIGURAÇÃO da asa. A intensidade maior verifica-se em grandes aviões a baixa velocidade, mas os helicópteros a baixas velocidades (20 a 50 Kts) produzem um efeito muito forte, principalmente os que têm duas pás apenas no rotor principal. Há uns casos raros de danos estruturais provocados pela turbulência de esteira, mas o maior e mais freqüente perigo é o rolamento e/ou guinada não controlados. Isto é particularmente perigoso na descolagem e aterragem, pela pouca altura disponível para a recuperação. O efeito em rolamento pode ser violentíssimo, de modo que mesmo em aviões com excelente autoridade de comandos podem não conseguir anulá-lo. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Na descolagem os vórtices aparecem assim que se começa a produzir sustentação, mas não são pronunciados até que o avião saia de efeito de solo. Durante aterragem, a intensidade dos vórtices é também fortemente reduzida logo que um avião entra em efeito de solo. Em condições de vento calmo os vórtices de um avião em aproximação afundam-se até ao solo e afastam-se lateralmente. Porém um vento cruzado com 3 a 4 KT empurrará o vórtice do lado do vento para o eixo da pista. Em aeródromos controlados, o Controlador aplica a separação correta entre aeronaves, conforme a Categoria de Peso de cada. Um avião ligeiro (Categoria “L”) é separado de 5 NM atrás de um Médio (Categoria “M”); e 6 NM atrás de um Pesado (Categoria “H”). Não havendo separação radar, o espaçamento deve ser dado em tempo. Um avião ligeiro deve manter uma separação mínima de 3 minutos à chegada atrás de um avião Médio ou Pesado. A separação para a descolagem é de 2 minutos (ou para 3 minutos, se estiver a descolar de uma posição intermédia da pista). A descolagem deve ser prevista para um ponto anterior ao do avião precedente, e a subida acima da linha de subida do avião precedente, se possível, desviada um pouco para o lado do vento. A aterragem deve ser prevista para um ponto abundantemente à frente do avião que aterrou anteriormente, e acima da sua linha de descida. Se estiver a aterrar e o avião precedente decolou, aterre bem atrás do ponto em que ele fez a rotação! Finalmente, lembre-se que a turbulência de esteira é muitas vezes pré-anunciada por um efeito suave, que em seguida se torna subitamente muito violento. Por isso, se suspeitar que está a entrar numa esteira, mesmo que suave, não hesite e tome ação evasiva imediatamente!!! Para se livrar da turbulência em esteira, os pilotos das pequenas aeronaves devem: a) evitar corredores de aproximações para pouso e decolagem nos aeródromos de intenso movimento de grandes aeronaves à reação, principalmente em horas de forte instabilidade atmosférica; b) na decolagem, sair da pista antes do ponto de "saída do solo" da aeronave precedente; e c) no pouso, tocar na pista depois do ponto de toque da aeronave precedente. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 18.3 Conselhos Úteis Embora seja dificílimo evitar áreas de turbulência, é conveniente que se procure contornar a situação. Vejamos alguns conselhos que poderão ser úteis nos momentos de vôo sob turbulência: a) corrigir a velocidade indicada da aeronave para suavizar os efeitos da turbulência, segundo as normas do aparelho; b) evitar vôos à baixa altura entre montanhas, principalmente nas proximidades do lado sotavento de uma delas; c) evitar as nuvens "rolo", pois constituem áreas de intensa turbulência; d) evitar nuvens lenticulares, principalmente se seus bordos forem esfarrapados; e) não confiar, excessivamente, nas indicações do altímetro próximo aos picos de montanhas, pois podem conter erros superiores a 1.000 pés; f) executar a aproximação para pouso em velocidade pouco acima da prevista, a fim de evitar uma queda brusca de sustentação; e g) estar atento para os possíveis efeitos psicológicos da turbulência sobre a tripulação. 18.4 Graus de Intensidade da Turbulência A identificação da intensidade da turbulência é muito difícil para a tripulação, principalmente considerando o tipo de aeronave, e para os previsores meteorológicos, que se valem de informações variadas e, muitas vezes, contraditórias. O critério mais objetivo de classificação da intensidade da turbulência é aquele que relaciona a aceleração vertical do avião com a gravidade terrestre (g = 9,81 m/s²). 18.4.1 Turbulência Leve A aeronave sofre acelerações verticais inferiores a 0,2 "g", isto é, inferiores a 2 m/s². A tripulação sente a necessidade de utilizar o cinto de segurança, todavia os objetos soltos ainda continuam em repouso. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 18.4.2 Turbulência Moderada A aeronave sofre acelerações verticais, compreendidas entre os valores de 0,2 e 0,5 "g", ou seja, entre 2 e 5 m/s². Os tripulantes podem ser lançados, ocasionalmente, para fora de seus assentos, sendo imprescindível o uso do cinto de segurança. 18.4.3 Turbulência Forte A aeronave sofre acelerações verticais, compreendidas entre os valores de 0,5 e 0,8 "g", podendo ficar fora de controle. Devido aos violentos ziguezagues, os passageiros podem entrar em pânico. Os objetos soltos são fortemente lançados de um lado para outro, e os instrumentos do avião vibram fortemente, criando sérias dificuldades ao piloto. 18.4.4 Turbulência Severa A aeronave sofre acelerações verticais superiores a 0,8 "g", podendo, em raras ocasiões, atingir 3 "g", isto é, 3 vezes a aceleração da gravidade. Nessas circunstâncias, é impossívelcontrolar a aeronave, que pode sofrer danos estruturais irreparáveis. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 19 SERVIÇO DE METEOROLOGIA AERONÁUTICA Este capítulo tem por finalidade fornecer aos pilotos em geral, uma idéia geral sobre o funcionamento do nosso sistema de informações meteorológicas destinadas às atividades aeronáuticas, e que estão disponíveis ao planejamento de vôo, desde o aeródromo de partida até o de chegada. Compreender as limitações e as possibilidades do sistema que fornece o apoio meteorológico à aviação é, de certa forma, contribuir para a própria segurança, a dos passageiros e o cumprimento da missão. 19.1 Rede de Coleta de Dados Básicos Os órgãos operacionais de Meteorologia Aeronáutica, situados nos principais aeródromos, formam uma rede de coleta de dados básicos das condições de tempo local, necessários às operações de pouso e decolagem e ao serviço de previsão, que os utiliza nas análises sinóticas do tempo. Essa rede é composta de vários tipos de estação, onde cada uma executa suas atividades, conforme normas estabelecidas pelos DETCEA, e com controle e operação feitos pelos respectivos SRPV's e CINDACTA's. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 19.1.1 Estação Meteorológica de Superfície (EMS) Trata-se de um órgão destinado a elaborar observações de superfície rotineiras (METAR e SYNOP) e especiais (SPECI), representativas das condições do tempo local. No âmbito do Comando da Aeronáutica, as EMS são classificadas em EMS-1, EMS-2A, EMS-2B e EMS-3, conforme a composição dos equipamentos existentes (convencionais e/ou automatizados), instalados segundo as características do movimento de aeronaves de cada região. As EMS são operadas por técnicos especializados de nível médio e equipadas para obter medidas instrumentais de direção e velocidade do vento de superfície, visibilidade na pista de pouso, altura da base das nuvens (à noite), pressão atmosférica, temperaturas do ar e do ponto de orvalho, quantidade de precipitação e estimativas de outros fenômenos, como quantidade e tipo de nuvens e condições de tempo, como névoa, nevoeiro, chuva, chuvisco, trovoada, granizo, etc.. Todas as mensagens meteorológicas elaboradas pelas EMS's são, imediatamente, divulgadas pela Rede de Telecomunicações Aeronáuticas para os outros aeródromos interessados e para um centro de coleta, em Brasília. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 19.1.2. Estação Meteorológica de Altitude (EMA) Trata-se de um órgão destinado a elaborar observações de altitude de rotina (PILOT e TEMP) nos horários 00:00 e 12:00 UTC. Atualmente, as observações realizadas pela EMA são a direção e a velocidade dos ventos e os perfis de temperatura e umidade da Troposfera. A mensagem PILOT é composta somente de informações sobre os ventos de altitude, enquanto a mensagem TEMP informa os perfis de temperatura e umidade da camada pesquisada. No Brasil, durante os anos 70, as estações meteorológicas de altitude ainda realizavam sondagem atmosférica utilizando-se de um teodolito ótico para acompanhar um pequeno balão (de cerca de 1 metro de diâmetro) inflado com gás hidrogênio. De minuto em minuto, eram anotados os ângulos de elevação e o azimute da posição do balão, que ascendia numa velocidade média de 180 metros por minuto. Com esses valores, por meio do emprego da trigonometria, determinavam-se a direção e a velocidade dos ventos superiores. Portanto, naquela época, confeccionava-se somente a mensagem PILOT. A partir de então, com o desenvolvimento de equipamentos eletrônicos de uso meteorológico, nasceu o "radiossonda", um sensor capaz de identificar as variações de temperatura e de umidade do ambiente. Esse equipamento, no sistema radiossonda, sobe preso a um balão de hidrogênio, bem maior que o antigo. Durante sua ascensão, que atinge valores superiores a 300 metros por minuto, a estação receptora dos sinais eletrônicos enviados pelo transmissor elabora, com as informações conseguidas, as mensagens PILOT e TEMP e as transmite ao centro de coleta de Brasília. Um outro tipo de estação de altitude pode ser equipado somente com o "radar-vento", um equipamento que, ao invés de um sensor, consta de um "alvo" metálico preso ao balão, seguido pelo radar de superfície que, em última análise, faz o papel do antigo "teodolito ótico". Embora a finalidade da sondagem seja determinar as informações meteorológicas de temperatura, umidade e vento na Troposfera (18 quilômetros, na região equatorial), o final dos trabalhos fica à mercê da ruptura do balão, que aumenta de volume à medida que sobe, ou de algum outro evento, como pane do 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica equipamento, tempestade, etc. Excepcionalmente, as sondagens realizadas com balões de boa qualidade atingem níveis de 30 ou mais quilômetros de altitude. 19.1.3. Estação de Rastreamento de Satélite Meteorológico (ERS) Trata-se de um órgão destinado a rastrear e receber imagens de fotografias da cobertura de nuvens de uma grande superfície da Terra, elaboradas por satélites meteorológicos. As fotografias são produzidas na ERS por um sistema automatizado que transforma os sinais dos satélites em imagens gráficas no papel fotográfico. Após serem devidamente identificadas, essas fotos são enviadas ao centro de coleta, em Brasília, com o objetivo de auxiliar o analista-previsor na composição geral dos mapas meteorológicos. Apesar de os satélites meteorológicos já operarem há mais de vinte anos, diversas séries, após alguns anos de atividade, deram lugar a outras mais evoluídas, já que, periodicamente, novos avanços vão sendo realizados tanto em relação aos satélites quanto aos sistemas de recepção de imagens, tornando as informações conseguidas cada vez mais confiáveis e práticas. Para se ter uma idéia, as fotos conseguidas já podem ser utilizadas não apenas numa cópia de papel, mas em vídeo e em computador. 19.1.4. Estação de Radar Meteorológico (ERM) Trata-se de um órgão destinado a fazer observações por meio de um radar capaz de identificar e localizar as grandes formações de nuvens de tempestades, num raio de 400 km. Quando é constatada a presença dessas nuvens, o operador da estação elabora uma mensagem denominada RADOB, identificando a direção, o sentido, a velocidade e o potencial de precipitação do sistema detectado, e a transmite para o Centro de Vigilância Meteorológica da região. Embora a ERM tenha a finalidade de atender as necessidades de apoio meteorológico à aviação, as informações detectadas, quando necessário, são divulgadas, também, para a Defesa Civil e os demais órgãos de interesse público. 19.2. Rede de Centros Meteorológicos Enquanto a rede de estações se ocupa da coleta de dados básicos e da elaboração de mensagens sobre fenômenos meteorológicos que estão ocorrendo ou 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica que já ocorreram, a rede de centros elabora e divulga prognósticos sobre fenômenos meteorológicos de interesse aeronáutico que ainda não estão ocorrendo, mas que poderão ocorrer nas próximas vinte e quatro horas.19.2.1. Centro Regional de Previsão de Área (RAFC) A sigla RAFC é a identificação internacional do Centro Regional de Previsão de Área, da OACI (Regional Area Forecasting Center). Por fazer parte da rede de centros regionais, que elabora previsões meteorológicas de interesse aeronáutico sobre todos os pontos do globo, o RAFC é um órgão integrante do Sistema Mundial de Previsão de Área. Sediado em Brasília, nas dependências do CINDACTA, o RAFC é o centro de coleta de todos os dados básicos coletados pela rede de estações meteorológicas. Entre suas atribuições, destacam-se o diagnóstico e o prognóstico das condições de tempo significativo de sua área de responsabilidade, formada pelos paralelos 12°N/35°S e pelos meridianos 025°W/130°W, e a divulgação dessas previsões para o SISCEAB e, através do INMET, para o exterior. As previsões realizadas pelo RAFC, que chegam ao conhecimento público através de mapas meteorológicos, normalmente, em simbologia monocromática própria. 19.2.2. Centro Meteorológico de Vigilância (CMV) Este tipo de centro meteorológico tem como atribuição principal manter a vigilância sobre aqueles fenômenos que podem afetar as operações de vôo dentro de uma Região de Informação de Vôo (FIR) ou Área de Controle de Tráfego Aéreo 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica (CTA). Para tanto, sua localização legal é junto ao Centro de Controle de Área (ACC) a que estiver associado. Atualmente, os CMV's existentes operam nas localidades de Curitiba, Brasília, Recife, Belém e Manaus. Como órgão meteorológico de apoio à vigilância, os CMV's valem-se do auxílio de uma Estação de Radar Meteorológico (ERM), que acompanha a evolução dos fenômenos que possam ocorrer em sua área de atuação. Ao detectar qualquer fenômeno, não previsto nas mensagens TAF já expedidas, que possam colocar em risco as operações de vôo, o CMV expede uma mensagem SIGMET, WS WRNG ou AVISO DE AERÓDROMO. Como apoio às aeronaves em vôo, o CMV mantém um sistema de comunicações terra/avião, denominado VOLMET, com a finalidade de transmitir as informações de maior interesse e urgência. 19.2.3. Centro Meteorológico de Aeródromo (CMA) Situado num aeroporto, junto à Sala de Informações Aeronáuticas, o CMA destina-se a prestar serviços meteorológicos à navegação aérea dentro de sua área de responsabilidade. Entre suas atribuições, destaca-se à elaboração da mensagem TAF (Terminal Aerodrome Forecasting) previsão de tempo para determinado aeródromo, e o fornecimento de informações meteorológicas aos aeronavegantes sobre sua rota de vôo. Como as previsões realizadas pelos CMA's dependem dos trabalhos do RAFC, este fornece para aqueles as previsões gerais, elaboradas para servirem de base para os prognósticos específicos das rotas de vôo e dos aeródromos. Logo, suas atividades são complementares e não se superpõem. Considerando-se o movimento de aeronaves e a importância dos vôos, os CMA's são classificados em CMA-1, CMA-2 e CMA-3, sendo que os centros classe 1 são os de maior importância e exatamente aqueles responsáveis pela elaboração da mensagem TAF. Atualmente, os centros de Porto Alegre, São Paulo, Galeão, Brasília, Recife, Belém e Manaus são do tipo CMA-1. Os demais não realizam o TAF, mas fornecem as mensagens necessárias a cada vôo. