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Unidade 1 – Noções Básicas de Comunicação e Linguagem
Lixo industrial na sua casa
A obsolescência programada dos produtos já ultrapassou todos os limites. Você compra uma geladeira, um fogão, uma máquina de lavar hoje e daqui a três ou quatro meses consulta a lista de assistência técnica. Chato, não?
Vem a assistência técnica autorizada, conserta, ou melhor, dá um jeito por um mês ou dois. E o produto quase novo, já reparado, está novamente estragado. Irritante, não?
Pois é, falamos, discutimos, escrevemos, lemos e vemos programas e filmes sobre a proteção ao ambiente. Um tema relevante, empolgante, mas que se contrapõe à curta duração dos produtos.
Porque, bem, cá entre nós e que ninguém nos ouça, com produtos fabricados para estragar e assistência técnica que faz gambiarras, sai mais em conta comprar um novo.
Chegamos, então, à triste situação de descartar, após um ano ou dois, equipamentos que antes duravam dez ou mais anos. Todos feitos com muito plástico, que deforma, enguiça, quebra e não dura.
A natureza, já tão ameaçada por nosso descaso e desrespeito milenares, sofre com montanhas de baterias, carcaças de celulares, de máquinas de lavar e fontes de microcomputadores. Lixo, muito lixo, que decorre da cupidez de quem fabrica porcaria para vender novamente em prazo recorde.
Maria Inês Dolci, Folha de S. Paulo, 31/05/2010. Adaptado.
 
1 - Destes pares de palavras, entendidos no contexto, o único em que ocorrem contrastes entre linguagem formal e informal e entre denotação e conotação é:
Escolha uma:
a. “reparado” / “fabricados”.
b. “gambiarras” / “porcaria”.
c. “conserta” / “decorre”.
d. “relevante” / “empolgante”.
e. “programas” / “montanhas”.
Leia o texto abaixo.
CAPÍTULO 73 - O Luncheon
O despropósito fez-me perder outro capítulo. Que melhor não era dizer as coisas lisamente, sem todos estes solavancos! Já comparei o meu estilo ao andar dos ébrios. 
Se a ideia vos parece indecorosa, direi que ele é o que eram as minhas refeições com Virgília, na casinha da Gamboa, onde às vezes fazíamos a nossa patuscada, o nosso luncheon. Vinho, frutas, compotas. Comíamos, é verdade, mas era um comer virgulado de palavrinhas doces, de olhares ternos, de criancices, uma infinidade desses apartes do coração, aliás o verdadeiro, o ininterrupto discurso do amor. Às vezes vinha o arrufo temperar o nímio adocicado da situação. Ela deixava-me, refugiava-se num canto do canapé, ou ia para o interior ouvir as denguices de Dona Plácida.Cinco ou dez minutos depois, reatávamos a palestra, como eu reato a narração, para desatá-la outra vez. Note-se que, longe de termos horror ao método, era nosso costume convidá-lo, na pessoa de Dona Plácida, a sentar-se conosco à mesa; mas Dona Plácida não aceitava nunca.
Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas.
2 - Uma palavra, própria da língua escrita, foi empregada figuradamente, no texto, para caracterizar uma ação não verbal. Ela aparece no seguinte trecho:
Escolha uma:
a. “reatávamos a palestra”.
b. “desses apartes do coração”.
c. “era um comer virgulado”.
d. “Já comparei o meu estilo”.
e. “o ininterrupto discurso do amor”.
Leia o texto abaixo:
Antigamente
Antigamente, os pirralhos dobravam a língua diante dos pais, e se um se esquecia de arear os dentes antes de cair nos braços de Morfeu, era capaz de entrar no couro. Não devia também se esquecer de lavar os pés, sem tugir nem mugir. Nada de bater na cacunda do padrinho, nem de debicar os mais velhos, pois levava tunda. Ainda cedinho, aguava as plantas, ia ao corte e logo voltava aos penates. Não ficava mangando na rua nem escapulia do mestre, mesmo que não entendesse patavina da instrução moral e cívica. O verdadeiro smart calçava botina de botões para comparecer todo liró ao copo-d’água, se bem que no convescote apenas lambiscasse, para evitar flatos. Os bilontras é que eram um precipício, jogando com pau de dois bicos, pelo que carecia muita cautela e caldo de galinha. O melhor era pôr as barbas de molho diante de treteiro de topete, depois de fintar e engambelar os coiós, e antes que se pusesse tudo em pratos limpos, ele abria o arco.
ANDRADE, C. D. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1983 (fragmento).
3 - Na leitura do fragmento do texto Antigamente constata-se, pelo emprego de palavras obsoletas, que itens lexicais outrora produtivos não mais o são no português brasileiro atual. Esse fenômeno revela que
Escolha uma:
a. o português brasileiro se constitui evitando a ampliação do léxico proveniente do português europeu.
b. o português brasileiro apoia-se no léxico inglês para ser reconhecido como língua independente.
c. o léxico do português representa uma realidade linguística variável e diversificada
d. a heterogeneidade do português leva a uma estabilidade do seu léxico no eixo temporal.
e. a língua portuguesa de antigamente carecia de termos para se referir a fatos e coisas do cotidiano.
Leia o texto abaixo:
MANDIOCA – mais um presente da Amazônia
Aipim, castelinha, macaxeira, maniva, maniveira. As designações da Manihot utilissima podem variar de região, no Brasil, mas uma delas deve ser levada em conta em todo o território nacional: pão-de-pobre – e por motivos óbvios.
Rica em fécula, a mandioca – uma planta rústica e nativa da Amazônia disseminada no mundo inteiro, especialmente pelos colonizadores portugueses – é a base de sustento de muitos brasileiros e o único alimento disponível para mais de 600 milhões de pessoas em vários pontos do planeta, e em particular em algumas regiões da África.
O melhor do Globo Rural. Fev. 2005 (fragmento).
4 - De acordo com o texto, há no Brasil uma variedade de nomes para a Manihot utilissima, nome científico da mandioca. Esse fenômeno revela que
Escolha uma:
a. mandioca é nome específico para a espécie existente na região amazônica.
b. existem variedades regionais para nomear uma mesma espécie de planta.
c. a planta é nomeada conforme as particularidades que apresenta
d. os nomes designam espécies diferentes da planta, conforme a região.
e. “pão-de-pobre” é designação específica para a planta da região amazônica.
5 - O termo (ou expressão) destacado que está empregado em seu sentido próprio, denotativo, ocorre em:
Escolha uma:
a. 
b. “Humorismo é a arte de fazer cócegas no raciocínio dos outros. Há duas espécies de humorismo: o trágico e o cômico. O trágico é o que não consegue fazer rir; o cômico é o que é verdadeiramente trágico para se fazer.”
c.
|O dicionário-padrão da língua e os dicionários unilíngues são os tipos mais comuns de dicionários. Em nossos dias, eles se tornaram um objeto de consumo obrigatório para as nações civilizadas e desenvolvidas.”
(Maria T. Camargo Biderman. O dicionário-padrão da língua. Alfa (28), 2743, 1974 Supl.)
 d.
“(....)
É de laço e de nó
De gibeira o jiló
Dessa vida, cumprida a sol (....)”
(Renato Teixeira. Romaria. Kuarup Discos. setembro de 1992.)
e.
“Protegendo os inocentes
é que Deus, sábio demais,
põe cenários diferentes
nas impressões digitais.”
(Maria N. S. Carvalho. Evangelho da Trova. /s.n.b.)

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