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Resistência dos Materiais I Equilíbrio de Forças e Momentos Momento de Uma Força Definição Momento de uma força em relação a um ponto qualquer de referência, como sendo o produto entre a intensidade de carga aplicada e a respectiva distância em relação ao ponto. É importante observar que a direção da força e a distância estarão sempre defasadas 90°. Momento de Uma Força Definição Na figura dada, o momento da força F em relação ao ponto A será obtido através do produto F.c, da mesma forma que o produto da carga P em relação a A será obtido através de P.b. Para o nosso curso, convencionaremos positivo, o momento que obedecer ao sentido horário. Momento de Uma Força Teorema de Varignom o momento da resultante de duas forças concorrentes em um ponto E qualquer do seu plano em relação a um ponto A de referência, é igual à soma algébrica dos momentos das componentes da força resultante em relação a este ponto. Para o caso da figura temos: Rd = Hb + Vc Momento de Uma Força Exemplo n° 01 Determinar as reações nos apoios das vigas a, b, c, d, carregadas conforme mostram as figuras a seguir. a)Viga solicitada por carga perpendicular. Momento de Uma Força b)Viga solicitada por carga inclinada. Momento de Uma Força c)Viga solicitada por carga paralela ao suporte principal. Momento de Uma Força d)Viga solicitada por torque. Resistência dos Materiais I Carga Distribuída Momento de Uma Força Introdução Até agora estudamos somente a ação de cargas concentradas, isto é, cargas que atuam em um determinado ponto, ou região com área desprezível. No entanto, passaremos a nos preocupar com a ação das cargas distribuídas, ou seja, cargas que atuam ao longo de um trecho. Exemplos de Cargas Distribuídas Momento de Uma Força a) O peso próprio de uma viga Momento de Uma Força b) O peso de uma caixa d'água atuando sobre uma viga Momento de Uma Força c) o peso de uma laje em uma viga Podemos ainda citar como exemplos, barragens, comportas, tanques, hélices, etc. Momento de Uma Força Vamos agora, genericamente, estudar o caso de uma carga qualquer distribuída, como nos mostra a figura a seguir. q - intensidade de carga no ponto correspondente Adotamos para o estudo, o infinitésimo de carga dQ que é determinado pelo produto qdx. Momento de Uma Força É fácil observar que a superfície da figura é composta por infinitos qdx, que correspondem às forças elementares das áreas elementares correspondentes. O somatório dessas cargas elementares expressará a resultante Q, determinada pela área total Om.n.A da figura. Momento de Uma Força Linha de Ação da Resultante O momento de um infinitésimo de área em relação ao ponto O será expresso através do produto xdQ, que podemos escrever qxdx. O somatório de todos os momentos em relação ao ponto O será expresso por: Denominamos XG, a abscissa que fixa o ponto de aplicação da concentrada Q em relação ao ponto o. Portanto, podemos escrever que: Momento de Uma Força Linha de Ação da Resultante Podemos concluir que a resultante Q atuará sempre no centro de gravidade da superfície que representa a carga distribuída. Através desta superfície de carga, fica determinada a resultante e o ponto de aplicação da carga distribuída. Momento de Uma Força Exercícios Determinar as reações nos apoios, nas vigas solicitadas pela ação das cargas distribuídas, conforme as figuras dadas. 1.a) A resultante da carga distribuída de intensidade q e comprimento l será ql, e atuará no ponto l /2 em relação a A ou B.Teremos, então: Momento de Uma Força Exercícios Momento de Uma Força Exercícios 1.b) A carga distribuída, variando linearmente de O a q, possui resultante com intensidade ql/2, que atuará a uma distância l/3 de B (centro de gravidade do triângulo). Momento de Uma Força Exercícios 1.c) 1.d) Resistência dos Materiais I Tração e Compressão Tração e Compressão Os cálculos de resistência dos materiais permitem dimensionar elementos de uma construção civil ou mecânica, sujeitos aos mais variados tipos de carregamentos. De uma maneira geral, os componentes a serem dimensionados podem estar sujeitos aos esforços de tração (tende a alongar a peça), compressão (tende a encurtar a peça), cisalhamento, flexão e torção e, em alguns casos, dois ou mais tipos de esforços ao mesmo tempo. Através dos cálculos de estática é possível determinar as forças