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 19.2.4. Centro Meteorológico Militar (CMM) Esse centro, situado no interior de uma base aérea, destina-se a prestar serviços meteorológicos de apoio às operações aéreas de caráter militar. Em geral, o CMM utiliza-se das informações meteorológicas elaboradas pelos demais centros e pela rede de coleta de dados básicos, com o objetivo de prestar os esclarecimentos específicos necessários à organização militar onde está situado, não expedindo qualquer tipo de mensagem meteorológica. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 20. INFORMAÇÕES METEOROLÓGICAS Conforme sabemos, as Estações Meteorológicas de Superfície (EMS) coletam dados básicos sobre as condições de tempo em suas respectivas localidades e os divulga, em forma de mensagem de observação, como informações de interesse aeronáutico sobre aquele aeródromo. Abordaremos, agora, as mensagens, elaboradas pelas EMS's, de grande interesse para os aeronavegantes. 20.1 Mensagem METAR/SPECI O METAR é um código para informação meteorológica aeronáutica regular, cujo conteúdo se refere às informações básicas de superfície, observadas em determinado instante, num aeródromo. Utilizado internacionalmente segundo normas da OACI, é confeccionado sempre nas "horas cheias". METAR - Informação Meteorológica de aeródromo (regular) SPECI - Informação Meteorológica de aeródromo, especial selecionada (não regular) 20.1.1 Estrutura do METAR/SPECI: a) Grupos de Identificação: Nome do código - Local - Hora b) Informações Meteorológicas Vento de Superfície - Visibilidade Horizontal - RVR - Tempo presente - Nuvens - T/PO - Pressão c) Informações Suplementares Tempo recente - Cortante do vento d) Tendência 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica a) Grupos de Identificação: 1 - Nome do Código: METAR - Informação Meteorológica de aeródromo (regular) SPECI - Informação Meteorológica de aeródromo, especial selecionada (não regular). 2 - Local: Indicativo da estação meteorológica, homologado pela OACI. Em quatro letras maiúsculas. A primeira indica o continente, a segunda indica o país, a terceira e a quarta indicam o aeródromo. Exs.: SBBI, SBFL, SBPA, SBSP, SBGL, etc. 3 - Grupo Data-Hora: É o horário da observação em horas e minutos, seguido da letra Z (horário UTC), precedido do dia da mensagem. Ex.: 050900Z, 231020Z, etc. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica b) Informações Meteorológicas: 1- Vento de superfície: Normalmente aparecerá um grupo de cinco algarismos indicando o vento médio nos dez minutos, que antecede o METAR, seguido da unidade usada. Os três primeiros algarismos indicam a direção (de onde o vem o vento), e os dois últimos indicam a velocidade. Exs.: 33012KT, 18005KT a) Vento Calmo: Será considerado vento calmo, o vento cuja intensidade seja menor que 01KT, e vem codificado da seguinte maneira: Ex.: 00000KT b) Vento Variável: Será considerado vento variável, ao vento cuja direção variar em 60o ou mais. Ex.: VRB02KT; VRB05KT 120V180 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Se a velocidade média do vento for maior que 2KT, as duas direções extremas deverão ser informadas, observando o sentido horário. c) Vento de Rajada: Se durante os dez minutos precedentes à observação, o vento de rajada exceder em 10KT ou mais ao vento médio, esta rajada será reportada inserindo-se a letra G (Gust) seguida do valor da rajada. Ex.: 31015G25KTObs.: Caso exista o vento de rajada e a direção do vento variar em 60o ou mais e a velocidade média do vento for maior que 2KT, as duas direções extremas deverão ser informadas, observando o sentido horário. Ex.: 27012G25KT 230V300 Obs.: Caso a velocidade do vento seja de 100KT ou mais, a velocidade deverá ser informada . Ex.: 320P99KT 2 - Visibilidade horizontal: Será reportada em quatro algarismos, e a unidade usada é o metro. 1º Caso: Quando todos os setores apresentarem visibilidade semelhante, será reportada a visibilidade predominante. Ex.: 4000 (quatro mil metros) 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 2º Caso: Quando a menor visibilidade for menor que 1500 metros, porém, existem outros com visibilidade igual ou superior a 5000 metros, a visibilidade mínima será seguida por um dos pontos cardeais ou colaterais, para indiciar a direção desta, e também a outra visibilidade com o respectivo setor. Ex.: 1200NE 6000SE (mil e duzentos metros no setor Nordeste e 6000 metros no setor Sudeste) 3º Caso: Quando a visibilidade for igual ou superior a 1500 metros e um outro determinado setor a visibilidade for 50% OU MAIS, a visibilidade mínima será informada seguida dos pontos cardeais e as outras não serão inseridas no código. Ex.: 4000SW 3 - RVR (Alcance visual da pista) É a visibilidade horizontal sobre a pista, medida por equipamentos eletrônicos, e a unidade é o metro. Quando o RVR puder ser determinado (caso exista equipamento no AD) e quando for informado, o grupo começará com a letra R seguido do designador de pista e uma barra (/ ) seguido do RVR em metros. Ex.: R10/1100 (RVR na pista 10, de mil e cem metros) Casos especiais: a) Quando a visibilidade for igual ou maior que 1500 metros, e valor do RVR for maior que o máximo que pode ser medido, o RVR será informado como P1500. Ex.: R10/P1500 (RVR na pista 10, igual ou maior que 1500 metros) b) Quando a RVR for menor que o mínimo valor que pode ser medido, o RVR será informado como M seguido pelo mínimo que pode ser medido. Ex.: R10/M0050 (RVR na pista 10, menor que 50 metros). 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Obs.: Onde exista equipamento capaz de lançar valores médios de RVR, após o último algarismo de visibilidade aparecerá a letra U (up), informando que a tendência tende a aumentar, a letra N (normal), quando a tendência é de permanecer nos mesmos valores e a letra D (down) quando a tendência é diminuir o alcance visual da pista. Ex.: R10/1000D, R33/0800U, R15/0400N Obs.: Pode ainda o RVR ser reportado com os valores mínimo e máximo de variação separado pela letra V. Ex.: R33/0800V1200U 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 4 - Tempo presente: Decidindo-se que existe um fenômeno a ser reportado, codifica-se o tempo presente considerando-se a tabela 4678. Os grupos de condições de tempo serão construídos pela consideração das colunas da esquerda para a direita em seqüência que contém a intensidade seguida da descrição e pelo fenômeno do tempo. Ex.: +SHRA (pancada forte de chuva) Obs.: Mais de uma forma de precipitação poderá ser combinada, o tipo dominante de precipitação será informada primeiro. Ex.: +SNRA Outros fenômenos, além das combinações de precipitações registradas, poderão ser informados, separadamente na ordem das colunas. Ex.: -DZ FG 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica A intensidade será indicada somente para precipitação, pancadas, trovoadas, poeira, areia ou neve soprada, tempestade de poeira ou tempestade de areia. Tornados ou trombas d’água bem desenvolvidos deverão ser informados usando- se o indicador +. Ex.: +FC Não será incluído mais que um descritor no grupo de condições de tempo. Ex.: -FZDZ Os descritores MI e BC serão usados somente em combinações com abreviatura FG. Exs.: MIFG, BCFG O descritor DR (flutuante) será usado para poeira, areia ou neve levantadas pelo vento, não se estendendo a mais de 2 metros. O descritor BL (soprado) será usado para indicar poeira, areia ou neve carregadas pelo vento, estendendo-se acima de 2 metros. Os descritores DR e BL deverão ser usados somente em combinações com abreviaturas DU, SA, SN. Quando neve soprada for observada com queda de neve de nuvens, ambos os fenômenos deverão ser informados, isto é, SN BLSN. Quando devido à neve soprada forte, o observador não puder determinar se a neve também está caindo das nuvens, então deverá ser informado apenas + BLSN. O descritor SH será usado somente em combinações com uma ou mais das abreviaturas RA, SN, PE, GS ou GR, para indicar precipitação do tipo pancada na hora da observação. Ex.: SHRA O descritor TS será usado somente em combinações com uma ou mais das abreviaturas RA, SN, PE, GS ou GR, para indicar trovoadas em precipitação no AD. Ex.: TSSNGS 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica O descritor FZ será usado somente em combinações com as abreviaturas FG, DZ e RA. Ex.: FZRA O qualificador de proximidade VC será usado somente em combinações com abreviaturas DS, SS, FG, FC, SH, PO, BLDU, BLSA e BLSN. ALGUMAS RESTRIÇÕES PARA OS FENÔMENOS a - Névoa seca e névoa úmida será reportada quando a visibilidade horizontal estiver entre 1000 e 5000 metros, inclusive. b - Nevoeiro será reportado quando a visibilidade horizontal estiver a menos de 1000 metros. c - VC, indica uma situação ocorrida até 8Km além do AD, mas NÃO nele. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Abreviaturas e Significados dos Fenômenos Meteorológicos ABREVIATURA ORIGEM SIGNIFICADO BC Bank Bancos BL Blowing Soprada BR Brume Névoa Úmida DR Drifting Flutuante DS DustStorm Tempestade de poeira DU Dust Poeira Soprada DZ Drizzle Chuvisco FC Funnel Cloud Tornado, Nuvem Funil FG Fog Nevoeiro FU Fumme Fumaça FZ Freezing Congelante GR Graupel Granizo GS Grains of Snow Grãos de Neve HZ Haze Névoa Seca IC Ice Cristals Cristais de Gelo MI Minimum Baixo PE Pellets of Ice Pelotas de Gelo PO Dust Devil Poeira em Redemoinhos RA Rain Chuva SA Sand Areia SG Small Grains Granizos pequenos SH Shower Pancadas SN Snow Neve SQ Squall Tempestade SS Sandstorm Tempestade de Areia TS Thunderstorm Trovoada VA Volcanic Ashes Cinzas Vulcânicas VC Vicinity Vizinhanças 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 5 - Nebulosidade ou visibilidade vertical Sob circunstâncias normais os grupos de nebulosidade são formados por seis dígitos. Os três primeiros indicam a quantidade de nuvens. 1/8 à 2/8 serão informados como FEW (Few = poucos) 3/8 à 4/8 serão informados como SCT(Scattered = esparsos) 5/8 à 7/8 serão informados como BKN (Broken = nublado) 8/8 será informado como OVC (Overcast = encoberto) Os três últimos dígitos indicam a altura da base da nuvem em centenas de pés. Ex.: SCT020 (Existe de 3/8 à 4/8 de nuvens cuja base da nuvem está a 2000 pés). O grupo de nuvens poderá ser repetido para informar diferentes camadas, porém o número destes grupos não excederão a quatro, de acordo com as seguintes condições: A primeira camada: a mais baixa de todas, independente da quantidade; A segunda camada: a camada imediatamente superior, desde que, sua quantidade seja no mínimo 3/8; A terceira camada: a camada imediatamente superior a segunda, desde que, sua quantidade seja no mínimo 5/8; A quarta camada: só existirá uma quarta camada se tivermos nuvens convectivas significativas (TCU ou CB). E esta camada deverá conter o tipo de nuvens. Ex.: SCT005 FEW015CB BKN020 BKN025 a) Quando houver nebulosidade este grupo será omitido, desde que satisfaça a condição CAVOK. b) Quando o céu estiver obscurecido, mas com visibilidade vertical disponível, o grupo de nebulosidade será substituído por um grupo formado por 5 dígitos, sendo os dois primeiros “VV”, seguidos da visibilidade vertical em centenas de pés. Caso a visibilidade vertical seja menor que 100 pés (30 metros), o grupo virá codificado da seguinte maneira: VV///. Ex.: VV003 (visibilidade vertical de trezentos pés) 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica c) Quando não houver nebulosidade e o termo CAVOK não for apropriado, será usada a abreviatura NSC (NO SIGNIFICANT CLOUDS). 6- Temperatura do ar e do Ponto de Orvalho As temperaturas do ar e do Ponto de Orvalho serão informadas em algarismos inteiros, dois a dois separados por uma barra. Quando as temperaturas forem negativas serão da letra “M”. Exs.: 25/20 : 09/08 : 02/M01 : M01/M03 Quando a temperatura do ar e do Ponto de Orvalho forma iguais, o ar encontra-se saturado, ao contrário, diz-se que o ar está não saturado (úmido ou seco). Ex.: 15/15 (ar saturado) Caso um dos termômetros esteja danificado, no lugar da temperatura aparecerá XX. Ex.: 28/XX. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 7 - PRESSÃO (AJUSTE DO ALTÍMETRO) O último grupo da parte principal indica o QNH, arredondado para o Hectopascal inteiro, desprezando os décimos. O grupo compõem-se da letra Q, mais quatro algarismos. Exs.: Q1020: Q0998 Nota: Em alguns países, a unidade de pressão é a Polegada de Mercúrio, neste caso o indicador será a letra “A”, no lugar da letra Q. Ex.: A3005 (para uma pressão de 30,05 Polegadas de Mercúrio) c) Informações Suplementares 1- Tempo recente A informação do tempo recente de significação operacional será acrescida ao código, com as abreviaturas dos fenômenos abaixo relacionados, se eles tiverem sido observados durante a hora anterior mas não no horário da observação (10 minutos precedentes), sendo precedidas das letras RE (recent). 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Precipitação congelante Chuva ou neve, moderada ou forte Granizo e gelo, moderado ou forte Neve soprada, moderada ou forte Tempestade de poeira Tempestade de areia Trovoada Cinza vulcânica Exs.: RETS: RERA 2 - Aviso do Gradiente do Vento (Cortante) Quando o local de circunstâncias permitirem, o gradiente do vento (cortante), na vertical entre a superfície de 500 metros (1600 pés), significativo para as operações de pouso e decolagem deverá ser informado usando-se um dos seguintes grupos: a) WS RXX b) WS ALL RWY (Em todas as características) Onde XX é o designador de pista. Exs.: WS R33; WS R27: WS ALL RWY NOTA: CAVOK será usado em substituição aos grupos de visibilidade, RVR, tempo presente e nebulosidade, quando: a) A visibilidade horizontal for igual ou superior a 10Km b) Não existir nebulosidade abaixo de 1500 metros (5000 pés) c) Não existir nuvens TCU e CB acima de 1500 metros (5000 pés) c)Houver ausência de fenômenos significativos (trovoada, precipitação, nevoeiro, poeira, neve, etc.) c) Previsão tipo Tendência O primeiro e mais importante ponto a ser apreciado é que as informações contidas na TENDÊNCIA é uma previsão que cobre um período de duas horas a partir da hora da observação. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Indica mudanças significativas em relação a um ou mais elementos: vento de superfície, visibilidade, tempo presente e nebulosidade. Somente aqueles elementos que se espera mudar serão incluídos. Quando não se espera ocorrer mudanças significativas, será incluída a abreviatura “NOSIG”. NOTAS: 1) No caso de mudanças significativa na nebulosidade, todos os grupos, incluindo as camadas que não se prevê mudanças, deverão ser indicadas. 