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REGIME DE BENS REGIME DE BENS REGRAS GERAIS ESCOLHA OBRIGATÓRIA NA HABILITAÇÃO DE CASAMENTO – Não há casamento sem regime de bens PATRIMÔNIO: BENS MÓVEIS, IMÓVEIS, CRÉDITOS E OBRIGAÇÕES INICIO DA VIGÊNCIA DO REGIME DE BENS → NA DATA DAS NUPCIAS e FIM NA SEPARAÇÃO DE FATO (ART. 1576 CC – FALA EM SEPARAÇÃO JUDICIAL) SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA REsp 678790/ PR RECURSO ESPECIAL 2004/0100936-0 Relator(a)Ministro RAUL ARAÚJO (1143) Órgão JulgadorT4 - QUARTA TURMA Data do Julgamento10/06/2014 Data da Publicação/Fonte DJe 25/06/2014 RB vol. 609 p. 41 Ementa RECURSO ESPECIAL. CIVIL. FAMÍLIA. ANULAÇÃO DE ATOS JURÍDICOS. BENS ADQUIRIDOS APÓS A SEPARAÇÃO DE FATO POR UM DOS CÔNJUGES. SIMULAÇÃO LESIVA À PARTILHA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 83/STJ. FUNDAMENTO INATACADO. ÓBICE DA SÚMULA 283/STF. RECURSO NÃO CONHECIDO. 1. O aresto recorrido está em sintonia com a jurisprudência desta Corte, firmada no sentido de que a separação de fato põe fim ao regime matrimonial de bens. Precedentes. PRINCIPIO DA LIBERDADE DE ESCOLHA OPÇÃO POR QUALQUER REGIME PREVISTO OU CRIAÇÃO DE REGIME PRÓPRIO (REGIMES CONVENCIONAIS) SILÊNCIO = COMUNHÃO PARCIAL (REGIME LEGAL SUPLETIVO) CC1916 – REGIME OFICIAL ERA O DA COMUNHÃO UNIVERSAL LEI DO DIVÓRCIO, EM 1977, MUDOU PARA COMUNHÃO PARCIAL REGIME LEGAL OBRIGATÓRIO DA SEPARAÇÃO DE BENS NESTES CASOS O CASAL NÃO PODE OPTAR POR OUTRO REGIME: (ART. 1641 CC) CASAMENTO EFETIVADO EM INFRINGÊNCIA A CAUSAS SUSPENSIVAS (ART. 1641, I CC) CASAMENTO DE PESSOA MAIOR DE 70 ANOS (CONSTITUCIONAL??) (ART. 1641, II CC) – STJ entende que aqui também se aplica à união estável. CASAMENTOS OCORRIDOS MEDIANTE SUPRIMENTOS OU HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL (ART. 1641, III CC) Súmula 377 do STF: “No regime da separação legal de bens, comunicam-se os adquiridos na constância do casamento”. Esta seria, em princípio, a única hipótese em que não haveria direito à meação, mas a súmula mitiga esta regra e permite a meação dos bens adquiridos durante a união. A doutrina e jurisprudência divergem sobre a necessidade de efetiva prova da contribuição na formação do acervo. Acha que deve haver prova: Flávio Tartuce (pois do contrário se transformaria a separação obrigatória em uma comunhão parcial) Acha que não necessita de prova: Paulo Lobo, Ma. Berenice Dias PACTO ANTENUPCIAL ARTS. 1653 A 1657 CC Somente é válido se feito por escritura pública no Cartório de Notas e é necessário quando os noivos pretendem um regime de bens diverso do regime legal supletivo (comunhão parcial de bens) No pacto não se admite, por exemplo, cláusula de renúncia a herança, ao dever de mútua assistência, ao exercício do poder familiar ou ao divórcio. PRINCIPIO DA MUTABILIDADE JUSTIFICADA MUDANÇA MEDIANTE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (ART. 1639, § 2º) Inovação do CC 2002 com aplicação extensiva aos casamentos realizados sob a égide do CC1916 – entendimento pacífico do STJ REGRAS NCPC – ALTERAÇÃO DE REGIME DE BENS PROCEDIMENTO DE JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA Art. 734. A alteração do regime de bens do casamento, observados os requisitos legais, poderá ser requerida, motivadamente, em petição assinada por ambos os cônjuges, na qual serão expostas as razões que justificam a alteração, ressalvados os direitos de terceiros. Alteração do regime de separação obrigatória de bens Como visto, regime da separação obrigatória de bens é imposto aos maiores de 70 anos, aos que se casaram sob causas suspensivas ou aqueles que se casaram mediante autorização judicial (art. 1641 CC). Quando cessada a causa suspensiva ou a razão da imposição pode ser autorizada a modificação do regime de bens. No caso do maior de 70 anos a causa nunca cessará e, assim, impossível a alteração. REGIME DA COMUNHÃO PARCIAL ARTS. 1658 A 1666 SEPARAÇÃO QUANTO AO PASSADO E COMUNHÃO QUANTO AO FUTURO Dissolvido o casamento, cada um ficará com seus bens particulares e mais a metade do patrimônio comum. Comunica-se apenas o patrimônio amealhado durante o período de convívio, presumindo-se a lei ter sido adquirido pelo esforço