externas atuantes sobre um determinado elemento, no entanto, através dos cálculos de resistência dos materiais, é possível estudar os efeitos internos que essas forças causam sobre o elemento. Tração e Compressão De uma maneira geral, os elementos a serem dimensionados nunca são considerados perfeitamente rígidos, portanto, é de se prever que as forças externas, ou os esforços aplicados criam na estrutura interna às forças e às tensões internas que, por sua vez, promovem deformação. Existem deformações críticas a partir da qual o corpo está sujeito a romper-se, comprometendo o seu funcionamento. A resistência dos materiais visa, justamente, dimensionar esse componente, e ou determinar os tipos de materiais que devem ser construídos, para evitar que ocorram deformações críticas e permitir que resistam aos mais diversos tipos de carregamento que lhes são impostos. Forças Internas O primeiro e mais importante passo para solucionar um problema de resistência dos materiais é identificar as forças internas a partir do qual, o corpo ou componente em questão está sujeito. Para tal, será utilizado o método de seções transversais em qualquer elemento e o princípio de que os esforços internos devem sempre resistir ao efeito das forças externas. Tensões As tensões atuantes em cada seção de um componente mecânico, sujeito a determinados esforços, podem ser determinadas através da força interna existente e da área da seção transversal. Tensão nada mais é do que a força atuante na secção transversal por unidade de área, ou seja: Tensões A unidade de tensão no SI é o pascal, que corresponde à carga de 1N atuando sobre uma superfície de 1m² Tensões Os tipos de tensões podem ser divididos em: Tensão Normal e TensãoTransversal. Tensão Normal: Caso a força interna esteja atuando perpendicularmente à seção transversal, chamamos de normal (Fn). Esta força normal irá gerar uma tensão também normal (σn) onde: Tensões Tensão Transversal (Cortante): Quando a força interna estiver atuando paralelamente à seção, ou seja, perpendicularmente ao eixo, chamamos de transversal (Fq). A força cortante gera nessa seção uma tensão também transversal (τq) onde: Esforços Fundamentais Esforços de Tração Considere que uma peça qualquer de seção constante e área igual a “A”, seja solicitada por uma força externa “F” de tração (que tende a alongar a peça). Pelo método de seções, isolando as partes e aplicando as condições de equilíbrio, verificamos que existe na seção interna uma força “Fn”, reagindo contra a força externa F. Essa força “Fn” é suportada por uma seção transversal com uma área “A”, significando que cada unidade de área irá suportar uma tensão de tração. Esforços de Tração Dependendo do caso, a fórmula de tensão nos permite calcular: a) A área necessária para uma peça resistir ao esforço de tração, se conhecer o material. σt = Tensão admissível de tração (tabelada) σ = Tensão Admissível de tração (tabelada) Esforços de Tração Dependendo do caso, a fórmula de tensão nos permite calcular: b) A tensão atuantena seção transversal da peça para compará-la com a tensão admissível Ensaio de Tração O ensaio de tração consiste em submeter um corpo de prova a um esforço de tração progressivo sob a ação de uma carga lenta e gradualmente crescente em uma máquina de ensaios. Durante o ensaio, mede-se continuamente a força de tração aplicada (F) e a correspondente variação do seu comprimento (ΔL) em um segmento “Lo” previamente assinalado no corpo de prova. Com a finalidade de padronizar os ensaios, existem métodos elaborados pelas diversas entidades normalizadoras (ABNT, ASTM, DIN) que especificam a forma e as dimensões dos corpos de prova, conforme o material que está sendo ensaiado. Ensaio de Tração Normalmente, a parte central do corpo de prova possui uma seção transversal menor do que as extremidades, com a finalidade de garantir que ocorra ruptura. Gráfico Tensão x Deformação Ao submetermos um corpo de prova a um esforço de tração em uma máquina de ensaios, essa registra o comportamento em um gráfico denominado “Carga x Variação de Comprimento”. Nesse gráfico, pode-se distinguir alguns pontos característicos que representam o comportamento do material durante o ensaio, tais como: Região Elástica – Região onde o material não sofre nenhum dano estrutural, podendo parar o carregamento a qualquer momento e voltar à