2) No caso de mudanças significativas na visibilidade, deverá ser informado também o fenômeno que provoca a sua alteração. Quando uma mudança significativa é esperada num dos elementos observados (vento, visibilidade, tempo presente, nebulosidade ou visibilidade vertical) um dos seguintes indicadores será usado: BECMG (becaming) / TEMPO 1) BECMG O indicador de mudança BECMG será utilizado para descrever mudanças esperadas das condições meteorológicas que alcancem ou ultrapassem os limites especificados como critérios num regime regular ou irregular. O período pelo qual, ou a hora na qual a mudança prevista ocorrer, será indicada pelas abreviaturas FM (from = a partir de), TL (until = até), ou AT (at = hora precisa), conforme os casos abaixo: a) Quando a mudança prevista começar e terminar dentro do período da previsão, o começo e o fim da alteração serão informados por FM e TL, respectivamente, com os grupos horários associados. Ex.: BECMG FM1030 TL1130 (tendência prevista para o período das 1000 às 1200 UTC) b) Quando se prognostica o inicio da mudança coincidente com o começo do período, mas terminando antes do fim daquele período, somente será usado TL e seu grupo horário, para indicar o fim da alteração. Ex.: VSB no horário da observação: 8 Km Espera-se que diminua na próxima hora, devido à névoa úmida e que seja de 3000 metros a 1100 UTC. BECMG TL1100 3000 BR 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica c) Quando a mudança for prevista começar durante o período e se completar no fim do período será usado FM e seu grupo horário associado, para indicar o começo da mudança. Ex.: BECMG FM1100 d) Quando a mudança for esperada ocorrer numa hora específica durante o tempo da tendência, será usado AT seguido do seu grupo horário associado indicando a hora da mudança. Ex.: BECMG AT1100 e) Quando a mudança for prevista começar no início do período de tendência e completada no fim deste período ou quando for previsto ocorrer neste período, mas não se tem certeza do horário, as abreviaturas FM, TL ou AT e seus grupos horários serão associados omitidose apenas será usado o grupo indicador de mudança BECMG. f) Quando as mudanças forem previstas acontecer à meia-noite UTC o horário será indicado por: 0000 quando associado a FM e AT 2400 quando associado a TL 2) TEMPO O grupo TEMPO é usado para descrever previsões de flutuações temporárias nas condições meteorológicas que atinjam ou ultrapassam valores específicos e permaneçam por um período menor que uma hora no total de cada situação e não podendo ultrapassar a metade do período durante o qual as flutuações ocorrerão. Deverá ser indicado pelas abreviaturas FM e/ou TL seguido de seu grupo horário associado, como segue: a) Quando o período das flutuações temporárias for previsto começar e terminar do período de tendência, o início e o fim serão indicados pelas abreviaturas FM e TL com seus grupos horários associados. Ex.: Período de tendência da 1000 às 1200Z. TEMPO FM1030 TL1130 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica b) Quando o período de flutuações temporárias for previsto começar no início do período de tendência, mas terminar antes do fim do período, somente TL e seu grupo horário será usado para indiciar o término das flutuações. Ex.: TEMPO TL1130 c) Quando o período de flutuações temporárias for previsto começar no início do período de tendência e continuar ao longo do período restante, será usado FM e seu grupo horário apenas para indicar o início das flutuações. Ex.: TEMPO FM1030 d) Quando o período de flutuações temporárias for previsto começar do período de tendência e continuar ao longo do período restante, será usado apenas para indicador TEMPO. NOTA: 1) Após os grupos indicadores de mudanças, somente serão incluídos os dados referentes aos elementos que são previstos mudar. Entretanto, no caso de nuvens, todas as informações deverão aparecer, inclusive das camadas que não se espera mudanças. 2) Os indicadores AT e TL não são utilizados no Brasil. Exs.: a) METAR SBCT 221100Z 27015G27KT 280V350 1400SW 6000N R10/P1500 +SHRA SCT005 SCT025 SCT035TCU BKN080 26/25 Q0995 RETS WS RWY10. b) METAR SBSP 151000Z 00000KT 3000N HZ SCT025 SCT080 18/12 Q1020 BECMG FM1020 TL1145 33015G25KT 300V360 1200 +TSRA BKN015 FEWO30CB OVC080. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 20.2. Mensagem TAF O TAF (Terminal Aerodrome Forecasting) é uma descrição completa dos elementos meteorológicos que poderão ocorrer no aeródromo, durante todo o período de previsão. Utilizado internacionalmente segundo normas da OACI, no Brasil os TAF’s também são confeccionados quatro vezes ao dia, com horário de início de validade às de 0000, 0600, 1200 e 1800 horas UTC, com validade para as próximas 12 ou 24 horas e são renovados a cada 6 horas. Outras previsões de aeródromo na forma TAF podem ser elaboradas a pedido, com validade para qualquer horário ou período. 20.2.1. Os TAF elaborados regularmente têm períodos de validade de: a) 24 horas para difusão internacional, e b) 12 horas para difusão nacional. Os TAF de difusão nacional estarão à disposição dos usuários 2 horas antes do inicio de sua validade, e os de difusão internacional com 4 horas de antecedência. 20.2.2 . Estrutura da Mensagem TAF Tendo em vista ser o TAF uma "previsão", não uma "observação", o seu conteúdo depende do que for previsto ocorrer no período. No entanto, uma estrutura básica deve ser considerada, porque alguns parâmetros de superfície são normalmente determinados devido ao interesse da aviação. Vejamos os principais: 20.3. Elementos do Código TAF Na utilização da mensagem TAF, o aeronavegante, na maioria das vezes, não necessita do auxílio de tabelas para sua total compreensão; no entanto, em algumas ocasiões, surgem condições meteorológicas não muito comuns, exigindo do usuário maior familiarização com as tabelas auxiliares. Vejamos, pois, o significado e algumas particularidades de cada grupo da mensagem. a) Grupos de Identificação: Nome do código - Local – Data/Hora de início e término 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 1 - Nome do Código: TAF – Previsão Terminal de Aeródromo 2 - Local: Indicativo da estação meteorológica, homologado pela OACI. Em quatro letras maiúsculas. A primeira indica o continente, a segunda indica o país, a terceira e a quarta indicam a área terminal do aeródromo. Exs.: SBBI, SBFL, SBPA, SBSP, SBGL, etc. 3 - Grupo Data-Hora: O grupo com o horário do início e término da validade, seguido da letra Z (horário UTC), precedido do dia da mensagem, separados por uma barra. Ex.: 2512/ 2612Z. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica b) Previsões Meteorológicas de Área Terminal de Aeródromo Vento de Superfície - Visibilidade Horizontal - Tempo previsto - Nebulosidade 1 – Vento de Superfície Normalmente aparecerá um grupo de cinco algarismos indicando o vento médio, seguido da unidade usada. Os três primeiros algarismos indicam a direção prevista (de onde vem o vento) em relação ao norte verdadeiro, os dois seguintes algarismos indicam a velocidade do vento seguido da respectiva unidade (KT). Ex.: 32010KT 27012G25KT VRB10KT 270P99KT a) Vento Calmo: Será considerado vento calmo, o vento cuja intensidade seja menor que 01KT, e vem codificado da seguinte maneira: Ex.: 00000KT b) Vento Variável: Será considerado vento variável, ao vento cuja direção variar em sessenta graus ou mais. Exs.: VRB02KT; VRB10KT c) Vento Rajada: Se for esperado acontecer rajadas, com velocidade máxima provável excedendo a média em 10KT, ou mais, será indicada pela letra “G” colocada 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica imediatamente após a velocidade média, seguida do valor de rajada e a respectiva unidade (KT). Ex.: 27015G28KT Obs.: a) Caso tenha sido previsto o vento de rajadas e a direção do vento variar em sessenta graus ou mais a velocidade média do vento for maior que 10KT, as duas direções extremas deverão ser informadas, observando o sentido horário. Ex.: 27012G25KT 230V300 b) Caso a velocidade do vento seja de 100KT ou mais, a velocidade deverá ser informada com uma letra “P” seguida da velocidade 99 KT. Ex.: 320P99KT 2 – Visibilidade Horizontal Será reportada em quatro algarismos indicando a visibilidade mínima, e a unidade utilizada é o metro. Para uma visibilidade igual ou superior a 10Km, virá codificado no TAF um grupo de quatro algarismos “nove”. Para uma visibilidade inferior a 100 metros, vira codificado um grupo de quatro algarismos “zero”. Exs.: 5000; 9999 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 3 – Tempo Previsto Os grupos de condições de tempo serão construídospela consideração das colunas da esquerda para a direita em seqüência que contém a intensidade seguida da descrição e pelo fenômeno do tempo. Ex.: +SHRA (pancada forte de chuva) Obs.: Mais de uma forma de precipitação poderá ser combinada, o tipo dominante de precipitação será informada primeiro. Ex.: +SNRA Outros fenômenos, além das combinações de precipitações registradas, poderão ser informados, separadamente na ordem das colunas. Ex.: -DZ FG 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica A intensidade será indicada somente para precipitação, pancadas, trovoadas, poeira, areia ou neve soprada, tempestade de poeira ou tempestade de areia. Tornados ou trombas d’água, bem desenvolvidos, deverão ser informados usando-se o indicador +. Ex.: +FC Não será incluído mais que um descritor no grupo de condições de tempo. Ex.: -FZDZ Os descritores MI e BC serão usados somente em combinações com abreviatura FG. Exs.: MIFG, BCFG O descritor DR (flutuante), será usado para poeira, areia ou neve levantadas pelo vento, não se estendendo a mais de 2 metros. O descritor BL (soprado), será usado para indicar poeira, areia ou neve carregadas pelo vento, estendendo-se acima de 2 metros. Os descritores DR e BL deverão ser usados somente em combinações com abreviaturas DU, SA, SN. Quando neve soprada for observada com queda de neve de nuvens, ambos os fenômenos deverão ser informados, isto é, SN BLSN. Quando devido à neve soprada forte, o observador não puder determinar se a neve também está caindo das nuvens, então deverá ser informado apenas + BLSN. O descritor SH será usado somente em combinações com uma ou mais das abreviaturas RA, SN, PE, GS ou GR, para indicar precipitação do tipo pancada na hora da observação. Ex.: SHSN O descritor TS será usado somente em combinações com uma ou mais das abreviaturas RA, SN, PE, GS ou GR, para indicar trovoadas em precipitação no AD. Ex.: TSSNGS O descritor FZ será usado somente em combinações com as abreviaturas FG, DZ e RA. Ex.: FZRA O qualificador de proximidade VC será usado somente em combinações com abreviaturas DS, SS, FG, FC, SH, PO, BLDU, BLSA e BLSN. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica ALGUMAS RESTRIÇÕES PARA OS FENÔMENOS a - Névoa seca (HZ) e névoa úmida (BR) será reportada quando a visibilidade horizontal estiver entre 1000 e 5000 metros, inclusive. b - Nevoeiro será reportado quando a visibilidade horizontal estiver a menos de 1000 metros. c - VC, indica uma situação ocorrida até 8Km além do AD, mas NÃO nele. 4 – Nebulosidade ou Visibilidade Vertical Sob circunstâncias normais os grupos de nebulosidade são formados por seis dígitos. Os três primeiros indicam a quantidade de nuvens. 1/8 à 2/8 serão informados como FEW (Few = poucos) 3/8 à 4/8 serão informados como SCT (Scattered = esparsos) 5/8 à 7/8 serão informados como BKN (Broken = nublado) 8/8 será informado como OVC (Overcast = encoberto) Os três últimos dígitos indicam a altura da base da nuvem em centenas de pés. Ex.: SCT020 (Existe de 3/8 à 4/8 de nuvens cuja base da nuvem está a 2000 pés). O grupo de nuvens poderá ser repetido para informar diferentes camadas, porém o número destes grupos não excederá a quatro, de acordo com as seguintes condições: A primeira camada: a mais baixa de todas, independente da quantidade; A segunda camada: a camada imediatamente superior, desde que, sua quantidade seja no mínimo 3/8; A terceira camada: a camada imediatamente superior à segunda, desde que, sua quantidade seja no mínimo 5/8; 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica A quarta camada: só existirá uma quarta camada se tivermos nuvens convectivas significativas (TCU ou CB). E esta camada deverá conter o tipo de nuvens. Ex.: SCT005 FEW015CB BKN020 BKN025 a) Quando houver nebulosidade este grupo será omitido, desde que satisfaça a condição CAVOK. b) Quando o céu estiver obscurecido, mas com visibilidade vertical disponível, o grupo de nebulosidade será substituído por um grupo formado por 5 dígitos, sendo os dois primeiros “VV”, seguidos da visibilidade vertical em centenas de pés. Caso a visibilidade vertical seja menor que 100 pés (30 metros), o grupo virá codificado da seguinte maneira: VV///. Ex.: VV003 (visibilidade vertical de trezentos pés) c) Quando não houver nebulosidade e o termo CAVOK não for apropriado, será usada a abreviatura SKC (Sky Clear = Céu Claro). 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Abreviaturas e Significados dos Fenômenos Meteorológicos ABREVIATURA ORIGEM SIGNIFICADO BC Bank Bancos BL Blowing Soprada BR Brume Névoa Úmida DR Drifting Flutuante DS DustStorm Tempestade de poeira DU Dust Poeira Soprada DZ Drizzle Chuvisco FC Funnel Cloud Tornado, Nuvem Funil FG Fog Nevoeiro FU Fumme Fumaça FZ Freezing Congelante GR Graupel Granizo GS Grains of Snow Grãos de Neve HZ Haze Névoa Seca IC Ice Cristals Cristais de Gelo MI Minimum Baixo PE Pellets of Ice Pelotas de Gelo PO Dust Devil Poeira em Redemoinhos RA Rain Chuva SA Sand Areia SG Small Grains Granizos pequenos SH Shower Pancadas SN Snow Neve SQ Squall Tempestade SS Sandstorm Tempestade de Areia TS Thunderstorm Trovoada VA Volcanic Ashes Cinzas Vulcânicas VC Vicinity Vizinhanças 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica c) Informações Suplementares Temperaturas (máxima e mínima) – Probabilidades – Grupos de Mudanças Temperatura Prevista (máxima e mínima) O grupo inicia-se com as letras Tx, indicando a temperatura máxima para o período do TAF seguido da temperatura, e separada por uma barra, seguida do dia e da hora em que a temperatura foi prevista, sempre com dois algarismos; ou ainda, com as letras Tn, indicando a temperatura mínima para o mesmo período, e separada por uma barra, do dia e da hora em que foi prevista esta temperatura. As temperaturas negativas são precedidas pela letra “M”. Probabilidades É usado para indicar a probabilidade, em porcentagem de 30 ou 40%, de vir a ocorrer à mudança de um ou de todos os elementos da previsão, durante um período definido de tempo. Usado também, com o indicador de mudança TEMPO. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Grupos de Mudanças Estes grupos serão utilizados, quando, durante o período de validez do TAF for previsto ocorrer a mudança de um ou de todos os elementos da previsão original (Vento, Visibilidade Horizontal, Tempo Previsto e Nebulosidade). TEMPO (Temporary) – Indica flutuações temporárias, frequentes ou não e que deverão ocorrer dentro do período, em intervalos de tempo menor que uma hora de cada vez, de modo que a soma total das ocorrências não alcance a metade do período de validez da mudança. Ex.: TAF SBCT 1512/1612 00000KT CAVOK TN20/1600Z TEMPO 1606/1610 3000 BR SCT025. BECMG (Becaming) –Mudança gradual; é usado quando se espera que as novas condições previstas ocorram após o período de transição, este período não poderá exceder a duas horas. Após o período de transição todos os elementos descritos deverão permanecer até o final do TAF, ou até outro grupo de mudança. Ex.: TAF SBSP 0212/0312 12015KT 6000 RA OVC015 TN18/0212Z BECMG 0212/0214 2000 BR OVC005. FM (From) – Este grupo indica uma variação rápida (menos de trinta minutos), irreversível. Quando este grupo for usado, todas as condições previstas antes do grupo, serão substituídas após este grupo. Ex.: TAF SBGL 1200/1300 23006KT CAVOK TX28/1220Z FM120430 00000KT 0200 FG OVCOO2. 