comum do par. Art. 1660 - Integram a comunhão: Os bens adquiridos a partir da celebração do casamento (aquestos), ainda que a compra se efetue apenas por um dos cônjuges. Em princípio o bem ficará em comunhão, pois presume-se o esforço comum. Os bens adquiridos por fato eventual, independente de trabalho ou despesas (descoberta de tesouro, loteria, jogo ou aposta, usucapião, aluvião, avulsão, etc...) As benfeitorias (necessárias, úteis ou voluptuárias) feitas em bens particulares Frutos dos bens comuns ou particulares (renda de aluguel, lucros e dividendos de aplicações e ações, plantações e crias de animais) Os bens herdados/doados ao casal Art. 1659 - Exclui-se da comunhão: Os bens que cada cônjuge possuir ao casar, Os bens adquiridos após o enlace, mas por fato gerador ocorrido anteriormente ao casamento (art. 1661), Os bens adquiridos por doação e sucessão, durante o casamento, bem como os sub-rogados em seu lugar, exceto se forem doados ao casal Os bens adquiridos em sub-rogação dos bens particulares, Os débitos e os créditos de cada cônjuge, existentes à época do casamento, As dívidas oriundas de atos ilícitos, sejam estes praticados antes ou depois do casamento (o ilícito é pessoal), Os bens de uso pessoal, livros e instrumentos de trabalho. Os proventos do trabalho pessoal Maria Berenice Dias também doutrina no sentido de que o bem adquirido com o FGTS se comunica, devendo ser partilhado quando do fim da união, “sob pena de descaracterizar o regime de bens” (“Manual de Direito de Famílias”; 9ª ed, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2013). REGIME DA COMUNHÃO UNIVERSAL ARTS. 1667 A 1671 COMUNICABILIDADE DE TODOS OS BENS PASSADOS OU FUTUROS – MANCOMUNHÃO Compõe uma única universalidade de bens a ser dividida entre os cônjuges no fim do casamento. Art.1667 - Integram a comunhão: Os bens presentes e futuros, trazidos ao consórcio pelo casal, bem como os adquiridos, a qualquer título, na constância da vida em comum. É possível a existência de patrimônios particulares, que não se comunicam, formados por bens que não entram na comunhão seja por acordo antenupcial ou imposição de lei. Doações e heranças recebidas por quaisquer dos cônjuges, sem cláusula de incomunicabilidade Frutos dos bens eventualmente excluídos da comunhão As benfeitorias (necessárias, úteis ou voluptuárias) feitas em bens particulares Art. 1668 - Excluem-se da comunhão: Bens recebidos por doação ou herança por um dos consortes com cláusula de incomunicabilidade, ou sub-rogados em seu lugar Bens recebidos pelo fiduciário Obrigações assumidas antes do consórcio, com exceção daquelas contraídas em relação ao casamento ou as dívidas que tragam proveito para o casal. Doações antenupciais ao consorte com cláusula de incomunicabilidade Bens de uso pessoal, livros e instrumentos de profissão Proventos de trabalho pessoal REGIME DA PARTICIPAÇÃO FINAL NOS AQUESTOS ARTS. 1672 A 1686 EXISTEM VÁRIAS UNIVERSALIDADES DE BENS: BENS PARTICULARES QUE CADA CÕNJUGE POSSUIA ANTES DA UNIÃO, BENS RECEBIDOS EM HERANÇA OU DOAÇÃO OU SUB-ROGADOS BENS ADQUIRIDOS EM CONDOMINIO DURANTE A UNIÃO BENS PARTICULARES ADQUIRIDOS DURANTE A UNIÃO Os bens particulares anteriores a união pertencem exclusivamente ao seu proprietário. Os bens adquiridos em condomínio durante a união devem ser partilhados. Os bens adquiridos particularmente durante a união devem ser compensados. COMPENSAÇÃO DOS BENS PARTICULARES ADQUIRIDOS DURANTE A UNIÃO: “A” ADQUIRIU DURANTE A UNIÃO UM PATRIMONIO PARTICULAR DE 1.000.000,00 “B” ADQUIRIU DURANTE A UNIÃO UM PATRIMONIO PARTICULAR DE 1.400.000,00 A SOMA DOS DOIS GERA UM VALOR DE 2.400.000,00 QUE DIVIDIDO POR DOIS SERIA O VALOR DE 1.200,00 PARA CADA UM DELES B TERIA QUE PAGAR A “A” O VALOR DE 200.000,00 PARA EQUIPARAR OS AQUESTOS (COMPENSAÇÃO) REGIME DA SEPARAÇÃO DE BENS ARTS.1687 A 1688 HÁ DUAS MASSAS PATRIMONIAIS: OS BENS DO MARIDO E OS BENS DA MULHER.Neste regime cada consorte possui o seu patrimônio particular, não se comunicando as coisas móveis e imóveis adquiridas gratuita ou onerosamente, antes ou na constância do vínculo. Não se forma, sob o seu estatuto, um acervo ou massa patrimonial comum, o que existe são acervos separados.