estrutura inicial. Região Plástica – Região onde o material começa a ter danos estruturais, como podemos ver no gráfico, dentro dele existe áreas distintas, quais sejam: Gráfico Tensão x Deformação Escoamento – É onde começa o rompimento das estruturas internas no material. Recuperação – É a área que não sofre mais o rompimento das estruturas internas do material. Gráfico Tensão x Deformação Gráfico Tensão x Deformação σp – Representa a região em que as tensões são diretamente proporcionais às deformações sofridas (trecho reto da curva). σe – Representa a tensão máxima onde o metal apresenta um comportamento elástico, isto é, volta às dimensões originais após a liberação da carga. Nesse caso, não ocorrem deformações residuais ou permanentes no material. Para muitos materiais, a tensão no limite de proporcionalidade e elasticidade são praticamente iguais. σs – Ponto a partir do qual aumentam as deformações sem que se alterem praticamente as tensões. Quando se atinge o limite de escoamento, dizemos que o material passa a escoar-se. Alguns materiais apresentam deformações sob tensão constante. O ponto inicial onde se indica o escoamento recebe o nome de limite de escoamento superior e o final de limite de escoamento inferior. Gráfico Tensão x Deformação σmax – É a tensão máxima que o material resiste ou a sua resistência a tração. σr – É a tensão no momento de ruptura do material. Em materiais dúcteis verifica-se a ruptura com uma força menor que a força máxima. Considerando o cálculo da tensão, a redução de área que ocorre no corpo de prova, no final do ensaio (estricção), verifica-se que a tensão de ruptura é, no mínimo, igual à tensão máxima. Lei de Hooke Após uma série de experiências, o cientista inglês, Robert Hooke, no ano de 1678, constatou que uma série de materiais, quando submetidos à ação de carga normal, sofre variação na sua dimensão linear inicial, bem como na área da secção transversal inicial. Ao fenômeno da variação linear, Hooke denominou alongamento, constatando que: quanto maior a carga normal aplicada, e o comprimento inicial da peça, maior o alongamento, e que, quanto maior a área da secção transversal e a rigidez do material, medido através do seu módulo de elasticidade, menor o alongamento, resultando daí a equação: Lei de Hooke Como 𝜎 = F A podemos escrever a Lei de Hooke: Lei de Hooke O alongamento será positivo, quando a carga aplicada tracionar a peça, e será negativo quando a carga aplicada comprimir a peça. É importante observar que a carga se distribui por toda área da secção transversal da peça. Lei de Hooke A lei de Hooke, em toda a sua amplitude, abrange a deformação longitudinal (𝜀) e a deformação transversal (𝜀𝑡). Deformação longitudinal (𝜀) Consiste na deformação que ocorre em uma unidade de comprimento (u.c) de uma peça submetida à ação de carga axial. Sendo definida através das relações: Lei de Hooke Deformação transversal (𝜀𝑡) Determina-se através do produto entre a deformação unitária (𝜀 ) e o coeficiente de Poisson Sendo definida através das relações: (𝑣). Lei de Hooke Deformação transversal (𝜀𝑡) Determina-se através do produto entre a deformação unitária (𝜀 ) e o coeficiente de Poisson Sendo definida através das relações: (𝑣). Materiais Dúcteis e Frágeis Os materiais, conforme as suas características, são classificados como dúcteis ou frágeis. Material Dúctil O material é classificado como dúctil, quando submetido a ensaio de tração, apresenta deformação plástica, precedida por uma deformação elástica, para atingir o rompimento. Ex.: Aço; alumínio, cobre, bronze, níquel, latão etc. Materiais Dúcteis e Frágeis Material Frágil O material é classificado como frágil, quando submetido a ensaio de tração não apresenta deformação plástica, passando da deformação elástica para o rompimento. Ex.: concreto, vidro, porcelana, cerâmica, gesso, cristal, acrílico etc. Diagrama tensão deformação do material frágil Gráfico Tensão x Deformação Estricção No ensaio de tração, à medida que aumentamos a intensidade de carga normal aplicada, observamos que a peça apresenta alongamento na sua direção longitudinal e uma redução na secção transversal. Na fase de deformação plástica do material, essa redução da secção transversal começa a se acentuar, apresentado estrangulamento da secção na região de ruptura. Essa propriedade mecânica é denominada estricção, sendo