20.4. Condição CAVOK Quando as condições prognosticadas de tempo formarem o seguinte conjunto: a) visibilidade igual ou superior a 10 km; b) ausência de tempo significativo (Tabela 4678); 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica c) nenhuma nebulosidade abaixo de 5.000 pés ou abaixo do mais alto setor de altitude mínima do aeródromo; d) nenhuma nebulosidade TCU e/ou CB acima de 5.000 pés, e o termo CAVOK (Ceiling And Visibility OK) substituirá: Visibilidade, Condições de Tempo e Nebulosidade (ou Visibilidade Vertical). 20.5. Condição NSC Quando o termo CAVOK não for apropriado, mas nenhuma nebulosidade estiver prevista abaixo de 5.000 pés e, ainda, não houver prognóstico de Cumulonimbus, o termo NSC (No Significant Cloud) substituirá o grupo de nebulosidade. Ex.: TAF SBSP 1300/1400 10005KT 3000 HZ NSC TX23/1321Z. 20.6. Condição NSW Se nenhuma ocorrência de tempo significativo for esperada, o grupo de tempo previsto será OMITIDO. Entretanto, se a condição prevista deixar de ser significativa, o grupo será substituído por NSW (No Significant Weather). TAF SBPA 1312/1412 20010KT 8000 RA SCT006 BKN012 BECMG 1320/1322 NSW. 20.7. Emenda na Mensagem TAF Quando um TAF necessitar de emendas, em vista de alterações significativas na mensagem já expedida, a correção será feita pela expedição de uma outra mensagem designada por TAF AMD. Esta nova mensagem cobrirá o restante do período de validade do TAF original. TAF AMD SBCT 1318/1418 ........ 20.3 Mensagem Airep O AIREP é uma aeronotificação destinada a informar aos órgãos de tráfego aéreo e de meteorologia, a posição, operação e condições meteorológicas significativas durante o vôo. O piloto em comando de uma aeronave em vôo IFR ou VFR é o responsável pela confecção e transmissão do AIREP, também chamado de Mensagem de Posição, diretamente ou através de Estações de Telecomunicações. A mensagem AIREP, ao ser recebida por via rádio ou diretamente de um aeronavegante no órgão de tráfego aéreo e utilizada pelo mesmo deve ser 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica retransmitida imediatamente ou entregue ao Centro Meteorológico da área respectiva, para uso imediato. 20.3.1. Composição da Mensagem A mensagem AIREP compõe-se de três seções: Seção 1: Posição da aeronave: Esta seção é obrigatória em todas as mensagens de posição exigidas. 1- Identificação da aeronave, precedida de AIREP (ARP) ou AIREP ESPECIAL Exemplo: AIREP PPCTY, AIREP VRG161 2- Posição da aeronave com referência aos fixos de posição, coordenadas geográficas ou indicativo da estação. Exemplo: GUVEP, 1544S/03902W, etc. 3- Hora e minutos UTC do informe de posição. Exemplo: 1145, 1228 4- Nível de Vôo (FL) em centenas de pés, quando a aeronave estiver voando com ajuste padrão ou altitude, em metros, quando voando pelo QNH. Exemplo: FL100, 5750 m, etc. 5- Próxima posição e hora estimada de sobrevôo. Exemplo: SBCV 2131 (estima Caravelas às 2131Z) Seção 2: Informações Operacionais: Esta seção é facultativa, ficando a critério do piloto sua inclusão na mensagem. 1- Hora prevista de chegada, com o nome do aeródromo do primeiro pouso previsto. 2- Autonomia de combustível em horas e minutos. Seção 3: Informações Meteorológicas: A seção 3 é obrigatória em todos os fixos indicados nas cartas de radionavegação da AIP-BRASIL, onde estiver impressa a abreviatura MET, nos vôos realizados acima do nível de cruzeiro 100 (FL100) e nos casos de AIREP ESPECIAL. 1- Temperatura do ar em graus Celsius inteiros, onde as temperaturas positivas virão precedidas de PS (ou P) e as negativas, precedidas de MS ou (M). Ex.: M35 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 2- Vento instantâneo ou médio em graus verdadeiros para a direção e nós para a velocidade. O vento instantâneo, normalmente, se refere à posição da aeronave, especificada na SEÇÃO 1, vindo seguido da palavra SPOT. Ex.: 120/10 SPOT (120 graus com 10 nós instantâneo) 3- Turbulência (TURB): sempre que for encontrada turbulência forte (SEV), será feita uma aeronotificação, tão logo possível, depois da ocorrência (AIREP ESPECIAL). A turbulência moderada só será registrada se for encontrada dentro dos últimos 10 minutos, antes de alcançar a posição dada na Seção 1. Se a turbulência for encontrada dentro da nuvem, será acrescentada a abreviatura INC. Se for observada turbulência leve ou nenhuma turbulência, a informação será omitida. 20.3.2. Airep Especial Sempre que forem encontradas condições meteorológicas perigosas à navegação aérea, o piloto da aeronave confeccionará um AIREP ESPECIAL. As condições que dão origem a um AIREP ESPECIAL são as seguintes: área de trovoada ciclone tropical turbulência forte granizo forte formação de gelo forte ondas orográficas acentuadas linhas de instabilidade forte tempestade extensa de areia ou poeira A mensagem AIREP ESPECIAL deve ser transmitida tão logo tenham sido observados fenômenos meteorológicos considerados perigosos à navegação aérea, precedida das palavras AIREP ESPECIAL ou ARS. Exemplos de AIREP: a) Posição da aeronave em vôo VFR, contendo apenas a seção 1: AIREP PTEDM SBIC 0713 FL100 SBEG 0743. b) Posição da aeronave em vôo IFR, contendo as seções 1, 2 e 3: AIREP PPCKF SBCV 1335 FL140 SBSV 1412 SBRF 1505 0350 MS02 110/20 SPOT TURB MOD BKN CU FL120 Identificação : AIREP PPCKF Posição : SBCV (Caravelas) 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Hora : 1335 Nível de vôo : 140 (14.000 pés) Próxima posição : SBSV 1412 Hora estimada de chegada : SBRF 1505 Autonomia : 0350 Temperatura do ar : MS02 (-02C) Vento : 110/20 SPOT (Vento Instantâneo) Turbulência : TURB MOD (Turbulência moderada) Informação suplementar : BKN CU TOP FL120 (nublado com cumulus com topo a 12.000 pés) 20.4. Mensagens de Vigilância Conforme vimos anteriormente, o Centro Meteorológico de Vigilância (CMV) mantém o acompanhamento da evolução das condições meteorológicas na Região de Informação de Vôo (FIR) correspondente. Sua atribuição primordial é, portanto, elaborar e divulgar, para o Serviço de Controle do Espaço Aéreo, informes meteorológicos especiais cujo conteúdo não tenha sido observado ou previsto nas mensagens regulares, a fim de proporcionar economia e segurança às operações aéreas e às instalações aeroportuárias naquela região. 20.4.1. Mensagem SIGMET O SIGMET é uma notificação sobre fenômenos meteorológicos significativos observados ou previstos que podem afetar a segurança das aeronaves em vôo, emitidapor um Centro Meteorológico de Vigilância (CMV), em linguagem clara e concisa, usando-se abreviaturas aprovadas pela OACI e valores numéricos que não exijam explicações complementares. Quando a mensagem contiver informações destinadas a aeronaves supersônicas, durante vôos transônicos ou supersônicos, ela será identificada por SIGMET SST. Os fenômenos meteorológicos divulgados através de um SIGMET ou SIGMET SST poderão ser de duas ordens: a) fenômenos observados, isto é, fenômenos que já estão acontecendo. Neste caso, serão identificados por "OBS"; e b) fenômenos previstos, quando sua ocorrência estiver ainda no campo das probabilidades. Neste caso, serão identificados por "FCST". 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Os fenômenos meteorológicos que poderão constar de um SIGMET são os seguintes: a) Em níveis de cruzeiro subsônico Trovoada OBSC TS Trovoada obscurecida EMBD TS Trovoada embutida FRQ TS Trovoada freqüente LSQ TS Trovoada em linha OBSC TS HVYGR Trovoada obscurecida, com granizo Forte EMBD TS HVYGR Trovoada embutida, com granizo Forte FRQ TS HVYGR` Trovoada freqüente, com granizo Forte. LSQ TS HVYGR Trovoada em linha, com granizo forte Ciclone Tropical TC + (Nome do Ciclone) Ciclone tropical Turbulência SEV TURB Turbulência severa MOD TURB Turbulência moderada Formação de Gelo SEV ICE Formação severa de gelo (entre nuvens) SEV ICE (FZRA) Formação severa de gelo (sob chuva gelada) Ondas Orográficas SEV MTW Ondas orográficas muito intensas Tempestade de Areia e Poeira HVY DS Tempestade forte de poeira HVY SS Tempestade forte de areia Cumulonimbus ISOL CB Cumulonimbus isolados OCNL CB Cumulonimbus ocasionais FRQ CB Cumulonimbus freqüentes Granizo GR Granizo 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Cinzas Vulcânicas VA + (Nome do Vulcão) Nuvens de cinzas vulcânicas b) Em níveis transônicos e níveis de cruzeiro supersônico Turbulência SEV TURB Turbulência severa MOD TURB Turbulência moderada Cumulonimbus ISOL CB Isolados OCNL CB Ocasionais FRQ CB Freqüentes Os SIGMET serão cancelados quando os fenômenos deixem de ocorrer ou já não se espera que venham ocorrer na área. A mensagem SIGMET possui a seguinte composição básica: a) identificador do lugar da unidade de serviço de tráfego aéreo, prestadora de serviço à FIR ou à CTA a que se refere o SIGMET. Exemplo: SBBS; b) identificação da mensagem e número de série (controle diário). Exemplo: SIGMET 5; c) grupo data-hora, indicando o período de validez, em horário UTC. Exemplo: 221200/221600; d) identificador do lugar do CMV de onde se originou a mensagem, seguido de um "hífen", para separar o preâmbulo do texto. Exemplo: SBBR - . e) nome, na linha seguinte, da FIR ou CTA para a qual o SIGMET foi emitido. Exemplo: BRASÍLIA FIR ou BRASÍLIA CTA; f) fenômeno que tenha motivado a emissão do SIGMET e sua descrição. Exemplo: FRQ TS; g) identificação se a informação é observada ou prevista. Exemplo: OBS ou FCST; h) localização e nível de vôo do fenômeno. Exemplo: SECTOR NW TMA SBRJ FL 120/350; e i) movimentação e evolução do fenômeno. Exemplo: MOV SW 20KT WKN; EXEMPLO Nº 1 SBBS SIGMET 5 VALID 221200/221600 SBBR - 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica BRASÍLIA FIR FRQ TS OBS SECTOR NW TMA SBRJ FL120/350 MOV SE 20KT WKN. EXEMPLO Nº 2 SBCW SIGMET 3 VALID 121600/122000 SBCT - CURITIBA FIR SEV TURB OBS AT 1550 UTC SBFL FL250 MOV E 20KT INTSF. EXEMPLO Nº 3 SBMU SIGMET 4 VALID 151000/151400 SBEG - MANAUS FIR OBSC TS FCST TMA SBEG MOV SW 15KT NC. 20.4.2 AVISO DE AERÓDROMO São informações de condições de meteorológicas concisas previstas, que possam afetar a segurança das aeronaves no solo, as instalações e os serviços de aeródromos. São confeccionadas pelos CMA (Centro Meteorológico de Aeródromo) e deverão estar relacionados aos aeródromos de sua responsabilidade, com período de validez nunca maior do que seis horas e, preferencialmente, máximo de quatro horas. Ex.: AVISO DE AERÓDROMO VALIDO 121800/122200 SBME FCST WIND WVY AND SFC GUST 31020/45KT IN SBME. (Previsto Vento forte e rajada superfície 31020/45KT no AD de Macaé) 20.4.3 GAMET É uma previsão de área em linguagem clara abreviada para vôos em níveis baixos, para uma informação de vôo ou sub-área dela. Elaborada por um CMA, com uma validade de seis horas, iniciando sempre nas horas sinóticas pares (00, 06, 12 ou 18Z), empregando-se abreviaturas aprovadas pela ICAO. As previsões deverão ser emitidas para cobrir a camada entre o solo e o FL100 (ou FL150 em regiões montanhosas) e deverão conter informações sobre fenômenos meteorológicos em rota, perigosos para os vôos em níveis baixos. Ex.: SBRF GAMET 01 VALID 220600/221200 SBRF RECIFE FIR 10/12 35KT 06/08 N 12 DEG S 3000 M 11/12 ISOL TS 06/09 OVC 800 FT N OF 18 DEG S ICE MOD FL080/100 TURB MOD ABV FL090. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Vento de superfície entre 10 e 12Z com intensidade de 35 KT, Visibilidade horizontal de 3000 metros entre 06 e 08Z ao norte de 12 graus S, Trovoada isolada entre 06 e 09Z, céu encoberto a 800 pés ao norte de 18 graus S, formação de gelo moderado entre 8.000 e 10.000 pés, turbulência moderada acima de 9.000 pés. 20.4.4. AIRMET Ë uma informação sobre fenômenos previstos ou observados, em rota, que possam afetar a segurança de operações de aeronaves em níveis baixos e que ainda não tenha sido incluída na previsão para vôos, para a região de informação de vôo correspondente ou sub-área dela. Será expedida por um CMV, e dará a descrição concisa em linguagem clara abreviada relativa à ocorrência e/ou previsão de fenômenos meteorológicos em rota, que não tenham sido incluídas na previsão de área GAMET, que possam afetar a segurança das operações aéreas e a evolução desses fenômenos no tempo e no espaço. Ex.: SBRE AIRMET 2 VALID 22215/230145 SBRF RECIFE FIR MOD MTW OBS AT 2215 07DEG S 39 DEG W AT FL080 STNRY NC. AIRMET expedido para a FIR Recife, valido das 2215Z do dia 22 até às 0145Z do dia 23, Elaborado pelo CMA Recife. Observadas ondas orográficas de intensidade moderada às 2215Z, sobre as coordenadas 07S/39W, no nível de vôo 080, estacionária e sem mudança de intensidade. 20.4.5. WS WRNG (Aviso de Cortante do Vento) Consistem em uma informação concisa da presença observada ou prevista de gradiente do vento, que possa afetar as aeronaves na trajetória de aproximação, entre o nível da pista e uma altura de 500 metros acima desta, e aeronaves na pista durante a corrida de pouso ou decolagem. Elaboradas por um CMA em linguagem clara e abreviada. O período de validade será de no máximo 2 horas. Ex.: WS WRNG VALID 071200/071400 FOR SBGR SFC WIND 32010KT WIND AT 60M 36025KT IN APRCH. Vento de 320 graus com 10 KT à superfície e a 60 metros 360 graus com 25 KT. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 21. CARTAS METEOROLÓGICAS O Centro Regional de Previsão de Área (RAFC) de Brasília elabora e divulga, parao Brasil e alguns países vizinhos, os mapas de previsão meteorológica, para as próximas 24 (vinte e quatro) horas. 