determinada através da expressão: Gráfico Tensão x Deformação Estricção Coeficiente de Segurança k O coeficiente de segurança é utilizado no dimensionamento dos elementos de construção, visando assegurar o equilíbrio entre a qualidade da construção e seu custo. O projetista poderá obter o coeficiente em normas ou determiná-la em função das circunstâncias apresentadas. Os esforços são classificados em 3 tipos: Carga Estática A carga é aplicada na peça e permanece constante; como exemplos, podemos citar: Um parafuso prendendo uma luminária. Uma corrente suportando um lustre. Coeficiente de Segurança k Carga Intermitente Neste caso, a carga é aplicada gradativamente na peça, fazendo com que o seu esforço atinja o máximo, utilizando para isso um determinado intervalo de tempo. Ao atingir o ponto máximo, a carga é retirada gradativamente no mesmo intervalo de tempo utilizado para se atingir o máximo, fazendo com que a tensão atuante volte a zero. E assim sucessivamente. Ex.: o dente de uma engrenagem . Coeficiente de Segurança k Carga Alternada Neste tipo de solicitação, a carga aplicada na peça varia de máximo positivo para máximo negativo ou vice versa, constituindo-se na pior situação para o material. Ex.: eixos, molas, amortecedores, etc. Obs.: para cisalhamento substituir 𝜎 por 𝜏. Coeficiente de Segurança k Para determinar o coeficiente de segurança em função das circunstâncias apresentadas, deverá ser utilizada a expressão a seguir: Coeficiente de Segurança k Para carga estática, normalmente utiliza-se 2 < k < 3 aplicado a 𝜎𝑒 (tensão de escoamento do material), para o material dúctil e ou aplicado a 𝜎𝑟 (tensão de ruptura do material) para o material frágil. Para o caso de cargas intermitentes ou alternadas, o valor de k cresce como nos mostra a equação para sua obtenção.Tensão Admissível 𝝈 ou 𝝈 adm A tensão admissível é a ideal de trabalho para o material nas circunstâncias apresentadas. Geralmente, essa tensão deverá ser mantida na região de deformação elástica do material. Porém, há casos em que a tensão admissível poderá estar na região da deformação plástica do material, visando principalmente a redução do peso de construção como acontece no caso de aviões, foguetes, mísseis, etc. Para o nosso estudo, restringiremos somente ao primeiro caso (região elástica) que é o que frequentemente ocorre na prática. Tensão Admissível 𝝈 ou 𝝈 adm A tensão admissível é determinada através da relação 𝜎𝑒(tensão de escoamento) coeficiente de segurança para os materiais dúcteis, 𝜎𝑟 (tensão de ruptura) coeficiente de segurança para os materiais frágeis. Peso Próprio Em projetos de porte, é necessário levar em conta, no dimensionamento dos elementos de construção, o peso próprio do material, que será determinado através do produto entre o peso específico do material e o volume da peça, conforme nos mostra o estudo a seguir. Aço e sua Classificação Aço é um produto siderúrgico que se obtém através de via líquida, cujo teor de carbono não supere a 2%. Dimensionamento de Peças Peças de SecçãoTransversal Qualquer Dimensionamento de Peças Peças de SecçãoTransversal Circular Diâmetro da Peças Dimensionamento de Correntes A carga axial na corrente se divide na metade para cada secção transversal do elo. Propriedades Mecânicas Propriedades Mecânicas Propriedades Mecânicas Propriedades Mecânicas Propriedades Mecânicas Esta tabela foi adaptada através das normas da ABNT NB-82; EB-126; EB-127; PEB-128; NB-11. As tensões de ruptura das madeiras deverão ser consideradas paralelas às fibras. Exercícios Exercício 1- A barra circular representada na figura. é de aço, possui d = 20 mm e comprimento l =0,8m. Encontra-se submetida à ação de uma carga axial de 7,2 kN. Pede-se determinar para a barra: a) Tensão normal atuante (𝜎) b) O alongamento (∆𝑙) c) A deformação longitudinal (𝜀) d) A deformação transversal (𝜀𝑡) Exercícios Exercício 2 - Determinar o diâmetro da barra 1 da construção representada na figura. O material da barra é o ABNT 1010L com 𝜎𝑒 = 220 MPa, e o coeficiente de segurança indicado para o caso é k = 2. Exercícios Exercício 3 - A figura dada, representa duas barras de aço soldadas na secção BB. Exercícios Exercício 4 - Uma barra circular possui d = 32 mm, e o seu comprimento l = 1,6 m. Ao ser tracionada por uma carga axial de 4kN, apresenta um alongamento ∆𝑙 = 114 um. Qual o material da barra?