21.1. Sig Wx Prog Chart As cartas de tempo significativo, elaboradas pelo RAFC BR, são divulgadas para o Serviço de Controle do Espaço Aéreo a cada seis (6) horas. A sua finalidade é informar, utilizando-se de uma simbologia monocromática e/ou abreviaturas (em língua inglesa), os fenômenos meteorológicos prognosticados de interesse aeronáutico. Essas cartas são confeccionadas para os horários sinóticos das 0000, 0600, 1200 e 1800 UTC, com base nas análises dos dados coletados através da rede de coleta de dados básicos. O conteúdo da Carta SIG WX PROG é: Sinteticamente, os elementos que constituem a carta SIG WX PROG são os seguintes: a)fenômenos significativos limitados por linhas de vieira; b) áreas de precipitação; 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica c) áreas de névoa e nevoeiro; d) áreas de nebulosidade; e) áreas de trovoadas; f) sistemas frontais; g) linhas de instabilidade; h) ciclones e anticiclones; i) zona de convergência intertropical (ITCZ); j) correntes de jato; k) áreas de turbulência; e l) áreas de formação de gelo. 21.1.2 Simbologia dos Fenômenos A leitura e a interpretação da Carta SIG WX PROG dependem da freqüência com que o aeronavegante a utiliza, quando elabora o seu plano de vôo. Uma carta de prognóstico meteorológico é, portanto, um conjunto de informações sobre o tempo numa grande área. a) SISTEMAS FRONTAIS: Frente Fria Frente Quente Frente Estacionária Frente Oclusa Frontogênese de Frente Fria Frontogênese de Frente Quente Frontólise de Frente Fria Frontólise de Frente Quente b) SISTEMAS DE PRESSÃO Área de Alta Pressão Área de Baixa Pressão c) ÁREA DE OCORRÊNCIA DE TURBULÊNCIA d) ÁREA DE FORMAÇÃO DE GELO e) ZONA DE CONVERGÊNCIA INTERTROPICAL f) CORRENTE DE JATO g) LINHAS DE INSTABILIDADE h) FENÔMENOS SIGNIFICATIVOS DELIMITADOS POR LINHAS DE VIEIRA 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica i) ÁREAS DE NEBULOSIDADE 21.1.3 Abreviaturas dos Fenômenos As abreviaturas dos fenômenos meteorológicos mais utilizados nas cartas SIG WX PROG devem ser do conhecimento dos aeronavegantes. Portanto, torna-se necessário relacionar aqui os mais comuns. ABREVIATURA INGLÊS PORTUGUÊS AMD BKN BTL CAT DZ EMBD FG HZ ICE INSTBY INSTLN MIST SCT OCN OVC OVER QSTNRY RA STNRY TCU Amend Broken Between layers Clear Air Turbulence Drizzle Embedded in layer Fog Haze Icing Instability Instability line Mist Scattered Occasional Overcast Over Quasistationary Rain Stationary Towering Cumulus Emenda Nublado Entre camadas de nuvens Turbulência em Ar Claro Chuvisco Oculto à camada de nuvens Nevoeiro Névoa Seca Formação de Gelo Instabilidade Linha de Instabilidade Névoa Úmida Espalhado Ocasional Encoberto Sobre Semi-estacionário Chuva Estacionário Grandes Cumulus 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Exemplo de Carta Prognosticada: 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 21.2. Wind Aloft Prog Chart As cartas prognosticadas para os níveis superiores, também elaboradas pelo Centro d Previsão de Área (CPA), são confeccionadas somente nos horários sinóticos das 0000 e 1200 UTC, com base nos dados de radiossonda, radar-vento e fotografias de satélites meteorológicos. O conteúdo das cartas WIND ALOFT PROG resume-se à temperatura, direção e velocidade dos ventos em pontos pré-determinados. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica As informações dos níveis superiores são divulgadas por níveis de pressão selecionados, e serão utilizadas pelo aeronavegante segundo o seu plano de vôo. Níveis de Pressão Níveis de Vôo 850 FL050 700 FL100 500 FL180 400 FL240 300 FL300 250 FL340 200 FL390 150 (quando solicitada) FL450 100 (quando solicitada) FL530 A direção do vento nos pontos selecionados é fornecida em graus verdadeiros, indicada por uma barra, partindo do ponto considerado. A barra indica "de onde o vento vem", isto é, a direção do vento, estimada em múltiplos de 10 graus. Com respeito à velocidade, uma haste pequena indica 5 nós; uma grande, 10 nós; e uma bandeira cheia, 50 nós, repetidas conforme a combinação. A temperatura nos pontos considerados é indicada em graus Celsius inteiros. Se positiva, é acompanhada do sinal "+"; se negativa, nenhum sinal a acompanha. Exemplo: +10 (dez graus Celsius positivos); 10 (dez graus Celsius negativos). Os mapas SIG WX e WIND ALOFT são elaborados para dar ao aeronavegante uma visão global sobre as rotas de vôo. Portanto, deverão ser utilizados em conjunto com as demais mensagens, a fim de obter-se o máximo de segurança para a missão. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 22 CICLONES EXTRA-TROPICAIS 22.1 - FURACÕES Um furacão é um intenso ciclone tropical de mesoscala com ventos máximos constantes de 64 nós (119 km/h) ou mais que se forma sobre as águas quentes no nordeste do Atlântico e do leste do Oceano Pacífico Norte. Esta mesma tempestade é chamada de tufão na parte oeste do Pacífico Norte e simplesmente de ciclone na Índia e na Austrália. Furacões possuem um diâmetro numa média de 600 km, mas eles podem possuir diâmetros de 1500 km. Os ventos giram em sentido ciclônico (em direções anti-horária no Hemisfério Sul e horária no Hemisfério Norte) para o centro de um furacão. O centro, chamado de olho, caracteriza-se por uma pressão extremamente baixa, ventos leves e até uma calma com céu claro e nuvens esparsas em vários níveis. Pressão atmosférica diminui rapidamente para o centro. Velocidades de ventos, umidade e chuvas aumentam de encontro ao centro e diminui repentinamente. Com uma forte corrente de ar descendente, temperaturas no olho podem ser de 8° a 10° C mais do que na área principal da tempestade. Uma parede do olho é um círculo de trovoadas intensas que giram diretamente adjacentes a um olho e estende-se quase a 15 quilômetros acima 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica do nível do mar. As precipitações e ventos mais fortes ocorrem dentro de uma parede do olho. A maioria de furacões forma-se entre as latitudes de 5°-20° sobre todos os oceanos tropicais com exceção do Atlântico Sul e leste do Pacífico Sul. O Pacífico Norte tem a maioria de ciclones tropicais com uma média anualmente de 20. Uns 30% podem ocorrer em qualquer ano, com 20% perto do sudeste da Ásia, 70% perto do Caribe e áreas próximas, e 10% no sudoeste nas águas do Pacífico e da Austrália. Furacõestransportam grandes quantidades de ar úmido e quente de latitudes baixas para latitudes médias. É estimado que um furacão pode exportar 3,500,000,000 toneladas de ar em uma hora. O desenvolvimento de um furacão acarreta expulsões de grandes quantidades de energia e a transferência de quantidades substanciais de água cobrindo vários graus de latitude. 22.1.1 DESENVOLVIMENTO DE UM FURACÃO Um furacão é composto de uma massa de trovoadas organizadas que são mais importantes para a circulação da tempestade. Para ocorrer o desenvolvimento de um furacão, é necessária a convergência de ventos na superfície. Furacões dependem de calor latente liberado durante condensação de grandes quantidades de vapor d'água. O calor latente liberado aquece o ar e supre flutuação para levantamento. Um ciclone tropical é provável de ocorrer quando estes fatores existem simultaneamente: Uma forte presença da força de Coriólis (latitudes de 5° - 6°); Uma superfície de água quente (pelo menos 27° C) numa área suficiente para suprir o ar acima com grandes quantidades de vapor; 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Uma atmosfera instável ou pressão baixa na superfície e freqüentemente um anticiclone bem alto; Valores baixos de cisalhamento vertical de vento (cisalhamento produzido pelo movimento de uma massa de ar ultrapassando uma outra) Estas condições são mais prováveis de ocorrer sobre as áreas oceânicas aonde a zona de convergência intertropical move 10° ou mais fora do Equador. A força de Coriólis causa os objetos em movimento defletir para a direita no Hemisfério Norte e para a esquerda no Hemisfério Sul. Esta força é responsável pela rotação de um furacão e é muito fraca dentro de 5° do Equador. Valores altos de cisalhamento vertical de vento podem impedir convecção e o desenvolvimento de um ciclone. 22.1.2 Estágios de Desenvolvimento Um ciclone tropical pode durar de poucas horas até quase três semanas, mas a maioria dura de 5-10 dias. O estágio inicial de um furacão é um distúrbio tropical com uma leve circulação sem isóbaras fechadas ao redor de uma área de pressão baixa. Distúrbios tropicais são comuns nos trópicos e consistem de um sistema organizado de trovoadas com pancadas de chuva. Uma onda tropical é um cavado de baixa pressão no fluxo de ventos alíseos movendo-se à oeste. Céu nublado e chuva ocorrem atrás do eixo da onda. Ondas tropicais podem ser causadas pelo Complexos Convectivos de Mesoscala na região equatorial da África Norte durante o verão do Hemisfério Norte. Freqüentemente, elas evolvem em furacões que afetam as regiões do Caribe e América do Norte. Um distúrbio tropical ou uma onda tropical é elevado á depressão tropical quando os ventos máximos constantes na superfície aumentam de pelos menos 37 km/h. Uma depressão tropical é um sistema de trovoadas fortes com uma circulação definida, ventos máximos constantes de 62 km/h ou menos, e pelo menos uma isóbara fechada que acompanha uma caída de pressão no centro da tempestade. Quando os ventos na superfície são entre 63-118 km/h, o ciclone é chamado de uma tempestade tropical. Esta mesma tempestade é mais organizada e se parece com um furacão por causa da circulação intensificada. Durante este estágio, tempestades tropicais recebem nomes (como Andrew, Dennis, Floyd, etc) que permanecem quando elas envolvem-se em furacões. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Um diagrama dos movimentos principais do ar dentro e ao redor de um furacão. Assim que as pressões caem, uma tempestade tropical torna-se um furacão quando os ventos excedem 119 km/h. Uma rotação pronunciada desenvolve-se ao redor do centro de um furacão e bandos de chuvas giram ao redor do olho. Bandos de chuvas são pancadas de chuvas convectivas separadas por áreas de ar descendente. Existem às vezes intervalos entre estes bandos aonde chuvas não são observadas. Cada bando normalmente produz períodos de chuvas mais longas e intensas do que as anteriores da periferia do furacão até atingir o olho. Ar ascende e condensa formando enormes trovoadas produzindo chuvas fortes (até 25 centímetros por hora) na parede do olho. Perto dos topos das trovoadas, o ar seco flutua para fora do centro. Este ar divergente no alto produz um afluxo anti- ciclônico vários cem quilômetros do olho. Assim que o afluxo atinge o periferal da tempestade, ele começa a descer e se aquecer, induzindo céu claro. Dentro das trovoadas, da parede do olho e dos bandos de chuvas, o ar se aquece por causa das grandes quantidades de calor latente liberado. Este produz pressões leves altas no alto e inicia a descendência do ar no olho e entre cada bando. O ar descendente esquenta por compressão e explica a ausência de trovoadas no centro da tempestade. 22.1.3 Condições de Dissipação Um furacão intensifica-se e a pressão na superfície continua a cair quando o afluxo de ar no alto é maior do que a influxo na superfície. Porque a pressão atmosférica dentro do sistema é controlada significantemente pelo aquecimento do ar, 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica a intensidade da tempestade é limitada até um certo ponto. Os fatores controladores são a temperatura da água e a liberação do calor latente. Conseqüentemente, quando a tempestade é literalmente cheia de trovoadas, ela usará quase toda a energia disponível, causando a estabilização da temperatura do ar e a pressão atmosférica. Velocidades máximas de rajadas de ventos raramente excedem 370 km/h por causa da limitação da intensidade de um furacão. Quando o ar na superfície convergindo perto do centro excede o afluxo no alto, a pressão na superfície começa a aumentar, e a tempestade cessa. Furacões diminuem rapidamente quando eles tramitam sobre águas frias e perdem a sua fonte de calor. Eles dissipam-se rapidamente sobre a terra porque a sua fonte de ar úmido e quente é removida. Sem um adequado fornecimento de vapor d'água, a condensação e a liberação do calor latente diminuem. Normalmente, a terra é também mais fria do que oceano, e o ar nos níveis baixos são resfriados ao invés de aquecido. Ventos diminuem em força (por causa da fricção adicionada pela superfície da terra) e movem mais diretamente para o centro, causando a elevação da pressão central. Em sumário, furacões diminuem em intensidade quando: 1. Eles movem sobre águas oceânicas que não podem suprir ar tropical úmido e quente; 2. Eles movem sobre terra; 3. A convergência na superfície excede a divergência no alto. Um número substancial de depressões tropicais, não envolve em estágio ciclônico. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 22.1.4 Danos de Furacões Embora que a quantidade de danos causados pelo furacão dependam de vários fatores, incluindo o tamanho e densidade de população da área afetada e a configuração litorânea, o fator principal é a força da tempestade. A Escala de Saffir- Simpson foi desenvolvida para categorizar as intensidades relativas de furacões. A previsão da severidade e danos de um furacão é normalmente representada em termos nesta escala. Uma tempestade tropical recebe um número categórico quando ela evolve em um furacão. A escala de Saffir-Simpson indica o potencial de destruição, a pressãomínima e ventos máximos constantes de um furacão. Assim que a tempestade intensifica ou diminui, o número categórico é reavaliado de acordo. [Imagem: Escala de Saffir-Simpson (6K)] O um na escala representa uma tempestade de severidade mínima, e a cinco representa uma tempestade de maior severidade. Tempestades de categoria cinco são raras. Furacão Mitch em 1998 foi uma tempestade de categoria cinco com ventos constantes mais de 290 km/h. Mitch tornou-se o quarto mais forte furacão do Atlântico e o mais forte furacão no oeste do Caribe depois do Furacão Gilbert em 1988. Furacão Mitch parou fora da costa de Honduras a tarde de 27 de Outubro até a noite de 29 de Outubro antes de mover-se lentamente sobre a terra. A tempestade continuou depositando chuvas pesadas na América Central, causando enchentes e deslizamentos responsáveis por mais de 11,000 fatalidades em Honduras e Nicarágua. No dia três de Novembro, o restante do Mitch entrou no sul do Golfo de México e foi rejuvenescido em uma tempestade tropical pelas águas quentes. Depois, Mitch atravessou o sul da Florida no dia cinco de Novembro e finalmente no mesmo dia mais tarde tornou-se extratropical. Danos de furacões podem ser avaliadas nas categorias de maré meteorológica, ventos e enchentes por causa das chuvas torrenciais. 22.1.5 Marés Meteorológica Uma maré meteorológica é um crescimento anormal de vários metros do nível oceânico que inunda áreas baixas próximas à costa aonde o olho atravessa o terreno. A maré meteorológica é particularmente destrutiva quando ela coincide com marés altas normais. A região de pressão baixa dentro de um furacão permite a elevação do nível oceânico. Uma queda de um milibar em pressão atmosférica produz 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica uma subida de um centímetro do nível oceânico. A combinação de águas altas e ventos fortes de um furacão produz uma maré meteorológica que alcança a costa como um trem de grandes ondas. Diagrama de uma maré meteorológica superposta na maré alta normal. Marés meteorológicas são as mais devastadoras nas zonas costeiras. Na região delta de Bangladesh, as maiorias de terrenos são menos de 2 metros acima do nível do mar. Uma maré meteorológica foi superposta na maré alta normal que inundou uma área no dia 13 de Novembro de 1970, matando 200,000 pessoas. Em Maio de 1991, um evento similar com ventos de 235 km/h e uma maré meteorológica de 7 metros matou 135,000 pessoas e destruiu bairros nas áreas costeiras no caminho do ciclone. A potencia para a repetição deste tipo de desastre em Bangladesh é bem alta, porque muitas das pessoas residem ao longo de uma área mais baixa e próxima da baía. Historicamente, esta região está no caminho freqüentemente tomadas pelos ciclones. 22.1.6 Danos de Ventos Danos causados pelos ventos de um furacão são os mais evidentes. A força dos ventos é suficiente para causar destruição total em algumas estruturas. Os ventos fortes podem criar uma barragem perigosa de escombros levantados no ar. Ventos de furacões afetam uma área maior do que uma maré meteorológica e causa grandes prejuízos econômicos. Furacão Andrew causou US$ 20 bilhões de dólares em danos no sudeste de Florida e Louisiana nos Estados Unidos em Augusto de 1992. Quando a furacão aproxima-se vindo do leste no Hemisfério Norte, os ventos mais fortes são normalmente no lado norte. Os ventos que arrastam a tempestade 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica adicionam-se com os ventos no lado direito e subtraem-se com os ventos no lado esquerdo. Um furacão movendo-se para o oeste no Hemisfério Norte à 20 km/h com ventos constantes de 200 km/h contém ventos de 220 km/h no lado direito (norte) e ventos de 180 km/h no lado esquerdo (sul). No Hemisfério Sul, estas diferenças são ao contrário porque os ventos giram em sentido horário ao invés de anti-horário. Aqui, os ventos mais fortes são normalmente no lado esquerdo. Uma casa à beira mar destruída na Carolina do Norte pelo Furacão Floyd em Setembro de 1999 Furacões também produzem tornados que ocorrem em trovoadas embutidas nos bandos de chuvas e na parede do olho. A topografia da superfície influencia as trovoadas quando um furacão atinge a terra e começa a decair. Por causa da fricção, os ventos na superfície morrem mais rápido do que os ventos no alto. Este produz um forte cisalhamento vertical de vento que permite o desenvolvimento de tornados, especialmente no lado direito de um furacão no Hemisfério Norte (com respeito ao movimento para frente) e no lado esquerdo no Hemisfério Sul. Furacões que afetam os Estados Unidos tendem produzir tornados. Furacão Carla em 1961 teve o recorde de 26 tornados até Furacão Beulah que produziu 115 tornados confirmados no Texas em 1967. 22.1.7 Danos de Enchentes As chuvas torrenciais que acompanham a maioria de furacões podem causar enchentes destrutivas. Considerando que os efeitos das marés meteorológicas e ventos fortes são concentrados nas áreas costeiras, chuvas pesadas podem afetar localidades centenas de quilômetros fora da costa por vários dias depois dos ventos da tempestade terem diminuído em intensidade. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Um exemplo desta destruição foi Furacão Camile em 1969. Embora esta tempestade seja a mais famosa por causa da maré meteorológica excepcional e a devastação nas áreas costeiras, a maioria de fatalidades associadas à esta tempestade ocorreu 2 dias depois de atingir a terra nas Blue Ridge Mountains de Virginia nos EUA. Muitos locais nesta região experimentaram 25 centímetros de chuva e enchentes severas matando mais de 150 pessoas. 22.1.8 Previsões de Furacões Muitas ferramentas diferentes fornecem os dados que são usados para detectar e seguir furacões. Estas informações são usadas para desenvolver previsões e emitir alertas e avisos, mas nem sempre é este o caso. Antes da era dos satélites meteorológicos, era difícil advertir as populações no caminho dos furacões quanto a sua aproximação. Um local somente poucos dias (cem quilômetros) fora de um furacão pode experimentar céu claro com ausência de ventos. No dia 18 de Setembro de 1900, um furacão em Galveston, Texas nos EUA, matou 6000 pessoas nesta cidade e 2000 mais em outras localidades. A intensidade da tempestade sem alerta surpreendeu a população e tornou-se o pior desastre natural na história dos Estados Unidos. No dia 18 de Setembro de 1826, um furacão aproximou-se de Miami, Florida. A população estava preparada para os ventos fortes e a maré meteorológica. Miami experimentou chuvas torrenciais, enchentes e ventos com rajadas mais de 160 km/h. Mas de repente, o céu clareou e os ventos dissiparam-se. Pessoas saíram das casas para inspecionar os danos e alguns até foram para seus empregos. Muitos dos jovens foram a praia para aproveitar as grandes ondas. A calma durou menos de uma hora 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica quando as nuvens luminosas aproximaram-se rapidamente vindo do sul. As pessoas não sabiam que estavam no olho da tempestade. Os ventos fortes retornaram e centenas de pessoas morreram afogadas quando a Praia de Miami desapareceu embaixo da maré elevada.Felizmente, agora os perigos dos furacões são bem conhecidos. Sistemas de alerta reduziram muito as fatalidades atribuídas aos furacões. As populações também aumentaram ao longo das áreas costeiras, causando um aumento astronômico nos danos de propriedades por causa dos furacões. Esta situação pode causar um desastre maior porque a evacuação em grande número de pessoas pode requerer alerta com mais tempo do que o disponível neste momento. 22.1.9 Satélites Meteorológicos Porque os furacões formam-se em vastas regiões oceânicas tropicais e subtropicais, observações convencionais são limitadas. Satélites são as ferramentas principais para os dados meteorológicos necessários nestas áreas. Satélites podem detectar e seguir tempestades antes do desenvolvimento da circulação ciclônica. As imagens de satélites infravermelhas são muito proveitosas para determinar as regiões de precipitação dentro de um ciclone tropical. Todas as nuvens aparecem em branco em uma imagem visível, mas em uma imagem infravermelha, nuvens altas e mais grossas (fria), que podem produzir precipitação aparecem em branco, e nuvens baixas e mais finas (quente), e que podem produzir somente garoa, aparecem mais escuras. O Furacão Fran aproximando-se da Carolina do Norte nos Estados Unidos em Setembro de 1996. Fran foi um furacão de categoria três. GOES-8 é um satélite geo-estacionário posicionado numa longitude de 75° oeste que monitora desenvolvimentos dos furacões do Atlântico Norte 24 horas ao dia. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica O outro satélite geo-estacionário é GOES-9 posicionado numa longitude de 135° oeste que monitora o Pacífico Norte. Satélites são ferramentas remotas e não é raro encontrar erros de até dezenas de quilômetros nas estimativas das velocidades de ventos e posições das tempestades. Também não é possível determinar com precisão as distribuições de ventos na superfície ou os detalhes nas estruturas características. Uma combinação de sistemas de observação é necessária para prover os dados para as previsões e avisos exatos. 22.1.10 Reconhecimentos de Aeronaves Reconhecimentos de aeronaves é uma outra fonte de informação mais importante de furacões. Os primeiros vôos experimentais dentro de furacões foram nos 1940's. Agora, as aeronaves e as ferramentas usadas são mais sofisticadas. Estas aeronaves podem voar diretamente dentro de uma tempestade e medir detalhes da sua posição e condições do desenvolvimento. A transmissão dos dados pode ser diretamente da aeronave no meio da tempestade para o centro de previsão aonde dados de várias fontes são coletadas e analisadas. Um Lockheed-Martin WC-130 usado pelo Hurricane Hunters dentro do Furacão Lenny em 1999. Nos Estados Unidos, O Esquadrão 53° do Reconhecimento de Tempo de Reserva da Força Aérea, também chamado de "Hurricane Hunters", continua voando dentro de furacões e tempestades tropicais desde 1944. Quando em condições favoráveis para o desenvolvimento do furacões são observados, pelo observações na superfície ou satélites meteorológicos, O National Hurricane Center (Centro Nacional de 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Furacões) em Miami, Flórida, alerta os Hurricanes Hunters. Eles devem determinar o local exato, movimento, intensidade, e tamanho da tempestade e transmitir os dados para o Centro Nacional de Furacões via satélite. Assim que a tempestade aumenta em intensidade, as aeronaves voam mais altas (1500-3000 metros) para coletar os dados mais significantes. Eles voam em um padrão semelhante a um "X", atingindo cada extremidade da tempestade para traçar os ventos destrutivos e passa pelo olho a cada duas horas. Todos os dados recebidos pelo Centro Nacional de Furacões estão disponíveis gratuitamente para os membros nacionais do World Meteorological Organization (Organização Meteorológica Mundial). 22.1.11 Radar e Bóias de Dados Radar é uma outra ferramenta de observações e estudos de furacões. Um sistema de radar cobre o Golfo de México inteiro e as regiões costeiras do Atlântico por causa dos furacões numerosos que afetam os Estados Unidos. Este sistema fornece a cobertura contínua de tempestades tropicais dentro de 240 quilômetros da costa. Os detalhes revelados pelo radar ajudam a aperfeiçoar os alertas de furacões assim que as tempestades aproximam-se da terra. Atualmente, sistemas de radar de Doppler fornecem informações adicionais dos campos de ventos e contribuem para as previsões de chuva e alertas de enchentes mais exatas. Radar de Doppler também aperfeiçoa a detecção dos tornados produzidos por furacões. Imagem de radar de Furacão Georges diretamente sobre San Juan na Caribe no dia 22 de Setembro, 1998. Bóias de dados são ferramentas remotas flutuantes posicionadas em locais fixos ao longo do Golfo de México e a Costa Leste dos Estados Unidos. Dados fornecidos 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica por estas unidades tornaram-se uma parte segura e rotineira da análise do tempo e também um elemento importante do sistema de alertas de furacões. As bóias são os únicos meios de fazer medidas diretas quase contínuas das condições de superfície sobre áreas do oceano. 22.1.12 Alertas e Avisos de Furacões Meteorologistas atentaram prever os movimentos e intensidade de um furacão usando dados das várias ferramentas de observação juntamente com modelos de computadores sofisticados. O objetivo deles é emitir alerta e avisos pontualmente. Um alerta de furacão é um anuncio destinado às áreas costeiras que o furacão possa ameaçar dentro de 36 horas. Um aviso de furacão é emitido quando existem a possibilidade de um furacão com ventos constantes de 119 km/h ou mais numa área costeira dentro de 24 horas ou menos. Um aviso de furacão pode permanecer em efeito quando águas altas perigosas e ondas excepcionalmente altas continuam, mesmo que os ventos possam ser menos do que a força de um furacão. Evacuação na Carolina do Norte, nos EUA em antecipação do Furacão Floyd no dia 16 de Setembro, 1999. Os fatores de importância especial no processo de decisões para alertas e avisos são tempo suficiente para proteger a população, e em menor importância, para proteger as propriedades. Também meteorologistas devem tentar evitar excesso de avisos. Avisos emitidos 24 horas antes de um furacão atingir a terra cobre áreas numa média de 560 quilômetros no comprimento. Normalmente, o caminho de danos de um furacão abrange em volta de um terço (180 quilômetros) da área alertada, assim dois terços (360 quilômetros) são "alertados em excesso" Estes excessos são caros e também resultam em uma falta de credibilidade nos avisos. Por estas razões, a decisão para emitir um aviso representa uma balança delicada entre a necessidade de proteger a população e o desejo de minimizar o grau de excesso. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Embora que muitas melhorias nas ferramentas de observação e técnicas de previsões tenham ocorrido recentemente, destruição de propriedades e o potencial defatalidades continuam crescendo. Previsões melhoram, mas não tão rápido quanto o aumento das populações nas áreas sujeitas à furacões, resultando assim a necessidade para mais tempo para preparação antes dos furacões. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 23 Tornados Um tornado é uma coluna giratória e violenta de ar que se estende para baixo de uma nuvem cumulonimbus. Tornados sempre começam com a nuvem em forma de funil e é somente chamada de tornado quando toca a superfície da Terra. A maioria dos tornados gira em sentido ciclônico quando observados de cima, mas alguns foram vistos girando em sentido anti-ciclônico. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Os tornados são visíveis por causa da poeira e sujeira levantadas do solo e por vapor d'água condensada. A pressão baixa dentro de um funil causa a expansão e resfrio do ar, resultando na condensação do vapor d'água. A maioria de tornados tem o diâmetro de 100 a 600 metros. Alguns são de poucos metros de largura e outros excedem 1600 metros. Normalmente, os tornados que são formados adiante de uma frente fria movem em velocidades de 20 a 40 nós. Muitos dos tornados duram somente poucos segundos. Há casos de tornados que tramitam centenas de quilômetros e existem por muitas horas. No dia 26 de Maio de 1917, um tornado nos Estados Unidos durou 7 horas e fez um trajeto de 470 quilômetros atravessando partes dos estados de Ilinois e Indiana. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 23.1 Variedades de Tornados Um tornado de múltiplos vórtices contém dois ou mais pequenos e intensos remoinhos, chamados vórtices de sucção, orbitando o centro da circulação maior do tornado. Quando um tornado não contém mais poeira e sujeira, às vezes, estes vórtices de sucção são espetacularmente visíveis. Estes vórtices podem formar-se e morrer dentro de poucos segundos. Eles podem ocorrer em vários tamanhos de tornados. Subvórtices causam a maioria de caminhos de danos extremosos, estreitos e curtos associados com tornados. Tornados de múltiplos vórtices são responsáveis pela maioria de contos jornalísticos antes do final do século 20 de vários tornados observados juntos ao mesmo tempo. Uma tromba d'água é um tornado que se forma ou passa sobre a água. O funil é visível por causa das nuvens de vapor d'água condensada. Como os tornados, as trombas d'água podem assumir muitas formas e freqüentemente ocorrem em séries ou famílias. Uma das maiores e mais famosa tromba d'água foi observada por inúmeros turistas e alguns cientistas próximo de Massachussettes nos EUA no dia 19 de Agosto de 1896, com uma altura estimada de 1,095 metros e 73 metros de largura na base. Trombas d'água são mais freqüentes sobre águas tropicais e sub-tropicais mas tem aparecido em áreas inesperadas, como os Grand Banks de Newfoundland no Canadá. Uma poeira do diabo é um remoinho de pouca duração que se assemelha a um tornado, porém geralmente menor e menos intenso. A maioria das poeiras do diabo tem poucos metros em diâmetro não mais de 100 metros de altura e duram apenas alguns minutos depois da sua formação. Elas formam-se com céu claro quando a superfície é consideravelmente mais quente do que o ar a poucos metros acima, 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica causando a situação instável. O ar quente na superfície eleva-se e coleta o ar próximo ao solo para o remoinho em desenvolvimento. Os ventos giratórios carregam para cima terras, poeiras, e outras sujeiras soltas que permitem ser visível a poeira do diabo. Poeiras do diabo são freqüentes nas regiões áridas e geralmente elas não são destrutivas. 23.2 Desenvolvimento dos Tornados Tornados tendem a formar-se com trovoadas severas que giram e requerem uma atmosfera instável. Uma região de forte cisalhamento de vento (velocidades de ventos mais rápidos e mudanças de direção de ventos com altitude) causa a corrente de ar ascendente dentro de uma trovoada girar em sentido ciclônico. Este mesociclone pode ter de 5-10 km de largura, se estendendo verticalmente e encolhendo-se horizontalmente causando a ascensão rápida dos ventos que giram. Dentro de um mesociclone, um vortex giratório pode aparecer no nível médio da nuvem e se estende para a base da nuvem. O primeiro sinal do nascimento de um tornado numa trovoada é a observação de nuvens giratórias na base da tempestade. Uma nuvem em forma de parede forma-se quando as nuvens giratórias descem. Um diagrama de uma trovoada severa que produz um tornado na área de mesociclone. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica O ar move rápido de todas as direções para dentro de um vórtex de pressão baixa. Este ar expande-se, resfria-se e suficientemente molhado ele condensa-se em uma visível nuvem em forma de funil. O ar debaixo do funil é tragado pelo vortex e a nuvem em forma de funil descende para a superfície. Sujeiras carregadas pelo tornado dão uma aparência escura. Às vezes o ar é tão seco que os ventos giratórios permanecem invisíveis até atingir o solo e começam a carregar sujeiras. Infelizmente, pessoas erram em pensar que estes "tornados invisíveis" são poeiras do diabo. Ocasionalmente, o funil não pode ser visto por causa da chuva, nuvens de poeira, ou escuridão. Muitos tornados possuem um barulho distinto que pode ser ouvido por muitas milhas até quando eles não são bem visíveis. Este som parece ser mais alto quando o tornado toca o solo. Contudo, nem todos os tornados produzem este barulho, e estas tempestades podem ser assassinas silenciosas. A maioria dos tornados, os mais fortes e violentos, tendem a formar-se na área direita detrás de uma trovoada severa. Tornados mais fracos podem formar-se na área principal de uma corrente de ar ascendente. Eles também podem formar-se ao longo de uma frente de rajada, quando um fluxo de ar quente é empurrado para cima pela corrente de ar descendente fresca. Embora tornados mais fortes e violentos tendem a formar-se dentro de um mesociclone, porém, nem todos os mesociclones produzem tornados. 23.3 Climatologia dos Tornados 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Tornados ocorrem em muitas partes do mundo, todavia as mais freqüentes e violentos se encontram nos Estados Unidos, numa média de mais de 800 anualmente. A maioria dos tornados ocorre no corredor de tornados das Planícies Centrais do centro do Estado de Texas até Nebraska. Austrália vem em segundo lugar depois dos EUA. Tornados também ocorrem na Inglaterra, Canadá, China, França, Alemanha, Holanda, Hungria, Índia, Itália, Japão, Rússia, nas Bermudas e nas Ilhas de Fiji. Porém tornados não estão restritos somente nestes países citados. Em 13 de Fevereiro de 1999, um tornado causou danos em Osório, Rio Grande do Sul. Grandes árvores foram arrancadas eedifícios destruídos, recentemente, em março de 2004, um tornado de pequena intensidade, ocorreu no litoral sul de Santa Catarina, batizado de Catarina. Catarina As Planícies Centrais dos EUA são mais sujeitas aos tornados porque a atmosfera favorece o desenvolvimento de trovoadas severas que produzem tornados. Aqui, especialmente na primavera, ar úmido e quente na superfície é abaixo do ar mais frio e seco produzindo uma atmosfera instável. Grandes trovoadas capazes de produzir tornados formam-se quando existe um forte cisalhamento vertical de vento e o ar na superfície são empurrados para cima. Embora tornados ocorram a qualquer hora, eles são mais freqüentes à tardinha entre 16:00 e 18:00 horas quando o ar na superfície é mais instável. Os tornados que causam mais fatalidades ocorrem em famílias quando os tornados diferentes formam-se pela mesma trovoada. Algumas trovoadas produzem seqüências de tornados no período de duas ou mais horas cobrindo distâncias de 100 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica quilômetros ou mais. Famílias de tornados normalmente formam-se ao longo de linhas de instabilidade em erupções de tornados. As maiores fatalidades atribuídas aos tornados ocorreram durante a super-erupção no dia 18 de Março de 1925 nos Estados Unidos, quando 7 tornados viajaram 703 quilômetros sobre as partes de Missouri, Ilinois e Indiana matando cerca de 695 pessoas. 23.4 Danos dos Tornados Tornados destroem os instrumentos necessários para medir velocidades de ventos e pressão dentro de tornados. Muitas das características de tornados são desconhecidas, como também a pressão mínima dentro deles. A pressão dentro de um tornado é tão baixa que causa explosões de prédios quando repentinamente a pressão cai com a chegada de tornado. Podemos apenas estimar que esta pressão é 60% abaixo do normal, ou seja, 600 hPa. Os ventos fortes de um tornado podem destruir prédios, arrancar árvores, e levantar todo tipo de objetos perigosos para a atmosfera. Tornados têm causado muitos feitos extraordinários. Chuvas de sapos caíram das nuvens depois de terem sido levantados pelos ventos de um tornado. Em uma ocasião, uma escola foi destruída e os 85 alunos da escola foram carregados a mais de 90 metros sem fatalidades. A Escala de Intensidade de Fujita foi proposta por Dr. T. Theodore Fujita para classificar os tornados de acordo com a velocidade de ventos de rotação e os danos causados pelos tornados. Os tornados mais fracos com velocidades de ventos menos de 116 km/h produzindo danos leves são classificados F0 e os tornados mais violentos com velocidades de ventos de 419-510 km/h produzindo danos incríveis são classificados F5. Os tornados com velocidades de ventos de 511-610 km/h são classificados F6 sendo improvável de acontecer. Estatísticas mostram que a maioria de tornados é F0 e F1 e somente uma minoria são F5. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 23.5 Previsão de Tornados Porque trovoadas severas e tornados são fenômenos pequenos e de pouca duração, torna-se muito difícil dar precisamente a sua previsão. Uma trovoada severa pode se estender de 15 a 40 quilômetros e existir por 6 horas, mas as distâncias entre estações meteorológicas da superfície são próximas de 160 quilômetros. As distâncias entre estações meteorológicas de altitude são quase de 320 quilômetros. Observações são feitas geralmente a cada hora na superfície, mas somente em intervalos de 12 horas nas estações de altitude. O sistema atual de observação meteorológica limita os 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica meteorologistas indicarem a probabilidade de trovoadas e seus tornados em regiões maiores do que as tempestades. Poucas pessoas viram o interior de um tornado e viveram para contar a estória. No dia 22 de Junho de 1928, um fazendeiro no Estado de Kansas correu com sua família para um abrigo quando três tornados se aproximavam. Ele estava na porta do abrigo e decidiu dar uma olhada em um tornado que passava. Ele olhou o centro deste tornado e descreveu uma luminosidade com relâmpagos que ziguezagueavam de um lado para o outro. Remoinhos pequenos formavam-se e dissipavam-se constantemente próximos à base do vortex principal e geravam sons de gritos estridentes. O vortex principal girava em sentido ciclônico, mas os remoinhos pequenos giravam ao contrário. Esta pessoa viu o interior de um tornado de múltiplos vórtices e viveu para contar a estória. 23.6 Alerta e Avisos de Tornados Uma foto interessante diretamente debaixo de um funil que girava em sentido anti-ciclônico Um alerta de tornado é um anuncio da possibilidade que tornados podem desenvolver em uma área designada durante um período especifico. O alerta é geralmente anunciado uma hora antes de ser oficializado e cobre uma área de 65,000 km2 por um período de 6 horas. Nos Estados Unidos, alertas de tornados são anunciados no National Severe Storms Forecast Center (NSSFC) em Kansas City, Missouri. Um aviso de tornado é um anúncio dos escritórios locais do National Weather Service (NWS) nos Estados Unidos para avisar o público que um tornado foi observado em uma área ou indicado pelo radar. Este aviso indica altas probabilidades do perigo 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica iminente. Avisos são anúncios para áreas menores dos alertas, geralmente cobrindo partes de um condado ou condados. Para a maioria dos principais tornados, reduziu-se substancialmente o número das fatalidades e dos ferimentos que poderiam ter ocorrido. Alertas e avisos de tornados reduziram significantemente o número das casualidades. Mortalidades e ferimentos sérios adicionais poderiam ser evitados se mais pessoas tomassem precauções adequadas depois do alerta emitido. 23.7 Radar Doppler O Radar convencional de tempo transmite curtos pulsos de energia eletromagnética. Uma pequena fração de ondas emitida para fora, é dispersa por uma tempestade e retornam ao radar. A força do sinal de retorno indica a intensidade da chuva, e a diferença de tempo entre a transmissão e o sinal indicado da distância para a tempestade. Para identificar tornados e trovoadas severas, meteorologistas devem ser capazes de detectar os padrões de circulação característica associadas com eles. Radar convencional não pode detectar estes padrões se não ocasionalmente quando bandos espirais de chuvas ocorrem em associação com um tornado e mostrando um eco em forma de gancho. O Radar Doppler pode detectar a formação inicial e desenvolvimento de uma mesociclone, um intenso sistema de ventos girando dentro de uma trovoada que freqüentemente precede o desenvolvimento de tornados. Quase todos os mesociclones produzem granizos, ventos severos e tornados. Aqueles que produzem tornados podem ser identificados por suas velocidades de ventos mais fortes e seus repentinos gradientes de velocidades de ventos. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica O RadarDoppler tem vantagens significantes sobre um sistema que usa radar convencional para detectar tornados. Ainda que existam problemas operacionais, são muitos os benefícios de radar Doppler. Como um instrumento de pesquisa, radar Doppler não somente fornece dados na formação de tornados, mas ele também ajuda os meteorologistas aprenderem mais sobre o desenvolvimento de trovoadas, a estrutura e dinâmicas de furacões, e turbulência de ar. Porque o Radar Doppler mostra os movimentos de ar dentro de uma tempestade, ele pode ajudar na identificação de outras tormentas severas na atmosfera, como por exemplo, frentes de rajadas, micro- explosões e cisalhamentos de vento. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 24. El Niño e La Nina No final do século XX, com o crescimento das informações meteorológicas nos meios de comunicação, começou-se a falar muito no fenômeno El Niño. Mas afinal, o que é o El Niño? Quais são suas conseqüências no Brasil e no mundo? O próprio nome El Niño já é uma informação histórica. Normalmente, seus efeitos acontecem durante os meses de dezembro/janeiro, por isso o nome El Niño (o menino, em espanhol), devido à proximidade do Natal e do nascimento do menino Jesus. O fenômeno El Niño é basicamente um aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico tropical. O grande problema está nas conseqüências deste aquecimento para o planeta. Sua interferência na circulação atmosférica de toda a Terra provoca mudanças nas condições climáticas de várias regiões, como aumento de chuva em alguns lugares e seca em outros. Se voltarmos para o aspecto histórico, os navegadores da região já sentiam seus efeitos no século XVI. Relatos do conquistador espanhol Francisco Pizarro, por volta de 1525, já mostravam que um fenômeno semelhante acontecia. Uma explicação mais clara e correta sobre o funcionamento do El Niño só veio aparecer em 1969. Ele normalmente acontece em um período de 2 a 7 anos e tem uma duração típica de 12 a 18 meses. O acompanhamento do fenômeno El Niño pelos pesquisadores mostra que ele se inicia no começo do ano, atinge sua máxima intensidade (aquecimento da águas) durante dezembro daquele ano e janeiro do próximo, enfraquecendo na metade do segundo ano. Mas como o aquecimento das águas superficiais do Pacífico pode modificar a chuva no Brasil ou mesmo provocar seca no continente africano? Isso acontece por que a Terra, através da circulação dos ventos, tenta equilibrar a temperatura e a chuva nos continentes e nos mares. Esta circulação, chamada de células de grande escala pelos meteorologistas, é responsável por todo o clima na Terra e é quem transporta calor e umidade de uma região para outra. Em outras palavras, as células retiram a umidade de algumas regiões, como exemplo, oceanos e florestas e provocam chuva em outras. Quando uma grande superfície do planeta sofre uma mudança em sua temperatura, que no caso do El Niño é a superfície do Oceano Pacífico tropical, acontece uma alteração de intensidade e direção na circulação destas células, modificando as regiões em que normalmente chove ou que sofrem mais com a seca. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Na figura 1, vemos um esquema para explicar como as células de grande escala se movimentam no fenômeno El Niño e como ela provoca aumento de chuva na costa do Peru e seca em algumas regiões do Brasil. Circulação de grande escala na região equatorial durante o fenômeno El Nino: Basicamente, se estamos no braço da célula descendente, isto é, na parte da circulação que desce da atmosfera para a superfície da Terra, temos uma região sem nuvens, por isso sofre com a seca. Neste caso, as regiões Norte e Nordeste do Brasil são bastante afetadas. Já se estamos na parte da circulação que sobe da superfície da Terra para a atmosfera, temos uma região de formação de nuvens, por isso chove acima da média, provocando inundações. Na prática, as células de grande escala atuam em todas as regiões do planeta, por isso a modificação da temperatura da superfície no Oceano Pacífico provoca mudanças no clima em diferentes regiões da Terra. Dependendo da intensidade do fenômeno El Niño e da época do ano, estas mudanças são mais ou menos intensas. Na figura, temos a distribuição global dos efeitos do El Niño em algumas regiões do planeta para duas épocas do ano. Uma para junho-agosto e outra para dezembro-fevereiro. No Brasil, as pesquisas e o monitoramento do El Niño indicam que três regiões são afetadas pelas mudanças na circulação atmosférica: o semi-árido do Nordeste, o norte e o leste da Amazônia e o sul do Brasil. A Região Sul do Brasil é afetada pelo aumento de chuva. O norte e o leste da Amazônia e o Nordeste sofrem pela diminuição da chuva. O Sudeste do Brasil apresenta temperaturas mais altas, tornando o inverno mais ameno. Já para as demais regiões do país os efeitos são considerados mais fracos. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Em contrapartida, no mundo os efeitos do El Niño são bastante significativos em algumas regiões. Acontecem grandes secas na Índia, na Austrália, Indonésia e África decorrentes do fenômeno, assim como algumas enchentes no Peru, Equador e no meio oeste dos Estados Unidos. Em algumas áreas, observam-se temperaturas mais elevadas que o normal, enquanto em outras ocorrem frio e neve em excesso. As conseqüências associadas ao fenômeno El Niño são desastrosas e provocam sérios prejuízos sócio-econômicos e ambientais. Apesar de todas as pesquisas e esforços dos estudiosos em entender como e porque o fenômeno El Niño acontece e qual a sua origem, atualmente não há uma conclusão definitiva que mostre porque acontece o aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico. O que se consegue entender são os seus efeitos na atmosfera e as mudanças no clima, mas uma resposta definitiva, ainda esta longe de se conseguir. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica As condições que indicam a presença do Fenômeno El Niño são o enfraquecimento dos ventos alísios e o aumento da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) no Oceano Pacífico Equatorial Leste. Como conseqüência, ocorre uma diminuição das águas mais frias que afloram próximo à costa oeste da América do Sul. Em condições normais, observam-se águas superficiais relativamente mais frias, no Pacífico Equatorial Leste, junto à costa oeste da América do Sul, e relativamente mais aquecidas no Pacífico Equatorial Oeste, próximo à costa australiana e região da Indonésia. Os ventos alísios sopram de leste para oeste favorecendo a ressurgência próximo à costa oeste da América do Sul. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica As condições que indicam a presença do Fenômeno La Niña estão associadas à intensificação dos ventos alísios e ao declínio da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) no Pacífico Equatorial Leste. As águas adjacentes à costa oeste da América do Sul tornam-se ainda mais frias devido à intensificação do movimento de ressurgência.18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 25. Como se Forma a Aurora ? Nas altas latitudes, ocorrem às vezes no céu espetáculos fantásticos que são denominados de Aurora Boreal, no hemisfério norte e Aurora Austral no hemisfério sul. Essas auroras são produzidas quando partículas eletricamente carregadas provenientes do Sol colidem com átomos e moléculas da ionosfera, a uma altitude de 80 a 500 quilômetros, levando-os a emitir luz. Esses prótons e elétrons solares afluem para a Terra transportado pelo vento solar, uma poderosa rajada de partículas que parte do Sol a 2 milhões de quilômetros por hora. O vento solar também carrega parte do campo magnético do Sol, que interage com a magnetosfera terrestre e permite que as partículas mergulhem em direção à Terra ao longo de linhas de força magnética próximas aos pólos. A pressão do vento solar comprime o campo magnético terrestre na face diurna para uma distância aproximada de 650 mil quilômetros da superfície. Na face noturna, o vento solar estende a Magnetosfera cem vezes mais longe. O campo magnético solar se liga ao campo magnético da Terra na borda da magnetosfera na face noturna, e as partículas de vento solar seguem as linhas de força magnética em direção aos pólos. Os prótons do vento solar têm carga elétrica positiva e os elétrons, carga negativa. A diferença de cargas leva-os em direções opostas. O fluxo de partículas cria pólos de cargas opostas, criando, na verdade, um imenso gerador elétrico. A corrente percorre as elipses aurorais na magnetosfera, acima dos pólos do planeta, num fenômeno conhecido como corrente de campo alinhado. A quantidade total de eletricidade criada no “gerador de auroras” é superior a 1 trilhão de watts. Os elétrons da corrente de campo alinhado descrevem uma espiral em torno das linhas de força magnética da Terra ao penetrarem na atmosfera. Ali, ao colidir com átomos e moléculas, faz com que emitam luz. Os elétrons que chegam têm sua velocidade reduzida pela colisão e emitem raios X, enquanto os elétrons provenientes dos gases excitados liberam mais elétrons ainda, em uma reação em cadeia de colisões. Os átomos de oxigênio assim excitados emitem uma luz verde e as moléculas de nitrogênio produzem uma coloração rosada. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 26. Poluição do Ar A poluição é caracterizada pelas alterações na composição e nas propriedades do ar, tornando-o nocivo, impróprio ou ainda inconveniente à saúde humana, à vida animal e também aos vegetais. Durante muito tempo, a humanidade viveu num equilíbrio harmônico com a natureza, devido à baixa densidade demográfica e ao caráter empírico das atividades desenvolvidas. No entanto, com o aumento vertiginoso da população, especialmente nas últimas décadas, o que levou a uma ocupação desordenada da superfície da Terra, aliada à explosão econômica e ao grande avanço industrial e tecnológico, ocorreu um grande desequilibro na biosfera. O ar é um dos elementos do ecossistema que tem sofrido grandes ataques de poluentes oriundos das atividades do homem, principalmente nas aglomerações urbanas. Assim enormes conflitos contra a natureza têm se verificado ao longo dos últimos anos, atingindo fortemente o ar que respiramos. Atualmente, a poluição do ar é talvez o problema mais preocupante que deve ser resolvido ou, ao menos, amenizado com urgência, para que se possa continuar com uma razoável qualidade de vida na Terra. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica A poluição do ar pode ser de várias origens. Assim, tem-se a poluição tóxica causada por gases que apresentam toxicidade, como o dióxido de enxofre, oriundo principalmente dos vulcões; o óxido de nitrogênio, resultante da queima de combustíveis energéticos a altas temperaturas; o monóxido de carbono, oriundo dos veículos automotores, e outros gases em menor escala, mas igualmente tóxicos. Também s emissões de partículas liberadas pelas queimas de qualquer natureza contribuem para a alteração da composição do ar, entre as quais destacam-se as poeiras, a fumaça e o vapor d’água emitido pelas chaminés, e as fuligens, resultantes da deficiente combustão da lenha, carvão ou gás, que são eliminados pelos complexos industriais. Da trituração das rochas, especialmente as fosfáticas, para a produção de fertilizantes, é eliminado o flúor, que é muito tóxico, quando em altas concentrações. Muitos desses elementos ou a combinação de alguns deles causam doenças como a bronquite, asma e irritações no aparelho respiratório das pessoas, razão, pela qual, em 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica regiões que existem intensas poluições aéreas, a população é mais susceptível a esses tipos de enfermidades. Várias são as fontes de poluição do ar. Entre elas, destacam-se: - Os grandes empreendimentos industriais que, embora aplicando eficientes medidas preventivas, ainda causam intensa poluição na atmosfera. Nesse aspecto, é importante observar que os complexos industriais normalmente têm localização pontual, o que permite um controle adequado; - As residências e as pequenas indústrias que usam lenha ou carvão para suas atividades, ao emitirem fumaça, poeiras e óxido de enxofre; - A circulação de milhares de veículos automotores nas cidades de todo o mundo, liberando grandes volumes d monóxido de carbono, chumbo, partículas sólidas, óxido de nitrogênio e outros; - A prática permanente de queimadas de florestas e campos, resíduos agrícolas e os incêndios em geral, além de contribuírem para a diminuição da fertilidade do solo, causam grande poluição do ar; - A utilização do clorofluorcarbono através de sprays, refrigeradores e aparelhos de ar condicionado ajuda fortemente na poluição, atingindo principalmente a camada de ozônio na atmosfera. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica 26.1. Conseqüências da poluição do ar As alterações que ocorrem na composição do ar resultam sempre em poluição, a qual pode causar conseqüências que variam de acordo com a intensidade de elementos poluentes contidos na atmosfera. As conseqüências da poluição do ar vêm sempre acompanhadas de efeitos diretamente ligados à saúde humana, dos animais e também dos vegetais, sendo classificados em estéticos, irritantes e tóxicos. Um único poluente pode provocar mais de um efeito. Assim, um elemento, de acordo com a sua estabilidade, pode ser irritante e tóxico ao mesmo tempo. Os efeitos estéticos são aqueles causados pela presença de vapores, fumaças, poeiras e aerossóis, provocados pela ação antrópica, e que, muitas vezes, causam odores desagradáveis, como é o caso do lixo, esgotos e das águas poluídas, que liberam o gás sulfídrico ou sulfeto de nitrogênio, com forte odor. Já os efeitos irritantes manifestam-se diretamente nos olhos, na garganta e nos brônquios, com gravidade maior nas crianças e nas pessoas idosas ou naquelas que apresentam problemas pulmonares, como alergias, bronquites, asma ou outro tipo de afecção. Esses sintomas irritantes são causados pelo formol emitido na queimade madeira seca ou verde e pelas poeiras e aerossóis que estão em suspensão no ar. Os efeitos tóxicos são provocados pela presença, principalmente, do gás carbônico, que acaba sendo absorvido em grande escala, juntamente com o oxigênio. Uma grande gama de elementos estranhos ao ar, quando absorvida através da respiração, causa , sintomas distintos, conforme a origem e a quantidade dos 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica mesmos. Esses sintomas podem ser: dores de cabeça, desconforto, cansaço, palpitações no coração, vertigens, diminuição dos reflexos, irritação nos olhos, nariz, garganta e pulmões, asma aguda e crônica, bronquite e enfisemas, câncer, destruição de enzimas e proteínas, degeneração do sistema nervoso central e doenças dos ossos. A poluição, além de prejudicar a saúde humana, modifica sensivelmente a atmosfera, alterando a sua composição, e ainda absorve parte dos raios solares, que deveriam incidir sobre a Terra e auxiliar nas atividades biológicas dos ecossistemas. Os organismos aeróbicos realizam sua respiração pelo consumo do oxigênio e da devolução do gás carbônico para a atmosfera, através de uma reação de oxidação, realizando o caminho inverso da fotossíntese. 26.2. Camada de Ozônio "Estamos frente ao maior perigo que a humanidade já enfrentou." Essas palavras foram proferidas pelo Dr. Mostafa Toba, diretor-executivo do Programa das Nações Unidas Para o Meio Ambiente. O Sol e as estrelas produzem vários tipos de radiação nocivos aos seres vivos - incluindo a ultravioleta, uma forma invisível de radiação que se situa, no espectro eletromagnético, entre a luz violeta e os raios X. A atmosfera terrestre evita que a maior parte das radiações nocivas chegue a superfície do planeta. É a camada de ozônio, principalmente, que absorve os curtos comprimentos de onda ultravioleta produzidos 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica pelo Sol, impedindo que atinjam a Terra. A camada de ozônio é uma delgada faixa atmosférica na qual a luz ultravioleta solar ultravioleta reage com as moléculas de oxigênio para criar o gás ozônio.. No entanto, sem esse pequeno componente da atmosfera, os humanos estariam expostos a mais casos de câncer de pele e cegueira, as plantas murchariam quando a radiação decompusesse as moléculas orgânicas. Na verdade, sem a camada de ozônio provavelmente não poderia existir vida sobre a Terra. Embora a produção máxima de ozônio ocorra a uma altitude de 30 quilômetros, acima da região equatorial, as concentrações máximas são observadas sobre as regiões polares, a 18 quilômetros de altitude. O ozônio é transportado para a estratosfera por correntes atmosféricas que se deslocam para o alto a partir da troposfera; essas correntes são geradas pelo contraste entre as temperaturas oceânicas e a s massas terrestres, e pelas variações topográficas. O Sol emite três tipos de luz ultravioleta, classificados como UV-A, UV-B e UV-C. O tipo mais nocivo é o UV-B, que significa "radiação biologicamente ativa" que é absorvido pela camada de ozônio. A UV-B provoca queimaduras solares e pode causar câncer de pele, inclusive o melanoma maligno., freqüentemente fatal. A Agência Norte-Americana de Proteção ambiental estima que 1% da redução da camada de ozônio provocaria um aumento de 5% no número de pessoas que contraem câncer de pele. Segundo a Fundação de Câncer de Pele, enquanto em 1930 a probabilidade de crianças americanas terem melanoma era de um para 1.500, em 1990 essa chance era de uma para 135. Em 1995 já se observava um aumento nos casos de câncer de pele e catarata em regiões do hemisfério sul, como a Austrália, Nova Zelândia, África do Sul e Patagônia. Em Queensland, no nordeste da Austrália, mais de 75% dos cidadãos acima de 65 anos apresentam alguma forma de câncer de pele; o local obriga as crianças a usarem chapéus e cachecóis quando vão à escola, para se protegerem das radiações ultravioletas. O Ministério da Saúde do Chile informou que desde o aparecimento do buraco na camada de ozônio sobre o pólo Sul, os casos de câncer de pele no Chile cresceram 133%; atualmente o governo faz campanhas para a população utilizar cremes protetores para a pele e não ficar exposta ao sol durante as horas mais críticas do dia. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica O ozônio é produzido principalmente acima do equador, onde a luz solar é mais intensa. A luz UV fraciona as moléculas de oxigênio (O2) em átomos livres (O). tais átomos se fixam a moléculas de oxigênio não-decompostas e produzem o ozônio (O3), formado por três átomos de oxigênio, e absorve os nocivos raios UV. Tal absorção leva a uma decomposição do ozônio, com a liberação de átomos (O) e moléculas (O2) de oxigênio para que o processo se repita. Portanto, a formação e a destruição do ozônio ocorrem em um ritmo constante. Em meados dos anos 80, os cientistas ficaram alarmados ao descobrir que o ozônio atmosférico na região do Pólo Sul fora sensivelmente reduzido. O ozônio, uma forma triatômica de oxigênio, pode ter um papel nocivo na poluição quando próximo ao solo; na estratosfera, porém, forma uma barreira importante contra os raios solares ultravioletas nocivos. Dados de satélites revelaram a formação de bolsões pobres em ozônio, ou buracos, acima da Antártida, em setembro e outubro, durante a primavera meridional. Os cientistas imaginaram que os clorofluorcarbonos (CFCs), gases químicos liberados como poluentes, estavam destruindo essa camada de ozônio. A descoberta dos buracos na camada de ozônio sobre a Antártida levou a uma proibição mundial da produção de CFCs, cujo efeito se manifestará no início deste novo século. A luz solar da primavera destrói o ozônio acima da Antártida, à medida que decompõe o ácido hipocloroso formado no inverno. Há uma liberação de cloro, que reage, para destruir o ozônio. Dessa maneira, a cada primavera se formam sobre a Antártida buracos com níveis extremamente baixos de ozônio. Buracos semelhantes podem vir a se formar sobre o populoso hemisfério norte, se a poluição por CFCs prosseguir. 18 de fevereiro de 2010 6. Meteorologia Aeronáutica Este mapa mostra a concentração de ozônio na atmosfera em 1995. o buraco na camada de ozônio está no centro, representado pelas cores azul claro, azul escuro e cor-de-rosa. CONCLUSÃO O "buraco" na camada de ozônio não é na realidade um buraco, e sim uma região que contém uma concentração baixa de ozônio. Esse termo tecnicamente incorreto dá uma idéia sobre a dimensão e gravidade da situação. Existe ainda a hipótese segundo a qual a destruição da camada de ozônio pode causar desequilíbrio no clima, resultando no efeito estufa, o que causaria o descongelamento das geleiras polares e a conseqüente inundação de muitos territórios que atualmente se encontram em condições de habitação. A educação ambiental pode ajudar as pessoas a entender como o seu consumo pode contribuir para a destruição da camada de ozônio. Assuntos como estes, aparentemente distantes, têm tudo a ver com a preservação da vida na Terra. 26.3 Chuva Ácida Mesmo sem poluição, o monóxido de carbono que existe naturalmente no ar torna a chuva um pouco ácida. Nos últimos anos, porém, a poluição atmosférica